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DIREITO PROCESSUAL CIVIL

PROF. FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS

RECURSOS

PROVIMENTOS JURISDICIONAIS

Em primeira instância, os provimentos jurisdicionais são:

a) Despachos: atos judiciais de simples movimentação da marcha processual, meramente


expedientes, sem qualquer conteúdo decisório. Note-se que enquanto as decisões resolvem
questões, os despachos apenas impulsionam o processo, sem qualquer conteúdo decisório. A
o
propósito, conforme § 4 do art. 203 do CPC, os atos meramente ordinatórios, como a juntada e a
vista obrigatória, independem de despacho, devendo ser praticados de ofício pelo servidor e
revistos pelo juiz quando necessário. O art. 152, VI, do CPC incumbe o escrivão ou chefe de
secretaria de praticar, de ofício, os atos meramente ordinatórios, isto é, de movimentação do
processo, mas, para tanto, o juiz titular deverá editar um ato administrativo a fim de regulamentar
essa atribuição. Os despachos são regidos pelo princípio inquisitivo, o juiz os prolata de ofício e são
irrecorríveis, art. 1.001 do CPC. Entretanto, quando os despachos forem capazes de causar algum
prejuízo, devem ser interpretados como sendo decisões. Se o despacho tumultuar o andamento do
processo, será cabível correição parcial.

b) Decisões interlocutórias: são os atos judiciais que resolvem questões, isto é, os pontos
controvertidos, sem por fim ao processo ou à fase de conhecimento do processo. Exemplos:
indeferimento de testemunhas. Em regra, são irrecorríveis, salvo as decisões previstas no art. 1.015
do CPC. Nessas hipóteses, é possível o recurso de agravo de instrumento. A doutrina ainda admite a
interposição embargos de declaração contra decisão interlocutória. Fora das situações do citado
art. 1.015, não é possível a interposição do agravo de instrumento, mas, após a sentença, a parte
pode impugnar a decisão, em preliminar das razões ou contrarrazões de uma eventual apelação,
conforme §1º do art. 1.009 do CPC, pois quando não comportar o recurso de agravo de
instrumento a decisão não se sujeita à preclusão imediata. As decisões interlocutórias
propriamente ditas são as que resolvem questões incidentais, ao passo que as decisões
interlocutórias de mérito apreciam o pedido estampado na petição inicial, sem extinguir o processo
ou a sua fase de conhecimento, como é o caso da decisão que julga improcedente liminarmente um
dos pedidos do autor, com base no art. 332 do CPC. As decisões interlocutórias de mérito, no
entanto, tem conteúdo de sentença e por isso fazem coisa julgada material e admitem ação
rescisória, mas o recurso cabível para impugná-las é o agravo de instrumento, conforme o art.
1.015, II, do CPC.

c) Sentença: é o ato judicial que extingue o processo ou a fase cognitiva do processo


sincrético, com fulcro nos arts. 485 ou 487 do CPC. Adota-se o critério híbrido para definir sentença,
isto é, exige-se dois requisitos: fundamento nos arts. 485 ou 487 do CPC e extinção do processo ou
da sua fase de conhecimento. Em regra, a apelação é o recurso cabível contra sentença, sendo
ainda possível os embargos de declaração. O ato judicial que se fundamenta nos arts. 485 ou 487
do CPC, mas não extingue o processo nem a sua fase de conhecimento, é considerado decisão
interlocutória, e, diante disso, não se admite a interposição da apelação.

Por outro lado, em segunda instância, os provimentos jurisdicionais são:


a) Despachos: são atos judiciais de mero andamento à marcha processual, sem conteúdo
decisório. São irrecorríveis (art. 1.001 do CPC). Todavia, se forem capazes de causar algum gravame
à parte caberá o agravo regimental.

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b) Decisões monocráticas: são as que emanam isoladamente do relator ou presidente da


câmara, da turma ou do tribunal. Estas decisões podem ser monocráticas interlocutórias ou
monocráticas finais. Nas decisões monocráticas interlocutórias, o relator ou presidente decide uma
questão incidental (exemplo: concede efeito suspensivo ao agravo). Em regra, cabe agravo
regimental. Por outro lado, as decisões monocráticas finais são as que extinguem o recurso ou a
ação de competência originária do tribunal ou o procedimento incidental. São impugnáveis através
do recurso de agravo interno. Exemplos: decisão do relator que não admite o agravo de
instrumento.

c) Acórdãos: são as decisões prolatadas por órgão colegiado dos tribunais (câmaras, turmas e
tribunal pleno). Admitem os seguintes recursos: embargos de declaração, embargos de divergência,
recurso ordinário constitucional, recurso especial e recurso extraordinário. Acórdãos finais são os
que extinguem o processo ou o recurso ou a ação de competência originária do tribunal ou o
incidente processual. Exemplo: acórdão de apelação que confirma a sentença. Acórdãos
interlocutórios são os que não extinguem os procedimentos mencionados anteriormente. Exemplo:
acórdão da apelação que anula a sentença e manda o processo prosseguir.

JURISDIÇÃO REVISIVA

A jurisdição revisiva é a que tem por objeto a impugnação de decisões judiciais. Visa modificar
a opção tomada pelo juiz em uma determinada decisão. Referida jurisdição se manifesta de duas
formas:
a) recursos;
b) sucedâneos recursais.

CONCEITO DE RECURSO

Recurso é o meio voluntário de impugnação de decisão judicial, ainda não preclusa, previsto
em lei, disponível às partes, aos terceiros prejudicados e ao Ministério Público, que se desenvolve
dentro do mesmo processo em que se prolatou a decisão recorrida, cujo objetivo é reformá-la,
anulá-la ou aclará-la.
O recurso é um dos instrumentos que provocam a jurisdição revisiva, que é regida pelo
princípio da taxatividade, pois só é possível os recursos previstos em lei, ao passo que a jurisdição
originária, que diz respeito à propositura de ações, é de uma amplitude quase infinita, à medida
que o pedido juridicamente possível é todo aquele que a lei não proíbe, o que enseja uma enorme
possibilidade de ajuizamento de ações.

HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS

O tribunal, ao julgar recurso, majorará os honorários fixados anteriormente levando em conta


o
o trabalho adicional realizado em grau recursal, observando, conforme o caso, o disposto nos §§ 2
o
a 6 , sendo vedado ao tribunal, no cômputo geral da fixação de honorários devidos ao advogado do
o o
vencedor, ultrapassar os respectivos limites estabelecidos nos §§2 e 3 para a fase de
conhecimento (§11 do art. 85 do CPC).
Trata-se de uma norma que visa desestimular os recursos meramente protelatórios. O
percentual de honorários, não pode ultrapassar o máximo de 20% (vinte por cento), nem os
o
patamares do § 3 quando o recurso for interposto pela Fazenda Pública.
Ainda que não haja propósito protelatório, o tribunal deverá majorar os honorários fixados

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anteriormente. Esta norma só não será aplicada na hipótese de os honorários já terem sido fixados
no patamar máximo.

CARACTERÍSTICAS DO RECURSO

a) voluntariedade: a interposição do recurso depende da iniciativa e vontade da parte, pois é


um prolongamento do princípio dispositivo da ação, que consagra a inércia da jurisdição. O
denominado recurso de ofício ou necessário, previsto no art. 496 do CPC, que obriga o juiz a
remeter certas sentenças para o tribunal analisá-las, a rigor, não é recurso e, sim, hipóteses de
duplo grau obrigatório de jurisdição, uma condição de eficácia da sentença.
b) decisão judicial pendente: é a que não está preclusa. Se houver preclusão, o ato judicial
não pode ser impugnado através do recurso, mas às vezes ainda é possível a impugnação pelos
outros meios de provocação da jurisdição revisiva.
c) taxatividade: o recurso só existe nos casos previstos em lei federal, sendo vedada a sua criação
por ato de vontade das partes. Portanto, não existe recurso implícito, a sua existência nunca
é presumida. O art. 994 do CPC prevê o rol dos recursos previstos no direito brasileiro: apelação,
agravo de instrumento, embargos de declaração, recurso ordinário, recurso especial, recurso
extraordinário, agravo em recurso especial ou extraordinário e embargos de divergência. A lei
6.830/80, que disciplina a execução fiscal movida pela Fazenda Pública, ainda prevê outro recurso,
trata-se dos embargos infringentes contra sentença, que é interposto e julgado perante o juízo de
p i ei o g au, as causas i fe io es a 50 OTN’s. No Juizado Especial Estadual, a lei 9.099/95 p ev
contra sentença o recurso inominado, ao invés da apelação.
d) legitimação exclusiva das partes, do terceiro prejudicado e do Ministério Público (art. 996
do CPC).
e) desenvolve-se dentro do mesmo processo: o recurso tramita no próprio processo em que
se prolatou a decisão recorrida. Ele prolonga o processo e a litispendência. Às vezes tem autos
próprios, como o agravo de instrumento, mas sempre desenvolve-se no mesmo processo. De fato,
entende-se por autos a documentação escrita dos atos processuais, ao passo que processo é o
instrumento da jurisdição, isto é, o meio através do qual se visa solucionar os conflitos de
interesses. Por consequência, é possível que dentro de um único processo haja vários autos
processuais.
f) objetivo: reformar, anular ou aclarar a decisão judicial. O recurso pode visar a reforma, que
é a substituição da decisão por outra, ou então a anulação para que outra decisão seja prolatada, e,
às vezes, o aclaramento, quando a decisão for obscura, omissa ou contraditória, que é o que ocorre
nos embargos de declaração.

CLASSIFICAÇÃO DOS RECURSOS

I) Quanto à extensão da matéria impugnada:


a) recurso total: é o que impugna todos os tópicos da sucumbência.
b) recurso parcial: é o que impugna uma parcela da sucumbência, aceitando a outra. Exemplo:
a sentença condena o réu a realizar determinadas obras no imóvel, além de perdas e danos, mas
ele só recorre das perdas e danos.

II) Quanto ao prazo:


a) recurso principal (independentemente ou autônomo): é o interposto no prazo comum da
lei.

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b) recurso adesivo (subordinado ou acessório): é o interposto no prazo de contrarrazões do


recurso principal. Tem por pressuposto a sucumbência recíproca, isto é, de ambas as partes. Nesse
caso, se apenas uma delas recorre, a outra, que a princípio não tinha a intenção de recorrer, no
prazo de contrarrazões também poderá recorrer adesivamente. Apenas alguns recursos podem ser
interpostos pela forma adesiva, são eles: apelação, recurso especial e recurso extraordinário.

III) Quanto à fundamentação ou causa de pedir recursal:


a) recurso de fundamentação vinculada ou tematicamente afetada: ocorre quando a lei prevê
o rol das matérias passíveis de impugnação. São eles: embargos de declaração, recurso
extraordinário, recurso especial e embargos de divergência.
b) recurso de fundamentação livre: ocorre quando a lei não limita as matérias do recurso,
podendo basear-se em qualquer fundamento que seja útil ao recorrente. São todos os demais
recursos: apelação, agravo de instrumento, agravo interno e recurso ordinário constitucional.
Na verdade, todo recurso sofre duas limitações: proibição de se alegar matérias preclusas e
matérias que não interessam à demanda.

