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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

ESCOLA DE ENGENHARIA
CURSO DE ENGENHARIA MECÂNICA

Fernando Borges Weimer

Prova 2 – ENG08801 (Fundamentos de Engenharia Nuclear)

Prova apresentada à disciplina


ENG08801 (Fundamentos de Engenharia
Nuclear.
Prof. Dr. Bardo Ernst Josef Bodmann

Porto Alegre
1º semestre
2016
Controle de uma reação em cadeia

O controle de uma reação em cadeia consiste em controlar a fissão de um átomo,


usualmente urânio-235. Sem um controle, essa fissão ocorre até que todo urânio-235
seja consumido, havendo excesso de energia térmica, ocasionando grandes catástrofes.
Assim, para manter a temperatura do reator constante e numa faixa segura de trabalho,
deve-se controlar a reação em cadeia.
A reação em cadeia ocorre quando um átomo decai, dividindo-se em dois e
liberando nêutrons. Ocorre que são os nêutrons os responsáveis por iniciar um
decaimento num átomo. Assim, um átomo liberará nêutrons que farão outros átomos
liberarem nêutrons, e assim sucessivamente, até que todo combustível seja consumido.
Para que isso não ocorra, é preciso controlar a reação em cadeia. Como ela é
ocasionada pela liberação de nêutrons, seu controle envolve retirar do meio o excesso de
nêutrons. Isso é feito introduzindo-se no reator ácido bórico ou varetas de cádmio, uma
vez que tais elementos são capazes de absorver um número de nêutrons superior ao do
seu estado natural.

1) Sabe-se que a fórmula da potência nuclear é


𝑃 = 𝑃0 𝑒 𝑡/𝑇 (1)

Ainda, sabe-se que a fórmula da geração de nêutrons é


𝑁 = 𝑁0 𝑒 𝑡/𝑇 (2)

Mediante a análise das fórmulas acima, podemos inferir que, caso se deseja o
dobro da potência, então 𝑃0 deve ser multiplicado por 2. Assim, 𝑒 𝑡/𝑇 = 2. Substituindo
este valor em (2), verificamos que, para obtermos o valor N, deveremos multiplicar por
2 o valor de 𝑁0 . Ou seja, para obtermos o dobro da potência, devemos fornecer o dobro
de nêutrons.

Assim, utiliza-se a seguinte fórmula

𝑁𝑛 = 𝑁0 (𝑘𝑒𝑓𝑓 )𝑛 (3)

Sendo 𝑁𝑛 o número de nêutrons da n-geração seguinte e n o número de


gerações. Assim, como 𝑁𝑛 deve ser o dobro de 𝑁0 , substituímos os valores fornecidos e
deduzidos na equação, a fim de encontrar o número n de gerações.

2 = 1(1,001)𝑛

Aplicando logaritmo, descobrimos que n = 693,49ª geração.

1
2) Analogamente ao exercício 1, podemos substituir o valor de 𝑁𝑛 por 2, para o
caso onde deseja-se saber o número de gerações para reduzir pela metade a
potência do reator. Altera-se 𝑘𝑒𝑓𝑓 para tendo o valor de 0,99, e 𝑁0
permanece sendo igual a 1. Assim:
1
= 1(0,99)𝑛
2

Aplicando logaritmo, obtemos que n = 68,96ª geração.

Analogamente, para o caso onde deseja-se reduzir a potência em 1000 vezes,


seguimos os procedimentos do caso anterior, e obtemos que
1
= 1(0,99)𝑛
1000

Aplicando logaritmo, obtemos que n = 687,31ª geração.

Precursores de nêutrons atrasados

Quando ocorre a reação em cadeia e o urânio-235 decai, ele se divide em dois


átomos menores e libera entre 2 e 3 nêutrons. Estes nêutrons são chamados de nêutrons
instantâneos, pois surgem diretamente da divisão do urânio-235. Todavia, os produtos
do decaimento do urânio-235 também decaem, liberando nêutrons. Estes nêutrons são
chamados de nêutrons atrasados, uma vez que não são liberados juntamente com a
divisão do urânio-235, sendo resultado de uma reação indireta. Os precursores dos
nêutrons atrasados são, portanto, os emissores destes nêutrons, que são os átomos
instáveis nos quais o urânio-235 dividiu-se.
Estes nêutrons são liberados na ordem de 10−3 s até 10−1s após a liberação dos
nêutrons instantâneos. A parcela de nêutrons atrasados existentes em uma reação é
bastante pequena, chegando no máximo a 1% de todos os nêutrons. Embora apresente
baixas quantidades, estes nêutrons foram fundamentais para que os precursores no
estudo das reações nucleares. Nos primórdios do estudo das reações nucleares, os
equipamentos disponíveis para o monitoramente das reações em cadeia eram mais
rudimentares, não garantindo a precisão disponível hoje. Assim, se todos os nêutrons
liberados durante a reação em cadeia fossem instantâneos, o monitoramento da reação
seria inviável à época, ocasionando severas perdas humanas.

Meio caminho livre de absorção

Para simplificar o modelo de colisões entre nêutrons e átomos, pode-se pensar o


problema de modo macroscópico. Conjecturamos o átomo como sendo uma esfera de
raio 𝑅𝑎 , e o nêutron como sendo outra esfera, mas de raio 𝑅𝑛 , onde 𝑅𝑎 ≫ 𝑅𝑛 . Para que
estas duas esferas interajam, é necessário que colidam, ou seja, devem se tocar.
O meio caminho livre de absorção é, portanto, a distância que um nêutron pode
manter-se afastado de um átomo sem que ocorra uma interação (colisão) com ele. Essa
distância, de símbolo D, equivale à soma do raio do átomo, 𝑅𝑎 , com o raio do nêutron,
𝑅𝑛 .

