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Brasília, 13 a 17 de abril de 1998 - Nº 106

Data (páginas internas): 23 de abril de 1998.

Este Informativo, elaborado a partir de


notas tomadas nas sessões de julgamento das
Turmas e do Plenário, contém resumos não-
oficiais de decisões proferidas pelo Tribunal. A
fidelidade de tais resumos ao conteúdo efetivo
das decisões, embora seja uma das metas
perseguidas neste trabalho, somente poderá
ser aferida após a sua publicação no Diário da
Justiça.

ÍNDICE DE ASSUNTOS
Ação Penal Originária e Reconciliação
ADIn e Ato Normativo de Efeito Concreto
ADIn e Ato Normativo de Interpretação de Lei
ADIn: Taxa Judiciária
ANOREG: Legitimidade Ativa
Concessão de Serviços e Princípio da Moralidade
Crime Contra Honra e Imunidade Parlamentar
Devido Processo Legal e Ofensa Reflexa à CF
Recursos Especial e Extraordinário
Exame de DNA
Execução de Serviço Público e Poder de Polícia
Imunidade Recíproca e Imposto de Renda
Medida Provisória: Requisito de Urgência
Ofensa Propter Officium
Quadrilha Armada e Roubo com uso de Arma
Suspensão Condicional do Processo
Suspensão Condicional do Processo: Condições
URP e Vantagem Pessoal

PLENÁRIO
ADIn: Taxa Judiciária
Deferida medida cautelar em ação direta de
inconstitucionalidade requerida pelo Conselho Federal da
Ordem dos Advogados do Brasil - OAB, para suspender a
eficácia do art. 104, §§ 1º e 2º da Lei 6.763/75, do Estado de
Minas Gerais, e de sua tabela "J" anexa, na redação dada
pelo art. 1º da Lei 12.729/97, do mesmo Estado, que
aumentava o valor das taxas judiciárias mediante critério de
progressividade conforme o valor da causa. Entendeu-se
caracterizada, à primeira vista, a violação ao art. 5º, XXXV,
da CF (“a lei não excluirá da apreciação do Poder
Judiciário lesão ou ameaça a direito”), uma vez que a
inexistência de limitação dos valores das taxas judiciárias
poderia tornar excessivamente oneroso ou inviabilizar o
acesso ao Poder Judiciário. Pela mesma razão, suspendeu-se,
ainda, a eficácia da tabela "A" de custas de 1ª Instância e das
tabelas "C" e "D" de custas de 2ª Instância, previstas na Lei
mineira 12.732/97. Precedentes citados: Rp 1.077-RJ
(112/34); ADInMC 1.378-ES (DJU de 30.5.97); ADIn 948-
GO (v. Informativo 13). ADInMC 1.772-MG, rel. Min.
Carlos Velloso, 15.4.98.

ANOREG: Legitimidade Ativa


A Associação dos Notários e Registradores do
Brasil - ANOREG tem legitimidade para a propositura de
ação direta de inconstitucionalidade (CF, art. 103, IX), uma
vez que é associação de âmbito nacional que congrega as
pessoas físicas dos tabeliães e dos oficiais dos Registros
Públicos Civis. ADInMC 1.751-RJ, rel. Min. Moreira Alves,
15.4.98.

ADIn e Ato Normativo de Interpretação de Lei


Prosseguindo no julgamento acima mencionado, o
Tribunal não conheceu da ação direta de
inconstitucionalidade contra a Resolução 14/97, baixada pelo
Corregedor-Geral da Justiça do Estado do Rio de Janeiro —
que estabelece critérios de designação de responsáveis por
expediente de serviços notariais e de registros vagos —, sob
o entendimento de que a Resolução impugnada não é ato
normativo autônomo, mas sim ato normativo infralegal que
visa a interpretar dispositivo de lei infraconstitucional (na
espécie, o § 2º, do art. 39, da Lei federal 8.935/94). ADInMC
1.751-RJ, rel. Min. Moreira Alves, 15.4.98.

Ofensa Propter Officium


Na hipótese de ofensa dirigida a deputado federal
em razão de seu ofício, a ação penal pode ser iniciada pelo
próprio ofendido, ou pelo Ministério Público mediante
representação, uma vez que a previsão de ação penal pública
neste caso (Lei 5.250/67, art. 40, I, b), deve ser entendida
como alternativa à disposição do ofendido, e não como
privação do seu direito de queixa. Com base nesse
entendimento, o Tribunal conheceu da ação penal privada,
rejeitando a preliminar argüida pelo querelado no sentido da
ilegitimidade ativa do querelante. Precedente citado: Inq
(AgRg) 726-RJ (RTJ 154/410). Inquéritos 1.247-DF e 1.248-
DF, rel. Min. Marco Aurélio, 15.4.98.

Ação Penal Originária e Reconciliação


No mesmo julgamento, o Tribunal, rejeitando a
preliminar suscitada pelo Ministério Público Federal,
entendeu ser inaplicável o art. 520 do CPP (“Antes de
receber a queixa, o juiz oferecerá às partes oportunidade
para se reconciliarem, fazendo-as comparecer em juízo e
ouvindo-as, separadamente, sem a presença dos seus
advogados, não se lavrando termo.”), às hipóteses de ação
penal privada originária por crime contra a honra, uma vez
que não há tal previsão na Lei 8.038/90, que institui as
normas procedimentais para o seu julgamento. Inquéritos
1.247-DF e 1.248-DF, rel. Min. Marco Aurélio, 15.4.98.

Crime Contra Honra e Imunidade Parlamentar


Prosseguindo quanto ao julgamento do mérito, o
Tribunal julgou improcedente a ação penal privada intentada
por deputado federal contra Ministro de Estado, uma vez que
este agira em legítima defesa da honra, não tendo a intenção
de agredir, mas de rebater as ofensas feitas anteriormente
pelo parlamentar em discurso proferido no Plenário da
Câmara dos Deputados. Considerou-se, ainda, que não era
exigível conduta diversa do querelado em face da
inviolabilidade dos deputados por suas opiniões (CF, art. 53),
que impediria qualquer defesa por meio judicial. Precedente
citado: HC 68.130-DF (RTJ 133/1196). Inq 1.247-DF e
1.248-DF, rel. Min. Marco Aurélio, 15.4.98.

