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Brasília, 18 a 22 de maio de 1998 - Nº 111

Data (páginas internas): 27 de maio de 1998.

Este Informativo, elaborado a partir de


notas tomadas nas sessões de julgamento das
Turmas e do Plenário, contém resumos não-
oficiais de decisões proferidas pelo Tribunal. A
fidelidade de tais resumos ao conteúdo efetivo
das decisões, embora seja uma das metas
perseguidas neste trabalho, somente poderá
ser aferida após a sua publicação no Diário da
Justiça.

ÍNDICE DE ASSUNTOS
Anuênios e Direito Adquirido
Anulação do Júri e Prisão do Réu
Cabimento de ADIn: Ato Regulamentar
Cabimento de ADIn: Lei Distrital
CIPA: Estabilidade Provisória de Suplente
Competência para Julgamento de Prefeito
Concurso Público e Limite de Idade
Concurso Público e Valoração de Títulos
Direito de Propriedade e Depósito Bancário
Farmácia e Horário de Funcionamento
Finsocial: Empresas Prestadoras de Serviços
IOF: Ouro como Ativo Financeiro
IPI: Fixação do Prazo para Recolhimento
IR de Pessoa Jurídica: Fato Gerador
Pronúncia e Liberdade Provisória
Servidor Público: Dia de Pagamento
Tribunal do Júri e Preclusão

PLENÁRIO
IOF: Ouro como Ativo Financeiro
Com base no art. 153, § 5º, da CF ["O ouro,
quando definido em lei como ativo financeiro ou
instrumento cambial, sujeita-se exclusivamente à
incidência do imposto de que trata o inciso V do caput
deste artigo (IOF), devido na operação de origem ..."],
o Tribunal declarou a inconstitucionalidade do inciso
II, do art. 1º, da Lei 8.033/90 ("São instituídas as
seguintes incidências do imposto sobre operações de
credito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou
valores imobiliários: ... II - Transmissão de ouro
definido como ativo financeiro"). Considerou-se que o
fato gerador do IOF ocorre na primeira aquisição do
ouro efetuada por instituição autorizada ou, quando
oriundo do exterior, o seu desembaraço aduaneiro (Lei
7.766/89, art. 8º, caput e seu § único), sendo
inconstitucional qualquer incidência do mencionado
tributo sobre as operações subseqüentes. RE 190.363-
RS, rel. Min. Carlos Velloso, 13.5.98.

IPI: Fixação do Prazo para Recolhimento


Retomado o julgamento de recurso
extraordinário interposto pela União Federal contra
acórdão do TRF da 5ª Região, que declarara a
inconstitucionalidade da Portaria 266/88, do Ministro
de Estado da Fazenda, que estabelecia o prazo para o
recolhimento do imposto sobre produtos
industrializados - IPI. O Min. Marco Aurélio proferiu
voto-vista — divergindo do Min. Ilmar Galvão, relator,
que reformava o acórdão recorrido ao fundamento de
que a fixação de prazo para recolhimento do tributo
não seria matéria reservada à lei —, no sentido de
negar provimento ao recurso por entender que a
disciplina sobre prazo de recolhimento de tributos
sujeita-se à competência legislativa do Congresso
Nacional. Após, o julgamento foi adiado em virtude do
pedido de vista do Min. Sepúlveda Pertence. RE
140.669-PE, rel. Min. Ilmar Galvão, 20.5.98.

IR de Pessoa Jurídica: Fato Gerador


Iniciado o julgamento de recurso
extraordinário em que se discute a constitucionalidade
da Lei 7.988 (art. 1º, I), de 28.12.89, que elevou de 6%
para 18% a alíquota do imposto de renda aplicável ao
lucro decorrente de exportações incentivadas, apurado
no ano-base de 1989. O Min. Carlos Velloso, relator,
sob entendimento de que o fato gerador do imposto de
renda de pessoa jurídica é complexivo — ocorrendo
nos diversos momentos em que acontecem os fatos
econômicos que afetam o patrimônio da pessoa
jurídica —, proferiu voto no sentido da
inconstitucionalidade da mencionada Lei relativamente
ao ano-base de 1989, exercício de 1990, por ofensa ao
princípio da irretroatividade da lei tributária (CF, art.
150, III, a). Após, o julgamento foi adiado em virtude
do pedido de vista do Min. Nelson Jobim. RE
183.130-PR, rel. Min. Carlos Velloso, 20.5.98.

Cabimento de ADIn: Ato Regulamentar


Considerando que, em sede de controle
abstrato de constitucionalidade, é inviável a análise de
ato regulamentar, o Tribunal, por maioria, não
conheceu de ação direta ajuizada pela Associação dos
Notários e Registradores do Brasil - ANOREG, contra
o Provimento 30/97, baixado pelo Corregedor-Geral
de Justiça do Estado de São Paulo, que regulamenta,
com base na Lei 9.492/97, o serviço de protesto de
duplicatas mercantis. Entendeu-se que os alegados
excessos do poder regulamentar do ato impugnado não
revelariam inconstitucionalidade, mas sim eventual
ilegalidade frente à lei ordinária regulamentada, sendo
indireta, ou reflexa, a alegada ofensa à CF. Vencido o
Min. Marco Aurélio, que conhecia em parte da ação ao
fundamento de que o ato atacado, além de disciplinar
simples serviços, também teria normatizado sobre
direito comercial, invadindo, portanto, a competência
reservada à União Federal para legislar sobre a matéria
(CF, art. 22, I). Precedente citado: ADIn (AgRg) 365-
DF (DJU de 15.3.91). ADIn 1.793-SP, rel. Min.
Nelson Jobim, 20.5.98.

