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nº 920194

FAVELAS Em BELO HORIZONTE - TENDtNCIAS E DESAFIOS

Berenice martins Guimar~&s

GRUPO DE TRABALHO ESTUDOS URBANOS REPRESENTAÇÔES


, ,
L POLITICAS PUBLICAS

. XVI Encontro Anual da ANPOCS - 20 a 23 de outubro de 1992

Caxambu - minas Gerais


FAVELAS Em BELO HOR1Z0NTE - TENDÊNCIAS E: DESArIOS~

Berenice martins Guimaraes

Intrnduçíio

Desde que surgiram, no panorama urbano brasilai -


ro, as favelas 1 t~m sido objeto d~ atenç~o do poder p~blicrr Bm

diferentes momentos e sob orientaç;es diversas. Ora a desocupaç~o


, ,
da area e vista como a solução adequada, acompanhada ou não de
programas de lotes urbanizados ou da construç~o de conjuntos de ca
sas para abrigar a~ famIlia~ ora decide-se pela permanencia da
população nó local e urbanização da area e, mais recentemente, a
regularização do espaço e a legalização da posse da ter.ra passam
a ser vistas como a solução do problema. Ao mesmo tempo são dasen
volvidos e~forç6s na tentativa de impedir que novas invasoes ocor
ram , sem muito. sucesso, entretanto.

o objetivo de s't.etrabalho e analisar, de urna per~


" p e c t iva hist~r:ica, a origem e evolução do problema das favelas e.m
,
Uma cidade planejada ~ o comportamento do poder publico frente a
, ,
esta realidade. Atraves de um breve historicn, procuro recup e rar
Como se deu o processo de formação e crescimento das favelas em
8elo Horizonte e a maneira como o governo, no caso especialmente a
Prefeitura municipal, enfrentou a questão. Em seguida apresento um
levantamento estatistico sobre a evolução do fenômeno, tendo. em
vista avaliar a dimensão do problema e o desafio que ele hoje re-
presenta para o governo e a socied~d~ em geral.

~ .
Este trabalho e Uma leituia 'preliminar dos da~os de uma pesquisa
mais ampla que venho' realizando sob re va questão da' habi tação po-
pular em B~lo'Horizonte, desde a ~poca da criaç~o da cidade(lB9n
at~ hoje. Wânia ~aria de Ara~jo e Karla 8ilharinho Guerra s~o au
xiliares da pesquisa e participaram do levantamento e an~lise de
dados:
2
,
O primeiro obstaculo que se enfrenta, ao se pre-
tender realizar Um estudo dessa natureza, e a ausencia e a impr~
-, ,
cisao de dados estatisticos sobre favelas. Tal fato e revelador
-'.... A

nao so da dinamica do fenomeno onde se tem um movim~nto constan-


te de populaç~o e de construç~es - a invas~o de ~reas, o proces-
so de e xput sao seguido do adensamento das f av eLa s j~ existen te s
é ou da formaç~o de novas - mas tamb~m da maneira como a quest~o
vem sendo tratadi. Como se.vera ao longo deste trabalho, o ~edia
,
tismo e a improvisaçao, caracteristicos das primeiras açoes do
poder p~blico Com relação ~ favela, foram seguidos da criaçao de
orgaos e programas destinados a enfrentar o problema, cujo dese~
penho, entretanto, sofre solução de ~ontinuidade e ~ afetado por
,
mudanças politicas de governo.

,
Breve historico

O problema das favelas em Belo Horizonte remonta


a f~se de co~strução da cidade. Criada para set o centro politi-
CD e admini~trativo do estado de minas Gerais, em 1895,dois anos'
, ,
antes de ser inaugurada, ja. corrtav a COm duas areas de lnvasao
Com, aproximadamente, 3.000 pessoas.

As invasoe~ foram conseqU~ncia da inexist~ncia ,


na Planta Geral da cidade, de um lugar definido para alojar os
,
trabalhadores encarregados de construi-Ia. Tratava-se do proje t o
de Uma cidade Capital destinada ao aparato administrativo do go-
verno e voltada para Uma população especifica - o funcionalismop~
blico. A existência do trabalhador da construçao civil era vista
,
como temporaria, o que talvez explique o.fato do projeto nao con
, 2
te~plar Um local para aloja-Ia

Inicialmente o poder publi~o nao se importou com


o problema preocupado que estava em garantir a mão-de-obra neces-
s~r~a ~ c~nstrução da cidade. Nessa perspectiva n~o s~ não impediu.
, .

qUE;!as inva~oes' ocorressem, cama ate mesmo estimulou-as, especial


mente em areas proXimas aos canteiros de ·obras. Entretanto~ ~ me-
dida que o projeto da nova Capital tornava-se uma rea~idade, a
Prefei turá municipal começa a regulamentar a situaçao das inv.a-
soes,incomodada com a presença da populaçao pobre na parte nobre
d a cida de. Ne sse se ntido, em I902 , de signau m 1oca1 par a rn o r a d ia
do trabalhador - a Área Oper~ria - 8 promove a primeira remoção de
favelas.
3

