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CAPÍTULO VI

BASES TEÓRICAS

"O homem deseja


conhecer as fontes de
suas experiências,
saber de onde vêm,
saber como surgem,
não apenas por
curiosidade
intelectual, mas
também porque essa
atribuição lhe permite
compreender melhor
o seu mundo e
predizer os
acontecimentos
referentes a ele e aos
outros".
(HEIDER, 1970, p. 169)

Pressupostos

o s seres humanos tendem conscientemente a buscar explicação.


Essa busca indica que o armazenamento dos dados da experiência
tem relação direta com racionalização, organização, coerência,
significação pessoal e chaves de acesso.
Quando não se alcança um significado ou organização, o indivíduo
sente um estado de tensão psicológica que o motiva a tentar reduzir esse
estado interno e a obter, ainda que empiricamente, uma combinação próxima
ao "ideal" entre cognições e afetos. Uma das maneiras de se alcançar essa
redução de tensão é buscar ativamente uma organização dos pensamentos
ou um significado afetivo que explique as experiências pessoais.
Dois aspectos interligados da psicologia heideriana têm explicado
razoavelmente esse tópico: o equilíbrio cognitivo e a atribuição de
causalidade.
Ao estudar as afirmações das pessoas com relação a outras
pessoas ou a objetos, Heider (1946 e 1970) pôde supor que existe a
necessidade de simplificar percepções e reconheceu as cognições que estão
envolvidas. Uma das formas de realizar a simplificação é ir para um estado
em que cognições e afetos existam sem tensão. Essa força pode ser um
impulso interno que Heider denominou equilíbrio cognitivo. Uma das
cognições (a que envolve a explicação), Heider denominou de atribuição de
causalidade. (HILGARD & ATKINSON, 1979; HARVEY , ICKES e KIDD,
1978).
Os fatores básicos que Heider utilizou para explicar a percepção
ingênua são a formação da unidade, conceito derivado da Gestalt, e o
sentimento. Assim, entidades separadas abrangem uma unidade quando são
percebidas como ligadas entre si. O conceito de equilíbrio designa, então,
uma situação em que as unidades percebidas e os sentimentos
experimentados ajustam-se harmonicamente ou sem tensão (HEIDER,
1970).
Quando presente, a tensão exerce pressão para a mudança, seja
na organização cognitiva, seja no sentimento. O estado equilibrado é, então,
harmonioso e quando se estuda a atribuição, leva-se em consideração a
estabilidade dos objetos e das pessoas :

"... Gostamos da coerência entre aquilo em que


acreditamos e a maneira pela qual nós (e outros) nos
comportamos". (ATKINSON & HILGARD, 1978, p. 588
que cita HEIDER, 1946).

“...As propriedades disposicionais são as invariâncias


de um mundo estável... permitem formar uma idéia
ordenada e consistente do conjunto de estímulos com
que entramos em contato em nosso processo de
interação com o ambiente. (RODRIGUES, 1979, p.
147).

É óbvio, segundo Heider, que pode haver uma tendência para


abandonar o equilíbrio cômodo ou mesmo o tédio das relações
extremamente equilibradas. As situações equilibradas podem ter uma
evidência aborrecida e um caráter de superficialidade; a tensão provocada
por situações desequilibradas, de outro lado, freqüentemente exerce um
efeito agradável em nossas cognições e em nossos sentimentos estéticos. A
simples ida a um parque de diversões, a busca de aventura ou a necessidade
de histórias misteriosas ou intrigantes revelam momentos em que o homem
procura novas experiências psíquicas1.

1
Os motivos cognitivos tais como o pensar, o simbolizar e o ato de solucionar questões ou
problemas podem ser considerados de aspectos intrinsicamente estimulantes.Não é por
acaso que, às vezes, sentimos atração por palavras cruzadas, quebra-cabeças ou charadas.
A perplexidade diante de quadros abstratos e o gasto razoável de tempo em frente a eles
também são fatores que indicam a necessidade de equilíbrio dos fatos que estão dentro da
percepção. Talvez não estejamos percebendo o caráter intrigante da obra revelado pelo
cognitivo.
Atribuição

Talvez Heider tenha sido o primeiro psicólogo a estudar de forma


sistemática de que modo as pessoas percebem as causas, não apenas de
seu próprio comportamento, mas também dos demais. Existe uma
interligação entre percepção e atribuição causal: o modo como a pessoa
interpreta as causas do comportamento e, em geral, dos eventos à sua volta,
influencia o modo como essa pessoa reagirá a si própria e às outras pessoas.
As estratégias e táticas de influências, bem como os sentimentos em relação
a elas estarão ligados à interpretação que a pessoa fez.

