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ESCOL ·A o

MORAL,POLITIC
. CftRISTÁA,EJURIDICA~
TERCEIRA EDIÇAM NOVA , E ClJRIOSAMFNTÉ CORRECT A ,

DIVIDIDA EM QUATRO

PALESTR. S, NAS Q U ·A E S
LEM :ÔE PRIMA AS QUATRO VIRTUDES CA RDEAES. NA PRIMEIRA, A
Prudencia na C::1deira do E11tendi111ento. Na fegunda, a jufliça na Cadeira da
Vontade. Na terceira, a Fortaleza na Cadeira do Irafcivel. Na quarta, a.Tem- ~
perança na·Cadeira do Concupifcivel; dando Ley.s a todas as Virtudes, que
dellas procedem, e confutando todos os vícios, que fe lhe oppoem, e diri-
gindo todos os aétos das quatro faculdades d'alma, capazes de virtudes,
e vícios, Entendiqiento, Vontade, Irafcivel, e Concupifcivel, às re-
gra~ da razaõ; fah~ndo a Prudencia na primeira Paleíl:ra, com hum Mi-
niíl:ro pn1dente; a Juftiça na fegunda, com hum Miniftro jufticeiro;
.a Fo1~taleza na terceira, com hum Miniftro forte; a Temperança na
quarta, com hum Midiftro temperado.
M.dTER.IA UTIL, E NECESSA/lIA PAR.A TODO O
Eftado _, ,e profij/oens Ecclefiafticas, e Settt!are.r.,
COMPOSTA. PELO DOUTOR

DIOGO GUERREIR.O
CAMACHO DE ABOYM. . ·
Familiar do Santa Officio, e D efon1bargador do Porto.~ ;:. · ·'
...,.,
1

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L 1 S BOA:
.

Na Ófficina de BERNARDO ANTO.NIO DE OLIVEIRA. 1 1

E à füa cuíl:a impreífo.


Anno Domini 1\1. DCC.LIX.
Com todas as licenças necelfarit1.r; e lryrivilegio R eal.,
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Ropriedade he da natureza h'urríarl:a o naó agradar , nem defcontentar
a t.odos; rnaxirna. ,. que fe vio acreditada no mefmo Author da nature- ,
za ,· que feito · homem~ faraó menos os que o receberaõ, e mais os
,que o naó conheceraó. Propriedade he tambem da propria natureza
. o errar mais, do qu~ o acertar; rnaxima, que fó vimos limitada em Deos fei- ,
to homem, que por fera mefma Sabedoda infinita, naõ podia errar em nada;_
e affirn naó pertendo , amigo Leitor, agradar a todos: Nihil ubique placet. $x
Qjtintiliano, po'rq ue na.Ó intento í11udar a natureza, nem tam b~m preíhmo
acertar em tudo, porque afpirara a fer mais <JUe homem; · mas fó procuro,
qne naó pel'ca a minha penna., . por 1~us defcuidos, ta11to credito com os Lei-
tores fabios, quanto deve grangear o zelo da minha intençaõ com os piedo-
fos; e afüm quando naõ te agrade pelo eftylo, efpero, que ao menos n1.e per-
does por bem intencionado.:
'.
Accipe parva mei, Leêfor, munilfcu!a fenfús ,
-Non qute funt, fld qtta fufcipe mente data .
/
. .
Nenhum engenho caufou ag1 àdo tem âlgüm. ciereíró,que tiveífe rtecefficfad-e de
1

perdaó; aos fugeitos de melhor nome achou que dHfimular o feu feculo : mui..
tos podera ·nomeat; qüy naó tec~be_raó nqta de fe_us el'ros, e algurts, que
confegniraó honra ; pois o q üe ·e1•à. digrto de cenfutá , negociou applaufo,
como efcreveo Seneta na Carta 115. i Nullum jine venia placuit ingenium : da
mihi quemcu!nque tpis mc;gni no11iÍ!JÍS_v~ritm_ , dicam quàd illi tetas fua ignáverit ,
qitod in illo dij]imulavit ;- multas dabo, qttibus vitía nôn notuerímt-, qttofdam, qtti-
bus profuerunt. E fe nos mais fabios achou que pei-doa1• a g,en.erofidade dos
Leitoreg piedofos; ~que fofrer a rdàde doS' que os ail;!ançá1•áõ, tiluito foy ami.-.
g_o Leitor, que tens que trte pm•doa1 e rri!Jitô que me fofre1•; mas perdoando; .
4
,

e fofrendo ; âlcançárás tu a vil'tude da cleme11cia , e da paciencia, e eu ,.qmm.:.


do naó poífa ficai· emendado, fica1•ey ag1•adeGido; é obrigadó até dar breve'"
mente ao prelo fete tomos; parte do trabalho de dez anrtos de eftudo; qtte ap-=-
pliquey a tl'azer ~i' hiZ a obtigáçaó dos Juiz€s dos Orfàõs; bem conhecida de
todos, e atégora naó ttatada de rtenli.l1li1; e pot Hfo de nei1hmn cnbalt11ente fü ...
bida, e fobh~ outtas 111~tedàs ~ - d€· que já tens quàtro t?rnOs_i,1~p1'eífos.1 _ . . ~
Bem fey, que o eftylo; he tofco, a fraíe g1•offe11'a ~porque fe me dett à
Divina Pl'oVidencia o dom, de cortcebe1• oem ,.negoumé o_de explicat.. rne coni
~icertd 1 e elégartéià, d que rtaõ h~ 11ov~, pois já Cicero fio liv. i , das (i1as Tufcut.a.-.
''!Jas quefl. 46. conhec©o em álgl:ins iguàlm.en.te aqu€lla bem; e efte mal: Fieri
autem patefl ,.ut r_efte quis.fentia.t ; &'_ id, quod.fentit , palite e/aqui 11on pq/]it ; mas nem
;por m~· achar fel1t fl01•es ,, e fom folhas; me péil'eceo p1~1 vai'tê do r1·utó do men
trabalho. 1-luns, diz Saqto AitPfhnho, qüe fal1ao ptecifamtmte flores, guti-os
\.. . . . f 0.ll1~S?_
folh as , outros frutos : Alii m-eros flores loqttunttw , alii folia , alii frv,êtus ; e·1u1)-
pofto qLíen~nhuma deftas.tres çoufos de pedi coníHtuaó perfeita bumaObra:
como nem hum a nrvore-·, mas todas .devem_concorrer, as flores como formo-;"
fa efperánçà, as folh~s como natunildefe'nfa, os frutosrcomo riqueza; cóm
tudo affim como be melhor, que faltem flores, e folhas nas arv01·es, que fru-
tos , affim f erá menos mal, q uc fe ache menos nas obr:;is--as flores da Rhetori-
ca, as folha.s da eloquencia, que os fnitos das virtudes; pois as flore~, e fo-
lhas fe ordena ó ao bom logro dos fruétos; nem merece deflores:, nern de folhas
os adornos, quem naõ !erve à utilidade; efta creyo eu acharáó nefta obra to-
dos os eftáélós de peífoas ~, qüe a~1arem as virtudes: ·
. - -
Clericus es, legito hcec; laicus es, legito ifla libenter;
Crede niihi, ir,,venies hic quod uterqua vales.
. \__
Quanto mais, que procurey, quanto me foy poffivel, trátar em cada materia
de cada hnma deftas feífoens as fentenças dos Sabios, que a geral aceitaÇãó
tem graduado por Meftres, os verfos dos Poetas, que por melh01:es recebeo o
commqm applaufo nas azas da fama, os exemplos dos HiftoriadçH·es, a quem o
univerfal confentimento jubilou por Meftres da arte, em que acharás naó me-
nos o util, que o deleitofo, para que fe te -naó obrigar a lellos a utilidade ,.te
mova o deleitofo: . - · -

· Dulcia, Leêtor, amas;ftmt btec dulciffima quoque; )


· Utile ji quceris , nil legis utilius. . '
Por conclufaó, Leitor benevolo, te venho a pedir naó louvores ,porque era--
pedir muito em tempo d€·tanta carefha-de louvores, que tem por grande par-
tido,- o que fem fer louvado , _naó Qaifa a reprehendido;nias fQ_ o que te peço,
he perdaó para o q_ue me achares digno de cenfüra, e filencio para o que me
aehares merezedor de louvor ;-e aifaz me darey por louvado, fe t€ naõ for en.r.· --
fado1~ho; e por ultimo te digo com Ovidio,: -

Ut veniam pro laude peto , laudatus abund~,


·Non fafliditusji tibi leftor ero.-

.KO!_ICIA DA OBRA QUE o AUTHOR COMPOZ.


IN PRIMO TOMO Traétatus de Inventariis.
JN"SECUNDO de Divionibus, em 2 volumes.
IN TERTJD deDatione, & obligatione Tutorum, & Curatorum, em 2 voL .
IN QUARTO de Omni genere Rationum, de omnibus perfonis, qua: 1'.atio- ·
nem reddere debent, em 2 vol. · :)
JN QUJNTO denique de Omni proceífu Ciyili, & Criminali. _ :t·
IN SEXTO Tra&atus de Recufationibus.r
IN SEPTIMO Opufculum de Pri vilegiis Fam-Hi.arium San&i Officii.
IN .OCTAV9 Efcola lYioral, Politica, Chrift.áa, e Juriµica.
lN ' l'fQ ~O _Deciíiones, & Qu~fti0nes Forenfes. . · ,.
IN DEClMO Index Generalis omnium materiarum in tbtis operis-v:olumni~ ·
·bus contentarum, noviter, magnoque labore elucidatus.

AO
AO LEITOR.
MALEVOLO.

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Egra hemuyordina.ria_, exp1~im enta rem ·os que eG.,r.cvem etn hqns ~
lonvor, em outros o v1tupeno ,_em huns agrados, ~rn ontros .defaffe1-
çaó: o mefmo he fahir a Obra a puS11co, que pafl_'ar de autho1• a reo '?
Auth_o r della, obrigado a-defender"-[~ eµ1 tan'.tqs JUizos , _quaqtos faó
os impiO.$ _Leitores, e expoH:os a fabir, por nao fe1: ouvido,rigordíani~n.~e con-
dcmnado, como bem conheceo o Marcial Ii;ig~ez; · . .:
- .
Q;ti .fcribit, laudatur ab bis- , culpatur ab his,
LeêtrJris vultu:flatque, cadir/ique :fui
Ser14per a,git Cat{fmn , nec tempor~ tr.anjigit ultg ;
Semper enim Jub te judice Leftor ~ wit.
1

No .Prologo paifodo fa1ley com os Leitores pi0s, neíl:e-me refervey J?l:lra falhm
~ com os im piós' e inimigos' e porg ue dos ,m;;í,os ·; e ignorantes foy fo fü] pre nia~·
y or o num ero' p01· fenteHça d~ m~fma Sab~d.oria ·: Stu.Jtorurn. infinitus eft nu.,
· nzerus, tenho por certo, que feru6 nrnis os que me·vitupéréJn, do que os que
melou vem; e tatnbem fey, que os que por natureza faó m~os, faõ difficulto~
fos, ague a força da razaó, ou da arte os_faça bons: Díjficile lmitur f erox ani-
1nus. Ex Sallu(lio ;· pox iiTo naó fegLürey -nei1e Prologo o eftylõ mais commum
dos Efcritbrcs, occu_pado~ fempre nelles em os requzir,à r;à zaó, ou mover à
piedade, mas em todo elle me empregarey em reprehendellos, e injuriallos,
_para que ou fe callem de en yergoiJJ_rndos, ou fayaó 3: publico cóm Obras fuas _,
que.me obriguem ao filencio de venai©)o; worque fom .ilíl:o naã hei de d ei ~ar der
fallar nem elles teraõ dentes pára morder; pois. ao primeiro affc:-no da voz; e
·ao primeiro rugido dos dentes lhe dir~y o que diífe 'o Inglez Marcial ao Ghü..)
G<? Leliq, que ou deixem de me morder, ou rnofHem n,o que efcPevem ,.q ueJaô ·
. J\1eíl:res, e como taes, legitimas cenfores, ou ceni'uradores d'e.'dire'it<d.' '

' Cum tua 1io1z edas , carpis mea carmina , Leli , ·


Làrpere- vel nolle·noftra ~ vel ede iua.. ·

V~rdadeirà'me·nte qne he lafhma, q~~e teí{ba lingua para mórcfei·, e füurml.1 1·~1··· '
nlhcyos . dcfvelos, qL'.cm naó-t~m jui z.o p-ar:;i:di!c_urfar ,nem mãos para efc~·ever,
e q ~i·C os g LlC vi vem tepultados na oCiofidade, refufcit~m do ociofo ,e culpavct
d~l c:rnço para ahngua , ficando fompre amortecidos para a obra; mas fe iftofe.
pm~e clrnmal"laftima '_naó rc póJe com tudo qual,i.ficar novidade; porque taó
antigo he, como a mel ma creaç:iõ do Uniyerfo, fobei.'ent obr~r inenos os que
ap renderaó ci foliar mais. ·
~m muitas coura ~ confeffo tem que repqrar os Críticos zoilos nefta mi-
,b nh<i
. nt-~ Obra ~: :,_;ef~1,-ireY: as'~~-iitpt;b~·cip_.a·is; naõ"·éom ~nhúo·de.me defender;: p~·~ .
~ ..\~~)r, quc .lie ~m-pe1Jho il'npomvel nenlrnma d~foza, no Jub.,o dos mal in.teüciona- _
_-d o5",por ~a~urezp. cri~k~5,e por officio mtírrnp.1_· ador~s; mas·com iutento.deq ue
.. -:fiquem ' t<p1t~: m~is n1q.rm11:radr:r~~, g uanto· 1~ a1s p_~r 1gnorá:1tes ,repuy1_dos;
_ . . • . Em pnmeiro Jng<ir m~ d trao ,. q ne _a 00ra na o. ten~ m.:us de mm l1a , que o
~ 'fahir a luz com o.meu nome, porqlie.toda elJ.a foy a emprego do defvelo de ou-
· tras maigbem aparadas pennª_s,e que devo reíhtnit o reu êl fe u dono,e :6c:;ir-me
com él infamia de haver 1 ~rnbad o para mimo louvo~· merecido do foor alheyo:
cbnfeífo os furtos, e na(> nego, que o primeiro louvor he_do:S,in_ventores das
differeútes nia.ximas, e fontencas ~m que a fundey; mas tarnbem me devem
confeHar, que fe o _primefro louvor he dós inventores, o fegundo he meu pelo
\lfo ; difpoficaõ, e arte com q'ue a com puz , fenaõ he que-negaõ.a ~enec a, que
. i;a E;piflofa 6.5. âiz, qne ainda qúe as maximas, ·e fentenças fo açhem_envclbe.;.
cidas nos archivos da antiguidade; femp re-he lo nvavel ' que fe tiremdas ga-
yeq1s deftes archivos para a praça do Univerfo ·: . Etiar:ifi omnia à veteribus in-
venta .funt , .hoc Jemper erÜJ novum , üfits, & :in-ventor um ob aliis fcient1.ci , &
. ilifp~Jltio. A L)l'pfio, que fo glo.riava, qu~ ao paffo que a·fua Obra naõ tinha
coufa fna, ern· côuJa fua: fhnnfd.no(lr(l,.? & nihil ;. T erttüi:mo, qne fe ja61:ou,
qüe fazia humu confa no và de hu.ma velha:· No·vam aggredimur ~x · veteri; e a
Origines na Homiltafobre .Jeremfas cap.. 12. ; que confeffa , que ~ntes delle ti-
Rbaó fobre a meilna rpateria rsm ontado feus vqos Aguias ma1s g·ene rofas , que
fegnia fom mais no.v id~de , que a da ordem.: . Boc.autem m~ .alii expofiterunt ; &
qttia non imjJrobo interJ.ÍJretà'tio11-em eo'rum cori.fentie'ns eamdemiJr_ofe1·0, non quaji ipfl
reperiam, fld repe,~ta _jain repetens, ut rnihi paretur , vobifque.. c'onducat, ft tamen
·qute dicenda fimt, intentus a,nimus eJ-:cipit. Nunca faô fobejas as Lcmbr::rnças don··
defalta ra emenda, como diíl~ Seneca: .· Nunquam nilnis dffcitur , quo_d mmquam
fatis difcitur.; naó .fc:rdeve)atg:ar o enfermo, .que nunca acaba de convalecer;
donde fe colhe, -que pofto qucr fei~ó muitos os livros~ que fobr.e .eftamaterja
fe tenhaõ eforito, todoo üró.importantes para mover, ,e defpertar tamanhos
··· defcuidos: ·( ' r ~") ,.- ·
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rHtÍ'J1!CNZUm cu.ra}fe'gentts_, quis termiiu!S tmquam


. . Prttfltipjit: ·nullvs rec&pit fapientia metus.
(' • • , 1 (,. 1. ' ·, Ji' ) f'f 1 • •

•' A artificiofa abelha•, fazendo con•eiçaó pelos cam pos de Flora, rouba às
flore? do prado:o dooe füq uor ·, ' a.trfm que-e-1:i.genhofarne.nte fórma o doce favo,
qus<lendb li fo üja~dos 0U:10sr ,1hesega10.áo gofto , e trü1ga do d~fobrido ·do fel,
-ou .do faJgado manjar; affim o cLwiofo_; e eíl:uciiofo ,danuo viíl:a aos livros, fo-
õricªdos na üili cina da douta Palias; fm:ta à Rcthorica as filares, à Eloquen- '
eia as folhas, à:tóg:ica os-frutos, com que fabi-amente cornpocm o li vro, g ue
lendo dívertimento do tempo-,. emp1·ego do cuidado~ dcrvelo do entendi-
manto, regra da \rontade, 'freyo ·do ira.fcivel, e concupifcivel, hc deli.cinda /J
ra:.:aó, e fruto das vh·tude.s ·,- como defcre.\t·e· Seileca Epiflola 85. Qpidquid le-
Etione collettum ~fi, flylus dihgat in corpus, 'm (qr1:e ap'es debenws imitari, & in zm~tm
[a,P_oret'! V(lria Jiba.J1.1entq co1'.fttndere, ut., etian ji apprw~at unde jim!JJtvtrn, .fi.t, aliud
tçnnV~'~(fe, quàm m1dê Jmnptr1m éjl:', apprwrf"a t; pri.h::cerido di vel'fo , pois dirigia
q eftylo, ciuanto a gmentou_q eH:ndo, ,e foi·m9u o.defvelo, hum manjq r fobo-
J0Jo dos :va rtos· documentos; que ré copil OtJ ~di çaó de diflerentes Authore.s,
e i(to com t?l prtc, que ai"nda ·que ddclibra· o faber ,alg-unirt con1~1 do furto, o·
faz a rn1 i ~0 pa'reçcr üiverfo ·; ifio, que üiffc Cic~ro, tra'nsfonno:u Ov idio em
~llmE_p i g ramm'a:
.. / '
· ..

111fiar
lnjlm~ apis- debet variis excerpere libris ,
Melifiuo t·tt manet dulais a~ ore licor. ,
l .l ·- 1 . 11 ) •1

· ·o fatnofo Poeta .Luc1~ecio no feiJ livro 3. confyífa ,, que tudo o que eforeveo à
ímitacaõ
.:>
da abelha, . ~1 tirare dos livros. : · ·
' ' ~ .... . '

. - Flo;~feris t.d ape~ in Jaltibus ô1fi_


nia li]Mnt,
Omnia nos itidenz depajêitur aúrea dieta .

. ,·A e11genhofa 1·am:;ilheteira, feita verdugo d~s flores , rt0s jardins das Hefpé-
ri.des, cm~ta o encarnado das r9fas, Rainha, da5' flores, degolla o vermelho
"do cravo, o branco da aITucena, o roxo do .lírio, ·o azul da violeta; e redu~
zi'ndo a monte a diverfidade de flores, com tal ordem qs difpoem 1ias pti ...
zoens; que fórma hum ramalhete, · que fendo emprego da vifta, mantimento
dos olhos, he fua vidade dos narizes; ~ odorifero enleyo do te1•ceiro fenti-
do: iitO rnefrno fiz O que e[creve, que bufcando diverfas flo·res, e differentes
frutos., · eípalhadós por varios livros , os ajunta de maneird em hum livro, que
.11ene.na6 ha nadêl de novo, fo fe olha a materia'; e nada velho, fe fe attende
. ao artificio-, como fentio Cqffiodóro no lf'v ..9. das -parias Epiftolas Epifl. 25.: Colli-
. .gensin.ubam coronám germen fioridmn , quod per tibrorum campos paj/imfiterat an-.
te difperfmn. . . . " . _ . -. . · ·
. · .Nen1 he pouco colher de tantos para ajuntar a hum:o trabalho, que cau- -
fa 1- os defve,los, que ClJ.fta., qi ga-o oque o exp·eri-mentou; e naó vós, Leitores
ímpios, que como nunca tomaftes o pezo ao tr&balho, naó íabeis a carga que
carrega fobre os que feni. lbe perdoar, ~ tomaõ para voífo bem, utilidade d~
. :P~hia ., e vida das virtudes; que, ei1 fó ·vos dil'ey, que fenaó merece lou voi-
- o que cotnpocm Obra fua qe fuores alheyos, naó ha Aut11or, que mereça fer
.louvado; e por ultima repoíl:a da primeir~ objecçaó vós-lembro -,, que a Lucio
. Afra11io fe:poz na c&ra, que tudo o que eícrevia, ·e1•a furtado de 1Yienandro;
e refpondeo .elle, .q \te naó fó de ·M enandro ,-· mas de. tod<Ys os mais, que. lhe
.. feryiraó para o feu i ntento, e que diíl:o eíl:àva taõ fatisfeito, qne tinha para
D,, que n~ü1c_a fizera ·coufa me!ho.r; e r~pet,indo o mefmo que.Afranio, vos
digo com'eüe: ·' . · . .· . " · "
. '.
. ' Fa.teorfumpfi.Oe non à Mert,andro modà, 1
Sed' ut qu.!fqua habet quod conven~t rnihi,; .
.QjJod me 11on poffe 1nel~u,s f acere, credi. ·

· EmSeg:undà hlgar me diraó, que fó he digno de·efcre\tei' vfrtudes quem rto


: dellas he prattco, como cícteve .Plinio o Menor no ,Hvro 3. Epijl. 3.~
~xercicio
Mira iUis dulcedo, mira Juavitas , · citJas gratia cumuldt fanffitas fc·ribenti's. Con ...
' · f.effo ., que melhor era que eu tiveífe mais O'bras vil'tuofas, e menos efcritura
· fobre ellas q mas feq.aó te .inove a reverencia' de í]Uem air teata, mova te à ta-
zaõ c_om qqc provo o que digo, q;1e iíl:o mefmo refpondeo Wem, fe ndo-lhe . ·
feito o mdi110 reparo: . · · ·

Ne.c te diceMis mo·veat reverentia ;' fed qiti.~J-+.,~. '


.·, Dixerit, & qitafirma r.atione:p~àbet. -,_ ·~
~ . . . . . ~ /" . ' ~ ..
· , IÍljúÍl.o"he 11~r a1gnma .Obr[l foá aüthoridf.lde peJa ·ponca do que a foz: Faci-
mis:~(l moxiil'H:f.í11 rcmedhmJ. p ..atfam A!íthoris vo cabu!o 1Jendere. Ex Quih'ti1iano:
. Nanrp}mn.in bana re mali pudeat.Autba'r·is; diífe_.5eneca. - ·
. ..n.:
:..">
Em terceiro lugar me dlraõ, que vou fóra das regras da-minha profiiTaó ;
mas a iíto refpondo, que a ]uri1pn:~d cncia 11aó he outra çoufo mu is , gnc ln ma
noticia d::is coufos divinas, e humanas, e hunrn fcienci~ do jufto, e i.njqfto: 'Ju-.
tisprudentia,efl Di7.;i1iatum, atque hzmiananun rerum mtitia, jiifli, atque injufii
Jcie;ttia; e fenao por obrigaçaó Jurifta., rnal.podia_ter i1otü~ü1 das coufas Di vi-
nas, e humaoas, e fcienoia do Jufio, e injui1:o, íem fabci· ns virtudes para as
abracar, e os vicios para lbefugir. .
,, O fim aa Jm·irprndenci<l í3 fe encaminha a regu'lar .conforme as virtudes .
os coílumes dos homens, e encnminha]']os a efl:e fim; e como poderá fazer ifl:o ,
o· gu1e nem às virtudes foubcr o norrie? A Jurirprudencia he filha da Philofo:.;.
phia Moral , e naõ poderá fer Jurilprudente quem naó for bom Philo!opho
l\1oral : . quanto mai~ ,"que a ma teria da noffa Obrtt a nenhum he particular, an..;
tes hc ger~tl de t odos , quanto he decente, e ~con v~niente a todos, por confe-
lhos ~a vir tude, chegar a vi ver bem, e as. ientenças morqes, que nella fe en-
vol v,em, _€exem plos, que nella fe referem, a eile fim caminhaó, as qü~es to..:
~as fe de_v€m executar. Naõ deixo de ~ntender, que com mais anthoridade;.
e com mayor primor as podéra melh or efcrever, e tratar hmUL~iarrete', ou hum
' capeílo; _q ue hum ch~~peo; e· os gue por priü cipal officio; e obrignçió legui-
raó ef1: pdo mais proprio deli.as; mas em qut"t razaó cabe, que efquec1da Gfta
materia dos doutos d-a pro6ffaó, qu tratad a a bocados em difFerentes li vros,
deixem de communicar às gentes coufa ae taõ certo proveito' e taó:fem da mno
jµnta em eíl:es li vro3 por hum chape.o por proWaó Jurifta, por obrürnçaó obrí-
gado a faber todas dias materias, por offició Julgador, por efiado cafado, o
por reUgiaó Catholi.co Romm10 ? .
. Em q m1rto 1L1gar me.diraó, que car~·eguei ~íl:as liçoens de at~thoridades,
e fentenças de (Tentios, .fend.o .qúe nas Sagradas letras, e nos Doutores· Ca-
tµolicos as podéra açhar mais pr9prias ~ e mais infalli veis ·' qne nos hn mahos·
Philofophos Gentios; porêm a iifo reipondo, que· o mefnw eíl:ylo fegtüraõ
. os Santos Padres , e Doutores ·da Igreja; · dis a penas fe athará h_u m, que.
entre o Sagrado fenaó valeife do profano ~ - ou porque fendo noilà Cathblíéa'
1:eligiaõ me[tra da verdade, tem direito fobre todas as yerdades como diif-e
S" Juihno Martyr: fJ31.r:e prte_clnre ab .o~nnibus dit'!a f unt , nofira.funt Chrij1-ian01•um:;
ou porq LLe nos cai-ramos, gue fojaó noífos JVleíl:res os Ptigâos, fem luz da fé,
fem mais Meíl:res,que .a razaó natural, como exclama Santo Agoíl:inho aos fou.,5
Irmãos do Ermo no Sermaõ ~7· Jallando dos. Sacerdotes 'Gentios da Ethiopia:
Ecce Pagani doêtonsfideliwn fa ffi fimt. .
Em quinto lugar medi'raõ ~' que affin'l como o excellente Philofopho Xe-
nophonte debuxou em a pedra de Cyro hum Principe perfeito, que nunca
vio, nqm pode ynti-enper ·que o houverá, form ou -o em a idêa, e tresladou-o
;io papel , e ficou-fe com o ·defojo , e debuxo, porque atégora nenhuri1 o
achou : Plataõ feu co!!dilc.ipulo deliniou hum.a Republ1ca, form~ndo-a em
idêas, que nem ha fido, nem pode fer: Thomaz J\'louro dekreveb hüma Ci- !J
dé!de, imirando a Plataó; Caíl:ellort a hum perfeito Cor tezaó -, i111itando a Xe-
·nophonte, o gue t udo fc ha ficado em idêais, porque na8pódehaver exeHi-
plar vivo, que as figa. ··
Affim tambem en qu~t·o tantos reguifitos para "lrnrn Miniftro fer per-
fei to, que na6 he poillvel, que tenha mais fer, quéó d ~ imagin ado -; porque
refp.ondo , que cfe tanto neceffita hum Pl-i11cipe para ·for perfeito, como debu-
xou Xenophonte, huma Republica para fer felix , como deliniou l?lataó, huma
Cidade para for cxceilente , con~o defcrcvc.o Thpmaz l\1ou ro, h rnn CÓrte..:. -
zaó para fel· co~1fu1'.rndo, como deliberou C~llcllon; e que fena õ l~On ve Prin-
cipe como o imaginado de Xenophonte, Republica con10 a formada Gle Pla.r. -
., V taó >
taõ", Cidade como a conftitu1da de Thomaz M.ouro ;. ·Cortez;_aó como o de- ·~
buxado de Cafkllo!f, naó hou vc .i.1err. Príncipe, nqn Rc,p~1blica, nem Cid a-
. de, nem Cortezaõ perfeito, ·porque naó hou vc Principe, nem Republica,
nem Cidade, nem Cortezaõ Yirtuofo, que bc fó o que; os podia aonft ituit'
em todo perfeitos, pois em lhe faltaiÍdo bur~rn virtl!d?, car.epi[}Ó çte todas
pOrque as virtudes~ de tal modo eftaõ en'cadeadns bumas com ·outras, qu$ ea~
te tendo hünrn, fe lograõ todas, como diífe Plinio Juíüor: Citi virtus aliqua
conti11git, omnia contingunt, e Lgcio FJo~:o: · Virtute;Ji.bi ·i1rvicem fimt c_onnexte ,
ut qui zmaln habue;:,it. ·' oumes h,ab·eat ; 'e fa-lt~ndo hnrn~ dcfapp_9.recc m todas ,
elcreveo 5. Gregôrio :~ l'{ulla vfrtus efl._ ver1 :. vir:,tus, nifi aliis jit admixta virtu-
tibus. . . ._
Em ultimo lugar me diraõ, que para doutos naó ferveril eftas Liçoens,
porque tem outros livros em que pal'a fe aproveitarem, pódem empregar me-
lhor o tempo; e g ue tambcm para indoutos naó farvem, pois as naó enten-
deráo; mas a iíl:o refpondo com Cicero, que naó quero que as leaó nem os
doutos, porque fabem, e entendem mais que eu, nem os indoutos, que fabem
menos: 'Quod fcribimus nec dofti, nec indÕCtf legant, alteri enim nil intetligttnt, al-
teri phts frJJfan , quà1'n de nobis nos ipfi: mas os que f:i verem bom juizo, que he _
o meyo, que fcgando P!ataó ha É-'11tre a igq.orancia, e fobedoria : Inter fapi-
entiam , & ignorantimi1111edia efl reCfa opinio. ·
Em cortclufaõ, inimigo Leitor, fe lendo-as, te naó parece1· bem nada~
te t~rey por in vejofo; e _por ignor'4nte, fe tudo te parecer bern.; ·'

Qui legis ifla , tuam reprebendo ; ji laudas


Omnia, jfo!titiam; fi nil, invidiam.

Que trnd.u zio em idioma Cafreihano D.Fraqcifco de la Torre na fórma feguintç.


Dime, o Lc&or, condemnada.
- En tu ahibança fin modo ,
Por nccedad , fi eftá en todo,
Por em bidia, fi eftá en nada.

E profegt:1ndo o affm~pto, difcorre em voz do liyro, qt1e mais-util a cenfu-


rado invejofo' do que o ítpplaufo do neiCio.:
• • 1
. i
.. • ,,

Sin dicerni1· no ingeniofQ


Dizen con diíl:ante aprecio,
Que foy todo bueno , el nefcio
Todo málo , el embidiofo :
Si defte lo rigurofo
Me emienda. fe me enagenq
Del nefcio al applaufo lleno,
Que me han 'de bol ver fefialo ,
El uno de bueno, y nraló ,
Y el outro de malo} y bueno.
Pol'que por mais máo que feja o livi·o, fempre tem alguma couía boa, como
fentio Plinio o Menor : Nullus eft liber tam malus, quin ex aliqua parte pra-
fit; e po1~ mais bom que feja, fcmpre tem;alguma. má. acabo com te diZ€r, ?
qne fc nau contentar ~todo o Leitor , t[.1mbom me nao contento de ·t odo o 1.;

Leito_r. .. ~ ,
-~ . ~ . . :. e ian.. .
,.. ,,. lr.-. • ..

,,
-.
) ._ .
Non cuivis"'leéiori, aildítorique placebo:
Leêtor , · & auditor, non mihi quifque placet.
,..
Por onde digo, ·que aqüem faltar a piedade, e ·cortez1a, para ve1·, naó Iea
- .

efl:a n.oífa Obra; quem com piedade, ·e cortezia a ler., faiba que lhe fano yer-
dad'e: - ...

·J7of. qú~ v·irtutes colitis-;·"vos ad mea tantlnn - 1

Dieta aures adbibét~, animofque intendite veflro~·: ·"


Contrà, qtti fácras lr.tge-s- ·cont'emni'tis,. binc VQS -
Ei[ug_ite.
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.r PRDE-
P . R-0EM1·0. ,-·, l.

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·Epois .qu~ com m a~s maduro juizo pezey 11a balam~~ d~.· ~~(ctrrfs· a in-.
· confü:mcrn , e variedade das coutas do mundo, iua pou·ca perma-
ncncia; a certe7,a da m011te· , e conta, que ha via de da'r dé todas a.s
.· obras , penfomcntos ~ · e palavras ao .,Autho'1: da vida , procurey
bufl:ar caminh:or, que me g:uitdl~ao fim para qne ·me criou, e pel.G qi;1al fizeHe
. mü1ba jornnda.aju Ltado :is_01b1·igaçóes de:minh:a pr0fiífaõ, e eih1do, que por 1~1~
de cafado, e dG·fvlinHlro, c1;efce.co ~11 ellas ao mefrno paffo ma:yor o rife o, e o
merc.citnent.01., efi:c,nas aZ.ê.lS ebrs·obra:s boas, e aqmrelle ntis pennas da's más; e
como p ara.todo 0 ~H:~d:O', e profiífa~ he unico caminho o da virtude;-· ·
•• . .. . '·, j J • • 1 '\ '· 1 " )

' • : , , ;r i. 'A.'1centro ad ciírw1n non :tthiim linea. Uuolt.~ :.


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· À·' iterra ad _cretttm fert . tmtJ.en1 una vi'a . .!' ·
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· Ache:y", qúe Ló pon efte p9de1· ta-paHà1·ra.naiTeifa.da '!r.ida, e chegar ao ultiníq


,..1 ....

fün, a ·que ·todos.de wemos e.l>lcaminhar :__; !!'wica igüur-·vwtútis , ac bonorum vi'á~.
qutt f ert uos,in,,Etyjio],catnpo·$·," como cantõ~1p.Fr.an.cifco de la: Torre: .
· \. ' .' ... o~j).· .i!·~~ 1 • 11 ~ · Jr :1~1,)p ....· . ,- ' '~ r · , 4. J
t ·r/ ,r; No a(oirenl0.defd~iel,c0ntro• '·~ ..... .
•, i: ':!·i ·Cónd uze·una linea.füiiina; .\ ... . .... }'.i
:1: . • Jm o :. :Y al'oei1ti-o defde1a.t"ierra 'i'" · '
1
'<" '. j ! ' . r, I~ Un·folo .camine>éS Yia, .J ( 'L·'( t. i .

" '."' ~ ,'; -- í _ : ~ . r • ·-· ,. ~ r •• -i 1 ~ , ' ; . , 1-: • • :' [~ · _ ...1 . " _;. '.\

;por(].tte\·a v.irti:rcd,ei11'é ·fó n -~ué~ no·s pó~le}uze~· bema~.epfairados, ·eomo conhe...


~eo..:J'itq ,Li1vi0 :\ B'rutt?J; ·vúa virt.ute ftt.:~ pt:n·' quanto-·~ · qu_e n logra, naó ii.e-
ceffita para vi'ver bem , ·de outra· alguma coufa. Cicero no 1ivrb'· L 'da Rhetori"-
r,.? ·: •.fPJfi/JJirt.ufeili hrabet ~ .i1.11irUiurs'.r.ei acl be11ire rvi1Je1iàt!1fi in'dí-p;et; .-tí glotia •da formo-
.! m:a ' ·i ~; i..fü.. 1;dqt:wzta"fi·m1:~a ,:e frag,;il, he ~a_ fa ~.irtu.de -clara.; e eterna :~ efcrevéo
~pYu.Jl·fo1;r triit ando _da~ cç;mjüraça·õ d·e CatHi11a:: Divitiar.utn, '& fo1~n1-te gloria flu-
• ,Pf(J. 1~J a.t"quefrng-itis 1e]L 'Uirtús ikt.r.;a· ;1et~r1iaq•1J:e ha/Jetu.r: i N~nhum bem he ta õ pr·o
• fpb·i0'dtii:.t11omem1;cDmo.a y iJ:tude ~ diif-e Tacito•no-livf-o 4J: ·Virtus efl p'-ropri1.u11 7xi-
' .minis.1btt1nt11í :- titni da ~a·_virtu.de. ; do mayd>il.· lro rnenl' fica: peqüerto: ~'Jàlte virtu-
temfo.rí/fi1ruzticb.11r.Aünisqr•ptú·'vus. ,11·en1anelJit ,1 · e~pofta' l'io peq~'tei10-, fie-à t~() grand'e,
• " qu e ~o1 p.oenn ainda-if ob rc:os.Ailros , &nec.p1• 1Virtus extoltif 'hovii1iení',' & fu.jfrr
f1Ji'ra,.1J1orfales .collo.cat.- 11 .: • l ". ·-·1 ....
• • ,.. ., :
:, ; .

, ~ :- . · ~A Jod.os os h.:qrnens, pm·_pareo~l!· d.€1S ene·ca !-!ª <Ea,f'·ta 10: , .d~ü~ ~ naturei.
Za fünda:mento •,Je ccmcedB.O carl'}pO para fi~ mearem. a.s· v irtuddJ: 017i11ibus enim
. · Jiat~iwçi rled~t fw zdanienta ; femettque virtuturn: A to·dos .<;)s ho1~1ens , f~m diíHn-
.çao ~,e ,pe:ffoas, eftá!:µ.a tenttra virtude; p~1'a11et1lrn1wtem as portàs·cei'radas,
porque a todos- ad1nitte, e a todos con-vi.da : Nulli prccclufa ~ff virtus , om-
1~ibus pate~ ~· omnes admittit , e11!ms· in·vitat . , norJ eZegit damirmm·, ·11on cenfum,
n1ulo .l1;rJ?JJ111e· ~onte;1tà ~ff: todos os ·homens neccfütaó da ·virtude, ·c 01110 uni-
co b~;nr do .homenf·:.; Unitm hóminis bonum·e!l ipfa.·iirtús·; porq U" peia virtud\
'· ~ -. . .. "·· gran
-
r:-r'l1
b -'" .. ,

grittJgêa o homem no Ceo a gl01·ia , ·1rn cerra amigos, porque tenl a virtude ·
naó.fey .que feitiços , que i:rnda ba mais ama vel, nnda g·ue mais cative os ho-· .
mens para.µmalla ,. ainda os que_naó chegaraó a vella : · Nihii eJl, cmwbiliits vir-
tute , nil quod mngis atlicwt bomines ad ·diligerrdttm , quippe cum jJr~pt.u virtutem;,
'ib' flrob'itatem eos elitím' qitos nttmqttam videmus' quodammodo ditigamus' e o g ue
i_nais hé, que até·os inimigos fenaõ amaó aos virtL10fos, ao menos os vcne-
raó, como confeíTou Fi iirpe, graríd~ inimigo de 'Demófihenes: Vir,tus etiam
in h'Ofle ddigitur.,_ diflc 1\dlid·, \ / _- . .. .
, Porênrnos ~1inith·os -; rios Snperíore5> , nos p[,ly fiie familias deve cíh1r a
virtude .tant'b em leu ponto, q ne a todas as luzes i:efplandeça, e por todas_a~
paTtes fe deixe ver, porque os Minifirós, Superiores, e pays de familias fao
efpelhos dO fubditos, ·e nelles .como em .efpelhos atavíaó feus cofiumes: Se-
cundt:;,_m Judicem ptipilli , fie & ·Ji1iniflri ejus , & qualis recfor civitatis. , ta-
les~ inbabitnntes in ea, diífe .a mefmíi Sabedoria no .Cap. 10. c;lo. Ecclef. Grm1de
igno1;anCia m~gue, efcreveo lfóerates a Nic:tóces, o naó faber que os coftu-
,n1e$ das Cid:,iqes fe conforrnaõ ê~O exempló dos Strperio1es, gue as governaõ.
NQn ignores toti~ts Ci·vitatis mores· ad exemplum 111.agiflratuitrn coúformari. Ifio
1

mefmo , que pafTu nos Müliftros , e' .Superiores , fe yê à_rifca nos pays de
- familias.; e_nenhüm he mayor Meftre d.as vfrtudes"dos fi1'bos, que. Qs. pro.-
prios pays, porque de nenhum exemplar he naturalmente nrnis focH para a
iniitaçaó. Aquelle virtqofo 'Rey Agefiláo naõ qt\1iz Me.fl:re quando menino,
dizendo, que àaguelle .devia .aprender, de quern havi'a na[cido, antes de ha..:.
ver efi:udado foube, que nenhum melhor lhe podia dar os documentos da vi-
da, ·que o ·gtw lha havia dádo: rnais ~ altamente fe imprirnerp as . im~gens da
yiTtude, quando calido fel!0 he o.ap;ior paterno ,te b1:anda·cern aobediencio fi-·
1

lial ~ mais em efcola p:;itern. a.enfin.a,õ:0.iS1bOHs ·exen;plos, gue:·o.s.bons doc.u·men-


_tos, porql1e faó mais fi eis os objeétos da vifia que os do ouvido, e he mais
facil mandar bem , que executar ;bei:n:i: Repi·eendeo o Caranguêjo a fou filho,
dizendo-lhe: Filho meu tis_ r.iaõ · oami11h.tis direito..; elle' lhe refpondeo: Eu pay
· caminho .como v~je que tu carnivbas. 1'°N;l 01,aisjfamilia paffa o mefo10, que nos
filhos: conta Ehêas Syl vio , qu.e .perg·mntardo, a Nicolao V. qual foffe Euge-
nio IV., refpondeo, que ifto era facil de faber, porque tal era a familia, qual
era o pay ~lella· : C111m rquzenre·tJW..·Wliq1ús e~ ' Nicolao Q_pinto .:qualis ~ffe·! 'J2uge­
.. e·- J'J_! ius Papa Q.Jtartus; incpt#;,- ho~faa~~e teft cognitit', nmn qualis famili.a efl ~ .'tàlem,
.&, .Principem inveni~s. ., /.J t ::.· , , - ' . ' • ) "e:~ · '" 1 ·
Obrigf!çO~ns, que·· aonfiderando eu com vagar, mé refolvi a le( lhnna
grande qqantidade qe·liv1·ós Pm·tug.uezes , _e Caftelhanos, politicos~ lü:f:lroricos
e efpirituae.s , j Pª.liª .com a fuá doutri·ma ajuftar.·as"obrigaçoens de Min.Hh•O Po-
litico às de €hrift~aõ1 ;. :.para o q_ue ·1HeJoy. neceffa1:io examinar naó menos as.
Y,iTtudes , o ~1J.urn ·M~ni_~h:o perfüito ', e Chrifiaõ ,. qtH~ '. as- de lrni~1 Catihbfü:.ot, '
e·. diligente pay de f~ milias-. _Depois de muHo ~eftudo. , .e rgrande ~trabalho ., /J
v_in~ a coph~ç~r, das :l~egras , G'. dontriNas. ctefta. arte pm' tantos divididas,.
naó era bsl de.pofit~riq .~ memoria. ;'' m~s que-amontoandGFélS as devia entr~- ~
gar à efcritura' .tanto pQrque re fahe melhor o que fe efcreve' e fe aclrn ~om
menos, tra9aJho ,. e 111ãis prove'i!Q f, o que .a9lrnt~ o pro-prio 'eíl:ucto·J, 'guanto
porque he obrignçaó ,d os .pRys a }untarem para os fill1os ,--e nenht1:n{thefou-
x9 me parece".lhe podia .grange_ar. rnaü; ric.o- Q meu defvelo, que tantos do-·
cnmentos Ghriftáos, Sabio~, e.P?liticos, quantos ajuntou o rne~1 tr:;ibnlho,
para, qne em todas as profifioens, e eítadO$ , :que ti vcr'<~m, p0ífao por mevo
da virtude fe-r .fenhor~ s dn fortuna, porque. femprc vem ·oom a virtude a pr6f.,. ·
peridade , como diílé Tito Liyio Fortuna virtutem fequitur : . d',rà.inati.mnen -·
. , 1orrem os pay s antes qu~ pofiãó com o ·e;;emplo deixar _e[tampadasnos
-cpraçoens
~ 1

coracoens do~ filhos as virtudes, e na memorüt os documentos, que on pe-


los annos' ou'pelo eftudo' ou pela experiencia rcconheceraó unicos para fe-
gurar aos filhos naõ mcrios a eterna, que a tempor.::llfelicidade; e por iffo he
fabio acordo , que fnbftitt~ a efcritura, .o que nnõ póde enfinar o exemplo_,,
nem dizer a voz: Aliquid fane reliuquendum eft, ut cum di11tim nobis vivere 11on
liceat, eo-ipfo no-s 'vixijfe tejlcmur, eforeve S. Jeronimo à Faufto , e o- noHo
Baldo no Proemio das Decretai? diz: QJ1emadmodu:.71 trifie ei;enit di'iJiti di{cede-
re fine btere.de ; ita etiam mifarrimum efl habenti gratiam intelleff ú.s , & pofleris
fitisfcriptum nil relinquere, 'qtto poj/irtt vehtti bteredes intelleé'l ús aliquaiitulwn _con-
• fala-ri, porque infundia a_natureza nos exemplos ' · palav1·as, obras, e eicri-
tutas dos pays mais efficaz_pcrfoaçaó, que nas outras, ainda .que;; mais fab'h1s,
mais fantas, e mais eloque11tes, porque naturalmente parecem melhor aos fi-
lhos as obras dos pays, que as dos eftranhos. . · _
Aifentado cm que devi,a efcrever o que ajuntaífe-em cada hnma das m:a-
terias o defvelo, comecey a lidar, que modo ,.e fórma foguir1a na ordem: de- /
pois de muitas, gl1e ideou défvelado,o di.fcurfo, me vim ã delib'erar a defcre-
ver humas Liçoens JYioraes , Políticas, Chrifrnns, l\1ilitares, Economicas,
e MonaH:icas, divididas em quatro partes, e fund adas fobre as qliatro virtu-
de-s ,-. que por ferem as bafes, e fortdaH1entos de todas as outras , .ou Capitaens
famofos daq ue1les quatro efguadroens gueri:eiros com que na militar c:uupa...
nha do mundo. pelej;tmOs c01~trà o~ v.1ci9s, fe chamaérCardeais, Prudencia,
JuiHça, Fortaleza , Ternpei-ança: Solidwn mentis, di~ S_. Gi·egorio livr. 2.
:Moralium ·cap. 3. 110.ftrte ted~ficizmi Prudentia, Fortitudo, Temperantia, ."fitjli-
cia .fu(linet 1, in quatuor ergo cmgulis domus ifla fi:bftflit , qitia his quatuor _virtuti-
biJS tota boni operis (lruchtrtJ confitrgit. .
Intituley- as Liçoms, porque e.íl:c nome)içaõ tem doüs fentidos, hum,
que fignifica liçaõ, p orq ue enfina, oun:o, que íignifica liçaó_, porque fe lê:
o primeiro fu p poem Meftre , q ue a dá , e d ifci pulo , que a aprende : o fe-
gundo fuppoemJó Le itor, que a leya fem M.eitre, q11e-a enfine; para mim,
e para os meus filhos quizera, q uc fora liçaó no pri'meiro fignificado: para.-
os mais ferá liçaó no fegundo, que fcrvirá ao menós r;ara o divertimento , e
cenfura, quando naóiirvn para o eofino: -

Qyad mores accz~{o mqlos wte , _Zoile-, carpis ,


- Crmflius an forfan, quod reprebendo tuos. ..... ~

_Cur tibi prte reliquis metttas? fortaJfe ego mores


. ·Cum reprebendo ma los , trnn reprehen~o megs.
' (
Moraes, porque trato das virtudes, cujo habit'O intellêétivo difpoem ao ho-
mem parn obrar couf9s hone (tas, fegundo o di&ame da prudencia. Políticas,
\. porque procurey encaminhar as regras deH:as v.il'tudes ao bem çomhrnrn.
, ÇhriH:ans, pQrq uc intentey mofl:rar-, que a verdadeira Politíca confi i1ja en1
kgui1·_os diébmes. qa 1°y Evangelica. l\1ilitares, porque alêm de que todós
fomos foldndos, gue milit:;imos na vida, que .naõ he OlJL1'8, ·coufa -mais -que
hnma guerra dedarada: 111.ilitia·e/l vita bominis-, infü1úo.nellns os; dmrnrns mo.is. _
J?ri1:~1pais ~a rnili~ia. ~c_on.omicas ·, porque ~ellas acbani o prud ente pay de
famrnas a direcçao rnms ínbrn, que cfcrevcrao os mais doutos. M()nafi:jc:is fi-
na~rnente, porque nelbs poderás aprender a govcrnar~te , a ti, cíh~do o m~üs
util, em'qne pódes eí11prcgn1· O>tr<:tbalho. ..
· Dividi -_as em quatro p~rtcs, pCli:que riu at1~0 foõ as faculli:.1dcs ·d'airna,
capazes de v1rtudcs, a frtbcr o entcndin1cnto , e a \·ontade em a r'a rte rac· o-
núl, irq., ç dcfcjo na fcnfil?iva; e qa~tro f::tô os nn gulos , oa <:o1um\ :1S d~r0 \ _ir-
. . , - d · tucto::;

..
" tudes Card€ais, fobrc cuj os fundamentos fa deve fo~ri.car todo oedificio das:
corno ;').Cima diffe com. S. Gregorio , · pül'.que em cada h-urna dcf-
~ irtud es,
tas faculdaqes . refide lrnrna Vi'rtude modcr:idorà , ·e meftra dos bons coih1-
rnes; da mefi1rn maneira, que fob re hu.m potro indomito fo poem hum pica-
dor, que o maHda . / ~
· A Prudcncia , refidindo no entendimento, t end o por fim o.-confultar
bem' o illumina à cerca .das coufas faéhvc1s' e dá leys' e ky ~todas .as vu·-
tud es ; della ,. e ruas di vifocns 'e partes int@gran,tes' e potencias trato na pri-
meira Paleftra, en1 que pertcndo fahir com hum Miniilro a todos os vifos pru-
dente. · · ·
, A Jufüça ,, preíidindo m1 vontade, a modera , inclinan do-a às ·coufas~ ·
que ollrnô ao bem aihey o à cerca do commutar, c·difiribuir; della, ruas di-
vifoen$, partes integrantes, 0 potencias trato-na fegund 'l ,' em que pertendo
fahir coin huii1 Miniftro a todos og titulos jnfhceiro. · . .. -
A Fórtaleza, affiftíndo no fra fCi\iel , o modera, efperando-o, ou re-
freando-o fogundo a razaó à cerc~ das coufas arduas, e males corporeos; del-
la, fü as di vifoe1is, partes integrantes, e potencias t rato na terceira,, €111 que .
1

iútento fahir com hum l\1inifrro p01· todos os principios forte.


A Temperança, mo rando no concupifcivel, o modc11a à cerca dos bens
1

corporeos, e deleita veis fegundo o.diétame da razaõ; dellh , fnas di vifoens,


partes integ rantes, e potencias trato na quarta, erH que defejo fahir c·om .hum
lVliniftro a todas as luzes temperado.
· . Lindo circuito he, quando a Juftiça bufca, a Prudencia acha, a Forta-
leza vinga, e a Temperança poiTt}e, para"gue a Jnftiç'1 efreja no affeélô , a Pi·u- ·
· ,dencifi no entendimento, a.Fortaleza no eífoito, e a Temperanç~ no ufo: Vir-
ttts, ( diz 'Santo Ab1.·oíio de Ojjiciis ) tflji .'lu/litia qzJ:erit, , Prudentit~ invenit,
Fortitudo 'uindicat , Tuúpertmtiq pojjidet , ut jr,1/J:itia jit in affefttt '· ' Ptwlentia
in intellettu; Fortitudo in ejfeetú, Tetnperantia in uju: quanto cada hL1ma def-
tas 'virtudes he mais perfeita , tanto entre fl faó rnais cor:Juntas, e unidas; fo- ·
paradas, de nenhum modo podem fcr perfeitas; porque D§J.!1 a Pr udencia hé
v~rda de.i.ra, q L1e naõ, he juíla, forte, e temperada; ne-m a Juihça hepe'rfeita,
·fenaó he.prudente, fol'te, e tempe1~ad:a; nem a Fortaleza he cq.bal, fenaó lie
pí:udente, juíl:a, e temperada; nem ê!l Tcnrperan ça be excellente, frnaõ he
p1;~1dente jllfta, e forre ·, efcr~V-eà S. Gregor io nos Morais: P J.·udentia , Tem-
" .. perantia , Fqrtitudo· , atque 'Juftit,ia' quanto perfeff te 'fimt jingul.:e , tanto Jibi
conjunCt.ce , disjmzíJa. dutem. perjecfte nequaquam p~(jum , quia nec Prudentia
vera eft , qute .fu(la; &. temperam , & fo rtis non eft; · nP.c. Tén1penmtia perfefta ,
, qute fortis , ju/la , &· prudens non ejf ; nec Fo;-titudo integra , qu.:e prudens , jlt-
jla , & ·temperam non eJ!; po rque as virtudes contrahiraõ entre íi t:rl focieda- ·
de , que cm faltando hu ma , .defapparecern toda~: -Omnes ·virtÚtes jib.i ita fo-:-
l;terent, ut qui unâ caruerit, omnib. 1s care!lt ; qui ergo unam habet , omnes habet;
feg undo S. J2ronymo . . · -
. Naô t ratey de que rigorofomel1te folfc cada pal'te defü1s virtudes deb~xi­
xo da bandeira de cada. h urna d,ellas, porque.fendo as virt udes en tre frtaô ir-
rnáas, üaó me p::il'eceo qucdcfocertüva .c1ü tr'atar, de algumas em fo,<]·;_; rdi f-·
fercq tc do que padia o rigor Pbilofophico ~ porque·na ó.tLrro de cnílr1.~11· Pb i-
lofop~1.ia ef ccula.t i va das vírtuq1.:s , m~1s fo procuro inftruii'me 1;ell a s,. e :i nic: us.
1

i.]lhos .pela pr1..km ~ que me ]Xli'CCGO mais acconnfüiLi<:da a cfte tin1 , confide-
1ando, qcLe cm quaiquCl· Jugar, por fontirneuto de :.icneca, e.i1c.1 em Te u lti-
gnr a virtude : NujqH1qn potejl nr;n r:Jje 'JtFJ : ;.ti. locu s , e que naü e'.(~rt:vo eftP.
~i·vro par_ a Pbilofc>t)hu:.i, Tbeo l~tgos ,. juri il~ ~, t 1u S::ibio,.;;, rn{.l :' f'ara_rcidcs '· (~
irvqn1·0' ··" c" - ç uetr"··c11' ,., ,11 " .-J-., , ..•. ·-- -: . .. .. -·--·· ,, - .-1 , \ " . . .. ~ • . • . . ·... , .. u'"' : '· " · .
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t;.t..Ly~;· "-J.i.. ... ......
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.i.~~~í.-...;. l~ -.:.~ 1i... .... \.. L.r. i \... L·\J
~..;..L i....1. L~ ~'"";.,,. J...lr ·l'".o.4.U:.:> >\... ~i.l.l.\..1Ã , (;.0\.- 1 1.'· ;

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do g~1e de :;i verignm· fobtirczas, in:itan?o. a S. ~e_rn~1-..io ,. que ,no Prologo~


quo tez.ao liv ro, q uc rnl1tulou ~e [-<-e~mmte c@17.J cw:~i-11_ · , _dlZ_ aíhm : ljhtm er_-
o- 0 Jibrnm o-(fero útluendisrn no;J, Pbt l~/ophis , non mum1.z.fapzenttbus , 1~on magms
,
1

1 'f;eologis i1Ú"'i7!itis qutt:fhonibus iúplictttis, jecl 1!urJibus , &J indoctis magü Dewn di-
ligc;·e , quàm. multa feire crmantibus ; non ~nim in dUpútando , j ed agendo flietJtr I
nrs ama1zdi .
Em cada huma dns virt udes, gNe falley, tratey t arnbem dos vicias op-
poftos, carenn àci defta forte a~ vi rtudes com os vi cios 9 para q ue vctndo-í'e os
vicio.s no eCpelh o das v irtudes, c_onheçamos melhor naó menos a formofura
deltas, guc a fealdad~ daquelles, pm·a que quando nos naõ aparte dos vícios
o amor dns virtudes , nos obrigue a f:,::gi'r a feald~de dos vicies. Para o en- .
tcnclimento fe coroar Rey d~::> virtudes , he precffo deH:ruir todo o reyno
dós. vicios, .ei'crevco SantoAgofH1 ho: ·Non potejl habere regnum virtutum , ni-
ft prim e-xclt~{erit regnum vitiorum ; em 0 reyno dos deleites naó mora a vir-
tud e : .ln voluptatis- regno non potefl virtus con.fiflere , diífa Cicero ; e por ifio
, diífe L~tcio Fl oro, gue a doutrin a mais neceífaria era defaprender os males:
·· Dijcfplina magis 7!ecejfaria efl ·nwta didi.fr:ere , porque tudo o que he contra-
rio ao vicio, he virtude, por fentença de Laétanció: Et quotl vitio contra-
riam efl , virtus dicitur ; e naõ bafta , diz o Principe dos Philolüphos, dizer
lómente ,a verdade , mas convem tratar da caufa da falfidade: Non oportet
tantitm verum dicere , Jed cai~fmn fal(i oj]ignare ; a verdade eftá nas virtudes,
a falfidad_e nos \"'icios, e t<m1bem rebnÇada, que paffaó·muitas vcnes pr~ça de
virtudes verdade.iras, o que he vicio na effencia : Finitima Junt faljà veris;
diffe Cicero. -
Enchi tod2s as Liçoens de fentenças da Efcritura) Santos Padres , Do11-
tores da 1greja, y dos Gentios Philofophos , para que a authoridade dellas,
e a infalli vel verdade,. que con tem, fer'viíre, naó menos à-utilidade que pro-
_c uro , que· à reoreaçaó , e re:feiçaõ do ani 010 dos Leitores : Rr;,_;f~it, & reparat
anivws_veritas,
1
efcreveo Quintil iano : carreguei~as de exemplos; affim por-
que li·em S_en'e ca, que era muy dilatada, e pouco efiicaz a doutl"in.a por pre-
ceitos, e ·p elo contrario rnu y -breve, e-efficaz por exemplos -~· Longum iter
per prrecepta; breve, &. ejjicax per e:Ji:em._lJla; como t::tmbem porque achey e~n
Quintili ano, gue fe deve ufar no que fe diz de exemplo ? p<1ra que com mais
facilidade fo perceba: E xemplis utimt:11 in dicendo, ut facililts intelligatur illud,
quoâ dicitur. ,
J?em fcy, gue hc impoffiveI, gu.e pareça bem efta.minha Obnú1ós Leito-
res, tanto porque reconheço , e in gcn nan1ente confeffo os defeitos dclla; co- -
mo porque os vivos coi1umaó fer invejados, e fó os mor tos applaL1didos, co-
rno c::mtou Ovídio:
4

Scripta placent à morte fere ,' qu fo l.edere viVr s


Li·vor , & injuflo carpere _dente /olet.

Que com valentia _; e elegancfa trarlnzio em idioma Caftelli ano D. ~nt onio
de 0oliz Ribacbn:;ii·a' nos V er1os rcguin te-s: . .

O inge nio hnmano ficmpre defgr~ci~do ,


Cnn el Si glo prefen tc , -
Y _í'ol o m; s fe liz co 1 cl paff<1rln ,' 1

- Si ~1 cnfo eres ·feliz ; pncs f"oL1111 ente


l\.J., •"'-'J.
"'·c·' c",, '" 1'' l1·'' 1 c~1 ' ·
\,,,..l .a. "1.(, ., ·
uJl .. -~ e.

L os que n-:oricron .y a; mas los q ue vi vcn, ' ''


N1.
Ni e.ncu·entrnn con la foma enquanto efc.riYen,
')
Ni auu fe les dêí el 8pplaufo en efpgrança;
Y es, que la em bidia ernbuelve fu tormento, ·
Con el officio de1 entendimento;
Y es fiera tan fang1:ienta,
Que folo de hornbres vivos fe alimenta.

Porêm advirto fómente, fé Ieaó.eíl:as Liçoens com prndchciã, e fe ccnfurem


com modefüa, por ier alheyo, e naõ meu o mais, e o melhor, que ha ncl-
las, ponderando, que : - · r

Quien prefun1e corregir,


Debe bien coníiderar,
. Qq.e flié fiem pre e~ cenfürar·
.. Mas facil , que el efcri vir. ·

. I

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·r :.;:
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)D. I·',.I
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DIVISAM DA OBRA.
E
Screv.e o grande Padre S. Gregorio libroflcundo Moralium, capitulo 26. 1
que todo o falido edificio das virtudes fe fonda .fobre aquellas quatro
columnas, ou firmiffimos fundamentos déls quatro virtudes Cardeaes,
-- - Prudencia, Juíhça, fortaleza, e Temperança, e fobre efl:es taó fir-
mes, como falidos alicerfes, fundaremos todo o noífo difcurfo, dividido
em quatro Palefi:as, cm que f'ení. todo o noífo empenho fab.irmos na primeira
· Píllefl::ra com hum Minifl::ro prudente, na fegunda com lrnmMinifl:ro jufl::icei-
ro, na terceira com hum Minifl::ro forte, e na quarta com hum Miniího tem-
perado. Eftá dividido o affompto, dividamos agora os difcurfos em cada hu-
. ma· das -Paleftras pólra melhor o podermos feguir com a felicidade que defeja-
mos, e confeguir o effeito, que de noffo trabalho pertendemos.
A primeira, e principal columna fobre que fe funda efte taõ necefiario ·,
como forrno;fo edificio da virtude, he a Prudencia, que-refidiFrc!lO em pen-
tendimento.; dando leys a todas as virtudeg, dirige a regra da razaõ, rnió ró
no que obramos, mas aind& no que.cuidamos, cujas partes faõ, fegundo San.:.
to Thomaz 22. quejlaõ 48. e 49. Memoria,. que he huma lembrança, pela qual
o animo repete as coufas queforaõ, cujo oppofto he o Efquecimento, que
·he hum defeito da memoria do paífado ; Experi~n eia , q LW he hum conheci-
mento das coufas. fingnlares, e huma arte das univerfais; ·confelho, que he
hum -defejo de fazer as cpufas, difcutida, e examjnada a razaó; Obferyaç-aõ,
que he huma prudente advertencia do qrn~ fo vê, lê ; Oll ouve; Docilidade,
que he hum bom diét:ame para fer enfinado dos mais fabios, e naó fe eíl:rlbar
- em . ~eu proprio juízo~ e fabedoria; Solercia; que he huma fn btil, e p1rompta .... ~
CODJe~6turaçaõ do meyo porque friccede algumtt coufa; Providencia ,·gne or-
dei;a. o p1:efente ao futuro .; Circunfpecçaó, que he hum juízo, e coníldera- '
çao das circunfl::ancias, que ha de ter a obra virtuoftl.; Cautela, que he huma
d~fcreta attençaó com que fe devem advertir, e evitar os perigOs, e impc-
-dunentos , que pódem occorrer ; Raciocinaçaó , que he hum difcufo com
" acerto , deduzido do que naõ fe entende , como em geral a~ particulares ra-
, zoens, ou co11felhos para as operacoens virtuofas. · . ,
·. A .Bn.:idencia fedi vide em cin'co efpecies ,.a fa bei· em Regnativa, que en-
fina a gover-nar os Reynos, e pertence propriiamente aos,Reys; el'n Política·,
qüe.enfina a governar,as Cidades ,eR:efpublicas ;em Enerchia., que enfürn a go-
.vet'na~· cada hum ~-fi; em Militar, que enfina a governar os exercítos na guer-
ra; e em .Econonnca, ·que en..fimr~overno domeftico das familias.
1 . Tem a Prüdenei~ i;i-ais tres ·partes, a qne chamaó Potenciais: Syneris,
que,con:fifte em fazer fao iuizo; Ebu11ia, que dirige·, e fórma o bom confelho;
.Gnome , que ei~fina em alguns cafos·particulares a fohir das regras commuas.;
.qne he t~ece:ffarrn para a Epiquéa; a efta virttlde fc oppoem a Afi:ucia, Im-
pruden.c1a, Fraude , e Dolo. ..
A fegunda columna, ·em que fe fuftenta o famofo edificio da virtude,
e he
\,

to-
be a Jufl:iça, q ~~e reGdirido em a vonta~de ·, .he Rainha, e iJ1oderadora de
dos os ~1 6t os deUa, ê1 qual hc buma con11ante, e perpetua vontade de dar a
. cada hum o que he fcu; efta fe divide em Commutativa; e Diilributiva; ef-
~- ta governa as operaçoens com que fc diil:ribuern ns confas commuas a peífoas
\ pm:ticuJares; e ag'-.1.CJla cnfina a guardar rcciprOC:'ltnente igua]dáde em O que
i~ d:.l , e recebe entre particulares pcffoas; fua's pnrtes foó Religinó, que he
huma virtude ., com gue damos a Deos o culto, e reverencia que lhe deve-
mos , ainda que fuo grnndeza excede h16nito , e feüs dons naó" pódem ter
igual retorno de agradecimento; Agradecirne11to, que he huma virtude, com
que fazemos alguma igualdade com aquelles, de que 1·ecebcmos o beneficio,
e affoc:to, com que o fez; Verdade, que inclina a tratar com todos, corúo
he jufto qüe f~ trate em a \rida humana; Vendicaçaõ, 'que he virtude, qi:rn·
eníina a recompenfar com alguma pena o damno proprio, ou do proximo .,
<que fe recebeo de outro; Affabilidade, que he'hnm decente modo de ouvir,
e converfar em o decorofo , e júfl:ó, fem litigios, nem lifonja: as mais partes
veremos na fegunda Paleíh:a. · .
A terceira columna he a Fortaleza., . qne ferve para fI'.Odcrar as opera-
-ç oens, que cada hüm exercita, prrncipa1mente configo, com a paixao irafci-
vel, feu obje&o he à cerca rào.s perigos da morte, o fogeito he o irafci vel: as,
partes. da Fortaleza· faó, Confian-ça, com a qual •cada hum tem no perigo
prompto o animo , debaixo dl!l qual fe comprehende a JYlagnanimidade , em:
obrar coufàs grandes' a que'm regue a honra grande das virtudes ' e por iffo
difie, que tem por materia propria as honras grandes, de gue nafcem a efra.
Virtude muitas propriedades, qu(2 tem os magnanimos, como aborrecer li-
fonjas, fi.mular hy pocrifiqs, naó fer cobiçofos fenaõ do mais honeíl:o ,e gran-
de., nem iútereffados, nem amigos do mai3 u,til, fe.naó do mais honefto; nenli
faUm· ·de fi. me1ino com ja&ancia, nem inclinados , .fenaó a co.ufas grandes;·.
Mag ni.ficencia,que flgnifica obrar coufas grandes, e efia fignificaçaó ta6eíl:en-
dida, pôde fer corÍ1mua virtude, que em todas as materias virtuofos obra Gou.:.
fas gra11des; porêm ha efpecial razaõ, e di'fficuldade cm obrar, e fazer gran-·
d e~ gaftos, e. p01~· iffo fe clJ.atna Magnificencia, efpecial virtude, que deter·.!
rninadamente inclina,ia gt"ande~ gailos , regulando-os ·pela razaó , para que
nem o animo feja efcaffo guandó a razaõ pede muito, nem tambem profL1fo;
, . . quancto·naó conv enY~ .confomindo o que naõ de via: debaixo deita virtude fe
comprehende a Confl:ancia\ - que he huma virtude, gue faz perfiftir no bern
contra as difficuldades gue fe oppoem. Perfeverança ,; com a qual o animo do
hómenf forte naõ requebra' nem d~ fifte de foa graneieZía' .naó, fó .pelas diffi-
culdades, mas t ambem pela diuturnidél.de· dos males imminentes; Paciencia,
q'ue he hum a voluntaria, e diuturnQ póffe de coufas •ardu-as , e difficultofàs
por canfa da honcíhdade, debaixo d:;i q.u;;il fe comprebende a virtu'.de da To,.. ti
lerancia, que he virtude , .emi;i a qual pd o.honeíl:o , '"e honorific0.fofre1nos as.
·coufa s laboriqfã.s ,< e difficultofas, .cujos c.cmtrarios veremos, quain do tratar-"
mosde ;cadahtTma'.defü:isvi ;-.tudes.· , ·-'.: _,· ;. · ·1 '.
· A ultima· crolúmna fo bre .qlie fe efüabelece efte nobiliffimo edifücio da's
Vil'tUdc's , he a 'Temperan ça, ~pie refüh ndo lTO C011CU.pifcivel , f rc 0roa fa:
cilmente R;:i.inhaidas ·wirtudes ;•qu e temperaõ , e rnod entó- noffos~ d.efejos, cu~
'.i o o1:>je&o he o H afo dos bens ide leit av·eís ·nos defejos, feguhdo o modo da
.raza.õ ; o fu geitp hc o appetilte'concupifci vcl, cujas . partcs faõ Mm1fidam, que
modera a ira; Clemen cia , g11e mode ra o effcito: e.fia tem feis p'.lrtes, primei-
1·a Cortezia, que ho pela qui.al o~ m1jmos com (,f fuavi.dê.1de das. palavras, e are-
gria do rofto rn oftraú qu e n ;;; ~ fa zem, nem faráó as icoufas pézaél'amente;
fcg unda ,.Benignidad e,..que he huma vh'tu d"G., p ~la qual moHraó os homens
a affa-
) t ....

a affabilidàde·, com que percebem, o que os ontros dize!n: terceira Facil~da 4


de, q ne he bum a ingenuidade do animo, com a qual 1e accommoda ao ieD:-
tirnento contrario, fem finaldealtiveza; quarta, Humanidade, pel qualie
movem os animos ajudados da natureLia, a aJudár aos outros em alguma cou-
fa; principalmente quando eíl:aó em trabalh ~s ; quinta, Humildade, qu~ file
lrnma virtude, pela g ual os homens ie fobmet'€.m a fi, e a füas coufas, ailim il:;i
palavras, como nas obras, aonde convem, e he honcilo, naó confrntind
fazer nada de íi arrogantemente, ·nem querendo, que fe diga; fext~, Tran-
quilid:;ide, com a qual faó os anin~os brandos, e focegados de tod:;i a per~ur­
baçaó .. He mais parte da Temperança a Liberalidade, que fe~·ve para diitri-
buir conforme a razaó o dinheiro, ou fimilhantes coufas , fem· d€clinar a o~
vi cios da Avareza, ou Prodigalidade: efta tem cinco partes, Magniticencia,
de que jà fica dito: Hofpitalidade, com a /qual fe admittem os hofpedes de
boa vontade, e com bom animo , fem refpeito ao proprio interefie; l3eni-
fi cencia , com a qual o animo brando fe move a fazer bem; Abftinencia·, e
fobriedade, que moderaó og vícios da Gula em a comida, e bebida ; Gravi-
dade, que he huma firmeza, e conftancia do animo em alguma feveridade no
roito, .no ·coíl:nme, palavras, e confas, a qual tem duas partes, Triíl:eza, e
feveridade; eíl:a he huma jufta dureza do animo , que naõ perdoa nenhu,m
deli&o , e obedece nirpiamente às ley~ com atrocidade, fem que a mova,
nenhL1111 rogo; e aquella ile hum habito do corpo, q.ue naó fe alegra nas cou-
fas de goíl:o, nem fe cntriíl:ece nas contrarias. He. outr9 fim parte da Tempe-
rança a Vergonha, pi;?la qual fo foge a torpeza contraria à Temperan ça : ei1:a
tem quatro partes, prime.ira ,HoneH:idade, pela qual fe ama a virtude da Ten-1-
peranca; fegunda, Caftidade, que foge a deleitaçaõ principal do c ói~o; ter-
céfra ,, Pndicicia, que refpeita as circunftancias da,deleitaçà:ó ,., e-amo a'D raços,
beijos, e ta6tos; quarta, Continenc,ia, que refrêa o movünento da v.onta-,
de. A Modernçaõ he tambem1p.arte da Teh1peranç~ ,' .que..irloq~ra o defojo.do
fnperfluo, faufto , e oftentaçaõ em o veH:ido, e apparato exterior 1; en ~'.[o .,.
deftia, que modera o appetitc defmedido em defej ar grandes honras, e digni-
dades: os contrai·ios deH:as virtudes fe veráõ quando tratati:mõs de cada hnma
deHas. . . .
· Eíl:as faó as quatro virtudes Cardeais, e fuas partes; e ainda que as di-
vidünos coi1forn;ic nos enfiHaÕ mrritbedi:.vros., qu.e muitms vez~$ r.Cvol vemo " . . ~
para eíl:e acerto, conhecemos, gue nas ~-far t es ha tanta v arie.da.de cm apP'r.o..;,
p riallas a cada huma deíl:as; vi rt udes, qu_e muitos vimos, que as explic~raõ de
outra maneira; ma2> como ei1aó taó iene'Cldehâ..as as virtúdes humas com ou-
tras, que te naõ póde to.car cm hum a.., Sem ter logo correfpondencia de outra,
nem repóde fazer preza em a prim~i.t,:a. , feln gue entre o co:r del em os termos .,
\,. e comarca da fegunda, fendo comp cy thara bem temperada, que fonaõ pó-
; de tocar fcm que JS ma~s correJpo11daõ G:Om igual,coüforn.ancia à que fo toca,
·naõ fc podcrà notar que~ tratamos ±ora de fou l uga-r a alguma dellas; alêm de
que a vi r ~u de he taó Senhora , gue em toda a parte·tcm lugar.
A Zoeoclíl:rcs , cmuo diflCffc , gue a alma tinh a azas , p erguntaraó
feus di!Cip ulos de que forte podiaú \Wâr como aves feus erpiritos? Banhey ~
rcf'pondco , eis a.<,.1;; dt? alma eni as onefas da vida ;. e perguntando-lhe outr:i
vez donde cll:a vaó dfas ondas, que dizia, torn ou a rcfponder conform e_a fcu.
dty lo, por parabola, dizendo: Com quatro rios o Parai:fo de Dcosfe.fecunda.,.
e rega , dos qttaes podeis vós outr os tirar as jáudaveis aguas, qtte vos bey er~(i.-
11ado , Santo Am broGo 110 livro do Pt!roifo entende pelos qua tro rios de Zoroar:.
. t rc s; ~.: s q rati·o Vi L'tn jes c~rd. ca i s, Prudencia J Ll lb ça, Fort~lcza Tcm pcr~rn ç a . o
J

Ganlu..:s2q LlC iliufrrafuas corrcntcs~e cnnobrcce foa s ribeiras-com ramos dc o n rny


~ l ~ · e fondos·
1
.'A
e fLmdos de preciofa$ ped1·3s, fignifica no fentimento de Santo Amhrpfio-em
a Pmdencia o valor.doleriten.d imento, e o efplendor d'alma. O Eufratre·s h:e .
claro fy mbolo da Juftiça; porque a ~fte rio fe attribue em . numerofa produc-
çnfr de frutos a fecundidade, e abündancia, e affim mefmo he a JuíHç~, por-
~~e.. della fahe para o humano comn~ercio fecunda :;ibunda.rtci;;i de feguríd a-
1es, e abL1ndante colheita de frutos; porque fe olhamos à Diilributi va , que
mais ntil fertilidade para o adorno da Republica, gue as flores dos premi os, e
efpinhas do caíh go? Se para àCominutativa,gne c'onfonancia mais agradaveJ,
e próveitofa à Republica, que a obfervanci<]., e execuçaó dos contraétos ,e nl-
·-t-irn as vontades dos homens? O Tigres, q_ue he o mais veloz de todos bs rios,
fy111 boliza a Fortaleza, a qual corre valorofa com admíravel.conftancia, im-
periofa-corrente , -e vencedor ruido , derrubando os vicios, que fe lhe op-
poem ', ·e fubmergindo os impedimentos, que a embaraçaó. O Nilo, que ba-
nha ao :Egypto he conente copia da detida Temperança, com a qual, o in-·
feú.tiv-0 do·s deleite&-', 1.-evivo ardor.das delicias, como fubmergidô em criftal, .
fe tefivinge, e fe ap:;iga, e do fecundo cabedal da propria, e utiliffima Tempe-
rança' fe derramaõ por todo o Egypto. d'alma as fecundas correntes nas ou-
tras virtudes. Ifto mefmo com pouça i.differença trata Philo em allegorias da
ley; donde diz, que Geon fignificaio p_e ito, e correfponde ao Nilo, e foto.-
ma porfimbolo:daFortaleza; e o Tigr~s. , que banha os campos dos Affyrios,
fym boliza a Temperança em imrnode1~ados defejos, que faóintra6taveis, e
1

J.!ebJeldes _corno feroze~ Tigres; o Ganges no limpá-, e. puro dasfuas çorren-


te_s dernota a I:rüdençia na e'lareza do en:te~Tdimenito; ·é o Eufratres na fecun..:.
didade·das fuas aguas figni'fica aJuftica , porque deHa fe deriva a abundante co-
lheit~Hda paz ', qlfe.he a n1<üs util ferÜlidade da Repubh'ca. , _ · · . "
' , •l Efia he·a diV.ifaó da noífa Obra,. que 1enaó pa1~ecer boa ao Leitor, p6de
efte ernendalhl :. 0srefros, qúe nella houver, ferá razaó que os cenfure b Dou..
1 •
to, nJas'injuftiça, q1ie os .~i.,llgue o ignorante, .a...qu.em eu, com vos de Mar .'
cial', digo: ·, i < • : , , ,
/
, ,
- ( 1 • " , , 1. ('. '

~r. r:'.J ..JtJ Iflà tamm mala fz!nt; •qutefi manifefla negamus,
J-1.:ec malaJunt; fed tu non meliora facis. .
,_ \ -~~-· 'J : l. . í'.1 ...... , :;, -;:: · ! • ,-.'°" . ! ,T'

( . E. em.,voz ~e D. Francifco de la Torre.üa•tr.aduc~aó de //Vem liv. único Epigrám-·


ma 15.
, refpondo • . . . 1 'f r-. . . ,: .l,.. ~. / .

, rJc V.elibrillo-alPalacio, defendido .


· J)e diétames cuerdffi.s ., y inftruido.
L ', Sufre-en la variedád:<le la fortuna · '·
· La fuerte ya agra'dahle ,: ya itnportima;
Porque alli encontr~i:ás rcon un amigo,
Aqui hallarás quiçá duro inimigo;
. Mas fe alguno.enco.ntrares . ""'
. , :Demafiado:, molefto, no repar~s:
' Dile , para eximirte de fu zen o;. :.
· . . · Que me lo diga a.mi, que foy tu~ duefro.
~ .. .. - ~ '

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.) /1

lN...
1
INDICE
.
.
D·As -i,IÇOENS, QUE CONTEM AS
.
. 1
.

QUAT , R~
, IJ.

· Paleftras defte Livro.


. '
PALESTRA PRH11EIRA P ALJj:STRA SEGUNDA.

S
ObreavirtudedaPrudencia_,/içaõ ·DaJufriÇa, lic. r.p. ~?I.
1 - • J

I. pag. I. . Das Ley s , lic. i. p. 18 I.


_ Sobre o Confelho, lic. 2. p. + Do Coftume, lic. 3. p. 190. . .
Sobre a Hiftoria, e Liçaõ dos li- Dos Officios publicos, lic. 4. 193. i
vros, lic. 3. p. 8. Da Patria, fie. 5. p. 260.
SobreaObforvaçaõ, lic. +p.15. ~obre a Limpeza do fangue, lic. 6.p~;
·Sobr.e aMemoria, lit.f) . p. 16. 210.
Da Prudencia reg1rntiva, e origem dos Da Fama, e b.om N~me, lic. 7. p. 215.
Reys, lic. 6. p. 18. · . · · Da Nobreza, lic. 8.p. 22I. .
Sobre o met'mo Affumpt<?, lic . .J.°p, 28. Da Sciencia, e Sabedoria, liõ. 9. p.231."
Dl. Prudencia Civil, tic. 8. p. 32. . Do Engenho, lfr. I o. p. 244. (
Sobre a Prudencia-Economica, lic. 9. Da Eloquencia, iic. I 1. p. 248.
P : 37· _ · .· DaBoaPrefonça, lic.12.p.255.
Sobre à eleiçaó da Mulher com q~ú~ fe · D~ Verdade, lic. l 3.p. 260.
·dev,e ·cafar-; lic_ lo.p. 38. DaFfêleIRltldc . ,-: li,c.:1,+p: 266.
Do modo com que fedevehavera~1u- Do lnteteífe, lic. 15.p. 274.
lher com o Marido , _e<? Marido com Da Diligencia , -: e 'J)'abalho, lic. r 6. p.
a l\1ulher, lic. I l' . p. 47.· · · r · 280. · _
Dos Filhos , e cuidado naiúa criaçaó , Da Cortézi~ ;· ~ Affabilidade, lic. 17.p.
lic.12.p.53. · . .- ',_ · · 28+ : · ·
Do a'n1or dos Pays, lic. 13. p. 60. " Da Experieúcia, Exercicio, e Induf':' . ,..)
Da Obediencia , lic. 14. p. 66. , _, tl'ia, ltc. 1 8. p. 28 8.
_Doeíl:adodosFilhos, lic. 15.p.7r.\ Do-Exemplo, lic. 19.p.293. .
SobreaAmifade, lic. 16.p.77. · Da Inteireza,'e Reétidaó;lic.20.p.298.
·. . DaEleiçaódosAmigos, lic.17.p.83. Daidade, lic.21.p.305. ·
:" .Da Benevolencia, lic. 18. p. 91. Da Authoridade, e Gravidade, lic.22.
;.'_·:, DaBeneficencia, lic. 19.p.96. p. 312. . · .
-~Do Agl'adeci1m~nto, tic. 2ó. p. lo+ Da Eleiçaõ dos Miniflros, lic.23.p.316.
· Da Ingratidaõ , lic. 2 r. p. r r I. Da Eleiçaõ dos Biipos , lic. 24. p. 31+
._·DaConc01·dia, lic.2~.p. n5. Do modo com que fe deve haver no
· Do Segredo, lic. 23. p. 122. Governo, lic. 25:P· 327.
Dos Amip:os dos Principes,lic.24.p.128.
Dos Criados, fü. 25.p . .i 34. : PALESTRA TERCEIRA.
Da Fazenda , lic. 2p. p. hj.O.
_Do Dinheiro, lic.27.p. 149. Da Virtude da Fortaleza, lic. I.p. 334.
Da Pr ddenci a: Monaftica, lic.28.p. I57. Da Oufadia, e Confiança, lic. 2. p.34ó.
Da Impn1dencia ,.e da Aíl:ucia, lic. 29. Da Magnanimidade, lic. 3. p. 352. ·
p . 167. . Sobre a Fortuna, l~c. +p. 36r.
f Sobr~
,I N D I C E.

, ; ·sõbre o éonheçin1anro-proprio: .lic~s~ Da -P aciencia das Injurias , lic.16.p.471 .


p. 37 2 · . . - .· Do Sofrimento dàs Murmur:i.coçri_s·
lic. 17. p. ~ns . .
.
. Da A mbiçaó, lfc. 6.p. 3So.
~

~ ·;\b-~:'e a mefma' ma teria ,' Jic. 7. p. J8 8. · ~obre . a Vin gança, .lic. 18. p. ,.}8 r.
-k>bre os lifongeiros, li. 8.p. 392: Da Difümulaçaõ, ·lic. ·f9.p. 493-
_Da !\1odeD:ia, tic. 9.-p. 40I. - - SoS.re a Toferat1eia, Hc: 20. p . .<:}99· ·
r obre a foberba, lic .J_o. p. 4c5: Da Conibncia, Firrn~za 1 e Pcí·fove-
- Da Magnificencia , ~e- feus extremos , rança, lic. 2 i. p: 503. · ·
lic. II. p. 4 l 8.
Da Liberalidade, li~. I 2. p. 328. ·PALESTRA QUARTA..
Da Avareza, üc. 13. p. 437.
Da Prodigalidade, lic. I 4.p. 455~ Sobl"e a Temperança, liçaõ unica pag.
D_a 1)- fl('.lCiiCia
. ~ • · ' l5.1p, 45 8"•
, . i 1C. . 505. .

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PALFS--

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·P A L E" S ·T R ,. AJ.
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PRIMEJRA ·
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·. LIÇA M. ·1

Sobre ~ Pirtude da Prudencia. ·


~ Primeira .tnéftrn, q- coufas, que f~ devem <!,efej~r; e das que
nefi:a paleftra ,Mo~ fe devem fugir : he huma virtude per-
ral,PoJitica,eChrif- feita, €verdadeira, pela qual nos con-
. tá nos .dá ·as prit- oiliamos,julgamos·; e mandamos aquel-
meiras liçoens, he la~' coufas ,que, pertencem ao bom fini
a Vil'tu'de da Pru- de': toda a humana vida,e q fenaõ ajuf-
IH~~~M~ dencia, que he hu- ta fenaó com os bons: he finalmente hú
' 1na virtude do en- habito virtuofo do entendimento par~
tendi111e11to; com a qual podemos acu- regular com acerto, e reétaraz?Õas ac...:
dir aos,bens, e males ·, qt.l.e pertencem á çoens humanas á cerca daquellas cou-
felicidade: he virtltde,que dirige are- fas , que faó moralmente boas ou más.
• gra darazaõ; tudo,oquefecuida, tu-· Efta he aquella rainha das virtu"'"
do ,ô que fofaz; e que naõ pert1JJ_tte que des, que.os homens devem trazei· fem ...
t' f$ faça coufa; que naó feja· muito lou'"' pre diante dos olhos; como aconfelha
vavel : he huma fciencia de todas as Joaõ .de Ovem 1zo livro 3'· .Epigrmna r 62.
coufa_s boas' e más hé hum:a regra elas na maneira . feguinte :
. '

'"
Pittus in r~bus prudentza (emper agendis t
Una -ejf virtutum ludi 11zagtrtra trium.
}lenipe bonunz invita-,· qitiP, .fit prudentia monflra(; ·
Ut logice, v~rúm quid fit in arte~ docet.
Que com admiravel agudeza rçferiq D. Franciicr · .,, .m Tmte nas verfos fe /
guintes. A Para
/

.~ ·. GUERREIRb, ESCOLA MpRAL, &e... .


J>ara ,.obrar qualquiera ?ºfa, cofa . dific~, ~ud? rege, t_ud~ abrarida ·~ tuâo-
J Es fiempre la prudencrn ptovechof~, , fL~av1za O.. r1gor da Jnft1ça, qu~ en~1·~a
:Maeftra. luze , bella, . '· amt.enpera~ça,queprende a temcndà,--
fo1a ella.
:~ifte las tr.es vittndes de, ·que ±~eprime aluxuria, que' hü--
:Ó~l modo qu; feí'ia_la con aciort~ . milha_a foberba .,_que deftroe a ava~·e--
La Logica en el arte l? que e~ c1erto za? que veif,c,e a ira, que derr_uba .ain-- .
En la vida cónclata diferencia, vep,, que desbarata a pregmça, que
En ferra lo que es bt\eno la prudencia. triumpha de tbdos os v_icios,, porque.

Porque fem .ella ·pafi'ará o ·valente a Sin lâ pru~encia in~bnH:ancia


fraco, o forte a temerario, o rico a po- La tortaleza fera, .
bre ,. o fabio a necio, o virtuofo a vi- 1
Es la terµplança tibieza;
ciofo , o liberal a pro digo , "o jufto a I la juftiCia .crueltfad. _ '··-
iníquo , o ditofo , a·difgra,çado , o n~- La fortalez~ es ·,co~umna; .
bre à humilde, o Rey a vaffallo, o p - Pere mas lo es la prudencia:
derofo a defvalido, o refpeitado a d~- . - Que felaprudencia fa1ta ,-
prezado, o amado a aborrecido; e com · · Se Gaé la fortaleza.
ella paífirá o aborrecido afer amado, o
defprezado 'a-fér refpeirado ;- o defv:a: Com. efia he ·o fôldado vitotiofo, o
lido a poderofo-, o v~ífallo a Rey .,· o. niinifiro amad,.o ; :flórece o pGvo inri-:-
humild-e a nobre.;, o difgraçado a ven- queçe-fe o Reyn,0, eporiífo efcreveil-
turofo, o iníquo a jufio, o prodigo a do Apolonio a._o'Emperador Domicia-
liberal, o viciofo a virtuofo, ·o.necio no lhe d,iífe qu_~ naó .menos devia de
a fabio ,' o pobte a: rico , o teme1;ario a hermanar o poder com a p·rudencia ,
forte o fraco a válente, eoluxuri~fua porque mut1rnmente neçeffitava de
honefio; por quanto he o fal de todas hu1!1a., e outra coufa, a~m .como. a,
·asvii·tudes,comà ihe 'chamou Origines Vifia neceffita de luz; e-a lu~ da yifta :
tom. 2. homilia 5. 'i'-d cap. I 9. Genef com Potentia tibi efl pariter , & prudentia
o qual devem temperar os Reys·o go-·.. opus. eft , alterum altero indeget , quem ·
verno de feus Reynos para que naó · ad modum.71-ifus luce, & lux vifu; e por-
feja nem dezabrido por afpero, nem iffo diífe Ariftoteles, que q. Pruden.-
pouco ,gofto~o por.remiífo; .osMinif- cfa ~ra propria v~rtude dos Princi-
~ - - tr~s- as fuasjl:dicatura~, gara_que tfaó,. P.e.~ : Prude~tia eft pro?ria virç~s PriiJ,- -.
feJ~l:O a~orrec1das por m1olentes, nem : · c1pi.s, "e no livro 3'· das fi,f,aS Polztzcas cap.
ama.das por brandas; os Pays de fami- 3.- dá a razaõ dizendo , que as_mais:
lias fuas cafas, para que na ó fejaó tidos virtudes cornmna,s devem fer ·aos, fu-
pbr demafiados nos·goftos ; nem por periores, e fubditos, mas que a Vir• ~
extremofos na curteza delles. Efta he tude da Prudencia he proprio patri- , ; ,
aquella virtude taõ neceífaria a todo ó monio dos que goverp.aó : Virtutmn fl'I
genero dé peífoas, como a agua, ao fe- fala pntdenêia ·imperium obtinentis pro:-· '1
quiofo , O paÓ ao faminto'· O ViftidQ pria : ttam Cteterce necejfario comunes ej]e
ao nú, a faude ao enfe'rmo, a liberda- videntur._ imperan:tibus , cum his, quibus
de ao prezo, o vento ao navegante, a impera'tur. .
... vifta ao cego: efta he aquella virtude 'Efte nome Rey ainda que no feli
.,.
.·: taó fuperior ás mais, como o Sol aos rigurofo , e apertado figriificado fó ,
mais aftros, ocarbm~ctllo ás mais pe- · comprehende os Monarcas, que naó
dras, o out o aos mais metais, o Rey · reconhecem fuperiores; com tudo no
aos vaffallos, o fenhor ao fervo : eftn feu largo fignificado Rey he todo
he finalmente aguella virtude, que ~u- aquelle, que rege, ou governa algum -
do tempera, tudo governa, tudo mo- povo,,alguma faniilía, ou alguma ca:- .
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PALESTR.À I. LI CAM 1- SOBRE A PRUDENÓIA'. ··-- -----·-·- 3 ~ 1i· · 1 ~
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pôriífo _no Capititlo Duo ifla .35. ente , trazendo fe:11pre na me~otia 'ief ff ~
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c·a·ufa 23. qucejfione + fe _chama Rey ao aquella regra .de Anftoteles, que enfi- ~J l·
B'i fpó, que rege os fens fubditos·,_ a0 na, que tudo aquillo he bom ,cujo cô -; '
' · Pobre, que governa a fua . cafa, ào trario he máó : Bonum efl, cujus confra;·"
Rico, que manda a fua familia, aO' Ma-,- rium efl malu11i , ~ affim deve o pruderr
rido, que govei-na fua mülher, ao Pay, ~ te antes. de entr~r em alguma acçaó .
.qu~ rege feus filhos, ao Juiz que--rege confiderat p~imeifo,fecorrefponâ.e ao.
feus fubditos·, .ªº.R~y 1 que rege feus feu _querer, bfeu p_oder,, ef~ndo igual
vaffallos, ao Cap1tao, que rege feus o poder com o deH~JO, pode entrar fem _
· foldados: Cuique regentí apta, & cirr· receio,porqüe pofto ofim,eosmeios ·
comodata eft non folum _Epifcopo . regen- . fe·fegue -o effeito; e eftá acoufa meia
ti plebem Juam , Jed etiam pauperi ré- feita, quando he grande odefejo de a
génti doinum Juam, diviti ·regenti f ami- fazer, porque a·voritade refoluta ávi-
liam Juam , marito regenti conjttgem Ju.. va o engenho , e poriífo fe diz, que•
am,patri regenti prolem fuam,judici .regenti nada he difficultofo ao que quer, e
provintiam fuam, regi regenti gêntem Ju-· que aqnillo, que póde faz_ei· a Nature-·
am; e poriífo debaixo dq nome deRey . za, póde fazer a indufttta.:: porque·_a
fallo rteíl:as liçoens corri os Prelados ·a rtepócteimitaraNatureia, eaNatu-
€.cclefiafticos , efectüares , com-os Pa- reza naó póde imitar a arte.
ys de familiàs , . e com todo o_ genero V ~~·á tambem fe aquillo qne defeja~
de Peífoas, porque todos fa o reys·~ o feiJa outrem, porquanto o que ou-
. áinda que 'naó tenham a quem man- trem já fez pód~ fazer outn) , prind-
. dai· mais ·qüe a fi proprios; que ,re- l?almente cop:i ajudai.porquanto oqu~
.ger; por quanto. \ iem ella he mfficultoio , com ella. fera
, . faciliffim.o; e fe achar, que outrem o
~uardarfe del mal · infiel , ·n aó fez,deve abfterfe da tal acçaó,por-
, Sea dei prudente el tema; que-a novidade no obrar fem exemplo,
-Del fue,rte _for fu~rte en el; que ou afiance, ou difculpe , po~er4
Parqué aquefte no le tema, . ferjufta, mas fempr~. avflliada por te-
y pueda evitarlo aquel. . meraria, eimprüdenfo., pois fempre fe
avalia arrifcado o. caminho, que ou-
Eforevendo Santo Agoftiriho aos feus tros paífos naó abrfraó. , · .),
Eremitas, lhe diz no Serm'aó da Pru- Tambemponderará,- fe fepóde fa.,. ··
dencia que naó fo ofilencio lhe he ne-:- zer·parte do que intenta, porque fe .
c eífario llP Ermo, mas que defte deve aparte fe póde fazer., fef~~á o !Odo, e fe
fer · infeparavel cómpánheira a · Pru- o demais íéha feito,fefara omenos,ap- f

.r
dencia, porque efi:a enfina o quanto fe Jilicando os meios neceíl'arios para o
· ~ . deTve bd.üfcar, e ofiqduartto f~ddevhefugir. ~,q;1e perte:ilde J?Orque intentar ahc- . ·!,\.~·.:~
o as· as con 1 eraçoens o omem çao iem proporc10nar . os meios e , -
...prudente fe reduzem a duas; convem querer fabricar edeficio fo bre m0nta.,. · .. ,
á fal?er, fe a coufa que emprende fa- nhas de movidiífa arêa, ori voar com ,;:~
zer he poffivel, e fe fendo-o convem; azas de cera no rigor do Eftio. . .,,
que fe faça , porque muitas · coufas .Para o fegundo deve confiderar ; · ;r.
convem, mas n::iõ faó poffiveis '· e ou- que aquillo he çonveniente , que J;te
tras .faó poffiveis, mas naó convem , natural , porque .aNatureza l).e excel-
que fe façaó, e para fe refolver o ·p ri- lente legifladÇH'l:"!, e as leis _civis füfun-
meiro ponto, he neceífario valerfe o daó fobre as naturais, e que aquillo,he ~ ,.
. prudente dos principias do Poffivel, e conveniente , que he util à vida huma-
. Impoffivel, e para o fegundo dos afo~ . na; porque cada hum eftá obrigàdo a
rifmos. . .d~ . conveniente, · e inconveni- cop.iervalla, e mu~to mais fe,a e o.ufa .h~
.. ., -'~-'"'- ~ - ___ _:'. __ - ·-· . ~~ ~ L.Aij .:~ neceífa-
' /
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~( . -~~..' . , .:. ·GU~R~FJ!~0 ,-- -~ESÇQL~ 'MORA:I: ; . &e. "


~~'.~/., 1).eeeii~·:ta ., porql1@;1:a n'ecefud-a~_e. .h'e fi;lb~o.: ·~mto~~s as,coufa? corren1 g.rair.,.
'1 fQbre aley,equeaqmHohe~onv1nfen~. de perigo; d~1z~a _ogranue {urc~ !Vfaha~. ·
·ic ,ç ue"he louvavél, pOP quanto .nao met.-2. que ietiao do.propnq difcin:fo;
. :r~ -loü v ar.fena õ o honeft6; e que. emlli·diípoftoefhí parae1~rarqúyffiJ1'aÚ·
~ ·~
i&.1üillo·h.e conveniente, qúe he· jufto, Jer. ~nde ao parecer de Outro., e a cat1fa -
Font-o util naó fe d.~ve GO~prá~· c_o1n he,por quanto 0.altivó cuida,que tude
damm-0 (cle ou trem', e·que aqmllo n:ao he- enteude,_e 1'.anto Jll~ga defprez~r fua -re-
co.üveniente, de:g\ie osi.nímigos foaJe- .J?Utaçaó,qüanto fefogeita a petgútai~,
graó ,_ ~o s~~migos; fe~ntrift~cem; po~·-;:; iencl:~ ifto .a or.evés ~P?J-: quáto e1mmais .
quiçarao pode fer mao ·, o que defeJa fe eíhma hum bom Ju1zo,, ~ e.nte11di-
q uem qu~r bem ,nem bom, o que deJe""'. _ mertto ,qüãdo conhecido portal gofta
Ja quem Cl!uer mal:!eultiniamente que ·dB ouvir ,arazaó alhêa, çomo fe lê no
Gmenor. inconvenienteferá c.onveni:-- c.ap··13. elos Pro71erkios; entre os louvo-
eJ1te '· ·q1r1ant10 fenaó póde evitar ou res qi1e fe daõ ao ~m peradorAd1·iano '
huJ.n ;-<:m 0~1tr0~, porque em os cafos. teve fempre entre o~.hi:ftodµdores o
ex:fr0nios o ménGJ. rnal tem x;azaó. de :primeiro higar, o naó ernpi-ender co.u:- · ·
]D.em ;Ta.z~õ pm·quanto-faó conformes. içi, fem q primeiro precedeffe maduro ·
0s Juriftas,, e os.Philofiphos, que af- confelho, eoJofriméto, coin quàntG"fo. ..
' firmaõ , que"de _daus maJes neceífarios fojeitava à fer reprehehdiqo, e amo~f-.
fe hade eleger o.menor. . ~.. . t_ado. Nmica trouxera ó arrependirnéto
• ·, .- • 1 - as acço~1i.s,quéo confelhogovernon, e·
" ; ,:·r ·" ·. L .I .ç_ ·,A:Jo· M - II. dirigia exEccl~jiaflico e. 34. , e_femp1;e fe,


. r . , experimé~a fucceífo mui avêífo ao que.
Sv_bre._:·1.ÕJC.01'tfelhó. . • fe defeja, quando fe defpteza Santo
Hilario l. 6. de Trinitate.: D~quella fa:-

H
, · ~, ~~ ·;-. - , · • ·.: ., " i . 1 , • .
E a fegunda .pafte).da Pruden- mofa dertota, , que padece1·aõ os Ro:-;
eia o: confelho : efte he: 'hum. manos em os campos d.e Canás, teve,a
Q.ef~jo~êile,fazé1· as coufas con.,, culpa Te,reneio Varraó, '-Í porfua tei-
- · · 'forme a razáõ, cOIIJ.ilO diz,;Ci-· ma ja mais fe.quis render ao confelh.o _
cer© , :., .b.uma ~nquiziçam í ,daqH:ellas do Conful Paul0,Emilio., que o avizoü
eoufas fóm~nte ;. que -refpeitaô ao: h\1ma,emuitas vezes naé;>travaífe com
( ._ que fe deve. . fazer ; e a0 qúe fe deve · 0s jíümigos; nem deife bata1ha ao val~-: ·
obrar;. he 1!-uma luz, que defterra as ro10 Anibal de poder',-a poder, po-~
n.evoas da ignoranda; h-e huma guia rém elle o fez ao revés, e pagou afrót6 ...
fegura, que leva as·acçoens ao fim per- famente as infolenci.as de fua pertina-
ten.dido; he hum.norte fixo, qne tudo eia ex Plutarco invita Anibalis. Aliber-
guia aop,0rto.feguro.;heh~1m final evi:... dade do Reino, e a gloria da naçaó ,
dente da virtt}de , de quem o toma-; he Portugueza fepultou nos campos . de. · .
huma demonftraçaõ certa dafciencia, Africa o n.9ífo Rey D. Sebafl:iaó, por ,,, @

de quem o pr0cura; he hum compa.'.. naõquerer'tomm· confelho .dos grãdes," '


nheiro .fiel de todo o ncerto; he final- D.Luis deAtaide,eD.JoaódeMenezes,
mente b.uminilinig9 capital dos erros: que com o zelo da Patria, amor de vaf-
fracos, e.limitados faó os Juízos huma- fallos, e experiécia de tantos _éafos mi.-
. nos , incertas fuas evidencias ; e por litares o quizeraó disfuadi.f de empre-
iífo pai~a fe deíviarem os homens de za taó arrifcada pella defigualdade do
f uas paixoens , devem . primeiro re- poder, _e pela _difficuldade do focorro
correr a Deos ex Tobia .cap: + fiando cuftando-á quelle air fegunda vez ao.
nada de fua prudencia; por qi,ianto o governo da India, e a efte perder em
q1~e:fia d~fi ósacertos,~ena opiniaó de huma. junta de Medicos a opiniaó do'
Lzv1-0 t. r. Decada 5. mais foberbo., que valor, com que hayia íido aífombro cla
" · -. \ · Azia.

