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Ex.

: Um caixa de supermercado que subtrai diariamen- culposo pode ser resultado qualificado, mas crime autônomo
te uma pequena quantia do dinheiro de seu caixa. ele não é. Não temos infanticídio culposo também. Só o homi-
cídio admite a forma culposa.
Crime Continuado Específico
ou Qualificado Dos Crimes Contra a Vida
Art. 71, Parágrafo Único Homicídio Simples
Art. 71, Parágrafo único. Nos crimes dolosos, contra
Art. 121. Matar alguém:
vítimas diferentes, cometidos com violência ou gra- Pena - reclusão, de seis a vinte anos.
ve ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando a
culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a Caso de Diminuição de Pena
§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo
personalidade do agente, bem como os motivos e as de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de
circunstâncias, aumentar a pena de um só dos crimes, violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação
se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo, da vítima, ou juiz pode reduzir a pena de um sexto a
observadas as regras do parágrafo único do Art. 70 e um terço.
do Art. 75 deste Código.
Homicídio Qualificado
Para a configuração do crime continuado específico, é neces-
§ 2º Se o homicídio é cometido:
sária a presença dos requisitos previstos no Art. 71, caput, mais os I. Mediante paga ou promessa de recompensa, ou
seguintes requisitos específicos: por outro motivo torpe;
ї Requisitos Específicos Cumulativos: II. Por motivo fútil;
▷ Crimes Dolosos. III. Com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia,
tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que pos-
▷ Vítimas Diferentes. sa resultar perigo comum;
▷ Violência e grave ameaça à pessoa. IV. À traição, de emboscada, ou mediante dissimu-
Consequência: o juiz poderá aumentar a pena de um só lação ou outro recurso que dificulte ou torne im-
dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o possível a defesa do ofendido;
triplo. V. Para assegurar a execução, a ocultação, a impu-
nidade ou vantagem de outro crime:
ї Para tanto, o juiz deverá considerar: Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
▷ Do agente:
» Culpabilidade. Feminicídio
» Antecedentes. VI. Contra a mulher por razões da condição de sexo
» Personalidade. feminino:
▷ Motivos de circunstâncias do crime. VII. Contra autoridade ou agente descrito nos Arts.

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142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do
Multas no Concurso de Crimes sistema prisional e da Força Nacional de Segurança
Pública, no exercício da função ou em decorrência
Art. 72. No concurso de crimes, as penas de multa são
dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou pa-
aplicadas distinta e integralmente.
rente consanguíneo até terceiro grau, em razão
4. Dos Crimes Contra a Pessoa dessa condição: (Incluído pela Lei nº 13.142, de
2015).
Os direitos e garantias individuais não têm caráter absoluto, Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
por esse motivo, o direito à vida é relativo. § 2º-A. Considera-se que há razões de condição de
Ex.: Pena de morte em caso de guerra externa. (Art. 5º, sexo feminino quando o crime envolve:
XLVII, “a”, CF/88). O crime de homicídio, capitulado nos I. Violência doméstica e familiar;
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crimes contra a vida, está descrito no Art. 121 do Código II. Menosprezo ou discriminação à condição de mu-
Penal, e versa sobre a eliminação da vida humana extrau- lher.
terina. § 7º A Pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um
Vejamos no quadro abaixo quais são os crimes dolosos con- terço) até a metade se o crime for praticado:
tra a vida, e suas principais peculiaridades:
I. Durante a gestação ou nos 3 (três) meses poste-
Crimes Contra a Vida riores ao parto;
Homicídio (Art. 121, CP) São todos crimes de Ação II. Contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior
penal incondicionada. de 60 (sessenta) anos ou com deficiência;
Participação em Suicídio (Art. 122, CP) São Julgados pelo tribunal
III. Na presença de descendente ou de ascendente
do Júri.
Infanticídio (Art. 123, CP) Obs.: O homicídio culposo
da vítima.
é julgado pelo Juiz. Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
Aborto (Arts. 124 a 126, CP) A Lei nº 13.104/2015 introduziu no Código penal uma nova
figura típica: o feminicídio. A pena para homicídio qualificado
Dos crimes culposos contra a vida, só temos o homicídio. é de 12 a 30 anos de prisão, e será aumentada em um terço se 33
Os demais não comportam a modalidade culposa, o aborto o crime acontecer durante a gestação ou nos três meses pos-
teriores ao parto; se for contra adolescente menor de 14 anos • São autoridades previstas no Art. 142 da CF/88
34 ou adulto acima de 60 anos ou ainda pessoa com deficiência. Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Mari-
Também se o assassinato for cometido na presença de descen- nha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições
dente ou ascendente da vítima. nacionais permanentes e regulares, organizadas com
Conceito base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade
Podemos definir como uma qualificadora do crime de homi- suprema do Presidente da República, e destinam-se
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cídio motivada pelo ódio contra as mulheres, tendo como ente à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitu-
motivador por circunstâncias específicas em que o pertenci- cionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da
mento da mulher ao sexo feminino é central na prática do delito. ordem.
Entre essas circunstâncias estão incluídos: os assassinatos em • São autoridades do Art. 144 da CF/88
contexto de violência doméstica ou familiar e o menosprezo ou Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e
discriminação à condição de mulher. responsabilidade de todos, é exercida para a preservação
Temos essa qualificadora conhecida como crime fétido. da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do pa-
trimônio, através dos seguintes órgãos:
Razões de Gênero
I. Polícia federal;
A qualificadora do feminicídio não poderá ser provada por
um laudo pericial ou exame cadavérico, porque nem sempre II. Polícia rodoviária federal;
um assassinado de uma mulher será considerado “feminicí- III. Polícia ferroviária federal;
dio”. Assim, para ser configurada a qualificadora do feminicí- IV. Polícias civis;
dio, a acusação tem que provar que o crime foi cometido con- V. Polícias militares e corpos de bombeiros milita-
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tra a mulher por razões da condição de sexo feminino. res.


O feminicídio foi acrescentado no § 2º-A. Essa conduta §8º Guardas municipais
tomou a forma de uma norma explicativa do termo razões da
condição de sexo feminino, podendo ocorrer em duas situações: Homicídio Culposo
▷ Violência doméstica e familiar; § 3º Se o homicídio é culposo:
▷ Menosprezo ou discriminação à condição de mulher; Pena - detenção, de um a três anos.
O § 7º do Art. 121 do CP estabelece causas de aumento de Aumento de Pena
pena para o crime de feminicídio. § 4º No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3
A pena será aumentada de 1/3 até a metade se for prati- (um terço), se o crime resulta de inobservância de re-
cado: gra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente
▷ Durante a gravidez ou nos 3 meses posteriores ao deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procu-
parto; ra diminuir as consequências do seu ato, ou foge para
▷ Contra pessoa menor de 14 anos, maior de 60 anos evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a
ou com deficiência; pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é pra-
▷ Na presença de ascendente ou descendente da ví- ticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior
tima. de 60 (sessenta) anos.
Art. 1º São considerados hediondos os seguintes cri- § 5º Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá
mes, todos tipificados no Decreto-Lei nº 2.848, de 7 deixar de aplicar a pena, se as consequências da infra-
de dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou ção atingirem o próprio agente de forma tão grave que
tentados: a sanção penal se torne desnecessária.
I. homicídio (Art. 121), quando praticado em ativi- § 6o A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a me-
dade típica de grupo de extermínio, ainda que co- tade se o crime for praticado por milícia privada, sob o
metido por um só agente, e homicídio qualificado pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por
(Art. 121, § 2º, incisos I, II, III, IV, V, VI e VII); grupo de extermínio.
Como todo homicídio qualificado, o feminicídio também é
considerado hediondo de acordo com o Art. 1º da Lei nº 8.072/90
Conceito
(Lei de Crimes Hediondos). O homicídio é morte injusta de uma pessoa praticada por
Essa qualificadora foi inserida pela Lei nº 13.142/2015, que outrem. De acordo com Nelson Hungria É o Crime por exce-
acrescentou objetivamente essa ação no rol dos crimes he- lência.
diondos no Art. 1º inciso I-A e também aumentou a pena de 1/3 No Art. 121, caput tem-se o chamado Homicídio Doloso Sim-
a 2/3 no Art. 129 (lesão corporal). ples. No Art. 121, § 1º, tem-se o chamado Homicídio Doloso Pri-
VII. Contra autoridade ou agente descrito nos Arts. vilegiado. O Art. 121, § 2 º, traz o Homicídio Doloso qualificado. O
142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do Art.121, § 3º, traz o Homicídio Culposo. O Art. 121, § 4º, do CP traz
sistema prisional e da Força Nacional de Segurança as Majorantes de Pena, o § 5º traz o Perdão Judicial.
Pública, no exercício da função ou em decorrência E o homicídio preterdoloso? Está previsto no Art. 129, § 3º do
dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou pa- CP: é a lesão corporal seguida de morte.
rente consanguíneo até terceiro grau, em razão Homicídio não é genocídio, são dois crimes distintos. Nem
dessa condição: todo homicídio em massa vai ser genocídio. Para ser genocídio
tem que se enquadrar na lei, o propósito tem que ser de exter- Ex.: “A”, portador do vírus HIV (AIDS) e sabedor desta
minar total ou parcialmente um grupo étnico, social ou religioso. condição, com a intenção de matar, tem relação sexual
Se o objetivo não for esse, não temos o genocídio. Pode ser ge- com “B”, com o fim de transmitir voluntária e dolosa-
nocídio segregando membros de um grupo, impedindo o nasci- mente o vírus a este último. Nesta situação, após a trans-
mento no seio de um grupo. Foi o que Saddam Hussein fez com missão, enquanto “B” não morrer, “A” responderá por
os Curdos no Iraque. tentativa de homicídio, após a morte de “B”, “A” respon-
derá por homicídio consumado.
Homicídio Simples
Art. 121. Matar alguém:
Homicídio Privilegiado
Sujeito Ativo: é crime comum, pode ser praticado por Art. 121, § 1º Se o agente comete o crime impelido por
qualquer pessoa. motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o do-
mínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta
Sujeito Passivo: da mesma forma, pode ser praticado por provocação da vítima, ou juiz pode reduzir a pena de
qualquer pessoa. Noronha entende que o Estado também fi- um sexto a um terço.
gura como vítima do homicídio, justificando existir um inte-
O Homicídio Privilegiado é caso de diminuição de pena,
resse do ente político na conservação da vida humana, sua
havendo diminuição de pena de 1/6 a 1/3. Essa diminuição de
condição de existência. pena é direito subjetivo do réu, sendo que, presentes os requi-
Alguns autores dizem ainda que, quando a vítima for Pre- sitos, o juiz deve reduzir a pena.
sidente da República, do Senado Federal ou da Câmara dos
Deputados, o crime pode ser contra a Segurança Nacional. Hipóteses Privilegiadoras
Pode estar enquadrado no Art. 121 do CP ou do Art. 29 da Lei • Se o agente comete o crime por motivo de relevan-
nº 7.170/83, que é matar alguém com motivação política. Caso te valor social
isso ocorra, se está diante do Princípio da Especialidade. No valor social, o agente mata para atender os interesses
Conduta Punida de toda coletividade.
A conduta punível nesse tipo penal nada mais é que tirar a Ex.: Matar estuprador do bairro; matar um assassino que
vida de alguém. Atente-se para a diferença: aterroriza a cidade.
▷ Vida intrauterina: abortamento – aborto. • Se o agente comete o crime por relevante valor
▷ Vida extrauterina: homicídio ou infanticídio. moral: o agente mata para atender interesses par-
Quanto ao início do parto, existem três correntes: ticulares, diferente do valor social
▷ 1ª Corrente: dá-se com o completo e total despren- Esses interesses morais são ligados aos sentimentos de
dimento do feto das entranhas maternas; compaixão, misericórdia ou piedade.
▷ 2ª Corrente: ocorre desde as dores do parto; Ex.: Eutanásia; A mata B porque matou o filho.

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Alguns autores salientam que há uma doutrina cada vez mais
▷ 3ª Corrente: ocorre com a dilatação do colo do útero.
recente de que a ortotanásia não seja crime, mas essa questão,
Forma de execução: trata-se de delito de execução livre, indagada em concurso do MP de SC, foi considerada tão crime
podendo ser praticado por ação ou omissão, meios de execu- como a eutanásia.
ção diretos ou indiretos.
• Se o agente comete o crime sob o domínio de vio-
Tipo Subjetivo: o Art. 121, caput é punido a título de dolo lenta emoção, logo em seguida a injusta provoca-
direto ou dolo eventual. ção da vítima - Homicídio Emocional
Verifica-se o dolo eventual quando o agente assumiu o
Atente-se que domínio não se confunde com mera influên-
risco de praticar a conduta delituosa. Atualmente os tribunais cia. A mera influência é uma atenuante de pena prevista no
vêm entendendo que quando o agente, embriagado, pratica Art. 65 do CP.
homicídio de trânsito, pode ser condenado pelo homicídio do
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

É necessário observar que o homicídio deve ocorrer logo


Art. 121 do CP, tendo em vista que, ao ingerir bebida alcoólica
após a injusta provocação da vítima, ou seja, deve haver ime-
e tomar a direção de um veículo, assumiu o risco de produzir
diatidade da reação (reação sem intervalo temporal). Entende
o evento danoso.
a jurisprudência que, enquanto perdurar o domínio da violenta
Consumação e Tentativa emoção, a reação será considerada imediata.
Trata-se de delito material ou de resultado, ou seja, o deli- Observa-se ainda que a provocação da vítima deve ser in-
to consuma-se com a morte. A morte dá-se com a cessação da justa, e isso não traduz, necessariamente, um fato típico. Pode
atividade encefálica. Cessando a atividade encefálica, o agente haver injusta provocação sem configurar fato típico, mas serve
será considerado morto, conforme se extrai da Lei nº 9.434/97 para configurar o homicídio emocional.
– Lei de Transplantes. A tentativa é possível, considerando que Ex.: Adultério.
o homicídio se trata de crime plurissubsistente, permitindo a Se for injusta a agressão da vítima, será caso de legitima
execução fracionamento. defesa.
O homicídio simples pode ser considerado crime hediondo O privilégio é sempre circunstância do crime. Sendo que
quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio. as circunstâncias subjetivas são incomunicáveis, nos termos do
É o chamado homicídio condicionado. O homicídio pode ser Art. 30 do CP. Já as circunstâncias objetivas são comunicáveis, 35
praticado através de relações sexuais ou atos libidinosos. nos termos do Art. 30, in fine.
Circunstâncias Subjetivas Circunstâncias Objetivas Nesse inciso I o legislador aqui encerrou de forma genéri-
36 Não se comunicam. Comunicam-se. ca, o que permite a interpretação analógica, ou seja, permite
Ligam-se ao motivo ou estado anímico Ligam-se ao meio / modo
ao juiz a análise de outras situações que aqui podem se en-
do agente de execução quadrar.
Como as privilegiadoras aqui citadas são Por Motivo Fútil
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

subjetivas, não haverá comunicabilidade em Segundo alguns autores é aquele que ocorre quando o
relação aos demais autores do crime, logo
não se aplica ao coautor se não restarem móvel apresenta real desproporção entre o delito e a sua cau-
comprovados os mesmos requisitos. sa moral. Tem-se a pequeneza do motivo (matar por pouca
coisa).
Homicídio Qualificado Ex.: Briga de trânsito.
O homicídio qualificado é sempre crime hediondo. Tem caráter SUBJETIVO, pois se refere à motivação do
agente para cometer o crime.
Homicídio Qualificado
É um motivo insignificante, de pouca importância, comple-
§ 2º Se o homicídio é cometido:
tamente desproporcional à natureza do crime praticado.
I. Mediante paga ou promessa de recompensa, ou
por outro motivo torpe; Atente-se que, motivo fútil não se confunde com motivo
injusto, uma vez que a injustiça é característica de todo e qual-
II. Por motivo fútil;
quer crime - injusto penal.
III. Com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfi-
xia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de Se não há motivo comprovado nos autos, poderá ser de-
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que possa resultar perigo comum; nunciado por homicídio qualificado pelo motivo fútil? Aqui há
IV. À traição, de emboscada, ou mediante dissimu- duas correntes:
lação ou outro recurso que dificulte ou torne im- 1ª Corrente: a ausência de motivos equipara-se ao motivo fú-
possível a defesa do ofendido; til, pois seria um contrassenso conceber que o legislador punisse
V. Para assegurar a execução, a ocultação, a impu- com pena mais grave quem mata por futilidade, permitindo que
nidade ou vantagem de outro crime: o que age sem qualquer motivo receba sanção mais branda. (MA-
Pena - reclusão, de doze a trinta anos. JORITÁRIA)
Motivo Torpe 2ª Corrente: a ausência de motivos não pode ser equiparada
É o motivo abjeto, ignóbil, vil, espelhando ganância. ao motivo fútil, sob pena de se ofender o princípio da reserva
É indagado se a qualificadora da torpeza se aplica também legal. É o que entende Cezar Roberto Bitencourt – para ele o
ao mandante, ou apenas para o executor. legislador que deve incluir a ausência de motivo no rol das qua-
Alguns autores dizem que a resposta depende se se en- lificadoras.
tende que essa qualificadora é uma elementar ou se é circuns- Com Emprego de Veneno, Fogo, Explosivo, As-
tância. Entendendo que se trata de circunstância, somente o
fixia, Tortura ou Outro Meio Insidioso ou Cruel,
executor responde pelo homicídio qualificado já que a circuns-
tância subjetiva não se comunica. Por outro lado, entendendo- ou de que Possa Resultar Perigo Comum
se que se trata de elementar subjetiva do crime, haverá co- Neste inciso, novamente se permite a interpretação analó-
municabilidade, estendendo-se a qualificadora ao mandante gica, trazendo alguns exemplos o inciso.
(ambos respondem pela qualificadora – mandante e executor). Tem caráter objetivo, pois se refere aos meios emprega-
Atualmente, prevalece a segunda hipótese, ou seja, que se dos pelo agente para o cometimento do homicídio.
trata de elementar subjetiva do crime, e mandante e executor
Esse inciso permite igualmente a interpretação analógica,
respondem pelo crime qualificado.
trazendo como exemplos o emprego de veneno, fogo, explosi-
Mediante Paga ou Promessa de Recompensa vo, asfixia ou tortura.
No caso de o agente matar mediante paga ou promessa de
No caso do emprego de veneno, é imprescindível que a
recompensa de natureza diversa da econômica, por exemplo,
sexual, continua se tratando de motivo torpe, pois não deixa vítima desconheça estar ingerindo a substância letal.
de se ajustar ao encerramento genérico, somente não con- No caso de tortura, o sofrimento é aquele desnecessário da
figurando o exemplo dado no início do inciso. É o chamado vítima antes da sua morte.
homicídio mercenário. Homicídio qualificado pela Tortura com resultado morte (Art.
Esse homicídio mercenário que nada mais é que um exem- tortura (Art. 121, § 2º, III, CP) 1º, § 3º, Lei nº 9.455/97)
plo de torpeza. O executor é chamado de matador de aluguel. Morte DOLOSA. Morte PRETERDOLOSA.
O crime, mediante paga ou promessa, é crime de concur- O agente tem o dolo de torturar
O agente utiliza a tortura para
so necessário (plurisubsistente – plurilateral – plurisubjetivo), provocar a morte da vítima.
a vítima, e da tortura resulta
exigindo-se pelo menos duas pessoas (mandante e executor). culposamente sua morte.
Neste caso, necessariamente a natureza é econômica, logo Competência do tribunal do júri. Competência do juiz.
se a vantagem era promessa sexual, entre outras, não incidirá A tortura foi o meio utilizado A tortura foi o fim desejado, mas a
a qualificadora. para a morte. morte foi culposa.
A Traição, de Emboscada, ou Mediante Dis- Homicídio Culposo
simulação ou Outro Recurso que Dificulte ou § 3º Se o homicídio é culposo:
Torne Impossível a Defesa do Ofendido Pena - detenção, de um a três anos.
O legislador cita como exemplos a traição, emboscada ou
dissimulação, finalizando de maneira genérica o que também
Conceito
permite a interpretação analógica. Ocorre o homicídio culposo quando o agente realiza uma
conduta voluntária, com violação de dever objetivo de cuida-
Tem caráter objetivo (modo de execução do crime).
do a todos imposto, por negligência, imprudência ou impe-
Conceitos: rícia, produzindo, por consequência, um resultado (morte)
Traição: ataque desleal, quebra de confiança. involuntário, não previsto e nem querido, mas objetivamente
Emboscada: aquele que ataca a vítima com surpresa. Ele previsível, que podia ter sido evitado caso observasse a devida
se oculta para surpreender a vítima. atenção.
Dissimulação: significa fingimento, disfarçando o agente Modalidades de Culpa
a sua intenção hostil.
Culpa negativa. O agente deixa de fazer aquilo que a
Ex.: Aquele que convida para ir à casa de outrem e, lá cautela manda.
Negligência
chegando, mata o convidado. Ex.: Viajar de carro com os freios danificados.
Para Assegurar a Execução, Ocultação, a Im- Culpa positiva. O agente pratica um ato perigoso.
Imprudência
punidade ou Vantagem de Outro Crime Ex.: Trafegar com veículo no centro da cidade a 180 km/h.
Tem caráter subjetivo (refere-se aos motivos do crime). Culpa profissional. É a falta de aptidão para o
exercício de arte, profissão ou ofício para a qual o
Trata das hipóteses de conexão teleológica e consequencial. agente, apesar de autorizado a exercê-la, não possui
ї Quando se comete o crime para assegurar a execução, Imperícia conhecimentos teóricos ou práticos para tanto.
classifica-se o homicídio como qualificado teleológico. Ex.: Médico ginecologista que começa a realizar
Ex.: “A” pretendendo cometer um crime de extorsão me- cirurgias plásticas sem especialização para tanto.
diante sequestro contra uma pessoa muito importante e Por se tratar de infração de médio potencial ofensivo (já
para assegurar a execução mata o segurança do empresário. que a pena mínima é de um ano) há possibilidade de suspen-
ї Já no homicídio consequencial são as seguintes hipóteses: são condicional do processo.
Conexão Consequencial Já quando ocorre o delito previsto no Art. 302 do CTB –
Quer evitar a descoberta do crime cometido pelo agente. homicídio culposo na condução de veículo automotor – a pena
Ocultação
Ex.: Ocultar o cadáver após o homicídio. é detenção de dois a quatro anos + a suspensão ou proibição
O criminoso procura evitar que se descubra que ele foi da permissão de conduzir veículo.

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Impunidade o autor do crime.
Art. 121, §3º, CP Art. 302, CTB
Ex.: Matar a testemunha ocultar de um crime.
O agente que usufruir a vantagem decorrente da Norma especial: na direção de
Norma geral
prática de outro crime. veículo automotor.
Vantagem
Ex.: Um ladrão mata o outro para ficar com todo o
dinheiro do roubo praticado por ambos. A pena é de 02 a quatro anos
Pena varia de 01 a 03 anos à infração
à infração penal de grande
penal de médio potencial ofensivo.
O STF tem admitido a coexistência do privilégio (caráter sub- potencial ofensivo.
jetivo) com as qualificadoras de caráter objetivo (chamado homi-
Não admite suspensão condi-
cídio privilegiado-qualificado). Admite a suspensão do processo.
cional do processo.
Ex.: “A” matou “B” envenenado porque este último es-
tuprou a filha de “A”. Aumento de Pena
O homicídio privilegiado-qualificado não é considerado
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

§ 4º No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3


hediondo (pois a existência do privilégio afasta a hediondez (um terço), se o crime resulta de inobservância de re-
do homicídio qualificado). gra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente
Matar por ocasião de outro crime, sem vínculo finalístico, deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procu-
não qualifica o crime. ra diminuir as consequências do seu ato, ou foge para
O crime futuro deve ocorrer para gerar a conexão teleoló- evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a
gica? O crime futuro não precisa ocorrer para gerar esta quali- pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é pra-
ficadora, bastando matar para essa finalidade. ticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior
Há possibilidades do homicídio qualificado ser privilegia- de 60 (sessenta) anos.
do? Sim. Há essa possibilidade, quando as qualificadoras são Aqui se tem o rol das majorantes do homicídio doloso e o
objetivas. rol das majorantes do homicídio culposo.
Ou seja, uma da privilegiadoras, e uma das qualificadoras • Aumento de pena de 1/3
do meio cruel ou da torpeza (objetivas). Se o crime resulta de inobservância de regra técnica de
Para a maioria da doutrina, o homicídio qualificado quan- profissão, arte ou ofício: neste caso, apesar do agente dominar
do também privilegiado não será hediondo, uma vez que o a técnica, não observa o caso concreto. É diferente da imperí- 37
privilégio é preponderante. cia, pois nessa hipótese, o agente não domina a técnica.
Se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima: Ex.: Pai culposamente atropela filho na garagem de casa.
38 neste caso, é necessário para a incidência da majorante que o Natureza jurídica da sentença concessiva de perdão ju-
socorro seja possível, e que o agente não tenha risco pessoal dicial: De acordo com a Súmula 18 do STJ: A sentença conces-
na conduta. siva do perdão judicial é declaratória da extinção da punibili-
Não incide aumento quando terceiros prestarem socorro dade, não subsistindo qualquer efeito condenatório.
ou morte instantânea incontestável.
Perdão Judicial e Código de Trânsito Brasileiro: O perdão
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Neste caso, não incide também o Art. 135 do CP (omissão


judicial no CTB estava previsto no Art. 300, mas este foi vetado.
de socorro), para evitar o bis in idem.
De acordo com o STF, se o autor do crime, apesar de reunir Causa Específica de Aumento de Pena
condições de socorrer a vítima não o faz, concluindo pela inutilida- § 6º. A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a me-
de da ajuda em face da gravidade da lesão, sofre a majorante do tade se o crime for praticado por milícia privada, sob o
Art. 121, § 4º, do CP: pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por
Se não procura diminuir as consequências do seu ato; grupo de extermínio.
Se foge para evitar prisão em flagrante: para a maioria da Esse parágrafo foi introduzido no Código Penal pela Lei nº
doutrina esta majorante é aplicável, pois o agente demonstra, ao 12.720 de 27 de setembro de 2012, juntamente com a mudança
fugir do flagrante, ausência de escrúpulo e diminuta responsabili- no § 7º do crime de lesão corporal (Art. 129 do CP) e o novo
dade moral, lembrando que prejudica as investigações.
crime de constituição de milícia privada (Art. 288-A do CP).
Para a doutrina moderna, essa majorante não deveria incidir,
pois a pessoa estaria obrigada, nessa hipótese, a produzir prova É uma majorante de concurso necessário, visto que um
contra si mesma, o que vai de encontro ao instituto de liberdade, grupo não pode ser constituído por uma ou duas pessoas.
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e já que a fuga sem violência não é crime e daí que não poderia O legislador omitiu qual o número mínimo exigido para a
também incidir essa majorante. (Defensoria Pública). configuração desses grupos de extermínio ou milícias, mas a
No homicídio doloso a pena é aumentada de 1/3 se o crime
interpretação que predomina é de no mínimo 03 pessoas.
é praticado contra:
▷ Menor de 14 anos; Para que ocorra essa causa especial de aumento de
pena, se faz necessário um especial fim de agir do grupo
▷ Maior de 60 anos (não abrange aquele que tem ida-
de igual a 60 anos). de milícia privada (pretexto de prestação de serviço de
A idade da vítima deve ser conhecida pelo agente. segurança). Essa majorante também é aplicada se for co-
metida por somente um integrante do grupo, somente se
E se, quando do disparo de arma de fogo, a vítima tenha
menos de 14 anos, e quando falece já é maior de 14, incide a o referido homicídio já teria sido planejado pela milícia an-
majorante? SIM, neste caso analisa-se se na ocasião da ação a teriormente.
vítima era menor de 14 anos. Ex.: O que ocorre nas favelas do Rio de Janeiro.
• Perdão Judicial Induzimento, Instigação ou
§ 5º Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá
deixar de aplicar a pena, se as consequências da infra-
Auxílio ao Suicídio
ção atingirem o próprio agente de forma tão grave que Art. 122. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou
a sanção penal se torne desnecessária. prestar-lhe auxílio para que o faça:
Conceito: Segundo alguns autores, perdão judicial é o insti- Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se
tuto pelo qual o Juiz, não obstante a prática de um fato típico e consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentati-
ilícito, por um agente comprovadamente culpado, deixa de lhe va de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave.
aplicar, nas hipóteses taxativamente previstas em lei, o preceito Parágrafo único. A pena é duplicada:
sancionador cabível, levando em consideração determinadas cir-
Aumento de Pena
cunstâncias que concorrem para o evento.
I. Se o crime é praticado por motivo egoístico;
O perdão judicial somente é concedido após a sentença.
II. Se a vítima é menor ou tem diminuída, por qual-
O perdão judicial é uma causa extintiva da punibilidade.
E caso seja indagado pelo examinador acerca da diferença do quer causa, a capacidade de resistência.
perdão judicial para o perdão do ofendido, é necessário ob- Introdução
servar que:
Para o Direito Penal Brasileiro, não é passível de punição a
Perdão Judicial Perdão do Ofendido conduta do agente que tem como objetivo o extermínio da sua
É ato unilateral (não precisa ser É ato bilateral (precisa ser aceito própria vida, ou seja, aquele que comete o suicídio (autocídio/
aceito pelo agente). pelo agente). autoquíria), bem como a possível lesão que o sujeito venha a
Homicídio culposo ou lesão corporal sofrer caso sua tentativa não obtenha sucesso, devido à falta
Somente na ação penal privada.
culposa. de previsão legal para tal conduta.
O perdão judicial somente ocorre no homicídio culposo, se Contudo, o objetivo da norma penal ao tipificar essa con-
as circunstâncias da infração atingirem o agente de forma tão duta é punir o agente que participa na ocorrência do crime, au-
grave que a sanção penal se torne desnecessária. xiliando, induzindo ou instigando alguém a cometer o suicídio.
Classificação O auxílio deve ser eficaz, ou seja, precisa contribuir efetiva-
É crime simples, comum, e material, pois sua consumação mente para o suicídio. Desse modo, se “A” empresta uma arma
exige resultado. É crime de forma livre. Pode ser praticado por de fogo para “B” se matar, mas este acabe utilizando uma corda
ação ou por omissão IMPRÓPRIA, quando presente o dever de (enforcamento), nesse caso, a conduta de “A” será atípica.
agir. (Art. 13, § 2º, CP) Apontamentos
Condutas acessórias à prática do suicídio: Exige-se que o agente imprima seriedade em sua condu-
▷ Induzir: Implantar a ideia. ta, querendo que a vítima efetivamente se suicide (dolo).
▷ Instigar: Reforçar a ideia preexistente. Não há crime se o agente fala, por brincadeira, para a víti-
▷ Auxiliar: Intromissão no processo físico de causação. ma se matar e esta realmente se mata.
Sujeitos Não caracteriza constrangimento ilegal a coação (força)
exercida para impedir o suicídio (Art. 146, § 3º, II, CP).
Sujeito Ativo: crime comum, pode ser praticado por qual-
quer um. Causas de Aumento de Pena
Sujeito Passivo: alguém que tenha capacidade para agir, (Art. 122, Parágrafo Único) A pena será duplicada
se o crime for cometido:
pois caso contrário será crime de homicídio. Se ela tiver relati-
va capacidade (de 14 até fazer 18 anos – Art. 224, “a” e 217-A, É o que revela individualismo exagerado.
O agente almeja alcançar algum proveito,
CP), incorrerá na pena do Art. 122, parágrafo único, II, CP. econômico ou não, como consequência do
Natureza Jurídica do Art. 122, CP: Nelson Hungria, Luiz Re- suicídio da vítima.
gis Prado, Aníbal Bruno e Rogério Greco – Condição Objetiva Por motivo egoístico Ex.: filho único induz o pai a se suicidar para
de Punibilidade, porque o crime se perfaz quando se instiga, ficar com sua herança. O Vice-presidente
de uma empresa instiga o presidente (o
induz ou auxilia. Mas a lei condiciona a punibilidade dessa con- qual está com depressão) a se matar para
duta à ocorrência do suicídio, ou pelo menos da lesão grave. assumir seu cargo.
São resultados que se encontram fora do Tipo e, por isso, são ATENÇÃO: A vítima tem que ser menor de
condições que a Lei coloca para que o Estado possa exercer o Se a vítima é menor 18 e maior que 14 anos. Caso a vítima seja
ius puniendi. menor de 14 anos o crime será de homicídio.
Art. 13, § 2º, CP. A omissão é penalmente relevante É a pessoa mais propensa a ser influenciada
quando o omitente devia e podia agir para evitar o re- pela participação em suicídio.
sultado. O dever de agir incumbe a quem: Se a vítima tem di-
Ex.: pessoa parcialmente embriagada,
minuída, por qualquer
a) Tenha por lei obrigação de cuidado, proteção sob efeito de entorpecente, com idade
causa, a capacidade
ou vigilância; avançada.
de resistência

