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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ

LICENCIATURA EM MATEMÁTICA CCET


TENDÊNCIAS EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA

CORRENTES FILOSÓFICAS: POSITIVISMO

Discente: Ada Ramos Abreu


Robert Rivaldo Martins dos Santos
Vinicius Vozniek
Docente: Pamela Gonçalves

1.0 – OBJETIVOS, SURGIMENTO E SEUS IDEALIZADORES


Passando por um processo de transição para a modernidade, no início do
século XIX, a Europa estava cada vez mais urbana e industrial. Em meio a essa
transição, nasce uma corrente filosófica, chamada de positivismo, sendo formulada
pelo francês Auguste Comte.
Com essa transição a política e a economia passaram por grandes reformas,
mas no campo das ideias o iluminismo ainda não era uma influência absoluta,
deixando assim a igreja com o poder induzir o entendimento dos homens sobre o
mundo. Comte observava as transformações de um ângulo privilegiado, pois morava
na França, sendo assim, Comte teve um pensamento diferente do que os Filósofos
pensavam, ao invés de colaborar na reestruturação das instituições modernas, ele
percebeu que era preciso ser feito uma completa reforma intelectual dos homens,
que fosse capaz de mostrar uma forma de pensar acasalada com o progresso
científico. A essa forma de pensamento Comte deu o nome de Positivismo.
Segundo Comte a visão positiva era aquela que busca explicar os fenômenos,
tanto os naturais quanto os humanos, utilizando o método da observação, assim
criando leis constantes que os regiam. Pode assim se observar que a visão positiva
vinha se estabelecendo a muito tempo e nas diferentes áreas do conhecimento,
como na Grécia Antiga, onde a busca por leis imutáveis deu origem a matemática e
a Astronomia.
Durante muito tempo Comte acreditou que era possível estudar o
comportamento humano em geral, através de uma ciência, utilizando de métodos
positivos e com auxílio das ciências naturais. Assim o positivismo deu origem a
Sociologia, que de primeira mão recebe o nome de “Física Social”. O papel dessa
ciência seria por si mesmo compreender as condições constantes e imutáveis da
sociedade (ordem) e também as leis que regiam seu desenvolvimento (progresso).
Consequentemente, podemos dizer que o pensamento imposto por Comte
estabelece a ciência como o estudo das leis, do que é invariável, determinado e útil
para o progresso humano. O positivismo trazia consigo um projeto político, que
pretendia colocar a gestão da sociedade nas mãos de sábios e cientistas. Ainda
tenha entrado em decadência no século XX, o positivismo influenciou obras
importantes, como as de Émile Durkheim e John Stuart Mill.

2.0 – RELAÇÃO ENTRE A MATEMÁTICA E A CORRENTE FILOSÓFICA


Em sua Filosofia Positiva, Comte aplica às ciências sociais os métodos
racionais utilizados na Matemática para extrair as leis que regem o desenvolvimento
da sociedade, atribuindo um papel social à ciência. Assim, o positivismo busca
classificar todos os fenômenos por meio de um reduzido número de leis naturais e
invariáveis, sendo que o estudo dos fenômenos deve começar dos mais gerais ou
mais simples e a partir deles conseguir a ordenação nas ciências, até alcançar os
mais complicados ou particulares.
A Matemática, na ordenação das ciências criada por Comte, é o ponto de
partida da educação científica, a primeira ciência a atingir o estado positivo por
possuir leis com aplicação universal e ser a mais simples e geral de todas as
ciências. Ao mesmo tempo, o método experimental-matemático é o único aceito pela
pesquisa positivista, pela expectativa de garantir a neutralidade, objetividade e rigor
do conhecimento e a racionalidade técnica.
Comte organizou os conhecimentos de modo sistemático e hierárquico, sem
se preocupar com a explicação e interpretação dos fenômenos, tidas como
contrárias ao espírito positivo, por serem metafísicas ou teológicas. O pensamento
de Comte parte do objetivo para o subjetivo, tentando a conciliação destes diferentes
métodos. O estudo da filosofia positivista deveria ser feito de acordo com a seguinte
ordenação: Matemática, Astronomia, Física, Química, Fisiologia e Física Social.
Desse modo, a Matemática seria o ponto de partida da educação científica,
pois os conhecimentos matemáticos traduzem o universo dentro de suas relações
inteligíveis que podem ser verificadas em termos humanos e sociais, subordinando a
matemática ao humano (Pires, 1998, p.16).
Comte considerava a Matemática e a Sociologia as ciências mais
importantes: a Matemática pelo caráter universal de aplicação das leis geométricas e
mecânicas e a Sociologia por tratar das indagações que conduzem à evolução
histórica da humanidade (Silva, 1999, p.56).
Além disso, Comte atribuía um duplo caráter à Matemática: poderia ser vista
como uma ciência natural, como uma física, ou como uma lógica, um método,
servindo como base para a Filosofia Positiva, a partir do que ele a subdivide em
Matemática abstrata e Matemática concreta (Silva, 1999, p.43).
O positivismo admite apenas o que é real, verdadeiro, inquestionável, aquilo
que se fundamenta na experiência. Deste modo, a escola deve privilegiar a busca do
que é prático, útil, objetivo, direto e claro. Os positivistas se empenharam em
combater a escola humanista, religiosa, para favorecer a ascensão das ciências
exatas.
As ideias positivistas influenciaram a prática pedagógica na área das ciências
exatas, influenciaram a prática pedagógica na área de ensino de ciências
sustentadas pela aplicação do método científico: seleção, hierarquização,
observação, controle, eficácia e previsão.
Além disso, para Comte, ao expor a ciência pelo caminho histórico teríamos
condições de refazer a ciência por meio do estudo sucessivo e em ordem
cronológica da constituição dos diversos sistemas de ideias, sem a exigência de
conhecimentos prévios e mantendo uma visão conjunta do progresso da ciência.
Comte afirmava ainda que a Matemática representava “o instrumento mais
poderoso que o espírito humano pode empregar na investigação das leis dos
fenômenos naturais”. Sobre a Geometria, salientava que, como a mecânica,
deveriam “ser tomadas como verdadeiras ciências naturais, fundadas, assim como
todas as outras, na observação, embora, por causa da extrema simplicidade de seus
fenômenos, comportem um grau infinitamente mais perfeito de sistematização”.
Procurando seguir a orientação comtiana, Benjamin Constant torna-o
enciclopédico e inclui todas as ciências da hierarquia positiva:
1° ano: Aritmética e Álgebra elementar.
2° ano: Geometria preliminar, Trigonometria retilínea e Geometria espacial,
Desenho.
3° ano: Geometria geral, seu complemento algébrico, Cálculo diferencial e
integral, Geometria descritiva, Desenho.
3.0 – CONTRIBUIÇÕES DO POSITIVISMO