• I '
"\ I 1

PALESTR.A I{LIÇAM H, SOBRE O C.QNSELHO. '


Azia ..Affim ·como nem todas,.as·anro- ·d~s meftres da vida .~xEr;cl~(tajlico e. 78 ...
res daó1fruto, porq_~1átohumas faófer- e bem o enten.din ElRey Agameno,de ,
tis, outras ~fteriles, amm nem todos· auem · fe e(çreve, que dizia· eftando
fervem para fe tomar ~eiles o confelho, {obr:e,~roy~ i11e m~is queria des-:ve<
mas demil qnandommto hum,co.mofe. lhos ,cqmo~ehor, qtie outros tantQs
·lê noEccleft~flico cap:6. eeftes_neceffitaó: mancebos CO.nfO 1\yas,eAquilles, por
de muitos reqnizi·w s ' que apontare_: quanto defta maneira teria mais c~rta
mos brevemente. _ confiança de tóma~ mais cedo Troya
: Em plimeiro lugar· fe graduao os por muito, que fe defep.defe~
velhos, porque os annos largos.faó grá-
' ..
Con_(tlio utiZius, quam viribitJ arma regunt.ut:.
Militibtts efl robur, cqnfitiumqtte Ditcís.
. .
E por iffo diz Cicero no livro de Sene- . . A idade fe fegue por fegundo req;q i- ·
ca, que as oonfas grandes mais as fazia · zito o ferem os velhos, que fe devem
0 confelho, e autoridade, do que as for- graduar.confelheiras, exemplares; p.or-
ças, e celeríaade dos corpos. Os Lace- que a fcieiw!a naó entra em peífoa de
. qemoníos naó admittiaó ao feu confe-._ vida depravada ex fapientia cap. 1. mais
'- lho homens menos de feífenta anrios. difcretoparecia0 velhoAehitofel:po,-.
Pergútou Ptolomeu Rey do Egip·~o a rém a fua prudencia naó era de Doos,
hum dos Setenta Sabios, que trouxe de fena ô mui preverfa,emundapa,e como.
JW:wa para trasladar oslivro&fagracios; tal deu cIDmelle eµihuma forca, e com·
que confe1heiros lhe feriam bons, ao Abfalam,que o ouvia, em.outra; ead-,
que lhe refpondeo, que aquelles, que vir.tÇtm,eolhem bem, o que aconfe~aó~
foffem verfados,eexercitados emmui.., porque lhenaó fucceda levat ascoftas
tas coufas , e fnnilhantes nos coftu- ieus máos confelhos, como acoritecéo.
mesaqàitoRe.y ; masifto fedeve en- aMaxencio,queaconfelhouque ~ear­
tender nos velhos de prudencia, e ma-' maífe huma ponte falfa fobre o Tibre_
dureza emfeus confelhos : porque fe para deitar ao fundo ao JmperadorCo-
forem disbaratados,elivianos-,naóme-· ftantino, efou .exercito, equando. ruais
11ecem nenhuma reverencia asfuasbrá- feguro feimaginava.;cahioelle, etodos "
cas ex Sapientia -cap. 4. porque . como 0sfeus; a Perilo que f0i abrazado.nq, . · ~
'enfina Saõ Gregorio ' lib. 19. Moral cap. touro de bronze,queinventou,eacon-
13. aquelle-s fechamaómoços,que naó folhou paraatormentaraoutros;aDio- -
florecemcomagravidade.doconfelho; médes; a quem comeraó os cavallos,
·e velhos aquelles ~ q naó fó refplande- que enfinou a defgarrar carnes, a Ru-
. . cem em -a quantidade· dosannos,m'as , zimundaRa~nha,q md:r~·e,a com-o.:ve-
~ em a gravidade dos coftumes; velhos neno, que tinha inventado pa,ra,J4at;
r'" eram os Juizes de Babilonia , mas fem morte a ElRey feu marldQ, aos Sib~p:i­
razam, nem juizo : poucos annos ti- tas.; q11e perdera.ó ein a-peleja os ca- ,
nha o famofo D: Henrique de Mene- vallos, que tinha ó enfinado a dançar,
zes governador da·India, e muitos o a Holofernes, que no cabello, que cd.,..
capita ó a quem mandou dizer que naó ou para feu ornato, achou Jndit prizaó.
q uizeffe q trinta annos f oftem emen- pa1~a o degolar :
dar feífenta.
Autorem feriunt tela retorta fuu_;n ~ _. . · ·
invidiofa ferunt, refponfaque dura 'J'epot"tant

A experiençia, e ufo he requizito mui neceífal'iú Jio.s confelheiros; por-


que


\
' (

6' GuERREIRO RSC0LA .MORAL,&é,


qnehe a experiêcia hum conhecimen~ pitáÓ general em _a guerra ;;e, oaífento-
t dascoufüsparticulares,ehumaarte de hum c_a mpo, e.governo de htlm
db.§,univerfais ,- como diz Arifloteles 'exercito, do fugir , e accometer o
Ft I. methaph . .e meftra de todas , co- · inimigo ; e fendo depois perguntad,o,
1 . o lhe chamou Tacity lib. 15. ~nnalium, ·o que lp.e havia· parecido refpondeo,
que enfina muitas , que nao alçan- que hnm g:-and~ louco, . pois Jallava .
çaraó os faOios razam porque fendo do que nao fabia. Coftumava' Apel-
Tacito perguntado, que coufa havia· les pôr em publico fuas pintur~s á cen-· l
mais fabia,refpõdeoque aexperiencia, fura de todos, os que paffavam" e entre
como conta Stobeo Jermortum 27. e fe lê os que _paffaraó foi hum çapateiro, o
no Capitulo 34. do Eccleftaft-ico, que co- qual como e~ercitado em feu officio,
nhece pouco, quem naõ experimen- · notou as faltas, que tinha ô as chinelas , ·
tçu muito. H_u m dos grandes abufos, e ouvh1do-o Apelles, emendou o erro;
q coftumahav~r,heandaremas ~oufas _ pe~o que diifeLampridio ·na vida de
em achaque de.,ponc~rto, ou maos de AlexanP,re Severo, que quando fe tf"a-.
quem as turba, ecoinca:pa deque .he tardedireito,feconfultemosjlirifp~ri­
hum .pruqente, ere~igiofo cometerlhe tos, e quando das armas , os ·foldádos
·negócios ; que naõ vio nem eíhidou,.. vete~·anos, porque da mefma manei-
Rem faó dafüa profiífam, o que hecoq- ra, que caüfará tizo travar praticas de
tra todo o boni governo, e prudencia, armas com muiheres, dos livros com . '
como diz oEfpirito Santo Ecclefta. cap.· foldados, das coufas neceffarias para ..
·' 17. avifando , que cada hum trate feu humas cafas com Doutores ', · da arte
negociocomomeftredaquella arte,em maritima com.quem nunca expos a vi-
qhe 'procura confelho, porque naó da aos perigos do.mar; affim tambem
julga bem de artes, quein as ignora, co- caufará jufto rizo , · é parece difcon- ,
mo r~fere Saõ' Cipriano Sermon~ · de certo ~ pedir confelhQ a quem nunca
Nativitate , D.ommi , ~ par iífo Cícero · exercitou a materiá de que fe falla, ~ fi- ·
diz que cada h1ím trate .da arte .que ar materiás.graves de gente·, cuja p'ro-
fabe. Eentrouhuma vez Annibal Capi- fiffam h~ muy contraria; porque con-
taó valorofiffimo em cafa .d o Phi~ofo- forme as leis de boa republica cada hú
pho , ·0 qual ·v~endo tam bom ouvmte, vale.nella conforme o que ha aprendi- :
tom mais·fantefia daquedevia, come- do Nazianceno epiflota 63, & Horatia.
·çou :a tratar do officio que faz hum Ca- epiflola I.
"..
~ _. · . , Quod medicum ~fi ·
. ; Promitunt mediei, tractantque fabrilia_ fabri.
·' - L . . . ,.,
· He o quarto req11ifitomuy preci- ça muito amigo de bufcai· confelho •
fo nos confelheiros, que os lliefinos,fe.:..
alheio arrim.ando-fe mais aelle do que ~ lil .

jam peffoas defentereffadas, ·na ma te-


ao feu: pois efta he a chave dos b011s '\_--:\ · ~
acertos para topar ·com a Verdade, qued '
ria em que felhepede ;. ExEcclef. e. -3·
&, ?•porque ds que faõ intereffados,he Deos, e ferá feu nome naõ fó ad- · ·
~ao tem olhos para ver a verdade: Exmitavel, nias de confelho, como diz
Ezaias e 9. e para olomai· efcolha ho-
1 1' 'túl' thi11ibte1fm, e que fejam muy· fieis
me111 fif\~do pelo juizo, que tem, hü-r
ex Seneca ad lucill. epifl. 89. e fendo em
materias commuas devem fer naturais,meri:l _fabio pelo muito que ha lido,'
, e naõ eftrangeiros pela fufpeita, que
homem fofrido pelo que ha paífado ,
nelles pode haVier ex .Eccleftaflic__o. e. 8 ~
homem fem paxaó,porque onaõ.fegue
Em os confelhos muito póde a autorF-a cobiça , hmn.em fem intereffe, porque
dade. 'Em conch.1faó cada hum fe fa- a.ambiçaó o naõ a raftr,e, homem , a
quem ·
PALES!I'J1AJ. LIÇAJ\tl II. SOBRE ô C,ONSELHà: . -1
qúem o amor lhe naó faça dizer o que p1•ov-a di~ú (e_vê mais clatameiité étrl
havia calar, nem odio, qu~ lhe tape .a a guerra dortde hum br€ve ente1iv:-111
'--- boeca para o que devia dizei'. lo ha tirado á muitos honra~ v,idà· ~
Tomado o çonfelho ..fe deve exe""' e víétoria. ~e 9P~ nacé~ ~izgr -~~~ef
. cu~ar combrev1vade co.mo enfina De- jiq dere m1ltttl/f"t lib. 26. que marn ,aJ~í­
mojlhenes fernwne ad. Demonicurn p01•:..." da a vencer a occafiaó ~ que o vaitw ~ ~
que inutil he o confelho ~aonde falta a.. tj.ifto nosfoi_claroexemploAnrtibal êfn
fortaleza da execuça_~\ e que carece aquella fa~ofa vitoría de Canás, qüe
della até a perfeiçan da obra como tantas fey; . a Roma: pois por naó exe-
diz Sao Gregorio lib. 2: Moraliitm cap. cutar e-om prefteza a vi&oria nem fe...
11. pm·que a tardançaem negocios at.. guir ao .inimigo como á tazaó d pe_.
duos poem cada hora novos ,empe""' dia, naó afollou Rmµa, rtem acabo\1
dimentos , e· quanto mais fe fufpen- d~ huma vez ª· guerra, pe!o que diz·
dem as maós ,, mais fe perde da boa Pttftwrcho in "l.!ija Falfii maxi1Jii,. que
occáfiaó, que ·em todas as equfas yàl- ' Annibal fabia:y.encer, mas naõ ufar da.
muito.; como diz : J-I~1~d:ó Hb: 2. ~ a vi&oria : Ovem Ub. _2. epig. 106.

·Annibal in p~\:téas /ortunam âifiullt horas ;


Non be1n Ronranas prcemedifatus opes.
Vinteie ·cmnjci'ret.T fortuna nefciit uti
Prem~s homo; quam·vis Afer, eoque vafer.
Heu, quP.Jttum .Annihali nocuit diiferre paratos
Servata efl mimma 11n1xim~ .Roma m1J.1"a.
, .
E :lendo bom o prip.cip1o ntrõ -Te de- pelo íncceifo uaõ corre.lpbhd.er ao
~ .-. ~

ve julgar Por máa ex Eccl~f cap. 55. defejo. ,

f
.Exttus aEta pr.ob~. careat uteffibus apto
Qyifquis ab eveniúf afta not(l-nda putet2
Em novo's fücceifos fe devem tomar 10$ qne fabetrt ~ dà gri.efrã, pelá màlor
novos confeloos ; Ex Ar~ft. Ethicor. de todas chamai100-lhe 'OS Ifafüm,ó$ tJ
cap. 9. Seneca lib. 4: de ben~ficiiS cap. 34. belia retirada. _ ·
,, ..
porque continuarem o começado de"' · ·' ..A neceffid~de éofiumà tiítiitas ve.a
pois de fodefcobrit·em novasTazoeris; zes desbaratai• os confolhos, e neft~
que o encontraó, naõ l}e de fabibs, c11fo· fêr~, grandepiüdené.ia àcomodar~
"- mas de barbaros, como diz Arijh ,_ fo c;omêllâ: Ex QJtintiliano libr. 3. cap.
~ naó perde í-eputaçam, qttem naó con- 8. Rendido Mathathias pay- d_ os Ma- -
., tinua nas empreza~, por novos incon"' chabêos da neceffidade; vendo qu0
e of'l ~enientes , qne defcobre , de que he_ ni.t ütos Judêós há Viam fülo 11ío1'tos.in-
maravilhofo exemplo o Marquez de jüft<:lmente, fó potfenaô quererem de:- .
Pefcara, q uanclo com -o campo ii11pe- fén.der ao fabbacio dos capitaés del:Rey.
tial entrou por Fi·apç.a até por cerco a Anti o eh o , que lhe fazià gt.rnrra ~ di~
Marfelha; donde vendo que fenaó Pº"' fe aos feus: naó rng parere, amigos
dia fazer ·effeito . algum , a pezar do meus·,faz€1' , o que noffos irinà9s; poi.·~
genetal Borbon levantou feu campo; que a. efte paffo ém poucos dias haó
e fe volveo a Italía , e rteíla celebre re-- deixaram os contrài'ibs hometn vivV)
tiradJa taó fóra efteve de perder repu... da noífa naça1~; em tempo ~e tai1nt
taçao, que fendo 111uitas a~ façanhás ·, necéffidaàe p.ao pcrfurnio b bom fau
~~w ~avia obrac\o; efta fe av, liou, pe"" c_ erdote, fe fazia ç-ontrà afofta defet~_,
Q~lJlÍQ
· · 3" . GURREIRO ·, ESCOLA MORAU, &é ..-_ .
· d~nd.o . as_vidas, que guardavam para , O' confelho deve-fe tomar cgnfor. .
ih•vi~o do aut</r, q_ ue ordenou a ~ef~ me Q tempo, e fef~1~ poff~ve1~ ~c,0ut'o1:.~ .
tP :1Jfim ' O ente,ndéo tambem David, me a hora , lcomo . aconielha 0 etreca :·
q ~1i.' 11 do cortfivarigido. d~ fóme tomou G?1zJiliu11: ft~b die f'ttlr11:endú eft, ~&fi po.teft
os~aens confagrados ao fenhor para dm Jub niantt , e por cqnoluia;l).11:" defta
fi, éJua gente, o ·q:ue .a provou oRe- liçaó teadvertiinos, -que n~ó ~ d_ei~s .
d\em.ptor do mtmdo fanando fobre ef- da memotia aquelle t.arn celebTacto n~-'
tar ma teria. com os PharHeos, que ao · &ame de Senéca, qne ·enfina·, que fe
fabbado nam pcrmittia que fe fizeffe hade cuidar por muito tempo, epo1;
c0ufa ~ pefr boa · que foífe , ainda que muitas vezes, o.que. fe hade ·executar
apertaífe aneceffidade, aos quais dií~ huma vez fó : Dileberan~um efl uliu -~:: ·
fé . como diz Sam Marcos éap. 2. nuncà quor/ flc!tuenditni eft Jemel, porque _o(que
leftes·, o que foz Dayid , quando te- pertende vencer~ hade appm~ellq,ar ~t
y.e neceffidade, e os fens ; w·podffo. guerra .m uito de antes, como enfi.na
.d·iz ·: Arijfotetes ·6-! Ethicõritm cap. 2. que o mefmo Seneca. Diu parandiinl .eft ;hd-:
ninguem >Glev.e_,tomaf' confelho Jobre. htm, itt. celeriits 7Jincas, por.qnarI;;ti®i. n:O.:
-aquellas coufas , que de outra ma- Juízo de Tito Livio depois de fe tra-
neira. fenaó pódem fazer ·:· mais v.a~ vara batalhp comd~fficuld.~de fe'con-
lente qüe anatµreza humana lhe cha- ,cel'ta ·o campo: d~fficile eJf pofl inceptani
ma Q-tint,o wrfio lib. 3. rrielhot ..confe- pugnam aciem in:ftrii~re. -
lheira , que o Doutor mais fabio Xe- .
nophonte in Pedea Ciri lib; 2 . ultün.a ema-, L I ç_A M III.

o:
ior lança Livio libi. 4.· ,l)ecad. J.. ·'fuef- \
tta ·n os cafos defefperados, eme4ici~ Sobre a Hifloria ,. e liçam dõs Livros.
na de'fi mefma .Sam ·Pedro· Chrifologa - · · ·.. · · .~ ~[
fernione 35:· & Seneca no lih. de Pro7:JÍ:: . iConfelhn, on fe torna : Q,os vl-'
dencia diz : que pouco a pouco fam . vos, ou fe procura dos mor-
obras da virtude, as. que começou ·a , · tos, ná liçaó dos livi;os, edas -
neceffidade Phtta·rco lib1 ·I. de _Plácit: · . hiftorias paffadas , que faó
diz ,que fie huma mefma coufa a more. me:íl:ras da vida , luzes da verdade ,

..
te ~ que· a nec<!ffidade-; .porque, :affim · prefrdentes éia memoria : .emb.aixaâo-
:cio1110 ·e1la. c:.derrhba, .quanto fe ihe ras ·da'. Eternidade, cuj(i)s confelhos faó:
poem diante ~ ·affim naÕ' deixa , cou~ tanto ,-ma'is fe\º;utos; quanto .ui.ais dif-
_.frrem pé:; de q:nantas topa ·o cutello' da pidos.dos afcCtos·; ~erefpeitos huma-·
mi'ecefü.d?de: ~.:: · . . ·' ~)·e:_'_. n_o·s , porque he a hi:fü:oria, e liçaó dos'.
-" Impnrtárrtecoufa he' ouvir a tod.b-s, livros hum . teftemuilhó dos tempos·,
.e,fazer o·melhor; porem_convem que .hüma ·1uz da,verdade, hum a vida da: .'
·a execuçaô qo~c6nfolho r~na.ó come.t ta memoria ,Ih uma meftrà da vida' huma :
áquelle ,. qu~ "foi do contrario vot0, menfageira da antiguidade , como lhe ~.
·pdrque paraiazer h1elhor feu ·parüdo chamou Cicero lib. _r. de Orator-e, th~-~' · ~
.fülnpre .fará _; que a execuçaó nam te- fouro real, qomo lhe chamou Nafian""'
nha· b effeito 'p ertendido: Deve-fe ,,ter zeno ~ huma fabeduria amontoada , co~
-pór fofpei~9fo o confelh9, que .fe .0011,-; mo lhe chamou Plinib";·hum norte fixo ·
Jorma com ogofto,deguernopede,e donde tomam: os ·nmios para naye-
-ab~erfe da execuçaó dell~ para g~1e fe'.:" garem .as duvidofas 011das ·do mar do
1

n1ao tenlia pornei cio,qucm·o pre1egue, governo, huma efoola 1 aonde Je enfi-
ou porincortftante por naó pt ofegnir ·naó naó fomente os cafos feguidos, e
·o,começado. Nem he conveniente fer miudas relaçóens dos ditos ,.e feit os , ·
-câda hum muy p~go do feu pa.rec,er ~,, mas tambem as razoeris, e difcurfos , .
-porg_1ue pelo naõ difgoft.çii· fugirám de C91J.?- 'qlte Leobravag, huma ligaõ.go f..:
. '.lho.dar , . · t ofa
i. .

PALESTRA I. LIÇAI\1 III. SOBRE A.I-!ISTORI1~, E LIÇAM; &e. 9 'i.


tofa pela variedade, e neceffarla pe- fua côr confe&1üria o effeito , qüe de- ,
lo proveito , pois com ella fe com- fejava, e co~11derando que havia dit-~ ·
poem as acçoens do prudente, pa- to, achou efte Philofopho, que lh~ a- ·.
ra que faiam com luzimento, huma . vifava communicaífe com os liv ·o-S,. /7
oQcúpaçaõ digna de hun1 principe oquetoinou comtantasvéras,queffi-
perfoito, que ha miftcr arte, par.a ufar hio hum dos varoens ·mais nomeados
do poder, para que a .grandeza nem de toda a Grecia. Reconpenfa o fru-
o afflija , nem p fatigue, e pará)fto he éto da h,iftoria a falta da experiencia,
art{f forçofa conhecer muitas t:qufas. os feculos, que fe n.aó pódem com a:
Em os livros aprendeo ElRej de vida alcançar, fe vêm -em quatro mã::..
Napoles as armas, e o dire'i.to das ar- os de papel, pTOGUl'e-fe imitar-Je o que
mas a $ervio Tulio: quando o viraó nelles agrada,efugir-fe ó dannofo. He
deftinado ao imperio, de thdo lhe en- taõ importante a liçaó dahifioria,que
finàraó muito, mas muito mais da hif- tràs emas maós a faude da Republica.;
toria. Vaó os paífos dos Princi.pes pi- e he clara a.r azaó; porque importarà
fando tenebrãs, e confnfoens, e para muitas vezes tomar as leys de outras,
caminhar por vered').s incertas, e ef- e outras tantas fugir deltas para teu
curas, ham de mifter· eftà tocha. Co- ,maior augmento, e profperidade. ..
n1o caminhélria o Imperador Licinio, A fabidoria ep o Principe o farà·
, que nem formar fabia; e como 1'1i- refpeitado , e tem1dp, e felice ao feu
cael Balbo, que naó eftudou, nem per- Reyn0, com.o fuccedeo a Salamaó: naó .
mittio, . que ningpem· eftudaffe. Moy- ha de faber para fa.ber, fenaó faber,
fes, para governar o m.aior povo, que para gov.ernar ; as fubtilezas faó bo-
fe ha viíl:o,foube,quanto fopoderiafa- as para as efcolas, •aonde as fciencias
ber em as letras dos :Egypcios, e con- tefplandecem, naó para o PrinciP.e,
frguio· depois libertar o povo do mi- quéferàpeffima occupaçàó: affünoex-
foro . captiveiro : por naó conhecer pirimentou Sálarnaõ ,,e o efcreveo. Em
Jofué º ·trato dos 1noradores da terra; ·aque o fizer mais habil.' para pene-
º enganáraó os Gabaonitas, naó co- trar os coftumes , e engenhos dos
.~iheceo o erro ; fe naó quando o naó vaífallos , fe ha de empregar com anfia ;
pode emendar. Os Reys da P~rfüt de: e efta he ·.a hifioria, ·em ella fe vêm ,.
ordinario lia ó os anuais , .e conhecia ó as experiencias dos governos, paíftt-
os difignios da gente, que haviaó cha-. dos,. e fe .t.oma temperamentG> para , ,
mar a fua caza. Aífuero achon. nelles a os prefentes; das fcienQias ., que era ó
lea.ldade de Mard9queo, que premi- nocivas aosPrincipes,feparou ahifto-
ou ,. ea tiramüa de Aman, que cafti- ria Arifioteles, eo~fperimento:u Efpa-
gou. Demetrio Phalero fez celebre a nhá em ElRey D. Affonfo o fabio : pe-
,~ Ptolomeu Philadelfo obrigarido-o, a q netrou efte Principe os orbes celeH:i-,
.9 leífe varia.s hiftorias. Pergun~ou o Phi:- aes , ered:ufio-os à obediécia de fuas·ta-
}).'t" Ofopho Lenon ri certo . Or~culo , de boas, e np.ó penetrou os.animos de fe-
qu~ ·maneira comporia a ordem de us vaiiallos, que lhe negaraó .à obedi...
í'ha vida, e a moldaria á virtude con-; encia. Deletras,earmas fabricaraó fua
forme as obrig·açoens ·de feu eftad,o , fortuna-O Cefar de Roma, e o de Ara'....
para que pàfiando-a fe11>pre em jufti- gaó !J· Jaime ; ~elejavaó de d\a ;_e
ça, pareceífe'bem nao fo aos hopi.ens, deno1te eft\1davao,efcrevendo fuah1f-
mas aos Deofes immortais PA efia per- torla ;- com as armas adquirira ó , D
gunta taó fuH:ancialrefpondeo o ditto que com as letras confervaraó, .ede
or~culo , fegundo refere Laercio na humas, e outras fe coroou o Cefar.
vida do mefmo Lenon, que tratan- Todos osPrincipes fer~ó, como eH:es,
do com os mortos, e viftindo-fe da fefederemàl/.iftoria,comoeftes. Qu~ern.
· · , . B tem ·
ro , . " r'\GURRRIR Ú, E,_SC013i\ MORAL , ·&e. .
tc1h diante do's. olh~o~ . àJ~f~·[udp.? ~r~ t~~~~f ex~mplos, e do~·umen:t?_s ntihf-
.:1<."1 s' vezBs fe e,Hgana e1J!.) ~..JJ.lta1ro, por- . ~1mos ·para o govcr_nO' aefua vida~ cor1-

·qn,e o que .hâ fis.<0, G g;~11~ ,fot_;. he forme a ~~us ~fta~o:s: e~os ~iniftros '·
o·:· lie ,he, ·e o qpe ha de -4er. Llriflote-; aprender~o a mgll° ao~jJçmgos ; e1n
k li b. 2.: R hetor. CtfP·. 20 ;:..,porq ne nao q~1e dera o de olhos os. paílad.os , e
l:Ja coufa i:,le: 11(0\70 debaixo· do S.ol ·~ abraçar . OS'l11eios mais feguros de feus
Ex.'Ecclif. verf: ~to . .A.s novidades ·, ~ e a,crt1fcentamentos; e_apa.1i'tarfe -dos cà'-
n111dancas d'os no:ffos temp-as fo á.c-ha..! minhos; em que outros fe perde:raõ ; .
F~(~;J~·:ie bnfcm·<ú1'1 ,as hµtoxi~s' antiga~.__,- e-fegui:r ~ª~pifadas ·de ?utros, ·qt:e· g~:: -
lwo· fo em.11, rrs fag.r:;itlas , ~ que , eom_::,tao- vernarao melb~or .; pois os cofiurmes ~·
firp-eriüi! hn·pultofe efm·~ye~·aó, fena:ói e·qifigní0s ~ com que porcede:caó os
trrmbe11i etil .as, fll'Ofa·nft$~.(<.P ~opketa antigos nos daó regras ce1·tas·~ e pro-·
·ehamotlll s2t<ff . P.a~Iio a.:&p1i1inerrdes Phi- nofHcós · verdadeiro-s dos fttcceffos
1

toiô;pn0 gé1:rtil ;-Potqn0, efcrevendd·.â' pf€fent~es-,efutrfros ;antidotofand2:vel


MiftoJtla_k'iia d~füa;:d~ Oi·et a , idilliXOtl _ef-; f)ara conf~rvai- os rninirt11os em fe1fs1u~
tamo.m:Í(nf t!101la · os .vicü:o:s~dos que b~ gares préfervados dosaccidentes rr.H1li~
viaÓ.d:E.n~fcer c01n tál fiC€rto, .tt.pulfcr~ Ciofos' e agudos de outros : Ariflote...·
quep;, V:ía, e, axp·~d:q1:m1tou. Saó Paula les A1eteorirforuni ·cap. S5:. ·como · bem;_
m1iiltosan.tros·. fil€.J:Vl>I.9."' . ; ~~·- . · j-. . pon.dero,uCJl)em.)ib: . 2. .Epig. 14+ . .. -
~ Bm as lii:r1:orüfs acha~ám os poli- · • ,
• .. p ... l J )

. : . / _. "' Hijlo'f:.ías ·V.erfandoi perittJs, id abfqüe periwlo, .


. '. ·: ·' · · ,, Qjto~ dv6fi dmnni ~ experiuntitr babes. ·
· ~ ·, Net tãm 11íülta grav1s r:erum experientia longo
,, .• · P:' ,.-- · TetJt!pôYe ~ qitam par·vo ''te'docet hiflOria~ . .r
.... . ,.·
' .

Qüe.tntduziQ ÍD. Ftaneifco d.e la Torre vio em Lucullo dé quem conta Cícero
@ a~1iicio111üu~ hto.naneira f~guinte . in Lucuüo ;'que coni a liçaõ dellas ~-.
,_ _, • r prendeo t311to dâ arte militar ,. naõ ha_;
fiiiliotià.s pe1~itd,;tratas, , . · vendó-fe achado · ja· mais em ella que:
if:o1rquê, .fitt pelig1•0 ', lógtas feitó Capitaõ general da Azia a poucos~
· TQf.9.@ cl füoê(; que a,l e~pê1'tg dias, que a profeffou ,-fe fez hum dos·
} · Sqs ph;Jprfq.s danos l~ ili.fotman. . ,' maiore.s capitaês dE{ feu tempo: A Ca-
Là'g;t·áve- cntéiàrta rexpeH~1íGia fiz; aqúem'.A..Jexandre julgou dighó de
, Nh~te eníefiaíi tàntãs . cô~as .,. hui'n Re)mo nelà licaó , oue tinha dê1..:.
- - $-&é~ad p1~qlixa .,,co~10 · i .. las ; ao mefil1ó Alexaúcri:·e com-:\as '.J.j-

.. ~ ·;t.3:1•. fü·eve tie;1~@ la hiftoría · §'.DGn's dos famofos feitõs de AchUles ;: · ,"
Bie11.'á'.J,a.>expêi·ienêià fia , .. ào máior ·Africano com as das faca- ' ;
- St1s aeuerdGs·la prudencia. - nha.s de Ciro; aSolimaõ com as das e~l<-: · ·.,
P--ero Y9 éo1f:l"la expe1'iei1eiá · · prezas-, de Cefâr, a A:mbrozio EfpH: 1• ,
. S<§ló \Ti'vb ~a' édadmia ; · - rtolà conJ. ós Çonientarios de Tacito;
Por~11:1~ 11Qi' -fa -hifrotiá beUa:.. . aõ Marqués cleHiftona com a hiftoriá ·
Si.á'efod1ih1efitbs111e apercibo,. deAnnibal ; a.Cárlós Quintó com as do
· :Vrv0 :n~:as qué. yo, pues vivo . gfal'lde Carlos Magno : nas lüftorias~
- -·P(5i~ tódos ios figJos della. . ' · fe a~haráõ· muitos ei1ratagemas , :díf-
~ : . Cl'ipçoens de Provincfa:s , paff.os , e
Naá :f9 aos politieps faó 11eceífarias, p'orites dos rios; oraÇoens feitas por
as h~orias., 111.~s aos militares' a quem famofos capitaens 'pa'i-a animar os iol...'
vir~iõ, niuitas 'acc-afi..oens ·ás rnaós, em. · dad,os, ón'Toéegar ds mot'ins. "' r J ~
que Ib.e fo1?aõ-de-rm!uta ·ajuda-,-como fe Tudo ift o fe .aeha niais copiefa ~ -ê
· ver-
. .. 1

f
PALESTRA I.LtÇAM III. SOBRE ÁHÍSTORIA, ELIÇAM,&c, !I
- verdftdeiratnente na EiCriptura fagra- caó jubilados na melhor fcieücia. Ef"I
da, a quem chama .Saó Gregorio mi- tempo _de L~aõ Undeçimo foi dai· > /
nas d@ ptata, donde, como em hutn Biblia fagi-ada na máo de hum Pe 1·fi-~.
fortil campo , fegtmdo Caffiano: Coti. no dos falfos religiofos de JHafom:;J ,
. 8.cap. 3. feachàráó quantos generos de lêo-a a primeira ves, e pateceo-lheb.if-
fiores fe appetecerem; fe quizel' ditos toriagoftofa: lêo-a fegnnda§ e pal'et:eo-
águdos , ientenças graves , ardis de lhe , que Chrifto Senhm' noífo era ma-
: g~1erra , confefüos ~e paz_, fa~an~as is Sat!to qu,e_p feu M;afo~n~ : . ~éo-a
±amofas, homens fabios, vi&onas 111- terceira, e creo qüe fo a rehgrno ca...
. fignes, cafos . m~moraveis e ainda ef- tholica eta verdadeirà._ .
pantofos ; lêa a fagrada h~ftoi'ia , e . Em fegüildo ltLgat fe deven1 lêr o--s
· verá tudo taó àvantajadó ,_que quan- livtos Efpidtuaes, chronicas.dos Re-
do penfar, que ha topado com o me- ligiofos. , e livros ; qne contiverem
lhor-, ,lhe offerecetaõ _~ogo, "'hl111rn:s , ~oa ·'.e fantà dout~·ina ;_l~çaó tai~to ~a~
e outras coufas , que o farao efque- is util, e neceffal'ia, que a das h1ftonas
' cerdas primeiras, poi'qtle he hum the- 'hmn~nàs , qllánta he a diferença dos
fouro , como lhe chama Saó Joaó intereífos teinporaes aos Eternos, do
Chrifoftomo, hül;Iiâ botica, cohlo lhe ·cóiipo mortal á alma, immoi<tai , e nel·
chélma Ol'igene$, donde ha medicina 1às achará tudo, De Henl"iciue8.1eef- ...
de todas as ervas, plantas, pedras, a- creve, que pertendeo trazer a feu el'_..
ves, animais para curát qualquer en- TO a certos religiOfos dê1 Car~u~a ·, e,
fermo ; _quem põis fe ach,ai· com de'"" vendo , que fe lhe defendiaq forte-
fejo de fe fazer hum capitaó de fama, mente, .fe1n embaJ.·go das muitas mo-.
lêâ ·as-Efcripturas, e nellas achará os leÍhas, que lhes fazia , mandorf que
tres primeiros dos nove da fama, htmi. lhes tiraífem todos os livtos de boa , e
David, hum Jofue, e hum.Jndas · Ma~ Santa doutril:~a, parec~rtdo-lhc;:, que ,
chabêo; quem fe achar com a vonta- pl'ivados deftes efpiritüais _arnezes,fa-
de de fazer hum bom ·g overno , lêa cilmente os pôderia reduzit a íba fal-
as Eferipturas , que nellas achará as fidade, e engano : porém ptideraó di-
peliticas de David , e feu filho Sala- zet ; 6 que diífo Caffio 'Severo , que
tnaó; quem fe achar com neceffidade fàbend0,havia mand ado oSenado , qu ~
de temperança, lêa a hiftoria do San~ fe lh~ queim~ffen: todos osfeus liyros, -.
to Jofeph; quem com neceffidade de e que fe havia feito affim, refpondeo
paciencia, lêa a do paciente · Job; com particular donair_e: agora m~ pu-
. quem fe vê ardei· em iras, e rancores deráõ queimai• a min~, que os ~enho .
contra fous inimigos, lêa .amagnani.. todos na niemol'ia. O niefmo paífou
midade de David, quem fe vê cheyo· rio cafo, gúe i-efe1•imos, potque fe_
de pefares proprios , e alheios , lêa lhes tir~iráo os livros, naó 11.1.es til'áraó,_
s,ª manfidaó de Moyfes ; qüem com o que haviaó lido: traZiaô ei~feu pei-
t".~é pouco fervorofa, lêa a de hum A~ to , o que fabiaó, tinha ó em feu cora-
;> l~rahaõ; e que1~ fü~alment~ neceffitar_ ça~ <?. .~~eí~m·ó ,., que hayiaó àdqttir~-­
de huma obediencia hunulde , e ef-· do com o eíl:ucio, e·affim eJil aqu~lla
perança forte, bufque-á em Efau, ~ · getal, e lamentavel perdiçao do Rey.-..
Jacob. Na liçaó dos fagrados liyros a~ no pelêjaraó valorofatnente contr~ o .
éháraó fua converfaó o criado deCan- · Apóftata. Do renegado Jtiliano E111pe-
d~ce Rainha de Ethiopiá, Santa Euge- . · 1'adoi· de conftantinópla fe efcreve,
ni~, S~nt~ Don:i!l.ª , e o g~o_riofo Santo que mandou queimar tod<?s os livros
~g.oíhnho, e outros muitos, que fq~ fagrados , e de boá dóuttma , ente11-
l'a 1mpoffivel reduzir a numero, que ~ dendo ; que fem tirar eftn.~ invenci-
fem outros meftres fahiraó coni. e:ífa li- veis armas da religíaó tatholic;;i Ro,.,.
Bi j mnnf} '·
411 '.
~ , ,,:1 ~ ,· GUERREIRO, ESGOLA ·i\10R.t\..L ·&c-: _
.mm'iá,, naô podia c.0nfegnic fe1:cd-ana- ,e ficar em paz, entrou 'o philofopho
·, á fim~ .t · · l_~ , e; 1 .~. -' · em huma frara _colrnnda .de dóura-
A liçaõ da phllofophià .moral he das efpigas, ~ foi corfarú:fo .toda:s ,
muy ütil ~ tod-0s .; ~ 'poi·qne· ie.. a que as que í·obre~fahiam , -e lhe diífe : if- .
o pôem a . armonia db. govei·no -, to que has Vifto -, 1darás porrefpofta.
1 ·quem afouber ;fabe1;* ca:íl;igar niáos, e De ordinario.'ils-efpigas ,que mais fe
1
pi emiar aos bons; fazei· juílr.içà,. tr~tàr levanta0 na f eara de ttigo , _foó 'de
dos·coftumes, prover .a terra, dar . Q fentevo,, e o'S q pertédem fer mais altos
que .he fe11 ,, a qtiem toca, pla.ntar às etn aS- repubblicas ,faó os mais· baixos
vixtudes; arrancar os.--vicios , refor~ em os merecimentos-, e valimento:-;
mar os coftunies, mêllibrar ;~ a- vidà ·; .tudo deve .compôt ·10 principe, pa:..
d-ando-:-fe·aoeftudodeftafaculdade dif- ra que naó fe percaó ·, e naó fe pet-
potá ·tudo- facilmeN.te porque naô há ca._ A _·ambiçaó he tromento. de fi
cóufa por alta, que feja, que naó avaf- mefma, e cutello dn republica. . O
fali~ cultivadn--o ent~ndiinento: err... -dominro nafceo dopeccado,~poliffo
tK.ará em ·o ·eftudo da morte , cuja deve fet taó perigofo; fe Adàiri na-ó
meditaça.ó, he ·a efcólà da mais alta _ pe.ccam , naó houve~a Reys, item
philofophia; a ·merp.01ia do furi he -a fuperiot~s . ; ordenbu o S_enhor , que
que . mais nos ex01't'1 ., e move. -aÇ> hum governaífe, para q1~e naó I:iou-.-
'taminho .d a. vida fem fim; nefta liçaó veífe contenda entre os outros; Quiz
fodeve.ernpregar o p1•incipe com ma,.. Adam fer mais fupe1\ior ; do qüe ~ra;
..,. yor c~idado, porqu~ deve ~er ,mais e _tbdo_s ._os fuperiores , que,rem _fer :,
·excellente, que todos ; porque a el- como k4_~m. ~-afoeo com nos outras
le olha ó todos, e qual for o Rey, tal efte ·ambiciofo tjoefej o , e para ,enfreat;.. '
ferá agrey : àmeáçaõ perigos fempie lhe· o~-b1~ibs; fo -~ritrega o dominio a
os Eclyf?fes do Sol; dépravar-fe <;> prinZ;. ..hum-,. e defte nafceo repartir-:fe em
éipe, inauz mayores perigos, porque .refpublicas o mundo com R.eys, que
perdendo a foz, ficaó os :vaífallos ás as governacem; ~elegfa0 os mais vir-
efcuras ;· fonaó for Juftó; naó haverá ttiofos, e ~ais Jabios ; -os que por na-
juíliça.,. fenàó _tiver igualdade; naó a. tureza o faó; devei11 fer como aquel-
t~rú o povo_, e emfaltandó a igualdade, les; o nafoer prin'cipe he dita, porém
ejuffiçàfaltará 9 Reyno. A esféra tem fe o naó a.comp;anha a vi~·tl}de, e-fci""
hum centro ·- -~ donde prOG.@4em .. as li·] encia, he fatalidade 3 haó efhí o Rev-
nhas iguais até a citÇuÍl.);ferencia: do rto cleDeos ~ni'palavtas, fen_aõ ein vfr:-
~étrodop1'incipe baõdefahir aslinhas tudes _, diz Saó Paulo ; naó ha difii-
1guais. aos feqs vaífallUs., e affim fe1~á culdade , .que_naó penetre a philofo'.. .
[eu ? governo . do princiJ?r'i ; chamo- phia moral , naó'_ha vil'tude, que haó
1gua1s.como as-proporç.oens ; "que os cohfigua..; RqQ ha empenho ·' que
~ovimentos podem, ·guardap.do a ef- embarace, n~rif ~ce1~to_ , que h.aó nl- ,, , .
ª/
fera, em que fe acha cada hum; fe_ çance. 4efta hçao, e a das letras fagr~:7'. t..
C!,lgum íàhir foberbo, e vâó, com fa_n:-. das fedeu f€Uzme11te o noífo primei'!. '·
tefia nefcia de a}folar tudo., cortar-lhe ro Rey D. Affonfo o conqniftador , e. ·
osb1·ibs; como fez RlRey D. Rànii1'0 o delle aprend'e~ com fe].icidade; e con-·
Monge, com aquella campana ,. que- feguio com.admiloaçao o f er hum dos
t_aflto foou em Aragam, e em todo o mais valorofos Reys ,do m:un.do e hum
orbe. Eftava fem pay a republica de ~osifiais 'Virtüofos mon?rcas, que ce-
Grecia, porg_ue atii'anizavaó podero- lebra a fama._. ., ·
fos, enviarao a Tib~1llo- que confultáf- Depois das hiftorias fagradas, ef...
fe cb~1 o philofopho Periando, o qüe piri_hrnes ., e moraes fe dey~ applicar.
haviao fazei· para caftigar infolent~s); .á liça ó ·das ltiftorias- ai~tigas, m~fires.
'
· · mudos ,
(

1'ALESTR~r. 'LíÇAM nt.-sbBRÊ AHrsf oittA; :k tíÇiit. &e; · .&j . .:.


~

·mt1dbs , que et1finaó êom ·exemplos étttàdo ·co1n itetoi~fos -· exceifos ·; por ·}
docnmentos titeis pa1•á o governo·, feus maibres ~ à qúéfil ; pqr fer pe~"-­
c omo diz Tit.tJ.L_ivia lib: i. e com as 'tiileno teathrq as.tres pàrtes do mm_l1
í·uinas de outro .tempo__fugi~· a incd~~ d9 ~ paífar_a9::. a- , d~foôBfi~~ '!1 qüâh a1i;.
venientes; e abraç.ar .os rn.G:yos fegu.- Bem conhec1a o noffo feh~1ffimo Rey
á~os para o ~refente', maybrménte em ~D· Manoel+@ qti.antb ei;a necéífo.rlá
as hiftofias _dos Reys àmigos; 6uin,i.:. ~fü piinêi_p e '} liça-ó dos livros, ê·hif.:
migos ,. porqúe alem .·de ~irar q -mer~· toria:s ~;pois qbrigav,a _ao prirtcip.e
ºªº
m.ó ·prdv,e ito' que pode ti\'ár das mais-1 n~ J feü ' filho ~ 'e ·depois _pieclofif....
.he rteceífatio pata fa1::5ef .fua§· inclina~ fi1n'o R~y ,~ ~ rei• füftorias em hbràs
-·çoen:S, poder, êeffeitos ;·e fobre t0clàs defti-i1adas· ·ei;ii-éada dia •. _ · · . . ~
·aslüftodllS. as .i dd Réyno ; ,nas quaiS .. _, H~ ~iiiuitd' para fe. adyêrtii~ ~ . que

-achará naéY fó 0 p1'incipe·; )Uqs vaf::. a:ffim-cómo hé. lotivavei a H~àó. ·dos li..:
fa.llo .ürdà .,.qiutn.to p~óde ·defejar-:vet yros b0ns ·; he i'eprehe,µfivel l ·e per..:
nas -ó11t1ias , porque tudo j o que . ~.:: fiiCiç>~a a liç~ô · dbs Hy1~0s máo~ ,..pelçl
zefaõ; eobrà1~am ·o~r inai~ y alorofos, fj_ue vai potico em ler mliitos. livros ; /
.e ·viltüofos R<tfs ·do inunido ~ achará fuas inuito -.- em·1€1'., bons. livxos· t
và.~
~b p1~indpe co111 conhecidas ventajen~ que ·pottdos, ; No# refert qúam_
· aih~'.a
fülifniente oqrado ·pelos gl~riofiffithos 11;ítttos , -fed quam '- bimos librós fogas ·;
..clefte Reyno feus -efü~areêHlós a'fcen-' dHfe · Senéca ; com eHe ~on.cofda d
.dentes; e quanto obtara<? os· capita..: aguâd , , e~ ·rentenéiofo difeurfo de. ?

,ens , ·que a fanta mais enc~i'ece ; a'eha- Ovem no ~pigrama. 4 ·~


rãó' os vaífallos deite Reynd exe.:: ·
.
lnftcít obfecenipüéotiim:etirminis 'tlure§ ·
~

· Fabula Jüm ·vatum queerituf ipfa. nitor:


.Ós quais vei•fõs eóirleritóü 1D. :F1;gri~ ~õ ,dênfr6 êh~tâ~ de tiíÜ érife1·ntlda.:;.:
cí!eiõ dela T brfe na 'fegüinte .copla; ) fes, ,com.,a)qnal levao tras fi a mo~
1 ,. · · ,. . . ·_ ·• ._ , afüâde~ - - Pôr évi1:arefteinconvenien..:.
· •

·Fabula obfena· infiéi:ona._ _ . . . té ·tlili · Sitõ ·Profperu ·niJ iiv~ 3; dd defpre-~·


Del J~ve1i la oreja in~iljt1i · . · za ila vi4a .câp. 6J qu~ na:õ . êrà 4cito:
· ·Mi'eJ;Iti'as en d verfo bufC'.:;f ·· • . . -êin -~ ley velha ~ g~~~ n19Ça le( os li7 '
- La pm·eza ., que. no-haUa·! vros dd Genifis· ,-·e dos-Cantares -, fd
pb1!.lhé tira1J dos õu;Vídos, o q_ ~om _fua.
E porque b v+enen'O entra fonipí'e -~om licaó; âindà qt~€ · fagi·ada ;' lh.e podiài
. b tebuço da doçura,. por tanto adyer.: - ti?a~~f !ofpeço. ~oi . Túlio:táq' ~e~o.:;
\ t~damente('.no~ · a~onfelM1 Sa? - 1:fiélot~ fô de~eJ:J·ento ·; que ·por ver em. Ef-.
· .J1b. .3~ ·ç!e Su'ii1m;o bano ; qt!-e n_os hv.F_os: ebitd.Epi1rüi~e0 , e:rn d.liVJ::Q de ~úmmd
(. · ~en:ao ham de ·amar . ás palavras ·, tna$ bono 1. àlgünias _téúfas toe_~l}~es ao~
<..;a: verdade; p'Orque 1nuitas vezes fê deleites lhé pfü~de'o fü devia. qqei-1
acha~n ~ô's livros entre ?S g~raç~.s , e nün~ ; r ·ê··pô1~ ~ffa · c.aufü deftêrraràõ
~gudezas , ':Palavras torpG!s; e di&a.j os MeceCirios'fiô~-difcip11_los defte J\)hF
ities que el)cOntram. os ·boris: coft'u~ fofopha ,'.(láTtúi f~publiéa: , ·. '.. ~: ~ ·.
nies ; e enfeitada a méntira c"üin ás· Cbntâ Val&.irJ M fl;xiffid lib. 1; éap. . r ~.
cores &~ feus danriofüs · dl.fcttrfos Ie.:.· qúe' àcfüando iíún~,traõalhadfü·es duas"
vaõ .trás fi os olhos enganados cotíi arcas hmrni, cqrl1fête livrds- l~tinds ·;
eíl:as cores',; razmn pdrque ás êom.:.• e·oU:tdt cóili fet~ gregos. . mando1.r~ o
parou La&~mç'iô as' 1il1.ühei.·es tnin·s ,:. governador' ; ·_que fe qu:eimace'm os .
que pergoaõ frtmofura füigitla eftan-- greg.qs'. por. eomereni dout~ina . éo1:-
. traria· '
~4 GUERREIRO, ESCOLA MORAL~ &e. --
traria a que fe ufava em Roma, que ganos de Marte; em ifl:o devem pôr
o s latinos fe guardaffem , .por haver grande ·yuidado os p~ys , e os mef-
nelles cou~as tocantes á relifi~ó, que tr~s , porq~1e em a li~m:n dos liv1~os
;~· feffavao. Muy louvado io1 o Em- bons, e fohdos ·, confiite. a boa cna-
!1erador Augufto Cefar, porque man- - çµó dós filhos, e difcipul9s ,. pois os
d,ou defterrar , ao .famoiü poeta _Qvi, erros concebidos ema mocidade fam
dio , qirnndo compôs os tres livros difficul~ofos de borrar depois; e qnan- .
, da arte de amar. Saó Gi:egQrio re- do .fucceda ;que fe leam eí-l:es livros,
.·prehendeo ao Bifpo ,Defiderio , po~·- ·aprendam os leitores das a beTh as, q ~le
que deixava enfinar nas efcolas aos nem de todas as plantas, flores, e er-
meninos as fabulas, e mentiras dos vas, em que fe affentam, tiraó mel.
_poetas : quantos mancebos, e don- Os livros , naó fe haô de ler por
zellas ha, como Anjos, a quem nunca comprimento ou arreifadamente, fe-
-·chegou o ar con:upto da torpeza, qt}e · naõ co111 paufa, como fe come o man-
Jendo hum livro fe lhe alvoroça a jar, para que faca proveito Naõ fe
faudade da alma: efiavaó, como o.s haõ deleroslivrôs,para fefaber,que
:primeiros pays, no eíl:ado dainnocen- coufa feja a virtude, mas para com a
. 'cia, e ·em (comendo do manjar ve- li~am delles cada hum fe fazer virtu-
dado , . os que :naó oufavaó fallar to- o1 o ., como ·enfina ·o- Principe. do? phi-
,.das as yezes, nem ain9a coufas bo~s lofophos : non ut fciamus, ~uidfh vir-
_p~lo,refpeito,~ vergonha, que tinhao, -tits ? perfcrittemur , fed u:t b.oni efficid--
,em breve tempp fe . defenvolvem .mur ; po11co importa .ler ·livrqs de
,com ·o que haó titado de hum livro bOél , _e fan doutrina , inqlúrir , ·e fa-
máo. Que póde aprender ·em tais ef- ber a vida dos.Santos , e "Santas, qüe
colas hutn menino, ( '.d iz Santo .Agof- :floreceraõ ·· na ~ii"tude, fe fenaó lêm
tinho) fenaó os eftupros de Jl!_p iter, _para. a i111.itaçaõ , e exemplo, como
.as torpezas deVenus, os enfayos de cantou Ovemlib. 3. epig. 80.
..âpollo·, os ciumes .de Juno , os en- · · ·
&non v1vére, fruflrà efl,
Sanêtorum v'it;.as legere.,
Sanctorum vitas degite, & non legite_. · · "

Que rt·aduzioD. Francifco ·dela Tb1.... Pelo gu fe deve procurar tirar_pro-


Te na fórma feguinte. :Veito da liçam' porc}ue ler muito' e o-
brar pouco , naõ o tem por parecer
Santas.vidas leer., y ver, acertado Sao .Gregorio 1-Iumil. I. 'in E=-
.Y, como ellas, nó vi vir, .zech. He a liçam dos livros naó fó
Vida muerta vie_n e á fer, util para o behl efpiritual, e governo . .
La virtud fe ha de fcguir, . · politico,mas tambem para curar acha- ~
No folo fe ha .de leer. ques: eftando enfermo em Capua El-ç :.1
Rey D. Aífonfo de Aragaó, gaíl:ar o·
E.adicionou neftas duas copias, muitos dias em medicinas com elle os
Sercí, fi obras con fervor, · medit:os, fem qtie lhe _aproveita[e
Lo que tu erígenio penetra; coufa alguma, até que dando-lhe para
En los Santos, cada letra., feu devertimento a hiíl:oria de Ale-
,.. Privilegio en tu favor. xandre, efcripta por Quinto Curfio,
Y en-trocada fuerte, fi fe recreou tan_to com a fua liçam, que
Contra lo leido hizieres ~ em poucos dias acabou, oqne a arte ,e
Quàntas f ent encias leyres ~ medicps, naó pudera ó c01~feguir.
Son fentencias contra ti,,
LL-~
f. .
. ... ' - ,.. . .,,,..,..._ . ... .
. :PALES'I'ltAI. Lit;AMIV."..SôBRBAOJJSE.RVAçA.M. ·; IS
·· · - _ · : . · · ·· , · fore:H~e1Ita ·h11'úi.:· :B.ttlifüante =·eri11 routro
L I ·Ç A M IV: "" ' _f~)Jlelh~nF~f' ;HlW' f~P1.a:1tadlv~Ifii~ _e•.-'
L ttra que;,íaBmars-fet1ces;. osmatnmom.?;"·
Sobre a o.lfervaçaõ-. os , -~ ~i~~f~ci~§ êhtre :igt1~is , .que ~~ ·., ·
Terceira.fontc, ~a prudeIJ.cla tre d{fig11ai~.~ · · ,. . "' ' ' ·: ... ·. -
h~ a ,obiervâçrro' que cada· : 91Ii~_ par,a 'a ?gricultura ;·,e. vê' qt1e
hú pode fazer dais coufas na- aon.de crefc.en~ 111uitb a>& más 8r,ycrs; ;Jie· .
j-. ··~ ' ·.t unüs, e artificiais, q fe 1êm, .. ],Jom ter~·e;no ,.'para femear t as bo'as_ ;:e
oúvem_, ou vêm ; alguns_ lêm os ·u- .t:il·~,qutN)smç;>ços,quetem:gi·ande'Bu.:
v1~os como romanc~s;·~affando tempo;'.· raçaó _:f?.rira y1~iofgrandEts , faóze·ap~,,
e .perdendo-9· .outros '; veinJ com os zes tacrirem parq gran:des:yirtudes :\t0r.c
olhos, enaó com o entendimento ,naõ n~ a olhar, ·e"vê , qi.ie r.en_d€ nrai,s"hu.; ·
ª
advertindo-, q,ü€ · nat~u:eza ~ln todas; riia'hetdade ·pequena. Fbem- cultivada~
as ftrns .obras· efêomde debaxo de éor~ ' que liuma gra:µde mal ·cµ).tivada ', ,~ ·t:l;
tüiâs os princi piosrnbrais ;,que opru.., ra , que m~iores pr~gr~ífO§ 1ogr~dl'.üm
dente attentamente penetra, e alego- mediano eng~nbro com gi:am:d~· eftud©,
· ricamente tran~fore as operàçü'.ens hl1~ ~ue-gT~uâ.e eng~nho, co.m med~~no ef~
manas, cçmfidetando, q d-0 mefmo mo- tu~o-; torna anqforvar as plf!_n:tas;e 1f°é,
do que a9s an}~rnis tilnidos naó c~n.. quequa11.1.tomai~eul~i~a'da$,t~ntomais
eede9 a natnreza armas para peleja... te~cundas ; por_em t~mto · m~1s fe.óup.-
, rem fenaõ pés, para fngir.em,q nos fra.:: da~ qu,a nto li:uüs cedo !e foq·ca.ó ;' 6)ti~~ ~
eos he c01~dufa fagir ós rifços , e no q:ue o d.emafi.~~do efrq.cd@ .augn'lenta à
forte affrmqta o .na9 ·.t:;riprende1los' ~ .douttin~.; e climinne -:a Yid~ ;1- toi,na "a
tiue Mfün ·como·us.animais; que· nai_- eilDfervar a agriculfora , ..e·,ot:ifetV:a ,
_ ce111 cedo ,.n1Jn•rém ~edo, affim ·as ac::.. qüe O'. fomear inuy-; ;t~mpor?-ó engana
·çoens mais apreifa.das 111%üs apr:elfada~ ·(]Jguma:s v.ez<1s, . e .qu.e ~oj,emenr· t;_arde
mente. dezapar~çem,eas qui;ilargamê- · enganafempre, e~ira, qne as fubitas ,,
te femeditaraõ, fu bijft.em larga111ente; .· deiiberaço:ens · alg~umas vezes rnió fr[c ... '·
e que da mefnrn.'.maneira, q en~ os .enxa~..cetj.ém »Q.em.,aaias_as rnuy tarde·fempre
mes das engenhofas abelhas nafce hú Juec~de111 nial · '
z-angaõ perguiç.ofo , ·que: confoine J1> Olha par.à''a éflte ·na;utica~ e vê,, que .
n1el , a~m em as familias mais gene-:- o piloto deve apontar de ordinario .a
l'Otas , quem d.iffipe as fiqt11ezas; í~ ~ carta, eobftfrv:a.r:debaixbctte que polo.· ,.. . )

q.ue:d.a.mefma fm·.t e que de todo o ani- de que gráo , de que rumbo, e de que ·
'mal ·venenofo Feteria o remediõ,gQlpe- ~-eto,fe ácha,pmm e~t~l\C>s,pênhaf~os,
ando-o .; afü1m do vJdo fe tira o reine:.. e os b.aixos ~ie ~sprayas i1.itlmigas; e't_:i\ra,
. ·dio'contra ·o vicio, caftigando~o. . q.ue aq:L1elle_que eniprende h~1ma 01?1~a

~
1
_..;· Olha ·o pi:.ndente p2.ra as plq,ntas-, e -grande ,dewe·confidetar as:oircllnllan:-
1, t ~bfer~a que as que ftore.cem· prefte~, ,ci~s._doslug,:are~,_ tem:iios,e,peffoa$,;par~
J, """-fcabao cedo : obferva que .os meni,.., -evrtar os azares; ton:i-m.rn.olhàJ:, e o:bfer:..· _
:o/ \Jílos· de muit9 temporã côrdura de dr- v:r, que -C}'qem .. naó _.p<D.de córn·er Y'et'.1.-
·dinarío duraõ ponco <obferva mais as ·to inteiro, cO.rre,lnvtJJ:_a quf!rta:, e;que
-pl~ntas , .e vê , ~ que os frntos · das · -fenao pode eon;er vela cheya, vplYe ·
..plantas filveftn~s)àó dezabridos ,mas á- orça , e .tira , que queui 1tlaó .póde
·que n1udaó a natureza, e fo'fazem do- fazer tudo o que q-1,1. er, de:vé,acomo-
. ces·eol)l hum ·enxert0 de hmn-renovo dar o feu que ·er ao qtle poGl:e; porq
·nobre, e tira que a familia iiegcne- · ·he melhor hir adiante cofo fadiga, qu~
i~ada ., e,agrefte com hum matrimonio tornar a ti~ás 'com perda: torna a olhar,
illuftre feennobrece: torn3; a obfenr a1~ evê, qúe·o nrnrinh~iro e.x:pe-.cto·, antes
as meü+ias plantas, e v_ê, que melhor da tempeftude, .vê os finai~, e'.tira, que .
. antes
i6 . - GUERREIRO, ESCOLA MORAL &e.
~mtesdosfucc~ffosinfelices prevêdan- torna a olhar, e obferva, que , ql.uín-
tes o prudente osmàos prefagios, t01•- do os rern,edios abíl:erfivos i1aõ npro-
na a olhar, e vê 9 que; quando lutam · veitaó, fe ufa dos incifivos, e t ira ,
" · 'Ó'ús ventos,feformahú redemuinho, qu~; qualido naó aproveitaõ as cor-
queforve anào,edaqui tira,quequan- recçoens, fepaífa ·ao dgordo cafHgo;
çlo dous pendenceaó fob1~e huma cou- torna a olhar a cirurgia, e obferva ,
fa, a contenda acaba em utilid~de de que mais perigofa he huma fo1~id.<!_pe­
terceiro ; torna a olhar, e ob1e1~va, quena penetrante , que hurna .dllata-
q u e :· a mais arrifcada prova do mari- da, :etira, que , mais difficultofa. cu-
nheiro , he pôr as velas ao vento para , ra tem huma malicia efcondid"a, que
volv:er atràs, e tira ., que a mais arrif- huma defcuberta, porque para o mal
cada confa he mudar de propofito, de- apparente eftà patente o remeqio ,
pois de 'eftar a .obra emcaminhada; mas o que fenaõ pode -ver, mal fe
torna 1l olhar, e obfe1•va, que o .Iman, pode remediar; torna a olhar, e ob- .
·paífada.aEquinoçial, perdendp a vifta ferva , que mais facilmente fe-curaó
do noífo.polo, fubitamente fe volta ao as feridas dos que vaó cre1Cendo, do
p olo oppoíl:o, e tira, que.o favoreci- que as do adulto, e tira , que mais
do,, em o prtvando do favor, f e muda facilmente fe emenda ó os . moços do
.. eminiihigo ,. de quem o favorece. que os velhos; e defte ·modo da ar-
- , ·Olha para a l\!Iedicina, e obferva, quiteétura, da fabril, e de todas'asou-
que huma parte he porfilatica, e ou- tras artes ; tira o prudente aforifmos
tra fublevativ.a ~ .aquella preferva das ·:para as operaçoens •morais', e da ob"'-
.enfermid~deti .; te efta fára ao ' enfer- 1~rvaçaõ · dos vicios alheos emenda os-
~nü', é tira , que huma parte da pru- feus ; po~·que fo he fabio no juizo de
.d encia preferva ao homem de-ob1mr :eublio Mimo , o que pela falta · dÇ!
mal, e out1·a emenda o mal obrado; outro , emenda a fua,

Ex "Vitio alterius Jdpiens emendat Juitm :


-Feli~ , quem f aciunt alieno pericula cautum. _
' -
.eia alhea, e da nofià. He pois a Me_;
' . moria huma retirada rece>rdaçaó do
Sobre a Memoria. que jà feaprendeo com o fentido, _ou _
com o entendimento ; he huma fa-

'A
Quarta, fonte-he a experien- culdade do animo , 1com a qual rete.: .
r ' cia alhea , e a quinta a pr.o- mos no entendimento aquellas 'C:OJl::-
pria : de huma , e outra ha- fas, que conhecemos por algum fon- .
·vemos tratado em varios lü- tido interno ,ou externo ;:he humJrra- J
gares de fi as noffas liçoens , e fe iràõ .bito da imaginaçaó pelo quai repete , . .1 ~
·v endo no decurfo dellas muitos ca- ou revolve a ellaa noticia das co'ufas.,.~·
·fos , em que cada hum pode tomar :Paífadas : he o ufo pois da fabiduria , e' 1

muitas regras,paraqúeprudentemen- a mempria fua máy : Sapienticé_ pater


te poífa pôr em boa direcçaó u go- eft ufu.s, mater atítem memoria_;·os fcn. .
verno de fua vida·, ·e pori:ffo naó nos tidos obraó em as coufas-prefentes :,
pareceo tratar particularmente mais a eíperança em as fut uras , mas ame..:.
fobre efte ponto .pelo, perigo de naq moria nas paífadas : E'JC Ariflotele_de ·
repetirmos, o que jà diífcmos , mas da Memoria. Poriífo a natureza com ad-
memoria , como parte taó integral míravel fabiduria pôs feu af!ento em
da prudencia , e taó neceífaria para o cerebro do ,homem , porque com
.q ue nos ftproveitemos da experien- ella melhor, que com os olhos; veja
,
· o paffa-
..

l>ALESTR.A,I. LIÇAJ\1 V: SOBRE AMEMQRIA. . , t7


o pàífado fignificado pelo cerebro ; e mo fe c0ht~ de Origmes. D9 noffo: ~
potiffo a antiguidade, quando queria Rey D. Joao II.. fe lê, que tihha taó ""
chamar a hum homem prudénte, di- feliz ~nemoria, que excedeo aos mais ·
e;ia ,, qne tinha olhos no cer ebro ,_ e famoios, que a antiguidade c elebrá~ '- /
porque a prudencia he filha ,da me'- porque hindo à Univetfidade t;l'~ Co-
moria dos il1cpeffos paífados , he a me...:· imbra , depois que huma vez lhe dif-
pioi:ia 'pavte integral da prudencia, feraó os ncinies dos .efiuEantes della ,
q'ne á1naó pàdg ha v_er fem el_la , e pro-· fempr: ~ahi el!l' dian~e '· q ~!an<±_o !!fes
vafe G0111 hum filog1frno facil : a pru- fatiava ,. era: por feus pr.opnos norn€s ,
, dencra bafce. da expe:rienc.ia>de diver- fendo elles, e fous apeilidos em gran-
fas coLrfas , experiencia naõ a pode ha- ~e numero. Cezar , fendo Diétador ,
:ver fem memoria dcmuitos cafos, e diétavá no mefmo tempo ·füte cãrtas
fücc,dios; conio. di>Z .ArijlfJteles lib. Í. fem· petder : o fio.' · Porcio Latrinio
metapb. iogonao.põde haver pruden- foi taó memoriofo , ... que . . manda-Vâ
eia . fem. memoh:a , ·e affim he ~preci- nomear qualquer capita ó tia fama,_ -~
ía, :Cjíie :todo o-hOJJlEnll tenha ·memo- logo repetia f1~as façanhãs , fem lhe
Pia d.e. ~cafos fimilhantes , e exem- faltar a meoor ·dellas ,, e diZia , que·
fllos pairados para governar o p1·ef.en ' nunca() enganara a membria ym hu=--
te pelo paff.:1do ~, .pois, .a maiis firme m.a fó palavta: ·•' "'I. ~ - , J

determiriaçaõ, diz_eafiodor'o /.,3. epifl. - Lembrar de tndo, tem -mai~ .deIDi- 1

16. h:e , a que teve e~emplar, porque: vino; .que de humano , e poriífo tem
:i;mó.dei'x-a, que duvidar, a mefrra da graJide perfeiçaó aqueMe ,rq ·em fitem,
·€xper1encia; e_afüm .importa·, que to- memoria grande ; Tímift_ocles foi de.·
doo fejaó muy memoriofos' , e prin- taJJ.ta memçwia; quediífera Sünóííidis,,
eipalménte, os~ que ~ governáó, i e os· qüe promettia 11ruma art:~dé\ffi0ntõ1~ia, .
que forem ele pouca· memoria procu.,:; que mais queria huma aite·de efque-
.. ren,1 feu augrnento. 'com o traba'lho, .e cimento; .Naó hà nenhum. thefo-tfro
]lfo : delta ' q rre he o .rego com que .mais preciofo 1 qne a ífié1:110ria ' rtem.
crefçe·· :' Memoria nzinuitur , nifi eam ma~s · certo para· a fegura11çw dos bens
exerce.a.s· ; .runtam_do_com eHa a te~pe""• Ex_ Pl~ttarcho · 1Yf }yfarittmr ; 1 {)01·qu~ a
ran ~a, e oom regrnnento do ,corpo, memoria d-osfüéceffos;ecáfo paffados
ufándo de alimente '; bebidá'., exer-•; nos ~nfina' a;-gp-:vernar 08.•ptef€'nt@s '
1
e
cicio , 1defcanç0J_ ,_1 e. foni10 .tpodera- tUfpôr para ,os :futlt:i:.os .;) a ·mem61~iá'd
do} de•forte, que ê~da. ·faculdade dos p.eccados ·paffaàos.·~n~s f.~z doer
nao tome·. mais-J do líl.e.ceffariG> à. fua: delles ~ a da morte , a•n-:m continüal'
eonfervàçaó, qiafilm chegara6111uitos· rrelles·;. e da· J~1ftiça DivJna ; a ten~er- r
a ter fellciffima!,me1no1.. a. Mithridates inos; a da'-Mifericordia ~ ·a efperarnf.os
l foi taó~ feliz . eun mem01:ia.41-<±ne·fen0 Ex. · Prancifcv Petr:ach. Diàlqg. 8. De-
\..fio Re~ -de N int~, e dmas naÇue.11~ , ou-~ tudo ifto vere1~1os mui11:6 rtâliÇa<ó tfa"'
\ via, ~ refpondia :a cada hum na fua 1110.fte ~ e do I uj zo, do inferno , e ao '
r linguar G{iro foi;-t.aõ;-~ memor~ofo ., que ·, parai'zo. Me · a memoria mn;y nece1 fa-::
íàbi_a50SJ11omes-· de; todos [@S fofas fol~ i~ia aos Principes , e fonhorês , ~tp<fr
d.udos., ..com ferem.. Jens exerdto~ in- mil títulos ineftimavel: delRey Cir0•
numera veis ; e~Cina.s embaxador de . 1faó ·defejav.aó mais feus ,v;affall6s ~- qn~
Pirro. em Rolilíl_a , '.farniou. .ao:s Sena:-. fober Gs conhecia a todos" por fe{-{.s
dores ·p:or fea nome~' e taII\°\)em à ple- nomes, eLucio Scipiaó fo,fez amar d-e-..
b~ : -Seneca diz de fi mefJJTIG> '; que todo opavo Romano; porque naó ha·- l
1

foi taõ prodigiofa a rua memõria- ' . via.nelle homem de taõ baixa fortun a.,.·
que -repetia dousJlJilH nome , pe]a or- g,ue naó tiveífe lugar em a,foberania d.e"'
. dem, qu-e .. as,,bav.Ja .onxid~ .;·~·~ Jnef- hia momo1:ia :. mais opuleritos ...eíl:i:Ve-
::.,. . -·- -.. - ,, e raó
' .
18 .. , GUERRETRU, ·ESCOLA 1V10RAL &e. ·
ra ~ :os thetouros ·dos Príncipes fe fou- fophos , que q uizeraõ ~ que1 · be~s os
, lwJ.:aópaga_r comefta lembrahça osfer_:- foífemco~muns reprovandó com aef-
viç 'S"' dos . .vaffa1los ; e como forao peculaçao , o que he, approvado na
' nmis os premiados,támbem foraó II).ais pratica de continuados feculos , e .o
os ·ben.emeritos. confentimento de todas as Nafçoens
pois naófora poffivel confervar-feo ge~
L'J :Ç A M VI. nero humano com osbês emcommum;
porque huns feinclinavaó ao defcan-
f ~ {)a flfudençia Regna#va, e Origem ço, e outros à modera~aõ. do trabalho
~. . - . dos Reys. fem que a força coercet1va das leys
pudeífe obrar,que todos f e app.lic·aífern
··e'. . Riaü Dens ao homem Monar- igualmente a trabalhar para que os fru-
. eiha-·utli..vterfal de. todas as mais tos .fe recoihefiem em publicos lugares
, . _ .cre_a.turas,e.onftituindo-oPrin- donde fe diftribuiífeni proporciona-
·eip'.e (obre ·tocias iellas. c01n taó dos à ne.e.effidadt(.de cada hum, e faraó
fob_eramo p-0.d!et ~- que _às vozes .clo,p ri- i.n.nnmeraveis as qüeixas dos afüften-
1!!JJ!U'O Jaomé nbecieciaõ naturalmente tes no trabalho contra os inclinados
t~.d.as . , ;e ~.eft.a..obe.dieneia p1~efiíhraó ao defcanço; affim a re.ciproca necer-
em quanto o homell} fe naó rebeloia fidade, que .os h0mems tem huns _d os
cont-i~a De-os , .q:n erend0, fen~o hu- · ou:tr.os , _e as conyeniencias de mayor
i]l:fr,no, fer fobJ.o ,c 0m0 Divino , fendo applica'ç aó , foraõ J].eceífaria-s , para
<>ri11.do , eq:uiY.o.carfe com o Crea~r._;· que naó fe applicaffem ao defcanço,
m.f!s ~logo, q.ue o primeiro homem fe ou fe prometeífem congrua fuften-
pr!vpu e;la ~ primeh·a _gra.ça ., negaraó t-açaó em os celeiros communs; pois
tode>~ a pbedliencia ao homem , pri- naó ha, Magiftrado taó attento , qi1c
metro caftig(]) .defua, e noífa primeira affim proveja o cafHgo do vagabun-
Qpfpg, .~que · feJhe fegu1o defterrallo do como :faz a neceffidade , e ' ella
J)~os cdo P,ara.iZíO Terreá'l, e negarlhe a enfinou aos homens os exercicios , a
t~1-r~, qu~foi ci-iada para fervillo, os que os applicou a fua inclina-çaó; para
~·utos , eom, que graciofamente lhe füftentar a vida, pof meyo delles.
era obrjgaàa. concorrer , eondenallo N aó havia no mundo mais que
}?e0§ a compr.allos a pr.eço ,de feu pro- huma familia, e a penas tres homens
• prio fuor , eff~itos da culpa original neJ..la, quando o-pay provou a necef....
dep.oífo3 primeiros pays, pe~as q_uais ~dade que. havia de Miniftro ~enos
Éiç,emws t0dos fous filhos obngados .a llltereffiido que elle, que enfreaífe as
hllfcar o fui.tento na noífa induftria, o · infolencias corno foi a de'Ca1m, que
,f,qcêgo, e qui~taçaõ na noifa Virtude matou a feu irmaó. Abel , fem mais
o Ceo, ea gloria nas noífas obras. Em cq.ufa do que a inveja de que pôs Deos '
qnanto nao houve mais dehuma fami- feus olhos . mais benignamente fobre: ~,
lia, foi governada por huma fó cabe- as primiffias do feu agradecimento ,,, ,
Çq, e commuas poderaó fer as fatigas , do qu~ em as fuas , fendo , que e:frá}'
fem neceffidade de particulares celei- va na íua maô, o difpor-fe ~Lque fof-
l'QS. . · fem naó-fó com igualdade, fe naó com
Mas depoi~ -que fe multiplic11raó rnayoria ; offo:re~rido em faétificio,
filhos, .e netos oada líü.m formou fua os melhores frtttbs como fazia feu
familia, de que qevia cuidar, e dif- irmaó, com qú_~_ . acharia remedia, a
pôs ·com politico governo a divifaó fua defconfolaçáõ , fem bufcaUo na
qas coufas introduzindo-fe o direito execuçaõ de fua ira donde achou
dasgentes,eouvindo-fe o nome de meu, mayores damnos; pOi$ a morte.de feu
e~ttu, taó aborr.ecido da alguns philo- irmaó ~lhe càufo11 hum contin1ro def-
aífocego
/

PALESTRAI. LIÇA._M Vl. SOBRE A PRÚDENCIA REGNATlVA. _19 '1


zaífocego ~ e turbaçaó de confcien- ceo no mundo , foi o de Rey , fegun-
J

cia com que vivêo, ctendo achava·' do Santo Agoflinho libr. 3. de Civita;.,· f
a vingança oinnocente fangue no rui- te Dei cap. 10. aonde cita SalluftiQ. ·
do de cada folha de arvore,que fe mo- E o primeiro R ey, conforme Heci<tr.He- ·
via. .tq ., e PliniO , fe vio no EgyptQ , e fe
Efta, e outras defordens ·, que ao chamou JYlanes , ainda, que Deodo-
paffo , que crçJ,ceo o n1i-meto dos ho- i;o quer. , que fe cha·maífo Mena , e
mens ·, feangmentàraó , e.. a multipli- que antes reinàraô üforis, Horo, e
. caçaó de divifoens de domínios ., ~ . o:utros muitos: porem os que as fa-
poífes; occaflonàraó tantas . differen- gradas letras teftemunhaó, Ioi Nem- ,
ças entre ht,1~as ,..e outras famiHas ; brot , filho de Ch11s , neto de Cam ,
que fe reconheceo , que era inipoifl'~ que reynou em Babilonia.
vel, que nenhum ·efJ:ado , rep"!l_blica ~ Eftas fora ó. ás caufas de havei•
multidaó , ou cafa pudeífo durar , Reys , e eH:es foraó os primeiros
nem -perfiftir· fem imperio , e gover~ Reys , que fe ·achaó nas letras huma-
no, e que nec~ffitavaõ os _h omens, , nas, e Divinas; e naó , ha duvida,-
p~r3:_ viverem livres , f~1jeitar~e a al- que o governo de hum f ó he, o me- ,1

gum . poder, que com fuper1or ·~u- lpor por fer mais parecid9 ao deDeos,
toridade caftigaífe a huns, e premiaf- o primeiro , eo mais duravel, com o
[e a 01.1tros , e deffe ,a cada hum o qual tepi fiorecido as monarquias, e
que era feu offi~io princtp_al da Juf- impedas do mundo , e fe vê , ·que o
tiça. .- 1 mei~o Deo.s quiz efrabelecer o rey- -
Refolµtos os homens a ~ufcar po- . no ,. e governo ~onarquico , à exclu-
1

'qer ~ que ;os governaffe' e como os faó dos mais ' fazendo ' que o gene- .
j~zos. , e parece1'.es ' h:u manos depois ro humano defcyndeffe .de hum ho- ,
qu~e hoü~e fó -hmn· hom~m , perde-ry<11_1e111 fó_,. e affi!TI o f~nti? Pla.taõ no ·
i·âo a umdade, e paffarao a fer tanr livro ' Ci-vzl. ·Un1us domznatio boms cun-
tos"~ como foraó as pe:[oas , introdu- Ef a legibtts falq, 01nniurn reêtij]ima = eo
ziraó varios modos de governos \ diffe feu, difcipulo 4rijloteles no livr(J
huns, imittando as formigas~ que óbe- das Ethicas cap. 10. Reipublicte tres
qecem às mayores ~ e melhores , ele- fttnt fpec-ies , regnum , & optimorum
g_eraô _para o governo os nobres , e pqteflas , .five optimi potentia, & fenfu
melhóres , a qu~ fe chama ,Afifto- potefla.s , five refpublica , atque 13arum )

tratico ; . outros as Gralhas, cujo g~- optima quid~m efl regum , pejfima ver?J
verno Iie popular, e comum o cm- cenft potentia. Ifocrates , · eicrevendo
qado publico, que fe ,-reparte entre ' lhe diz , . que fe todos 0s eng.e nhos,
· todas, repartirao o governo pelos po- e acçoens dos homens fe puderap
'·\ pulares, a quem fe chama Democra- examinar, todos prefeririaó o~gover­
.} ico: outros a exemplo das abelhas ·, no de hum au .de muitos : Si & in
1.. que tem hum fó Rey , depofi.~àraó genia ~ominum & aêtmnes intueamur
( -' em hum fó efta foberania _, e a. efte -,univerft mpnarchiam c.eteris prtefla-
genero de governo , .fe . chama -~1o- r.e f ateantur. - E Hedoreto, fanando
~arch_ico e de'fte ' parece , que falla c_ o m Thalia affenta,, que o governo
J?eos no Capitulo 8. dos Proverbias qe hum Varaó Jufto; he o melhor:
verficulo 15. e 16. e diz, 'qug. por elle Unius 71wi, qtú optimus ftt, imperi(J
governaó , e reinaó os Reys, e de- nil meliit-s , & monarchia qmnittm eft
t.erminaó. ajuftadamente os legislado- prteftantijftma. Do mefino· Parécer foi
res = Per me reges regunt, & l'egum Seneca no liv. 2, dos ben~-(i,cios; OjJtimul.
conditores jujla de cernunt. O primei~ civitatis Jhitus fub Rege juflo efl; .O mef-
l'O nome de imp~rio , que fe conhe- mo que e~çreveraó~ os fabie>~ , diíferaó
Cij tam-
t ~ .,.
. ~o ... GURREIRO ~ '.ESCOLA. MOR~L, &e . .
r
-·ir:. 1
~
~ • -

a :Dém.\os Poetas .; E'uripedes o diffe a Archelào.


:~.i:; • fi1onarcbia_ r, Deorztm qur,eda~n víta videtur.

· · · _, Nàm prr,ete'Y Í1flmortalitatem reliqua babet omnia !


:_ 1 Brmo verà etiam tyrano fubjici pitlcbrum eft.

t:láudiáho.'no J. 7.~.:,, - .... J·


'. •. .. .1. • t • 'Fallitur egrégio qt-tifquis fub Príncipe credit ._,~1 ·
.~o r. -. J Servitium , nunqitam libertas gratior extat,
_ •r .- ~ e · _ -Quàm fub Rege pio. ··
Eubâno
~ , ~ Nec multas regnare bomtm, Rex unicus efto:
.. Uniús íntperium cz'tm Jupiter aur&a manus,
,. Sceptar dedit, ju_ffetque fuis dare jura tuendis.

Nenh11111a-·cn11fa .achou mais .i;:onveni- fúmmuni reipublicce canducibile omni-


~nte pafa .ca ·ccmfervaçaó de hüá Tepu- um maxi1ne eft, facitius enim unufqais
blica; iD:lrO.lazío Ub .• 44. que réftar de- p·iam vir banu.s, qttàm multi reperiun_,_
po:fi.l:'àici(fu t)f11 'h~1m.1fõ .P"govgrno della: tur : quà fit , ut ftquis · fummr,e rerum
0 puv:o Gnft.fer'tte,- oom.o baixo, bl1 nian- prtejit , tamen fatius id ftt ~ quàm àfui ft-
cl.n,,~ ·@ir~foberbo, Nfú:tfititdó aut_fe1-vit milium multitw#ne remjfbtblicam ad-
hu11zilitet: , awt f11pé,rb·e damina~iw. Dif minijfrari , cujus rei fidem facere
fe-:!fi'to 'j i.-iv.io.:. "E ·affiín hé mais) facil po_Dunt res geftte Grecorum , J}qrbaro-
aclrat~ hum bóm} .·do que 111 uftós ; e , rumqite , & ipforum etiam , Romanorum ,._ '
qtrati:fi0: áeóí1teÇa3 queefte feja m.áó ,. riimirum cum f emper . & preftantiara·
m.aii's convém ·o -gove1•no nas mãos de longe , & plura fub regibus , quàm
~urn. fó. .'.m ào, que lio poder de'muftos fub populari gubernation:e urbes, ac pri-
ruins ·; verdade que abonaó as coufas vati cives beneficia adepti fuerint; lon-
dos Gi·egos , Bar'bàros' , e Romanos : · · g;eque minús rem adverforum fub uni-
, fe1npre .os povos ,. é Ci~adâos 'confe- us ,' quàm jitb .imperio multitudinisJubf-
gu.iraó mais largo'S bsnendos no go- tinuérwit. _
, verno de hum, do que ne ~emüitos : A unidade conferva .as coufas do ·
e pelo cont1'ario fempre ~ora ó menos timnd'o' ao mefmo tempo' que as ex-
os males, que -repai'tío fó huma maó, tingue a divizaó, e fe acaba tudo; ra-
que os que defcarregaraó muitas co-- zaó porque diífe Homero no liv. 2. das
mo fetnpre foi menor o golpe , que llliadas, que naó era bom, que foffe
defcanegou hum fó braço , que o o dominio de muitos , antes , convi-
que repartira ó muitos: .Penes unum nha' , que foífe de hum fó:
I '

Nan banum multi damini, ftt daminus unus :


Rex unus , & muitos imperare malum e.[!, bene itnicus flo.

A qual fentença comú.1entando Eufra- te do dia , huma f ó Lua da noite; hú


chio Arcebifpo Theífalonifenfe · diz, Rey pôs nefte mundo pequeno doho-
que o governo monarchico feja ome-, mem oRey dosReys; a faber oenten-
lhor, eo declara a compofiça,ó do mun- dimento : affim tambem ferà felice o ·
do ,que fe governa por hum fó crea- 'Reyno ;aonde hum fó governar: Qyad
dor , Rey, e Senhor de todas as cou- autem 'Jnonarchia ftt optima ; declarat
fas : todas as coufas , que fe vêm no mundi difpofttio , qute ab uno creatore
mundo mais formofas , faõ unicas, e ziniverjàrum rermn drmiit.ro, & Rege gu- .
naõ muitas ; hum fó Sol he prefiden- bernatur , qtttecumqug httbentur 'in~
mun-·
\ PALESTRAI. LIÇAJYIVI. SOBRE APRUDENCIA REGNATIVA. 2t _.
mundo pulcherrima ,ftngularia funt; units O que ajudaó as experiencias ; porque
.,, I•

''fol preft ._ diei , una itidem luna noflris as Cidades, as Pro.vincias , e os ReY-..:q
(fculis , ztnum 1:'.ege.m in arce noffra , nos, que miõ fe gov ernaõ . por hunf,.
menteni f'cilicet , 'Rex reguni collocavit: vivem <:flll continu:;i. difcordia; ·e peO":
ita igitur, &.éi·'vitrts~ ·bene fe.babebit,. 'ft contrario as governa dás por hum f6 ,
ab uno. príncipe regatur . lograõ a paz , :floreceli.1 na juftiga , e ' '

O mefmo, que mofira a razaó, jufti-, abunda ó em todos os mais bens : do:!!1-.
:fica, e.compr ova o exemplo. Criado cl;e veyo, gue o f~nhor por grande be
. Creffüi:. Jley dos Litiios, tornou para ueficio, efingular fi11eza p1:ometeo pe-.
Gompanheiro .do.r·0verno a fou irmaõ, los feus prophetas huma Tó cabeça,
o -q1t~ fabendo huim fabio daquelle hum fó Rey, e hum fó paftor : Bonitm
tempo, fe fo~ ao Rey, e füe diífe: de· confoliatte multitudinis efl., ut civis. uni,_
todos OS' bens ~a.terra, Rey, eJfrnbqr, tus pace confervetur ; quantà igitur r e-
1

he ·autfü" o Sol, porque nada houvera, gimen efficacius fiterit ad unitatem pa~is
na terra , fe o Sol nad2ll illnftrara , mas Jervandum, tantà erit utilius ; manifef
feforaó dous os S"oes'., era certo o-peri- tam autem eft virtutem magis efftcere
go, e infalível à ruina de tL1do: Ci'tm poffe, quod eft pe1fe itnum, qitàm plures;
Lidis Crejfus imperaret , · fratrem in. utiliüs enim ~(/ regímen unius , · quàJrJ. plu'".
co11fo1•tiimz iniperii affimipfit , tum. qtti- rium .: ad hoc ea, qute naturce congru--
dem ·· E udides acedms dixit :· omnium imt, optime habentur; cum ftngulis enim.
in terr a boneruni ,' o J?.ex , author e:fl operatur natura,-.quod optimum ef!, ·omnc-;
Sol , nec quicqtiam extáret in terra , J@- autem regímen naturaJe ab unp ef! : in
te non illuftrante : at fi gemini Jo.fes fo--. membris cor movet omnia in partibus ani-
rent ., periculum i·rnmineret , owttia con- · m.te ratio prceftdet , & in univerfo Deus
ftagrantia perditum irent : itaque & re- f aClor eft, & omniunz reClor : huc fpe-
gem ttnum accipiunt Ljdi, & Jervator:em ftant experimenta ; nam civitates , &
~lfe credunt, duos verà tolerare non pof provincite, qute t(On reguntur ab uno ,
junt. Eftobeu Serm. 47. , dijfentionibus laborant : contra verà.
O bem dehuma a ífociada mult:idaó ; · qute fub uno . reguntur , pace gau-: ·
diz. Santo Thoma1 · lib. ~- do Governo do dent , juflitiâ fiorent , & aliis bonis
· pPincipe cap. 2. eíl:à,-emque afu'.1 uni- affluunt ; unde Domin'bis pro maSI.no
dade Je conferve em paz; quanto for 111Ju1"vere per prophetas populo, Juo· promit. .
mais efficaz ogoverno,paraconfervar tit caput unum ; regem unum , & pa.f
a paz~ tanto ferà mais util: claro he torem unum.
que mais unidade pode obrar, 'o que · · Quando a razaó .affim taó clara:.:.·
he por fi hum, do qüe os q\1e faó por fi mente o naó di& ara, a'gritos o perfua,
muitos : de que fe fegne, que he ~iais dia a experiencia; pois affim como o
util 9 governo de hum, que o demui- corpo humanonaófofre duas cabeças,
1
tos. Aquellas coufa s ;que concordaó affim nenhuma republica dous fenho-
). com a N é).tureza , uzurpaõ para fi fem~ res , e a mefma monftruoíidade fo ra
• :pre o melhor; por que nas unidades ter duas cabeças hum rey no r que hum
1empre infunde, e opéra melhor aN a- corpo ; e huma , e outra fe oppofera ó
tureza. 'Todo o governo natural nafce de maneira, que com aruina de ambas
de l~mn ; nos membros move tudo o ·correrà tambem a ultimo fim o Rey no.
coraçaõ; nas partes do animo preíide Naó admitt.e fociedade o governo, e
fo â razaõ; e em todo o univerfo hum he impaciente de companheiTO oman-:
f6 Deos feitor, e governador detndo. ~o, como cantou Lucano noliv. 2 .

.Alciato em- Nulla .ficles regni ·foliis , omnifque poteflas


blema 93 . . Impatieps confortis 4rit. ." . . ·
Que
\
l.:r' '.l 2 · . GUERREIRO, ESCOLA MORAL·, &e. ·
Que foi omejmo, que a Agamenon ef- grande meftra das coufas , que qunfr
., reveo Seneca: Nec regn·a Jolium ferre, · fompre as corrompe , ou o injuft-0
nec ted.e fciimt. Que fociedadé no rey:- favor, ou o maior poder :. Nonnun7"
nai;·começou com fé, ou qual acabou, qttam per eleCtiones príncipes fiunt , &
· fem fangue , diífe SantG Cypriano, tra- quamquàm boc Juas ittit#ates habeat ,
tándo da variedade dos Idolos : quan- tamen ab .injuflo favore corrumpi fer-
e/o unquam regni focietas , aut cum fide me .folet. · · · ~
c.epit, aztt fine crirnre deftit? Com muita Em outros fuccedem os- Princi-
razaó diz Quinto Curfio que imperio, pes por direito do fangue , política,
que podia pervalecer debaixo do go- que tem abraçado quah todo o Uni-
verno de hum, acaba no de m1útos : verfo , e com razaó; porque, como
, lmperium, quod fub uno ftare potu~ffet , diz Boecio no lugar citado , os Prin-
dum à plut:ibtts Juftinetur , r_uit. Of- cipes, que fabem, que por fua morte
fereceo Dario a Alexandre dez mil ta- fe haó de . continuar os domínios, e
lentos, e metade da A.fia, que defiftif- as obediencias dos vaífallos na íua ge-
fe da empreza; recufou Alexandre a i~açaó , e fangue , fe applicaó cotn
offerta dizendo : que affim como a ter- mais vigilante cuidado à .c onfervaçaó
r-a naó podia fofrer dous Soes , affim dos domínios , e bons governos dos
naõ podia tolerar a Azia dous Reys: vafTullos; pelo contrario os que co-
.Nec terra duos fales, nec Afia duos Re- nhecem , que na fi.rn vida acaba ó ,
ges ferre poffe. , todos fe occupaó nella em accom-
·E m huns Reynos fe elegiaõ os modarem bem feus filhos , parentes ,
Reys. por forte, politica, que conde- e amigos, e fe efquecem do bem po-
na Plataõ nolivrodaCreaçaó .doPrin- litico·, ecommum da Republica: faz
cipe ; porque a;forte he dirigida pela tambem mais .feguro , o eftado da
fortuna que attende mais à felicidade, Republica , efte modo de fucceifaó ;
que à virtude ; do que nafce, que em affim porque os que fabem que pela
braços da fortuna alcance o foberano natureza ' e .commum confentimen-
poder de Rey, o que naó merece fer to dos homens , vêm diftinados para
contado entre os Cidadâos virtuo- o imperio , fe .inftrúem melhor nas
fos : naó convem , que hum aqfoluto maximas do governo : como taóqem
~ominio das Cidades , e pó vos feja dif- porque raras vezes acontece, q11e fe
tribuido pela fortuna ü1ftàvel; QJtibuf criem novos Príncipes fem grande
dam ptacet fortità creare princepes ,, calamidade dos Reynos , porque co-
nulto fane Jubjeãorum connnodo ; fers mo crefce em muitos a efperança de
mim ad felicitatem , non ad virtutem reynar , trata cada hum de grangear
attendit ; itaqite f.epe accidit , ut ad mais. amigos , coní que ~e ache de
principatum j ors evehat , quos vir bo- . melhor par~ido , e de ordinario fe
nzts non foret in fubditorum 'numero ; vê naufragar a Republica, combatiàa
non erf!.o decet dominium , principatum- dos contrarias v~ntos , , motins , e '.
que integrarum civitatum , & gentium parcialidades , que raras vezes aca-
forti committer-e , lubric.e rei . pendenti b~ó fem primei~'.O acabarem com
á fortuna inftabili. ella : Non tantum , quia natura tranf-
E.m outros por. eleiçaó , como fert ftmilitudinem a, parentibits in fi:-
em Polonia , e no Imperio de Ale- lios , imperium Juccejfive l,auclamus . ;
manha, mas tambem he politica con- j ed etiam , quia maiorem ill.i quoqtte
dennada por Boecio no Hv I. da Re- earz:m rerum wram gerunt, qüas pu-
publica , p.o.r que ainda que efta for- tant ad alienas fucc~fferes non effe per-
ma de eleiçà:õ poífa ter fuas utfüda- ventur,as : hi , quema.dmodum fcri-
des , tem moftrado a experiencia· , ptum efl .apud .Hedorctmn, cum ad me-
. füts
" 1
PALESTRAI. LIÇAM Vt. ·sonR~ APRúDÊNCIA -~J1GN°ATIVA; ~J
-iiz'ts inftruirntut qui funt ab ipfa nàtu- lhinlftraõ :· Legit~mt1rs iminaniffimif '·
"f:a , hominumque. juftijfimo confenftt -Rex , hoc tiranniS interefl , fervos ti~
-do/linati , _at h_cec jucceffio nntlt/1, focu- rannus , . qr:os regit ;· Rex liberas py/at
·norem reipublicte ftatum redd~t , no- fuo~ , d1fie Thomaz Mouro. Mêre-
:vos Principes :raro J}ne. "!ªf/1:0 ·pericu_- , e~ -~u~am~Rtê o nome çie Rey, oqu~
fo , ftepe cum magna ciwt11tum perm- fabe governar bem a fi , e aos feus
cie v.ideamus effe creatos : nà~ _cum fubditos , diífe Santo Hidoro. ·n ó lil· ·
·multis eadem propefita fit ifnperii JPes , vro, que intit\}lóu dó ÍUrriiho bem :
mon. potef! freq~enter .&efpub-{ica peri:. Reges d r,eête ,·f~~ndo 7.!Deati fltnt; "ideà ;
:cufçjiffimis motibu.s non tçntuti , & qui reffe f acief!dó , Regis 'noinen tuefur ,
non potefl ·pérditijfimis ftditionibus pec·tando ainittit : reDte _ergb illi Reges·
non difcerpi. ·1 _ vocantur ; q'tli tam, fam.ttipfos , quàdt.
. O ngtrie d:e Rey ., re dir,iva do fúbjeetbs bene regendo· novértint. E pe-
-verbG> 'latino Rego, que Rgnificà go- lo· contrârio o de tiramio , o que fe
vernar, e de governar bem fe dizem na6 fabe governar· -a :fi ; nem a ,fous
Reys, e defendem o nbme de Reys, fl.!!'ditos · : do mefmó parecer foi, o · .
. os·que juftamente governaó , como Pqe\ª·
o perdem : tanrbem os que mal ad- ·

Rex bonus , (ltqtte iâent eft fortis b'el/!atrw in at mis ·~
, Qjti r~f!~ faÇiet ' ,nin qu~ domina?Ur ' . er_~t R.e~ .
Saó o~ Reys huns Vice-Deofes da to.s da inefrriamatei:,ia ;, inasfaô copTu. . ·
terra ; h\uns Vice-Reys de De<Js , e dos pelo dí.Yfub A rtifice à f-q.a .pr-Opri'ã
feu lugar tenentes na terta. :; O- que fimithança · : Diviflior inter bornines
confidernndo Platam no' tivro 3. dà Re« efl", ut'; qui mult?Jm Juprà comum::.
fua republica, diz, que Socr~atês coftJ1.. ném nattiram immin·eat , , c.orp.or~ reli...
ma va affirlllar , que fendo todos .os qui~ non dejfimilfs ,, 'utpvte rmtus e:XJ
homens fabricados pela poderofa maá · éâdem maierià, fed 'ab O]ttimo 'Llrtificd ,
de Deos à f ua imagem, e -nmHhafi- fa'Ctus ·, qzli fâbricavit ipfum , arche-
ça,com tudo aosque ci-eava parà oSim... typo ex je fúmpto. Diogenes no fed' U1
1

perios , os creavá com a miftura de vro âo Refjno diz , que huma Cidâde 1-
duro ; e com a de prata , . aos qne os · a quem fótina ~ vai;ied.ade dos edifr·
haviaó anxiliar nos governos; e com cios, e adiv~rfidade dós màràdores;
a de metal~ e ferro , aos que creava imita ignalniente a fabrica· dà armo.J
para lavradores , e officiaes : Svcra- nla do mundo, e que os· Réy8"'a hin-- .
tem inducit per jimilil'udinem quan- gliem fugeitos, e âe t od-a· a H:~)i húma..J
àam homin11s à Deo fie genitos ejfe. tra- na izerttos ,-faó ley&· vPvas, e fazem
<J-dit, ut qui ,apti futuri effent ad imperan- entl'e · é s J1ome~s a ~ guta de De?s;
ç dum, iis aurum adm.ifceret , qui vero qu~ reptezentao : -C1Vttas ex 11iult1s ,
iis futuri effent auxilio , eis argentum ; dfverfisq~e ~on~hfata. 1t'1Jndi- /lrüetU""
ICS autem , & ferrú f ut1rtris agricolis , & ram ; i/:J' armomam 1nntatur ; Réx au-
opificibus , quod ad ingenimn poti.ffi- tem Inipéri'tttn' gerens .· nulti obnoxitts _;
mum , & 'Virtittes naturales ferendum. /ex viva ' exiftens , Dei figuram inter
Eghantes , referido por Eflobeu no homines · reprtefent1#, Eft~'beu · no Ser""
Sert:-iaõ 48.' os repüta por divinos en- maõ 48. diz; que httm Rey urtico, e
tre os mais homens, como horpens; excellente he huma obra da ma.ó -de
que fe elevaó fobre a natureza cómua. · Deós; e hurna im.agem. do_Rey . dbs
·Naõ faó os :R.eys no corpo diffiqii.. Reys, eSenhot dos Senhore:s., fami~
, lhautes dos mais homens , como f ei... li~r çie f ua cãfa , e huma 11iz-rnu-y pà1~ar
. ' . Vifta.

