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Direitos Humanos

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Sumário

Capítulo 1 – História dos Direitos Humanos, 5


1. Evolução Histórica dos Direitos Humanos – I, 5
2. Evolução Histórica dos Direitos Humanos – II, 7
3. Gerações de Direitos – Processo Histórico, 8
4. Características dos Direitos Humanos, 10

Capítulo 2 – Sistema Global de Proteção, 12


1. História do Sistema Global de Proteção, 12
2. Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos – I, 16
3. Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos – II, 17
4. Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Culturais e
Sociais, 19
5. ONU: Estrutura e Organização – I, 21
6. ONU: Estrutura e Organização – II, 23

Capítulo 3 – Sistema Interamericano de Proteção, 25


1. Sistema Interamericano de Proteção – I, 25
2. Sistema Interamericano de Proteção – II, 27
3. Sistema Interamericano de Proteção – III, 30
4. Protocolos Adicionais (Protocolo de São Salvador), 32
5. Comissão Interamericana de Direitos Humanos – I, 33
6. Comissão Interamericana de Direitos Humanos – II, 35
7. Corte Interamericana de Direitos Humanos – I, 37
8. Corte Interamericana de Direitos Humanos – II, 38

Capítulo 4 – Sistema Nacional de Proteção, 40


1. Proteção Constitucional – I, 40
2. Proteção Constitucional – II, 42
3. Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana –
Lei nº 4.319, de 16 de março de 1964, 43
4. Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH-3 –
Decreto nº 7.037, de 21 de dezembro de 2009, 45

Capítulo 5 – Tratados de Direitos Humanos, 49


1. Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de
Genocídio – 1948, 49
2. Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas
de Discriminação Racial – 1966 – I, 51
3. Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas
de Discriminação Racial – 1966 – II, 52
4. Convenção contra Tortura, 54
5. Convenção contra Tortura: Comitê, 56

Capítulo 6 – Direito Internacional Humanitário, 59


1. Convenção dos Direitos das Crianças, 59
2. Refugiados, 61
3. Direito Humanitário, 63
4. História e Natureza Jurídica da Cruz Vermelha, 64

Gabarito, 67
Capítulo 1

História dos Direitos Humanos

1. Evolução Histórica dos Direitos Humanos


–I
1.1 Apresentação

Nesta unidade, iniciaremos o estudo da evolução histórica dos direitos


humanos.

1.2 Síntese
Conceito de Direitos Humanos: conjunto de valores, atos e normas que
possibilitam a todos uma vida digna.
Marcos históricos:
• Iluminismo: Pela primeira vez os direitos são concedidos de forma ra-
cional, com senso crítico, sendo a razão o centro das preocupações hu-
6
manas. Grande peso do papel da ciência no conhecimento científico.
Afastou o lado metafísico do direito e com isso este passou a ser visto de
forma antropocêntrica.
• Revolução Francesa: As ideias iluministas inspiraram as Revoluções
Francesa e Americana. A Revolução Francesa foi a mais importante
porque teve caráter universal, consagrando os direitos à igualdade, fra-
ternidade e liberdade.
Os direitos humanos têm por objetivo proteger o indivíduo contra a figura
do Estado monárquico, que colocava a vontade do soberano acima de tudo.
No pós-2ª Guerra Mundial, além da universalização plena e efetiva dos
direitos, houve a criação de uma instituição para garantir a manutenção da paz
e harmonia entre os Estados, a Organização das Nações Unidas (ONU), que
também tem papel de desenvolvimento entre os povos.
Vejamos as Declarações:
• Magna Carta de 1215: Carta feudal que submetia o governante inglês
a um corpo específico de normas e que tentava garantir direitos míni-
mos ao indivíduo em relação à arbitrariedade de um soberano. Viés
econômico.
• Petition of Rights (1628): Tenta reafirmar vários direitos estabelecidos
pela Magna Carta. Surgiu da necessidade de tentar instituir o poder
arbitrário do rei a um consentimento do parlamento. Todos os atos reais
ficariam condicionados a um controle do parlamento inglês. Primeira
manifestação do instituto de freios e contrapesos.
• Habeas Corpus Act (1679): Instituiu a proteção à liberdade de loco-
moção.
• Bill of Rights (1689): Assegurou a supremacia do parlamento sobre a
vontade real.

Exercício
1. (Delegado de Polícia – 2003/SP) Assinale o documento que não se
relaciona aos antecedentes formais das declarações de direitos.
a) Magna Carta (1215).
b) Petition of Rights (1628).
c) Habeas Corpus Act (1679).
Direitos Humanos

d) Chart of Liberties (1732).


7
2. Evolução Histórica dos Direitos Humanos
– II
2.1 Apresentação

Nesta unidade, daremos continuidade ao estudo da evolução histórica


dos direitos humanos.

2.2 Síntese
“Declaração de Direitos do Estado da Virgínia” (1776): Todos os homens
nascem igualmente livres e independentes, têm direitos certos, essenciais e na-
turais dos quais não podem, por nenhum contrato, privar nem despojar sua
posteridade: tais são o direito de gozar a vida e a liberdade com os meios de
adquirir e possuir propriedades, de procurar obter a felicidade e a segurança.”
É a Base da Constituição Norte-Americana.
Estabelece institutos de segurança jurídica, como direito à ampla defesa e
ao devido processo legal, bem como que todo poder emana do povo.
Declaração de Independência dos Estados Unidos da América (1776): foi
anexada à Constituição Norte-Americana, também inspirada pelos ideais ilu-
ministas e consolida todos os limites ao poder arbitrário do Estado, estabelecen-
do a tripartição de poderes, bem como a independência e harmonia entre eles.
Estabelece direitos fundamentais do indivíduo, como direito à vida, igual-
dade entre os homens, direito à liberdade e à propriedade.
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789): Fruto da Revolu-
ção Francesa. Garante diversos direitos, mas sua principal característica consis-
te em ressaltar o princípio da legalidade e o da igualdade de todos perante a lei,
bem como a soberania popular e a dignidade da pessoa humana.
Tem cunho universalista, uma vez que direitos consagrados são universais.
É típica de um Estado Liberal.
Constituição Mexicana de 1917 e Constituição de Weimar de 1919: Im-
portantes por terem sido fortemente inspiradas pelas ideias do Manifesto Co-
munista de Karl Marx: todos os direitos estão ligados ao direito à propriedade.
Estabelecem a função social da propriedade e ressalta os direitos sociais que
Direitos Humanos

são necessários para que os outros direitos sejam exercidos.


Pregam um estado interventor para garantir os direitos consagrados.
Declaração do Povo Trabalhador e Explorado de 1918: Deve-se proteger o
indivíduo também da repressão econômica e não só da repressão política.
8
Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948: Internacionaliza-
ção dos direitos humanos. Gerações de Direitos.
• 1ª geração: direitos e garantias individuais e políticos clássicos.
• 2ª geração: direitos sociais, econômicos e culturais.
• 3ª geração: também chamados de direitos difusos, de solidariedade ou
de fraternidade.
• 4ª geração: direitos que protegem o indivíduo enquanto membro da
espécie humana, e aqueles direitos dos povos referentes à democracia, à
informação, ao pluralismo, entre outros.
Características dos Direitos Humanos:
• Imprescritibilidade.
• Universalidade.
• Indivisibilidade.
• Interdependência e Complementaridade.
• Inviolabilidade.
• Indisponibilidade.
• Inalienáveis.
• Historicidade.
• Vedação do retrocesso.
• Efetividade.
• Limitabilidade.

Exercício
2. (Delegado da Polícia Civil – 2006/SP) No que concerne à evolução
dos Direitos Humanos podemos afirmar que:
a) Privilegiou a defesa dos direitos civis e políticos.
b) Fundiu-se às normas de direito humanitário.
c) Acabou por flexibilizar o conceito de soberania do Estado.
d) Comprometeu a eficiência do aparelhamento estatal.
e) Regulamentou as normas do direito internacional.

3. Gerações de Direitos – Processo Histórico


3.1 Apresentação
Direitos Humanos

Nesta unidade, estudaremos as gerações de direitos humanos e o seu pro-


cesso histórico.
9
3.2 Síntese
Os autores estabelecem quatro gerações de direitos humanos:
• 1ª geração: direitos e garantias individuais e políticos clássicos.
Referente às liberdades políticas, ir e vir, locomoção, expressão, vida.
Um Estado que quase não intervém no direito econômico.
• 2ª geração: direitos sociais, econômicos e culturais.
Meios efetivos e eficazes para que o indivíduo faça valer a tutela desses
direitos. Não afastam os direitos de primeira geração, convivem ampa-
rados. São típicos do estado social. Interventor no domínio econômico.
O Estado socialista faz a abolição da propriedade privada, como forma
de se garantir o acesso.
• 3ª geração: também chamados de direitos difusos, de solidariedade ou
de fraternidade. Ampliam os temas consagrados à proteção do indiví-
duo. São direitos indivisíveis, que englobam o indivíduo enquanto ente
da sociedade. Direitos à autodeterminação dos povos, para que os in-
divíduos tenham vida em relação ao Estado e aos seus semelhantes.
Confundem-se com o Estado democrático de direito, baseado em uma
noção de legalidade. Ninguém pode fazer algo proibido por lei.
• 4ª geração: direitos que protegem o indivíduo enquanto membro da
espécie humana, e aqueles direitos dos povos referentes à democracia, à
informação, ao pluralismo, entre outros.
Essa divisão é acadêmica, porque os direitos dos seres humanos não devem
ser divididos em geração.

Exercício
3. A respeito do desenvolvimento histórico dos direitos humanos e seus
marcos fundamentais, assinale a opção correta:
a) Os direitos fundamentais surgem todos de uma vez.
b) Não há correlação entre o surgimento do cristianismo, e o res-
peito à dignidade da pessoa humana.
c) As gerações de direitos humanos mais recentes, substituem as
mais antigas.
d) A proteção dos direitos fundamentais é objeto também do direi-
Direitos Humanos

to internacional.
e) A ONU é o órgão responsável pela Declaração Americana de
Direitos.
10
4. Características dos Direitos Humanos
4.1 Apresentação

Nesta unidade, estudaremos as características dos direitos humanos.

4.2 Síntese
O princípio da universalidade surge na Declaração Francesa com cunho
flexível, pois, era um documento interno da França, e veio a ser ressaltado com
a Declaração Universal de 1948.
Essa resolução da Assembleia Geral, apesar de não ser obrigatório aos que
assinaram, é um texto de direito internacional público.
Alguns países alegavam que os direitos ali declarados eram relativos. Perce-
be-se seu caráter individualista, pois não tinham características sociais.
Os direitos humanos são indivisíveis. Todo conjunto de direitos humanos
compõe um único corpo de normas. Vale tanto como uma norma protetiva
regional quanto nacional.
Os direitos humanos se completam. Não se pode dividir o corpo de direitos.
A interdependência estabelece que os direitos humanos estão vinculados
uns aos outros.
O princípio da inter-relacionaridade determina que os direitos humanos,
assim como os sistemas de proteção estabelecidos, possibilitam às pessoas esco-
lherem entre os mecanismos de proteção regional, global ou regional.
A partir do momento em que o Brasil assina e ratifica um tratado de direitos
humanos, ele passa a ser parte do ordenamento jurídico brasileiro. Esses dispo-
sitivos passam a ter características de dispositivos constitucionais. As normas de
proteção são um corpo que deve ser analisado em conjunto.
Princípio da individualidade: os princípios e as garantias fundamentais aos
indivíduos podem ser exercidas apenas por alguns. Na Carta Africana dos di-
reitos humanos, há alguns princípios que só podem ser exercidos pela nacio-
nalidade.
Princípio da complementaridade: os direitos humanos devem ser interpre-
tados em conjunto, não havendo hierarquia entre eles.
Em relação à inviolabilidade, esses direitos não podem ser violados por ne-
Direitos Humanos

nhuma pessoa, salvo em estado de sítio ou guerra, em que pode haver a suspen-
são dos direitos ali consagrados.
Os direitos humanos são indisponíveis. Possuem caráter de irrenunciabili-
dade: não podem ser renunciados.
11
Princípio da vedação do retrocesso: uma vez estabelecida uma garantia ao
indivíduo, não se admite o retrocesso visando a sua limitação ou a sua diminui-
ção. Os artigos podem ser alterados, desde que seja para aumentar os direitos,
e nunca para diminuí-los.

Exercício
4. Os direitos fundamentais possuem determinadas características que
foram objeto de detalhado estudo da doutrina nacional e internacio-
nal. A respeito dessas características, assinale a opção correta:
a) O princípio da universalidade impede que determinados valores
sejam protegidos em documentos internacionais, dirigidos a to-
dos os países.
b) A irrenunciabilidade dos direitos fundamentais não destaca o
fato de que esses vinculam ao gênero humano.
c) É característica marcante o fato de os direitos fundamentais se-
rem absolutos no sentido de que eles devem sempre prevalecer,
independentemente da existência de outros direitos, segundo a
máxima do tudo ou nada.
d) A imprescritibilidade dos direitos fundamentais vincula-se a sua
proteção contra o decurso do tempo.
e) A inviolabilidade evita o desrespeito aos direitos fundamentais
por autoridades públicas, entretanto, permite o desrespeito por
particulares.

Direitos Humanos
Capítulo 2

Sistema Global de Proteção

1. História do Sistema Global de Proteção


1.1 Apresentação

Nesta unidade, estudaremos a história do sistema global de proteção.

