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Aradia

Por ArdathLili/ Tradução de Nera

De Aradia, filha de Diana, encontram-se insuspeitadas traças etruscas, onde se lê um


nome feminino de uso muito comum, presente nas formas de Arathia, Arath, Aratia,
Arathenas.

A raiz etimológica Ar revela alguns segredos. Um outro nome


feminino etrusco, muito difundido, tem ainda o étimo Ar:
Arunthia, Arnthi, e depois Arnthia.Também uma longa série de
nomes masculinos etruscos tem a mesma etimologia: Arnth,
Arunth, Arntiu e ainda mais.

A hipótese é que a raiz Ar seja relacionada com palavras que


indicam o fogo e a luz. Zacharie Mayani da uma conferma
traduzindo o etrusco Ar com "fogo, altar", reencontrando o
radical latim "ara".

Os significados de fogo e luz reúnem a etrusca ARATHIA com


Aradia, filha da nossa Rainha Diana.

Também a etimologia Diana, Di- (ana), a um antigo


significado de "dia", "luz". Diana também era patroa dos
nascimentos e do equinócio de Primavera, o início do ano solar.

Os nomes em Ar das inscrições etruscas poderiam indicar um titulo Sacerdotal, mais


que um nome próprio de pessoa, talvez em relação ao culto do fogo, central na
religiosidade etrusca, como naquela Roma.

Autores latinos têm narrado a história de um sacerdote etrusco, Arunth Veltumnus, da


lucumonia umbra de Chiusi, capostipite dos "fulguradores".

A tradição tramandada que Arutnh recebeu da ninfa e sibilla Vecu, os ensinamentos da


Arte Fulgoral, a ciência sagrada que estudava os relâmpagos e os outros fenômenos
celestiais.
O nome Arutnh pode se adicionar a esta série:

Ar = Fogo
Aradia, Arathia = Nome da filha de Diana, "a luminosa"
Arunth = titulo de "fulgorador"

A esta serie. poder-se-ia adicionar a palavra aruspice, comumente traduzida por:


“sacerdote que olha as vísceras (sacrificais)".
Mas se Ar nos manda a idéia do fogo então é possível que o significado de auspicie seja:
“sacerdote que olha os signos imprimidos no fígado do fogo celeste".

Antigamente o fígado era associado ao fogo, como o coração, outro centro vital
considerado sagrado e "flamegiante".
Resta de se perguntar se algumas palavras italianas que começam por ar não sejam
também relacionadas ao fogo: ardere (queimar), ardore (ardor), arrostire, arroventare....
O Neo Paganismo na Itália
- Por Nera

O Neo Paganismo é um culto da Natureza; é chamado desse jeito, ao invés de


Paganismo, para fazer uma distinção entre este último - que é um conjunto de crenças e
religiões de origem pré-cristã - e este re-descoberto culto, que ainda representa um
conjunto de crenças e religiões de origem mediterrânea e européia, que foram re-
descobertas e 'adaptadas' aos nossos dias.
No Neo Paganismo, geralmente se tem uma concepção do Divino de tipo politeísta, são
honrados um Deus e uma Deusa em todos os Seus aspectos e chamando-Os com
infinitos nomes, como por exemplo, os nomes dos antigos Deuses Romanos, Gregos, ou
Celtas.
Quem segue este caminho é chamado de neo-pagão: são pessoas que amam e honram a
Natureza, pois muitas vezes estas pessoas são muito ativas no campo da defesa da
natureza e dos animais, e se ocupam de Voluntariado .
Os neo-pagãos, falando em geral, vivem bem o seu caminho espiritual sozinhos, de seu
próprio jeito, cada um confiando e baseando sua vivência no próprio instinto; isto não
quer dizer que eles não gostam de estar em companhia, muito pelo contrario, é por esse
desejo de encontrar-se entre neo-pagãos que nasceram várias associações, que tem como
foco o de ajudar quem deseja conhecer melhor este culto a Natureza, o de defender o
Neo Paganismo dos "ataques" dos jornalistas e também para organizar festas e eventos
em várias zonas da Itália, onde participam muitos neo-pagãos.
Além disso, os neo-pagãos honram as Divindades festejando os Sabas e os Esbats,
muitas vezes se reúnem para festejar os ciclos da Natureza, as maiores festividades da
Roda do Ano Wiccan, mas até simplesmente para se conhecer, discutir, conversar e
crescer juntos.
A Wicca, a Bruxaria, o Druidismo, para dar um exemplo, são religiões que fazem parte
do Paganismo: é importante porém compreender que não todos os neo-pagãos são
Bruxos ou Wiccanos, e os neo-pagãos nem sempre praticam a Magia.
Nesses últimos tempos, com a chegada da internet é bem mais simples para os neo-
pagãos italianos de poder se encontrar e se exprimir em liberdade e graças a este fato
eles não se sentem mais sozinhos e podem finalmente contar com os próprios similares.
Na Itália, principalmente no Norte, a muito tempo -até decênios- vem organizados por
Associações Neo-Pagãs e/ou Wiccanas* uns encontros que geralmente acontecem uma
vez por mês, chamados Pagan Moot (mas também Witches' Café) e que advém
geralmente em Pubs durante a tarde ou a noite, ou até encontros ao ar aberto, como nos
casos em que se festejam os Sabas.
Acontece até que nesses encontros participam personagens famosos e autores de livros
como por exemplo Phyllis Currot, Jane Farrar e Gavin Bone, para citar alguns.
Pessoalmente nunca participei desses encontros, mas o meu querido amigo Uthaar
gentilmente consentiu em me contar brevemente sua experiência, as sensações e o
conhecimento que ele amadureceu durante um destes encontros:
"Participei de encontros neo-pagãos e o ar que aí se respira é de grande conhecimento
no respeito à Natureza; durante estes encontros se respira um ar místico, o dos tempos
antigos, levado de volta a vida com grande devoção e fé.
Tudo parte do respeito daquilo que aparece aos nossos olhos, um presente dado a nós
pelos Deuses; quando se chega a ter esta consciência, então você entende que realmente
nós devemos agradecer aos Deuses, pois conseguimos ser como Eles se nós o queremos:
nós e a Natureza, um todo que nos faz sentir divinos."
Em conclusão desejo colocar que como todas as grandes famílias, as vezes acontecem
desacordos ou pequenas brigas, não obstante isso, percebi que o Neo Paganismo na
Itália é uma verdadeira comunidade, uma grande família que se reúne a cada festividade
para honrar aos Deuses!

