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WBA0151_V1.

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Legislação Ambiental
Legislação Ambiental
Autor: Rafael Tocantins Maltez
Como citar este documento: MALTEZ, Rafael Tocantins. Legislação Ambiental. Valinhos: 2015.

Sumário
Apresentação da Disciplina 03
Unidade 1: Teoria geral do direito ambiental 06
Assista a suas aulas 35
Unidade 2: A ordem constitucional do meio ambiente 43
Assista a suas aulas 74
Unidade 3: Competências Constitucionais em Matéria Ambiental 82
Assista a suas aulas 105
Unidade 4: Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente 115
Assista a suas aulas 157

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Sumário
Unidade 5: Poder de Polícia Ambiental 172
Assista a suas aulas 209
Unidade 6: Infrações Administrativas 219
Assista a suas aulas 255
Unidade 7: Zoneamento 267
Assista a suas aulas 296
Unidade 8: Responsabilidades Ambientais 306
Assista a suas aulas 339

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Apresentação da Disciplina

Poucas são as disciplinas de um MBA tão relevantes e empolgantes quanto a matéria


Ambiental. O termo “ambiente” tem origem latina (ambiens, entis) que significa aquilo que
rodeia, que cerca ou envolve, por todos os lados, entorno, espaço. Relaciona-se a tudo aquilo
que nos circunda, podendo também significar “meio em que vivemos”. Depreende-se da
própria origem do termo a importância da disciplina, pois vivemos no meio ambiente, o qual é
pressuposto de tudo: lazer, moradia, trabalho, saúde, segurança, vida etc. A matéria ambiental
está na ordem do dia e presente em todas as situações e contexto da existência humana.
Podemos constatar que todo dia são veiculadas notícias relacionadas com o meio ambiente,
principalmente sobre a crise ambiental (mudanças climáticas, organismos geneticamente
modificados, desmatamento, extinção de espécies, crise hídrica, poluição, vazamentos
etc.). Portanto, tudo o que você estudará aqui, embora contextualizado para a disciplina de
legislação ambiental, poderá ser aplicado nas mais diversas circunstâncias da sua vida.
Esta disciplina foi estruturada de forma a atender as necessidades de qualquer profissional,
capacitando-o e formando-o para compreensão e entendimento das principais leis ambientais.
Sabemos que no atual contexto de grave crise ambiental só vão se sobressair aqueles que
tiverem conhecimento e domínio da legislação ambiental e é esta a proposta que esta
disciplina traz a vocês. Não importa se você está à frente de uma pequena empresa ou de uma
grande organização, o domínio da legislação ambiental sempre será necessário, notadamente
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porque é condicionante de qualquer
atividade, obra ou empreendimento que
impacte no meio ambiente.
Nesta disciplina, você terá acesso aos
principais conceitos e aprendizados já
desenvolvidos sobre o tema, pelos maiores
especialistas da academia, de forma
resumida e pronta para ser assimilada por
você.
Prepare-se para embarcar nesta aventura
e desenvolver as competências básicas
para se tornar um conhecedor da
legislação ambiental.

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Unidade 1
Teoria geral do direito ambiental

Objetivos

»» Conhecer os conceitos fundamentais de Antropocentrismo,


de Biocentrismo, de Meio Ambiente, de Direito Ambiental e
de Bem Ambiental;
»» Entender a Classificação do Direito Ambiental;
»» Compreender os Princípios do Direito Ambiental.

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Introdução

Para a compreensão adequada da legislação ambiental, antes se faz necessário conhecimento


das características do meio ambiente e da Teoria Geral do Direito Ambiental, as quais
proporcionarão uma base sólida para o entendimento da legislação ambiental, constitucional e
infraconstitucional.
Nesse sentido, é importante que você conheça as seguintes características do ambiente:
a) Interdependência de todas as formas de vida
Todos os seres estão interconectados e são interdependentes, formando a teia da vida.
Ao se afetar uma parte, outra parte e o todo são afetados. O que dá suporte à vida é a
natureza, a biodiversidade. Todos os seres exercem uma função ecológica. É impossível a
separação das cadeias construtivas de todas as estruturas orgânicas e inorgânicas, isto
é, o ser humano é capaz de conhecer as estruturas de funcionamento do meio ambiente,
mas é incapaz de prever quais poderão ser os efeitos do funcionamento conjunto destas
estruturas ou dos efeitos se houver impactos na parte ou no todo.

b) Autonomia
O meio ambiente subsiste independentemente da presença do ser humano e é regido por

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leis próprias. A natureza já existia seja por poluição ambiental, seja por
antes do surgimento do ser humano eliminação ou introdução de espécies
surgir e muito provavelmente animais e vegetais, sendo impossível
continuará a existir se houver a antecipar as consequências, pois a
extinção da humanidade. natureza se comporta de forma não
linear e auto-organizável, não se
podendo predizer ou controlar de que
c) Complexidade maneira os processos que iniciamos
Trata-se do funcionamento conjunto irão se desenvolver.
de várias estruturas que fixam as
relações internas inseparáveis. É
representada por meio da diversidade d) Necessário
dos ecossistemas que, naturalmente Sem meio ambiente, não pode
estabelecidos, mantém o equilíbrio subsistir a vida, nem humana, nem
ecológico, o qual, por sua vez, não humana. O meio ambiente é
propicia a vida em todas as suas indispensável à vida.
formas. O meio ambiente pode ser
desestabilizado pela ação humana,

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1. Antropocentrismo, biocen-
trismo, meio ambiente, direito
Para saber mais ambiental e bem ambiental.
Teoria de Gaia: é uma visão da Terra apresentada
nos anos 1980 que a considera um sistema O termo antropocentrismo tem origem
autorregulador constituído pela totalidade de no grego anthropos (o homem) e do latim
organismos, rochas de superfície, o oceano centrum (centro). Segundo esse conceito,
e atmosfera, firmemente acoplados como o homem está no centro de todas as
um sistema em evolução. Tal sistema tem um relações. A preocupação única e exclusiva
objetivo: a regulação das condições de superfície é com o bem-estar dos seres humanos,
de maneira a ser sempre o máximo possível podendo ele se apropriar dos recursos
favorável à vida contemporânea (LOVELOCK, ambientais para o seu interesse exclusivo,
James. Gaia: alerta final. São Paulo: Intrínseca, sem preocupação com os demais seres
2010. p. 244). vivos, que são apenas instrumentos. Assim,
a natureza é um bem coletivo essencial
que deve ser preservado somente como
garantia de sobrevivência e bem-estar do
homem. O homem é a referência máxima

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e absoluta de valores. O mundo natural tem valor apenas quando atende aos interesses da
espécie humana, vale dizer, a natureza tem valor instrumental.
O antropocentrismo tem como desdobramento o antropocentrismo alargado. Nele, o homem
continua sendo o centro das atenções e preocupações, contudo, apresenta uma visão que
conjuga a interação da espécie humana com os demais seres vivos, sem uma relação de
superioridade, como no antropocentrismo clássico, e estabelece uma relação ética com os
demais seres vivos, uma vez que somente com a proteção dos animais e das plantas é possível
legar às futuras gerações um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Mesmo mantendo
as discussões a respeito de ambiente na figura do ser humano, defende novas visões do bem
ambiental. Desse modo, centra a preservação ambiental na garantia da dignidade do próprio
ser humano, contudo, sem uma visão estritamente econômica do ambiente. O “alargamento”
dessa visão antropocêntrica está fundado em considerações que imprimem ideia de valor dado
ao ambiente como requisito para a garantia de sobrevivência da própria espécie humana. O
intuito é alcançar maior equilíbrio na utilização dos recursos naturais, protegendo-se o meio
ambiente em função dos interesses do ser humano.

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Para saber mais
Especismo é o entendimento de que uma espécie, no caso a humana, tem o direito de explorar,
escravizar e matar as demais espécies por serem elas inferiores. É a atribuição de valores ou direitos
diferentes a seres dependendo da sua afiliação a determinada espécie. O termo é usado para
se referir à discriminação que envolve atribuir a animais sencientes diferentes valores e direitos
baseados na sua espécie (https://pt.wikipedia.org/wiki/Especismo, acesso em 20/07/2015).

No biocentrismo, o homem não é superior aos outros seres vivos, mas parte integrante da
natureza, sendo mais um integrante do ecossistema, mantendo todos eles uma relação de
interdependência. O centro das relações não é a humanidade, mas todos os seres vivos.
A natureza pertence a todos e não apenas ao homem. Fauna, flora e biodiversidade são
merecedores de especial proteção e devem ter direitos semelhantes aos dos seres humanos,
possuem valor intrínseco e não meramente instrumental. A vida é considerada um fenômeno
único, o que acarreta uma consideração e respeito também aos seres vivos não humanos.

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- Conceito de Meio Ambiente

O meio ambiente é considerado como “um patrimônio público a ser necessariamente


assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo” (art. 2º, I, da Lei 6.938/81).
A Lei 6.938/81 conceituou o meio ambiente como “o conjunto de condições, leis, influências e
interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as
suas formas” (art. 3º, I).
É o conjunto de relações (físicas, químicas e biológicas) entre os elementos vivos (bióticos) e
não vivos (abióticos) as quais são responsáveis pela manutenção, pelo abrigo e pela regência de
todas as formas de vida nele existentes.
O conceito da Lei 6.938/81 tem por finalidade a proteção, o abrigo e a preservação de todas as
formas de vida, por meio do resguardo do equilíbrio do ecossistema, abrangendo, contudo, tão
somente o conceito de meio ambiente natural, vale dizer, aspectos de ordem física, química e
biológica, não cuidando de outros elementos.
Entretanto, o conceito de meio ambiente deve ser amplo, aglutinador e totalizante,
compreendendo aspectos bióticos (fauna e flora – seres vivos), abióticos (físicos e químicos –
não vivos), bem como os econômicos, sociais e culturais, que permitem a vida em todas as suas
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formas. Dessa forma, o meio ambiente é formado
A Resolução CONAMA 306/2002 apresenta pela terra, a água, o ar, a flora e a fauna,
a seguinte definição totalizante: meio as edificações, as obras de arte e os
ambiente é o “conjunto de condições, elementos subjetivos e evocativos (por
leis, influências e interações de ordem exemplo, a beleza da paisagem, a beleza
física, química, biológica, social, cultural e natural ou a recordação do passado), assim
urbanística, que permite, abriga e rege a como as inscrições, marcas ou sinais de
vida em todas suas formas” (Anexo I, XII). acontecimentos naturais ou da presença
de antepassados, as belezas artificiais,
Para José Afonso da Silva, meio ambiente o patrimônio histórico, paisagístico,
é “a interação do conjunto de elementos monumental, arqueológico, bem como dos
naturais, artificiais e culturais que elementos urbanísticas.
propiciem o desenvolvimento equilibrado
da vida em todas as suas formas A O meio ambiente, bem de uso comum
integração busca assumir uma concepção do povo, é um bem jurídico autônomo,
unitária do ambiente, compreensiva dos indisponível, indivisível, insuscetível de
recursos naturais e culturais” (Direito apropriação, de natureza difusa, que
ambiental constitucional, p. 20). transcende a tradicional classificação dos
bens em público (das pessoas jurídicas de
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direito público) e privados, pois toda a coletividade é titular desse direito.
Em suma, o meio ambiente é:
Quanto ao objeto: indivisível.
Quanto à titularidade: indeterminada.
Quanto à forma: autônomo, necessário, complexo, interdependente.
Quanto ao interesse: difuso.
Quanto à finalidade: sadia qualidade de vida das presentes e futuras gerações; dignidade
humana.

- Conceito de Direito Ambiental

O Direito Ambiental constitui um ramo do direito que estuda, protege e ordena o uso dos
recursos naturais, artificiais, culturais e do trabalho com a finalidade de manutenção da sadia
qualidade de vida das presentes e futuras gerações por meio da manutenção, preservação
e recuperação do equilíbrio ecológico, vale dizer, é o ramo do direito positivo que regula as
relações entre os indivíduos, os governos e as empresas com o meio ambiente, visando a

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compatibilizar os aspectos econômicos, jurisprudência concernentes aos elementos
culturais, científicos, sociais e ecológicos, que integram o meio ambiente. Procura
com a melhoria das condições ambientais e evitar o isolamento dos temas ambientais
de bem-estar da população. e sua abordagem antagônica. Não se trata
É composto por princípios e regras que mais de construir um direito das águas,
regulam as condutas humanas que afetam um direto da atmosfera, um direito do
o meio ambiente. solo, um direito florestal, um direito da
fauna ou um direito da biodiversidade. O
Possui um aspecto objetivo (conjunto Direito Ambiental não ignora o que cada
de normas disciplinadoras do meio matéria tem de específico, mas busca
ambiente) e outro científico (conhecimento interligar estes temas com a argamassa da
sistematizado das normas e princípios identidade dos instrumentos jurídicos de
ordenadores e reguladores da qualidade do prevenção e de reparação, de informações,
meio ambiente). de monitoramento e de participação”
Conforme ensinamento de Paulo Affonso (Direito Ambiental Brasileiro, p. 54).
Leme Machado, o “Direito Ambiental O Direito ambiental tem como objeto maior
é um direito sistematizador, que faz a a proteção de todas as formas de vida e a
articulação da legislação, da doutrina e da qualidade dessa mesma vida.
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O Direito Ambiental é um dos ramos mais administrativo, direito processual,
importantes do Direito, pois sem ele não direito tributário, direito econômico,
existem os outros direitos. De fato, o direito constitucional), bem como não
direito ao meio ambiente ecologicamente jurídicas (biologia, economia, sociologia,
equilibrado é um direito que constitui o engenharia, oceanografia, ecologia,
ponto de partida, pressuposto e suporte geologia, genética). Também é um Direito
para o exercício dos outros direitos, de interações, pois as normas ambientais
situando-se num degrau anterior e se imiscuem nas demais normas jurídicas,
superior à maioria dos direitos subjetivos, obrigando que se leve em consideração
os quais lhe devem obediência, pois a proteção ambiental em cada um dos
sem o meio ambiente ecologicamente demais ramos do Direito e por isso tende
equilibrado não há vida, saúde, lazer, a penetrar em todos os sistemas jurídicos
segurança, trabalho, moradia, mobilidade existentes para os orientar num sentido
etc. ambientalista.
É uma das disciplinas mais recentes do No Brasil, o Direito Ambiental nasce com a
curso de direito e seu conhecimento edição da Lei da Política Nacional do Meio
envolve toda uma série de outras Ambiente em 1981 (Lei 6.938/81), com a
disciplinas jurídicas (direito penal, direito incorporação de valores ecológicos e com a
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sistematização da matéria ambiental no ordenamento jurídico brasileiro.
Não havia Direito Ambiental na acepção moderna antes da década 1970, uma vez que foi a
partir de tal momento que se deu a consagração dos valores e direitos ecológicos de forma
autônoma e sistematizada. O paradigma é a Conferência da ONU, realizada em Estocolmo,
sobre o Meio Ambiente em 1972.

- Conceito de Bem Ambiental

Bem ambiental é caracterizado por ser um bem de uso comum do povo e essencial à sadia
qualidade de vida, consistindo no equilíbrio ecológico (macrobem ambiental) e é o objeto
do direito ambiental. O equilíbrio ecológico (macrobem ambiental) é constituído por partes
(microbem ambiental), como a água, o ar, os animais, os vegetais etc., que em relação e
interação permitem a abrigam todas as formas de vida.
Dessa forma, o direito ambiental visa a proteger o equilíbrio da interação de diversos fatores
bióticos e abióticos.
Protegem-se os elementos bióticos e abióticos (microbens ambientais) e sua respectiva

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interação, para se alcançar a proteção do meio ambienta ecologicamente equilibrado
(macrobem ambiental), porque este bem é responsável por todas as formas de vida.
Qualquer dano ao meio ambiente agride o equilíbrio ecológico.
O equilíbrio ecológico não é estático, vale dizer, trata-se de um equilíbrio dinâmico e só existe
porque ele é um produto da combinação (química, física e biológica) de diversos fatores,
bióticos (fauna, flora e diversidade biológica) e abióticos (ar, água, terra, clima) que, interagindo
entre si, nele resultam.
Embora seu objeto de proteção seja o equilíbrio ecológico (macrobem ambiental), o direito
ambiental cuida também da função ecológica exercida pelos fatores ambientais bióticos e
abióticos.
O bem ambiental pertence ao povo, estando atado em um liame que une cada pessoa. Não
é possível identificar cada um dos componentes do povo que é titular desse bem, sendo seus
titulares indetermináveis.

2. Classificação do direito ambiental

O meio ambiente pode ser classificado em:


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a) Meio ambiente físico ou natural art. 3º, I, da Lei 6.938/81). Nele se
b) meio ambiente cultural dá a correlação recíproca entre as
espécies e as relações destas com o
c) meio ambiente artificial ambiente físico que ocupam.
d) meio ambiente do trabalho Não é fruto da racionalidade
a) Meio ambiente natural ou físico: humana, mas efeito do
é aquele constituído por todos os surgimento espontâneo. Existe
elementos bióticos e abióticos que impendentemente de qualquer
se encontram originalmente na intervenção humana no meio natural.
natureza: fauna, flora, a atmosfera, Encontra proteção mediata no art.
os estuários, o mar territorial, o solo, 225, caput, da CF e imediata nos
o subsolo, a água, o ar, os recursos arts. 23, e VII 225, §1º, I, III e VII, da
minerais, as florestas, o patrimônio Constituição Federal.
genético, a biosfera.
b) Meio ambiente artificial: é o
Representa as conformações físicas, espaço urbano construído pelo
químicas e biológicas interligadas homem, as cidades, as edificações,
às formas de vida (definição do os equipamentos públicos, com seus

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espaços abertos, tais como ruas, constituindo-se pelo patrimônio
pontes, praças e parques e espaços histórico, artístico, arqueológico,
fechados, como as escolas, museus paisagístico, turístico, etnográfico,
e teatros. Eram espaços naturais folclóricas e populares brasileiras,
que foram modificados e adaptados que embora artificial como obra do
para o atendimento dos interesses ser humano, difere dele, pelo sentido
humanos. de valor especial que adquiriu ou de
Possui proteção nos arts. 5º, XXIII; que se impregnou. Traduz a história
21, XX; 170, III; 182; 183 e 225 da de um povo, sua formação e os
Constituição Federal e Lei 10.257/01 próprios elementos identificadores
(Estatuto da Cidade). de sua cidadania.

c) Meio ambiente cultural: são bens Possui regulação nos arts. 215, 216
de natureza material ou imaterial, e 225 da Constituição Federal e no
tomados individualmente ou sem Decreto 25/37.
conjunto, que refletem a identidade, d) Meio ambiente do trabalho:
a ação, a formação, a memória, constitui o local onde as pessoas
bens e valores dos diferentes grupos desempenham suas atividades
formadores da sociedade brasileira, laborais. Integra a proteção do
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homem em seu local de trabalho, de sua saúde, segurança, prevenção de acidentes,
salubridade, condições atmosféricas, ergonomia, higiene, incolumidade físico-psíquica.
Tem previsão de tutela imediata no art. 200, VIII, e 7º, XXII, XXIII e XXXIII, da Constituição
Federal e tutela mediata no art. 225 da Constituição Federal e art. 6º, III e V, da Lei
8.080/90.

Link
O IBAMA é o órgão executivo do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA).
Disponível em <http://www.ibama.gov.br/>

O CONAMA é o órgão consultivo e deliberativo do Sistema Nacional do Meio


Ambiente (SISNAMA). Disponível em <http://www.mma.gov.br/port/
conama/>

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3. Princípios do direito ambiental

- Meio Ambiente Ecologicamente Equilibrado

O equilíbrio ambiental é o macrobem ambiental.


Consubstancia-se na conservação das propriedades e das funções naturais do meio
ambiente, de forma a permitir a existência, a evolução e o desenvolvimento dos seres
vivos. Visa à capacidade de renovação da Natureza e a sadia qualidade de vida.

- Função Socioambiental da Propriedade

Consiste na obrigatoriedade imposta ao proprietário de utilizar os recursos naturais


existentes em sua propriedade particular de forma racional e proporcional, para a
manutenção da sadia qualidade de vida das presentes e futuras gerações.

- Princípio da prevenção

É o dever imposto a todos (Poder Público, coletividade e cidadão) em defender a sadia


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qualidade de vida para as presentes e futuras gerações, enfatizando a prioridade que
deve ser dada à medida que previnam (e não reparem) a degradação ambiental, evitando-
se que o dano possa chegar a produzir-se.
Aplica-se quando se tem base científica para prever os danos ambientais decorrentes
de determinada atividade lesiva ao meio ambiente, quando o dano é conhecido, certo,
quando existe perigo concreto.

- Princípio da precaução

Na ausência de certeza técnica ou científica quanto à potencialidade danosa de uma


conduta ao meio ambiente, mesmo assim devem-se tomar as cautelas necessárias para
impedir a degradação ambiental.
Assim, no princípio da precaução o que se configura é a ausência de informações ou
pesquisas científicas conclusivas sobre a potencialidade e os efeitos de uma intervenção
no meio ambiente. Existe a incerteza científica, a incerteza sobre os efeitos do dano
potencial e não obstante, faz-se necessária a adoção de medidas para afastar o perigo
abstrato.

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lucros e se socializem os prejuízos.
Caberá ao poluidor prevenir,
Link ressarcir, compensar ou reparar o
“O princípio da precaução no Direito Ambiental”. dano causado, não apenas a bens
Disponível em: <http://jus.com.br/revista/ e pessoas, mas também à própria
texto/5879/o-principio-da-precaucao-no- natureza.
direito-ambiental>. Acesso em 21 jul. 2015.
Tem como fundamento a
internalização dos custos sociais
- Princípio do poluidor- da atividade produtiva, vale dizer a
pagador internalização das externalidades
negativas.
Deve o poluidor responder pelos
custos sociais da degradação
causada por sua atividade - Princípio do usuário-pagador
impactante, da poluição por ele
causada, devendo-se agregar esse O usuário de recursos naturais deve
valor no custo produtivo da atividade, pagar por sua utilização, mesmo que
para evitar que se privatizem os não haja dano ambiental.
24/347 Unidade 1 • Teoria geral do direito ambiental
- Princípio da informação e no- Consiste no direito das pessoas
tificação participarem ativamente do debate, da
formulação, das decisões, da execução e da
O Princípio da Informação consiste fiscalização das políticas ambientais, em
na obtenção de dados sobre o meio observância à democracia participativa,
ambiente, conferindo acesso às uma vez que os danos ambientais são
informações oficiais, bem como as transindividuais.
notícias apresentadas nos meios de
A participação comunitária se desdobra
comunicação de massa.
em três aspectos:
Pelo Princípio da notificação, impõe-
a) esfera administrativa; b) esfera
se ao poluidor de cientificar o Poder
legislativa; c) esfera judicial.
Público e a coletividade no caso da
ocorrência de danos ambientais. a) esfera administrativa: audiências
e consultas públicas, participação
- Princípio da participação co- em órgãos colegiados (conselhos de
munitária (Princípio Democrá- meio ambiente), direito de petição
aos órgãos públicos ambientais,
tico)
direito de informação, estudo prévio

25/347 Unidade 1 • Teoria geral do direito ambiental


de impacto ambiental. execução da política do ambiente,
b) âmbito legislativo: plebiscito, bem como a cooperação entre os
referendo e iniciativa popular de países.
projeto de lei, audiência pública.
- Princípio da ubiquidade
c) esfera judicial: mandado de
segurança, ação popular e ação civil Ubiquidade significa fato de estar ou
pública. existir em todos os lugares, pessoas,
d) outras esferas: associações, blogs, coisas; é a qualidade do que está em
internet, ONGs, amicus curiae. toda a parte, é o que está presente
em todas as partes, onipresente.
- Princípio da cooperação No direito ambiental, ubiquidade
significa colocar as questões
A resolução dos problemas do ambientais no epicentro dos direitos
ambiente depende da cooperação humanos. O bem ambiental é
entre o Estado e a sociedade, por onipresente, de forma que uma
meio da participação dos diferentes agressão ao meio ambiente em
grupos sociais na formulação e determinada localidade é capaz de
26/347 Unidade 1 • Teoria geral do direito ambiental
trazer reflexos negativos em todo o planeta. Não existem fronteiras quando há impacto
ambiental.

Para saber mais


O nosso planeta é indivisível. Na América do Norte, respiramos oxigênio gerado na
floresta tropical brasileira. A chuva ácida das indústrias poluentes no meio-oeste-norte
americano destrói florestas canadenses. A radioatividade de um acidente nuclear na
Ucrânia compromete a economia e a cultura na Lapônia. A queima de carvão na China
aquece a Argentina. Os clorofluorcarbonetos liberados por um ar condicionado na
Terra- Nova ajudam a causar câncer de pele na Nova Zelândia. Doenças se espelham
rapidamente até os pontos mais remotos do planeta e requerem um trabalho médico
global para serem erradicadas. E, sem dúvida, a guerra nuclear e um impacto de asteroide
representam um perigo para todo mundo. Gostando ou não, nós humanos, estamos
ligados com nossos colegas humanos e com as outras plantas e animais em todo o
mundo. As nossas vidas estão entrelaçadas (SAGAN, Carl. Bilhões e bilhões: reflexões sobre
a vida e morte na virada do milênio. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, p. 82)

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- Princípio do acesso adequa- habitantes da Terra.
do/equitativo aos recursos na-
turais - Princípio do desenvolvimento
sustentável
Deve existir controle racional,
razoável e proporcional na O desenvolvimento sustentável é
exploração dos recursos naturais, a aquele que atende as necessidades
fim de que estejam presentes para a do presente sem comprometer
manutenção da biodiversidade para a possibilidade de as gerações
as presentes e futuras gerações. futuras atenderem a suas próprias
Se a utilização não for razoável ou necessidades (Relatório Brundtland).
necessária, deve-se negar o uso, As gerações presentes devem
mesmo que os bens não sejam buscar o seu bem-estar por meio
altamente escassos. do crescimento econômico e social,
Os bens que integram o meio mas sem comprometer os recursos
ambiente planetário, como água, naturais fundamentais para a
ar e solo, devem satisfazer as qualidade de vida das gerações
necessidades comuns de todos os subsequentes.
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Tem como pilar a harmonização das um Planeta com recursos suficientes
seguintes vertentes: crescimento para permitir a manutenção e
econômico, proteção do meio desenvolvimento da vida e uma igual
ambiente e equidade social capacidade de autodeterminação
(progresso social). Ausente qualquer quanto à utilização dos recursos
um desses elementos, não se terá ambientais
desenvolvimento sustentável.
- Princípio da educação am-
- Princípio da solidariedade in- biental
tergeracional
É o processo por meio do qual o
Trata-se da ética intergeracional. indivíduo e a coletividade constroem
Compete à presente geração valores sociais, conhecimentos,
se utilizar dos recursos naturais habilidades, atitudes e competências
disponíveis sem comprometer voltadas para a conservação do meio
a capacidade de suporte e ambiente, bem de uso comum do
sobrevivência das gerações futuras. povo, essencial à sadia qualidade de
Devemos legar às futuras gerações vida e sua sustentabilidade.

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Visa a esclarecer e envolver a Como o direito ao meio ambiente
comunidade no processo de ecologicamente equilibrado é
responsabilidade com o meio direito fundamental, as garantias
ambiente, com a finalidade de de proteção ambiental, uma vez
desenvolver a percepção e a conquistadas, não podem recuar. Não
consciência da necessidade de é possível o recuo da salvaguarda
defender e proteger o meio ambiente. ambiental para níveis de proteção
inferiores ao já consagrados.
- Princípio da Reparação

Determina a obrigação do poluidor


de reparar ou recuperar o dano Link
ambiental, em decorrência de Vídeo: https://www.youtube.com/
atividade prejudicial por ele realizada. watch?v=3c88_Z0FF4k

- Princípio da vedação de re-


trocesso ecológico

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Glossário
Poluidor: é toda pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta
ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental (art. 3º, IV, da Lei
6.938/81).
Poluição: é a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou
indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem
condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente
a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem
matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos (art. 3º III da
Lei 6.938/81).
Recursos ambientais: a atmosfera, as águas interiores, superficiais e subterrâneas, os
estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo, os elementos da biosfera, a fauna e a flora
(art. 3º, V, da Lei 6.938/81).

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?
Questão
para
reflexão

Como você aprendeu, o Direito Ambiental é regido


por diversos princípios. A legislação ambiental
encaminhava-se para uma crescente proteção.
Contudo, e uns anos para cá, houve certa flexibilização
e retrocesso na legislação ambiental. Com base nos
Princípios do Direito Ambiental, e principalmente
no Princípio da Vedação de retrocesso, reflita sobre
o conteúdo e alcance desse importante princípio,
colhendo exemplos práticos na legislação ambiental
brasileira.

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Considerações Finais

»» A interpretação e aplicação do Direito Ambiental podem ser realizadas


por meio de uma visão Antropocêntrica ou de uma visão Biocêntrica;
»» O objeto de seu estudo é o bem ambiental, bem de uso comum e
essencial à sadia qualidade de vida, que corresponde ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado (macrobem ambiental);
»» O Meio Ambiente pode ser classificado em meio ambiente natural,
meio ambiente artificial, meio ambiente cultural e meio ambiente do
trabalho;
»» Os Princípios do Direito Ambiental são vetores fundamentais de sua
interpretação e aplicação.

33/347
Referências

ANTUNES, Paulo de Bessa. Direito ambiental. 14ª ed. São Paulo: Atlas, 2012.
CAPRA, Fritjof. A teia da vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. São Paulo:
Cultrix, 2006.
LOVELOCK, James. Gaia: alerta final. São Paulo: Intrínseca, 2010.
MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro. 17ª ed. rev. atual. e ampl. São
Paulo: Malheiros, 2009.
RODRIGUES, Marcelo Abelha. Direito ambiental esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2013.
SAGAN, Carl. Bilhões e bilhões: reflexões sobre a vida e morte na virada do milênio. São Paulo:
Companhia das Letras, 2008.
SARLET. Ingo Wolfgang. Direito ambiental: introdução, fundamentos e teoria geral. Tiago
Fensterseifer. São Paulo: Saraiva, 2014.
SILVA, José Afonso. Direito Ambiental Constitucional. 10ª ed. São Paulo: Malheiros, 2013.
SINGER, Peter. Libertação animal. São Paulo: Martins Fontes, 2010.
THOMÉ, Romeu. Manual de direito ambiental. 4ª ed. Salvador: Juspodium, 2014.

34/347 Unidade 1 • Teoria geral do direito ambiental


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Ambiental – Bloco I  Ambiental– Bloco II
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Questão 1
1. Podemos classificar o meio ambiente em:

a) Natural, artificial, mineral e cultural.


b) Natural, eletrônico, cultural, e do trabalho.
c) Natural, artificial, cultural e do trabalho.
d) Mineral, vegetal, animal e micro-organismos.
e) Artificial, urbano, mineral, animal e vegetal.

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Questão 2
2. São princípios do Direito Ambiental:

a) Prevenção, anterioridade, usuário-pagador e do contraditório.


b) Cooperação, participação, informação e presunção de inocência.
c) Vedação de retrocesso, desenvolvimento sustentável, boa-fé e igualdade.
d) Poluidor-pagador, desenvolvimento sustentável, precaução e solidariedade
intergeracional.
e) Legalidade, poluidor-pagador, impessoalidade e moralidade.

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Questão 3
3. Caracteriza o bem ambiental:
a) A fauna e a flora.
b) O solo, o ar e a água.
c) A biodiversidade.
d) Os recursos ambientais econômicos.
e) Bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida.

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Questão 4
4. O Princípio do Poluidor-Pagador se caracteriza da seguinte forma:
a) É o direto de pagar para poluir.
b) Consiste na internalização das externalidades negativas.
c) Representa o dever de indenizar pelo dano ambiental.
d) É a obrigação de pagar pelo impacto ambienta.
e) É o dever de pagar pelo recurso natural utilizado economicamente.

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Questão 5
5. O princípio da ubiquidade significa:
a) A obrigatoriedade de cooperação em duas esferas, seja no âmbito interno entre os
estados-membros, municípios, Distrito Federal e União, seja no âmbito internacional, entre os
Países.
b) A solidariedade intergeracional, sendo que as gerações presentes deverão suprir suas
necessidades sem comprometer o suprimento das necessidades das futuras gerações.
c) O dever de indenizar por parte do poluidor, pessoa física ou jurídica, de direito público ou
privado, pelos danos diretos ou diretos causados ao meio ambiente.
d) Colocar as questões ambientais no epicentro dos direitos humanos, o meio ambiente é
onipresente, de forma que uma agressão ao meio ambiente em determinada localidade é capaz
de trazer reflexos em outras localidades.
e) Aplicar a prevenção e a precaução, ou seja, não deixar de tomar medidas mitigadoras dos
impactos ambientais, sejam eles já conhecidos pela ciência, sejam eles desconhecidos.

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Gabarito

1. Resposta: C. consumidor, o Princípio da igualdade é


do direito constitucional, os Princípios da
Conforme classificação doutrinária impessoalidade e moralidade do direito
majoritária, o meio ambiente pode ser administrativo.
classificado em natural (ou físico), artificial,
cultural e do trabalho. 3. Resposta: E.

2. Resposta: D. O bem ambiental é caracterizado por ser


bem de uso comum do povo e essencial à
Os Princípios do Poluidor-pagador, do sadia qualidade de vida, sendo o objeto do
desenvolvimento sustentável, da precaução Direito Ambiental. Trata-se do macrobem
e da solidariedade intergeracional são ambiental que consiste no equilíbrio
essencialmente do Direito Ambiental. O ecológico. As outras respostas se referem
Princípio da anterioridade é do Direito ao microbem ambiental (fauna, flora, ar,
Processual, o Princípio do contraditório água etc.).
do processo civil, o Princípio da presunção
de inocência do direito processual penal, 4. Resposta: B.
o Princípio da boa-fé do direito civil e do

41/347
Gabarito
O Princípio do poluidor-pagador nuclear, que pode ocorrer em um país, mas
caracteriza-se pelos custos desde a seus efeitos serem sentidos em outros.
extração até a venda dos produtos, os
quais não entram nos custos internos da
atividade, como por exemplo, a poluição,
as doenças causadas pela atividade etc.
Pelo princípio, o poluidor deverá arcar
com esses custos, ou seja, internalizar as
externalidades negativas.

5. Resposta: D.

O princípio da ubiquidade é a característica


do meio ambiente de estar em todos os
lugares ao mesmo tempo, significando
que para ele não há fronteiras, como
por exemplo, no caso da poluição, que é
transfronteiriça, por vazamento de usina

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Unidade 2
A Ordem Constitucional do Meio Ambiente

Objetivos

»» Conhecer o Estado Socioambiental e Democrático de


Direito;
»» Entender o Direito Ambiental como Direito Difuso e
Fundamental;
»» Compreender o art. 225 da Constituição Federal.

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Introdução

O ordenamento jurídico se estrutura de forma piramidal. A Constituição Federal situa-se


na cúspide da pirâmide, vale dizer, está acima de toda a legislação. Todas as leis, decretos,
portarias, provimentos, resoluções devem guardar compatibilidade com a constituição e dela
tiram seu fundamento de validade.
Nesse sentido, para a adequada intepretação e aplicação de qualquer legislação, inclusive a
ambiental, imprescindível você conhecer as respectivas regras constitucionais.
No que tange ao direito ambiental, após a realização da Primeira Conferência das Nações
Unidas sobre o Meio Ambiente em Estocolmo, no ano de 1972, houve uma crescente tendência
mundial na positivação constitucional das normas protetivas do meio ambiente. Começaram a
nascer as constituições “verdes” ou o esverdeamento das constituições.
Em decorrência, passaram a surgir os Estados Ambientais ou os Estados Socioambientais de
Direito.
No Brasil, a CF/88 foi a primeira Constituição Brasileira a utilizar expressão “meio ambiente”.
É a primeira a dispor, em capítulo próprio, sobre a proteção do meio ambiente e dos recursos
naturais, como objeto de proteção. De fato, ela inovou em relação às Constituições anteriores,
as quais apenas abordavam os recursos naturais sob o enfoque utilitarista e não protecionista.

44/347 Unidade 2 • A Ordem Constitucional do Meio Ambiente


de proteção ambiental e cargo do Estado
As disposições sobre meio ambiente na
brasileiro (em relação a todos os entes
CF/88 estão inseridas no Título VIII (Da
federados) e, sobretudo, a atribuição
ordem social), Capítulo VI.
de status jurídico-constitucional de
A Constituição Federal de 1988 inaugurou direito-dever fundamental ao ambiente
a fase da constitucionalização da proteção ecologicamente equilibrado colocam os
ambiental. A inovação trazida por esse valores ecológicos no “coração” do Direito
período diz respeito à centralidade que os Brasileiro, influenciando todos os ramos
valores e direitos ecológicos passaram a jurídicos, inclusive a ponto de implicar
ocupar no ordenamento jurídico brasileiro, limites a outros direitos (fundamentais ou
o que representa uma “virada ecológica” não). Alinha-se a isso tudo também uma
de índole jurídico-constitucional. A nova dimensão ecológica na conformação
proteção do ambiente – e, portanto, a do conteúdo normativo do princípio da
qualidade, o equilíbrio e a segurança dignidade da pessoa humana (SARLET. Ingo
ambiental – passam a integrar a nossa Wolfgang. Direito ambiental: introdução,
estrutura normativa constitucional e, com fundamentos e teoria geral. Tiago
isso, a assegurar um novo fundamento Fensterseifer. São Paulo: Saraiva, 2014).
para toda a ordem jurídica interna. A
Dessa forma, ficou consagrada a proteção
consagração do objetivo e dos deveres
45/347 Unidade 2 • A Ordem Constitucional do Meio Ambiente
ambiental como um dos objetivos ou tarefas fundamentais do Estado Socioambiental de
Direito.
É na Constituição Federal que se encontram enraizados os princípios fundamentais do Direito
Ambiental, os quais se projetam para todo o ordenamento jurídico, que lhe deve obediência
direta.
Toda e qualquer norma que vise à tutela do entorno deve ser interpretada e aplicada de acordo
com os valores constitucionais ambientais, possibilitando-se a existência de um sistema
uniforme de proteção ao meio ambiente.
Com a CF/88 é que o direito ambiental se consolidou definitivamente como ciência autônoma.

Para saber mais


A proteção direta do meio ambiente encontra-se em um único artigo, com seus
parágrafos e incisos, na Constituição Federal (art. 225). A proteção indireta ou mediata
do meio ambiente na Constituição Federal pode ser encontrada nos arts. 20, X; 23, VI; 24,
VI e VIII; 129, III; 170, VI; 174, §3º; 182; 184; 186, II; 200, VIII; 216; 220, §3º.

46/347 Unidade 2 • A Ordem Constitucional do Meio Ambiente


1. Direito ambiental como direi- chamada fundamentabilidade material,
to difuso e fundamental são direitos fundamentais. O art. 5º,
§2º, da Constituição Federal, institui um
O direito ambiental faz parte da 3ª sistema constitucional aberto de direitos
Dimensão dos Direitos Fundamentais, fundamentais em sentido material.
integrando os Direitos Difusos O meio ambiente foi reconhecido como
(transindividual, indivisível, titulares direito fundamental na Conferência
indeterminados ou indetermináveis ligados das Nações Unidas pelo Meio Ambiente
por circunstância de fato) e de aplicação de 1972 (Princípio 1) e reafirmado na
imediata. Declaração do Rio de 1992 (Princípio 1),
Trata-se de um dos mais importantes bem como em 1997, pela Carta da Terra
direitos fundamentais, intrinsecamente (Princípio 4).
vinculado ao direito à vida. Como o meio ambiente ecologicamente
Lembre-se que os direitos fundamentais equilibrado é direito fundamental, todos os
não são apenas aqueles previstos no art. princípios, atributos, prerrogativas são dos
5º da Constituição Federal. Todos aqueles direitos fundamentais são a ele aplicados,
que repercutirem na estrutura básica do como por exemplo, o instituto da cláusula
Estado e da Sociedade, caracterizando a pétrea (art. 60, IV, da CF), o princípio da
47/347 Unidade 2 • A Ordem Constitucional do Meio Ambiente
vedação de retrocesso e a eficácia horizontal, gozando dos atributos da indisponibilidade,
inalienabilidade, impenhorabilidade, irrenunciabilidade e imprescritibilidade.