1.2 Síntese
A prática de garantia dos direitos do cidadão era interna, mas em 1948 esse
tema de direitos humanos saiu do domínio reservado dos Estados (temas exclu-
sivos de jurisdição interna, sem qualquer interferência externa).
Após a 2ª Guerra Mundial, houve o processo de internacionalização do
tema de direitos humanos, ou seja, sai do domínio reservado dos Estados e
passa a pertencer ao direito internacional público.
A Assembleia Geral da ONU comprovou a Declaração Universal dos Direi-
tos Humanos. Com isso, um grupo de países estabeleceu que aqueles direitos
13
humanos, de cunho universal, configuram uma tentativa de imposição dos
valores ocidentais à sua cultura, principalmente os povos islâmicos. Tais países
viram nessa universalização uma interferência direta em sua soberania e em
seus aspectos culturais.
Houve, então, uma discussão entre os universalistas e os relativistas. Em
1993, na Conferência de Viena de direitos humanos, foi aprovado o texto esta-
belecendo que os direitos humanos são universais.
Os direitos humanos não protegem a vida em si, mas a dignidade à vida.
“Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948:
Art. 1º Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São
dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com
espírito de fraternidade.
Art. 2º Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades es-
tabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça,
cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacio-
nal ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
Art. 3º Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Art. 4º Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o
tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas.
Art. 5º Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo
cruel, desumano ou degradante.
Art. 6º Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida
como pessoa perante a lei.
Art. 7º Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção,
a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer
discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento
a tal discriminação.
Art. 8º Toda pessoa tem direito a receber dos tributos nacionais competen-
tes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe
sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.
Art. 9º Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.
Art. 10. Toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e
pública por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir de seus
direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.
Art. 11. Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presu-
mida inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com
a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as
Direitos Humanos

garantias necessárias à sua defesa.


Art. 12. Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua famí-
lia, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação.
Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.
14
Art. 13. Toda pessoa tem direito à liberdade de locomoção e residência
dentro das fronteiras de cada Estado.
Art. 12. Toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de
gozar asilo em outros países.
Art. 13. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade.
Art. 14. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de
raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar
uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração
e sua dissolução.
Art. 15. Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em sociedade com
outros.
Art. 16. Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e
religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liber-
dade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto
e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.
Art. 17. Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este
direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, re-
ceber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independente-
mente de fronteiras.
Art. 18. Toda pessoa tem direito à liberdade de reunião e associação pa-
cíficas.
Art. 19. Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego,
a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
Art. 20. Toda pessoa tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação
razoável das horas de trabalho e férias periódicas remuneradas.
Art. 21. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si
e a sua família saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação,
cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em
caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de per-
da dos meios de subsistência fora de seu controle.
Art. 22. Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança
social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de
acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos,
sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da
sua personalidade.
Art. 23.
Direitos Humanos

1. Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condi-


ções justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
2. Toda pessoa, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração
por igual trabalho.
15
3. Toda pessoa que trabalhe tem direito a uma remuneração justa e satisfa-
tória, que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível
com a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios
de proteção social.
4. Toda pessoa tem direito a organizar sindicatos e neles ingressar para pro-
teção de seus interesses.
Art. 24. Toda pessoa tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação
razoável das horas de trabalho e férias periódicas remuneradas.
Art. 25.
1. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e
a sua família saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação,
cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em
caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de per-
da dos meios de subsistência fora de seu controle.
2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais.
Todas as crianças nascidas dentro ou fora do matrimônio gozarão da mesma
proteção social.
Art. 26.
1. Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos
nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória.
A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução
superior, esta baseada no mérito.
2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da per-
sonalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e
pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tole-
rância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coad-
juvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.
3. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que
será ministrada aos seus filhos.
Art. 27.
1. Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da
comunidade, de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus
benefícios.
2. Toda pessoa tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decor-
rentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor.
Art. 28. Toda pessoa tem direito a uma ordem social e internacional em
que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser
Direitos Humanos

plenamente realizados.
Art. 29.
1. Toda pessoa tem deveres para com a comunidade, em que o livre e pleno
desenvolvimento de sua personalidade é possível.
16
2. No exercício de seus direitos e liberdades, toda pessoa estará sujeita ape-
nas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar
o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de
satisfazer às justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de
uma sociedade democrática.
3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos
contrariamente aos propósitos e princípios das Nações Unidas.
Art. 30. Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada
como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de
exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de
quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.

Exercício
5. A UDHR foi redigida à luz das atrocidades cometidas durante a 2ª
Guerra Mundial. Neste documento, o marco da proteção interna-
cional dos direitos humanos, foi afirmado que:
a) O meio ambiente é um direito das presentes e futuras gerações.
b) O fundo monetário internacional não deve conceder emprésti-
mos para países que usem mão de obra infantil.
c) A liberdade, igualdade e fraternidade são os três princípios axio-
lógicos fundamentais em matéria de direitos humanos.
d) Sanções econômicas deverão ser aplicadas pela ONU às nações
que não adotarem as recomendações da UDHR.
e) Deverá ocorrer intervenção humanitária pela ONU, caso as na-
ções não adotem as recomendações da UDHR.

2. Pacto Internacional sobre Direitos Civis e


Políticos – I
2.1 Apresentação

Nesta unidade, estudaremos o Pacto Internacional sobre Direitos Civis.


Direitos Humanos

2.2 Síntese
Núcleo duro do sistema global de proteção: Declaração Universal dos Direi-
tos Humanos – 1948; Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos – 1966;
Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais – 1966.
17
Dispositivos mais importantes do Pacto Internacional sobre Direitos Civis:
Art. 1º Direito à autodeterminação dos povos.
– povo = nação
– Os povos podem dispor livremente de suas riquezas e recursos naturais.
Art. 2º Respeito aos direitos reconhecidos sem qualquer discriminação.
Art. 3º Igualdade entre homens e mulheres.
– Exceto países muçulmanos, onde tais institutos são relativizados.
Art. 4º Derrogação de direitos civis e políticos.
– Não podem ser suspensos: direitos à vida, reconhecimento de personali-
dade, de liberdade de pensamento e religião, proibição de tortura, escravidão e
prisão civil e de prisão por crime sem lei anterior que o defina.
Art. 5º Proibição de uma interpretação restritiva dos direitos consagrados.
Art. 6º Direito à vida.
– Direitos humanos protegem a dignidade à vida e não a vida em si.
Art. 7º Proibição de tortura, penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou
degradantes.
– Proíbe a submissão do indivíduo a experiências médicas e científicas sem
sua autorização.
Art. 8º Proibição da escravidão e da servidão.
Art. 9º ºDireito à liberdade e à segurança pessoais.
Art. 10. Dignidade das pessoas privadas de sua liberdade.
– Jovens separados dos adultos.
Art. 11. Proibição de prisão por não poder cumprir com uma obrigação
contratual.
Art. 12. Liberdade de locomoção e residência.
Art. 13. Garantia de expulsão com o devido direito de defesa.
– O indivíduo pode ser expulso de um país desde que assegurado o direito
de defesa.
Art. 14. Igualdade jurisdicional.
– Garante presunção de inocência, princípio do juiz natural.

3. Pacto Internacional sobre Direitos Civis e


Políticos – II
3.1 Apresentação
Direitos Humanos

Nesta unidade, daremos continuidade ao estudo do Pacto Internacional


sobre Direitos Civis e Políticos.
18
3.2 Síntese
Art. 15. Não haverá crime nem pena sem lei anterior que o defina.
Art. 16. Direito ao reconhecimento da personalidade jurídica de um indi-
víduo.
Art. 17. Proteção à vida privada, domicílio, correspondência e honra.
Art. 18. Liberdade de pensamento, de consciência e de religião.
Art. 19. Liberdade de opinião e expressão.
Art. 20. Proibição de propaganda em favor da guerra ou incitamento à dis-
criminação, à hostilidade ou à violência.
Art. 21. Liberdade de reunião pacífica.
Art. 22. Liberdade de associação, inclusive a sindical.
Art. 23. Proteção à família e direito a contrair casamento.
Art. 24. Proteção à criança.
Art. 25. Direito a voto e acesso às funções públicas.
Art. 26. Igualdade perante a lei.
Art. 27. Proteção às minorias étnicas, religiosas ou linguísticas.
O Comitê de Direitos Humanos é vinculado à ONU.
• Organização:
Composto por 18 membros eleitos por votação secreta, não podendo ter
mais de uma autoridade do mesmo Estado. São grandes peritos em questões
de direitos humanos.
O Comitê não poderá ter mais de um nacional de um mesmo Estado. Nas
eleições do Comitê, levar-se-ão em consideração uma distribuição geográfica
equitativa e uma representação das diversas formas de civilização, bem como
dos principais sistemas jurídicos.
Os membros do Comitê serão eleitos para um mandato de quatro anos.
Poderão, caso suas candidaturas sejam apresentadas novamente, ser reeleitos.
Os Estados-partes comprometem-se a submeter relatórios sobre as medidas
por eles adotadas para tornar efetivos os direitos reconhecidos no presente Pac-
to e sobre o progresso alcançado no gozo desses direitos.
Todos os relatórios serão submetidos ao Secretário-Geral da Organização
das nações Unidas, que os encaminhará, para exame, ao Comitê.
O Comitê estudará os relatórios apresentados pelos Estados-partes do pre-
sente Pacto e transmitirá a cada um deles seu próprio relatório, bem como os
comentários gerais que julgar oportunos.
Os atos do Comitê não são obrigatórios; apenas emite sugestões e recomen-
Direitos Humanos

dações.
Tem como função a análise de relatórios.
O Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Polí-
ticos de 1966, admite a possibilidade de receber comunicações de indivíduos.
19
Exercício
6. Comparando-se a natureza da obrigação estatal de tornar efetivos os
direitos humanos e as liberdades fundamentais nos termos do Pacto
Internacional sobre Direitos Civis e Políticos e do Pacto Internacio-
nal sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais é correto afirmar:
a) O conceito de realização progressiva dos direitos civis e políticos
constitui o reconhecimento de que a efetividade plena de tais
direitos não será possível ser alcançada em curto prazo.
b) Os direitos econômicos, sociais e culturais refletem uma aspira-
ção política da sociedade, não decorrendo deles direito subjetivo
exigível judicialmente.
c) A efetividade dos direitos econômicos, sociais e culturais decor-
re de previsão legal e não gera para o Estado a obrigação de
promovê-los.
d) O conceito de realização imediata dos direitos civis e políticos
decorre de sua origem jus natural, inexistindo obrigação estatal
decorrente.
e) O conceito de realização progressiva dos direitos econômicos,
sociais e culturais não deve ser interpretado como supressor do
caráter obrigatório de promoção daqueles direitos.

4. Pacto Internacional sobre Direitos


Econômicos, Culturais e Sociais
4.1 Apresentação

Nesta unidade, estudaremos o Pacto Internacional sobre Direitos Econô-


micos, Culturais e Sociais.

4.2 Síntese
Núcleo duro do sistema global de proteção: Declaração Universal dos Di-
reitos Humanos – 1948; Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos
Direitos Humanos

– 1966; Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais


– 1966.
• Introdução ao Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais
e Culturais – 1966:
20
Apesar de serem direitos com executoriedade imediata, sua implementação
é gradual ao longo do tempo pelo Estado. Apesar disso, não é negado seu cará-
ter vinculante. Ex.: acesso à cultura.
• Dispositivos mais importantes:
Art. 1º Liberdade dos povos em regular seu desenvolvimento econômico,
social e cultural em decorrência do direito à autodeterminação.
– Princípio da transparência ou da previsibilidade: o Estado deve conduzir
seus assuntos econômicos internos de forma previsível para que não ocorra mu-
dança brusca no sistema econômico internacional. Esse princípio da liberdade de
gerenciar os assuntos econômicos é limitado pela necessidade de previsibilidade.
Art. 2º Respeito progressivo aos direitos reconhecidos, sem qualquer discri-
minação.
Art. 3º Igualdade entre homens e mulheres no gozo dos direitos consagrados.
Art. 4º Limitação somente com objeto de promover o bem-estar geral.
Art. 5º Proibição de uma interpretação restritiva dos direitos consagrados.
Art. 6º Direito ao trabalho.
Art. 7º Direito a condições de trabalho.
– Segurança e higiene no local de trabalho, descanso, limitação das horas
de trabalho, férias periódicas, possibilidade de promoção.
Art. 8º Liberdade de associação sindical.
– Garantia do direito de grave.
Art. 9º Direito à segurança social, inclusive ao seguro social.
Art. 10. Direito à família.
– Ex.: Proteção às mães antes e depois do parto.
Art. 11. Direito ao bem-estar para si e para sua família.
– Inclusive proteção contra fome.
Art. 12. Direito à saúde física e mental.
– Medidas para redução da mortalidade infantil.
Art. 13. Direito à educação.
– Ensino primário gratuito e obrigatório, ensino secundário generalizado.
Art. 14. Compromisso de adoção de ensino primário obrigatório e gratuito
para todos.
Art. 15. Participação na vida cultural da comunidade.
Art. 16. Apresentação de relatórios, que serão analisados pelo Ecosoc.
Os Estados se comprometem a apresentar relatórios sobre as medidas e
os progressos realizados a fim de garantir o respeito aos direitos reconhecidos.
O Comitê foi criado em 1987, composto por 18 pessoas, no âmbito do
Direitos Humanos

Ecosoc.
No pacto dos direitos civis e políticos há possibilidade do indivíduo apre-
sentar uma queixa ao Comitê e no Pacto dos Direitos Sociais, Econômicos e
Culturais não é possível.
21
Exercício
7. (Defensor Público da União – 2007) No que concerne à atuação
internacional na área de direitos humanos, julgue se o item a seguir
é correto ou incorreto:
O Pacto Internacional de Direitos Sociais, Econômicos e Culturais
não prevê o direito de petição da vítima de violação dos direitos nele
protegidos ao Comitê criado pelo próprio Pacto.

