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Brasília, 25 a 29 de maio de 1998 - Nº 112

Data (páginas internas): 3 de junho de 1998.

Este Informativo, elaborado a partir de


notas tomadas nas sessões de julgamento das
Turmas e do Plenário, contém resumos não-
oficiais de decisões proferidas pelo Tribunal. A
fidelidade de tais resumos ao conteúdo efetivo
das decisões, embora seja uma das metas
perseguidas neste trabalho, somente poderá
ser aferida após a sua publicação no Diário da
Justiça.

ÍNDICE DE ASSUNTOS

Alienação Fiduciária e Depositário Infiel


Cabimento de ADIn: Lei Distrital
Crime Continuado e Lei Superveniente
Gratificação de Produtividade
Habeas Corpus: Cabimento
Incorporação de Gleba de Terra
IOF: Ouro como Ativo Financeiro
Liquidação Extrajudicial de Seguradora
Polícias Civil e Militar do DF
Prerrogativas de Ex-Deputado Estadual
Preservação da Autoridade do STF
Protesto por Novo Júri e Co-Autoria
Sentença de Pronúncia e Comedimento
Taxa e Capacidade Contributiva
Teto Remuneratório e Vantagem Pessoal

PLENÁRIO

Alienação Fiduciária e Depositário Infiel


Reiterando o entendimento firmado no HC
72.131-RJ (Pleno, 22.11.95; v. Informativo 14), o
Tribunal reconheceu a plena legitimidade
constitucional da prisão civil do depositário infiel nos
casos de alienação fiduciária em garantia (DL 911/69,
art. 4º). Com base nesse entendimento, o Tribunal deu
provimento a recurso extraordinário do Ministério
Público Federal para reformar decisão do STJ que,
afirmando a diversidade entre a condição jurídica do
devedor fiduciante e a do depositário, concedera
habeas corpus para afastar a prisão civil do paciente.
Vencidos os Ministros Sepúlveda Pertence, Carlos
Velloso e Marco Aurélio que, em face do art. 5º,
LXVII, da CF ("não haverá prisão civil por dívida,
salvo a do responsável pelo inadimplemento
voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a
do depositário infiel;") e da Convenção de S. José da
Costa Rica, mantinham o entendimento da decisão
recorrida. RE 206.482-DF, rel. Min. Maurício Corrêa,
27.5.98

Incorporação de Gleba de Terra


Concluído o julgamento de ação cível
originária proposta pelo INCRA contra o Estado do
Tocantins, objetivando o cancelamento da matrícula e
do registro do imóvel denominado Gleba Tupirama-
TO, efetuados pelo governo estadual (v. Informativo
100). O Tribunal julgou procedente a ação por
entender irregular a arrecadação da mencionada gleba
pelo Estado requerido, uma vez que o DL 2.375/87, ao
determinar a passagem das chamadas terras devolutas
de propriedade da União Federal ao domínio dos
Estados, excepcionara aquelas que já se encontravam
em situação jurídica constituída, o que se verificou no
caso do imóvel objeto da presente ação, uma vez
constatada a existência de matrícula efetivada em
nome da União antes do advento do referido Decreto-
Lei. ACO 481-TO, rel. Min. Marco Aurélio, 27.5.98.

Cabimento de ADIn: Lei Distrital


Os atos normativos editados pelo Distrito
Federal no exercício de competência legislativa
reservada aos Municípios (CF, art. 32, § 1º) não se
sujeitam ao controle abstrato de constitucionalidade
pelo STF (CF, art. 102, I, a ). Com base nesse
fundamento, não se conheceu de ação direta ajuizada
pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro -
PMDB contra a Lei 6.945/81, com as alterações dadas
pela Lei distrital nº 989/95, que dispõe sobre a taxa de
limpeza pública no Distrito Federal. Precedentes
citados: ADIn 1.375-DF (DJU de 23.11.96); ADIn
611-DF (DJU de 11.12.92) e ADIn 911-DF (DJU de
12.08.93). ADIn 1.832-DF, rel. Min. Ilmar Galvão,
27.5.98.

Teto Remuneratório e Vantagem Pessoal


Deferida medida liminar em ação direta
ajuizada pelo Procurador-Geral da República para
suspender a execução e aplicabilidade do art. 2º da Lei
Complementar nº 16/96, do Estado de Pernambuco,
que veda aos funcionários públicos estaduais a
percepção de remuneração, proventos ou pensões em
quantia superior à atribuída ao Governador do Estado,
não admitindo a percepção de qualquer parcela
decorrente de vantagens pessoais. À primeira vista, o
Tribunal entendeu juridicamente relevante a tese de
ofensa ao inciso XI, do art. 37, da CF — que
estabelece como teto para os servidores públicos
estaduais, no âmbito de cada Poder, o valor percebido,
como remuneração, pelos Deputados estaduais,
Secretários de Estado e Desembargadores do Tribunal
de Justiça. Considerou-se, ainda, conforme a
jurisprudência do STF, que as vantagens de caráter
pessoal não devem ser computadas para aferição do
teto remuneratório previsto no mencionado art. 37, XI
da CF. Precedentes citados: ADIn 1.674-DF (DJU de
28.11.97); ADIn 1.344-ES (DJU de 19.4.96); RE
160.860-PR (RTJ 158/293) e RE 164.573-PR (DJU de
15.12.95). ADInMC 1.833-PE, rel. Min. Néri da
Silveira, 27.5.98