Para saber mais


“O direito ao pedido de reparação de danos ambientais, dentro da logicidade
hermenêutica, também está protegido pelo manto a imprescritibilidade, por se
tratar de direito inerente à vida, fundamental e essencial à afirmação dos povos,
independentemente de estar expresso ou não em texto legal. No conflito entre
estabelecer um prazo prescricional em favor do causador do dano ambiental, a fim de lhe
atribuir segurança jurídica e estabilidade com natureza eminentemente privada, e tutelar
de forma mais benéfica bem jurídico coletivo, indisponível, fundamental, que antecede
todos os demais direitos – pois sem ele não há vida, nem saúde, nem trabalho, nem lazer
– o último prevalece, por óbvio, concluindo pela imprescritibilidade do direito à reparação
do dano ambiental” (REsp 1.120.117-AC, Rel. Min. Eliana Calmon, j. 10.11.09).

48/347 Unidade 2 • A Ordem Constitucional do Meio Ambiente


2. O art. 225

O art. 225 da Constituição Federal divide-se em três conjuntos de normas:


a) norma-princípio ou norma-matriz (caput);
b) instrumentos de garantia da efetividade do caput (§1º);
c) determinações particulares (demais parágrafos).

2.1 NORMA-PRINCÍPIO OU NORMA-MATRIZ

Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do
povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o
dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
Existem na Constituição Federal dois objetos de tutela ambiental: um imediato, que é a
qualidade do meio ambiente, e outro mediato, que é a saúde, o bem-estar e a segurança da
população, que vem sintetizado na expressão da sadia qualidade de vida.

49/347 Unidade 2 • A Ordem Constitucional do Meio Ambiente


TODOS TÊM

O Direito ao Meio Ambiente é de cada um, independentemente de qualquer condição ou


qualificação, não se excluindo quem quer que seja. Trata-se de direito público subjetivo,
oponível contra todos (erga omnes) e não somente contra o Estado, aplicando-se a eficácia
horizontal e vertical dos direitos fundamentais.
O alcance constitucional do termo “todos” é controverso; se a qualquer pessoa, brasileiro ou
estrangeiro residente no País ou a qualquer ser vivo, humano ou não.

ECOLOGICAMENTE EQUILIBRADO

É o macrobem ambiental, o qual passou a receber tutela jurídica imediata e autônoma, pelo
valor que representa em si mesmo e para todas as formas de vida. É o bem ambiental.
Equilíbrio ecológico é o estado de equilíbrio entre os diversos fatores que formam um
ecossistema ou habitat, suas cadeias tróficas, vegetação, clima, microrganismos, solo, ar, água,
que pode ser desestabilizado pela ação humana, seja por poluição ambiental, por eliminação ou
introdução de espécies animais e vegetais.

50/347 Unidade 2 • A Ordem Constitucional do Meio Ambiente


A Constituição Federal revela a essencialidade do meio ambiente ecologicamente equilibrado.

BEM DE USO COMUM DO POVO

É um bem autônomo que não pertence ao domínio público ou privado, sendo insuscetível de
apropriação, cabendo ao Poder Público não a sua propriedade, mas sim o dever fundamental de
gerenciá-los, sendo responsável por sua administração e por zelar pela sua adequada utilização
e preservação, em benefício de toda a sociedade, presente e futura.
O conceito de bem de uso comum do povo não se limita àquele do direito administrativo, mas
sim o amplia.
Ao atribuir a característica de “bem de uso comum do povo” ao meio ambiente, teve o
legislador o intuito de reforçar a ideia de interesse transindividual no meio ambiente saudável,
tendo em vista a titularidade coletiva dos bens naturais.

ESSENCIAL À SADIA QUALIDADE DE VIDA

O constituinte associou o meio ambiente à sadia qualidade de vida. Diz respeito à estrutura
finalística do direito ambiental. Ter uma sadia qualidade de vida é ter um meio ambiente não
51/347 Unidade 2 • A Ordem Constitucional do Meio Ambiente
poluído. O constituinte foi além do direito à vida.
É na somatória desses dois aspectos – bem de uso comum do povo e essencial à sadia
qualidade de vida – que se estrutura constitucionalmente o bem ambiental.

PODER PÚBLICO E A COLETIVIDADE

Poder público se refere às três funções do art. 2º da Constituição Federal: legislativo,


executivo e judiciário, em todas esferas e níveis, vale dizer, federal, estadual, municipal e
distrital. Compete ao Poder Público garantir a incolumidade do meio ambiente e, no caso de
degradação, recuperá-lo.
O termo “coletividade” abrange as ONGs e as organizações da sociedade civil de interesse
público e também cada pessoa. Não é papel isolado de o Estado cuidar sozinho do meio
ambiente, pois não pode ser eficientemente executada a tarefa sem cooperação do corpo
social.
Trata-se do gerenciamento compartilhado, democrático, com a participação da coletividade
em todos os órgãos públicos que administrem ou sejam responsáveis por recursos ambientais.

52/347 Unidade 2 • A Ordem Constitucional do Meio Ambiente


PRESENTES E FUTURAS GERAÇÕES

Consagra o Princípio da solidariedade intergeracional e a ética entre as gerações.


Veicula a responsabilidade entre as gerações. A Constituição Federal criou um sujeito de
direitos que ainda não nasceu: as gerações vindouras. Protege-se não apenas a vida atual, mas
também condições de vida e dignidade das próximas gerações.
Assim, deve-se atender as necessidades das presentes gerações sem privar as futuras das suas
parcelas dos recursos ambientais, a fim de manter a sua liberdade de escolha e deliberação
quanto à utilização dos recursos ambientais.

2.2 Instrumentos de garantia de efetividade

Para efetivação do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, o §1º do art. 225
previu uma série de instrumentos e deveres fundamentais, que são impostos ao Poder Público.
São deveres gerais de proteção ambiental impostos ao Estado. Trata-se de rol exemplificativo.
Preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das
espécies e ecossistemas (art. 225, §1º, I).

53/347 Unidade 2 • A Ordem Constitucional do Meio Ambiente


Regulamentado pela Lei 9.985/2000 (Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da
Natureza).
Tais processos tutelados no âmbito constitucional são aqueles essenciais à sobrevivência
da biodiversidade, a qual sustenta e viabiliza a vida, concepção que ultrapassa a fórmula
tradicional da sobrevivência apenas do homem.
Preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as
entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético (art. 225, §1º, II).
Regulamentado pela Lei 11.105/2005 (Lei de Biossegurança) e pela Lei 9.985/2000 (Lei do
Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza),
Entende-se por patrimônio genético o conjunto de material genético, aí compreendido todo
o material de origem vegetal, animal, microbiana ou outra que contenha unidades funcionais
de hereditariedade, com valor real ou potencial, que possa ser importante para as gerações
presentes e futuras (Paulo Affonso Leme Machado).
A Medida Provisória n. 2.186-16/2001 define patrimônio genético: é qualquer informação
de origem genética contida em amostras do todo ou de parte de espécime vegetal, fúngica,
microbiana ou animal, na forma de moléculas e substâncias provenientes do metabolismo

54/347 Unidade 2 • A Ordem Constitucional do Meio Ambiente


desses seres vivos e de extratos obtidos a partir deles, vivos ou mortos, encontrados em
condições in situ, inclusive domesticados, ou mantidos em condições ex situ, desde que
coletados in situ no território nacional, na plataforma continental ou na zona econômica
exclusiva”.

Link
Alimentos transgênicos: <http://www.greenpeace.org/brasil/
transgenicos/>. Acesso em 22 JUL. 2015.

Definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais especialmente protegidos


e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão
permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a
integridade dos atributos que justifiquem sua proteção (art. 225, §1º, III).
Foi regulamentado pela Lei 9.985/2000 que criou o Sistema Nacional de Unidades de
Conservação da Natureza.
São espaços (ou bolsões) que podem ser pequenas ou enormes áreas, reconhecidos e
55/347 Unidade 2 • A Ordem Constitucional do Meio Ambiente
delimitados pelo Poder Público como merecedores de especial proteção, em razão da
importância ecológica que possuem e em função de seus atributos ambientais relevantes,
devendo assegurar sua relativa imodificabilidade ou sua utilização sustentável. Não se protege
um ou outro atributo, mas todos ao mesmo tempo e em conjunto.
Integram o conceito, as unidades de conservação, as áreas de preservação permanente,
a reserva legal, bem como o tombamento ambiental, a servidão ambiental e outras áreas
ambientalmente protegidas.
Poderão essas áreas ser criadas por lei, decreto, portaria ou resolução, mas somente poderão
ser desafetadas, reduzidas os seus limites (alteração) ou a sua supressão total por meio de lei
específica.

56/347 Unidade 2 • A Ordem Constitucional do Meio Ambiente


Para saber mais
o inciso foi objeto de apreciação pelo STF na ADIn 3.540 (j. 1.0.2005), decidindo-se que
somente a alteração e supressão do regime jurídico vinculam-se à reserva de lei em
sentido formal, ao passo que a execução de obras ou serviços depende exclusivamente
de procedimento administrativo próprio. Assim, é possível a supressão de árvores ou
mesmo o licenciamento de atividades e obras em um espaço ambientalmente protegido
sem a necessidade de lei em sentido formal, bastando um procedimento administrativo
próprio. Com esse julgamento, houve diminuição do alcance da proteção dos espaços
territoriais a serem protegidos, pois o Poder Executivo passou a ter o controle
praticamente exclusivo da vida e da morte dos parques, reservas biológicas e áreas de
preservação permanente.

Os órgãos ambientais devem exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade
potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de
impacto ambiental, a que se dará publicidade (art. 225, §1º, IV).
Regulamentado pelas Resoluções CONAMA ns. 1/86 e 237/97.
O Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EPIA ou EIA) é uma modalidade de Avaliação de

57/347 Unidade 2 • A Ordem Constitucional do Meio Ambiente


Impacto Ambiental (AIA). se tratando de discricionariedade da
Busca efetivar os Princípios da prevenção e Administração. O EPIA é inexigível quando
da precaução. se tratar de empreendimento que não
cause significativa degradação ambiental,
O EPIA é sempre prévio à localização, submetendo-se o empreendedor a outros
instalação e operação do empreendimento, estudos ambientais mais simplificados.
atividade e é realizado para subsidiar o Trata-se de procedimento público, vale
procedimento de licenciamento ambiental dizer, todo o conteúdo do EPIA é acessível
de atividades consideradas efetiva ou ao público. Não basta deixar o estudo
potencialmente causadoras de significativa à disposição do público, devendo-se
degradação do meio ambiente. A partir publicar o EPIA em órgão de comunicação,
de seus resultados, pode o Poder Público com o objetivo de se possibilitar aos
autorizar (com limites e exigências) ou interessados que tomem as providências
rejeitar o empreendimento. administrativas/judiciais nos casos de
Não é possível a dispensa do EPIA pelo irregularidade no licenciamento de
órgão ambiental quando se tratar de atividades com significativo potencial
significativo impacto ambiental, devendo degradador.
ser exigido sem qualquer exceção, não

58/347 Unidade 2 • A Ordem Constitucional do Meio Ambiente


Para saber mais
Para saber mais: o STF já declarou a inconstitucionalidade de artigo da Constituição
Estadual do Estado de Santa Catarina que dispensava a realização do EIA no caso de
florestamento ou reflorestamento para fins empresariais (STF, Pleno, ADI 1086/SC, j.
10.8.01, Rel. Min. Ilmar Galvão).

Controle da produção, da comercialização, de técnicas, de métodos e de substâncias que


comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente (art. 225, §1º, V).
Trata-se da gestão dos riscos em matéria ambiental.
É exercido por meio do Poder de Polícia, pelo Poder Público, o qual deverá fiscalizar e orientar
quanto aos limites da exploração e utilização dos recursos ambientais.
O Poder Público deve controlar a produção, comercialização, o emprego de técnicas e
destinação de resíduos sólidos, gases e efluentes, vale dizer, substâncias que comportem risco
para a vida, a qualidade de vida, saúde, a segurança e o meio ambiente, oriundos das atividades
e empreendimentos, públicos ou privados.
59/347 Unidade 2 • A Ordem Constitucional do Meio Ambiente
É obrigação do Poder Público promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino
e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente (art. 225, §1º, VI).
Dispositivo regulamentado pela Lei 9.795/1999.
Trata-se de um dos grandes instrumentos para esclarecer e envolver a comunidade no processo
de responsabilidade com o meio ambiente, com a finalidade de desenvolver a percepção e a
consciência da necessidade de defender e proteger o meio ambiente.
A educação ambiental é concebida como um conjunto de processos por meio dos quais o
indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e
competências voltadas para a conservação do meio ambiente.
A educação deve ser desenvolvida nos aspectos formal e informal.

Impõe-se ao Poder Público proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas
que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou
submetam os animais à crueldade (art. 225, §1º, VII).
Dispositivo regulamentado pela Lei 9.605/98 (Lei de crimes ambientais) e pela Lei 11.794/08
(Lei que regula a Utilização de Animais para fins Científicos e Educacionais).
60/347 Unidade 2 • A Ordem Constitucional do Meio Ambiente
A Constituição Federal ressaltou o papel desempenhado pelos animais e plantas na
manutenção do equilíbrio ecológico, bem como o bem-estar dos animais.
Os principais fatores que contribuem para a perda da biodiversidade e alteração dos serviços
ambientais são: alteração e fragmentação nos hábitats, mudanças climáticas, espécies
exóticas invasoras, superexploração, desmatamento e poluição.

Para saber mais


em relação à crueldade contra os animais, trata-se de abordagem recorrente no STF,
que de forma reiterada tem declarado a inconstitucionalidade de leis estaduais que
franqueiam a realização das brigas e rinhas de galo (ADI 1856 MC/RJ, j. 26.5.11) ou a
farra do boi (RE 153.531 do STF). Encontra punição penal no art. 32 da Lei 9605/98. Por
outro lado, o STF já decidiu mais de uma vez que a vedação à crueldade contra os animais
tem aplicabilidade imediata, independentemente de lei regulamentadora (ADI 1.856 e RE
15.3531).

O texto constitucional fala em “prática”, o que quer dizer que há atos cruéis que acabam
tornando-se hábitos, muitas vezes chamados erroneamente de manifestações culturais.

61/347 Unidade 2 • A Ordem Constitucional do Meio Ambiente


Interpretação da expressão “na forma da lei”: a norma constitucional não fica inerte, sem
aplicação, se a legislação infraconstitucional não lhe der forma. Toda norma constitucional
possui alguma forma de eficácia. Omitindo-se o legislador ou o administrador público, aplica-
se o comando constitucional, que é autoaplicável.
Ao vedar a extinção de espécies ou submissão dos animais à crueldade, sinaliza-se o
reconhecimento, por parte do constituinte, o valor intrínseco de outras formas de vida, vale
dizer, não humanas, protegendo-as, inclusive, contra a ação humana, o que revela que não se
está buscando proteger apenas o ser humano. O constituinte revelou uma preocupação com o
bem-estar dos animais não humanos e a refutação de uma visão meramente instrumental da
vida animal.

62/347 Unidade 2 • A Ordem Constitucional do Meio Ambiente


Link
Análise do projeto de Lei Estadual no 992, de 2011, o qual proíbe o uso e o
sacrifício de animais em práticas de rituais religiosos no Estado de São Paulo
<http://www.revistaseletronicas.fmu.br/index.php/FMUD/article/
view/248>
“Terráqueos”.
Fonte: <https://www.youtube.com/watch?v=wZHOW-HwLmQ>

2.3 Determinações particulares público competente, na forma da lei (art.


225, §2º).
Aquele que explorar recursos minerais Trata da exploração de recursos minerais e
fica obrigado a recuperar o meio recuperação do ambiente degradado
ambiente degradado, de acordo com As atividades de exploração mineral
solução técnica exigida pelo órgão constituem uma das mais significativas

63/347 Unidade 2 • A Ordem Constitucional do Meio Ambiente


intervenções no meio ambiente, com alto Trata da tripla responsabilidade em matéria
grau de degradação. ambiental: civil, penal e administrativa, as
A recuperação do meio ambiente passou, quais são independentes e autônomas as
constitucionalmente, a fazer parte do respectivas sanções.
processo de exploração de recursos A preocupação ambiental é
minerais. Nenhum órgão público poderá essencialmente preventiva, já que os danos
autorizar qualquer pesquisa ou lavra ambientais são, em regra, praticamente
mineral em que não esteja prevista a irreversíveis.
recuperação ambiental. No que se refere à responsabilidade penal,
As condutas e atividades consideradas inovou a constituição com a possibilidade
lesivas ao meio ambiente sujeitarão os de responsabilização penal de pessoa
infratores, pessoas físicas ou jurídicas, jurídica.
a sanções penais e administrativas, A Floresta Amazônica brasileira, a Mata
independentemente da obrigação de Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal
reparar os danos causados (art. 225, §3º). Mato-Grossense e a Zona Costeira são
Dispositivo regulamentado pela Lei patrimônio nacional, e sua utilização
6.938/81 e pela Lei 9.605/98. far-se-á, na forma da lei, dentro de

64/347 Unidade 2 • A Ordem Constitucional do Meio Ambiente


condições que assegurem a preservação constituinte não inseriu outros biomas
do meio ambiente, inclusive quanto ao igualmente importantes, como os campos
uso dos recursos naturais (art. 225, §4º). sulinos (pampas), a caatinga e o cerrado
Regulamentado pela Lei 11.428/06 que e por isso o art. 225, §4º não torna
dispõe sobre a utilização e proteção da permissiva a legislação ambiental nas
vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica áreas não contempladas no texto.
e pela Lei 7.661/88 que institui o Plano O enquadramento como patrimônio
Nacional de Gerenciamento Costeiro. nacional não significou que esses
Trata dos grandes biomas brasileiros biomas foram convertidos em bens da
União. Representa uma qualificadora
São áreas frágeis e possuidoras de da importância dessas áreas, com a
expressiva diversidade biológica. Trata- imposição de regime especial de proteção,
se de proteção genérica, inclusive para a permanecendo sob domínio privado as
defesa de interesses do Brasil diante de áreas particulares.
ingerências estrangeiras, visando a impedir
a internacionalização da Amazônia ou São indisponíveis as terras devolutas
qualquer outra área protegida. ou arrecadadas pelo Estado, por ações
discriminatórias, necessárias à proteção
A crítica apresentada é que o legislador dos ecossistemas naturais (art. 225, §5º,
65/347 Unidade 2 • A Ordem Constitucional do Meio Ambiente
da CF) afetado a uma destinação pública.
Trata da indisponibilidade de terras O dispositivo constitucional tornou
devolutas ou arrecadadas pelos Estados indisponíveis as terras devolutas
Terras devolutas são as terras que não se necessárias à proteção dos ecossistemas
incorporaram legitimamente ao domínio naturais. Da mesma forma, são
particular, bem como as já incorporadas indisponíveis as terras arrecadadas
ao patrimônio público, mas não afetadas a com a mesma importância na proteção
qualquer uso público. ambiental.

As terras devolutas destinadas à As usinas que operem com reator nuclear


conservação da natureza, indispensáveis à deverão ter sua localização definida em
preservação ambiental, são bens da União lei federal, sem o que não poderão ser
(art. 20, II, Constituição Federal), e podem instaladas (art. 225, §6º).
ser classificadas como bens públicos de uso
especial, por possuírem destinação pública Trata das usinas nucleares
específica, qual seja, a proteção dos A instalação de usina nuclear representa
ecossistemas naturais. São bens públicos sempre enorme risco a todas as formas
indisponíveis, por se tratar de bem público de vida. Dessa forma, o local onde será

66/347 Unidade 2 • A Ordem Constitucional do Meio Ambiente


instalada uma usina nuclear é problema que interessa a toda a sociedade brasileira.
Contudo, não representa o único requisito. É necessário, para instalação e operação de usina
com reator nuclear, licenciamento ambiental, com realização de Estudo Prévio de Impacto
Ambiental, entre outras medidas.
Não é possível qualquer atividade nuclear militar.

Link
A sociedade de risco e o desenvolvimento sustentável: desafios à gestão
ambiental no Brasil: <http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/
revistaceaju/article/view/3063>. Acesso em 22 jul. 2015.

67/347 Unidade 2 • A Ordem Constitucional do Meio Ambiente


Glossário
Preservar: consiste no conjunto de métodos, procedimentos e políticas que visam à
proteção, a longo prazo, das espécies, habitats e ecossistemas, além da manutenção dos
processos ecológicos, prevenindo a degradação dos sistemas naturais (art. 2º, V, da Lei n.
9.985/2000).
Restaurar: consiste na restituição de um ecossistema ou de uma população silvestre
degradada o mais próximo possível de sua condição original (art. 2º, XIV, da Lei n.
9985/2000). Trata-se de uma dinâmica de restabelecimento; traduz a ideia de reencontrar
a dinâmica que existia anteriormente.
Processos ecológicos: consiste no conjunto de atos que tipificam os fenômenos
ecológicos que sejam essenciais para a manutenção da vida e do ambiente.
Processos ecológicos essenciais: visa à proteção dos processos vitais que tornam
possíveis as inter-relações entre os seres vivos e o meio ambiente. Ex.: proteção das
cadeias alimentares, dos ciclos das águas, do carbono, do oxigênio, do hidrogênio, do
nitrogênio, dos minerais, a produção de alimentos, de energia e de materiais orgânicos,
inorgânicos e sintéticos. A CF é clara no sentido de que todos os processos ecológicos de
qualquer ambiente e qualquer ecossistema devem ser preservados e restaurados.

68/347 Unidade 2 • A Ordem Constitucional do Meio Ambiente


Glossário
Manejo ecológico: consiste em todo e qualquer procedimento que vise a assegurar a
conservação da diversidade biológica e dos ecossistemas (art. 2º, VIII, da Lei 9.985/2000).
Utilização, administração, gerenciamento dos recursos naturais pelo homem, preservando
a integridade dos ecossistemas, com redução da interferência do homem nos mecanismos
de autorregulamentação dos seres vivos e do meio físico. Manejo das espécies e dos
ecossistemas consiste na gestão, pelo Poder Público, da biodiversidade, ou seja, da
variabilidade de organismos vivos de todas as origens. Deve ser empregado tanto sob
uma perspectiva individual (envolvendo uma espécie) como sob uma perspectiva global
(envolvendo todo um ecossistema).
Ecossistema: é o conjunto de comunidades que vivem e interagem entre si com os fatores
abióticos em uma determinada região.

69/347 Unidade 2 • A Ordem Constitucional do Meio Ambiente


?
Questão
para
reflexão

Como você aprendeu, o Direito Constitucional


Ambiental é o fundamento de validade de toda
a legislação infraconstitucional. Com base nesse
arcabouço constitucional ambiental e no conceito
de especismo, reflita sobre a utilização de animais
para fins científicos e educativos e fundamente seu
entendimento sobre o assunto.

70/305
Considerações Finais

»» A partir a Constituição Federal de 1988, o Estado Brasileiro passou a ser


caracterizado como Estado Socioambiental e Democrático de Direito, pois
incorporou os valores ecológicos, os quais incidem sobre toda a legislação
brasileira seja ela ambiental ou não;
»» Considerando que o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado é
direito fundamental (de 3ª dimensão – direitos difusos), ele incorpora todas
as características dos direitos fundamentais com ele compatíveis, como, por
exemplo, a vedação de retrocesso e a eficácia vertical e horizontal;
»» O art. 225 da Constituição Federal consiste na proteção direta do meio ambiente.
É dividido doutrinariamente em três partes: a regra-matriz (caput do 225); os
instrumentos de garantia de efetividade do caput (incisos do parágrafo 1º); as
determinações particulares (demais parágrafos);
»» A regra-matriz e mais importante do direito ambiental é a seguinte: todos têm
71/347
direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do
povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à
coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras
gerações.

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Referências

ANTUNES, Paulo de Bessa. Direito ambiental. 14ª ed. São Paulo: Atlas, 2012.
MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro. 17ª ed. rev. atual. e ampl. São
Paulo: Malheiros, 2009.
RODRIGUES, Marcelo Abelha. Direito ambiental esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2013.
SARLET. Ingo Wolfgang. Direito ambiental: introdução, fundamentos e teoria geral. Tiago
Fensterseifer. São Paulo: Saraiva, 2014.
SARLET. Ingo Wolfgang. Direito constitucional ambiental. Constituição, direitos fundamentais e
proteção do ambiente. Tiago Fensterseifer. 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2013.
SILVA, José Afonso. Direito Ambiental Constitucional. 10ª ed. São Paulo: Malheiros, 2013.
SINGER, Peter. Libertação animal. São Paulo: Martins Fontes, 2010.
THOMÉ, Romeu. Manual de direito ambiental. 4ª ed. Salvador: Juspodium, 2014.

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Aula 2 - Tema: A Ordem Constitucional Aula 2 - Tema: A Ordem Constitucional


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Questão 1
1. Assinale a alternativa correta acerca dos fundamentos do Direito
Ambiental.
a) O meio ambiente pode ter um significado de macrobem como um direito fundamental do
homem, transformando-se em bem de interesse difuso, cuja proteção jurídica pertence a toda
coletividade.
b) O meio ambiente pode ter uma concepção de macrobem, relativamente à propriedade e a
outros interesses a esta subjacentes, podendo pertencer ao setor público ou privado, inclusive à
pessoa física ou jurídica.
c) O macrobem, sendo direito fundamental e intercomunitário, é disponível, embora deva
ser preservado para as gerações presentes e futuras, bem como para todos, na forma da
Constituição.
d) O macrobem ambiental é incorpóreo e imaterial e, em consequência, suscetível de
apropriação exclusiva, pois divisível.
e) O uso dos recursos naturais sempre deve ser gratuito. Como se trata de bem indisponível,
nunca podem levar à cobrança do uso dos recursos naturais.

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Questão 2
2. A Constituição Federal/88 assevera que “todos têm direito ao meio
ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e
essencial à sadia qualidade de vida”. A esse respeito, é correto inferir que a
concepção constitucional sobre meio ambiente é:
a) holística
b) panteísta
c) pragmática
d) antropocêntrica alargado
e) antropocêntrico clássico

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Questão 3
3. Em decorrência de se considerar o direito ambiental como direito
fundamental, goza dos atributos da:
a) indisponibilidade, inalienabilidade, impenhorabilidade, irrenunciabilidade e
prescritibilidade, incidindo o princípio da vedação de retrocesso.
b) disponibilidade, inalienabilidade, impenhorabilidade, irrenunciabilidade e
prescritibilidade, não incidindo o princípio da vedação de retrocesso.
c) indisponibilidade, inalienabilidade, impenhorabilidade, irrenunciabilidade e
imprescritibilidade, incidindo o princípio da vedação de retrocesso.
d) indisponibilidade, inalienabilidade, impenhorabilidade, renunciabilidade e
imprescritibilidade, incidindo o princípio da vedação de retrocesso. ´
e) indisponibilidade, alienabilidade, impenhorabilidade, irrenunciabilidade e
prescritibilidade, incidindo o princípio da vedação de retrocesso.

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Questão 4
4. De acordo com as normas constitucionais e legais vigentes sobre a
matéria, o EPIA apenas é obrigatório
a) se houver possibilidade de significativa degradação ao meio ambiente, caso em que
deverá ser dada publicidade ao Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EPIA).
b) se houver possibilidade de significativa degradação ao meio ambiente, sendo opcional a
publicidade do Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EPIA).
c) nos casos em que as obras e atividades sejam consideradas efetiva ou potencialmente
poluidoras, ainda que a degradação não seja significativa, devendo haver publicidade do
Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EPIA).
d) nos casos em que as obras e atividades sejam consideradas efetiva ou potencialmente
poluidoras, devendo ser público o Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EPIA).
e) nos casos em que as obras e atividades sejam consideradas efetiva ou potencialmente
poluidoras, cabendo ao órgão licenciador definir, discricionariamente, se o Estudo de Impacto
Ambiental (EPIA) é público ou não.

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Questão 5
5.Assinale a alternativa correta quanto ao direito constitucional ambiental.

a) não é possível a responsabilização criminal da pessoa jurídica


b) o dever fundamental de proteção e defesa do meio ambiente cabe somente ao Poder
Público
c) a defesa e proteção do meio ambiente se fazem não somente para a presente geração,
mas também para as futuras gerações
d) é proibido o funcionamento de usinas nucleares
e) nas atividades minerárias, dependendo do grau de impacto, poderá ser dispensada a
recuperação da área degradada.

79/347
Gabarito
1. Resposta: A. dos interesses trata da proteção jurídica
dos não humanos como valor intrínseco,
O marcobem ambiental, que corresponde como, por exemplo, no parágrafo 1º, VII,
ao equilíbrio ambiental, o todo, o qual veda a crueldade contra animais
consistindo no bem ambiental é indivisível independentemente de existir interesse
e indisponível. O equilíbrio ecológico humano.
(marcobem ambiental) é composto por
elementos bióticos e abióticos (microbens 3. Resposta: C.
ambientais) em interação. Essas partes
(os microbens ambientais) são divisíveis e Como o direito ao meio ambiente
disponíveis, podendo haver cobrança em ecologicamente equilibrado é direito
sua utilização. fundamental, todos os atributos
deste valem para aquele, vale dizer a
2. Resposta: D. indisponibilidade, inalienabilidade,
impenhorabilidade, irrenunciabilidade e
O art. 225 da CF tem fundamento imprescritibilidade, incidindo o princípio da
antropocêntrico alargado, pois, embora vedação de retrocesso.
colocando o ser humano como o centro

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Gabarito

4. Resposta: A. Comum). É expressamente prevista a


responsabilização criminal da pessoa
O Estudo Prévio de Impacto Ambiental jurídica. O dever fundamental de proteção
(EPIA) é obrigatório sempre que houver e defesa do meio ambiente cabe ao Poder
possiblidade de significativo impacto Público e à coletividade. É permitido
ambiental da obra, atividade ou o funcionamento de usinas nucleares,
empreendimento, devendo-se, em regra, contudo sua localização deve ser definida
dar a ele a devida publicidade. em lei federal, sem o que não poderão
ser instaladas. Nas atividades minerárias,
5. Resposta: C. independentemente do grau de impacto,
sempre será obrigatória a recuperação do
A ética intergeracional impõe que meio ambiente degradado.
a preservação e defesa do meio
ambiente também se façam para
as próximas gerações, conforme
constou expressamente no Relatório
Brundtland de 1987 (Nosso Futuro

81/347
Unidade 3
Competências Constitucionais em Matéria Ambiental

Objetivos

»» Entender os critérios de definição da competência constitucional


ambiental;
»» Compreender o sistema de repartição de competências
constitucionais ambientais;
»» Conhecer os critérios para resolução dos conflitos entre normas
constitucionais ambientais;
»» O reconhecimento da competência legislativa concorrente do
Município com base na interpretação sistemática dos arts. 18, 24,
VI, VII e VIII, e 30, I e II, da CF.

82/347
Introdução

Existem regras de competência ambiental sua atribuição. Visando resolver essa


na Constituição Federal e na legislação situação, ou ao menos amenizá-la, foi
infraconstitucional. editada a Lei Complementar 140/11, a
Contudo, a legislação que trata da qual fixa normas, nos termos dos incisos
competência é extremamente complexa e III, VI e VII do caput e do parágrafo único
confusa, apta a gerar conflitos e dúvida na do art. 23 da Constituição Federal, para a
aplicação das respectivas normas. cooperação entre a União, os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios nas ações
Esse emaranhado de normas prejudica a administrativas decorrentes do exercício
adequada defesa do meio ambiente, pois da competência comum relativas à
ante o excesso de normas a tendência não proteção das paisagens naturais notáveis,
é a obtenção de mais efetividade (como à proteção do meio ambiente, ao combate
por exemplo, no caso de competência à poluição em qualquer de suas formas
atribuída a vários entes), a tendência não e à preservação das florestas, da fauna
é todos abraçarem a competência para e da flora, objetivando a promoção de
aplicar a legislação constitucional, mas uma gestão descentralizada das políticas
sim é que cada ente competente espere ambientais, mas assegurando, ao mesmo
que o outro ente cumpra sua atribuição, tempo, a uniformidade entre elas por meio
omitindo-se cada qual na aplicação de
83/347 Unidade 3 • Competências Constitucionais em Matéria Ambiental
da cooperação entre os entes federados. 1. Critérios de definição da
Considerando que a Constituição competência constitucional
Federal está no topo do ordenamento ambiental
jurídico, devendo todas as outras normas
guardarem com ela compatibilidade Em primeiro lugar, para que você entenda
e extraindo dela seu fundamento de a competência constitucional em matéria
validade, e considerando a complexidade ambiental, é necessário compreender
das normas infraconstitucionais no que quanto à forma de Estado, o modelo
que tange à competência ambiental, adotado no Brasil é denominado
fundamental que você conheça as normas federalismo cooperativo ecológico (nos
constitucionais relativas à competência termos dos artigos. 1º, 18, 23, 24 e 225,
ambiental, pois serão essenciais na todos da Constituição Federal).
definição das atribuições dos entes Explicaremos para que você entenda bem.
ambientais, vale dizer, o que cada ente
Há uma relação de coordenação entre
poderá ou não fazer, bem como a forma, os
a União e os demais entes (Estados-
limites os quais deverão observar no caso
Membro, Municípios e Distrito Federal).
concreto.
Considerando a ubiquidade do meio

84/347 Unidade 3 • Competências Constitucionais em Matéria Ambiental


ambiente, os problemas e questões municípios são governados pelos prefeitos,
ambientais não são somente da União, os estados pelos governadores e a União
mas também dos Estados, dos Municípios pelo presidente; os municípios têm suas
e do Distrito Federal, de todos eles, pois os próprias casas de leis, as quais editam
danos ambientais não respeitam fronteiras as leis municipais; os estados também
ou competências, sendo transfronteirços. legislam produzindo leis estaduais; a
Por isso, a relação de coordenação deve União, também, ao promulgar leis federais.
reger-se pela cooperação entre todos os O mesmo se dá na área tributária, com a
entes. existência de tributos municipais (ex. IPTU),
Por outro lado, a União, os Estados- estaduais (ex. IPVA) e federais (ex. imposto
Membro, o Distrito Federal e os Municípios de renda) e assim sucessivamente. A
gozam de autonomia (artigos. 2º e 18, autonomia dos Estados pode ser resumida
da Constituição Federal). A autonomia no termo federalismo.
se caracteriza em capacidades estatais Daí o federalismo cooperativo ecológico e
de auto-organização, de autogoverno, o Princípio da cooperação.
legislativa, administrativa, financeira, Quanto aos critérios, na repartição
tributaria e competências exclusivas. de competências legislativas, o
Como exemplo, você percebe que os critério norteador é o princípio da
85/347 Unidade 3 • Competências Constitucionais em Matéria Ambiental
predominância do interesse, de modo a) competência administrativa (material);
que à União caberão aquelas matérias de b) competência legislativa.
predominante interesse nacional (geral);
aos Estados, matérias de predominante
interesse regional; e aos Municípios, de a) Competência administrativa ou
predominante interesse local. material: é aquela que determina o campo
Outro critério utilizado é o da prevalência de atuação político-administrativo do
da norma mais protetiva ao ambiente (ex. Poder Executivo na tutela e promoção
art. 181 da Constituição do Estado de São da proteção ambiental. É a que atribui
Paulo). a um ente do poder público o dever de
estabelecer estratégias, políticas públicas
e a de aplicar o poder de polícia. Cuida da
2. O sistema de repartição de
atuação concreta do ente. Como atuação
competências constitucionais
das competências administrativas, pode-
No sistema de repartição de competências se citar o licenciamento ambiental, a
constitucionais, duas são as divisões fiscalização, as sanções administrativas, a
fundamentais: exigência de estudo de impacto ambiental,
o tombamento e a desapropriação.

86/347 Unidade 3 • Competências Constitucionais em Matéria Ambiental


A competência administrativa admite duas formas: exclusiva ou comum.
A competência administrativa exclusiva está prevista no art. 21, XVIII, XIX, XX, XXIII da
Constituição Federal e a competência administrativa comum nos artigos. 23 III, VI e VII e 225,
ambos da Constituição Federal.
A diferença entre a competência administrativa exclusiva e comum é a seguinte:
- exclusiva: é reservada a uma entidade com exclusão das demais.
- comum: é atribuída a todos os entes da Federação cumulativamente.
São os seguintes pontos de destaque da competência administrativa ou material ambiental:
- Existe a possiblidade de mais de um ente político atuar para tratar do mesmo assunto em pé
de igualdade com os outros, mesmo que o ente federativo não tenha competência para legislar
sobre o tema, sempre tendo em mira a maior eficácia do cumprimento das normas ambientais
(horizontalidade – os entes federativos atuam paralelamente em condições de igualdade);
- Para exercer o poder de polícia na realização dos atos materiais, todos os entes políticos
possuem abstratamente competência (comum) para atuar;
- O mesmo ente que, por possuir o interesse predominante sobre dada matéria, tinha a

87/347 Unidade 3 • Competências Constitucionais em Matéria Ambiental


prerrogativa de sobre ela legislar, será - Em se tratando de licenciamento
o competente para praticar os atos ambiental, os outros entes podem
tendentes a dar atuação à lei que editou; adotar seus próprios procedimentos de
- Aplica-se o princípio cooperativo, a licenciamento, desde que já não tenham
permitir a atuação conjunta, paralela, entre sido adotados os mesmos aspectos;
as entidades da federação; - O art. 23, III, VI e VII e parágrafo único,
- Visa-se, ao estatuir a competência foi regulamentado pela Lei Complementar
comum, evitar que a tutela jurídica do 140/2011.
meio ambiente fosse prestada de modo
deficiente; b) Competência legislativa: é o
- O fato de ser comum a competência processo legiferante e é exercida pelo
não significa que se admita bis in idem ou Poder Legislativo para editar leis e atos
a superposição de atuações dos diversos normativos. É a competência para inovar
entes à mesma hipótese de incidência; o originariamente na ordem jurídica.
problema existirá caso haja um conflito A competência legislativa admite quatro
positivo de atribuições, incidindo o formas: exclusiva, privativa, concorrente
princípio da predominância de interesse; e suplementar.
88/347 Unidade 3 • Competências Constitucionais em Matéria Ambiental
A competência legislativa exclusiva - privativa: é a própria de uma entidade,
está prevista nos artigos 25, §§ 2º e 3º porém é passível de delegação e
e 30, I, ambos da Constituição Federal, suplementação.
a competência legislativa privativa está - concorrente: caracteriza-se pela
prevista no art. 22 e parágrafo único – possibilidade de mais de um ente
em especial incisos IV, IX, X, XI, XII, XIV, federativo dispor sobre a mesma matéria
XXVI, XXVIII, da Constituição Federal –; ou assunto, sendo que para evitar conflitos
a competência legislativa concorrente na edição de normas ao mesmo tempo e
está prevista no art. 24, VI, VII e VIII, da sobre o mesmo assunto entre os entes; à
Constituição Federal) e a competência União caberá legislar sobre normas gerais,
legislativa suplementar nos artigos. 24, as quais deverão por todos ser obedecidas.
§2º e 30, II, ambos da Constituição Federal.
- suplementar: atribui competências para
A diferença entre a competência legislativa legislar sobre normas que suplementam o
exclusiva, privativa, concorrente e conteúdo de princípios e normas gerais ou
suplementar é a seguinte: que supram a ausência ou omissão destas.
- exclusiva: é atribuída a um ente com A delegabilidade é o que diferencia as
exclusão dos demais, sendo que essa competências privativas e exclusivas.
competência é indelegável.
89/347 Unidade 3 • Competências Constitucionais em Matéria Ambiental
Importante você saber que existem autores do político.
que não admitem essa diferenciação
ou que apresentam outra forma de
classificação e denominação.
Para saber mais
Quando a questão se refere à EXPLORAÇÃO
Todos os entes federados possuem
econômica de recursos naturais com potencial
competência para legislar em matéria
energético, a competência é privativa da União.
ambiental: a União, os Estados-Membro e o
Nos casos de PROTEÇÃO dos recursos naturais, a
Distrito Federal concorrentemente (art.24)
competência legislativa é concorrente.
e os Municípios de forma suplementar (art.
30, II).
Cumpre explicar a competência legislativa
A competência legislativa concorrente
concorrente da União, Estados e Distrito
ou suplementar não confere prevalência
Federal (art. 24, VI, VII e VIII da Constituição
a nenhum ente federado, uma vez que,
Federal).
em caso de conflito de competência
legislativa sobre o meio ambiente, sempre A regra geral a respeito da distribuição
se priorizará a norma que oferece maior da competência legislativa em matéria
proteção ao meio ambiente, prevalecendo ambiental é de natureza concorrente,
o critério da preservação em detrimento vale dizer, todos os entes federativos
90/347 Unidade 3 • Competências Constitucionais em Matéria Ambiental
podem legislar sobre o tema, observadas respeitado pelos demais entes federativos
as diretrizes normativas traçadas pela no exercício de sua competência legislativa
Constituição Federal. suplementar. Tem como finalidade a
No exercício de competência legislativa coordenação e a uniformização. Dessa
concorrente, compete à União editar forma, as normas gerais estabelecem
as normas gerais (art. 24, § 1º) e aos princípios, diretrizes e procedimentos
Estados-Membro, Distrito Federal e básicos a serem seguidos pelos demais
Municípios, as normas suplementares entes da federação na edição de suas
(art. 24, §2º e 30, II). próprias normas suplementares.

