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Radamés Abrantes

Instituto de Biologia Marinha e Meio


Ambiente - IBIMM

2011
1
SUPERVISÃO

Prof. Edris Queiroz Lopes

ORGANIZAÇÃO

Radamés Abrantes
Biólogo

REVISÃO

Dani Seco

IBIMM – Instituto de Biologia Marinha e Meio Ambiente

Núcleo Mairiporã

Rua B- número 16 - Bairro Jardim Boa Vista


Telefones:

11-8528-9495 ou 11-9626-9411

Maio/2011

2
SUMÁRIO

1 Introdução........................................................................................................4

2 Noções de Classificação e Botânica Básica ...................................................5

3 Espécies mais comuns nas ruas, praças e


Parques de São Paulo.........................................................................................7

4 Considerações finais.......................................................................................71

Referências........................................................................................................72

3
1 Introdução

Árvores são elementos essenciais na paisagem urbana, porém para a maioria


das pessoas são meros desconhecidos, portanto muitas das notáveis espécies de nossa
flora passam despercebidas.
Em nossas alamedas ruas, praças e parques existem uma diversidade
considerável de espécies algumas com notória utilidade e outras que resistiram há
séculos as mudanças na paisagem urbana, resistiram bravamente a processos de
especulação imobiliária e ao descaso da população e do poder publico.

A preservação das árvores tem sido um aspecto fundamental das campanhas


desenvolvidas pelos movimentos ecológicos, mas para preservá-las é preciso conhecê-
las e passar a reconhecer da sua vital importância para a qualidade de vida de pessoas,
principalmente da fauna que busca abrigo e alimentação.
Isto não ocorre por acaso, pois as arvores são responsáveis pelo equilíbrio dos
ecossistemas e representam o componente natural mais evidente do planeta, sendo
encontradas em grande diversidade nas florestas e que aos poucos muitas destas
espécies florestais são introduzidas no paisagismo e cultivadas nas cidades outras
ocorrem de forma espontânea com a ajuda dos dispersores de sementes que de
maneira geral são animais em busca de alimento.

Este conteúdo tem como objetivo tornar mais próximas e familiares algumas
das principais espécies existentes nas praças, logradouros públicos e parques da cidade
de São Paulo, e é dedicado a todos aqueles que aprenderam a encará-las como um
bem insubstituível na paisagem urbana.

4
2 Noções de classificação e botânica básica

A taxonomia vegetal tem por finalidades a identificação e a classificação das


plantas segundo uma ordem racional. Para atingir a este pressuposto é necessário
atributos de outras ciências como morfologia, anatomia, paleobotânica, fisiologia,
citologia, genética e fitogeografia. Para fins práticos de identificação usamos
basicamente dados morfológicos são os de mais simples uso.
Nomenclatura é a parte da taxonomia vegetal que cuida da correta utilização
dos nomes botânicos.
O código internacional de nomenclatura botânica estabelece a subdivisão do
Reino Vegetal num determinado número de unidades taxonômicas hierarquicamente
sucessivas. Da mais para o menos abrangente as principais unidades taxonômicas são:
Divisão ou Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero e Espécie.

A espécie é a unidade básica; O nome de uma espécie é um binômio latino


formado pelo nome do gênero a que a planta pertence seguida do nome da espécie
em específico a que pertence. Os dois nomes juntos formam o nome da espécie.

Os nomes de gênero e espécie devem ser grafados sempre em itálico.

Na listagem de espécies desta apostila, usaremos a seguinte ordem:

1-nome popular 2-Nome científico 3-Família *

*Obs.: eventualmente serão fornecidas sugestões de espécies mais


conhecidas da família, para facilitar a associação de características comuns
a todas as espécies que compõem a família.

Na botânica também usamos outras classificações que facilitam o estudo e


reconhecimento das mesmas.

Classificação quanto ao Porte:

• Herbáceas: plantas de pequeno porte, forrações, folhagens, que não possuem


caule lenhoso.
• Arbustivas: já possuem caule lenhoso e quando adultos não ultrapassam 1,80
metro.
• Arbóreas: todas as árvores e plantas de pequeno, médio e grande porte,
apresenta caule lenhoso, podendo ter variados diâmetros.
Classificação quanto a Origem:

• Nativa: espécies naturais dos biomas brasileiros ocorrem espontaneamente ou


são cultivadas.
• Exótica: são espécies introduzidas de outros ecossistemas que não ocorrem
naturalmente no território nacional; que não tem habitat original no Brasil.

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A seguir serão apresentando uma listagem com as espécies mais comuns
cultivadas e nativas nas ruas, praças, parques da cidade de São Paulo em especial as
espécies ocorrentes nos lugares visitados durante o curso.
O material listado a seguir, não visa esgotar o assunto, são muitas espécies que
não foram contempladas nesse primeiro momento, pedimos a compreensão de todos
e para minimizar essa defasagem é indicada no término desta apostila a bibliografia
básica para quem desejar conhecer mais espécies e assuntos relacionados com a nossa
notável diversidade botânica.

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3 Espécies mais comuns nas praças, ruas e parques de
São Paulo.

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Agave
Agave sp Agavaceae

Agave é um género de plantas suculentas da família Agavaceae (agavácea),


originárias do México e em menor grau dos Estados Unidos, América Central e América
do Sul.

É composto por 183 espécies, algumas das quais largamente cultivadas como
o Agave sisalana (para produção de sisal), Agave tequilana (para a produção
de tequila), Agave americana e Agave attenuata para fins ornamentais.

8
Alecrim-de-campinas
Holocalyx balansae Micheli Leguminosae

O alecrim-de-campinas é uma árvore de crescimento lento, que atinge um


porte de 10 a 25 metros de altura. Uma das características marcantes é o tronco
sulcado, com saliências longitudinais. Flores de cor creme, produzidas em pleno
inverno.

Índios xavantes usavam a madeira para a confecção de seus instrumentos de


guerra e de pesca principalmente tacapes e pontas de flecha. Hoje uma espécie muito
apreciada para arborização urbana.

9
Angico
Anadenanthera sp Leguminosae

Angico é a designação comum a várias espécies de árvores todas nativas da


América tropical, principalmente do Brasil e também são exploradas e/ou cultivadas
devido à boa qualidade da sua madeira e como ornamental.