No entanto, o a f Luxo constante de populaçao e a


, ,
incapacidade da .4rea Operaria em abrigar a todos levaram a conti-
_ r

nuidade do processo de invasao em novas areas ,enquanto uma estr~


,
tegia de moradia da populaçao mais pobre em Belo Horizonte, e que
,
Começou a ser severamente combatida. Dentro do carater segregaciQ
nista e elitista imposto ao processo de ocupação do solo, a pr~
sença da população pobre na parte central da cidade passa a ser
,
consideraoa indesejavel, tornando-se cada vez mais claro o lugar
, ,
que cabia as pessoas na nova Capital: as elites~ o centro, e a
populaçao pobre e trabalhadora - a periferia, ,que foi sendo ocu-
,
pada desordenadamente. Nesse sentido, a are a inicialmentedesig-
nada para a moradia do operario na parte nobre da ,cidade,em 1902,
...,
sofre uma reduçao de espaço, em 1909, vindo rapidamente a des~a-
,
racteriiar-se enquanto tal, atrav~s das forças de mercado.

Estabelece-se, ent~o, e rrt re Prefeitura e traba -


A ,

lhadores uma dinamica que se torna .caracteristica do processo de.


r

ocupaç~o do solo em BBlo Horizonte: estes ocupavam, sob os auspi


cios do poder p~blico e ~s v~zes Com a coniv~ncia dele, ~reas des
,
valor~zadas e/ou onde fazia-se necessaria a presença da mao-de-~
bra, at~o momento em que eram dali retirados pela pr~pria Prefei
tura quando sua presença nao mais interessava, ou quando o cres~
,
cimento da cidade tornava valorizada aquela area.
r

E O que se assiste especialmente no~ primeiros 30


anos de exist~nci~ da cidade. Ãmedida que eram expulsos de Uma
~rea, parte da população conformava-se em mudar para o lugar des
tinado pelo poder p~blico, em geral locais mais distantes, sem i~
fra-estrutura urbana e equipamentos, e parte rebelava-se indo
formar novas favelas em area proxima a que moravam e de onde~ma~
tarda, eram novamente expulsos.

No início, o q~e estava em jogo era o modelo da


cirlade ameaçado pela presença da populaçao trabalhadora na parte
no~re da ci~ade. A exist~ncia de favelas na periferia n~o consti
tuia problema um,a vez que achava-se distante do centro e, po r t ajj
to, não comprometia o modelo da nova Capi tal. Como conseqüên c i a
,
oes.sa poli tica, no espaço de alguns anos, todas as favelas que ~
r

xistiam na area nobre foram removidas.

Nos anos 30 Uma nova concepçao de modernizaçao e


planejamento urbano impoe-se em 8elo Horizonte COmO condição PE-
ra conter a desordem urbana e promover o desenvolvimento da cida
,
de, quando o poder publico Começa a se preocupar com a periferia,
4

,
cUJa ocupaçao, ate entao, se dera de for~a descontrolada. Uma n'O
va justificativa com relaç~o ~ rewoç~o de favelas se introduz no
discurso oficial: a necessidade de removê-Ias, mesmo as localiza
,
das fora da area nobre da cidade, em virtude da realização de o-
bras de natureza urbanística e de saneamento de interesse da co-
.let~vidade. Ao mesmo tempo,e pela primeira vez,. associa-se a imB
,
gem de "periculosidade" as favelas. Essas passam a ser vistas c.Q
mo locais-de possíveis focos de epidemiBs.e de criminalidade - o
ambiente onde prolifera a marginalidade.

Começam entao a ser objeto de remoçao - favelas q~


havia~ ocupado a periferia e somente escapam da ação da Prefeitu
ra aquelas localizadas, em geral, nas partes mais altas ou em l~
,
g~res dificies de serem urbanizados e que.nao apresentavam ~nte_
resse de mercado. Nesse processo, ent ret.ant.o, a Prefeitura e sb a r
ra Com a resistencia dos moradores de algumas favelas que volta-
,
vam a ocupar o mesmo local, acabando por refazer o nucleo ante -
rior. Tal e o caso, por exemplo, da Pedreira Pr~do Lopes, a mais
anti~a de Belo Horizonte, do Pindura Saia, do Acaba Mundo, dos
,
marmiteiros que sofreram diversa~ remoçoes e que existem ate ho
je (Tabela 1).

o crescimento acelerado da populaç~o, a partir


dos anos 40, e acompanhado do aUmento do numero de favelas na p!::
,
riferia da cidade que passam a ocupar areas cada vez mais d~stan
,
tes, proximas aos municipios vizinhos, em especi.al o de Contagem
,
onde acha-se localizada a Cidade Industrial. Esse movimento e a-
,
companhado de um processo de reabertura poli tica e de aumento da
participação política, Com um intenso surgimento de movimentosa.§.
sociativos de defesa de intereBses da população favelada - as. u-
niões de Defesa Coletiva e a Federação dos Trabalhadores Favela-
dos de Belo Horiz~~te3.

