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Brasília, 30 de março a 10 de abril de 1998 -

Nº 105
Data (páginas internas): 16 de abril de 1998.

Este Informativo, elaborado a partir de


notas tomadas nas sessões de julgamento das
Turmas e do Plenário, contém resumos não-
oficiais de decisões proferidas pelo Tribunal. A
fidelidade de tais resumos ao conteúdo efetivo
das decisões, embora seja uma das metas
perseguidas neste trabalho, somente poderá
ser aferida após a sua publicação no Diário da
Justiça.

ÍNDICE DE ASSUNTOS
ADEPOL: Ilegitimidade Ativa
Anulação da Sentença e Decreto de Prisão
Aposentadoria de Rurícola
Competência Originária do STF: "letra n"
Correição Parcial: Natureza Administrativa
Crime Falimentar e Prescrição
Desistência do Direito de Recorrer e Assistência
Dupla Intimação e Nulidade
Error in Judicando e Anulação Ex Officio
Estabilidade Financeira
Extradição e Prisão Perpétua
Finsocial: Definição do Contribuinte
Gratuidade de Certidão
HC: Conhecimento
Lei 9.099/95 e Desclassificação do Crime
Princípio Tantum Devolutum
Representação Processual da União
Revisão de Benefícios Previdenciários
Seqüestro e Roubo: Concurso Material
Suspensão do Processo: Caráter Personalíssimo
Técnicos do Tesouro Nacional e Aposentadoria
Tipificação da Conduta e Reexame de Prova

PLENÁRIO
Correição Parcial: Natureza Administrativa
Concluído o julgamento de habeas corpus (v.
Informativo 92) contra decisão do STM que deferiu
correição parcial, nos termos do art. 498 do CPPM, por
considerar inaplicável à Justiça Militar a Lei dos Juizados
Especiais Cíveis e Criminais e, em conseqüência, anulou a
composição civil celebrada entre a vítima e o paciente —
acusado de lesão corporal culposa — de acordo com o artigo
74 da Lei 9.099/95 (“A composição dos danos civis será
reduzida a escrito e, homologada pelo Juiz mediante
sentença irrecorrível, terá eficácia de título a ser executado
no juízo civil competente.”). Em face de questão prejudicial
suscitada pelo Min. Sepúlveda Pertence no sentido de que o
STM não poderia ter cassado, mediante correição parcial,
decisão jurisdicional de caráter definitivo, o Tribunal, por
unanimidade, deferiu a ordem de ofício. HC 74.581-CE, rel.
Min. Nelson Jobim, 1º.4.98.

Desistência do Direito de Recorrer e Assistência


Ainda que o reú tenha se manifestado
expressamente no sentido de não recorrer da sentença
condenatória, tem o defensor público legitimidade para
interpor recurso de apelação, uma vez que cabe a este a
avaliação técnica sobre a conveniência de recorrer. Com base
nesse entendimento, o Tribunal deferiu habeas corpus para
anular o acórdão que entendera inaceitável a apelação
criminal interposta por defensor público em face da
existência de termo de renúncia firmado pelo réu, sem a
presença de seu defensor, e determinar que o Tribunal de
Justiça prossiga no julgamento do recurso como entender de
direito. Precedentes citados: HC 70.444-RJ (RTJ 154/540);
HC 65.572-DF (RTJ 126/610); RE 188.703-SC (RTJ
156/1074); RE 107.726-SP (RTJ 122/326). HC 76.524-RJ,
rel. Min. Sepúlveda Pertence, 1º.4.98.

Lei 9.099/95 e Desclassificação do Crime


No momento da prolação da sentença
condenatória, havendo a desclassificação da conduta
criminosa imputada ao réu para outra que se enquadre nos
termos do art. 89 da Lei 9.099/95 (“Nos crimes em que a
pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano,
abrangida ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao
oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do
processo, ...”), deve o juiz instar o Ministério Público para
que se pronuncie a respeito da proposta de suspensão
condicional do processo. Com base nesse entendimento, o
Tribunal deferiu habeas corpus contra acórdão do Tribunal
de Justiça do Estado de São Paulo — que entendera
inaplicável o referido benefício porquanto ultrapassada a fase
processual a ele correspondente —, para invalidar a
condenação penal, mantida, no entanto, a desclassificação
operada pelo magistrado de 1ª instância, determinando que
se submeta ao paciente a proposta de suspensão condicional
do processo que, na espécie, já fora oferecida pelo Ministério
Público. HC 75.894-SP, rel. Min. Marco Aurélio, 1º.4.98.

ADEPOL: Ilegitimidade Ativa


Concluindo o julgamento de ação direta de
inconstitucionalidade por omissão proposta pela Associação
dos Delegados de Polícia do Brasil - ADEPOL contra o
Governador do Estado de São Paulo (v. Informativo 71), o
Tribunal, por maioria, apreciando preliminar suscitada no
parecer do Ministério Público Federal, não conheceu da ação
por ilegitimidade ativa da autora, já que se trata de uma
associação integrada por associações, que não se qualifica
como entidade de classe de âmbito nacional para efeito do
art. 103, IX, da CF (“Podem propor a ação de
inconstitucionalidade: ... IX – confederação sindical ou
entidade de classe de âmbito nacional.”). Vencidos os
Ministros Ilmar Galvão, relator, Marco Aurélio, Sepúlveda
Pertence e Néri da Silveira, que rejeitavam a preliminar ao
fundamento de que a denominada "associação de
associações", cujos membros são associações regionais e não
pessoas físicas, é entidade de classe uma vez que representa
os interesses dos membros de tais associações e não das
associações como pessoas jurídicas. Precedentes citados:
ADInMC 591-DF (RTJ 138/81); ADInMC 947-DF (RTJ
150/84); ADInMC 1.479-RS (DJU de 28.2.97). ADIn 23-SP,
rel. originário Min.Ilmar Galvão, rel. para o acórdão, Min.
Moreira Alves 2.4.98.