Um estudo clínico com esta planta concluiu possuir atividades alucinógena e


hipnótica. Análises fitoquimicas de sua casca isolaram o alcalóide indólico óxido de
N,N-dimetiltriptamina.
Algumas tribos do México e Brasil (Yanomamis) utilizam a semente da
Anadenanthera colubrina em seus rituais como alucinógeno.

10
Araribá
Centrolobium tomentosum Guill. Leguminosae

Araribá na língua tupi significa “árvore de arara”. Atinge rapidamente o


grande porte de 25 metros e podem formar Sapopemba, ou seja, troncos
tabulares. É facilmente reconhecido pelos grandes folíolos pareados de suas
folhas verde escuras, lembrando as do cedro.

Floresce durante o verão, com flores amarelas muito atrativas para


abelhas.

Nativa da Mata Atlântica ocorre nas encostas pedregosas e instáveis nos


estados de MG, MS, GO, PR e SP.

Seus frutos alados são dotados de espinhos grandes e duros. Madeira


nobre considerada de lei

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Araucária
Araucaria angustifolia (Bert.) O. Ktze Araucariaceae

Ocorrência: Brasil na Floresta tropical de altitude.

Com porte de até 30 metros, é cada vez mais raros encontrar árvores com
grandes diâmetros, é facilmente reconhecida por suas características marcantes
presentes em sua copa. De fácil cultivo, a árvore que tem sexos separados (araucária
macho e araucária fêmea) começa a produzir pinhão a partir dos 15 anos de idade.
Podem chegar aos 300 anos de idade.

É a espécie de pinheiro mais conhecida na mata atlântica, mas não é a única,


existem outras espécies de pinheiro uma delas é conhecida como pinheiro bravo
(Podocarpus).

Existem várias espécies de araucárias no mundo, todas exclusivas do hemisfério


sul inclusive com exemplares fósseis encontrados na Antárctica.

No passado, a cidade de São Paulo abrigava grande número de araucárias, em


especial na região da Av .Paulista e no bairro de Pinheiros.

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Aroeira-pimenteira Anacardiaceae (Cajú)
Schinus terebinthifolia

Aroeira-vermelha, aroeira-pimenteira são nomes populares da espécie de


árvore brasileira da família das Anacardiaceae. Muito apreciada por aves, é
utilizada no paisagismo devido a esta condição e por seu pequeno porte.
Outros nomes populares: aguaraíba, aroeira, aroeira-branca, aroeira-da-
praia, aroeira-do-brejo, aroeira-do-campo, aroeira-do-paraná, aroeira-mansa,
aroeira-negra, aroeira-precoce, aroerinha-do-iguapé, bálsamo, cambuí, fruto-do-
sabiá.

Muito apreciada na culinária francesa, onde é conhecida como poivre-


rose, a pimenta rosa.

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Bromélias Bromeliaceae

Foto: Radamés Abrantes

Família de plantas com cerca de 46 gêneros e aproximadamente 2700 espécies.


As bromélias são popularmente conhecidas em todo o mundo, mas pouca gente
sabe que na sua origem são quase que exclusivas das Américas, ocorrendo desde o sul
dos EUA, América Central e principalmente América do Sul com a maior diversidade de
espécies.

Há uma única espécie encontrada na África Ocidental, denominada Pitcairnia


Feliciana.
São plantas epífitas (epi=em cima; phitos= luz), ou seja, não são consideradas
parasitas como muita gente erroneamente considera.
O uso econômico atribuído pelas bromélias notadamente vem sendo aos
poucos reconhecido aqui no Brasil, apesar da Mata Atlântica abrigar 50 % da
diversidade de bromélias, os países que mais exploram comercialmente essa planta
são: Bélgica, Alemanha, Países Baixos e Austrália.

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No Brasil, algumas espécies vem sendo melhor exploradas comercialmente:
- Abacaxi Ananas comosus - onde a região nordeste é o maior produtor nacional,
atendendo a demanda interna principalmente para a agroindústria.

- Aechmea bromeliifolia – fornece uma tintura amarela, utilizada principalmente no


artesanato.

- Tillandsina usneoides – conhecida como barba de velho, é produtora da resina cumarina


com propriedades medicinais.

- Neoglaziovia variegata – conhecida como Caroá essa produz uma fibra parecida com o
sisal, gerando renda para diversas localidades do nordeste onde a fibra é utilizada por
tecelagens.
Além destas apresentadas, as bromélias devido ao seu potencial ornamental vêm
sendo bastante popularizadas principalmente como planta de uso ornamental rústica e
resistente a diversos ambientes, essa condição impulsionou o cultivo para atender este
crescente mercado.

O cultivo de bromélias se tornou uma atividade lucrativa onde são empregadas


modernas técnicas de clonagem em laboratório, produzindo mudas em larga escala o
que nem sempre garante a qualidade e durabilidade das mesmas.

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Café Rubiaceae
Coffea arabica L.

Originário da África, disseminado em todo o Brasil, principalmente na região


Sudeste.

Arvoreta (maior que arbusto) com flores brancas e frutos vermelhos, foi trazido
da África para o Brasil pelos portugueses, juntamente com os escravos no final do
século XVIII. Marcou importante ciclo econômico no Brasil, principalmente nos estados
de São Paulo e Minas Gerais.
Os imigrantes tiveram uma importante participação na cultura do café nas
fazendas desses estados, o que contribuiu para a devastação das florestas em troca de
desenvolvimento e progresso¹.

Existem 60 espécies de café, mas apenas duas são cultivadas por seu interesse
econômico: Coffea arabica e Coffea robusta.

¹Recomendável à leitura do livro: A Ferro e Fogo - a história e a devastação da mata atlântica


Brasileira, Warren Dean.

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Canafístula
Cassia fistula L. Leguminosae

A canafístula, também conhecida como cássia-imperial é uma árvore


com origem no Sudeste Asiático. Muito comum na arborização é uma árvore de
crescimento rápido, que atinge um porte de 5 metros de altura, para 4 metros de
diâmetro da copa arredondada.
As folhas são pequenas, caducas (caem). A floração decorre entre
dezembro e abril e origina flores amareladas. A frutificação é do tipo vagem e
decorre de setembro a novembro

. É uma planta resistente ao frio. Eventualmente usada como medicinal


principalmente como emagrecedor, recebe o nome de sene.

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Canela
Ocotea odorifera Lauraceae

Canela é uma designação comum de várias espécies


(gêneros Cinnamomum, Ocotea ou Nectandra), da família Lauraceae.