ADIn e Ato Normativo de Efeito Concreto


Não se conhece de ação direta de
inconstitucionalidade contra atos normativos de efeitos
concretos, ainda que estes sejam editados com força
legislativa formal. Com base nesse entendimento, o Tribunal
não conheceu de ação direta interposta pela Confederação
Nacional dos Profissionais Liberais - CNPL, na qual se
impugnava a Medida Provisória nº 1.531-11/97 — na parte
em que autoriza a cisão parcial da Eletrosul - Centrais
Elétricas do Sul do Brasil S/A, com a criação da GERASUL
- Centrais Geradoras do Sul do Brasil S/A (art. 5º, II) —,
pela ausência de abstração e generalidade da norma atacada.
ADInMC 1.789-DF, rel. Min. Néri da Silveira, 16.4.98.
Execução de Serviço Público e Poder de Polícia
Iniciado o julgamento de medida liminar em ação
direita ajuizada pelos Partidos Democrático Trabalhista -
PDT, dos Trabalhadores - PT, Comunista do Brasil - PC do B
e Socialista Brasileiro - PSB, contra a Lei 10.847/96, do
Estado do Rio Grande do Sul, que admite a concessão ou
permissão das atividades pertinentes à execução dos serviços
do DETRAN-RS (art. 2º, § 1º), e contra a Lei 10.848/96, do
mesmo Estado, que autoriza a concessão dos serviços
públicos de inspeção de segurança veicular. O Min. Carlos
Velloso, relator, proferiu voto no sentido do não
conhecimento da ação direta uma vez que, para o deslinde da
controvérsia, seria necessário o exame do Código Nacional
de Trânsito e das resoluções do Conselho Nacional de
Trânsito - CONTRAN, que teriam autorizado a delegação de
tais serviços, implicando, portanto, a ofensa reflexa à CF.
Após, o julgamento foi adiado em virtude do pedido de vista
do Min. Nelson Jobim. ADInMC 1.666-RS, rel. Min. Carlos
Velloso, 16.4.98.

Concessão de Serviço e Princípio da Moralidade


Indeferida medida cautelar requerida em ação
direta de inconstitucionalidade ajuizada pela Confederação
Nacional do Transporte - CNT, contra o art. 7º, da Lei
10.848/96, do Estado do Rio Grande do Sul, que,
autorizando a concessão dos serviços públicos de inspeção
de segurança veicular, veda a participação, nos
procedimentos licitatórios a serem realizados para esta
concessão, de empresa ou empresas do ramo
automobilístico, tais como montadoras, transportadoras,
importadoras, concessionárias, distribuidoras, fabricantes de
peças de reposição ou oficinas de reparo, ou mesmo a elas
direta ou indiretamente ligadas. À primeira vista, o Tribunal
considerou irrelevante a argüição de inconstitucionalidade
formulada pela autora — por ofensa aos princípios da
igualdade, do livre exercício de qualquer trabalho, da livre
iniciativa e da livre concorrência —, tendo em vista que a
exclusão de empresas que têm interesse na fiscalização de
veículos observa o princípio da moralidade administrativa
(CF, art. 37). ADInMC 1.723-RS, rel. Min. Carlos Velloso,
16.4.98.

Medida Provisória: Requisito de Urgência


Por unanimidade, o Tribunal deferiu medida
cautelar em ação direta ajuizada pelo Conselho Federal da
Ordem dos Advogados do Brasil - OAB, para suspender a
eficácia do art. 4º e seu parágrafo único, da MP nº 1.632-
11/98 (“O direito de propor ação rescisória por parte da
União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios,
bem como das autarquias e das fundações instituídas pelo
Poder Público extingue-se em cinco anos, contados do
trânsito em julgado da decisão. Parágrafo único - Além das
hipóteses referidas no art. 485 do Código de Processo Civil,
será cabível ação rescisória quando a indenização fixada
em ação de desapropriação, em ação ordinária de
indenização por apossamento administrativo ou
desapropriação indireta, e também em ação que vise a
indenização por restrições decorrentes de atos do Poder
Público, em especial aqueles destinados à proteção
ambiental, for flagrantemente superior ao preço de mercado
do bem objeto da ação judicial.”). O Tribunal reconheceu,
excepcionalmente, a ofensa aparente ao art. 62, caput, da CF,
(“Em caso de relevância e urgência, o Presidente da
República poderá adotar medidas provisórias, ...”), pela
falta de urgência necessária à edição da Medida Provisória
impugnada. Considerou-se também relevante a tese de
ofensa aos princípios da isonomia e do devido processo
legal, pela disparidade entre o prazo de 5 anos de que dispõe
o Estado para o ajuizamento de ação rescisória em face do
prazo decadencial de 2 anos previsto para o particular (CPC,
art. 495). Precedente citado: ADInMC 162-DF (DJU de
19.9.97) . ADInMC 1.753-DF, rel. Min. Sepúlveda Pertence,
16.4.98.

Imunidade Recíproca e Imposto de Renda


Em julgamento de cautelar em ação direta ajuizada
pelo Governador do Estado de Pernambuco contra o art. 28,
da Lei federal nº 9.532/97, que determina a incidência do
imposto de renda sobre os rendimentos auferidos por
qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica imune ou
isenta, nas aplicações em fundos de investimento, o Tribunal,
por unanimidade, emprestando interpretação conforme à
Constituição à expressão “inclusive pessoa jurídica imune”,
decidiu que ela não alcança as pessoas públicas que gozam
da imunidade recíproca (CF, art. 150, VI, a). ADInMC
1.758-DF, rel. Min. Marco Aurélio, 16.4.98.