IV) Quanto ao objeto ou finalidade:


a) recursos excepcionais ou extraordinários: são os que visam proteger diretamente o
ordenamento jurídico e indiretamente o interesse do recorrente. São recursos políticos, cujo
escopo é a proteção da Constituição e da lei federal. É o caso dos seguintes recursos: recurso
extraordinário, recurso especial, agravo em recurso extraordinário e em recurso especial e
embargos de divergência. Nesses recursos, não se discute fatos nem se analisa provas, mas apenas
questões jurídicas.
b) recursos ordinários: são os que visam proteger diretamente o interesse da parte. Admite-se
a discussão de questões fáticas e jurídicas. É o caso da apelação, agravo de instrumento e dos
demais recursos.
Quanto aos embargos de declaração e agravo interno, podem assumir o perfil de recurso
excepcional ou recurso ordinário, pois têm a mesma função do recurso a que estão ligados.
Exemplo: embargos de declaração de recurso especial é um recurso excepcional, mas os embargos
de declaração do acórdão da apelação é um recurso ordinário.

PRINCÍPIOS RECURSAIS

São os postulados fundamentais, que inspiram a elaboração das normas recursais.


Referidos princípios são:
a) Princípio do duplo grau de jurisdição;
b) Princípio da colegialidade;
c) Princípio da taxatividade;
d) Princípio da unirrecorribilidade;
e) Princípio da dialeticidade;
f) Princípio da proibição da reformatio in pejus ;
g) Princípio da fungibilidade;
h) Princípio da complementariedade;
i) Princípio da consumação.

PRINCÍPIO DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO

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É o que possibilita o reexame da decisão judicial por órgão jurisdicional hierarquicamente


superior. Em duas hipóteses, porém, o reexame é feito por órgão jurisdicional de primeiro grau, a
saber:
a) recurso inominado no Juizado Especial, cujo julgamento é afeto ao Colégio Recursal, que é
composto por juízes de primeiro grau (art. 41 da lei nº 9.099/95);
b) recurso de embargos infringentes, que é cabível contra sentença, na lei 6.830/80, quando o
valor da causa não exceder a 50 OTN´s, cujo julgamento é feito pelo próprio juízo que julgou a
causa (art. 34 da LEF).

De acordo com Barbosa Moreira, as duas situações acima são hipóteses de recursos sem o
duplo grau de jurisdição. Cumpre, porém, registrar a opinião de Nelson Nery Júnior, que trata as
hipóteses como sendo aplicação do princípio do duplo grau, sustentando a caracterização deste
princípio ainda que o reexame da causa seja feito pelo mesmo órgão jurisdicional.
Nas ações de competência originária do Supremo Tribunal Federal, previstas no art. 101 da
CF, não cabe recurso contra o acórdão, salvo os embargos de declaração. Trata-se de uma exceção
ao princípio do duplo grau de jurisdição.
Saliente-se, ainda, que o princípio do duplo grau não está previsto expressamente na
Constituição Federal, e, por isso, segundo alguns autores, a lei poderia estabelecer a
irrecorribilidade de certas sentenças ou decisões. Mas, para outra parcela da doutrina, trata-se de
um princípio constitucional implícito, que decorre da estrutura do Poder Judiciário. Com efeito, os
tribunais são previstos na Constituição Federal, de modo que implicitamente assegura-se a
necessidade dos recursos, que efetivam o princípio do duplo grau. Ademais, o art. 93, IX, da CF
exige que as decisões judiciais sejam fundamentadas. A razão da motivação é estabelecer a ampla
recorribilidade para se concretizar o princípio do duplo grau. Não há necessidade, porém, do triplo
grau, basta o duplo, ou seja, a possibilidade de se impugnar a decisão judicial pelo menos uma vez.
Sobre as vantagens do princípio do duplo grau, destacam-se o controle das decisões e a
correção de eventuais erros. Estes dois benefícios compensam o retardamento do pronunciamento
jurisdicional.
Outro aspecto do princípio do duplo grau é a proibição do tribunal, em grau de recurso,
conhecer de matérias não abordadas pelo juízo recorrido. Assim, em regra, é proibida a supressão
de instância para se preservar os princípios do duplo grau e do juiz natural. Há, entretanto, as
seguintes exceções:
a) no recurso de apelação serão objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as
questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que não tenham sido solucionadas, desde que
o
relativas ao capítulo impugnado (§1 do art. 1.013 do CPC).
b) no recurso de apelação, quando o pedido ou a defesa tiver mais de um fundamento e o
o
juiz acolher apenas um deles, a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento dos demais (§ 2 do
art. 1.013 do CPC).
c) quando se tratar de matérias de ordem pública, o tribunal pode conhecê-las de ofício.
o
d) no recurso de apelaçao, conforme § 3 do art. 1.013 do CPC, se o processo estiver em
condições de imediato julgamento, o tribunal deve decidir desde logo o mérito.
Finalmente, nas hipóteses de reexame necessário, previstas no art. 496 do CPC, concretiza-se
o duplo grau sem que haja recurso.

PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE

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Em regra, os recursos são julgados por órgãos colegiados, compostos por 3 (três) ou mais
desembargadores ou ministros, viabilizando-se, destarte, o diálogo no processo entre os
magistrados.
Abre-se, no entanto, exceção às hipóteses previstas no art. 932, III, IV e V do CPC, que prevê
as hipóteses de julgamento monocrático.

PRINCÍPIO DA TAXATIVIDADE

Significa que só a lei federal pode criar recurso. De fato, compete exclusivamente à União
legislar sobre processo, e, por consequência, sobre recursos (art. 22, I, da CF).

PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE OU SINGULARIDADE OU UNICIDADE

De acordo com esse princípio, para cada decisão judicial é cabível apenas um tipo de recurso.
Não se admite recursos simultâneos contra a mesma decisão.
Exemplo: se na audiência, o juiz indeferiu a tutela antecipada e ato contínuo prolatou
sentença, caberá agravo de instrumento contra a decisão que indeferiu a tutela antecipada e
apelação em relação à sentença. Se a tutela antecipada tivesse sido apreciada na própria sentença,
só caberia apelação.
Assim, as decisões proferidas na sentença, como concessão de tutela antecipada, são
passíveis apenas de apelação, que é o recurso adequado para impugnar as sentenças.
Finalmente, cumpre apontar três exceções ao princípio da unirrecorribilidade. A primeira
ocorre no acórdão que tem fundamento legal e constitucional, sendo cabível a interposição
simultânea do recurso especial, para impugnar o tópico que afronta a lei, e do recurso
extraordinário, contra o tópico que afronta a Constituição Federal. A segunda refere-se à decisão
denegatória parcial de mandado de segurança de competência originária do tribunal, nesse caso, é
possível interpor simultaneamente o recurso ordinário constitucional contra a parte denegatória e
o recurso especial ou extraordinário em relação à parte que concedeu a ordem. A terceira é a
possibilidade de interposição de embargos de declaração e outro recurso, quando a decisão, a
sentença ou acórdão forem omissos, obscuros ou contraditórios.

PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE

O princípio em análise é o que obriga a fundamentação, ainda que concisa, de todo e


qualquer recurso. Não é recomendável, mas aceita-se a fundamentação remissiva, que se reporta
aos fundamentos da petição inicial ou da contestação ou de outra peça processual.
A fundamentação é a causa de pedir do recurso. Pode referir-se ao error in procedendo ou
ao error in judicando .
A fundamentação tem dupla função. A primeira é limitar a atuação do tribunal à matéria
recorrida. A segunda é permitir a ampla defesa, através das contrarrazões.

PRINCÍPIO DA PROIBIÇÃO DA REFORMATIO IN PEJUS

Segundo esse princípio, o recorrente, em seu recurso, não pode ter a sua situação agravada.
Assim, sendo a sucumbência recíproca ou parcial, caso só uma das partes houver recorrido, a
sua situação não pode ser piorada.
Referido princípio é aplicável inclusive ao reexame necessário, inadequadamente chamado

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recurso de ofício, evitando-se, destarte, que seja agravada a situação da Fazenda Pública.
Abrem-se quatro exceções ao princípio em apreço, a saber:
a) matérias de ordem pública: devem ser conhecidas de ofício pelo tribunal, ainda que
agravem a situação do recorrente. Exemplo: a ação é julgada parcialmente procedente, o autor
apela, o tribunal reconhece de ofício a perempção e extingue o processo sem resolução do mérito.
b) teoria da causa madura: quando o juiz extingue o processo sem resolução do mérito e o
autor apela, o tribunal pode julgar a ação improcedente, nos termos do §3º do art. 1.013 do CPC, se
o processo estiver em condições de imediato julgamento.
c) sentença que julga liminarmente improcedente a ação, com base no art. 332 do CPC: se
houver apelação e o tribunal mantiver a improcedência da ação, o autor será condenado aos
honorários advocatícios, que não constavam na sentença anterior.
d) litigância de má-fé do recorrente: o tribunal pode aplicar de ofício, ao recorrente, a pena
de litigância de má-fé.
PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE

O princípio da fungibilidade é o que permite o recebimento do recurso errôneo como se fosse


o correto. Em regra, o recurso incorreto não será sequer admitido. Excepcionalmente, porém,
embora não previsto em lei, a jurisprudência tem aplicado o princípio da fungibilidade recursal,
mediante a observância de dois requisitos:

1º) dúvida séria e objetiva sobre o tipo de recurso cabível. A dúvida, que justifica a aceitação
de um recurso por outro, pode decorrer de três situações: a) a lei rotula o ato judicial de forma
contrária à sua real natureza. Ocorre quando a lei denomina como sendo sentença uma mera
decisão interlocutória, ou vice-versa, causando dúvida se o recurso cabível seria o agravo de
instrumento ou a apelação; b) o juiz rotula o ato judicial de forma contrária à sua real natureza; c)
quando houver divergência na doutrina e jurisprudência sobre o tipo de recurso cabível.
2º) inexistência de erro grosseiro sobre o recurso cabível. Exemplo: agravar de sentença é
erro grosseiro. Igualmente, apelar de decisões. Em algumas hipóteses, porém, a lei prevê
expressamente o agravo de instrumento contra sentença, como na hipótese de sentença que
decreta falência (art. 100 da lei de falência). Nesse caso, a interposição de apelação seria um erro
grosseiro.
No código anterior, além dos dois requisitos acima, a jurisprudência exigia um terceiro, que
era a interposição do recurso errôneo dentro do prazo previsto para o recurso correto. No CPC
2.015, houve a unificação de todos os prazos recursais que, à exceção dos embargos de declaração,
passaram a ser de 15 (quinze) dias, tornando inócuo esse terceiro requisito.
Ao aplicar o princípio da fungibilidade, o tribunal deve intimar o recorrente para que faça as
adequações ao procedimento do recurso que seria o correto. Exemplo: o tribunal admitiu a
apelação, embora o correto fosse o agravo de instrumento, nesse caso, o recorrente terá que
providenciar a juntada das peças obrigatórias para a formação do respectivo instrumento.

PRINCÍPIO DA COMPLEMENTARIEDADE

O princípio da complementariedade exige que as razões sejam apresentadas no ato da


interposição do recurso. Assim, o recurso deve ser interposto de forma completa, isto é, com a
petição de interposição acompanhada das razões. No processo penal, não vigora este princípio,
pois primeiro se interpõe o recurso e depois as razões recursais.
Assim, o recorrente, após a apresentação do recurso, não poderá mais aditá-lo ou modificá-

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lo, ainda que o prazo não tenha se esgotado.


