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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DE

FAMÍLIA E SUCESSÕES DA COMARCA DE XXXXXXXXI/UF

Autos nº XXXXX-XX.XXXXXXX

Em face de XXXXX, (qualificações das partes), conforme os


fundamentos de fato e de direito postos a seguir.

I – NECESSÁRIA RETIFICAÇÃO DA QUALIFICAÇÃO DOS RÉUS

A petição inicial qualificou os Réus de modo incorreto em alguns


pontos, sendo necessária a correção das respectivas informações.
Veja-se.

Os Réus não são divorciados, são separados judicialmente.

Além disso, o endereço atual do Primeiro Réu não é aquele informado


pelo Autor e sim o constante da qualificação acima apresentada.

II – PRELIMINARES

II.1 – DO VALOR DA CAUSA

Nos termos do art. 337, III, do NCPC, incumbe ao réu impugnar, agora
em sede de contestação, a incorreção do valor da causa.

Por sua vez, o art. 292, III, do NCPC, assevera que nas ações de
alimentos o valor da causa corresponderá ao valor de 12 (doze)
prestações alimentícias.

Ocorre, no entanto, que no caso dos autos o Autor não lançou, de


forma líquida e especificada, o montante que entende devido a título
de alimentos, tendo feito pedido um tanto quanto genérico tendo,
posteriormente, lançado o valor da causa de modo aleatório, não se
permitindo sequer a compreensão acerca do valor apontado.

Logo, fica impugnado o valor da causa e desde já se requer a sua


adequação ao preceito processual acima conclamado.

II.2 – DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA AO AUTOR

Nos termos do art. 337, XIII, do NCPC, também cabe ao réu impugnar,
em contestação, a concessão indevida dos benefícios da assistência
judiciária à parte que dela não necessita.
No caso dos autos a benesse foi concedida tendo como base
declaração de hipossuficiência financeira assinada pela representante
legal do Autor, em nome próprio.

Cabe então apontar, desde já, que eventual gratuidade haveria de ser
postulada a favor do Autor, como titular dos direitos discutidos nos
autos, ainda que a declaração fosse assinada por sua representante
legal.

O que ocorre, no entanto, é a declaração de hipossuficiência


financeira direcionada única e exclusivamente à representante legal
do Autor, não sendo ela parte na demanda, legitimada a postular
direito de outrem em seu próprio nome.

Ademais, ainda que se entenda que a representante legal do Autor


poderia postular diretamente a benesse judiciária, ver-se-á que ela
não faz jus ao benefício.

Prova disso é o fato de ela ser proprietária, exclusiva, de veículo


automotor importado, marca XXXXXXX, placa XXX-XXXX, que pode
inclusive ser considerado de luxo a depender de seu modelo, avaliado
na faixa de preço entre R$XXXX e R$XXXX, o que denota que, a
princípio, a representante legal do Autor teria condições, sim, de arcar
com as despesas processuais e honorários advocatícios, não fazendo
jus à gratuidade de justiça, motivo pelo qual fica impugnada a
concessão do benefício, consoante o entendimento jurisprudencial do
e. TJMG abaixo apresentado.

“APELAÇÃO CÍVEL. IMPUGNAÇÃO À JUSTIÇA GRATUITA.


PROCEDÊNCIA. PESSOA FÍSICA. AQUISIÇÃO DE VEÍCULO
IMPORTADO. BEM DE ALTO PADRÃO DE LUXO.
INCOMPATIBILIDADE COM A RENDA DECLARADA.
INVEROSSIMILHANÇA DA DECLARAÇÃO DE POBREZA. Se o
requerente da justiça gratuita apresenta situação fática que não condiz
com sua declaração de pobreza, haja vista ter ele adquirido um
veículo importado no valor de R$115.000,00, à vista, sem necessidade
de qualquer financiamento, não há verossimilhança na sua declaração
de pobreza que, na verdade, goza de presunção iuris tantum.
De outro lado, se a renda salarial do agravante, demonstrada nos
autos, é incompatível com a aquisição de tal bem, obviamente que tal
documento não pode ser levado em linha de conta no julgamento do
pedido. A sentença que julgou procedente a impugnação deve ser
mantida porque decidiu a causa de acordo com as provas e a
jurisprudência atual deste Tribunal e de outros.” (TJMG – Apelação
1.0024.09.662434-1/001. Rel. Des. Luciano Pinto. Julgamento:
19/01/2012. Publicação: 02/02/2012).

III – PEDIDO DE ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA

Os Réus requerem a V. Exa. a concessão dos benefícios da


assistência judiciária gratuita, com base nas declarações de
hipossuficiência financeira anexas, por não possuírem condições
econômicas atuais de arcar com as despesas processuais e
honorários advocatícios sem prejuízo de seu sustento e o de sua
família, na forma legal. Explica-se.

O Primeiro Réu, apesar de auferir ganhos supostamente elevados,


especificados abaixo, encontra-se em situação financeira
desajustada, conforme demonstram os documentos anexos e as
explicações colacionadas nos tópicos seguintes desta manifestação.

Assim, ele encontra-se em situação de hipossuficiência financeira, não


possuindo condições de arcar com as despesas processuais e
honorários advocatícios, sendo esta a razão do pedido de concessão
da benesse.

No entanto, caso V. Exa. não entenda pela absoluta hipossuficiência


financeira do Primeiro Réu, fica desde já requerida a concessão dos
citados benefícios em caráter parcial, conforme permite o novel art.
98, §§ 5º e 6º, do CPC.