URP e Vantagem Pessoal


O Tribunal deferiu o pedido de medida cautelar
requerida em ação direta ajuizada pelo Governador do
Distrito Federal, para suspender, até decisão final, os efeitos
da Lei distrital nº 1.644/97, que transforma a parcela
remuneratória relativa à Unidade de Referência de Preços -
URP (26, 05%), de fevereiro de 1989, concedida a
servidores do Tribunal de Contas do Distrito Federal, em
vantagem pessoal nominalmente identificada. À primeira
vista, considerou-se relevante a fundamentação apresentada
pelo autor no sentido de que a norma impugnada confere
reajuste aos servidores do mencionado Tribunal de Contas,
ofendendo, aparentemente, a revisão geral de remuneração
dos servidores públicos (CF, art. 37, X) e de que a parcela de
26, 05% não se enquadraria, em todo caso, no conceito de
vantagem pessoal, afrontando o art. 39, § 1º, da CF (“A lei
assegurará, aos servidores da administração direta,
isonomia de vencimentos para cargos de atribuições iguais
ou assemelhados do mesmo Poder ou entre servidores dos
Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, ressalvadas as
vantagens de caráter individual e as relativas à natureza ou
ao local de trabalho.”). Precedente citado: RE 141.788-CE
(RTJ 152/243). ADInMC 1.773-DF, rel. Min. Ilmar Galvão,
16.4.98.

Suspensão Condicional do Processo: Condições


Aplicando a suspensão condicional do processo em
favor de ex-deputado federal indiciado por crime de
desobediência e violência arbitrária (CP, art. 330 e 322), o
Tribunal, em face da manifestação do indiciado no sentido da
necessidade de sua liberdade de locomoção para candidatar-
se ao cargo de deputado nas próximas eleições, decidiu
suspender as exigências inscritas nos incisos III e IV do § 1º,
do art. 89, da Lei 9.099/95 — proibição de ausentar-se da
comarca onde reside, sem autorização do juiz, e
comparecimento pessoal a juízo mensalmente para informar
e justificar suas atividades —, a partir do registro da
candidatura e até a proclamação dos resultados das eleições.
Afastou-se a obrigatoriedade das mencionadas condições
sustentada no parecer da Procuradoria-Geral da República,
uma vez que o § 2º, do art. 89, da referida Lei, prevê que o
juiz poderá especificar outras condições a que fica
subordinada a suspensão, desde que adequadas ao fato e à
situação pessoal do acusado. Inquérito (QO) 641-MG, rel.
Min. Marco Aurélio, 16.4.98.

PRIMEIRA TURMA
Exame de DNA
Com base na orientação adotada pelo STF no
julgamento do HC 71.373-RS (DJU de 22.11.96) — no
sentido de que, em ação civil de investigação de paternidade,
não se pode obrigar o réu à coleta de material para exame de
DNA, sob pena de violação da intangibilidade do corpo
humano —, a Turma deferiu habeas corpus contra acórdão
do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina que
mantivera a decisão, tomada em ação ordinária de
reconhecimento de paternidade, de submeter o paciente ao
exame hematológico de DNA. HC 76.060-SC, rel. Min.
Sepúlveda Pertence, 31.3.98.

Quadrilha Armada e Roubo com uso de Arma


Considerando admissível o concurso material entre
os crimes de quadrilha armada (CP, art. 288, § único) e roubo
qualificado pelo emprego de arma (CP, art. 157, § 2º, I), a
Turma indeferiu o pedido de habeas corpus por inexistir
violação ao princípio ne bis in idem, uma vez que o perigo
abstrato de a quadrilha ser armada não impede a condenação
pelo emprego efetivo da arma no crime de roubo. Precedente
citado: RHC 64.772-RJ (RTJ 128/1162). HC 76.213-PE, rel.
Min. Sepúlveda Pertence, 14.4.98.

Recursos Especial e Extraordinário


Se o STJ, no julgamento de recurso especial
interposto simultaneamente com o extraordinário, embora
afastando formalmente a análise da questão constitucional,
confirma o acórdão recorrido examinando além da matéria
legal, os temas constitucionais discutidos no recurso
extraordinário, deve a parte vencida interpor contra essa
decisão novo recurso extraordinário, sob pena de ficar
superada pelo trânsito em julgado a controvérsia
constitucional resolvida no julgamento do recurso especial.
Com esse entendimento, a Turma negou provimento a
agravo regimental, confirmando despacho do Min. Octavio
Gallotti, relator, que julgara prejudicado o recurso
extraordinário interposto contra acórdão do TRF da 5º
Região, ante a substituição deste pela decisão do STJ em
recurso especial, que abordara a matéria constitucional.
Precedente citado: RE 189.710-GO (DJU de 13.9.96). RE
(AgRg) 215.053-CE, rel. Min. Octavio Gallotti, 14.4.98.

SEGUNDA TURMA
Suspensão Condicional do Processo
Considerando que sentença condenatória do
paciente fora proferida após a entrada em vigor da Lei
9.099/95, a Turma deferiu habeas corpus para cassar a
sentença e o acórdão que deram pela inadmissibilidade da
suspensão condicional do processo prevista no art. 89 da
mencionada Lei, para que seja dada oportunidade ao
Ministério Público que atua perante o 1º grau de jurisdição a
manifestar-se sobre a aplicação do referido instituto. HC
76.436-PR, rel. Min. Néri da Silveira, 14.4.98.

Devido Processo Legal e Ofensa Reflexa à CF


Questões de natureza estritamente processual, de
âmbito infraconstitucional, não dão margem a recurso
extraordinário sob o fundamento de ofensa ao princípio do
devido processo legal (CF, art. 5º, LIV). Com esse
entendimento, a Turma, por maioria, não conheceu de
recurso extraordinário contra acórdão do TRF da 2ª Região
que entendera incabíveis embargos declaratórios contra
decisão resultante de julgamento de embargos infringentes.
Vencido o Min. Marco Aurélio, relator, que, entendendo
possível o exame de normas legais na hipótese de violação
ao princípio do devido processo legal, conhecia e dava
provimento ao recurso uma vez que embargos declaratórios
são oponíveis a qualquer decisão. RE 199.182-RJ, rel.
originário Min. Marco Aurélio, red. para o acórdão Min.
Carlos Velloso, 17.4.98.