Canela Sassafrás (Ocotea odorifera) é uma espécie da flora brasileira


ameaçada de extinção. É nativo de florestas e capões e parente da canela, do
louro e da imbuia.

Seu óleo, com aplicações em perfumaria e na fabricação de inseticidas,


tem uma característica importantíssima: sua densidade nunca se altera mesmo
em altas variações de temperatura. Essa estabilidade é vital para aparelhos de
precisão e já foi muito utilizado em aeronaves e até em espaçonaves.

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Cedro
Cedrella fissilis Meliaceae

Possui flores amarelas. é indicada na arborização de praças e avenidas.

Madeira considerada de lei, a coloração varia de branca a rosa é ótima para


fabricação de lápis e empregada na construção civil e indústria moveleira.

É facilmente encontrado no Parque Siqueira Campos (Trianon).

19
Chichá
Sterculia chicha St. Hill.ex Turpin Malvaceae

Encontrada ao longo das matas ciliares das regiões nordeste, sudeste e centro-
oeste.

É uma árvore de grande porte, atinge até 30 metros, apresentando raízes


tabulares conhecidas como Sapopemba, garantindo assim maior estabilidade no solo.

De crescimento rápido, as flores são pequenas sem pétalas, apenas sépalas nos
tons de vermelho e amarelo.

Os frutos são vermelhos e textura aveludada, com oito sementes, pretas


grandes, oleaginosas e comestíveis.

As sementes tem sabor agradável semelhante ao amendoim, sendo consumidas


torradas ou cozidas.

20
Cica
Cycas revoluta Cycadaceae

Conhecida no Brasil como sagu-de-jardim, é uma espécie nativa da China, e


Japão.

Esta espécie tem importância ornamental. Pertence ao grupo das plantas


coníferas (gimnospermas).

Da pinha é extraído amido usado na alimentação humana. É ainda usada


na medicina popular.

21
Cipreste
Cupressus sempervirens L. Cupressaceae

O Cipreste-italiano , é uma árvore nativa do Sul europeu (Mediterrâneo oriental,


sudeste da Grécia - especialmente Creta e Rodes) e do Sudoeste da Ásia (Nordeste da
Líbia, sul da Turquia, Chipre, Síria ocidental e Líbano - além de uma população disjunta
no Irã) chega a medir 45 m, com copa estreita e esguia.
É uma espécie de grande longevidade e de folha persistente (sempervirens, quer dizer
"sempre verde") - sabe-se que podem viver um milénio.

Utilizada como símbolo recorrente da tristeza, melancolia e da morte ou vida


eterna.
A sua madeira aromática já era utilizada por egípcios, na construção
dos sarcófagos. Na Idade Média era usado para fazer arcas.

22
Copaíba
Copaifera langsdorfii Desf.
Leguminosae

Parque da aclimação

Nas matas podem alcançar a altura de até 20 metros, somente frutificando


depois de 10 anos de idade. Suas flores branco-rosadas se agrupam nas pontas dos
ramos, cobrindo toda a árvore e atraindo grande número de abelhas.
Os frutos ao amadurecerem se rompem, expondo uma semente preta envolvida
numa polpa carnosa alaranjada e aromática, apreciada por pássaros como os sabiás,
que ficam responsáveis pela dispersão da espécie.

Do tronco é extraído o famoso óleo de copaíba de grande valor comercial, com


usos medicinais e industriais.

23
Costela-de-adão
Monstera deliciosa Araceae

Arbusto, semi-lenhoso, pode ser cultivado a pleno sol ou na sombra, possui


inúmeras raízes aéreas que se espalham no ambiente em que está fixado, tem hábito
epífita, ou seja, pode viver sobre outras plantas sem ser considerado uma parasita.

Muito confundida com a espécie Guaimbê que apresenta os frutos tóxicos,


nesta espécie os frutos são comestíveis e saborosos comercializados em algumas feiras
livres.

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Embaúba
Cecropia sp Cecropiaceae

Embaúba é designação comum a várias espécies de árvores,


principalmente do gênero Cecropia, podendo chegar a 15 m de altura. Pertence
ao estrato das plantas pioneiras da Mata Atlântica.

As embaúbas são árvores leves, pouco exigentes quanto a solo, e muito


comuns em áreas desmatadas em recuperação.

Conhecida como árvore da preguiça, seus frutos e folhas jovens, servem de


alimento a este animal. Os frutos são atrativos a várias espécies de aves, capazes
de os dispersarem rapidamente.

Como possuem caule e ramos ocos, vivem em simbiose


com formigas especialmente as do gênero Azteca que habitam no seu interior e
que as protegem de animais herbívoros.

As folhas por serem ásperas são usadas como lixa para madeira.

25
Eritrina
Erythrina speciosa Leguminosae

Considerada uma das mais notáveis árvores brasileiras, a eritrina já vem a


algum tempo a ser usada na arborização com imenso destaque.

Apresenta inflorescência em forma de candelabro, composta de flores


vermelho-vivo, atrativa para beija-flores.

O tronco é espinhento e a madeira é leve, mole e pouco durável. As folhas são


grandes, caem totalmente no inverno, dando lugar a floração.

O florescimento ocorre no final do inverno e início de primavera.

No jardim botânico de São Paulo, essa espécie foi escolhida para compor o
conjunto arquitetônico conhecido como Jardim de Lineu, cuja imagem é refletida no
espelho d’água existente.

26
Eucalipto
Eucalyptus sp Myrtaceae (goiaba, pitanga, araçá).

Originária da Austrália introduzida em todo o Brasil.

Árvores aromáticas, suas flores brancas ou vermelhas são polinizadas por


abelhas, algumas espécies são medicinais com conhecidas propriedades expectorantes
(eliminando a secreção dos pulmões).

Espécie de crescimento rápido foi introduzida inicialmente no Brasil para


produção de lenha usada nas locomotivas a vapor. Atualmente é a principal espécie
utilizada na produção de celulose além da produção de resinas e óleos essenciais.

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Falsa-seringueira
Ficus elástica Roxb. Moraceae

Árvore com 15–20 m de altura quando cultivada e em estado selvagem


chega aos impressionantes 60 m no seu habitat natural, de tronco curto e grosso.

A copa é ampla, com ramos que se desenvolvem obliquamente ao tronco


principal. A planta tende a desenvolver raízes aéreas que ao encontrarem o solo
se transformam em troncos auxiliares, ajudando a suportar os pesados ramos e
contribuindo para o alargamento da copa.