“...os homens geralmente não se contentam em


registrar os aspectos observáveis que os cercam ;
precisam ligá-los, na medida do possível, às
invariabilidades de seu ambiente. “ (HEIDER, 1970, p.
98).

O suposto básico de Heider é que, como as pessoas têm


necessidade de dar sentido a suas experiências, elas tentam determinar as
razões pelas quais as outras pessoas ou elas mesmas se comportam desta
ou daquela maneira. Ao fazerem essa tentativa, as pessoas costumam
atribuir a causa de um determinado evento ou comportamento a alguma
característica estável do indivíduo agente (causalidade pessoal), do ambiente
ou parte dele (causalidade impessoal), ou ainda a uma combinação desses
dois fatores.
Essa tentativa de encontrar as causas dos eventos, fenômenos ou
comportamentos das pessoas foi apresentada como a teoria de atribuição de
causalidade ou simplesmente como teoria da atribuição. (HEIDER, 1946).
As atribuições são uma ampla atividade racional com o objetivo de
se compreender as pessoas e/ou ambiente, na qual o observador reúne duas
ou mais informações e faz uma estimativa da causa (fonte) de um
determinado evento ou comportamento. A análise é particularizada em
causas do agente (pessoais) e causas das circunstâncias à sua volta
(ambientais).
Ao fazerem alguma atribuição, as pessoas estarão atingindo um
grau de estimativa da origem do comportamento, ao mesmo tempo que
escolherão os fatores mais prováveis que justifiquem o evento. Esses fatores,
obviamente, poderão ser de natureza emocional ou afetiva.
Fatores pessoais são encontrados nos termos "intenções",
"motivos", "disposições internas", "desejos" ou demais características que
estejam centradas no indivíduo, tais como ter habilidade, tentar, poder ou
esforçar-se. O outro polo da atribuição é visto como todas as variáveis
externas ao indivíduo: ambiente, contexto, sorte, azar, destino, herança
genética, permissão dificuldade/facilidade da tarefa. O conceito de “ser
capaz”2 é uma interseção do dois polos, enquanto reúne características do
agente pessoal e do ambiente.
Estes fatores causais foram considerados como propriedades
disposicionais dos objetos ou das pessoas, e revelam a necessidade de se
reduzir a variabilidade dos efeitos produzidos. (HEIDER, 1970; HARVEY ,
ICKES e KIDD, 1978).
A Teoria da Atribuição refere-se primeiramente às causas de um
efeito já obtido; refere-se secundariamente às características do agente de
um efeito já obtido; refere-se em terceiro lugar aos efeitos esperados de uma
causa. Em último lugar, refere-se a uma boa forma entre efeito/causa e
causa/efeito. É aqui que a atribuição se torna um caso particular de equilíbrio.
(HEIDER, 1970).
Leite (1973) chama a atenção para a fecundidade da teoria da
Atribuição para se entender a motivação humana, que passa pela cognição.
Para isso contribui de modo único, a distinção que Heider estabelece entre
causalidade pessoal e causalidade impessoal. É, com efeito, em função de
uma ou outra atribuição que se entendem as motivações e as ações
humanas. Alguns termos usados por Heider são :
I. Causalidade pessoal inclui intenção, eqüifinalidade e
causalidade local. Intenção não é simples desejo de produzir um efeito, mas
tentar produzi-lo.
II. Eqüifinalidade indica a obtenção do mesmo efeito com ações
adaptadas à variação das circunstâncias.
III.Causalidade local significa o reconhecimento de que a origem
de uma ação e de um efeito se encontra na pessoa, como condição
necessária e suficiente.
IV.Causalidade impessoal, de forma complementar, inclui ausência
de intenção, multifinalidade e causalidade global (inespecífica).
Se quisermos, então, aproximar-nos de uma abordagem mais
clara, a partir da linguagem comum, teremos que esclarecer os conceitos que
estão subjacentes à fala dos candidatos à rinoplastia estética. Poderemos
usar as três causalidades que seguem:
1) Pessoal - A pessoa é vista como centro da ação a ser explicada.
Na psicologia ingênua, o comportamento também pode ser entendido como
resultado dos desejos, preferências, sentimentos ou crenças do indivíduo.
Nessa primeira hipótese de motivação incluem-se todos os candidatos que
atribuem a si mesmos a origem do desejo por rinoplastia e/ou negam que
outra pessoa ou o ambiente externo estejam impulsionando seus desejos.
Na explicação da origem de querer um nariz diferente, os
candidatos atribuem ou localizam forças internas ou pessoais no tempo e no
espaço. O desejo de querer sentir-se mais belo ou diminuir a feiúra pode ser
classificado como causalidade pessoal. Este é o centro de referência da
explicação, na medida em que excluímos fontes externas a ele: o candidato
2
Tradução de Dante Moreira Leite do verbo can .
acredita que sua procura é pessoal ou intencional, tem um objetivo y que é
desejado pela pessoa e esta acredita que, se passar pelo procedimento
cirúrgico x (rinoplastia), poderá atingir seu objetivo y . O candidato será
capaz de dizer que já tentou diversas soluções para suportar ou lidar com o
seu nariz atual, o que permitirá observar o seu esforço pessoal (grau de
intenção) de mudança nasal.
Podemos também considerar nessa categoria aqueles candidatos