Sessões Ordinárias Extraordinárias Julgamentos


Pleno 15.4.98 16.4.98 18
1ª Turma 14.4.98 --------- 115
2ª Turma 14.4.98 17.4.98 407

CLIPPING DO DJ
17 de abril de 1998

ADIn N. 1.150-2
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade, §§ 3º e 4º do artigo
276 da Lei 10.098, de 03.02.94, do Estado do Rio Grande do Sul.
- Inconstitucionalidade da expressão "operando-se automaticamente
a transposição de seus ocupantes" contida no § 2º do artigo 276,
porque essa transposição automática equivale ao aproveitamento de
servidores não concursados em cargos para cuja investidura a
Constituição exige os concursos aludidos no artigo 37, II, de sua
parte permanente e no § 1º do artigo 19 de seu ADCT.
- Quanto ao § 3º desse mesmo artigo, é de dar-se-lhe exegese
conforme à Constituição, para excluir, da aplicação dele,
interpretação que considere abrangidas, em seu alcance, as funções
de servidores celetistas que não ingressaram nelas mediante
concurso a que aludem os dispositivos constitucionais acima
referidos.
- Por fim, no tocante ao § 4º do artigo em causa, na redação dada
pela Lei estadual nº 10.248/94, também é de se lhe dar exegese
conforme à Constituição, para excluir, da aplicação dele,
interpretação que considere abarcados, em seu alcance, os empregos
relativos a servidores celetistas que não se submeteram a concurso,
nos termos do artigo 37, II, da parte permanente da Constituição ou
do § 1º do artigo 19 do ADCT.
Ação que se julga procedente em parte, para declarar-se
inconstitucional a expressão "operando-se automaticamente a
transposição de seus ocupantes" contida no artigo 276, § 2º, da Lei
10.098, de 03.02.94, do Estado do Rio Grande do Sul, bem como
para declarar que os §§ 3º e 4º desse mesmo artigo 276 (sendo que o
último deles na redação que lhe foi dada pela Lei 10.248, de
30.08.94) só são constitucionais com a interpretação que exclua da
aplicação deles as funções ou os empregos relativos a servidores
celetistas que não se submeteram ao concurso aludido no artigo 37,
II, da parte permanente da Constituição, ou referido no § 1º do
artigo 19 do seu ADCT.
* noticiado no Informativo 85

ADIn N. 1.530-3
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
CUSTAS - PARTICIPAÇÃO DOS SERVIDORES. Ao primeiro
exame, exsurge conflitante com a Carta preceito de lei que destine
percentagem das custas cobradas para ser distribuída, a título
remuneratório, aos servidores.
CUSTAS - VALOR DO IMÓVEL. Mostra-se contrária à
Constituição Federal norma que imponha como base de cálculo de
custas o valor do imóvel envolvido na espécie.
CUSTAS - COMPETÊNCIA - RECURSO EXTRAORDINÁRIO. A
fixação do valor das custas deve fazer-se por ato do Supremo
Tribunal Federal.
* noticiado no Informativo 70

ADIn N. 1.552-4
RELATOR : MIN. CARLOS VELLOSO
EMENTA: CONSTITUCIONAL. ADVOGADOS. ADVOGADO-
EMPREGADO. EMPRESAS PÚBLICAS E SOCIEDADES DE
ECONOMIA MISTA. Medida Provisória 1.522-2, de 1996, artigo
3º. Lei 8.906/94, arts. 18 a 21. C.F., art. 173, § 1º.
I. - As empresas públicas, as sociedades de economia mista e outras
entidades que explorem atividade econômica em sentido estrito,
sem monopólio, estão sujeitas ao regime próprio das empresas
privadas, inclusive quanto às obrigações trabalhistas e tributárias.
C.F., art. 173, § 1º.
II. - Suspensão parcial da eficácia das expressões "às empresas
públicas e às sociedades de economia mista", sem redução do texto,
mediante a aplicação da técnica da interpretação conforme: não
aplicabilidade às empresas públicas e às sociedades de economia
mista que explorem atividade econômica, em sentido estrito, sem
monopólio.
III. - Cautelar deferida.
* noticiado no Informativo 67
ADIn N. 1.592-3
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade. Lei 1.407, de
17.03.97, do Distrito Federal que dispõe sobre a colocação de placas
de sinalização para informar sobre proibições e restrições no uso de
vias do Distrito Federal. Pedido de liminar.
- Relevância jurídica da alegação de invasão de competência
privativa da União. Barreira eletrônica que se destina à fiscalização
da observância da velocidade estabelecida para a via pública é meio
de prova para a autuação por infringência da lei de trânsito, e a
competência para a sua disciplina, pelo menos em exame
compatível com o da concessão da liminar, é da União e não dos
Estados ou do Distrito Federal.
- Conveniência da suspensão liminar da lei distrital atacada, dando-
se-lhe eficácia "ex tunc".
Pedido de liminar deferido, para suspender, "ex tunc" e até o
julgamento final desta ação, a eficácia da Lei nº 1.407, de 17.03.97,
do Distrito Federal.
* noticiado no Informativo 85

ADIn N. 1.622-9
RELATOR : MIN. NELSON JOBIM
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.
LEI COMPLEMENTAR Nº 87, DE 13 DE SETEMBRO DE 1.996.
ICMS. INCIDÊNCIA. PRODUTOS SEMI-ELABORADOS.
PEDIDO INCOMPLETO. ATACA PARTE DOS DISPOSITIVOS.
PERDAS. SILENCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO.
IMPOSSIBILIDADE DE EXTENSÃO PELO STF.
Ação Direta não conhecida.
* noticiado no Informativo 90