As normas gerais devem estabelecer As normas suplementares são editadas


princípios fundamentais, dotados de pelos Estados-Membros e o Distrito Federal
generalidade e abstração (maiores do e possuem a função de particularizar as
que as leis), que garantam uma proteção normas gerais, amoldando-as à realidade
mínima ao meio ambiente (patamar regional e local, mas sem subverter a
legislativo mínimo – STF, REsp 1.153/53, ordem taxativa do art. 24 da CF, devendo
Tribunal Pleno, rel. Min. Aldir Passarinho, j legislar para a proteção dos interesses
16.05.1985, voto do Min. Francisco Rezek), regionais.
em termos de proteção ambiental e ser Se não existir lei federal sobre normas
91/347 Unidade 3 • Competências Constitucionais em Matéria Ambiental
gerais, podem os Estados-Membros e o desde que não haja contrariedade à norma
Distrito Federal exercer a competência federal pela norma estadual ou distrital.
legislativa plena para edição de normas Em todo caso, a norma estadual ou distrital
gerais e de normas especificas, sobre os não pode exorbitar da peculiaridade ou do
assuntos relacionados no art. 24, a fim interesse próprio do Estado.
de atenderem a suas peculiaridades (art. Quanto aos Municípios, o art. 30, II da
24, §3º). Se houver superveniência de lei CF, dispõe que podem suplementar a
federal sobre normas gerais, suspende- legislação federal e a estadual no que
se a eficácia estadual no que lhe for couber legislando para a proteção dos
incompatível (art. 24 §4º). O legislador interesses locais, ou seja, pela literalidade
fala em “suspensão” e não “revogação” da Constituição Federal, o município não
porque a normal federal pode ser poderia editar normas gerais ambientais,
revogada, retomando a norma estadual mesmo na ausência de norma geral da
ou distrital a sua eficácia, uma vez que não União.
existe repristinação no Brasil. A normal
geral posterior e a normal estadual já Suplementar significa acrescer alguma
editada podem coexistir, se não houver coisa, fornecer suplemento ou aditamento,
incompatibilidade entre ambas, ou seja, suprir, acudir, inteirar, com o objetivo de
solver os déficits de proteção e defesa de
92/347 Unidade 3 • Competências Constitucionais em Matéria Ambiental
que as normas gerais venham a padecer a sua operacionalização só tem sentido
(ADI 3.357/RS, Min. Carlos Ayres Britto). se servir ao objetivo de alcançar um
Dessa forma, suplementar não é somente nível maior de efetivação da legislação
ornamentar uma norma geral, como ambiental, considerando, em especial, que
se a competência representasse uma o maior problema da legislação ambiental
superficialidade. Adicionar, completar brasileira é o seu déficit de efetividade e
a aprimorar a norma geral federal faz não de quantidade.
parte de um federalismo participativo Nesse sentido, a centralidade que a
e cooperativo (Paulo Affonso Leme proteção ambiental passou a ter no
Machado). nosso sistema constitucional, inclusive a
Importante você saber que na divisão de partir da sua consagração como direito
competências constitucionais ambientais fundamental (art. 225 e art. 5º, §2º, da CF),
não há hierarquia entre leis federais e operou no sentido de favorecer o poder
estaduais, mas divisão de competências. político-legislativo dos entes federativos
A cooperação legislativa proposta pela periféricos (Estados-Membro, Distrito
fórmula da competência legislativa Federal e Municípios) naquilo em que
concorrente deve trilhar o caminho de representar “mais proteção normativa”,
uma “maior” proteção ambiental, ou seja, o que pode ser apreendido da adoção
93/347 Unidade 3 • Competências Constitucionais em Matéria Ambiental
pela Constituição Federal da competência suspendendo sua eficácia no que for
legislativa concorrente como regra geral contrário (§4º);
para a regulação da matéria ambiental. - Os Municípios podem suplementar a
São os seguintes pontos de destaque da legislação federal em matéria ambiental;
competência legislativa ambiental: - Os Municípios não podem exercer a
- Mais de um ente federativo poderá dispor competência legislativa plena na falta de
sobre um mesmo assunto (concorrência); norma geral emanada da União (o §3º do
- Deve a União limitar-se a estabelecer art. 24 fala apenas em Estados);
normas gerais (§1º); - A superveniência de norma federal não
- Aos Estados (§2º) e aos Municípios revoga a lei estadual (o §4º do art. 24
(art. 30, II) cabe estabelecer normas de dispõe que aquele suspende a eficácia
caráter suplementar, de acordo com suas desta);
especificidades; - Normas federais serão mais genéricas e
- Caso a União não edite a norma de abstratas que as normas estaduais, e estas
caráter geral, podem os Estados fazê-lo mais que as municipais (verticalização);
(§3º), até que sobrevenha norma federal, - As normas de caráter específico ou

94/347 Unidade 3 • Competências Constitucionais em Matéria Ambiental


suplementar deverão obedecer às diretrizes 3. Conflito entre normas
traçadas pelas normas gerais; ambientais
- Há entendimento de que os Estados, os
Municípios e o Distrito Federal podem, no Os Estados-Membros e o Município
âmbito de sua competência suplementar, ir devem respeitar o padrão normativo
além da legislação federal, desde que seja estabelecido na norma geral e tomar tal
para adoção de medidas mais protetivas ao referência de proteção ambiental como
meio ambiente. piso legal protetivo mínimo, de tal modo
que apenas estariam autorizados a atuar
para além de tal referencial normativo,
Link e não para aquém. Ao legislar de forma
menos protetiva em relação ao padrão
O tratamento constitucional do meio ambiente:
estabelecido pela normal geral editada
repartição de competências em matéria
pela União, o legislador estadual ou
ambiental. <http://www.pge.sp.gov.
municipal subverte a sua competência
br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/
legislativa suplementar e incorre em
Congresso/ztese17.htm>. Acesso em 23 JUL.
prática inconstitucional. A aplicação do
2015.
princípio da prevalência da norma mais

95/347 Unidade 3 • Competências Constitucionais em Matéria Ambiental


benéfica à tutela ecológica na hipótese de conflito normativo existente entre a norma geral
federal e a legislação estadual ou municipal reforça a tese de que no âmbito do dever de
proteção ambiental do Estado, no exercício de sua competência legislativa ambiental, impõem-
se tanto o dever de progressiva melhoria da qualidade ambiental e de sua respectiva proteção,
quanto às correlatas noções de proibição de retrocesso e insuficiência de proteção.

Para saber mais


“(...) em matéria de proteção ao ambiente e em matéria de proteção da saúde pública,
nada impede que a legislação estadual e a legislação municipal sejam mais restritivas do
que a legislação da União e a legislação do próprio Estado, em se tratando de Municípios
(Ministro Ricardo Lewandowski, ADI 3.937/SP, do STF).

4. O reconhecimento da competência legislativa concorrente do


Município com base na interpretação sistemática dos arts. 18, 24, VI, VII
e VIII, e 30, I e II, da CF.

Pela literalidade do art. 24, caput, da Constituição Federal, os Municípios não detêm competência
96/347 Unidade 3 • Competências Constitucionais em Matéria Ambiental
legislativa concorrente, conquanto do município no âmbito da competência
possuam também competência para legislativa concorrente, inclusive em
suplementar a legislação federal (art. 30, II, matéria ambiental.
da Constituição Federal). As populações e as autoridades locais
Contudo, analise os seguintes artigos da reúnem amplas condições de bem
Constituição Federal: conhecer os problemas e mazelas
Art. 18, caput. A organização político- ambientais de cada localidade, sendo certo
administrativa da República Federativa do que são as primeiras a localizar e identificar
Brasil compreende a União, os Estados, o problema e capaz de solucioná-los de
o Distrito Federal e os Municípios, todos forma mais eficaz e rápida. É por meio
autônomos, nos termos desta Constituição. dos Municípios que se pode implantar o
princípio ecológico do “agir localmente,
Art. 30. Compete aos Municípios: I - pensar globalmente”.
legislar sobre assuntos de interesse local;
II - suplementar a legislação federal e a Contudo, você precisa saber que esse
estadual no que couber. entendimento segundo o qual os
municípios poderiam editar normas gerais
Esses dispositivos constitucionais e agir de forma concorrente no exercício da
permitem que se interprete pela inserção competência legislativa é controvertido.
97/347 Unidade 3 • Competências Constitucionais em Matéria Ambiental
Para saber mais
a jurisprudência predominante tem sido bastante resistente a qualquer postura legislativa mais
proativa dos entes municipais, especialmente no sentido de estabelecerem um padrão normativo
mais protetivo em termos ambientais em relação à norma geral estabelecida pela União ou pelo
Estado. Se para os Estados ainda predomina uma visão restritiva para o exercício da competência
legislativa concorrente, o entendimento predominante nos nossos Tribunais, em relação à
competência legislativa suplementar dos Municípios, é ainda mais limitado (STJ, Resp 29.299-6/RS, 1ª
T., rel. Min. Demócrito Reinaldo, j. 28.09.1994).

Link
Artigo. A repartição das competências constitucionais em matéria ambiental entre as pessoas
políticas - o papel do município. <http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_
artigos_leitura&artigo_id=13975>. Acesso em 23 jul. 2015.

98/347 Unidade 3 • Competências Constitucionais em Matéria Ambiental


Link
Artigo: A vedação ao tratamento cruel e a constitucionalidade da proibição ao foie gras <http://vista-
se.com.br/wp-content/uploads/2015/07/eduardo-perez-oliveira-foie-gras.pdf>. Acesso em
22 jul. 2015

99/347 Unidade 3 • Competências Constitucionais em Matéria Ambiental


Glossário
Atuação supletiva: ação do ente da Federação que se substitui ao ente federativo
originariamente detentor das atribuições.
Atuação subsidiária: ação do ente da Federação que visa a auxiliar no desempenho
das atribuições decorrentes das competências comuns, quando solicitado pelo ente
federativo originariamente detentor das atribuições.
Licenciamento ambiental: o procedimento administrativo destinado a licenciar
atividades ou empreendimentos utilizadores de recursos ambientais, efetiva ou
potencialmente poluidores ou capazes, sob qualquer forma, de causar degradação
ambiental.
Repristinação: é o fenômeno da volta da entrada em vigor na norma revogada pela
revogação da norma revogadora.

100/347 Unidade 3 • Competências Constitucionais em Matéria Ambiental


?
Questão
para
reflexão
Muito se questiona sobre a constitucionalidade de lei municipal
regular matéria ambiental de interesse local em sentido contrário
à legislação estadual. Exemplo no Estado de São Paulo é a questão
relativa à queima da palha da cana. A Lei Estadual nº 11.241, de
19 de setembro de 2002 dispõe sobre a eliminação gradativa
da queima da palha da cana-de-açúcar. Por seu turno, a Lei
1.952/1995, do Município de Paulínia (SP), proíbe totalmente a
queima da palha de cana de açúcar em seu território. Reflita sobre
a constitucionalidade ou inconstitucionalidade da Lei 1.952/1995
à luz das normas de competência ambiental constitucional e dos
critérios correlatos, bem como do julgamento recente do Recurso
Extraordinário (RE) 586224.

101/305
Considerações Finais

»» O modelo de Estado adotado no Brasil é denominado federalismo


cooperativo ecológico;
»» Na repartição de competências legislativas, o critério norteador será
o princípio da predominância do interesse, de modo que à União
caberão aquelas matérias de predominante interesse nacional (geral);
aos Estados, matérias de predominante interesse regional; e aos
Municípios, de predominante interesse local. Também aplica-se o
critério da prevalência da norma mais protetiva ao ambiente;
»» No sistema de repartição de competências constitucionais, duas são as
divisões fundamentais: a) A competência administrativa ou material;
b) A competência legislativa;
»» A competência administrativa ou material pode ser exclusiva (art. 21,
XVIII, XIX, XX, XXIII) ou comum (arts. 23 III, VI e VII e 225);
»» A competência legislativa pode ser exclusiva (art. 25, §§ 2º e 3º e 30,
102/347
Considerações Finais
I), privativa (art. 22 e parágrafo único – em especial incisos IV, IX, X, XI,
XII, XIV, XXVI, XXVIII), concorrente (art. 24, VI, VII e VIII) e suplementar
(art. 24, §2º e 30, II).

103/347
Referências

ANTUNES, Paulo de Bessa. Direito ambiental. 14ª ed. São Paulo: Atlas, 2012.
MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro. 17ª ed. rev. atual. e ampl. São
Paulo: Malheiros, 2009.
RODRIGUES, Marcelo Abelha. Direito ambiental esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2013.
SARLET. Ingo Wolfgang. Direito ambiental: introdução, fundamentos e teoria geral. Tiago
Fensterseifer. São Paulo: Saraiva, 2014.
SARLET. Ingo Wolfgang. Direito constitucional ambiental. Constituição, direitos fundamentais e
proteção do ambiente. Tiago Fensterseifer. 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2013.
SILVA, José Afonso. Direito Ambiental Constitucional. 10ª ed. São Paulo: Malheiros, 2013.
THOMÉ, Romeu. Manual de direito ambiental. 4ª ed. Salvador: Juspodium, 2014.

104/347 Unidade 3 • Competências Constitucionais em Matéria Ambiental


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105/347
Questão 1
1. A competência legislativa ambiental constitucional pode ser:

a) geral, complementar, comum, privativa.


b) exclusiva, comum, concorrente e suplementar.
c) exclusiva, comum, delegada e suplementar.
d) geral, privativa, delegada, concorrente.
e) exclusiva, privativa, concorrente e suplementar.

106/347
Questão 2
2. Quanto à competência constitucional ambiental, assinale a alternativa
correta.
a) aos Estados e aos Municípios não cabe estabelecer normas de caráter suplementar.
b) caso a União não edite a norma de caráter geral, não podem os Estados fazê-lo.
c) deve a União limitar-se a estabelecer normas gerais.
d) a superveniência de norma federal revoga a lei estadual.
e) normas municipais serão mais genéricas e abstratas que as normas estaduais, e estas
mais que as federais.

107/347
Questão 3
3. Quanto à competência constitucional ambiental, assinale a alternativa
correta.
a) para exercer o poder de polícia na realização dos atos materiais, todos os entes políticos
possuem abstratamente competência (comum) para atuar.
b) em se tratando de licenciamento ambiental, os outros entes nunca podem adotar seus
próprios procedimentos de licenciamento.
c) não existe a possiblidade de mais de um ente político atuar para tratar do mesmo assunto
em pé de igualdade com os outros.
d) competência legislativa exclusiva é atribuída a um ente com exclusão dos demais, sendo
que esta competência é delegável.
e) competência legislativa privativa é a própria de uma entidade, não sendo passível de
delegação ou suplementação.

108/347
Questão 4
4. Quanto à competência legislativa em matéria ambiental:

a) no exercício de competência legislativa concorrente, compete aos Estados, Distrito Federal


e Municípios editarem as normas gerais.
b) no exercício de competência legislativa concorrente, as normas suplementares são
editadas pelos Estados e o Distrito Federal.
c) com a superveniência de lei federal sobre normas gerais, revoga-se a eficácia estadual no
que lhe for incompatível.
d) no exercício de competência legislativa concorrente, compete à União editar as normas
gerais.
e) quanto aos Municípios, o art. 30, II da CF, dispõe que não podem suplementar a legislação
federal e a estadual.

109/347
Questão 5
5. Quanto à competência constitucional ambiental, assinale a alternativa
correta.

a) competência administrativa ou material é o processo legiferante, exercida pelo Poder


Legislativo, para editar leis e atos normativos
b) competência legislativa é aquela que determina o campo de atuação político-
administrativo do Poder Executivo.
c) Competência administrativa ou material poder ser exclusiva e privativa.
d) Todos os entes federados possuem competência para legislar em matéria ambiental
e) Mesmo que não existia lei federal sobre normas gerais, não podem os Estados e o Distrito
Federal exercer a competência legislativa plena.

110/347
Gabarito
1. Resposta: E. da competência legislativa em matéria
ambiental é de natureza concorrente,
A competência legislativa exclusiva vale dizer, todos os entes federativos
está prevista nos arts. 25, §§ 2º e 3º e podem legislar sobre o tema, observadas
30, I, ambos da Constituição Federal; a as diretrizes normativas traçadas pela
competência legislativa privativa está Constituição Federal.
prevista no art. 22 e parágrafo único –
No exercício de competência legislativa
em especial incisos IV, IX, X, XI, XII, XIV,
concorrente, compete à União editar
XXVI, XXVIII, da Constituição Federal –;
as normas gerais (art. 24, § 1º) e aos
a competência legislativa concorrente
Estados-Membros, Distrito Federal e
está prevista no art. 24, VI, VII e VIII, da
Municípios, as normas suplementares
Constituição Federal) e a competência
(art. 24, §2º e 30, II).
legislativa suplementar nos arts. 24, §2º e
30, II, ambos da Constituição Federal. As normas gerais devem estabelecer
princípios fundamentais, dotados de
2. Resposta: C. generalidade e abstração (maiores do
que as leis), que garantam uma proteção
A regra geral a respeito da distribuição mínima ao meio ambiente.

111/347
Gabarito

As normas suplementares são editadas se a eficácia estadual no que lhe for


pelos Estados-Membro e o Distrito Federal incompatível (art. 24 §4º). O legislador
e possuem a função de particularizar as fala em “suspensão” e não “revogação”
normas gerais, amoldando-as à realidade porque a normal federal pode ser
regional e local, mas sem subverter a revogada, retomando a norma estadual
ordem taxativa do art. 24 da CF, devendo ou distrital a sua eficácia, uma vez que não
legislar para a proteção dos interesses existe repristinação no Brasil. A normal
regionais. geral posterior e a normal estadual já
Se não existir lei federal sobre normas editada podem coexistir, se não houver
gerais, podem os Estados-Membro e o incompatibilidade entre ambas, ou seja,
Distrito Federal exercer a competência desde que não haja contrariedade à norma
legislativa plena para edição de normas federal pela norma estadual ou distrital.
gerais e de normas específicas, sobre os Em todo caso, a norma estadual ou distrital
assuntos relacionados no art. 24, a fim não pode exorbitar da peculiaridade ou do
de atenderem a suas peculiaridades (art. interesse próprio do Estado.
24, §3º). Se houver superveniência de lei Quanto aos Municípios, o art. 30, II da
federal sobre normas gerais, suspende- CF, dispõe que podem suplementar a
112/347
legislação federal e a estadual no que atuação concreta do ente. Como atuação
couber legislando para a proteção dos das competências administrativas pode-
interesses locais, ou seja, pela literalidade se citar o licenciamento ambiental, a
da Constituição Federal, o município não fiscalização, as sanções administrativas, a
poderia editar normas gerais ambientais, exigência de estudo de impacto ambiental,
mesmo na ausência de norma geral da o tombamento e a desapropriação.
União.
4. Resposta: D.
3. Resposta: A.
No exercício de competência legislativa
Competência administrativa ou material: concorrente, compete à União editar
é aquela que determina o campo de as normas gerais (art. 24, § 1º, da
atuação político-administrativo do Constituição Federal) e aos Estados-
Poder Executivo na tutela e promoção Membro, Distrito Federal e Municípios, as
da proteção ambiental. É a que atribui normas suplementares (art. 24, §2º e 30,
a um ente do poder público o dever de II, da Constituição Federal).
estabelecer estratégias, políticas públicas
e a de aplicar o poder de polícia. Cuida da

113/347
5. Resposta: D.

Todos os entes federados possuem


competência para legislar em matéria
ambiental: a União, os Estados-Membros
e o Distrito Federal concorrentemente (art.
24 da Constituição Federal) e os Municípios
de forma suplementar (art. 30, II, da
Constituição Federal).

114/347
Unidade 4
Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente

Objetivos

»» Compreender o Sistema Nacional do Meio


Ambiente (SISNAMA);
»» Conhecer a Política Nacional o Meio Ambiente
(PNMA);
»» Entender os instrumentos econômicos e
incentivos governamentais relativos à proteção
do meio ambiente.

115/347
Introdução

O Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) estabelece uma estrutura administrativo-


organizacional, antes inexistente, para todos os entes federativos (União, Estados, Distrito
Federal e Municípios) no que diz respeito à tutela, proteção, conservação e recuperação do
meio ambiente. O SISNAMA vincula a atuação dos entes públicos aos objetivos da defesa e
proteção ambiental.
Nessa quadra, o Sistema Nacional do Meio Ambiente consiste no conjunto de entes
administrativos da União, Estados, Municípios e Distrito Federal, bem como de suas respectivas
administrações indiretas, responsáveis pela proteção, controle, monitoramento, fiscalização,
deliberação, execução e melhoria da qualidade e da política ambiental do País. Visa a dar
aplicação à competência comum para aplicação da Política Ambiental (art. 23, VI e VII, e
parágrafo único, da Constituição Federal).
O SISNAMA foi criado pela Lei 6.938/81 (art. 6º) e regulamentado pelo Decreto 99.274/90.
A Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), por seu turno, também instituída pela Lei
6.938/81, foi recepcionada quase integralmente pela Constituição Federal. Instituiu e
organizou a estrutura administrativa ambiental nacional por meio do Sistema Nacional do
Meio Ambiente (SISNAMA). Regulamenta o art. 23, VI e VII, da Constituição Federal que trata da
competência administrativa em matéria ambiental e é também regulamentada pelo Decreto

116/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente


99.274/90.
Representa a lei geral ambiental e uma das principais leis do Direito Ambiental, sendo
considerada uma das leis que formam as bases da legislação infraconstitucional ambiental.
Dessa forma, a Lei 6.938/81 é norma geral sobre proteção ambiental (art. 24, §1º, da
Constituição Federal), pois institui a política em relação ao tratamento jurídico do meio
ambiente no país, estabelecendo um conjunto de conceitos, princípios, objetivos (gerais e
específicos) e instrumentos para a implementação e efetivação da preservação, conservação e
restauração do meio ambiente em todos os níveis e graus do Poder Público.
É a partir da Lei 6.938/81 que podemos falar em um direito ambiental como ciência autônoma.
Representou o marco inicial do Direito Ambiental Brasileiro, dando os delineamentos
normativos gerais a respeito da proteção jurídica do ambiente. Estabeleceu a sistematização
da proteção jurídica dos valores ecológicos no sistema jurídico brasileiro, rompendo com a
proteção fragmentária (e sem fundamento propriamente ecológico) até então prevalecente.
Dá início à fase holística, na qual o ambiente passa a ser protegido de maneira integral, como
sistema ecológico integrado e com autonomia valorativa (SARLET. Ingo Wolfgang. Direito
ambiental: introdução, fundamentos e teoria geral. Tiago Fensterseifer. São Paulo: Saraiva, 2014).
A Política Nacional do Meio Ambiente visa à harmonização entre a preservação ambiental,
117/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente
o desenvolvimento econômico e o 1. O sistema nacaional do meio
desenvolvimento social (desenvolvimento ambiente (SISNAMA)
sustentável). Isso revela seu caráter atual,
bem como sua adequação aos atuais O objetivo do SISNAMA é estabelecer uma
anseios da sociedade, pois não representa rede de órgãos e pessoas governamentais,
obstáculo ao desenvolvimento econômico, a fim de desempenharem função
ao revés, instituiu o eco desenvolvimento. administrativa na seara ambiental, nos
Em suma, a Lei da Política Nacional diversos níveis da federação, com a
do Meio Ambiente impõe à União, aplicação de mecanismos e instrumentos
aos Estados, ao Distrito Federal e aos de efetivação da Política Nacional do Meio
Municípios a implementação da Política Ambiente.
Nacional do Meio Ambiente e, para tanto, Integram o SISNAMA órgãos da União,
devem estes entes aplicar os princípios, órgãos estaduais (seccionais) e órgãos
objetivos e instrumentos da Lei 6.938/81, municipais (locais).
estabelecendo padrões mínimos a serem
Possui seis níveis:
especificados no âmbito da territorialidade
de cada ente da federação. i) Órgão Superior: o Conselho de Governo;
ii) Órgão Consultivo e Deliberativo: o
118/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente
Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA;
iii) Órgão Central: Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República;
iv) Órgãos Executores: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (IBAMA) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio);
v) Órgãos Seccionais: os órgãos ou entidades estaduais e distritais responsáveis pela execução
de programas, projetos e pelo controle e fiscalização de atividades capazes de provocar a
degradação ambiental;
vi) Órgãos Locais: os órgãos ou entidades municipais, responsáveis pelo controle e fiscalização
de atividades capazes de provocar a degradação ambiental, nas suas respectivas competências.

I – ÓRGÃO SUPERIOR: O CONSELHO DO GOVERNO (art. 6º, I, da Lei 6.938/81)


Trata-se de órgão de assessoramento direto da Presidência da República na formulação
da política nacional e nas diretrizes governamentais para o meio ambiente e os recursos
ambientais.
É presidido pelo Presidente da República ou, por sua determinação, pelo Ministro de Estado

119/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente


Chefe da Casa Civil. estudar e propor ao Conselho de Governo,
É integrado pelos Ministros de Estado diretrizes de políticas governamentais para
e pelo titular do Gabinete Pessoal do o meio ambiente e os recursos naturais,
Presidente da República. bem como deliberar sobre normas e
padrões compatíveis com o meio ambiente
É previsto no art. 7º, I, da Lei 10.683/2003. ecologicamente equilibrado e essencial à
sadia qualidade de vida.
II – ÓRGÃO CONSULTIVO E DELIBERATIVO: É o órgão mais importante na
O CONSELHO NACIONAL DO MEIO implementação da legislação ambiental,
AMBIENTE – CONAMA (art. 6º, II e 8º, servindo de parâmetro administrativo-
ambos da Lei 6.938/81) organizacional para as esferas estaduais e
municipais.
Tem natureza de autarquia federal dotada
de personalidade jurídica de direito Exerce poder regulamentar em matéria
público, autonomia administrativa e ambiental no âmbito federal, editando
financeira, vinculada ao Ministério do Meio normas ambientais complementares
Ambiente. à lei (ex. resoluções), visando à sua fiel
execução, não podendo contrariá-la.
A finalidade do órgão é assessorar,

120/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente


É órgão colegiado presidido pelo Ministro direito a voto.
do Meio Ambiente com as competências No exercício de suas atribuições, o
nos moldes do art. 8º da Lei 6.938/81. CONAMA edita resoluções, moções,
Conta com mais de 100 conselheiros e recomendações, proposições e decisões.
é constituído de representantes dos 5 I – Resoluções: ato administrativo que
segmentos diretamente interessados na possui como objeto a deliberação
temática ambiental: Governo Federal, vinculada a diretrizes e normas técnicas,
governos estaduais e municipais, critérios e padrões relativos à proteção
Setor Empresarial e Sociedade Civil, ambiental e ao uso sustentável dos
este integrado por representantes recursos ambientais. É o ato por excelência
de organizações ambientalistas, do CONAMA, que disciplina os temas
comunidade científica, populações ambientais por meio das resoluções;
indígenas e tradicionais, órgãos de
classe e movimentos sindicais. Além II – Moções: são editadas para
desses segmentos, o CONAMA incluiu manifestações de qualquer natureza que
representantes dos Ministérios Público versem sobre temática ambiental;
Estadual e Federal, bem como do III – Recomendações: pertinentes para
Congresso Nacional, mas que não têm manifestações acerca da implementação
121/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente
de políticas, programas públicos e normas com repercussão na área ambiental;
IV – Proposições: versa sobre matéria ambiental com encaminhamento ao Conselho de Governo
ou às Comissões do Senado Federal e das Câmaras dos Deputados;
V – Decisões: quando se tratar de multas e outras penalidades impostas pelo IBAMA.

III – ÓRGÃO CENTRAL: SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE (art. 6º, III, da Lei 6.938/81)
A Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República tem a finalidade de planejar,
coordenar, supervisionar e controlar, como órgão federal, a política nacional e as diretrizes
governamentais fixadas para o meio ambiente.

IV – ÓRGÃOS EXECUTORES: O INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS


NATURAIS RENOVÁVEIS – IBAMA (art. 6º, IV, da Lei 6.938/81) e o INSTITUTO CHICO MENDES
DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE (ICMBio)
O IBAMA tem a finalidade de executar e fazer executar, como órgão federal, a política e
diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente.

122/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente


Se ao CONAMA cabe, entre outras atribuições, a elaboração de normas ambientais, ao IBAMA
cabe executá-las, de acordo com a sua competência (federal), como, por exemplo, impor
multas ambientais aos responsáveis por dano ao meio ambiente. Assim, compete ao IBAMA
exercer o poder de polícia ambiental federal, executar ações da PNMA na esfera federal e ações
supletivas.
O IBAMA foi criado pela Lei 7.735/89 e tem natureza jurídica de autarquia federal de regime
especial vinculada ao Ministério do Meio Ambiente. Representa a integração das políticas
ambientais que antes estavam fragmentadas em diversos ministérios e órgãos ambientais.
Tem autonomia administrativa e financeira, sede em Brasília e atribuição em todo o território
nacional. É administrado por um presidente e por cinco diretores.
São principais atribuições do IBAMA:
a) exercer o poder de polícia ambiental;
b) executar ações das políticas nacionais de meio ambiente, referentes às atribuições federais,
relativas ao licenciamento ambiental, ao controle da qualidade ambiental, à autorização de uso
dos recursos naturais e à fiscalização, monitoramento e controle ambiental;
c) executar as ações supletivas de competência da União;

123/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente


a) propor e editar normas e padrões de qualidade ambiental;
b) zoneamento ambiental e avaliação de impactos ambientais;
c) o licenciamento ambiental, nas atribuições federais;
d) implementação do Cadastro Técnico Federal;
e) fiscalização ambiental e aplicação de penalidades administrativas;
f) geração e disseminação de informações relativas ao meio ambiente;
g) monitoramento ambiental, principalmente no que fiz respeito à prevenção e controle de
desmatamentos, queimadas e incêndios florestais;
h) apoio às emergências ambientais;
i) execução de programas de educação ambiental;
j) elaboração do sistema de informação;
k) estabelecimento de critérios para a gestão do uso dos recursos da fauna, pesca e florestais.
A execução das ações ambientais de âmbito federal referentes à política nacional de
unidades de conservação da natureza passou a ser atribuição do Instituto Chico Mendes de

124/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente


Conservação da Biodiversidade (ICMBio), b) executar as políticas relativas ao
autarquia federal de natureza especial, uso sustentável dos recursos naturais
com autonomia financeira e administrativa, renováveis e ao apoio ao extrativismo e às
criada pela Lei 11.516/07, integrante do populações tradicionais nas unidades de
SISNAMA e vinculada ao Ministério do conservação de uso sustentável instituídas
Meio Ambiente. Assim, o ICMBio tem por pela União;
atribuição administrar as unidades de c) fomentar e executar programas de
conservação criadas pela Lei 9.985/2000. pesquisa, proteção, preservação e
Antes a atribuição era do IBAMA. conservação da biodiversidade e de
O ICMBio tem as seguintes finalidades (art. educação ambiental;
1º da Lei 11.516/07): d) exercer o poder de polícia ambiental
a) executar ações da política nacional de para a proteção das unidades de
unidades de conservação da natureza, conservação instituídas pela União;
referentes às atribuições federais relativas e) promover e executar, em articulação
à proposição, implantação, gestão, com os demais órgãos e entidades
proteção, fiscalização e monitoramento envolvidas, programas recreacionais, de
das unidades de conservação instituídas uso público e de ecoturismo nas unidades
pela União;
125/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente
de conservação, em que essas atividades Ante a grande extensão territorial do
sejam permitidas. Brasil, possibilitam a implementação da
O IBAMA tem a possibilidade de exercício Política Nacional do Meio Ambiente. A eles
supletivo do poder de polícia ambiental compete a maior parte das atividades de
nos casos de omissão do ICMBio (art. 1º, controle ambiental.
parágrafo único, a Lei 11.516/07). São suas atribuições:
a) O licenciamento ambiental de atividades
V – ÓRGÃOS SECCIONAIS: OS ÓRGÃOS OU e empreendimentos causadores de
ENTIDADES ESTADUAIS (art. 6º, V, da Lei poluição e degradação ambientais;
6.938/81) b) o exercício do poder de polícia
São órgãos ou entidades instituídas pelos ambiental;
Estados e Distrito Federal, responsáveis c) a proteção florestal, com
pela execução de programas, projetos e responsabilidade pela autorização para a
pelo controle e fiscalização de atividades intervenção ou supressão de vegetação, a
capazes de provocar a degradação instituição da reserva legal florestal;
ambiental. d) a outorga de uso dos recursos hídricos.

126/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente


São possíveis órgãos ou entidades deliberativo.
específicas para as florestas, recursos Vê-se assim que a proteção ao meio
hídricos, licenciamento. ambiente é obrigação comum a todos os
entes federados.
VI – ÓRGÃOS LOCAIS: OS ÓRGÃOS OU
ENTIDADES MUNICIPAIS (art. 6º, VI, Lei
6.938/81) 2. A política nacional do meio
São responsáveis pelo controle e
ambiente (PNMA)
fiscalização das atividades nos respectivos
A Lei 6.938/81 (PNMA) pode ser dividida
municípios. Exercem o poder de polícia
em três partes:
ambiental.
- Princípios da PNMA (incisos do art.
O município está inserido na estrutura
2º);
no SISNAMA e poderá realizar o
licenciamento ambiental de atividades - Objetivos da PNMA (caput do art. 2º e
efetiva ou potencialmente poluidoras se, art. 4º);
além de corpo técnico habilitado, possuir - Instrumentos da PNMA (art. 9º).
conselho de meio ambiente com caráter
127/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente
2.1. PRINCÍPIOS DA POLÍTICA e) controle e zoneamento de atividades
NACIONAL DO MEIO AMBIEN- potencial ou efetivamente poluidoras;
TE f) incentivos ao estudo e à pesquisa de
tecnologias orientadas para o uso racional
Os incisos do art. 2º da Lei 6.938/81 e a proteção dos recursos ambientais;
dispõem sobre os princípios da PNMA:
g) acompanhamento do estado da
a) ação governamental na manutenção qualidade ambiental;
do equilíbrio ecológico, considerando
o meio ambiente como um patrimônio h) recuperação de áreas degradadas;
público a ser necessariamente assegurado i) proteção de áreas ameaçadas de
e protegido, tendo em vista o uso coletivo; degradação;
b) racionalização do uso do solo, do j) educação ambiental a todos os níveis
subsolo, da água e do ar; do ensino, inclusive a educação da
c) planejamento e fiscalização do uso dos comunidade, objetivando capacitá-la
recursos ambientais; para participação ativa na defesa do meio
ambiente;
d) proteção dos ecossistemas, com a
preservação de áreas representativas; Na verdade, boa parte dos incisos do art. 2º

128/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente


não se tratam propriamente de princípios, dignidade da pessoa humana.
mas de programas, metas ou modalidades 2.2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS (fins
de ação. concretos)

2.2. OBJETIVOS DA POLÍTICA Tem natureza operacional, vale dizer,


referem-se a procedimentos que
NACIONAL
deverão ser realizados para que seja
alcançado o objetivo geral.
2.2.1 OBJETIVO GERAL (fins
Art. 4º:
abstratos)
I – compatibilização do
Art. 2º, caput: A Política Nacional do desenvolvimento econômico-social
Meio Ambiente tem por objetivo geral a com a preservação da qualidade
preservação, melhoria e recuperação do meio ambiente e do equilíbrio
da qualidade ambiental propícia à ecológico;
vida, visando assegurar, no País, Trata-se do princípio do
condições ao desenvolvimento desenvolvimento sustentável:
socioeconômico, aos interesses da desenvolvimento econômico, equidade
segurança nacional e à proteção da
129/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente
social e preservação do meio ambiente. públicas de preservação ambiental e da
definição de áreas prioritárias de ação
governamental em matéria ambiental.
Link III – estabelecimento de critérios e
artigo: A desvirtuação do conceito de padrões de qualidade ambiental e de
sustentabilidade <http://www.ammp.org.br/ normas relativas ao uso e manejo de
inst/artigo/Artigo-9.pdf>. Acesso em 23 Jul. recursos ambientais;
2015.
Representa a definição da linha divisória
entre o impacto ambiental tolerável
II – definição de áreas prioritárias de pela coletividade e o dano ambiental.
ação governamental relativa à qualidade Esses padrões são definidos por meio
e ao equilíbrio ecológico, atendendo de estudos técnicos específicos para
aos interesses da União, dos Estados, do cada tipo de atividade e inseridos nas
Distrito Federal e dos Municípios; normas ambientais. São fundamentais
para possibilitar a responsabilização dos
Uma das principais funções estatais é
agentes degradadores do meio ambiente.
o planejamento sustentável que deve
ocorrer por meio da elaboração de políticas Tem por objeto a qualidade do solo, do ar,

130/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente


dos recursos hídricos e é implementado por do meio ambiente, divulgação de dados
meio do CONAMA. e informações ambientais e formação
IV – desenvolvimento de pesquisas e de de uma consciência pública sobre a
tecnologias nacionais orientadas para o necessidade de preservação da qualidade
uso racional de recursos ambientais; ambiental e do equilíbrio ecológico;

O Estado deve incentivar o A estruturação desse objetivo é realizada


desenvolvimento de pesquisas e por meio de três princípios: princípios
tecnologias orientadas para o uso da informação ambiental, da educação
racional de recursos naturais, caso não as ambiental e da participação ambiental.
desenvolva diretamente por meio de seus Com o desenvolvimento de pesquisas
órgãos. e tecnologias (item IV), o Poder Público
A implementação é feita por meio de deverá divulgá-las, bem como os dados e
instituições de ensino e de pesquisa informações ambientais de que disponha.
que autuam no desenvolvimento de Trata-se de formar uma consciência
tecnologias e métodos para o uso racional pública sobre a importância da proteção
dos recursos ambientais. ambiental.
V – difusão de tecnologias de manejo VI – preservação e restauração dos recursos
131/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente
ambientais com vistas à sua utilização predador, da obrigação de recuperar e/
racional e disponibilidade permanente, ou indenizar os danos causados e, ao
concorrendo para a manutenção do usuário, da contribuição pela utilização
equilíbrio ecológico propício à vida; de recursos ambientais com fins
Os recursos ambientais devem ser econômicos;
utilizados de forma racional, tendo em Trata-se do princípio do poluidor-pagador
vista sua vulnerabilidade. Primeiramente e do princípio do usuário-pagador.
visa-se a evitar o dano ambiental (pelos A volta ao status quo ante em matéria
princípios da prevenção e precaução). ambiental nem sempre é possível, tendo
Contudo, aqueles que se encontram em vista a fragilidade e complexidade dos
degradados devem ser restaurados, ecossistemas.
vale dizer, deve-se recompor, restituir o
ecossistema degradado o mais próximo Se não for possível restaurar os recursos
possível de sua condição original. Isso para ambientais degradados, o poluidor
se garantir a disponibilidade permanente deverá recuperar os danos causados,
desses recursos ambientais, para as na maior medida possível, vale dizer, de
presentes e futuras gerações. restituir o ecossistema a uma condição
não degradada, que pode até mesmo ser
VII – imposição, ao poluidor e ao
132/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente
diferente de sua condição original. Representam mecanismos legais e
Se o dano for irrecuperável, o poluidor institucionais utilizados pela administração
deverá indenizar os danos causados por pública para que os princípios e objetivos
meio de pagamento de soma em dinheiro, da PNMA sejam efetivamente alcançados.
a qual será revertida à preservação do meio Os instrumentos podem ser classificados
ambiente. em instrumentos jurisdicionais (cíveis [art.
Por seu turno, os usuários de recursos 14, parágrafo 1º] e penais [art. 15]) e não
naturais deverão contribuir pela sua jurisdicionais (administrativos) da Política
utilização (usuário-pagador). Isso se dá Nacional do Meio Ambiente.
pela definição de valor econômico ao bem Os instrumentos administrativos podem
natural com o intuito de racionalizar o seu ser classificados como preventivos (art. 9º)
uso e evitar desperdício. ou repressivos (art. 14).
Os instrumentos preventivos, cuja função
2.3. Instrumentos da política é evitar a ocorrência de ilícitos ou danos
nacional do meio ambiente ambientais, estão previstos no art. 9º da
Lei 6.938/81:
Os instrumentos conferem efetividade
à Política Nacional do Meio Ambiente.
133/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente
2.3.1 Estabelecimento de padrões de qualidade ambiental (art. 9º, i).