*Agradeço Uthaar por ter gentilmente contado sua experiencia e Aradia Patricia por ter
me ajudado a traduzir este texto.
*Nomes de algumas Associaçoes Italianas: Pagan Federation, Branco dell' Antica
Quercia, Il Circolo dei Trivi (Wicca e Neo Paganismo), Pagan Pride Italia, Anima
Mundi, Il Cerchio della Luna, Ynis Afallach Tuath (Tradiçao Avaloniana), Paganesimo a
Roma.
Lupercalia
- Por Nera

Esta festa, conhecida também como Lupercali, vinha celebrada em Roma Antiga o 15
de Fevereiro em honra ao Deus Lupercus; segundo alguém as suas origens poderiam
derivar a bem antes da fundação de Roma, e ser, na realidade uma especie de
rielaboração das festas gregas dedicadas ao Deus Pã.
Era uma festa de alegria, grandes banquetes e orgias.

Durante os cerimoniais os Sacerdotes do Deus Lupercus - os Luperci- imitando Remo e


Romolo - este foi o mitico
fundador de Roma- criados
por uma Loba, iam na gruta
Lupercale situada nas colinhas
do Palatino, a morada do Deus
Lupercus, lugar onde a Loba
(Luperca) tinha alimentado os
dois irmãos quando ainda
crianças- e aì eles
sacrificavam algumas cabras e
com o sangue delas se
marcavam a cabeça, para
depois enxugar-se com a lã
que antes era feita mergulhar
no leite de cabra.

Os Sacerdotes depois vestiam


as peles dos animais sacrificados e fabricavam uma frusta, sempre com aquelas peles, e
corriam em volta da colinha dando frustada a qualquer um que por alì passasse,
principalmente as mulheres, pois elas queriam ser 'batidas' para purificar-se e para
receber poder fertilizante.
Se acreditava que se uma mulher esteril pegasse uma frustada ela ficaria fertil e teria um
parto facil.
O ato de culpir com a frusta transmite á pessoa que é frustada o poder, neste caso um
poder purificatorio e fertilizante, mas a frustada também pega um sentido de despertar-
se: o sacerdote, enquanto tal, absorveu o poder do lobo e culpindo outras pessoas ele
deseja desperta-las da ignorancia, transmetindo-lhes o poder.