No Brasil é conhecida por falsa-seringueira ou figueira-branca, originária


de uma vasta região que se estende da Índia até à Malásia e à Indonésia,
utilizada como árvore de interior e como ornamental, Em São Paulo é comum
em pontos de taxi e nas praças motivados por sua excelente sombra.

28
Figueira
Ficus microcarpa Moraceae

Tem como origem a Malásia e Ásia tropical.

Espécie bem adaptada ao clima brasileiro é utilizada em larga escala para


ornamentar praças e jardins. Também é utilizada como cerca viva.
Seu fruto é um figo pequeno e vermelho do tamanho de uma ervilha muito
apreciado por aves como sanhaço, rolinhas, sabiás e bem-te-vis.

A figueira do largo da memória presente no mesmo local desde o século XIX fica
localizada ao lado do monumento dos “piques” resistiu às reformas do primeiro
monumento de SP, inclusive às intervenções feitas para a construção da estação
Anhangabaú do metrô. Já foi considerada "a árvore mais famosa de São Paulo".

29
Guaimbê
Philodendron bipinnatifidum Schott Araceae

Arbusto, semi-lenhoso que se fixam a outras plantas pelas raízes adventícias,


importantes para a fixação e absorção de água do solo.

Folhas ornamentais grandes, seus frutos são tóxicos pela presença de cristais de
oxalato.

30
Guapuruvú
Schizolobium parahyba (Vell.) S.F. Blake Leguminosae

O guapuruvu também conhecido como ficheira, bacurubu, badarra, bacuruva,


birosca, faveira, pau-de-vintém, pataqueira ou ainda "pau-de-tamanco", umbela, é uma
árvore de grande porte e elegância incontestável usada na arborização e paisagismo
urbano.
Alcança cerca de 20 metros, tronco liso de cor cinzenta, marcada por
manchadas deixadas pelas cicatrizes das folhas que caem. Possui copa densa com
galhos regulares que formam uma abobada perfeita. Durante o inverno todas as folhas
caem e rebrotam após a floração.

É a árvore símbolo da cidade de Florianópolis, capital do estado de Santa


Catarina, Brasil.

Madeira usada na confecção de pranchetas, brinquedos e no aeromodelismo,


devido à maciez da madeira e superfície sedosa.

31
Ipê
Tabebuia sp Bignoniaceae

As árvores do gênero são de grande porte, possuem copas abertas e irregulares


nos indivíduos jovens, enquanto, nos adultos, são arredondadas e elevadas.

Suas sementes têm até dois centímetros e são aladas, com inúmeras por fruto.
Por sua grande variedade de espécies, autores sugeriram a revisão do gênero,
de forma que ele fique restrito a árvores de flores brancas a vermelhas e que as
espécies de flores amarelas, com folhas pilosas e de madeira dura passem a pertencer
ao gênero Handroanthus.

São 253 espécies, com várias cores de flor. Nem todas são conhecidas
popularmente como ipê.
A flor do ipê amarelo é considerada a flor símbolo nacional.

32
Iris-azul
Neomarica caerulea (Ker.) Sprague Iridaceae

Espécie nativa do Brasil, extensamente cultivada em jardins como ornamental,


apresenta folhas com mais ou menos 1 metro de comprimento, inflorescências mais
longas que as folhas e com longo pedúnculo alado em cuja extremidade surgem as
flores muito ornamentais, roxo-azuladas que lembram em semelhança as orquídeas.

As flores surgem periodicamente de dois em dois dias durante um largo período


de tempo, porém são efêmeras (pouca duração) abrem durante a manhã ou à noite e
no mesmo dia murcha.

33
Jacarandá-mimoso
Jacaranda mimosifolia D. Don Bignoniaceae

Árvore de porte médio, atinge cerca de 15 metros. De copa rala, arredondada a


irregular, folhagem delicada. Seu caule, 30 a 40 cm de diâmetro, é um pouco retorcido,
com casca clara e lisa quando jovem, que gradativamente vai se tornando áspera e
escura com a idade.

Suas flores são duráveis, perfumadas e grandes, de coloração arroxeada, em


forma de trompete característica da família.

A floração se estende por toda a primavera e início do verão.

34
Jequitibá-branco
Cariniana estrellensis (Raddi) Kuntze Lecythidaceae

O jequitibá-branco está na lista de espécies ameaçadas do estado de São Paulo,


onde é espécie símbolo estadual.
Em seu tronco, sustenta sempre em grande número, plantas epífitas como
bromélias, samambaias e orquídeas.

Frutos em forma de cachimbo (pixídios) são usados por caboclos do interior


justamente para esse fim, confeccionando um cachimbo ao introduzir uma fina taquara
em um orifício.

35
Jequitibá-Rosa
Cariniana legalis Lecythidaceae

Av. Faria Lima

O jequitibá-rosa é uma árvore emergente brasileira (se destaca no dossel da


floresta). É a árvore-símbolo dos estados de São Paulo e do Espírito Santo.
Seu porte e beleza fizeram com que seu nome fosse dado a cidades, ruas e palácios.
É considerada a maior árvore nativa do Brasil, porque pode atingir até 50
metros de altura e um tronco com diâmetro médio de até sete metros.

Foi encontrado em Alto Bérgamo, município de João Neiva – ES um Jequitibá-


rosa medindo 11,85 metros de circunferência, só comparando com o diâmetro da
sequoia norte americana a maior árvore do mundo, o maior diâmetro foi de 16 metros.
São encontrados dois exemplares no Pátio do Colégio, centro de SP.

36
Ligustro
Ligustrum lucidum Oleaceae

O ligustro é uma árvore originária da China, muito usada em arborização urbana


em São Paulo e outras cidades no sudeste brasileiro.
O tronco grosso, de casca escura e com fissuras irregulares, sustenta a copa densa e
arredondada.

As folhas simples, opostas, são ovaladas, com ápice alongado, verde-escuras,


brilhantes, coriáceas, com 8–15 cm de comprimento.

A espécie somente deve ser usada na arborização de parques ou áreas amplas,


porque a árvore adulta tem tronco amplo e com travessas laterais que destrói calçadas
e muros. É resistente a podas, rústica e cresce rápido.

