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Quando o pecado secreto dele


despedaça o seu coração

Cartas para esposas feridas

Kathy Gallaguer
© Kathy Gallagher, 2003
PURE LIFE MINISTRIES
Título original: "When his secret sin breaks your heart"
Tradução: Dra. Maria Eugênia da Silva Fernandes
Graça Artes Gráficas e Editora Ltda.
Rio de Janeiro, 2005
ISBN: 85-7343-723-5

Digitalizado por Luis Carlos

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Sumário
Prefácio......................................................................................6
Introdução..................................................................................8
Minha História............................................................................11
CARTAS...............................................................................22
A presença de Deus na dor..........................................................22
A luta do marido.........................................................................25
Lidando com as suspeitas............................................................28
Por que devo aguentar isso?.........................................................31
A esposa encorajadora................................................................35
A esposa irada...........................................................................37
Sinto-me como se estivesse enlouquecendo!..................................39
Pare já com isso.........................................................................41
“Condenação e adoração”............................................................43
A obsessão errada......................................................................46
Vozes demais.............................................................................48
Preenchendo o vazio...................................................................50
A batalha da tv ..........................................................................52
Frutos do arrependimento............................................................53
Confrontando o marido................................................................57
O marido que abusa....................................................................59
Onde Deus está?........................................................................62
Vagas suspeitas.........................................................................64
Medo de outras mulheres.............................................................66
Abandonada por Deus.................................................................68
Carregando o fardo.....................................................................70
As raízes da homossexualidade.....................................................72
A esposa conciliadora..................................................................75
Intercessão pelo marido..............................................................78
O castigo de um pai....................................................................82
Casamento na rotina...................................................................84
Lidando com o medo...................................................................87
O marido que fracassa.................................................................90
A esposa negligenciada................................................................92
A esposa policial.........................................................................95
Reconciliação.............................................................................97
A esposa ofendida.....................................................................100
A esposa incansável..................................................................105
O marido que não se arrepende..................................................108
A esposa adúltera.....................................................................110
Minhas necessidades sexuais......................................................112
O molestador de crianças...........................................................116
Capacidade de prestar conta.......................................................120
Divórcio...................................................................................124
Respeito perdido.......................................................................126
A vida de misericórdia...............................................................128
Amor perdido...........................................................................131
Não-confiável com relação ao dinheiro.........................................135
Expectativas elevadas...............................................................137
Vendo pornografia....................................................................140
A importância da gratidão..........................................................143
Não pare de crer.......................................................................146
A esposa que dá oportunidade....................................................148
Separada e com um namorado...................................................150
Carta de um marido..................................................................152
Lidando com a falta de perdão....................................................154
Sentindo-se traída....................................................................156
Sexo estranho..........................................................................158
Casamento de conto de fadas.....................................................160
Noiva de um compulsivo em pornografia......................................162
DIÁRIO de 30 dias...............................................................164

Dedicatória
Este livro é dedicado ao meu amado.
Quanto nós andamos, desde as cinzas até a beleza!
O Senhor endireitou nossos caminhos tortuosos,
E você se tornou para mim a personificação
do amor de Deus.
Obrigada por você me amar e ser fiel a mim.
Realmente, o meu amado é meu, e eu sou dele.
Agradecimentos
Antes de começar a escrever estas cartas, uma amiga me
disse que a tarefa seria difícil e pesada, mas que se tratava da
vontade de Deus. Descobri que a afirmação era verdadeira.
Quero, antes de tudo, agradecer ao Senhor por toda a
Sua misericórdia e severidade. Ele tem sido paciente e
compassivo comigo. Contudo, foi incansável em Seu desejo de
me fazer viver as palavras que escrevi neste livro. Eu O amarei
para sempre por cuidar de mim o suficiente, sem me fazer
mimos demais.
Agradeço a Rosaline Bush por ser a catalisadora que
Deus usou para conseguir que eu começasse este projeto.
"Que deliciosa é uma palavra falada na estação certa".
Sou grata ao meu marido pelo seu encorajamento para
que eu não desistisse e pelas horas incontáveis que ele passou
editando e reescrevendo.
Quero agradecer à minha querida amiga e companheira
na fé, Rose Colón, que tem sido muito fiel em descer às
trincheiras para me ajudar a sustentar o peso de tantos
corações arrebentados.
Também expressar a minha gratidão a Ken e Robin
Halcomb e a Bradley Furges pela ajuda diligente na edição.
Finalmente, a Wayne Brown, o único conselheiro que teve
a coragem de confrontar Steve Gallagher há muitos anos.
Obrigada, Wayne, também por seu auxílio nesta obra.
PREFÁCIO

Nos vemos todos os dias na rotina diária. Várias imagens


nos bombardeiam constantemente em jornais, revistas, filmes,
letreiros e na televisão. Agora, podem ser facilmente acessadas
pela Internet. Além disso, a pornografia, o homossexualismo e
o adultério se tornaram não apenas prevalentes, mas também
aceitáveis, e, hoje, existe uma sociedade saturada pelo sexo.
Por esse motivo, não é surpresa que muitos homens
julguem difícil guardar a mente pura e tenham sucumbido
diante de algum tipo de pecado sexual. A pornografia é a forma
mais comum dessa espécie de transgressão. Estima-se que
40% dos homens americanos comprem materiais eróticos a
cada ano. O entretenimento adulto é uma indústria de bilhões
de dólares, e aqueles que lucram com isso sabem que a
natureza da pornografia e das atividades relacionadas vicia e
leva.os homens a gastarem uma quantidade cada vez maior de
dinheiro e energia. Entretanto, o que muitos deixam de
perceber é que o pecado sexual carrega consigo um custo
maior do que o impacto na carteira de um homem. Ele pode
devastar todos os seus relacionamentos, especialmente com a
mulher e os filhos.
A Igreja está começando a reconhecer, agora, que a
pornografia e a prostituição também são problemas para os
homens cristãos. No passado, esses problemas foram
ignorados ou limitados àqueles que estavam fora da
congregação. Ainda bem que muitos pastores e várias igrejas
estão começando a lidar com o que tem sido chamado de
pecado secreto, providenciando estudos bíblicos e grupos de
apoio para homens e mulheres afetados por tal iniqüidade.
Se você é uma esposa cujo marido está envolvido com o
pecado sexual, meu coração está com você! Trata-se de uma
das traições mais profundas que uma mulher enfrenta. Com
freqüência, você se sente só, receosa, frustrada e insegura com
relação ao lugar onde conseguir ajuda. Quero que saiba que
não está sozinha. Deus a está guardando, e continuará a fazê-
lo. Ele quer ser a sua Fonte de força. Não é uma estrada fácil
de se percorrer, mas o Senhor prometeu dar-lhe a força de que
precisa para resistir. Em meio a esses tempos de provação,
você desenvolverá um relacionamento mais profundo com o
Pai, caso confie nEle. Ele é amoroso e fiel, e, ao mesmo tempo,
pode usar essas circunstâncias a fim de aparar algumas
arestas e desenvolver caráter em seu interior.
Este livro também foi escrito para amigos e familiares que
conhecem mulheres cujos maridos têm-se desviado
sexualmente. Você desenvolverá uma compreensão maior
quanto às lutas que elas encaram. Essas esposas necessitam
de encorajamento, apoio, condição para fazer confidências,
oração e aconselhamento bíblico. O apóstolo Paulo adverte os
cristãos a suportarem os fardos uns dos outros. Esse é um
fardo difícil para uma mulher carregar sozinha, e Satanás
pode levá-la facilmente ao desespero, à ira e à amargura. O
amor e apoio que você ofereça podem fazer diferença não
apenas na vida dela, como também na do cônjuge, enquanto
ela se esforça por ajudá-lo.
Quando uma mulher descobre que seu esposo está
envolvido com pecado sexual, muitas emoções e perguntas
passam pela mente dela. A experiência pessoal de Kathy e os
seus anos como conselheira lhe conferiram uma percepção
tremenda com relação às dúvidas e incertezas que tais esposas
se deparam.

Beverly LaHaye
Concerned Women for America
[Mulheres Interessadas pela América]
INTRODUÇÃO