5. ONU: Estrutura e Organização – I


5.1 Apresentação

Nesta unidade, iniciaremos o estudo da estrutura e organização da ONU.

5.2 Síntese
Para cada tratado assinado se cria um comitê próprio para fiscalização dos
direitos consagrados. As instituições globais serão estudadas neste capítulo, sen-
do a principal delas a ONU (Organização das Nações Unidas), que é a princi-
pal fiscalizadora dos direitos que foram por ela mesma instituídos.
O primeiro órgão a ser estudado é a Assembleia Geral, que congrega todos
os Estados, em caráter democrático, em que para cada país há um voto. As
resoluções adotadas pela Assembleia Geral da ONU não possuem caráter obri-
gatório. O Estado respeita as resoluções se ele quiser.
A Assembleia é importante porque estabelece as bases de discussão dos di-
reitos humanos no âmbito mundial, por isso, possui um grande peso político.
Outro órgão é o Conselho de Segurança, que tem como principal função
regulamentar a guerra e garantir a harmonia entre os países; ele atua quando
houver ameaça da paz e de agressão, evitando ou solucionando conflitos.
A Corte Internacional de Justiça possui caráter de promoção dos direitos
humanos. Ela apenas julga os Estados e não os indivíduos. Como vai analisar
situações, em que indivíduos sofrem lesões aos seus direitos fundamentais? Isso
Direitos Humanos

pode ocorrer em razão do instituto do direito internacional que se chama pro-


teção diplomática. Por exemplo: um indivíduo que teve seu direito violado por
outro país, tem o seu país de nacionalidade como endossante do seu problema
para protegê-lo diplomaticamente.
22
Secretariado: o Secretário-geral é o representante e presidente da Organi-
zação das Nações Unidas e possui um grande peso político em sua atuação. Há
para ajudá-lo um alto comissário para direitos humanos que trata apenas deste
assunto.
Conselho de Tutela: não mais existe, pois encerrou-se na década de 80. Sua
atuação até a desativação era muito importante para a efetivação dos direitos
humanos, pois tutelava os direitos dos territórios que eram colônias até que
estes pudessem se autogerenciar e se tornar independentes. Há efetivação do
princípio da autodeterminação dos povos.
Conselho Econômico e Social: é o principal órgão de proteção e defesa dos
direitos humanos, responsável por promover o desenvolvimento dos povos e
por reduzir as desigualdades regionais entre países. São ligados a ele a Unesco
e Unicef. O principal papel é a Comissão dos Direitos Humanos.

Exercício
8. Atualmente os direitos e garantias fundamentais estão inseridos em
distintos textos constitucionais de diferentes países, sendo tal presen-
ça uma conquista histórica ocorrida por ações concretas realizadas
no passado. A Carta das Nações Unidas de 1945, exemplo de uma
dessas ações concretas, consolidou junto com a Declaração Univer-
sal de Direitos Humanos o movimento de internacionalização dos
direitos humanos. Tendo em vista essa institucionalização assinale a
opção correta a respeito da estrutura normativa do Direito Interna-
cional protetivo dos direitos humanos.
a) A estrutura de proteção do direito internacional é concentrada
na ONU.
b) A proteção internacional pode ser vista, entre outros, em dois
planos, sistema global e sistema regional.
c) A declaração universal dos direitos humanos pertence ao siste-
ma regional de proteção dos direitos humanos.
d) O pacto internacional dos direitos civis e políticos pertence ao
sistema regional de proteção dos direitos humanos.
e) O pacto internacional dos direitos econômicos, sociais e cul-
turais pertence ao sistema regional de proteção dos direitos
Direitos Humanos

humanos.
23
6. ONU: Estrutura e Organização – II
6.1 Apresentação

Nesta unidade, daremos continuidade ao estudo da estrutura e organiza-


ção da ONU.

6.2 Síntese
Não há hierarquia entre os órgãos das Nações Unidas, pois, o que há, na
verdade, é uma repartição de competência.
Órgãos específicos de proteção aos direitos humanos:
• Comissão de Direitos Humanos:
– criada em 1946,
– órgão vinculado ao Ecosoc;
– composição: 53 Estados e
– funções: era dirigir ao Ecosoc recomendações sobre os direitos hu-
manos e receber comunicações de vítimas ou de seus familiares no
tocante à violação dos direitos humanos.
Foi substituída em 2006 pelo Conselho de Direitos Humanos, que
é hoje a principal instituição da ONU para proteção dos direitos
humanos.
• Conselho de Direitos Humanos:
– composição: 47 Estados, com mandato de três anos, com possibili-
dade de reeleição;
– vinculado à Assembleia Geral da ONU, passando a prestar reco-
mendações diretamente a todos os países;
– assume as funções da Comissão: mecanismos de fiscalização das
violações de direitos humanos:
* mecanismo geográfico: análise específica de um país para verifi-
car se há violação.
* mecanismo temático: refere-se à investigação de um tema espe-
cífico para verificar se há violação.
– dentro desses mecanismos os indivíduos podem apresentar queixas
diretamente a um agente da ONU e
Direitos Humanos

– Conselho não tem poder vinculante.


• Alto Comissariado para Direitos Humanos:
– vinculado à Assembleia Geral, sob a direção do Secretário-Geral das
Nações Unidas e
24
– funções: promover e proteger o gozo de todos os direitos humanos,
prestando nesse sentido, assistência técnica e financeira quando os
Estados solicitarem.

Exercício
9. Considere as seguintes afirmações:
I – O alto comissariado das nações unidas para direitos humanos,
criado a partir de recomendação da Conferência Mundial sobre Di-
reitos Humanos, tem por função coordenar as atividades desenvolvi-
das pelos demais órgãos da ONU a respeito do tema.
II – o Comitê de Direitos Humanos, criado pela Carta das Nações
Unidas, tem por função produzir relatório sobre a situação dos direi-
tos humanos nos países integrantes da ONU.
III – A Comissão de Direitos Humanos, recentemente extinta, foi
responsável pela redação dos principais tratados de direitos humanos
das Nações Unidas e por desenvolver o sistema de relatores especiais.
IV – O Conselho de Direitos Humanos, criado pelo Pacto Inter-
nacional de Direitos Civis e Políticos, tem por função receber de-
núncias de violação dos direitos previstos naquele instrumento das
Nações Unidas.
Estão corretas somente as afirmações:
a) II e IV.
b) III e IV.
c) I e II.
d) I e III.
e) II e III.
Direitos Humanos
Capítulo 3

Sistema Interamericano de
Proteção

1. Sistema Interamericano de Proteção – I


1.1 Apresentação

Nesta unidade, iniciaremos o estudo do Sistema Interamericano de


Proteção.

1.2 Síntese
Ao lado do sistema global de proteção surgiram mais três sistemas regionais:
sistemas africano, europeu (mais avançado porque o indivíduo tem direito dire-
to de ação) e interamericano.
É vinculado diretamente à OEA.
Mediante resolução da OEA foi instituída a Comissão.
A Declaração Universal de Direitos Humanos criou a Comissão, com sede
em Washington, que seria um órgão de transição até que os países das Américas
26
constituíssem um tratado criando um órgão específico jurisdicional para fazer
valer a defesa dos direitos humanos que foram violados.
Em 1969 os países das Américas fizeram um tratado denominado Convenção
Americana sobre Direitos Humanos – 1969 – Pacto de São José da Costa Rica.
Esse Pacto recepciona a Comissão de Direitos Humanos, criada em 1948,
e cria a Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Sistema paralelo de proteção: sistema da Declaração (que não é texto obri-
gatório) e também a Convenção Americana.
Sistema Interamericano – Convenção Americana sobre Direitos Humanos
– 1969 – Pacto de São José da Costa Rica:
Art. 1º Os Estados-partes nesta Convenção comprometem-se a respeitar os
direitos e liberdades nela reconhecidos e a garantir seu livre e pleno exercício a
toda pessoa que esteja sujeita à sua jurisdição, sem discriminação alguma, por
motivo de raça, cor, sexo, idioma, religião, opiniões políticas ou de qualquer
outra natureza, origem nacional ou social, posição econômica, nascimento ou
qualquer outra condição social.
Estabelece critério de jurisdição para proteção dos direitos humanos. Os
direitos e garantias consagrados neste texto valem para os nacionais e qualquer
pessoa que se encontre sob a jurisdição do país.
Art. 2º Se o exercício dos direitos e liberdades mencionados no artigo 1
ainda não estiver garantido por disposições legislativas ou de outra natureza,
os Estados-partes comprometem-se a adotar, de acordo com as suas normas
constitucionais e com as disposições desta Convenção, as medidas legislativas
ou de outra natureza que forem necessárias para tornar efetivos tais direitos e
liberdades.
Estabelece dever do Estado de adotar disposições de direito interno para
efetivar os direitos consagrados no Pacto.
Art. 3º Direito ao reconhecimento da personalidade jurídica: Toda pessoa
tem direito ao reconhecimento de sua personalidade jurídica.
Art. 4º Direito à vida:
1. Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida. Esse direito deve
ser protegido pela lei e, em geral, desde o momento da concepção. Ninguém
pode ser privado da vida arbitrariamente.
2. Nos países que não houverem abolido a pena de morte, esta só poderá
ser imposta pelos delitos mais graves, em cumprimento de sentença final de
tribunal competente e em conformidade com a lei que estabeleça tal pena,
Direitos Humanos

promulgada antes de haver o delito sido cometido. Tampouco se estenderá sua


aplicação a delitos aos quais não se aplique atualmente.
3. Não se pode restabelecer a pena de morte nos Estados que a hajam
abolido.
27
4. Em nenhum caso pode a pena de morte ser aplicada a delitos políticos,
nem a delitos comuns conexos com delitos políticos.
5. Não se deve impor a pena de morte a pessoa que, no momento da perpe-
tração do delito, for menor de dezoito anos, ou maior de setenta, nem aplicá-la
a mulher em estado de gravidez.
Art. 5º Direito à integridade pessoal:
1. Toda pessoa tem direito a que se respeite sua integridade física, psíquica
e moral.
2. Ninguém deve ser submetido a torturas, nem a penas ou tratos cruéis,
desumanos ou degradantes. Toda pessoa privada de liberdade deve ser tratada
com o respeito devido à dignidade inerente ao ser humano.
3. A pena não pode passar da pessoa do delinquente.

Exercício
10. Estabelece a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e a
Corte Interamericana de Direitos Humanos como meios de prote-
ção e órgãos competentes para conhecer dos assuntos relacionados
com o cumprimento dos compromissos assumidos pelos Estados-
-partes nesta Convenção:
a) Convenção Americana sobre Direitos Humanos.
b) Convenção Interamericana para prevenir e punir a tortura.
c) Carta das Nações Unidas.
d) Declaração Universal dos Direitos Humanos.

2. Sistema Interamericano de Proteção – II


2.1 Apresentação

Nesta unidade, daremos continuidade ao estudo do Sistema Interamerica-


no de Proteção, analisando a Convenção Americana de Direitos Humanos.

2.2 Síntese
Direitos Humanos

Art. 6º Proibição da escravidão e da servidão:


1. Ninguém poderá ser submetido a escravidão ou servidão e tanto estas
como o tráfico de escravos e o tráfico de mulheres são proibidos em todas as
suas formas.
28
2. Ninguém deve ser constrangido a executar trabalho forçado ou obriga-
tório. Nos países em que se prescreve, para certos delitos, pena privativa de
liberdade acompanhada de trabalhos forçados, esta disposição não pode ser in-
terpretada no sentido de proibir o cumprimento da dita pena, imposta por um
juiz ou tribunal competente. O trabalho forçado não deve afetar a dignidade,
nem a capacidade física e intelectual do recluso.
3. Não constituem trabalhos forçados ou obrigatórios para os efeitos deste
artigo:
a) os trabalhos ou serviços normalmente exigidos de pessoa reclusa em
cumprimento de sentença ou resolução formal expedida pela autoridade ju-
diciária competente. Tais trabalhos ou serviços devem ser executados sob a
vigilância e controle das autoridades públicas, e os indivíduos que os executa-
rem não devem ser postos à disposição de particulares, companhias ou pessoas
jurídicas de caráter privado;
b) serviço militar e, nos países em que se admite a isenção por motivo de
consciência, qualquer serviço nacional que a lei estabelecer em lugar daquele;
c) o serviço exigido em casos de perigo ou de calamidade que ameacem a
existência ou o bem-estar da comunidade;
d) o trabalho ou serviço que faça parte das obrigações cívicas normais.
Art. 7º Direito à liberdade pessoal
1. Toda pessoa tem direito à liberdade e à segurança pessoais.
2. Ninguém pode ser privado de sua liberdade física, salvo pelas causas e
nas condições previamente fixadas pelas Constituições políticas dos Estados-
-partes ou pelas leis de acordo com elas promulgadas.
3. Ninguém pode ser submetido a detenção ou encarceramento arbitrários.
4. Toda pessoa detida ou retida deve ser informada das razões da detenção
e notificada, sem demora, da acusação ou das acusações formuladas contra ela.
5. Toda pessoa presa, detida ou retida deve ser conduzida, sem demora, à
presença de um juiz ou outra autoridade autorizada por lei a exercer funções
judiciais e tem o direito de ser julgada em prazo razoável ou de ser posta em
liberdade, sem prejuízo de que prossiga o processo. Sua liberdade pode ser
condicionada a garantias que assegurem o seu comparecimento em juízo.
6. Toda pessoa privada da liberdade tem direito a recorrer a um juiz ou
tribunal competente, a fim de que este decida, sem demora, sobre a legalida-
de de sua prisão ou detenção e ordene sua soltura, se a prisão ou a detenção
forem ilegais. Nos Estados-partes cujas leis preveem que toda pessoa que se vir
Direitos Humanos

