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H.

nlSA IMASOTrOMANO
ELOISA BIASOTTO MANO

Nascida no Rio de Janeiro, onde realizou seus estudos de graduação,


diplomando-se em Química Industrial (1947) e Engenharia Química (1955) pela Escola
Nacional de Química da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de
Janeiro.
POLMEROS
É Professor Catedrático por concurso (1962), Diretor do Instituto de Macromoléculas
(IMA) da UFRJ, Livre Docente da Cadeira de Química Orgânica II e Doutor, ambos
pela Escola de Química da UFRJ (1961).
COMO MATERIAIS
Recebeu seu treinamento em Química de Polímeros na Universidade de Illinois,
EUA, sob a orientação do Professor Cari S. Marvel (1956-1957), e na Universidade de
Birmingham (Inglaterra), com o Professor J.C. Bevington (1964).
É Membro Titular da Academia Brasileira de Ciências desde 1978 e Representante
DE ENGENHARIA
Nacional do Brasil na Comissão de Nomenclatura de Polímeros da IUPAC (1980-1990).
Entre suas atividades académicas atuais contam-se a de Pesquisador I-A do Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Professor Orientador de
Teses de Mestrado e Doutorado do IMA e Professor do Curso de Graduação de Química
e Engenharia Química da UFRJ. É supervisor e orientador de pesquisas solicitadas por
indústrias, no IMA.
É responsável pela criação do primeiro Grupo de Pesquisadores em Polímeros no
Brasil, que deu origem ao atual IMA/UFRJ.
Já orientou 24 Teses de Mestrado e 6 de Doutorado.
Publicou 8 livros, escreveu capítulos em 2 livros, tem 70 trabalhos publicados em
periódicos nacionais e internacionais e 150 trabalhos apresentados em congressos
nacionais e internacionais. Apresentou cerca de 100 conferências no exterior e no país.
Pertenceu ao Comité Editorial do Journal of Polymer Science e da Revista de Química
Industrial.
É Coordenador da Sub-Comissão de Polímeros do Instituto Brasileiro de Petróleo.
Foi Coordenador Geral de diversas reuniões nacionais e internacionais, no Rio de
Janeiro.

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POLÍMEROS
COMO MATERIAIS
DE ENGENHARIA

LIVRARIA
TRIÂNGULO
EDITORA
LTDA.

ii'11'IIININOA, 255 LOJAS 23 E 24


i mi.';' IAX (0«x11) 231-0162
mi inai cii1 OIIIM OTO
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ELOISA BIASOTTO MANO
Professora Titular de Química Orgânica
do Instituto de Macromoléculas
da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Membro Titular da Academia Brasileira de Ciências

A Lei de Direito Autoral


POLÍMEROS
(Lei n°. 9.610 de 19/2/98)
no Título VII, Capítulo II diz COMO MATERIAIS
— Das Sanções Civis:
»
DE ENGENHARIA
Art. 102 O titular cuja obra seja fraudulentamente reproduzida,
divulgada ou de qualquer forma utilizada, poderá requerer a
apreensão dos exemplares reproduzidos ou a suspensão da
divulgação, sem prejuízo da indenização cabível.

Art. 103 Quem editar obra literária, artística ou científica, sem autorização
do titular, perderá para este os exemplares que se apreenderem e
pagar-lhe-á o preço dos que tiver vendido.

Parágrafo único. Não se conhecendo o número de exemplares


que constituem a edição fraudulenta, pagará o transgressor o valor
de três mil exemplares, além dos apreendidos.

Art. 104 Quem vender, expuser à venda, ocultar, adquirir, distribuir, tiver
em depósito ou utilizar obra ou fonograma reproduzidos com
fraude, com a finalidade de vender, obter ganho, vantagem, pro-
veito, lucro direto ou indireto, para si ou para outrem, será so-
lidariamente responsável com o contrafator, nos termos dos artigos
precedentes, respondendo como contrafatores o importador e o
distribuidor em caso de reprodução no exterior.

EDITORA EDCARD BlQCHER LTDA.


© 1991 Eloisa Biasotto Mano

2- reimpressão - 2000

É proibida a reprodução total ou parcial


por quaisquer meios
sem rutorízação escrita da editora

EDITORA EDGARD BLUCHER LTDA.


Rua Pedroso Alvarenga, J245 - cj. 22
04531-012 - S. Paulo -SP- Brasil
Fax: (011) 852-2707
e-mail: eblucher@internetcom.com. br

Impresso no Brasil Printed in Brazil

Professor Charles G. Overberger


Universidade de Michigan (E.U.A.)

Homenagem pela sua inestimável contribuiçãi


desenvolvimento da pesquisa em Polímeros
Brasil, consolidada no Instituto de Macromoli
0 rm»r»i° Ias <la Universidade Federal do Rio dcjancirc
EDITOKA A M U A D A
PREFACIO

Em livro anterior, "Introdução a Polímeros", a


Autora visava os interessados em Química, em âmbito universitá-
rio ou industrial.
Neste livro, houve a preocupação de complementar aquela obra
com aspectos relativos aos materiais de engenharia, procurando li-
mitar ao mínimo o enfoque químico e oferecer aos estudantes e
profissionais em geral uma visão panorâmica sobre os principais
polímeros. Tratando-se de trabalho de caráter introdutório, procu-
rou-se cobrir uma vasta superfície, tendo consciência da impossibi-
lidade de conciliar esta abordagem com o aprofundamento cientí-
fico ou tecnológico de qualquer dos tópicos.
A Autora agradece a todos que, de alguma forma, contribuíram
para que esta obra pudesse ser concretizada, com especial desta-
que ao discípulo, colaborador e amigo Marcos Lopes Dias, que
tanto participou da preparação deste trabalho. A tabela de inter-
conVersão de unidades de medida foi elaborada com a valiosa coo-
peração do Professor Paulo Emídio Barbosa, que também proce-
deu a minuciosa leitura crítica de todo o texto, contribuindo com
sugestões e comentários de grande importância. Na realização pri-
morosa da parte gráfica, deve-se ressaltar a atuação eficiente e de-
sinteressada de Léa Maria de Almeida Lopes, Rachel Biasotto Ma-
no e Aguinaldo Pozes Monteiro.
Na viabilização da publicação do livro, a Autora expressa seus
agradecimentos a EDN - Estireno do Nordeste S.A.
Uma homenagem especial é dedicada ao Professor Charles G.
Overberger, da Universidade de Michigan, EUA, em reconheci-
mento pelo importante papel que desempenhou no desenvolvi-
mento da pesquisa em Polímeros no Brasil, em sua fase inicial, a
partir de 1969, como participante americano do amplo Convénio
celebrado entre o CNPq e a National Academy of Science america-
na, destinado ao desenvolvimento da Química no país.
SIGLAS, ABREVIAÇÕES, SÍMBOLOS

No campo de Polímeros, a nível internacional, é co-


mum o uso de terminologia técnica abreviada sob a forma de si-
glas, todas derivadas das denominações em língua inglesa. Dessa
maneira, simplifica-se o registro das informações e da comunicação
oral, devido à complexidade de muitos dos termos que definem
precisamente o polímero.
Com o objetivo de facilitar a compreensão do texto e dos Qua-
dros, foi elaborada uma relação de todas as siglas utilizadas neste
livro. As denominações em inglês, que tornam mais fácil a memo-
rização das siglas, foram incluídas.
Constam ainda da relação todas as abreviações e também os
símbolos empregados no texto.

a — are
Á — Angstrom
ABNT — Associação Brasileira de Normas Técnicas
ABS —terpolímero de acrilonitrila-butadieno-estireno [acry-
lonitrile-butadiene-styrene terpolymer}
AFNOR — Association Française de Normalisation
Al — alumínio
AN —acrilonitrila [ acrylonitrile]
ASA — copolímero de acrilonitrila-estireno-acrilato de alquila-
butadieno [acrylonitrile-styrene-alkyl acrylate-buta-
diene copolymer]
ASTM — American Standards for Testing and Materials
atm — atmosfera

h - boro
H - mistura [ blend\R - elastômero de butadien
BTU — unidade térmica britânica G — graft, enxerto
C — carbono AGm — energia livre de mistura
C — Coulomb gal — galão
Ca — cálcio gpm — galão por minuto
C AC — acetato de celulose [cellulose acetate] GRP — poliéster reforçado com fibra de vidro [fiberglass rein-
cal — caloria force dpoly ester ]
CIIR — elastômero de isopreno-isobutileno clorado [ chlorina-
ted isoprene-isobutylene rubber] h — hora
cm — centímetro AHm — entalpia de mistura
CM — carboxi-metil-celulose [carboxy methyl cellulose} ha — hectare
CN — nitrato de celulose [ cellulose nitrate] HDPE — polietileno de alta densidade [ high density polyethy-
CONMETRO — Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e lene}
Qualidade Industrial HDT — temperatura de distorção ao calor [ heat distortion
CPE — polietileno clorado [ chlorinated polyethylene] temperature]
CPVC — poli( cloreto de vinila) clorado [chlorinated poly(viny l HEC —hidroxi-etil-celulose [hydroxy ethylcellulose]
cbloride] Hg — mercúrio
Cr — cromo HIPS — poliestireno de alto impacto [ high impactpolystyrene]
CR — elastômero de cloropreno [ cbloroprene rubber\E hm
— polietileno cloro-sulfonado — hectometro
[ chlorosulfonated poly-
HP — cavalo de força
ethylene] IIR — elastômero de isopreno-isobutileno [ isobutylene-iso-
cv — cavalo-vapor prene rubber]
in — polegada
D — Debye INMETRO — Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e
dam — decametro
Qualidade Industrial
DIN — Deutsche Institut fíir Normung
IR — elastômero de isopreno [ isoprene rubber]
dm — decímetro
ISO — International Organization for Standardization
DNA — ácido desoxi-ribonucleico [ desoxyribonucleic acid]
IUPAC — International Union of Puré and Applied Chemistry
ER — resina epoxídica [epoxy resin] K — Kelvin
EPDM — elastômero de dieno-propileno-etileno [ ethylene-pro- kcal — quilocaloria
pylene-diene monomer rubber] kg — quilograma
EVA — copolímero de etileno-acetato de vinila [ ethylene-vi- kgf — quilograma-força
nyl acetate copolymer] km — quilómetro
kW — quilowatt
<|> , — fração volumétrica do componente i kWh — quilowatt-hora
FRP — poliéster reforçado com fibra de vidro [fiberglass rein-
f orce d poly éster] f — litro
ft - pé fb — libra
fbf — libra-força
K - grama fbm — libra-massa
— grat, enxerto LCP -polímero líquido-cristalino [liquidcrystalpolymer]
— polietilieno de baixa densidade [low density polyethy- PA — poliamida [polyamide]
lene] PA-6 — poliamida-6 [polyamide-6]
PA-6,6 —poliamida-6,6 \polyamide-6,6]
— metro PA-6,10 — poliamida-6,10 \polyamide-6,10}
— micron PA-11 — poliamida-11 \polyamide~l l ]
— acrilato de metila [ methyl acrylate] PABM — poli(amino-bis-maleimida) [poly(amino-bis-maleimi-
— anidrido maleico [ maleic ankydride\ copolímero de metacrilato de metila-butadieno-estire- de\I —poli(amida-imida) \poly(amide imide

no {methyl methacrylate-butadiene-styrene copoly-


mer] PAR — poliarilato [polyarylate]
— metil-celulose [ methyl cellulose] PÁS —poli(aril-sulfona) [poly(aryl sulfone)]
— copolímero de «^-metil-estireno-acrilonitrila [alpha- Pb — chumbo
methyl styrene - acrylonitríle copolymer] PBI — polibenzimidazol \polybenzoimidazole\T —po
— miligrama
— micrograma thalate)]
— milha PC — policarbonato [polycarbonate]
— milésimo de polegada PDMS —poli(dimetil-silano) \poly(dimethyl silane)}
— mililitro PE — polietileno [polyethylene]
— microlitro PEAD — polietileno de alta densidade
— milímetro PEBD — polietileno de baixa densidade
— micrometro PEEK — poli(éter-éter-cetona) [poly(ether ether ketone)]
— metacrilato de metila [ methyl metbacrylate] PEG — poli(glicol etilênico) [poly(ethylene glycol)}
— manganês P(E-g-MA) — poli(etileno-g-acrilato de metila) [poly(ethylene-g-
— resina melamínica [ melamine resin] methyl acrylate)]
PEI — poli(éter-imida) [poly(ether imide)\K —poli(é
— número inteiro que indica o grau de polimerização, is-
to é, o número de unidades químicas repetidas na ca- PÉS —poli(éter-sulfona) [poly(ether sulfone)]
deia polimérica PEPM — poli(ftalato-maleato de etileno) \poly (ethylene phtha-
— Newton late-maleate ]
— viscosidade PET — poli(tereftalato de etileno) [poly(ethylene terephtha-
— viscosidade intrínseca late)}
— sódio PETP — poli(tereftalato de etileno) [poly(ethylene terephtha-
— elastômero de butadieno-acrilonitrila [ butadiene-acry- late]
lonitríle rubber\ níquel PEUAPM — polietileno de ultra-alto peso molecular
pg — picograma
— nonametro PI — poli-imida [polyimide]
— borracha natural [ natural rubber] PIB — poli-isobutileno [polyisobuíylene]
PK - policetona [polyketone]
— oxigénio PKK - poli(cetona-cetona) [poly(ketone-ketone)]
pm - picometro
— pressão PMMA - poli(metacrilato de metila) [poly(methyl methacryla-
— Pascal te)}
— poli(óxido de metileno) [poly(methylene oxide)] T — temperatura
— polipropileno [polypropylene] i; — temperatura de cristalização
— poliamida de p-fenilenodiamina-ácido isoftálico [p- — temperatura de transição vítrea
phenylene diamine-isophthalic acidpolyamide ] — temperatura de fusão cristalina
— poliamida de p-fenilenodiamina-ácido tereftálico [p- TPE — elastômero termoplástico [ thermoplastic elastomer]
phenylene diamine-terephthalic acid polyamide] TPR — borracha termoplástica [ thermoplastic rubber]
— poli(óxido de propileno) [poly(propylene oxide)] TPU — poliuretano termoplástico [ thermoplastic polyuretha-
— poli(sulfeto de fenileno) [poily(phenylene sulfide)] ne]
— poli(fenileno-tereftalamida) \poly(phenylene tereph-
thalamide ] UR — resina ureica [ urea resin]
— resina fenólica \phenol resin] UHMWPE — polietileno de altíssimo peso molecular [ ultra high
— poliestireno [polystyrene] molecular weight polyethylene]
— poli-sulfona [polysulfone]
— libra por polegada quadrada W — Watt
— copolímero de estireno-anidrido maleico [styrene-ma- W — tungsténio
leic anhydride copolymer ]
— poli(tetraflúor-etileno) [polytetrafluoroethylene] yd — jarda
— poliuretano [polyurethane]
— poliuretano [polyurethane]
— poli(acetato de vinila) [poly(vinyl acetate)]
— poli(álcool vinílico) [poly(vinyl alcohol)]
— poli(cloreto de vinila) [poly(vinyl chloride)]
— poli(cloreto de vinilideno) [poly(vinyl dichloride)]
— poli(fluoreto de vinilideno) [poly(vinyl difluoride)]

— acrilato de alquilla [ alkyl acrylate]


— radiano
— poli(tereftalato de butileno) reforçado [ reinforced po-
ly(butylene terephthalate)]
— poli(tereftalato de etileno) reforçado [reinforced
poly(etbylene terephthalate)]

— segundo
— entropia de mistura
— copolímero de estireno-acrilonitrila [síyrene-acryloni-
tríle copolymer]
— elastômero de butadieno-estireno \styrene-butadiene
rubber\ silício

- Sistema Internacional

— tonelada
ALFABETO GREGO

1. A a Alfa
2. B P Beta
3. r y Gama
4. A d Delta
5. E £ Épsilon
6. Z í Zeta
7. H n Eta
8. 0 e Teta
9. 1 t lota
10. K K Capa
11. A A Lambda
12. M M Mi
13. N v Ni
14. ^^ 1 Xi (es)
15. Õ 0 Ômicron
16. n TI Pi
17. p e Rô
18. s a Sigma
19. T T Tau
20. Y U Ipsilon
21. <J> # Fi
22. X X Ki
23. V V Psi
24. Q CU Ômega
ÍNDICE GERAL

Página
Capítulo l. Introdução l
Bibliografia recomendada 5
Capítulo 2. Propriedades que caracterizam os
materiais 7
l. Propriedades físicas 7
1.1. Propriedades mecânicas 8
1.1.1. Resistência à tração . x 9
1.1.2. Alongamento na ruptura 10
1.1.3. Módulo de elasticidade 11
l. l .4. Resistência à compressão 13
1.1.5. Resistência à flexão 13
1.1.6. Resistência à fadiga 16
1.1.7. Resistência ao impacto 16
1.1.8. Dureza..K 16
1.1.9. Resistência à fricção 18
1.1.10. Resistência à abrasão 18
1.2. Propriedades térmicas 18
1.2.1. Calor específico 19
1.2.2. Condutividade térmica 21
1.2.3. Expansão térmica 21
1.2.4. Fusão cristalina 23
1.2.5. Transição vítrea 25
1.2.6. Temperatura de distorção ao calor 25
Página Página
1.3. Propriedades elétricas 27 Bibliografia recomendada 129
1.3.1. Rigidez dielétrica 28
1.3.2. Resistividade volumétrica 29 Capítulo 4. Perfis de propriedades dos materiais 133
1.3.3. Constante dielétrica 30 Capítulo 5. Métodos para a avaliação das principais caracte-
1.3.4. Fator de potência 30 rísticas dos materiais 165
1.3.5. Resistência ao arco 31 1. Propriedades físicas 165
1.4. Propriedades óticas 32 1.1. Propriedades mecânicas 165
1.4.1. Transparência 32 1.2. Propriedades térmicas 166
1.4.2. índice de refração 32 1.3. Propriedades elétricas 166
1.5. Outras propriedades físicas 34 1.4. Propriedades óticas 167
1.5.1. Densidade 34 1.5. Outras propriedades físicas 167
1.5.2. Estabilidade dimensional 36 2. Propriedades químicas 167
2. Propriedades químicas 37 3. Propriedades físico-químicas 168
2.1. Resistência à oxidação 37
2.2. Resistência à degradação térmica 37 Capítulo 6. Interconversão de unidades de medida 169
2.3. Resistência à radiação ultravioleta 38 1. Comprimento 170
2.4. Resistência à água 39 2. Área 170
2.5. Resistência a ácidos 39 3. Volume 171
2.6. Resistência a bases 39 4. Massa 171
2.7. Resistência a solventes e reagentes 40 5. Força 172
2.8. Inflamabilidade 41 6. Velocidade 172
3. Propriedades físico-químicas 42 7. Pressão 172
3.1. Permeabilidade 42 8. Energia 173
Bibliografia recomendada 45 9. Potência 173
10. Temperatura 173
Capítulo 3. Materiais de engenharia 47 11. Ângulo 173
1. Materiais de engenharia clássicos 48 12. Massa específica 174
1.1. Madeiras 48 13. Vazão 174
1.2. Cerâmicas 51 14. Viscosidade 174
1.3. Vidros 54 15. Momento dipolar 174
1.4. Metais 58 16. Massa/comprimento do fio têxtil 174
2. Materiais de engenharia poliméricos sintéticos 59
2.1. Sistemas poliméricos simples 63 Bibliografia recomendada 175
2.1.1. Plásticos de engenharia de uso geral 82 índice de Quadros 177
2.1.2. Plásticos de engenharia de uso especial 93 índice de Figuras 179
2.2. Sistemas poliméricos mistos 111 índice de Assuntos . 182
2.2.1. Sistemas poliméricos miscíveis 113
2.2.2. Sistemas poliméricos imiscíveis 115
2.2.2.1. Compósitos 124
Capítulo l
INTRODUÇÃO

Desde o início dos tempos, vem o homem execu-


tando trabalhos de engenharia progressivamente mais complexos,
com a finalidade de suprir abrigo e propiciar conforto para si e
seus dependentes, protegendo-se dos perigos e das intempéries.
O primeiro elemento estrutural, isto é, o primeiro material de
engenharia usado pelo homem, foi a madeira, seguindo-se a pe-
dra, depois os metais, a cerâmica, o vidro e, finalmente, os polí-
meros. Historicamente, pode-se acompanhar essa evolução através
das Idades: da Pedra, ou Pré-história, dos Metais, ou Proto-histó-
ria, Antiga, ou Antiguidade, Média, ou Medieval, Moderna e
Contemporânea (Quadro 1).
A Idade da Pedra compreende 3 períodos: o eolítico, o paleolí-
tico e o neolítico. No período eolítico, o homem, culturalmente
mais atrasado, levava vida nómade. No paleolítico, a caça aos
grandes animais já era feita com armas de pedra lascada, obtida de
fragmentos da rocha vulcânica obsidiana, que é um vidro natural.
O homem habitava cavernas e costurava com agulhas de ossos suas
roupas, feitas com peles de animais. Construía choupanas e tendas
de couro, quando havia deficiência de abrigos. No neolítico, o ho-
mem passou de coletor a produtor de alimentos, espalhando-se
pelo mundo. Usava instrumentos de pedra polida, cerâmica, etc.
A cerâmica é uma das peculiaridades tecnológicas do período neo-
lítico; teve sua origem nas fossas dos celeiros que, forradas de argi-
la, sofriam eventualmente a ação do fogo, o qual queimava o bar-
ro, revelando o princípio da cozedura desse material. Foram cons-
IÍI.OISA Hl ASOTTí IMANO I \ I I K O S , I I M O M A I I K I A I S I M l Ni il-NMAKI A

Quadro l. Evolução do uso de elementos estruturais pelo homem brimento do ferro, assim como o do cobre, deu-se em regiões <j
tintas e sem influência recíproca.
Evolução histórica Ano Material Na Idade Antiga, despontam as grandes civilizações dos f^,
25.000 AC Madeira cios, egípcios, gregos e romanos; estendeu-se até aproximadarr>e
3 ré-história Idade da Pedra até Pedra lascada te 500 DC, e foi marcada pela queda de Constantinopla. Por «ç.
6.500 AC Pedra polida
tempo, surgiu o vidro. Esse material de engenharia teve seu de^e
Cobre volvimento associado ao grande uso, na época, sob a forma de j
6.500 AC Estanho
5roto-história Idade dos Metais até Bronze dras preciosas artificiais e outras peças de adorno.
1.500 AC Ferro Na Idade Média, apareceram como materiais de engenharia c
Cerâmica trás ligas metálicas e na Idade Moderna, o concreto.
Idade Antiga 4.000 AC A Idade Contemporânea é a que vivemos, e tem sido marc;a
ou até Vidro por grandes inovações no que diz respeito aos materiais de er^
Antiguidade 500 AC
nharia, paralelamente ao vertiginoso desenvolvimento da tec:r
Idade Média 500
ou até Ligas metálicas
logia.
Historia Medieval 1.500 No início do século XX, surgiu um fato que marcou profun*c
1.500
mente a história da humanidade. Ficou provado que alguns rnai
Idade Moderna até Concreto riais, produzidos pela Química incipiente do final do século e q
1.800 até então eram considerados como colóides, consistiam na vê rd. a
1.800 de moléculas gigantescas, que podiam resultar do encadeam^r
Idade Contemporânea
até
Polímeros de 10.000 ou mais átomos de carbono. Esses produtos de sínt<
os dias
atuais
apresentavam repetição de pequenas unidades estruturais em s
longa cadeia principal, e assim foram denominados polímeros (
grego, "muitas partes"). Uma grande parte dos produtos enç0
truídos grandes monumentos funerários de pedra, conhecidos co- trados na Natureza é também constituída por imensas molécxi
mo monumentos megalíticos. — como a madeira, a borracha, a lã, o DNA e muitos outr<
A Pré-história teve duração muito maior do que as demais fases Quando suas estruturas químicas não apresentavam unidades
da existência do homem no planeta. Nem todos os povos atraves- truturais regularmente repetidas, essas moléculas foram cham^c
saram os mesmos estágios simultaneamente. O Egito vivia plena- macromoléculas. Os memoráveis trabalhos de Staudinger*, cori
mente nos tempos históricos, enquanto muitos países europeus se borados pelas investigações de outros pesquisadores, como Mark
achavam culturalmente na Pré-história. Ainda hoje, certos povos e Marvel* * *, comprovaram que a natureza dessas macromoléc\
não-civilizados estão em plena fase neolítica. era semelhante à das moléculas pequenas, já conhecidas, e pç>
A Idade dos Metais seguiu-se à Idade da Pedra. Caracterizou-se
pelo começo da substituição da pedra pelo metal. O primeiro me- Hermann Staudinger, nascido na Alemanha, 1881-1965; Prémio Nobel de Q\JÍ
tal empregado pelo homem foi o cobre, cujo uso começou no Egi- ca em 1953. É considerado o Pai dos Polímeros.
to, pouco depois de 4000 AC, estendendo-se pelo Oriente Próxi- Herman F. Mark, nascido na Áustria em 1895, renomado por seus trabalhos
ciência e tecnologia de polímeros.
mo; ligado ao estanho, deu origem ao bronze. O ferro foi usado Cari S. Marvel, nascido nos Estados Unidos, 1895-1988, notável por seus ruarti
primeiramente pelos hititas, a partir de 150 AC, e posteriormente sós trabalhos sobre síntese e constituição de polímeros e sobre polímeros ter JHOe
por outros povos orientais. Admite-se, no entanto, que o desco-
líl.OISA KIASOTTOMANO
POLÍMEROS COMO MATERIAIS DE i N c . l i N H A K I A

bilitaram o desenvolvimento dos materiais poliméricos de modo


muito acentuado. Materiais
Atualmente, dentre os materiais de engenharia estão incluídos de
diversos polímeros. Plásticos, borrachas, fibras, adesivos, são ma- Engenharia
teriais poliméricos bem conhecidos e indispensáveis à vida moder-
na. O tratamento introdutório deste assunto já se encontra apre-
sentado pela Autora em outra publicação*. Neste livro, será dado
enfoque especial às propriedades dos materiais poliméricos, obje-
tivando sua aplicação como plásticos de engenharia.
Segundo alguns autores, plásticos de engenharia são polímeros
que podem ser usados para aplicações de engenharia, como engre-
nagens e peças estruturais, permitindo seu uso em substituição a
materiais clássicos, particularmente metais. Dentro desta concei-
tuação, incluem-se apenas os termoplásticos (plásticos que podem
ser reversivelmente aquecidos e resfriados, passando respectiva-
mente de massas fundidas a sólidos; podem ser processados por
métodos tradicionais, tais como laminação, injeção e extrusão).
Este conceito exclui os chamados plásticos especiais (que apresen-
tam conjunto incomum de propriedades) e os termorrígidos (que
fundem quando aquecidos," porém nesse estado sofrem reação
química que causa a formação de ligações cruzadas intermolecula-
res, resultando uma estrutura reticulada, infusível e insolúvel).
Segundo outros autores, entretanto, também são incluídos en-
tre os plásticos de engenharia as resinas epoxídicas, fenólicas, urei- Figura 1. Classificação dos materiais de engenharia
cas e melamínicas, que são termorrígidas. Neste livro, o conceito
de plásticos de engenharia se aplica a todos os polímeros que po- se tornou conhecida de maneira insofismável no final da déca
dem ser usados em substituição aos materiais tradicionais de enge- de 20. A sua grande aplicação na vida atual e no desenvolvimei
nharia, independentemente de sua estrutura química ou de seu acelerado das conquistas tecnológicas, que caracterizam a civili
caráter, termoplástico ou termorrígido. cão contemporânea, exige estudo mais aprofundado. Os capítu
A Figura l apresenta uma classificação dos materiais de enge- seguintes discutirão as propriedades desses materiais que os t
nharia, grupando-os em clássicos, ou tradicionais, e não-clássicos, nam tão importantes.
mais modernos. Os materiais clássicos compreendem madeiras, ce-
râmicas, vidros e metais. Esses materiais não serão abordados em Bibliografia recomendada
detalhe neste livro. Os não-clássicos compreendem os polímeros,
— E.B. Mano — "Introdução a Polímeros", Editora Edgard Bliicr
que são materiais mais recentes, cuja estrutura molecular somente São Paulo, 1985.
— V.E. Yarsley — "Hermann Staudinger", Shell Polymers, vol.
pág. 23, 1978.
E.B. Mano - "Introdução a Polímeros", Editora Edgar Blucher, São Paulo, 1985.
— "Herman Mark", Shell Polymers, vol. 3, pág. 56, 1979.
Capítulo 2
PROPRIEDADES QUE CARACTERIZAM
OS MATERIAIS

O desempenho dos materiais se relaciona com uma


série de características significativas, que podem ser distribuídas
em 3 grandes grupos: as propriedades físicas, as propriedades quí-
micas e as propriedades físico-químicas.

