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Boa tarde Colegas e Professora!

A questão colocada nos remete no processos interactivos propriamente na sala de aula,


onde alunos e professores possuem suas diferenças, formas de ser, pensar, sentir e agir
que, no dizer de Piletti (1988), “no decorrer de sua vida diária, sofrem uma série de
influências que vão ter repercussões, negativas ou positivas, em seu trabalho escolar”.

Nesta vertente, a posição é antagónica, requer um sim e ao mesmo tempo um não, uma
vez que o desempenho das pessoas é complexo dependendo de muitos factores.

No trabalho educativo, há que se considerar os sujeitos ali envolvidos que não se


desapropriam de aspectos cognitivos e afectivos que compõem sua personalidade. Ao
entrar na sala de aulas são influenciados pela estrutura famíliar, sua composição fisiologia,
que trazem necessidades cognitivas, necessidades afectivas muitas vezes não satisfeitas
e compreendidas no ambiente familiar. Isso nos leva a crer, que a aprendizagem
significativa se inicia com as relações sociais, que são aspectos importantes do
desenvolvimento humano. Assim, quando se trata de actividades escolares, podemos
elencar que aprendizagem se torna significativa para o aluno quando há reflexão sobre a
relação com seu quotidiano.

Na interação, o trabalho docente é fundamental e carregado de uma função social, pois,


quando realizado competentemente, através de uma acção mediadora, oportuniza ao
aluno relacionar os acontecimentos e situações a sua volta e buscar acções e atitudes
que possam transformar o meio em que vive. Pelo que, o professor tem a consciência da
influência que exerce sobre o aluno ao desenvolver hábitos, estimulando-o a ter sua
própria independência. Nessa mesma perspectiva o aluno adquire segurança tendo o
professor como modelo ou suporte na compreensão de suas atitudes. Facto que leva com
que eu negue que “no ensino, os alunos que são considerados inexperientes o são porque
possuem um estilo que não se encaixa com o de seu professor.

Isso leva Rego (2005), afirmar que, “a singularidade, inexperiência de cada indivíduo não
resulta de factores isolados (por exemplo, exclusivamente do estilo ou personalidade, da
educação familiar recebida, do contexto sócio político da época em que viveu, da classe
social a que pertence, etc.), mas, da multiplicidade de influências que recaem sobre o sujeito
no curso de seu desenvolvimento.”

Da minha experiência docente, opto pela elaboração conjunta baseada na afectividade.


Refiro-me a um conjunto de postura, comportamento, atitudes e acções adoptadas que
possam levar o aluno a sentir-se valorizado, querido e respeitado perante os outros e que
possam levar o aluno a uma aprendizagem significativa duma forma cooperativa sem, no
entanto, sufocar as individualidades. Esse procedimento estratégico, tem a função de
garantir ao aluno a confiança e segurança necessárias para a construção do conhecimento,
do seu e do mundo a sua volta, mediado, orientado e acompanhado pelo professor à medida
que proporcione diálogo, liberdade e respeito às ideias próprias e seus conhecimentos
prévios, proporcione uma aprendizagem permeada pelo prazer da descoberta, da acção e
da transformação, acontecida num ambiente acolhedor que proporcione ao aluno a
interacção social, a resolução de problemas concretos e a sua realização como membro
duma comunidade.

A opção pela elaboração conjunta baseada na afectividade assenta-se na consciência de


que aquilo que desperta sentimentos e racionalidade e se traduzem em emoções-
inteligências marcam toda vida humana por um lado e por outro, o modo como se constroem
as relações sociais e os aspectos afectivos cognitivos que as acompanham determinam a
forma como cada aluno se vê a si próprio e o seu entorno.

Desta forma, entendo que o valor que o aluno se dá advém do valor que os outros lhes dão,
vice-versa. Também compreendo que a linguagem oral, a busca de conhecimentos em
equipas e de forma cooperativa, algumas acções reflexivas, debates e construções de
textos são mecanismos mais utilizados para construir as relações afectivas-cognitivas.

A aquisição da fala, domínio da argumentação e escrita de reflexões, característica única


do ser humano, associada a praticas vivências concretas, contextualizadas e em situação
constituem o palco onde a afectividade desempenha seu papel transcendental.

Referências

Piletti, N. (1988). Psicologia educacional. São Paulo: Ática.

Rego, T. C. (2005). Ensino e Constituição do Sujeito. Viver mente e Cérebro. São Paulo:
Segmento-Duetto

Os alunos (no plural) são pessoas que têm histórias de vida diferentes, culturas e valores
diversos. Por isso, não são mais considerados no singular, meras ‘tábuas rasas’. Seus
conhecimentos prévios, seus interesses, suas motivações, seus comportamentos, e suas
habilidades são importantes contribuições não apenas como ponto de partida, mas como
componentes de todo o processo educativo. Como sujeitos, os alunos não apenas contribuem,
mas participam, contribuem, negociam, constroem, interagem ativamente com os outros alunos,
os professores e o conhecimento. (Fonseca, 2003, p. 103).