ameaçada de ser privada de sua liberdade tem direito a recorrer a um juiz ou


tribunal competente, a fim de que este decida sobre a legalidade de tal ameaça,
tal recurso não pode ser restringido nem abolido. O recurso pode ser interposto
pela própria pessoa ou por outra pessoa.
29
7. Ninguém deve ser detido por dívidas. Este princípio não limita os man-
dados de autoridade judiciária competente expedidos em virtude de inadimple-
mento de obrigação alimentar.
Em 2008 o STF alterou posicionamento no sentido de que o conflito entre
a Constituição e a Convenção, prevalece o mais benéfico ao indivíduo.
Art. 8º Garantias judiciais:
1. Toda pessoa terá o direito de ser ouvida, com as devidas garantias e dentro
de um prazo razoável, por um juiz ou Tribunal competente, independente e
imparcial, estabelecido anteriormente por lei, na apuração de qualquer acusa-
ção penal formulada contra ela, ou na determinação de seus direitos e obriga-
ções de caráter civil, trabalhista, fiscal ou de qualquer outra natureza.
Art. 9º Princípio da legalidade e da retroatividade.
Art. 10. Direito à indenização.
Toda pessoa tem direito de ser indenizada conforme a lei, no caso de haver
sido condenada em sentença transitada em julgado, por erro judiciário.
Art. 11. Proteção da honra e da dignidade.
Art. 12. Liberdade de consciência e de religião.
Art. 13. Liberdade de pensamento e de expressão.
Art. 14. Direito de retificação ou resposta.
Art. 15. Direito de reunião – pacífica e sem posse de armas.
Art. 16. Liberdade de associação.
Art. 17. Proteção da família.
Art. 18. Direito ao nome.
Art. 19. Direitos da criança: Toda criança terá direito às medidas de prote-
ção que a sua condição de menor requer, por parte da sua família, da sociedade
e do Estado.
Art. 20. Direito à nacionalidade: Toda pessoa tem direito à nacionalidade
do Estado em cujo território houver nascido, se não tiver direito a outra.

Exercício
11. (Cespe – 2009 – DPE – PI – Defensor Público) A Convenção Ame-
ricana de Direitos Humanos de 1969 (Pacto de San José da Costa
Rica):
a) Reproduziu a maior parte das declarações de direitos constantes
do Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Cul-
Direitos Humanos

turais.
b) Foi adotada sem ressalvas pelo Brasil desde o seu início.
c) Proíbe o restabelecimento da pena capital nos países que a te-
nham abolido.
30
d) Não tratou do direito ao nome.
e) Indica a possibilidade de asilo no caso do cometimento de cri-
mes comuns não vinculados à atividade política.

3. Sistema Interamericano de Proteção – III


3.1 Apresentação

Nesta unidade, daremos continuidade ao estudo da Convenção America-


na de Direitos Humanos.

3.2 Síntese
Art. 21. Direito à propriedade privada:
1. Toda pessoa tem direito ao uso e gozo de seus bens. A lei pode subordinar
esse uso e gozo ao interesse social.
2. Nenhuma pessoa pode ser privada de seus bens, salvo mediante o paga-
mento de indenização justa, por motivo de utilidade pública ou de interesse
social e nos casos e na forma estabelecidos pela lei.
3. Tanto a usura, como qualquer outra forma de exploração do homem pelo
homem, devem ser reprimidas pela lei.
Art. 22. Direito de circulação e de residência:
– Toda pessoa terá o direito de sair livremente de qualquer país, inclusive de
seu próprio país sem necessidade de visto de saída.
– Ninguém pode ser expulso do território do Estado do qual for nacional e
nem ser privado do direito de nele entrar. Não se admite a pena de banimento.
– Toda pessoa tem o direito de buscar e receber asilo em território estran-
geiro, em caso de perseguição por delitos políticos ou comuns conexos com
delitos políticos, de acordo com a legislação de cada Estado e com as Conven-
ções internacionais.
Art. 23. Direitos políticos.
Art. 24. Igualdade perante a lei.
Art. 25. Proteção judicial.
Art. 26. Desenvolvimento progressivo: Os Estados-partes comprometem-
Direitos Humanos

-se a adotar as providências, tanto no âmbito interno, como mediante coope-


ração internacional, especialmente econômica e técnica, a fim de conseguir
progressivamente a plena efetividade dos direitos que decorrem das normas
econômicas, sociais e sobre educação, ciência e cultura, constantes da Carta
31
da Organização dos Estados Americanos, reformada pelo Protocolo de Bue-
nos Aires, na medida dos recursos disponíveis, por via legislativa ou por outros
meios apropriados.
Art. 27. Suspensão de garantias dos direitos humanos: Em caso de guerra,
de perigo público, ou de outra emergência que ameace a independência ou
segurança do Estado-parte. Não cabe suspensão dos direitos determinados nos
seguintes artigos: 3 (direito ao reconhecimento da personalidade jurídica), 4
(direito à vida), 5 (direito à integridade pessoal), 6 (proibição da escravidão e
da servidão), 9 (princípio da legalidade e da retroatividade), 12 (liberdade de
consciência e religião), 17 (proteção da família), 18 (direito ao nome), 19 (di-
reitos da criança), 20 (direito à nacionalidade) e 23 (direitos políticos), nem das
garantias indispensáveis para a proteção de tais direitos.
Art. 28. Cláusula federal.
Art. 29. Normas de interpretação.
Art. 30. Alcance das restrições.
Art. 31. Reconhecimento de outros direitos.
Art. 32. Correlação entre deveres e direitos: Os direitos de cada pessoa são
limitados pelos direitos dos demais, pela segurança de todos e pelas justas exi-
gências do bem comum, em uma sociedade democrática.

Exercício
12. Quanto aos direitos civis contidos na Convenção Americana de Di-
reitos Humanos, esta estabelece que:
a) Nos países em que não houver sido abolida a pena de morte esta
só poderá ser imposta pelos delitos mais graves em cumprimen-
to de sentença final de tribunal competente e em conformidade
com a lei que estabeleça tal pena, promulgada antes do delito
ter sido cometido.
b) Ninguém deve ser constrangido a executar trabalho forçado
obrigatório, exceto em decorrência de crime considerado he-
diondo pela legislação do país que adotar punição específica
para esta modalidade de crime, não podendo, porém, a respec-
tiva pena ultrapassar 30 anos de reclusão.
c) Ninguém deve ser detido por dívidas. Este princípio, porém,
não limita os mandados de autoridade judiciária competente ex-
Direitos Humanos

pedidos em virtude de inadimplemento de obrigação alimentar


ou de depositário infiel.
d) Todas as pessoas têm direito de associar-se livremente com fins
ideológicos, religiosos, políticos, econômicos, trabalhistas, so-
32
ciais, culturais, desportivos ou de qualquer outra natureza, não
podendo o Estado restringir ou suprimir o direito de associação
aos membros das Forças Armadas e da Polícia.

4. Protocolos Adicionais (Protocolo de São


Salvador)
4.1 Apresentação

Nesta unidade, estudaremos o Protocolo de São Salvador.

4.2 Síntese
Regulamenta dispositivos da Comissão referentes a direitos sociais, econô-
micos e culturais e direito à vida (pena de morte).
Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre Direitos Humanos em
Matéria de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, “Protocolo de San Sal-
vador” – 1988:
Característica: obrigação de adotar medidas necessárias de maneira pro-
gressiva e de acordo com a legislação interna de cada país, para efetivar direitos
econômicos, culturais e sociais.
A competência para legislar sobre esses direitos é de domínio reservado do
Estado. Todavia, o protocolo traz um guia de orientação para o Estado para que
efetive esses direitos.
Guia de orientação: lista de direitos que o Estado deve regulamentar.
Os Estados-partes comprometem‑se a adotar medidas que garantam plena
efetividade do direito ao trabalho, especialmente as referentes à consecução do
pleno emprego.
Os Estados-partes neste Protocolo reconhecem que o direito ao trabalho
pressupõe que toda pessoa goze do mesmo em condições justas, equitativas e
satisfatórias.
Toda pessoa tem direito a viver em meio ambiente sadio e a contar com os
serviços públicos básicos.
Toda pessoa tem direito a uma nutrição adequada que assegure a possi-
Direitos Humanos

bilidade de gozar do mais alto nível de desenvolvimento físico, emocional e


intelectual.
Os Estados-partes neste Protocolo reconhecem que, a fim de conseguir o
pleno exercício do direito à educação:
33
• O ensino de primeiro grau deve ser obrigatório e acessível a todos
gratuitamente.
• O ensino de segundo grau, em suas diferentes formas, inclusive o en-
sino técnico e profissional de segundo grau, deve ser generalizado e
tornar-se acessível a todos, pelos meios que forem apropriados e, espe-
cialmente, pela implantação progressiva do ensino gratuito.
• O ensino superior deve tornar‑se igualmente acessível a todos.
• Direito à constituição e proteção da família.
• Direito da criança.
• Proteção de pessoas idosas.
• Proteção de deficientes.
Protocolo à Convenção Americana sobre Direitos Humanos Referente à
Abolição da Pena de Morte – 1990:
Os Estados-membros neste Protocolo não aplicarão em seu território a
pena de morte a nenhuma pessoa submetida a sua jurisdição.

Exercício
13. Qual dos tratados internacionais de direitos humanos abaixo prevê o
dever para os Estados de promover a proteção, preservação e melho-
ramento do meio ambiente?
a) Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Cli-
máticas.
b) Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre Direitos Hu-
manos em matéria de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais.
c) Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos.
d) Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais.
e) Convenção sobre os Direitos da Criança.

5. Comissão Interamericana de Direitos


Humanos – I
5.1 Apresentação
Direitos Humanos

Nesta unidade, iniciaremos o estudo da Comissão Interamericana de Di-


reitos Humanos.
34
5.2 Síntese
Comissão Interamericana de Direitos Humanos:
– composta de sete membros eleitos pela OEA.
– mandato de quatro anos, reeleitos uma vez (eleição de dois em dois
anos).
– Funções:
a) Promover a observância e a defesa dos direitos humanos e atuar com
respeito às petições e outras comunicações.
b) Estimular a consciência dos direitos humanos nos povos da América.
c) Formular recomendações aos governos dos Estados-membros, quando
considerar conveniente, no sentido de que adotem medidas progressivas em
prol dos direitos humanos no âmbito de suas leis internas e seus preceitos cons-
titucionais, bem como disposições apropriadas para promover o devido respeito
a esses direitos.
d) Preparar estudos ou relatórios que considerar convenientes para o de-
sempenho de suas funções.
– Competência para denúncias:
I) Pessoal:
– Qualquer pessoa ou entidade não governamental legalmente reco-
nhecida.
– Estado-membro, desde que declare reconhecer a competência da
Comissão.
II) Admissão:
– Esgotamento dos recursos internos e prazo de seis meses da data da
decisão que viole o direito, salvo em caso de impedimento ou demora
injustificada na decisão.
– Não haver litispendência (em outro processo de solução internacional).
Direito de visita é pleno: os agentes da comissão podem entrar em qualquer
localidade, desde que resguardados os direitos constitucionais.
Se não se chegar a uma solução, e dentro do prazo que for fixado pelo
Estatuto da Comissão, esta redigirá um relatório no qual exporá os fatos e suas
conclusões. Se o relatório não representar, no todo ou em parte, o acordo unâ-
nime dos membros da Comissão, qualquer deles poderá agregar ao referido
relatório seu voto em separado.
Direitos Humanos

Ao encaminhar o relatório, a Comissão pode formular as proposições e re-


comendações que julgar adequadas.
O problema da comissão é que seus atos são meras recomendações.
35
Exercício
14. No que concerne ao sistema interamericano de direitos humanos,
julgue se a assertiva é correta ou incorreta:
Qualquer pessoa ou grupo de pessoas ou entidade não governamen-
tal legalmente reconhecida em um ou mais Estados-membros da
Organização dos Estados-membros podem apresentar a Comissão
Interamericana de Direitos Humanos petições que contenham de-
núncias ou queixas de violação à Convenção Interamericana de di-
reitos humanos por um Estado-parte.

6. Comissão Interamericana de Direitos


Humanos – II
6.1 Apresentação

Nesta unidade, daremos continuidade ao estudo da Comissão Interame-


ricana de Direitos Humanos.

6.2 Síntese
Qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou entidade não governamental
legalmente reconhecida em um ou mais Estados-membros da Organização,
pode apresentar à Comissão petições que contenham denúncias ou queixas de
violação desta Convenção por um Estado-parte.
As comunicações feitas em virtude deste artigo só podem ser admitidas e exa-
minadas se forem apresentadas por um Estado-parte que haja feito uma declara-
ção pela qual reconheça a referida competência da Comissão, que não admitirá
nenhuma comunicação contra um Estado-parte que não haja feito tal declaração.
Condições para que uma petição ou comunicação apresentada seja admi-
tida pela Comissão:
• Prévio esgotamento dos recursos internos. A primazia para a análise das
questões de direitos humanos é do Estado, pois as instâncias internacio-
nais são complementares. Exceções: demora injustificada na prestação
Direitos Humanos

jurisdicional (Ex.: caso que gerou a Lei Maria da Penha).