𝐷 = 𝑅𝑎 + 𝑅𝑛
Supondo uma distância Y entre nêutron e um átomo, se Y < D, o nêutron
colidirá com o átomo e será absorvido por ele. Se Y > D, então o nêutron não sofrerá
colisão.

Um exemplo de uma usina nuclear

Para que uma reação em cadeia aconteça, é necessário que os nêutrons estejam
mais desacelerados do que quando expulsos do núcleo do átomo. Isso porque um
nêutron mais devagar possui maior probabilidade de colidir com um outro átomo e
iniciar a reação em cadeia do que um nêutron rápido. Para desacelerá-los, é necessário
um moderador, uma substância que consiga refreá-lo o suficiente para que os nêutrons
colidam com outros átomos. Existem vários moderadores, mas o mais usual é a água
leve (água composta por oxigênio e hidrogênio, diferentemente da água pesada,
composta por deutério e oxigênio), por ser barata, ser um moderador mediano e
conseguir arrefecer o núcleo do reator.
Um reator nuclear de água pressurizada é, portanto, um reator que utiliza água
leve sob elevadas pressões, da ordem de 157atm. Isso permite que a água chegue a
temperaturas em torno de 370 ºC sem entrar em ebulição. Em um PWR, a água
pressurizada e o núcleo do reator são confinados em uma câmara, chamada de circuito
primário. Essa água superaquecida então aquece, através de um trocador de calor, a
água de um circuito secundário, que não está pressurizada e evapora-se rapidamente.
Essa água vaporizada então interage com as turbinas da usina, que rotacionarão e
acionarão o gerador elétrico. Logo após, o vapor d’água é refrigerado e condensado,
retornando ao circuito secundário.
A divisão entre circuito primário e secundário é feita para maximizar a
segurança da usina, a fim de impedir que a água contaminada pela radiação do núcleo se
comunique com a água que evaporará. Assim, em caso de um acidente ou falha de
algum sistema, a água contaminada não escapará para o ambiente, permanecendo
confinada.

1) Se 𝑃𝑇 x0,33 = 𝑃𝐸 , e a 𝑃𝐸 = 900𝑀𝑊𝑒, então 𝑃𝑇 = 2727,272𝑀𝑊𝑒.


2)
Assumindo que a energia de fissão de um átomo de urânio-235 como sendo
de 200MeV, temos a seguinte fórmula:

𝐸 = 𝑁𝐸𝑛ú𝑐𝑙𝑒𝑜

Sendo E a energia total gerada e N o número de fissões. Agora, dividimos a


equação pelo tempo, sendo ele maior que zero. Assim, obtemos:

𝑃𝑇 = 𝑁𝑠 𝑃𝑛ú𝑐𝑙𝑒𝑜
Sendo 𝑁𝑠 o número de fissões por segundo. Assim,
2727,272 𝑀𝑊𝑒
𝑁𝑠 = = 13,63 𝑓𝑖𝑠𝑠õ𝑒𝑠/𝑠𝑒𝑔𝑢𝑛𝑑𝑜
200𝑀𝑊𝑒

3) Sendo o volume V um múltiplo das arestas e altura do paralelepípedo, então

𝑉 = 0,21𝑚 ∗ 0,21𝑚 ∗ 3,658𝑚 = 0,1613 𝑚³


E, como um volume de um cilindro é 𝑉 = 2𝜋𝑅 ∗ ℎ, então o raio equivalente
do cilindro será de R = 0,007m.

Número de colisões necessárias para desacelerar um nêutron

𝐸𝑓
1) Na fórmula = 𝑥 𝑛 , temos que x é um fator percentual que indica a
𝐸𝑖
perda de energia do nêutron por colisão. Ainda, temos disponível a
𝐸
fórmula −𝑙𝑛 ( 𝐸𝑓 ) = 𝑛𝜉. Multiplicando a segunda fórmula por (-1) e
𝑖
aplicando a função exponencial, obtemos que

𝐸𝑓
= 𝑒 −𝑛𝜉
𝐸𝑖

Comparando a fórmula acima com a primeira fórmula, temos que

𝑥 𝑛 = 𝑒 −𝑛𝜉

Extraímos a n-raiz da equação, e obtemos que


1
𝑥 = (𝑒 −𝑛𝜉 )𝑛

Deste modo, obtemos o valor de x relacionado com ξ. Ou seja

𝑥 = 𝑒 −𝜉

Para o caso do hidrogênio, em que ξ = 1, temos que 𝑥 = 𝑒 −1.


Assim, 𝑥 = 0,3678.

1− 𝛼
2) Dispondo das fórmulas 𝑥 = 2 , e substituindo o valor de x para o
caso do hidrogênio, obtemos que 𝛼 = 0,2644.
Agora, utilizando a equação

(1 − 𝛼)𝜀
𝜉=
1−𝛼

E substituindo os valores de ξ e α, obtemos que ε = 1.


Assim, podemos deduzir que α é a probabilidade de um nêutron
colidir com um átomo de hidrogênio presente no elemento
moderador, e que ε representará o número de massa (A) presente no
elemento moderador, no caso, o hidrogênio.
3) Comparando os resultados obtidos com os resultados reais, obtidos
em tabelas, é possível notar que os resultados teóricos são
condizentes com os experimentais, havendo um erro de até 3%.