Estabilidade Financeira
Iniciado o julgamento de recurso extraordinário do
Estado de Santa Catarina contra acórdão do Tribunal de
Justiça local que, fundado no princípio da intangibilidade do
direito adquirido e no da isonomia, determinou a
observância, no reajuste da parcela remuneratória
incorporada por servidor em razão do anterior exercício de
cargo em comissão (estabilidade financeira), dos mesmos
critérios aplicáveis ao reajuste dos vencimentos dos atuais
ocupantes daqueles cargos. O Min. Moreira Alves, relator,
considerando que o referido Tribunal de Justiça não poderia
ter estendido a aplicação da Lei 9.875/95 — resultante da
conversão da Medida Provisória estadual nº 61/95, que
instituiu a “gratificação complementar de vencimento”
apenas aos servidores ocupantes de cargos comissionados —
àqueles servidores em atividade que, embora beneficiados
pelo instituto da estabilidade financeira, não mais ocupavam
os referidos cargos, votou pelo provimento do recurso
extraordinário para denegar a segurança concedida, tendo em
vista a orientação da jurisprudência do STF no sentido de
que não há direito adquirido a regime jurídico. Após, o
julgamento foi adiado em virtude do pedido de vista do Min.
Marco Aurélio. RE 222.480-SC e RE 223.425-SC, rel. Min.
Moreira Alves, 2.4.98.

Extradição e Prisão Perpétua


Mantida a orientação do Tribunal no sentido de
não se exigir do Estado requerente, para o deferimento da
extradição, compromisso de comutação da pena de prisão
perpétua aplicável ou aplicada ao extraditando na pena
máxima de trinta anos. Vencidos os Ministros Sepúlveda
Pertence, relator, Maurício Corrêa, Marco Aurélio e Celso
de Mello, que condicionavam a entrega do extraditando à
prévia formalização, pelo Estado requerente, do
compromisso de converter, em pena de prisão temporária, a
pena de prisão perpétua imponível ao extraditando.
Precedente citado: Ext 654-EUA (RTJ 158/403). Extradição
(EDcl) 703-Itália, rel. originário Min. Sepúlveda Pertence,
relator para o acórdão, Min. Nelson Jobim, 6.4.98.

Gratuidade de Certidão
Por maioria, o Tribunal indeferiu medida cautelar
em ação direta ajuizada pela Associação dos Notários e
Registradores do Brasil - ANOREG-BR, contra os arts 1º, 3º
e 5º da Lei nº 9.534/97, que prevêem a gratuidade do registro
civil de nascimento, do assento de óbito, bem como da
primeira certidão respectiva. Considerou-se não
caracterizada a relevância jurídica da tese de ofensa ao art.
5º, LXXVI, da CF ("são gratuitos para os reconhecidamente
pobres, na forma da lei: a) o registro civil de nascimento; b)
a certidão de óbito;") uma vez que este dispositivo
constitucional reflete o mínimo a ser observado pela lei, não
impedindo que esta garantia seja ampliada, indistintamente.
Considerou-se, também, que a União Federal poderia ter
isentado a cobrança de emolumentos sobre os mencionados
serviços uma vez que se trata de um serviço público, ainda
que prestado pelos cartórios mediante delegação. Vencidos
os Ministros Maurício Corrêa e Marco Aurélio, que deferiam
a cautelar, por entenderem configurada a violação do
princípio da razoabilidade ao fundamento de que as normas
impugnadas inviabilizariam o funcionamento dos cartórios
de notas e registros civis. ADInMC 1.800-UF, rel. Min.
Nelson Jobim, 6.4.98.

Revisão de Benefícios Previdenciários


Em virtude da existência de dissídio entre as
Turmas, o Tribunal conheceu de uma série de embargos de
divergência e os recebeu para conhecer e dar provimento aos
recursos extraordinários do INSS, prevalecendo o
entendimento — firmado pelo Plenário no julgamento do RE
199.994-SP, em 23.10.97 (v. Informativo 89) — de que a
revisão de benefícios previdenciários disposta no art. 58 do
ADCT não se aplica aos benefícios concedidos após a
promulgação da Constituição de 88 (art. 58: “Os benefícios
de prestação continuada, mantidos pela previdência social
na data da promulgação da Constituição, terão seus valores
revistos, a fim de que seja restabelecido o poder aquisitivo,
expresso em número de salários-mínimos, que tinham na
data de sua concessão, obedecendo-se a esse critério de
atualização até a implantação do plano de custeio e
benefícios referidos no artigo seguinte.”). RE (EDv)
158.751-SP, 164.115-SP, 167.117-SP, rel. Min. Sydney
Sanches, 6.4.98.

Aposentadoria de Rurícola
Em virtude da existência de dissídio entre as
Turmas, o Tribunal julgou embargos de divergência em
recurso extraordinário — reiterando a decisão proferida no
julgamento dos embargos de divergência no recurso
extraordinário nº 163.332-RS (DJU de 20.2.98) —,
prevalecendo o entendimento de que o art. 202, I, da CF,
não é auto-aplicável [“É assegurada aposentadoria, nos
termos da lei, (...) e obedecidas as seguintes condições: I -
aos sessenta e cinco anos de idade, para homem e aos
sessenta, para mulher, reduzido em cinco anos o limite de
idade para os trabalhadores rurais de ambos os sexos e
para os que exerçam suas atividades em regime de
economia familiar, neste incluídos o produtor rural, o
garimpeiro e o pescador artesanal;”]. Vencidos os Ministros
Marco Aurélio, Carlos Velloso e Néri da Silveira, que os
rejeitavam. RE (EDv)148.511-SP, rel. Min. Octavio Gallotti,
6.4.98.