Na sociedade decadente de hoje, há diversas combinações


de problemas conjugais que podem surgir quando um cônjuge
é controlado por algum pecado que domina a vida dele. Esta
obra é uma compilação de cartas escritas a esposas feridas,
cujos maridos estiveram ou estão envolvidos com o pecado
sexual. Escolhi cartas específicas, as quais abordam os
denominadores comuns que essas esposas enfrentam, tais
como: desconfiança, medo, desespero, dúvida, raiva, falta de
perdão, dentre outros. Você perceberá que cada mensagem
provê muito apoio e oferece bastante esperança e
encorajamento; com isso, descobrirá que não está sozinha.
Existe, finalmente, alguém que compreende realmente a
situação. Além disso, este livro oferece às esposas feridas
conselhos divinos e práticos; alguns que vão contra a natureza
de muitas "soluções" populares vendidas nestes dias.
Isso me leva a outro ponto importante. Ao ler tais cartas,
você encontrará algumas que, aparentemente, encorajam-na a
ir por um caminho que você tem tomado, o qual está errado.
Deixe-me explicar. Talvez, você já tenha resolvido divorciar-se,
embora os problemas de seu marido não sejam piores do que
ver pornografia de vez em quando. Se já possui essa tendência,
então, você não irá querer ler a carta escrita para Sue, na qual
eu, na verdade, incentivo-a a deixar o esposo, pois a situação
dela justifica isso. A sua, provavelmente, não. Mas, se estiver
determinada a ler apenas o que deseja, então, poderá usar
aquelas palavras na tentativa de justificar as suas ações. Eu
sugeriria, em vez disso, que você lesse as cartas para Teresa e
Lauren.
Talvez, você esteja fraca, abatida, e prefira esquecer que
descobriu o adultério do marido. Você precisa de ânimo para
ser forte por causa do seu esposo, conforme descrevi nas
cartas a Judy e Robin. Você não gostaria de seguir o conselho
da carta de Kelly, a qual deseja policiar cada movimento do
marido.
Outra questão fundamental que precisa ser abordada é
que estas cartas de aconselhamento foram escritas sob uma
perspectiva completamente bíblica. O plano de Deus para se
lidar com as ofensas não é sempre o caminho mais fácil de se
tomar. Na verdade, você pode entrar em qualquer livraria
cristã do país e encontrar muitos livros que, em nome do amor
cristão, dão uma alternativa àquelas respostas encontradas na
Bíblia. Não posso responder por esses autores. Tudo o que
posso dizer é que o Senhor não me deu a liberdade de
aconselhar fora dos parâmetros estabelecidos em Sua Palavra.
Minha experiência tem mostrado que aqueles que
gravitam em torno de soluções mais fáceis e preferem, em
lugar das soluções bíblicas, as respostas dos "tapinhas nas
costas" da psicologia popular, geralmente, sofrem mais no
final. Lidar com os problemas da vida à maneira de Deus pode
parecer frequentemente difícil, mas aqueles que optam por
fazer assim sempre colhem os benefícios. Emerge uma nova
pessoa, não por causa do avivamento de qualquer auto-estima,
mas por haver descoberto que a presença do Senhor é
suficiente para suportar qualquer provação e luta.
De certa forma, tive as minhas lutas escrevendo estas
linhas, sabendo que, às vezes, poderia parecer à leitora, à
mulher arrasada, que não tenho compaixão por ela. Há
exemplos em que a confronto na carta, e a leitora pode até
pensar que eu, de certa maneira, esteja defendendo o
comportamento pecaminoso do marido. Por favor, entenda que
o meu coração está com as esposas feridas, porque também
experimentei dor e desespero semelhantes. Foi por causa de
muita vivência que cheguei à convicção de que fazer as coisas
do jeito de Deus é sempre ricamente compensador. Recuso-me
a sucumbir à pressão (isto é, às concessões) ou a me juntar às
fileiras daqueles que apresentam, gratuitamente, uma saída
fácil às mulheres. Fazer isso é somente difundir a misericórdia
humanista, em vez de a misericórdia de Deus, que está sempre
acoplada à Verdade que nos liberta.
Estreito é o Caminho que leva à vida, e a vida que flui de
Deus sempre é exatamente aquilo de que as esposas feridas
mais necessitam.
O propósito deste livro é fornecer à esposa magoada
respostas sólidas, bíblicas, e soluções práticas para os
problemas de todo dia, relacionadas ao fato de se estar casada
com um homem em pecado sexual. Algumas respostas mais
práticas podem e devem ser aplicadas imediatamente. Outras
tendem a ser princípios de vida, que são mais idealistas, e
somente serão alcançados com muito esforço e muita luta.
Lembre-se de que Deus não é um Juiz zangado, o qual exige a
sua perfeição antes de ouvir o seu clamor. Pelo contrário, Ele é
um Pai amoroso que deseja ajudá-la a atravessar suas
penosas provações. Para o Senhor, a melhor coisa que pode
resultar da sua situação é um relacionamento mais profundo
com Ele. Espero que estas linhas a conduzam nessa direção.

