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CURSO ON-LINE – DIREITO PENAL – TEORIA E EXERCÍCIOS

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PROFESSOR PEDROIVO
PEDRO IVO

AULA 04 – CULPABILIDADE - IMPUTABILIDADE / CONCURSO


DE PESSOAS

Caros alunos,
Sejam bem vindos à nossa quarta aula!!!
Hoje veremos temas interessantes e importantes para a sua PROVA.
Começaremos a aula tratando da culpabilidade e imputabilidade penal.
Posteriormente, veremos as regras penais que definem o concurso de pessoas.
Vamos começar!

Bons estudos!!!
*****************************************************************

4.1 IMPUTABILIDADE

A imputabilidade penal é um dos elementos da culpabilidade. Mas o que


exatamente é a culpabilidade?
A culpabilidade é a possibilidade de se considerar alguém culpado pela prática de
uma infração penal. Por essa razão, costuma ser definida como juízo de
censurabilidade e reprovação, exercido sobre alguém que praticou um fato típico
e ilícito.
Não se trata de elemento do crime, mas pressuposto para imposição de pena,
pois, sendo um juízo de valor sobre o autor de uma infração penal, não se
concebe que se possa ao mesmo tempo estar dentro do crime, como seu
elemento, e fora, como juízo externo de valor do agente.
São requisitos da culpabilidade:

A) IMPUTABILIDADE;
B) POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE  Para merecer uma
pena, o sujeito deve ter agido na consciência de que sua conduta era ilícita.
Se não detiver o necessário conhecimento da proibição (que não se
confunde com desconhecimento da lei, o qual é inescusável), sua ação ou
omissão não terá a mesma reprovabilidade.
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C) EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA  Está relacionada,


primordialmente, com a coação moral irresistível e com a obediência
hierárquica à ordem manifestamente ilegal.
Na coação moral irresistível, há fato típico e ilícito, mas o sujeito não é
considerado culpado, em face da exclusão da exigibilidade de conduta
diversa.
Na obediência hierárquica, se a ordem é aparentemente legal e o
subordinado não podia perceber sua ilegalidade, exclui-se a exigibilidade de
conduta diversa, e ele fica isento de pena.

4.1.1 CONCEITO

Segundo Damásio E. de Jesus a imputabilidade penal é o conjunto de


condições pessoais que dão ao agente capacidade para lhe ser juridicamente
imputada a prática de um fato punível.
Sobre outro enfoque temos o conceito de Heleno Cláudio Fragoso que define a
imputabilidade como condição pessoal de maturidade e sanidade mental que
confere ao agente a capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de se
determinar segundo esse entendimento.
Do exposto, podemos afirmar que a imputabilidade depende de dois
elementos:

1. INTELECTIVO  Diz respeito à integridade mental do indivíduo;


2. VOLITIVO  Refere-se ao domínio da vontade, ou seja, o agente
controla e comanda seus impulsos relativos à compreensão do caráter
ilícito do fato.
Esses dois elementos devem coexistir para que o indivíduo seja considerado
imputável.
Por fim, cabe ressaltar que o legislador penal optou por inserir no Brasil um
critério cronológico para aferição da imputabilidade, ou seja, presume-se
imputável o indivíduo no dia em que ele completa 18 anos.

4.1.2 MOMENTO PARA CONSTATAÇÃO DA IMPUTABILIDADE

O código penal, ao começar a dispor sobre a imputabilidade, dispõe em seu


art. 26:
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Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou


desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo
da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o
caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento. (grifei)

Observe que o Código Penal é claro ao fixar o tempo da ação ou omissão


como o momento para a aferição da imputabilidade. Neste ponto, cabe
ressaltar que qualquer alteração posterior, como a superveniência de doença
mental, por exemplo, será IRRELEVANTE para fins penais, influenciando
apenas na esfera processual.

4.1.3 SISTEMAS PARA AFERIÇÃO DA INIMPUTABILIDADE

Para aferição da inimputabilidade existem três sistemas, sendo que um deles


é adotado como regra em nosso país. Vamos analisar::

SISTEMA BIOLÓGICO  Entende que inimputáveis são aquelas pessoas


que têm determinadas doenças, não se fazendo maiores questionamentos.
Nesse caso, não se discute os efeitos da doença nem o momento da ação
ou omissão, só sendo examinada a causa (moléstia). Em síntese, esse
sistema considera apenas as alterações fisiológicas no organismo do
agente.
O principal problema deste sistema é que não há qualquer margem de
liberdade ao julgador, ficando este “refém” de um laudo. Para ficar bem
claro, imaginemos que em determinado processo penal é apresentado ao
juiz um laudo constatando a doença mental do indivíduo.
Para o magistrado, será irrelevante se ao tempo da ação o agente se
mostrava completamente lúcido de entender o ilícito, pois pelo sistema
biológico a doença mental ocasiona presunção ABSOLUTA de
inimputabilidade.

SISTEMA PSICOLÓGICO  Neste sistema, pouco importa se o indivíduo


apresenta ou não deficiência mental. Será inimputável o agente se, no
momento da ação ou omissão, mostrar incapacidade de entender um ilícito.
Atenção que não se exige doença de qualquer tipo para a constatação da
inimputabilidade, mas sim INCAPACIDADE DE ENTENDER UM ILÍCITO.

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O problema deste sistema é dar uma liberdade muito grande ao julgador.

SISTEMA BIOPSICOLÓGICO  É o adotado pelo Brasil e resulta da


união entre os dois sistemas que acabamos de tratar. Segundo o sistema
biopsicológico, é inimputável aquele que, ao tempo da conduta, apresenta
um problema mental e, em razão disso, não possui capacidade para
entender o caráter ilícito do fato.
Neste sistema há uma conjugação entre a atuação do perito e do
magistrado. Enquanto o primeiro analisa os aspectos biológicos, o segundo
verifica a situação psicológica do agente.

EXCEÇÃO AO SISTEMA BIOPSICOLÓGICO

FAZ-SE IMPORTANTE RESSALTAR QUE, EXCEPCIONALMENTE, O


SISTEMA BIOLÓGICO É ADOTADO NO TOCANTE AOS MENORES DE
18 ANOS, OU SEJA, NÃO IMPORTA A CAPACIDADE MENTAL,
BASTANDO A SIMPLES QUALIFICAÇÃO COMO MENOR PARA
CARACTERIZAR A INIMPUTABILIDADE.

4.1.4 CAUSAS DE INIMPUTABILIDADE

O legislador penal definiu as seguintes hipóteses de inimputabilidade:

1. Menoridade;
2. Desenvolvimento mental retardado;
3. Desenvolvimento mental incompleto;
4. Doença mental;
5. Embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou força
maior.

Vamos agora começar a conhecer as particularidades de cada uma destas


espécies:

4.1.4.1 MENORIDADE

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Como já vimos, para a aferição da menoridade utiliza-se o critério biológico.


Assim, não importa o quanto é inteligente, perspicaz ou entendedor de seus
atos o menor de 18 anos, pois há presunção absoluta de inimputabilidade.
Nos termos do art. 27 do CP temos:

Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente


inimputáveis, ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação
especial.

Mas como provar ao juiz que o indivíduo é menor de 18 anos?

Segundo a súmula 74 do STJ, para efeitos penais, o reconhecimento da


menoridade do réu requer prova por documento hábil, ou seja,
preferencialmente deve ser apresentada a certidão de nascimento. Todavia
esta pode ser suprida por qualquer outro documento tais como a carteira de
identidade, certidão de batismo etc.

OBSERVAÇÃO 01

A EMANCIPAÇÃO NA ESFERA CIVIL NÃO ATINGE A PENAL, OU


SEJA, SE O INDIVÍDUO FOR EMANCIPADO, PARA FINS PENAIS,
CONTINUARÁ SENDO CONSIDERADO INIMPUTÁVEL QUANTO À
ASPECTOS PENAIS.

“Mas, professor, agora surgiu uma dúvida: E como é que ficam os crimes
permanentes em que o agente começa o delito como menor e termina
como maior?”
Excelente pergunta! Nessas espécies de crimes o menor só poderá ser
responsabilizado pelos fatos cometidos após ter atingido a maioridade.
Imaginemos, por exemplo, a seguinte situação: Tício, menor, seqüestra
Mévia. Ainda com 17 anos tortura a vítima e, um dia após completar 18
anos é descoberto pela polícia.
Primeira pergunta: Poderá Tício responder pela tortura? A resposta é
negativa, pois há presunção absoluta de inimputabilidade.
Segunda pergunta: Tício poderá responder pelo seqüestro? A resposta é
positiva, pois a permanência cessou após o agente haver completado 18
anos.

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OBSERVAÇÃO 02

CONSIDERA-SE COMPLETADOS OS 18 ANOS ÀS 00:00H DO DIA EM


QUE O INDIVÍDUO COMPLETA SEU 18º ANOS DE VIDA, OU SEJA,
PARA EFEITOS PENAIS É INDIFERENTE A HORA DE NASCIMENTO.

4.1.4.2 DOENÇA MENTAL

A expressão “doença mental”, sem dúvida, possui um caráter bem


subjetivo. Todavia, no que diz respeito ao tema imputabilidade penal,
entende a doutrina que deve ser interpretada em sentido amplo, ou seja,
abrangendo não só os problemas patológicos, mas também os de origem
toxicológica.
Quanto a este ponto, é irrelevante o fato de a doença mental ser
permanente ou transitória. O que importa é que ela esteja presente no
momento da ação ou omissão.
Cabe por fim ressaltar que, como já vimos, o legislador penal optou por
adotar o sistema biopsicológico, o que nos leva a concluir que pelo simples
fato de o indivíduo possuir doença mental, já podemos afirmar que ele é
inimputável, correto??? CLARO QUE NÃO!!!
Pelo critério biopsicológico, se o “doente mental” apresentar lucidez no
momento do ato, mesmo que seja portador de alguma enfermidade,
responderá este pelo ato ilícito sendo considerado imputável.