CONFLITO DE COMPETÊNCIA N. 6.963-4


RELATOR : MIN. MAURÍCIO CORRÊA
EMENTA: CONFLITO DE COMPETÊNCIA. AÇÃO
RESCISÓRIA DE JULGADOS DO EXTINTO TRIBUNAL
FEDERAL DE RECURSOS. DECISÃO DO SUPERIOR
TRIBUNAL DE JUSTIÇA QUE DECLINOU DE SUA
COMPETÊNCIA PARA O TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL
PORQUE A AÇÃO SE DIRIGIA CONTRA A SENTENÇA.
CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA SUSCITADO
PELO TRF.
1. O art. 102, I, "o" da Constituição Federal deve ser interpretado
levando-se em conta que não há, nem pode haver, conflito de
competência entre tribunais organizados hierarquicamente, como
acontece entre o STJ e os TRFs, entre o TST e os TRTs, entre o TSE
e os TREs. Precedentes.
2. Conflito de competência inexistente e, por isso, não conhecido,
determinando-se a remessa dos autos ao TRF da 1ª Região para
conhecimento e julgamento da ação.

HC N. 75.503-8
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
(...) PENA - CUMPRIMENTO - REGIME - FIXAÇÃO -
GRAVIDADE DO CRIME. A gravidade do crime não é suficiente,
por si só, a conduzir à imposição de regime mais drástico. Em se
tratando de pena não superior a oito anos, dá-se a fixação do regime
consideradas as alíneas “b” e “c” do artigo 33 do Código Penal, bem
como a regra do § 3º nele inserido, no que remete às circunstâncias
judiciais. Precedentes: Primeira Turma - Habeas-Corpus nº
73.532/SP, nº 70.784/RJ e nº 72.937/SP, relatados pelos Ministros
Moreira Alves, Sepúlveda Pertence e Ilmar Galvão, com acórdãos
veiculados no Diário da Justiça de 9 de agosto de 1996, 16 de
setembro de 1994, e 1º de dezembro de 1995, respectivamente;
Segunda Turma - Habeas-Corpus nº 75.379/SP, por mim relatado e
julgado em 2 de dezembro de 1997.

HC N. 75.662-0
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
(...) INSTÂNCIA - SUPRESSÃO. Implica supressão de instância
adentrar-se campo estranho à decisão do Juízo. Isso ocorre quando
este impõe a regressão do preso ao regime fechado sem ouvi-lo,
como estabelecido no artigo 118, § 2º, da Lei de Execução Penal, e,
diante de recurso da defesa, admite-se o vício, mas, em passo
seguinte, determina-se, no campo da cautelar, a sustação do regime
semi-aberto e da remição.
PROCESSO PENAL - PODER DE CAUTELA GERAL - MEDIDA
PREVENTIVA - LIBERDADE - SILÊNCIO DA LEI. No campo do
processo penal, descabe cogitar, em detrimento da liberdade, do
poder de cautela geral do órgão judicante. As medidas preventivas
hão de estar previstas de forma explícita em preceito legal.
HC N. 75.962-4
RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL.
NULIDADE. RENÚNCIA DE MANDATO. INTIMAÇÃO DO
RÉU PARA CONSTITUIR NOVO DEFENSOR.
A falta de intimação do réu para indicação de novo advogado é
questão que poderia ter sido examinada no acórdão atacado.
A jurisprudência desse Pretório tem entendimento firmado no
sentido de que o réu deve ser cientificado da renúncia do mandato
pelo advogado, para que constitua outro, sob pena de nulidade por
cerceamento de defesa.
Habeas corpus deferido.

HC N. 75.974-2
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
(...) RECURSO - FORMA - FLEXIBILIDADE. A norma inserta no
artigo 578 do Código de Processo Penal há de merecer interpretação
viabilizadora do pleno exercício do direito de defesa, colocando-se
em plano secundário o apego maior à forma, considerada a
literalidade do preceito. Equipara-se ao termo nos autos
manifestação de inconformismo do condenado, ainda na sessão de
julgamento e registrada em ata, com o veredicto dos jurados e a
sentença do juiz presidente do Tribunal do Júri, não se podendo
cogitar de intempestividade se veiculadas as razões posteriormente,
ou seja, quando da abertura de vista para a defesa fazê-lo.

HC N. 76.290-0
RELATOR : MIN. MAURÍCIO CORRÊA
EMENTA: HABEAS-CORPUS. CRIME DE FALSIFICAÇÃO DE
DOCUMENTO EQUIPARADO AO PÚBLICO (CHEQUE).
NULIDADES ALEGADAS: TIPIFICAÇÃO, FALTA DE DEFESA
E REPARAÇÃO DOS PREJUÍZOS.
1. Comprovado nos autos que o paciente falsificou e usou o
documento, a conduta típica é a do crime de falsificação de
documento equiparado ao público (CP, art. 297, § 2º), não cabendo
desclassificá-la para a de estelionato (CP, art. 171). 2. Eventual
deficiência na defesa, sem demonstração de qualquer prejuízo para
o réu, não anula o processo (Súmula 523).
3. A reparação do prejuízo pelo crime de falso não extingue a
punibilidade, mesmo que ocorrida antes do início da ação penal, por
se tratar de delito formal (o paciente não foi condenado por
estelionato).
4. A alegação de que não houve aplicação do art. 16 do Código
Penal - arrependimento posterior, como causa de redução da pena -
não foi suscitada na apelação nem examinada pelo Tribunal a quo,
de forma que eventual coação continua emanando do juiz de 1º grau
e, assim, a competência para apreciá-la é do mesmo Tribunal.
5. Habeas-corpus conhecido em parte, e nesta parte indeferido,
determinando-se a remessa dos autos ao Tribunal de Justiça
fluminense para examinar a alegação ligada ao art. 16 do Código
Penal, como entender de direito.