O Poder Público deve estabelecer limites máximos de lançamentos de matérias ou energias,


de efluentes ou resíduos no meio ambiente, bem como definir os parâmetros socialmente
toleráveis para a utilização dos bens naturais, pois o exercício de atividades econômicas não
pode comprometer a incolumidade do meio ambiente e a saúde das pessoas.
Certo que praticamente qualquer atividade humana causa algum tipo de impacto ambiental.
O estabelecimento de padrões de qualidade ambiental possibilita a higidez e a salubridade do
meio ambiente, bem como o controle e prevenção da poluição.

Para saber mais


os padrões de qualidade ambiental são estabelecidos por resoluções do CONAMA (ex.
Programa Nacional de Controle de Qualidade do Ar, programas de qualidade das águas,
do solo e de ruídos). A definição desse limite se dá por meio de análises técnicas e
científicas e configura o padrão de qualidade ambiental.

134/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente


Para o licenciamento ambiental de Regulamentado pelo Decreto 4.297/2002
atividades que impactam o meio ambiente, o qual estabelece critérios mínimos
devem ser observados padrões de emissão para a elaboração do zoneamento
e os padrões de qualidade ambiental. ecológico-econômico como mecanismo
Por outro lado, se os níveis de impacto de organização do território a ser
estiverem acima do padrão, serão obrigatoriamente seguido na implantação
considerados nocivos, configurando-se o de planos, obras e atividades públicas e
dano ao meio ambiente (art. 3º, III, “e” da privadas.
Lei 6.938/81). É instrumento de organização do território
a ser obrigatoriamente seguido na
2.3.2 Zoneamento ambiental implantação de planos, obras e atividades
(art. 9º, ii) públicas e privadas. Estabelece medidas e
padrões de proteção ambiental destinados
É também conhecido como “Zoneamento a assegurar a qualidade ambiental, dos
Ecológico-Econômico – ZEE”. recursos hídricos e do solo e a conservação
O ZEE traduz a necessidade de que a da biodiversidade, garantindo o
gestão territorial do Brasil incorpore as desenvolvimento sustentável e a melhoria
exigências ambientais. das condições de vida da população.
135/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente
Para saber mais
A Lei 6.803/1980 dispõe sobre as diretrizes básicas para o zoneamento industrial nas
áreas críticas de poluição. Segundo seu art. 1º, nas áreas críticas de poluição, as zonas
destinadas à instalação de indústrias serão definidas em esquema de zoneamento
urbano, aprovado por lei, que compatibilize as atividades industriais com a proteção
ambiental.

2.3.3 Avaliação de impactos forma possa causar impacto ao meio


ambientais (art. 9º, iii) ambiente, sua implantação é condicionada
a uma avaliação prévia (AIA) para que se
A Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) possa primeiramente autorizar ou não
é um instrumento de gestão ambiental, o empreendimento e, em um segundo
aplicável às atividades e empreendimentos momento, exigir do empreendedor
que efetiva ou potencialmente possam as medidas necessárias para corrigir,
causar poluição ou degradação ambiental. mitigar e/ou compensar os efeitos
Quando existir atividade que de alguma negativos que elas poderão acarretar ao
136/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente
ecossistema. Os estudos darão subsídios Existe gradação de impactos ambientais,
aos órgãos ambientais para a análise dos pois algumas atividades modificam pouco
requerimentos de licença ambiental. os recursos naturais, enquanto outras
acarretam a eles significativos impactos.
Conceitua-se a Avaliação de Impacto
Por isso, as normas ambientais apresentam
Ambiental como um instrumento de
diferentes espécies de Avaliação de
política ambiental, formado por um
Impactos Ambientais.
conjunto de procedimentos capazes de
assegurar, desde o início do processo, O AIA é o gênero dos estudos ambientais.
que se faça um exame sistemático dos São espécies todos os estudos relativos
impactos ambientais de uma ação aos aspectos ambientais apresentados
proposta (projeto, programa, plano ou como subsídio para a análise de Licença
política) e de suas alternativas, e que os Ambiental, como: relatório ambiental,
resultados sejam apresentados de forma plano e projeto de controle ambiental,
adequada ao público e aos responsáveis Estudo de Impacto Ambiental, plano de
pela tomada de decisão, e por eles manejo, plano de recuperação da área
considerados. Os procedimentos devem degradada, relatório ambiental preliminar,
garantir a adoção das medidas de proteção diagnóstico ambiental e análise preliminar
do meio ambiente. de risco.

137/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente


Para saber mais
Princípio 17 da Declaração do Rio/92: a Avaliação de Impacto Ambiental deve ser
empreendida para as atividades planejadas que possam vir a ter impacto negativo
considerável sobre o meio ambiente, e que dependam de uma decisão de autoridade
nacional competente.

2.3.4 Licenciamento ambiental coletivo, não existe direito subjetivo à sua


e a revisão de atividades efetiva livre utilização e exploração.
ou potencialmente poluidoras A autorização estatal para a utilização
(art. 9º, iv) de recursos ambientais é dada por meio
do procedimento de licenciamento
ambiental, no qual o Poder Público exerce
A utilização de recursos naturais depende
o controle prévio sobre as atividades
de prévio consentimento do Poder Público.
que possam impactar o meio ambiente,
Como o meio ambiente é considerado
possibilitando a efetivação dos princípios
patrimônio público a ser obrigatoriamente
do desenvolvimento sustentável, da
assegurado e protegido, pois é de uso
138/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente
prevenção e da precaução. Assim, trata-se equipamentos e a criação ou absorção de
de procedimento administrativo em que tecnologias limpas.
o órgão ambiental competente licencia
as atividades efetiva ou potencialmente 2.3.6 Criação de espaços terri-
poluidoras e todas aquelas que, toriais especialmente protegi-
sob qualquer forma, possam causar dos pelo poder público federal,
degradação ambiental. estadual e municipal, tais como
áreas de proteção ambiental,
2.3.5 Incentivos à produção e
de relevante interesse ecológi-
instalação de equipamentos
co e reservas extrativistas (art.
e a criação ou absorção de
9º, vi)
tecnologia, voltados para
a melhoria da qualidade Visa à preservação e conservação de
ambiental (art. 9, V) ecossistemas.
É regulamentado pela Lei 9.985/00.
O Poder Público, por meio de incentivos
fiscais e econômicos, estimula a iniciativa Existem várias espécies de espaços
privada para que efetue a instalação de ambientalmente protegidos, como por
139/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente
exemplo: divulgar as informações ambientais dos
a) área de preservação permanente – APP órgãos e entes integrantes do SISNAMA,
(Código Florestal). em todos os níveis de governo.

b) Áreas de reserva legal (Código Florestal). Compete ao Ministério do Meio Ambiente


coordenar a troca de informações entre
c) Unidades de conservação da natureza as entidades e órgãos que compõem o
(Lei 9.985/00). SISNAMA.
O SINIMA está estruturado em três eixos:
2.3.7 Sistema nacional de
informações sobre o meio a) Ferramentas de Acesso à Informação
ambiente (sinima) (art. 9º, vii) – orientadas para o desenvolvimento
de soluções tecnológicas de baixo custo
Dá efetividade aos Princípios da baseadas em programas computacionais
Informação, da participação e da livres;
obrigatoriedade de intervenção estatal. b) Integração e Compartilhamento das
Regulamentado pelo Decreto 99.247/90, Bases de Informação Ambiental – visa
art. 11, inc. II e III. a integrar e compartilhar as bases de
Cabe ao SINIMA organizar, sistematizar e informações do SISNAMA;
140/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente
c) Sistematização do Processo de instrumentos destinados ao controle de
Produção, Coleta e Análise de Estatísticas atividades efetivas ou potencialmente
para a Elaboração de Indicadores poluidoras, no Cadastro.
Ambientais e de Desenvolvimento É administrado pelo IBAMA.
Sustentável – visa à organização de um
sistema nacional de estatísticas e de A inscrição dos profissionais legalmente
indicadores ambientais. habilitados que participam da elaboração
de estudos ambientais é obrigatória,
2.3.8 Cadastro técnico federal sob pena de multa. A elaboração de
estudos ambientais deve ser realizada
de atividades e instrumentos
por profissionais legalmente habilitados
de defesa ambiental (art. 9º, viii
e inscritos no Cadastro. Os órgãos
e 17, i)
ambientais somente podem aceitar
projetos técnicos de controle da poluição
Consiste no registro obrigatório de pessoas
ou estudos de impacto ambiental cujos
físicas e jurídicas que se dediquem à
elaboradores sejam profissionais, empresas
consultoria técnica sobre problemas
ou sociedades civis regularmente
ecológicos e ambientais e à indústria e
registradas no Cadastro.
comércio de equipamentos, aparelhos e

141/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente


O cadastro é um censo ambiental, destinado a conhecer os profissionais e suas técnicas e
tecnologias ambientais, subsidiando o SINIMA. Sua renovação ocorre a cada dois anos, sob
pena de multa.
Visa a relacionar e dar publicidade à lista dos profissionais dedicados à consultoria ambiental,
sua habilitação e as tecnologias de controle da poluição, bem como subsidiar a formação do
Sistema Nacional de Informações sobre o meio ambiente.

Link
Link do Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa
Ambiental. https://servicos.ibama.gov.br/index.php/cadastro-inscricao-e-
certidoes/cadastro-tecnico-federal-de-atividades-e-instrumentos-de-
defesa-ambiental-ctfaida. Acesso em 23 JUL. 2015.

142/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente


2.3.9 Penalidades disciplina- A regulamentação encontra-se nos arts. 70
res ou compensatórias ao não e 76 da Lei 9.605/98 (tutela administrativa
cumprimento das medidas ne- ambiental) e no Decreto 6.514/08
cessárias à preservação ou cor- (infrações e sanções administrativas ao
meio ambiente e processo administrativo
reção da degradação ambiental
para apuração destas infrações).
(art. 9º, ix)

Trata-se do poder de polícia ambiental 2.3.10 Relatório de qualidade


conferido aos entes e órgãos integrantes do meio ambiente (art. 9º, x)
do SISNAMA para aplicação de penalidades
disciplinares ou compensatórias àqueles É um instrumento de gestão ambiental que
que não preservam ou não recuperam o visa a dar conhecimento amplo à sociedade
meio ambiente degradado. Tem natureza sobre as condições ambientais gerais do
repressiva. Brasil e serve de lastro para a formulação
de políticas públicas ambientais.
A fiscalização e a aplicação de penalidades
constituem instrumentos fundamentais da
PNMA.

143/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente


2.3.11 A garantia da prestação subjetivo que o cidadão pode exigir.
de informações relativas ao É direito de a pessoa ser informada sobre
meio ambiente, obrigando-se qualquer questão ambiental, presumindo-
o poer público a produzi-las, se a legitimidade das solicitações das
quando inexistentes (art. 9º, xi) pessoas físicas e jurídicas brasileiras.
Os entes do SISNAMA devem publicar
Relaciona-se com o direito de acesso às
em Diário Oficial e afixar em local de fácil
informações (art. 5º, XXXIII, da CF).
acesso no órgão listagem com dados
A Lei 10.650/2003 dispôs sobre o definidos no art. 4º da Lei 10.650/03, como
acesso público aos dados e informações pedidos de licenciamento e renovação,
ambientais existentes nos órgãos e autos de infração, recursos interpostos,
entidades integrantes do SISNAMA, lavratura de termos de ajustamento de
independentemente de comprovação de conduta.
interesse específico. É assegurado o sigilo
comercial, industrial e financeiro. 2.3.12 Cadastro técnico federal
As informações prestadas pelo Poder de atividades potencialmente
Público constituem um direito público poluidoras e/ou utilizadoras

144/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente


dos recursos ambientais (art. uma melhor fiscalização pelos órgãos
9º, xii). ambientais e pela sociedade.

Tem como objetivo o registro obrigatório


de pessoas físicas ou jurídicas que se Link
dedicam a atividades potencialmente Link do Cadastro Técnico Federal de Atividades
poluidoras e/ou a extração, produção, Potencialmente Poluidoras e/ou Utilizadoras dos
transporte e comercialização de produtos Recursos Ambientais <https://servicos.ibama.
potencialmente perigosos ao meio gov.br/index.php/cadastro>. Acesso em 23
ambiente, assim como de produtos e jul. 2015.
subprodutos da fauna e da flora. É gerido
pelo IBAMA. 3. Os instrumentos econômicos
O objetivo do cadastro é registrar, dar (art. 9º, xiii) e incentivos gover-
publicidade, subsidiar a formação do namentais (art. 12)
Sistema Nacional de Informação sobre o
meio ambiente, bem como para que se Os principais instrumentos econômicos
conheçam as pessoas físicas ou jurídicas são a servidão ambiental, a concessão
potencialmente poluidoras, permitindo florestal e o seguro ambiental.

145/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente


São mecanismos complementares para que preservam o meio ambiente; b)
a efetividade da Política Nacional do desestimular atividades poluidores,
Meio Ambiente, em face da dificuldade por exemplo, por meio do aumento
de fiscalização e controle das atividades de tributos (extra fiscalidade) ou
potencialmente degradadoras do meio redução de subsídios governamentais;
ambiente, ante a grande extensão c) assegurar a reparação de danos
territorial do Brasil e a precariedade da ambientais por meio de exigência de
estrutura pública existente. São medidas garantias.
estatais que interferem na Ordem
Econômica visando a estimular condutas 3.1 Servidão ambiental
favoráveis à redução da poluição ou que
buscam inibir posturas lesivas ao meio A Lei 11.284/2006 introduziu na PNMA o
ambiente com o objetivo de incentivar a art. 9-A o qual prevê o instituto da servidão
adoção de gestões ecológicas. ambiental.
Esses instrumentos podem ser utilizados É espécie de servidão administrativa, com
como forma de: a) incentivar a preservação natureza de direito real sobre coisa alheia.
ambiental, como nos casos de concessão É instrumento para viabilizar o mecanismo
de benefícios econômicos àqueles de compensação ambiental. Trata-se de
146/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente
espécie de servidão que se vincula aos (art. 9º-A, §2º).
objetivos de proteção ambiental. O proprietário deve averbar o instituto
A servidão ambiental possibilita ao à margem da matrícula no Registro de
proprietário rural voluntariamente Imóveis (art. 9º-A, §3º).
renunciar, em caráter permanente ou Permite-se que a área utilizada para
temporário, total ou parcialmente, ao a servidão ambiental seja objeto de
direito de uso, exploração ou supressão compensação de reserva legal florestal,
de recursos naturais existentes em sua o que obriga à averbação nos imóveis
propriedade. Exige-se a anuência do órgão envolvidos (art. 9º-A, §4º). Nos casos de
ambiental competente. florestas, a vegetação está fora da Reserva
O instituto da servidão ambiental abrange Legal - RL e das Áreas de Preservação
todos os recursos naturais e não apenas os Permanente – APP, pois nesses espaços
florestais (vegetação nativa), como é o caso a preservação decorre de lei e já são
da servidão florestal. protegidas, destinando-se a servidão à
O percentual da servidão ambiental sobre a área de uso alternativo do solo. Dessa
propriedade deve ser, no mínimo, a mesma forma, a propriedade cujo percentual
estabelecida para a reserva legal florestal de área ambientalmente protegida seja
inferior ao estipulado pelas normas
147/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente
ambientais poderá compensar seu déficit 3.2 Concessão florestal
naquelas propriedades em que há proteção
ambiental além dos limites legais. Sobre o Existem três espécies de gestão
excedente de áreas protegidas institui-se a florestal:
servidão, que poderá ser negociada com os a) a criação de florestas nacionais,
proprietários das terras deficitárias. estaduais e municipais (art. 17 da Lei
Com a sua instituição, o proprietário 9.985/00); b) a destinação de florestas
não poderá alterar a destinação da área públicas às comunidades locais,
nos casos de transmissão do imóvel a com a criação de reservas extrativistas,
qualquer título, de desmembramento ou de reservas de desenvolvimento
retificação dos limites da propriedade. sustentável e a concessão de uso,
por meio de projetos de assentamento
O regime de proteção deve ser, ao menos,
florestal, de desenvolvimento
o mesmo da reserva legal, o que implica a
sustentável, agroextrativistas e
impossibilidade de supressão vegetal, salvo
similares, nos termos do art. 189 da CF
sob a forma de manejo sustentável.
e do Programa Nacional de Reforma
agrária; c) concessão florestal.
A concessão florestal é novidade no
148/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente
direito brasileiro e regulamentada pela sustentável de produtos e serviços
Lei 11.284/09, a qual dispõe sobre a florestais.
gestão de florestas públicas para a
produção sustentável. 3.3 Seguro Ambiental
Considera-se concessão florestal
É instituo pendente de regulamentação.
delegação onerosa, feita pelo poder
Visa a facilitar a reparação de danos ao
concedente, do direito de praticar
meio ambiente.
manejo florestal sustentável para
exploração de produtos e serviços numa Existem os Projetos de Lei 2.313/03 e
unidade de manejo, mediante licitação, 3876/08 que tratam do seguro ambiental.
à pessoa jurídica, em consórcio O art. 40 da Lei 12.305/10 (Lei da Política
ou não, que atenda às exigências Nacional dos Resíduos Sólidos) prevê
do respectivo edital de licitação e a possiblidade de se exigir seguro no
demonstre capacidade para seu caso de licenciamento de atividades
desempenho, por sua conta e risco e ou empreendimentos que operem com
por prazo determinado (art. 3o VII da Lei resíduos perigosos.
11.284/09).
Abre a possibilidade da exploração
149/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente
3.4 Incentivos governamentais mínimos para a concessão de crédito.
Nesse sentido, o mercado financeiro
Trata-se de mais um instrumento internacional compromete-se a revisar
econômico para incentivar todas as propostas para as quais os
comportamentos ambientalmente clientes solicitam financiamento de
corretos. projetos. Não será fornecido empréstimo
Conforme art. 12 da Lei 6.938/81, a projetos cujo solicitante não respeite as
condiciona-se a concessão de incentivos e normas e políticas nacionais de proteção
de financiamentos públicos à comprovação socioambiental.
do licenciamento ambiental e ao
cumprimento das normas ambientais.
Não haveria sentido a concessão, pelo
Poder Público, de benefícios econômicos
a empreendedores que degradam o meio
ambiente.
No plano internacional, foram elaborados
os “Princípios do Equador”, os quais
definem critérios socioambientais
150/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente
Glossário
Impacto ambiental: qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas
do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das
atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam: I) a saúde, a segurança
e o bem-estar da população; II) as atividades sociais e econômicas; III) a biota; IV)
as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente e V) a qualidade dos recursos
ambientais (art. 1º, da Resolução CONAMA 1/86).
Estudos Ambientais: são todos e quaisquer estudos relativos aos aspectos ambientais
relacionados à localização, instalação, operação e ampliação de uma atividade ou
empreendimento, apresentado como subsídio para a análise da licença requerida, tais
como: relatório ambiental, plano e projeto de controle ambiental, relatório ambiental
preliminar, diagnóstico ambiental, plano de manejo, plano de recuperação de área
degradada e análise preliminar de risco (art. 1º, III da Resolução 237/97 do CONAMA).
ICMS ecológico: é a expressão utilizada para denominar o repasse de parte do imposto
arrecadado pelos estados aos municípios que respeitem critérios de preservação
ambiental.
Produtos florestais: exploração de insumos madeireiros e não madeireiros, tais como
frutos, sementes.
151/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente
Glossário
Serviços florestais: turismo ecológico, recreação em contato com a natureza, educação
ambiental.

152/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente


?
Questão
para
reflexão

Tendo em vista o Sistema Nacional do Meio Ambiente


(SISNAMA) e seus níveis, reflita sobre a atuação pratica
e concreta do órgão seccional do seu Estado e do órgão
local do seu Município (se existir).

153/305
Considerações Finais

»» O SISNAMA tem a seguinte estrutura:


i) órgão superior: o Conselho de Governo;
ii) órgão consultivo e deliberativo: o Conselho Nacional do Meio
Ambiente – CONAMA;
iii) órgão central: Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da
República;
iv) órgão executor: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e o Instituto Chico Mendes de
Conservação da Biodiversidade;
v) órgãos seccionais: os órgãos ou entidades estaduais e distritais
responsáveis pela execução de programas, projetos e pelo controle
e fiscalização de atividades capazes de provocar a degradação
ambiental;
154/347
Considerações Finais
vi) órgãos locais: os órgãos ou entidades municipais, responsáveis
pelo controle e fiscalização dessas atividades, nas suas respectivas
jurisdições.

»» A Lei 6.938/81 (PNMA) contém:


- Princípios: incisos do art. 2º.
- Objetivo geral (fins abstratos): art. 2º, caput.
- Objetivos específicos (fins concretos): art. 4º.
- Instrumentos: - Administrativos Preventivos: art. 9º.
- Administrativos Repressivos: art. 14.
- Jurisdicionais Civis: art. 14, §1.
- Jurisdicionais Penais: art. 15.
- Servidão Ambiental: art. 9º-A.
- Incentivos Governamentais: art. 12.
155/347
Referências

ANTUNES, Paulo de Bessa. Direito ambiental. 14ª ed. São Paulo: Atlas, 2012.
MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro. 17ª ed. rev. atual. e ampl. São
Paulo: Malheiros, 2009.
RODRIGUES, Marcelo Abelha. Direito ambiental esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2013.
SARLET. Ingo Wolfgang. Direito ambiental: introdução, fundamentos e teoria geral. Tiago
Fensterseifer. São Paulo: Saraiva, 2014.
SILVA, José Afonso. Direito Ambiental Constitucional. 10ª ed. São Paulo: Malheiros, 2013.

156/347 Unidade 4 • Política e Sistema Nacional de Meio Ambiente


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Aula 4 - Tema: Sistema Nacional do  Aula 4 - Tema: Sistema Nacional do 
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do Meio Ambiente (PNMA) – Bloco I do Meio Ambiente (PNMA) – Bloco II
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157/347
Questão 1
1. São níveis do SISNAMA:

a) i) órgão superior: o Conselho de Governo; ii) órgão consultivo e deliberativo: Instituto


Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e o Instituto Chico
Mendes de Conservação da Biodiversidade; iii) órgão central: Secretaria do Meio Ambiente
da Presidência da República; iv) órgão executor: o Conselho Nacional do Meio Ambiente –
CONAMA; v) órgãos seccionais: os órgãos ou entidades estaduais e distritais responsáveis
pela execução de programas, projetos e pelo controle e fiscalização de atividades capazes
de provocar a degradação ambiental; vi) órgãos locais: os órgãos ou entidades municipais,
responsáveis pelo controle e fiscalização dessas atividades, nas suas respectivas jurisdições.
b) i) órgão superior: o Conselho de Governo; ii) órgão consultivo e deliberativo: o Conselho
Nacional do Meio Ambiente – CONAMA; iii) órgão central: Secretaria do Meio Ambiente
da Presidência da República; iv) órgão executor: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade; v) órgãos locais: os órgãos ou entidades estaduais e distritais responsáveis
pela execução de programas, projetos e pelo controle e fiscalização de atividades capazes de
provocar a degradação ambiental; vi) órgãos seccionais: os órgãos ou entidades municipais,
responsáveis pelo controle e fiscalização dessas atividades, nas suas respectivas jurisdições.
158/347
Questão 1
c) i) órgão superior: Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República; ii) órgão
consultivo e deliberativo: o Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA; iii) órgão
central: o Conselho de Governo; iv) órgão executor: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade; v) órgãos seccionais: os órgãos ou entidades estaduais e distritais responsáveis
pela execução de programas, projetos e pelo controle e fiscalização de atividades capazes
de provocar a degradação ambiental; vi) órgãos locais: os órgãos ou entidades municipais,
responsáveis pelo controle e fiscalização dessas atividades, nas suas respectivas jurisdições.
d) i) órgão superior: o Conselho de Governo; ii) órgão consultivo e deliberativo: o Conselho
Nacional do Meio Ambiente – CONAMA; iii) órgão central: Secretaria do Meio Ambiente
da Presidência da República; iv) órgão executor: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade; v) órgãos seccionais: os órgãos ou entidades estaduais e distritais responsáveis
pela execução de programas, projetos e pelo controle e fiscalização de atividades capazes
de provocar a degradação ambiental; vi) órgãos locais: os órgãos ou entidades municipais,
responsáveis pelo controle e fiscalização dessas atividades, nas suas respectivas jurisdições.

159/347
Questão 1
e) i) órgão superior: o Conselho de Governo; ii) órgão consultivo e deliberativo: o Conselho
Nacional do Meio Ambiente – CONAMA; iii) órgão central: Ministério do Meio Ambiente; iv)
órgão executor: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
(IBAMA) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade; v) órgãos seccionais: os
órgãos ou entidades estaduais e distritais responsáveis pela execução de programas, projetos
e pelo controle e fiscalização de atividades capazes de provocar a degradação ambiental; vi)
órgãos locais: os órgãos ou entidades municipais, responsáveis pelo controle e fiscalização
dessas atividades, nas suas respectivas jurisdições.

160/347
Questão 2
2. O ICMBio tem como finalidades, entre outras:

a) assessorar, estudar e propor ao Conselho de Governo, diretrizes de políticas


governamentais para o meio ambiente e os recursos naturais, bem como deliberar sobre
normas e padrões compatíveis com o meio ambiente ecologicamente equilibrado e essencial à
sadia qualidade de vida.
b) executar ações da política nacional de unidades de conservação da natureza, referentes
às atribuições federais relativas à proposição, implantação, gestão, proteção, fiscalização e
monitoramento das unidades de conservação instituídas pela União.
c) planejar, coordenar, supervisionar e controlar, como órgão federal, a política nacional e as
diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente.
d) prestar apoio técnico consultivo e assessoramento ao Governo Federal na formulação,
atualização e implementação da Política Nacional de Biossegurança relativo ao Organismo
Geneticamente Modificado (OGM), bem como no estabelecimento de normas técnicas de
segurança e pareceres técnicos referentes à proteção da saúde humana, dos organismos vivos
e do meio ambiente, para atividades que envolvam a construção, experimentação cultivo,
manipulação, transporte, comercialização, consumo, armazenamento, liberação e descarte de
OGM e derivados.
161/347
Questão 2
e) coordenar a política nacional do meio ambiente e dos recursos hídricos; a política de
preservação, a conservação e utilização sustentável de ecossistemas, a biodiversidade e
florestas; a proposição de estratégias, mecanismos e instrumentos econômicos e sociais para
a melhoria da qualidade ambiental e do uso sustentável dos recursos naturais; as políticas
para integração do meio ambiente e produção; as políticas e programas ambientais para a
Amazônia Legal; o zoneamento ecológico-econômico.

162/347
Questão 3
3. A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo geral:

a) imposição, ao poluidor e ao predador, da obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos


causados e, ao usuário, da contribuição pela utilização de recursos ambientais com fins
econômicos.
b) desenvolvimento de pesquisas e de tecnologias nacionais orientadas para o uso racional
de recursos ambientais.
c) estabelecimento de critérios e padrões de qualidade ambiental e de normas relativas ao
uso e manejo de recursos ambientais.
d) definição de áreas prioritárias de ação governamental relativa à qualidade e ao
equilíbrio ecológico, atendendo aos interesses da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios.
e) a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando
assegurar, no País, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da
segurança nacional e à proteção da dignidade da pessoa humana.

163/347
Questão 4
4. São instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente:

a) o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental; o zoneamento ambiental; a


avaliação de impactos ambientais; o licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou
potencialmente poluidoras; os incentivos à produção e instalação de equipamentos e a
criação ou absorção de tecnologia, voltados para a melhoria da qualidade ambiental; a criação
de reservas e estações ecológicas, áreas de proteção ambiental e as de relevante interesse
ecológico, pelo Poder Público Federal, Estadual e Municipal; a criação de espaços territoriais
especialmente protegidos pelo Poder Público federal, estadual e municipal, tais como áreas
de proteção ambiental, de relevante interesse ecológico e reservas extrativistas; o sistema
nacional de informações sobre o meio ambiente; o Cadastro Técnico Federal de Atividades e
Instrumentos de Defesa Ambiental; as penalidades disciplinares ou compensatórias ao não
cumprimento das medidas necessárias à preservação ou correção da degradação ambiental;
a instituição do Relatório de Qualidade do Meio Ambiente, a ser divulgado anualmente pelo
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis - IBAMA; a garantia da
prestação de informações relativas ao Meio Ambiente, obrigando-se o Poder Público a produzi-
las, quando inexistentes; o Cadastro Técnico Federal de atividades potencialmente poluidoras
e/ou utilizadoras dos recursos ambientais.

164/347
Questão 4
b) a compatibilização do desenvolvimento econômico-social com a preservação da
qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico; a definição de áreas prioritárias de ação
governamental relativa à qualidade e ao equilíbrio ecológico, atendendo aos interesses da
União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios; o estabelecimento de
critérios e padrões de qualidade ambiental e de normas relativas ao uso e manejo de recursos
ambientais; o desenvolvimento de pesquisas e de tecnologias nacionais orientadas para o
uso racional de recursos ambientais; a difusão de tecnologias de manejo do meio ambiente,
à divulgação de dados e informações ambientais e à formação de uma consciência pública
sobre a necessidade de preservação da qualidade ambiental e do equilíbrio ecológico; a
preservação e restauração dos recursos ambientais com vistas à sua utilização racional e
disponibilidade permanente, concorrendo para a manutenção do equilíbrio ecológico propício
à vida; a imposição, ao poluidor e ao predador, da obrigação de recuperar e/ou indenizar os
danos causados e, ao usuário, da contribuição pela utilização de recursos ambientais com fins
econômicos.
c) a ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, considerando o meio
ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido,
tendo em vista o uso coletivo; a racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar; o
planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais; a proteção dos ecossistemas,
165/347
Questão 4
com a preservação de áreas representativas; o controle e zoneamento das atividades potencial
ou efetivamente poluidoras; os incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas
para o uso racional e a proteção dos recursos ambientais; o acompanhamento do estado da
qualidade ambiental; a recuperação de áreas degradadas; a proteção de áreas ameaçadas
de degradação; a educação ambiental a todos os níveis de ensino, inclusive a educação da
comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente.
d) o assessoramento do Presidente da República na formulação da política nacional e
nas diretrizes governamentais para o meio ambiente e os recursos ambientais; proposição
de diretrizes de políticas governamentais para o meio ambiente e os recursos naturais e
deliberação sobre normas e padrões compatíveis com o meio ambiente ecologicamente
equilibrado e essencial à sadia qualidade de vida; execução da política e das diretrizes
governamentais fixadas para o meio ambiente;
e) assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade dos recursos
ambientais, em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos; a utilização racional e
integrada dos recursos ambientais, com vistas ao desenvolvimento sustentável; a prevenção e a
defesa contra eventos ambientais críticos de origem natural ou decorrentes do uso inadequado
dos recursos ambientais.

166/347
Questão 5
5. São instrumentos econômicos instituídos pela Lei 6.938/81:

a) o monitoramento ambiental, a vigilância ambiental e tombamento ambiental.


b) concessão florestal, servidão ambiental e seguro ambiental.
c) a desapropriação ambiental, o tombamento ambiental e o registro ambiental.
d) o seguro ambiental, o registro ambiental e o cadastro ambiental.
e) a servidão ambiental, a permissão ambiental e a autorização ambiental.

167/347
Gabarito
1. Resposta: D. pela União;
b) executar as políticas relativas ao
Conforme art. 6º da Lei 6.938/81, o
uso sustentável dos recursos naturais
SISNAMA possui seis níveis: i) Órgão
renováveis e ao apoio ao extrativismo e às
Superior; Órgão Consultivo e Deliberativo;
populações tradicionais nas unidades de
Órgão Central; Órgãos Executores; Órgãos
conservação de uso sustentável instituídas
Seccionais; Órgãos Locais.
pela União;

2. Resposta: B. c) fomentar e executar programas de


pesquisa, proteção, preservação e
O ICMBio tem as seguintes finalidades (art. conservação da biodiversidade e de
1º da Lei 11.516/07): educação ambiental;
a) executar ações da política nacional de d) exercer o poder de polícia ambiental para
unidades de conservação da natureza, a proteção das unidades de conservação
referentes às atribuições federais relativas instituídas pela União;
à proposição, implantação, gestão, e) promover e executar, em articulação com
proteção, fiscalização e monitoramento os demais órgãos e entidades envolvidas,
das unidades de conservação instituídas programas recreacionais, de uso público
168/347
Gabarito
e de ecoturismo nas unidades de 4. Resposta: A.
conservação, onde estas atividades sejam
permitidas.. Conforme art 9º da Lei 6.938/81, são
instrumentos da Política Nacional do Meio
3. Resposta: E. Ambiente:
I - o estabelecimento de padrões de
Conforma art. 2º, caput, da Lei 6.938/81:
qualidade ambiental;
a Política Nacional do Meio Ambiente tem
por objetivo geral a preservação, melhoria II - o zoneamento ambiental;
e recuperação da qualidade ambiental III - a avaliação de impactos ambientais;
propícia à vida, visando assegurar, no
IV - o licenciamento e a revisão de
País, condições ao desenvolvimento
atividades efetiva ou potencialmente
socioeconômico, aos interesses da
poluidoras;
segurança nacional e à proteção da
dignidade da pessoa humana. V - os incentivos à produção e instalação
de equipamentos e a criação ou absorção
de tecnologia, voltados para a melhoria da
qualidade ambiental;

169/347
Gabarito
VI - a criação de reservas e estações compensatórias ao não cumprimento das
ecológicas, áreas de proteção ambiental medidas necessárias à preservação ou
e as de relevante interesse ecológico, correção da degradação ambiental.
pelo Poder Público Federal, Estadual e X - a instituição do Relatório de Qualidade
Municipal; do Meio Ambiente, a ser divulgado
VI - a criação de espaços territoriais anualmente pelo Instituto Brasileiro
especialmente protegidos pelo Poder do Meio Ambiente e Recursos Naturais
Público federal, estadual e municipal, tais Renováveis - IBAMA;
como áreas de proteção ambiental, de XI - a garantia da prestação de informações
relevante interesse ecológico e reservas relativas ao Meio Ambiente, obrigando-
extrativistas; se o Poder Público a produzi-las, quando
VII - o sistema nacional de informações inexistentes;
sobre o meio ambiente; XII - o Cadastro Técnico Federal de
VIII - o Cadastro Técnico Federal de atividades potencialmente poluidoras e/ou
Atividades e Instrumentos de Defesa utilizadoras dos recursos ambientais.
Ambiental;
IX - as penalidades disciplinares ou
170/347
Gabarito
5. Resposta: B.

Conforme art 9º da Lei 6.938/81, são


instrumentos da Política Nacional do Meio
Ambiente:
[...]
XIII - instrumentos econômicos, como
concessão florestal, servidão ambiental,
seguro ambiental.

171/347
Unidade 5
Poder de Polícia Ambiental

Objetivos

»» Conhecer os institutos jurídicos Poder de


Polícia e Poder de Polícia Ambiental;
»» Entender o licenciamento ambiental;
»» Compreender as licenças ambientais

172/347
Introdução

Considerando que o meio ambiente é patrimônio público, bem de uso comum do povo e
essencial à sadia qualidade de vida, a ser necessariamente assegurado e protegido para as
presentes e futuras gerações, a utilização dos recursos naturais depende de consentimento do
Poder Público, inexistindo direito subjetivo à sua livre utilização.
Uma das formas de se dar o controle da Poder Público em matéria ambiental é pelo poder
de polícia ambiental, o qual consiste em limitações impostas às pessoas por meio de atos
administrativos, objetivando atender ao interesse público.
Nesse sentido, compete aos órgãos ambientais integrantes do SISNAMA (Sistema Nacional
do Meio Ambiente) fiscalizar aqueles que se utilizam dos recursos naturais e aplicar sanções
administrativas naturais aos degradadores do meio ambiente. Por se tratar de competência
material comum, a atribuição é prevista aos órgãos da União, dos Estados, do Distrito Federal e
Municípios.
Nesse contexto, o consentimento estatal para a utilização de recursos naturais é dado por meio
do procedimento de licenciamento ambiental.
O licenciamento ambiental representa um dos principais e mais importantes instrumentos
da Política Nacional do Meio Ambiente, pois por meio dele o Poder Público exerce o controle
prévio sobre as atividades que podem degradar o meio ambiente. Tem natureza preventiva e
173/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental
objetiva compatibilizar a proteção do meio ambiente com o desenvolvimento econômico e
social, promovendo o desenvolvimento sustentável. Também é meio pelo qual são aplicados os
Princípios da Prevenção e da Precaução.
Assim, o licenciamento ambiental visa a não apenas prevenir impactos ambientais negativos,
mas também mitigá-los por meio da imposição de condicionantes aos empreendedores.
Representa forma de intervenção do Estado na atividade econômica. De fato, o art. 170,
parágrafo único, da Constituição Federal, prevê que somente nos casos previstos em lei, o
Estado poderá exigir autorizações para o exercício da atividade econômica. Nesse sentido,
consiste em prévia condição para o exercício das atividades econômicas poluidoras.
Em suma, o licenciamento ambiental integra a tutela administrativa preventiva do meio
ambiente e decorre do poder de polícia da administração pública, não se submetendo ao crivo
do Poder Legislativo.

