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Testemunho ou lugar de fala?

O que pode o cinema face à violência de Estado

Disciplina ministrada pela pós-doutoranda Ilana Feldman (PNPD-Capes),


sob supervisão da Profa. Dra. Esther Hamburger, realizada em 18, 19,
20, 25, 26 e 27 de março de 2019, das 14h às 17h, no Auditório Paulo
Emílio, no âmbito do Programa de Pós-graduação em Meios e Processos
Audiovisuais, PPGMPA, da ECA-USP.

PROGRAMA

O curso intensivo “Testemunho ou lugar de fala? O que pode o cinema face à violência
de Estado” pretende, em cotejo com a literatura e outras manifestações da cultura,
examinar e problematizar os conceitos de “testemunho” e “lugar de fala”, amplamente
empregados nos debates culturais atuais pautados pelo combate a formas diversas de
autoritarismo, discriminação e violência de Estado.

Por meio da análise das relações críticas e das invenções formais que certas produções
cinematográficas e literárias contemporâneas (documentários, ficções, relatos
autobiográficos, ensaios) vêm estabelecendo com os campos teóricos do testemunho,
dos estudos do trauma, das escritas de si e das políticas identitárias por reparação e
justiça, visamos também interrogar o “lugar da vítima” e o “privilégio da dor” como
estratégias correntes de legitimação e autorização prévias de narrativas, discursos e
imagens.

No contexto de uma virada testemunhal nos estudos da cultura e de uma sociedade,


simultaneamente, marcada pela catástrofe e mediada pela imagem, pretendemos, como
tarefa política urgente, refletir sobre os limites, as impossibilidades e as opacidades da
representação, assumindo uma posição crítica às formas fáceis de adesão e identificação
baseadas em discursos autorreferentes e/ou tomados como transparentes. Só assim, no
embate com os conceitos e com os filmes, poderemos desprivatizar a dor e fazer da
linguagem um potente meio de encontro com a alteridade.

OBJETIVOS

O objetivo do curso intensivo, composto por seis aulas de três horas cada, a ser realizado
durante duas semanas no primeiro semestre de 2019 e aberto à graduação e pós-
graduação, é contribuir para que os estudantes possam não apenas distinguir as relações
e diferenças entre os conceitos de “testemunho” e “lugar de fala” (seus usos, suas
implicações políticas, seus efeitos estéticos), como possam também ser estimulados (à
luz das problematizações levantadas, do encontro com os textos, dos filmes vistos e dos
debates travados) a realizar uma leitura crítica do cinema e do audiovisual atuais,
realizados no Brasil e no exterior, sem perder de vista a relação com a literatura de forte
teor testemunhal e outras manifestações midiáticas, num importante exercício de crítica
cultural aberto à diversidade de processos semelhantes ao longo da história recente e
em diversas partes do mundo. Nesse sentido, obras de fundamental importância como
Shoah, de Claude Lanzmann (1985); Hiroshima, meu amor, de Alain Resnais (1959) e
Crônica de um verão, de Jean Rouch (1960), serão pensadas à luz da produção de
realizadores como Harun Farochi, Rabih Mroué, Chantal Akerman, Patrizio Guzmán e
David Perlov, em cotejo com o cinema brasileiro contemporâneo de Adirley Queirós,

1
Rodrigo Siqueira, Maria Clara Escobar, Afonso Uchoa, Beth Formaggini, Anita Leandro,
entre outros. A colaboração dos alunos, instados a trazerem novas referências e
repertórios do cinema e da literatura recentes, será de vital importância.

JUSTIFICATIVA:

Na entrevista “Alguns pedaços de película, alguns gestos políticos”, concedida a nós a


propósito da edição de seu Cascas (2017), misto de ensaio, relato de viagem e narrativa
biográfica, o filósofo e historiador das imagens Georges Didi-Huberman ressalta que não
se pode fazer da dor um privilégio, uma reserva de exclusividade, comportamento
frequente nos discursos de vitimização e nas práticas de legitimação adotadas por certos
movimentos minoritários. De acordo com ele, “o que é chamado de ‘vitimização’, ‘dever
de memória’ e que é objeto de tanto abuso, consiste em fazer da dor uma obrigação,
uma palavra de ordem, um capital psíquico, um fundo de investimento político ou sei lá
mais o quê” e esta seria “uma maneira corriqueira de desvalorizar a dor dos outros”. Por
isso, o autor é enfático ao afirmar que, se a dor não se qualifica e não pode ser trocada
por nenhuma outra coisa, o trabalho a ser feito consiste em “fazer da dor, e, logo, da
história e das emoções que a acompanham, nossos bens comuns”, isto é, partilháveis e
transmissíveis.