4.1.4.3 DESENVOLVIMENTO MENTAL INCOMPLETO

Segundo a doutrina, os silvícolas e os menores possuem desenvolvimento


mental incompleto.
Os silvícolas, que nada mais são do que os índios, nem sempre serão
inimputáveis, dependendo do grau de assimilação dos valores sociais, a ser
revelado por exame pericial.
Da conclusão da perícia, o silvícola pode ser:
• IMPUTÁVEL  Se integrado à vida em sociedade.
• SEMI-IMPUTÁVEL  No caso de estar dividido entre o convívio na
tribo e na sociedade; e

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• INIMPUTÁVEL  Quando está completamente INADAPTADO, ou seja,


fora da sociedade.
A fim de exemplificar o tema, observe o interessante julgado:

STJ, HC 30.113/MA, DJ 16.11.2004

I. Hipótese em que o paciente, índio Guajajara, foi condenado, juntamente


com outros três co-réus, pela prática de tráfico ilícito de entorpecentes, em
associação, e porte ilegal de arma de fogo, pois mantinha plantio de
maconha na reserva indígena Piçarra Preta, do qual era morador.
II. Não é indispensável a realização de perícia antropológica, se evidenciado
que o paciente, não obstante ser índio, está integrado à sociedade e aos
costumes da civilização.
III. Se os elementos dos autos são suficientes para afastar quaisquer
dúvidas a respeito da inimputabilidade do paciente, tais como a fluência na
língua portuguesa, certo grau de escolaridade, habilidade para conduzir
motocicleta e desenvoltura para a prática criminosa, como a participação em
reuniões de traficantes, não há que se falar em cerceamento de defesa
decorrente da falta de laudo antropológico.

4.1.4.4 DESENVOLVIMENTO MENTAL RETARDADO

O art. 26 do Código Penal, ao tratar do tema, dispõe:

Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou


desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo
da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento.

O desenvolvimento mental retardado compreende o estado mental dos


oligofrênicos (nos graus de debilidade mental, imbecilidade e idiotia) e as
pessoas que, por ausência ou deficiência dos sentidos, possuem deficiência
psíquica (Ex: surdo-mudo).

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Segundo Ramos MARANHÃO, “o retardo mental é uma condição de


desenvolvimento interrompido ou incompleto da mente, especialmente
caracterizada por um comprometimento de habilidades manifestadas
durante o período de desenvolvimento, as quais contribuem para o nível
global da inteligência e compreensão”.
“Mas professor, quer dizer então que o indivíduo com desenvolvimento
mental retardado será sempre inimputável?”
A resposta é negativa e, para caracterizar a inimputabilidade deve-se
verificar o ocorrido no momento da ação ou omissão. Analisando:

1. AGENTE CAPAZ DE ENTENDER O CARÁTER ILÍCITO DO ATO NO


MOMENTO DA AÇÃO OU OMISSÃO: IMPUTÁVEL!

2. AGENTE PARCIALMENTE CAPAZ DE ENTENDER O CARÁTER


ILÍCITO DO ATO NO MOMENTO DA AÇÃO OU OMISSÃO: SEMI-
IMPUTÁVEL!

3. AGENTE INTEIRAMENTE INCAPAZ DE ENTENDER O CARÁTER


ILÍCITO DO ATO NO MOMENTO DA AÇÃO OU OMISSÃO:
INIMPUTÁVEL!

OBSERVAÇÃO:
SEMI-IMPUTÁVEL

A PENA PODE SER REDUZIDA DE UM A DOIS TERÇOS, SE O


AGENTE, EM VIRTUDE DE PERTURBAÇÃO DE SAÚDE MENTAL OU
POR DESENVOLVIMENTO MENTAL INCOMPLETO OU RETARDADO
NÃO ERA INTEIRAMENTE CAPAZ DE ENTENDER O CARÁTER
ILÍCITO DO FATO OU DE DETERMINAR-SE DE ACORDO COM ESSE
ENTENDIMENTO. (CP, ART. 26, PARÁGRAFO ÚNICO)

4.1.5 EFEITOS DA INIMPUTABILIDADE

Um erro muito comum entre as pessoas é pensar que nada ocorre com o
inimputável. Seria justo que um menor cometesse um homicídio e o Estado
nada fizesse? É claro que não, logo de uma conduta ilícita sempre advém um
determinado efeito. Vamos conhecê-los:

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• Para os menores de 18 anos  Ficam sujeitos ao Estatuto da Criança


e do Adolescente.
• Demais inimputáveis  Submetem-se à justiça penal sendo
processados e julgados como qualquer outro indivíduo.

“Mas, professor, agora enrolou tudo...o indivíduo é inimputável e mesmo


assim é processado e julgado?”

Exatamente isso. Você se lembra da teoria finalista que estudamos quando


vimos o conceito de crime? Na ocasião dissemos que crime é fato típico e
ilícito sendo a CULPABILIDADE MERO PRESSUPOSTO DE APLICAÇÃO DA PENA.
Como a imputabilidade integra a culpabilidade, podemos dizer, com certeza,
que o agente cometeu um crime, mas, com base na culpabilidade, a pena não
poderá ser imposta.
Trata-se da chamada sentença de absolvição imprópria, pois o réu é absolvido
no tocante a pena( em sentido penal), mas contra ele é aplicada uma medida
de segurança.

CONHECER PARA ENTENDER:


MEDIDA DE SEGURANÇA

A MEDIDA DE SEGURANÇA É TRATAMENTO A QUE DEVE SER SUBMETIDO


O AUTOR DE CRIME COM O FIM DE CURÁ-LO OU, NO CASO DE TRATAR-
SE DE PORTADOR DE DOENÇA MENTAL INCURÁVEL, DE TORNÁ-LO APTO
A CONVIVER EM SOCIEDADE SEM VOLTAR A DELINQÜIR (COMETER
CRIMES).

NÃO TEM NATUREZA DE PENA E O TRATAMENTO DEVERÁ SER FEITO EM


HOSPITAL DE CUSTÓDIA E TRATAMENTO, NOS CASOS EM QUE É
NECESSÁRIA INTERNAÇÃO DO PACIENTE OU, QUANDO NÃO HOUVER
NECESSIDADE DE INTERNAÇÃO, O TRATAMENTO SERÁ AMBULATORIAL
(A PESSOA SE APRESENTA DURANTE O DIA EM LOCAL PRÓPRIO PARA O
ATENDIMENTO), DANDO-SE ASSISTÊNCIA MÉDICA AO PACIENTE.

4.1.6 SEMI-IMPUTABILIDADE

Sobre o tem dispõe o parágrafo único do art. 26 da seguinte forma:

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Art. 26
[...]
Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se
o agente, em virtude de perturbação de saúde mental ou por
desenvolvimento mental incompleto ou retardado não era
inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.

O supracitado dispositivo legal cuida da semi-imputabilidade que ocorre


quando o agente não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito
do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento em virtude de:

1. Perturbação de saúde mental;


2. Desenvolvimento mental incompleto;
3. Desenvolvimento mental retardado.

Neste caso não ocorre a exclusão da culpabilidade e, portanto, estará sujeito à


pena o agente. Entretanto, o legislador achou por bem definir uma causa
OBRIGATÓRIA de diminuição de pena, devendo o juiz reduzir esta de um a
dois terços.
Por fim, cabe ressaltar que se o magistrado julgar conveniente poderá
substitui a pena por medida de segurança.

4.1.7 EMOÇÃO E PAIXÃO

Para começar este tópico imaginemos a seguinte situação: Tício torcedor do


Fluminense é casado com Mévia. Determinado dia, ao entrar em casa,
encontra Mévia vestida com uma camisa do Flamengo e, acometido de uma
cólera imensa, comete o crime de homicídio.
Neste caso, poderá ser Tício condenado?
Claro que sim, pois nos termos do art. 28, I do Código Penal:

Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal:


I - a emoção ou a paixão;

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Para uma correta compreensão, vamos começar definindo as duas palavras:

• Emoção: É o estado afetivo que acarreta na perturbação


transitória do equilíbrio psíquico, tal como no medo, ira, cólera,
ansiedade, alegria, surpresa, prazer erótico e vergonha.
• Paixão: É a emoção mais intensa e duradoura do equilíbrio
psíquico. Exemplos: Ciúme, vingança, ódio, ambição etc.
Nas lições de Nélson Hungria, pode dizer-se que a paixão é a emoção que se
protrai no tempo, incubando-se, introvertendo-se, criando um estado contínuo
e duradouro de perturbação afetiva em torno de uma idéia fixa, de um
pensamento obsidente. A emoção dá e passa; a paixão permanece,
alimentando-se de si própria. Mas a paixão é como o borralho que, a um
sopro mais forte, pode chamejar de novo, voltando a ser fogo crepitante,
retornando a ser estado emocional agudo.
Portanto, resumindo o que até agora vimos, podemos dizer que a diferença
entre a emoção e a paixão repousa na duração e que na ocorrência de
qualquer das duas situações não ocorre a inimputabilidade.

4.1.7.1 EXCEÇÃO: EMOÇÃO E PAIXÃO PATOLÓGICAS

Existem determinadas situações em que a emoção ou paixão configuram


um estado patológico, ou seja, caracterizam uma verdadeira psicose,
indicativa de doença mental.
Caso seja comprovado através da perícia que se trata desta modalidade de
emoção ou paixão, que é capaz de retirar do agente o entendimento do
caráter ilícito da situação, restará caracterizada a inimputabilidade ou semi-
imputabilidade, dependendo do caso.

Normal Imputabilidade

Emoção e Paixão

Inimputabilidade
Patológica
Semi-imputabilidade

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4.1.8 EMBRIAGUEZ

Ensina Luiz Régis Prado que “a embriaguez consiste em um distúrbio físico-


mental resultante de intoxicação pelo álcool ou substâncias de efeitos
análogos, afetando o sistema nervoso central, como depressivo/narcótico”.

4.1.8.1 FASES DA EMBRIAGUEZ

1. Fase de excitação (fase do macaco) - o indivíduo apresenta um


comportamento inquieto, falante, mas ainda consciente de seus atos
e palavras e além disso as vezes consegue atingir níveis de persuasão
- por estar mais eloqüente - que talvez não fosse capaz antes.

2. Fase de confusão (fase do leão) - quando o embriagado torna-se


eventualmente (dependendo do temperamento da pessoa) nocivo:
fica voluntarioso, age irrefletida e violentamente. Caracteriza-se por
perturbações psicossensoriais profundas.

3. Fase superaguda ou comatosa (fase do porco) - inicialmente há


sono e o coma se instala progressivamente. Nessa terceira fase o
ébrio somente pode praticar crimes omissivos.

4.1.8.1 ESPÉCIES DE EMBRIAGUEZ

• Quanto à intensidade:
1. COMPLETA: É a embriaguez que chegou à segunda ou terceira
fase.
2. INCOMPLETA: É a embriaguez que está na primeira fase.

• Quanto à origem:
1. VOLUNTÁRIA: É a forma de embriaguez em que o indivíduo
ingere bebidas com a intenção de embriagar-se. Neste caso ele
não quer praticar infrações penais, mas quer exceder os limites.

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2. CULPOSA: Este é o caso daquele indivíduo que não sabe beber,


ou seja, ele não quer embriagar-se, mas, por não conhecer
seus limites, acaba embriagado.