Prerrogativas de Ex-Deputado Estadual


Deferida medida cautelar em ação direta
ajuizada pelo Conselho Federal da Ordem dos
Advogados do Brasil - OAB para suspender a eficácia
do § 8º, do art. 74, da Constituição do Estado de
Alagoas [“Os ex-Deputados Estaduais que hajam
exercido o mandato em caráter definitivo, por período
igual ou superior a duas sessões legislativas, gozarão
das prerrogativas estabelecidas nos §§ 1 º (imunidade
parlamentar) e 4 º (foro privilegiado) deste artigo,
excluída a licença da Assembléia Legislativa para o
processo criminal, sendo vedada, ainda, qualquer
restrição de caráter policial quanto à inviolabilidade
pessoal e patrimonial.”]. Entendeu-se que a
Constituição estadual não poderia ampliar as garantias
concedidas pela Constituição Federal, que somente
assegura imunidade e foro privilegiado a parlamentar
que se encontra no efetivo exercício de seu mandato,
tendo em vista o disposto no § 1º , do art. 27, da CF
(“Será de quatro anos o mandato dos Deputados
Estaduais, aplicando-lhes as regras desta
Constituição sobre sistema eleitoral, inviolabilidade,
imunidades, remuneração, perda de mandato, licença,
impedimentos...”). ADInMC 1.828-AL, rel. Min.
Sepúlveda Pertence, 27.5.98

Polícias Civil e Militar do DF - 1


Iniciado julgamento do mérito da ação direta
de inconstitucionalidade ajuizada pelo Procurador-
Geral da República que tem por objeto vários
dispositivos da Lei Orgânica do Distrito Federal, que
tratam das Polícias Civil e Militar e do Corpo de
Bombeiros Militar do DF. O Min. Marco Aurélio,
relator, proferiu voto no sentido de declarar a
inconstitucionalidade dos artigos 45, 117, §§ 3º, 4º e
5º, 120 e 121, da lei impugnada, e do art. 51, das
Disposições Transitórias, que versam sobre normas
gerais de organização e funcionamento da Polícia
Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do DF, sob o
fundamento de que esta competência legislativa é
reservada à União Federal, nos termos do art. 22, XXI,
da CF (“Compete privativamente à União legislar
sobre: ... XXI - normas gerais de organização,
efetivos, material bélico, garantias, convocação e
mobilização das polícias militares e corpos de
bombeiros militares;”).

Polícias Civil e Militar do DF - 2


Prosseguindo em seu voto, o Min. Marco
Aurélio proferiu entendimento no sentido da
inconstitucionalidade: a) da expressão “autonomia
funcional”, contida entre os princípios institucionais da
Polícia Civil, prevista no § 1º, do artigo 119, da Lei
impugnada, tendo em vista que a CF não atribuiu
nenhum tipo de autonomia para os órgãos que tratam
da segurança pública; e b) dos §§ 2º e 3º, do mesmo
art. 119, que agrupam cargos de natureza diversa —
delegado, escrivão, agente, perito criminal — em
carreira única, isto é, na carreira de policial civil do
DF, uma vez que a CF tratou da carreira de delegado
em separado das demais (CF, art. 144, § 4º: “Às
polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de
carreira, incumbem, ressalvada a competência da
União, as funções de polícia judiciária e a apuração
de infrações penais, ...”). Após, o julgamento foi
suspenso em virtude do pedido de vista do Min.
Sepúlveda Pertence. ADIn 1.045-DF, rel. Min. Marco
Aurélio, 27.5.98.
Protesto por Novo Júri e Co-Autoria
Tendo em vista que o protesto por novo júri
somente se admite quando a sentença condenatória for
de reclusão por tempo igual ou superior a 20 anos
(CPP, art. 607), o Tribunal indeferiu habeas corpus em
que se pretendia a extensão ao paciente, condenado a
17 anos de reclusão, da decisão que concedera novo
julgamento pelo júri a co-réu condenado a 21 anos de
reclusão. Considerou-se que o protesto por novo júri
pressupõe o preenchimento de requisito de caráter
pessoal, qual seja, a pena in concreto, devidamente
individualizada, não se aplicando, portanto, o art. 580,
do CPP ["No caso de concurso de agentes (Código
Penal, art. 25), a decisão do recurso interposto por
um dos réus, se fundado em motivos que não sejam de
caráter exclusivamente pessoal, aproveitará aos
outros."]. HC 77.048-DF, rel. Min. Maurício Corrêa,
28.5.98.

Preservação da Autoridade do STF


Examinando ação de reclamação ajuizada
para garantir a autoridade das decisões proferidas nas
Suspensões de Segurança nºs 780-PI e 950-PI — que
suspenderam liminares em mandados de segurança
concedidas pelo Tribunal de Justiça do Estado do
Piauí, que asseguravam a procuradores autárquicos do
Estado do Piauí a equiparação de seus vencimentos aos
dos procuradores do Estado —, o Tribunal, por
maioria, julgou-a procedente para determinar a
extinção do novo mandado de segurança interposto
pelas mesmas partes, com pedido e causa de pedir
idênticos, embora contra autoridade coatora diversa
perante juízo de 1ª instância, uma vez que
caracterizada a tentativa oblíqua de esvaziar o
conteúdo das mencionadas decisões do STF. Vencido o
Min. Marco Aurélio, que julgava improcedente a
reclamação por entender tratar-se de via indireta para
obter a suspensão de segurança de liminar concedida
em primeira instância pelo STF, cuja competência se
restringe à hipótese de concessão por tribunal (RISTF,
art. 297). Reclamação 644-PI, rel. Min. Carlos Velloso,
28.5.98.