Em conseqU~ncia da organizaçao dos moradores de


favelas e dentro do espírito populista da ~poca, pela primei~avez
o poder p~blico começa a tratai o prob~ema c6mo questão SOCial e
a favela' torna-se objeto de políticas. Nesse sentido, em 1955, e
criado o Departamento de Bairros Populares - DBP, ~rg~o dà Pre
feitura Municipal encarrégado da quest~o, definindo-se que as re
moçoes 50 ocorreriam mediante ~ construç~o de conjuntos de casas
para onde seria transferida a população desalojada das favelas •
, ,
Em realidade foi construido um unico conjunto e teVE continuida-
de o processo de remoção nos moldes antigos.
5

TABEU\ 1

AS PRImEIRAS FAVELAS DE BELO HORIZONTE


trocA SURGlmENTO E REmoçÃO - 1895/1950

ÉPOCA'SUR LOCALIZAÇÃO ÉPÓCA


FAVELA
GImEr~TD BAIRRO REmoçÃo

1895 Alto da Estaç;;o Santa Tereza 1902


1895 C~rrego do Leit~o Barro Preto 1902
1902 8arroca Barro Preto 1942
1910 Praça Raul Soares Barro Preto 1935
1920/4"5 Pedreira Prado Lopes Lagoinha 1942
1920 Perrela Santa Efigênia 1982
,
1922 S~o Jorge(morro das Pedras) Jardim America
1930, Pindura Saia Cruzeiro
1930 Senhor dos Passos Lagoinha
1935 Acaba mundo Sí.on
1935 Alto Vera Cruz Vera Cruz
193'5 Palmital lagoinha
193:5 Universidade Sto. Agostinho 1960
,
193:'5 Santo Andre Lagoinha
1940 Buraco Quente Carmo Sion
1941 Cabana Pai Tomaz Vista Alegre
,
1942 marmi'teiros Pe. Eustaquio
1942 morro do Querosene Lux emb u.r qo
1944 Pombal Serra 1982
194'5 Edgar llierneck Hbrto Florestal 1982
1948 Pau Comeu (Ap~recida) S~o L ucas
1950 Buraco do Peru Carlos Prates

Fonte: TEULIERES, Roger. Favelas em Belo Horizonte. Boletinr mi:nai


~o de Geografia, 8elo Horizonte, n.l, p.7-37, jUl/57; LE
VEN, michel marie. Estudo'de seis favelas e quatro bairr.os
popuLa res de 8elo ,Horizonte. PRAXIS, 8elo Horizonte,p.19-39,
1975. Jnrnais da epoca.
6
,
O período entre 1945 e 1964 e caracterizado por
açoes contradit~rias do poder p~blico co~ relaç~o ~s favelas, sen
", do tamb~m grande a movimentação das associaç~es de moradores. De
Uma parte, tev~ continuidade a política de remoç~o, at~ mesmo CDm
o corte do abastecimento de agua e luz nas favelas para minar a
resistência da população. De outra, foi grande O apoio dado pela
Prefeitura, atrav~s de verbas e assistência t~cnica, ao fortaleci
mento
-
das associaçoes
- de favelas. Ao mesmD tempo, recrusdeceu o
movimento de invasão de ~reas, agora realizado sob o comando da
Igreja Cat~lica e dos partidos políticos.de esquerda e que encon-
t~ou pouca resistência por parte das autoridades~
, ,
Em 1963 e realizado o primeiro Seminario Nacional
de H~bitação e Reforma Urbana. no Pa{s~ que ~ropos a definição de
,
Uma politica nacional de habitação popular. Em conseqüência, pela
primei~a vez o governo do Estado de m~nas chama a si a responsabi
l~dade de tratar a questão da moradia pbpular e, em especial" a
das favelas. Nessa perspectiva foi proposta a construção de uma
,
granda area de ~onjuntos habitacionais destinada a abrigar 'a pop~
,
laçao favelada de BElo Horizonte, a epoca calculada em, aproxima-
4
damente, 120 mil pessoas, morando em 25.076 domic{lios •

Al~m da construção dos conjuntos era tamb~m pre-


vista a urbanização de 4 favelas locali7adas em ~reas adjacente s
da cidade, o que constituía uma inovação na política' e correspon-
dia a reivindicação do movimento de fevelados. Este centrava-se no
direito de permanecer no local ocopado e implantação de infra-es-
trutura urbana nas favelas. O projeto de construção dos conjuntos
foi eLaborado e o Governador do Estado ChBgou a assinar um decre-
to desapropriando a ~rea necess~ria ~ realização das obras. No en
, ,
tanto, o Golpe Militar de 1964 fez o governo voltar atras na de
cisao.

Com a Revoluça6 de 1964, que coloca a questao da


propriedade Como a pedra de tQque do novo regime, a favela torna-
,
se objeto de ação policial. A repressao des~ncadeada'no Pais, a
partir do Golpe, declara subversivas as associaçoes de favela,~en
- ,
de os lideres do movimento e, dentro da nova orientaçao politica,
~ criapo um~~rgão encarregado, oficialmente, de promover a remO-
çao de favelas em Belo Horizonte. Houve, entao, um processo de
desfavelamento sem precedentes na cidade, justificado pela implaD
,
tação de obras Como sistema de vias de fundo de vale, sistema via
rio, alongamento de vias etc. e outros motivos, nem sempre justi-
7

ficaveis. No espaço de 12 anos - 1971/1983 - a Coordenação de Ha


bitação d~ Interesse Social - CHI58EL - atuou em 423 ~reas da ci
~ dade, de onde remOveu 10.000 barracos, cerca de 43.000 ,pessoas.
O desfavelamento 'ere feito mediante indenizaç~o em dinheiro - em
valor insuficiente para adauirir Um terreno - e provocou o surgi
, ,
mento de novas fevelas em areas mais distantes e tambem o adensa
mento das existentes.

