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ACADEMIA BRASILEIRA

DE TRICOLOGIA

ESPAÇO FATINHA MARINHO

FORMAÇÃO AVANÇADA EM TERAPIA CAPILAR


MÓDULO I - PROF. EDUARDO MOTTA FLORIANO ROSA

RESUMO DOS TÓPICOS DE ESTUDO


JAQUELINE FERNANDES DA SILVA

PSICOSSOMÁTICA E SUA RELAÇÃO COM AS DISFUNÇÕES CAPILARES

Psicossomática: Define-se como a influência psíquica na parte física do organismo,


ou seja, a ação simultânea entre corpo e mente (CERCHIARI, 2000).
 Estuda as relações entre a mente e o corpo com ênfase na explicação da patologia
somática, como uma proposta de assistência integral e uma transcrição para a linguagem
psicológica dos sintomas corporais.
 É uma maneira de introduzir variáveis psicológicas num domínio que se define como
orgânico, adicionando variáveis psíquicas às variáveis orgânicas.
 Cada doença é psicossomática, uma vez que fatores emocionais influenciam todos os
processos do corpo através das vias nervosas humorais nos quais os fenômenos
somáticos e psicológicos ocorrem no mesmo organismo sendo dois aspectos do mesmo
processo.

Dessa forma, entende-se que a Psicossomática se refere à uma área do


conhecimento científico que estuda os efeitos de fatores sociais, psicológicos e
comportamentais sobre os processos orgânicos do corpo e que interferem no bem-estar das
pessoas, proporcionando uma visão do indivíduo como uma unidade dinâmica e integral em
permanente modificação nas proporções entre fatores biológicos, psicológicos e sociais.

Estudos comprovam a relação entre psicossomática e os distúrbios capilares,


tratando-se do segmento denominado de “Psicotricologia”, área que relata a ligação entre a
psique humana e as patologias do couro cabeludo e suas estruturas. Esta ligação é explicada a
partir do fato de que as células que Figura 01: Folhetos embrionários.
formam a pele e toda a estrutura
pilossebácea possuem a mesma origem
do sistema nervoso, dado que seu
desenvolvimento ocorre de modo
simultâneo na camada mais externa
durante a formação do feto, na
Ectoderma (Figura 01). Acredita-se que
esta conexão ocorra através de uma
rede “neuro-imuno-cutâneo-endócrina”
que processa constantemente ao longo https://www.todamateria.com.br/folhetos-embrionarios/

de nossas vidas a ligação entre sistema


nervoso e tecido epitelial. Com isso, percebe-se que muitos distúrbios capilares possuem uma
forte relação com o estado emocional do cliente, onde seus conflitos emocionais manifestam-
se por meio de algum órgão, neste caso, a pele e seus anexos. Por ser o maior órgão do nosso
sistema, a pele possui uma predisposição a refletir as oscilações emocionais que, quando
externadas, originam essas patologias1.

Doenças
Psicossomáticas São distúrbios com origem emocional que geram problemas físicos.

A psique humana interfere nas relações com o meio e como se reage nele.

A alteração orgânica ocorre como consequência de processos psicológicos


desajustados.

São sucetíveis em indivíduos que possuem dificuldades em lidar com


determinadas situações ou problemas oriundos da mente.

Fatores psíquicos possuem grande influencia por meio de fatores somáticos.

Podem surgir devido a situações traumáticas ou pensamentos negativos.

Doenças psicossomáticas: São enfermidades relacionadas às emoções,


sentimentos e pensamentos que se manifestam fisicamente, porém seu diagnóstico ou
tratamento não se comprova ou efetiva de forma convencional, ou seja, por meio de exames

1 Artigo de opinião: “Psicossomática e distúrbios capilares”, por: Prof. Quíron Gibran. Disponível em:
<https://www.tricologia-abt.com.br/a-relacao-entre-psicossomatica-e-os-disturbios-capilares/>.
clínicos e uso de medicamentos. Assim sendo, na doença psicossomática existem alterações
orgânicas, embora estas sejam desencadeadas, determinadas ou agravadas por razões
emocionais.

As desordens orgânicas ou físicas podem ocasionar problemas ou distúrbios


psicológicos, e vice-versa, uma vez que a unidade essencial do organismo está na
hierarquização progressiva de todas as funções em sua organização, uma vez que os
desequilíbrios que geram desarmonia na relação “corpo-mente-meio” ao serem processados
pelo “corpo-mente”, se manifestam através de “sinais-sintomas” em determinadas regiões do
corpo, como por exemplo, no couro cabeludo que passa a apresentar distúrbios como dermatites
ou queda intensa dos fios.

Somatizar significa passar para o somático ao expressar o sofrimento emocional


sob a forma de queixas físicas. Em relação aos distúrbios capilares mais comuns de ordem
emocional, estes estão ligados ao estresse e doenças psicossomáticas que se projetam com maior
frequência na queda/perda dos fios ou em desequilíbrios no couro cabeludo ocasionando
excesso ou falta de oleosidade com descamação.

Doenças Envolvimento de mecanismos reguladores neuroimunoendócrinos mediante à sinalização


Psicossomáticas e eletroquímica e química entre os sistemas nervoso, endócrino e imune;
Distúrbios Capilares

Mediadores químicos e células do Sistema Imune agem mediante à distúrbios fisiológicos


envolvendo processos inflamatórios ou autoimunes que interferem nos mecanismos do
ciclo capilar;

Acarretam a perda do privilégio imunológico mediante à processos inflamatórios


recorrentes e/ou prolongados;

Os mecanismos de regulação da homeostase e de defesa imune passam a atuar como


agente agressor e as células do próprio organismo passam a ser o alvo de ataques.

DOENÇAS ENDÓCRINAS E QUEDA DE CABELO

As doenças endócrinas mais comuns geralmente estão relacionadas ao mal


funcionamento do pâncreas, da tireoide, da hipófise e das suprarrenais (Figura 02). Em relação
a perda dos cabelos, estudos Figura 02: Sistema Endócrino: Glândulas
apontam como fatores relevantes
alguns distúrbios endócrinos:
hiper/hipotireoidismo, sídrome de
Cushing, hipogonadismo,
hiperprolactinemia e
hipoptuitarismo. Quando ocorre um
desequilíbrio nas funções normais
dos mecanismos de produção e
secreção hormonal, gera-se fatores
estressantes que favorecem a
instalação de eventos/processos
http://prof-chelle.blogspot.com/2010/10/7-serie-sistema-
inflamatórios que afetam, sobre
tudo, no ciclo capilar e nas enzimas de fixação do fio no folículo piloso, bem como na
sinalização entre as estruturas responsáveis pela produção e desenvolvimento dos fios.

A exemplo disto, pode-se citar o caso das alopecias nas quais o fator hormonal é
apontado como o principal agente desencadeador, devido ao envolvimento de mediadores
químicos a nível de bulge e bulbo capilar, podendo, inclusive, ocasionar na perda permanente
do folículo (fibrose) o que impossibilita a reversão do quadro, ou seja, não há mais possibilidade
de repilação na área afetada. Esse desequilíbrio gera uma adaptação no organismo,
influenciando na resposta inflamatória ou numa possível reação autoimune (colapso do
privilégio imunológico).

* Hormônios vs. Cabelos: Ação de alguns hormônios no sistema capilar:


 Progesterona e estrógeno: aumentam a fase anágena e encurtam a fase telógena;
 Hormônios tireoidianos (T3 e T4): prologam a fase anágena; quando em baixa
produção, gera eflúvio telógeno (antecipa/acelera a fase telógena);
 Prolaquitina: em altos níveis dificulta o crescimento dos fios, pois retarda a fase anágena
e antecipa a fase telógena.
INTERAÇÃO ENTRE OS SISTEMAS NERVOSO ENDÓCRINO E IMUNE
E SUA RELAÇÃO COM OS DISTÚRBIOS CAPILARES

O Sistema Nervoso (SN) interage com Figura 03: Eixo Hipotálamo-Hipofisário.

o Sistema Endócrino (SE) por meio do Eixo


Hipotálamo Hipofisário (Figura 03) formando
mecanismos reguladores no qual o SN fornece as
informações sobre o meio externo, e o SE regula
a resposta interna no organismo a esta informação
(Figura 04 e 05). O SN controla as funções
orgânicas e a integração ao meio ambiente;
coordena e controla as funções de todos os
sistemas corporais, interpretando os estímulos
https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/biologia/hipofise.h
recebidos do meio, desencadeando respostas
adequadas a eles.