1. Poder de polícia e poder de Polícia Ambiental

O Poder de Polícia, ato do poder executivo, decorre da necessidade pública de limitar o


abuso no exercício dos direitos individuais, a fim de conformá-los ao interesse público. Vem
definido no art. 78 do Código Tributário Nacional: Considera-se poder de polícia atividade
174/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental
da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade,
regula a prática de ato ou a abstenção de fato, em razão de interesse público concernente
à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao
exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder
Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou
coletivos.
Todos os entes políticos possuem o dever de exercer o poder de polícia ambiental, ante a
competência material comum a proteção ao meio ambiente e o combate à poluição (art. 23, VI
da CF).
A atuação é obrigatória (trata-se de um dever-poder), pois decorre da natureza indisponível
do meio ambiente (equilíbrio ambiental – macrobem) e do Princípio da máxima eficácia das
normas ambientais.

Para saber mais


Existe entendimento de que no Direito Administrativo o exercício do poder de polícia tem natureza
discricionária, vale dizer, ser exercido sob critérios de conveniência e oportunidade.

175/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental


Assim, o poder de polícia ambiental pela urgência na execução do ato
tem natureza vinculada, em regra, administrativo, bem como pela presença
normalmente inexistindo conveniência de lei em sentido estrito permitindo a
e oportunidade na sua exteriorização, execução administrativa, ante os direitos
sendo dever do Poder Público promover a fundamentais e a Cláusula da Reserva da
conservação do meio ambiente, à luz do Jurisdição.
Princípio da Natureza Pública da Proteção
Ambiental e da Obrigatoriedade da
Intervenção Estatal. Para saber mais
Além de impor obrigações de não fazer, O STJ entendeu que a penalidade
o poder de polícia ambiental também administrativa de demolição não é dotada
deve compelir os administrados a cumprir de autoexecutoriedade, dependendo de
deveres positivos. intermediação do Poder Judiciário para sua
execução (REsp 789.640 de 27.10.09).
Tem como características principais a
autoexecutoriedade e a coercibilidade.
A autoexecutoriedade deve ser analisada
caso a caso, devendo ser lastreada

176/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental


Existe primazia pela atuação preventiva adotados pelo Estado, para assegurar
do poder de polícia ambiental porque que as atividades a ele submetidas gerem
normalmente o dano ambiental não é o menor impacto ambiental possível.
recuperável, cabendo a atuação repressiva Somente são permitidas atividades
caso não seja possível ou não se dê a cujos impactos ambientais estejam
autuação preventiva. compreendidos dentro dos padrões
Em suma, o Poder de Polícia Ambiental normativos. O licenciamento ambiental
consiste em ações fiscalizadoras, visa a adequar a obra, atividade ou
limitadoras e sancionadoras (podendo empreendimento aos limites toleráveis de
ser impostas medidas administrativas, interferência sobre o meio ambiente.
sancionatórias ou cautelares), decorrendo Qualquer obra, empreendimento ou
dele os consentimentos estatais, como o atividade, pública ou privada, que utiliza
licenciamento ambiental. recursos ambientais e é considerado
efetiva ou potencialmente poluidor, bem
2. Licenciamento Ambiental como qualquer empreendimento capaz de
causar degradação ambiental, depende de
O licenciamento ambiental é um dos vários prévio licenciamento do órgão ambiental
procedimentos de controle ambiental, competente, sem prejuízo de outras
177/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental
medidas, condições ou licenças legalmente outras Resoluções CONAMA específicas
exigíveis. (ex. 5/98 – obras de saneamento; 6/88
O art. 9º, inciso IV, da Lei 6.938/81 – resíduos industriais; 279/01 – energia
dispõe que o licenciamento ambiental elétrica; 404/08 - aterro sanitário de
é um dos instrumentos da Política pequeno porte de resíduos sólidos urbanos;
Nacional do Meio Ambiente. Conforme 412/09 - novos empreendimentos
art. 10 da Lei 6.938/81, a construção, destinados a construções de habitações
instalação, ampliação e funcionamento de de interesse social; 23/93 – licenciamento
estabelecimentos e atividades utilizadores petrolífero). Os arts. 17 a 22 do Decreto
de recursos ambientais, efetiva ou 99.274/90 estabelecem o regulamento
potencialmente poluidores ou capazes, sobre o licenciamento ambiental. O
sob qualquer forma, de causar degradação art. 12 da Lei 6.938/81 dispõe que o
ambiental dependerão de prévio licenciamento ambiental é condição para
licenciamento ambiental. O licenciamento a concessão de benefícios por parte das
ordinário é regulamentado pela Resolução entidades e órgãos de financiamento e
CONAMA 237/97, permitindo-se a cada incentivos governamentais. É corolário da
Estado editar normas complementares no determinação constitucional direcionada
licenciamento de sua competência. Existem ao Poder Público para controlar a poluição

178/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental


(art. 225, §1º, V). que possa causar degradação ambiental
CONCEITO de licenciamento ambiental: deverá, previamente, se submeter ao
licenciamento ambiental consiste no licenciamento no órgão ambiental
“procedimento administrativo pelo qual competente.
o órgão ambiental competente licencia Trata-se de um procedimento
a localização, instalação, ampliação administrativo, pois consiste numa
e a operação de empreendimentos e sucessão de atos que visam à obtenção
atividades utilizadoras de recursos sequencial de três licenças: licença
ambientais, consideradas efetiva ou prévia, licença de instalação e licença de
potencialmente poluidoras ou daquelas operação.
que, sob qualquer forma, possam causar CONCEITO de licença ambiental: “ato
degradação ambiental” (art. 1º, I, da administrativo pelo qual o órgão ambiental
Resolução 237/97). competente estabelece as condições,
Trata-se de um procedimento de caráter restrições e medidas de controle
complexo, em cujas etapas intervêm vários ambiental que deverão ser obedecidas
agentes e profissionais. pelo empreendedor, pessoa física ou
Você pode perceber que qualquer atividade jurídica, para localizar, instalar, ampliar
e operar empreendimentos ou atividades
179/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental
utilizadoras dos recursos ambientais art. 10 da Resolução 237/97:
consideradas efetiva ou potencialmente Art. 10 - O procedimento de licenciamento
poluidoras ou daquelas que, sob qualquer ambiental obedecerá às seguintes etapas:
forma, possam causar degradação
ambiental” (art. 1º, II, da Resolução I - Definição pelo órgão ambiental
237/97). competente, com a participação do
empreendedor, dos documentos, projetos
Assim, trata-se de um ato administrativo. e estudos ambientais, necessários ao
início do processo de licenciamento
2.1. PROCEDIMENTO PARA correspondente à licença a ser requerida;
REQUERER AS LICENÇAS AM-
II - Requerimento da licença ambiental
BIENTAIS
pelo empreendedor, acompanhado
O procedimento é uma sucessão ordenada dos documentos, projetos e estudos
e concatenada de atos, um conjunto de ambientais pertinentes, dando-se a devida
etapas definidas em normas que devem publicidade;
ser observadas para que se tenha um III - Análise pelo órgão ambiental
resultado válido. No caso de licenciamento competente, integrante do SISNAMA,
ambiental, o procedimento encontra-se no dos documentos, projetos e estudos
180/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental
ambientais apresentados e a realização de públicas, quando couber, podendo haver
vistorias técnicas, quando necessárias; reiteração da solicitação quando os
IV - Solicitação de esclarecimentos e esclarecimentos e complementações não
complementações pelo órgão ambiental tenham sido satisfatórios;
competente, integrante do SISNAMA, VII - Emissão de parecer técnico conclusivo
uma única vez, em decorrência da análise e, quando couber, parecer jurídico;
dos documentos, projetos e estudos VIII - Deferimento ou indeferimento do
ambientais apresentados, quando couber, pedido de licença, dando-se a devida
podendo haver a reiteração da mesma publicidade.
solicitação caso os esclarecimentos e
complementações não tenham sido Uma das etapas do licenciamento
satisfatórios; ambiental é a apresentação, pelo
empreendedor, dos estudos ambientais
V - Audiência pública, quando couber, de (AIA), dando-se a eles publicidade.
acordo com a regulamentação pertinente;
Após o transcurso de todas as etapas do
VI - Solicitação de esclarecimentos e procedimento, a administração pública
complementações pelo órgão ambiental deliberará sobre a expedição da licença
competente, decorrentes de audiências ambiental.
181/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental
Para saber mais
Nos moldes do art. 2º, §1º da Resolução CONAMA 237/97, estarão sujeitas ao
licenciamento ambiental as atividades relacionadas no Anexo da I Resolução 237/97 que
traz rol exemplificativo dos empreendimentos e atividades passíveis do licenciamento
ambiental ordinário. O ente ambiental poderá complementar o rol, fundamentando
a necessidade, conforme as especificidades, os riscos ambientais, o porte e outras
características do empreendimento ou atividade.

Link: Licenciamento pelo IBAMA: https://www.ibama.gov.br/licenciamento/. Acesso.


15 JUL. 2015.

2.2. Categorias de licenças ambientais

Conforme art. 8º da Resolução CONAMA 237/9, o procedimento ordinário de licenciamento


compreende a expedição de três espécies de licença, duas preliminares (licença prévia e
licença de instalação) e uma final (licença de operação), e art. 19 do Decreto 99.274/90. A
licença de operação somente é concedida após o cumprimento das exigências previstas nas

182/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental


licenças preliminares. licenças ambientais.
As licenças ambientais poderão ser É concedida na fase preliminar de
expedidas isolada ou sucessivamente, de planejamento e visa a aprovar o projeto.
acordo com a natureza, características Durante essa fase serão analisadas a
e fase do empreendimento ou atividade localização, planejamento e concepção
(art. 8º, parágrafo único, da Resolução do empreendimento, de maneira a analisar
CONAMA 237/97). sua viabilidade ambiental, por meio
a) licença prévia: concedida na fase dos respectivos estudos, observados os
preliminar do planejamento do planos municipais, estaduais ou federais
empreendimento ou atividade aprovando de uso de solo. Aprova-se a localização
sua localização e concepção, atestando após a verificação da compatibilização
a viabilidade ambiental e estabelecendo do empreendimento ou atividade com o
os requisitos básicos e condicionantes zoneamento, o plano diretor e os planos e
a serem atendidos nas próximas fases programas governamentais. Assim, antes
de sua implementação (art. 8º, I, da do início do licenciamento, o interessado
Resolução CONAMA 237/97). deve obter do Município em que se localiza
o empreendimento ou atividade, a certidão
É considerada a mais importante das de regularidade com o uso e ocupação do
183/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental
solo. projeto.
Nessa fase são estabelecidos os Para as atividades causadoras de
requisitos básicos e os condicionantes significativa degradação ambiental, é
que o empreendedor deverá observar nessa fase que se pode exigir a realização
e cumprir nas licenças posteriores. O do EIA/RIMA para a aprovação da licença
órgão ambiental não poderá autorizar a prévia.
postergação de estudos de diagnósticos Após a concessão da licença prévia, cabe
próprios da fase inicial para as fases ao empreendedor elaborar o Projeto
posteriores sob a forma de condicionantes Básico do empreendimento.
do licenciamento ambiental.
São características da Licença Prévia:
A licença prévia não autoriza o interessado
a edificar ou intervir no meio ambiente. i) aprova a localização e concepção do
projeto;
O prazo de validade da licença prévia é
o estabelecido no projeto e o máximo iii) atesta a sua viabilidade ambiental e
não pode ser superior a cinco anos, estabelece os requisitos e condicionantes
computados da publicidade da concessão que o empreendedor deve observar para
da licença prévia para a execução do as próximas fases do licenciamento;

184/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental


iii) prazo máximo não superior a cinco (art. 8º, I, da Resolução CONAMA 237/97).
anos. Nessa segunda fase é elaborado o projeto
executivo. Após sua aprovação, expede-se
a licença de instalação, a qual autorizara
Link a implantação do empreendimento ou
atividade de acordo com as especificações
Licença Prévia pelo IBAMA: https://servicos.
ibama.gov.br/index.php/licencas/licenca-
constantes dos planos, programas,
previa. Acesso em 25 JUL. 2015. e projetos aprovados, incluindo as
medidas de controle ambiental e demais
condicionantes, da qual constituem
b) licença de instalação: autoriza motivo determinante. A LI contém as
a instalação do empreendimento especificações de natureza legal e técnica
ou atividade de acordo com as para efetiva proteção do meio ambiente.
especificações constantes dos planos,
programas e projetos aprovados, Nessa fase é que se autoriza construir,
incluindo as medidas de controle edificar, cortar árvores (desde que exista
ambiental e demais condicionantes, da autorização específica) e a realização
qual constituem motivo determinante de todas as obras necessárias para o
empreendimento, vale dizer, é nessa
185/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental
fase que é autorizada a implantação do São características da licença de
empreendimento. instalação:

Na vigência da licença de instalação, o i) autoriza a instalação do


empreendedor deve cumprir todas as empreendimento;
condicionantes determinadas pelo órgão ii) define as medidas de controle
ambiental, com o intuito de evitar e/ ambiental e os condicionantes para a
ou mitigar os impactos socioambientais próxima fase;
que possam ser verificados no decorrer
iii) prazo máximo de seis anos.
do funcionamento do empreendimento.
O cumprimento das condicionantes é
obrigatório para a solicitação e obtenção
da licença de operação.
Link
Licença de Instalação pelo IBAMA: https://
É a fase de solicitação para a realização de
servicos.ibama.gov.br/index.php/licencas/
audiências públicas licenca-de-instalacao. Acesso em 25 JUL.
O prazo de licença de instalação é o 2015.
definido no projeto, não podendo ser
superior a seis anos.

186/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental


c) licença de operação: autoriza de operação, a qual autoriza o início da
a operação da atividade ou atividade licenciada e o funcionamento
empreendimento, após verificação do de seus equipamentos. Tem por finalidade
efetivo cumprimento do que consta das aprovar a forma proposta de harmonização
licenças anteriores, com as medidas de do empreendimento com o meio ambiente.
controle ambiental e condicionantes Assim, determinará as medidas de controle
determinados para a operação (art. 8º, I, ambiental e condicionantes de observância
da Resolução CONAMA 237/97). obrigatória para início e continuidade do
Após a instalação ou edificação do empreendimento.
empreendimento, o órgão ambiental O prazo da licença de operação é de no
verifica o cumprimento das exigências de mínimo quatro anos e de no máximo dez
controle ambiental exigidas nas etapas anos.
anteriores, a implementação de todos
os programas ambientais, bem como o O empreendimento está devidamente
cumprimento de todas as condicionantes licenciado quando alcançou a licença de
estabelecidas quando da licença de operação.
instalação. São características da licença de operação:
Somente então será concedida a licença
187/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental
i) verifica o cumprimento dos
condicionantes das licenças anteriores;
ii) autoriza a operação da atividade ou
Link
empreendimento; Licença de Operação pelo IBAMA: https://
servicos.ibama.gov.br/index.php/licencas/
iii) estabelece os condicionantes licenca-de-operacao. Acesso em 25 JUL. 2015.
ambientais para o funcionamento.

Procedimento unifásico
Para saber mais Existe a possibilidade de ser estabelecido
procedimento de licenciamento
O licenciamento ambiental não dispensa
ambiental simplificado, como no caso
o empreendedor de obtenção de outras
do licenciamento de atividades e
autorizações ambientais específicas nos órgãos
empreendimentos de pequeno potencial
competentes.
de impacto ambiental (art. 12, §1º da
Resolução 237/97 do CONAMA) e desde
que aprovado pelo respectivo Conselho
de Meio Ambiente. Dessa forma, poderá
ser admitido um licenciamento ambiental
188/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental
de uma única fase para pequenos ambiental do órgão competente é de seis
empreendimentos ou para aqueles meses. Se for caso de realização de EIA/
integrantes de planos de desenvolvimento RIMA e/ou de audiência pública, o prazo
aprovados, previamente, pelo órgão é de um ano (art. 14, caput, da Resolução
governamental competente, desde CONAMA 237/97).
que definida a responsabilidade legal A contagem desse prazo será suspensa
pelo conjunto de empreendimentos ou durante a elaboração dos estudos
atividades. Portanto, caso a atividade não ambientais complementares ou preparação
traga considerável impacto ambiental, de esclarecimentos pelo empreendedor
poder-se-á dispensar o procedimento (art. 14, §1º, da Resolução CONAMA
trifásico (LP, LI, LO) e adotar-se o 237/97). Os prazos estipulados no caput
licenciamento unifásico. do art. 14 poderão ser alterados, desde
que justificados e com a concordância
2.3. Prazos de análise pelos do empreendedor e do órgão ambiental
órgãos ambientais competente (art. 14, §2º, da Resolução
CONAMA 237/97).
A partir do protocolo do requerimento,
o prazo para decisão de licenciamento O empreendedor deverá atender
à solicitação de esclarecimentos e
189/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental
complementações, formuladas pelo órgão 237/97). Assim, se o órgão estadual
ambiental competente, dentro do prazo não deliberar no prazo, caberá ao órgão
máximo de quatro meses, a contar do federal atuar supletivamente, no caso o
recebimento da respectiva notificação IBAMA e se o empreendedor não cumprir
(art. 15, da Resolução CONAMA 237/97). o prazo para realizar esclarecimentos e
O prazo estipulado no caput poderá ser complementações que lhe competem, o
prorrogado, desde que justificado e com a pedido será arquivado.
concordância do empreendedor e do órgão O arquivamento do processo de
ambiental competente (art. 15, parágrafo licenciamento não impedirá a
único, da Resolução CONAMA 237/97). apresentação de novo requerimento de
O não cumprimento dos prazos licença, que deverá obedecer a todas as
estipulados nos artigos 14 e 15, da etapas previstas para o licenciamento
Resolução CONAMA 237/97, sujeita, estabelecidas no artigo 10, da Resolução
respectivamente, o licenciamento à ação CONAMA 237/97, mediante novo
do órgão que detenha competência para pagamento de custo de análise (art. 17, da
atuar supletivamente e o empreendedor Resolução CONAMA 237/97).
ao arquivamento de seu pedido de
licença (art. 16, da Resolução CONAMA
190/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental
2.4. Competência para o licen- - promover o licenciamento ambiental de
ciamento empreendimentos e atividades:
a) localizados ou desenvolvidos
Os empreendimentos e atividades
conjuntamente no Brasil e em país
são licenciados ou autorizados,
limítrofe;
ambientalmente, por um único ente
federativo (art. 13 da Lei Complementar b) localizados ou desenvolvidos no mar
140/11). territorial, na plataforma continental ou na
zona econômica exclusiva;
Existem quatro esferas de licenciamento
ambiental: a) licenciamento federal, b) c) localizados ou desenvolvidos em terras
licenciamento dos Estados-membros; indígenas;
c) licenciamento municipal; d) d) localizados ou desenvolvidos em
licenciamento distrital. unidades de conservação instituídas
a) licenciamento federal pela União, exceto em Áreas de Proteção
Ambiental (APAs);
Nos termos do Art. 7º, XIV, da Lei
Complementar 140/11, são ações e) localizados ou desenvolvidos em 2 (dois)
administrativas da União: ou mais Estados;

191/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental


f) de caráter militar, excetuando-se do Meio Ambiente (Conama), e considerados
licenciamento ambiental, nos termos de os critérios de porte, potencial poluidor e
ato do Poder Executivo, aqueles previstos natureza da atividade ou empreendimento.
no preparo e emprego das Forças Armadas, O licenciamento dos empreendimentos
conforme disposto na Lei Complementar cuja localização compreenda
no 97, de 9 de junho de 1999; concomitantemente áreas das faixas
g) destinados a pesquisar, lavrar, produzir, terrestre e marítima da zona costeira será
beneficiar, transportar, armazenar e de atribuição da União exclusivamente nos
dispor material radioativo, em qualquer casos previstos em tipologia estabelecida
estágio, ou que utilizem energia nuclear por ato do Poder Executivo, a partir
em qualquer de suas formas e aplicações, de proposição da Comissão Tripartite
mediante parecer da Comissão Nacional de Nacional, assegurada a participação de
Energia Nuclear (CNEN); um membro do Conselho Nacional do
h) que atendam tipologia estabelecida Meio Ambiente (Conama) e considerados
por ato do Poder Executivo, a partir os critérios de porte, potencial poluidor e
de proposição da Comissão Tripartite natureza da atividade ou empreendimento
Nacional, assegurada a participação de (art. 7º, parágrafo único).
um membro do Conselho Nacional do O Decreto nº 8.437, de 22 de abril de
192/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental
2015, regulamenta o disposto no art. 7º, 7º e 9º.
caput, inciso XIV, alínea “h”, e parágrafo c) licenciamento municipal e do DF
único, da Lei Complementar nº 140, de 8
de dezembro de 2011, para estabelecer Art. 9º, XIV, e 10, ambos da Lei
as tipologias de empreendimentos e Complementar 140/11, são ações
atividades cujo licenciamento ambiental administrativas dos Municípios e do DF:
será de competência da União. a) que causem ou possam causar impacto
b) licenciamento dos Estados-membros e ambiental de âmbito local, conforme
do DF tipologia definida pelos respectivos
Conselhos Estaduais de Meio Ambiente,
Conforme art. 8º, XIV, e 10, ambos da considerados os critérios de porte,
Lei Complementar 140/11, são ações potencial poluidor e natureza da atividade;
administrativas dos Estados e do DF
promover o licenciamento ambiental b) localizados em unidades de conservação
de atividades ou empreendimentos instituídas pelo Município, exceto em Áreas
utilizadores de recursos ambientais, efetiva de Proteção Ambiental (APAs).
ou potencialmente poluidores ou capazes,
sob qualquer forma, de causar degradação
ambiental, ressalvado o disposto nos arts.
193/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental
2.5. Fiscalização Isso porque as atividades que
utilizam recursos naturais devem
Com a edição da LC 140/11, que trata das ser constantemente fiscalizadas e
competências comuns entre os entres periodicamente precisam comprovar sua
federados na defesa do meio ambiente, a adequação às normas ambientais e aos
regra geral quanto às ações de fiscalização novos padrões de qualidade ambiental, a
e de licenciamento ambiental é a de que o qual pode ser modificada de acordo com as
ente licenciador é que detém a atribuição inovações tecnológicas e científicas.
de fiscalização (arts. 7º, XIII, 8º, XIII, 9º, XIII).
Os prazos de validade estão estabelecidos
no art. 18 da Resolução CONAMA 237/97:
2.6 Prazos de validade das
licenças O órgão ambiental competente
estabelecerá os prazos de validade de
A licença ambiental não assegura ao seu cada tipo de licença, especificando-os
titular a manutenção de sua condição no respectivo documento, levando em
vigorante ao tempo de sua expedição, consideração os seguintes aspectos:
sujeita que se encontra a prazos de I - O prazo de validade da Licença Prévia
validade, não sendo perpétuas. (LP) deverá ser, no mínimo, o estabelecido

194/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental


pelo cronograma de elaboração dos 2.7. Renovação da licença
planos, programas e projetos relativos
ao empreendimento ou atividade, não A renovação da Licença de Operação (LO)
podendo ser superior a 5 (cinco) anos; de uma atividade ou empreendimento
deverá ser requerida com antecedência
II - O prazo de validade da Licença de
mínima de 120 (cento e vinte) dias da
Instalação (LI) deverá ser, no mínimo,
expiração de seu prazo de validade,
o estabelecido pelo cronograma de
fixado na respectiva licença, ficando este
instalação do empreendimento ou
automaticamente prorrogado até a
atividade, não podendo ser superior a 6
decisão do órgão ambiental competente
(seis) anos;
(art. 18, § 4º, da Resolução 237/97
III - O prazo de validade da Licença de CONAMA).
Operação (LO) deverá considerar os
Na renovação da Licença de Operação (LO)
planos de controle ambiental e será de, no
de uma atividade ou empreendimento,
mínimo, 4 (quatro) anos e, no máximo, 10
o órgão ambiental competente poderá,
(dez) anos.
mediante decisão motivada, aumentar ou
diminuir o seu prazo de validade, após
avaliação do desempenho ambiental da
195/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental
atividade ou empreendimento no período mais restritiva ou da descoberta de
de vigência anterior, respeitados os impactos negativos não conhecidos
limites mínimo e máximo de quatro a dez anteriormente. Não existe direito
anos (art. 18, §3º, da Resolução CONAMA adquirido de poluir.
237/97). A modificação, suspensão ou
cancelamento da licença ambiental
2.8. Revisão das licenças pode se dar em aplicação ao princípio da
(modificação, suspensão e supremacia do interesse público sobre
cancelamento da licença) o privado, em decorrência de má-fé do
empreendedor ou pela superveniência de
As licenças ambientais não são perpétuas. irregularidades de atividades já licenciadas.
Serão válidas até o termino de seu prazo de
validade ou podem ser retiradas de forma A retirada temporária ocorre com a
temporária ou definitiva. De fato, a licença suspensão do empreendimento no caso
ambiental não gera direito adquirido ao de haver possibilidade de se sanar a
seu titular, podendo a qualquer momento irregularidade, permitindo-se a retomada
ser modificadas, como por exemplo, na do empreendimento.
hipótese de incidência de nova legislação A retirada definitiva ocorre quando o grau

196/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental


de irregularidade não puder ser sanado, o ambientais e de saúde.
que ocorre nos casos de: a) anulação, b) Dessa forma:
revogação e c) cassação.
Modificação: surgimento de uma situação
Conforme art. 19 da Resolução CONAMA ainda imprevisível no momento da
237/97: emissão da licença ambiental, tornando-a
O órgão ambiental competente, mediante circunstancialmente inadequada. Teoria da
decisão motivada, poderá modificar os imprevisão aplicada às licenças ambientais.
condicionantes e as medidas de controle Não há nulidade do ato.
e adequação, suspender ou cancelar uma Suspensão: omissão de informações
licença expedida, quando ocorrer: relevantes durante o licenciamento,
I - Violação ou inadequação de quaisquer passível de ser sanada; superveniência
condicionantes ou normas legais. de graves riscos para o meio ambiente
II - Omissão ou falsa descrição de e a saúde, superáveis mediante adoção
informações relevantes que subsidiaram de medidas de controle e adequação.
a expedição da licença; Suspensão até que o empreendimento
se adéque às condicionantes ambientais
III - superveniência de graves riscos determinadas pelo órgão competente.

197/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental


Cancelamento: licença expedida em que subsidiaram a expedição da licença
dissonância com a ordem jurídica, (art. 19, I e II, Resolução CONAMA 127/97).
é subsidiada por falsa descrição A licença ambiental é anulada quando
de informações relevantes e pela a irregularidade ou nulidade estavam
superveniência de graves riscos para o presentes no momento da concessão da
meio ambiente e a saúde, insuscetíveis de licença.
superação mediante a adoção de medidas Não existe prazo, quer administrativa,
de controle e adequação ou quando ocorre quer judicial, uma vez que não se sujeito à
o descumprimento, total ou parcial, da preclusão administrativa.
medida acautelatória do embargo. Há o
desfazimento volitivo da licença ambiental ii) revogação
pela administração pública. Pode ser dar Tem lugar nos casos de relevante
por anulação, revogação ou cassação. interesse público, vale dizer, por razões de
i) anulação conveniência e oportunidade. Art. 19, III,
da Resolução CONAMA 237/97. Assim, p.
A anulação de um ato ocorre quando ex., mesmo que a fábrica cumpra todos
existir ilegalidade, vale dizer violação de os condicionantes e medidas ambientais,
normas legais de proteção ambiental ou poderá ter sua licença revogada quando
falsa descrição de informações relevantes
198/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental
por um evento natural, a atividade estabelecidos pelo órgão ambiental para
ou empreendimento correr o risco de a concessão da licença ambiental (art.
desmoronamento e colocar em risco a 19, I, da Resolução CONAMA 237/97). Ex.
saúde ou o meio ambiente. Casos de emissão de gases poluentes acima dos
superveniência de graves riscos ambientais limites previstos na licença de operação.
e à saúde, dede que insuscetíveis de
superação mediante a adoção de medidas 2.9. Indenização na hipótese de
de controle e adequação. revogação da licença
iii) cassação
Em regra, não cabe a indenização pela
Cassação é o desfazimento do ato revogação da licença ambiental, salvo
em decorrência do descumprimento quando a sua causa determinante puder
de condições que permitem a sua ser imputada diretamente à Administração
manutenção. Visa à punição daquele Pública e não houver má-fé do
que deixou de cumprir as condições que empreendedor.
autorizam a existência do ato.
De toda forma, quando se tratar de
Ocorre quando o empreendedor indenização, somente é cabível relativa aos
descumpre os condicionantes danos emergentes, diretos e imediatos,
199/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental
mas não dos lucros cessantes, haja vista o Resguardado o sigilo industrial e segurança
caráter temporário da licença ambiental. pública, os pedidos de licenciamento,
em qualquer das suas modalidades, sua
2.10. Publicidade do renovação e a respectiva concessão
licenciamento ambiental da licença serão objeto de publicação
resumida, paga pelo interessado, no
Os pedidos de licenciamento, sua jornal oficial do Estado e em um periódico
renovação e a respectiva concessão de grande circulação, regional ou local,
serão publicados no jornal oficial, bem conforme modelo aprovado pelo Conama
como em periódico regional ou local de (art. 17, §4º, do Decreto 99.274/90).
grande circulação, ou em meio eletrônico
A Lei 10.650/03 regulamenta a
de comunicação mantido pelo órgão
acessibilidade pública dos dados das
ambiental competente (art. 10, §1º, da Lei
entidades e órgãos componentes do
6.938/01).
SISNAMA, facilitando a fiscalização dos
A publicidade visa a dar efetividade ao órgãos de controle e de toda a sociedade.
Princípio de Informação e ao Princípio da
Assim, em regra todos os documentos são
Participação em relação ao licenciamento
acessíveis ao público, independentemente
ambiental.
da comprovação de interesse específico,
200/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental
ressalvados os sigilos com proteção Se o empreendimento for instalado sem
especial. o licenciamento ambiental, sua exigência
Se não for observada a publicidade da deve ser feita a qualquer momento, pois
concessão, alteração ou renovação de a Lei 6.938/81 não fixou o momento ou
licença ou autorização ambiental, haverá prazo para a realização desses atos.
violação da legalidade do ato, tornando Não existe direito adquirido de
inválida a licença ambiental. empreendimento não licenciado. Lembre-
se que até mesmo atividades licenciadas
2.11. Regularização das regularmente devem renovar sua licença
atividades instaladas ou em ambiental periodicamente, bem como há
funcionamento possibilidade de revogação e cassação.

O licenciamento ambiental deve 2.12. Crimes relacionados ao


ser realizado antes da instalação do licenciamento ambiental
empreendimento, pois tem como objetivo
evitar e minimizar o impacto ambiental de O desenvolvimento de atividades
atividades potencialmente degradadoras. poluidoras sujeitas ao licenciamento
ambiental, sem Licença de Operação,
201/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental
constitui crime tipificado no art. 60 da Lei afirmação falsa ou enganosa, omitir a
9.605/98. verdade, sonegar informações ou dados
Art. 60. Construir, reformar, ampliar, técnico-científicos em procedimentos
instalar ou fazer funcionar, em de autorização ou de licenciamento
qualquer parte do território nacional, ambiental:
estabelecimentos, obras ou serviços Pena - reclusão, de um a três anos, e
potencialmente poluidores, sem licença multa.
ou autorização dos órgãos ambientais Art. 67. Conceder o funcionário público
competentes, ou contrariando as normas licença, autorização ou permissão em
legais e regulamentares pertinentes: desacordo com as normas ambientais,
Pena - detenção, de um a seis para as atividades, obras ou serviços cuja
meses, ou multa, ou ambas as penas realização depende de ato autorizativo
cumulativamente. do Poder Público:
Os crimes previstos nos arts. 66 e 67 da Pena - detenção, de um a três anos, e
Lei 9.605/98 são aqueles cometidos por multa.
funcionário público: Parágrafo único. Se o crime é culposo,
Art. 66. Fazer o funcionário público a pena é de três meses a um ano de
202/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental
detenção, sem prejuízo da multa. significativo ao meio ambiente, em
O crime previsto no art. 69-A da Lei decorrência do uso da informação falsa,
9.605/98 é aquele cometido por perito: incompleta ou enganosa.

Art. 69-A. Elaborar ou apresentar, no


licenciamento, concessão florestal
ou qualquer outro procedimento
administrativo, estudo, laudo ou
relatório ambiental total ou parcialmente
falso ou enganoso, inclusive por omissão:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 6 (seis)
anos, e multa.
§ 1º Se o crime é culposo:
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três)
anos.
§ 2º A pena é aumentada de 1/3 (um
terço) a 2/3 (dois terços), se há dano

203/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental


Glossário
Auto-executoriedade: prerrogativa de praticar atos e coloca-los em imediata execução,
sem dependência de autorização judicial ou de qualquer outro poder, desde que alei
autorize o administrador a praticar o ato de forma imediata.
Coercibilidade: poder de usar a força, caso necessária para vencer eventual recalcitrância.
Projeto Básico: consiste no conjunto de elementos com nível de precisão para
caracterizar a obra ou serviço, elaborado com base nas indicações dos estudos técnicos
preliminares, de forma a assegurar a viabilidade técnica e o adequado tratamento do
impacto ambiental do empreendimento, bem como possibilite a avaliação do custo da
obra e a definição dos métodos e do prazo de execução. É necessária a existência de
licença prévia anterior para a elaboração do projeto básico.
Projeto Executivo: consiste em uma reestruturação do projeto original, que foi
enriquecido com detalhes técnicos essenciais à continuidade do procedimento de
licenciamento. Nele são estabelecidas as prescrições de natureza técnica capazes de
compatibilizar a instalação do empreendimento com a proteção ambiental

204/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental


?
Questão
para
reflexão
Desvinculação entre licenciamento e fiscalização? Antes a
competência para fiscalizar não ficava adstrita à competência
para licenciar a atividade. A competência para o licenciamento
ambiental não se confundia com a atribuição para exercer a
fiscalização ambiental, a qual podia ser exercida por diferentes
esferas.
Uma vez concedida a licença ambiental, cabia ao órgão ambiental
estadual fiscalizar as atividades licenciadas. Inerte o órgão
estadual competente, possuía o IBAMA competência supletiva
para a fiscalização, mesmo tendo o licenciamento sido concedido
pelo órgão estadual (art. 10, §3º da Lei 6.938/81: O órgão
estadual do meio ambiente e o IBAMA, este em caráter supletivo,
poderão, se necessário e sem prejuízo das penalidades pecuniárias
205/305
?
Questão
para
reflexão
cabíveis, determinar a redução das atividades geradoras de
poluição, para manter as emissões gasosas, os efluentes líquidos
e os resíduos sólidos dentro das condições e limites estipulados
no licenciamento concedido). Contudo esse parágrafo 3º foi
revogado.
Agora com a edição da LC 140/11, que trata das competências
comuns entre os entres federados na defesa do meio ambiente,
a regra geral quanto às ações de fiscalização e de licenciamento
ambiental é a de que o ente licenciador é que detém a atribuição
de fiscalização.
Reflita sobre essa reforma quanto à vinculação entre
licenciamento e fiscalização, notadamente ante o pacto
federativo que atribuiu competência aos quatro entes da
federação para proteger o meio ambiente.

206 /305
Considerações Finais

»» Poder de Polícia é a prerrogativa de direito público que, calcada na lei, autoriza a


Administração Pública a restringir o uso e o gozo da liberdade e da propriedade em
favor do interesse da coletividade (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de
Direito Administrativo, 18ª ed. Lumen Juris. Rio de Janeiro, 2007, p. 68) e tem como
características principais a auto-executoriedade e a coercibilidade;
»» O poder de polícia se manifesta por meio da fiscalização (podendo ser impostas
medidas administrativas, sancionatórias ou cautelares) e do licenciamento
ambiental;
»» O licenciamento ambiental representa um dos principais e mais importantes
instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente, pois por meio dele o Poder
Público exerce o controle prévio sobre as atividades que podem degradar o meio
ambiente. Tem natureza pública e preventiva, objetivando compatibilizar a proteção
do meio ambiente, com o desenvolvimento econômico e social, promovendo o
desenvolvimento sustentável;
»» O procedimento ordinário de licenciamento compreende a expedição de três
espécies de licença, duas preliminares (licença prévia e licença de instalação) e uma
final (licença de operação).
207/347
Referências

CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 18ª ed. Lumen Juris. Rio de
Janeiro, 2007.
ANTUNES, Paulo de Bessa. Direito ambiental. 14ª ed. São Paulo: Atlas, 2012.
MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro. 17ª ed. rev. atual. e ampl. São
Paulo: Malheiros, 2009.
RODRIGUES, Marcelo Abelha. Direito ambiental esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2013.
SARLET. Ingo Wolfgang. Direito ambiental: introdução, fundamentos e teoria geral. Tiago
Fensterseifer. São Paulo: Saraiva, 2014.
SARLET. Ingo Wolfgang. Direito constitucional ambiental. Constituição, direitos fundamentais e
proteção do ambiente. Tiago Fensterseifer. 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2013.
SILVA, José Afonso. Direito Ambiental Constitucional. 10ª ed. São Paulo: Malheiros, 2013.
THOMÉ, Romeu. Manual de direito ambiental. 4ª ed. Salvador: Juspodium, 2014.

208/347 Unidade 5 • Poder de Polícia Ambiental


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Bloco I Bloco II
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Questão 1
1. São características do poder de polícia ambiental:

a) a delegabilidade e a instrumentalidade.
b) a discricionariedade e a publicidade.
c) a provisoriedade e a indelegabilidade
d) a auto-executoriedade e a coercibilidade
e) a vinculação e a disponibilidade.

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Questão 2
2. O poder de polícia ambiental se manifesta por meio:

a) da fiscalização e do licenciamento ambiental.


b) de medidas regulamentares e de medidas sancionadoras.
c) de procedimentos cautelares e procedimentos especiais.
d) de medidas principais e de medidas acessórias.
e) de limitação do abuso no exercício dos direitos coletivos e primazia pela atuação
repressiva.

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Questão 3
3. Podemos definir licenciamento ambiental da seguinte forma:

a) ato administrativo pelo qual o órgão ambiental competente estabelece as condições,


restrições e medidas de controle ambiental que deverão ser obedecidas pelo empreendedor,
pessoa física ou jurídica, para localizar, instalar, ampliar e operar empreendimentos ou
atividades utilizadoras dos recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmente
poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental.
b) instrumento econômico de compensação dos impactos ambientais causados por
determinadas atividades, no qual o empreendedor deve compartilhar com o Poder Público e
com a sociedade os custos advindos da utilização dos recursos naturais e da implementação de
instrumentos de prevenção, controle e reparação dos impactos negativos ao meio ambiente.
c) procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a
localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras
de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que,
sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental.
d) consiste no conjunto de elementos com nível de precisão para caracterizar a obra ou
serviço, elaborado com base nas indicações dos estudos técnicos preliminares, de forma

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Questão 3
a assegurar a viabilidade técnica e o adequado tratamento do impacto ambiental do
empreendimento, bem como possibilite a avaliação do custo da obra e a definição dos métodos
e do prazo de execução.
e) ato administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a localização,
instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos
ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer
forma, possam causar significativa degradação ambiental.