As enchentes de 1979 e 1982, somadas a rearticu


laç~o dos movimentos de favela e a reabertura política provoca _
ram mudanças na situação. O desabamento-de muitos barracos
trouxe o problema dos desabrigados que, provisoriamente, foram
" ,
alojados em escolas publicas,impedindo o inicio das aulas o que
provocou a necessidade da adoção de medidas para resolver a que~
tão. A fav e1a tor na- S e então ob j' eto de ate nç ~o do gover no d o E s-
tado que, entre outras providências, c r.â a Um programa de urbani-
zaç~o de favelas, o que representou o reconhecimento implicitodo
direito da populaçao moradora de favela de permanecer n~ area in
vadida.

o Programa de Desenvolvimento de Comunidades


PRODECOm - da Secretaria de Estado do Planejamento, pautava - se
por Uma proposta de planejamento participativo implementado jun-
tamente com as
-
associaçoes comunitarias.
,
Possuia
,
cinco l~nhas da
, , ,
programas destinados as favelas e areas perifericas, entre os
quais o de urbanização e legalização da posse da terra, ativida-
des em que era auxiliado pela CHISBEl - para fazer os deslocame~
tos de, população necess~rios as obras, mantendo, entretanto, as
, " . ,
familias na mesma area. Tambem o PlAffiBEL - orgao do Estado en -
carr,egado do planejamento da Região metropoli tana de Belo Horizon
te - foi acionado para elaborar Um projeto de lei de uso-da-solo
, ,
e parcelamento especial, destinado as areas de favela.
,.
Se de Uma parte estava garantida a psrGanencia
, ,
das favelas existeMtes em areas p~blicas,e urbanizaveis, o cres~
cimento da população levou a continuidade do processo d~' invas80
, ,
de areas e formação de novas favelas, so que em locais mais dis
,
tantes. O controle sobre as invasoes nas areas centrais tornou -
se maior, provocando o deslocamento da populaçao para novos luga
res, em'especial junto aos centros de emprego industrial ~ as ci
dades vizinhas de Betim e Contagem - onde Uma ampla area em tor
,
no da FIAT foi invadida. Tambem surgiram favelas em loteamento s
,
perifericos
-
nao ocupados é de parcelamento muito antigo, cujos
8
,
proprietarios, 8~ geral, resider. no interior do Estado e se desin
teres saram dos terrenos em virtude da pouca valorização.
,
O PRODECOm representou Um marco na politica de fa
v~las,quando pela primeira vez se desenvolveu Um programa de urba
,
nização da ~rea Com a participação da população local não 50 atra
, ,
ves do processo decisorio de escolha do que iria ser feito, mas
tamb~m diretamente atrav~s do trabalho em mutirao na realização
das. obras. Em
-
tres anos de atividadejo PRODECOm atuou em 11 arsas
,

de favela beneficiando, aprox~madamente, 70.000 pessoas(Tabela 2).


Quanto ao programa de legalização da posse da terra, esse ficou
,
no projeto apenas e previat na epaca, a legalizaçao de 1200 lotes
na Vila Cemig e de 800 no Cafezal. Em realidade) a Vila Cemi~, pri
meira favela da 8elo Horizonte cujos moradores receberam o título
de propriedade, so teve seu processo de legalização realizado em
1986.

Em 1984, o PRODECOrn foi desativado por razoes po-


, ,
liticas devido a mudança de governo, nao deixando, entretanto, de
existir. Um ano antes, em 1983, havia sido criado o Programa muni
cipal ~e Regularização de Favelas - o PRÓ FAVELA - ciue teve o ·m~-
,
rito de se constituir no instrumento atraves do qual o poder pu-
blico reconhec~a, de forma explicita, o direito do favelado a pr2
priedade de s~a moradia. Sua regulamentaçao, entretanto, so veib
a ocorrer quase dois anos ma~s tarde quando, sob pT~ssão dos movi
mentos popu I'are s e da Pastoral de Favelas, foi assinado o Decreto
4~762,da 10/8/84, momento em que foi extinta a CHIS8EL.
,
Atreves do novo programa, as favelas localiza das
em terrenos p~b lic os e passiveis de urbanizaç ão foram decreta.-da s
Setor E~pecial 7 SE 4, passaQdo seus habitantes a terem ~ssegura-
do o direito de permanecerem no lpcal, salvo caso de remoção ne -
,
cessaria devido a riscos ou realização de obras de urbanização
,
Ness~ sentido foi elaborada uma legislação e um Codigo de Postu -
ras ~speciais para essas areas, permitindo Um parcelamento e Um
~adrão de urbaniz~ção dif~renciados. Para implementação do PRri
FAVELA, em 1986, foi criada a Companhia de Urbanizaçãó de BeloHE
tizonte - URBEL - órgão da Prefeitura municipal encarregado de
, -
todas as quest~es afetas as favelas: urbanizaçao, regularização,
titulação e at~ remoçao, qu~ndo necess~ria.