que atribuem seus desejos a uma parte do corpo ou da personalidade.
Apesar de esses candidatos discriminarem o "eu" do corpo/personalidade,
devemos incluí-los como atribuição pessoal, pois, qualquer pedido ou
tentativa de alteração estética passa pelo crivo da pessoa. Sabemos que
nem todas a pessoas que estão insatisfeitas com a aparência procurarão por
plástica. Assim, aquela parte do corpo que "pede" ou "obriga" o candidato a
procurar mais beleza ou harmonia ou que é considerada como necessitando
de cirurgia plástica deverá ser classificada nessa categoria.
A eqüifinalidade é um conceito que ilustra claramente a intenção
do sujeito para conseguir atingir seu objetivo. As diversas tentativas de
alteração nasal que os candidatos relatam e que resultaram em fracasso ou
que causaram apenas uma mudança temporária (cosmética) são um
indicativo forte de atribuição pessoal. O candidato demonstra qual é o seu
alvo e quais as estratégias envolvidas para atingi-lo, chegando à
possibilidade cirúrgica. Candidatos que relatam que fariam várias rinoplastias,
caso o nariz não fique com o formato desejado, também revelam grande
motivação pessoal, pois o objetivo é fazer com que o nariz fique bem próximo
do formato idealizado;
2) Ambiental, impessoal ou motivada por terceiros - Nessa
categoria podemos incluir os candidatos que não revelaram uma intenção
pessoal ou um esforço para a procura por plástica; algo ou algum evento
externo aconteceu que os fez considerar a possibilidade de procura por
cirurgia plástica. Nossa certeza desta distinção poderá ser aumentada, caso
o candidato nos fale que herdou o nariz do pai, que foi aconselhado ou que
recebeu indicação de terceiros para a plástica. Os elementos externos ao
candidato são os causadores de sua procura. O termo fontes será usado com
o significado de atributo externo à pessoa: fontes dos comentários sobre seu
nariz, fontes de consulta sobre cirurgia plástica e fontes de influência
(pessoas que já fizeram a rinoplastia e obtiveram sucesso cirúrgico).
A causa motivacional é atribuída à outra pessoa ou ao ambiente. O
candidato sente-se "impelido" a procurar rinoplastia como parte de uma
estratégia maior. Diferentemente da primeira categoria, o candidato interpreta
a plástica como uma obrigação para conquistar novos sentimentos, uma
posição social melhor ou para livrar-se de aspectos socialmente
recriminados, incluindo-se a atenção indesejada. A adolescente que arrebitou
o nariz para ficar mais parecida com a modelo de capa de revista pode
exemplificar a influência dessas fontes externas (GALVÃO, 1978). A mulher
que procura mamoplastia para "segurar" o marido, ou o homem de meia-
idade que faz blefaroplastia com o intuito de parecer mais jovem e assim
aumentar suas possibilidades de competição profissional, são exemplos
diretos.
Como ficaremos apenas nos relatos conscientes dos candidatos, é
importante considerar essa categoria como pura, se a explicação for utilizada
com o objetivo de exclusão da responsabilidade pessoal. Um desvio de septo
é considerado como um elemento que seu portador não escolheu
conscientemente, o que pode ser entendido como um fator ambiental
(genético ou adquirido).
O conceito heideriano de multifinalidade esclarece que o ambiente
não tem um objetivo definido ou uma intenção como na atribuição pessoal. O
mesmo acontecimento pode ter efeitos diversos no ambiente, incluindo as
pessoas, daí o prefixo “multi” utilizado para esse fim. Assim, é lógico que nem
todas as pessoas procurarão por rinoplastia, mesmo tendo um nariz
assimétrico. E por que razão não procurarão tal recurso?. Diversas
explicações são possíveis. Analisaremos algumas: primeiro, nem todas as
pessoas têm claramente a percepção de que seus narizes seriam
considerados inestéticos. O formato nasal não significa um incômodo pessoal
ou funciona como uma força baixa de indução à plástica. Outras que admitem
a assimetria poderão raciocinar que o nariz foi feito por Deus (o outro,
portanto, o ambiente) e que é pecado alterar aquilo que foi feito por ele, não
existindo permissão para realizar a ação (força restritiva).
Outras pessoas, entretanto, poderão acreditar que o evento
cirúrgico é caro, dolorido ou perigoso e estarão atribuindo à cirurgia o
impedimento da procura e mudança nasal (predomínio das forças restritivas).
3) Combinada ou mista - Neste tipo de atribuição de causalidade, é
interessante verificar a proporção que o candidato dá aos fatores pessoais e
ambientais (quando possível a atribuição pura). Os candidatos que
apresentam várias explicações sobre seus desejos por rinoplastia podem
estar relatando uma composição de forças atuantes sobre eles, que têm a
função de tornar efetiva a procura por rinoplastia. A oportunidade é um termo
que pode estar na categoria de explicação combinada, pois envolve o
conceito de que o indivíduo não pode perdê-la, representando uma facilidade
de acesso. Portanto, o indivíduo tem de, não apenas demonstrar seu
interesse pessoal pela cirurgia, mas também esforçar-se para que consiga
estar dentro das regras estabelecidas pela instituição.