O positivismo de Augusto Comte trouxe várias contribuições para a sociologia


e o mundo. Conte criou o estudo dos fenômenos sociais enquanto objetos de
observação, ao invés de imaginação, afirmou como princípios a eliminação da
violência nas relações políticas internas e externas, as liberdades civis, recusa a
imposição de doutrinas, pelo Estado, elevou as condições de vida das pessoas,
atribuiu destino social ao capital, afirmou a importância do indivíduo como agente da
ação humana, valorizou o papel afetivo da mulher no seio da família, valorizou o
mérito humano, em todos os seus aspectos. O positivismo possibilitou um grande
desenvolvimento ideológico, político e social para o Brasil.
Podemos afirmar que toda a preparação teórica de implantação de República
foi feita sob o patrocínio do positivismo. Exemplos da influência do positivismo
podem ser encontrados na literatura, como Aloísio de Azevedo e Raul Pompéia. "O
Mulato", "Casa de Pensão" e "O Cortiço" de Aloísio de Azedo. Essas obras se
encontram sem qualquer forma de idealismo, e essa forma de abordar o mundo
permite que a sociedade seja analisada e observada, o que por sua vez nos leva à
chamada "física social" proposta por Comte.
No Brasil os ideais positivistas serviram para alavancar uma troca de regime,
com a proclamação da República. A influência positivista teve resultado em diversos
pensamentos no Brasil, conforme se combinou com outras correntes ideológicas.
Nenhum setor teve maior presença da ideologia comtiana do que as Forças
Armadas, de onde saiu o lema "ordem e progresso". Várias das medidas
governamentais dos primeiros anos da República tiveram inspiração positivista,
como a reforma educativa de 1891 e, no mesmo ano, a separação oficial entre Igreja
e Estado.
4.0 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BETONI, Camila. Positivismo, Disponível em: <


https://www.infoescola.com/sociologia/positivismo/>. Acesso em: 22 de março de
2019.

BEZERRA, Juliana. Positivismo, 2018. Disponível em: <


https://www.todamateria.com.br/positivismo/>. Acesso em: 22 de março de 2019.

COMTE, Auguste. Discurso sobre o espírito positivo: ordem e progresso. Trad:


Renato B. R. Pereira, revista por Ivan Lins. Porto Alegre, Globo; São Paulo: Editora
da Universidade de São Paulo, 1976.

FERRARI, Márcio. Auguste Comte, o homem que quis dar ordem ao mundo, 2008.
Disponível em: <https://novaescola.org.br/conteudo/186/auguste-comte-pensador-
frances-pai-positivismo>. Acesso em: 22 de março de 2019.

ISKANDAR, J. I; LEAL, M. R. Sobre o Positivismo e Educação. Vol. 3. Curitiba:


Revista Diálogo Educacional, 2002.

MOTTA, C. D. V. B; BROLEZZI, A. C. A influência do positivismo na história da


educação matemática no Brasil. São Paulo: Universidade de São Paulo.

NETO, Virmond de Lacerda. Contribuição do Positivismo, 2016. Disponível em:


<https://positivismodeacomte.wordpress.com/2016/08/31/contribuicao-do-
positivismo/>. Acesso em: 22 de março de 2019.

PIRES, RUTE C., A Geometria dos Positivistas Brasileiros. Dissertação de Mestrado.


Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, 1998.

SILVA, Circe Mary Silva da. A Matemática Positivista e sua difusão no Brasil. Vitória:
EDUFES, 1999.