Aludido princípio encontra exceção nos embargos de declaração. Com efeito, se após a
apresentação de algum recurso, for dado provimento aos embargos declaratórios da parte
contrária, o recorrente poderá complementar o seu recurso já interposto, no tocante aos pontos
modificados, tendo em vista a nova sucumbência, mas esse complemento é apenas sobre os
tópicos atinentes à nova sucumbência, vedando-se o complemento sobre os pontos que poderiam
ser impugnados anteriormente.

PRINCÍPIO DA CONSUMAÇÃO

De acordo com esse princípio, não se admite a substituição do recurso já interposto, ainda
que dentro do prazo recursal. Assim, se houver a interposição de dois recursos distintos contra a
mesma decisão, prevalecerá o recurso protocolado em primeiro lugar. Trata-se, mais uma vez, da
aplicação da preclusão consumativa.

PERGUNTAS:

1) O que é despacho?
2) Qual a diferença entre despacho e decisão?
3) O servidor do poder judiciário pode despachar sem ordem do juiz?
4) O juiz pode delegar ao servidor a prática de despacho?
5) O despacho é regido pelo princípio inquisitivo ou dispositivo?
6) O despacho é recorrível?
7) O que é decisão interlocutória?
8) A decisão interlocutória é recorrível?
9) A decisão interlocutória que não se enquadra no art. 1.015 do CPC se sujeita à preclusão?
10) Qual a diferença entre decisão interlocutória propriamente dita e decisão interlocutória
de mérito?
11) É cabível apelação das decisões interlocutórias de mérito? E ação rescisória?
12) Qual o recurso cabível contra sentença?
13) Qual a diferença entre sentença e decisão interlocutória?
14) Qual o recurso cabível contra decisão monocrática do relator?
15) O que é acórdão e quais os possíveis recursos para impugná-lo?
16) Qual a diferença entre acórdão final e acórdão interlocutório?
17) Quais as duas formas de jurisdição revisiva?
18) O que é recurso e quais as suas características?
19) Em que hipótese o tribunal majorará os honorários advocatícios fixados anteriormente?
20) Quanto à extensão, como se classificam os recursos?
21) E quanto ao prazo?
22) E quanto à fundamentação?
23) E quanto à finalidade?
24) Quais são os recursos ordinários e quais são os recursos excepcionais ou extraordinários?
25) O que é o princípio do duplo grau de jurisdição?
26) Quais suas exceções?
27) O tribunal pode suprimir um grau de jurisdição?
28) O que é o princípio da colegialidade?
29) O que é o princípio da taxatividade?

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30) O que é o princípio da unirrecorribilidade? Quais suas exceções?


31) O que é o princípio da dialeticidade?
32) Quais as exceções ao princípio da proibição da reformatio in pejus ?
33) O que é o princípio da fungibilidade? Quais seus requisitos?
34) O que é o princípio da complementariedade?
35) O recorrente pode aditar o recurso?
36) O que é o princípio da consumação?

ADMISSIBILIDADE DOS RECURSOS

INTRODUÇÃO

O recurso é interposto, em regra, perante o juízo ou tribunal a quo , que é aquele que
proferiu a decisão recorrida. Assim, por exemplo, a apelação deve ser interposta perante o juízo
prolator da sentença, devendo este encaminhá-la ao tribunal, órgão ad quem . Não se pode
interpor a apelação diretamente ao tribunal. Excepcionalmente, porém, interpõe-se recurso
diretamente no tribunal, como ocorre com o agravo de instrumento.
Todavia, para que o recurso seja conhecido, isto é, apreciado, é preciso que preencha os
requisitos de admissibilidade. Assim, conhecer o recurso não é a mesma coisa que provê-lo. O
conhecimento nada mais é do que a análise do cabimento recursal; ao passo que o provimento é o
acolhimento do mérito do recurso.

PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE

Os pressupostos de admissibilidade são os requisitos formais de existência e validade do


direito de recorrer. Com efeito, só se examina o mérito do recurso se ele preencher os
pressupostos de admissibilidade, que são similares aos pressupostos processuais, requisitos
necessários ao julgamento do mérito da ação.
Os pressupostos de admissibilidade são, pois, os requisitos formais, que antecedem à análise
do mérito recursal.
Classificam-se em:
a) pressupostos intrínsecos: são os requisitos de existência do direito de recorrer. São eles:
cabimento, legitimidade, interesse e a inexistência de fato extintivo do direito de recorrer. O STJ
também considera a tempestividade como requisito de existência do recurso, contrariando a
opinião doutrinária.
b) pressuposto extrínsecos: são os requisitos de validade do direito de recorrer. São eles:
tempestividade, preparo, regularidade procedimental e inexistência de fato impeditivo do direito
de recorrer.
Outra classificação:
a) pressupostos objetivos: referem-se ao exame do próprio recurso. São os seguintes:
cabimento, tempestividade, regularidade procedimental e inexistência de fato impeditivo ou
extintivo do direito de recorrer.
b) pressupostos subjetivos: referem-se à pessoa do recorrente. São os seguintes: legitimidade
e interesse. Há quem considere também como pressuposto subjetivo a competência do tribunal.
Mas, como adverte Vicente Greco Filho, a falta de competência não prejudica o recurso, que, se
não for conhecido pelo tribunal ao qual foi remetido, será por outro.

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Ausentes um desses pressupostos acima ocorrerá a extinção anômala ou prematura do


recurso, que sequer será conhecido.
Todos esses pressupostos, portanto, compõem o juízo de admissibilidade do recurso, cuja
análise compete apenas ao órgão ad quem . De fato, no CPC 2.015 os pressupostos de
admissibilidade não podem ser analisados pelo juízo a quo . Por exemplo, ainda que o recurso seja
intempestivo ou que não tenha sido realizado o preparo, o juízo a quo terá que remetê-lo ao juízo
ad quem . Em suma, o órgão a quo não pode indeferir o processamento do recurso.
O juízo de admissibilidade, no órgão ad quem , será feito tanto pelo relator quanto pelo
órgão colegiado (câmara ou turma).
Portanto, para que o recurso seja conhecido, e, por consequência, examinado no mérito, urge
que sejam realizadas essas duas triagens.

ANÁLISE DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE DOS RECURSOS

CABIMENTO DO RECURSO

O cabimento tem dois aspectos. O primeiro é que a decisão judicial deve ser passível de
recurso. O segundo é a interposição do recurso correto.
É, pois, mister que haja na lei algum recurso para atacar o ato judicial hostilizado. Tratando-
se, por exemplo, de despacho de mero expediente, não há recurso para impugná-lo.
São irrecorríveis:
a) despachos (art. 1.001 do CPC). São os atos judiciais de mera movimentação do processo
sem qualquer conteúdo decisório. O STJ considera despacho o ato judicial que manda o autor
emendar a petição inicial, bem como a remessa dos autos a outro juízo, em razão de prevenção.
Paira discussão se é despacho ou decisão, o ato judicial que posterga a análise da tutela antecipada
para momento posterior. Uns consideram despacho, pois nada foi decidido; outros tratam como
decisão impugnável pelo agravo de instrumento.
b) decisões interlocutórias. Em regra, também são irrecorríveis, salvo nas hipóteses previstas
no art. 1.015 do CPC.
c) decisão do relator que concede ou indefere liminar em mandado de segurança (súmula 622
do STF).
d) os atos do presidente do tribunal que disponham sobre processamento e pagamento de
precatório (súmula 311 do STJ). Referidos atos não tem natureza jurisdicional e por isso são
irrecorríveis.
Ainda sobre o cabimento, cumpre frisar que se deve interpor o recurso correto. Exemplo: em
regra, a sentença é impugnável através do recurso de apelação e não do agravo de instrumento.

LEGITIMIDADE

Legitimidade é a autorização legal para o sujeito recorrer.


Têm legitimidade para recorrer: as partes, o terceiro prejudicado e o Ministério Público (art.
996 do CPC).
Entende-se por parte, não apenas autor e réu, mas todas as pessoas que atuaram no
contraditório, abrangendo, por exemplo, o assistente, o litisconsorte, o denunciados à lide, o
chamado ao processo, etc. O assistente simples tem uma atuação subordinada, não pode recorrer
quando a parte assistida for contrária ao recurso.

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL
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O juiz tem também legitimidade para recorrer nos incidentes processuais em que for parte,
que são os incidentes de suspeição e impedimento. Nesses casos, não precisará de advogado, pois
dispõe de conhecimento técnico.
Entende-se por terceiro a pessoa que não participou do processo, mas cuja relação jurídica
pode ser afetada pela decisão judicial. Trata-se da pessoa que poderia ter ingressado no processo,
seja como assistente ou litisconsorte, mas não ingressou.
O terceiro pode interpor qualquer recurso previsto em lei.
Portanto, pessoas que não foram partes também podem recorrer, quando prejudicadas
juridicamente pelo ato recorrido. Exemplo: licitante de uma arrematação anulada.
O recurso do terceiro deve ter uma preliminar demonstrando o interesse jurídico e o prejuízo
que a decisão judicial lhe ocasionou.
O terceiro prejudicado não é intimado da decisão, de modo que seu prazo recursal é contado
da intimação das partes. Noutras palavras, o terceiro tem o mesmo prazo que as partes têm para
recorrer, sujeitando-se também ao preparo e demais pressupostos recursais.
Quanto ao advogado, pode recorrer em nome próprio, na qualidade de terceiro prejudicado,
para discutir a questão dos honorários de sucumbência, mas a parte também pode interpor recurso
para aumentar o valor dos honorários de sucumbência, defendendo em nome próprio o interesse
do advogado. É uma hipótese de legitimação extraordinária.
Os serventuários eventuais da justiça (perito, tradutor, intérprete, depositário judicial, etc), a
rigor, não podem recorrer, pois não são partes e nem terceiros, isto é, não são titulares de relações
jurídicas conexas com a relação jurídica discutida entre as partes. Admite-se, no entanto, que
recorram em nome próprio da decisão que arbitrou seus honorários, pois são titulares desse direito
material aos honorários. Alguns processualistas sustentam que não é cabível o recurso do perito
para discussão de honorários, pois ele não é parte nem terceiro, de modo que a impugnação
deveria ser feita por ação autônoma.
Finalmente, o Ministério Público também pode recorrer nos processos em que intervém
como parte ou fiscal da ordem jurídica, bem como nos processos em que deveria intervir e não
participou. Nesse último caso, deverá pleitear a nulidade do ato recorrido. Quando atua como fiscal
da ordem jurídica, o Ministério Público poderá recorrer para impugnar decisões ilegais ainda que
elas lhe sejam favoráveis.