37
Liquens

Os liquens são associações entre um componente fúngico (fungo) e uma


população de algas (cianobactérias unicelulares e ou filamentosas). O tipo de
associação (simbiose) permanece controverso, muitos defendem a relação mutualista,
visto que o fungo recebe da alga carboidratos e compostos nitrogenados, mas o fungo
repassa para a alga, nutrientes minerais por ele absorvidos, do ar ou da chuva, além de
proporcionar um ambiente físico adequado à sua sobrevivência. Além disso, os
mesmos autores defendem que nenhum dos parceiros poderia viver sozinho no meio
em que ocupam como líquens.

Os liquens são bons indicadores da ação do homem sobre o ambiente, por


serem muito sensíveis poluição do ar. Podem ser pioneiros em ambientes rochosos,
onde causam erosão através da ação dos ácidos liquenicos. O talo dos liquens pode ser
folhoso, gelatinoso (variação do folhoso) e crostoso.

Sua reprodução é através da fragmentação, carreados pela ação do vento e da


chuva.

38
Manacá-da-serra Melastomataceae
Tibouchina mutabilis

O manacá-da-serra é uma árvore nativa da mata atlântica, que se popularizou


rapidamente no paisagismo devido ao seu florescimento espetacular. Seu porte é baixo
a médio, atingindo de 6 a 12 m de altura e 25 cm de diâmetro de tronco.

As folhas são lanceoladas, pilosas, verde-escuras e com nervuras longitudinais


paralelas. As flores apresentam-se solitárias e são grandes, vistosas e duráveis. Elas
desabrocham com a cor branca e gradativamente vão tornando-se violáceas, passando
pelo rosa. Esta particularidade faz com que na mesma planta sejam observadas flores
de três cores. A floração ocorre no verão e a frutificação no outono.

Espécie resistente a poluição e a solos rasos com pouco nutrientes foi a


principal espécie usada no reflorestamento da serra do mar em Cubatão após os
deslizamentos de 1985. Vive em média 20 anos.

39
Manacá-de-cheiro
Brunfelsia uniflora (Pohl) D. Don Solanaceae

É um arbusto lenhoso com flores solitárias na extremidade dos ramos, na cor


azul violeta ao desabrochar, depois ficam brancas, muito perfumadas, formadas
durante a primavera e verão.

Pode causar certa confusão devido a ter o mesmo nome do Manacá-da-serra,


mas este ultimo é de outra família de porte maior e não apresenta flores perfumadas.

40
Marantas
Marantaceae

É um gênero que apresenta aproximadamente 30 espécies herbáceas e perenes

distribuídas por todos os habitats úmidos das regiões tropicais.


São plantas que podem alcançar até 50 cm de altura, de folhagem
vistosa, folhas grandes, variegadas, manchadas segundo a espécie e variedade em tons
verdes, vermelhos ou creme, de textura macia e brilhante, com nervuras muito
evidenciadas.

O nome deste gênero foi dado em homenagem ao botânico veneziano do


século XVI, Bartolomeo Maranti.
Existe uma espécie de grande potencial econômico, mas que se encontra
esquecida é a maranta produtora da farinha de araruta, usado na alimentação e com
propriedades nutricionais únicas.

41
Maria-sem-vergonha
Impatiens walleriana Hook Balsaminaceae

É uma planta de porte herbáceo (30cm/altura), encontrada em qualquer lugar


aberto e degradado, principalmente na região da serra do mar, onde se naturalizou
sendo tolerante ao frio e umidade excessiva. Espécie perene produz flores o ano todo
em vários tons de rosa, vermelho, laranja e brancas, de potencial ornamental. Seus
frutos maduros quando tocados expulsam as sementes, jogando-as a distância
garantindo a disseminação da espécie (Latim: Impatiens=explosão).

Dizem que foi a flor escolhida por D. Pedro I para enfeitar o caminho que o
levava à casa da Marquesa de Santos, no centro velho da cidade de São Paulo.

Originaria de Zanzibar (Quênia e Moçambique) na África, hoje é considerada


uma espécie cosmopolita e invasora.

42
Nespeira
Eriobotrya japonica Rosaceae (maçãs)

Também conhecida como ameixa, é uma árvore pequena podendo crescer até
10 metros de altura. Floresce em pleno inverno, frutificando no início da primavera.

A nêspera é comparada à maçã em muitos aspectos, como a presença de alto


teor de açúcar, acidez e pectina.

Um tipo de nêsperas em calda é usado na medicina tradicional chinesa


como expectorante.

Nêsperas podem ser usadas para o preparo de licor ou vinho.

43
Paineira
Ceiba speciosa (A. St. Hill.) Ravenna Malvaceae (algodão)

Facilmente encontrada e reconhecível na arborização urbana, a paineira é uma


espécie nativa da mata atlântica. Possui grande porte pode alcançar até 20 metros de
altura. Quando a planta é jovem o tronco fica dilatado na porção mediana e armado de
acúleos (projeções da casca) que com o tempo caem.

O nome paineira provém da paina branca que lembra algodão que envolve as
sementes numerosas de cor negra. As sementes são consumidas avidamente por
periquitos.

A paina é utilizada para enchimento de travesseiros, almofadas e colchões.

44
Palmeira Areca-Bambu
Dypsis lutescens Arecaceae

Originária da Ilha de Bourbon, hoje em dia é uma das espécies mais comuns e
difundidas no Brasil, devido a sua rusticidade, baixa manutenção e fácil obtenção de
mudas a partir dos brotos que surgem em meio às touceiras.

Facilmente reconhecível, com caule anelado, apresenta folhas pinadas com


nervura principal amarelada. Pode atingir até 9 metros.

Pode ser cultivada em vasos.

45
Palmeira Imperial
Roystonia oleraceae Arecaceae (Palmeiras e Coqueiros)

Originária do caribe e América Central esta espécie devido ao seu elevado porte
e rusticidade são usadas em larga escada atualmente no paisagismo. Caule reto
lembrando um poste, podendo chegar a 50 metros de altura e viver até 200 anos.

A primeira muda a chegar ao Brasil, foi cultivadas pelo Príncipe-Regente D. João


IV por volta de 1809 e tanto era seu carinho e seu ciúme pela palmeira que, quando
esta floresceu e frutificou, foram colhidas as sementes para serem posteriormente
queimadas, com o intuito de não tornar a espécie comum e vulgar com numerosos
exemplares.
Obviamente os escravos ao observar essa atitude, perceberam que poderiam
ganhar dinheiro fácil comercializando as sementes, e às ocultas colhiam seus frutos à
noite e de alguma forma contribuiu para a popularização da espécie.