HC N. 76.319-8
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
(...) REVISÃO CRIMINAL - OBJETO -
PREQUESTIONAMENTO. Descabe impor, relativamente à matéria
versada na revisão criminal, o instituto do prequestionamento,
especialmente consideradas as alíneas I e III do artigo 621 do
Código de Processo Penal.
* noticiado no Informativo 101

HC N. 76.405-1
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: - Habeas Corpus.
- O aumento acima de 1/3 sobre a pena-base em virtude da
concorrência de duas qualificadoras (concurso de duas ou mais
pessoas e uso de arma de fogo) não se revela injustificado,
conforme precedentes de ambas as Turmas desta Corte.
- Justifica-se a imposição do regime fechado para o início do
cumprimento da pena com fundamento na periculosidade do agente
decorrente da prática de roubo com duas qualificadoras (emprego de
arma e concurso de menor inimputável), máxime em vista da
crescente onda de assaltos a mão armada e de crimes violentos que
assola o país" (cfe. HC 70.557).
Habeas corpus indeferido.
* noticiado no Informativo 101

HC N. 76.543-5
RELATOR : MIN. SYDNEY SANCHES
EMENTA: - DIREITO CONSTITUCIONAL, PENAL E
PROCESSUAL PENAL.
TRÁFICO DE ENTORPECENTES. CONCURSO DE AGENTES.
PENA-BASE. MAJORAÇÃO DA PENA (ARTIGOS 12, 14 E 18,
III, DA LEI Nº 6.369/76). REGIME DE CUMPRIMENTO DE
PENA: INTEGRALMENTE FECHADO (LEIS NºS. 8.072/90,
ART. 1º, E 9.455, DE 07.04.1997, ART. 1º, § 7º). ART. 5º, XLIII,
DA C.F. "HABEAS CORPUS". (...)
3. Improcede, por fim, a alegação de que indevida a imposição de
regime integralmente fechado. A Constituição Federal, no inc. XLIII
do art. 5º, estabeleceu: "a lei considerará crimes inafiançáveis e
insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico
ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos
como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os
executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem".
Não se cuida aí de regime de cumprimento de pena.
A Lei nº 8.072, de 26.07.1990, aponta, no art. 1º, os crimes que
considera hediondos (latrocínio, extorsão qualificada pela morte,
extorsão mediante seqüestro e na forma qualificada, estupro,
atentado violento ao pudor, epidemia com resultado morte,
envenenamento de água potável ou de substância alimentícia ou
medicinal, qualificado pela morte, e genocídio; tentados ou
consumados).
No art. 2º acrescenta: os crimes hediondos, a prática da tortura,
o tráfico de entorpecentes e drogas afins e o terrorismo são
insuscetíveis de: I - anistia, graça e indulto; II - fiança e liberdade
provisória. E no § 1º: a pena por crime previsto neste artigo será
cumprida integralmente em regime fechado.
Inclusive, portanto, o de tráfico de entorpecentes, como é o caso
dos autos.
4. A Lei nº 9.455, de 07.04.1997, que define os crimes de tortura
e dá outras providências, no § 7º do art. 1º, esclarece: "o condenado
por crime previsto nesta Lei, salvo a hipótese do § 2º, iniciará o
cumprimento da pena em regime fechado".
Vale dizer, já não exige que, no crime de tortura, a pena seja
cumprida integralmente em regime fechado, mas apenas no início.
Foi, então, mais benigna a lei com o crime de tortura, pois não
estendeu tal regime aos demais crimes hediondos, nem ao tráfico de
entorpecentes, nem ao terrorismo.
Ora, se a Lei mais benigna tivesse ofendido o princípio da
isonomia, seria inconstitucional. E não pode o Juiz estender o
benefício decorrente da inconstitucionalidade a outros delitos e a
outras penas, pois, se há inconstitucionalidade, o juiz atua como
legislador negativo, declarando a invalidade da lei. E não como
legislador positivo, ampliando-lhe os efeitos a outras hipóteses não
contempladas.
5. De qualquer maneira, bem ou mal, o legislador resolveu ser
mais condescendente com o crime de tortura do que com os crimes
hediondos, o tráfico de entorpecentes e o terrorismo. Essa
condescendência não pode ser estendida a todos eles, pelo Juiz,
como intérprete da Lei, sob pena de usurpar a competência do
legislador e de enfraquecer, ainda mais, o combate à criminalidade
mais grave.
6. A Constituição Federal, no art. 5º, inc. XLIII, ao considerar
crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da
tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo
e os definidos como crimes hediondos, não tratou de regime de
cumprimento de pena. Ao contrário, cuidou, aí, de permitir a
extinção de certas penas, exceto as decorrentes de tais delitos.
Nada impedia, pois, que a Lei nº 9.455, de 07.04.1997,
definindo o crime de tortura, possibilitasse o cumprimento da pena
em regime apenas inicialmente fechado - e não integralmente
fechado.
Pode não ter sido uma boa opção de política criminal. Mas não
propriamente viciada de inconstitucionalidade.
7. "H.C." indeferido.

AG (AgRg) N. 187.025-7
RELATOR : MIN. OCTAVIO GALLOTTI
EMENTA: - Mesmo depois da ampliação, para dez dias, do prazo
de interposição de agravo de instrumento contra despacho
denegatório de recurso extraordinário, permanece a duração de
cinco dias, em relação ao prazo de agravo regimental, manifestado
contra a decisão do Relator, que, no Supremo Tribunal, negou
seguimento ao agravo de instrumento (Código de Processo Civil,
artigos 544, 545, ambos com a redação dada pela Lei nº 8.950-94).