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Obs.: Se o ébrio estiver completamente
b) De outra forma, assumiu a responsabilidade de
inconsciente o crime será homicídio.
impedir o resultado;
c) Com seu comportamento anterior, criou o risco Pacto de Morte ou Suicídio a Dois
da ocorrência do resultado.
Duas pessoas resolvem se suicidar conjuntamente. Ex.: câmara de gás.
A conduta só é punida na forma dolosa (o agente que par-
Podem ocorrer as seguintes situações:
ticipa), NÃO existindo previsão para modalidade culposa.
Descrição do crime: é conhecido também como o crime de “A” e “B” sobre-
viveram e não
participação em suicídio. Ademais, a participação deve dirigir- ocorreu lesão
Os dois abriram a Os dois responderão por
se a pessoa(as) determinada (as), pois NÃO é punível a parti- torneira de gás. tentativa de homicídio.
corporal grave (ou
cipação genérica (um filme, livro, que estimule o pensamento gravíssima).
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

suicida). “A” e “B” sobre-


“A” responderá por tentati-
Sendo a conduta criminosa composta de vários verbos viveram e não
“A” abriu a va de homicídio e “B” não
(induzir, instigar, auxiliar), ainda que o agente realize as três ocorreu lesão
torneira. responderá por nada (Fato
corporal grave (ou
condutas, o crime será único, respondendo desta forma, ape- gravíssima).
Atípico).
nas pelo Art. 122 do CP.
“A” e “B” sobre-
Considerações viveram, mas “B”
“A” responderá por tenta-
“A” abriu a tiva de homicídio e “B” re-
Na participação material, o auxílio deve ser acessório, ficou com lesão
torneira. sponderá por participação
pois, caso seja direto e imediato, o crime será o de homicí- corporal grave (ou
em suicídio (Art. 122).
gravíssima).
dio, visto que o sujeito não pode, em hipótese alguma, realizar
uma conduta apta a eliminar a vida da vítima. “A” morreu e “B” “A” abriu a
“B” responderá por
Ex.: “A” empresta sua arma de fogo para “B”, contudo, participação em suicídio
sobreviveu. torneira.
(Art. 122).
“B” solicita para que esse (“A”) efetue o disparo em sua
cabeça. “A” morreu e “B” “B” abriu a “B” responderá por 39
sobreviveu. torneira. homicídio.
Roleta-Russa e Duelo Americano na qualidade de partícipe. Mas aqui surgem duas correntes em
40 face da injustiça existente:
Os Sobreviventes Responderão pelo Crime: Corrente Majoritária: o médico responde pelo Art. 121 do
A arma de fogo (revólver) é municiada com um CP e a parturiente responde pelo Art. 123 para sanar a injustiça
único projétil, sendo o gatilho acionado por ambos existente.
Roleta-russa os participantes – conforme sua ordem – girando o Sujeito Passivo: é próprio, ou seja, somente aquele que é
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

“tambor” da arma a cada nova tentativa. “A” gira o


tambor, mira em sua cabeça, e aciona o gatilho. o nascente (durante o parto) ou neonato (logo após o parto).
Diante da especialidade, tanto do sujeito ativo como do
Existem duas armas, sendo que apenas uma sujeito passivo, o crime é considerado bipróprio.
está municiada, cada um escolhe a sua e efetiva
Duelo-Americano Supondo que a mãe mate aquele que supõe ser seu filho,
o disparo contra si mesmo, desconhecendo qual
efetivamente está carregada. mas na verdade é filho de outrem. Nesse caso continuará res-
pondendo pelo crime de infanticídio, diante da aplicação do
Infanticídio Art. 20 do CP, que determina a consideração das qualidades
Art. 123. Matar, sob a influência do estado puerperal, o da vítima virtual.
próprio filho, durante o parto ou logo após: Conduta
Pena - detenção, de dois a seis anos. A conduta punível é tirar a vida extrauterina do próprio fi-
Conceito lho, durante ou logo após o parto.
O Art. 123 do CP é um homicídio especial, dotado de especia- ї Tem-se o matar + as seguintes especializantes:
lizastes, possuindo pena menor, o que implica o fato de ser consi- Elemento temporal constitutivo do tipo: durante ou logo
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derado Homicídio Privilegiado. após o parto. Se for antes do parto, o crime é de aborto. Se,
após o parto, o crime é de homicídio.
Requisitos Influência do estado puerperal: a doutrina afirma que, o
▷ Praticado pela própria mãe contra seu filho; logo após perdura enquanto presente a influência do estado
▷ Durante ou logo após o parto; puerperal. Enquanto a gestante estiver sob a influência do es-
▷ Contra recém-nascido (neonato); tado puerperal, o elemento temporal constitutivo estará pre-
▷ Sob influência de estado puerpério (lapso temporal sente. Estado puerperal é um desequilíbrio fisio-psíquico.
até que a mulher volte ao ciclo menstrual normal). Estado puerperal: Conforme Sanches, é o estado que
Trata-se de um crime próprio (praticado pela própria envolve a parturiente durante a expulsão da criança do
mãe). ventre materno, produzindo profundas alterações psíqui-
cas e físicas.
É um crime comissivo (ação) ou omissivo (omissão im-
própria), sendo também um crime material, consuma-se, efe- Puerpério é o período que se estende do início do parto
até a volta da mulher às condições pré-gravidez.
tivamente, com a morte da vítima.
É preciso, também, que haja uma relação de causa e efei-
Sujeitos to entre o estado puerperal e o crime, pois nem sempre ele
Sujeito Ativo: o sujeito ativo aqui é a mãe, sob influência produz perturbações psíquicas na parturiente. Esse alerta se
do estado puerperal. encontra na exposição de motivos do CP.
Indaga-se se o crime em questão admite concurso de pes- Dependendo do grau do estado puerperal é possível que
soas (coautoria e participação)? a parturiente seja tratada como inimputável ou semi-imputá-
Sobre essa pergunta existem duas correntes: vel? Sim. Dependendo do grau de desequilíbrio fisio-psíquico,
a parturiente pode sofrer o mesmo tratamento do inimputável
1ª Corrente: o estado puerperal é condição personalís- ou semi-imputável. Essa é a posição de Mirabete.
sima incomunicável, logo, não admite concurso de pessoas.
Mas atente-se que o CP não reconhece essa condição perso- Tipo Subjetivo
nalíssima – não tem previsão do Art. 30 do CP. O crime descrito no Art. 123 é punido a título de dolo, não
2ª Corrente: o estado puerperal é condição pessoal comu- havendo possibilidade de punição na modalidade culposa.
nicável, pelo que é admitido o concurso de agentes. (Majori- Consumação e tentativa:
tária) O crime se consuma com a morte, sendo perfeitamente
ї Alguns autores dividem dessa forma: possível a tentativa.
1ª Situação: parturiente e médico matam o nascente ou
neonato. Parturiente responde pelo Art. 123 e o médico tam-
Aborto Provocado pela Gestante
bém responde pelo Art. 123 em coautoria. ou com seu Consentimento
2ª Situação: parturiente, auxiliada pelo médico, mata nas- Art. 124. Provocar aborto em si mesma ou consentir
cente ou neonato. A parturiente responde pelo Art. 123 e o mé- que outrem lhe provoque:
dico também, como partícipe. Pena - detenção, de um a três anos.
3ª Situação: médico, auxiliado pela parturiente, mata nas- O crime de aborto ocorre quando há a interrupção da gra-
cente ou neonato. O médico responderá pelo crime de homi- videz, ocasionando a morte do produto da geração, procria-
cídio e a parturiente, também responderia pelo Art. 121 do CP ção, concepção, ou seja, é a eliminação da vida intrauterina.
Sob o aspecto jurídico, a gravidez tem início com a nidação Consumação e Tentativa
(implantação do óvulo fecundado no útero – parede uterina). Ocorre com a morte do feto. É dispensável a expulsão do
Portanto, não há crime de aborto quando da utilização de produto da concepção.
meios que inibem a fixação do ovo na parede uterina. É o que É admitida a tentativa.
ocorre com o DIU (diafragma intrauterino).
Espécies de Aborto Classificação Doutrinária
Criminoso Interrupção dolosa da gravidez (Arts. 124 a 127, CP).
O aborto é crime: material, próprio e de mão própria ou co-
mum, instantâneo, comissivo ou omissivo, de dano, unissubjetivo,
Não há crime por expressa previsão legal. Art. 128, CP:
unilateral ou de concurso eventual, plurissubjetivo ou de concurso
I) Quando não há outro meio para salvar a vida da
Legal ou
gestante (aborto necessário ou terapêutico);
necessário, plurissubsistente, de forma livre, progressivo.
Permitido O Art. 20 da LCP diz que constitui contravenção penal a
II) Quando a gravidez resulta de estupro (aborto
sentimental ou humanitário). conduta de anunciar processo, substância ou objeto destinado
Natural Interrupção espontânea da gravidez. Não há crime. a provocar aborto.

Acidental
A gestante sofre um acidente qualquer e perde o Análise do Tipo Penal
bebê. Não é crime, por ausência de dolo.
1ª parte: provocar aborto em si.
Eugênico ou Interrupção da gravidez para evitar o nascimento da É o autoaborto, um crime próprio e de mão própria.
Eugenésico criança com graves deformidades genéticas. É crime.
Admite participação:
Econômico Interrupção da gravidez para não agravar a situação de
ou Social miséria enfrentada pela mãe ou por sua família. É crime. Ex.: Mulher gestante ingere medicamento abortivo que
lhe foi dado por seu namorado e provoca o aborto. Nesta
Objetividade Jurídica situação a gestante é autora de autoaborto e seu namo-
Vida humana. No aborto provocado por terceiro SEM o con- rado é partícipe (induzir, instigar ou auxiliar) deste crime.
sentimento da gestante (Art. 125), protege-se também a integri- Todavia, se o namorado tivesse executado qualquer ato
dade física e psíquica da gestante. de provocação do aborto seria autor do crime previsto no
Art. 126, CP (aborto com o consentimento da gestante).
Objeto Material O partícipe do autoaborto, além de responder por este
O produto da concepção (óvulo fecundado, embrião ou crime, pratica ainda homicídio culposo ou lesão corporal cul-
feto). posa se ocorrer morte ou lesão corporal grave em relação à
Deve haver prova da gravidez, pois se a mulher não está gestante, pois o disposto no Art. 127 não se aplica ao crime do
grávida, ou se o feto já havia morrido por outro motivo qual- Art. 124.
quer será crime impossível por absoluta impropriedade do Quanto à gestante que provoca aborto em si mesma, o
objeto (Art. 17, CP). aborto legal ou permitido, duas situações podem ocorrer:

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O feto deve estar alojado no útero materno. Desse modo, ▷ Se for aborto necessário ou terapêutico: não há cri-
se ocorrer a destruição de um tubo de ensaio que contém um me (estado de necessidade);
óvulo fertilizado in vitro não haverá aborto. ▷ Se for aborto sentimental ou humanitário: há crime,
O feto não necessita ter viabilidade. Basta que esteja vivo pois nesta modalidade somente é autorizado no
antes do crime. aborto praticado pelo médico.
Sujeitos do Crime 2ª parte: consentir para que 3º lhe provoque o aborto.
Sujeito Ativo: Os crimes do Art. 124, CP são de mão pró- O legislador criou uma exceção à teoria monista ou unitá-
pria, pois somente a gestante pode provocar aborto em si ria no concurso de pessoas (Art. 29, Caput, CP) e criou crimes
mesma ou consentir que um terceiro lhe provoque. Não admi- distintos: a gestante responde pelo Art. 124, 2ª parte, CP e o
tem coautoria, mas admite participação. É crime comum nos terceiro que provoca o aborto responde pelo Art. 126, CP.
Esse crime é de mão própria, pois somente a gestante
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

demais casos.
Sujeito Passivo: é o feto. No aborto provocado por terceiro pode prestar o consentimento. Não admite coautoria, mas ad-
SEM o consentimento da gestante (Art. 125) as vítimas são o mite participação.
feto e a gestante. A gestante dever ter capacidade e discernimento para
É crime de forma livre. Pode ser praticado de forma co- consentir (ser maior de 14 anos e ter integridade mental). E o
missiva ou omissiva (Ex.: deixar dolosamente de ingerir me- consentimento deve ser válido (isento de fraude e não tenha
dicamentos necessários para a preservação da gravidez). Se, sido obtido por meio de violência ou grave ameaça).
contudo, o meio de execução for absolutamente ineficaz será Aborto Provocado por Terceiro
crime impossível (Ex.: despachos, rezas e simpatias).
Art. 125. Provocar aborto, sem o consentimento da
Elemento Subjetivo gestante:
É o dolo, direto ou eventual. Pena - reclusão, de três a dez anos.
Não existe o crime de aborto culposo Sujeito ativo: qualquer pessoa
Se a própria gestante agir culposamente e ensejar o abor- Sujeito passivo: produto da concepção e a gestante.
to, o fato será atípico. Já o terceiro que provoca aborto por Art. 126. Provocar aborto com o consentimento da 41
culpa responde por lesão corporal culposa contra a gestante. gestante:
Pena - reclusão, de um a quatro anos. Se o aborto necessário for realizado por ENFERMEIRA, ou
42 Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se por qualquer pessoa que não o médico, duas situações podem
a gestante não é maior de quatorze anos, ou é alienada ocorrer:
ou débil mental, ou se o consentimento é obtido me- ▷ Há perigo atual para a gestante: estado de necessi-
diante fraude, grave ameaça ou violência. dade (Art. 24, CP);
Considerações ▷ Não há perigo atual: há crime de aborto.
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

É crime de concurso necessário. Aborto no Caso de Gravidez Resultante de Estupro


O legislador criou uma exceção à teoria monista ou unitá- II. Se a gravidez resulta de estupro e o aborto é pre-
ria no concurso de pessoas (Art. 29, Caput, CP) e criou crimes cedido de consentimento da gestante ou quando
distintos: a gestante responde pelo Art. 124, 2ª parte, CP e o incapaz, de seu representante legal.
terceiro que provoca o aborto responde pelo Art. 126, CP. Necessita de três requisitos:
O consentimento da gestante (expresso ou tácito) deve ▷ Ser praticado por médico;
subsistir até a consumação do aborto. Se durante a prática ▷ Consentimento válido da gestante ou de seu repre-
do crime ela se arrepender e solicitar ao terceiro a parali- sentante legal (se for incapaz);
sação das manobras letais, mas não for obedecida, para ela ▷ Gravidez resultante de estupro.
o fato será atípico, e o terceiro responderá pelo crime do
Nesta hipótese, como não há perigo atual para a vida da
Art. 125, CP.
gestante, haverá o crime de aborto se praticado por qualquer
Se três ou mais pessoas associarem-se para o fim de pessoa que não seja o médico.
praticarem abortos, responderão pelo crime de Associação
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O aborto será permitido mesmo que a gravidez resulte


Criminosa (Art. 288, CP) em concurso material com os abor- de ato libidinoso diverso da conjunção carnal (Ex.: Sexo anal,
tos efetivamente realizados. estupro de vulnerável) em razão da mobilidade dos esperma-
Se não tiver o consentimento da gestante responde pelo tozoides. É considerada uma hipótese de analogia in bonam
Art. 125 do CP. partem.
Caso a gestante consentir, mas seu consentimento não Não se exige autorização judicial para a realização desta
seja válido, por se enquadrar em alguma das hipóteses do pa- espécie de aborto permitido.
rágrafo único do Art. 126 (gestante não maior de 14 anos ou
alienada mental ou consentimento obtido através de fraude, Considerações
grave ameaça ou violência), os agentes responderão pelo cri- São causas especiais de exclusão da ilicitude. Embora o
me do Art. 125 do CP. aborto praticado em tais situações seja fato típico, não há cri-
Forma Qualificada me pelo fato de serem hipóteses admitidas pelo ordenamento
jurídico.
Art. 127. As penas cominadas nos dois artigos anterio- Ambos devem ser praticados por médico (este não precisa
res são aumentadas de um terço, se, em consequência de autorização judicial para realizar estas espécies de aborto).
do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo,
a gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são Aborto sentimental também é autorizado quando a gra-
duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobre- videz decorrer de estupro de vulnerável (analogia in bonam
vém a morte. partem).
Esses resultados são preterdolosos advindos da prática Aborto Econômico: não está previsto no ordenamento ju-
abortiva, ou seja, são resultados que só poderão ser imputa- rídico. Se praticado será crime de aborto.
dos a título de culpa. Se houver dolo em relação a esses resul- De acordo com o Código Penal, existem apenas duas moda-
tados haverá concurso. lidades permissivas de aborto previstas no Art. 128 do CP (abor-
to necessário e aborto sentimental).
Aborto Necessário No entanto, em abril de 2012, o STF no julgamento da
Art. 128. Não se pune o aborto praticado por médico: ADPF 54 passou a admitir uma terceira modalidade: o aborto
Se não há outro meio de salvar a vida da gestante; de feto anencefálico (malformação fetal que leva à ausência de
Depende de dois requisitos: cérebro e à impossibilidade de vida).
▷ Que a vida da gestante corra perigo em razão da Para tanto, não há necessidade de autorização judicial.
gravidez; Basta um laudo formal do médico atestando a anencefalia e a
▷ Que não exista outro meio de salvar sua vida. (Desse inviabilidade de vida.
modo, há crime de aborto quando interrompida a O aborto de feto anencefálico é uma espécie de aborto
gravidez para preservar a saúde da gestante). eugênico.
O risco para a vida da gestante não precisa ser atual. Basta
que exista, isto é, que no futuro possa colocar em perigo a vida Das Lesões Corporais
da mulher. Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de
Não necessita do consentimento da gestante e não haverá outrem:
crime quando a gestante se recusa a fazê-lo e o médico provo- Pena - detenção, de três meses a um ano.
ca o aborto necessário. Lesão Corporal de Natureza Grave
§ 1º Se resulta: § 12 Se a lesão for praticada contra autoridade ou
I. Incapacidade para as ocupações habituais, por agente descrito nos Arts. 142 e 144 da Constituição
mais de trinta dias; Federal, integrantes do sistema prisional e da Força
II. Perigo de vida; Nacional de Segurança Pública, no exercício da função
ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, com-
III. Debilidade permanente de membro, sentido ou
panheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau,
função;
em razão dessa condição, a pena é aumentada de um
IV. Aceleração de parto: a dois terços.
Pena - reclusão, de um a cinco anos. Essa qualificadora foi inserida pela Lei nº 13.142/2015.
§ 2º Se resulta: São autoridades previstas no Art. 142 da CF/88:
I. Incapacidade permanente para o trabalho; Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Ma-
II. Enfermidade incurável; rinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são institui-
III. Perda ou inutilização do membro, sentido ou ções nacionais permanentes e regulares, organiza-
função; das com base na hierarquia e na disciplina, sob a
IV. Deformidade permanente; autoridade suprema do Presidente da República, e
V. Aborto:
destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos po-
deres constitucionais e, por iniciativa de qualquer
Pena - reclusão, de dois a oito anos. destes, da lei e da ordem.
Lesão Corporal Seguida de Morte São autoridades do Art. 144 da CF/88:
§ 3º Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e
que o agente não quis o resultado, nem assumiu o risco responsabilidade de todos, é exercida para a preservação
de produzi-lo: da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do pa-
Pena - reclusão, de quatro a doze anos. trimônio, através dos seguintes órgãos:
Diminuição de Pena: I. Polícia federal;
§ 4º Se o agente comete o crime impelido por motivo de II. Polícia rodoviária federal;
relevante valor social ou moral ou sob o domínio de vio- III. Polícia ferroviária federal;
lenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da IV. Polícias civis;
vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.
V. Polícias militares e corpos de bombeiros militares.
Substituição da Pena:
§8º Guardas municipais
§ 5º O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda
Lesão corporal é a ofensa humana direcionada à integrida-
substituir a pena de detenção pela de multa, de duzen-
de corporal ou à saúde de outra pessoa, quer do ponto de vista
tos mil réis a dois contos de réis:

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anatômico, quer do ponto de vista fisiológico ou mental. A dor,
I. Se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo por si só, não caracteriza lesão corporal.
anterior; No crime de lesão corporal, protege-se a incolumidade
II. Se as lesões são recíprocas. física em sentido amplo: Saúde física ou corporal; Saúde fisio-
Lesão Corporal Culposa lógica (correto funcionamento do organismo) e Saúde mental
§ 6º Se a lesão é culposa: (psicológica).
Pena - detenção, de dois meses a um ano. Topografia do Art. 129
Aumento de Pena Art. 129, caput Lesão dolosa leve.
§ 7º Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se ocorrer
qualquer das hipóteses dos §§ 4º e 6º do Art. 121 deste Lesão dolosa grave - Atenção! O § 1º não traz so-
Código. Art. 129, §1º mente a lesão dolosa grave. Ele também tem lesão
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

preterdolosa grave.
§ 8º Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do
Art. 121. Lesão dolosa gravíssima - também no § 2º tem
Art. 129, §2º
Violência Doméstica preterdolo.
§ 9º Se a lesão for praticada contra ascendente, des- Lesão seguida de morte (está genuinamente
cendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com Art. 129, §3º
preterdolosa).
quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevale-
cendo-se o agente das relações domésticas, de coabi- Art. 129, §4º Lesão dolosa privilegiada.
tação ou de hospitalidade. Art. 129, §5º Lesão culposa.
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. Art. 129, §6º Majorantes.
§ 10 Nos casos previstos nos §§ 1º a 3º deste artigo, se Art. 129, §7º Perdão judicial.
as circunstâncias são as indicadas no § 9º deste artigo,
Art. 129, §§ 9, Violência doméstica e familiar (aqui não é só
aumenta-se a pena em 1/3 (um terço).
10 e 11 contra mulher).
§ 11 Na hipótese do § 9º deste artigo, a pena será au-
mentada de um terço se o crime for cometido contra Art. 129, § 12 Praticada contra autoridade policial. 43
pessoa portadora de deficiência.
Classificação Lesão Corporal de Natureza Grave
44 Pode ser praticado por ação ou omissão, quando presente § 1º Se resulta
o dever de agir para evitar o resultado, Art. 13, § 2º, CP. I. Incapacidade para as ocupações habituais, por
Ex.: A mãe que deixa o filho pequeno sozinho na cama, mais de trinta dias;
desejando que ele caísse e se machucasse. II. Perigo de vida;
É crime de forma livre. Pode ser praticado por ação ou
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