3. PREORDENADA OU DOLOSA: Essa é a forma de embriaguez


do sujeito que além de “mal-caráter” é covarde, ou seja, ele
quer cometer uma infração e se embriaga para que os efeitos
do álcool tornem mais fácil sua atuação.

4. ACIDENTAL OU FORTUITA: É a embriaguez resultante de


caso fortuito ou força maior:

 Caso fortuito: Ocorre quando o indivíduo não percebe ser


atingido pelo álcool ou desconhece determinada situação
fisiológica que potencializa os efeitos da bebida.
Exemplo: Tício toma determinado medicamento que faz
com que fiquem mais fortes os efeitos do álcool e, devido
a isso, acaba embriagado.

 Força maior: Ocorre em situações em que o indivíduo é


obrigado a beber. Exemplo: Mévio, trabalhador de uma
destilaria, cai em um tonel cheio de bebida e acaba
embriagado.

Resumindo:

EMBRIAGUEZ – ESPÉCIES

QUANTO À INTENSIDADE QUANTO À ORIGEM

COMPLETA VOLUNTÁRIA

INCOMPLETA CULPOSA

PREORDENADA

ACIDENTAL

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4.1.8.2 CONSEQUÊNCIAS DA EMBRIAGUEZ

O Código Penal ao tratar do tema dispõe da seguinte forma:

Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal:

[...]

II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância


de efeitos análogos.

§ 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa,


proveniente de caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação
ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do
fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.

§ 2º - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente,


por embriaguez, proveniente de caso fortuito ou força maior, não
possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo
com esse entendimento.

Do supracitado texto legal extraímos que a embriaguez acidental ou


fortuita, SE COMPLETA, é capaz de ao tempo da conduta tornar o agente
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-
se de acordo com esse entendimento, exclui a imputabilidade penal.
Todavia, a embriaguez acidental ou fortuita INCOMPLETA, isto é, aquela que
no momento da conduta retira do agente apenas parte do entendimento do
caráter ilícito do fato, autoriza a diminuição de pena de um a dois terços, ou
seja, equivale à semi-imputabilidade.

Podemos resumir o tema da seguinte forma:

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VOLUNTÁRIA

NÃO EXCLUI A
NÃO ACIDENTAL IMPUTABILIDADE

CULPOSA

EXCLUI A
COMPLETA
IMPUTABILIDADE

ACIDENTAL

NÃO EXCLUI A
INCOMPLETA
IMPUTABILIDADE,
ESPÉCIES
MAS DIMINUI A
DE
PENA
EMBRIAGUEZ
(DE 1/3 A 2/3)

EQUIPARA-SE À
PATOLÓGICA DOENÇA MENTAL,
PODENDO SER
INIMPUTÁVEL OU
SEMI-IMPUTÁVEL

NÃO EXCLUI A
PREORDENADA IMPUTABILIDADE

4.1.8.2 TEORIA DA ACTIO LIBERA IN CAUSA

Denomina-se "actio libera in causa" a ação de quem usa deliberadamente


um meio para colocar-se em estado de incapacidade física ou mental,
parcial ou plena, no momento da ocorrência do fato criminoso.
É também a ação de quem, apesar de não ter a intenção de praticar o
delito, podia prever que tal meio o levaria a cometê-lo.
A teoria da "actio libera in causa" foi adotada na Exposição de Motivos
original do CP, de modo que se considera imputável quem se põe em

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estado de inconsciência ou de incapacidade de autocontrole, seja dolosa ou


culposamente, e nessa situação comete o crime.
Ao adotar tal orientação, o Código Penal adotou a doutrina da
responsabilidade objetiva, pela qual deve o agente responder pelo crime.
Portanto, essa teoria leva em conta os aspectos meramente objetivos do
delito, sem considerar o lado subjetivo deste.
Considera-se a responsabilidade penal objetiva quando o agente é
considerado culpado apenas por ter causado o resultado.
Como já vimos, frente ao princípio constitucional do estado de inocência e à
teoria finalista adotada pelo Código Penal, é inadmissível a responsabilidade
penal objetiva, salvo nos casos da "actio libera in causa".
Assim, no que diz respeito à embriaguez, invoca-se esta teoria para
justificar a penalização do indivíduo que ao tempo da conduta encontrava-
se em estado de inconsciência. O dolo ou culpa é analisado no momento da
embriaguez e não no instante da ação ou omissão.
A teoria da actio libera in causa não só é aplicável para justificar a punição
no caso de embriaguez, mas também nos demais estados de inconsciência.

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Encerramos aqui o primeiro tema de nossa aula. Passemos ao próximo!!!
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4.2 CONCURSO DE PESSOAS

Dificilmente tomamos conhecimento de crimes cometidos por um só indivíduo.


Muitas vezes, ainda na fase da cogitação do delito, já ocorre a idéia de “chamar”
alguém para participar do intento, seja diretamente, cometendo o delito principal,
ou indiretamente, auxiliando ou participando para o sucesso do crime.
Assim, para o correto entendimento da aplicação da lei penal para estes casos,
torna-se necessário conhecer as normas que definem as consequências do
chamado CONCURSO DE PESSOAS que nada mais é do que a colaboração
empreendida por duas ou mais pessoas para a realização de um crime ou de uma
contravenção penal.

4.2.1 REQUISITOS

Para que seja possível a ocorrência do concurso de pessoas será necessário a


conjugação de 05 requisitos:

1. P luralidade de agentes e condutas;


2. R elevância causal das condutas;
3. I dentidade de infração;
4. V ínculo subjetivo; e
5. E xistência de fato punível.

Perceba que a primeira letra de cada um dos requisitos forma a palavra PRIVE
e, portanto, fica fácil lembrá-los na hora da prova!
Vamos agora começar a tratar de cada um dos requisitos:

4.2.1.1 PLURALIDADE DE AGENTES E CONDUTAS

Para que seja possível a ocorrência do concurso de pessoas há necessidade


de pelo menos dois agentes e, consequentemente, duas ou mais condutas.
Essas condutas podem ser principais, o que ocorre no caso da co-autoria,
ou um principal e outra secundária, como na situação em que se associam
um autor e um partícipe.
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“Mas, professor, qual a diferenciação entre autor, co-autor e partícipe?”


Para responder a esta pergunta, vamos abrir o nosso dicionário do
concurseiro:

DICIONÁRIO DO CONCURSEIRO

AUTOR  TODA A PESSOA QUE PRATICA O NÚCLEO DO TIPO PENAL.


EXEMPLO: ART. 121, CP: “MATAR ALGUÉM...”. O AUTOR SERÁ AQUELE QUE
MATA.
TIPO OU TIPO PENAL É UM MODELO ABSTRATO QUE DESCREVE UM
COMPORTAMENTO PROIBIDO NO MEIO SOCIAL.
O NÚCLEO DO TIPO REVELA-SE POR UM OU MAIS VERBOS, POR EXEMPLO:
“MATAR” (121, CP), “SOLICITAR OU RECEBER” (357, CP).
EM SUMA, QUEM PRATICA O VERBO DO TIPO, PRATICA O SEU NÚCLEO E,
CONSEQUENTEMENTE É AUTOR DO CRIME.

CO-AUTOR  PODE SER ENTENDIDO COMO AQUELE AGENTE QUE MAIS SE


APROXIMA DO NÚCLEO DO TIPO PENAL, JUNTAMENTE COM O AUTOR
PRINCIPAL, PODENDO SUA PARTICIPAÇÃO SER PARCIAL OU DIRETA.
EXEMPLO: TÍCIO E MÉVIO ESFAQUEIAM A VÍTIMA ATÉ A MORTE. SÃO CO-
AUTORES DO DELITO DE HOMICÍDIO

PARTÍCIPE  É AQUELE INDIVÍDUO QUE NÃO PARTICIPA DOS ATOS DE


EXECUÇÃO, MAS AUXILIA O AUTOR (OU CO-AUTOR) NA REALIZAÇÃO DO FATO
TÍPICO.
ESTA PARTICIPAÇÃO PODE SER MORAL OU MATERIAL.
A PARTICIPAÇÃO MORAL PODE OCORRER QUANDO O PARTÍCIPE INDUZIR O
AUTOR A REALIZAR UM FATO ILÍCITO (OU ANTIJURÍDICO), “ATÉ ENTÃO
INEXISTENTE”.
O PARTÍCIPE PODE AINDA INSTIGAR O AUTOR A REALIZAR A IDÉIA PRÉ-
EXISTENTE NA SUA CABEÇA, REFORÇANDO-A.
NA PARTICIPAÇÃO MATERIAL, COMO O PRÓPRIO NOME SUGERE, O AGENTE
PARTICIPA MATERIALMENTE COM A CONDUTA.
EXEMPLO: TÍCIO FORNECE UMA ARMA PARA MÉVIO MATAR SEU DESAFETO,
LOGO, É PARTÍCIPE DO DELITO.

Por fim, ainda tratando da pluralidade de agentes, cabe ressaltar que essa
pluralidade exige que os co-autores ou partícipes sejam culpáveis sob pena
de caracterização da chamada autoria mediata.

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Ocorre autoria mediata quando o autor domina a vontade alheia e, desse


modo, serve-se de outra pessoa que atua como instrumento. Exemplo:
Médico quer matar inimigo que está hospitalizado e usa a enfermeira para
ministrar injeção letal no paciente.

4.2.1.2 RELEVÂNCIA CAUSAL DAS CONDUTAS

Para que seja caracterizado o concurso de pessoas há que se verificar a


relevância das condutas para que o crime acontecesse exatamente como
ocorreu, ou seja, não se pode considerar co-autor ou partícipe de um crime
quem não da causa ao crime, quem não realiza qualquer conduta sem a
qual não ocorreria o resultado, ou mesmo quem assume uma atitude
meramente negativa.
O concurso de pessoas exige que o co-autor ou partícipe haja antes,
durante ou depois, mas em prol do delito, devido a um ajuste prévio.
Vamos exemplificar para ficar bem claro.
Imaginemos que Tício diz a Mévio que vai assassinar Caio e solicita que
Mévio fique do lado de fora, com o carro ligado, a fim de possibilitar a fuga.
Neste caso, se tudo ocorrer conforme o planejado, haverá concurso de
pessoas?
A resposta é positiva, pois há relevância causal das condutas, ou seja,
ocorreu um ajuste prévio para que tudo acontecesse daquela forma.
Agora, vamos analisar outra situação: Tício mata Caio e, ao sair da
residência deste último, encontra, por acaso, Mévio, que o ajuda na fuga.
Agora, pergunto caro aluno, haverá nesta situação o concurso de pessoas?
A resposta é negativa e Mévio não responderá por ser partícipe do crime de
homicídio, mas sim por ser AUTOR do delito de favorecimento pessoal (CP,
art. 348).