O lobo, embora não era visto como animal 'positivo' pelo fato que assaltava os animais
(cabras etc) era, mesmo assim, mantido em grande consideração, pois ele é o animal
sagrado a Marte (Mars), uma das Divindades consideradas das mais importantes para os
antigos romanos.
Lupercus é o Deus da fertilidade, do gado e das colheitas. E' o Deus que protege o gado
contra os lobos.
Mais além esta festa começou a ser celebrada em honra ao Deus Fauno, chamado
também Faunus Lupercus, o Antigo Deus das campanhas e dos bosques que tomou o
lugar do Deus Lupercus na religião de Roma.
Fauno é um Deus identificado com Pã, o Deus dos bosques do aspecto duplice, Quem é
Desejo, que é Sabedoria, que é Natureza, que é Encantador, que é Extase e Armonia,
que é Sensualidade e Fertilidade, mas também Espiritualidade.
O significado desta festa portanto é de purificação, fertilidade e, talvez, o de
renascimento.

*Bibliografia
"Roma Antica" a cura di Andrea Giardina
"Almanacco Pagano" Pandemia
"La Vecchia Religione" di Dragon Rouge
Historia dos dialetos na Italia, uma breve explicação
- Por Nera

Quando Roma virou a ser o Grande Imperio que foi, começou a difunder o uso de uma
unica lingua, a sua, a todos os povos submetidos.
Na verdade a lingua falada naquele tempo não era uma sò, mas sim tinha uma lingua
vulgar por cada ceto social.
Com o tempo chegou a formar-se uma outra lingua também, aquela escrita, que
diferenciava-se de todas aquelas faladas; os varios dialetos presentes hoje na Italia com
muita probabilidade derivam pelas linguas daqueles povos submetidos que
"misturaram" a lingua original deles com a lingua dos romanos, naquele periodo de
difusão mesmo, criando assim aquilo que hoje é chamado de "dialeto". Obviamente com
o tempo os dialetos subiram mudamentos e modificações, até a chegar aquilo que hoje
são.

Segundo o meu dicionario (Lo Zingarelli Minore), este termo significa: "Sistema
linguistico particolar, utilizado numa zona geograficamente limitada; deriva pelo latino
'dialectos' derivante a sua vez pelo grego 'diàlektos', 'coloquio' virando depois a ser
'falada local'.

Em cada região da Italia estão presentes varias formas de dialetos que muitas vezes
diferenciam-se completamente entre elas (o numero dos dialetos presentes também num
pequeno territorio é impresionante, mesmo que, neste caso, as varias formas de dialetos
apresentem muitas similaridades): para fazer um exemplo, o dialeto cremasco, que seria
aquilo da minha cidade natal (de Crema, Lombardia, Nord Italia), que eu não falo mas
entendo, não tem nada a ver com o dialeto siciliano (Sud Italia), poderiam
tranquilamente parecer duas linguas estrangeiras. Isto por causa das diferentes
colonizações sucedidas nestes territorios.

Segundo alguns artigos que encontrei na rede, o dialeto em cada parte da Italia vinha
falado por qualquer um mais ou menos até os anos sessenta, quando começou a
desaparecer em seguida ao mudamento politico/economico que aconteceu naqueles
anos.

Na realidade, na Italia o dialeto é ainda muito presente mas percebo que é usado
sobretudo pelas pessoas anciãs ou pelos camponeses ou para quem mora em pequenas
vilas. Neste caso é verdade que tem ainda pessoas, quase esclusivamente anciãs, que
não sabem falar em italiano mas falam e entendem somente o dialeto do territorio deles.

Mesmo assim o dialeto aqui na pequena vila onde atualmente moro, vem falado
somente entre os membros de uma mesma comunidade, ou seja, nenhuma destas
pessoas, camponeses ou anciãos, comunicariam com um "estrangeiro" - por estrangeiro
entendo até somente uma pessoa que provem de uma vila de perto, pois no meu caso eu
sou considerada estrangeira! - falando-lhe em dialeto, mas sim irão comunicar em
lingua italiana.

A Arte da Stregheria não ficou fora disso tudo, muito pelo contrario!
Mesmo que eu não conheça costumes e folclores de nenhuma Tradição Italiana, posso
imaginar que cada grupo, em relação a de onde eles provem, ainda hoje utilize na
propria Pratica alguns termos dialetais; isto provavelmente acontece naquelas
Congregas Tradicionalistas que não deixam se influenciar por tudo aquilo que é "novo".
Eu acho isto tudo muito certo, mas quero colocar também que mesmo assim não sou
contraria ao utilizo de termos até estrangeiros!

Para concluir este breve artigo sobre os dialetos falados na Italia, gostaria de colocar
também que é lindo que exista uma lingua igual para todos, pois senão comunicar
ficaria realmente complicado; no mesmo tempo acho certo manter as tradições, neste
caso falamos dos nossos numeraveis dialetos, que não devem ser vistos como sinonimo
de ignorancia, mas sim como um patrimonio cultural de se preservar!

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