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Lição para EBD/Turma dos Adolescentes Ano: 2019

A AUTO-ESTIMA À LUZ DA BÍBLIA


Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros
superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual
também para o que é dos outros (Filipenses 2.3-4).

Objectivos

1. Esclarecer sobre a sedução da auto-estima;


2. Capacitar para responder biblicamente os defensores do movimento auto-estima;
3. Adoptar a postura correcta como cristão.

Introdução: Crianças e adultos precisam realmente de auto-estima? A baixa auto-estima


conduz a sérios problemas na vida? Os pais deveriam se esforçar para desenvolver a auto-
estima em seus filhos? A Bíblia incentiva a auto-estima? Muitos cristãos têm suposições sobre
este assunto; mas, o que diz a Bíblia? O que dizem as pesquisas?

I – COMPREENDENDO MELHOR SOBRE AUTO-ESTIMA


1. Auto-estima é: essa palavra aparece frequentemente como “auto-imagem” e “auto-
conceito”. Estas se referem à ideia que fazemos de nós mesmos. Para perceber melhor,
imagine-se como um escritor. Ao descrever a si mesmo como o personagem principal
de um livro, que palavras usaria? Provavelmente a descrição incluirá uma lista dos
traços da personalidade, os pontos fortes e fracos e características físicas. Auto-imagem
e auto-conceito incluem esses pensamentos que temos a respeito de nós mesmos.
Entretanto, auto-estima significa algo ligeiramente diferente. Auto-estima refere-se a
estimativa que uma pessoa faz acerca de seu próprio valor, sua competência e
sua importância. Ou ainda, qualidade de quem se valoriza, se contenta com seu
modo de ser e demonstra, consequentemente, confiança em seus actos e
julgamentos.

2. A génese da Auto-estima: O movimento da auto-estima tem seus fundamentos mais


recentes na psicologia clínica, isto é, nas teorias da personalidade elaboradas por
Wiliam James, Alfred Adler, Erich Fromm, Abraham Maslow e Carl Rogers, cujos
seguidores popularizaram o movimento. Contudo, as raízes do movimento da auto-
estima retrocedem aos primórdios da história humana. Tudo começou no terceiro
capítulo de Génesis. Inicialmente, Adão e Eva tinham consciência de Deus,
consciência um do outro, das coisas à sua volta e não de si próprios. A percepção de
si mesmos era secundária, uma vez que ambos estavam focados em Deus e um no
outro. Adão compreendia que Eva era osso dos seus ossos e carne de sua carne (Gn
2.23), mas não estava consciente de si do mesmo modo que seus descendentes seriam.
O “eu” não era problema até que entrou o pecado. Comer do fruto da árvore do

Por Erycson Dilangue, Bacharel em Teologia


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conhecimento do bem e do mal não trouxe a sabedoria divina. Resultou, sim, em culpa,
medo e na separação de Deus. Assim, quando Adão e Eva ouviram que Deus se
aproximava, esconderam-se entre as árvores. A resposta de Adão e Eva constitui o
primeiro exemplo de auto-justificação. Primeiro Adão culpou Eva e Deus, e então Eva
culpou a serpente. O fruto do conhecimento do bem e do mal gerou o ego pecaminoso
representado pelo amor-próprio, auto-aceitação, auto-justificação, hipocrisia, auto-
realização, auto-piedade e outras formas de auto-focalização ou egocentrismo,
elementos que estão relacionados à auto-estima. Desse modo, o actual movimento da
auto-estima tem suas raízes no pecado de Adão e Eva.

II – A RESPOSTA CRISTÃ PARA O MUNDO


Norteados pelo código de valores dissociado dos princípios bíblicos, os descrentes dizem:
"Você só precisa amar e aceitar a si próprio como você é. Você precisa se perdoar", e:
"Eu só tenho de aceitar-me como sou. Eu mereço. Eu sou uma pessoa digna de amor,
de valorização, de perdão."Como o cristão deve combater o pensamento do mundo, que
exalta o ego e o coloca no centro como a essência da vida? Como o cristão deve ser fiel à
ordem de nosso Senhor, de estar no mundo mas não ser do mundo? Ele pode adoptar e
adaptar-se à ideia popular de sua cultura, ou ele deve manter-se como quem foi separado por
Deus e encarar sua cultura à luz da Palavra?

1. Pesquisas não apresentam justificativas em favor da Auto-estima: Há alguns


anos, os deputados da Califórnia (nos Estados Unidos) aprovaram o projecto de
criação da "Força-Tarefa Californiana para Desenvolver a Auto-Estima e a
Responsabilidade Social e Pessoal", que teve a duração de três anos. A Força-Tarefa
acreditava que apreciar a si mesmo e fortalecer a auto-estima reduziria
"dramaticamente os níveis epidémicos dos problemas sociais que enfrentamos
actualmente. Com o objectivo de pesquisar esta relação, a Coordenação da Força-
Tarefa contratou oito professores da Universidade da Califórnia para examinar a
pesquisa sobre a auto-estima e sua relação com as seis áreas seguintes: Crime, violência
e reincidência; Abuso de drogas e álcool; Dependência da Previdência Social; Gravidez
na adolescência; Abusos sofridos por crianças e esposas; Deficiência infantil no
aprendizado escolar. Sete dos professores pesquisaram as áreas acima e o oitavo
resumiu os resultados, que foram publicados num livro intitulado The Social
Importance of Self-Esteem (A Importância Social da Auto-Estima). A conclusão feita
pelo senhor David L. Kirk foi: “as pesquisas sobre o assunto constituem uma ridícula e
abordagem maçante de cientistas pretensiosos. Há pouquíssima evidência de que a
auto-estima seja a causa de nossos males sociais”. Contudo, estudos mais recentes
indicam uma clara relação entre o comportamento violento e a alta auto-estima.