V i e s e s e Av a n ç o s

É evidente que em situações da realidade os fatores pessoais e


ambientais atuam conjuntamente. A motivação para a rinoplastia nem sempre
é única: O candidato pode ter começado a desejar um nariz diferente por um
motivo e terminar procurando a rinoplastia por outro. Pode, igualmente, ir
acumulando ou fazendo combinações dos motivos e estratégias utilizadas
para enfrentar as barreiras do ambiente. Nessa última hipótese, estaremos
dentro do terceiro tipo de atribuição causal, pois o candidato trará uma
hierarquia de motivos dentro de causalidades pessoais e ambientais.
Frases como “É agora ou nunca”. “Esse é o momento certo” e “É
pegar ou largar” ilustram uma combinação propícia do fator tempo
(ambiental) com as necessidades do indivíduo. Saber que o momento
pessoal da vida é favorável, que a dificuldade de se conseguir uma alteração
nasal ficou reduzida, ou que o ônus financeiro da plástica não existe
(gratuidade), são elementos explicativos ambientais que, de acordo com a
utilização do candidato, poderão estar combinados implicitamente com a
intenção pessoal.
A Teoria da Atribuição de Causalidade aponta alguns vieses
importantes na atribuição de causalidade pessoal ou impessoal:
1. O observador tende a atribuir o efeito às propriedades
disposicionais do agente;
2. O agente tende a atribuir o efeito às propriedades disposicionais
do ambiente.
Neste trabalho tomaremos como referência a análise da atribuição
oferecida por Heider. Apenas ocasionalmente poderemos aludir aos
desdobramentos dessa análise que são oferecidos por Kelley (1967,1973) e
Jones & Davis (1965), quando nos interessarem, mais em particular, os
critérios da atribuição respectivamente ao ambiente ou às pessoas.
A afirmação de GOIN et Al. (1976) de que existe falseamento na
ordem de 60% dos motivos declarados no pré-cirúrgico não nos é
importante, por que não estamos querendo, necessariamente, chegar às
causas reais do comportamento de procura por rinoplastia, mas sim como as
causas são eleitas, percebidas e interpretadas como relevantes pelos
candidatos. O fato de uma pessoa acreditar que a cirurgia vai ajudá-la a
arranjar um emprego melhor, por exemplo, explica sua procura, seja exata ou
não a suposição alegada.
Abaixo estão duas categorias de perguntas para a análise das
entrevistas. A primeira diz respeito aos antecedentes da procura por
rinoplastia (de 1 até 4) e o segundo aos conseqüentes (expectativas ou
espera). As mesmas referem-se a tópicos importantes dentro da Teoria da
Atribuição de Causalidade :
1. A quem ou a que o candidato atribui a origem de sua
desvantagem ou assimetria nasal3 ?
2. Quais são os efeitos que o candidato relata como advindos da
sua aparência facial ou por causa do nariz?