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Questão 4
4. São prazos de validade das licenças prévia, de instalação e de opera-
ção, respectivamente:
a) até seis anos, até dez anos, de cinco a dez anos.
b) até quatro anos, até, seis anos, de quatro a seis anos.
c) até seis anos, até cinco anos e de cinco a dez anos.
d) até cinco anos, até seis anos e de cinco a dez anos.
e) até dez anos, até quinze anos e de dez a quinze anos.

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Questão 5
5. Quanto ao licenciamento ambiental, assinale a alternativa correta.

a) somente é obrigatório quando houver significativo impacto ambiental.


b) não há a publicidade do respectivo procedimento.
c) visa a não apenas prevenir impactos ambientais negativos, mas também mitigá-los por
meio da imposição de condicionantes aos empreendedores.
d) não representa forma de intervenção do Estado na atividade econômica.
e) dispensa o empreendedor da obtenção de outras autorizações ambientais específicas.

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Gabarito
1. Resposta: D. ou cautelares), decorrendo dele os
consentimentos estatais, como o
Poder de Polícia é a prerrogativa de direito licenciamento ambiental.
público que, calcada na lei, autoriza a
Administração Pública a restringir o uso
e o gozo da liberdade e da propriedade 3. Resposta: C.
em favor do interesse da coletividade
(CARVALHO FILHO, José dos Santos. CONCEITO de licenciamento ambiental:
Manual de Direito Administrativo, 18ª ed. licenciamento ambiental consiste no
Lumen Juris. Rio de Janeiro, 2007, p. 68) e “procedimento administrativo pelo qual
tem como características principais a auto- o órgão ambiental competente licencia
executoriedade e a coercibilidade. a localização, instalação, ampliação
e a operação de empreendimentos
2. Resposta: A. e atividades utilizadoras de recursos
ambientais, consideradas efetiva ou
O Poder de Polícia Ambiental consiste potencialmente poluidoras ou daquelas
em ações fiscalizadoras, limitadoras e que, sob qualquer forma, possam causar
sancionadoras (podendo ser impostas degradação ambiental” (art. 1º, I, da
medidas administrativas, sancionatórias Resolução 237/97).
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Gabarito
4. Resposta: D. atividade, não podendo ser superior a 6
(seis) anos;
Art. 18 da Resolução 237/97 CONAMA - O
III - O prazo de validade da Licença de
órgão ambiental competente estabelecerá
Operação (LO) deverá considerar os
os prazos de validade de cada tipo de
planos de controle ambiental e será de, no
licença, especificando-os no respectivo
mínimo, 4 (quatro) anos e, no máximo, 10
documento, levando em consideração os
(dez) anos.
seguintes aspectos:
I - O prazo de validade da Licença Prévia 5. Resposta: C.
(LP) deverá ser, no mínimo, o estabelecido
pelo cronograma de elaboração dos Por meio do licenciamento ambiental o
planos, programas e projetos relativos Poder Público exerce o controle prévio
ao empreendimento ou atividade, não sobre as atividades que podem degradar o
podendo ser superior a 5 (cinco) anos; meio ambiente. Tem natureza preventiva
e objetiva compatibilizar a proteção do
II - O prazo de validade da Licença de
meio ambiente com o desenvolvimento
Instalação (LI) deverá ser, no mínimo,
econômico e social, promovendo o
o estabelecido pelo cronograma de
desenvolvimento sustentável. Também é
instalação do empreendimento ou
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Gabarito
meio pelo qual são aplicados os Princípios
da Prevenção e da Precaução.
Por isso, o licenciamento ambiental visa a
não apenas prevenir impactos ambientais
negativos, mas também mitigá-los por
meio da imposição de condicionantes aos
empreendedores.

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Unidade 6
Infrações Administrativas

Objetivos

»» Entender a responsabilidade ambiental;


»» Compreender o conceito de poluidor;
»» Conhecer as infrações e as sanções
administrativas ambientais.

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Introdução

A responsabilidade ambiental, em decorrência de um único dano ambiental, pode se dar nas


esferas civil, penal e administrativa, as quais possuem objetos diferentes de tutela, sendo elas
autônomas e independentes, não havendo necessidade da preexistência de qualquer uma para
a superveniência das demais. É a tríplice responsabilização em matéria ambiental, nos termos
do art. 225, §3º, da Constituição Federal.
A proteção ambiental é essencialmente preventiva, de acordo com os Princípios da Precaução
e Prevenção. Contudo, sempre há a possibilidade de ocorrer infrações ambientais. Nessa
hipótese, surge a responsabilidade administrativa, civil e penal.
A aplicação das sanções administrativas ambientais independe de intervenção judicial
(diferentemente das sanções civis e penais), podendo ser aplicada e imposta diretamente pela
própria Administração Pública.
A infração administrativa ambiental é fundada na violação das normas de proteção do meio
ambiente. A sanção administrativa incidirá apenas nos casos de exato enquadramento legal
da conduta imputada ao agente, em respeito ao princípio da legalidade estrita. Se não há
comportamento contrário às normas ambientais, não se pode falar em infração administrativa.
Determinada conduta pode estar tipificada tanto como crime quanto como infração
administrativa ambiental. Contudo, determinada conduta que esteja tipificada somente como
220/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas
crime ambiental também pode ser sancionada administrativamente, pois nesse caso houve
inequívoca violação de uma regra jurídica de uso, gozo, promoção, proteção e recuperação do
meio ambiente, conforme você verá adiante.
A Previsão legal das infrações administrativas encontra-se nos arts. 70 a 76 da Lei 9.605/98
e a respectiva regulamentação no Decreto 6.514/08, o qual traz nos arts. 24 a 93 rol
exemplificativo de infrações administrativas ambientais: infrações contra a fauna, infrações
contra a flora, infrações relativas à poluição, infrações contra o ordenamento urbano e o
patrimônio cultural, infrações contra a administração ambiental; infrações em unidades de
conservação.

1. Infrações Administrativas Ambientais

Primeiramente você deve entender que quem pode cometer a infração administrativa é o
poluidor. Quem define o poluidor é o art. 3º, IV, da Lei 6.938/81, nos seguintes termos:
Entende-se por poluidor a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado,
responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental.
Dessa forma, por exemplo, mesmo que ecologicamente os bois, vacas ou carros podem ser

221/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas


considerados poluidores, juridicamente somente pessoa física ou jurídica pode ser poluidor.
O conceito de infração administrativa é dado pelo art. 70, caput, da Lei 9.605/98, da seguinte
forma:
Considera-se infração administrativa ambiental toda ação ou omissão que viole as regras
jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e recuperação do meio ambiente.
As sanções administrativas estão no art. 72 da Lei 9.605/98:
I. advertência;
II. multa simples;
III. multa diária;
IV. apreensão dos animais, produtos e subprodutos da fauna e flora, instrumentos,
petrechos, equipamentos ou veículos de qualquer natureza utilizados na infração;
V. destruição ou inutilização do produto;
VI. suspensão de venda e fabricação do produto;
VII. embargo de obra ou atividade;
VIII. demolição de obra;
IX. suspensão parcial ou total de atividades;
222/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas
X. restritiva de direitos.

Se o infrator cometer, simultaneamente, duas ou mais infrações, ser-lhe-ão aplicadas,


cumulativamente, as sanções a elas cominadas (art. 72, §1º).
São autoridades competentes para lavrar auto de infração ambiental os funcionários de órgãos
ambientais integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente - SISNAMA, designados para
as atividades de fiscalização, bem como os agentes das Capitanias dos Portos, do Ministério da
Marinha (art. 70 § 1º).
Qualquer pessoa, constatando infração ambiental, poderá dirigir representação às autoridades
relacionadas no parágrafo anterior, para efeito do exercício do seu poder de polícia (art. 70 §
2º).
A autoridade ambiental que tiver conhecimento de infração ambiental é obrigada a
promover a sua apuração imediata, mediante processo administrativo próprio, sob pena de
corresponsabilidade (art. 70 §3º).
A instauração do procedimento pode ocorrer mediante representação de qualquer cidadão
dirigida aos órgãos do SISNAMA, ou de ofício, com o conhecimento da ocorrência da infração

223/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas


pela autoridade competente. 2. Sanções Administrativas
Os critérios a serem observados quando
da lavratura do auto de infração são os 2.1. Advertência
seguintes (art. 4º do Decreto 6.514/08):
Está prevista nos arts. 5º a 7º do Decreto
O agente autuante, ao lavrar o auto de 6.514/08.
infração, indicará as sanções estabelecidas
A sanção de advertência poderá ser
neste Decreto, observando:
aplicada para as infrações administrativas
I - gravidade dos fatos, tendo em vista os de menor lesividade ao meio ambiente (art.
motivos da infração e suas consequências 5º, caput).
para a saúde pública e para o meio
Consideram-se infrações administrativas
ambiente;
de menor lesividade ao meio ambiente
II - antecedentes do infrator, quanto ao aquelas em que a multa máxima cominada
cumprimento da legislação de interesse não ultrapasse o valor de R$ 1.000,00 (mil
ambiental; reais) (art. 5º, §1º).
III - situação econômica do infrator. Sem prejuízo da advertência, caso o
agente autuante constate a existência de

224/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas


irregularidades a serem sanadas, lavrará aplicação de outras sanções (art. 6º).
o auto de infração com a indicação da Fica vedada a aplicação de nova sanção
respectiva sanção de advertência, ocasião de advertência no período de três anos
em que estabelecerá prazo para que o contados do julgamento da defesa da
infrator sane tais irregularidades (art. 5º, última advertência ou de outra penalidade
§2º). aplicada (art. 5º, §7º).
Sanadas as irregularidades no prazo A autoridade pode aplicar diretamente
concedido, o agente autuante certificará o a multa ou outra sanção cabível,
ocorrido nos autos e dará seguimento ao independentemente da incidência prévia
processo administrativo (art. 5º, §3º). da advertência, pois a aplicação de sanção
Caso o autuado, por negligência ou administrativa deve considerar a gravidade
dolo, deixe de sanar as irregularidades, do fato e os antecedentes do infrator.
o agente autuante certificará o ocorrido
e aplicará a sanção de multa relativa à 2.2. Multa simples e multa
infração praticada, independentemente da diária
advertência (art. 5º, §4º).
- Multa simples:
A sanção de advertência não excluirá a

225/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas


A multa simples é aplicada sempre que o infrator: a) advertido das irregularidades não as
soluciona dentro do prazo estabelecido pela autoridade; b) opuser embaraço à fiscalização (art.
72, §3º, da Lei 9.605/98).
O valor da multa é de no mínimo de R$ 50,00 (cinquenta reais) e o máximo de R$ 50.000.000,00
(cinquenta milhões de reais) (art. 9º do Decreto 6.514/08 e 75 da Lei 9.605/98). Para a fixação
do valor deve-se observar, sobretudo, a situação econômica do infrator (art. 6º, III, da Lei
9.605/98), sem prejuízo de outros critérios como a gravidade do fato e os antecedentes do
infrator.
A multa terá por base a unidade, hectare, metro cúbico, quilograma, metro de carvão-mdc,
estéreo, metro quadrado, dúzia, estipe, cento, milheiros ou outra medida pertinente, de acordo
com o objeto jurídico lesado. O órgão ou entidade ambiental poderá especificar a unidade de
medida aplicável para cada espécie de recurso ambiental objeto da infração (art. 8º do Decreto
6.514/08).
Os valores arrecadados em pagamento de multas por infração ambiental serão revertidos ao
Fundo Nacional do Meio Ambiente, criado pela Lei nº 7.797, de 10 de julho de 1989, Fundo
Naval, criado pelo Decreto nº 20.923, de 8 de janeiro de 1932, fundos estaduais ou municipais
de meio ambiente, ou correlatos, conforme dispuser o órgão arrecadador (art. 73 da Lei

226/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas


9.605/98).
A Conversão de multa simples se dá conforme art. 72, § 4° da Lei 9.605/98: a multa simples
pode ser convertida em serviços de preservação, melhoria e recuperação da qualidade do meio
ambiente.
Somente na hipótese de multa simples, o autuado poderá, desde que aprovado pelo órgão
ambiental, substituir o pagamento da multa simples em projetos e atividades de melhoria do
meio ambiente. Essa conversão pressupõe que o autuado apresente pré-projeto.
Nos termos do Decreto 6.514/08:
Art. 140. São considerados serviços de preservação, melhoria e recuperação da qualidade do
meio ambiente:
I - execução de obras ou atividades de recuperação de danos decorrentes da própria infração;
II - implementação de obras ou atividades de recuperação de áreas degradadas, bem como de
preservação e melhoria da qualidade do meio ambiente;
III - custeio ou execução de programas e de projetos ambientais desenvolvidos por entidades
públicas de proteção e conservação do meio ambiente;

227/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas


IV - manutenção de espaços públicos que tenham como objetivo a preservação do meio
ambiente.
Art. 141. Não será concedida a conversão de multa para reparação de danos de que trata o
inciso I do art. 140, quando:
I - não se caracterizar dano direto ao meio ambiente;
II - a recuperação da área degradada puder ser realizada pela simples regeneração natural.
Art. 142. O autuado poderá requerer a conversão de multa de que trata esta Seção por ocasião
da apresentação da defesa.
Art. 143. O valor dos custos dos serviços de preservação, melhoria e recuperação da qualidade
do meio ambiente não poderá ser inferior ao valor da multa convertida.
Art. 145. Por ocasião do julgamento da defesa, a autoridade julgadora deverá, numa única
decisão, julgar o auto de infração e o pedido de conversão da multa.
Art. 146. Havendo decisão favorável ao pedido de conversão de multa, as partes celebrarão
termo de compromisso.
§ 1º A assinatura do termo de compromisso implicará renúncia ao direito de recorrer

228/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas


administrativamente.
§ 2º A celebração do termo de compromisso não põe fim ao processo administrativo, devendo
a autoridade competente monitorar e avaliar, no máximo a cada dois anos, se as obrigações
assumidas estão sendo cumpridas.
§ 3º O termo de compromisso terá efeitos na esfera civil e administrativa.
§ 4º O descumprimento do termo de compromisso implica:
I - na esfera administrativa, a imediata inscrição do débito em Dívida Ativa para cobrança da
multa resultante do auto de infração em seu valor integral;
II - na esfera civil, a imediata execução judicial das obrigações assumidas, tendo em vista seu
caráter de título executivo extrajudicial.
§ 6º A assinatura do termo de compromisso tratado neste artigo suspende a exigibilidade da
multa aplicada.
Art. 148. A conversão da multa não poderá ser concedida novamente ao mesmo infrator
durante o período de cinco anos, contados da data da assinatura do termo de compromisso.

229/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas


O valor da multa-dia não pode ser inferior
Para saber mais a R$50,00 nem superior a dez por cento do
valor da multa simples máxima cominada
A multa simples é a única hipótese em que será para a infração administrativa ambiental
aplicada em casos de negligência ou dolo (art. (art. 10, §2º, do Decreto 6.514/08)
72, §3º, da Lei 9.605/98), sendo que a regra geral
A multa diária deixará de ser aplicada a
da responsabilidade administrativa ambiental é a
partir da data em que o autuado apresentar
objetiva (independe de culpa).
ao órgão ambiental documentos que
comprovem a regularização da situação
- Multa diária: que deu causa à lavratura do auto de
A multa diária será aplicada sempre que o infração (art. 10, §4º).
cometimento da infração se prolongar no
Caso o agente autuante ou a autoridade
tempo (art. 10 do Decreto 6.514/08).
competente verifique que a situação que
A celebração de termo de compromisso deu causa à lavratura do auto de infração
de reparação ou cessação dos danos não foi regularizada, a multa diária
encerrará a contagem da multa diária (art. voltará a ser imposta desde a data em que
10, §8º, do Decreto 6.514/08). deixou de ser aplicada, sendo notificado o
autuado, sem prejuízo da adoção de outras
230/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas
sanções previstas neste Decreto (art. 10, multa será considerado para efeito da
§5º, do Decreto 6.514/08). substituição, não sendo admitida para
esta finalidade a celebração de termo de
Por ocasião do julgamento do auto de compromisso de ajustamento de conduta
infração, a autoridade ambiental deverá, ou outra forma de compromisso de
em caso de procedência da autuação, regularização da infração ou composição
confirmar ou modificar o valor da multa- de dano, salvo se deste também participar
dia, decidir o período de sua aplicação o órgão ambiental federal (art. 12, § único,
e consolidar o montante devido pelo do Decreto 6514/08).
autuado para posterior execução (art. 10,
§6º, do Decreto 6.514/08). Os valores arrecadados em pagamento
de multas por infração ambiental serão
O pagamento de multa imposta pelos revertidos ao Fundo Nacional do Meio
Estados, Municípios, Distrito Federal ou Ambiente, Fundo Naval, fundos estaduais
Territórios substitui a multa federal na ou municipais de meio ambiente, ou
mesma hipótese de incidência, vale dizer, correlatos, conforme dispuser o órgão
em decorrência do mesmo fato (art. 76, da arrecadador (art. 73 da Lei 9605/98).
Lei 9605/98 e 12 do Decreto 6514/08).
Reverterão ao Fundo Nacional do Meio
Somente o efetivo pagamento da Ambiente – FNMA - vinte por cento dos
231/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas
valores arrecadados em pagamento de em vista que, muitas vezes, tratam-se de
multas aplicadas pela União, podendo o animais ou de produtos perecíveis, que
referido percentual ser alterado, a critério não podem aguardar muito tempo para
dos órgãos arrecadadores (art. 13 do ser decidido seu destino. Por isso, quando
Decreto 6514/08). se trata de infração administrativa, não se
aplica a regra geral do art. 91 do Código
2.3. Apreensão de animais, pro- Penal (a apreensão dos instrumentos e dos
dutos e subprodutos da fauna e produtos do crime é efeito da condenação),
flora, instrumentos, petrechos, mas sim o art. 25 da Lei 9605/98, o qual
equipamentos ou veículos de dispõe que verificada a infração, serão
apreendidos seus produtos e instrumentos,
qualquer natureza utilizados
lavrando-se os respectivos autos.
na infração
No caso de infrações administrativas
No caso de cometimento de infração ambientais, é possível a apreensão
ambiental, não se tem que esperar a de qualquer instrumento utilizado,
condenação penal para realização da usualmente, na prática de infração
apreensão dos produtos e instrumentos ambiental, seja ele lícito ou ilícito (ex.
da infração ou crime ambiental, tendo caminhão que transporta madeira ilegal,
232/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas
ao contrário da regra geral do art. 91, II, responsabilidade de técnicos habilitados
“a” do Código Penal, que somente permite (art. 26, § 1º da Lei 9605/98).
o confisco de instrumento do crime como Os animais domésticos e exóticos serão
efeito da condenação quando o objeto é apreendidos quando (art. 103 caput e §1º e
ilícito). 2º, do Decreto 6.514/08):
De fato, nos termos do art. 101, I, do I - forem encontrados no interior de
Decreto 6.514/08, constatada a infração unidade de conservação de proteção
ambiental, o agente autuante, no uso do integral;
seu poder de polícia, poderá proceder à
apreensão. II - forem encontrados em área de
preservação permanente ou quando
No que diz respeito à apreensão e impedirem a regeneração natural de
destinação de animais, a legislação prevê vegetação em área cujo corte não tenha
os seguintes procedimentos: sido autorizado, desde que, em todos os
Quanto aos animais silvestres, serão casos, tenha havido prévio embargo.
libertados em seu habitat ou entregues a Na hipótese prevista no inciso II, os
jardins zoológicos, fundações ou entidades proprietários deverão ser previamente
assemelhadas, desde que fiquem sob a notificados para que promovam a remoção
233/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas
dos animais do local no prazo assinalado II - os animais domésticos ou exóticos
pela autoridade competente. mencionados no art.103 poderão ser
Após a apreensão, a autoridade vendidos.
competente, levando-se em conta a Os animais de que trata o inciso II, após
natureza dos bens e animais apreendidos avaliados, poderão ser doados, mediante
e considerando o risco de perecimento, decisão motivada da autoridade ambiental,
procederá da seguinte forma (art. 107 e §§ sempre que sua guarda ou venda forem
1º e 5º do Decreto 6.514/08): inviáveis econômica ou operacionalmente.
I - os animais da fauna silvestre serão A libertação dos animais da fauna
libertados em seu hábitat ou entregues a silvestre em seu hábitat natural deverá
jardins zoológicos, fundações, entidades observar os critérios técnicos previamente
de caráter cientifico, centros de triagem, estabelecidos pelo órgão ou entidade
criadouros regulares ou entidades ambiental competente
assemelhadas, desde que fiquem No que concerne aos produtos perecíveis
sob a responsabilidade de técnicos ou madeiras, serão avaliados e doados a
habilitados, podendo ainda, respeitados os instituições científicas, hospitalares, penais
regulamentos vigentes, serem entregues e outras com fins beneficentes (art. 25, § 2º
em guarda doméstica provisória.
234/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas
da Lei 9605/98). de perecimento as madeiras que estejam
Os bens apreendidos deverão ficar acondicionadas a céu aberto ou que não
sob a guarda do órgão ou entidade puderem ser guardadas ou depositadas
responsável pela fiscalização, podendo, em locais próprios, sob vigilância, ou
excepcionalmente, ser confiados a fiel ainda quando inviável o transporte e
depositário, até o julgamento do processo guarda, atestados pelo agente autuante no
administrativo (art. 105 do Decreto documento de apreensão.
6.514/08). Quanto aos produtos e subprodutos da
Após a apreensão, a autoridade fauna não perecíveis, serão destruídos ou
competente, levando-se em conta a doados a instituições científicas, culturais
natureza dos bens e animais apreendidos ou educacionais (art. 25, § 3° da Lei
e considerando o risco de perecimento, 9.605/98 e art. 135 do Decreto 6.514/08)
procederá da seguinte forma os produtos No que se refere aos instrumentos
perecíveis e as madeiras sob risco iminente utilizados na prática da infração
de perecimento serão avaliados e doados ambiental, serão vendidos, garantida a sua
(art. 107 do Decreto 6.514/08):. descaracterização por meio da reciclagem
Serão consideradas sob risco iminente (art. 25, § 4º da Lei 9.605/98).

235/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas


Conforme art. 134, IV e V, do Decreto qualquer título, dos animais, produtos,
6.514/08, os instrumentos utilizados na subprodutos, instrumentos, petrechos,
prática da infração poderão ser destruídos, equipamentos, veículos e embarcações
utilizados pela administração quando doados. A autoridade ambiental poderá
houver necessidade, doados ou vendidos, autorizar a transferência dos bens doados
garantida a sua descaracterização, neste quando tal medida for considerada
último caso, por meio da reciclagem mais adequada à execução dos fins
quando o instrumento puder ser utilizado institucionais dos beneficiários (art. 137 do
na prática de novas infrações; os demais Decreto 6.514/08).
petrechos, equipamentos, veículos e Os bens sujeitos à venda serão submetidos
embarcações descritos no inciso IV do a leilão, nos termos do § 5º do art. 22 da
art. 72 da Lei nº 9.605, de 1998, poderão Lei no 8.666/93. Os custos operacionais
ser utilizados pela administração quando de depósito, remoção, transporte,
houver necessidade, ou ainda vendidos, beneficiamento e demais encargos legais
doados ou destruídos, conforme decisão correrão à conta do adquirente (art. 138 do
motivada da autoridade ambiental; Decreto 6.514/08).
O termo de doação de bens apreendidos Em todas as hipóteses, os bens
vedará a transferência a terceiros, a apreendidos poderão ser doados pela
236/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas
autoridade competente para órgãos e forem inviáveis em face das circunstâncias;
entidades públicas de caráter científico, II - possam expor o meio ambiente a riscos
cultural, educacional, hospitalar, penal, significativos ou comprometer a segurança
militar e social, bem como para outras da população e dos agentes públicos
entidades sem fins lucrativos de caráter envolvidos na fiscalização.
beneficente (art. 135 do Decreto 6.514/08).
Parágrafo único. O termo de destruição
2.4 Destruição ou inutilização ou inutilização deverá ser instruído com
elementos que identifiquem as condições
de produto
anteriores e posteriores à ação, bem como
Conforme Art. 111 do Decreto 6.514/08: a avaliação dos bens destruídos.

Os produtos, inclusive madeiras, Tratando-se de apreensão de substâncias


subprodutos e instrumentos utilizados na ou produtos tóxicos, perigosos ou nocivos
prática da infração poderão ser destruídos à saúde humana ou ao meio ambiente,
ou inutilizados quando: as medidas a serem adotadas, inclusive a
destruição, serão determinadas pelo órgão
I - a medida for necessária para evitar o
competente e correrão a expensas do
seu uso e aproveitamento indevidos nas
infrator (art. 136 do Decreto 6.514/08).
situações em que o transporte e a guarda
237/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas
2.5 Suspensão de venda ou fa- A suspensão parcial ou total de atividades
bricação de produto constitui medida que visa a impedir a
continuidade de processos produtivos em
Essa sanção será aplicada quando o desacordo com a legislação ambiental (art.
produto não estiver obedecendo às 110 do Decreto 6.514/08).
prescrições legais ou regulamentares.
A cessação das penalidades de suspensão
A suspensão de venda ou fabricação de e embargo dependerá de decisão da
produto constitui medida que visa a evitar autoridade ambiental após a apresentação,
a colocação no mercado de produtos por parte do autuado, de documentação
e subprodutos oriundos de infração que regularize a obra ou atividade (art.
administrativa ao meio ambiente ou que 15-B do Decreto 6.514/08).
tenha como objetivo interromper o uso
Não existe prazo para suspensão. Assim,
contínuo de matéria-prima e subprodutos
somente ao cessar as atividades nocivas ao
de origem ilegal (art. 109 do Decreto
meio ambiente é que a suspensão acabará.
6.514/08).
Havendo possibilidade de suspensão
2.6 Suspensão parcial ou total parcial, poderá haver sustação apenas
de atividades das atividades poluentes da empresa,

238/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas


permitindo que ela continue atuando nos contrário a penalidade será a demolição.
setores não poluentes. O embargo de obra ou atividade
restringe-se aos locais onde efetivamente
2.7 Embargo de obra ou caracterizou-se a infração ambiental, não
atividade alcançando as demais atividades realizadas
em áreas não embargadas da propriedade
O embargo de obra ou atividade e suas
ou posse ou não correlacionadas com a
respectivas áreas tem por objetivo impedir
infração (art. 15-A do Decreto 6.514/08).
a continuidade do dano ambiental,
propiciar a regeneração do meio ambiente A cessação das penalidades de suspensão
e dar viabilidade à recuperação da e embargo dependerá de decisão da
área degradada, devendo restringir-se autoridade ambiental após a apresentação,
exclusivamente ao local onde se verificou por parte do autuado, de documentação
a prática do ilícito (art. 108 do Decreto que regularize a obra ou atividade (art.
6.514/08). 15-B do Decreto 6.514/08).

Essa sanção só pode ser aplicada no caso No caso de áreas irregularmente


de atividade que tenha condições de se desmatadas ou queimadas, o agente
adequar às normas ambientais, pois caso autuante embargará quaisquer obras

239/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas


ou atividades nelas localizadas ou R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais);
desenvolvidas, excetuando as atividades de II - suspensão da atividade que originou
subsistência (art. 16 §§ 1º e 2º, do Decreto a infração e da venda de produtos ou
6.514/08). subprodutos criados ou produzidos na área
O agente autuante deverá colher ou local objeto do embargo infringido;
todas as provas possíveis de autoria e III - cancelamento de registros, licenças
materialidade, bem como da extensão ou autorizações de funcionamento da
do dano, apoiando-se em documentos, atividade econômica junto aos órgãos
fotos e dados de localização, incluindo ambientais e de fiscalização.
as coordenadas geográficas da área
embargada, que deverão constar do Conforme art. 108, §§ 1º e 2º do Decreto
respectivo auto de infração para posterior 6.514/08:
georreferenciamento. No caso de descumprimento ou violação
O descumprimento total ou parcial de do embargo, a autoridade competente,
embargo ensejará a aplicação cumulativa além de adotar as medidas previstas
das seguintes sanções (Art. 18): nos arts. 18 e 79, deverá comunicar ao
Ministério Público, no prazo máximo
I - multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a de setenta e duas horas, para que seja
240/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas
apurado o cometimento de infração penal. o auto de infração encontra-se julgado ou
Nos casos em que o responsável pela pendente de julgamento.
infração administrativa ou o detentor
do imóvel onde foi praticada a infração 2.8 Demolição de obra
for indeterminado, desconhecido ou
Nos termos do art. 19 do Decreto 6.514/08,
de domicílio indefinido, será realizada
a sanção de demolição de obra poderá ser
notificação da lavratura do termo de
aplicada pela autoridade ambiental, após o
embargo mediante a publicação de seu
contraditório e ampla defesa, quando:
extrato no Diário Oficial da União.
I - verificada a construção de obra em área
Conforme art. 18 § 1º do Decreto 6.514/08,
ambientalmente protegida em desacordo
o órgão ou entidade ambiental promoverá
com a legislação ambiental;
a divulgação dos dados do imóvel rural, da
área ou local embargado e do respectivo II - quando a obra ou construção realizada
titular em lista oficial, resguardados os não atenda às condicionantes da
dados protegidos por legislação específica legislação ambiental e não seja passível de
para efeitos do disposto no inciso III do art. regularização.
4º da Lei 10.650/03, especificando o exato § 1º A demolição poderá ser feita pela
local da área embargada e informando que
241/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas
administração ou pelo infrator, em prazo impor as medidas necessárias à cessação e
assinalado, após o julgamento do auto de mitigação do dano ambiental, observada a
infração, sem prejuízo do disposto no art. legislação em vigor.
112. Conforme art. 112 do Decreto 6.514/08,
§ 2º As despesas para a realização da a demolição de obra, edificação ou
demolição correrão às custas do infrator construção não habitada e utilizada
que será notificado para realizá-la ou diretamente para a infração ambiental
para reembolsar aos cofres públicos os dar-se-á excepcionalmente no ato da
gastos que tenham sido efetuados pela fiscalização nos casos em que se constatar
administração. que a ausência da demolição importa em
§ 3º Não será aplicada a penalidade iminente risco de agravamento do dano
de demolição quando, mediante ambiental ou de graves riscos à saúde.
laudo técnico, for comprovado que § 1º A demolição poderá ser feita pelo
o desfazimento poderá trazer piores agente autuante, por quem este autorizar
impactos ambientais que sua manutenção, ou pelo próprio infrator e deverá ser
caso em que a autoridade ambiental, devidamente descrita e documentada,
mediante decisão fundamentada, deverá, inclusive com fotografias.
sem prejuízo das demais sanções cabíveis,
242/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas
§ 2º As despesas para a realização da III - perda ou restrição de incentivos e
demolição correrão às custas do infrator. benefícios fiscais;
§ 3º A demolição de que trata o caput não IV - perda ou suspensão da participação
será realizada em edificações residenciais. em linhas de financiamento em
Trata-se de exceção à regra da observância estabelecimentos oficiais de crédito;
prévia do contraditório e da ampla defesa. V - proibição de contratar com a
administração pública;
2.9 Sanções restritivas de § 1º A autoridade ambiental fixará o
direitos período de vigência das sanções previstas
neste artigo, observando os seguintes
Nos termos do art. 20 do Decreto 6.514/08,
prazos:
as sanções restritivas de direito aplicáveis
às pessoas físicas ou jurídicas são: I - até três anos para a sanção prevista no
inciso V;
I - suspensão de registro, licença ou
autorização; II - até um ano para as demais sanções.

II - cancelamento de registro, licença ou § 2º Em qualquer caso, a extinção da


autorização; sanção fica condicionada à regularização

243/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas


da conduta que deu origem ao auto de infração.
Conforme, art. 72, §8º da Lei 8605/98, as sanções restritivas de direito são:
I - suspensão de registro, licença ou autorização;
II - cancelamento de registro, licença ou autorização;
III - perda ou restrição de incentivos e benefícios fiscais;
IV - perda ou suspensão da participação em linhas de financiamento em estabelecimentos
oficiais de crédito;
V - proibição de contratar com a Administração Pública, pelo período de até três anos.

244/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas


Para saber mais
as infrações são apuradas por meio de processo administrativo, assegurada a ampla
defesa e o contraditório (art. 70 § 4º), sendo competente para sua instauração os
agentes de órgãos ambientais integrantes do SISNAMA. A Lei 9.605/98 disciplinou
os prazos para o processo administrativo ambiental. O Decreto 6.514/08 detalhou o
procedimento administrativo ambiental. São princípios do processo administrativo:
legalidade, finalidade, motivação, instrumentalidade, moralidade, ampla defesa,
contraditório, segurança jurídica, interesse público, eficiência (art. 2º, parágrafo único,
da Lei 9.784/99).

Por fim, quanto às sanções, você deve saber produtos, subprodutos e instrumentos da
que as medidas de apreensão; embargo infração; e demolição tem como objetivo
de obra ou atividade e suas respectivas prevenir a ocorrência de novas infrações,
áreas; suspensão de venda ou fabricação resguardar a recuperação ambiental e
de produto; suspensão parcial ou total de garantir o resultado prático do processo
atividades; destruição ou inutilização dos administrativo (art. 101, parágrafo 1º, do

245/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas


Decreto 6.514/08).

2.10 Reincidência Link


Artigo Reincidência no Processo Administrativo
Conforme, art. 11 do Decreto 6.514/08, o Ambiental. Disponível em http://www.
cometimento de nova infração ambiental limaefalcao.com.br/imagens/noticia/
pelo mesmo infrator, no período de reincidancia-em-processo-administrativo-
cinco anos, contados da lavratura de ambiental.pdf. Acesso em 25 JUL. 2015.
auto de infração anterior devidamente
confirmado no julgamento de que trata o
art. 124, implica: 2.11. Prescrição
I - aplicação da multa em triplo, no caso Nos termos do art. 21 do Decreto
de cometimento da mesma infração; 6.514/08, prescreve em cinco anos a ação
II - aplicação da multa em dobro, no da administração objetivando apurar
caso de cometimento de infração a prática de infrações contra o meio
distinta. ambiente, contada da data da prática do
ato, ou, no caso de infração permanente
ou continuada, do dia em que esta tiver
246/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas
cessado. § 4º A prescrição da pretensão punitiva da
§ 1º Considera-se iniciada a ação de administração não elide a obrigação de
apuração de infração ambiental pela reparar o dano ambiental.
administração com a lavratura do auto de Conforme art. 22 do Decreto 6.514/08,
infração. interrompe-se a prescrição:
§ 2º Incide a prescrição no procedimento I - pelo recebimento do auto de infração ou
de apuração do auto de infração paralisado pela cientificação do infrator por qualquer
por mais de três anos, pendente de outro meio, inclusive por edital;
julgamento ou despacho, cujos autos II - por qualquer ato inequívoco da
serão arquivados de ofício ou mediante administração que importe apuração do
requerimento da parte interessada, sem fato;
prejuízo da apuração da responsabilidade
funcional decorrente da paralisação. III - pela decisão condenatória recorrível.

§ 3º Quando o fato objeto da infração Parágrafo único. Considera-se ato


também constituir crime, a prescrição de inequívoco da administração, para o efeito
que trata o caput reger-se-á pelo prazo do que dispõe o inciso II, aqueles que
previsto na lei penal. impliquem instrução do processo.

247/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas


Para saber mais
Diferentemente da responsabilidade civil, em relação a qual as ações para a reparação do
dano ambiental são imprescritíveis, em se tratando de infrações administrativas, ocorre a
prescrição em cinco anos.

Link
Artigo “Da prescrição punitiva no processo administrativo ambiental”. Disponível
em http://www.conteudojuridico.com.br/artigo,da-prescricao-punitiva-
no-processo-administrativo-ambiental,50968.html. Acesso em 25 JUL.
2015.

248/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas


Link
Projeto endurece sanção administrativa para quem comete infração
ambiental. Texto proíbe Administração Pública de contratar ou de oferecer
subsídios a pessoa física ou jurídica que cometa infração administrativa
ambiental. Disponível em http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/
fichadetramitacao?idProposicao=491877. Acesso em 25 JUL. 2015.

249/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas


Glossário
Prescrição: é a extinção da pretensão, devido à sua não-utilização, por um período de
tempo.
Procedimento Administrativo: Procedimento Administrativo é a sequência de atividades
da administração, interligadas entre si, que visa a alcançar determinada finalidade
prevista em lei. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 18ª
ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2007, p. 136-137).
Processo Administrativo: a formalização do procedimento administrativo se dá por
meio de um processo administrativo, este indicativo das relações jurídicas entre os
participantes do procedimento (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito
administrativo. 18ª ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2007, p. 136-137).

250/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas


?
Questão
para
reflexão
As sanções administrativas representam mais um meio
de defesa do meio ambiente saudável e equilibrado.
Existe o Projeto de Lei 383/2011 da Câmara dos
Deputados, o qual altera a Lei nº 9.605, de 12 de
fevereiro de 1998, que dispõe sobre as sanções penais
e administrativas derivadas de condutas e atividades
lesivas ao meio ambiente, estabelecendo como
sanção restritiva de direitos a obtenção de subsídios,
subvenções ou doações da Administração Pública e
em consequência endurece sanção administrativa
para quem comete infração ambiental. Reflita sobre
a conveniência e acerto do projeto na defesa do meio
ambiente.
251/305
Considerações Finais

»» Considera-se infração administrativa ambiental toda ação ou omissão que


viole as regras jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e recuperação do
meio ambiente;
»» As infrações administrativas são punidas com as seguintes sanções:
advertência; multa simples; multa diária; apreensão dos animais, produtos
e subprodutos da fauna e flora, instrumentos, petrechos, equipamentos ou
veículos de qualquer natureza utilizados na infração; destruição ou inutilização
do produto; suspensão de venda e fabricação do produto; embargo de obra
ou atividade; demolição de obra; suspensão parcial ou total de atividades;
restritiva de direitos;
»» Para imposição e gradação da penalidade, a autoridade competente
observará: a gravidade do fato, tendo em vista os motivos da infração e suas
consequências para a saúde pública e para o meio ambiente; os antecedentes
do infrator quanto ao cumprimento da legislação de interesse ambiental; a

252/347
Considerações Finais
situação econômica do infrator, no caso de multa;
»» Prescreve em cinco anos a ação da administração objetivando apurar a prática
de infrações contra o meio ambiente, contada da data da prática do ato, ou, no
caso de infração permanente ou continuada, do dia em que esta tiver cessado.

253/347
Referências

CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 18ª ed. Lumen Juris. Rio de
Janeiro, 2007.
ANTUNES, Paulo de Bessa. Direito ambiental. 14ª ed. São Paulo: Atlas, 2012.
MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro. 17ª ed. rev. atual. e ampl. São
Paulo: Malheiros, 2009.
RODRIGUES, Marcelo Abelha. Direito ambiental esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2013.
SARLET. Ingo Wolfgang. Direito ambiental: introdução, fundamentos e teoria geral. Tiago
Fensterseifer. São Paulo: Saraiva, 2014.
SARLET. Ingo Wolfgang. Direito constitucional ambiental. Constituição, direitos fundamentais e
proteção do ambiente. Tiago Fensterseifer. 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2013.
SILVA, José Afonso. Direito Ambiental Constitucional. 10ª ed. São Paulo: Malheiros, 2013.
THOMÉ, Romeu. Manual de direito ambiental. 4ª ed. Salvador: Juspodium, 2014.