PRIMEIRA TURMA
Anulação da Sentença e Decreto de Prisão
É ilegal o constrangimento decorrente de acórdão
que, ao anular decisão absolutória proferida pelo tribunal do
júri a fim de submeter o acusado a novo julgamento,
determina a prisão preventiva do réu pelo simples fato de ter
sido decretada a custódia preventiva do mesmo quando da
sentença de pronúncia. Exige-se, em tais circunstâncias,
novo decreto de prisão preventiva, devidamente
fundamentado. Precedentes citados: HC 66.087-MG (DJU de
2.12.88); HC 68.881-RJ (RTJ 138/554). HC 76.140-PE, rel.
Min. Octavio Gallotti, 31.3.98.

Dupla Intimação e Nulidade


A falta de intimação pessoal do réu da sentença
condenatória não acarreta a nulidade do processo se o seu
defensor, devidamente intimado, dela recorreu, não
ensejando qualquer prejuízo para o réu. Precedente citado:
HC 66.182-SC (RTJ 136/197). HC 76.701-PR, rel. Min.
Octavio Gallotti, 31.3.98.

Seqüestro e Roubo: Concurso Material


Configura o crime de privação de liberdade
mediante seqüestro (CP, art. 148) a retenção da vítima, ainda
que por exíguo período de tempo, no interior de veículo
roubado cuja posse já estava assegurada. Com esse
entendimento, a Turma indeferiu habeas corpus em que se
pretendia a absorção do referido crime pelo delito de roubo
qualificado sob o fundamento de que a vítima teria sido
privada de sua liberdade por apenas 12 minutos. HC 76.490-
SP, rel. Min. Octavio Gallotti, 31.3.98.

Representação Processual da União


Julgando embargos de declaração contra acórdão
que entendera legítima a delegação conferida pela PGFN à
Procuradoria-Geral do INCRA para a representação judicial
da União nas execuções fiscais relativas ao ITR com base no
art. 29, § 5o, do ADCT (“Cabe à atual Procuradoria-Geral
da Fazenda Nacional, diretamente ou por delegação, que
pode ser ao Ministério Público Estadual, representar
judicialmente a União nas causas de natureza fiscal, na área
da respectiva competência, até a promulgação das leis
complementares previstas neste artigo.”), a Turma os
recebeu para, suprindo a omissão do acórdão sem modificar
o dispositivo deste, esclarecer que a discussão sobre a
validade da forma em que efetivada a mencionada delegação
(se mediante convênio ou portaria) exigiria a análise de
legislação infraconstitucional, implicando, assim, a violação
indireta ou reflexa à CF. AG 185.142-PE (AgRg), Min.
Moreira Alves, 31.3.98.

Princípio Tantum Devolutum


Havendo o Ministério Público recorrido da
sentença condenatória exclusivamente quanto à fixação da
pena, o tribunal de justiça pode, ao prover o recurso para
majorar a condenação, impor outro regime de cumprimento
da pena mais gravoso ao réu, desde que devidamente
fundamentado. Entendendo que em tal hipótese o pedido
formulado compreende implicitamente o de alteração do
regime de cumprimento da pena, a Turma, por maioria,
indeferiu habeas corpus, rejeitando a tese de ofensa ao
princípio tantum devolutum quantum appellatum, uma vez
que o regime prisional é conseqüência lógica e obrigatória da
aplicação da pena. Tratava-se, na espécie, de impetração em
favor de réu que — inicialmente condenado a 3 anos e 6
meses de reclusão, no regime aberto, por tentativa de
homicídio —, em razão do provimento da apelação
ministerial, teve sua pena majorada para 4 anos e oito meses,
sendo-lhe imposto o regime fechado devido às circunstâncias
judiciais consideradas pelo tribunal de justiça (CP, art. 59).
Vencidos os Ministros Sepúlveda Pertence e Ilmar Galvão
que, em face da pena fixada pelo tribunal de origem,
deferiam a ordem para assegurar ao paciente o regime semi-
aberto, nos termos do art. 33, § 2º, b, do CP, (“o condenado
não reincidente, cuja pena seja superior a quatro anos e não
exceda a oito, poderá, desde o princípio, cumpri-la em
regime semi-aberto;”). HC 76.590-DF, rel. Min. Moreira
Alves, 7.4.98.

Competência Originária do STF: "letra n"


Para efeito da competência originária do STF para
o julgamento das causas em que todos os membros da
magistratura sejam direta ou indiretamente interessados e
daquelas em que mais da metade dos membros do tribunal de
origem estejam impedidos ou sejam direta ou indiretamente
interessados (CF, art. 102, I, n), é necessário que o objeto da
causa seja de interesse de toda a magistratura. Com base
nesse entendimento, a Turma, resolvendo questão de ordem,
deu pela incompetência do STF para julgar originariamente
mandado de segurança contra ato do Presidente do Tribunal
de Justiça do Estado da Paraíba, em que se pretende a
implantação de diferença salarial de 10% de categoria a
categoria da classe dos magistrados do referido Estado, uma
vez que a diferença em causa beneficia apenas os juízes de 1º
grau de jurisdição. Determinou-se a remessa dos autos ao
mencionado Tribunal de Justiça, a quem compete julgar
originariamente mandado de segurança contra ato de seu
Presidente. Precedente citado: AO 484-PB (DJU de
12.12.97). AO 485-PB, rel. Min. Moreira Alves, 7.4.98.

Técnicos do Tesouro Nacional e Aposentadoria


Por ofensa ao princípio do concurso público, a
Turma deu provimento a recurso extraordinário da União
Federal contra acórdão do TRF da 5ª Região que reconhecera
a técnicos do Tesouro Nacional, aposentados por tempo de
serviço na última classe, o direito a terem seus proventos
equivalentes à remuneração da classe inicial de auditor fiscal
do Tesouro Nacional. Considerou-se que, embora os cargos
de técnico e de auditor fiscal integrem a Carreira de
Auditoria do Tesouro Nacional (DL 2.225/85), os mesmos
constituem categorias diversas nas quais se exige prévia
aprovação em concurso público para a respectiva
investidura. RE 219.484-PE, rel. Min. Ilmar Galvão, 7.4.98.

