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COMPONENTES DO SISTEMA DE CANAIS RADICULARES

O espaço total na dentina onde se encontra a polpa é chamado de sistema de canais


radiculares. O esboço desse sistema corresponde ao contorno externo do dente. Fatores como
a ação fisiológica, as patologias, a oclusão modificam potencialmente essas dimensões por
meio da produção de dentina secundária e terciária e de cemento. O sistema de canais
radiculares é dividido em duas porções: a câmara pulpar, localizada na coroa anatômica do
dente e a polpa ou canal radicular. Outras características são:

 Cornos pulpares
 Canais acessórios
 Canais laterais
 Canais furcados
 Orifícios de entrada dos canais deltas apicais
 Foramina apical

o CANAL RADICULAR: inicio em formato de funil na linha cervical; termino no forame


apical onde se abre na superfície radicular no intervalo de 3mm do centro do ápice
radicular.
Quase todos são curvos na direção vestíbulolingual; *não são evidentes no raio x;
Podem ocorrer canais com curvatura em S;
o CANAIS ACESSÓRIOS: canais diminutos que se estendem nas direções horizontal,
vertical e lateral da polpa para o periodonto; 74% encontrado no terço apical;
Contem tec. Conjuntivo e vasos, mas não suprem a polpa de forma a formar uma fonte
colateral de fluxo sanguíneo;
Formados pelo entrelaçamento de vasos periodontais no epitélio da bainha de Hertwig
durante a calcificação radicular;
Servem de vis para passagem de agentes irritantes;
Podem ocorrer na bifurcação ou trifurcação de dentes multirradiculares;

 APRESENTAÇÕES DOS TIPOS DE CANAIS


Tipo I: Um único canal se estende da câmara pulpar ao ápice (1).
Tipo II: Dois canais separados deixam a câmara pulpar e se juntam no ápice para
formar um único canal (2-1).
Tipo III: Um único canal deixa a câmara pulpar e se divide em dois na raiz; os dois
então se fundem para sair como um único canal (1-2-1).
Tipo IV: Dois canais distintos se estendem da câmara pulpar ao ápice (2).
Tipo V: Um canal deixa a câmara pulpar e se divide, próximo ao ápice, em dois canais
distintos com forames apicais separados (1-2).
Tipo VI: Dois canais separados deixam a câmara pulpar, fundem-se no corpo da raiz e fi
nalmente se dividem novamente em dois canais distintos próximo ao ápice (2-1-2).
Tipo VII: Um canal deixa a câmara pulpar e divide-se em dois, que então se fundem no
corpo da raiz, onde o canal, fi nalmente, se divide novamente em dois distintos
próximo ao ápice (1-2-1-2).
Tipo VIII: Três distintos canais separados que se estendem da câmara pulpar ao ápice
(3).
ANATOMIA DO ÁPICE RADICULAR
 A CA é geralmente considerada parte do canal radicular com o menor
diâmetro. Ponto de referência que a maioria dos clínicos usa com maior
frequência como término apical para instrumentação, debridamento e
obturação. Os vasos sanguíneos pulpares são estreitos em CA, o que torna o
sucesso do tratamento da inflamação do canal mais difícil, além de poder
comprometer o processo de cicatrização devido à violação dessa área por
instrumentos ou materiais de preenchimento.
 CDC: é o ponto do canal onde o cemento encontra a dentina, ponto onde o
tecido pulpar termina e o tecido periodontal começa. Em geral a localização da
JDC não está na mesma posição que a CA, a posição estimada é de
aproximadamente 1mm do FA.
Da CA, ou o menor diâmetro apical, o canal se alarga à medida que se aproxima do FA, ou o
maior diâmetro apical. O espaço entre o maior e menor diâmetros foi descrito como forma de
funil ou hiperboliforme, ou auréola. A distância média entre o maior e menor diâmetros é de
0,5 mm em jovens e de 0,67 mm em indivíduos mais velhos (devido a deposição de cemento).