PRIMEIRA TURMA

Habeas Corpus: Cabimento


Ainda que o acórdão recorrido não tenha
apreciado expressamente a matéria objeto do habeas
corpus, considera-se em tese coator o tribunal que
julgou o recurso em sentido estrito do paciente contra
decisão condenatória do tribunal do júri, já que,
tratando-se de nulidade absoluta, poderia tê-la
examinado de ofício. Com base nesse entendimento, a
Turma conheceu do pedido de habeas corpus,
rejeitando a preliminar suscitada no parecer do
Ministério Público Federal no sentido do não
conhecimento do writ sob o fundamento de o exame
deste resultaria em supressão de instância Precedentes
citados: HC 70.293-MG (RTJ 154/523); HC 75.090-RJ
(DJU de 1º.8.97). HC 77.044-PE, rel. Min. Sepúlveda
Pertence, 26.5.98.
Sentença de Pronúncia e Comedimento
Prosseguindo no julgamento do habeas
corpus acima mencionado, a Turma deferiu a ordem
para anular a sentença de pronúncia do paciente por
excesso de linguagem na motivação do convencimento
do juiz sobre os indícios de que o paciente seja o autor
do crime, a fim de que outra se profira com a
moderação exigível e, para dar eficácia à nulidade
proclamada, determinar o desentranhamento da mesma
dos autos da ação penal. Precedente citado: HC
68.606-DF (RTJ 136/1215). HC 77.044-PE, rel. Min.
Sepúlveda Pertence, 26.5.98.

IOF: Ouro como Ativo Financeiro


Aplicando o entendimento firmado pelo
Plenário no julgamento do RE 190.363-RS — no qual
se declarou a inconstitucionalidade do inciso II, do art.
1º, da Lei 8.033/90 ("São instituídas as seguintes
incidências do imposto sobre operações de credito,
câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores
imobiliários: ... II - Transmissão de ouro definido
como ativo financeiro"), Sessão de 13.5.98, v.
Informativo 111—, a Turma negou provimento a uma
série de recursos extraordinários interpostos pela
União Federal tendo em vista que o ouro, quando
definido como ativo financeiro ou instrumento
cambial, sujeita-se exclusivamente à incidência do
imposto sobre operações financeiras devido na
operação de origem, sendo inconstitucional qualquer
incidência do mencionado tributo sobre as operações
subseqüentes. RREE 182.985-PR; 191.675-RS;
215.375-SP, rel. Min. Moreira Alves, 29.5.98.

SEGUNDA TURMA

Crime Continuado e Lei Superveniente


Iniciado o julgamento de habeas corpus
impetrado contra acórdão do TRF da 4ª Região que,
julgando crime praticado em continuidade delitiva,
aplicara lei penal nova mais gravosa ao paciente (Lei
8.212/91, art. 95, d: “deixar de recolher, na época
própria, contribuição ou outra importância devida à
Seguridade Social e arrecadada dos segurados ou do
público”), sob o fundamento de que a lei que
sobrevém ao início do continuidade delitiva, ainda que
mais severa, é aplicável a toda a série de delitos
praticados. O Min. Maurício Corrêa, votou no sentido
de deferir o writ para determinar que se aplique a lei
que capitulava o crime no momento da prática dos
primeiros delitos, cuja pena era mais favorável ao
paciente (Lei 8.137/90, art. 2º, II: “deixar de recolher,
no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição
social, descontado ou cobrado, na qualidade de
sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher
aos cofres públicos”), com base no princípio da
irretroatividade da lei penal (CF, art. 5º, XL). Após, o
julgamento foi suspenso em virtude do pedido de vista
do Min. Carlos Velloso. HC 76.978-RS, rel. Min.
Maurício Corrêa, 26.5.98.

Gratificação de Produtividade
Iniciado o julgamento de recurso
extraordinário interposto pelo Estado do Espírito Santo
contra acórdão do Tribunal de Justiça local que
concedera segurança a servidores inativos do Grupo de
Tributação, Arrecadação e Fiscalização - TAF, sob o
fundamento de que a gratificação de produtividade,
integrada aos proventos desses servidores pela Lei
3.839/86 e pela Lei Complementar 16/92, ambas do
mesmo Estado, perdera a característica de gratificação,
sendo considerada parcela integrante do vencimento.
O Min. Maurício Corrêa, relator, votou no sentido de
reformar o acórdão recorrido uma vez que a referida
gratificação não fora transformada em vencimento,
não podendo, portanto, ser tomada como base de
cálculo para a incidência de vantagens pessoais, nos
termos do art. 37, XIV, da CF (“os acréscimos
pecuniários percebidos por servidor público não
serão computados nem acumulados, para fins de
concessão de acréscimos ulteriores, sob o mesmo
título ou idêntico fundamento;”). Após, o julgamento
foi adiado em virtude do pedido de vista do Min.
Carlos Velloso. RE 206.269-ES, rel. Min. Maurício
Corrêa, 25.5.98

Liquidação Extrajudicial de Seguradora


A Turma deliberou afetar ao Plenário o
julgamento de recurso extraordinário em que se
discute, na hipótese de cessação das operações de
sociedades seguradoras mediante liquidação
extrajudicial compulsória, a constitucionalidade da
suspensão das ações e execuções judiciais contra essas
sociedades (Decreto-Lei 73/66, art. 98) e da vedação
de arrestos, seqüestros e penhoras sobre seus bens
(Lei 5.627/70, art. 5º). RE 173.836-SP, rel. Min. Marco
Aurélio, 25.5.98.