Figura 04: Eixo Hipotálamo-Hipofisário: regulação neuroendócrina.

Fonte: Dados da pesquisa (2019).

O SE regula e controla funções do organismo envolvendo atividades de


informações através da ação dos hormônios em processos de diferentes níveis com efeitos à
longas distância. Sistema Imune (SI) é um sistema adaptável que objetiva criar condições de
imunidade no organismo que, ao primeiro ataque, torna o corpo protegido ou resistente a futuras
invasões, onde seus componentes atuam de forma colaborativa e coordenada entre si,
reconhecendo aquilo que é próprio do organismo e não reagir a ele, respondendo somente ao
que é estranho (privilégio imunitário) e, assim, produzindo memória imunitária.

A interação entre o SN e o SI é percebida pela existência de elementos comuns entre


esses sistemas. Já a interação existente entre o SN, SI e SE é evidenciada pelos efeitos que o
estresse causa a imunidade do organismo. Contudo, o mecanismo relacionado aos efeitos
produzidos no organismo pela ativação do SI sobre o SN ainda não está bem esclarecido.
Referente a interação entre o SN e o SI, o que se pode dizer é que a conexão entre esses dois
sistemas foi relacionada através de um estudo publicado no site da revista “Nature” em junho
de 2015, por pesquisadores da Universidade da Virgínia, nos EUA2.

Neste estudo os pesquisadores encontraram estruturas similares aos vasos linfáticos


interligadas aos chamados seios venosos durais (canais sanguíneos localizados na dura-máter)
de camundongos, o que também indica, segundo eles, que estas estruturas também estejam
presentes no cérebro humano, ou seja, existe uma rede de vasos linfáticos funcionais revestindo
os seios cranianos do corpo humano (Figura 05).

Figura 05: Conexão Neuroimunológica: antes e após a descoberta da rede de vasos linfáticos no cérebro.

https://www.greenme.com.br/viver/saude-e-bem-estar/1977-veja-como-o-cerebro-e-o-sistema-imunologico-estao-conectados

Segundo o estudo, estas estruturas apresentam as mesmas características


moleculares de células endoteliais linfáticas capazes de transportar fluidos e células imunitárias
a partir do fluido cerebrospinal, pois estão ligadas aos nódulos linfáticos cervicais profundos.
Em outras palavras, o cérebro seria diretamente ligado ao sistema imunológico através de vasos

2 Artigo de informação: “Veja como o cérebro e o sistema imunológico estão conectados”. Disponível em:
<https://www.greenme.com.br/viver/saude-e-bem-estar/1977-veja-como-o-cerebro-e-o-sistema-imunologico-estao-
conectados>; e “Revolução na anatomia” em <https://blog.atencaobasica.org.br/2015/06/05/revolucao-na-anatomia/>;
Acesso em: março/2019.
linfáticos que antes se pensava não existir, reforçando, assim, a íntima conexão entre o sistema
nervoso e o sistema imunológico.

Ainda sobre a ativação do SI sobre o SN, infere-se que as alterações neuroquímicas


e comportamentais ocorridas em processos infecciosos se deva a atuação de citocinas e a
presença de receptores específicos nos componentes desses dois sistemas, sugerindo, assim, um
papel imunorregulatório dessas substâncias no cérebro e um papel sensorial do SI frente a
estímulos oriundos do meio externo. Estudos indicam que a atuação dessas citocinas nos
mecanismos de sinalização entre o SNC e o SI se dê através do eixo hipotálamo-pituitária-
adrenal (HPA) e do SNA, em especial na sua porção simpática (SNS), sugerindo que distúrbios
na função imune são fatores relevantes para as manifestações e/ou modulação de doenças
psiquiátricas, ou seja, alterações imunes são capazes de modular a atividade neuronal e,
consequentemente, emoções e comportamentos (ALVES; PALERMO-NETO, 2010).

Figura 06: Esquema ilustrativo das interações entre os sistemas nervoso, endócrino e imune.

Fonte: ALVES; PALERMO-NETO, 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbp/v29n4/a13v29n4

EPIGENÉTICA – ESTRESSE – COLÁPSO DO PRIVILÉGIO IMUNOLÓGICO

 Epigenética e sua influência na saúde dos cabelos

A “Epigenética” refere-se a toda mudança reversível e herdável no genoma


funcional que não altera a sequência dos nucleotídeos do DNA. Ela inclui o estudo de como os
padrões de expressão são passados Figura 07: Indicadores Epigenéticos.
para os descendentes; de como
ocorre a mudança de expressão no
espaço temporal de genes durante a
diferenciação celular; e como
fatores ambientais podem mudar a
maneira que esses genes são
expressos. Em outras palavras, a
Epigenética descreve a
reprogramação fisiológica que
ocorre sem que a sequência do seu
DNA seja alterada. Assim, segundo
http://www.dediccato.com.br/epigenetica.html
a Epigenética, variações não-
gênicas podem ser passadas aos descendentes (SALVATO, 2007).

Estudos sobre a Epigenética apontam a interação entre o genoma e o ambiente, e


explicam as influências oriundas do meio externo sobre a carga genética, em que o ambiente e
as alterações na expressão genética são capazes de conduzir aos fenótipos de doenças. Outros
estudos mais recentes na área da Epigenética abrangem implicações em doenças humanas,
incluindo a compreensão sobre as células-tronco e estudos do câncer e as causas dos transtornos
do desenvolvimento. Tais estudos apontam que as mudanças epigenéticas são influenciadas
pelo meio em que o indivíduo está inserido, modificando, dessa forma, o funcionamento dos
genes3.

Sendo assim, o que se pode entender é que nosso padrão de vida, tudo o que
fazemos, todas nossas escolhas, interferem não apenas em nossa vida e saúde, mas também na
de nossos descendentes. No entanto, embora tenhamos herdado algum gene “não muito
favorável”, em muitos casos é possível influenciar através dos hábitos e estilo de vida a
expressão desse gene e “mudar” nosso destino ao inserirmos em nossa dieta alimentos ricos em
polifenóis e nucleotídeos capazes de alterar a “expressão do gene”.
Na maioria das vezes pensamos que o nosso “código genético” herdado de nossos pais

3 “Epigenética e os transtornos do desenvolvimento”. Por Ingrid Labeta (Pós-graduanda em Neurociência Pedagógica


(AVM/UCAM), licenciada em Dança (UCAM)). Artigo de opinião; Disponível em:
<https://educacaopublica.cederj.edu.br/artigos/17/17/epigentica-e-os-transtornos-do-desenvolvimento>; Acesso em:
março/2019.
sinalizará o nosso destino, porém, essas doenças somente se desenvolverão se estivermos
sujeitos a outros fatores.

Apesar das altas chances dos genes de diferentes doenças serem transmitidas de
uma geração para outra, precauções podem ser tomadas a fim de evitar que tais doenças se
manifestem, como por exemplo, uma boa alimentação, exames preventivos, exercícios físicos,
entre outros cuidados, podem ajudar na maioria dos casos. Entretanto, mais importante que
nossos genes para determinar a saúde, é como iremos envelhecer, é como os genes interagem
com a dieta e o estilo de vida, que neste caso chamamos de Epigenética.