III. Debilidade permanente de membro, sentido ou


omissão. Pratica lesão quem cria ferimento ou quem agrava o função;
ferimento que já existe.
IV. Aceleração de parto:
Elemento subjetivo é o dolo (direto ou eventual) conhe- Pena - reclusão, de um a cinco anos.
cido como animus laedendi, mas há também a culpa no § 6º
Trata-se de infração de médio potencial ofensivo, conside-
(lesão corporal culposa) e o preterdolo no § 3º (lesão corporal rando que a pena mínima é de um ano.
seguida de morte).
A ação penal é pública incondicionada.
Sujeitos do Crime I. Incapacidade para as ocupações habituais por
Sujeito Ativo: é crime comum, podendo ser praticado por mais de trinta dias.
qualquer pessoa. As ocupações habituais são aquelas rotineiras, física ou
Sujeito Passivo: em regra, qualquer pessoa. mental, do cotidiano do ofendido e não apenas seu trabalho. É
Exceções: Art. 129, § 1º, IV (aceleração de parto) e Art. suficiente tratar-se de ocupação concreta, pouco importando
129, § 2º, V (lesão que resulta aborto). Nestas duas hipóteses se lucrativa ou não.
A atividade deve ser lícita, sendo indiferente se moral ou
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as vítimas são, necessariamente, gestantes. Também na le-


são qualificada pela violência doméstica a vítima precisa ser imoral.
ascendente, descendente, irmã, cônjuge ou companheira do Ex.: Prostituta pode. Ladrão não pode.
agressor. Um bebê de tenra idade pode ser vítima dessa lesão? A
resposta é afirmativa e há jurisprudência nesse sentido, tra-
Exceções: zendo como exemplo a hipótese em que o bebê, em razão da
▷ Art. 129, § 1º, IV (aceleração de parto). agressão não pode ser alimentado, pelo prazo de 30 dias.
▷ Art. 129, § 2º, V (lesão que resulta aborto). É irrelevante a idade da vítima (pode ser idosa ou criança).
Nestas duas hipóteses as vitimas são, necessaria- São exigidos dois exames periciais: um inicial realizado
mente, gestantes. logo após o crime; e um exame complementar realizado logo
▷ Contra ascendente, descendente, irmã, cônjuge ou que decorra o prazo de 30 dias da data do crime.
companheira do agressor. Supondo que a vítima sofra uma lesão ficando com um
▷ Agentes de Segurança descritos no Art. 129, § 12, hematoma no olho, e, por vergonha não saiu de casa pelo pra-
assim com parente consanguíneo até terceiro grau. zo superior a trinta dias, nessa hipótese, restou configurado o
delito de lesões corporais graves? Ensina a doutrina, seguida
Consumação e Tentativa pela jurisprudência, que a relutância por vergonha de praticar
Por ser crime material se consuma com a efetiva lesão da as ocupações habituais não agrava o crime. É a lesão que deve
vítima. A pluralidade de lesões contra a mesma vítima e no incapacitar o agente e não a vergonha da lesão.
mesmo contexto temporal caracteriza crime único, mas deve II. Perigo de vida.
influenciar na dosimetria da pena-base (Art. 59, CP). Perigo de vida é a possibilidade grave, concreta e imediata
A tentativa só é cabível nas modalidades dolosas. Não de a vítima morrer em consequência das lesões sofridas. Tra-
cabe tentativa na lesão culposa e na lesão corporal seguida ta-se de perigo concreto, comprovado por perícia médica, que
de morte. deve indicar, de modo preciso e fundamentado, no que consis-
Contravenção penal de vias de tiu o perigo de vida proporcionado à vítima.
Lesão corporal (Art. 29, CP)
fato (Art. 21, LCP) Nesta hipótese, é crime tipicamente PRETERDOLOSO, pois
Agredir a vítima, sem lesioná-la o resultado agravador deve resultar de culpa do agente.
Lesionar a vítima.
Ex.: empurrão, puxão de cabelo. Se o agente, ao praticar a lesão, quis o resultado ou assumiu
o risco de produzi-lo, responderá por tentativa de homicídio.
Lesão Corporal Leve O crime preterdoloso não está apenas na lesão corporal
A ação penal é pública condicionada à representação seguida de morte. O perigo de vida é um resultado necessa-
da vítima, de competência dos Juizados Especiais Crimi- riamente preterdoloso. O inciso II ora discutido nada mais é
que um crime preterdoloso, isto é, dolo na lesão e culpa no
nais. perigo de vida. Está-se, pois, diante de um crime necessaria-
O conceito de Lesão Leve é considerado por exclusão: mente preterdoloso.
será de natureza leve se não for a lesão de natureza grave III. Debilidade permanente de membro, sentido ou
ou gravíssima. função.
Há jurisprudência admitindo o princípio da insignificância Debilidade é a diminuição ou o enfraquecimento da capa-
na lesão corporal, quanto às lesões levíssimas. Na doutrina, esse cidade funcional. Há de ser permanente, isto é, duradoura e de
posicionamento é Pierangeri. recuperação incerta. Não se exige perpetuidade.
Ex.: O agente não fica cego, mas tem reduzida a capaci- Também é considerada incurável a enfermidade que
dade visual. somente pode ser enfrentada por procedimento cirúrgi-
Membros São os braços, pernas, mãos e pés.
co complexo ou mediante tratamentos experimentais ou
penosos, pois a vítima não pode ser obrigada a enfrentar
São os mecanismos sensoriais por meio dos quais percebemos tais situações.
Sentidos
o mundo externo: visão, audição, tato, olfato e paladar. A transmissão intencional do vírus da AIDS no Brasil é tida
É a atividade inerente a um órgão ou aparelho do corpo
como de natureza letal, pelo que é considerada tentativa de
Função homicídio. O certo seria a criação de tipo penal específico so-
humano: respiratória, circulatória, digestiva etc.
bre a transmissão intencional do vírus da AIDS.
A perda ou inutilização de membro sentido ou função é Em recente julgado o STF afastou essa ideia. Entendeu o
lesão corporal gravíssima (Art. 129, §2º, III, CP). STF, recentemente, que não se trata de tentativa de homicídio
Órgãos duplos: (Ex.: Rins, olhos, pulmões) a perda de um a transmissão intencional do vírus da AIDS.
deles caracteriza lesão grave pela debilidade permanente. Já a III. Perda ou inutilização de membro, sentido ou
perda de ambos configura lesão corporal gravíssima pela per- função.
da ou inutilização. Perda: é a ablação, a destruição ou privação de mem-
A recuperação do membro, sentido ou função por meio cirúr- bro (Ex.: arrancar um braço), sentido (Ex.: perda da audi-
gico ou ortopédico não exclui a qualificadora, pois a vítima não é ção), função (Ex.: ablação do pênis que extingue a função
obrigada a submeter-se a tais procedimentos. reprodutora). Pode concretizar-se por meio de mutilação
IV. Aceleração de parto. (o membro, sentido ou função é eliminado diretamente
É a antecipação do parto, o parto prematuro. A criança pela conduta do agressor) ou amputação (resulta da in-
nasce com vida e continua a viver. tervenção médico-cirúrgica realizada para salvar a vida do
Para incidir essa qualificadora do inciso IV, é imprescindível ofendido).
que o agente saiba ou pudesse saber que a vítima da lesão era Inutilização: falta de aptidão do órgão para desempenhar sua
gestante, sob pena de restar caracterizada a responsabilidade função específica. O membro ou órgão continua ligado ao corpo
penal objetiva, vedada pelo ordenamento jurídico. É necessá- da vítima, mas incapacitado para desempenhar as atividades que
rio observar ainda que, em nenhuma dessas hipóteses o agen- lhe são próprias.
te aceita ou quer o abortamento. Ex.: A vítima ficou paraplégica.
Se em consequência da lesão o feto for expulso morto do ven- A perda de parte do movimento de um membro (braço, per-
tre materno, o crime será de lesão corporal gravíssima em razão do na, mão ou pé) configura lesão grave pela debilidade permanente.
aborto (Art. 129, § 2º, V, CP). Todavia, a perda de todo o movimento caracteriza lesão corporal
Lesão Corporal Dolosa Gravíssima gravíssima pela inutilização.

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§ 2º Se resulta A correção corporal da vítima por meios ortopédicos ou
I. Incapacidade permanente para o trabalho; próteses não afasta a qualificadora, ao contrário do reimplante
realizado com êxito.
II. Enfermidade incurável;
IV. Deformidade permanente.
III. Perda ou inutilização do membro, sentido ou
função; Segundo doutrina e jurisprudências majoritárias, esta qua-
lificadora está intimamente relacionada a questões estéticas.
IV. Deformidade permanente;
Desse modo, precisa ser visível, mas não necessariamente na
V. Aborto: face, e capaz de causar impressão vexatória em quem olha a
Pena - reclusão, de dois a oito anos. vítima.
Em concurso, restou indagado se a expressão gravíssima A vítima não é obrigada a se submeter a intervenção cirúrgica
era criação da lei, doutrina ou jurisprudência. Referida expres- para a reparação da deformidade. Caso, no entanto, se submeta, e
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

são é criação da doutrina que foi seguida pela jurisprudência. a deformidade for corrigida, desaparecerá a qualificadora, sendo
A Lei nº 9.455/97, que é a lei de tortura, adotou a expres- cabível, inclusive, a revisão criminal. A correção da deformidade
são doutrinária gravíssima. Na lei de tortura, no Art. 1º, § 3º, com o uso de prótese (Ex.: olho de vidro, orelha de borracha ou
há expressa menção à lesão grave ou gravíssima. aparelho ortopédico) não exclui a qualificadora.
I. Incapacidade permanente para o trabalho. V. Aborto.
Deve tratar-se de incapacidade genérica para o traba- Essa qualificadora é necessariamente preterdolosa. Há dolo
lho, ou seja, a vítima fica impossibilitada de exercer qual- na lesão e culpa no aborto. Se o agente quer, ou assume o risco do
quer tipo de atividade laborativa remunerada. aborto haverá concurso de crimes.
A incapacidade não significa perpetuidade, basta que A interrupção da gravidez, com a consequente morte
seja uma incapacidade duradoura, dilatada no tempo. do produto da concepção, deve ter sido provocada culpo-
II. Enfermidade incurável. samente, pois se trata de crime preterdoloso.
É a alteração prejudicial da saúde por processo patológico, Se a morte do feto foi proposital, o sujeito responderá por
físico ou psíquico, que não pode ser eficazmente combatida com dois crimes: lesão corporal em concurso formal impróprio com
os recursos da medicina à época do crime. Deve ser provada por aborto sem o consentimento da gestante (Art. 125). É obriga- 45
exame pericial. tório o conhecimento da gravidez por parte do agressor.
Lesão Corporal Seguida de Morte gligência ou imperícia. Desse modo, as consequências, embora
46 previsíveis, não foram previstas pelo agente, ou se foram, ele
§ 3º Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam
não assumiu o risco de produzir o resultado.
que o agente não quis o resultado, nem assumiu o risco
de produzi-lo. Essa espécie de lesão depende de representação
da vítima ou de seu representante legal (Art. 88, Lei nº
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
9.099/95), pois é crime de ação penal pública condicionada
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

É crime exclusivamente preterdoloso (dolo no anteceden- a representação e infração penal de menor potencial ofen-
te – lesão - e culpa no consequente – morte). Esse crime não sivo (pena máxima menor que dois anos).
vai a júri, considerando que não há dolo na morte.
A morte foi ocasionada a título culposo – temos o típico Aumento de Pena
caso de crime preterdoloso (dolo na conduta antecedente e § 7º Aumenta-se a pena de um terço, se ocorrer qual-
culpa na posterior). quer das hipóteses do Art. 121, §§ 4º e 6º.
Se presente o dolo direto ou dolo eventual quanto ao re- Art. 121, § 4º, CP. No homicídio culposo, a pena é au-
sultado morte, o sujeito responderá por homicídio doloso. mentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de inob-
Essa modalidade de lesão corporal não admite tentativa. servância de regra técnica de profissão, arte ou ofício,
Lesão Corporal Privilegiada ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à
vítima, não procura diminuir as consequências do seu
Diminuição de Pena ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo
§ 4º Se o agente comete o crime impelido por motivo DOLOSO o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um
de relevante valor social ou moral ou sob o domínio de terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de
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violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos.
da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um Art. 121, § 4º, CP. A pena é aumentada de 1/3 (um ter-
terço. ço) até a metade se o crime for praticado por milícia
Esse privilégio se aplica a todos os tipos de lesão dolosa, privada, sob o pretexto de prestação de serviço de se-
contudo, é incabível nas lesões culposas. gurança, ou por grupo de extermínio.
Mesmas características do homicídio privilegiado (Art. 121, § 8º Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do
§ 1º, do CP). Art. 121.
Substituição da Pena Art. 121, § 5º, CP. Na hipótese de homicídio CULPOSO, o
§ 5º O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as consequên-
cias da infração atingirem o próprio agente de forma
substituir a pena de detenção pela de multa:
tão grave que a sanção penal se torne desnecessária.
I. Se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo
anterior; Violência Doméstica
II. Se as lesões são recíprocas. § 9º Se a lesão for praticada contra ascendente, des-
A situação da substituição de penas somente se aplica ao cendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com
caput, considerando que exige que as lesões corporais não se- quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevale-
jam graves. A possibilidade de substituição, assim, somente se cendo-se o agente das relações domésticas, de coabi-
dá com a hipótese de lesões leves. tação ou de hospitalidade:
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos.
Quando a Lesão Corporal Leve for Privilegiada
§ 10 Nos casos previstos nos §§ 1º a 3º deste artigo, se
Desse modo, caso as lesões sejam leves, o juiz terá duas as circunstâncias são as indicadas no § 9º deste artigo,
opções: reduzir a pena de 1/6 a 1/3 (§ 4º) ou substituí-la por aumenta-se a pena em 1/3 (um terço).
multa (§ 5º).
§ 11 Na hipótese do § 9º deste artigo, a pena será au-
Se as Lesões Leves Forem Recíprocas mentada de um terço se o crime for cometido contra
Uma pessoa agride outra e, cessada essa primeira agres- pessoa portadora de deficiência.
são, ocorrer uma outra lesão pela primeira vítima. § 12 Se a lesão for praticada contra autoridade ou agen-
te descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal,
Lesão Corporal Culposa integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de
§ 6º Se a lesão é culposa: (Vide Lei nº 4.611, de 1965) Segurança Pública, no exercício da função ou em de-
Pena - detenção, de dois meses a um ano. corrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou
parente consanguíneo até terceiro grau, em razão des-
Diferentemente do que ocorre com as lesões dolosas (que
sa condição, a pena é aumentada de um a dois terços.
podem ser leves, graves ou gravíssimas) o CP não fez distinção
(Incluído pela Lei nº 13.142, de 2015)
com relação às lesões culposas. Desse modo, qualquer que
seja a intensidade da lesão, o agente responderá por lesão A forma qualificada do § 9º só se aplica à lesão corporal LEVE.
corporal CULPOSA. A gravidade da lesão será levada em con- Considerações
sideração na fixação da pena-base (Art. 59). Pode ser causa supralegal de exclusão da ilicitude (so-
Ocorre lesão corporal culposa quando o agente faltou com mente na lesão corporal leve), desde que presentes os se-
seu dever de cuidado objetivo por meio de imprudência, ne- guintes requisitos, cumulativos:
▷ Deve ser expresso; noso (ação que satisfaça a libido do agente, beijo lascivo, sexo
▷ Livre (não pode ter sido concedido em razão de coa- oral, sexo anal, masturbação, etc.).
ção ou ameaça); Se a intenção é transmitir, por tratar-se de crime formal,
▷ Ser moral e respeitar os bons costumes; não é necessária a transmissão.
▷ Deve ser prévio à consumação da lesão; O § 1º traz a forma qualificada do crime, ou seja, quando o
▷ O ofendido deve ser capaz para consentir (maior de agente tem intenção de transmitir a doença.
18 anos e mentalmente capaz). Perigo de Contágio de Moléstia Grave
Ex.: Durante a relação sexual, a mulher pede ao seu par-
ceiro que a bata com força. Art. 131. Praticar, com o fim de transmitir a outrem
moléstia grave de que está contaminado, ato capaz de
É irrelevante o consentimento do ofendido nos crimes de
produzir o contágio:
lesão corporal grave, gravíssima e seguida de morte, pois o
bem jurídico protegido nestas hipóteses é indisponível. Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
É crime de Dano (caso exponha a perigo sem querer ou as-
Apontamentos sumir o risco será hipótese do Art. 132, CP), Formal (não precisa
Autolesão: em razão do princípio da alteridade, não se transmitir) e de Forma Livre.
pune a autolesão. Todavia, pode caracterizar o crime descrito Nesse delito, o agente tem o fim especial de agir, ou seja,
no Art. 171, § 2º, V, CP. pratica um ato (diverso do contato sexual) com a intenção de
Ex.: Jogador de golfe quebra o próprio braço para rece- transmitir uma moléstia grave (qualquer doença que acarre-
ber o valor do seguro. te em prejuízo a saúde da vítima – não sendo venérea), por
Lesões em atividades esportivas: há a exclusão da ilicitu- exemplo, sarampo, tuberculose etc.
de em razão do exercício regular do direito. Ademais, em relação à AIDS, visto seu grau letal, é consi-
Cirurgias emergenciais: se há risco de morte de paciente, derado como tentativa de homicídio (Art. 121 do CP), não há
o médico que atua sem o consentimento do operado estará possibilidade alguma de enquadrá-la como moléstia grave.
amparado pelo estado de necessidade de terceiro. Se não há
risco de morte, a cirurgia depende de consentimento da vítima Perigo para Vida ou Saúde de Outrem
ou de seu representante legal para afastar o crime pelo exercí- Art. 132. Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo
cio regular do direito. direto e iminente:
Cirurgia de mudança de sexo: não há crime de lesão cor- Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato não
poral gravíssima por ausência de dolo de lesionar a integrida- constitui crime mais grave.
de corporal ou a saúde do paciente. Atualmente é permitida a Parágrafo único. A pena é aumentada de um sexto a um
realização dessa cirurgia – redesignação sexual – inclusive na terço se a exposição da vida ou da saúde de outrem a

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rede pública de saúde (Portaria do Ministério da Saúde nº 1.707 perigo decorre do transporte de pessoas para a presta-
de 19/08/08). Desse modo, o médico que realiza esta cirurgia ção de serviços em estabelecimentos de qualquer natu-
não comete crime por estar acobertado pelo exercício regular reza, em desacordo com as normas legais.
de direito. Estará configurado o crime quando o agente, de qualquer
forma, expor em perigo a vida de uma pessoa determinada.
Cirurgia de esterilização sexual: não há crime na conduta
Tal ação pode ser praticada de forma livre, ou seja, não exige
do médico que realiza esta cirurgia (vasectomia, ligadura de uma conduta específica.
trompas etc.) com a autorização do paciente, apesar da elimi-
Ex.: Soltar uma pedra do alto de um viaduto em um carro
nação da função reprodutora. Exercício regular de direito. que passa pela rodovia com intenção de causar um acidente.
Da Periclitação da Vida e da Saúde Caso a conduta do agente não seja contra uma pessoa de-
terminada, será configurado um crime diverso que será avalia-
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Perigo de Contágio Venéreo do de acordo com a situação (Arts. 250 a 259 do CP).
Art. 130. Expor alguém, por meio de relações sexuais Abandono de Incapaz
ou qualquer ato libidinoso, a contágio de moléstia ve- Art. 133. Abandonar pessoa que está sob seu cuidado,
nérea, de que sabe ou deve saber que está contami- guarda, vigilância ou autoridade, e, por qualquer mo-
nado: tivo, incapaz de defender-se dos riscos resultantes do
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa. abandono:
§ 1º Se é intenção do agente transmitir a moléstia: Pena - detenção, de seis meses a três anos.
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. § 1º Se do abandono resulta lesão corporal de natureza
grave:
§ 2º Somente se procede mediante representação.
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
Esse crime configura-se quando o agente transmite ou
expõe a perigo de contágio de uma doença venérea (sífilis, § 2º Se resulta a morte:
gonorreia etc.), bem como, caso ele a desconheça, venha a Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
infectar uma possível vítima. Aumento de Pena
A forma de transmitir a doença pode ser por meio de rela- § 3º As penas cominadas neste artigo aumentam-se de 47
ções sexuais (pênis x vagina), ou por qualquer outro ato libidi- um terço:
I. Se o abandono ocorre em lugar ermo; É um crime OMISSIVO PRÓPRIO ou PURO, pois a conduta
48 II. Se o agente é ascendente ou descendente, côn- omissiva está prevista no artigo em tela do Código Penal que
juge, irmão, tutor ou curador da vítima. ocorre quando o agente deixa de fazer o que lhe é imposto por
III. Se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos. lei – prestar socorro.
Essa figura típica incrimina a conduta do agente, que Comumente é praticado apenas por uma pessoa, sendo
tendo o dever de cuidado, guarda, vigilância ou autoridade que é perfeitamente possível que haja o concurso de agentes,
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

abandona, desampara, deixa de prestar o devido cuidado para Art. 29 do CP.


quem seja incapaz. Sujeitos do Crime
Ex.: A mãe deixa o filho em um parque central enquan- Sendo um crime comum, o sujeito ativo pode ser qualquer
to percorre lojas realizando compras, ou então, deixa-o pessoa, enquanto o sujeito passivo são as pessoas elencadas
dentro do veículo enquanto está no interior de um super- no caput do próprio artigo: Criança abandonada ou extraviada
mercado. Uma babá, que deixa a criança sozinha dentro (Perigo Abstrato). Pessoa ferida ou inválida com sérias dificul-
de casa enquanto vai à feira. dades de movimentação (Perigo Abstrato). Ao desamparo ou
Ademais, existem as figuras qualificadas caso, do abando- em grave e eminente perigo (Perigo Concreto).
no, resulte em lesão corporal de natureza grave, ou a morte do
Consumação e Tentativa
incapaz. Por conseguinte, ocorre também o aumento de pena
nas hipóteses descritas nos incisos do § 3º deste artigo. O crime se consuma no momento da omissão, ademais,
não será configurado o crime quando a vítima ofereça resis-
Exposição ou Abandono tência que torne impossível a prestação de auxílio, ou então,
caso ela esteja manifestamente em óbito.
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de Recém-Nascido
Art. 134. Expor ou abandonar recém-nascido, para Não admite tentativa.
ocultar desonra própria: Descrição do Crime
Pena - detenção, de seis meses a dois anos. O crime pode ser cometido de duas formas distintas:
§ 1º Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: Falta de assistência imediata: o agente pode prestar so-
Pena - detenção, de um a três anos. corro, sem risco pessoal, mas deliberadamente não o faz.
§ 2º Se resulta a morte: Falta de assistência mediata: o agente não pode prestar
Pena - detenção, de dois a seis anos. pessoalmente o socorro, mas também não solicita o auxílio da
Esse delito é considerado uma forma privilegiada do cri- autoridade pública.
me de abandono de incapaz, artigo anterior, no entanto, nesse Observações
caso, a vítima é determinada – o recém-nascido – ademais, tal
conduta visa proteção da honra do agente. A simples condição de médico não o coloca como garan-
tidor.
Ex.: Uma jovem de 18 anos, mãe solteira, que abandona
seu filho recém-nascido para preservar sua imagem pe- Pessoa inválida e pessoa ferida: é imprescindível que se
rante a família. encontrem ao desamparo no momento da omissão.
Por conseguinte, também existe a forma qualificada do Se apenas uma pessoa presta o socorro, quando diversas
crime, expressa nos parágrafos primeiro e segundo, no caso poderiam tê-lo feito sem risco pessoal, não há crime para nin-
de a ação resultar em lesão corporal de natureza grave ou a guém.
morte do recém-nascido. Omissão de socorro a pessoa idosa (igual ou superior a 60
anos), responde conforme o Art. 97, Lei nº 10.741/03 – Estatuto
Omissão de Socorro do Idoso.
Art. 135. Deixar de prestar assistência, quando possível
Considerações
fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou ex-
traviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo Parágrafo único. A pena é aumentada de metade, se
ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses ca- da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e
sos, o socorro da autoridade pública: triplicada, se resulta a morte.
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. A causa de aumento de pena é exclusivamente preterdo-
losa, o agente tem o dolo de se omitir (não presta o socorro)
Parágrafo único. A pena é aumentada de metade, se
e disto, acaba resultando uma consequência não deseja pelo
da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e
omitente.
triplicada, se resulta a morte.
Essa norma penal tipifica a conduta omissa do agente que não Condicionamento de Atendimento
presta auxílio – desde que tal prestação não incorra em risco pes- Médico-Hospitalar Emergencial
soal – ou, quando não puder fazê-lo, deixa de pedir socorro para
autoridade pública. Art. 135-A. Exigir cheque-caução, nota promissória ou
qualquer garantia, bem como o preenchimento prévio
Classificação de formulários administrativos, como condição para o
É considerado um crime COMUM, visto que pode ser prati- atendimento médico-hospitalar emergencial:
cado por qualquer pessoa. Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.
Parágrafo único. A pena é aumentada até o dobro se da Descrição do Crime
negativa de atendimento resulta lesão corporal de natu- Apenas pode ser executado pelos meios/condutas indica-
reza grave, e até o triplo se resulta a morte. dos no tipo penal, sendo as seguintes:
Esse delito tipifica a conduta do estabelecimento que ▷ Privar a vítima de alimentos ou cuidados indispensá-
presta atendimento médico-hospitalar emergencial e venha veis: caso a intenção do agente, ao privar a vitima de
a exigir cheque, nota promissória ou qualquer garantia, como alimentos, seja matá-la, responderá pelo crime de
também, que sejam preenchidos formulários como condição homicídio (tentado ou consumado);
necessária para que o socorro possa ser prestado. ▷ Sujeitar a vítima a trabalhos excessivos ou inade-
Existe ainda o aumento de pena, tratado no parágrafo úni- quados;
co, que é quando resulta em lesão corporal grave ou ainda a ▷ Abusar dos meios de disciplina ou correção.
morte. As formas qualificadas do crime de maus-tratos (lesão
Inserido no Código Penal pela Lei nº 12.653/2012 coibindo corporal de natureza grave e morte) são exclusivamente pre-
uma prática que era comum em estabelecimentos médico- terdolosas – conduta dolosa no antecedente e culpa no con-
-hospitalares particulares. sequente.
Maus-Tratos Aumenta-se a pena de 1/3 se o crime é praticado contra
pessoa menor de 14 anos.
Art. 136. Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa
sob sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim de Considerações
educação, ensino, tratamento ou custódia, quer pri- A esposa não pode ser vítima de maus-tratos pelo ma-
vando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis, rido, visto que não se encontra sob sua autoridade, guarda
quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, ou vigilância. Desse modo, o marido poderá responder pelo
quer abusando de meios de correção ou disciplina: crime de lesão corporal (Art. 129 do CP).
Pena - detenção, de dois meses a um ano, ou multa. Tratando-se de criança ou adolescente sujeita à autori-
§ 1º Se do fato resulta lesão corporal de natureza dade, guarda ou vigilância de alguém e submetida a vexame
grave: ou constrangimento, aplica-se o Art. 232 da Lei nº 8.069/90
Pena - reclusão, de um a quatro anos. (ECA): submeter criança ou adolescente sob sua autorida-
§ 2º Se resulta a morte: de, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos. pena: detenção de seis meses a dois anos.
§ 3º Aumenta-se a pena de um terço, se o crime é prati- A diferença entre o crime de maus-tratos e o crime de
cado contra pessoa menor de 14 (catorze) anos. Tortura (Lei nº 9.455/97), reside no fato de que nesta a víti-
ma é submetida a intenso sofrimento físico ou mental como
Esse artigo tipifica a conduta do agente que pratique, sob