Cabimento de ADIn: Lei Distrital


Os atos normativos editados pelo Distrito
Federal no exercício de competência legislativa
reservada aos Municípios (CF, art. 32, § 1º) não se
sujeitam ao controle abstrato de constitucionalidade
pelo STF (CF, art. 102, I, a). Com base nesse
fundamento, não se conheceu de ação direta ajuizada
contra lei distrital disciplinadora de parcelamento
urbano (Lei nº 54/89). A Corte deixou de apreciar a
questão da legitimidade ativa ad causam da autora,
Federação Nacional dos Corretores de Imóveis, por
estimar suficiente ao não conhecimento da ação a
impossibilidade jurídica do pedido. ADIn 209-DF, rel.
Min. Sydney Sanches, 20.5.98.

CIPA: Estabilidade Provisória de Suplente


A estabilidade provisória assegurada ao
empregado eleito para o cargo de direção de comissão
interna de prevenção de acidente (CIPA), prevista no
art. 10, II, a, do ADCT ("Até que seja promulgada a
lei complementar a que se refere o art. 7º, I, da
Constituição: ... II – fica vedada a dispensa arbitrária
ou sem justa causa: a) do empregado eleito para
cargo de direção de comissões internas de prevenção
de acidentes, desde o registro de sua candidatura até
um ano após o final de seu mandato;") também se
aplica ao suplente do referido cargo. Com esse
entendimento, o Tribunal, por maioria, manteve
decisão do TST no mesmo sentido, vencidos os
Ministros Octavio Gallotti e Moreira Alves, ao
fundamento de que, sendo a mencionada garantia um
princípio excepcional, não poderia ela ser aplicada
analogicamente ao suplente. RE 206.516-SP, RE
220.519-SP, 213.473-SP, rel. Min. Ilmar Galvão,
20.5.98.

Direito de Propriedade e Depósito Bancário


Indeferida medida cautelar requerida em ação
direta de inconstitucionalidade ajuizada pelo Partido
Democrático Trabalhista - PDT, contra a Medida
Provisória 1.597/97, posteriormente convertida na Lei
9.526/97, que permite o recolhimento ao Banco
Central dos saldos não reclamados das contas
bancárias que não foram objeto do recadastradamento
— em que obrigatória a completa identificação dos
depositantes, nos termos das Resoluções 2.025/93 e
2.078/94, do Conselho Monetário Nacional. O
Tribunal, por maioria, entendeu não configurado o
periculum in mora necessário à suspensão cautelar da
Lei impugnada, tendo em vista a existência de prazo
para os titulares das contas contestarem, administrativa
e judicialmente, o recolhimento efetuado. Vencido o
Min. Marco Aurélio, que concedia a suspensão
cautelar da norma impugnada. ADInMC 1.715-DF, rel.
Min. Maurício Corrêa, 21.5.98.

Finsocial: Empresas Prestadoras de Serviços


Em virtude da existência de dissídio entre as
Turmas, o Tribunal recebeu embargos de divergência
para conhecer e dar provimento a recurso
extraordinário da União Federal, reiterando a decisão
proferida no julgamento do RE 187.436-RS (DJU de
31.10.97), no qual prevaleceu o entendimento no
sentido da constitucionalidade das majorações da
alíquota da contribuição social sobre a receita bruta
devida pelas empresas dedicadas exclusivamente à
prestação de serviço (arts. 7º da Lei 7.787/89, 1º da Lei
7.894/89 e 1º da Lei 8.147/90). RE (EDv) 155.602-
RN, rel. Min. Sepúlveda Pertence, 21.5.98.
PRIMEIRA TURMA
Anulação do Júri e Prisão do Réu
Anulado o julgamento condenatório do
tribunal do júri, mediante recurso da defesa, subsiste a
custódia do réu como efeito da sentença de pronúncia.
Com esse fundamento, a Turma indeferiu pedido de
habeas corpus, confirmando acórdão do Tribunal de
Justiça do Estado de São Paulo que, ao anular o
julgamento do júri por deficiência de quesitos,
mantivera a prisão do paciente por entender
subsistentes a atualidade dos motivos que a ensejaram.
Precedentes citados: HC 69.060-SP (RTJ 138/584 );
HC 73.346-SP (DJU de 17.5.96). HC 76.493-SP, rel.
Min. Octavio Gallotti, 19.5.98.

Concurso Público e Limite de Idade - 1


A estipulação de limite de idade para a
inscrição em concurso público só se legitima em face
do art. 7º, XXX, da CF ("proibição de diferença de
salários, de exercício de funções e de critério de
admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado
civil", aplicável aos servidores públicos por força do
disposto no art. 39, § 2º, da CF), quando tal limite
possa ser justificado pela natureza das atribuições do
cargo a ser preenchido. Com base nesse entendimento,
a Turma considerou desarrazoada a limitação, em 40
anos, em relação aos não-servidores públicos, para a
inscrição no concurso para ingresso na carreira do
Ministério Público do Estado de Minas Gerais,
limitação esta que não decorre da natureza das funções
do cargo já que, para os que sejam funcionários
públicos, o limite máximo é de 50 anos. RE 197.847-
MG, rel. Min. Moreira Alves, 19.5.98.

Concurso Público e Limite de Idade - 2


Com base no mesmo fundamento acima
mencionado, a Turma, considerando desarrazoado o
limite de idade de 45 anos exigido para a inscrição no
concurso para o cargo de professor do Município de
Piratini-RS, deu provimento a recurso extraordinário
para conceder a segurança à impetrante que, à época
da inscrição no mencionado concurso, contava com 48
anos de idade. Precedentes citados: RMS 21.033-DF
(RTJ 135/958) e RMS 21.046-RJ (RTJ 135/528). RE
216.929-RS, rel. Min. Moreira Alves, 19.5.98.