1. Propriedades físicas
As propriedades físicas são aquelas que não envolvem qualquer
modificação estrutural a nível molecular dos materiais. Dentre
elas, incluem-se as propriedades mecânicas, térmicas, elétricas e
óticas. Essas características são avaliadas por métodos clássicos,
muitas vezes empíricos, descritos em detalhes nas Normas de cada
país, quando existem.
As normas brasileiras são elaboradas pela Associação Brasileira
de Normas Técnicas (ABNT), e ainda são em número insuficiente
para todos os materiais poliméricos. As normas americanas, Ame-
rican Standards for Testing and Materials (ASTM), e britânicas,
Eritish Standards (BS), são bastante completas; as normas alemãs,
preparadas pela Deutsche Institut fúr Normung (DIN), francesas,
sob a responsabilidade de Association Française de Normalisation
(AFNOR), e internacionais, a cargo da International Organization
for Standardization (ISO), são também muito úteis. A caracteriza-
ção dos produtos brasileiros é encontrada, em geral, obedecendo
às normas ASTM.
KLOISA BIASOTTOMANC) l Ml l;i IS i ' 'M' iMATI Kl MS Dl l Nul.NHAKIA

1.1. Propriedades mecânicas 1.1.1. Resistência à tração

As propriedades mecânicas compreendem a totalidade das pro- A resistência ã tração, ou resistência à tração na ruptura, ou te
priedades que determinam a resposta dos materiais às influências nacidade de um material, é avaliada pela carga aplicada ao mate
mecânicas externas; são manifestadas pela capacidade de esses ma- rial por unidade de área, no momento da ruptura. Na Figura 2
teriais desenvolverem deformações reversíveis e irreversíveis, e re- encontra-se a resistência à tração dos materiais poliméricos mai
sistirem à fratura. comuns, bem como de materiais de engenharia clássicos. Nota-s
Essas características fundamentais dos materiais são geralmente que os polímeros têm valores de resistência à tração todos muiti
avaliadas por meio de ensaios, que indicam diversas dependências baixos (abaixo de 10 kgf/mm 2 ), bem maiores quando se trata d
tensão-deformação. Entretanto, esses ensaios são insuficientes para fibras; os metais apresentam resistência muito elevada, até 10i
descrever completamente os materiais poliméricos também a nível kgf/mm 2 . Esses resultados são comumentes expressos, tanto na li
molecular. Assim, as características moleculares dos polímeros, que teratura como na indústria, em MPa, Pa, N / m 2 , kgf/mm 2 . O
se refletem nas suas propriedades mecânicas, podem ser quantifica- métodos ASTM D 412, D638 e D 882 descrevem os ensaios.
das através de métodos cujo empirismo é contrabalançando pelo ri-
gor das condições, estabelecidas nas normas técnicas de cada país.
As propriedades mecânicas mais importantes decorrem de pro- 125
cessos onde há grandes relaxações moleculares, como relaxação sob
tensão, escoamento sob peso constante e histerese. Essas relaxações
dependem muito da temperatura, da capacidade de desenvolver
deformações reversíveis pronunciadas, que são maiores em elastô- 100
meros vulcanizados, e da íntima correlação entre processos mecâ-
nicos e químicos, os quais se influenciam mutuamente de modo
iD)
ít
substancial.
75
Os polímeros com cadeias formadas por anéis aromáticos, inter-
ligados por um ou dois átomos pertencentes a grupos não-parafí- .TO
nicos, oferecem maior dificuldade à destruição da ordenação ma- TO
y
cro molecular, e assim apresentam propriedades mecânicas mais c 50
elevadas, as quais se mantêm ao longo de uma ampla faixa de
temperatura.
Serão abordadas as seguintes propriedades mecânicas: resistên-
cia à tração, alongamento na ruptura, módulo de elasticidade, re- 25
sistência à compressão, resistência à flexão, resistência à fadiga, re-
sistência ao impacto, dureza, resistência à fricção e resistência à
abrasão.
Os polímeros aos quais essas propriedades se referem estão repre- 12 10 12 1314 15 16 17 18192021 22
sentados por siglas; as informações foram colhidas na literatura,
procurando-se sempre os dados relativos aos materiais com o míni-
mo de aditivos e registrando-se as faixas de valores encontrados. Figura 2. Resistência à tração de diversos materiais a 20-25°C
10 ELOISAHIASOI K l MANO riillMI K t i M o M D M A l h U l A I S D I l NI ,l-Nl l ARI A

1.1.2. Alongamento na. ruptura 1.1.3. Módulo de elasticidade

O alongamento na ruptura representa o aumento percentual do O módulo de elasticidade é medido pela razão entre a tensão
comprimento da peça sob tração, no momento da ruptura. Encon- deformação, dentro do limite elástico, em que a deformação é
tram-se na Figura 3 os alongamentos na ruptura dos materiais po- talmente reversível e proporcional à tensão. É chamado taml
liméricos mais comuns. Observa-se que grandes alongamentos na de módulo de Young, e se aplica tanto à tração quanto à comp
ruptura (até de 900%) são uma característica dos polímeros, em são, referindo-se à área transversal no início do ensaio. Os mó
geral, e das borrachas, em particular, especialmente a borracha na- los de elasticidade são ilustrados na Figura 4\e que os p
tural. Esse alongamento é muito pequeno nos metais e cerâmicas, meros de alta cristalinidade, ou aqueles que apresentam estruti
da ordem de algumas unidades. Os métodos de ensaio usados são rígidas aromáticas, ou ainda os polímeros reticulados, revê
os mesmos aplicados para a determinação da resistência à tração. módulo de elasticidade mais elevado. Os módulos dos polím
em geral não excedem 500 kgf/mm 2 , enquanto que, para a
bras, podem atingir 1500 kgf/mm 2 ; para os materiais cerâmi
1000, vítreos e metálicos, esses valores se encontram entre IO 3 —
kgf/mm 2 .
No caso de elastômeros vulcanizados, o alongamento ating
800
ainda na região elástica é muito grande, e assim a palavra ' 'mó
Io" é empregada tradicionalmente com outro significado: é a
ca calculada por unidade de área transversal inicial (tensão),
600 1
medida a determinadas deformações, que precisam ser explú
ro
C

B
o>
ro
400 1 l POLÍMEROS

1-LDPE
2 HDPE
3-PP
4-PS
5-PVC
das na informação (por exemplo, em borracha, módulo a 300
a tensão correspondente à tração, quando se atinge 300% de a
gamento). Os métodos de determinação do módulo de elastic
de são os mesmos já mencionados para resistência à tração.
Ul 6-PTFE

l A recuperação representa o grau em que o material retorn


§ :
l
7 PVAC
S PM M A
9- PAN
10 ER
dimensões originais, após a remoção da tensão. Depende tantx
11- PET
12- PC intensidade desta força quanto do tempo durante o qual foi a
í 15 GRP
cada. Pela atuação da força, as macromoléculas tendem a esc
l
W PA 6
15 PA 11
16 PA 6,6
17 PA 6,10
removida, retornam parcialmente à situação primitiva. Se o

J
terial é muito cristalino, é também rígido e resiste mais à de

l
18 PR
19 UR
20 MR
21-PU mação; no entanto, sempre há uma perda de dimensão quand
22 NR
ultrapassa o limite elástico de cada material. Quando o políme
pouco cristalino, ou está acima da sua temperatura de transiçãc
23-Cerâmicas
24 Vidros
trea, há maior escoamento ("creep") e as peças sofrem defor
1 2 3 4 5 6 7 8 9 1O 23 24 25 26 27
25- Alumínio
26-Cobre cão mais pronunciada, até mesmo por escoamento sob a açãc
27-Acos
seu próprio peso ("cold flow"). A recuperação é avaliada em
centual do valor da dimensão original. O método ASTM D
Figura 3. Alongamento na ruptura de diversos materiais a 20-25°C descreve a determinação da recuperação em polímeros.
12 Kl.OISA HIASOim MANO l'( II I M I - K i 'S ( ( )M( > M A I I - K I A I S l II l N( , 1 - N I I A K I A

i
2OOOO
A resiliência é determinada pela quantidade de energia dei
125OO da após a deformação, por aplicação de uma tensão. E medid

1-
8OOO
, ralmente em percentual da energia recuperada e fornece info
cão sobre o caráter elástico do material. O método ASTM D
70OO
descreve o procedimento.
50OO A histerese é um fenómeno observado em alguns materiais
qual certas propriedades, em determinado estado, dependei
3OOO estados anteriores; é comumente descrita como a memória do
• 4 r
terial para aquela propriedade.
145O O fato conhecido de algumas propriedades dos plásticos de
t derem do seu processamento (isto é, sua história térmica) è
manifestação usual da histerese. No caso de propriedades me
1OOO cãs, a histerese pode ser medida pela perda de energia durant<
, • f

-
7OO
dado ciclo de deformação e recuperação do material. Quanc
refere à resiliência, a determinação da histerese é feita pelo n
CM

1 do ASTM D 2231.
v^eoo -
Ê O desenvolvimento de ca/or("hezt build-up") designa o
»*-

1 gerado em uma sucessão de ciclos de deformação e recuper;
O)
^
1 pela transformação da energia, perdida por histerese, em en
1
térmica; essa energia devolvida causa o aumento de temper;
S 5OO 1 da peça, durante os ciclos, que é determinada pelo método A
ro
•a •
õ • POLÍMEROS
D 623, método A, e medida em °C.

§400 _ • 1 LDPE
2- HDPE

<U
3- PP 1.1.4. Resistência à compressão
• 4 PS
•0 5- PVC

- L A resistência à compressão é expressa pela tensão máximí


6-PTFE
O 7 PVAC
8 PMMA
Í3 3OO
•o 1 — 9- PAN
10- ER
um material rígido suporta sob compressão longitudinal, ante:
s H
H •
11- PET o material colapse. Encontram-se na Figura 5 valores típicos i
H •
^™ 12 PC

^1

•_
13-GRP
14 PA 6 mativos da resistência à compressão de diversos materiais. Notí
2OO | •
| 15- PA -11
superioridade da resistência das resinas termorrígidas sobre a:
,_

16 -PA 6,6
17 PA 6,10
• 18- PR
19 UR
moplásticas, porém ainda muito inferiores à dos materiais de <
20 MR
21 PU
nharia convencionais. A medida é feita nas memas unidades u:
1OO -

22- NR
para a resistência à tração, pelo método ASTM D 695.
OUTROS
MATERIAIS

23 Cerâmicas
O l• ^_
"™" 24 Vidros 1 . 1 . 5 . Resistência à flexão
r
25- Alumínio
2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17|18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 26- Cobre
l 27-AÇOS
A resistência à flexão representa a tensão máxima desenvo
Figura 4. Módulo de elasticidade de diversos materiais a 20-25 °C na superfície de uma barra quando sujeita a dobramento. Aj
14 I-.IOISA IIIAM MANO 1'ollMIKust O M O M A I I K I A I S I H I N i . I N H A R I A

11
TO

100 TO

n
u
r 35
IJU

3O
75
o
in

a 25
o
u

u
c 2O
50
01

POLÍMEROS

1-LDPE
2 HDPE
3 PP
4 PS
5-PVC
6 PTFE
7 PVAC
8-PMMA
9 PAN
10-ER
11- PET

l
12- PC
25 13 CRP
14- PA 6
15-PA 11
16-PA 6.6
17-PA 6.10

l
18-PR
19 UR
20- MR
21 PU
22-NR

23- Cerâmicas
24-Vidros
25-Alumínio 23 24 25 26 27
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 2O 21 22 26-CoOre
2324252627 27-Acos

* Não aplicável
Figura 5. Resistência à compressão de diversos materiais a 20-25°C Figura 6. Resistência à flexão de diversos materiais a 20-25°C
16 ELOISA BIASOTTO MANO 1'OllMI-KOSí MMoMAIIKlAIsniíl-.NUiNHARIA

se a materiais rígidos, isto é, aqueles que não vergam excessiva-


mente sob a ação da carga. A Figura 6 apresenta valores da resis-
tência á flexão de diversos materiais e mostra a equivalência dos
materiais plásticos às cerâmicas; não é significativa para as borra- 550
chas. É expressa em kgf/mm2 e pode ser determinada pelo méto-
do ASTM D 790.
_ 540
"E
1.1.6. Resistência à fadiga E
E 110
A resistência à fadiga , ou resistência à flexão dinâmica, exprime
a tensão máxima, desenvolvida alternadamente como tração e O)

compressão, a que um material pode resistir quando ajjeça é ex-


posta a dobramentos e desdobramentos consecutivos. E quantifi- 80
H
cada pelo número de ciclos suportado pela peça nas condições do O)
método (ASTM D 671). E
o
u
1.1.7. Resistência ao impacto 50
A resistência ao impacto representa a tenacidade ou a resistência
de um material rígido à deformação a uma velocidade muito alta. S M
Uma distinção deve ser feita entre materiais quebradiços ou friá- 2

veis, e resistentes ou tenazes. Nas velocidades usuais de aplicação


da força, os friáveis têm muito pouca extensibilidade, enquanto
que os tenazes têm extensibilidade relativamente alta. Na Figura l
podem ser encontrados valores de resistência ao impacto. Observa- 25
se a alta resistência do polietileno de baixa densidade, que se de-
forma, porém não quebra; abaixo dele, o polietileno de alta den-
sidade, mais cristalino, também bastante resistente. O plástico de
engenharia, policarbonato, cuja resistência ao impacto é maior do
que a da cerâmica e do alumínio, é até empregado como proteção
contra balas de metralhadora. A resistência ao impacto é avaliada
pelos métodos ASTM D 256, D 746 e D 2463, e pode ser expressa 25 C
2Í V
25 A
em cm.kgf/cm2. 26 C
27 A

1.1.8. Dureza
Não aplicável ; não quebra nas condições do ensaio.
A dureza mede a resistência ou à penetração, ou ao risco. As li-
gações cruzadas aumentam muito a dureza, e os plastificantes a Figura 7. Resistência ao impacto de diversos materiais a 20-25°C
18 ELOISABIASOTTOMANO POLÍMEROS COMO MATIÍKIAIS Dli ENGENHARIA

diminuem. Os materiais poliméricos são menos duros do que os rial; são maus condutores de calor. A capacidade de transferir
materiais cerâmicos, vítreos e metálicos. A dureza é medida em es- lor, isto é, conduzir calor, é medida pela condutividade e pela
calas arbitrárias pelos métodos ASTM D 785 e D 2240. fusibilidade térmicas. A capacidade de armazenar calor é avali;
pelo calor específico; as alterações de dimensão, devidas às n
danças de temperatura, são estimadas através da expansão téri
1.1.9. Resistência à fricção ca. Por outro lado, as modificações observadas nos materiais qu
do sujeitos a variações de temperatura são de grande importânc
A resistência à fricção , ou resistência ao deslizamento, é uma incluem as temperaturas de fusão cristalina, Tm , e de transição
propriedade importante para os materiais de engenharia. A força trea, \.
friccionai se opõe à força de deslizamento, e depende do acaba-
mento da superfície do material. Pode ser representada pelo coefi-
ciente de atrito, que é a razão entre a força de fricção e a carga 1 . 2 . 1 . Calor específico
aplicada normalmente à superfície de 2 placas superpostas entre as
quais se desenvolve o atrito. Para a maioria dos plásticos, o valor Calor específico é a quantidade de energia térmica requer
desse coeficiente está entre 0,2 e 0,8. O politetraflúor-etileno é o para elevar de 1°C a unidade de massa do material. Os me
único a exibir um coeficiente de fricção excepcionalmente baixo
(abaixo de 0,02) em quase todas as composições, independente da
adição, ou não, de lubrificante. As borrachas macias têm coefi- 0,6
ciente de fricção excepcionalmente alto (4 ou mais). É grandeza
adimensional, determinada pelos métodos ASTM D 1894 e D
3028. 0,5

1.1.10. Resistência à abrasão 0,4 2- H


3-1
o 4-
5
A resistência â abrasão significa a capacidade que um material o
o
6-1
7-1
tem de resistir ao desgaste produzido por fricção. Geralmente é % 0,3
8-1
9-
medida por comparação entre o desempenho de materiais toma- IV
a
10 E
11-
i/» 12-
dos como padrão, empregados para fins semelhantes. O método a> 13-
14
ASTM D 1242 descreve a determinação dessa propriedade como l 15-
16
perda percentual em volume, em relação a um padrão. Esses valo- o 17-
18
19
res não têm significado absoluto pois dependem de muitas variá- 20
21
veis. Os poliuretanos são os plásticos que apresentam maior resis- 0,1 22-

tência à abrasão.
23 C
24 V
1.2. Propriedades térmicas 23242^26127
25- A
26 C
121314|15|16 17 18|19|20|21 27 - A

As propriedades térmicas nos polímeros são observadas quando


Figura 8. Calor específico de diversos materiais a 20°C
a energia térmica, isto é, o calor, é fornecido ou removido do mate-
20
v\. IMANO l'. H IMI Kl isi ( ) M ( ) M A U KIAIMH l Ne ,1 N I I A K I A 21

apresentam valores muito baixos (abaixo de 0,1 cal/g°C), en-


quanto que os plásticos exibem valores entre 0,2 e 0,5, em parte
devido à mobilidade dos segmentos moleculares. A Figura 8 mos-
92OO - tra valores de calor específico para alguns polímeros e materiais re-
4 r A r lacionados. Pode ser medido pelo método ASTM C 351 e expresso
5OOO
em cal/g.°C. Para comparação, observe-se que o calor específico
1. 'i 'r
da água é 1,0 cal/g.°C, muito superior ao apresentado pelos ma-
11OO teriais de engenharia.
'
r j ">

1.2.2. Condutividade térmica


3O -
A condutividade térmica mede a quantidade de calor transferi-
p da, na unidade de tempo, por unidade de área, através de uma ca-
"í mada de espessura unitária, sendo 1°C a diferença de temperatura
g 25 ~
entre as faces. Expressa a característica de o material ser bom ou
™ mau condutor de calor. Os polímeros são tipicamente maus condu-

o
- 20
nj
<_>
1 tores, ao contrário dos metais; é bem conhecido que, pelo tato,
através da sensação de calor ou frio, pode-se distinguir um plástico
de um metal. Como se vê na Figura 9, a condutividade térmica
dos polímeros, medida em cal/cm- s- °C, se apresenta com valores
0) POLÍMEROS
M
1 LDPE até 10~ 3 ; a dos metais é muito mais alta, enquanto que a dos vi-
S
TO
15 " 2-HDPE
3 PP dros é intermediária. Os métodos ASTM C 177 e D 4351 descre-

1
[3 t PS

>
5-PVC
6 PTFE
vem a sua determinação. Note-se que o ar, que é bom isolante tér-
3
D
7 PVAC
8 PMMA
mico, apresenta condutividade muito baixa (0,00006
3
- \ 1O L
9-PAN
10- ER cal/cm- s- °C); a porção de ar aprisionado em um material poroso
11- PET
12 PC diminui sua condutividade térmica e aumenta sua característica de

'.!
13 CRP
14- PA 6
15 PA 11
isolante ao calor.
16- PA 6,6
17- PA 6,10
18- PR
19- UR
20 MR
21 PU 1.2.3. Expansão térmica
••
•"•^^B
•- •- 22- NR

OUTROS
MATERIAIS
Expansão térmica é a propriedade que mede, ou traduz, o volu-
23 -Cerâmicas
o - me adicional necessário para acomodar os átomos e moléculas por
1 25 Alumínio
2 3 4 5 6 7 8 9 K) 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 26-CoDre
27-ACOS
estarem vibrando mais rápido e com maior amplitude, devido ao
aquecimento; é avaliada pelo coeficiente de dilatação térmica li-
near, que é o alongamento relativo da peça por unidade de tem-
Figura 9. Condutividade térmica de diversos materiais a 20°C peratura. É expresso em °C~ ' e pode ser determinado pelo meto-
22 P( H IMEROS COMO MATERIAIS DE ENGENHARIA
l II USA 111 AM ) | i i MANO

do ASTM D 696. Pode-se verificar pela Figura 10 que o coeficiente


de dilatação térmica linear dos polímeros é mais elevado, atingin-
do até 2,3 x 1CT4 /°C, destacando-se a borracha de silicone, cujo
coeficiente chega ao dobro desse valor, enquanto que os materiais
não-poliméricos têm coeficientes de dilatação térmica bastante in-
feriores. Note-se o valor muito menor do coeficiente de dilatação
térmica linear dos metais, quando comparados aos materiais poli-
méricos. Esse comportamento pode ser explicado porque a mobili-
dade dos segmentos macromoleculares, em que os átomos estão Polímero no estado sólido,
com cadeias parcialmente
unidos através de ligações covalentes, é mais pronunciada do que ordenadas; cristalitos
no caso das ligações iônicas (encontradas nas cerâmicas e vidros) e lamelares

metálicas.

Polímero no estado fundido,


2,5, com cadeias emaranhadas

Polímero no estado sólido,


com cadeias parcialmente
ordenadas; cristalitos

l
.£2,0! esferuliticos
i»re
O)
c POLÍMEROS

1 LDPE
2-HDPE
Figura 11. Estrutura cristalina dos polímeros
I 1-5 I 5 PP
í-PS
5 PVC
6-PTFE
O 7-PVAC
in
<j-
S PM MA
9 PAN
1.2.4. Fusão cristalina
ro 10- ER
11- PET
l 1,0
T3
12- PC
13-CRP Os polímeros fundem quando aquecidos, apresentando-s

, li
<D 14- PA 6
•D 15 PA 11
16 PA 6,6
geral como uma massa irregular, com as cadeias macromoleci
C
17- PA 6.10
18 PR
emaranhadas em maior ou menor grau. Quando essa massa
;ç 0,5
19 UR
20 MR xada em repouso, dependendo da velocidade de resfriameni
**-
iu
21-PU
22 NR cadeias assumem as conformações mais favoráveis, formand
o
u OUTROS
MATERIAIS
giões de estrutura ordenada, cristalina, descontínua, geraln
23-Cerâmicas
lamelar, interligadas por segmentos dessas cadeias. Isso poc
24 Vidros
25-Alumínio melhor compreendido pela representação vista na Figura 1
10 1213 14 151617 18192M21 22 23|24J25|26|27 26-Coore
27-ACOS vezes, formam-se esferulitos.
A temperatura de fusão cristalina, T m , é aquela em que
-giões ordenadas dos polímeros, isto é, os cristalitos e esferulifc
Figura 10. Coeficiente de dilatação térmica linear de diversos materiais a 20°C desagregam e fundem. A transição é de primeira ordem, end
-JJ500 COIIMIKOSI OMOM.AIIKI \ Ll I N l . l i N I I A K I A 25
i • r '

|woo
ti * ' . • r ' mica; envolve mudança de estado e está associada às regiões crista-
c 1100 _
o ' •j
• linas. A Figura 12 mostra a temperatura de fusão relativamente
0
(/>
,2
<u
t
t i
7
l'
•—


elevada de polímeros de alta cristalinidade, quando comparada à
temperatura de fusão de polímeros predominantemente amorfos.
T3 • É tanto mais alta quanto maior for a estabilidade das regiões or-
C 700 _ •

2 Jf ' ( '
denadas da massa, sendo muito elevada nos materiais inorgânicos.

c Nos termoplásticos, a temperatura máxima de fusão é inferior a
Q 650 _
300°C; os plásticos termorrígidos não apresentam fusão, porém
E Jt i i•
ff sofrem carbonização por aquecimento. Os metais, de um modo
geral, têm temperaturas de fusão muito altas; no caso do ferro, é
da ordem de 1500°C. A temperatura de fusão cristalina é medida
300 - pelos métodos ASTM D 2117 e D 3418.

1 . 2 . 5 . Transição vítrea
250 •~ •
A transição vítrea está associada à região amorfa dos polímeros.
A transição é de segunda ordem e representa a temperatura em
" "~ que a mobilidade das cadeias moleculares, devido à rotação de
200 grupos laterais em torno de ligações primárias, se torna restrita pe-
la coesão intermolecular. Abaixo da temperatura de transição ví-
POLÍMEROS

• _ 1 -LDPE
trea, T , desaparece a mobilidade das cadeias macromoleculares, e
150
_
2-HDPE
3-PP
o material torna-se mais rígido. Todas as borrachas têm Tg abaixo
4-PS
5 PVC da temperatura ambiente; nos polímeros de uso geral, Tg não ul-
6-PTFE
7-PVAC
8-PMMA
trapassa 110°C, conforme a Figura 13 permite verificar. A razão
9 PAN
10-ER
entre Tg e Tm está entre 0,5 e 0,8. As ramificações da cadeia au-
100
11- PET
12- PC mentam a mobilidade e assim, abaixam a Tg. No HDPE, sem ra-
13 GRP
14- PA -6
15 PA 11
mificações, a T se refere a movimentos de segmentos da cadeia,
que somente ocorrem a temperaturas muito mais baixas, e das ex-

'
16-PA 6,6
17- PA 6,10
18- PR
19 UR
tremidades da macromolécula. O método ASTM D 3418 se refere
50 - 20-MR
à determinação dessa transição térmica.
21-PU
22-NR

OUTROS
MATERIAIS

23-Cerâmicas
1.2.6. Temperatura de distorção ao calor
0 * * * ** * * *
24-Vidros
25-Alumínio
1 2 3 4 5 6 7 8 910111213141516171819202122 23 24 25 26 27 26-Cobre
27-Aços A temperatura de distorção ao calor é aquela a partir da qual o
escoamento viscoso do polímero é mais pronunciado; é uma medi-
* Não aplicável da empírica. No entanto, é muito importante, porque permite
Figura 12. Temperatura de fusão cristalina de diversos materiais avaliar a adequação, ou não, do material para o artefato desejado.
Temperatura de transição vítrea |°c)
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Assim como os políme


A maioria das proprieda

1.3. Propriedades elétri

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28 v\I l , I M A N O Ml l« 'S ( ()M() M ATI-KI AIS Dl- I-NCI-NH ÁRIA 29

ternar-se em algum grau ao longo de uma faixa, ou podem mudar cos comuns. Observa-se a superioridade do polietileno sobre os
drasticamente, além da faixa crítica. demais polímeros, e também sobre as cerâmicas, no que diz res-
As principais características elétricas dos materiais poliméricos peito à rigidez dielétrica. Esta propriedade é avaliada segundo o
são: rigidez dielétrica, resistividade, constante dielétrica, fator de método ASTM D 149, e é normalmente expressa em V/mm. Não
potência e fator de dissipação, e resistência ao arco. se aplica aos metais, que são bons condutores de eletricidade; nos
polímeros, cerâmicas e vidro, os valores de rigidez dielétrica estão
1.3.1. Rigidez dielétrica na faixa de 10-40 V/mm.