2. O ensinamento de Jesus: aos que não eram convertidos o Mestre chamou "Vinde a
mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre
vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis
descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve" (Mt
11.28-30). Este é um convite para deixarmos o nosso próprio caminho, submetendo-
nos ao espírito de humildade e servidão. Para os já convertidos, Jesus fez um convite
com palavras diferentes, mas com o mesmo objectivo e visando mesmo tipo de
relacionamento, quando disse: "Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue,

Por Erycson Dilangue, Bacharel em Teologia


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tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem
perder a vida por minha causa, achá-la-á" (Mt 16.24-25).

III – QUE IMAGEM DE MIM MESMO DEVO DESENVOLVER?

Tendo em conta que fazemos parte de um novo Reino (Cl 1.12-13), devemos
entender que nossa valorização vem do sacrifício de Jesus na cruz, pelo que o
nosso senso de valorização é resultado da restauração do meu relacionamento
com Deus, o Pai, através de Cristo. Daí a necessidade de imitar a Cristo em tudo,
uma vez que o Salvador não teve grande consideração por Ele mesmo (Fp 2.5-8).
Uma das causas da baixa auto-estima entre os cristãos dá-se pelo facto de não
entenderem quem verdadeiramente são em Cristo Jesus.
A auto-estima para o cristão é o resultado de se trocar a afirmação “eu sou o
maior”, “o mais esperto”, “o mais forte”, “o melhor”, por “ eu sou uma pessoa
criada a imagem de Deus, um pecador remido pela graça de Deus, e uma parte
importante do corpo de Cristo”. Pelo que para desenvolver uma imagem correcta
de nós mesmos, como filhos de Deus, precisamos:
1. Estar disposto a desistir de me considerar o centro do mundo e pensar
mais nos outros (Fp 2.3-4);
2. Reconhecer que precisamos do perdão e da redenção de Deus, (Cl 1.13-
14);
3. Aceitar-nos como filhos de Deus, alvos do Seu amor, o que nos torna
dignos e valorizados (Jo 1.12);
4. Abandonar o padrão do mundo (Rm 12.2).

CONCLUSÃO
Jesus não nos ordena que amemos a nós mesmos, mas que amemos a Deus e ao próximo. A
Bíblia apresenta uma base para o amor completamente diferente daquilo que a psicologia
humanista anuncia. Ao invés de promover o amor-próprio como a base para amarmos os
outros, a Bíblia diz que o amor de Deus é a fonte verdadeira. O amor humano é misturado
com o amor-próprio e, em última análise, pode estar em busca de seus próprios interesses. Mas
o amor de Deus entrega a si mesmo. Portanto, quando Jesus convida Seus discípulos a
negarem a si próprios e tomarem sobre si o Seu jugo e a Sua cruz, Ele os conclama a um amor
que doa a si mesmo, não a um amor que satisfaz a si mesmo.
Jesus convida os Seus para um relacionamento de amor com Ele e de um para com o outro. A
alegria dos Seus deve ser encontrada nEle, não em si mesmos. O amor vem de Seu amor por
eles. Assim o amor deles, de um para o outro, não vem do amor-próprio e da auto-estima,
tampouco aumenta a auto-estima. O foco do amor na Bíblia é para cima e para fora ao invés
de ser para dentro. O amor é tanto uma actitude como uma acção de uma pessoa para com a
outra. Embora o amor possa incluir sentimentos e emoções, ele é essencialmente uma acção
determinada pela vontade para a glória de Deus e para o bem dos outros. Por isso Jesus disse:
"Amarás, pois o Senhor, teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de
toda a tua força e "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mc 12.30-31).

Por Erycson Dilangue, Bacharel em Teologia


Lição para EBD/Turma dos Adolescentes Ano: 2019

BIBLIOGRAFIA

Bíblia de Estudo Plenitude, Almeida Revista e Corrigida. SBB, São Paulo, 2001

Dicionário eletrónico Houaiss da Língua Portuguesa, versão 3.0

https://www.estudosgospel.com.br/estudo-biblico-polemico-dificil/auto-estima-para-
cristaos.html

Revista Chamada da Meia-Noite, Fevereiro de 1999

RENOVATO, Elinaldo. Perigos da Pós-Modernidade. CPAD,Rio de Janeiro 2010.

STAMPS, DonaldC. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro, 1995.

ZIBORDI, Ciro S. Adolescentes S/A - Coisas que rapazes e moças precisam saber. CPAD,
RJ/Brasil, 2004

Por Erycson Dilangue, Bacharel em Teologia

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