Kathy Gallagher
MINHA HISTÓRIA

Em janeiro de 1970, após vários anos de abuso físico,


casada com um membro do clube de motociclismo Hells
Angels, o interesse por outro homem era a coisa mais distante
em minha mente. Finalmente, sentia-me livre da tirania de um
marido controlador, do medo em que vivia constantemente e
do abuso. Tinha um emprego, meu próprio carro e, mais
importante, a minha vida.
Mas, poucos meses antes disso, tive de fugir quando
deixei meu marido. Ele era um homem rude e me apavorava.
Permaneci incógnita, até que as coisas se acalmassem o
suficiente para que eu pudesse retomar a minha amizade com
seu irmão mais velho, Gale, e sua mulher, Joanne.
Foi na cabana deles, um dia, em Sacramento, que
encontrei Steve Gallagher pela primeira vez. Eu me esquentava
perto do aquecedor quando ele passou dançando pela porta da
frente da cabana. Minha primeira impressão foi a de que ele
parecia deslocado naquele ambiente. Steve era um corretor de
imóveis e havia ido à casa de Gale, porque este estava
interessado em adquirir uma casa. Anos antes, Steve e Gale
andaram juntos nas drogas e no crime, mas não mantinham
contato.
Jamais me passou pela cabeça que, um dia, eu iria
envolver-me com esse homem. Ele tinha 24 anos e eu, apenas
18. Ele pareceu velho demais para mim. De qualquer forma,
deparando-se comigo na cabana, durante as semanas
seguintes, ele começou a cultivar interesse por mim. Steve me
contou mais tarde que, desde a primeira vez em que nos
encontramos, sabia que nascemos um para o outro. Eu não
compartilhava desse sentimento e, realmente, não tinha
vontade de sair com ele. Não obstante, pela insistência de Gale
e Joanne, finalmente, concordei com um encontro.
Ele foi buscar-me com seu espaçoso Ford LTD e dirigiu-
se rapidamente a um cinema ao ar livre. Antes de chegar ao
cinema, ele expressou o desejo de se sentar mais perto de
mim. Eu logo lhe informei que não me sentia obrigada a me
aconchegar junto a um estranho. Assim, nosso primeiro
encontro terminou em discussão. Explodi de irritação no
carro, e ele, finalmente, levou-me para casa. Ele gritou comigo
para que eu voltasse, o que fiz depois que ele se humilhou e,
educadamente, sugeriu que começássemos tudo outra vez.
Concordei relutantemente.
Continuamos a sair nas semanas seguintes. Certa
ocasião, ele me pediu que fosse com ele a um hotel na praia,
em Santa Cruz, no final de semana -somente nós dois. Eu
sabia o que queria dizer: estaríamos no mesmo quarto de hotel
durante todo aquele período. Seria uma tarefa árdua. Para
mim, aquilo significava compromisso; que eu estava
entregando-me a ele, devia baixar a guarda e dar-lhe o meu
coração. Muito nervosa, não tinha convicção se estava pronta
para essa iniciativa. Acho que lhe perguntei: "Vamos ficar no
mesmo quarto?". Eu queria somente ter certeza de que nos
entendíamos.
Foi uma decisão dura para mim, uma das maiores da
minha vida adulta. Em minha mente, consentir seria o mesmo
que dizer "sim" a um pedido de casamento. Se eu me
entregasse a ele, significaria que eu era dele, e ele era meu.
Esse não seria simplesmente um encontro ou um final de
semana divertido com alguém. Contudo, de alguma forma,
senti como se estivesse sendo atraída sem remédio para essa
relação, à qual eu não conseguia resistir. Concordei,
finalmente.
Estávamos cheios de entusiasmo e passamos um tempo
absolutamente maravilhoso. Você já sabe: apaixonei-me pelo
"príncipe encantado". Na verdade, acho que já amava Steve
muito tempo antes daquele final de semana, mas foi em Santa
Cruz que tive a certeza de que queria passar o resto da minha
vida com ele.
Quando voltamos para casa no domingo, imediatamente
nos mudamos - fomos morar juntos. No princípio, eu estava
nas nuvens, mas logo comecei a ver como Steve era realmente.
Cheio de ambição, ele trabalhava dia e noite na agência
imobiliária. Tinha inclinação para o sucesso, mas, por causa
das suas grandes expectativas, colocava sobre si uma pressão
exagerada. Isso resultou no seu mau humor em casa. Eu
atribuía sua impaciência comigo ao estresse do
empreendimento imobiliário e esperava que ele mudasse.
Apesar de tudo, surgiu algo muito interessante entre nós:
Steve começou a falar comigo sobre Deus. Ele compartilhou
comigo que se tinha achegado ao Senhor quando cumpria
pena na cadeia aos 16 anos, mas se desviara logo depois.
Contou que, um dia, gostaria de se acertar com Deus
novamente.
Era tudo novo para mim, mas, imediatamente, encontrei-
me sob condenação, porque estávamos morando juntos em
pecado. Nos meses seguintes, vivi com a sensação de que
estava com problema com Deus, mas não sabia realmente o
que fazer.
Depois, certa vez, na casa de minha irmã, encontrei o
irmão Jess, que era um pastor gentil da Igreja Batista do Sul.
Ele me alertou que eu era uma pecadora e precisava de um
Salvador. O Senhor havia preparado esse encontro divino, e,
naquele momento, fiz de Jesus o Senhor e Mestre da minha
vida. No dia seguinte, reuni todos os meus pertences e deixei
Steve.
Bem, apaixonei-me pelo Senhor. Estava muito
entusiasmada com Jesus. Ele tornou-Se o centro da minha
vida. Passava horas lendo a Palavra, maravilhada pela Sua
sabedoria profunda e revelação dos eventos futuros. Eu estava
na igreja sempre que as portas abriam e, quase sem ajuda,
virei a pequena igreja de cabeça para baixo, contagiando todos
com a minha alegria recém-descoberta. Por onde ia,
conversava com os outros sobre Deus. As pessoas não
conseguiam acreditar na mudança que ocorrera comigo;
transformei-me em uma pessoa diferente.
Um dia, zelosa por ver as pessoas irem e conhecerem o
Senhor, chamei Steve, tentando testemunhar para ele. Queria
que ele tivesse o que eu tinha, mas os anos haviam feito dele
uma pessoa com o coração endurecido para o Pai. Quando eu
o deixara "pelo Senhor", ele se sentiu traído por Deus. No final
da nossa conversa, completamente do nada, ele me pediu que
eu orasse sobre se deveríamos ou não nos casar. Era
impensável! Ele estava morto para as realidades espirituais,
enquanto eu estava completamente feliz, servindo a Deus
como uma cristã solteira. Não obstante, suas palavras ficaram
ressoando em meus ouvidos nas semanas seguintes. Pareceu
que eu não conseguiria escapar delas.
Um mês mais tarde, em janeiro de 1980, nós nos
casamos. Havia cinco meses que eu era cristã. No início, ele
começou a freqüentar a igreja comigo, no entanto, pouco a
pouco, afastou-se de Deus mais uma vez, não querendo
render-se ao Senhor.
Embora Steve fosse muito mais refinado do que meu
primeiro marido, era mais difícil de se conviver. Nunca abusou
de mim fisicamente, mas eu tinha medo dele mais do que do
meu ex-esposo, o qual, conforme mencionei, era muito
agressivo. Steve possuía uma raiva efervescente, violenta, que
vinha à tona a qualquer momento. Eu o via como alguém que
podia falar asperamente e começar a matar as pessoas ao
acaso.
Sua ira - sempre dirigida a mim - vinha pela sua língua
afiada, cortante. Era extremamente crítico e sarcástico. Ele me
ridicularizava sempre que eu fazia alguma coisa errada. Eu
nunca conseguia contentá-lo ou fazia algo correto. Isso,
naturalmente, deixou em mim profundas feridas emocionais,
que doíam mais do que as bofetadas do meu primeiro cônjuge.
Não obstante, tentei esperar o melhor. Eu sabia que
muito da sua frustração era devido, em parte, ao fato de que o
mercado imobiliário tinha sofrido um tremendo golpe com o
aumento das taxas de juros. Como resultado, a carreira de
Steve, que ele havia trabalhado tanto para estabelecer,
começou a desmoronar. Incapaz de continuar nesse ramo,
começou a procurar emprego na área da Justiça.
Isso nos levou a Los Angeles, onde Steve começou um
processo longo e torturante para se tornar alguém autorizado
a exercer os poderes de vice-xerife. Em vez de as coisas
melhorarem, o estresse de estar no Departamento piorou a
situação. Ele se tornou mais agressivo comigo. Infelizmente, eu
buscava a aprovação de Steve, em lugar de a aprovação de
Deus. Tornei-me mais fraca e dependente dele. Gradualmente,
também me desviei. Pouco tentava ler a Bíblia e orar, mas, por
dentro, não tinha força ou fome. Fazia tempo que tinha saído
da igreja.
Pouco depois que nos mudamos para Los Angeles,
descobri o vício dele por pornografia. De acordo com Steve,
isso o fazia desfrutar mais do sexo. Gentilmente, ele me fez
saber que eu não era suficiente, mas, se introduzíssemos a
obscenidade em nosso leito conjugal, Steve ficaria satisfeito.
Obviamente, senti-me esmagada. Tinha de competir com
as mulheres de revistas e filmes dessa natureza. Isso foi
arrasador para mim, mas, em vez de me voltar para Deus,
tentei agradar ainda mais ao Steve.
Buscava intensamente a sua afeição e o seu amor mais
do que nunca. Havia momentos em que eu sentia que meu
coração, literalmente, explodia pela dor e rejeição. Em outras
ocasiões, geralmente quando ele era doce comigo, eu tinha a
esperança de que ele mudaria. Decidi deixar que a pornografia
entrasse em nosso relacionamento, e ele me garantiu que ela
incrementaria nossa vida sexual e melhoraria a situação entre
nós.
O que aconteceu, ao invés disso, foi que a pornografia
apenas o motivou a exigir mais. Para manter o apetite
insaciável dele, envolvemo-nos sexualmente com outras
pessoas. A única maneira de administrar a perda total da
minha dignidade e do respeito por mim mesma foi afogar-me
nas drogas e no álcool. Tornei-me viciada em meta-
anfetamina.
Depois de vários anos fazendo tudo o que podia para
conquistar Steve, acabei desistindo. Eu o amava muito e
estava disposta a fazer, literalmente, qualquer coisa para
conservá-lo, mas a obsessão dele pelo sexo ilícito havia-se
tornado insana. Tendo perdido toda a esperança, eu o
abandonei e pedi o divórcio. Estava destruída. Nesse meio
tempo, não somente tinha perdido a batalha para conquistá-lo,
como também havia desistido completamente da minha moral
e do respeito próprio. Tive de encarar essa transformação.
Foi então que, quase por um milagre de Deus, encontrei
um sujeito chamado Tim. Depois de anos de abuso emocional,
ele foi como uma lufada de ar fresco! Logo esqueci toda a dor.
Estar com ele me ajudou a enterrar a cabeça na areia e
esquecer a perda que havia sofrido.
Tim era tão bom para mim! Ele abria as portas do carro,
tratava-me com gentileza e respeito e me fazia rir muito.
Diferente de Steve, Tim era muito sensível e tinha
consideração. Outra coisa que eu apreciava nele era a maneira
pela qual se abria comigo. Isso nunca aconteceu com os meus
ex-maridos.
Meu envolvimento com Tim durou várias semanas. Quase
que imediatamente, comecei a dormir com ele, enganando-me
ao crer que Deus entenderia, porque realmente nos
amávamos. Sua embriaguez contínua e rápida disposição para
estar em adultério deveriam ter feito com que eu duvidasse da
sua sinceridade como cristão, mas eu estava tão fascinada por
ele, que reprimi minhas irritantes dúvidas.
Não tive contato com Steve durante esse tempo, então,
não sabia se, quando o deixei, ele tinha voltado aos seus
velhos hábitos de "caçar" garotas. Uma manhã, sem que eu
soubesse, ele acordou no apartamento de uma das suas
namoradas, sentindo o vazio em sua vida. O dia todo, ele se
sentiu miserável. Naquele tarde, Steve saiu para o trabalho na
prisão. Por ter sido uma noite movimentada, ele só foi jantar
no refeitório dos agentes bem tarde.
Não havia outros colegas lá quando ele chegou. Quando
Steve estava sentando ali, comendo em um silêncio atroz,
entrou alegre um agente chamado Willy. Ele também havia
chegado tarde, e, de alguma forma, a conversa girou em torno
das lutas de Steve. Depois de ouvir que Willy era cristão, ele
derramou seu coração, contando-lhe quão vazio e infeliz se
sentia na vida. Willy sugeriu que Steve se entregasse ao
Senhor, e foi o que ele fez.
"Senti-me como se milhares de quilos saíssem das
minhas costas!", exclamou Steve. "Mas não durou muito.
Quando cheguei a minha casa naquela noite, tudo o que
conseguia pensar era em trazer minha esposa de volta. Rolei
na cama o tempo todo, aborrecido por causa de Kathy. No
meio da noite, ouvi uma voz dizer-me que ela ligaria pela
manhã. Eu não sabia se eu estava ouvindo coisas, ou o quê!".
Na manhã seguinte, eu tinha levado Tim para o trabalho,
mas, depois de deixá-lo, fiz uma coisa muito estranha.
Comecei a dirigir para o norte na via expressa, em direção ao
vale de São Fernando, onde Steve e eu havíamos morado. Não
fazia idéia por que estava fazendo aquilo. Parecia que alguém
mais estava dirigindo o carro. Quando cheguei a Van Nuys,
parei em uma cabine telefônica e liguei para Steve.
Ele ficou muito animado ao me ouvir, contando-me o que
havia acontecido na noite anterior. Fiquei feliz ao escutar
sobre a nova vida dele, mas não tinha a intenção de voltar.
Meus sentimentos por ele estavam mortos. Eu tinha aquilo
que havia desejado tanto. Estava convencida de que Deus
havia mandado Tim para a minha vida e não tinha vontade de
me reconciliar com Steve. No que me dizia respeito, ele tinha
perdido a sua oportunidade, e, naquele momento, o Senhor
estava restaurando "os anos comidos pelo gafanhoto". Na
época, eu já me estava acostumando a ser tratada como uma
princesa. Tim me dava o amor que eu queria receber de Steve,
e eu seria uma tola se voltasse para ele.
Finalmente, no desespero, Steve me desafiou a pedir
conselho aos meus pais. Eu estava mais do que feliz em fazer
isso, pois sabia que eles haviam ficado furiosos com Steve
quando lhes contei tudo o que ele havia feito. Concordei e dei o
telefonema. Meu pai atendeu e, quando expliquei a situação,
para minha surpresa, ele me disse que o Senhor tinha falado
sobre mim, e, claramente, havia dito a ele e à mamãe que eu
deveria voltar para o meu marido. Sentei-me na cabine
telefônica e comecei a chorar. Não queria voltar para ele.
Finalmente, recompus-me e fui ao apartamento de Steve.
Na manhã seguinte, eu disse ao Steve que precisava
pegar as minhas coisas na casa de Tim. Steve concordou
relutantemente em me deixar ir, depois que disquei o número
de Tim e não houve quem atendesse. Fui lá naquele dia, e o
carro de Tim não estava lá. Quando entrei na casa, entretanto,
descobri-o sentado na cama. Todo o charme se foi, e ele ficou
furioso.
Nas duas horas seguintes, ele tentou, raivosamente,
convencer-me do erro que seria voltar para Steve. Continuou a
me enfastiar, e eu fiquei confusa. Eu sabia perfeitamente bem
como Steve era e não queria voltar. Tim oscilava entre os
argumentos calmos, razoáveis, e as acusações iradas.
Finalmente, enfurecido, ele arrancou a minha blusa e me
pegou à força. Eu estava tão fraca e sem forças para reagir na
ocasião, que o deixei fazer o que queria. De uma forma
estranha, essa foi a coisa que me levou de volta para Tim.
Por insistência dele, acabei ligando para Steve. "Eu não
amo mais você, amo Tim e não voltarei para você", disse-lhe
friamente. Quando ele ouviu isso, agarrou o revólver e girou o
cilindro em frente ao bocal do telefone para que eu pudesse
ouvir. "Tudo bem, então, ouça-me estourar os miolos!", ele
berrou.
"Steve, não faça isso!", gritei. Quando disse aquilo, Tim
agarrou o meu braço. Olhei para ele e vi o olhar mais maligno
que já tinha visto no rosto de alguém em toda a minha vida.
"Kathy, se ele quiser tirar a própria vida, deixe que ele se mate.
Não é culpa sua!". Foi quando percebi que aquele homem, o
qual eu havia considerado um príncipe, estava cheio do diabo.
Um pastor tinha chegado ao apartamento de Steve,
conversou comigo pelo telefone e perguntou se podia orar por
mim. Fiquei apavorada e queria apenas sair daquela casa, mas
tinha medo de dizer alguma coisa. Eu disse que encontraria
Steve e o pastor na igreja e desliguei o telefone. A princípio,
Tim ficou inflexível, dizendo que eu não podia ir, mas ele viu
que eu queria apenas sair de lá e, finalmente, amansou.
Quando cheguei ao local onde Steve estava, já se havia
passado um período de seis horas - um inferno para ambos.
Foi necessária essa experiência para que eu visse como
Tim realmente era, mas ela não tornou mais fácil a minha
volta com Steve. Foi muito difícil por um longo tempo. Durante
os primeiros meses, senti-me como se tivesse cometido um
grande erro e estava absolutamente arrebentada não somente
por causa do meu pecado e pela vergonha do adultério, mas
também porque os meus sentimentos por ele estavam mortos.
Sentia, frequentemente, que preferia estar sozinha a estar com
ele. Eu mal podia suportar quando ele me tocava.
Para piorar as coisas, Steve estava experimentando um
avivamento em seu coração. Inflamado pelo fogo do Senhor, ele
se apaixonou perdidamente por mim outra vez. A afeição que
eu tinha desejado por tanto tempo recebia em abundância. Ele
segurava constantemente a minha mão, abraçava-me e me
beijava, e eu ficava mal. "Por que você não foi assim há cinco
anos?", eu perguntava silenciosamente. Houve muitas noites
em que chorei quando íamos para cama. Eu me esforçava para
que ele não percebesse, porque não desejava feri-lo, mas a
verdade é que eu não o queria mais. Eu tinha de lutar
constantemente contra os sentimentos de desgosto.
Gradualmente, durante meses, a situação melhorou.
Tínhamos muito a superar. Ele ainda manifestava algumas
das velhas atitudes. Houve ocasiões em que ele acusava,
manipulava e, às vezes, explodia de raiva. Apesar de sua
paixão recém-descoberta por Jesus, ainda lutava contra a
pornografia; porém, havia um quebrantamento em Steve que
ele nunca havia tido antes. Deus estava prevalecendo na vida
dele.
Levou algum tempo para que os meus sentimentos por
ele voltassem, mas, pouco a pouco, eles ressurgiram. Na
verdade, acho que Deus destruiu o antigo fundamento e
estabeleceu um novo, pois, quando o Senhor restaurou o amor
e o respeito que eu tinha perdido por Steve, eles retornaram
novos em folha. Comecei a respeitá-lo e a admirá-lo mais do
que antes. Houve ocasiões em que meu amor por ele se tornou
impressionante, não da maneira idólatra de outrora, mas da
forma que se conduz o amor do Senhor. Nesses anos em que
retomamos o casamento, tenho observado Steve permitir que
Deus o humilhe, corrija-o e até o esmague. Agora, ele se
tornou verdadeiramente o homem dos meus sonhos.
Ele não era o único que precisava mudar. Também tive
de aprender a colocar Deus em primeiro lugar em minha vida.
Percebi que tinha sido tão consumida por Steve quanto ele
havia sido consumido pelo sexo. Em meu egoísmo, virava-me
de um homem para outro, procurando uma realização na vida.
Aprendi, gradativamente, a me voltar para Deus como o Centro
da minha existência. Isso não me fez amar menos Steve;
simplesmente, purificou o meu amor por ele. Em lugar do
"amor" egoísta que era oferecido com a idéia de ter as minhas
necessidades supridas, aprendi a dar-lhe o amor não-egoísta
do Senhor. Nosso casamento fortaleceu-se cada vez mais.
Quase imediatamente, Steve e eu começamos a passar
um tempo com o Senhor todas as manhãs. Isso estabeleceu
um padrão que durou por muitos anos. Estar ligada ao Pai,
todos os dias, deu-me uma força que eu não conhecia. No
princípio, enquanto Steve continuava a lutar contra seu vício
em pornografia, tornei-me obcecada pela libertação dele.
Silenciosamente, Deus começou a me convencer disso e
continuou a me dirigir de volta para Ele. Logo descobri que,
quanto mais interessada no Pai celestial, mais força eu tinha
para ajudar meu marido com o problema que ele enfrentava.
A medida que crescia no Senhor, era capaz de reconhecer
o bem que veio do fracasso, em vez de ver aquilo como uma
catástrofe. Porque Steve era sério com relação à sua vida
cristã, cada volta ao pecado servia como uma bênção
escondida, pois crescia nele o ódio pela transgressão. Em vez
de desmoronar quando ele não obtinha êxito, tornei-me um
encorajamento para ajudá-lo a vencer aqueles insucessos. Meu
desejo de apoiar, de maneira amorosa, seus esforços nessa
luta e mantê-lo responsável, fortaleceu-se. Houve um tempo
em que não tive a maturidade ou força emocional para apoiá-lo
corretamente, porém, quanto mais eu me aproximava do
Senhor, mais era capaz de agüentar. Percebi que, enquanto
Steve (ou a sua vitória) estivessem no centro do meu coração,
minha alegria poderia desmoronar-se sempre que ele falhasse.
Mas, quando passei a permitir que Deus ocupasse, cada vez
mais, o trono do meu coração, descobri que possuía a força
para auxiliar meu esposo a superar os fracassos.
Steve fez uma última tentativa em maio de 1985.
Demorou algum tempo para percebermos, mas ele estava livre!
Agora, as coisas começavam a mudar realmente. Ele foi
tornando-se forte espiritualmente. Eu podia inclinar-me para
ele e confessar-lhe os meus erros. Revertemos os papéis: ele se
tornou minha cabeça espiritual, e eu me tornei uma esposa
que conseguia submeter-se com alegria ao líder.
Que alívio foi quando, finalmente, notei que não
precisava desconfiar. Ainda tive de continuar a me arrepender
pela minha tendência natural à suspeita, mas, em meu
coração, eu sabia que tinha atravessado as águas profundas
do vício sexual. Agora, temos profundidade em nosso
relacionamento que poucos desfrutam. Confiar em Deus na
retomada ao relacionamento com Steve não só foi um ponto
critico em minha vida, mas também o começo da minha
restauração. A reconstrução do nosso casamento ocorreu
quando nós começamos a desejar o Senhor mais do que os
nossos anseios.
Quando escrevi este livro (em 2003), já se havia passado
18 anos da última queda de Steve, mais de 20 anos desde que,
relutando, voltei para ele, e 21 do nosso casamento. Um ano
depois que Steve deixou o pecado, Deus colocou no coração
dele a idéia de iniciar os Ministérios Vida Pura. A partir
daquele momento, nosso amor pelo Altíssimo se intensificou,
assim como se aprofundou o amor que até hoje temos um pelo
outro. O que Deus me tem dado compensa toda a dor que
suportei durante anos, não em conseqüência do meu
casamento feliz, mas por causa do que tenho no Senhor.
Escrever este livro não significa que a história tenha
terminado. Eu apenas vejo as coisas cada vez melhores tanto
para Steve quanto para mim, pois continuamos a nos sujeitar
ao Todo-Poderoso, olhando para Ele, que nos pode trazer a
realização desejada.
Seguramente, a profundidade do amor de Deus é maior
do que as profundezas de qualquer poço.
CARTAS