• Prazo de seis meses da data da decisão interna definitiva que violou o di-
reito, exceto se a própria decisão o tenha violado, ou em caso de demora
injustificada na prestação jurisdicional.
36
• A Comissão, ao receber uma petição ou comunicação na qual se alegue
a violação de qualquer dos direitos consagrados nesta Convenção, pro-
cederá da seguinte maneira:
– se reconhecer a admissibilidade da petição ou comunicação, solici-
tará informações ao Governo do Estado ao qual pertença a autorida-
de apontada como responsável pela violação alegada e transcreverá
as partes pertinentes da petição ou comunicação. As referidas in-
formações devem ser enviadas dentro de um prazo razoável, fixado
pela Comissão ao considerar as circunstâncias de cada caso;
– recebidas as informações, ou transcorrido o prazo fixado sem que
sejam elas recebidas, verificará se existem ou subsistem os motivos
da petição ou comunicação. No caso de não existirem ou não sub-
sistirem, mandará arquivar o expediente; e
– se o expediente não houver sido arquivado, e com o fim de compro-
var os fatos, a Comissão procederá, com conhecimento das partes,
a um exame do assunto exposto na petição ou comunicação. Se for
necessário e conveniente, a Comissão procederá a uma investigação
para cuja eficaz realização solicitará, e os Estados interessados lhe
proporcionarão todas as facilidades necessárias.
Entretanto, em casos graves e urgentes, pode ser realizada uma investiga-
ção, mediante prévio consentimento do Estado em cujo território se alegue
haver sido cometida a violação, tão somente com a apresentação de uma peti-
ção ou comunicação que reúna todos os requisitos formais de admissibilidade.
A Comissão poderá pedir aos Estados interessados qualquer informação
pertinente e receberá, se isso for solicitado, as exposições verbais ou escritas
que apresentarem os interessados; pôr-se-á à disposição das partes interessadas,
a fim de se chegar a uma solução amistosa do assunto, fundada no respeito aos
direitos reconhecidos nesta Convenção.
Se não se chegar a uma solução, e dentro do prazo que for fixado pelo
Estatuto da Comissão, esta redigirá um relatório no qual exporá os fatos e suas
conclusões e o encaminhará aos Estados interessados, aos quais não será facul-
tado publicá-lo.
Ao encaminhar o relatório, a Comissão pode formular as proposições e
recomendações que julgar adequadas. Se no prazo de três meses, a partir da
remessa aos Estados interessados do relatório da Comissão, o assunto não hou-
Direitos Humanos

ver sido solucionado ou submetido à decisão da Corte pela Comissão ou pelo


Estado interessado, a Comissão fará as recomendações pertinentes e fixará um
prazo dentro do qual o Estado deve tomar as medidas cabíveis para remediar a
situação examinada.
37
Exercício
15. Julgue se a assertiva é correta ou incorreta: A Comissão Interameri-
cana de Direitos Humanos tem por função principal a observância
e defesa de direitos humanos e, no exercício de seu mandato, tem
a atribuição de formular recomendações aos governos dos Estados-
-membros.

7. Corte Interamericana de Direitos Humanos


–I
7.1 Apresentação

Nesta unidade, iniciaremos o estudo sobre a Corte Interamericana de


Direitos Humanos.

7.2 Síntese
Corte Interamericana de Direitos Humanos: princípio do juiz natural.
A Corte compor-se-á de sete juízes, nacionais dos Estados-membros da Or-
ganização, eleitos a título pessoal dentre juristas da mais alta autoridade moral,
de reconhecida competência em matéria de direitos humanos, que reúnam
as condições requeridas para o exercício das mais elevadas funções judiciais,
de acordo com a lei do Estado do qual sejam nacionais, ou do Estado que os
propuser como candidatos.
Os juízes da Corte serão eleitos, em votação secreta e pelo voto da maioria
absoluta dos Estados-partes na Convenção, na Assembleia Geral da Organiza-
ção, a partir de uma lista de candidatos propostos pelos mesmos Estados.
Os juízes da Corte serão eleitos por um período de seis anos e só poderão
ser reeleitos uma vez. Estes permanecerão em suas funções até o término dos
seus mandatos. Entretanto, continuarão funcionando nos casos em que já hou-
verem tomado conhecimento e que se encontrem em fase de sentença e, para
tais efeitos, não serão substituídos pelos novos juízes eleitos.
Se um dos juízes chamados a conhecer do caso for de nacionalidade de
Direitos Humanos

um dos Estados-partes, outro poderá designar uma pessoa de sua escolha para
integrar a Corte, na qualidade de juiz ad hoc. Se, entre os juízes chamados a
conhecer do caso, nenhum for da nacionalidade dos Estados-partes, cada um
destes poderá designar um juiz ad hoc.
38
Todo Estado-parte pode, no momento do depósito do seu instrumento de
ratificação desta Convenção ou de adesão a ela, ou em qualquer momento
posterior, declarar que reconhece como obrigatória, de pleno direito e sem
convenção especial, a competência da Corte em todos os casos relativos à in-
terpretação ou aplicação desta Convenção.
Competência pessoal (legitimidade): Somente os Estados-partes e a Comis-
são têm jus standi. O indivíduo não tem direito de ação direta. Somente os Es-
tados-partes e a Comissão têm direito de submeter um caso à decisão da Corte.

Exercício
16. A Corte Interamericana de Direitos Humanos:
a) É composta por 12 juízes.
b) Terá casos submetidos à sua decisão somente pelos Estados-par-
tes ou pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
c) Terá suas decisões ratificadas ou reformadas pela Assembleia
Geral da Organização dos Estados Americanos como órgão
recursal.
d) Poderá ter até dois juízes da mesma nacionalidade, não poden-
do, porém, tais juízes atuarem, simultaneamente, em casos que
envolvam partes originárias de seu país.

8. Corte Interamericana de Direitos Humanos


– II
8.1 Apresentação

Nesta unidade, daremos continuidade ao estudo sobre a Corte Interame-


ricana de Direitos Humanos.

8.2 Síntese
Competência: a Corte só julga Estados.
Direitos Humanos

Jurisdição: todo Estado-parte pode, no momento do depósito do seu ins-


trumento de ratificação desta Convenção ou de adesão a ela, ou em qualquer
momento posterior, declarar que reconhece como obrigatória, de pleno direito
e sem convenção especial, a competência da Corte em todos os casos relativos
39
à interpretação ou aplicação desta Convenção. A declaração pode ser feita in-
condicionalmente, ou sob condição de reciprocidade, por prazo determinado
ou para casos específicos.
Obrigatoriedade de prévio esgotamento dos processos na Comissão.
Funções:
• Contenciosa: determinação do exercício do direito violado, de repara-
ção e indenização.
– Medidas Provisórias: de ofício.
– Pedido da Comissão se ainda não houver processo.
– Não tem duplo grau de jurisdição. A sentença da Corte será definiti-
va e inapelável. Em caso de divergência sobre o sentido ou alcance
da sentença, a Corte interpretá-la-á, a pedido de qualquer das partes,
desde que o pedido seja apresentado dentro de 90 dias a partir da
data da notificação da sentença.
• Consultiva: parecer consultivo sobre interpretação da Convenção ou
compatibilidade entre leis internas e normas internacionais. Não gera
obrigatoriedade.

Exercício
17. Julgue se as assertivas são corretas ou incorretas:
No caso do Complexo Tatuapé da Febem, as supostas vítimas, seus
familiares ou seus representantes devidamente acreditados podem
apresentar uma solução de medidas provisórias diretamente à Corte
Interamericana de Direitos Humanos.
No caso Damião Ximenes Lopes, uma eventual exceção preliminar
de não esgotamento de recursos internos deveria ter sido interposta
pelo Brasil na fase de admissibilidade da denúncia perante a Comis-
são de Direitos Humanos, sem o que se presumiria a renúncia tácita
por parte do Estado demandado a este meio.
Direitos Humanos
Capítulo 4

Sistema Nacional de Proteção

1. Proteção Constitucional – I
1.1 Apresentação

Nesta unidade, iniciaremos o estudo da proteção constitucional.

1.2 Síntese
Principais dispositivos da Constituição Federal de 1988:
Art. 1º “A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel
dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Demo-
crático de Direito e tem como fundamentos:
(...)
III – a dignidade da pessoa humana;”
O Brasil é um Estado Democrático de Direito e consagra as quatro gera-
ções de direitos (civis, políticos, sociais e difusos), sendo baseado em princípios
de cidadania e legalidade.
41
Principal dispositivo referente aos direitos humanos em nosso texto consti-
tucional:
Art. 5º “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabili-
dade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade,
nos termos seguintes: (...).”
Os direitos são garantidos aos brasileiros e estrangeiros aqui residentes. O
Pacto de San José da Costa Rica afirma que os direitos humanos devem ser
garantidos para qualquer pessoa em jurisdição brasileira.
Navios e aeronaves dentro do território brasileiro obedecem a legislação
brasileira.
§ 1º “As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm apli-
cação imediata.”
Ainda que a norma necessite de uma implementação posterior do Estado
para uma efetiva aplicação, a partir do momento que está no artigo 5º ela tem
aplicação imediata.
§ 2º “Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem ou-
tros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados
internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.”
Além de todos os dispositivos garantidores de direitos humanos expressos no
art. 5º da CF, existem outros ao longo do texto constitucional e da legislação
infraconstitucional (Ex.: Lei Maria da Penha) e também princípios inseridos
em tratados internacionais em que o Brasil seja parte.
Doutrina: tratado internacional que regulamenta direitos humanos entra
no ordenamento jurídico brasileiro com força de dispositivo constitucional.
STF: tratado de direitos humanos entra no ordenamento jurídico brasileiro
com força de lei federal. Esse posicionamento foi alterado em 2008 em virtude
de um conflito de normas existente entre a CR de 1988 e o Pacto de San José
da Costa Rica no que se refere à prisão civil por dívidas. Portanto, em um con-
flito dessa espécie, prevalece o que for mais benéfico para o indivíduo.

Exercício
18. Julgue se a assertiva é correta ou incorreta: No campo dos direitos
humanos, num eventual conflito entre normas previstas em tratados
Direitos Humanos

internacionais e preceitos de direito interno, aplica-se o princípio da


norma mais favorável à vítima.
42
2. Proteção Constitucional – II
2.1 Apresentação

Nesta unidade, daremos continuidade ao estudo da proteção constitu-


cional.

2.2 Síntese
Continuação da análise dos dispositivos constitucionais mais importantes:
Art. 5º (...)
§ 3º “Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que
forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por
três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas
constitucionais; (...).”
Problemas:
• os tratados anteriores permanecem vinculados ao § 2º;
• a princípio pode haver um tratado com esse quórum alterando cláusula
pétrea para pior.
Se o Presidente da República é vinculado à autorização do Congresso para
aderir a um tratado, ele não é obrigado a ouvir o Congresso para se retirar de
um tratado internacional. Portanto, a renúncia de um tratado de que o Brasil
faça parte é competência exclusiva do Presidente da República. Pergunta-se:
no tocante a um tratado que passou por esse quórum e se tornou dispositivo
constitucional, pode o Presidente denunciar esse tratado?
Característica: em 2008 o STF mudou seu posicionamento para estabele-
cer que em um conflito de tratado de direitos humanos e dispositivo constitu-
cional prevalece o mais benéfico ao indivíduo.
Art. 34. “A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto
para:
(...)
VII – assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais:
(...)
b) direitos da pessoa humana; (...).”
Competência para processar e julgar crimes referentes à violação de direi-
Direitos Humanos

tos humanos:
Art. 109. “Aos juízes federais compete processar e julgar:
(...)
V – As causas relativas a direitos humanos a que se refere o § 5º deste artigo;”
43
§ 5º “Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-
-Geral da República, com a finalidade de assegurar o cumprimento de obri-
gações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o
Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em
qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de compe-
tência para a Justiça Federal.”

Exercício
19. Julgue se os itens a seguir são corretos ou incorretos:
a) É da competência exclusiva do Congresso Nacional resolver de-
finitivamente sobre a aprovação ou não de quaisquer Tratados
Internacionais, incluindo matéria de Direitos Humanos.
b) Após a assinatura de Convenção Internacional sobre Direitos
Humanos, é imediata e plena a sua vigência, no âmbito do orde-
namento jurídico interno brasileiro, independentemente de ser
referendada, em momento posterior, pelo Congresso Nacional.
c) As normas das convenções internacionais, que versam sobre Di-
reitos Humanos, considerada a sua natureza, não se sujeita ao
controle concentrado de constitucionalidade de leis, conforme
posição adotada pelo STF.
d) A celebração de convenções internacionais é de competência
privativa do Presidente da República Federativa do Brasil, sujei-
tando-se sempre ao referendo do Congresso Nacional, condição
esta que não se aplica aos tratados internacionais bilaterais.

3. Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa


Humana – Lei nº 4.319, de 16 de março de
1964
3.1 Apresentação

Nesta unidade, estudaremos o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa


Humana.
Direitos Humanos

3.2 Síntese
Composição: Ministro da Justiça, Representante do MRE, Representante
do Conselho Federal de Cultura, Representante do MP Federal, Presidente do
44
Conselho Federal da OAB, Professor de Direito Constitucional e de Direito
Penal de uma das faculdades federais, Presidente da ABI, Presidente da Asso-
ciação Brasileira de Educação, Líderes da Maioria e da Minoria na Câmara dos
Deputados e no Senado Federal.
Competências:
• Promover inquéritos, investigações e estudos sobre a eficácia das nor-
mas asseguradoras dos direitos da pessoa humana, na CR de 1988 e em
tratados internacionais;
• Promover a divulgação do conteúdo e do significado de cada um dos
direitos da pessoa humana mediante conferências e debates em uni-
versidades e escolas, e por meio da imprensa, do rádio, da televisão, do
teatro, de livros e de folhetos;
• promover nas áreas que apresentem maiores índices de violação dos
direitos humanos:
– a realização de inquéritos para investigar as suas causas e sugerir me-
didas tendentes a assegurar a plenitude do gozo daqueles direitos; e
– campanha de esclarecimento e divulgação.
• Promover inquéritos e investigações nas áreas onde tenham ocorrido
fraudes eleitorais de grandes proporções com a finalidade de sugerir as
medidas para se evitar uma futura repetição da violação;
• Promover a realização de cursos para o aperfeiçoamento da polícia, no
que se refere ao respeito dos direitos da pessoa humana;
• Promover entendimentos com os governos estaduais cujas autoridades
administrativas ou policiais se revelem incapazes de assegurar a efetiva
proteção dos direitos humanos, para ajudá-los a melhor se preparar para
a defesa desses direitos;
• Promover entendimentos com os governos estaduais e municipais e
com a direção de entidades autárquicas e de serviços autônomos que es-
tejam, por motivos políticos, coagindo ou perseguindo seus servidores,
a fim de que tais abusos de poder sejam anulados;
• Recomendar ao Governo Federal e aos Estados a eliminação, do qua-
dro dos seus serviços civis e militares, de todos os seus agentes que se
revelem reincidentes na prática de atos violadores dos direitos da pessoa
humana;
• Recomendar o aperfeiçoamento dos serviços de polícia técnica dos Es-
tados de modo a possibilitar a comprovação da autoria dos delitos por
meio de provas indiciárias;
Direitos Humanos

• Recomendar ao Governo Federal a prestação de ajuda financeira aos


Estados que não disponham de recursos para a reorganização de seus
serviços policiais, tendo em vista conciliar o exercício daquelas funções
e o respeito aos direitos humanos;
45
• Estudar e propor ao Poder Executivo a organização de uma divisão mi-
nisterial integrada também por órgãos regionais, para a eficiente prote-
ção dos direitos da pessoa humana;
• Estudar o aperfeiçoamento da legislação administrativa, penal, civil,
processual e trabalhista, de modo a permitir a eficaz repressão das vio-
lações dos direitos da pessoa humana por parte de particulares ou de
serviços públicos; e
• Receber representações que contenham denúncias de violações dos di-
reitos da pessoa humana, apurar sua procedência e tomar providências
capazes de fazer cessar os abusos dos particulares ou das autoridades por
eles responsáveis.
O Conselho pode criar Comissões de Inquérito com poderes instrutórios para
tomar depoimentos de quaisquer autoridades, e também inquirir testemunhas.
Poderes instrutórios do Conselho: as testemunhas serão intimadas de acor-
do com estabelecido no Código de Processo Penal.
Apesar de ser um Órgão estabelecido na década de 60, continua sendo im-
portantíssimo na função de controlar e fiscalizar a efetiva aplicação dos direitos
humanos em nosso país.

Exercício
20. (Cespe – 2010 – DPU – Defensor Público) Julgue se a assertiva é
correta ou incorreta, em relação ao Conselho de Defesa dos Direitos
da Pessoa Humana (CDDPH), considerando o disposto na Lei nº
4.319/1964.
O CDDPH é órgão colegiado ao qual compete, entre outras atribui-
ções, promover, nas áreas que apresentem índices mais elevados de
violação aos direitos humanos, a realização de inquéritos para inves-
tigar as causas e sugerir medidas tendentes a assegurar a plenitude do
gozo desses direitos.

4. Programa Nacional de Direitos Humanos


– PNDH-3 – Decreto nº 7.037, de 21 de
dezembro de 2009
Direitos Humanos

4.1 Apresentação

Nesta unidade, estudaremos o Programa Nacional de Direitos Humanos.


46
4.2 Síntese
Documento feito pelo Poder Executivo estabelecendo todas as orientações
de políticas administrativas que tem como objetivo implementar e melhorar a
aplicação efetiva dos direitos humanos em nosso país.
É formado por seis eixos orientadores com total de 25 diretrizes.
Eixos orientadores e respectivas diretrizes:
I – Eixo Orientador I: Interação democrática entre Estado e sociedade civil:
a) Diretriz 1: Interação democrática entre Estado e sociedade civil como
instrumento de fortalecimento da democracia participativa;
b) Diretriz 2: Fortalecimento dos Direitos Humanos como instrumento
transversal das políticas públicas e de interação democrática e
c) Diretriz 3: Integração e ampliação dos sistemas de informações em Di-
reitos Humanos e construção de mecanismos de avaliação e monitoramento
de sua efetivação.
II – Eixo Orientador II: Desenvolvimento e Direitos Humanos:
a) Diretriz 4: Efetivação de modelo de desenvolvimento sustentável, com in-
clusão social e econômica, ambientalmente equilibrado e tecnologicamente res-
ponsável, cultural e regionalmente diverso, participativo e não discriminatório;
b) Diretriz 5: Valorização da pessoa humana como sujeito central do pro-
cesso de desenvolvimento e
c) Diretriz 6: Promover e proteger os direitos ambientais como Direitos
Humanos, incluindo as gerações futuras como sujeitos de direitos.
III – Eixo Orientador III: Universalizar direitos em um contexto de desi-
gualdades:
a) Diretriz 7: Garantia dos Direitos Humanos de forma universal, indivisí-
vel e interdependente, assegurando a cidadania plena;
b) Diretriz 8: Promoção dos direitos de crianças e adolescentes para o seu
desenvolvimento integral, de forma não discriminatória, assegurando seu direi-
to de opinião e participação;
c) Diretriz 9: Combate às desigualdades estruturais e
d) Diretriz 10: Garantia da igualdade na diversidade.
IV – Eixo Orientador IV: Segurança Pública, Acesso à Justiça e Combate
à Violência:
a) Diretriz 11: Democratização e modernização do sistema de segurança
pública;
Direitos Humanos

b) Diretriz 12: Transparência e participação popular no sistema de seguran-


ça pública e justiça criminal;
c) Diretriz 13: Prevenção da violência e da criminalidade e profissionaliza-
ção da investigação de atos criminosos;
47
d) Diretriz 14: Combate à violência institucional, com ênfase na erradica-
ção da tortura e na redução da letalidade policial e carcerária;
e) Diretriz 15: Garantia dos direitos das vítimas de crimes e de proteção das
pessoas ameaçadas;
f) Diretriz 16: Modernização da política de execução penal, priorizando a
aplicação de penas e medidas alternativas à privação de liberdade e melhoria
do sistema penitenciário e
g) Diretriz 17: Promoção de sistema de justiça mais acessível, ágil e efetivo,
para o conhecimento, a garantia e a defesa de direitos.
V – Eixo Orientador V: Educação e Cultura em Direitos Humanos:
a) Diretriz 18: Efetivação das diretrizes e dos princípios da política nacional
de educação em Direitos Humanos para fortalecer uma cultura de direitos;
b) Diretriz 19: Fortalecimento dos princípios da democracia e dos Direitos
Humanos nos sistemas de educação básica, nas instituições de ensino superior
e nas instituições formadoras;
c) Diretriz 20: Reconhecimento da educação não formal como espaço de
defesa e promoção dos Direitos Humanos;
d) Diretriz 21: Promoção da Educação em Direitos Humanos no serviço
público e
e) Diretriz 22: Garantia do direito à comunicação democrática e ao acesso à
informação para consolidação de uma cultura em Direitos Humanos.
VI – Eixo Orientador VI: Direito à Memória e à Verdade:
a) Diretriz 23: Reconhecimento da memória e da verdade como Direito
Humano da cidadania e dever do Estado;
b) Diretriz 24: Preservação da memória histórica e construção pública da
verdade e
c) Diretriz 25: Modernização da legislação relacionada com promoção do
direito à memória e à verdade, fortalecendo a democracia.
O Comitê de Acompanhamento e Monitoramento do PNDH-3 tem por
finalidade:
I – promover a articulação entre os órgãos e entidades envolvidos na imple-
mentação das suas ações programáticas;
II – elaborar os Planos de Ação dos Direitos Humanos;
III – estabelecer indicadores para o acompanhamento, monitoramento e
avaliação dos Planos de Ação dos Direitos Humanos;
IV – acompanhar a implementação das ações e recomendações;
Direitos Humanos

V – elaborar e aprovar seu regimento interno.


Composição: além de representantes de Ministérios, o Comitê convidará
representantes dos demais Poderes, da sociedade civil e dos entes federados
para participarem de suas reuniões.
48
Exercício
21. (Cespe – 2009 – DPE – PI – Defensor Público) A proteção dos direi-
tos humanos no Brasil conta com legislação que instituiu o Progra-
ma Nacional de Direitos Humanos (PNDH). A respeito do PNDH,
assinale a opção correta:
a) Nesse programa, não é feita alusão à proteção internacional dos
direitos humanos.
b) O acompanhamento da implementação do PNDH deve ser fei-
to pelo MP Federal.
c) Os direitos econômicos não são promovidos pelo PNDH.
d) Os direitos culturais não são promovidos pelo PNDH.
e) Os direitos sociais são promovidos pelo PNDH.
Direitos Humanos
Capítulo 5

Tratados de Direitos Humanos

1. Convenção para a Prevenção e a Repressão


do Crime de Genocídio – 1948
1.1 Apresentação

Nesta unidade, estudaremos a convenção para a prevenção e a repressão


do crime de genocídio de 1948.

1.2 Síntese
Foi feita juntamente com a Declaração Universal dos Direitos Humanos,
logo após a 2ª Guerra Mundial.
Crime de genocídio é um crime de direito dos povos. Sua proibição é mais
que uma obrigação decorrente de tratado; consiste em norma imperativa que
todos os estados admitem como obrigatória e nenhuma derrogação é possível.
50
Todo tratado internacional que de algum modo contrariar ou limitar os efeitos
dessa prevenção e punição da prática de genocídio será nulo de pleno direito,
pois essa norma se tornou um verdadeiro valor da sociedade internacional.
Confirmação de que o genocídio, cometido em tempo de paz ou em tempo
de guerra, é um crime do direito dos povos, que desde já se comprometem a
prevenir e a punir.
Conceito: os atos cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em
parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, tais como:
• Assassinato de membros do grupo;
• Atentado grave à integridade física e mental de membros do grupo;
• Submissão deliberada do grupo a condições de existência que acarreta-
rão a sua destruição física, total ou parcial;
• Medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo; e
• Transferência forçada das crianças do grupo para outro grupo.
Atos puníveis:
• O genocídio;
• O acordo com vista a cometer genocídio;
• O incitamento, direto e público, ao genocídio;
• A tentativa de genocídio; e
• A cumplicidade no genocídio.
Obrigação de adotar leis contra o genocídio.
O genocídio não será considerado crime político, para efeitos de extradição.
Em 1998, o Estatuto de Roma criou o Tribunal Penal Internacional es-
tando dentre suas competências o crime de genocídio. O TPI é uma instância
subsidiária e passou a ter vigor em 2002.

Exercício
22. (XII Concurso – Juiz Federal Substituto 1ª Região – 2006) De acor-
do com decisão recente do Supremo Tribunal Federal:
a) O crime de genocídio corporifica crime autônomo contra bem
jurídico coletivo, não se confundindo com os ataques indivi-
duais que compõem as modalidades de sua execução, ou seja,
os diversos homicídios.
b) O crime de genocídio corresponde à soma de um crime de ho-
Direitos Humanos

micídio mais um elemento especial (critério da especialidade).


c) Entre os diversos crimes de homicídio em continuidade delitiva
e o genocídio há um concurso material.
d) O genocídio é crime contra a vida.
51
2. Convenção Internacional sobre a
Eliminação de Todas as Formas de
Discriminação Racial – 1966 – I
2.1 Apresentação

Nesta unidade, estudaremos a Convenção Internacional sobre a Elimi-


nação de todas as Formas de Discriminação Racial de 1966.

2.2 Síntese
Conceito de discriminação racial: “qualquer distinção, exclusão, restrição
ou preferência fundadas na raça, cor, descendência ou origem nacional ou
étnica que tenha por fim ou efeito anular ou comprometer o reconhecimento,
o gozo ou o exercício, em igualdade de condições, dos direitos humanos e das
liberdades fundamentais nos domínios político, econômico, social, cultural ou
em qualquer outro domínio da vida pública” (art. 1º).
Característica: Dever do Estado de adotar medidas legislativas para elimi-
nar a discriminação racial. Essas medidas devem ser acompanhadas de critérios
de execução, o que envolve o Poder Executivo. Abrange também o Poder Judi-
ciário, pois se houver qualquer decisão que discrimine o indivíduo em relação
à sua cor ou raça, esta medida também é tida como discriminatória.
Os atos do Executivo, Legislativo e Judiciário ensejam a responsabilidade
internacional do Estado, caso violem essa Convenção.
Qualquer indivíduo que aja em nome e em função do Estado (ex.: em-
baixador) pode vincular e responsabilizar o seu próprio país tendo em vista
alguma medida discriminatória.
Se o particular cometeu alguma discriminação será responsabilizado con-
soante o CP brasileiro, mas se ficar comprovado que essa violação ocorreu em
virtude de uma omissão do Brasil em regulamentar ou fiscalizar aquele ato do
particular, então o Brasil poderá ser responsabilizado internacionalmente.
Estados condenam toda propaganda e todas as organizações que se inspi-
ram em ideias ou teorias de superioridade de uma raça, inclusive, com o dever
de punir a difusão de tais ideias.
Princípio da isonomia: tratar desigualmente os desiguais. Cota racial em
Direitos Humanos

universidade é um resgate histórico de uma parcela da população que sempre


foi discriminada.
O Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial tem na sua composi-
ção 18 peritos em direitos humanos com mandato de quatro anos.
52
Funções:
• Análise de relatórios apresentados pelos Estados ao Secretário-Geral a
cada dois anos ou sempre que o Comitê solicitar.
• Receber reclamações de Estados e colocar-se à disposição para mediar
um possível conflito.
• Reclamações de indivíduos ao Comitê.
• Todas as sugestões e recomendações não são obrigatórias.