- ~
""~4 . /' r~ .:. i· ~. OURREl RiO_, ESCOLA J.\t~ORAU., __ &c. · ~- _ ·1 ..
T. • · ..

vif1.:a· en t~e o.s [t bd(tos : Rex itmcus., & cate regem..· · .Por pon~fos de-.c q.nvem~
'excell(J_ns. . quoddpm, qpu_s eJl , ini17io ima-: encia"aconfelhou .. Caleuco no Pra~
gá..J.ftti .er1~i' il~ius Reg-is , cre.a~ori fito mio das leys·,_dize1~do que para e '"ri:,
fe1z?Pitf fa?,n,i./f.aris -, à Jubditis vero in. fervaçaó era convenien.t c pbede<eer
.'Jíegiia .t>emq_ztam. i-vM'l1itJe, co_nfpic~tJ:...• P ~u::- à.sJeys , r~verenciat ?" e cortejar aos
tçwqhp 'lfJO) i·vr._q da. , doutrina dos ') frin:- Prüwipes; poi;que ~ depois de D_e.ps, .
cipe~ .af.ti ·1Na;_ , gpe faó, _qüniftros, d.e. me_reciaó a primeira ho11ra os.P.ay·s.,
D~O§ d)'!-l:a, . re~sc\io' e faud_e~ do~ hO-'- flS .Leys' e os Princii).es ; e que ·tiaó:·
melJ? ,":~.~guenl_. Deos entrega liberal-: podfa haver homem de.rjuízo faõ, que.
me 1te ,forfs. bens, para qu~ o~.d~ftri~- naó defejaífe a fua conf~rvacaõ, ·e grn~
bn516 'e!!l .parte.,_; ; ~ os gqardeni eni naó fütisfiz~ife a huma obrigaça6 taó.
. pa_1:t~ : J5rincjpef niiniflr~s..fittit .JJei a·d,: neceífaria : Cunêtos opportet ohed_it~e
J.a~~~g_m. ;· (.1 o~ninip?J ,,\1-tt koria·;, :YJu~ · P _ eu,S _ legib1)s ,, · Frin~ipes r·evereri , · eifque 1
~tl1s_, ; l_çt- f:gitiw r,,f.t 'Í!iªrtim ; difb;ib1ua.,12t· , eflS~wgere , &' , qztod P-1i.d3cipittfr ~ (·far
P.t!~f it/J Mt;P.eti,t;i: iErt.~íf1!1h_,<101;gi(,i). De os c.er.e ;· ftqi1idem pofl Deos proximis 'Jho.-
_a;
1

f?Ô ,~ !JG Ç~oh~o i$ú ~l11u1a:crqs .:.(~l;lS_ ; Q ri-oribus ajfici,imtur. ·parente~ ;_ 'teges ;1:
Sol, e~ Lua ; affim pos em é\ ;:~rrél P.t:incipes q,pud h~mines ; qui meJJte1iz:
Reys , para image\}S , e luzes fuas, hakent, , & incolumes agere ftudent: 1 ·....
para que, em reverencia fua,fejaó de- Saó os Príncipes, como pays de feus
fenfores da fu;i tt}ftiça :,: ,1Pri.nçeps·· l?ei yaífallos ; patronos , ·e fenhores dos
fimU!acrum efl ·,.,.~ df!Zi?ijflrra..ns 1fni:ugr.- Ciqaqâos , ~ ; .como tais , devem ·
Ja ; quemadmoditm enim Deus in Cre- - fer amados , venéi·ados , e obedeci-
~º.,ill..Y}Jf1-er;rimU1f! rfu~; ipjitf§n,Ji.ttllflçtcrum d,os " diífe Char01~da~ ..no Proemió- das
o) njft u[i ~~q/~n'b ,;rq~ Ly1~arl}! ·,. ,~alis?. i~! lf!;ys .: . !~~ .Principes veluti parentes_· -bi~
1

rçJ?.itl?4~ -a _iinago ,,.1'. ac_}:m~~': ~1fi.nc;ep~ , '· n~-qolentiav,os, µjfefto9 . ~U~ 1·.decet . , ob~--.
tJUf,q;_· De! .1(~" eK-~?f~i· ' 1uft.itia~; túetur. · '.- d1-en!J.es ; ac venerantes 1pfos ;, · tltJJJJ..
. ·_-:. -,, . pa, e~pell~l}f'.i~ , dôs ~~~ys, ,,,e d~: Principgs. . etiàm patron.i , & -domini.
granH~~? de,, y-1~s Qffl,ciçrs .~j"li vifmhant funt civitatis ,. · ac oivit-t-m Jalut:is~ He
ça ~- .q\_!e,J.~\Il':_,CQrp. r:Q~o.s ·_,_: [e :GOlb:~· ·a_ todo O R~)rnQ hum ho:1:1;i,.em, em ~ue ;
Y~f} eraçao , . q~1~~(e, çl_ e'!e·í à~" fu~s .'i:Re_..,. he .cabeça f!:> .R~y , e membros o :po-
g~ás ':ir-1~geí_l:~\~e~5J..e qbeR-:~enc1a .a fet~s-· v..o ·; . o. bom , Rey tantos Cidard'âos-.
m, 11ff.~~Ptf ~Hiec,9.JJi!Il!epçla_c\à ":Í?Q:t' Saq. te1;n -; tant os mernbrós conta ., e affiID;..
.1)ch:._o~iJ9i 1c~P.:irJ:.,...,r·q.~ /ua P,r.-t~iPir.-ri· ca-r.- c9mo efte , co~no caheça , fe doe de:
!ª .11f/>/tbJ:Sf!J i.!fr;J&;onirf:i' .!kur17fI-flte çrea-. perder . qpalquer Cidn.4aõ , · áífmru ·
tur;.y1 rPf.qpt ~~ y!J~Zf.~~ , five rRJgi ,, ·quafi ~quelle qeve1, Stmar, e·guardar .o Reyr
pr.tff~l!J[l_f}•Ji Jf·ujil piufibw , tamquàm como~ ~ab~Çá• , como ._elegantemente_
ftb eo r~t/fi;·;, Jli:I:YrY~º qepois ,admqef-. d~fcreveo em hum t:Pigramma Thomd.s-
t~ -? , SFS ) eõ..1fr1p.q, ~ Deqs , -e.fe honr~. Mouro. ' ·... . •
~o R~~ : -1.:!~t!trJ. 'imete_ ·' ~~ honof'iji- ..
_, r
( ·1.1 \ ~-;.\ 1:.'.J, ~';' ~t\)'\ , • . ' '
, .· -.'\ .·\ :r,i~fcijm~efl .unus homó ., regnitrJJ, Jdqzte· cohttret amare,
· ". .,._R,~:>ç gaput_,,&!,pop.ttlus ca;.tera memb~ft f <tcit .:
·Re~ nJ}itot· hab'e t ,c.i7:JeS, dolet .ergo perdeie quemqúam; ·
Tofr '?ittmer'át partes corporis ,ej/e fid : - "' ;
0

, •

):E'xponit populus, fefe pr.o_Rege, pittatquec \1 ~ .'....


c.y.
0
: .Q!úlibet. h'{;fnc~pr.oprii çorporis_ejfe caput. r • r_~~w.n~'L-
. ) -r - ' - J. . n 2.0 :) ·:
R<P~ere . Plutarch.~, que -fngindo Tl~ hofpede ., fe 'trazes 1Jl'Op0fito 'tl<1 .Vi-.
miíl;ocles pana '.a ·Pe~·fia ,.a - ampai~arfe _ v:er livre \ e fe ;idmirfLSAt 1110Hh) fegtí!- ·
. ~aquei,le.. -Rey:- ): Jh~ d,1í.fe.ra .L\rtabano ~ ndade, faoe, que, fendo entre:J1ôs
·, l muitas
PALESTRAI. _LIÇAM VI. SOBRE A l'RtJDENCIA REGNATIY A. IJ.§
1n:uitasleys, que por 0raculos venera rencêa o Prihcipe, reVé1~en'.céa. aley;
a_mefma"'fabidoria, fabe, que entre el~ Gomo imagem do Principe ;. ~onfer...:.
las, como ralnlí.a, occupa a primeira ya-fe a Mageftade coma grandeza das ·
cadeira, a que manda guardar a ado~ acçoens , com a graviçlade das pala_:,
raçaó , e veneraçaó do~ l}eys , como vras , com a inteireza dos c.ofi:.umés ;
imagens de Deos, que tudo conferva: de forte que as acçoens pareçao obras
e.affim fe trazes intento de a guar"'"' de Heróes ~ as palavras · repoft_as de
p:ar, ferte-ha licito fall~r ao Rey; Pº"' Oraculos, os coftumes idêas fem pai_,
1
tém fe vens oom ouu•o propofito , de xoéns ; inteiro cumprimento da Ma-=
1
nenhuma maneira o. conieguirá~; por- geftade coft1pna fera pi·efonça magef~
que naó he coftwnada noífa patria, tofa, de forte que da habitaçaó cor""'
que os Reys ouça ó aos homens , que porea fe conheça, que a alma~ que ha"'
os naó veneraô, e a doraó, bita, he grande, e ~igna de imperio :
Com raza(> fe conta por érro ce..., mas :porque efta naó he obra da arte;
lebrado o fahir Cefat ' Augúfto com fenao da natureza , que talvez gofta
hum decreto , em que mandava fe de efoonder hum Socrates dentro de '
lhe naó chamaífe fenhor '· fendo Rey, hum Solino ; fupre a arte efte defei"'" ·
porque era titar a adoraçaó à Coroa, to, com manifoftar-fe poucas vezes de
fem a qual n~ó ficava Coroa ; por-.. J?Odo , C)_Ue .º Príncipe l?areça huma
que a modeíha em as cqufas , que to· , imagem fao-rada , qu~ fo em os di;ils
cam à Mageftade, mais he abatimen- folemnes fe defcubra: os Templos ef-
to, que modeftia ; po~·que o Rey ha euros ; as grutas folitarias , as fom. .
de fazer naó fó; que o refpeitem, fe- bra~ noétnrnas caufaó veneraçaó, e
naó , que o admirem ; deve par'e cer hum hori•or fagrado ; nenhuma cou. .
màis ,q ue. homem, para qu@ o reve- fa há taõ bella , que fazendo-Je pu_.
rencêem os homens. Entre as muitas blica, naó .enfaftie. o Sol he Ptinci-
pei;ali,d ades, que ti~a·Ziem as Coroas , pe Primog~~ito ~os P~anetas , mas~
nao he a menor nao _fazer hum Rey porque efta o mais defcúberto ,. he o
em publico acçaó , que pareca de hu- menos admirado : ·os Cometas faó
mano ·' dever paífar por efta pena- triftes abortos do ar ; mas potque
lida de , · para grangear e.flimaçaó, que fe deixaõ ver poucas vezes , 11os le . . .
fe avifinhe ao Divino. . vaó a admiraçaõ: naó ha coufa taó
N aó baftq à prudencià política fa- , pei-feita , que naó tenha algU:m defei.-.
zer leys 11tJliffi.mas, fen,aó póde fazel- t9, o qual de longe fe encobre ', .e de
las obferv;:i,r ; antes he m~yor difere- perto fe regifta. As Rans pediraó
dito para as leys verern-fe fixadas em Rey a Jupiter ; e lhe lançou · hum
as paredes, e defpr~zadas, aonde fe grande tronco ; , o eftrondo, a gran--
de~iaó ·p endurar ; os que as ~efpre- deµa, a nova figura, movêo em aquel~
zao ; mas a p ..imeira regrá da pru- le povo faluftre huma attonita ve--
riencia, a fim de qne a ley conforve ·úeraçaó ; mas depois que ellas; chei. . .
" a fua dignidade, he, que conferve rando-o e tentando-o mais de per...
S. Mageft:ade o legislador. ,A Magef- 'to , conheceraó , que o Rey era hun1
tade humana, como fe ha dito, naó tr-qnco, faltáraó em cima ,. e fizeraó
he outra coufa, . qüe hum reflexo da zoll,J.baria delíe. Verdade _he, gne em
Magefiade , Divina, a qual faz a pef- algvms Reynos he mais-eftimada ;i fa-
foa do Pri~cipe na opiniaó dos fnb-: mifiaridade do Príncipe ; mas · tam~
ditos admiravel ~ e digna de reve-'!Jem he verdade~ que eftes Reynos·
rencia ; porqi1e · affim coíno aquelle, eftaó mais expoít:os a tragicos cafos,
que· rever~ncêa ao Principe, como porque a familiaridade abr.e as portas
imagem de Deos , aífim o que reve- ás .novidades. _d . _
~D · A Ma-
'
'.lD' ~-- 1 J, GURREIRO? -ESCOLA J110RAL, &o..· . ·, . .:>. .··
~\· A . I\1:agtfü:ade~ pa~'a fer .Mag~fta- ~1~~ inve_ta .à benifiçe:\da, qum~do ·~
__de, lla ~e ~ftar afüJiJdda daqu~pa; -auas· JU~1ça 9b~erva no ~a~1~;0 a ~rop~rça~
.Oelda'àes ~; ·.qüe ,. feg·un do .ttenGdo ; Anthmetica, e a l~en1fi.-cencrn obierva
levaó fempre ao lado do Supremo:Ju- em dar a proporçao geometrica ; por--
piter ~1 eflas faó a·Graça com a Co..: q1.1e huma, e outra he popular.
r-ort, e ~a Neme~s com a efpada ; i.fto ~ Eftas faó as maximas principaes;
he; a l1eneficencia , e a ju:fHça , o pr€ e·.eftas ·as chaves meftras da pruden~
mio, , e n pena:.; aqueUa , para pre- eia , e refp eito do Principe : màs,
miar os que obferyaó · as leys; e ef-- porque he impoffivel , que o artifice
ta, pará caftigar, os que as defpre- mais douto obre fern. inítn1mentos, . e
zaõ : a.beneficeJ'.lcia he mais amavel, dos Príncipes · o faõ ·os JYiiniftros, e
·mas a:juftica he mais neceifaria ;:por..:... coüfelheiros, he grande regra da Pru-
qtte eú1 os 'póvos' .a:bunda milfs a ma- de~cia Pdlitica , que o Principe _fe_
]J.cia , .que 'ó ágradecimento ; e faz na-0 fie ct·a prudencia propria, mas de-:
n1ais· nfal a ·maneia .~e-· hum íO ; do: ve formar em feu interior hum co.nfe....
~tle aproveita -0 ·agra'deciínento de 1'110 tal , como f enaõ houvéífe mifte1;
111uitos. Aqüelle ·fabio R~y Luiz XI. confelheiros :·p orém deve eleger tais
a nen:hum de feus, vaífallos tirava o confelheiros, como fenaó tiveífe con-
chapéo , fenafr à f01ta ~ dizendo: efla felho proprio ; e devem os confelbei..,
me faz ' Rey; porque move mais ó t~- ros for 'taó pru~dentcs, que poifaó
mor do caftigo , · do qlie a efperança fer: Principes ," pO:rém taó modeftos ,
clO"premio . .Ruma, e outra ·Deidade, que naõ , ,d ém ciumes aos Príncipes;
~inda g\Je faó .muy boas, tem niuy recohhecendo-fe acceíforios , e naó
1ti:áos .filhos :;· pm•que a jufHça gérá principàes ; fubditos, e naõ compa:.
ódios.· , ~ . a beneficencia ~n veJa.s- : n~efros ; confelheiros , e naõ Mef~
mas dé llltma , e outra ferâ bom o ef- tres. Turba · multa meliits Judicat ,
feito ' fem o defteito , quando a"inbas · quàn-i unus folus , dij)ê Arifloteles ; é
©'i:ha'õ. ao ·bel11 público. :. entaõ Tení poriifo convém que 1ejaó mais dehuni;
Gdiófa- a juftiçá, qu-ando caíl:igar as porque o snego cio srepa:rtido s~faó me:.
ponibas, ~ é .p etd'oar 'aos corvos ; oú lhor executados, e a rtmltidaó con.: .
- guândo eíl:á. fe111oftrâr '-mais enojada trafta a cada hum de porfi. Boa -re...
tl:.Oritrá o ~ delinquente, ,que· córítra ô gra .de ter encerrados em feu peito
clelicro ·, ~ ·p orque a parcialidade ate.:· iens penfa111ento~ , que , a maneira . ,
morifa ao~ boús 111.ais qüe aos ·má os ; do mercurio dos A1quimiftas, fe def-.
e·he mais odiofâ ao publico , que o vanecem? quando fe defcobrem ; ma-s
l!ttil ao pa.rticular. Do rt1efíno modo porque he igualmente arrifoado. obrar
ei1taó he . invejada a beJ1eficencia ·, fom confelho em as coufas imí)Ortan::.
quai1do choveni: as graçq~' e favores tes ' e naó [e póde pedir feih narre ,,
fobre hum fó, ou quando 0 heneficio he neceifario achar meyo ent re a con-
fe'faz per inclilfaça6 à peífoa , e liaó fia11ç~ ,. e defconfiança ;_para o que líe'\~~:
por pfrmio da virtude; potqüe entafr excellente regra? naô p'edir feu p are- ,
_0briga a hum fô, edeiàgrada a todo cer a todo 0 corpo; fenaõ a cadà hum
. q_povo :·· e p elo confrario, quando o p orfi , nem precifamente para· hum
beneficio 'he premio do merecimen- cafo certo , fenaõ duVíidofarnente;
to , "remunetàtido o Príncipe a hum para hum cafo poffivel cóm algunia
fó,. obriga a todos, ~e folgaõ, de que circu11íl:an cia varia? que defcubra, ao
fe pren~êe a virtude; porqüe efperaó qne defcobrio o fogredo . Efinalrnente
eJle3 de poder alcaBçrir com a virtu- fe fe deve fiar à algum to·cta <1.confüI-
,, de, o _que ooútro alcançou com ella ; ta 9\ a nenhun1 confie apropria refolu-
allim que nem cq.ufa odio àjuftiça-9 çaó;mas feoPrincipe tem-porfim G
:, " t. pu-
PALESTRAI. LIÇA~!.[ V:I. SOBRR'A PRUDRNCIA REGNATIVA: 27
publico, bem , e elege confelheiros ,/ gis prtemi~ Junt ,. Jed b.eatititdo , & Cü-
conforme ao feu fim, todosJ o,.s .? onfe- ron~ glor~tte ,. 9uas Deus. prt.epariavit .
lheiros , ainda que hl1Jll.,~a o iama do boms R egibus in tf:ternum; tpfe enin:i efl ,
outro ? fe acharàó cónc·Qrdes , como qu.i dat f alutem Regibits , & fa lus 'ejzts
diverfo s inftrumentos arn)onicos con- in .eternUJn qrit : nil terrenum j iifjtci-
eordaó entre fi , fe todo~ concordaó ens efl prtemiu1n boni Pr incipís, nec eti.:.
com D baixo principal. Todas eftas re- am ·' i1t ait Auguflinus , cbriflianos Prin-
gras daPrudencia política fe reduzem cipes , quia diutizts iniperaritnt , vel
a efta .fó, que o povo obedeça ás leys Imperatores filias morte plaçidâ reli~ 1

do Pr.incipe , e o Príncipe obedeça _ás querunt , · v_el hofles. R eipublicce dimi-


leys naturais, e Divinas; porque íu- n_uerunt , vel cives adverfits fe infu.r-'
pofto que o.Principe .abfoluto he fu- gentes, &. ~àvere, & opprimere potu~
perior ás leys publicas ; e ás leys po- erunt, felice.s eo.s dicimus ; fed , ji juf
'liticas de feus antepaífados, naó o he te imperante , ft ·matunt cupiditatibus ;
qas leys Divinas, e das Naturais. .quqm .gentibus imperare , fi om.nia f aci-
.' . Efta 'foi o primeiro princ1pio dos unt ~on propter ordinem inanis glo-
Principes, e Rey s; eíl:e he o .felll of- rite , Jed propter c}2aritatem · f t.elicita-
ficio , efta he a füa excellencia., e ef- tis :Ctern,.e , · tales Impera.totes " cbrifli-
t~ deve fer a noffa veneraçaô; porem çmos' fetices çlidinus , interim fpe , pof-
·nem a oonra, nem a gloria, nem as ri- t'eà re ipfa faturas ·, cum id, qtt,bt/. expe-
qnezas , nem os defejos , diz Santo ftamus -, ·advenerit. ,
Thom.as no livro .1. do Govern·o do Prin- , ; As vi~'.tU~es, , que 0:aó .de ter .-os
cipe , faó os premi os de ~um b01wRey; Reys , ~ e Principes , naõ correm ·po1•.
mas a bemaventnrança, coroa da glo- noi~a ê_o nta,; porque he empreza , que
ria, qu.e Deos tem aparelhada por to- pede mais generofa Aguia para exami-.
4a a Eternidade para os Reys Juftos, e nar · rayo a rayo , na vffinhança das
yü-tuofos. Effe he, o que dá faude aos Mageftades , .em que tem remontado
Reys, he fua faude, e falvaçaó eter- tantas, que fora atrevimento, oque-
;na: nada da terra he fufficiente Pre- rer imitallas,mas__ tú as poderà:S colher,
mio Q.~hmn: Principe bom ;nem , co100 das que te referimos, devem ter ,os _
diz Santo, Agoftinho , podemos cha- Miniftros ; porque tod~s ellas dev ~m.
mar f~lices . aos Principes Chriftáos, · te1-----com excellencia ~odos ·; o que a
queviveraó,emandaraófa1:gosannos; todos hefuperior, e reflexo daDivi- .
nem, os que deixá1:aó em paz feus fi- n_a ,. e fuprema :J?otencia ; pgrque .de
lhosno imperio;nem,osqueacabàraó, ve fer primeiro ornado da virtude, o ~
oudimt_nuiraóos inimigos dqJeuRey- que he primeiro _no imper~o, naó fó ,l.

no ,nem os que reprimiraó , e caíhgá- de fi , e dos feus.-, mas de todos os


1 raó vafiallos rebeldes ; mas- à quelles , . quegovernaó, como efcreveo Philo
l) que governàraó jufta , e fantamente; a Alcibíades : . Virtute prius ornatus
· ~ raqs que · fujeitàraó mais aos feuiS màos ipfe debet ~[[e , qiticitmqite ·, n011 fibi '
)' d~fr;jos , e appetítes, que às gentes ; tantum, ac jjifs..., J_ed. R eipublict.e etiam ,
ao.s _que tudo obraraó obrigados fó- & bis , qut.e ad eam jpeftant , zmpera-
mente dos impulfos da felicidade e- ·turns efl : porque qqem necefiita de
ten1<_a ,e'naó levados pela redea da vai- maior prudencia , que aquelle; que·
d~~ Ei -; evanglo1•ia ,defteMundo ; por- maiores co.).1fas determina.? quem de
que a eD:ss tais Principes Chriftáos fó mais fingellá juftiça, que o que fobre
1

P?d~mos chamar ditofos, e felices na ~sleys he maiür? que1n de maio'r ani-


efperanç_a em vida·, e na realidade na mo ; e fortaleza , que aquelle , qtle
, morte ·: Nec honor, nec Mundi gloria , tuçlf!) guarda·à força, e valentia ?'quem
.. nec divJt{,te , . nec volitptates prob.i f!..e- . de maior t~mperan'ça , que. aquelle, a
·· · . Di j [quem
.,g . GUERREIRO, ~SCQLA .M ORAL, .&e. · .
g_l.1 ~m tudo he licito ·; quépi f~ deve fencajxad~ dos e~xos 4_a raz~ó. , vôa
v'éftir e ornar mais com ·a excellênte nas :aza·s ao engano, e da mahcrn; em
b·ánad~s virtudes todas ; que· aquell~, feu p-rincipio ,_e nafciménto·naõ p odia '
qüe qe todos ~e ,~fpelho; qu~m fin?l- fair de feu primeiro;ninl10. ·: ~os . b ~'.a­
m~nteha-de refpiadecetµi~ns emto~as ços da culpa . de noffo primeiro Pay
~is' opras , que ãqtiélle ., cpjas obras fe- :µafoeo e,t diicordia , entre fens filhos
~~ ó podem·efconder m~is~ , que c~mo continuada defde oprincipiQ do Il1llll-
{ume doSol ; qüG \ tµdo r,e~é~r.a ·: d;iíf~ do até a prefente hora , ~ co·m o ·nos
~ boéa de oufr9 , S. Joaõ Ch1~yfQftimo feus princípios nafceo mais v)got0za,
iià oraç.aó t~rceira· do Reyno.·; CZfi mai- yi,raó os primeiros homens., que, fen-
óre opus efl ·prudenti~ , quà!'J e~, qiti. de do tudo deforden~do pelas inaós àa•.
. i~bus max'imis deliber_aç , cui ·fincer_io- difcQrdfa , corria tudo à fua ult,i má
ri jufl.itiâ , . quàpi, ei_ , . quj .Jeg fbt1s. efl\ r~lil(-a,. Grito:1t1 a neceffidade .por teme.,._
foJe maior , ci'ii m('t ipri arúr~io ; qt/;~'lft . c;l~o ., e àcudindo 0$ prin~it©S homens
êi, cujus omnia' vi~1k~s fer'l?f!-.fl:tur , _c.u.i 1 aotribunald.arazaõ; uni~aappellaçaó,
ãbftinÚiii,â ., &. jopii~tate n~'a_ioriê; · quàm: q efcapou-do déftroço M.o lah1e~ta:yel ,
e~ ; ' cúi ·ô1iinia, tic.~nt , . qu,e~z 111:agis 0,ble-:- . naiifl;'lgio, qu_e ·pqr. fpa, -e noffa- dif"". -
E!are r]e~rnt . v.~rtut~s . ex_er_ci~ia .' quàn~ . graça , ~ad~ceraô- ·n.oíf~s . primf iros-.
eu1r}' , qui omnes hom~nrq ar:i1fftfui jpefita- l}ay.s ; a pedir:.'.'lhe. remed10 , ·pai~a que·
toles ha.b.et , ac ·tefles , &~ cujus ~gefla . foffem me11os os eíl:ragos , já que n~ó ·.
1iihíl'o 1n'agif .jdtére 'PRf!urit Cif;cumli,tf~ er~ poffiv;el lograrem , a · bemaventü-:4
tr,mitis felis lzun.en. . · . . ra~çá da primeira, graça ;· doid~ ·_â ta:- ·
." . Cbncluit?Çs·., qu.e a inp~ed~e_ncia . z,a 9 , .e laftimada das mif~rias ; qú,e'·..
qe.nofi;os primeiros Pays·.no,s obpgo1;L . p.qdecia o homem., efquecendo-fe do .
a~õufcãr ,a. rl.o[a )iber~~de rio noffo Cq;- aggravo ; que lhe tinha feito no ·d·efá~ :
t iveiro ; e de qu_e deft~ h,e m,~ij1or · o caro; com, que em feu défprefo com. _
de hum ., que o de muitos, e qt~~ .os - meteo a primeira culpa, fe refolveo a: ·
~~ys, fe di,r i vaõ de go V..êrnai~em' e.' re- . ~cytd~r à neceffidade ; fem -~·epai·ar na . ,
geJ,·em, bem , . e que füa at}t.o pqade ·, e . lllJUria. ; · · .~ · . ··
p9derfeav~zin~~ là muit.~ com a pi vi-:- Dit?u ~ohomem a ra~aõ as virtu..: · .
na; e que,. por eíl:a razao, lhe deve- ~ des, baixe1s ,_em que podia falvar-fe, e ·
nios.nos a elles veneraÇaó, e obed,ien-:: chegar ao porto da gloria, para -que :
ci!l _,~ como a primei~·os Miniíl:rps de Afqra creado , e efcapar do mar defte
D,eos, em.aterra, e elles a Deos , a fi, . mundo, em que ficou pela q1lpa ; e
e à ,nÇs o f eren~ tgualmente primeir.os ent_re ellas lhe ditou em.primeiro lugar
no governo ., e na virtude ·; pois ·efta _a virtude da Prudencia Política que '
deve' ter em fuperior. grào, O·q\W a enfina, como os honiens devemviver
tqdDs he·fuperior, éomo·mais la,rga... eip cornmunidade com prudencia, com ·
m~nte veràs naf~gunda p~rte, na liçaó juftiça ·, com fortaleza, com temperan- )
do Exemplo. · . · _ · ça , ajudada das outras virtudes ; que, ,
como fuas · partes _, lhe affiftem · ;
LIÇAM VIL , . abraçaraó os primeiros homens os di-'
étames da ra~aó, e viveraó por iífo 'os
$.obre , o mefmo affemip'to.
. primeiros homens mais cheios de vir-
tudes , e. alheiBs â.e vi cios , com•mais r.

H
A .chegado a malícia human.a a focego; e com maior defcanco. · ,
taó extremo gr~o na maldade, _Cbrreraõ os t empos , e í~mpre os.
e,~em trocidotanto a natureza homens fo:r aô ·de mal para peor , e ate ~
. 1 . das coufas afim t aó contrarfo, que ' ch~garaõ ' efq1~ecidos das vil~tu- .
ao que as d~·igio a razaó, que, de- des, aentregare1n-fe todos.aos vicios ,-
e d?

f
(J
PALESTRA L LtÇAfyI V!. S.QBRE .,A PRUDE.NCIA -RRGNATIVA. -~9
· ,ê :de tal -modo, aduítéraó as virtudes ; , ~ Ya pruciente , difcreto, yingeniozó,
que, fendo aPrudencia política vir-· Y a ignorant€, portervo y obfii...
rude perfeitiffima, quando 1iafcida· da . nadü: ;
razaó, he. hoje-·a política maneada pe- Y a ht.Hnilde, compaffivo, .y piedozo,
·la inaJicia; vicio taó feyo ; que fôa n11s Y. a .fobeTvio , cruel, defapiedadõ
orelhas de todos hum t:ompofto de to~ Y a catholico , fiel, ya Atl)_eifta,
dos os v.icios, monftto formidavel ao -Teniendo chünérafolo d·e Effadifta.
yalor rnais nobre, e vale o mefmo cha""
.. mar hoje a hum homem po~itíco, q_t~e Nafce e.:íl:a deforttridade·dos tempos da
nomeallo fem mais Deos , q~w a iua defo1:~idaJ'.e,_ dos coftLlmes ; porem
conveniencia , fem mais rázaõ , que eftas , d1ff~renças de maxirnas, de que
e feu intereífe ; -por que ·naõ cuida ó·' os Politieo~- de hoje , entre as muitas
os que hoje o mundo appellida ípoli- leys, qne. eftabeleC€raó, e ent1•é rimi...
ticos , mais que em fazerem o fell .ne~ tas maüma~~ , que fundara ó, pó em por
gocio , . encontte 011 uaó e~contre pdmerra , Gprincipal, a de viverem ,
as leys Divinas , ou humánas.; romp.a , e. a commocilarem-fe com a fórma , e
ou naó, os di&ames da razaó ; corte; modo de viver de Carlos Molinêo ,
ou naó ,; pelás virtúdes , fendo huns J oaó Bodinb. , Filtppe Plo~io , M<Jc..
Prothêos deval'ias cores,já parecendo roneo, Tfüerio, ·cezàr, ·Nicóláo Ma--
nobres, e virtüozos, já infames, trai,,. e·havello, Ulliífes., e outrós 1nuitos·~
àores , e defalmaqos., já engenhofos , que fem ~zelo ,- nmn: mect·o âlgtun , fe
jidifcreios~já'ignorãtes,já obftinados, aflieverao aqueb1~antar a ley de Deos.,
já portervos: , -já ·humildes, compaffi_""' e fe atrojátaó .a Regallo , fendo feti
VDS, já piedofos, c:omo bem os de.ei- princip~l juramento . B:m cret, qlte há
frou Cofme Gomes : . r D~os 1em a obfe1~vància da ReHgiaó ,
r • em a guarda dá juíHça ·, ou pelo con-
M;onftro àl valor mas noble, formida'.-;. trarío emrefolverem-fe aqualqner:fei--
_. · ble·, to fómente at:tenderem áos intereífe·s
'"· Parecio 'de eftadiíl:as lachiméra, da vida•, e b~m do eftado ;-e por feguri-
. No Prothêo en lo.vario ,,ylo muda.:. da em ferem, efcravos do tem:f)o, e
ble, _ naó fenQ.OJ.Jes., fimulartdo, e diffimu~ ·
·Que és fufo1·ma mudable mas., yfie., lando el~4 a oecafiaó, a .eomodando os
· ra ·: - cofhm1es1 ao tempo, e n·a ó, o-tempó
La·deftc fiempre f e corrom,P'e inft'able, aos coft-11.mes; e por te:r·ceira tendo por
, 'Aquella fiempre una; perfevera.; politico ~, ,e fabio documento, o fervili'
Y fiempre otra , y tantas , que en fi aó tempo, para que todo o tempo lhe .
. .àbrafa ' · . ·- . I.: flrva' CQ1Il0· CalltOU hum defteS ffial.:_
. ~ Las q un efpejo en populoza plaça : vados p&liticos ., e enganádc>i-es dÓ
\ Ja parecia noble, ya v:ü·tuozo, · mundo, Joaõ de Ovem: ··.
, ,Infame ya, traidor, y dezalm~do,
.'
Dijfirnulàt , fimula~, quoties occafio pofcit;
· Móribus ·itt morern, temporibitfqt:Ce g6rat;
Temporib1tfque rite. fapit jervíre, memento
Omnibus , ut tempus ferviat omne f.ibi.

Oh,malvado,s enganadores do genero vos atreveis contra o verdàdeito a.


humano ! oh. .Politicos do tefnp9 , que mover-lhe guerra, e aquerer--lh:e tirar
mais defpenhadôs ·, que Salmonêo , e qa maó Ds infirument0s de fua .julh-
Phae~onte cQntra os faijos Deofes., ~a , em fenh0re9r=vos tambem do go-
..... ""
'
verno ·
1
30 GUERREIRO, ESCOLA MORAL·,, &e: - · . .
verno dos Ceos. Dizeis, que , na con- tantos exemplos ?quantos achamos a. .
f ervaçaó , e augmento do Imperio fe cada paíf~ nas hift~ria~, de gu~ ~e1~cís
ha-de fazer mais cafo da inüuftria , e alguns a diante na llçao da Rehgiao ;
cuidado humano, que das infpiraç~- mas a que tem por funda ment.o ~s­
ens e diteccoens Divinas; logo lou- virtudes , a qüe fegue, e abraça os d1-
. cain'ente nos.diffe, e aconfelhou aquel- &ames Divinos; a que, à imitaçaó
le Rey fapientiffimo, ou andou nefcia da Política. do C~~ , ithita , e orde-
a fabidoria de Deos , quando , por na o governo Político em ordem ao
lfocca dg Saiamaó no cap . 8. dos Pro.: bem publico.
verbios., nos diffe, que o cornelho , · He pois a verdadeira politica, de
juftiçq , pru~encia, e for taleza, fam .que t~·at~mos, huma orde1:i vittuofa,
· :poffeífoe1;is fome~te füas, e que por q1~e difpoem.asco·ufas publicas de ma_,
iuas ordens reinao os Rey s, por m as ne1ra, que vivendo osmoradores dos·
influencias acerta ó os legifladores em póvos virtuofamente, permaneçaõ na
fuas leys, por fua difpofiçaó g'ov er- obediencia, e fujeiçaó fegundo Arifr
naõ os Monarc0s, ·e pox fuas demonf- toteles lib. 3. dqs Políticas : Politica
trac.oen~ _naó fe apartaó los píedofos eft ardo 1 quidam incolentium czv1ta-
da ]uftiça : Meum eft ca.nfttiitm , & tem, . in dominatione ? & fubjeCti.one
tequitas ; mea efl pritdentia ; mea for- conftftens : h~ huma Arquitetura de
tititdo , per 1ne R eges r egrtant , &. le- todas as Artes Mecanicas, e das dóu-
gum conditores jufla decer.nunt. Tain- trinas -Morais : Pr;litica eft Arch.ito-
,bem feraó futeis ; e de pouco rrío- tonica omriittm artium Mechanica:w
mento , aquelles oraculos ; tomados rum , & doctrina'1"um Maralium·; diífe·
.da bocca de Deos , r~feridos , no cap. Alberto Magno : he huma éom_mna
.1 o. do Ecctef. e no cap. 2. dos~Reys ; razaó da vida eftabelecida entre mui-
que_dizem, q ~ie da n:iaó de Deos de- tos homens, e huma commua ordem ;
·pende o poder, e fenhorio da terra, mi qual ; como em corpo bem c01ji-'
.e de fua vontade , .e prQvidencia pro- pofl:o, fe efpera felicidade· em cada
cede o dar-lhe governador; que -argo- hmna das· partes, éfcreveo Boecio ·na
vérne com..acerto, e utilidade de feus liv. I. da Repitblira : .Sc1mus Politi-
inoradores; qu~ ·os Scep;tro~, e ' os cam nil aliud ejje , q,ztâm inter multas
Reynos , deixa ó a os feus a.n t~s pof- homines communem quandam vit(f3 ra-
fuidores ,. e fe pafiàó aos, eitranhos tionepi , & ordinem , in quo totiuf-
fngindo à injuftiça dos peccqnl;o~ , en- tanqu~rn corpor~s- bene ~v.mpoftti , ftn-
gan9s d9s feus, que Deos , .e'ti.ao o.u- gula,num partnmz felzcttas expeffa~
tro , he poderofo para dar riqu ezas, . titr. ·
e t irallas , para derrubar a hum fober- Efta he a verdadeira Política, e
bo, dar amaó, e levantar a ,hum ca- overdadeir0 Politico:heaquelle,que .
hido; ·que f~b~ ajudar c.ow magnifi- ajuftando . as direcçoens do gàver~ J
cencia a hum neceffitado , e tirallo Político da terra aos di&ames da Poli...;
do feyo da miferia , e levantallo ao tica do Ceo , donde teye fÍla Origem
trono da Mageftade.: ,, ·. ;;,_ \ a Política humanà, eomo diífe hum
Naó he efta a-Política, qlíe ditou douto : Politi.cte focietas Origenem
á razaó a noifos primeiros ~ays 5 nem trahit à Deo , ordena , e difpôem as
h e efta a que no~ enfin.a ó as letras confas por tal ordem, fem qqe a con-
Divinas, e humanas , nem he efta a fuzaó embarace o bom governo, fem
que t em abraça.d o ·a E;xperiençia, nem que a anibiçaó o diftrua·, fem - quei1a
he efta, a que conferva os Reynos, as conveniécia , ouintereffe o disbarate;
Rerpublicas ~ e os Imperios , mas . a fem qu~ o refpE{ito o . pertm~be , logre
, . que os deft-róe , }fomo teftemunhaó a repljblica ~ o Reyuo ~ e o+Jmpetio
· ·· . geral .
PALESTRA.!. LIÇAM vn: SOBRE o MESMO ASSU1\1PTO. ~í
geral felicidade; .unico alvo? a ~uem c~jus faluti ·confl.tlit , d~[{e -Tuliq , e n_ó
encaminha fens tiros a Prudencia Po- üvro r. dos qfficw s d1z: Ut leges omni-
litica : Finis verà 'reftte Politicce feli- um falutem fingulormn .Jatuti ánt-epo-
_citas eft, narn imicuique . privatim , t/:r nunt, fie vir bonus, & fapietts, & le-
public e , tJ-: . omnibus .finis qu.idanz eft, ~ibus par~n.s , . & c~jufvis o_fficii non
quem confpictentes alia pe11equ1ztur , ig~arits t·tt?l~tati 01~mim~ plus , quam
(!.lia fugiu11t. · ~niu.1 fatut1 confulzt. ·Que coufa he
Na~ pod~rá confeguir efte fim o fl republica, o Imperio , o Reyno mais
PoHtico , a quem naó pefar mais a q-.e huma náo, em que vivemos elll.-
conveniencia publica, que a pa1~ticu- barcados os habitadores delle, pois
lar; porque a-ffim como naó h;_e de bom que homem haverà taõ fatuo , que,
piloto o efcapar m:üs de tempeftade, fo Vir que a náo neeeffita de trabalho
que livra,r a náo do naufragio_; affim para chegar ao defejado porto, furte
naõ he de bom Político adiantar mais o cqrpo ao trabalho, as mãos ao te-
feus particulares intereífes, que os cõ- mo, ante.p ondo a commua conveni-
muns dfffe .Cicero : Ut contemnendus enc-ia ao intereífe do feu defcanço ,
efl , qiti naitfragando fe. magis , quJtm ,que naó feja o primeiro~ qüe arroje
navem vult incolum_en 1) ita vituper'- .ao mar os feus cabedais, fe entender
andus efl , qui in reipublicce difcrimitz.e .que para fe falvar a náo, neceffita de
fitte plus , quani comfnuni· faluti confu- defcarregada ? Rempublicam ( efcre._,_
lit : e:onvem _, diz, Plínio no livro 7. .ve Patricio no liv. 5. ) quafi navem ex-
de fuas cartas , antepôr as,con venien- iflimare debemus , qute omnibus mani- .
cias publicas às particulares , affim bus , officioque indiget , ac pro virili
como as Eternas às temporais : Opor- quifqi~e niti debet non · modó ne everta~
t~t pr.ivatis_ utilita_tibus publicas, nzor- tur , fed in portum tutffimmn fe 1reci_.
talibus ceternas (!.nteferre : _ maxima , piat ; itaque cives o1nnes efficere de_.
que aífcnta por taõ principal S. 'Joaõ bent , ut fingulorum confilio ; operá ,
ChrifoJlomo nac ~OJlJ.ilía 79 ... que clíega opibus , diligentiâ , & induflriâ Rem-
.a dizel'' que np.ó _ha . coura mais agra- publicam ácijuvent ' ut non fervetur mo-,
dayel a Di;OS, que ordenar hum h_o - do , fed indies f teticiter a·ugeatur.
mem toda a vida ao proveito com- Que importa, que cada hum de nós
mum : Nulla res Deo gratior eft, quam feja feliz, fe o Reyno vay caminhaí1-
itt u.nive1 .fam vitam ad communem com- do à fua ruina ; porque , deftruida
11

modum con.feras; e na homilía 25. na pri- a poífe deftróe o mefmo feliz , ·e con-
meira carta: , que efcreveo S. Paulo tinuando ditofa, até o mal afotttma-
ttos corinthios, diz , que efta he are- do nella fe conferva; ego. exiftimo )me-
gra da perfaita religiaõ chriftáft, efte liits agi cum civibits privatim ; fi to-
o t~rmo mais certo , e a maior altura -ta civitas fortunata fit , quàm fi -per
bufcar aquellas coufas, que compre- fingutos cives felix fit , pubtice verà
rendaõ a utilidade commna : hcec pe1·- la_b~fàftetur. Parecer foi de Tito
fefta chrifliame religionis regula efl ·, Livio , que quando o bem publico,
hic certijjimus . terminus , .hoc fummum e:íl:á frguro, vive o particular izento
cacúmen quterere , quod c01nmunem om- de perigo : ·Refpublica incolumis .rem
niimz compr.ehendat utilitatenz. privatmn Jervat ;. e pelo contrario ·,
As íey s antepôem a fa ude de mui- diz Q}tinto Curfia ; quando o bem
tos à de hum f ó ; o bom Político , e commum padece damno , qualquer
. fabio , como as leys , deve cuidar particular experimenta a perda : ln
mais _9.a utfüdade conimua , que do in- comuni calamitate Juam · quifque habet
ten~fie , proprio : Vir bonus & fapiens fortzmam.
plus ittilitati omnium , quam unius ali- Nem menos logrará felicidade are-
. publica ,
3~ 1 - ' GURRREIR.o ; .ESCOLA ~OR~L' &e. ,.
public~ , Reyrto , ou Impeno , em fio Ilalic. t~b. 6. .
qnenaóouvercabeça,queogoverne, He a Republtca, Reyno, e Im~
mãos; que o defendaó , pés que o fir- perio huma familia gra11de, e como
vaó: he aRepublica,Reyno,eJmperio a familia para confervaçaó neceffita
hum corpo, cuja cabeça he o Rey; cu_:- de· Pay de familias, qu~ a govetne,
jos braços he .a nobreza, cujos pés fao de Il}ulher par~ a geraçao, que a per-
o povo, em o qual corpo deve fazer o petue-, de filhos, que a -herdem, de ·
officio d'alma a razaó, deRey o enten- parentes,que a ajudem, de amigos, que
dimento, de beneficio, e caftigo a me- a defendaó , de criados , que a fir-
moria, de1uftiça a vontade, de ouvir a vaó, de fazenda, que a conferve., de
neceffidade,deverareligiaó,easleys, mandados' que fe obfervem ; affim
·de goftar a abftinencia e t emperança, neceffita o Reyno; Imperio , e Re..;
de apalpar a prudencia; de língua as publica de Rey que ~ governe, de·
obras,debarbaavergonha,dedenteso Rainha que lhe dê . filhos, de filhos
filencio, de beiços a verdade, de bra~ que lhe fuccedaó, de parentes que o
ços as letras ,e armas, degro-ffura a ri- defendaô, de amigos que o gunrdem,
queza , d~ proporçaó acircunfpe.cçaó, de ·criados que o firvaó, de tributos
de ornamento a nobreza, de pés o que o ajudem, de leys que o confer-
povo , de forças a fortaleza , de fan..:. veni. _
gne o dinheiro , de nervos os folda- Em difpôr bem , e ordenar eftas
dos , de oifos ó centbrio : Refpublica coufas de maneira, que todas fe con-
quod ammodo bttmano corpori .firnitis fervem , acodindcf cada hum ao feu
videtttr ; utrumque enim eft compoji- officio com toda a confonancia de vir-
titm , & conjlat ex multis partibits , tudes , confifte a verdadeira Política ;
quarum jingulte nec eandem vim ha- Prudencia, felicidade, e perpetuidade
bent -, nec ufus pares exhibent : Dioni- de huma Monarchia. · ' ·

Rex bonus , atque idem eft fortis be~lator in armis :


-Qjti refte facit, non qui dominatur, erit Rex.
LIÇAM VIII. pe , é Tiranno ha fó efta differença ,
que o Tiranno Reyna por fua utili- ·
Da Prudencia Civil. dade, e o Príncipe Reyna por utili-
dade dos vaifallos ; e defta verd;:ide
rA
· Prudencia Politica re~peita fundamental diriva a Prudencia poli.:.
ao bem publíco, porque _af- tica todas asregras·deReynar,porqne
firn como o fim de cada in- todas fe dirigem ao bem publico : he '
dividuo, como individuo, he pois a primeira regra , que as ley~ fe"'
o bem proprio;affim o fim doPrincipe, jaõ uteis ao publico, e bem obferv -
como Principe ~ he o bem publico. Ti- das. As leys faó hum vinculo<lasRei-
berio, havendo fuccedido à Id!êa dos publicas ; porque átaó tqdos os pó-
Príncipes, fez efta proteftaçaó no .Se. . vos em hum corpo fó ; pelo que tan-
nado : Eu fempre diife , e hoje tam- tas Refpublicas ha di:ffe1•entes , qua~­
bem declaro , que o bom Principe de- tas ley.s ha differentes : toda a ley he
ve fervir a todos em geral , e a cada naturalmente odiofa pela prizaó da
hum em particular; verdade, que con- obediencia, e todo o Principado na- .
feífou fendo Principe, e olvidou, fen- turalméte molefto pelo poder de man-
do tiranno : affim a Juihça como a dar ; a utiHdade do povo tira~ o que
Politca faó virtudes 1;elativas ao bem ha de odiofo em a ley , e de molefio
de outros , e por iifo entre o Princi- em o Principado , porque cada hum
.· · - . - jul-
1 /
l?ALESTR_A.L LIÇAMVIIL SDBRE APRÜDENCíA CIVIL. 3~
julga. felíz a précifaó , e fuave o Im- aliam . caufam ~o,mano1~u:n impeiiâ
pcrio ; quando _efte re~Lmda _em pro_, crffi..ffe ; qu.à;n _quza Rehg1omm cotr;-·
veit o do que obedece, e nao do que rem. Del.Key Fernando , o Catholi-~
manda. . __ . · <i:O, fe ~fcreve, que dizia, que eftava
Duas utilidades refultaó aos pó-1·, :firrn.em~nta perfüachdo , que a Reli:--
vos . da 1ey ; feguridade de bens , e. giaõ Cathohca era o fundamentô ,
bondade de coftumes : todos amaÓ' na(> fó de feus Reyn.os , e eftadds , fe~
fous bens'· ~ amaó a quem tiros con- naó de t odos os Reynos , e Imperios
ferva; epot iífo. os p9vo&, ainda que do mundo, e qu~ aquelles lhe feriaó
livres ' fujeitàraó ruas vontades aos nrnis a~eitos', que mais re efmeraffcm
mais pode:rofos , para que com. a fo'r"' · em fua defeza, e a ugmento. Em aley
ça os defendem~m da força : más d{t_ Divi11a .he o primeiro preeeito o C,:ul-
pouco p1~oveit_o . fervia ao defendid9- to ~ivino ;.em á ley dos Gregos a pri.:;
eftar feguro dos o~enfol"es ~ fe o nao men•a l~y ·manda o Culto Divfüo ; em
eíh veífe do deffenior ; e com tudo he . a krt de Rómulo faó as primeiras pr...:.'
aerto, qu~ fem a fubftancia do); p&vos, . láv:r:as_: adora') aos De.ofes: dond~ infe-·
naó -pódem fubfiftir os Principados ; . rio Políbio , o . mayor politico dos
como nem o .Oceâno fem aguàs dos Gentios, que o Imperio Romano foi
rios , ,ql1e .elle conferva : quem diz o mais pocferofo de ·todos , porque
fübdito, diz tributo, _e Judo ·natu_ral""' os Romanos foraõ os mais religiofos
mente dóe, C0IBO C-Qrtar Cql'lle Viva· de todos ! tanto .aproveitou aquella
de hum corpo humano ; mas affim imperf@ita luz de piedade no gentilif...:
como o enfermo gofta co11_1 a fua doi- , mo de trévas cheyo ,.para que apren..:;
quando aqnelle pouco, que-fe corta; deffem aqu~lles ,,que fo[em -mais alu_;,
conferva ocotp6_; a.ffim o tribut.o for"", miados ,de.Deos : o fubdito, que ama
çofo fe faz volLmtario.; quanélcr· re vê . a :Qe_o,s , .ama ao Príncipe. ;· porque
empregado em ·ptíblico b~n~JiciO de__ affim como o reynar _h e huma obi·a
paz, ou de,guei~ra. O modo 1uav~ de . l)iyina c01:nn1unica_c}a a hlim mortal,
Q tirar o faz 'tambem fua v_ e: Perlcles., como lh€ chama Seneca ; e ao Prin-"
qtJando queda tirm· dos 4thenfenfes cipe, Vigai~io· de Deos ; e Plataõ ,
a)guma nova con~ribuiçaó ' .0S al ~gra:.. . Deos humano ' ç:orifeguintementé- ;
va ,~ntes com,publ_icQs qanquet~s , e· quep1 _defprez~ a Deos ; àefpreza . ao
feitas magntfiaas, e com b ·calor das J;lrincipe ; porque, quem. naõ_teme
:alegrias Jazia füa propofta. ·à marteir~r- QS-rayos ~ qüe faó Sceptros do -Rey
do b.arbeiro geftro , que eft_e nden_d o dos eéos ,_11fuito menos ten;ierà os Soe..:
com füavidade a, maó pelo braço o ptros , que faó rayos d.o Rey da ter""
fere com a lanceta,__ e_. lhe tü~a : o fan~ r~_ , e fem d1fvida :algumà ; o qne ht:J
~ gue. · . _ _ . . r.éo .da ~1ageftàde Divina ; Je.fará réo
, IP A outra utilidade das 1eys he fa ...._ da M.i!geftade humana! . ,
ze1• os pó vos, vittuofos; porqlie_~ v~r_, . Politico.s ha , que aconfoll).aô ,que
tüde lhes .abranda .os animos , e os faz_ faça ó mate.rias d~ ~ftado da Religiaó
<i>bfequrofos à feü Senhor ,. e princi... os Principes ; efta he peftilent:e ·dou. .
paln1ente inclin~dós à Religiaó; p1'in-' trina , abomn·rnvel, . e céga : naó ha
cipio, e fim de todas as vir~udes '; (} cafteUo, nem muralha, qn~ mai& me-
por iifo todos os legisladores começaó. do ponha aos inimigos; que .â Jufti-- .
por ella em,.o direito -civil: Dos Rü-'· ça; e R~ligiaó ,· lev~ntqc}~:§ :f mayot
manos r~fer~ Tullio; .q ue as armas ; alt8Zçi1 _Zomq.a $aó~ Leaó'..'do3_Roma-
com que c~nquift_araõ · ; e venoera~. o n~?, por9H~ adnüttiaó a~ R\~g~oé}'\S
mundo nao forao outr~s ,_ ie nao â das :?rovmc1~s , qu~ conqtriftavao ;
R.eligiaó ; e Piedade ; Orbeni· non ob com que a ,(;idade f enhora do JJl.~111-
. · , · É do
34 . GUERREiità' :EscôtA· MORAL·, &ê.
tio fe veyo a fazer efcrava dos erros da, e o Reyho; faz-fo Anafiacib do·
· 'delle. A gentilidade fo entra com bando dos Acéphalos, e naó quiz re-
olhos vendados em a Religiaó ; ce- conhecer fou peccado , àinda quando
, gueira, que naó pôde caber; fenaó o.cafH_gava De~s. ~s Búlga~·os, ~ Sar-
""€ln quem adota Deofes de pedra ; racen~s âeft:rmra~_; . e arrumarao feu
diz S. Maximó ; bem ; que 'alguns Imperrn, e hum rayo tomou a devida
Gon10 Tiberio, e.Adriahb prohibiraó vil)gança; Heraclio, e Conftante , fe
as Religioens efirangeiras com defejo fizeraó a p::trte cotn bs-~1onotalifta$, e
cle confervai~ ª.propria ; ·p?i·ém, os entre arn bos, fora ó .m.ortos defgrãça-
1
que com o claro lume da Fe , pode"'" damente, havend?:...fe.apoderado ge1~.:::.
i·aó defi~nar a cegueira deftes enga- t,e barbara; de 11~0 pequena parte de
nos, b~m . entenderaó, qüe a Pieda- feu Imperio. Negoü Jufiinianó o
de , g R~ligiaó faõ os .fundamentos inbifo as leys ~ · e immuniqades das
mais folitlos ·' fobre os quais Q Ptii1... Igrejas, e lo'go vio vifivelmente as ca.z
cipe Chriftaó deve fundat b feu Iin-:- larnidad~s· , q~1e lhe acarretàVa fua de-
peri'o, e efperar o àugme:nto delle: af::.. zatençao com aperda dbs feus, fendo
fim o. entendeo S. CyrÍUo , que ef- privado db Impei'.iQ, e depois de lhe
crevehdo ao lmper~dor Theodofio , fei·em cortados os i1arizes, deftenado
'lhe.diz, que a piedade para com Deos de fua Pàtriá,e privado da vida. Felip~
he o fundamento para feus. reais aug,. pe Bordones, Leaó Jzàlicq , Conf-- ·
mentas., -e que ' os Prin<Hpes pios; é tái1tino, Leàó ~ Armenô , Theóphi-
Religiofos , vencem feni trabalho , e lo, e outros Imperadó1'es inténtáraó
prevale_c em contra feus ·amigos: Glo-' deftruir a Religiaõ , e todos foraó 1

r.iofam in Deutfi pietatem regiis hono..: deftr'iüdos ;· e cada hu_m delles. pagou
r.ibus fundamentum; ~ffe, & Principes,. com feveras penas a impiedade, qüe
pietatis cultores, .fine labõre vincere ; & havia tido em qJ.1eré1' deftruilla. Fize-
adverfariis prte,valere, . . raó-fe furdos os Jndêos' à,.s vozes ., que
. Fatal nüna ameaça peos pelo feu lhe dava Chrifio NGífo Senh01·, e da-
prophéta Ifalás no capit. r 6. àos Prin- vaó por razaó de feu dezaforo, que
cipes, .e ao~ Reynos, em qüe. faltar fenaó ácabavaó com elle ;· -\rfriaó os
b cúlto da Religiaó; gens, & regnúm, · Romanos, e lhe tirarlaó o Reyno ;
quod nrJn Jervaverit tibi, pi_!ibit ~ - fen- betn fe vio éntaó, e hoje . yêm com
tença , que vimos executada ein os feus 'olllbs b e:ffeito ,, qtte lhes acarre-
Nétos, . Domiciânos , Heliogábalos -J toü füa dánnada tençaó, àndaildo def-
Màximinos , Diocleciânos , Licinios, · terra dos, fugídos, e aborrecidos, por-
Juliânos, dós quaes a hun_s lhe que- · que embebidos com o temp"oral, naõ
br~raó · :i:s _cabéÇflS t â ~mttos arra':fl:ra- tiveraó _proviàencfa do Eterno, e af-
rao por'lugares immundos, hun~ i'en-' .fim pêi'de1:aó_hum, e oütro, que ifto
derâó_asyidàsàsínãos 4efüaspropri"'' heoquefuccede, aosqüe olfüió fé às
á's. cafas ,011tros lh~s tirár'a õ feos · ,pro- tern_poralidaà.es da v'ida , fem cuida-
prios faldados; hmis- fora ó fetidos de' ú:!ín das efpiritualidades . da ' alma '
i\ayos'. ,. outros pfigáraó feu.s- peccados como diz -Santo Agofl;inho tratado 49~
eoni .igfiominiofa efcravidaó;· e todos in 'Joa1}em. Guftavo Adolfo tfranno
(para que odigamos_ ~~hmna.vez )pe- -de Suecia em tempo de Ferdin~ndo
tec·e tao às m~q~ ;de _De0s , gue_~afti..: . fegündo I~ e?furece?'. de mãneira con-
ga com fevenda~e" ,_ os qu.e íe dao pot tra a Relrgiao ca:thohca , . que perten-
. feüs·inim~gos, e defirn Religi_aô. Fez~fe deo árruinalfa, depois de talar os cam-
~ alei1te -Iµ:iperàdol'· da feita dõs Ar.:. pos ,eai'ruinar nmitas Cidades, veyo a
í~rnn~s ; deu de .inaó à verdadeira Re-'- morrer em htl!na campal batalha, em
hgiao ,._e pag0u"'"0; com perder(_a vi- que eJle, e todos es feus fotaó dego-
lados,
35
:- • • • ) • ~· : 1 i · . , · - \. ~ .', • :; . 1 ~. ": ' : ~ I

. , PALESTRAI. LIÇAJY1: VIII. SOBRE APRUDENCIA CIVIL .


tidos pêlos_ fofdados ~ do -Imperador pxofetj_;?:O.Ü S;in~o I.zidop1.A. m~is Ptü~:­
Ferdinand'o. · Valencüuio ; o rnoffd; Cip~s ha tii·adb ôSceptrb aopiniaó di- ·
enganado d,~ füa,i11ãy .Juftilia ; favore- . Verfa ., àas· E,~ligi.O~ns 1 ~. ~do qu~ as ~f-:
êed aos Ardânos . ' e logo Maximo ; ÍllaS.. : áqtü~tO~l-Í~ Befpanha ; qliaildd '
ainda que ti~;ai1nà catholico:; lhe. foy depôs ys erros_de.Arriq ,e coiV,.a ti:agi~
êm o alcance., e ft~gil~do delle ~ fe r~-, -~ª n;orte delR.~y U-y~teriço, que quiz
tirou a :Mlfaó; fabendo Theodozio d torna).· _a in,troduzillos • .. ;1 ._ -r \ •
velho , o.que fuccedia ,.efcr~veo a Va~ . -. .. , A fJ_muláçao e;m inât,~·1~s de fé _ hê
leriano , dizendo ; que ~1aó ,fe. 1nara- conttadà a. v~rqad;e '10 Evi.p.1g~~ho :
iV ilhava, dê que o Imp-erador fe. hon-:. affi~n Q p11ovm~ ~ · l?a~1l9 _na r~pr~beµ-.
_veífe fujeifado .ao meclo , e o tirannd, faó ; qu.e dét:J . a S,. I?,~drd _: fe a ~~digi~:
houveífé rrecebid?. Jort~leza; porquec.. aó ol,~a,~J?eps,e ~€ fa~r~~a.ó ~é~eftadO:.
0 Imperador. ha v1~ , pel~pdo .contra a' \la rehg.!aG_; J~ had.~ f'1:z~1~ ,ra~a,ç:> d'e ~r,
piedade ; e religiao càtholica' e o ti-' tado de onwr
,a,ped$ ;_ que liorrivel
ranno a havia defendido;• hym era d~ ~Qutrtna ,! oh; que abominav;eLdicta-
e[pantar ;que o Tirapn~ venceífe, v~f- ~11~ !.fohacle ted~t,zl.~· ~ ra~~ó.~eeft.adC? ~
tmdo.,..fe. das.armas d.a.p1edad~, ~o Im-, ~1v1!1a ; ft ·Alt1fllma P~·C?v~dencrn a,~
perador lig~thnp ouve[e f~1gido, ef- D@O?) gu~}- .~lma _ ge in1rnp~~al _ ; qu~.
tandD defp1do d~llas. , Joao ; porque. h_ade .r~~qfc:1:\ar ~ -C~EP~;· 8_1~1~ l;la mo~·te,,
idolatrdu, :foi v~ncido, e morto,pe- gt!é tud~. a~aba , que ila 0~1trà· vida·
los_Philiftêos : Ochozlas 5 feu filhó,. com cafhgo, e com preµlio ! corn que
' pel_a méfma ·ca~ufa tev~ am_efma ruil)a. yai defiruido ,!od9 . G)~\·~~·Iigell:io ; -Os
- O efpii'~to primeil'o , qu~ _infé;n"" J._,,nifterios de fé' fe c\·em por al.~thodda-
.di~:aó em .fuas leys,. os que .as ft nda~ qe, ele_De,os , e · n â~ ·p_era,:: r ázâ(».. d.q
ª
:rao, foi a· R~ligiaô , _por9-ue he .3. Q l}Ome1n ; íf affim d1~~~ P.~q II:,. que
que une os ammos . ~ais; q~u~ pec.~f- · -qualq~~r ~~Y : .9.~ '. ~e1ta_ ~ que. t~m~
;iidadç: affim fe vera em as d.({ Plata:o , forçfl e~ author1dade humana, nao f~
fq
Solon ; . Lict1rgo ;· Nnm~· ~ SJmular o fynd~ em rª?ª~, q1Jaútà mais fe co111
PriJJ.Cipe. teligiaó_; fó pq~~ éaber.em .. d_eye di~er dal~y ·ç0-_tíft~1~~ que ten~f~t~
~ . peftilencial politica-d~ Ma·chavéllf1 ·: funclam~nto em au~hori,dade Diyiha;
.em· as 1uaf~ri~$, _q~ie to.c~:ó .~ f,é ,i. t~_;- ~ S: pe'í~l)~r~d apflna ,
_que .ã, · i·flz~q
pios por obngaç~o , de Dll'e1to D_1v1:: P:?s enfü1a: ~, ct~r, o qu,~ .~: f~t;ça ~~
n.o : e ~tfi co.ntrano ,1nem a m_enQr pq- d1fcurf9 na.o pode ·~l,c~ncar ; e Santo
lavra fê hade · dar a ente.nd;er ,- _a indà Thotnas efcre~e_, q füpf5oÍl:ô f~ percáq
que por iífo fe perca avid_a,, cE)1rt9 fez da vifta . as. verdàde's ,féveladas ,, 11.~ni
Eleázarõ ,' provando fuà fé como ou.: por íífo ·fé cí·êm às êégas ~ fenaó cb1ú~.
:f
xo iio crif<;>l.,. e ~~nd~ ,qp~. t~ perca ó. o_s ~ian_de mid.a~1:é1\~ü : eft.~ ,~p;á 1~ni_ e:»~
Rey-nos, po1s nao fe qmz re1J:d.e t fehp-: ~artynos, em o c:mnfentun,~nto com.;
1

, ~ II. . a :àp~ziguar ~s fediÇqerís' dos 111111~1, em a c"Orifonancià .d6,i3 te'ítetmú:


P~izes· Baixos .,. p_o'r' naó _c6.1icede1~ . .h11o's , -é éoriffancia, àoutrií1a , .ct6· dA,
· liberdade de qónciencia ,, g pód_e .ri~a,ir· ~que'tn dizia o inefmÇ/Pio fegun.de:f; qué
ter eom ~lla inteil~os aque1h~s: ,do mini..:· áíi1dá que naõ1 ,e:ffi vç1~a . c9~n.1~i11ãdâ
.()s Jem: o exc~ffivo gafto de feus the,, com tantos·milág1~es·, bãft ãya fó fúri ho.:
zour.os , que diJfe. F.ilippe )IL. q u~. d~}> li eftidade";para' qt:ie)11·~1:ec·tt'ífé> f~i· r~c<f
de ·o priridpfo' áté O aúno de 61:6: fm~, 'bida. êfii. todd . Ô rnúli.do ~ eaci'efoé11fà~
po1:t11va cento",: e:,fef,~?,tá l~Ül:~ioe!ls ' d'é :~,.-i ,i . . u~ P,'ái..~,~x~·- ô~;~l~ ' ti.à ~a#9mn1~
ouro. A opreífaiq ~q_t~e _padeceo, .H~f~ _;rr111qaq,e , ,f~t).~n •. devi,a q1har , as rar
panhaàs'mãos dos Afric'ano~ em.tantos zoens ,com qije 1e pro"vtrva ;:,fepaó .~'
i~culosp~f~eo <;\é ha,ves~111~fo .ápafr~d9 :q:tieh~·diz.,'-cfüe' peo·s: fre'._ ~rilib'. e' Un,0 /
da· Reh~1ao os Hyfpanhoes: a-~rn . 9. que· Jie . a !~reJa ?: E:e.S:hn~o ; afü.1n,~.._ q
""- -· IJ eu
\
\
ó6 . . GUERREIRO, ESÇOLA _MORAL~ &~, . .· , .
entoôu a temperada cy;thara de Joao de Wem nos fegmntes verfos :
Nos raius d'ocet; ·elfe .lJêU?n; éogitque f ateri :
Hac ratione fides ~ft rationis opus. .
ln diCfis homini11n ; nori quis , ' conftçlero , fed quid?
Contrà, 'in Di-vinis, non rogo qtúd, rogo quis ? , . . .
bizer qüe fe poderá fazer razaó deef- ria, o·ouro arêa, e a pi"ata lodo. Naõ
tado dateligiaóolhãdopará osaugmé- ha fé mais, que a de Jefns Chrifto Se-
tos temporais doteyno ,he mayor pe-, nhor noffo, q .profeífa a Igreja Roma-
tigo ,porq feperdení a.Deos,~ ª?1:lei- na,nem mais quehumâ religiaó,que cõ
no: op.oçler dosReys emarehgrno co- verdade faz o que 0 Senhor manda:
:fifte, e fe cntende1•em os vaffallos, que ó concerto das Refpublicas Chriftans .
'oReyfarájuftiça,viViràó enfreado,s cõ defta fó depende, dada pelo mefino
jufto medo dedezagradar aDeos cren"' Deos para remedio do mundo. Difcot~
do, que o teraõ favoravel mediante a . rêo nifto oPhenis deAfrica, para con"
Religiaó, efendo oPrincipe confiante vencer os erros, que feguem, o.s que
nella, procurarà opovoinviolavelmé~ feguem o contrario dízendo : a efta .
te guardalla, o q farà aoPrincipe mais linhagemdege11te,11aó.lhedácuidado,
- amado dosvaílàllos pelo anior,q aRe~ · que a Republica fe eftrague cõ Vicios,
ligiaó géra, e por iífo mais poderdfo, fómenre pertende que efteja em, pé;
porque.o poder do Prineipe co1ififte nó lizongêà'õ aós póvos,naó aos que aç:on-
amor dbsvaffallos; fe fereduz arezaó felhaó feu be1n, fenaó, aps que pro-: ·
deeftado o confentir a liberdade de curaõ feu goilo. Naó cuidaó os Prin-=
çonciencia, a tragico fim o condemna a cipes , em ter bons vaífallos , fenaó
difgraça de Henrique IIL de França·a que lhes eftejaó bem rendidos ~om
que oreduzio ler emMac.havello: tole"' 0bediencia céga ; caftigaó · a~ -leys
1'ouhe1·ezias,div\zaõ d~Seitas comq~'e o d_amno,-que fe fez na vinha aiheya,e
moleftado de guerras civis pezadame~ nao o que fofez naa1ma: fobre cafas de
·~~ morrêo -às mãos de htún facerdote. jnnt,as .deshoneftas levantem-fe fober-
To0.os osReys delfrael, queconfenti- bos edificios, e _banqttetes cufiofos,
i'a6 dividir a Religiaõ, perderaó feu·s nade-fe · ~ni vinho, .fôem cantares
Reyno~. Jozias , que a confervou, go- deshoneftos ein os theatros ;fuccedaõ
zou de a büdancia, e,paz em fen Reyno; nélles jé:i divirtimétos torpes'·já crueis,
pelo que dizia Pio II. que _os amigos de mas que homem de juizo naõ com..,
· Deos . gozavaõ as felicidades defte parará efta Republica, naó digo eu
inundo, e do outto os bens eternqs. à de Roma, fenaó à_rj,e Sardanápalo ,-
A paz temporal, eo bem do Prin- ainda·quenaó houvéra outra vida, a
Cipe naó fe pode confeguir' fe o povo ,ondehavemos dar conta danoífa, nem
haõ vive ajuftado ; a relevaçaõ he houvé,r a Deos, que no la hade pecfh·
9rigem de difconfettos ; dandp rédea muy eftreita; para que asRefpublicas 1
aos deleites fe introd.uzem mil confu.:. naõ cheguem a fer , como a de Sarda-.
zoens, e para atalhalas he -o rigor da nápalo, haó de ter os Príncipes IlfUi-,
í·eligiaó o melhor freyo, efta obriga a to 'cuidado, de que os coftumes' fe
~apartat-fe doinàl, e aabraçar-fe o bem reformem, e que efteja em pé a Reli~
como.enfiha oEfpirito Santo em todo giaó. ,
o capitula 28. do Deuteronomio : o Enfre todososPrincipes domun-
thezom·o mais preciofo, q_ue o Prin- do nenhuns houve taó zelofos na ma-
c~p~ pode ajuntar ao feu Reyno, he a teria dy Religiaó como os Principes·
·piedade em o q toca à religiaó. Todas Portuguezes ; que por zelo , e auig~
. ~s riquezas fem a Religiâó fàó .efoo- mento da fé paffaraq a conquiftar no-
vos
, ·- • ::- .··~ • , . . .• • .- .; 1 ~ -:: • : •• _.. • r ,,
PALESTRAI. LIÇAMVIII. SOBRE AJ?RUDENCIA CIVIL. §~
vos - mi.mdos , depois de haverem A fé , a religiaó he permanencia, e fir-
plantado. a_F~ ne~e~ Reyno8. ; expul- incfa do~ Imperids ; ~ªº paffo que ella
fando pnrrte11•0 delles aos JV1ahome- érefce~ íe augmentao r e s.o_paífo que
tanos; que outros nenhuns ·R eys de fe diminue ~ defmayaó ! deve o Prin~
Hefpanlfa a 1evai~aõ a A.frica; e d~lla cipe af6 a obedie!1cia de feus vaífallos.j
paffaraõ às Indias Otientais, e·a ~oda a e deve a fé ao Príncipe o ~i'poyo de
Afia , e defta ·áo novo mundo da fens 1~1ifl:erios § e affipi d fujeito mais
America , naõ haven.do pm;té no mün- legitimo qa fê he á 11obreza do Prin'.7
do, aonde os Reys de J?or~ligal naó cipé , e a defenfa máis fogu~·a do Prin-::
eftabalecefThm.á_Fé; pani qué foífe le..:. cipe be a verdade da f~ : dt>hde eftà
yado o nome dó Senhor do Oriente fl01:ece ha :P.olitiCà fagradu , e donde
a<i> Poerite , feguúdo diz David pfal- falta, falta ô bom gove11110. Político:
mo 1r2. E( pol° iffo com jufto funda- port1ue naõ !Iluda a ordem das éànfas;
mento efperamos ; q_tie ·os noífos Se_; fazendo nieyo çi Religiaô ~ e fim o
· Teniffimo~ Reys fejaõ f enhores lini- Impe1~io , antes toiua · po1• meyo a~
verfais dô mundo , como promet,eo forças do I111perio ; para êftabelecer
Clu·iílo Senhor hôiro ao primefrb o culto dzi Religiaó. Dilatar a Re-
Rey de Portugaii Ti~a balhem .QS Prin_:_ ligiaõ énfre ipfieis he grande ccin-
cipes Portuguezes ~111 . eftender, e di-· veniencià do Príncipe, poi_s gradgêa
latar d imperio dg Clfrifto , que a mais com a fé; que çoin conquif-: ª'
mefmo fenhor' terá cuidado de lhe ta: as armas füjeitaõ ds jngbs doscon-:!
confervar ,dilatar,eâugmentai~. ofeu: trarias, e aReligiaó ~onvenc~ o.,en...
tenhaó muito particular cuidado de tendimento,, e.grangêa q, vontade dos
favorecet, e àmpatâi· o tribunàl da Fé - 1;énelidos; e affin~ vem a fei a fujeiçaó
porqué b feiihm• o, te1•á muito parti- goftofa, e matetia çle amoí· o venci-
cular de os defelider ; ~ caiifel'var , , tnênto ,, àcliando-fe dbâgados a dar
porque á1em dos bens Efpi:Eituais con:- graças à providencia Divina , que ;
fegiürá: oter b feu Reyno ~m paz po- pdtnieyodasanúasdehnrnaéoncjuifta
lítica _, qüe eilitei1deo mui bem, o Im- tiJS trouxe aos_refplandores d~ verçl~deJ
peradb1; Carlos V, que a deix:ol:i iÀeco-:
mendàda a feu filho filippe fegundo ~ Li Ç A M rx~

.-
o qual coíhmiava dizer , que deviá
~paz do fet(Reyno a quatro. Cl~rigos. Sobre a Prudencia Eeondmica,
Eli.tre o temor de Deos, ·e am01·

H
• ! 1

µos homens anda fegura .a Mageftade'; E â famtiiil hüm Reyno pe-'


e Coroa : têma a Debs huni. Rey, ame quen9,' e po1; iffo . dizia o ra~
_aos homens , e ferá an1ado de D~os , bio Chilbn, que qn~m naó fa-
e dos homens ; dê · á Déos feu cora-- . · . · bia gôvernar á lha familia ;
~tãó, e Deos lhe dará b fi ·n ; e o d~ inuitomeriósfali~ri~goveirnirhúRey-1
todos , e fe o Rey _fot arnavel ; haó ho ; porque ezytre a familia , e b Reyno
temerá a ne11hum. A riing\1e"m ha mif- ha hüma fó differença , que hit entre:
,e
ter hü1il Prinéipe, mais i do que ~­ grânde pequeno; fendo o~~yno hu-
Deos , ningnem lia mifter mais a 1irngra11defa·.çnj.lia, e n·familia hu peque-
Deos , que d Pdncipe; feu primeird no Reyno. .: donde veni a dizer-fe',que
cuidado fejâ de fervillff,.e qu~ feja f er- aqü~lles faó bons Iriiperadol'es, que
vido ' mandai~á bem aos liomens; fe.: 'b.e ni e:xeçütii.õ as olwig.açôens de liú~
naó obede·cer' mal a Deos , üaõ pbcie..,.· Pay dci,farrülias·: BonfJmperataresfúnf;
rá fer bom Rey ~as get1tes fe for tnáü' qui poni pàtres fámilite fun-i ; porque
fubdito deDeos ; cuide das êoufas Di- tem mujta fimilhançq_ çorii o Reyno á
vinas, e Deos olhaiá pelas .human.as, familia ; ii~lla correfponde. o Pay ao
·p rin-
/

~~ GUERREIRO , ESCOLA MOR~L; &é. . ..· , .,_


Prindpé , a mulher à P_rinceza , os go\Terno de lmma familia, trataremos
filhos aos nobres, ns ·criados à plebe, de cada huma de per fi ; e comecen~os
-a cáfa ao palaeio; as renda$ aos·tribu:- pela l.rnlis principali .
tos , os ·:parentes às fiancas ; os 1nan-
datos às-Leys ·,-a autho1~idrdB ~ Ma- LiÇÀM X. ·
geftade, -~ afünentós 'à heneficencia
diftributiva '; ·as correc.çoens .à juftiça 'Sobre a·eleiçao da mulher, com que fo

H-
diftributiva ; eafüm· co1~ro 'o fim dá ·d:eve cafar; ,
Prudencia Politica lreil feliCidade p1F
bliea-,affim taóbem o fim· da Económi- E 'ü mat rimonio humà regiti-
cáhe a·füli'Cidadé da familia: aquelle ma fociedad'e entre o h0mem ;.
Pay ferá melhor Económi'có; que co:: ·e I'nuiher; em a quaf fe entre.,.:
nhecer melhor eftas pr'Opo_rçoens, ·~ , ga hu111 a outro por .cGnfonti-
melhotfouher applicni· asregi'as daPo- mento. igual .= ne buma conjunça<? ma-
litica àEcon.ómica, tornádo as propor- rital rle homem, e mulher, contrahidá
çoens d'O grande a peqüe110; eó que o- , entre peífoas legitimtts; que retern hv..:
-lhar dire'ta1nehte ao fou.fim, potqüe fe ma vida indi'vidual,Ouind.ivifivel.Mui-
attendér ao bem da familia , ferá hum to pulfo he neceífario; pafa entr'ar. Ei!ni
Rey pequeno, -efefo aos feus d~fejôs, ponto taó importante: níuita confide-
ferá hú grande tyr~nno para_ ruyna da r~çaó he pre_pi~a P?Pa fe entregar a hü
fartülía, e'defi propi-io ;he taobem hum capt iv:eiri'O tao irremediaV€l, jJ'õrque,
pay de familia legislador : rnais verda..: naó ha liberdad~ mais fervll;g_ue aquel-
deira ley he o exemplo de feus coftu...: la, em que cluas peífoás livr~s fe entre-
mes : ·as palavras faó leys valent es; os gaó humá a out.ra., e ambas rendem o
coftumesfã'óleys fixas" cuja obfervah- pefcoço a hmi:fjugo, que voluntaria-
ciá ~onfifte na imitaçaó , e a imit-áçaó mente fe bufca, e forçofament e ieleva;
naó póde far J:)oa, fe 9 exemplai' for fazendo~ f€ de hum~ v·o ntâde mbnien~
máo. Aó Ptinéipe ~?nvem a ~agefta.: tânea? hu_~a. ne~effidade pê1:_p·etlià. Có-
de; ao Pay.. de fa1111llas a gravidade ; q: para o Dire1to os que cafao, aos que
qual,fendo humà mefcfa da virtud~ fe- joga& , ou navegaó ..; pór -que,. , afüni
tia, edef~;veridade vii·tuofa, géra em como eftes fe entregaó ao dirvidofo
bs domefticos hum temor i·everente, e acontetimento da fotte, que li1e fabirâ
huma tih1idarGvei·encia füuito.differé- na carta; ou na incerta efperàhça do
te do temor fervll ; porque o fervil t~- mar ; e ·fua in çonftancia ; affim efte~
me for offéndido, o reverenaiàl tefuê fe fujeitaó â variedade da fortuna ,
offender; , .-, . que lhe fuccedet: já da11do-lhe huma
- Para a confervaçaó .de huina fanii~ mulher adornada de bons coftumes ,
lia neceffitaoPaydella'.definco coufas; branda nas palavras~ grave, e modef-
a faber ;-mulher; filhos; amigos' cria..: ta 110 andar fór~' amante da honra ~
dos, efazenda; e para que o prudente fe11 1~arido, cuidadofa na criaçaó ·dos
Pay defamiliasJaibagdverriq.r'prüden- filhos;· que governe as coufas de cafa
temente a: fua familia .;e confe1'vala' he pruclente / eparcamerite ; q.u e t~nha
neceffario ein todaS' ellas fuin:ma: atten- as criadas inuy bem doutrinãdas , -e as
çaó, e fqmrria prndeiici~; porque naq faça t rabalhar; e aprovei~~!' os b.c ns, ·
ufando' d~lla em cada huma dellas, nao- e fobre tudo virtuofas :· Jª dando-lh~
podera confeguir' a felicidade' da fami- huma mulher de máos coftumes ,, def- ·
lia ,alvo, a que deve dirigir'tódas fuas honefta; negligente·;· e efquecida do
_acçoens: epàra· güemelhm.. páifàmos /gove,rrio da fa111iliá ; libidinofa' ,. ini-
inftruir o-Pay d~familias em cada hu~ miga de feu ctédito ,- foberba, pro-
ma deftas bazes em que fefunda o bom djga ., fumptiiofa, varia, e irreonft:ím;..
---;
· te ;
.PAL:gSTRÀ i. LiçAfyr :x\ SOBRÊ_A ELEÍÇÁM DÁ.ESPQSÀ; ,, g~
te ; e fc lhà der inhonefta , fetá afron~ lher naó he abfoluta fenh01:a, nerü vil
tofa ; fe honéfta ; arrogante ; fe Pº-: c~iada ; mas índividua companheira~
bre, cuftofa ; fe rica ; imperiofâ ; fü · edos behs ; e dôs nrnles fiel confor..:
moça , váa. ; fo velha , zelofa ; . fo ef- té. ,Mas depois q1ie pela propagaçaó
teril , diffenciofa.; fo fecur:ida, riiolef~ uiliverfal naó neéefütáraõ os póvos
ta; fe fêa, odiofã ; fe :fonn9fa, agra.:: demais habítaçaó .e have~do-fe ehe..,
davel a tod·os : naõ hh coufa mais de~ yo b i1ilq.1do, fó faltava ~nche1~-fe o
:ficil,. deguardaf, qüe o que agra~a à Ceo.; ceded a _ ~ey, da naturez~ .à ley
nnutos ; e por for efte eftado de ±or- àa graça , e a glotia d~ fecundidade ~
tuna taó duvidofa ; .e de i~1cohvenf::. ced~o à gloria da virgindade ~ fican-=
entes taõ certos; po1~ iffo mtliNJs phi:. do tbdavia b preceito ·~a prop~gaçaó
lofophos 1antigmtnaõ fó naó trifaraó ; ao generb h_:ih1ano em geral ; mas naó
mas aconfelhàvaó aos outros~ a que a câda huíll em particular. Pertence
na - cafa:ffem; éomo Thales Milefio, tairibem ao direíto civil p01· raza6 dd
como conta Ptutarca na vida de So::: contrato da v.e1;dadeira .companhiá
lon, Antifthenes, Df9genes, e Bion, co.:'. ein duas peífoas ; que feri d d ao prin-
1110 refere Laercio lib; 4. e 6 ; . . t ipio livl'es; fazem comniüns ei1tre fi
Mas .cdmó o genero ~unia_nó fo:: 0s bens , e ª:5 peífqas ; e.comb tiefte
naó póde confervar forh bs cafanien.:. comercip . pbdén acontecer injn-
tO$ ;. he o matrirtlonid por-tddos ds das , e dariinos ~ fegtie-fe, qiie _hade
, direitos inftitt~id~. J?~~~ ~ire.ifo Divi::- ter lügal' a jtiftiç'a .' ~ a l~Y ·..Co.vvê1~
no; porque o mft1tuhio Deos com hu tara.bem ao fim pol~t~co; p01•qu ~ he o
geral p1;eceito ·, que obriga a todo d matrimbriio femimido qas_Reípubli-
geriéro humarlo a encher o mupdo 1 tas, as quaes _fe1v. elle feriaó; como
que fe fez parà· elle; pois podendo àmênos j ardiits ferii agua ; e daqui
Deos fabdcar' por fuas riiãds todos o~ -Vem ; qüe aqs cafadàs, cqmo hene..,
h01nens, como ao primeiro , naó os niêtitos da., Repnl?lica ; ccince'detaá'
quiz arque~ipàlJl~rité cfia.dos ·' fenaô os .Leg_i ~l~~?res . R.oniarto~ , il~m'uni~
procreados huns dos outros , para e:lades prove1tofas, e preferencurs ho-
confervar com os filhos , e fdciedad~ :horificas; e osEfpártànds nao dayaó
co~1jugal o: amor . entfe ~mis , eyu- áffonto ,nem Thea:tro' aos_fólte~1:os na?
tros ; e por iífo tií·ou a mulhetp.ao qa GOntandd por Cidadãos ~ os· que nao·
cabeça·, neni dos pés., fenaó do _lado a~tefcentavaó feu nmnero.- Ex: 'IVén~
do marido, para declarar, qüe. a n'Iu- 152. epig . .rt.; ~
1-·,

Si .tuus ijlorum nêuirri conf~inÚur ar:'ói;


Uxor ducenda efl, btec erit inflar aq~tle. 1

' . .
~ 'Pot dirêito das gente's._ he tambem ricíó cóm ó's o1ho'iràá múihé1iguàrdã-a
eíl:ábelecido; poi· que fendo"o homefrr c;aJa,aitidaqueefteja ndcaip.po :-de'mais:
dotado de rriayor engenho' para as difto, que pe1foa: tem d homem 111ais
coufas· univerfais ;· e a mulher de f6~icita defütt$ do\1fai,,qlieftút ú11tlhe1·;
~ayor agüdeza para as pa1·ticulares.; qual mais afiftcnte· as enfermidades·;·
emquáto'efte conferva àp'atria,-agiuel.. ; qúaI mais .at1·ifcada: aos perigos·, qual
la governa a cafà ~: aquelle trabalha: mais doce· em as atltç'oens ' qual m~is:
para alimentar os filhos; effaJ os gual'- fiel é~ qs cotife1hD's ? fej'efó .teíl:emu-
da ; aquelle. manda. os erquadroens· ,. ·nhas defta.verdade 4,inc1~ateí· mulher
efta: os .criado~· ; de forte' ,'que amulher' . dé Mithridàtds Rey füiPohto,Cornelia
com as·mãos do marido militàTn-o'cam- mulher' dé _P'çnripêo: ,, que em as prof-
po,.-ainda que efteja em Qafa; eoma;. . peras,. e adverfas· fort\:lnas fegú~r3:Ó'
· fenipr·;
40 . GUERREIRO , . ESCOLA l\/IORAL , &e. .
fempi<e a feus m.a ridos ; ·Aria Roma- à de achar hu~na mu!het virtuofà ~ naó
na, que aco111panhon o feu fempre em ha defgraça, torrne1:ito , ou pena que
'. os perigos da guerra, apértos da paz_, fe compare à d~ tq_par com huma mu~
miienas do captiveiro, e fe matou por lher i!lhonefia : íaiba colher .a rofa
fuas mãos vendo-o morrer nas defous fem ef pinhos, elegendo· huma mulher
adverfarios ;·a Senhora D. Ssraphina, formofa, nobre { rica ,t' cafta , fabia ,
mulher do 1Yim·quêz de Vilhena , ir- e modefta , que niíio , moftrará a ma-
ma ó do Sereniffimo Senhor D. Thêo"" yor prudencia, porque a prudencia
do:G.o, Duque de Bragança~ que mor"' do homem fe dá ª.conh~cer propria-
reo em Roma acompanhando a feu mente em faber cafar, e ktber.moner,
marido,a onde affiftio porEm~aixador; eixos,, em que fe fegtira a felicidade te-
a mulher do mais fabio dos Céiares, que poral, e eterna: recorra ·a Deos, e peça~
o livrou da conjuraçaó dos Cinas ;Jua- lhe com repf'.tidas inftácias o acerto de
nhuita·, filha delRey de Dinamarca ~· tao importante.'eleiçaó ,;p,.orque fó efte
que por fua induftria, e valor reíl:itu- fenhor lhe póde Giar inulhcr prudente,
1
hio a Rexeno feu marido ao Rey-no de cpmo -º enfina Salamaõ no capitulo
Suécia, donde ouvia expulfo 1ua ma,,_ dez-anove dos Proverbias. Em a elei-
\ drafta, obrigando-o a viver entre paf- 2áõ ·da Efpofa naó fejaó uni eos con-
tores ~como refere Pineda na quarte1 1elheiros os olhos., .dêin tambem feu
partedefuaMonarchialib.3.cap.2;aDn.:.. voto asôrelhas, porque entre dous
queza deSometfit, de quem conta o extremos melhoi' he, que perigue o
mefmo Pineda na f parte lib. 29. que gofto, do que a fama, ~ --
porfüááftucialivroli aoDuquefeuma- A primeira prenda, que o P:ay de
rido d~ deixar a cabeça na$ mâos de familias deve procuraK na Efpofa ~que
hum verdugo, na praça de Lqndres. perte'nde, e em.qual deve fazer mais
Ao direito n~tural pertence-taóbem; rigorófo exaine, he .a hbneftidade, e
porque fendo .ofun da natureza a con- caíl:idade., porque efte he mayor dote,
forvacaõ do genero humano, e naó · que a formôfura , e ri(}ueza, ex Pro-
. podendo os indivíduos for immorta- verbiorum cap. 3'1. e fé ·e fta lhe falta,
es , nem nafcer de huma vez ~odos pe- por muitos bens tom q và dotada, vi-
la ·e ftreiteza da t erra para tantO'nume- virà fempre _em pobreza ,. cpmo diz,
,, .·TO:, convêm que morrendo f utce~va- Santo Ambrvjio d(., inflit. Virg. cap, 1.
ff ente renafçaõ dos filhos, e a immorta• por efta prenda mereceo Mommia fer .
1
lidade dos individuas fe immortalize mulher delRey Mithridate_s , e as dti-
ei1ta fua efpecie. . as filhas de G~üzulfo cafar huma com
Deve o prudente Pay .dé fainilias ElRey de 'Alemanha , e outra cotll\O t
antes. de fe füjeitar ao,pezado jugo do Principe dt! .Bafiar~os ; como conta
' ma~ri111011ió, fazei- juízo m~y miudo Himo~io no~ f eitos de Fr~nÇ~ c{lp. 2-.
dos encargos delle , e medir as fuas fendo todas mulheres ordmanas. Con-
forças com o eftado, que procura, e ta Rhodiginis lib. 18. cap, 1. que entre
depois de fe deliberar com maduro a gente, que com.mais recato ·criava
~onfelh.o a abraçar o eftado conju- as donzellas, foraó osLacedemonios ,
trnl , deve fazer hum dilig~nte exame Ii.uma das quaes fendo perguntada ,
das prendás , partes , e. virtudes da que dote tinha para cafar-fe, tefpon-
Efpofa, que procura , fazendo con- deo, a honeftidáde da minha ter·ra,
fideraçaó ~e que ao depois naó tem palavra digna de tnl peito, e que vêm
h~gar o arrepén4imento , nem -reme- muy bem com o que diz o EJPirito
d10 para ~mendar oerro, e que affim Santo no cap. 22. da Ecclejiajl. e c~nta
como nao ha . ventura, que fe iguale lf7e111.

Sit
.'t
PALESTRA. I . LIÇAM X. SOBRE A ELEIÇAM ·o A ESPOSA. 41
'
Sit formo/a aliis iixor , · tibi fit hona , nefais
~ucpn noceat ·.tajf .e forma pu_âicitit0. ·

A fegunda he à idade ., porque .r~s'~té QS dezoito, lib. 4,. -d'e Legib. po1•...
êomo~fcreve Plutarcho: ós cariJ.'lJ.lios fe que:entaó florecem -as foi-cas._ de l1um;
figuiraõ .em a mulher, que fe recebe e outro fexo; os ,juriftas finalmente,
antes que fe lhe fi~e na alm~ a ima- naó permitem, que os hom~n~ c,afem·
gem de outro damno tpor tanto acon- menos de quatorze , e as mulheres
frlha que a ~nulher ie cafe na meni- menos de doze, falyo quando a ma-
niiTe : Oppor'tet.' vir!4.nt. ducere uxorem , licia, fuprir à idàd_e , de que fe infere,
puellam , ut eam doceat bonos mores : que naõ havendo efta pr bporçaó nos
J;~ffe Arifloteles ; taõ menina . quer cafamentos, feraó infelices os matri~
que feja, qu~ nem a alma poffa haVter moniõs, como n0s eftá enfi:nuando a
.padecidQ> eftuprQ havendo admitido exp_e rien :a quotidiana. _
.defcjos de outro m.arido ; e efta ida~ 'A terczeir a , 1 que naó Íeja nefcià; ·
tlc fe amoldq mais ; aos- di& ames ·do n~tp. eµgenhofa ; ~porque a nefcia naó
marido ·' cpm que ~m paz fe a{fegu- colili.ecerá a l{ial!G-ia dos Gri;idos , e a
raó dura veis os carin,hos. Refio lib. ~ngenhoü1 átfeétara tranfcender à. pru~
2. quer' qu~ ~ ~1mlher r~aó paífe ~e ' dencia1'l.os homens,; e-hum' -e outro
quinze, e o mando de trmta, os Eg1~ extremo , he arrifçado , mas_ hum
pciosna.ó permitiaó ., que os h01f1ens pêor~ q e
outro; melhor he, que fe~
cafaifeín meno~ de tripta, _mas. ta~.: ja nefcia, que ehgenhofa ; porque a
bem naó.queriaó qqe_a mulher foíre; l}efi:~}a, oam1 0 tempo J e .faz a vtzada, e
mais de treze , e os Lac@domonio~ de- a en ·enh0fa com o tempo fe faz info-
terminaraõ, que os homens cafaifem lente ; como o expe1ime~tou o Im-
até vinte e quatro, · e vinte e cinco , ,pera~o~ l\1a'r co Atll'elio corµ a fua
e as.mulheres até quinze ; affim ore- Juftina. -. . f -,,
fere · P l.utarcho in Licurg. & Solort. A q\iarta, que naó faja agudà, nem
: Phil:. de opificio mundi di~, gue os ho- fali-adora .; porque o íér aguq~, e fal-
.mens naq devem cafar depois dos ladora , he melhor para dama, do que
.trinta e feis :rn.nos, ,e as mulheres de- par~ ,ipu)her , e prinGipalmente , fe
pois dos vinte : os Alemães tinhaó tem alguma veya de Poeíia deitará a·
. pór coufa tórpe ' ca_far o homem m~- bençaó ao governo ' ~m vez de. fer
nos de vinte, e a mulher menQs de huma Cicilia, ferá p.uma Corina , e o
doze, como conta Cezar de bello Gal- .marido hum Sileno ~ àcerc,a. dGs ma-
lico lib. 6. Platâm otdenou , que os ridos, que ~em mulh,eres d.efta qualida~
homens cafaifem até o~ trinta e cinco , de, diz W eni que tem mais , que hum ·
.·e.as mulheres; até os quinze : Arifto- Hercules lrab~lhos infuperaveis :
- teles até os trinta e feis , e as mulhe-

Co'njugis ingentes animo linguanzque domare


H erculis eft decimus tertius ifte labor •
.A quinta, que naó feja rixofa; por- EcGlef que he mais penofa vida pàra .
·que lhe ferá melhor Viver em terra hum homem qn_ieto, do que t uftofa a.
dezerta ~ que habitar com huma rnu- fubida de hum outeiro areofo aos pés
Iher litiglofa , ex cap. 2 I. dos Proverr. de hum velho , como diz o cap. 26. do.
ou habitar em companhia de hú leaó , Ecclef.
ou de hum drago , que na affiftencia A fexta, que feja de boa prefença ;
dehuma mnlherfoberba,excap. 2r. do porqne _naó convêm para mtilhcr o
F muito
'
42 ., 1,.:
. :.GUERREIJ1JJ; ,::_EsCqL~ .MORAL ~ ~e~ ' - :\_ r'/1
........ .._ .
muito formofa , mas bafta que n~o fe- Jª fea , como ,cant9u o c1ijie In~lez_ ~-
" - i' -~ ~ . ' ;~ • \. \1 ,.. •"'

Sit f ortrJÁJ.fa -àtiis .1J,Mor , J~bi. fit hona , nefcis


Ouam noceat caflte forma pudiciti~
.·'·" :1' J ,_,\ ~~-1
~· - ;
..::._-·i'n . t 1 1

Edi'-áJ-)!;aZatJ'; p(1)1tqRé: ~ mntl~i.e:t'"for- gernAfeus tiros ;qne nem fümpre1ica.ô


mofa'.lie Lêmprego · dbs -euldado~ - de ba.ltlatlos, colno diz o Poéta nq fe-r
nnútos~rr~ ·alvo( , á-, que nüütos di.1d- gutnt~ Epig~amà : ·
- /
- .. f 1.. '•. .
..\.4
( ) 1
..
'.
'
• • ,, ·r ;· 'l!..-1 .lEgrec fo r.nwfam poteris fet·tJàtfe puellam 1, "

~, N unc préa .,- 1tu.né aurtr;- forma petita rítit.


. .. ('1 ! ~ : "· >"!' \ •• t - • ,:.. t .. :

He _-af-0rnfôfur-a Ittun.ã· bem 0rd_~11adi~ forre, que o· témp~ a extfü-guey a ahi--


llifp-oliÇ~ó-1 de me1hbíos- eóm aigtmta ep-riJJa a doença- ; 'Ciaro fib1 4:. :·Rhetq.~­
fua ~idad~ de cbí· ,que' leva hum.a cà-r - ricvruni : Milagre da formef\1ra foi~
tá :d.ei -reoon\ffien~á~aó , :para onde _fenhóra. Doná · Izabel mulhê~ do .ln~.._ _
que1~l·quê "cá:i1li-Rhà; como il'iffe 'Afifa>- tperádor· Carlos V. e filhM · do noffo
Rey D. !\1ànoel ,. mas a erl:forfuidade
1
kfes , ··€· 'féi·e 1nais· ~gll!:d~m0~1te ; ·~que
hum a õéin·apontGda1anc€fà, paífando d~ que foleceo , ~ privot1 'âe"."lnánei.r a
aos d!l'los ~·à- faln:1a. ~ cotnó ài.'<> Leuâ- ~efüf, que ehega'í·aõ fl defe0nhecel1à.
pe ;: dbi·igarndo ·a' amãlla a qu€m ain~ feus niefmo:s·criados, - . :: 5_ j

da fo~errién(e . a ·v ê ; eomo diz. Paulo :· A fôrmofuta verdadeira 'he aqüelt-


'Joef:!_o l~i-~ ;4· hifl,o-~iaru:n _;".~ 12ot. i~o la, >aôFlde naó h~ mancha d~ péccado.!?
-pe1-gü=n-tado Eftob10 potque- e:ra áma.... como com lume natural wnh@ceo , ~
do ·, refpendeo ; que efta pergún:t~I éonfeffou o G@ntio Seneca n0s fouls
-era f0 _pftr-a os· Gégôs; ~ pbr fot ra : for'- prOv-erbiOS; p0rq'ae a formofura fem
mpfm-a: 1aó apetécida ·de todos, ·!IBQ'> virtude ' he -b.tnn templo ·edificadô
cm:._v~1)1 que fe procute faz~r pr9prü~ ·fo?_ye humá clóacçi, como lhe ,~h~mott
pel0 ~perigó qne tem, de fenáü'po_ d er D.mgenes, do qual cónta Laerc1ô n.a
·guai·clai~ ~~,d qüe a todos agráda, com9 Vida~; e coíhimes dos philofophos ;ou~.'
experimentou ·David ·com Micol , vendo.a huma Dama p0-r-exth"m10 fói;-
,AbráF1aó · c0111 Sára , com Elén& feu m®fa,@ inhonefta exclamou dizendo,!
mm!1ti-o-Meneláo, a Coi·efte·s eom Her- ó que boa- cafa, mas ó que tpá hofpe-
mtótl'e' â .Alexandre· com C~eÕf)àt(i:ra ., dà. Conta Ap'uleo ·Je Magla lib. L qu-e
-ae linpêraàor Claudio e_o-n;iJM~ffili- Sóc1=ates 11iaiidáva áos feus dffctpulos ,
na, ad lidífo Joao.Lonrenço Vafqbes ·que fe viífem frequentemente nos ef-
1
~cla Ct:1D:hn com Donií Leono1• '~ que pel"h'os, e que aqnelles que fe viffem
toà'oo ;vkaô fua·s 1ímlheres_pela· for- , dotados de Gentileza , procuraifem
moforí ern poder de intrnfos , e vio- inftantaneamente, que os rnáos co:r-...u-
lentos poífuidore~._ Alem defte peli~ mes naó afeaffem á boa fórhia , e dig-
go , tem a formofura hum grande ini- nidade do corpo , e os que fe acha f-
migo no tempo : Vendo ·_ e -.Phil0fo- · fem m~nos prendados da natureza .,
pho Eth1ocles a huma fenhor~ , que pertendefiem com toda. a diligencia ~
fe"eftava gloriando de formofa me
clif- e cüidado ·encobrir com os dotes das
· fe : ná.é vos convêm, fenÍ1ora, enfo-: virtudes os defeitos do corpo, como
· be1~ecervos pela formofura, que pof- fe~ ó Philofopho · Epiteto -; que era
fuis, porque vóla preftaraó os_Deofes côxo , e o Poéta Arminio '~ que era
por t empo q1uy abreviado; enaó 1ne- tort o ·, Zeno , Epicúro , Diógenes ,
no~/' o contrario he d~ formofura o ChrHipo, Euc11des , e Gleantes, que
-~ niais - le-ve_.adrnque ,; porque, da mefma tinhaó varü1s deí~Ji·midades ; Arifto_
teles
J -,

PALESTRAI. LJÇAM X.- SOBRE A ELEIÇAl\1 DA ESPOSA. 43


telçfL que era ·"Pequeno .c-orcov.ado , fo.t.a corpor~l a foni1ofora cfpiritlTal, e
feio ;·t:.1rtamndo, etinba os bxaços de- morai dos coftumes. Cheguem ta6bem
niaíi-adamcntc J.;:frg.os; I-Icr~clito, que ·n·tp.1cllas,cnDtcm!toefpelho comnmi-
tin.h.ª- os olhos carregados de choraí· ta miudeza os de±cltos corporms para
as miferia:;; do.mundo,Demócrito,qne cmei!darcm, e cnriquiceré c.orn virtu-
tinh n. os beiços. abertos de. r br da v a- des efpiritnais, as.fait:as da nat~wez a ~ e
rieçladc dellc. 0 ·' qúé p11oveit0fü liçnõ foraó tanto mais formofas \1ue R1(0na ,_
he eita , que deu Socrates para as mu- LfüJüa , Amlir11lis, Penélope , DMo ,
lhe.res , ou -fejaó l fêas , on fotmofas ~; . B.;u:zabta, Simlrm}1is, Caffandra, Cleó-
chegern eíl:r"s hu;na , e muita~ vezes: patpl, Lésbia ; Virglnea , Venus, Ju-
ao efpelho, para que vendo a formo:- no, Lucrécia, e outras muitas ,que por
fLffa, com que as emigueceo a m:iyor milagres daformoíl1ra cel,ébra com eil-
formofura, a lolJvem por efle·benefi-· car~cidós encorüios a fama, guc.nto be
cio coh:efpondendo a huma ·· obriga- mçiy0r a formofura eipirítual, que a
caó tamanha , com igu ~l _agrci_deci- temporal. .
·'
mentp / í'_orman do com a: rormo-
-, con f'

-
Non illius ftudium rpu.lgà conq11irere amantes
ltlis mnpla J"t:tis forma pudici{ia,
• p -
.· Se a virtude he infeparavel compa- · ma, porque affim como no cfpe1ho fe
nheira da formo fura de alguma fcüho-=- deícobr\:.m da gentileza os ga.rbos, ai:..
ra, fcrà difcreto acordo pertendella fim nas azas da fam<;i vôaó da virtude
parn muiher ~ pois ·naó hc argumento os encomios , c ~mo c::inton o noífo
de virtude a falta da formofura , antes taó repetido , como agttdo engenho
com efta fe moH:ra mais formofa a vir- Joaó de VVem. · ·
.tude ; indicio defte conforcio ferà .a fa- · ·

Dice.t de. te Jpemlmn formofam fama-pudicam


Jvl.entitttr fpecttlu.m. nil 'tibi, fama nil. .

_ Ainda fcm 1ná1s dote , que efta venta-: der~ró os an,t igos, mandaraó em cert~s
gem da·natureza , ,e dom Divino, .co- leys· , que fe hmn homem fizeife al.,.
mp lhe d1amou : Platam lib. 7. de re- g1.m1a afronta pubíica a qua1quei· mu-
p ublica, )em o receyo de.ou~ -poífo. fer lher por illuftre que foífe , que andaf...
contraftacla a· formofura; porque hé fe com veftidos pouco honefros , na.ó
ipvericivcl quando he :viituofa, como fo chamaffe injurja' nem íe lhe poze:ffo
expirimentou Fauftino com a füa for- por ~lia algum caftigo : osLace-ierno-_
rnofa, e virtuofa !Vlcthidiana, folicita- nios naó permittiaó enfeites dci~iafüh­
da de feu cunh2do Germano; ao Adi-:- dos, fenaó em publk:;.i.s nmlheres .: os
antado de Roma com a virtuofa So- Locrcnics , e leu legislador Seicuco
phornia pertendida pdo cruel monr- naó os .confentiaó fonaó naquellas ,
tro de c11.~eldades, e fafctvias, o Impe- que ql1eriaó confcífar que craõ adúl-
rador J:Vfaxencio. teras , como refere Diodoro Siculo lib...
. A foptima parte gue deve exami- II.
nar ,,o que ~pertende cafar, na elpofa, A oitava hc o recolhimento; por-
que procura ,he ocóftumc que tem-no que deft:e foinfere ~ gual foja a bonefti-
trage , porque o trage be :trgumcn- ,. dade, e viv.cr da Efpofa, qne fe buf-
to ~gra.nde de fua horieH:idade ; ou ca, e qual ferà depois de cafada , por-:-
.falta ddia , ·e porquf? afiim o e:u.~en- quç fo e recofüimento naõ for no ef-
F ij tado
r
(:.
44 . . GUERREIRO, ESCOLA Th1QRAJ;,-, ·&e. ;--~ :. _
tado de dónzella mny rigorofo, fera das , e as.'.Outras eftaVqO- occupactas·
no eíl:ado de .cafada muy :devaça, e em rega'losr De Ameftres mülhei· .de
. naó fe póde efperar que feja recolhi:... Xerxes Rey dos Perfas, de Argia·filha1 .
da cm e.H:acto·m~is l.ivTe, quen~ o naó delRey Adrafro ~ e in ulher de Pol(j,ni-· .
he em eíl:ado mais captivo'.:Da Ra1nh3\ ces, e da muth_ e r de lVfaduarte Rey d~ .
de Italia Fatua ,efcrevé Viana ad 01.Jid.i Dacia; .e .da · Rainha; catp.olica, e da-
_m~ph'ám. lib. i.n. 16, gera·t-~õ ~:ecolhída J noffa S~11~a' lz~bel' Rainl~a,~fe efcr.eve ~
que emtoda a fua v1dan:ao.v10 homem que nao tm.hao hora ocioia no d1a', ~·
~lgum fenaó oTeti marido, o que ob- que a ga:A:mraõ na oc.ctipaçaó dotrabit:,.t
févaó ~s inulheres Chinas, com tal" lho t emporal , .ou Efpiritual : os R0-
aperto, e rigor, que nem aos fogtos, manosquandolcv.:avaá'as-noiva's~ cafa:
-cunhados, e parentes do.n'larido,fallaõ, dosmaridosc,.levavaõ jnntament~ hU-
'élepois de eafadas. . . '" ma rocá, e hmn fufo nu qual lhé' qi1e:-
:. A nona.he ~1 occupaçaõ do>temp0 ria ó infinüar que affirn cqmo a rOG<L, e
. rorq ne .naó ferve 1Brtrà mulher a.qüe o;fufo fa'ó inftrurnentos.:- do trabnl.ho
. for ociofo,p<;wque he a ociofidademáy mulheril',affittn a muHter enfada ,fa d~...:
· · d-e todos os males~ e inimiga de toda ·a via applicar ao governo , e trabalho de
·hon~i'daue, e.por iífo Memnidro dif._ ·'fua caJa.· ~'" ·. ·'. , ". · -:
f~, que q mefmo he eftar ociofo, que \ . ·A de~ima, he a_igualdade na lim-
fer :ná?, fent~n~a ·qüe par~ce , tomou J?CZa do:iangue '· e qt~al~dade da que
daltçao de?v1d10·, ?~qual.'d1z, que falç; fe!pertende para ~fpofa, Requer e1ta
tando o ·oc10 faltarao os lnftrumentos toda a ponderaçao ; porque os cafa~·
do vicio. dosi. , 1qüe .faó iguais na limpeza ' e
E Puteanq Oratione 9. diz, que nàó qualidade .Jeguraó a paz , e focego;
he homem, m_gs cadavet de homem o e pelo contrario, os·que faõ defiguai's
ocíofo , cujo entendirnenro eftá fepúl- vivem femp1·e em huina porfütda çon- .
ta do em hum corpo vivo. Eíhmdo os tenda, em os-que procura unir p41ren~··
Ronü1nos no cerco deArdéa perto de tes acha fenhores a que obedecer, e ·
Roma altcrcaraó alguns·, fobre. qual ·por iffo com j ufta razaó diíie Lucio
de füas·mulheres devia ier mais louva.:. Eloro, que aqnelle que bufcava · mais
da, e ao depois de varias rafoens vie- efclarecidos aiTinsencótravafonhores:
raú ·a coriclufr, que foífem fecreta- Qyi clario1:e~. ducit a.ffines, dotzinos ha-
mente a todas ascafasderepente,epe~ bet ; razaó porque aconfelha Tuliq
lo exe~·dcio em que ~e achai~~ cada hu- qne a mulher fo bufq~te dos ig1.~nis . :
m~ fe .iulgaífe a vern a~e, ern.zendo-fe Uxorem dttc ex Mq_ttalzhus ,,_ft enun e.'X:
affim , diz Livio lib I . Decad L que fitperio.ri familia duxeris ·, àm1Jinos
ficou Lucrecia com a palma,porqüe fó comparübis. ,E o mefmo cantou Wem
ella e. Lavo em o inte.rior da frm cafa nos feguintb verfos. : · ·
oc,cüp.adn em cozer ;~ todas frias cria- ..

P1.s nê fibi jimilem gener-are e.Y: conjuge prolemJ


·Uxorem pri~nà rftttl'Ke tibi jhnilem, ·.

De que m1fceo o aforifro.o ~ e diéta- ~epois de haver ·vivido largo$ ann<YS


me commüm de que fo cafa bem , o prefo em .huma torre ' acaboü vio-
qul~ cafo. ig~rn.l : Vis apt~ núúere , nu- lentamente a vida : a forrnofa :Dona
be p[Jri : ·e por fü?Ó abraçar efte afo- Jgnez de Caftro entregou a vida às
rifmo o Cóndc D. Sancho Dias de- violencias de.hum punhal, por man-
Saldanbr; , querendo cafar com hu- dado do noffo Rey D. Affonio o Bra-
ma irmá. delRey D. Aífonfo o e.afro ; vo , por pertende!: caf.ar éorri o Prin- .
., · · · · c~e
. b)
PALESTRA L LI<;[AM X .SOBRE A,ELEIÇALVI DA ESPOSA. 45
cipe ·B. ·Pedro. A Ellley D. Saného qualidade da mulher, 'porque qllem
Capelo tir~raó_ os feus vaffollos .vio- naó quer honra :para feus filhos, taó
-lentamente a Dona Meffra Lopes . de 129uco a gueria l?ªra fi; com que ·naó
Faro·, pela defigualdade , que_entre io mudao -em mao feu bom rnn.gne, ,
elles havia. D famofo por todos os fe- · fenaõ que o que em outros p or ha-
G1üos Cid Jhn1 Dias ·;· vio aço1tadas ver fido difgraça naõ . mt>recia vitu-
as fuas d'Uas:Íilhas pelasifriaver cafado perio., nelles por haver fido eleiçaó-
ç,om os Infantes de. Ganiaó. 0Htros merece caihgo. Em o meu fentir p2ífa
muitos exemplos putleramos referir? efte de erro politico·a dclj & o infame~
de que eftaó c}\eyas -~ s h1ftorias' fe a pOis · ~inda que a facilidade' com que·
verdade :defta Demti:ihn.a; fenaõ a chára \remos encort~r nelle cada .dia nos tem
ta.ó acreditada·p.ela expe1:iencia de ca- tiràdo o horror, fazendo.que naó nos
da dia. Obrigaçaó ·he :.O procurar cada pareça _taó monftruofo, e execra v el ,
hum o ennobrecer-fe, · e melhorar .pe- como o de dar morte aos fiihos, he ·
,los cafamentos aos fi1hos , imitando Gertiffimo· que pódei11 competir em a
ao bom Pomareiro, que eom novos cruehfade ..
en~.{ ertos melhora as a~v:ores, de que fe _ Naófe terà por encarecimento meu
compôem o. pom~r, tornando com el- fe , como he juíl:o ,, fe eftimar. mais a
les asSylveH:res em -mra1it1s ,asagras, e honra do que a vida,vendoque oPay,
de~abri~as em_ doces; e fuaves, mas. c;JUe commBtte ~ft~ erro_, ail: da 9ue a ·
nao deve fer 1fto. tanto.de falto , que iens filhos lhe da vida, lhe tira a hon:-
.pai1e a eicandalofo. Seus gràos tem a ta: maior he eíl:e aggravo, que aquel-
efcada da nobreza, e ·quem gnizer fü- le beneficio, e affim naó íei fc lhe de-
bir .ao alto àella,fem o perigo de cahi1~, vem eftttr taó agradecidos como irrita-
naó .hade querer de huma vez faltar lo:... dos. . . Tal podia fer el enfaniamirnto ,
go muitos jUDtos: que mejor le faria la nnter_te ; que la
- ·Muitos faó os dezaéertos, em.que vida. S.aó · palavras, e diétame delRcy
póde enoorrcr hum homern·bem nafci- D. Affon{o o Sabi.o, e cm outra parte.
do de,que lhe rcfüita ürfamia. Tenho Ca no feria guijfada coza qua la f an-
por rn.aior, e de mais prejudic.iais.con- gre· de ~tos nobles fueffe emb4rgaàa , ni
fequencias a que .immedia~amente fe ajuntada a tan villes nmgeres. Pon-
0ppôem àqualídadc, eq~1e fe imprime derepois eftetamanhodezacerto ,pois
em o fangue paJfando do fogeito que a chega a fazer que os Pays. merecaó o
/

grangeou , aos defcendentes , que a odio dosJilhos por lhebaver transfor-


herdaó , e deftas naõ ferà taó grave a mado o maior beneficio na maior in-
que fc limita a certo. grào, como a que ju1~ia , facrificando a honra de feus
procede em infinito, A fimilhante ln- defcendentes por muitos f ecnlos ao
fülicidadeheordinariopaífo oerrb dos deleite, ou commodo de fua peífoa
cafamentos ,porqnehaquernnaóquei- por poucos annos. Naó pólie fer · mais
ra que paífe a· feus fill1t0s a dita, com decorofa avi&ima,nemrnais índecen-
qnc nafoeo fegundo a máy que lhes ef- t~ o idolo , coma ô.iífe Wem tib. 1.
colhe. Defies affirmàra eü que fo fora epig. 1 i. -
poffivel elegeraó fen . nafdmento ~a

.. Degener A'llle .tuis "Jl.1aioribu; onznia debes :


Debuit , credo , nihíl tibi Pofle: itas.