Embora se encontrem no centro do pensamento psicanalítico e dos estudos


cinematográficos e literários, os conceitos de testemunho e trauma têm se disseminado
por boa parte da cultura em geral e do cinema em particular, sobretudo após as grandes
catástrofes históricas que marcaram a experiência subjetiva e coletiva no século XX,
como o Holocausto, as ditaduras latino-americanas, o racismo, o machismo e toda forma
de violência de Estado, necessidade de exílio e desagregação comunitária e familiar.
Nesse contexto, grande parte da produção cinematográfica, no campo da ficção, do
documentário e do filme-ensaio, em cotejo com a literatura e outras manifestações da
cultura, vem elaborando criticamente essas questões, muitas vezes também amparada
pela importante expressão “lugar de fala”, cunhada no campo dos Estudos culturais e
mobilizada pelos movimentos de militância política e identitária.

Investigar os conceitos de testemunho e lugar de fala, bem como os discursos de


vitimização e o privilégio que a dor vem assumindo na transformação do sofrimento em
uma espécie de moeda de troca da política contemporânea, é o horizonte do curso
“Testemunho ou lugar de fala? O que pode o cinema face à violência de Estado”. Por
meio do potencial emancipador de um cinema e de uma literatura que – não apelando
para estratégias melodramáticas ou meramente denuncistas – partem da opacidade da
linguagem em vez de simular uma transparência narrativa, iremos, a partir de certo
princípio de crueldade da crítica, problematizar o que está em jogo em nossa sociedade
quando o que se mobiliza e disputa são os efeitos de verdade e de autenticidade
produzidos por toda sorte de discursos e estratégicas confessionais e autorreferentes.

CONTEÚDO (EMENTA):

▪ Testemunho ou lugar de fala?


O cinema e a literatura depois das catástrofes
(Claude Lanzmann, Rithy Panh, Primo Levi, Marguerite Duras...)

▪ Imaginar, apesar de tudo:


O Holocausto e a polêmica fundadora em torno da representação
(Alain Resnais, Gillo Pontecorvo, Claude Lanzmann, László Nemes, Marcel Cohen...)

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▪ Emergência da palavra, sobrevivência das imagens:
Trauma e o testemunho impossível
(Jean Rouch, Alain Resnais, Chantal Akerman, Sarah Kofman, Marceline Loridan-Ivens...)

▪ Quando as imagens faltam:


Ou como figurar a violência traumática?
(Rithy Panh, Ari Folman, Jafar Panahi, Joana Hadjithomas, Scholastique Mukasonga...)

▪ Pode a imagem matar?


Da iminência da morte ao trabalho do olhar
(Rabih Mroué, Harun Farocki, Avi Mograbi, Emad Burnat e Guy Davidi...)

▪ Geração pós-traumática e autobiografia:


Sujeito, performance e os desafios éticos do cinema e da literatura de teor testemunhal
(Maria Clara Escobar, Flavia Castro, Augustina Carri, Alejando Zambra, Júlian Fuks...)

▪ Reencenação, arquivo e autoficção:


Racismo, ditadura civil-militar e genocídio indígena
(Maria Augusta Ramos, Adirley Queirós, Raquel Gerber, Andrea Tonnaci, Bernardo
Kucinski...)

▪ Repressão de ontem, opressão de hoje:


As marcas da violência nas formas do presente
(Rodrigo Siqueira, Vincent Carelli, Patrizio Guzmán, Svetlana Aleksievitch...)