Servidor Público: Dia de Pagamento


Não ofende a CF o art. 35, da Constituição do
Estado do Rio Grande do Sul, que fixa o dia de
pagamento da remuneração mensal dos servidores
públicos estaduais. Conforme já decidido pelo STF no
julgamento de mérito da ADIn 657-RS (Pleno,
10.10.96, acórdão pendente de publicação, v.
Informativo 48), a Turma afastou a alegada ofensa à
competência do Chefe do Poder Executivo para a
direção da administração estadual (CF, art. 84, II, c/c
art. 25) e ao princípio da separação dos Poderes (CF,
art. 2º). Precedentes citados: ADIn 176-MT (RTJ
143/17); ADInMC 657-RN (RTJ 146/8). AG (AgRg)
211.053-RS, rel. Min. Octavio Gallotti, 19.5.98.

Farmácia e Horário de Funcionamento


É competente o Município para fixar o
horário de funcionamento de estabelecimento
comercial, à vista do disposto no art. 30, I, da CF, que
diz ser da sua competência legislar sobre assuntos de
interesse local. Com esse fundamento, a Turma não
conheceu de recurso extraordinário interposto ao
argumento de ofensa aos princípios constitucionais da
isonomia, da livre iniciativa, da livre concorrência, da
defesa do consumidor, da indelegabilidade dos Poderes
e da legalidade contra decisão do Tribunal de Justiça
do Estado de São Paulo, que entendera legítima a
fixação pelo Município de São Paulo do horário de
funcionamento e plantão das farmácias (Lei municipal
9.794/78). Precedente citado: RE 218.749-SP (DJU de
27.3.98). Matéria semelhante foi julgada pela 2ª Turma
no RE 174.645-SP (DJU de 27.2.98). RE 175.901-SP,
rel. Min. Moreira Alves, 19.5.98.

SEGUNDA TURMA
Competência para Julgamento de Prefeito
Compete à Justiça Federal de segunda
instância o julgamento dos crimes praticados por
prefeito em detrimento de bens, serviços ou interesse
da União. Hipótese em que, segundo a jurisprudência
do STF (HC 68.967, DJU de 16.04.93), não se aplica o
art. 29, X, da CF, que prevê o julgamento de prefeito
perante o tribunal de justiça estadual. Com base nesse
entendimento, a Turma indeferiu habeas corpus
impetrado em favor de prefeito denunciado por crime
de estelionato (CP, art. 171, § 3º, c/c o art. 71), pela
prática contínua de saques do FGTS realizados de
forma fraudulenta. Precedente citado: RE 109.840-CE
(DJU de 29.6.86). HC 76.881-SP, rel. Min. Nelson
Jobim, 12.5.98.

Pronúncia e Liberdade Provisória


Retomado o julgamento de habeas corpus em
que se discute a possibilidade de o réu, pronunciado
por tentativa de homicídio qualificado, aguardar em
liberdade o julgamento perante o tribunal do júri (v.
Informativo 107). O Min. Nelson Jobim,
acompanhando o voto do Min. Marco Aurélio, relator,
votou no sentido do deferimento do writ para conceder
a liberdade provisória ao paciente, primário e de bons
antecedentes, considerando que a Lei dos Crimes
Hediondos admite que o réu, em caso de sentença
condenatória, possa recorrer em liberdade (§ 2º, do art.
2º). De outro lado, o Min. Carlos Velloso votou pelo
indeferimento do habeas corpus, uma vez que a Lei
dos Crimes Hediondos é expressa ao não admitir a
liberdade provisória (art. 2º, II). Após, o julgamento
foi adiado em virtude do pedido de vista do Min.
Maurício Corrêa. HC 76.853-RJ, rel. Min. Marco
Aurélio, 12.5.98.

Tribunal do Júri e Preclusão


Configura constrangimento ilegal a decisão
de tribunal de justiça que nega provimento a recurso
interposto contra decisão do júri, no qual se alega ter
sido esta manifestamente contrária às provas dos autos
(CPP, art. 593, III, d ), sob o fundamento de que a
matéria suscitada na apelação não fora argüida na
sessão de julgamento (CPP, art. 571, VIII). Com base
nesse entendimento, a Turma deferiu habeas corpus de
ofício para determinar que, superada a questão da
preclusão, o Tribunal de Justiça do Estado do
Maranhão julgue a apelação como entender de direito.
Precedentes citados: HC 71.588-SP (DJU de 4.8.95) e
HC 68.642-DF (DJU de 13.9.91) HC 76.966-MA, rel.
Maurício Corrêa, 19.5.98.

Concurso Público e Valoração de Títulos


É desarrazoado o critério previsto em edital
de concurso público que empresta ao tempo de serviço
público pontuação superior àquela referente a títulos
de pós-graduação. Com base nesse entendimento, a
Turma, confirmando decisão do Tribunal de Justiça do
Rio Grande do Sul que concedera segurança a
candidato não-servidor público, afastando a alegada
contrariedade aos princípios do concurso público (CF,
art. 37, II) e da separação dos Poderes (CF, art. 2º).
Tratava-se, na espécie, de concurso público para o
cargo de agente administrativo da Secretaria da Saúde
e do Meio Ambiente do Estado do Rio Grande do Sul,
cuja tabela de pontuação da prova de títulos previa que
um candidato com 1 ano de serviço público alcançaria
2 pontos, de modo que um candidato com 3 anos de
serviço obteria maior pontuação que um candidato
não-servidor que apresentasse um título de doutorado,
ao qual se atribuía 5 pontos. RE (AgRg) 205.535-RS,
rel. Min. Marco Aurélio, 22.5.98.