A PRESENÇA DE DEUS NA DOR

Querida Melody
Não me incomoda absolutamente que você tenha
"desabafado" comigo. Sei bem o que é ter um "mau dia" e
enfrentar as tais "ondas de dor", conforme compartilhou em
sua carta. Provavelmente, seu sentimento é o de estar
afogando-se em um oceano de desespero, sem resgate à vista.
Creia-me, estive muitas vezes assim no passado. Quem dera
que eu tivesse encontrado alguém com quem pudesse
conversar quando as ondas me golpearam.
Posso entender que você fique frustrada com todos os
seus problemas, perguntando: "Qual é o objetivo de tudo
isso?". A primeira vista, a opção de simplesmente abandoná-lo
e ir embora parece muito atraente, quando se considera todo o
sofrimento que você, provavelmente, terá de passar se
permanecer com seu marido. Mas, deixe-me perguntar-lhe
algo: o que a tem impedido de desistir, depois de 15 anos de
dor com esse casamento? Qual tem sido a sua motivação para
seguir em frente? Talvez, você concorde comigo que é mais do
que simplesmente seu compromisso conjugal e o amor pelo
seu marido. Deve haver algo mais profundo.
Todos esses anos, você focou a falta de vontade do seu
marido em mudar e tem perguntado a si mesma por que
continua com ele. Talvez, você não tenha desistido porque, no
fundo do seu coração, sabe que Deus fará algo muito
maravilhoso no interior do seu esposo. Assim, apesar do
quanto isso machuca, você não deseja sair das mãos do Oleiro.
Com base nas palavras de sua carta, você entenderá o
que desejo compartilhar. As experiências mais íntimas e
maravilhosas que tive com o Senhor aconteceram quando eu
estava remoendo-me em total angústia e absoluto desespero.
Que existência amarga e, ao mesmo tempo, doce experimentei
durante aquele período! Embora eu desejasse o fim do
sofrimento, quando ele acabou, percebi que, de certa forma,
havia perdido aquela intimidade constante que você está
experimentando agora com o Senhor. A alegria dessa
proximidade nos move a buscá-lO na dor. Não existe coisa
igual.
Frequentemente, ouço bonitos sermões sobre o amor e a
fidelidade de Deus. Infelizmente, na maioria das vezes,
tentamos entender o caráter do Pai com a nossa mente. Isso,
naturalmente, impede-nos de compreender o Supremo em
nosso coração. Entretanto, em meio às atuais circunstâncias,
Ele está transmitindo-lhe um conhecimento dEle que não pode
ser aprendido por meio de sermões ou livros. O Senhor está
fazendo uma obra profunda e definitiva em sua alma,
moldando-a carinhosamente à imagem de Seu Filho, Jesus
Cristo. Um dia, você dará valor ao que o Pai está fazendo agora
em seu interior, até mais do que já valorizou o fato de ter um
"bom casamento".
O apóstolo Paulo, que suportou muitos sofrimentos pela
causa do Mestre, testificou: Porque, como as aflições de Cristo
são abundantes em nós, assim também a nossa consolação
sobeja por meio de Cristo (2 Co 1.5 - ARA). Sentimos a presença
de Deus de uma maneira muito poderosa quando Ele nos
permite a experiência da dor, porque nossos olhos estão fixos
nAquele que é capaz de nos confortar em todas as nossas
aflições.
Outra bênção importante em tudo o que você está
atravessando é a maneira pela qual o Senhor será capaz de
usá-la um dia para ajudar outros que estejam passando por
algo semelhante. Na mesma passagem, Paulo também disse
que nosso Pai celestial nos consola em toda a nossa tribulação,
para que também possamos consolar os que estiverem em
alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos
somos consolados de Deus (2 Co 1.4).
Isso me faz lembrar da história verídica de Corrie e Betsy
Ten Boom, duas irmãs que suportaram um sofrimento
indescritível em um campo de concentração nazista durante a
Segunda Guerra Mundial. Quando Betsy estava morrendo,
virou-se para a irmã e disse: "Nós precisamos contar a eles,
Corrie; para todos aqueles que ouvirem. Eles acreditarão em
nós porque estivemos lá".
Então, Melody, tenha bom ânimo e saiba que Deus está
desenvolvendo em você um testemunho poderoso. O poder de
apoio do Senhor a sustenta nessa travessia de águas muito
profundas. Você descobrirá como o amor do Altíssimo
ultrapassa a felicidade passageira que resulta das
circunstâncias exteriores favoráveis.
Deus lhe conceda forças para se dedicar àquilo que,
agora, parece-lhe muito doloroso, mas, afinal, irá transformar-
se em algo muito útil à sua alma. E como tenho orado ao
Senhor por você.
A LUTA DO MARIDO