Por sua vez, a Segunda Ré faz ainda mais jus à concessão da


gratuidade de justiça.

Conforme provam os documentos anexos e os fatos abaixo


demonstrados, os seus rendimentos não são vultosos e, além disso,
encontram-se sensivelmente comprometidos com suas despesas
correntes, também abaixo comprovadas.

Assim, com base em sua atual situação financeira delicada e


comprometida, a Segunda Ré postula a concessão da benesse
judiciária.

No entanto, caso V. Exa. não entenda pela absoluta hipossuficiência


financeira da Segunda Ré, em estrita eventualidade, fica desde já
requerida a concessão dos citados benefícios em caráter parcial,
conforme permite o novel art. 98, §§ 5º e 6º, do CPC.

IV – DOS FATOS
Antes de adentrar ao mérito da causa, cumpre esclarecer a V. Exa.
alguns aspectos factuais importantes.

O Autor, nascido em 2001, é neto dos Réus, filho de XXXXXXXX, que


era casado com XXXXXXXX desde aquele ano e que infelizmente
faleceu em 2008.

Em 2001 XXXXXXX começou a trabalhar na frota de táxi (clandestina


até então, diga-se) da família de sua esposa. À época, dada a
impossibilidade de adquirir imóvel próprio, eles viviam junto da família
da esposa, mas a família paterna sempre esteve presente na vida da
criança, em termos materiais e também afetivos.

Em 2003, devido a dificuldades no convívio diário, o casal se mudou


com seu filho, ora Autor, para a residência dos seus avós paternos, os
Réus, que lhe cederam a parte superior do imóvel, a título provisório,
composta por um terraço, utilizada anteriormente como “área de
serviço”. Ali XXXXXXX construiu os cômodos, transformando a área
em sua nova residência com a esposa e o filho, ora Autor, ainda
pequeno (imóvel este caracterizado na peça inicial como sendo a casa
XX).

Frise-se que não houve desmembramento ou doação da área,


inclusive porque a entrada dos dois imóveis (XX e XX-X) é comum,
bem como a “área de serviço”, tendo havido mera permissão dos
Réus para que o filho pudesse ali se estabelecer com sua família, tudo
de forma amigável, amorosa, acolhedora, inclusive em razão da
situação da criança, que já sinalizava particularidades em seu
desenvolvimento àquela época.

Então, considerando a proximidade com que as duas famílias


passaram a conviver, imagine Excelência, que a presença da família
paterna na rotina da criança intensificou-se ainda mais, de forma
diária, em todos os momentos.

À época, o pai da criança dedicava-se ao trabalho, enquanto a mãe


trabalhava e estudava. Então, o Autor ficava constantemente aos
cuidados de sua avó paterna, Primeira Ré, que lhe ensinava tarefas
escolares (inclusive por ser professora de carreira), levava e buscava
na escola, participava das reuniões de pais e alunos na ausência dos
pais, fornecia alimentação em sua residência, brincava com a criança,
fazendo-se presente diuturnamente.

Com o falecimento de XXXXXXX em XXXX a presença da família


paterna manteve-se firme ao lado da criança e de sua mãe, que
permaneceram no imóvel, de forma graciosa, justamente por
entenderem os Réus que toda sorte de ajuda (material, afetiva,
psicológica) era mais que necessária, era obrigatória ao ente familiar
(e diga-se, inclusive, que durante todos estes anos, desde XXXX, a
mãe da criança nunca se preocupou em contribuir para o pagamento
do IPTU do imóvel, por exemplo, tendo ela pago parte do valor apenas
no ano corrente, XXXX).

E o suporte da família paterna à criança, especificamente, também se


fortaleceu após o trágico falecimento de XXXXXXX.

A figura do pai jamais seria completamente preenchida na vida da


criança, mas os Réus (e demais familiares) sempre fizeram tudo para
proporcioná-la condições de desenvolvimento físico, psicológico,
afetivo e material compatíveis às suas necessidades.

Os Réus possuem amplo conhecimento sobre as condições peculiares


do Autor, tendo acompanhado, desde a sua tenra idade, seu ingresso
na vida escolar, suas dificuldades de aprendizado, sua necessidade
de acompanhamento e tratamento médico especializado.

Nenhuma condição vivenciada pelo Autor jamais foi negligenciada


pelos Réus e demais entes de sua família paterna, como
lamentavelmente quis fazer crer a petição inicial.

Todos os tratamentos de que a criança necessita foram ofertados pela


família paterna ao longo dos anos, por ter ela vínculos pessoais e
profissionais com pessoas da área da saúde (familiares e amigos
próximos).

Como exemplos, a família paterna propôs que o Autor se submetesse


a acompanhamento psicológico prestado pelo CRAS e a tratamento
fonoaudiológico prestado pelo PSF Frei Dimas, próximos de sua
residência, inclusive. Serviços estes fornecidos gratuitamente e com
profissionais de saúde qualificados, que atenderiam perfeitamente à
necessidade do Autor.

Todas as tentativas restaram frustradas, em razão da postura


inflexível da mãe da criança de não aceitar as indicações, por preferir,
injustificadamente, serviços particulares, exclusivamente.

Ademais, a criança também sempre encontrou amparo de sua família


paterna em todo o tipo de ocasiões especiais. Em momentos como os
aniversários da criança, férias, Páscoa, Dia das Crianças, Natal etc., a
família paterna esteve presente, tanto afetivamente como
materialmente, inclusive presenteando a criança com brinquedos
infantis de todos os tipos, acessórios ligados à prática esportiva,
principalmente futebol, como bolas e chuteiras por ela escolhidos e
comprados pelos Réus, apenas a título exemplificativo.