BIBLIOGRAFIA ATUALIZADA

ALEKSÉVITCH, Svetlana. A guerra não tem rosto de mulher. Trad: Cecília Rosas. São
Paulo: Cia das Letras, 2016.
Na Estante Virtual por R$ 37,50

ALLOA, Emmanuel. “Entre a transparência e a opacidade – o que a imagem dá a pensar”.


Trad: Carla Rodrigues. In: Pensar a imagem. Belo Horizonte: Autêntica, 2015.
Livro com desconto na Saraiva (R$ 39,90)

AGAMBEN, Giorgio. O que resta de Auschwitz. Trad: Selvino J. Assmann. São Paulo:
Boitempo, 2008.
Na editora custa R$ 42,00, mas tem desconto para professor.

ARFUCH, Leonor. O Espaço Biográfico: dilemas da subjetividade contemporânea. Trad:


Paloma Vidal. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2010.
https://bibliotecaonlinedahisfj.files.wordpress.com/2015/02/arfuch-leonor-o-
espac3a7o-biogrc3a1fico.pdf

_______. Memoria y Autobiografía: exploraciones en los limites. Buenos Aires: Fondo de


Cultura Económica, 2013.
https://www.academia.edu/24601529/Arfuch_Leonor_Memoria_y_autobiograf%C3%A
Da
https://pt.scribd.com/document/140597933/Arfuch-Memoria-y-Autobiografia

3
BENJAMIN, Walter. “O narrador” e “Experiência e pobreza”. In: Magia e técnica, arte e
política – obras escolhidas vol. I. Trad: Sergio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense,
1996.
https://www.academia.edu/5899910/BENJAMIN_W._Obras_Escolhidas_Vol._1_-
_Magia_e_T%C3%A9cnica_Arte_e_Pol%C3%ADtica

BERADT, Charlotte. Sonhos no Terceiro Reich. Trad: Silvia Bittencourt. São Paulo: Três
Estrelas, 2017.
Na Estante Virtual por R$ 30,00

BOSCO, Francisco. A vítima tem sempre razão? Lutas identitárias e o novo espaço público
brasileiro. São Paulo: Todavia, 2017.
Na Saraiva, com desconto, por R$ 25,90. (R$ 49,90 na editora Todavia)

BUTLER, Judith. Relatar a si mesmo – crítica da violência ética. Trad: Rogério Bettoni.
Belo Horizonte: Autêntica, 2015.
https://www.academia.edu/34926445/BUTLER_Judith._Relatar_a_si_mesmo-
Cr%C3%ADtica_da_viol%C3%AAncia_%C3%A9tica_2015_

COHEN, Marcel. A cena interior (fatos). Trad: Samuel Titan Jr. São Paulo: Ed. 34, 2017.
Livro com desconto na Saraiva (39,90) A 34 dá desconto para professor.

________. A esfera de Magdeburgo “Escrever a Catástrofe, testemunho e ficção”. Trad:


Guilherme Bonvicini e Raíssa Cardoso. Rio de Janeiro: Zazie Edições, 2018.
https://static1.squarespace.com/static/565de1f1e4b00ddf86b0c66c/t/5c10371021c67c
bb6c4f00f0/1544566552958/ZAZIE%2BEDICOES_PEQUENA%2BBIBLIOTECA%2BDE%
2BENSAIOS_MARCEL%2BCOHEN%2BA%2Bespera%2Bde%2BMagdeburgo_2018.pdf

DIDI-HUBERMAN, Georges. Cascas. Trad: André Telles. São Paulo: Ed. 34, 2017.
Livro com desconto na Saraiva (R$ 37,00). A 34 dá desconto para professor.

_____________. “Alguns pedaços de película, alguns gestos políticos”, entrevista


concedida a Ilana Feldman. In: Cascas. São Paulo: Ed. 34, 2017.
Infelizmente não tenho o arquivo em PDF da entrevista, mas segue a tradução em
espanhol:
https://www.academia.edu/37983750/Algunos_trozos_de_pel%C3%ADcula_algunos_g
estos_pol%C3%ADticos_conversaci%C3%B3n_con_Georges_Didi-
Huberman._In_Acta_Po%C3%A9tica_Revista_semestral_del_Centro_de_Po%C3%A9tic
a_Universidad_Nacional_Aut%C3%B3noma_de_M%C3%A9xico_vol.40_n.1_enero-
junio_2019_p.171-186