4.2.1.3 IDENTIDADE DE INFRAÇÃO

Para a caracterização do concurso de pessoas, os sujeitos de um crime,


unidos pelo vínculo psicológico, devem querer praticar a mesma infração
penal.
Assim, se em um homicídio tivermos cinco indivíduos que esfaquearam a
vítima, duas pessoas que ficaram do lado de fora da residência verificando
se os policiais chegavam e um outro indivíduo que forneceu as facas
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(sabendo que seriam utilizadas no crime), teremos os oito respondendo


pelo homicídio.

4.2.1.4 VÍNCULO SUBJETIVO

Para a ocorrência do concurso de pessoas todos os agentes devem estar


ligados por um vínculo subjetivo (também chamado de concurso de
vontades), ou seja uma vontade homogênea visando o resultado.
E se não houver o vínculo subjetivo?
Neste caso, estaremos diante da chamada autoria colateral.

DICIONÁRIO DO CONCURSEIRO
AUTORIA COLATERAL
OCORRE QUANDO NÃO HÁ CONSCIÊNCIA DA COOPERAÇÃO NA CONDUTA
COMUM.
EXEMPLO: TÍCIO E MÉVIO, AO MESMO TEMPO, SEM CONHECEREM A INTENÇÃO
UM DO OUTRO, EFETUAM DISPAROS SOBRE CAIO. NESTE CASO,
RESPONDERÃO CADA UM POR UM CRIME.
SE OS DISPAROS DE AMBOS FOREM CAUSA DA MORTE, RESPONDERÃO OS
DOIS POR HOMICÍDIO.
SE A VÍTIMA MORREU APENAS EM DECORRÊNCIA DA CONDUTA DE UM, O
OUTRO RESPONDERÁ POR TENTATIVA DE HOMICÍDIO.
HAVENDO DÚVIDA INSANÁVEL QUANTO À CAUSA DA MORTE, OU SEJA, SOBRE
A AUTORIA, A SOLUÇÃO DEVERÁ OBEDECER AO PRINCÍPIO IN DÚBIO PRO
RÉU, PUNINDO-SE AMBOS POR TENTATIVA DE HOMICÍDIO.

Para finalizar o assunto, pergunto: Para que haja vínculo subjetivo, há


necessidade de ajuste prévio?
A resposta é negativa e, para a correta compreensão, vamos exemplificar:
Imagine que Tício decide matar Mévio, por não agüentar mais ver seu nome
relacionado com o dele nos livros de direito e, nas aulas do Ponto. Pouco
antes do delito conta por telefone sua pretensão para sua noiva e Caio
escuta a conversa.
Assim, na hora que Mévio sai da faculdade, Tício fica a espreita,
aguardando o momento certo para cometer o delito.

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Ocorre que Mévio percebe a intenção Tício e começa a fugir. Durante a


fuga, Caio, que havia por acaso escutado a conversa telefônica, derruba
dolosamente Mévio e Tício consegue alcançá-lo e matá-lo.
Neste caso, caio será partícipe do crime cometido por Tício, pois para a
caracterização do vínculo subjetivo é suficiente a atuação do partícipe no
sentido de auxiliar a conduta do autor, mesmo que este desconheça a
colaboração.
Para finalizar, observe o julgado em que o STF, em um caso concreto, se
pronuncia sobre o tema:

STF, Inq. 2.245/MG, DJ 09.11.07

Está também minimamente demonstrado o vínculo subjetivo entre os


acusados. Isto porque foram realizadas inúmeras reuniões nas quais,
aparentemente, decidiu-se o modo como se dariam os repasses das
vultosas quantias em espécie, quais seriam os beneficiários, os valores
a serem transferidos a cada um, além da fixação de um cronograma
para os repasses, cuja execução premeditadamente se protraía no
tempo.

4.2.1.5 EXISTÊNCIA DE FATO PUNÍVEL

Quanto a este requisito não há muito o que comentar, pois ,obviamente,


para que haja o concurso de pessoas, o fato cometido deve ser passível de
punição.

4.2.2 TEORIAS SOBRE O CONCURSOS DE PESSOAS

Existem três teorias que surgiram com relação ao concurso de agentes, são
elas:

A) TEORIA MONISTA OU UNITÁRIA;


B) TEORIA DUALISTA;
C) TEORIA PLURALÍSTICA.

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A teoria monista, também conhecida como unitária, preceitua que todos os


participantes (autores ou partícipes) de uma infração penal responderão pelo
mesmo crime, isto é, o crime é único. Haveria, assim, uma pluralidade de
agentes e unidade de crimes.
Nas palavras de Damásio E. de Jesus:

“(...) É predominante entre os penalistas da Escola Clássica. Tem


como fundamento a unidade de crime. Todos os que contribuem para
a integração do delito cometem o mesmo crime. Há unidade de crime
e pluralidade de agentes.”

Já a teoria dualista estabelece que haveria um crime único entre os autores da


infração penal e um crime único entre os partícipes.
Há, portanto, uma distinção entre o crime praticado pelos autores daquele
cometido pelos partícipes. Haveria, assim, uma pluralidade de agentes e uma
dualidade de crimes.
Manzini, defensor desta teoria, sustentava que:

“(...) se a participação pode ser principal e acessória, primária e


secundária, deverá haver um crime único para os autores e outro
crime único para os chamados cúmplices stricto sensu. A consciência
e vontade de concorrer num delito próprio conferem unidade ao crime
praticado pelos autores; e a de participar no delito de outrem atribui
essa unidade ao praticado pelos cúmplices.”

Por fim, para a teoria pluralística haverá tantas infrações quantos forem o
número de autores e partícipes. Existe, assim, uma pluralidade de agentes e
uma pluralidade de crimes.
Para Cezar Roberto Bitencourt:

“(...) a cada participante corresponde uma conduta própria, um


elemento psicológico próprio e um resultado igualmente particular. À
pluralidade de agentes corresponde a pluralidade de crimes. Existem
tantos crimes quantos forem os participantes do fato delituoso.”

O Código Penal Brasileiro adotou a teoria monista ou unitária.

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OBSERVAÇÃO:
De acordo com o professor Damásio, apesar de o nosso Código Penal ter
adotado a teoria monista ou unitária, existem exceções pluralísticas a essa
regra. É o caso, por exemplo: do crime de corrupção ativa (art. 333 do CP)
e passiva (art. 317 do CP); do falso testemunho (art. 342 do CP) e
corrupção de testemunha (art. 343 do CP); o crime de aborto cometido pela
gestante (art. 124 do CP) e aquele cometido por terceiro com o
consentimento da gestante (art. 126 do CP); dentre outros.

4.2.2 PUNIÇÃO NO CONCURSO DE AGENTES

O Código Penal, ao começar a tratar do concurso de pessoas, dispõe em seu


art. 29:

Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide


nas penas a este cominadas, na medida de sua culpabilidade.

Este artigo deixa claro, como já tratamos, que o legislador penal optou por
adotar a teoria monista, ou seja, todos os indivíduos envolvidos na infração
responderão por ela.
Mas isso quer dizer que todos os envolvidos terão a mesma pena?
A resposta é negativa, pois o que prega a teoria monista é a unidade de
infração e não de pena. Assim, a penalização será aplicada na medida da
CULPABILIDADE de cada agente.
Para a correta compreensão, imagine um homicídio em que Tício empresta
sua arma à Mévio e este desfere 10 tiros em Caio. Nessa situação tanto Tício
quanto Mévio responderão pelo homicídio, todavia a penalização de Mévio,
bem provavelmente, será superior a de Tício.

4.2.3 PARTICIPAÇÃO EM CRIME MENOS GRAVE

Imaginemos a seguinte situação: Tício e Mévio resolvem se unir para furtar


um veículo. Chegando ao local, iniciam a conduta típica, mas logo percebem a
chegada do dono do carro.

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Mévio, assustado, começa a correr para fugir do local, mas Tício resolve pegar
sua arma e efetua diversos disparos no dono do veículo.
Pergunto: Responderão Tício e Mévio pelo latrocínio?
Para responder a este questionamento, deve-se recorrer ao parágrafo 2º do
art. 29 que dispõe:

Art. 29.[...]
§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos
grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada
até metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais
grave.

Perceba com base no supra texto legal que Tício responderá pelo latrocínio,
enquanto Mévio responderá pela tentativa de furto, pois o vínculo subjetivo só
existia em relação ao delito menos grave.
Veda-se, portanto, a responsabilidade penal objetiva, pois não se permite a
punição de um agente por crime praticado exclusivamente por outrem, frente
ao qual não agiu com dolo ou culpa.
Para finalizar, aproveitando o mesmo exemplo, imagine que Mévio soubesse
que Tício andava constantemente armado e que já havia matado mais de
vinte. Seria previsível que pudesse ocorrer uma morte caso o dono chegasse?
Claro que sim! Logo, para estes casos A PENA DO CRIME MENOS GRAVE
deverá ser aumentada até a metade.

4.2.3 PARTICIPAÇÃO DE MENOR IMPORTÂNCIA

A participação, quando analisada como espécie do gênero concurso de


pessoas, deve ser compreendida como uma intervenção voluntária e
consciente de um terceiro a um fato alheio, revelando-se como um
comportamento acessório que favorece a execução da conduta principal.
É nesse cenário que pode surgir a participação de menor importância que
encontra previsão no parágrafo 1º do art. 29 do Código Penal. Observe:

Art. 29. [...]


§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser
diminuída de um sexto a um terço.
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Trata-se de uma contribuição ínfima, que comparada com a conduta praticada


pelo autor ou co-autor, se mostra insignificante, ou seja, quando a instigação,
o induzimento ou o auxílio não forem determinantes para a realização do
delito.
Ressalte-se que somente é possível aplicar essa causa de diminuição de pena
ao partícipe, não alcançando o co-autor. Não se cogita, portanto, a existência
de uma "co-autoria de menor importância", vez que o co-autor executa a
conduta típica.
Outro aspecto relevante a ser analisado: a diminuição prevista nesse § 1º é
facultativa ou obrigatória?

É caso de aplicação obrigatória, desde que comprovada a diminuta


participação.

OBSERVAÇÃO:
PARTICIPAÇÃO INCUA

É AQUELA QUE EM NADA CONTRIBUIU PARA O RESULTADO, OU SEJA, É


PENALMENTE IRRELEVANTE.

4.2.4 CIRCUNSTÂNCIAS INCOMUNICÁVEIS

As denominadas circunstâncias incomunicáveis são aquelas que não se


transmitem aos co-autores e partícipes. Sobre o tema dispõe o Código Penal:

Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de


caráter pessoal, salvo quando elementares do crime.