A rigidez dielétrica indica em que grau um material é isolante; 1.3.2. Resistividade volumétrica
é medida pela tensão elétrica que o material pode suportar antes
da ocorrência de perda das propriedades isolantes. A falha do ma- A resistência de materiais isolantes à passagem da corrente elé-
terial é revelada pela excessiva passagem de corrente elétrica, com trica é medida como resistividade volumétrica entre as faces de
a destruição parcial da peça. É acompanhada de efeitos luminosos,
ruídos, interferência em transmissões de rádio e televisão, e des-
cargas parciais, indesejáveis em materiais isolantes. Ocorrem rea-
ções químicas, que acarretam o aparecimento de gases, com a de-
gradação do material sólido, destruindo o isolamento elétrico. A
Figura 15 mostra a rigidez dielétrica de alguns materiais poliméri-

POLÍMEROS
Sio14
1-lDPE
2-HOPE
3-PP 1 LOPE
E
4-PS
5-PVC
6-PTFE
lio12 l 2-HDPE
3-PP
4 PS
7-PVAC
S PM M A
9-PAN
10 ER
11 PET
S
re
l 5 PVC
6 PT FE
7 PVAC
8 PM MA
9 PAN
12 PC
T3 10-ER
13-ORP •>10 11- PET
14 PA 6 12 PC
15- PA 11 13 GRP
16 PA 6,6 14- PA 6
17-PA 6,10 15-PA-11
18-PR 16- PA 6.6
19-UR 17-PA 6,10
20-MR -4 18-PR
21-PU 1O 19- UR
22-NR 20 MR
21 PU
22 NR
OUTROS
MATERIAIS

23 Cerâmicas
,-6
10
24 Vidros
* * * 25-Alumínio
2 i 3|4jS1617|8|8 |12|13|14|1S|16|17|18|19|20,21|22| |23|24|25|26|27 26-Cobre
27 AÇOS
2 3 14 | 1 7[l8|l9|20|21 23 24 fa5 26
* Não aplicável
Figura 15. Rigidez dielétrica de diversos materiais a 20-25°C Figura 16. Resistividade volumétrica de diversos materiais a 20-25°C
30 ELOISABIASOTTOMANO |'0|.IMI'.R()SI OMO MATERIAIS Dl ENGENHARIA 31

uma unidade cúbica, para um dado material e uma dada tempera- 1.3.5. Resistência ao arco
tura. Os polímeros são maus condutores, oferecendo alta resistên-
cia. A Figura 16 mostra a resistividade volumétrica de alguns ma- Resistência ao arco è uma medida das condições de perda das
teriais, inclusive polímeros. É interessante observar que todos os propriedades dielétricas ao longo da superfície de um isolante,
polímeros considerados exibem resistividade volumétrica superior causada pela formação de caminhos condutivos na superfície do
a IO12 Q-cm; comportamento semelhante é mostrado pelas cerâ- material. Altos valores de resistência ao arco indicam maior resis-
micas e vidros. Quanto aos metais, os valores são muito pequenos, tência à falha elétrica. É avaliada pelo método ASTM D 495 e me-
da ordem de 10~6 Q- cm. A resistividade volumétrica é determina- dida em segundos. Está relacionada à rigidez dieletrica a altas
da pelo método ASTM D 257. Pode também ser avaliada pelo seu temperaturas.
inverso, a condutividade elétrica, e nesse caso é expressa em S/cm.
8,0

1.3.3. Constante dieletrica


7,0
A constante dieletrica de um material é uma característica corre-
lacionada à energia eletrostática que pode ser armazenada em um
capacitor que tem o material como dielétrico. É medida pela razão
entre a capacitância do capacitor contendo como isolante o mate-
6,0 l
rial em questão e a capacitância do mesmo sistema, porém substi- n
tuindo o material isolante pelo ar (Figura 17). É interessante notar S 5,0
•M
.QJ
as baixas constantes dielétricas dos polímeros, em geral bem me- I
POLÍMEROS
nores do que as de cerâmicas e vidros. O poli(tetraflúoretileno) é o b

\ 234 567
1-LOPE
polímero de mais baixa constante dieletrica, em torno de 2,0. Esta 4,0 2 HDPE
3-PP
propriedade não se aplica aos metais. O método D 150 permite 4 PS
5-PVC

determinar esta característica. o


6 PTFE

u
3,O • l 7 PVAC
8-PMMA
9 -PAN
10 ER
11 PET
1.3.4. Fator de potência 12- PC
13-GRP
14- PA-6
2,O 15-PA 11
Fator de potência é a razão entre a potência dissipada pelo ma- 16-PA 6.6
17-PA 6,10

terial isolante e a máxima potência que seria fornecida ao sistema, 18- PR


19-UR
20-MR
mantendo-se os mesmos valores de diferença de potencial e inten- 21-PU
22 NR
sidade de corrente. É uma medida relativa da perda dieletrica do OUTROS
material, quando o sistema age como isolante, e é comumente MATERIAIS

25- Cerâmicas
usada como medida de qualidade do isolante. Fator de dissipação * * *
24-vidros
25-Alumínio
é a tangente do ângulo da perda dieletrica. Para baixos valores, o 23 24 25 26 27 26- Coore
27-ACOS
fator de potência e o fator de dissipação são praticamente iguais.
O fator de potência é determinado pelo método ASTM D 150 e * Não aplicável
medido em W/V. A. Figura 17. Constante dieletrica de diversos materiais a 20-25°C
32 ELOISAHIASOITOMANO 1'nllMI K I I S I OMOMATKRIAISDI-: l-NCil-NHARIA 33

1.4. Propriedades éticas mensional, é medido segundo o método ASTM D 542. A maioria
dos polímeros tem índice de refração na faixa 1,45-1,60; é interes-
As propriedades éticas dos polímeros podem informar sobre a sante observar o alto valor exibido pelo poli(tereftalato de etileno)
estrutura e ordenação moleculares, bem como sobre a exis- e o baixo valor encontrado para a borracha natural.
tência de tensões sob deformação. A birrefringência ocorre em materiais anisotrópicos e é a dife-
As principais propriedades éticas dos materiais poliméricos são: rença entre dois dos três índices de refração, segundo as três dire-
transparência, índice de refração, birrefringência e fotoelasticidade.

1.4.1. Transparência
1,8

A transparência à luz visível é apresentada por polímeros amor-


fos ou com muito baixo grau de cristalinidade. É quantita-
tivamente expressa pela transmitânáa, que é a razão entre a
quantidade de luz que atravessa o meio e a quantidade de luz que
incide perpendicularmente à superfície; pode alcançar até 92%
nos plásticos comuns. A quantidade de luz restante é refletida à 1,6

superfície ou absorvida dentro do material transparente. A pre-


sença de inclusões muito pequenas, ou de cristalitos, torna o
material semitransparente, pois essas partículas atuam espalhan- 1,5 l
do a luz. Materiais poliméricos muito cristalinos tornam-se trans- POLÍMEROS

lúcidos ou semitransparentes, ou mesmo opacos. A determinação 1-lDPE


2 HOPE
da transmitância é feita pelos métodos ASTM D 1746 e D 1003, 3-PP
4 PS
e medida em %. O)
u 5-PVC
6 PTFE
7 PVAC
B - P M MA
1,3 9-PAN
1.4.2. índice de refração 10 ER
11-PET
12-PC
13-CRP
14- PA-6
índice de refração de uma substância é a razão entre a velocida- 1,2 15- PA-11
16- PA-6,6
de da radiação eletromagnética no vácuo (3 x IO10 cm/s) e a velo- 17-PA 6,10
18-PR
cidade em um dado meio. O que se determina é a diminuição da 19 UR
20-MR
21-PU
velocidade da luz quando passa do vácuo para um meio transpa- 1,1 22-NR

rente e eticamente isotrópico. O índice de refração está relaciona- OUTROS


MATERIAIS
do ao desvio que ocorre quando o raio de luz passa em um ângulo
inclinado de um meio para outro; é definido pela razão entre os * * * * **
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 232425 2627
senos dos ângulos de incidência e de refração. A Figura 18 aponta
uma série de valores para essa propriedade, obtidos em materiais
diversificados. O valor do índice de refração é importante para o * Não aplicável
emprego dos materiais em fibras óticas. Esse índice, que é adi- Figura 18. índice de refração de diversos materiais a 20-25°C
34 ELOISA III A S O U ) M A N O 1'OI.IMKKOS COMO MATERIAIS DE E N G E N H A R I A 35

coes do espaço. A birrefringência pode ser provocada, mesmo €^M

num material isotrópico, por um campo elétrico (efeito Kerr), ou


por um campo magnético (efeito Cotton-Moutori), ou por tensões -
mecânicas (fotoelasticidadé).
Fotoelasticidade é a propriedade apresentada por alguns mate-
riais sólidos, isotrópicos e transparentes, de se tornarem dupla-
mente refringentes quando submetidos a forças; apresentam-se 6,0 „

com zonas coloridas quando vistos à luz polarizada. Neste caso, a -

birrefringência resulta da variação do índice de refração do mate- 2,8 -


rial quando está sob tensão. As formas delineadas nas zonas colori- 2,7 - ^

' t

1
das permitem observar a distribuição das forças no interior de es-
truturas tensionadas, quando estas são transparentes. Esta proprie-
dade pode ser utilizada no estudo da distribuição de tensões em 2,2

grandes estruturas (como pontes, colunas, etc.), através de mode-


los de poli(metacrilato de metila) obtidos por polimerização no
2,O
molde e assim, livres de tensões.

1,8
1.5. Outras propriedades físicas

Dentre as propriedades físicas dos materiais poliméricos que 1,6


^^^^^=^^^^=
POLÍMEROS
não se enquadram nos grupos anteriores, estão a densidade e a es- 1-LDPE
tabilidade dimensional. •^4 MB 2-HDPE
3 PP
4 PS
_ 5-PVC
1,4 ••• l1 6-PTFE
7 PVAC
8 PM MA
1 . 5 . 1 . Densidade |•M
9-PAN
10 ER
11- PET
1,2 ^ | ^m »• • 12 PC
•l l m
A densidade de um material reflete a sua estrutura química e a • •• l
V 1 •

13 ORP
14- PA-6
• • 15- PA 11
sua organização molecular. Assim, as regiões cristalinas são mais 1•i
1 •
^B
16 PA 6,6
17 PA-6,10
MH | •
compactas, enquanto que as regiões amorfas são mais volumosas. 1 lO
Densidade ^ 18- PR
19 -UR
— ^_
-j 00 CO
Os materiais poliméricos são todos comparativamente leves, como ^^JH
ÒÒ w ^
20- MR
21- PU
22 NR
se vê na Figura 19, em que estão listadas as suas densidades em •
comparação com outros materiais. A maior parte dos polímeros 0,8
OUTROS
MATERIAIS

apresenta densidades na faixa 0,9-1,5, com a maior concentração 23-Cerãmlcas


24 Vidros
de valores em torno de 1. A presença de halogênios conduz a ' 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 1819 20 21 22 M74 25 26 27
25- Alumínio
26 -Cobre

maiores densidades, especialmente no politetraflúor-etileno, pro- | 27- Acos

duto totalmente halogenado, em que a densidade atinge 2,3. Ob-


serva-se que, em geral, os materiais não-poliméricos têm densida- Figura 19. Densidade de diversos materiais a 20-25°C
36 M M I S A HIASMI K l MANO 1'OI.IMI-ROS COMO M A T E R I A I S DE ENGENHARIA 37

de muito maior, especialmente os metais (por exemplo, ferro tem Não há método de uso geral para a determinação dessa caracte-
densidade 7-8). rística. Uma indicação útil pode ser obtida através do método
A expressão densidade, ou densidade absoluta, pode ter diver- ASTM D 756.
sos significados; assim, a massa por unidade de volume, a uma
certa temperatura, é também chamada massa específica e é medida
usualmente nas unidades g/cm 3 , kg/m 3 , g /ml. Por outro lado, 2. Propriedades químicas
pode significar o quociente de duas massas específicas, sendo uma
delas tomada como padrão, e neste caso é chamada densidade re- Dentre as propriedades químicas mais importantes dos mate-
lativa, que é uma grandeza adimensional. Esses valores são pratica- riais poliméricos, diretamente relacionadas às suas aplicações, es-
mente iguais, e assim geralmente se emprega apenas o termo den- tão a resistência à oxidação, ao calor, às radiações ultravioleta, à
sidade. Os métodos ASTM D 792 e D 1895 descrevem a determi- água, a ácidos e bases, a solventes e a reagentes.
nação das diferentes densidades.
Não se deve confundir o significado da palavra "densidade",
usada normalmente para os materiais compactos, com a expressão 2.1. Resistência à oxidação
densidade aparente ("bulk density"), que se aplica a materiais
dispersos (pós, fragmentos) ou materiais celulares (cujo volume in- Uma propriedade bastante procurada nos polímeros é sua resis-
clui uma certa porção de ar). A densidade aparente é medida nas tência â oxidação. Esta resistência é mais encontrada nas macromo-
mesmas unidades que a absoluta. Quanto maior for a compacta- léculas saturadas (isto é, contendo apenas ligações simples entre
ção do material, menor será a diferença entre os valores das densi- átomos de carbono), como a das poliolefinas (polietileno, polipro-
dades aparente e absoluta. pileno, poliisobutileno). Nos polímeros insaturados (isto é, que
apresentam dupla ligação entre átomos de carbono), particular-
mente nas borrachas, a oxidação pode ocorrer através dessas insa-
1.5.2. Estabilidade dimensional turações, rompendo as cadeias, diminuindo seu tamanho e conse-
qiientemente, a resistência mecânica do material. A presença de
Quando o polímero é altamente cristalino, a sua estabilidade átomos de carbono terciário na cadeia, saturada ou insaturada,
dimensional é também elevada, pela dificuldade de destruição baixa a resistência à oxidação.
das regiões ordenadas, que resultam da coesão molecular.
O ataque químico pelo ar à macromolécula é mais pronunciado
A estabilidade dimensional è uma importante propriedade para em presença de ozônio, que se forma devido a centelhas elétricas,
aplicações técnicas, como por exemplo em engrenagens, peças de
nas imediações de tomadas, etc. Essa propriedade é medida atra-
encaixe, etc. É encontrada em polímeros sem grupos hidroxila ou
vés de ensaio de resistência às intempéries, descrita pelos métodos
amina, pois estes grupos favorecem a formação de pontes de hi-
ASTM D 1870, D 1920, D 1499, D 1435, D 756 e G 23; é medida
drogénio e, portanto, a variação nas dimensões da peça, conforme pela perda em uma determinada característica, geralmente mecâ-
o grau de umidade e de temperatura ambientes. A água absorvida nica.
aumenta o volume e o peso da peça, e a sua remoção, por modifi-
cação da umidade ou elevação da temperatura, provoca o apareci-
mento de vazios e microfraturas, que modificam as propriedades 2.2. Resistência à degradação térmica
do material. Se a cristalização do polímero ocorre muito devagar,
acontece paralelamente a compactação da peça moldada, modifi- A exposição de polímeros ao calor em presença de ar causa a sua
cando as dimensões originais. maior degradação, dependendo da estrutura do polímero; envolve
38 l l t i | s . \l \ MMANd l \ll m IS( < ' M ' > M M I K l A I s n i í l í N C . K N H A R I A 39

reações químicas às vezes bastante complexas. Essas reações são 2.4. Resistência à água
causadas pela formação de radicais livres na molécula, frequente-
mente com a interveniência do oxigénio, gerando radicais livres A resistência à água em polímeros é avaliada pela absorção de
pela ruptura das ligações covalentes dos átomos nas cadeias macro- umidade, que aumenta as dimensões da peça, o que prejudica a
moleculares insaturadas, ou nas cadeias contendo átomos de car- aplicação em trabalhos de precisão. Além disso, a variação do teor
bono terciário; nestes pontos, há maior facilidade de formação de de umidade pode provocar uma rede de microfraturas na superfí-
hidroperóxidos, de rápida decomposição, causando a cisão das li- cie dos artefatos, e altera suas propriedades elétricas e mecânicas.
gações covalentes carbono-carbono. Ao lado da alteração nas pro- A absorção de água é mais fácil quando a molécula do polímero
priedades, é comum ocorrer também mudança de coloração da pe- apresenta grupamentos capazes de formar pontes de hidrogénio.
ça, por oxidação. Por exemplo, peças de náilon, de celulose ou de madeira podem
Os polímeros clorados, como o poli(cloreto de vinila) e o absorver umidade, mudando de dimensões. Por outro lado, absor-
poli(cloreto de vinilideno), são muito sensíveis à degradação tér- ção da água pode aumentar muito o peso do material polimérico a
mica durante o processamento, devido à fácil ruptura das ligações ser adquirido, prejudicando o comprador, além do usuário do ar-
carbono-cloro. tefato. Os produtos que absorvem água exigem secagem prévia
Poliacetal (ou poliformaldeído) é suscetível de decomposição antes da moldagem.
térmica por despolimerização a aldeído fórmico, seu monômero. Essa sensibilidade à água permite ver o grau de cura de resinas
A resistência ao calor é estimada pelo método ASTM D 794, e me- fenólicas; por exemplo, no caso da cura incompleta, os laminados
dida conforme a propriedade focalizada. fenólicos em contato com a água incham, mudam de tamanho e
sofrem delaminação. Isso pode servir para verificar se as peças es-
tão mal curadas, pelo ensaio de absorção da água descrito nos mé-
todos ASTM E 96 e D 570; o que se mede é a percentagem do
aumento de peso da amostra.
2.3. Resistência às radiações ultravioleta
2.5. Resistência a ácidos
As macromoléculas de estrutura insaturada apresentam baixa
resistência às radiações ultravioleta, que são absorvidas, gerando O contato com ácidos em geral, em meio aquoso, pode causar a
facilmente radicais livres, os quais atuam de forma semelhante ao parcial destruição das moléculas poliméricas, se houver nelas gru-
que foi descrito no tópico anterior. Esse fenómeno ocorre na expo- pamentos sensíveis à reação com ácidos. Por exemplo, as resinas
sição de plásticos à luz solar. Por exemplo, a formação de fissuras e melamínicas e os produtos celulósicos sofrem alteração em meio
rachaduras, com a fragmentação do polipropileno ou do polietile- ácido, mesmo diluído. O método ASTM D 543 descreve a avalia-
no de baixa densidade, quando expostos prolongadamente à luz ção da resistência a ácidos de forma semi-quantitativa. O efeito do
do dia. meio de imersão pode ser também verificado pela aplicação do
Às vezes ocorre modificação das propriedades mecânicas pelo método ASTM C 581.
enrijecimento do material, devido à formação de ligações cruza-
das. Essa propriedade pode ser observada diretamente, pela expo- 2.6. Resistência a bases
sição ao sol, ou pelo ensaio de resistência à luz ultravioleta (méto-
do ASTM D 1148), medindo uma propriedade antes e após a ex- As soluções alcalinas (básicas), usualmente aquosas, em maior
posição. ou menor concentração, são bastante agressivas a polímeros cuja
.1(1 IÍI.UISA IIIASOI K IMANO 1 ' l l l l M I K M S C O M U M A I I K I A I S I » l N < ,I'.NI I A K I A 41

estrutura apresente certos grupamentos, como carboxila, hidroxila 2.8. Inflamabilidade


fenólica e éster. Assim, as resinas fenólicas e epoxídicas, bem co-
mo os poliésteres insaturados, são facilmente atacados por produ- A inflamabilidade dos materiais é propriedade muito impor-
tos alcalinos. O ensaio de resistência a bases é feito pelos métodos tante. Quando um polímero orgânico é aquecido, ele vai progres-
ASTM D 543 e C581. sivamente sofrendo modificações, a princípio físicas e depois quí-
micas, terminando por sofrer decomposição total em produtos vo-
láteis.
2.7. Resistência a solventes e reagentes Esse comportamento é diferente dos materiais clássicos de enge-
nharia. Se o polímero contém aditivos minerais, como caulim e
A solubilidade depende fundamentalmente da interação das óxido de titânio, a combustão total deixa cinzas, nas quais se en-
moléculas do soluto com o solvente. Quando as moléculas do sol- contram aqueles aditivos.
vente são mais afins com o polímero do que com elas próprias, po- Em materiais de engenharia clássicos, como cerâmicas, vidros e
dem penetrar entre as cadeias macromoleculares, gerando intera- metais, não ocorre essa combustão. No caso de madeiras, que são
ções de caráter físico-químico. Forças intermoleculares, como pon- constituídas de celulose com impregnações de substâncias orgâni-
tes de hidrogénio, ligações dipolo-dipolo ou mesmo forças de Van cas e minerais, a combustão total produz também cinzas. A facili-
der Waals, permitem a dispersão, a nível molecular, dos políme- dade de queima é uma desvantagem dos polímeros orgânicos.
ros, isto é, a sua dissolução. Conforme a natureza química do polímero, a decomposição tér-
Polímeros pouco polares, como os poli-hidrocarbonetos, são mica pode ser facilitada ou dificultada. Polímeros de fácil decom-
mais sensíveis aos solventes do mesmo tipo (isto é, de mesma na- posição, como o nitrato de celulose, nem permitem a quantifica-
tureza química), que têm afinidade pelo material e penetram en- ção da propriedade, pela rapidez da combustão. Os polímeros ter-
tre as macromoléculas, afastando-as. O mesmo ocorre com polí- morrígidos, como as resinas fenólicas, apresentam maior dificul-
meros polares, que são "sensíveis a solventes polares. Quando as dade de combustão, e por isso são usados na confecção de peças
macromoléculas são mais afins com elas próprias do que com a sol- para uso elétrico.
vente, elas não se dissolvem. Quando o polímero apresenta anéis aromáticos e ausência de ca-
Quando a macromolécula é muito cristalina, os cristalitos difi- deias parafínicas, há um auto-retardamento da sua inflamabilida-
cultam a penetração dos solventes, aumentando a insolubilidade de, sem manutenção de chama; forma-se resíduo negro, grafítico,
do material. Se o polímero tem estrutura reticulada, adquirida com liberação de pouca fumaça. A existência de grupos éster favo-
após a cura, a macromolécula torna-se gigantesca e a dispersão rece o desprendimento de CO2 por aquecimento, contribuindo
molecular é impossível. para o auto-retardamento da chama.
Quando a macromolécula apresenta estrutura aromática ou sa- Os métodos mais comuns para a avaliação da inflamabilidade
turada, oferece também resistência a solventes e reagentes. de plásticos medem o tempo necessário para a chama percorrer
Assim, com o conhecimento químico, pode-se prever o compor- um filme do polímero, sob determinadas condições, através dos
tamento dos polímeros diante dos solventes. métodos ASTM D 2843 e D 568. Outro método bastante usado é
A resistência a solventes e reagentes é medida pelos ensaios aquele proposto por Underwriters Laboratories, sob a designação
ASTM D 543 e C 581, por observação visual ou variação da pro- UL 94 V.
priedade focalizada.
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Permeabilidade a nitrogénio(10'1° cm2) (s.cmHg1)

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A permeabilidade de materiais poliméricos a gases e vapores é
uma propriedade importante para sua aplicação em embalagens.

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E medida pela quantidade do material permeante transferida na
unidade de tempo e por unidade de área, através de uma camada
de espessura unitária, sendo 1 cmHg a diferença de pressão entre
as faces. A quantidade de material pode ser expressa em volume

-
(medido em condições normais de temperatura e pressão) ou em

01
massa.
Os polímeros exibem pequena permeabilidade a gases e vapo-
res, cujo transporte ocorre ou intersticialmente, através de poros

ro
permanentes ou transitórios da membrana, ou por um processo de
sorção ou dissolução, em um lado da barreira, seguido de difusão
através dela e posterior dessorção ou evaporação, no outro lado.
A permeação de moléculas pequenas através de materiais poli-
méricos se dá nas regiões amorfas, onde as cadeias macromolecula-
res estão mais afastadas. A presença de domínios cristalinos dimi-
nui bastante a permeabilidade. Por exemplo, a borracha butílica
(copolímero de isobutileno e isopreno) é mais impermeável a ga-
ses, sendo usada em câmaras de ar de pneus. Essa característica é

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devida à cristalinidade desenvolvida no material quando sujeito à
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As Figuras 20, 21 e 22 dão a permeabilidade dos polímeros mais
comuns a nitrogénio, a dióxido de carbono e a vapor dágua, res-
pectivamente. Nota-se a baixa permeabilidade dos plásticos e'a al-
ta permeabilidade das borrachas. Deve-se observar a capacidade
muito maior de permeação do dióxido de carbono em relação ao
nitrogénio.
Permeabilidade a dioxido de carbono (lO"10cm2lls.cmHg
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Capítulo 3
MATERIAIS DE ENGENHARIA

O homem encontra à disposição, para seu conforto,


uma imensa variedade de materiais que pode ser distribuída em 2
grandes grupos: os materiais inorgânicos e os orgânicos.
Os materiais inorgânicos compõem a maior parte da crosta ter-
restre. São encontrados em rochas e constituídos de metais e seus
derivados, óxidos, hidróxidos, sulfetos, cloretos, silicatos, etc. —
isto é, pertencem ao Reino Mineral. Incluem ainda compostos de
todos os elementos (com exceção do carbono em substâncias orgâ-
nicas). Dentre eles, as cerâmicas e os vidros são importantes mate-
riais empregados em Engenharia.
Os materiais orgânicos compreendem a grande classe dos pro-
dutos renováveis, pertencentes aos Reinos Vegetal e Animal. To-
dos devem conter carbono e hidrogénio, podendo apresentar tam-
bém em sua composição átomos de oxigénio, nitrogénio, enxofre
ou fósforo. Um exemplo desses materiais é a madeira. A eles, a in-
teligência e a criatividade do homem acrescentou uma ilimitada
diversidade de produtos sintéticos, destacando-se os polímeros,
cuja característica dominante é apresentarem pesos moleculares
grandes, acima de IO3. Os polímeros de uso geral mais comuns
têm pesos moleculares da ordem de IO5, devido a exigências quan-
to às propriedades mecânicas, cuja correlação ao tamanho molecu-
lar é ilustrada na Figura 23.
Os materiais de engenharia podem ser distribuídos em 2 gran-
des divisões: os clássicos, ou convencionais, e os materiais de enge-
nharia não clássicos, ou polímeros sintéticos.
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tros polissacarídeos, designados genericamente por hemicelulose,


além de lignina, breu, proteínas, traços de substâncias minerais e
outros componentes, dependendo da espécie botânica focalizada.
É comum a divisão das madeiras em duras, como a madeira de ja-
carandá (mais escura, mais rica em lignina) e macias, como o pi-
nho (mais clara, com pouca lignina).
A indústria madeireira utiliza largamente os resíduos de madei-
ra, tais como lâminas, lascas e partículas, para a fabricação de pro-
Figura 25. Estrutura química da celulose dutos de madeira reconstituída, tais como vigas laminadas, sarra-
feados, laminados, aglomerados e chapas (Quadro 2). Nesses pro-
dutos, os componentes são respectivamente meias-vigas, blocos,
lâminas, partículas e fibras, unidos por resina ureica (quando se
trata de uso em interiores) ou fenólica (exteriores); no caso da in-
dústria naval, os compensados estruturais exigem o uso de resinas
CH20-—
epoxídicas.
OH c=o
CH2 Quadro 2. Produtos industriais de madeira reconstituída
CHO ""'é
|^O. Componentes Madeira reconstituída Aplicações típicas
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Vigas laminadas Construção civil
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1 HOCH2 V Compensados de uso comum
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Construção civil
Laminados Compensados estruturais
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.(^) 1.2. Cerâmica
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As cerâmicas são materiais inorgânicos, usados pelo homem