_____________. Imágenes pese a todo. Trad. Mariana Miracle. Barcelona: Paidós, 2004.
https://bibliodarq.files.wordpress.com/2013/10/5-didi-huberman-g-imc3a1genes-pese-
a-todo-memoria-visual-del-holocausto.pdf

_____________. Cómo abrir los ojos. In: Harum Farocki: desconfiar de las imágenes.
Buenos Aires: Caja negra, 2013.
https://monoskop.org/images/c/c9/Farocki_Harun_Desconfiar_de_las_imagenes.pdf

_____________. Remontagens do tempo sofrido: o olho da história, II. Belo Horizonte:


Ed. UFMG, 2018.
Livro na Estante Virtual (R$ 54,00). Na Livraria da Travessa (R$ 55,00)

4
______________. Sobrevivência dos vaga-lumes. Trad: Vera Casa Nova e Márcia Arbex.
Belo Horizonte: UFMG, 20118.
https://iedamagri.files.wordpress.com/2018/04/sobrevivencia-dos-vaga-lumes.pdf

DURAS, Margueritte. A dor. Trad: Vera Adami. São Paulo: Círculo do livro, 1985.
Esgotado/ Na Estante Virtual por R$ 10,00

EISENMAN, Stephen F. El Efecto Abu Ghraib, una historia visual de la violencia. Buenos
Aires: Sans Soleil ediciones, 2014.

FELDMAN, Ilana. “Imagens apesar de tudo: problemas e polêmicas em torno da


representação, de ‘Shoah’ a ‘O filho de Saul’”. In: Revista ARS, publicação do Programa
de Pós-graduação em Artes Visuais da ECA/USP v.14, n.18, 2016, pp.134-153. Disponível
em: http://www.revistas.usp.br/ars/article/view/124999/121903

_________. “Podem os personagens secundários falar? Posição feminina no


documentário autobiográfico face à memória da ditadura militar no Brasil”. In: Alea:
Estudos Neolatinos. 2018, vol.20, n.2, pp.228-243. Disponível em:
https://revistas.ufrj.br/index.php/alea/article/view/18675/11081

_________. “A arma, o olho e o espetáculo - um ensaio a partir de Guerra e Cinema, de


Paul Virilio”. Revista Trópico, abr./mai. 2006. Disponível em:
http://p.php.uol.com.br/tropico/html/textos

__________. “Memória pessoal, tragédia coletiva: sobre “A cena interior’” de Marcel


Cohen”. Quatro cinco um – revista de livros, ano um, número dois, junho de 2017,
p.28. Disponível em: https://unicamp.academia.edu/IlanaFeldman/Book-reviews

FELMAN, Shoshana. “Educação e crise, ou as vicissitudes do ensino”. In: SELIGMANN-


SILVA, Márcio; NESTROVSKI, Arthur (Orgs.) Catástrofe e representação. Trad: Claudia
Valladão de Mattos. São Paulo: Escuta, 2000.
https://joaocamillopenna.files.wordpress.com/2015/03/seligmann-silva-org-catastrofe-
e-representacao.pdf

GAGNEBIN, Jeanne Marie. “O que significa elaborar o passado?” e “O rastro e a cicatriz:


metáforas da memória”. In: Lembrar, escrever, esquecer. São Paulo: Ed. 34, 2009.
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/1963209/mod_resource/content/1/GAGNEBIN
%2C%20Jeanne%20Marie.%20O%20que%20significa%20elaborar%20o%20passado.
pdf
__________. “Entre eu e eu mesmo”. In: GALLE, Helmut e Outros (Org.) Em primeira
pessoa: abordagens de uma teoria da autobiografia. São Paulo: Annablume, Fapesp,
USP, 2009.
PDF anexo

GIGLIOLI, Daniele. Crítica da vítima. Trad: Pedro Fonseca. Belo Horizonte: editora Âyiné,
2016.
Livro de bolso na Amazon (R$ 26,90). No site da editora, e-book R$ 12,00.

JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo, diário de uma favelada. Rio de Janeiro:
Ática, 2018.