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forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter pre-
a pessoa que esteja subordinada à sua autoridade, guarda ou
vigilância, atos não condizentes como forma ou a pretexto de ventivo (Art. 1º, II, Lei nº 9.455/97).
educá-la, ensiná-la, tratá-la ou reprimi-la. Caso a vítima seja idosa, incide o crime previsto no Art. 99
da Lei nº 10.741/2003 - Estatuto do Idoso.
Classificação
Trata-se de um crime PRÓPRIO, ou seja, o sujeito ativo Da Rixa
deve ser superior hierárquico do sujeito passivo. Art. 137. Participar de rixa, salvo para separar os con-
É um crime comissivo ou omissivo, porém suas condutas tendores:
são vinculadas, ou seja, o artigo traz, expressamente, a forma Pena - detenção, de quinze dias a dois meses, ou multa.
como a conduta do agente deve ocorrer. Parágrafo único. Se ocorre morte ou lesão corporal de na-
Haverá crime único desde que as condutas sejam pratica- tureza grave, aplica-se, pelo fato da participação na rixa, a
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

das contra a mesma vítima e no mesmo contexto fático. pena de detenção, de seis meses a dois anos.
Sujeitos do Crime Introdução
Sujeito Ativo: é um crime próprio, ou seja, somente aquele A rixa é um conflito tumultuoso que ocorre entre três ou
que tem o sujeito passivo sob sua autoridade, guarda ou vigi- mais pessoas, acompanhada de vias de fato (luta, briga), em
lância, para fins de educação, ensino, tratamento ou custódia. que os participantes desferem violências recíprocas, não sen-
Sujeito Passivo: é aquele que se encontra sob a autoridade, do possível identificar dois grupos distintos.
guarda ou vigilância de outra pessoa, para fins de educação, en-
sino, tratamento ou custódia. Classificação
É um crime comum, pois pode ser praticado por qualquer
Consumação e Tentativa pessoa.
O crime consuma-se com a exposição da vítima ao perigo. Ainda, enquadra-se em um delito plurissubjetivo, plurila-
Não se exige o dano efetivo. teral ou de concurso necessário, visto que, para configurar o
A conduta de privação de alimentos ou cuidados indispen- crime, devem existir no mínimo três pessoas. Por conseguinte,
sáveis (modalidade omissiva) não admite tentativa. Contudo, basta que apenas um dos participantes seja imputável (dois 49
as demais condutas admitem a tentativa. menores e um maior de 18 anos).
Também é considerado um crime de condutas contrapos- agravador – lesão corporal grave ou morte - todos aqueles que
50 tas, ou seja, todos os participantes estão trocando agressões participaram responderão na modalidade qualificada.
entre si, ora apanha, ora bate. Ainda, não importa se a morte ou a lesão corporal grave
Sujeitos do Crime seja produzida em um dos rixosos ou então em uma terceira
pessoa, alheia à rixa (apaziguador ou mero transeunte).
No crime de rixa, ao mesmo tempo em que o agente é
Há aqui três sistemas de punição:
sujeito ativo, ele também é um sujeito passivo, pois assim
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

como ele agride também está sofrendo uma agressão - reci- Sistema da solidariedade absoluta: se da rixa resultar
procidade. lesão grave ou morte, todos os participantes respondem
pelo evento (lesão grave ou homicídio), independentemen-
Consumação e Tentativa te de se apurar quem foi o seu real autor.
A consumação ocorre no momento em que os participan- Sistema da cumplicidade correspectiva: havendo lesão
tes iniciam as vias de fato ou ainda as violências recíprocas. grave ou morte, e não sendo apurado seu autor, todos os par-
Admite a tentativa, quando ocorre, por exemplo, a inter- ticipantes respondem por esse resultado, sofrendo, entretanto,
venção policial no momento em que iriam se iniciar as agres- sanção intermediária à de um autor e de um partícipe.
sões. Sistema da autonomia: a rixa é punida por si mesma, in-
dependentemente do resultado morte ou lesão grave, o qual,
Descrição do Crime se ocorrer, somente qualificará o delito. Apenas o causador da
Os três ou mais rixosos devem combater entre si, pois lesão grave ou morte, se identificado, é que responderá tam-
participa da rixa quem nela pratica, agressivamente, atos de bém pelos delitos dos Arts. 121 e 129 do CP.
violência material. O CP adotou o princípio ou sistema da autonomia, nos ter-
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Não há rixa quando lutam entre si dois ou mais grupos mos do Art. 137, parágrafo único:
contrários, perfeitamente definidos. Nesse caso, os membros Parágrafo único. Se ocorre morte ou lesão corporal de
de cada grupo devem ser responsabilizados pelos ferimentos natureza grave, aplica-se, pelo fato da participação na
produzidos nos membros do grupo contrário. rixa, a pena de detenção, de seis meses a dois anos.
O crime pode ser praticado de forma comissiva (o agente
que participa efetivamente da rixa), ou omissiva (quando o Apontamentos
omitente podia e devia agir para evitar o resultado). Até mesmo o rixoso que sofreu lesão corporal grave res-
Ex.: O policial que assiste a três pessoas brigando entre ponde pela rixa qualificada (todos os que se envolvem no tu-
si e nada faz para impedir o resultado. multo, daí sobrevindo lesão corporal grave ou morte respon-
Não há crime na conduta de quem ingressou no tumulto dem pela rixa qualificada).
somente para separar os contendores. O resultado agravador (lesão corporal grave ou a morte)
Considerações pode ser doloso ou culposo, não se tratando de crime essen-
cialmente preterdoloso.
Sendo considerado um crime de perigo abstrato, para que
se configure o crime não há necessidade de que os participan- Caso o resultado seja lesões leves ou ocorra uma tentativa de
tes sofram lesões, o simples fato de participar da rixa já acar- homicídio, não é capaz de qualificar a rixa.
reta em crime. Dos Crimes Contra Honra
O contato físico é dispensável, sendo perfeitamente pos-
sível a rixa a distância com o arremesso de objetos, tiros, etc. Crime Conduta Honra ofendida
Há ofensa da honra objetiva.
Na possibilidade em que ocorre lesão corporal de natureza Calúnia: Art. Imputar fato criminoso Ofende-se a reputação, diz
leve em algum dos participantes e o agente que a causou pos- 138, CP sabidamente falso. respeito ao conceito perante
sa ser identificado, nessa hipótese, ele responderá pelo crime terceiros.
de rixa em concurso material com o crime de rixa, se resulta Imputar fato desonroso,
em lesão corporal grave/gravíssima ou a morte, estará confi- Difamação: em regra não importan-
Ofende-se a honra objetiva.
gurado o crime de rixa qualificada. Art. 139, CP do se verdadeiro ou
falso.
Quando houver briga entre torcidas, não configura rixa,
Ofende-se a honra subjetiva,
mas sim o tipo penal descrito no Art. 41-B da Lei nº 10.671/2003 Injúria: É a atribuição de quali-
a autoestima, ou seja, o que
– Estatuto do Torcedor - tem-se um tipo penal específico in- Art. 140, CP dade negativa.
a vítima pensa dela mesma.
cluído pela Lei nº 12.299/2010.
Rixa qualificada: também é conhecida como rixa comple-
Calúnia
xa, sendo: Art. 138. Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente
Parágrafo único. Se ocorre morte ou lesão corporal de fato definido como crime:
natureza grave, aplica-se, pelo fato da participação na Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
rixa, a pena de detenção, de seis meses a dois anos. § 1º Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a im-
A rixa qualificada é um dos últimos resíduos da respon- putação, a propala ou divulga.
sabilidade penal objetiva - antigamente adotada pelo orde- § 2º É punível a calúnia contra os mortos.
namento jurídico brasileiro - pois, nesta hipótese, independe Exceção da Verdade
qual dos rixosos foi o responsável pela produção do resultado § 3º Admite-se a prova da verdade, salvo:
I. Se, constituindo o fato imputado crime de ação Consumação
privada, o ofendido não foi condenado por senten- O crime de calúnia se consuma quando 3ª pessoa toma co-
ça irrecorrível; nhecimento do fato imputado. Não é necessário que a vítima
II. Se o fato é imputado a qualquer das pessoas in- tome conhecimento da ofensa.
dicadas no nº I do Art. 141; Calúnia X Denunciação Caluniosa
III. Se do crime imputado, embora de ação pública, Calúnia (Art. 138, CP) Denunciação Caluniosa (Art. 339, CP)
o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível.
Dar causa à instauração de investigação
Honra objetiva (o que os outros pensam de mim). policial, de processo judicial, instau-
Caluniar alguém, imputan-
ração de investigação administrativa,
Sujeitos do Crime do-lhe falsamente fato
inquérito civil ou ação de improbidade
Sujeito Ativo/Passivo: qualquer pessoa (crime comum). definido como crime.
administrativa contra alguém, imputan-
Os mortos também podem ser caluniados, mas seus pa- do-lhe crime de que o sabe inocente.
rentes é que serão os sujeitos passivos do crime. Não há regra É crime contra a Administração da
É crime contra honra.
semelhante no tocante aos demais crimes contra a honra. Justiça.
Podem, ainda, serem vítimas os menores e os loucos. Regra: Ação Penal Privada. Ação Penal Pública Incondicionada.
A pessoa jurídica também pode ser sujeito passivo do Admite (é circunstância que importa na
Não admite a imputação
diminuição da pena pela metade (Art.
crime de calúnia, pois pode cometer crimes ambientais (Lei falsa de contravenção.
339 §2º, CP).
nº 9.605/98).
§ 1º Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a im-
Mas, observe-se que não podem praticar tal crime pessoas
putação, a propala ou divulga.
que desfrutam de inviolabilidade.
Ex.: Parlamentares. ▷ Propalar: relatar verbalmente.
Aqui se indaga se advogados são imunes à prática do cri- ▷ Divulgar: relatar por qualquer outro meio (panfle-
me de calúnia. Os advogados não têm imunidade profissional tos, outdoors, gestos etc).
na calúnia, possuindo a imunidade somente no que tange à Considerações
difamação e à injúria. Observa-se que também é punível a conduta daquele
Objeto Material que propaga, divulga a calúnia criada por outrem.
É a pessoa que tem sua honra objetiva ofendida. Responde pelo caput quem cria a falsidade e responde pelo
§ 1º do CP a pessoa que divulga (diversa da pessoa que criou – se
Núcleo do Tipo for a mesma pessoa, o §1º configura pos facto impunível).
A conduta típica consiste em caluniar alguém (imputar fal- Exclui-se o crime quando o agente age:
samente um fato definido como crime). ▷ Com animus jocandi: intenção de brincar.

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A imputação de fato definido como Contravenção Penal ▷ Com animus consulendi: intenção de aconselhar.
(Decreto-Lei nº 3.688/41) não constitui calúnia, pois não é crime,
▷ Com animus narrandi: intenção de narrar (é o ani-
mas poderá caracterizar difamação.
mus da testemunha).
Atribuir falsamente a alguém a prática de um fato atípico não
▷ Com animus corrigendi: intenção de corrigir.
constitui crime de calúnia, mas poderá configurar outro crime con-
tra a honra. ▷ Com animus defendendi: intenção de defender direito
Ex.: dano culposo. Exceção da Verdade
Fato Determinado § 3º Admite-se a prova da verdade, salvo:
É imprescindível a imputação da prática de um fato deter- I. Se, constituindo o fato imputado crime de ação
minado, ou seja, de uma situação concreta, contendo autor, privada, o ofendido não foi condenado por senten-
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

objeto e suas circunstâncias. ça irrecorrível;


Pessoa Certa e Determinada II. Se o fato é imputado a qualquer das pessoas in-
A ofensa deve se dirigir a pessoa certa e determinada. dicadas no nº I do Art. 141;
Ex.: Dizer que no dia 25 de dezembro, por volta de III. Se do crime imputado, embora de ação pública,
20h00min, Roberto se fantasiou de papai noel e praticou o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível.
um furto na casa de Pedro, o qual reside no centro da Trata-se de incidente processual, forma de defesa indireta,
cidade de Cascavel/PR. por meio da qual o acusado de ter praticado calúnia pretende
provar a veracidade do que alegou.
Falsidade da Imputação
Somente haverá o crime de calúnia quando o fato for falso.
Deve ser falsa a imputação do fato definido como crime.
Essa falsidade pode recair sobre o fato (o crime imputado à Desse modo, se a imputação é verdadeira o fato é atípico.
vitima não ocorreu) ou sobre o envolvimento no fato (o crime A exceção da verdade é o instrumento adequado para se pro-
ocorreu, mas a vítima não praticou tal delito). var a veracidade do fato imputado a outrem.
Quando o ofensor, agindo de boa-fé, supõe erroneamen- A regra é a admissibilidade da exceção da verdade. Toda-
te ser verdadeira a afirmação, incidirá em Erro de Tipo. Desse via, em três situações previstas pelo CP não será admitida a 51
modo, o fato será atípico, pois excluirá o dolo do fato típico. sua utilização:
I. Se, constituindo o fato imputado crime de ação Art. 138 Art. 139
52 privada, o ofendido não foi condenado por senten-
ça irrecorrível; Admite prova da verdade.
A regra é não admitir a prova da
II. Se o fato é imputado a qualquer das pessoas in- verdade.
dicadas no inciso I do Art. 141; Exceção: Art. 139, Parágrafo único.
(Presidente da República ou chefe de governo es- Exceções: Art. 138, § 3º I, II e III. Ofendido funcionário público mais
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

trangeiro). ofensa funcional.


III. Se do crime imputado, embora de ação pública, Procedência gera a absolvição Procedência gera a absolvição, pois se
o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível. sob o fundamento da atipi- trata de hipótese de exercício regular
cidade. de direito. Descriminante especial.
Difamação
Admite exceção de notorie-
Art. 139. Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo Também.
dade.
à sua reputação:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. Injúria
Conceito Art. 140. Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade
Difamar é imputar a alguém um fato ofensivo à sua repu- ou o decoro:
tação. Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Subsiste o crime de difamação ainda que seja verdadeira § 1º O juiz pode deixar de aplicar a pena:
a imputação (salvo quando o ofendido é funcionário público I. Quando o ofendido, de forma reprovável, provo-
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e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções), desde que cou diretamente a injúria;
dirigida a ofender a honra alheia.
II. No caso de retorsão imediata, que consista em
Objetividade Jurídica outra injúria.
Honra objetiva (o que os outros pensam de mim). § 2º Se a injúria consiste em violência ou vias de fato,
que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se
Objeto Material considerem aviltantes:
É a pessoa que tem sua honra objetiva ofendida.
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa,
Espécie de Honra Ofendida além da pena correspondente à violência.
A difamação ofende a honra objetiva. § 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos refe-
rentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de
Consumação e Tentativa
pessoa idosa ou portadora de deficiência:
Se consuma no momento em que um terceiro toma co-
Pena - reclusão de um a três anos e multa.
nhecimento da ofensa.
Considerações Conceito
Morto não pode ser vítima de difamação. Injuriar é atribuir qualidade negativa à alguém.
Tendo em vista que pessoa jurídica tem reputação, então Espécie de Honra Ofendida
pode ser vítima de difamação. Ofende a honra subjetiva da pessoa (o que a pessoa acha
O crime é punido a título de dolo, sendo imprescindível a de si própria). A consumação ocorre quando a ofensa chega ao
vontade de ofender a reputação, a intenção de ofender a honra. conhecimento da vítima.
Em regra, admite tentativa. No caso de difamação verbal, Ofende a dignidade ou o decoro da vítima:
não se admite a tentativa.
Na injúria, é irrelevante o fato de a qualidade negativa atri-
Exceção da Verdade buída à vítima ser ou não verdadeira. Desse modo, se o agente
Parágrafo único. A exceção da verdade somente se chama uma pessoa de gorda, com a intenção de injuriar, estará
admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é configurado o crime de injúria, mesmo que a vítima seja mes-
relativa ao exercício de suas funções. mo gorda ou obesa.
Na difamação, a exceção da verdade somente é admitida ▷ Dignidade: ofende as qualidades morais da pessoa.
se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao Ex.: Chamar alguém de vagabundo.
exercício de suas funções. É indispensável a relação de causali- ▷ Decoro: ofende as qualidades físicas (Ex.: Chamar
dade entre a imputação e o exercício da função pública. alguém de monstro) ou intelectuais
Na difamação, a consequência da exceção da verdade, Ex.: Chamar alguém de retardado, idiota.
ao contrário da calúnia, atinge a ilicitude, e não a atipicida-
de da conduta, pois é uma hipótese especial de exercício Queixa-Crime ou Denúncia
regular do direito. A queixa-crime ou denúncia ajuizada pelo crime de injúria
A procedência da exceção da verdade na difamação gera deve descrever, minuciosamente sob pena de inépcia, quais
a absolvição, sendo uma forma especial de exercício regular foram as ofensas proferidas contra a vítima, por mais baixas e
de direito. repudiáveis que possam ser.
Formas de Execução O perdão judicial é causa de extinção da punibilidade (Art.
Pode ser praticado por ação ou omissão. 107, IX, CP). A sentença que concede o perdão judicial é decla-
Ex.: “A” estende a mão para cumprimentar “B” e este ratória da extinção da punibilidade (Súmula 18, STJ).
recusa o cumprimento. Só o perdão do ofendido tem que ser aceito, o perdão do
juiz não é oferecido, mas sim imposto.
Consumação e Tentativa Trata-se de um direito subjetivo do acusado, e não uma fa-
É crime de execução livre: pode ser praticado por meio culdade do juiz. Preenchidos os requisitos, o juiz deve perdoar.
de palavras, gestos, escritos etc. Aliás, pode ser praticado por ▷ Quando o ofendido, de forma reprovável, provocou
ação ou omissão (o único exemplo dado pela doutrina de in- diretamente a injúria;
júria por omissão é ignorar ou não retribuir um cumprimento,
como forma de humilhar a pessoa na frente de outras). A provocação tem que ser reprovável e direta.
▷ No caso de retorsão imediata, que consista em outra
Como a injúria protege a honra subjetiva, o crime se consu-
injúria.
ma quando a vítima toma conhecimento da injúria, dispensan-
do-se o efetivo dano à sua honra (é crime formal). Consuma Retorsão é o revide. Deve ser imediata. É modalidade anô-
mala de legítima defesa. Não há retorsão contra ofensa passa-
no momento em que o fato chega ao conhecimento da vítima,
da. Existe apenas retorsão imediata no crime de injúria.
dispensando efetivo dano a sua dignidade ou decoro.
A tentativa é possível somente na forma escrita. A injúria Injúria Real
realizada verbalmente não admite tentativa. § 2º Se a injúria consiste em violência ou vias de fato,
Exceção da verdade: a injúria não admite exceção da que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se
verdade, pois o ofensor atribui uma qualidade negativa à ví- considerem aviltantes:
tima e não um fato. Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa,
além da pena correspondente à violência.
Elemento Subjetivo É a injúria praticada com um meio de execução especial:
É o dolo (direto ou eventual). Não admite a modalidade mediante violência ou vias de fato. Aqui a violência ou as vias
culposa de injúria. de fato são o meio e a injúria é o fim. O agente usa da violência
Injúria Contra Funcionário Público X Desacato para injuriar.
Injúria contra funcionário público Desacato (Art. 331, CP) Ex.: Jogar ovos em um cantor, cuspir na cara, dar tapa
A ofensa é realizada na presença
no rosto.
Atribuir qualidade negativa ao Aviltantes: humilhantes.
do funcionário público no
funcionário público durante sua
ausência.
exercício da função ou em razão O meio de execução é a violência ou então as vias de fato.
dela. Se a injúria real for praticada com vias de fato, a vias de fato
É crime contra a Administração fica absorvida.

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É crime contra a honra.
Pública. A lei impõe o concurso material obrigatório entre as penas
Ação Penal Pública Incondicio- de injúria real e do resultante da violência (homicídio, lesão
Ação Penal Privada (Regra). corporal etc.).
nada.
Ex.: “A” Durante uma audiência Injúria Qualificada
Ex.: “A” Fala a seus vizinhos que o
judicial chama o Juiz de
Promotor da cidade é bandido. § 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos refe-
corrupto.
rentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de
Considerações pessoa idosa ou portadora de deficiência:
Atenção às imunidades! Quem detém imunidade por Pena - reclusão de um a três anos e multa.
palavras, opiniões e votos não pratica calúnia, injúria ou Assim como nos demais crimes contra a honra, a ofensa
difamação. São eles: senadores, deputados federais, depu- deve ser dirigida a pessoa ou pessoas determinadas.
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

tados estaduais/distritais, vereadores no limite da verean- Injúria Qualificada X Crime de Racismo


ça, advogado (que tem imunidade profissional na injúria Injúria Qualificada (Art. 140,
- Art. 7º, § 2º, do EOAB - a calúnia foi afastada pelo STF). Crime de Racismo (Lei nº 7.716/89)
§ 3º, CP)
Pessoa jurídica pode ser vítima de injúria? Não, pois ela É crime afiançável. É crime inafiançável.
não tem honra subjetiva, não tem dignidade, decoro. Quanto a
isso não há divergência. Ação Penal Pública Condicio-
Ação Pública Incondicionada.
Mirabete entende que pessoa jurídica não pode ser vítima nada a Representação.
de nenhum crime contra a honra, pois esse capítulo se aplicaria Prescritível. Imprescritível.
apenas às pessoas físicas. Atribuir a alguém qualidade Manifestações preconceituosas gen-
Perdão Judicial negativa. eralizadas ou segregação racial.
§ 1º O juiz pode deixar de aplicar a pena: Ex.: Hotel que proíbe a hospedagem
Ex.: Chamar uma pessoa de pessoas negras.
I. Quando o ofendido, de forma reprovável, provo- negra de macaco. Ex.: Empresa que não contrata
cou diretamente a injúria; pessoas da religião evangélica.
II. No caso de retorsão imediata, que consista em 53
outra injúria.
Prevalece na doutrina, que a injúria preconceito não admite o Não se aplica este inciso no caso de injúria, pois neste cri-
54 perdão judicial do Art. 140, § 1º, tratando-se de violação mais séria me já existe a figura da injúria qualificada (Art. 140, § 3º, CP)
à honra da vítima, ferindo uma das metas fundamentais do Estado razão pela qual evita-se o bis in idem desta forma.
Democrático de Direito, qual seja, dignidade da pessoa humana. Parágrafo único. Se o crime é cometido mediante
paga ou promessa de recompensa, aplica-se a pena
Disposições Comuns em dobro.
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Art. 141. As penas cominadas neste Capítulo aumentam- Hipótese de crime plurissubjetivo ou de concurso necessá-
se de um terço, se qualquer dos crimes é cometido: rio. O pagamento, em ambos os casos, pode ser em dinheiro
I. Contra o Presidente da República, ou contra chefe ou qualquer outro bem e a vantagem não precisa ser necessa-
de governo estrangeiro; riamente econômica.
II. Contra funcionário público, em razão de suas Ex.: Promessa de emprego, de casamento, de favores
funções; sexuais.
III. Na presença de várias pessoas, ou por meio que Essa majorante não se aplica ao mandante, apenas ao executor.
facilite a divulgação da calúnia, da difamação ou
da injúria. Exclusão do Crime
IV. Contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou Art. 142. Não constituem injúria ou difamação punível:
portadora de deficiência, exceto no caso de injúria. I. A ofensa irrogada em juízo, na discussão da cau-
Parágrafo único. Se o crime é cometido mediante sa, pela parte ou por seu procurador;
paga ou promessa de recompensa, aplica-se a pena II. A opinião desfavorável da crítica literária, artís-
em dobro. tica ou científica, salvo quando inequívoca a inten-
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Este artigo não traz qualificadoras, mas sim causas de au- ção de injuriar ou difamar;
mento de pena, majorantes (a serem consideradas pelo juiz na III. O conceito desfavorável emitido por funcionário
terceira fase de aplicação da pena). público, em apreciação ou informação que preste
É uma majorante aplicada a todos os crimes do capítulo – no cumprimento de dever do ofício.
injúria, difamação e calúnia. Nenhum desses crimes escapa do Parágrafo único. Nos casos dos ns. I e III, responde pela
aumento quando preenchidos os requisitos. injúria ou pela difamação quem lhe dá publicidade.
Aumentam-se de um terço, se qualquer dos crimes é co- Esse dispositivo não se aplica ao crime de calúnia, pois há
metido: neste crime o interesse do Estado e da sociedade em realizar
I. Contra o Presidente da República, ou contra chefe a sua apuração.
de governo estrangeiro; Ex.: advogado diz que o promotor foi subornado pelo
A pena é aumentada de 1/3, em razão da importância das réu para pedir sua absolvição.
funções desempenhadas pelo Presidente da República e pelo A imunidade é relativa: para a maioria, a ressalva exarada
chefe de governo estrangeiro. A conduta criminosa, além de pela expressão salvo quando se tem intenção de injuriar ou
atentar contra a honra de uma pessoa, ofende também os in- difamar se aplica não apenas ao inciso II, como também aos
teresses de toda a nação que ela representa. incisos I e III. Esse é o entendimento da maioria.
II. Contra funcionário público, em razão de suas Nas hipóteses dos incisos I e III responde pela injúria ou difa-
funções. mação aquele que dá publicidade ao fato. É imprescindível, para
Esse aumento de pena não se aplica quando a conduta se tanto, o animus ofendendi.
refere à vida privada do funcionário público. I. A ofensa irrogada em juízo, na discussão da cau-
É necessário o nexo de causalidade entre a ofensa e o exer- sa, pela parte ou por seu procurador;
cício da função pública. Esta excludente de ilicitude não se aplica quando a ofensa
III. Na presença de várias pessoas, ou por meio que é dirigida ao juiz (magistrado), pois este não é parte na causa.
facilite a divulgação da calúnia, da difamação ou Para o advogado, de acordo com o Art. 7º, § 2º, da Lei nº
da injúria. 8.906/94 (Estatuto da OAB): O advogado tem imunidade pro-
A expressão “várias pessoas” se refere a no mínimo três fissional, não constituindo injúria, difamação ou desacato pu-
pessoas. Não se incluindo neste número o ofensor, a vítima e níveis em qualquer manifestação de sua parte, no exercício de
eventuais coautores e partícipes. sua atividade, em juízo ou fora dele, sem prejuízo das sanções
O STF, após o julgamento da ADPF nº 130-7/DF decidiu que disciplinares perante a OAB, pelos excessos que cometer.
a Lei de Imprensa (Lei nº 5.250/67) não foi recepcionada pela A expressão ou desacato foi declarada inconstitucional pelo
CF/88. Desse modo, aos crimes contra a honra praticados por STF, nos autos da ADIN 1.127-8. Desse modo, o advogado pode
meio da imprensa (oral ou escrita) serão aplicadas as disposi- praticar o crime de desacato.
ções do Código Penal (Arts. 138 a 145). II. A opinião desfavorável da crítica literária, artís-
IV. Contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou tica ou científica, salvo quando inequívoca a inten-
portadora de deficiência, exceto no caso de injúria. ção de injuriar ou difamar;
Esse inciso foi inserido no CP pela Lei nº 10.741/03 (Estatuto III. O conceito desfavorável emitido por funcionário
do Idoso). O ofensor tem que ter conhecimento da idade da víti- público, em apreciação ou informação que preste
ma no momento do crime. no cumprimento de dever do ofício.
Cuida-se de modalidade especial de estrito cumprimento Espécies de Ação Penal
do dever legal. A regra geral é que os crimes contra a honra (Calúnia/Difa-
Ex.: Delegado de Polícia que, ao relatar o inquérito poli- mação/Injúria) são de Ação Penal privada.
cial, refere-se ao indiciado como pessoa de alta periculo- ▷ Todavia, há três exceções:
sidade, covarde e impiedoso.
» Pública Condicionada: a requisição do Ministro
Retratação da Justiça (crime contra o Presidente da Repú-
blica ou chefe de governo estrangeiro);
Art. 143. O querelado que, antes da sentença, se retra- » Pública Condicionada: a representação do
ta cabalmente da calúnia ou da difamação, fica isento ofendido (crime contra funcionário público em
de pena. razão de suas funções ou crime de injúria quali-
Parágrafo único. Nos casos em que o querelado tenha ficada – discriminação);
praticado a calúnia ou a difamação utilizando-se de » Pública incondicionada: injúria real se resulta
meios de comunicação, a retratação dar-se-á, se assim lesão corporal.
desejar o ofendido, pelos mesmos meios em que se Crime contra a honra de funcionário público: Tratando-
praticou a ofensa. se de ofensa em razão da função, a ação penal é pública con-
É necessário observar que, retratação não se confunde dicionada a representação.
com confissão da calúnia ou da difamação. Retratar-se é escu- Tratando-se de ofensa sem vínculo com a função pública,
sar-se, retirar o que disse, trazer a verdade novamente à tona. a ação penal é privada.
Trata-se de causa extintiva da punibilidade.
Súm. 714, STF. É concorrente a legitimidade do ofendi-
Se o querelado se retrata, há exclusão do crime, mas isso do mediante queixa e do MP condicionada a represen-
não importa em exclusão de indenização na seara cível. tação do ofendido, para a ação penal por crime contra
Atente-se que, somente em relação a calúnia e a difama- a honra de servidor público em razão do exercício de
ção há possibilidade de retratação, não abrangendo a injúria. suas funções.
Atente-se que, na lei de imprensa, havia previsão relativa a
injúria, mas esta não foi recepcionada pela CF, nos termos de Dos Crimes Contra
decisão proferida pelo STF.
Na retratação não se exige a concordância do ofendido.
Liberdade Individual
A retratação deve ser total e incondicional. Deve ainda, Dos Crimes contra a Liberdade Pessoal
abranger tudo o que foi dito pelo ofensor. Constrangimento ilegal
Pedido de Explicações Art. 146. Constranger alguém, mediante violência ou

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grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por
Art. 144. Se, de referências, alusões ou frases, se infere qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não
calúnia, difamação ou injúria, quem se julga ofendido fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda:
pode pedir explicações em juízo. Aquele que se recusa
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
a dá-las ou, a critério do juiz, não as dá satisfatórias,
responde pela ofensa. Aumento de Pena
Possui as seguintes características: § 1º As penas aplicam-se cumulativamente e em dobro,
▷ É medida facultativa, pois a vítima não precisa dele quando, para a execução do crime, se reúnem mais de
se valer para o oferecimento da ação penal. três pessoas, ou há emprego de armas.
▷ Somente pode ser utilizado antes do ajuizamento da § 2º Além das penas cominadas, aplicam-se as corres-
ação penal. pondentes à violência.
▷ Não possui procedimento específico. § 3º Não se compreendem na disposição deste artigo:
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

▷ Não interrompe ou suspende o prazo decadencial. I. A intervenção médica ou cirúrgica, sem o consenti-
mento do paciente ou de seu representante legal, se
O requerido não pode ser compelido a prestar as informa-
justificada por iminente perigo de vida;
ções solicitadas. Desse modo, caso se omita, não poderá sofrer
II. A coação exercida para impedir suicídio.
qualquer espécie de sanção.
Ameaça
Ação Penal
Art. 147. Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou ges-
Art. 145. Nos crimes previstos neste Capítulo somente to, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe
se procede mediante queixa, salvo quando, no caso do mal injusto e grave:
Art. 140, § 2º, da violência resulta lesão corporal.
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Parágrafo único. Procede-se mediante requisição do
Parágrafo único. Somente se procede mediante repre-
Ministro da Justiça, no caso do inciso I do caput do Art. sentação.
141 deste Código, e mediante representação do ofendi-
do, no caso do inciso II do mesmo artigo, bem como no Sequestro e Cárcere Privado
caso do § 3º do Art. 140 deste Código. (Redação dada Art. 148. Privar alguém de sua liberdade, mediante se- 55
pela Lei nº 12.033. de 2009). questro ou cárcere privado:
Pena - reclusão, de um a três anos. Consuma-se com a efetiva privação da liberdade ou
56 § 1º A pena é de reclusão, de dois a cinco anos: locomoção da vítima.
I. Se a vítima é ascendente, descendente, cônjuge A tentativa é perfeitamente difícil já que a privação da li-
ou companheiro do agente ou maior de 60 (ses- berdade pode ser antecedida de violência e se o agente age
senta) anos; de forma violenta, mas não consegue privar sua liberdade por
II. Se o crime é praticado mediante internação da circunstâncias alheias a sua vontade, terá havido tentativa.
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

vítima em casa de saúde ou hospital; ▷ Qualificadoras: Art. 148, § 1º:


