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Brasília, 29 de junho a 1º de julho e 3 a 7 de

agosto de 1998 - Nº 117


Data (páginas internas): 12 de agosto de
1998.

Este Informativo, elaborado a partir de


notas tomadas nas sessões de julgamento das
Turmas e do Plenário, contém resumos não-
oficiais de decisões proferidas pelo Tribunal. A
fidelidade de tais resumos ao conteúdo efetivo
das decisões, embora seja uma das metas
perseguidas neste trabalho, somente poderá
ser aferida após a sua publicação no Diário da
Justiça.

ÍNDICE DE ASSUNTOS
ADIn: Ilegitimidade Ativa
ADIn: Perda de Objeto
Agravo: Local de Interposição
Alimentos e Princípio da Igualdade
Anistia Tributária
Aposentadoria de Parlamentar e Isonomia
Ascensão a Cargo Público
Autorização para Dirigir
Cobrança de Taxa em Favor da OAB
Conselhos Regionais e Prestação de Contas
Crimes Contra a Ordem Tributária
Desaforamento e Fundamentação
Estágio Probatório e Recondução
Extinção da Punibilidade
Fundamentação Válida e Crime Hediondo
Gratificação por Tempo de Serviço: Cálculo
ICMS na Importação: Não Incidência
Lei 8.069/90 e Liberdade de Informação
Ministério Público do Trabalho
Ne Bis in Idem: Multa e Afastamento
Praça: Exclusão da Polícia Militar
Princípio da Equivalência e Reajuste
Registro de Sindicato: Efeito Retroativo
Soldo e Salário Mínimo
Telecomunicações: Lei 9.295/96
Vício na Retratação
Vinculação de Receita

PLENÁRIO
Estágio Probatório e Recondução
Se o servidor federal estável, submetido a estágio
probatório em novo cargo público, desiste de exercer a nova
função, tem ele o direito a ser reconduzido ao cargo ocupado
anteriormente no serviço público. Com esse entendimento, o
Tribunal deferiu mandado de segurança para assegurar ao
impetrante, servidor sujeito a estágio probatório no cargo de
agente de polícia da Secretaria de Segurança Pública do
Distrito Federal, o retorno ao cargo de artífice de artes
gráficas da Imprensa Nacional. Considerou-se que o art. 20,
§ 2º, da Lei 8.112/90 (“O servidor não aprovado no estágio
probatório será exonerado ou, se estável, reconduzido ao
cargo anteriormente ocupado, ...”) autoriza a recondução do
servidor estável na hipótese de desistência voluntária deste
em continuar o estágio probatório, por se tratar de motivo
menos danoso do que sua reprovação. RMS 22.933-DF, rel.
Min. Octavio Gallotti, 26.6.98.

Agravo: Local de Interposição


Nos termos da Resolução nº 140/96 do STF, a
petição de agravo de instrumento contra despacho que
inadmite recurso extraordinário continua a ser interposta no
tribunal de origem, não se aplicando a nova disciplina do
agravo de instrumento relativa às decisões interlocutórias de
primeiro grau (CPC, arts. 524 e seguintes). Reclamação 719-
SP, rel. Min. Sepúlveda Pertence, 1º.7.98.

ADIn: Perda de Objeto


O Tribunal, retomando o julgamento que se
encontrava suspenso (v. Informativo 71), julgou prejudicada
a ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pelo Partido
Socialista Brasileiro-PSB contra a Lei 8.031/90, que instituiu
o programa nacional de desestatização, uma vez que os
dispositivos impugnados foram alterados pela Medida
Provisória 1.481/97, posteriormente convertida na Lei
1.491/97. ADIn 562-DF, rel. Min. Ilmar Galvão, 1º.7.98.

Vinculação de Receita
Por aparente afronta ao art. 167, IV, da CF — que
veda a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou
despesa —, o Tribunal deferiu medida liminar em ação direta
de inconstitucionalidade ajuizada pelo Governador do Estado
de Rondônia, para suspender o § 1º do art. 241 da
Constituição do mesmo Estado (redação dada pela Emenda
Constitucional nº 7/97), que exige a aplicação de, no
mínimo, 10% da receita resultante de impostos no sistema de
saúde. Precedentes citados: ADInMC 103-RO (RTJ 130/10);
ADInMC 1.374-MA (DJU de 1.3.96); RE 183.906-SP (DJU
de 30.4.98). ADInMC 1.848-RO, rel. Min. Ilmar Galvão,
1º.7.98.

Cobrança de Taxa em Favor da OAB


Indeferida medida liminar em ação direta de
inconstitucionalidade ajuizada pelo Procurador-Geral da
República contra a Lei 5.607/90, do Estado de Mato Grosso,
que atribui uma parcela do recolhimento de custas
processuais à Ordem dos Advogados do Brasil, seção de
Mato Grosso. Afirmando que a OAB é pessoa jurídica de
direito público (autarquia), que presta serviço público de
fiscalização da profissão de advogado — indispensável à
administração da justiça nos termos do art. 133, da CF —, o
Tribunal considerou não haver, à primeira vista, alegada
ofensa ao art. 145, II, da CF, que exige a vinculação do
pagamento de taxa à prestação de serviço público. ADInMC
l.707-MT, rel. Min. Moreira Alves, 1º.7.98.

ADIn: Ilegitimidade Ativa


Por falta de legitimidade ativa ad causam, o
Tribunal, resolvendo questão de ordem, não conheceu de
ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pela
Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal -
ADPF, tendo em vista que não se trata de entidade de classe
de âmbito nacional para efeito do art. 103, IX, 2ª parte, da
CF ("Podem propor a ação de inconstitucionalidade: ...IX -
confederação sindical ou entidade de classe de âmbito
nacional"), mas sim de subclasse de categoria profissional.
Vencidos os Ministros Marco Aurélio e Sepúlveda Pertence,
que dela conheciam. Precedente citado: ADInMC 1.486-DF
(DJU de 13.12.96). ADIn 1.806-DF (QO), rel. Min.
Maurício Corrêa, 1º.7.98.