254/347 Unidade 6 • Infrações Administrativas


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Aula 6 - Tema: Infrações Administrativas Aula 6 - Tema: Infrações Administrativas


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255/347
Questão 1
1. São sanções administrativas ambientais:

a) advertência; prisão simples; multa diária; apreensão dos animais, produtos e subprodutos
da fauna e flora, instrumentos, petrechos, equipamentos ou veículos de qualquer natureza
utilizados na infração; destruição ou inutilização do produto; suspensão de venda e fabricação
do produto; embargo de obra ou atividade; demolição de obra; suspensão parcial ou total de
atividades; restritiva de direitos.
b) advertência; multa simples; multa diária; apreensão dos animais, produtos e subprodutos
da fauna e flora, instrumentos, petrechos, equipamentos ou veículos de qualquer natureza
utilizados na infração; destruição ou inutilização do produto; suspensão de venda e fabricação
do produto; embargo de obra ou atividade; demolição de obra; suspensão parcial ou total de
atividades; restritiva de direitos.
c) advertência; multa simples; multa diária; apreensão dos animais, produtos e subprodutos
da fauna e flora, instrumentos, petrechos, equipamentos ou veículos de qualquer natureza
utilizados na infração; destruição ou inutilização do produto; suspensão de venda e fabricação
do produto; embargo de obra ou atividade; demolição de obra; suspensão parcial ou total de
atividades; extintiva de direitos.

256/347
Questão 1
d) advertência; multa simples; multa diária; apreensão dos animais, produtos e subprodutos
da fauna e flora, instrumentos, petrechos, equipamentos ou veículos de qualquer natureza
utilizados na infração; destruição ou inutilização do produto; suspensão de venda e fabricação
do produto; embargo de obra ou atividade; demolição de obra; suspensão parcial ou total dos
direitos políticos do poluidor.
e) admoestação verbal; multa simples; multa diária; apreensão dos animais, produtos e
subprodutos da fauna e flora, instrumentos, petrechos, equipamentos ou veículos de qualquer
natureza utilizados na infração; destruição ou inutilização do produto; suspensão de venda e
fabricação do produto; embargo de obra ou atividade; demolição de obra; suspensão parcial ou
total de atividades; restritiva de direitos.

257/347
Questão 2
2. Para imposição e gradação da penalidade, a autoridade competente
observará:
a) a gravidade do fato, tendo em vista os motivos da infração e suas consequências para a
saúde pública e para o meio ambiente; os antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da
legislação de interesse ambiental; a situação econômica do infrator, no caso de apreensão dos
produtos da infração.
b) a gravidade do fato, tendo em vista os motivos da infração e suas consequências para
a economia da região da infração; os antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da
legislação de interesse ambiental; a situação econômica do infrator, no caso de multa.
c) a gravidade do fato, tendo em vista os motivos da infração e suas consequências para a
saúde pública e para o meio ambiente; os antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da
legislação de interesse ambiental; a situação econômica do infrator, no caso de multa.
d) a gravidade do fato, tendo em vista os motivos da infração e suas consequências para a
saúde pública e para o meio ambiente; os antecedentes do infrator quanto ao cometimento de
crimes ambientais; a situação econômica do infrator, no caso de multa.

258/347
Questão 2
e) a gravidade do fato, tendo em vista os motivos da infração e suas consequências para a
saúde pública e para o meio ambiente; os antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da
legislação de interesse ambiental; a situação familiar do infrator, no caso de multa.

259/347
Questão 3
3. O prazo prescricional na responsabilidade ambiental administrativa é
de:
a) 1 ano.
b) 2 anos.
c) 3 anos.
d) 4 anos.
e) 5 anos.

260/347
Questão 4
4. A multa simples pode ser convertida em:

a) prestação de serviços em escolas e hospitais.


b) multa diária.
c) prisão simples.
d) serviços de preservação, melhoria e recuperação da qualidade do meio ambiente.
e) restritiva de direitos políticos.

261/347
Questão 5
5. As sanções restritivas de direito no caso de infração administrativa
ambiental são:
a) suspensão de registro, licença ou autorização; cancelamento de registro, licença ou
autorização; perda ou restrição de incentivos e benefícios fiscais; perda dos direitos políticos;
proibição de contratar com a administração pública.
b) suspensão de registro, licença ou autorização; cancelamento de registro, licença ou
autorização; perda ou restrição de incentivos e benefícios fiscais; perda ou suspensão da
participação em linhas de financiamento em estabelecimentos oficiais de crédito; proibição de
contratar com a administração pública.
c) suspensão de registro, licença ou autorização; cancelamento de registro, licença ou
autorização; perda ou restrição de incentivos e benefícios fiscais; perda ou suspensão da
participação em linhas de financiamento em estabelecimentos oficiais de crédito; proibição de
contratar com empresas privadas.
d) suspensão de registro, licença ou autorização; cancelamento de registro, licença
ou autorização; perda ou restrição da CNH se a infração foi cometida na condução de
veículo automotor; perda ou suspensão da participação em linhas de financiamento em
estabelecimentos oficiais de crédito; proibição de contratar com a administração pública.
262/347
Questão 5
e) multa; perda ou restrição de incentivos e benefícios fiscais; perda ou suspensão da
participação em linhas de financiamento em estabelecimentos oficiais de crédito; proibição de
contratar com a administração pública.

263/347
Gabarito
1. Resposta: B. VII - embargo de obra ou atividade;
VIII - demolição de obra;
As sanções administrativas estão no art. 72
da Lei 9.605/98: IX - suspensão parcial ou total de
atividades;
I - advertência;
X – restritiva de direitos.
II - multa simples;
III - multa diária; 2. Resposta: C.
IV - apreensão dos animais,
Conforme art. 4º do Decreto 6.514/08:
produtos e subprodutos da fauna e flora,
instrumentos, petrechos, equipamentos ou O agente autuante, ao lavrar o auto de
veículos de qualquer natureza utilizados na infração, indicará as sanções estabelecidas
infração; neste Decreto, observando:
V - destruição ou inutilização do I - gravidade dos fatos, tendo em vista os
produto; motivos da infração e suas conseqüências
para a saúde pública e para o meio
VI - suspensão de venda e fabricação
ambiente;
do produto;

264/347
Gabarito
II - antecedentes do infrator, quanto ao 4. Resposta: C.
cumprimento da legislação de interesse
ambiental; A Conversão de multa simples se dá
conforme art. 72, § 4° da Lei 9.605/98:
III - situação econômica do infrator.
a multa simples pode ser convertida
em serviços de preservação, melhoria
3. Resposta: E.
e recuperação da qualidade do meio
Nos termos do art. 21 do Decreto ambiente.
6.514/08, prescreve em cinco anos a ação
da administração objetivando apurar 5. Resposta: B.
a prática de infrações contra o meio
Nos termos do art. 20 do Decreto 6.514/08,
ambiente, contada da data da prática do
as sanções restritivas de direito aplicáveis
ato, ou, no caso de infração permanente
às pessoas físicas ou jurídicas são:
ou continuada, do dia em que esta tiver
cessado. I - suspensão de registro, licença ou
autorização;
II - cancelamento de registro, licença ou
autorização;
265/347
III - perda ou restrição de incentivos e
benefícios fiscais;
IV - perda ou suspensão da participação
em linhas de financiamento em
estabelecimentos oficiais de crédito;
V - proibição de contratar com a
administração pública;

266/347
Unidade 7
Zoneamento

Objetivos

»» Conhecer o zoneamento ambiental;


»» Entender o zoneamento agrícola;
»» Compreender o zoneamento costeiro.

267/347
Introdução de levantamento geológico e estudos
técnicos, para que se possa fundamentar
As principais disputas ambientais, em as decisões dos agentes quanto aos planos,
essência, dizem respeito aos conflitos de programas, projetos e atividades que,
usos concomitantes do espaço geográfico, direta ou indiretamente, utilizem recursos
seja o solo, o espaço aéreo ou as águas. naturais.
O zoneamento, nesse contexto, é uma
Nesse sentido, ao serem desenvolvidas
medida de ordem pública cujo objetivo
atividades, obras ou empreendimentos,
é arbitrar e definir os usos possíveis,
deve-se levar em conta as características
estabelecendo regras, definindo como e
ambientais de cada região, planejando e
quando serão admitidos determinados
ordenando o uso e a ocupação do solo e a
usos, procurando-se evitar a ocupação
utilização dos recursos naturais de modo
desordenada do solo urbano ou rural.
racional, proporcional e razoável.
Zoneamento é uma forma de intervenção
O mecanismo é de divisão do território,
do Estado no uso e ocupação dos espaços
de acordo com as necessidades de
geográficos e na economia, tendo em
proteção, conservação e recuperação
vista a utilização racional dos recursos
dos recursos naturais, para se viabilizar
ambientais. Tem como objetivo conhecer
o desenvolvimento sustentável, vale
as características ambientais e econômicas
dizer, o desenvolvimento econômico,
de cada área, de cada região, por meio
268/347 Unidade 7 • Zoneamento
a proteção ambiental e o desenvolvimento social. Por isso, na distribuição das atividades
econômicas, deve-se levar em consideração a importância e a função ecológica, as limitações
e as fragilidades dos ecossistemas e a equidade social, com o estabelecimento de vedações,
restrições ou alternativas de uso e exploração do território. Por isso, mesmo tratando-se de
medida drástica, em determinados casos, é possível a realocação de atividades incompatíveis
com as diretrizes gerais do zoneamento ou mesmo sua vedação.
Os critérios a serem utilizados são fixados pela Administração Pública, de forma unilateral ou
por meio de consulta pública dos interessados.
Em suma, o zoneamento busca uma gestão integrada das políticas territoriais, ambientais,
econômicas e sociais em um espaço determinado, vale dizer, objetiva o desenvolvimento
sustentável.
No Brasil, o conceito jurídico de zoneamento vai além do urbanístico, podendo ser utilizado
em diversas situações, como no caso do zoneamento agrícola. É um instrumento da política
nacional do meio ambiente (art. 9º, II, da Lei 6.938/81).

269/347 Unidade 7 • Zoneamento


1. Zoneamento Ambiental É como o zoneamento que se estabelecerá
as áreas específicas para cada tipo de
ocupação e atividade.
Conforme ensinamento de José Afonso
da Silva, o zoneamento urbano é um O zoneamento ambiental pode ser
procedimento que tem por objetivo regular dividido em: a) zoneamento federal; b)
o uso da propriedade do solo e dos edifícios zoneamento estadual; c) zoneamento
em áreas homogêneas no interesse municipal.
coletivo do bem-estar da população. Trata-
se de uma limitação administrativa do
direito de propriedade e de intervenção do
Estado na ordem econômica e social, pois o
solo deve ser ocupado e utilizado com vista
Link
no princípio da função socioambiental artigo “Zoneamento da Amazônia: uma
da propriedade. Não se acolhe, por outro visão crítica”. Disponível em http://
lado, a teoria do fato consumado para www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
manter ocupação antiga, sendo cabível a arttext&pid=S0103-40142002000300013.
Acesso em 03 JUL 2015.
desocupação de área ocupada de forma
irregular.
270/347 Unidade 7 • Zoneamento
1.1. Zoneamento Federal

O zoneamento federal decorre do poder de polícia.


Tem como fundamento constitucional:
- o art. 21, IX:
Compete à União:
[...]
IX - elaborar e executar planos nacionais e regionais de ordenação do território e de
desenvolvimento econômico e social.
- o art. 43:
para efeitos administrativos, a União poderá articular sua ação em um mesmo complexo
geoeconômico e social, visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades
regionais.
§ 1º - Lei complementar disporá sobre:
I - as condições para integração de regiões em desenvolvimento;

271/347 Unidade 7 • Zoneamento


II - a composição dos organismos regionais que executarão, na forma da lei, os planos
regionais, integrantes dos planos nacionais de desenvolvimento econômico e social, aprovados
juntamente com estes.
§ 2º - Os incentivos regionais compreenderão, além de outros, na forma da lei:
I - igualdade de tarifas, fretes, seguros e outros itens de custos e preços de responsabilidade do
Poder Público;
II - juros favorecidos para financiamento de atividades prioritárias;
III - isenções, reduções ou diferimento temporário de tributos federais devidos por pessoas
físicas ou jurídicas;
IV - prioridade para o aproveitamento econômico e social dos rios e das massas de água
represadas ou represáveis nas regiões de baixa renda, sujeitas a secas periódicas.
§ 3º - Nas áreas a que se refere o § 2º, IV, a União incentivará a recuperação de terras áridas
e cooperará com os pequenos e médios proprietários rurais para o estabelecimento, em suas
glebas, de fontes de água e de pequena irrigação.

272/347 Unidade 7 • Zoneamento


- o art. 225, parágrafo 1º, III:
[...]
III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a
serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através
de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem
sua proteção.

1.2. Zoneamento Estadual

O fundamento constitucional para o zoneamento estadual é o art. 25, parágrafo 3º:


Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir regiões metropolitanas,
aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de municípios
limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de
interesse comum.
Também o art. 225, parágrafo 1º, III, da Constituição Federal:
[...]

273/347 Unidade 7 • Zoneamento


III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a
serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através
de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem
sua proteção.

Para saber mais


Ao município não compete concordar ou discordar de sua inclusão em um dos
instrumentos de gestão urbanísticos do art. 25, parágrafo 3º, da CF, competindo-lhe
unicamente a elas se integrarem da forma mais ampla possível.

1.3. Zoneamento Municipal

Com a nova ordem constitucional de 1988, os municípios passaram a ter um papel de destaque
na federação, pois foi-lhes atribuído status de ente político, gozando de autonomia política,
tributária, legislativa, administrativa, fiscal, financeira. No que concerne ao zoneamento,
passou a ter tarefa das mais importantes, tendo em vista que a utilização do solo é, em regra
geral, de interesse local.

274/347 Unidade 7 • Zoneamento


Como instrumento primordial de uso e ocupação do solo dispõe de poderoso e eficaz
instrumento, o plano diretor.
O fundamento constitucional encontra-se no art. 182:
Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal,
conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento
das funções sociais da cidade e garantir o bem- estar de seus habitantes.
§ 1º O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para cidades com mais de
vinte mil habitantes, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão
urbana.
§ 2º A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências
fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor.
§ 3º As desapropriações de imóveis urbanos serão feitas com prévia e justa indenização em
dinheiro.
§ 4º É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área incluída no
plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado,
subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob pena,

275/347 Unidade 7 • Zoneamento


sucessivamente, de:
I - parcelamento ou edificação compulsórios;
II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo;
III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão
previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas
anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais.
Você pode perceber que pelo texto constitucional, no âmbito municipal, existe um instrumento
fundamental de política urbana consistente no plano diretor, o qual é obrigatório para cidades
com mais de 20.000 habitantes.

276/347 Unidade 7 • Zoneamento


Para saber mais
Além da hipótese de obrigatoriedade constitucional do plano diretor (cidades com mais
de 20.000 habitantes), a Lei 10.257/01 (Estatuto da Cidade) impõe sua obrigatoriedade
em outras hipóteses no art. 41 (cidades integrantes de regiões metropolitanas e
aglomerações urbanas; onde o Poder Público municipal pretenda utilizar os instrumentos
previstos no § 4º do art. 182 da Constituição Federal; integrantes de áreas de especial
interesse turístico; inseridas na área de influência de empreendimentos ou atividades
com significativo impacto ambiental de âmbito regional ou nacional; incluídas no
cadastro nacional de Municípios com áreas suscetíveis à ocorrência de deslizamentos de
grande impacto, inundações bruscas ou processos geológicos ou hidrológicos correlatos).

Inclusive na área rural, a atividade municipal é importante, pois são os planos diretores que irão
determinar as áreas voltadas para a agricultura, delimitando a utilização do solo municipal.
É da competência dos Municípios, promover, no que couber, adequado ordenamento
territorial, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo
urbano (art. 30, VIII, da Constituição Federal).

277/347 Unidade 7 • Zoneamento


Também o art. 225, parágrafo 1º, III, da 1.4. Zoneamento Ambiental Ur-
Constituição Federal: bano
[...]
O zoneamento ambiental urbano
III - definir, em todas as unidades da é realizado por meio de diversos
Federação, espaços territoriais e seus instrumentos. Você conhecerá os
componentes a serem especialmente principais.
protegidos, sendo a alteração e a supressão
Zonas de Uso Industrial (ZUI)
permitidas somente através de lei, vedada
qualquer utilização que comprometa a Existem duas formas de criação das zonas
integridade dos atributos que justifiquem industriais: espontânea ou induzida.
sua proteção. As formas espontâneas são as que se
criam por conta da existência de capitais,
Link mercados e capacidade técnica em
certas regiões que atraem a instalação
Zoneamento da cidade de São Paulo. Disponível de indústrias. Por outro lado, as zonas
em http://www.prodam.sp.gov.br/sempla/ industriais induzidas são aquelas cuja
zone.htm. Acesso em 03 JUL de 2015.
localização é determinada pelo Poder

278/347 Unidade 7 • Zoneamento


Público, em função de incentivos fiscais ou existentes, viabilizar alternativa adequada
outros instrumentos aplicados pelo Estado de nova localização, nos casos mais graves,
para atrair investimentos. assim como, em geral, estabelecer prazos
O Decreto-lei n. 1.413/75 foi o primeiro razoáveis para a instalação dos equipamentos
diploma normativo a tratar da questão, de controle da poluição.
ao dispor sobre o controle da poluição do
meio ambiente provocado por atividades
industriais.
Para saber mais
A norma teve efeito retroativo, pois não existe
Art. 1º As indústrias instaladas ou a direito adquirido de poluir. Nesse sentido, TRF 2ª
se instalarem em território nacional Região, AC 200851110002992, Relator Poul Erik
são obrigadas a promover as medidas Dyrlund, 8ª Turma Especializada).
necessárias a prevenir ou corrigir os
inconvenientes e prejuízos da poluição e da
O Decreto-lei n. 1.413/75 foi
contaminação do meio ambiente.
posteriormente revisto pela Lei n.
Art. 4º Nas áreas críticas, será adotado 6.803/90, a qual ratificou e ampliou
esquema de zoneamento urbano, as determinações referentes ao uso e
objetivando, inclusive, para as situações ocupação do solo urbano com finalidade

279/347 Unidade 7 • Zoneamento


industrial, visando o combate da poluição.
Dispões o art. 1º: Nas áreas críticas de poluição a que se refere o art. 4º do Decreto-lei nº 1.413,
de 14 de agosto de 1975, as zonas destinadas à instalação de indústrias serão definidas em
esquema de zoneamento urbano, aprovado por lei, que compatibilize as atividades industriais
com a proteção ambiental.
[...]
§ 3º As indústrias ou grupos de indústrias já existentes, que não resultarem confinadas
nas zonas industriais definidas de acordo com esta Lei, serão submetidas à instalação de
equipamentos especiais de controle e, nos casos mais graves, à relocalização.
Nesse sentido, as indústrias devem funcionar da forma mais eficaz possível no sentido de
conciliar a produção com o menor nível de incômodo a terceiros. Para tanto, o dispositivo
legal prevê a instalação de equipamentos especiais de controle, os quais, se ineficazes, para
preservar a salubridade do ambiente, poderá ser seguida da medida de relocalização da
indústria.
O conceito de áreas críticas de poluição iniciou a fase sistemática de delimitação de espaços
urbanos com a finalidade de proteção do ambiente. Nas áreas destinadas à instalação

280/347 Unidade 7 • Zoneamento


de indústrias, deve ser definido um A escolha das zonas de uso industrial
zoneamento capaz de harmonizar as deverá ser precedida do Estudo Prévio de
atividades industriais com a proteção Impacto Ambiental.
ambiental e a saúde das pessoas. DIREITO ADQUIRIDO DE PRÉ-OCUPAÇÃO E
Conforme art. 5º da Lei 6.803/80: RELOCALIZAÇÃO
As zonas de uso industrial, Pode ocorrer a impossibilidade técnica
independentemente de sua categoria, de manter a indústria no local onde
serão classificadas em: foi instalada, frente à manutenção de
a) não saturadas; níveis mínimos de salubridade, vale
dizer, a indústria se transforma em risco
b) em vias de saturação; para os moradores e frequentadores da
c) saturadas. região, bem como para os seus próprios
trabalhadores. Nessa situação, coloca-
O grau de saturação relaciona-se com a
se questão de saber se a indústria tem o
emissão de poluentes e o tipo de área.
direito adquirido a permanecer no local,
Antes da instalação de qualquer indústria devendo a população se mudar. Esse direito
em zona industrial, é necessária a apuração é o direito de pré-ocupação. Contudo, o
da saturação. Decreto 1.413/75 e a Lei 6.803/80 contêm
281/347 Unidade 7 • Zoneamento
o instituto jurídico do não reconhecimento Aplica-se o princípio de direito humano
ao direito adquirido de pré-ocupação do de que o homem deve ser o centro das
solo, segundo o qual a indústria, mesmo preocupações relacionadas com o meio
que detenha todas a licenças exigíveis, ambiente e não a indústria.
pode ser obrigada a transferir-se do local Havendo dificuldade na relocalização da
onde está instalada para outro local, desde indústria, aplica-se o art. 12, parágrafo
que a convivência entre ela e a comunidade único, da Lei 6.803/80:
seja inconciliável e insuportável por conta
da poluição produzida pela indústria. Art . 12. Os órgãos e entidades gestores
De fato, se depois de instalados os de incentivos governamentais e os bancos
equipamentos de controle de poluição, a oficiais condicionarão a concessão de
indústria continuar a prejudicar a saúde incentivos e financiamentos às indústrias,
humana e causar danos ambientais, deverá inclusive para participação societária, à
ser transferida de local (art. 1º, §3º, da Lei apresentação da licença de que trata esta
6.803/80). Se a indústria não instalar os Lei.
equipamentos de controle de poluição, o Parágrafo único. Os projetos destinados à
Poder Público poderá deixar de renovar a relocalização de indústrias e à redução da
licença ambiental. poluição ambiental, em especial aqueles

282/347 Unidade 7 • Zoneamento


em zonas saturadas, terão condições As zonas de uso estritamente industrial
especiais de financiamento, a serem destinam-se, preferencialmente, à
definidos pelos órgãos competentes. localização de estabelecimentos industriais
Dessa forma, o Poder Público deverá cujos resíduos sólidos, líquidos e gasosos,
colocar à disposição das indústrias linha de ruídos, vibrações, emanações e radiações
financiamento com juros reduzidos para possam causar perigo à saúde, ao bem-
relocalização. estar e à segurança das populações,
mesmo depois da aplicação de métodos
CATEGORIAS DE ZONEAMENTO adequados de controle e tratamento
A legislação definiu as seguintes categorias de efluentes, nos termos da legislação
básicas de zoneamento: vigente.
a. Zona de uso estritamente industrial. § 1º As zonas a que se refere este artigo
b. Zona de uso predominantemente deverão:
industrial. I - situar-se em áreas que apresentem
c. Zona de uso diversificado. elevadas capacidade de assimilação
de efluentes e proteção ambiental,
a) Zona de Uso Estritamente Industrial (ZEI)
respeitadas quaisquer restrições legais ao
Conforme art. 2º da Lei 6.803/80: uso do solo;
283/347 Unidade 7 • Zoneamento
II - localizar-se em áreas que favoreçam a métodos adequados de controle e
a instalação de infra-estrutura e serviços tratamento de efluentes, não causam
básicos necessários ao seu funcionamento incômodos sensíveis às demais atividades
e segurança; urbanas nem perturbam o repouso noturno
III - manter, em seu contorno, anéis verdes das populações.
de isolamento capazes de proteger as São áreas destinadas à instalação de
zonas circunvizinhas contra possíveis indústrias de médio ou grande porte, que
efeitos residuais e acidentes; não causem transtorno aos moradores,
Nas zonas estritamente industriais, é devendo ser instaladas em áreas que
proibido o estabelecimento de toda e tenham capacidade de manter uma
qualquer atividade não essencial às suas infraestrutura adequada e serviços básicos
funções básicas ou capaz de sofrer efeitos necessários ao seu funcionamento e
danosos. segurança. Deverão dispor de área de
proteção ambiental que minimize os
b) Zona de Uso Predominantemente efeitos da poluição em relação ao uso
Industrial (ZUPI). industrial.
São zonas destinadas à instalação de
indústrias cujos processos, submetidos
284/347 Unidade 7 • Zoneamento
c) Zona de Uso Diversificado (ZUD) influências do zoneamento urbano.
São áreas destinadas à localização de A primeira lei a tratar do assunto foi a Lei
indústrias cujo processo produtivo seja 4.504/64 (Estatuto da Terra).
complementar às atividades do meio Segundo essa lei, o Instituto Brasileiro de
ambiente urbano ou rural em que se Reforma Agrária (atual Instituto Nacional
situam, e com eles se harmonizam, de Colonização e Reforma Agrária – INCRA)
independentemente do uso de métodos é competente para a realização de estudos
especiais de controle de poluição, não de zoneamento homogêneo do ponto de
devendo ocasionar inconvenientes à vista socioeconômico e das características
saúde, ao bem-estar e à segurança das da estrutura agrária.
populações vizinhas.
Conforme art. 43 da Lei 4.504/64,
2. Zoneamento agrícola o Instituto Brasileiro de Reforma
Agrária promoverá a realização de
Trata-se de uma transposição, para a área estudos para o zoneamento do país em
rural das disposições concebidas para as regiões homogêneas do ponto de vista
regiões urbanas. O zoneamento rural é socioeconômico e das características da
autônomo e não está mais submetido às estrutura agrária, visando a definir:

285/347 Unidade 7 • Zoneamento


        I - as regiões críticas que estão         § 1° Para a elaboração do zoneamento
exigindo reforma agrária com progressiva e caracterização das áreas prioritárias,
eliminação dos minifúndios e dos serão levados em conta, essencialmente,
latifúndios; os seguintes elementos:
        II - as regiões em estágio mais         a) a posição geográfica das áreas, em
avançado de desenvolvimento social e relação aos centros econômicos de várias
econômico, em que não ocorram tensões ordens, existentes no país;
nas estruturas demográficas e agrárias;         b) o grau de intensidade de ocorrência
        III - as regiões já economicamente de áreas em imóveis rurais acima de mil
ocupadas em que predomine economia hectares e abaixo de cinqüenta hectares;
de subsistência e cujos lavradores e         c) o número médio de hectares por
pecuaristas careçam de assistência pessoa ocupada;
adequada;
        d) as populações rurais, seu incremento
        IV - as regiões ainda em fase de anual e a densidade específica da
ocupação econômica, carentes de população agrícola;
programa de desbravamento, povoamento
e colonização de áreas pioneiras.         e) a relação entre o número de

286/347 Unidade 7 • Zoneamento


proprietários e o número de rendeiros, é uma espécie de espaço territorial
parceiros e assalariados em cada área. especialmente protegido e considerada
Por seu turno, a Lei 8.171/91 dispõe em patrimônio nacional.
seu art. 19: O Zoneamento Costeiro foi regulamentado
O Poder Público deverá: pela Lei 7.661/88 e pelo Decreto Federal
5.300/04, o qual institui o Plano Nacional
[...] de Gerenciamento Costeiro.
III - realizar zoneamentos agroecológicos No gerenciamento costeiro estão
que permitam estabelecer critérios para envolvidos os três níveis da Administração
o disciplinamento e o ordenamento Pública, havendo sobreposição de
da ocupação espacial pelas diversas atribuições administrativas e legislativas.
atividades produtivas, bem como para a
instalação de novas hidrelétricas. A Lei 7.661/88 se subordina à Lei 6.938/81
e visa à racionalização na utilização dos
recursos existentes na Zona Costeira.
3. Zoneamento costeiro
Nesse sentido, esses recursos podem ser
Conforme art. 225, parágrafo 4º, da utilizados, desde que atendidos os critérios
Constituição Federal, a Zona Costeira de racionalidade e sustentabilidade

287/347 Unidade 7 • Zoneamento


ambiental. decisões dos agentes quanto a planos,
programas, projetos e atividades que,
4.Zoneamento ecológico- direta ou indiretamente, utilizem recursos
econômico (zee) naturais.
Nesse sentido, ao serem desenvolvidas
O Zoneamento Ecológico-Econômico atividades, deve-se levar em conta as
encontra fundamento legal no art. 9, características ambientais de cada
II, da Lei 6.938/81, tratando-se de um região, planejando e ordenando o uso
instrumento da Política Nacional do Meio e a ocupação do solo e a utilização dos
Ambiente e é regulamentado pelo Decreto recursos naturais.
n. 4.297/2002, o qual estabelece critérios
para o Zoneamento Ecológico-Econômico O mecanismo é de divisão do território em
do Brasil – ZEE. zonas, de acordo com as necessidades de
proteção, conservação e recuperação dos
Tem como objetivo conhecer a recursos naturais e do desenvolvimento
característica ambiental e econômica sustentável. A instituição de zonas
de cada área, de cada região, por meio será feita pelos critérios da utilidade
de levantamento geológico e estudos e da simplicidade, visando a facilitar
técnicos, para que se possa organizar as a implementação de seus limites e
288/347 Unidade 7 • Zoneamento
restrições pelo Poder Público e também sua O ZEE tem por objetivo geral organizar, de
compreensão pelas pessoas. forma vinculada, as decisões dos agentes
O ZEE traduz a necessidade de que a públicos e privados quanto a planos,
gestão territorial do Brasil incorpore as programas, projetos e atividades que,
exigências ambientais. direta ou indiretamente, utilizem recursos
naturais, assegurando a plena manutenção
O ZEE, instrumento de organização do do capital e dos serviços ambientais
território a ser obrigatoriamente seguido dos ecossistemas (art. 3º do Decreto n.
na implantação de planos, obras e 4.297/2002).
atividades públicas e privadas, estabelece
medidas e padrões de proteção ambiental Conforme art. 4º do Decreto 4.297/2002, o
destinados a assegurar a qualidade processo de elaboração e implementação
ambiental, dos recursos hídricos e do do ZEE:
solo e a conservação da biodiversidade, I - buscará a sustentabilidade
garantindo o desenvolvimento sustentável ecológica, econômica e social, com vistas
e a melhoria das condições de vida a compatibilizar o crescimento econômico
da população (art. 2º do Decreto n. e a proteção dos recursos naturais, em
4.297/2002). favor das presentes e futuras gerações,
em decorrência do reconhecimento de
289/347 Unidade 7 • Zoneamento
valor intrínseco à biodiversidade e a seus 11 a 14 do Decreto 4.297/2002, os quais
componentes; apresentam seus requisitos, tais como a
II - contará com ampla participação definição das zonas, o diagnóstico dos
democrática, compartilhando suas ações recursos naturais e as diretrizes gerais e
e responsabilidades entre os diferentes específicas.
níveis da administração pública e da
sociedade civil;
III - valorizará o conhecimento Link
científico multidisciplinar. Histórico do ZEE. Disponível em <http://
Compete ao Poder Público Federal elaborar www.mma.gov.br/gestao-territorial/
e executar o ZEE nacional e regionais, zoneamento-territorial/item/8186-
quando tiver por objeto biomas brasileiros historico-do-zee>. Acesso em 03 JUL 2015.
ou territórios abrangidos por planos e
projetos prioritários estabelecidos pelo
Governo Federal (art. 3º do Decreto n.
4.297/2002).
Seu conteúdo deverá observar os arts.
290/347 Unidade 7 • Zoneamento
Glossário
Plano Diretor: é o instrumento básico da política de desenvolvimento e expansão urbana.
É por meio dele que as cidades planejam o uso e ocupação do solo, fixando critérios
jurídicos ambientais para sua utilização sustentável.
Recursos: são os bens ambientais utilizados de forma econômica.
Direito adquirido: é o direito definitivamente incorporado no patrimônio jurídico da
pessoa.

291/347 Unidade 7 • Zoneamento


?
Questão
para
reflexão
Na sociedade atual, a indústria representa uma
fonte de crescimento populacional, atraindo
grande quantidade de moradores para a região
onde está instalada, gerando aglomeração urbana
sem planejamento e controle, podendo acarretar
impossibilidade técnica de se conciliar a manutenção
da empresa ante os problemas ambientais. Por outro
lado, se a indústria tiver que se relocalizar, poderá haver
prejuízo para a própria população, principalmente as
mais desfavorecidas, e para a própria arrecadação
municipal, gerando a desindustrialização. Reflita a
respeito.
292/305
Considerações Finais

»» Zoneamento é uma forma de intervenção do Estado no uso e ocupação dos espaços


geográficos e na economia, tendo em vista a utilização racional dos recursos ambientais;
»» O zoneamento ambiental pode ser dividido em: a) zoneamento federal; b) zoneamento
estadual; c) zoneamento municipal;
»» Segundo o instituto jurídico do não reconhecimento ao direito adquirido de pré-
ocupação do solo, a indústria, mesmo que detenha todas a licenças exigíveis, pode
ser obrigada a transferir-se do local onde está instalada para outro local, desde que
a convivência entre ela e a comunidade seja inconciliável e insuportável por conta da
poluição produzida pela indústria;
»» A legislação definiu as seguintes categorias básicas de zoneamento: zoneamento de uso
estritamente industrial, zoneamento de uso predominantemente industrial e zoneamento
de uso diversificado;
»» O zoneamento rural é autônomo e não está mais submetido às influências do
zoneamento urbano;
293/347
Considerações Finais
»» O Zoneamento Costeiro foi regulamentado pela Lei 7.661/88 e pelo Decreto Federal
5.300/04, o qual institui o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro;
»» O ZEE, instrumento de organização do território a ser obrigatoriamente seguido na
implantação de planos, obras e atividades públicas e privadas, estabelece medidas
e padrões de proteção ambiental destinados a assegurar a qualidade ambiental,
dos recursos hídricos e do solo e a conservação da biodiversidade, garantindo o
desenvolvimento sustentável e a melhoria das condições de vida da população.

294/347
Referências

ANTUNES, Paulo de Bessa. Direito ambiental. 14ª ed. São Paulo: Atlas, 2012.
MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro. 17ª ed. rev. atual. e ampl. São
Paulo: Malheiros, 2009.
RODRIGUES, Marcelo Abelha. Direito ambiental esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2013.
SARLET. Ingo Wolfgang. Direito ambiental: introdução, fundamentos e teoria geral. Tiago
Fensterseifer. São Paulo: Saraiva, 2014.
SARLET. Ingo Wolfgang. Direito constitucional ambiental. Constituição, direitos fundamentais e
proteção do ambiente. Tiago Fensterseifer. 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2013.
SILVA, José Afonso. Direito Ambiental Constitucional. 10ª ed. São Paulo: Malheiros, 2013.
SIRVINSKAS, Luís Paulo. Manual de Direito Ambiental. 11ª ed. São Paulo: Saraiva, 2013.
THOMÉ, Romeu. Manual de direito ambiental. 4ª ed. Salvador: Juspodium, 2014.

295/347 Unidade 7 • Zoneamento


Assista a suas aulas

Aula 7 - Tema: Zoneamento – Bloco I  Aula 7 - Tema: Zoneamento – Bloco II


Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/pA-
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ piv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ff8f-
a7cb2929a2a5da37dc4aef9a58f8d996>. 1d9eb1ea1875cdbeb8818bf5dd49>.

296/347
Questão 1
1. Em relação ao zoneamento, assinale a alternativa correta.

a) Não existe o zoneamento federal, mas somente o estadual e o municipal.


b) Zoneamento é uma forma de intervenção do Estado no uso e ocupação dos espaços
geográficos e na economia.
c) No Brasil, o conceito jurídico de zoneamento restringe-se ao urbanístico.
d) Não é possível a realocação de atividades incompatíveis com as diretrizes gerais do
zoneamento ou mesmo sua vedação.
e) O zoneamento busca somente a proteção ambiental

297/347
Questão 2
2. Em relação ao plano diretor, assinale a alternativa correta.

a) O plano diretor somente é exigível para as cidades com mais de 20.000 habitantes.
b) As cidades com menos de 20.000 habitantes não podem instituir o plano diretor.
c) As cidades integrantes de áreas de especial interesse turístico devem obrigatoriamente
instituir o plano diretor.
d) O Municípios incluídos no cadastro nacional de Municípios com áreas suscetíveis à
ocorrência de deslizamentos de grande impacto, inundações bruscas ou processos geológicos
ou hidrológicos correlatos, podem instituir o plano diretor.
e) É obrigatório para as cidades com mais de 30.000 habitantes.

298/347
Questão 3
3. São categorias de zoneamento:

a) Zona de amortecimento, zona de transição e zona rural.


b) Zona de proteção integral, zona de uso sustentável e zona de reserva florestal.
c) Zona de área de preservação permanente, zona de reserva legal e zona de unidade de
conservação.
d) Zona de uso residencial, zona de uso misto e zona de uso ambiental.
e) Zona de uso estritamente industrial, zona de uso predominantemente industrial e zona de
uso diversificado.

299/347
Questão 4
4. O processo de elaboração e implementação do ZEE:

a) I - buscará a sustentabilidade ecológica, econômica e social, com vistas a compatibilizar


o crescimento econômico e a proteção dos recursos naturais, em favor das presentes e futuras
gerações, em decorrência do reconhecimento de valor intrínseco à biodiversidade e a seus
componentes; II - contará com participação apenas dos munícipes em pleno gozo direitos
políticos; e III - valorizará o conhecimento científico multidisciplinar.
b) I - buscará a sustentabilidade ecológica, econômica e social, com vistas a compatibilizar
o crescimento econômico e a proteção dos recursos naturais, em favor das presentes e futuras
gerações, em decorrência do reconhecimento de valor intrínseco à biodiversidade e a seus
componentes; II - contará com ampla participação democrática, compartilhando suas ações e
responsabilidades entre os diferentes níveis da administração pública e da sociedade civil; e III -
valorizará o conhecimento científico multidisciplinar.
c) I - buscará apenas o desenvolvimento econômico, em favor das presentes e futuras
gerações, em decorrência do reconhecimento de valor intrínseco à biodiversidade e a seus
componentes; II - contará com ampla participação democrática, compartilhando suas ações e
responsabilidades entre os diferentes níveis da administração pública e da sociedade civil; e III -
valorizará o conhecimento científico multidisciplinar.
300/347
Questão 4
d) I - buscará a sustentabilidade ecológica, econômica e social, com vistas a compatibilizar
o crescimento econômico e a proteção dos recursos naturais, em favor somente das presentes
gerações, em decorrência do reconhecimento de valor intrínseco à biodiversidade e a seus
componentes; II - contará com ampla participação democrática, compartilhando suas ações e
responsabilidades entre os diferentes níveis da administração pública e da sociedade civil; e III -
valorizará o conhecimento científico multidisciplinar.
e) I - buscará a sustentabilidade ecológica, econômica e social, com vistas a compatibilizar
o crescimento econômico e a proteção dos recursos naturais, em favor das presentes e futuras
gerações, em decorrência do reconhecimento de valor intrínseco à biodiversidade e a seus
componentes; II - contará com ampla participação democrática, compartilhando suas ações e
responsabilidades entre os diferentes níveis da administração pública e da sociedade civil; e III -
valorizará o conhecimento científico ambiental.

301/347
Questão 5
5. Em relação ao direito adquirido de pré-ocupação e relocalização, assi-
nale a alternativa correta.

a) Aplica-se o princípio da preservação da empresa, pois sem empresa não há emprego,


desenvolvimento e crescimento.
b) Aplica-se o direito adquirido de pré-ocupação, não sendo possível a relocalização.
c) Mesmo depois de instalados os equipamentos de controle de poluição, cessando prejuízos
à saúde humana e danos ambientais, a indústria poderá ser transferida de local.
d) Não existe previsão de o Poder Público colocar à disposição das indústrias linha de
financiamento com juros reduzidos para relocalização.
e) Aplica-se o princípio de direito humano de que o homem deve ser o centro das
preocupações relacionadas com o meio ambiente e não a indústria.

302/347
Gabarito
1. Resposta: B. 2. Resposta: C.