III. Se a privação da liberdade dura mais de quinze I. Ascendente, descendente, cônjuge ou compa-
dias. nheiro do agente ou maior de 60 anos.
IV. Se o crime é praticado contra menor de 18 (de- Neste caso, para qualificar não abrange o parentesco cola-
zoito) anos; teral, por afinidade, padrasto, ou madrasta do agente.
V. Se o crime é praticado com fins libidinosos. O idoso deve ter MAIS de 60 anos quando de sua liberta-
§ 2º Se resulta à vítima, em razão de maus-tratos ou ção, não importando se quando da privação da liberdade tinha
da natureza da detenção, grave sofrimento físico ou menos de 60 anos.
moral: II. Se o crime é praticado mediante internação da
Pena - reclusão, de dois a oito anos. vítima em casa de saúde ou hospital: Neste caso,
Trata-se de infração de médio potencial ofensivo, admitin- tem que ser internação simulada ou fraudulenta.
do-se a suspensão condicional do processo. III. Se a privação da liberdade dura mais de quinze
As pessoas que são impossibilitadas de se locomover po- dias: Este prazo inicia-se no momento da privação
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dem ser vítimas do delito? A liberdade de movimento não dei- da vítima, até sua libertação.
xa de existir quando se exerce à custa de aparelhos ou com o IV. Crime praticado contra menor de 18 anos: neste
auxílio de outrem. inciso basta que a vítima seja maior de 18 anos ao fi-
Essa é a posição que prevalece no Brasil. Há doutrinadores nal do sequestro, pouco importando se tinha menos
estrangeiros que afirmam que não seria esse o delito, mas sim que 18 anos no inicio do cárcere.
o de constrangimento ilegal em se tratando de pessoas que não V. Se praticado com fins libidinosos: trata-se de
podem se locomover. ação penal pública incondicionada (e não ação pri-
Caso a vítima seja Presidente da República, do SF, CD e vada, como era anterior a 2005).
STF, e, havendo motivação política, o delito pode ser consi- Redução a Condição Análoga à de Escravo
derado crime contra a Segurança Nacional (Art. 28 da Lei nº
Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de es-
7.170/83).
cravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a
▷ Conduta: é a privação da liberdade. Pode ser execu- jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições de-
tada mediante: gradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer
» Sequestro: é privação da liberdade sem confi- meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com
namento. o empregador ou preposto:
Ex.: Sítio, casa. Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da
» Cárcere Privado: é a privação da liberdade com pena correspondente à violência.
confinamento. § 1º Nas mesmas penas incorre quem:
Ex.: Porão. I. Cerceia o uso de qualquer meio de transporte por
Quando o crime for praticado mediante cárcere privado, parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local
deve fixar esse meio mais gravoso na fixação da pena. de trabalho;
▷ O crime pode ser praticado por ação ou omissão. II. Mantém vigilância ostensiva no local de trabalho
Ex.: Médico que não concede alta para paciente já cura- ou se apodera de documentos ou objetos pessoais
do. do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de
▷ Tipo subjetivo: O dolo é a finalidade especial do trabalho.
crime. § 2º A pena é aumentada de metade, se o crime é co-
Se a finalidade for obter vantagem econômica, o delito metido:
será o previsto no Art. 159 do CP. Se o fim for satisfazer preten- I. Contra criança ou adolescente;
são, deixa de ser o delito do Art. 148 e passa a ser o delito pre-
II. Por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, re-
visto no Art. 345 (exercício arbitrário das próprias razões). Ex.:
médico que não concede alta para paciente com a finalidade ligião ou origem.
de satisfazer pretensão tida como legítima – pagamento do Dos Crimes contra a
tratamento – o delito será de exercício arbitrário das próprias
razões. Inviolabilidade do Domicílio
Na hipótese em que a finalidade é causar sofrimento físico Violação de Domicílio
ou mental, o delito será o de tortura. Art. 150. Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosa-
▷ Consumação e tentativa: Trata-se de delito per- mente, ou contra a vontade expressa ou tácita de quem de
manente, e sua consumação se protrai no tempo. direito, em casa alheia ou em suas dependências:
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa. § 4º Somente se procede mediante representação, sal-
§ 1º Se o crime é cometido durante a noite, ou em lugar vo nos casos do § 1º, IV, e do § 3º.
ermo, ou com o emprego de violência ou de arma, ou Correspondência Comercial
por duas ou mais pessoas:
Art. 152. Abusar da condição de sócio ou empregado
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, além da de estabelecimento comercial ou industrial para, no
pena correspondente à violência. todo ou em parte, desviar, sonegar, subtrair ou suprimir
§ 2º Aumenta-se a pena de um terço, se o fato é come- correspondência, ou revelar a estranho seu conteúdo:
tido por funcionário público, fora dos casos legais, ou Pena - detenção, de três meses a dois anos.
com inobservância das formalidades estabelecidas em
Parágrafo único. Somente se procede mediante repre-
lei, ou com abuso do poder.
sentação.
§ 3º Não constitui crime a entrada ou permanência em
casa alheia ou em suas dependências: Dos Crimes contra a
I. Durante o dia, com observância das formalidades Inviolabilidade dos Segredos
legais, para efetuar prisão ou outra diligência;
II. A qualquer hora do dia ou da noite, quando al-
Divulgação de Segredo
gum crime está sendo ali praticado ou na iminência Art. 153. Divulgar alguém, sem justa causa, conteú-
de o ser. do de documento particular ou de correspondência
confidencial, de que é destinatário ou detentor, e
§ 4º A expressão “casa” compreende:
cuja divulgação possa produzir dano a outrem:
I. Qualquer compartimento habitado;
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
II. Aposento ocupado de habitação coletiva;
§ 1º Somente se procede mediante representação.
III. Compartimento não aberto ao público, onde al-
§ 1º-A. Divulgar, sem justa causa, informações sigilosas
guém exerce profissão ou atividade.
ou reservadas, assim definidas em lei, contidas ou não
§ 5º Não se compreendem na expressão “casa”: nos sistemas de informações ou banco de dados da
I. Hospedaria, estalagem ou qualquer outra habita- Administração Pública:
ção coletiva, enquanto aberta, salvo a restrição do Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
nº II do parágrafo anterior; § 2º Quando resultar prejuízo para a Administração Pú-
II. Taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero. blica, a ação penal será incondicionada.
Dos Crimes contra a Inviolabilidade Violação do Segredo Profissional
de Correspondência Art. 154. Revelar alguém, sem justa causa, segredo, de
que tem ciência em razão de função, ministério, ofício

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Violação de Correspondência ou profissão, e cuja revelação possa produzir dano a
Art. 151. Devassar indevidamente o conteúdo de cor- outrem:
respondência fechada, dirigida a outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. Parágrafo único. Somente se procede mediante repre-
sentação.
Sonegação ou Destruição de Correspondência
Art. 154-A. Invadir dispositivo informático alheio, co-
§ 1º Na mesma pena incorre:
nectado ou não à rede de computadores, mediante
I. Quem se apossa indevidamente de correspon- violação indevida de mecanismo de segurança e com
dência alheia, embora não fechada e, no todo ou o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou infor-
em parte, a sonega ou destrói; mações sem autorização expressa ou tácita do titular
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Violação de Comunicação Telegráfi- do dispositivo ou instalar vulnerabilidades para obter


vantagem ilícita: (Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012)
ca, Radioelétrica ou Telefônica
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e mul-
II. Quem indevidamente divulga, transmite a ou-
ta. (Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012)
trem ou utiliza abusivamente comunicação tele-
gráfica ou radioelétrica dirigida a terceiro, ou con- § 1º Na mesma pena incorre quem produz, oferece, distri-
versação telefônica entre outras pessoas; bui, vende ou difunde dispositivo ou programa de com-
putador com o intuito de permitir a prática da conduta
III. Quem impede a comunicação ou a conversação definida no caput. (Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012)
referidas no número anterior;
§ 2º Aumenta-se a pena de um sexto a um terço se da
IV. Quem instala ou utiliza estação ou aparelho ra- invasão resulta prejuízo econômico. (Incluído pela Lei
dioelétrico, sem observância de disposição legal. nº 12.737, de 2012)
§ 2º As penas aumentam-se de metade, se há dano § 3º Se da invasão resultar a obtenção de conteúdo de
para outrem. comunicações eletrônicas privadas, segredos comer-
§ 3º Se o agente comete o crime, com abuso de função ciais ou industriais, informações sigilosas, assim defini-
em serviço postal, telegráfico, radioelétrico ou telefônico: das em lei, ou o controle remoto não autorizado do dis- 57
Pena - detenção, de um a três anos. positivo invadido: (Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012)
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e § 5º A pena é de reclusão de 3 (três) a 8 (oito) anos, se a
58 multa, se a conduta não constitui crime mais grave. subtração for de veículo automotor que venha a ser trans-
(Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012) portado para outro Estado ou para o exterior.
§ 4º Na hipótese do § 3o, aumenta-se a pena de um a dois § 6º A pena é de reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos se
terços se houver divulgação, comercialização ou transmis- a subtração for de semovente domesticável de produção,
são a terceiro, a qualquer título, dos dados ou informações ainda que abatido ou dividido em partes no local da sub-
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

obtidos. (Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012) tração. (Incluído pela Lei nº 13.330, de 2016)
§ 5o Aumenta-se a pena de um terço à metade se o O crime de furto está descrito no rol dos crimes contra o pa-
crime for praticado contra: (Incluído pela Lei nº 12.737, trimônio, mais precisamente, no Título II do Código Penal. Furto
de 2012) é se apropriar de algo alheio para si ou para outra pessoa.
I - Presidente da República, governadores e prefei- Existem várias modalidades de furto, dentre as quais se desta-
tos; (Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012) cam: o furto de coisa comum, furto privilegiado e o furto qualifica-
do. Há que se distinguir furto de roubo: a principal diferença entre
II - Presidente do Supremo Tribunal Federal; (In- os dois é que no roubo há emprego de violência e no furto não há.
cluído pela Lei nº 12.737, de 2012)
III - Presidente da Câmara dos Deputados, do Se- Bem Jurídico Tutelado
nado Federal, de Assembleia Legislativa de Estado, Tutela-se a propriedade, a posse e a detenção, desde que
da Câmara Legislativa do Distrito Federal ou de legítimas.
Câmara Municipal; ou (Incluído pela Lei nº 12.737,
de 2012) Classificação
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IV - dirigente máximo da administração direta e indi- É considerado um crime COMUM (praticado por qualquer pes-
reta federal, estadual, municipal ou do Distrito Federal. soa) e MATERIAL (para sua consumação exige um resultado).
(Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012) É um crime doloso (ânimo de assenhoramento definitivo
Ação penal da coisa. Vontade de se tornar dono / proprietário do bem).
(Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012) Sujeitos do Crime
Art. 154-B. Nos crimes definidos no art. 154-A, so- Sujeito Ativo: qualquer pessoa (exceto o proprietário).
mente se procede mediante representação, salvo se o Sujeito Passivo: qualquer pessoa (proprietário, possuidor
crime é cometido contra a administração pública direta ou detentor do bem). Pode ser pessoa física ou jurídica.
ou indireta de qualquer dos Poderes da União, Estados,
Distrito Federal ou Municípios ou contra empresas con- Consumação e Tentativa
cessionárias de serviços públicos. (Incluído pela Lei nº De acordo com a teoria da inversão da posse, ocorre a
12.737, de 2012) consumação do furto no momento em que o bem sai da esfera
de disponibilidade da vítima e passa para a do autor do delito.
5. Dos Crimes Contra o Patrimônio E de acordo com o STJ não se exige a posse mansa e pa-
cífica do bem para a sua consumação, bastando que o agente
Do Furto obtenha a simples posse do bem, ainda que por um curto pe-
Art. 155. Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia
ríodo de tempo.
móvel: Precedentes do STJ e STF considera-se consumado o cri-
me de furto com a simples posse, ainda que breve, do bem
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
subtraído, não sendo necessária que a mesma se dê de forma
§ 1º A pena aumenta-se de um terço, se o crime é pra- mansa e pacífica, bastando que cesse a clandestinidade, ainda
ticado durante o repouso noturno. que por curto espaço de tempo.
§ 2º Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a
coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão Furto Consumado
pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou Há perda dos bens subtraídos;
aplicar somente a pena de multa. APF (Auto de Prisão em Flagrante) de apenas um dos
§ 3º Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou agentes e fuga dos comparsas;
qualquer outra que tenha valor econômico. Subtração e posse de apenas parte dos bens;
Furto Qualificado APF (Auto de Prisão em Flagrante) no caso de flagrante
§ 4º A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, presumido.
se o crime é cometido: Por circunstâncias alheias à vontade do agente, este
a) com destruição ou rompimento de obstáculo à
não consegue consumar o furto. É admitida a tentativa,
subtração da coisa; pois se trata de crime material (exige resultado).
b) com abuso de confiança, ou mediante fraude, Tipo Subjetivo
escalada ou destreza; O delito é punido a título de dolo. Mas, atente-se que é
c) com emprego de chave falsa; necessária a vontade de apoderamento definitivo, ou seja, a
d) mediante concurso de duas ou mais pessoas. intenção de não mais devolver a coisa à vítima.
O furto de uso é fato atípico. Mas para ser caracterizado o Coisa subtraída de pequeno valor: bem cujo valor seja de
furto de uso são necessários três requisitos: a internação desde até um salário mínimo na data do fato.
o início de uso momentâneo da coisa, ser coisa não consumível
“Coisa de pequeno valor” não se confunde com “coisa de
(infungível) e a restituição seja imediata e integral à vítima.
valor insignificante”. A primeira, se também presente a prima-
Qual crime pratica o proprietário que subtrai coisa sua na
legítima posse de terceiro? Há prática do delito de exercício riedade do agente, enseja a incidência do privilégio; a segunda
arbitrário das próprias razões. E, aqui, pode se enquadrar no conduz à atipicidade do fato, em decorrência do princípio da
Art. 345 ou 346 do CP, a depender da qualidade da posse do insignificância (criminalidade de bagatela).
agente. Presentes estes dois requisitos legais, o juiz é obrigado a
E a coisa pública de uso comum, pode ser objeto material aplicar o privilégio ao criminoso (direito subjetivo do acusado).
de furto?
A coisa pública, de uso comum, a todos pertence, não Furto Qualificado-Privilegiado
podendo ser subtraída e configurar furto. Sucede que, depen- O STF aceita a possibilidade de se aplicar o privilégio (Art.
dendo da situação, há possibilidade da prática de crime am- 155, §2º, CP) às figuras qualificadas (Art. 155, §§ 4º e 5º, CP)
biental, do delito de usurpação de águas e do crime de dano. desde que não haja imposição isolada de pena de multa em de-
Ex.: Furto de parte de estátua. corrência do privilégio.
A vigilância física ou eletrônica em estabelecimentos comer- STF entendeu que no furto qualificado pelo concurso de
ciais torna o crime impossível? Primeiramente, deve-se analisar agentes, não há óbice ao reconhecimento do privilégio, desde
a natureza do equipamento. Se, por exemplo, se tem um equi- que estejam presentes os requisitos ensejadores de sua aplica-
pamento que impede por si só a saída do estabelecimento com ção, quais sejam, a primariedade do agente e o pequeno valor
o bem seria configurado o crime impossível. O fato de haver câ- da coisa furtada.
meras ou seguranças apenas dificulta a consumação. § 3º. Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou
Furto Noturno qualquer outra que tenha valor econômico.
Art. 155, § 1º, CP. A pena aumenta-se de um terço, se o Trata-se de normal penal interpretativa. Entende por qual-
crime é praticado durante o repouso noturno. quer outra energia térmica, mecânica, radioatividade e gené-
O repouso noturno só era aplicado ao furto simples (caput). tica (sêmen de animal).
Porém a jurisprudência hoje admite a previsão do aumento de
pena tanto para o furto simples (caput) quanto para o furto qua- Furto de Sinal de TV a Cabo
lificado (§§ 4º, 5º). 1ª Corrente: não é crime. A energia se consome, se esgota
Aplica-se esta causa de aumento de pena, desde que o e pode, inclusive, terminar, ao passo que sinal de TV não se

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fato seja praticado durante o repouso noturno. gasta, não diminui. É adotada por Bittencourt.
Não importa se a casa estava ou não habitada, ou o seu mo- 2ª Corrente: o furto de sinal de TV se encaixa no §3º do
rador estava ou não dormindo (divergência). Art. 155, pois é uma forma de energia. É uma corrente adotada
Aplica-se esta majorante, também, aos furtos cometidos pelo STJ.
durante o repouso noturno em veículos estacionados em vias Furto de Energia X estelionato no Consumo de Energia
públicas, bem como em estabelecimentos comerciais (Diver-
Estelionato no Consumo de
gência jurisprudencial). Furto de Energia Elétrica
Energia
Repouso Noturno Noite No furto de energia elétrica, o Nesse caso o agente está
agente não está autorizado via autorizado, via contrato, a gastar
Período em que as pessoas se recolhem em contrato, a gastar energia. energia.
Ausência de luz solar.
suas casas para descansarem (dormirem).
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Período que vai da O agente, mediante fraude, altera


Varia conforme a região: grandes metrópoles O agente, mediante artifício, por
aurora ou crepúsculo. o medidor de consumo da ener-
ou pequenas cidades do interior. exemplo, ligação clandestina,
gia, indicando valor menor que o
subtrai a energia.
efetivamente consumido.
Furto Privilegiado
§ 2º. Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a Furto Qualificado
coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão § 4º. A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa,
pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou se o crime é cometido:
aplicar somente a pena de multa.
I. Com destruição ou rompimento de obstáculo à
Aplica-se apenas ao furto simples (caput) e ao furto noturno. subtração da coisa;
Não se aplica ao furto qualificado (§§ 4º e 5º).
Ex.: Arrombamento de fechaduras, janelas, portas, ca-
Criminoso primário: aquele que não é reincidente. Não deados, cofres, trincos.
precisa ser portador de bons antecedentes. Se já transcorrido Se o obstáculo destruído for inerente à própria coisa não
o prazo de 5 anos entre a data de cumprimento ou extinção incidirá esta forma qualificada.
da pena e a infração penal posterior, o agente readquire a sua Ex.: Quebrar o vidro da porta de um carro com o objetivo 59
condição de primário (Art. 64, I, CP). de furtar o veículo (furto simples).
Todavia, caso o agente quebre o vidro apenas para viabi- Furto Mediante Fraude Estelionato (Art. 171, CP)
60 lizar o furto do CD-Player, ou de qualquer outro objeto que É qualificadora do crime. É elementar do crime.
se encontra em seu interior, responderá por furto qualificado. Deve ser empregada antes ou
Antecede o apossamento da coisa.
durante a subtração do bem.
Se o agente, apenas desliga o alarme não incidirá a qualifi-
É utilizada para diminuir a vigilân- É utilizada para induzir a vítima
cadora, pois não houve destruição ou rompimento de obstáculo. F cia da vítima sobre o bem, permitin- em erro, mediante uma falsa
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Caso a violência seja empregada após a consumação do R do ou facilitando a substrução. percepção da realidade.
furto, o agente responderá por furto em concurso com o crime A
Há a subtração do bem sem que
Ocorre a entrega espontânea (em-
U bora viciada) do bem pela vítima
de dano (Art. 163). a vítima perceba.
D ao agente.
De acordo com Fernando Capez, o furto da bolsa para Ex.: “A” e “B”, banidos, se dis-
E
obter o que está em seu interior não qualifica o delito, pois a farçam de técnicos de TV a cabo Ex.: “A” se disfarça de manobrista e
bolsa não é obstáculo e sim forma de transportar as coisas. O e pedem para consertar a TV de fica parado em frente a um restau-
“C”. Enquanto “C” permanece em rante. “B” entrega seu veículo para
obstáculo seria um cadeado. seu quarto “A” e “B” aproveitam que o falso manobrista o estacione.
Há decisões que entendem pela aplicabilidade da qualifi- sua distração para furtar objetos “A” desaparece com o carro.
na sala de estar.
cadora quando há ligação direta no veículo.
III. Com emprego de chave falsa;
II. Com abuso de confiança, ou mediante fraude, Segundo alguns autores, chave falsa é todo o instrumento,
escalada ou destreza; com ou sem forma de chave, destinado a abrir fechaduras
▷ Confiança é circunstância subjetiva incomunicável o Ex.: Grampos, arames, estiletes, micha etc.
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concurso de pessoas (Art. 30, CP). A chave verdadeira, obtida fraudulentamente, não gera a
Ex.: Famulato (furto praticado por empregado domésti- qualificadora do inciso III.
co contra o patrão). IV. Mediante concurso de duas ou mais pessoas.
Essa qualificadora pressupõe dois requisitos: Responderá por furto qualificado mesmo se um dos inte-
▷ A vítima tem que depositar, por qualquer motivo (amiza- grantes for menor de 18 anos.
de, parentesco, relações profissionais etc.), uma especial § 5º A pena é de reclusão de 3 (três) a 8 (oito) anos, se a
confiança no agente; subtração for de veículo automotor que venha a ser trans-
portado para outro Estado ou para o exterior.
▷ O agente deve se aproveitar de alguma facilidade
§ 6º A pena é de reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos se
decorrente da confiança nele depositada para co-
a subtração for de semovente domesticável de produ-
meter o crime. ção, ainda que abatido ou dividido em partes no local
A vítima tem que depositar, por qualquer motivo (amiza- da subtração.
de, parentesco, relações profissionais etc.), uma especial con-
fiança no agente; Considerações Gerais
O agente deve se aproveitar de alguma facilidade decor- Bens Imóveis e Energia Elétrica
rente da confiança nele depositada para cometer o crime. Os bens considerados imóveis pela legislação civil e que
puderem ser deslocados de um local para outro podem ser
Furto Mediante Abuso de Confiança Apropriação Indébita
objeto de furto.
O agente exerce a posse em
O agente tem mero contato com a coisa.
nome de outrem.
Ex.: Navios, prédios, terrenos, carro, moto, animal de es-
O agente pode até ter posse, mas essa é uma timação, celular.
O agente tem posse
posse precária vigiada. A energia elétrica ou qualquer outra que possua valor eco-
desvigiada
O dolo é superveniente à nômico é equiparada a coisa móvel (Art. 155, § 3º, CP).
O dolo está presente desde o início da posse.
posse. Ex.: Energia genética, energia nuclear, energia mecâni-
Fraude é o artifício (emprego de algum objeto, instru- ca. Desse modo, a ligação clandestina de energia elétrica
mento ou vestimenta para enganar o titular do bem) ou ardil “gato” é crime de furto.
(conversa enganosa), isto é, o meio enganoso empregado pelo Modalidades de Furto
agente para diminuir a vigilância da vítima ou de terceiro sobre
Abigeato: furto de gado.
um bem móvel, permitindo ou facilitando sua subtração.
Famulato: furto praticado pelo empregado doméstico
▷ A fraude como qualificadora há de ser empregada an- contra o patrão. Não precisa ser realizado na residência do pa-
tes ou durante a subtração da coisa, ou seja, antecede a trão, pode ser em qualquer lugar.
consumação do crime. Furto famélico: hipótese em que o agente subtrai alimentos
▷ Um ponto muito relevante é a diferenciação entre fur- para saciar sua fome ou de sua família, pois se encontra em situa-
to mediante fraude e estelionato. ção de extrema miséria e pobreza.
Destreza: trata-se de peculiar habilidade física ou manual O furto famélico configura estado de necessidade, preen-
permitindo ao agente despojar a vítima sem que esta perceba. chidos os seguintes requisitos:
Ex.: Batedores de carteira ou punguistas. ▷ Fato praticado para mitigar a fome;
▷ Que haja subtração de coisa capaz de contornar Ex.: Cabelo.
imediatamente e diretamente a emergência (fome). Cadáver pode ser objeto de furto, desde que possua dono.
▷ Inevitabilidade do comportamento lesivo. Ex.: Cadáver de faculdade de medicina.
§ 5º A pena é de reclusão de três a oito anos, se a sub-
▷ Impossibilidade de trabalho ou insuficiência dos re-
tração for de VEÍCULO AUTOMOTOR que venha a ser
cursos auferidos. transportado para outro Estado ou para o exterior. (In-
Somente pode ser aplicado o furto famélico àquele que cluído pela Lei nº 9.426, de 1996)
está desempregado? Não. Caso os recursos obtidos sejam in- Esta majorante só incide quando o furto for de veículo
suficientes, pode ser reconhecido o furto famélico. automotor, não abrangendo embarcação nem aeronave, além
disso, o veículo automotor deve ser levado para outro Estado
Princípio da Insignificância no Furto ou país. Esqueceu-se de colocar o DF na qualificadora, porém a
O princípio da insignificância é causa supralegal de exclu- doutrina penal entende que o DF está abrangido também, pois
são da tipicidade (o fato não será crime). o legislador ao utilizar a expressão Estado considerou os entes
Exige a Presença dos Seguintes Requisitos da federação, dentre eles o DF.
Requisitos objetivos: mínima ofensividade da conduta; au- Não basta a intenção de ultrapassar os limites do Estado
sência de periculosidade social; reduzido grau de reprovabilida- ou do país, sendo necessário que este ato seja consumado.
de do comportamento; e inexpressividade da lesão jurídica. Furto de Coisa Comum
Requisitos subjetivos: importância do objeto material para
Art. 156. Subtrair o condômino, coerdeiro ou sócio, para
a vítima (situação econômica + valor sentimental do bem); e cir-
si ou para outrem, a quem legitimamente a detém, a
cunstâncias e resultado do crime.
coisa comum:
O princípio da insignificância, desde que presentes seus re-
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.
quisitos objetivos e subjetivos, é em tese aplicável tanto ao furto
simples como ao furto qualificado. § 1º Somente se procede mediante representação.
Ex.: Duas pessoas, em concurso de agentes, furtam uma § 2º Não é punível a subtração de coisa comum fungível,
penca de bananas. cujo valor não excede a quota a que tem direito o agente.
Subtração de cartão bancário ou de crédito: não há crime
de furto (princípio da insignificância). Eventual utilização do
Do Roubo e da Extorsão
cartão, para saques em dinheiro ou compras em geral, carac- Roubo
teriza o crime de estelionato (Art. 171, CP).
Art. 157. Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para ou-
Apontamentos trem, mediante grave ameaça ou violência à pessoa,

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Principais diferenças entre os crimes que mais são confun- ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à
didos em provas de concurso: impossibilidade de resistência:
• Furto X Apropriação Indébita Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
O furto é diferente da apropriação indébita (Art. 168, CP), pois § 1º Na mesma pena incorre quem, LOGO DEPOIS de sub-
no primeiro a posse é vigiada e a subtração reside exatamente na traída a coisa, emprega violência contra pessoa ou grave
retirada do bem desta esfera de vigilância. Já no segundo, a vítima ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a
entrega ao agente a posse desvigiada de um bem. detenção da coisa para si ou para terceiro.
• Furto X Peculato § 2º A pena aumenta-se de um terço até metade:
I. Se a violência ou ameaça é exercida com empre-
O funcionário público que subtrai ou concorre para que
go de arma;
seja subtraído bem público ou particular, que se encontra sob
II. Se há o concurso de duas ou mais pessoas;
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

a guarda ou custódia da Administração Pública, valendo-se


da facilidade que seu cargo lhe proporciona, pratica o crime III. Se a vítima está em serviço de transporte de va-
de peculato furto (Art. 312, §1º, CP), também conhecido como lores e o agente conhece tal circunstância.
peculato impróprio. IV. Se a subtração for de veículo automotor que ve-
nha a ser transportado para outro Estado ou para
• Furto X Exercício Arbitrário das Próprias Razões o exterior;
Se um credor subtrai bens do devedor para se ressarcir de dívida V. Se o agente mantém a vítima em seu poder, res-
não paga, o crime não será de furto, mas de exercício arbitrário das tringindo sua liberdade.
próprias razões (Art. 345, CP). § 3º Se da VIOLÊNCIA resulta lesão corporal grave, a
É pacífico o entendimento de que a coisa abandonada (res pena é de reclusão, de sete a quinze anos, além da
derelicta), a coisa de ninguém (res nullius) não podem ser multa; se resulta morte, a reclusão é de vinte a trinta
objeto do crime de furto, como também a coisa perdida (res anos, sem prejuízo da multa.
desperdita), porém a coisa perdida constitui o crime de apro- O crime de roubo está tipificado no rol dos crimes contra o
priação de coisa achada, Art.169, II, do CP. patrimônio. Esse crime assemelha-se muito ao crime de furto,
O ser humano não pode ser objeto de furto, salvo se forem contudo possui elementos que, agregados à conduta “subtrair”, 61
partes definidas e com valor econômico. formam um novo crime.
No roubo há a subtração de coisa móvel alheia, porém com Situações nas quais o roubo é considerado consumado:
62 o emprego de violência ou grave ameaça contra a pessoa, ele- ▷ Destruição ou perda do bem subtraído;
mentos esses que empregados, fazem com que a vítima entre- ▷ Prisão em flagrante de um dos ladrões e fuga do(s)
gue a coisa móvel, funcionando como circunstâncias especiais
comparsa(s) com o bem subtraído.
que relevam a distinção para o crime furto.
Classificação Roubo Impróprio
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