Para o correto entendimento deste artigo precisamos abrir o dicionário do


concurseiro e aprender/relembrar a diferenciação entre elementares,
circunstâncias e condições de caráter pessoal:

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DICIONÁRIO DO CONCURSEIRO

CONDIÇÕES DE CARÁTER PESSOAL  SÃO QUALIDADES PESSOAIS DE


DETERMINADO INDIVÍDUO. EXEMPLIFICANDO: SER MENOR DE 18 ANOS

CIRCUNSTÂNCIAS  SÃO DADOS SUBJETIVOS OU OBJETIVOS QUE FAZEM PARTE


DO FATO DELITUOSO, AGRAVANDO OU ATENUANDO A PENALIDADE, SEM
MODIFICAÇÃO DE SUA ESSÊNCIA. ASSIM, AS CIRCUNSTÂNCIAS SÃO ELEMENTOS
QUE SE AGREGAM AO DELITO, SEM ALTERÁ-LO SUBSTANCIALMENTE, EMBORA
PRODUZAM EFEITOS E CONSEQÜÊNCIAS RELEVANTES. EXEMPLIFICANDO: UM
FURTO PRATICADO POR UM MAIOR PRODUZ EFEITOS PENAIS DIVERSOS
DAQUELE PRODUZIDO POR UM MENOR CONFESSO (A MENORIDADE E A
CONFISSÃO SÃO ATENUANTES GENÉRICAS DA PENA).

ELEMENTARES  SÃO DADOS ESSENCIAIS PARA A OCORRÊNCIA DE


DETERMINADO DELITO. EXEMPLIFICANDO: A CONDIÇÃO DE FUNCIONÁRIO
PÚBLICO NO CRIME DE PECULATO, O VERBO “MATAR” E A PALAVRA “ALGUÉM”
NO CRIME DE HOMICÍDIO

OBS: EXCLUINDO-SE UMA ELEMENTAR O FATO SE TORNA ATÍPICO OU OCORRE A


DESCLASSIFICAÇÃO PARA UM OUTRO DELITO.

Visto isso, vamos aprofundar a análise do art. 30:

• Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter


pessoal.
Imagine que Mévio percebe que sua filha foi violentada por Tício. Diante
da situação de relevante valor moral contrata Caio para matar o
estuprador. Caio pratica o homicídio.
Sabendo que o relevante valor moral é circunstância que atenua a pena,
pergunto: Tal circunstância aplicável à Mévio será estendida à Caio?
Nos termos do art. 30 não se comunicam as circunstâncias, logo não
recairá sobre caio a circunstância atenuante, mesmo havendo co-
autoria.

• Comunicam-se as elementares:

Imagine que Tício, funcionário público, pratica o delito de peculato junto


com Mévio, que não faz parte do quadro da Administração. Poderá
Mévio, sendo particular, responder pelo citado crime (PECULATO)?
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A resposta é positiva, pois na hipótese de concurso de pessoas, a


elementar “funcionário público” é comunicável, desde que cumprido um
requisito essencial: É necessário que o terceiro (particular) tenha
conhecimento de que pratica o delito juntamente com um funcionário
público. Observe o disposto sobre o tema no Código Penal:
Para exemplificar, imagine que Caio é convidado por Tício, funcionário
público, para cometer um furto. Sem saber da qualidade especial de
Tício, Caio pratica o delito. Nesta situação, responderá Tício por
peculato-furto e Caio por furto.
É importante ressaltar que não há necessidade de que o terceiro
conheça EXATAMENTE o que o funcionário público faz, ou seja, aqui vale
o dolo eventual, bastando que saiba que o “companheiro do delito”,
também chamado executor primário, exerce serviço de natureza
pública.

4.2.5 CO-AUTORIA

Ocorre a co-autoria quando dois ou mais agentes executam o núcleo do tipo.


Esta pode ser:

1. Parcial  Quanto os atos de execução não são iguais, mas somados


produzem o resultado. Exemplo: Tício segura Mévia para que esta seja
estuprada por Caio.
2. Direta  Todos os autores executam a mesma conduta criminosa.
Exemplo: Caio e Tício efetuam disparas contra Mévio.

Agora, pergunto: É possível a co-autoria em todos os tipos de delito? Para


responder corretamente, vamos analisar (Obs.: Aqui serão importantes os
conceitos aprendidos na AULA 01, mais especificamente no tocante a
classificação dos crimes.):

• CRIMES PRÓPRIOS  São aqueles que exigem uma característica


particular do sujeito. Nesta espécie de delito é admissível a co-
autoria.
Exemplo 01: dois funcionários públicos se unem para cometer o delito de
corrupção passiva.

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Exemplo 02: um funcionário público e um particular que conhece a


qualidade especial do agente se unem para cometer o crime de peculato.

• CRIMES DE MÃO PRÓPRIA  São os que embora não exijam uma


qualidade especial só podem ser praticados pelo próprio indivíduo que se
encontra em determinada situação. Exemplo: Falso Testemunho.
Nesta espécie de delito NÃO é admissível a co-autoria.

• CRIMES CULPOSOS  Segundo o entendimento do STF e STJ, admite-


se a co-autoria nos crimes culposos. Observe o julgado:

STJ, HC 40.474/PR, DJ 13.02.2006

É perfeitamente admissível, segundo o entendimento doutrinário e


jurisprudencial, a possibilidade de concurso de pessoas em crime
culposo, que ocorre quando há um vínculo psicológico na cooperação
consciente de alguém na conduta culposa de outrem. O que não se
admite nos tipos culposos, ressalve-se, é a participação. Precedentes
desta Corte.

4.2.6 PARTICIPAÇÃO

Como já tratamos brevemente, o partícipe é aquele que efetivamente colabora


para a prática de uma conduta delituosa, todavia, sem realizar diretamente o
núcleo do tipo penal incriminador.
Podemos dividir a participação em:

1. Participação moral  Nesta forma de participação não ocorre


colaboração através de meios materiais.
Pode ocorrer quando o partícipe induzir o autor a realizar um fato ilícito
(ou antijurídico), “até então inexistente” ou quando o partícipe instigar o
autor a realizar a idéia pré-existente na sua cabeça, reforçando-a.
2. Participação material  Consiste em auxiliar materialmente a ocorrência
de determinado delito. O partícipe que presta auxílio material é chamado
de cúmplice.

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A participação apresenta as seguintes espécies:

1. Participação por omissão  Embora haja muita divergência quanto a


este ponto, para sua PROVA, entenda que é cabível a participação:
a. Em crime omissivo próprio  Ex: "A" induz "B" a não pagar
pensão alimentícia. "A" será partícipe de "B", no crime de
abandono material (artigo 244 do CP)
b. Nos delitos omissivos impróprios  Ex: "A" instiga "B", que ele
não conhece, a não alimentar o filho. "B" cometerá o crime de
homicídio por omissão, já que "B" tem o dever jurídico de evitar o
resultado. "A" será partícipe.
2. Participação sucessiva  É admissível em nosso ordenamento
jurídico. Ocorre quando, presente o induzimento ou instigação do
executor, se sucede outro induzimento ou instigação.
Exemplo: Tício instiga Mévio a matar Caio. Mário, sem saber da
instigação de Tício, também instiga Mévio a cometer o homicídio.
3. Participação da participação  Esse tipo de participação é melhor
compreendido através de exemplos: Tício instiga Mévio a instigar Caio
para que este mate Mário ou Mévio induz Tício que induz Caio a matar
Mário.
4. Participação em crimes culposos  O entendimento majoritário é de
que pode haver nos crimes culposos a co-autoria, mas não participação.
Sendo o tipo do crime culposo aberto, composto sempre de imprudência,
negligência ou imperícia, segundo o disposto no artigo 18 do CP, não é
aceitável dizer que uma pessoa auxiliou, instigou ou induziu outrem a
ser imprudente, sem ter sido igualmente imprudente. Portanto, quem
instiga outra pessoa a tomar uma atitude imprudente está inserido no
mesmo tipo penal. (STF, RTJ 120/1136, STJ, Resp. 40180, 6ª Turma,
STF, HC 61405, RTJ, 113:517; RHC55.258).

4.2.6.1 TEORIAS DA ACESSORIEDADE

Como vimos, a condutas do partícipe tem natureza acessória em relação à


conduta principal. Essa acessoriedade encontra previsão no Código Penal
nos seguintes termos:

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Art. 31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo


disposição expressa em contrário, não são puníveis, se o crime não
chega, pelo menos, a ser tentado.

Do exposto, podemos concluir que para que o partícipe possa ser punido é
necessário ao menos o início da execução e, para tratarmos da punição do
agente que participa de um delito, precisamos estudar as teorias da
acessoriedade.
Observe a seguinte questão:

(CESPE / JUIZ SUBSTITUTO – TJ-PI / 2007) No concurso de pessoas, há quatro


teorias que explicam o tratamento da acessoriedade na participação. De acordo
com a teoria da hiperacessoriedade, para se punir a conduta do partícipe, é
preciso que o fato principal seja:

I. típico.
II. antijurídico.
III. culpável.
IV. punível.

A quantidade de itens certos é igual a:


A) 0.
B) 1.
C) 2.
D) 3.
E) 4.

COMENTÁRIOS: A participação pressupõe sempre a ocorrência de um fato


principal. O partícipe presta auxílio à conduta do autor. Por isso, hoje, é
amplamente dominante o entendimento segundo o qual a participação é
acessória, auxiliar em relação aos atos de autoria.
A teoria da acessoriedade da participação estabelece um sistema valorativo
que impõe tratamento distinto entre os atos de autoria e de participação.
Visando definir os pressupostos mínimos necessários para a punição do
partícipe, especificamente no que diz respeito à sua relação com o autor, a
doutrina elaborou as seguintes teorias da acessoriedade:

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• ACESSORIEDADE MÍNIMA;
• ACESSORIEDADE LIMITADA;
• ACESSORIEDADE MÁXIMA; E
• HIPERACESSORIEDADE.

Sob a perspectiva da acessoriedade mínima, concebeu-se que, para a


responsabilização do partícipe, bastaria que o autor principal realizasse uma
conduta típica.
Exemplo: Tício contrata Mévio para matar Caio. Mévio caminha pela calçada
e repentinamente é atacado por Caio que porta uma faca. Mévio, diante de
tal situação, mata Caio em legítima defesa.
Neste caso, embora Mévio tenha agido em legítima defesa, como cometeu
uma conduta típica, Tício deveria ser responsabilizado.

A teoria da acessoriedade limitada exige, para a punição do partícipe,


que o autor, no mínimo, pratique conduta típica e ilícita.
Esta teoria visa superar as dificuldades da teoria da acessoriedade mínima,
incluindo a exigência de ser ilícito o fato realizado em conjunto com o autor.
Agora, a punição do partícipe depende de que a sua conduta preste auxílio
à realização de fato ilícito.
É a teoria adotada majoritariamente pela doutrina e pelas bancas.
Exemplo: Tício instiga Mévio, INIMPUTÁVEL, a matar Caio e este assim o
faz. Neste caso, como o fato cometido por Mévio é típico e ilícito, está
configurado o concurso de pessoas no qual Tício é partícipe e Mévio é autor.