PETIÇÃO (AgRg) 1.246-1


RELATOR : MINISTRO CELSO DE MELLO
EMENTA: Suspensão de liminar contra o Poder Público:
competência do Presidente do STF restrita à hipótese de liminar
concedida originariamente por órgão de Tribunal, à qual não se
equipara a decisão do Tribunal que negou a suspensão da liminar
outorgada por juízo de primeiro grau: declaração de ofício da
inadmissibilidade do pedido de suspensão no agravo regimental
contra a decisão que o indeferira (CPrCiv., art. 267, § 3º):
precedentes (Ag. Pet 810, 16.12.94, Gallotti, Lex 188/231; SS 582,
Sanches, RTJ 150/695).
* noticiado no Informativo 66

RECLAMACAO (AgRg) N. 726-1


RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: RECLAMAÇÃO. DESCABIMENTO. EXECUÇÃO DE
DECISÃO PROFERIDA POR TRIBUNAL INFERIOR.
ALEGAÇÃO DE SER CONTRÁRIA À JURISPRUDÊNCIA DO
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
Descabe a reclamação se não há decisão da Corte a ser resguardada,
nem cuja autoridade esteja sendo desrespeitada. Argumentar que a
questão controvertida na execução é contrária à jurisprudência do
Supremo Tribunal Federal não basta para o cabimento da medida.
Agravo regimental improvido.

RMS (EDcl) N. 22.345-0


RED. P/ O ACORDÃO: MIN. MAURÍCIO CORRÊA
EMENTA: MANDADO DE SEGURANÇA. MILITAR. MULTA
POR OCUPAÇÃO IRREGULAR DE IMÓVEL FUNCIONAL.
DIREITO À AQUISIÇÃO RECONHECIDO POR ESTA CORTE
QUANTO ÀS UNIDADES ADMINISTRADAS PELA
PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. LEI Nº 8.025/90 E DECRETO
Nº 99.266/90. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO COM EFEITO
MODIFICATIVO. RECURSO ORDINÁRIO. PROVIMENTO.
Reconhecido o direito à aquisição de imóvel funcional por decisão
transitada em julgado não há que se falar em ocupação ilegítima do
imóvel, cabendo a anulação dos autos de infração lavrados contra os
impetrantes e a restituição dos valores das multas a eles impostas.
Embargos acolhidos, com efeito modificativo, dando-se provimento
ao recurso ordinário.

RE N. 193.466-2
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
VENCIMENTO - DATA - LIMITE PARA SATISFAÇÃO -
CONSTITUIÇÃO DO ESTADO. Não vulnera o princípio da
iniciativa do Executivo para propor projeto de lei sobre servidores
públicos preceito da Carta do Estado que revele data-limite para a
satisfação dos vencimentos.

RE N. 197.325-1
RELATOR : MIN. MAURÍCIO CORRÊA
EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO DE
VIZINHANÇA. INDENIZAÇÃO POR DANO DECORRENTE
DA CONSTRUÇÃO DE IMÓVEL. VISTORIA "AD
PERPETUAM REI MEMORIAM". PROVA TÉCNICA
REALIZADA NO IMÓVEL CAUSADOR DO SUPOSTO DANO.
AUSÊNCIA DE PERÍCIA NO IMÓVEL AVARIADO. NEXO DE
CAUSALIDADE: NECESSIDADE DE PERÍCIA
COMPLEMENTAR A SER EFETIVADA NO IMÓVEL
DANIFICADO - REQUERIMENTO APRESENTADO NA
CONTESTAÇÃO E RATIFICADO NA FASE DE
ESPECIFICAÇÃO DE PROVAS. SENTENÇA:
INDEFERIMENTO DO PEDIDO E JULGAMENTO DA LIDE.
RECURSO DE APELAÇÃO POR NULIDADE DA SENTENÇA
EM RAZÃO DO CERCEAMENTO DE DEFESA. ARESTO QUE
ENTENDEU PELA PRECLUSÃO DA PROVA.
INSUBSISTÊNCIA.
1. O laudo pericial é avaliação que resulta de fatos concretos e
dados objetivos. Para que o juiz possa reconhecer força persuasiva
ao parecer técnico é necessária a exposição dos motivos que o
determinaram, porquanto, meramente opinativo, convence pela
força dos argumentos em que repousa.
2. O fato de ter havido vistoria "ad perpetuam rei memoriam" não
impede o deferimento de perícia complementar oportunamente
requerida no processo, principalmente se a realizada detivera-se no
imóvel construído e apontado como causador do dano no prédio
vizinho, quando deveria ter sido levada a efeito também na
propriedade avariada para se concluir pela existência ou não de
nexo causal.
3. Em tal hipótese, não é dado ao juiz dispensar a audiência de
instrução e julgamento e, de plano, proferir a sentença tão-só com
fundamento na medida cautelar de antecipação de provas, na qual
não se valora a prova colhida e o requerido é intimado a
acompanhar e formular quesitos, se os julgar necessários,
contestando unicamente o cabimento da ação.
4. Recurso de apelação. Argumentos aduzidos: cerceamento de
defesa e nulidade da decisão de primeira instância. Fundamento do
aresto recorrido: preclusão da prova. Insubsistência. As questões
anteriores à sentença, ocorridas na audiência de instrução e
julgamento, ficam submetidas à apreciação do Tribunal por força da
apelação.
4.1. Hipótese em que, contra o ato jurisdicional que indeferiu a
perícia complementar e simultaneamente prolatou a sentença, não
era cabível qualquer recurso, pois somente com a edição da Lei nº
9.139/95 veio a lume a faculdade de interposição oral do agravo
retido. Recurso extraordinário conhecido e provido.

RE N. 199.274-3
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
COISA JULGADA - AÇÃO CONSIGNATÓRIA. Uma vez
efetuado o depósito e declarada extinta a obrigação, tal como
previsto na parte final do artigo 898 do Código de Processo Civil,
descabe, na continuidade do processo para elucidar-se o credor,
reabrir a discussão sobre ser devido, ou não, o valor depositado.