O FA é uma circunferência ou uma extremidade circundada, como um funil ou uma cratera,


que diferencia a terminação do canal cementário da superfície exterior da raiz. Ocorre um
aumento do FA com a idade.

Existem consideráveis controvérsias acerca do ponto exato do término da terapia do


canal radicular. A determinação clínica da morfologia da porção do apical do canal é muito
difícil. A existência de uma CA pode ser mais conceitual que real. Alguns estudos têm relatado
que uma simples CA está presente em menos da metade dos casos, particularmente em casos
de reabsorção do ápice radicular e patologias perirradiculares. O canal radicular apical é
cônico, ou possui paredes paralelas entre si, ou o canal apresenta múltiplas constrições.
Diversos autores recomendam os seguintes pontos de término: 1 mm do ápice quando não
houver reabsorção óssea ou radicular, 1,5 mm do ápice quando houver apenas reabsorção
óssea e 2 mm do ápice quando houver reabsorção óssea e radicular.

O tamanho apical mais largo permite melhores irrigação e desinfecção e facilita a


remoção mecânica de micro-organismos. Um estudo similar concluiu que o aumento da
instrumentação do canal no comprimento de trabalho produz um aumento na limpeza. O
volume irrigado, o número de troca de instrumentos e a profundidade de penetração das
agulhas de irrigação eram fatores menos signifi cativos nos fatores que contribuíram para o
debridamento dos canais. O efeito adverso do alargamento do diâmetro do terço apical pode
aumentar o risco de erros de procedimento e/ou de fraturas radiculares. Estudos mais
profundos na área são necessários.

Um istmo é uma área estreita, em forma de fita, que liga dois canais que contêm polpa
ou tecidos derivados de polpa. Todos os istmos devem ser encontrados, preparados e
preenchidos durante a cirurgia, pois podem funcionar como reservatórios de bactérias.
Qualquer raiz com dois ou mais canais pode ter um istmo. Assim, deve-se suspeitar da
presença de algum istmo sempre que canais múltiplos são vistos na superfície da raiz
apicectomizada.

ORIENTAÇÕES DO PREPARO INICIAL

 Visualização da provável anatomia interna


A anatomia interna dita o formato do acesso, por isso devemos visualizar a
posição do espaço pulpar no dente de acordo com avaliação radiográfica
periapical angulada e o exame da anatomia dental cervical e da coroa e das
raízes. As radiografias ajudam o clinico a estimar a posição da câmara pulpar, o
grau de calcificação da câmara, o numero de raízes e canais, e o comprimento
aproximado do canal.
 Avaliação da junção amelocementária e anatomias oclusais

Lei da centralidade: O assoalho da câmara pulpar está sempre localizado no centro do dente,
ao nível da JCE. Lei da concentricidade: As paredes da câma ra pulpar são sempre concêntricas
em relação à superfície externa do dente ao nível da JCE, ou seja, a anatomia da superfície
externa da raiz refl ete a anatomia interna da câmara pulpar. Lei da JCE: A distância da
superfície externa da coroa clínica à parede da câmara pulpar é a mesma em toda a extensão
da circunferência do dente ao nível de JCE, tornando a JCE o marco mais consistentemente
reprodutível para se localizar a posição da câmara pulpar. Primeira lei da simetria: Com
exceção dos molares superiores, os orifícios dos canais são equidistantes da linha imaginária
na direção mesiodistal no centro do soalho da câmara. Segunda lei da simetria: Com exceção
dos molares superiores, os orifícios do canal encontram-se na linha perpendicular à linha
imaginária na direção mesiodistal, transversalmente ao centro do soalho da câmara pulpar. Lei
da mudança de cor: O soalho da câmara pulpar é sempre mais escuro que as paredes. Primeira
lei da localização do orifício: Os orifícios do canal radicular estão sempre localizados na junção
das paredes e do soalho. Segunda lei da localização dos orifícios: Os orifícios dos canais
radiculares estão sempre localizados nos ângulos na junção soalho-parede. Terceira lei da
localização dos orifícios: Os orifícios dos canais radiculares estão sempre localizados no
término das linhas de fusão do desenvolvimento radicular.