A teoria da acessoriedade máxima exige, para a punição do partícipe,


que o autor realize um fato típico, ilícito e culpável.
No exemplo acima apresentado, como Mévio é inimputável e, portanto, não
culpável, não seria Tício partícipe.
Por fim, a teoria da hiperacessoriedade exige, para a punição do
partícipe, que o autor realize uma conduta típica, ilícita, culpável e punível.

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Exemplo: Tício contratou Mévio para matar Caio. Mévio mata caio e suicida-
se. Neste caso, como a morte do agente extingue a punibilidade, Tício não
seria partícipe do delito.

Como a questão trata da teoria da hiperacessoriedade, a resposta correta é


a alternativa “E”.

Resumindo:

 ACESSORIEDADE MÍNIMA  FATO TÍPICO;


 ACESSORIEDADE LIMITADA  FATO TÍPICO + ILÍCITO;
 ACESSORIEDADE MÁXIMA  FATO TÍPICO + ILÍCITO + CULPÁVEL;
 HIPERACESSORIEDADE  FATO TÍPICO + ILÍCITO + CULPÁVEL + PUNÍVEL.

4.2.7 AUTORIA – TEORIAS

Como último tópico de nossa aula, vamos estudar as diversas teorias que
buscam fornecer o conceito correto de AUTOR.

1. TEORIA SUBJETIVA OU UNITÁRIA  Os defensores dessa teoria não


diferenciam autor de partícipe, ou seja, autor é aquele que de
QUALQUER FORMA contribuiu para o resultado.
2. TEORIA EXTENSIVA  Também não diferencia o autor do partícipe,
todavia admite a diminuição de pena nos casos em que a autoria é
menos importante para o resultado.
3. TEORIA OBJETIVA OU DUALISTA  Apresenta uma clara
diferenciação entre o autor e o partícipe. Subdivide-se em:

a. Teoria objetivo-formal  Segundo esta teoria autor é quem


realiza o núcleo do tipo enquanto o partícipe é quem de qualquer
modo colabora para a conduta típica.
Nesta teoria o autor intelectual, ou seja, aquele que planeja a
conduta criminosa é PARTÍCIPE, pois não executa o núcleo do tipo
penal.

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b. Teoria objetivo-material  Para esta teoria autor é aquele que


contribui fundamentalmente para a ocorrência do resultado, ou
seja, aquele que presta a contribuição mais importante para a
ocorrência do crime. Diferentemente, o partícipe é aquele que atua
de forma menos relevante.
Perceba que segundo esta teoria, não necessariamente para ser
autor é necessário realizar o núcleo do tipo.

c. Teoria do domínio do fato  Essa teoria foi criada por Hans


Welzel e procura ocupar uma posição intermediária entre a teoria
subjetiva e a objetiva. Segundo ela, autor é quem possui controle
sobre o domínio do fato.
Podemos dizer que segundo a teoria do domínio fato considera-se
autor:
• AQUELE QUE PRATICA O NÚCLEO DO TIPO;
• O AUTOR INTELECTUAL;
• O AUTOR MEDIATO;
• OS CO-AUTORES.
Segundo essa teoria, também é admissível a figura dos partícipes
que, neste caso, seriam aqueles que além de não praticar o núcleo
do tipo, também não detém o domínio sobre o fato.
Faz-se necessário ressaltar que esta teoria só tem aplicabilidade
nos crimes dolosos, pois não há como se admitir domínio do fato
no caso de delitos culposos.

Para finalizar, cabe ressaltar que o código penal, a doutrina majoritária, a


FCC, a ESAF, e praticamente todas as outras bancas de prova adotam a teoria
objetivo formal, todavia, no que diz respeito ao conceito de autor intelectual,
o CESPE, particularmente, tem adotado em suas provas a teoria do domínio
do fato. Observe:

(CESPE / Promotor de Justiça Substituto / 2006) É co-


autor quem, à distância, ajusta a execução de um homicídio,
fornecendo os recursos necessários para aquisição dos
instrumentos para o cometimento do crime, mas não participa
dos atos executórios.

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Assim, como você vai fazer uma PROVA do CESPE, leve o entendimento de
que o AUTOR INTELECTUAL não é partícipe e sim AUTOR.

4.2.8 CO-AUTORIA – PESSOAS FÍSICAS X PESSOAS JURÍDICAS

Sabemos que as pessoas jurídicas são entidades dotadas de personalidade


jurídica, ou seja, sujeitos de direito e obrigação.
Todavia, a jurisprudência majoritária, quanto a aspectos penais, tem adotado
a teoria da dupla imputação, segundo a qual se responsabiliza não somente a
pessoa jurídica, mas também a pessoa física que agiu em nome do ente
coletivo, ou seja, há a possibilidade de se responsabilizar simultaneamente a
pessoa física e a jurídica.
Exemplo: Segundo a lei de crimes ambientais, quando o poluidor é pessoa
jurídica, a denúncia deve incluir no pólo passivo da ação, não apenas a pessoa
jurídica infratora, mas, também, as pessoas físicas que contribuíram para o
delito ambiental.
Essa tese foi referendada pelo STJ, no REsp 564.960, rel. Min. Gilson Dipp,
que sublinhou:
"Os critérios para a responsabilização da pessoa jurídica são classificados na
doutrina como explícitos: 1) que a violação decorra de deliberação do ente
coletivo; 2) que autor material da infração seja vinculado à pessoa jurídica; e
3) que a infração praticada se dê no interesse ou benefício da pessoa jurídica;
e implícitos no dispositivo: 1') que seja pessoa jurídica de direito privado; 2')
que o autor tenha agido no amparo da pessoa jurídica; e 3') que a atuação
ocorra na esfera de atividades da pessoa jurídica.
Disso decorre que a pessoa jurídica, repita-se, só pode ser
responsabilizada quando houver intervenção de uma pessoa física, que
atua em nome e em benefício do ente moral, conforme o art. 3º da Lei
9.605/98.
Luís Paulo Sirvinskas ressalta que 'de qualquer modo, a pessoa jurídica deve
ser beneficiária direta ou indiretamente pela conduta praticada por decisão do
seu representante legal ou contratual ou de seu órgão colegiado.' Essa atuação
do colegiado em nome e proveito da pessoa jurídica é a própria vontade da
empresa. Porém, tendo participado do evento delituoso, todos os
envolvidos serão responsabilizados na medida se sua culpabilidade. É
o que dispõe o parágrafo único do art. 3º da Lei 9.605/98, que institui a co-
responsabilidade, nestes termos: Parágrafo único. A responsabilidade das
pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas, autoras, co-autoras
ou partícipes do mesmo fato".
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***********************************************************************************
Futuros (as) Aprovados (as)

Chegamos ao final de nossa aula e mais uma vez fica claro que é grande a
quantidade de detalhes.
O importante agora é consolidar bem o aprendizado e garantir importantes
pontos em sua PROVA.
Siga em frente em busca do seu sonho. Lute pelo que você deseja. Lembre-se
de que só depende de você.
Abraços e bons estudos,

Pedro Ivo

"O sucesso é a soma de pequenos esforços - repetidos dia


sim, e no outro dia também."

Robert Collier

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PRINCIPAIS ARTIGOS TRATADOS NA AULA


CÓDIGO PENAL
Inimputáveis
Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental
incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender
o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
Redução de pena
Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, em virtude de
perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado não era
inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento.
Menores de dezoito anos
Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às
normas estabelecidas na legislação especial.
Emoção e paixão
Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal:
I - a emoção ou a paixão;
Embriaguez
II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos.
§ 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou
força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
§ 2º - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por embriaguez, proveniente
de caso fortuito ou força maior, não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena
capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento.
Regras comuns às penas privativas de liberdade
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na
medida de sua culpabilidade.
§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um sexto a um
terço.
§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena
deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais
grave.
Circunstâncias incomunicáveis
Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando
elementares do crime.
Casos de impunibilidade
Art. 31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em
contrário, não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado.

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EXERCÍCIOS

1. (CESPE / Analista Judiciário - TJ-ES / 2011) No direito penal, o critério


adotado para aferir a inimputabilidade do agente, como regra, é o
biopsicológico.
GABARITO: CERTA
COMENTÁRIOS: A questão está correta, pois informa que, "como regra", adota-
se o critério biopsicológico. Ressalte-se, todavia, que quanto à menoridade, o
critério adotado para aferir a imputabilidade ou inimputabilidade é o critério
puramente biológico.

2. (CESPE / Escrivão - PC-ES / 2011) Nos termos do Código Penal, é


inimputável aquele que, por doença mental ou desenvolvimento mental
incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinarse de acordo com esse entendimento.
GABARITO: CERTA
COMENTÁRIOS: Questão simples e que exige o conhecimento do art. 26 do
Código Penal. Relembrando: Casos de Inimputabilidade  Inimputabilidade por
doença ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado (art. 26),
inimputabilidade por menoridade (art. 27), inimputabilidade por embriaguez
completa, proveniente de caso fortuito ou força maior (art. 28 §2º).

3. (CESPE / Analista judiciário - TRE-ES / 2011) A prescrição da pena de


multa ocorrerá em dois anos quando a multa for cumulativamente
cominada ou cumulativamente aplicada a pena privativa de liberdade,
independentemente do prazo estabelecido para a prescrição da pena
privativa de liberdade.
GABARITO: ERRADA
COMENTÁRIOS: De acordo com o art. 114, do CP, a prescrição da pena de
multa ocorrerá:
I - em 2 (dois) anos, quando a multa for a única cominada ou aplicada;
II - no mesmo prazo estabelecido para prescrição da pena privativa de liberdade,
quando a multa for alternativa ou cumulativamente cominada ou
cumulativamente aplicada.

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4. (CESPE / Promotor de Justiça - MPE-ES / 2010) Considere que um


guarda-vidas e um banhista, ambos podendo agir sem perigo pessoal,
tenham presenciado o afogamento de uma pessoa na piscina do clube
onde o guarda-vidas trabalha e não tenham prestado socorro a ela.
Nesse caso, na hipótese de morte da vítima, os dois agentes devem
responder pelo delito de omissão de socorro.
GABARITO: ERRADA.
COMENTÁRIOS: A posição do guarda-vidas é de garante, pois assume obrigação
legal de evitar o resultado (§2º "a" do art. 13 do CP). Dessa forma, se assiste o
afogamento e podendo agir nada faz, responde por homicídio (comissão) por
omissão, caso a vítima morra. Trata-se de crime omissivo impróprio ou comissivo
por omissão. Já o banhista responderá por omissão de socorro (art. 135 CP), eis
que podia agir sem risco pessoal e não o fez.