Desde que começou a funcionar, a URBEL ja .atuou


em 17 areas de favelas. Seu trabalho consiste no levantamento da
area, regularização e urbanização, seguido daaprovaçao e titula- I
, I
, 1

II
i i
9

TABELA 2

,FAVELAS URBANIZADAS PELO PRODECOM


1979/1982

"'
EPOCA
POPULAÇÃO
OBRAS REALIZADASl
FAVELA
ATINGIDA
,
Antena 1981 2.000 chafBrize~, caixa d'agua,
acesso viario, ca~çement~
praça, muro arrimo,àm~em
,
Barragem Santa Lucia 1981 5.500 calçamento,acesso viario,
muro arrimo
Cabana Pai Tomaz 1982 6.000 canalizaçao riacho
,
Cafezal 1979;132 6.000 chafarizes,acesso viario,
grenagerr>, calçamen!o,r~de
agua,luz, iluminaçao pubJi
c~,posto policial,limpeza
pub1i,ca, escola, muro ar-
rimo, praça
Cemig 1980/82 graça,drenagem,calç~mento,
agua,8sgo~o,i1um. publica,
acesso viario,escada,muro
arrimo
,
Concei~ao 1981 calçamento"area ssrv.Com.
esgoto e drenagem
,
F~t-ima 1981 drenagern,calçam. ,acesso ~
ri o ,escada, mu r o a r r imo, a-
gu.a, praça, cre:ehe
W\arçoIa 1979/82 15.600 chafar~zes,escada1calçam.,
caixa agua, acessdJviario,
muro arrimo, esgoto,praça
Papagaio 1980 7.4502 chafarizes,creche, ~gua
,
PedreiTa Prado Lopes 1980 7.000 acesso viario, calçam.ca-
na1iz.esgoto,dren.ar.verde
,
Senhor dos Passos 1980/82 4.000 canal.,ag~as p1uviais,esg.
acesso v~ario,muro arrimo,
ca1çam.,agua, praça
'TOTAL FAmíLIAS BENEFICIADAS 68.550

Fonte: PRODECOM, 1981,1982 e CUNHA, rl~vio Saliba. Urbanizaç~o de


Favelas e Bairros de Periferia: considerações sobre a eXpe,
r en c i e do PRODEC01"lem Belá Horizonte. I~J: VI ENCONTRO Al\JlJ\L
í

DA ANPOCS, Friburgo, out./82, 29 p.


1 AI ~m de ssa s obras foi fe ito urra ponte na regiao do são Ga';'
briel, Uma praça e o calçamento na regi~o Primeiro de maio.
2
Populaçao definida Com base no Censo de 1980.
" ,

10

çao dos lotes. O processo e moroso, envolve negociaçoes Com a


, -
comunidade, sendo muitas vezes necessaria a remoçao interna de fa
, ,
milias para viabilizar a urbanização da area. A comunidade preci-
sa ser conscientizada e mobilizada para participar do ~rograma q~,
muitas vezes,enfrenta obst~cuios especialmente Com relação a dive~
gências políticas entre comunidade e associação,impedindo lev~-lo
,
a bom termo., Exemplo desse caso a a favela do Vista Alegre, Uma
,
das prime~ias o~de a URBEL iniciou o trabalho (1986) e que ate ho
, "
je 'n~o foi possivel terminar em virtude de problemas politicos na
associaçao de moradores. Em seus seis anos de existencia a URBEL
atuou em 17 ~reas mas,at~ julho de 1992, somente em 7 dessas o
processo est~ completo, ou seja, aS areas estão regularizadas e
tituladas.

TABELA 3

ATUAÇÃO DO PRci FAVELA .EM BELO HORIZONTE


1986/1992
,
,
NUmERO
NUmERD LOTES LOTES LOTES
AND FAVELAS POPULAÇÃO
OOmIC. LEVANT. APROVAD. TITULADOS'
BENEFIC.

1986 4 23.004 4.558 2.875 1.889 1.067


1987 2 3.53.8 632 498 498 467
1988 3 '8.623 1.540 1.263 969 902
1989 4 7.688 1.373 1.152 984 84,4
1
1990 1 5.908 1.055 775 705 559
1991 2 8.607 1.528 1.281 1.197 1.095
1992 1 4e455 891 850 575

TOTAL 17 61~823 11.577 8.694 6.242 5.509

Fonte: URBEL, 1991.


1 ,
Alem de Uma favela foram tambem titulados 218 lotes,
do Conjunto mariano de Abreu.

,
Alem da URBEL atuando nas favelas de Belo Horizon
~ ,
te, em 1988 o PRODECOm foi reativado e, atraves de verbas dos go-
vernos alemao e italiano e do estado de minas Gerais,realiza ben-
,
feitorias nas areas de aglomerados de favelas e presta apoio tes;:
nico as associaçoes na Capital e no interior do Estadoo
11

Desde o surgimenio do PRODECOm, em 1979, as asso -


ciaçoes comunitarias, dentro da concepção do planejamento pariici-
pativo, têm' sido tratadas Como os legitimos interlocutores da pop~
. " ,,'- ,
laçao, de areas perifericas e de favela, junto aos orgaos publicos
encarregados de programas sociais. Seus representantes, juntamente
, ,
Com os tecnicos,e que decidem o que fazer e co~o, passando as rea-
lizaç;es dos progrBmas pelo aval da comunidade. Se de um lado essa
situaç~o r~prBsenta um avanço em termos de planejamento participa-
tivo, assegurando os interesses das comunidades junto ,aos progra -
,
mas e ao pod~r publico, de outrD as associaçoes viram-se envolvi
, -
das em um" complexo jogo de interesses e expostas a corrup a o , mui,-
ç