Anuênios e Direito Adquirido


A Turma deliberou afetar ao Plenário o
julgamento de recurso extraordinário em que se
discute, à vista da intangibilidade do direito adquirido
(CF, art. 5º, XXXVI), a constitucionalidade do inciso I
do art. 7º da Lei 8.162/91 ("São considerados extintos,
a partir de 12 de dezembro de 1990, os contratos
individuais de trabalho dos servidores que passaram
ao regime jurídico instituído pela Lei n. 8.112, de
1990, ficando-lhe assegurada a contagem de tempo de
anterior de serviço público federal para todos os fins,
exceto: I - anuênio ..."). RE 209.899-RN, rel. Min.
Maurício Corrêa, 22.5.98.

Sessões Ordinárias Extraordinárias Julgamentos

Pleno 20.05.98 21.05.98 19


1ª Turma 19.05.98 -------- 191
2ª Turma 19.05.98 22.05.98 656

CLIPPING DO DJ
22 de maio de 1998

ADIn N. 1.758-4 - medida liminar


RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE -
MEDIDA PROVISÓRIA - PERDA DE OBJETO.
Havendo caducado, pela passagem do prazo peremptório de
vigência, o ato normativo atacado - a medida provisória -
descabe o seguimento da ação.
IMUNIDADE - IMPOSTO DE RENDA - UNIÃO,
ESTADOS, DISTRITO FEDERAL E MUNICÍPIOS.
Concorrem o sinal do bom direito e o risco de manter-se com
plena eficácia preceito em que prevista a incidência do
Imposto de Renda sobre rendimentos auferidos, por pessoa
jurídica imune, nas aplicações de fundo de investimento.
Empréstimo ao artigo 28 da Lei nº 9.532/97 de alcance
compatível com a norma da alínea "a" do inciso VI do artigo
150 da Constituição Federal, no que assegurada a imunidade
recíproca à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios.
* noticiado no Informativo 106

ADIn N. 1.773-3 - medida liminar


RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE
INCOSNTITUCONALIDADE. MEDIDA CAUTELAR.
LEI DISTRITAL Nº 1.644, DE 17.09.97. URP DE
FEVEREIRO DE 1989. PARCELA TRANSFORMADA EM
VANTAGEM PESSOAL. CF, ARTS. 37, INC. X E 39, § 1º.
A Lei distrital questionada, por haver transformado a parcela
alusiva ao índice de 26,05% fixado para reajuste geral de
vencimentos no mês de fevereiro de 1989, com base no
Decreto-Lei 2.335/87, em vantagem individual de apenas
uma parcela de servidores, contraria os textos constitucionais
indicados, tornando conveniente a suspensão liminar de seu
texto.
Cautelar deferida.
* noticiado no Informativo 106

ADIn N. 1.779-1 - medida liminar


RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE. MEDIDA CAUTELAR.
CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DE PERNAMBUCO.
TRIBUNAIS DE CONTAS. LIMITAÇÃO DE SEUS
PODERES. AMPLIAÇÃO DOS PODERES DO PODER
LEGISLATIVO. DIVERGÊNCIA COM O MODELO
FEDERAL. CAUTELAR DEFERIDA.
As disposições da Carta estadual impugnadas, contrariando o
modelo jurídico federal, de observância obrigatória pelos
Estados, como deriva da cláusula inscrita no art. 75, caput,
ampliaram a esfera de competência da Mesa da Assembléia
Legislativa e da Mesa da Câmara Municipal, investindo-as
de poderes para julgar suas próprias contas e ainda as dos
Tribunais de Contas do Estado e do Tribunal de Justiça,
enquanto, a partir do que se contém no âmbito federal, só lhe
caberia o julgamento das contas do Governador e do
Prefeito.
Além do mais, foi conferida aos Tribunais de Contas atuação
meramente opinativa em relação às contas prestadas pelo
Chefe do Poder Executivo e pelas Mesas das Câmaras
Municipais, indo de encontro à regra do art. 71, I, da Carta
Federal. Precedentes da Corte.
Cautelar deferida
* noticiado no Informativo 107

ADIn N. 1.801-7 - medida liminar


RELATOR : MIN. MAURÍCIO CORRÊA
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE. REAJUSTE NO
PERCENTUAL DE 11,98% NOS VENCIMENTOS DOS
MEMBROS DA MAGISTRATURA MEDIANTE
RESOLUÇÃO ADMINISTRATIVA DO TRIBUNAL DE
JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO. MEDIDA
LIMINAR DEFERIDA.
Reconhecimento do direito ao reajuste de 11,98% nos
vencimentos da magistratura estadual, a partir de abril de
1994, em razão da conversão da URV para o Real, por
Resolução Administrativa tomada pelo Plenário da Corte "a
quo". Fumus boni iuris: aumento de vencimentos sem lei que
o autorize e sem prévia dotação orçamentária para a sua
concessão. Periculum in mora consubstanciado na iminência
de lesão ao erário, de difícil reparação.
Medida cautelar deferida.
ADIn N. 1.809-8 - medida liminar
RELATOR : MIN. CARLOS VELLOSO
EMENTA: - CONSTITUCIONAL. SERVIDOR PÚBLICO:
SANTA CATARINA. VALE-TRANSPORTE. Lei 10.640, de
06.01.98, do Estado de Santa Catarina.
INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL. C.F., art. 61, §
1º, II, a e c.
I. - Lei 10.640, de 06.01.98, de Santa Catarina, que atribuiu
ao servidor público o direito ao vale-transporte,
independentemente da distância do seu deslocamento, assim
alterando disposição da Lei 7.975/90, que concedia o
referido vale-transporte somente para os trajetos que
possuíam características urbanas: sua inconstitucionalidade
formal, dado que decorreu de projeto de origem parlamentar
e implica ela aumento da remuneração dos servidores, além
de dispor sobre o regime jurídico destes. C.F., art. 61, § 1º,
II, a e c.
II. - Suspensão cautelar da Lei 10.640/98, do Estado de
Santa Catarina.
* noticiado no Informativo 107

HABEAS CORPUS N. 70.991-5


RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: - "Habeas corpus".
- A inexistência de inquérito policial não impede a denúncia,
se a Promotoria dispõe de elementos suficientes para a
formalização da demanda penal.
- Existência, no caso, de indícios suficientes para afastar a
alegação de falta de justa causa para a denúncia.
"Habeas corpus" indeferido.