INTERESSE RECURSAL

O interesse recursal surge quando houver a necessidade de recorrer para se obter alguma
vantagem.
A necessidade do recurso advém da sucumbência. É, pois, a sucumbência que gera o
interesse de recorrer.
Sucumbência é o prejuízo potencial ou efetivo causado pelo ato judicial do qual se pretende
recorrer.
Este prejuízo pode ser:
a) processual (sucumbência formal): ocorre quando a decisão recorrida violar normas
processuais. Por exemplo, o juiz, erroneamente, prolata sentença terminativa e extingue o
processo sem resolução do mérito, nesse caso, o réu também tem interesse em recorrer para que o
processo prossiga e seja prolatada uma sentença de mérito.
b) material (sucumbência material): é a que decorre do não atendimento de uma expectativa,
justa ou injusta. Assim, como esclarece Vicente Greco Filho, é sucumbente aquele que teve ganho
parcial na causa; aquele que venceu mas teve os honorários fixados em 10%, quando o juiz poderia

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fixar em até 20%; a parte que requereu perícia e a teve indeferida, etc.
A sentença que favorece o autor, mas com julgamento extra petita , também o habilita a
recorrer. Com efeito, diante do prejuízo processual causado pelo risco de anulação desse ato
judicial, surge o interesse de recorrer. Denota-se, portanto, que o prejuízo pode ser tanto
processual quanto material. No exemplo ministrado, não houve prejuízo material, mas prejuízo
processual potencial. Também é possível a sucumbência material sem a sucumbência formal
(exemplo: ação é improcedente, mas sem qualquer erro processual do magistrado).
A sucumbência dever ser analisada em face da parte decisória propriamente dita, e não da
fundamentação. Desde que o pedido tenha sido integralmente acolhido, ainda que a
fundamentação do magistrado divirja dos argumentos da parte vencedora, não há falar-se em
sucumbência, portanto, não se admite recurso com o propósito exclusivo de se alterar a
fundamentação de uma decisão favorável ao recorrente, pois em tal situação o objeto da decisão
não será modificado. Abrem-se duas exceções: ação civil pública e ação popular julgadas
improcedentes por insuficiência de provas. Nessas duas hipóteses, admite-se que a ação seja
ajuizada novamente, por isso, há interesse em recorrer para se alterar o fundamento da sentença,
pois a improcedência por outros fundamentos, que não seja a insuficiência de provas, impede que a
ação seja proposta de novo. O interesse recursal, nesses casos, é a segurança jurídica.
Se o autor formula pedido alternativo, não poderá recorrer da sentença que acolher um
deles, pois não havia preferência por um ou outro pedido. Se, no entanto, formular pedido
subsidiário, poderá recorrer caso a sentença acolha o segundo pedido.
A sucumbência pode ser parcial ou total. A sucumbência parcial é também recíproca ou
bilateral, pois acaba atingindo ambas as partes, habilitando-as à interposição dos recursos.

INEXISTÊNCIA DE FATO EXTINTIVO DO DIREITO DE RECORRER

São dois os fatos que extinguem o direito de recorrer, ou seja, que geram a perda do direito
de interpor recurso. São eles: a renúncia e a aquiescência.
O sistema processual brasileiro é pautado por preclusões. Cada ato processual dever ser
praticado no momento adequado, sob pena de a parte não poder mais praticá-lo.
Preclusão é a perda de um direito ou faculdade processual pelo seu não exercício no tempo,
ou, então, por já ter sido exercido, ou, ainda, pela prática de algum ato incompatível com a postura
anterior.
Assim, a preclusão processual desdobra-se em três:

a) preclusão temporal: é a perda do direito ou faculdade processual pelo seu não exercício no
tempo. Esta preclusão gera a intempestividade do recurso.
b) preclusão consumativa: consiste no exercício efetivo do direito ou faculdade processual. Se,
por exemplo, o réu contestar no segundo dia do prazo, não poderá ofertar nova contestação no dia
seguinte. Igualmente, o recorrente não pode recorrer duas vezes da mesma decisão, por força do
princípio da unirrecorribilidade. Ao apelar da sentença no primeiro dia do prazo, não poderá apelar
novamente, ou aditar a apelação, no dia seguinte.
c) preclusão lógica: consiste na prática de um ato processual incompatível com o direito ou
faculdade processual a ser exercido. Exemplos: renúncia e aquiescência do direito de recorrer.
A renúncia é o ato pelo qual a parte manifesta sua vontade de não recorrer. Ela ocorre antes
da interposição do recurso, podendo ser total ou parcial.
A renúncia é um ato unilateral, pois independente da aceitação da outra parte (art.999 do
CPC). Todavia, em caso de litisconsórcio unitário, a renúncia só surtirá efeitos mediante a

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concordância de todos os demais litisconsortes.


A aquiescência ou aceitação, por sua vez, é o fato da parte, antes da interposição do recurso,
ter aceito expressa ou tacitamente a decisão. Nesse caso, ela não poderá mais recorrer (art.1000
do CPC). Trata-se de preclusão lógica, que é a prática de ato anterior incompatível com a vontade
de se praticar o ato processual posterior, que no caso seria o recurso. Exemplo: se, após a sentença
condenatória, o devedor efetuar o pagamento sem fazer qualquer ressalva, ele não poderá mais
recorrer. Outro exemplo: a parte que, ao tomar ciência da sentença, escreve que está de acordo
com o julgado, não poderá mais recorrer. Mais um exemplo: o réu, que na ação de consignação em
pagamento, requer o levantamento do depósito, não poderá recorrer para impugnar esse depósito.
Quando a Fazenda Pública não apela da sentença que lhe é desfavorável, uma corrente sustenta
que ela não poderia interpor recurso especial contra o acórdão que apreciou o reexame necessário,
mas essa tese não é aceita no STJ, que admite o recurso especial.
A sentença que homologa transação, reconhecimento de pedido e renúncia, em princípio,
não pode ser objeto de recurso por parte dos sujeitos que realizaram a transação ou do réu que
reconheceu o pedido ou do autor que renunciou ao seu direito, salvo quando a sentença
homologatória se desvirtuar dos limites da vontade manifestada no ato jurídico.

TEMPESTIVIDADE

Recurso tempestivo é o interposto dentro do prazo legal.


Os prazos processuais podem ser:
a) próprios: são aqueles cujo descumprimento gera preclusão, isto é, a perda do direito
processual.
b) impróprios: são os que não se submetem à preclusão, permitindo a prática do ato a
posteriori.
Os prazos recursais são:
a) próprios: geram preclusão;
b) peremptórios: não se suspendem, não se interrompem e são insuscetíveis de dilação
convencional pelas partes. Na suspensão, o prazo sofre uma parada temporária, mas, após cessar a
causa de suspensão, recomeça de onde havia parado, computando-se o período anterior à
suspensão. A interrupção, ao revés, torna sem efeito todo o período transcorrido, sendo que,
cessada a causa de interrupção, devolve-se por inteiro o prazo. Assim, cessado o obstáculo, o prazo
inicia-se novamente, desprezando-se o período anteriormente transcorrido. Excepcionalmente,
admite-se a suspensão e a interrupção dos prazos recursais. Com efeito, no caso de falecimento da
parte ou de seu advogado, ou se ocorrer motivo de força maior que suspenda o processo, o prazo
recursal será interrompido, isto é, restituído na íntegra em proveito da parte, do herdeiro ou do
sucessor, contra quem começará a correr novamente depois da intimação (art. 1004 do CPC). Trata-
se da única hipótese em que a morte, ao invés de apenas suspender os prazos processuais, provoca
a sua interrupção. Outra hipótese de interrupção encontra-se no art. 1026 do CPC, segundo o qual
os embargos de declaração interrompem o prazo para a interposição de outros recursos por
qualquer das partes. Por outro lado, no tocante à suspensão, vale lembrar que os prazos se
suspendem durante as férias forenses e nos feriados (art.214 do CPC), bem como aos sábados,
domingos e nos dias em que não houver expediente forense (arts.214 e 216 do CPC). Tratando-se
de feriado municipal, o juiz pode impor ao recorrente o ônus da prova da ocorrência do feriado
suspensivo do prazo recursal. Outra causa de suspensão é o obstáculo criado pela parte contrária
ou pelo próprio juízo.

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Cumpre não confundir suspensão e impedimento. Este último obsta o início do prazo, ao
passo que a suspensão é uma paralisação do prazo que já estava em curso.
c) legais: estipulados exclusivamente pela lei. O juiz e as partes não podem fixar prazos
recursais. À exceção dos embargos de declaração, cujo prazo é de 5 (cinco) dias, os demais recursos
devem ser interpostos dentro do prazo de 15 (quinze) dias (§5º do art. 1003 do CPC). Só se
computam os dias úteis para todos os prazos processuais (art.219 do CPC).
d) comuns: iguais para ambas as partes. Entretanto, o Ministério Público, Defensoria Pública e
a Fazenda Pública desfrutam de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais,
inclusive, em relação aos recursos (arts.180, 183 e 186 do CPC). O Ministério Público, a Defensoria
Pública e a Fazenda Pública são intimados pessoalmente, portanto, o início do prazo é a data do
recebimento dos autos e não a data da ciência do ato judicial. Acrescente-se, ainda, que, no caso de
litisconsórcio ativo ou passivo, com diferentes procuradores, de escritórios de advocacia distintos, o
prazo para recorrer também será em dobro, conforme preceitua o art. 229 do CPC, mas se só um
dos litisconsortes sucumbiu, ele terá prazo normal para recorrer (súmula 641 do STF), igualmente
se mais de um sucumbiu, mas o advogado for o mesmo ou os advogados, embora distintos,
pertencerem ao mesmo escritório de advocacia. Os litisconsortes também não terão prazo em
dobro nos processos em autos eletrônicos (§2º do art. 229 do CPC).
Sobre a contagem do prazo, inicia-se no primeiro dia útil seguinte à intimação, que não é
pessoal e, sim, através da imprensa na pessoa do advogado. Quando a sentença ou decisão for
prolatada na audiência, reputa-se realizada a intimação na própria audiência, ainda que a parte não
tenha comparecido à audiência (§1º do art. 1003 do CPC).
Quando a intimação for através de meio eletrônico, a publicação será considerada feita no
primeiro dia útil seguinte à disponibilização da informação no Diário Oficial Eletrônico (art. 4º, §§3º
e 4º, d lei 11.419/2006).
Nos processos não eletrônicos, a petição recursal será protocolada em cartório ou conforme
as normas de organizaçao judiciária, até antes do encerramento do expediente de protocolo. Não
se admite o protocolo de recurso, após o fim do expediente, no plantão judiciário. Quanto ao
recurso remetido pelo correio, será considerada como data de interposição a data de postagem
(§4º do art. 1003 do CPC). Portanto, encontra-se cancelada a súmula 216 do STJ, segundo a qual o
recurso interposto pelo correito que não chegasse no protocolo dentro do prazo seria
intempestivo. Em princípio, o recurso deve ser protocolado até o último dia do prazo e dentro do
horário do expediente de protocolo, mas no caso de interposição pela internet ou correio, será
tempestivo se chegar até o último minuto do último dia do prazo.
A lei 11.419/2006, que regula o processo eletrônico, permite a interposição de recurso pela
internet, mas depende de o tribunal estar informatizado.
Finalmente, recurso prematuro é o interposto antes da intimação da decisão recorrida. De
acordo com o §4º do art. 218 do CPC, será considerado tempestivo o ato praticado antes do termo
inicial do prazo. No CPC anterior este recurso era tido como intempestivo. Ora, com a interposição
do recurso, a parte se dá por intimada e por isso o recurso não deveria ser considerado
intempestivo. O CPC 2015 solucionou o problema para considerá-lo tempestivo.

PREPARO

Preparo são as custas processuais devidas em razão da interposição do recurso. Abrange,


inclusive, a remessa e o porte de retorno dos autos ao juízo de origem, caso seja necessário esse
deslocamento. É claro que, no processo em autos eletrônicos, é dispensado o recolhimento do
porte de remessa e de retorno.