Conforme a Dra. Vilma Juraski4, nutricionista funcional e naturoterapeuta, essas


alterações epigenéticas referem-se a pequenas modificações que ocorrem no DNA, sob
influência da dieta, estilo de vida e fatores ambientais a que cada um é exposto. Assim como a
sequência de DNA, as alterações epigenéticas também podem ser transferidas ao longo das
gerações. Mas ao contrário do “código genético”, as modificações epigenéticas são
reversíveis e podem ser alteradas todos os dias ao longo da vida, dependendo das interações do
indivíduo com o ambiente. Isso nos permite entender que nossa herança genética não será o
fator determinante da nossa saúde e bem-estar. Por tanto, é fundamental ter a consciência que
nossas escolhas influenciam em nossa saúde hoje e na de gerações futuras.

* Estresse e queda de cabelos

O que chamamos de estresse e ansiedade refere-se ao conjunto de


respostas fisiológicas a determinados estímulos que acontecem em função de como percebemos
e interpretamos as situações que vivemos e que, por sua vez, dependem basicamente de nossos
aprendizados, das nossas crenças e de nossas memórias herdadas.

Como citado anteriormente, a Epigenética tem mostrado o quanto as influências


ambientais, incluindo o estresse e as emoções, podem modificar a expressão de nossos genes,
provocando sintomas e enfermidades, e estas ainda são transmitidas as próximas gerações.
Inúmeros estudos comprovam o quanto o estresse pode impactar nossa saúde e bem-estar,

4 Artigo de opinião: “Epigenética”, por Dra. Vilma Juraski, In: <http://www.nutricionistacuritiba.com/nutricao/nao-herde-


doenca-genetica>; Acesso em: março/2019. “Dra. Vilma Maria Juraski” é nutricionista (CRN: 2672), pós-graduada em
Nutrição Funcional pela UFPR, e atende em seu consultório no Batel, em Curitiba.
produzindo sintomas equivalentes a complicações decorrentes de hipertensão e distúrbios
autoimunes.

Figura 08: Como o Stress afeta os cabelos.

https://marcioantoniassi.wordpress.com/2012/10/16/saiba-como-o-estresse-causa-

 Conforme Silva e Silva (2007), o stress:

 Refere-se a respostas fisiológicas do organismo necessárias para a adaptação a


novas situações por meio de reações orgânicas e psíquicas desencadeadas por
estados emocionais, sendo a adaptação ao meio o objetivo final do processo.
 Ocorre quando a pessoa se depara com eventos que colocam em perigo o seu bem-
estar físico ou psicológico.
 Pode ocasionar desequilíbrios importantes no organismo, ocasionando o desgaste e
esgotamento de recursos do corpo tornando-o mais vulnerável a doenças, tendo
relação com seu aparecimento ou agravamento.
Com isso vemos que a reação do stress ocorre quando algo ameaça ou prejudica a
vida de um indivíduo, sendo este fator ameaçador, também denominado de agente estressor,
caracterizado por sua capacidade de romper o equilíbrio do organismo. Diferentes eventos
ajudam no aparecimento de stress, alguns são determinados por fatores externos, mudanças
importantes que afetam de alguma forma as pessoas. Entretanto, a fonte de stress também pode
estar dentro do indivíduo, na forma de motivos ou desejos conflitantes, ou ainda conflitos não
resolvidos de forma consciente ou inconsciente. O stress crônico pode estar correlacionado a
transtornos físicos. A reação do stress também pode prejudicar o sistema imunológico (SILVA;
SILVA, 2007).

Figura 09: Ciclo do stress na queda de cabelo.

http://www.blogtricologiamedica.com.br/2013/10/duvidas-mitos-e-verdades-sobre-queda.html

Quanto a perda de cabelo, estudos demonstram que o estresse agudo desencadeia


três tipos bastante específicos, sendo o eflúvio telógeno (aumento da queda diária de fios de
cabelo), a tricotilomania (arrancar ou puxar os pelos) e a alopecia areata (perda de cabelo em
algumas áreas da cabeça). Um fator relacionado ao desencadeamento para este evento, é a
intensa comunicação entre as terminações nervosas da pele e as células do sistema imune
responsáveis por deflagrar o processo de inflamação cutânea gerada pelo estresse.
Figura 10: Resposta neuroendócrina e metabólica do estresse. Dessa forma, as
alterações que ocorrem no sistema
imunológico atraem um maior
número de leucócitos até a derme,
onde se localiza os folículos
capilares, gerando uma resposta
autoimune, na qual os leucócitos
passam a atacar as células
germinativas no bulbo capilar
culminando com inflamações no
couro cabeludo e,
consequentemente, prejudicando o
nascimento de novos fios.

Assim, numa situação de estresse, ocorre a liberação de substâncias químicas, como


o NGF (fator de crescimento neural) na derme que atrai células pró-inflamatórias para a região
e que estimulam a inflamação perifolicular, ocasionando a inflamação neurogênica e,
consequentemente, ao estímulo de apoptose celular na matriz germinativa.

Outro efeito associado é o


Figura 11: Efeitos do estresse nos cabelos.
aumento de noradrenalina que possui a
capacidade de interromper o crescimento do
cabelo. Outro ponto crucial no processo
inflamatório gerado pelo estresse, temos a
atuação do hormônio cortisol que
compromete o ciclo capilar (Figura 10 e 11).

Pesquisas recentes mostram que


os folículos pilosos/capilares respondem ao http://cabelos.saudenatural.info/artigos/efeitosdoestresse
noscabelos
cortisol reduzindo sua taxa de proliferação
celular na raiz do cabelo, ou seja, os cabelos crescem menos e podem até parar de crescer sob
a ação do cortisol. Mais que isso, os próprios folículos parecem produzir cortisol, função que
exercem para sua autorregulação. Nestes casos, as próprias células das raízes dos cabelos
podem diminuir suas atividades ou parar de trabalhar por controle próprio em função do alto
nível de cortisol na região5.

*Colapso do privilégio imunológico.

Nosso organismo possui um eficiente sistema de proteção, o Sistema Imunológico,


composto por células, órgãos e moléculas especializadas em combater microrganismos
estranhos que podem causar algum dano em nosso corpo, como bactérias, vírus e células
estranhas as nossas. Com isso, essas estruturas são capazes de construir nossa memória imune,
caracterizando, assim, o Privilégio Imunológico que se refere a capacidade que nossas células
têm de reconhecer células que fazem parte do nosso organismo, evitando que o sistema
imunológico ataque células saudáveis de nosso próprio corpo6.

Sabendo que o privilégio imunológico é a capacidade de nossas células de defesa


reconhecerem as demais células de nosso corpo como sendo nossas e não estranhas ou
potencialmente prejudiciais, entendemos que esta capacidade garante que nosso sistema
imunológico não ataque as demais células e tecidos do nosso próprio organismo, combatendo
apenas elementos estranhos ou invasores (bactérias, vírus, fungos)6.

Entretanto, em algumas pessoas existe uma maior sensibilidade das células


perderam a capacidade de expressarem as informações necessárias para o organismo reconhece-
las como sendo da própria pessoa, desencadeando um processo no qual o sistema imunológico
ataca células saudáveis do próprio corpo, ocasionando a perda ou o colapso do privilegio
imunológico, dando origem às chamadas doenças autoimunes. Desta forma, as células perdem
a capacidade de expressar na superfície de suas membranas as informações que permitem o
reconhecimento pelas células imunes como próprias6.

Nos casos de doenças autoimune relacionados ao couro cabeludo e aos folículos


pilosos, as células ou tecidos perdem a característica do privilégio imunológico que deixam de
ser identificadas como sendo do próprio organismo pelo nosso sistema de defesa, ou seja, partes

5
Artigo de informação: Cortisol e queda de cabelo por Dr. Ademir C. L. Júnior, In:
<http://www.blogtricologiamedica.com.br/2013/11/cortisol-e-queda-de-cabelo.html>; Acesso em março/2019.
6
Artigo de informação: Você sabe o que é privilégio imunológico? Sabia que ele é importante para manter
nossa cabeleira? Por Dr. Ademir C. L. Júnior, In: <http://www.blogtricologiamedica.com.br/2013/11/voce-sabe-
o-que-e-privilegio-imunologico.html>; Acesso em março/2019.
do nosso corpo são atacadas pelo nosso sistema imune. A Alopecia Areata (AA) se caracteriza
como um tipo de queda súbita de cabelos, temporária, não cicatricial, por vezes recorrente, e
que pode afetar qualquer área portadora de pelos (HIGINO et al, 2012).