Mas naõ fica.fem cafiigo efta cul- ao que der morte a fe~1 filho, m.anda-
pa, que naó tenha em feu t.anto o pro- vaó pôr diante do pay o cadaver do
prio que lhe impuzeraõ os Egypcios: illho , 'e obrigavaó-lh~ violentem,e n-
. te
. !<: .
4'6 . . GUERRETRO', ESÇOL.4- l\10RAL., &e,, · ·"3.:; _:;í __
te a que o eíHvcífe vcnd.o' por efpaço nrnis por todsrs ós mcyp-s ·; ·d~ que g '':
1

d.e. tres dias, para que a dór. de o ha- de receber augrnento 0··.tefprnndor t'fa
/

ver morto a füa·s proprias máos. foífe ;Nobreza , e. ·c útre e~es o.~nais pr~rt-J.
fen mais cruel verdmro. Confidere cipat he o dos. cafamentos •bons, ±eí...
p.ois agora fe. 0 ferà tan~hem para hum tos ·por fcus degráos fo v_êm. em pou~
pay~ o fcntimento de_ver diante de fi cos ·annos a f~1pir ·à ~pli:~meira Noqre:.i
a feL1s filhos naõ Jem 'v ida, .( que f9ra · zá .,.dos Re3ú1us~ _Tenho ·';p<br r<li1~t~
menog ,rnal ):fenaõ fem honra, porqtle deza:c erto, e·r:ô1' d~li&-o naõ fó graY,0',}
o rnefü10 lha tir01r, e acharà , que , .a mas' i1ifame os J.t.afome~c pos~;rqne faz:· ,a:
naó for inienfivel ' efta he a nrnyor faze~1da ' e din:beiro_-, ; p?rque - Í~rn.l'o,.
peirn.;que fe ppde pôr afeu deliéto., O' a limpeza, ,e aJvobrezà ma razaõ pov
fe co t>raífe todo ·ó horror , que mcre- littca a melhor jóya te1:iniJ.(i)1:al!dos m.01~.::
ce para naõirréorrer ·e m ta,9. tbarbara tais, naó ha. preço nenhum· J10 'niun~ _
impiedade -J . , . do, que obrigue ao ·que ~ ventnrofaf.i
.Sef01'.a 'ªNobreza hurn!l •qtfa1ida- mente a chegc~.tlt: -a alcrnn~m· 1 ; a.q ue chP:
. de incapaz de augmentar-fe' e Jdimi:.. graçadarnemte a venda pot' dlnhefro r
1

nuir-fe) nem perder-fe; pudeTa-;füce- ou · fazenda ·, que facilmente .fe g..ft·a


gar nefta cl,ita, ·o que :a log:rou -huma ficando , quem por· ella ,[e ~ cafa, afl.l1n.
v~z , ;poré1n affim como todas tem elle como fei.ls .defcendenfes , fem fa-:;·:
. prindpio, tcni ta0.bem ~augmento,e1b- ze.nda , ' e .fo:nr honra , naõ -poden;-d6
do, ediclnaça6 ; por eftes gráos fe fó- efta adquirir-fe em breve"s annos , e:
be ao al to da m:.üs fuperior, e nelie ef- podendo aquellal:graogeai--fe em pou.:-
tà o rifc,0 do precipicio em fim por fer cos dias. He bem verdade , que: 'a
humana fol~cidade. :Muito ha mifter nobreza necefü,t a de fazenda para: a.
para princ.ipiallá, oque.anaó a herdou·, füa eonfervaçaó , aflim como o cm·=-
trtLüto para augmetltaIJa,o ·q neaachou po humano de fang·ue pará a vida; ~
com princip~o , menos para coni~r- por iífo tenha por difculpaveis aqt:el-
yaj~a 1 o \ g~1e a :a~hou em ,eftado , e les , qt}e por· po?r~ ~fafc~rn a1g1:1tirn
, mais pal'a 1uftentaJla, aqueile a quem coufa "para dep01s íub1rem , ' quand0 1

. jri cheg.a em ·-ditlinaçaõ, de que he naó cafaó taó vil mente, q~1.e nem o po--,.
- commmn r ifco a pobreza pelo ,que derofo curfo dus annos. pôde b_orr::u· ~a
abate nos animos. Em efre circtilo de infamia do cafamsnto. Eftes os re_,
cuidàdos a n10ve continuamente o_ quifitos ·, que em prüneiro lugar fe de-1
gene:·ofo efpirito dos que defejaó por vem examinar, e depois {e deve trà-,
1eu ·ianguc, e nobi·es acçocns diftin- tar do dote ; mas de ordinalio fem
guir-fe do confufo· numero do povo. exame das prendas, e virtu_des do ani-
Naõ, quizera eu que fe contentaífe fó rno, iõ fe cuida nos dotes da fortuna; ~
corn 'ª medi4na. de confervar-fe em o e bens temporais, como fe queixa Ju::
eft~clo, que lhG deu a: forte , fenaõ venal : - '.· ·
que afpirà:ffe a illüftrar-fe mais ' e .
'· .. ..
.,
Pro~inlts ad c.enfum , _
de moribus ultiJna fiet
~üc)1io: qttot .pafêit fervas, rJúÔt pef.jidet
Çt-gr,os? . (

Jugera qua multfl magna paropjide ~cenat? --...


- 1

LI-
\.
PALESTRA 1. LIQAM: XI. <l*SADOS. • .. '41 . SélBÍtlif~s
,i.,:1.-i . , ' __ . . . , . f~,wp1·e pre;za q .,coµ_cordi9~ 1i ~ q-amot "
e 1· t L I , .G. . A M-. :X'l. . . ,, baze~ da felicidade conjugal : & p511~.. ,
•t 1' •• . , 1 .-. j~l'} · ,. A P' • ' qu,~ 1ft? 1;;~1.~o~<. fe. cqnfig,~' .4al'e~os - f

-:Do·moáo com.q,µ efl d-eve hçi'Ufr; a mu... neíl:a hçao''a1gttmas· i·egra:s ·, que tie

.
( . iber com :o.riJ·a_rido, e o· m4rji,f) r ,vem gtrnrdar ~m,v;.iolaye~mt1nt~ 9s ç~~a , 1

, .: , ) com a mz!lh-er..._, , , cl0:s.rpara perpe~uarern a gaz, e uni~õ,

E
Ffe&uado. º.ma. ~rünPniodey!:l q~.~ :51mb9s. ,prqfe,lli . araó pe{~ ..~atriffiÇ>,,.
fazer pa_1~t1cul~r eftudo o Pay · füo, e c_om~cemos pelo mando.
de fantiha~ p,o trata1;m~nto (fl~ : ,,. 4 pr11p~1ra ~·ttgra.:; que deve guat-
, fna mulher' e ena. )1Q de ~e~ ':: qfi).1: ~ 9 rrrni:~dQ, .he 'o àtnãr muito a fua -
marido, p~í·a que o vinculá~ que pe- ·mulher, porqúe nrais forçofo meyo o
lo11n§l.trimoni9 c0ntrahi~ta.õ ,Je.j~ huma PilJ'l 1er~~µiac}9 ,he Q am.~r ,, como can-
liv;ret, e fuav;e :p1'i:&aô.,, em qu~ eft~iª i§& o n~g-q._ YYem : ..
-· 1 1 ..~; ..~ ~ ; ) . . .r·
-. . ~ '~
. . .
{ J
~- .
•·
J ~
~ . 1 ,
~

Laudatur mt?:i~ laudator- ' -.;~?tfµ~ .. p/l(fl(Or:


· . Ergo, ut,)quà'r!ris, ~au-jja, , , t;t(.a1!Zer:ih, anta_f t
• ',_.' • . 1 . . 11· 'iff "f ~. ; (-
~'r:_.~ ·r· . "·, fh . -·r· .,. .- ', •
.
·'
t-

1. Eeõr. 4_op d~fpoJ:qrios entre. os. Rom~nos 1


- · t , ' 1.
De 'Uliffes ·tljz Ariftotçles ~ iib.
' j

nom. 'CajJ. -3· · qlte · naõ ··bhl.foou . outro~ t:ergun~~rva p efpQfo à .efpofa, tú , 1m~
para·{a;zer-fe amar de fbut mulher Pe~ l:et;ís @.oa ~~.e fl €ípofa lhe r~fpondia fy
rrêft.-ope, qu~ am,àJfa; S~rvio T1Jlio foy tu,; .fore~r $.ervio Tuno, ~u ferey Caia
a.,idêa dos Jnê!;l~idos ;. y co-m o amor Ce.qilia. ,9,an.eJ nupcifi~ n,aó h-e-.cadê~
·que teíVe -a fua mulher Càia iGticilia ,Jt de-eforavidaõ ~fenai5 vThculo d~ amo1~~·
'J):bwig0u 'ª ámttllo d:e.manrtita, c111e foi '" YfQci@dade ,. ,cqmo ent~nqeo o µ9,f~~ -
i'çl;<êa clas m11lhe1:es ~ deíort:~ _,. ·qu\ dâ~ ,v;vem n!}$ i:eguintes v.e:rfo~:
~ui n-afceo, q itie em as rfo}em.nidad~s , .. . : , . ,
.. /. ' ,
J. 1 t. . .._ ~ ~ ' ,._ f"..t l Ft f ;J' :(C I ) • , •

r,~':Anul11s ut. .jponfte fpondenti.·,q/1 11mtJ.flt~ daretur -., " ·


; ,. 1. : Moris ·.er.iilt~ vetu~, , hoc p~gnus amor-is ~r.at. .'
'°.' • ~ f• ~
d.e:ve pois ent1-ce ambo~'fer reciproco JPªXª -gva~·dát .a Íua e,àf~. ; já hlai,s 'f.à~e
J ' I!. i" " • , ' ·' _: ' • t l''I' \_. • 'L •". 1 • '

.n )ap1or .ten~~ .{-ocie~lade ·e1n a ooriJ- ~ ;Çiell~~ Qlita:JÃ:4o, ~ian~. foi'.; ?ffi~hr .-i '\lP ·
mwm fucceff'<il@,, © fm.·tµmas ,, m.a:s neft_a pa,rto d,e 1 01.~tlllpms_ , ~qraf9~1 Ero{F1::;i.,..
, -~ornnml)llidad~. de bens faõ-._differ-ent~s itP ,-10 fieH te111plp. ; !1µa~140 a m~nwr
~· os offi.cic:>s, :pe>rque naõ . p9d_y_a l)lit;'l~ .. ~fo.h~ d-e-O-Jlfa,, @,ntl~q.~ e111 cafa ;as ~e~o_r..;
lhrer' terd:g-rnal~:wtbnri~de,:piorqüena-0. des., e ª~*;da_, )1~lfa ;iiaf) #a<lg . f.y1~ ia p~.­
tern igutrl talento. A·lium, e >Cmt1~.o deiu 1-beç-a. ; p0nqi,1er·d-trns.çabeç~s .e1u.Jrn.,P,a
·a na tareza ':~uabid-a:cl~s contraria-s p~ra ' caia foria;õ do(Lts R~y~_emh;um . :R~}fl19, ·
-10 mefmo :fim.1 .. 0 homem he '.próvicló, J.TiOB.fh0 ,pe .düas c~~gças iíl.imig:0., dê
. ~- ard.ent:e' J3'm.11·à adiquirir , a rn1üher : f1 rµermq, ~ ipo1• iífo ·1a ~at,m~~z~ ·~cpp1 ·' 1

. he .t i,rnida e'tenàs para guardar ,.e tem ·o cabello ., ,e a l~y .co~it .ç>;l)l1ran~Ó b.\Gt.il-
c~pacidade }~.a:ílmate para gov.ernslr a., -ta~a: cabeç.q. :P.a mulher,;, p.oi:que ·~1,là
-ea~~,masrr:xoparagovernan.·-fy a,fi pro- . nao tc::m -outra ,i;:,aQ~Ç~ ·' ·~n;ei.m , ,ql1-~lª
· prra-. , ._ . _. · . ' vontade fonaó a cle feu p'.\airido ~ -~'(tl- ·
.. &aq:ninaf~e fegu·nda J.·eg~·~, que ,he d0 incompast-ye;i$ dua~ ~ O\ltaçles. <;>.m
·- nao con[~nt1:r ., que Jua .rnulh.er go~ - .h\lfilr1c;0,1•ç,ç110.Jo ,, ,OJ::t~u_s . c01:a:~·~~}lS ,
· verne :liyra ,de .fü·a cafa coufa a1gu~ icom a ooncordi3. .. · ·
ma. FiFGlias téfe~üpáo a imagem da .1nu- , A mulP.ei~ 1 que.obe'dece a feU.1t+â"'
lher com o pft fo.bre . a formiga;. ti~ 1·i4o tanµci lhe' gra1.1gêa,a:vomade, diz
m~da ferpc , que havendo nafcido S~neta, .qlfe ~.arece qu~'- ên~áõ .{i. qre=
. ' · ~~

!
I

J~ .t ,
'
. ~
v {iUERRE .rQ,
../
ESCOLA
'- '

MORAL; &a:·.~.''
d.01hitia; quánto mais obediente fe lhe- cordando as razoens do conforcio
fbjeita. 1 •• -'I l com as Gbrigaçoens da obediencia ~ '
• " " ·

Cafl.a ~ali.~1;a pa~enitó.' imnet·at viro. en~ender~ ;que J?:e.paó he lic~to mé!n-
. . 'Jr e,·~,~ J _ '1' . •. darfendoobe'd1ente,netn 'totalmen-
E ~~qui v-~iri_ gue a miilher ·naõ .hade _te fujeitat.:.fe ~endo ~c~nforte, affim o
fuJ~~tar-fe - E,omo fer"'."a.; nem n;i.amdar ent~ndeo o NOífo Jo~o de VVem 110
cbmo ferihófa -de fe1rma-ddo, más con'- feguim~er Epigrama -= ·. F.·- .. -
:: • l_)' r1 ; , I '

·~ Imperar&- ip'f;;-nihit; qttod:_ :v'"is tamen impetret ux9r


. l Utere ne'c ferva COJ1juge; nec domina. ·
. .. ' ,, ~ l '..t - . ~ i ·..., \. - . .
. ··!'"
· E tambenr daqu:i procede a cóm a fua fazenda lhe compré Já . flfá
1 ~et- 1

ceira regra, que . fénaõ góverne· pt1r honra, e fazendo a ftia :flrl!üher o'pr,a.;:
.ella, nem lhe comunique as _coufas .to,, f~Ja ~N~ o prato _das murmura-
1

que nuõ t0caó ao }llizô ·êlas mul#e.,. · 1çoens;feovi'l·ert1mtty .Vip-ilantegua1~- ­


res,trate-a é'om a vóritadê,"enaô óom·10 "•d-a 6l'e fü'as' hquezas' naó faltará quem
entendim~nto , e de tal. manejr11 lh~ infeitando a füa mulher, defenfeite a
'cÕtnmüniqu'~ ··6·an1or:·, güe\nem eJJ.a fua fariia.. ' N à_ õ ha pre11élas decl.efel!i,..
fkiba mais' que· amallo) nen)'. ~li~- ~àis 'çaó _, ~e bizarria ., de galla ,- que affim
;qt1e a mall~·. De .h\1ma cofta· v1zmh_a --o?riguem a~m~1amulhercomo 11.s ·ctaT
do coraçao-formou D.eos ·~ ·mulher ; ·d1 vas, como o mtendeo o meftre d0s
1

·:naõ à ·crib'n ' para cabéÇa fenaQ. phra aiilores Ovídio: as mayores ptêndas
·cbraçaó qt1e !he donde Fe~ oa_Pior o ae hum ho1~em para .obligar lfe em--
rreu aífen~o· , é_q1H~m ~onfultará, nem Jpenhar todas as fuas p1·endas , :tnelh©t
pedirá feu pa1;ecer ·athuin ·éorpo fem -lhe parçcem' ms 111á'0 s "de •Midas p·au:..
cabeça , fem fer taó tronco , como ''das porque.vertem o~irQ, que. as~-de ,
aquelle, a ,quem c9mmuniqua? ~m. a Narc_ifi? derramando jafmins,ou afron-
diftruiçaó de mhitos í1t~ynós foràÕ· tando:-os ·coni a fua b1·ancura. ·
total caufa as mulheres ,"porgue-feus . A quinta ·he que fó o mqrido he
éfpofos, OJ.l ª l/ligos ,as fizerao partes feguro· efcudeiro de fua mulher, em
'1em as ribticias ' cfo"'govern0. ·Sempre deixando-n daniaõ a dei'Xai·à a razfrõ 1

lhe"foi mais_da!1nofo o'faher, mais que · da'füa, e lhe fucced~ra ·quiçà o que a
- õ f!"lllár: imnçá à mais. fimples fez •fál-, Moyfes ,'que .em foltando da fúa, maó
·J rli',.ô faber ... ~Abraliaõ' , e-.--Sára. foraõ ~ a vara fe.enroftou contra elle ferpen-
1

-~excellerttes ' t:afados, e Deàs til•ou,.a -te. Que ~· mulheres ' ap:artµdas ·de feus .
~·~~f~ ~ qu~ ántps fe chamayâ Sai·af h~- maridos fe fizel'aõ ~montes : a foberba
· · ma leti-a ; e a ctefcentou a Abram J de fua formofura ·as· converteo em 1

(clíãmando-lhe Abr<lháín: Haverá i=mz , féras , e a-pouca condefçendencia em


. entre Os -cttfà l:fos tfrando ias letras da . os mai·idos baftou para fummo deza-
·_mulher ,' epondo-as 'Il0 1 marido. Eín fogo dellas ; pornao dar-lhe hum leve .
. querénd9 fer.càbeça a fnulh~r -he'for- ' di1gofto ,fe perderaõ, ·e a~ perderaõ. t
s. 1ça, queeftej aenfarmo o coi·p·o-ecoí:io- Contender com a mulher, 'oulouy;aHa
' . mlc'o . d~ %iríilia', pol'qué-9ffos.apart!a--' em prefença, de outrerninaõ con:vém '
- Cios ·de füas -jí.mtas, e tirados ;do ' fé}1 diz-- Lucio Floro : cum itxore neqite li-
: 1tígar' nat~v~ àté qúe os reduza a- arte ' . tes · ' . neqm blanditias· p-rteflntibus -ali'ts
' occafionaõ tl.trba .5'aó , e tormento. ·- e,.;ercére conrvenit ; porque hmna, e ou-
;:.. quarta q~e e"on fide1~e o pofivel " tra _coufa he perigofa ., .e p.oriifó he. '
- de fua ienda , ·e fázem.da , e ufo délla· confelho prudente d~ VVeni evitar
p~~a os g" ftó_ s· de fua familla 11à0 -aye- _huma '· e outra coufa: , .
gateanao ava!"º , porque haverã quem'
' . '
J

._,,
1
. ~)
PALES'J;'RA I. LIÇMvI XL Sô~RE OS CASAbõS.
F_remina mólle gettits ; twpes preclivit ad aêius :
.
Ni vir ftt cuftos, ní pudor , atque metus.. ·
A fextâ que os atdotes dó ãp.pe- .fri-getio , já o deixou efcripto Wem
ti te, e fezes da copcupifcencia en.1 os· nos fous epigramas ; ·
criftais da mulher propria achem re..
· · . Qulfqu1' juo bibit in vÜró , môs úil.iis bi.c efl . ,
Advertió Ariftoteles em.feus proble- fer ley . Em a criaçaó domundb tfüi...
mas , que era eeremonia em as vódas ton Deo!S as linhas para as bôdas, em
.dos antigos prefentàrem-lhe fogo, e que havia fundar-fe o feu aug:mento,
.agua; em efta fignificavaõ a mulher~ e f~ para huma mulhei; cí·iou fó hum
,cujo .natural tira mais ao aquofo ~que h ornem , taó pouco mais de !rnma
ao adi.1íl:o ; no fogo íignificavaó ova.,. mulhe~· crioü· para hum homem. S.
raó por feu natural mais ardente; e Chryfoflomo homilia 32. in Matb. per:,.
como na mi:{turà déíl:es ~lementos naõ füade . à efpofa qrn~ fó para feu ma"
fó fe mitigaó, Te nâÕ tambem fe apa~ ridó nafceo mulher; e peTfuade ao ef-
gaõ os arâ.ores do fogo ; affim qui'"' pofo que fó pa11a fua mulher hafceo
zeraõ fignificar, que em o efpofo naó varaõ, Iguais os faz o contraéto ; e
haó de ter mais egfeta a·s chamas do _naõ foy, porque hade dar ao homem
appetite, nem haó de durar-lhe as·fe_, mais liberdade o appetite. Diz San..:
des para mais aguas que as que brin- to Agoftinho no livro decem e.orais ,
d.a em finceridade a mante fua efpofa ~, defeja. o mal'ido em a mulher conti~
e daqui fe acredita o coníl:ante de fua. l}.encia 'é naó_quer ter em fi o que ro~.
honra no fogüto abono de fua fama : licit!l nélla; q~1er que .fi1à efpofa fay a
Si mulier cognóverit · flbi ctJjf1.p1t vi:.., yencedora nas bàtalhas do appetite;
r-um; & fidum; iP.fa quoque cafla; &.fi"". e faz galla de fer vencidó. O yaraõ,
da erit , Os fü'dores do incontjnént~. he a _c~beça da familia; e da mufüe1• 1
Rül' mars que fe deitem a peitos às e andando a mulher aos pés do vicia
côrrerites , a que os enc~minhã feu quer qüe os·pes füçaõ officio dé ca--
appetite, no çujo achar~õ 9Jços ;_ertaó heça. em a 1•efiftencia, Se a econó_mi-·
fati.sfaçoens,; . nova chama. encontra-:, ca fe hade ajuíl:at às leys da i•az:aó ,.
ràó; porque ha fógos q_tie o~ Jifon-· corpo hade fer a rnulher, e o homem
gêa como fe fora [eu patural alimen-- cabe._ça, pois que nee@ffidade he que:..i ,..
to : o fogo do alquitraõ cebo encon- rer ir õ homem flonde a mulher o
tra na agua que o nutre, e. naõ refri-: naô aco11.1panhe ; o nu::fri10 he que
geria que· o aplaqüe , aifim na · aqul~· pertender d-i vidir do corpo a cabeça ;-
tera encontrará o ardor mais fede qiiá- fé deve a mulher 4 feu efpoio, a mef..:
to beber mais. . . , · ma fé lhe prometeo a ella 1 e hc efpe...,
Taó poderofame11te ha chegado cie de tiran.,nia obrigar a_que pague
a muitos o fumo; que levantaó os ar~ porque deve; e naõ tràtar ti.e pagar
dores da torpeza, que haõ chegado devendo r milagr@s pede o 1narido
a _penf'}r que a religiaÕ'eftreita do ma""'- àivertindo"'"fe; e ejpeta em fua efpofa
' tri~onio fó para-. as mulheres fe faz. recatos; menos obtigaçaó tem a mu.'..
Nao aggrava hum marido ainda que fe 1her a titulo de ]]).ais fracá '" ouça o
devirta a muitas mulheres, e offende marido a VVem que em metháphora
huma mulher fó cqm olhar para outro qe fol s e. lna àifcltlpa a mulirel' em
homem; vejo o coftume , mas naõ os eclipfes fie lull ; e eondcnna ao
acho a razaõ que ha introduzido a mariqQ nas entercadencias dç fot .
G Eclj•
, l •.
GUERREIRO, ESCOLA MORAL; &e. .. '·

.50
1

.Eclypfim raro patítur foi, luna' frequente1 , .


· Eft magis · ad)ótpfum. .f&mina prQna .viro. .
Poi.s fe fe arrima áo exemplo de feu Afegunda heque lhe guãrde füm...
dono beni pôde temer ô 'marido _ag-. ·rua fidelidade. em ·túdo, e principal- ,
gravos, fenaó ev.ita contr.~ a .mulher niente na honeíl:idade., poTque efia he
- as offehfas. Ser honefto , e continen:- ·a verdadeil~ gaUa ~a rnulher, que de--
te he a melhor reg~·a p~~·a . ~obrigar a .. pe1~de_ .della pri~~ipalmente, por~1ue
fello. · · .· ·' confervando a honra de feu mando
Sefa a nltfü1à naó fofre1.. a menor ·Gonferva a fuà; e confe1~varrdo ª·fua:,
accaó inhoneíl:a em fua mulher , é conferva a do inarido ; tanto a preza.;.
ta111bem antes de fe moftrat ciofo exa,.. · raó algumas genlias, que pela naó. per·
minar a v~rdade da caufa dos ciumes, derem , ou pela havetem petdido;
e avirguada . por verdadeira experb- chegaraó a titat-fe a Vida: exemplos,
mente a mulheÍ' pdmeiro o caíl:igo , ' que nem faó , nem devem ·fer para à
regulado pelos diCtames da hem conf~ imitaçaó , como prohibida pela ley ·
ciencia por hum taó abominavel deli- natural ; tecomendaó bem a eíl:ima.:..
to , que ouça. a ameaça: e fo a mulhet çaó que defta joya devem fazer todas
for cafta , e honeíl:a ferá jufto fofrel'"' as ca1 ádas ; como fez á rtmlhel' de Af-
la . ainda que tenha todos os in<:lis vi- dubral o mayor capita6 de Carthago,
cios , porque já mais os vicios das 1 que por naó vir às mãos de feus inii.11i-
mulheres honradas foraõ impedimen- g;os com petigo de fua ll.oni"a, e defeu
to às.\õirtudes dos maridos , e por if- tnarido fe .crueitnou : a mulher Anthi-
fo a exti:avagancia deXantipes já mais chena, que p@r naõ perigar ·afüa hon-
pode oifender ao Philofopho Socrates, ta, e de fe~t marido fe deitou de hmrrn
.n em a de Paula a Cataó o ceJ:1for, nem1., pbnte em ·h um tio. Efcrevé Virgitio ,
a . de Efcribónia a Auguíl:© o Forte, tib. 8'. da Eneida ·, gne Cefür Roma-
nem a de Sabina a Adriano o Magna- na quando fü.gio do exercito de Pot-
nimo , antes naó as podendo fazer foma, trouxe a cabeça de hum Roma.-
melhores com ~dvertillas fe fizeraõ a 110 ,-que a havia, violendado, a feu ma-
fi nlelhores com fofrellas. :Q'ifficulto~ rido ., e depois pâra fegutallo que nUn-'
fo· empenho he ,guardar a huma mu- ca pül! fua v011tacd€ quebrára a lealda-
Lher ; mas fe o marido guardar eíl:as: dé que lhe devia, fe deu .a fi mefma a
regras naó he a pertenç~ó dezefpefa~ morte diante delle. O 1nefmo fez a i1of-
cla , .e ferá facil fe a mulher guardar fa. portuguez~ Ormia, como efcreve
as que fe feguem. ,Manoel de Fa1"1'a e Soufa no Epitome 1
A primeira reg1·a , que deve gu~ I. part. cap. 7. num. I 3. Lnc1;ecia fe rna-
ardar a mulher cafada he depois de tou a fi propria por fe ver violétamen-
amar ·a Deos, o amor do marido , e te violada pôr Tarquínio. Panlina por
a obediencia, porque ·amando, e obe~ fer deshonrada por DeCio Nurrado.
decendo . a feu , marido , fará com Julgando todas, pofto <.1 erradamente,
que feu marido a a1ne ·e eíl:ime, e me..: qüe faltas nahoneíl:idade ainda que fe..:
recgrá . a graça de;Deos Ex Ephef cap. jaõ occafionadas da violencia , lia o fe
7. por quanto he preceito Divino que foldaó menos que com a morte.
· a mulher ame, e obedeça a feu- mari-. He a fi.deli~ade, e amor hum vin-
do, ex Matheo cap. 15. affim como culo que de tal forte líga as diverfas
li.e extrema de~honra do marido obe- vontades do marido, e efpofa , que
decer à mulher, como diz Hodoreto , nega o fazer divorcio nos defejos as
áffim tambem he extremo credito da que faõ fielmente riciptocas nos affec-
mulher obedecer a feu ma1!i-do. tos, affim o entoou a mais temperada-
. · lira ,
PÀLESTRA I. Líç.AM xi. SOBRB
1lra , que em todo o a.ffumpto afi- d~
1
bs
éASADOS. . 5
VVem nos fubfcq uentes veffos i
non a doçura da confonanci~ Joaõ · , · ·
Füer_urit'. amor·; .~tqtte jiJes divortiá hib11.qtia1it
Non jufpecta ji~es , fafpiciofus amor. , "
. ''fetceital qtte o fea tra~e üaõ feja: E'.nganadb íiefta ínateriii perftrndid~nle
vil,neni pompofo fenaõ co~io de'hmna füa irmã: . ·
grave. níatrona, porqüe ie fe ~doi'rta · A qLiai•ta que.nó f~Úlar feja hrari<la ,
para parecei• fo1•mofa ao mari~o fáô e mança, e naõ diga nren t ·ras penfando
fupediuas as gallâs, 1fe pata parecer prinieiro aspalavfas· do g_u~ as diga; q
bém a outros faó afrorttofàs ! quem no andar naó feja apreffad·a , mas vá
branqueà a torte chao;ia ao~ pànfüos. O pou8o a pouco, p:;i~·a_c1~:efej~aomp?ft~;
Jµipe1·~tlor Alexandre Sevei•o trazen..: e modefta; no 0~1vu1 fü3a de ouvn· mas
do"lhe c@rtos Embaixado1•es düas pe_. palavras_; no olhar' feja muy atenta.; e
âras -pl'eGrofa~ , e de valot pal'á ·â Im..J acautelada eftando fempre temendo ;
pei at1•iz .naó conf~ntio .q ue e~a as ti-: EJ.ue feu· marído'na:ó receoa por.ella al-"
1

véffe; e·as offereceo ~~O: templo de .ve~ · gum aggravo, ou pezar;rio 'ttüdadó da
íi.üs dizei1üd·,'q ue coüfas tais rtaó .coh-' ciafa deve velar para que-as ebufàs díl:ei
vinrrâó fertar0 a.Qebfa da deshoneftidâ~ jaó, ~ ándem fen~pre bgm conc ertadas~
de: E11i Rõnfa · ~ poZ>bmn ·edJt@ p11bli- e n_:io fe ~ntrometa nas c~ üfas que lhe
€o, que.foâ~f a,mulher, que inventa[e nao tocao;nem nc governo de feu.ma-=
mgurn. genir0> de ~r~ge novo rom~ 10-" 1•ide pórqne nào deve querei• go'ver~
gá de,fi:etrada 'ctJm feu 1mn•ido, éllá pe-: Bar a quem: efçolhcto para a goYerüá~·
lo háve1•iffitentado { ee1lepelo·haver aella, · , · · ,- · · · ~. '.: : 1

~onfe11fid0, E naó meno-s deve fer cui-:; - A. qtürttá o recoíhimento pade Iiiüy
dagofa env11áó ,tlfar, ds -cotes , e finais eifenciaf ·de toda a mulher liom•ada ,
. noroftro,epolvilho~ifàcabeça, por- COITTOdizVi'V eS lib.I :,_ C.I. aluáq \Ia11-:
·qúe diz SâhtÔ Cipviano citado por do fe ajunta u-0111 o Sol' ocoulta-fe,. ·e
Santo Thomas 2 •. 2. iqufêftione 1~9. ar~ obfcurece,,;fe·; a mulher hóm'ada hade
ticulo; r. & 2! que t9das as mlílheí•es fer 'pelo contrario ;fó haàs appa1;~ce1•
devem a.lidai' muy adveitidas quenaó ná'prefença defeu marido ;-e na aufon-:
àdültérerri aJeitm«ar;-e obl'a: de DeoS' eia o6cultar"fe• Plutcwch'o in niora~, l)aÓ
. ufandb de cotes lGmx:as,, Y~i<rne1has , had~ dar; paffo que o marido naõ iniba ;
tiegrás ~ e otit1•os (medicamentos ; e ne1nfah' de oafafem õ faber fou1na1~ido~
,cortfeiçoehs que müd@ní os natiyos li.:: p01•qp€ he tàó eftranhado n huma nit.1...
niamernt.0s..,1p'Orque pôe1rt ás niãos em lhe1•. faü• fóra de cafa fem e fabet ~eu
D€oS (}_l1:mdo eirtendeni reformar marido, como fo hôu vera commet1da
ãguillo ; que elle n©1:mou'. fendo ini:'.: hum adültetio. Dü~rt~ .Nunes· de Lea ~
:pugna9a6- ~ia ob'ra de .Deos '~e pte'Va-' rta füa'difcripçaó ~e J!ortugat cdp. 88.
ficáçào cla vêi'dáde, e_{) 11ao póclem diz~ q a mulhe1r.11ao falia coin os eftra..:
ver quando naó tem o~s olhos; e cara, nh0s ienaô na prefença d~ feµ marído ~
que1 Deos lhe poz ,,-e· féz, mas as·que poi;que toda aço11 vel'faÇaô'ftn'tiva gé..:
1he d@sfez 'o diâl50~ P,edià o efpofo à ef-= l'a êv'idente füfpeiti:t ; ~toda a füfpeitai
p~fa qüe lhe moftràífe ·d feu roftro, e fe toril~ pela pê.01• parte porqué o co..; ·
naô_ b ~lhey0 quat h~ o enféitado: raçáõ liümano '·p1•efagio della ; ~e.nd(j
Mmtd chorou Sãrtta· cath::i:rirta: dé pà.ra a parte efqnerd.a como f ub~ihfoi.J!
Se~na ; ~ _que- o ,0uveff~ b.uma yez VVem, ·
r
GUERRfutl.to' ESCOLA . ~º~~' 8z:c.
CUr .non. in aextrâ potius , qttàm par,te. ftnifti•à
'Ponittw humanum cor ? quia ~teva fâpit. · , . . .· . .. ,
E fe o màtidG> na6 fufpeita da mulhet ·, nha ~anta Izabél filha delRey D. Pe,,.
fufpeitará D mundo domarido, epata dro de Al'agaõ .os ·dezabrirrierttos e
a evitai" he excellente regra a-que dá ciümes de hm marido o noífo·Rti!y D.
Plúprchu .nqs pr~ceitos económiQos ; Dihis , nem a Dona Biringela R'~tnha
·queam.ulhei'cafadafallefóment.e·co1i1 d.e ·Leaó, filha delRey D. ~ft~:mfo
feu mal'ido , e pela boca do ·mariào VIII. aquelle qne poí' fmts virtudes
' 1
·c9in bs efhanhos. ·· . adquÚ:io ; e com feu Valor vencco .~
. A fexta, que naó confintã ·entra!',. celebre batalhá. das Novas de Tolofa.,
lhe en1 cafa mulher de !llào p1•ocedi- que foz ?r·o~ontorios afdeanos cdm
mentó, nem trate fenao com mulhe- duzentos mrl cadaveresJMtmtos com
tes de igual qualidade, e procedimen- p~tda def~ vinte e dnco fieis, ore:..
tos, porque tais _fore~ as mt~lheres pridio de feü :tnatido ElR,e)r_, D. Af-
éom que tiver amifàcde.; tal. fe julgai•á fonfo pe Leaõ, nem à" ço·ndeça d~
o fett · p1•ocedimento ,~\tiZo ,,,.e .quafr- Botgonha a ing1·atida0 .~eom que a
dade. Naó bafta à mulher cafada o deixou fendo Rey , o noífo_D., Atfon.:
fe1; hmirada , n\as he neceífàrio que o· fo HI. a qttem ella_fez feph0ra:de fi_ r~
féja , é que o pareça, poi·que a honl'a do feü eftado fendo pQbte.-IJ1fimte,
éonfifte ria opiniaó , e fe efta he mà nem a- Dona Mania filha: qJfl tJ.QffO Rey
pouco importa qtte aqúel~a'feja boa.. D. ·AffC?nfo IV •. ·ios 4iv~rtrim~J1tos de.
· · A ultima , que ainda qti.e feu ma.. fett marido ~~lRey··· Dt Aftbn(o . com
l~idQ feja viciofo feja eUa virt~tofa; p~n·.. Dona Marra· ·dei P<!dilha ; e· de_btrtr~·~
qtte os vi cios ·do marido nao livrao -a _muitas ·, que;rtaó lh/? peffiv;el.rreçluzir ,·:;i,.
mulher .da Obtio-açaõ que lhe tem, e numel'o ; pata .qu,e naó .fatisfizeffeni
do que .deve ·a Pi_, e as virtudes ,.que às obrigaçoe.ns de feu eftado f_e ab que

por fi deV.e,m fer amadas ' e exerci.. a·fi t~1efmas d.e.via@1 ~ ' ( e ,.., .
r f·

t ada s fém· mais refpeito , e ii:itereffe ·


1
bs cafado·S,;rque ·def•etn ·credito
do.que refulta a quem· as poffue; an- ·às Vetdades p1·.optias gôzar.àó com fe,- .
-teS\ ql.kmt9 o rp,atido fo1• mais , mào-, licidad:.e feusjtít~b·effes, ~, os -~ue. a el""
t~t?-to· póde fel' a'múlher mais virtuo.. las liào derem c1~edito, verào, na fua
fa, porque terà mãis em que éxercital- ruína 'O. feu engan0 ,_e cl1orpraô com
Ias,; ·~rna1~ 'â hum marido amante, fet lagri,ffia~ de fan:gu~ , (eus ernQ.s 1 à tetn""
cafta â hum marido corttinepte, obe"'" po qüe.ho ar1~eperidimenÇo na,õ tenhtl
edcé1• à hlim ma tido contine·nte; pbe_. lugar <i> remed±o. Nefeio ferà ,o mari..
decet a hum 111atido arrafoado ,. fel' .do pel'Jtendendo· ern ,a~inu1h~~) arfe q1.te ,
fiel a hu~ marido l:-al , gc_>ve1•naí· J be~ elle ~h€ rtàó gü~rL~a , né~~lo ·fe quize~
~ cafa de hum ma.r~do prudente pay fer Ío em ·os c~1·1ttlios nao ©fendo em,
de·fipnil~a·s, fobre for obi"igáçaõ, h(t de"' os goftos , tlefcio :re com,.cmavenien1
vi.do agradecime}ltO; mas àma1• a·hum cias ·do intei·effe .p·enfar deffi;le!)til~ os
marido , que a âbotrece:, fei' ·cafta a olhds ;. nefciõ> fe ao matritft©nio per~
huin rt1adâ6 incontínen.te , fer obe"" _tende.fó.as goffos, enaó que~ier. par';
die?te a_ hüm marido defai-r:tfoadO , te em os pezmteSJ;l Eefcio1fe p~fume
fer fre1 a hum mnrido traidor, apl'o.. que as fêdes do app_etitefennõ apttgaê:>
vei~à1• ·a.cafa de hum m<1ddo p1·odigo ·, !)Os ériftais dâ piõjptia 111rul:h~r., netetó
ttlé.m de fer óbrigaçaõ, he vittude, e Je pettende fer rtirnado· fé.m1íer aman:
cor1~erpohde11cia tanto máis genetdfa,, te~ e firtalmen tê',; fe;@n-ia a mulh~t tan-
qua~1to merios filerecida . . Naõ foi im- to·; que confertte govel'nallo.Ne1ciafe-
ped1mento às virtudes da noífa Rai-- .rà,a mulher,qüe procura que feu mar_i'"
' do
... . . . ..'?At~STR~i. ttÇA~i~t. sõnft~ ) 9s~AsAbõs;~ _ - ~ . ,$l '
'dó â ame . nfü1to, ie o nao ainar mmto va copia ina imagem: Sao.appet1cidos
mais, nefoia fo-intenta fer ob~deéida a fia ó fô para êonfe1•va1~ a ~rpeeie ~ ihás I
quem deve obedeéer ,-nefda fe; í~ndo tambenl. O·irtdl.viduo ~os pays; por'"'
cofpó do marido} o pe1•tert~e crove1~· qüe os pays moços fufrentaó ao~Hi­
~át com? éafü~çá ~ nefctfa 1e folicita· lhos meninos , e os filhos n16Ços aos
f'aber mais que o que pert~nce d~ fu- p<lys velhos, e volvendo n \tida abs que
as po1•tas adentro, neiCia fe prefüme· lha dcraó;pagaónquélle bêrt~fició ,que
' viver'· fendo inhonefta; n~foia-,fe Gui- fi~naó pódé pagar: .Saõ ·ngceffai~ios pàl'á
da, que bafta fer honradà fem o pai•@- afoêiedade ecortón)iéa: p01•qu~ i'eqtH~~
<:er , nefcía fe i.n~~mta fe1~ éaíl:à ViV€11-· l'éndo . . fe duas coufas para t_odas as t).i
do ..~ciof~ ~ 1teféia· fe vive~do fem tEY- peraçoens_luunanns;iíl:t9.he,fal:le1\épb.!'.
collumento, fo perfüade viver ._fem)a- der fae feltsmente .eíl:a grande obrà do:
. ~éo; nefcia fo q uerertdo vi ve1• fom fal- . govy1'11o·'<tomeftié0 ~ ·q uandà fo.uném
tas acompanha com mulheres , que confelhos-ele vG!lhos ~ e fürças de tn04'
vivem cbnl' notas, nefoià . fe ·,. fertdo ÇtHt He Goufa natutal, que os pays·
mal governáda pertende fin• riêa; iief.:. á~1eni mais aos filhos; e âs mãys as fi~
éia-Je q uerendd viver fem manchas nÇi lhas ; potqu€ ~ada h\!Ih ama u feü 1
'

f~trtª.' vive é01rt poni_pas naS-ga_llàs, nef~ fimi~ha~té ; e, yot iff? ~e . ~~1. do-
c1a fe , fendo. falladora , perrende fel' amor ~e da Naturez~ , qu~ o pay enfl'i
~~avida, por re~úd~' nef~i~ f~. ~~~gi.~a ~e ~s. filhos; e a ~á~ as filh~s ~ poiiqüe
que o fegredo podé ên:cobnr . os de- parecendo os dou:ti~m~do~ a qtiem..os
feitos em cafa, fem. que o tempd os dà.utrindli fos filhbs fejaó ge.iietàfos,
venhà a pôt ~m p1 egao ~á p1'aça; nef.i
1
e ~ufados , eás filhas teme1'ofas; e ho~
eia fe e11tende ; que os viêios do nia;. h'êftas"° . . _ , .
rido pódem tj.ifüúlpa1• bs dezatinbs qit . Nafoid.o d rnêrtirld · fie pó is, ô pfi.!
.111ulliêr ; nefciá fiFiálmélifü f~ conft-' híeiro cüidado de feüs pays p1~ig-v~~
dera que a mai01• rteceffidade 'do mun.: i'eni.:,lhe o .alimento pa1;a a vida , e
do pód€ difpenfar·comam€1io1• ley ao. rtaó póde dúvida1'-.fe qtié rtenhum li~ .
Mátdmonio. tnais. p1•opo1'donadd pâra"€011fei'uat,.; ,
. . . _ ,; . ~ . ,. . lo ,,_qüe aqlie~e, quYJ lhé .~~~ ~ .fêr;
L I ç A M ..Xít · ·· .r1 .1 e áfüíri os pBitos da may fao rriâts na~
" · · .. ". . , hirá.1 nlinierító .dos filhàs tiinda .q_ue
Dôs filhos, e cuidado na Jua erlaçttffi 9 leite qa mãy l~gitiiliá fêjá inenos·
, ~1 , fãl'i~1f\rel , que o da efthínha ;, po1~que

S
A?
, • . • • .

os fil~d~ a 1eg~fidà. <;;~ufà f ~~ àirtdà os .ven_ends ; _~ 9.ttê .,r.e ~üflú~


que coníhtne htupá familia; e ma hum hd1.nem . d nutrem em vez d~
cor1•efpdrtdêrri, (;!ftés' .aos Na~ mátá~o ~ .cortiô lêmds, de Mhhridates
. bres de que f8 cpmpó@irt:-'huni lléy de Ponto~ â .d~~iêiá qrttJ: dobrou,
R~yri;o ;' com.o já diíf~mos. ;' faó d ft{JV<€mgzes q ~ufrent~ -~à. qüe .~~-~i-à..:
ptmCipid da t~liéidade .dos . êafil~ pda\fil:ãj"' d fic'l'tá conto p.atlii:'áh~tobem­
dos; potqué fao d p1·~neipiô do amor, ~áis áGicdrtimôdé!~O ã f~~ ~,ofup~fü~aó~ ,
éortjug<rl ; e pot "iífo a ància tnais Favol'itià .Phrlofóphd Hr ou a m~tád~ .
'freqn~n.t€ ent~·e os·.oàfádos ., favrJre= do tihilo. à máy ,,rt qüe êo~tentàndo.:-fê
~ida dos itnplH(os .da Nàttrrezà ,d1e. a ·eomhàvei'-lhe dad0 àme~~dê dd fer;
.fecundiàade.~· fnhftithe o·refrato dá ihe negdu á o.lit~'à . âm~~?e de â.!~~
pincel á .anfenéia dd qüà mdl'i'~d ,. e hieritri.llà. , A s.. Luiz Jt@jr ~é f,1Jai:i_. ·
~e ·~11g·~1rn cortfot9 dà füa fait~ 5~ que §a .éfiou rl feds t?:eitôs _
_füa . ~~Y.P~rt.à
mui-to logo qüe defejertí às cafados n u1~ai1dF\ , € âd. Coíide de Ç?rilb1~ cri.: ,
fecundid:a de, fê em as filhos deixa ó õti a·fetis p~itos füfi í"tláy Doiiã Izâbei.
1

haó em mortas cores, fenaó em :vL filha do noífo ·D ; Jdaó o pl'imeiro;_.


. '.&tâ~
54 ..: . . . GUERRÉ~~l.O, . ESCOL~. J'.\~OiRAi,, &e~ . . _ _
· 1v1as fe a delicadeza d~ D~mas; ou pruli.o lib .. 4 3. ~s)E?b~d~ces de füa ama, e
\ "acc~dei1te· de fonh01~aJl , ou finalmen=. Jufti11~aÍ10 diz..,que Romtüq , e Remo
te a. impoflibiHdade das máys obri_,, em as iüclinaçoerts aos roubos mof~~·;t...·
· g~ff'e a· q~1e ~ mãy os naó cr~~ i~i-á pre~. · raó; que hurµ~ lq?a lhe·deu ?s peit?:s·~ e
c1~0 buicat~lhc amas em os co:{lur:ves aorefcenta que ElRey Agis , -hetdQu.
yirt1.10fas , ' ém a co_mpl~içaó b~111 hu~~ .taQto a v-el~ci4ade ~e hmn:a. ferva "q.u~
1po1·:~.das , porque qH~lidade.s ~~m do l)le .deu o le1t~, t;lue ~on1petia em .a ye;-.
qo1'po c~ínô da alma ic maniaQ Jlllltas loc1dade cOJ11 P~, Gamos; .Do Impe~·a':r
com o leite ·,: como adverte Aulo . Ge~ dor Çaligulà (ele ,.que folgava de lam.-~
lio fi(ls fuas noites Aücas , ~A- Rairiha ber fangue porque quando füedava ~
D!do chUiilOÜ baitm·çlo a Ertéas ' ;qo~ . mamar foa ama untava co.m .elle 'Q'S pei~ '
n10 diz Virgilio tib. + po:rque ,fuppof- ~o.s . ·.. . . - ·.· · . , ··.. . ·. ,..,...
·· t~;»Joi de. marido legitimo_ degenerou . · Saido o-meli'ifio dds peitos da tI!.áy·
.em· 'o ieite ·d:a, df'iaça~ó :, e à · eftes ~ef~ ' para os'btaç©s.da raza'õ'Ao~icite m~i~.u
· q;ui.dOS dqS mflys ati•ib_\H.~Rl QS tnà0~ · pay de: ~llÍ'~0J.lÜCellÇ> C0nl aS Virtlldes-,r 1

i:efab~os dos. filho~ . Os frequentes fa_, que c:on\ ns·beQS'da foi·tuna ,porque fa&~
crtticios que .fazia T~bel"io .ao Deos aquellas "füei1limas de.a.dquü ·ir nai m~-~
Eacli{} €m que lhe confagràva naó rne-· ninice com~ cªntou o Po.éta JngleZcír i:
i1os vi&ima que o juizo atribue Lam"" :. ' / .
... . .
/Jum''únera efl dJtas gen~~ofo zmbue ..!Jjtores :: . ~...r .
1
·Tunc facile e.ft cunCfis ·artibus .ingenium , , ~
• • ' , r •

t . ,as riqu~zas f'.ló · ind~fe1:entes ,._ê.pÓ....· as melhorea;..#qú~zàs . ; os berts tmii~.


·de .. ufar bem , e· mal dellas ., ;'mas oerto-s, , e .o 'rnorga.40 ·mais ..pe1~d ufa:-
p~la .niàyor. parte fo uf!.l mal qua1nd0 ··.v~l : ouçamos, ao noífo :c:ifne cantan-·
naó faõ · adqµir~das· ;_pór'~m. ·- da~ yit. . - d©.a gw]Ja ~ Jas_. virtudes no~ Jeguin..,,·
t.ude~ , como fao boâs em fi .mehná,s;. tes yerfos .:. ., : · · , ;. ' ~ .. • :,
n.aó fe póde-úfar mal. ·saó as virtudes-. · " · .
t
.. • 1_

, · ·· -~, ,Divín'cei.non font .dfgenti pondus;; .&. a:µrí ; -' ~1


· ~rttttei ,VfYas' àceipe 'divitias.
~~ • } • ~ : ·, • , ... ,,!; • . ' .... • ' ) t .. ,~ ' "' . .. t.. .. . ". , . . . . . . .. \"'- .
:Qotq~te,~eria@· taJ~ riqúe:zia·S as cntêfü'tÔ~ he vfrtuofd, mas háÔ ~e ê.àhfeqüehtla
d-t~1t,ao,, fenaõ f~o_be Hs 10sqüe üaó .P:e1~""'1 qué feja vH.·nw(o ,_ oque hé fico'.- -
manec:em ,_: fe·nao h&·morgado: o qt1e · ·· · , H~ dmttl'iiia do Efpitito Sai:rtà
.,naõ fü~fi~e, ; ãs viyn~d.es 1.aó motga...· nô- cap;.· ~: do'EaCte.f; qne os pays .ae-'.. e
~o , .fao bens ,. e fao t1quezas, póis f.ó . Vem 'enfiriar a fou_ § füh9s defde10spri...
a;s· v1ttttdes fübfiftelh , duw:ó., e per~ · mefros ahn:os da füa puericia : Filil
. ni~n ecemeternas:affimc0ntinuadizcm- tibi fttnt, ePwdí itlüs '; fl~va illós _à· pu~·
do ; __.--.- . ) ,; 1 eritiá {ttà · potqae· fa:0 ~ . os :&lhos·· me...
, .. . Vwtus.Pàf! funeré vivíJ~ "" ·· liinós camo ·as ar\li©J.'.E1S ·peqnenll~;rque"
: .. . , _ ' : _ : _. _ · , . com ,/fa'cilidade' fe Jtr~·ancaó ; " € · ti·anf"'
Com as .virtudes fe adquii•ém à:s 'l"i'"'.' plantaõ de ~etra em tetra feni nenhum,
quezas ',..1!ú~ ;e-om as -riqhez.as :naó \fe - perigo-; teJmo diz/"Jflatam ·Jtb, &, de
con1ptao .tlg.Vn'tudes ; con;tta d.r; Pfaf, legibui; .i:f\ lib; 3. .de Sàpientia ·- ou cq.: ,
I ·!8 . e-~ifün: a deixou, efctipto õ·Phe'"' mo os vazos ~ - que forfipi·g' co~fei·v~(t
nix d~ Afnca; _e ~ÚZ dtii Igreja s.artt.o o cheiro do . pi"i~eiro . licor 'r que ' fé: •
Agoftmh0: · de Liber8 arbitrio·, .lib. 2 . lhe im.fi1ndi o ·.com0 fent~iiciou · Ho~ra-'-
.cap.-2. dpnde:Çe:rri'póde für:~·ic0. .o que cio ; , ..:,i :. · ·__·1 w· ;,.
. . ·. QJI
i
(
< pALESTRÁ í. LÍÇÀJ\1 XIÍ.: tYôS FILHóS ' &d. ss
I
Q]tà femel ejJ imbuta nceni, fer1Jabtt odor.em
Tefta ditt.
Oü como a agua' que fempre fe éO~ hOS lhé üáÓ . téz inal.- De. huniã, mogà
lhe.mais limpa~ ~yura nos feüs J?~·i~ conta Vf:rgilio 5. Georg; que pot hâ--
meiros mananciais;- ou como o iql, v er-fe ctiado com o veneno lhe f~1'vi a
que Sempre foi mais faó , e a grada;.: de fu}tento ; e pót David f~naõ havet•
vel no feu .nafcimento do que no meio . criado de rneniúo., com b üfd d::ts ar.-
dia, ouocca_fo, oli como o pérro,. que mas naó as pod~ fuportã1' veftidas
por lífo fe al'l"émeça atrevido nas h101i-: guandõ fi1hio ao dezàfio do Philiftéo ;
tanhas ao Uifo , ou porco , porque antes confeifava , qne n aõ podia da1•
fendo p~queno fe en_fi-nou a ladrar à _paff?, e Ih~ fo1 fotçofb latgafü~s par~
'. pelle do ]aVali , ou finalrne11te como .entrar na pendencia, affin1 fe lê Iio pri""
o l.oureiro, q úe poriifo crefceo taõ di- -~neiro livro .dos Reys : Non p~(futi fie
re1to, e fptmofo, po1~q~e fendo pe- -~nceder.e : qu1a uflt:n non habeo : e pot
queno fe ?Jndou art1fiê10íamente aiuf,. 1ífo . d1fie S. Bernatdo ad Eugeizim~
tentat-fo d-ireito. , lib. L cap._3- que naõ h~ tanto para te-
Se11à'o póis certó que a ál'vdr.é gü@ mer o affe&o natural ; como o ufa
fená&'tràniplai1ta pequena i1aõ. pégá·; tempoi·al , Qrtid non vertçit c@n/1:etu--.
quê o vazo de que âO principio fe do ? quid non q/fidtútate dúretur? quid
ufou mal femprg tem tuim cheiro, e non ufi;,( cedat? E Platam no Dialogá
que a agua qnartto mais fe tira na fon"' 4. de Rêpub!ica , encommenda que
te, tanto mais pura _fe bebe , e que ,.. os ~n_enino s defde os·anhos Tenros fe
o fol no nafcimento .he mais agrada"" hao ·cte coftumat a jogos hon~ftos ,
vel, e falb1tifero 5 que na ínotte , e poi-qu~ fe fe coftun!a: a jog·os def.:
que o p érro , que peqügno fena:ó en"" honefios, nunca poçiern far :bem :pto-"
fina a lâdl"af' à pelle do javali em cafa cedidos ·:. Statim .à " teneris annis pbteri
fenaõ ·arremeífa a elle hO e:ampo ,. e _hónefHs in jocis a_[fuefaúen4i jJtnf; na1n
que 'o loureito ; que de peqúeno , fe... fl ltuhs . 'liíirius decentibus a_(fueflmit 1
nàó endireita f empr€ fica torto ; qu~ 1~unquam pr obi viri e'l:Jadere pote-=
efp-eranças pódem ter os Pays de qlie runt. .. . . ..
feús filhos tenhaó adoutrina; qu@ ne.. Devem lôgd os :Pàys deide ô p1•i..;
eeffitaõ fedê pequenas naó tr~tal"~m ineil:o u~o dar azaõ dos filhos enfrnal-'
dé lha dar para que venhaó a confê-- log .; e dotitrinallos bem ; potq ue as
guil' o fini que defejaõ , quarldo nâõ d0utr1nas que neftes prirneii'os bepem
póde chegàr cedo a füa cafa,qne111 tar'" fe perpetuaõ nelles co1h_a vidc:t, cornà
de_começa a jornada , nem f~llir coni enf1na .s. Bafilió ; Animus ; düm ·te~
O' que defeja, quem naó começa dos 1ier efl ;_fittft -cera .' q~te ípfas imi.t1r4;.
primeiros ·.princípios , herh" eípe1·a1• /as·, in fa quafcumque formas facil& re..,-
fertil, e abltrtdante o amio o lavrador eípit ~ molifftme cedit ,. eonfeffim ah.
que o começotl com ruim fera ó. Te..: inifº· omn-i rerurn bono-rum. ~inbtti ex(f;~
11lia-fe Mithridates Rey de Ponto, quê ·Citatione debet, videlicet 1 ubi pq(lBJ trd
acabaífe ao rigor de algum Vf!netto a ratio_nis ufilm acce!ferít ; & habituni
vida que tanto eftimavà .~ e J?àta illum rerit1fi ju_dirnndarum te{ as a.ttz-j... ,
perder efte medo, e naó viver fem- lerit : ; · pfgtat& j á:rh ab' inei!.nte tSft!t'e ,,
pre com recato , que he huqi cruel ajfttetHs nulto i1lz..pedi-;nento czt!/o · itte.:::'
tormento, acoftnmonife de pequeno tur f acitio":i ; chm rat10 , qttid expe""
a comello; e de maneira lhe apr'ovéi- diat;, admon~at, &· ad ajfeqite1tdt1'rn fa--
toü, qne querendo depois matar-fo éihtatem pr&beat co1ifuetud1J, O m ')f~
com elle fendo venGido pelos Ro1na-· mo nos m oftra a experiencia_quoti~
diana~
,~6 GUERREIRO, ESCOLA ~ORAL, &e; ·..t
diana , da qttal tomando argumento _ficulctade fe expulfao , e 11.mito me"'
o nofio Joa15 de VVem refere que n?s..q~rnndo as tais inclinaçoens faó
aquellns faculdades , e habitos que na v1c101as:
puericia lançaõ raizels na -alma có dif- .

a
-
Ars ./it , ubi ten~ris crimen adciifcit-ur an1zis
~leu mate deducítttr teneris quod mentibus htejit ~
Prtefertim durant, qute d_idic.ere mala?

E pal'a .que ao depois ~teí'~endo na ida~ propter .ittuffi (ttn! in oprobrium: C011-
de , fenaõ indureçao deforte , que ta Boecio de difttp. fchol. cap. 2. que
naó creaõ os Pays , e lhes fejaõ oc- certo mancebo Roúaano começou a
cafiaõ de dor, como fe lê no Ecclef . entrar em malicia antes do tempo, e
·cap. 30. curva cêrvicem ejus in juven~ .fe fez pouco a pouco taõ viciofo, que
·tute , & titnde iatera ejus , · dit1n in... .en,trando.em ic!ade de manceho o naõ
f ans efl , ne forte duret, & nón credat pode feu pay emmendar, e veyo pe""
.tibi , & erit tibi dolor animte Vio los infultos , e crimes. que commetteo
Hamnon Cartaginez ao menino Anni- . a fer fenténeiado à ·morte, e antes de
bal em feus primeiros annos taõ ga,,_ f e executar pedi o inftantemente fe
lhardo, e atrevido , e de penfamen"; queria defpedir de feu pay Lucrecio,
tos taó altos , que logo pronofticou que era hum nobre Cidadaõ Roma~
gue havia fer a rnina, e deftruiçaó de no, o que fe lhe concedeo , e che-
Carthágo, e por efte motivo, como guando-fe -a opaylhe arrancou os..nari~
conta L ivio lib. r, Decad. 3. fQi ao fe... zes com os dentes dizendo: fe tu me
nado aonde diífe as palavras feguin~ caftigaras quando rpenirto, e me naó
tes : Ego ijlttni Juvenem domi tenen- deixaras viver ·en:i minha m::i condi~
dum .fub legibus , Jub mag1Jlratibus çaõ ; eu naõ chegara a efte eftado.
docendmn , vivere tequo jurê cum ccete--. Por iífo dizia Pio II. que o pay., que
ris cúifeo , ne qi~andà parvus_ hic ignis confente que feu filho viva em liber-
e~citet ingen.s ince_ndium. E o mefmo · dade, cria efcravo que o mate. Simi-
que fuccedeo a HamnoncoinAnnibal; lhante fu~ceffo conta Potitano tom. I.
fuccedeo a S. Gregorio Nafianzeno 1 de libert. cap. 9. dehuma·mãy, que por
com Juliano Apóftata, o qual, fendo criar hum filho fem cmfino nem cafti-
vifto pelo Santo , logo Prophetifou, go, o vió morrer em íimilhante mife-
que havia fer, G que foi pela turba- ria de,pois de a deixar gravemente caJ-
çaõ -dos olhos , mofàr dos narizes, tigada pelo caftigo com que lhe havia •
rir difcompofto ' 'tndar defconceita- faltad?. ,J - / . •

do, e foberba do rof!ro. VeJªº agora os pays fe vale mais;


/ Os Pays, que nao enfinaõ ·a feus que os filhos chorem, e fe queix~m
filhos, e o_: caftigaõ,,, qu~ndo he ne- dos açoutes dados com maõ paternal,
ceífario, nao os amao·, antes os abor- do qi1e vellos açoutar , e morrer às
recem: affim fe Vê no capitulo 13 ~ mãos de hum infame ·verdugo ! 0'
dos Proverbias : Qui parcit virgte , quantos Pays vira ó-; e ouyiraõ que
odit fitium Juum ; qui aut~m _diligit ' feus nlhos padecera ó dezaftradas mor-
itlum inflanter erudi-t· ;· e pol' efta ra- t-es pela falta.. de doutrina ; e caftigo ,
zaó tem J ufta razaõ de queixa os fi- com que as pudera ó ter evitado ; e
lhos , que por falta de enfino, e cafti- poriffo nenhuma moftra de vicias nos
go dos ·Pays vem ao depois a padecer meninos fehade ter por pequena para ·
affrontas, ex cap. r 3. Ecclejiafl: de Pª"'"- os deixarem fohir comella, porque em
tre impio que~untur ftlii , qii'rmiam tal idade eífe pouco he muito .; que o
rio
·PALÊS'fllAt. LrçA:M xrr. bõs:Fit üós··,_&a. _· , . 5r
tiõ gt•a:rtde fe faz à.os. arroyo_s / g mui;. . t~m principio' rios :muito gi·andes § e J
·t~s vezes enrhulh .delgado . maríançia1 -caudelofosi Afiim o G~ntoH Ovídio ;·
~~ . - '

'· Flumirta magnd _ vides ·parvis . de fvniibus_ortd '


PlutYima coll~Cfis multiplicantur aquis1 . _
.•: ~·. ~ ) t ..
.., l

A boâ criàçáô fe déve tomar ·logo·li os .leflere licerU , -ipfà nos âd beaitini 1.ii~
! . ' . l . ' '

princípios ~ - e o máo~ rec:ldo qué. fe tam· mature producerent ; nutre ouflni


pôem em materia tao importaµ.te hce jimut 1- a/qu~ editi' in. lucmi·; -& fa{c~~
c:rnfa :de · fe p-erder o fruto. ·-~ ~t~rra pti fimius .; in . ômni coniinid pravita.-
toda he boa fe ·a cultivaõ- ení ·faz~rõ-; .te ~ (& i11 fumm"â opini6rtum per·verftr-
as arv0í·es' e plailtas tanto m.ais· fe1·.;; tàti '7.9erfamur ~ .ut pene c.um . lacte · nu,:. ·.
tilizaó ~quanto rnafs fe cu1ti v.aó :c.om• tritis fuxiffe videàmur. ; pojs he ce1~.,.
tempo 'Ós _êngenhos .tios m:enill:O$ ef~: to, que a natureza ccmi .aífiftencia fe
taó cheyos de largas efperanças , e a13ei-feiçóa, e coµi os documentos ·fe
promeífas fof oúv~1· .cüidado em·dnü- melhora, como diífe ·Ateia ta · ~mblema
trinallos '. Cic. in Tufe :funt irigeniJ1 ·nofa ,98;· rieíl:a férma ;" : '-.
tris faJ?1in.a innatta~virtutum qua]i ado..: ', -.:~ >'·r'l:~ · : ·
... ,r . .· . t. · .J . . .. . . : ,;
,. l ,l
,;~.

rJt·- Spht:ti;t .fortu'lía, cub·o jk injidet Hertlié§: .


;

Artibtt~ ,hi e~ variis., i caftbus :ilia · prteeft.. · · .


Adverfus vim ·fortunie ~.P ar"S facta : fed artiS
· · Cum fortuna mala. 'efo-, .f.epe reqairit ·opem l.
Dífce b~nas · artes ·igitur fludin.fa. juventus , '
·~ f2Ji-"te .c-ertt? facara ·oomm1da fortis habent;
.. - . -· ,..... ,... . . ..

. ·F'açaô o~ PaY5 grande d1uct?·-·em::· 11in0s fe entende qusÜs -f~ra-g f~tàl.


notar· ení p1~imeü·o tu__gar as inclina.:._ obta5 , como - enfina o E.f'pirito ' Santà
çoens dos filhos fe fao ·más 'O'l.Llboas ' m ·cap. 20. ' dôs Proverbias , e :.,,,.o cap, -
eíl:as ·para alentalfas ·, aquéll~s- par~ re.; ro; Defde pequeno mo.ftrou Dávid
primillas , po'is como di1fe .seneca ~ feti.tí.atnral .~trevido , egttérteiro ;por.;; _
logó nã inf~ncia; e nos primeirO's ·an-1 qlie em quanto .naõ teve.homens com
nuncios da vida fe conhece qual ferà ~ruem provar; fuas forças ,_lutava·, eoni ·
Rd~fcurfq· deUa , ab ' i1iJ:antià._Jtji:gi~: .iinq f~Pa~~ çangnlro· eruel' 1?01•qu~ i ~ef~g
1
gemum. , De efporas; e freyo ', diz ~o , pequeno goftava de \[er os que J1aft.1., ;
mefmo ,.,1~eceffita quem 1rrd1i.íl:ria mo..,i ça.vaõ. Comotlo feli.dff pequeno 1rnn1~
cidades. · Em ~ a puericia: fa~em . tanto. àüu . deitar em hum fo:foo ao üteft'te
fópa· as pátxoefl:s 'd'1ina ,;i.q:tie.fem' olhos· àe lium banho ' pol que tinha a ~rgua
permitem ver-fe.Naó fabe .aq11elfa ida:: pouco-quente ,, defoul1rindo e:m a mo.J
de de fingiment.os, nem pôde o r0f- eidade1" fnas ~màs .erttranha-s . .D. ,JairnEf
tu fazer traiÇa6 ao peito cortl a dif- I. ~ de Aragaõ foi taõ gue.rr~iro , . por~ ·
fimulaçaõ ~os vicio~<, ·.e . vt1'Xn?:~s, :f~ "·qt1. ~mto· de~de ' dezannos r~~~hava. et!l
he pufillamme, fo valente; fe 1racun-· ~s. b:~t~Urn·s ~oocttpando os po.íl:os mms
do; fe manro ' fo pecca.: ~Jn. prddig.o ' ' ·perig;ofos ' delí~SP Afüxandte fou ge-·
fe em:. mefq1üriho , fe em 1netrn.choli..~, ~:µerofo animo üà-Ínociqade_ o mqíh'9u 9•
co , fe éin alegre. Çorn a Jndicaçaó ']JOrqt1e ie entriftececi dize'rido-lhe,que·
~o rbfi:ro oc0afioril{dà.·em 9·&:lan~e.5 do ieu ~ pSl y tii1ha: ve11dclo~ l~g_n;a-J?fráud~ ,
Jogo _, ou trato com'feus iguai~ fe co- batalha , dando por·rat':I.P' que lhe 11-.
nhec~r~õ com pouç.;0~~,ftad0 ·; ·p orqn~- ·cava tl eHe l?arâ-fazet ?' P~las pêl~aytas;
dos exereici0$;;. e.~~pli.c~ç.o_~J.íls· çlo ~ i_;ne--; ._ ,_ç0mliece.m. tiitplbêrp. las molina~ ô~ns ·
";'.:- . . . .. H ' do&
5~ . GtJER.REIRb , ESCOLA'.: MbR..At ;. &e. .
dos thénii'l.ó'S, porque faó as pafavJ:·as alinaçoei1s doenç~-s d'lhta· , t~i'flr, fe)t
fombra do c01=-açaõ , como diz Laer- principia, .éorno_..àiífeinos:,. na--infam
fie Jih. 9. na vidà de Democrito ; in- @ia, e como nefte .fej~ó· menos vigo-
terpettes d'a1 rm~ como lhe chamoú rofás' pequ.enos· r@rtf~dios baftaó .Para
Cicêro tü legib. lib. I, a·r rojos <d~úin"' ~urai1fa'E} , _c~nio Gfüfe Seneca : po.flimt
terior pelos qmlis fe defcobre a bo~"> vitiis fimplicibus obfta~e . remedia fim-
üaàe; óu·rna1icia d'à fon._te donde fa:.. pHoio'tóT. eon1, tem}'Jé log.o- . fe lhes cll~
hetl'l., como: lhe çhainütt_Eftobéo' n0 ve app.Uc~u- re1~1eQ:io na0 lh«.s p~rmit4
-pú m?ir'o -5'.t.!rmàó ; ê:lpelhus , e r'etl'a~ th1do que. fo irivet<kem1 com o tem:'
tos db' el'rtehdimento, ém que fo ~é :po, ·pórque afüm comü aen:ferirj,1.J:da..
éh.u·a, e diftim5fameh t e , d que là-.paffa dê!'.erivelheêidadre p~n~âi o corpo NÍ!o:r:zi
-por dentro ;± conto diz A1aximo- Mo..:.. te abreVüTda' iJ affim o anip,'lO' em qm~
n.acbo· SéYffl. 15. Affim eorríô pêlo foni\ os vid0s· .b!abituarii:Gs1fotesoncrnttàó
fo eorrhece a bondade. do metal 1• çlrz, apreifa~:a:mr&!nte c@rré ·amia-yG)r clitgJl'a:-
'.Qu-intiUano , áffün p-ela-s p3!Ia:vr~S' fei ça.. . . · · '· , t....r· .
conh'ece à~ \rh't:ude d0 homem: Sottii! . N€tthuirb cfüidado bmtãl'á. iioONfü,.
homines , út cera ti1iitu· , · dignóflimus': guir ~·fte .éffe:i!tç>:,: fé.üa© fé~c0n!ffguiv
Pot ellas veyo em conheGimento o po- ptimf!_i'no .a-pattttlkts do.& má@~.~ -P.~rqn4
vo Romano de que, foria Seipiam A .. tem eloquencia mais perfuáfiva os ex-
fricano ruina de Cartlíago, como ef-= emplos que as·inftnidçoeils, fendo põr
-creve Cicero lib. I_. de :AtifPieio : pór outra patlie m.ais pegajofos os vi cios'
ellas pronofticou Pi·opedio, q11e Cã.:> como iiliífê Plínio ; NJl tam f acite dif
tam fetia a honra; e gloria de fu~ Re... timus.,, qtdl'rn t,ut'jJltt~ditiem, & nil dif-
publica, ·como efcre~e PlutaróhGt na fiéilius )d1diJcim~is ~. todo o et1finó fe.,.
Vidm, de Cat::)ln. . . '.. . · . tà inut~~ ; .porqh'té.. qualquer compa-
. ·Aviriguadas as indinaçoens he ne- nhia mà 1~etarda à boa criaçaó f em
eeffario acudir GOm remedios aos vi-'" frutos. ·Nem baftà_aputallos- da (}ótn·
cios que ~1-edofüiftaó , e premiar a·s panliia dos mào~ i'emaó os. obriga& a
llcçoe.n s, que tem fimilhan~a de vil•,;:. gue . fraitem cotn bons , e com aque~
tude. Toda a enfermidad~ adfuitte cli.t, les prinGipãlmente ;· que tiv6rem _vii:-a
rfir-fe logó em Ieus principi0s fe fü lhê· pid~s .opp(;);ftas à$ f:uas defwtdéns .~ íe
~pplica o remedi o; porque 0 mottife;; he pro digo ,com o re~~<lad.o ~ f e tim,~
ro cla clo1mça naó pre\1-alece' fe .a 'na:;) do com o alé?ntadó ,. fe de.fvanécido
tuteza rouhadõra com 0 .retnedio.lhe Góm o hümilde, fe lafcivo cdm. e,uio.\
refi~_e ~- porém fé a má qualidade fe deftd, ferlxofo .c0m o paoifi.ço, ·com
invetéta. c?b(~ndo acçàõ contraria ao Gs exetnplàs ·<!10 pay fe deve fiar mais
nativo imp1!lfo, que importa que ovi"- que das reprehençóen~ ,porqu€ G:omo '
tal alento . ªJüd11do do remedi o inten-- diz W em os filhos imitaõ os pays eirt
te lançttll:a füra , fe encontrá maior GS coftumes :
podct 11à refiftencia. Saõ as ·más in--
Siepe· patris . mores imitatur filtu-s ,/nft1ns;
Qpalis erit mater, filia -ta/'is erit. · _
· · Cafta "refert caflte. genetricis ..fitia mores,
f .
Lafiiv.e nmnqúilm filia . cafla fuit . .
A cfte p1·opdfitb "tem mny b~a afa~ tyra t4 . de Juvefiàl.:.
·Cum 'jaci;~ petra· ftnex ."pacuumque 'twebrj 1 •
1 •
j_h-'»J /t'id-gm •a,13.'ül· :btc· ~ 1i611f ofa ·mci1r.b'it.iS .· ,~2tlt.
, ~ . .
. ·,· PALEST.fRA !. L!CA:M :xu. ·nos F!LHOS' &e. 59'
D1s Boâ ~ éomp«tnhíàs Te tira bmi ·cria- lho{ he o odio \ e; ~borréciih1'rttõ dos )
çaó. ·se qliantes naó hç)ltVe1'a trata"' rli~os; do qiie; o feu confonúo, e eom--
do co111 Leno airtd~ que tiveúe ou..: panhia, porque a!fün êômo á cóü.1pa""
vido feus· preceitos naõ houveta fahi"' rthia dos boris motivá nntitos .l'Yens _
do taó confoí~ú1é -rét1~ato feí{,,'hc;!ffi vi- alfim a dos máos tl;as t:Óníigo muitos
vefa como elle·,-có1hQ diz o fenten~ 1'1:1ales, por iífo fü.z Senec3:·que os mârn{ 1

ciofo Seneca. E'affii~ con~a· q 1e al}dri~ entre os 111àQ$ ·ni.ais mah~ici óobi;á\S, e·
raó felnpte juntós 'os grartdétH'-rinc.i~ q.~1e os bons,,:eàtre o§ boi1s p:ielhDr fe.
pes cb1n gra11desP11iloiophos enr·çom"' cb~1fer-vàó : Maius necét- maio'· pr-oflt1_1t-
panhia infepara vel. A'.lc1noo foi co111-L inter' fe , boni , ·por.tanto ·a 'eornpanhi~
panheiro de Ulifes; Chirq1~ tj.e 4-quil.,. de~es d~ve dei~jtcr{e, e aquel.la total=-
les, de A,gamenerl Nefto1~ ·; · *'helérn~ré'<)' ·111en~e àbon;~oêr-fo ,como enforno Ef
de M~i1eláo , Polid(!mant~ ~e Heytor ~ pirito Santo no cap~ I. dos Pr(l-·perbios 1
deHye~ô14ido, Bfü1óniâéS '(A':Iiftõteles: eft· lê ntJ cap.15. ~ -.19 : do Gj1nejis,v1.-
de Alexandre, Sócrates de.Aleibiases·,_ e 19. do Livitico , o que t~mbeJn can:..
de Cyro XenophoH:tá· Advõtte .~S.a-nfo . :t:OH hum Póéta:
ljidor1_ li~~ 2 ~ . d~ S9/iloquii$ que II!-e"'
·, i' #\~ ~ .!. ....... r " ) j1' " ... ,. ~t~ · 13 ~ ... ~

• L " C~1f-7:!e1fare· 1:Jonlft, e& ab bis hona plttrinia .diflu,


#
- Cu1J1 prapis v_íefens . ,- tü qm;que pr11vi+_s eri's.
~ :i- ~ f
' .t" . .

· lle à boa ctiacáó ·dos fillios tefplefi--· c.hfr1ma~ i·~fqlta1~éfplend6tp1~pprfô,âug'!


uof'il1on.01~ifico'Clós p~ys,he a 1nà-Cruel lh~nto ' d11 -oafa, e nobr~za da t~milia.
verdt1go defeus mei·ecitll'eFl'tbs·~idnfa- · _&;bo.a cdâÇ'aó faz os anímos·candidos;.
me fepülcqto dê feus louvor~? ;)1ave-: a mà ~bfoút0s:, e preverfbs; e. pint~-os
rà pors,2:ay .nó mundo taó ~fqu~~iâo de'{atios cofhnnes aquehe juntàthen...
deíhfteiino que int'C\mte con1 a1tià ci"ia..., te boa, emà, por-Hlb fe há de tet gran.-
çaõ d<;>s filhos iiltroduzir a caufa! 9'e'fe~' d~ · cuid.ado '.eni a i;e6ta,~tia~aó da.fra~
difcfedito ! Liberórüm · 1n1'res1 patres grl moc;nda~e, para que de tle os .ten.. ~
perditrtt ·diz Quintiliáncf, élfayetà ·ho,.. · :1;0s aJ.r~os I~1 ilf10ili11e a prcdúzir fauda ....
mem~ 'n0.münd0·~táêi: po~1éo 1arnbicioü1; veis , e fufi:andofos frutos o ferv~nt~
da fama,que comincanfaveHi€fojo nâO> eai:npo da.priméira idade.
intente, dar a feus 'filho~ boa criaç~ó, -· "·

(Pi1i11cip·iis: o!Jfta fr.flrô ?-nediclna paratuf',, " · .A L

Cimi mala per longas ili.valyêre moras.


Sed_proper_a, nec, te venturas àijfer in horÀS-• ,
""' -·" ' · : · Maiiis optis "rniores compofuijfe Juos; '
.....

.
' ·r- .. ('._ , '

Neftes verfos enfin-a Caufino a brevi.. No .el obtãl' bien dilates ;'no côfi'Íi.@s:
da-d.e?éó111 qne~Té h~ó dé i111pedir os Y en las q1.1e han de vei1ir li.oras te fie·s;-·
vicros ·na idade pneril, os qu'aes para: Poi:g es la maioi- obra a entécl.et nego,
que ehegaffem à hOticia de todos trã~· ColJlpOnl$r las coíhimbl'es luego luego, -
duzio D .. Fraficifco · de là . T01:re no~ .
~dio1~a caftelhan~ lna fórma · íeguinte, conclú~; g_tie irnpor~ã pôúco $1e .os·
. -· _. ~ . . pays ªJuntei:µ. nqu1!hmos the.om o~ ,
~ Refifte à los pti11cipios ; . · - ' aos :ijlho~ t e os deix~m chei~s d.e
lnelfoslaobferváciaesbie11feg't1ãrde; abunclàntifümos b~ns , fe os nao der.. "
Porque la medi cirta llcga tarde , . «xàâ · in ftruidos de yirttides com· q t~e
Quand0 .:y':.l de fríluti.-firi efüe1~~ncà " .~ 0i 'confefve}11 ;potqrn~ o vicio cios fi...:
Tomo fuerças el màl con tard~11~a. la H iJ lhos
1.

60 GUERltElltO , tSCOLA MORAL, &;~.


lhos diítruir1 em breves dias qua~t-0 quitú, exiguttm .curam gtritis. a~ :- qllais·
o difvello do pay ·' e avós grangeou. nanoffa phrafi Pottugüeza quere.m fli-
em muitos annos, ·g por iffb o Phi,lo"" zer ~ Que defejo ardente v c s arrebata
~opho Ctates fubindo-fe ao.ma,is alto ó ho!11ens.para ~dquiri~ inuitas ri0rue~
lugai- da Cidade de Athenas , lev<;t.n"-- zas !em.vos lemorar ctudado algum da
tartµp a vóz a9 mais fubido po11t~o que.. criaçaõ dos,filhos_ pà~aquem procurai$
póde, proferi o as palavr~s feguintes; e:[es.thefou~·os! D~vedo empreg~r-vos
Q,uo ferimini , _· 1b mortalês , qui . ,al em dar-lhes boa criaç-aõ , e veftillos dé
pq;Jidendq,s _opes magno fludid incum- gen@rofos coftumes, como efcreveG o
hitis, f!ligrum vero, quibus iflas retiw-· Poéta :poJicides : .
I!àm tener . lfl ~natus , . gtntrnfos inflrut mort$ ~ ' f
E aconfelhav~ ~os feus mancebo$. Ro-.' manos. Ovidló r. Je tJftt ~;nan4/,
Difce bonas. art1s , moheo ~ ·.Romaf!a. juv1ntus;
. .., ·. . . . : "
entrada , e vagarofà fahida ; he
....

L 1 Ç A M XIII.·· fad~
pum fogo,que ~rde 'fem. fe fentfr ; he

.
Do Amor i_os pays. . ·..· ·; hüm_. cativeiro da Jiberdade; he. hu-
ma prizaõ dos fentidos, E co'ntrahi-

H
E o-am01' hum defejo de ul1ir- do o Amor ao profano· he- hnma . ce~
fe com a coufa ·avaliada por gueir.a do juizo·; he hum tyranno, que
· boa ; ,he hum ligaíl:le, que li- tudo avaffa)la ; he hu].n imperio~ que
ga dµas coufas ; ou defeja. a- tudo manda ; he hull,l gilido da razaq;
juntar ambas; he huma fransforip.açaó hum defaffócego , que tudo per ur~
de huma _alma em a coufa amavel, ba ; he finalmente huma pertenç<:ló
apreffada no deíejo, e q.uieta nfLpof- que a tudo fe attreve ; he cofn© lhe
feffaó ; he hum vencimento do ani- chamouVV,em huma efperança· iiicer-
mo ,. excitado pQr _canfa_do hbnefto ,. ta; hµm t~mor confiante ; hum Jugi-.
util, ou agradavel para ~!lg;uma c.ol:lfa t_iVo ·gofto ;-hum :ptaze~ trifte .;hum.a
animada, ou inapim~da; he htuna con-: dor -
doce.:. ·, ...
cupiféencia do animo , que tem ~pref..
Spes incerta ; timor conflq.ns; ,fugitiva Voluptas .;
Gaudia .IJ!ltefl1t, .dolor · dulcis, amarus amor.
. ..
ha
' . \ \'

Cinco c1a:!1es· de amor , convem que fe lhe ·deve. O amo~· venéreb , t


a faber ; o amor ·de Deos ; o ânior cupidineo, he o que affima fica d:efi-
do Prox1mo ; o amor ·Proprio ; o 11ido. · _
amor · da Patria ; e o amor Venéreo, · Seja pois ~primeira fineza do pay
O amor de Deos ·he huma reétiffima imprimir nos primeiros ~lentos dara~
affeiçaõ pela ·qual fe ama a Deos por zaó no coraçaó dos filhos o amor de
fi, e ao Ptoximo por Deos : o anior do Deos ; porque o amor de Deos he
Proximo he huma charidade, pela qual a guia fegura dos acertos como d_íz
fomos mandado~ amallo. O amor pro-. S. Paulo ad Romatws cap. 8. he hu-
prio heh~nutaffeiçaó defi propriq,que 111a cai•ta de feguro contra as illifeti-
por cau1a de fi ·mefmo faz todas as as da pobreza, Ex p.falmo 30. contra·
ooufast nas. quai~ defcobre utilidade. as perhguiçoens ., e moleftias de ipáos
O amoi' da .Patrür h~ J1~1ma piedad{(, Atnos cap. S~ he humá. fegurança, da:
. mí-
~
PALESTRAI. <e~ÇAl'J'.XIIL · DOAMO~ DbS PAYS. __ - 6i
. ' :;.-· • • ,,.; - t / .. : ... •; • " r .r.- .1-:,.i. ' • • • "' ••

.
.1 • ,,. •

miferie6rdia . ;· ExDd cap; 2. he hurnà hiios, . torno. ~fcrcY:e ;S. BerhiiNlo nl J


b_eríl;a,veJ}tb.rança_..certa , Ex ütc . .cap: 7~ traftado de ditíf>'enilO. ,f;>e.i~n1: . Ê . por~ '
delle _nafce a fortaleza: dos co.ft~1mes_ ~ que do arnbr .de Deo,s : ~e Ç_olhéil ta~~...;
~ chal'idade do.s ·affemos.; ~ fubtileza tos fru&os diz · o noífo Poêt~ _, <1nÇ
gbs engenhos ., .á fant~d~d~. dos .defe... .eítê· deve! for .o ·pvirneir~ . pi•in.J,;.ipiQ:,
jQ.8 ,·' e.claridade ~as obr~s,,, a f~çun~i"- .e lnqol~ .dos filhos ~ ~~fifi.1w.n do-lhes \ 'Ji
dad~ çlas virtude~ , a dignidade do$ fé, que he meyo neceff~rio para al,caá-
piere,Cimentos, a fublinüdad~ dos p~·e:'.:. çallo i . . ·
J • ": ·, " ' ~. ~ ....., • \:"".. '

.Arbor u~{1J>}an;iánJ4 ; ·ptiuflJ.uqm fKaêtt~s ba.b.éiid;11s i .


, lntr-~ vfrtu,~es prim{l- dó,ce11d?l ftdes. ·~ · . ~ ·. ,. LlJ , ,
.Prima.ft~es·r.igitur; prin.a.eps ·'um..or efl, rjt~~á~ . _fl.lagna:ijl ~
., . Credçrié .'1 tfe;4. vir(#i! m;aior mrutf~ ,J}eu1,J1• , (, . •,. .
t ' ., :;- ~

Pàrece o ;ifüor do1fü1ndo ~o~~ tporém ~}•. Ít;iipàrfa ·i?üifo"qtJ~ ;ós. pa1fs~haQ
1 ,/ , • 1 ( \ ., •{ t' .

fempre tem,amargo fim: . . . · · · mofire,m (0brado amor·a<))s filh. os~ pot...;·


que omuito··ainor 1)1es hei nocivo, co.:
Mel, fet-, faria ludus ~mofi _; ~- : mo refoi:e Seneca : amó1t ttiam aliquan.;
.,, • . • ,. •1-.Y. . 1 . • ,

.
' . ' ' .
• ',•
'. • ' . , â"rJ nocet •' porq·uê no 1n· lito' am·"or'•.. h.,;,
~ J .~
1
.~ Çlo

Po1•ém. oamor ·de Deos .éome~~ :pelá t_ambem, triiüfo r~ndirlt~nto, c.v1fràá ·
,.tl • ' ... . • . • • ... ..

.ariu:itgm•a , ~;is' os feus. :fins , fen~pre bs pay$ aJérvfr ~ ~ ob~decer çtbs,filhos


faó çh~yos de toda addçui•a.Jiitgo;Ara · êm vez «il~ iifinndallQs,, c..0mo fücçede<J
Jib L ..,he neceífarid, pÇlr:;t nPs vc#lirf f! Henriqµ~-.Il· de Irrg•laten~a b,e1rt co..:
mos·.defie, de,fph·.;..no~ totalm.~nte:cla~ nhecidi:i>~ ~nU.45 h\fto.das ·rtaó:. ta.ntd
qlJefü~ ; porque, como ~i1'. , 8: ..CJip~i1f ~or f~l..J~ .P~Jd ~í· ~ q:uantbJpQr haver fi.d~·
no referido por ~PJJ)j1antea . veribQ amor p pe:d~gtuÇ.lor d~ SantQ 'J;'ho-m.as Ar-='
pei ".J1aó póde. o amor do m:Undo .pil>i .c~bifpo. d~ .((;~ntuªri~: ,. ~l;H~ ·Çhegou a:
bitar-ígiialmente.1 cdjn Q•4m,Qf .d~·D.ei fifryii; .à·m_efa\.,a !~u iill)~; D. Hen)_·ique.:
ºª . ~m hum coraçao ·, dc( me,fma fo~~ Perfüada(?Mr<t~,qu.e d:h~g:a por n~mio a
te q11.e nl;1ó, pódem os lhos yer igu1aF f;e:1.• vic_iofo);r:a~· q:1;ie. hc mais offenfivo
mente _fio mef1n.Q témpo otCéo, ea ~ei-~ f!O~-filhos do qtie. lhes :pu.d~ra fer oodio
:r a. .. . _; . . . ·• dOS C011ira:r.ib.s, Que a.z.as naÓ cobrar~
Ao amor de úeos fe fegúe ô arridr hum r~paz ,para fahir· com o feu gof.""
do Pro,x:imo ; e efie fe dev~ tambem to ,fo vê., qi1e huma 'lagrima·fua cuft'à
eflampàr no coraçaó 40$1meninos, . muitas ~ mãy .~ e qu~. ne·goceà coni
porque no amor de D~os j e do Pro~ chorar tudo o que o fiet1 appcltité lhe
~imo çonfifte toqa a felicidade tem.; . dita?-fê dmefrrlb que fe lhe nega qtian.:.
poral ~ e .efpiu.·~túal , . poi•qüe deftes do ericei1dído em ço11agem, fe lh8 c011~
dOllS mandamentds depende: 1 e fede~ cede · pacifj_~o· ; fe 1!l foli,s choros de~
riva toda: a ley ' ,p or quai1to o ql1e fentoados lhe deffom mais .caufa para
ama a Deos, e ao Proximo guarda os çhoi"ar com.o caftigo , ·e 'dep.oi~ ren7"
mandamentos dd Senhor ., e quElri'l dido achafie fa.cil o que ,pertei;deo·;fe
os~uarda tem fegtira a felicidade, Ex_ em vez de dar~lhe fotisfáçaó de qn ~ o
LivitiGo tap.. 26. &1 e~;' de·ut. c:ap. 28.J rneftre 9 tnttaffe c0nt afpereza, lhe
e i}O amor do_Proximo entrq. tambetn d6braffem ·ti reptehe11çá,ô; naó 9-L1V.iJ
b amor,propfio, porque o prêceíto do , que os 6ffeitos lh_e .?nfü.i~rdõ con1
qtte me manda amai; ao Proximo rine- a obediencia os t ais êfcarni:e11tos: He
mà11da. amai; amim'; e ama,r os filhos , Çi riiuito am01• ~uiriil páfo os filhos-; àiZ
qnêh~ .a .prirtcipalmateri~ Jie'fta nofià €>. Semca : QJ.tidam amando óccidiint: e
liçl\Õi · . . . . . ~ mais. que.. por .exe.eílci de íJmoi n.aô
. . • . . . pA· . V~
' "
6~ .'., . ,. ·GUERRiiIRO-, ·ESCdLA . Th10RAL ~ . &e:· - - ~-- n

p·ódem ver chorq~ o_s ~lh'os, , e. P?~· b~·i~nque c?h1 el~~s ~cotr~G faz~~ fsêI~~
!em~u~ar ~uas·. }agFi,mas ., .~m nada ~he za?, que com~ elc~~v ~- Plta_a~~ â.10 ·'m
vao a mao • tetao tam.tQ"'.~ que chorai· L1tcon; apopli. ie montav.a em cavai...
eh1 os anno~ mais··crefci'd.os, que: naó los ·de c'ana ; e êorria''c-8111 elles ·; 1<:! pe...
.tenha Ó>mãos · para .enx:C~gm• as f UaS, dia' aos qúe 0Viâ'Ó f que llUÓ jnlgalfe
1

comó ehfin"a. ~OEfpinto S->anto no cáp'.3.· ~guett~~~q _;g~1ei~. nà~'ti~ha'filLh~s- ,.


;.9 Eccléf. ' ·.. .. i , · . ·· ~ :Porque füz ··a liflr.ftzwa· .Sagradtf "tuJ
. Os qne faó unicós em cafa.cbfttl-7 ~-ap. 3. do' Ecc~ejiqft. ·q~e, o pay'~ ·que
111a6 fahir foberbos, defprefiveis, e JOg_a com os filhos· vira a pagar em
mal criados ; -poo~Jereni .-á iado:s com .. t~ftezif~ ~~í}:es b~'inoos, ; nem taõ af~
demafiadas delicias, e ~fta. he a ca~1:.. . pero_;: .que ,·pateça gue os,, abonece.
fa porqúe . o~~filh>0S'fegun_ct.os em-as (á~-; Na:ó fáy~te-~~· m~li~ . a hum, gu~ ~ou-­
milias nobres, ou ·illuftres· ·coftuma0 .; tPo ; por 1nao ·acender enveja contra
fer mais bem viftos , e queridos dos o favotecido , _e odio _(J()htra fi ; mais
pó.V.Os., .e: de todos' os que~~os c01,nmu~ 101:1ve ,: ~1 fâvoréça . a ·vii'tude:'é0Ii1 fü. .
nica ó ~ ·porqtre como lhes·tolé1;âó me· gum premio ~ que'. ,d,eiiXando efpé1"an~
nos - ~m á ctraÇa:õ., fahem.melhorados ça a todos de cçmfegu~llQ fem _enveja
emo.scoftumes ,~ . 'lllais· domefticos ,nó caufe : eíiüllà.~ao. :.Na0 . declar€ nem
t11ato-;•e comôi"d~-inenos ·preüimpça6'.~ por palavra, ·ne~n _pQr efcri2to, ,qual
d€ ·mais cól'tezia ~ que heLOJeiti'ço pal dos fil~õs~' had'e~ier feu herdeiro., ·p or-
rà1,fer . cftimadg;' Morreo ·,o._,filhô : d~ que .,' tef_l:êtô a ·~odos tom efperanç~s~
viuva de fatept, que hofpedou a EH- todos lbe ·rer-ao obedientes;- e:fü~cia.::
as , qu.el'ia~lb.e com,9 a·unic0, m'~tou-o i·anclo o·hel'cleiro 11a:õ forá a~~{!o1 dbs
de mhitG> qlterer ;- tertdd~b n0s. _bra:.. -outpq·~ -~".. :nei~~:: dol ·mefmo · D~Wtl'e,ito ~
ços c{colheo ª ' morte , ..t:~ ~para rem1:. porct_ue . que~ cefp@1:a- 'n10rte ;_d~ - al-
eitallo o Pr0pheta o áp&rtou' dofeyo gue:tin_,· .m1õ lhe defeja · a(vi'da: ,._, oom9
da máy com0 fe ,Ié na.Efctíp!ura fa- experilh€titou Joaó· Aridrómacho Pe..
grad~.. .Oh q_ua~t0s .pa,ys:-ihaó fid.o i~ago ~npe\a:doa.· ·· de:·· C011~a,ntin_o!'" .
parr1c1das qe Teus filnqs onmndo mais pla· ·com feu : ,filh'Q~- : .Andtomaého ,
ianguinoléntamente epmt~a -a fua ·vida General" ·cle· {fuas armas ~ a Amura te~.
os defmedidós ·qa'rinhos, qu0 .o od1ô :I. comfeu"'füho L-aufes ;t~m1benf ·.Ge-
1

dos contrarias ; e tambem faó : fre- n~ral de. fuas armas~- gpe, imp_a~ien~
quentes as mo1·tes· do co1~po pelos ex- tes de eíperarem por '.íuas· m01•tes, (e
ceffos em a cariciâllosafemü~adamen- rebellataõ / em .' füas~: V:idas , e -Uíes
te~porém faó inn-çtmerayeh;ncntemais çuftou mtüto a fujeitarem-nôs cegan:
os da alma, como diz Q gentio Sene- do-os a ambo~-: Ja·cobo ."III. dé Efco- , 1
cano lugar _citado! O fazer-fe o pay eia, contr·a·.qüem"péla -meftn<t ~aufa
temido he fabello fer, e qual for o ·fi- fe rebel-ou-.·feu ·fill10 :;:-e.o vénceo ·em
lho tal fe reputará o pay; porque efte huma batáfüa em q11'e'às'máos de.hum'
..... fe conhece pelos filhos, como enfim{ foldado· perdeo efoondido e:rú. huni
O EJpirito Santo ,no . cap, I 2. do Ecclef. moinho a vida·; a LlüZ Rey dê F1jan-
e faó ·as teftemunhas da m~licia , ou ça, filh9 ,·do Imperad~1~ Carlos•; Mág.: ·
bondade dos pays, c?mo diz Salomaõ no huni do~ nove Prihcipes, aqtwm1
no cqp. + da fabedoria. Deve fem fa- celebrou a fama _por mais fam.ófos ,-
miliaridade fazer-,fe aniar, e fem feve~ com fetJS- dous filhos Uiotario ,, e Pe-.,
rfdade fazer-Je temer, para que o de..: pino , que nos ültimGs quarteis da vF·
mafiado rigor naó envileça . os ani- da lhe 9eraó bem que trabalhar pelos
mos hlvenis, e a demafiada lhaneza . haver ±eito a hum R,cy dos Romanos ·;
naó diminua a authorida~e. Nem deve · a outro de Aquitania. ·; a D. Alfonfó
fer taó familiar com 9s filhos, que o Grande com fei1 filho D. Gráciª;
que .
. . PALESTRÀ'.r. Liç;A~1Xirí. bô-Aí\dô:R b ôs PAYSi . t3
que à fotça de a1;mas ci obrigou fi re~ qyflncla qtiíz fazer Cá1"<1 nos ,rJ.dôs vôl- , l.
nunciar 9 Reyno·'.; .~o ilo:ffo'Di.Diniz em rou ag ê-oftas a füti pgy-; qüe jjár11 fer" '·ª
I

feu filho, D. Affonfo.; qüe· ~hegon ~· mâo~osoll}.0$deh1fo1pay-~ ~1H1 db.• para ·


J?Or-fe en1; c~mpo ct.on~ e~ercito contra fing~idd' pa~·ec~ ~-~nl?offivcil. Qlà lifofro
~JJ:pai3t ,, efo1·a ma.ty avante· ~e,~J.'}tre o meh1•0J! verdefü~ debat~d dá fombra
pay, eo fiilho·~ nap .!,\J.1Sd;e_ára Séilntp lz~ í:llaternà-IJ.~-mefi11~a te1'ra ,Poíide tiafceo~
bel Rainha may deht~m, e mulher d e mas a vensnof~ pl~hta çià Períià fran f-
otifro. AçlmoeH:q, ô Efpiritp:Salll!to ]'Oi plantando-fo. fe. dêfvenêna., O filho,
. efta cá ufa ; que nenhum pêly ç:onftitüa que nàfdeo com aüimb dócil; e cofri_.
ãTeu .füh:õ h~J:Q@trqientJ1:~~ vi_d~, a-ífl~ giyeL~ Baó fe deve ap~1·ta1~ da óafa de
fo 1é -;nr;. (4P'· Jl3·~~ f:c;le};•_: 'Afetiiis_ e.fJ. ,. foús.·pays3,para que naó f~ di wit tà. peri...
ut ji!#i1kttiA e fflg:§/1'1;; ~ q~cnn }.~· refp)c,errJ gii11.ai}dü; ma:s oqu.e p.afoeo -~ora ani-1
in m~nflS -fjJioru,m ~ ~Q~ PJi~ip.cipgs ,, gJ<.Li illQ àÇpero ;, oolJ.,cofd; ~ e\LCÓ~;rigivei. ,
Artft.ottel~-s. ªs f~gHtnt~ p~l~v.r~_s._i P4~ h~ nece~~r:iq {ranfplMi:taHo ~in ~limas
ttrr , &;, ftJius·· fimt1l neii debmt:. Pr}n.. PEH'ti remotos.,. ê b·itfa;nhos ,,; para qiJ-e ,
c.i-pem Jlger~. , ·ne~ miuôr,, & fatii~r.. fraJ dH., aca_b~ f eni .àffronta dê feu pay , €
êi ~ e.. da,nino dei
tN: ; q.l,le tio n0íl;0..viilga1• qft1€;r~m ·C\ti_,; 4t(~redi~·0 _d ~ f~~d fa.inili_
ze1• · q u~ riaó Gànco1~da b€1JTi_ o góver~ pa.triâ, Oll fe f~i-Ç~ m11is ü1'b~nb §· per..:
no· _d!).::R~y.n:e: nai:ll\l:~Ô- g<;)pqy; e Ç.o fi.; detido o Fllào iii've1; entre ó~_ qtie be~
lho ;' nelli d.à il'mªó .t.Fí~i<S· tniEJÇó; e ;tnajs vi vem;. corno füccedeo a Erethi:io ,
velh_o. Oqu~ 'Q~:m (€· êP:t~filj6ie_ ~~YJ?~Y, ~{~- q.t!~111 eqntq Bruf tib. 4~· dap. 30. que~
qme emJtía vid~ ~OJll<iede 0pode,f· á~·fi-1 vindg parca,füa Pátria; d,epois dê la1·-f
1110 ,(eM-ó t1nNaó mais velho GJ;üe aÇ)· 111a_i~ ga perigrinãç.aó ; . lhe pe~ig untoü fe~
m'Oçopennitte· afua aut:hor~_daQ:e'; Ef.! P:ªY, que à1prepdeo em ô. dedUtfo df$
ereve-:fe : dé Çatlos V. ~W~ dizia /qu~d tai1t9 tempo d~peri§1"itiaç~ó; A quera
aoífo.Rey D .-Sebaft_i~o- fõ1•a he_w a_:fo-r~ i;~fpondeô, qqe brevemente b m,oftra~
t,unàdó' ' porqtie naféera, R~yt JlQS.pés .ria";-,ê !e11do dahi ;;t~pouca tein,po cafti-
de füa_Mãy. . . . . , ~· . " , l g~çi:O pelo p,ay "difle: qüe ifto era 0 quê
.l "Bern p-óde )ur\fér. :ffih@s~ <;l~eofü:i.:; a p1:eúder~&; obedeaeJ" ao pay quandq
tne~ t~G> perdi~o's· f ~:li!- riem a ]jep1"e"' S{\í;llii.~a, ''. : fófrer com igu~i animo a~
llcmçaodo--pay os-enfree,~1~1n~ ºs-JUQ-t f~~s 1µd1gnaçoens1 _ .. , · . . _ l

déi'e a~ orand,l;lt.~ ,r nem dS>- red~~1Zft· íl •< NO arno1• da pgtria (Q' de{fe taffi..
exe1mplo atctrn1©s d~. vil~t\10fo·;pü1{ .i:tfo P,e?t írtft:ruit . ó-1úenino , porque de..:
diffe, T.ulio , qrue ~ais Fios .i11cJi11~b' ~ · pois de Deo-s ~ efi;'an1Gs. obiigados ~
amàt a v'irttid~ a n~tur~z~; ~ h0~ coFF ttm~r aos pays ,. e à Pa,f ria, e pa-ra ~ll'J.
· diiçaóque adO'l!lt'.;i;_in~' : ,.Stt.:P!uS' ct(i :virtu-- nàfcemos como diZ Cicelfo± Nad~ h~·
t_em natura jin~ dóffrirtâ , qulJrtti JlfJElri; ffÜÜs àbce t:rn vida,!na.d~ devê fe;~· mais·
na fine virtute pollet ; porém que .aos amadQ ;· n~i1h~m~ 1~1gà~: ha mais, agra-
enfados de fe'u pay, fe definenfur~m, daveL An:iadosfaó 0·sfilb'.os,, bs p·aren-
e obrem licenc~~rn€t1:te , f€m qne -o t es-1· os famiHa:pe.s, ~as :i Patria abra:-
p~y fe}a coniplke é.m.füa ~ali"G.t an~? ~-~t~ j1t:·1~t~m~pt-0.~o~cuidad~s :~:. ~b'do~/
he poffivel. No fil;ho Prod~g\91 v~mos por €'lta 1w-pht-un. 1?01~,. tl;uv1darn mor.:
o que póde hürha. J~b'@-rtt·â~@ -, qMat'.l'°' r~~i ,, fü -áiffci tiwe1.i â Patrin utilidad~.- ·
do a·mantfaó- ];)Ol:lQGS )H1nos ;_!; qoat- 4 t9àos os· p81~1g·os"-a to'c10'5: 0sfi{Gos1.·
panl:1i-asJiYndl:Jf~fs-: -p0r:flçm tà;ito 8Ph::>:- fo tle:ye exp'õi~ firt!ü1 bc»m péltriGib pa\ a-
dígo·qure Cül'lfeg,tliO j1 fu~r pat te ~a fi~-' C:Gnfer'vat a d-1gpidaâé f ~ 1-iq~rd-ade'
rança_;, é qu-e d.ifpGZr co?1 eüa? ir-fe' a d~ P-atria ,.cq_n1-0 Gé!il:)t01,} e noifo Poé_..
terras efin1i1h~S- 'Í e defo011hecir.ürs: ,. ©' ta i
<
• 1

Pro P atria , . patribufque mori , populoqite Lat[no :;_ ·


-Cord~, qnimoque piq fa-ipio, Juflipio. · -·

~ ovidip , áql{elle gtandé ·áinánte d~ te nos ~trçbata os·difVéllo~ ôbtigan.:


Patria; diz, que o amor clella totalmen.:. do-.nós a defeja11a GOiil in:tpulfos-: . · 1
• --!' • • ' -_ : - • •~ • •• ~ ~ ~;
' i- - : /" • '

' Urge/ amor· Patri.1e . ratio~~ - ~alentior . omnl~ - · - :o e


- . - . - ~ ... ' . . •, ~ '
. ' - ... ··1

t;>egradado: às mãos da lrivej:t éíl:à·yá: _l'a, que fazia -aps~ Romano.s ~ fe os 1?ejfl
o famofo Artftides de füi Patria ; mos llle pron:ieteífem. ·ir yiver ~ Ro~
:AthenaS.; à qúem·na~fa feito niuy à'f- ma fua Patria·; aortd~·~q_u.e~ia ál'J.tesJer
fi,nal~d_ós~ f~rV-!_9os, e t~g~:Vª àos De?"' Cidadaó htunild~_ , · qüe . -fmpe1~?dor .
fes, q u1zeffem Ier prop1c10s -aos Athe->: de todâ:s ·as liláis Cidades .. ·es+LH;iftas
nieiifés em ~fudo, ô que· defejaífefn ir: . afffrma(>'3,qu~. os q~te ii-i'orreni péfa,Pa:..
v111dô ,. X~rxes com l)u'rt1 :· poderdfb tria fe immórtalifaópela glorià: ln per..: ·
éxetcito contr3: elles , foi o p1:ímei"' petuum viter~ iJ!-leltigunti+r ·, -:qul pr1·
ro, que com confelho deu b fayoi· ;' patria c_ecideritnf. , (\ ,- , · ,. -~ · ,
ájüda,ndb · a_ Temlftodes a . ven'Ce1:. . Muy.folkitô cl~vefer o _an.101~ 9os
aqüella g1•ande batalha Salárnina; pays em inft1~uir ~ ós ·:flµlos no, ·amor
como conta _Plutatchq. Coi1ta Eli'dno de Deos; dp· proximb , e ·dáPatria; -
'lib. 4. de vâ:l"ia hiíl:oria qüe Phociaó. mas .muito mais ·V'ig'!Jan,cia ;lhe hê ne~
Atheriienfe.; depois · de fazer gran..:· c~Jfaria ,.,nmito · mayor · cuidádO>i lhe
des ferviços à ·Patria ; · foi ingrata-; he p;i.;ecifo, .em divirdr' o amor y·ené..:·
inente côndemnado a 'n1orrer ,. be- reo ·do coraçaõ dos rfilhos\ /' potgrue
bendo 'veneno' , e t~mando:...o ; _d.iífe aqüi he. donde daó à cbfta. toq'as as
ã feu ·fiihO Phoco : que lhe eficoh.. virtudesr; aqui he::donde rniferavel.-
inell_dava muito, que naó tomaífe vin"- mente vaufr~gaó o·s 9ons coftt!mes j
gança da Pafria ·, mas q, ferviífe. Co"' aqui'he donde láfliínb_farnente aoabao
dro Rey de Athenas· Je fingio · folda-" os bens, ·e co:1neçáó ·· os n~~ües.· E'fte
do gregario.·, e: fç óffereceo aos 'ihf.. he aqt~~lle viéio,ct~lôs principias pro'*
mtgos ~ pata que o mataffeni ; por-: inettem del~cHls , ~ iertdo ncr fün tl1'do
que, confültando os oraculos fobré' o délirios; efte .he-. o qlie p'rindpia tom
\ v:en.cimei1to ;·lhe foi refpondid'o;que efpe1~ãnçàs ·dócés"; e ácáha <eótri defeirl
áquelies fahiriaÓ vencedores , · c~1jo ganos amaq~os, co·mo ·cantoü QPrin~
P!·incipe rnoh ·eífe na guen;a. Serto"'" cipe-OosLfricos«mtr.ct,os Inglezes nef~ · 1
1110 vencedor mahdoü o:fferecer · á . tes verfos 1 . , · , . ~·
. Pompêci M€tél1o deflftiria · da guer"" ·

Principium dulce efl, at finiS nmórÜ tliltritús ;.


t Lteta venire ·venus, trijfis abire .falet. ·
. .Flumina ~ qute fitu fie , in mare dulcia ·curritnt , '
, - :
1 1
· . Poflquàm guflar:unt .equor, am_araf/,uunti · · ' ~ . )
Efte he áqüé11e tiranno ·, qtte conv:et..: Echo em pedra por Narcifo.:~4'eúcp.: ·
Jteo em Onça~ a Calixto ; pór amór theo em vata deiricenfo por Apollo·--~
de Jupiter: a Seméle em cinza : Dàf~ os·càbellos de -Medúza em G0bra pol'
ne em loureir0 por·Apolló: :Mina. em Neptuno. Efte hé- aquelle c:ég0; ·que·
arvore por am.o r de feu pay Cinaro: obrigou a Pygmaliaõ , a que "cégal
Juno em vac.a por amor deJupiter: Phi- mente fe en~moraífe de huma efiatua
lida em Almendro por Demofonte; de pedrn de mulher; ao mancebo de .
,Athê·
:· ~ PALESTRA IJ LIÇMI XIII. DO AMOR DOS PAYS. . - .. 6 5
Athênas de outra, de maneira q che- Deos para governo de feu povo ·; a
gori a pedilla no Senado, e mat ar-fe . Leoens, e Uífos tirou a preza, e ven-'
porquelhanegaraó ·; a Xerxes de hu- ceo em batalha campal ao gigante Go~ ,·.
ma arvore. Efte he aquele Imperio ~ lias horendo efpanto de hum exerci-
a quem fa renderaõ os mais famofos to , e temor de hum poderofo Rey.-.
Capitaens, e f~bios do mundo. Her- no , e rendido em os br<lços de Bar..í
cules namorado de Omphala fe veft io zabé firmou ·fentença contra o leal
em trage dé mulher, e ficou lá. Ale- Urlas. Sapientiffimo era Salomaõ1 fo-
-xaüdre fe deixou vencer de. Roxànes bre toda a humana fabedoria, zelofo
defig11al de fua qualidade. A deftrui- · em o ferviço de Deos pois lhe erigi o
çaó de Márco .Antonio foi ·c1eópa-· templo, m ·ravilha primeira en~re as
t:ra ,.e de Annibal os amores de Cam- fete dom mdo, e rendido do amor
pania. E1~a S.amfaó fm·tiffimo, affom - de rn llheres idólatras, adorou facrl-
bro dos Philiftêos , e rendera ó-no os Lgo os Deofes falfos , e confagrou...
olhos de Dálida, cujos enganos amo- Ules .emplos. Sa_b io era A:riftot eles, e.
rofos affim debilitaraó fuas forças , p -erdi.a-fe por Herpildes, Domófthe-
q-eortados 9s cq_bellos, alcânçar don- nes por Láis: E~ fün a todos efte
de r€fidiaó , ignominiofamepre foi am r v~nceo, a, todps cegou eft_a a:ffei-
entregado fem refiftenç_ia a feus ini- çaõ, a todos fnjejfou efte poder, fen-
migos: venceo hum leaõ, e na"', pod..., de empenho feu vencer· a todos; co-
yencer o amor, rom ~o as prifoens mo delle efcreveraó os Poétas anti-
de feus cont rario.s, e naó as de feu g·os, e modernos , entre os quais naó
appetite; pôs fogo à~ alhêas fearas, e, merece a menor c9roa do verde -lou-
deixou abrçizaf as .de fua virtude ro , o noífo Joaó d~ Wem, que fal-
çom o,fogo a~11orofo çie_huma 1m.llher. lando do amor diz affim : ·
~autiíllmo - ~ra David efcolhido· de .,.. (

." •

. · Vzetrici 'V-eneri comittit pralía CttJfar:


Inviftum .Alcyden magnus ad arma vocat.
Pugnatur ; vincit Cti!far , Venu_s alma triumphat :
· Corruit Alcides: omnia vincit .amor .
. 1 -
1

~ fe fora6 tantos os particulares, qlie tuhida Crizeida. Alexandte por amor -


poftrou por terra efte indomito Gi- de Tânais deftruhio a Cidade de Per...
gante, naó haó fido mlüto menos os fépoli, Cylla entregou o Reyno de
· Reynos inteiros por efta caufa def~ [eu Pay N eífo a fou inimigo. Por Ca-
trilidos.~ antigua Troya foi qu~ima­ va, ou Florinda fe·pei'deo dentro t=;m
da pelo roubo de Helena. Pelo cafo de oito mezes com quatro ba ~ alh~s Ef. .
Lucrecia fe acabaraô os Reys em Ro- panha toda , e fe reftaurou em oito
ma. Lacedemónia deftruhio Epami_- centos. annos , c:on:t oito centa~ bata_. ."
nondas em caíhgo Q.e ferem violadas lhas. Adaõ ficou no hofpitul pelos
as donzellas cedecas de Thebas. Por amores de Eva , e afuüdio em hmrt
ponto . o Imperio ui.ais rico , e mais
1
caufa de La vinia ±oraõ tÓdas as guel'-
ras entre Eneas , e Turno. Perlcles poderofo , que o mundo ha conheci-
por amor de Afpia d,eftrnhio qs Samios; do, nen1 conhecerá já. mais. '
1
porque Agamenón furtou a Crizeida Nem taó fómente absm01·tais der-
filha de Crifa facerdote de Apollo , rotou efte_monftro, mas até aos mef-
ip.an lou Apollo hüma . gl'ande pe{i:e mos Deofes,que venerou a céga Gen--
iobre o exercito dos Gregos , que tilidade , fe attreveo. Saturno ·por ef-
naõ ceifou fenaõ Glepois çie fer refti-. tar com1Philyra fe tornou cavallo. Ju-
·'
l_ · pite1• .
66 ' .GUERREIRO', ·ESCOLA MORAL, &e.
pJter fe mudou em touro por amor de e1n ' carneiro quando f?i àm~rd?. •dà,
Europa;·e fe transformou n1nlher em Lua. Apollo por caufa a.e Leucothoe
figura de Diana por refpeito de Ca.- tomou 1 .fórm~a de mulher. Mercl;riQ
lixto , e em chuv a de Ouro por en~ fe fez icabrao pc;H· eftar com Penelo.-
ti'ar com Dânae. Marte por eftar co m pe , .e por iífo Ovídio diz, que até nos
Venus foi prezo em cadêas por feu Deofes tem poder: : •
inarido · Vulcano. Pan fe converteo · )

Regnat , &. in faperos jus habet ille


.
Deos.
' .)