Finsocial: Definição do Contribuinte


Não sendo possível distinguir qual o ramo de
atividade da empresa contribuinte, isto é, se empresa
comercial ou prestadora de serviços — distinção apontada
pelo STF nos precedentes que versaram sobre a
constitucionalidade do FINSOCIAL —, não é de se conhecer
do recurso extraordinário por interposto pela União Federal
contra acórdão que julgara procedente ação ordinária do
contribuinte visando ao não pagamento do referido tributo.
Precedente citado: RE 169.765-RS (DJU de 17.10.97). RE
166.168-AL, rel. Min. Octavio Gallotti, 7.4.98.

SEGUNDA TURMA
Suspensão do Processo: Caráter Personalíssimo
Tendo sido afastada a suspensão condicional do
processo (Lei 9.099/95, art. 89) com relação a um dos réus
pelo tribunal de justiça estadual, não poderia a referida
decisão atingir os demais co-réus que aceitaram as condições
estabelecidas na suspensão, tendo em vista o caráter
personalíssimo desta aceitação. Com base nesse
entendimento a Turma deferiu habeas corpus para
restabelecer a suspensão condicional do processo
relativamente aos pacientes. HC 75.924-MG, rel. Min.
Marco Aurélio, 30.3.98.

Crime Falimentar e Prescrição


Tratando-se de crimes falimentares, o prazo
prescricional começa a fluir do recebimento da denúncia se
ainda não presentes as hipóteses constantes do § único do
art. 199, da Lei 7.661/45 (“A prescrição extintiva da
punibilidade de crime falimentar opera-se em dois anos.
Parágrafo único - o prazo prescricional começa a correr da
data em que transitar em julgado a sentença que encerrar a
falência ou que julgar cumprida a concordata”) e da Súmula
147 do STF (“a prescrição do crime falimentar começa a
correr da data em que deveria estar encerrada a falência,
ou do trânsito em julgado da sentença que a encerrar ou que
julgar cumprida a concordata.”). Com base nesse
entendimento, a Turma, à vista da Súmula 592 (“Nos crimes
falimentares, aplicam-se as causas interruptivas da
prescrição, previstas no Código Penal”), deferiu habeas
corpus para declarar extinta a punibilidade dos pacientes
pela prescrição da pretensão punitiva, considerado o lapso de
tempo superior a dois anos entre o recebimento da denúncia
e a sentença condenatória. Precedente citado: RHC 58.110-
MT (RTJ 96/1062). HC 76.083-RS, rel. Min. Maurício
Corrêa, 31.3.98.

Error in Judicando e Anulação Ex Officio


Deferido habeas corpus para cassar decisão do
TRF da 3º Região que, acolhendo questão de ordem, anulara
ex officio o julgamento anterior de apelação no qual se
decretara a extinção da punibilidade do ora paciente pela
prescrição da pretensão punitiva, sob alegação de erro
material quanto ao estabelecimento do termo inicial do prazo
prescricional. Considerou-se que o equívoco quanto à
ocorrência da prescrição não configura erro material,
susceptível de retificação de ofício, mas sim error in
judicando. HC 75.971-SP, rel. Min. Néri da Silveira, 31.3.98.

Tipificação da Conduta e Reexame de Prova


Entendendo que a pretendida desclassificação da
conduta delituosa praticada pelo paciente — de crime de
furto qualificado pelo abuso de confiança e fraude (CP, 155,
§ 4º, II) para o crime de estelionato (CP, art. 171) — exigiria
o reexame aprofundado da prova, a Turma, por maioria,
indeferiu o pedido de habeas corpus. Vencido o Min. Marco
Aurélio, que deferia a ordem ao entender configurado, no
caso, o crime de estelionato (CP, art. 171). Precedentes
citados: HC 51.551-SP (DJU de 28.6.74); HC 61.698-SP
(DJU de 11.10.84); HC 68.556-SP (RTJ 139/878). HC
76.276-MG, rel. Min. Maurício Corrêa, 7.4.98.
HC: Conhecimento
Ainda que o acórdão recorrido não tenha apreciado
a matéria objeto do habeas corpus, considera-se em tese
coator o tribunal que julgou apelação em sentido amplo
(CPP, art. 599), já que poderia, em princípio, tê-la
examinado. Com base nesse entendimento, a Turma
conheceu do pedido de habeas corpus, rejeitando a
preliminar suscitada no parecer do Ministério Público
Federal no sentido do não conhecimento do writ sob o
fundamento de que o exame deste resultaria em supressão de
instância. HC 76.020-SP, rel. Min. Marco Aurélio, 7.4.98.

Sessões Ordinárias Extraordinárias Julgamentos

Pleno 1º.4.98 2 e 6.4.98 20


1ª Turma 31.3 e 7.4.98 ------------ 272
2ª Turma 31.3 e 7.4.98 30.3.98 385

CLIPPING DO DJ
3 de abril de 1998

ADIn N. 1.585
RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: I. Despesas de pessoal: limite de fixação delegada pela
Constituição à lei complementar (CF, art. 169), o que reduz sua
eventual superação à questão de ilegalidade e só mediata ou
reflexamente de inconstitucionalidade, a cuja verificação não se
presta a ação direta; existência, ademais, no ponto, de controvérsia
de fato para cujo deslinde igualmente é inadequada a via do controle
abstrato de constitucionalidade.
II. Despesas de pessoal: aumento subordinado à existência de
dotação orçamentária suficiente e de autorização específica na lei de
diretrizes orçamentárias (CF, art. 169, parág. único, I e II): além de a
sua verificação em concreto depender da solução de controvérsia de
fato sobre a suficiência da dotação orçamentária e da interpretação
da LDO, inclina-se a jurisprudência no STF no sentido de que a
inobservância por determinada lei das mencionadas restrições
constitucionais não induz à sua inconstitucionalidade, impedindo
apenas a sua execução no exercício financeiro respectivo:
precedentes.
* noticiado no Informativo 97