46
Palmeira Indaiá
Attalea dubia Arecaceae

A palmeira-indaiá é uma palmeira de porte baixo e crescimento lento.

Sua folhagem já foi utilizada para cobrir telhados. Os índios Guarany utilizam
suas fibras como cordas para seus violinos e rabecas, tocados em suas músicas
tradicionais. Ainda usam como alimento não só o grande palmito (aproximadamente 1
metro e meio) que ela fornece, geralmente consumido com mel, como também uma
região fibrosa do seu caule mastigada como a cana de açúcar, com sabor parecido ao
da água de coco.

Espécie nativa da mata atlântica, em especial da serra do mar que acompanha o


litoral sul, é uma espécie com coquinho comestível, parecido com o babaçu, mas
saboroso como coco comum, podendo ser ralado e utilizado para se fazer doces.

47
Palmeira Jerivá
Syagrus romanzoffiana Arecaceae (Palmeiras e Coqueiros)

Espécie de caule único, ou seja, não forma touceiras (vários caules em um


mesmo ponto) com folhas bastante vistosas, muito usado no paisagismo.
Porte mediano - 10 m de altura. Frutos característicos, alaranjados, em cachos.

Frutos comestíveis e saborosos servem de alimento para vários animais em


especial papagaios e periquitos.

Também devido ao elevado teor de óleo nos frutos a espécie tem enorme
potencial para a produção de biodiesel, sendo já utilizado no interior como combustível
para lamparinas e lampiões.

48
Palmeira Juçara
Euterpe edulis Arecaceae

Palmeira nativa, com caule único, facilmente reconhecido, devido ao destacado


palmito na base da copa e anéis evidenciados no caule.
É raramente cultivada em praças e parques urbanos, mais comumente
cultivados em remanescentes de mata e em alguns jardins particulares, devido ao seu
grande potencial paisagístico.

Frutos muito apreciados pela fauna como o tucano, com sabor que lembra o
assai da Amazônia, mas sem dúvida o principal produto é o palmito o que levou a
espécie a figurar entre as mais ameaçadas de extinção de nossas matas. É um alimento
requintado consumido em larga escala no mundo e devido ao alto valor agregado no
produto, palmiteiros promovem a exploração predatória em larga escala nas áreas de
proteção ambiental e unidades de conservação.

49
Palmeira Leque-da-China
Livistona chinensis Arecaceae

Apresenta folhas palmadas características da espécie, com 2 metros de


comprimento, fendidas até a metade da mesma, em suas extremidades os
seguimentos da folha ficam pendentes, como notável efeito ornamental. Porte
pequeno de 8-10 metros.

Eventualmente cultivada em vasos. O Florescimento atrai um grande número de


abelhas.

50
Palmeira Moinho-de-vento
Trachycarpus fortunei Arecaceae

Palmeira originária da Ásia é uma espécie rustica e muito difundida no


paisagismo, caule único e a característica mais marcante é por ser totalmente
recoberta com fibras de cor marrom.
Tem pequeno porte podendo alcançar até 10 metros de altura as folhas são do
tipo palmadas de cor verde escura com 50 a 75 cm de largura. Pode ser cultiva em
vasos e em jardins.

Frutos chamativos de coloração azul.

51
Palmeira Ráfia
Rhapis excelsa Arecaceae

Palmeira originária da China é amplamente cultivada, tanto em canteiros como


em vasos, muito usada em ambientes internos.

Formam touceiras que crescem em média 1,5 m.

As fibras pardas que envolvem os múltiplos caules são eventualmente usadas


em artesanatos em seu país de origem, onde são confeccionados esteiras e tapetes.

52
Palmeira Real
Roystonea regia O.F.Cook Arecaceae

Originária de Cuba e Caribe esta elegante espécie é facilmente reconhecida pelo


bojudo caule na base, possui grandes folhas pinadas.
Porte médio alcançando até 15 metros.

São transplantadas para canteiros de avenidas e jardins já adultos, Apesar de


serem comuns, são espécies de grande valor agregado, o que varia de acordo com o
porte.

53
Palmeira Seafórtia
Archontophoenix cunninghamii Arecaceae

Originária da Austrália, hoje extensamente cultivada em praças e parques de SP.


Palmito grande e visível externamente de cor verde. Esta espécie pode atingir até 15 m
de altura. Grande quantidade de frutos de cor vermelha, apreciado pela fauna
adequada para parques e jardins.

Considerada uma espécie invasora em unidades de conservação e em parques


com reservas florestais com espécies nativas como a reserva florestal da rua do matão
na cidade universitária (USP) e no Parque Siqueira Campos – Trianon, este último à
prefeitura já autorizou o manejo para controle da espécie.

54
Pata-de-vaca
Bauhinia sp Leguminosae

Conhecida popularmente como pata-de-vaca são espécies de árvores nativas


da Mata Atlântica e de outros biomas, vem ganhando espaço no paisagismo e
arborização.

O nome se deve ao formato da folha, partida e característica da espécie.

Pouco usada em arborização urbana, no entanto portadora de uma das mais


belas flores e folhagem com enorme potencial ornamental.
A espécie com flor branca (Bauhinia forficata) é usada tradicionalmente como
medicamento, e tem sido objeto de estudos no controle da diabetes. Estudos
científicos comprovaram que contém naturalmente insulina.
Essa árvore, nativa da Mata Atlântica, é pioneira e importante na regeneração
de matas degradadas.

55
Pau-Brasil
Caesalpinia echinata Lam. Leguminosae

A árvore alcança entre 10 e 15 metros de altura e possui tronco reto, com casca cor
cinza-escuro, coberta de acúleos, especialmente nos ramos mais jovens.

As folhas são compostas bipinadas, de cor verde médio, brilhantes.


As flores possuem 4 pétalas amarelas e uma menor vermelha, muito aromáticas.
Os frutos são vagens cobertas por espinhos, contendo de 1 a 5 sementes
discoides, de cor marrom. A torção do legume, ao liberar as sementes, ajuda a
aumentar a distância da dispersão.

Conhecida pelos índios como ibirapitinga (pau-vermelho) é comemorado no dia


3 de maio o dia do Pau Brasil.