§ 1º Na mesma pena incorre quem, logo depois de sub-


É crime comum / Formal (STJ e STF) / instantâneo / plurissub- traída a coisa, emprega violência contra pessoa ou grave
sistente / de dano / de concurso eventual. ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a
Ofende o patrimônio, integridade física e liberdade indivi- detenção da coisa para si ou para terceiro.
dual do indivíduo (Crime COMPLEXO).
Roubo Próprio (caput) Roubo Impróprio (§ 1º)
É crime de forma livre: admite qualquer meio de execução.
Emprego de Grave Ameaça Violência ou Grave
ameaça ou qualquer
Também denominada de violência moral ou vis compulsi- Meios de outro meio que reduza a Violência ou Grave
va (consiste na promessa de mal grave, iminente e passível de Execução vítima à impossibilidade Ameaça.
realização). de resistência (violência
Emprego de Violência imprópria).
Momento
Também denominada de violência própria, violência física Logo depois de subtrair
de Emprego Antes ou Durante a sub-
ou vis absoluta (consiste no emprego de força física sobre a a coisa, mas antes da
do meio de tração do bem.
vítima, mediante lesão corporal ou vias de fato, para facilitar consumação do furto.
execução
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a subtração do bem. Assegurar a impunidade


Qualquer Outro Meio que Reduza a Vítima à Impossibilidade Finalidade
Permitir a subtração do do crime ou a detenção
do meio de
de Resistência execução
bem. da coisa (o bem já foi
Também conhecida como violência imprópria ou violên- subtraído).
cia indireta. Abrange todos os outros meios (diferentes da
O roubo impróprio não admite a violência imprópria
violência ou grave ameaça) que impossibilitam a resistência
(qualquer outro meio que reduza a vítima à impossibilidade
da vítima no momento da execução do roubo.
de resistência).
Ex.: Drogar ou embriagar a vítima, usar soníferos (o famo-
so “Boa noite Cinderela”) ou hipnose etc. Para falarmos em roubo impróprio é imprescindível o
Não admite o princípio da insignificância, pois o desvalor prévio apoderamento da coisa.
da conduta é elevado, o que justifica a rigorosa atuação do O roubo impróprio consuma-se no momento em que o sujeito
direito penal. utiliza a violência à pessoa ou grave ameaça, ainda que não tenha
O elemento subjetivo é o dolo e exige-se o fim de assenho- êxito em sua finalidade de assegurar a impunidade do crime ou
ramento definitivo da coisa (animus rem sibi habendi). Não é a detenção da coisa subtraída para si ou para terceiro (é Crime
admitida a modalidade culposa. Formal).
O crime de roubo admite arrependimento posterior? Para
Causas de Aumento de Pena
a maioria da doutrina o roubo próprio admite arrependimento
posterior quando praticado mediante violência imprópria (Ex.: § 2º A pena aumenta-se de um terço até metade:
uso de psicotrópicos). Para a minoria, violência imprópria não I. Se a violência ou ameaça é exercida com empre-
admite arrependimento posterior, pois não deixa de ser espé- go de arma;
cie de violência. II. Se há o concurso de duas ou mais pessoas;
Sujeitos do Crime III. Se a vítima está em serviço de transporte de va-
lores e o agente conhece tal circunstância.
Sujeito Ativo: qualquer pessoa (crime comum), exceto o
proprietário da coisa alheia móvel. IV. Se a subtração for de veículo automotor que ve-
Sujeito Passivo: o proprietário, possuidor ou detentor da nha a ser transportado para outro Estado ou para
coisa alheia móvel, assim como qualquer outra pessoa que o exterior;
seja atingida pela violência ou grave ameaça. Pessoa Jurídica V. Se o agente mantém a vítima em seu poder, res-
também pode ser sujeito passivo. tringindo sua liberdade.
Consumação e Tentativa Se a violência ocorrer nos termos do inciso um deste pará-
Consuma-se o crime de roubo, no momento em que o grafo, aplica-se tanto às armas próprias quanto às impróprias.
agente se torna possuidor do bem subtraído mediante grave Ex.: (Próprias) revólveres, pistolas, espingardas etc.)
ameaça ou violência. Para que o agente se torne possuidor, é (Impróprias) facas, navalhas, taco de beisebol, te-
desnecessário que a coisa saia da esfera de vigilância da víti- souras, machado etc.
ma, bastando que cesse a clandestinidade ou a violência. (Para Se o crime é cometido em concurso de agentes e somente
esta corrente, o crime de Roubo é Formal). um deles utiliza a arma, a causa de aumento de pena se es-
A tentativa é plenamente admitida, haja vista o caráter tende a todos os envolvidos no roubo, independentemente de
plurissubsistente do crime de roubo. serem coautores ou partícipes.
agente de transpor a fronteira para a aplicação do aumento
Efetivo uso: incide a causa de aumento.
de pena.
Porte ostensivo: Incide a causa de aumento.
Arma de fogo Ex.: Um veículo foi roubado e desmanchado em Casca-
Porte simulado de arma: não incide a causa
de aumento, mas caracteriza o roubo simples vel/PR e suas peças foram encaminhadas para São Paulo
(grave ameaça). ou para o Paraguai.
Esta majorante só incide quando o roubo for de veículo
Absoluta ineficácia de arma: não incide a automotor, não abrangendo embarcação nem aeronave, além
causa de aumento, mas caracteriza o roubo disso, o veículo automotor deve ser levado para outro Estado
Arma com defeito simples (grave ameaça). ou país.
Relativa ineficácia de arma: incide a causa do
aumento. • Se o agente mantém a vítima em seu poder, res-
tringindo sua liberdade
Não incide a causa de aumento, mas caracteri- Na hipótese desta qualificadora, a vítima deve ter restrin-
za o roubo simples (grave ameaça). gida sua liberdade por tempo juridicamente relevante.
Arma Conforme o STF, arma desmuniciada ou sem Ex.: Pedro, mediante grave ameaça, subtrai o carro de
desmuniciada possibilidade de pronto municiamento não Rafael, e com ele permanece até abandoná-lo em um lo-
configura o crime tipificado no Art. 14 da Lei
cal distante, evitando, dessa forma, o pedido de socorro
10.826/03 (Estatuto do Desarmamento).
às autoridades.
Não incide a causa de aumento, mas caracteri- Roubo Qualificado
Arma de brinquedo
za o roubo simples (grave ameaça). § 3º Se da VIOLÊNCIA resulta lesão corporal grave, a
pena é de reclusão, de sete a quinze anos, além da
• Se há o concurso de duas ou mais pessoas multa; se resulta morte, a reclusão é de vinte a trinta
anos, sem prejuízo da multa.
Incide esta qualificadora ainda que um dos envolvidos seja
inimputável (Ex.: Menor de 18 anos) ou não possa ser identi- Roubo qualificado pela lesão corporal grave (7 a 15 anos);
ficado. Roubo qualificado pela morte [latrocínio] (20 a 30 anos).
Essa qualificadora incide ainda que apenas um dos envol- De acordo com o texto legal, somente é possível a incidência
vidos no roubo pratique atos executórios ou esteja presente das qualificadoras quando o resultado agravador resultar de vio-
no local do crime. Desse modo, aplica-se tanto aos coautores lência. Desse modo, se resultar de grave ameaça não incidirá esta
quanto aos partícipes. qualificadora.
• Se a vítima está em serviço de transporte de valo- Imagine a seguinte situação hipotética: “A” apontou uma
arma de fogo para “B”, senhora de 80 anos, e anunciou o as-
res e o agente conhece tal circunstância salto. “B”, com o susto da situação, sofreu um infarto fulmi-

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Tem por finalidade conceder maior proteção às pessoas nante e morreu em razão da grave ameaça empregada, mo-
que prestam serviços relacionados ao transporte de valores, mento em que “A” subtrai a bolsa da vítima. Nesta situação,
exclui-se o proprietário dos bens. “A” responderá por roubo consumado em concurso formal
Ex.: Carros-fortes, office-boys, estagiários, funcionários com homicídio culposo.
de bancos etc. Segundo o Art. 1º da Lei nº 8.072/90, O latrocínio, consu-
Exige-se que o agente tenha conhecimento desta circuns- mado ou tentado, é crime hediondo.
tância. De acordo com a Súmula 603 do STF a competência
• Se a subtração for de veículo automotor que ve- para o processo e julgamento do latrocínio é do Juiz Singu-
nha a ser transportado para outro Estado ou para lar e não do Tribunal do Júri. Isso ocorre porque o latrocínio
o exterior é crime contra o patrimônio e o Tribunal do Júri só julga os
crimes dolosos contra a vida.
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Fundamenta-se na maior dificuldade de recuperação do


bem pela vítima, quando ocorre a ultrapassagem das frontei- O resultado agravador (morte) pode ter sido causado de
ras estaduais ou internacionais. forma dolosa ou culposa. Percebe-se, então, que o latrocínio
não é crime exclusivamente preterdoloso (dolo no anteceden-
Não incide esta causa de aumento de pena na hipótese de
te e culpa no consequente). Admite-se a tentativa se o resulta-
transporte de componentes isolados (peças) do veículo auto-
do agravador, morte, ocorrer de forma dolosa.
motor para outro Estado ou para o exterior.
Qual crime pratica o assaltante que, duas semanas após o
Esta majorante só incide quando o roubo for de veiculo
assalto, mata gerente que o reconheceu como um dos crimino-
automotor, não abrangendo embarcação nem aeronave. Além
sos? Não pode ser o Art. 157, § 3º, uma vez que exige o fator tem-
disso a causa de aumento de pena somente terá incidência
po e o fator nexo. O crime será de roubo em concurso material
quando o veículo automotor efetivamente for transportado
com homicídio qualificado pela conexão consequencial.
para outro Estado ou para o Exterior.
De acordo com Cleber Masson, a majorante é compatível Considerações
com a forma tentada em uma única hipótese: quando o agente De acordo com a Súmula 610 do STF: Há crime de latrocí-
é perseguido logo após a subtração e foge em direção a fron- nio, quando o homicídio se consuma, ainda que não realize
teira de outro País ou Estado, mas acaba sendo preso antes o agente a subtração de bens da vítima. Atenção para as se- 63
que transponha a fronteira. Nesse caso basta a intenção do guintes situações:
Subtração do Bem Morte da Vítima Latrocínio Extorsão (Art. 158, §1º, primeira
Roubo (Art. 157, §2º, II, CP)
64 parte, CP)
Consumado Consumado Consumado
Crime COMETIDO por duas ou Se há o CONCURSO de duas ou
Tentada Consumado Consumado mais pessoas. mais pessoas.
Tentada Tentada Tentada Admite coautoria, mas não admite Admite coautoria e partici-
participação. pação.
Consumado Tentada Tentada
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Extorsão Qualificada
Extorsão Art. 158, § 2º, CP. Aplica-se à extorsão praticada me-
Art. 158. Constranger alguém, mediante violência ou gra- diante violência o disposto no § 3º do artigo anterior.
ve ameaça, e com o intuito de obter para si ou para ou- Se, da violência resulta lesão corporal grave (7 a 15
trem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que anos), se resulta morte (20 a 30 anos).
se faça ou deixar fazer alguma coisa: Se, o resultado agravador (lesão corporal grave ou morte)
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa. ocorrer em razão da grave ameaça empregada, o agente res-
§ 1º Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ponderá pelo crime de Extorsão simples (caput).
ou com emprego de arma, aumenta-se a pena de um A extorsão qualificada pela morte, consumada ou tentada
terço até metade. é crime hediondo (Art. 1º, IV, Lei nº 8.072/90).
§ 2º Aplica-se à extorsão praticada mediante violência
• Extorsão mediante restrição da liberdade da vítima
o disposto no § 3º do artigo anterior.
§ 3º Se o crime é cometido mediante a restrição da
§ 3º Se o crime é cometido mediante a restrição da li-
liberdade da vítima, e essa condição é necessária
berdade da vítima, e essa condição é necessária para a
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para a obtenção da vantagem econômica, a pena é


obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclu-
de reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da
são, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da multa; se re-
multa; se resulta lesão corporal grave ou morte,
sulta lesão corporal grave ou morte, aplicam-se as pe-
aplicam-se as penas previstas no Art. 159, §§ 2º e 3º,
nas previstas no Art. 159, §§ 2º e 3º, respectivamente.
respectivamente.
A extorsão, ao contrário do roubo, não pode ser praticada Popularmente conhecido como o crime de “Sequestro re-
mediante violência imprópria (Qualquer outro meio que redu- lâmpago”.
za a vítima à impossibilidade de resistência).
Este crime, além de atentar contra o patrimônio da vítima,
Segundo Nelson Hungria, uma das formas mais frequen- viola também sua liberdade de locomoção.
tes de extorsão é a famosa “Chantagem” (praticada mediante Ex.: “A”, mediante uso de arma de fogo, ameaça de mor-
ameaça de revelação de fatos escandalosos ou difamatórios, te “B”, o qual estava saindo de sua residência, e o cons-
para coagir o ameaçado a “comprar” o silêncio do ameaça- trange a dirigir seu veículo até um caixa eletrônico para
dor). É um crime de ação penal pública incondicionada. que “B” saque dinheiro para entregar a “A”.
Diferencia-se do Roubo (Art. 157, § 2º, V, CP), pois é im-
Classificação
prescindível um comportamento de “B” (digitar a senha do
Extorsão é crime comum / de forma livre / formal / instantâ- cartão do banco) para a consumação do crime de extorsão.
neo / plurissubsistente / de dano / doloso (não admite a modali- Diferenças entre o “sequestro relâmpago” com a extorsão
dade culposa) / de concurso eventual. mediante sequestro
É considerado um crime complexo, pois protege vários
bens jurídicos. (patrimônio, integridade física e liberdade in- Sequestro Relâmpago Extorsão Mediante
dividual). (Art. 158, §3º, CP) Sequestro (Art. 159, CP)
É crime formal / de consumação antecipada. A obtenção da Restrição da liberdade. Privação da liberdade.
indevida vantagem econômica pelo agente é exaurimento do
crime que será levado em consideração na dosimetria da pena- Não há encarceramento da vítima.
A vítima é colocada no
-base (Art. 59, CP). cárcere.

Sujeitos do Crime Finalidade de se obter


Finalidade de se obter indevida
Por ser um crime comum, não se exige uma qualidade es- qualquer vantagem, como
vantagem econômica.
pecial do sujeito ativo ou passivo, portanto pode ser cometido/ condição ou preço do resgate.
sofrido por qualquer pessoa.
Considerações
Consumação e Tentativa Se a vantagem é devida (legítima), verdadeira ou suposta-
Súm. 96, STJ. O crime de extorsão consuma-se inde- mente, o agente responderá pelo crime de exercício arbitrário das
pendentemente da obtenção da vantagem indevida. próprias razões (Art. 345, CP).
A tentativa é admitida. A vantagem indevida deve ser econômica, pois se não o
for, estará afastado o crime de extorsão.
Causa de Aumento de Pena
Ex.: “A”, mediante violência ou grave ameaça, coage “B”
▷ Se o crime é COMETIDO por duas ou mais pessoas; a assumir a autoria de um crime de difamação praticado
▷ Se o crime é cometido com emprego de arma; contra “C”.
Diferenças entre o crime de extorsão e roubo: ї É crime complexo.
Roubo Extorsão Resulta da fusão da extorsão (Art. 158) e sequestro (Art. 148).
O extorsionário faz com que a Objeto Material
O ladrão subtrai.
vítima lhe entregue. A pessoa privada de sua liberdade e também aquela lesa-
O agente busca vantagem O agente busca vantagem
da em seu patrimônio.
imediata. mediata (futura). É crime hediondo em todas as suas modalidades (tenta-
dos ou consumados). (Art. 1º, IV, Lei nº 8.072/90).
Não admite bens imóveis. Admite bens imóveis também.
Núcleo do Tipo
Admite violência imprópria. Não admite violência imprópria.
“Sequestrar”: privar uma pessoa de sua liberdade de loco-
A colaboração da vítima é dis- A colaboração da vítima é moção por tempo juridicamente relevante.
pensável. indispensável. Sujeitos do Crime
Diferenças entre o crime de Extorsão e Constrangimento Sujeito Ativo: qualquer pessoa (crime comum). Se o sujei-
ilegal to ativo for funcionário público e cometer o crime no exercício
A extorsão se distingue do crime de constrangimento de suas funções, responderá também pelo crime de abuso de
ilegal (Art. 146, CP), pois, no primeiro há a presença de um autoridade (Arts. 3º, “a” e 4º, “a”, Lei nº 4.898/65).
elemento subjetivo do tipo (especial fim de agir do agente) Pessoa que simula o próprio sequestro para extorquir seus
representado pela vontade de obter indevida vantagem eco- pais, mediante o auxílio de terceiros, responde por extorsão
nômica, para si ou para outrem. (Art. 158).
Diferenças entre o crime de Extorsão e Concussão Sujeito Passivo: pessoa que sofre a lesão patrimonial e
pessoa privada de sua liberdade.
Extorsão (Art. 158) Concussão (Art. 316)
A vítima deve ser necessariamente uma pessoa humana.
Crime contra a Administração Desse modo, a privação da liberdade de um animal (de extin-
Crime Contra o Patrimônio.
Pública. ção ou raça) configura o crime de extorsão (Art. 158, CP).
Se a vítima for menor de 18 anos ou maior de 60 anos o
Há emprego de violência ou Não há emprego de violência ou
grave ameaça. grave ameaça. crime será qualificado (§ 1º).
Supondo que haja subtração de animal de outrem e infor-
Em regra é praticado por particu-
Em regra é praticado por fun-
ma que somente será devolvido caso seja pago resgate. Há
lar, mas funcionário público pode prática do crime de extorsão mediante sequestro? Não haverá
cionário público, mas particular
praticar caso empregue violência tal crime já que o tipo penal se remete à pessoa. Nessa hipóte-
pode ser coautor ou partícipe.
ou grave ameaça. se, será configurado o delito de extorsão.

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É possível concurso de crimes de roubo e extorsão, por Elemento Subjetivo
exemplo o agente, após roubar o carro da vítima, a obriga a Dolo + (especial fim de agir) com o fim de obter, para si
entregar o cartão 24h com a senha, conforme STJ. ou para outrem, qualquer vantagem, como condição ou preço
do resgate. Não se admite a modalidade culposa.
Extorsão Mediante Sequestro
Art. 159. Sequestrar pessoa com o fim de obter, para Espécie da Vantagem
si ou para outrem, qualquer vantagem, como condição A maioria da doutrina entende que a vantagem deve ser
ou preço do resgate: econômica e indevida.
Pena - reclusão, de oito a quinze anos. Se a vantagem for devida, o agente responderá pelos
§ 1º Se o sequestro dura mais de 24 (vinte e quatro) ho- crimes de sequestro (Art. 148) e exercício arbitrário das pró-
ras, se o sequestrado é menor de 18 (dezoito) ou maior prias razões (Art. 345) em concurso formal.
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

de 60 (sessenta) anos, ou se o crime é cometido por Consumação e Tentativa


bando ou quadrilha: Consuma-se com a privação da liberdade da vítima, in-
Pena - reclusão, de doze a vinte anos. dependente da obtenção da vantagem pelo agente. É crime
§ 2º Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: formal. A tentativa é possível.
Pena - reclusão, de dezesseis a vinte e quatro anos. Juízo Competente
§ 3º Se resulta a morte: O Juízo Competente para julgamento é o do local em que
Pena - reclusão, de vinte e quatro a trinta anos. ocorreu o sequestro da vítima, e não o da entrega do even-
§ 4º Se o crime é cometido em concurso, o concorrente tual resgate.
que o denunciar à autoridade, facilitando a libertação Se os parentes da vítima realizarem o pagamento do res-
do sequestrado, terá sua pena reduzida de um a dois gate, ocorrerá o exaurimento do crime.
terços.
Crime Permanente
Objetividade Jurídica É Crime Permanente (a consumação se prolonga no tempo
Patrimônio e liberdade individual. Integridade física e vida e dura todo o período em que a vítima estiver privada de sua 65
humana (§ 2º e § 3º). liberdade).
Por ser crime permanente, é cabível a prisão em flagrante ▷ Prática do crime em concurso de pessoas: não é
66 a qualquer tempo, enquanto durar a permanência. exigível Associação Criminosa, basta o concurso de
A privação da liberdade do sequestrado há de ser mantida pessoas;
por tempo juridicamente relevante. ▷ Esclarecimento por parte de um dos criminosos a
autoridade sobre o crime;
Classificação Doutrinária
▷ Facilitação da libertação do sequestrado, ou seja,
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Crime comum / de forma livre/ FORMAL / PERMANENTE /


que a delação seja eficaz.
plurissubsistente / de dano / de concurso eventual.
De acordo com a jurisprudência, deve ser aplicada a dela-
Ação Penal ção premiada quando a vítima é libertada diretamente por um
A Ação Penal é pública incondicionada em todas as espé- dos sequestradores.
cies do crime. A redução de pena é proporcional conforme a maior ou
Figuras Qualificadas menor colaboração do agente. Quanto mais auxiliar, maior
a redução.
§ 1º Se o sequestro dura mais de 24 (vinte e quatro)
horas, se o sequestrado é menor de 18 (dezoito) ou A delação deve ser EFICAZ, ou seja, deve ter contribuí-
maior de 60 (sessenta) anos, ou se o crime é come- do decisivamente para a libertação da vítima. Desse modo, a
tido por bando ou quadrilha. Pena - reclusão de 12 a pena não será diminuída se o refém foi solto por outro motivo
20 anos. qualquer, diverso da informação prestada pelo sequestrador.
Incide a qualificadora quando na data do sequestro a ví- Presentes os requisitos legais, o juiz é obrigado a reduzir
tima possuía, por exemplo, 59 anos e 11 meses e na data da a pena do criminoso (é direito subjetivo do réu).
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libertação possuía mais de 60 anos, pois o crime de extorsão A redução da pena da delação premiada não se comunica
mediante sequestro é crime permanente (a consumação pro- aos demais coautores ou partícipes que não denunciaram o
longa-se no tempo por vontade do agente). fato à autoridade (circunstância pessoal), pois não facilita-
E se o crime se deu em exatas 24 horas, incide a qualifi- ram a libertação do refém.
cadora? Não. Tem que ser mais de 24 horas. Extorsão Indireta
Se o crime é cometido por associação criminosa e esta for
Art. 160. Exigir ou receber, como garantia de dívida,
usada para qualificar o delito, não pode haver a punição pelo
abusando da situação de alguém, documento que
Art. 288 do CP, sob pena de ocorrência do bis in idem.
pode dar causa a procedimento criminal contra a víti-
§ 2º Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: ma ou contra terceiro:
Pena - reclusão de 16 a 24 anos. Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
§ 3º Se resulta a morte: O crime de extorsão se consuma no momento em que é
Pena - reclusão de 24 a 30 anos. realizada a conduta de constrangimento mediante o uso de
No roubo e na extorsão só existe a qualificadora quan- violência ou grave ameaça, portanto considerado crime for-
do a lesão corporal de natureza grave ou a morte resultam mal. A obtenção da vantagem indevida configura mero exau-
da “violência”, ao passo que nesta hipótese o crime será rimento do crime.
qualificado quando do FATO resultar lesão corporal de na-
tureza grave ou morte. Portanto o resultado agravador pode Da Usurpação
ser provocado por violência própria, violência imprópria ou Alteração de Limites
GRAVE AMEAÇA.
Art. 161. Suprimir ou deslocar tapume, marco, ou qual-
Não incidirá esta qualificadora se o resultado agravador for quer outro sinal indicativo de linha divisória, para apro-
produzido por força maior, caso fortuito ou culpa de terceiro. priar-se, no todo ou em parte, de coisa imóvel alheia:
Ex.: cai um raio no barraco onde a vítima era mantida Pena - detenção, de um a seis meses, e multa.
em cativeiro e esta morre.
§ 1º Na mesma pena incorre quem:
A morte ou lesão corporal grave podem ter sido provo-
cadas dolosa ou culposamente. Não é crime exclusivamente Usurpação de Águas
preterdoloso (dolo no antecedente e culpa no consequente). I. Desvia ou represa, em proveito próprio ou de ou-
A pena da extorsão mediante sequestro qualificada pela trem, águas alheias;
morte (24 a 30 anos) é a maior do Código Penal. Esbulho Possessório
Delação Premiada II. Invade, com violência a pessoa ou grave ameaça,
§ 4º Se o crime é cometido em concurso, o concorrente ou mediante concurso de mais de duas pessoas,
terreno ou edifício alheio, para o fim de esbulho
que o denunciar à autoridade, facilitando a libertação do possessório.
sequestrado, terá sua pena reduzida de um a dois terços. § 2º Se o agente usa de violência, incorre também na
É causa especial de diminuição da pena que somente pode pena a esta cominada.
ser aplicada pelo Juiz (Delegados e Promotores não podem). § 3º Se a propriedade é particular, e não há emprego de
Requisitos para a incidência deste parágrafo: violência, somente se procede mediante queixa.
Supressão ou Alteração de Núcleos do Tipo
Marca em Animais Destruir: extinguir a coisa (dano físico total).
Ex.: Quebrar totalmente um espelho; queimar um tele-
Art. 162. Suprimir ou alterar, indevidamente, em gado fone celular.
ou rebanho alheio, marca ou sinal indicativo de pro- Inutilizar: tornar uma coisa imprestável aos fins a que se
priedade: destina.
Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa. Ex.: Retirar a bateria de um carro.
Deteriorar: estragar parcialmente um bem, diminuindo-
Do Dano lhe o valor ou a utilidade (dano físico parcial).
Art. 163. Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia: Ex.: Riscar a lataria de um veículo.
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. Sujeitos do Crime
Dano Qualificado Sujeito Ativo: é crime comum, pode ser praticado por
Parágrafo único. Se o crime é cometido: qualquer pessoa, exceto o proprietário da coisa.
I. Com violência à pessoa ou grave ameaça; Se o proprietário danificar coisa própria, que se acha
II. Com emprego de substância inflamável ou explosi- em poder de terceiro por determinação judicial ou conven-
va, se o fato não constitui crime mais grave; ção, responderá pelo previsto no Art. 346, CP.
III. Contra o patrimônio da União, Estado, Municí- Sujeito Passivo: qualquer pessoa (proprietário ou possui-
pio, empresa concessionária de serviços públicos dor legítimo da coisa).
ou sociedade de economia mista; Elemento Subjetivo
IV. Por motivo egoístico ou com prejuízo considerá- É o Dolo. A finalidade do agente deve ser unicamente des-
vel para a vítima: truir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia.
Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa, Importante: não existe o crime de dano culposo.
além da pena correspondente à violência. Se o dano constituir-se em meio para a prática de outro
Objetividade Jurídica crime, ou então como qualificadora de outro crime, será por
este absorvido. Ex.: Furto qualificado pela destruição ou rom-
Patrimônio das pessoas físicas ou jurídicas.
pimento de obstáculo (Art. 155, § 4º, I, CP): o dano, crime-
Não há crime de dano quando a conduta do agente recair meio, será absorvido pelo furto, crime-fim.
sobre res derelicta (coisa abandonada) ou res nullius (coisa
de ninguém). Todavia se a conduta recair sobre res despedita Consumação e Tentativa
(coisa perdida) haverá crime, pois se trata de coisa alheia. É crime material. Desse modo, ele se consuma quando
o agente efetivamente destrói, inutiliza ou deteriora a coisa