Querida Miriam
Recordo-me de que, durante os anos mais difíceis do
meu casamento, senti-me da mesma forma como você se sente
agora. As vezes, convencia-me de que meu marido,
propositalmente, estava tentando deixar-me louca. Pelo fato de
estar atolada em meu mundinho, perdi a perspectiva
equilibrada com relação aos outros e à vida em geral. Tudo se
centralizava no modo pelo qual as atitudes de Steve me
afetavam. Minha dor e as circunstâncias eram imensas,
enquanto Deus era muito "pequeno" aos meus olhos. Como
resultado, raramente, eu considerava as carências do próximo;
inclusive a necessidade desesperadora do meu esposo pelo
Senhor. Eu não me dava conta de que o pecado dele também o
estava destruindo.
Embora pareça bastante difícil, tente colocar-se no lugar
de seu marido por um momento. Por favor, entenda que eu
não ousaria tentar minimizar ou ignorar a responsabilidade
dele na questão. Frequentemente, a última coisa que um
homem em pecado sexual deseja fazer é confessar francamente
os próprios erros. Entretanto, para o seu bem, você deve
procurar compreender o ataque ao qual ele tem sido
submetido em nossa cultura orientada para o sexo.
Você mencionou uma vez que Phil foi exposto à
pornografia desde a tenra idade. Aliás, esse é um denominador
comum único entre os compulsivos sexuais nestes dias. Sem
dúvida, tal exposição distorceu a perspectiva dele acerca da
sexualidade. E, desde então, as escolhas que ele fez na vida
levaram-no a essa escravidão atual. Mesmo assim, é fácil
descrever um marido infiel como um monstro, sem considerar
aquilo que forneceu combustível para essa luxúria ardente
durante todos esses anos.
Em nossa sociedade permissiva, costuma-se dizer: "Se
sentir que é bom, então faça!". Em conseqüência, as mulheres
são vistas como meros objetos sexuais. Hoje em dia, os
meninos praticamente não têm escolha nessa área. São
bombardeados constantemente pela pornografia disfarçada
em toda a parte. Isso está na TV, em revistas, nas lojas, nos
letreiros das estradas, na fila do caixa dos supermercados etc.
Para onde quer que se virem, são atacados pela mensagem de
que o prazer é o propósito da vida, e o sexo, a suprema
experiência do prazer.
Durante os anos em que é mais influenciável, o garoto
passa praticamente por uma lavagem cerebral com essa
mensagem. Como resultado, ele entra na adolescência cheio de
curiosidade e é atraído para quase qualquer coisa de
conotação sexual. Ele tende a começar a masturbar-se como
um impulso incansável para sentir o desejo sexual. Nessa
altura, o adolescente já armazenou inúmeras imagens de
luxúria, que o ajudam a desenvolver uma vida de fantasia
elaborada, acoplada à autogratificação. Posteriormente,
quando está cursando o Ensino Médio, aprende a conseguir
namoradas, especialmente as mais dispostas a entregar o
corpo. Na idade adulta, ele é praticamente um maníaco sexual
plenamente desenvolvido. Descobre que sua curiosidade de
garoto se transformou em uma besta voraz, sempre exigindo
mais. Sem problema! As áreas de libertinagem lhe oferecem
uma ampla seleção de locais mais "quentes" para o
desnudamento, casas de massagem e becos de prostituição, se
ele tiver condições de pagar.
Você sabe que a pornografia é uma indústria de muitos
bilhões de dólares? Hoje, está ainda mais acessível do que
nunca, por causa da Internet -em alguns aspectos, realmente,
uma "rede mundial" do maligno. Os homens, agora, podem
"surfar" ou "navegar", eu diria, na rede em busca de prazer,
sem precisar sair de casa.
Muitas mulheres são desprovidas de compaixão pelas
lutas dos seus maridos, porque elas mesmas nunca foram
controladas pelos desejos sexuais. O problema é que não
conseguem entender como o impulso sexual é poderoso em um
homem, e como ele é suscetível à tentação em uma cultura
cheia de imagens obscenas.*
Detesto ser tão descritiva, mas é importante que você veja
o quanto o diabo facilitou o esquema para que os jovens se
tornem compulsivos pela atividade sexual ilícita. De certa
forma, não deveria surpreender a qualquer esposa que seu
marido lute contra o pecado na área da sexualidade. De fato, é
um espanto que nem todos os homens da América sejam
viciados sexuais!
Estar mais ciente das tentações enormes que seu marido
deve enfrentar todos os dias irá ajudá-la de muitas maneiras.
Em primeiro lugar, você perceberá que o vício dele não é
definitivamente culpa sua. Em segundo, você estará mais
inclinada a resistir à idéia de justiça própria, à qual nós,
mulheres, frequentemente nos entregamos, ao pensar: "Ele só
precisa controlar-se!". Em terceiro, você terá compaixão por ele
em seu coração, e isso, espero, acalmará qualquer tempestade
de ira que, de outra forma, iria governá-la. Enfim, será possível
saber exatamente como orar por seu esposo.

*
Incentivo bastante todas as esposas a lerem o livro do meu marido, At the altar of sexual
idolatry (No altar da idolatria sexual), para terem uma percepção tremenda sobre o que o
dependente sexual experimenta e o que é necessário para ele vencer o problema.
Nota do Digitalizador: Temos esse livro no acervo do Semeadores da Palavra:
No Altar Da Idolatria Sexual- Steve Gallagher
LIDANDO COM AS SUSPEITAS

Querida Janet
Muito boa é a sua pergunta sobre confrontar ou não o
seu marido por causa das suas suspeitas. É importante que
você avalie primeiro se as suas suspeitas estão fundamentadas
em fatos reais ou apenas no medo.
Os homens em pecado sexual podem ser muito espertos e
extremamente bons para disfarçar. A maioria se aperfeiçoou
na arte de enganar e leva vida dupla durante muitos anos. No
entanto, o Senhor conhece toda a verdade sobre o que um
homem faz na vida privada. Por conseguinte, a esposa deve
realmente voltar-se para Deus e pedir ajuda para descobrir
tudo o que está ocorrendo. Experimentei os dois lados da
moeda: viver com medo obsessivo, apenas esperando a
próxima revelação devastadora, e com esperança, aguardando
confiantemente o Senhor operar.
Recordo-me de uma experiência em Los Angeles antes de
Steve voltar-se para Jesus. Ele trabalhava no turno da noite
na delegacia e, geralmente, ia para casa por volta das oito
horas. Mas, em uma determinada manhã, chamei-o várias
vezes do meu emprego. Não obtive resposta. Meu coração
começou a afundar. Eu sabia que algo estava errado, pois,
naquela época, meu marido entrava e saía do pecado sexual o
tempo todo. Era possível que tivesse ido a uma loja ou a
qualquer outro lugar, mas senti que ele não estava fazendo
boa coisa. Para mim, seu desaparecimento era um sinal
intrigante de que, talvez, estivesse com uma prostituta.
Não pude falar com ele antes de voltar para casa naquela
noite. Sem fazer rodeios, perguntei-lhe diretamente se ele
estivera com alguém durante o dia. Ele, é claro, jurou que não,
mas não acreditei em uma palavra sequer. Continuei
questionando-o até que, finalmente, ele admitiu ter estado com
uma prostituta.
Naqueles dias, eu não conseguia discernir quando Deus
estava revelando-me algo ou quando se tratava apenas das
minhas suspeitas perturbando-me. Com freqüência, ao
pressentir que ele estava sendo infiel, eu estava errada.
Mesmo depois que Steve acertou sua vida diante do
Senhor e começou a mudar, eu ainda suspeitava demais.
Fiquei dessa forma durante os vários anos em que ele já estava
andando em vitória. Eu imaginava toda sorte de cenário
quando ele estava sozinho ou se atrasava para voltar. Na
verdade, tornei-me tão paranóica e medrosa nos anos em que
meu esposo esteve em pecado, que, acredito, o diabo ganhou
alguma espécie de posição segura em mim. Se eu tivesse
verbalizado meu medo, provavelmente, nós dois teríamos
acabado na justiça para nos divorciarmos.
Minha obsessão com o que ele estava fazendo, pensando,
dizendo, conspirando, dentre outras coisas, reforçava os meus
temores. Quando o telefone tocava e eu não conseguia
perceber com quem ele estava conversando, eu imaginava que
se tratasse de uma amante secreta. Para meu alívio e
embaraço, acabava sendo algum amigo nosso. Minha
imaginação hiperativa me manteve na prisão do desespero
durante todo aquele período.
Como você sabe se suas dúvidas estão enraizadas no
medo e influenciadas pelo diabo ou estão fundamentadas em
fatos e são divinamente inspiradas? Aqui estão algumas
perguntas que você pode fazer para si mesma:
Qual tem sido o comportamento de seu marido durante
os últimos seis meses? Você realmente o flagrou em pecado?
Existe alguma evidência que justifique as suas suspeitas? Por
exemplo, ele tem voltado tarde do trabalho? Tem desaparecido
dinheiro sem que ele explique? Seu esposo dá respostas vagas
ou não parece sincero? Ele tem ficado zangado, na defensiva
ou agressivo como, talvez, ele tenha sido no passado? Como
ele trata você e as crianças?
Como está a caminhada dele com Deus? Ele parece
faminto pelo Senhor? Ele espera o momento de ir à igreja, ou
procura um jeito de não ir? Seu marido passa um tempo com o
Pai todos os dias? Está lendo a Bíblia? Ou passa horas
sentado na frente da televisão?
Conhecemos um ministro com uma personalidade
amabilíssima, mas é um exemplo de enganador. A esposa
jamais imaginou a transgressão vulgar (bestialidade) em que
ele estava envolvido, por causa do tratamento que dava a ela,
aos filhos e aos outros. Felizmente, o Senhor continuou a
revelar para ela o pecado dele.
E importante que a esposa esteja no limite entre a
confiança e a precaução. Um extremo mantém a mulher na
ignorância, e o marido, no pecado secreto; o outro submete a
mulher a uma terrível vida de medo que nunca desaparece
completamente, não importando o quanto o cônjuge tente.
Eu a animo a usar as perguntas listadas anteriormente
como ferramentas para ajudá-la a avaliar honestamente as
suas suspeitas. Se, após respondê-las, ainda não tiver algo de
concreto, exceto um senso perturbador de que algo está
errado, ajoelhe-se diante de Deus. Coloque deliberadamente
seu marido nas mãos do Senhor. Depois, peça-Lhe que revele
algum pecado secreto com o qual ele possa estar envolvido.
Finalmente, ore para que o Todo-Poderoso a liberte de
qualquer medo que domine a sua vida. Confie no fato de que
Ele responderá às suas orações.
POR QUE DEVO AGUENTAR ISSO?