Telecomunicações: Lei 9.295/96


Retomado o julgamento da medida liminar
requerida na ação direta requerida pelo Partido Democrático
Trabalhista-PDT e pelo Partido dos Trabalhadores-PT, contra
a Lei 9.295/96, que dispõe sobre serviços de
telecomunicações e sua organização (v. Informativo 116). O
Tribunal, por maioria de votos, indeferiu o pedido de
suspensão cautelar da eficácia do art. 4º e seu parágrafo
único da referida Lei, que autoriza o Poder Executivo a
transformar em concessões de Serviço Móvel Celular, as
permissões do Serviço de Radiocomunicação Móvel
Terrestre Público-Restrito outorgadas anteriormente à
vigência desta Lei. O Min. Sydney Sanches proferiu voto de
desempate, acompanhando o entendimento do Min. Carlos
Velloso, relator, no sentido de que o art. 175, parágrafo
único, I da CF ("A lei disporá sobre: I - o regime das
empresas concessionárias e permissionárias de serviços
públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua
prorrogação, bem como as condições de caducidade,
fiscalização e rescisão da concessão ou permissão.") afastou
qualquer distinção conceitual entre permissão e concessão,
ao conferir àquela o caráter contratual próprio desta.
Vencidos os Ministros Marco Aurélio, Sepúlveda Pertence,
Néri da Silveira, Moreira Alves e Celso de Mello, que
deferiam a medida cautelar por entenderem que os conceitos
de "permissão" e "concessão" não são sinônimos e que a
utilização, pelo referido art. 175, § único, I, da CF/88, da
expressão "o caráter especial de seu contrato" para ambos os
institutos, traduz mera impropriedade e não equiparação.
Quanto ao § 2º do art. 8º da mesma Lei, o julgamento
continua suspenso em virtude do pedido de vista do Min.
Nelson Jobim, formulado na sessão do dia 26.6.98 (v.
Informativo 116). ADInMC 1.491-DF, rel. Min. Carlos
Velloso, 1º.7.98.

Princípio da Equivalência e Reajuste


Por afronta ao, art. 37, XI, da CF — que prevê a
fixação do limite máximo de remuneração no âmbito de cada
Poder —, o Tribunal julgou parcialmente procedente a ação
direta ajuizada pela Associação dos Magistrados Brasileiros-
AMB para declarar, no parágrafo único do art. 2º da Lei
10.917/93, do Estado de Pernambuco [Art. 2º: “O
vencimento base devido ao Desembargador no mês de abril
de 1993 é fixado em ... Parágrafo Único - O vencimento de
que trata este artigo será corrigido, em 1º de maio de 1993,
pela aplicação de 85% (oitenta e cinco por cento) e, a partir
de 1º de julho de 1993, mediante lei de iniciativa do Poder
Judiciário, pela aplicação de índices de reajuste não
superiores aos fixados para os servidores públicos
estaduais”], a inconstitucionalidade da expressão sublinhada.
Considerou-se que a expressão impugnada não poderia
exigir lei formal para a hipótese de reajuste corretivo da
expressão monetária dos vencimentos da magistratura
estadual, nem mesmo limitar essa correção, como uma forma
de teto, a índice de reajuste fixado aos servidores públicos
estaduais. ADIn 965-PE, rel. Min. Maurício Corrêa, 3.8.98.

Gratificação por Tempo de Serviço: Cálculo


Deferido mandado de segurança contra ato do
Tribunal de Contas da União que, baseado no art. 17 do
ADCT/88 (“Os vencimentos, a remuneração, as vantagens e
os adicionais, bem como os proventos de aposentadoria que
estejam sendo percebidos em desacordo com a Constituição
serão imediatamente reduzidos aos limites dela decorrentes,
não se admitindo, neste caso, invocação de direito adquirido
ou percepção de excesso a qualquer título.”) reduzira de
40% para 15% o percentual da Gratificação Adicional por
Tempo de Serviço, que havia sido incorporada nos proventos
de servidor por sentença judicial transitada em julgado antes
do advento da CF/88. Entendeu-se não aplicável à espécie o
mencionado art. 17 do ADCT tendo em vista que a CF/88
não estabelece limites ao critério de cálculo do adicional por
tempo de serviço, vedando, apenas, o cálculo de vantagens
pessoais umas sobre as outras (CF, art. 37, XIV). MS 22.891-
RS, rel. Min. Carlos Velloso, 3.8.98.
Anistia Tributária
Por violação ao art. 150, § 6º, da CF, que exige lei
específica para a concessão de anistia ou remissão que
envolva matéria tributária ou previdenciária, o Tribunal, por
maioria de votos, declarou a inconstitucionalidade do art. 34,
e seus parágrafos, do ADCT da Constituição do Estado de
Santa Catarina, que concedia redução da multa integrante
dos créditos tributários referentes à circulação de
mercadorias, lançados ou confessados até 28 de fevereiro de
1989. Vencido o Min. Marco Aurélio, que entendia
prejudicada a ação direta. ADIn 155-SC, rel. Min. Octavio
Gallotti, 3.8.98.

Lei 8.069/90 e Liberdade de Informação


Iniciado o julgamento da ação direta de
inconstitucionalidade ajuizada pelo Procurador-Geral da
República contra a expressão contida na parte final do § 2º
do art. 247 do Estatuto da Criança e do Adolescente (“§ 2º -
Se o fato for praticado por órgão de imprensa ou emissora
de rádio ou televisão, além da pena prevista neste artigo, a
autoridade judiciária poderá determinar a apreensão da
publicação ou a suspensão da programação da emissora até
por dois dias, bem como da publicação do periódico até por
dois números.”). O Min. Ilmar Galvão, relator, votou no
sentido de julgar procedente a ação ao fundamento de que o
dispositivo impugnado afronta o princípio da livre
manifestação do pensamento (CF, art. 220, §§ 1º e 2º). Após,
o julgamento foi adiado em virtude do pedido de vista do
Min. Nelson Jobim. ADIn 869-DF, rel. Min. Ilmar Galvão,
3.8.98.

Soldo e Salário Mínimo


Concluindo o julgamento de recurso extraordinário
(v. Informativo 53, 66 e 78), o Tribunal declarou incidenter
tantum a inconstitucionalidade de dispositivo da
Constituição do Estado do Rio Grande do Sul que
assegurava aos servidores militares locais soldo nunca
inferior ao salário-mínimo (remissão feita no caput do art. 47
da CE/RS ao inciso I do art. 29, da mesma Carta política).
Prevaleceu o entendimento de que a referida norma ofende o
art. 7º, IV, da CF, que proíbe a vinculação do salário mínimo
para qualquer fim, uma vez que o soldo é apenas uma
parcela da remuneração total dos servidores militares.
Vencidos os Ministros Maurício Corrêa, Carlos Velloso, Néri
da Silveira e Celso de Mello, que davam pela
constitucionalidade da norma impugnada por entenderem
que a CF, embora não estenda aos servidores militares a
garantia do salário mínimo, não proíbe que tal extensão seja
concedida pelos Estados-membros no exercício de sua
prerrogativa de auto-organização (CF, art. 25). RE 198.982-
RS, rel. Min. Ilmar Galvão, 5.8.98.