Q ' valha-me Dê9s que atrevido, t-a, a tudo vence, a tudo disbarata, ~a
que podert>fo h.e efte t~ranno, de cujo t:udo aniquila,inas a qu:erp fezmayor
hnperiGnaõ efcapaó nem 0·s _m ais va- guerra he à mocidade. · Já . o deixou
lorofo s , nem os mais fabio s 9 nem ain- ito o noífo . Poéta : ·
,.
J

da os msfn1os. Déo cs. A tud·o d.erro-


. '
'

~ . ·Mi~itat in téneris annis anzor , hofpes amtentts.,


· /. ' · · Eft in; canitie rediculofa .v enus.
' ' ;.J_ ' - .. •

Efra aqui aclia Q feü tropeço , o feu fomos .obrigados a obedsce1• ; he. hu~
embaraço, a füa : q-ueda, a fua ruina. ma. máy da ventura j h.ê' a felicidade
Muita guia he neceffana para a def- da Republica; he a quietatÇah, e fo..;
vjar defta perdiçaó ·' muii;os o1hos ,- é'ego do mundó ; he . a· all a dos. go.;.
muita .vigilancia, .muito cuidado he v ernos ; he o · P~y dos Póvos; be mu-
precifo para,que naó trbpecg ,-eca-j7ê1... 1:0 · incon'traftavel elos R.eynos, ;· fi€
nefte abifmo de erros ; nefte deve em- forta-leza inexp ugnayePâas Cidad@s: ~
penhar todo o refto o Pay ,ja enfinan-, he . virt ude , que t udo alcança : fom
do aós filhos com o exemplo , já· coüi obediencia. n::a da fe c011ferva, com el- .
as boas doutrinas ,ja·con1 ás bo as com- la tudo prefifte ; fem a obediencia tu-
panhias' já com _o retito etn cafa ' }á do fé altera ., .com ella tudo perma-
com os ter occupados ,: já. com lhes n©ce .. ; . fetn $bed,i encia fr1do fe . per-
tirar o dinheiro ; já com 'O mimo , iá turba , com ella tudo florece ; fem
-com o ca:íl:ígo , - j.á 'cG'.1' i1 ·o h1n01~ ·aàs: ©bedi nciéniàó haRey.· qüe gove~i1e ;
virtudes , já com<odio dos vicios ~ já Capitaó que ·vença ~ Meftr€. que en-
com aJ11emoria da J.?.l0rte, já' GOm a ~ne'; com ella: govmna e.o Rey , ven..
lembrança _de tant as difgraças .; com ée o Capit~ó , éhiina o Meíl:re.
que cada dia eftá cl~mando a experi- · Entre os pr'eceitos da taboa fe~
encia. ...-·, , · . . . gutida da ley Uivtna tem· o primeü
' r - .. ro. lugar a obedfoncia ,, ~ amor dos
L ·· .I Ç A M . XIV .. Pays , e a mef~na ordem guardou Pfa.!
taó em a.s Ie·vs Gle fua Republica, o
-Da ' Ob&diencia~ - qual .d epois .. da veneracaó, , e 'cúltà
dos De0fes pôs logo em fegundo lu-

H
E 3l Obe_d iencia h11111a fujei- gar o re fpeito dos Pays, ~ mayores:
,çab da vontadé; he hum ha..! JJialog. + de Legib. Tambem os Poé-
bito do obedecer aos precei- tas fallaraõ do amor , e obediencia
- tos gu~ ditta a razaó ; hé que devem ter os filho~ aos Pays· c9-
l:rnm habito de obedecei" aos precei- nhecendo o fe1~ que delle recehetaó. .
·tos' e mandados daquelles' a .quem Wem: . . • ;J
p ela ley , pelG· direito_, e pela tazaé ·~. l
Sum
- ~ z:::-r
cara
l . •

Sum 'tua: caro , jmtef ' ttld {u1n_ ~ ~itater , frt ttriti'.
·r -·_ Carne' ·mêa âÚ9 vos _
ejNs;,·· ~ una caro; · ,

Das ~ni~·s , chamadas· Meropes ; effaléi 'iJay qrie·· tôclo fe <lif~éüá ~m âdq tlil"ir
vc .Ariíl:oteles na hiíl:cria dos_ animai~ bens pal'<l deiXaJ.•-11\e ; honra ; credito3,
lib.' 9. éap. P3 : ~qüe fuíl:entaõ os Pays e fama com que poffaó melhor p~ffai·
naófóquail.dd ·velhos, fenfl:óque tam.:: a \~ida, j he de. irnpios f~tn :ley; ferri ra_;
bém" erh tempo de ·enfermidade lhe zao; fe!ll ~onhe~üüen;o; negar ..á ~obe~
fcl''vem: · de limira cdm fuas ·aza:s para diencia a quem as aves; _e. ai:íimais ô
que. ,naó cayaó ~ e desfaleçaó. Ifto reconhecem; hébrutalidade·, h~ f~re-:­
irtefmo fe tras· to1i1mmn1nente das Çe.: . za ; he loucufa qualifit t:lda' Çon:trá as 1

gonh~·s , e .ae·outras aves éhnmadas plantàs, contra ::tsforas ;,contra os e'ler


eúcuphas; e das·aves c~1amàdas pides ril~i1t03 ; çon,trct os homens ~ cóntra
efü1•eve 8. , Bafilia no t/i:vra de ·hond- D~os ,.-qüe he bétfümtifüma razaó, ]:!)a-
re ·parentttnt: E ,fe as avés , e ani~ 1 t:t:t naó cp:ü e111 tanta · bai'baridade.
mais guard'êló •. efte, direito natural ; ])iz S: P df!td nd cap.. 3: .aos C.ollo-·
que he jufto que faça hlim homem ca- cenfes ~ ·qne ·.-os filhos obedeçaõ .aos·
paz de razaó ,.Jclrey o de tantos in_yf; Pays.eni tudd , para Q q·lil.~ naó move
tei~ó.s ,· comó 1fileos' nelle defcobrio 1 e eom c~wgas de razd~ns ~ fena6 qu_~
~· que~n diíf~ no ·.ecp: 30. do J?.cc_ lef fobra, e e,aft~ qüe D,eo,s .<J qlieirn. Só'j-
que ·tomaífe @: velh1ee dos Pa:ys , e que crates ao t em,pb, de fu-a morte ençom.!.
naõ fe-c:mtriftecéffe com a fua- vida , ~11endou :il· Jea filh0 Lamprodêo .tjué
feriaó' he qüe feja ,ma1s iJJ1ferifatd que amaffe; e efUm.aífe , muito a fua. :Máy '·
a~ féra!il ~ nfaiS'· d~féonhecidO~ q_~Le OS e lhe obedeç~~ di'.Ziéndt'J i qU<:;: am.Qr
brntos,mais ingrato que asaves,-paz: mais fo1;te,-q_ü e .o dehtüna Máy ; que
ra qú~ llie digãt .Sáiecà lib.' 13. · de bene- c1üdados majs eontini10s; que t raba-
ficr.is' naó amàt __os Pays he impieda-7 U1os. mais. pezçi<;los ; de' dúi: trétb~lha,,
de, e na~ OS'r~onh;ecer ii11fami(l!,. e de l}oite fe·défvella ,- tódo., o anno he
diz omefmo· qüe dPay quanqo bo1n defentt_çtü):rttda , 1toda a-vida fe empre...
fe deve ama,r , .e àínda que mào·f e de-: ga. na h,.ri'\ eriaçªó? na füa honra_, nd
:Ve fofrer : Ames paréntfim,. /f _.if1quuJ i'en fqft~Jito :~ Tobias çap. 4. Ariflote .
efl 1>fi1i aliter, fe'fjàL: _: 'J · · • J ;· ' .'- le.S· Nb-. 81 fit1oicor .- eqp, l +' E . o npffQ
1

DeT©bedecer· a rhimi ·Pày ,~ _erijo Pqéta;di:z ~· que os filhos c,:iue iregarem


amor naó há , oomo . dizenn.' 6s Jlilrif.i ti obedieneia· a fetl5 Pays ,-.fe\aÕ' defo~
tas, oüfro qüe o poffa. vencer·; â hürri · bedgeiQ.os de fel.is' filho.3 ,.porque,por
;pay, cujo cuiçiado na cí-iaç.a& dós fi_, a_q uelle · caminhó pôr do:µde pecç~.;;
lhos naó ha"Ollt:Po queoigualle·,ah111n. wes)-PQS v©1~ : do Géo o eaíl:igo :: J:
•,,. , J , \ •. r :·· . . :.~J
•~

QJ1i citpis· -effg:·.fenex·;


J ' ..... J I •, 'i" ' .r ' , , .. ' !,-!.

venerare Pflrmtes','
• I' ! •

1 • • ' Y-
~hàr~s
. ,• " r'" ,. . /-.
~. Qjt_a patri f acies ; filius i!le. tibi. . .~

MmtQs - exemplos~ no$ offerncem ~sle-: asmaos, e venc.far os olhos,, e pô~


f __ , , ~ ' !, '

/
tras Sagr·adais :·, ~J~mna:11a>s de filhos fo'b re _fe"us .h,0~1~1·os hu~ feixe de le'~ ·
obedientes idos {[riaes nos: p"arecêo·!•e.!. nl:ta' leyandd com m~tmo os· pl'i.mei..;·
fedi alguns pàfa g)tproveiteíi1 à-inli.i rc-s'. tragos: dá morte'. Hum; -Jofeph)
ta~a~ .delles._ E; ~on1eçc:trrd_0' pel~s'. }é'.., que füpeY~t d fab!à o :mal?,· q1Je il}e que..;
t11as Sághidas.fernos·offe~·ece· rtum.Ifac, riaó', ieu§ frui~03'; é ~ muit~ qüe. de'-,'
qu€ fendo l~vrrdo .pnrJeti . Pay Abra'- feja vaó ter occáfi~õ de o matar ,, to~
hani aó mDnte ·pata fac1;f:f:icallo,·todo'. do ob'ediefité' 5 e h\lmilde f~ fo.i bni-.
humilde ~ e·obediente fe ~deixou ata1~ · c.al:l<J~ ao can1po ,_ aond.e o imm Pl~
li} fq~
68 GUERREIRO- ~ ESCOLA :M:O:RAL , &.e~ -· . ; · . . ·
/1u Pny Jacob. Hum Samuel, qu~ fon~ em 1~everenciar a. fu~ Mfry. A hum~
do de peqt.wnos annos, todo obedien- D~nna fiJ?.a ~e P1thagor~s, que 1~ao
te , e humilde fe ficou em ferv.iço do .qu1z .comJnumcar ,os efcnpt~s de 1eu·
Sacerdote Hcli por mandado de An'." P~y o:fferecendo-lhe gr.ande íornma o:e
na fua Máy :' rimitos outros exé111pl6s dmhe1ro , de que nnnto -neceilitnva
puàei'amos referir~_, mas naó operrni'te P?1: f~r 1n~ito pobre, por mió faLt~r ·à
a-brevidade. obed1encia de feu Ptty , que lhe na-
.As letra·s . hmfü111as nos o:ffereceirt via ordenado naó . entregaífe ni.m.ca
hum Enêas· ; {que na. deftnüçaõ de os feus ercriptós. A htm1 D. Joa6 JL
(Trova falvou· em fous hombros a feu · que havendo entrado a Reynar p or
.Pay" Ançhizes. Hum · Aphinomo , e ordem · de fou Pay D; Affonfo V._ no
Anapias, que livraraó.Jeus Pays em tempo, que i~prud entement~ paíf-ou
os hom bros , quando em Sicilia o a ~~·ança, lhe ~·eftit?hio o Reypo, e lhe
monte Etn'a vomitou ta1.s rics de fo- beiJ ou a mao nao -obftant~ que feu
go , gne abrafava os campos , .e as ·Pay lhe larg;:iva o Réy ri.o tontentalh
Cidndes. Hum-.Simon·Athenienfe, que do-fe fó com o ·Algarve com a·nrn.yor
fe fez captivo ,. e fe entregou ao rigor modeftia, e obediencia; .qne fónú'.~ lP
·a e huma du1•a, prizaó _por dar fepul- te ~chamos fmitada. do : Imper*1.do~·
tttra a fen. Pay Melqniades.morto em Leao II. · com Zenon fe:i Pay : e·to...:
o carcére. Hum filho de Manlio , qüe dos eftes filhos colherao tantos fri1c~
com os amenços da morte obrigou ao tos de fua obediencia, que no de.f-.;
Tribuno Pomponio ~ju rar naõ accu- curro de toda a fua vida lhe fobra:raó
faria majs ao dito ·fru Pay pelo haver felicidades , que deixamos de repe..:
.defterrado fem ca'ufa. A huni. filho de tir - por ferem muito fabidas :1 e tfilri...
Créífo, que fendo mudo rompeo em be1~1 por neceffit:.rem de la1·ga efci ·ip<:;.
palavras, ainda que naõ bem articu- tura. · . . · ;~
ladas , mas baftantes para fe entende- Mu;y ~dverfo fücceífo experimen+.
rem, e avifar ...fi feu Pay do perigo, ta_r.aõ os filhos inobedtentes_, e de·qüe
e aos que º'q~10ria6 matar par:i que refer~remos alguns exemp~os . , que
foubeífem que.· era C1'éífo. Aquell~ firvao para efcarme11to_, c-omo .os Gu..,
Romana_, que_,em.. ~ carcere fuftentou · ti:os.para·imitaçaõ; Diga-o a matdiçaõ;
a feus peitos.a "f~u. Pa.y condemnado- à que fuirp.inou o velho Noé fol:lre feu
morte de fome, A hum Metéllo pio ~ filho Cham pela defobodiencia qu~
que c0111 lagriinas, e rogos- importú- ufou . com elle -, o·. qual naõ fómente
nos alcançou dos Romanos perdaõ lhe cufton .ficar por efcrav9 ,- e toda
para feu Pay. Aos filhos do .,mefinó a fua geraçaõ , e foi a pri~eirar ier~ ,
Metéllo que fendo deferdados dé feu vidaó, .que fe introduzia no mundo ·,
Pay por_t~ftamento publico , .f0raõ . mas tambem ferem f eus iTmáos me.:,
elles taó obedientes, que quando mor- lhorados em a herença, e bens : Gene-
reo podendo annullalo , quizera6 jis· cap. 9. Diga-o· Rnbém, que pela
antes ficar fem herança, que contra- defobediertcia com que trat ou a. feu
dizer a vontade__ cte feu Pay. :A .hum Pay Jacob perde.o o morgado, o·fa-
Antonio Phtlofqpho ~ que adoptado cerdocio, e G Reyno :· Genef. éap, 9.
por Adriano Ceiar, e feito compa- Diga-o Abfalaõ ., que pela defobedi.,.
nheiro no· Imperio , nem por iífo fe encia de fou Pay David morreo
lhe levantavaó os penfamentos com a defeftradamente enforcado em huma
dignidad~ rtova , m~~· fe ficou. com a arvore lib ..2. Regum cap. 18~ Diga:õ-o
reverencia , e refpeito que tinha a aquelles fete filhos de.quem efcreve
feus mayores. A hum Conftantino em .SantfJ. . Agoftinho de aivitate Dei lií.
tudo gnmde., ma.s may9r que nenhtu~ 2 . cap. S. que fenda amaldiçbados
· por
~ _PA!JESTRAI:)AÇAMXiV., :DAOÊEDÍENCIA. . 69 1
por fu~a JMay pela haverem. InJltnado e11Et lhe ~ eyo a ctefcer· tai b-dió, q l •

ficar'ao com hum termo d~ Pel'fof.ia aonde asvia trat ava de asmatur;çJe11...
taó horrendo, e ho1'rivel , que era do reprchi;nÇido ·qe ufar tal tirai1la 1
efpanto de quantos os ouviaó; e paf'-' refpondeo; que eibs andorillhas. lhe
fando-fe alguns dias,fein pairar aquel- levantavaõ hum falço tefte1winho de
·1e açoute taõ efh'a,rlho 1 e naõ p_oden::- que hayiçi morto feu Pay ; de que
do os padecentes fofrer a adrniraçao daudo-íe Gonta a ElRey , e exami-.
do P?VO, fe fotaõ defte:rrados de llià nad? _Beífo, vey o a Gonfeifai• o GTime,
patna vagando pelo · mundo . como e foi por e!le como merecia çaftio-a-
outto Caln1 fugindd à vifta de ferls do. Qua:s ±orem os filhos para i.gus
pàrentes, e corihe~ido~." . . . " Páys, diz O E!P,irito Sc:,nto no cap. j.
Demos huma v1fta ;is hiftonas hu"" do Ecclejiafl. tais fera o feus filhos
manas , e v~remos hLins poucos dos :rara có1n e!les , o que tambeni co-
muitos que efc'revem os hiftoriadd'" phec~o o l1iftoriad01~ Rom~no Lucio
res : e diga-o ~hranc»filho do Impera- ·Fíoro , qiu~ diife ~e naquellê1 moeda
dor Cloratano; que pagou o haver <;!111 ql1e os filhos pagatem o amd1: , _tt!
defobedec1d_o a feu Pay ·com morre_l obediencia d@vida aos Pays,neífa,mef:..
4

queimado vivo dent1~ em humn cafa ma lhe con-efponder,?..é-fol1S fiihos ao .


com todos feus filhos, mulher, e cria-'- merecido agr.adeçiriiei1to : Ou.tiiqutt
dos , como eforeve Ahnin de geflis ftip endia" parentibtt$ · impbu:Ieri~ ~ eadem
Frencor'um lib. 2. · cap. 30. Diga..: o D. â filiis expeeta. Ifw 1e vio expel'imen•
Sancho filho de D. Jaime o I. de Ara-; tado em a célebre Ctda~ ~ çie Lisboa 1
gaõ , que p ~gou · atebelliaõ, e defo- Êi onde hum máo filho ar1•aftoq po1•
bediertcia de feu Pay morrendo no huma efcada a b'tixo a foti Pay, ma~
rio Cingà, que co1no verdugo ó arte"" permitio~ .Deos que ª fte filhQ ,ti'{_eífe
batou conl fuàs ondas -repultando-o igual caitJgo , porq1itt d&ft@ mao'lliho
neflas defeftradainente: Diga-o Salim 11afceo Guti·o que pondo mãos eni feu
filho de Bac~leto, qLte inobediente , .P ay , ó l~v ~~1 arraftan.do damefma for"'
erebellado conti·a _feu Pay com amr te pelo rneimo lugar , até qqe Ch@gan~
biciofo defejo de .Reynar lhe prefen~ do a certo paffo ctHre, lmfta filh.o §baf_,
tou batalha, na qual foi venciêio , e ta ; que já entenqo b c~ :fügo da Di'"'
poucos annqs depois veyo a mortel" ~h1~ juftiça ; baita , que at é-q L~i an•af--
no 1nefmo lugar. . Diga-o Befi'o , de trei éu tambem men -Pay , efta h<f ·
quem efcreve Plutarcho'irr lib. de fera juftiffima ptovidenCia do CéD ;J~lly'
nttminun~ vinJieia qúe .' matando a feri bem eitá ord_ enado que quem tàl fez ·,
Pay com tanto fegre~o, que o Iiaõ yi""' qlie ta! p~ g.ue; · . , : .
raõ mais qüe líumas andorinhâs, eftqs · Nao fó· aos Páys fe 'dev~· obedêcet
o perfeguiáó ·em toda a pal'te cha..: mas aos ~eH:res , á03 velhoiS , como
mand<Ylhe traidoi' de maneirã 1 que a cantoq W em nos foguintes V€rfo$' ~
Ne-fttv~' ~anos .Jitvetils ·convítía /unJ~ns 1
Seq fubit~ ajjú,rges, t.~ nverçn~ , fçn im.
1 . .
Com efpecialidade _:te de·ve obedecei' · os :fi-egüezes oBetiecaõ aos Pai•ochos 1
~o fupremo· Ponêifice , ao fobe1·ano ~os B_ifpos, e fous ~iünifi:ros; os Bif..,
-Rey com grande tefignaçaó da pro "' pas ao Nuncio ; e o Nun~io ao Pon"i
pria vontade ·em fuas g1ãos ~ e de feus tifice : e pplicando..,,a_ ao Politiéo ; os
tniniftros fegundo a fupeti.or1idade -m·oradores obed:eçaâ ao ~ Juizes , os
d~ cada hüm '· de ri).:in·e,ifa , que ap_, Juízes àós Co1·reg'edOt<'!~,e O~viGlores~
plicando a obedi(rn'Cia ao efpirittia1 os-·c orregedoi·es -aos ~~ft;n't}l;j~rgado•

/
tjtJERJtEhlô", E·scotA tvroR,Ã L; &e:
~ ·s . e ós Defcmbargadores ao Rey :- os ; Ex Theodoreto , &-Jvf_endo1iç. l1-
~~ applicando-~ à milicia os foldádbs co ~itafp -, e faz co1~ os .ºI?-os ·.º 1ue
oh.edeçaõ aos Cabos , efte~ aos Sar_,_ nao pode com os pes·, e a primeira
g-entos ~ os Sargentos aos Capitaen~ ·; voz acorda, e ~inda dorhündo ,deve
os Capitaens aos )Yleftres cli:~ CainpEi; ·rrn\rir a voz de q11cm o_manda, e fe ·
os JYleftres. de Campo nos Governa- deve applicar 'à obra p9íl:o que •t:on...:
·dores ; os. Gove1;nadores aos Gene- traria à natureza : Ex Divo . BÇJ.jilio in
;rais, -e os Generais ao 'R ey : e appli- conflit; Moncif!icis ca}; 2 3. po1•quc to::
cando-a ão eftado Religiofo; os F1•a- da atardança na obediebciá .-he peri-
des obeçieçaõ a feus · prelados~ e êf- gofa ,'como confidera l\demliJnç. 'c.api
.tes aos feus Provineiais, ou Gerais ; 3. n.< 5. e o experimentou ·bem à fua
.os. Gerais .ao .Papa, ~ coin npoú.tu~- c11íl:a á Efpofa dos C::mtar.es. , porque
-lidade d€ftâ obediencia, flotecei'a a batendo~lhe à porta o Efpofo, lhe ref::
·Religiaó, crefoetá o Reyno; vivitàõ -pohdeo que fe tinha defp oj~cl o da fua
todos em15az,_ e ·ünidos pela obédi- tunica ;e que til~lrn_lavado · ospés, o
encia; feraó · in.vcncrveis tanto 110 que:.-vifto-pelo e1po1o fe.foi '; 1equan~
·temporal; como no efpiritual; · do a Efpofa lhe q_uiz obetl'ecé1; o naó
· A óbediencia deve · fo1• cega Ex i i · achou , e lhe feü forçoíb (i} bufcallo
·Regum cap. 3; &·ibi Mendonç. n.·1 ; & 5; pelas ruas · da cidade, e en0ontran:
·e por uro· tem ouvidos ' mas trnq te.m . do:..a as guardas a feriraó 1 e inaltra:..
·olhos , p01;que D verdadeiro óbedi- taraó toda i Canticont1n 5.· n:· 3. ibi;
ente·foppofto, que ·onça as 1fozes de -17Jeodoretà. Motto eftava Lazaro de
queril ·O mand-a, naõ deve efpeêulai• a quatro dias, e chàmndo pelo Senhor;
·1;azaó · porque manda., Ex caj . 4. Re.:. diz o texto Sagrá.do , qüe accÚdirá
·gzmfilib. I. b"' ibi Mendonç; lib. I. càp. I 4. -logo cdafepnltura atado de_pés, ernãosi
e pb r' ._éíl:ê princi pió .[oaõ ·Clímaco joannes cap; 1 I. n. 44. e reparando S;
·na efca_da do Paraifo ' gd10 4: chama Chrifoftomo ·porque tlaÕ 'fahira· lbgo
~ obediencia _.Jnexaininadó e·indifcu- Lazaró foltorefpondeo ;qnenaó fahiõ
1ido mov~1i1ento ~ p01· quant() fe proi. folto .para que inais prornptttfi:lente
fere -para fe executar ;-e ~1aó . para fe .obedeceífe :à voz do Senhoi'; e naó
·examin~r, à qual fe devê fujeitar naõ tardáffe aquella demora, que; lhe elitl
fó à vontade ., .mas ainda o entendi.::. neceffaria para fe defatar,_· .
tnentq dando-fe tnais credito' às pa~ . A óbediencia 11aõ fó ha de (er
lavras de quem mandá do:qt'.e .à p1;0- prómpta nâs coufas pequenas, ·efa...
.pria experiencia ·, c~rno fez Samuel ceis, mas nas arduas, e dificultofas,
chmna40 do Sacerdote Heli ; tomo e quanto mciyor fot a difficüld-ade
fe'lê no lib. i. dos R ~ys cap. 3·. n. 5. e o tanto mayor ferá oinerecin_iéto: liíen-
enfina S. Gregosio nps commentos ; donç. no tap. b· n. 10.fect. p •. & 5: áon-
que fobre elle fez: ·do qU:ê fe fegue de larga , · e dotttanwnte . ino:íl;tct;
que os fubditbs devem obedecéí·, e que a obediertêia , .fe he illuíl:re· nas
executai" tudo o que lhes màndaó ,coufã's faceis ;· ·h~ illtlftriffima nas dif-
feus fuperiores fe111 examinar fe he fi.cn-ltofas; e·nuilt ó rifais florece qüan-
. juíl:o, ou naÇ> o qtle lhes manda ó, por- de fo obedece a hum fuperior injufto,
quci naó faó juizes: cfa jüftiça coin que e defarl.·efoado ·,,- ? queni : fern ~· mur""
mand-aó ~ mas executor~s ·do qne fe m1,iraçaó, e cafnmnia fe deve ob.ede-
lhes otdena ~e a eíl:es nao pertence·© cer êo111q a Deos , porque a obedien-
conhecünento , ti.las a execuçaõ ; e eia que fe tem ao hon1ein por refpei-
eíl:e a deve fazer com t oda a celerida.;. to de Deos, i11erece o mefmo que a
de ~ · porque o verdadeiro obediente obediencia· que immediatamente fo
~orta ainda pelos va~ares neGeífari- t~m. a Deo~.- Naó deve 0 verdadeiro
Gb@di-'
-- ' \ PALESTRAI. LIQAM XV. no ESTADO DOS FfLHóS. . 7í
:ohedicpte reparar em que o füper.ioT falta, :mtes a experiencia mefi:ra ~
feja humilde, ou· feja nobre , aipero , · todas as coufas , nos ~nfina cada d1 ... >
qii brando, n'.oço ~ ou veího., ~nfipi- quam nociva, e prejudicial feja fom . .
ente, ou pratico, JUfto, ou ll1Jufto , pre aos filhos efta mife1;avel fubftíttfi. .
mas a olhos fe rrados deve obedecer çaõ he muy precifo, qüe os Pay s ~
a tudo o q 1;1e lhe rnanda, quando mn- con10 . unicos inteteífados rtas con ve-
nifeíl:am·ente naó ei1con tr.:i aley de .niencias dosfilbos,feapptiquem emfüa
Deos; porque fó quando he rnani fcf-- V.ida a efte ponto com' huirta d:iligen-
to o peccado naõ fó naó eft,i obtlga- tia muy folicita, e aéhva, pata que
. do a obedecer, mas dc·ncnbtF11 mo- logrem os filhos em fu-as vidas efte
elo o deve fazer : E x· cap. Non f~m- fruto de amor paterno ; que comó
pgr r r. q~u~ft. I 3. mas quando eftá na mais natural , lhes he mais ·neceífa-
duvida fe he, ou nàó hé peccaclo ; -rie, e o gue mais .lhes aprovéitâ; por-
ainda · nefte cafo . de ve obeJecer por que he eH:e o onto em qtte _de ordi-
authoridade do fuperior que manda, nario fó -acel'ta quem lhe dóe. Naó
que-exclue efta · duvida ·: Mendon ç. in fabeín os pn L1cos annos f{lzet juizo dó ·
I. Regum t{tp. 3. afiotatione · 2. f~lf. r. efiado, que füe convém; nem difiin-
- Mnitos premios promette Deos guir, nem fazer differença de éftàdo
aos qHe obedecem aos· Pays, aos ma- aeftado. Cégos entraó a defejallo ,
yores, e fuperiores: nó cap. 20. do E xo- fem exame das forças con1 que o pra-
do huma vida larga-: no cap. 22. de S. curaó, dos encargos a que fe expôem,
Martheits 1'ittin. 3t: e ·no cap. -2. de S. ~ fe naó tem g L~ia, que os dirij'a, de oí'-
Marcas n. 26. e na ·cap. 20. de S. Lu- clinario fe precipitaó fem i;emedio ,
.cas n. 37. huma --\J..nortalidade : e em e vivem fempre coinpezai;es, e·efta
ontros nuütos lugares lhe ptomete he 'propria a paterna, porque çomó
livraUos dos perigos , abund_élncias de os olhos dos Pays fóm@nte fe reputaó
bens, prudencia, nobte~a , honras , olhos dos filhos, naó caminha fom pe-
e outros ni.üitos hlms, que · tras larga- tigo de precipicios guem fe g'tüa por
mente Mendonça no lugar tantas ve- olhos alheyos. Nao :pódem os Pays
z·es citado. violentar aos filhos a que tomem de-
terminado eftado , nem qu~ cafem
L I Ç A M - XV. · com determinada peff03:; Iirns pódem

.
pel"fuadir ,-e élconfélhar à· eleiçaó da
IJo Eft ado ,dos _Filhas. eft'ado , e· das peffoas : e faõ taó po-
de1,ofas às perfuaçoens , e . confe~hos

G
Rande lanco he da ·Pruden~ dos Pays pai·a: os filhos obedientes,
~ia que ós"Pays tratem com- qhe de perfuaçoens , e confelhos paf-
. todo o cuidado, e diligencia faó a 'Jriandados, a que .os-· filhos bons
· de dai" em fua vida eíl:adb aos de-ordinario fe fujeitaó _;porque fup-
filhos naó efperando que conftrangi- poíl:o que ós poucos annos lhes ti~
darnente os obrigue a neceffidade , ~lhaó a ptefiõrtado o difcurfo; .a,raz-aó,
porque he ·axioma -muy vulgar entre a prudencia, e o co11hecimep'to , e
os Juriíl:as, que o que podemos difpor, a experiencia de. que neçefüta· h:uméi:
o
naõ devemos deixar à contingencia: tll.Õ importante eleiçaó,eaNatur?za
Quod in potqfiate no'j fra habemm , in- lhes tem já enfirtado~ que o amor pa.-
cafum crmferre non_ debemu-s .; e por-. t @rno he o mais fiel confelheiro em
.que naõ pôde haver peffoa mais inte- toda a nwteria, e nefta iobre todas
í·eifada, e que com tanto cuidado, e dif- com ventagem, porque neífa c1_iida
vello lhe - procufr~ o feu augmento , e rnais ~ nefta fe difvella mais, nefta fe
· confervaÇáó , -que -, poífa fuíl:ítnir _eíl:a. en+penha: com ·oma.yor ·cexceífo, por-
' que
..,-..
"i~-·
i2 .· .". ' fjUERREIRO , ~SCO~A M_?RA~ · ~,&·e. .
9>~e do acerto .della pen~~ toda a fe- clmaçao. Delcuoertp o geni:.o , «~ ta:..
J léi\fade temporal, e efp1ntl~fll dos fi- !ento ·de cada .hum dos filhos dev~ o
.lhqs. Com muito cuidado ena o· _P ay prudente P.a y encaminhar a cada hnm
_o lnfonte , com muito cuidado ~he pelo caminho, a ql~e· · o guia a feu ta-
,procur~ a boa doutrina, com muito lento ., e inclinaçaõ, e fe(á exéellen-
~he grangêa creditos , e honras , cor;i te ;_e o que- fe inclina para as lettas;
:muito diipendido, e gafto lhe folicita naó í.e deixe praticar em as cort es;
eftimaçoens ; e tràtamento_s ;- e todo mas fe . envie .às Univerfid-ades com
.efte g:.iíl:o ,.todo efte . d~ípendio, t9do companhia~que o·güi~ ao fim para que
efi:e iangue , todo efte foor , toda .efta he mandado, e o dev~rta do-s grandes
~meia, todq E;fte ~ifvello_, _ ! odo efte ·eJ_nba~·aços., ql'.e, rt~ll~s encontfa ~eor:- ·
. cuidad.1o fe -eneammha, d1nge, e or- d mano a mocidade muy advedos ao ,·
<lena ao fim de deixl,lr a feu filho ~m ·fim pert endido· : e o que fe deftina·
,J:mm bom eil:ado naó p~rdoq._ndo a ne- para -a Igreja naõ f e' deixe afeminar em
nhum~ diligenda·, qve poífa fe.rv~r d~ os feft~j o s, nem em os eftrados, mas
meyo para confeguiUo , verdad~. tao . log0 fe ~nqe:reífe , e enduftrie entr~
.acredit~da dÇL experiencia ,.que p.aQJ1C- os EctlefiaíHcos ,. que o.vaó dífpon.,.
ceffita de exemplos que a perfuadáÕ. do' e àfe;içoando àquelle· ellado' que
r ' E para/! ·g_ue: a eleiçaõ .d9 efrado por fer o mais perfeito' e o mais Cé!p- .
- faya com e~eito _p erten,d ido em _na-_ t,i v? nec.\fl!t~ :q~1 ~: a criaçaõ feja: com
pa~ póde moftrar.oPay mayor prnden- 1iia1s , per±e1çao , e_menos ljberdade,
cia,que en_1ef~uadrinh~~·o-g_enio de ca~ pa~·a q i1e .nos _an11os1 m~is crefcidos ,.
da hum oos ±ilhos : Eis JJtdend11:m qut nao eíl:ra11h~ g falta -da vida ,,e. O;~pe1~­
plios in_.ftituimt. ~ quer: fu~ qu~mque na- ·to_ daJib.~tdadef i:ias _ante~ .t~nha ·já
tu.ra f erre dt/tgentiffime vzdetur ; e fe1to nnb1to tao a.iuftado a : v~da Ec-
criallos confor1ne a efte feu . genio, çlefiaftka, que fçS. ache: gofto nos que ·
porque- já mais ferá excellente; o que a prófeifaõ , e agrado rios que f1tjei-·-
naõ feguir o -f eu talent o, como .refc- , tando a,hberdade nas má os d.o s Pre-
re Ciçero. lib. · I. de ·Seneftute, · Se_neca lad,os_yi;vem mai_s.li vres d0s occafionéS:
lib. 5. 'dr; tfp,jzquilitate çap. 6. Qy,inti- das culpas. E ,o que, fe affei.çoa ~s ~q::..:
Jiano lib. 2. cap. 8.. de infljtutíene ,.fen- mas naó fe deixe adormecer n:-is ef-
do coufa ·c~rta ,- e que diz _o mefmo cólas ··, : pgrque ~ he ·_ grande: ei1:0 dos
CiÇero de ami_ci,tia , que os· diverfos Pays que deftil].aó hum filho para a
ge11~QB . c,Hfcorr~m para · ip_clinaço~.ns. fainilia, qy_ere+l~:p)'i~neiro infhuir nas
, dive1'fas : · !Jt{pares en~m mores ·, dif letras humanas : a_vida he pfove, a
paria fludiq fequuntur. He facil. co- arte :long~r, . e o ,tempo · que~- fe ·dá a
nhecer qS inclin~çoens pelo temp~-- hum exer.cicúo fe.tira ao outro ; G. em
ramento, pela phiiioJ)omia, pelos.dif- nenh.u m fahip1 perfoito, e ainQ.a que
ClJrfos~ e pelas ·acçoens .,_e mais princi- fob1iaffe temp-o naõ fe cria Márte 'enr- ·
palrhente pelos jogos. em que fe ex- tre as-:M:Ufas, nem fe faz guerra-c9m
t;rci~aó , como fazi.aó os 'Efpártanos . os liyros ,. nem cor.n as pennas,,, como
porque o animo folto , e·alegre naô. ~legantemente . efcreveo ôvidio na
ci.üda de füigimento., ·e defcobr~ a in- · fórma _feguirrte ; .
. '

Acide, quàd ingenu:as didtc~ffe féliciter artes, .


Emollit animurn ; nec jinit effe fero x..
J. - 1 1

Palras nafceo a~·mada, convêm que o te efpiritosJ erofes, faya _de folg~r dos
foldado defde,meninó ouça as, trom- paternos · Penates- _, e figa ,a campa-
betas manêe as armas, bebà em o ley.., nhá, a coftumando, fe como o Alce aq.
· ilro
PALESTRA r: ·LrçAM xv: bo::EstAbo bosy1tiios:
73 .
AíHo frio, e ao Aquillo ardente, por- Gri1p1~ençler acçaõ em q_m~ fe eónhe~.
que o que fe quer ·mofi:rar habil para ça. : Audendum eft tibi aliquid , jl ·vis
alguma coufa , necefiàriamente deve eJ!e aliquid; .pelo .que .dtffe Aiifonío i.
.. . ...
Iucipe; dimidittm f acti efl ctêp~[fe : .Juperjii
' ~ \

· Dimiditt.m ; rurfus . ho& incipe, . & éfficiet~ '

E iffim éoi110 todà a República maiz offende a faudb : . iEqúte fani::.


perfeita fe compôem de tres ordens, tp,ti impe.dit remediorztm crebra mu-
'$a.cerd9tes , Magiftrados , e Milita:. tptia : aifün o. que no _efi:ado tiver v'a -
res ; affim toda a familia perfeita ne:.o · 1~iedade , ar1;uinani. nfelicidade, C1 pu~
ceffita de hum E.cclefi.aftico , de hum déra goz21r ,na pr efiftencia de hum fó ;.
L~gado, de.hum Soldado ; porque o c;om ainconftancia applicahdb.,.fe adi-
Soldado em a camparthá., e .em as cot.; yerfos, e por iífo .difie ·o mefmo Sene-
. tes .; :o L.egado em os governos_; e Ga , q aguelle he verdadeira)11ente fa..:
conJellios ; o Ecclefiaihco. em a Cü..i bio ,que naõ fe aparta da acçáó húma
ria ·; e em a Igreja; .D priméiro corri a vez em.prendida : 'Sapiens femper eat
efpadà ., o fegundo com a penna, o '(:lia·; donde diífe Pli.nio,que era conhe- ,
terceiro _ com a piedade , e ~com os aimente muy certp de noífa·inconftã--
bens Ecclefiafticos reciprocamente fo . da naó nos agradar nenhuma .ordem
marttenhaõ , e todos confervem as de vida por muito t empo : Magnum
riquezas, e efplendor da familia ,_dan-. iiicoriftanti.i bumame q,rgumentum nullum
do-a a conhecer n.a p.az·;·e na guerra, efficji ,grm~s diú place~e; ~ermaneça no
por letras, por armas, e por virtu-: 'º.{lado de que fez ele1çao aquelle ,- que·
des, que faó os eyxos em que fe f e- defeja augmentos nelle, e logrará feliz_)
gura naõ fó ~ perpet1tidade; 1nas o . mente o fim de feus defejos, ' c11unda
augmento das fam:ilias, que todas quá-" naõ fe defvie do em.penho de feu.s dif..;
tas. fe conhecem, IJ.b- mund,o conreçâ~ vellos. .
raó, crefceraó, e p~rílftiraõ, ~m quan.!> , Neírt fe dêfaniníem os :Pays .de hn- '
to lhe n~ó faltou hw11a d.eftas_tres ]ja-: milde nafcimento para deixarem de
zes , erµ que fe e
funda ó ., de que, fo procurar augmeutar fells filhos; e a fua
derivaõ toda$- as. nohrezçts , e gran- fanJilia por" efi::es caminhos 9 porque
d~zas .de familias; e fa,cilmentefahi~ tódós tivemos no primeiro n~foirrúm­
rá o Pay de fá~ilia.s com dta.em preza to a: mefm.a igualdaqe na nobreza ;
fe foubgr ufar do genio, ~ talen~0 dos: cffeitD foi do pe.ccado de noffos pri-
filhos, applicatidÔ cadq hum pm:a onde· meiros Pays a defigualdade; q\1e l1oje
o inclina ;:i. nat1,ireza ~ que àjüdqda da temos ,hnns dos outros ; e efta faz a·
arte, lhé datá ~m cada h.um dos fül}o$ . di:fferenç.~ do procedi1)1ento de cada·
huma colui;nna em que fe füftente: : · hun de nós ; porque fe todos. fora..:
- Feita .pois a eleiçaó do efiado , , de~ mos igualmente b~m procedidü"s , e
ve.. fe coi\tinuà:r ·nelle ; pô1~que afü.m- virt\1.0fos, em todos fora igual êl rp.if-
como no j\üzo do fent~ile~o~q Seneça ~a efi:imaça<) ; porq11~ naó have~1dq
he atgumepto de bor~ efp1nto te.r af.:. ventqg~~u .n?s ~en~ciment0s ; ;· na~
fento ., -e fi.l'meza eni !1tun;;ii ooufa : houvsta d1ftmçao. nas peffoas; mas
Prim.um m·gumentzún bemt to'mpofitce porque os homens efqtietcidos-dM vir,·
11'tentis efl poj)e aonJi.ffere 1 ~ porque 'he tudes ~e enti-egaó a~s· -':icio~ ~ ~ naÓ'
proprio de animo .enfern~o mudai" cl.e repayao em exercitar fe1t.<?s md1gno~·
cabeceirá : ./Egri animi efl-' loco·r.uni à cri~tura ,que fahio d~~· rnaos d.e pe?s
mutatio, ahe experiencia cómprovada taó p·erf~ita como · obr'a de tan fo.. ;:
que &111nd~nça de re.medio:~; he a qu~ ber·à no artiJice ;_o mefmQ Senb:o.r Pº!
- I~ eaF·
1 - .·.
,.
7·.~ _. . . GlJ:tR~Ê!Rô ,- E?CóLA ~1ê}R~\L , ~e. . , _ .. ,
.c aftig() defta mgrat1dao ; e efquecP Pouco faz , quem fo contenta fo
•-""'rrfr~nto pernüttio efta difterença, que· em confervar a nobreZ!l , que lhe deu
ródem .te1riedêa1._ ,9s de humilde . naf,;, a fo.rte . , potque a mãiS deve cad~ h~1~11
ctüientó, '· definertt11ido~o com v1rtu- afpirar por todos os meyos; q ne pod.e
des eobtas heroiGas, quequandonaó .r eceber aügmento a refplandor da
póilàó 1·emedear a vilez~ · ~,ç, fe~1srna.:. Nobre~a; para o q~evos dir_ei e~1 que
yol'e.s ~ a~ meno.s _lhe mar:rao ~m cafa- ~Dnfift~ , para que ailim v,rn~~1s _e~n
a nobrezía adqmnda, tanLO mais pal'a conhecn:nento dos meyos~ q fao mais
e:fümadci., qúe a hereditaria ; quanto proporcio~rndos para rnanteUa , e àug-"
ho11taõ, e aéteditaó mais ás vitt t1des; . rnentalla. A Nobreza fendo evideúte,
e merecimentos p1•oprios~que as obras, que em nehh um fe .dfri va defcfo Adaõ,
e feitos de.fens. mayores; e tawb~m de . q uem todos defcenden10s fe111
' para os feus defcert~entés a he1•edita"": diftinçafr·, he fo1~çofo coí1feífai;, ·que-
i~ia. Nenhuma coura ·ha .; que naó ti• temfeus pri:ncipios; os qtte commüm-
veífe principio, mais que De.os ,; a Ci.:.- mente lhe da@ os Autores_de füe-
dade thàis efl:endida' a torre mais ro-- . lhor noi11e,gue tem efcripto fobre eíl:e
berb~ ; ê· levantn;da , a· muralha, e aífumptO_; faõ as Armas, ãs Letras ;e
fortaleza maisforte,pl"incipio teve em· ns Riquezaf.,. e aindá ·q ue a eftas as
hurna pequena pedra fepültada ern htt• p_ô~m coin tazaõ em ultinfo. lug:it ,
tna hurnildé· cova. O rio mais ,cãu... háÕ tem faltado qüem fó a eU~s ihe
delofo, pdncipio teve em .hHma pe~ queira ~ttriquir o principio da Nobre:.
queità lagrima de huma pobte, é hu- ~a ., tendo· feito vulgat definiçaõ da
1nilde rocha '; fem principio: naÕ' pó-· Nobreza ·o fer Hunia ·riqueza envelhe_.
de haver meyo 1 nem.fim;opponha. . f~· tida. - · _ /.
efte aos vicio~ e deífe aquelle .às vir"" . - Verdade feja, que agl~i tem fet1 ln-
. tudes ~e obras heroicas; 'elogô che~ gai- alimitaçaõ ,_que pôem Joaó ÇJ-ar..:
garáó. os humildes, fem embaraço·do eia no feu ceJébre ti•atado de Hifpana
fru rtafcirrtento, naó fó ao meyo da Nobititate Gloffa .18. n. 3t. ·dolide diz ·
honra , 1nas a'o cume de1la:. Cume que . nà · qual~{tjztf.gra . riquezas arguen
das dignidades .,· e hontas Ecclefiafti... Nobleza , parqué ay . infinitos Moha-
. cas he o Su :. mó· Pontificado , e o pri-- treros ,. que ,crecen . en · iln momeflta , los
meiro q~ie . o occupou ~foi pefcador 1 _ quales ·. nttdie di:te Nóbles , aunque
e filho de outro ; e depois delle fe mas furos ; e· dineros tengan ; a11tes
feguiraõ muitos, cujas letras; ê virt,u_; qtJ,antÔ · mas ricos 1 'fon '111eno's pre-
' des osfizePaõ dignos de tal lugat ~ fem · éiados ~ faõ füas mefmas páláVtas, que
eitorvo de Seus nafcimentos humil_. pôen~ eniJingna vtflgar , ainda ó toaa
de'.ll .. Cume da honra fecular he o Sce- a obra eftá erp. a latina~ e he diéb1me 1

ptro, ~e à força de virtudes o empú... -feu, que fó devem influir Noibrezã


nharao Wamba .fe1ído lavrado1~ , Da- aquellas Riquezas ~, que defde hun'l
vid fendo paftor, .Agotocles filho _dé honrofo pTincipio em' fujéito d'e liin-
hun1. oleito ·; .e Ser'to1'io filho 'de Pays po fangue fe v;;iõ füé'ceffivai~ert(e l:ler.!
lmmildes; veyo afer em Hefpa.nha de dando de hÚrts .eíti · óutros lUfttofos·
fenfor-dalibetdade'c'.:ontra Roma: Ui"" ciefcenderites po1·.tetnpo irnmemotiaL
r iato noífo: Portuguez filho --de Pays Sigo a -opinia9 , dg qlie fe deve 111e~
humildes ., :fói tambem em Hefpànha dfr a Nob1;eza dos· indivíduos p0l~
orayo,.qu~mrieaç'Ou anltima·ruina à utilidade, que"dellesi·ec'el'.2e111 '0B Re~'
tr1muphante Roma , .que co!n e:ff~i"" ys; e as Republicas , e porque ·efta
to fo êxeéutata, fe a ttaicaõ na.ó cor-- -utilidade he de muita extenfaõ ha-lu:.:·
~ara ~ün~~ vida? que tantas vezes poz -gar, neU~ para-mnitos gráos , e jufta.;:
' <.. ;, , . • '

a feus· peso_valor RÇ)mano~, mente fe· deve b primeiro. ao Valor:


: . ..... · ·· · do
,,,

. .PALESTRA. I. · LIÇAM. XV. DO ES,TADO })OS FILHOS. · '! S


do}f?ldado ,_que fa~tificar a .v ida em lo d~ feu ferviç,~, refpeito de qye m~~
férv1ço de tua Patna, e de feu Rey, · aue todos amao a honra, e iolicit :;s,
.e íerá- tanto mais gloriofo; quanto fo- (ausfazer a obrigaçaó de feüs empre-
iein mayores fuas façanhai> ; e mais gos, affim na paz, como na g ~1erra.
elevados os poftos ,que por ellas hou- . .CO t]}prova, e anthoriza, t:odo ore. . ,
ver foereddo. · ferido a definicaó, que dá o Philofo-
_. E o fegnndo gr':io fe deve ao Ef pho da Nobl'eza em o fegundo do3
tudo , do . Douto e à Difcripçaõ do Rhetorlcos : fet· Ltfflre ·de antepajfados:
Politico ,- ·neceifaios para admiuiílrar d~fo1:te que aqtielle ferá nobre ·, -que
juftiça, e dirigfr execuçoens ao acerto hou vet· tido afeenden t es lufi:rófos , e
em quantC? .conduz à confervaçaõ, r e cmúecidDs por alguns dos tres meyos,
boni governo da 1'1onarqu1a, ou cau- co·n que havemos dito ·, que fo adqni..:.
fa publica, eeíl:e ferá tanto mg_is plau- re o fen efplendor. Porém contra
fi vel , quanto rnais ,pr0veitof9s fe ex- eíl:a difiniçaõ fe offerece hurpa diffi~
perime'ntarem os eifdtos de fnadirec- culdade, e ·11e, que hum homem naf~
· Ça6 ,, e mais·_ t~1porta ntes , . e ard,u ~s cid0 tle ma y0res' fem l~dhe· , f~ p~r
forem as materta&-e~ue fe exerci- alg11m dos meyos refendos o adqu1~
tàr o· feu ta.lento. O terceiro, e ul- riife, fem-duvidadsixaria nobres à fe-
timo g rcio tb~a às Riquezas , e naó us d ....i'cendentes ; poréi.11 delle fe di-
faõ as que me·1os conduzem· à feiici'- zemos que he nobre, cont r ad izemos a
dade da Republica· , e ferviÇo elo definiçaó q Lle requet'e . lu:íl:re em os
Ptincipe , affim eq1 a paz, como em a antepaifados ; e fe dizemos que naô Q
gnerl·a ;·nem 0 1que meJ1os .ennobre- he, fe éommette o abfurdo de quei·er
C?, e itluCtra ao poiTuidor, fe a induf- que f ~jaó os netos· illuftres , e naó o
tri~ ' de : adqüildlla$ , ·ou, a feliçidade avô, de quem fe deriva o feu efplef1-
de refelias fouber ajuntar o acerto de dor.· Como he .po-ffivel que füccedaó
'einpregallas. os de(cende'ntes. eii1 a qualidade-·, que
Ostre's principiOs da Nobreza , que feu progenitor naõ ,teve? Antes bem
faó A n nas , ·L itras ; .e R itp~e.zas , :.fe deve l:"eputar-fe por mais· nobre gúe
devem reduzir a hum , qt~e ·he a Vir- elles, quanto po~ 1~ais de fua .c.afa qlw
tucle, fendo 'eíl:a a q LLe da a-regra~ ao elles para · ·adqmnlla ; havendo fido
nobre exe·r cicio das out ras, ievantan- merecimento ·nelle, ·o que nelles foi
do-as a fuperior efphe.ra \:Om os no- ·dita : .e lie çontra t oda a·-razaõ, que
mes de Fortale.cz~1 , Pruden:c~a , J; , Li- fedê mais honra à felicidade, que ao
beralidade; illuftrando ao füjeito tan- merêcimento ; logo póde ·haver No- ..
to m~is ; quanto em mais her.oico gráo breza fe1n luftre de _a ntepa1fadbs ,. e
as p61fuir. Efta hé a verdÇldeira óri- por confeque.ncia naó he boa a defi-
gem da Nobreza do fang~1e ( em os 1üçaõ qo Philofopho. · -
que anaõ ti:azem da ªfcendencfaReal} 1 Ten;i foluçàó efta difficuldade,
q Lle nem daó,11em podem dar os R ey s ,_ diftinguindo g_ Nobreza em Nova ,_e
qúenaó podeIJ.i concodcr a vóz de he- · Antiga ~;.a efta .definto o- Philofopho
roicas vlrt.qd_es, e grandes · i'iquezas, Luftre dos antepa.ffados ·; e à quella po-
qLle eifencialme11té a·conftituem , .fe- de1:nos defin il~ Luftr~ proprio. D~e huma,.
naõ fó as horiras , .i(ençoens , e-.dig- e outra fe coftuma diiput ar, qual de- ...
nidades, que nrnre~ein, e faó como va preferir-fe•?1Iúclinome à opiniaó do
eifeitos·ctaquella canfa, fendo aj~tftada qne refpondeo diftingriü1do , que fe a
, a razaõ de eíl:ago do? Reys o privi.:. Nobt eza he -origiüada de Rique:::;iis ,
legiar os va{fallos, que herdaraq de·fe- he mais ~ftiniavel a ª f!tiga; fe 'do va-
1 11s antepaifados eila luftrc faqualidade, lor , grande · Ealento, e he1"oicqg faça- .
porq11e nell~~ fo affcg.ura o inayor ze- nh~~, mais eí1i~1iav.el h ~ a No:va n{?
r • ~ k iJ meJ.-
76 _.. . .... - . GUERREIRO, ESCOLA MORAL, &e. ·~- .
. ~p~íiho fujeito ___q ue .·adornaõ eíl:as em fuiiofos ? p~o_i·que · affim co~no a~
f/_ff ndas ; a que fe dev~ acrefcentar, p~antas _envelhecidas fe renovao com
(}! q ue ferá fobi·e todas 'aque f:e ·cornpu:- v1g?1~oios enxert9s, affi.m tambe1~1 ~s
zer de merecime11to. propno , e ei- · fam1has, que vao degenera.ndo ie 11-
plendor herdado. Eftes _i11eyos pois h1ftraó com matrimonios nobres.
com que adquire Nobr~~za par~ i~, e To~o o effeito :1atur~lmente fe pai~e­
feus def-cendentes o que a nao mm · ce a c-aufa; ·por 1ifo os filhos fe prem- 1
herdaqa, faõ os propm'cionados para rne111 firnilhantes ao ·Pay, e taL .fepre-
que a illttíl:ue (Yque nafceo com ·e11a; fume o filho qual · he :0Pay: E~· Ec-
com· que vos deixo advertidos do · clef. cap.: 3ó. porque como . o humor
que ~e':'eisapplicár a voifo ·augmento, da ' cêp~fe diriva aos ram?t, affim ta~­
fe efl:1n'lülados do exemplo dos mayo- bem os coíhunes dos Pays nos filhos
res · procurares defompenhar ; como diífe Ovidio lib. 4·. fl.ietham , e naõ
defej o , a.obrigaÇaõ com que nacef- obíl:ante fe vê nafcer de Pays efpiri"'"
1
tes. · t uofos filhos afeti1inados , e <le leoens
. Naó deve o prudente -P áy de fa- · ctYelhos , monfiros. fem dnv:ida . que
milias cáfar a mnitôs filhos, porque fe ; n-afce!tl da miH:ura élofangu ~ das máys;
os muitDs c,afamentos ·multiplica ó ali- e-por iffo algLtmas .vezes '91s filh0s naó
apça, e. acrercentaó mais a familia , fah~m aos Pays, fe .naó às rn.ãys, pá- ·
tambem a deftroem, e enfraquecem; te~·endo-fe a algum progenitor da li-
porque fendo a fazei1da o fangue com · rrha matetna. I1to1fe dev~ · confidei:ar
que fe conferv~ a nobreza , e dura- . diligentemente, p_o rque con1.o,algumas
çaô da familia, dividindo-fe em mui- enf~nnidades do corpo-, faó tambem1
t as partef5 a fazenda he fôrça que fi- dotais algum~s do animo , paffando,..:
quem todos com pouca, e affim ,comó fe da_linha -mâte1·11a que ·e ra iinfefiá ~:
naõ póde vivermuito·hutncorpb com do Pay·que. éftava: puTâ. ( . ·
pouco fangue ·, affün tambení nàõ pó.. As filhas fe d~vem car~t muito ~e­
de durar muito a Nobreza de ·hurt1a do coi11ó accmfelha Lueio Floro : Fi-
familia compouca fazenda fom ·q~te lia~: 'nítptui _loc-are dtate . virgines' prtt:.
fe venha a ~azei; ética, e fe fuja deHa · dent-iâ niulíeres , âi1tes . qüe o deem·~
como de mal c·o'n~agi'ofd ·: e na ver- fo dos,annos poífaó dar :lngar a que
dade he a pobreza ~ febre etica que affoní.em as ~aJ:HÜ~as dos o:lhos , e por
toi·na huma familia nobre, e i11uftr'e ta da bóca. ns:füd:ifcrer.as 'inclinacoens;
_a ta9 miferavel eíl:ado, que chega :a das mulheres ; ·poi·que he n1:e'.!.·êado~
fer muitas vezes defconhecida pelOs rfa qü.e fempre fo empe01~a . em cafa ;,
mefmôs, que alerviaõ; da meíina for- perdendo .cmn o ttet11po- a .fonuofu-·
te que chegaó a dêfco_n hecer os cria-.· ra, ·e b pejo: Carlos Magno Impera-;
do? a (eu amo, qüando a força da fe- dor -erttre tantas ácçoen:s fabi.as fez fá·
bre etic,a o . torna _:d e honiem. em _ef- éfta · necedade- ~ e entre tantas glo:::
quelêto.. , _ · , · ' rias padeceo fó efü1 infar~üa ,, por ha·.)
.. Os filb'os fe de_veui cafai' tarde ' ver ·dHatadb ·_ b cafomento ' das füh'as·
.. porque feinpre âdq_uitem núiis virtu- n~ais t emp q do qne devia: em ciúanto·
de; e he mercadoria que fempre me- elle bufcava get1ros a feü -genid , é.llas'
Ih ora ._e m cafa ; e fe deven1 cafar co:m bufca.Jo'aó atmü1tes ao .feu· / e fefin. gen..:.
nobres ,para que adefcende~ici_a cobre · ros teve 11et0s , '€xperien.dã t'a õ auo.J
vigor , e naô degeneí-e · ;· porque·· a tidi-ana que a p.énàs fe paf1à ·dia ~J_qu@
vir.t nde das famiHas vai fempre de- naó fe vejao as infamias·, que caufa: .
g~n,era~1do ,como as "plantas; ,e a ex-: éíl:a' demora. fyras o que he 1naiS pafa
periencia 1~.1óffra, qy~· as faiiülia~ clot~- a~lnlirar, que 11aó fervein taõ ·. quoti-
tas a.cabao em ne1c10s , as behcofas dianos exemplos para-a cau~tellar ~fta
. irff:;i-
PALESTRA I. LIÇAM XV. DO ESTADO DOS FÍLHOS. ·. 77
infamia, fendo imprudencia comdem-· dio em apropria cafa, quanpo fe ~. ,.
nada por Horacio o naó. fe pôr reme- arder
'
a do vizinho : . 1

Nani tua res agitur, paries cúm proximtts ardet, . J __ .


Et negle/Ja folent ·incendia fumere vires.

! As filhas fe cafem com ricos pará tir que as filhas , fe devem cafar entre
eme fah indo de cafa naõ neceffitem os parentes para que mais facilmente
1~1ais della , mas naõ convêm que fe achem foccorro , de que como mais
dotem , porque naõ conferva ó a fami- fraC'.·~s. regularmente neceffitaó. Mar-
lia de fcus Pays ~ mas a de feus mari- co Antonio Imperador cafava fuas fi~
dos ; ~ parece coufa irtdifcr~ta dar as lhas com os Senadores , e naó os buf""'
filhas, e juntamente as fazendas aos cava mais nobres, e mais ricos , fe
genros; para ~ue com a filha , e com naó mais virtunfos, fegundo Herodia.:.
a faze nda conj_ervem a familia alheya. no :. Fitite porra, cum . adole·vi.ffent, op-
Antigamente naó herda vaó as fi- timis ex ordine Jenatorio viris coltoca-
1has dos Pays, e cafavaó pelos .d-otes vit; ·nec enim qui longam generis feri.J.
cl.a Natureza tanto inais para @iHma- em prteferrent, aut qui ópes nimias oj-
d0s, quanto mais dura veis, e fegn- tentarent, Jed qui mormn p r obitate, at-
ros : o mefmo faziaõ os Indi,os como que modeftia vitce , innocentiâ prteceJte...
conta Ce!io lib . 38. cap. 3r. O eftado rent , eos jibi .generos diligendos putabat.
Religiofo he feni duvida mai~ pe.rf~- Htec · enilJ? ºJota animi bana certa effe
to , e de ordinario cu.na. me.n os·, ·a el- · ftabitiaque ducebat.
le fe devem inclinar de menina~ as fi-
ll~as para que voluntarias o abracem _: XV1
quando cheguem a idade Jigitim~ ; e

N
fó nos parece fe devem cafar as·filhas, · Sobre' a Amifade.
quando fe cont eílte·n os genros, corn :
efte dote , e as D.lhas n:;ió recufem Aõ faõ menos neceifarios ao
efte eftado ;·potgue affim cori1,o qual- prudente Pay de familias· os
quer vento bafta para arrancar a ar- - · amigos do que aos Reynos as
vore mais forte, e qualquer frio pà.- a1ianças; porque affiin como
ra 1nurchar a mais fiorecente ,quando nenhum Reyno póde permanecer
efte fe acha no campo fem outras corri forn ahiigos, affim rtaó póde fem el-
que fe abrigue; e pelo contrario naó les confervar-fe hmna fanliUa. He à
bafta huÍna tempeH:ade desfeita para amifade hum fumnio, e igual confen-
arrancar a huma arvore unida , e de- timento de todas as coufas divinas, e
""fêndida de outras, neni. hum chuveiro humanas feito com benevolencia, e
de neve pará fecar a. arvore , que aju~ · caridade. He huma vontade deter-
dada de outras lhe refifte; affim tam- minada ao- fujeito qüe fe ama com
bem qualquer trabalho bafta para en- igual vontade'. He hum de todos os
fraqnecer, e debilitar a huma famiiia defejos , e vontades f~·utos ma'i'S rfO- 0

pOUCO aparentada , e pelo contrario 'bres do-ámor, o qual ainda, que fejà
nenhum he baftante para deftruir a huma virt\1de imperfeita he muy bel-
hL1ma familia , que fe acha fortalecida la, e importante à vida civil, e hu--
de largas alianças , e por íífo nos cafa- mana felicidade, e· por iffo contada
mentos ie deve refpeitar a circun:{tan- entre as virtndes morais : e na verda-
da dos parcntefcos, que deiles fe ie- de que-coufa ha no mundo mais divi-
guem, gue prevalecem ao dote mais Ba que a verdadeira amifade; haven:.
-numerofo. E tambem fe deve advcr- do hum fó -D€OS· communicado aos
mor-
\
78' ' -. . , GUERREIRO , ESCOLA MORAL,- &e.
· ...,.· ,_wortai·s·, o qu~ tem em fi mais n~ila- m_al politicum , . & .civi~e ; e mió lo fe..:-
t'lc,Yí."ofo , e bem aventurado he a .umd~- na, iegundo ~;z o -meii:uo, qua~1~i~ilne
de na pluraHdade ? Q1:~ coufa mais faltafle a ai:111ade : !~~omo Joli_tarnts ?,
milaoTofa, q~e do.ns fuJeitos fazerem- aitt angelus , aut bej)ia , po1 que fo
fe h~m fujeitq f ó , e que tendo Gàda por elfa fe connnunica o logro _d~s .hn-
hum feu coracaõ, viva hum no cora- manos goftos, e a poffe .das ±ehc1da-
ça6·1 ~o outr~~? Cada· hum tem d~rns des ht~manas fo fi~ft~ntâ ; dóild~ _di:íle
almas, ou nao t em nei1huma, porque Plutarcho·, que os filhos devem n1cce-
.Gada hum vtve com_a alma do o~tro ,, der nas amifades dos Pays, como nos
e naó com a fua. Que coufa. mais gof- patrim.onios, pois para1 que eftes p~r­
tbfa ,que fazer aGm.inum bum a.outro maneçaõ, he neceifai"iD que pquellas
ó defejo de feu pxoprio bem ? Donde. fe conferveh1 · : Succedant filii · in pÇt~
procede' que affim como os arde.4tes ternis amicitiis ' jicut in f ubft a_ntia de-
ratyos ·do Sol fazendo re:flexaó ~e ·do~- relifta .. Q~1egofto póde haver , no niun-
us efpelhos·_ ~rn,ii 111~fmos m1gmen:tao d.o mais inave ,que fem o doç_e dehu-
feu calor; affün. gozando l:).um do bem ma arnifade,, naó fique defabrido ri A
do outro, c-refce adrhiravelmente :fen ~xperiencia o abona, e·o teftcmunha
gofto. :He o ·homem , natm•alrn~nt e o noffo Poéta, que falland o nó fruto
animal politico, como lhe chamou _o que fe tira de ter -mnigos., diz affim: ·
. Philofopho : 1-Iomo naturaliter efl a11i- ., ·
1 '

'Qjtid t1bi jucundt1Jn , fitbn1ptis, effet, amicis;


C~mf.ta tibi qya;nq-µ,~m cumulata bana ?

E ·contiimand_o cm11 feu ~;~g11~0 díf- curfo diz o feguinte: '


li :..

/l.lJer ego....yerus multitm ,probatur amicús,


,_ QJ-to_nob~s _ debe~ chariiJs ;J!e fihil. ,
~ t ' •' . \ "" . .: ,t..:

o ferro
: ' ,.. J , \

Muitas faó âs caufas da amifade :-eh- hnma ·pedra ~man . de metal, .


tre eilas, tell). o ph1neiro lugar~ fi~i- donde unindo-fe hum com o outro,
lhança ·, porque da mefr~a maneira duplicá& fuas forç4s , e communi..: _
que da contrariedade nafce o odio, da . caõ f11Jts · virtudes ; a iman fe torna
finülha:nça nafce o amor ; como fo . ferro ' e o fe1;'r o iman ' ·e pelo con- .
conhece pela iriducçaõ'd_e-todas as fu- trario fe fe chega ao ferro a Theame- .
bihmci~s _ i nanimadas, feníit ivas, era- des iman de contraria compleicaó, fé :
cionais. Entre os corpos inanimados · vé aquelle ferroMal.·te torharpâra tras •
he milagrofo aquell<:( am.o r da pedra fughldo ignominiofamente. '..
Hercúle.tt com o Marte 4o~ metais , · A me1mã força de fimilhança fe
e admiravel. ver , que a pedra 1man experimenta nos \regetativos, e ani-
com vilaó -amor arraftre ao_amado fer- mados. Huma P_alma .fe alegra com á
ro , e que o ferro . mais Jervo1..ofo viíinhançarde outra ,e voltando-fe h11-.
amante , vendo de longe .o am,ado ma para outra para fe verem , os
objecSto , fem olhos o galantêa, e fem olhos de füas folhas acariciando-fere-
azas o bufo;:' fem braços o aperta : ciprocamente com . os braços de fr1as
milagre que os Philofophos attribriem raizes, produzem fua viffin1.os f1:utos,
à fünilhança da c01npléiçaó natural e fe cortaõ -a huma , a outra fe feca,
dns- elem~ntos , e d_os mix~o; , orde- perde a cor , -e morre ; e p~lo con-
nada à mutua confervaçao, fendo a trario a vide a mais· fecunda , e· rn-.
:pedra iman hU111: .ferro de pedra ., e figne de todas as plantas, fe fente jun-
. - to
PALES'í'~Aí.'" tfÇÀlVíxVí. sonitít ÀÁMísÁÍJE! 7st
to a fi a ~ouve; planta de humór frio;- enlÇlçar:-fo eftreiti~mcnte ds êôt:a:i_ü~
e mé'l-anêwlico ; ~01110 d~fgoftada ~ e en~ , ~ eomo nafc i~aõ j mtamente , .:i}' •
trifte, retirando os pámpanos; e raizes riffim jllntâinente Vivera ó , enferma.:..· /
a ol.itra parte; füg·e naóJo fetl hbon;e- raõ ,~morreraó; como focmdous cor--: :·
cido conta&o , fe naó tambem rua. pos hoüveífo entr~db; e fab,ido hum:t-
vifta ; e fe lhe ritló tiraõ fua inimiga ~ fó alma~ ' .
fe faz etbjca, ou de d01•, ou de i'ai-'- . Tarnbem ha érttre ds hd1neris ami_:: -
va ~ · e a.mm ds .natural amor ard~m ·fade facial: . p01'.ém mais racional qne
asJubftanciasi-nfenfiveis,quefevêmos a-das abelhas ,fundada em a fimilhan.-..
erreit os; e q uafi fe ouvem osJufpil;os, . ça das profiffoens, onde nego~ios, fa..: ·
E o mefmo paífa eni as fénfitivas; zendo communs os cabedais , 01.ra
Quem naõ vê, que os animais de hü.._ ilídufttia para tirarem proveito êoní---
nià 1nefina efpeCie , e fimílhm:1tes em niüm; etal foi a jtirada de Thei"éo .;
fagaddade, g induftrra; fe amaó por. e Peritnoo ou para ajtlci:arem-fo reci~ .
fociál inftinto , ajud.ando-fe. huns aos procament~ em as em.prezas 1nilita~
olitr.os em fuas obtas? Afllm he o co~ res a fim de conqüH1àí.·em g101"ia ,, e
me1~êio dás abelhas ein a politica, e Imperio;dequer€!iultava que o que ti2 •
o das fói'migâs em a- êcbnóf.nica ' e nha a qualque1; âelles pd1i inimigo;
de todos os quádrúpe~es; e aves e1rt tipha dous inimigos 1 bu inimigo de .
c1'iá1: fous filhos , em 1Jufcar .P1~ezas ; duns ca15eças, ê quati"o braçôs ,, qne·
errl ê.ombater com fous inimigos , e daó exêmplar às ligas dos Príncipes
em tratai• enti;e fi cótn amigaveis dá'" · conqui:íl:adores: E tal fdi tam be$'m a
ricitis,naólhesfaltando pafa:vl'as,cdrn d~Daniaó , ePithias, contrahid? pe-·
que chamem hun_s aos oll~1•os, e cbm los êfftudos comr uns em a efcóla .dé
que expliquem feus _amo'fes : e p~lo Pithágera§, a.proveitandb hwn dom a.
êontra1;ió ; qugm naõ adverte edm eftuçlo do ouüd , como em hum co...:
que odio ·defdêlihaó a cotripanhià. de mei"'Cio literario ; .e tal he a dos arti..;:
~hhnáis differentes em compleiçáó', e fices , e merdadores , que fa chama ó
coíhmíé§ '· e ainda que an~es O? naó entre fi éómpanheiros pelo inte1;eífé
tenha ó conheCidó, fie1n viftd ·, ou por eomnium 1 porque d~ utilidaàe nafce'
temm~ os fog'étn ,: oli por.odíâ os per... b am01~. . · . _ ., ,
fegueni ;fobrevivendo _odio; e temo1~ . . A níã~s pi-'dpt'ia caufa das· ~fuifc'l­
airid_a_depois_da mort~ ,-doridé as plti..: · dês entre os homens-he a fi111ilhança
más da ave de râpíha desfazem as ou.:-, cl;os ·bons coftames, porque ~ amifa~
tras da Poli1ba innoeerife, ~as cordas de 1 e fünpªtia ~m os 0011~ens . he·
feitas dos inriO-centes · ·cordeirinhos comnitia corri as coufas imniimadas ~
já 11j.~is concordaó é1nâviãla com as e a- facial com os animais, efó a que
clo ~obo vor'az, vivo: fymbolo da Eli:(-' re fund:éJ: na fünilh-ança dos bons co[-
cofdià. . ,· , tJúnés 6.lie par~iç~tlar do homernl.Idêa.
. Ifto mefinó quê páífa: éntre as fübÇ-- defta amifade €ntre os Gentios fora&
~arnüas· iü:ariimadas·, e entre ás vege- .aq\1elles dous nobres Th~bânos Peló-·
tativas~tdenfitivas· ;páffa tmnlJe'ni en..: · pidas, @;Bpaminóndas , que' havendo
tre as raCionais,. cie qlie he elitre-mu~~ cbnheddo intimamente c~m lar.gá
t9.s rato ~xemplo o ~éPdliftra~o, @de\ experienfia ~sy~rtü~es .h~m do outro,.
ÍJ1póç!ides; qli~· ha·v endú nafoidO nd fo éftreitqrao- com mcí1vtfi.vel amifa-
fl1e1ino dimé( ; nó mefin.cJ' dià:, € de.:. de a:té . a motte, Descu~rib hum no
~aixo go mefi110 lidtófcop~ ;firmlhan.;; bütro numa fümma prudencia 'hnma
t_es em cpmpleiÇaó ·; em gerlid,. e em ania\fel _ g1~a:vidade . ~: J:rnma modefta
fortuna, em ..oprhii:eí..ro encdütro do§ ·êonipoftura: ;- hunia üiCOrrnpta juft:L
olhos corri feciret'E) vinonlo fentiraõ ça 1 huma h_€roica fortaleza -de anL·
mo
_,
~o - GUERREIRO, ESCOLA MORAL, &e. , .
mo, e fobre tudo huma ·arq~nte ·ca- 1:0 .de amifade ,mayor féquito ,_que o ..
Jjdade para .com n Patria tyrannifadá da virtude, como diz Çicero.: Acl vutl~
do~ ~i~pártnnos : em .pois _o fim .deita torum anz:i~itiarn , f aci!iorem . a4~t~tm·
amJfaGe naõ as honras, n~m . as nqi,1e'- . babet nequit1a , qumn ·vzrtz-ts, 6" mte-.
ZídS , nem o ben~ prop:do , çómo . em.a gritas. Defta con,corçlia diz .S. f-:u-
focfal, fe naõ o amor _da virtude; de cas nos aftas dos Apoftolos cap. 7. fal-
forte aue concordando no fim, naó land·o dos que martyi'izaruõ Santo Ef.,.
podici havel' ~nt_re eJles difcordia. teVàÕ ·: Acometeraõ-n_o, todos unani:..
Co.mpetiaó ambos, porém 11.aõ pen"' mes; della diz Job. · caj>. 41 -. ejl/J. com-
denceavaó ; a1egrava-fe hum. de qu~ p,ojla de .efcamas apertadas htm1as com_
~ venceffe 9 outro ; porque dond~ ba autra.s; e por iffo'. diz Santo Agofti-
a.m:or, naó-hà iilveja, e dond.e _o naó nho, que ha concordia ni.á , e d1fcor-
ha ., .tant{) alegrà _a virtude de outro , clia boa. A fegunda , que tem por ob-
como :a pro,pria-·i é porqne .o amor ha- je&o.o ntil; he a que contrahem os li-
via . feito . de ,dt~as p~ífoas huma fó, fongeiros com aquelles de -quem ef-
transformandó hrn;ná em .oütra , tri- peraó .· proyeito. Della diz Salomaã,
t:1Jnphanclo hum fó, triumphav_aõ am- nos Proverbias cap, ·L Filho Je os pec.
Ços, e deqmbos _triu.mphava 9 ~unór.. cador;s te derem _leite d~ loavores naõ
· Q~iatró fins ; _e ob.iectos fao os de · os crea:S, e po Ecclejiajlzco · cap. 7.. Me- ·
t_oda }lmifade ; e amor )Juinano; a fa=- ]hor he fet: reprehendido dos fabios '
ber, damno , \!til, delettayel, e honef,,_ qtte ·enganado dos ignorantes ; a os juf-
- to ; e quatro faõ .tamb~ni as claífes da tos chama fabios, a9s_peccadores igno-
-amifq.de, a ptüneira que tem fim o fa- rantes~mas ostaisiacabada aproprie"'."
zer mal, efta fe contrahe entre os má- dade do amig~o , aca baó a fua amifa-
os , que te~n por gofto fazer ~nal .a os . de, c~ri).O já antiguamente diífe_o Poé- .
bons , e extinguir-lhe fua fama ; e . ·ta com.parando efta efpeéie de ami-
abater-lhe füasobras',eclipfar fµa hon- gos GOm a fombra, que acompanha o
ra, e ?1liqnillar fuas coufas : tal foj a fol em g\rnnto com luzimentos bri-
de Ahf~laô., e Achitofél com Dàvid, lhà ; p~A·ém ·logo o defampara tanto
a .ele I-!_erodes, .t'. Pilatos na. morte de que çlasriquezas defeus r~yos o vê to-
Chrifto Senhor noífo. ·Tem efi.e gene- talmente defpojado :

Dum Sol o~fcurum- radiis illttminat orbem;


Ejl individttUS illius umbra comes.

~ o Í_n.glez Wem -diz , que _os amigos plendor das riquezas , affim como a
çlefia qualidade fó acon_ipanhaó em fomb1~a a companba aquelles, aguem o
. quanto a boa fortuna lhes. dá b ref- qua1•to Planeta a!fift_e com fuas luz€s:
Tg bo1ia d~~ fplendet fortima ·;· Jequuntur amici,
.. Ut te, dum lucet Sol ~ _ .folet úmbra _(equi. .·. .
Cum primum liquidus nebulis ejfunditur aer , ·
Ec~.e repente . tuum deferit umbrÇ1. latus. · ·

N~m fó os Poétás cohhecer~ó a _ qü~. . eundém pecuníte, & 'ámoris finem . fa-,
lidade elo~ amigds Ufongeiros, mas cit. Arijlotejes no lib-. ~. Ethicer: -diz
...,.· tambem os Oradores, e .Phiiofophos eftas palavras: Oui {tlnt ob utilitatem .·
µ entenderaõ : delles i·~fere Quinti- amici' hi JimilJ c'Um utilitate' d°i.ffolvu1i- -
. Hano o ,mefmó que os f0étas efcre-· . tur; no71 enim · hi fl fe mutuo-, fad. uti-
vernó: : Qjti propte;-:. pecupitts · amat ; ;: litat~ amabunt. ·No cap. '6 . ._d(,) . EGcl~ ...
pAL:EstRA r. LrÇA:M xvf sárir< E A Al\nsAPK-· .
felê·;·que os anügos pela ut ilidadB faõ o que he pr opinquo ·a fl; e efl:~ úao te~~ ,. .
. st ;t·

amigos fegundo o tempo ~ .e q ue nefte n~é\yor _força que a utih poroüe o de- . f
-fó haja deites arnig.os nos moíl;ra eh- dei~~he a nrnís veloz das hum~n as pai-
ramente . a experienoia : · Efl mim xoe11s·, e he proprio das paixoens 'fo·•
amictts . fecundunz . tr:vipus f uum ' & 41 .rem jorhaleiras 'e tanto .mais inftaveis .
:a""micus J?ciu~~ menfte; i1t not1." pennane~ -quanto mais vqlozes' porque toda~
bit · 'in c~ir, nece/Jitatis: Saó . as· p:~üa vras ·faómo v;ime11tos itraGionáiS ,que por
do_texto referido. · .· iníbnt@s fe rnudaõ: quanto mais. vio'-
. E.daqüi vem ,' que a aihifacfo qué .lentos , menos duraveis. Com razaõ
tem por obj@étq ; e·füll' o ntil ~ ..como -fingiraÕ' ao Amor cleliciofo 'hllm me,_
as cm~federaço~ns · , e · parcerias dos n ino coni ·a zàs, porql1e-i1e inais-,frra-
tratantes., naó eftando fünda'da fo~re cional que ,hurn menino ·, e mái}; Hgei-
frrme . , . e intrinfeca virtude , Tena~ ro que fhas · plumas , ~trafendo huma
fobre · externós, eaccid~rites intetef- , ~xa decarquêja 1 _qríe_fe (:1Çcende pref~
fes; ·~ em mudando.::fe efres·, fe muda; .e _te:S ·, mêts dura poüco. Düra o A11101•
muitas vezes. de amifade . ei11 "inimifa- . deliciofo .. o que dúi•éi o deleite.; .fe o
de , e a foCiedade hmriaua eín focie"" · tempo; oll enfü1"mida_de ~ nt-iidtl '.<) . fé;n""'
dade leoüina. ·· Nó -Roinano Trium.;: blante·à fiórida priri1~y~ta .em frio 'in..i
virato de-Lépido., Antonio, e OB:a- verno, ou fe huma cai~a: forb1ofá à-vif-
viâno tanto dllrou a amifade' quan- .: ta de outl'a ficá eGlypfada, por i'e1• m_ais
·to ·durou ·a efperança ·de 1·epartirem· · bella, o aprnvel fe faz- abon·ecive-1., e
entre fio Imperio Romano com a.'rui..; o-que ant_cs deu gofto, 'califa depois
na de Bnito, é Caffio ,.· m~s artuiüa_; t êdio. Mais jufta ,que grav:e foi'a quei-'
das . eftas , ·e _tlivid1nd0 .o Impel'io os X?~· de Ariadne -Gontra.'fhefêó, e a de
Trium.vira tos ,.·divMiraõ. a :atnifade, D:yan~i-a_ ~oi:-tra. Hércules, os quai?
porque efp.erando cada .hüm a todos· fendo~ fol"tes em cmrrbatet, forao em
. fe uniraõ .Nntonio ,. ~ Octaviano pa'"' amar ligeiros ;·que apen~ls diVifa:Vaó
ra· defpojar a Lépido. qa foa parte , hi11~1à nsiva fórmofurq; quando rom-
e depois .fo mo.veo A11tonio para .def-. piaõ a fé dada à prili1eira·; porque pe-
pojar· a Ocbviano, da.füà, 1nas 'p1~eva- lêjavaó como valorofos ·;· e artiavaó
lecendo o valor~ ·-0n fortuna d·e 06ta~ como fenfiveis. May0t maravilha foi:
viano ,efte fó ficou uriico, nell1 \já rri.ais. qne'Pii:iandt'ó, hum dos. fete Sábios
o houveraõ mifter amigós ,rfêndo feüs de. (!r.eciµ, por fe faz~1õ .a111igo ·_de.nu-·
fübditos. 1 , . · r:. : ma forafteira Fi·~ne, fe fez tnimig:o da
A. terceira; que · fo111 .por.obje&b o · 1u.á co11fb~·te Màliza; at_é cortar cori.i a
deleitavel;he hmria-penevofentia corS efpada ô nó · Hymin~ú ·;_e.·o dá vid~;
p<Jral, que' fe' géi'a de ht111:i.a'boa· fami- mas ()amor daquelle Sabio rtaõ ·tinha'
lim'ii<:iade , é . converfaçaó , e de hli-::: fuâs 1'ai'ze~ 11afabedori~·,. tna:S 1io ·delei-~
ma fimilhança · de coftumes.; que tl'az te .~ po1:qu~ o que verd·r.:def~·mp~1~te o
co1nfigo tal'· coqferitimento ~ que ·faz ·he, nao am~f pelo deleite 1 jern19 p@lo
aos a\11igos naõ ·fe quererem apartaT. ·honefto ~ e por iífo aquelles ~sabios
/

huns dos out1i©S,~ e·pofto.qne efta atni: melhor fo.biaó enfinat., que: p1•aqca~·· ,
fade feja honeffa,'11e· toda'V'fa ma,is do · . · ·A quatta, que: tem por gb.J et?to'·
cofüume, e carne·; qi1e:lt . ·az-a6, ~- ~J""'I O"holi.e.íl:o, proced_e da 1~azaõ natum-1,
f)ihto , porqu~ quaii · atér efn os bru.. e da vir~ude, e tem po1· f~ndaniel')::.
tos a:q.ilnais, que'. alld§!.Õ''hllris ~.com os· tôJ o meimo . Deos·, Coní à_iua . v:ocà-
outros, fe acha~ Eíta hd'm ve ent1;e Jo- çào fe móvent os homens·'. para· ~fr a :
nadáb , e Amnon, e della: :cliz o Ec- a:mifade, como · çomlmn~e natural ex~-· ·
· clefiaff _cap. 1·3:- Todd · ~o andinal ama o· te~d eo Platçrõ Pllilofophô ·Ge11ti? . :
que-beajifimilhante,·eajftmdo·do obomem· Anzici concitittforis . Dei ' 1Jtjtu · jiW:1!t"
·•• 1;:. L Eita

· 82 GUERREIRO; ESCOLA :M:ORAL ~ &e .


.fta he , a rtiaís alta, e excellent~ de com o confelho nas coufas fa.étiv~is,
todas, p Jrqne amamos os_·amigos por já .co~n ~alento 11as adverfas : ~- ie~­
foas vL·t:ndcs , e merec1mentos , e do Plulo1ophla certa ,que as coUias 11-
porqte nos amaó elles , e principal.. mi~hantes unidas, . mais fort_etnente
mente porque. D~os manda .que _os rehíl:e111 _às oo~_::xrarias, confifi:m~o ._na
amem os. Nefta nao entra cobiça, m- -refiftenc1a o 1eu pcrduravel ; certo
t ereffe , nem lembrança da propi'i.a he o que diffe Cic~1;0, pois ~orno di~
.u tilidade. Ne:Pca naó ha, nem póde ha~ o meimo 1 os effe1tos .da an11fade fao
ver mudanctt., porque naó ha coufa fazer-fe de muitos hum pela . fimi-
'e
mais firnie per.!.rnmente que ·º obje:'" - lhança das acçoens' e dos defejos :
éto da virt ude, porque he huma cç'm- Effet'tus amicitite· efl , ut unus jiat ex
for midade com a reéta razaó, ifto he, pluribm. N eceffi.ta hum amigo do fa-
com a eterna , e immutavel ley _da vor, e auxilio do outro·, diz Tulio :
mente Di yina : he conftante ; e im- logo quando com verdadeira .amifa-
1

mut~ vel por fi mefma a amifade vir.. de fe ajuntaó, de toda a neceffidade


-tuofa, porque naó he mudavel o obje- fe ifentaó , de todo o ttnbalho fe li-
&o , e o fugeito naó ama por paixaó; vraó, com toda a felicidade fe perpe-
e por ifib diífe Erafmo, qne os profef.:. túa& : Alter alterius ~uxilio indiget ;
fores defta amifade fe iientavaó dos por iif0 chama o EccleJ. cap. 25. a
ai-forifmos da morte, grangeando im- arriifade bemaventurança , Menan-
lnOrtais progreffos, como pelo con... dro thefouro; verdade que cof1heceo
trario os que della fe defviaó , fopul- Alexandre Magno, que querendo hu-
t_aó com avidanome,efama:Amicitite ma vezDariomotejallodepobre,man-
immortales , inimicitite mortales effe dando-lhe perguntar aonde tinha os
debent. ' feüs thefouros para encaminhar cón-
Suppoft-o que a verdadeira amifa- tra.elles feus exercitas ,lhe refpondeo,
de não ama pelo util, e deleitayel, fo..: que era ó os coraçoens de feus ami-
naó pelo honefto, com tudo eni fendo gos ; contra quem naó podiaõ preva-
bonefta; neceffariamente ferá ntil , e lêcer feus exercitas, porque eraó os
deleitavel. Se quem. tem boa cara, re- antigos a defeza inais forte~ que va-
cebe gofco de ver fua imagem n0 ef- lia _mais que todos os thefouros . do
pelh'o ·, que goíl:o naõ terá o amante mundo ; e por iifo na Scithia , como
v it·tuofo :i quando ~ê no amigo a vir- efcreve Lp.câno , aquelle era tido po1•
tuofa imagem de ínas virtudes pro- mais rico' , que tinha mais amigos
prias, e bons coíl:umes? E fe o amor he certos , e verdadeiros ; e o mefmo
· reciproco, qmmto crefce o deleite,re- dizia Sócràtes,avaliando.huma verda-
verberando em hum o amor do ou- <leira amifade pela riqueza de. mais '
tro,goza cada hum feu goíl:_o próprio, preço, por quem fe devia trabalhar
e o do amigo -: e que cbufa ha ruais com mayor cuidado. De Epaminón-
preciofa, e proveitofa que hum ami- das fe lê, que dizia que nenhum ho-
go fiel? Po~ iifo di~e Quin~iliano, que mel? fe devia recolh~r nunc,a1da: pra-
aonde efiao os anugos efta a noífa fa- ça íem hum novo aimgo.. .
zenda: Ubi amici, ibi opes ,porque fe Nenhwna fociedade mercandl
a. yida: f ena ó paifa fem fazenda que a mu1tiplica tanto cabedal, como a ami-·
f uftep.te , tambem conió diz Cicero , fade :verdadeira , porque dando feu
fenao c.onferva fem . a b~ne~olenci~ amor. a cambi~,ganh~ todo o que tei:i
dos anugos qu~,. a a]udao Sine ami- o amigo , e nao perde o feu, mu1tiph-
~orum bem7)olentia nec. in adv_erfa, nec ca?dO. fua peifoa em tantas; quantos
111 .(ec~nda for~ttna q'!ifque v1ver_e pof, fa.o os amigos_ que grangêa , que em
fit , ajuda pois a viver o anu.go .Ja virtude da am1fade fe fazem a mefma
· , pe~a
\
- f' PALESTRÁ Í. ttcAJ\tí xVí.- '.SOBRE À A 1ts,. b:E.
/
peífoà êóm elle ·' como diifo A1~iftóte- · . . . . ._
Ies , o qual eicreve tambcm no fe,., L I Ç - A 1\.1 XVIí~ ·
gundo das Ethicas ,.que lY homem que

p·..,
naó tem amigos , naó tem olhos , fem Da Eleiç aõ dos Amigos.
os .q n'liS . fica cégo ; e Càffiodóto em -·- .
huma Epiftola affirmá ·, que fem ami- Onto he eíl:e, que neceffita de
gos feria ô o~ pe11fümei1tos·enfados; as - · · toda a confi deraçaó. , e vagm'
obras trabslll~os _ , a vida torm.ento, ~ -" ; -_ - porque defaber -b<Smefoolh.e1·~
Pedro Blefenje affenta na fita Ahiici- · refoltará fer perpetua, e p.ro -
tia, que a :;nnifrtde he riqueza para os veitofa a arúifade : e do contrario naf..
pobres , para os deft.en'a:dos .patria , _.cerá .fobre fer temporal; muito noci-
para os fracos for.ças , para os enfe.r- va , e damnofa ; pelo que ~iz P~thrlgo­
mos . méfü1_h à ~a qual pare-ee que lêó ras, que üaõ devemos fer amigos dé
.o Ecclef qtte no cap. 6. diz, qne o ver.:.. .todos : Non uniciiique dexte'ram por.:.
<ladeiro amigo he medkamentb dà Yi"' rigendam ~[fe : grande liçaó nos dá o · .
da :-_ Amic~ts fidelis .rnedicamenttfm ·vi:.. Cap. 6,, do .F;ccl?f pará, ac~rtar ·nefta
tte , & in;nttJrtalitatis. ; a S~n.eca qu~ .:el~~çaq, açonfelhando-n?s , ql1e nos
refexe nao ha ben1, que feJa agrada"" nao . fien1õs _n os aniigds iem primeiro
· ver fem a communicaçaó dos ami., o s"gxperimcnta1•-mas por muito tem.:.
gos : Ntdliits bõni jine .focio jucúnda · po: ·Mui.to e, ame [1e neeeílàrió pri~
p~(feffió e(l; Sal uftio na guerra _dcs .Ju.i meiro que r.nçamos donos ..,. noffc1
-g urtha giz, que_ nem os:exercitOâ, nem :vontade aos am igos;.naó ic hade :entre--
os thefouros fao ptefid1os dosReynos, gar .onoffu affeéto aqualqnerAue o
fenaó os amigos ; e Tulio -110 _Je1t.livro ·procurar; primeiro .he neo.eífa·:tio in~
de Amic'it'ia -refpeita .pm• taó ütü, e quirir colh dilige1ite cuidàdo a·fna fi.:.
excellente a ·a111ifade, que os qüe .a-ti.:., delidade, e a fua. conítancia, e :;is fuas
raó à vida, -faó viftos tirar o .561'. ao_ ·virtudes~ Naõ ferve para amigo qual.. ;
mundo; e pindaro dizi€1 ·~ guc fe per- quei' qu~ o per ten d-€ fer, fenaó aqucl_,
dia a honra do·h()mem qu.aiido fe.per- le que- o merece. A fineza dd alam..;
de a amifade, e que naó fónténte. foi .Ore fenaõ póde conhee:e1; fem que p ·i-:
tido por honi'a; e riquezas tex muitos meiro mlútas vezes fe esfregue · entre
amigos , mas. ainda ~ por ,felioidad0 ; ·asJmãos : o '\/erdadei.r o amigo fortaó
d·onde viera!) m.lllito~ - dos .Pitlíago:Fi~ póde tampem conhecer fom güe hu~
· ·_cos a dizer, que a amifatle era D :fim ma , e muitas vezes o ~experimente"'
·de toda ·a'Phifofophia.' - " : . : ~ mos.Imitemos na ele1çáé) do amigo ao
Quatro faó ultimamente ós aétos difcreto alfayate, que mites qtte cor-
da verdadeira mnifade, que he a que te o p~no , e oufe meter'-Ilre' á the_.
tem por · obje6to- a v irttide, :e o ho... fom·a 1 ó _mede âos covadns; e ainda
nefto ·, de g:ue· f ó ti'~tamos , pórqtle aos palmos., e o affin~ com ó giz, di-'
efta he fó ·a que de\i:e fer bufcàdá, e ligencia çonique logra fabe1·, ~ntes que
eftimada , e coin difvelo fe deve con, o cox.te ,Je_a}uftá pai~a o veftidb. G' en.;i
fervar; convêm a faber; eleiçaõ dos genho ·agudo de Joaõ de Wem, que
amigos, benevcienêia,; berreficencia ~ tranfcendeo p01;muitas niatertasi tt rn.'-'
e conc_?rdia : . .e ,porqu~ n~ftes qliàtro · bem nefta ~à eleiçaó dós ~füigo s e ~
aél:os-1e-cifrao· toâ.as· as -regi'as da ver"" trou com o ieu difcurfo 'dizendo, qne
:9adeira amifade , daremos quatrü H., affim comd naó he . ju~o tepudiar ?
çoe1i's nefta materia ; e vamos à pr.t.. ; amigo fem bailante eaufh, affim nao
· meira, forá licito admi~illo çom pouG~ prov_a t

\ '
tij . Ni::.
·GUERREIRO' Escoi,A MORAL ;~· ~e.
Nihil temere admittas ,' .nifi jidum noris. amicum ;·
~ Sed. fernet adniiffus femper bab'endus erit.

)'luitas regras ha pm:a ace1~tar~fte ~on-ve~perpe~uar~cipto~.a~aóde_atnor,fe:.. I


to : entre ellas tem ·O pnmeiro··lugat .n ao entre'1gums; por iflo os Reys teUl. .
aq uella ·' que diz que cada )rn1:1 elejapoucos an:igos , ~-i~ ó I~1glez Pó~ta,
~eu fümlhante, porque- nao pode_ha- porque ao:> Reys iguala? poucos.
'
Dic , càr tam pauci Regum invenianfur miiici '!
Szmt, quoniam pauci Regibus Auli pard. ;
. 1

Da mefma: fol'te; diz Quínto Curcio , fo : fü he conftante a Cinófül'a e11tre


naó ha firme amifade fenaõ entre os a,inconftancia de tantas Efttellas,por::.
igua.is , e fimilhantes , :_ . Firmiffima que eftá apoyada ao polo fixo. Em vaQ
. niji inter pares efl ·amicztia. Aquella .deu a natureza entendimento aos ho ...
· pois he perfeita finülhança, qlie fe mens, fe nà eleiçàõ do fiel ·amigo faó
. funda nas virtudes, pprque todas as mais infenfatos que huma pedra. O
outras faõ arnavéis por a_ccidente, e ferrado Romanó declaroü p01· artíigo
fó a virtude he amada por fi méfma. -a El-Rey Thumedes; ' tod'os os Sena-
Defta eleicaó depende a firmeza ; o.u dores cprreraó a acaFiciallo, fó Marco
naó firmeza dé,l amifade. Quaiid0 . al- Catam naõ quiz fua amifade., e efti-
~uem fo queix.a , o meu amigo he in- mulado de todós de que Thumedes
confrnnte, infiel ·, in grato, he queixa amava aos Ronianos, e· lhes eta fum~
mais vcrgonhofa para aquelle que a mamente fiel , e utiL : Seja o qu-e
faz , do que para aqu5He contra quem qitizer.des, refpondeo çatam, más el!.
. fe faz , porque fe nao fe conhece , he le he hu'IJ}a fera bejla , .eu naõ o que.:.
necedade elegello às cégas , e fe fe ro por amigo ;. nom .por vifinhéJ; ~ fO
conhecia, he vido eleger a hum vici-- Catam naõ fe enganou. _
ofo ,_porqríe fe prefu,me que o fimi- . A fi_milhança fe fegue pm· feguh!.
lhante' ·mii.a o feµ fimilhante ; mas fe da~ ~·egra, e que cada hum 'eleja feu
era .falfo, naõ ~r.a a,migO , nem· ha per- igual', e efta igualdade. fe reqrwre €1P,
d:ido a fé re·naó a feiçaõ '-e ao qwe o a condiçaõ das pdfoas que fe 'amaõ i,
elegeo , lhe ferve de penna, e d.ocu..:. _em a quahtidade do mhor ·c:om qué fe
mento a eleiçaõ errada. O lman dos ~maõ, e em a quantidade dos bens que
pilotos ainda f em olhos fabe difcer- cl:efoja hu1il a:outro mnigo , para que ,
· nir entre taú:tas EftreUas do hemisfe- · ieja igual -o mereCimen~o de aínbãs ·ás
rio aquella fó, que he immutavel: to- partes. Naó póde haver ignaldade fêni
das as . outras padecem o gyro do qüe haja dous , nem p<;Sdem fer dous
:t.)rimeiro m_o vel , que naó podendo amigos fem igtialdade, cantou o Poé~
d.e fcançar, nada confente que repmi~ ta : '

Cur ftmi lis ftmilem flbi quterit amicus amitum ?