De modo geral, vê-se que a peça inicial apontou, em vários


momentos, que a pretensão alimentícia seria provada em Juízo
mediante a oitiva de várias pessoas ali nomeadas, que serviriam para
comprovar os fatos alegados, na qualidade de informantes.

Ora, Excelência, a pretensão inicial prefere atribuir mais peso


probatório à oitiva de meros informantes do que a base probatória
fundada em documentos, ainda que minimamente consolidada, o que
não se pode admitir.

Basear toda a prova do feito em documentos parcos e em oitiva de


inúmeros informantes é subverter a técnica probatória processual que
deve imperar nos autos, é tumultuar o que diz o direito processual
pátrio acerca do tema.

Isso posto, alegar que os Réus nunca estiveram presentes na vida da


criança é inadmissível: os fatos mostram o contrário.

Dizer que a mãe do Autor e ele próprio nunca receberam qualquer tipo
de suporte (não apenas material, diga-se) é inaceitável.

Diminuir a importância da família paterna mesmo depois de tudo que


se passou até aqui é de uma pequenez assustadora.

Para se postular o direito aos alimentos não é necessário macular a


imagem de pessoas que sempre estiveram ao lado do Autor, desde os
primeiros momentos de sua vida.

Bastaria ao Autor se dirigir aos Réus, no espaço de convivência


pacífica e civilizada de seu próprio lar, delimitar aos Réus a sua
necessidade, em termos reais e específicos, e eles, voluntariamente,
prestariam a pensão alimentícia em termos justos, não de modo
imposto e arbitrário, como fez a peça de ingresso.

Além disso, a pretensão aqui deduzida contém falhas relevantes, pois,


por exemplo, não foram informadas, sequer genericamente, as
despesas mensais do Autor, bem como qual valor dos ganhos
mensais de sua mãe que são a ele destinados.

Por fim, a petição inicial sequer indicou, de modo minimamente


preciso, o valor dos alimentos objetivados, considerando que o pedido,
de forma genérica, postulou, desproporcionalmente, a pensão em
percentual sobre os rendimentos líquidos dos Réus.

Ver-se-á abaixo, portanto, que o pedido formulado pelo Autor deve ser
julgado improcedente, por não atender os requisitos legais
necessários à estipulação dos alimentos.

V – DO DIREITO

V.1 – DOS ASPECTOS GERAIS

O direito a alimentos, consagrado constitucionalmente pelos arts. 227


e 229 do Texto Magno de 1988, vem especificado pelos arts. 1694 e
seguintes do Código Civil de 2002.

E consoante a lição de Flávio Tartuce (Manual de Direito Civil, Vol.


Único, Ed. Método, São Paulo, 4ª edição, 2014, p. 1299) da análise do
direito positivo surgem os pressupostos para o dever alimentar, a
saber:

– a necessidade do alimentando;

– a possibilidade do alimentante;

– a proporcionalidade (ou razoabilidade) da quantia pleiteada.

V.2 – DA NECESSIDADE

Como primeiro pressuposto do direito aos alimentos, a necessidade


do alimentando precisa ser provada, de modo claro e específico, ainda
que minimamente, para que se atenda ao comando do §1º do art.
1694 do CC/02.

Ao contrário do que afirmou a peça inicial, a pensão alimentícia não


pode ser estipulada a partir de presunções ou meras estimativas, por
meio de uma pretensão desacompanhada do mínimo probatório que
permita o esclarecimento da necessidade do alimentando.

Veja, Excelência, que a petição inicial nada mais fez do que ignorar,
por completo, a demonstração do requisito material aqui analisado.
Tentou-se, a todo custo, pintar o quadro fático de que o Autor
necessita de toda ordem de cuidados específicos, sejam eles médicos
ou psicológicos, mas, ao mesmo tempo, tal situação foi lançada de
forma desarrazoada, sem comprovação, de fato, de qual a correlação
entre as supostas necessidades e a efetiva demonstração das
despesas correspondentes no orçamento familiar mensal.
Não foram apresentados comprovantes das despesas mensais
realizadas pela representante legal a favor do Autor.

Gastos com alimentação, saúde, transporte, lazer, moradia, vestuário


sequer foram relacionados pela petição inicial.

Foram trazidos apenas documentos esparsos que denotam a


realização de uma ou outra consulta médica ou com psicólogo (id.
XXXXXX, id. XXXXX), o pagamento de um plano de saúde do Autor
(parte dos documentos id. XXXXXX) bem como de uma sessão de
pilates que teria sido por ele realizada (id. XXXXXXX), em data já
antiga, distantes da data do ingresso do feito inclusive. Ou seja, são
despesas presumidamente remotas ou esporádicas, não comprovadas
com habitualidade, das quais não se pode presumir que façam parte
do efetivo cotidiano da necessidade do Autor.

A princípio, a única despesa efetivamente comprovada nos autos,


titularizada pelo Autor e presumidamente mensal, é a mensalidade
escolar, representada pelos documentos emitidos pela instituição de
ensino na qual ele encontra-se matriculado (parte dos documentos id.
XXXXXXX).

Ora, se não houve efetiva demonstração das despesas do Autor,


como se chegará ao valor do qual ele necessita todos os meses para
viver? Como se poderá, então, estipular, dentro deste montante, qual
valor deve ser arcado pelos Réus, considerando também a obrigação
da mãe em contribuir com a criança (art. 1698, CC/02)?

Ademais, no conjunto de alegações genéricas e baseadas em


presunções que não se sustentam, a peça inicial não demonstrou que
a representante legal do Autor não possui condições de prover-lhe o
sustento, obrigação a ela dirigida primariamente (art. 1634, CC/02).

Neste particular, a inicial alegou apenas que a mãe da criança possui


baixa renda, por não ter sido contratada para lecionar em dois turnos
na rede estadual de ensino, perdendo 50% de seus rendimentos, que
eram de R$XXXXXX até dezembro de 2015.

Ora, Excelência, aqui reside uma falha na pretensão inicial, dentre


tantas outras: o único contracheque da representante legal da criança
juntado aos autos, datado de junho de 2015, aponta o salário líquido
de aproximadamente R$XXXX (id. XXXXXX), criando flagrante
contradição com o que a própria inicial afirmou anteriormente,
demonstrando o descompasso entre as informações alegadas e a
realidade, num sinal de clara fragilidade jurídica da pretensão
postulada.

Por que a representante legal do Autor não juntou aos autos


contracheques recentes? Ademais, se em 2015 ela recebia
R$XXXXXXX(conforme sua própria alegação), de onde seria a renda
que complementaria a do contracheque apresentado?

Não é possível, então, saber sequer quais são os rendimentos da


genitora, tendo ela omitido tal informação, em clara afronta à lealdade
e à boa-fé processuais (NCPC, arts. 5º e 6º).

E mais. Por que razão a representante legal do Autor, estando em


plena capacidade laborativa, não trabalha em período integral?

Há alguma justificativa para o fato de ela trabalhar apenas 4 horas por


dia (além da frágil alegação de que ela “não conseguiu ser
contratada” para trabalhar em período integral)? Ela sequer
demonstrou ter concorrido às referidas vagas de trabalho, ao que
parece, de professora designada do Estado de Minas Gerais…

A acomodação com esta situação não pode redundar em ônus


indevidos aos Réus.

Além disso, relembre-se o que foi dito anteriormente: a representante


legal do Autor afirmou não possuir condições financeiras de prover o
sustento ao filho, mas é proprietária de veículo importado XXXXXX e
pôde, além de adquiri-lo, arcar com suas despesas de manutenção e
impostos que, aliás, sabe-se serem custosos, especialmente no nosso
estado, o segundo IPVA mais caro do país (conforme noticiado pela
grande mídia).

Ademais, inclusive por residirem de forma muito próxima, os Réus são


testemunhas oculares de que não são raras as oportunidades em que
a mãe do Autor promove festas e encontros de familiares e amigos em
sua residência, principalmente aos finais de semana, regados a muita
comida e bebida, tudo por suas próprias custas.

Como será possível alegar, pois, não ter ela meios para custear a vida
do filho?

De onde vieram os recursos para o veículo importado e para as


frequentes comemorações que ela promove em sua casa?

São contraditórias, portanto, as alegações iniciais em confronto com


os fatos.
Diante de todos estes fundamentos, é preciso questionar, então, a
necessidade material do pleito de alimentos avoengos aqui analisado.

Uma vez não demonstrada, concretamente, a impossibilidade da mãe


em prover o sustento de seu filho, não exsurge a obrigação
direcionada aos avós, sob pena de se promover o enriquecimento
ilícito daquele que realmente ostenta o dever alimentar, os pais.

Este é o entendimento pacífico encontrado em doutrina e em


jurisprudência. Veja-se.

Segundo a lição de Maria Aracy Menezes da Costa:

“A jurisprudência tem confirmado, de forma veemente, a


suplementação dos alimentos pelos avós, inclusive no Superior
Tribunal de Justiça, mas de forma excepcional e transitória, ‘de
modo a não estimular a inércia ou acomodação dos pais, sempre
primeiros responsáveis’. (…) O Centro de Estudos do Tribunal de
Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, com relação à obrigação
alimentar dos parentes, concluiu, através de enunciado no. 44 que ‘a
obrigação alimentar dos avós é complementar e subsidiária à de
ambos os genitores, somente se configurando quando pai e mãe
não dispõem de meios para promover as necessidades básicas
dos filhos’. Em sua justificativa, pondera que o artigo 1.696 do
Código Civil dispõe que a obrigação alimentar recai nos parentes
‘mais próximos em grau, uns em falta de outros’. Somente após
demonstrada a impossibilidade de todos os mais próximos em
suportar o encargo alimentar é que se pode configurar a obrigação
dos ascendentes mais remotos. Dessa forma, se viabiliza a postulação
de alimentos contra os avós quando o pai e a mãe não possuem
condições de arcar com o sustento dos filhos. Se apenas um dos pais
apresenta condições, deve assumir sozinho a mantença do filho.
Apesar de a fundamentação ser clara e explícita quanto ao fato de não
haver ‘compensação’ ou ‘substituição’ do pai faltante pelo avô quando
apenas um dos pais apresenta condições, essa clareza não se fez
presente no corpo do enunciado. O Superior Tribunal de Justiça
tem ratificado seu entendimento de que os avós somente serão
responsabilizados na incapacidade de os pais cumprirem seu
encargo, não admitindo que a ação seja ajuizada diretamente contra
os avós.” (Os limites da obrigação alimentar dos avós. Porto Alegre:
Livraria do Advogado, 2011, p. 114-116) (grifos acrescidos)

O excerto doutrinário acima apresentado foi inclusive utilizado como


fundamento pelo STJ, em julgado recente, transcrito a seguir:
“RECURSO ESPECIAL. DIREITO DE FAMÍLIA. OBRIGAÇÃO
ALIMENTAR AVOENGA. RESPONSABILIDADE COMPLEMENTAR E
SUBSIDIÁRIA DOS AVÓS. PRESSUPOSTOS. 1. A obrigação
alimentar dos avós apresenta natureza complementar e subsidiária,
somente se configurando quando pai e mãe não dispuserem de meios
para promover as necessidades básicas dos filhos. 2. Necessidade de
demonstração da impossibilidade de os dois genitores proverem os
alimentos de seus filhos. 3. Caso dos autos em que não restou
demonstrada a incapacidade de a genitora arcar com a subsistência
dos filhos. 4. Inteligência do art. 1.696 do Código Civil. 5. Doutrina e
jurisprudência do STJ acerca do tema. 6. Recurso Especial
desprovido.” (STJ – REsp 1.415.753 – MS. Rel. Min. Paulo de Tarso
Sanseverino – Publicação 27/11/2015)

É este também o entendimento de nossos Tribunais, inclusive o e.


TJMG:

RECURSO DE APELAÇÃO. AÇÃO DE ALIMENTOS. AVÓ PATERNA.


NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA IMPOSSIBILIDADE DO
PAI. AUSÊNCIA DE PROVAS. ALIMENTOS INDEFERIDOS.
SENTENÇA MANTIDA. A responsabilidade dos avós em prestar
alimentos aos netos deve ser reconhecida no caso da
impossibilidade dos pais em arcar com a pensão de forma
integral. Não havendo prova suficiente da impossibilidade, total
ou parcial, do pai arcar com a pensão alimentícia da
filha, não subsiste a obrigação dos avós paternos de prestar
alimentos para a neta. Recurso a que se nega provimento.(TJMG –
Apelação Cível 1.0105.08.266185-8/002. Rel. Des. Ernane Fidélis.
Julgamento: 02/03/2010. Publicação: 16/04/2010) (grifos acrescidos)

“AGRAVO DE INSTRUMENTO – AÇÃO DE ALIMENTOS –


ALIMENTOS PROVISÓRIOS – GENITOR – PARCIAL
INCAPACIDADE – RESPONSABILIDADE DOS AVÓS PATERNOS
SUBSIDIÁRIA E COMPLEMENTAR – OBSERVÂNCIA DO PADRÃO
DE VIDA DOS GENITORES – RECURSO PARCIALMENTE
PROVIDO. 1. Para que haja a condenação dos avôs paternos ao
pagamento de pensão alimentícia em favor dos netos,
imprescindível a demonstração da incapacidade financeira, total
ou parcial, dos genitores dos menores em mantê-los
condignamente. 2. Ainda que os avós gozem de alto padrão de vida,
tal fato, por si só, não autoriza que os alimentos provisórios em favor
dos netos sejam arbitrados em valor superior à necessidade por eles
demonstrada, pois a obrigação, nesta hipótese, não decorre
diretamente do poder familiar, mas sim das relações de parentalidade,
possuindo natureza meramente subsidiária e complementar. 3.
Recurso parcialmente provido.” (TJMG – AI 1.0114.15.003615-9/001.
Rel(a). Des(a). Teresa Cristina da Cunha Peixoto. Julgamento:
10/12/2015. Publicação: 16/12/2015)

“APELAÇÃO CÍVEL – AÇÃO DE ALIMENTOS MOVIDA –


OBRIGAÇÃO AVOENGA – AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA
IMPOSSIBILIDADE DA GENITORA EM ARCAR COM O SUSTENTO
DOS MENORES – RECURSO PROVIDO. 1. A obrigação de prover
o sustento de filhos menores é, primordialmente, de ambos os
genitores, isto é, do pai e da mãe, devendo cada qual concorrer
na medida da própria disponibilidade. 2. O chamamento dos avós é
excepcional e somente se justifica quando nenhum dos genitores
possui condições de atender o sustento dos filhos menores e os avós
possuem condições de prestar o auxílio sem afetar o próprio sustento,
o que inocorre no caso. 3. A obrigação dos avós de prestar
alimentos aos netos é complementar e admitida somente quando
comprovada a efetiva necessidade e a impossibilidade ou
insuficiência do atendimento por qualquer dos genitores.” (TJRS
– Apelação Cível 70049951148. Rel. Des. Sérgio Fernando do
Vasconcellos Chaves. Julgamento: 29/08/2012. Publicação:
09/09/2012) (grifos acrescidos)

Resta demonstrado, portanto, que o pedido de pensão feito pelo Autor


não se fez acompanhar de lastro probatório que demonstrasse a real
necessidade dos alimentos, especificamente nos valores ao final
pleiteados.

V.3 – DA POSSIBILIDADE

O segundo fundamento basilar da obrigação alimentar é a


possibilidade de o alimentante contribuir ao alimentando, na proporção
de suas condições (art. 1694, §1º, CC/02).

E neste particular incumbe aos Réus demonstrar a V. Exa. quais são


suas condições financeiras atuais, inclusive quais são as despesas
que já possuem cotidianamente.

O Primeiro Réu é agente de segurança penitenciário (XXXX),


separado judicialmente, vive em humilde imóvel alugado, e apesar do
alardeado pela petição inicial, não possui condição financeira
favorável e abastada, como se demonstrará.
Ele, hoje contando com XX anos de idade, vive sozinho, tendo de
arcar com todas as suas despesas residenciais por conta própria. E
além das despesas pessoais, há ainda outras, como pensão paga à
filha, por exemplo.

Além disso, por questões particulares que escapam ao objeto dos


autos, ele incorreu, há alguns anos, em situação de desajuste
financeiro pessoal e familiar, que o levaram a contrair empréstimos
bancários diversos, alguns deles direcionados a resolver questões de
terceiros inclusive (amigos, parentes etc.).

Enfim, como demonstram os documentos anexos, o contracheque do


Primeiro Réu possui vários descontos destes empréstimos, além dos
descontos corriqueiros, como contribuição previdenciária, contribuição
sindical, Imposto de Renda retido na fonte, coparticipação de saúde e
etc.

E além destes empréstimos descontados em folha, também há outros


empréstimos bancários que o Primeiro Réu tem a pagar mensalmente,
como abaixo se verá.

Então, a despeito de aparentar receber salário expressivo


(vencimentos brutos de aproximadamente R$XXXXX), a atual
condição do Primeiro Réu não é de largueza econômica.

Pelo contrário. Veja-se a relação de suas despesas mensais.

– aluguel: R$XXX

– alimentação (supermercado, açougue, padaria): R$XXX

– gás: R$XX;

– diarista doméstica: R$XXX;

– lavanderia: R$XXX;

– parte da mensalidade da faculdade da filha: R$XXX;

– energia elétrica residencial (último mês, similar aos meses


anteriores): R$XX;

– água residencial (último mês, similar aos meses anteriores): R$XX;

– serviços de telefonia (último mês, similar aos meses anteriores):


R$XX;
– cartão de crédito (último mês, valor considerando compras feitas
com a necessidade de mobiliar imóvel recentemente alugado):
R$XXXX;

– empréstimo BMG I: R$XX;

– empréstimo Banco do Brasil I: R$XXX;

– coparticipação IPSEMG: R$XX;

– IR retido na fonte: R$XXX;

– pensão alimentícia: R$XXX;

– IPSEMG assistência médica (último mês): R$XXX;

– contribuição sindical: R$XXX;

– empréstimo Banco do Brasil II: R$XXX;

– empréstimo Banco do Brasil III: R$XXX;

– empréstimo Itaú I: R$XXX;

– contribuição previdenciária: R$XXX

– empréstimo Banco do Brasil IV: R$XX;

– empréstimo Banco do Brasil V: R$XXX;

– empréstimo Banco do Brasil VI: R$XX;

– diversos (lazer, vestuário, saúde, transporte): R$XXX.

Disso tudo, Excelência, vê-se que, infelizmente, o Primeiro Réu tem


passado por momento de turbulentos reajustes em sua vida financeira,
sendo desnecessários maiores comentários, pois a documentação
juntada é suficiente e eficaz em comprovar o alegado.

Tudo a denotar que, a despeito de nutrir grande carinho pelo neto,


com quem sempre conviveu e a quem sempre prestou todo tipo de
suporte necessário, o Primeiro Réu não se encontra em condições de
suportar o pagamento de uma pensão alimentícia nos termos
postulados pela peça inicial, pedido feito com base em mera
presunção, distante dos fatos.
Assim, o Primeiro Réu, caso se veja obrigado ao pagamento de
pensão alimentícia, como quer o Autor, terá comprometido seu
sustento básico e o pagamento de suas obrigações já consolidadas, o
que entraria em desacordo com o previsto pelo art. 1695 do CC/02.

O Primeiro Réu pede, então, que V. Exa. reconsidere a r. decisão que


fixou alimentos provisórios, para que, depois de analisar as alegações
formuladas e documentos juntados, se ainda entender serem eles
devidos liminarmente, sejam descontados 30% do salário mínimo de
seus vencimentos em folha de pagamento, diante das alegações
acima formuladas e das provas juntadas aos autos.

No mérito, o Primeiro Réu pede a V. Exa. que, também em


consideração aos elementos probatórios contidos nos autos, seja
julgado improcedente o pedido formulado pelo Autor.

Pelo princípio da eventualidade, caso entenda V. Exa. pela efetiva


existência da obrigação alimentar avoenga, o Primeiro Réu pede seja
a pensão estipulada consoante o vosso criterioso arbítrio, em patamar
não superior a 30% do salário mínimo vigente.

Por sua vez, a Segunda Ré é servidora estadual aposentada no cargo


de professora de educação básica (PEB1).

Conforme demonstram seus contracheques anexos, os proventos de


aposentadoria por ela recebidos não perfazem quantia volumosa,
considerando os custos de vida para os dias atuais, com os
vencimentos brutos sequer alcançando 4 salários mínimos (sobre o
qual ainda incidem descontos, diminuindo ainda mais o valor que a ela
fica disponível mensalmente).

E é preciso considerar que a Segunda Ré não disponibiliza todos os


seus vencimentos apenas para si própria.

Ela, contando hoje com XX anos de idade, separada judicialmente,


vive com a filha, a quem faz contribuições esporádicas (exemplo: parte
da mensalidade da faculdade, parte do financiamento do veículo da
família etc.).

Logo, a grande maioria das despesas domésticas incide sobre os


ganhos da Segunda Ré.

Além disso, ela também presta contribuições financeiras relevantes à


sua mãe, Sra. XXXXXXXX, hoje com XX anos de idade, que além dos
cuidados normais à idade (que representam despesas ordinárias),
também faz uso de medicamentos frequentes.

Portanto, conclui-se que parcela considerável dos ganhos mensais


auferidos pela Segunda Ré já possuem destinação específica, com
gastos cotidianos e necessários, sejam eles pessoais, domésticos ou
familiares, não havendo espaço em seu orçamento atual para
quaisquer gastos que sejam supérfluos, inclusive.

Abaixo (e conforme a documentação anexa) vê-se a relação de suas


despesas mensais:

– alimentação (supermercado, açougue, padaria): R$XXX;

– energia elétrica residencial (último mês, similar aos meses


anteriores): R$XXX;

– água residencial (último mês, similar aos meses anteriores): R$XX

– serviços de telefonia e internet (último mês, similar aos meses


anteriores): R$XXX;

– gás: R$XX;

– diarista doméstica: R$XXX;

– IPTU (anual): R$XXX;

– cartão de crédito (média mensal): R$XXX

– saúde (consultas, remédios e demais gastos com higiene pessoal):


R$XXX;

– combustível: R$XXX;

– parte da mensalidade da faculdade da filha: R$XXX;

– parte do financiamento do veículo: R$XXX;

– seguro do veículo: R$XXX;

– plano funerário (que, inclusive, contém o Autor como eventual


beneficiário): R$XX;

– auxílio à mãe (parte do plano de saúde e remédios): R$XXX


Então, Excelência, aonde reside a possibilidade de que a Segunda Ré
contribua ao Autor (além das contribuições cotidianas que já realiza)
sem que ela comprometa o seu sustento e a cobertura das suas
despesas básicas e correntes?

Decerto, caso seja mantido, no mérito, o montante estipulado a título


de alimentos provisórios, a Segunda Ré terá de sacrificar algumas de
suas necessidades vitais em prol do neto.

E diga-se, desde já, que ela certamente o faria mesmo, por respeito e
amor a ele, mas jamais poderia aceitar que a pensão fosse estipulada
arbitrariamente por sua representante legal.

Além disso, o sacrifício das necessidades básicas da Segunda Ré


aqui demonstradas em razão da pensão entra em choque frontal com
o disposto no art. 1695 do CC/02, pois representa desfalque do
necessário ao seu sustento.

Assim, a Segunda Ré pede que V. Exa. reconsidere a r. decisão que


fixou alimentos provisórios, para que, depois de analisar as alegações
formuladas e os documentos juntados, se ainda entender serem eles
devidos liminarmente, sejam descontados 20% do salário mínimo,
diante das alegações acima formuladas e das provas juntadas aos
autos.

No mérito, a Segunda Ré pede a V. Exa. que, também em


consideração aos elementos probatórios contidos nos autos, seja
julgado improcedente o pedido formulado pelo Autor.

Pelo princípio da eventualidade, caso entenda V. Exa. pela efetiva


existência da obrigação alimentar avoenga, a Segunda Ré pede seja a
pensão estipulada consoante o vosso criterioso arbítrio, em patamar
não superior a 20% do salário mínimo vigente.

V.4 – DA PROPORCIONALIDADE

Por fim, V. Exa. há de se ater, ainda, ao requisito da


proporcionalidade.

Nos dizeres da doutrina especializada: “a razoabilidade ou


proporcionalidade deve ser elevada à condição de requisito
fundamental para se pleitear os alimentos” (Flávio Tartuce, Manual de
Direito Civil, Vol. Único, Ed. Método, São Paulo, 4ª edição, 2014, p.
1299).
Assim, acaso se entenda pela existência da obrigação alimentar pelos
Réus, desde já fica requerido que a respectiva estipulação seja feita
com base em critérios de razoabilidade, de modo a não comprometer-
lhes a subsistência e, assim, impedir a caracterização de
enriquecimento ilícito ao Autor, na figura de sua representante legal.

V.5 – DO CHAMAMENTO DOS AVÓS MATERNOS

Em momento de rara franqueza, a peça inicial afirmou que optou por


excluir, deliberadamente, os avós maternos do Autor do polo passivo
do feito, sob a alegação de que eles “já contribuíram e continuam a
contribuir além do que podem para a criação do requerente”.

Seguindo a esteira de que para defender-se não é necessário atacar


de forma desleal, em observância à boa-fé processual, os Réus,
enquanto avós, compreendem que, de fato, os avós maternos do
Autor possam mesmo ter contribuído com sua criação e com seu
desenvolvimento.

No entanto, algumas ponderações são necessárias.

Primeiro: a peça inicial afirmou “que o requerente permanece maior


parte do seu dia sob a proteção e cuidado de seus avós maternos”.

Ocorre, no entanto, que inclusive por questões de proximidade física


de sua residência, o Autor também tem seus momentos em que
permanece a maior parte do dia sob a proteção e o cuidado dos avós
paternos. Ou seja, não são apenas os avós maternos que possuem
despesas presumíveis com relação ao cuidado do neto.

Segundo: há clara contradição da peça inicial ao afirmar que a avó


materna “cozinha, lava, costura, passa, ajuda o requerente a fazer as
tarefas escolares, brinca, leva e busca aonde for preciso” para depois
afirmar que ela está com a saúde comprometida, fazendo uso de
remédios e necessitando de cuidados especiais. A incoerência é
evidente.

Assim, considerando estes aspectos e observando-se a melhor


inteligência jurisprudencial acerca do tema, o caso dos autos carece
que os avós maternos do Autor também compareçam ao pagamento
da pensão alimentícia, conforme suas possibilidades.

Veja-se o entendimento firmado pelo e. STJ, presente em seu


Informativo nº 464:
“Informativo 464 – fevereiro de 2011. 4ª Turma. ALIMENTOS.
RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. AVÓS. A Turma deu
provimento ao recurso especial a fim de deferir o chamamento ao
processo dos avós maternos no feito em que os autores pleiteiam
o pagamento de pensão alimentícia. In casu, o tribunal a quo fixou a
responsabilidade principal e recíproca dos pais, mas determinou que a
diferença fosse suportada pelos avós paternos. Nesse contexto,
consignou-se que o art. 1.698 do CC/2002 passou a prever que,
proposta a ação em desfavor de uma das pessoas obrigadas a prestar
alimentos, as demais poderão ser chamadas a integrar a lide. Dessa
forma, a obrigação subsidiária deve ser repartida conjuntamente
entre os avós paternos e maternos, cuja responsabilidade, nesses
casos, é complementar e sucessiva. Precedentes citados: REsp
366.837-RJ, DJ 22/9/2003, e REsp 658.139-RS, DJ 13/3/2006. REsp
958.513-SP, Rel. Min. Aldir Passarinho Junior, julgado em
22/2/2011.” (grifos acrescidos)

É este, também, o enunciado 523 exarado pela V Jornada de Direito


Civil promovida pelo CJF/STJ: “Art. 1.698: O chamamento dos
codevedores para integrar a lide, na forma do art. 1.698 do Código
Civil, pode ser requerido por qualquer das partes, bem como pelo
Ministério Público, quando legitimado”.

Por fim, a inteligência do e. TJMG:

“AGRAVO DE INSTRUMENTO – (…) – RESPONSABILIDADE


AVOENGA – CARÁTER SUBSIDIÁRIO E HIERARQUIZADO –
AVÓS PATERNOS E MATERNOS – PRINCÍPIO DA
SOLIDARIEDADE FAMILIAR – SOLIDARIEDADE OBRIGACIONAL –
DISTINÇÃO – FORMAÇÃO DE LITISCONSÓRCIO –
ADMISSIBILIDADE (…) – RECURSO PROVIDO. (…) 2. A
responsabilidade avoenga, quanto aos alimentos devidos ao neto pelo
responsável direto e primário (genitor do infante), revela caráter
subsidiário e hierarquizado, sendo possível a formação de
litisconsórcio, com integração do pólo passivo da demanda
pelos avós paternos e maternos, face ao princípio da solidariedade
familiar (…).”(TJMG – Agravo de instrumento 1.0331.07.004820-1/001
Rel. Des. Nepomuceno Silva. Julgamento: 18/09/2008. Publicação:
23/10/2008)

Então, ainda que se conclua que os fatos alegados quanto aos avós
maternos sejam verdadeiros, cabe a questão: não seria viável a
estipulação de uma contribuição de cada um deles ao Autor, em
importe criteriosamente arbitrado por V. Excelência, a partir da análise
dos fatos e das provas produzidas? Tal contribuição comprometeria
sua subsistência? Talvez não. E, com certeza, representaria suporte
importante ao Autor, ainda que supostamente módico. Matéria a ser
analisada e discutida nos autos.

Pelo exposto, fica requerida a integração ao polo passivo da lide dos


avós maternos do Autor, Sr. XXXXXXXX e Sra. XXXXXXXXX, ambos
residentes na XXXXXXXXX, nº XX, bairro XXXXXXXX, XXXXXX/UF,
CEPXXXXX-XXX.

VI – DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

Por todo o exposto:

1. Os Réus pedem sejam a eles concedidos os benefícios da


assistência judiciária gratuita, nos termos dos arts. 98 e ss do
NCPC, na forma acima apresentada;
2. Fica requerida a retificação da qualificação dos Réus, com o
ajuste relativo ao seu estado civil, bem como a correção do
endereço residencial do Primeiro Réu, como exposto;
3. Fica requerida a reconsideração da r. decisão que instituiu
alimentos provisórios a favor do Autor, para que, caso ainda
entenda serem eles devidos após cognição sumária acerca dos
fatos e provas aqui trazidos, sejam eles fixados em 30% do
salário mínimo do Primeiro Réu e em 20% do salário mínimo da
Segunda Ré;
4. No mérito, os Réus pedem julgamento de inteira improcedência
do pedido formulado pelo Autor, conforme a porcentagem
postulada, diante dos fundamentos de fato e de direito aqui
apresentados e demonstrados.
5. Pelo princípio da eventualidade, caso entenda V. Exa. pela
existência da obrigação alimentar avoenga, os Réus pedem seja
ela fixada em montante não superior a 30% do salário mínimo
do Primeiro Réu e em 20% do salário mínimo da Segunda Ré,
diante dos fundamentos de fato e de direito aqui apresentados e
demonstrados.

VII – PROVAS

Os Réus provarão o alegado por todos os meios legais admitidos, em


especial através da prova documental, do depoimento pessoal das
partes e da oitiva de testemunhas, oportunamente.

VIII – CONSIDERAÇÕES FINAIS


Ainda, pelo ensejo, os Réus reiteram o desejo de conservar intacto o
relacionamento próximo e afetuoso que sempre cultivaram com o
Autor. Pontuam, portanto, desde já, o desejo de que não sejam
levantados quaisquer obstáculos, por parte da sua representante
legal, a que este relacionamento permaneça, sob pena de lesão aos
mais caros princípios jurídicos e sociais que regem as relações
familiares, em especial, o melhor interesse da criança.

Pede deferimento.

2018

Macel Guimarães Gonçalves, p.p.

OAB/MG 131.717

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