ADIn N. 1.640 (QO)


RELATOR : MIN. SYDNEY SANCHES
EMENTA: - DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO.
CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO
FINANCEIRA - C.P.M.F. AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE "DA UTILIZAÇÃO DE
RECURSOS DA C.P.M.F." COMO PREVISTA NA LEI Nº
9.438/97. LEI ORÇAMENTÁRIA: ATO POLÍTICO-
ADMINISTRATIVO - E NÃO NORMATIVO.
IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO: ART. 102, I, "A",
DA C.F.
1. Não há, na presente Ação Direta de Inconstitucionalidade, a
impugnação de um ato normativo. Não se pretende a suspensão
cautelar nem a declaração final de inconstitucionalidade de uma
norma, e sim de uma destinação de recursos, prevista em lei formal,
mas de natureza e efeitos político-administrativos concretos,
hipótese em que, na conformidade dos precedentes da Corte,
descabe o controle concentrado de constitucionalidade como
previsto no art. 102, I, "a", da Constituição Federal, pois ali se exige
que se trate de ato normativo. Precedentes.
2. Isso não impede que eventuais prejudicados se valham das vias
adequadas ao controle difuso de constitucionalidade, sustentando a
inconstitucionalidade da destinação de recursos, como prevista na
Lei em questão.
3. Ação Direta de Inconstitucionalidade não conhecida, prejudicado,
pois, o requerimento de medida cautelar. Plenário. Decisão unânime.
* noticiado no Informativo 99

ADIn N 1.710
RELATOR : MIN. SYDNEY SANCHES
EMENTA: - DIREITO CONSTITUCIONAL E
PREVIDENCIÁRIO.
MEDIDA PROVISÓRIA Nº 560, DE 26.07.1994,
SUCESSIVAMENTE REEDIDATA, NO PRAZO, E NÃO
REJEITADA PELO CONGRESSO NACIONAL: EFICÁCIA DE
LEI. ALÍQUOTA DE CONTRIBUIÇÃO AO PLANO DE
SEGURIDADE SOCIAL. AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE DA RESOLUÇÃO Nº 12.943, DE
02.09.1997, DO TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO
ESTADO DE ALAGOAS, QUE REDUZIU A ALÍQUOTA, DE
12% PARA 6%, E DETERMINOU A RESTITUIÇÃO DAS
DIFERENÇAS RECOLHIDAS A MAIS, A PARTIR DE
01.07.1994. MEDIDA CAUTELAR.
1. Em face dos termos da Resolução e da extensão de seus efeitos a
todos os servidores vinculados ao Tribunal Regional Eleitoral de
Alagoas, assume ela o caráter de ato normativo, podendo, pois, ser
impugnada em Ação Direta de Inconstitucionalidade, nos termos do
art. 102, I, "a", da Constituição Federal, conforme reiterados
pronunciamentos da Corte.
2. Em situação assemelhada o Plenário do Supremo Tribunal Federal
considerou em vigor a M.P. 560, de 26.07.1994, sucessivamente
reeditada, sem rejeição pelo Congresso Nacional, como ocorre até
agora, e suspendeu, com eficácia "ex tunc", a Resolução tomada, no
Processo 01813/97, pelo Conselho da Administração do Superior
Tribunal de Justiça, que igualmente reduzira a alíquota de
contribuição, para o PSSS, de 12% para 6%, e determinara a
restituição das diferenças recolhidas a mais, a partir de 01.07.1994
(ADIMC 1.610, D.J. 21.11.1997).
3. Presentes os pressupostos da plausibilidade jurídica da Ação
("fumus boni iuris") e do "periculum in mora", ou da alta
conveniência da Administração Pública, a medida cautelar também
aqui é deferida, para se suspender, com eficácia "ex tunc", a
Resolução nº 12.943, de 02.09.1997, do Tribunal Regional Eleitoral
de Alagoas, até o julgamento final.

ADIn N. 1.771
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: - Ação direta de inconstitucionalidade. Ilegitimidade para
propô-la.
- Como se vê dos estatutos da requerente - o que, aliás, é revelado
por sua própria denominação -, a requerente é uma associação de
associações, uma vez que, segundo o artigo 3º desses estatutos, é ela
"constituída pelas entidades representativas da categoria de
Engenheiros Agrônomos, de âmbito estadual, limitada esta
representação a uma entidade para cada Estado, Território e Distrito
Federal" (fls. 11).
Ora, esta Corte, ainda recentemente, em 18.09.97 e em 01.10.97,
não conheceu das ADINs 1.621 e 1.676, reafirmando o
entendimento, firmado em várias outras ADINs anteriores (assim, a
título exemplificativo, as de nºs 57, 353, 511, 79, 108, 591, 128, 433,
1.479, 914, como salientado pelo Ministro OCTAVIO GALLOTTI
na ADIN 1.676), de que associação de associações não constitui a
entidade de classe a que se refere o art. 103, IX, parte final, da
Constituição.
- Por outro lado, além de ser associação de associações, a ora
requerente só representa um segmento de uma categoria profissional
- a dos engenheiros -, não podendo, assim, também por essa razão,
ser considerada entidade de classe para ter legitimidade para propor
ação direta de inconstitucionalidade.
Ação não conhecida, ficando prejudicado o exame do pedido de
liminar.
* noticiado no Informativo 99

ADIn N. 1.787
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade. Argüição de
inconstitucionalidade da resolução tomada, pelo Tribunal Regional
Eleitoral do Estado de Pernambuco, no processo nº 8.756/97, a qual
reconheceu a existência do direito ao reajuste de 11,98%, a partir de
março de 1994, aos servidores da Justiça Eleitoral daquele Estado,
resultado da conversão, em URV na data do efetivo pagamento, dos
vencimentos dos meses de novembro e dezembro de 1993 e janeiro e
fevereiro de 1994. Pedido de liminar.
Resolução que se caracteriza como ato normativo.
- Ocorrência do "fumus boni iuris" e do "periculum in mora".
Precedente do Plenário: ADIN 1.781 (pedido de cautelar).
Pedido de liminar deferido, para suspender, "ex tunc" e até o final
julgamento da ação, a eficácia da resolução em causa.