Figura 12: Bulbo capilar em processo de Alopecia Areata.


Partindo deste conceito, o Dr.
Ademir Carvalho Leite Júnior, em seu artigo
sobre a relação da AA com a teoria do colapso
do privilegio imunológico, comentou sobre um
estudo no qual afirmava que a AA é descrita
como uma doença autoimune, pois nesse
processo o ataque ocorre aos folículos
anágenos, ou seja, os folículos mais afetados
são aqueles em que os fios estão em pleno
desenvolvimento, ocasionando a interrupção de
https://www.med.unc.edu/intselect/files/alopecia- seu crescimento de forma abrupta, o que resulta
areata
na perda localizada de cabelos7.

Em concordância a este fato, Higino et al (2012) relatam que na AA as células


ligadas aos folículos capilares apresentam dificuldade no privilégio imunológico e passam a ser
“atacadas” pelas células especializadas em proteger nosso corpo propiciando um processo
inflamatório intenso com a presença de infiltrado na região do bulbo capilar (Figuras 12 e 13).
Figura 13:
Infiltrado inflamatório (pontos cinzas) da alopecia areata.
De acordo com Higino et al (2012),
os chamados agentes coestimulantes, (traumas,
infecções, estresses, etc.) afetam o
comportamento de mediadores químicos e, com
a colaboração de algumas células do sistema
imune (mastócitos, linfócitos CD8 + e células
NK), acabam interferindo negativamente no
Fonte: HIGINO et al (2012). Disponível em:
processo, resultando no colapso do privilégio http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?id_materia=4958&fase=imprime

imunológico e, consequentemente, o não

7 Artigo de informação: Alopecia areata e a teoria do colapso do privilégio imunológico. Por Dr. Ademir C. L.
Júnior. In: <http://www.blogtricologiamedica.com.br/2013/11/alopecia-areata-e-teoria-do-colapso-do.html>;
Acesso em: março/2019.
reconhecimento das células dos folículos pilosos como próprias do organismo. Em virtude
disto, o nosso sistema de defesa ataca os folículos de forma agressiva, em especial os folículos
em fase de crescimento chamados de anágenos.

PELE E EMOÇÕES – DERMATOSES PSICOSSOMÁTICAS


Doenças da pele relacionadas com as emoções.

Atualmente, têm-se observado que


Figura 14: O sofrimento se esconde na nossa pele.
muitas doenças da pele têm alguma relação
com o estado emocional da pessoa (SILVA;
SILVA, 2007). Influenciada por sentimentos e
estímulos externos, nossa pele reflete tudo o
que somos e se modifica conforme o humor ou
o ambiente a que é exposta. Assim, não é
surpresa que ela seja a primeira a manifestar
disfunções quando transtornos psicológicos
https://amenteemaravilhosa.com.br/anatomia-intima-
afligem o indivíduo (LIMA et.al. 2018), uma
vez que a maioria das pessoas sofre com o stress e, de alguma maneira, demonstra tal sofrimento
(SILVA; SILVA, 2007).

Dentre tantas outras funções, a pele também exerce importante papel sensorial,
determinado pelo tato, sendo responsável, também, por grande parte da visão que o indivíduo
tem de si, ou seja, por sua autoestima. Então, além do sentir físico, a pele pode ser afetada por
fatores psicológicos ocasionando doenças cutâneas que, quando causadas por esses fatores, são
chamadas de psicossomáticas ou de transtornos somatoformes (LIMA et.al. 2018).

Estudiosos relatam que as alterações emocionais podem se manifestar por algum


órgão do corpo, chamado de “órgão de choque”. A pele é um desses “órgãos de choque” e,
certamente, sofre em função dessas oscilações emocionais (SILVA; SILVA, 2007). Entretanto,
as situações estressantes variam e são diferentes para cada indivíduo. Seja de características
psicológicas ou físicas, o stress vem como consequência da dificuldade em lidar com os
sentimentos e, consequentemente, a pele passa a funcionar como fonte de expressão, podendo
manifestar essa relação por meio de dermatoses decorrentes da sintomatologia do próprio stress
(SILVA; SILVA, 2007).
Nesses transtornos, sintomas físicos sem explicação plausível, são comuns e o
indivíduo costuma tornar-se frustrado por não encontrar um diagnóstico preciso. Acontece que,
quando os sintomas não levam, necessariamente, a uma doença física visível, o transtorno não
é reconhecido, sendo tratado de formas inapropriadas, que, ao não apresentarem resultado
definido, poderão agravar e aumentar o
Figura 15: Defina a melhor versão de si mesmo.
sofrimento do paciente que espera por uma
resposta conclusiva (LIMA et.al. 2018).

O que acontece é que, por trás dos


sintomas físicos, podem estar envolvidos
transtornos psicológicos, provocando sintomas
físicos e, além disso, como pesquisas mostram,
doenças autoimunes. Dessa forma, a visão
holística ensina que mente-corpo-ambiente- https://amenteemaravilhosa.com.br/defina-melhor-versao-si-mesmo/

social estão interligados, e, assim, seria fato que


tudo que afeta a mente, afetará o corpo que padecerá, portanto, fatores psicossomáticos causam,
além de danos psicológicos, disfunções físicas que muitas vezes se refletem em nossa pele
(LIMA et.al. 2018).

Como citado, a pele é considerada o “espelho do organismo”, uma vez que expressa
disfunções ocasionadas por doenças cutâneas, assim como reflexo de problemas em diferentes
órgãos. A exemplos disso, podemos citar as disfunções no coração onde ocorra uma dificuldade
na circulação periférica que influenciará na cor da pele, ou na sua umidade aumentada e
eritemas nodosos no caso de tuberculose que afeta os pulmões, ou ainda ter sua elasticidade
prejudicada por doenças como acromegalia, mixedema e síndrome de Cushing (LIMA et.al.
2018).

Por expressar reações diversas e estar em contato com o meio externo, a pele é
considerada um órgão de comunicação. No entanto, mais do que exteriorizar alterações físicas,
o tecido cutâneo é influenciado a manifestar também fatores emocionais como estresse,
ansiedade e depressão. Lima et.al. (2018) destacam que nas moléstias da pele, denominadas
dermatoses, indiscutivelmente os fatores emocionais estão fortemente presentes, influenciando
também no estado mental do indivíduo. Nesse sentido, os autores apontam que fatores
psicológicos podem agravar ou desencadear afecções cutâneas.

Segundo a SBD – Sociedade Barsileira de Dermatologia, estima-se que mais de


40% das manifestações cutâneas estejam associadas a influências psíquicas. Esta relação hoje
é explicada a partir da constatação da existência de mensageiros químicos do sistema nervoso
– neuropeptídeos e outros neurotransmissores – que levam informações do cérebro para os
receptores da pele e vice-versa. Por isso, hoje é possível afirmar que ansiedade, euforia, tristeza,
angústia, estresse e depressão podem acabar causando alguma reação no organismo, inclusive,
na pele, nos cabelos e nas unhas. Diversas pesquisas têm mostrado que os sistemas endócrino,
nervoso e imunitário formam um único sistema que recebe a influência direta da mente8.

Figura 16: O que o estresse faz com seu corpo.

http://www.psiquiatracuritiba.med.br/o-que-o-estresse-faz-com-o-seu-corpo/

Desta forma é possível compreender que as doenças psicossomáticas surgem como


manifestações no corpo, uma vez que, pela não resolução de conflitos emocionais, a mente
passa a produzir mecanismos de defesa com o intuito de resolver a dificuldade ou a ameaça
para o corpo. Portanto, as doenças somáticas provêm de determinadas situações em que o
indivíduo tenta combater, mas acaba perdendo a homeostasia interna e, exausto, o organismo

8 “Mente e pele – Uma relação muito íntima”. Artigo de informação por: Sociedade Brasileira de Dermatologia, in:
<http://www.sbd.org.br/noticias/mente-e-pele-uma-relacao-muito-intima/>; Acesso em: março/2019.
desenvolve uma doença física. As doenças de pele em que mais podemos observar o fato
psicossomático nas chamadas psicodermatoses são dermatite, psoríase, vitiligo, dermatite
seborreica, acne vulgar, rosácea, hiperidrose, urticária, e a queda de cabelo. (LIMA et.al 2018).