Zoneamento é uma forma de intervenção A Lei 10.257/01 (Estatuto da Cidade) impõe


do Estado no uso e ocupação dos espaços a obrigatoriedade do plano direitos nas
geográficos e na economia, tendo em hipóteses do art. 41 (cidades integrantes
vista a utilização racional dos recursos de regiões metropolitanas e aglomerações
ambientais. Tem como objetivo conhecer urbanas; onde o Poder Público municipal
as características ambientais e econômicas pretenda utilizar os instrumentos previstos
de cada área, de cada região, por meio no § 4º do art. 182 da Constituição Federal;
de levantamento geológico e estudos integrantes de áreas de especial interesse
técnicos, para que se possa fundamentar turístico; inseridas na área de influência
as decisões dos agentes quanto aos planos, de empreendimentos ou atividades
programas, projetos e atividades que, com significativo impacto ambiental de
direta ou indiretamente, utilizem recursos âmbito regional ou nacional; incluídas no
naturais. cadastro nacional de Municípios com áreas
suscetíveis à ocorrência de deslizamentos
de grande impacto, inundações bruscas
ou processos geológicos ou hidrológicos

303/347
correlatos).. c) zonas de uso diversificado.

3. Resposta: E. 4. Resposta: B.

Conforme art . 1º da 6.803/80, aas áreas Conforme art. 4º do Decreto 4.297/02, o


críticas de poluição a que se refere o art. 4º processo de elaboração e implementação
do Decreto-lei nº 1.413, de 14 de agosto do ZEE:I - buscará a sustentabilidade
de 1975, as zonas destinadas à instalação ecológica, econômica e social, com vistas
de indústrias serão definidas em esquema a compatibilizar o crescimento econômico
de zoneamento urbano, aprovado por lei, e a proteção dos recursos naturais, em
que compatibilize as atividades industriais favor das presentes e futuras gerações,
com a proteção ambiental. em decorrência do reconhecimento de
valor intrínseco à biodiversidade e a seus
§ 1º As zonas de que trata este artigo serão
componentes; II - contará com ampla
classificadas nas seguintes categorias:
participação democrática, compartilhando
a) zonas de uso estritamente industrial; suas ações e responsabilidades entre os
b) zonas de uso predominantemente diferentes níveis da administração pública
industrial; e da sociedade civil; e III - valorizará o

304/347
conhecimento científico multidisciplinar.

5. Resposta: E.

Aplica-se o princípio de direito humano


de que o homem deve ser o centro das
preocupações relacionadas com o meio
ambiente e não a indústria.

305/347
Unidade 8
Responsabilidades Ambientais

Objetivos

»» Conhecer a tríplice responsabilidade em matéria


ambiental;
»» Entender a responsabilidade civil ambiental;
»» Compreender a tutela penal do meio ambiente.

306/347
Introdução

Conforme visto, a responsabilidade Você trabalhará nessa aula a


ambiental do poluidor, em decorrência responsabilidade ambiental civil e
de um único dano ambiental, pode se dar penal, uma vez que a responsabilidade
nas esferas civil, penal e administrativa, as administrativa foi estudada na Aula 06.
quais possuem objetos diferentes de tutela, A responsabilidade civil ambiental, amiúde
sendo elas autônomas e independentes, é apurada por meio do inquérito civil,
não havendo necessidade da preexistência procedimento preparatório para a Ação
de qualquer uma para a superveniência das Civil Pública, observando-se que não há
demais. É a tríplice responsabilização em obrigatoriedade do IC para a proposição da
matéria ambiental, nos termos do art. 225, ACP.
§3º, da Constituição Federal.
Os crimes ambientais são investigados por
A proteção ambiental é essencialmente meio do inquérito policial e são objeto de
preventiva, em aplicação aos Princípios ação penal.
da Precaução e da Prevenção. Contudo,
sempre há a possibilidade de ocorrer Aqui você percebeu que diferentemente
danos ambientais. Nessa hipótese, surgem da responsabilidade administrativa,
as responsabilidades civis, penais e na qual a sanção pode ser aplicada
administrativas ambientais. independentemente de processo judicial,

307/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais


nas responsabilidades civil e criminal, somente pode haver a imposição coercitiva das
respectivas sanções pode meio de ação judicial. No caso de responsabilidade civil ambiental há
a possibilidade de se firma o Termo de Ajuste de Conduta (TAC).
O termo “responsabilidade” deriva de “responsável”, que tem origem do latim responsus, do
verbo respondere (responder, pagar), que transmite a ideia de reparar, recuperar, compensar, ou
pagar pelo que fez. Trata-se do dever de reparar o prejuízo decorrente da violação de um direito.
Você verá nesta aula os conceitos fundamentais da reponsabilidade civil e penal, assim como
seus requisitos e regime jurídico.

1. Responsabilidade civil ambiental

A reponsabilidade civil ambiental decorre do Princípio da Reparação do Dano.


Considerando que a reponsabilidade civil ambiental é objetiva (art. 14, parágrafo 1º da Lei
6.938/81), vale dizer, independe de culpa, exige-se, para sua configuração, somente três
elementos: a) o dano ambiental; b) o nexo de causalidade entre a conduta (ou fato) do
agente e o dano; c) a conduta/fato.
Você estudará esses três requisitos, iniciando-se pelo dano.
308/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais
Sem danos não há responsabilidade civil.
Entende-se por dano ambiental toda lesão causada por condutas ou atividades de pessoa física
ou jurídica, culposa ou não, ao meio ambiente, de forma direta ou indireta. Em outras palavras,
representa ofensa, prejuízo aos recursos naturais, com consequente degradação do equilíbrio
ecológico e da qualidade de vida.
Pode-se classificar o dano ambiental da seguinte forma:
a) dano ambiental de reparabilidade direta e indireta;
b) dano ambiental patrimonial e extrapatrimonial ou moral;
c) dano ambiental ecológico, ambiental lato sensu e individual ou reflexo;
Expliquemos:
a) dano ambiental de reparabilidade direta: atinge os indivíduos diretamente lesados; o
causador do dano deve indenizar diretamente as pessoas lesadas.
dano ambiental de reparabilidade indireta: tutela-se o interesse da coletividade, os direitos
difusos e coletivos.
b) dano ambiental patrimonial: diz respeito à perda material do bem ambiental.
309/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais
dano ambiental extrapatrimonial ou (meio ambiente natural, cultural, artificial
moral ambiental: é o que ofende valores etc.), os interesses difusos da coletividade.
imateriais, reduzindo o bem-estar do Dano individual ou reflexo: é o dano
indivíduo ou da coletividade ou atingindo o individual, que afeta interesses próprios de
valor intrínseco do bem, com a diminuição pessoas, e somente de forma indireta ou
na qualidade de vida da população, do reflexa protege o meio ambiente. Ex. danos
direito ao meio ambiente ecologicamente à saúde.
equilibrado.
A conduta é praticada pelo poluidor. A
Existe a possibilidade de cumulação de legislação conceitua poluidor a pessoa
indenização por danos patrimoniais e física ou jurídica, de direito público
morais. ou privado, responsável, direta ou
c) dano ambiental ecológico: atinge indiretamente, por atividade causadora de
exclusivamente os ecossistemas, os degradação ambiental (art. 3º, IV, da Lei
próprios bens da natureza, restringindo-se 6.938/81).
ao meio ambiente natural. A sanção civil ao poluidor por danos
Dano ambiental lato sensu: é o que afeta o ambientais está prevista no art. 4, VII, da
meio ambiente em uma concepção ampla Lei 6.938/91: imposição, ao poluidor e ao

310/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais


predador, da obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos causados.
Primeiramente, ao poluidor é imposta a obrigação de recuperar os danos ambientais causados,
na medida do possível, restaurando o bem lesado ao estado anterior. Somente na hipótese de o
dano ser irrecuperável, caberá ao poluidor indenizar os danos causados por meio de pagamento
de um montante em dinheiro, que deverá ser revertido à preservação ambiental. Caso haja
restauração completa e imediata do meio ambiente lesado ao seu estado anterior, não há que
se falar em indenização. Não sendo possível a recuperação total e imediata, e com o intuito de
buscar a completa reparação do dano, caberá também indenização. Havendo possibilidade de
recuperação ambiental parcial, não há impedimento de que o a reparação na forma específica
(in natura) seja cumulado com o ressarcimento em dinheiro.
Você deverá se lembrar de que vigora o Princípio da Reparação Integral do dano ambiental.
Para a configuração da conduta, não importa a intenção do agente, o elemento volitivo, pois
em matéria ambiental, adota-se a responsabilidade objetiva (art. 14, §1º, da Lei 6.938/81). Isso
porque a culpa tornou-se, em muitas situações, insuficiente para a efetivação da reparação do
dano. A teoria objetiva surgiu para facilitar a reparação do dano em matéria ambiental ante a
dificuldade de se provar a culpa do poluidor pelo dano ambiental.
A primeira vez que se utilizou a expressão responsabilidade objetiva em matéria de dano
311/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais
ambiental foi no Decreto 79.347/77 que promulgou a convenção Internacional sobre
Responsabilidade Civil em danos causados por poluição por óleo de 1969. Posteriormente na
Lei 6.453/77 que trata de danos provenientes de atividade nuclear.
Mas foi na Lei 6.938/81 que se estabeleceu de forma decisiva a responsabilidade objetiva a
todos os danos de ordem ambiental, no art, 14, § 1º, nos seguintes termos:
Sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo, é o poluidor obrigado,
independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio
ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade. O Ministério Público da União e dos Estados terá
legitimidade para propor ação de responsabilidade civil e criminal, por danos causados ao meio
ambiente.
Na responsabilidade objetiva, não se perquire sobre elemento subjetivo, vale dizer, não é
relevante se o poluidor agiu com negligencia, imprudência ou imperícia, sendo irrelevante a
análise da vontade expressa de causar dano.
A reponsabilidade objetiva é baseada na ideia de risco da atividade, o qual representa o
fundamento do dever de reparar.
Existem basicamente duas teorias para explicar a responsabilidade objetiva: a) a teoria do risco

312/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais


criado; b) a teoria do risco integral.
a) teoria do risco criado
Emprega a “teoria da causalidade adequada” na qual busca-se a identificação da causa que
gerou o evento danoso. Admitem-se excludentes como a força maior, o caso fortuito e a culpa
de terceiros. Reputa-se como responsável pelo evento danoso o empreendedor que lhe der
causa, em uma relação causal entre a ação/omissão e o dano. Existe possiblidade de escusa no
caso de dano causado por evento externo, imprevisível e irresistível, como um raio ou um abalo
sísmico. Contudo, se a ocorrência de raios for recorrente, a não adoção das medidas para evita-
los não se insere como excludente de responsabilidade, sob alegação de força maior (evento
da natureza). Assim, admitem-se as excludentes de responsabilidade (excludentes do nexo
causal): do fato da vítima, fato de terceiro, caso fortuito e força maior. É posição minoritária na
jurisprudência e na doutrina em matéria ambiental.
b) teoria do risco integral
Emprega a “teoria da equivalência das condições” para explicar o nexo causal. A simples
existência da atividade é equiparada à causa do dano. Não se admite a ocorrência de
excludentes ou atenuantes. O fato de existir o empreendimento é suficiente para imputar-lhe
a responsabilidade, ainda que existam outras atividades poluentes ou que causam degradação
313/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais
ambiental. A licença retira o caráter de ilicitude
Não se admite a culpa da exclusiva da do empreendimento, mas não afasta a
vítima ou de terceiros, força maior ou responsabilidade civil de reparar quando
caso fortuito como excludentes da houver danos.
responsabilidade. Não admite a existência Hoje é posição majoritária a teoria do risco
de excludentes do nexo causal. integral em matéria ambiental.
Existente o nexo entre o dano e a atividade Paulo Affonso Leme Machado adota a
do poluidor, ainda que indireta, já é teoria do risco criado, pois segundo o
existente o dever de indenizar. renomado doutrinador ambiental, é preciso
Essa teoria funda-se na ideia de que o que sejam examinados os casos concretos
poluidor deve assumir todos os riscos para comprovar se os efeitos dos fatos
inerentes à atividade que pratica, sem naturais podiam ser evitados ou impedidos,
exceção. Os valores ambientais são pois esses fatos poderão gerar efeitos
indisponíveis. Assim, mesmo que o polidor que podem afastar a responsabilidade do
possua a licença ambiental, esse fato não devedor.
libera o empreendedor licenciado de seu Contudo, nessa hipótese de caso fortuito
dever de reparar eventual dano ambiental. ou força maior, quem alega deverá produzir

314/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais


a prova de que foi impossível evitar ou impedir os efeitos ocorridos pelo terremoto, raio,
temporal.
Além de objetiva, a responsabilidade civil por dano ao meio ambiente é solidária, ou seja,
todos os responsáveis direitos ou indiretos pelo dano causado ao meio ambiente responderão
pelos danos, podendo a obrigação no todo ser exigida de qualquer dos poluidores. Visa-se a
facilitação e agilização da reparação do dano ambiental. Assim, não é obrigatória a formação
de litisconsórcio, já que a totalidade do objeto pode ser reclamada por qualquer dos credores a
todos, alguns ou um dos devedores solidários, cabendo ação regressiva.
Por exemplo, se várias empresas despejam poluentes em um rio, todos serão solidariamente
responsáveis na reparação do dano ambiental.
Já se decidiu que a responsabilidade por danos ambientais é solidária entre o poluidor direto e o
poluidor indireto, conforme REsp 880160-RJ.
Por fim, o último requisito para a configuração da responsabilidade civil ambiental é o nexo de
causalidade entre o fato/conduta e o dano, vale dizer, a relação de causa e efeito entre o fato/
conduta e o dano.
Excepcionalmente, é possível a responsabilidade civil ambiental sem a prova do nexo de

315/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais


causalidade. Em regra, deve-se comprovar os elementos “dano”, “fato” e “nexo causal” para
que exista a responsabilidade civil. Contudo, em situações especiais, tem-se admitido exceção
à regra com a possibilidade de dispensa de comprovação do elemento “nexo causal”, como no
caso de imóvel rural ambientalmente degradado, no qual havia a obrigação de preservação da
Área de Reserva Legal Florestal a qual é propter rem, ou seja, adere ao título e se transfere ao
futuro proprietário. Assim, nesse caso, irrelevante a não comprovação do nexo de causalidade,
ante a responsabilidade do atual proprietário de recuperar e/ou indenizar o dano ao meio
ambiente.

316/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais


Para saber mais
o STJ já decidiu pela dispensa do nexo causal na reponsabilidade civil ambiental: “não
obstante a comprovação do nexo causalidade ser a regra, em algumas situações
dispensa-se tal necessidade em prol de uma efetiva proteção do bem jurídico tutelado.
É isso que ocorre na esfera ambiental, nos casos em que o adquirente do imóvel é
responsabilizado pelos danos ambientais causados na propriedade, independentemente
de ter sido ele ou o dono anterior o real causador dos estragos. A responsabilidade
por danos ao meio ambiente, além de objetiva, também é solidária. A possibilidade
de responsabilizar o novo adquirente de imóvel já danificado apenas busca dar maior
proteção ao meio ambiente, tendo em vista a extrema dificuldade de precisar qual foi a
conduta poluente e quem foi seu autor (REsp 1.056.540-GO). Tb. STJ, REsp 650.728/SC,
2ª T., Rel. Min. Herman Benjamin, j. 23.10.2007. Art. 2º, parágrafo 2º, do Código Florestal.

317/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais


Reparação do dano ambiental natura, impõe-se a indenização pecuniária.
Trata-se de sanção civil com função
No que concerne à reparação do dano compensatória do dano ambiental. Os
ambiental, existem duas formas: a) valores arrecadados ficam depositados
reparação in natura; e b) indenização, em um fundo denominado “fundo para
nesta ordem. a reconstituição dos bens lesados” e são
Expliquemos. destinados à compensação ecológica (art.
13 da Lei 7.347/85).
a) reparação in natura
A reparação deve se dar nessa ordem.
É a reparação da lesão causada pelo dano
Primeiramente se impõe a reparação
ambiental que consiste no retorno ao
in natura. Não é possível o poluidor
equilíbrio ecológico anterior, no status
diretamente indenizar pelo dano
quo ante. O poluidor deve providenciar as
ambiental. Somente na impossibilidade
medidas reparatórias, como o replantio de
absoluta de reparação in natura é que
árvores, a limpeza de rios etc. A reparação
haverá a reparação pecuniária.
deve ser integral.
Se houver somente reparação in natura
b) indenização
parcial, é possível a cumulação das duas
Com a impossibilidade de reparação in formas de reparação do dano ambiental (in
318/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais
natura e indenização).
Prescrição da reparação pelo dano ambiental
As ações para a reparação do dano ambiental são imprescritíveis. A uma em decorrência da
solidariedade entre as gerações presentes e futuras, em um postulado de ética inter geracional,
pois elas também têm o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e se houvesse
prescrição na reparação civil do dano ambiental ser-lhes-ia negado esse direito. A duas, por se
tratar de direito fundamental, inerente à vida, o qual é imprescritível. Em situação de conflito
entre estabelecer um prazo prescricional em favor do poluidor, a fim de lhe atribuir segurança
jurídica e estabilidade (garantia eminentemente privada) e tutelar de forma mais benéfica e
eficaz bem jurídico de titularidade coletiva, indisponível, fundamental, que antecede todos os
demais direitos (pois sem ele não há vida), o último deve prevalecer.

319/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais


Para saber mais
Conforme julgado do STJ REsp 1120117-AC: É imprescritível por se tratar de direito
inerente à vida, fundamental e essencial à formação dos povos, independentemente de
não estar expresso em texto legal. Em matéria de prescrição cumpre distinguir qual o
bem jurídico tutelado. Se trata de bem jurídico indisponível, fundamental, antecedendo
todos os demais direitos, pois sem ele não há vida, nem saúde, nem trabalho, nem lazer,
considera-se imprescritível o direito à reparação. O direito ambiental inclui-se dentre
os direitos indisponíveis e como tal está dentre os poucos acobertados pelo manto da
imprescritibilidade a ação que visa reparar o dano ambiental.

Responsabilidade do Estado dano causado a terceiros é a regra (Teoria


por danos ambientais do Risco Administrativo). Admite-se a
compatibilização com a responsabilidade
A administração pública tem a obrigação subjetiva, nos casos de danos decorrentes
de compor o dano causado a terceiros por de atos omissivos do Estado, seguindo a
agentes públicos, no desempenho de suas teoria da culpa do serviço.
atribuições ou a pretexto de exercê-las.
Existem duas formas de responsabilidade
A responsabilidade objetiva do Estado por do Estado por danos ambientais:
320/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais
a) dano ambiental provocado por ato teoria do risco administrativo.
comissivo pelo próprio poder público ou A teoria do risco administrativo não
por meio de concessionária de serviço se confunde com a teoria do risco
público; integral. A teoria do risco administrativo
b) dano ambiental decorrente da omissão embora dispense a prova de culpa da
do poder público no exercício do poder administração, permite ao Estado afastar
de polícia. sua responsabilidade nos casos de
Expliquemos. excludentes do nexo causal (fato exclusivo
da vítima, caso fortuito ou de força maior e
a) nos casos de danos decorrentes de atos fato exclusivo de terceiro).
comissivos, em relação à responsabilidade
das pessoas jurídicas de direito público b) no que concerne à responsabilidade do
e das concessionárias prestadoras de poder público pela omissão no exercício
serviços públicos aplica-se o art. 37, §6º, do poder de polícia na fiscalização das
e 255 ambos da Constituição Federal, atividades das pessoas, a responsabilidade
o art. 43 do Código Civil, e o art. 3º, IV, é subjetiva, estando o dever de indenizar
da Lei 6.938/81, ou seja, a hipótese é de condicionado à comprovação, além do
responsabilidade objetiva. Aplica-se a dano, do fato e do nexo causal, da culpa
(lato sensu – imperícia, imprudência ou
321/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais
negligência). Admite-se a aplicação da culpa anônima ou culpa do serviço, a qual se contenta
com a comprovação de que o serviço não foi prestado ou foi prestado de forma ineficiente.
Deve haver comprovação de dolo ou culpa do poder público em situação em que se omitiu,
quando deveria ter agido, conforme estabelece a lei. Esse é o entendimento do STJ (REsp
647493/SC).
O poder público poderá ser corresponsável por degradação ambiental em razão de conduta
omissiva quanto ao seu dever de fiscalização ambiental, quando deveria ter agido e ficou inerte
(omissão ilícita). Caso a não atuação estatal acarrete dano, será o Poder Público legitimado
passivo pela degradação ambiental.

322/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais


Para saber mais
Segundo o STJ: “ordinariamente, a responsabilidade civil do Estado, por omissão,
é subjetiva ou por culpa, regime comum ou geral esse que, assentado no art. 37
da Constituição Federal”. Contudo, existem duas exceções: “primeiro, quando a
responsabilização objetiva do ente público decorrer de expressa previsão legal, em
microssistema especial, como na proteção do meio ambiente (Lei 6.938/81, art. 3º, IV,
c/c art.14, §1º); segundo, quando as circunstâncias indicarem a presença de um standard
ou dever de ação estatal mais rigoroso do que aquele que jorra, consoante a construção
doutrinária e jurisprudencial, do texto constitucional...o dever-poder de controle e
fiscalização ambiental (=dever-poder de implementação), além de inerente ao exercício
do poder de polícia do Estado, provém diretamente do marco constitucional de garantia
dos processos ecológicos essenciais, (em especial os arts. 225, 23, VI e VII, e 160, VI) e da
legislação, sobretudo da Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938/1981, arts.
2º, I, e V, e 6º) e da Lei 9.605/1998 (Lei dos Crimes e Ilícitos Administrativos contra o Meio
Ambiente)” (REsp 1074711-SP, p. 16.12.2010, Min. Hermann Bejamin).

323/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais


No caso de omissão de dever de controle e personalidade jurídica (art. 50 do Código
fiscalização, a responsabilidade ambiental Civil).
solidária da administração é de execução
subsidiária (ou com ordem de preferência). 2. Responsabilidade Penal
A responsabilidade solidária e de execução Ambiental
subsidiária significa que o Estado integra
o título executivo sob a condição de, como A responsabilidade penal ambiental tem
devedor-reserva, só ser convocado a quitar fundamento constitucional no art. 225,
a dívida se o degradador original, direto §3º e fundamento infraconstitucional a
ou material (devedor principal), não o Lei 9.605/98, a qual disciplina as sanções
fizer, seja por total ou parcial exaurimento penais e administrativas ambientais
patrimonial ou insolvência, seja por aplicáveis às pessoas físicas e jurídicas.
impossibilidade ou incapacidade, como Até a entrada em vigor da Lei 9.605/98,
por exemplo incapacidade técnica, de a responsabilidade penal por crimes
cumprimento da prestação judicialmente ambientais era prevista em legislações
imposta, assegurado, sempre, o direito de esparsas e específicas.
regresso (art. 934 do Código Civil), com
a possibilidade de desconsideração da O sujeito ativo é qualquer pessoa física ou
jurídica.
324/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais
O sujeito passivo pode ser direto ou indireto: a) indireto: União, Estados, Municípios ou Distrito
Federal. b) direto: a coletividade.
Trata-se de tipos de perigo abstrato.

2.1. Penas das pessoas físicas

As sanções penais ambientais relativas à pessoa física podem ser: a) privativa de liberdade; b)
multa; c) restritiva de direitos.
a) privativa de liberdade
São aplicadas dentro dos limites cominados nos respectivos tipos penais dos arts. 29 ao 69-A
da Lei 9.605/98.
As penas privativas de liberdade podem ser de detenção ou reclusão.
b) multa
O valor da multa é calculado conforme regras do Código Penal (art. 17 da Lei 9.605/98 e 49,
caput, e §1º, do Código Penal).
Nos termos do art. 18 da Lei 9.605/98, a multa será calculada segundo os critérios do Código
325/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais
Penal; se revelar-se ineficaz, ainda que aplicada no valor máximo, poderá ser aumentada até
três vezes, tendo em vista o valor da vantagem econômica auferida.
c) restritivas de direito
Dispõe o art. 7º da Lei 9.605/98 que as penas restritivas de direitos são autônomas e
substituem as privativas de liberdade quando:
I - tratar-se de crime culposo ou for aplicada a pena privativa de liberdade inferior a quatro
anos;
II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado,
bem como os motivos e as circunstâncias do crime indicarem que a substituição seja suficiente
para efeitos de reprovação e prevenção do crime.
Parágrafo único. As penas restritivas de direitos a que se refere este artigo terão a mesma
duração da pena privativa de liberdade substituída.
A Lei 9.605/98, ao contrário do Código Penal, não exige para a substituição das penas que o
acusado não seja reincidente em crime doloso ou que o crime seja cometido sem violência ou
grave ameaça.
Conforme art. 8º da Lei 9.605/98, as penas restritivas de direito são:
326/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais
I - prestação de serviços à comunidade; condenado contratar com o Poder Público,
II - interdição temporária de direitos; de receber incentivos fiscais ou quaisquer
outros benefícios, bem como de participar
III - suspensão parcial ou total de de licitações, pelo prazo de cinco anos, no
atividades; caso de crimes dolosos, e de três anos, no
IV - prestação pecuniária; de crimes culposos.
V - recolhimento domiciliar. A suspensão de atividades será aplicada
quando estas não estiverem obedecendo
O art. 9º da Lei 9.605/98 dispõe que a
às prescrições legais (art. 11 da Lei
prestação de serviços à comunidade
9.605/98).
consiste na atribuição ao condenado de
tarefas gratuitas junto a parques e jardins A prestação pecuniária consiste no
públicos e unidades de conservação, e, no pagamento em dinheiro à vítima ou à
caso de dano da coisa particular, pública ou entidade pública ou privada com fim
tombada, na restauração desta, se possível. social, de importância, fixada pelo juiz,
não inferior a um salário mínimo nem
Por seu turno, o art. 10 da Lei 9.605/98
superior a trezentos e sessenta salários
prescreve que as penas de interdição
mínimos. O valor pago será deduzido do
temporária de direito são a proibição de o
montante de eventual reparação civil a
327/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais
que for condenado o infrator (art. 12 da Lei a possibilidade de se responsabilizar
9.605/98). criminalmente a pessoa jurídica.
O recolhimento domiciliar baseia-se na Em 1988, a Constituição Federal trouxe
autodisciplina e senso de responsabilidade expressamente a possibilidade de
do condenado, que deverá, sem vigilância, responsabilização penal das pessoas
trabalhar, frequentar curso ou exercer jurídicas nos crimes ambientais no art.
atividade autorizada, permanecendo 225, §3º. No mesmo sentido, o art. 3º
recolhido nos dias e horários de folga em da Lei 9.605/98. Pese embora precisões
residência ou em qualquer local destinado constitucionais e legais expressas, muitos
a sua moradia habitual, conforme ainda sustentam a impossibilidade dessa
estabelecido na sentença condenatória responsabilização.
(art. 13 da Lei 9.605/98). No que tange aos dispositivos legais
atinentes à matéria, as pessoas jurídicas
2.2. Responsabilidade penal da serão responsabilizadas penalmente, nos
pessoa jurídica casos em que a infração seja cometida
por decisão de seu representante legal ou
Por muito tempo, houve na doutrina e
contratual, ou de seu órgão colegiado, no
na jurisprudência, muita polêmica sobre
interesse ou benefício da sua entidade (art.
328/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais
3º, caput, da Lei 9.605/98).
A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas, autoras, coautoras ou
partícipes do mesmo fato (art. 3º, parágrafo único, da Lei 9.605/98).

Para saber mais


o STJ firmou entendimento de que a pessoa jurídica pode ser responsabilizada em crimes
ambientais. REsp 889.528-SC, Min. Felix Fischer, 2007: “Admite-se a responsabilidade
penal da pessoa jurídica em crimes ambientais desde que haja a imputação simultânea
do ente moral e da pessoa física que atua em seu nome ou em seu benefício, uma vez que
´não se pode compreender a responsabilização do ente moral dissociada da atuação de
uma pessoa física, que age com elemento subjetivo próprio´”.

2.2.1 penas das pessoas jurídicas

Nos termos do art. 21 da Lei 9.605/98, as penas aplicáveis isoladas, cumulativa ou


alternativamente às pessoas jurídicas, de acordo com o disposto no art. 3º, são:
I - multa;
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II - restritivas de direitos;
III - prestação de serviços à comunidade.
Assim, a pena privativa de liberdade é a única não cabível à pessoa jurídica, por ser com ela
incompatível.
No que concerne à pena de multa da pessoa jurídica, ela deve ser calculada de acordo com as
regras do Código Penal, pois a Lei 9.605/98 não estabelece regra específica para o cálculo da
sanção pecuniária aplicada à pessoa jurídica.
Em relação à pena restritiva de direitos aplicáveis à pessoa jurídica, estão elas elencadas no art.
22 da Lei 9.605/98:
I - suspensão parcial ou total de atividades;
II - interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade;
III - proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter subsídios, subvenções ou
doações.
§ 1º A suspensão de atividades será aplicada quando estas não estiverem obedecendo às
disposições legais ou regulamentares, relativas à proteção do meio ambiente.

330/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais


§ 2º A interdição será aplicada quando o ambientais;
estabelecimento, obra ou atividade estiver II - execução de obras de recuperação de
funcionando sem a devida autorização, áreas degradadas;
ou em desacordo com a concedida, ou
com violação de disposição legal ou III - manutenção de espaços públicos;
regulamentar. IV - contribuições a entidades ambientais
§ 3º A proibição de contratar com o Poder ou culturais públicas.
Público e dele obter subsídios, subvenções
ou doações não poderá exceder o prazo de
dez anos.
Prestação de serviços à comunidade
Link
“STF reconhece a responsabilidade penal isolada
da pessoa jurídica em crimes ambientais”
Conforme art. 23 da Lei 9.605/98, a http://www.azevedosette.com.br/
prestação de serviços à comunidade pela sustentabilidade-ambiental/artigos/
pessoa jurídica consistirá em: exibir/5662. Acesso em 26 JUL. 2015.

I - custeio de programas e de projetos

331/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais


3. Liquidação forçada da pessoa utilização da pessoa jurídica para de
jurídica forma preponderante, mas sim apenas de
forma pontual ou casual, cometer crime
Ante a gravidade do cometimento ambiental, não será possível sua liquidação
de crimes contra o meio ambiente, forçada.
a Lei 9.605/98 prevê a possibilidade
de liquidação forçada da pessoa
jurídica da seguinte forma: a pessoa
jurídica constituída ou utilizada,
Link
Fundo Penitenciário Nacional.
preponderantemente, com o fim de
permitir, facilitar ou ocultar a prática de http://www.ambito-juridico.com.br/si-
crime definido nesta Lei terá decretada te/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_
sua liquidação forçada, seu patrimônio id=9100&revista_caderno=5. Acesso em 26
será considerado instrumento do crime JUL. 2015.
e como tal perdido em favor do Fundo
2.3. Dos crimes ambientais em
Penitenciário Nacional (art. 24 da Lei
espécie
9.605/98).
Assim se não houver constituição ou A Lei 9.605/98 traz os tipos penais
332/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais
ambientais e respetivas sanções da é a proteção do meio ambiente ou sua
seguinte forma: recuperação, quando já degradado, e não
- Crimes contra a fauna (arts. 29 a 37); propriamente a punição. Por isso, mesmo
os dispositivos penais estão relacionados
- Crimes contra a flora (arts. 38 a 53); à reparação do dano ambiental. De fato,
- Crimes de poluição (arts. 54 a 61); acompanhe esses exemplos:
- Crimes contra o ordenamento urbano e o - A reparação espontânea constitui
patrimônio cultural (arts. 62 a 65); atenuante da pena (art. 14, II, da Lei
9.605/98).
- Crimes contra a administração ambiental
(arts. 66 a 69-A). - Para a concessão do sursis especial (art.
78, §2º, do Código Penal) é necessário
2.4. Reparação do dano am- que tenha havido a reparação do dano
biental na responsabilidade ambiental, comprovada por laudo pericial
penal (art. 17 da Lei 9.605/98).
- Na sentença pena condenatória, o juiz
O principal objetivo da legislação pode fixar valor de indenização para
ambiental, inclusive da Lei 9.605/98, reparação do dano ambiental (art. 20 da

333/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais


Lei 9.605/98).
- No caso de suspensão condicional do processo (art. 28 da Lei 9.605/98), a declaração de
extinção da punibilidade depende da comprovação da reparação do dano, constatada por meio
de laudo pericial. Não havendo reparação, o processo suspenso é retomado até a sentença,
salvo se a reparação não foi realizada por ser impossível e comprovado que o acusado tomou
todas as providências necessárias à reparação integral do dano (art. 28, V, da Lei 9.605/98).

Link
Crimes Ambientais Corporativos no Brasil. http://www.greenpeace.org.br/toxicos/
pdf/corporate_crimes_port.pdf. Acesso em 26 JUL. 2015.

334/347 Unidade 8 • Responsabilidades Ambientais


Glossário
Sursis: suspensão condicional da execução da pena imposta ao agente.
Crimes de perigo abstrato: são crimes que não demandam a efetiva lesão de um bem
jurídico ou risco real e concreto. Os tipos penais desta categoria apenas descrevem uma
conduta, descrever um resultado específico.
Responsabilidade subjetiva: é aquele exige o elemento culpa (negligencia, imprudência
ou imperícia).
Termo de Ajustamento de Conduta: é o termo que consiste no compromisso de
ajustamento da conduta do poluidor às exigências legais, mediante cominações, que terá
eficácia de título executivo extrajudicial (art. 5º, parágrafo 6º da Lei 7.347/85).

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?
Questão
para
reflexão

Em que pese a responsabilidade penal da pessoa


jurídica estar prevista de forma expressa na
Constituição Federal (art. 225, parágrafo, 3º), bem
como na Lei 9.605/98 (art. 3º), ainda hoje existe forte
doutrina defendendo sua impossibilidade. Reflita a
respeito.

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Considerações Finais

»» A reponsabilidade civil ambiental é objetiva (art. 14, parágrafo 1º


da Lei 6.938/81), vale dizer, independe de culpa, exige-se, para sua
configuração, somente três elementos: a) o dano ambiental; e b) o
nexo de causalidade entre a conduta (ou fato) do agente e o dano; c) a
conduta/fato;
»» Existem duas teorias para explicar a responsabilidade objetiva: a) a
teoria do risco criado; b) a teoria do risco integral;
»» No que concerne à reparação do dano ambiental, existem duas formas:
a) reparação in natura; e b) indenização, nesta ordem;
»» A responsabilidade penal ambiental tem fundamento constitucional no
art. 225, §3º e fundamento infraconstitucional a Lei 9.605/98, a qual
disciplina as sanções penais e administrativas ambientais aplicáveis às
pessoas físicas e jurídicas.

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Referências

ANTUNES, Paulo de Bessa. Direito ambiental. 14ª ed. São Paulo: Atlas, 2012.
MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro. 17ª ed. rev. atual. e ampl. São
Paulo: Malheiros, 2009.
RODRIGUES, Marcelo Abelha. Direito ambiental esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2013.
SARLET. Ingo Wolfgang. Direito ambiental: introdução, fundamentos e teoria geral. Tiago
Fensterseifer. São Paulo: Saraiva, 2014.
SARLET. Ingo Wolfgang. Direito constitucional ambiental. Constituição, direitos fundamentais e
proteção do ambiente. Tiago Fensterseifer. 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2013.
SILVA, José Afonso. Direito Ambiental Constitucional. 10ª ed. São Paulo: Malheiros, 2013.
THOMÉ, Romeu. Manual de direito ambiental. 4ª ed. Salvador: Juspodium, 2014.

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Questão 1
1. Quanto à reponsabilidade civil ambiental, assinale a alternativa correta.

a) É subjetiva.
b) São requisitos: conduta/fato; nexo de causalidade entre a conduta/fato e dano; dano.
c) É necessária a prova de negligência, imprudência ou imperícia.
d) Vigora sempre a teoria do risco criado.
e) Na Teoria do Risco integral, admitem-se excludentes.

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Questão 2
2. No que concerne à reparação do dano ambiental, assinale a alternativa
correta.
a) A reparação é sempre in natura.
b) A reparação será sempre na forma de indenização.
c) A reparação poder ser in natura ou na forma de indenização, em qualquer ordem.
d) A reparação poder ser in natura ou na forma de indenização, nesta ordem.
e) Nunca poderá haver a cumulação da reparação in natura e indenização.

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Questão 3
3. No que tange à prescrição da reparação pelo dano ambiental, assinale
a alternativa correta.

a) O prazo prescricional é de 1 ano.


b) O prazo prescricional é de 3 anos.
c) O prazo prescricional é de 5 anos.
d) O prazo prescricional é de 10 anos.
e) As ações para a reparação do dano ambiental são imprescritíveis.

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Questão 4
4. As penas restritivas de direito da pessoa física são:
a) execução de obras de recuperação de áreas degradadas; interdição temporária de direitos;
suspensão parcial ou total de atividades; prestação pecuniária; recolhimento domiciliar.
b) prestação de serviços à comunidade; manutenção de espaços públicos; suspensão parcial
ou total de atividades; prestação pecuniária; recolhimento domiciliar.
c) prestação de serviços à comunidade; interdição temporária de direitos; proibição de
contratar com o poder público; prestação pecuniária; recolhimento domiciliar.
d) prestação de serviços à comunidade; interdição temporária de direitos; suspensão parcial
ou total de atividades; prestação pecuniária; custeio de programas e projetos ambientais.
e) prestação de serviços à comunidade; interdição temporária de direitos; suspensão parcial
ou total de atividades; prestação pecuniária; recolhimento domiciliar.

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Questão 5
5. Em relação à responsabilidade penal ambiental, assinale a alternativa
correta.
a) as penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade.
b) Não é possível a liquidação forçada da pessoa jurídica.
c) Não é possível a responsabilização penal da pessoa jurídica.
d) Os crimes são imprescritíveis.
e) A pena restritiva de direitos não permite a prestação pecuniária.

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Gabarito
1. Resposta: B. 3. Resposta: E.

A reponsabilidade civil ambiental é objetiva As ações para a reparação do dano


(art. 14, parágrafo 1º da Lei 6.938/81), ambiental são imprescritíveis. A uma
vale dizer, independe de culpa, exige- em decorrência da solidariedade entre
se, para sua configuração, somente três as gerações presentes e futuras, em
elementos: a) o dano ambiental; e b) o nexo um postulado de ética intergeracional,
de causalidade entre a conduta (ou fato) do pois elas também têm o direito ao meio
agente e o dano; c) a conduta/fato. ambiente ecologicamente equilibrado e
se houvesse prescrição na reparação civil
2. Resposta: D. do dano ambiental ser-lhes-ia negado
esse direito. A duas, por se tratar de direito
No que concerne à reparação do dano fundamental, inerente à vida, o qual é
ambiental, existem duas formas: a) imprescritível. Em situação de conflito
reparação in natura; e b) indenização, entre estabelecer um prazo prescricional
nesta ordem. em favor do poluidor, a fim de lhe atribuir
segurança jurídica e estabilidade (garantia
eminentemente privada) e tutelar de

345/347
Gabarito
forma mais benéfica e eficaz bem jurídico 5. Resposta: A.
de titularidade coletiva, indisponível,
fundamental, que antecede todos os Conforme art. 7º da Lei 9.605/98, as penas
demais direitos (pois sem ele não há vida), restritivas de direitos são autônomas e
o último deve prevalecer. substituem as privativas de liberdade

4. Resposta: E.
Conforme art. 8º da Lei 9.605/98, as penas
restritivas de direito são:
I - prestação de serviços à comunidade;
II - interdição temporária de direitos;
III - suspensão parcial ou total de
atividades;
IV - prestação pecuniária;
V - recolhimento domiciliar.

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