Uno nemo poteft in pede ftare diu. . · ,
E fe n<? amig? ha igu~l~ade; ou ve~- em formofo campo he bo111, masjJbr_.
tagem nas virtudes , amda que haJa que comrnodamente fe nutre, affim he
diffe~·ençanas qu~lidades,~eve fer per- · bol!l o amigo, que fendo de geraçaô
tendido · para.mn1go com todo o def..., obfcnr.a, refplandece em virtudas, que
velo , porque, c~mo diz Philomeno , reduz~m a muy conforme igualdade1
ailim como o tngo nem por nafcer efta d1fparidade. . . ·
Pó-
PALESTRAI. LiÇAM XVíí, bAELEIÇAM DOS A:MtGOS1 85
Póde haver tambem antifade entra quod JerVL!s eft , Jed f eGunchini quo{t . 1-'
dous iguais, fe fo reduzir o amoi· cm homo; rptia ut f er-vus eft diflimilis , t1t ~J
igual proporçaó coma jufHça diftribn"' homo ·vr:rà efl jimitis. Naó ha fugeito
tiVa; p~ra q feja mais ninado o q mere.:. taó humílde;quenaó poífa fazéi' algum·
ce mais : primeirameü~e fe iguala hum. benéficio , que o iguale ; e faça dig-
genero de airtor com diffe1•ente gene- no de hum grande amor~ A pomba
ro. Belliilima foi em Ifidoro aquella deitando hum ramo no rio~ falvou do
iglialdade do co~o , e o cégo ; o tégd 1iaufragio a formiga, e a formiga pi-
podia andar, mas naó ver, o coxo po~ cando o pe do caçador ,falvou a bene-
dia ver,mas rtaõ andar;ücégo levando 1nerita pomba do laço que o Ga9ado1•
[obre feus hombtos ~ eo coxo enfinan-" lhe armava.
do o caminho ; o cégo prefta va pés ao A igualdâde fé :legue po1; tercei~ ·
c?xo,~o~oxo olhos aocé?o, _ ededoL'.s 1•a1 égra,que o amigo fohad_e bufcai· ~
1

corpos feito hum corpo fo,c.omduph~ porque he melhor para anugo o que
cado prodígio Q cégo via;eO E;OXO an- fe bufca. Dosni.etçüs hurtiildés·a woücas .
dàva '"e com efte be11e:ficio mutuo·te-- enxadadas fe acha ó as veyits ; ó ouro
.verberando .de hum em outro reci"" -vifinho ao centro da tet1;à, ou comçi
proco amor,formavaó verdadeiro ty.- e.fcreve o Poéta , pared~s ineyas do ili....
po da amifade ~ da defigualdad~ em fernD , vive retiréldo ,_~ naõ fe dá fet
ql.umto à difparidade d-os offic~os ; pó- naõ a diligencias mayores ·1 11unca
rém reduzida à ·commutativa @m prendas, que faõ para rogadas, fe udi:
qtianto à igualdade do benefic_io. · f}n_taó a t ogar; he 1iota de li viandade
Naó póde haver mayor defigual""" o_fferecer-fefem exame aos obfequios;
dade do que havia entre o pobre .AJ•if,~ de qüem preftes fe determina , co11)
tipo ; e o ricd Dionifio ; potém em .i·aiaó:{~ t:eme o arrependimento p1•ef-- ,
quanto o pobre, recebia do rica_as t~s; obfervaçaõ he do~ infignes Philo..:.:
1

riquezas., e em quanto o riço recebià fophos ;quenaó ha venet;lotam exeou-


do pobre a fabedotia; colhbinando. . tivo ,Gomo o que fe dá :em o leite, por,-
fe em igual porporçaó os bens do ani.:. que he de fua _naturezª de mu_y fa-:-
mo com os bens da f01;tuna , do reói- ,oU ·aiteraçaõ , e_ aiTini o v~neno o cor_,
pro eo merecimento nafceo r:.eciproco rompe com prefteza , convertendo ÇJ
amor. Naó he mais, contrariç:it do Al'ti~ que ·ei;a -fuJt~1ftQ · e.nr p~çonha, ; affim
:co 'º Antartico , dó que do moni0 a o amigo que bufca o amigo com li:gei-
fel'v.idaó; e naõ obftante 1'1arco .Ainto.. ta, califa, múdará o femblante de ami
nio, em a affabilídade em mar1dai· , e go ~m rofto veneno19 de. conttario ; E}
feu efcravo em a porttualidad_e em ohe7 a_rttevend0 .os fasi0s antigos efte c.lainr
<lecer,fe amavaó recipTocairtente corn n.o,nosdeixataõ emfeu_p ~fcript0s ore~
tal extremo ,que o efctavo pad~cendo -medio. Diz pois Sepeca, que mwes GC:
atrodffinios tormentos pelo fenhor._; §çizer eleiçaó do am_ig·o, P,eve~rtós foxr
e 0 fenh0t communicando com li'" tnar hum maduro juízo para o eleg·~r
berdade ao efcravo fuas riquezas, fo_:;. eom acerto ; A nttfà .amitciJ.iam jttc/jÇan..
l'aó ambos numerados entre os mais- dum, p~(l amic"itiq,m credenditmj bq
me111oravets exemplos da amifade·'; mefino feü:til' foi Cict;?lid .qu:.rndo dif ·
1

peló que diz Ariftóteles, que o fenholi .fe , qtie era neceífàriél hun):a incaníaYel
naõ ama ao efcravo em quanto ef- dilige11cia para bufcar d ·atn~go em qü,e
cravo, nem o efcravo <:tO fonhor em .dig11amente a amifade fe_empl·egu_e ~
quanto fenhor, mas hnm a outro em .e a affciçnó fo fnftente : N aceffat'ia i f!,
·quanto hontens ,que igualmente fede- omicitia · htte provifio ejl ;_1ie 11ií'nis çitb
-vem amar nefta igualàade : Dotnini di!iger.~ incipiamus ; neve .i11dignos ; e
'lld · flrv~m non eft .amicitia flrnndwn fe corno diz o 1íie.:hn10 ÂHthol" j c01~r~
pe--
I
. ~5 . ,GtJERREíRÓ , ESCÜLA)Vtoi.Ah; &fo. . ,
, '.' pe1·igo nqueJla eleiçaó que fo~ faz fem grav~s; dnü'lnos· íefegnein de. ~ar oco-
fo certificar das condiçoens do fugei- raçao __ de h ~v:1 11omem ·nek10 . , que
íto :' Jfta con.fuetud_o aifent!e.n~di~ perfoulofa fo 'a natll1'eza ie haó moftrar~ vigilan-
·'videtttf', naõ fe liv-ra da cenJura de ig~ te- em.finaJallos , p.e fua ma.o , e dal-
. ~qrartte áquelle, que rtaó proc\1ra li~ los. a :coilhecer à prüneira vifb ,tive:.
Vrar-fe defte perigo .. ·Tu has debuf- ta. defoulpa quem -p or'evitar o perig?
·car o ãmigo; e ohas de büfotu• tal, qüe . de topar· çotp. hurh -, fe privaffe do goi-
:foja -outro·tu·· ,para.que na.vet'dade fe.: to d.e: niuitos · bem \·entendidos ; pq-
·,ja outra ; riaô ·he teu amigo _o qüe · -r.érh üa? ha· coufa mais . faciL :de co-
'fempre· co11fente em teu par~cer, ·e o n~e~_~r, ~ çli:ílJngulr que .hntn nefcio;
que .naó tem mais,· qu_er~r - quê· oteu ~ -em · o menear ··dos 'beiços} ·antes de
i;iorque ~üando · efte da razaó fedei:. p1·oferir as pal'avras _, fe d.ao a conhe7
vía .,: díz-Ptiblio l\1imo , que he"anüg-õ 'Cet em: o modo de,olhat; Olitto$ até
(().: qué · o' r~prehertde ; Bonus . ·amz'.cus -ento andai:, e.rir faõ teftG;munhas de ·
. , 1· ?1/u1nqui11n erranti fe accómmodat. O · fua inc:apaddade . . Ao menos quem
qf~~ ·fen~pre .te feg;te, e 'nunca te gui~, -3:0~ pri~11~itos lances de .ca~rtrnnica­
cnado he teu ; nao confidente .; o q1:.l'e çao ·mm conhece a hum n efc1 o , pal'e-
fempré: quer ,enaóexamina .o qtie qüe~ -lha póde fazer · com elle; coino o que
Tes; lifongeirô he, e naõ. amigo, pot- vende aromas , naõ , póde ocultat a ,
que c01:i.frcnita1\ fempre em diéh1mes ~ ·mercadotia ., pàrque_a fra!'.ITan:cia a
0
e aífe&os·; rtaó ·o leva.ô de _infiüxos defcobre ·, affim .naó pó.de .occultar
:dosAftr{;>s,eftttdo J:+e da ad~tlaçaõ; teü ~um _·nefoio 9s fogredos, e airn,1a que
amigo =hadeferoutrótü, mas ·hadéfer -gheira., !raõ aceTta, nem ·póde. Con""
' -Out1~0 no-que>áp~ixonado . erras , Oli tà& gi·aves Hiftoriadores, que ha ·hm11
protervb ·te defmandas· , como diz genero de ferpentes. vcnenofas . em ã
Nafianzeno. A Pio _II. gavaraõ ·mui::. · I~1dia, que occaíionariaõ graves def-:-
to -hum feu J\1iniftro, e elle refpon: . ti•oços eill os paífageirós, a naó hayer
decf; tudo. iífo he, · e tudo iífo tem ·~ cuidado .em' a-naturez-a, de , fixar-lhe
más nunca me con.tradiz,_nem cont1~a- huni·f!no· em 11.Jrente, que tocando-fe
· diíie, eiífo ·h·e final de fer lifongeir0 ~. com oiriovimentóque=eUas fazem,a vi-
. e tnaliciofo. .· · . . · . .,,· · faó a-os t:ami11hant~s para que .troçaó
· l-' '· Depois,_ défta ,fe fegue po1•,qua1·~ ó caininN,o ; afiim a, natureza fobre-
,ta regra,qtte fe büfque amigo énteíidi~ ·. efc1;éVeb-- - aOs nefc_los 'em as .feiçoens
do, . porque a prenda de entendido a incapacidade, · e· difpoz _que com a
naó_' ha de pa:!Tc'lr fem . éxame ·, e naõ 'C al;a mefina ·efiaó dizém'd0 o que faó; .
,fabe111os fe nos atí•eyarr10s a Clizer que e affini naó tem difculpa quem pade-
he-. peor .hmh amigo· nefcio, que hum ·ce .indifcreto ,,por h~iller 01egido ami-'
.:mal intenciona?o. O 1,11al . intenc.iq!. gos ignorantes ;· pois · os 'males que
-nado, ainda qüe 11aó f~ça mal ao ·qúe occafiona huninefcio, os olhos o alcfüi.:.
tr~ta cotrto· amigo pot amor .defte, o çaõ-~~ e quem f eja nefcio , os fentidos
· ·e'lita p_elo. amor que ~e tem- a fi ; e a o publiéaõ. , ·. : · · . . · -~ · ·
· .f üa cabeç~ . faz g:Uardar a alhêya :· o ~ r .Ao ent~ndime11to -. .fe fegue por
11efcio nab fabe o que.he amar, 11e111 quinta regra, que o amigo [e bufque
difcori·e para temer:· o mal intencio.:. ~oníhmte, porqüe nàõ baila que feja
hàdo quer· faze}" .mal , ~ por· naó fa- entendido; fonaó fol' cónftante ; por-
/ zello . a fi ·o nao~ faz : o nefcio .com. que ha entendimentos ; que tem ai11i-
boa vontade nao qi1er o dampo, e o fade como a lua ·, e p-adecem como
executa; po is qual he peor padecer o ella fuas mudanç<ts ·; fobre o .entendi-
mal de quem~ te quer-beni; btrnaó o do fe ba de fazer expériencia ·do efta.:.
padecer de -quem te quet mal ·? ·Tao vel ; antes que fe fabrique ,o edifici<»
· · da
PALESTRAI. f1IÇAM XV!t DÁELRIÇ tl\1 :buSAWlIGds~ . 81
da arnifade , que fobre fundamentos coP.diçr j de v i fa taó feg1w:i ·; que ,~
movediços naõ fe pódem levantar fa-= naõ pt:d,,.:-;a fu;.1s v ezes o~n a Rcpu bli- .t
briGas dllr::tveis , nem ha coufa q u~ ca , e como parà , a ditâ ; e dcigraça
por muito tempo agrade ; dtz Sene- faó necetfol'ios amigos, he cordura 1

ca, aos 9.u~ .em nenh1.ur:ia t.7m affen.. elege l~9 s t a.is ' · qüe t~çaô igual rofto I , l
to : Cui mh1l conflat, m! dtu plaGet. aos cle11guais fembJ antes da íortuna,de
Lá diffe Cicero que a verdadeira an,1i- forte g nem a profp·c'i'idade os conv o..;
fade naó era. como a dos meninos que que, nem· a calamidade os afügente;
arrebatados do ~mol' juvenil, acabado como efcreve Seneca Epijf 9. e 667 .
efte com a idade daquelles principi- Terriv'el ·penlaó he tratar ~om hum
os, pôem breveniente fim à anüfade homem inudavel, cbin queni he preei-
que nos tenros ànnos exercitaó : Be~ fq·eíludar~lhe cada dia a tondiÇaó , e
nevolentiam non adolefcentorurn mo":e efpecufai antes defallar'-lhe_o fembl~n_,
fervore quodani amoris , fed flabilita- te com _que fahe a lua 1 GOlllO lhe oha~
te , & conflantiâ judicemu$. Na© ha inOlJ W em ;
(

Te Rex Afiroru17t deêorat; rep;ina gv.bernai;


ln '&ttltü Sol , in pectore Luna tuo.

G1;firtde virtude deve fet eni os ami- os âtliigos aommus os dei.iá:os;fembai~


gos a conii:ancia ) pois prefando-fo nha ha de trazei; a efpada quem der a
a Sabedoria de Deos (,mcal'nado de hdm murmurado1• feu lado. ·
amigo de iell Perêm'f01\o primeil"o elo:: · Segue-fê por liltitna regrá, que o
gio com que o afümç.o u para amigo, àmigo fe bufque defiütereifado , por~
foi G01i1 a firmeza; dizendo : Penfuis que Ariftót-eles Jib, 81 J[.thic'otum capi
que Joaõ he homem , que a todos" os 4; rtoton efte deffeito freqüentiffirno
ventos fe move ? A.cana tem. duâs pai•- nas àmifades. Hà muitos; qu0 fazem
tes em que remeda düás ca1•ás ; e a do amor nierdanCia: àmaó mais a qüem
êonftancia naõ ha de ter niais que htim lhe pag,a melhoi; defte genero de ho..i
i'ofto, como mais latgamente dizemos imms . fe deve fugir.. , que qufü•em pa~
na liçaó da conftancià; gas de mtilh~1~es _, Rüi"que dm•ará o
A conftancia fe fegtte pó1' foxfa te- áII1.or, o que dutarem as gànandias.
gta; que o amigo falle pouco; porq~1e Le~11b1•a-rrie que diif© Cicero , que
ó fallar _pouco ,.e eem he outta préi- nqu@lle.he noífo amigo, qnaó he amiga
da que fedeve examinatcomattençaó, ào noífó : Me ipfum- ame.~ ópôrtet, non
De hnma lingua fem freyo he deità1• mea, ji mtj ãmici fút1Hi fumus~. A ami-•
a perder ahum -honiem; po1·q~e co- · ~ãde feha·defunditr ~niaspe,rfeiçoens
mo diz ·a Efpil'ito Santo, eftá feita d'al~1á,naóem9sintefeífesdacobicai
a deftnfü~ Reynos. Aihd·a á fi mefmos e<lffün fempre fetaó niais' apY0pofitO'
naó fabem. guar'dar fé os falladc\res , e· para aínigos os nattu·ais mais nmbi-
como a gu!1'daràó àos amigos ? De4 eiofos de glo1•ia , e honra 1 qlle os co..J
pois d,iffo he inais prejudfoial quent biçofos de riqueza&, _porqüe . aquel-'
deyerto he murmurn.~ór. Nàó baftà..,, les poi flaó tel'eJrt a füa confa"iencia
rao a frente bem quifto m1ütas pren,. .por fifêal; rtind:.t quan~ d ritrô t éü1êm
das ama veis, fe profcifas amífade com for defçuber_tos , por feu decó'ro ·fa_,,
hum homem follador ; o mais· piedo_, ~(?.m fe1• amigos leais, · _
· fo naó te t€rá laftima , e o mais _c0n1-· . Depois- de largo êia~e cícfta~
tnum ferá que pagues como ci.unpli-.. virtudes· , e depoiS de tepetidas. ex_;
ce, ou pelo deli&o de ouvillo , ou pe- periencias , que fer~ melhor= que· liajas
la ftJfpeita de ajudall0, e fe1ido_entre tido em cab~ça. a:lheya.:r que ay.en11!l-"
. féldÓ'
~8 .. GUERREIRO J ESCOLA . MORAL. ;~ ~~ e .. . , _. _
:á1do \:~m a .propria . em a verigualla's,; .po,neos . o aeb ~~ - ;J~:aó héf p~re~1te's
·a"inda naõ eft arà_defopra o rec_eyo def- · co~110 · os da m~uíaae ~ ;?s de 1n,_~us . fe, ~­
.c onfiado. Conta IV.J;aximo ·, que A nti-. :cao no corpo; . a am11ade faz que te
.gono offcrccia aos . Deofos t~dO$ , os · apar~ntem , os -eípirí(o._s , e ~e:.o~~rxhaõ
-..dias facrificibs para qt1e o livraífem -p a'r entefc-(Hts almas.; Bem· drf:.e ~tJ,.em
deJ eus amigos ;. e Alexa.ndr_e cofttb . ~·efE':rio, que rnelh0t·er~ ter am.i ~os : g_ue ,
mava diz;er a fen ci-iado Efef.hám·, que irnrnos, ·poi:que Jegu~do Védeno l\il-n-
.o.liv.raifeDeos de amigos. fingidos , e .ximo , ~ o- :vin'culo c.1ue-·entre ,eilcs fo '
que elle .fe)i yr~ria dos inimi&os . de,- . ,contrahe :, h~ ~nferior~<H? ::t~.hm~1:i ami-
'.Cla~ados_ ~:p~arecendn-lhes_ que fo baíl:a-J fad~e. ver'daue1ra Am_ic.~tttf! ;i1:~v.ium
.:v:ao parª . ~~ qefender ..de feus c:ontra.': . nu.Uu.nr ex· parte J ~nguim~ :zn1er.:us, o
>
·rio~,_ e que f~ huni Deos· .de efcc:Hta, ·que fe entende·qmrndü';:com-. a irman-
pód~ ·ailegurar, de .hum ~ amigo falfo. . . dade do fangueJenaó apa:rentá.·a rfniaõ
Ning~u é.µr.póde. neg.ar. '.for. verd_adeiro, da ainifa.ds. · · ·. ~· ~ _.,
o fentir de Dominiaco, qt!e. faó · ina,is' ·: . · E..om.odo . ~e :~dqüil:ir .anüg_os, he
os que, màtou a e01~fiança de amigo , mais facil, que o de confer\71allos , e
que os que morr11raó p·or rraiÇa0 de tànto maiS ·_v.ei:gõnhofo o perdellos ~ C1
contrarias. Contra hum inimigo teui . adquü:illb.s, q11anto majs efcandalofos
hum homem mil · petrechos, fondo . osvicios,quefefeguemdepoisda~vir­
-~i~!lcJ:e ·abertá ·pftra hum confidente ;e tudes. :-~ aõ ·póde·ha~ó" entte :..ÓSí ami-
gffin1 90.ni:menos poder pód.e ·mais o gos .quê.bra fem nota:, n'cnfnova •uniaó
amigo, qu.e atmado ,de esforço o con.-': . fem ·füfpeita., poi:qu~ . fe jpó.de· jüigm
t?J.·m~tQ. Daqui conhecerás· , qu~ naõ. con1razaó _faHa a amjfape ·, que ;ad~
: h~~ p~i,1ito~ err~do ·quem di~e '.· _q1~~ :e1:a . mit:t~ militas.ligas :; ·p Qr tan t~ l~ ~m:
çhfficµ;ltQfo. vnr;er . entre m11n1gos , penho . qt:ie ~~eíuit~ . em ··e.redito pro-
f3 qn_e:era irnpoffi;vel: viv_e1~ entre ami:-: prio, naq rifoar cl.Q ·nu\11~1•0 dos.al'ni-
. go~ . _Sendo _pa,ra :inimigo · qualquer gos:; o ·qüe:·hum.a v~z t;n~t_rou J1ét ~on-
. rnáQ, para amigos faê poucos os bons, t a delles :,-como· com eng_el).hü fürgular
eá-fü.q1 .rnHv.ezes ditofo qu~m- ~ncon..: cantou a deliet~ das . Mufas ·Ingleza·S
troµ -,ct . Bkeílit. ,qµ~. todo.s· bufcaõ, e Jq~lÕ: de W,em 11os.{eguh~tg~ verfos 1: 1
1i e . -·.<!' • : : •
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·; · 1 iN-ulli inimic.tt-s ero ,. fld .nec· bis 'amico f : .. · .


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.~. "' •., ·.: . . ;~ ·." N_a1n .cuicumqt,t.e flm~t., femper · amictts~· erlf. , ~ ~:· .. 1·
t ) • 1. / ". '' • • •• ~ ",.. ·~ _) :.:.; ~ i_i; ,, ' ~ ••' •• : : ' k( \. . ,,.. # ~ • J' -~- ~ ~ .. •

. E para·que o ·~exo,~ da verdadei'rn ami:.. · enfi~1ou o ma-is ·celebrado dos amigos


fade. feüaó d,efat~ ,.ílev.e·o ver~adeiró Jóna~has ; poi~·tocando-lhe por nata~ ,
amigo. trab~~har porque 0 '11áO folte, r~:za • o-fer rprürie,trO'-~.--p.ord~iXêtl" .;:1fen
na<:)' f~ltando .a. dfügencia ,_ cilg:u~na ne-; ·amigo David o throno :-Tu cont~nto1!
.ce~a~:ia ,-nem ~erd~ndo,ocoafia.o~qli.e a · ;ComJer fegnndo ,;~mo_,co~'lfl:a : a:~ H?.
. gj}e ..JimJe de~ermme, o q-i,rn [ara com:· r.. ~ dos Reys . cap,, 23 ; de n.1ms do direi-
. facilidade fe guardar cotn inteireza .tO 'da. rtatufa~Z'ft,naó lhe faltavq-ó pren-
-., as~regr~s f ~g:uinte~. . _ . ·. , ,, .: das a Jón.q~has para . alc-aJ;.çai~ a Coroa ,
. J·:, ,_, ,.. Pnme_ tra ; .mw querer entre- elle ei:a a voz do .p.o.v9, oi±av-or :do.s-fol.,
B1ay0(rlaS, porqqe . .o trato)i.beral " OS _1 dados, a fama . de hellicofo-; 'POis com 1

j cb;.atl41f ,; , ó .trat.o·J c_or,t.e'.?aó , í e:~ffa:vel ' huú1 companheiro fQ; affuge11~ou'. hü111
.os foliei ta, e na.da mais ._0_s Günf~rva ; exército de Pl;üliíl:êoS,.~ tir·ando çlo çG-,
. q~1~ :.üaó q\1etereutre elles 'rnayorias. raçaô dos Jeus. :o .- !l'J_edo; , _e·. díi!- maõ
.Sempre hafde, fer . c9m ·tetl . é).migo o · dos contrarios -..o~ .d~f120}0s · ; porén\
feg,imd·o,deixando-lhe.emtndo as ven- · naó .ha.qe.haver ventmgeii1 taó .-luzi.d:a,
tag.ens _µe prüne.i rq. ; liçaõ qu~- i.10% q\le queira :fQbrfi:'.Üür cq.rp . Q aroigo,,:· (J
1. ~d_~_ ·. • · · · --_ naõ
\
PALESTRAI. LIÇ.Al\!I xvn. DA ELEIÇAM DOS ATh1IGOS . ... 89 ;;. ~··7 .
naó exGcutar eftc diB:ame, fez a Pom- amparàraõ no Egypto, quando mais ·· · '
pêo maíq Lüfto com os féus : 1iaõ fó neceffitava delles, para que·m0rreffe
quiz fer priü1ciro, fe naõ ier fó; caH:i- por fi fó ; quem em tudo ·queria fer '
garaó-no os amigos com deixallo nas untco, com.o cantor( hum Poéta :
ií1aos de feus defejos , e affim o def- ! )

Ef ~ar~t aux.ilio , .qui non tuli~, ifqué r~li!J:.,uit. r )~


Szc liquendus erit, le7v.n fibi dixerat 1p}'?.
. 1 .

Segunda he o fofrimento : ne li\ _ Js , fem tirar fang~1e, nem ' p~1:a· to-
fempre he hum ·o tempêro, ne~ ha do·s o ouvillos, fem fe doerem, arrif-
homem, que naó tenb.a para fofrer, e cando-fe por hum dito perder hum
para que lhe fofra~: fe o vês enp jado, amigo , fendo o .µiais neJ cio merca-
refponde-íhe .pacinco, -com que o en- dor do mundo, pois troca pelo . ar o
finarás a naõ romper comtigo quando ouro) naõ havendo em as Indias ou- .
for tua a fom razaõ . Ameaçou a Só- ·ro ,que fe poífa dar em troco' de hum
cratcs hum homem furlofo ;-dizendo: bom ariligo, ·como diz O Ecclef cap.'.
Se vos acolho , vos dtJrei a morte ; e 7. /}.mico · fidéti nulla eft çomp'aratio ,
refpondeo-lhe fegmido Thimeftrio : Se & .nori eft çf,igna ponderatio auri , &
vos colho , · vos farei meu amigo ; e argenti'. · .
ufando da foa temperançá, pôde con- '~Quarta: c9nvidallos a comer ç.om
verter o furor em carin~o. Efta he a alegria , . fem fnJ?erfluidade. , porque
arte de confervar. o amigo : o defen- os. wnv.1tes rec1procos alnnentao a
toar a voz, quando o outro conten- amifad·e , e a demafiada efplendidéz
de enfadado , hc a morte da a:mifade. · fe oppôem à lhaneza, como diíf~ So-
Obferva S. Bafüio , que chama J io- crqtes, de quem ' conta Laercip va fl1a
méro nefcfa à Ninipha Ecco; poxque vid~, qne fendo reprehe~dido da te-
he nefcio o Ecco ? poí·que falla no nuTdade dó banquete com que hofpe-
teinpo que lhe fallnó ' evolta por hu- dava feus amigos, refpondeo' que fe
f)

ma injuria outra; he pois cordura a · eraó"bons, que baftava, e que ~e eraó


hum aggravo refponder cmi:i ·hnm mão~ _, .que. fobrava. Sentença, _q ue
obteqnlo; o contrari~ liviands.de do êrrtertdeo aque}le culto habitador do
Ecco; em füü mulher. 1
' • Parnafo , t ant a$ yezes copferido, e /

Tercêira: guardar de graÇás pi- accrefoenrou tuzendo, q11e· õ.rmigp,


cantes , de chifres offenffivos , naó qúe_ o~ era .. da mefa. ,. naó erà verda-
os dizendo a preço d~ amifade , que deir:c:/·an1igo : , ·~ : · -
nem he para todas as lingüa-s o dize!- ~ ·1 "· ·

' Qjti .folius menfte ' ~fl ' verzún m f]erú . a11ii!fa~ :
_ To'l~e epulas, nofces ·, quq~~;· f'i~i : fi.c]its .. r at. f

Pm-ém tambem be certo , que nos aÍin entar ' hnrna· nlil1a fó. . Catílin.a ,
convites fe adquirem muit os amigo:-; , p'a~·a eil:reitar o amor dos'~prrjhrados
e ele · Tarquínio · fe conta , que p·ara ctfo'tra a Patria, rnifturand_o q fan guê
vincnlar com amifade ·aos Romanos , de-todos, fez beber fua, patrn a-cadà.
e Latinos , infti:tuJ.o· as feir as Roma- líum. Sacr11egos ,conjprados, execra~
nas_, é 'Latinas fobre o monte ,Alba-- . veis, cçmvites- ,!):1e1~1 1e Jpódia --~i.izer;,
no ;donde em convite annual cómütõ que ~. àima db ~1!11~iT!ai~ efM em o fan-
os Latinos ·, e os· Romanos ~ como gne ~ mas p or p1timo fe vio, qüe co1n
fo. alimemtafi.bn húm corpo fó ·pàra maravilhofa con cordia verte:í-âó buns
1\1 pelos
. ,. 90 ·. ' ,. GUERR~IRO,-ESCOLA :MORAL, &e .
to que ?s quebre ?. o que re12rehen-
.
·p elos outros a .alma, e o fa_ngue p~-
las feridas ; p01s fe em as falias àm1- de o an11go , ha de.ier de rnancH"a, gue
fades faz tanto o convite, que naõ o naõ magôe; como o mel, que pof-
fará em as verdadeiras? . to fobre a chaga , fempre he doce,
·Quinta ·: que a correcçaó, e re-' ainda que qbrjgue à dor ; affim a
prehencaó do amigo feja fuave , e correcçaó , poH:a fobre o erro , he
branda: fegundo a. occafiaõ, e tem- prov eitofa ; e ainda que la:íl:ime, naõ
po. Nem todos bs gne ufaõ de bran- offende. :Mais vale fer reprehcndido
dura, faó amigos, 1181n os que repre- com correcçaó do fabio, que louv a,d o
hendem, inimigo~ ;antes., fegundo díz: com alifonja d0 nefcio, diz Salomaõ.
DemóH:henes , referido por ~1aximo , Quem fofrc os vi cios do amigo , ef::.
Sermone de admonitione , he melhor creve Seneca, os faz proprios.: Ami-
o inimigo , que reprehende, que o c'i vitia ji feras, facis tua. Os inimi-
amigo, que lifongêa ; e melhor amor gos coftumaó fer freyo dos vicios,
com feveridade , que engano -com e os am.i gos redeas; por iffo qiífe Plu-
brandura. Nem a correcçaõ ha de for tarcho , que os amigos lifongeiros
afpera, nem a reprehençaõ fevéra, naõ er aó amigos, mas inimigos : Eft
(diz Santo Ambrofio) ; mas deve fer inimicus adulator amicus. Falla fobre
cl,e forte, que aproveite , como .re- efte affumpto o Poéta W em, .d izen-.
fere Plutarcho : Sic amicum oportet do, que os vicios dos amigos fe naó
contr~flari, ut projis.· O que leva co- de vem louvar por algum modo, antes
pos de vidro, naõ ha de apertar tan- reprehenderem-fe por bons mey os:

Si quemquam laudàris, parce lai~dare meniento;


Grúnina culpato. parcius ipfa tarnen.
'
'
Quem ~t1cobre os erros, e os louva , ·concluímos, que com eitas re-
na6 qqer: do arp.igo fe nÁ6 a foa perdi- · gras Je_adquiriràó, e confetvaràó o~
çaõ; haó. de fe1~ às palavras do amigo amigos, , e tornará a·refufoitar a ami-
verda4eiras ·re,P1 falfidade , hone11as. fade , que já no tempo de Ariftóteles
frm t oypeza, pro~eitofas fem d~m110, era d~funta entre o~ mortais; e já o
leais íem aQ.ulaçao., íingelas fem do- defterrado Ovidio chorou eifa perda,
blez; ha.õ de fer mais doutrina, qúe porqt e tanto teq1po ha gue no mun~
eloquenêia, mais fubftancia, que ga- do a verdadeira amifade falta :
lantaria.
Illud amicitite fanãum, -& venerabile norizen
. Proflrat, b- ih°queftu pro meritrice jacet.

Coftmnava diz~r o Philofopho , que to · , como fez Joáb, fegundo fe ef-


, os que a guardarem pohtualmente, fe creve no liv 2. dos Reys cap. 20. que
multiplicaràó em tâht os corpos,gtian- chegando a Amafia , o faudou com
tos forem os amigos; e os que fem el- palavras brandas , e de cortezia<) e in-
~a 'fe fiarem , chorm;àó fom alivio' o do para lhe dai: o beijo de -pqz; , ~G>mo .
feu engano , , fe ainda pm;a as lagr'i- era coftume daquelle tempo , o ma-:-
brns · lhe deí..xarem t 8mpo os fingimen- tou c_om huma adcrga , qus pRrrt_)f(o- ·
tos de hum falfo amigo, que de or,- trazia ; ou tirando-lhe os olbos , nrn-_,
ainari o cÍté" efte miferavei dcfafogo da lingua, com que explica º >cora-_
1he n~ ó pcí'mitte, antitip.ando-lh8 pri- çaó ó feu fentimento , ·ou abbr?via-r
n eiro a morte, que póffc1ó entrar as das portas por dond e defafoga, lan-
lagrima~, a pregoar o arrependimen- çando em derretidas lagrima~ a _hlW ·
der :
- ... ~ -' • ~ .ti t
PALESTRA' Í. LIÇAÍ'1-XVIL DARLEIÇAM DOSA1\1IGOS. 91
do1.., como Tuccedeo a Samfaõ, que faõ prendê\S do amor. Ne1êio, fc lhe ' - .)

con:fiando-fe nas -doces palavras de parece, que os conforv.a , lifongcan-


Dalila , que tanto por fua amiga fe d0-os , e naó reprehendendo-os , fem
vendia, fbi entregue a fous inimigos -, advertir que a lifonj :;i. os enferma , e
que lhe tiraraó os olhos ·, para ·que a Teprehençaó os ci..~ra. N~fcio final-
fechadas as portas ao coraçaó , naó -mente, fo imagina, que na .afpei:eza
tiveffo em tamanha dor ao menos ef- com que reprehende, faz merecimen-
tes -companheiros; que lhe ajudaífem to com qge os con erva, fem adver-
a fentir. tir, que ie a fuavenaõ fó obriga, mas
Nefoio ferá o que empréga o feu emenda , a afpera , e defabrida n;_ió
amor no. que illl.Ô he virtuofo ·, · q ne:.. fó defabriga , ma9 enfurece. Vamo.~
rendo-; que _o a.me, fem advertir, que aos mais .actos da amifade.
quem rompe· com Deos ·, devendo- , ·
..,. L : :l . ._ç A 1\1. XVIII..

o
111e mais, na~ eft~·anhará romper com
hum homem , devendo~llle menos. · ·
Nefcio o que o empréga- no defimi'" Da Benevotencia. ·
lhante rios coftumes , e nas Virtudes , _ ,
fem éJ,d vertir ,que o que dos vicios he Segundo á&o da amifadé he a
amigo ,he das virtudes inimigo decla- benevoleneia. Efta he huma
rad.o. Nefcio fe o e~npréga em~ guem o ~ · · - _vontade dirigida a.algum ob-
buí.ca, fem advertir, que nao cofiu,.. Je&o,ouhum movimentofim-
ma rogar, o que para fe1· . rogado fe · pl~z da vontade, que defeja ver bem ,
acha com prendas. Nefc~@, fe o-.em- áo proximo, mas naó pofio . em efiei-
préga no nefcio; fem advertir, que to, a qual póde haver fém haver µmi,.
· a necedade ," e a. ínalicia , fo bte ferem rfade , como mo fira •a experiencia qo
companheiras, faó irmáas. Nefcio; fe que .fe chega a ver hum jogo de car--
o empréga no ihconftante, fom ad:_ -tas, ou ·de ahnas, ou.huma jufta fef-
vel'tir, qüe he cêra··, que .c·o in a fact- tiva , ou finalm..ente qualquer outra
lidade · com .que recebe a impreifaó :aéçaó entre peífoas, a quem nunca
da imagem, com a mefma a pei-de-. havia vifto , e naturalmente fente o
Nefcio , fe o- empréga ·em ó falladd1;, animo huma fubita, e parcial inclina-
fem a<jvertir, qi.le fabe callar pouco, çaó à vi&oria de hum, mais que de
o que falia müito: Nefciô; fe o em- -outro·; mas -nem por iífo fe move a
préga ~m ·o intereífado ,- fem ad ver:. focorrello. Seja efta boa vontade ·oc- .
tir-, que o ambiCiofo he comQ o fo- cafionada de natural fimpathla, ou..de
go, que em tanto dura, em ·quanto -p:iixaó repentina , ella he hnm amor
queima. N.e fciq, fo pertende confer- de benevolencia, e naõ. de concnpff-
var entre as mayorlas a mifade, fem .cencia, porque fe lhe defej::i o venci-
advertir, que a amifade com igualda- .mento, naó pelo bem de quem o vê,
de fe conferva, ·e fem igualdade aca- fenaúpelo do que fe vê; mas até aqui
ba: 'N efcio , , fe· fem fofrin1ento per.- 11e hum a&o .interno , e infecundo,
tende ter amigos ,.Jem adve1·tir , que ·porque naó produz algum aéto exter.,.
para confervallos he 'neceifariD ·fofreI:- ·no em favor do amado. - ·.
los. Nefcio., fe corí1 graças ·picantes, . 131as fo pó4e: haver -benevolencia
e d~tós offenffivo·~ os pi-0,cura confe1~:.. fem amifade, naó póde haver amifade
var, fe.m advertir~ que naõ vive o fem benevolencia, porqlle naó póde
amor entre os aggravbs. NefoiO , fe -fer êilmigo o quenaõ he 'benevolo; po-
fem convites , e mimos fe perfuade rém o que he benevolo, nem por L o
o: conferva, fem advertir-, que as da- he amigo, ainda que o fimplez amor
~1".as naõ faõ tributo da amifade, da benevolencia foífe reciproco, nem
. Mij fe
yl GUERREIRO, ESCOLA :MORAL, .&e. .
~fe pócle chamar amifade verdadeira , 'àe · nos defejos, naó fe alcança diffe-
fc n::tó meta féría , e ociofa,, . prind- rença ·nas vonta~:es. Defta prim eira
p~o .de amifode, mas naó amifade , ·ley , derivada da be~1evolencia , fe-
porque o primeiro a&o' e principio gundó a&ó da amibde ~ re: fegnem
·da verdadeirn arnifade , he querfü• .v arias queftoens' na matena: da amifa-
, bem ao amigo , defojar que Viva , e de , que ferá f~rçofo d~cidir. ~
, que viva ·contente, alegnll'~fe qe feus · · .· Pero-untao os que tratao eíl:a
·felices . fücceffos , e entriftecer-fe dos ,ma teria ,. ?e eftá obdg:ado o homem a
infelíces. · amar mais a fi mefmb , do que a feu
· Phrto da benevolencia faõ aqu-el~ .amigo P .Por humà ; e outra parte ha
~ las tres .Jeys da verdadeira amifade, ·fundamento , porque pela que affir:.
primeira ::únar o amigo como.afi mef- ma, que .cada hum deve amar mais a
1
,

mo , e fer t aõ amado , como ama. fi , que ·afeu amigo, eftá, que · fó fe


Regra he eíl:a de Taliaõ éommntati- · deve amar ao amigo, porq~e he che:-
va, q ue cada · hum tal faz, tal rece- gado em amor ; e quem he mais che-:-
ba, pontualmente exc~dida de Nifo, gado :a ft; que elle mefmo ? E quem
e Eur1alo ; de Volúmnio, que vendo .naó he bom .para fi, naó he boin pa:-
: mc>i~to feu amigo Lúculo por Mai'eo ra ·Outre1i1. Pela contraria eftá, que
1

'Antonio, quiz mórrer com elle, P.0~ he vergonhofiffirno :vicio -o amor pl'O-+
-<lendo efcapar COID;, vida; de Afmm1~ ·prio , fendo o amor da concupifc'en. .
do, que morrendo · feu · amigo Afvi- eia, o ·qu_e deíl:roe· 0 ámor da· ami-
to '· [e ·enterrou com elle .vivo, por fade., e que pela primeira ley da be;..
-naõ ·ficar 110 úmndo fem elle ; de 11evolei1cia,, ao menos nap deve ha-r
·l\1artim Váz Pacheco, que no primeii- ver díffe rença entre ·hum , e :outro
(ro çer~o · de Diu · vendo liioi-to 'feü ·a mor ,cde que ÍO'raó b0as tefte'munhas
-grande ·amigo ·Gabriel Paçheco,-1110.>- ' OS exemplos nella réferi~os; e cuf-
-vido ·de grande dor, e defejb . de vin- -robora-fe ' c'Om 'a fen1:ença qe Cicero,
.gar' .füa morte, ferind_o, e matando -que maó ha·.an:iifade aonde :lmpi quer
:inimigos , foi .ferido de duàs grandes .J.nais, ·diz ·e lle, ·para fi , ·qué para ó
,foridas nb:rofto, com que "dobrou .<f> amigo ·: ·Aniicitite ·vi'S eft :;- utJi.?nuZ ac
-pelejar ; e f en~o-lhe aa vertido , que jibi aliquid ·qudm alteri 'mavuít ~ nul-
de foffe ~urar, e naó quizeífe morrer la ejl.
1
· ·· · ·. .·
ali, refpQndeb , que fendo feu aini- · Com diftinçaõ entre os ben.s· dei;
-go morto, que já lhe naó fervia a vi- -leitaveis, e da fottuna, e os d0 ani~
'da; e pelejando, ·cahio morto. . mo fe' conci1iaó fac:blmente eftes !11n:-
A medida doaü1or em hum , ·e ou- . <lamentos , e fo '.r efponde com facili- ,
.tro amigo , h~ o amor proprio ; nem -dade a 'efta queftaó , dizendo , que
hum, nem outro eftá obrigado.a mai:s., 'em os bei1s deleitaveis , -e da fortuna,
.nem tambem a m~nos, P?rquE! fe o . -he mais louvavel p1:eferir o amigo ·a
.amor entre os amigos nao 1fo1·. reei-:- -fi mefmo; mas em os do animo he vi-
p~·bco 1103 affe&os·, naõ Ferá, com© tupera:vel privar..:fé da virttíde , por
d1z . Platao~ , CQnforme n©~ effeitos : ,comprazer ao amigo, 'Oú pro·c urar as
Nifi ·uterque. Jamet , .neuter . amicus ; vil~tudes para elle primeiro ;qrue para
,a:m ando poré.m hum ·a 0~1t3ro, como ·fi 1.mefmo; porq feria notaveLo ·dam-
:a fi n~efmo , ·ae .dC?us amores fe fara nó, qHe fe feguia, quando o ·amigo
·h un1 amor:~ q~ dua$_vidas hm.na vida, :.defta forte fe, eíHmaífe; e por iífo 0
·p orque nao fe c_onhecendo d1verfida:- ~dverte o Po.eta, dizendo : · ~
,., .· ,. '
'.) ''

? .; J

EJloJ
l -
PALESTRA L L1ÇAJY1 X\fHI. DA BENEVOLENCtA 93

Efto mefnor ' thartts feA1pé1~ Prôdeffe Iodali ' ·1

Ut tibi non noccat p1 '.4:flita fodcditas,


1 .!
Sic utare tuis ~geas ne n!f1u5 amicis, ·
Sarci'na nàmque hur;1e;t·is j ôla f erendd tuls.
He á amífade melhor que os bens ex- ·~müfo de : aquelle , divida de juflícá
ternos , porém os bens.· internos iaó leg_al , eíl:e, merG:cimento da honcfÚ_,
melhores que a a111ifade: exemplo do dade moral; e he mais nobre a virtu-
primeil'b foi Scipiaó Africano~ o qual de efpontânea; que lá forcofa ; ver~
ema pe1·rnnçaõ do-Cbnfulado adq ui~ d adg ·h€ , que devendo 0° ve1•dndei_,
rio .mayor gloria, cedefld?-o a9 ami-:- ro amigo amat-tc com igual affeél:o , fc
go,qne obtendo-o: exemplo do fr:~gun- tu expôen& a vida pDl' elle; deve elle
do foi Rtttilio, o qual quiz ante); per"" expôr a fua por ti, e· fe em naufra-
der a amifade, que a virtude da juíh<:- gio c.omi.num tendo tn f6 hmna taboa .
ça. · . . 1erá generofa virtude fe lha qnizere~ .
Pergunt:1õ mais , fe hütn àmigo conc·ecter, mais Gom igual virtuàe de4 ·
eftá. obrigado a gxpór a vida ·por ou'° ve elle naó adq1itilla po1•que tt1 te
tl'O ?. Por hum a ratte efl:á, ~U€ fe g, ~1lves; ~e Outra, fotte naó fo11ia igtrnl ~
louvave1 he medida do honeito, nao . nem reciproco o amor; -e fobl'e efte
-fe póde negar, qne n~_s azas dó lou.,_ equilíbrio fo fundaraó as amoro-
vor haõ voado aqnelles ; que pela fas alteraçoens de .Pilades § e Oréf~
vida do ·amigo hàÓ factificado as fuas; tes; que ainda fingidas ei11 os. thca~
por Outra ,: que affini Como . Osobl'at tl'OS; defpertaÓ lagrimas. verd~d eitas
füppoen'l o fer, afilill a ~~Hade fup_,_ ~m os ~uyintes ; confidera âgora 0 .
poem a vida, a qual .petd1da, fe pel"... qu~ fariao as verqàdeira& daquelles
~e-· a artüfade. Averdadei~·a medida da dou(pares de irn1áos; taõ ttrtidos pelo
ami!àde, he ·amar ao· amigo como adi fártgue, GOh10,pelo amor: Gafpai- Xi""
mefmo ; excede efta regra gmfan po1• n1enes , e Fel'naó Xime11es : o filho
falval' óutl'o , fe perde a ·fi m:efüiQ, inais velho, e o menor· de Adiatol"is ;
porque o naó ·ama ·como 'ª ;fi, fe J:1·àó Princip~ de Capadocia; deíl:es coilta
mais que a. fi:· Deíl:ruir . o º.~·igina~ ; . ji'ul~~fio tiv. ,5 .. dos E x,emp/ós ~ . que
por guardar a imagem, he gi·and~ lou:- mandando Auguíl:o Ccíar çleporn do
cm·a ; e por iffo Mecenas ,. iâêa dos triu1mpho matal' ao Prinoipe Adiato~
amigos ·,. dizia : Tudó façamos pelos riô; . e a feu filho mayor , e queren-
amigos, com ta1ito qu~ 'vivamos. do-fe exgeutar a fentença; ós·irmâos
.A efta fe1·efponde tamJ?em.cote.., pot falvar a Vida hum : do out1•0 ,
jando vida' C0111 Vicia , e Vi~a éOn~ .dJzia e.ada qual '· que ei·a b· m~yo1•
acçaõ Virtuofa ; ··e -no primeil'o cafo .com tanta efiicacia, que os exeauto-
cada hum eíl:á obrigado a ptefel'il' a tes Jüió poqiaõ detel'minat-fe qt.tal
·foa à 4o outro , :p01•que .o amor bem .e1•3:, , até q~~e foi motto d n1enot ,
orden~do começa ~e íi 1~efnto; mas_ qué _fe hav'ia o:ff~l'~~i~? em lugat d?
· no fegudo fe fe coteja a vida com hu:' rµ~yor; o que fab€:ndo Auguffo gft1-ll
ma acçaõ V'ü•tuofa , . fe póde · pteferir 1rim1 tànto aquelle feito, que áo que
huma acçaó virtnofá à Vida prqptia~, ficou V~VO; teve (empl'ê em gran,d~ te'"'.
e que acçaó rtlais Vil'tuofa , que ex- pt~taçao,. paquelles êfat?Vê Man_oet
pôr a Vida pela Patria, pelo ·Princi_. Godinho no naufr'agi~ da N do ,S(l1i-Tia~
pe, e pelo PJly? Mas he tant9 m~is _ ga,. qne inà.o. a ditrt Náo no anno de
1generofo _ expô1· a vida · pelo amigo, milquinhentos e outenta e ~inco lJara
que peloPay,quanto he 111àis de obl'i- a In'dia, fez naufragio, e fo recolhe--
gaçaó o_ V!inculo do faugue, qlie o da raó com outras p'e[oas em o batel dà
· Náo.
1 • , ••

94 / GUERRÉIRÓ , _ESCOL!} M.ORAL_', &e .. : ... :. . ,


Néío , e por for muita a gente~ e o · mc1h01~ ~er mmtos a11~1g?s, fe hum fo?
bRtel ir muito carregado,fe tornou re- r Ailli-n1ao huns, enegao outr~ s; ftm-
1

foluçaó, que foílem deitada~ a.o n~ar '. daó-:fe:~aqneUes , em g_u~ quan~1~ ma~s
<:1lgumas pe~oas , e cahindo a iorte 10-1 ancoras , tem .hum na v10, tanLo mais
hl~ Gafpar Ximenes·, gue .era o fr- firme ei1á;, e quantas mais colnµinas
. ma Ó i11âyor , e q_ue1~endo-fe éXeCU'-' Oeàificio.tem , tanto mais fegprO· ef1q
t ar nelle taó ci·uel .obra, Fernaõ Xi- o pezo,:: os ~111igos faó ancOtfiS. co.n,,
menes, que eni. o ú1enor , vendo, que tta a 'fortuna, .· e ·columnas c:o ntra a
naõ _hav1a "reniedio ' pai;a hum delles rúina.- : Jogo ,melhor he ter inu.itos ;
deixar;de fr aó iha1; , com amor , e que poücos ;· e-eftes, que affirn aomo
mi.1ifo.de re offereceo pai•a. taó rnifera"- naó he bom .a 1nulher eftar ·fem marit
vel trancé., tendo pafa·iffo · muy alter'- ·do' nem ter muitos ,affimtambeµ1 naq
cacta·s razoens entre o irmaó , qne era .bom . ao fabio" eftar- fem amigos,
ó cohtradizia, e ve~r o :a ceder aro--;. i1em t er muitos ;porq a.nenhum tem,
gós ,do ,mais ·moço , qúe· fendo com ·:o rio , d.iz Plutarcho.' in .Morailibus ,
0ffeito la.tiçado ,_quiz De.os pagar-lhe a que Je divide ,em. müitos . i ·c orre te,-
fua caridaqe com dar-lhe tantoanimà, nue , :e -languidp ;_. a b.enevolenCia
·q;~te fel'ido .da li à terra mais de ceüto · diílribuida . por muitos fe enfraque.:.
e<vinte Iegoas <,foi .-nadn:nd.o por táli.., ·ce , : e dofvanece .; e. affirn como os
to· tem.pq 'ãté · que -outra vez chegou ·áni.mais, que ;parem '·hum unico· fet.:.
ao batel, 'dond,e ·os outros com grande ·. to ,O timaó mais· êlrdentem.ente ,, affim
laftima: e ãdÍniracaÓ OreceberaÕ. . :'.Lbe.nevolencia empregada : em hum
. · Nefta meJ111a 1~ateda fo pergunta fó :amigo, he1nais.arde11te. _A eíb,t per.:.
nrnis , fe ·he mais proprio apa1' , fe gunta fe deve da'r e;íl:a rep.ofta., que
fei· an:i-ado? E a,efl:~ . pergunta fe d·e ve_·em' qtrnnto à.a:tl).ifade. util, e.deleita-
dar efia repofta .; q~1e .no amor da,c ori-! vel he diffrcultofo., que .d~1re a aií1ifa-
cúpifccncia he melhôr for ama.çio ;·que . de de dous; e-impoílivel ·a d_e·muitQs,
aüiàr ;· nras ·no; da amifade .,_he: melhor porque- nem huma; ~n.ern· outra;.amifa-
. p amante'· , ·e .efte olhac· dire'itamente de he·:arnifade~_perfeitçi ,__ naõ ·fendo
- · ao amado., ·o ·habito . da J i'perafidáde pei:petub o, fundamento .; e corno· a
ainda ,que foja virtude· do affeét;o.em .utilid:ide, e o deleite por inftantes· fe
/__ f;:i,zet benefidos , naó ·obftante .1 por niulfaó , a amifade, que tem ·;'tais rai-
fi. in~fi:po)p.cliná mais a fazellos ./ que zes facilmente , acaba ; ·e em, q.ua~t0
. a . 1~ecebe,Ho_s' , porq1.ie ·aqu~llo 1he-:~.e ,-a ~amifa.~e- perfeita achar 11u!11 _amir-
. mais propno; affim .he · mais propno 1go firnilP@nte a ii em coJ,'ldJ.ç~q ; e
;da á1-vifade amar , que fer amado ;· temperamento , com.o em genio:, e
, mas fóra diíto ~ quen~ ama fabe ',que virtudits , he, couÜL taõ rara , como 1

,: ,~tina, ~ qtren{he: ainádo ; naó faqe ·fe ~char hum corvo v~ftido de plumas
· Ji~ amado ;p:orque ., c~da .litún. c011.he- . hrancas ; e. por iffo_juftamente :can-
_ce .in~ll'j.or .feu coraçao ' que o all];€yo~ .. tou ·. ·W.em , que .a penas ., entre .mil
,· fé13do P..ois :hurna caufa in.c:~rla ,•a·ou- fe. achava; hum verdadeiro amigo ,.af-
.. tra certa, µondeh,:a mayor certeza;,ha ; .fifn como entre hum exerçit_o . de.cor.'."
n1ayor ~11101'. . ·..' ,. · . ,. . .. · ..· · 'VOS fe clefeübrl4 h.mn VeftidO, de.ÍJran~
-... \--· ' Ultül).amente
•, . . -
fe
. ,. ...
~
pergui1ta
·. .
·;; fe he - .co = · , .
,.. "
!.. , ._ . >~ ,

.
l '

Millibus . ~x multis · unus vi:>.:· jidus amicus-;~-' . ~·· .


.
. JiiC' · alba" Corvó rarior •ejfet folet~ . . . ·.. ~·

!..

, ·' Z:.e11tüht . ·he ,'-·qtié..todos. · défojaô ., e ·g.os ; e por efl:a razaõ, diz o ·i>ro:ver-
poucps :;i,kançaô., o achar muitos ami- bio Caftelh~no ; Un Dios , . fn!ichos
i .- • ' ' .
(l7nt- .
PALESTRA L LIÇAM XVIII. DE BENEVOLENCIA. . 9s
amigos, que póde fer fentença, cb mo J?OderC?fa a força da-uniaó da vírtuo-
qucm diz, faó muitos os amigos, que 1a amiiade, que de muitos tr~nsforma
forvem de nada, e he fó hum Deos , em hum fó , e affim ainda que nin;-
que ferve pára todos , e de todos guem poífa fervfr a dous fenhores ,
verdadeiro amigo : poréni fe alguem naó ha prohíbiçaó para que cacfa
for taó ditofo, que encontre efta di- hum tenha muitos patronos ,- co1110,
ta, que todos bufe a ó, e nenhum acha, engenhofamente difcorreo lf/em 1101
naó tem efta mnltiplicaçaó incompa- Epig. II2. do liv. unico:
,tibilidade com a amifade, porq he taó
-
Qyamquàm nano poteft dominis fervire duobus,
Patronas uni quid vetat effe duas ? _.
Qgterere non prohibet multos; Deus· unus amicos :
Ut multas tedes non vetat una fides. ·

Qüe com ig~rnl engenho , e agu~eza, vel, he o confervar \muitos · amigos ';.
traduzío D. Francifco de la Torre. porg ue ~ia amifade perfeita fe ,r eque-
re fumma benevolencia, fumma be-
Aunque nadie à dos perfona,s · neficencia, e fumma concordia; e en-
Por dueúos pueda fervir, tre muitos naõ ha fumma benevokn-
Nadie llega a prohibir, eia, porque o amor de hum diminue
Que uno tenga dos Patronas. o dp 'Outro -; nem fumma . beneficen-
Muchos amigos, porque c7fa\ porque ·quem de muitos recebe,
Dios que es uno, no limita, a ríuütos de"Ve; nem fumma concor-
Por lo mifm0 ',que no quita, / . dia , porque hum coraçaõ póde son-
Muchos ternpios una fé. '· co'rtlai; c;:om hum, e na - com muitos ,
. - como bem ponderou W em , q uan-
Difficultofa_ coufa , ou quafi impoffi~ . do -affim efcreveo :

r D- - Tu dominos JeC! are_ duõ~:, mirabile ;difltt ~fl ,.


Si vel utrique places ~tu , vel -t'tter-que tibi..
' -
l / Quaqtos ~aõ os h orriel'ls , tantos•-faó'; Z:<?piro~· _-)pe1~feitiffirnos amigos , -. foi
; qs caprichos ; o amar pois a muitos· ·lu~1h!' .'d'11s fonhos devDario , que [o-
, f~m amor i1ehüífo naõ he d~fficil ' a? n_h~va 'o que queria. J?-~ Sci_Piaõ ~fri~
·, virtuofo,ma.s. ~e.m amory~ rem1ífos nao·Lt -aJto· fe_eicreve, que ·J.a mais fahia de
fazem huií1 al'n or perfeito ; pdrént ~·eafá-,-1 que naó grangeaife nov:o .~i­
amar a muitos.:perfeitamente como a _g d.J ; aquelles eraõ benevolos , e naó
fi_mefo10,11aó fcrá poffivel '4quem nao '· 'Clmigos; feu unico 'e verdadeiro ami-
fe dividc cm muito;; , ~u quand.Ó os - gó era ·· Polib_fo, ·que lhe hl.\via dado
• r muitos fe naó n~duzem a hum. Rir em aqnelle doc\unento. O melhor pois
hum tempo 1com hum, e choTar coiri para o . homem · prndente .he, naó ter
, qu,t ro , accom.odae o o·f:füio a gcnios", inimigo "nenhum , ·porque fogund o
diffcrcntes, hc taõ graÍ1de embar~ç~; · 'Seneca :· Ad nocenclum vel ·ü?fimi p.o!en-
como Jervir a muitos fenhores; e af- . tes fumus, e ter a todos benevolos ,
fim o defe1o de Dario de 'ter tantos e a hum fó por amigD. -1 1
.... ' )

Claudit amicitiam numerus pleru1, que dualis<


; rr-. 1
Vix in -pluralem multiplicatur imflor.
A fe-
/
- , . -
'
96 · , ·.. · GUERREI~ ESCOLA MORAL, &.e. . : " . . .
,, A fcgunda ley da benevoléilcia , drç, capital inimigo de Heredes. Quem
hé, que fe ametp. as COLtfas do ami- quer ao amigo .tamb em corno a -fi
go, porque cadá ,hum ~man:dQ-fo a fi 111c;fmo, naõ pó,de qli~rer b~m àquel-
mefü\o-; ama fuasr comas, conforn1e le , que que.r mal ao ami!~o , por-
aquell~ · dito ; que a.cada. hum ·ihe pa-;. q~-l é ii1:o forià juntamente a.mar-fe , ~
· ieccm as foas coufas formo fé"!§ ,e ,com8 €tQprr.ecer-fe a fi proprio ; · e lh'e he
o de Ariflot"eles ,: . Umljqtfifqite , arti- precifo ápartar-fe de hum para ama~·
fex diligit opus fuum ; mas aqui con- a.outro, ou apart'.lr~fe de ambos para
vem diíhngnir o amor virtuofo, do fer neutral ~ ·ou conciliar hum com ô
amor proprlo; {Luin fe m11a n fi.; mef- ·ontro para ~car .amigo de ambos; e
mo, e outro fe adúla ,afi.. rnefrpo ; e _:,.efte terceiro modo he o· mais pofto
por iífo aquelfe•atna tanto asJuas COU-:- . em r_a.zaÕ ., pQr8.ue fe O amigo hç Vir-
fas, quanto as cftima, e.e:íl:e as ,efütma tuoí,o , com hóne.íl:as co ndiçoens .fe
tant<?, quanto as ama, p01·qúe aquelle aplacad frü· inimigo, e fe na() he vir-
:a:s',r"ê cdrri os·o rhosdarázaõ ,é1e;fte C'om ~uofo, naõ he verdadeiro amigo, fun-
-os téhganos da paixa6. Quando a c d~_ndo-fq, n~ vil'tnde 0. ver~adeira 'aríi'i-
' Ag1Jfa q üeria eieger para: feus pagens fade ; mas fe ·o iniínigo · he iniplàcá-
-de 'hon01• os paífarinhos , ~IJats fq1:{11Q- vel, e yiei,ofo, f~ deye aborrecer c.o-
fos, lhe offerecia o Bufo f~ us ~ro~co s mo viciofo ~ ainda. que fo~fe verd~dei­
·fühos, dizendo :· 0' Rainha, tpma ~f- ro amig.o , e fe torüa -armas contra
- tes ;-que faó 0s.g_iais fonnofos 8~ 1(0- o amigo, fe deve defender o amigo,
~ â.o·s ; porque .fe 1 parece1Jl '..~. ,mil'J.!.. :Gyi~ e fuas côufã.s . como a íi mefrno , e e'fta
- ci'ofo· rnai.s alílrn . os viei_os ,p1:opriO_§ , he a ley .. d_a'~,í~ifade _h,umana fogundo
- qüe·· as' virtudes alheyas, por~m o. yir- os priíicJpiQ$ naturais. ' . .
~ tüofü ama as co.Nfas . dp _atl1;igo_:co1JlO ' : , _
Te devem 1 aiilaT as propri-as :, ,porque L r ··ç À - ~1 · XIX.'·-·
naó adulando as.proprias,.rn1tr a_gúl~as ,
aíheyas , naó vitupéra as louva veis . Da 'Benificencia. G
P or in;veja,
·',,, ..
nen}. ·
1 011 vç1 1 Qsi:v itunera- t
~ • .L " '.
• " " . •
~ r
• , ,
. ~
,

, , vei~ yor lifoqja .; e .fe ~\~.,v~tUJ)yr~y~~$ ,., ·R·. , \º .~d~f_,nla_, ~e a benevolencia do


1 ,

. _fe podem emendàt', admoeíl:a ao am1- amigo, fe a beneficencia lhe


_g0 ,~àflj'.rr1 com:crêlle·creve·q·1:H'n1ei·1:, que·rr· i .. naõ. cüí ,a maõ. ~aõ be eijcaz
' · o 'adt~~~oeíhmí,.e.1é naóJe>PQ~i.)~JTir@:IJ.1~11,..., > ,, ,: • ~ontade ª 811ecfeféja o }}em,@'
, ,· · <l~1: . ' gaba :~ nu:en~ao.~;; ~ clefoq!.P.:~ _ 01,: 1p9 a.ru~~. I{~r_çi. cw$_f~)q_grc. -Qüem
J feito , po1:que, a .a,i-fab1h<;l:a,,d}{ '® f ;-H,llll;"" rll:no deL~Jf;l, .áJndar ,_,'nao ;ama'·; nas.
.: '.~fadei_ fe na? ~10 ~l!E1âas: ·, ta9) R a;!)}g,~a ,,_.g_í.l-ç1?· i)~,~,e ' ajuda~·, EfTi!ó ajlú'.Ui, Í1aó
< •· ~ ,. ~ ter-a.ii11:'a .; ~te ·ultnna l~y . q 51 o~r . 1defeJ a aJudar . . O ~efoJO fe conhece
-
1
,
2
nevol~n_ci'a;· he_, cqne, · fo 0 ~ai11igo '°t, eru... s1Pelas obras ,. .como- a faude pele ífr~Ifo.

e
0 inimigos r osrtrenl'\a Of61Ulig9 .tamb e~n .J,~1DHr~r· J~ i"io daquclle j orn~lei1·o ,
'por inimig.Os ,.porque CQlllP µjzeq1 9s ) que fazia 1'5roi;ne~~!it pa:ra que ie 't11nITe
1 1
Jurlflas ) Jàffrm confo '.o ª !JJJgo de meu 1,51 rua crthétâ do atolcfro , e ü, 0-·pu--

ininüg~ naó pQde fe1'.·r1.neu ámigq ~; qf- ,, nlrn maósJ~cqp1:a . T~nto val ó'ãn.lgo,
. . . fim.r.
tamb@n o.1úen aJ1)jgo naó l-;i;óde ~
oue
J..
naó, tl.j·l~d.<1 ,, comó
·i ' .
inü11ü/6 .•Jqné
.._, .
a
ll1Cl!lS •;inirnigos. DQr-., JlaÔ d a111B..a. Ü b eneficio C '1 ·Y11 j\1 ~
11 _ ' 1 .J • '
e''-·ter -amil?,'O.' '· dQSfi
que nada he~ milh;apt.e ~ .mnilha.nte_, .r ia .faô. d,nas cou101~· toJ1t1·arias , a in--
f' , .L u .) • I f • ' •

qne naõ feja contrario ao cont.ra rio , jnria dilfol\íc [rs ~r'inifades, e ofbenefi-;-
como dizem Q3·Rhilc,foph0s, e.t aJ11,lyem .ciq as ~fcr.eita ;,. venfade hc qne amar
os Juriíbs. Heredes·,,awüg.o d,e G.~1;n é,- " por rec~q,e'r - bcneficjos, ·n aõ he amor
, lo. ·:cpudio\1 ü-ta am ilàct: , porqu'e Ge::- de-rim 1{::1êic: mas arn.ar k10l' haver recc-
r
. \nélo fa l~via feito amigo .de Alexan:- bido , he bcllo principio da amifade.
Oi.>
' .
PALESTRA r. hÍÇÀ1\1: xbt.. DÁ -BÊNÊFÍCENCÍÀ&. : r-7
.os be~1e:6.cios primeiro faó elemen'" _zer te1; ,amigds; gue o fü;vá5 ~ h~. d r~ '-
to·s; e depois . alimentos da amifade, _muito_-fü; antemaú q força de ben:~fí..!
porque todo~ os co1:pos· fo mant.ê1~1 Cio~ _ G0111p1iar _os eff · 1to~ \:te ttúiLàdó;
com ãgLiillo d.e que fe compoem: De:,; e tanto mayoxes fo reln os beneficjos 4
fenganê-fe toda a p~ffoa 9 que fom. be..:. tanto _ií.1ais pfop1~ic~os âel~ afa bs am t~
nefiCio~, que aliinent_ em _,a aµüfade ~ gos; que n~ era .d_é hoJe fc nrtó toft:u..!
naó terá efi:a nenhuma pernianencia , maõ obrigar de pouco 1,.. como rer ..!
antes, ClO mefü1·0 paffo ;- que oefiàrem hheceo Wem; q u-ando garl;}ofam01it:d
os bem~fi cios , fe1h.eeerá a amifade ; .cantou l · ·
potque nos noifos ten~pos o que qlii..:
Témporibus !1oftrÚ:.ij_uiiufnque pia;dre-iabor1t §
Det_, cctpiat, quterat pturimtt, pauca, nihi!:

Ê a fazaó dá d mefmo -Wém dizen..:: ~$iti fafüÍ)e1fr áquellé; · â quefu- rifais


.do que ailini qbmo aqüelle ': .fl: (gtie!n fe·dá-; fo faz 111a.y0r amigo i
j

mais i~ prefta; fo faz mày ot inimigo ,


RJ:tb pliÚ_déd~rfs ,, inagil boi iÍ'bi-.fiei amicui 1
Q.uà plus _créderis , hoc magis hoji is erit.

Í-Jc abeneficericia Ímma aéçá6, cóm N~rihuni:f; que mais Íhe dÜate, e ~Ídrl;- ·
a qüá1 o animo 9Iando fe m9ve para: "' gue a vi~a, conforme a Eflobêd Senn~
fai~1~ bem aqueJ1' '.o dereja _, e"~am..: 12. Nenh 11n~ ; quê màis efh'éite a
bem para naõ fazer mal a ninguém.- amor dõs amigos ' . e c0nc}Jie o q.nimO'
He b uma aa~aõ , ~que traz<goftff aq'" dos inimigos-; e ~1~0_ fef~ i·e r lY/aximfi
que recebe, he huma acçaq ,que déi-; 8enn; 91 âos Magrf!r: Nenhuma j que
,e traz gofio obrando .p ~ue faz. Ne- mais ol;>rigue a Deos, conió etifini
nhrnna ha entre 0 ,5 mortais' que ma,ís Ghryfo.fl. hdmiJ.ia Ir Nenluí't~1n fin1.l..:
os faga pai:eter a ·Deos .do que o fa- n1ente , que mais nos ni:anifeíl:e; e pu,,_· _
zer bem , como~ o diB.:e· eom fürrie ria- bliq ue por filhos de Deos·, .como diz
tural :O JJ-entfb . Pithágoras ' .fegundo q mefmQ CiJr~Jàft. hràzilia I .1 ai
rnfere Eliano tib . 2. _de varJa ·_ ~.ifloria. Philip.
Í2J-tod .datur_, d3tern~tm durai, fe1'7uiturijtie" daidrem:1
Dantem, & .,..
captantem munus ,. útrumque juvat.-
. '

Á verdacleirá ·beneficencia necef- 'é pm~ ~ífo o lien_efi Cio pédiciô., pafh1JÍê
~t.a de mui~o ~ .requifitos para fer per- l)enei'lcio a· venda, cQmpraifa à: c~lfLi"
feita. O pnmeirq.,. que Í€· faça .o be....: d:a vergo11ha que padece ~pem o pei.·
neficio antes· de fe pedir, porquê pe1:- de; preço o niais ,fu15" do ·, que íe achei ,
de Otionie débeneficio ·o bem ; que íe · entre os mortais. , eorno d1z, L aerào,
faz quaüdo\· fo pedt::; Deve o que faz . iib. I. aaf° L pDrq ué car'o re-_c"ompra
· o beneficio f er como, o ·soi ,·que para o q tie côm vergonha f ê pede~ c_omd
nafc0r .àeft@rrando as .tréva~,- e illuf_,_ · diífe Serteca tib.i 4·' O Ceg!i 1dD; q\ie fo'
trar :com fe;u-&- rayos todas as aoúfas faça ced-0, porque a-ffim como .<lob t·a.
1~0 dia naó . neceffi~a .de rog?s; mas o be'neficio , qi;em . 00m Q.r\_v~d~~e· o' .
faz o beneficio de alh1miar antes que e_xeouta ; oon;10 diz . o Pro.vetbr)' ·:
feJlle poíf~ pedir. Naó 11a coufa -que Duas 'uezes d!t o que dd ado ;- a fl.lm~
llla-i-s 0~1fte,. qxie aq.uena que fe pede ' tamb@m o _dim.irnJ9 ' qneJ: eon1:: va~·
,_ . . N.- gll'ds;
9~ · GUERREIRO, ESCO~A1 Th10RAL; &e. . . . ,
gares o retat da,como efcreveo o mef- eia ao que feda, confift~ na bi ev1da-
mo Seneca lib. 4. · de Benef. e o repe- de , com. que o benefic10 fe execu-
tio W em dizendo , que a beneficen- ta : . .
Nlunera des le::etus, corrumpunt te::ediá donum ,
ln .quo cenfendum eft ,{quid, nift dantis amor ? .
I

Porque perde muitos qtülates o m~- de impo~tunos rogos f~ concede~ ca-


recimento do beneficio, que depois mo fent10 o mefmo Poeta:

Da f acie !~ta, fine ltetitia ·f açiei,


Si dederis, perdes rem, . meritumque rei.

E affim · comó he atrociffimà cruel- va o coftume daquelles, qt1e promet-.


dade, a que dilata a morte por eften"" teni muito , e daõ muy -pouco , ·e o
der o tromento , e genero de pieda- que pêor he-,, naó darem nada , por-
de, a que abbrevia a vida por dimi- que he vicio, que defacredita em naó
nuir as penas; affi.m tarnb~m p.e ~e- cumprir,, ao que fe abona liberal1nen-
1hor a graça, que encurta o tempo te em promettet, como reprehende
-por ala-rgai- o beneficio , como enfina ·Wem na fua Poeíia, di'.?endo :
Seneca tib. 2-. Daqui ~ambem fe repro-
·QJ.ti cito, qui temere Jpondet fe multa daturum,
Q!ü2 maie. promijit , tzwpius idem negat.
o terceito, que fe c01;fidere o tem- neficios a indignos commetem tres
po, o lugar, e a peífoa a quem fe faz abfurdos , a faber, prodigalidade no
o ,benefitio , ·porque _como fente Si- que perdem, injuria que recebem no
macho lib. I. .Ep~ft. 3. crefce; e fedi- que daó aos_màos em prejuizo dos
minue o beneficio à medida do tem- bons , ajuda que daó aos vicios ; be.:.
p o , lugar , e peífoa a que fe faz; por- neficiando aos màos , para que CO!n
que aifün como a0s doentes he fauda- mayores .forças os continuem : .!Eqite
v el a opportunidade de comer, e fer- f acinoori videtur obnoxjus , qui auxi-
ve de remedia o dar-fe-lhe a agua em lium prteflat agenti. E Cice.r o diz,
t empo conveniente ; affi.m ·o benefi- que o beneficio fe naó deve fazer, nem
cio , ainda que f ja leve , e limitado , aos velhos ·, nem -aos moços : a eftes
crefce , e fo eftima , confiderando o porque fe efquecem, àquelles porque
t empo , lugar , e peífoa que o rece- morrem fem os poder pagar; de que
1 be ; e daqui nafce dizer Maxirno no teve motivo W em para nos f eus Poe-
Serm. de Bene_lic. que os que fazem be- mas dizer o mefmo .:

Qui benefit puero , perit, oblivi.fcitur ille,


- 1 Decrepito quid fit, non· perit, ipfl perit. r'. '

Opiniaõ encontrada, à que feguia D. foberbos, porque affim como o dia-


·A ffonfo Rey de Aragaó, de quem mante fenaó podià abra~dar fo na~
efcreve · P antana lib. 30. da LiberaH,,. com o fangue do cordeiro , affi.m eftes
dáde , que dizia, que à cnfta de be- fe naó podiaó fazer amigos , e bons,
neficios fe deviaó vencer os male- fe naó com eH:es lenitivos , como ef-
volos , -e inim.igos , e affocegar os crevia Triverio in Apophth. O quar-
to,
PALESTRAI. LIÇAM XIX: DA BENtFICEi~iCIA; .. ·99
to, que feja real, e naó verbal, por- 101;te o remedeaõ. A fimilhârtte in- _
q como diffem,os , he vicio o promet- tento diife Seneca li&. 6. dos Benejic.
ter, e naõ executar, e por iífo dizia cap, I L que affim como fe naõ deve
o Sabio Deh1ocrito, referido por Ef . nada ào que 9-uetendo emp11eftar di-'
tobêo Serm. 41. que o homem deve fer nheiro;0 naó rez,affim f@naó fica obri-' /

mais inclinado a qat, que a promet"" gado ao que próníetendd o b~meficio,


ter , porqüe o beneficio ainda qne o naó foz. Nem o noífo Poéta enten-
pequeno; aproveita ao neceffitado, e deo o contrario, quando eleganterrtê'-'
as palavras, e promeífas de nenhuma te ef~reveo o feguint€.Epigrama : .

Te cf,are promittis ~ nec das m1hi 11~u11era ., . Símon,


· Nit tibi debebo , ft mibi verba dabis.
odequ1ntõ ; que fe GÇ)hfidere a vontà""'
de.quem faz o beneficio; e naõ o
vontade de quem b difpende; fe me-::
de a vontade de qu@m G recebe, diífe
preço delle, potque pelo tamanho dà ~em ~ ·

· ~àn quantum déderis , fed qüanta menté dedijU


Penfandum éfl ; placat viftima parvtt :Deumd

De pouco preço ei-ã huma gota de o nónie de berleficieflte âquelie, qtié!


agua; ' que à Xerxes offereceo hum ob1•a intereífado ainda na mais leve
feu foldado, mas a occafiaó, e von..;. confiífaó do beneficio;porque eftà na _
tad.~ - de quem a 0ffe1•eci~; a ~~eraõ opiniaõ de Seneca Epift. 83. he mui..:
crefcer de maneira , que -fo fentio tas vezes fufficiente paga ; de qüe fe-
_obrigado Xerxes a f~tisfazella eomo naõ deve lemb)'a1: o qlie be~ obra,
hum graD.de beneficio, fegundo con~ como diz Demoeflhénes de Oratione 1
ta Ptutarcho in .Adolp. O ultimo , que e taó fóta eftá .de for ~cçaó he1'óica
depois de feito; fe naó tenlia deli e lem- a· beneficernúa ; qu€ pelo inter~ífe fe
brançaa1gnma;porqúe beneficio, que finaliza~ qu€ antes por vicio fe . cón~
fe faz _com animo ,_e efpetança; de fer àemná a qué intereffada fe prefüme;
correfpondido, deixá de o fe1•; e re- @ fel)do fimilhante a Deos o qne be1ú
fere Seneca, que aquelle' que lembra obra, de /vieiofo fe nota ; b que de
obeneficio,pede correfpondencia: Qpi tetl"ibniçrtó tem efperança , como fe
dicit benejicía fl dediffe; petit, e perde lê nos Epigramas de We111:
.
Ílle Deo flmilis , quí dat ben~ munerâ ltetus:
Qfti repe~it f renus. f ren.oris ojficio efl.
Muy recomendada fe acha ii~s Divf. . bens, güé d~lÍá refüitã6 1 fe efcreverli-
nas letras a_beneficencia para com os · no cap. 11 , & 22. ver.fa 9. e 24. do~
pobres, no Exod. cap. 13. verf I. no Pro·verbios; êuja materia 11eGeffita de
Livitico. cap. 19. 7JJerf. io. por Saõ penna 1nais· dóuta 1 e tlfais v erfàda .
Mattheus no cap. ·1 o. 19• 21. & .p; por nas Divinas Eforipturas. Mtüto fe ve.:i
Saõ Luaas no cap. 18. e_.nàó ,,fó para rá nos difcui·fos deftas rtoifas li~oens'1
com os pobres,mastambem pata com €fique já daqui adve1-tido; que Jnaó
os inimigos , como fe lê rtó , Gap.. 21. terá virtudes pei'feitas, o que nao for
& 25. dos Pr_overbios, e pa1·a coin to- pel'feito 11efta Virtude; como enfinct
dos em Saõ. MatthetJi ~ap, · 5; e os Wem nas fl.ias Poefias :

~ij
' (

GUERREIRO, ESCOLA MORAL,. &e.


100
..
' Eft cf:;aritas perfe5tt;ts Ja1n~r, P,e~;fêftaque i·i1'tu~, . .-
·- . pua (zne · pe!fetium ·nil reperwi '. jJoqfo. · · . 'J . ,
'Tbrnando pois .: à ,..,berieficencia dos. ~ue a p_rimei:rn leyid·a vérdád~ira ami-
nrn1c;:0s , ínateria principal da Hçaó fade, ·corno diz Tt~llió. , h~ nao q uere1{
prcfünte. . . · .. · - · . · _· do .árn:,igo fe ~ª~- o l~~i~o, e _honefl:?. :.
Com todos fe deve ufar·.de benefi- Prima lex am:wtiie jctiltur ,, ut non ni""'
cencia , mas efpecialmente com, osi ji honefta 'Pro a11iiiis fà áiánz'u.s ,-, & p~-­
amigos, co_rn.ó po principio fi?a .·:pon~ tam"!s~ Amifa~de ,.quei·p,elié} ?' que-·-11~ó
derado ? n1as ie deve advertir, .que he JUftC?, nao he_, ç9mo d1~ Catao,
nem todo o peneficio he berieficio, parGJ defeofor ,. mas· para raígar.
fe naõ he honefto. A beneficencia tal.:. · ·Boa Hçaõ de/'n égar deu Rutilio
vez he maleficencia, porque agradan- aos Juizes, e P~ricles. aos amigo~ : laf-
do ao an:ügo _; ólfende a miüfaüe, e a "t!mofo fecnlo, en1qi1e fé 11aõ 'àve1t_jgt1à
frq~ p~0r , .que inimifade. 1Eftr.eitos fe he jqfto parâ fa . é0nced'ei· d q_i:1~
· amigos eraõ -Rutilio, e Efcauro, po- fe pede, oü ice_riaÕ-h€ jiU:t-t:Q pà.iia fo.' Rê~
. rém illttilio haverido-lhe pedido Ef- gar, e fó fo attende }_ depend~ncia d,,e
cauro huma cou a iüjilfta, fo efcufoli :· qnt;m pede·, eftandó!. a juftiça do que
turbou-fe Efca;uro a ouvir a repulfa · fo pede~ na balap.~á da depepdencia:
dizendo : De que me farve tua ami- .laftimofo, fec~üo, em que naó ha nos
fade, .fe naõ· te devo ' efle !Jeneficio ?'.E J~izes, e a·p:ti;go's :refol11çaó' pa'ra'.' dizer
Rptilio refpondeo : ·D.e qué ' 1fle fer.:.. ht1m naó~ p~Uõ , aquer.n pede o que
V? tt~çi amifa.d?;·,, fe .. por. ti bei-de obri- naó dev,:<i:,,fe .he ·m·edianeiro o i~1-t'eí~ef-­
ga,r~pe,. a fa';,ei oMlja-s injuftds ? e aqui fe , ·çú o 1;e~~p·e ito.ri: 1 lafiimofo 'fücMo>,
aêçib_<µ\Là àmifad.e , rmilpeo. o-amor .o" 9utrá vez· •digo., ;eü11 ~ q['tlfe .d;s Juírzes;
arGo· ~ -- ê :apagou a .têa. Qne nú~i[ os emTligos . fena õ ~ n_inwõ· a, di<z€f'(hu~
Efc<nn·ós~' tém . hojê o ··m'undo -,. ·que -naõ poffo.., a quem ~ í.1e ·o qtt€::nn0 lie
~1efçarada1nente· pedém fom pejo cou;-; jufto todas as vreze's , -que ~ .p·et·f\aã
1
&ts.-~ü1juft:!J:S. r 1VJas' ú],U~ !p01.1COS'. Rúti-.. vem1a:p:.üdrinha'dru ·tia; ÇOill.Vétilé'ileiá' :1
lios, qüe ,,1r~folut-ame.nte ' _ recufení~ laft~r;noii:Y · fücu~ o-,: tcrrno a · élÍ'.3ét·,- éil1
~brallas. _ Na<l) :rnenos,galante foi a rJ~'... que o's.juizes", e-amigos por"f,e 1füô
:p.o;fta .. dE'. Pei:ieles , mas- menos- galán'"' an1marem a perder hu~n falfo· ·áljri-igó,
"t0Jct<é_onclqfaó-.· Oufou rogar'-füe hum oui11jnlfto1protéétor;fea:trevem·. a Gór~
ê:1<l,~1ig;,e ,pelo-. fanto vinculo da amifade tar pela;s ..leys hmnanas ,. e ·atmcta~ pefast
juraffe falfoi .em feu abono, e 1•efpori- Divinas,! fém· U:pej.t!>.~, .de -01_.Ü~f1 h'e àd'"·
deo ·, que os amigos . até às altares : çaó efta a que fe naó atreverap dqus
he verdade ·, q1ie qttei:b -que fejárnós · Gen~ios· ', füm mais fé' ;f~m mais ley,
·amigos cité os altares , .é\ naéf mais -~ q~1e aqb1eAhes dit~va o lume natural:
fentença , que Plutarcho proferia · laílimofo feculo , finalmente digo, em
!llt\1Ít$s;·Vi~~es":: ..Amiâs Ui?ndurn efl uf c;iiie ós .Juizes; e'amrtgbs pü'f' nirõ ·pei~
qfl,e a.d-:. {1ra~( . Coft~mí~va.õ todos derem conveni'eneia61re~1po1"[fi"s·,fe ex...:
gç.;iueU~s:; .-qn~.!]ltl'..avao;: folc;mnen~1ente pô~m a .perder,, as.: etenias. >(() .q:iHr ft~
.P,Ql! ! a5',mâ,0ss1 f0bre .o altm;; ~·. e por iífo amigo;qiafrdeve ped~1~ 0 q111e iq,àó\ ha~~
fo~1. ü1~á~ ; 1}t~11Jor,avet .a' füa rep'ofta~,, .via fa~er. nenr neg-ar p que" já(dte~
que a dç: "Rutilio.·, mas naõ romJP.eO: go(r a pedir , corno d~z1 Sine-cai-.:..Wihii
ll!>g-0 co1119~R· utilio a:v;ergonh? a ~lÍÜ'-' ,'petas ç q.a.,p'd ·negat'it'ffifü es· ; e I'l;G'3~l?M'-)
fade . .Na1Q:h\t y~rcladeiro v:iücnl() dá v.e1:bi9s- nffií'ma ~1qu~- ke i1100111.pativeD
arnifa~Le .f'O.,que enlaç.a1 htím falfo ami:.:. fer honrad0, e'fer1~mig0 ;o-<!J_'Cte ·ped~•
1

' go. : fali ó amigo he ague.Li.e,. que pe:.· coufa i11jufta, e.qüe ··ie neg:a a frníéf:, ,
de ·p or b2nefi.c~o hum facrilegio, por.l mo:".Anligo, q_ue pede .confa injnfta:
·. \. - "',.,· · nao

. . .-. .
/
,--.
. . }\

PALESTRA L LÍÇAM XÍX. DA llÉ~TEFICENCIÀ; .1:io'1


n·aõ he amigo , porque o verdadeiro poder a dcdgraça, que l1 hlini., e OLP
anügo deve . amay o amtgo · conw a. ~rq ..Pódé ac:optec~r. l Saõ mais con-'
fr mefmo ,. e nao mna qffüü , que1'Il:' tingentas as defgraças ; que-. as ditas r
Rede 0 que . eriaontra· a eonfciencia ~~ l.<Dgo·-a pnimei~ra ley da bei1efieeticta he>
on·Dboni nom~ de amigo:·Qüe mayo1•· fazer, ao· amigo aqulllo , que q Lü,ze-1•a ,;
inimigo pôde ha,ver , que aqnelle· ,, qHe elle lhe fiZeffe eiüfüas necefüda,..,
que faz, que à peffoa a quem· abor1;e- des· , pórqúe·· as· ácço"ens dôs amigos~ 1

ce,falte a. Deosr, ep~rca a:honra,bemr deweiiol fer fünilhantes.ern o-s e:fFeif<JJs ;


mais ineftimave~ defte mundo? . . q;1.:ianto nHtis /:cil~e .da h~tiefic_encia ;·.
Da:beneficencna fe deduzem varias. qn~ com -~Ues llÍam9s·,_·ie. nao fegue .
Jeys da a-mífade, ,,- · porque Ju ppofto1 diminl1iÇao das·i'iqueilãs, qüe·em.a ne-,
que €Hllnor he o tHüco íhito· da a,mr-' eeffidade1· cl©" amigo fe· ·difpendem · ,,
fade :, co~ntud o ainda ·ql1e ·à anü1atle; antes fi.ngulat augm.ento::com c:J.ue 1é'ôi1D ·
n~ó· Te fegue · ~tilidade ;, a uti1idacfo· felicidade .fo ·p.erpetúaó;; ,de qtíé .foõ1_,., -
fegL1e à amifade; Elegei- ' h.mn. amigo· t efhunmiha? quotidiana~ expêtietk .1 .
ne.ceffitado, 11a-ê ·he prQ>ptio, da amifa'"'· ci-as ~ das-cqnai'~. formo:u ai•g:rünent® Jci"':
de de igualQ:a:de ; ~1ás fe a n€céilldir- qÕ'. de vV e.m·· pàréi' ·:i,·epetir emí -va~J 'º
d@fobrevêln· à ;ã,m.ifade, hm1íl~·.wm· cm-·· dos Epigtainas ,, <WPIOí aiqtfü apont~ - ·
tro eftâ .obJtigado
.
,... ... a remediát'g_uanto~
... . .
mbs ~ . · · ·,
....
•.} - r\ , ,.. , .; '* ( '
"
... ~ • ' ,. -

· · ~· f!.Jti .bene-,divitias 1.nvp~ dôn.àhiih dimfro,


~ J-Jic oinni.f eíix temporB' ~ diiJes e:r.it,1· ,
•1 · ,

,· . QJ-as, -inópi, W"'·di:tki ltetitt.t dó1iabi s ámiéo ,_.. .


'.. . ._ Femporiliuscnulfü ~ eripi&'/JtU"R • opes. · · · .r(-: J
, ,Munera ·, jiug'11'7fltis dedrris,,i ftr ltet'us) amífd.S ;·1 n· !. '1
·:-- , . _-Totlit &úvitias; bas• viibi -'/íJulht. düf/ ; '"
~·~' ... ',. ·, " :11:... r.1· ••
.. . t: ,, ,..
QJmpetador Galb.a. d:a1tdr©~ .àf veftiidlli--'f ê'.pofr-a em éxeéuçaó poi1aqüelJe,fiMifi-i
1:t, dó . Impetio' ao·ardoptado Pifaó ~- eebo ·' de:·q\uem fe efcrevé na ~ 2. par 4 i
recopiloti todas as 1·egras d.e it<Jy.:nat1 te. dQ J!)a7JJ:id' , Perfeg'uicl~-. cap.' 7. qn~
bem nefta fo :.Sê tu tal Principe , qual i!tp.0atandcr em ~ erta 'Cidact&· do..'.011J.en...:
quizeras, que f~Ue outro Príncipe pa- ~é , contta~üo t ei· ag'lifade coni hrn.n ·
ra comtigo. Regras ; (fbte 0bfe.1;v;a:ó bem~ 1 6'entio ~ ;'·· qu-e 1·ecol'l:i'l.endo~fe ô mati-
os Reys Perfas, de q uent ~fo1,~v~. Ale:,, ·cetn ~àJ.'a\ri~fhrn__tet:i.'~t , e naó podendo
xanclre liber. 4. eap. 2 3. que 110 prin_, b Gentio fofret as faudádes, que lhe
cipio .de fons i"eynados fití'Jiél'Õ ·aquel"' G-aufilvace1fu.a: ànfenóiá; fe' i•efolV~t>- a.
las mercês , e graças aos,.;potvos:; qtv~: ' <irrtbatcat~·fé c:om as tmrnéfas tiq l!.l~Z!1s,. ·
defejavaó, q11e 0s póvosfthes1pZ.effent <J.Ue p~::r!farn. ; h vk Vi vet co_m o_ ~·111ü"".
Talhe. eíl:a l~y da bene;fic.enc)à,-·co_mo go), .e ó'poz: .em effeitio.,co:-n ta01 a.d-"'
a Olltr:ai dá b~ne~ôlertêia., a1~1ibfil1s • füü"' verfo fu:cceífo da for'tütla ,. qu~· _1V~tfo.,
·dadas em equidade commntativa, fent. ~endo la.fhri1ofo. .fiaiü:fi~giq , iiàú .ti-'
mais; differet1ç~ , qit'le ' eft·a: q'.l1fil· Jaz.e ~{ vrou mais, que a Vida t e d1ega11Jo~ a:
\'l~;n, ,. e·aqueHa 10rfaz,;· p01~érn·· tamõem.t1 ptefença do amigo em ü1õ mifernvel
eftai'. .lêy.; fe dev:e in:te1•ptetaiY ~om.d: eftado ; qcte ·n?in '1'áiridc .tjrr1rv ·o0-r1i
~: ót1tr·a, _ qu~ ~~-n~oipro~aÇ.aó feja ·de qü,eencurb1·fr a defnctdez.·com qüe{nnf-
virtt~ofo a vir~uõfo, de for~e:; ·qa.e.r fi cera , êxpe ~i~TJ.en}ofi filJ.~l:l ~~ hu1~~ :~?r­
façao pelo amigo aqnelles beneficms, l'efpondencrn tao fina' dê1 vet<latleu-<:t,
que quizei'a ', ·qüeo(aniíg_c;p_fizefferh0l àmifade ;_ que· tepartitr: .fatg:amenté
nefünnen te ,pm:!eHe. .. ; ;r. ;. "::· com elle .da fazen dá q 1_\e poffü1~ ; a o
· Muy bein ·p ntticádá foi efta ley cafou com 1uúüá' ft1a. .pan~rita , _énrn.
, ·. - .~ '.' · queni
102 GUERREIRO; ESCOLA MORAL, &e.
quem viveo latgamente com muita fe'"' quando em· os peitos das máys na-ô
licidade, para -teftemunho de ql1e a, achaó leite , as mordem , e maltra""
·ventura de fe achar· hum verdadeiro taó como e:íl:ranhos; dos mullos ef-
amigo ,con.trafta., e vence as mayores crevem os mefmos ; que tanto que
qefgraças ., e exe111plo ràro aó mun- fo'f~tisfaze111 aos peitos das mãys_, lh,e3
do d~ huma verdadeira amifade. Oh daõ conces; elenios ifto em bs livros;
fe as am)fatj-es ; 'que hóje .fe ufaó 1 fo.., e nos pal'ece ma~ ~ taõ preVerfa incli-
raó com tanta fineza! Mas .tódos ho.:. naçaó; e na6 nos afü•o11tart1os de ·imi-
je faó aínigos ·dubrados , que f6 fo tallos em noífas intereífadas amifades-
fozem amigos ao tempo daa)jundan"" ou· aos perros; qüe em tanto andaó.
eia, em chegando asdefgraçasfaõ trai-- com oífo, em quanto· fentém que lhe
dores ; e agora fe entende o quanto tirar ; fendo :tais comq as beHas :, e
certa feja a fentença de. Plutarcho; conchas do'mar, que com a Lua che-
que diz., que na fortuna ·contraria fe... ya crefcem , e com a minguante ·min--.
1

conhece quam · poltcos fejaó os ami... gúaó, como efcreve Geminiano tib. 5~
1

gos·: verdadeiros; .Adverfa fortuna de- ou como asArtd<::>rirthas;dequem con-


dara~ '· quàm . multos habeas amicos ; · ta Elia'l'lo lib. r. .(te ànimal. cap. 5: qlte
porque affiJ!l como q, profportdade, notetnpo a!egre do Veraó nos vifi~
diz o mef~o, he o1man ma-~s attraB;i- ta6 já .pelas portas , já pel~s janellas
vo para a3untallos, affim o mfortumo cantando, ~ alegrando-fe todas , mas
he a pedra de cevár mals fiel em dif.,: ~ln affoúúmdo ·o teinpo frio do Inver..
tinguillos: Secund.e res pa,.;ant·, adver_- no, nosdeixafr ás boas noites, ou para
f 12 próbant ; fendo fó verdadeiro ami.. melhor dizet , aos màos dias ~ ou fi~
go o que ,igualmente acompanha na nalmente às .Hienas , e Lebres , - de
defgraça, e na fortuna ; e he muito ·quem conta o mefo10, qüe hum an-
para ferttir , diz Plutarcho:,' os ami- · no .fáó , macl?-ds ; outros femeas. Lá
gos fingidos , quando delles como diífe Ovidio , que em qttanto fo-
verdadeiros neceffitamos : Grave efl práífe o vento em poupa, contaria-
tunç ftnitiri ·qui non funt amici ; quan~ mos muitos, e que em fo nublando
do amicis" ojJ.tts efl Dos cachorrinhos o Céo, nos acharia. .mos fós ; ""
das Rapofas dizem os natutais, que ·/

-'! , Dum fúer:is fellx , multas n:um~rabú .amtcós :


·. b ( Tempor a·ji .fuerint nubita , .folus· dris.
1 '

Porque tais nmigos faó como a fom.:.- La que àntes te fuê í1gttiertdd.
bra, que em tempo nublado Je naó Mientras ilue;es tu fotttma ,
divifa ., e eftes em o nublado infortu""' Te i1gue el amigo" .atento,
nio fe naõ conhecem, come explicott , · Que folo·.es tu fombra; quahdó
D. Erancifco de la Torre no Epigrama .- Brilla el Sol, y alegr~ el Cielo. ·
95 . .do.1ib. 3. de 'Wem nos conceitos. J f;

f eguintes .: . ,. r '.E accref~en~arido ·humá copià ; pãtto


• J de feu agndo·,, e proprio difcurfo; faz
En .tanto, que el So1 alumóra allufivo O'l'etrato de· fombrà a' con--
Al Orbe obfouro; es deLeuerpo veriiencia deftes amigos ~ como nella
La fombra unido individno ; fe nota: .
. ,Y confiante compafiero.
Mas luego que em negras .nubes Sombra de mnigo fe 11dnbra;
.· Se empana el ayre fereno; , Y en eífo ni.ifmo reparo ,
Al punto te vá dexal}do · Que eftar del oti:o ~Jainpa1~
Se llania·eftar a la fomb1·a. ·lleni
. PALESTRÁ1. LIÇAM XIX.- bABENEFíCENCIÂ, . Íoj
Bem o experime.ntou aquelle Caval"" ,,tempo de bonança faó fó amigós. De
leiro, de quem ie efcreve no dito cap. fotte , que de quem.. nienos penfou
7. de David Perfeguido , que por fe1• efte Cavalleiro , fe ~chou remediàdo J
abaft ado de bens; maneava as rendas e focorrido, Oh éómo tmtaó diria
Reaes, e era dono do thefouro, o qual .com Cícero , qne o amigo éerto fé
tinha ü'es an'.!igos, entre os qüais dous ... conhece na fortu11à incertà ; Am1éit1
delles tiilhaó o melhot lugar na fua certus in re incerta . ternitur ! Cüidado
benevolecia,e beneficécia, có os quais pois em bufcar amigos. Eraõ ~lo uel­
dífpédia cõ mais larga·maó os feus af.. : les dons como huni, que naõ fabfa a~
fe.-stos,e afua fazenda: fnccedeo logo, partat-fe.da cafa dehmh rico oom cor""'
que tomando-lhe contas; ficoli alçan- deal _amifade; ao qual diífe ."'fuvenal :
çado em ta nanha foma de dinheito ; Sabeis o que Je penfa dejla vojfa af-
qne naó chegavà a fatisfazelio toda feiçaõ ; que moftraiS à cafa ; qité vos
a fazenda , que poffuia ~ e lembran... naõ traz a ella o dono, flnaõ o tifrio dé
do-fe nefte apet•to dos dous amigás·, fua êhaminé: querendo dlzet; qüe naó
e bnfcarido o que tinha o ·primeiro ei-a àniifade, ienaõ fóme, pdn~ . haviá
lugat no feu atfeéto ; € o tivera na boa panella, de qüe as vezes lhe ca-
fua fazenda, lhe fignificou o aperto ·bia parte ; e tais amifades, e v ifitas
em que efiava, e a ileceffidade, que pouco niais fe 4evem eíl::imlll" ; que
1

tinha do feu agradecimento; mas eíl:e a impor~unidade das mofoas ; que


lhe re!pondeo, que tinha cafa, e fi,.. acódé à.mefa; havia d_, haver a vei1ta--
lhos a que acudir, e que o naó po- · dor pata enxotallas : mais mofcas. fe
dia ajudar; erecorre11do ao fegundo, achaó em as' cofinhas ~ que em ou--
experimentou a mefma correfp011den- tros ll!gares; e poucas Graças; que
eia : triíl:e ,. e defconfolado , fe foi acudao ·ao cheiro cta:corhida. o 111ef'..
por ultima appellaçaó ao tei-ceiro , mo !ioracio diffe nà fattjra !f, que à
ql1e menos amara , e com q nem me- -amifade. he humà Nirhpha, à que cha-
nos difpendera, e deftg, de q ueni tné- maó Graça; e a 1'azaó deve fo1· ,. por--
nos fiava pelo pouco, gue lhe havia que fe 'a amifade naó he graciofa ,naó
merecido, achou generofo remedio a .he de eftima , e para ·moftrar quam
Jua neceffidade, de que agi"adecido , ' fem refpeito, ou intereífe deve proce-
.defpeàou lagrimas o gofto a vifta da cler, a pinta liua tib. + Ode 7. ErGJ. eíl:e
bizm·1·ia , e entre fufpitos começou -terc·eil'b amigo fimilliãnte à cal viva,
.a chorar feu pairado engano dizeildo : a qual · çbmpa1~a Ger~1iniano à verda-
,,Ay de mim, q enganado vivi quan- deita a1nifade ~ - porque affi111 como
,,dotive comqüe obrar; que váoJahio ·a càl viva com o' azeite fe focega, e_
,,ineu affe& o em toniar .tais amigos··; fe am:anfa 1 e cdm a agua fe aviva, e
,,que pouco difcorria ém .naó eftimàr ferve, affitn o verdadeiro amigo com
,,eH:e , que o merecia; áos falfos dei o azeite . da bonança, e p1·ofperidade
,,mi!lha fazenda , e ao amigo v~rda~ do ami_go fo focega , com ag~a d~ tri-
;,deu·o a penas fiz hum favor eíl:e fo bulacao, e trabalho forve. Na tnbu--
,,he amigo , que na neceffidade naó -IaçaÕ, e trabalho fe c_onhece o Ve1;i..
,,falta, aquelles faó traidotes, que em dadeito amigo diife Wem; ·

Rebz,ts in adverjis patientfa verti probatuf ;


Rebus in adverjis vera probanda fides.