Taxa e Capacidade Contributiva


A Turma decidiu remeter ao Plenário o
julgamento de recurso extraordinário interposto contra
acórdão do TRF da 5ª Região, que considerou
constitucional a taxa de fiscalização dos mercados de
títulos e valores mobiliários, instituída pela Lei
7.940/89 (v. Informativo 82). RE 182.737-PE, rel.
Min. Carlos Velloso, 25.5.98.

Sessões Ordinárias Extraordinárias Julgamentos

Pleno 27.5.98 28.5.98 37


1ª Turma 26.5.98 --------- 214
2ª Turma 26.5.98 25.5.98 263

CLIPPING DO DJ
29 de maio de 1998

ADI N. 1.289-DF - medida liminar


RELATOR : MIN. OCTAVIO GALLOTTI
EMENTA: - É relevante o fundamento de argüição de
incompatibilidade, com o disposto nos artigos 93 e 115 da
Constituição Federal, do ato normativo do Conselho
Superior do Ministério Público do Trabalho (ata da 4ª
reunião ordinária, in D.J. de 16-11-93), que implica a
possibilidade de dispensa do requisito temporal exigido para
o acesso dos procuradores aos Tribunais Regionais do
Trabalho.

ADI N. 1.289-DF
RELATOR : MIN. OCTAVIO GALLOTTI
EMENTA: 1 - Somente quando não houver, entre os
Membros do Ministério Público do Trabalho, candidato com
mais de dez anos de carreira, será lícita a inclusão em lista,
para a investidura no cargo de Juiz de Tribunal Regional do
Trabalho, de quem não preencha aquele requisito temporal.
Inconstitucionalidade, perante o art. 115, parágrafo único,
inciso II, combinado com o art. 94, ambos da Carta de 1988,
de ato normativo do Conselho Superior do Ministério
Público do Trabalho, que autorizara a complementação da
lista com figurantes destituidos daquela antigüidade. Decisão
majoritária do Supremo Tribunal.

HC N. 74.869-SP
RELATOR : MIN. NÉRI DA SILVEIRA
EMENTA: - Habeas Corpus. 2. Nulidade da citação-edital. 3.
É nula a citação por edital de réu preso na mesma unidade da
federação em que o juiz exerce a sua jurisdição. Súmula nº
351. 4. Habeas Corpus deferido para anular a decisão
condenatória e o processo-crime a que responde o paciente, a
partir da citação inicial inclusive, devendo renovar-se o feito
criminal com regular citação do réu. 5. Expedição de alvará
de soltura do paciente, para que aguarde em liberdade a
renovação do processo, salvo se por al houve de permanecer
preso.

HC N. 75.869-RJ
RELATOR : MIN. OCTAVIO GALLOTTI
EMENTA: Habeas corpus contra a imposição de pena
acessória de perda de função militar.
Remédio incabível por não estar em causa a liberdade de
locomoção do paciente (Constituição art. 5º, LXVIII).
Precedentes do Supremo Tribunal.

HC N. 76.746-RJ
RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: HABEAS CORPUS. REGIME INICIAL DE
CUMPRIMENTO DA PENA. AGRAVAMENTO
DESPROVIDO DE FUNDAMENTAÇÃO. ARTIGO 33, §
3º, C/C O ART. 59 DO CÓDIGO PENAL.
Reconhecendo-se ser o paciente primário, ter bons
antecedentes e o delito "mostrar-se como elemento isolado
em sua vida", e não excedendo a reprimenda ao limite legal,
é de deferir-se o habeas corpus para conceder-lhe o regime
inicial semi-aberto.

HC N. 76.848-1
RELATOR : MIN. OCTAVIO GALLOTTI
EMENTA: Habeas corpus impetrado em favor de
extraditando. Constrangimento ilegal que não se caracteriza,
sem o oferecimento de prévio requerimento ao relator da
Extradição (Precedentes: HC 71.115, DJ de 10-8-95; HC
73.783, DJ de 1-7-96 e HC 75.929, DJ de 6-2-98)

HC N. 76.913-RS
RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: HABEAS CORPUS. ACÓRDÃO QUE,
RECONHECENDO A CONTRADIÇÃO NAS RESPOSTAS
DOS QUESITOS, EXPUNGIU A QUALIFICADORA E
REDUZIU A APENAÇÃO.
Uma vez reconhecida a contradição entre as respostas aos
quesitos, na forma do art. 564, parágrafo único, do CPP, é
imperativa a declaração de nulidade do julgamento do
Tribunal do Júri pela instância superior, sendo-lhe vedado
pronunciar-se sobre a condenação.
Habeas corpus deferido, para o fim de anular os julgamentos
do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul e do
Tribunal do Júri.
RE N. 140.681-CE
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: Taxa de licenciamento de importação.
- O Plenário desta Corte, ao julgar o RE 167.992, assim
decidiu:
"TRIBUTÁRIO. TAXA DE LICENCIAMENTO DE
IMPORTAÇÃO. ART. 10 DA LEI 2.145/53, REDAÇÃO
DADA PELO ART. 1º DA LEI Nº 7.690/88.
Tributo cuja base de cálculo coincide com a que corresponde
ao imposto de importação, seja, o valor da mercadoria
importada.
Inconstitucionalidade que se declara do dispositivo legal em
referência, em face da norma do art. 145, § 2º, da
Constituição Federal de 1988".
Dessa orientação divergiu o acórdão recorrido.
Recurso extraordinário conhecido e provido.