HABEAS CORPUS N. 75.729-4


RELATOR : MIN. OCTAVIO GALLOTTI
EMENTA: Júri.
Tendo a acusação desistido, com a concordância da defesa,
da produção da prova testemunhal, não há como pronunciar
nulidade decorrente do arrolamento de mais de cinco
testemunhas, por ocasião da apresentação do libelo (art. 417,
§ 2º, do Código de Processo Penal).

HABEAS CORPUS N. 75.923-9


RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: HABEAS CORPUS. NULIDADES
ALEGADAS: INOCORRÊNCIA. FALTA DE JUSTA
CAUSA PARA A AÇÃO PENAL. SUSPENSÃO.
PROCESSO COM BASE NA LEI Nº 9.099/95: RECUSA
DO ACUSADO. PRESCRIÇÃO: CRIME DE INJÚRIA.
Inocorrência de nulidade no procedimento adotado pelo
Tribunal de Justiça, no processo a que responde o paciente
pelos delitos inscritos nos arts. 139 e 140 do Código Penal,
que culminou com o recebimento da denúncia.
As nulidades relativas ao julgamento em plenário
consideram-se sanadas se não alegadas no momento próprio.
Quanto à falta de justa causa para a ação penal esta somente
pode ser reconhecida e afirmada quando manifestamente
ausente qualquer presença de criminalidade na ação delituosa
imputada ou nenhuma ligação entre esta e o apontado autor,
o que, evidentemente, não ocorre no caso dos autos.
A suspensão do processo, com base no art. 89 da Lei nº
9.099/95 pressupõe a aceitação da proposta pelo acusado. Na
hipótese em causa houve expressa recusa do paciente ao
benefício.
Ocorrência da prescrição da pretensão punitiva em relação
ao delito de injúria, em face do decurso de mais de dois anos,
considerada a data do fato e a do recebimento da denúncia,
ou a desta e o momento atual.
Habeas corpus deferido apenas para reconhecer a extinção da
punibilidade pela prescrição do delito de injúria. Indeferido
quanto aos demais pontos.

HABEAS CORPUS N. 76.138-3


RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: Prisão processual: nos casos de competência do
Júri, a cassação do veredicto absolutório em apelação não
restabelece por si só a prisão processual anterior à
absolvição: não é nulo, porém, o restabelecimento pelo
acórdão da prisão preventiva, se permanecem atuais os
motivos cautelares da decretação desta.

HABEAS CORPUS N. 76.140-8


RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: JÚRI. SENTENÇA ABSOLUTÓRIA.
ANULAÇÃO MEDIANTE RECURSO DO MINISTÉRIO
PÚBLICO. REMESSA A NOVO JÚRI. EXPEDIÇÃO DE
MANDADO DE PRISÃO.
A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal já se firmou
no sentido de que, se o réu absolvido pelo Tribunal do Júri
for mandado a novo julgamento por contrariedade à prova
dos autos, não se restabelece a ordem de prisão
anteriormente decretada, ainda que decorrente da sentença de
pronúncia. É necessário haver novo decreto de prisão
devidamente fundamentado, a teor do art. 5º, inc. LXI, da
Constituição Federal.
Habeas corpus deferido para determinar-se o recolhimento
do mandado de prisão, nada impedindo que nova ordem
venha a ser decretada por decisão fundamentada, nos termos
da lei.
* noticiado no Informativo 105

HABEAS CORPUS N. 76.178-5


RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: HABEAS CORPUS. PENA DE MULTA.
INEXISTÊNCIA DE AMEAÇA À LIBERDADE DE
LOCOMOÇÃO.
Parece efetivamente assentado nesta Corte que a pena de
multa não comporta impugnação por via de habeas corpus.
Entendimento agora reforçado com a edição da Lei nº 9.268,
de 1º.04.96, que, dando nova redação ao art. 51 do Código
Penal, afastou a conversão em prisão, ao preconizar a sua
exigência em espécie, por meio de instauração de processo
de execução forçada.
Habeas corpus não conhecido.

HABEAS CORPUS N. 76.213-5


RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: Quadrilha (ou quadrilha armada) e roubo com
majoração de pena pelo emprego de armas e pela prática em
concurso de agentes: compatibilidade ou não: análise das
variações da jurisprudência do STF: opção pela validade da
cumulação da condenação por quadrilha armada, sem
prejuízo do aumento da pena do roubo por ambas as causas
especiais.
A condenação por quadrilha armada não absorve nenhuma
das duas cláusulas especiais de aumento da pena de roubo
previstas no art. 157, § 2º, I e II, do C. Penal: tanto os
membros de uma quadrilha armada podem cometer o roubo
sem emprego de armas, quanto cada um deles pode praticá-
lo em concurso com terceiros, todos estranhos ao bando.
* noticiado no Informativo 106