Autorização para Dirigir


Por afronta à competência privativa da União para
legislar sobre trânsito e transporte (CF, art. 22, XI), o
Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 158, §
único da Constituição do Estado do Rio Grande do Norte e
da Lei nº 242/91, do Estado do Maranhão, que permitiam o
uso e a condução de veículos aos maiores de 16 anos.
Precedentes citados: ADIn 474-RJ(DJU de 3.5.96); ADIn
1.032-RJ (DJU de 20.6.97). ADIn 532-MA e ADIn 556-RN,
rel. Min. Sydney Sanches, 5.8.98.

Ministério Público do Trabalho


Indeferida medida cautelar em ação direta ajuizada
pela Confederação Nacional dos Trabalhadores
Metalúrgicos-CNTM contra o inciso IV, do art. 83, da LC
75/93 (Estatuto do Ministério Público da União), que
determina a competência do Ministério Público do Trabalho
para propor as ações cabíveis para a declaração de nulidade
de cláusula de contrato, acordo coletivo ou convenção
coletiva que viole as liberdades individuais ou coletivas ou
os direitos individuais indisponíveis dos trabalhadores. Ao
primeiro exame, o Tribunal entendeu juridicamente
irrelevante a tese de inconstitucionalidade sustentada pela
autora da ação no sentido de que a norma impugnada teria
ultrapassado as funções institucionais do Ministério Público,
previstas no art. 129, da CF, cerceando a liberdade sindical
quanto à formalização de acordos e convenções coletivos.
Considerou-se que o Ministério Público atua como fiscal da
lei, podendo, ainda, exercer outras funções além das
mencionadas expressamente na CF, nos termos do art. 129,
IX, da mesma Carta (Art. 129: “São funções institucionais
do Ministério Público: ... IX – exercer outras funções que
lhe forem conferidas, desde que compatíveis com sua
finalidade,...”). ADInMC 1.852-DF, rel. Min. Marco Aurélio,
5.8.98.

ICMS na Importação: Não Incidência


A regra do art. 155, § 2º, IX, a, da CF — que
determina a incidência do ICMS sobre a entrada de
mercadoria importada do exterior, ainda quando se tratar de
bem destinado a consumo ou ativo fixo do estabelecimento
— não se aplica às operações de importação de bens
realizadas por pessoa física para uso próprio. Com base
nesse entendimento, o Tribunal, por maioria de votos,
manteve decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal
que isentara o impetrante do pagamento do ICMS de veículo
importado para uso próprio. Vencidos os Ministros Ilmar
Galvão, relator, e Nelson Jobim, que davam provimento ao
recurso extraordinário do Distrito Federal por entenderem
que o ICMS incide inclusive nas operações de importação
realizadas por particular. RE 203.075-DF, rel. originário
Min. Ilmar Galvão, red. para o acórdão Min. Maurício
Corrêa, 5.8.98.

Conselhos Regionais e Prestação de Contas


Nos termos da Lei 3.268/57 (art. 1º), o Conselho
Federal e os Conselhos Regionais de Medicina são
autarquias distintas, dotadas de personalidade jurídica de
direito público, estando todos, assim, sujeitos à prestação de
contas perante o Tribunal de Contas da União (CF, art. 71,
II). MS 22.643-SC, rel. Min. Moreira Alves, 6.8.98.

Ne Bis in Idem: Multa e Afastamento


Na hipótese de haver obstrução ao livre exercício
das auditorias determinadas pelo Tribunal de Contas da
União, não configura bis in idem a imposição de multa (Lei
8.443/92, art. 58, V) e de afastamento temporário do
responsável (Lei 8.443/92, art. 44), uma vez que aquela tem
a natureza de sanção e este, de medida cautelar. Com base
nesse entendimento, Tribunal indeferiu mandado de
segurança impetrado pelo Conselho Regional de Medicina
do Estado de Santa Catarina-CREMESC e por seu
Presidente, contra acórdão do TCU que impusera multa e
afastamento temporário do Presidente. Precedente citado:
MS 21.466-DF (RTJ 151/153). MS 22.643-SC, rel. Min.
Moreira Alves, 6.8.98.

Registro de Sindicato: Efeito Retroativo


Não ofende o art. 8º, I, da CF (“É livre a
associação profissional ou sindical, observado o seguinte: I
– a lei não poderá exigir autorização do Estado para a
fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão
competente,...”), a decisão do TST que reconhecera o direito
à estabilidade provisória de membros da diretoria de
sindicato recém-fundado, cujo pedido de registro perante o
Ministério do Trabalho ocorrera dentro do prazo de aviso
prévio de seus diretores. Considerou-se que uma vez
deferido o registro do sindicato, sua eficácia retroage à data
do pedido para efeito da garantia da estabilidade provisória
no emprego [CLT, art. 453, § 3º: “Fica vedada a dispensa do
empregado sindicalizado ou associado a partir do momento
do registro de sua candidatura a cargo de representação de
entidade sindical ou de associação profissional, até 1(um)
ano após o final do seu mandato, ...”]. RE 205.107-MG, rel.
Min. Sepúlveda Pertence, 6.8.98.

PRIMEIRA TURMA
Extinção da Punibilidade
No crime previsto no art. 95, d, da Lei 8.212/91
("deixar de recolher, na época própria, contribuição ou
outra importância devida a Seguridade Social e arrecadada
dos segurados ou do público;"), a extinção da punibilidade
"quando o agente promover o pagamento do tributo ou
contribuição social, inclusive acessórios, antes do
recebimento da denúncia" (Lei 9.249/95, art. 34) pressupõe a
satisfação integral do débito. Com esse entendimento, a
Turma indeferiu habeas corpus, confirmando acórdão do
TRF da 3ª Região que revogara a extinção da punibilidade
do paciente decretada pelo juiz de 1º grau, pela ausência de
quitação da correção monetária do débito. HC 77.151-SP, rel.
Min. Sydney Sanches, 23.6.98.

Ascensão a Cargo Público


Conhecido e provido recurso extraordinário
interposto pelo Estado de Santa Catarina contra acórdão do
Tribunal de Justiça local que, fundado em norma do Estatuto
do Magistério Público (Lei estadual 6.844/86, art. 33, II),
reconhecera a professor ocupante de cargo de classe final de
determinada categoria funcional o direito de ser investido
por acesso (independentemente de concurso público) em
cargo da classe inicial de outra categoria funcional, mediante
a comprovação de nova habilitação profissional. Entendendo
que a investidura, na espécie, seria originária e não derivada,
a Turma acolheu a alegação de contrariedade ao art. 37, II,
da CF ("a investidura em cargo ou emprego público depende
de aprovação prévia em concurso público de provas ou de
provas e títulos,..."). Precedente citado: RE 179.530-SC
(DJU de 7.2.97). RE 214.745-SC, rel. Min. Moreira Alves,
23.6.98.