Considerado uma reação do organismo, o estresse possui componentes psíquicos,


fisiológicos e bioquímicos, tornando-se uma somatória dos dois. O problema ocorre quando
essa situação de estresse constante se estende e o indivíduo não consegue mais desfrutar desse
estímulo como algo positivo. Quando se torna patológico, o estresse pode causar ansiedade,
irritabilidade, instabilidade psicofísica e tensão. O estresse gera sintomas físicos e psicológicos
(Figura 16) ou uma conjunção de ambos, sendo que a queda de cabelos possui uma forte ligação
com estados de estresse acentuado. (LIMA et.al. 2018).

FATORES NUTRICIONAIS E RESISTÊNCIA CAPILAR:


ANEMIA E QUEDA DE CABELO.

*Nutrição e saúde capilar: qual a relação?


Figura 18: “De que o cabelo tem fome? ”

É fato a existência de uma relação direta


entre a nossa alimentação com a saúde de nossos
cabelos, não bastando apenas utilizar cosméticos de alta
qualidade adaptados ao tipo de cabelo. Sabe-se que
algumas propriedades dos alimentos são importantes
para o bom desenvolvimento da haste capilar. Porém, a
deficiência nutricional pode afetar a estrutura e o
https://pt.depositphotos.com/64874325/stock-photo-beautiful-young-woman-with-vegetable.html crescimento do cabelo, podendo ocasionar a perda
contínua e progressiva de fios. Assim as células que tornam o cabelo forte e com bom aspecto
dependem de uma dieta balanceada (SCHALKA; BOMBARDA; CANALE, 2018;
SCHNEIDER, 2018).

A perda de cabelos é um importante indicador de alguma deficiência nutricional, já


que são os nutrientes obtidos através da alimentação que fortalecem os fios e o couro cabeludo.
Os efeitos que a deficiência nutricional gera sobre o crescimento do cabelo incluem o eflúvio
telógeno agudo (TE), que é uma condição que se caracteriza pelo aumento da queda diária de
fios de cabelo, bem como a alopecia difusa observada na deficiência de niacina. Estudos
também relataram possíveis associações entre deficiência nutricional e TE crônico, alopecia
androgenética (AGA), perda de cabelo padrão feminino (FPHL) e alopecia areata (AA)
(SCHALKA; BOMBARDA; CANALE, 2018; SCHNEIDER, 2018).

Figura 19: Influência da dieta e estado nutricional nas desordens capilares.

http://www.ciabv.com.br/wp-content/uploads/2018/06/4_Abordagem_nutricional_na_saude_capilar_e_ungueal_Aline_Schneider.pdf

O cabelo contém, basicamente, os elementos carbono, hidrogênio, oxigênio,


nitrogênio e enxofre, que chamamos de C.H.O.N.S (típico da queratina capilar), outros
elementos formam menos que 0,1% da massa do cabelo. Esses elementos unem-se dando lugar
a moléculas de aminoácidos que, por sua vez, agrupados em forma especial e em números
determinados, formam a proteína. Assim, pode-se dizer que o cabelo se compõe
fundamentalmente de moléculas de proteínas, dentre as quais a mais importante é a queratina.9
Isto evidencia que o estado nutricional de uma pessoa interfere diretamente na saúde dos
cabelos, embora outros fatores como a genética, idade, disfunções hormonais, estresse e
determinadas doenças, também possam afetar significativamente a saúde capilar (SCHALKA;
BOMBARDA; CANALE, 2018; SCHNEIDER, 2018).

Quanto a influência da dieta sobre o estado nutricional em relação as desordens


capilares, uma atenção especial é dada aos micronutrientes, termo que inclui elementos-traço
minerais, vitaminas e aminoácidos, uma vez que os fios capilares são compostos em 98% de
proteínas, presume-se que uma dieta rica em proteínas seja essencial para sua vitalidade. De
fato, em estados nutricionais em que há carência na ingesta de proteínas, os fios capilares são
claramente afetados (SCHALKA; BOMBARDA; CANALE, 2018).

Desta forma, a deficiência crônica de alguns micronutrientes pode favorecer a


queda de cabelo e enfraquecimento dos fios. Esse tipo de desnutrição pode não ser percebida
através do peso da pessoa, ou seja, muitas vezes a ingestão de calorias pode estar adequada,
mas a de vitaminas e minerais não, esse estado também pode ser chamado de “fome oculta”.
Quando isso acontece há manifestações em alguns tecidos, normalmente, naqueles de maior
taxa metabólica e mitótica, como, por exemplo, o aparelho tegumentar (cabelos, unhas e pele).
Sendo assim há alterações na síntese proteica, modificando ou reduzindo sua estrutura. Isso
pode dar origem a aspectos negativos esteticamente como, por exemplo, a diminuição do
crescimento e aumento da fragilidade dos cabelos9.

*Anemia e queda capilar.

As anemias constituem as doenças do sangue mais frequentes. O termo anemia


significa redução da hemoglobina por unidade de volume de sangue, de acordo com a idade,
sexo e tensão de oxigênio do ambiente. Pode referir-se ainda a uma síndrome clínica ou a um
quadro laboratorial. As anemias podem ser provocadas por vários fatores e se classificam
segundo os critérios morfológicos ou fisiopatológicos e, considerando-se a etiologia, em
anemias por falta de produção, por sobrevida diminuída dos eritrócitos ou por perda sanguínea.
(ALEGRE; CARVALHO, 2010).

Em relação a saúde capilar, a formação e manutenção de um cabelo saudável


dependem de um fornecimento equilibrado de nutrientes essenciais, dentre eles, o ferro, que,
quando em ausência ou deficiência, resulta na fragilidade dos fios. De toda forma, em termos
nutricionais, tanto a deficiência como o excesso são prejudiciais ao organismo como um todo,
pois ambos são exemplos de desequilíbrio (SCHALKA; BOMBARDA; CANALE, 2018;
SCHNEIDER, 2018).

 Em suma, quanto a relação “anemia-queda de cabelo” pode-se dizer que:

9
Artigo de informação: “Nutrição e saúde capilar”; por Equilíbrio – Clínica Nutricional. In:
<http://equilibrionutricional.com.br/site/atualidades.php?page=Atualidades&id=67>; acesso em: março/2019.
 A deficiência de ferro no organismo seja uma das causas principais na ocorrência do
eflúvio telógeno por acreditar que este mineral esteja envolvido na divisão celular.
Porém, os mecanismos pelos quais a deficiência de ferro influencia na perda de cabelos
ainda não estão bem definidos. O que se sabe é que as células da matriz germinativa do
folículo capilar são afetadas na deficiência do ferro devido ao seu papel como cofator
ribonucleico redutase (enzima limitante de velocidade para a síntese de DNA) e que
alguns genes no folículo piloso humano podem ser regulados pelo ferro.
 A perda capilar possa estar relacionada a deficiência do ferro devido ao seu papel no
transporte de oxigênio, uma vez que sua função principal é formar a hemoglobina que,
quando em baixos níveis, dificulta a circulação sanguínea e, consequentemente, a
oxigenação dos tecidos do sistema capilar, interferindo, desta forma, na nutrição
adequada das células foliculares, prejudicando, assim, o desenvolvimento dos fios que
ficam frágeis, sem brilho, viço e maciez.