 Preparo do acesso cavitário através das superfícies lingual e oclusal

Nos dentes anteriores são geralmente preparados através da superfície lingual e dos dentes
posteriores são preparados através de acesso na superfície oclusal.
 Remoção de todas as restaurações defeituosas e cáries antes de atingir a
câmara pulpar

Todas as restaurações defeituosas devem ser removidas, tornando os canais mais fáceis de
localizar, instrumentar e limpar, e a obturação mais fácil de ser realizada. Evitando também
que debris do material restaurador se tornem mais facilmente alojados no interior do sistema
de canais.

 Remoção de superfícies dentárias sem suporte estrutural

O preparo do acesso cavitário resulta em remoção de parte da porção central do dente, o que
reduz a resistência do dente ao estresse oclusal. Depois de completado o preparo, o clínico
deve remover toda a estrutura dental sem suporte para permitir a restaurabilidade e prevenir
a fratura dentária. A remoção desnecessária de estrutura dentária deve ser evitada.

 Remoção de paredes do acesso cavitário que não permitam penetração


retilínea- ou direta- para a passagem de instrumentos em direção ao forame
apical ou à curvatura inicial do canal

Deve ser removida apenas uma estrutura dentária suficiente para permitir que os
instrumentos sejam posicionados facilmente no orifício de cada canal sem interferência das
paredes, particularmente quando o canal é severamente curvo ou deixa o soalho da câmara
pulpar em um ângulo obtuso. (REMOÇÃO DO OMBRO) Falhas em seguir essa diretriz resultam
em erros no tratamento, incluindo perfuração radicular, erros de direção do instrumento no
canal principal (formação de saliências), fratura do instrumento ou forma incorreta do
contorno do canal (transporte apical).

 Adiamento da instalação do isolamento absoluto antes que sejam localizados


e confirmados canais de difícil acesso

Falhas em seguir essa diretriz resultam em erros no tratamento, incluindo perfuração


radicular, erros de direção do instrumento no canal principal (formação de saliências), fratura
do instrumento ou forma incorreta do contorno do canal (transporte apical). O isolamento
absoluto só deve ser posicionado uma vez que o teto da câmara pulpar tenha sido penetrado e
os canais, identificados.

 Localização, visualização e exploração de todos os orifícios do canal radicular

Um explorador endodôntico afiado é usado para localizar os orifícios dos canais e determinar
seu ângulo da câmara pulpar. A seguir, todos os orifícios e a porção coronal dos canais são
alargados, tornando o posicionamento do instrumento mais fácil. Os canais são então
explorados com pequenas limas pré-curvadas tipo K (no 6, no 8 ou no 10). Os clínicos devem
ter cuidado em manter esses instrumentos confinados ao sistema de canais radiculares até
que o comprimento de trabalho seja determinado. Um agente lubrificante, um preparo à base
de água que não mumifica o tecido pulpar vital, pode ser usado nos instrumentos ou
introduzido no canal. O tecido pulpar mumificado pode formar um tampão de colágeno que
bloqueia o ápice, impedindo a instrumentação e a limpeza completas.
 Inspeção da câmara pulpar usando iluminação adequada e ampliação

A ampliação e a iluminação são particularmente importantes na terapia do canal radicular,


especialmente para se determinar a localização, instrumentar canais constritos, curvos e
calcificados, limpar e remover tecidos e calcificações da câmara pulpar.

 Contorno das paredes cavitárias e avaliação do espaço adequado para o


selamento cavitário

Um acesso cavitário apropriado em geral possui paredes cônicas e é mais largo na superfície
oclusal. Nesse tipo de preparo, as forças oclusais não empurram o material restaurador
temporário para a cavidade e destroem o selamento. Pelo menos 3,5 mm de material
restaurador temporário são necessários para prover um selamento coronal adequado por um
período curto.230 Recentemente, tampões de compósito de ionômero de vidro nos orifícios
do canal e agregado de trióxido mineral têm se mostrado promissores na redução do risco de
contaminação bacteriana do sistema do canal quando há uma infiltração microscópica nas
margens da restauração coronal.

