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Resíduos Sólidos
Proposta de implantação do plano de gerenciamento de resíduos
sólidos no município de Itaperuçu / PR 1

Marina Adelaide Schuck


Valéria Cristina dos Santos Diniz
RESUMO:
Os problemas ambientais têm aumentando devido ao crescimento e o consumo não
planejado da população. Os impactos ambientais são consequências de qualquer
alteração no meio ambiente ou em algum de seus componentes devido a alguma
ação ou atividade humana que podem prejudicar ou beneficiar a população nas
áreas da saúde, na segurança e bem estar. A geração dos resíduos sólidos
produzidos pela população e sua incorreta disposição final são problemas
recorrentes ao poder publico, tornando assim a sua gestão um desafio para muitos
municípios. A grande maioria dos municípios brasileiros não possui coleta seletiva
dos seus resíduos sólidos. Com o intuito de minimizar os riscos decorrentes desses
problemas muitas medidas são tomadas, como a implantação da coleta seletiva e
criação de unidades de triagem de resíduos. O presente trabalho foi realizado no
município de Itaperuçu-PR, que fica localizado na Microrregião e na Mesorregião
Metropolitana de Curitiba. O município hoje tem uma população estimada em 2014
de 26.371 habitantes, com área territorial em 320.578 (km²) e densidade
demográfica (hab/km²) 75,96 (IBGE, 2014). O objetivo desse estudo foi simular a
implantação de um PGRS municipal e demonstrar as etapas pertinentes a este
processo. A partir dos estudo pode se concluir que o município de Itaperuçu possui
uma gestão ambiental deficiente no que tange sua gestão de resíduos sólidos
municipais. Percebe-se a necessidade do município em adotar a coleta seletiva bem
como a criação de uma unidade de triagem de resíduos. Tais ações poderão
contribuir para a melhora da qualidade ambiental, da geração de emprego e renda e
na sua sustentabilidade municipal.

PALAVRAS-CHAVE: Resíduos Sólidos. Coleta Seletiva. Itaperuçu-PR.

1 INTRODUÇÃO

Durante o século XX o mundo sofreu grandes mudanças, apenas 5 em cada


cem habitantes do mundo, moravam em cidades, hoje são mais de 70 a cada cem
habitantes (HOGAN, 1997). A partir dai o crescimento populacional, a urbanização e
a industrialização transformaram os hábitos de consumo da população. Este
processo pode ser chamado de “modernização” da sociedade, gerando uma
diversidade cada vez maior de produtos e agravando consideravelmente a geração
de resíduos.

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Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de MBA Sustentabilidade e Gestão
Ambiental da Universidade Tuiuti do Paraná, sob orientação do professor Rafael Bonatto.
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O consumo excessivo de produtos e a disposição final dos mesmos é um


desafio mundial que preocupa a sociedade. O tema vem se mostrando importante
desde a conferência da Rio 92, por contribuir direta ou indiretamente com o
aquecimento global e as mudanças do clima. Desde a Rio 92, incorporaram-se
novas prioridades à gestão sustentável de resíduos sólidos que representaram uma
mudança paradigmática, que tem direcionado a atuação dos governos, da sociedade
e da indústria (Jacobi, P.R. 2011).

Segundo a norma brasileira NBR 10004 (Resíduos Sólidos – classificação)


Resíduos sólidos são resíduos nos estados sólidos e semissólidos, que resultam de
atividades da comunidade, de origem: industrial, doméstica, de serviços de saúde,
comercial, agrícola, de serviços e de varrição.

Há diferenças entre resíduos sólidos e a palavra “lixo” enquanto que o


primeiro possui valor econômico gerando emprego e renda por possibilitar o seu
reaproveitamento, o segundo não possui valor algum, pois devem ser descartados,
estes são encarados como os grandes “vilões” de problemas ambientais. Mas
quando os resíduos sólidos são dispostos irregularmente também trazem grandes
danos ambientais como a contaminação do ar, do solo, das águas superficiais e
danos à saúde pública.

Buscando soluções para o problema dos resíduos o Governo Federal


sancionou a lei nº 12.305 de Agosto de 2010, que após 20 anos de tramitação no
congresso nacional, estabeleceu a Politica Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).
Esta lei impôs a necessidade imediata de substituir os lixões a céu aberto por
aterros sanitários como medida de proteção ambiental. Segundo dados do
IBGE/2008 somente 27,7 % das cidades brasileiras possuíam aterros sanitários,
22,5% possuíam aterros controlados e 50,8% das cidades despejavam o lixo
produzido em lixões. O aterro sanitário esta entre as atividades que estão sujeitas a
licenciamento com a apresentação do EIA/RIMA, e neste caso aplicam-se as
determinações das portarias nº 10/96-SSMA e portaria nº 12/95-SSMA. O
EIA/RIMA segundo a Fepam é um dos instrumentos da Política Nacional do Meio
Ambiente, instituído pela Resolução Conama nº 001/86 de 23/01/1986.