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Objeto Material alheia. A tentativa é plenamente possível.
Coisa alheia, móvel ou imóvel, sobre a qual incide a con-
duta do agente. Dano Simples
O crime de dano simples (caput) é IMPO, Infração de Me-
Dano em Documentos (Públicos ou Privados) nor Potencial Ofensivo, de competência do Juizado Especial
Se o agente danificou para impedir utilização do docu- e de ação penal privada (Art. 167, CP).
mento como prova de algum fato juridicamente relevante,
Classificação Doutrinária
responderá pelo crime de supressão de documento (Art. 305,
CP). Todavia, se a conduta foi praticada unicamente com o Crime comum / material / doloso / de forma livre / instan-
tâneo / plurissubjetivo / de concurso eventual e não transeun-
objetivo de prejudicar o patrimônio da vítima, responderá o
te (deixa vestígios materiais).
agente pelo crime de dano (Art. 163, CP).
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Tipo Misto Alternativo, Crime de Ação Dano Qualificado


Múltipla ou de Conteúdo Variado Parágrafo único. Se o crime é cometido:
I. Com violência à pessoa ou grave ameaça;
Haverá crime único na prática de várias condutas com ob-
II. Com emprego de substância inflamável ou explosi-
jeto material no mesmo contexto fático.
va, se o fato não constitui crime mais grave;
É Crime de Forma Livre = Admite qualquer meio de exe-
III. Contra o patrimônio da União, Estado, Municí-
cução. pio, empresa concessionária de serviços públicos
Pode ser praticado por omissão, desde que presente o ou sociedade de economia mista;
dever jurídico de agir (Art. 13, §2º, CP). IV. Por motivo egoístico ou com prejuízo considerá-
Ex.: Empregada doméstica deixa, dolosamente, de fe- vel para a vítima:
char as janelas da casa da patroa durante uma chuva para Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa,
que sejam danificados os objetos eletrônicos da casa. além da pena correspondente à violência.
O agente que pratica a conduta de pichar, grafitar ou por
qualquer outro meio conspurcar (poluir) edificação ou monu- Com Violência à Pessoa ou Grave Ameaça
mento urbano responderá pelo crime previsto no Art. 65 da Lei A vítima da violência ou grave ameaça pode ser pessoa 67
nº 9.605/98 (Lei dos Crimes Ambientais). diversa da vítima do dano.
Ex.: Ameaçar a empregada doméstica de seu vizinho aprovados na segunda fase do concurso de Delegado de Polícia
68 para quebrar a vidraça de sua janela. Civil de um Estado qualquer. Então, no dia da prova oral, “A” sa-
A violência ou grave ameaça deve ocorrer antes ou duran- bota o carro de “B” para que este não consiga chegar a tempo
te a prática do crime de dano, pois, se ocorrer depois, o agente para realizar o exame e seja eliminado do concurso.
responderá pelo crime de dano simples em concurso material De acordo com o Art. 167 do CP, nesta hipótese de dano a
com o crime de lesão corporal (Art. 129) ou ameaça (Art. 147). ação penal é privada.
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

De acordo com o Art. 167, CP, nesta hipótese de dano a


ação penal será pública incondicionada. Introdução ou Abandono de
Com Emprego de Substância Inflamável ou Explo-
Animais em Propriedade Alheia
Art. 164. Introduzir ou deixar animais em propriedade
siva, se o Fato não Constitui Crime Mais Grave
alheia, sem consentimento de quem de direito, desde
A expressão “se o fato não constitui crime mais grave” que o fato resulte prejuízo:
informa que esta qualificadora é expressamente subsidiá-
Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, ou multa.
ria, ou seja, somente incidirá o dano qualificado quando a
lesão ao patrimônio alheio não caracterizar um crime mais Dano em Coisa de Valor Artístico,
grave, nem funcionar como meio de execução de um delito
mais grave. Arqueológico ou Histórico
Ex.: “A” explode o carro de “B” que estava no estacio- Art. 165. Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa tombada
namento: “A” responderá pelo crime de dano qualifica- pela autoridade competente em virtude de valor artís-
do. Todavia se “A” explodiu o carro de “B” com a inten- tico, arqueológico ou histórico:
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ção de matá-lo, e efetivamente alcançou este resultado Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
responderá pelo crime de homicídio qualificado (Art.
121, §2º, III, CP). Alteração de Local
De acordo com o Art. 167 do CP, nesta hipótese de dano, a Especialmente Protegido
ação penal será pública incondicionada. Art. 166. Alterar, sem licença da autoridade competen-
Contra o Patrimônio da União, Estado, Mu- te, o aspecto de local especialmente protegido por lei:
nicípio, Empresa Concessionária de Serviços Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
Públicos ou Sociedade de Economia Mista Ação Penal
Não incide esta qualificadora na hipótese de dano contra Art. 167. Nos casos do art. 163, do inciso IV do seu parágrafo
o patrimônio de autarquias, empresas públicas, fundações pú- e do Art. 164, somente se procede mediante queixa.
blicas e empresas permissionárias de serviços públicos. Res-
ponderá o agente pelo crime de dano simples nesta situação. Da Apropriação Indébita
Também não incide esta qualificadora na conduta prati-
cada contra imóveis locados ou usados pelos entes descritos Apropriação Indébita
neste inciso.
Art. 168. Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem
De acordo com o entendimento do STJ, o preso que da- a posse ou a detenção:
nifica (destrói, deteriora ou inutiliza) as paredes e grades da
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
cela dos presídios ou delegacias, com o objetivo de fuga não
responde pelo crime de dano. Vejamos uma jurisprudência so- Aumento de Pena
bre o tema: § 1º. A pena é aumentada de um terço, quando o agen-
Conforme entendimento, há muito fixado nesta Corte te recebeu a coisa:
Superior (STF), para a configuração do crime de dano, I. Em depósito necessário;
previsto no Art. 163 do CPB, é necessário que a vontade II. Na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário,
seja voltada para causar prejuízo patrimonial ao dono inventariante, testamenteiro ou depositário judicial;
da coisa (animus nocendi). Dessa forma, o preso que III. Em razão de ofício, emprego ou profissão.
destrói ou inutiliza as grades da cela onde se encontra,
com o intuito exclusivo de empreender fuga, não comete Conceito
crime de dano. 2. Parecer do MPF pela concessão da A principal característica do crime de apropriação indébita
ordem. 3. Ordem concedida, para absolver o paciente é a existência de uma situação de quebra de confiança, pois a
do crime de dano contra o patrimônio público (Art. 163, vítima entrega, voluntariamente, uma coisa móvel ao agente,
Parágrafo Único, III, do CPB). e este, logo após, inverte seu ânimo no tocante ao bem, pas-
De acordo com o Art. 167 do CP, nesta hipótese de dano a sando a comportar-se como seu dono.
ação penal será pública incondicionada. Objetividade Jurídica
Por Motivo Egoístico ou com Prejuí- Patrimônio.
zo Considerável para a Vítima Objeto Material
Motivo egoístico é aquele ligado à obtenção de um futuro Coisa alheia móvel sobre a qual recai a conduta criminosa
benefício, de ordem moral ou econômica. Ex.: “A” e “B” foram (imóveis não).
Para o STJ é possível a prática do crime de apropriação A pessoa recebe a posse ou
O agente já possuía a intenção
indébita de coisas fungíveis (móveis que podem substituir-se detenção de coisa de maneira
de se apropriar do bem antes de
por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade). legítima, surgindo a vontade de
alcançar a sua posse ou detenção.
Ex.: Dinheiro. se apropriar posteriormente.

Núcleo do Tipo Ex.: Pessoa vai a uma locadora de Ex.: Pessoa vai a uma locadora
veículos, aluga um veículo, gosta de veículos, já com a intenção de
É o verbo “apropriar” que significa tomar para si, fazer sua dele e decide não devolver. alugar o veículo e não devolvê-lo.
coisa alheia.
• Posse/Detenção Legítima e Desvigiada Consumação
Ocorre no momento em que o agente inverte seu ânimo
A posse ou a detenção do bem deve ser LEGÍTIMA e tam-
em relação a coisa alheia móvel, ou seja, ele passa a se com-
bém desvigiada. Desse modo, o crime de apropriação indébita
portar como dono do bem. Pode se dar de duas maneiras:
deve preencher os seguintes requisitos:
Se consuma com a prática de algum ato de disposição
A vítima entrega o bem voluntariamente: se houver fraude Apropriação do bem, incompatível com a condição de possuidor ou
para a entrega o crime será de estelionato, se houver violência indébita detentor.
ou grave ameaça à pessoa o crime será de roubo ou de extor- própria
Ex.: Vender, doar, permutar, emprestar o bem.
são. Negativa de Se consuma no momento em que o agente se recusar
O agente tem a posse ou detenção desvigiada do bem: se restituição expressamente a devolver o bem ao seu proprietário.
a posse ou detenção for vigiada e o bem for retirado da vítima
sem sua autorização o crime será de furto. Tentativa
O agente recebe o bem de boa-fé: se ao receber o bem o A apropriação indébita própria admite tentativa.
agente já tinha a intenção de apropriar-se dele, o crime será de Ex.: “A” é preso em flagrante no momento em que doava
estelionato. Obs.: a boa-fé é presumida. os DVDs de “B”, do qual tinha a posse legítima e desvi-
giada.
Modificação posterior no comportamento do agente: após
A apropriação indébita negativa de restituição não admite
entrar licitamente (de boa-fé) na posse ou detenção da coisa,
tentativa (conatus), pois é crime unissubsistente: ou o sujeito
o agente passa a se comportar como se fosse dono. Momento
recusa a devolver o bem, e o crime estará consumado, ou o de-
em que apresenta seu ânimo de assenhoramento definitivo
volve ao dono, e o fato será atípico.
(animus rem sibi habendi). Essa alteração no comportamento
do agente ocorre de duas formas: Ação Penal
a) Prática de algum ato de disposição (venda, doação, A Ação Penal é pública incondicionada.
locação, troca etc.). Também conhecida como apro- Competência
priação indébita própria.

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Local em que o agente se apropria da coisa alheia móvel,
b) Recusa na restituição (a vítima solicita a devolução dela dispondo ou negando-se a restituí-la ao seu titular. (Art.
do bem e o agente expressamente se recusa a devol- 70, caput, CPP).
ver). Também denominada negativa de restituição.
Quando o crime de apropriação indébita for praticado por
Sujeitos do Crime algum representante (comercial ou não) da vítima, a competên-
Sujeito Ativo: qualquer pessoa, desde que tenha a posse cia será do local em que o agente deveria ter prestado contas
ou detenção lícita da coisa alheia móvel. Sempre pessoa di- dos valores recebidos.
versa do proprietário. Classificação Doutrinária
Sujeito Passivo: proprietário ou possuidor (pessoa física Crime comum / material / de forma livre / de concurso even-
ou jurídica) do bem. tual / doloso / em regra plurissubsistente, ou unissubsistente (ne-
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Elemento Subjetivo gativa de restituição) / instantâneo.


Dolo. Doutrina e jurisprudência defendem a necessidade 01. O Art. 102 do Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003) pre-
do ânimo de assenhoramento definitivo da coisa. Desse modo, vê uma modalidade especial de apropriação indébita,
não responderá por este crime aquele que simplesmente se quando praticada contra idoso:
esquece de devolver o bem na data previamente combinada. Art. 102. Apropriar-se de ou desviar bens, proventos,
Não se admite a modalidade culposa. pensão ou qualquer outro rendimento do idoso, dando-
lhes aplicação diversa da de sua finalidade:
Apropriação Indébita “De Uso” Pena - reclusão de 1 a 4 anos.
Não se pune a apropriação indébita “de uso”: situação em 02. O Art. 5º, “caput”, da Lei dos Crimes Contra o Sistema
que a pessoa usa momentaneamente a coisa alheia, para em Financeiro Nacional (Lei nº 7.492/86) também contém
seguida restituí-la integralmente ao seu proprietário. uma modalidade especial de apropriação indébita:
Apropriação Indébita X Estelionato Art. 5º. Apropriar-se, quaisquer das pessoas menciona-
Apropriação indébita das no Art. 25 desta lei, de dinheiro, título, valor ou qual-
Estelionato (Art. 171, CP)
(Art. 168, CP) quer outro bem móvel de que tem a posse, ou desviá-lo
em proveito próprio ou alheio: 69
O dolo é posterior ou subsequente. O dolo é anterior ou antecedente.
Pena - reclusão de 2 a 6 anos e multa.
Trata-se de crime próprio, pois somente pode ser prati- Apropriação Indébita Previdenciária
70 cado pelo controlador e pelos administradores de instituição
Art. 168-A. Deixar de repassar à previdência social as
financeira (diretores e gerentes).
contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e
Aumento de Pena forma legal ou convencional:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
§ 1º A pena é aumentada de um terço, quando o agente
§ 1º Nas mesmas penas incorre quem deixar de:
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

recebeu a coisa:
I. Recolher, no prazo legal, contribuição ou outra im-
I. Em depósito necessário; portância destinada à previdência social que tenha
II. Na qualidade de tutor, curador, síndico, liquida- sido descontada de pagamento efetuado a segura-
tário, inventariante, testamenteiro ou depositário dos, a terceiros ou arrecadada do público;
judicial; II. Recolher contribuições devidas à previdência so-
cial que tenham integrado despesas contábeis ou
III. Em razão de ofício, emprego ou profissão.
custos relativos à venda de produtos ou à prestação
A pena será aumentada de um terço quando o agente re- de serviços;
cebeu a coisa: III. Pagar benefício devido a segurado, quando as
respectivas cotas ou valores já tiverem sido reem-
Em Depósito Necessário bolsados à empresa pela previdência social.
De acordo com a doutrina majoritária, esta causa de au- § 2º É extinta a punibilidade se o agente, espontanea-
mento de pena incide apenas no depósito necessário miserá- mente, declara, confessa e efetua o pagamento das
vel, previsto no Art. 647, II, CC (é o que se efetua por ocasião contribuições, importâncias ou valores e presta as in-
de alguma calamidade, como inundação, incêndio, saque ou formações devidas à previdência social, na forma de-
finida em lei ou regulamento, antes do início da ação
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naufrágio).
fiscal.
Na Qualidade de Tutor, Curador, Síndi- § 3º É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar
co, Liquidatário, Inventariante, Testa- somente a de multa se o agente for primário e de bons
antecedentes, desde que:
menteiro ou Depositário Judicial I. Tenha promovido, após o início da ação fiscal e an-
O fundamento do tratamento penal mais rigoroso repousa tes de oferecida a denúncia, o pagamento da contri-
na relevância das funções exercidas pelas pessoas indicadas buição social previdenciária, inclusive acessórios; ou
neste inciso, as quais recebem coisas alheias para guardar con- II. O valor das contribuições devidas, inclusive aces-
sigo, necessariamente, até o momento da devolução. sórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela
previdência social, administrativamente, como sen-
A palavra “síndico” deve ser substituída pela expressão “ad- do o mínimo para o ajuizamento de suas execuções
ministrador judicial”, em razão da alteração ocorrida pela Lei nº fiscais.
11.101/2005 (Lei de Falência e Recuperação Judicial do Empresá-
rio e da Sociedade Empresária). Objetividade Jurídica
Seguridade social (saúde, previdência e assistência social
Em Razão de Ofício, Emprego ou Profissão - Art. 194, CF/88). Não se trata de crime contra o patrimônio.
Não necessita de relação de confiança entre o agente e a
vítima. Objeto Material
Contribuição previdenciária arrecadada e não recolhida.
Prestação de serviço em subordinação e dependência.
Emprego Núcleo do Tipo
Ex.: Dono de um supermercado e seus funcionários.
Deixar de repassar, significa deixar de recolher. (Recolher
Ocupação mecânica ou manual, que necessita de um é depositar a quantia recebida - descontada ou cobrada).
determinado grau de habilidade, e que seja útil ou
Ofício necessário às pessoas em geral. É crime omissivo próprio ou puro (não admite tentativa).
Ex.: Mecânico, sapateiro etc. Lei Penal em Branco Homogênea
Atividade em que não há hierarquia e necessita de Deve ser complementada pela legislação previdenciária
Profissão conhecimentos específicos (técnico e intelectual). em relação aos prazos de recolhimento.
Ex.: Advogado, dentista, médico, arquiteto, contador etc.
Sujeitos do Crime
Apropriação Indébita Privilegiada Sujeito Ativo: qualquer pessoa, crime comum (admite
O Art. 170 do Código Penal dispõe o seguinte: coautoria e participação).
Nos crimes previstos neste Capítulo, aplica-se o dis- Sujeito Passivo: União Federal.
posto no Art. 155, § 2º. Competência
Art. 155, § 2º, CP. Se o criminoso é primário, e é de peque- Sendo o sujeito ativo União Federal, a competência será da
no valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de Justiça Federal (crime praticado em detrimento dos interesses
reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, da União).
ou aplicar somente a pena de multa.
Portanto, é possível a caracterização da apropriação in- Elemento Subjetivo
débita privilegiada, em qualquer de suas espécies. É o dolo.
É dispensável (prescindível) o fim de assenhoramento A hipótese do inciso I não se aplica mais, em razão regra
definitivo (animus rem sibi habendi), pois o núcleo do tipo é contida no Art. 9, §2º, Lei nº 10.684/03 e do entendimento do
“deixar de repassar”, e não “apropriar-se” como no crime de STJ sobre o assunto.
apropriação indébita. Justa Causa e Prévio Esgotamento
Não se admite a forma culposa. da Via Administrativa
Consumação Lei nº 9.430/96. Dispõe sobre a legislação tributária
Para a maioria da doutrina é crime formal. Para o STF é federal, as contribuições para a seguridade social, o
crime material, pois deve haver a efetiva lesão aos cofres da processo administrativo de consulta; e dá outras pro-
União. vidências:
Se a conduta for praticada mediante fraude, o crime será Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos
de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no Art. crimes contra a ordem tributária previstos nos Arts. 1º e 2º
337-A, CP. da Lei no 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes
contra a Previdência Social, previstos nos Arts. 168-A e
É Crime Unissubsistente 337-A do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940
A conduta se exterioriza em um único ato, suficiente para (Código Penal), será encaminhada ao Ministério Público
a consumação. depois de proferida a decisão final, na esfera administrati-
Ação Penal va, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspon-
dente. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010).
Ação penal pública incondicionada.
§ 1º Na hipótese de concessão de parcelamento do
Hipótese de Dificuldades Financeiras crédito tributário, a representação fiscal para fins pe-
Firmou-se o entendimento de que há inexigibilidade de con- nais somente será encaminhada ao Ministério Público
duta diversa (causa supralegal de exclusão da culpabilidade). após a exclusão da pessoa física ou jurídica do parce-
O STJ já decidiu que o fato é atípico em face da ausência lamento. (Incluído pela Lei nº 12.382, de 2011).
de dolo. § 2º É suspensa a pretensão punitiva do Estado refe-
rente aos crimes previstos no caput, durante o período
Extinção da Punibilidade em que a pessoa física ou a pessoa jurídica relacionada
§ 2º É extinta a punibilidade se o agente, espontanea- com o agente dos aludidos crimes estiver incluída no
mente, declara, confessa e efetua o pagamento das parcelamento, desde que o pedido de parcelamento
contribuições, importâncias ou valores e presta as in- tenha sido formalizado antes do recebimento da de-
formações devidas à previdência social, na forma de- núncia criminal. (Incluído pela Lei nº 12.382, de 2011).
finida em lei ou regulamento, antes do início da ação § 3º A prescrição criminal não corre durante o período
fiscal.

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de suspensão da pretensão punitiva. (Incluído pela Lei
A ação fiscal tem início com a lavratura do Termo de Início nº 12.382, de 2011).
da Ação Fiscal (TIAF). § 4º Extingue-se a punibilidade dos crimes referidos no
Para que ocorra a extinção da punibilidade, devem-se caput quando a pessoa física ou a pessoa jurídica re-
preencher, cumulativamente, três requisitos: lacionada com o agente efetuar o pagamento integral
▷ Espontânea declaração e confissão do débito; dos débitos oriundos de tributos, inclusive acessórios,
▷ Prestação de informações à Previdência Social; que tiverem sido objeto de concessão de parcelamen-
▷ Pagamento integral do débito previdenciário ANTES to. (Incluído pela Lei nº 12.382, de 2011).
do início da Ação Fiscal.
Princípio da Insignificância
Para o STJ o pagamento integral do débito previdenciário,
ANTES ou DEPOIS do recebimento da denúncia, é causa de Para o STF, é possível a aplicação do princípio da insigni-
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

extinção da punibilidade (Art. 9º, § 2º, Lei nº 10.684/03). HC ficância (causa supralegal de exclusão da tipicidade - o fato
63.168/SC. não será crime) quando o valor do débito previdenciário não
ultrapassar R$10.000,00 (dez mil reais). O fundamento está
Perdão Judicial e Aplicação Iso- no Art. 20 da Lei nº 10.522/2002, que determina o arquiva-
lada de Pena de Multa mento das execuções fiscais, sem cancelamento na distribui-
§ 3º É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou apli- ção, quando os débitos inscritos como dívida ativa da União
car somente a de multa se o agente for primário e de não excedam este valor.
bons antecedentes, desde que: Forma Privilegiada
I. Tenha promovido, após o início da ação fiscal e an- Nos termos do Art. 170 do CP aplica-se o Art. 155, § 2º, para
tes de oferecida a denúncia, o pagamento da contri- este crime (forma privilegiada).
buição social previdenciária, inclusive acessórios; ou
II. O valor das contribuições devidas, inclusive Apropriação de Coisa Havida por Erro,
acessórios, seja igual ou inferior àquele estabele-
cido pela previdência social, administrativamente, Caso Fortuito ou Força da Natureza
como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas Art. 169. Apropriar-se alguém de coisa alheia vinda ao 71
execuções fiscais. seu poder por erro, caso fortuito ou força da natureza:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa. Classificação
72 Parágrafo único. Na mesma pena incorre: É um crime COMUM, ou seja, pode ser praticado por qual-
Apropriação de Tesouro quer pessoa.
I. Quem acha tesouro em prédio alheio e se apro- É um crime instantâneo - consuma-se no momento da prá-
pria, no todo ou em parte, da quota a que tem di- tica do ato - com efeitos permanentes.
reito o proprietário do prédio;
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Admite a modalidade comissiva (pratica a conduta do es-


Apropriação de Coisa Achada telionato) ou omissiva (mantém a vítima em erro).
II. Quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria,
total ou parcialmente, deixando de restituí-la ao dono Sujeitos do Crime
ou legítimo possuidor ou de entregá-la à autoridade Sujeito Ativo: sendo um crime comum, admite qualquer
competente, dentro no prazo de quinze dias. pessoa.
Art. 170. Nos crimes previstos neste Capítulo, aplica-se
o disposto no Art. 155, § 2º. Sujeito Passivo: qualquer pessoa - física ou jurídica - que
seja mantida em erro, desde que seja determinada, NÃO se
Do Estelionato e outras Fraudes admite uma vítima incerta.
O crime de estelionato exige VÍTIMA CERTA E DETERMI-
Estelionato NADA, logo, se a vítima for incerta ou indeterminada, trata-se
Art. 171. Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, de crime contra a economia popular - Art. 2º, XI, Lei nº 1.521/51.
em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em Ex.: Adulteração de balança, de bomba de combustível,
erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio
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de taxímetro.
fraudulento:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, de qui- Se a vítima for incapaz ou alienada, o crime será o do Art.
nhentos mil réis a dez contos de réis. 173 do CP: abuso de incapazes - Abusar, em proveito próprio
§ 1º Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o
ou alheio, de necessidade, paixão ou inexperiência de menor,
prejuízo, o juiz pode aplicar a pena conforme o dispos- ou da alienação ou debilidade mental de outrem, induzindo
to no Art. 155, § 2º. qualquer deles à prática de ato suscetível de produzir efeito
§ 2º Nas mesmas penas incorre quem: jurídico, em prejuízo próprio ou de terceiro.
Disposição de Coisa Alheia Como Própria Consumação e Tentativa
I. Vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou ADMITE tentativa, ademais a fraude deve ser idônea a lu-
em garantia coisa alheia como própria; dibriar a vítima, pois, do contrário, será crime impossível em
Alienação ou Oneração Fraudulenta de Coisa Própria face da ineficácia absoluta do meio de execução (Art. 17 do
II. Vende, permuta, dá em pagamento ou em garantia CP).
coisa própria inalienável, gravada de ônus ou litigiosa, Consuma-se com a obtenção da vantagem ilícita causando o
ou imóvel que prometeu vender a terceiro, mediante
prejuízo à vitima, passando pelos momentos de:
pagamento em prestações, silenciando sobre qual-
quer dessas circunstâncias; ▷ Emprego de fraude pelo agente;
Defraudação de Penhor ▷ Situação de erro na qual a vítima é colocada ou man-
III. Defrauda, mediante alienação não consentida tida;
pelo credor ou por outro modo, a garantia pigno- ▷ Obtenção de vantagem ilícita pelo agente;
ratícia, quando tem a posse do objeto empenhado;
Fraude na Entrega de Coisa ▷ Prejuízo sofrido pela vítima.
IV. Defrauda substância, qualidade ou quantidade Descrição
de coisa que deve entregar a alguém;
A vantagem ilícita deve ser de natureza econômica (pa-
Fraude para Recebimento de Indenização ou Valor de Seguro
trimonial): se a vantagem for lícita, estará configurado o cri-
V. Destrói, total ou parcialmente, ou oculta coisa pró- me de exercício arbitrário das próprias razões, Art. 345 do CP:
pria, ou lesa o próprio corpo ou a saúde, ou agrava as fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão,
consequências da lesão ou doença, com o intuito de
embora legítima, salvo quando a lei o permite.
haver indenização ou valor de seguro;
Fraude no Pagamento por Meio de Cheque ▷ Daí que o STF entendeu que o ponto eletrônico, ou a
cola eletrônica são fatos atípicos em face da inexis-
VI. De instituto de economia popular, assistência
social ou beneficência. tência de vantagem econômica. Esse foi o entendi-
mento prevalecente, apesar de haver minoria do STF
§ 4º Aplica-se a pena em dobro se o crime for cometi-
do contra idoso. que afirma tratar-se de fato típico.
Esse crime tem o objetivo de punir a conduta do agente ▷ O silêncio pode ser usado como meio fraudulento
que, utilizando-se de uma fraude, induz ou mantém alguém para a prática de estelionato, bem como a mentira
em erro, no intuito de obter uma vantagem ilícita sobre essa (tem que ser fraudulenta).
vítima. ▷ A fraude bilateral não exclui o crime.
Formas de Execução enquanto o título não é convertido em valor material, não há
Ardil - caracteriza-se pela fraude de forma intelectual, efetivo proveito do agente, podendo ser impedido de realizar
fraude moral, representada pela conversa enganosa. É a lábia. a conversão por circunstâncias alheias a sua vontade. Assim,
Ex.: “A”, alegando ser especialista em conserto de com- o crime ainda está na fase de execução. (MAJORITÁRIA).
putadores, convence “B” a entregar-lhe seu notebook Figuras Equiparadas
para conserto.
Artifício - caracteriza-se pela fraude de forma material. § 2º Nas mesmas penas incorre quem:
O agente utiliza algum instrumento ou objeto para enganar a • Disposição de Coisa Alheia como Própria
vítima. I. Vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou
Ex.: “A” se disfarça de manobrista e fica parado na por- em garantia coisa alheia como própria;
ta de um restaurante para que “B” voluntariamente lhe Nessa situação, admite-se que o bem seja móvel ou imó-
entregue seu carro. Ou ainda, aquele que utiliza o bilhe- vel. É quando o agente, na posse do bem de um terceiro, utili-
te premiado ou um documento falso. za-o como se fosse próprio.
Qualquer Outro Meio Fraudulento - é uma situação de in- Ex.: O inquilino de um imóvel, que aluga para uma ter-
terpretação analógica.
ceira pessoa por um valor superior, na intenção de obter
Ex.: O silêncio. “A” comerciante entrega a “B”, cliente, lucro, sem o consentimento ou ciência do proprietário
troco além do devido, mas este nada fala e nada faz, fi-
real do imóvel.
cando com o dinheiro para si.
Estelionato e Crime Impossível - Qualquer que seja o meio • Alienação ou Oneração Fraudulenta de Coisa Própria
de execução (artifício, ardil ou outro meio fraudulento) empre- II. Vende, permuta, dá em pagamento ou em ga-
gado na prática da conduta, somente haverá a tentativa quando rantia coisa própria inalienável, gravada de ônus ou
litigiosa, ou imóvel que prometeu vender a tercei-
apresentar idoneidade para enganar a vítima. A idoneidade leva
ro, mediante pagamento em prestações, silencian-
em conta as condições pessoais do ofendido. do sobre qualquer dessas circunstâncias;
Se o meio fraudulento for capaz de enganar a vítima, esta- Nessa situação, o bem é da própria pessoa, podendo tam-
rá caracterizado o conatus. Caso não tenha intenção de iludir bém ser imóvel ou móvel.
a vítima ou apresente-se grosseiro será crime impossível, pois Ex.: O agente vende veículo para três pessoas ao mes-
há impropriedade absoluta do meio de execução. (Art. 17 do mo tempo, no entanto, tal bem se encontra em busca e
CP). apreensão por falta de pagamento, existe um ônus judi-
Estelionato e Reparação do Dano: a reparação do cial sobre o patrimônio.
dano não apaga o crime de estelionato, porém, depen- Trata-se de crime de duplo resultado: vantagem + prejuízo,