RE N. 168.277-RS Q.Ordem
RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO FUNDADO
NO ART. 4º, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI GAÚCHA Nº
9.117/90, CUJA EFICÁCIA FOI SUSPENSA PELO STF
NA ADI Nº 656.
Configuração de hipótese em que se impõe a suspensão do
julgamento do recurso.
Diretriz fixada na oportunidade, pelo Tribunal, no sentido de
que deve ser suspenso o julgamento de qualquer processo
que tenha por fundamento lei ou ato estatal cuja eficácia
tenha sido suspensa, por deliberação da Corte, em sede de
ação direta de inconstitucionalidade, até final julgamento
desta.
Questão de ordem acolhida.
* noticiado no Informativo 98

RE N. 174.744-MG
RELATOR : MIN. NÉRI DA SILVEIRA
EMENTA: Recurso extraordinário. Usucapião. Prazo para
aquisição da propriedade de área urbana. 2. Ambas as
Turmas do STF adotaram orientação no sentido de o prazo
de cinco anos a que se refere o art. 183 da Lei Maior tem seu
termo inicial a partir de 5 de outubro de 1988, de referencia
às situações de ocupação anterior à nova ordem
constitucional. 3. Precedentes. RE 145.004-MT e RE
206.659-SP. 4. Recurso extraordinário não conhecido.

RE N. 206.076-SP
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: ICMS. Empresa jornalística. Alegação de
imunidade tributária.
- O Supremo Tribunal Federal, no julgamento, em Plenário,
dos RREE nº 174.474 e 203.859, Relator para o acórdão o
Ministro MAURÍCIO CORRÊA, firmou entendimento de
que a imunidade alcança as operações de importação de
filmes e papéis fotográficos, e nas decisões proferidas nos
RREE nºs 208.466 e 203.063, (Rel.: Min. MAURÍCIO
CORRÊA, DJ 14/03/97), afastou a referida imunidade
relativamente aos demais insumos gráficos.
Dessa orientação não divergiu o acórdão recorrido.
Recurso extraordinário não conhecido.

RE N. 211.447-2
RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: COMPETÊNCIA. JUSTIÇA COMUM.
SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. SÚMULA 556. Em
se tratando de sociedade de economia mista que executa
atividades ligadas à indústria petrolífera mediante
autorização da União, o foro é o da Justiça Estadual, só se
deslocando a demanda para a Justiça Federal se a União nela
intervier, demonstrando seu interesse jurídico, o que, no
caso, não ocorreu.
Recurso extraordinário não conhecido.
RE N. 214.206-AL
REDATOR P/ O ACÓRDÃO : MIN. NELSON JOBIM
EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO.
CONTRIBUIÇÃO DEVIDA AO INSTITUTO DO
AÇÚCAR E DO ÁLCOOL - IAA. A CF/88
RECEPCIONOU O DL 308/67, COM AS ALTERAÇÕES
DOS DECRETOS-LEIS 1712/79 E 1952/82.
Ficou afastada a ofensa ao art. 149, da CF/88, que exige lei
complementar para a instituição de contribuições de
intervenções no domínio econômico.
A contribuição para o IAA é compatível com o sistema
tributário nacional. Não vulnera o art. 34, § 5º, do
ADCT/CF/88.
É incompatível com a CF/88 a possibilidade da alíquota
variar ou ser fixada por autoridade administrativa.
Recurso não conhecido.
* noticiado no Informativo 88

RE N. 214.295-SP
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: Recurso extraordinário. Precatório. Atividade
administrativa do Tribunal. Inexistência de causa como
pressuposto do recurso extraordinário.
- O Plenário desta Corte, ao julgar o AGRRE 213.696,
decidiu que a atividade do Presidente do Tribunal no
processamento do precatório não é jurisdicional, mas
administrativa, o mesmo ocorrendo com a decisão da Corte
em agravo regimental contra despacho do Presidente nessa
atividade. Inexiste, assim, o pressuposto do recurso
extraordinário que é o da existência de causa decidida em
única ou última instância por órgão do Poder Judiciário no
exercício de função jurisdicional.
Recurso extraordinário não conhecido.

RE N. 218.123-SP
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: Recurso extraordinário. Competência para julgar
originariamente "habeas corpus" em que a autoridade coatora
é o Ministério Público local.
- Quanto ao cabimento do recurso extraordinário contra
acórdão que não conheceu de "habeas corpus", a hipótese é
semelhante à do RE 168.224, em que esta Primeira Turma,
por maioria de votos, decidiu que, quando "a decisão do
Tribunal de não conhecer do pedido coincide com a posição
do impetrante - que o endereçara ao juiz de primeiro grau e,
coerentemente, não impugnou o acórdão que a ele devolveu
o conhecimento da impetração -, o recurso que cabe ao
Ministério Público, enquanto custos legis, para rediscutir a
questão da competência, não é o ordinário - garantia
estabelecida em favor do paciente - mas sim, conforme o
caso, o extraordinário ou o especial".
- Ocorrência, no caso, do prequestionamento da questão
constitucional invocada no recurso extraordinário
- Esta Corte, em precedente específico (o RECr. 141.209),
deu como legítima, por estar combinada com o disposto no
artigo 96, III, da Carta Magna federal, a outorga de
competência originária, pelo art. 74, IV, da Constituição do
Estado de São Paulo, ao Tribunal de Justiça para julgar
"habeas corpus" quando a coação ou ameaça for atribuída a
membro do Ministério Público local.
Recurso extraordinário conhecido e provido, para determinar
que o Tribunal local, afastada a preliminar de sua
incompetência, prossiga no julgamento do "habeas corpus"
em causa, como entender de direito.