A tintura extraída do Pau Brasil era usada para tingir sedas, linhos e algodões,
dando aos tecidos uma cor de brasa, entre o vermelho e o púrpura: a cor dos reis e dos
nobres que era notavelmente difícil de se obter naquela época. Os índios levavam
cerca de três horas para derrubá-las utilizando machados de pedra. Com a chegada dos
machados de ferro dos portugueses o tempo diminuiu para quinze minutos. De tanto
ser explorada quase deixou de existir, até hoje se encontra ameaçada de extinção na
natureza, felizmente é de fácil cultivo em praças e parques, com crescimento lento,
hoje em dia é usada para a confecção de arcos de violino.

É uma espécie muito próxima da Sibipiruna (Caesalpinia peltophoroides) e


do Pau-Ferro (Caesalpinia ferrea), as três pertencendo ao mesmo gênero
(Caesalpinia).

56
Pau-de-jacaré
Piptadenia gonoacantha (Mart.) J. F. Macbr Leguminosae

Árvore de 8 a 20 m de altura. Tronco muito característico, com placas


quadrangulares, lembrando couro de jacaré nos ramos mais novos estas cristas são
bem demarcadas, com acúleos (projeções da casca que lembram espinhos). Folhas
alternas, compostas bipinadas. Flores numerosas, em inflorescência. Fruto legume,
membranáceo e achatado.

Madeira usada na produção de carvão com excelente poder calorifico.

57
Pau-Ferro
Caesalpinia férrea Mart. ex Tul. Leguminosae

Encontrada facilmente na arborização urbana, em estado nativo ocorre nas


matas secas do Piauí até São Paulo. Possui casca lisa, fina e alva, que se renova
anualmente, deixando manchas irregulares que se contrastam com o fundo escuro do
tronco.

Atinge até 30 metros de altura, com folhagem miúda de aparência delicada,


verde claro.

Apresenta madeira mais dura e pesada de nossa flora, difícil de ser trabalhada,
é empregada na produção de caibros, vigas para pontes e postes.

Encontrado na Rua Barão de Itapetininga no Centro de SP, Parque Trianon, Av.


Nazaré e em diversas ruas e praças da cidade.
Raízes medicinais usadas como antifebril e antidiabético.

58
Pinheiro
Pinus sp Pinaceae

São conhecidos popularmente por pinheiros, pertencentes ao gênero Pinus,


são árvores integrantes do grupo das gimnospermas (semente nua), não possuem
flores nem frutos, são frequentes nas regiões frias do globo, onde formam grandes
florestas. Como o clima predominante no Brasil é o tropical, representantes nativos
do grupo dos pinheiros são encontrados na região Sul e Sudeste nas regiões serranas.

O Pinus é uma espécie exótica, ou seja, foi importada para o Brasil e


aclimatada ao nosso clima é nativo do hemisfério norte e foi introduzido no País por
volta da década de 50 do século XX.

São árvores de crescimento rápido, podendo atingir entre 15 e 25 metros em


cinco a oito anos. As folhas são do tipo aciculadas, ou seja, tem o formato de agulha.

As pinhas podem ser masculinas ou femininas onde são facilmente distinguidos


pelo tamanho, as pinhas masculinas são estruturas minúsculas perante as pinhas
femininas. Isto se deve ao fato que as pinhas masculinas abrigam apenas
microscópicos grãos de pólem e já as estruturas femininas depois de fecundadas irão
abrigam as sementes, ambos são dispersos pelo vento.
A madeira do pinheiro Pinus é macia de cor clara, apresenta considerável
quantidade de resina e terebintina, responsável pelo aroma agradável. Apresenta
grande quantidade de fibras que são ideais na produção de chapas de madeira
aglomerada além de celulose, usada em larga escala na indústria do papel.

É empregada ainda na produção de palito para churrasco, palito de dente,


palito de sorvete e cabo de vassouras. A casca é usada no cultivo de bromélias,
orquídeas e de várias outras plantas de ornamentais.

59
Quaresmeira
Tibouchina granulosa Cogn. Melastomataceae

Encontrado nas encostas da mata atlântica e principalmente ornamentando


ruas e avenidas, a quaresmeira se destaca em meio à paisagem. Florescem até duas
vezes ao ano.

De porte regular, pode atingir 5 metros, tronco tortuoso e textura irregular os


ramos mais jovens são tetrangulares.

Proporciona sombra, devido a espessa copa, folhas ásperas na face superior


quase granulada, o que justifica seu nome científico.

60
Sabão-de-soldado
Sapindus saponaria Sapindaceae

Também conhecida pelos nomes populares de árvore-do-sabão, fruta-de-


sabão, ibaró, jequiri, jequiriti, jequitiguaçu, pau-de-sabão, pau-sabão, sabão-de-
macaco, sabão-de-mico, sabão-de-soldado, sabãozinho, saboeiro, saboneteira,
saboneteiro, salta-martim e saponária é uma espécie nativa das regiões tropicais
da América.

Tem folhas penadas e flores brancas dispostas em panículas. Os seus frutos


têm sementes pretas e esféricas. Chega a atingir 8 m de comprimento.

Como o próprio nome sugere os frutos é rico em saponina, sendo utilizado


como sabão e hoje em dia na indústria farmacêutica.

61
Samambaiaçu
Cyathea sp Cyatheaceae

Cyatheaceae é uma família dos fetos arborescentes, incluindo espécies de


elevada altura podendo atingir 20 metros. São conhecidos popularmente como
samambaiaçu.
Trata-se de plantas muito antigas, com registro fóssil no final do
período Jurássico.
A principal característica desta família é a de todos os membros possuírem
escamas, o que os ajuda a diferenciar dos membros de outra família de fetos arbóreos,
a família Dicksoniaceae a família que engloba os ameaçados Xaxins da Mata Atlântica.
As suas frondes são as maiores do reino vegetal. Algumas espécies possuem
frondes que atingem 3-4 metros e uma largura de copa de cerca de 6 metros.

Alguns membros da família se encontram ameaçados de extinção.

62
Sibipiruna
Caesalpinia peltophoroides Leguminosae

Árvore de médio porte pode atingir até 18 metros de altura, não é exigente
quanto a solo, espécie nativa da Mata Atlântica.

É muito confundida com o pau-brasil e o pau-ferro, pela semelhança da


folhagem.

A sibipiruna perde parcialmente suas folhas no inverno e a floração ocorre de


setembro a novembro, com as flores amarelas dispostas em cachos cônicos e eretas.
Os frutos, que surgem após a floração, são de cor bege-claro, achatados,
medem cerca de 3 cm de comprimento e permanecem na árvore até março. A árvore é
muito utilizada no paisagismo urbano em geral, sendo também indicada para projetos
de reflorestamento pelo seu rápido crescimento e grande poder germinativo.