FASES MECÂNICAS PARA O PREPARO DO ACESSO CAVITÁRIO

 Ampliação e iluminação
 Peças de mão
 Brocas- esféricas carbides (2,4,6) remoção da cárie e criar formato do contorno
externo inicial;
 Explorador endodôntico
 Curetas endodônticas
 Explorador operativo nº17
 Unidades e pontas ultrassônicas

*As pontas diamantadas quando usadas para extensão da parede axial do preparo do
acesso cavitário, por profissionais pouco experientes, podem trepanar o soalho da
câmara pulpar e as paredes axiais;
*As brocas endo-Z ou diamantadas com ponta inativa são escolhas mais seguras para
as extensões das paredes axiais. Por não possuírem ponta ativa, as brocas podem se
estender ao soalho da câmara pulpar e toda a parede axial pode ser removida e
orientada totalmente em um plano da superfície do esmalte ao soalho da câmara
pulpar. Tal técnica produz paredes axiais livres de interferências, enquanto as
extensões do acesso final são criadas. Brocas de fissura e carbide também podem ser
usadas nas pontas de cúspides e limites incisais, os quais são usados como pontos de
referência da determinação do comprimento de trabalho;
*Pontas diamantadas esféricas (tamanhos no 2 e no 4) são necessárias quando o
acesso endodôntico deve ser feito através de restaurações metalocerâmicas ou de
porcelana. Brocas diamantadas são menos traumáticas à porcelana do que as brocas
carbide e são mais fáceis de penetrar sem trincar ou fratura-las;
*Se um dente possui uma câmara pulpar atrésica e orifícios calcificados, o clínico deve,
com frequência, cortar na altura da raiz para localizar e identificar os orifícios dos
canais.
Uma vez que os orifícios foram localizados, eles devem ser alargados ou moldados em forma
de cone e introduzidos às paredes axiais dos acessos cavitários. Esse processo permite que o
instrumento intracanal usado durante a instrumentação e o debridamento entre no canal
facilmente e sem esforço. As brocas Gates-Glidden podem ser usadas com esse objetivo,
começando com os tamanhos menores e progredindo para os tamanhos maiores. Mais
recentemente, limas cônicas rotatórias no 0,12 têm sido usadas para os procedimentos de
alargamento e introdução. Ao usar alguma dessas duas técnicas para alargamento do canal, o
clínico deve tomar cuidado para não remover dentina em excesso do lado furcado de um canal
radicular, o que poderia criar uma perfuração “em tira”.

O explorador endodôntico DG-16 é usado para identificar os orifícios do canal e determinar


sua angulação. A cureta endodôntica pode ser usada para remover a polpa coronária e a
dentina cariada. O explorador cirúrgico nº0,17 é útil para detectar qualquer remanescente do
teto da câmara pulpar, particularmente na área do corno pulpar. Pontas ultrassônicas podem
ser usadas para criar e aprofundar sulcos para remoção de tecidos e explorar canais.