Figura 26. Trecho representativo da estrutura química da lignina desde os tempos pré-históricos. Resultam do aquecimento, a tem-
r, .1 IMI-:ROS COMO MATERIAIS DE ENGENHARIA
53
52 EI.OISA MIAM>TTO M A N O

peraturas elevadas, com ou sem pressão, de mistura de argilas com priedades do material cerâmico obtido. Assim, os minerais argilo-
óxidos de alguns metais. Argilas são silicatos de alumínio hidrata- sos exibem rede cristalina em lâminas ou em fibras, formadas por
dos, isto é, contendo principalmente óxidos de silício (sílica, SiO2) tetraedros de SiO 4 ' 4 . Macroscopicamente, são constituídos por
e de alumínio (alumina, A12 O 3 ), além de água e quantidades me- partículas de pequenas dimensões, com interstícios entre elas, os
nores de óxidos de outros metais. ouais lhes conferem porosidade e isolamento térmico. Essas carac-
Os silicatos são realmente a base sobre a qual as cerâmicas são terísticas, aliadas à grande resistência a altas temperaturas, permi-
estruturadas. A unidade fundamental dos silicatos é um tetraedro tem o seu uso em peças refratárias, em fornos industriais.
(Figura 27), com o átomo de silício no centro e 4 átomos de oxigé- Um material cerâmico pode ser um sólido cristalino, ou vítreo,
nio nos vértices. Devido aos átomos de oxigénio, esses tetraedros ou misto. Se seus átomos têm um arranjo ordenado linearmente,
podem apresentar disposições variáveis, que influenciam as pró- fila por fila, camada por camada, em "longas'' distancias (quando
comparadas com as distâncias interatômicas), o material apresenta
cristalinidade. As cerâmicas cristalinas incluem muitos óxidos sim-

v
ples tanto isolados como combinados, em misturas monofásicas,
primárias, ou polifásicas, isto é, binárias, ternárias, etc.
-^ Cerâmicas monofásicas cristalinas podem ocorrer como mono-
SiO á
cristais, com uma única orientação cristalográfka. Por exemplo a
eo "N)* Monossilicato safira, que é a forma cristalina do óxido de alumínio (A12 O,), de-
sienada por tf//#-alumina. . ..
As cerâmicas comuns são caracteristicamente massas policnstali-
eo oe nas com mudanças abruptas ocorrendo na orientação e composi-
Si.
ção em cada grão. Há, assim, uma descontmuidade brusca nos ar-
ranjos cristalinos de sítios atómicos e no caráter da ligação, e, por-
tanto nas propriedades da massa cerâmica. Essas regiões írontein
Dissilicato ças são termodinamicamente mais instáveis do quedos materiais
cristalinos adjacentes a elas. Cada propriedade da cerâmica depen-
V. ^0. -Oe de em algum grau, das quantidades relativas das fases presentes,
daVespectiva composição e estrutura, da sua disposição espacial, e
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da forma, dimensão e orientação dos grãos e dos poros. Existe ou-
tra descontinuidade na superfície livre das cerâmicas, entre o soli-
do cerâmico e o ambiente externo. Muitas das propriedades das
./v Trissilicato
cerâmicas são sensíveis à superfície. A .
A estabilidade química em alto grau, encontrada nas cerâmicas, e
característica dos óxidos, e também dos nitretos, carbetos, boretos,
sulfetos etc.; estes compostos formam a base de todos os materiais
etc. cerâmicos Em particular, muitos dos óxidos são extremamente es-
táveis por longos períodos, em condições ambientais comuns, e
são resistentes a posterior oxidação, ou redução ^a suboxidos ou
Figura 27. Estrutura química dos silicatos
metais A estabilidade dos compostos cerâmicos e o resultado da
l'( )l IMH« >S < l "Mi i M Al l - R I A I S [)E ENGENHARIA
55
54 lil.OISA III ASO l H IMANO

estrutura cristalina, da ligação química (iônica, covalente ou mis-


ta) e do grande campo de força, associado aos vários cátions, relati-
vamente pequenos e altamente carregados, encontrados nas cerâ-
micas refratárias. Os óxidos de tório (tória) e ítrio (ítria) são os
mais estáveis. Outros, largamente usados pela sua estabilidade
química, são: óxido de alumínio (alumina), óxido de magnésio
(magnésia) e óxido de zircônio (zircônia). Muitos desses óxidos
têm ponto de fusão acima de 1700°C.
Os arfetafos são geralmente produzidos por sinterização de pó,
ao invés de resfriamento de líquido. As cerâmicas comuns são ma-
teriais porosos, que podem ser vitrificados superficialmente a tem-
peraturas elevadas (700 a 1800°C, ou até temperaturas superiores,
para produtos especiais), mantendo interstícios no seu interior.
Quando os átomos metálicos estão ordenados com alguma regu-
laridade, sem apresentar alto grau de ordenação por "longas" dis-
tâncias, o material é vítreo; por exemplo, o vidro. a. Estrutura regular, cristalina (quartzo)

1.3. Vidros

Os vidros são substâncias inorgânicas consideradas como líqui-


dos super-resfriados; são misturas estáveis, extremamente viscosas,
compostas de óxidos metálicos, geralmente de silício, sódio e cál-
cio, que se comportam como sólidos à temperatura ambiente.
Compreendem uma rede com um grau limitado de ordem, sem
unidades repetidas regularmente. A estrutura geral é aleatória,
amorfa, mesmo quando o vidro está sob a forma de fibra estirada.
Muitos autores consideram os vidros como materiais cerâmicos.
A sílica é o principal componente do vidro: é encontrada abun-
dantemente na Natureza, sob a forma de areia. Na sua forma cris-
talina, 4 átomos de oxigénio se dispõem tetraedricamente em tor-
no de cada átomo de silício, sendo que cada átomo de oxigénio se
liga a 2 átomos de silício. Forma-se assim uma estrutura cristalina
regular, presente no quartzo, representada esquematicamente na b. Estrutura irregular, não-cristalina
Figura 28a. As vezes, a estrutura é irregular, conforme visualizado
na Figura 28b. Q Silício Q Oxigénio
Os vidros comerciais comuns (vidros alcalinos) são do tipo sílica-
cal-soda, com pequena quantidade de alumina, e usados em fras- Figura 28. Estrutura química do dióxido de silício
57
56 ELOISABIASOTOMANO l'( II IMIiKOS COMO MATIÍRIAIS 151: KNCiHNHAKIA

cos, garrafas e vidros para janela. Amolecem a temperaturas mais


baixas que a sílica, pois a continuidade da rede é interrompida pe-
la presença de átomos adicionais de oxigénio e dos vários metais,
incorporados como óxidos; por exemplo, chumbo ("cristal"), bá-
rio (vidros mais densos, "crown"). A inclusão de alumina eleva a
temperatura de amolecimento. Vidros ácidos, de boro-silicato
("Pyrex"), têm mais alta resistência ao calor e a reagentes quími-
cos, e mais baixa expansão térmica do que os vidros comuns; con-
tam com alta proporção de sílica, à qual é adicionado bórax ou áci-
do bórico (como B 2 O 3 ). O "cristal", ou "cristal de chumbo", é
usado para peças artísticas de melhor qualidade, ou em aparelhos
científicos. O peso molecular dos vidros é indeterminado; a repre-
sentação esquemática é mostrada na Figura 29.
Quimicamente, o "cristal" leve tem 67% de SiO2, 15% de
óxido de sódio, óxido de chumbo em quantidade maior que 11%,
e pequenas quantidades de óxidos de zinco, alumínio e potássio.
O vidro de janela tem 72% de óxido de silício, 14% de óxido de
sódio, 10% de óxido de cálcio e pequenas quantidades de óxidos
de alumínio, ferro e magnésio. O "Pyrex" tem 80% de óxido de Q Silício
silício, 12% de óxido de boro e pequenas quantidades de outros
íons metálicos
óxidos. O Oxigénio diversos
A cor dos vidros é obtida de 2 maneiras: ou empregando óxidos
coloridos, ou metais, sob a forma de partículas coloidais. No pri-
meiro caso, obtêm-se cores dissolvidas, que são causadas pela par-
ticipação de íons de metais de transição na estrutura molecular,
enquanto que, no segundo caso, obtêm-se cores coloidais, resul-
tantes da presença de partículas que espalham a luz de forma va- Figura 29. Estrutura química representativa dos vidros
riável.
A cor dos vidros é um fenómeno complexo. No caso de cores
dissolvidas, depende da natureza e do grau de oxidação dos íons
empregados, que sofrem modificação durante a fabricação, devido
às altas temperaturas. No caso das cores coloidais, o tamanho das verde-azulado (cobre), verde (ferro). Partículas muito pequenas
partículas causa variação no comprimento de onda da luz absorvi- de ouro dão ao vidro colorações que variam do púrpura ao amare-
da, e a interação dessas radiações luminosas com o vidro influi na lo, conforme suas dimensões.
sua cor. A indústria de vidros coloridos é antes uma arte, transmitida de
A presença de íons de certos elementos, geralmente metais pe- pais para filhos, que a ela vêm se dedicando artesanalmente desde
sados, confere cores características aos vidros; por exemplo, azul muito tempo. Na Itália, ainda podem ser encontrados alguns
(cobalto), rubi (cádmio, selênio ou cobre), azul-esverdeado ou exemplos desses artesãos e de suas obras.
58 ELOISA BIASOTTO M A N O POI.IMKROS COMO M A T I - R I A I S DE ENGENHARIA 59

1.4. Metais vês do choque entre eles e os íons da rede cristalina Um cotndutor
metálico apresenta fluência de elétrons, devido às bandas esnergé-
Os metais, sob formas diversas, têm sido usados pelo homem ticas incompletamente preenchidas desses metais, que permaítem o
desde tempos pré-históricos. escoamento de elétrons na direção de um potencial aplicadio, des-
Quando os átomos, em número cada vez maior, se agrupam pa- locando-os para os níveis de energia mais altos não ocupados den-
ra formar "grandes" partículas (IO 4 — IO24 átomos), as proprieda- tro da banda.
des metálicas típicas começam a aparecer. Efeitos como resistência Há três estruturas cristalinas metálicas básicas, denom»inadas
mecânica, brilho, maleabilidade, ductibilidade, condutividade e empacotamento compacto cúbico, empacotamento compaocto he-
magnetismo, de intensidades variáveis, passam então a ser obser- xagonal e empacotamento cúbico de corpo centrado. Dessass estru-
vados. turas decorrem muitas das propriedades dos metais.
Quando o crescimento dessas partículas cessa espontaneamente, Em geral, os metais são usados em misturas ou ligas mettálicas.
formam-se bordas, cantos, degraus, dobras. Os menores encadea- Os principais materiais metálicos empregados emengenharria são:
mentos desses átomos têm pesos moleculares na faixa de IO 5 — IO6 ferro, aço, bronze, cobre, alumínio e estanho.
- que é justamente o máximo encontrado para peso molecular O ferro é o quarto elemento mais abundante na crosta terrrestre,
dos polímeros de importância industrial. Pode-se compreender sendo ultrapassado apenas por alumínio, silício e oxigénio. A civi-
que, se esses encadeamentos atómicos forem ainda maiores, com lização somente começou a se desenvolver quando o ruomem
pesos moleculares da ordem de IO26- IO 27 , conduzam a proprieda- aprendeu a extraí-lo de seus minérios. É empregado indiustrial-
des mecânicas muito mais exaltadas (encontradas nos metais) do mente sob a forma de ligas, das quais a mais importante é o aço.
que as dos polímeros sintéticos. Algumas dessas ligas se encontram relacionadas no Quadrco 3 •
As características típicas dos materiais metálicos são:
- Refletem a luz, e por isso têm aspecto brilhante;
Têm alta condutividade térmica e elétrica, sendo a condutivi- 2. Materiais de engenharia polimêricos sintéticos
dade elétrica desacompanhada de mudanças químicas detectá- Além das macromoléculas encontradas na natureza, miuitos
veis e diminuindo quando a temperatura aumenta; produtos químicos obtidos por via sintética podem apresem ar lon-
Têm alta densidade, o que indica empacotamento compacto gas cadeias. Neste caso, são geralmente denominados polímeros
de seus átomos; e sintéticos, e dentre eles se encontram importantes materiais de en-
- Apresentam grande resistência mecânica, sendo tanto maleá- genharia.
veis (isto é, podendo ser achatados), quanto dúcteis (quer di- As propriedades dos polímeros dependem bastante dos mate-
zer, transformáveis em fios). riais de partida (isto é, os monômeros), do tipo de reação empre-
É especialmente importante o fato de a estrutura cristalina dos gada na sua obtenção e também da técnica de preparação^
metais ser preservada sob deformações moderadas. Isto é devido às Há três tipos gerais de reação pelos quais se pode produzir um
fortes interações, conhecidas por ligações metálicas, que unem os polímero: a poliadição, a policondensação e a modificação cquími-
átomos dos metais uns aos outros e são decorrentes do desloca- ca de outro polímero. Conforme a natureza química do mojiôme-
mento de elétrons ao longo desses encadeamentos. Quanto mais ro, o tipo de reação visada e a aplicação desejada para o polHmero,
próximos estiverem os átomos metálicos, em função da sua estru- varia a técnica de sua preparação (em massa, em soluçã_o, em
tura eletrônica, mais fortes serão as interações entre eles, isto é, emulsão, em suspensão, interfacial).
maior será a resistência do material. Os elétrons são o meio de Na poliadição, os monômeros quase sempre apresentam «duplas
transmissão, tanto da eletricidade quanto do calor, neste caso atra- ligações entre átomos de carbono. Não há formação de subfprodu-
60 ELO1SA BIASOTTO MANO POLlMEROS COMO M A T K R I A I S DE ENGENHARIA 61

Quadro 3. Ligas de ferro de importância industrial Quadro 4. Polímeros industriais resultantes de reações de poliadição

Elemento característico* Polímero Sigla


Denominação o»/.) Usos típicos
Polietileno PE
c O Mn Si W Ni B
Polipropileno PP
Ferro -níquel — — — — — 45-48 — Material magnético e cletrò-
nico Poli-isobutileno PIB
Aço comum ~ " ~ Placas para navios, molas, Poliestireno PS
mandris, lâminas para agita-
dores, latas, vasilhames Polibutadieno BR
Aço inoxidável 12-20 — — — — — • Cutelaria, componentes resis- Poli-isopreno IR
tentes à oxidação
Copoli(etileno-propileno-dieno) EPDM
Aço-cromo 2-4 " Instrumental abrasivo e cor-
IIR
tante, vasos de pressão, rea- Copoli(isobutileno-isopreno)
tores, moldes
Copoli(butadieno-estireno) SBR
Aço Aço -manganês 0,15-0,30 — 10-15 — — — — Cofres, eixos de rodas, ins-
trumentos de corte Poli(cloreto de vinila) PVC
Aço -silício 2-4 Laminados de uso geral, Poli(cloreto de vinilideno) PVDC
componentes resistentes a
ácidos Policloropreno CR
Aço -tungsténio — — — 10-15 — — Componentes sujeitos a alta Poli(fluoreto de vinilideno) PVDF
rotação
Poli(tetraflúor-etileno) PTFE
Aço -boro — — — — — 0,0015 Laminados duros, estruturas
soldadas, tubos com costura Poli( acetato de vinila) PVAC
Aço-níquel 2-9 Uso geral em componentes Poli(metacrilato de metila) PMMA
de alta resistência mecânica,
hastes de agitadores, flanges, Poliacrilonitrila PAN
tubos com ou sem costura
Copoli(butadieno-acrilonitrila) NBR
* Além do ferro, outros elementos podem estar presentes, em quantidades variáveis.
Copoli(estireno-acrilonitrila) SAN
Copoli(estireno-butadieno-acrilonitrila) ABS
tos e os pesos moleculares podem atingir valores muito altos, na Copoli(etileno-acetato de vinila) EVA
faixa de IO5- IO6. Os polímeros de importância industrial obtidos Observação: Nomenclatura aceita pela IUPAC.
por poliadição estão relacionados no Quadro 4.
Na policondensação, há formação de subprodutos, que preci-
sam ser removidos do meio reacional. Os pesos moleculares são
menores que os pesos dos polímeros obtidos por poliadição, fican- cações. No Quadro 6 estão listados os principais polímeros resul-
do geralmente na ordem de IO4. Os polímeros preparados através tantes da modificação de outros polímeros.
de reações de policondensação são referidos no Quadro J. Os polímeros industriais obtidos através dessas rotas sintéticas
A modificação de polímeros resulta de reações químicas sobre podem ser utilizados como materiais de engenharia, tanto indivi-
polímeros já existentes, sejam eles naturais ou sintéticos. As mu- dualmente quanto em sistemas mistos, mais complexos.
danças no peso molecular, na solubilidade, na resistência mecâni- No primeiro caso, isto é, os sistemas poliméricos simples, os po-
ca, elétrica, etc., permitem uma diversificação ampla de suas apli- límeros são em geral aditivados com pequenas quantidades de in-
62 ELOISA BIASOTTO MANO l>( )I I M I l« )S ( ( ) M ( ) M ATh.KI AIS Dl- ENGENHARIA 63

Quadro 5. Polímeros industriais resultantes de reações de policondensação Quadro 6. Polímeros industriais resultantes de modificação química de outros
polímeros
Polímero Sigla
Poli(glicol etilênico) PEG Polímero Sigla
Poli(óxido de fenileno) PPO Nitrato de celulose CN
Poli(éter-éter-cetona) PEEK Acetato de celulose CAC
Resina epoxídica ER Metil-celulose MC
Poli(dimetil-siloxano) PDMS Hidroxi-etil-celulose HEC
Poli(tereftalato de etileno) PET Carboxi-metil-celulose CMC
Poli(tereftalato de butileno) PBT Poli( álcool vinílico) PVAL
Policarbonato PC Copoli(isobutileno-isopreno) clotado CIIR
Poli(ftalato-maleato de etileno)* PEPM Polietileno clorado CPE
Poliamida-6 PA-6 Polietileno cloro-sulfonado CSPE
Poliamida- 1 1 PA- 11 Poli(cloreto de vinila) clorado CPVC
Poliamida-66 PA-66 Observação: Nomenclatura aceita pela IUPAC.
Poliamida-610 PA-610
Poli(fenileno-tereftalamida)* * PPTA gredientes específicos, que lhes conferem características, como cor,
Polibenzimidazol PBI flexibilidade, resistência mecânica, resistência às intempéries,
Poli(amida-imida) PAI etc., adequadas ao artefato que se pretende fabricar. Esses aditivos
Poli(éter-imida) PEI são, por exemplo, os corantes, os pigmentos, os plastificantes, as
Poli-imida PI
cargas, os estabilizadores, os antioxidantes e os agentes de reticula-
Poli(sulfeto de fenileno)
ção.
PPS
No segundo caso, os sistemas poliméricos mistos, contendo
Poli(aril-sulfona) PÁS quantidades substanciais de cada componente, podem ser distri-
Polí(éter-sulfona) PÉS buídos em 2 grupos: aqueles que se apresentam como misturas
Resina de fenol-formaldeído PR miscíveis de diferentes polímeros, molecularmente homogéneas,
Resina de uréia-formaldeído UR que são também denominadas ligas poliméricas ("polymer
Resina de melamina-formaldeído MR alloys"), em analogia às ligas metálicas, e aqueles que compõem
misturas imiscíveis, macroscopicamente heterogéneas, que são ge-
Poli(óxido de metileno)* * * POM
nericamente denominados misturas poliméricas ("polymer
Poliuretano PU
blends").
* Poliéster insaturado
* * Poliamida aromática
*** Poliacetal 2.1. Sistemas poliméricos simples
Observação: Nomenclatura aceita pela IUPAC.
Os sistemas poliméricos simples encontrados nos materiais de
engenharia sintéticos são essencialmente constituídos pelos polí-
64 POLÍMEROS COM» MATERIAIS Dl- ENGENHARIA 65
KI.OISA HIASOTTO M A N O

meros já relacionados nos Quadros 4, 5 e 6. Podem ser divididos Quadro 7. Classificação dos plásticos quanto à sua aplicação
de diversas maneiras.
Aplicação Grupo Principais plásticos Sigla
Quanto ao seu comportamento ao calor, podem se apresentar
Polietileno PE
como termoplásticos ou termorrígidos, conforme já foi referido Polipropileno PP
anteriormente. Quanto à sua resistência mecânica, é comum Poliestireno PS
agrupá-los em borrachas ou elastômeros, plásticos t fibras. Quanto à Poliestireno de alto impacto HIPS
Copoli(estíreno-acrilonitrila) SAN
escala de fabricação, é frequente encontrar-se as expressões plásticos Copoli(acrilonitrila-butadieno-estireno) ABS
de comodidade ("commodities"), que representam a maior parte da Termoplástico
Copoli(etileno-acetato de vinila) EVA
produção total de plásticos no mundo, compreendendo polietile- Geral Poli(cloreto de vinila) PVC
no, polipropileno, poliestireno, etc., e plásticos de especialidade Poli( acetato de vinila) PVAC
Poli(acrilonitrila) PAN
("specialities"), como por exemplo o poli(óxido de metileno), o Poli(cloreto de vinilideno) PVDC
poli(cloreto de vinilideno), etc. Poli(metacrilato de metila) PMMA
Do ponto de vista de aplicação, os plásticos podem ser distribuí- Resina epoxídica ER
dos em 2 grandes grupos: plásticos de uso geral ç. plásticos de en- Resina de fenol-formaldeído PR
genharia (Quadro 7). Os plásticos de uso geral, por sua vez, po- Termorrígido Resina de uréia-formaldeído UR
Resina de melamina-formaldeído MR
dem ser distribuídos em termoplásticos e termorrígidos. Com o PU
Poliuretanos"
objetivo de complementar este livro, informações também são
Polietileno de altíssimo peso molecular UHMWPE
apresentadas sobre esses polímeros. São termoplásticos o polietile- Poli(óxido de metileno) POM
no (Quadro 8], o polipropileno (Quadro 9), o poliestireno (Qua- Poli(tereftalato de etileno) PET
dro 10), o poli(cloreto de vinila) (Quadro 11), o poli(acetato de vi- Uso geral
Poli(tereftalato de butileno) PBT
Policarbonato PC
nila)| (Quadro 12), a poli(acrilonitrila) (Quadro 13), o poli(cloreto PA
Poliamidas alifáticas
de vinilideno) (Quadro 14), e o poli(metacrilato de metila) (Qua- Poli(óxido de fenileno) PPO
dro 15). São termorrígidos a resina fenólica (Quadro 16), a resina Poli(fluoreto de viilideno) PVDF
ureica (Quadro 17), a resina melamínica (Quadro 18), a resina Engenharia Poli(tetraflúor-etileno) PTFE
epoxídica (Quadro 19), o poliéster insaturado (Quadro 20); os po- Poliarilatos PAR
Poliésteres líquido-cristalinos LCP
liuretanos, por sua vez, tanto podem ser termoplásticos quanto PA
Poliamidas aromáticas
termorrígidos (Quadro 21). Os plásticos de engenharia serão abor- Poli-imidas PI
dados com mais detalhe nos itens subsequentes. Uso especial Poli(amida-imida) PAI
A importância dos materiais poliméricos sintéticos na indústria Poli(éter-imida) PEI
Poli(éter-cetona) PEK
pode ser bem compreendida pelo volume de sua produção anual Poli(éter-éter-cetona) PEEK
que, no Brasil, em 1988, atingiu cerca de 3 milhões de toneladas Poli(éter-sulfona) PÉS
(Quadro 22). Por outro lado, para os termoplásticos, que repre- Poli(aril-sulfona) PÁS
Poli(sulfeto de fenileno) PPS
sentam 2 / 3 da produção nacional, o consumo anual nos países
mais adiantados é da ordem de 50 kg per capita, enquanto que no
Brasil não ultrapassa 10 kg — dados relativos ao ano de 1987
(Quadro 23}.
* Também podem ser termoplásticos.
66 ELOISABIASOTOMANO POLÍMEROS COMÍ > M ATIiRl AIS DE ENGENHARIA 67

Quadro 8 . Polietileno UHMWPE — Placas de revestimento de máquinas para a indústria «de


Abreviação: PE alimentos e de mineração; componentes de bombas para
líquidos corrosivos; engrenagens; revestimento de pistas e
Outras denominações: pisos para esporte e linhas de montagem de automóveis;
HDPE (PEAD), polietileno linear, polietileno de alta densidade, polieti- em medicina, como implantes, ossos artificiais; cepos para
leno de baixa pressão. corte de carne.
LDPE (PEBD), polietileno ramificado, polietileno de baixa densidade, Produtos mais conhecidos:
polietileno de alta pressão.
UHMWPE (PEUAPM), polietileno de ultra-alto peso molecular, polieti- Tipo Nome comercial Fabricante
leno de altíssimo peso molecular.
Alathon Dupont
Dowlex Dow
H.x /H Eltex Soltex
H H
Monômero: H' " N H Polímero: l i
_ -c-c Eltex Solvay*
l i Fortiflex Soltex
etileno l H H Jn Grex Allied
Hi-Fax Hercules
HDPE — Peso molecular, 200.000 HDPE Hostalen Hoechst
Densidade, 0,94-0,97 Marlex Philips
índice de refração, 1,54 Novatec Polialden*
Tm, 130-135°C; Tg, - 100 125°C Petrothene USI
Cristalinidade, até 95% Polisul Polisul*
Termoplástico, branco, opaco. Rexene El Paso
Sumikathene Sumitomo
LDPE — Peso molecular, 50.000 Arco
Super Dylon
Densidade, 0,92-0,94 Vestolen Huels
índice de refração, 1,51-1,52 Yukalon Mitsubishi
Tm, 109-125°C; Tg, - 20 - - 30°C
Cristalinidade, até 60% Alathon DuPont
Evatate Sumitomo
Termoplástico, branco, translúcido a opaco. Rhóne-Poulenc
Natene
UHMWPE — Peso molecular, 3.000.000-6.000.000 Norchem NPE Enron
Densidade, 0,93-0,94 Petrothene USI
Tm, 135°C; Tg, - 100 - - 125°C LDPE Petrothene Poliolefinas*
Cristalinidade, 45% Politeno Politeno*
Termoplástico, branco, opaco. Suprel Allied
Ultrathene USI
Propriedades marcantes: Dynd Union Carbide*
Alta resistência química e a solventes; menor custo. No UHMWPE, alta Hostalen Gur Hoechst
resistência ao desgaste, baixo coeficiente de fricção, fisiologicamente inerte. 1900 UHMWPE Himont
UHMWPE Sunfine Ashai
Aplicações típicas:
Utec Polialden*
HDPE — Contentores, bombonas, fitas para lacre de embalagens,
material hospitalar. " No Brasil.
LDPE — Recipientes para embalagem de produtos alimentícios,
farmacêuticos e químicos; filmes para embalagem em ge- Copolímeros industriais do etileno:
ral; utensílios domésticos, brinquedos, lençóis para usos — Copolímeros de etileno e acetato de vinila (EVA).
agrícolas.
68 ELOISA BIASOTTO MANO
l'( M . l M K K O S ( ! ( ) M ( ) M AT1ÍKI AIS Dlí E N G E N H A R I A 69

Quadro 9. Polipropileno
Quadro 10. Poliestireno
Abreviação: PP
Abreviação: PS
Outra denominação: Polipropeno.