Figura18: Influência da dieta e estado nutricional nas desordens capilares.

http://www.ciabv.com.br/wp-content/uploads/2018/06/4_Abordagem_nutricional_na_saude_capilar_e_ungueal_Aline_Schneider.pdf

ESTUDO DAS ALOPECIAS, PATOLOGIAS DE COURO CABELUDO,


E ALTERAÇÕES DA FIBRA CAPILAR

Figura 19: Ilustração da unidade pilossebácea.


*Estrutura e composição dos fios.

O sistema capilar é composto pela unidade


pilossebácea (Figura 19) que inclui as estruturas anexas
da pele, a saber: a glândula sebácea, o pelo ou haste
capilar, o músculo eretor do pelo e o folículo piloso
(estrutura responsável por alojar a haste capilar) e, em
certas regiões corpóreas, o ducto excretor de uma
glândula sudorípara apócrina que desemboca no folículo,
http://alessandrafaria.com/2013/09/cabelos-2014-analise-bulbo-capilar/
acima da glândula sebácea. O folículo piloso, é considerado um pequeno órgão formado por
uma interação ectodérmica-mesodérmica e está incorporado no epitélio da epiderme,
aproximadamente, 3 a 4mm abaixo da superfície da pele, sendo compreendido por três
segmentos: o infundíbulo, o istmo e o segmento inferior. (OLIVEIRA; MACHADO, 2017).

Assim, o cabelo é um apêndice externo da pele que cresce a partir de folículos


pilosos (OLIVEIRA; MACHADO, 2017), é caracterizado por serem estruturas filiformes,
constituídas por células queratinizadas compostas por uma parte livre, a haste, e uma porção
intradérmica, a raiz (bulbo capilar) (GAMONAL & GAMONAL, 1999). De acordo com Varela
(2007), o cabelo é uma massa de queratina formada por três camadas celulares concêntricas, a
saber: a cutícula, o córtex e a medula (Figura 21). Na esquematização a seguir, de fora para
dentro, temos a ilustração da estrutura bioquímica dos cabelos (figura 20):

(A) A cutícula que se trata do invólucro dos fios de cabelo em forma de escamas, apresentando suas
bordas para cima protegendo o córtex e a medula; o córtex representa 90% do peso do cabelo e é
formado por fibras muito longas de queratina pigmentadas, unidas entre si por substâncias
intercelulares. Cada fibra se apresenta como um feixe de “cabos torcidos”, as macrofibrilas; (D) cada
macrofibrila é constituída por milhares de microfibrilas; (E) as microfibrilas constituem-se por 11
protofibirlas; (F) cada protofibrila se apresenta como uma “corda torcida” formada por 3 cedas
elementares; (G) a cerda elementar é uma longa cadeia de aminoácidos (cadeia polipaptídica). A
medula (C) é a parte interna do fio, cuja função ainda não está definida, além de não existir em alguns
tipos de cabelos (VARELA, 2007).

Figura 20: Desenho esquemático da estrutura bioquímica do fio de cabelo.

http://siaibib01.univali.br/pdf/Antonio%20Martins%20Varela.pdf
Figura 21: Estrutura física da haste apilar.

http://siaibib01.univali.br/pdf/Antonio%20Martins%20Varela.pdf

Figura 22: Composição típica do cabelo humano.

http://nilocairoensinomedio.blogspot.com/2015/04/a-quimica-do-cabelo.html
O cabelo apresenta também em sua constituição a melanina, pigmento responsável
pela sua coloração sintetizado em organelas especializadas chamadas melanossomas, a partir
do aminoácido tirosina através da ação da enzima tirosinase. À exceção dos albinos, todos os
seres humanos normais têm pigmento de melanina no cabelo, independentemente da cor.
Basicamente, a coloração caraterística do cabelo é influenciada pela atuação de três tipos de
melanina: a eumelanina (confere coloração do preto ao castanho), a feomelanina (fornece a cor
loira) e a oximelanina (promove pigmentação ruiva). Para além da influência genética, a
produção e caraterísticas do cabelo depende também da quantidade, local, número e forma dos
grânulos de pigmentos no córtex do folículo (OLIVEIRA; MACHADO, 2017).

*Ciclo capilar

O número de folículos pilosos é fixo, não ocorrendo a formação de novos folículos


no adulto. Estima-se que haja em torno de 100 mil a 150 mil fios no couro cabeludo, sem que
haja diferença quanto a raça ou sexo. A atividade do folículo piloso é cíclica, sendo que os
folículos do couro cabeludo ciclam de 10 a 30 vezes durante a vida. Em pessoas saudáveis, o
cabelo cresce aproximadamente 0,35mm/dia, havendo variações regionais em distintas áreas
do couro cabeludo, perfazendo cerca de 10cm ao ano (SCHALKA; BOMBARDA; CANALE,
2018; SCHNEIDER, 2018; GAMONAL & GAMONAL, 1999).

No ser humano o crescimento piloso ocorre dentro de um padrão chamado “em


mosaico” ou randômico, isto é, enquanto que em determinadas áreas os fios estão crescendo,
em outras eles estão caindo, ou seja, os fios não são trocados ao mesmo tempo, não ocorrendo
a chamada “muda” (padrão sanzonal ou cíclico), como acontece nos animais. Esse é o motivo
pelo qual a troca dos cabelos e pelos não é notada, em que pese haver uma queda de 100 fios
por dia em condições normais (SCHALKA; BOMBARDA; CANALE, 2018; SCHNEIDER,
2018; GAMONAL & GAMONAL, 1999).

A densidade capilar do couro cabeludo é variável, sendo que a maioria das pessoas
possui entre 100.000 e 150.000 fios. Podemos perder de 40 a 100 fios de cabelo em um dia
normal, e de 200 a 300 fios nos dias em que os lavamos. Cada indivíduo possui um programa
geneticamente organizado que inclui crescimento (fase anágena), repouso (fase catágena),
queda (fase telógena) e o recrescimento (retorno da fase anagena). A liberação do cabelo
“morto” através do folículo (fase exógena) acontece no final da fase telógena ou no início da
anágena. Com o início de cada fase anágena, um novo fio de cabelo é produzido. No couro
cabeludo, 86% dos fios estão na fase anágena (que dura de dois a seis anos) e até 13% na fase
telógena (que dura de três a seis meses). A fase catágena é efêmera, durando de três a seis
semanas, sendo que 1% dos fios encontram-se nessa fase (SCHALKA; BOMBARDA;
CANALE, 2018; SCHNEIDER, 2018).

Figura 23: Ciclo capilar.

https://melhorsaude.org/tag/ciclo-do-cabelo/

Os parâmetros normais de crescimento do cabelo, por sua vez, variam conforme


gênero, grupo étnico, idade e/ou cultura local (SCHALKA; BOMBARDA; CANALE, 2018).
Desta forma, o ciclo capilar pode sofrer variações em sua duração devido a diferentes fatores,
como por exemplo na gravidez e puerpério devido as oscilações hormonais (estrógeno e
progesterona) características nesses momentos, em que ocorre a prolongação da fase anágena
durante a gestação e, após o parto, ocorre a precipitação das fases catágena e telógena

Figura 24: Esquema de duração do ciclo capilar por fases em percentual.

Fonte: GAMONAL & GAMONAL (1999); Disponível em: <http://www.ufjf.br/hurevista/files/2016/11/80-97-PB.pdf>


ocasionando uma queda intensa dos fios (eflúvio telógeno). Outros fatores que afetam o ciclo
capilar são a desnutrição, medicamentos fatores físicos. (GAMONAL & GAMONAL, 1999).

* Alopecias.

No que se refere a perda dos cabelos é empregado o termo Alopecia denominando,


assim, distúrbios capilares que afetam os folículos pilosos, sendo caracterizados pela
diminuição ou ausência de cabelos e pelos. Alguns autores designam o termo clinicamente para
se referir a toda e qualquer perda de cabelo ou pelos em qualquer lugar do corpo
independentemente da quantidade ou tamanho o fato é que estas perturbações são de natureza
inflamatória crónica e acompanhadas pela alteração de parâmetros como: o número de folículos
por unidade de área, mudanças no tamanho do folículo e a duração do tempo de ciclo do
crescimento do cabelo (OLIVEIRA; MACHADO, 2017).

