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17/10/2010

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Empresas começam do zero e vão aos milhões

André Sendoda

Sexta-feira, 24 de setembro de 2010 - 10h00

SÃO PAULO - Sete empresas brasileiras que começaram do zero e cresceram até integrar a lista das 200 maiores.

À primeira vista, a fórmula para iniciar um negócio de sucesso parece óbvia. Ela inclui coisas como encontrar

um nicho no mercado, criar um produto diferenciado, atender às necessidades do cliente e não descuidar dos

custos e nem da concorrência. Mas as empresas brasileiras que começaram do nada e cresceram até entrar na lista das 200 maiores têm muito mais a dizer sobre isso. Cada uma encontrou seu próprio caminho para o sucesso. A INFO ouviu as histórias de sete dessas companhias: Locaweb, Ci&T, Offi cer, Bematech, SMS, TS Shara e Totvs. Veja, a seguir, como elas chegaram lá.

No início, eram os tecidos

A Locaweb, maior provedora de hospedagem de sites do Brasil, nasceu e cresceu com seus próprios

recursos. “Tivemos somente um investimento inicial, em 1997, de 30 000 dólares”, diz o presidente e cofundador da empresa Gilberto Mautner. O curioso é que a companhia nasceu para ser um portal de negócios do setor têxtil, ramo original de atuação de Cláudio Gora, seu outro cofundador. Mautner e Gora

montaram um servidor nos Estados Unidos para hospedar serviços da nova empresa, que funcionava numa sala dentro da confecção de Gora.

Como o negócio não decolava, os dois sócios passaram a alugar espaço no servidor para outros empreendedores que queriam montar sites na web. Acabaram descobrindo um ramo ainda pouco explorado e muito promissor. Hoje, a Locaweb é a companhia número 121 na lista das 200 maiores. Possui 600 funcionários e faturou 75 milhões de dólares em 2009. Além de ter crescido 31% no ano passado, ela registrou um saudável lucro de 4,4 milhões de dólares. Seus planos de expansão incluem a ampliação da base de servidores por meio de um novo data center e a conquista do mercado latino-americano.

Se a Locaweb precisou mudar seu ramo de atuação para ter sucesso, para a Ci&T bastou aprofundar se em sua especialização original. Fundada em 1995 por três alunos de computação da Unicamp, a Ci&T ocupa, hoje, a posição 151 na lista do INFO200. A empresa oferece serviços de consultoria e implantação de aplicativos gerenciais e marketing digital. Seu primeiro cliente foi a IBM, que estava atrás de um sistema gerencial para uma de suas divisões, lembra Fernando Mattiazi, diretor financeiro da Ci&T e um dos sócios fundadores. O bem-sucedido contrato com a IBM deu credibilidade à empresa nascente e facilitou a abordagem de outros potenciais clientes.

O crescimento, então, seguiu o caminho natural de expandir o cardápio de serviços oferecidos e os locais de

atuação. Desde 2000, a Ci&T também oferece seus serviços no exterior. Além do Brasil, ela possui operações nos Estados Unidos, na China, no Japão e na Inglaterra, sendo que 30% de seu faturamento vem

do mercado norte-americano, onde pretende crescer mais 20% neste ano. Em 2009, seu faturamento total foi de 37 milhões de dólares, o que representa um crescimento de 27% em relação ao ano anterior. A

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empresa ocupa a posição 151 na lista das 200 maiores.

A reserva acabou

Oba! A segunda maior distribuidora de produtos de informática da América Latina, a Officer, surgiu da amizade entre as esposas dos fundadores. A mulher do atual presidente, Fábio Gaia, era amiga de infância da então esposa do seu sócio Mariano Gordinho. Os dois fundaram a Officer em 1985, quando Gaia trabalhava na área comercial da Scopus, e Gordinho, na extinta Sid Informática. A empresa deu um salto em 1992, quando a reserva de mercado de informática foi extinta. A mudança na legislação permitiu que a distribuidora passasse a comercializar produtos das principais marcas internacionais. Com 288 funcionários, a Officer faturou 502 milhões de dólares em 2009. A maioria dos seus clientes são pequenas e médias empresas. Seus planos de expansão incluem montar dois novos centros de distribuição — um no Centro- Oeste e outro no Nordeste — para ficar mais perto dos clientes dessas regiões.