5. (CESPE / Promotor de Justiça - MPE-ES / 2010) Com relação à autoria


delitiva, a teoria extensiva considera que todos os participantes do
evento delituoso são autores, não admitindo a existência de causas de
diminuição de pena nem de diferentes graus de autoria,
compatibilizando-se, apenas, com a figura do cúmplice (autor menos
relevante), que deve receber pena idêntica à dos demais agentes.
GABARITO: ERRADA
COMENTÁRIOS: De acordo com a teoria extensiva, autor é todo aquele que
concorre, de alguma forma, para a consecução do resultado, isto é, é todo aquele
que dá causa ao resultado. Assim, segundo a teoria extensiva, não há distinção
entre a figura do autor e do partícipe.

6. (CESPE / Promotor de Justiça - MPE-ES / 2010) Segundo o critério


objetivo-formal da teoria restritiva, somente é considerado autor aquele
que pratica o núcleo do tipo; partícipe é aquele que, sem realizar a
conduta principal, concorre para o resultado, auxiliando, induzindo ou
instigando o autor.
GABARITO: CERTA
COMENTÁRIOS: A teoria restritiva do autor é a adotada pelo CP, porquanto o
caput e os §§ 1º e 2º do art. 29 faz a nítida distinção entre autor e partícipe. Essa
teoria distingue autor de partícipe, estabelecendo como critério distintivo a
prática ou não de elementos do tipo.
Assim, autor é aquele que concorre para a realização do crime, praticando
elementos do tipo. Co-autor é aquele que concorre para a realização do crime,
praticando parte do tipo, ou seja, ele presta uma ajuda considerada essencial,
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dividindo tarefas essenciais ao crime (divisão de tarefas em sede de tipo). Já o


partícipe é aquele que contribui, de qualquer outro modo, para a realização de
um crime, sem realizar elementos do tipo.

7. (CESPE / Promotor de Justiça - MPE-ES / 2010) Em relação à natureza


jurídica do concurso de agentes, o CP adotou a teoria unitária ou
monista, segundo a qual cada um dos agentes (autor e partícipe)
responde por um delito próprio, havendo pluralidade de fatos típicos, de
modo que cada agente deve responder por um crime diferente.
GABARITO: ERRADA
COMENTÁRIOS: No que se refere à natureza jurídica do concurso de agentes, o
Código Penal adotou a teoria monista ou unitária, que considera o crime, ainda
quando praticado com o concurso de outras pessoas, único e indivisível (CP art.
29). O erro da questão esta em afirmar que cada agente responde por crime
diferente, quando na verdade, como dito, o crime é único e indivisível.
Por fim, cabe ressaltar que a teoria monista ou unitária é adotada de forma
temperada. Assim, admite-se a punição menos severa do co-autor que quis
participar de crime menos grave (CP art. 29, § 2º).

8. (CESPE / Defensor Público - DPU / 2010) Em se tratando da chamada


comunicabilidade de circunstâncias, prevista no Código Penal brasileiro,
as condições e circunstâncias pessoais que formam a elementar do
injusto, tanto básico como qualificado, comunicam-se dos autores aos
partícipes e, de igual modo, as condições e circunstâncias pessoais dos
partícipes comunicam-se aos autores.
GABARITO: ERRADA
COMENTÁRIOS: Conforme o art. 30 do código Penal não se comunicam as
circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do
crime.
Nos casos de constituírem circunstâncias elementares do crime principal, as
condições e circunstancias de caráter pessoal, comunicam-se dos autores aos
partícipes, mas não dos partícipes aos autores por ser a participação acessória da
autoria.

9. (CESPE / Procurador - AGU / 2010) Ao crime plurissubjetivo aplica-se


a norma de extensão do art. 29 do Código Penal, que dispõe sobre o
concurso de pessoas, sendo esta, exemplo de norma de adequação típica
mediata.

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GABARITO: ERRADA
COMENTÁRIOS: Nos crimes plurissubjetivos o concurso é necessário e já está
previsto no próprio tipo, não sendo necessária a aplicação de norma de extensão.
Do exposto, a subsunção da conduta dos co-autores, nos crimes plurissubjetivos,
é imediata, direta.

10. (CESPE / Analista Judiciário - TRE-BA / 2010) A imputabilidade penal


é um dos elementos que constituem a culpabilidade e não integra a
tipicidade.
GABARITO: CERTA
COMENTÁRIOS: Nos moldes da concepção trazida pelo finalismo de Welzel, a
culpabilidade é composta pelos seguintes elementos normativos: imputabilidade
penal, potencial consciência sobre a ilicitude do fato e exigibilidade de conduta
diversa. Assim, é correto afirmar que a imputabilidade integra a culpabilidade e
não a tipicidade.

11. (CESPE / TRE – GO / 2009) O agente que, por desenvolvimento


mental retardado, for, ao tempo da ação delituosa, inteiramente incapaz
de entender o caráter ilícito do fato terá sua pena reduzida.
GABARITO: ERRADA
COMENTÁRIOS: Essa alternativa trata do inimputável e exige do candidato o
conhecimento do artigo 26 do Código Penal. Este dispositivo legal é
constantemente cobrado pelas bancas. Observe o disposto:

Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou


desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da
ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento. (grifei)

Segundo o supra texto, a incapacidade total de entender o caráter ilícito do fato,


nas citadas situações, é caso de isenção de pena e não de diminuição.
Ainda no artigo 26 podemos responder a um importante questionamento:
Quando deve ser analisada a imputabilidade?
Resposta: NO MOMENTO DA AÇÃO OU DA OMISSÃO, não importando, para
efeitos penais, qualquer alteração de estado posterior.

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12. (CESPE / TRE – GO / 2009) O agente que possuía perturbação de


saúde mental à época da ação delituosa, não sendo, por tal fato,
inteiramente capaz de determinar-se de acordo com o entendimento do
caráter ilícito do fato, será isento de pena.
GABARITO: ERRADA
COMENTÁRIOS: Essa alternativa trata do semi-imputável e também é
facilmente resolvida com o conhecimento do artigo 26, mas é preciso tomar
bastante cuidado para interpretá-la de maneira correta.
Perceba que a banca não diz que o agente era inteiramente incapaz, o que seria
necessário para isentá-lo de pena. O que é dito é que ele não era inteiramente
CAPAZ. Desta forma, o enquadramento da alternativa não é no “caput” do artigo
26 e sim no parágrafo único, que trata da possibilidade de diminuição da pena
nos seguintes termos:

Art. 26
[...]
Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se
o agente, em virtude de perturbação de saúde mental ou por
desenvolvimento mental incompleto ou retardado não era
inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.

13. (CESPE / TRE – GO / 2009) A embriaguez, pelo álcool ou substância


de efeitos análogos, não exclui a imputabilidade penal, salvo quando
culposa.
GABARITO: ERRADA
COMENTÁRIOS: A embriaguez culposa não exclui a imputabilidade nos termos
do artigo 28, II, do CP, que dispõe:

Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal:


[...]
II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância
de efeitos análogos.

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14. (CESPE / TRE – GO / 2009) A embriaguez, proveniente de caso


fortuito ou força maior, poderá gerar a redução da pena do agente,
presentes os requisitos legais.
GABARITO: CORRETA
COMENTÁRIOS: A questão traz a possibilidade de redução de pena presente no
parágrafo 2º do artigo 28. Observe:

§ 2º - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente,


por embriaguez, proveniente de caso fortuito ou força maior, não
possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com
esse entendimento.

15. (CESPE / TJ – PI / 2007) O Código Penal adotou o critério biológico


para aferição da imputabilidade do agente.
GABARITO: ERRADA
COMENTÁRIOS: Como vimos, o Código Penal adotou o critério biopsicológico.

16. (CESPE / TJ – PI / 2007) A emoção e a paixão, de acordo com o


Código Penal, não servem para excluir a imputabilidade penal nem para
aumentar ou diminuir a pena aplicada.
GABARITO: ERRADA
COMENTÁRIOS: Esta questão trata da emoção e da paixão, que são alterações
intensas do estado psíquico de longa (paixão) ou curta (emoção) duração. A
emoção e a paixão não retiram a imputabilidade, mas podem diminuir a pena.

17. (CESPE / TJ – PI / 2007) A embriaguez preordenada não exclui a


culpabilidade do agente, mas pode reduzir a sua pena de um a dois
terços.
GABARITO: ERRADA
COMENTÁRIOS: Para responder esta é só olhar para o esquema apresentado
quando tratamos da embriaguez, de onde se conclui que a embriaguez
preordenada não reduz a pena.

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18. (CESPE / TJ – PI / 2007) A embriaguez involuntária incompleta do


agente não é causa de exclusão da culpabilidade nem de redução de
pena.
GABARITO: ERRADA
COMENTÁRIOS: A embriaguez involuntária incompleta do agente é causa de
redução de pena.

19. (CESPE / Agente penitenciário / 2007) A menoridade penal constitui


causa de exclusão da imputabilidade, ficando, todavia, sujeitos às
normas estabelecidas na legislação especial, os menores de 18 anos de
idade, no caso de praticarem um ilícito penal.
GABARITO: CERTA
COMENTÁRIOS: Como vimos exaustivamente, a menoridade penal é causa
absoluta de presunção de inimputabilidade. Mas isso não quer dizer que o Estado
não fará nada com o menor, pois este estará sujeito ao Estatuto da criança e do
adolescente (ECA).

20. (CESPE / Agente penitenciário / 2007) Suponha que Joaquim,


mentalmente são, praticou, em estado de inconsciência, um homicídio,
advindo da ingestão excessiva, porém voluntária, de bebida alcoólica.
Nessa situação, Joaquim deverá responder pelo homicídio e poderá ter a
pena reduzida de um a dois terços.
GABARITO: ERRADA
COMENTÁRIOS: Como no caso apresentado pelo CESPE o agente do delito
ingeriu VOLUNTARIAMENTE a bebida, não há que se vislumbrar a obrigatoriedade
da redução de pena.

21. (CESPE / Polícia Federal / 2004) Considere a seguinte situação


hipotética.
Hiran, tendo ingerido voluntariamente grande quantidade de bebida,
desentendeu-se com Caetano, seu amigo, vindo a agredi-lo e a causar-lhe
lesões corporais.
Nessa situação, considerando que, em razão da embriaguez completa,
Hiran era, ao tempo da ação, inteiramente incapaz de entender a ilicitude
de sua conduta e de determinar-se de acordo com este entendimento,
pode-se reconhecer a sua inimputabilidade.
GABARITO: ERRADA

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COMENTÁRIOS: Mais uma questão em que o CESPE conta uma história longa e
tenta confundir o candidato ao associar a embriaguez com a inimputabilidade.
Lembre-se SEMPRE: A embriaguez voluntária NÃO GERA A INIMPUTABILIDADE.