PREPARO DO ACESSO CAVITÁRIO

 REMOÇÃO DE CÁRIES E RESTAURAÇÕES PERMANENTES


 FORMA DE CONTORNO EXTERNO INICIAL
Para o dente intacto, o clinico deve iniciar no centro da superfície lingual da coroa
anatômica, uma broca esférica nº 2 ou 4 ou uma broca de fissura cônica é utilizada
para penetrar o esmalte e levemente a dentina (aprox. 1mm), de metade a três
quartos do tamanho final do acesso cavitário projetado.
 PENETRAÇÃO NO TETO DA CAMARA PULPAR
Peça de baixa rotação é mais segura; angulação da broca perpendicular a paralela à
superfície lingual do longo eixo axial radicular. Penetração realizada através desse
longo eixo axial até que o teto da câmara pulpar seja penetrado; frequentemente o
efeito de cair no vazio é sentido quando isso ocorre. O clínico deve medir a distância
da margem incisal do teto da câmara pulpar, mensurar acuradamente a radiografia
pré-tratamento e limitar a penetração a essa distância. A profundidade e o ângulo de
penetração devem ser acessados sem qualquer desvio do longo eixo da raiz nas
direções mesiodistal e vestibulolingual, e o ângulo de penetração deve ser realinhado,
se necessário. Se tudo parecer bom, o clínico deve promover a abertura do acesso com
um explorador endodôntico usando ampliação e iluminação. Usualmente, a ponta do
explorador afiado penetra através do teto da câmara pulpar com pressão firme.
Radiografias anguladas devem ser tiradas para se avaliar o progresso se algum
acidente ou dúvida existirem.
 REMOÇÃO COMPLETA DO TETO

Utilizar uma broca esférica no teto remanescente, cortando-o com movimentos delicados
de retirada. Em casos de tecidos com vitalidade pulpar, pode ocorrer hemorragia e isso
atrapalhar a visão do clinico da anatomia interna. Com o teto removido, permitindo o
acesso de instrumentos, a polpa coronária deve ser amputada no nível do orifício com uma
cureta endodôntica ou broca esférica, sob irrigação abundante com hipoclorito de sódio.
Uma bolinha de algodão embebida em agente hemostático pode ser introduzida no canal
a ser rotacionada, o que amputara a polpa radicular em um nível mais apical.

 IDENTIFICAÇÃO DE TODOS OS ORIFICIOS DO CANAL


Orifícios localizados com explorador endodôntico ; Enquanto sonda o soalho da câmara, o
explorador geralmente penetra deslocando depósitos calcificados que bloqueiam os
orifícios. Isso também pode ser usado para avaliar o acesso direto. Posicionar o explorador
no orifício permite ao clínico checar a lisura das paredes axiais e determinar de que ângulo
parte cada canal da câmara principal.

 REMOÇÃO DO OMBRO LINGUAL E ALARGAMENTO DO ORIFICIO DE ENTRADA DOS


CANAIS E DO ACESSO CORONÁRIO

Esta estrutura é uma saliência/projeção de dentina que se estende do cíngulo ao limite de


aproximadamente 2 mm apical ao orifício. Sua remoção ajuda a acessar diretamente e
permite um contato íntimo maior das limas com as paredes do canal, além de uma
instrumentação e um debridamento mais efetivos.

O ombro lingual pode ser removido com ponta diamantada cônica, brocas carbide ou
Gates-Glidden. A ponta de uma fina broca diamantada é posicionada a aproximadamente
2 mm apical ao orifício do canal e inclinada para a lingual durante a rotação para remover
o ombro lingual. O clínico deve ser cuidadoso quando usar essa broca, para evitar um bisel
na borda incisal do preparo do acesso.
 DETERMINAÇÃO DO ACESSO DIRETO

Depois que o ombro lingual foi removido e o orifício, alargado, o clínico deve determinar
onde será o acesso direto. Idealmente, uma lima endodôntica pode alcançar o forame
apical ou o primeiro ponto da curvatura sem pré-encurvamento. O pré-encurvamento
desnecessário da lima pode resultar em numerosas consequências relacionadas à perda do
controle do instrumento. Instrumentos pré-encurvados funcionam sob mais estresse do
que os não pré-encurvados e são mais suscetíveis a fraturas e separações durante o
processo de alargamento e debridamento. Instrumentos pré-encurvados também deixam
áreas críticas do acesso sem instrumentação e limpeza eficientes. A tentativa de
instrumentar e debridar sem o acesso adequado geralmente leva a erros de procedimento,
como formação de saliências, transporte e obstruções (Fig. 7-46). Uma saliência é uma
irregularidade criada no canal iatrogenicamente, a qual pode impedir o posicionamento
correto do instrumento no ápice.