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O preparo deve ser comprovado de imediato no ato da interposição do recurso, sob pena de
deserção. Com efeito, dispõe o art. 1.007, caput, do CPC: No ato de interposição do recurso, o
recorrente comprovará, quando exigido pela legislação pertinente, o respectivo preparo, inclusive
porte de remessa e de retorno, sob pena de deserção .
No juizado especial, porém, a parte tem 48 (quarenta e oito) horas, a contar da interposição,
para comprovar o preparo (art. 42, §1º, da lei 9.099/95). Na justiça federal, a Lei de Custas também
admite a comprovação do preparo após a interposição do recurso, no prazo de 05 (cinco) dias após
a intimação para esse fim, quando se tratar de recurso que se desenvolve nos próprios autos, como
é o caso da apelação (art. 14, II, da lei 9.289/96).
Deserção é o não recebimento do recurso em razão da falta do preparo.
A ausência do preparo, entretanto, não implicará em deserção automática, mas sim no seu
o
recolhimento em dobro, sob pena de deserção. É o que dispõe o § 4 do art. 1.007 do CPC: O
recorrente que não comprovar, no ato de interposição do recurso, o recolhimento do preparo,
inclusive porte de remessa e de retorno, será intimado, na pessoa de seu advogado, para realizar o
recolhimento em dobro, sob pena de deserção". Nesse caso, se o recolhimento for incorreto não
o
haverá oportunidade para complementação do depósito. De fato, preceitua o § 5 do art. 1.007 do
CPC: É vedada a complementação se houver insuficiência parcial do preparo, inclusive porte de
o
remessa e de retorno, no recolhimento realizado na forma do § 4 .
Por outro lado, quando houver insuficiência do depósito, o recorrente deve ser intimado na
o
pessoa de seu advogado para completá-lo em 5 dias (§ 2 do art. 1.007 do CPC). Qualquer que seja
o valor recolhido, se for inferior, o recorrente deverá ser intimado para complementá-lo. Ele tem o
direito subjetivo de complementar o preparo.
o o
No Juizado Especial, também se aplica os §§ 2 e 4 do art. 1.007 do CPC (Enunciado 98 do
Fórum Permanente de Processualistas Civis).
o
Cumpre esclarecer que, de acordo com o § 6 do art. 1.007 do CPC, provando o recorrente
justo impedimento, o relator relevará a pena de deserção, por decisão irrecorrível, fixando-lhe
prazo de 5 (cinco) dias para efetuar o preparo. Exemplo: greve bancária).
Quanto ao equívoco no preenchimento da guia de custas, não implicará a aplicação da pena
de deserção, cabendo ao relator, na hipótese de dúvida quanto ao recolhimento, intimar o
o
recorrente para sanar o vício no prazo de 5 (cinco) dias (§ 7 do art. 1.007 do CPC).
Por outro lado, são dispensados de preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, os
recursos interpostos pelo Ministério Público, pela União, pelo Distrito Federal, pelos Estados, pelos
Municípios, e respectivas autarquias, e pelos que gozam de isenção legal, que são os beneficiários
o
da justiça gratuita (§ 1 do art. 1.007 do CPC). Quanto aos Conselhos de Fiscalização Profissional,
embora sejam autarquias, têm que pagar as custas (art. 4º da lei 9.289/96).

REGULARIDADE PROCEDIMENTAL OU FORMAL

A regularidade procedimental consiste nas formalidades mínimas exigidas para todo recurso.
São as seguintes:
a) todo recurso, inclusive no Juizado Especial, deve ser subscrito por advogado. A única
exceção é quando o próprio juiz recorre do acórdão que julgou o incidente de suspeição ou
impedimento. É claro que o Ministério Público também pode recorrer, pois ele tem capacidade
postulatória.
b) todo recurso deve ser interposto por petição escrita. É vedado o recurso oral ou por cota
nos autos. No Juizado Especial, contudo, os embargos declaratórios podem ser orais quando a
sentença for prolatada na audiência.

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c) o recurso interposto deve ser fundamentado. O recurso sem motivação é inepto. As


matérias não arguidas anteriormente não poderão ser alegadas em recurso, salvo em três
hipóteses: fatos novos, questões de fato não alegadas anteriormente por motivo de força maior e
questões de ordem pública.
d) assinatura do recorrente. A falta de assinatura é um vício sanável, por força do princípio da
instrumentalidade das formas.
e) o recorrente tem o ônus da impugnação específica dos fundamentos da decisão recorrida.
Incumbe ao relator não conhecer de recurso que não tem impugnado especificamente os
fundamentos da decisão recorrida (art.932, III, do CPC).
Há ainda as formalidades específicas de cada recurso. Exemplo: o agravo de instrumento deve
estar acompanhado das peças obrigatórias. Outro exemplo: os recursos especial ou extraordinário
devem preencher o requisito do prequestionamento, etc.

INEXISTÊNCIA DE FATO IMPEDITIVO DO DIREITO DE RECORRER

Os fatos impeditivos do direito de recorrer são basicamente dois: desistência e o não


pagamento das multas previstas nos arts. 1.021, §5º e 1.026, §3º, ambos do CPC.
A desistência é o abandono de um recurso já interposto. Pode ser feita por escrito ou
verbalmente na sessão de julgamento. Admite-se também a desistência tácita, por exemplo, um
acordo extraprocessual feito durante o recurso, incompatível com o desejo de recorrer. A
desistência é possível a qualquer tempo, conforme art. 998 do CPC , desde que antes de encerrado
o julgamento. Assim, se o relator votou, mas o julgamento ainda não se encerrou, será possível a
desistência.
A desistência é um ato unilateral, pois independe da anuência do recorrido ou dos demais
litisconsortes, ao contrário do que é exigido para a desistência da ação (art.998 do CPC). Ainda que
haja recurso adesivo, para se desistir do recurso principal, dispensa-se a concordância da parte que
recorreu adesivamente e nesse caso o recurso adesivo não será conhecido (art. 997, §2º, III, do
CPC).
Exige-se que o advogado tenha poderes especiais para renunciar ou desistir do recurso. A
desistência e a renúncia são irretratáveis. Ainda que não homologadas, o desistente ou renunciante
não poderá recorrer, pois operou-se a preclusão lógica.
O Ministério Público não pode renunciar ou desistir dos recursos já interpostos, pois atua no
processo como substituto processual ou fiscal do ordenamento jurídico, defendendo em nome
próprio interesse alheio.
A desistência do recurso não impede a análise de questão cuja repercussão geral já tenha sido
reconhecida e daquela objeto de julgamento de recursos extraordinários ou especiais repetitivos
(parágrafo único do art.998 do CPC).
Por outro lado, quando o agravo interno for declarado manifestamente inadmissível ou
improcedente em votação unânime, o órgão colegiado, em decisão fundamentada, condenará o
agravante a pagar ao agravado multa fixada entre um e cinco por cento do valor atualizado da
o o
causa (§ 4 do art.1.021 do CPC). Nesse caso, conforme dispõe o § 5 , a interposição de qualquer
o
outro recurso está condicionada ao depósito prévio do valor da multa prevista no § 4 , à exceção
da Fazenda Pública e do beneficiário de gratuidade da justiça, que farão o pagamento ao final.
Por fim, quando manifestamente protelatórios os embargos de declaração, o juiz ou o
tribunal, em decisão fundamentada, condenará o embargante a pagar ao embargado multa não
o
excedente a dois por cento sobre o valor atualizado da causa (§ 2 do art. 1.026 do CPC).
Na reiteração de embargos de declaração manifestamente protelatórios, a multa será elevada

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a até dez por cento sobre o valor atualizado da causa, e a interposição de qualquer recurso ficará
condicionada ao depósito prévio do valor da multa, à exceção da Fazenda Pública e do beneficiário
o
de gratuidade da justiça, que a recolherão ao final (§ 3 do art. 1.026 do CPC).

PERGUNTAS:

1) O recurso é interposto perante o órgão a quo ou ad quem ?


2) Qual a diferença entre admitir o recurso e prover o recurso?
3) O que são pressupostos recursais de admissibilidade?
4) Qual a diferença entre os pressupostos intrínsecos e extrínsecos?
5) Qual a diferença entre os pressupostos objetivos e subjetivos?
6) O que é extinção anômala ou prematura do recurso?
7) Quem analisa os pressupostos de admissibilidade?
8) O órgão a quo pode indeferir o recurso intempestivo?
9) Qual a medida cabível contra a decisão do órgão a quo que indefere o processamento
do recurso?
10) Explique o cabimento recursal.
11) Quais os atos judiciais irrecorríveis?
12) Quem tem legitimidade para recorrer?
13) O assistente simples pode recorrer?
14) O juiz pode recorrer?
15) O advogado pode recorrer?
16) O perito pode recorrer?
17) Em que hipótese o Ministério Público pode recorrer?
18) Explique o interesse recursal.
19) Explique a sucumbência formal e material.
20) O que é sucumbência recíproca?
21) O autor pode recorrer quando a sentença for totalmente procedente?
22) O réu pode recorrer da sentença que extingue o processo sem resolução do mérito?
23) É possível recorrer para alterar a fundamentação?
24) Quais os dois fatos extintivos do direito de recorrer?
25) O que é preclusão?
26) O que é preclusão temporal?
27) O que é preclusão consumativa?
28) O que é preclusão lógica?
29) Explique a renúncia ao direito de recorrer.
30) Explique a aquiescência recursal.
31) Explique a tempestividade.
32) Qual a diferença entre prazo próprio e impróprio?
33) O que é prazo peremptório?
34) Qual a diferença entre suspensão e interrupção dos prazos?

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35) Quais as hipóteses de interrupção de prazo recursal?


36) E as de suspensão?
37) Qual a diferença entre impedimento e suspensão?
38) Por que o prazo recursal é um prazo legal?
39) Na contagem dos prazos computam-se todos os dias?
40) Qual o prazo para recorrer?
41) Quem tem prazo diferenciado?
42) Os litisconsortes sempre têm prazos diferenciados?
43) Como se conta o prazo recursal?
44) A intimação é pessoal?
45) Como é a intimação das decisões e sentenças prolatadas em audiência?
46) Quando começa a correr o prazo recursal na intimação eletrônica?
47) Em autos eletrônicos, até que momento pode ser interposto o recurso?
48) E em autos em papel?
49) É possível recorrer pelo correio? Nesse caso, o que prevalece, a data da postagem ou a
data da chegada do recurso?
50) O que é recurso prematuro? É possível?
51) O que é preparo e qual a sua abrangência?
52) O recurso em autos eletrônicos têm custas por porte de remessa e de retorno?
53) Em que momento se deve comprovar o preparo? Há exceções?
54) O que é deserção?
55) A deserção é automática?
56) O que acontece se o preparo for insuficiente?
57) O recorrente que não fez o preparo pode fazer depois?
58) É possível relevar a pena de deserção?
59) Qual o recurso cabível dessa decisão que releva a pena de deserção?
60) Quais as hipóteses em que se dispensa o preparo?
61) Quais as formalidades mínimas exigidas para qualquer recurso?
62) É possível recurso oral?
63) A falta de assinatura do recorrente é um vício sanável?
64) Quais os fatos impeditivos do direito de recorrer?
65) O que é desistência? Quais suas formas? É possível até que momento? É um ato
unilateral? Admite retratação?
66) O MP pode desistir de recurso?
67) A desistência do recurso especial ou extraordinário repetitivos impede a análise da tese
jurídica?
68) A desistência do recurso extraordinário impede a análise da repercussão geral?
69) Quais as duas multas impeditivas do direito de recorrer? Explique.