Cultivado em condições adequadas, pode viver mais de 100 anos.

A cidade de Maringá, no Paraná, que figura entre as mais verdes do Brasil,


possui 80% de arborização com a espécie Sibipiruna.

63
Tamareira
Phoenix dactylifera Arecaceae

Folhas pinadas, com os folíolos próximos ao estipe, transformados em longos


espinhos; frutos amarelo-alaranjados, comestíveis. Pode atingir até 30m de altura.
Adequada para parques e pouco cultivada como ornamental em pequenos
jardins.

Produz a popular tâmara comestível de forma cristalizada e seca.

64
Tamareira-anã
Phoenix roebelinii O'Brien Arecaceae

Originária do nordeste da Índia, esta pequena palmeira tem em média 2-4


metros de altura e caule com 15 cm de diâmetro, no qual apresenta cicatrizes foliares
(marca das folhas que caem) que dão uma peculiar beleza a planta. Cultivados em
vasos e em jardineiras quando jovens.

Folíolos estreitos e numerosos, com os da base transformados em espinhos.

65
Tamareira-das-canárias
Phoenix canariensis Chabaud Arecaceae

Palmeira originária das ilhas canárias é amplamente difundida e cultivada na


arborização urbana em praças e parques. Tronco espesso, robusto apresenta cicatrizes
das bases das folhas já caídas.

Apresenta porte médio com altura de 12 a 15 metros.

Tolerante ao clima frio.

Na ilha de La Gomera, nas Canárias, os nativos extraem a seiva da tamareira


para produzir uma espécie de mel de palmeira, vendida no comércio local. Esta
extração é realizada através de incisões no caule, que não matam a planta.

66
Tapiá
Alchornea sidifolia Müll.Arg. Euphorbiaceae

É uma árvore comum em áreas degradadas e em remanescentes florestais é


eventualmente usada como planta medicinal.

Fornecedora de uma madeira leve é indicada para fabricação de caixotaria e na


construção civil.

É também usada como combustível. Não é usada em obras externas, devido à


sua baixa durabilidade.

67
Tipuana
Tipuana tipu (Benth.) O. Kuntze Leguminosae

Originária das vertentes da cordilheira dos Andes (Argentina e Bolívia) foi


introduzida no Brasil há muito tempo hoje considerada uma exótica naturalizada,
ocorrendo espontaneamente nas matas do sul do País. Pode atingir 12 metros de
altura, e apresenta uma copa ampla e homogênea.

É uma das espécies mais utilizadas para compor canteiros centrais de avenidas e
estendendo seu cultivo em praças e parques das grandes cidades.

As flores amarelas de aroma agradável atraem muitas abelhas e mamangabas.

68
Uva-japonesa
Hovenia dulcis Rhamnaceae

Originária da Ásia (China, Coréia e Japão) é uma árvore de porte médio, muito
utilizado na arborização urbana. Sua copa é aberta, oval.

O caule apresenta rápido crescimento e pequeno diâmetro. As folhas são ovais,


verdes, brilhantes, de disposição alterna e caem no outono e inverno. As flores
numerosas surgem no verão são pequenas, hermafroditas, perfumadas, branco-
esverdeadas e atraem muitas abelhas.

Os frutos são cápsulas secas, marrons, sustentadas por pedúnculos carnosos,


doces e de cor castanha. Cada fruto contém de 2 a 4 sementes amarronzadas.

A dispersão das sementes é por animais.

A uva japonesa possui pedúnculos carnosos, os frutos são capsulas isto também
ocorre com o caju que é um pedúnculo carnoso que sustenta a castanha que é o
verdadeiro fruto do cajueiro.

69
Yucca
Yucca sp Agavaceae

Yucca é um género botânico pertencente à família agavaceae. Muito utilizado


no paisagismo devido sua rusticidade e baixa manutenção em jardins, canteiros e em
parques.

Facilmente encontrado e reconhecível na cidade de SP e uma planta de fácil


cultivo e de baixo custo de produção devido a facilidade em se obter novas mudas.

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4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conhecer a flora presentes em parques e praças das nossas cidades requer
muita dedicação, sempre é bom procurar aprender um pouco mais a cada dia sobre
cada espécie.
A forma mais prática de identificar espécies arbóreas é a de sempre treinar a
observação. Para treinar é recomendável gravar na memória as características mais
marcantes das principais espécies que frequentemente são utilizadas na arborização. A
maior dificuldade é quando certos exemplares não apresentem caracteres
morfológicos que permitem a correta distinção entre outros exemplares como
indivíduos sem flores, frutos e sementes, mas pode ter certeza que em algum período
do ano o mesmo produzirá e por meio de pesquisa é possível saber a espécie.

É importante ressaltar da importância de ter acesso a livros e sites de


identificação botânica, em algum momento será necessário para o correto
reconhecimento de exemplares encontrados em pontos de interesse não identificados,
mesmo que não consiga determinar a espécie o conhecimento adquirido só vem a
acrescentar e com certeza poderá ajudar e muito com subsídios para a educação
ambiental durante a condução de grupos.

O importante é não desanimar, sempre haverá dificuldades, pois estamos


diante de uma riqueza de espécies sem precedentes se levarmos em conta que nossa
cidade está inserida nos domínios da floresta atlântica, fora isso existem espécies
exóticas de todas as partes do mundo em especial da África, trazida pelos portugueses
e posteriormente pelas colônias de imigrantes.

Uma dica é não confiar na memória sempre carregar consigo um bloco de


anotações para apontar a localização das espécies e ao longo de logradouros, parques
e praças, sempre é bom enriquecer o conhecimento, uma caminhada sempre nos
reserva novas descobertas, novas surpresas.

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REFERÊNCIAS

ASSIS, C. ET al. Árvores no Brasil. São Paulo: Prêmio, 1989.


LORENZI, H. 1992. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de
plantas
arbóreas nativas do Brasil. Vol. 1. Nova Odessa, Editora Plantarum. 352 p.
LORENZI, H. 1998. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de
plantas
arbóreas nativas do Brasil. Vol. 2. Nova Odessa, Editora Plantarum. 352 p.
WILLISON, J. Educação Ambiental em Jardins Botânicos: Diretrizes para o
Desenvolvimento de Estratégias Individuais. Rio de Janeiro: Rede Brasileira de
Jardins Botânicos, 2003.

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