RE (EDv) N. 158.754-7
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: Embargos de divergência. Previdência Social. Artigo 58
do ADCT.
- Recentemente, em 23.10.97, o Plenário desta Corte, por maioria de
votos, ficando relator para o acórdão o ilustre Ministro Maurício
Corrêa, firmou o entendimento reiterado da 1ª Turma no sentido de
que somente os benefícios de prestação continuada mantidos pela
Previdência Social na data da promulgação da Constituição são
suscetíveis de sofrer a revisão de seus valores de acordo com os
critérios estabelecidos no art. 58 do ADCT/88, cuja incidência,
temporalmente delimitada, não se projeta sobre situações de caráter
previdenciário constituída após 05 de outubro de 1988.
Embargos de divergência conhecidos e recebidos.
* noticiado no Informativo 102

Acórdãos publicados: 396

T R A N S C R I Ç Õ E
S

Com a finalidade de proporcionar aos leitores


do INFORMATIVO STF uma compreensão mais
aprofundada do pensamento do Tribunal,
divulgamos neste espaço trechos de decisões que
tenham despertado ou possam despertar de modo
especial o interesse da comunidade jurídica.

Revisão Geral deRemuneração (28,86%)


(v. Informativos 81, 84 e 102)

RMS 22.307-DF *

Ministro Ilmar Galvão (voto vencedor)

VOTO-VISTA: Trata-se de embargos declaratórios opostos pela


União à decisão deste Plenário que reconheceu aos ora embargados
o direito de terem os seus vencimentos corrigidos com base no
percentual de 28,86% da Lei nº 8.627/93.
Sustentou haver a referida decisão sido
omissa em relação à situação de uma das impetrantes-recorridas, ora
embargada, E.K., servidora do Distrito Federal, à disposição do
Ministério da Previdência Social, portanto, parte ilegítima no feito; e
obscura, por não haver o em. Ministro Relator explicitado a questão
suscitada pelo Min. Maurício Corrêa em seu voto, acerca dos
reajustamentos de remuneração com que foram contemplados os
embargados, não apenas em razão da própria Lei nº 8.627/93, mas
também em face de legislação posteriormente editada.
O eminente Relator, Ministro Marco
Aurélio, votou no sentido da rejeição dos embargos. No que tange à
alegada omissão, por não tê-la como verificada nos autos, onde
silenciou a Administração por completo a respeito da condição da
embargada E.K., não havendo como o Tribunal, de ofício, apreciar a
ilegitimidade ativa ad causam; e, no que concerne à pretendida
obscuridade, por tratar-se de matéria que, a seu ver, restou relegada,
pelo voto da maioria, para a fase da execução.
Acompanhou o eminente Relator, o
Ministro Maurício Corrêa, enquanto o eminente Min. Nelson Jobim
acolheu os embargos apenas para declarar que haverão de ser
compensadas, na remuneração dos embargados, os aumentos
resultantes de leis posteriores.
Pedi vista dos autos, para afastar dúvidas
que me ocorreram acerca desses acréscimos, não os decorrentes de
leis posteriores, mas os decorrentes da própria Lei nº 8.627/93.
Registro, preliminarmente, que tenho
eventuais reajustes remuneratórios ocorridos posteriormente à
referida lei (ex.: MP nº 583 de agosto/94) como irrelevantes para o
deslinde da controvérsia, havendo de ser considerados, em sua
aplicação, os valores tal qual apurados em razão da presente decisão.
Na verdade, como se recorda, para chegar-
se ao índice de 28,86%, que foi tido como correspondente ao
reajuste geral concedido a todo o funcionalismo, civil e militar, e,
como tal, aplicado aos servidores do Poder Legislativo, do Poder
Judiciário, dos servidores do Tribunal de Contas da União e do
Ministério Público Federal, considerou-se a média percentual
resultante da adequação dos postos e gradações dos servidores
militares.
Melhor exame da Lei nº 8.627/93,
entretanto, revela que não apenas os servidores militares resultaram
por ela beneficiados, por meio da “adequação dos postos e
graduações”, mas também nada menos que vinte categorias de
servidores civis, contemplados pelo eufêmico “reposicionamento”
previsto em seus artigos 1º e 3º, entre elas a dos “servidores do
Plano de Classificação de Cargos das Leis nº 5.645/70 e 6.550/78”.
Assim, conforme enfatizou o em. Ministro
Octavio Gallotti, quando do julgamento ora embargado, “não
houve... uma singela extensão, a servidores civis, de valores de
soldos de militares”, o que a jurisprudência do STF não tolerava,
mas a extensão de reajuste concedido aos militares e a
numerosíssimas carreiras do funcionalismo civil.
Trata-se de circunstância que não se pode
deixar de ter em conta, quando se cuida de estender o percentual de
28,86% às categorias funcionais que restaram excluídas da revisão
geral. É certo que a matéria não chegou a ser argüida pela União, no
curso do processo, não tendo restado esclarecido, senão por meio de
memorial do Advogado-Geral da União, datado do último dia 02 de
setembro, que alguns dos impetrantes integram categorias
beneficiadas pela referida lei. Assim é que três deles (H.S.S., L.J.C.
e A.O.Q.) tiveram seus vencimentos reajustados em mais de 28,86%;
enquanto seis outros (J.B.M., L.S.N., C.D.S.P., N.A.S., A.S.A e
N.M.P.P.) foram beneficiados com aumentos variáveis de 3,55% a
11,29%. Um deles apenas E.K., ocupante de cargo em comissão, não
teve os vencimentos reajustados pela referida lei.
A Lei nº 8.627/93 contém elementos
concretos que permitem chegar a esses resultados; elementos, aliás,
a partir dos quais foi deduzida a regra que resultou aplicada. Não
poderiam eles, portanto, ter sido desprezados pelo acórdão, que
julgou o recurso como se apenas os servidores militares houvessem
sido beneficiados pelo mencionado diploma legal, não obstante as
observações contidas no voto do eminente Ministro Octavio Gallotti.
A hipótese, portanto, não é de simples
obscuridade, mas de erro material, corrigível pelo órgão julgador a
qualquer tempo (art. 463 do CPC).
Assim, meu voto acolhe parcialmente os
embargos, para o fim de declarar que o recurso foi provido apenas
em relação à recorrente E.K.; foi provido, em parte, quanto aos seis
impetrantes supra relacionados; e foi desprovido no tocante aos
demais.
* acórdão ainda não publicado

Assessora responsável pelo Informativo


Maria Ângela Santa Cruz Oliveira
informativo@stf.gov.br