HABEAS CORPUS N. 76.284-0


RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: HABEAS CORPUS. IMPETRAÇÃO QUE
REPETE OS MESMOS FUNDAMENTOS DEDUZIDOS
EM IMPETRAÇÃO ANTERIOR.
O Supremo Tribunal Federal não admite repetição de
pedidos que contenham as mesmas razões e deduzam os
mesmos fundamentos, sem nenhuma inovação.
Habeas corpus não conhecido

HABEAS CORPUS N. 76.416-3


RELATOR : MIN. OCTAVIO GALLOTTI
EMENTA: É cabível a impetração de mandado de segurança
pelo órgão do Ministério Público, para atribuição de efeito
suspensivo a recurso em sentido estrito por ele interposto
(Precedente: HC 66.794, RTJ 128/1199). Júri. Subsistência
de prisão preventiva, como decorrência natural de sentença
de pronúncia (Precedentes: HC 72.225, DJ de 9-6-95 e HC
68.585, RTJ 146/837)

HABEAS CORPUS N. 76.567-1


RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: I. Júri: quesitos: erro de formulação que não
prejudicou a defesa: nulidade não declarada: pas de nullité
sans grief.
1. A omissão de quesito relativo à defesa é nulidade absoluta
(Súmula 156), portanto, em tese, não preclusa pela falta de
argüição na sessão do Júri.
2. Mas, ainda sobre a nulidade absoluta, prevalece o dogma
pas de nullité sans grief, corolário da instrumentalidade
essencial das normas processuais.
3. O privilégio invocado pela defesa e não indagado aos
jurados - ter sido o crime "cometido sob o domínio de
violenta emoção logo em seguida à injusta provocação da
vítima" (CP, art. 121, § 1º) - contém em si a atenuante
genérica, objeto do quesito erroneamente formulado - ter
sido o crime cometido "sob a influência de violenta emoção
provada por ato injusto da vítima" (C, art. 65, III, c), de tal
forma que esta - a atenuante - pode ocorrer sem que se
caracterize a causa especial de diminuição da pena, mas não
o contrário: desse modo, negado o menos - a atenuante
genérica - não poderá o Júri, sem contradição, afirmar o mais
- o privilégio: donde, a falta de prejuízo na omissão de
quesito sobre o último.
II. Sentença condenatória: fundamentos da pena aplicada:
nulidade se as circunstâncias nela articuladas não guardam
coerência lógico-jurídica com a exacerbação da pena que
pretendeu motivar.

HABEAS CORPUS N. 76.770-1


RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: HABEAS CORPUS. DECISÃO QUE
RECONHECE A INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA
ESTADUAL PARA JULGAR CRIME CONTRA
PATRIMÔNIO DE EMPRESA PÚBLICA FEDERAL, MAS
MANTÉM A PRISÃO PREVENTIVA.
Uma vez reconhecida a competência da Justiça Federal para
julgar o feito, com a anulação dos atos praticados no
processo, também deve ser anulado o decreto de prisão
preventiva.
Precedentes da Corte.
Habeas corpus concedido.
* noticiado no Informativo 108

HABEAS CORPUS N. 76.894-2


RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: HABEAS CORPUS. REGIME DE
CUMPRIMENTO DA PENA. CRIME HEDIONDO.
TÓXICO. LEI Nº 8.072/90. LEI Nº 9.455/97.
O Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária do dia 25
de março de 1998, julgando o Habeas Corpus nº 76.371,
Redator para o acórdão o eminente Ministro Sydney
Sanches, concluiu que a Lei nº 9.455/97 (Lei de Tortura),
quanto à execução da pena, não derrogou a Lei nº 8.072/90,
não se viabilizando a progressão do regime de cumprimento
da pena para os delitos tipificados na lei dos crimes
hediondos.
Habeas Corpus indeferido.

HABEAS CORPUS N. 76.953-9


RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
COMPETÊNCIA - HABEAS-CORPUS - ATO DE
TRIBUNAL DE JUSTIÇA. Na dicção da ilustrada maioria
(seis votos a favor e cinco contra), entendimento em relação
ao qual guardo reservas, compete ao Supremo Tribunal
Federal julgar todo e qualquer habeas-corpus impetrado
contra ato de tribunal, tenha este, ou não, qualificação de
superior.
ATOS PROCESSUAIS - REGÊNCIA - LEIS NºS 8.038/90 e
8.658/93. Descabe falar na pertinência da Lei nº 8.038/90 se
a ação foi intentada, recebendo-se a denúncia, antes do
advento da Lei nº 8.658/93, diploma que estendeu aos
tribunais de justiça e tribunais regionais federais o rito
especial, isso quanto à notificação do acusado e ao órgão
competente para receber a denúncia.
NOTIFICAÇÃO - ACUSADO - ARTIGO 4º DA LEI Nº
8.038/90 - NULIDADE - ESPÉCIE. A falta de observância
da formalidade prevista no artigo 4º da Lei nº 8.038/90
revela nulidade relativa, a teor do disposto nos artigos 564,
inciso IV, e 572 do Código de Processo Penal.
ALEGAÇÃOES FINAIS - ORDEM. Uma vez constatada a
inversão na ordem de apresentação das alegações finais,
pronunciando-se, por último, o Ministério Público, impõe-se
a declaração de nulidade do processo.

AG (AgRg) N. 207.824-2
RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: Sentença normativa: inexistência de coisa julgada
material.
Sentença normativa - embora editada por órgão jurisdicional
ao cabo de um processo -, é forma de edição de normas
gerais e abstratas e, por isso, não faz coisa julgada material: a
correção de sentenças em dissídios individuais que não lhes
aplique as normas gerais ou as aplique erroneamente se faz
mediante recurso de revista (CLT, art. 896, b), do mesmo
modo previsto para a revisão das decisões contrárias à lei: o
que a respeito se decida na revista, contudo, não pode ser
questionado em recurso extraordinário fundado na violação
da coisa julgada.