"E dá a razaó em outrô Epigrama/naõ riquezás, rtaõ faó no:ffos '1mig9s', mas
meno,s elegante ,'dizendo , que : os amigos do noffo ;
amigos, que nos acompanhaó ió nas
C-UERRE!llô ; ESCOLA. :M:ORAL ~ &e
·. [htem t1.bi ·dívitite. pepa~e?"~ 7 ·ef! falflJ,g amicusy_, _
. Argcntum , non te drligzt , ille tuum:
ff!,venies muitos , ji ·tibi 'ftoret\- amicos ;
. Si fúeris paup.er, nulhts aniictts erit;
Pi. .hágo1•as , «~.~tê· ~ gi•ande Gr~da eit• L. I Ç A M·. XX.
fin01~ as leys·da amifade; poz por ley ;
_aue entre os amigos todos os bens . Do :Agradedmento.
-. foífem cómnilins: qnetia defh~rrar efte s·
".. E ã<9 beneficio fe deve fegufr o
_Philofopho da anüfade aquelles dous agradecimento, jufto he , que
. demoniôs dá difcor dia meu, e.teu,) e . fe na paífada liça ó a demos aos
- - por Íffà-fez CÓITilté!S todas as pl'oprie-" 1 - Õeneficientes ,nefta ~demos âOS
dacles dàs âínigos; as ·profiçoens, o .agi'adeeidos , fem a eenfm·a de qlie
d ·nhei ro , as cafas; os veftidos , e àin- :cleixamos o fio . da ina teria j .q ue ti..:
da as .mulheres ·: mais iftb era exdüir' h.hamos entre mãos, para·paffat a tra-
hum demonio c{)m outro pê01\ Efta -~ar differente; porque fendo-o bene:.
ley era em pal'te inhonefta, e €rti par_, . ~cio pay do· agradecimei1to , como
te inciv;il : hortefta, em qnan~o fa- diífe, o Se~1eca , e '0 pay. , e o filh.o ,
zia c9mnli1~s ãqueilas coufas , que na cenfura dos Jurifta~, huína mefmâ
_horteftmnente o naõ podem fer. Naó' .co.ufa; naõ póde · fer rn.uy d~fferente
o
.dar. Q que redeve' e dar _que naõ he a mnteria' ql:lando nrtó po:ffa1fer ideú-
licitõ, he· igual, crime na amifade ; a tica. He o agta-decimento ·hnma vii'-
Vcrdad~irâ amifade faz tudo cómum tude; qt1e dá , _e rende as graças. a.os
/ .e1 tre os a_mi:gos defta maneira, que bemfeitores,; tçmforme Santo Thomaz
hum' e ou.tro foja d9no de fet1s bet1.s l. ·2. quteflj 106. artic. I. 11 inais lou-
proprios ; mas que hu-ni ,-e outro efte- vavel _de todas' as virtudes, -a mais
, ja ob1~igado a commuI].icar ao oütro· ~gi[adavel a J?eos , e aos ho1hens, a
em q ocGafiaõ tµdo aq~üllà, ·que re- mais bem denomin.ada, corno diz .'Ju-
quere o ,amor' i·eoiproco , .raciDnal, ,bel, lib. 7: cap. r. a mny or de todas as
.e honefto ; e affim hu~1 naõ defpoja y~rtudes, a máy d~ toclas; como diz
.a outr'o, e ambos gozao 0$ bens: hmn Çicero , na Oraçao pro. Cmo Piam.o ;
do outro : ambos ._ eftaó prezas; am- humà graça prenhada lhe ch,am·a Ptau-
bos ,eíl:a.õ livres. Qüem totalmente fo .to in Capti. porque dá cle: pl~efente ,
defpoja do que he-.feu., já naõ póde 'e promete de futuro. ". _ .· · ,
fazet \Jeneficlo.- Quem confome· oca- · De tnllita, .e de nenhuma memo-
.bedal .~ ~e priva de enipregallo, ,Aca--- 1·ia .fe aâornaó ·os brazoens da.verda-
bada a 'beneficeneia, eitá acabada a <leira bepeficençia, po-rque de muita
amifade ·; e daqui nafce dizerem ·os neceffita hum animo g;enerofo ·para
.Ju~·iftas , que as _doaçoens mlivérfais .fer -agradecido, e ~e nenhüma o que
.fao nullas, porque privaõ .de. todos applica ·o beneficio ;· como diz Sene-
cs bens, ~ repugnaó aos bons co.ftu- .ca• : 4lter ftatim oblh,'~J cj debet . dati,
111es. Qua~s benefidos .faça. hum ·arni- /tlter accepti numquâm. Na:õ póde fer
go a oütro ,·amigo quando a amifade muito agradecido o que nàõ for mui-
I:ie perfeita ,fe ppde.obfervar pela idêa to lembrado; 11em póde haver animo
de muitos cçlebres exemplares., -g enerofamente agra~ecido ;· qüe naó
for valentemente memodofo. AJem-
- · brança dc;rb~neficio he-a p1:imeir}l:re-
gra do agrndeci111ento , qiz_ Çaf· in .
:_ Parte 5. e Seneca no Hv . . dos Benejc.
" Que1µ
PALESTRAI LIÇAM XX. DO AGRADECI1\1ENTO. 105
Quem agradece os benefícios , fazi fo fatisfaz a fon~e- com fo. as, meno~
1

merecimento para".receber .mayores; com palavras. Verdade he., qüe naó


porq ue affim como he o penhor mais .menos .com obras, que com palavras,
frguro , e a prenda mais certa para fe deve .moftrar o agra~ecimcnto ,
conti;1uaUos hum animo _generofo, o come;:> nos ·eníina S. Joaó na fua pri-
haveUos começado , affim tambem he · meira Epiftola. De mãos , e de l,Ín-
o rneyo niais ·effieaz para qüe ao pri- gua , diz Ckero , neçefll.~ a o agrade-
neiro íe figa ó muitos a hum animo · c~do : d_eft_a para pregoar o f eu agra-
neceffitado, o haveUo~ agra.decido. O decimento, e daquell31s para defernpe-
quê tecehe o beneficio~ eicreve Se- . nbar a fua obrigaçao. Conta Hen.J:"i-
rieca v:enqo a libe1•dade : Beneficium q-qe Eftéphano , qüe tinhaó por cof-
accipere , vendere' libertateni efl. .Càti- tume os Gentios ~m os facrificios ,
vo eftá em quanto o naõ remunéra; . que fazíaó-, t.1rar prüneiro a lingua ao
prezo eftá- ~m quanto o naõ agrade- animal, que haviaó 0fferecer, e 'd.al-
ce. Naó he homem livre o que vive l.a ao pregoeito do .Povo ; e diz Vei~
obrigado : a tres h:mans chamaraó ga , que o intento defta ceremonia
Graças os. Gentios Gregos ,,como ~f- foi • porque como a pertertçaõ. dos
creve o Poéta Hefi_odo ,, e pinta.yaõ- facrificios e1:a alcançar algum benefi-
nas olhando humas para as oi1tras, cio, que fe pedia a Deos, promet-
qadas as má os , e fem pre 11\0çns, por- ~~aó dar-lhe graças com ·Obras , e com
que huma começa fazendo obras , que palavras, e como dando de çintemaô
merecem recompenfa;afegnnda agra- o fim!l ao pregoeiro, fi_gnificando, q
decida dos beneficios a ferve, ~offere- lhe ficava a lingua , in1trumento das
~e joyas, e daqui refulta a terceira, palavras, com que feriaó pregoeiros
que tem tudo, a qual recompenfan- das mercês, que de Deps recebeffem,
do com dadivas, mei-eçe po1: feu qgra- e.que as fuas lingoas feriae lingoas de
decimento novo retorno, e fica.ó en- pregoeiros _para annunciarem, ·pu.bli-
tre fi obrigadas, dadas as _máos pelo carem , e celebrarem os benefidos
que com ellas daõ ~ e fempre pf:iç;io- que recebeifei;n. ·As ,obras , e palavras
neiràs hu.mas das outras ; e a venta- do ag1:adecido , quando naó excedaó
gem que tem, he fer cortez o car.:. o valor do beneficio_, deve ao me-
cerciro , e tambe~n prizioueiro d~s nos i.gualçilló ,_porque naó fe livra de
. mefmas, q~1e tem prezas. · 1. · toda a obr1gaçaõ quem na6 fatisfaz
O agradectmento naõ ha de coH.fif- toda a divid& , como eníina~ o direito.
tir fó . em palavras, moeda_com que Subftituem as palavras às obras,
muitos pagaó, e poucos fe daó por .quando ~- impoffi.bilidade de que1p re-
fatisfeitos. Defde o tempo dos Gre- ce~e o beneficio, o naõ póde ig:n:il-
gos fe ha paífado aos Latinos h!1m mente fatisfazer com óbras, e com
adagio, que diz, que quem. tem _ne- palavras; e a efte propofjto diz Sene-
ceffidade de allumiar-fe, deite azeite. ca elegantemente no liv. 4. ' dos Benef.
na alampada , qüe naó bafta atiçalla cap. 2 I. que affi.m como naõ deixa de
com palavtt;ls, mas he 11eceffario que · fer oficial em a fu:a, arte , o que _por
fe ceve com azeite. Com boas obras , f<illta de iníl:rumentos naõ fe exercita
c.beneficios fe fuftenta a_amifade; fal- nella, nem defiro o mufico, quando
tando ' morrerá como a almúpaçla algum ruido _de fóra o impede fer ·ou,-
fem azeite.. Sem obras he como véla vido ; da mefü1a maneira na.ó dei.xa
acceza encnberta , que luz para fi., fem dé fer agradecido o que tem vontade
aproveitar a outrem. O mundo chama de fello ,, fuppofto que ao impoffibili-
às péJ.lavras folhas, contrapondo-as às tadq falt em obras ; e por iífo em ou-
obras , que faó o fr~ü_o ; e com~ naó tro 1ug;ar d~ mefmo livro d~ife, gne
.o .fa..
Joó GURR RETRO, ESCOLA MORAL, &e.
fat isfazia com 9 beneficio queq.1 com peitos nobres, e?~º ~podem teft~­
von .ade de o fazer , fez dillgencia mnnhar os que ae 1lluiucs fc aned1-
pHra execut ar : Qyi omnia fecit, ttt taó, e nós o abonamos com Ovi d10
beneficium redder et , reddidit , p orque que nas fuas Elegias diz eftes verfos:
~ boa vontade he tarnbem aceita em
/ ·

Ut dejint 'Vires , tamen eft laudanda volttntas:


Hac ego contentos auguror e_O'e Deós. ' ·

·Bem ·póde ·ac0i1tecer, que feja ingra- tisfaz com tudo quanto pôde, defo-
to o que com obras correfponde ao briga-fe de t udo_quanto deve, ni oe-
benefido recebiélo; ·e pelo çont1~ari0- da com que pagou o Sabio Diógenes.
far agradecido" o que falta nellas , a [eu ·amigo Diótimo, fegundo refe-
qaando a falra naó he-nafcida da von- re Eliano ,qum:}do naótendo com que
tàde · ~ mas da: impoffibilidade. tulpa fatisfazer hum pouco de dinheiro qHe
he da fortuna, que deu poucas forças lhe_devia ~- diífe : .os Deofet te? dem .tan-
ab que defeja, •e naõ póde r~compen- to , quanto defejas , e eu te qutZera ·
fa1: '.·as dividns. O beneficio recebe o· p-ar em agradecimento defte beneficio ;
valbr , ~ eftimaçaó da vontade- com- porq ué ainda q v1e diga Seneca, que o·
_ qt-ie fe o ora ;·. fe he parto de huma beBefi.cio fe deve pagar com ig:nal
gránde V{mtad~; ainda que feja muy correfpondencia: Eâdem menfur-a red-
peqnen0 no val0r, devE'. _fer gr~nde dere debeJ , qua accepifti , com tudo ,
Iía eftimaçaõ. Da mefma forte o agra- quai:ido efta.por impoffibilidade fe im-
decimento recebe da vóntade .·com ! pede' fe cfeve aceitai' o , defejo · com
qne .fe.executa-, a eftirnàçaõ com que que fe, figtüfica, como refere -o mef-
fe reêeb~; fe he' nafoido de hum a von- mo : Cui gratia non poteft ·referri
tad<e , agigantadamente agradedda , quanta debetu,r , habend~ tamen efl
ainda que fe ja limitado no effeitô, he pro animi viribus quantarn effer,ye vo-
muy grnndiofo 'na caufa ; e quem fa- tumits.
', V

.; · E xiguurn munus, cz)m tibi pauper amzcus,


Accipit~ .placide & plene laudare me~ento. ·

Os animas · , ··auanto mais cortezes , gÚil: inayor~s ventagen:S 'de máof dos
e bem nafcidc:~, tanto dev,em fer inais Principes, que mais· qüe todos_ acháó.
ag1:adeéfdos , 'porque como efcreve 1henos a defattencaõ a fous benefi.cios."
Seríeca, tanto hê mais agrad.ecidti, e A todos os bei:r;feitores fo devem
fectínda ·a terra cultivada, quanto faõ agradecidas memorias , mas aos So:. .,
mais gratos aos beneficias os homens. beranos mais; já porqlie faõ mais ex-
urbanos. Naó ha que efperar·dos area- cellentes feus favores , já porq~1e faó
is groffoiros grandes frutos, nem que os efquecini~ntos defprezos, e cafti-
falte primorofa ooiTefpondécia a ter- gar4_ c01n mais pefada maõ os defai-
1:a bem cultivada ,\nem aos cortezãos res, quem a teve pa~·a favorecer mais .
agradecimento? a' falta de poder em poderofa ; já porque o· dfüedal aos
as lembra-ncas;
, Ruftico faz' ao hom em Principes tem ínayor esfera para re-
o defatténto ao feu bernfeitór. e cor- petir benefi.cios , e naõ ha' violencfa
tez o memoriofo em ma teria ·de be- ma1~ activa para negociar novos fa-
, nefic10s. O con :efpondent e naõ fó ha- vores, que agradecer c9m o conhé.'..'
dc o~har coino prenda que o faz cor- cimento os recebidos, defcndividaiF
t~zao , ' mas como feguro de confe- do--fe com as memorias'
.. - ' e fazendo
· nova
PALESTRAI. LIÇAM XX. DO AGRADECIMENTO. 107
tt~va-cap;xcidade comhaver agradeci- agradecimento naó corrcfponde : Q]ti
do, para ter menos ben_eficios, que benificiu~n invenit, cirmpedes invmit.
agrade cer; porqi1eJ1e ·q agradecimen-. - _ He p1uy curiofa qneH:aó entre os
to hnm ninho , em que t orna a pôr Politicos, qual deve for mai s agrade-
fegundo ovo o que poz o primeiro, e cido, fe o que recebG: bcneficios dos
· faz n9vos benefi cios o qu,,e fente agra- ~migos , on fe o que os reçe~e dos
dccimento , e raftro dos paífactos , eftranhos ? Por efia parte efta, g_ue
;;orno fobre os PJalmos diz ·Veiga. nmto d,,eve fer mayor o àgradeciinen-
·N'em aDeos ,nem aos PriJ?..cJpe$, n~m . to Jl~rn.nt? he menos rnered~o o ~e­
ms Pavs, ,nem ao.s Meftr,es ·fe pode neflc10; ajuda tambe1i1 , que ie cre1ce
letribÚir com digno agi;adecimerito, · a eíl:imaçaó. · da: côui:as, que fom ef-
co~1~P enfj_na , Ariftotelfs lib. 8. .q .9. 1 perança, f~ coniegu~m '· ~eve, crefce. ·
Ji,tb1corum , pGrém o mefino affirma o agradecimento uas que fora â.ella
fer fuffiCiente, o que he poffivel. fe alc:mçaõ. O amigo em difpen-;
- No agradecimento naõ deve haver der ben,~ficios , fatisfaz com o que
vagares ' porque . eíl:es diminuem os, deve' porque naó forá amigo ' fe úaó
ºenéficios ., ~ criminaõ o agradeçi:. foi~ benefici~nte : mais- o cffranl10· em
~nento. Con;i a mefma preffit que fe repartillo.s c.oní-largueza., faz o que
g1efeja o b~npficio , fe ha de exec~t~i~ 1~aõ\ · h~ obrigado , :tJOrque fuppoíl:o
o. agradecimento : fuipeitas tem 1 ~~'( ' que o fazellos feja genei:ofidade, uaó
Vigi·ato, quen+ naó he logo agrad~ci;~ Çe co1p tudo obrigaçaõ :..cfte o.br.iga ~
~o , como diz Tacito . lib. r. Anrzal. dando de antemaó , e .aquelle defo-.
Conta Nicépboro lib. 12. cap. 42. que briga-fe; pagando o que já he de've-
v'endo Placida , mulher do Impera-;- dor. Quem paga o que deve naõ
aor Theodofio, os vagares com que · obriga; ma·s quem dá o qúe irnó deve ,
o mefmo agradecia a peos o benefr- fim ; e fendo o agrndccimento effeito
çio de o haver fubido 'ao.Impeplo, o da obrigacaó , naó ·eftá obrjgado ,
advertio, que naõ qüizeffe dilatar o quem riaõ "for devedor, a fer a.g1·âdc-
agradecimento, porque feria reputa-, cido. 1
·

d.? por ingrato. Dá '-du~s vezes, o que Pela outra fe confidera , que
da cedo; agradece duas vezes, o que entre a beneficencia amigavel , e
logo agradece. De Felippe Rey de a beneficencia liberal , ha eíl:a cj.if...:
Macedonia , chamado Hiparco , re- ferença , em que · naó fe dá nefta
· fere Seneéa de Ben°f lib'. 5 .· que mor- queixa de ' ingrato , . mas naqnclla
rendo-lhe hum grande amigo,moftrou fim ; porqüe a amifade' he eífenci-
grande fentimento , do qual o quiz almente reciproca , e a liberalidade
confo1ar hum privado fe.u, ·dizendo naó. O liberal faz beneficio · a hú eftra-
gu.e já nàó hia malogrado , por for nho, mas naõ deve. pedir a Tecompcn~
muy velho, a que refpondeo : Para fa : .o amigo faz .o beneficio CJ.O ami7
ji 11Z()rlieo a tempo, mas naõ para mim, . o·o , e a deve pedir .em a necefüd.ade : .\
o
porque -~ morte mo · tirou antes que po-- faz aggravo 210 amigo, que recorre'
d~(fe com obràs iguais moflrar-me og7a- a outro primeiro , que ~ elle ; .P Gl'-
decido a feus beneficias : parecendo- que a reciproca beneficencia he igual-
lhe que ficava em prizoen"i> por di- dade comrnutntiva da ::müfadc ; e
y~das, que j<l naõ podia pagar, nem fa- fend o màis devedor o amigo , que
h1r do carccrc cm q tinha prezo -a fua recebe do amigo , que o cfl:ranho ,
obrig.açéló, porque.como diz Seneca, qu e recebe do libernl ;deve fer mais
quem recebe beneficiJS, encontra pri- ªf}'ac.kcido o amigo, que o eilranho;
!-'Oens, que lhe c~tivaõ a liBcrdadc, porcí a medida da obrigaçaõ deve for
das quais fo naó iíenta, em quáto com o agradeciment o. De mais , que o 1ibe7
' O~j ra1
' . . - - -
'

to8 . . GUERREIRO, ESCOLA MORAL, &e.


beral dá por refpeito de fi, e o aúü- de menos ;do que a quem dá ma·i s; 'o·..
go p9r refpeito do amigo, e!nayor amigo dá tudo, porque fedá a fr mef..'
agradecimento fe deve a quem faz be- mo , como refere Wem , de certo·
neficios por i'eipei~os alheyos , do amigo , que naõ tendo, qúe dar, fo
qrn~ a quem os obra P?'I· refpeitos,p ro- ~ffere~eo ª~ fi mefmo; e 9-uem a fi mef7~
p1·ios. .Accr,efce mais , qu~ menor mo dçi., nao lhe,fica mais que dar:
agradecimento fedeve a quem difpen~
Expeftas Phitirdfle, tibi dum munepid 'liíittam ; - ''·· ·
·~ Nil! habeo, quod dem nunc tibi, p"fteter ego.
/) 1 - 'J l ló .. ! ~· ~

d liberal dá hmna pequena part~ de u-trou;xe fompre na memoria para lJ:io


feus bens, e lhe fica muito, mais ; e pagar, qualido para iifo'. t.iveífe 'poffi- ·
'àffim merece · mais agradeciinento l?ilidade ; e tanto que foi Rey ·, lhe
quem dá mais; mais merece o amigo, deu por ella huma J~ica, e ,populofa
' q~ie dá tudo, que o liberal ·, que dá Cidade; · De Romulo , ·e Remo fe lê
parte. em Plinio, e L'ivio, que em agrade-
A efta queft.a ó dera eu efta .re-. c~p1ento, , de os haver criado huma L9-
·pofta·, que hui1s, e _outros deyem fE'.r' Ha:,;lhe erigiraó :fi1i1ula'cro. 'A Anto:;.
agradecidos ; mas com eft.a differen~ ·~f? ~úfa de.te~·~1ünon o Pov? Roma.] .
ça, que o qne recebe do liberal, de- no lugar proxuno . a Efculapio, Deps ·
v~ ·agradecimentos por effeitos , . e o . da Medicina, por h~ver curado a Au-'
que recebe '. ~o amigo, deve effeitos gufto de huma perigofa énfermida-
por effeitos, porque neftes [e torna ~e: Em agr::_idecimento . da piedade ·,
em' juftiça a beneficencia. Grandes q ~eve com fi::La Máy Mario Cori}ia-
exemplares de agradecidos nos Qffe- no, diz Valeria lib. ,2. cap: 2. que por
reé~n1 . as Hiftorias, de que copiare- efpaç,o de d,ez mez~s chorara ó as ma-
mos b~·evemente alguns , para que o tronas Romanas a íua morte. ,As mef-
exemplo faça agradecidos, os que naõ mas honras , que os Gregos tinhaó
fizerem as rázoens, ~te ficaõ breve- determinado a Hetcules pelas efpan-
mente ponderadas. Eicreve Fulgofio, tofa.s maravi1has, que executou, con""
que houve na Afia hum Rey, chama- fagraraõ a 'Hypócra·tes em-agradeci..:.
do Eur.i1eno; taõ amigo de hum feu mento de haver mandado, e repar:..
irrnaõ , que· tendo elle hum fou fi- tido feus difcipulos por toda a, Grecia ·
lho , deixou porfua morte o Reyno pai~a curarem o mal contagioio lá à
a feu irmaõ, o qual foi taó agrade- Vifinhança do .Illyrico. A éidade qe
~ido ao Rey defunto, que deixou em ~thenas efcreve :F'úlgofio , que em
fua vida o Reyno a feu fobrinho, fi'- ~gradecimehto dos infignes -ferviços,
lho de feu irmaõ, e tendo filhos pro- com que o infigne Capitaõ Ariftides
prios , lho naõ quiz dar. Era Princi- · a defendeo dos Perfas , lhe dotou do
pe,J 1~obiliffimo , e. naõ quiz faltar a publico as ·füh~s, q fahiraõ do Palacio
tao :iufto agradecimento. De Dario para cafa de f eus maridos , e a feu fi-
efcreve Valeria Maximo , no quinto lho Lifimaco affignou congrua quoti-
liv. que fendo moço , vio huma ca- diana, parà que honefta, e commoda-
pa rica a hum Cortezaõ, chamado Si- _in~nte paífaffe a vida. Urfino Roma-
zqlon, e parecendo-lhe tambem a in- no levantou publica Eftat,ua em Ro-
v ençaõ , fei çaõ , e fineza deli a , a ma, com publico letr'eiro, a hum feu
defejou en~ extremo , o que fab?ndo é~·üi.do , em agradecimento dé que
o C ?rt~zao , lha offerec~o : .eftimou vmdo hum dia , huns foldados para
o Prmcipe tanto aquelle íerviço, que o matarem,. o criado fe veftio com os
1
v. e~
''
PALESTRAI. LIÇAlVI XX. DO ,AGRADECIMENTO. 109
veftidos dô amo, e-te.lançou fobre a ; com que efcrevemos, nos permittira
cama do fenhor , para que cuidaffem mais extençaõ ; mas porq ne eft:í b o-
os inimigos , qlie era elle Urfin'o, e J je no rnü<lo taõ d efconhecido o agra-
que mataffem antes a eile, que ao fe - · decimento , que a penas lhe fabem
1ihor , e · affim foi , porque no mef- - já hoje os homens o nome, quant 0 ·
mo t empo fo raõ ambos o criado mor-'- mais os effeitos, nos pareceo necef- ·
to , e o fenl~oi· livre ·, porque em;t fario d.i latatmo-nos e~n perfuadillos
quanto eftavàô matai)do ~ criado , com o exemplo do~ peixes do mar,
teve o fenhor tempo para ie por emJ aves dó ar, e animais da terra , q'ue
falvo. Mandou Tibetio 'prend~· a fuppofto que carecem de razaó, fo
' 1

.Agrippa a huma arvore junto do Pa- moi1raó agradecidos a feus bemfeito-


Utcio , para dalli fer levado aó car- res. Conta Plinio, tratam.to do nat u..'.
cere , o qual pelo ardor do fol , e ral Dos Golfinhos, que recolhido hum·
moleftia do animo padecia grandé fe-·~ no lago Lucrino , . fe affeiçoou tanto
de , que lhe remediou Teumafte ;r a hum ·menino, porque quando bia
fervo deCayo, o gualfuccedeo a Ti- aefcola, coftumava -dar-lhepaó-, que
bedo, e fez ·ª Agrippa · Rey de Ju- todos os dias fe chegava 'à parte dôn- -
dêa, que. em agradecimento da ~gua '· de ~podeffe vello, e o menin?, por
A

que em tempo da neceffidade lhe nao rodear a dalagoa,fe punha a borda:


o:ffereceü' Teumafte , o fevou com- della, e chamava o p'eixe, que aéo-
figo ·, fazendo-o .P1·ocm·ador do feu <lindo com prefteza, chegava· o 1011bo ' ·
R.eyno , e morrendo, deixou a fuà em que fe fobia ·o menino, e o Gol-
mulher , ~ filhos , que. •o tivefferil finho o lev~va pelo meyo da agua à
fempre cbmfigo · no melhor lugàr. ('.): outra banda da lagôa , e· o deix~va
Imperador Henrique II. por fe ha:-~ para Je ir à e(cola , e quandó fah ia
ver criado .em hum lugar de Sax!Onia ,1 o tornava a chamar·,e o pLtnha dà m~f­
chamado Hildesheim :, 'o erigio a Ci- ma parte donde o havia levado : du-
dade , e a Bifpado , e honrou com rou · efte· agradecimento por ·alguns
grandes privilegios. Conta Hef:odoto :;innos , até que o menino', e o peixe
lib. 6. que Creffo , Rey de Lídia, 'e m morreo tambem de püro agradecido.
agradecimento da urbanidade com Eforeve Crates, que andando · deza-
que Alémono Atheni.enfe ti.p_ha re- feis homens fegando, mandaraõ hum
cebido a feus Legados , mandou com a bufcar agua, o qual vendo huma fer-
diligente-cuidado bufcar hum Athe- pente en.rofcada em huma Aguia,
nienfe , e o dotou com tanto dinhef- matou a ferpente , e livrou a Aguia ;-
ro, que elle podeffe 11iuma vez carre- e trazendo agua, a deu aos fegado-
gar. Efcreve-fe,. que querendo o Pa- res para ·que a bebeffem, e queren-
·pa _S. Leaõ Solemnizar· o dia da fua ào elle fazer o mefmo, veyo a Aguia,
el eiçaó pela mercê, que Deos lhe fize- e quebrou-llle o pote , e olhando aos
· ra em fazello na terra feu Vigario, lhe companheiros , os vio mortos , e en-
veyo ao penfamento lhe feria notado tendeo que agradecida a Agnia, lhe
de .foberbo ~ mas qu~ veyo a refolver- quebrara o pote por riaó beber a pe-
fe, que· melhor lhe eíl:a va p erigar fu& çonha, que . fabia tinha a agua , pa-
humildade, que feu agradecimento , gando hu~n beneficio com outro em
e que antes quizera ·arrifcar-fe a fer tudo ignal. Em Roma foi condemna-
jnigado po1: altivo , que conhecido do a féras Andrónico , e lançando- ·
por ingrato. lhe hum ferociffimo Leaõ , efi:eve
Muitos faó os exemplos, que te- quêdo , como admirado ; e depois
mos referido, e muitos mais os que comecou a chcgar-fe ao homem, e,af-
podera-mos relatar ' fe a brevidade fagallÔ com moftra de ~gradec.imen­
to,
' .
I Io ~ ' ·GUERREIRO, •ESCOLA ·J:vIORAb, &e. · - - ' .
t,o , de que admirados todos os que . Üóchia , iÇ, acolhc9 , e com o morto fi-
vil'aó taõ admíravel qlio , 'p_cr g un-: . cou.· hum c ~ó, dando nmito-s uy vos ,
t t.iraó aAndrónico a1 caufa de tàrna- comqneiignificav a ador,efencimen-
nha novidade, o qual refpondeo, que '. tp, que.ti,Dhõ'! n<J. 1:110rte dç fou fonhor ;
eHando em Africfl ~vivi a tà9 mal tra- e y_endó gente , e, entre ,eHa o ·mata-
t ado . de fo~1 Jenhor , que refolvendo- . do~;, ·q caõ ..:.fe k111Çou ·a· eHc, e ~affer-.·
fe a qnfcar ante,s {lCOmpanhia ,das fé:- ~ T.Q lJ de rnftnei_ra / qu8 Cün feiF~n~1C? p '.
r,as , que experimenqi.r ta,ó e~ti·aord i-:- 1 q,eg61o , 1;Gi J1or elle come ;merecia
nario~ defabrii11entos, fügíra com ef- · ca1hgaçlq. ~·~outro caó/ e,fr:yevc Pli;-_.
feitQ, e fe metera por hum efp~nto- ~Jjo lib. 8.. ,quy vend0 ,: qpe .1netiµõ. 1a
fo deferto ' ein o qual fe rçc9lhera feu fenh0r em huma fogeira' elle 're·
ah uma cova , p0r fe abrigar dos CêJ.- . rnet~o junté\111enre , e fe queimou có~n;
- 10n~~ do ~ia, e dos frjos da: noite,, .aon- . elle. - C<~m igual j1grade ~imenFo fe.
tle ;fora ter c9m elle aquelle Lea,q : h ~.\lVe àq:uelle eao, de qt~em, ei~re~.e,.
qom o pé doente" enfang,u entado , , 1~1tan0,.q~J~ hJdd feu fonhor .pà1~alll~­
dando«grandes gemido,s , fign~fi ca do- · ma1 feira 1, . qy!=}. f~ fazi~ p.~ Ciqad.e de
res .da 1ua dor, · ~ fe fora a elJe, q11€ , Athenas , í}.,tuada @m Jonia, e apar-
o curaffe, oque fizera, tirando-lhe do . tando-fe :40 cami~1ho' perdera a bol"'."
pé hum grande çfp inho, dt; cujo be- : ç~, ;!com ~ qu_al fi~ara o caõ, e vol-
nelicio nafcera aq~1elle agradecimen- tan~o o/enhor dahi a tempos , achem
to ; de que ad1hirado o Impe1'ador , · a .bolça , e 9 .caó mQrto , que quiz
lhe de_u a v1 da ; e o J.,.eaó,. Na(> ,menos mais p 1orrer à pura fome agradecido',
1

agradecido foi 0~1tro, e de que fü1la que yiy~r ipgr at9. _Finalmente o'mef-
Bernardo de Guido na fua ·cp.ronica ;_ 11_10 , Pli,nio .. rç;fote ,:que .hum~ Afpi.de ., ·
a quem hum foldado de Godfredo li- eftando j~ manfa, por h9m Gitano ,
vrou qe hüma fe1~pente , 1qµe quafi o Earifq:. dolls . ~fpidinhos , hum dos.
tinha morto, de que ficou o Leaõ taõ quaes .p1?tara hum filho do hofpede,,
agradeci.d o, que o fervia; e vindo-fe ppr~l11, a1nãy ~·econhecendo a má fa- ·
efte fokl~do , a que chainavaó Gol- tisfaff~Õ, que. dera ~quem, deyia taõ
ferio ., veyo com elle o Leaõ até o 1 bom agafallrndo., matando ·o proprio
porto, .e naõ querendo os marinhei- :filho, remediou . ~gradecida na morte
ros rnetello na. Náo , por temor da do filhp ingrato a obrigaçaõ, que ti-
fúa f.erocidade , partiraó , entre- nhq ao feu b,e mfeitor, Se tanto agra- ~
gando..;fe às têpeftuofas ondas do mar decimento ha até . nas féra.s, quera-
Mediterrâneo , e q Leaõ vendo que zaõ ha para qu~ o homem. naó feja
fe p·a rtia a Náo, açmde hia feu fenhor, agradecido , . quqndo n~ó feja mais
fe lançou a nado at'raz; e vendo, que bruto que as mefmas féras , mais ruf...:
a naó podia alcançar ·' fe deixou ir ao tico que _ os mefmos peixes ·, mais
fundo. Refere Santo Ambrofio, que defcortez. gue as mefmas aves ? .
matando hum homem outro de An- ·
Sen:zper ·inoblita repetam tua mimera mente ,
Et mea tellus Jentiet ejfe tuimz.

, -

L · I-

. ....'
~
~'.. I: . .::r~- ~ I. _LIÇAl\ifXXI. DA INGRATIDA~.f. 1n
· des benefi.çios , e f.. . ores , e paff.·111-
L -I Ç A M XXI. do-fe d~pois ao bando de Cel ar, dizia
. muitas vezes no cãpo palavr:::s afron-
Da Ingrr.tidaõ. tofas contra Pompêo ~ foube-o Cefar,

D
Efine-a Santo Thomas 2. 2. e naõ podendo fofrello , lhe dine :
zu:e_ft. I 07. a 'l't. I. dizendo que N aõ te afrontas ' ]farcelino ' de ter
· . · ie hLún peccado, gue tira o lingua contra aquelle , por. ettjo bene-
devido agradecimehto, divi- ftcio a tens para f altar entre as gen-
da da honeftidade; e Seneca Epijf. 82. tes; fendo tu hum homem encontrado ,.
diz, que ingrnto he todo aq uelle, que como podes ter linguq, contra qitem de
fem u\ura iàtisfaz todo o beneficio. mudo , te fez f allador, .e qe faminto te
Saõ Bajilio na fua QJtarefma, tom. + . fartou tanto. , que já vq_mitas contra
chama a ingratidaó iniiniga d'alma eUe .. ? Oh quantos_ deftes ingratos fe
morte dos merecimentos , .perdiçaó acharáó hoje no mundo ! E Je como
dos beneficios. ; difperfaó das virtu~ diz Seneca , naó agradece o benefi-
des, vento que feca a fonte da pie~ cio,.o que pubUcamente o n:aó agra-
dàde· , o orvalho: da mifericordia, e deoe : lngrat1Js refl , qui ·remotis ar-
as correntes da. graça. Santo Agofti- hitris gratias agit ; que havemos nós
nho , raiz de todos o.s males, mãy de dizer do que ao beneficio recebido
tbdos ,os vicios, aborrecida ainda- dos correfponde com publicas afrontas?
mefmos inimigos, a quem offende a E fe he defagradecido o que limita o
ingratidaô. Todos fabem a divifaõ .agradecimento pelo beneficio, como
cloimperio Romano em t empo de di-z o me[J.110 : lngratus efl, qui in re-
Cefar, e Pompêo , ·as arnlfades, que ferenda gratia fecundum data videt ,
h0uve entre os dous; e com tudo ef- que nome cabe àquelle, que pela be-
ereve PlutarchO', que hum:: Romano, neficencia rep,oem injuria, pelo favor
chainado Marcelino, feguindo a par- 0pprobrio, ~pela meroé deshonra?
te .de Pompêo , recebeo . delle gran- /

Dum me captares, mittebas numera nobis :


• 1 i- · · Peflquam· cepifli, das mihi Rufe, ni/Jil.

Quatro efpecies ha.de ingratos1; huns; ingrat os, e mais brutos que as féras;
que negaó os benefi.cios, outrós, que p01:que eftas reconhecem os benefici-
os diffimulaó ; huns , que fe efque- os. Pêores faõ os horngns· , a quem
cem delles, outros· , que fe lembraõ os . beneficios naó dobraõ , e abran-
para pagallos com males. Por todos daõ ; que a$ féras , que com elles
difcorreremos com brevidade, e va- contra fua propria natureza fe modi-
mos aos primeiros. Os que negaõ os ficaô • e amanfaõ. ·
beneficios recebidos, faõ verdadeira- . Náó menos ingratos· faõ os que
mente ingratos: long·e eftá de os agra- diffimulaó os beneficias, que os que
decer , o que os chegou a .negar In..., o&negaó ; antes na opinlaõ de Seve.-
grntidaô he efta , que J..1endonça no . ca córre igual -paralelo , porque taó
liv. ' I. · dos Rer; cap. 1. no I 9. a valia diftante eftá de o.s agradecer o que os
portamanha,quenaó t emoutraigual. nega, como o que os diffimula: naó
Efta cornmetteraõ os ffraelitas , que :vai mais differença de negar a diffi-
negarnó a Deos o beneficio de os ha- mular <0S beneficios, que explica·reru
ver livrado de todos os feus males, e efres a fna ingratidaõ éom o filenç_io ,
tribulaçocns , como fe lê no lugar ci- e aquelles oom as vo'.Zies ; e fend,o en-
tado , em que fo moftraraõ muito tre os Juüfl:as regra certa, que me-
rece
II 2 GUERREIRO' ESCOLA rr:IoRAL' &e , ' , 1 ' , ,

rece o mefn1o juizo o que, fe expri- rnãys o foave ·leite com que-fe füfien-
rne p or palavràs,, que o que fe figni- t aõ, lhe r~!ri~uem conl c~uc~s· ~ qL1e
fica com o filencio , vale o mefmo ne- _as maltratao ; a hera , que fn bmdo ao
gar fallando, que negar callando. Saó alto da arvore, a que ·ambiciofa fo ar-
taó qnotidía'n os os exemplos deftes rima ' }Ire t ira ing1:ata , o fucco ~ com·
ingratos , que julgainos defneceifarid que .fe alfmenta. .
o referillos. . · · Cheyas . eftaõ as Hiftorias fagra-
. l\1uito pêores q~1e eftes dous ge- das , e humanas ·de exemplos defte
neros de ingratos, frlõ os' que fe ef:. genero de ingratos, que fervem d~.

o
e
quecem no juizo de _Seneca lib. ·7. 'de· efpantofa adrniraçaõ ·a que~1 os ouve,
Beneficiis cap. L porque aquelles diz mas de nenhü'nia emenda a quem os
'ni.efmo ) fe naõ .pagaó , devem ; ~ . lê. ·Quem naõ admjra a ingratidaõ -de.
póde -acontecer , que em algum feni:;.- hum Adaó , qüe recebendo da po-
._ po ,' movid0s de alguma caufa , fe· ~rofa, maó de Deos os mayôres be-
movaó a fer-· agradecidos ; mas €ites ~ 1 . nefieios, que outra nenhuma creatu-
de cuja lemb~·ança feirifcou ·as memo-~ ra, pagou taõ mal a todos eftes .bene- .
r ip:s dos beneficias ,,eill henhuni tem- 1 ficios, que a poucos paifos, _depbis:
po daõ efperanças de fetem agtade- de havellos 1'ecebido ,. fo at_r~v:eo in- ·
cidos, 'e poi' iffo fora.ó por elle feJ;l~ grato a encontrar o pre~eito ·? Quem:
teilciàdos por-ingratos no fuperlati- 11aó admira a ingratidaó "de huma
vo. '-( _, · ~thenas, que recebendo -de Sócrates, '
Mas fobre eftes generos de ingra~ . o mais.fabio de todos os homens no
t os 4a outros muito mayores que os fenttmento ~de Apollo ; os preceitos
referidos, com tanto exceffo, que fal- . niais uteis para a felicidade da vida,
t aõ ~ copiofiffima língua Latina pala- nÍandoq inJrata matallo-com veveno?
vras com qu'e explicallos, porque o Q:uem nao admirq, ~ · ingratidaô da
mayor encarecimento__ a que chega a meíina· Athenas, que em pago do fa-
dita lingua , he ao foperlativo das mofo Melciades haver derrotado cem:
coufa~, termo o mais"encarecido com mil homens de pé~ e dez '-mil de ca- ;
que explicá ·o gráo '.t tldmo ,'11 ·que po:: .vallo, com que a irivadio Dario, te1;-
dem chegar as humanas acçoens. EH'e$ ·ceirü'J\;Ionarcha dos Perfas , com fó
faó Os gue pagaõ beneficios com ag- onze mil hqmên$ , . o ineteo . em pri- .·
gravos·' bens• êon~ males' homens taõ zaô ~ 'em que moi"reô rpor trezentas
extremofamente defagradecidos , que libras? .
naõ fatisfeitos com ficarem explica- . A quem dá mefma · fort~ naõ af-
@os pelo fuperlãtivo de"ingratiffin1os fombra ' ver , que a mefma Athenas
deitaó a barra muito além dos termos defterrou ao fmhofo . Capitaõ Temif-
d~ explicaçaó human~; mas qne mui- tocles' depois que com cem rpil ho-
to he que faltem ·termos conl'que .fe mens venceo, e derrotqu hum exer-
explique hun'.t 'tamanhq .g~nero de in- cito de hum milhaó de h01üens , com
gratos·, que paffando os de human os, C1 paffou fobre Athenas Xerxes , Mo-
e excedendo os dos brutos , ficaõ já . narcha q1rnrto dos Perfas, eíHmulado
naó .fó fóra da razaó, mas ainda çlb da derrota , que havia padecido feu
natural inftinto ,. que a naturez,a .con- pay· Dado ? Quem naõ admira a in.:.
cedeo aos brutos, e a ingratidaõ ti- gratidaó de Adi1:óteles , que beben-
rou a efte genero de ingratos, muito do toda a f ciencia com que floreceo
Timilhantes ao mar , 'q ue receben~o na doutrjna de Plataõ, fe ;;itreveo te-
dos rios a agua faborofamente doce, merariamente, ingrato a contrarialio
lha retorna defabridamente lalgada; em publ.ico ? Quem naó admii~·a a de
aos múl_os, q bebendo nos pettos .dU$ Alexandre Magno , que beb~ndo 110s
peitos
. -
PALESTRA
.
1. LibAl\1
" XXI. bA ÍNó-ltATiúAi\1. . rH.)
peitos de Helenife o primeiro aiimen- deravel dinheiro ? Quem füia1rncnto
to, com que começou a vida, defeo- fe naõ admira ver hum Beliforio eom
nhecidamente ingrato a tirou a íeu fr- os olhos fqra, pedindo huma efmola
lho Clito· ? Quem irnó admü'a a do para füfrentar a vida; depojs de ha.J_
Imperado1; Antonino Caracala , qüe ver vencido no Oriente aos Perfas ;
devendo além dos muitos benfi.Cios , em Italia os Godos , em Africa os
a criaçaõ a Cillon, fo ·animou a man- Vândalos ? E hum Duarte Pacheco
dar cortar-lhe a cabeça? Quem naõ a: morrer em hum Hofpital t aõ pobre,.
dos filhos de Ludovi~o Pio , filho de cgue nem huma mortalha tihha, deoois
Câl'los M~gno ; qne ~efobediente- de trimnfar na Afia de todo o p ÔdeiJ
mente ing:ratos, puzerao feu pay em do Imperador Çamori ; cbi11 viéto-'
piiza.ó ? Quem naõ fe efpanta da de rias taó eftupendas, , gue paredaõ
Saného IV. Rey de Hefpanhêl; recu- i.ncri veis P Todos fe admira ó ~ todos
fand,o entregar o Reyno a feu pay D. fe pafmaó, todos fe aífombra6; nias
Affonfo",~ que voltava de·Ale111anha? oh faftima:, que naó nos afrontamos
,E a de FriXD , Principe de Ferrara , de que appi"ovamos com obras;_o que
que obfigott a [eu pay a moner em abominamos com palavras ! O mais le_.
hum carcere? Quem naó; fe admira: ve aggl'avo tem fempre na.noifa lem-
de ver mor1~er CicerO' às mâos de Po- hrança a mayor memoria ; o mayor.
pilio, a quem lia via livrado de huni heneíicio tem fempre na no:ffa_ me-
crime capital? Quem naõ fe aífornbra moria, o mayor e~qu~cimento : ,paga-·
ver, Orodo, Rey dos Parthos, mor- mGs hum aggravo; de que no.;; devia-·
to por feu fiJho Phraates ? E queni mos efquecer, eom huma lembrança,
Luéio Hóftil_io ~ entregando ao füpli.: de que nos devíamos efotífar; e hum
cio ·à feu pay Amúlio ; -profcripto beneficio , de q Ue nos deviamos lem-
pelo Senado , .por fe ficar com feus brar , com· hum efquedménto , de
bens? Quem naõ fe admira , que Mi;- que devíamos fugir; durando €m nós
cael Traullo mat::rffe . ao Jmperadoi' mais a memoria das injurias , como
·Leaõ,que o havia promovido ·amui- diz Seneca, que a lembrança dosbe-
tas dignidad~s? Quem naó fe aifom- . neficios : Altius injurite , quàm meri-
bra de que os ~Senadores Romanos· ta defcendunt. · .
obi'igaifem a ir ti juizo a Scipirró Afri- Ha rrlgumas hervas agt'.eftes amar:..'
cano , que tinha trazido à obedien= -gas, que pairadas às hortas, e culti-
cia de Roma a famofa Cm·tfi_ago , fua vadas com o anim:o do hortelaó , per..:
mayor cómpettdora ; com ·o pretex.i- dem fna afpereza, e fetornaó fua·v es,
to de que- naó levara ao Erario todo e faborofas ; out:ras pelo contrario,
o dinhefro, qlte recolhera em Africa? · quanto mais regada-s, e cnll~i vádas com
Quem naó admira ler, que Mario fi- ma3ror cuidado, tanto mais afper·a s,
xaffe publicos premios aos que entrB-' e agteftes feexperin1enta,õ; afl.im ha _
gaffem Cornelio Scyla, que fóra de coraooens,que recebelido beneficios,
tpda a efperança o livrou em fuá ca- p erece füa dureza f ' e com as boas
ia do Ttibuno Sulpicio ·? Quem naó obras fe abrarJ.daó 5a e'ftes naõ ha dei..:
fe admirct vendo , que- Saut féz todo _ xall(i)s de todo 1 porq todavia podedó
· o poffivel por tiraf -a vida a David, f~r de proveito; poré1n gente deimí
fabend® o muito que tinha obrado por dig'eíl::aó ,.que com o favor fe azêdaõ- ,,
lhe falvar a fua ? Quem naó fe ad1:hr~ e c"ôm o regalo tirá.ô couces , e c.om
r~ ler, que Aleixo privou do Impe- o bem fe fazem máos , e coin opene-
no a feu irmaõ Ifacio , depois defte· fi:Gicr fe fazem ingratos,: que mái cafta~
o haver re(l?;a:tado elo poder do· Tur_.. de hervas· ! Ardaó , pois naõ faÕ' de'
co ~ com liberal g.ifpendio de ~onfi-'-" outro proveito. Nunca deu a ingni~ó S:
' p A1C·-'
1 14 ~UE~REI~~_O J ESCOLA MORAL, _ ?r-c. __ 1 .

Alcxnndre, com ier. lwerahfümo de queno agradecimento , ~ffim o fogo


natureza ; nem cefar lhes perdoou, -~·ecebe tudo quanto 1he daõ , fendo
com fe ptezar gm extremo de ele- infecundo , f em gerar em fi. , 1~~m de
mente. fi nada ; e fendo o fogo fümlhança
A eftes t ais· naó fó fe lhe naó de- -do ingrato, ·naõ merece lembr an ça,
vem continuar os beneficios;mas he li- ha de ficar· fepultadó i1o efquecimen-
cito da1q1rn com elles em rofto , . fa- to; ainda que feja eleme11to mais fu-
zendo-fo-lhe lembrados ·, paí-a que fe premo, e nobiliffimo .; ·e hade-fo fa-1
lhes moftre a gra Vidade da culpa, e o zer me~oria ~a terra , ~ymbo1ó do
jnfto caíhgo, que por ella merecem,_ ~gradec1do, a~nda que fep element~
Naó coftüma Deos lembrar os bene-=- mfimo,..,..-e.h,um1lde, que eífa he n for-
ficio5, que faz aos homens, ·111as lê- ça ~do agradecimento , e da ingrati-
mos , que vendo a in~gratidaó de Da- dao '· que efta faz defcànhecidos , e
vid , lhos mandem por em rofto pelo hmmldes os nobres; e aquelle torná
Propheta Nataõ ·' no 2 .. liv. dos Reys os humildes em nobres ; e conheci-
cap. 17. e o mefmcg. fez pelo Prophe-.. dos ; merecendo eftes por agtadeci-
ta Ezechiel à ingtata Synagoga,como dos , o que aquelles defmerécetaó
felê nocap. 16.n. ·10. mas co:no osin-.. por ingtato_sj
gratos no juizo de Sene~a fao.c.h?mens , S~lJ2l?ºfio que aqu~lle famofo Rey
iem vergonha ; nunca íe lhe-1az a fa- de S1c11Ia , e Aragao D. Affonfo ,
ce vetmelha , por mais que fe.lhe po- fendo reprehendido de carregar com
nhaó na cara; e naó he muito, po1~- ben~ficios ao ingr.áto Alvaro, refpon..
que deixa de fer homem o que he in- deo, que efta cafta de gente fe naó
grato. Na fahida dos filhos de ·Ifrael comprava fe naó à ct~fta de grandes
do Egypto, 1Ilãtou Deos os primo- beneficios,-com tudo omayor,meyo,
genitos dos Egypcios, confta do cap. que n9s parece que ha para reduzir ,
13. do Exod, n. 8. e do cap. 22. do Le- ingtatos, he o deixar de. continual-
vit. e livrou aos dos Ifraelítas ; e pa- los , porque, affim como os olho$) l'laú
ra lembrança defta mercê, que lhe fi- vêm as coufas, que junto . a ellesc fe
zera , mandou; que aos quarenta dias lhes oppoem_, como enfina -ª.Phito-
dos primogenitos lhos levaffem ao fophia, mas ·he neceifario, que 1,e ntre
Templo, e os prefentaffem a Deos, e os olhos, e as coufas haja proporcdo·
lhe deífem por cáda hum delles hu-· nadas diftanctas, affim os ingratosmaÓ'
ma offerta, para com ifto fe rnoftra- fentem a falta dos paffados beneficias
tem gratos a t amanho beneficio'· e a fo naõ depois que vêm a diftancia,
111emoria dclle fe naó foffe gaftando que-vay de fer agradecido a fer ingra-
com o efquecimento. · ' to ; e quanto mayor für a carga· de 1
N aõ merecem os ingratos nenhu- beneficios, tanto mayor 'ferá tambem
ma lenibrança. Tratando Moyfés no a carga ·da ingratidaõ, .porque coftu-
cap. 1. do Gene[. n. I . _d a fabrica defte maó os ingr:;itos pagai~ grandes' be-:
mmtdo , fe lembrou do elemento in- neficios com grandes ingratideens ,
füno da t erra, dizendo que no pdn- como affirma Parmon de rr.biis rgeftis
cipio creou Deos o Céo, e a terra, - ~ Alphonji , e o vemos cada · dia , e o
·fe efqüeceo dü"fogo , fendo fupremo , experimentamos. Federico Cefar, de
enob~i~mo; emq_~1e reparando ~u- qu~m conta J!?n#as Sylvio. nos Commen-
pert. ·no liV. l. dos-Genejis cap. '~. da a . tanas ·aos feitós de Affonfo Rey de
razaõ, e diz, que o fogo he hyero- Aragaõ -, que coftumava dizer , que
, .glifico do ingrato, porque affim como em poucos -, dos muitos :que levanta-
º ilngrato deve muitos beneficios, fem ra , achara agradecimento ; e que de
tornar por elles nem ainda o mais pe-. , ordinario fazia com beneficias d~ ·

.. •
leaes , traydores. . Nao
. PALESTRAI. LIGAM XXL DÁ ÍNGRATIÔAM:. ~ IIS
~ Naó negamos, que he acçao dig- que cha111ar-lhe ingrato : Cun~a tnqle-.
na de hum animo. Real, ,pagar com diceris , cum 'ingratum 7:1ominem, di,ve-
beneficios aggravos, fofrendo a fua tis. Os antigos , querendo móftrar
ingratidaó , como diz Seneca , até o ,i ngrato, pintavaó hum homem com
que ao pezo dos beneficio~ fe ren- huma çóbra no fe_yo , com huma le-
daó- : Boní11n efl tandiit ferre ingra- tra, que dizia: Se/ vir a gente ingrata
imn , donec feceris gratum : e affi.m ó. naõ he licito ; e a. razaô era , que
eofmmava dizer Alexand1~e, como re~ · achm1do · hum homem· huma cóbta
fere Fontano cap'. 30. da liberalidade morta de frio no campo , a me~e~ no
e o fazia Antlfthenes, como efcreve' feyo, e depois que aquéceo , deu-lhe
laercio lib. 6. cap. I. mas fo deve en- o agradcirnento com ·inordello .
.tender dos ingratos, que à força de De 'tudo quaJ1tó havemos' dito' vi-
benefiçios fe podem fazer agradeci- ínos a concluir, qriani gran~e.~ _gua~
dos, e.naó aquelles ,'em quem crefce execravel feja o viêio da ingfat'idaõ ,
ô pezo çia ingTéltidaÕ COÍll OS bene- C]_Ua111 abominavel ·, e 'q~rnnto fe :de\ra·
1

ficíps accumulados, f ervindo-lhe de fugir: por efte vicfo fe perdem os bens


. grave efcaiidalo os riiefmos benefici~ efpirituaes',e temporaes ,p01: elles.nos ~
os ;_porqti.e a eftes tâis taó fóra eftá fazemos inimigos-.,de Deos·, e d-os ho-
de for acçaó generofa·, que árites .h e· mens · abotrecidos ; lporq_u"é fo ~riftó- ·
culpa grave fazer-lhe .beneficios '. t~lss d!.ife:? fiUe ~s b~m~~jtoré'~ ~I}1a-.
. Repara Sefleca no liv. 3. dos Bene- v~o nnhto aqt~elles, a"'quem fazrno be..:
ftcios , que I'azaó haveria, para 'que· nê-ficiO's : E~'nefaftdres plus amant b~­
dmído M@í-cuí·io leys aos Egypcios, iujicio ajfeetos ; fe de\/e entender dos .
Solón aos Athenienfes , Licurgô aos q~1e .procedein ~gi·auecidos , naér dàs
Lacedemonios, Numa Pompilio aos qne cori"efpbndenr íiigi:atos. · Em íiu-
Rbn:ianos ,.-nenhúm deites ·Legislàdo-' ma carta ·éfcre\ie Seneca, qúe os vi-
rési éftábeléceife p~na . aos ing!·atos, cios ,fo·devem fugir ~ poí· amor ~e De-.
fan:Qo o v.tc-10 da ingratídaé taé 01:~ 0s , ou da virtude; 'pfn'ém.qríe a ingi'a-
dinario, que o . mefmb Seneca lib: 'S.' 9ctao adeX\ernos fug:1fporq~o1: d~nós
cap.'r5. affirma, que todos os homens mefmos , pol"que ' 10 ! ·h omem agrade--.
faó ingratos , porque todos . faó ou ~i~o p~nh01:a . d_e n.oyo, e obriga a fa-
tülos, ou rnáos; de qúe ; ti_i·a a' coiJ-' zerern: lhé,p_ovos be't1eficios,eoingra-
fequencia : logo todos foõ -ingratas•; to cotnJa irl.àignaç~ó desbarata huma ,
e o mefino que fez o reparo , foltou boa vçmtade : Ma{ignos fierj fngrati
a·d;!-1\rida:; tltzerido ,~qüe fê.naõ pufili'a' doúni -~ ê~:Qói! iifó ~diz ~~of11\éfmô' ; qü.e
cafügo "para ..os tais, por f.er grave, e· naó ha v.icid mais ·péffinio, que a in-.
difficultofa coufa medfr ,· e pezai;. iái gfatid~iõ ·, 'e que a ,têrra haõ proéiuZi
grandeza de tamanho vicio, e que a confa peoF-,que hum. :.hómem h1gntto:
Deos deixavaõ fomente a pena; ppr- Ingrato homine nil pejus terra creat .
. que fó elle fabe a quelnerecetn~ FiHp:: :· '1· " • , . .. ,. •

pe ·Rey -de NI:acedonia a hnm hof- · L I Ç A M XXII.


l?ed-e ingratb o caftigo que lhe del.f ; 1
•' r> nr- - ~ .. '
foi mandar-lhe pôr hum letreiro, óli Da · Concordia~
JfOtulo nas cofias , que dizia : Efte be -

O
ing1•atd. Naó acbou fambenito ma:i's Último aB:o,dá amifade . hle~ a
infame , nen'i afronta inais ign.on1iJ co~o.ordk1, 'tfpe define Sá1;t~
l\iOi~1. , nem. opprobrio' maj·s 'para fen.:. · Tlqov1az 2. 2. qutefl. 28. ·art. r"";'
tU"-íe do qu~ eà1:e: e por iffo diffe Pu-. , "hüma üniaõ dos ap.petites d'.e
bli.Q .. Mimo., qúe fc naõ ·podia ô dizé:;: ~iverfos ' -á ppetentes; ;·lie hm.n'a vi'rtu-
d.e·hum Jiomem may.ares . afrontas , de,quc faz crefcer as c:büfris pequenas",
p ij
u6 GUERREIRO; ESCOLA MORAL, &e . . "
~ .f\1ftei1ta as grandes ' com a qual fe torna. injuftiça ; he "a . verdac.teir~
tqd Jlorece, fcm a qua_l tudo acaba; prudenc1a , com a qual fe alcançao
be li.uma virtude, que faz .que as cou- todas as felicidades, fen~ a qual fe pa:-
fas fubfiftaó, co.m a qual tudo he eter- decem todos os infortumos; he a ver:
110, fem a qual nada p~rfifte : he hum <ladeira temperança ! .com_a qual fo
mt}l'O, . que faz ir!_V:et)Ci vei-3 .tedGs os dirig,.,em , e temperao pel~ regra &!~
.o
Rey110s com qu.al todos í~ co~1fer- i:azao todas as . acço~ns humar:as , . e
vaó , fem o qual-. todos fe deftroem; fem a qual todas fe disba-r atao ;. - h~ .
h,ê huma felíqidade, que,faz fuave o o meyo ma.is facil de adquiril: rique... ·
pezad~ ' jugo .do matrimonio ' .com a zas ' com a qual fe fazem todos . os
quar v~y'em com fummo g_oftq__ 9s ca:- homens ricos' fem a qual todos fe.fa- :
fados , ~feJn .ªqual vivem iem _çiefcan- zem po~res , como refere Salufliq :;
çq ; .he. huma atadura , que prende Çoncord,ia res parvte crefctmt , diflor-:
4q·e:·~!f'1~nf~:o áf~ét,o dos amigo~ .,--co1:11 _did _maxin:ia. dilabuntur ; he. o m~Cli­
a .qual fa'o recJP:rocamet?te . di1rav~1s camento unico, .c_om o quaL f~ con-
q.s .amifade~, fem a qual brevemente ferva a vida, e fem o qual- logo pe~
ferieée1Í1 ; _he huma uúiaó ., que faz, -rec.e ; he hum vinculo, com .o. qual
{fue as Ref_Rt1blicas fe aug_!Tientem com o ~1m,do todo dura , e fom O· qual
a qqal. tqçlàs fo cpnfervao-, fe111 a quãl n,ao pode permanecer;. he finalmen-
tod,a.s fe.\ trruim,1ó _, ;p,orqu~ as, ~efpu-. te huma virt~1de, co}.ll _a qua,l fe fegu~
bliGa~ p~mcor~rs, como ~iz -.~ito Li- ra· hmn,a vida et~rna, fem_a qual fe
v~o, nem temem· Rey, q!-ie a-~tfog6i- abbrevia hmna morte'fem~ termo: tem
tE;, netn tyr~m10_, que as opprima : a Yixtude da çoncordia em -Deos Q.
Çfv~s , ~ofa,cordes nec, regem , ,'l}ec tyran- principio ;· traz o vicio da ·difc01:~ia
n~r,.~ ,t.i11fe1~t; ~~ . a,yerdadein~.fort.alez~ do demonio .a or~gem ; effa confun.""'
, qp~ ,~p~a o_ s,ioJdaqos, c9m a qu~l ~- de os homens com os . qemoni_os ,
cao 11~yerrcivei~,.fem aquaJ,.fe. ~ornao ~quella cqm omefi11o ·Deos osaífeme--
fi1cos; he a vp·d<}8eira juftj.ç a, que a lha, como refe1;io Wem com elegan:--:
faz _fer igual -par,q '. todos, ~Qm_ a qua1. eia ; j

fo cc:mferva a _igu.qldade , fem a qual


"
, .pnio Div,in,a efl , di pifio \dtf'!floni. n.qta ;, ... _
• , t ~ J •

, ., , , (-l!"1u~ e1Ji1n ·_ eft,,))e.us, ·d.tÇ,mqnes irfnumerl~


r . ,
. . •• • l ., 1 ~~ • • , ( ,,.(; / J t ..- !- '-- J 1 f "1 ' :- \_.. •-

Ha,,Pº9i5 qt~_em na/~ ame l}it~na Div.~na çria PQuem naó fµja hum vicio, qua
fi 3111µança ? Ha quem nao_:aborreça. ao odfo alimentà ? como enfina Ca ,
huma horriv~J effigie? Ha quem naó taó nos feus di&ames : .•
al;n·a.ce . huma _virt.u dy, que ao. amo1j . J , .. .J_ ; : _
, 1 • •\ • .1 ~ , .\ • ....,· , \. 1 • ) ~r ,

Irâ odium generat, concor.di'P nutrit amor.em.


Bem conheceo a neceffi.dttdê , que :i;ecer impqffivel quebrar tantas v.ara~
tinha ó os homens. defta yirtude,aquel- juntas .,.tomqu-.as elle, :é : foi-a~ que-'
le Gentio Sciluro Scitha , q ne quando brapdo . hunm ; :e h~ma até quebrair
efta.va-<i:heg~dq. já ao fim da vida, m·an..- todas " admoeftando-os affim com ef.:.·
<,iou chamar pera:p.te fi a;e-it~ filhos, tas palavsas : .Pithos. , Je houver m-
que tinha ·' e dàr- a cada--, htjw , hum tre v6s amor, paz , e uniaõ , . jereis.
-~1?lho de varas , para q u~ di~nte del- pi_rpe-tuamente -valorofos-., , · e invertei:.
le as guebraffem juntas; -e reGlifandQ v~is. ; mas [e .com di.ffenfeens. , . inim~.;
ça4a qtia1 efia ewpr~za_ ,, .,POl" lhe pa- fades ., e diflol(dftt}S VO$ J.riJ.tardes , fál-i
t1;r-vos.:.
PALESTRAI. LIÇAJ\II XXII. DA.CONCORDIA.. ! 17
111r·-vos-ha õ valor , e Jereis vencido<S tre fi. E o Gentio Age1ilào ·,·quéifen-
corn 'muito pouca força. E aquelle do ·perg·untado, como con ta Plwtar::-
Gentio r\1ufoneo , que como refere cho in Adelp. aphoris. qual feria a . ra-: · \
Eftobêo Serm. 78. dizia, que nenhu- zaõ porque naó eraó muradas. as Ci-
mas vidas iem concordia eraó honef- dades de Efpart n, moftrou os .E fpár-
tas, nenhuma fociedade util ; e que tanas armados, e unidos, e diífe: E(les
eH:a . virtude naó podia dar-fo entre faõ os invenciveis muros de Efparta ,
màos, .affim como naó podia haver que naõ necef.!ita de outros muros, .ten-
uniaó de huma ta boa dii"eita com hu- do os defenfares concordes , eos animos
ma torta; ou de dpus páos tortos en- unidos, como cantou o Cifne Inglei:
}

Quàm felix·, & quanta foret Refpublica , cives


- _Si cunffos unus conct1iaret amor !

O grande Imperador ,Alexandre Se..; ~humbo ; e nefta pedra fe flgniflca a


ver-o, eftando nos fins da vida por concordia, e a difcordia ; na inteira
força de hlllua graviffima doença , a concordia, e a qifcordia ·11a partida:.
mandou vir perante fi feu~ filhos Mar- em quanto houver concordia entre os
oo Antonio, ,e Gheta, dos quaes fen..:. homens, . andaráó por cima dos tra- ,
do perguntado · o que queria, como balhos~, fignificados na agua , pqrque
refere.Xipil na vida de Severo , lhe he t310 pode1:ofa p, concordia , que
11

refponcieo, que foífem entre fi. muito mete debaixo dos pés dos homens . os
.concordes, e enriqueeeífem os folda.:. trabalhos .para os pizarem ; ·mas t o-
dos, tendo-os fempre muito- unidos , das as vezes q íe ha·difcordta , fe per-
para · aflim poderem triumfar de fous deráó ~de cúntado ' · porque taõ má·
eontrarios ;·e o mefmo conta Salufho he a difeordia, que naó ·contente •tdm
de .outro R~y, que ao tempo que a meter às homens no meyo qos traba-
Parca lhe cortava os fios ·do vital alen- lhos, os íepulta lá no t undo, para que
,t o, fizera a mefma admoeftaçaõ a{e"" naó haja nenhú geliero de trabalhos. ~
us filhos: E o Gentio_Demetrio, que que naó· pize , e. repize aos pobres.
;vindo da caça, fe foi a feu pay cin- homens 2 ; caíHgq. bem mereçfol:0 9--e .
gido como eftava das-tela:s, e lhe d_eu qllem defpreza huma virtude ,:cpo··
huns beijos , e diífe aos Embaixadores abraçar hum vicio, julgado por ÍE'JJ.-
delRey Antlgono , :abs quais feu ~pay · tenÇ~.: d:e Tacito .no . tib. + dos Annais
eftava ouvindo,que reforiifem ao feu pelo mayor de todos os males. Ove-
Rey o amor, e piedade qµe havíaó neno -m2lis refinado das Refpublicas
l!:'!fro :r: e finalmente.J ao Impçi-ador lhe1 chama Livío ·D ecaia · 1 ~ Ub~ ·ª:' -
Gentio- Joviniano, qu.e fendo infra- A difcordia nenhuma outra eo11fa
do 1pai·aql.;le·deífe1'.epofta aos .Embai- he, mais , que buma , difgreg~9aó da
xadore.$ 1de. l\:'la.ced011ia ,. que ·procu- vontade :, pela qual a vontade de ihllm.
ravaõ fobre 'ª ' paz,. lhe~ refpondeo : fe leva para huma c.oufa , e a de ontrp
.S~mpre abon:iinei to.do o :genero de cori- para ;outra ; ou húma diver fida.de dé
tenda, e .fónzen:te p,nzõ· atçoncordia,, . q.a- vontade de alguhs , a quem , tinba
Je mais fir;ne ,de meu I_n1Jlp:,io. , ' unidos -o vinoulo ·do 1·mn01· ; '.e fta ·he
Efcr~-:~e RJinio,,, ~ : Afftótel~s lib. aquella capital inimà.g;a· do g·eneJ.:o·h.1h- I

,àe Natur.alib. qu.e ha 11l~l1'H.Lpedr<\ eh.ar mano: eft& hc aqueila, que tn!lo.tnr,...
mada T):ürneno, que ,d.e~tançio-a in- ba, \ t1do disbarata ,tudo cteílro:e·: et!a
Jsira · n~ ,agu.8< , anda\ e1J! c-inía 00.rno ·he a qiie·tl8ft:tmhjD _; e:; t ornou: a cin .· .as
q\rnlqL1er' páo., ·e que partida, fo v ai os tàõ ·t efn:idos, ric05j , e poçifa:ol:Os
logo ao fLu1Q:Ó,, .como. o mais 'P~tado Imper;los w.dos Aiiiri'@s'", dos Cha.:dê >S,
. .·. - ' dos
'
II 8 . - GUERREIRO. ~~ ES:éoLA MORAL' &e:. . l . ' ' '
dos'Perfus, e dos Roilpno~· , que .com :entre os Prh1cipes Chriftµós; levâ'ri..
a-· concordia oomdçaraõ , ·crefceyaó, tou o Ií~Jpcr1o do Turco ao eftâd6
e1fe'confervaraó ·até q u,e 0ntr0t~ -1 (Fi-: em que_( hoje o vemc_>s , e admiramosJ,
c'ordia ;que os redu~io a eft:ado ;, que em que 'continrn·fr~ até que, a concof
h:a já rimitos feculos q11é fe naó conhe:.. -dia entr_e GS P1·inc1pes Chriíi:a.ós, ..01\
ce1n núiis que ,pela níemoria . do qu_é a difcó~;diâ entre elles , 9 anniquHe
nos-deixaraó os antigos eforipto; que~ deforte .~que naó fique n:rni:Squc atol
hoje lido, parece'1coufa fonhada. _E.fia tal lembrança de foa- última , . e· m1i!.
he : aquella, quê poz por teiTa a 'glo- -vei·fol ru_ina:, que efi;eramos feja muiL
ri of~ N umancia , terro~· _de RG1ha .,. -t~ ·'em brev~, porque já o Y~rnos.1ide:.
a qual com .a concordrn começou , clmando ·' e com rnuy conhecidos
crekeo, e fe co:qferyqu ·até. que nel-· · minguánt:es á fua 'Lu'a, que por ter fi-
la entroú efte vi,cio, que a confumic). ::do . chey'a , .neceffariarnente eftá no
de maneira, que a penas nos d.eix~l! quarto ·minguante=Efta h~ aquella fi-
o tenipo-- lembrança_do lugar ·em que naimepte, qne te111 pofto por terra
foi ,. como conhece9 Thirefio , que tantos Reynos, tântas . Rcfpubliéas r,
fenclo !pergttntado por.Süipíaó . :Afri- quantas nafceraó, crefceraó , . e fe
cano , -como ._efcreve · Diacon. ·· tib. 7; conforvaraó 110 mun:do com a con-
qual.:f~1ra . a caüfa,porquefendü' inven.!. cordia: , · e ainda hoje .fl0reGeraó , fe ·
ci v.el , ; chegara a fe1: d~finüqa.',. ref.:. nellas naó -entr~ra efte.cru~l rnónftró ,
pondeo, que em quanto h0~1v:e · .çon- affolado:i_.. de tudo, porq1ie nenhuma
cordia nos, Nümanti11os ,. foi·a-inven- naçaõ, ·como e1creve J{egeció lib. 3:
civel., mas qne·tanto que . ~ntrou rnd..: eap. 10; pofto que íeja_ a ,mais·- peque-
les a-difcordia ' fora arnuinada ; ,e da- na ' ·p óde fer deftruida '•dos rcontráti.l.
ijlÜ veyo a dizer AriftàtelesJ, qüe a os·, fe ellá mefma coin apropria dif:;.
dii cordia era ·o -mais•:perigofo vicio · cotdia fe naó_confrn,11ir- a fi mefma ;
· . eui-.as Refpublicas ,, affim .oomo a con-. pois · a difcordia , como diz W.em r;
oordia -er~ a virtude: mais pràpria· pa~ he- aquella ' violencia' que derruba a
ra conJ~rvaça.õ dos Impe1·ios :iNihil muralha mais ihvencivel ~ e Vêfl~e·u
periéu1qft>U:s . c.ivitati· ,' quàm di·vijià ; ji- . ca:(Eello màis íllexpugnav.el--; :e poriffo
.cut nil melius , , quàm unia: Alc.1-àto:em- nomtmdo· pediftém ' ªS c0mfas pouco~
e

blema~ ·1 25. :A difcordía , q~e · h~u~1 ~ P?rque nelle dura ~ difcordia mu~to r
1' '1 '>-1 '} :,- ... '
• :· ~,'. · .. \ .J. · ·in, mundo nibiL ufqtte poteft confiflere ·;: mztndus~' "·· :. \ '.:
_ _. { V • r • ( , Nvn Jemper_ -fllabit :· cur '? quia divi ditur.
1 . ~ 'j \iiJ: ~
'(:: _, f t ~l ~ ~
1
_' r ! ' · 1 " --4 • • ., · 1• f •

N ~f©.e' a ·difoordia , conforme-iArlf- · 'da ,, ceffa a difcordia ; e e:n fra .a.con::


totefes :lib. 5. ·.Potiticorum ·, de duas coi·dia', fe1i1 ~ qual ' naõ<pode haver
fonfes. ; a faber dos menores ·de fequc- ·conforvaçaó-,:pbtqué ·tudu 'o. que füb::.
re.rem fazer iguaes ~ e dos iguaes de fe fifte -, em·tantõ t·<!lnrh , 'ein~ quanto h€
qt11euerern fazer ma.yores; mas .fe def- hum; e igüaimenteJácfàbá ~-" e perece
tas duas'. fontes nafae adifootdía;del- ql!ándo deixa de ofet·~i·c0mo -~ en[l'riâ
- las in:efmas _deve ·. fahir a. concórdia, 1Boecio lib. 4~ c- de" F7Jilofajjb1~-Cor!folat. . '
porque ,,_q_~~~~ prntle~te ~om:em"qnere- · ."' Tud9 "cJ'q\1tl'-h'av~1nos~ fütó da c0fi.~
rá .contftnder comrmayores, nem com .cm dia, fo hà.fde· entenfü~r da virtuq-
iguae5 ,g_uádü ,a .contenda' ~?111 n'l ayo~ fa· ~· é' honefta! ~ pürqHf·a· t:õn·cordiá<\
res. he~· temerofa j, com 0s 1guaes in- que fe d~fü1ge. , e>terminá a'-'m.áq fim-; .
.vôlv\e rdnvidasi ;). e com os·i:nferiores ·confiruicfa; eíi.-tre>-os má8S'. fefi:á · ta0
he .v4r, -e-(í)mü. pr.o~·a Caíiodoro fobre loüge de fer yirtude, qru ~ ~hífa a vil
· • <; P:falrn!os? E.na<.'.1 havendo· conten... cio nocivc:r; ~ peniitio.fi). A.eoncor:..
•• ·j dia
. . PALESTRA t ttçAM:xxii. DA CONCORb!j\~ irg
dia dós mãos he inimiga dQs bons ne os Juizes he n1.uy i'mpô1'Üihte; por- .
1;

por iífo diz Santo lftdoro !ib, 3. dê qüe fe eft~verem sheyos de difoórdi,.: ·
Smnmo bono, que com a meíma ancia as ,, e diflenfoeri.s os Minifil'C55 ,. em: .
q fe de.v e ,defejar ; que os bons· conci~ ql.iem fe bufca a paz , por ineyo da juf...
Hem entre fi huma muy perfeita con... tiça-; valerá tel" mayot parte, qtie ra..;
cordia, fe ha ~e appetecer; qne en.. zaõ -~ · inconveniente , que fo p6dd
tre os màos teine hurna confiilua dif..; evitar, fendo . os Miniftros igu-almen,,); .
cordia ; porque ferve a uni:lõ dos te 4putos , porque deita differenca
màos de ·impedimento à éortcordia refultaó as contendas ; porque os fa.::
dos bons ; e Agoftinho Ep. cap. 57; bips defpreza ó aos que b naõ fi1õ·, e
q·ue nunca fe qeveni alirnr as.diífen... eftes in vejaõ , e a igâaldade; que naõ
foens, mas q11e algumas vezes faó fi- poden1 confeg~üt com o enteúdiinen-:
lhas da chatidade, ou prova della ; e to; fupprem com a má vontade, co-
S. Gregario no liv. 3.· de Morat. ~ que mo efc1;eve Seneca , émbaraçando
da rnefma forte que he nociva a falta com vozes o qüe naó pbdêm provar'. 1
de c011Cordia nos !Jon~ , hé pern_icio- com -~ razaõ, conto diz Quintiliano i.
fa a urtiaó dos màos, potque os .cor2 N eceife eft , contenjiofe laqüaris , quid
robora, .e os faz tanto mais inco1'ri... pt'obare non · pqffis : de qüe· fo iegue
giveis , qmmto faõ mais conformês. pouca authoridade em os Uibüí1ais ;
. Com fümma diligencia devem os e p01~1ca refoluçaó em as materias j·
Príncipes evitar todo o genero de dif"'"' pótg em re_duzindo-fe ~1 diíj:n.ita, iiaó
cordia entre osfeus vaifallos.;·e com ha nenhum a qnem pare~aó lilal feus
igual cuidado deveip. procurar tel-'. erros , como enfina Plataó ; e em:
los .nnidos , e confoi·me·s ·, pdrqne grartdesp01dias diz Ariftóteles. fo per-
aífün comG> ·, o Reyno ent1:e fi. divi..:. de a vei•dad~ i Ni1r1ium altétGando ,
dido , fe perde , como efcreve S. veritas ammittituf . . " . <- ;

Mattheus no capitul. 1.2 . ·e S. Lucas no Competencias de Miniíh'os he pef-


capitul. t J· afiini d R.eyff9 : . entre ,fi te ni.üy pe1;11iciofa para o Prin cipe,
tmido :i he petpetrto·, e priricipalmente -pará ·o Reyno ; e mayor para elles
entre· os, Miniíl:rds , ôti Militares , mefü1os. Quâtitas váns · corrtpetencias
porque na guena naó pó~e. acontecei' · ha , com que eftá . o 1~~l111do turba do ,.
coufa mais pernidofa , e damnofa , caufadas de Miniíl:ros füprenios , mas
como a defuniaó .entre os primeiros encontrados ?. Que de ferv iços infig_,
Miniíl:ros da guert'a , fegundo Pofi... nes fe pel'dem neft~s mares 1 quando·
bio lib. 3. e Erafnro refere ; que he a mereciaó_ relevantes ptemios? Qrie
favor dos contrar'ios•a difcordia e_n tre de cegueirsis, e erros eH:as conipeten-·
os refiíl:entes : Difcor dia , & .feditio ; cias éaufaó ? .Q ue ·honras poem em
e
omnia · opportuna faciunt inji'c/.ientibus.. duvidas, quantas p á'l'Ci:ilídades C011Y
Mais batalhas ;· e mais Reynbs teni· movimentos daninofos ? Cort1 accla-·
pe1'dido:, e conqniíl:ado a difcordia , mac;oens ·vans poem terr"ü1' aos bons,.
e defüniaó dos primeiros Cabos Mi- oufadia nos 1náos ; e clu vida aos· nen--
litares , do que ve11c'ido, ,e deil:rühi--. tl'ais .com naó parar a porfia áté faz~e·
do o valot dos contrarios . Dizia_o Im... J:Vr'Opl'ias as caufas eiii a.s -injurias alhê-'·
perador Juliano ·~ ·que a difcordia na as, porque vingança de inveja a to-
gu~1-ra _era o mayotexercito ,para có.., das as partes alsança, ao do'.11eftico.,
qu1ftar Reynos, Na paz naõ pode ha"" ao-eft1•anho , ah proprio ,~ e a fua ca-:
ver confa ; que mais' embarace, e pe1;__. fa; e eftes . tais ou fe haá dé redu zir ·a::
turbe '. ~ felicidade r, e bem pubHco , concordi~, ou fe haó de defte1•rar cfa.s·
q~1e a falta da ébhcordia entre os Mi- Refpublicas ; e fe neceffario fot, da •
n1ftros_ Politicos. A uniforrniciade en-· 111Lntdo, e como membros püdres fe -
h;i,)
. ' '
) ,

í 2ó GUERREIRO, ESCOLA: MORAL, .&e · .


haó de apa1•tát da Republica par~ a os coraç?,ens ; e daqu.i nafce) ·qhe~ fe
-naõ inficionar. He a íuprema Curia, dous anugos verdadeiro~ fe LOrnao a
eonfonne à Caffiodoro , . o ornamen.:.. ver depois de larga anfencia, ao ert-
. to de t odos os núüs governos : Cu:.. .contro dos olhos' hui11 ' e outro CO-
ria jitprema ijl ornamentum ordinum raçaõ .palpitap.do ; fe. movem hum ,
Cteterorum; e qual ferá aqtielle, que para o outro , e por m~e~pret_es de
fe compoeni do niâl teúdo pan?. de feus ~utuos _affe~<?s ei1viao as mter~
tais MinHlros? Veja o papel pohtico rompidas vozes a lmgua, O!> ardent_es
de Solorfano fobre el julgar, diflur=- efpiritos ao femblante; o fuave · riZo
rir, aortde fe tra_ta da cóncorclia en"' à, boca , e eftreitando-fe com. amo"'
tre os JHiniftros. rofos abraços peito com peito , cora-
De todo o referido fe tjra com çaó com . coraçaõ , fe unem quanto
evidencia; que naó póde haver ami"" pod_em~ Communit,ando-fe pois em
fade fem haver concordia 1, porque os Y((rdadeiros amigos hum coraçaó
fem ella tudo fe disbarata. Como Pº"" com outl·o , reciprocamente fé parti-
deráõ tmil>fe dous coraçoeiis , fem cipaõ os penfa~entos , e vonta~es;
que a concotdiá ·os nte; naõ fendo ~fendo eftas ta<? ·diverfas , quam di~
, efta 111âis' que .a :uniaó de do:us cora.: . , verfos faõ os fügeitos , como com
çoens? O coraçaó humano ( cQmo já evidencia fe moftra na verdadeira Fi-
diífemos) heo príncipe do~ membros, 1ofophia, e o infinúa Wem nos feus
pdncipi0 dos movimentds vitais , or- Epigramnias ; pela uniaô, e concor-
gaó das pàixoens; e palacio -do amor. dia fe liga ó pelo amor , e affeétó fe
D,e duas cytharas bem temperq,das, e prendem de forte, qúe fêndó entre fi
juntas, quando fe toca huma, corref.;; realment~ diftintas ,; par~çaõ _nos ef-
ponde a outr&.; o que faõ . em as cy- feitos realmente, identicas : · , ,
tharas as cordas , faó em os amantes . __ ~
',. . .
Senfus quinque fui , & ratio fua que.mque gub~rnat : .
·( . Velle f uum cuique eft , & f ua cuique fides : · ·,
Vel.le fu:,1m cuique efl, & fratrum hinc difcordia, ut inter
1'ratres conveniat.; nil, .nift velle, deeft. . :1 ,
Mille hominum jj_Jecies , & rerum :difcolor ufus ,
_Velle Juum cuique eft , nec voto-- vivitur u;no.
· Tambem daqui ptócede aquelle Amianto ,augmentaretn em a cbainma
fummo gofto de .confervar, e vivei• o puro candor de fua fé ; mas que
juntamente·, de ver:-fe os amigos den- maravjlha? Pôis \ii\:.endo nelles huin
tro dos olhos; janellas do coraçaõ, e fó quétér , hum. fó coraÇaó , eftava
feito hum theati-o do outro, fe efta,ó em do1~s corpos huma ·alma .fó. · El1--
ve11do fuas formofas acçoens: e aquel- ganada a mãy de Dario 'dO rioo tl'a-
la dor ao d_e fpedir-{e taó · cuftofa ; ·ge de Epheftiáó , ó recebeo -crendo,
quando huh1 ·coraçaó fe aparta d? que erà Al~xandre~ ; e defcuipandp
Gntro : aquella remo.ta converfaçao feu- etro, d1ífe Alexandre : Naõ . . er-
por rneyo de cartas ~ co1nmunic}lndo- . r:a.fle. , · ó Raínha , jp.orque - Ep.hijldam
:(e inclufos em 111-lnt papel feus penfa- he outro eu. Milagrofo amor ·! í811can-
1

mentos : aquell~ defefper~da affiiçaó ·ta do poderofiffimo , que com· eftra-


na morte do amigo , qtle impellio tal- nha, .bem -que verdadeira metmnor-
vez. ao vivo -1ançar-fe na fogueira .dó · phofis ; transforma hum homem em
deftmto, elegendo arites morrer com outro; de·dous faz hum; Naõ men-
elle, ·que viver fó; e como páo de tiraó pois à vifta dos tyrannos.aquel-
, · le~
r
. · _ PA:r.,ESTRA I. LIÇAWI XXU. DA CONCORDIA. 1~1
les dous pares· de amigos PH~.des , e . cte·lança----the impidaõ o pairo à·v ifb, e.
Oréites , Bruto , t; Lucílio , dois quais o mo vime~t_o à voz, Hir rio_, e u·r uto
por n19rrer hum cm lugar do outro, ·manteraõ pelo ar a foa coi·i·efponden-
cada l~Llm a_flfrmava fel' o outro : di- · eia fobre as azas de hu h1a pomba ;
ziaó. verdade ~m a mentira : vivia que mais 'remotéil aufencia, que a da
Oréfl:es em Pilades , e Pil.ades em O- morte! Pois (;linda da out ra banda do
réftes; vivia .Bruto em Lucilio, e Lu- L~thes fe deve continuai~ a corrcí=-
eilio em Bruto- : os tyrarinos matan- pondeneia da amifade. A terceirã
'do a hum, m~tavao a ~outro , ~ ma-:- que quem am~ ao_ amigo vivo, o ame .
,J ..... - / ' ·

tando dous , matavao num fo ; ou morto, como fez Alexandre, que mor-
pafa ,melhor diz~r, a nenhum , por- rendo-lhe féu amigo Epheftiaó man-
qtle ª. fa~na . daqü~~le milagrofo amor dou por?°- dern1bar as aml~ âs ~a, Ci-
os fazia umporta1s. · dade , para ·que :pareceife qVe ate as
'Da. ~oncordia fe derivaó aquellas cóufa~ in venfi veis fentiaõ a mórte de
tres cfamofas léys da amifade, primei.:- feu amigo ,. como efcreve Plutarcho.
1 ra, faber viver· junto coin QS alJ11gos . S~ a ~lma do _d efunt0 ama tOdtlVia a.O..
prefentes ·' u11indo d~ tal modº os que eftá viyo, fora grande_injuftiça·
pareceres , e vontades , que por-vifi- _do ai:nor, que o morto amàffe .a0 vi-
nhas que eftejaó\as peífoas, na.ó eft~- v'o, e o viv_ô naõ amaífe ao morto, e
jaó menos o_s anímos .: a fegunda, fa:- que hmp. acabaffe de amar , quando
ber viver com os amigos aufentes de outro acabaife de viver : deve o ví-
forte , ,que ainda que eftejaô a_pal:'ta- vo tevocar a vida ao amigó-com acó- - 1

das as peifoa~ , eftejaõ vifinhos 0$ . tinua..memoria deJuas virtudes, e de


animos, porque eftes fe naó apartaó fuas boas ,opras; podendo eft.ar certo
com a dift~ncia -do lugar, como- diz de qrn~ fe.,o·amigo foi vírtuofo, efta-
:A.riftóteles , ain~a que .falte o crétual - rá em eftqdo de goft9 , -e de poderem
, exércieio da am'ifade : Diflantia loci aproveitar-lhe. Cruel piedade foi
non fepara{ amicitiam ; fed · operatio-. aquella qb!l E'gypcios ,·que encetran-
flej_n, antes he ley inviolavel da verdf!.- do-fe na abobada do defunto amigo
dei~·a amifade , que fe ·ame tanto ao abraça~os co~ elle , .fe c_o!rompiaó', /

arn1go -aufente; como prefente; e af- por nao fobrev1ver hum a outro. Ifto
fit11 como o Iris · fe vê melhor de lon- naó era amar ao ~migQ como a fi mef- ;'
ge, que de perto., affim a verdadei- mo , fe naó aqorrecer a fi , e-ao ami-
ra· _amifade fe conhece mais em a aµ- go: em quantp o morto mata·v a ao vi-
fencia, que em a pr~_fença ,.: porque vo, ô vivo tirava ao morto aquella fe-
tlll} os obje6tos deleitaveis mais fe fen- gund~ vida, fazendo-o mofrer _duas
~e a_d9r da privaçaõ, que a mefmà· vezes. Melhor he i~orí·er meyo, qne
poífe. He arhá.do com os ol&os, e naó morrer t.odo; ~neyo vive o defün_to,
com o coraçaó aquelle, que eftan~lo que vive ~inda~em algum amigo vivo;
longe' dos olhos, efrá longe do cora- . todo morre, quem 'na? deixa ·el.11 a vi~
çap. A àlma vive · do'nde .ama, e ama da algrnn amigo. .C9rrcluünos , que '
donde penfa; e ~té donde chega.o pe1_i- a conc.ordia he o. llflico caminho para
~améto,chegaonmor;enaõhnrfionte, fer feliz, e que a difcprdia he <?tO-
neni mar,ném z0na tórrida,q fufpençla tal nieyo ·para fe1• defgraçad0 -: nada
o curfo óqabraze as azas ao penfoq1en- faltará aos q virtuofamente viverem.
. ~O ..~indaquefefeche O amigo ~entro _concordes; ~U~O _ fe acab.ará. ~0S que 1
ae m1 penetra veis nil:lros .,,e com fal va forem defumdos. ,
' .

\.

Q L l-
:~1 · ' \.
. ~:-
122 GUERREIRO , ESCOLA MORAL, &e. . ,
quando pojfe jieri inimicum : de cujo
L I Ç A M XXIIL . frntil· foi Pu blio Mi'mo , o qual diz,
·que· ao amigo .fo deve mais confüm-
DrJ Segredo. ça, que ao ini,migo : !ta crede nmico,

T
Ey he tambem da anüfade, de- ne jit i7timicus jàlus ; e affim o dito
· · rivada da concordia, que os de Seneca fo deve entender em qrnm-
1 ..J amigós com igual confiança to do ~migo naõ temos prova da ex-
huns aos outro? cómuniquem periencia, poxque faltando efta, naó
.feus fegredps, e com a mefrna f-ideli- .fo livra da cen.iura de ignora.n te aq_nel-
dade os guardem ,- porque depofita le , que com facilidade fe confia:
feu e oracaó no peito do amigo, o que Aquella ~entença de Biant~s. paí·~ceq
o'he ve1:'dadeiro, e naõ póde efcon- a Scipiaõ. hnma grande blas±emia: e
.der o que· n-elle ha' a qt1em o rec~b.e com razaõ' porque· he maxima ~d_ia~
ew depofito , o qual o deve guai-dar metralm~ü.te contraria ~. amifçid,e. Ef-
cóm fumtba fidelidade. R~gra ~e . de . ~a baíl:a para· tirar ~os amigos a .c01i-,
Sene·c a ·, efcrevendo a Luci-llo na car- cordia., com atacita íufpeita., eafé con1
ta terceil:a ,. que em a eleiçaó dos a r~ciproca defconfiança , querendo
amigos fe ha de gaftar m\lito~ tempo d:izer ein p:0~1cas palavra~: J-fu1rt eflr,7rd-
em deliberar , porém que depoiS- de go n(l.Õ fe fie d'oytro. Se o çiaügo naó
julgado por bom amigo , fe lhe d~ve he fiel, já mais: fot amigo; e fo fe qu-
:fi~r o .mais fecreto ~ . do 'coraçaó. Ad- vi~a de füa ani.ifade ,. I<U~lhor h~ Haó
~iraó os P-olticos , como hum Divi- começallo a_.amar, que arr~p~nder.,.
no Oraculo, aqt1ella- regra de. Bian- fo· de baveJlo a.mado. Os fegred9s _fe
tes ,. hum dos fete falJios de Grecia : devem fiar d.os ~migos, e tj.e ne.n1;.u~ :,
:Ama de forte ao amigo, como. fe o hozt- ma maneira revela_r aos efb.·anhos, co~
veras de ter ppr inimigo · Sentença tno_enfina Salomaó no Cap. 25_. t;lo~
foi efta ,-fobre· que efcteveraõ todqs Proverbias verflc.' 8. e e!te os deve
os que toriiaraó por ~(umpto tratar guardar com igu~l cüidado --à çonfi-
da verdadeira mn'i fade' e fuas condi- ança ·com que fe lhe 'cómmuni~µraó ~
Çoens, entre 0$ qu.ais Se11ec~ diz, que porque· pafià de amigo a traydor o
no amigo devemos co.nfiderar a mu- que defcobre os fegredos dos amigos,
. dança·, que pôde fazer a inimigo: Ita. e naó achará q~1em fe fie de fua ami-
-amicum habeas pojfe,, ut fier:i inimicum fade, como felê no Cap. 27. n. 17. do
ptftes. Bem diff:erente poftilla fobre Ecclef e p·a ra evitar efte perígo , he
efta mateJia di&ou Tulio , pois ~i-=- .. excellente regra a de-Cícero, naó fa-
n1a, quc · ning~em póde fe1r am~go ele zer coufa, que fe naõ poífa fiar ain-
quem fe periuade ,'~qne poderá vir da de hum amigo, e ci:er 'que a prin-
.temp,o em g:ue o nao feja : Nemo il- cipal virtude he. callar ; . ·
.Jius poteft ejfe amicus· , qui putat ali-

Virtuter:z pr.i~1am ejfe .p~tta. coinpejéere ling__uam,


Prox11nus ille Deo qui fc1t ration~ tacer.e.
1
- t
1 - '
• 1
Muitos hÇt, que. affirmaó fe naõ deve ça entre fimplez aifabilidade, e ami-
c0mm~nicar aos amigos mais que as fade, e afilm agucila m.axima entre
{e~cidade~ , para alegrallos , porém os eftranhos he affabilid2.de ·cortezáa.,
nao as defgraças para entriftecellos , .mas entl'e os amigos he groflhria .in-
__poi·q ue o dar gofto he a ffabilidade , e j uriofa a hum, e p;:ejndic-ial a ontro ,
dar trifteza, groífaiia; mas ifto he re- porque fe tira ao amigo a confiança
pr9vado , porque ha grande differen- de hum aliviar. com o·utro fous trab.:i-
, · lho~
PALESTRAI. LIÇATh1 XXIII. DO S:EGREDO. 123 .
lllos' e a cmportunidadc de que fc aju- verdadeiro 'fontimentQ ' e redimindõ
dem., ou ao menos fo conlolem , pois .logo a aehmta H.<1inha das mãos de .
L • , J '

a:inda as fagrirnns d.e fontimento, .dÇ!r- Proierp.ina , a tornou viva ao Rey ,


1

ramadas· nn p1;efença do aI'f!igo , ',naó tambem coin ella rcfofcitado. Naó he


fo faó lcnitivo da magoa, mas tam- o coraçaó . do amigo todo feu, afiim
bem, como diz Plinio Junior, occa- naõ ·deve fer toe.ta fr~a a trifteza, ou
fiaô de go:íl:o: Efl q,:t.edam dolendi .vo- ·- alegria: i.niquamente·pois divide o iri-
/ttptas in amiéi flnu deftere. Chegou ·di vHi vel, (e eon~mul1ica hum, e occul-
Hercules a Amphrifo naquell,e doio- ta outró: hnrh, e Gutro tem quem o
rofo potito , em que ElRey Adméto, acompanhe na feli0dade, e na miferia,
feu antigo companhei~·o, chorava a e efte ~ompa11heiro f~z, qne nem a
morte da formofa Alceftes : Adméto felicidad~ o enfuberbeça , nem a mi-
fingindo chorar de alegi"ia pela fua . fel"ia· o opprima. 1'Taó deve porém o
Qhe.gada ·,fez q o divertiffem em hum amigo eiquadrinhar o penfamento dó
dili'ciofo jardim, em quanto a furto en- outro, qüandQ elle lho i1aó comnrn- ,
tregavâ à fepultura a adorada prênda, nica, porque fe l1e parto d.a nobreza:J
orde1;rnndo àos criados , naó fizeifem confervar _o fegredo quando c_omm u- .
demonftfaçaõ de tdfteza'. Hercnles , nicado, he aççaó 1 ~n~epdid~, com9 re-_,
havendo penetrado o fucceifo, repre- fere. Horacio, nao o inquirir quando.
hendeo ·a Adméfo de have1· violado fe encobre: . · ·
fua amifade com ofingido recato do

... Arcantim tu fcru~aberiJ ·ulliµs U!Jqttam,


CommUfumque-teges, & vino tortus, & irât
J

Que o amigo alivie a pena' e dimi- vida' queria facrificar a tua rtos aJ,tq...._
nua ·a magoa ; •e que , participe dos r~si da ~mifade, de que tendo noti-;
trabalhos, com que vê ao outro affH- eia o Tyranno , Hw perdoou ,; e por
to, e embaraçado, fe vio já antiga~ haverem ambos fido co1npanheiros. ·
mente naquelles dous anügp's Damaó , na defgraça da _prizaõ , o foraõ tam-
€ Pithias, difcip1üos· do grande Pitb.á- bem na felicidade da f9ltnra._ _ _ ,,
goras, os quaes d~ tal forte fe extre- He o fegredo _alma do negocio, e.
1_narao~ no reciproco ab 0110, e eü.ca- iegura
r.
prevençao~ cont1;a-:, as -mudan-jl
recimento da amifode, que tendo pre- 9_as do tempo , porque, · ç9mo refere
zo a hum delles o Tyramno Dionifio , Maximo Serm! .1 ~ · ~drnoeft.a. va Sóc1ia..-
o rnahdàu matar, o...qual ouvindo a t es a feus difcip~llos ,-q'ue gu~rçlaifeJ~r
. :'.'entença, e defejando ir à füa te1::!-·a · tres coufas na vida, prud~ncia 110 ani~
a compor humas coufas, fe lh_e ofre- mo, vergonha no roH:o, ~ filencio n~
, receo feu ·amigo a ficar no carcere, lingua ; e Pl.thaso , co,mo ef~reve º'
obr'gado a padecer pof elle a n10rte, n)efmo JVlaximo .Serm. ~o. ~confelha;::
· fe naõ voltgfie até o tempo que lhe fo- · va~q:ne nunca fçJ.deíCobriffem aqu~Ua,~­
fe dado; e füppllcand..o ao Tyrnnno corifas, que fe_d~terminaJiem foz~r . 1 ,1
efta licença , fo foi hum, e ficou ou- porqlW !1.aó foffem ju:íl:a1~1ente ll1lll"-:;
tro prezo , aliviando defta maneira mu1·aq_as, q nai1do foífem mal ac;ont e;: ,
. muita. parte da defgrnça do outro, de . cidas. ~faõ 1e deve :fiar P' fegregq_ mai~ ,
qn~ ie riaõ t odos -., ,julgando , qL~e que do .verdadeiro amigo., djz ,Pt;h
nao Voltarra o antro aniigo , ·que ie tarcho in Moral,\1 ·e que .affirp. comq
t:av.ia folto, o qual 110 fi~n dqs Jias para ·experiment~r-1nos ·o '{n{o,lhe naõ
na 11tença, voltou à p1"izaõ bem a pe- lén)çai11os de1itro vinho , [e naõ agua,
zar do .amigo , gue ·por lhe rn.lvar a aifün ao amigo fc deve commnnicat~
,Q., i.~ ~fguma
f_;J -
1a4 GUERREIRÓ_3 ESCOLA 1\10'R AL , &e. _
ah?;ntmt coufa frivola , para cxp cri- porque no juizo do Sabio Cbilon, naó
me11tar-rnos a foa fidelidade' p1:imei- ha coufa mais difficultofa de guardar '
ro guc lhe comnmniqucmos os rn:.:iyo- do que bum fegredo, fobrc que he eler
re$ fegredos : Deos confl:le, amicos co- gante o Epigran-:.a de U7 em lib. 2. p.
1e , quocl noveris , non jla~ini dicas _, · r_o7. /
Plurima deguftat ftom~chus, nil decoquet reger,
Sic ttt fliS, f atear, multa, nihilque fafis.
' '
A todo- o genero de peífoas he con- eia cómetteo o caihgo ao arbítrio do .
veniente , e -ainda nece:ffario ~ pafa ' Principe , e com agudeza diífe Senec.
c-onfeguirem os fins que pertendem, l. 5. de Beneficiis ,- que o fegredo ·Vio-
o fogredo; mas nos JYiiniftros Politi- -lado naõ tinha pena legal , porqu;e.
cos, e Militares · be obrigaçaó ,..cuJa pare~eo à antiguidade, que bafta.va a.
falta contém deli6to de lefa Magefta_.: obrigaçaõ da ky natur~l, efcripta no
de en1primeiro gráo, fe da yevelaç.aó coraçaõ humano. -_ ·
refuita odio , ou inimifade entre o Pezado he o rigor do fegredo ,
PrinCip;e , e feus_ amigos; óu dafüno que carrega. fob1~·e ·OS Miniftros pu:..
publico , em que vaó implícitas ou- bliços; e tanto, que .differaó os anti-.
tras penas de infamia, prejuro, e fal- gos Philofophos , hum , _q ue era a .
fidade; porque fe he aborrecido ' e coura mais dí~cil de guai:dar' e.ou'"'
com razaó , detod.os o que d~fco-_ tro,pe_d io por me1·cê a Lifünaco, Rey
bre o fegredo d9 amigo ', co1í10 ·diz de Lacedemónia', naõ lhe encomen-
Ofvrio lib. 8. da Real lnftrucça'6 ,1 co111 daífe fegredo, temendo, que comet-
mayor raza9 o que communica o do tido a muitos, fe pôde defcobrir por
Príncipe he t1"á}rdor. O defoobrit as,~ culpa , ou defcuido de hum , carre~
1

acç0ens fetfot:as d0 Pri1110ipe, ~1~ d~ gando a fufpeita fobre todos., tanto


feu confelho, os votos i, a con1wta ;· 1obre o que calla, como fobre o que
a refoluçaô , damna ao publíco-, e of- falia , couüc por certo , que obrjga
fende o particular, ef.creve Gerzàõ no a muito temor; mas em os homens fa-
Serm_. a ElRey de }rançà, ·conjide11. 2. bios , e prudentes; o amor do Princi- .
porque impede a adminifl:raçaó · da pe, o defejo da honra, e o temor de
juíl:jça ,- q úe ~ he faude da Republica, perdella, faõ fieis guardas de feu co-\
e coqfervaçaó -do Reyno em paz ; e raçaõ, e chaves de füa boca, conver-
ifto ainda·em~d que parec-e menos pre.:.. tendo em natureza o accidente com
judicial , o he muito, avifando ao ne- efres refpeitos h onorificos. Taõ ob-
gociante , -i mpedindo o caftigo , re- fervantes foraõ os antigos do fegre-
vefando o voto, prevéi·tendoaordem, do, que deixaraó doutrina, e exem-
de~rai._1dando ·a ley _, indignando ao plo aos prefentes. Dos Perfas refere
amigo, e apreftando ' ªºinimigo: ma- Quinto Ctü·cio. ., que guardavaõ _os
teria be1n reprehendida por Camas 2: fegredos delRey · com tal rigor, que
part. Miftol. Pialog. 2. quanto mal nem em a efpexança , nem .em o te".'.
entendida por alguns Miniftros. Naó mor acharaõ porta para abrir fua bo-
fé·póde imagh1ai· pena-adequada a taó ca. Dos Athenienfes conta Plutarého ,
grave deli&o, prine!palmenté em os que eraó de t anto fegredo os .ltreo-.
m.ay-ores ;·_porqüe he turbar <).·pureza pagitas, que dcraõ occafiaó ao ada~
àa juftiç'! em feu nafoimento , be tur- gio : }./lais callado que Areopagíta., que
\Tar a ague:1"há prop1'ia fonte, para que val o mefmo , que l\.1inifi:ro. Dos
os arroyos corraõ fürnpre turvos ,- e Romanos efcreve JVIaximo , oue hu-
por iífo ad vertidame:~'-,., " .T'Jrifprude- ma das tres coufas, que os fizêraõ .fe-
ni10res
)
(.• .

PALESTRA.I. LIÇA~1 xxnr. DO SEGREDO.


'
I 2 ,- :
nhores do mundo todo, foi o fogrc-. pi'e, ·para· o deCenganar de que naõ
do, porq u~ com clle fe logra ó os
fru- ha y~a rev~lm· o fegredo; o que fogún-
tos do governo; eo meüno diz __, q a-@ do P~ilo , fez tqmbem o, PhilofophÇ>
frndo prezo Fompêo por hum Re.1y 1, ~ Zcnao. Santo A r,t;br. _lib. 7.J fn LA1cam-
e confir<'lngido a que declaraffe os..de,- cap. 10. diz q~1~ HierichtLJltina fo t_
fignios dos Romanos ; offerece'r~hum · taó obfervante do fegredo, q 11e naõ
dedo ao Jogo d.e huma lanterna _, € foi poffivel ,revel&l~o. :à.força.Jie gran-
com tal paGiencia, que defefperando - des tormentos ; , e tle Atita, efcreve
o Rey de.faber delle os·fegredos ·por T~rtuliano in Apolog.~ cap~.. sq·..;qtíe fon-
mey o de tormentos . os mandou cef- do cruelmente atorípentada para de-
f1lr, e defej.ou ami~ade com .os Roma- cla11~r :, e r~veLa1~ b,um fegredo :,, par-
11os. De Pifaó, Governador de Hef- . tira ·.com· os dent,es a ling~a ,: cafos
panha; lêmos em Ta.cito., que fomdo tanto mais eftes dig.µ.os de adn1iraçaó ,
morto por hum lavrador de Hefpa- qnáto he \nais r.a r01 J;éfte [e.-to ·p fegry:-·
rrha , mal fofüido a feus exceifos·, e do pela inclinaçaó,., que .teg1 para fal-
pofto .eril tormento para declarar , os lal' , ~ huma qua4 i.111p0füpifoiade. de
complices, dizia. a v0zes, que podi- callar, . ·, 11 · · :
--a:õ eftar feguros fe\1.s companheiros , De nenl1qm, picpouco Jruto fe-,
quenaõ hav ~ria tormento,que oobri- raõ nos .M iniftros1toQ.as asJnais par-:
gaífe a defcnbrillos. O .mefmo' efcte- _tes, e requifitos, fe, car~cer.e.m1 :do o'tl-
ve V alerio-'Maximo de Coma , oapi~ ro ,, em que fe el)g-Stfta'ó tod~J S . , q u~,
taó de fadr.o ens; o qual tanrbem · i-e- he~ o ,fegredo ~ p}lst~ ~aó. -éftit:navd-.
fere ,. que Anaxarcho . no tormento em hunt Mini:ftro i ,~ ,.qüe Mi -0Marci-- ,
cortara com· os dentys alingua, e a al Ingléz,-que aqu_ç}Ie· que for dot ~do,
.lançara áNa~reonte, Tyráno de Chy-.: della,póp.e tGr o go.verno dQs Reynos :.
i . tí' :-
'[u flcreta tihi J(egnorum cr:edita.'"·condis :, ·,, :i J

Eftque tttte jidei femper .habenda fidej.


"',i;
., ' .' ,,,

Do fegredo pende o governo publi- para condeümár· ~ Je desfazer ~quel­


C© , e uni verfal do Reyno ; porq ne les motivos, p_ondo. em m_ e'fi.Los· preço
. em todos·_ os negocios de paz , ou de .as acçoens Reaes _~ ~ occafionando ap
gllerra , h'e o fegredo a alma· delles ; Prilrnip.e o odio particular; e affim dif-
he o que facilita a exe.cuçaõ dos de~ fe .Cqffiodor. lib. 6( -cap.-_26. que a hçm-
fignios·, qt1e entendidos , teraó gran.,.. ra dó l\1iniího ,eftá no fegredo das
des difficuldades; e he como as.minas acçoens publicas-., . e partiCulares do
~m as guertas , que fazem grande Principe; eH:e naõ as ç_
1
os1fia f\: :g_aõvda7
proveito em quanto · eftaõ occultas. - quelles , :que fa0: por fua , fiQ:eiidtid~
Nafce tarnbem do fegredo o amor, e a pprovados, porq ne ainda qtJ~ .fejp.
~:efpeito dos.vaffallos a·J'E'.L1s'Principes, public·o ·tudo o que ·fo :faz .,,,cpnveni
pol'que as caufas motivas das refblu- mtütas · vezes fe faibaó ctepo~s _de fei-
Ç9ens Reaes:, fernpre ·i ncertas, e dlf- tas , é·. e perfeitas11!as acço~ns ; pele,
. Vidofas ao Povo ' faó · m~üs venera- q1ie,diz Cafüo.dG>roi, qüe os lVlipiítro?
' .elas delle ;. porque fabidas do Min.if- devem· imitarraos .Ju·c_hiy os ~que tem
tro as que ouve para iulgar, ou-re- a ~ memorias, e efodpturas publicas ~
folver em efta ,'ou aqtÚ~Ua fórm2\; ou que. ainda ·que fabem tudo , fóm~nty
1~oti vos pai:q caftigàr , ou perdoar publica6·.aquillo, em guE? fe. 1h? pede
iri:hlfm, fa~er .mercê, ou. denegalla a 111 ' ftLl'UCCUO.
,., ' ....,,
; .. , ..
- Muitos Í01mõ . de parec~r . por e{...
,)

-outro, naõ faltariaà juizos particufa..c


J:es , viv_as razoeqs , ~ :fhndanwntos t as razoen~ ; ql:1e fe. o PriJi.cipeJpodef.
- ·~ fe
'·i/

126 · ,GüERRRfR':ô ,-ESCOLA l\10RAL; &e; ,.. ·~


fo p 8r h reiol ver as 1 h1üterifü 1~· {eria · dirçaó fecrctos , e q tw fen~pre · fe an:.., ,
rna1s coi:i. venicnte; que co mnmfJ.ioaHas · dem. fingindo .ignorantes do que fa:.. ,
pelo fegródo dellas. .; -que perdê foa b'e.1111 ;,porque aosncgo(l'.iantes, conjcc- '
· natürttza , f0 paffc'l · a dous , cGÍ110· o fa- turadorcs, e judiciarios · do fen1blan""'t.
zia Antrgono; R~y dá IP-~fia ,i q\1e· per-· te , e acçc:ens do~ f;1iniíl:ros , militas ~
guntado , 1') or De1métrio fou •, :filho , : v::ezes dei oobrem ein o rofl:o , o qne':
qunn do falüa à oaá1p:atfiha , lhe r~lp_on- caUa>a língua ; como-cfc.reve Cqi'iodà-.
deo :- Peflfas út }:er.Iú oqueJnaõ ·hé de ro lib: + cap. I 6. A diffinrnlarçaõ hc al-1 ·
ouvir , as >cá4xas· , ·1e trombetas •dé mar- ma do fogredo; he o tüúaó d0 gover~ ·
1

cbar ?1 C9 á1efmo , fnccedeo á IYLetello no; e naó fabe reynar ·quem 'naõ fobe; .
em a gue1't·a de Ht=ifpanha ·: defrj'a.í:ldo d,iillmular, "difie Luiz Undedmo ,.Rey·
hum cúri:ofo· fabei· o gue · a oüt:rG dfa de França; que aprende() de Tiberim
havia d©:fia:zer, lhé_refpohdeo": se-en-· G:efa1..·; mefire defta arte. . .. ., •
tendera ~ f' qü:e · a inzinha camiza •fctbia " - •Irnpo'rta muito , q\1e os· Minif:-:
m'eu.s pe11j;a1J1entes 1; a' qtt,eimára' logo..' A tros ~ fejaõ de feu natliral ' e.allaâos •; e:
mefniai,rgpgfta ·d®tll iD. Ped-ro :.tte Ará- naó"loquazes ,po_rque foliando muito,:
gaõ ao P~pa Martinho IV. pergurttan- · com defcuido.,, Jí1l~ com cúigado fe diz;
do-lltê•.alqrfe'f1m fazia a J\n1J1!tfa, CQm Q que ao•depois ·peza .muit'.0 ha\Fello:
a qual -fe·tfaz fen1hqr depois de Sici- f-alladu : a e;fre ipropofito fie .doutrina'
lia. =0 \m~fmb foc!Jétfoó ao ·noifo- glDl. ·de San-Tiago ·.Epijl.'·r. . ainda.que geral.'
riofo R,@y :D. Joa0_j ft que p<:ira a jor- pára Jtodo~ ;· mtiy 1 partícülaT ptn::a os
. ó'ApGtfil:olo ;.'o:bo-~
nadrt, que fé;b qfüfLclo tomou Geu1.ta ,' 1'·1iniiíl:ros :' Sejw, . diz
tu do .. ei·a al·i:H:~ P ©·eifte , prevenir 1ar- mem veloz em ou.vir , tardo ·em f qllar ~
nps,, fabhcar bai'~<~m; 1 ~m:. 0 nGifô l~ey- q·u:alidades '; fümrnamente neceífa-riaSi
no; e·_ccmro·-fo igno1tay a a caufa J.fa.p- e-m:os IV.Iiniftro~r~.que vevern fer façeis! ··
poíl:o que a fama fabricafic a oqra, te-·, ·em dat aütliencias, fuaves neUas, e
meraõ ,todos os Priuaipes··c~i·~íftüos· , tardos. em manifeftar as refoluceens
e quafi os Infieis, pareG:endo-lbe á .ca- · :.at~ ·feu_'temp0 , ·: porque neíles"' ferá
da hum, qn9 fqbre fi tinha o rayo da deli&o retardallas, corno antes virtu-
gue'r1~a :.:.t õdos 1·0-s de·Hefpahha~pcdi- de occultallas. Ha de-fe medir o ferri-' , ·
mó :,. e a:lT~gnrara@ rde novb pazes, po, diz o Cap. ' 3. doEcêl~f. \dando .1l:ui1'
Caftella , Aragaõ :,. Gpmada : El~ey , parte ao filencio, e a fn~ part e a lingua:
que em o.· fogredo · ~fu!ançava a ventn- . Aquelle: hs bom Minifr.ro ·, boni'f
'.ra ~ fin gic:.F 1etemr· todas as fuas pre.., amigo , e bom confe1heiro~ diz Salo-
yerlçoe1'is ', contta ·G-IDNq nc de Hofüm,- · mao no cap .. ~r. dos Pro"íJerbios , qu8
éla, e para fü~is diffa1~·ulaça 6 ·O mandou guarda o fogre4o ·do feu 'Principe, e.
defafiar, famofa. 'iínità,Çaó deAnibal·, ào fou amigo. Conta Curfio lib. 5.·in
quando l en~'~ Hefpmiba gnerenào ir ' Ale>."and. qu·e lendo Alexandre huma
contra Sa:güto , fahio ·em fom de1guer- . carta de füa,mi1:Jt, chegou ·Ephefhaó,
ta cOiitra Toledo. ·Notado Euripides ·fiado na fuff prj;vanç.a, a·l~r tambem;
de lhe-cheirar mal ·a. b.o ca, r efpondco e·ainda que continha fcgredos , naõ
~g;udainEfn-tê, qugLmtíil:al; cQufas dei- o i'coüfou Alexandre; porém depois
xava a poêkecer çlce111;i!ro de fi., ·dlm1do d e llda , toco~1 a_boca de Epheftiaó
aenten.deí~;; qlfe fabtá1~bern' guardar o com o fdlo.do leLt anel,enfinando-lhc,
feu fégred,ó0; rnasf qwrndo no r ~J·inci~ qtre e11e tinha cumprüjo~ com· fua a
pe lhe faltà .tcmpo.J, · ow experiencia , obrigaçaó em communic.a r'-lhefeus fe~
-e pedê,-a inaterh eonfo1h0, o eleve tO'- gre<los , que curnJn·iffe . com a fua em
mar de poucos pr~~icos , e -expciri- guardallos;epelo cótrari0Jie tray dor
-mentaaós úO qu~_, os.. eõnfu}M ,. e fo- e indigno de ter· ami[:'l"'rS:, .o a ue os re-
-bre tU:db que fcJaó~lie f~rn natural con- vela, diz o Cap._27 . .._~io~câef e para
,• q~

.. '
·' _).'...' \
1

PALESTRA I. LIÇ'.AM XXIII. DO SEGRED O. . 127


que o amigo, ou Miniftro com o d ef- . meiro -ik vio execptado ,:qu,ce ·prefu-
ctiido o naó dei~e- cahir ~ompalavtas, . nüdo; diligencia, que confegp~ ·êf.'Ji .
.que o defcubrao '.ª~onfe1ha ç Cap. 22: l?erdade do cativeiro, em q ue ~-fr. ~y.~
· do Eccl.ef qúe feJaO as de fu.a boca o Reyno porfeífentà annos _intcü~O$:;·
c0mo pezadas ·em o pezo do --onrD, Conta Fitlgojio lib. 7, que fendo -qGjj:u-:
fem que ao fiel do fegredo leve o pe- me al'ltigo entre os P 01r.1.anos · S~nado-.
zo de algum affeéto humano, porque res, levarem comfigo feus . filhos ao
<:lo exceifo em faber .as re\oluçoens , · 'Senqdo , para que com a idade créf-
refnlta cíl:ragarem-fe os negocias pp- ceife ta11:1b~U: nelles a intelJjgencfa dg )
blicos, e privados. Gerza'Q diz , .que governo ,-Juramel.1-tados primeiro fo-
.em feu tempo. fe perderaõ os negoci..: bre o fegredo; hum delles fo>i o me~ l
os .d.o Reyno de Franga, pór publi, nino Papiro, e .cJefejand0Jua mãy fa~
·carem os criados d.~lRBy 1 o .que_ em her 'o que 'fe paifava no Senado, e na~
as con.fultas fe refolvia; o mefmo dam- podendo cç)n,feguillo , com:m~mos, ?. .
.no . padec.e o ó noffo. Portugal, por rogos, paifou a rigoljes, de q_u~ po1·
. -fer fu.r do o rioífo Rey D: Henrique., feJi:v1~ar lhe piife , que .(e havia trata--
e fer neceifario faUa1·-lhe a vozes. : do, qµ_ail {~ria ·wais uhl· p::ira o a;ug:..
- . A grandeza do eftado de Vene.:. / mento da Republica, fe ter cgda h\1m
za, efcreve Garimb , ha ccinferyado homem duas tnulh~res , ou c:;iqa ll)l::'L-
.() fegredo d1e fuas conf~ütas , e det~r- lher dou,s maridos , 1crija refoluçaõ f~
1minaçoens . .Entenderao os Venezia-:- reme~tera pÇtra O:'Outro ~ia ; a mª-y
nos ; que · feu ç ·e neral ,caraminolla crédula , co111111~mjco1~ , o fegredo àp
naõ procedia bem , e foi cl~amado mats {enhoras, ~ refolutas a d_efender
com ,,em• de tratar _çoufas d~ eftado fl!a mayor neceffi.dade , amanb'eceraó
,-,p ublico, para fer caíl:igado ; e com ao outro dia à p_orta do Senado ,.if1for.. :
Jer o Senado de du?entos .Copfelhei- lllando aos· Semadores , e -dando-lhe
-ros, -e feus amigos , e páre~tes mui~ tn\111oriaes:- , s> Senado inforlJl?dO ;'
tos, qelles, e hav_e r tardado _fua che- louvou a .Papiro,~ honrou f~n fegre-
·gada oito _mezes; naó fe divulgou a do com a Pretexta, aílticipando 1à fua
refqluçaõ fecreta . , e chegado . , foi idade a:dignidade, e ils mull~cr~s ref-
prezo ' .e aos trinta dias.' lhe foi cor- :pondeo'·com muito rizo,, de que t.J.vef-
tada a cabeça, publicando fna .cülpa iem efperança( de gue o Senmdo f?ria
- l~uma mordaça em a lingua, teftemti- o qu~. n:rnis cqnviefie. Exern,plp he eíte,
-nha de feu deliéto ; por ifto fingem que- envergonha aos Min.iftros em re-
' .os. Poétas , conforme Patricio lib. 9 . . velar fegredos, açhançl() fae11 entra._
· cap. 7. que a pena de -:fântalo no ln- da ne+les o amor, e temot, e regat9s ,.
ferno , com agua na boca fem bebel- que naó, poderaó vencer a te11ra· ~da- '-
la , e nos deiltes a fruta fem .podel- de d~ hum rapaz. , · . · .
·la morder, foi caftigo ' de publicar os . Coucluimos, que o fegredo pú-
. fegredos, enfinando oom efta ficça6, blico, fe naó· b_a de fjar d~ amigos, ~in­
, qu2. os que os re\rel.a ó , faó dignos ·da que·:fcjaõ os piai~ íntimos ., eme-
e penas eternas ·, e que faõ peque- nos da propda mulher. A ·vida' ~u(- ·
· nas :is que aç'abaõ · com a vida. O fe- , tou a F.q.biQ M,a,ximo , como .~opta :Ta-
.. g'í"2.dO, que houve entre OS quarenta cito lib. ·I. O.haver _çontado a Th~m:cia
Fidalgos Portuguczcs , ª ' quem fe · füa mulher' a viuta, que Augu:(to fez '
communiêÕu hurna das mais ·glorio- a Agrifpa, porque ella o diífe n Li via,
fo.s acçoens, que tem.ha.vido no mun- e Li via dey. queixas a A ugufto; fal-
do, q1~al f0i a reíl:auraçaó \1efia, Ço- · lai·, que ao depois ª.obrigou a chora.r
. ·1·oa , ui urp ada pelos R ey s de CafteHa fr~a 'cn lpa , ou a de j eu marido , qüan-
à Sereniifüna Cafa de Bargança, pr1- do naó fervio de r,cmt;dio. Quantas
, · ' · ~ · ~ -· - ..
COll·
' .,
1 ·,
. r...F
ci.