Praça: Exclusão da Polícia Militar


O art. 125, § 4º da CF ("Compete à Justiça Militar
estadual processar e julgar os policiais militares e
bombeiros militares nos crimes militares definidos em lei,
cabendo ao tribunal competente decidir sobre a perda do
posto e da patente dos oficiais e da graduação das praças.")
não impede a perda da graduação de praça da polícia militar
mediante procedimento administrativo, uma vez que este
permissivo constitucional refere-se à hipótese de ser o militar
condenado a pena privativa de liberdade, tornando
insubsistente o art. 102, do CPM, que impunha a perda da
graduação da praça como pena acessória da condenação
criminal a prisão superior a dois anos. Precedente citado: RE
199.800-SP (julgado em 4.6.97, acórdão pendente de
publicação). RE 219.402-PR, rel. Min. Moreira Alves,
23.6.98.

Crimes Contra a Ordem Tributária


O art. 83, da Lei 9.430/96, ao estabelecer que "a
representação fiscal para fins penais relativa aos crimes
contra a ordem tributária definidos nos arts. 1º e 2º da Lei
nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, será encaminhada ao
Ministério Público após proferida decisão final, na esfera
administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário
correspondente", não impede a instauração da ação penal
pública pelo Ministério Público antes de concluído o
processo administrativo fiscal, à vista do que dispõe o art.
129, I, VI e VIII da CF. Precedente citado: ADInMC 1.571-
DF (julgada em 20.3.97, acórdão pendente de publicação:
leia em "Transcrições" do Informativo 64 trechos essenciais
do relatório e do voto condutor da decisão). RHC 77.258-SP,
rel. Min. Moreira Alves, 23.6.98.

Alimentos e Princípio da Igualdade


A norma do art. 226, § 5º, da CF (“Os direitos e
deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos
igualmente pelo homem e pela mulher.”) não revogou os
dispositivos do Código Civil que prevêem o dever de mútua
assistência dos cônjuges que podem exigir, um do outro, os
alimentos de que necessitem para subsistir. Com base nesse
entendimento, a Turma negou provimento a agravo
regimental, confirmando despacho do Min. Sydney Sanches,
relator, que negara seguimento a recurso extraordinário em
que se pretendia, com base na igualdade entre homens e
mulheres, desobrigar o recorrente do pagamento de pensão
alimentícia a sua ex-mulher. RE (AgRg) 218.461-SP, rel.
Min. Sydney Sanches, 4.8.98.

SEGUNDA TURMA
Aposentadoria de Parlamentar e Isonomia
Não ofende o princípio da isonomia a Lei 951/76,
do Estado de São Paulo, que confere benefício
previdenciário aos deputados estaduais após oito anos de
contribuição, tendo em vista que o § 2º do art. 40 da CF
prevê a possibilidade de a lei dispor sobre aposentadoria em
cargos ou empregos temporários. RE 199.720-SP, rel. Min.
Marco Aurélio, 29.6.98.

Desaforamento e Fundamentação
Deferido habeas corpus para cassar a decisão que
desaforou o julgamento do paciente para a comarca da
capital do Estado sem indicar os motivos da exclusão das
comarcas mais próximas do distrito da culpa. Precedente
citado: HC 65.278-MG (DJU de 16.10.87). HC 76.415-SP,
rel. Min. Marco Aurélio, 30.6.98.

Fundamentação Válida e Crime Hediondo


A circunstância de o réu estar sendo acusado da
prática de crime hediondo não basta, por si só, para respaldar
a sua prisão preventiva quando da prolação da sentença de
pronúncia. Com base nesse entendimento, a Turma deferiu
habeas corpus para que o paciente aguarde em liberdade o
seu julgamento perante o tribunal do júri. Matéria
semelhante foi julgada pela Turma no julgamento do HC
76.853-RJ (acórdão pendente de publicação, v. Informativo
114). HC 77.052-MG, rel. Min. Marco Aurélio, 30.6.98.

Vício na Retratação
A Turma indeferiu habeas corpus impetrado por
promotor de justiça em favor de policial militar denunciado
por lesão corporal leve (CPM, art. 209), em que se pleiteava
a aplicabilidade do art. 88 da Lei 9.099/95 — que prevê para
os crimes de lesão corporal leve e culposa a necessidade da
representação — tendo em vista a ocorrência da retratação da
representação feita pela vítima. Considerou-se que, embora
aplicável o art. 88 da Lei 9.099/95 perante a Justiça Militar,
houve vício na retratação da vítima já que esta se manifestara
dentro de estabelecimento militar, mediante termo tomado
por oficial militar. HC 77.017-RS, rel. Min. Maurício Corrêa,
30.6.98.

Sessões Ordinárias Extraordinárias Julgamentos

Pleno 1º.7 3 e 5.8.98 6.8.98 34


1ª Turma 30.6 e 4.8.98 --------- 290
2ª Turma 30.6.98 29.6.98 481
CLIPPING DO DJ
7 de agosto de 1998

ADIn. 199-0
RELATOR : MIN. MAURÍCIO CORRÊA
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.
CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DEPERNAMBUCO: ART. 98, §
2º, I, VI, XII, XVII: CONCESSÃO DE VANTAGENS A
SERVIDOR PÚBLICO. VÍCIO DE INICIATIVA. COMPETÊNCIA
DO CHEFE DO PODER EXECUTIVO. ART. 99, IV E
PARÁGRAFO ÚNICO: INVESTIDURA EM MANDATO
ELETIVO. POSSIBILIDADE DE EXERCÍCIO SIMULTÂNEO DA
VEREAÇÃO E DE FUNÇÃO PÚBLICA. EXTENSÃO AO VICE-
PREFEITO E AO SUPLENTE DE VEREADOR.
1. Conversão em pecúnia de metade das férias e da licença-
prêmio adquirida, pagamento de indenização a servidor
exonerado de cargo em comissão, estabilidade financeira
relativamente a gratificação ou comissão a qualquer título
percebida. Impossibilidade. São inconstitucionais dispositivos de
Cartas Estaduais, inclusive Emendas, que fixem vencimentos e
vantagens, concedem subvenção ou auxílio, ou, de qualquer modo,
aumentem a despesa pública, por ser da competência exclusiva do
Chefe do Poder Executivo a iniciativa de lei sobre a matéria.
Precedentes.
2. Exercício funcional simultâneo com a edilidade ou o cargo de
Vice-Prefeito. Garantia aos servidores públicos civis e aos
empregados de empresas públicas e sociedades de economia
mista, integrantes da administração indireta estadual. Extensão
ao suplente de Vereador.
2.1. A Constituição Federal condiciona o exercício simultâneo do
mandato de Vereador e das funções de agente público à
compatibilidade de horários, que, não ocorrendo, impõe o seu
afastamento do cargo, emprego ou função, sendo-lhe facultado optar
pela remuneração.
2.2. Carta Estadual. Restrição do exercício funcional ao domicílio
eleitoral. Impossibilidade. A Constituição Federal prevê tão-somente
a hipótese do desempenho simultâneo das funções públicas,
observada a compatibilidade de horários.
2.3. Extensão ao suplente de vereador. Insubsistência. Ao suplente
de Vereador não se pode validamente estabelecer nenhuma limitação
ao exercício do cargo, emprego ou função, por não ser titular de
mandato eletivo.
2.4. Servidor público investido no mandato de Vice-Prefeito.
Aplicam-se-lhe, por analogia, as disposições contidas no inciso II do
art. 38 da Constituição Federal. Ação Direta de
Inconstitucionalidade que se julga procedente.
*noticiado no Informativo 107