,
tas vezes desfiguranrlo-seenquanto legitimas repr~sentantes das
camadas populares. A conseqUência inevit~vel desse processo tem si
, ,
do a r eproduçao do jogo po 1iti co em ni v eI das favelas, onde pro Lí-
feram associaç;es e lideranças comunit~rias organizadas em torno
,
da disputa pelos recursos publicos alocados nos mais diversos pr.9.
.. 5
gramas SOClalS •
I A (

E o fenomeno do "coronslísmo urbanotl COm a trans -


" ,
formaçao das associaçoes em maquinas politicas
e de seus lideres
, ,
'e.m"c oro ne a'", í levando' a disputas e antagonismos na pro pria comuni
dade, que têm dificultado e, ~s vezes, at~ mesmO impedido o bcrm de
sempenho dos programas nas areas.

Em que pese as mudanças veri ficadas na orLe rrta ç ã o


,
das politicas do governo Com
-
relaçao
'"
as favelas e da implementação
, ,
de programas nas areas, o problema esta longe de encontrar uma so
,
luç~o adequada. Alem da continuidade da formaçao de novas areas de
favela, do adensamento das existentes, n~o ocorreu, conforme er.a
esperado, a integraç;;o das favelas ~ malha urbana. Pelo contr~rio,
o padrão difeienciado de urbanização e, em alguns casos,a identi-
f íc aç ao dessas ~reas co mo ambiente de criminalidade vem, 'éada vez
mais, au~entanrlo'a discriminação e a segregaçao de seus moradores,
tornando-se as favelas alvo da açao policial.

A dl1nensão do problema tendências. e desafios

A fim de avaliar a dimensao do problema de fave-


,
Ias, em 8elo Horizbnte, realizei Um levantamento estatistico sobre
, ,
a evolução do fen~meno. Como ja comentado, alem da dificuldade em
,
obter informaçoes, essas nem sempre sao confiaveis, evidenciando -
se a existencia de distorçoes.
12

Em 95 anos de existencia de Belo Horizonte, foram


realizados, oficialmente, 6 levantamentos sob~e favelas, sB~do 4
cadastramentos especificas e 2 dados do Censo Demogr~fico. O pri
meiro cadastramento data de 1955, ·~poca em que a Prefeitura criou
o Departamento de Bairros Populares para tratar da questão de fav~
Ias, o que levou ~ necess{dade de se realizar D levantamento da si
tuaçao a fim de conhecer a realidade em que se iria atuar. Tr~s a
nos mais tarde, em 1958, esse levantamento foi atualizado, quando
,
tambem se tem, pela primeira vez, Uma relaçao das favelas da cirla-
,
de. O.terceiro cadastro e de 1963/64, 8 foi realizado pela Sf?creta
ria de Trabalho e Cultura do Estado, quando da elaboração do prDj~
,
to para construçao de uma area de conjuntos de casas destinada a a
brigai a população favelada da Capital.

Os dados de 1970 e 19BD sao levantamentos feitos P.§


'. ,
10 laGE, atraves do Censo·Demografico que passou a incluir este ti
po de i~formação. Esses dados, quando confrontados com os cadastra
mentos e, projeç~es _realiz~dos,antes e dep~is, r~velam distorç~es.
Neles se evidencia a falta do computo de varias favelas que, prova
velmente,não foram consideradas. Como tal em virtude da definição de
favela ~tilizada pelo Censo,que restringe-se ~ qualidade da casa,o
que nem sempre corresponde ~ realidade. Muitas casas de favela são
de alvenaria e muitas areas possuem infra-estrut~ra urbana sem, en
tretanto, deixarem de ser favela, o que as descarac.teriza >.i frente
ao Censo.

Os dados de 1984 sao estimativas feitas pelo PLAm


BEL e URBElcom base em projeç~es. de taxas de crescimento e atra -
ves de um c~lculo dessas projeç~es, elaborado a partir de levanta-
, ,
mentosaerofotogrametricos das areas invadidas,~om bas-e em duas su
,
2
posiçoes: q~e Um barraco de favela ocupa,.em media, 25 m e que o
, ..
nurn ero de mo r ado res por b arracoe igual a 5.6 -pe ssoa s , Como se po-
dever, trata-se 'de Uma mera pro j e ao feita
ç em cima de es·timativàs
que podemnao corresponder a realidade. Como o ~ltimo Censo 0emd~
mon st ran do , a
-
populaçao ·do
. .
Pa.is,efetivamente pe squ sade em 1991,e~
í

t~ aqu~m da que ~oi estimada pot c~lculos de p~ojeção, Com base em


tend~ncias de cresci~ento. Em 1991, por exemplo, a pop~lação da 8~
10 Hotizonte ficou com, aproximadamente, 450 mil pessoas a menos.