5
KLEMPERER, Victor. LTI, a linguagem do Terceiro Reich. Trad: Miriam Betina Oelsner.
Rio de Janeiro: Contraponto, 2009.

KUCINSKI, Bernardo. K – Relato de uma busca. São Paulo: Cosac Naify, 2014.
http://lelivros.love/book/baixar-livro-k-bernardo-kucinski-em-pdf-epub-e-mobi-ou-ler-
online/
________. Os visitantes. São Paulo: Cosac Naify, 2016.
Cia das Letras: E-book 23,90

LANZMANN, Claude. Shoah. Paris: Gallimard, 2015.


Estante virtual (R$ 30,00)

LEANDRO, Anita. “Um arquivista no Camboja”. MAIA, Carla; FLORES, Luís Felipe (Orgs.)
O cinema de Rithy Panh. Centro Cultural Banco do Brasil, 2013.
http://culturabancodobrasil.com.br/portal/wp-content/uploads/2013/11/Rithy.pdf

________. “A história na primeira pessoa: em torno do método de Rithy Panh”. In: e-


compos, v. 19 n. 3 (2016). Disponível em: http://www.e-compos.org.br/e-
compos/article/view/1279

LEVI, Primo. É isto um homem? Trad: Luigi Del Re. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.
https://joaocamillopenna.files.wordpress.com/2015/03/levi-primo-c3a9-isto-um-
homem-1988.pdf

___. Os afogados e os sobreviventes. Trad: Luiz Sérgio Henriques. São Paulo/Rio de


Janeiro: Paz e Terra: 2016
Livro com desconto na Saraiva (R$ 28,90)

MACEDO, Lucíola de Freitas. Primo Levi: a escrita do trauma. Rio de Janeiro: Subversos,
2014.
Na Editora Subversos (R$ 45,00).

MONDZAIN, Marie-José. A imagem pode matar? Trad: Susana Mouzinho. Lisboa: Vega,
2009.
https://pt.scribd.com/document/391688291/A-imagem-pode-Matar-Mondzain

MUKASONGA, Scholastique. A mulher de pés descalços. Trad: Marília Garcia. São Paulo:
Editora Nós, 2017.
Livro com desconto na Saraiva (R$ 31,90).
Estante Virtual (R$ 27,90)

PANH, Rithy; BATAILLE, Christophe. L’image manquante. Paris: Grasset, 2013.


_____. L’élimination. Paris: Grasset, 2011.

RANCIÈRE, Jacques. A partilha do sensível. Trad: Monica Costa Netto. São Paulo: Ed.34,
2009.
https://joaocamillopenna.files.wordpress.com/2015/05/ranciere-a-partilha-do-
sensivel1.pdf

RIBEIRO, Djamila. O que é lugar de fala? Belo Horizonte: Letramento: Justificando, 2017.
https://pt.scribd.com/document/383006186/Djamila-RIbeiro-O-Que-e-Lugar-de-Fala-
2017-Letramento

6
ROLLET, Sylvie. Une éthique du regard: Le cinema face à la catastrophe, d’Alain Resnais
à Rithy Panh. Paris: Hermann, 2011.

SARLO, Beatriz. Tempo passado – cultura da memória e guinada subjetiva. Trad: Rosa
Freire d’Aguiar. São Paulo: Cia das Letras, 2007.
http://www.legh.cfh.ufsc.br/files/2015/04/SARLO-Beatriz.-Tempo-Passado.pdf

SELIGMANN-SILVA, Marcio. “O local do testemunho”. In: Florianópolis, v. 2, n. 1, p. 3 –


20, jan. / jun. 2010.
http://www.revistas.udesc.br/index.php/tempo/article/viewFile/1894/1532

_______________. “O testemunho e a política da memória: o tempo depois das


catástrofes”. In: Proj. História, São Paulo, (30), p. 71-98, jun. 2005.
http://www4.pucsp.br/projetohistoria/downloads/volume30/04-Artg-(Marcio).pdf

_______________. “Narrar o trauma - A questão dos testemunhos de catástrofes


históricas”. In: Psicologia clínica vol.20 no.1, Departamento de Psicologia da PUC-Rio,
Rio de Janeiro, 2008.
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-
56652008000100005&lng=es&nrm=iso&tlng=pt