AÇÃO ORIGINÁRIA (AgRg) N. 455-1


RELATOR : MIN. MAURÍCIO CORRÊA
EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM AÇÃO
ORIGINÁRIA. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA
LIMINAR.
1. Não cabe agravo regimental contra a decisão do Relator
que concede, indefere ou revoga medida liminar em sede de
ação originária referente a mandado de segurança.
Precedentes do STF.
2. Agravo regimental não conhecido.

PETIÇÃO (AgRg-EDcl) N. 1.245-3


RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: Petição. Despacho que concedeu efeito
suspensivo a recurso extraordinário contra acórdão de
Tribunal local que julgou improcedente ação direta de
inconstitucionalidade com base em preceitos constitucionais
estaduais que são reprodução de preceitos constitucionais
federais. IPTU. Progressividade. Embargos de declaração e
agravo regimental contra esse despacho.
- É firme a jurisprudência desta Corte no sentido de não ter
como cabíveis embargos de declaração contra despacho de
relator, podendo, porém, haver sua conversão em agravo
regimental. Precedentes do Tribunal. Conversão
desnecessária, no caso, pela interposição simultânea de
agravo regimental.
- Correto o despacho agravado, tendo em vista as manifestas
plausibilidade jurídica do pedido e ocorrência do "periculum
in mora".
Embargos de declaração não conhecidos, e negado
provimento ao agravo
regimental.

AG (AgRg) N. 148.488-8
RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: I - A circunstância de encontrar-se a servidora, na
data da promulgação da Constituição, afastada das funções
exercidas no Estado, em gozo de licença para tratar de
interesse particular, não impede a acumulação permitida pelo
art. 17, § 2º, ADCT.
II - A competência do relator para decidir do agravo
interposto contra o despacho denegatório de recurso
extraordinário não se limita ao exame dos pressupostos
formais de admissibilidade do RE: abrange todos os aspectos
pertinentes ao cabimento do recurso, inclusive, portanto,
aqueles relacionados com o seu mérito.

AG (AgRg) N. 176.314-1
RELATOR : MIN. SYDNEY SANCHES
EMENTA: - DIREITO CONSTITUCIONAL E
PROCESSUAL CIVIL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO
TRABALHISTA: PRINCÍPIO DA LEGALIDADE (ART.
5º, II, DA C.F.). COISA JULGADA. OBJETO DA
EXECUÇÃO. OFENSA INDIRETA À CONSTITUIÇÃO.
1. É pacífica a jurisprudência do S.T.F., no sentido de não
admitir, em R.E., alegação de ofensa indireta a normas
constitucionais, por má interpretação e/ou aplicação de
normas infraconstitucionais, inclusive as de ordem
processual, como são, por exemplo, as que cuidam dos
limites objetivos da coisa julgada e da perda do objeto de
execução, pelo alegado cumprimento da condenação, pelo
devedor.
Ademais, não se pode a esta altura, retornar à discussão
sobre o que deveria ter sido, ou não, objeto da própria
condenação, pois esta transitou em julgado e está sendo
objeto de execução.
2. Agravo improvido.

AG (AgRg) N. 207.515-0
RELATOR : MIN. CARLOS VELLOSO
EMENTA: CONSTITUCIONAL. RECURSO
EXTRAORDINÁRIO. QUESTÕES CONSTITUCIONAIS.
NÃO PREQUESTIONAMENTO. ENSINO SUPERIOR :
CARREIRA: PROFESSOR TITULAR: EXIGÊNCIA DE
CONCURSO POSTA NA LEI ORDINÁRIA.
I. - Questões constitucionais não prequestionadas. Ademais,
decisão contrária aos interesses da parte não configura
negativa de prestação jurisdicional (C.F., art. 5º, XXXV).
Acórdão longamente fundamentado. Inocorrência de ofensa
ao art. 93, IX, da C.F..
II. - Inocorrência de ofensa ao art. 206, V, da C.F., no fato de
a lei ordinária exigir concurso público para o cargo de
professor-titular. Precedente do STF: RE 141.081-PE,
Moreira Alves, 1ª T., 25.06.96, "DJ"
05.09.97.
III. - R.E. não admitido. Agravo improvido.

AG (AgRg) N. 210.537-1
RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: Agravo em recurso extraordinário criminal:
subsistência do art. 28 da L. 8.038/90, não revogado, em
matéria penal, pela L. 8.950/94, de âmbito normativo restrito
ao do C.Pr.Civil, que alterou: conseqüentemente, é de cinco
e não de dez dias o prazo para a sua interposição.
Precedente: AgCr 197.032-1, Pleno, 5.11.97, Pertence.

RECLAMACAO (AgRg) N. 711-4


RELATOR : MIN. OCTAVIO GALLOTTI
EMENTA: Reclamação ajuizada em face de suposta ofensa,
por Juiz de Direito, à autoridade de decisão do Supremo
Tribunal, tomada em ação direta de inconstitucionalidade.
Medida somente cabível, segundo a jurisprudência da Corte,
em hipótese excepcional (como a de reclamação contra ato
do próprio órgão expedidor da norma declarada
inconstitucional), que não se configura no caso presente.

RECLAMACAO (AgRg) N. 724-9


RELATOR : MIN. OCTAVIO GALLOTTI
EMENTA: Não cabe reclamação destinada a invalidar
decisão de outro Tribunal, que haja porventura divergido da
jurisprudência do Supremo Tribunal, firmada no julgamento
de causa diferente, mesmo em se tratando de controvérsias
de porte constitucional.
Também não é a reclamação instrumento idôneo de
uniformização de jurisprudência, tampouco sucedâneo de
recurso ou rescisória, não utilizados tempestivamente pelas
partes.