ADIn. 797-1
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
LEGITIMIDADE ATIVA - AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE - ÂMBITO SINDICAL. A teor do
disposto no artigo 103, inciso IX, da Constituição Federal, somente
as confederações sindicais têm legitimidade para o ajuizamento da
ação direta de inconstitucionalidade, sendo certo, ainda, que há de se
lhes comprovar a constituição nos moldes previstos na Consolidação
das Leis do Trabalho. Ilegitimidade da Confederação Democrática
dos Trabalhadores do Serviço Público Federal-CONDISEF
(Precedentes: Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 433-6/DF,
Relator Ministro Moreira Alves, Diário da Justiça de 20 de março de
1992, e Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 914-1/DF, Relator
Ministro Sydney Sanches, Diário da Justiça de 11 de março de
1994), da Federação das Entidades dos Trabalhadores do Ministério
da Saúde-FETRAMES e do Sindicato dos Servidores Públicos
Federais do Distrito Federal-SINDSEP (Precedente: Ação Direta de
Inconstitucionalidade nº 488-3/DF, Relator Ministro Octavio
Gallotti, Diário da Justiça de 12 de junho de 1992).
*noticiado no Informativo 113

ADIn 1.396-3
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE - OBJETO -
DECRETO. Uma vez ganhando o decreto contornos de verdadeiro
ato normativo autônomo, cabível é a ação direta de
inconstitucionalidade. Precedente: Ação Direta de
Inconstitucionalidade nº 1.590/SP, Plenário, Relator Ministro
Sepúlveda Pertence, com aresto veiculado no Diário da Justiça de 15
de agosto de 1997.
REMUNERAÇÃO - SERVIDORES PÚBLICOS - TETO
CONSTITUCIONAL - NORMA DE REGÊNCIA. A teor do
disposto no inciso XI do artigo 37 da Constituição Federal, cumpre à
lei fixar o limite máximo e a relação de valores entre a maior e a
menor remuneração dos servidores públicos. Descabe substituir o
diploma referido no inciso XI do artigo 37 da Constituição Federal,
ou seja, a lei em sentido formal e material, por decreto emanado do
Poder Executivo.
PESSOAL - DESPESAS - LIMITE - ADEQUAÇÃO. Não se há de
promover redução de vencimentos visando a harmonizar a despesa
total com pessoal ativo e inativo da União com certo teto.
Precedentes: Agravos Regimentais em Agravo de Instrumento nºs
178.072/MG e 192.870/MG, Segunda Turma, ambos de minha lavra,
com acórdãos veiculados no Diário da Justiça de 9 de maio de 1997
e 6 de fevereiro de 1998, respectivamente.
*noticiado no Informativo 114

ADIn. 1.695-2 - medida liminar


RELATOR : MIN. MAURÍCIO CORRÊA
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.
MEDIDA CAUTELAR. CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DO
PARANÁ: § 2º DO ART. 35. LEI ESTADUAL Nº 10.219, DE 21
DE DEZEMBRO DE 1992: ART. 70, § 2º. SERVIDORES
PÚBLICOS ORIUNDOS DO REGIME CELETISTA: CONTAGEM
DO TEMPO DE SERVIÇO PRESTADO AO ESTADO:
EFETIVIDADE E ESTABILIDADE: DISTINÇÃO.
1. Não afronta o princípio da iniciativa prevista no art. 61, § 1º,
inciso II, alínea "c", da Constituição Federal, a norma da Carta
Estadual que, exceto para fins de aposentadoria e disponibilidade,
permite o cômputo do tempo de serviço prestado ao Estado para os
demais efeitos legais.
2. Efetividade e estabilidade. Não há que confundir efetividade com
estabilidade. Aquela é atributo do cargo, designando o funcionário
desde o instante da nomeação; a estabilidade é aderência, é
integração no serviço público depois de preenchidas determinadas
condições fixadas em lei, que se adquire pelo decurso de tempo.
Precedente: RE nº 167.635.
3. O servidor que preenchera as condições exigidas pelo art. 19 do
ADCT-CF/88 é estável no cargo para o qual fora contratado pela
Administração Pública, mas não é efetivo. Por isso não se equipara
ao servidor público efetivo no que concerne aos efeitos legais que
dependam da efetividade.
4. Pedido de liminar deferido, em parte.

ADIn (AgRg) N. 1.785-1


RELATOR : MIN. NELSON JOBIM
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.
FEDERAÇÃO SINDICAL INTEGRADA POR SINDICATOS.
ENTIDADE DE SEGUNDO GRAU NA ORGANIZAÇÃO
SINDICAL. ILEGITIMIDADE ATIVA. ENQUADRAMENTO
COMO ENTIDADE DE ÂMBITO NACIONAL.
IMPOSSIBILIDADE.
NEGADO PROVIMENTO.
*noticiado no Informativo 114

ADIn. 1.828-2 - medida liminar


RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: Imunidade parlamentar: outorga a ex-Deputados
Estaduais: suspensão cautelar .
A República aborrece privilégios e abomina a formação de castas:
parece inequívoca a inconstitucionalidade de preceito da
Constituição do Estado de Alagoas, que, indo além do art. 27, § 1º,
da Constituição Federal, outorga a ex-parlamentares - apenas por
que o tenham sido por duas sessões legislativas - a imunidade do
Deputado Estadual à prisão e o seu foro por prerrogativa de função,
além de vedar, em relação aos mesmos antigos mandatários,
"qualquer restrição de caráter policial quanto à inviolabilidade
pessoal e patrimonial".
*noticiado no Informativo 112