HC N. 74.751
RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: I. Habeas-corpus: cabimento na pendência de indulto
condicional (D. 1.860/96).
II. Princípio do contraditório e provas irrepetíveis. O dogma
derivado do princípio constitucional do contraditório de que a força
dos elementos informativos colhidos no inquérito policial se esgota
com a formulação da denúncia tem exceções inafastáveis nas provas
- a começar do exame de corpo de delito, quando efêmero o seu
objeto, que, produzidas no curso do inquérito, são irrepetíveis na
instrução do processo: porque assim verdadeiramente definitivas, a
produção de tais provas, no inquérito policial, há de observar com
rigor as formalidades legais tendentes a emprestar-lhe maior
segurança, sob pena de completa desqualificação de sua idoneidade
probatória.
III. Reconhecimento fotográfico. O reconhecimento fotográfico à
base da exibição da testemunha da foto do suspeito é meio
extremamente precário de informação, ao qual a jurisprudência só
confere valor ancilar de um conjunto de provas juridicamente
idôneas no mesmo sentido: não basta para servir de base substancial
exclusiva de decisão condenatória.

HC N. 75.219
RELATOR : MIN. OCTAVIO GALLOTTI
EMENTA: - 1. Ações penais em curso, uma perante o Órgão
Especial do Tribunal de Justiça (por ser Promotor de Justiça um dos
acusados), outra em Vara da Justiça Federal.
2. Diversidade dos fatos irrogados aos denunciados, em cada um dos
processos.
3. Conexão afastada por ser meramente circunstancial a ligação
entre as duas séries de infrações, a traduzir simples critério de
utilidade forense, suprível pela extração de cópias.
4. Pedido indeferido, por unanimidade, após a retificação do
primitivo voto do Relator.
* noticiado no Informativo 79

HC N. 75.628
RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: HABEAS CORPUS. ALEGAÇÃO DE
CONSTRANGIMENTO ILEGAL DECORRENTE DE
DESPACHO DE RELATOR QUE NÃO CONHECEU DE
AGRAVO NO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
Impetração que visa desconstituir decisão que não conheceu de
agravo de instrumento porque fora interposto diretamente no
Superior Tribunal de Justiça e as peças que o instruíram não se
encontravam autenticadas.
Fundamentos impugnados.
Ainda que se pudesse propugnar por um tratamento benevolente,
dispensando-se a autenticação das peças que instruem o agravo de
instrumento, subsistiria o outro fundamento apontado na decisão
impetrada de per se suficiente para a negativa de seguimento do
agravo que a impetração quer reverter. É que a interposição de
agravo de instrumento para o Superior Tribunal de Justiça deve ser
feita mediante petição dirigida ao Presidente do Tribunal de origem
e não diretamente na Corte a que compete apreciar o recurso,
consoante dispõe a Resolução nº 1, de 31 de janeiro de 1996, do
Presidente do STJ.
Habeas corpus conhecido, mas indeferido.
* noticiado no Informativo 85

HC N. 75.690
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: "Habeas corpus". Substituição de fotografia em
documento público de identidade. Tipificação.
- Sendo a alteração de documento público verdadeiro uma das duas
condutas típicas do crime de falsificação de documento público
(artigo 297 do Código Penal), a substituição da fotografia em
documento de identidade dessa natureza caracteriza a alteração dele,
que não se cinge apenas ao seu teor escrito, mas que alcança essa
modalidade de modificação que, indiscutivelmente, compromete a
materialidade e a individualização desse documento verdadeiro, até
porque a fotografia constitui parte juridicamente relevante dele.
"Habeas corpus" indeferido.
* noticiado no Informativo 102

HC N. 75.797
RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: HABEAS CORPUS. PACIENTE RESPONSÁVEL
PELA IMPORTAÇÃO DE ARMAMENTO DE USO PRIVATIVO
DAS FORÇAS ARMADAS, SEM AUTORIZAÇÃO DA
AUTORIDADE COMPETENTE. RECURSO ORDINÁRIO.
COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO.
Configuração do ilícito do art. 12 da Lei nº 7.170/83 (que define os
crimes contra a segurança nacional).
Competência do Juiz Federal para julgamento da ação, em primeiro
grau, com recurso ordinário para o Supremo Tribunal Federal. Art.
109, IV, c/c o art. 102, I, i, e II, b, da Constituição Federal.
Improcedência da alegação de prejuízo à defesa por não ter o
paciente sido intimado da decisão declinatória de foro, tendo em
vista que consta da folha de registro automatizado de andamento
processual, que vieram aos autos com as informações, que o
defensor constituído esteve presente à sessão de julgamento, tendo
feito, inclusive, defesa oral.
Habeas corpus indeferido.