JUÍZO DO MÉRITO RECURSAL

Preenchidos os pressupostos de admissibilidade, o recurso será conhecido, isto é, analisado


no mérito. O juízo de mérito é, pois, o provimento ou desprovimento do pedido recursal.

O mérito recursal consiste em impugnar:

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a) o error in procedendo ;
b) o error in judicando .

O error in procedendo͟ ou erro de procedimento é o que fundamenta o pedido de anulação


da decisão recorrida, em razão de alguma falha técnica que maculou o processo, como, por
exemplo, a falta de citação. É a alegação de vícios formais, com o objetivo de se anular o processo.
Nesse caso, o tribunal, ao dar provimento ao recurso, limita-se a anular a decisão recorrida,
mandando os autos de volta para o juízo a quo prolatar uma outra decisão. Em regra, o tribunal
não poderá apreciar o pedido estampado na inicial, pois lhe é vedado suprimir um grau de
jurisdição. Todavia, nos casos de extinção do processo sem resolução do mérito, o tribunal, após
anular a decisão recorrida, pode julgar desde logo a lide se a causa estiver em condições de
imediato julgamento (teoria da causa madura).
O ͞error in procedendo͟ pode ser:
a) intrínseco ou interno: quando aponta vícios formais da decisão (exemplos: falta de citação,
sentença extra-petita, sentença sem fundamentação, etc);
b) extrínseco ou externo: quando aponta vícios situados fora da decisão recorrida (exemplos:
impedimento do juiz, falta de citação de litisconsorte necessário, incompetência absoluta, etc).
Quanto ao error in judicando ou erro de julgamento é o que fundamenta o pedido de
reforma da decisão recorrida, ensejado um novo julgamento que substituirá o anterior. Nesse caso,
a impugnação recursal recai sobre a justiça ou conteúdo da decisão, que revela-se injusta ou sem
qualidade. Consiste no fato de o juiz interpretar erroneamente as provas (error in judicando fático),
ou então aplicar ou interpretar equivocadamente a lei ( error in judicando jurídico). Em tal situação,
o tribunal, ao conhecer do recurso, ao invés de anular a decisão recorrida, irá mantê-la ou reformá-
la.
Portanto, o julgamento do mérito do recurso pode consistir:

a) na anulação da decisão, quando se tratar de error in procedendo . Nesse caso, às vezes, a


anulação pode recair sobre todo o processo e não apenas em relação à decisão recorrida;
b) aa reforma (substituição) da decisão recorrida, se houver error in judicando ;
c) no julgamento do pedido estampado na inicial, nos casos em que, por error in
procedendo , o juiz extinguir o processo sem resolução do mérito, quando a causa estiver
em condições de imediato julgamento. Nesse caso, o tribunal de ofício anula a sentença e
em seguida julga o mérito, ainda que o recorrente não tenha pedido novo julgamento;
d) na manutenção da decisão recorrida, quando não houver error in procedendo nem error
in judicando .

EFEITOS DOS RECURSOS

São onze os efeitos dos recursos. Vejamos:

a) efeito obstativo: o recurso evita a preclusão da decisão e o trânsito em julgado da


sentença ou acórdão. Portanto, a questão permanece em aberto até o seu julgamento. Todavia,
nem sempre o recurso evita que o ato judicial recorrido surta efeitos. De fato, se o recurso tem
efeito suspensivo ele impede tanto a preclusão quanto a eficácia do ato judicial. Se, no entanto, o
recurso não tem efeito suspensivo, ele impede a preclusão, mas o ato judicial produzirá efeitos
imediatos. Caso o recurso não seja interposto, a decisão torna-se preclusa, imutável, salvo quando
se tratar de questão de ordem pública, nesse caso, se houver algum recurso posterior contra essa

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL
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decisão ou sentença, o tribunal deverá de ofício analisar essas matérias, pois elas não se sujeitam à
preclusão.

b) efeito liberativo da competência do tribunal ͞ad quem͟: somente através do recurso é


que o tribunal pode reexaminar as decisões prolatadas pelo órgão inferior. O tribunal não pode, de
ofício, avocar processos.

c) efeito devolutivo: é o que atribui ao juízo recursal o reexame da decisão judicial


impugnada.
O efeito devolutivo, no tocante ao pedido recursal, é regido pelo princípio ͞tantum devolutum
quanto appellatum , que é o fato de o órgão ad quem só poder reexaminar o pedido que é objeto
do recurso. Da mesma forma que a sentença não pode julgar fora do pedido estampado na petição
inicial, o recurso não pode ser julgado fora do pedido recursal. Trata-se de uma consequência do
princípio dispositivo da ação, isto é, da inércia da jurisdição. Esta limitação do tribunal ao objeto da
impugnação, que é prevista no caput do art. 1.013 do CPC, é chamada de efeito devolutivo no
sentido horizontal ou na extensão. Assim, o tópico não impugnado pelo recorrente escapa ao
conhecimento do órgão ad quem , salvo quando se tratar de matéria de ordem pública.
Todavia, o efeito devolutivo, no tocante aos fundamentos do recurso, que é chamado de
efeito devolutivo vertical ou na profundidade, autoriza a apreciação e julgamento pelo tribunal de
todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que não tenham sido solucionadas,
desde que relativas ao capítulo impugnado (§1º do art. 1.013 do CPC). Quando o pedido ou a
defesa tiver mais de um fundamento e o juiz acolher apenas um deles, a apelação devolverá ao
tribunal o conhecimento dos demais (§2º do art. 1.013 do CPC).
Noutras palavras, o recurso é limitado pela matéria impugnada, pois só este pedido será
apreciado pelo tribunal, além das questões de ordem pública. Todavia, para poder decidir o objeto
do recurso, o tribunal, de ofício, pode apreciar as questões suscitadas e discutidas no curso do
processo, ainda que não decididas por inteiro, outrossim, utilizar os fundamentos apresentados
pelas partes no processo, ainda que não reiterados no recurso.
Cumpre recordar que a sentença deve apreciar todos os pedidos da petição inicial, mas não
precisa analisar todos os fundamentos. Acolhendo-se um dos fundamentos, não há necessidade de
se analisar os demais. Igualmente, a sentença que acolhe um dos fundamentos da contestação, não
precisa analisar os outros fundamentos da contestação. Entretanto, ao julgar o recurso, o tribunal,
antes de acolher o pedido do recorrente, deve analisar todos os outros fundamentos suscitados na
petição inicial e na contestação, para só então proferir o veredito final . Exemplo: se a ação
anulatória de casamento, com fundamento em erro sobre a honra e impotência coeundi, é julgada
procedente, com base apenas no erro sobre a honra, o tribunal, ao afastar o erro sobre a honra,
deverá antes de dar provimento ao recurso, analisar a questão da impotência coeundi e, ao acolhê-
la, negará provimento ao recurso. Caso não haja elementos para apreciar a questão da impotência,
deverá anular a sentença e baixar os autos para o juízo de primeiro grau produzir as provas.

d) efeito regressivo: é o que propicia o reexame da matéria pelo próprio órgão a quo ,
ensejando o juízo de retratação ou revisão. Apenas alguns recursos são dotados de efeito
regressivo. Exemplo: apelação das sentenças do Juízo da Infância e Juventude. Outro exemplo:
apelação das sentenças terminativas. Mais um exemplo: apelação contra sentença que julgou
liminarmente improcedente a ação.

e) efeito diferido: ocorre quando o conhecimento do recurso depender do conhecimento de

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um outro recurso. É o caso do recurso adesivo, pois só será julgado se o recurso principal for
conhecido.

f) efeito suspensivo: consiste no impedimento da eficácia da decisão judicial recorrida,


obstando-se a sua execução. Normalmente, os recursos não impedem a eficácia da decisão, salvo
disposição legal ou decisão judicial em sentido diverso (art.995 do CPC). Assim, no silêncio da lei, o
recurso não tem efeito suspensivo. Entretanto, em todo recurso existe a possibilidade de se obter
efeito suspensivo, desde que presentes certos requisitos.
A apelação, em regra, tem efeito suspensivo (art. 1.012 do CPC).
Quanto ao agravo de instrumento, pode ou não ter efeito suspensivo, a critério do relator
(art. 1.019, I, do CPC). Mas o efeito suspensivo não é automático, depende de decisão do relator,
ao contrário do que ocorre com a apelação.
Sobre os embargos de declaração, não têm efeito suspensivo.
Os recursos que não têm efeito suspensivo legal são: o recurso especial, o recurso
extraordinário e a apelação das sentenças do §1º do art. 1.012 do CPC. Nesses casos, torna-se
viável a execução provisória da decisão , pois seus efeitos não são obstruídos pela interposição
recursal, embora o ato judicial hostilizado não esteja acobertado pela preclusão. Assim, enquanto a
execução definitiva pressupõe o trânsito em julgado da decisão , a execução provisória verifica-se
na pendência de recurso sem efeito suspensivo.
Cumpre acrescentar que o efeito suspensivo impede apenas o efeito principal da decisão
judicial, que é a execução provisória do julgado, mas não obsta outros efeitos como, por exemplo, a
inscrição da hipoteca judiciária e a liquidação da sentença em autos apartados.
O efeito suspensivo classifica-se em:
a) próprio ou ex lege: é o que decorre automaticamente da lei e, portanto, independe de
decisão judicial. É o caso da apelação (art. 1.012 do CPC).
b) impróprio ou ope judicis : é o determinado por decisão judicial, nos casos em que a lei
não prevê o efeito suspensivo próprio. É assim possível se conceder efeito suspensivo aos recursos
de agravo de instrumento, recurso especial, recurso extraordinário e nas apelações do §1º do art.
1.012 do CPC. Com efeito, dispõe o parágrafo único do art.995 do CPC: A eficácia da decisão
recorrida poderá ser suspensa por decisão do relator, se da imediata produção de seus efeitos
houver risco de dano grave, de difícil ou impossível reparação, e ficar demonstrada a probabilidade
de provimento do recurso . Assim, o efeito suspensivo impróprio depende dos seguintes requisitos:
pedido do recorrente, risco de dano grave ou de difícil ou impossível reparação gerado pela decisão
recorrida e ainda da demonstração da probabilidade de provimento do recurso. O pedido de efeito
suspensivo impróprio pode ser feito nas razões do recurso ou em petição separada. É analisado e
decidido pelo relator.
Sobre a extensão do efeito suspensivo, cumpre analisar os seguintes tópicos:
a) apelação parcial: os pontos não impugnados da sentença sujeitam à execução definitiva,
por força da preclusão. Note-se que a execução será definitiva e não provisória, vedando-se ao
magistrado de primeiro grau conhecer de ofício matérias de ordem pública, pois a sentença tornou-
se imutável, fez coisa julgada em relação aos pontos não impugnados.
b) apelação de um dos litisconsortes: suspende-se a execução do julgado para os demais que
não recorreram, desde que o litisconsórcio seja unitário ou então simples, mas a tese recursal for
comum.
c) ações conexas julgadas na mesma sentença, em que uma delas versa sobre matérias do §1º
do art. 1.012 do CPC: ainda que haja apelação de ambas as ações, o efeito suspensivo se limitará
apenas às matérias não abrangidas pelo §1º do art. 1.012 do CPC.