Monômero:
H V-c /H
"' 7p\: n1
(Ô)
H
estireno Jn
H \CH3 ÇH3
Monômero: c- c Polímero: _ — ci -C 1 Características do polímero:
*' XH i 1
H H Peso molecular, 300.000
propileno '• n
J
Densidade, 1,05-1,06
índice de refração, 1,59
T m ,235°C; T g , 100°C
Características do polímero: Cristalinidade, muito baixa
Peso molecular, 80.000-500.000 Termoplástico, incolor, transparente.
Densidade, 0,90 Propriedades marcantes:
índice de refração, 1,49 Rigidez; semelhança ao vidro; alta resistência química; baixa resistência a
T m , 165-175°C; T g , 4-12°C solventes orgânicos; baixa resistência às intempéries; menor custo.
Cristalinidade, 60-70%
Termoplástico, branco, opaco. Aplicações típicas:
Propriedades marcantes: Utensílios domésticos rígidos, transparentes ou não, de uso generalizado;
brinquedos; escovas; embalagens rígidas para cosméticos. Sob a forma ce-
Alta resistência química e a solventes; menor custo. lular, no isolamento ao frio, na embalagem de equipamentos, em pran-
Aplicações típicas: chas flutuadoras.
Parachoques de carros; carcaças de eletrodomésticos; recipientes; fitas pa- Produtos mais conhecidos:
ra lacre de embalagens; brinquedos; sacaria; carpetes; tubos para carga de
caneta esferográfica; bocal de pistolas para aplicação de aerossóis; material Nome comercial Fabricante Nome comercial Fabricante
hospitalar, seringas de injeção descartáveis.
Dylene Arco Polystyrol BASF
Produtos mais conhecidos: EDN EDN* Plystyrol BASF do Brasil*
Esbrite Sumitomo Proquigel Proquigel*
Lustrex Monsanto Styron Dow
Nome comercial Fabricante Nome comercial Fabricante Hammond
Lustrex Monsanto do Brasil* Superflo
Bapolene Bamberger Olemer Amoco NAS Richardson
Bicor Mobil Oppalyte Mobil
Bris-Fax
* No Brasil.
PPH* Pro-Fax Himont
Marlex Philips Prolen Polibrasil* Copolímeros industriais do estireno:
Moplen Sumitomo Propafilm ICI
MWB Hercules
— Copolímeros de estireno e butadieno (HIPS)
Propathene ICI — Copolímero de estireno e acrilonitrila (SAN)
Noblen Sumitomo Rexene El Paso
Norchem NPP Enron SB Hercules
— Copolímero de estireno, acrilonitrila e butadieno (ABS)
Novolen BASF Vestolen AP Huels — Copolímero de estireno, butadieno e metacrilato de media (MBS)
— Copolímero de estireno, butadieno, acrilonitrila e acrilato de alquila
No Brasil.
(ASA).
70
M i ' i Y \l v. MANO POLÍMEROS COMO MATliRIAIS DE ENGENHARIA 71

Quadro 11 - Poli(cloreto de vinila) Quadro 12. Poli(acetato de vinila)


Abreviação: PVC
Abreviação: PVAC
Outra denominação: Plástico vinílico.
Outras denominações: PVAc, PVA.

HN XH H H
Monômero HxC= C N C | Polímero: — -C- C- ^B
1 Polímero:
cloreto de vinila H Cl
n Monômero:

Peso molecular, 50.000-100.000


Densidade, 1,39 C=C
índice de refração, 1,53-1,56 "' X 0-C-CH, l l
H 0-C-CH,
T m , 273°C; T g , 81°C
Cristalinidade, 5-15%
Termoplástico, incolor, transparente.
acetato de vinila
Propriedades marcantes:
Alta resistência à chama; formação de peças tanto rígidas quanto muito
flexíveis, com plastificante; semelhança a couro; menor custo.
Características do polímero:
Aplicações típicas: Peso molecular, 5.000-500.000
Forração de poltronas e de estofamentos de automóveis; separadores de Densidade, 1,18
bateria; revestimento de fios e cabos elétricos; tubos rígidos para água e índice de refraçãp, 1,46-1,47
esgoto; tubos flexíveis para água; esquadrias para janelas; embalagens rí- T . f JQOC
m.' .' .S' .
gidas e transparentes para bebidas e alimentos; toalhas de mesa; cortinas Cristalinidade, muito baixa.
de chuveiro; bolsas e roupas de couro artificial; passadeiras; pisos; cartei- Termoplástico, incolor, transparente.
ras transparentes para identificação; bolsas; bonecas; sapatos.
Propriedades marcantes:
Produtos mais conhecidos: Adesividade.
Aplicações típicas:
Nome comercial Fabricante Nome comercial Fabricante Tintas de parede, adesivos para papel, adesivos fundidos ("hot melt").
Brasivil Brasivil* Rucoblend
Dacovin Diamond Shamrock Rucodur Produtos mais conhecidos:
Geon Goodrich Rucon Occidental
Krystaltite Allied Solvic Nome comercial Fabricante
Solvay do Brasil*
Norvic C. P. Camaçari* Sta-Flow Air
Oxyblend Daratak Grace
Occidental Staufen ICI
Pliovic Goodyear Elvacet Eletrocloro*
Vestolit Huels Gelva Monsanto
Reynolon Reynolds Vinoflex BASF Mowilith Hoechst
Rhodopas Rhodia*
Vinac Air
Copolímeros industriais do cloreto de vinila: Vinamul Unilever
— Copolímero de vinila e acetato de vinila. • No Brasil.
72 ELOISABIASOTTOMANO POI.IMF.ROS COMI) M A T E R I A I S DE ENGENHARIA 73

Quadro 13- Poliacrilonitrila Quadro 14. Poli(cloreto de vinilideno)


Abreviação: PAN Abreviação: PVDC
Outras denominações: Fibra acrílica (acima de 85% de acrilonitrila), fibra mo-
dacrílica (acrílica modificada contendo abaixo de 85%
de acrilonitrila).

HN ,H H H
C= C 1 1
Monomero: „/ \=n Polímero: — ^ C -C
1 1 H Cl
H CE N l l
acrilonitrila n C-C-
C=C Polímero:
Monomero: / \ \\o de vinilideno
Características do polímero:
H Cl
n
Peso molecular, 50.000-100.000
Densidade, 1,18
índice de refração, 1,51-1,52
T m , 317°C; T g , 105°C
Cristalinidade, baixa; parcialmente cristalino após estiramento
Termoplástico, amarelado, transparente.
Propriedades marcantes: Características do polímero:
Alta resistência a solventes, alta resistência à tração após estiramento, bai- Geralmente copolímero com cloreto de vinila
xa estabilidade térmica. Peso molecular, 20.000-200.000
Aplicações típicas: Densidade, 1,67-1,71
índice de refração, 1,60-1,63
Fibras têxteis macias e leves como a lã; precursor para a fabricação de fi- T m , 210°C;T g ,- 17-- 18°C
bras de carbono. Cristalinidade, muito alta
Produtos mais conhecidos: Termoplástico, incolor, translúcido a transparente.

Nome comercial Fabricante Propriedades marcantes:


Nome comercial Fabricante
UCB
Excelente impermeabilidade a gases e vapores, inclusive aromas; grande
Acribel Dralon Bayer
Acrilan Monsanto Leacril Applicazioni Chimiche resistência química e baixa inflamabilidade.
Beslan Toho Nitron Chimiekombinat Aplicações típicas:
Cashmilon Hissa Argentina Savatow
Courtelle Courtaulds Orion DuPont Filmes para embalagem de alimentos.
Creslan Cyanamid Soltan Soltex Produtos mais conhecidos:
Crylor Rhodia' Takryl Stockholms-Superfosfat
Dolan Suddeutsche Vonnel Mitsubishi Fabricante
Nome comercial
Chemiefaser Zefran Dow-Badische
Saran Dow
* No Brasil.
74
ELOISABIASOTTOMANO POLÍMEROS COMO MATKRIAIS DE ENGENHARIA 75

Quadro 15. Poli(metacrilato de metila) Quadro 16. Resina de fenol-formaldeído


Abreviação: PMMA
Abreviação: PR
Outra denominação: Plástico acrílico. Outras denominações: Resina fenólica, fórmica, baquelite.
» •
Monômeros:
Hx ,««! H CH 3
Monômero: f v Polímero: — 1 1"
O
H C-O-CH, 1 1 II
II 3 M C-O-CH,
II 3
0
metacrilato de metila aldeído
b » n fórmico
Características do polímero:
Peso molecular, 500.000-1.000.000 Características do polímero:
Densidade, 1,18
índice de refração, 1,49 Peso molecular, imensurável (insolúvel)
T m , 160°C; T g , 105°C Densidade, 1,36-1,46 (com carga celulósica)
Cristalinidade, muito baixa Termorrígido, acastanhado, opaco.
Termoplástico, incolor, transparente. Propriedades marcantes:
Propriedades marcantes: Alta resistência mecânica e térmica, boa resistência química; estabilidade
Semelhança ao vidro, boa resistência química, alta resistência às intempé- dimensional. Coloração limitada. Menor custo.
ries, resistência ao impacto, transparência, capacidade de refletir a luz. Aplicações típicas:
Aplicações típicas: Engrenagens; pastilhas de freio, componentes do sistema de transmissão
Placas de sinalização de tráfego em estradas, calotas e janelas de aviões, de carros; compensado naval; peças elétricas moldadas; laminados para
lanternas de carros, protetores de chuva em janelas de carros, letreiros de revestimento de mesas, balcões, divisórias, portas; tampas de rosca resis-
casas comerciais, redomas de instrumentos, luminárias, placas transparen- tentes.
tes para tetos, lentes de grandes dimensões para retroprojetores, decora- Produtos mais conhecidos:
ções de vitrines de lojas comerciais, painéis, fibras éticas.
Produtos mais conhecidos: Nome comercial Fabricante Nome comercial Fabricante
Alphaset Alba* Cacodur Alba*
Nome comercial Fabricante Nome comercial Amberlac Resana* Cascophen Alba*
Fabricante
Amberlite Rohm & Haas Celeron Q.I. Laminados*
Acrigel C. P. Bahia* Lucite DuPont Bakelite Bakelit Fórmica Fórmica*
Acrylite Cyro Perspex ICI Bakelite Union Carbide* Formiplac Q.I. Laminados*
Acryloid Rohm & Haas* Plexiglas Rohm & Haas Beckacite Resana* Resamite Resana*
Acrysteel Aristech Resacril Resana* Beckacite Reichhold Resaphen Resana*
Diacon ICI Surnipex Sumitomo* Beckophen Reichhold Thor Alba'
Implex Rohm & Haas Betaset Alba*
No Brasil.
No Brasil.
76 ELOISA HIASOTO MANO POLÍMEROS COMO M A T E R I A I S DE ENGENHARIA 77

Quadro 17. Resina de uréia-formaldcído Quadro 18. Resina de melamina-formaldeído

Abreviação: UR Abreviação: MR
Outras denominações: Resina ureica, resina aminada. Outras denominações: Resina melamínica, resina aminada.

Monômeros 8 II
0
Polímero
H2NX NNH2 H'S Monômeros (reticulado)
ureia aldeído fórmico

1
C=0
!
c=o \-
•NAr-N-CHj-N-CHj-N-CH2-N-CHj-l|l^~-

Polímero C=0 C= o c=o


| 1
«WVA-N-CMj-N-CHj-N-CHj-N-CHj-N-v-k/»
(reticulado)

í
C=0 C=0
aldeído
» H/ H fórmico
Características do polímero: melamina
/
Peso molecular, imensurável (insolúvel)
Densidade, 1,50 (com carga celulósica)
Termorrígido, branco, opaco. Características do polímero (reticulado):
Propriedades marcantes: Peso molecular, imensurável (insolúvel)
Boa resistência mecânica e térmica, boa resistência química, dureza; Densidade, 1,50
menor custo. Termorrígido, branco, opaco.
Aplicações típicas: Propriedades marcantes:
Chapas de compensado para móveis, divisórias; acabamento de tecidos; Alta resistência mecânica, térmica e química; boa estabilidade dimensio-
vernizes para revestimento de soalho; adesivos para madeira; moldados nal; elevada dureza, boa resistência ao risco e à abrasão.
duros e resistentes à compressão e ao impacto. Aplicações típicas:
Produtos mais conhecidos: Peças moldadas duras e resistentes ao risco e ao impacto, em substituição
à louça; camada decorativa dos laminados fenólicos; vernizes, adesivos.
Nome comercial Fabricante
Beetle A. Cyanamid Produtos mais conhecidos:
Cascamite UF Alba*
Pollopas Kuhlmann Nome comercial Fabricante
Pollopas Ambalite* Cymel A. Cyanamid
Sinteko Madepan* Melchrome
No Brasil.
78 ELOISABIASOTTOMANO l'( II I M I Kl )S (:< ) M < ) M A I T K I AIS l )!• I'NC . I Í N H A R I A 79

Quadro 19. Resina cpoxídica Quadro 20. Poli(ftalato-maleato de propileno) estirenizado


Abreviação: ER Abreviação: PPPM
Outras denominações: Resina oxirânica, epoxi. Outras denominações: Poliéster insaturado; quando reforçado com fibra de
vidro, GRP ("glass reinforced polyester") ou FRP
("fíberglass reinforced polyester").
H,C-VCH-CHj-CI
Monômeros HO-CHj-CH-OH

epicloridrina 4,4' -difenilol-propano Monômeros anidrido itálico anidrido maleico glicol propilênico

Polímero

Polímero
(reticulado)

Características do polímero (reticulado):


Peso molecular, imensurável (insolúvel) Características do polímero* :
Densidade, 1,15-1,20 Peso molecular, imensurável (reticulado)
Termorrígido, amarelado, translúcido. Densidade, 1,25
Termorrígido, amarelado, translúcido.
Propriedades marcantes:
Adesividade, resistência à abrasão, baixa contração após cura. Propriedades marcantes:
Resistência a intempéries. Em compósitos com fibra de vidro, grande faci-
Aplicações típicas: lidade de processamento, na moldagem de peças de pequenas ou grandes
Compósitos com fibra de vidro, de carbono ou de poliam ida aromática, dimensões.
para a indústria aeronáutica; componentes de equipamentos elétricos; cir-
cuitos impressos; encapsulamento de componentes eletrônicos; revesti- Aplicações típicas:
mento de superfícies; adesivos para metal, cerâmica, vidro; moldes e ma- Cascos de barco, carrocerias de carro esportivo, luminárias decorativas, te-
trizes para ferramentas industriais, manequins de bocas e ossaturas . lhas corrugadas, tanques, piscinas, móveis; silos, tubos para esgoto indus-
Produtos mais conhecidos:
trial, painéis, bandejas.
Produtos mais conhecidos:
Nome comercial Fabricante Nome comercial Fabricante
Araldite CIBA-Geigy* Epikote CIBA-Geigy Nome comercial Fabricante Nome comercial Fabricante
Aracast CIBA-Geigy Epi-Rez Inter-Rez Alpolit Hoechst do Brasil" Resapol Resana**
DEN Dow Epon Shell Crystic Alba** Tecgel Tecglás**
DER Dow Epotuf Reichhold Polylite Resana**
Durepoxi CIBA-Geigy' Epoxylite CIBA-Geigy
Outros monôrneros, especialmente o glicol etilênico, são também em-
pregados, conforme a aplicação.
* No Brasil. No Brasil.
80 POLÍMEROS COMO M A T I - R I A I S I)K K N G E N H A R I A 81
ELOISA BIASOTOMANO

Quadro 21. Poliuretanos Produtos mais conhecidos:

Abreviação: PU Nome comercial Fabricante

Outras denominações: PUR, TPU. Adiprene DuPont


Baybond XW Mobay
Biothane Caschem
0=C=N-R-N=C=0 HO-R-OH
Conathane / Conacure Conap
Monômero" Duroprene Cofade*
diisocianato diol Estane Goodrich
Impranil Bayer
O H H O Lamal Morton
il l ' u
C-N-R-N-S-0-R'-0 Lexorez Inolex
t
Lycra DuPont
Q-Thane KJ. Quinn
oVKo Resavur
Tuftane
Resana*
Lord
Uralite Hexcel
ÇH3 Vorite/Polycin Caschem
Polímero*' -CHj-CHj-O-t -t-CHj-CH-O-t Vulkolane KJ. Quinn
* No Brasil.
-CHj-CHj- -CH 2 -CH-

* Dióis do tipo éster são também usados. Quadro 22. Produção de polímeros sintéticos no Brasil*
** Conforme a funcionalidade dos monômeros e o emprego, ou não, de
agentes de cura, o polímero poderá ser termoplástico ou termorrígido. Produção no Brasil
Polímero
(ton/ano)
Características do polímero: Termoplásticos 2.000.000
Peso molecular, variável Termorrígidos 400.000
Densidade, 1,20-1,30; quando celular, até 0,01 Fibras 300.000
Termoplástico, ou termorrígido, amarelado, translúcido. Elastômeros 300.000
Total 3.000.000
Propriedades marcantes:
Excepcional resistência à abrasão. Facilidade de fabricação de peças de * Em 1988.
grandes dimensões e formas; menor custo de processamento.
Aplicações típicas:
Quadro 23. Consumo mundial per capita de termoplásticos*
Como termoplástico, em gachetas; diafragmas; peças flexíveis e resisten-
tes à abrasão, para uso em mineração, como peneiras, conexões, anéis de Consumo anual
vedação; juntas para trilho: parachoques de carro; correias transportado- País (kg/habitante)
ras; solados e saltos de calçado; rodas de "skate"'; vernizes para carro, mó-
EUA 60
veis e soalho; fibras. Como espumas flexíveis, para estofamento de móveis 44
Europa
e veículos; estrutura de bolsas; confecção de roupas; revestimento de
Japão 43
tapetes; painéis de proteção contra choques. Como espumas rígidas ou 10
Brasil
semi-rígidas, em moldura de quadros e espelhos; parte decorativa de
móveis. Em 1987.
82
ELOISA BIASOTTO M A N O 1'OIIMI-KOSC O M O M A I I K I . M M H l N t . l N I I A K I A 83

2 . 1 . 1 . Plásticos de engenharia de uso geral Quadro 24. Poli(óxido de metileno)

Os plásticos de engenharia de uso geral são conhecidos há al- Abreviação: POM


gum tempo; alguns já são produzidos em larga escala há mais de Outras denominações: Polioximetileno, poliformaldeído, poliacetal.
20 anos. O primeiro desses materiais, anunciado pela DuPont em
1958, foi o poliacetal, ou polioximetileno, cujas características ex- 0
cepcionais para certas aplicações até hoje não foram superadas. II
Os plásticos de engenharia apresentam módulo elástico elevado Monômero: *C Polímero: -C-0
a temperaturas relativamente altas, com ampla oportunidade de H H 1
H
substituição dos materiais tradicionais, pelos seguintes motivos: aldeído fórmico L Jn
peso reduzido, comparado a cerâmicas e metais; facilidade de fa-
Características do polímero:
bricação e processamento; eliminação de tratamento anti-corrosi-
vo; alta resistência ao impacto; bom isolamento elétrico; menor Peso molecular, 15.000-30.000
Densidade, 1,42
custo energético de fabricação e transformação; e custo de acaba- T m , 180°C; Tg, 82°C
mento reduzido. Cristalinidade, 75%
Os principais plásticos de engenharia de uso geral estão descri- Termoplástico, branco, opaco.
tos em Quadros que contêm sua abreviação como sigla e outras de- Propriedades marcantes:
nominações comuns, as fórmulas dos monômeros e dos polímeros, Excelente estabilidade dimensional, com alguma resiliência; baixa absor-
as características do material, as suas propriedades mais marcantes, ção de água; resistência à fricção e à abrasão, a reagentes e a solventes; alta
as aplicações típicas, os nomes comerciais e os fabricantes dos pro- resistência à fadiga. Pouca estabilidade térmica e dificuldade de processa-
dutos mais conhecidos. São eles: poli(óxido de metileno) (Quadro mento melhoradas por copolimerização. É um dos 3 plásticos de enge-
24), poli(tereftalato de etileno) (Quadro 25), poli(tereftalato de nharia mais importantes (os demais são: PA e PC).
butileno) (Quadro 26), policarbonato (Quadro 27), poliamidas Aplicações típicas:
alifáticas (Quadro 28), poli(óxido de fenileno) (Quadro 29), Partes de peças industriais para usos mecânicos; na indústria automobilís-
poli(fluoreto de vinilideno) (Quadro 30), e poli(tetraflúor-etile- tica, cintos de segurança, engrenagens, mecanismos de elevadores de ja-
no) (Quadro 31). nelas de carro; componentes de torneiras, fechaduras, válvulas; molas;
Nesses polímeros, é possível observar a relação que existe entre a bombas; carcaça de chuveiros elétricos; zípers; válvulas de aerossol; com-
ponentes elétricos e eletrônicos; componentes de equipamentos de escri-
sua estrutura química e as propriedades apresentadas. Assim, to- tório, como computadores e terminais de vídeo, e de eletrodomésticos em
dos os plásticos de engenharia são termoplásticos, isto é, são polí- geral.
meros não-reticulados cuja fusibilidade permite um fácil processa-
Produtos mais conhecidos:
mento. Todos apresentam uma boa resistência mecânica, com mó-
dulo alto — quer dizer, são rígidos à temperatura ambiente e sua Nome comercial Fabricante
estrutura permite ordenação interna, que se reflete na cristalinida- Celcon Hoechst-Celanese
de e consequentemente, no reforço das propriedades mecânicas e Delrin DuPont
resistência a reagentes químicos e solventes. Também a ausência Duracon Polyplastics
Hostaform Hoechst-Celanese
de insaturação olefínica nesses polímeros traz características de re- Ultraform BASF
sistência à oxidação e a intempéries, que são importantes em apli- Upital Mitsubishi
cações de engenharia. Tenac Asahi
POLÍMEROS COMO MATERIAIS DE ENGENHARIA 85
84 ELOISAHIASOTTOMANO

Quadro 25. Poli(tereftalato de etileno) Produtos mais conhecidos:

Abreviação: PET Nome comercial Fabricante

Outras denominações: PETP, poliéster saturado, RPET (reforçado). ACE Allied


Arnite Schulman
Avlin Avtex
Beetle PEP Bib
H H r A Bidim Rhodia*
Goodyear
Monômeros Cleartuf
HO-C-C-OH H3C-0-C-/(^) VC-O-CHj Crastine CIBA
A Ã n \~-sj o Dacron DuPont
Enka
Encron
glicol etilênico Fortrcl Celanese
tereftalato de dimetila Hostafan Hoechst
Impet Hoechst-Celancse
i i Kodapak PET Eastman Kodak
Lumirror Toray
O f~ ~~\ H H Malon M.A.
M //*""\ '1 Melinex icr
MMH -0-C-/ ( ) V-C-0-C-C- Mylar DuPont
Polímero \*2_/ AH Petlon Mobay
Petra Allied
. * n Pocan Bayer
Rynite DuPont
Techster Rhodia*
Características do polímero: Techster Rhône-Poulenc
Peso molecular, 15.000-42.000 Tenite PET Eastman
Densidade, 1,33-1,45 Tergal ICI
índice de refração, 1,65-1,66 Terphane Rhône-Poulenc
T m , 250-270°C; T , 70-74°C Terphane Rhodia*
Tetoron Teijin
Cristalinidade, ate 40% Tetrafil
Thermofil
Termoplástico, branco, transparente a opaco. Hoechst
Trevira
Propriedades marcantes: Valox GE
Vestodur Huels
Resistência mecânica, térmica e química, possibilidade de se apresentar
no estado amorfo (transparente), parcialmente cristalino e orientado * No Brasil.
(translúcido) e altamente cristalino (opaco).
Aplicações típicas:
Suporte de filme metálico para estampagem em plásticos, fitas magnéti-
cas para gravação; mantas para filtros industriais; embalagem de alimen-
tos, cosméticos e produtos farmacêuticos; filmes e placas para radiografia,
fotografia e reprografia, impermeabilização de superfícies; frascos para re-
frigerantes gaseificados; fibras têxteis; na indústria automobilística, em
partes estruturais grandes, carcaças de bomba, carburadores, limpadores
de parabrisa; componentes elétricos; interior de fornos de micro-ondas;
em compósitos com fibra de vidro, componentes de móveis de escritório.
86 ELOISAHIASOTTOMANO POLÍMEROS COMO MATERIAIS DE ENGENHARIA 87

Quadro 26. Poli(tereftalato de butilcno) Quadro 27. Policarbonato


Abreviação: PC
Abreviação: PBT
.Cl t y c«, / y
Outras denominações: RPBT, PBT reforçado.
Monômeros "<o>L;\oh
fosgênio 4,4'-difenilol-propano
Monômeros
glicol butilênico tereftalato de dimetila Polímero
"<ãM^hj n

Polímero Características do polímero:


Peso molecular, 10.000-30.000
Densidade, 1,20
Características do polímero: índice de refração, 1,59
Peso molecular, 25.000-40.000 T m , 268°C; T g , 150°C
Densidade, 1,31 Cristalinidade, muito baixa
índice de refração, — Termoplástico, incolor, transparente.
T m , 220°C;T g , 50°C Propriedades marcantes do polímero:
Cristalinidade, alta Semelhança ao vidro, porém altamente resistente ao impacto; boa estabi-
Termoplástico, branco, opaco. lidade dimensional; boas propriedades elétricas; boa resistência ao escoa-
Propriedades marcantes: mento sob carga e às intempéries; resistente à chama. É um dos 3 plásticos
de engenharia mais importantes (os demais são: PA e POM).
Boa resistência mecânica, térmica e química; boa estabilidade dimensio-
nal; boas propriedades de isolamento elétrico; baixa absorção de água. Aplicações típicas:
Aplicações típicas: Placas resistentes ao impacto, janelas de segurança, escudos de proteção,
painéis de instrumentos, lanternas de carros, partes do interior de aerona-
Na indústria automobilística, em componentes para partes externas como ves, cabines de proteção, capacetes de proteção de motociclistas; compo-
grades, para-lamas, calotas e componentes para portas, janelas e espelhos. nentes elétricos e eletrônicos, discos compactos, conectores, luminárias
Na indústria eletro-eletrônica, como relês, estojos de fusível. Na indústria para uso exterior, recipientes para uso em fornos de micro-ondas; tubos
de telecomunicações, como componentes para telefone, caixas para jun- de centrífuga para sistemas aquosos, anúncios em estradas, artigos espor-
ção. Em eletrodomésticos, como cabos de ferro elétrico, partes laterais em tivos; aplicações em material de cozinha e de refeitórios, como bandejas,
torradeiras, estojos de secador de cabelo, cafeteiras elétricas, carcaças de jarros dágua, talheres, mamadeiras; aplicações médicas em dialisadores
máquina; cortadores de grama; engrenagens de bicicleta. renais. Em misturas poliméricas, com ABS, PET, PBT ou TPE, em para-
Produtos mais conhecidos: choques e outras peças externas para carros (Quadros 40 e 41).
Produtos mais conhecidos:
Nome comercial Fabricante Nome comercial Fabricante Nome comercial Fabricante Nome comercial Fabricante
Arnite Akzo Pibiter Montepolimeri Calibre Dow Makrolon Bayer
Celanex Celanese Pocan Mobay Durolon Policarbonatos* Merlon Mobay
Crastine GIBA Techster Rhodia* Idemitsu PC Idemitsu Novarax Mitsubishi
Durancx Polyplastics Ultradur BASF lupilon Mitsubishi Tuffak Rohm & Haas
Grafite GAF Valox GE Lexan GE
Panlite Teijin Vestodur Huels
No Brasil. No Brasil.
88 ELOISABIASOTOMANO POLÍMEROS COMO MATERIAIS ra ENGENHARIA 89

Quadro 28. Poliamidas alifáticas Aplicações típicas:


Na indústria de transportes, em engrenagens para limpador de parabri-
Abreviação: PA-6, PA-6,6 sas, velocímetros, ventiladores para motor, reservatórios de fluidos para
Outras denominações: Nylon, Náilon-6, policaprolactama, Náilon-6,6. freio, estojos de espelho, componentes mecânicos de aparelhos domésti-
cos, cabos de martelo, partes móveis de máquinas; em conectores elétri-
cos; como filmes, para embalagem de alimentos; malhas para meias e

Poliamida-6
Monômero:
o
£-caprolactama
roupas; equipamentos para processamento de alimentos e de tecidos; es-
covas; fios de pescar; material esportivo como raquetes, bases de esqui,
rodas de bicicleta.
Produtos mais conhecidos:
H / \2) H._
Polímero: Tipo Nome comercial Fabricante
Akulon Akzo
Akulon Schulman
Amilan Toray
CRI Bemis
Monômeros: Capran Allied
ácido Capron Allied
adípico hexametilenodiamina Durethan Bayer
Poliamida-6,6 PA-6 Grilamid Mazzaferro*
Grilon Emser
Novamid Mitsubishi
Polímero: Nylon Corporation
Nycoa
Nytron Nitrocarbono*
Plaskon Allied
Características do polímero: Orgamid ATO
Sniamid Technopolimeri
PA-6 : Peso molecular, 10.000-30.000 Ube
Ube
Densidade, 1,12-1,14 Ultramid BASF
índice de refração, 1,54
T m , 215-220°C;T,, 50°C Akulon Schulman
Cristalinidade, ate 60% Celanese Celanese
Lcona Asahi
Termoplástico, amarelado e translúcido. ICI
Maranyl
PA-6,6 : Peso molecular, 10.000-20.000 Minlon DuPont
PA-6,6 Tcchnyl Rhône-Poulenc
Densidade, 1,13-1,15
índice de refração, 1,54 Technyl Rodhia*
Ultramid BASF
T m , 250-260°C; T,, 50°C Monsanto
Vydyne
Cristalinidade, ate 60% Zytel DuPont
Termoplástico, amarelado e translúcido.
* No Brasil.
Propriedades marcantes dos polímeros:
Resistência mecânica, à fadiga, a impacto repetido e à abrasão, baixo coe- Outras poliamidas alifáticas de uso especial:
ficiente de fricção, resistência a escoamento sob carga, boa resistência quí- Poliamida-11, Poliamida-12, Poliamida 6,10.
mica e a solventes não ácidos, alta absorção de umidade. É um dos 3 plás-
ticos de engenharia mais importantes (os demais são: POM e PC).
90 ELOISA BIASOTTO MANO POLÍMEROS COMO MATERIAIS DE ENGENHARIA 91

Quadro 29. Poli(óxido de fenileno) Quadro 30. Poli(fluoreto de vinilideno)

Abreviação: PPO Abreviação: PVDF


Outras denominações: Polixilenol, poli(oxifenileno), poli(Oxi-2,6-dimetil-
1,4-fenileno).