RE (AgRg) N. 168.153-5
RELATOR : MIN. MAURÍCIO CORRÊA
EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO
EXTRAORDINÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. SÚMULA
343/STF. CONVÊNIO Nº 03/80. ISENÇÃO DEFERIDA AO
PRODUTOR NACIONAL.
1. Se a ação rescisória não foi conhecida porque a decisão,
ao tempo em que proferida, era controvertida nos tribunais
(Súmula 343/STF), impossível o exame do mérito da causa.
2. Convênio nº 03/80. Isenção do ICM. Interpretação dos
Tribunais ora entendendo tratar-se de isenção objetiva,
aproveitando ao produto importado e não produtor apenas,
ora sustentando ser isenção subjetiva, concedida
exclusivamente ao produtor nacional e não ao produto.
2.1. Matéria posteriormente pacificada pelo Supremo
Tribunal Federal no sentido de ser aplicável o Convênio
03/80 somente ao produtor nacional, sendo inextensível ao
produto estrangeiro, posto que fora da previsão do GATT ou
ALADI.
3. Incidência da Súmula 343/STF.
Agravo regimental não provido.

RE (AgRg) N. 202.044-3
RELATOR : MIN. CARLOS VELLOSO
EMENTA: CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO.
SERVIDOR PÚBLICO: APOSENTADORIA: ADICIONAL
DE 20%.
I. - A Lei Orgânica do Município de Vitória, ES, concedeu ao
servidor que se aposentasse na forma do art. 40, III, a e b, da
C.F., a vantagem pessoal de 20%. Inocorrência de ofensa à
C.F., art. 40, § 4º, mesmo porque a CF/88 não manteve a
proibição de o servidor se aposentar com proventos
superiores aos vencimentos percebidos na ativa, tal como o
fazia a CF/67, art. 102, § 2º.
2. - R.E. indeferido. Agravo não provido.

RE N. 201.768-0
RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: I. Recurso: renúncia tácita inexistente, se a
concessão pelos recorrentes do direito questionado na
demanda não satisfaz à pretensão de eficácia retroativa,
reconhecida pela decisão recorrida.
II. Proventos de aposentadoria: paridade com a remuneração
da ativa (CF, art. 40, § 4º): caso singular em que, à base de
legislação ordinária pré-constitucional, se entendeu que,
antes da Constituição, os recorridos - ex-funcionários
autárquicos da Caixa Econômica - embora aposentados, após
sua conversão em empresa pública, como "celetistas",
tinham direito a proventos de inatividade regidos pelo
Estatuto dos Funcionários Públicos: pressuposto
infraconstitucional da decisão recorrida, à impugnação da
qual não basta o apelo ao art. 40, § 4º, da Constituição: RE
não conhecido, conforme a doutrina subjacente à Súmula
283.

RE N. 220.120-5
RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: I. RE: prequestionamento por embargos de
declaração (Súmula 356).
1. Se o acórdão recorrido deixou de enfrentar questão
constitucional aventada no processo, a interposição dos
embargos de declaração a respeito satisfez a exigência do
prequestionamento para o recurso extraordinário, não
importando que, persistindo na omissão, o Tribunal recorrido
não se tenha pronunciado sobre os temas aventados (Súmula
356).
II. Sindicato: contribuição assistencial estipulada em
convenção coletiva: sujeição do desconto em folha à
autorização ou à não oposição do trabalhador, que não
ofende a Constituição.
2. Não se confundem a contribuição confederativa, prevista
no art. 8º, IV, 1ª parte da Constituição e a contribuição
assistencial estipulada em convenção coletiva ou sentença
normativa, de que não cuidou a Lei Fundamental, sequer
implicitamente, em nenhum dos preceitos aventados (CF, art.
8º, III, IV e VI e art. 7º, XXVI).
3. É, pois, de alçada infraconstitucional a questão de saber se
o desconto em folha da contribuição assistencial se funda no
art. 462 CLT e independe da vontade do trabalhador ou ao
contrário, no art. 545 CLT, caso em que, como se firmou na
jurisprudência, a ele se pode opor o empregado.

RE N. 224.739-0
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: PIS. Prazo de recolhimento. Alteração pela Lei
8.218/91. - Em decisões recentes (RREE 194.523 e 215.437
- Primeira Turma, em 31.10.97 - e RREE 211.451 e 213.704,
2ª Turma, em 03.11.97), ambas as Turmas desta Corte, em
casos análogos ao presente com referência à alteração pela
Lei 8.218/91 do prazo de recolhimento do PIS, se têm
orientado no sentido de que a regra legislativa que se limita
meramente a mudar o prazo de recolhimento da
contribuição, sem qualquer outra repercussão, não se
submete ao princípio da anterioridade mitigada previsto no §
6º do artigo 195 da Constituição Federal.
Dessa orientação divergiu o acórdão recorrido.
Recurso extraordinário conhecido e provido.

RHC N. 76.741-1
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: Recurso ordinário em "habeas corpus".
- Como bem acentua o parecer da Procuradoria-Geral da
República, em princípio, a superveniência da condenação
criminal não torna sem efeito a prisão - que é medida
administrativa de caráter coercitivo e não punitivo -
decretada no processo cível falimentar que tem outra
finalidade. Assim sendo, e estando revogado o artigo 35 da
Lei de Falências pelos incisos LXI e LXVII do artigo 5º da
Constituição que não admitem essa modalidade de prisão,
impõe-se o provimento do presente recurso ordinário para
que se casse o decreto dessa prisão.
Recurso ordinário provido.

Assessora responsável pelo Informativo


Maria Ângela Santa Cruz Oliveira
informativo@stf.gov.br