Querida Lauren
Sim, concordo que a sua vida seria provavelmente muito
mais fácil sem toda essa dor no coração e essa tristeza por
causa desse casamento. Mas ter uma vida confortável, sem
sofrimento, significa tanto para você a ponto de terminar seu
casamento por causa do vício do seu esposo? Isso realmente
justifica o divórcio? Sei que concorda que algumas coisas são
importantes o suficiente para lutar por elas.
Todos nós enfrentamos a adversidade e o sofrimento na
vida, simplesmente porque este mundo está, na maior parte,
nas mãos do inimigo. O modo como respondemos à dor
determinará, em grande extensão, o caminho que nossa
existência toma com Deus.
Para o coração que busca, existe uma única resposta:
uma disposição humilde para entregar o coração golpeado pela
angústia nas mãos do Pai celestial. Essa resposta vem do
desejo de ser mais como Jesus. E a submissão de todo ser ao
Onipotente, aos Seus processos que transformam vidas.
Ter um marido em pecado sexual é tão doloroso quanto
humilhante. Ajuda uma mulher a perceber a própria
necessidade do Senhor em sua vida. E difícil estar nessa
posição de desespero e dor, mas, porque Deus é atraído para
os aflitos, a Sua presença pode fazer dessa circunstância uma
situação gloriosa com a qual nada se compara na terra.
Entretanto, não interprete mal, pois Deus usa esse sofrimento
para purificar a mulher do egoísmo, da justiça própria e da
auto-suficiência. Por meio dessa provação feroz, a compaixão
dela pelas necessidades dos outros cresce e amadurece.
Depois de ter o coração despedaçado, a esposa tende a ver
mais as necessidades do que os fracassos do cônjuge.
Existe uma outra resposta a esse sofrimento: uma
amargura justificável quando se foi ferido pelo pecado do
outro. E fácil uma esposa ver-se como vítima do erro do
marido, mais especialmente quando ela está rodeada por
outras pessoas que a tratam assim. Naturalmente, é verdade
que, de uma forma bastante real, a mulher é vitimada pela
transgressão do esposo. Entretanto, é importante que ela
lembre que todo ser humano é atingido, de uma forma ou de
outra, pela iniqüidade dos seus semelhantes. E uma parte
inevitável da vida.
A amargura pode levar o coração de uma pessoa a
afastar-se de Jesus. Tudo o que se faz vem do coração. A
maneira pela qual os cristãos tratam aqueles que os ferem é
um aspecto importante do cristianismo. Devemos lembrar que
o nosso Salvador sofreu açoites, humilhação, e foi
assassinado. Contudo, Ele nunca retaliou seus opressores.
Leia as palavras de Pedro com relação a esse assunto:

Porque é coisa agradável que alguém, por causa da


consciência para com Deus, sofra agravos,
padecendo injustamente. Porque que glória será essa,
se, pecando, sois esbofeteados e sofreis? Mas, se
fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é
agradável a Deus. Porque para isto sois chamados,
pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o
exemplo, para que sigais as suas pisadas, o qual não
cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano,
o qual, quando o injuriavam, não injuriava e, quando
padecia, não ameaçava, mas entregava-se àquele que
julga justamente.
(1 Pedro 2.19-23)

O Senhor deseja consolar a mulher em seu sofrimento e,


depois, usar o problema para ajudá-la a crescer e se tornar
mais semelhante a Cristo. No entanto, se ela não cresce e se vê
sempre como vítima, nada de bom pode ser alcançado em sua
vida por meio da dificuldade: terá sofrido em vão! Em vez de
perceber o Senhor ao seu lado no decorrer de toda a prova,
ajudando-a, guardando-a, sustentando-a e moldando-a, tudo o
que ela consegue enxergar é o fato de ter sido prejudicada por
alguém.
Acredito que a única razão pela qual Deus permite que
passemos por tanta dor é para nos trazer dessa forma a
revelação sobre como somos realmente, com o objetivo
supremo de nos fazer mais parecidos com Jesus. Uma
ilustração que o meu marido Steve usou no passado é a do
tubo de pasta de dente. Quando você o pressiona, a única
coisa que sai é o conteúdo. Da mesma forma, quando a aflição
começa a nos apertar, o que está em nosso interior sairá.
Outra ilustração é a de que, quando o fogo é aplicado ao
metal, as impurezas sobem para o topo, onde podem ser
retiradas.
Deus está muito decidido, eu creio, a conseguir que
sejamos autênticos com Ele e conosco. Os dias do cristianismo
superficial estão chegando ao fim. O Pai fará com que olhemos
para o nosso interior e vejamos como somos realmente, a fim
de nos arrependermos e nos tornarmos o povo santo como Ele
deseja.
Também sofri demais nas mãos de um esposo infiel, mas
chegou um momento em que comecei a ver além do pecado
dele e a reconhecer a minha necessidade de correção e ajuda.
Uma vez atingida essa percepção, toda a minha perspectiva
mudou. Agora posso olhar para trás, para aquele período da
minha vida e, com toda a sinceridade, agradecer a Deus cada
porçãozinha do meu passado. Por quê? Porque essa
experiência difícil foi o único caminho para que Ele pudesse
ajudar-me em minha carência. Antes de passar por aquela
aflição, meu senso de necessidade de Deus era muito
superficial, mas a dor e a rejeição me fizeram dobrar os joelhos
e colocaram algo profundo em mim. Isso fez valer a pena tudo
o que atravessei.
Imagino que tenha à sua volta aqueles que estão
estimulando a idéia: "Por que devo agüentar isso?". A resposta
a essa pergunta tem duas partes. A primeira é que você
suportará a dor da infidelidade mental do seu marido, porque
almeja estender a ele a mesma misericórdia e o mesmo perdão
que o Senhor proporcionou à sua própria vida. A segunda é a
sua opção de permitir que o Soberano use esse tempo para
moldá-la à imagem de Cristo, em vez de fugir. Espero que esta
carta a anime a tudo sofrer, tudo crer, tudo esperar, tudo
suportar. O amor nunca falha (1 Co 13.7,8).
A ESPOSA ENCORAJADORA

Querida Ann
Aprecieimuito o seu desejo de ser uma bênção para o
seu esposo. A vida fica bem mais fácil quando se tem um
cônjuge que está realmente tentando fazer alguma coisa certa.
A chave para a sua vida vitoriosa é a fidelidade e a
perseverança. Se o seu esposo permanecer diligente e escolher
fazer as coisas que Deus lhe tem mostrado, ele conseguirá!
Seu papel é ser líder da torcida do seu marido não só
quando ele marca um ponto, mas também depois de cada vez
que ele tocar a bola! Procure nunca relembrar os erros dele.
Da melhor maneira que puder, crie uma atmosfera agradável
no lar.1 Deixe-o saber que você está totalmente comprometida
com ele. Não interessa o dia que seu esposo teve; mostre que
você está por perto. O desejo sincero de andar em vitória irá
capacitá-la para apoiá-lo completamente.
Estou feliz em saber que você lhe tem correspondido nos
momentos de intimidade. Muitas esposas punem os cônjuges
na cama, rejeitando as propostas amorosas deles.2 Entretanto,
o que elas não percebem é que, com freqüência, isso piora as
coisas. Em geral, quanto mais satisfeito um marido estiver em
casa, menos inclinado estará a procurar fora! Em 1 Coríntios
7.5, Paulo adverte os casais:

Não vos defraudeis um ao outro, senão por consen-


timento mútuo, por algum tempo, para vos aplicardes

1
Existe uma pequena diferença entre deixar um marido permanecer no pecado e criar uma
atmosfera agradável no lar. Essa atitude do esposo permite isso (cartas a Judy e Robin)
2
Novamente, há um outro lado. Há ocasiões em que a abstinência é a melhor atitude,
especialmente quando existe um receio legítimo de que o marido transmita alguma doença
sexualmente transmissível.
a oração; e, depois, ajuntai-vos outra vez, para que
Satanás vos não tente pela vossa incontinência.

Por favor, continue a encorajar seu esposo a ter o


momento diário com o Senhor. Como você sabe, é essencial
apoiá-lo, sem irritá-lo. Talvez, você possa até sugerir que os
dois passem juntos um tempo com a leitura da Bíblia todas as
noites.
Quando seu marido amadurecer na caminhada com o
Senhor, um dia, ele atravessará a linha divisória, e o pecado
sexual ficará completamente para trás. Imagino que, quando
esse momento chegar, ele terá a dizer alegremente sobre a sua
esposa:

Levantam-se seus filhos, e chamam-na bem-


aventurada; como também seu marido, que a louva,
dizendo: Muitas filhas agiram virtuosamente, mas tu
a todas és superior. Enganosa é a graça, e vaidade, a
formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa
será louvada.
(Pv 31.28-30).
A ESPOSA IRADA

Querida Deborah
É difícil saber como responder à sua carta. Estou muito
triste pela profundidade de sua mágoa com relação ao seu
marido. Fiquei com a impressão de que mais do que procurar
ajuda, você simplesmente queria descarregar toda a raiva por
causa da infidelidade dele.
De qualquer forma, tentarei filtrar por meio da amargura
expressada em sua carta e espero dizer alguma coisa tão
significativa quanto útil. Minha oração é que você permita que
Deus amacie o seu coração, para conseguir receber a vitória da
qual necessita desesperadamente. Sua falta de vontade em
amar seu esposo não deixa espaço para um Pai de amor.
Jesus disse:

Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas,


também vosso Pai celestial vos perdoará a vós. Se,
porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas,
também vosso Pai vos não perdoará as vossas
ofensas.
(Mt 6.14,15).

Eis por onde você tem de começar: pelo perdão. Para se


acertar com Deus, precisa estar disposta a perdoar ao seu
marido, seja qual for o pecado que ele tenha cometido. Jesus
diz isso!
Sem dúvida, você foi ferida no que é, provavelmente, a
área mais sensível da alma de uma mulher - a dedicação e a
fidelidade do seu marido. A dor é real, e o Senhor compreende
as lutas que uma esposa trava com a ira. Quando alguém é
ferido desse jeito, é natural que levante um muro ao redor do
seu coração. Entretanto, espera-se que os cristãos ainda
procurem obedecer a Deus.
Muitas mulheres suportaram o que você está sofrendo
agora. E necessário um pequeno esforço para desenraizar os
sentimentos da amargura. É muito fácil odiar quando você foi
ferida ou violada de alguma forma, mas Jesus nos ensina uma
maneira melhor de responder a esse mau trato: Amai a vossos
inimigos (Mt 5.44a). Amar alguém difícil de ser amado requer
humildade, paciência e verdadeira força de caráter.
Deborah, é possível libertar-se ainda hoje da prisão à
qual você mesma se submeteu. Procure arrepender-se do ódio
que consumiu seu coração e, depois, permita que Cristo ame
seu marido por seu intermédio. Parece impossível, mas não é!
Você pode fazer isso porque Jesus nos mostrou como agir. Ele
foi acusado falsamente, espancado com brutalidade e
crucificado entre dois criminosos, mas jamais sucumbiu à
tentação de odiar. Em vez disso, enquanto era pregado na
cruz, orou pelos Seus perseguidores. Portanto, porque o
Mestre é o nosso Exemplo, podemos escolher estar naquele
mesmo Espírito, em lugar do espírito de homicídio, que é a
marca registrada deste mundo. Não há algo mais parecido com
Deus do que o perdão. Faça agora a seguinte oração: "Querido
Senhor, eu me arrependo da minha amargura, do meu ódio,
egoísmo e orgulho. Por favor, ajuda-me a aprender com o
exemplo do Teu sofrimento. Dá-me o desejo e o poder de
perdoar ao meu marido. Ajuda-me a amá-lo como Tu o amas.
Em Nome de Jesus, amem!
SINTO-ME COMO SE ESTIVESSE ENLOUQUECENDO!