HC N. 75.908
RELATOR : MIN. SYDNEY SANCHES
EMENTA: - DIREITO CONSTITUCIONAL, PENAL E
PROCESSUAL PENAL. PREFEITO MUNICIPAL. CRIME DE
DESVIO DE BENS OU RENDAS PÚBLICAS (ART. 1º, INCISO I,
DO DECRETO-LEI Nº 201, DE 27.02.1967).
ARREPENDIMENTO POSTERIOR (ART. 16 DO CÓDIGO
PENAL). REDUÇÃO DA PENA.
PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA: ARTIGOS 109, V, E
117, I E IV, DO CÓDIGO PENAL.
1. A Escola em questão foi construída na gestão do paciente, antes
do recebimento da denúncia, embora depois de constatada sua falta
pelo Tribunal de Contas do Estado. Sendo assim, a condenação à
pena de três anos de reclusão, imposta no acórdão proferido na Ação
Penal, haveria de ser reduzida, no mínimo, de um terço, nos termos
do artigo 16 do Código Penal.
2. E com essa redução da pena, para dois anos, é de se reconhecer,
em favor do paciente, "ex officio", como demonstrou o segundo
parecer do Ministério Público, a extinção da punibilidade, pela
prescrição da pretensão punitiva, em face do tempo decorrido entre a
data do recebimento da denúncia e a da condenação. Tudo diante do
que dispõem os artigos 117, incisos I e IV, e 109, inciso V, do
Código Penal.
3. "H.C." deferido, para se declarar a extinção da punibilidade pela
prescrição da pretensão punitiva, determinando-se a expedição de
contra-mandado de prisão.

HC N. 75.965
RELATOR : MIN. SYDNEY SANCHES
EMENTA: - DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL.
REINCIDÊNCIA: EXTINÇÃO DOS EFEITOS. MAUS
ANTECEDENTES. ARTIGOS 64, I, E 59 DO CÓDIGO PENAL.
PENA PELA REINCIDÊNCIA E PELA CIRCUNSTÂNCIA
JUDICIAL. ALEGAÇÃO DE "BIS IN IDEM". "HABEAS
CORPUS".
1. Não procede a alegação de que, na fixação da pena, a condenação
anterior foi levada em consideração para elevação da pena-base,
como circunstância judicial desfavorável (mau antecedente - art. 59
do C.P.) e, ao depois, como agravante (reincidência - art. 61, I). É
que, para isso, não foram considerados os mesmos fatos, não se
caracterizando, assim, o alegado "bis in idem".
2. Ademais, a extinção dos efeitos da reincidência, como tal, por
força do disposto no inc. I do art. 64 do C. Penal, não elimina o mau
antecedente representado pelo delito praticado e que justificou a
condenação.
3. Precedentes.
4. "H.C." indeferido.
* noticiado no Informativo 99

HC N. 76.390
RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: Reformatio in pejus: processo por concurso material de
crimes: no julgamento de recurso exclusivamente da defesa, não
pode a imputação de um crime autônomo (L. 6.368/76, art. 14), da
qual então se absolveu o réu, converter-se em causa especial de
aumento da pena aplicada a outro delito (L. 6.368/76, art. 18, III),
em relação à qual não houve recurso de acusação.

MS 22.321
RELATOR : MIN. SYDNEY SANCHES
EMENTA: - DIREITO CONSTITUCIONAL, ADMINISTRATIVO
E PROCESSUAL CIVIL. FUNÇÃO DE CONFIANÇA. FUNÇÃO
GRATIFICADA: GRATIFICACÃO DE REPRESENTAÇÃO DE
GABINETE NO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA
16A. REGIÃO (ART. 4º DA LEI Nº 7.819, DE 15.09.1989. ART. 37,
V, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. MANDADO DE
SEGURANÇA.
1 É de se aplicar ao caso o disposto no inciso V do art. 37 da
Constituição Federal, segundo o qual "os cargos em comissão e as
funções de confiança serão exercidos, preferencialmente, por
servidores ocupantes de cargo de carreira técnica ou profissional,
nos casos e condições previstos em lei", sendo certo, porém, que tal
Lei ainda não foi aprovada pelo Congresso Nacional. Ou seja, uma
Lei específica reguladora de tais casos e condições.
2. O Mandado de Segurança, portanto, é de ser deferido, para
anulação das Decisões nºs 531/94, 085/95 e 241/95 do Tribunal de
Contas da União, na parte em que determinaram ao Tribunal
Regional do Trabalho da 16ª Região, ora impetrante, "que destine as
funções gratificadas, criadas pela Lei nº 7.819, de 15.09.89, tão-
somente a servidores de cargos de provimento efetivo de seu Quadro
Permanente de Pessoal".
3. O deferimento, porém, há de ser parcial, já que as demais
deliberações contidas nas referidas decisões, aqui não impugnadas,
não podem ser desconstituídas.
4. Ademais, nada impede que o Tribunal de Contas da União, uma
vez cassadas as referidas decisões, apenas no ponto referido,
prossiga, eventualmente, na verificação de outras eventuais
irregularidades, completando, se assim lhe parecer, o exame da
denúncia que lhe foi apresentada pelo Sindicato dos Trabalhadores
do Poder Judiciário Federal no Estado do Maranhão -
SINTRAJUFE.
5. Mandado de Segurança, deferido, em parte, nos termos do voto do
Relator.
6. Plenário. Decisão unânime.
* noticiado no Informativo 101

MS N. 22.498
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: Juízes classistas da Justiça do Trabalho. Pretensão de
aplicação a eles da vantagem a que se refere o inciso I do artigo 192
da Lei 8.112/90.
- A aposentadoria dos juízes temporários da União se dá nos termos
da Lei 6.903/81, e essa Lei não lhes confere a vantagem prevista no
inciso I do artigo 192 da Lei 8.112/90. Esses juízes só fazem jus a
benefícios e vantagens que lhes tenham sido expressamente
outorgados em legislação específica (MS 21.468).
- Ademais, ainda que assim não fosse, e se aplicasse a Lei 8.112/90
aos juízes classistas da Justiça do Trabalho, o inciso I do artigo 192
desse Diploma Legal ("O servidor que contar tempo de serviço para
aposentadoria com provento integral será aposentado: I - com a
remuneração do padrão da classe imediatamente superior àquela em
que se encontra posicionado") não se aplicaria a eles, até porque o
conceito de classes graduadas está vinculado ao de cargo que admita
promoção de uma para outra, o que é incompatível com a natureza
do cargo isolado.
Mandado de segurança indeferido.
* noticiado no Informativo 98

RE N. 148.095
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
CONCURSO PÚBLICO - AGENTE DE POLÍCIA - ALTURA
MÍNIMA - VIABILIDADE. Em se tratando de concurso público
para agente de polícia, mostra-se razoável a exigência de que o
candidato tenha altura mínima de 1,60m. Previsto o requisito não só
na lei de regência, como também no edital de concurso, não
concorre a primeira condição do mandado de segurança, que é a
existência de direito líquido e certo.
* noticiado no Informativo 98

RE N. 210.243
RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: Não ofende a garantia constitucional da ampla defesa a
exigência do depósito do valor da multa, como condição de
admissibilidade do recurso na esfera administrativa (RE 210.246,
Jobim, 12.11.97).