Monômero: Polímero: H F
H\ = C /F 1
Monômero: N Polímero: -C -C- —^™««»

H' 1
H F
2,6-dimetil-fenol fluoreto de vinilideno • n
Características do polímero:
Peso molecular, 25.000-60.000
Densidade, 1,06
índice de refração, —
T m , 257°C; T g , 210°C Características do polímero:
Cristalinidade, até 50% } Peso molecular, 500.000-1.200.000
Termoplástico, âmbar, transparente a opaco. r Densidade, 1,75-1,80
| índice de refração, 1,42
Propriedades marcantes: l T m , 160-200°C; T g , - 40°C
Muito baixo coeficiente de expansão térmica, alta resistência mecânica e Cristalinidade, 68%
térmica, prolongada retenção das propriedades mecânicas em ambientes Termoplástico, incolor, translúcido a opaco.
aquecidos; resistência a bases e ácidos, porém atacado por hidrocarbone-
tos aromáticos e halogenados. Em mistura com PS ou PA, boa processabi- Propriedades marcantes:
lidade. Piezoeletricidade, grande resistência à tração, ao desgaste, ao impacto, ao
escoamento sob carga, a produtos químicos corrosivos e às intempéries.
Aplicações típicas:
Geralmente modificado com poliestireno e poliamidas. Pás de bomba, Aplicações típicas:
filtros de máquina de lavar, carcaças de desumidificador; como substi- Transdutores mecano-elétricos; isolamento de fios usados em computado-
tuintes de placas metálicas, em chassis e outras partes internas de carros, res e na indústria aeronáutica; luvas termo-contráteis para indústrias ele-
como painéis de instrumento, encosto de banco, e externas, como para- trônica, aeronáutica e aeroespacial; na indústria química, para embala-
choques, calotas; cabeçotes de chuveiro elétrico, enroladores de cabelo, gem de produtos químicos corrosivos, em diafragma de válvulas, em tu-
passadeiras a vapor para roupas; em equipamentos de telecomunicações; bulações, bombas, dutos; em vernizes e tintas de alta durabilidade a in-
em recipientes para fornos de micro-ondas. tempéries, para metais.
Produtos mais conhecidos: Produtos mais conhecidos:
Nome comercial Fabricante Nome comercial Fabricante
PPO GE Floraflon Atochem
Kynar Pennwalt
Neoflon Daikin
OBS.: Misturas comerciais de PPO e outros polímeros se encontram nos Quadros 40 e Solef Solvay
41.
92 ELOISA H I A S O I T O M A N O 1 ' i i l l M I K i i s i O M K M A I I U I A I S D I I.N< ,i:NM A K I A 93

Quadro 31. Poli(tetraflúor-etileno) Esses plásticos tradicionais de engenharia podem ser listados,
em ordem decrescente de consumo mundial, da seguinte forma:
Abreviação: PTFE
poliamidas; poliacetal; policarbonato; poli(óxido de fenileno);
poli(tereftalato de etileno); e poli(tereftalato de butileno).

2.1.2. Plásticos de engenharia de uso especial


• «

FN /F F F No final da década de 70, começaram a surgir os plásticos de en-


Monômero:
F
x C=c \
F
Polímero: _
-H- nF F
_>_ genharia de uso especial, ou plásticos de alto desempenho, cujas
estruturas foram planejadas de modo a apresentar, em grau super-
lativo, as propriedades dos plásticos de engenharia de uso geral,
tetraflúor-etileno
além de algumas características adicionais, de grande importância
tecnológica. Desses plásticos, os mais importantes, já industriali-
zados, estão apresentados em Quadros, contendo informações so-
bre sua denominação, estrutura química, principais características,
Características do polímero:
propriedades mais relevantes, aplicações mais visadas, nomes co-
Peso molecular, 500.000-5.000.00
merciais mais conhecidos e empresas produtoras. São eles: poliari-
Densidade, 2,13-2,20 latos (Quadro 32), poliésteres líquido-cristalinos (Quadro 33), po-
T m , 327°C; T g , 127°C liamidas aromáticas (Quadro 34), poli-imidas (Quadro 35), poli-
Cristalinidade, 95% cetonas (Quadro 36), poli-sulfonas (Quadro 37) e poli(sulfeto de
Termoplástico, branco, opaco. fenileno) (Quadro 38).
Propriedades marcantes: Correlacionando a estrutura molecular desses plásticos com o
Excepcional resistência a solventes e reagentes químicos; elevada resistên- seu conjunto de características especiais, pode-se observar que, em
cia térmica; muito baixo coeficiente de fricção; baixa adereência; boas todos os casos, apresentam:
propriedades mecânicas, mesmo a temperaturas muito baixas.
Aplicações típicas: • Termoplasticidade
Revestimentos antiaderentes em panelas e equipamentos para a indústria De fato, todas as estruturas são lineares, não reticuladas, e, por-
de alimentos; anéis de pistão de máquinas; suportes; selos mecânicos; fi- tanto, os produtos são suscetíveis de moldagem pelos processos
tas de vedação; gaxetas; torneiras; sedes de válvulas.
usuais da indústria de materiais plásticos.
Produtos mais conhecidos:
• Grande resistência mecânica
Nome comercial Fabricante
Fluon ICI
A alta rigidez, o elevado módulo, a notável resistência tênsil, e
Halon Allied a grande dureza desses materiais, ao lado da sua deformação por
Hostaílon Hoechst-Celanese tração ou compressão muito pequena, decorrem da estrutura aro-
Polyflon Daikin mática pouco flexível. Todas as cadeias macromoleculares são for-
Teflon DuPont
madas por anéis aromáticos ligados por um ou dois átomos em
94 ELOISA BIAS .MANO l'OI.IMI-:i«>S(.(>M<> MAThKlAIS !)!• IÍNCÍHNHARIA 95

Quadro 32. Poliarilatos Quadro 33. Poliésteres líquido-cristalinos

Abreviação: PAR Abreviação: LCP

v°H v°H Outras denominações: Polímeros termo trópicos, poliésteres termotrópicos.


Monômeros:
(O) tô).c-°H Ho-/oV?^o}-OH
<yto» ácido isoftãlico 4,4'-difenilol-propano
ácido tcrcftãlico

/ \
/ /^~N \/ / ~\_ / ~\-

Polímero: "^
O 3

n (Durei)
Características do polímero:
Peso molecular, 10.000
Densidade, 1,21 ácido p-hidroxi-benzóico ácido teraftálico
índice de refração, 1,61
T m ,-;T g 188°C
Cristalinidade, muito baixa Monômeros
Termoplástico, amarelado, transparente.
Propriedades marcantes: HO
Transparência, resistência térmica, auto-retardamento de chama; baixa ácido ácido 6-hidroxi-
contração no molde, sem empenamento; boa estabilidade dimensio- 2,6-naftaleno-dicarboxílico 2-naftaleno-carboxílico
nal; baixa absorção de água; alta resistência à oxidação e às radiações ul-
travioleta; alta resistência mecânica mesmo a temperaturas elevadas; alta
resistência ao impacto; alta temperatura de processamento (305°C): exce-
lentes propriedades dielétricas.
Aplicações típicas:
Na indústria automobilística, como bases de farol, de lanterna e de espe- 4,4'-di-hidroxi-bifenila 2,6-di-hidroxi-naftaleno
lho, maçanetas de porta, colchetes de pressão, lentes para farol e sinal de
trânsito; capacetes e escudos contra fogo. Na indústria eletro-eletrônica,
como revestimentos de fusível, caixas para relê, bobinas. Painéis transpa-
rentes para teto em construções; luminárias e globos de iluminação de
rua. ' ^^s ^
Produtos mais conhecidos:

Nome comercial Fabricante


Polímero oTo
Ardei Amoco m . n
Arylon DuPont (Vectra)
Bexloy M DuPont
Durei Hoechst-Celanese
96 lil.OISA HIASOTTO MANO l'< II IMH« )S ( ()M() MATI-KI AIS Dl- 1'NtíliNHARIA 97

Características do polímero: Quadro 34. Poliamidas aromáticas


Peso molecular, 25.000-60.000
Densidade, 1,40 Abreviação: PPTA
T m , 280°C;T g ,- Outras denominações: Aramid, PPD-T, PPD-I.
Cristalinidade muito alta, mesmo fundido (termotrópico)
Termoplástico, amarelado, opaco.
Propriedades marcantes:
Resistência ao calor, uso contínuo a temperaturas até 200°C; auto-retar-
dante de chama, gerando pouca fumaça; boa estabilidade dimensional
mesmo a temperaturas altas; baixa absorção de água; alta resistência à oxi-
dação; alta resistência mecânica, mas anisotrópico; alta rigidez; alta tena-
cidade; excepcional resistência química; baixa permeabilidade a gases e lí-
quidos; excelentes propriedades dielétricas. Fácil processmento; baixa Monômeros
contração no molde, pouco empenamento: auto-reforço; pouca rebarba.
Aplicações típicas: NH2.HCI
Substituição a partes complexas de cerâmica ou metal, nas indústrias elé-
trica e eletrônica, aeroespacial, química, automobilística; em fibras óti- cloridrato de dicloreto dicloreto
cas; em fornos de micro-ondas. cloreto de 4-amino- de tereftaloíla de isoftaloíla
Produtos mais conhecidos: benzoíla
NH2
Nome comercial Fabricante
Ultrax BASF
Vectra Celanese
Xydar Dartco
MH2
m-fenileno-diamina p-fenileno-diamina

Polímero

(Kevlar)
99
98 EI.OISA Hl AM 11 K ) MANO POLlMKROSCOMO MAU Kl AIS DE ENGENHARIA

Características do polímero: Quadro 35. Poli-imidas


Peso molecular, 70.000
Densidade, 1,35-1,45 Abreviação: PI
T m , 400-550°C°C; T g , 250-400°C Outras denominações: PAI, poli(amida-imida), PEI,poli(éter-imida).
Cristalinidade alta, mesmo em solução (liotrópico)
Termoplástico, amarelado, opaco.
Propriedades marcantes:
Excepcional resistência ao calor (550°C); auto-retardante de chama; altís-
simo módulo; usado como fibra; sensível a radiações ultravioleta; excelen-
tes propriedades dielétricas. dianidrido
anidrido maleico piromelítico
Aplicações típicas: dianidrido benzofenono-
Como fibra de reforço em compósitos, em material esportivo, vasos de al- H2N-\ ) >-Ç —{ ( ) >-NH 2 dicarboxílico
ta pressão, jaquetas e capacetes à prova de bala; na indústria aeroespacial; NH2
no isolamento elétrico de motores; em substituição ao asbesto em roupas di(p-aniino-fenil)-metano
para bombeiros; na indústria petrolífera, em cabos e tubulações submari-
nas. Monômeros
NH 2
Produtos mais conhecidos:
éter di(4-amino-fenílico)
Nome comercial Fabricante
Kevlar DuPont
Konex Teijin
Nomex DuPont
Twaron Akzo v*
t^/T" *H2
li dianidrido 4,4'-oxi-diftálico p-fenileno-diamina

Polímeros

n (Kapton)

PAI

(Torlon)
100 ELOISA BIASOTTO M A N O I'OI.IMI;K< is < < >MI i M AI i - K I A I S ni; ENGENHARIA 101

Características do polímero: Quadro 36. Policetonas


Peso molecular, 15.000-60.000
Densidade, 1,1-1,5 Abreviação: PK
T1m < —•' T
Ag ' —
Outras denominações: PEK, poli(éter-cetona), PEEK, poli(éter-éter-cetona),
Cristalinidade, variável
PEKK, poli(éter-cetona-cetona).
Termoplástico ou termorrígido, amarelado a acastanhado, transparente
a opaco.
Propriedades marcantes:
Excelentes propriedades mecânicas, excelente estabilidade dimensional e
térmica, excelente resistência à oxidação, boa resistência química, exce-
lente resistência ao desgaste, baixo coeficiente de fricção, auto-retarda- Monômeros hidroquinona 4,4'-di-hidroxi-acetofenona
mento de chama, boas propriedades elétricas; baixa resistência às radia-
ções. Difícil processamento.
Aplicações típicas:
Substituindo vidro e metais para condições de alto desempenho nas in- 4,4' -diflúor-acetofenona
dústrias elétrico-eletrônica, automobilística, naval, aeroespacial e de em-
balagem, como encaixes, anéis de pistão, sedes de válvula, eixos, partes
de motor, placas de circuito impresso flexível, partes de gerador e con-
densador. Vernizes anti-corrosivos. PEK

Produtos mais conhecidos:


(Ultrapek)
Polímeros
Nome comercial Fabricante
PEEK
BT Mitsubishi
Envex Rogers
Eymyd Ethyl (Victrex)
Imidaloy Toshiba
Kamax Rohm & Haas
Kapton DuPont
Kerimid Rhône-Poulenc
Kynel Rhône-Poulenc
Torlon Amoco
Ultem GE
Upijohn Upijohn Características do polímero:
Upilex Ube PEK — Peso molecular, —
Vespel DuPont Densidade, 1,32
T
1m, -• rL g ' 204T
*u^ *-
Cristalinidade, até 40%
Termoplástico, amarelado, opaco.
PEEK — Peso molecular, —
Densidade, 1,32

Cristalinidade, até 35%


Termoplástico, acinzentado, opaco.
102 ELOISA Hl ASO TIO M ANO POLÍMEROS COMO MATERIAIS O K ENGENHARIA 103

Propriedades marcantes: Quadro 37. Poli-sulfonas


Excelente resistência térmica; boa resistência mecânica, mesmo a altas
temperaturas; auto-retardante de chama; resistência química e a solven- Abreviação: PSF
tes; boas propriedade elétricas e a radiações; boa estabilidade dimensio- Outras denominações: PSO, PÁS, poli(aril-sulfona), poli(fenil-sulfona),
nal. Fácil processamento a 340-440°C. PÉS, poli(éter-sulfona), poli(aril-éter-sulfona)

Aplicações típicas:
Usado em compósitos de alto desempenho com até 40% de fibra. Partes
de automóvel; placas de compressor; partes estruturais de aeronave; cabos
para nave espacial; conectores em planta de energia nuclear; filmes para
circuito impresso flexível e termo-resistente; revestimento de cabos; vál-
vulas e bombas para líquido corrosivo.

Produtos mais conhecidos:

Nomes comerciais Fabricante


4,4'-dicloro-difenil-sulfona
Hostatec* Hoeschst-Celanese
Kadel Amoco
PEKK DuPont Monômeros
Stabar K* * ICI
Ultrapek* BASF sal de sódio
Victrex** ICI do 4,4'-difenilol-propano
• PEK.
* ' PEEK.
4-cloro-sulfonil-bifenila

PÁS

Polímeros PÉS

(Udel)
104 EL01SA BIASOTTO MANO l'OllMI-:K()SC()M<)MATi:KIAISI)l' I-NCI-NHARIA 105

Características do polímero: Quadro 38. Poli(sulfeto de fenileno)


Peso molecular, 25.000
Densidade, 1,24-1,25 Abreviação: PPS
índice de refração, 1,63-1,65
T m , 185-220°C; T g , —
Cristalinidade, muito baixa Na2S
Termoplástico, amarelado, transparente. Monômeros
Propriedades marcantes: sulfeto de sódio ,. ,
p-dicloro- benzeno
Resistência a altas temperaturas; rigidez; estabilidade dimensional; resis-
tência ao escoamento ("creep"); estabilidade química; auto-retardante
da chama; boas propriedades elétricas.
Aplicações típicas: Polímero
Em substituição a metais, vidro e cerâmica; carcaças de secador de cabelo;
lâmpadas de projetor; indicadores luminosos; conectores elétricos para
temperatura alta; soquetes de circuitos integrados; blocos de terminais; Características do polímero:
circuitos impressos; material esterilizável para uso médico. Em compósi- Peso molecular, 18.000
tos, com fibra de vidro ou de carbono, na indústria aeronáutica. Densidade, 1,36
Produtos mais conhecidos: T m , 285°C; T g , 85°C
Cristalinidade, até 70%
Termoplástico, branco, opaco.
Nome comercial Fabricante
Bakelite PSF Union Carbide Propriedades marcantes:
Radel Amoco Auto-retardante de chama; resistência à degradação até 450°C; elevada
Stabar S ICI rigidez; boa retenção das propriedades mecânicas em temperaturas eleva-
Udel Amoco das (200°C); baixa absorção de água; excelente resistência química; trans-
Ultrason L BASF parência a micro-ondas; excelentes propriedades elétricas em larga faixa
Victrex ICI de temperatura. Fácil processamento a 250-300°C; suporta reciclagem vá-
rias vezes na moldagem.
Aplicações típicas:
Revestimentos resistentes à corrosão; partes de bomba e de medidor de
água; sedes de válvula; juntas; na indústria automobilística, em compo-
nentes para uso nas proximidades do motor; bobinas; transistores.
Produtos mais conhecidos:

Nome comercial Fabricante


Craston CIBA-Geigy
Fortron Hoechst-Celanese
Primef Solvay
Ryton Philips
Supec GE
Tedur Mobay
106 l I ( > I V \M U i i MANO POLlMEROS COMO M A T l i R I A I S OE E N G E N H A R I A 107

grupos não parafínicos, sem ramificações pendentes na cadeia cânicas, o que é uma característica muito importante exigida em
principal. Essa condição acarreta destruição difícil da ordenação materiais especiais, de alto desempenho. Essa propriedade é en-
macromolecular e, portanto, responde por propriedades mecâni- contrada quando as cadeias são formadas por anéis aromáticos li-
cas em alto grau. As ramificações afastariam as macromoléculas gados por um ou dois átomos, em grupos não parafínicos, de pou-
umas das outras, e assim diminuiriam a sua interação, redu- ca flexibilidade (ver Cap. 2, itens 2.1, 2.2, 2.3).
zindo a resistência mecânica (ver Cap. 2, item 1.1).
• Resistência às intempéries e à oxidação
• Resistência a temperaturas elevadas
A inexistência de insaturação nos segmentos que ligam os anéis
A resistência térmica está associada a estruturas aromáticas como aromáticos para formar as cadeias macromoleculares dos polímeros
parte integrante da longa cadeia polimérica. de alto desempenho, bem como a ausência de carbono terciário
A estabilidade à degradação de um polímero pelo calor é funda- nesses segmentos, acarretam uma grande resistência desses mate-
mentalmente relacionada à energia de ligação dos átomos que for- riais às intempéries e à oxidação (ver Cap. 2, item 2.1).
mam a cadeia polimérica. Assim, a ligação C—C em anéis aromá-
ticos exige uma energia de 520 kj/mol para a sua ruptura, que é • Auto-retardamento da chama e pouca fumaça
muito mais elevada do que a energia requerida pela ligação C—C
alifática, de 335 kj/mol. Este é um dos fatores que tornam os polí- O elevado percentual de estruturas aromáticas nas macromolé-
meros de engenharia de alto desempenho tão superiores às polio- culas, que confere resistência a temperaturas elevadas aos políme-
lefinas e outros polímeros vinílicos, quanto à prolongada resistên- ros de alto desempenho, associado à ausência de cadeias parafíni-
cia a temperaturas elevadas. Mesmo quando a cadeia macromole- cas, garante o retardamento da chama. Há evolução de pouca fu-
cular é parafínica, a resistência à degradação pelo calor pode ser maça durante a queima, e tendência à formação de resíduo negro,
melhorada, pela substituição de átomos de hidrogénio (energia de grafítico, de difícil combustão. Os plásticos que contêm grupa-
ligação C—H: 410 kj/mol) por átomos de flúor (energia de ligação mentos éster ou cetona tendem a liberar vapores de dióxido de car-
C—F: 500 kj/mol), ou reduzida, se o substituinte for o cloro bono, que abafam a chama, extinguindo-a (ver Cap. 2, item 2.8).
(energia de ligação C—Cl: 340 kj/mol). No entanto, os átomos de
H, F e Cl são mono valentes e não geram cadeias poliméricas. • Resistência a solventes e reagentes
Por aquecimento ao ar, os anéis aromáticos da cadeia tendem a O tipo de estrutura química encontrado nos polímeros de alto
sofrer condensações, formando macromoléculas cada vez mais desempenho responde pela grande resistência a reagentes e a sol-
compactadas e estáveis ao calor. A estrutura de carbono condensa- ventes, tal como ocorre com os polímeros de engenharia de uso ge-
da ao máximo é encontrada no grafite, que é uma forma alotrópica ral (ver Cap. 2, itens 2.4, 2.5, 2.6 e 2.7).
do carbono, com cristais lamelares, anisométricos, cuja elevada re-
sistência à degradação térmica é bem conhecida e aplicada indus- • Boa estabilidade dimensional
trialmente na confecção de cadinhos e moldes metalúrgicos (ver A estabilidade dimensional está relacionada à rigidez perma-
Cap. 2, item 2.2).
nente do material, que não deve apresentar escoamento significa-
• Propriedades mecânicas mantidas em latga faixa de temperatu- tivo. A dilatação, ou encolhimento, da peça prejudica o desempe-
ra nho em muitos casos. O polímero deve ter elevada temperatura de
A difícil destruição da ordem macromolecular, apesar da eleva- transição vítrea e alta cristalinidade. Sua estrutura química não de-
ção de temperatura, permite a manutenção das propriedades me- ve favorecer a absorção de umidade ambiental, que faz variar o vo-
108 ELOISA BIAS01TOMANO n H IMliROS COMO M A T I Í K I A I S 1 ) 1 : I - N G K N H A R 1 A 109

lume da peça; deve ser resistente à degradação térmica e química, • Resistência à abrasão
que também causam a modificação de volume.
Os átomos ou grupos que ligam esses anéis para formar a cadeia O termo abrasão refere-se comumente a um processo de desgas-
macromolecular, como átomos de oxigénio, de enxofre ou grupos te em que a remoção de material de uma superfície ocorre durante
carbonila, têm importância fundamental nas propriedades e nas seu deslocamento contra partículas ou protuberâncias rígidas. Em
características de processamento. A distorção ao calor depende da polímeros rígidos, a resistência à abrasão pode ser associada à reti-
mobilidade da^cadeia polimérica. A presença de anéis rígidos aro- culação molecular do material, através de ligações químicas cova-
máticos ou heterocíclicos volumosos prejudica essa mobilidade e lentes (ligações cruzadas), ou à existência de ligações físico-quími-
aumenta a temperatura de amolecimento, porque dificulta ou im- cas fortes, como pontes de hidrogénio, ou de outras interações
pede o deslisamento das cadeias, umas sobre as outras, e também moleculares, e é mais pronunciada em polímeros termorrígidos e
restringe a rotação livre dessas cadeias em torno de seu eixo. Esse polímeros termoplásticos altamente cristalinos (ver Cap. 2, item
mesmo efeito é ainda causado por áreas cristalinas. Além disso, 1.1.10).
nos materiais cristalinos, anisométricos, poderá ocorrer o empena-
mento da peça por mudar de dimensões conforme a orientação das • Baixo coeficiente de expansão térmica
macromoléculas na fase cristalina, o que não ocorre na fase amorfa O baixo coeficiente de expansão térmica, isto é, a maior resis-
(ver Cap. 2, item 1.1.3.). tência a expandir a organização macromolecular, é encontrado nos
Todas essas características estruturais são extremamente impor- polímeros de alta cristalinidade, onde ocorre também a anisome-
tantes para a estabilidade ao calor por tempos prolongados, porém tria nas propriedades. Os valores determinados para a avaliação
reduzem a processabilidade. Para desempenho de alta responsabi- dessas características variam conforme a direção em que é feita a
lidade, o material não deve conter plastifícantes ou outros aditivos medida. Quando os polímeros são amorfos, apresentam isometria,
voláteis, os quais podem ser gradualmente removidos da peça du- isto é, os valores são os mesmos, qualquer que seja a direção da
rante o uso. medida.
Um interessante conjunto de propriedades é encontrado nos po-
• Resistência às radiações eletromagnéticas límeros líquido-cristalinos, que apresentam excepcional resistência
mecânica e química quando sólidos e mostram, no estado fundido
Os polímeros que apresentam estruturas sem conjugação (isto é, ou dissolvido, uma certa ordenação molecular. Durante o processo
sem alternância de ligações químicas insaturadas), ou com pouca de moldagem, assumem uma estrutura cristalina, contínua, auto-
conjugação, não absorvem radiações do espectro eletromagnético reforçadora, completamente diferente da estrutura cristalina la-
na região do visível, e o polímero é incolor. Se há oxidação da mo- melar, descontínua (Figura 11), encontrada nos demais polímeros
lécula, durante o processamento ou sob a ação dos raios ultraviole- de alta cristalinidade.
ta solares, o produto se torna amarelado; conforme o grau de oxi- O tipo de ordenação macromolecular pode variar conforme o
dação, resultam trechos conjugados que causam o escurecimento solvente — neste caso, o material líquido-cristalino é denominado
do produto, em maior ou menor grau. liotrópico — ou a temperatura — designado termotrópico. As es-
Quando os polímeros são muito cristalinos, o material se tor- truturas contínuas nemãtica, esmética ou colestérica, encontradas
na opaco, pelas difrações sucessivas quê o raio de luz sofre ao atra- nesses materiais, são ilustradas na Figura 30.
vessar as diversas regiões ordenadas do material. Quando o polí- Todos os plásticos de alto desempenho são opacos, com exceção
mero é predominantemente amorfo, o material é transparente apenas das poli-sulfonas e dos poliarilatos, que são transparentes,
(ver Cap. 2, item 1.4). devido à sua estrutura predominantemente amorfa.
110 ELOISA BIASOTTO M A N O POLÍMEROS COMO M ATI K I A I S Ml h N í i l í N I I A R I A 111