A PNRS estabelece o gerenciamento integrado e sustentável de resíduos


sólidos, propondo medidas de âmbito social, econômico e ambiental. Incentiva a
coleta seletiva dando recursos e formando parcerias com cooperativas, associações,
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ONGs e organizações da sociedade civil, visando à redução de custos com o


compartilhamento de sistemas de coletas. Programa a logística reversa de produtos,
propondo ao gerador a responsabilidade de gerenciar adequadamente o destino
final do seu produto. Ainda conforme lei define que gestão integrada de resíduos
sólidos é o conjunto de ações voltadas para a busca de soluções dos resíduos
sólidos, de forma a considerar as dimensões politicas, econômicas, ambientais,
cultural e social.

Entre as várias determinações da PNRS uma em especial determina o


fechamento e recuperação de todos os chamados lixões até o ano de 2014. Obriga
ainda a todos os municípios a criação de aterros sanitários como destinação final
dos resíduos sólidos.

Segundo o site da CETESB/SP, aterro sanitário é um aprimoramento de um


aterramento, que tem como objetivo acomodar no solo resíduos, no menor espaço
prático possível, causando o menor dano possível ao meio ambiente ou à saúde
pública. Esta técnica consiste basicamente na compactação dos resíduos no solo,
na forma de camadas, que são periodicamente cobertas com terra ou outro material
inerte. Podemos encontrar três tipos de aterros sanitários:

 Aterros de grande porte – capacidade de recebimento de resíduos de


2.000 toneladas por dia. O custo total da etapa de viabilização deste
aterro é de R$ 525.794.167;

 Aterros de médio porte - capacidade de recebimento de resíduos de


800 toneladas por dia. O custo total da etapa de viabilização deste
aterro é de R$ 236.535.037;

 Aterros de pequeno porte - capacidade de recebimento de resíduos de


100 toneladas por dia. O custo total da etapa de viabilização deste
aterro é de R$ 52.444.448.

Os valores totais apresentados acima referentes aos custos dos aterros estão
calculados envolvendo as cinco etapas para a implantação de um aterro sanitário,
sendo elas: pré-implantação, implantação, operação, encerramento e pós-
encerramento. Nos anexos B, C e D constam o detalhamento dos valores.

Conforme o manual de aterro sanitário do IAP, também é possível construir


um aterro sanitário em valas de pequenas dimensões, que são direcionadas a
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cidades de pequeno porte e com pequena produção de resíduos. Sendo que muitas
vezes os municípios encontram problemas financeiros na construção desses aterros,
falta de técnicos qualificados e indisponibilidade de equipamentos para operação,
este tipo de aterro com valas pequenas, onde os resíduos são colocados sem
compactação e sua cobertura de terra é feita manualmente, os equipamentos serão
apenas necessários para a fase de abertura de valas, de acordo com o artigo 3º da
RESOLUÇÃO CONJUNTA Nº 01/2006 – SEMA/IAP/SUDERHSA. No anexo F é
possível ver o modelo de layout do aterro sanitário do tipo – Valas de
pequenas dimensões. No manual do IAP também podemos encontrar os
aterros em trincheira e em células.

Além dos aterros sanitários, há outra opção aos municípios para que sejam
minimizados os problemas ambientais com os resíduos, sendo a implantação de
uma Unidade de Triagem de Resíduos no local. Esta unidade terá como objetivo
resolver os problemas de ordem ambiental, social e econômico. O material reciclável
encontrado no lixo das residências pode ser separado em uma usina de reciclagem
através de processos manuais e eletromecânicos. A figura 01 traz o aumento das
estações de triagem nos municípios, no entanto verifica-se que a quantidade de
resíduos que são levados para tais unidades não cresceu significativamente.

FIGURA 01 – ESTAÇÕES DE TRIAGEM NO BRASIL

Fonte: IBGE (2002; 2010a)

Geralmente as unidades de triagem implantadas em áreas apropriadas e


licenciadas pela FEAM possuem estruturas físicas como galpões de recepção e
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triagem de lixo, galpão para armazenamento de recicláveis, pátio para


compostagem, unidades de apoio (escritório, sanitários, vestiários, copa, cozinha,
etc.) Também podem fazer parte da usina, valas de aterramento de rejeitos e
resíduos de saúde, unidade de tratamento para efluentes. Essas estruturas são
implantadas em uma área cercada, identificada, com paisagismo nas proximidades
das estruturas edificadas, além de cerca viva em volta da cerca de divisa.

Conforme um estudo realizado pela Universidade Federal do Rio Grande do


Sul, referente a uma implantação de uma usina de triagem na Ilha de São Vicente –
Cabo Verde, podendo tomar como base uma unidade de triagem com capacidade
de processamento de até 30 toneladas/dia de lixo bruto em 1 turno de 8 horas,
sendo necessário a utilização dos seguintes maquinário:

Sistema de Recepção:

 01 moega metálica para recepção do lixo;

 01 transportador mecânico contínuo tipo taliscas;

 01 braço mecânico tipo rastelo, funcionamento hidráulico;

Sistema de Triagem:

 01 transportador mecânico contínuo de correia (seleção manual);

 18 carrinhos manuais, com capacidade de 240 litros;

Sistema de Trituração:

 01 moinho triturador para lixo, tipo martelos;

 01 transportador mecânico contínuo de correia, para descarga do lixo


triturado;

Sistema de Cobertura:

 01 conjunto de estrutura metálica de cobertura da unidade de


processamento (recepção, catação e trituração);

Sistema Elétrico:

 01 conjunto de quadro elétrico de comando e proteção da unidade de


processamento (recepção, seleção e trituração) e fiação, tubulação,
botoeiras e demais acessórios necessários;
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Sistema de Prensagem:

 01 peça de prensa hidráulica vertical para enfardamento do papel,


papelão, plástico fino e PET para fardos de ate 150 kg;

 01 peça de prensa hidráulica horizontal para enfardamento de latas


metálicas e alumínio, confeccionadas em chapas de aço carbono , para
fardos e até 50 kg;

Sistema de Peneiramento:

 01 peneira rotativa cilíndrica;

 03 peças de carrinho metálico, capacidade de 250 litros;

 01 peça de moega metálica de alimentação da peneira;

O anexo E - PLANTA DA UNIDADE DE TRIAGEM DE RESÍDUOS, mostra a


unidade de triagem de resíduo de Campo Magro, como sendo a maior planta de
reciclagem de resíduos da capital. Segundo o jornal da cidade, por dia são feitos a
destinação correta de 40 toneladas de material reciclável, onde trabalham 212
pessoas.

Podemos ver a importância de se implantar esses métodos nos municípios


que ainda não tem, visto que nos últimos anos a população viveu a era de aprender
a reutilizar e a reaproveitar aquilo que seria descartado, fabricando diversos
produtos através do processo de reciclagem, como consequência obteve a redução
de impactos gerados ao meio ambiente.

A coleta seletiva facilita e estimula a reciclagem, pois os materiais que são


coletados separadamente tem potencial maior de aproveitamento e comercialização,
sendo os catadores os principais responsáveis pela separação da maior parte dos
materiais recicláveis nos municípios. Esses materiais representam cerca de 30% da
composição do lixo domiciliar brasileiro, que na sua maior parte é composto por
matéria orgânica (IBGE-2001).

Waite (1995, apud Silva - 2013) destaca que a redução do uso de matéria-
prima, a economia dos recursos naturais renováveis e não renováveis, a economia
de energia para reaproveitamento de materiais se comparado com o processo de
produção a partir de matérias-primas virgens, a valorização das matérias-primas
secundarias, a redução da disposição do lixo nos aterros sanitários e os impactos
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ambientais decorrentes são as vantagens que a coleta seletiva traz ao meio


ambiente.

Além de contribuir positivamente para o meio ambiente a coleta seletiva


incentiva à geração de trabalho e renda, a educação ambiental com o objetivo de
redução de consumo e desperdício, auxilia ainda na separação do lixo na fonte
geradora para o seu reaproveitamento e melhora a qualidade de matéria orgânica
para compostagem.

Entre os 5.565 municípios brasileiros apenas 32,3% possui coleta seletiva, a


maioria situada na região sul do Brasil. No Paraná cerca de 48% dos municípios
possuem coleta seletiva (IBGE – 2008), sendo a capital paranaense a primeira a
implantar a coleta seletiva.

A RMC e a gestão dos resíduos sólidos

A região metropolitana de Curitiba (RMC) foi criada em 1973, e é composta


por 29 municípios ocupando uma área de 15.418, 543km². Nesta área concentra-se
68% da população urbana do estado do Paraná.

Em 2001 foi criado o consórcio intermunicipal para gestão de resíduos sólidos


urbanos (Conresol), tendo como finalidade gerar ações e atividades relacionadas ao
tratamento e destinação final dos resíduos sólidos urbanos. Deste consórcio fazem
parte 21 municípios integrantes da RMC. A figura 02 traz esses municípios e sua
inserção dentro da RMC.

Entre as atividades desenvolvidas pelo consórcio, foi elaborado em 2007, o


Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS). O escopo principal do PGRS
trata da substituição do aterro da Caximba, destinação atual dos resíduos sólidos
dos municípios consorciados (exceto Balsa Nova e Quitandinha) e a maximização
da reciclagem, diminuindo a quantidade destinada ao aterro sanitário (Neto, 2009).

Segundo definição do SENAI (2009) o PGRS é parte integrante da Lei


12.305/2010, que aponta e descrevem as ações relativas ao manejo de resíduos
sólidos, contemplando os aspectos referentes à geração, segregação,
acondicionamento, coleta, armazenamento, transporte, tratamento e disposição final,
bem com a proteção à saúde pública.

O aterro sanitário da Caximba foi criado em 1989, localizado entre os


municípios de Curitiba, Fazendo Rio Grande e Araucária, a área total era de
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410.000m², sendo que a área destinada a disposição de lixo era de 237.000m². O


aterro atendia a 14 munícipios integrantes da RMC, recebendo 9,31 toneladas ao dia
de resíduos sólidos urbanos. Seu prazo de vida útil foi estimado em 11 anos e 5
meses, a previsão de esgotamento era para abril de 2001, mas por meio de ações
de caráter emergencial possibilitou sua utilização até 2010, ano em que encerrou
suas atividades, entrando em funcionamento de forma temporária um aterro privado
no município de Fazenda Rio Grande. A figura 03 traz a vista geral do aterro
sanitário da Caximba.

Ao longo de sua vida útil, o aterro sanitário de Curitiba recebeu 12.133.794,80


de toneladas de resíduos sólidos urbanos (SMMA – Curitiba).

FIGURA 02 – ÁREA DE ABRANGÊNCIA DO CONSÓRCIO


INTERMUNICIPAL PARA GESTÃO DE R.S.U.

Fonte: Paulo Moreira Neto e Tomás Antonio Moreira, baseado em CONRESOL (2007).
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FIGURA 03 – VISTA GERAL DO ATERRO SANITÁRIO DA CAXIMBA

Fonte: ADECOM (2010)

A situação ambiental do município de Itaperuçu

O município de Itaperuçu foi criado em 10 de dezembro de 1991, sendo


desmembrado de Rio Branco do Sul. Sua denominação na linguagem tupi guarani
significa caminho das pedras, a referência se explica pela formação geológica da
região, onde existiam pinheiros e lago com boa água. A cidade faz parte da região
metropolitana de Curitiba (RMC), situada ao norte da capital paranaense, integrando
também a região do vale do rio Ribeira.

Itaperuçu possui 26.371 habitantes, conforme senso de 2014. A área é


estimada em 320,578 km² de extensão territorial e sua densidade demográfica é de
75,96 hab/km², seu IDHM (Índice de desenvolvimento humano municipal) é de
aproximadamente 0,637 (IBGE, 2010). A principal atividade econômica é a extração
de mineiros e madeira. O índice de pobreza no município é de 54,63%, sendo o
maior índice entre os municípios da região metropolitana. O PIB a preços correntes
é de 260.535 (IBGE, 2012). Este município pertence a uma região de extrema
importância no contexto ambiental local, visto estar sobre uma parcela do Aquífero
Karst. O Aquífero Karst (reserva de água subterrânea) possui uma área aproximada
de 5.740 km², abrangendo os municípios de Campo Magro, Campo Largo, Almirante
Tamandaré, Itaperuçu, Rio Branco do Sul, Colombo, Bocaiuva do Sul, Cerro Azul,
Tunas do Paraná, Doutor Ulisses e Adrianópolis, ao norte da região metropolitana de
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Curitiba, além de Castro e Ponta Grossa. O aquífero tem um grande potencial de


abastecimento para a região metropolitana, atingindo 766 m³/hora em 37 poços
perfurados em 7 municípios ( Governo do Paraná – Secretaria do Meio Ambiente).

( Anexo A – Aquífero Karst)

Em outubro de 2014, o município de Itaperuçu começou a integrar o Conresol,


destinando seu lixo para o aterro sanitário da empresa Estre em Fazenda Rio
Grande.

O trabalho descrito tem como objetivo geral simular a implantação de um


PGRS municipal e as etapas necessárias para a obtenção da mesma. Nos objetivos
específicos, citamos os seguintes itens:

 Levantar informações sobre o sistema de coleta de resíduos sólidos no


município pesquisado;

 Pesquisar sobre implantação de centro de triagem no município;

 Propor medidas ao município para a implantação da coleta seletiva;

 Contatar órgãos públicos para auxiliar no desenvolvimento do estudo;

 Verificar a possibilidade de implantação da coleta seletiva no município;

 Buscar informações sobre educação ambiental no município objeto do


estudo.

2 DEFINIÇÃO DO PROJETO
O presente trabalho versa sobre a situação/cenário atual da gestão de
resíduos sólidos em nível nacional com maior ênfase no município de Itaperuçu
localizado no estado do Paraná. Para tal pesquisa serão coletadas informações de
fontes secundárias, bem como coleta de informações in loco. Será composta de
questionários aplicados aos atores envolvidos no tema apresentado.

3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
3.1 CITAÇÕES

Com o aumento da população e do consumismo, o aumento de resíduos sólidos


tem sido um problema para a população. Segundo a Associação Brasileira de
Normas Técnicas – ABNT define-se resíduos sólidos como:
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Resíduos nos estados sólidos e semi-sólido, que resultam de atividades da


comunidade de origem: industrial, doméstica, hospitalar, comercial,
agrícola, de serviços e varrição. Consideram-se também resíduos sólidos
os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados
em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como
determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu
lançamento na rede pública de esgotos ou corpo d’água, ou exijam para
isso soluções técnicas e economicamente inviáveis em face da melhor
tecnologia disponível.

Há um grande numero de resíduos sólidos gerados no Brasil por dia,


conforme dados do IPEA (2012) o Brasil coleta 183,5 mil toneladas de resíduos
sólidos/dia, em 90% do total de domicílios, o que representa 98% de moradias
urbanas e 33% das rurais. Diante desses dados o Governo Federal sancionou a lei
nº 12.305 de Agosto de 2010 estabelecendo a Política Nacional de Resíduos
Sólidos – PNRS, a fim de solucionar os problemas com os resíduos. Segundo
o Instituto Socioambiental Dom Helder (2013), com a implantação da PNRS:

Com a PNRS, o país passa a ter um regulatório na área de resíduos


sólidos. Propõe a prevenção e a redução na geração desses resíduos,
tendo como proposta a prática de hábitos de consumo sustentável e um
conjunto de instrumentos para propiciar o aumento da reciclagem e da
reutilização dos resíduos sólidos (aquilo que tem valor econômico e pode
ser reciclado ou reaproveitado) e a destinação ambientalmente adequada
dos rejeitos (aquilo que não pode ser reciclado ou reutilizado). Estabelece,
assim, uma diretriz para que ocorra o manejo sustentável, visando uma
gestão integrada entre todas as partes envolvidas, desde o produtor até o
consumidor.

Dentro dessa lei também é integrado o Plano de Gerenciamento de


Resíduos Sólidos – PGRS, que aponta e descreve as ações relativas ao
manejo de resíduos sólidos, envolvendo os aspectos referentes a produção,
segregação, acondicionamento, coleta, armazenagem, transporte, tratamento
e disposição final.
No lixão os resíduos são colocados em terrenos que ficam a céu aberto sem
nenhum cuidado e nem proteção, o que pode causar ocorrências como a poluição
da água, do solo e a proliferação de vetores. Já nos aterros controlados os resíduos
que são depositados ficam guardados em clareiras e são cobertos por uma camada
de terra. O sistema do aterro sanitário é uma solução econômica e de rápida
implantação para os locais que não fazem o depósito do lixo urbano de maneira
correta, trazendo vantagens para o local como a proteção ao meio ambiente e para
a saúde publica. Segundo Castro (1995) o aterro sanitário é uma forma eficiente
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para amenizar o problema ambiental, pois os impactos da construção de um aterro


são pequenos e de fácil controle, se comparado com os benefícios que o mesmo é
capaz de proporcionar aos municípios que investem neste tipo de sistema. Para
termos uma melhor eficácia na questão da destinação dos resíduos dos municípios,
outra opção seria a implantação do aterro, já citado, juntamente com a adoção de
uma unidade de triagem e compostagem (UTC), adequado para cidades de pequeno
e médio porte. A criação da Unidade de Triagem motiva o desenvolvimento de um
sistema comprometido com a proteção do meio ambiente que propicia a economia
de energia e recursos naturais e proteção à saúde publica, gerando assim,
oportunidade de empregos para a população e de negócios para a comunidade.
Para isto ocorrer, também é importante lembrar que o apoio e participação da
comunidade são de suma importância para a realização da implantação. Segundo
Vilella (2001), não se pode desenvolver qualquer programa vinculado a
sustentabilidade e a proteção ambiental sem o envolvimento dos cidadãos. Caso os
conceitos por trás dos programas não sejam devidamente assimilados, por mais
bem intencionados e por melhor elaborados que sejam não estarão inseridos nas
atividades do dia a dia da população, resultando em baixa eficácia.
A reciclagem tem sido um dos melhores métodos para melhorarmos a
destinação dos resíduos sólidos nos municípios, por isso é muito importante que o
gestor ambiental da região tenha conhecimento cientifico e tecnológico nessa área.
Desta maneira podemos dizer que a coleta seletiva e a reciclagem juntas, são
soluções para o desenvolvimento dos resíduos, visto que ambas as duas envolvem
o meio ambiente e buscam melhoras para o município. Segundo Gonçalves, a coleta
seletiva:

Uma etapa necessária para a reciclagem de resíduos sólidos é a coleta


seletiva de lixo gerado. A coleta seletiva é uma alternativa ecologicamente
correta para a preservação do meio ambiente e melhoria da qualidade de
vida da população. Esse tipo de coleta é um sistema de recolhimento de
materiais recicláveis, tais como vidro, papéis, metais, plásticos e orgânicos,
que são previamente separados na fonte geradora. A implantação de
programas de coleta seletiva é de fundamental importância pra minimizar
os impactos gerados pelos resíduos sólidos. (Gonçalves, 2005)

Desta forma podemos ver a importância de se ter uma gestão ambiental eficaz nos
municípios, sendo implantados de maneiras corretas e conforme a Lei os aterros
sanitários e unidades de triagem de resíduos sólidos, juntamente com o apoio da
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Prefeitura e população, podemos ter um meio ambiente preservado e equilibrado e


não destruído.

4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Para o desenvolvimento da pesquisa foram levantadas informações de fonte
secundária por meio da consulta em livros, artigos científicos e sites, com a
finalidade de se obter dados e informações pertinentes ao município de Itaperuçu
sobre o tema de Resíduos Sólidos Urbanos, bem como sua divulgação perante os
órgãos competentes do município.
Para a segunda etapa do trabalho foram realizadas pesquisas através de
perguntas junto à prefeitura municipal de Itaperuçu e a secretaria de meio ambiente
da cidade (apêndice A). Também se realizou nesse período visitas aos bairros do
município com o intuito de obter informações e opiniões com moradores.
A metodologia de pesquisa foi desenvolvida nos meses de novembro de
2014 á março de 2015 como trabalho final para a obtenção do título de especialista
em gestão ambiental e sustentabilidade, da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP).

5 ANÁLISE DOS RESULTADOS


Com base em diagnósticos locais foi identificado que a Prefeitura Municipal
de Itaperuçu necessita de fundamentação para a implantação de um sistema de
gestão ambiental efetivo que fundamente as políticas publicas. No estudo, podemos
ver que para uma coleta seletiva e triagem de resíduos eficaz, é necessário uma
melhor capacitação dos gestores públicos no município. Vimos que já foram
realizados propostas no município com o intuito de implantar a coleta seletiva onde
as mesmas não vigoraram, como a proposta 1735812 - 23128/2013, onde se daria o
fim da execução em 25/04/2014.
No questionário aplicado à gestora ambiental da Prefeitura Municipal de
Itaperuçu, podemos verificar que o município apresenta uma ineficácia na gestão
ambiental, e não conta com vários itens para obter um destino correto aos resíduos
sólidos produzidos, desde orçamento até programas de incentivo, projetos, e coleta
seletiva, sendo que o único projeto do município é a educação ambiental para as
crianças do 1º ao 4º ano do ensino fundamental, deixando de lado grande parte da
população. Diante desses pressupostos, vimos à necessidade de se apresentar o
projeto para a coleta seletiva de Itaperuçu, e juntamente com isso, o estudo para se
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implantar uma unidade de triagem de resíduos sólidos, gerando emprego, renda,


educação ambiental, reconhecimento para o município e melhoria ambiental no
quesito de destinação dos resíduos sólidos.
Além deste projeto, é indispensável o comprometimento por parte do poder
público com os projetos e ações referentes à implantação da coleta seletiva e
triagem na unidade. O que acarretará em investimentos na educação ambiental e na
conscientização da população, para manter-se a continuidade efetivação do projeto.

6 CONCLUSÃO
Muito se conhece a respeito da questão ambiental, entretanto a necessidade
está cada vez mais latente no que tange os assuntos relacionados à gestão dos
resíduos sólidos.
Por meio da execução desta pesquisa, informações sobre o município de
Itaperuçu foram aclaradas, região desprovida de coleta seletiva. No inicio do
trabalho se buscou informações sobre a implantação da coleta seletiva na região, no
entanto, ao se deparar com dados como o índice de pobreza da região de 54,63%,
índice maior entre os municípios da região metropolitana de Curitiba, resolvemos
fazer um estudo sobre a implantação de aterro sanitários e unidades de triagem de
resíduos sólidos.
Empós a finalização dos trabalhos se percebeu a necessidade do apoio por
parte do poder publico local em especial aos temas relacionados à educação
ambiental através de projetos, palestras e etc. Após o cumprimento de tais ações
poderá ser implantado no município o centro de triagem de resíduos, que trará
vários benefícios à região, como o aumento da renda juntamente com a geração de
empregos, melhor qualidade de vida, melhorias ambientais, reconhecimento do local
onde poderá influenciar para futuros investidores, que contribuam para que a cidade
possa se desenvolver de forma sustentável.
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REFERÊNCIAS

1)AGÊNCIA CURITIBA. Região metropolitana de Curitiba. 2009. Disponível em:


<http://www.agencia.curitiba.pr.gov.br/publico/conteudo.aspx?codigo=42 > Acesso dia 03 de jan. de
2015.

2)CASTRO, Alaor A.et.al. Manual de Saneamento e Proteção Ambiental para os Municípios. Belo
Horizonte: Escola de Engenharia da UFMG, p.16, 1995.

3)DELGADO, Antonio Pedro Brito. Análise da Viabilidade de Implantação de uma usina de Triagem e
Compostagem na Ilha de São Vicente – Cabo Verde.Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
Porto Alegre, 2009. Disponível em:
https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/19128/000733946.pdf?sequence=1. Acesso em 27
jan, 2015.

4)FUNDAÇÃO ESTADUAL DO MEIO AMBIENTE.Orientações técnicas para a operação de usina de


triagem e compostagem do lixo. FEAM, 2005. Disponível em:
http://www.feam.br/images/stories/arquivos/Usina2.pdf. Acesso em: 26 jan. 2015.

5)GONÇALVES,P.Lixo.com.br. Disponível em< www.lixo.com.br>. Acesso em 20 jan.2015.

6)GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ. Aquífero Karst.Secretaria do Meio Ambiente e Recursos


Hídricos. Disponível em:
http://www.aguasparana.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=52. Acesso em: 26 jan.
2015.

7)HOGAN, D.J. Mudança ambiental e o novo regime demográfico. Meio ambiente, desenvolvimento
sustentável e políticas públicas. São Paulo, 1997. p.369-81.

8)IBGE.Informações completas de Itaperuçu. Itaperuçu, 2014. Disponível em:


http://cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?lang=&codmun=411125&search=||infogr%E1ficos:-
informa%E7%F5es-completas. Acesso em: 20 jan. 2015.

9)INSTITUTO AMBIENTAL DO PARANÁ – IAP.Aterros Sanitários.Manual para implantação de


Aterros Sanitários em valas de pequenas dimensões, trincheiras e em células.IAP, 2015. Disponível
em http://www.iap.pr.gov.br/arquivos/File/Atividades/MANUAL_DO_ATERRO.pdf. Acesso em 28 jan.
2015.

10)JACOBI, R.P.; BESEN, R.G. Gestão de resíduos sólidos em São Paulo: Desafios da
sustentabilidade. Estudos avançados, São Paulo, fevereiro de 2011.

11) NETO, N.P.; MOREIRA, A.T. Gestão de resíduos sólidos urbanos na região metropolitana de
Curitiba: Política regional de compostagem. Revista geografar, Curitiba, V.4, N.2, P.72-96, jun./dez.
2009.

12)PGRS – Kit Resíduos.SENAI, Curitiba, ano 2009, p.09, maio, 2009.

13)PORTAL EDUCAÇÃO. Resíduos Sólidos e seus Impactos Ambientais. Portal Educação, 2013.
Disponível em: http://www.portaleducacao.com.br/biologia/artigos/49670/residuos-solidos-e-seus-
impactos-socioambientais#ixzz31oJynUiC. Acesso em: 21 jan. 2015.

14)PORTA PREFEITURA DE CURITIBA. Limpeza pública. Aterro do Cachimba. Disponível em


http://www.curitiba.pr.gov.br/conteudo/aterro-sanitario-smma/454. Acesso em: 05 jan. 2015.

15)PORTAL DOS CONVENIOS DO GOVERNO DO PARANÁ.Proposta 1735812. Proposta para


município de Itaperuçu, 2013. Disponível em:
http://api.convenios.gov.br/siconv/dados/proposta/1735812.html. Acesso em: 26 jan. 2015.
16

16)SILVA, R.J.; PENNA, R.F. Coleta seletiva de resíduos sólidos urbanos: estudo de caso em
Governador Valadares – MG. IFMG, Governador Valadares, 2013. Disponível em
<http://www.ifmg.edu.br/site_campi/g/images/arquivos_governador_valadares/TCC_J%C3%BAnio_R
odrigues_Silva.pdf> . Acesso em: 06 de jan. de 2015.

17) VILELLA, Sh, ET.al.Validação Social de Políticas de Resíduos Sólidos Urbanos. In:21º Congresso
Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental; 2001 set. 16-21; João Pessoa ( PB). s.l.:ABES ;2001.

APÊNDICES
APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO APLICADO

1. Como é feita a coleta de resíduos sólidos urbanos na cidade?

Resposta: A coleta é feita a cada dois dias por uma empresa terceirizada. O
município não tem coleta seletiva. O lixo recolhido vai para o aterro sanitário de
Fazenda Rio Grande.

2. O município faz parte do consórcio de resíduos sólidos de Curitiba e região


metropolitana (Conresol). Se sim, em que ano o município começou a participar?

Resposta: Sim, faz três meses que o município começou a fazer parte do consórcio.

3. Qual é a quantidade de resíduos sólidos gerados por dia na cidade?

Resposta: São gerados 200 toneladas/ano de lixo.

4. Para onde estes resíduos são destinados?

Resposta: Estes resíduos são destinados ao município Fazenda Rio Grande para a
empresa Estre.

5. O município possui centro de triagem?

Resposta: Não possui.

6. Há associações de catadores de materiais recicláveis na cidade?

Resposta: Não há.

7. Existe algum programa de incentivo para associações, cooperativa ou ONGs?

Resposta: Há incentivo apenas na questão burocrática. Mas não há incentivo na


criação.

8. O Plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos – PMGIRS – já foi


entregue? Prazo final era dia 2 de agosto de 2012.

Resposta: O prazo foi estendido até 2017. O município pretende entregar o plano
em março de 2015.
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9. Qual é o percentual do orçamento que é investido nos resíduos desde sua coleta
até sua destinação final?

Resposta: Não soube responder.

10. A arrecadação de receita para gestão de resíduos sólidos é através do IPTU


(imposto predial e territorial urbano)?

Resposta: A taxa era cobrada no IPTU até o ano de 2013, agora ela é cobrada na
conta de água.

11. O município possui projetos de educação ambiental voltado para área de resíduos
sólidos?

Resposta: Sim. São feitos projetos para crianças de 1º ao 4º ano do ensino


fundamental de escolas municipais.

12. Como ocorre a coleta na área rural?

Resposta: A coleta na área rural acontece da mesma maneira que a coleta na zona
urbana, a única diferença é que ocorre semanalmente ou a cada 15 dias em locais
mais extremos.

13. A coleta de resíduos da saúde é feita igual às outras?

Resposta: Não, a coleta de saúde é de responsabilidade do gerador, sendo que a


licença ambiental não será concedida se não houver destinação correta para este
resíduo.

ANEXOS
ANEXO A – AQUÍFERO KARST

Fonte: www.aguasparana.pr.gov.br
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ANEXO B – CUSTO DAS ETAPAS DE VIABILIZAÇÃO DE UM ATERRO DE


GRANDE PORTE

Fonte: http://www.abetre.org.br/biblioteca/publicacoes/publicacoes

ANEXO C – CUSTO DAS ETAPAS DE VIABILIZAÇÃO DE UM ATERRO DE


MÉDIO PORTE

Fonte: http://www.abetre.org.br/biblioteca/publicacoes/publicacoes

ANEXO D – CUSTO DAS ETAPAS DE VIABILIZAÇÃO DE UM ATERRO DE


PEQUENO PORTE

Fonte: http://www.abetre.org.br/biblioteca/publicacoes/publicacoes
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ANEXO E – PLANTA DA UNIDADE DE TRIAGEM DE RESÍDUOS

Fonte: www.mozzilli.com – 18 de dezembro de 2011 – Centro de Triagem em Campo


Magro.

ANEXO F – LAYOUT DE ATERRO SANITÁRIO – VALAS DE PEQUENAS


DIMENSÕES

Fonte: Manual para implantação de aterros sanitários valas pequenas – Instituto Ambiental
do Paraná