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d) sentença de improcedência: gera o cancelamento automático da liminar, ainda que haja


apelação.
Finalmente, há ainda o chamado efeito suspensivo ativo. Ocorre quando no recurso de agravo
de instrumento pede-se ao relator o deferimento da liminar negada pelo juízo de primeiro grau.
Trata- se de uma concessão de tutela antecipada e não propriamente de efeito suspensivo à
medida que a decisão anterior havia indeferido o pedido e, portanto, não havia o que se suspender.

g) efeito translativo: é o que transfere automaticamente ao tribunal todas as matérias de


ordem pública, ainda que não suscitadas anteriormente. Contudo, se a questão ainda não havia
sido debatida pelas partes, o tribunal, para se evitar decisão surpresa, deve dar oportunidade para
que elas se manifestem. Note-se que, enquanto o efeito devolutivo vertical permite ao tribunal
apreciar de ofício, no julgamento do recurso, matérias alegadas ou discutidas anteriormente, mas
ainda não decididas, o efeito translativo permite o conhecimento de matérias inéditas, isto é,
sequer aventadas nos autos. Sobre a possibilidade de efeito translativo nos recursos especial ou
extraordinário, paira a discussão, mas a posição dominante é que estes dois recursos não têm
efeito translativo. Tradicionalmente, o STF não admite que se conheça de ofício matérias de ordem
pública que não foram objetos de prequestionamento, isto é, de decisão anterior. Mas atualmente
ganha corpo no STJ a corrente que permite que se conheça de ofício as matérias de ordem pública
não suscitadas anteriormente, desde que o recurso especial tenha sido admitido, o que não se pode
é apreciar essas matérias antes da admissão desses recursos.

h) efeito expansivo: ocorre quando o julgamento do recurso extrapola os limites do que foi
impugnado, atingindo outros capítulos da sentença ou outros atos processuais ou ainda partes do
processo que não figuram como partes no recurso. O efeito expansivo não é julgamento extra-
petita, mas uma consequência lógica do que foi decidido no recurso.
O efeito expansivo pode ser:
a) objetivo interno: o julgamento do recurso atinge capítulos da sentença que não foram
atacados no recurso, mas que não podem sobreviver, pois se revelam incompatíveis com a nova
decisão. Assim, o provimento do recurso gera o cancelamento de decisões que dependiam da
decisão reformada. Exemplo: provido o recurso para julgar improcedente a ação de investigação de
paternidade, cessam automaticamente os alimentos, ainda que não requerido expressamente o seu
cancelamento.
b) objetivo externo: o julgamento do recurso atinge outros atos processuais. Exemplo:
provido o recurso para se reformar a sentença, cancela-se automaticamente a liminar e a execução
provisória.
c) subjetivo: o julgamento do recurso atinge sujeitos que não recorreram. Exemplo: provido o
recurso de um dos litisconsortes, os demais se beneficiam, quando se tratar de litisconsórcio
unitário, outrossim, no litisconsórcio simples, quando a tese versar sobre matéria comum, o
provimento do recurso de um deles beneficia todos os demais. Quando houver solidariedade
passiva, o recurso interposto por um devedor aproveitará aos outros, quando as defesas opostas ao
credor lhes forem comuns (parágrafo único do art. 1.005 do CPC).

i) efeito substitutivo: ocorre quando o recurso é conhecido e julgado no mérito, de modo que
o acórdão substituirá a decisão recorrida. Nesse caso, o título executivo judicial será o acórdão e
não a decisão recorrida. A eventual ação rescisória será para impugnar o acórdão, pois ele substitui
a sentença. Este efeito é previsto no art. 1.008 do CPC que dispõe: o julgamento proferido pelo
tribunal substituirá a decisão impugnada no que tiver sido objeto de recurso .

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Quando o recurso é conhecido, mas no mérito é negado o provimento para se confirmar a


decisão recorrida, verifica-se também o efeito substitutivo, quer o recorrente tenha alegado error
in procedendo ou error in judicando . Igualmente, há o efeito substitutivo quando é provido o
recurso em que se alega error in judicando , mas o provimento em razão de error in procedendo
não gera o efeito substitutivo e, sim, a anulação da decisão recorrida.
Apenas em três hipóteses, o recurso não tem efeito substitutivo:
a) o recurso não é sequer conhecido;
b) o recurso é conhecido e provido no mérito para se anular a decisão judicial;
c) embargos de declaração, pois eles não têm efeito substitutivo e sim efeito integrativo,
visam o aclaramento do julgamento e não a sua substituição.

j) efeito anulatório: ocorre quando o recurso é conhecido e decidido no mérito, mas apenas
para se anular a decisão recorrida, sem substituí-la, determinando-se o prosseguimento do feito.

k) efeito integrativo: é o que visa aclarar ou aperfeiçoar a decisão recorrida e não


propriamente substituí-la ou anulá-la. Os embargos de declaração é o único recurso que tem efeito
integrativo.

SUCEDÂNEOS RECURSAIS

Sucedâneos recursais são os outros meios de impugnação de decisões judiciais. Podem ser:
a) sucedâneos recursais internos: desenvolvem-se dentro do mesmo processo em que se
prolatou a decisão hostilizada. São eles: reexame necessário, correição parcial, pedido de
reconsideração, pedido de suspensão de decisão judicial endereçada ao Presidente do Tribunal e
outros.
b) sucedâneos recursais externos: desenvolvem-se em processo distinto daquele em que se
prolatou a decisão impugnada. São as chamadas ações autônomas de impugnação. São elas: ação
rescisória, ação anulatória de ato judicial, ação de querella nullitatis , reclamação constitucional,
mandado de segurança contra ato judicial, embargos de terceiros, embargos à execução e outros.

REEXAME NECESSÁRIO OU REMESSA NECESSÁRIA

Reexame necessário é o dever do juiz remeter de ofício certas sentenças para o tribunal
reexaminá-las. É o duplo grau obrigatório. É incorretamente chamado de recurso de ofício ou
recurso obrigatório. Não se trata de recurso, a expressão é infeliz. De fato, a interposição não é
voluntária, não há prazo, não é dialético (não tem fundamentação) e não é qualificado pela lei
como recurso. Ademais, o recurso é disponível às partes, ao terceiro prejudicado e ao Ministério
Público, o juiz não tem legitimidade para recorrer.
Trata-se de requisito de eficácia algumas sentenças. De fato, não transita em julgado as
referidas sentenças por haverem omitido o recurso ex officio, que se considera interposto ex lege
(súmula 423 do STF).
De acordo com o art. 496 do CPC, está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo
efeito senão depois de confirmada pelo tribunal, a sentença:
I - proferida contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas
autarquias e fundações de direito público;
II - que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução fiscal.
Também se sujeita ao reexame necessário a sentença que julga improcedente ou extinta sem

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resolução do mérito a ação popular (art. 17 da lei 4.717/65), outrossim, a sentença que concede
mandado de segurança (art. 14, §1º, da lei 12.016/2009).

Nos casos acima, não interposta a apelação no prazo legal, o juiz ordenará a remessa dos
autos ao tribunal, e, se não o fizer, o presidente do respectivo tribunal avocá-los-á.
o
De acordo com § 3 do art. 496 do CPC, não se aplica a remessa necessária quando a
condenação ou o proveito econômico obtido na causa for de valor certo e líquido inferior a:
I - 1.000 (mil) salários-mínimos para a União e as respectivas autarquias e fundações de
direito público;
II - 500 (quinhentos) salários-mínimos para os Estados, o Distrito Federal, as respectivas
autarquias e fundações de direito público e os Municípios que constituam capitais dos Estados;
III - 100 (cem) salários-mínimos para todos os demais Municípios e respectivas autarquias e
fundações de direito público.
o
O § 4 do art. 496 do CPC também acrescenta que não se aplica a remessa necessária quando
a sentença estiver fundada em:
I - súmula de tribunal superior;
II - acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em
julgamento de recursos repetitivos;
III - entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de
assunção de competência;
IV - entendimento coincidente com orientação vinculante firmada no âmbito administrativo
do próprio ente público, consolidada em manifestação, parecer ou súmula administrativa.
Nada obsta, porém, que nestas hipóteses a Fazenda Pública apresente recurso voluntário.

Por outro lado, a sentença que condena empresa pública ou sociedade de economia mista
também não se sujeita ao reexame necessário, pois referidos entes são pessoas jurídicas de direito
privado.

Conforme já dito, a remessa necessária não é recurso. É, no entanto, similar e por isso deve
observar várias regras recursais. Com efeito, no reexame necessário, é defeso, ao tribunal, agravar
a condenação imposta à Fazenda Pública, conforme súmula 49 do STJ, que proíbe a reformatio in
pejus . A remessa oficial devolve ao tribunal o reexame de todas as parcelas da condenação
suportada pela Fazenda Pública, inclusive dos honorários de advogado, segundo súmula 325 do STJ,
de modo que, ainda que a sentença esteja correta no mérito, o tribunal pode reduzir os honorários
advocatícios. O efeito devolutivo é total, ainda que haja recurso voluntário parcial da Fazenda
Pública. A Súmula 390 do STJ, porém, dispõe que não cabem embargos infringentes contra acórdão
não unânime proferido em reexame necessário. Os embargos infringentes foram extintos pelo novo
CPC e substituídos pela técnica de julgamento do art. 942 do CPC que, no entanto, não se aplica à
remessa necessária (§4º do art.942 do CPC).
Finalmente, a sentença arbitral contra a Fazenda Pública não está sujeita à remessa
necessária.

CORREIÇÃO PARCIAL

A correição parcial é uma medida administrativa de natureza disciplinar que visa punir o juiz
que tumultua o andamento do processo.

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É prevista no art. 6º, I, da lei 5.010/1996, que regula a organização judiciária da justiça
federal. Trata-se de uma lei federal em sentido estrito, pois aplica-se apenas à União. Não é uma lei
nacional ou federal em sentido amplo.
É ainda prevista no Código Judiciário do Estado de São Paulo com o objetivo de punir o juiz.
Não se trata de recurso, pois não é disciplinada em lei nacional.
No processo civil, às vezes é usada de forma distorcida, como recurso, contra despacho de
mero expediente que tumultua a marcha processual. Na prática, a correição parcial é também
usual quando o juiz se omite e não prolata decisão alguma.
Na área trabalhista e no processo penal, as decisões interlocutórias, em regra, são
irrecorríveis e por isso a correição parcial é utilizada para se tentar o reexame da decisão, como se
fosse um recurso, desvirtuando-se da sua verdadeira função, que é a de punir administrativamente
o juiz. Diante da irrecorribilidade das decisões interlocutórias no CPC 2.015, provavelmente os
advogados também tentarão fazer desta medida um recurso.
Resumidamente, pode se afirmar que não é recurso, pois não é prevista em lei nacional.
Ademais, o seu objetivo não é o reexame da decisão judicial e, sim, a punição disciplinar do
magistrado.

PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO

O pedido de reconsideração é o que visa provocar a retratação do juiz em sua decisão. Não é
previsto em lei. Portanto, não se trata de recurso. É usualmente empregado pelos advogados e
aceito pela jurisprudência. Sua interposição não interrompe, nem suspende o prazo recursal. Por
consequência, para se precaver da preclusão, a parte que interpõe o pedido de reconsideração
deve também, por cautela, protocolar o recurso eventualmente cabível, pois se o juiz não se
retratar, a decisão se torna preclusa após o prazo recursal.
Os embargos infringentes do art. 34 da lei 6.830/80, classificado nessa lei como recurso
co t a se te ças de at 50 OTN’s, di igido ao p óp io juízo de p i ei o g au, ada ais ue u
pedido de reconsideração, que a lei rotulou como sendo recurso.
Nessa hipótese acima, como se vê, o pedido de reconsideração é previsto em lei.

RECLAMAÇÃO

CONCEITO

Reclamação é o instrumento processual previsto para preservar a competência do tribunal e


garantir a autoridade de suas decisões. Exemplo: a competência para a admissibilidade ou não da
apelação é do relator e do tribunal, de modo que se o juízo de primeiro grau não receber o referido
recurso, será cabível a reclamação.

LEGISLAÇÃO APLICÁVEL

A reclamação interposta perante os tribunais de justiça e tribunais regionais federais, é


regulada pelos artigos 988 a 993 do CPC, mas quando interposta nos tribunais superiores é regida
pela lei 8.038/90. Entretanto, o art. 1.072, IV, do CPC revogou expressamente os artigos 13 a 18 da
referida lei.

NATUREZA JURÍDICA

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Quanto à sua natureza jurídica, trata-se de ação e não de recurso, tanto é que é cabível até
mesmo contra atos administrativos. De acordo com a posição dominante, a reclamação é uma ação
que se caracteriza como sendo sucedâneo recursal, sendo que uma posição minoritária a classifica
como incidente processual.

LEGITIMIDADE ATIVA

A reclamação pode ser interposta pela parte interessada e pelo Ministério Público, ainda que
figure como fiscal do ordenamento jurídico.
Entende-se por parte interessada tanto aquela que participa do processo quanto o terceiro
cujo interesse foi afetado pela decisão.

COMPETÊNCIA

A reclamação pode ser proposta perante qualquer tribunal.


O seu julgamento compete ao órgão jurisdicional cuja competência se busca preservar ou cuja
autoridade se pretenda garantir. Assim, a reclamação pode ser interposta perante qualquer
tribunal, e não apenas nos Tribunais Superiores como previa a lei 8.038/90.
Embora seja julgada pelos órgãos fracionários dos tribunais, isto é, câmaras ou turmas, a
o
reclamação é dirigida ao presidente do tribunal (§ 2 do art. 988 do CPC).
Hipóteses de cabimento
De acordo com o art. 988 do CPC, caberá reclamação para:
I - preservar a competência do tribunal. Assim, por exemplo, cabe reclamação, por usurpação
de competência do tribunal de justiça ou tribunal regional federal, contra a decisão de juiz de
primeiro grau que inadmitir recurso de apelação (Enunciado 207 do Fórum Permanente de
Processualistas Civis). Outrossim, cabe reclamação, por usurpação de competência do Superior
Tribunal de Justiça, contra decisão do presidente ou vice-presidente de tribunal de justiça que
inadmitir recurso ordinário interposto com fundamento no art. 1040, II, a (Enunciado 209 do
Fórum Permanente de Processualistas Civis).
II - garantir a autoridade das decisões do tribunal. Exemplo: juiz de direito se recusa a cumprir
a liminar deferida pelo tribunal.
III - garantir a observância de súmula vinculante e de decisão do Supremo Tribunal Federal em
controle concentrado de constitucionalidade. A inobservância de súmula vinculante enseja a
propositura de reclamação interposta diretamente no Supremo Tribunal Federal, conforme art.
102, I, alínea l, da CF, trata-se da chamada reclamação constitucional, disciplinada pela lei 8.038/90.
Note-se que não é cabível reclamação pelo não cumprimento de outras súmulas do STF ou STJ,
embora elas sejam de cumprimento obrigatório. Já a inobservância dessas decisões do STF em
controle concentrado de constitucionalidade se verifica quando houver a recusa em aplicar a tese
jurídica ou quando esta tese for aplicada indevidamente.
IV - garantir a observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de
demandas repetitivas ou em incidente de assunção de competência. Estas hipóteses compreendem
a aplicação indevida da tese jurídica e sua não aplicação aos casos que a ela correspondam.
Em todas as hipóteses acima, para interpor a reclamação, não há necessidade de se ter
esgotado as vias recursais. Portanto, ainda que a parte não tenha recorrido da decisão, ela poderá
valer-se da reclamação.

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL
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o
É também cabível a reclamação, conforme § 5 do art. 988 do CPC, para garantir a
observância de acórdão de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida ou acórdão
proferido em julgamento de recursos extraordinário ou especial repetitivos, desde que esgotadas
as instâncias ordinárias recursais.

PRAZO PARA A PROPOSITURA


o
Dispõe o § 5 do art. 988 do CPC, que é inadmissível a reclamação:
I. proposta após o trânsito em julgado da decisão reclamada.
Portanto, a reclamação somente é cabível até antes do trânsito em julgado da decisão. Vê-se
assim que a reclamação não é um sucedâneo da ação rescisória, pois ela não se presta para
impugnar decisões transitadas em julgado.
II. proposta para garantir a observância de acórdão de recurso extraordinário com
repercussão geral reconhecida ou de acórdão proferido em julgamento de recursos extraordinário
ou especial repetitivos, quando não esgotadas as instâncias ordinárias. Portanto, enquanto for
possível recorrer às instâncias ordinárias, isto é, valer-se dos recursos em que se pode discutir tanto
matérias fáticas quanto jurídicas, não se pode impetrar a reclamação com base nos fundamentos
desse inciso II. Esgotadas as instâncias ordinárias, através do exercício efetivo dos recursos, será
cabível a reclamação, desde que ainda não haja trânsito em julgado.

CABIMENTO DE RECURSO

Caso a parte tenha recorrido da decisão que usurpou competência do tribunal ou violou suas
decisões, o julgamento desfavorável ao recurso não impede a propositura da reclamação. Não há
falar-se em preclusão, por força do §6º do art. 988.
Assim, a inadmissibilidade do recurso ou o julgamento desfavorável do recurso pelo órgão
reclamado não impede que, depois, a parte ingresse com a reclamação.
Noutras palavras, o fato de caber recurso não impede o cabimento da reclamação. A mesma
decisão pode ser impugnada simultaneamente ou sucessivamente através de recurso e de
reclamação, que são duas vias de impugnação, autônomas e independentes.

PROCEDIMENTO

Quanto ao procedimento da reclamação, é similar ao previsto para o mandado de segurança,


o
tanto é que só admite prova documental, conforme § 2 do art. 988 do CPC.
A petição inicial de reclamação deverá ser instruída com prova documental e dirigida ao
presidente do tribunal.
Assim que recebida, a reclamação será autuada e distribuída ao relator do processo principal,
sempre que possível.
Com efeito, dispõe o art. 989: Ao despachar a reclamação, o relator:
I - requisitará informações da autoridade a quem for imputada a prática do ato impugnado,
que as prestará no prazo de 10 (dez) dias;
II - se necessário, ordenará a suspensão do processo ou do ato impugnado para evitar dano
irreparável;
III - determinará a citação do beneficiário da decisão impugnada, que terá prazo de 15
(quinze) dias para apresentar a sua contestação .
Qualquer interessado poderá impugnar o pedido do reclamante.

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Após o decurso do prazo para as informações e contestação, abre-se vista do processo ao


Ministério Público, que terá 5 (cinco) dias para manifestar-se. Nas reclamações impetradas pelo
Ministério Público não há necessidade de se ouvir outro membro dessa instituição.
Julgando procedente a reclamação, o tribunal cassará a decisão exorbitante de seu julgado ou
determinará medida adequada à solução da controvérsia. Noutras palavras, a decisão exorbitante
será anulada e, sendo necessário, o tribunal, no julgamento da reclamação, ordenará que o órgão
jurisdicional profira outra decisão adequada à solução da controvérsia.
O presidente do tribunal determinará o imediato cumprimento da decisão, lavrando-se o
acórdão posteriormente. Quem manda cumprir a decisão prolatada na reclamação é o presidente
do tribunal. Este cumprimento deve ser imediato, antes mesmo da lavratura do acórdão.

PERGUNTAS:

1) O que é o juízo do mérito recursal?


2) Em que consiste esse juízo?
3) O que é error in procedendo ?
4) O tribunal ao anular a decisão recorrida, pode julgar o mérito?
5) O error in procedendo é apenas um vício da decisão recorrida?
6) O que é error in judicando ?
7) Explique o efeito obstativo do recurso.
8) Explique o efeito liberatório da competência recursal.
9) Explique o efeito devolutivo vertical ou na profundidade.
10) O que é o efeito regressivo?
11) O que é o efeito diferido?
12) O que é o efeito suspensivo?
13) No silêncio da lei, o recurso tem efeito suspensivo?
14) Quais os recursos que têm e os que não têm efeito suspensivo?
15) Qual a diferença entre execução provisória e execução definitiva?
16) O efeito suspensivo obsta todos os efeitos da decisão?
17) Qual a diferença entre efeito suspensivo próprio e impróprio?
18) Como pode ser requerido o efeito suspensivo impróprio?
19) O que é efeito suspensivo ativo?
20) Explique a extensão do efeito suspensivo.
21) O que é efeito translativo? Há exceção? Como se distingue do efeito devolutivo vertical?
22) Explique o efeito expansivo objetivo interno, objetivo externo e subjetivo.
23) Explique o efeito substitutivo.
24) Em que hipóteses não haverá efeito substitutivo?
25) Explique o efeito anulatório.
26) Explique o efeito integrativo.
27) O que são sucedâneos recursais?
28) Os sucedâneos recursais se desenvolvem no mesmo processo em que se prolatou a
decisão judicial ou em outro processo?
29) O que é reexame necessário?
30) Qual a sua natureza jurídica?
31) É correta a expressão recurso de ofício?
32) Quais as hipóteses de reexame necessário?
33) Quais as hipóteses em que não há reexame necessário?

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL
PROF. FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS

34) Quando não houver reexame necessário, a Fazenda Pública pode recorrer
voluntariamente?
35) Quais as normas sobre recurso que se aplicam ao reexame necessário?
36) No reexame necessário é cabível a técnica de julgamento?
37) Explique a correição parcial.
38) Explique o pedido de reconsideração.
39) O que é reclamação?
40) Qual a sua natureza jurídica?
41) Quem tem legitimidade para interpô-la?
42) Quem é competente para o julgamento?
43) A quem é direcionada a reclamação?
44) Quais as hipóteses de cabimento?
45) É cabível quando se violar súmulas do STF ou STJ?
46) Qual o prazo para propô-la?
47) É possível a reclamação para impugnar decisão judicial que já foi objeto de recurso, cujo
provimento foi negado?
48) Explique o procedimento da reclamação.
49) Quem pode impugnar o pedido do reclamante?
50) Ao julgar procedente a reclamação, o que acontece?
51) Quem manda cumprir a decisão que julgou procedente a reclamação?
52) O acórdão que julga procedente a reclamação deve ser lavrado imediatamente?

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