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14/7/2014 A burguesia rejeita Dilma?

— CartaCapital

Política
Análise / Mauricio Dias

A burguesia rejeita Dilma?


Sim, o ambiente econômico é grande eleitor, mas é a mídia que se empenha para alimentar o ódio

por Mauricio Dias — publicado 05/07/2014 08:31


Tomaz Silv a/ Agência Brasil

Um possível clima de ódio, nascido de decisões da presidenta, rejeitadas por


parte do empresariado, é refletido na mídia.

Em longo e consistente artigo para a revista trimestral Inteligência, em


circulação na próxima semana, o historiador João Bettencourt e o jornalista Luiz
Cesar Faro tentam decifrar o que identificaram como “indiscreto ódio da
burguesia” à presidenta Dilma Rousseff.

O esforço inédito joga luz forte sobre esse “desamor” entre as partes. Os
articulistas mergulham fundo nas relações conflitadas entre um lado e o outro e
emergem com uma pergunta: “Tem culpa ela?” A resposta é não, dizem os
autores do estudo.

Dilma, segundo eles, “deslulou a governança”, embora tenha mantido e Segundo a mídia, Dilma "deslulou a governança"
aprofundado os ganhos sociais promovidos pelo antecessor. Esta seria a
origem, ou uma delas, dessa desavença. Consideram que a burguesia,
preconceituosamente, odiaria Dilma “devido ao seu intervencionismo, sua inaptidão ao diálogo e, quiçá, seu simples jeito de ser”.

“A redução na marra das tarifas cobradas pelo suprimento de energia elétrica é emblemática”, apontam Bettencourt e Faro, entre tantos outros exemplos
recolhidos ao longo da pesquisa sobre o confronto.

Há, no entanto, fatores que deveriam contrabalançar eventuais desgostos provocados por decisões monocráticas da presidenta. Eis um deles que também
figura em rol imenso. Dados recentíssimos da Fipecafi, fundação ligada à Universidade de São Paulo, por exemplo, mostram que, entre 2012 e 2013, os
lucros das 500 maiores empresas do País cresceram 39,3 bilhões de dólares. Isso traduz alta de 24% em relação ao ano anterior.

Mas a história desse conflito estaria agora se preparando para desembarcar nas urnas. Dúvida? O ex-ministro Delfim Netto, em variadas ocasiões, tem
reafirmado a certeza “de que o ambiente econômico é um grande eleitor”. “Delfim não chega a concordar com a hipótese de um ‘golpe branco pela
economia’, mas afirma que o humor da burguesia conta, sim, nas eleições”, dizem os autores.

Como isso se dá? De acordo com Delfim, forma-se “um clima de hostilidade, um ambiente de negócios que o governo se esforça em negar, mas que
existe e que influiu de forma importante para a redução nos investimentos e agora impacta também o consumo”.

Bettencourt e Faro se remetem a uma frase de Lula: “O mau humor do empresariado não está deixando a economia andar”.

Impulsionaria esse mau humor um projetado confronto eleitoral: “Se o PT tem a sua militância e o voto da inclusão social, a burguesia tem o controle
absoluto da mídia”, deduzem os analistas. E apontam:

“A cólera burguesa é mais visível estampada nas bancas de jornal e vocalizada nos programas de tevê. Em jornais e revistas analisados nos últimos 573
dias, somente 9% do noticiário econômico foi favorável, mesmo assim ligeiramente, ao governo Dilma – nessa contabilidade não foram levados em
consideração os artigos do corpo editorial ou de articulistas convidados”.

Para João Bettencourt e Luiz Cesar Faro não há dúvidas: “A mídia comprou um lado e está sitiando, sim, a presidenta, o PT e o seu entorno. E é no cerne
da imprensa que o ódio viceja; porque, se por um lado não são reconhecidos avanços, por outro são exacerbadas as críticas. O oligopólio da mídia não
gosta de Dilma, e ponto final”.

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