RE N. 220.242-RN
RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: SERVIDORES ESTADUAIS. VENCIMENTOS
PAGOS COM ATRASO. CORREÇÃO MONETÁRIA.
Ao mandar incidir correção monetária sobre verbas salariais
pagas com atraso, o aresto recorrido baseou-se em norma da
esfera estadual.
Inocorrência de afronta aos preceitos constitucionais
inscritos nos arts. 22, incs. VI e VII, e 25 da Lei Maior que
disse o apelo extremo terem sido vulnerados.
Recurso extraordinário conhecido, mas improvido.

RE N. 221.778-SP
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: ICMS. Sistema de seu recolhimento em se
tratando de mercadoria importada. GATT/ALADI.
- Falta de prequestionamento da questão relativa ao artigo
150, I, da Constituição.
- Inexistência de ofensa ao artigo 152 da Carta Magna por
não se admitir, em face do Tratado em causa, que o
recolhimento do ICMS se faça pelo sistema de apuração
mensal adotado para os produtos nacionais similares.
Recurso extraordinário não conhecido.

RE N. 222.241-CE
RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: IMPOSTO DE RENDA. ATUALIZAÇÃO PELA
UFIR. LEI Nº 8.383/91. EFICÁCIA. AFRONTA AO
PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE.
Publicada a Lei nº 8.383 no dia 31.12.91, quando o jornal foi
colocado à disposição do público, pode ser invocada para
efeitos de criar direitos e impor obrigações. Com a
publicação fixa-se a existência da lei e identifica-se a sua
vigência.
Não há inconstitucionalidade na utilização da UFIR, prevista
na Lei nº 8.383/91, para atualização monetária do imposto de
renda, por não representar majoração de tributo ou
modificação da base de cálculo e do fato gerador.
Acórdão recorrido que, ao afirmar o direito de a recorrida
recolher o tributo no exercício de 1992 sem o ônus imposto
pela Lei nº 8.383/91, em face do princípio da anterioridade,
acabou por malferi-lo.
Recurso extraordinário conhecido e provido.

RE N. 225.714-SP
RELATOR : MIN. MAURÍCIO CORRÊA
EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO.
ADMINISTRATIVO. ART. 125, § 4º DA CONSTITUIÇÃO
FEDERAL. PRAÇAS DA POLÍCIA MILITAR. PRÁTICA
DE ATO INCOMPATÍVEL COM A FUNÇÃO POLICIAL.
EXPULSÃO. SANÇÃO ADMINISTRATIVA.
1. A prática de ato incompatível com a função policial
militar, apurada em processo administrativo, pode implicar a
perda da graduação como sanção administrativa desde que
assegurado ao acusado o direito de defesa e o contraditório.
2. Constituição Federal: art.125, § 4º. Sanção administrativa:
expulsão. A jurisprudência desta Corte é firme ao assegurar a
competência da Administração Pública para repreender,
advertir ou expulsar os milicianos incursos em falta grave ou
que tenham praticado atos incompatíveis com a função
policial militar.
Recurso extraordinário conhecido e provido.

AG (AgRg) N. 152.186-SC
RELATOR : MIN. NÉRI DA SILVEIRA
EMENTA: - Agravo regimental. Do despacho do relator que
determina suba o recurso extraordinário para melhor exame
não cabe agravo regimental. De acordo com o art. 305 do
RISTF é incabível recurso da deliberação da Turma ou do
Relator que remeter processo ao julgamento do Plenário, ou
que determinar, em agravo de instrumento, o processamento
do recurso denegado ou procrastinado. A decisão não implica
qualquer juízo antecipado sequer sobre a viabilidade ou o
conhecimento preliminar do recurso extraordinário.
Precedentes do STF. Agravo regimental não conhecido.

AG (AgRg) N. 172.918-SP
RELATOR : MIN. NÉRI DA SILVEIRA
EMENTA: Recurso extraordinário. Ação condenatória de
rito ordinário. Diferença de correção monetária. Aplicação
retroativa dos critérios estabelecidos na Medida Provisória
n.º 32, convertida na Lei n.º 7.730/89, aos contratos de
poupança. Alteração de cláusulas do ajuste pela
superveniência de disposição normativa. Limite à ação do
legislador, em norma de hierarquia constitucional, de
referência aos atos jurídicos perfeitos. Negócio de adesão,
de natureza contratual, e, por via de conseqüência, na sua
execução, há a necessidade de se resguardar o equilíbrio que
presidiu aos interesses dos contratantes, ao consentirem.
Estipulando o sistema constitucional, no art. 5º, XXXVI, da
Carta Política de 1988, que "a lei não prejudicará o direito
adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada", não logra
assento, assim, na ordem jurídica, a assertiva segundo a qual
certas leis estão excluídas da incidência do preceito maior
mencionado. Agravo regimental desprovido.

AG (AgRg) N. 208.777-8
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: - Agravo regimental.
- O acórdão recorrido, para conceder a indenização em
causa, se fundou no princípio - que se situa no campo de
direito infraconstitucional - da vedação do locuplemento
indevido por parte da Administração, o que implica dizer que
a alegada ofensa à Constituição é indireta ou reflexa, não
dando margem, assim, ao cabimento do recurso
extraordinário. Agravo a que se nega provimento.