.
do que era esperado,
Pais em termos
paSsando,
populacionais,
i·nclusive, a ser a quarta
sendo
,
substituida
Capital do
no terceiro lu
gar por Salvador (Bahia). Os dados de 1991 s~o estimativas calcula
,
das a partir da taxa de crescimento do periodo.
13

As razoes desse procedimento nao sao cOhhecidas


mas, ainda que se possa argumentar que o movimento de populaçãoem
, ,
areas de favela e constante o que modifica cotidianamente o qu~
dro e desesti~ula a realização de levantamentos que, mal comple-
tados, j~ não correspondem ~ situação, ~ ineg~vel que esse des-
conhecimento sobre a realidade tem motivações políticas. Ora su~
estima-se, ora superestima-se o fen;meno, de acordo Com interas-
ses quenao cabe aqui analisar.

Em que pese as ressalvas apontadas, os dados e-


xistentes sao os unicos de que se dispoe para avaliar a dimensão
e evoluçao do fen;meno das. favelas em Belo Horizonte.

TABELA 4

EVOLUÇÃO DAS FAVELAS Em BELO


HORIZONTE - 1950/1991

, ~ -
ANo'
NumERO
POPULAÇÃO
r~UmERQ Nº HA~IT ./
FAVELAS DOmICILIDS DOMICILIOS

1950 18 25.DOl1
1955 23 3~6.4.32 ·8.905 4.0
1958 28 41.•303 10.334 4·. o
1964 59 116.183 24.3.38 4..
7
197"0 57 153:.921 3D.773: 5.0
198D 73 217.724 46.631 4.8.
198'4 131 371.412 66.024 5.6
1991 150 406.5581 81.312· 5.0
Fonte: Prefeitura de .Bel0 Horizonte, Governo do Estado da minas
Gerais~. IBGE,PLAmBEL e UR8.EL.
1 -
Popu1açao estimada.

,
O que primeiro .chama·a atençao na analise dos da-o
,
dos e·o aumento constante do numero de favelas e da popul~ç~o 3D

longo dos anos~ registra~do-se uma diminuição em torno dos ano~ B~


Esta se deve a atuação da CHISBEL (1971/1983) e as enchentes de
1979, ocasião em que muitos barracos -foram destruidos e grande paI
,
te das familias transferida para conjuntos habitacionais loca1i-
,
zados na periferia e em municipios vizinhos de Belo Horizonte.
, ,
O fenomeno de adensamento das favelas e tambem no
14
A

, ,
tavel. E~ 1980 a ~edia do nUmero de pessoas por domicilio era de
4.8 e passa para 5.6 ~m 1984, ou seja, quase ~ pessoas por case,o
,
que significa Uma piora nas condiç~es de vida dessas familias. C~
be aqui a ressalva de que os dados de 1984 s~o pres.supostos e nao
medidas reais. Os primeiros levantamentbs de 19~16~pontam Uma m.§:.
,
de 5 pessoas por domicilio o que representa Um aumento em re1aç~o
a 1980, indicando o adensamento.

TABELA 5

POPULAÇÃD TOTAL E. DE FAVELAS E


TAXAS DE CRE5CH'ENTO
BELO HORIZONTE - 1950/1984

POPULAÇÃO POPULAÇÃO % POP. TAXA CRESCH1ErnO


ANO FAV/POP. POP. POP.
TDTAL F AVEL A
TOTAL TOTAL fAVELA

1950 3'52.724 25.0011 7.1


7.8 ·7.8
1955 494;523 36.432 7.4
7.0 4.3
1958 605.673: 4.1.303 6.8
5.9 18.8
1964 870.716 116.183 13~.3
.5.9 4.8
1970 1.225.415 153:.921 12.6
3•.
8 3:,.
5
1980 1.780.855 217.724 12.2
1.3, 14.3
1984 1. 873.~994 '3Jl.412 19.8
1.3'
1991 2.ü48.861 406.5581 19.8 1.3
1m

Fonte: IBGE, Prefei tura de Belo Horizonte e URBEL.


1
Populaçao - estimada.

,
A· pro por ça o da populaçao favelada em r eLa ao a Pg'
ç

pu1aç~o total B cre~cente. Enquanto que em 1970 os favelados re-


presentavam ·13.•3% da pOPula~ão ,total, Sm 1984 eram 19.8%. Com r a-,
laçao aos dado~ de 1991 ~ necess~rio Uma explicação. Esses foram
estimados
total
supçndo-se
. ..
. -
uma taxa de crescimentó igual a da população
o que significa uma subestimciçao de fato. Na realirlade pod~
se ~u~or q~e a população de favelas em 1991 deve beirar ~ casa doo
500 mil mantidas as tend~nci~s ~e crescimento verificadas entre os
anos de 1980 e 1984, o que representa Uma proporção de 25%, apro-
ximadamente, da populaçao. -
No ~itimo dec~nio, enquanto a populaçao da cidade
cresceu a Uma taxa m~dia de 1.3% ao ano, a população ds favelas au
mentou a Uma taxa m~dia de 6.0% ano ano, sendo constantes as inva
15

soes de Qreas nos municipios vizinhos que pertencem a Região Me -


tropolitana de Belo Horizonte, observando-se,' tamb~m, um aumento.
do n~mero de pe ssoas morando embaixo de pontes, v a du t ns ,~reas' p~

blicas proximas as vias expressas reveiando o lado 6r{tico da si


tu ação da moradia em Belo Horizonte e o empobrecimento da popula-
çao.