2.2. Sistemas poliméricos mistos


A vantagem do emprego de mistura de componentes, ao invés
Polímero líquido-cristalino
de um componente único, é bem conhecida para uma diversidade
no estado fundido (ou dis- de produtos. As misturas podem visar à obtenção de características
solvido) novas. Por exemplo, em perfumes, bebidas, alimentos, em que
são importantes a fragrância e o paladar, ambas propriedades or-
ganolépticas cuja avaliação humana envolve a percepção muito sen-
sível de variações sutis. Nestes casos, o objetivo principal é dificul-
tar ou impedir a imitação, e exige a manutenção das características
Moldagem (ou evaporação) por prazos muito prolongados, mesmo com as variações climáticas
locais, anuais ou sazonais, que influenciam os produtos de origem
natural empregados. "Whiskies" de renome podem conter mais
Polímero líquido-cristalino
de uma dezena de tipos diferentes de ' 'whisky'', de várias origens,
no estado sólido, com es- para manter a qualidade.
trutura ordenada contínua Também no campo dos polímeros, as misturas industriais po-
dem incluir aditivos em quantidades substanciais, para melhorar
características e/ou baratear custos. Por exemplo, cargas como ne-
,ro de fumo, caulim, carbonato de cálcio, são usadas em composi-
;ões de borracha; serragem, em resina fenólica; alfa- celulose, em
resinas ureica e melamínica. Plastificantes são essenciais em pro-
dutos como plastissóis de PVC e composições elastoméricas muito
Conforme a estrutura química, a ordenação contínua pode ser diferente: carregadas.
De um modo bastante abrangente, os sistemas poliméricos mis-
tos podem ser distribuídos em 2 grupos (Quadro 39): os sistemas
miscíveis e os sistemas imiscíveis.
Nos sistemas miscíveis, as misturas são unifásicas; há compatibi-
lidade total entre os componentes dentro de certos limites de com-
posição e temperatura. Neste caso, as misturaspolimèricas total-
mente compatíveis são também chamadas ligas polimèricas.
Nos sistemas imiscíveis, as misturas apresentam mais de uma fa-
se; pode ocorrer compatibilidade interfacial ou incompatibilidade
Estrutura Estrutura Estrutura total entre as fases. Quando há compatibilidade interfacial, todos
colestérica esmética nemática os componentes da mistura podem ser poliméricos ou não. Em
qualquer desses casos, sempre que há um componente matricial e
um estrutural, o sistema constitui um compósito. As misturas com
Figura 30 - Tipos de estrutura ordenada contínua em polímeros carga reforçadora se incluem entre os compósitos. Quando não há
líquido-cristalinos componente estrutural, o componente matricial engloba as parti-
112 ELO1SA HIASOTTOMANO POLÍMEROS COMO MATERIAIS ui; ENGENHARIA 113

Quadro 39 - Classificação dos sistemas polimcricos mistos 2.2.1. Sistemas poliméricos mistíveis

Miscibilidadc Compati- Natureza dos Designação Exemplo" No equilíbrio, uma mistura de 2 polímeros amorfos pode existir
bilidade componentes
de duas maneiras: como uma solução dos componentes macromo-
Polímero / polímero
Mistura poli-
mérica ou liga
PPO/PS, PVC/NBR
PVC/MBS
leculares em uma fase única, em que os segmentos poliméricos estão
Miscívcl
Total polimérica intimamente misturados, em solução mútua; ou então separados
(unifásico)
Mistura aditi- PVC/DOP em duas fases distintas, cada uma constituindo fundamentalmen-
Polímero / não-polímero
Sistema
vada te um componente individual.
poli- Mistura poli- PI/EPDM A miscibilidade de dois componentes poliméricos quaisquer é
mérico mérica PA/EPDM
misto Imiscívcl Interfacial
Polímero/polímero função de 3 parâmetros: sua compatibilidade, a proporção relativa
(multifásico)
Compósito PEEK/PA
em que se encontram, e as condições de temperatura e pressão a
Polimero/não-polímero Compósito SI /Acido silícico que estão submetidos, ao longo de determinados tempos. O ter-
Polímero /polímero Mistura poli- BR/NBR mo compatibilidade se refere à natureza química; o termo misci-
mérica incom-
Inexistente Polímero/ não-polímero
patível
SBR/CaCOj bilidade, à dispersão estável. A dispersão em seu grau máximo, a
Ver Quadros 40, 41, 42, 43 c 44. nível molecular, acarreta a miscibilidade dos polímeros. A mistura
de dois homopolímeros miscíveis é monofásica e muito semelhan-
te em propriedades e processamento ao copolímero aleatório cor-
respondente.
Quando dois polímeros são compatíveis, podem tornar-se inter-
cuias dispersas do outro componente; o sistema se apresenta como dispersos, formando uma fase homogénea. Não há indícios gros-
uma mistura polimérica. Exemplos de sistemas em que há incom- seiros de segregação de fase. Sua compatibilidade pode ser obser-
patibilidade são as misturas com carga inerte. vada pelo índice de refração, e, portanto, pela transparência ou
Os sistemas poliméricos mistos têm permitido aos plásticos apli- translucidez da mistura, tal como ocorre com líquidos miscíveis,
cações que antes decorriam exclusivamente de homopolímeros e ou ainda pela ocorrência de uma temperatura de transição vítrea
de copolímeros, além de empregos completamente novos, em de- única, intermediária entre as dos componentes poliméricos isola-
corrência da capacitação técnica e criatividade dos especialistas. O dos. Se forem modificadas as condições de temperatura e pressão,
objetivo da mistura de polímeros é melhorar propriedades como a .essa miscibilidade pode desaparecer. As propriedades da mistura
rigidez, resistência ao impacto a baixas temperaturas, estabilidade versus composição podem ser representadas em gráficos (Figura
dimensional a altas temperaturas, resistência às intempéries, resis- 31), para os polímeros A ç. B.
tência a rachaduras provocadas por tensão, resistência à chama, O equilíbrio de fases do sistema é traduzido pela energia livre
processabilidade e resistência ao envelhecimento. Dessas proprie- de mistura, AG m , que é determinada pela bem conhecida Equa-
dades, as mais comumente requeridas para materiais de engenha- ção de Gibbs:
ria são: resistência ao impacto, resistência mecânica e resistência à
chama. AGm = AHm - TASm
Muitas vezes, é possível combinar algumas dessas qualidades,
inclusive aquelas que são aparentemente conflitantes, como, por onde AHm e ASm são, respectivamente, a entalpia e a entropia de
exemplo, aumento da resistência ao impacto ou da resistência me- mistura, eYa temperatura em que ocorre o processo. A energia li-
cânica, mantendo a maleabilidade e a estabilidade dimensional. vre de mistura é afetada pela composição dessa mistura e pela tem-
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2.2.2. Sistemas poliméricosi imiscíi

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116 ELOISA HIASOTO MANO POLÍMEROS COMO M A T E R I A I S DE ENGENHARIA 117

vel molecular, poderão ocorrer interações em grau muito mais in-


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"111 de um material no outro, e resulta em uma única fase, conforme
- 1 K & lllílíl li 111 já anteriormente discutido. Quando isso não ocorre, há separação
-a de fases, e a interface entre o componente em menor quantidade e
1J |
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i
li
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II 1 U)
O 05
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a matriz é de fundamental importância para o desempenho do
produto final.
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•1
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l | .g l
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Z f£ z lhida em função das propriedades visadas no produto. Se for o au-
Z 8 ^
mento da resistência à tração, a forma de fibra, que permite orien-
x » x x
tação macromolecular em uma direção, pode ser mais vantajosa.
iJ
Se for a melhoria
• Placas trar sparentes
da resistência ao impacto, a forma de partículas
globulares
para uso exte poderá atender melhor aos objetivos, pela dispersão de
no.

J •! 1
IfH s -I .s
x x i domínios
• Indústria au
tica cm painé
que.iriaSeeletro-e
mais macios na massa, que absorvem a energia do cho-
o produto for uma lâmina, a forma de plaqueta poderá ser
a3
maiscarcaças
conveniente,
de bt
de acordo com o processo de fabricação do arte-
ns
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i, •|
- Revestimento
8 s1 x w C4
fato.gueiras,
Emfiosqualquer dos casos, a interação entre a fase dispersa e a
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§ fase solados.
matricial depende da grandeza da área de contato e da afini-
.M (t •o
J
g dade entre os componentes.
•s i 1 1 1 i x
Assim, em uma mistura polimérica, os constituintes podem in-
1| s I & Í J teragir entre si, a nível molecular — resultando uma única fase
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ii-s
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(sistema miscível), ou interagir somente na interface — ocorrendo
mais de uma fase (sistema imiscível), com compatibilidade par-
c u
s cial, ou ainda apenas coexistir, havendo incompatibilide. Quando
8 S S 1 g
L. ff C « S
„ x * x
a afinidade química é muito pequena, a adição de um terceiro
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componente de ação compatibilizante é fundamental.
S 'i -S >A o. 1 -§ A compatibilidade entre os componentes das misturas poliméri-
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cas imiscíveis é de grande importância para o desempenho da mis-
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tura. Quando há incompatibilidade, a interface é a região mais
1 i. . fraca; é o local onde ocorre a falha do material. Isto é, bem obser-
" T •g . 1
2 "5 '3 'fl,
lls I u o 2 6á vado em sistemas elastômero-carga inerte, como SBR-CaCO3, em
"ã -n % 2
g o.
O-, 1 Z que a resistência à tração cai pronunciadamente na mistura vulca-
nizada. Já se o segundo componente for compatível, como no caso
do sistema SBR-negro de fumo, as propriedades tênseis da mistura
vulcanizada tornam-se muito melhoradas, e a carga é dita reforça-
dora. Nos sistemas imiscíveis polímero-polímero, efeito semelhan-
te é observado.
IIH
KI.OISA HIASOTTOMANO 1'OI.IMI KC 'S ( ( >M' i M A U K l A i s Dl- I - N < U N H A R I A 119

No entanto, mesmo com a compatibilidade em seu grau máxi- dades da mistura são melhoradas, ao mesmo tempo que outras são
mo, encontrada em sistemas unitários, quando o polímero é alta- pioradas, porém não linearmente, ao contrário do que se observa
mente cristalino pode ocorrer a imiscibilidade da fase cristalina na nas misturas miscíveis já discutidas (Figura 31). O diagrama de
fase amorfa. Isto pode ser resumido na afirmativa de que a compa- propriedade versus composição pode apresentar forma sigmóide,
tibilidade é condição necessária, mas não suficiente para que ocor- totalmente diferente conforme a propriedade considerada. Por
ra a miscibilidade. exemplo, uma mistura de A com B pode apresentar o máximo de
Em misturas amorfas binárias imiscíveis, a rigidez, a resistência resistência ao impacto, e o mínimo de rigidez, a x% de A. Nas
mecânica e a temperatura de distorção ao calor do componente misturas de importância industrial, os componentes escolhidos ge-
principal determinam em alto grau as propriedades da mistura. ralmente possuem características bem diferentes, e a variação das
Em contraste com a dependência linear mostrada por composições propriedades pode ser marcante.
amorfas binárias miscíveis, há algumas vantagens em obter mistu- Nas misturas imiscíveis, as dimensões das partículas e o grau de
ras imiscíveis. Baixo alongamento e propriedades insatisfatórias de dispersão de uma fase na outra são de grande importância para o
resistência ao impacto estão relacionadas à má transferência das desempenho tecnológico. É frequente tentar-se melhorar a resis-
forças entre as fases da mistura imiscível. Como a imiscibilidade tência ao impacto de polímeros rígidos que já têm uma série de ca-
está relacionada a fracas interações a nível molecular, é de se espe- racterísticas convenientes, exceto a fragilidade. Para isso, dispersa-
rar que as forças de adesão entre as fases sejam muito precárias nes- se no polímero rígido um componente macio, borrachoso, cujas
sas misturas, e causem falha prematura, sob tensão. partículas atuam como regiões de distribuição de tensões, por sub-
O processamento tem grande papel na distribuição das fases e divisão da força aplicada em forças menores, evitando que as fra-
nas propriedades das misturas polimeriças imiscíveis. Baixa difusão turas maiores se propaguem, aumentando, assim, a resistência ao
segmentai é consequência de imiscibilidade; daí resultam interfa- impacto. Outro fator a ser considerado é a ancoragem de cada fa-
ces definidas e pouca resistência na junção entre a matriz e as par- se, uma na outra, causada pela adesão interfacial. Este efeito pode
tículas dispersas. A estabilização da morfologia das fases nas mis- ser conseguido de diversas maneiras. Uma delas é a adição de urna
turas imiscíveis é conseguida pela adição de um compatibilizante. substância que tenha afinidade química por ambas as fases da mis-
Do ponto de vista de aplicação prática, as misturas poliméricas tura polimérica. Este compatibilizante pode ser ou não de nature-
imiscíveis são as mais importantes. za macromolecular. Quando polimérico, pode resultar da copoli-
Nas misturas miscíveis de dois polímeros predominantemente merização aleatória dos monômeros correspondentes aos políme-
amorfos, as propriedades variam progressivamente com a compo- ros que irão compor a liga polimérica, com as considerações de ca-
sição da mistura. Essa variação corresponde ao esperado de uma ráter económico daí decorrentes. A adesão interfacial de dois polí-
solução de um componente em outro. Se pelo menos um dos polí- meros também pode resultar de incorporação à massa de políme-
meros é predominantemente cristalino, as regiões ordenadas se ros que tenham em sua estrutura segmentos em bloco de cada um
comportam como componentes imiscíveis, e se revelam a partir de dos tipos de mero, tanto na cadeia principal quanto sob a forma
certos limites, que dependem da história térmica decorrente do de ramificações pendentes ("grafts"). A Figura $2 permite visua-
processamento da mistura. Mesmo quando se trata de apenas um lizar as diversas maneiras de melhorar a adesão interfacial. Exem-
polímero, porém de alta cristalinidade, as regiões cristalinas na plos de compatibilizantes não-poliméricos são os emulsificantes.
massa criam heterogeneidade, fazendo com que esse material se As principais misturas poliméricas imiscíveis industriais são
comporte como se as duas fases, amorfa e cristalina, fossem dois apresentadas no Quadro 41, no qual não estão incluídas as mistu-
componentes diferentes, resultando mistura imiscível. ras elastoméricas (como borrachas termoplásticas). Nota-se que os
Quando os componentes da mistura polimérica são imiscíveis, polímeros dominantes mais comuns são PVC, PC e PA, e os polí-
uma situação totalmente diferente é criada. Algumas das proprie- meros modificadores, em menor proporção na mistura, são os ma-
120 ELOISAB1ASOTTOMANO I>(>I.|MEROS(:OMOMATI;KIAISI)I;I;NGENHARIA 121

Componentes
poliméricos Mistura polimérica compatibilizada .3 .f
incompatíveis

a
i "i
s < -2 r-
Compatibilizante Ní Í"
não-polimérico MM"**
2 o
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Compatibilizante
polimérico
«TN e á * .S
lllll
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(b)

g â li
(c) 3
4—"

.a
E
(a) Copolímero aleatório
(b) Copolímero em bloco
(c) Copolímero enxertado ou graftizado
_
j
Cu

i
Figura 32. Representação gráfica da compatibilização interfacial a nível
molecular
Quadro 41. Principais misturas poliméricas imiscíveis industriais (continuação)
Característica visada para modificação, comparada a do polímero principal
Polímero Pofímero Maior rc- Melhor Melhor Menor Melhor Melhor
principal modifica- wtenda processj- rewtên- custo resistên- resistên- Melhor Maior Nome Fabricante Aplicações especiais Obcervaçôes
cm maior dor (em ao im- bilidade da a rea- cia às in- cia à estabili- tempera- comercial
proporção menor pacto a gentes c tempérie* abrasão dade di- tura de
propo- baixai solventes menrio- distorção
í*>) tempcra- nal ao calor
turai

ABS x x x I fiayblend Mobay Indústria automobilística, em anéis pa- _


Cycoloy Borg-Warner ra farol, caiçacas para equipamento de
Polyman Schulman escritório.
ABS-PC 950 Coplen *
PBT + x Xenoy GE Indústria automobilística, cm paracho- Propriedades in-
elastó- Makioblend Bayer quês e partes externas de cano; carcaças termediárias en-
mero VaJox GE de máquina pesada, tubulações. tre PC e ABS
PC PSMAn x x Arloy Arco Indústria automobilística, em utensí- PSMAn - Co-
lios para aquecimento e processamento poli(cstireno-
de alimentos; componentes para câme- anidrido malei-
ra, carcaças de equipamento domés- co)
tico.
_
PBT x Makioblend Mobay Indústria automobilística, em paracho-
Xenoy GE ques, painéis, lanternas; carcaças de
Xenoy Coplen * máquina de escritório.
PET x x Makroblcnd Mobay Indústria automobilística cm que se Pode ser trans-
Merlon Mobay exija contato com fluidos, paracho- parente
Xenoy GE ques, carcaças de máquina pesada. Fil-
Melitex ICI mes transparentes ou translúcidos para
artes gráficas c isolamento elctrico de
motores, componentes e fios. Filmes
para radiografia, aplicações médicas
cm catétcrcs intravenosos e filtros para
sangue.
_
ASA x x x Terblend BASF Indústria automobilística; carcaças de
ejetrodomésticos.
Elastô- x x Rynite DuPont Indústria automobilística cm panes de —
PET mcro carroceria, volantes, componentes in-
cemos de veículos.
PMMA x x Ropet Rohm Sc Haas Indústria eletro-eletrònica.

Quadro 41. P»"" •}«*•« i

Característica visada para modificação, comparada à do polímero principal

Polímero Polímero Maior re- Melhor Melhor Menor Melhor Melhor


principal modi&ca- sistência processa-
cm maior dor lem ao im- bilidade cia a rea- cia às in- ciai estabili- tempera- comercial
proporção menor pacto a gentes e tempéries abrasão dade di- tura de
propo- bailas solventes mcnsi"- distorção
tempera- oal ao calor
S*>)
turas

x , Valox GE Indústria eletro-eletrônica, carcaças pa- Comumcmc


PET
Celanex Celanesc ra aparelhos domésticos que sofrem usado com carga
PBT aquecimento. de vidro

PC x X Xenoy GE ~ -
Elasrô- x Gaftuf GAF - -
Pocan Mobay

x x Selai DuPont Tanques de gasolina. P(E-g-MA) :


PE
Kapron Allied 0,4% MA
MA -= acrilato
de metila

PU X x Dutethan Bayei - PU termoplásti-


PA co
EPDM X x Zytel DuPont Indústria automobilística, contentoies, MAn -= anidri-
material esportivo. do maleico

ABS x Elemid Boig-Warncr Indústria automobilística em painéis e ABS tipo G


componentes.

PA x x Noryl GTX GE Indústria automobilística em calotas, —


Noryl GTX Coplen paialamas, suporte de retrovisores e
componentes externos, aplicações me-
dicas, material esportivo
_
PPO HIPS X K x Noryl Coplen Indústria automobilística , indústria
Noryl GE eletro-eletrônica, componentes de apa-
Prcvex GE relhos domésticos e de escritório.
Kyron Asahi
Upiace Mitsubishi

PPS PTFE x x BR Philips Selos, válvulas e mancais.

ABS „ x Mindel Amoco Indústria automobilística em paracho- —


Arylon DuPont qucs, painéis, componentes para cir-
PSF cuitos integrados c motores, peças me-
talizadas por eletrodeposição, bandejas
para restaurantes populares, [orneiras,
encanamentos.
PET x Mindel Amoco Indústria de alimentos em equipamen- -
tos para processamento a quente.
124 ELOISAItlASOTTOMANO POLÍMEROS COMO MATERIAIS DE ENGENHARIA 125

teriais elastoméricos EPDM e BR, e ABS. Na maioria dos casos, o se descaracterizam completamente; apesar disso, atuam concerta-
objetivo é elevar a resistência ao impacto, especialmente a baixas damente, e as propriedades do conjunto são superiores às de cada
temperaturas. Outras qualidades também visadas para valorização componente individual. A interface entre eles tem influência do-
são: melhoria da processabilidade, aumento da resistência a in- minante sobre as suas características. São em geral empregados co-
tempéries e menor custo. mo materiais de engenharia, formados por elementos de reforço
Quando os componentes da mistura imiscível apresentam gru- em grau variável de ordenação, que se distribuem em uma matriz
pamentos éster ou amida, durante o processamento podem ocor- flexível.
rer reações de transesterifícação, transamidação ou transamido-es- Os principais componentes dos compósitos empregados como
terifícação, resultando produtos mais firmemente interligados, materiais de engenharia são apresentados no Quadro 42.
pela formação de ligações químicas covalentes entre os diversos
componentes da mistura. Essas reações favorecem a miscibilidade,
e a mistura pode passar a monofásica. Também pela exposição ao
calor durante o processamento, pode resultar a formação de liga- Quadro 42. Principais componentes dos compósitos empregados como
ções cruzadas, tornando-se a massa insolúvel e infusível, antes de materiais de engenharia
assumir a forma final da peça — assim, inadequada à moldagem e
insersível. Componente Natureza Exemplos
As misturas poliméricas têm vantagens significativas, tanto para Fibra de poliamida aromática
materiais de uso geral quanto para a valorização técnica dos polí- Fibra de carbono
meros, singularizando o seu perfil de propriedades, de modo a Fibra de boro
Contínua Fibra de vidro
permitir o atendimento de conjuntos muito especiais de qualifica- Fibra de carboneto de silício
ções. Fibrosa Fibras metálicas (alumínio,
A tentativa de substituir materiais de engenharia tradicionais, Estrutural tungsténio, aço)
encontrados na natureza, por produtos sintéticos de propriedades Fibra de cerâmica
engenhosamente projetadas, visando benefícios de custo e man- Fibra de grafite
Descontínua
tendo a confiabilidade, motivou o desenvolvimento dos compósi- Fibras metálicas (ferro, cobre)
tos poliméricos. Fibras monocristalinas ("whiskers")
Negro de fumo
Pulverulenta
Sílica
2.2.1. Compósitos Poliamidas alifáticas
Policarbonato
Poli(sulfeto de fenileno)
Os compósitos representam um caso de particular importância Termoplástica Poli(óxido de metileno)
dentro do grupo das misturas poliméricas imiscíveis. De uma for- Poli-sulfonas
ma bastante abrangente, pode-se dizer que os compósitos consti- Matricial Policetonas
tuem uma classe de materiais heterogéneos, multifásicos, poden- Poli(tereftalato de butileno)
do ser ou não poliméricos, em que um dos componentes, descon- Resina epoxídica
tínuo, dá a principal resistência ao esforço (componente estrutu- Termorrígida
Resina fenólica
ral), e o outro, contínuo, é o meio de transferência desse esforço Poliéstc.r insaturado
(componente matricial). Esses componentes não se dissolvem ou Poli-imidas
126 ELOISA BIASOTTOMANO POLlMHROS COMO MATERIAIS DE ENGENHARIA 127

O componente estrutural pode ser um material orgânico ou Quadro 43. Características das principais fibras empregadas em compósitos
inorgânico (metálico ou cerâmico), de forma regular ou irregular,
fibroso (tecido ou não-tecido) ou pulverulento (esférico ou cristali- Densidade
Resistência Módulo de Temperatura
no), com os fragmentos achatados (como flocos) ou como fibras Fibra à tração elasticidade de fusão
(g/cm 3 )
(GPa) (GPa) (°Q
muito curtas, de dimensões quase moleculares, de material mono-
cristalino ("whisker"). Quando combinados com polímeros de al- Vidro 2,5-2,6 3,5-4,5 73-87 > 700
ta resistência ao calor, as temperaturas de aplicação desses compó- Cerâmica 2,5-4,0 2,4-20,0 430-450 Infusível
sitos podem chegar a 900°C, enquanto que, com os materiais ter- Carbono 1,7-1,9 2,1-2,8 230-400 Infusível
moplásticos comuns, essas temperaturas não ultrapassam 100°C, e' Poliamida
com os termorrígidos, 300°C. 1,4-1,5 2,7-3,5 60-130 Infusível
aromática
Os materiais estruturais devem ter resistência, rigidez e malea- Aço 7,7 4,4 2.000 1.400-1.500
bilidade, que geralmente se encontram nas fibras. O seu papel é Boro 2,6 3,9 410 2.300
suportar as cargas máximas e impedir que as deformações ultrapas-
sem limites aceitáveis. Quando associados a componentes resino-
sos, resultam materiais que apresentam resistência mecânica mui-
to elevada. Em relação ao peso, os compósitos revelam proprieda-
des mecânicas que podem exceder consideravelmente às dos me-
tais. As características das fibras de maior importância industrial
em compósitos especiais estão relacionadas no Quadro 43.
O componente matricial é quase sempre um polímero orgânico
macio ou duro, termoplástico ou termorrígido. O papel da matriz
é manter a orientação das fibras e seu espaçamento, transmitir as
forças de cisalhamento entre as camadas de fibras (para que o com-
pósito resista a dobras e a torções) e proteger a fibra de danos su-
perficiais.
Quanto à interface, de importância fundamental nos compósi-
tos, devem ser lembradas as considerações já anteriormente feitas.
E comum melhorar a interface através do tratamento do compo-
nente estrutural com um agente compatiblizante. Por exemplo,
fibras de vidro são tratadas usualmente com silanos, para melhor
compatibilização às matrizes de poliéster ou de resina epoxídica.
Dentro desse contexto, o corpo humano pode ser considerado
um compósito de extrema complexidade, constituído de múltiplos
componentes estruturais — ossos, dentes, músculos — e diversos
componentes matriciais — gorduras, proteínas. Da mesma forma,
os demais seres vivos, animais e vegetais, também podem ser vistos
como materiais compósitos. Afigura 33 mostra uma parte do cau-
le de uma palmeira, em que se destaca a estrutura de resistência, Figura 33. Compósito natural — Parte do caule de uma palmeira
POLÍMEROS COMO MATERIAIS DE ENGENHARIA 129
128 ELOISA BIASOTTOMANO

já seca, em cujos interstícios havia o componente matricial, forma- engenharia. Um exemplo típico desse sistema é o poliéster reforça-
do por material polissacarídio geleificado, em meio aquoso. do com fibra de vidro, que é o compósito mais comum, denomi-
Também sistemas totalmente inorgânicos podem ser incluídos nado abreviadamente GRP ("glass reinforced polyéster"). O
entre os compósitos: por exemplo, um poste de concreto, cujo Quadro 44 apresenta os principais reforços e matrizes empregados
componente estrutural é representado pela armação metálica, e o nos compósitos.
componente matricial, pela massa de cimento. Destaque especial deve ser dado às fibras de carbono e de polia-
Para as propriedades mecânicas dos compósitos contribuem as midas aromáticas (Aramid, Kevlar). Essas fibras trazem aos com-
duas fases: a fase estrutural, geralmente com módulo alto e eleva- pósitos uma série de qualidades: maior rigidez, maior resistência
da resistência mecânica, representada por um material fibroso, e a mecânica, menor peso, maior resistência à fadiga, menor expansão
fase matricial, com módulo baixo e grande alongamento, tipica- térmica, maior condutividade térmica e elétrica, melhor blinda-
mente constituída de um material plástico, não quebradiço. A gem eletromagnética; como inconvenientes, apresentam alto cus-
combinação de excelentes propriedades mecânicas e leveza estru- to e limitação de cor.
tural torna os compósitos interessantes materiais de aplicação em Resinas epoxídicas são compatíveis com todas as fibras e são as
mais comumente empregadas em compósitos dos quais é exigido
Quadro 44. Principais compósitos poliméricos de aplicação em engenharia alto desempenho.
Os compósitos são principalmente usados nas seguintes indús-
Componente trias: mecânica de precisão (relógios, máquinas de costura), auto-
Aplicações típicas mobilística (peças que se movem com alta velocidade e têm conta-
Estrutural Matricial
(fibra) (resina) to com metais, para evitar aglomeração de poeira resultante do
Vidro Poliéster insaturado Telhas corrugadas, carcaças de desgaste dos metais), aeronáutica, aeroespacial, ótica, médica e de
carro, cascos de barco, piscinas, material esportivo (equipamentos de pesca, peças para esqui, ra-
tanques, silos, reatores de pres- quetes de ténis).
são
Vidro Resina epoxídica Circuitos impressos, componen-
tes para a indústria eletrônica Bibliografia recomendada
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Capítulo 4
PERFIS DE PROPRIEDADES DOS POLÍMEROS