22. (CESPE / OAB / 2007 - Adaptada) São imputáveis os silvícolas


inadaptados.
GABARITO: ERRADA
COMENTÁRIOS: Trata dos silvícolas, que nada mais são, como vimos, do que os
índios.
Os silvículas, , que nada mais são do que os índios, nem sempre serão
inimputáveis, dependendo do grau de assimilação dos valores sociais, a ser
revelado por exame pericial.
Da conclusão da perícia, o silvícola pode ser:

• IMPUTÁVEL  Se integrado à vida em sociedade.


• SEMI-IMPUTÁVEL  No caso de estar dividido entre o convívio na tribo e na
sociedade; e
• INIMPUTÁVEL  Quando está completamente INADAPTADO, ou seja, fora
da sociedade.

Como a questão trata do silvícula INADAPTADO, estamos diante de um caso de


inimputabilidade.

23. (CESPE / OAB / 2007 - Adaptada) São imputáveis os surdos-mudos


inteiramente capazes de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.
GABARITO: CERTA
COMENTÁRIOS: O surdo-mudo, ao completar 18 anos, presume-se IMPUTÁVEL,
aplicando a ele as mesmas regras de um indivíduo sem deficiência.
Desta forma, caso seja inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou
de determinar-se de acordo com este entendimento, será IMPUTÁVEL.

24. (CESPE / OAB / 2007) Quando o agente se embriaga para cometer o


crime em estado de embriaguez, ocorre a situação tratada pela teoria
como da actio libera in causa.

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GABARITO: CERTA
COMENTÁRIOS: Denomina-se "actio libera in causa" a ação de se deixar ficar
num estado de inconsciência.
No caso apresentado o agente usa deliberadamente um meio para colocar-se em
estado de incapacidade física ou mental, parcial ou plena, no momento da
ocorrência do fato criminoso.

25. (CESPE / Polícia Federal / 2009) Com relação à responsabilidade


penal da pessoa jurídica, tem-se adotado a teoria da dupla imputação,
segundo a qual se responsabiliza não somente a pessoa jurídica, mas
também a pessoa física que agiu em nome do ente coletivo, ou seja, há a
possibilidade de se responsabilizar simultaneamente a pessoa física e a
jurídica.
GABARITO: CERTA
COMENTÁRIOS: A questão trata da teoria da dupla imputação que, como vimos,
atribui co-responsabilidade à pessoa física pelos atos da pessoa jurídica.

26. (CESPE / Polícia Federal / 2004) Jarbas entrega sua arma a Josias,
afirmando que a mesma está descarregada e incita-o a disparar a arma
na direção de Mévio, alegando que se tratava de uma brincadeira. No
entanto, a arma estava carregada e Mévio vem a falecer, o que leva ao
resultado pretendido ocultamente por Jarbas. Nessa hipótese, o crime
praticado por Josias e por Jarbas, em concurso de pessoas, foi o
homicídio doloso.
GABARITO: ERRADA
COMENTÁRIOS: No caso apresentado pela banca não há concurso de pessoas,
pois falta o vínculo subjetivo entre os agentes. Para esta situação, dependendo do
caso concreto, Jarbas poderia responder pelo homicídio doloso enquanto Josias
responderia pelo homicídio culposo.

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LISTA DOS EXERCÍCIOS APRESENTADOS

1. (CESPE / Analista Judiciário - TJ-ES / 2011) No direito penal, o critério


adotado para aferir a inimputabilidade do agente, como regra, é o
biopsicológico.

2. (CESPE / Escrivão - PC-ES / 2011) Nos termos do Código Penal, é


inimputável aquele que, por doença mental ou desenvolvimento mental
incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinarse de acordo com esse entendimento.

3. (CESPE / Analista judiciário - TRE-ES / 2011) A prescrição da pena de


multa ocorrerá em dois anos quando a multa for cumulativamente
cominada ou cumulativamente aplicada a pena privativa de liberdade,
independentemente do prazo estabelecido para a prescrição da pena
privativa de liberdade.

4. (CESPE / Promotor de Justiça - MPE-ES / 2010) Considere que um


guarda-vidas e um banhista, ambos podendo agir sem perigo pessoal,
tenham presenciado o afogamento de uma pessoa na piscina do clube
onde o guarda-vidas trabalha e não tenham prestado socorro a ela.
Nesse caso, na hipótese de morte da vítima, os dois agentes devem
responder pelo delito de omissão de socorro.

5. (CESPE / Promotor de Justiça - MPE-ES / 2010) Com relação à autoria


delitiva, a teoria extensiva considera que todos os participantes do
evento delituoso são autores, não admitindo a existência de causas de
diminuição de pena nem de diferentes graus de autoria,
compatibilizando-se, apenas, com a figura do cúmplice (autor menos
relevante), que deve receber pena idêntica à dos demais agentes.

6. (CESPE / Promotor de Justiça - MPE-ES / 2010) Segundo o critério


objetivo-formal da teoria restritiva, somente é considerado autor aquele
que pratica o núcleo do tipo; partícipe é aquele que, sem realizar a
conduta principal, concorre para o resultado, auxiliando, induzindo ou
instigando o autor.

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7. (CESPE / Promotor de Justiça - MPE-ES / 2010) Em relação à natureza


jurídica do concurso de agentes, o CP adotou a teoria unitária ou
monista, segundo a qual cada um dos agentes (autor e partícipe)
responde por um delito próprio, havendo pluralidade de fatos típicos, de
modo que cada agente deve responder por um crime diferente.

8. (CESPE / Defensor Público - DPU / 2010) Em se tratando da chamada


comunicabilidade de circunstâncias, prevista no Código Penal brasileiro,
as condições e circunstâncias pessoais que formam a elementar do
injusto, tanto básico como qualificado, comunicam-se dos autores aos
partícipes e, de igual modo, as condições e circunstâncias pessoais dos
partícipes comunicam-se aos autores.

9. (CESPE / Procurador - AGU / 2010) Ao crime plurissubjetivo aplica-se


a norma de extensão do art. 29 do Código Penal, que dispõe sobre o
concurso de pessoas, sendo esta, exemplo de norma de adequação típica
mediata.

10. (CESPE / Analista Judiciário - TRE-BA / 2010) A imputabilidade penal


é um dos elementos que constituem a culpabilidade e não integra a
tipicidade.

11. (CESPE / TRE – GO / 2009) O agente que, por desenvolvimento


mental retardado, for, ao tempo da ação delituosa, inteiramente incapaz
de entender o caráter ilícito do fato terá sua pena reduzida.

12. (CESPE / TRE – GO / 2009) O agente que possuía perturbação de


saúde mental à época da ação delituosa, não sendo, por tal fato,
inteiramente capaz de determinar-se de acordo com o entendimento do
caráter ilícito do fato, será isento de pena.

13. (CESPE / TRE – GO / 2009) A embriaguez, pelo álcool ou substância


de efeitos análogos, não exclui a imputabilidade penal, salvo quando
culposa.

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14. (CESPE / TRE – GO / 2009) A embriaguez, proveniente de caso


fortuito ou força maior, poderá gerar a redução da pena do agente,
presentes os requisitos legais.

15. (CESPE / TJ – PI / 2007) O Código Penal adotou o critério biológico


para aferição da imputabilidade do agente.

16. (CESPE / TJ – PI / 2007) A emoção e a paixão, de acordo com o


Código Penal, não servem para excluir a imputabilidade penal nem para
aumentar ou diminuir a pena aplicada.

17. (CESPE / TJ – PI / 2007) A embriaguez preordenada não exclui a


culpabilidade do agente, mas pode reduzir a sua pena de um a dois
terços.

18. (CESPE / TJ – PI / 2007) A embriaguez involuntária incompleta do


agente não é causa de exclusão da culpabilidade nem de redução de
pena.

19. (CESPE / Agente penitenciário / 2007) A menoridade penal constitui


causa de exclusão da imputabilidade, ficando, todavia, sujeitos às
normas estabelecidas na legislação especial, os menores de 18 anos de
idade, no caso de praticarem um ilícito penal.

20. (CESPE / Agente penitenciário / 2007) Suponha que Joaquim,


mentalmente são, praticou, em estado de inconsciência, um homicídio,
advindo da ingestão excessiva, porém voluntária, de bebida alcoólica.
Nessa situação, Joaquim deverá responder pelo homicídio e poderá ter a
pena reduzida de um a dois terços.

21. (CESPE / Polícia Federal / 2004) Considere a seguinte situação


hipotética.
Hiran, tendo ingerido voluntariamente grande quantidade de bebida,
desentendeu-se com Caetano, seu amigo, vindo a agredi-lo e a causar-lhe
lesões corporais.
Nessa situação, considerando que, em razão da embriaguez completa,
Hiran era, ao tempo da ação, inteiramente incapaz de entender a ilicitude
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de sua conduta e de determinar-se de acordo com este entendimento,


pode-se reconhecer a sua inimputabilidade.

22. (CESPE / OAB / 2007 - Adaptada) São imputáveis os silvícolas


inadaptados.

23. (CESPE / OAB / 2007 - Adaptada) São imputáveis os surdos-mudos


inteiramente capazes de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.

24. (CESPE / OAB / 2007) Quando o agente se embriaga para cometer o


crime em estado de embriaguez, ocorre a situação tratada pela teoria
como da actio libera in causa.

25. (CESPE / Polícia Federal / 2009) Com relação à responsabilidade


penal da pessoa jurídica, tem-se adotado a teoria da dupla imputação,
segundo a qual se responsabiliza não somente a pessoa jurídica, mas
também a pessoa física que agiu em nome do ente coletivo, ou seja, há a
possibilidade de se responsabilizar simultaneamente a pessoa física e a
jurídica.

26. (CESPE / Polícia Federal / 2004) Jarbas entrega sua arma a Josias,
afirmando que a mesma está descarregada e incita-o a disparar a arma
na direção de Mévio, alegando que se tratava de uma brincadeira. No
entanto, a arma estava carregada e Mévio vem a falecer, o que leva ao
resultado pretendido ocultamente por Jarbas. Nessa hipótese, o crime
praticado por Josias e por Jarbas, em concurso de pessoas, foi o
homicídio doloso.

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8-E 9-E 10-C 11-E 12-E 13-E 14-C

15-E 16-E 17-E 18-E 19-C 20-E 21-E

22-E 23-C 24-C 25-C 26-E ***** *****

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