O acesso é avaliado pela inserção de uma lima mais larga que se encaixe passivamente ou
na primeira curvatura do canal. Esse comprimento interno pode ser avaliado pela
radiografia periapical prétratamento. A lima é gentilmente inserida e retirada enquanto o
clínico “sente” o aprisionamento ou o encurvamento do canal. Se a deflexão for detectada,
o clínico deve reavaliar a adequação do ombro lingual antes de mudar a posição do limite
incisal do preparo do acesso. A remoção inadequada do ombro lingual causa deflexão na
lima para a vestibular, e um clínico pouco experiente pode sobreestender o limite incisal
do preparo do acesso na intenção de obter um acesso direto (Fig. 7-47).

 INSPEÇÃO VISUAL DO ACESSO CAVITÁRIO

Inspecionar e avaliar o acesso usando ampliação e iluminação adequada;

 REFINAMENTO E ALISAMENTO DAS MARGENS RESTAURADAS

Margens irregulares ou grosseiras podem contribuir para a entrada de fluidos na região


coronária através de restaurações permanentes ou provisórias. Definitivamente, margens
cavo-superficiais permitem ao clínico posicionar e finalizar uma restauração final com
resina composta com a precisão necessária para minimizar a entrada de fluidos na região
coronária. Tais fluidos podem comprometer o sucesso do procedimento do canal radicular.
Então, as margens das restaurações de dentes superiores devem permitir a criação de um
volume de materiais restauradores em pontos de contatos marginais, mais indicadas que
as margens em bisel, as quais produzem limites de compósito que podem fraturar sob
cargas funcionais excursivas que possibilitariam a entrada de fluidos na região coronária.

PREPARO DE ACESSOS CAVITÁRIOS POSTERIORES

 REMOÇÃO DE CÁRIES E RESTAURAÇÕES DEFINITIVAS

Se aplica igualmente como nos dentes anteriores;

 FORMA DE CONTORNO EXTERNA INICIAL

A localização inicial do acesso deve ser determinada para um dente intacto. Em pré-
molares superiores, esse ponto é a depressão mais central entre as pontas de cúspides. As
coroas de pré-molares são inclinadas lingualmente em relação às suas raízes. E a
localização inicial deve compensar essa inclinação. Nos primeiros pré-molares inferiores, a
localização inicial é a metade da cúspide vestibular, inclinando para lingual, na junção das
duas pontas de cúspides. O segundo pré-molar inferior necessita de menos cuidados, pois
tem uma inclinação lingual menor. A localização inicial para esse dente é um terço da
cúspide vestibular na junção da cúspide vestibular com crista marginal lingual, inclinada
para a lingual.

Para determinar a localização inicial para preparo de acesso cavitário em molares, o clínico
deve estabelecer os limites marginais mesial e distal. Avaliar a radiografi a bite-wing é um
método acurado de acessar as extensões mesiodistais da câmara pulpar. A margem mesial
para superiores e inferiores é a linha que conecta as cúspides mesiais. Raramente as
câmaras pulpares são encontradas mesialmente a essa linha imaginária. Uma boa margem
distal inicial para os superiores é a linha oblíqua. Para os molares inferiores, é a linha que
conecta os sulcos vestibular e lingual. Para os molares, a localização inicial é o sulco central
entre as margens mesial e distal.

A penetração através do esmalte na dentina (aproximadamente 1 mm) é realizada com


uma broca esférica no 2 para pré-molares e no 4 para molares. Uma broca de fissura
cônica pode ser usada, em vez da esférica. A broca é direcionada perpendicularmente ao
plano oclusal, em um formato inicial que corresponde ao tamanho de um terço a três
quartos do formato final projetado. O formato do pré-molar é oval e aprofundado na
direção vestibulolingual. O formato do molar também é inicialmente oval e aprofundado
na direção vestibulolingual para molares superiores e na direção mesiodistal para os
inferiores. O formato final dos molares é triangular (para três canais) ou romboide (para
quatro canais); entretanto, o orifício do canal é que dita a posição das arestas desse
formato geométrico. Assim, até que os orifícios sejam localizados, o formato inicial deve
ser oval.