RE N. 210.912
RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: I - É inadmissível pelo fundamento da letra b do art. 102,
III, CF, recurso extraordinário interposto contra acórdão que julga
não recebido pela Constituição preceito legal editado antes do início
de sua vigência. Ausência, no caso, de declaração de
inconstitucionalidade de tratado ou lei federal.
II - Recurso extraordinário que, pela letra a, assenta em
argumentação contrária ao entendimento adotado pelo STF a
propósito da chamada "quota de contribuição" devida pelos
exportadores de café ao extinto IBC (Dl. 2295/86). Hipótese de não
conhecimento.

RE N. 219.146
RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: I. Medida cautelar em ação direta de
inconstitucionalidade: indeferida - ao contrário do que sucede na
hipótese de concessão (cf. RE 168.277 (QO), Galvão, 4.2.98) - não
se suspende, em princípio, o julgamento dos processos em que
incidentemente se haja de decidir a mesma questão de
inconstitucionalidade.
II. Correção monetária de vencimentos pagos com atraso: imposição
por Constituição Estadual: validade: inexistência de usurpação da
competência privativa da União para legislar sobre o sistema
monetário; ociosidade, de qualquer modo, da discussão.
A preexistência, no sistema monetário delineado pela própria
Constituição, do instituto da correção faz descer a previsão de sua
incidência para a atualização do valor nominal de créditos ou débitos
do Estado-membro à alçada de norma sobre sua administração
financeira, induvidosamente incluída no âmbito da autonomia local.
Last but not least, a indagação da validade formal da norma estadual
questionada tem, no caso concreto, indisfarçável sabor acadêmico,
na medida em que, há tempos, já é firme na jurisprudência do STF -
não obstante a ausência de norma federal ou estadual explícita -, ser
devida a correção monetária no pagamento com atraso de
vencimentos do servidor público (v.g., RE 107.974, 1ª T., 22.4.86,
Gallotti, RTJ 117/133; RE 134.430, Velloso, 11.6.91, RTJ 136/1.351;
Ag(AgRg) 135.101, Galvão, 26.5.92, RTJ 142/942; RE 135.313,
Gallotti, 26.11.91, RTJ 156/214; Ag(AgRg) 132.379, Galvão, RTJ
143/287; AgRE 146.660, M. Aurélio, 20.4.93, DJ 7.5.93; Ag(AgRg)
138.974, Moreira, 2.5.95; Ag(AgRg) 163.936, Gallotti, 15.9.95, RTJ
158/320): essa jurisprudência reduz o alcance da regra local
questionada ao de norma meramente expletiva de um corolário de
princípios gerais, a cuja incidência, com ela ou sem ela, não seria
dado ao Estado-membro subtrair-se.
* noticiado no Informativo 102

SENTENÇA ESTRANGEIRA CONTESTADA N. 4.415


RELATOR : MIN. FRANCISCO REZEK
EMENTA: SENTENÇA ESTRANGEIRA. ESTADOS UNIDOS DA
AMÉRICA. INCOMPETÊNCIA DO
JUÍZO. OFENSA À ORDEM PÚBLICA. JÚRI CIVIL. DECISÃO
NÃO FUNDAMENTADA.
I - A competência internacional prevista no artigo 88 do CPC é
concorrente. O réu domiciliado no Brasil pode ser demandado tanto
aqui quanto no país onde deva ser cumprida a obrigação, tenha
ocorrido o fato ou praticado o ato, desde que a respectiva legislação
preveja a competência da justiça local.
II - O Supremo já firmou entendimento no sentido de que o sistema
do júri civil, adotado pela lei americana, não fere o princípio de
ordem pública no Brasil.
III - Sentença devidamente fundamentada com invocação da
legislação norte-americana respectiva, do veredicto do júri, bem
como das provas produzidas.
Ação homologatória procedente.

HC (AgRg-EInf) N. 72.664
RELATOR : MIN. CARLOS VELLOSO
EMENTA: PROCESSUAL PENAL. EMBARGOS
INFRINGENTES. HABEAS CORPUS.
I. - Os embargos infringentes, em matéria penal - CPP, art. 609,
parág. único - são cabíveis de decisão majoritária de Tribunais de 2º
grau e somente são utilizáveis pela defesa. São eles admissíveis na
apelação e no recurso em sentido estrito.
II. - Não cabimento de embargos infringentes em habeas corpus.
III. - Disciplina dos embargos infringentes no STF: RI/STF, art. 333
e seu parág. único.
IV. - Agravo não provido.

PET (AgRg) N. 1.381


RELATOR : MIN. OCTAVIO GALLOTTI
EMENTA: É pressuposto de admissibilidade do pedido de medida
cautelar a configuração de um recurso extraordinário admitido, não
podendo supri-lo a emissão de juízo negativo de admissibilidade,
nem considerar implementada essa fase delibatória, enquanto
pendente de decisão o agravo de instrumento do despacho
indeferitório, prolatado pelo Presidente do Tribunal de origem.
* noticiado no Informativo 94

Acórdãos publicados: 341

Assessora responsável pelo Informativo


Maria Ângela Santa Cruz Oliveira
informativo@stf.gov.br