Quanto as causas das alopecias, Oliveira e Machado (2017) destacam que ainda não
há esclarecimentos absolutos, mas que abrangem uma série de fatores que caracterizam a
doença em tipos específicos, podendo ocorrer não só pelo mau funcionamento de uma ou mais
vias de sinalização no ciclo e desenvolvimento capilar, mas também por outros fatores, como
doenças autoimunes, predisposição genética, cancro, infeções microbianas e stress.

*Classificação das alopecias


ALOPECIAS LOCALIZADAS
•Alopecia Androgenética
As Alopecias são classificadas, de uma •Tricotilomania
•Alopecia por Tração
forma geral, segundo sua extensão (distribuição e •Tinha do Couro Cabeludo
área acometida) e quanto ao agente etiológico. Nas •Alopecia Areata

Alopecias Localizadas ou regionais as lesões se dão


pela perda em regiões localizadas (estabelece
regiões). Já nas Alopecias Generalizadas ou Difusas
ALOPECIAS DIFUSAS
a perda possui um padrão uniforme sendo mais •Eflúvio Telógeno
observada no couro cabeludo, ocorrendo quase •Eflúvio Anágeno
•Síndrome do Anágeno Frouxo
sempre sem cicatrizes (não ocorre a perda do
folículo, somente a sua inativação). (OLIVEIRA;
MACHADO, 2017; STEINER; BARTHOLOMEI, 2013; GAMONAL & GAMONAL, 1999).
CLASSIFICAÇÃO GERAL DOS TIPOS DE ALOPECIAS

QUANTO A EXTENSÃO QUANTO AO AGENTE ETIOLÓGICO

Congênitas Adquiridas
Localizadas Generalizadas
perda difusa
herança genética, decorrência de fatores externos e fisiológicos.
perda em regiões (padrão doenças
localizadas uniforme). congênitas,
síndromes Ñ.cicatriciais
Cicatriciais
Preserva o
Gera atrofia folicular (fibrose),
folículo piloso,
irreversível.
reversível.

Secundárias
Fonte: A autora (2019). Primárias o folículo é
o folículo é o alvo destruído pelos
do ataque processos
inflamatório. secundários da
inflamação.

As alopecias cicatriciais resultam de malformações, danos ou inflamações com


posterior destruição do folículo piloso resultando na perda irreversível de cabelo, seja por
falhas no desenvolvimento do próprio folículo ou por consequência de traumas externos que
ocasionam o comprometimento dos folículos devido a possíveis danos irreversíveis nas células-
tronco epiteliais na região bulgica. As alopecias cicatriciais podem, ainda, ser primárias ou
secundárias, onde nas primárias ocorre um processo inflamatório que afeta principalmente o
folículo piloso, e nas secundárias os distúrbios são mais sistêmicos (OLIVEIRA; MACHADO,
2017; GAMONAL & GAMONAL, 1999).

Nas Alopecias não-cicatriciais ocorre apenas a perda capilar sem ocasionar


atrofia/fibrose folicular, ou seja, são reversíveis, contudo, são mais complexas e podem ocorrer
por três mecanismos principais: redução dos folículos pilosos, seguida pela perda dos cabelos;
eflúvio telógeno que envolve a entrada prematura dos folículos na fase telógena, resultando na
queda excessiva de fios telogênicos; e eflúvio anágeno, onde ocorre o encurtamento ou paragem
anagénica pela interrupção nos processos metabólicos reguladores do crescimento capilar,
tornando os fios mais curtos, finos e despigmentados, resultando na queda anormal. Os
principais tipos de alopecia não cicatriciais são a alopecia androgenética (AAG), alopecia areata
(AA), eflúvio telógeno (ET) e a tricotilomania (OLIVEIRA; MACHADO, 2017; GAMONAL
& GAMONAL, 1999).

Em termos gerais, pode-se dizer que as alopecias são doenças caracterizadas pela
redução ou ausência de cabelos e/ou pelos, cujos fenômenos básicos que dão origem aos vários
quadros clínicos possíveis, podem ser: queda acelerada dos fios e/ou involução dos folículos
pilosos (alopecias não cicatriciais). Existe ainda outro grupo de alopecias em que a lesão
fundamental é cicatriz e fibrose na região do folículo piloso (alopecias cicatriciais). As doenças
capazes de gerar queda anormal dos cabelos são aquelas que alteram o ciclo capilar em alguma
das suas fases (anágena, catágena ou telógena). Possuem essa característica o eflúvio telógeno,
o eflúvio anágeno e a alopecia areata (AA). Já na alopecia androgenética ocorre a involução
dos folículos pilosos por mecanismo hormonal. As alopecias cicatriciais causam perda capilar
irreversível, em consequência da destruição das células-tronco localizadas no bulge, resultando
na perda capilar definitiva e na destruição do folículo com a substituição da unidade
pilossebácea por fibrose. Desta forma, as alopecias cicatriciais produzem um dano permanente
na unidade pilossebácea com perda capilar irreversível (STEINER; BARTHOLOMEI, 2013).
O quadro a seguir apresenta de uma geral os tipos de alopecias:

TIPOS DE ALOPECIAS

O desprendimento do pelo é denominado EFLÚVIO e a condição resultante chama-se ALOPECIA.

ALOPECIAS CICATRICIAIS ALOPECIAS NÃO-CICATRICIAIS


Processo leva a involução e perdas definitivas dos folículos Folículo preservado, a perda não é definitiva.
pilosos.

Alopecias adquiridas; Alopecias adquiridas e congênitas;


Ocorre a destruição do folículo piloso (atrofia/fibrose); Podem ser localizadas ou generalizadas;
Processo inflamatório na região perifolicular (bulge); Queda acelerada dos fios;
Presença de eritema, pústulas e pápulas; Involução do folículo; piloso
Processo lento ou rápido e agressivo; Não gera atrofia folicular;
Perda capilar irreversível; Pode ocorrer recuperação parcial ou total;
Ação de neutrófilos e linfócitos T. Processo inflamatório na região peribulbar (bulbo) e
infundibular (infundíbulo).

PRIMÁRIAS SECUNDÁRIAS

EFLÚVIOS: Telógeno agudo, crônico e anágeno;


Alopecia Areata – Ofíase, total, universal, decalvante;
Autoimune Alopecia Androgenética;
Grupo Linfocíticas Infecciosa Alopecia por tração;
· Líquen plano pilar Neoplásica Tricotilomania.
· Alopecia fibrosante Física
frontal
· Pseudopelada de Brocq
· Alopecia cicatricial Ocasionadas por
central centrífuga queimaduras, produtos
· Síndrome Graham-Little químicos, tração
· Lúpus eritematoso repetida, exposição à Fonte: A autora (2019).
discoide radiação, traumas,
Grupo neutrofílico infecções virais,
· Foliculite decalvante bacterianas ou fúngicas,
· Foliculite em tufos
micoses, tumores ou
Grupo misto
doenças dermatológicas
· Foliculite queloideana
· Foliculite dissecante raríssimas e de origem
· Foliculite necrótica genética.
*Patologias do couro cabeludo

Seborréia: Apresenta-se como uma oleosidade excessiva da pele, especialmente no couro


cabeludo ou no rosto. Não apresenta descamação ou vermelhidão. É influenciada por fatores
hormonais, alimentares, emocionais e climáticos.

Dermatite Seborréica: Trata-se inflamação crônica da pele que surge em indivíduos


geneticamente predispostos, trata-se então, de manifestação constitucional. As erupções
cutâneas características da doença ocorrem predominantemente nas áreas de maior produção
de oleosidade pelas glândulas sebáceas.

Psoríase: É uma doença de pele determinada geneticamente e a qual não se tem ainda uma cura
definitiva. O couro cabeludo é uma das áreas freqüentemente atingidas e quase sempre, a
primeira delas em pessoas jovens. Com períodos de melhora e caracterizadas por placas
avermelhadas cobertas de escamas brancas ou rosadas, localizadas no couro cabeludo,
cotovelos, joelhos e unhas, sangram com facilidade. Atinge de 1 a 6% da população.

