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Aprendizado de Cálculo Diferencial e Integral II: curso noturno versus

curso diurno integral na FEG/UNESP

Maria Cecília Zanardi


João Carvalho Lima
Depto de Matemática, FEG, UNESP
12516-410, Guaratinguetá, SP
E-mail: cecília@feg.unesp.br

RESUMO

O objetivo deste trabalho é apresentar uma análise quantitativa realizada junto ao


desempenho dos alunos na disciplina de Cálculo Diferencial e Integral II (CDI-II) dos cursos de
Engenharia Elétrica (período integral) e Engenharia Mecânica (período noturno). A análise está
relacionada com os anos de 2006 e 2007 quando a mesma docente (co-autora deste trabalho)
ministrou a disciplina para estas duas turmas, tendo utilizado as mesmas técnicas de ensino em
ambas as turmas.
Nos anos de 2006 e 2007 o sistema acadêmico das engenharias da FEG/UNESP era o
sistema seriado, com disciplinas anuais, sendo a disciplina CDI-II uma disciplina com 4 aulas
semanais em ambas as engenharias.
Inicialmente foi realizado um levantamento dos erros matemáticos sistemáticos
cometidos em provas individuais na disciplina CDI-II, vinculada aos dois cursos, nas provas
realizadas no primeiro semestre, sendo que os tópicos que compõem este primeiro semestre de
CDI_II são integrais duplas e triplas, sistemas de coordenadas curvilíneas (destacando-se os
sistemas de coordenadas polares, cilíndricas e esféricas), campos vetoriais, integral de linha,
teorema de Green, integral de superfície, integral de fluxo, teorema de Gauss e teorema de
Stokes. Para todos estes tópicos existe uma dependência muito grande com tópicos da disciplina
de Cálculo Diferencial e Integral I (destacando os métodos de integração, funções de várias
variáveis e derivadas parciais) e de Geometria Analítica (destacando a identificação e
visualização de curvas, superfícies e sólidos).
Observou-se que os mesmos tipos de erros foram realizados pelos alunos de ambas as
turmas. Eles aparecem explícitos em cada prova analisada e, suas causas parecem ser as mesmas
independentes do curso e período do curso. Isto nos impossibilita traçar um perfil preciso de
diferenças existentes entre os alunos do período Noturno e do Diurno durante estes anos,
todavia é possível comparar o número total de erros básicos cometidos por cada turma durante
as provas realizadas, como mostra a Figura 1.

Análise de Erros Básicos


Cometidos pela Eng.
Elétrica
Ano 2006

296
Cometidos pela
1 194 Eng.Mecânica
490
Nº Erros Básicos
Cometidos

Análise de Erros Básicos


Cometidos pela Eng.
Elétrica
59 Cometidos pela
Ano 2007

1 139 Eng.Mecânica
198
Nº Erros Básicos
Cometidos

Figura 1 – Quantificação de erros matemáticos básicos para 2006 e 2007.

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Com relação ao número de reprovações na disciplina, observa-se um número maior de
reprovações no curso noturno, em torno de 30% para o curso noturno e 10% para o curso
integral, contra uma evasão em torno de 16% para o curso noturno e 10% para o curso diurno.
Esta diferença era esperada, uma vez que os alunos do curso noturno enfrentam maiores
dificuldades, sendo que a maioria possui uma jornada de trabalho aliada ao curso universitário.
O número de reprovações foi reduzido de 2006 para 2007 no curso de engenharia elétrica, tendo
sido resultado da sistemática do Departamento de Matemática da FEG em aumentar o número
de turmas das disciplinas, resultando em um número menor de alunos por turma e refletindo em
uma melhor qualidade do aprendizado..
Devido a vinculação existente entre as disciplinas Cálculo Diferencial Integral I (CDI-I)
e Álgebra Linear e Cálculo Vetorial (ALCV) e CDI-II, foi também analisado se os alunos
reprovados em CDI-II já haviam sido aprovados em ALCV e CDI_I. Verificou-se 60% dos
alunos reprovados de ambos os cursos em 2006 não tinham sido aprovados em CDI-I, com este
número tendo sido reduzido em 2007 para 30%. Portanto uma grande maioria dos alunos
reprovados enfrenta dificuldades no aprendizado de CDI-II, mesmo tendo sido aprovados em
disciplinas pré-requisitos do primeiro ano de seus respectivos cursos. Ou seja, o aluno que não
assimilou e compreendeu adequadamente os conceitos em CDI-I e ALCV, principalmente os
relacionados com técnicas de integração e identificação e visualização de superfícies, possui
muita dificuldade em compreender os conceitos envolvidos na disciplina de CDI-II. A Figura 2
ilustra as reprovações nos cursos.

Engenharia Mecânica

Reprovados em CDI
II
Reprovados em CDI
I
Reprovados em
ALCV
2006 2007

Engenharia Elétrica

Reprovados em
CDI II
Reprovados em
CDI I
Reprovados em
ALCV

2006 2007

Figura 2 – Comparação das reprovações de CDI-I, ALCV e CDI-II .

Referências

[1] K. Conceição, M. B. Gonçalves. Contribuição para o ensino de matemática nos cursos de


engenharia, Anais do XXIV Encontro Nacional de Engenharia de Produção, 1 -8, Florianópolis,
2004.
[2] H. N. Cury. Análise de Erros em Cálculo Diferencial e Integral: resultados de investigações
em cursos de engenharia. Anais do Congresso de Brasileiro de Ensino de Engenharia, CD-Rom,
1-10, Rio de Janeiro, 2003.
[3] J. C. Lima. “Análise de Erros em Cálculo Diferencial e Integral II de Cursos de Engenharia
da FEG/UNESP”. Trabalho de Conclusão de Curso. FEG/UNESP.Guaratinguetá, 2008.
[4] M. C. Zanardi, J. C. Lima. Análise de Erros na Disciplina de Cálculo Diferencial e Integral
II do Curso de Engenharia Mecânica Noturno da FEG/UNESP. Anais do XXXII CNMAC, CD-
ROM, v.2, 1121-1122, São Paulo,2009.

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