AG (AgRg) N. 209.544-SP
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: - Agravo regimental.
- A competência do relator para decidir monocraticamente o
agravo de instrumento contra despacho que não-admitiu
recurso extraordinário está prevista expressamente na parte
inicial do artigo 545 do C.P.C., não havendo, assim, qualquer
violação aos princípios constitucionais enumerados na
petição de agravo. Note-se, ademais, que, cabendo agravo
regimental contra a decisão monocrática, sequer se impede o
acesso ao órgão colegiado.
- Por outro lado, baseando-se o despacho na orientação do
Plenário desta Corte firmada no RE 169.091, onde a questão
foi amplamente debatida, está ele, devidamente,
fundamentado, não havendo cerceamento algum de defesa,
que, aliás, poderia ser exercitada, quanto ao mérito, neste
agravo.
Agravo a que se nega provimento.

AG (AgRg) N. 209.755-8
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: - Agravo regimental.
- Se o acórdão recorrido extraordinariamente salienta que o
contrato prevê expressamente a distribuição dos lucros, e,
por conseguinte, está presente a disponibilidade jurídica ou
econômica, fato gerador do imposto, para se chegar a
conclusão contrária à que chegou esse aresto, seria mister o
reexame prévio desse contrato em face da legislação
infraconstitucional em causa, o que implica dizer que as
alegadas ofensas à Constituição são indiretas ou reflexas,
não dando margem, assim, ao cabimento do recurso
extraordinário.
Agravo a que se nega provimento.

AG (AgRg) N. 210.300-SP
RELATOR : MIN. MAURÍCIO CORRÊA
EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE
INSTRUMENTO. CONSTITUCIONAL. JULGAMENTO
ANTECIPADO DA LIDE. ALEGAÇÃO DE
CERCEAMENTO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA.
VIOLAÇÃO DE NORMAS DO CÓDIGO DE PROCESSO
CIVIL.
1. O julgamento antecipado da lide, quando a questão
proposta é exclusivamente de direito, não viola o princípio
constitucional da ampla defesa e do contraditório.
Precedente.
2. Esta Corte já decidiu que "se houve julgamento antecipado
da lide sem a oportunidade para produção de provas
cabíveis, podia e devia o ora agravante ter interposto
Recurso Especial para o Superior Tribunal de Justiça,
submetendo, a seu exame, a alegação de violação a normas
do Código de Processo Civil, a esse respeito. Não o tendo
feito, preclusas ficaram essas questões infraconstitucionais,
como as de caráter estritamente processual" (AGRAG Nº
150.179/MG, DJ de 19/12/96).
Agravo regimental a que se nega provimento.

PETICAO (AgRg) N. 1.286-SC


RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: COMPETÊNCIA. ART. 102, I, F, DA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL. AÇÃO ENTRE ESTADO-
MEMBRO E AUTARQUIA DA ADMINISTRAÇÃO
INDIRETA FEDERAL. INOCORRÊNCIA DE CONFLITO
FEDERATIVO.
Tratando-se de ação em que unidade federada pretende
afastar termo de embargo e auto de infração lavrados por
autarquia integrante da administração indireta federal
(IBAMA), que possui estrutura administrativa nos Estados --
superintendências regionais -- não prevalece a competência
originária do Supremo Tribunal Federal.
Inocorrência, ademais, de controvérsia que tenha colocado
em risco o equilíbrio do sistema federativo brasileiro,
interesse maior preservado no art. 102, I, f, da Carta Magna.
Agravo regimental improvido.
* noticiado no Informativo 73

PETICAO (AgRg) N. 1.326-CE


RELATOR : MIN. MAURÍCIO CORRÊA
EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM PETIÇÃO.
AÇÃO CAUTELAR INCIDENTAL À AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE Nº 1.252-DF, COM
PEDIDO DE MEDIDA LIMINAR, IMPUGNANDO ATO
DO PROCURADOR-GERAL DO INSS, QUE
DETERMINOU A SUSPENSÃO DE PAGAMENTOS
DECORRENTES DE LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇAS
JUDICIAIS SEM OS RESPECTIVOS PRECATÓRIOS.
PEDIDO PARA QUE NÃO SEJA APLICADA AOS
AGRAVANTES A DECISÃO TOMADA POR ESTE
TRIBUNAL, QUE SUSPENDEU PARTE DO ART. 128 DA
LEI Nº 8.213/91, ATÉ O SEU TRÂNSITO EM JULGADO.
1. A ação direta de inconstitucionalidade é vocacionada,
exclusivamente, para o controle abstrato de
constitucionalidade das leis, não comportando, por esta
razão, qualquer espécie de execução. Descabimento de
processo cautelar em ação direta, porque ele tem por fim, em
regra, garantir a execução de provimento jurisdicional a ser
concedido em ação futura ou em andamento.
2. Incompetência do Supremo Tribunal Federal para
processar e julgar originariamente ato do Procurador-Geral
do INSS (CF, art. 102, I).
3. Impossibilidade de recebimento do pedido como
Reclamação, por ser ela destinada a preservar a competência
e a autoridade das decisões do Tribunal (art. 13 da Lei nº
8.038/90), e, no caso, os agravantes postulam exatamente o
contrário: o descumprimento da decisão tomada na ADI nº
1.252, que tem efeito imediato e ex tunc.
4. Ilegitimidade dos requerentes, seja para a ação direta seja
para o pedido cautelar (art. 103 da CF).
5. Agravo regimental desprovido.