Exercício
23. (Delegado de Polícia/SP) Julgue se a assertiva é correta ou incorreta:
A adoção de medidas especiais de proteção ou o incentivo a grupos
ou indivíduos com vistas a promover sua ascensão na sociedade até
um nível de equiparação com os demais, com previsão na Conven-
ção Internacional sobre a Eliminação de todas as Formas de Discri-
minação Racial, denomina-se ação afirmativa.

3. Convenção Internacional sobre a


Eliminação de Todas as Formas de
Discriminação Racial – 1966 – II
3.1 Apresentação

Nesta unidade, continuaremos o estudo sobre a Convenção sobre a Eli-


minação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher – 1979.

3.2 Síntese
Conceito: “discriminação contra a mulher” é “toda a distinção, exclusão
ou restrição baseada no sexo e que tenha por objeto ou resultado prejudicar ou
anular o reconhecimento, gozo ou exercício pela mulher, independentemente
de seu estado civil, com base na igualdade do homem e da mulher, dos direitos
humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social,
Direitos Humanos

cultural e civil ou em qualquer outro campo” (art. 1º).


Estabelece a isonomia entre os sexos.
Ações afirmativas: dever do Estado de adotar medidas legislativas consa-
grando o princípio da igualdade do homem e da mulher. As ações afirmativas
53
determinam que em situações excepcionalmente diferentes, homens e mulhe-
res precisam de tratamentos diferenciados, ou seja, é possível haver um trata-
mento desigual visando assegurar à mulher a condição necessária provisoria-
mente para alcançar o mesmo status econômico, social, político e profissional
que o homem e nas mesmas condições.
Reconhece a maternidade como essencial à formação da sociedade, ou
seja, ela cumpre uma função social.
Reconhece a responsabilidade comum de homens e mulheres sobre a edu-
cação e ao desenvolvimento dos seus filhos.
Regulamenta práticas degradantes da vida de uma mulher: proibição do
tráfico e exploração sexual de mulheres.
Concede igualdade plena de direitos entre homens e mulheres nos direitos
matrimoniais.
O Comitê sobre a Eliminação da Discriminação contra a Mulher tem na
sua composição 23 peritos com mandato de quatro anos.
Análise de relatórios apresentados pelos Estados ao Secretário-Geral a cada
quatro anos ou sempre que o Comitê solicitar.
Há a possibilidade de apresentar sugestões e recomendações.
Não possui competência para receber e analisar queixas, seja de Estados-
-membros, seja de indivíduos.
O Caso Maria da Penha foi levado à Comissão Interamericana de Direitos
Humanos que sugeriu ao Brasil que adotasse uma medida legislativa para aca-
bar com os casos de violação aos direitos da mulher.
Convenção de Belém do Pará – 2001: o Brasil é condenado por omissão e
negligência em relação à violência doméstica.

Exercício
24. (Cespe – 2009 – DPE – PI – Defensor Público) Considere as situa-
ções hipotéticas abaixo apresentadas:
I – João agrediu fisicamente sua secretária, ex-companheira, machu-
cando-a com um soco no rosto por se recusar a sair com ele.
II – Sebastião forçou sua esposa à prática de atos libidinosos, causan-
do-lhe enorme dor psicológica.
À luz da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erra-
dicar a Violência contra a Mulher, Convenção de Belém do Pará,
Direitos Humanos

importante ferramenta de promoção da emancipação das mulheres,


assinale a opção correta a respeito das situações descritas.
a) Ambas as situações enquadram-se na definição de violência con-
tra a mulher.
54
b) Na situação I, não ficou caracterizada violência contra a mu-
lher, pois a agressão se deu dentro do lar.
c) Na situação II, não se caracterizou violência contra a mulher,
pois a esposa tem obrigação conjugal de coabitação.
d) Nenhuma das situações caracteriza violência contra a mulher.
e) Na situação I, não há violência de gênero contra a mulher, mas,
sim, uma violência comum prevista na legislação penal nacional.

4. Convenção contra Tortura


4.1 Apresentação

Nesta unidade, estudaremos a Convenção Contra a Tortura e Outros


Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes – 1984.

4.2 Síntese
Conceito: o termo “tortura” designa qualquer ato pelo qual dores ou so-
frimentos agudos, físicos ou mentais, são infligidos intencionalmente a uma
pessoa a fim de obter, dela ou de terceira pessoa, informações ou confissões;
de castigá-la por ato que ela ou terceira pessoa tenha cometido, ou seja, sus-
peita de ter cometido; de intimidar ou coagir esta pessoa ou outras pessoas; ou
por qualquer motivo baseado em discriminação de qualquer natureza; quando
tais dores ou sofrimentos são infligidos por um funcionário público ou outra
pessoa no exercício de funções públicas, ou por sua instigação, ou com o seu
consentimento ou aquiescência. Não se considerará como tortura as dores ou
sofrimentos que sejam consequência unicamente de sanções legítimas, ou que
sejam inerentes a tais sanções ou delas decorram.
A tortura é feita por uma autoridade pública específica torturadora (não
existe por particular) e sempre tem uma finalidade.
No Brasil:
Lei nº 9.455/1997:
Art. 1º “Constitui crime de tortura:
I – constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, cau-
sando-lhe sofrimento físico ou mental:
Direitos Humanos

a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de


terceira pessoa;
b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa;
c) em razão de discriminação racial ou religiosa;
55
II – submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego
de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como
forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo.”
No Brasil, a tortura pode ser feita por um particular.
Cada Estado tomará medidas eficazes de caráter legislativo, administrativo,
judicial ou de outra natureza, a fim de impedir a prática de atos de tortura em
qualquer território sob sua jurisdição.
Em nenhum caso poderão invocar-se circunstâncias excepcionais, como
ameaça ou estado de guerra, instabilidade política interna ou qualquer outra
emergência pública, como justificação para a tortura.
Nenhum Estado-parte procederá à expulsão, devolução ou extradição de
uma pessoa para outro Estado, quando houver razões substanciais para crer que
a mesma corre perigo de ali ser submetida à tortura.
Cada Estado-parte assegurará que todos os atos de tortura sejam conside-
rados crimes segundo a sua legislação penal. O mesmo aplicar-se-á à tentativa
de tortura e a todo ato de qualquer pessoa que constitua cumplicidade ou par-
ticipação no ato.
Cada Estado-parte assegurará que o ensino e a informação sobre a proibi-
ção da tortura sejam plenamente incorporados no treinamento do pessoal civil
ou militar encarregado da aplicação da lei, do pessoal médico, dos funcionários
públicos e de quaisquer outras pessoas que possam participar da custódia, inter-
rogatório ou tratamento de qualquer indivíduo submetido a qualquer forma de
prisão, detenção ou reclusão.
O Comitê contra a Tortura tem na sua composição dez peritos de elevada
reputação moral e reconhecida competência em matéria de direitos humanos,
os quais exercerão suas funções a título pessoal. Os peritos serão eleitos pelos
Estados-partes, levando em conta uma distribuição geográfica equitativa e a
utilidade da participação de algumas pessoas com experiência jurídica.
Funções:
• Analisar os relatórios apresentados pelos Estados;
• Caso considere necessário, pode estabelecer uma investigação confi-
dencial sobre possíveis violações;
• Pode recomendar medidas aos Estados e
• Análise de comunicações sobre violações à Convenção.
Todo Estado-parte na presente Convenção poderá declarar, a qualquer mo-
mento, que reconhece a competência do Comitê para receber e examinar as
Direitos Humanos

comunicações enviadas por pessoas sob sua jurisdição, ou em nome delas, que
aleguem ser vítimas de violação, por um Estado-parte, das disposições da Con-
venção. O Comitê não receberá comunicação alguma relativa a um Estado-
-parte que não houver feito declaração dessa natureza.
56
O Comitê considerará inadmissível qualquer comunicação recebida que
seja anônima, ou que, a seu juízo, constitua abuso do direito de apresentar
as referidas comunicações, ou que seja incompatível com as disposições da
presente Convenção.

5. Convenção contra Tortura: Comitê


5.1 Apresentação

Nesta unidade, daremos continuidade ao estudo da Convenção Con-


tra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou
Degradantes.

5.2 Síntese
Comunicações individuais:
• O Comitê examinará as comunicações recebidas à luz de todas as infor-
mações a ele submetidas pela pessoa interessada, ou em nome dela, e
pelo Estado-parte interessado.
• O Comitê levará todas as comunicações apresentadas ao conhecimento
do Estado-parte na presente Convenção que houver feito uma declaração
e sobre o qual se alegue ter violado qualquer disposição da Convenção.
• Dentro dos seis meses seguintes, o Estado destinatário submeterá ao
Comitê as explicações ou declarações por escrito que elucidem a ques-
tão e, se for o caso, que indiquem o recurso jurídico adotado pelo Esta-
do em questão.
O Protocolo Facultativo à Convenção Contra a Tortura e Outros Trata-
mentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes de 2002 tem por objetivo
estabelecer um sistema de visitas regulares efetuadas por órgãos nacionais e
internacionais independentes a lugares onde pessoas são privadas de sua li-
berdade, com a intenção de prevenir a tortura e outros tratamentos ou penas
cruéis, desumanos ou degradantes.
Cria um subcomitê com a função de analisar a prática de prevenção à tor-
tura. Tem os seguintes princípios: Confidencialidade, Imparcialidade, Não se-
Direitos Humanos

letividade, Universalidade e Objetividade.


O Subcomitê de Prevenção deverá ser constituído por 10 membros. Após
a quinquagésima ratificação ou adesão ao presente Protocolo, o número de
membros do Subcomitê de Prevenção deverá aumentar para 25.
57
Os membros do Subcomitê de Prevenção deverão ser escolhidos entre pes-
soas de elevado caráter moral, de comprovada experiência profissional no cam-
po da administração da justiça, em particular o direito penal e a administração
penitenciária ou policial, ou nos vários campos relevantes para o tratamento de
pessoas privadas de liberdade.
Cada Estado-parte deverá permitir visitas dos mecanismos referidos nos
arts. 2º e 3º a qualquer lugar sob sua jurisdição e controle onde pessoas são
ou podem ser privadas de sua liberdade, quer por força de ordem dada por
autoridade pública quer sob seu incitamento ou com sua permissão ou concor-
dância (doravante denominados centros de detenção). Essas visitas devem ser
empreendidas com vistas ao fortalecimento, se necessário, da proteção dessas
pessoas contra a tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou
degradantes.
Deveres do Estado:
• Receber o Subcomitê de Prevenção em seu território e franquear-lhe o
acesso aos centros de detenção, conforme definido no art. 4º do presen-
te Protocolo;
• Fornecer todas as informações relevantes que o Subcomitê de Preven-
ção solicitar para avaliar as necessidades e medidas que deverão ser
adotadas para fortalecer a proteção das pessoas privadas de liberdade
contra a tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou
degradantes;
• Encorajar e facilitar os contatos entre o Subcomitê de Prevenção e os
mecanismos preventivos nacionais e
• Examinar as recomendações do Subcomitê de Prevenção e com ele
engajar-se em diálogo sobre possíveis medidas de implementação.
Mecanismos preventivos nacionais – competências:
• Examinar regularmente o tratamento de pessoas privadas de sua liber-
dade, em centro de detenção conforme a definição do art. 4º, com vistas
a fortalecer, se necessário, sua proteção contra a tortura e outros trata-
mentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes;
• Fazer recomendações às autoridades relevantes com o objetivo de me-
lhorar o tratamento e as condições das pessoas privadas de liberdade e o
de prevenir a tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos
ou degradantes, levando-se em consideração as normas relevantes das
Direitos Humanos

Nações Unidas; e
• Submeter propostas e observações a respeito da legislação existente ou
em projeto.
58
Exercício
25. (FCC – 2009 – DPE – MA – Defensor Público) Nos termos da Con-
venção contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, De-
sumanos ou Degradantes, a tortura é:
a) Proibida em toda e qualquer circunstância, seja ameaça ou es-
tado de guerra, instabilidade política interna ou qualquer outra
emergência pública, sendo um crime impróprio em que a qua-
lidade de agente público é causa de aumento de pena.
b) Permitida excepcionalmente em estado de guerra, sendo um
crime próprio que tem como sujeito ativo um agente público.
c) Permitida excepcionalmente para o combate ao terrorismo, sen-
do um crime impróprio em que a qualidade de agente público
é causa de aumento de pena.
d) Proibida em toda e qualquer circunstância, seja ameaça ou es-
tado de guerra, instabilidade política interna ou qualquer outra
emergência pública, sendo um crime próprio que tem como
sujeito ativo um agente público.
e) Permitida excepcionalmente em estado de guerra, sendo um
crime impróprio em que a qualidade de agente público é causa
de aumento de pena.
Direitos Humanos
Capítulo 6

Direito Internacional
Humanitário

1. Convenção dos Direitos das Crianças


1.1 Apresentação

Nesta unidade, estudaremos a Convenção sobre os Direitos da Criança


de 1990.