Xerose: A xerose cutânea é caracterizada por uma pele que apresenta pouca agua na camada
externa, tornando o couro cabeludo ressecado e os cabelos secos e sem brilho. Nesse caso as
Glândulas sebáceas são hipofuncionais., característica presente no idoso. A pele seca pode
também está associada a alguns distúrbios hormonais, falta de óleos instaurados na alimentação,
estresse, falta de vitaminas, água quente e xampus inadequados.

Tinha do Couro Cabeludo (Tinea Capitis): micose superficial do couro cabeludo


caracterizada pela invasão dos fios por um fungo dermatófito (infecção fúngica). Apresenta
falhas de cabelo, produz coceira intensa, sendo mais comum em crianças. A maioria das
espécies de dermatófitos é capaz de invadir o cabelo, mas algumas espécies tais como
Microscoporum auduinii, tricophyton schoenleinii têm predileção pela haste do pelo.
Normalmente é uma doença comum entre pessoas desvalidas ou que vivem em más condições
de habitação e higiene ou com doenças autoimunes (AIDS).

Caspa: É uma afecção dermatológica. A caspa consiste numa afecção dermatológica comum,
crônica e recorrente, caracterizada pela descamação de flocos esbranquiçados soltos de tamanho
variável em couro cabeludo de aspecto geralmente normal. As escamas podem ser secas ou
recobertas por um leve filme de gordura, estar localizadas em uma ou mais áreas limitadas ou,
mais comumente, envolver todo o couro cabeludo. A quantidade de escamas produzida costuma
ser constante dentro de uma mesma área, mas pode variar consideravelmente de um local para
o outro. O prurido (coceira) pode ou não estar presente. Neste caso, apresenta-se de leve a
moderada e nos casos mais severos observa-se inflamação discreta do couro cabeludo, se
manifestando por eritrina persistente.

Pediculose: A pediculose da cabeça é uma doença parasitária, causada pelo Pediculus humanus
var. capitis, vulgarmente chamado de piolho. Atinge principalmente crianças em idade escolar
e mulheres e é transmitida pelo contato direto interpessoal ou pelo uso de utensílios como bonés,
escovas ou pentes de pessoas contaminadas.

*Alterações da haste capilar

As anormalidades da haste do pelo podem deixar o cabelo suscetível à lesão por


pequeno traumatismo (desgastes excessivos). Elas também podem retratar o resultado de distúrbios
metabólicos, hereditários ou adquiridos. Os processos químicos capilares constituem um
conjunto de agressões químicas aos cabelos. Qualquer que seja o processo o seu mecanismo de
ação no cabelo, invariavelmente trará consequência, todas elas de degradação da cutícula ou de
ruptura e perda da massa de queratina interna.

Trichothiodystrophy: É uma desordem congênita que envolve a produção do cabelo anormal


e frágil. Sob o microscópio apresenta um diâmetro irregular ao longo de seu comprimento. As
camadas cuticulares se apresentam comprometidas ou inexistem. Observa-se uma
irregularidade na pigmentação ao longo de seu comprimento e o cabelo se apresenta escasso no
couro cabeludo e no corpo. O crescimento do cabelo é lento. Essa alteração envolve outros
problemas relacionados com a estrutura do cabelo, como dentes e olhos (catarata).

Trichoclasis: É a ruptura do cabelo que é vista como uma fratura limpa através da fibra do
cabelo. É comum ver algum trichoclasis em consequência da trichotillomania. O tratamento
para o trichoclasis envolve reduzir a manipulação física do cabelo, e procurar escovar com
menos vigor e pouco calor.
Nodosa de Trichorrhexis (trichonodosis): É uma resposta característica do cabelo a um
traumatismo, o chamado desgaste do cabelo. Ela se caracteriza pela perda das células
cuticulares do pelo em um determinado local fazendo com que as células corticais se alarguem
e se rompam formando um nódulo. Vários são os fatores que contribuem para sua formação:
Lavagem excessiva, tratamentos a quente, permanentes e alisamentos, manipulação excessiva
do cabelo, escovação demasiada, banho de mar. Deficiência no metabolismo tais como: síntese
anormal da ureia e do cobre, metabolismo ineficiente do zinco, incorporação defeituosa da
cisteina ou do enxofre na fibra do cabelo (trichothiodystrophy) e alterações sistêmicas em
dentes e unhas.

Triconodose: É um nó que se forma no cabelo. Pode haver alteração da cutícula no local


tornando a região quebradiça. Decorrente de manipulações excessivas e atritos nos cabelos.
Muito frequente nos cabelos crespos.

Pili torti - pelo torcido: Envolvimento do folículo piloso, trauma físico ou químico, lupus
etritematoso, esclerodermia. E indicador de alopecia cicatricial e de dermatoses que levam as
alterações dérmicas.

Tricoptilose: Acomete principalmente a porção distal – extremidade bifurcada ou ponta dupla.


Frequente em cabelos longos. A superfície de contato das partes fissuradas não possui cutícula.
Quando ocorre ao longo do cabelo a haste fica partida em duas ou mais partes. Fissura
longitudinal na haste do cabelo

Annulati de Pili: Resultado da queratinização anormal no eixo do cabelo. O córtex não é uma
estrutura contínua. Contem espaços ou vacúolos entre as pilhas no centro do córtex. Alternam
faixas claras e escuras ao longo do comprimento do cabelo como listras. Tem prevalência em
crianças e na alopecia areata.

Cilindros capilares:
São pequenas formações tubulares brancas amarelados que envolvem completamente os fios
dos cabelos sem aderência, ou seja, se deslocam ao longo do fio. Sua etiologia é desconhecida.

Tricoglifos: Popularmente chamado de redemoinhos WHORL. Formado por um grupo de


cabelos que se implantam no couro cabeludo, formando uma imagem em espiral. Os cabelos se
direcionam no sentido horário. Podem ocorrer na região do vértice ou regiões fronto-laterais é
apenas uma alteração de disposição dos cabelos. Deformações congênitas: Síndrome de Down,
Síndrome de Prader Willi Oxicefalia, microcefalia dicefalia, etrigonocefalia. Apresentam
redemoinhos em quantidade e características particulares, que servem como diagnóstico.

Pelo cadavérico: Ocorre quando a haste se parte dentro do folículo piloso. Observados no
dermatoscópio encontra-se vários pedaços de pêlos enegrecidos dentro do ostio foliculares
muito semelhantes a grandes comedões. Quadro correspondente a tricomalácia descrita na
tricotilomania.

Poliose: Formação de uma Mecha de pelos Brancos. Pode ter poucos centímetros ou
comprometer grandes áreas. Geralmente a mecha é única, e raramente se apresenta múltipla.
Doenças que mais frequentemente dão polioses são: Alopecia Areata, Vitiligo, Leucodermia
Adquirida centrífuga e algumas Síndromes.

O cabelo de bambu – tricorrexe invaginada: É uma alteração capilar, na qual em uma


determinada região da haste, esta se alarga e a parte mais distal se invagina na parte mais
proximal do pelo. Muitas vezes os cabelos têm uma aparência normal; hipotricose difusa com
pelos ralos e frágeis. É característica da Síndrome de Netherton. Pode se apresentar
isoladamente em lesões traumáticas e também em alterações congênitas da haste, acompanhada
de pelo torcido e tricorrenodosa.

Cabelo woolly: Tem geralmente a força e a durabilidade normal cutícula saudável, embora o
cabelo às vezes seja difícil de crescer por muito tempo. Enrolar apertado pode criar estresses na
fibra do cabelo enfraquecendo-o e conduzindo-o a um cabelo mais frágil. É característico da
raça negra. Nos caucasianos e asiáticos a prevalência se encontra em algumas síndromes através
de genes autossomo dominantes
REFERÊNCIAS

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