RE (AgRg) N. 190.772-0
RELATOR : MIN. MAURÍCIO CORRÊA
EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO
EXTRAORDINÁRIO. AUSÊNCIA DO DEVIDO
PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA
CONSTITUCIONAL SUSCITADA.
RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO ESTADO. NEXO
DE CAUSALIDADE. MATÉRIA FÁTICA.
1. O prequestionamento explícito da matéria constitucional é
pressuposto essencial para o conhecimento do recurso
extraordinário. Incidência das Súmulas 282 e 356 desta
Corte.
2. Responsabilidade Civil. Nexo de causalidade entre a ação
praticada por terceiro estranho ao serviço público e a lesão
causada ao custodiado. Impossível saber se configurada ou
não a responsabilidade objetiva do Estado, sem a análise dos
elementos fático-probatórios constantes dos autos. Incidência
da Súmula 279/STF.
2.1. Jurisprudência da Corte no sentido de que cumpre ao
Estado resguardar a integridade física dos que se encontram
sob a sua custódia.
Responsabilidade objetiva.
Agravo regimental não provido

RE (AgRg) N. 199.524-SP
RELATOR : MIN. MAURÍCIO CORRÊA
EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO
EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO
PREVIDENCIÁRIA. CONTAGEM RECÍPROCA.
COMPENSAÇÃO. ART. 202, § 2º DA CONSTITUIÇÃO
FEDERAL.
A controvérsia acerca do direito do servidor público à
contagem do tempo de serviço prestado à iniciativa privada,
para fins de aposentadoria, e a necessidade de norma
regulamentadora para o acerto compensatório das
aposentadorias ocorridas anteriormente à sua edição, foi
dirimida por esta Corte nos autos do RE nº 162.620 (RTJ
152/650).
Agravo regimental não provido.

RE (AgRg) N. 201.061-DF
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: Agravo regimental.
- O Plenário desta Corte - como salientado no despacho com
a síntese de sua fundamentação -, ao julgar o RMS 22307,
por maioria de votos, firmou o entendimento de que deveria
ser estendido aos servidores públicos civis, a título de
revisão geral de vencimentos, com base na auto-
aplicabilidade do inciso X do artigo 37 da Constituição
Federal, respeitado, também, o princípio da isonomia, o
aumento de 28,86% com que foi reajustado o soldo mais alto
pelas Leis nºs 8.622 e 8.627, ambas de 1993, que
beneficiaram todos os servidores públicos militares.
- Dessa orientação não divergiu o acórdão recorrido.
- Observo, ainda, que, há pouco, foram julgados os embargos
de declaração interpostos contra o mencionado acórdão, e o
Plenário deste Tribunal, tendo reafirmado a ocorrência de
revisão geral de vencimentos e a aplicação do inciso X do
artigo 37 da Carta Magna, os recebeu para determinar que
fossem compensados os reajustes concedidos a algumas
categorias de servidores civis pela referida legislação. Essa
questão, porém, não foi invocada no recurso extraordinário
não admitido.
Agravo a que se nega provimento.

RE (AgRg) N. 207.913-SP
RELATOR : MIN. MAURÍCIO CORRÊA
EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO
EXTRAORDINÁRIO. ALEGAÇÃO DE QUE O
ACÓRDÃO PROFERIDO PELO PLENÁRIO -
FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA - NÃO FOI
PUBLICADO, ALÉM DE SER DIVERSA A HIPÓTESE
DESTES AUTOS DA QUE APRECIADA PELO
TRIBUNAL PLENO. IMPROCEDÊNCIA.
1. A decisão agravada não teve como fundamento a que
prolatada pelo Plenário desta Corte, ainda pendente de
publicação. Ao contrário, encontra-se amparada em acórdãos
anteriormente proferidos por esta Turma, cujo entendimento
restou corroborado pelo Tribunal Pleno.
2. Existência de jornada fixada por regulamento da empresa.
Alegação, por isso mesmo, de ser diversa a questão destes
autos da que apreciada pelo Colegiado. Insubsistência.
2.1. A decisão plenária limitou-se a definir o alcance da
norma contida no art. 7º, XIV da Constituição Federal, sem
adentrar a controvérsia acerca da fixação da jornada de
trabalho por meio de regulamento da empresa ou acordo
coletivo, por se tratar de matéria fática (Súmula 279/STF).
Agravo regimental não provido.

RMS (EDcl) N. 22.926-DF


RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: CANDIDATOS APROVADOS EM
CONCURSO ABERTO PARA PROVIMENTO DO CARGO
DE PROCURADOR DO DNER E DEMAIS ÓRGÃOS DA
ADMINISTRAÇÃO DIRETA, AUTÁRQUICA E
FUNDACIONAL. PRETENDIDA NOMEAÇÃO PARA O
INSS. PRETENSÃO REJEITADA EM SEDE DE
RECURSO ORDINÁRIO, POR MEIO DE ACÓRDÃO
QUE TERIA LABORADO EM ERRO MATERIAL, POR
NÃO HAVER CONSIDERADO A SUPERVENIENTE
NOMEAÇÃO DE CANDIDATOS APROVADOS EM
SEGUNDO CONCURSO, REALIZADO PELA
AUTARQUIA PREVIDENCIÁRIA.
Vício inexistente, posto que a nomeação dos primeiros
candidatos aprovados no segundo concurso se deu após
fluído o prazo de validade do primeiro concurso, portanto,
sem preterição a direito dos embargantes.
Embargos rejeitados.

Acórdãos publicados: 303

Assessora responsável pelo Informativo


Maria Ângela Santa Cruz Oliveira
informativo@stf.gov.br