3
Adaptar o termo conforme o usado pelo candidato(a). Poderemos encontrar feiúra, grossura
do nariz ou mesmo nariz de tucano.
3. Que atributos/qualidades/categorias a pessoa associa4 à
desvantagem na aparência?
4. A que ou a quem o candidato atribui a origem da decisão por
CP?
5. O que ou quem fez com que a pessoa se decidisse pela
rinoplastia?
6. Como a pessoa vê o seu próprio nariz ?
7. Como pensa que os outros a vêem com a desvantagem nasal ?
8. Como a pessoa pensa que os outros a verão depois da
rinoplastia ?
Embora, como bem explicitam Bull e Rumsey (1988), as ações
ligadas à aparência facial possam ser analisadas por várias teorias, optamos
pela teoria da atribuição, pelo fato de que a mesma possui fortes ligações
com a motivação humana (LEITE, 1973). Assim, é importante dar-se conta de
que:

“...a teoria da Atribuição focaliza o processo pelo qual


as pessoas inferem características internas estáveis a
partir das ações manifestas ou da aparência física dos
outros.” (BULL & RUMSEY, 1988, p. 287).

“...a teoria da Atribuição acentua que, para trazer o


mundo social para dentro de dimensões mais
administráveis, a pessoa impõe uma estrutura,
procurando consistências ou invariâncias. Um
pressuposto central é a todo-poderosa tendência de
vermos as ações dos outros como tendo causas ou
intenções.” (Ibid, p. 287).

“...O que a pessoa inferiu acerca de outra irá


influenciar não só o que a pessoa acredita “lembrar” da
outra, mas também como se comportará em seguida
com a outra.”(Ibid, p. 288).5

De Bull & Rumsey (1988) manteremos os estudos dos seguintes


autores :
6

1) ABEL (1952) estudou 74 pacientes. Todos acreditavam que as


desfigurações faciais eram responsáveis pelo insucesso na vida e se
queixavam de discriminações no ambiente de trabalho ou em outras
situações sociais. A atribuição de causalidade nessa pesquisa é bem
ilustrada. Os pacientes localizaram a fonte do insucesso: deformidade facial.
2) KNORR, EDGERTON e HOOPES (1967) pesquisaram 692
pacientes que procuraram CP. Declararam que uma das mais freqüentes

4
O termo associação está ligado a uma relação de unidade leve. O termo atribuição causal
está ligado a uma relação forte. No tipo de atribuição causal, há forte ligação entre os
elementos descritos, enquanto na associação essa vinculação não ocorre nessa linearidade.
Então, a resposta a essa pergunta envolverá temas abrangentes ou descritos como
significativos pelos candidatos.
5
Tradução pessoal.
6
Já foram descritos no capítulo IV.
queixas feitas pelo pacientes foi a dificuldade quanto ao desenvolvimento de
relações duradouras de amizade.
3) HIRSCHENFANG e Colaboradores (1969) observaram que 25
pacientes internos e externos de paralisia facial tinham queixas quanto à
dificuldade em fazer amizades. Todos alegaram falta de oportunidades para o
casamento, fraqueza para constituir família e problemas quanto a obtenção
de empregos.
4) ANDREASI & NORRIS ( 1972) estudaram 9 mulheres e 11
homens com queimaduras graves (idades entre 18 e 60). Todos eles
disseram que eram objeto de piedade e curiosidade. Também houve
referência a: certeza de que chamariam a atenção (atenção indesejada) e
que receberiam perguntas ou comentários malévolos.