Como a Officer, a produtora de software Totvs tem seu foco nas pequenas e médias empresas. Em 1983, seu presidente Laércio Cosentino uniuse a Ernesto N abecoli para formar a Microsiga, empresa que fornecia aplicativos para mainframe. Criada com capital inicial de apenas 6 000 dólares, a Microsiga experimentou a primeira onda de crescimento em 1995, quando os pacotes de gestão começaram a se espalhar pelas organizações. “Decidimos que iríamos liderar o segmento de médias e pequenas empresas”, afirma Cosentino.

Já em 1997, a Microsiga iniciou suas operações no exterior com a abertura de uma unidade na Argentina. O

crescimento continuou por meio da aquisição de concorrentes como Logocenter, RM Sistemas e Datasul. O

nome Totvs passou a ser usado em 2005, quando a empresa já se preparava para abrir seu capital na Bovespa, o que aconteceu em 2006. Com faturamento de 620 milhões de dólares, a Totvs tem números sorridentes no INFO200: cresceu 44,7% e lucrou 69 milhões de dólares em 2009.

Vai uma impressora aí?

Foi num escritório de pouco mais de três metros quadrados em Curitiba que os engenheiros eletrônicos Marcel Malczewski e Wolney Betiol, com alguns estagiários, começaram a Bematech em 1987. O primeiro contrato veio em 1989, quando um fabricante de aparelhos de telex se interessou pelo trabalho que ambos apresentaram como dissertação de mestrado — um sistema de impressão matricial por impacto. A obsolescência do telex obrigou esse primeiro cliente a fechar as portas três anos depois. Mas os sócios da Bematech já tinham uma carta na manga.

A Bematech havia desenvolvido uma mini-impressora para terminais de atendimento bancário e precisava de

investimento para produzi-la. Acharam um grupo de investidores que ficou com 50% da empresa em troca de um aporte de 150 000 dólares. O primeiro contrato foi, então, fechado com a HP, à qual a Bematech forneceria as mini-impressoras. Como aconteceu com a Ci&T, a parceria com uma grande empresa abriu muitas portas para a Bematech. “Esse contrato nos trouxe receita, crescimento e projeção”, conta Malczewski, hoje presidente do conselho. Depois vieram IBM, Unysis, Cobra e outros clientes que transformaram a Bematech numa das principais fornecedoras de equipamentos para automação comercial no país. Com faturamento de 179 milhões de dólares, a companhia é a número 85 no INFO200. Teve crescimento de 6,9% e lucrou 16 milhões de dólares em 2009 — nada mau.

A SMS, outra das empresas de hardware no INFO200, surgiu em 1982 como fabricante de fontes de

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energia para os computadores da nascente indústria de informática brasileira, conta Aécio Baraldi Siqueira, diretor-presidente da companhia. Três anos depois, o mercado foi inundado por fontes baratas provenientes da Ásia e a SMS perdeu terreno. Nesse período, investiu na produção de estabilizadores de tensão e de no- breaks — e voltou a crescer.

Poucos anos depois, a empresa encontrou novo desafio quando a concorrência se acirrou no segmento de aparelhos mais simples. A solução foi buscar nichos mais rentáveis, como o de nobreaks para hospitais e fábricas, diz Siqueira. A SMS continua investindo nessa área, como antes, com capital próprio. “Ainda temos muito o que caminhar com as próprias pernas”, afirma Siqueira. Com faturamento de 114 milhões de dólares, a SMS é a número 107 no INFO200. Fechou 2009 com lucro de 15 milhões de dólares.

Outro fabricante brasileiro de no-break no INFO200 é a TS Shara. Com faturamento de 41 milhões de dólares anuais, ela ocupa a posição 146 na lista das 200 maiores. Pedro Saker Al Shara, presidente da TS Shara, fundou a empresa com apenas quatro funcionários em 1991. “Éramos engenheiros e tivemos de aprender administração”, diz. “No começo, tínhamos até de ensinar os funcionários a mexer com computador.” Como a SMS, a TS Shara está de olho nos segmentos de médio e grande porte de equipamentos para proteção de energia. Mas Al Shara não descuida dos mercados mais populares. “Temos uma parceria com a Casas Bahia e também temos um foco nos pequenos escritórios”, diz ele. A empresa cresceu 4,8% em 2009, e lucrou 1,7 milhão de dólares.