Querida Anna
Você expressou enfaticamente a agonia de muitas
mulheres: “Meu marido é um mentiroso, ou estou apenas
imaginando tudo? Não sei mais no que acreditar. Sinto-me
como se estivesse enlouquecendo”!
Segundo diz em sua carta, Anna, é óbvio que seu marido
a está controlando. Você mencionou que, ao tentar discutir
sobre os problemas do casamento, ele, de alguma forma,
distorce toda a conversa, esquece a própria responsabilidade e
faz sempre de você o ponto principal da discussão. Sua carta
declara ainda que, quando o confronta com uma evidência
inegável da infidelidade, seu esposo consegue deixá-la tão
confusa como “se fosse uma idiota”.
Deixe-me dizer-lhe: já passei por isso e fiz igual!
Experimentei a mesma coisa com Steve. Quando eu tentava
conversar sobre o envolvimento dele com o pecado sexual, ou
mesmo quando me maltratava, ele tomava conta da conversa,
com esperteza, e, de um modo ou de outro, colocava o foco em
mim. Ate hoje, não sei exatamente como. Toda vez, ao final da
nossa discussão, eu me sentia como se tivesse feito uma
grande tempestade por nada, ou que estava apenas
imaginando coisas.
Uma das razões para ele escapar como fazia é porque eu
queria desesperadamente acreditar no melhor sobre o meu
esposo, e ele era capaz de tirar partido disso com sua
personalidade forte, dominadora. Usando com facilidade tanto
a força bruta quanto a sua capacidade de enganar, ele me
intimidava emocionalmente até levar-me à submissão.
Acontece que as minhas suspeitas acertaram o alvo.
Quando, finalmente, percebi que era uma causa perdida tentar
convencer Steve a agir corretamente, simplesmente desisti.
Recusei-me a aceitar as mentiras, a manipulação e a mania
dele de dormir fora de casa. Eu sabia que, enquanto tolerasse
isso, ele permaneceria sem vontade para reconhecer seu
problema e lidar com a questão.
Anna, você deve ser forte e ficar firme no seu
relacionamento com o Alfredo no futuro. Pelo que pôde
compartilhar em sua carta, não existe dúvida de que ele é
infiel. Como seu esposo não está respondendo com sinceridade
durante as discussões, você pode considerar a necessidade de
uma separação temporária. Pode ser justamente a sacudida de
que ele precisa! Peça ao Senhor a sabedoria para fazer o
melhor e a força para seguir aquilo que Ele puser em seu
coração.
PARE JÁ COM ISSO

Querida Janie
Em sua carta mais recente, você perguntou: "Por que ele
não pode simplesmente parar com isso?". Nós, mulheres, que
nunca vivemos somente para o sexo, não conseguimos
compreender o que há de tão difícil em dizer não para o
pecado sexual. Frequentemente, usamos aqueles versículos da
Bíblia que você citou para fortalecer o nosso argumento:

Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel


éDeus, que vos não deixará tentar acima do que
podeis; antes, com a tentação dará também o escape,
para que a possais suportar. Portanto, meus amados,
fugi da idolatria.
(1 Co 10.13,14).

No entanto, você precisa entender que, se fosse fácil para


o seu marido, o problema dele não seria chamado de vício. Por
definição, um comportamento vicioso é um hábito
incontrolável, do qual é difícil desistir e, quase sempre, leva a
conseqüências negativas. Tome, por exemplo, uma jovem pros-
tituta, viciada em cocaína, que vive nas ruas de Nova Iorque.
Talvez, em algum momento, ela anteveja um futuro brilhante à
sua frente. Entretanto, ao longo dos anos, a vida dela torna-se
um ciclo vicioso de degradação e miséria. Para nós, parece tão
ridículo que uma mulher jogue fora a vida desse jeito, porque,
talvez, não compreendamos o poder avassalador do pecado.
Ou será que compreendemos?
O que dizer daquele mau hábito da fofoca, do qual você
se arrependeu dúzias de vezes? Frequentemente, não temos
compaixão pelos outros que estão presos a alguma
transgressão contra o qual nunca lutamos. E muito fácil ter
justiça própria e apontar o dedo para condenar alguém com
um problema que o domine.
Durante anos, fui uma consumidora compulsiva.
Comprava roupas, utensílios para a casa e qualquer coisa que
parecesse uma barganha ou uma necessidade. Sem usar a
sabedoria, gastava dinheiro de uma maneira frívola e egoísta.
Mas, pelo fato de a cobiça não ser mencionada na Igreja
americana, eu era capaz de justificar as minhas constantes
desculpas para aquela conduta. Steve estava preso pelo
pecado sexual, e eu, presa pelo vício de jogar dinheiro fora em
coisas desnecessárias. Aos olhos de Deus, eu era má
administradora e tão errada quanto Steve, provavelmente
mais, por causa da minha justiça própria.
A passagem bíblica citada aplica-se a todo cristão
genuíno que aprendeu a apropriar-se do poder de Deus em
sua vida. Entretanto, qualquer um que aceite Jesus Cristo,
depois de anos de profunda escravidão, deve aprender a andar
na verdade desses versículos. Com freqüência, não é fácil para
um cristão imaturo conseguir escapar em meio a uma
tentação dominante.
Por que seu marido simplesmente não pára? Parece que
ele está tentando sinceramente resistir à tentação.
A mudança exige tempo. Fracassos podem ser quase
esperados ao longo do caminho. Seja paciente e demonstre-lhe
compaixão. Deus está trabalhando na vida de seu esposo e,
seguramente, parece que ele está respondendo.
Aproxima-se rapidamente o dia em que ele há de parar,
pela graça de Deus!
“CONDENAÇÃO E ADORAÇÃO”

Querida Karen
Sei bem como se sente, questionando sua caminhada
com Deus por causa do jeito de tratar seu marido de vez em
quando. O Senhor compreende a sua luta. Não seja dura
demais consigo mesma.
Cada um de nós nasce com uma natureza pecadora.
Entretanto, quando ferimos ou ofendemos os outros, podemos
demonstrar-lhes arrependimento, e também a Deus. Em
seguida, fazemos o possível para não repetir o erro. É o que o
Senhor espera de nós. Em troca, nossos pecados não são
apenas perdoados, mas, sim, colocados em um mar de
esquecimento.
Você perguntou: "Como posso adorar o Senhor quando,
por dentro, sinto-me tão mal?". Isso demonstra que você não
tem uma compreensão plena do seu relacionamento com
Deus. Nós, cristãos, somos constantemente presos ao conceito
errôneo de que temos de ser, em primeiro lugar,
completamente obedientes antes de ousar entrar na presença
do Pai. Existe um grau de verdade nisso. Nunca devemos
chegar à sala do trono do Todo-Poderoso de maneira
presunçosa ou irreverente.
Por favor, tenha em mente que nosso Pai celestial sabe
que somos humanos e, inúmeras vezes, não percebemos o
alvo. Não obstante, Ele nos ama e deseja ter uma comunhão
constante conosco. Quando O adoramos de coração, nós nos
unimos a Ele espiritualmente, situação bem parecida com o
que ocorre quando os cônjuges fazem amor um com o outro.
Infelizmente, muitas pessoas "põem os carros antes dos
bois", por assim dizer. Elas consideram que se devem tornar
santas antes de ser íntimas com Deus. Não é assim! Quando
chegamos humildemente diante do Senhor, pela graça dEle,
temos autorização para entrar em Sua santidade, a qual nos
faz desejar agir corretamente.
Entretanto, o maligno tenta convencer-nos de que,
primeiro, devemos punir-nos antes que o Pai sequer ouça as
nossas orações. Quando acreditamos nessa mentira
deslavada, somos nossos próprios juízes. O relacionamento
com o Senhor torna-se completamente fundamentado em
nosso desempenho, isto é, naquilo que realizamos ou
deixamos de realizar. Então, estamos no centro, em vez de
Jesus; este é precisamente o alvo do diabo. Mas a verdade
nessa questão é que, quando confessamos os nossos pecados,
ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de
toda injustiça (1 Jo 1.9).
Ensinamos aos homens do programa de residência para
irem às reuniões prontos para adorar a Deus, mesmo se
agiram como o próprio diabo 15 minutos antes do encontro! O
melhor jeito de se libertar de um espírito demoníaco é se
arrepender e entrar no Espírito do Senhor. O arrependimento
não envolve apenas o nosso afastamento do pecado, mas
também significa que nos voltamos para o Altíssimo.
Você luta contra a amargura que sente quando seu
marido é infiel. Ressalto, no entanto, que o melhor remédio
para a água amarga do poço é jogá-la fora e substituí-la pela
Água da Vida! Karen, algumas das minhas experiências mais
libertadoras ocorreram quando eu descobria um lugar
tranqüilo para me desligar de todas as distrações do mundo,
ajoelhava-me e começava a contar para Jesus o quanto eu O
amava.
Embora a maioria das minhas duas horas com o Senhor,
de manhã, seja gasta em oração e estudo bíblico, também
tento passar um tempo simplesmente adorando o Senhor.
Gosto particularmente da música de Hillsong e Vineyard,
porque esses grupos parecem ter uma unção real de nos levar
à sincera adoração ao Soberano.
Há ocasiões em que eu me torno tão dominada pela
bondade de Deus, que acabo com meu rosto enterrado no
tapete, chorando. Em outras ocasiões, fico tão entusiasmada
por Sua presença, que começo a dançar! Gosto de adorar o
Senhor Jesus e contar-Lhe como eu O amo e aprecio tudo o
quanto Ele tem feito por mim.
Várias esposas comentaram que elas expressariam tal
gratidão somente se seus casamentos fossem restaurados.
Mas, deixe-me dizer-lhe que isso, simplesmente, não é
verdade. Se você não aprender a adorar o Altíssimo e
agradecer-Lhe em meio às provações, certamente, nunca fará
isso com sinceridade quando estas terminarem. Quanto mais
você louva o Senhor, mais deseja adorá-lO, sejam quais forem
as circunstâncias. Quando sentir que não há alguém com
quem possa contar, encontre abrigo e tenha plenitude de
alegria na presença do Todo-Poderoso.
Por favor, lembre-se de que o Pai almeja estar com você,
apesar dos seus fracassos. Simplesmente, arrependa-se e
entre na presença de Deus!
A OBSESSÃO ERRADA