ADIn 1.832-0
RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.
LEI Nº 989, DE 18 DE DEZEMBRO DE 1995, DO DISTRITO
FEDERAL RELATIVA À TAXA DE LIMPEZA PÚBLICA.
O dispositivo legal impugnado foi editado com base na
competência inerente ao Município, estendida ao Distrito Federal
por força do disposto no art. 32, § 1º, da Carta Constitucional.
Em face da posição particular que a Constituição Federal atribui ao
Distrito Federal de editar leis que se assimilam às leis municipais, a
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal já assentou
entendimento no sentido do descabimento da ação direta de
inconstitucionalidade quando tenha por objeto leis ou atos
normativos fundados no exercício da competência municipal (ADI
911, Rel. Min. Celso de Mello; ADI 611 e ADI 880, Rel. Min.
Sepúlveda Pertence e ADI 1.375, Rel. Min. Moreira Alves).
Ação direta de inconstitucionalidade não conhecida, ficando, assim,
prejudicado o pedido de concessão de liminar.
*noticiado no Informativo 112

HC 76.311-7
RELATOR : MIN. OCTAVIO GALLOTTI
EMENTA: Crimes de estupro e atentado violento ao pudor
praticados contra menor de doze anos. Ação pública condicionada.
Retratação da representação, pelos pais da ofendida, mediante
transação de que lhes resultou proveito financeiro. Colisão de
interesses capaz de legitimar a designação de curador especial (art.
33 do Código de Processo Penal). Habeas corpus indeferido.

HC 76.490-9
RELATOR : MIN. OCTAVIO GALLOTTI
EMENTA: Habeas Corpus. Regularidade do flagrante e do
reconhecimento do agente. Consumação autônoma do crime de
seqüestro, após garantida a posse da coisa subtraída, sem que possa
ser considerada a privação da liberdade da vítima, simples meio de
execução do crime de roubo ou de garantia da posse de seu produto.
Pedido indeferido.
*noticiado no Informativo 105

HC N. 76.542-9
RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: Latrocínio tentado: afirmado o dolo e o início da
execução do homicídio, afinal não consumado e igualmente não
aperfeiçoado o roubo, tem-se latrocínio tentado,
independentemente de gravidade ou não das lesões corporais
sofridas pela vítima.

HC 76.559-9
RELATOR : MIN. CARLOS VELLOSO
EMENTA: PENAL. PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS.
SENTENÇA CODENATÓRIA. DECLARAÇÃO DO RÉU, SEM
ASSISTÊNCIA DE DEFENSOR, DE QUE NÃO DESEJA
APELAR.
I. - Não deve produzir efeitos definitivos a declaração do réu, sem
que esteja assistido pelo seu defensor, de que não pretende apelar da
sentença condenatória.
II. - A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmou-se no
sentido de que o defensor pode apelar da sentença condenatória,
inobstante declaração do réu em sentido contrário. Precedentes do
STF: (...)
3. - HC deferido.
HC 76.590-3
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: "Habeas corpus".
- Tendo sido interposta apelação pelo Ministério Público com vistas
ao aumento da pena imposta, pode o Tribunal, ao aumentá-la, impor
outro regime inicial para o cumprimento dessa pena, ainda que não
requerido pelo apelante e desde que devidamente fundamentada a
imposição, porquanto a fixação desse regime é conseqüência lógica
e obrigatória da aplicação da pena.
"Habeas corpus" indeferido
*noticiado no Informativo 105

HC 76.976-9
RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: HABEAS CORPUS. ACÓRDÃO.
FUNDAMENTAÇÃO. PARECER DO MINISTÉRIO PÚBLICO.
ADOÇÃO.
Não se encontra desfundamentada a decisão que adota a
manifestação do Ministério Público apresentada como custos legis.
Jurisprudência da Corte. Ordem denegada.
*noticiado no Informativo 114

HC N. 77.044-2
RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: Pronúncia: exigência de fundamentação moderada:
nulidade, com desentranhamento, da pronúncia a que o vigor da
adjetivação dá entusiasmada coloração acusatória: precedentes.
*noticiado no Informativo 112

HC N. 77.275-4
RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: HABEAS CORPUS. INTIMAÇÃO. PAUTA DE
JULGAMENTO. FRUSTRAÇÃO DO DIREITO À
SUSTENTAÇÃO ORAL. LEI Nº 8.038/90, ART. 6º, § 1º.
O defensor do réu deve ser intimado de todos os atos do processo em
ambas as instâncias. Implica nulidade da intimação e,
conseqüentemente, do julgamento da queixa-crime, se o nome do
defensor não constou da publicação, na imprensa oficial, da pauta,
bem como do acórdão, frustrando o direito à sustentação oral e de
recorrer do acórdão lavrado em face da decisão que recebeu a
queixa-crime. Habeas corpus deferido.

RECLAMAÇÃO N. 742-7
RELATOR : MIN. CARLOS VELLOSO
EMENTA: - CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA
DO S.T.F. ALEGAÇÃO NO SENTIDO DE QUE A MAIORIA DOS
MEMBROS DO TRIBUNAL LOCAL ESTÃO IMPEDIDOS. C.F.,
art. 102, I, n.
I. - Os pressupostos do impedimento e da suspeição, impedimento e
suspeição que gerariam a competência do Supremo Tribunal Federal,
na forma da alínea n, do inc. I, do art. 102, da Constituição da
República, devem ser apreciados pelo Tribunal competente, em
princípio, para o julgamento da causa.
II. - Precedentes do Supremo Tribunal Federal.
III. - Reclamação julgada improcedente.
*noticiado no Informativo 115

SENTENÇA ESTRANGEIRA CONTESTADA N. 5.116-9


RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
SENTENÇA ESTRANGEIRA - CONEXÃO - AÇÃO EM CURSO
NO BRASIL - IDENTIDADE DE OBJETO. A identidade de objeto
entre a sentença estrangeira trânsita emjulgado e a ação em curso no
Brasil não é de molde a obstaculizar a homologação.
SENTENÇA ESTRANGEIRA - HOMOLOGAÇÃO. Atendendo o
pedido de homologação ao disposto nos artigos 216 a 218 do
Regimento Interno, impõe-se seja deferido.
SENTENÇA ESTRANGEIRA - TRADUÇÃO - AUTORIA. A
necessidade de o tradutor contar com fé pública direciona à
exigência de tratar-se de brasileiro devidamente credenciado
segundo as normas nacionais.