1.2 Síntese
Conceito de criança: considera-se como criança todo ser humano com me-
nos de 18 anos de idade, a não ser que, em conformidade com a lei aplicável à
criança, a maioridade seja alcançada antes.
Todas as ações relativas às crianças, levadas a efeito por autoridades admi-
nistrativas ou órgãos legislativos, devem considerar, primordialmente, o interes-
se maior da criança.
60
Direitos:
1. Vida.
2. Estados devem assegurar sua sobrevivência e seu desenvolvimento.
3. A ser registrada imediatamente após seu nascimento.
4. Nome e a nacionalidade e, na medida do possível, a conhecer seus pais
e a ser cuidada por eles.
5. Preservação de sua identidade, inclusive a nacionalidade, o nome e as
relações familiares.
6. A não ser separada dos pais contra a vontade deles, salvo por decisão
judicial ao interesse maior da criança.
7. Todo pedido feito pela criança ou por seus pais para entrar ou sair de um
Estado com o objetivo de reunião da família, deve ser atendido.
8. De expressar suas opiniões livremente sobre todos os assuntos relaciona-
dos a ela.
9. Liberdade de expressão.
10. Liberdade de pensamento, de consciência e de crença.
11. Liberdade de associação e de realizar reuniões pacíficas.
12. Proteção contra interferências arbitrárias em sua vida particular, sua
família, seu domicílio, sua correspondência e sua honra e reputação.
13. Meios de comunicação que visem a promover seu bem-estar social,
espiritual e moral e sua saúde física e mental.
14. Cabe aos pais a responsabilidade primordial pela educação e pelo de-
senvolvimento da criança.
15. As crianças privadas do seu meio familiar terão direito à assistência es-
pecial do Estado.
16. Adoção deve respeitar o interesse maior da criança.
17. Dignidade da criança portadora de deficiências físicas ou mentais.
18. Saúde.
19. Direito de previdência social, inclusive do seguro social.
20. Educação.
21. Descanso e ao lazer, ao divertimento e às atividades recreativas próprias
da idade, bem como à livre participação na vida cultural e artística.
22. Proteção contra exploração econômica e contra o desempenho de qual-
quer trabalho que possa ser perigoso ou interferir em sua educação, ou que seja
nocivo para sua saúde ou para seu desenvolvimento físico, mental, espiritual,
moral ou social.
Direitos Humanos

23. Proteção contra todas as formas de exploração e abuso sexual.


24. A prisão de uma criança será efetuada como último recurso, e durante
o mais breve período de tempo que for apropriado, observadas as garantias pro-
cessuais típicas do direito penal.
61
Comitê para os Direitos da Criança:
O Comitê será integrado por 10 especialistas de reconhecida integridade
moral e competência nas áreas cobertas pela presente Convenção. Os mem-
bros do Comitê serão eleitos pelos Estados-partes dentre seus nacionais e exer-
cerão suas funções a título pessoal, tomando-se em devida conta a distribuição
geográfica equitativa, bem como os principais sistemas jurídicos.
Os Estados-partes se comprometem a apresentar ao Comitê, por intermé-
dio do Secretário-Geral das Nações Unidas, relatórios sobre as medidas que
tenham adotado com vistas a tornar efetivos os direitos reconhecidos na Con-
venção e sobre os progressos alcançados no desempenho desses direitos:
• Num prazo de dois anos a partir da data em que entrou em vigor para
cada Estado-parte a presente Convenção e
• A partir de então, a cada cinco anos.
A cada dois anos, o Comitê submeterá relatórios sobre suas atividades à Assem-
bleia Geral das Nações Unidas, por intermédio do Conselho Econômico e Social.
Os Estados-partes se comprometem a respeitar e a fazer com que sejam
respeitadas as normas do direito humanitário internacional aplicáveis em casos
de conflito armado no que digam respeito às crianças.
Os Estados-partes adotarão todas as medidas possíveis a fim de assegurar
que todas as pessoas que ainda não tenham completado 15 anos de idade não
participem diretamente de hostilidades.

Exercício
26. (Delegado de Polícia – 2003/SP) Complete:
A Convenção sobre Direitos da Criança considera como criança
todo ser humano com idade inferior a ____, a não ser quando por lei
de seu país a maioridade for determinada com idade mais baixa.
a) 12 anos.
b) 14 anos.
c) 16 anos.
d) 18 anos.

2. Refugiados
2.1 Apresentação
Direitos Humanos

Nesta unidade, estudaremos a Convenção Relativa ao Estatuto dos Re-


fugiados de 1951 e a Lei nº 9.474, de 22 de julho de 1997 (criou uma
instituição nacional).
62
2.2 Síntese
Refugiado é todo indivíduo que, temendo ser perseguido por motivos de
raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas encontre-se
fora de seu país de nacionalidade e não possa ou não queira valer-se da proteção
desse país; ou que, se não tem nacionalidade, encontra-se fora do país de sua
residência habitual e não pode ou não quer voltar a ele.
Condição de refugiado: aquele que é perseguido por seu país e solicita a
proteção de outro país.
Seus efeitos são extensivos ao cônjuge, ascendentes e descendentes.
As disposições desta Convenção não serão aplicáveis às pessoas que:
• Cometeram um crime contra a paz, um crime de guerra ou um crime
contra a humanidade, no sentido dado pelos instrumentos internacio-
nais elaborados para prever tais crimes;
• Cometeram um crime grave de direito comum fora do país de refúgio
antes de serem nele admitidas como refugiados;
• Tornaram-se culpadas de atos contrários aos fins e princípios das Na-
ções Unidas;
• Direitos do refugiado: os mesmos concedidos ao estrangeiro em geral,
bem como liberdade religiosa e respeito aos direitos adquiridos, sobre-
tudo os direitos de casamento (exceto se contrariar a ordem pública e os
bons costumes brasileiros); e
• Dever do refugiado: respeitar todas as leis e regulamentos do país que
lhe concedeu a proteção.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) foi
criado em 1950, vinculado à Assembleia Geral da ONU.
Tem a função de proteger internacionalmente os refugiados, mediante a faci-
litação de sua repatriação ou a sua assimilação em novas comunidades nacionais.
O Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) foi criado pela Lei nº
9.474, de 22 de julho de 1997, vinculado ao Ministério da Justiça.
Funções:
• Declarar o reconhecimento, a cessação ou perda da condição de refu-
giado.
• Orientar as ações de proteção, assistência e integração local dos refu-
giados.
Direitos Humanos

Exercício
27. (Defensor Público da União – 2007) Julgue se a assertiva é correta
ou incorreta:
63
No Brasil, o reconhecimento da condição de refugiado dá-se por
decisão da representação do Alto Comissariado das Nações Unidas
para refugiados ou por decisão judicial.

3. Direito Humanitário
3.1 Apresentação

Nesta unidade, estudaremos o Direito Humanitário.

3.2 Síntese
O Direito Humanitário é um conjunto de regras que tem como função
básica regulamentar uma situação de conflito armado. Visa limitar o direito
dos beligerantes em fazer a guerra.
Surgiu em 1859 quando o suíço Henri Dunan testemunhou a Batalha de
Solferino e, motivado pelo horroroso sofrimento de soldados feridos, iniciou
uma campanha que posteriormente resultaria na Convenção de Genebra e na
fundação da Cruz Vermelha.
O direito humanitário trabalha com as regras jus in bellum, ou seja, regras
referentes à condução das hostilidades.
Atenção: as regras do jus ad bellum, ou seja, direito de fazer a guerra é obje-
to do direito internacional público e não do direito internacional humanitário.
Princípio da humanidade: cláusula martens – as populações, assim como os
beligerantes, permanecem sob a garantia e o regime dos princípios do direito
das gentes preconizados pelos usos estabelecidos entre as nações civilizadas,
pelas leis da humanidade e pelas exigências da consciência pública. Significa
que o direito de fazer a guerra é limitado por razões de humanidade.
Correntes do direito humanitário:
• Direito de Haia:
Lida com a condução direta das hostilidades, ou seja, regulamenta os meios
e métodos de se fazer a guerra. Ex.: proibição de usar lança-chamas.
• Direito de Genebra:
São as normas internacionais referentes à proteção do indivíduo em tempo
de conflito armado.
Direitos Humanos

São as Convenções de Genebra de 1949.


• Direito de Nova York:
Referente à atuação da Organização das Nações Unidas.
Diferenças entre Direitos Humanos e Direito Internacional Humanístico
64
Teorias:
• Tese Integracionista:
Direito humanitário: aplicação de normas de direitos humanos em tempo
de guerra.
• Tese separatista:
Em momento algum, direitos humanos e direito humanitário se coadu-
nam, pois são distintos.
• Tese Complementarista:
Apesar de diferentes e autônomas, o tempo todo elas se complementam.
Esta é a que prevalece.
Instituição garantidora de direitos humanos: ONU.
Instituição garantidora do direito internacional humanitário: Comitê Inter-
nacional da Cruz Vermelha.

4. História e Natureza Jurídica da Cruz


Vermelha
4.1 Apresentação

Nesta unidade, estudaremos a natureza jurídica da Cruz Vermelha.

4.2 Síntese
Vejamos a diferença do direito humanitário em relação aos direitos humanos:
Os direitos humanos são aplicados em qualquer tempo e em tempo de paz;
admitem suspensão.
Já o direito internacional humanitário é aplicado em tempo de guerra e não
admite suspensão dos seus dispositivos presentes em tratados, pois seu objetivo
é trazer o mínimo de humanidade e dignidade em uma situação de guerra.
Guerra: conflito armado internacional com armamentos entre países.
O direito internacional humanitário não é aplicável em caso de distúrbios e
tensão internos, apenas em situação de conflitos internos.
Tempo da aplicação: situação de guerra declarada ou de fato. Não é neces-
Direitos Humanos

sária declaração formal de guerra para que o direito internacional humanitário


se faça presente.
Normas permanentes: referentes à promoção e à divulgação das suas dispo-
sições para as Forças Armadas de todos os países do mundo.
65
Grupos de pessoas protegidas: feridos, enfermos, náufragos, pessoal sanitá-
rio e religioso, prisioneiros de guerra e população civil.
Instituições garantidoras desses direitos:
Comitê Internacional da Cruz Vermelha: o Comitê está na origem do Mo-
vimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, entidade que representa
todo o desejo da sociedade internacional em evitar e aliviar os sofrimentos hu-
manos, sem discriminação, e proteger a dignidade da vida humana.
Além do CICV, o Movimento é constituído pelas Sociedades Nacionais da
Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, e pela Federação Internacional da
Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e possui, como órgão supremo de
deliberação, a Conferência Internacional, que reúne as três entidades do Mo-
vimento (Comitê, Sociedades e Federação), e cuja função é examinar e decidir
sobre quaisquer questões de direito humanitário.
Diplomacia humanitária: prática da Cruz Vermelha de mediar as partes
beligerantes em um conflito.
Normas básicas presentes nas quatro Convenções de Genebra e seus Pro-
tocolos Adicionais:
• Todas as pessoas fora de combate e aquelas que não participam direta-
mente das hostilidades, têm direito ao respeito à sua vida e à sua inte-
gridade física e moral e devem ser protegidas e tratadas humanamente
sem qualquer distinção de natureza desfavorável;
• Proibido matar ou ferir o inimigo que se rende ou que se encontre fora
de combate;
• Feridos e doentes devem ser recolhidos e assistidos pela parte em con-
flito que os detém em seu poder;
• Todos os combatentes capturados e os civis que estejam em poder da
parte inimiga têm direito ao respeito à sua vida, integridade e convic-
ções pessoais;
• Ninguém será submetido à tortura física ou mental, a castigo corporal
ou a tratamento cruel e degradante; e
• As partes em conflito devem sempre distinguir a população civil dos
combatentes, devendo aqueles serem protegidos.

Exercício
28. Quanto à Proteção Internacional dos Direitos Humanos, julgue se as
Direitos Humanos

assertivas são corretas ou incorretas:


As Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha – bem como do Cres-
cente Vermelho – são pessoas jurídicas de direito privado, constituí-
das segundo as leis dos países em que estão sediadas.
66
A atuação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha foi decisiva
na elaboração do denominado Direito de Genebra.
O Direito de Haia constitui um corpo de normas jurídicas escritas,
elaboradas a partir de duas conferências internacionais de paz, reali-
zadas em Haia, durante as quais foram elaboradas convenções multi-
laterais, que regulam o direito de ir à guerra, o direito de prevenção,
e as normas sobre a condução das hostilidades.
Direitos Humanos
67
Gabarito

1. Letra D. 16. Letra B.


2. Letra C. 17. Incorreta, Correta.
3. Letra D. 18. Correta.
4. Letra D. 19. Correta. Incorreta. Incorreta.
5. Letra C. Incorreta.
6. Letra E. 20. Correta.
7. Correta. 21. Letra E.
8. Letra B. 22. Letra A.
9. Letra D. 23. Correta.
10. Letra A. 24. Letra A.
11. Letra C. 25. Letra D.
12. Letra A. 26. Letra D.
13. Letra B. 27. Incorreta.
14. Correta. 28. Correta. Correta. Correta.
Direitos Humanos

15. Correta.