Das 150 favelas hoje existentes na cidade7, 105


sao decretadas 5E-4, o qu~ garante a seus moradores ap~rman~ncia
, ,
no local. Dessas, 17 ja foram tituladas, tendo 5.509 familias re
cabido os títulos de propriedade dos lotes. Tamb~m s~o significa-
tivas as melhorias urbanas efetuadas.Tcmandc~se Como refer~nciaa
situação existente nos B aglomerados dê favelas de BBlo Horizonte
onde vivem,. aproximadamente J CeLCa de 60% da população faveladato
tal, em m~dia, 90% das cas:as dispõem de ~gua, 93% têm iuz el~tri-
ca e 7'0% esgoto, o que ~ uma. situação bem melhor do que a dos con
juntos habitacionais da periferia da cidade, que nao disp;em d~s
ses' servi.ços.
,
No entanto, ha que se. notar que, ape sar da melho-
ria rlo padrão de urbanização nessas ~reas e dã exist~ncia de ser
v~ços urbanos, a qualidade de virla da populaç~o est~ aqu~m de" um
padrão desej~vel, seja pela qualidade de construção das casas~ se
ja p e La. s condições de saneamento, devendo-se ressaltar que e.ssa e_~ . .~

trat~gia de moradia tem se revelado a ~nica possívél para um con


junto signifi~ativo da populaçao.

Se houve uma me Lho ri.a nos padrões de urbaniza çã o


e atendimento de' serviços b~sicos, se o programa de regularização
de áreas e de titulação prossegue, ainda que lentamente, garantin
do a piopriedade, todas essas ~ç;es, ~o entanto, não foram tapa
zes de promOver ~'integração das ~reas de favel~ a ~alha u~bana.
Estas fer..eneiadas, espec i almente
conti nu am sen do ·d.i a sv.Lo ca Ld zad a s
na zona sul da cidade e, cada vez mais, identificadas como areas
,
de cri~inálidade. Hoje faz· pa~te da historia das grande~ ci~ades
brasileiras a utilizaç~o da~ favelas Com~ r~dutcis do.·~r~f~co de
drogas e abrigo de quadrilhas, sofrendo seus morador~s um dGpla
,
pressao - a dos marginais que ali vivem e da policia que realiza
"batidas no morro" ~ procura debandiôos.
, ,
De Uma perspectiva da politica publica e grande o
desafio q0e hoje se coloca para o governo e a sociedade em geral
o aumento crescente da
-
populaçao dessas
'
areas e a deterioração
1,6

da qUôlidadede vida de seus moradores, sobretudo no que diz re~


~ ,
peito a pobreza e falta de segurança. A nece~sidade de politicas.
adequadas capazes de equacionar o problema,nas v~rias. dimensDes
em que ele se apresenta, se faz cada vez mais urgente a fim de e
, ,
vitar UfT)possivel enfrentamento entre favelados, marginais, poli
cia e a populaçao em geral.

NOTAS

1 F velas sao
'
conjuntos de casas construi das em areas invadidas,
9
publicas ou privadas e que, em geral, nao disp~em de infra-es-
trutura ~ urbanizaç~o.

2 maiores detalhes sobre essa que§tao.ver GUlmAR~ES, Berenicemar


.tins. Cafuas, barracos e barracoes; Balo Horizonte, Cidada Pl~
nejada. Rio de Janeiro:lUPE~J, 1991. Tese (Doutorado em Socio~
logia). Instituto Universitario_de Pesquisas do RiD de, Janeiro,
Sociedade Brasileira de Instruçao, 1991.323 p.
3
Com relaç~o aos mov~mentos ~e moradores de f~vela ver AFONSO ,
marisa Resende e AZEVEDO, .Sergio de. Poder Publico e mov~men-
to de F'av e Lad o s , ln: POIl1PERNlAYER,r~alori (Org.) ffiovimentos-·So-
c í.a.í s em mi:nas Gerais - Emergência e Perspectivas. Belo Horizon
te: U Ff\'\ G, 19 BB, P • 111-1 3'9• '

4 PlAMBEL. Cons~deraç~es sobre a quest~o habitacibnal na Regi~o


metropbli"tana de: Belo Horizonte. Belo -Ho r i z nrrt e e SEPlAN/PLAmBEL
1967.

5 Ver sobre o assunto CUNHA, Fl~vio Saliba. New Trends and Orga-
nization and Social Life in Brazilian Favelas. lN: EIGHT URBAN
CHANGES AND CO NFLI CT CONFERENCE. Lancaster, England, setj9i J 1B p,

6 Os dados do Censo de 1991 ,relativos ~ população de_favelas. co-


,~eçam a ser trabalhados,ja se dispondo de informaçoes snbra 50
a~eas de favelas que totalizam 162.297 pessoas e 36.874 domi-
c i.Lio s ,

7 A URBEL apresenta Como dado oficial de 1991 a existência 'de 221


favelas. Aoui considera-se apenas 150 uma vez que muitas des~
sas s~o ex~ans~es de uma mesm~ ~rea de favela.