RE (AgRg-EI) N. 172.004-2
RELATOR : MINISTRO CELSO DE MELLO (PRESIDENTE)
E M E N T A: EMBARGOS INFRINGENTES - DECISÃO NÃO-
UNÂNIME DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL
FEDERAL - DECLARAÇÃO INCIDENTAL DE
INCONSTITUCIONALIDADE - JULGAMENTO PROFERIDO
EM RE INTERPOSTO EM SEDE DE MANDADO DE
SEGURANÇA ELEITORAL - CARÁTER LIMITATIVO DAS
HIPÓTESES PREVISTAS NO ART. 333 DO RISTF - ROL
EXAUSTIVO - DESCABIMENTO DOS EMBARGOS
INFRINGENTES - AGRAVO NÃO PROVIDO.
- Não cabem embargos infringentes contra decisão majoritária do
Plenário do Supremo Tribunal Federal, se tal decisão - embora
consubstanciando declaração incidental de inconstitucionalidade -
veio a ser proferida em causa diversa daquelas enunciadas,
taxativamente, em rol exaustivo (numerus clausus), no art. 333 do
RISTF. Precedente.

RE 197.847-3
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: Concurso público para o ingresso no Ministério Público
estadual.
Limite de idade para a inscrição no concurso. - Falta de
prequestionamento da questão relativa à ofensa ao artigo 105, II,
"b", da Constituição Federal.
- O Plenário desta Corte, ao julgar os recursos em mandados de
segurança 21.033 e 21.046, firmou o entendimento de que, salvo nos
casos em que a limitação de idade possa ser justificada pela natureza
das atribuições do cargo a ser preenchido, não pode a lei, em face do
disposto nos artigos 7º, XXX, e 39, § 2º, da Constituição Federal,
impor limite de idade para a inscrição em concurso público.
- Ora, no caso, essa vedação - que se aplica aos cargos a ser
preenchidos pelos servidores públicos, inclusive em sentido amplo
como o são os membros do Ministério Público -, dada a natureza das
atribuições do cargo em causa, é de ser aplicada, porquanto não se
afigura justificada a limitação de idade para o ingresso na carreira do
Ministério Público.
Recurso extraordinário conhecido e provido.
*noticiado no Informativo 111

RE N. 182.985-1
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: IOF. Incidência sobre o ouro, quando definido em lei
como ativo financeiro ou instrumento cambial. Lei 8.033/90.
Inconstitucionalidade.
- Há pouco, o Plenário desta Corte, ao julgar o RE 190.363, decidiu
que, em face do disposto no artigo 153, § 5º, da Constituição, que
determina que o ouro, quando definido em lei como ativo financeiro
ou instrumento cambial, se sujeita exclusivamente à incidência do
IOF devido na operação de origem, é inconstitucional o inciso II do
artigo 1º da Lei 8.033/90 que não observou essa exclusividade.
- Da inconstitucionalidade dessa incidência não divergiu o acórdão
recorrido.
Recurso extraordinário conhecido, mas não provido.
*noticiado no Informativo 112

T R A N S C R I Ç Õ E
S

Com a finalidade de proporcionar aos leitores


do INFORMATIVO STF uma compreensão mais
aprofundada do pensamento do Tribunal,
divulgamos neste espaço trechos de decisões que
tenham despertado ou possam despertar de modo
especial o interesse da comunidade jurídica.

Juizado Especial: Intimação pela Imprensa


HC 76.915-RS *

Ministro Marco Aurélio (relator):

elatório: Adoto como relatório o

que tive oportunidade de consignar

ao deferir a medida acauteladora,

suspendendo a eficácia do acórdão

proferido pela Turma Recursal e

que implicou a confirmação do

decreto condenatório:

Os Defensores Públicos Eduardo Ramos Godinho e


Virginia Izabel de Albuquerque e Souza Ghisleni impetram este
habeas corpus em favor de Luis Sergio Almeida Santos,
considerado julgamento procedido pela Turma Recursal do
Juizado Especial Criminal do Rio Grande do Sul, no Processo
nº 696238930 (01395551623). O Paciente fora denunciado pela
prática do crime tipificado no artigo 233 do Código Penal -
ultraje público ao pudor - ato obsceno. Recebida a denúncia em
11 de abril de 1995, veio à balha a Lei nº 9.099/95, sendo
redistribuído o processo ao Juizado Especial Criminal do Foro
Regional do Partenon. O Paciente acabou condenado à pena
de sete meses e seis dias de detenção, a ser cumprido em regime
inicial semi-aberto. A defesa interpôs recurso que,
encaminhado ao Tribunal de Justiça, em face da declinação de
competência, restou apreciado pela Turma Recursal dos
Juizados Especiais. Ocorre que, consoante o sustentado,
olvidou-se a norma do § 4º do artigo 82 da Lei nº 9.099/95, no
que direciona à intimação das partes, pela imprensa, para
conhecimento do dia da sessão, sendo certo que, no caso,
deveria ter sido feita a intimação pessoal preconizada pelo § 5º
do artigo 5º da Lei nº 1.060/50, inserido por força da Lei nº
7.871/90. Pleiteia-se a concessão de liminar com o alcance de
suspender os efeitos do acórdão prolatado, vindo, alfim, a ser
julgado este habeas declarando-se a nulidade do julgamento
anterior.

Acrescento que veio aos autos


o ofício de folha 176, no qual
ressaltado não ser observada, no
âmbito da Turma Recursal, a
intimação pessoal do defensor,
aludindo-se a idêntico
procedimento adotado pelo
Tribunal de Justiça, bem como à
realização das intimações via nota
de expediente, relacionada com a
data de julgamento ou com a
publicação do resultado, no Diário
Oficial da Justiça. À peça
anexaram-se documentos (folha
177 à 187).
No parecer de folha 190 à
192, o Subprocurador-Geral da
República Dr. Wagner Natal
Batista aponta haverem ocorrido
as intimações pessoais
relativamente ao que decidido pelo
Tribunal de Justiça - certidões de
folhas 145 e 153 -, o mesmo não se
dando no tocante ao deslocamento
do processo para o órgão revisor
dos Juizados Especiais, ou seja, a
Turma Recursal. O parecer é pela
concessão da ordem.
Estes autos vieram-me
conclusos, para julgamento, em 29
de maio de 1998, sendo que neles
lancei visto no dia 31 imediato,
quando designei como data para
apreciação do habeas a de hoje, 9
de junho (folha 193).
É o relatório.

oto: A definição da competência

para julgamento do habeas corpus

ocorre consideradas as pessoas

nele envolvidas como paciente e

coator. No caso, o Paciente não

goza de prerrogativa de foro. Daí a

necessidade de perquirir-se a

situação dos integrantes de turma

recursal dos juizados especiais.