 PENETRAÇÃONO TETO DA CÂMARA PULPAR


O ângulo nos pré-molares é paralelo ao longo eixo das raízes, nas direções mesiodistal e
vestibulolingual. A falha em analisar o ângulo de penetração cuidadosamente pode
resultar em trepanação ou perfuração, pois as raízes do pré-molar estão inclinadas em
relação ao plano oclusal. Nos molares, o ângulo de penetração deve ocorrer através do
maior canal, pois o espaço da câmara pulpar é usualmente mais largo oclusal ao orifício
desse canal. Assim, em molares superiores ao ângulo de penetração, dá-se através do
orifício palatino e, em molares inferiores, através do orifício distal.

 REMOÇÃO COMPLETA DO TETO

O objetivo é afunilar os cornos do acesso cavitário diretamente aos orifícios, e os


instrumentos de ponta inativa servem para isto; eles podem ser inseridos no soalho da
câmara pulpar. Toda a parede axial é removida de uma vez só com pouca chance de
trepanação. As brocas carbide e diamantada passam entre os orifícios ao longo das
paredes axiais para remover o teto, conificar as paredes internas e ao mesmo tempo criar
um formato externo desejado;
 IDENTIFICAÇÃO DE TODOS OS ORIFÍCIOS DO CANAL

. Idealmente, os orifícios são localizados nos vértices do preparo final, para facilitar a
instrumentação e o debridamento. Internamente, o acesso cavitário deve ter todos os
orifícios posicionados inteiramente no soalho da câmara pulpar, e não deve se estender
para a parede axial. A extensão de um orifício para a parede axial cria um efeito de
“buraco de rato”, indicando subextensão interna e impedindo o acesso direto. Nesses
casos, o orifício deve ser reposicionado no soalho da câmara sem interferência das
paredes axiais.

 REMOÇÃO DE SALIÊNCIAS DE DENTINA CERVICAL E ALARGAMENTO DO ORIFICIO E DA


COROA

Nos dentes posteriores, os impedimentos internos são as saliências de dentina e a


construção natural do canal coronário. As saliências cervicais são depósitos de dentina que
frequentemente obstruem a entrada dos canais dos dentes posteriores, restringindo seu
acesso e acentuando a existência de curvaturas no canal. Essas saliências podem ser
removidas com brocas de ponta inativa diamantada, carbide ou Gates-Glidden. Os
instrumentos devem ser posicionados no nível do orifício de entrada e inclinados para a
saliência de dentina para remover a obstrução.

 REFINAMENTO E ALISAMENTO DAS MARGENS RESTAURADAS

Tanto na restauração provisória quanto na interinamente permanente, as margens


restauradas devem ser refinadas e alisadas para minimizar o potencial de infiltração
marginal. A escolha final da restauração permanente para dentes posteriores que foram
submetidos à terapia de canal radicular deve ser a coroa ou uma onlay.
DESAFIOS NO PREPARO DE ACESSOS

 DENTES COM COROA CLINICA MÍNIMA OU AUSENTE


 DENTES COM GRANDES RESTAURAÇÕES
 DENTES COM CANAIS CALCIFICADOS
 DENTES COM COROA TOTAL
 DENTES ROTACIONADOS

ANATOMIA INTERNA

o INCISIVOS CENTRAIS SUPERIOR

o INCISIVO LATERAL SUPERIOR

o CANINO SUPERIOR
o PRIMEIRO PRÉ-MOLAR SUPERIOR

o SEGUNDO PRÉ-MOLAR SUPERIOR

o PRIMEIRO MOLAR SUPERIOR


o SEGUNDO MOLAR SUPERIOR

o TERCEIRO MOLAR SUPERIOR

o INCISIVOS CENTRAL E LATERAL INFERIORES

o PRIMEIRO PRÉ-MOLAR INFERIOR


o SEGUNDO PRÉ-MOLAR INFERIOR

o PRIMEIRO MOLAR INFERIOR

o SEGUNDO MOLAR INFERIOR

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