A avaliação dos materiais poliméricos sintéticos co-


mo materiais de engenharia é feita de acordo com o conjunto de
suas propriedades, em comparação aos materiais clássicos: madei-
ras, cerâmicas, vidros e metais. Essa visão abrangente do uso po-
tencial de cada polímeros pode ser obtida através da representação
gráfica das propriedades.
Neste livro, foram preparados os Perfis de Propriedades dos
principais polímeros, com base em uma sequência arbitrária, re-
gular, dos valores numéricos correspondentes às características
mais significativas. As propriedades foram numeradas em sequên-
cia, conforme mostrado no Quadro 45. Esses Perfis são apresenta-
dos para polietileno de baixa densidade (Figura 34), polietileno
de alta densidade (Figura 35), polipropileno (Figura 36), polies-
tireno (Figura 37), poli(cloreto de vinila) (Figura 38), poli(tetra-
flúor-etileno) (Figura 39), poli(acetato de vinila) (Figura 40),
poli(metacrilato de metila) (Figura 41), poliacrilonitrila (Figura
42), resina epoxídica (Figura 43), poli(tereftalato de etileno) (Fi-
gura 44), policarbonato (Figura 45), poli(ftalato-maleato de pro-
pileno) estirenizado reforçado com fibra de vidro (Figura 46), po-
liamida-6 (Figura 47), poliamida-11 (Figura 48), poliamida-6,6
(Figura 49), poliamida-6,10 (Figura 50), resina de fenol-formal-
deido(Figura51), resina de uréia-formaldeído (Figura52), resina
de melamina-formaldeído (Figura53), poliuretanos (Figura54) e
borracha natural (Figura 55). Para fins de comparação, também
foram elaborados os Perfis de Propriedades de materiais de enge-
nharia tradicionais, como cerâmicas (Figura 56), vidros (Figura
57), alumínio (Figura 58), cobre (Figura 59) e aço (Figura 60).
133
134 ELO1SA BIASOTTO MANO

Quadro 45. Código numérico representativo das principais propriedades dos


polímeros

Figura
Código Propriedades Unidade
(Ni)
1 Resistência à tração kgf/mm 2
2 Alongamento na ruptura % 3
3 Módulo de elasticidade kgf/mm 2 4
4 Resistência à compressão kgf/mm 5
5 Resistência à flexão kgf/mm 2 6
6 Resistência ao impacto kgf-mm/mm 7
7 Calor específico cal/(g-°C) 7
8 Condutividade térmica 10" 4 cal/(cnvs-°C) 9
9 Coeficiente de expansão térmica linear 10~ 4 /°C 10
10 Temperatura de fusão cristalina (Tm) "C 11
11 Temperatura de transição vítrea (TR) "C 12
12 Temperatura de distorção ao calor (HDT) °C 13
13 Rigidez dielétrica kV/mm 14
14 Elétricas Resistívidade volumétrica Ohm-cm 15
15 Constante dielétrica — 16
16 Õticas índice de refração — 17
17 Densidade — 18
18 Permeabilidade ao nitrogénio (10~ 10 cm 2 )/s-cmHg) 19
Outras
19 Permeabilidade ao dióxido de carbono (1(T 10 cm 2 )/s-cmHg) 20
20 Permeabilidade a vapor dágua (10~ 1 0 g)/(cnrs-cmHg) 21

7 8 9 1O 11 12 13 14 15 16 17 18 19 2O

* Não aplicável

Figura 34. Polietileno de baixa densidade


136 ELOISA BIASOTTO MANO POLÍMEROS COMO MATERIAIS DE ENGENHARIA 137

HDPE PP

1 2 3 4 5 6 7 8 9 MO 11 12 13 14 15 16 17 18 19 2O 5 l 6 10 12 13 14 15 16 17 18 19 2O

Figura 35. Polietileno de alta densidade Figura 36. Polipropileno


138 ELOISA BIASOTTOMANC) POLÍMEROS COMO MATERIAIS DE ENGENHARIA 139

pvc

6 7 8 9 1O 11 12 13 14 15 16 17 18 19 2O

Figura 37. Poliestireno Figura 38. Poli(cloreto de vinila)


140 HI.OISA HIASOTTO MANO POLÍMEROS COMO MATERIAIS DE ENGENHARIA 141

1 2 3 4 5 6 7 8 9 1O 11 12 13 14 15 16 17 18 19 2O 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1O 11 12 13 14 15 16 17 18 19 2O

* Não aplicável

Figura 39. Poli(tetraflúor-etileno) Figura 40. Poli( acetato de vinila)


142 ELOISA BIASOTO M A N O POLÍMEROS COMO MATERIAIS DE ENGENHARIA 143

PAN

1 2 3 4 5 6 7 8 9 1O 11 12 13 14 15 16 17 18 19 2O
1 2 3 4 5 6 7 8 9 1O 11 12 13 14 15 16 17 18 19 2O

Figura 41. Poli(metacrilato de metila) Figura 42. Poliacrilonitrila


144 ELOISA BIASOTTO M A N O
POI.IMEROS COMO MATERIAIS DE ENGENHARIA 145

PET
ER

* * * 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1O 11 12 13 14 15 16 17 18 19 2O
1 2 3 4 5 6 7 8 9 1O 11 12 13 14 15 16 17 18 19 2O

Não aplicável

Figura 43. Resina epoxídica Figura 44. Poli(tereftalato de etileno)


Ill, ELOISA HIASOTTO MANO POLÍMEROS COMO MATERIAIS DE ENGENHARIA 147

PC CRP

* * * * * *
1O 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 2O
* Não aplicável

Figura 46. Poli(ftalato-maleato de propileno) estirenizado reforçado com fibra


Figura 45. Policarbonato de vidro
148 POLÍMEROS COMO MATERIAIS DE ENGENHARIA 149

PA-11

2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 l 1O | 11 l 12 l 13 l 14 l 15 l 16 l 17 l 18 l 19 l 2O 1 l 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 l 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 | 17 | 18 | 19 | 20

Figura 47. Poliamida-6 Figura 48. Poliamida-11


ELOISA BIASOTTO MANO POLÍMEROS COMO MATERIAIS DE ENGENHARIA 151

PA-6,6 PA-6,10

1 2 3 4 5 6 7 8 9 1O 11 12 13 14 15 16 17 18 19 2O 2 3 4 5 6 7 8 9 1O 11 12 13 14 15 16 17 18 19 2O

Figura 49. Poliamida-6,6 Figura 50. Poliamida-6,10


152 EI.OISA BIASOTO MANO POLÍMEROS COMO MATERIAIS DE ENGENHARIA 153

PR

* * * * * *
1 2 3 5 6 7 8 9 1O 11 12 18 19 2O

* Não aplicável * Não aplicável

Figura 51. Resina de fenol-formaldeído Figura 52. Resina de ureia-formaldeído


154 ELOISA BIASOTTO MANO POLÍMEROS COMO MATERIAIS DE ENGENHARIA 155

MR PU

* * * *
18
*
19
*
20
* * *
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1O 11 12 13 14 15 16 17 18 19 2O

* Não aplicável * Não aplicável

Figura 53- Resina de melamina-formaldeído Figura 54. Poliuretanos


156 ELOISA BIASOTTO MANO POLÍMEROS COMO MATERIAIS DE ENGENHARIA 157

13 14 15 16 17 18 19 2O

* Não aplicável * Não aplicável

Figura 55. Borracha natural Figura 56. Cerâmicas


158 ELOISABIASOTTOMANO POLÍMEROS COMO MATERIAIS DE ENGENHARIA 159

1 2 3 4 5 6 7 8 9 1O

* Não aplicável * Não aplicável

Figura 57. Vidros Figura 58. Alumínio


160 ELOISA BIASOTTO MANO POLÍMEROS COMO MATERIAIS DE ENGENHARIA 161

AC OS

* * *
* * * * * 17
1 2 3 4 8 9 K> 11 12 13 14 15 16 18 19 2O

* Não aplicável * Não aplicável


Figura 59. Cobre Figura 60. Aços
162 H.OISA HIASOTO M A N O POLÍMEROS COMO MATERIAIS DE ENGENHARIA 163

Iodos os valores lançados nesses gráficos foram retirados dos limi- aplicações de engenharia em substituição a metais, em casos muito
tes superiores dos dados correspondentes a cada propriedade, específicos.
apresentados anteriormente nas Figuras 2 a 21. Considerando ainda outras características, pelos Perfis de Pro-
Quanto às propriedades mecânicas consideradas (resistência à priedade, pode-se desde logo verificar que a densidade é muito
iração, alongamento na ruptura, módulo de elasticidade, resistên- menor nos polímeros do que nos materiais inorgânicos. Isto signi-
:ia à compressão, resistência à flexão e resistência ao impacto), no- fica baixar substancialmente o peso das peças tradicionais — de
ta-se a flagrante superioridade dos materiais clássicos sobre os sin- igual volume — e assim permitir-lhes usos mais diversificados. A
téticos de uso geral — porém essa restrição é bem menos significa- permeabilidade a gases e vapores, muito diferente nos diversos po-
tiva quando o polímero é orientável, como no caso de poliamidas e límeros, é inexistente nos vidros e metais; nas madeiras e nas cerâ-
poliésteres. A melhoria dessas características tem sido obtida atra- micas, a estrutura mais ou menos porosa de cada material impede
/és da síntese de novos materiais poliméricos, de estrutura quími- condições para comparação. Nota-se que, entre os gases considera-
:a especialmente escolhida para apresentação de maior organiza- dos, o dióxido de carbono é aquele de permeação mais fácil, em
ção molecular e, portanto, maior resistência mecânica. Ao lado grau muito superior ao encontrado para o nitrogénio e o vapor
desta característica, surgem outras igualmente importantes, como dágua.
i estabilidade à degradação. A observação minuciosa dos Perfis de Propriedades dos políme-
Em relação às principais propriedades térmicas (calor específico, ros permite extrair uma série de informações muito interessantes e
:ondutividade térmica, coeficiente de dilatação térmica linear, valiosas. No entanto, o estudo detalhado desses gráficos foge ao
:emperatura de fusão cristalina, temperatura de transição vítrea e caráter introdutório e geral deste livro; é sugerido àqueles que se
:emperatura de distorção ao calor), pode-se observar nos Perfis de dedicam ao desenvolvimento de novos materiais, destinados a
Propriedades que os polímeros sintéticos, como substâncias orgâ- áreas de aplicação específica e pouco comum.
licas, são todos menos resistentes ao calor do que os materiais tra-
dicionais inorgânicos, como as cerâmicas, vidros e metais. Nos po-
ímeros termorrígidos, que são infusíveis, a consequência do aque-
:imento ao ar além de certos limites é a carbonização do material,
íista limitação intrínseca dos polímeros para aplicação em enge-
lharia tem sido contornada pela procura de monômeros que tra-
gam à cadeia macromolecular a estabilidade térmica não oferecida
:>elas cadeias parafínicas encontradas nos polímeros mais comuns,
ie uso geral. A formação de dupla cadeia macromolecular, que ca-
•acteriza os polímeros escalares, e a condensação de anéis aromáti-
:os, resultando em estruturas compactadas, polinucleares, são os
•ecursos que os químicos têm utilizado em suas pesquisas, com
Dons resultados — porém os custos elevados dos monômeros e a
dificuldade de processamento dos polímeros são obstáculos a ven-
:er.
Em relação às propriedades elétricas (rigidez dielétrica, resistivi-
iade volumétrica e constante dielétrica), verifica-se que todos os
polímeros, de uso geral ou especial, são isolantes elétricos. A asso-
:iação da característica de condutor de eletricidade às qualidades
ípicas dos polímeros vem sendo buscada pelos pesquisadores para
Capítulo 5
MÉTODOS PARA A AVALIAÇÃO DAS PRINCIPAIS
CARACTERÍSTICAS DOS MATERIAIS

Os métodos ASTM usados na determinação das


principais propriedades dos materiais poliméricos estão listados a
seguir.

l. Propriedades físicas

1.1. Mecânicas

D 256 — "Impact resistance of plastics and electrical insula-


ting materiais''
D 412 — "Rubber properties in tension"
D 623 — "Rubber property — Heat generation and flexing
fatigue in compression"
D 638 — "Tensile properties of plastics"
D 671 — "Flexural fatigue of plastics by constant-amplitu-
de-of-force"
D 695 — "Compressive properties of rigid plastics"
D 746 — "Brittleness temperature of plastics and elastomers
by impact"
D 785 — ' 'Rockwell hardness of plastics and electrical insula-
ting materiais"
D 790 — ' 'Flexural properties of unreinforced and reinforced
plastics and electrical insulating materiais"
D 882 — "Tensile properties of thin plastic sheeting"
D 1242 — "Resistance of plastic materiais to abrasion"
D 1894 — "Static and kinetic coeffícient of friction of plastic
film and sheeting"

165
166 ELOISA BIASOTTO MANO POLÍMEROS COMO MATERIAIS DE ENGENM H HARII

D 2231 — "Rubber properties by forced vibration" 1.4. Óticas


D 2240 — "Rubber property — Durometer hardness"
D 2463 — "Drop impact resistance of blow-molded thermo- D 542 — "Index of refnctionof tra,
plastic containers" plastics"
D 2632 — "Rubber property — Resilience by vertical re- D 1003 — "Haze and lu^umiious tisnmiraittail
bound" plastics"
D 3028 — ' 'Kinetic coefflcient of friction of plastic film and D 1746 — "Transparenczxry of[)lasti(!heec3=«tinj|
sheeting"

1.2. Térmicas 1.5. Outras

C 177 — "Steady state heat flux measurements and thermal D 792 — "Specific grav^.vitymd èsirry çy of
transmission properties by means of the guarded- cernem"
hot-plate apparatus" D 1895 — "Apparent dJL»_ensirí, bulfaoctctor j
C 351 — "Mean specrfic heat of thermal insulation" plastic matéria ials"
D 648 — "Deflexion temperature of plastics under flexural
load"
D 696 — "Coefflcient of linear thermal expansion of plas- 2. Propriedades químicas
tics"
D 2117 — "Melting point of semicrystalline polymers by the D 581 — "Chemical resssistuce cdheiírmrmos
hot-stage microscopy method" in glass fiber reiércedstruuoxctun
D 3418 — "Transition temperatures of polymers by thermal quid service'n "
analysis" D 543 "Resistance cix>f plistics iich-teoemic
D 4351 — "Measuring the thermal conductivity of plastics by D 568 "Rate of burri-nin|ind/«exi»{t»Gtent
the evaporation calorimetric method" ning to flexihoole plistics"
D 570 '' Water absotrrptk of plttio esc: s"
D 756 "Determinat-iiionif weijlt : aicand
1.3.- Elétricas plastics undei r» aderatdserrvdrvice;
D 794 '' Determinig 7 pemnerfebos et oJ|
D 149 — "Dielectric breakdwon voltage and dielectric D 1148 "Rubber dettiterkioii- H Heal
strength of solid electrical insulating materiais at light discolor-ssatioiof lijk-ccoloolorèj
commercial power frequencies" D 1435 "Outdoor weE^atttiing «Iplaas-ustics
D 150 — "A-C Loss characteristics and permittivity (dielec- D 1499 Operating ligtand nteer-i:r- ex| l
tric constant) of solid electrical insulating (carbon-arc tvjs^pcjbr ej|»suiireire of '
materiais" D 1870 "Elevated terTraípcnure afing: u xisiq
D 257 — "D-C Resistance or conductance of insulating ma- D 1920 "DeterminiriA^g lijht dagee s in!
teriais" aging appara-.otus'
D 495 — "High-voltage, low current, dry are resistance of D 2843 — "Density of ss^mokfronks H • buri
solid electrical insulation" sition of plas-.tatics'
166
ELOISA BIASOTTO MANO POLÍMEROS COMO MATERIAIS DE ENGENHARIA 167

D 2231 "Rubber properties by forced vibration"


D 2240
1.4. Óticas
"Rubber property — Durometer hardness"
D 2463 "Drop impact resistance of blow-molded thermo- D 542 — "índex of refraction of transpa^nt organic
plastic containers" plastics" ,
D 2632 "Rubber property — Resilience by vertical re- D 1003 — "Haze and luminous transmittance o> ltansparent
bound" plastics"
D 3028 "Kinetic coefficient of friction of plastic film and D 1746 — "Transparency of plastic sheeting"
sheeting"

1.2. Térmicas 1.5. Outras

C 177 — "Steady state heat flux measurements and thermal D 792 — "Specific gravity and density of plastP by displa-
transmission properties by means of the guarded- cement"
hot-plate apparatus" D 1895 — "Apparent density, bulk factor and p-°%ability of
C 351 — "Mean specific heat of thermal insulation" plastic materiais"
D 648 — "Deflexion temperature of plastics under flexural
load"
D 696 — "Coefficient of linear thermal expansion of plas- 2. Propriedades químicas
tics"
D 2117 — "Melting point of semicrystalline polymers by the D 581 — "Chemical resistance of thermosettin^ *esins used
hot-stage microscopy method" in glass fiber reinforced structures ii for li-
D 3418 — "Transition temperatures of polymers by thermal quid service"
analysis" D 543 ' 'Resistance of plastics to chemical r
D 4351 — "Measuring the thermal conductivity of plastics by D 568 "Rate of burning and/or extent and of bur-
the evaporation calorimetric method" ning to flexible plastics"
D 570 "Water absorption of plastics"
D 756 "Determination of weight and shap£ ^hanges of
1.3-- Elétricas plastics under accelerated service concr ons
D 794 ''Determinig permanent effect of heat.0*1 plastics''
D 149 — "Dielectric breakdwon voltage and dielectric D 1148 "Rubber deterioration — Heat anA Ultraviolet
strength of solid electrical insulating materiais at light discoloration of light-colored sur^ ^es
commercial power frequencies" D 1435 "Outdoor weathering of plastics"
D 150 — "A-C Loss characteristics and permittivity (dielec- D 1499 "Operating light-and-water-exposur^. apparatus
tric constant) of solid electrical insulating (carbon-arc type) for exposure of plasi^ J
materiais" D 1870 "Elevated temperature aging using a ti/1 blar oyen"
D 257 — "D-C Resistance or conductance of insulating ma- D 1920 "Determining light dosage in carboluarc light
teriais" aging apparatus"
D 495 — "High-voltage, low current, dry are resistance of D 2843 — "Density of smoke from the burning ^rdecompo-
solid electrical insulation" sition of plastics"
168 ELOISA BIASOTTO MANO

E 96 — "Water vapor transmission of materiais"


G 23 — "Operating light- and water-exposure apparatus
(carbon-arc type) for exposure of nonmetallic mate-
riais"

3. Propriedades físico-químicas

D 1434 — "Determining gás permeability characteristics of Capítulo 6


plastic film and sheeting"
INTERCONVERSÃO DE UNIDADES DE MEDIDA

As unidades de medida legais no Brasil são aquelas


do Sistema Internacional de Unidades (SI), desde 1953. Pela Reso-
lução n? 12/1988 do CONMETRO (Conselho Nacional de Metro-
logia, Normalização e Qualidade Industrial), aprovada em 12.
10.88, foi adotado um Quadro Geral de Unidades de Medida, en-
contrado em folheto disponível no INMETRO, para aquisição pe-
los interessados. Apesar de todos os esforços dedicados, a nível in-
ternacional, à uniformização dessas unidades, é ainda muito vasta
a heterogeneidade dos dados técnicos encontrados na literatura.
Assim, torna-se essencial conhecer os fatores de interconversão
dessas unidades, para que se possa entender o significado dos valo-
res numéricos disponíveis e utilizá-los adequadamente. Com o ob-
jetivo de colocar à disposição dos técnicos e pesquisadores uma sé-
rie compacta de fatores de interconversão, foram preparadas tabe-
las. Contêm as diferentes unidades mais encontradas nos textos re-
lacionados a materiais de engenharia, com as fontes de coleta de
dados devidamente referidas.

169
170
171
ELOISA BIASOTTO MANO POLÍMEROS COMO MATERIAIS DE ENGENHARIA

l. Comprimento — unidade SI: m (metro)


3. Volume — unidade SI: m3 (metro cúbico)
l gm (picometro) = 10"9 mm
l m3 (metro cúbico) = 6,103 x IO4 in3 = 35,31ft 3 = 1,308
I A (Angstrom) = 10" ' nm = l O" 4 /«n
l nm (nonametro) = 10"3 jum IO" 7 mm yd3 r r 5 m3
l l^m (micrometro) = IO" 3 mm l in3 (polegada cúbica) = 1,639 X 10
l mm (milímetro) = 10"3 m l ft3 (pé cúbico) = 2,832 x 10"2 m3
l cm (centímetro) = l O" 2 m l yd3 (jarda cúbica) = 0,7646 m3
l dm (decímetro) = 10" ' m l \*l(microlitro) = 10 3 mi = IO" 6 í
l m (metro) = 39,37 in = 3,281 ft l mi (mililitro) = l cm3
l hm (hectometro) = IO2 m 1,094 yd l í (litro) = IO" 3 m3 = 61,02 in3 = 0,03532 ft3
l km (quilómetro) = IO3 m l m3 (metro cúbico) = IO3 t = 35,32 ft3
IO" 55 m
l in3 (polegada cúbica) = l ,639 x 10" : 3 = 1,639x IO" 2 i
l mil (mil) = 10"3 in = 2,54 x 10"' m
l in (polegada) = 2,54 cm l ft3 (pé cúbico) = 0,02832 m3 = 28,32 í = 7,481 US gal
l ft (pé) = 12 in = 30,48 cm l US gal (galão americano) = 231 in3 = 3,785 i
l yd (jarda) = 0,9144 m l British gal (galão inglês) = 1,201 US gal = 277,4 in3
l barril de petróleo americano = 42 US gal = 0,1590 m3

2. Área — unidade SI: m2 (metro quadrado)


4. Massa — unidade SI: kg (quilograma)
l m2 (metro quadrado) = 1,55 x
l,196 yd2 IO3 in2 = 10,76 ft2 l pg (picograma) = 10" u g
l dam2 (decametro quadrado) = IO2 m2 l jug (micrograma) = l y = 10"6 g = 10"3 mg
l hm2 (hectometro quadrado) = IO4 m 2 = l ha l mg (miligrama) = 10" 3 g
l km2 (quilómetro quadrado) = IO6 m2 l g (grama) = 3,215 x 10"2 onça (troy)
l a (are) = IO2 m2 l kg (quilograma) = IO3 g = 2,2046 Ib
l ha (hectare) = l hm2 l t (tonelada ou tonelada métrica) = IO3 kg
l acre = 4,047 x IO3 m2 l US short-ton = 2000 Ib = 9,072 x IO2 kg
l in2 (polegada quadrada) = 6,452 x IO" 4 m2 l US long-ton = 2240 Ib = 1,016 x IO3 kg
l ft2 (pé quadrado) = 9,290 x 10"2 m2 l grain = 6,480 x IO" 2 kg
l yd2 (jarda quadrada) = 0,8361 m2 l dram (farmacêutico) = 3,888 g
l onça (ounce-troy) = 28,35 g
l Ib (libra) = 453,6 g
172 ELOISA BIASOTTO M A N O POLÍMEROS COMO MATERIAIS DE ENGENHARIA 173

5. Força — unidade SI: N 8. Energia — unidade SI: J


l kgf (quilograma-força) = 9,807 N = 2,205 Ibf l erg = IO' 7 J
l N (newton) = IO 5 dina = 0,1020 kgf = 0,2248 Ibf IJ(joule) = l N - m = IO7 erg = 0,2389 cal = 0,7376 ff Ibf
l dina = IO' 5 N = 9,481 x io- 4 BTU
l Ibf (libra-força) = 453,6 gf = 4,448 N l cal (caloria termoquímica) = 4,1840 J = 3,087 ff Ibf =
3,968 x IO' 3 BTU
l kcal (quilocaloria) = IO3 cal
6. Velocidade — unidade SI: m/s l BTU (British thermal unit) = 0,293W'h = 1,055 x 103J
= 778 ff Ibf
l km/h (quilómetro por hora) = 0,2778 m/s = 0,6214 l kWh (quilowatt-hora) = 3,60 x ia6; = 3,60 MJ = 860
mi/h = 0,9113 ft/s kcal = 3413 BTU
l mi/h (milha por hora) = 1,467 ft/s = 1,609 km/h =
0,4470 m/s
l nó = 0,5144 m/s 9. Potência — unidade SI: W

l W (watt) = l J/s = IO7 erg/s = 0,2389 cal/s


7. Pressão — unidade SI: Pa l kW (quilowatt) = IO3 W = 737,6 ff M/s = 0,9483
BTU/s = 1,341 HP
l Pa (pascal) = l N/m 2 = 10 dina/cm 2 = 9,869 x IO" 6 l HP (cavalo de força, caldeira) = 981 W
atm = 2,089 x IO' 2 lbf/ft 2 l HP (cavalo de força, elétrico) = 746 W = 550 ff Ibf/s =
l torr = l,333 x IO2 Pa 3 3000 ff Ibf/min
l bar = IO5 Pa l cv (cavalo-vapor) = 736 W = 75 kgf-m/s
l atm (atmosfera) = 1,01325 x io5 Pa = 1,013 x IO6
dina/cm 2 = I4,70psi = 760 mm Hg = 29,92 in Hg = 10,33 m
H 2 0 = 406, 8 i n H 2 O = 33,9ftH 2 O 10. Temperatura — unidade SI: K
l psi (libra/polegada quadrada) = 6,895 x IO3 Pa = 5,171
cm Hg = 27,68inH 2 O l K(kelvin) = 1°C = 1,8°F
l mm Hg (milímetro de mercúrio) = 1,333 x IO2 Pa = l
torr
l in H, O polegada de água) = 2,491 x IO2 Pa 11. Angulo — unidade SI: rad
l kgf/mm 2 (quilograma-força/milímetro quadrado) = 981
x l O' dina/cm 2 = 1422 lbf/in2 = 10 MPa l ° (grau angular) = 1,7453 rad = 60' = 3600"
l rad (radiano) = 57,296°
l'(minuto) = 2,909 x IO' 4 rad = 60"
l" (segundo) = 4,848 x IO" 6 rad
174 ELOISA BIASOTTO MANO 175

12. Massa específica — unidade SI: kg/m 3 Bibliografia recomendada


— "Quadro Geral de Unidades de Medida", Resolução do CONME-
l g/cm 3 = l g/ml = IO3 kg/m 3 = 62,43 lb/ft 3 = 0,036
lb/in 3 TRO n? 12/1988, INMETRO, Duque de Caxias, 1989-
— "Unidades de Medida", Departamento de Imprensa Nacional,
l lb/ft 3 = 0,01602 g/cm 3
1969-
— R.P. Lukens — "Conversion Factors, Abbreviations and Unit
13. Vazão — unidade SI: m 3 /s Symbols", em H.F. Mark, N.M. Bikales, C.G. Overberger & G.
Menges, "Encyclopedia of Polymer Science and Engineering", vol.
1 gPm (galão/minuto) = 6,308 x lo-ínVs l, John Wiley, New York, 1985, pág. xlvii.
— P.H. Perry & C.H. Chilton — "Chemical Engineers Handbook",
McGraw-Hill, Tokyo, 1982, contra-capa.
14. Viscosidade — unidade SI: Pa-s — R.C. Weast — "Handbook of Chemistry and Physics", The Chemi-
cal Rubber Co., Cleveland, 1972.
l poise = 10"' Pa-s
l centipoise = 10~ 3 Pa-s
l stoke = IO" 4 m 2 /s
l centistoke = l mm 2 /s

15. Momento dipolar — unidade SI: C - m

l D (debye) = 3,336 x IQ- 3° C-m (coulomb, metro)

16. Massa/comprimento de fio têxtil — unidade SI: kg/m

l denier = 1,111 x 1 0 ~ 4 g / m