Como juízes, estão submetidos, nos

crimes comuns e de

responsabilidade, à jurisdição

direta do Tribunal de Justiça local

- artigo 96, inciso III da

Constituição Federal:

Art. 96. Compete privativamente:


I - ...
II - ...
III - aos tribunais de justiça julgar os juízes estaduais e do
Distrito Federal e Territórios, bem como os membros do
Ministério Público, nos crimes comuns e de responsabilidade,
ressalvada a competência da Justiça Eleitoral.
Ocorre que esse não é o
entendimento da douta maioria,
conforme deixou consignado em
parecer o Subprocurador Dr.
Wagner Natal Batista. O Plenário,
no julgamento do Habeas Corpus
nº 71.713-6/PB, realizado em
outubro de 1994, assentou a
competência do Supremo Tribunal
Federal. Ressalvo o entendimento
pessoal a respeito, reportando-me
ao que publicado na Revista
Brasileira de Ciências Criminais
nº 9, página 140 à 146. Conheço
desta impetração.
No mérito, a matéria está a
reclamar reflexão. O artigo 370, §
4º, do Código de Processo Penal
preceitua a intimação do
Ministério Público e do defensor
na forma pessoal. O preceito
guarda simetria com o § 5º do
artigo 5º da Lei nº 1.060/50,
considerada a redação imprimida
pela Lei nº 7.871/89:

§ 5º. Nos Estados onde a assistência judiciária seja


organizada e por eles mantida, o defensor público que exerça
cargo equivalente será intimado pessoalmente de todos os atos
do processo, em ambas instâncias, contando-se-lhes em dobro
todos os prazos.

Pois bem, em 1995 deu-se a


disciplina dos juizados especiais
cíveis e criminais. Aí, mediante o
preceito do artigo 82, § 4º, sem
distinguirem-se quer as partes da
ação penal, quer os profissionais
em atuação, previu-se, de modo
linear, a intimação da sessão de
julgamento pela imprensa:

§ 4º. As partes serão intimadas da data da sessão de


julgamento pela imprensa.

Indaga-se: está-se diante de


tratamento especial da matéria ou
aplica-se a regra geral relativa à
intimação? Ora, buscou-se, com a
introdução no cenário jurídico-
constitucional dos juizados
especiais cíveis e criminais, a
simplificação da forma, a rapidez
na tramitação das ações. Quanto
ao processo penal, estabeleceu-se
rito próprio, cogitando-se de
procedimento sumaríssimo, a
envolver, inclusive, a denúncia oral
(artigo 77). Previu-se a intimação
em audiência, inclusive, a do
Ministério Público e, aí, conforme
consta do citado § 4º, determinou-
se, expressamente, a intimação da
data da sessão de julgamento pela
imprensa. Ora, a Lei nº 9.099, de
26 de setembro de 1995, é
enquadrável como lei especial e a
aplicação do Código de Processo
Penal apenas ocorre
subsidiariamente, no que não se
mostrar incompatível com a
sistemática por ela consagrada.
Poderia o legislador ter feito
inserir na lei a pessoalidade,
igualando o procedimento ao dos
processos penais em geral, tal
como inserto na Lei nº 1.060/50
(artigo 5º, § 5º), que prevê a
intimação pessoal do defensor.
Mais do que isso, poderia ter
cuidado da pessoalidade quando,
no ano seguinte à criação dos
juizados, procedeu à alteração do
Código de Processo Penal,
inserindo no artigo 370 o § 4º, com
a previsão da pessoalidade. Não o
fez e, com isso, prestou
homenagem ao princípio da
celeridade e economia processuais,
no que voltados à máxima eficácia
da lei com o mínimo de atuação
judicante. Tenho que a
controvérsia resolve-se, de forma
clara e evidente, pelo princípio da
especialidade. Observa-se, no
tocante às intimações, a
publicidade decorrente da
circulação da notícia do ato via
imprensa, não se podendo
caminhar para a exigência da
pessoalidade almejada neste
habeas corpus, sob pena de
olvidarem-se os parâmetros
normativos de regência e, com
isso, introduzir-se, em relação a
eles, prática burocrática que
somente postergará, no tempo, a
eficácia dos atos processuais.
Ressalto ainda que a norma
contida na Lei Orgânica da
Defensoria Pública, Lei
Complementar nº 80/94, sobre a
intimação pessoal, é de natureza
simplesmente processual, não
tendo contornos conducentes a ser
tomada como de caráter
complementar. Em síntese, não se
tem regra materialmente
complementar.
Aliás, considerado o
Ministério Público, faço uma
abordagem à margem do caso dos
autos: vem surgindo quadro
esdrúxulo a exigir nova
interpretação dos preceitos de
regência, isto relativamente aos
processos em geral. Sedimentou-se
a jurisprudência no sentido de a
pessoalidade das intimações não
se verificar com o recebimento dos
autos na secretaria da instituição,
sendo indispensável a oposição, no
processo, do ciente, o que tem
levado a lamentáveis abusos, com
a exacerbação do desequilíbrio de
armas, tendo em vista a defesa.
Simplesmente o próprio órgão do
Ministério Público fixa o termo
inicial do prazo previsto em lei,
porquanto somente lança o ciente
quando bem entende, ou seja,
quando se dispõe, encontrando
tempo, a examinar o processo e a
praticar o ato que lhe cabe. Prazos
de dias são transformados em
prazos de meses. Deixo este
registro para o amadurecimento do
quadro pelos integrantes da
Turma, pois estou convencido da
necessidade de uma evolução,
tendo-se o Ministério Público
como intimado com o simples
recebimento do processo,
certificado pela secretaria da
instituição. Feita esta ressalva,
volto ao caso dos autos.
As intimações ocorridas, tal
como constam da certidão de folha
177, via imprensa oficial,
mostraram-se consentâneas com a
norma de regência, no caso, o
artigo 82, § 4º, da Lei nº 9.099/95,
regra especial que guarda íntima
relação com o rito moderno e
simplificado dos Juizados
Especiais. Preservem-se os
contornos que os qualificam e os
tornaram respeitados e acatados
por toda a sociedade. Resista-se ao
fetichismo da forma, ao menos no
tocante a eles.
Por tais razões, indefiro a
ordem. Com isso, fica cassada a
liminar que deferi.
É como voto, na espécie dos
autos.

* acórdão ainda não publicado

Assessora responsável pelo Informativo


Maria Ângela Santa Cruz Oliveira
informativo@stf.gov.br