SONTAG, Susan. Diante da dor dos outros. Trad: Rubens Figueiredo. São Paulo: Cia das
Letras, 2003.
http://lelivros.love/book/baixar-livro-diante-da-dor-dos-outros-susan-sontag-em-pdf-
epub-e-mobi-ou-ler-online/

SPIVAK, Gayatri. Pode o subalterno falar? Trad: Sandra Regina Goulart Almeida. Belo
Horizonte: Ed. UFMG, 2010.
https://joaocamillopenna.files.wordpress.com/2017/03/spivak-pode-o-subalterno-
falar.pdf

TRAVERSO, Enzo. Melancolia de esquerda: Marxismo, História e Memória. Trad: André


Bezamat. Belo Horizonte/Veneza: Editora Âyinê, 2018.
Na editora Ayiné (R$ 79,79). Na Travessa (R$ 67,12)

VIDAL, Eduardo. “De Hiroshima a Buchenwald, um outro amor”. In: letra irredutível,
M.D. Revista da Escola Letra Freudiana, ano XXXV, n.48. Rio de Janeiro: 7Letras, 2016.
Vou tentar o PDF com o autor

WIEVIORKA, Annette. L’ère du temoin. Paris: Hachette, 2009.


Estou traduzindo o último ensaio, mas deve demorar para terminar ;) Enquanto isso,
esse artigo é bastante didático: SACRAMENTO, Igor. “A era da testemunha: uma história
do presente”. Revista Brasileira de História da mídia., v. 7, n. 1 (2018) Disponível em:
http://www.ojs.ufpi.br/index.php/rbhm/article/view/7177/4282

FILMOGRAFIA PROPOSTA

Pixaleted Revolution, de Rabih Mroué (palestra performance, 2012)

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O que resta do tempo: crônica de um presente ausente, de Elia Suleiman
(Palestina/França, 2009)

Eu quero ver, de Joana Hadjithomas e Klhalil Joreige (Líbano, 2008)

Hiroshima, meu amor, de Alain Resnais (França, 1959)

Diário 1973-1983, de David Perlov (Inglaterra/Israel, 1985)

A imagem que falta, de Rithy Panh (França/Camboja, 2013) + S21, Rithy Panh
(França/Camboja, 2002)

Shoah, de Claude Lanzmann (França, 1985)

Crônica de um verão, Jean Rouch e Edgard Morin (França, 1960, trechos) + Eu, um
negro, Jean Rouch (França, 1958)

Imagens do mundo, inscrição da guerra, Harun Farocki (Alemanha, 1988, 1h15’, íntegra)
+ Videogramas de uma revolução, de Harun Farocki e Andrej Ujica (Alemanha/Romênia,
1992) + A leste de Bucareste, de Corneliu Porumboiu (Romênia, 2006)

FILMES MENCIONADOS

Silvered water, Syria self portrait, de Ossama Mohammed e Wiam Simav Bedirxan (Síria,
2014)

Sea Sorrow, de Vanessa Redgrave (2017)

1945, de Ferenc Torok (Hungria, 2017)

O ato de matar, de Joshua Oppenheimer (2012)

Pastor Cláudio, Beth Formagigni (Brasil, 2018)

A questão humana, de Nicolas Klotz e Elisabeth Perceval (França, 2007)

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO:

Participação em aula e elaboração de texto de revisão teórica e/ou análise crítica,


apoiado em pesquisa sobre temas ou problemas concernentes ao curso. O trabalho de
final de curso, entre três a cinco páginas no máximo, deverá ser entregue até 15 de
maio, impreterivelmente.

OBSERVAÇÕES:

O curso “Testemunho ou lugar de fala? O que pode o cinema face à violência de Estado”
será oferecido em formato intensivo por duas semanas, com aulas de segunda a quarta,
das 14h às 17h, entre os dias 18 a 27 de março de 2019. O curso é parte das atividades

8
de docência previstas no projeto de pesquisa de pós-doutorado “Narrar o trauma,
escrever o luto e imaginar, apesar de tudo: testemunho e autobiografia entre cinema e
literatura” (bolsa PNPD, Capes).