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dendo do momento que ocorrer a indenização à vítima, punindo-se aquele que pratica um dos núcleos do tipo, silen-
podem ocorrer as seguintes situações: ciando sobre a circunstância.
▷ Se ANTERIOR ao RECEBIMENTO da DENÚNCIA ou • Defraudação de Penhor
QUEIXA, é possível o reconhecimento do arrepen-
III. Defrauda, mediante alienação não consentida
dimento posterior, isso irá diminuir a pena de um a
dois terços, nos termos do Art. 16 CP. pelo credor ou por outro modo, a garantia pigno-
ratícia, quando tem a posse do objeto empenhado;
▷ Se ANTES da SENTENÇA, pode ser aplicada a ate-
nuante genérica de acordo com o Art. 65, III, c, parte Seria a hipótese em que, um devedor, recebendo algo
final, do CP. como penhor (garantia) de um credor, pratica ato de posse
▷ Se POSTERIOR à SENTENÇA, não surte efeito algum. do bem, sem o consentimento dele (credor).
Ex.: Um empresário resolve penhorar seu veículo para le-
Estelionato Privilegiado
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

vantar fundos para o investimento na sua empresa, entre-


§ 1º Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o tanto a empresa que penhorou o veículo decide alugá-lo
prejuízo, o juiz pode aplicar a pena conforme o disposto para que possa obter lucro.
no Art. 155, § 2º. • Fraude na Entrega de Coisa
O prejuízo de “pequeno valor” deve ser dano igual ou infe-
IV. Defrauda substância, qualidade ou quantidade
rior a um salário mínimo vigente à época do fato.
de coisa que deve entregar a alguém;
Considerações Pode ocorrer tanto em bens móveis quanto imóveis.
Súm. 17, STJ. Quando o falso se exaure no estelionato, Ex.: Uma construtora vende imóveis na planta com di-
sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido. mensão de 200m2, contudo, ao cabo das obras, na en-
Empregando a fraude, sem a intenção de se enriquecer e trega da chave aos proprietários, esses constatam que os
só com a intenção de prejudicar alguém, não se trata de este- imóveis só possuem 170m2.
lionato. É necessário buscar a obtenção de indevida vantagem Caso a qualidade, quantidade do objeto seja superior, não
econômica. existe o crime (se o imóvel tivesse 230m2, por exemplo).
Quando o agente, mediante fraude, consegue obter da Deve-se ter em mente que, na hipótese de RELAÇÃO CO- 73
vítima um título de crédito, o delito está consumado? Não, MERCIAL, pode-se estar diante do Art. 175 do CP.
• Fraude para Recebimento de Indenização ou Valor título, o agente retira todo o numerário depositado
74 de Seguro ou apresenta uma contraordem de pagamento (sus-
V. Destrói, total ou parcialmente, ou oculta coisa tação).
própria, ou lesa o próprio corpo ou a saúde, ou Fraude do cheque ocorre pelo agente que tem a conta
agrava as consequências da lesão ou doença, com encerrada, não é este estelionato do inciso VI, é estelionato
o intuito de haver indenização ou valor de seguro; simples do caput.
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

É pressuposto fundamental deste crime, a prévia existên- Considerações


cia de um contrato de seguro em vigor. Caso não exista seguro, Súm. 521, STF. O foro competente para o processo e jul-
será crime impossível, diante da impropriedade absoluta do gamento dos crimes de estelionato, sob a modalidade
objeto material (Art. 17 do CP). Nessa situação o sujeito pas- da emissão dolosa de cheque sem provisão de fundos,
sivo deste crime será necessariamente a seguradora, sendo é o do local onde se deu a recusa do pagamento pelo
também admissível a hipótese de tentativa. sacado.
Por conseguinte, é um crime FORMAL, ou seja, consuma- Súm. 244, STJ. Compete ao foro do local da recusa pro-
se com a prática da conduta típica (destruir, ocultar, autole- cessar e julgar o crime de estelionato mediante cheque
sionar e agravar), ainda que o sujeito NÃO consiga alcançar a sem provisão de fundos.
indevida vantagem econômica pretendida.
O Art. 70, caput, 1ª parte, CPP diz que a competência é, em
Na hipótese em que a fraude é perpetrada por terceiro, regra, do local da consumação do delito.
sem o conhecimento do segurado, sabendo que esse será o
Súm. 554, STF. O pagamento de cheque emitido sem pro-
beneficiário do valor da apólice, o delito será o previsto no Art.
visão de fundos, APÓS o recebimento da denúncia, não
171, caput, do CP.
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obsta ao prosseguimento da ação penal.


• Fraude no Pagamento por meio de Cheque Desse modo, entende-se que o pagamento de cheque sem
VI. Emite cheque, sem suficiente provisão de fun- previsão de fundos, ATÉ o RECEBIMENTO da DENÚNCIA, impe-
dos em poder do sacado, ou lhe frustra o paga- de o prosseguimento da ação penal, ou seja, é causa extintiva
mento. de punibilidade.
Sujeito Ativo: é um crime próprio (o titular da conta ban- Na hipótese do inciso VI do Art. 171, a tentativa é possível,
cária), ademais, ADMITE coautoria e participação. por exemplo: o correntista dolosamente emite um cheque sem
Sujeito Passivo: a pessoa física ou jurídica que suporta suficiente provisão de fundos, mas seu pai, agindo sem seu
prejuízo patrimonial. conhecimento, deposita montante superior em sua conta cor-
Somente existe o crime, quando provado que, desde o iní- rente antes da apresentação da folha de cheque.
cio, EXISTE a má-fé do agente, ou seja, desde o momento em Segundo STJ, a emissão de cheques como garantia de dí-
que colocou o cheque em circulação ele já não tinha intenção vida (pós-datado), e não como ordem de pagamento à vista,
de honrar seu pagamento; seja pela ausência de suficiência de não constitui crime de estelionato, na modalidade prevista
provisão de fundos, seja pela frustração de seu pagamento. no Art. 171, § 2º, VI, CP. Entretanto, é possível a responsabiliza-
Sendo assim, deve haver a finalidade específica que é a inten- ção do agente pelo estelionato na modalidade fundamental,
ção de fraudar / enganar a vítima. se demonstrado seu dolo em obter vantagem ilícita em pre-
Súm. 246, STF. Comprovado NÃO ter havido fraude, não juízo alheio no momento da emissão fraudulenta do cheque.
se configura crime de emissão de cheque sem fundos. Mas atente-se que, se o agente pós-datar o cheque saben-
Ex.: “A” compra um produto na loja de “B”, no momento da do da inexistência de fundos, há má-fé e configurará o Art. 171,
compra não possui dinheiro na conta. Ocorre que pretendia caput, do CP. Assim, se emissão do cheque é fraudulenta - pre-
realizar o depósito na conta antes que “B” apresentasse a sente a má-fé - caracteriza o Art. 171, caput.
folha de cheque ao banco. Todavia acaba se esquecendo de
realizar o depósito. Desse modo o cheque é devolvido por Apontamentos
falta de fundos. NÃO É CRIME, pois o inciso VI do Art. 171 do ▷ Emitir cheque, encerrando, logo após, a conta: tem-
CP, NÃO admite a forma culposa. se o Art. 171, § 2º, VI, aplicando-se as Súmulas 521 do
Esse crime se consuma no instante em que o banco se STF e 224 do STJ.
nega a efetuar o pagamento do cheque, quer pela ausência ▷ Emitir cheque de conta encerrada: aplica-se o Art. 171,
de fundos, quer pelo recebimento de contraordem (sustação) caput, sem aplicação das súmulas.
expedida pelo correntista, daí resulta o prejuízo patrimonial do ▷ Frustrar pagamento de cheque para não pagamento
ofendido. É crime material. de dívida de jogo é crime? Nos termos do Art. 814
A falsidade ideológica é ante factum impunível, pois quem do CC, as dívidas de jogo não obrigam a pagamen-
assina o cheque é o responsável pela fraude e não outra pessoa. to, mas não se pode recobrar dívida dessa natureza
O crime do inciso VI do Art. 171, pode ser praticado de então paga.
DUAS formas: Causa de Aumento de Pena
▷ O agente coloca o cheque em circulação sem ter di- Art. 171, § 3º, CP. A pena aumenta-se de um terço, se o
nheiro suficiente na conta; crime é cometido em detrimento de entidade de direi-
▷ O agente possui fundos quando da emissão do che- to público ou de instituto de economia popular, assis-
que, no entanto, antes do beneficiário apresentar o tência social ou beneficência.
Fundamenta-se na maior extensão dos danos produzidos, Duplicata Simulada
pois com a lesão ao patrimônio público e ao interesse social Art. 172. Emitir fatura, duplicata ou nota de venda que
toda coletividade é prejudicada. não corresponda à mercadoria vendida, em quantida-
Súm. 24, STJ. Aplica-se ao crime de estelionato, em que de ou qualidade, ou ao serviço prestado.
figure como vítima entidade autárquica da Previdência Pena - detenção, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
Social, a qualificadora do § 3º do Art. 171, CP. Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrerá aquele
Não se aplica o § 3º no caso de estelionato contra o Ban- que falsificar ou adulterar a escrituração do Livro de
co do Brasil, considerando que esta não é entidade de Direito Registro de Duplicatas.
Público.
§ 4o Aplica-se a pena em dobro se o crime for cometido Abuso de Incapazes
contra idoso. (Incluído pela Lei nº 13.228, de 2015) Art. 173. Abusar, em proveito próprio ou alheio, de necessi-
Jogos de Azar: há o crime de estelionato caso seja empregado dade, paixão ou inexperiência de menor, ou da alienação
meio fraudulento visando eliminar totalmente a possibilidade de ou debilidade mental de outrem, induzindo qualquer de-
vitória por parte dos jogadores. les à prática de ato suscetível de produzir efeito jurídico,
em prejuízo próprio ou de terceiro:
Ex.: Adulteração de máquina de caça-níquel para que os
apostadores nunca vençam. Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.
Falsidade Documental: o sujeito que falsifica documen- Induzimento à Especulação
to (público ou particular) e, posteriormente, dele se vale Art. 174. Abusar, em proveito próprio ou alheio, da inex-
para enganar alguém, obtendo vantagem ilícita em prejuízo periência ou da simplicidade ou inferioridade mental
alheio responderia, EM TESE, por dois crimes: estelionato e de outrem, induzindo-o à prática de jogo ou aposta, ou
falsidade documental (Art. 171, caput, e Art. 297 - documen- à especulação com títulos ou mercadorias, sabendo ou
to público ou 298 - documento particular), contudo, nessa devendo saber que a operação é ruinosa:
situação, o crime de estelionato absorve o crime de falsidade Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
documental. É esse o teor da súmula do STJ:
Súm. 17, STJ. Quando o falso se exaure no estelionato,
Fraude no Comércio
sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido. Art. 175. Enganar, no exercício de atividade comercial, o
adquirente ou consumidor:
Ocorre o “Princípio da Consumação”, que é quando o crime-
fim (estelionato) absorve o crime-meio (falsidade documental). I. Vendendo, como verdadeira ou perfeita, merca-
Isso desde que a fé pública, o patrimônio ou outro bem jurídico doria falsificada ou deteriorada;
qualquer não possam mais ser atacados pelo documento falsifi- II. Entregando uma mercadoria por outra:
cado e utilizado por alguém como meio fraudulento para obten- Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.

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ção de vantagem ilícita em prejuízo alheio. § 1º Alterar em obra que lhe é encomendada a qualida-
de ou o peso de metal ou substituir, no mesmo caso,
Competência pedra verdadeira por falsa ou por outra de menor va-
O Art. 70 do CPP prevê que a competência será, em re- lor; vender pedra falsa por verdadeira; vender, como
gra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração. precioso, metal de outra qualidade:
Verifica-se nesta regra que no estelionato o juízo competente Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.
será o do local em que o sujeito obteve a vantagem ilícita em § 2º É aplicável o disposto no Art. 155, § 2º.
prejuízo alheio.
Súm. 107, STJ. Compete à justiça comum estadual pro- Outras Fraudes
cessar e julgar crime de estelionato praticado mediante Art. 176. Tomar refeição em restaurante, alojar-se em
falsificação das guias de recolhimento das contribuições hotel ou utilizar-se de meio de transporte sem dispor
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

previdenciárias, quando não ocorre lesão à autarquia federal. de recursos para efetuar o pagamento:
É crime de competência da Justiça Estadual. No entanto, Pena - detenção, de quinze dias a dois meses, ou multa.
será de competência da Justiça Federal quando for praticado Parágrafo único. Somente se procede mediante repre-
em detrimento de bens, serviços ou interesses da União ou suas sentação, e o juiz pode, conforme as circunstâncias,
entidades autárquicas ou empresas públicas. (Art. 109, IV, CF). deixar de aplicar a pena.
Súm. 48, STJ. Compete ao juízo do local da obtenção da
vantagem ilícita processar e julgar crime de estelionato Fraudes e Abusos na Fundação ou
cometido mediante falsificação de cheque. Esta súmula Administração de Sociedade por Ações
está relacionada ao crime definido pelo estelionato em Art. 177. Promover a fundação de sociedade por ações,
sua modalidade fundamental (caput). fazendo, em prospecto ou em comunicação ao público
Súm. 521, STF. O foro competente para o processo e julga- ou à assembleia, afirmação falsa sobre a constituição
mento dos crimes de estelionato, sob a modalidade da da sociedade, ou ocultando fraudulentamente fato a
emissão dolosa de cheque sem provisão de fundos, é o ela relativo:
do local onde se deu a recusa do pagamento pelo sacado. Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa, se o fato 75
(Ou seja, local da agência bancária) não constitui crime contra a economia popular.
§ 1º Incorrem na mesma pena, se o fato não constitui Receptação Qualificada
76 crime contra a economia popular: § 1º Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter
I. O diretor, o gerente ou o fiscal de sociedade por em depósito, desmontar, montar, remontar, vender, ex-
ações, que, em prospecto, relatório, parecer, balan- por à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito
ço ou comunicação ao público ou à assembleia, faz próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou
afirmação falsa sobre as condições econômicas da industrial, coisa que deve saber ser produto de crime:
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

sociedade, ou oculta fraudulentamente, no todo ou Pena - reclusão, de três a oito anos, e multa.
em parte, fato a elas relativo; § 2º Equipara-se à atividade comercial, para efeito
II. O diretor, o gerente ou o fiscal que promove, por do parágrafo anterior, qualquer forma de comércio
qualquer artifício, falsa cotação das ações ou de irregular ou clandestino, inclusive o exercício em re-
outros títulos da sociedade; sidência.
III. O diretor ou o gerente que toma empréstimo à § 3º Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou
sociedade ou usa, em proveito próprio ou de ter- pela desproporção entre o valor e o preço, ou pela con-
ceiro, dos bens ou haveres sociais, sem prévia au- dição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por
torização da assembleia geral; meio criminoso:
IV. O diretor ou o gerente que compra ou vende, Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa, ou
por conta da sociedade, ações por ela emitidas, ambas as penas.
salvo quando a lei o permite; § 4º A receptação é punível, ainda que desconhecido ou
V. O diretor ou o gerente que, como garantia de isento de pena o autor do crime de que proveio a coisa.
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crédito social, aceita em penhor ou em caução § 5º Na hipótese do § 3º, se o criminoso é primário, pode
ações da própria sociedade; o juiz, tendo em consideração as circunstâncias, deixar
VI. O diretor ou o gerente que, na falta de balanço, em de aplicar a pena. Na receptação dolosa aplica-se o dis-
desacordo com este, ou mediante balanço falso, dis- posto no § 2º do Art. 155.
tribui lucros ou dividendos fictícios; § 6º Tratando-se de bens e instalações do patrimônio
VII. O diretor, o gerente ou o fiscal que, por inter- da União, Estado, Município, empresa concessionária
posta pessoa, ou conluiado com acionista, conse- de serviços públicos ou sociedade de economia mista, a
gue a aprovação de conta ou parecer; pena prevista no caput deste artigo aplica-se em dobro.
VIII. O liquidante, nos casos dos nºs I, II, III, IV, V e Art. 180-A. Adquirir, receber, transportar, conduzir,
VII; ocultar, ter em depósito ou vender, com a finalidade de
produção ou de comercialização, semovente domesti-
IX. O representante da sociedade anônima estran-
cável de produção, ainda que abatido ou dividido em
geira, autorizada a funcionar no País, que pratica os partes, que deve saber ser produto de crime: (Incluído
atos mencionados nos nºs I e II, ou dá falsa informa- pela Lei nº 13.330, de 2016)
ção ao Governo.
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
§ 2º Incorre na pena de detenção, de seis meses a dois (Incluído pela Lei nº 13.330, de 2016)
anos, e multa, o acionista que, a fim de obter vantagem
Esse artigo tipifica a conduta do agente que adquire, re-
para si ou para outrem, negocia o voto nas delibera-
cebe, transporta, conduz, dentre outras condutas, com intuito
ções de assembleia geral.
de obter vantagem, produto de crime (furto, roubo, extorsão,
Emissão Irregular de Conhecimento estelionato etc.). É considerado como delito, a conduta de
adquirir (receptação própria), como a de influenciar para que
de Depósito ou “Warrant” uma terceira pessoa adquira esses produtos (receptação im-
Art. 178. Emitir conhecimento de depósito ou warrant, própria).
em desacordo com disposição legal:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. Classificação
A conduta do caput é considera como um crime comum,
Fraude à Execução pois pode ser praticada por qualquer agente. Ademais, no § 1º,
Art. 179. Fraudar execução, alienando, desviando, des- considera-se um crime PRÓPRIO, pois exige uma qualidade es-
truindo ou danificando bens, ou simulando dívidas: pecífica do agente, devendo ele ser comerciante ou industrial,
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa. mesmo que ele exerça de forma clandestina ou ilegal.
Parágrafo único. Somente se procede mediante queixa. Ex.: Um ferro velho que vende peças de veículos furtados.
A receptação é crime acessório, pois depende da existên-
Da Receptação cia do crime anterior. Não é necessário que o crime anterior
Art. 180. Adquirir, receber, transportar, conduzir ou seja contra o patrimônio.
ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe Ex.: Receptar bem oriundo do crime de corrupção passiva.
ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de É um crime de ação múltipla e conteúdo variado, ou seja,
boa-fé, a adquira, receba ou oculte: a prática de várias condutas contra o mesmo bem, caracteriza
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. crime único (adquire e vende).
O bem imóvel não pode ser objeto material do crime de ▷ Desproporção entre valor e preço;
receptação, somente bens móveis. ▷ Condição de quem a oferece.
Sujeitos do Crime No crime de receptação simples (caput) é necessário que o
agente tenha certeza de que o bem é produto de crime, pois,
Sujeito Ativo (caput): pode ser qualquer pessoa, exceto em caso de dúvida (culpa ou dolo eventual), o agente respon-
quem seja autor ou coautor do crime antecedente (furto, ex- derá pelo crime de receptação culposa (§ 3º).
torsão, roubo).
Sujeito Ativo (da receptação qualificada §1º): é um crime Norma Penal Explicativa
próprio, somente aquela pessoa que desempenha atividade § 4º A receptação é punível, ainda que desconhecido
comercial ou industrial. ou isento de pena o autor do crime de que proveio a
Ex.: Dono de ferro velho de carros e peças usadas. coisa.
▷ Admite a participação. Ainda que ocorra a extinção da punibilidade do crime an-
▷ A atividade deve ser habitual ou contínua. tecedente, haverá o crime de receptação (Art. 180 do CP).
Ex.: A morte do agente do crime anterior, prescrição etc.
Sujeito Passivo: é a vítima do crime anterior, ou seja, don-
de veio o produto do furto. Esse parágrafo dá certa autonomia ao crime de receptação
em relação ao crime antecedente.
Consumação e Tentativa Ex.: Ricardo, menor de idade, subtrai o DVD de um
Receptação Própria (caput): Adquirir, receber - crime ma- veículo e o vende a Pedro, o qual conhece a origem cri-
minosa do bem. Nesta situação, mesmo sendo Ricardo
terial/instantâneo - transportar, conduzir ou ocultar - crime
inimputável, Pedro responderá pelo crime de receptação.
permanente - ambos admitem a tentativa.
Segundo alguns autores, a receptação é crime acessório
Receptação Imprópria (2ª parte do caput): INFLUIR - cri-
e pressupõe outro crime para que exista. Sucede que não há
me FORMAL e UNISSUBSISTENTE - NÃO admite tentativa.
submissão à punição do crime principal para que seja punido,
Descrição ou seja, sua punição é independente.
Se o crime pressuposto está prescrito ou teve extinta a pu-
Própria: adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar,
nibilidade, não desaparece a receptação.
em proveito próprio ou alheio, coisa que SABE ser produto de
crime. Receptação Privilegiada
Imprópria: ou Influir para que terceiro, de boa-fé, a adqui- § 5º Na hipótese do § 3º. Receptação CULPOSA. se o cri-
ra, receba ou oculte: minoso é primário, pode o juiz, tendo em consideração
Na receptação imprópria, caso o agente influenciador seja as circunstâncias, deixar de aplicar a pena.
o autor do crime antecedente, responderá APENAS por este Na receptação dolosa aplica-se o disposto no § 2º do Art. 155:

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delito, e não pela receptação. Trata-se de post factum impuní- Art. 155, § 2º. Se o criminoso é primário, e é de pequeno
vel (Ex.: “A” coautor do furto de um computador, influi para valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de re-
que “B”, de boa-fé, o compre). clusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços,
Considerações ou aplicar somente a pena de multa.
A expressão “coisa que sabe” é indicativa de dolo direto A receptação privilegiada (2ª parte do §5º) somente se
e implicitamente abrange o dolo eventual? Prevalece que, a aplica à receptação dolosa (própria ou imprópria); culposa e
expressão coisa que sabe indica apenas dolo direto. Assim, o qualificada NÃO!
caput do artigo não pune o dolo eventual. Receptação dolosa (caput)
Imaginando que Rogério venda um carro à Vânia. Após uma Receptação Culposa (§3º) +
semana que vendeu o carro, Vânia fica sabendo que o carro é + Criminoso primário
produto de crime, mas permanece com ele. Houve prática de re-
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Criminoso primário +
ceptação? Nesse caso, não se pode esquecer que se trata de dolo + Coisa de pequeno valor
superveniente, e esse não configura o crime. Assim, o dolo super- Tendo em consideração as =
veniente não configura o crime. A má-fé deve ser contemporânea circunstâncias Art. 155, §2º, CP:
a qualquer das condutas previstas no tipo. = Substituir a pena de reclusão pena
Perdão Judicial de detenção;
Receptação Culposa (Juiz deixa de aplicar a pena) Diminuí-la de um a dois terços ou
§ 3º Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou aplicar somente a pena de multa.
pela desproporção entre o valor e o preço, ou pela con- Causa de Aumento de Pena
dição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por
§6º Tratando-se de bens e instalações do patrimônio
meio criminoso: (Alterado pela Lei nº 9.426, de 1996):
da União, Estado, Município, empresa concessionária
Pena - detenção, de 1 (um) mês a 1 (um) ano, ou multa, de serviços públicos ou sociedade de economia mista,
ou ambas as penas. a pena prevista no caput deste artigo APLICA-SE EM
É necessário observar três circunstâncias que indicam ser o DOBRO.
bem produto de crime: Aplicável somente para a receptação SIMPLES (caput). 77
▷ Sua natureza; Não se aplica à receptação qualificada nem à culposa.
É possível a receptação da receptação, por exemplo, “A” É aplicada a imunidade na violência doméstica e familiar
78 adquire um relógio produto de furto e o vende a “B”, este ven- contra a mulher no ambiente familiar?
de o mesmo bem a “C” ciente de sua origem criminosa. 1ª Corrente: para Maria Berenice Dias, jurista brasileira, não
Art. 180-A. Adquirir, receber, transportar, conduzir, se admite imunidade patrimonial na violência doméstica e fa-
ocultar, ter em depósito ou vender, com a finalidade de miliar contra a mulher, benefício afastado pelo Art. 7º, IV, da
produção ou de comercialização, semovente domesti- Lei nº 11.340/06.
NOÇÕES DE DIREITO PENAL

cável de produção, ainda que abatido ou dividido em 2ª Corrente: diz que a Lei Maria da Penha não vedou, ex-
partes, que deve saber ser produto de crime: pressamente, qualquer imunidade, diferente do Estatuto do
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. Idoso que vedou a imunidade para o idoso.
Tem prevalecido a 2ª Corrente.
Disposições Gerais
Imunidades Penais Absolutas 6. Dos Crimes Contra a Dignidade
ou Escusas Absolutórias Sexual
Art. 181. É isento de pena quem comete qualquer dos
crimes previstos neste título, em prejuízo: Dos Crimes Contra a Liberdade Sexual
I. Do cônjuge, na constância da sociedade conjugal;
II. De ascendente ou descendente, seja o parentes-
Estupro
co legítimo ou ilegítimo, seja civil ou natural. Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou
grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou
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Trata-se de causa de extinção da punibilidade. permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso:
No caso do inciso I, abrange-se também a união estável, os Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos.
separados de fato e ainda as uniões homoafetivas. § 1º Se da conduta resulta lesão corporal de natureza
Não importa o Regime de comunhão de bens do casamento. grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou maior
de 14 (catorze) anos:
Ex.: Separação total de bens. Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos.
No caso do inciso II, não se aplica esta escusa na hipótese § 2ºSe da conduta resulta morte:
de parentesco por afinidade (sogra, genro, cunhado...). Ou- Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.
trossim, verifica-se que não há abrangência aos colaterais e
afins. Sujeitos
Sujeito Ativo: na conjunção carnal, podem ser sujeitos ati-
Imunidade Patrimonial Relativa vo e passivo tanto homem quanto mulher. Trata-se de crime
Art. 182. Somente se procede mediante representa- comum.
ção, se o crime previsto neste título é cometido em Da mesma forma, os atos libidinosos diversos, pode ser su-
prejuízo: jeito passivo e ativo qualquer pessoa, ainda que do mesmo sexo.
I. Do cônjuge desquitado ou judicialmente separado; Sujeito Passivo: trata-se de delito comum, qualquer um
II. De irmão, legítimo ou ilegítimo; pode ser vítima do crime, inclusive a prostituta e a esposa,
III. De tio ou sobrinho, com quem o agente coabita. quando cometido pelo marido.
Após a entrada em vigor da Lei nº 6.515/77, o desquite não Art. 7º, III, da Lei Maria da Penha: afirma que a violência
existe mais no ordenamento jurídico brasileiro. sexual é forma de violência contra a mulher sim.
Aos ex-cônjuges divorciados não se aplica essa imunidade. Art. 226, II ,do CP: fala que é causa de aumento de pena
No caso dos incisos II e III, é necessária efetiva coabitação, nos crimes sexuais se o crime é cometido por cônjuge
para incidência desta imunidade. ou companheiro:
Este é um dos artigos do Código Penal que mais caem em Conduta
concurso. Portanto, é muito importante decorá-lo! O Art. 213 pune “constranger”, que é o núcleo do tipo.
Inaplicabilidade das Imunidades Esse constrangimento deve se dar mediante violência ou
grave ameaça.
Art. 183. Não se aplica o disposto nos dois artigos an-
É necessário observar que, a violência é uma das formas
teriores:
de se executar o crime. A outra forma é a grave ameaça, e aqui
I. Se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em é necessário observar que não basta a ameaça, devendo essa
geral, quando haja emprego de grave ameaça ou ser grave.
violência à pessoa; O constrangimento se dá para a prática de conjunção carnal
II. Ao estranho que participa do crime; ou pela prática de ato libidinoso diverso da conjunção carnal.
III. Se o crime é praticado contra pessoa com idade Abrange o beijo lascivo? Beijo lascivo, de acordo com Nel-
igual ou superior a 60 (sessenta) anos. son Hungria é aquele beijo que causa desconforto para quem
Este inciso foi incluído pelo Estatuto do Idoso (Lei nº olha. É interessante observar que beijo lascivo já foi conside-
10.741/03). Preste muita atenção, pois este é um dos dispositi- rado atentado violento ao pudor por conta dessa expressão
vos deste assunto que mais cai em concurso público. porosa (atos libidinosos).

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