128 . GUERREIRO, ESCOLA MORAL ,1!&.c. ,


confnltas, quantos votos, e quantas . ., -.
couíç1s fe fabçm por liviandade , ou ' L I Ç ~ M' XXIV.
cobiça de mulhei·es?Dignamente-caf-:-
tigaó as leys feus deli&os. nas c.abe9as
defeus nwridos, donde, t1verao pnn~
bpió. 'c oncluímos em fegundo lugar,
que· oJegredo particular fe ha de.fiar
H - ~ Dos A migos do~ Principes._
E muy porfiada contenda en:. .
tre os Politicos, 1~ devem o_s
Prindpes ter amigos, aquem
do amigo , que foi -verdadeiro amigo , · -a Sagrada Er~i:iptnra. :po Cap.
e que efte o deve · guarda_r .- co~n fi~m- 22. dos Pro7Jerbios chama. privadós J
ma cautelã, porque a couia mais d1ffi.=- qu.e val o 1~efm~ qu ~ valtdos. Negao .
cultofa que ha, he caJlar o que fe nao . Jmns , e afürmao outros. Fundao-fe .
dyve fallar, com:o diz - Maximo Serm . .. aquelles: ern que n amiiade he hum la ..
20. e ' por 'i:{fo refere _o mefmo, q,ue ço forte , e todo:, o laço tirá ao que
, Adftóteles dizia, que o fegi:edo fo .o _ata a liberdade; õ que n~õ póde ha-
podia ter quem podeífe ter na lingua 'ver no Principe, que devendo .go-
hüa braza de fogo;eSimónides;qnun ~~ .vernar a ~odos, naõ deve fer gover-
fe arrependera de haver callado, e ;:i_ rq.- · nado. por alguem; lirnis, que çmffor- ,
ras vezes deixara de Jhe .pe:z ar de ha- tne a Ph1taõ· lib. 12. da Amifade, tq-
ver falládo; e para que de hu111a vez da a 'amifade perfeita deve,fer entre
, dig·amo~ tudo , o fegredo Ifa .. de: fer -iguais ., e ao Princ,ipe todos faó infe-
o
Gomq o pinta D. ~r:mcifco de laTor- riore$ .; logo entre Prindpe ·, e -os·
·re , addicionando o EpiJI.r. f7. do liv. 2-. .vaífallos naó póde haver arnifade per-
deJoaó de Wem,nos feguintes verfo~:. feita. · A.jnda tambem, que n~ó póde
· haver· amifade·perfeita entre pefioas,
Ef filencio eftà fentado . que na-p ·pódem reciprocamente ob 7
.E11tre el furor , y entre el vino, _f ervar as leys dá amifad~, qüe fica ó
Pa1:a dizer, que es Divjno, .1, ·ponderadas : os Príncipes as. na-ó pé-
Si con ambos es callado. -dem obfervar com os ieus inferiores:
A quien ya m4s le- ha pezado· logo. entre elles, e o Pfin_c ipe naó pó-
Del ~callar? del lrnblar nó : -de haver .amifade perfeita. Ponderaó
Porque nunca el que -calló , . , -tarnbem pela mefrna parte, que os
Dexó de lograr· fus anos, ·.amigos - dos Principos procuraõ fu.a
Y fiempre í11ítió los danos ~ arp.iiade pefa útilidade, q_u e delle ef-
Del hab1ar, quien mucho _h abló. peraó , fendo cofl1Q os_que cavaó the-
At:n quan'do es cerrada tabla . .fouro-, q11e ainda q1w efteja na zona
· El tecreto , es fragil mui"o , " · ~orrida, o frequentaó ·pélo que efpe-
- Ni al fer piedra lo aífeguro ,. ' r~ó; donde yeyo a ·dizer Veig_~ ,_que
Que la piedra en ecco.s habla' vivem enganados os que peniao 'que
Vivo, y etemo fe e!1tabla, .os Frinéipes tem tantQs amigos ,,quan-
Si en fombra 10 defconcierto , ~ tos faõ os Servidores , e Minii1rós ,
Y eri coraçon nunca abierto· que affiftem ení Palac1u; e So~ón,
·_Fiel fepulchr9 le apercibo·; ·hum dos fete Sabiqs de Grecia, com-
. Porque el fecreto más viv~© , para .eftes amigos , e Coi·tezaõs a cer::
Es el fec1~eto más muerto. tas mo.edas ~ qüe chamaó'Contadores, '
.f· .~.i~· ·" . que já valem dez , já cento , já 11.)H,
"" r já hum ,:· jü nad:'l ' tudo pelo lugar
donde as po,em os qu e as c'ontaõ , e
naõ por, feu proprio metal; ,~. affim
- ~üiz, qqe fitó eftes Cor~ezàós. , que pe-
lo poíl:o. e_m que us poem o príncipe:
" fao
PALESTRA I. LIÇAJ\f XXIV. DOS AMIGOS DOS PRINCIP~S. / 129
faó o que faõ ; e fendo certo , qLw Imperio , como t eíl:emunba B!oJJ.do
aonde mais fe alarga a efpenmça do lib. 0. cap. 3. O Surnmb Pontifice
proveito.., coftumaó ~nil1goar os gyi- Leê1Q V; c?m feu criad? Chriffc vaó_,
lates, e ímeza da anu fade; e a nnnfa- o qual rnb10 a tanta pn vança, q uc fe
de, que refpeit a a u tilidade , naõ he dcfvanccco ele maneira, que efcreve
amii~de- perfeita. A ccrdcentaõ '. qü~ llhefla_s. na r. Part. da bifloria Ponti-
R anufade para. com huns rn.alqu1ítao fical · lzb. + cap..50. chegou a prender
os Princ.ipes para com outros, e que o Pontifice em hum· e1cu ro cllrcere,
naó devem os Príncipes pela àn.1ifade e oufou cbamar-fe PontHice.
de poúcos, perder o arn.o r dos mais. . ' Corroboraó mais, que além do
Dizem t ambem , que- á experienc\a d·amno poifoal, que. r efi.!lt a de 3111i-
.tem moftraélo quam · damnofa he aos gos particulares às pcffoas dos Prin-
Principes a amifade particular com os cipes, he muito confideravel ô que
vaífallos , corno experimentou Abi- padecem os Reynos : djga Cnftella o
melec com feu privado Zebul, que que pacleceo em t empo ·delRcy D .
defpertou o animo de Gêlal , para que Affonfo o Cafto , com feu . privado
pcrí~adiífe aos Sichímitas, para que Eernardo de Carpio?Diga-o .Liragaó. ,.
fo rebela:ffem contra. elle, como fize- em tempo delRey D . Pedro , com
raó ; e p ofro que os apertou, e to- Bernardo de Cabreira ? Diga outra
mou a Cidade em que fe ha:viaõ fo r- vez Caftella o que padece o em tcm-
tificado, querendo ao depois pôr fo-. po · delRey D. Henriqne o E~ferrno ,
go às portas de huma Torre , donde c9m feu privado Ruy Lopes de
fe haviaó retir ado alguns , huma mu- A valos ? Diga Perfia o que pDdeceo
· Jher, que eftava de cima, deitou fo- em·tempo de Affuéro, com ieu pri-
bre elle bum pedaço de-mó- de moi- vad'O Amaõ ? Diga ,Roma o qne
nho , com que lhe abrio a cabeça, e padeceo em t empo do !rnperador
vendo que morria, porque f~· naõ dif- Tibério con1 fcu vnlido Seyano? Di-
feífe qüe morria ·às rn.áos de hmr~.a ga tercei·ra vez C;ftella o q uc pade-
rnulher, mandou a hum criado fen J ceo em -tempo dclltey D. Joaõ II.
q\ie o acabafíe de mat ar, como conf~ com feu valido D. Alvaro de Lun : i. ?
ta do Hv. dos Jztizes , cap. 9. Gordia- Diga o Irnperio do Oriente o que pa-
no com fou privado Filipp~, de quem deceo em tempo do .fo1perndor Ar-
fiava o Imperio , e o governo delle , cadio , com.fe u privado Entrópio ?
levantando-o a tanta privança, que Diga Inglaterra o que pad,e cco cni
nada fozia, fe naõ o que elle ordem1- tempo delRey Heurique VIH. -com
va, u qrnü o véyo a màtar para fer feu amigo Volfêo ? Diga a mei'ma o
Imperador , como refere Turfillo. que· padeceo no mefü10 : tempo c,om
Federico , Rey de Fran·~a, com Pé- Cmanrnél , valido do mefmo Rey ?
pino [eu privado, qu_e chegou a_tan- J?iga .Efcandina via em tem po delR~y
to, que foacclamou llcy, .e obrigou Bigen_o uqne padeceo com (en va11-
o
~o me fino , que hav ia levanta do , a do 'f Llrgillo ? D iga q uartQ vez H ef-
k retirar a hum Convento , aonde panha o que padeceo em ternpo del-
viveõ privadamente, como refere o Rey Fiiippe JV. com fen' valido o
mefmo lib. 6. Ifac , Imperador de Conde D uque? E dig:1ÉH10 firwln1en-
Coníhmtinópla , com Mattilb, a queri1 t e todo s os Princ1pC-? referidos, e os
havia levantado a tanta p rivança ,que mais, de que faó taftcnrn{1has as Hif:-
morto o Imperador, .deu duas vezes torins, que na.6 he poffivd reduzil-
v~n eno a feu filho, e por lhe fohir, los a compendio , o muito que lbe
vaa eH:a diligencia, 9 matou com fuas cüftaraó ,eftas amifades, que os mei:.
propr ias maos, e fe levantou com o mos .validos diraó , ou prn: elles os
R Hif-
1 -

. .
130 · GUERREIRO, ESCOLA MORAL, &e. -
· FíiH:oriadores, que pagaraõ eftes va- a todos, ninguem º~mandava·.
lirncnto·s os m ~is com a vida , afron- Os que affii'mao, que os Princi-
. t ofarnente deixada nas mãos de hum pes haõ de ter com quem defcanceni
:verdugo , e os menos ,com h1'.m ~!ílfa- o pezo do goyer~1?, e de q uem fien1
me de:G:erro , ou perpetua pnzao. · o 1eu coraçao , cuzem , que be vir-
Confirmaó mais, que os confelhos tude , -e raz~ú natural, que t em. poi:
~orn muns ~ e de muitos, .frtó fempre fundamento o mefü10 Deos ; efco-
º" mais acertados, e os de 11.um par: lbendo fugeitos com quem :profoifem
tícular faõ fempre fuípeitofos, por- amifade,. ·abraçaráõ a razaõ natural,
que corno quando o_s dá, naõ ha pre- e a virtude; · O amigo leal he forte
fonte quem os examine , e ponha di- muro, ~ fegura defeza ;.o qü~ o acha,
ante os inconvenientes , com qual- defcobre hum thefottro: fem ami.g;os
qncr fimulaça ó , ou do bem com- os penfamentos daõ enfado, as obra;
nrnm, ou doierviço do Principe, fe trabalho , e a vida tormento . .Quem
1

faz crer, que o que póde fe1· ruina naõ tem amigos, naó tem olhos ; o
fua, e çlo iêll Revno, he o que mais melhor do corpo foõ os olhos; o me-
1

convem para go.verno, e conferva- lhor do Principe faõ os amigos: Os


çaõ de feus .Efi:éldos : principalmente thefouros de Darlo eraõ joyas , os
fc naõ eíhí. muy pratico nos negocios de Alexandre amigos. Duas bem'a- 1

da Monm:chl~ , porgye deíle tal fe ventura~1ças, diiT~ Crefi:0, 9qe havia


~ie v e premnnr, que iabe muy bem :ª confegmdo com íer Rey, rázer bem
praticlf'da lifonj a, mas naó a do go- aos amigos, e vingm·-fe dos inimigos;
verno , e eftad.o Politico. · ·· em o primeiro, faliou como Rey , em
Ult1mamente perfüadem 'GOnr o o fogundo · como vaffallo. Naô he a '
exemplo de Cieones '· que havendo vingariça de peitos nobi"es. Naõ ap--
chegado contí·a feu go:íl:o a fer Rey provou Socrates o que da virlgança
de Athenéls , chamou feus rnayores diiT~ Cl'effo, antes fe lhe oppoz, di-
~q11igos , e defpidio com lagrimas fua zendo, melhor fora . fazer deffes ini-
. amiiade, fabendo que m1õ podia fen- migos amigos. Os que tira ó a amifa-
. tar-fe em buma cadeira a·amífade, e de, tiraô o,Sol do mundo. Foi pro-
a Magefb.de, e que o que fe veíle de ve1:bio · antigo, que o amigo era mais
juíl:iça, fe dcípe da amifade : do Im- neçeífario à vida, que o fogo,e a agua;
pcrador Othon IH. que já mais teve porque he_óverdadeiro amigo méfi-
valido , dizendo for incompativel for nha da vida ., e da imrndrté1íidade ,
como fe lê no Cap. 6..qo Ecclef. e naó
Rey , .e ter particulares amigos ; e do
noifo Principe perfeito ElRey D. fe ba de negar aos Principes o que fo
]oaó Il. que affirmava mais com en- concede aos particulares , dizia El-
carecim.ento , que com verdade, que Rey D. Pedro,
a hum Rey era melhor t er todos os Finalmente dizem, qne r aro tem-:-
yicios, oue ter valido, e one DflÕ me- fido o Prin ci1Je
.t
no
..._
mundo ' ouc naô
tivelfe valido com que repartir o pe-
J. ..1.
rccia cha:rrrnr-fo PrinGipe aquellc ; q ue
J.

fügcit::t'~ ª noutro fna vontad.e;·e ~he- zo do, governo, e alivia r~ os pczados


gando-ie cm hum a61:o publico · num trabalnos , que carregao fo bre os
Cnvalleiro , a q nem tinha afteiçaõ , Príncipes ; e que efrnõ ch evas as
lhe ~~iffe : s1~egai-~os menos , que pen- Hijt'orias :de amigos fieis, de que
ef~
.(}!râ o. que JOts fi17iH1do . Pcrgunt:rn?o tao repeti dcJs n traz tantos exemplo~
t :; er:n qu c de Ingrnterra a hum vafial.:. na liçaõ da Amifoàe , os quais n~o
lo 1~u , que c~ufo havia vifto mais fó ajudaraõ a levãr a carga , mas nrni-
adn11rave~ em Portugal, lhe refpon- tos livraraõ afeus Pripcipes dcg-rnn~
deo , que l~um Rey , quc .nwndando .des infortunios, dos qüais amigos nao
· he
fJ ALESTRA I. LIÇÂl\tI XXIV. DOS AMIGOS DOS PRIN CIPES . Í 3~
he razaó gnc: f~ privem os P1;incipes . .flve pruden~ice ver,ecundiâ , fi've 1neli;..
Saó taõ fm·çofas as razoens p01• itS .fuadentis , ndmonetifqy,e, autbon""'
:.huma , e por outra parte ; que nos tot'e , & vratiene Je fa ad fludi~ ·,uir-
naõ refolvemos na · q~1eíl:aõ; mas fó tutis cónvertit l _tum•._ t.utitur fui fi...-
dizcmos , que f~ os Príncipes fe re... ?nili ,, hoc e.ft ; opti?J1.ó ; . R egim,mqJ:te
folverem .a ter valid9s; devct.m· com qiúetüm dgit ; minime fl.udiofum re-
co~1felho fazer eleiçao 1 guarcl-ando as FW?Z no.varitm. Ultünamente ad ve1'ti-
1

regras, que ap,ontamos na liçaõ da mos;-C1deye eleger porrmigo ornais


eleicaõ dos amigos, a que agoTa nos illuftre; pol'qu~ fup p9ft o que a intei-
remettemos ' por naó tornar-mos are- ,i.·eza' fufficierícia ' e vcnfa~e ' p1~en:'"
petil1o; e fó :;idV~rtimos o que Lam~ das _d€ hum. bom ~irüfb;b, naó eílaó
pridio ·diífe a Alexandre ~evéro, qu~ .ímida~ ao nafcimento; nem fe feguem
melhor era que. o Reyno fe governa[.;! , .à nobreza _das Cafas ~ coh1 t~1d'O os que
fe por hum Rey iújnfio , do que o ,devem nrqito ao feu fong;ue , olhaó
Rey ter amigos, que n~ó foffem juf- fempn~ efias a obrigaçoeD:~, e naó fo
tos : Melior ejl RefPublica , & prope lhe· teprefertta _poffiy@ l ~àltar~I!} _já
tutior, in .quâ Princeps malus eft 1 m_~is a ellas. Melhor.executará juftiça ,,
eâ , in qua flmt Princip.i{ ·amj,ci ma-· .o qu~ nunca vio .a cara à neceffid21-
li : e dá a razaó ;· _porque !l)t:ütos dE? ; reforniará as acçoens do ~oy9
bons poqem. inclinar ao bem a hum com feu ~xep1plo, a quem tod,os· o1_hâ~
máo, porém niuitos máos \naõ fe.po- . corito a 01'ac9lo: eftará mais ~onge de
dem ~mendar com 9 exemp~Q ,de hum _enganai</ ;· o que depenq~ de todos
fó bom : Siquidem _unus malus pótejt menos : portar-fe-ha melhor com os
à pluribt{§ bo1J-js ·.sorr;igi , njulf..~ pu~e11J - nobres, o que convem _com elles em ó
mali non poj[unt ab. uno , quamvis. be-: ,fangue; e ~qm os plebêos , Ç> q~1.e i~a§>
no, una ratione fuperari. Advertimos tiver que envejar em 'leu efiado: ferá
mais o que admo,ef_la ViV.~s -~m-hum~ menos i~1folente ·em feu governo , o
carta a Henl'ique, Rey d~\ I~j.;l~ter... . gü~ n~foeo para !Uândar; e a come-
ra, que os amigos·, de que- 11zere'ni çou defde ·oberÇo. Naóhaqüem ·mu-
eleiçaó , fejaõ prudentes -, .-po.rque· _de.as coufas· de feu centro, nem quem
fend0 tais, feraó. 4~ p1~oveito- para turbe mai~ omundo,gye o fervo fo.ito
governar bem com feu cor~felhJ9; c<?m fe~hor '· d1ífe ~alomao ; e q entende-
a fua authoridade-,;e.com q; fua virtu- _;rao os Poétas, encarecendo fuà fo.,..
de : Magnum ~eg~~1i. .culmén .funt ami- perba , quando os levanta ó aos iuga"'i-
ci . prudentes , ac lfberi ,- quibus , mo- res altos do .governo ;
derata .. ){)tentia , :fuflentatur ,. Rexque . ,

Afperíus nihd(-ifl httm'tl~; e/mi /urgit 1n Bitunh


Bein .o. vio :, e<etpérime~toü Rom,a .pe : hã de hufcat~fe ehfre os nobrés
com Hipaó, valMo de TibePiO; qr~~ .ó_mais nob1~e, a quem o Príncipe h,a-
perdeo á muitos; ef~ perdeo .a fi mef- de êntr~gá1" feu foipeiio, co,mo-_ o :foz.
mo. Em a profp~ridade naõ 11~ . fir~~ çonf Pi:~rrnerliaõ j _ Da\rid
A,.~exandre
amoÇle_raçaó; e os:hqmens_/eitos .a de.. : com Joáb; S,aloniaó coni Jabáb, Cy-
~gualfortuna, fe .errtr~gao ao doe& dQ 1·0 com Zópiro ; Domiçiâno . eotn
nnperi_o , efquecidos do que ~aé ;"e·po-; Agrltuló; Dl?OS comlv.[oy fés, e Jofué ,
dera ó·_[.er., co1110 refere·Erafmo,: Di;f-: hurh General , óutl:o I11115e1~ador~
fi.cile eft ·fecundis in.rebtts n-on , ab'Zi'tfifa De mais defta 1;egrà àev e _guardar
cz fui. r{aõ fe fez o regalo pa1'à _ n~fdo ~ óutra;qüe .aos vaifa)los foha de entr e-.
nen1 Pª-ra o fervo governar o Princ'i.;.. , gar o cuidado dq _Iinperio, Plfls. haõ
Rij , lbpo.;
1
'r p GUERREIRO , ESCOLA MORAL, &e.. .
'O 'po de~· ; ias confultrrs , mas· naó as .lhe ~irar a v~da ., 1rn:mda·ndo.:..~ enter-
incrcês ~ e arbitrió dos vaiiallos; af.:.. rar l11ma noite em fegredo , envolto
ilm ··o deu a ente'nder Arifróteles : em huma 1r,a11H1 de hum cavallo , cu- · '
Pri1tce}J~ nulturn viri/m .totius fiti do'" ja tyrann'l.a ; e traiçaó pagou ~1 as pon-
. "lninii debct facere cujfode1n; porque he tas d_~ hum _veado , andando a caça.
ºTande perigo para o Rey no, como Em .todas as materias, e a todos
~.xoerirnênta. .raó os Prineipes , que he 'ínuy neceifario aquelle confelho,
'deixamos referidos; e:;ilém delles ,D; que dá.S; Jodô cap. 7. aosJuizes ,qu,e
Henrique lV. com D; 1Joaó Pacheco, . naó julg:nein pelas p rimeiras apparen-
D . Joaó II, com o Duque de Ahzorna; ·Cias·, e infofinaç'bens , 'p ÇH·que ,nif1:0
·~lob o a ó com Hurud~1ó ~ de que fu- ha g1•ande erigaho , .e nem tudo o que·
gio fempre o p1•udente Rey D. Filiir l~1z he oüi'o, nem todo o chrifh1l he
pe II. e logrou coni efta :cautelq. ter -d iamante , mas · prií10ipalnié1ite aos
'os melhores validos ; que fo lêm de Prihcipes he tnáo c1;erem tudo · o que
·outro ~nenhum Principe' ; e naó he fe diz cmí tra. ó fou vapdo ligéi'ramen.;.
menos nocivo aos meiinos Ptindpes - te; fem prihieiro exam inttr .ª ye1'.'d<idê
o entregar o poder aos validos, como com müito vagar; fe naó guere1i1 me-
expedmentoµ Michael ·, Imperador· ter--fíi em labyl'ihtbos às vezes taó $f-"
'.do Imperio Gi•ego , de que1ir coilta 'c m;os, que elles mefri19s lh~ na'ó foi~
Pineda 3. part. lib. 1,8. cap. 2§. que . baô fahida; e dái~ " li11iito que m1frmu~
fubio a tanta · p rivança Bafilio filho · rar a ,t odo , o fourido , que .os· te'r~ó
de pays humildes , que lhe entre"" por mal ·confi,deradós '·qu,mido a-tudo
<gotHgualmerite o cuidaâo do Imperio, que fe~he prq·p~1zer ·; derem tio_nfenfo,
·e o poder-, que o coroou ~mperador ., como cliffe· Wem i110s·feus :'.Epig~am• "
,e defvariecido' lhe pagou ingrato comI· mas< r- ''~ . • '

·~ Qrti 'citó crediderit, falliturrjüé; & J([f!é le'Z:Jii-


Eft . ,cordis ; rarp faltitur. ipfe [enex,. ,· ·
.
• .,
., ' . J

' Porque' de ordhiaJrio fa6' eftas queí"" ;cau:fa inandou tir'a t Osi-01hós:,aó famo"'
. 'xas effeitos do :odio ,, o:u da fov,eja , ro
í3elifario ~ . ede:fterfál~ ao.excéllehte
_·ou: da vmula~àõ, ou .finalmente dos t:apitifó 1 Narfe's'- por{pfpeitas Jbeni
·que aborrec~~1 a juíl:i§éÍ·.. Difto- foi nq_- ind1gna.s de fu:is'. leáld-acte·s:, -havendo
tado Alexandre, pois 'entre as-rntiitas fido aS'columri;ás, que llí:e'-füfrentar~õ
coufas-gloriofas, que·dêlle fe·contaõ, o pezà detodo' ôfeu 'Illl:pe'do;nütení-
t ar:1bem fe efcrevem outras, qné o tif- po qúe ~onju1~11dos .os-, ~odos ,Waii-
nao; ~e naõ diga-o a n1or.t e , ,g_ue. deU; oalos' e.outras irí,:uitás nàçoens ,' lhe
a feu amigo~ e privaéio ~ParméniaÕ-;·" aine'açavâ:é füa. última ruinâ;e oGraó
levado de ligeiras fufpei~as? I?iga-o Tutco Solimaó , qúe movido de Ie:..
·a morte de feu -an:tigo privado' eva- ves pe'r fuaçoen§ ~ pof tuás "pfoprias
1ido Clito; a quem rraó'Valeo à ahtí=- mãos deü morte ao feu. rnHy_quedd.o,
·ga entrada ·; que corrt ~lle tinha ~· e regal~do Abrahim·,:-_feü · Gra'ó Viür.
por fer irmaõ do leite , nem · ha> I:>ionyf.io, que u1·ou a vida a- fé~ vali-
vello livrado da: morte em hum peri- do Már~oias . , f ó· por :pa ver fonl].ado,
'g o notavel ; po~s t?n;. huma lança l_h e·. que _-lh~- naõ el'a lé'ál'.; e o Imp~rador
rpaifou o cora~w "porpàlavras bem li-: çle C0nftantinóplá Bafilio ,- qtie pelo
via~1as , qüe diife em'huni banqm~te ? çiito "de' húm ·vil diado ~ tevé ~O' Prin-
N ~o rne~1os o Impe~·ador Juftiniano, cipe Leáó fen filhà ínuitos anno.s em
.~1ue dando leys ao inundo , as rece- huma Torre ; e Henrique VUI. de In-
beo .de fua mulher Sophla , por cuja . g-laterrá ', qpe mandou cortar a cabe-
. . Ç2
PALESTRA L LIÇ'.AM XXP/ DOS A.MIGOS. DOS PRINCÍPrtSJ f 33
ça ao conde -de S01•e·, íeu grande ami- tron , e diífe ao Rey ! 8eri,hor ; me1J
go' pül; hnma leviffüna p1;efumpçaó jJay ' e irmãos hdõ ~i!1dd da _terra di
de q ne afpirava à Coroa. . , Chanaan tóni tudo d q.teni; é gfldõ efti d
'. Os qüe ch'egarem ao valirne~1to ~ tle 'Gejfem ; e logo fei en_tn:n2 àos ein~ ,
devem poritualme'n te obfe1;var· o qHe" co ·irmãos· iiiais ind~os 9 pifrd .qne
I
havemos eforiptd fobre a obdgaça'ó em Íiome dos .mais lhe' hejJaíféin · L~
de hum verdadeiro amigo ; e com Hlo maó : recebeo:..bs ElRey coni bene..:
f~guraràó perpetua .ª am~~~1.de do~ Prin: volei:cia , .e_ :pe1~guntaiido-~~1 ~ ,~m ql_,le
e1pes; e teraa hum. forufi]mo fiador· fe occupavap; e que ·offie10 tmhao ,:
coiifra os vrii vens do temp0; que o& ~lles feguirido a ~rde~1 ;: ,gue Jofepli
fog Liréiráó das ordinarias cahidas ,.qi:ie' lhe havia dado ; lhe refpbüdet:àó; que'
com taó la-fHmofos fucc'eífos lêmos de: eràõ Paftô1:es ; doma o havia ó fid o
quaíi todos cisque fubiraó ao' yalimen..; feus pays: Eii\ dtjas col;ifos i~ep'fü~dõ os
to, qúe poucos faõ os1 qü~ te riaó te.;: Dotitor'es riettd fncc;e!fo : ·p~i'itfieira ~ ·
nliaõ defp·enba-do; para cuja . peifer- eom qüe fi1zaó ~ e,cbi11 que' íptento'
:\iaçaõ he facil 1neyo,. e fe'gLn·o affiíl:ir iútrttduziriá . Jofeph , a ElRey os ir.:: .
fom divertimento' .; negociar· fem .am.; ináós 1!1ais mo·~os_,:e d_e~xar~a osmayo..:
biçaõ, efàitm· f~rri . defpr:e zd, reTol- res , que érâ(j .os f.ilho'~ de Lia # :tb.;;
ver fem i11t~i·eífe ,·u'lhar ao pr·o velto . dos hp1netis dê b'oá pr~fonçá: , qn~ fem
comniüm, naõ faltar as harr'eiras · da duvida agi:ádariaó ao Rey p'ai;a fe fer..:
confciencia, ne·TI?: repügnar· a i·diglaõ, vir delles: A e'fte_fe.pard àfpoúde'·
nem' feguir vet'êd~f,. qae ~naó guie ao Qléaftro no cap.. 4ô: do' Gi31i~fi~ . ~ que
beneplaeit'o do foilhot' ,,-. _nein fazer' foi_para-qüe riaõ agi·adaffe'ni aEIRey ,:
· coufü fem primeiro lhe.dar conta.- , antes' lhe defao·1·adafierri, pida que ,ós
Imite ahttm Moyfes., :taõ valid_o ; ila& p'i:<:rVefü{ ~drri offi_cios·.' .Se'güiiLfa 9
e querido d~· Deo·s, o' qual podendo i porqúe mandou Jofepli que ós irmãos
conio· pó'n:derow .s. J<erü'nymo na~ dííf~ffe'ni qtte· ~ràô Paftores' 1 ê filhos
carta-que efc'l·~~-~d .~ Ti~â; ~eixàr ·i~~ d~ ~a~oye_s_ .;..í~bendp'_ ,gl~e . _o,s_~g~p-,
_us fil~os ·poi- fucelfores no governo, e c10s af:forrecrno ·i e t:mlrad p_o r .geFte
conJervar àquellà .díghidad:e na fua· Yil .ao'sJ?âjtoxes ;· domo: .fo lê .n~ ditd
defrendenc'ia-. , .onaó quiz· fazer ; antes: Çap.- 46: ,1\: efta refpbndeo Rob_ert.·_fiv~· .
Yeyo ' c'om bbm \anfmo rra ~Leiçaó de: 9.-, ifi.Gene}: cap: r 8.. qüe fdi' F:af~ lfue'
Jofué', que . era de ontrü' Tribu., pOr~· naó os oéci1p'aJfe' nos .ô~CioS d:i Re-
qüe ent~ndaõ os .validos, qúe: os offf.: pública'; para: qu;é ente.rid~ó ós vali-·
cios' pi'incipais i1acY [e' de'vetn pi·over' dus, qnaÕ' fó naó naõ:cdef atrte'pÇn· o:sJe-·
pela,· qual.içlade .do' filho'.; ou pat·ente u~: éiíf Q's proviineiitds:. âos 9úti:ds be-
do Miili:fürO-,. qtíe o's·provê, ou c011..: nemeritos , nia·s qúarid6'·entender.em ,,
falta, ·- fe nafr poi· pat~tes',, e procedi- quy Q, feu Principé' ; . por faier-.: lhe'
mentos peífoáis.·. ' ,• . ' . n1efcê' ; e~ dar-'-lh~s gofto' '" ,os qúer..
: lmiteht c'om o's. iri11~às' áhllnj Jo'.; pt~ferii' deveüi búfC'âr' í11odo ' e tra..:
feph, .grande' valido de.Pharaó, que ça:, para ·que féni rnoíh.ar-fe) ngratos'.
podendo·occ·üpa·rJeu's iri:n~o:S tios' me..:, ~o~ favól ;: fê defvie a "intençaó, que·
lhor·es poftos .do ReynO', ta;nto .o naó fhe·parece que t~m :· . . . .· . ,_ . . . , .
fez,. que obroll o·ql1e potfo,. para' que' . · Imitem; :finálmé:nte· á' Chriíl:o·_Se-·
ü' ·~ey os-naõ · occupaífe'~ Era o'b'l"igà..: ·n bbr· n~'>'ffo~ ; cüjas ácÇoéí1's déVeni fo(
ção ,. que pois os havia· mandado' vir· o rotefro de.todas'. as noITá~ ,, cmn os
da fua· terr·a , os preféhtaffe' a EJRey',. p~rentes' ; é a·1nigos; pois amánd6 C"om'.
~ai;_a que mio fe lhe impútaJ.re· qüe. ~s ·ás 1üay01~e{ dei11onftr~ç~~-~1s ~ feu ph..,.,
tmha ;ie os fuftentava fem ordeni fua,. mo , e difcipulq: S.: Jô~ao· ; nern p,or
e pára fatisfazeir a-c~a obrig~~aõ ,,en- iífo o _deixo\1, por fel.1 Vigarfo ,,· ~ln-,
. . g-ar
I ') 4 GUERREIRO ; ESCO :LA MORAL ;--_ ~e. - .
,) '
gar-tcnente . em a terra, mas a S. Pe- f enaem; , porem ' como anue .J
uni'd o o
~lro, dando nos,Principes, .validos, _ dizer· opprgbriós com. o ouvilios , a
e mais 11/üniftros· hum rnuy importan- muitas queixas de fenhores fuccedein
te docLuncnto, .para que os provi- muitas 1hurmuraçoeüs de fervos , e
incntos fejao a·certados, que he, que n.aõ he facil decidir q.u ais t~nhai5 mais
fefacaô fom refpeito depa11entcfco,ou juíhficada a füa 'cauía; e para evitar-
amiíÚd$ em fügeito_s, g authoi'izem as mos murmuraçoés de criados ,.e quei~
lugare.\l tom fuas cans. _A faum Pio V. Xà$ de amos, daremos nefta liÇaó·a hüs,
qüe tendo duas· fobrinhas , aconfe- e outros fuas regras , co1n as ,quais
Lhou afeu pay, qne as cafaiTe com offi- cefiaráó hurnas .; e naó ,fo o~wiráó
ciais, e qüe deife a cada hmna . dellas __outras. Comecemos p elos cnados ;
mil . ctuzados'. Conclu~m~s , que he que_, coI?o -!-nais m~l- cri{ldos, necef-
duv1dofa confa, fe os Prmc1p.e s devem fitao primeiro -de h çqens.
ter amigos ·.particulm·es , e ·va\i~.os , . Seja a·p,rimeiTa' regra , que d~vem
mas que tendo-os, devem ter ·as par- guardar . os criados , ou fejaõ. de 1hum
te$ de hum verdadeiro amigo, e fo- · Pr1irtcipe , ou de hnma cafa · particu-
bt e ellas devem fer illuflres; e que os lar , ou mais nobres , ou menos ,, a
qµe chegarem ao valimento, fe naó promptid~õ ~m obedecer aos.manda-
defvaneçaõ c0m elle , e gue fe dif- dos da cabeça , e eKecutar com tanta
paó de todo o humano refpeito, e in- promptida(> fuas.ordens, que fe ·equi- ·
tereífe, afülindo ao Príncipe fem : Ji-· voque coni a execuçaó o preceito ;
fonja , com os olhos no bem puplico, . que efta he conforme ·Santo· Agofiinho
e felicidade d0 Reyno. < lib: 8. confeff. cap. 9. a regra mais prin-

. cipal, que devem ter·. íempre diante


L I Ç ~ M xxv~ dos qlhos os' que fervem. Criados ,
que eftimaõ o,goíl:o de feus nrrios ;em
Dos Criados; efta 'pi·omptidaõ o rmoftraó : tanto
à lerta haó de efhr às fua~ vozt::s , que
·A
; -- QU'ttrfa c~:mfa de g~1e fe coüi.:. fó f e éonheça que ob~decem por ha- ·
. poem huma · familia , he dé vetem executado._ 'rodos querem fer
. criados , -que eonefpondem fervidps com pontualidade: os Prin-
. à plebe em hum Reynd. : A. c.ipes ·porque . o. faõ, 'e fab~m ·pc;mco"'
morte-, e fervidaó faõ filhas de huin de efperar os.que -n afcerao mandan,
parto, feu avô foi hum . appetite , e_ do : os que o naõ faó ; por contrafa-
fru pay hurna 0ffenfa; affim n_e m o ~er aquella impaciencia nátu-ral com
nome de criado, nem de amo tive- os foberan0s. Rata .vez fahe o criado
raó entrada no mündo , fe fe houve- diligente fem p1·emio; fe fahe f er.pref-
ra cerrádo_ a porta ao peccado. A to- tes em obedecer , tirará -favores às
dos deu a natureza o mefmo fei·' po:.. maos cheyas; e fe he preguiçofo ; .e
rém a mu,i~os deu a fortuna díverfos tardo, póde agradecer por premio o
~ftados , 'diz Quintilial'.lO : Nullum· naõ fahir com ellas .na cabeça. : ,
natura ; fed fortuna dedit dominium : . , Seja a.fegunda ,,dar fempre opri-'
aquella deu a todos libe~·dade igual', meiro lugar a feu amo. ·os fenhotes;
efta deu . a muitos fugeiçaó ·grande. ainda dos iguais leva ó mal ferem
Taõ fufpeitofo he no mundo o n,01ne igualados , e fendo .affi.m, . _cDmD 11aó
de criado , que o Seneca . impu~nado abominaráó ferem ,aventaja~Gs d~
carrega o mefmo nome a criactos, e quem em os livros de feus gat1:0s,m10
ft d~monios' fem mais diife1"e11ça 'que ha paginas' que os naó publiqumn •in-
aquelles faó demonios affallariados , fe1;iores? E daqui rtafce, que as·cria..,
e éfte~ náó _tira6 gãges pelo que of.:. dos pri!d~_JJ.tes à vift<l de feus· fon4_o,.,
. ~,

/
. PALESTR:A'I. LIÇAM XXV DOS CRIADOS. qs
res, aincfa. que feja neceífario affec- dos .os trabalhos em r::rvir ; os malo..,
0

tar o nefcio , haó de procurar pare- gia efte ve1~, efi:e fallar mai ele fous
~er em tudo n1cnos. Succederá, que amos , que naõ fó fi.caõ dc1obriga-
lcve v e ntngen~ a feu amo no enten- dos para favon.s, mas irritados para
dimento , preiença , e mais partes , executarem-caíbgos. ·
que e~imaó os homens; e que fobre- Seja a quarta, qu~ fe paó metaó
pnjc as que o amo faz em as rend:as afer confelheiros de ieus íenbores, e
ao criado ' porque coftuma a n,ature- fo alguma vez bufcarem feu parecer'
za vingar:-fo . em a pobreza ·d'ah1rn do fe naó temerem cahir na cl!lpa de in'"'
que !em razaõ deu em patrimonio obedientes, o efcufem, ~porque naó
grandiofo a fortu na. Haõ de _forçar lhe.fucceda , fe naõ fallarem a fcn gof-
tanto em e[conder fuas ventagens, to, como o efpelho de Lais , _mulhe1~
que naó dem a feu fephor que enye- de licenciofos coftumes, qpe tcndo-
jar, e aborrecer. Nao fó hrr9 de àl?.r- ds no tempo , em que com a moci-
gnr de fi penfamentos de mayorla , dade lhe durou a formofura pela al-
ou de igualdade, fe naó haó de paffar faya de mayor· eftimaçaó ·, porque
a embaraçar aos outi·os, a que lho_s vendo-fe ·a elle, fe achava a feu gof-
naõ comparem com feu amo. Mui- to, quando velha, em fom de que o
t0s veneraraó .como Divindade ao fªcrlfica_ya a Venus, o deitou de ca-
Sol , muitos o injuriaraó, vendo os· fa, porque lhe dava na cara com fuas
eil:ragos que _o ccafiona; porém a ti- rugas ·: affim póde fucceder aos cria-
tulo de criado nobre, [e fora .racio-· dos; por bem aceitos que haiaó fido
nal, di-z, Santo Agoftlnho, mais, fen- fons confelhos , e huma verdade que
tira o Sol ver-fe venerado entfo idó- , doe, naõ- dem com elles na n ta; mo-
latras, que ver-fe offendido; porque tejando de .infidelidade à falta de li-
he efte aggravo a feu fer, e aqueUe a fonjq. Taó raro he como hum Phe-
feu Senhor. · ' nix hum fenhor, que gofta ver-fo al-
- Sej_a a terceira , fallarem fempre cançar de razo~ns . , quando fazer:3
bem de faus amos. Regra he efta tC!,n- guena a feus .dehgnios ; mas fe fe nao
to maisneceffaria aos criados, quan- pód.e livrar de dar-lhos, tenha fem.pre
to menos por elles obfervada; por- nelles mais lugar a verdade , que a
que dcvcl1do fer mãos para fervirem, lifDnja, porque ferá mais util, e hon-
fe paffaó a fe1· dentes , q ne deftro-- . rofo a os_criados irem à rua por ver-
çaõ a honra, _e fa1TU2 de feus fenho - ·dacleiros, que ficarem em cafa por li-
res; mas muitas vezes he caíl:igo pto-- fongeiros, e mentirofos.
porcionado à culpa de feus amos , Seja a ultima, a fidelidade , pren-
pmque cfümdo a boca vafia .; por- da a mais rara, e mais nec~ifaria em
que fe naó pagaó rcçoens , nem fe os criados. Tudo falta cm os ct"iados
cm:1prcm os contra6tos, fe occupaó em que falta a fidelidade : tudo lhes
os dentes em tirar bocados da honra, fobxa aonde ha efta virtude. N::iõ ha
que deviaõ fohfr dos foilarios. Tive- preúda ,, c.1uc mais fe deva efi: irnm: em
ra eíl:e deliEto alg_uma deiculpa-, fe fe tod_os , que 0 fe r fiel e com mayor
5

contentara a fome dos criados com os razaó nos criados , porque como nel-
bocados ~ que tirnó da honra dos fe·- les he t aó rara, que po ucas vezes fe
nhores, mas naó fe fatisfo~endo a fó- acha , deve cre[cer lJa efün1açaó o
tne com os furtos da honra , e naó _que taó raras vezes fe encontra. Pou-
contentes com ferem dentes , fe fa- co importaráó em os criados as mais
zem olhos , que efpreitaó os defei- partes referidas, Je com ellas naó an..:.
tos dos fonhores, e em linguas que os · dar· por fiel companheira .eita virtu...;
Publicaó; pois perfLrndaõ-fe, que to- de, que por·fi fó val mais .que toda3
as
,,.. . •/ ' .
r36 ' ' ÇJUERREÍRO, ESCO:LA MORAL_,: &c1 . .

as outras· jm~tas. Sej~1ó fi~eis o~ ci'iaç,?s., i:az~õ, ql~e he fua ~~rí~1ora, efpere~n
· e logo tcr0.0 efü'.na-ç.ao '· porqne 11e ae íeus cnados .º m~ 1mo , qL~e ~cont1~a
virtude e.fia, que 1 emp~e íuppre .a to:.. fo.a ~c1~hoy~ '·a i~a~ao; exec~1tao; po1.s
das as mais partes , nao baftando -to- a ínntaçao ie nao ior merecnnento em
dti.s icmtas n encher a falta cl_ efta -vir.:.: · fens e:ríados, forá ao rnepos dcufa àe
tude. V'clrtnrofos na verdade füõ os fens defacer tos. Se os 1amos forem vir-
fenhores , q uc acertaõ con1 · criados tuofos , o fetaô os cr1ad0s. 1v1e:lo indi-
fieis , ·porq qe fa? as 'jo:{as de·nrn yor ci~ contra ·1.1~1 _ aiJ1'º.~e_rp ·crü14e-facino:.
pr~ço, e~egue ie deve fazer a mayor roi~ .'' yorque 1e.J?feil~rne. ,__ gue 0~1 o
· eíhmaçao; mas hc ventura eíb:r , que havera enfipaa0, 'ou a~rend1d o delle ~ .
1

· atnda ·os mais ventnrofos na'6 . cbegaó porqüe he doutrilrn de Ser1eca, qne
a confegnil' ; fc naó foaõ-fe as HH-lo-- 0 qne naó ei\Tita o pec.cado quando pó-·
ría:'l, ·e a'diar-fo-ha, que pOl"actmira- ele', concorre para elle qu ~ ndo 1UG-
çaõ , .e cafo .raro fc refere a fid'Clida- ceda ,: QJ!i· non vetat jJeccare , cúnz pof
de dro criado del\1arco Antonio, qne jit', ju.pet: ~ -- .
fe matü'u ah, por rwó tirar a vidn a· · A fogunda, -naõ fazerem nunca
feu fenbor ; · que iníhmtemente lho tanta confiança dos criados ~ que lhé
· ~anda v a; · e dos .criados de Qofagia- dem occafi~ó a interpretnrcmfeu gofl
no Perfa, que vendo que ElRey de tb'- ,- e obrafem com' indepen dencia;
Pedia lhe tinha morto .fou fon hór ,, o Vulgar appellido · dtJScriados foi an~
invefbraõ , e mataraõ; e do. de La- , tigam<mte p da fdmbra- de feus ::imos:
gó; gne matou ein hnrn:;is feftas a Af- a fombra 'nâ-ó t em movimento p-Of' fi ~
dubral Càr~haginêz, em.vingança de ·· fegüe .a o c?rpo em fuas acçoens : na~,
· h:tver morto feu amo; e deNnrto Mar- te!1i mais ie1• , que o qttê o _corpo lhe
tins de-Villalobos, criado do famofo: permitte; Se o amo fonber ter -:tanto
· C:JpitaÕD. Duarte dlc Menezes , que- à ray a feus .crjaclos, feni feJ11pre Yeu
em ~e~ta pelêja vendo que os JWourós. <:: lu~1IT):nto ' ; l?orém ie chegai~ a per-
h.ayrno rnoTtO o cavallo a feu fenl10r·,· iuác.hr-1e o cnado, que eom as azas,
f~ defeco ·do feu para drrr ·lbo, e fa- qt{ft lhe ctá , o d;lrinhb do -amo, póde
zendo-o affim, pe1~cleo a vida, e fal~ ooTar p~r fi, preftes trocarti a ambi-
v ou a de fou amo; e Li'e Diog0 Pires, çaõ os eífeitos , -e quererá a fom bra
. criado de D. Fí·ancifco de Almeida, iet luz , trocando a luz em fornbra ·,
primeiro Vice-Rcy da India, o qual como fucct:d eó a Sara com fna cfcra-
11a agu-ada de Sal~::mha, . vindo-fe já -va Agár, como fe lê 110 cajJ.' 26. d~o Ge-
r etirnndq dos Carrcs com os outros- n~{ · Naó cabem em cornç.oens CLFtos
portugnezes , .ouvia dizer ,.que fru favores ·p·rnndes : tomne fora a fo-
fonhor ficava cabioio, é logo tornou -á berba ,'e~ fenhor, que ~<Smfcntio ·110.:
traz , dizendo : Naó queira ,Deos , je a feu ç:.:riado, que o trataffe como
que eu fiq ue 1:i·7_;0 , dei,xando cd. o fi- igual, o ddcfpr ez~rtá àrnanhrt como fo-'
lho , e opay ; e pondo-fo fobre o ca- perior. Naó hc menos efta doutrina;
bido fei1hor, o nrntaraõ junramente: gue de S. Jo~ó Chryfofl:omo :ffomiiia
Ifto bafte dos criados_; pai1emo.s ao·s 38. in Geneftin~
ai11os. · . · A terceira , que para ferem fervi-
A primeira reg:ra, que devem pon- dos com pontualidade , p Br.;ucm com
~n~1mcntc gyardar os fanhores, para ella. Entre ' a multidaq, Dcbfos, de
ie fazerem iervir bem , he obedece- ·que céga adorou a Gcntilid<:tde foi
r em à razaõ. N~ró . ha ienhor , 'p or Jupíter o que oo'cn'Dou o lugrir ~Tinis
rnafa foberano que feja, que naó de- foberano, e em o Deos de rn~is venc-
va reconhecer "vaíl.àllagem -~1 razaó; e -raça ó , e de rnals foquito · nrns . cm é!S
fo O~ . fonhores .pafüTrem os foros da arvotes, que fe confagrav'aõ· aos Dco- ,..
, ~
PALESTRAI. LIÇAMXXV. DOS CRIADOS. . r 3t
fes em final de flla g1;andeza ; parece .recimento. ·.lVIais efücaz pei·fuacaó he
gué f~i d~fo·~ert~ '· qu~ íe co~1fagra- o carinho ; e' (~enti:o d:. efpl:éra de -
íem a Jnp1ter a Az~nheira, de1x_nnd9 fenhor a ço1·tezia grangea rn~1s dura-
ª Oliveira a Pa11as, o Loureiro a Apol-• \'l"eis venera~oes, enrnl·s giatas promp-
lo 'a Palma a Diana ' CDill que fica tidoens e.rn os óbfeqnios. Refere . ui-
Jupit'er venciçl.O , em os brazocps das donio .Apollinar. liv. 7. Epijl. 4.. que
mais Di vü1dacles; pois ·Loureiro, Pal- aq11ellc tocou ditofamente o norte elo
ma ?e a Oliveira ;tropbeos faó de ven- faber mandar, que f:::.-m perder .o di-
cedores. j\'illo 'Gellío defende o acer- reit6 de fcnhor, h111mmpu a fobera-
to· füz'endo , que o fruto . da Aziiihei- ,nia ; confelho com que riocl'ates. inf-
ra fo~ o J11àis commum ., e :zrimeiro trn_to _ a NicócJes; P.ªJ a q~e foif? con;o
, mantimento dos homens , nao menos ma1s amado- també-m. rnms ierv1d.o. !i,f-
uni verial do que bc hoje o trigo, e crevendo Seneca a reu· amigo, e dif-
naó fe podia fignHicar rn.elhor, que Ju- cipulo Lufcelio, lhe--diífe erras pala-
piter era o Deos de mais foquito , e . vras , que fo acb.aó na faa Carta 17 .·
que 11.lftentava mais, dn que em fo Cognovi te farnitiariter cwm flrvis vi-
Ihe dedicar a Azinheira. D ar mais , vere; tenho noticia, que viveis co·m .
he confeguir mais veneracoens; fo r- voffos criado..s, t1"atando-os· com fa-
mofo he o Loureiro, mas . inutil feu · mUlaridade , e affabilidâd e ; Et boc
" I •

fruto : fr utife.i-a 'he a Oliveira·, e a prudentimn- , boc ·eruditionem turim


Palma·, mas fó fe acha nella_s reçaõ decet ; affim convem aos dicl:ames de
para fufrentar a poucos : em faltando voffa prudencia , madureza ; fizo ,
os fallarios , ·naó poderáõ durar os difcurfo, e entendim cmto. Dizem al-· J.
· obfequios. guns enfarinhados em foberba : Por-·
Senhores ha, que· querem ·q"ue os que hei de tratar bem aQs meus cria--
firyaõ ~eJJ:?. , porém pagaõ muito do~, fo faó criados P Porém cftes tai~
maJ ; querem, que · os criados G:l§ fir- na D advertem o q ne djz o mefrno Se-
VCJ.Ó com fidelidade , porém paó que- neca : Servi /imt , immà hom~nes :. fer-·
rem pagar fielmente . o feu fallario :J '<u- i .funt , im1nà contuberna!es : fervi
querem , que eftej0õ com ad verten.:. ftmt' , immà humiles t!mici 1 ; faó cr]a-
eia ao fon acel!-O, porém naõ ql~erem dos -, mas faõ homens ela mefma car-
que · eftejaó . com attençaõ aõ efl:i- ne, e fa111guc, da rnefrna natureza , e
pendio : querem, que os criados te- da meíitrn ma1Ta, ._fó menos favoreci-
nhaõ muito de .feus .na obedienci.a , dos no mundo : fo.r'.' OS faó, e faó do-
naõ quere1n.que tenhaó alg uma coú- méfticos; faó criados , antes fa6 ami-·
fa foa , que ·a fa tisfaça : querem final- gos ; ·e ainÇi.a que. humildes·, amigos
mente , q~1e em todo q tempo efte- grandes·; e ainda .. que feja rnax1nrn en.'.'.
jaó ·de acordo para executar ·o feu tre os PoUticos entender hum mno ,
mandato; . porém, _naõ querem , que ql.te quantos· faõ feus criados, t antos-
em t~mpo algum haj-a hum acordaó; fa6 feus 'inimi.gós .: Pro·verbit/m jafta.::
que. lhe mande pagai· o feu -trabalho. tur~ totide.m e'ffe· hofles , q:1ot · Jer·vos .,
. He a quarta regra, que nn.õ ba11a ·com tudo efta rnaxima,a'ccrefcenta Se-
a paga pai:a ferein bem fervidos, fo necq, ·naó he certa, porque ~lles ó
1!1es azedn .o fuft.e nto o defab1:idb do fejaó, m~s porg~1e tu ºP. f~zes · : Non
iernblante , ou afpereza das palavras ; habenzus 1llos hojles, feLL facimus , por
ou. o i111periofo do mando. Coíh:1:rnaó que t1•atando-os como inimigos, com
alguns affeétar eftas çoui:~s, para fofa- pala vn:.s, com ú.1U tyrannias, he fof-
Zeí~em temer, e naó ~ ad v~~·~~n~.' gne ç~_~ue fe ~~çaó inimigos os que dcvi-
nao ha· trnnsf01;maçao rr:ais racil, que. ao 1er anugos: · · ..
de medo em odio, de ~emor em abor-. Enfma -a Efcriptur~ Sagrada no CaJ.'J .
.s 33·
. .
138 - GUERREIRO) ESCOLA MORAL, &e. -
33- do Ecclef. que fe trate hum criado, cias nas lingüas dos criados, naõ te-
e ainda lluin eforavo, como a hum ir_:_ nhaõ com elles a fu a má prefe11ça. Def-
maó , e çomo a alma com brandm:a :. -pediUos ,_antes que injuriallos.
-Si efl tibi fervus fidélis , ]if tíbi · quaji _ 'A. quinta, que· naõ feja o numero
anirna tua , q_uafl fratrem traetu. O dós çriados mgis dÓneeeifario. Quem
fenhot leo·itirno naó neceffita de e[- tem htJl11 criado f6, o t~m todo.i11tei-
traúgeiro~ àffeétos p a,ra gl·angear ef--; -ro. 'Quem tem dons, te11nneyo; queil1
tün~Çoen s . Dá a-entender .que tem o tem tres; haó tem nenhum,porque em
f~nhcn·io poftiço quem fe vale da ar- - quant,o hum fofüi de que outro ferve., .
r ogancia par a confeguir tefpeüos· , n.~nhurn fet.v~;. e _ :por·~ífo ~rt:0;ó-te1és
diz Plntfircho 1}0 livro , ·que intitu- diffe, que m~lhor fervia hum 10 cria-
)ou Da. neéef]ida,de do er!fipo dqs Senho- do_,_que muitos.= Multi fervi qua_ndoJ
res. A ja&ància' , que he tao inimi- que. det~ri-us ferviunt , .quàm pauci.
ga do fe_nhorio ,femoftra huIT)as vezes. Sexta , qu.e fe íirvaó antes com
:çio rofl:o 'gue he gl'aça d'altna: pregôa crv1dos aífallariados' do que c.om ef-
em publico feus ~ff~étos , a:chaq-i,w ~ ~ cravos· comprados , porque ,COJUO· a
que foz mal-quiH:ó -a T iherio, coma quelles fei·vem por.fua _nec·effidade,
refere Jüfümo : outras n"·a voz defen-· mas ~1aÕ por força; amaó a feus amos
t oada , ·vicio , , q Lie conl~ceo Cornelio como a be1pfeitores; eftes .con,10 fer"'
Ta cito lib. I 6: eri~ Nero: outras em a vem por força' fa@ in'imigos deJDOl'-
elefcortezia, que he theatro donde{e tas a dentro, pm;que quem aborre~e
reprefentaó em público as ,faltas do a fervidaõ, a.b orrece ao fenho1-. .
nafcimento, e criaçaó, naó dando.'. fe Setim_a ·, que' faibaó tudo, mas
p or ent<~ndido s dos obfeqt~ios,emque naó moíhein qq~ o fabem; porq L~e o '
foi notado A 1ttalo, como diz Seneca. mny curiofo .acha o que naô queria
- Muito recato fe deve· ter no mo- fµber, e o muy defcuidado vê p que
do d'o femblante, e da cortezia, mas naõ julgava achar. Cataó tin,ha fem-
naó menos nece:ffaria advert,encia he pre os criados em difcordia ,·p:;ira fa-
I)_as pal-avras a q Liem manda . .De infa- ber de hún~ o que faziaõ outros; ]11as
mes criádos fe ferve . quetn os cal1a: efte remedin he pé.ar que o mal, por-
. com os fallarios , fe com palavras de que entre ós criados reyna a enveja,e
ignominia os exafpéra·.. os étçoutes fa-:- eftá mu r v'iíinha a enveja à..calumnia.
b~m todos, qqe ' era caíHgo deftina- Nada ha taó neceffariG .ao gov:-erno
do aos efcrav ós ;·e naó falta quem di- como as efpias, rnas nada taô arrifca-
ga, que a voz Latina f,..erb!+rn fe deri.., do, e crendo que tem. vifta de lince,
v ou de Verbero, que ngnifíca açoutar te1il lingua de Urraca. O que conta
porq na verdade pa_ci.encia de efcra:- ao amo os vicios dos out_ros , :conta-
va tem , e-pa,eiencia de homem ruim, rá aos outros os vi cios. do amo , e
o
, quem fente menos· a palavra ' que nunç,a e~a1·aõ defunidos . officjo de
a obra. Nad<t lrn de temer mais hum -.efpia docl.e-caluniniaclor; fendo hum ;
an10 ~ que a lingna de hum criado e outro viliffimo. parto da maledi~
initada de palavras ; porque tiraó a cencia, filha da diabolicà malevolen-
fama.feus ~olp~s , e a pe1:cta deita t~ra eia .. _Sagaciílimos expIGradores - fa.ó
a hum homem o bem v1ft o , que n~ os olhos dos rapazes, q ne :tanto mais
. prenda taõ eH:iniayel, que re·arrojoü ppquenos,qnantomaisagudos,-quan-
a dizer Polibio, que fe alimenta ó os to mais _:fimples , quanto -n1ais fieis,
villâos de paó , e vi11h(), e os nobres- porqne como amaõ mais ao pay que
d o~ appfaufü. Taó ~ec.eífario he_a~s aos outrqs , e procura.ô que os ame
pobres , corno o mm, o bem pareci~ a elles _rnais que ao.s outros, dizem o
do ; pois fo q~1erein ac_har boas auferi- que-vern.. _ ., ,
A oitava ,
'· r PALESTRA L LIÇA~l XXV .. DOS CRL.\DOS. r 39
· A oitáva, que füft:entcm em ca- gua1 .vqltãd~J as anrias r ontra feú amo
fa os criaclo·s vClkos, ql!e os ferviraó em vfngança do agravo, 'o privou do
mot os. Ingrato he o c<içador , que Reyno, e da vida , com. que acabou
deita ~fo cafa ·ó caó, que haveHdo fi- o Reynado d,os :M edos, eprincipiou
do utifiifüno, hc~ já inuti~ p B1a: velhi- o dos· Perfas'. Valente exemplo. para l
ce; porém .mais inhumano o fen~hór , que os ani-os , ou naõ ca füg~tem com
que naó aliménta ao criado· anti_g o; tanta feverida.d·e aos·criados, onnlló
de quem ' em quanto teve .. forças ''foi faça ó confi ança -~Jguma dos que hou-
1

bem fer vido. Se o amo .naó n8teffita ver~m agg'r-avãdo. .


já do criado-, ncceífita o criado do · Dec1rna, que os fenhores fe por-
alilo. Naó póde li1ei.·ecer .m_ais , mas tem com·os criacflos . 001110 ~'lys, por-:
já he be~1eme1:it?. A que narr l~e paga q~rn · ac~~wª-ó ·~em :cr~~d9s_ ·.teveren-
do ferv1ço preient~ , deve f'e1: p~·e- em ,. eíhmaçao , e ofüegmos de fi-
:4nio do paffado ; e.-ie a eHe· falta o for:- lhos· :'. pet caõ "Q. norí1e ,de fenliores ,
·çns par(\ . fervk, aos outros q ·efce "o que fôa arrognnC'.ia , e lhes tiraráó_o
animo para fervirem bem ; e he ver-: nome de criados~ que fôa inimjgos :
dade , que até p ultimo- efpirito o euidem como os pays em fem; angmê-
criado envclhecíd0 ·h:e utHiffimo em t s, e cnidaráõ elles .toJ110 filhos in-
cafa' porque ·a nenhum outro ~e en- .tereffados ern fons decó1m : amftâõ-
tregrrõ mais feguras as chaves das lhe em tempo da enfermidade , e af-
portas ., que ao qüe ·foi.fi.el; e quan- :füçaõ, que fe o.s ames fe fonbcrem
do efteja detodo impeclido 'bafta que · fazer em feus ·trabalhos ouros ,que at-
ten.ha olhos,' porque ainda que naó . tentem pG-r foa necefüdade' ellcs .fé:
póde fazer, attenderá -ao que os ou- faberáõ fazer mãos no -labo.riofo de
trns fazem. · . . : feu· fervico :; e éom-ifl:o
-
teníó em.
ca-
Nena, que refolvendo-fe os fe- dél criado ·. a affiftencia de muitos ,
;)

nhores a :cattigar a-<lhum criad9 , o, porque bemuy poderofo o querei•~ e


que naó aconfelhamos, naó feja gra- d'oütra ·forte entre o fauH:o, e batà-;
. ve o caftigo; fendo a culpa leve, por- f.!Jnda de numerofa familia vivenió
que o.caftigado em vez ,de êOüfidcrar como eril Guiné ; contaráó mnitos'-
na emen,d a, p~nfa , na vinga11ç~, e he grlfros , e nenhum ferviço , Gomo diz
melhor deitar de cafa · a hum offendi- Claudiano. . , ·
do, que ter .nclla hum ínimigo. M~m- · t Ultima , que o~ criados tenl1aó
dou Aft íages avô de Cyro a. feu mayor, ou me·1or eftirnaçaõ , regu-
criád..o Arpago; que matafle ·a-Cyro ,' lada ·pelo . minifterio de cada -hum ,
por haver fonhaclo , que ·do .ventre fem .que cm foa ordem te.nhaó mais
de foa filha nafcia huma vide , que earinho, oü lugar no ·affed o do fe-
. cobria t oda a Afia: foi-fo o criado do nh01..hurn que outro ;·fendo igual no
inn.0ccnte infante, e dizendo qüe ó merécime.nto o feu fe1~vi ço. ~ ·
mata-ra , o dell ' a crla-r. .fecretamente· ~ Temos fallado . nos crjados , ·e
foube-o Afliages , e mandou fecreta- parece nos efquece1~os de outi~a fer-
mente matar a ·hum filhó d-e Arpago, Vfdaó 1iaó ~ menos 1ieccifaria, porém
e convidando-o a COt11er, ·O fez pôr ( 1pais _perigqfa·, que faÕ . as criadas ;
.diante 'para o comer , e depois que eil:as faó t aó neceffc'1tias · para fervi-
~n:eve- farto , H1!e 1i1àndou pôr·· di_ante ren1 as fcnhoras ; e as filhas ·~ e ú.1.e-
os_pés, a cabeça , e as máos .-: cliili.- ninos , como os ctiados aos fon hores; .
nmlou Arpago., e tratou de mover -~l porém nmy arrifcado o feü' ferviço,
Cyro , para quetomaffe ânnas cont~·a potque fc foõ 'vélhas., mais ncceffita<? ·
feu avô; e fazendo-o~ criou Afti~gcs de ferem fer,vichls ~ do que de fervir ·;
foü Capitaó General ã Arpago ,_. o fe faõ moças ; ealentadas ·, 111eri9s vi-
. Si j · gilancia
. 1

14a GUERREIRO, ESCOLA MóRAL·, &e.


gila ncia· the neceffaria para guardar ' ..~ · · · .
num a Fortaleza dos· inimigos , que L l Ç A ~1 x~tvr.
hum.a criada dos criados; por~í quem
poderá gpardar o que ~lla defeja per- Da Fazendo.
der ~ A ütualdade da iorte b.e acon- · \ Ultimá coufa de que fe com~ ·
ciliad01:a ;::)do amor ; a communidade jJ . ,1; poem hurna· fan:iha, e de que
do comeréio he a paranil~1pha da fon- .J.:~ -~ 1 neceffi.ta para iua conferva-
füalidade .; e a fer1fualidüde jlinta corii · }; caõ, be a fazenda, que cõr-
a pobreza, he o cofreten· dos furtos refpànde'"aos tributos de hum R~y­
domefricos : naõ baftaó as fechad11- no. ·Confifte efta, como efcreve Arif ·
1~as·,que feparaó a eíhmcia das rnu- toteles lib . . r. Rhetoric. cap. 5. em di-
lheres do refto da familia ; porque nheiro , herdades , alfoyas , gados ,
comq difie o Proverbio antigo : ·,O efcravos, e cafas : divide-fo em natu-
amorr tem as chaves ; nem bafta a fe- ral., e artificial ; mitural he aq nella,
aldade para gLrnrda , da honeftídade ;· que eftffllndada emc»proprio terrft-
porque. nenhum animal ha taõ fêo, no ; artificial he aq uella , que fc fon-
que· a outro animal naó pareça for- da na induftria propl'ia. As familias, .
moro: Fóra· cliíl:o ,. o que intenta ren- hnmas faõ" illuftres , outras nobi'es;
der a honefticlnde àa fonhora, ou das outras plebeas, e cada hüma deftas fe-
fühas , compra a fé das criadas , :çis rá aífas· rica, fe tem ·o que lhe bafta,
quais, como lhe falta rigpeza, e lhes · e a}fas feliz ,fe fe contenta com o que
fobra aíl:n.cia, naó vendem mais difi- lhe bafta, porque o defejo humano'
ficultofan1ente Çt honeftidade alhêa , he fó o que, faz ri'ca a pobreza , e
que apropria. pobre a, riqueza; razaó porque fen-
Cünfeffamos , que para evitar . do perguntado Dernocrito , de -cme
deforden1 taõ ordinaria , fe nos mtó - maneirafe poderiá fa zer hum hom.rem
oíferecem mais que tres reparos: hum . rico , refpondeo , feg·nndo · E(fobéo
ns çfpias de . criados v~lhos, . e meni- Serm. r 2. que fendo pobre d@ defejos i
nos peqnenos ·, , porc]ue divifaó de e porque fendo pergunü-..do Epithe-
1.onge os primefros . in.dicios : outro , to, qual: feria mais rico entre os ho-
11roctn-allas vergonhofas, e bem pro-: mens, 1•efpondeo, que o que .tinha o
cedidas, e evitar-lhe todo o genero que lhe baftava, : e Socrates , çomo
de trato, e converfaçaõ com os cria- refere Eflo.bêo Serm. 5. que o que fe
dos :· ultimo,' que aos primeiros iIF contentava com pouco: aquelle che-
çliciQs, bem que incertO's, ufar tais gou a. for rico, diz Qtüntiliano, aue
rigotes , tais cautelas. e prevençoens naõ appeteceo mais riquezas : S~tis
contra a malicia, que ainda a inno- divitiarnm i efl nihil mnplizís -'Velte: e dâ-
cencia fique atemorifada , e fem ef- qui inferi.o Vilem , que naó era ri-
pernr mayores pro.vas , pollas na co o que poHuhià muito, mas fó aq uel-
rua. le, a quem contentava o ponco :·

Nan· efl , crede mibi , muitos ·qúi p0.fl7det .agros


D~'ves, fed . clives , cui fatis unus ager..

E por iíro,. ~confelha Horacjo, que ca- fue , 're quer . viver f~tisfeito com o
'. da h um ie contente com o que pof- que gofa : · .
' \

Qjeod Jatis efl, cui, contingit, nihil amplii6s. op-tet.

A quantos a ardent e febre de ajuntar riquezas accende a infociavel fede· de


adq1ü-
p ALESTRA r. LIÇAlH xxvr. DA FAZEI -DA. I 4I
adq uirillas , e no logro das muitas , o lig uido elemento , que refrigera ,
que lhe permitte· a forte, allrn entaõ o ardor mais intcnfo, que o abraza ;
o def~jo de aicançar as mais , que lhes e affim como efte com a muita agua _
nega a fortuna ! Qual engan ado hy-· naó mata a fede, affim aquelles com
·aro pico, que quanto mais bebe, mais as mnitas riquezas naó fatisfazem o
fomenta a fede, fendo para com -elle defejo, diz Ovidio :.

Cr~(cit amor mtmmi, qáantum ipfa 'pecunia crefcit,


Et , cúni p~(jideant plurima, .plura petunt.
Sic quibzts intz11nuit Juffufi1s venter ah unda ,
Q]10 plus fmit potce , pZt.ts fitiuntur aqute.

E fendo a _abnndancia das coufas a nem occafionaifem.envejas, nem paJ·if-


que caufa o fafiio dellas, como refere fem traiçoeJJs , mas as que fó bafiaf-
Tit.o Livio : Copia fajlidittm )gerit , fem para fe naó experin'lentarem fal--
bem fe infere, que he pobre o que ·. tas do precifamente nec~ífario.
tC'.'.l muitas riquezas , pois na pofle - Saõ as riquezas efpinhas tratav_eis,
dellas defeja mais ; o que bem enten- e lizas, mas no extremo agudas , e pe-
deo, Seneca dizendo , que de mais netrantes: parecem en~ vida agrada- ,,
necefiltava quem mais tinha: Mtltis veis,efuaves,poi:ém chegandoaoex. . ~
eget, qui rnulta habet. E affim no pa- tremo da·morte, crueis fem piedade
rccer ck certo Poéta fó he rico o que atraveífaó o coraçaõ, pcnetraõ a al-
nuda dcfcja. ma, e caufaó infeiiz, e immortal defa-
Duas fortes de peífoas ha no mun- focego. Conta Eíl:obêo 7 que- fe11dô.
do, gu~ naó fabem o que tem : huns, perguntado Eucrito, au~l quizera for',
que nao tem nada, e outros, que tem fe Creífo, fe Sócrates ,reípondera ,que.
muito ; e ambos eíl::es e xtr~mos faó Cre(fo na vida, e Sócrates na li1orte .
muy nocivos· à confervaçaó das fami- Saó efpinhas,. que de medra ó, e af-
lias; porqu~ affim como -a alampnd1 fogaó · as plantas fn1&uofas , e o vi-
com pouco azeite fe apaga , e com gor forte das p otencias ;·e por iffo re-
muito fe affoga, affim as familias com fere Eflobêo Sermaõ . · 92. que dizür
pouca fazenda fe acabaó , e com a Diógenes , que nem em Cidade,: nem
muita fe perdem. Os barcos pequenos ern cara dca tinha lugar a v~rtude. SaÕ'
Cúl as grandes t empeíl:ades fé perdem ; efpinh::is, e çarç2s, aonde fo r ecolhem
os n1vios grnndes em as grandes cal- os mais vís, e peçonhentos :~mimais ,.
marias ficaó inuteis : as riquezas me- os vicios, e peccados da Republica,
d~anas , como os navios medianos, fo que a deftroem, de que nafcem "'s guer-
govcl'naó melhor. na .tempeftacle, e na l'<lS, , e contend1s entre os. mort?is ,
calmnria. Diífe Arl.íl:ótcles , que em como diz Saluftio in Catili11a. Saõ ef-
as Cicb:des havia tres efpecies deho- · pinhas,que tiraõ arepelloens àspel-
mcns, hans -ricos , outros pobres, e l~s dosinhocentes cordeiros, fica~1do­
outros medianamente ricos, e que os ie com a Ela em as unhas : pellaõ aos
do terceiro genero logravaõ a melhor pobres, levantando-fe com parte _file
f?1te : L"1- omni ávitat'e fimt tres . C"Je- fell trabalho ' fe naõ com to~o ' e às
cies !1ominum) div#es, pauperes, medi'o- vezes os deixaó nús em os Hofi)itr..is ;
cres , quanmi ulti11ia e/l optima. Pe1·- ·e por iffo · pergtmtando Chüon , aue
guntando ·Platnõ , que· riquezas feriaó ·coufas eraó J·iq Hczas , efcreve .Anton.
convenientes que fe poffuiiTem, diz no Ser:naõ dos ricos, que as defüüo
Effobêo Serm. 92. que refpondeo , hum Lhefouro de todos os males, hum
que fe deviaó poffuir aquellas, que yiatico de .toda~ as calamidades. ~ª?
t eip1-
.,

·'142 , '. GUERREIRO ,.~·:itsCóLA 'l\:'[ORAL' &e. ! . .· .


efpinhas de inttiéad ~ '§arça ~• .aonde' (~ue par~ce · allu'dio Hora~lO - ~s; angü/'
yoluntariaiJ1ente fe 'àrroia · e "-ht:Jm@m ti~s, qu_e .padecem. os ri-eos, de que
mifotavel; e preto 11 em1~- ~:·11::tõ . pód~ as riquezas 0s ·naõ 'ife~1taó .:
fa~ir , ·e1 morre é'etc~do :dé._'ldores ; ·ao ~ " ·0; ', r
'..Ju_ ;J_ ••

Nop 'dvmtts ,~'. a4t fúndus, non: .e1'i pon~us; & auri ,.~
'' AJ;groto do1hino · deduxit c.orjiore febres.
'l ~' : ' . - .. ; , •. \: . .' • • t _..; .... · ,f • : '"'"'\t . .•

· E pór.'iífo Tl;eophilaEf,ó na · ~-- · Epifl,, a·d nhas ;·,que até ~ne o ·voraz fogo as
Thinzot. éap. 6. cóinpará'as i·iqúeza·s aos· cnaõ confon1e, femp11é brotaõ, e ef-
fentido's , e cuidados ·; porqüe aifün terilizaõ ~· terra .em que fe reconcen-
1

como eftes afffürcm ~ defafocegaõ; e traõ, donde diffe elegante1Í1e11tc Se-


ií1quiet~~ aos·q_tté ent~~e ~diVerÍidade:,- l1~~á >·qu:e i1aõ paff~v~., _o:s _fins das·
ernultidao delk.s-Jluéttrno, afüm aquel-· 1mfenas o q·u e accumulav~ montes de. ,
i.as· atroú1entaó ,.:ferem, ~ ·enfanguen- l'iquezas : Multas' parare cli-vitias 142n
tuó, pi;endein, e·1natàô aos que ccín1 fi11is mi.feriarum .fit ', jed mutatio, p01·-:
ellas por huma ; e outra parte com- ·que quand& a e11chente. dcli~s vai ·de
b_atidos f e entrega_õ ao ambitiofo cui- mó:rite a moritec, arinda lhe fica ~ infa-
dado de açlqnirfüus ; , confervaU-ns ,"-e chtvel appetite para dizer com-I-:Ióra'" 1

augme1~taHas. , Saó , finalmente ·e1pi- cio : ' · ·-~ · ·

· ------Jvlagno de fiumine mallent: ·


Ao~'quais fuccede ·o que diífe · o .fe na mefma, cotreríte 1
:

· mefüU:Õ- Poéta , que he fepultarem-· · ·· _· · ·· · . ·


' .

Pleni~r ut flquos deleftet copia jufto ; · ·' '


' \ Cum ripa jimu;l av:tlfos fcrat Anjidus acer.
I· . ~ I . . , • \ ~ ' .,

De qüe (ervio a- Alexandre·fahiJ; ven- . fe Baõ ~em tanto preço como pezo,
cedor em taõ farnofas ·em prezas , ad- que ' lança ao profundo_· das tartáreas
'q uirir taõ gloriofos tropheos, e al-· aguas dos .euidhdCJs (tormento.o mais
1

cançar vi&or-ia de taõ .perigofas bata- rigorofq) o ·defvelo .'de conforvalhs


lhas , fe 1norreo famintb de naó fer· entre a difficüldade de adquirillas ,
feühor de todo o mundo , e de naõ éomo ei'cl·.eve a honra dos Pôétas ·ril-
havennais mundos, que pôdeífe con- glezes ·, e a~miraçaó ' dos que contcm-
quiftar ? De que fervem os ·cofres plaõ fens agudos : d~fcurfos, Joaõ de
ch~yos de ricas, e pr~ciofa,s pedras, . :V~w, nós feus Epigrama~ .: . -
' .. ~ '.
' \

Qy.id ji gêmma,s omnes cwnulfíris, & auruin ~


- I < · .· Si,. túa. tartar'eis f('tens c'iuciatut aquis P
; .1 L \ . 1

l'Taó he o nojfo intentó ·perfnadir, que e poffiveis evitar a pobrezi, caufa de


fd naõ efiirne1~1 as rique~as, porque ta1:itos tnales, cob10 ,hç' notori9? po-
f~m "ellas fe nao podem confervar as rém devem gn~rcfar ·na.pofféífaó dd~
fluniün-s '," as nobrezas , os Reinos '; ~as as regras _feguintes. ' · · · ·
masantes ·acm1felhamos, .e 3dvertirnos ' . Primeira ,-qüe e1it1•etn as.rique-
qwe os homens : de·boa geraçaó, e ge~ .
zas. Pela porra da vifttide ,' poTgné ri-
nerofo animo juft:ame1~t~ po?em pó1.· q ueza n~al adquirida, naó he riqueza,

I
/ todos os meyos h011eftos, 'virtuoios,
-
fo naõ póbrezà -; porque fe naó -ps)de
· co11- ,
r
PAbE~STRA I. LIÇ~l\1 XXVJ. DA FAZEJ\1DA. r4J
contar po'l~ ·proprio o que he alhey o. trarem nos ~eneficiO$ -, Omonicatos ,
A riquez~ mal adquirida faz perder e Bifpados , fazem diligente exame
aoutra bem adquirida .e ptre. inimifo~ do q úe valem, e nenhum d iiS obl'i-
de:> , e litigiQs, e tira o que val mais gaçoens ' que- comfigo t razem. JVIuy
que as riquezas, que he a Opiniaó , p Qq C05 fe d.er2Õ a JL1riÍp1'tfdencia ,
e graça Divina ; o que ainda o Gen- nem pertenderaõ os cargo$ della para 1

tio Sócr(;ltes entendeo em os diétames exercitarem juftiça, fo naó para em:i-


natnrais : .Vir ft.tte nutlarn-poff.?ffionenr, g_uece~~nr · afu~ fam ~li.a . 1\-luy poueos
nec honeJhor em , nec durab'/.lem e./Je fe appllearao a med1c111a para darem
decebit; e he melhor poífuir pouco ho- faude aos~enferrn o.s, fe naó na:ra bui=-
neframent é~ que mnJto injuftamente, carem commodidade aos.fãos , etalvez
efcreve Salomaõ no cap . .26. · das Fro- ' à cufta de muitas vida$. lVIuy poueos
verbios. Ordinariamente· fe gafta mal fooffereceraó às duvidofas .ond:its do ·.
o que por .màos meyos fe alc~nçou : mar pelo amor da religiaõ ,.confcrva-
pmy poncos;· en~raó no Templo davir- çaó da Patria , e fefviço .do R eyno , fe
tude por ella mefma, infinitos .no da naó para trasladarem as riquezas dos
riqueza pela mefma : Alc.iato Ernble- g bufcaó para fuasproprias cafas\Mny
rna -1 2 8. M:uy pouco_s fe entregaraó poucos procu_raraó a adminill:raçaó
ao eftudo da Sagrada Theologla para da fazenda do publico, ·e partiCular
o empregarem em o bem das almas,fe- para a aprnvei_taré ,fenaõ para com el-
naó para. pertenderem: Beneficios com la' fe enriquecerem ; pelo que diífe .f'Jq-
~ .alvo a que tendem, e antes de en- ra.cio lib. I. Epijl. 16 :

ferdidit arma, locum virtutis defe'i"'v it, qui


Semp~r in a_ttgenda feftinat, & obrititur.·r e.

~egnnda , que a fazenda fej~ pof_. re_m n<?civas às virtudes , que antes
tuida , e n~ó -poífuidora ; porque ,_as faó . hum, grande a:djutorio dellas ,
riquezas , como enfina A rifl. lib. L como enfina Santo Ambrojio in Luc.
Rhetoric. cap. 5- confi{tem mais no ufo, Ufe-fe bem das riquezas, e. logo as
que na poífe. Quem ufa das riquezas, riquezas feraó boas , diz S. Bernar~
he fenhor Q.eHas ., e quem com ellas do .Serm. + ,
fe naó aproveita, nem ,faz bem a ou- Terceira , qüe nas riqt'lez~s fe
tro', he efcr_a vo dellas .na fentença de füja o ·vicio da 1.oberba , porque he
Plataõ , fegundo Eftob. Serm. 92. a achaque efte, de que ordinariarnen=-
grandeza cpnfifte mais .em o bom ufo te enfermaó os ricos, como eforeve·
das coufas, que na poífe dellas , efcre- Santo .A.goft. Serm. 24. aonde avalía
ve Plutarcho : ·Non in habendis rebus, igualmente por difficultofo o naó pá~
. fed potius in utenefis maptitudo fita · decerem eib enfermidade , e por ·ge-
eft. -Compai:a S. Bq/ilio in lucam· as nerofo o animo, que entre as riqu e-
riquezas aos póços, cujas agLrns boli'- ias ·naó enferma deite v icio , .que Só,:.
das , .e tiradas, co1Ten1 melhor , e fe crates conforme a Eftobêa Serm. 92·.
conferv.aõ; e apodrecem1, e fe corrom- diz que .muda os homens. , com o e>
pem fe fe naó ufaó ;_ afiim as ri_qt1ezas vafo o vinho , e naó fó aos- homens ,
ufadas faõ uteis, e proveitofas , . n~õ mais ainda aos brutos,como rnoftrouL
fo a quem as poffue, mas ainda ao pu- a experiencia no cavallo Bncéphalo
blico ; e efquecidª s .,f?ó damnofas cio de .Alcx:mdre ; :de qüem con ta Pli-
publico , e particular. O ufa . das ri- nio, que quando efta va nú , confen-
quezas he qbe as faz boas, ou mêls; tia que .t odos o montaffbn , m.as t anto ·
ie o ufo he bo!n, taõ fv.ra eft-á d_e fe- .que fe v,ia arr~ado, naõ fe deixava
· montar
' ..

I \

.1 44 · ~ ,.GUERREIRO; ESC9L~ ~Ç)RAL, ~e· . , ,


·montar fe nao por .P.Jexandre ;. po- bem a nq uez31 nao faz melho1~ .aos ho~ ,
rém affi m como nem· os frev os dou'ra- rneps . ~io fontido de Srmeea de Vita bM-
dos fazeninieihor o.cavallÓ,affim tam- ta çàp. 6. . e no do Poéta Lyricü':
•• /.'f

.Liceft [upn~bits ambules pecu17iâ, .


·V
Fortuna . !im mutat . genus.
~· ,

·Antes da mefmi forte que o cavallo e-como tàis fa]fa() , e .fe trafa6. Diz
fem -freyo fe naõ.. pód.e montar , fenaó · Arijlotel"e.s no l_iv. ~· . Rhetoricdr." _cafJ.
podem gov.ernar a~ riqUeZia-s .fem ra- I 6. qpe as riquezas naõ faõ ·out:i'a ·
z aó , . confonne Eftobêo Serm. 3. dà coufa mais que hun:aditofa«i.Qndfce;
'temperança. ; poJ~que fem €lla fe1;a9 e fendo a ~riqueza P,oudicé , naõ he
como 'ClQ ue1fos ; que poffuindo hurri muito que faça doucfos aos riCos. ·
bofn .cavâllo , ignoraó a arte de omon- ~uarta ~ q1ie com ig;ual cuidado
tar , .fegm1do· Ifócrates. A fineza do fefüja nas riquezas ·à enveja , e '. ~ Iu-
_o.uro ao toq ue çla p edra Lydia foco- . xuria ,.porque. faõ ·eftes vicios·monf-
rihece : Oanimo , e OCOraçaó do ho- truofo parto das riquezas , CQ1}10 af-
inem ao toqu e das Tiquez~ s fe d€lfco~ fü~ma Senec!r hpiflola 28. ~~s quaü
bre, t:omo cfcr~ve Laercib, e ore- . trataremos·largamente na liç,ao 'da .en-
fer"e Quintiliimo : Diviti-te . potent:-a , -veja ., -e da. luxurfa ; . razaó ·porque
fl gratia cç1·tij)imum ~ faeiunt tnorwn agora nos irn'õ detemos em difoorrer
exjJerimentiim. l\thütos . G,Or~çoens ba neft:as ma terias. . . ,. _ .
defco.nhccidos ' que por naõ foprar Quinta' que .fe na.ó
procurem as
o vento da r iquei á, pare.cem que faÇ> _-riquezas ·ele repe1~te ,- mas que pouco
a rn efma humildadé, a. quem .fe en- :. a pouç,o fe. ajunt~1;i1; porque da mef-
traffe cm cafa efta Deofa taó. idola- ma forte que as B.ores, que fü1fcem
'trada de .todos .,· foi·aô a mefma ·10- cedo , morrem pr~íl:es, e ãs pl:;mlas,
bet ba. OutJ.· os ha, que ao_mefmo paf- que crefcem logo m:uito, duraõ po1t-
fo que lhe crelc eraõ os beús, fe aug- co ; affim as r:iq~1eias ~ qüe con.1, bi·e-
mentf)u ~1elles álrnmildade ; co mo foa viclade fe njuntaó ·' coin a mefmn .fe .
infep-aravei ·irrn iía , e con1panbeira ·a qisbarataõ , como . refere :Ptutarcho
chm:idade; a eíl:es fe deve âJ udar para in Apoph. piz Salom.áõ aos· 28. ·c.api-"
·que voem, e àquelle~ . fe de.vem cor--· ttdos do~ Pr overbias, que 11aõ fabe a
t ar _os paífos para qne naó andem , da: brevidade .com que paífaõ ·as riqüe~
_-n:efrn a maneira que ·cortamos as pen- zas àquell,e , que defota · cnriau-ccer·
·nas ·das azas às a ve:s , que naó quere- com: ,brevid11de : . Vi."':·: qt~i fejli~at ·di -.
mos que voem. Cofhünaõ ris rique- tari , & aliis in:-uidet , noverat _qúol
zas fazer aos <bomcns defconhecidos egeflas juperµeniitt .ei : mais Jacil he
na_ó _fó. do s.ma.is, mas_d~ fi "propyio.s.,_ d_e r\~º fa~er~fo mais rico., que ~fo po~
e pn nc1paimente OS r1ne nm çcrao po- bre iaz;er-Íe flCO ,.porgneda Driv.acao
1

bres -, e depois aJortúna' levantou a ao habito fe paira difü c'i1Ínetl1e ; 1~ as


melhor efbd() ; ·porque ·como naó o habito fe·augmcnta fa cfünente coiTí
efla vaó cofi:umados a e:íl:es fumos , os amos , O~que conheceo ·vVem úo
lh es fó bern~ mais facilmente à cabeçi. , Epigramma , que efc'reveo a .Ponti-
e os tornap como homens fem jnizo , co :·
[>auper es ~ ba;t·d facile ifl jieri te, P_ontice , ._ ditem ,:
' -' · Dives es ,.·eX; facili ditior ejfe potes. . ,

Efcreve..PhHoflÍ'ato ~- ~o refere Li](- ffo ._,.q1'ie ;r:tfll1 Jabi~, a.~u~m cham~


+· V~
" PALESTR~A I. LICAM: xxvr. -DA' FAZENDA. 14,f}
vaó Atico; achou emfüa . cafa hum lar ; o Imperador Jl:le tor~1ou a rei:..
thefouro.riquiffimo,e ternendo-fe que ponder ·:. Ergo aoutere, 'como · di.;.:'.;en-
o accufalTem ao lli1perador J:'-{erva do : fe eífe thei-oüro , que achaftes,
porque · o tállava , e recolhia, efcre- ' he improporcionado com voifo pef-
veo no Imperador, q11e o achara ; foa, fornma, e efpbéra·, abufay del-
Nerva refpondeo ·Uti;,re ·, ufay 'de11e: le. Donde fecolbe, que as riquezas ad-
ü bomem naó re dando .por feguro quiridas de repente ' inculcaó abu-
ainda com aqnella repofta., tornou a fos, já entr'egando-fe à gnla, jri ;:d n-
ef'crever, e declarou, ·que o tb:efourq xnri~ , que como :diz Ovidio ,. com
era grande , ederp1·oporc~DllauO pai'a· ·as riql'lez:.ts fe cri~ : , ·
elle , q1ie -era hum homem particu- ·

Diviti~ alitur luxuriofus amor.


' .

Ultima ; gue as- r~_quezas Se· \e- te pay d_e fatniHas _d eve pro'cúrm-. coig
nhaó como vi fü1has ;,mas naó como mayor cuidado, devem ter o prinrei-
in(eparnveis companheiras .; porque ro lugar humas cafas ·em.que. more;
fe fü ç:ceder foltaren1 ·, nos ru1õ · ma- porq11e faó cfta~, fegnndo Ar:{(l. lib.
gc:icm: uG?mos dellas , Fnas naó nos r.Politicor. companheiras quotidianas:·
g1orie1pos .c om cnas ,-eifro co.mo·par- rniferaveI'he aquclle ? que habitando
ticularmentc depofitadas nas lioífas nefta .ten'tl commua, naó tem palmo
mãos. Tndo he cte Seneca. Ep~fl.: 82. d~ terra _fua. O que naó tem ·cafa pro-
Naó ha final mais evitlents · de hum pria , he hnni corpo mbrto fcrn fopnl-
animo pequ eno ~ e curto; que 'eíH- · tura ': cfM no ·mtinqo, e fóra dêlle;
màr'.nmit:o as riqnczas ; nem proYa · mai3 infeliz qnc , as féras ; que em as ·
mais ..,concludente de hum animo :n1ag- grutas , e caven1ofos efcondrijos la-
nifü:o,c gcrterofo,que po!fuillas co1no vráõ fens domicilíos, thalamo, e fe-
emprcftadas, -como diz Cicero lib: r. pultl'ua, gofrando todos de envelhe-·'
de Officiis; nem argumento mais claro Ger aonde fe criaraó , e de mon:er'
de que Dcos nos ama, e nos quer enri~ aonde nafceraó. Aos juftos ;· e fantos
quecer no outro mundo, do <..í tirarnos · promette Deos, por b'oca de SaJoma_ó-
a riqueza nefte,; verdade, que naó per- em o Ca._,_v. I 4. dos ·Proverbias , cafa
tendo perfuadir, hem com a ~ntho- permanente ;_aos m.fos , e jnjuft:os os ·
rida de da Sagrada Efcr'iptura, i1em·dos anrcaça _com a breve dm:açaó ·de fen
Sagra j,osDoutorcs,qne.em tantas pm·- domicilio : Impii âelebitur taberna-
tes nós ü1culçrró cfta verdade , mal> culmn , jt~florum verà permcmebit. Se .
com _a de hum Gentio , que fó com p·ois he· bençaó do Céo ter morada
o lume natural da razaõ a conheceo '· 11erpetua, nece!fario ferá ter cara pro-
cíl:e hc .P lntarcho, que in Apopht. 193. pria. Os app·emdos tomaraó nome das
.diz , que naó he admiraçaó, que Deos·, cafas; que naó tem cafa, naõ té appel- ·
encha de riquezas aos má os , e prive , lido. H~ fora:íl:eiro na fua patria quem
del!us aos bons,. porque affim · como tem caia .alugada; m1da em continuo
o bem pay de familias prohibe os fra- rnovünento; naó habita, fo naó peri-
tos verdes nos filhos para .que lhe naó grina ; deita a perder as alfaycis üas
foçaú mal,_e os per1}1itCe aos criados, mudanças, pondo-as em publico pre- .
e e!h:mhos ; affim Dcos prohibe as gaó ; e ·já mais produzem aq uclbs
riqnez.as aos bons que ama, para que plant:fts, que f e andaó· continri~men,..
com e1his fo nao percaó', IB . as pcnnit.:. te tranfplantando, como diz S,,eqcca :
te aos rn1.os. No1i con·vale(cit planta., nec 1ttilite1l pro-
Entre os bens? que 11um pruden- jit, ji ad dive;fa loca 'tra11sferat1w.
- T A~
1. '

146 . · GUERREIRO, ESCOLA. MORAL, &e.


A eafa fe fabrique nas Cidades mais eas res potiits profimdere· peczmias qu,:e
foi·tes· , ~ tonh~Cidas ; porque hum dit~tius .durare oporteat. lib. + Ethicor.
dos mayor~.s legados, que ospays po- cap. 2. , · . . .
dcm deixar aos filhos , he o haverem- pepo:is das cafas dev<; o prudente
.ll1e qado qoµ Patria , como já · fica p~y de famiHm ei1abelecer as.fuas ré-
h10ftrado na Liçaõ da Elei.Çaõ das das nas. herdades ,.porque as riquezas
Miniflr:os. Seja formofa ,. e faudavel ; mais noto1üas ·,, e mais nobres , faõ· as
poro ue a formofura da cafa condiz rendas das hé1·dades: efias faó theLbu-
w~üJq à fqrmoüu-~ dos filhos' e ôtfau- ros 'que tem mais' e multiplicaó fem
davel do m à faud? ; affim o ~eonfo- damno algum. O ouro nafce do lodo,
1

lha Seneca : Non tantuni corpori, .fed e d~pois refplandece: fo com a terra.
etiam moribtts j àlubre Jolurn etigen_dum he licito fer avaro, tirando della cen-
efl. Será formofa, fetiver port~·,eef- to ·porhmn;porquehemáy igualmé-
cada magnifica, cantos claros, ador- te. prodjga, e avara, e por iilo t orha
:ni;i~os , .d<f pinturas erudítas·, que pr~~os filhos taõ .grande ,u1t1ra-, pol'que_
vao de documentos, e adornos .: iera fabe que tudo hél de voltar nel\a; ma·s·
faudavel, fo por huma parte olhar ao naõ he prodiga p~ra com os negligen.. ·
Auíl:ro temperado , e por outra ao tes, .nem piedo~a para os que o faó
Bóre~s frio, para .fe zombar d& hum, e com ella":,que;.· que a trabalhem: fc 1rnó
onfro e1n aEfiancia contraria; po.rém a rafgaõ, e.rompem, tudo frufl:i·a; PO"'
tp1haõ bum ladQ , e o mais habita- rém nada a f~cundará mais,.que 'ª vif~
vel ao Oriente, porqqe faó rnais bel.., té\., e-' pés do dono, porque fe fe fia
l0s ' e fecundas as plantas ' que r~ce.- dos criados; e ·foi tores ' oµ a deixa..
bem os primeiros rayos do Sol, e def- ráó , infrutífera , ou ferá para elJcs o
ta [Qrt~ hum vento emenda o outro, fruto. Em a agricultura confifte a
e ambos pu rgaõ o at'. Sejaó as que principal riqueza dos Reynos, aconw
( baftem para ter~m a familia, efetive- fervaçaó das Villas, e Cidades ,e a ma-
rcm hort a , fc gozaráõ em cafa 0s
1
yor commodidê.'tde dos valL1llós. Vida
com :Y1odidades da Cidade~ e do cam.- alhe·ya de pleitos., trnpacas , e mehti-
po. Deve o-funíptuQfo das cafas cor- ras ·, enganos, e corrupço"ens das Cor-
refponder ao numerofo das fazendas , tes da.- qnal Cicero I. Offic. diz o fe~
diz Ariíl:óteles, pQrqu,e he argumen- guinte: Omnittm rerum, ex quibus ali~
q1:icl _r~9uirit1í~· . nibil .,ef! ag'~·i~ultz~i
to de q·1,e e~t0s foraõ .grandes.; .%1;i ai1-
~o aqneL~;u; ie o:íl:entm em magnrncas: ra meltu$,_, ..n1h1l uberius , n7hzl lt-
Efl niagnij~'ci, & honorati viri domzmi bera howine . digniús ; vid~ · , cm
tedificare , cujus modus , _f:;<J dignitas a qual participou do menifterio dos
ad dii:itias accommodanda eft ; qu.eri- Anjos aq uelle bernaventurado , e San-
trw pzim ex domo dignitas quâdam , to lavrador Ifidro , Patraó Real da
f:l qute, fint d;vitit&_: donde conclne o Çorte de Hefpa11ha,..,, de qüem t odos
111cfn,10, qu~ 1e JJª? deve perdoar ao$· fabem, que lavr~vao aquelles em.quá~
ga~l~,~, __,e d1fpe1:01os. pma que as ca- 1?q efte orava: ~ida, cm que Deos, re.,
1

ia s. ieJªº · honon f1ca s, . porque como velou feus rna1s altos fegredos aos
~ftas fc confervaõ por largos am~os, fantos, e antigos Pa.triarchas , como
e as riquezas melhor -fe appli,caõ a tefl:ernunhaó as fagradas letras.: vida,
coufos que à nraô por muitos fecnlos, que Horacia lib: Epad. Ode 2·. 1ulp·ou
l~ c~<\bem empreg~~as a_s que ~1os ,cdi- püi'' ben,rnvent.urada , e> - Virgiii~ I ,
fi9ps , e caias iao diípe11diaas : fn. Gearg'.

O' for-
PALESTRAI LIÇ.A_M XXVI. DA FAZENDA.
' '
O' fortunat.o~ . ~iimiuni. ftta ·.F bonci.-"n~rint
Agrícolas, -·q_tiílms ipfa p1·ocul clifcordibus armis
· Fundit hunJ:i f acilem vietum jvjlijfima tellus. - ..
Os gados foyaó a primeira riqueza , nar os livr-Us da receita de fua cafa,
. que hoüve no mund,o ' porque nel- g1Je enrre ,a mandar fazer os da dcfpe'-
1 s cqnfiftiaó as mayorcs , que ·no za, Osgaftos naõ. fe haó de fazer à me-
principio délle houve. Era entaó <lida da neceifidade ,mas devem-fe co::-
mais rico quem til'lhaJJ.1ãis gndos, e mei~furar com a das i;endas ,' porque
delles fe deJ·ivou, íegundo muitos, o fó aguella ca~a eftá bem governad:I )'
nome peéunia·, que fignifica dinheiro, donde nada 1obra ,_e nada falta; nem
mas hoj~ baftará fey quáto fe augmen- tamb_em pelas qualid~des de quem o
te nelle o cabedal, fegundo o que for difpende, porqu~ nao fe paga o que_,-
neceffario para o uí"o ~a agl'icultura, e fe ,gana com a qual~tlage de quem o
·forviço de cafa, porque fe fe emprega dilpende, mas com o dinheiro,, e fa- ,
inuito nelle '· faltará para o emprego zenda, que po.ffrre. He excel1ente i:e-
das herdades, tanto mais feguras, q nã- -gra gozar dos bens como quem ha de
to mais duraveis, tanto mais frutife- morrer, mas perdoar-lhe -como g_ucm
ras ·, quanto mais cultivadas. . póde viver. O homem, qu~ti;aita rnais .
A ~fi as riquezas naturais fe feguem do que tem , de rendél., virá necehn..;
.as artificiais , que faó as que- fe tira ó riamente a vender as fazendas que Ihé ·-.
das artes. Se a Arte he mecanica , rendem, e ficará pêor do que ·fo nun.:.
as riquezas feraó mecanicas, fe fuja, . ca as houvera ,pçífuido; porq1ie fen-
Jujas, fe liberal, liberais , porque tais tença he de Xenophonte referida· por
faó os effeitos , quais faó as caufas.; Eflobêo Serm. I 5. que .m~is fe fentc a
mas ainda que as riquezas nafcidas_ falta da privaça_ó ., que do habi~o ·;
da:i artes liberars, fejaó mais nobres. inconveniente, q ne fe ev_ita com a vir-
a refp'e ito das mecanicàs ; a refpeito tude da parcimónia ' COfn a qual os
das que produzem as herda_des pro- animos prudentés confidernõ as fo~·­
prias, faó menos n~tutais, e menos ças de fuas remi.as,, para naõ-fazerem \

ho~rofas ; porque as vil:tudes como. gafl:os que -as excedaõ_. O melhor ca-:
naó faó appeteci veis fe naó porfi mef- minho para adiantar nas riq nezas .-he
mas, naô olhaó ao util, fenaó ao de- atrazar -nos gafl: