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Como fazer com que as pessoas da nossa sociedade deixem de ser letrados digitais fracos e

se tornem letrados digitais fortes, permitindo-se, assim, uma sociedade justa, democrática e
igualitária? (Fabiana)

Tecnologia educacional atrativa e pensamento próprio (Carlos)

Conhecimento limitado do ambiente virtual (Cecilia)

não havendo um meio institucionalizado para o letramento digital infantil, por quais vias se da
a apropriação de um indivíduo das funcionalidades do letramento digital mesmo não sendo um
letrado alfabético? (Alexandre)

Boa noite, pessoal!

Penso que o letramento digital envolve a capacidade de dominar as técnicas, as práticas,


os modos de pensamentos, os valores e as atitudes existentes no ambiente digital, e me
parece que essa capacidade se dá em três níveis diferentes. Um nível mais prático de uso,
um saber fazer que não implica saber o porquê ou como funciona; um nível mais
aprofundado, mas científico, no qual se sabe por que se faz e como funciona; e um nível
mais exigente que diz respeito a saber usar, ou seja, ter a capacidade de selecionar as
ferramentas adequadas para um determinado tipo de tarefas sabendo como funcionam e
por que funcionam, relacionando tudo isso com um conhecimento mais aprofundado de
suas próprias necessidades, das consequências sociais dessas utilizações e até mesmo a
possibilidade de criação de novas maneiras de uso e novas ferramentas. Concordo
também que o letramento digital pressupõe algum nível de letramento alfabético que pode
servir como base ou fundamento para a desenvoltura no ciberespaço.

A inclusão digital então seria propiciar o acesso prático, científico e sábio ao ambiente
virtual o que levaria a uma maior inclusão social, visto que as possiblidades de acesso
cultural (filmes, músicas, livros, obras de arte, artigos etc.), social (conhecer pessoas,
trocar informações etc.), político (criar espaços de debates, marcar manifestações etc.),
econômico (vender produtos, divulgar sua atividade etc.) ampliam e muito a construção de
uma sociedade mais democrática por conta das ferramentas que o ambiente virtual
proporciona.

Eu gostaria também de comentar um pouco sobre algumas falas que me levaram a pensar
sobre alguns pontos. Em relação ao problema interessante levantado pela Fabiana, que
diz respeito aos letrados fortes, penso que é importante primeiro possibilitar o contato
material com os livros e textos, visando à inclusão ao letramento alfabético, bem como
possibilitar o contato material com os computadores e ao acesso à rede da internet,
visando à inclusão ao letramento digital. Penso que isso acontece na escola, com as salas
de leitura e sala de informática, cabendo à escola, dentre outros espaços que tenham
como objetivo desenvolver esses letramentos, trabalhar junto aos alunos um letramento
mais forte, tanto alfabético quanto digital.
Quanto ao problema bem colocado pelo Alexandre, sobre não haver um letramento digital
institucionalizado, creio que algumas crianças acabam tendo acesso às tecnologias digitais
bem cedo e, penso eu, mesmo sem um letramento alfabético sólido, podem desenvolver
uma habilidade para mexer em um tablet, por exemplo (um letramento digital de primeiro
nível?), se elas tiverem o acesso físico a essa ferramenta, como ilustrou bem o vídeo que
a colega Gissele postou.

Em relação à fala do Carlos, sobre uma educação mais atrativa e uma autonomia em
relação ao uso das ferramentas nos ambientes virtuais, é interessante pensar que o
letramento digital, tal como eu o entendi, envolve níveis de aprofundamento. Muitos alunos
estão acostumados aos hipertextos, às redes sócias e às comunidades virtuais de
aprendizagem, e acredito que cabe às escolas e aos professores acompanhar essas
novas TIC’s e utilizá-las como novas ferramentas de aprendizagem, problematizando-as
também e criando possibilidades que ajudem os alunos a desenvolverem uma relação
mais autônoma com essas novas ferramentas.

Abraços.

Bruno.

Oi!

Eu gostaria de

Em relação a fala da Fabiana,

Uma criança, por exemplo, pode navegar muito bem pela internet, e até mesmo com uma
desenvoltura muito melhor do que um adulto com um letramento alfabético mais sólido, o
que me faz pensar no problema colocado pelo Alexandre que, se entendi bem, parece dizer
respeito a uma inquietação em relação à capacidade infantil de usufruir das ferramentas da
internet mesmo sem um letramento digital institucionalizado e talvez sem também um
letramento alfabético mais consolidado. Será possível dizer que esse seria um conhecimento
de primeiro nível? Talvez vindo da própria prática na qual o sujeito que tem acesso ao
ambiente digital está inserido? Do mesmo modo, por exemplo, que escrevo sem conhecer
profundamente as regras da língua portuguesa, ou seja, sem ter um letramento alfabético
profundo? Creio que sim.

Já um segundo nível de conhecimento, pegando a fala da Fabiana sobre os letrados digitais


fortes e a fala da Cecília sobre o nosso conhecimento limitado do ambiente virtual, teria como
característica, penso eu, um conhecimento sobre como e por que as ferramentas funcionam
de determinada maneira. Essa capacidade mais aprofundada diria respeito então à inclusão
digital, o que obviamente pressupõe uma inclusão material (um computador e acesso a
internet) e uma inclusão educacional (possibilidade de aprender a utilizar as ferramentas).
Creio que as aulas de informática oferecidas nas escolas juntamente com as aulas de
letramento alfabético vão nesse sentido, não?
Ora, me parece também que o sentido forte do conceito de letramento digital é mais
profundo. Pegando a fala do Carlos, a capacidade de ser autônomo dentro do ambiente digital
pressupõe uma desenvoltura e autonomia em relação ao letramento alfabético, ou seja,
dominar, praticar, e talvez até mesmo reinventar a língua escrita, para que seja possível
transitar autonomamente dentro do ambiente virtual. Esse nível então pressuporia os dois
anteriores, ou seja, um contato mais prático e empírico, um contato mais aprofundado de
como funciona e uma sabedoria sobre o que você necessita utilizar e para quê, quais as
consequências dessa utilização e até mesmo a reinvenção do uso e das próprias ferramentas
digitais.

Essa capacidade de, a partir de um conhecimento prático, científico e sábio, que caracteriza o
letramento alfabético, transitar prática, científica e sabiamente no ambiente virtual, me
parece ser o objetivo esperado. Penso que incluir digitalmente significa possibilitar esses três
níveis de aprofundamento.

A inclusão social então seria possibilitar o acesso prático, científico e sábio ao ambiente virtual,
visto que as possiblidades de acesso cultural (filmes, músicas, livros, obras de arte, artigos
etc.), social (conhecer pessoas, trocar informações etc.), político (criar espaços de debates,
marcar manifestações etc.), econômico (vender produtos, divulgar sua atividade etc.) ampliam
e muito a construção de uma sociedade mais democrática por conta das possibilidades que o
ambiente virtual proporciona.

Abraços.

Bruno.