Querida Bernice
Compreendo seu desejo profundo de ver seu marido
arrepender-se para que seu casamento rompido seja
restaurado. Entretanto, suspeito que você esteja cometendo o
mesmo erro que cometi uma vez: está obcecada por ver isso
acontecer.
Salomão disse: A esperança demorada enfraquece o
coração (Pv 13.12a). Bernice, assim como a preocupação do
seu marido com sexo irá deixá-lo vazio e miserável, sua
obsessão fará o mesmo com você.
E bem melhor (e mais sábio) focalizar sua atenção no
Majestoso, no Alfa e Omega, no Ancião de Dias. Somente Ele
pode preencher o vazio em seu coração e confortá-la em meio à
sua dor. Só Jesus é capaz de tratar e curar suas feridas tão
profundas. A alegria dEle é sua força (Ne 8.10).
E preciso ter em mente que o Pai a está treinando. Você
quer que esteja tudo bem, mas o Senhor não está pensando
nesses moldes. E mais importante para Ele que você tenha
algo substancial em seu interior que seja dEle. A preocupação
do Pai é o seu bem-estar eterno, não necessariamente sua
felicidade temporária. Você se tornou obcecada em seus
esforços para acumular tesouros na terra, mas, Bernice, esses
tesouros são suscetíveis à ferrugem e ao mofo. Deus está
tentando dar-lhe riquezas eternas.
O pecado do meu marido era também encarado nor mim
como uma interrupção indesejada da vida "feliz para sempre",
como sonhei que teríamos juntos. Mas sou muito grata hoje
por tudo de bom em resultado disso! Sou agradecida porque
Deus não teve uma varinha mágica para me conceder o que eu
queria e da forma como supliquei na ocasião. Em cada passo
da caminhada, Ele me levou a algo de que eu precisava
desesperadamente: intimidade verdadeira com Ele. Então,
encorajo-a a conservar seus olhos fixos no Senhor e a permitir-
Lhe que faça a obra maravilhosa em sua vida, mas do modo
realmente necessário.
VOZES DEMAIS

Querida Cynthia

É difícil imaginar como deve ser duro ter uma família


assim tão contra o seu casamento. Quando se casou com
James, você entrou em um relacionamento exclusivo, ao qual
ninguém mais tem qualquer direito de acesso. Você terá de ser
a pessoa a estabelecer esse fato para os membros da sua
família, que, aparentemente, acham que lhes cabe dizer como
administrar a sua vida conjugal.
Em Gênesis, o Senhor disse:

Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e


apegar-se-á a sua mulher, e serão ambos uma carne.
(Gn 2.24).

O mesmo vale para a filha que se casa.


Pode ser muito confuso ouvirmos vozes demais. Todos
têm uma opinião sobre como você deve lidar com uma
determinada situação; geralmente, a opinião de todos é
diferente. E raro encontrar uma família que seja objetiva e, ao
mesmo tempo, dê apoio quando vê um amado ferido ou
atribulado.
Por que sua família quer que se divorcie de James? Como
isso irá ajudar você? E o que Deus lhe está dizendo? Algumas
vezes, familiares bem-intencionados não percebem a
verdadeira condição dos próprios corações, ou seja, que eles
mesmos têm justiça própria e estão sujeitos ao pecado.
Insisto enfaticamente a não permitir que seu pai e sua
mãe a aconselhem, porque já demonstraram estar aborrecidos
e magoados com um irmão no Senhor.
Cynthia, se sua posição quanto ao casamento levá-la a
romper com sua família, você pode ser forçada a decidir o que
é mais importante. Uma coisa posso assegurar-lhe: se tiver
sobrado alguma esperança, ainda que seja mínima para o seu
matrimônio, então, Deus está nela. Agarre-se ao conselho do
Senhor e ouça a voz dEle.
Espero que isso sirva para encorajá-la.
PREENCHENDO O VAZIO

Querida Susan
Aprecio realmente como você derramou o seu coração na
carta. Sei, em primeira mão, o que é buscar as coisas indignas
a fim de trazer uma satisfação momentânea.
Durante os anos iniciais do meu casamento, desperdicei
muitas horas e gastei milhares de dólares apenas para me
sentir melhor. Por quê? Bem, na maior parte do tempo, sentia-
me vazia e só. Minha vida parecia sem sentido. Assim, no
desespero, tentei preencher o vazio fazendo compras. Nunca
estava satisfeita com o que possuía. Uma parte de todos os
talões de cheques era gasta em alguma roupa nova. Eu tinha
de arrumar o cabelo e fazer as unhas frequentemente. Mais
tarde, entrei para a decoração de interiores. Estava em missão
para arrumar a casa. Comprava constantemente mobília nova
e pequenos enfeites aqui e ali. Quando adquiria algo novo,
quer fosse uma roupa ou um conjunto para o quarto, eu me
sentia maravilhosamente bem por alguns dias. Depois, o
sentimento de vazio retornava e permanecia até a próxima
loucura de compras. Agora, em retrospecto, vejo que quanto
mais comprava, maior era a sensação de vazio.
Na ocasião, nunca me ocorreu que eu pudesse estar
fazendo algo que desagradasse a Deus.
Naturalmente, comprar uma saia nova não é pecado.
Contudo, na realidade, eu tinha-me tornado tão obcecada em
gastar dinheiro quanto meu marido era obstinado por sexo.
Enquanto meu pecado parecia inocente, comparado ao dele,
ambos eram tentativas idólatras de completar um vazio que
somente Jesus poderia preencher.
À medida que amadureci e entrei em uma compreensão
mais profunda de Deus, Ele começou misericordiosamente a
me convencer dos meus gastos excessivos. Vi o quanto eu
tinha me voltado para os prazeres mundanos na minha dor,
em vez de me achegar ao Senhor. Tinha minimizado e até
justificado minha ostentação, por causa de toda agonia que
meu marido me fazia passar. Não obstante, assim como foram
necessários anos para que ele vencesse a terrível fortaleza da
cobiça sexual, levou algum tempo para que eu me libertasse
da minha cobiça.
Desde então, ter um relacionamento com o Pai celestial
tem trazido um grande significado à minha vida. Amo meu
marido e nunca voltarei àqueles anos penosos deixados para
trás, porque a grande alegria em meu coração vem do que
tenho em Deus, e não das coisas do mundo. Espero e oro para
que você também descubra a Fonte e o Manancial verdadeiros
de toda a realização: o Senhor Jesus.
A BATALHA DA TV

Querida Patrícia
Em sua carta, você declarou: "Fico louca da vida de não
poder assistir à televisão por causa do pecado do meu marido.
Não é justo! Sinto que, se ele tem um problema, deveria
simplesmente sair da sala".
Também mencionou que seu marido se convenceu
daquilo que significa assistir à TV, após ler a respeito de seus
efeitos nos cristãos em At the altar of sexual idolatry [No altar
da idolatria sexual]. Não tomarei tempo aqui mencionando
todas as influências impuras relacionadas no livro por meu
esposo sobre esse meio de comunicação, mas direi o quanto
ela afeta negativamente todos os cristãos, não apenas quem
está lutando contra o pecado sexual. Basicamente, a televisão
afasta de Deus os servos mais do que os aproxima dEle. Muito
mais ainda no caso do homem em luta contra a luxúria!
Percebo que você tem suportado o peso da tola
impulsividade do seu cônjuge, e parece estar sendo castigada
pelo erro dele. Na verdade, é muito difícil, mas você consegue
ver que, agora, ele está tentando sinceramente agir certo? Os
esforços dele para se consagrar ao Senhor são altamente
louváveis. Muitas mulheres desejariam que o esposo, ao se
submeter à direção de Deus, tivesse mais vontade de enfrentar
os problemas.
Sei que você não estava esperando uma resposta como
esta, mas desejo incentivá-la a deixar de lado os próprios
desejos e buscar o Senhor de coração aberto. O Altíssimo é
sempre bom e sabe o que é melhor para a sua vida. Deus não
apenas irá guiá-la pelo caminho reto, mas também fará com
que obedecer a Ele signifique um prazer para você.
FRUTOS DO ARREPENDIMENTO

Querida Pam
Quero responder à sua pergunta: “Como posso saber se
meu marido se arrependeu de verdade?”. Naturalmente, o
arrependimento é absolutamente essencial para vencer o
pecado.
Infelizmente, muitos dos que estão em pecado sexual
nunca experimentam o verdadeiro arrependimento. Embora
possam lamentar sobre seu pecado, implorando a Deus para
libertá-los, e fazer determinados “esforços” para alcançar a
vitória ou votos solenes de nunca mais cair, eles não tiveram
uma verdadeira mudança no coração.
Lembro-me de um casal, Bill e Fran, aconselhados por
nós há algum tempo. Eles estavam casados havia oito anos e
tinham duas crianças pequenas, na época em que Bill entrou
em nosso programa de aconselhamento. Ele tinha uma grande
lista de infidelidade. Como muitos homens nesse tipo de
transgressão, Bill parecia fazer algo de bom durante algum
tempo, mas logo voltava para um período excessivo de pecado
sexual. Cada vez mais abundantes eram as lágrimas de
tristeza e as promessas de “nunca mais farei isso de novo!”.
“Não sei por que Deus não me liberta!”, Bill protestava. “Estou
fazendo tudo o que sei para conquistar a vitória”, exclamava
com um pouco de ressentimento em relação ao Senhor. Fran
até mesmo percebeu que ela mesma estava aborrecida com o
Pai por estar convencida de que seu esposo realmente se havia
arrependido.
Durante todo esse período, Bill levou a esposa a acreditar
que os problemas dele estavam limitados à pornografia. No
entanto, havia sido infiel ao visitar prostitutas. Não por acaso,
mas movida por Deus, ela encontrou os Ministérios Vida Pura,
ao mesmo tempo em que descobria tudo isso.
Imediatamente, Fran deu-lhe um ultimato. “É isso aí,
Bill! Ou você vai para o Pure Life, ou terminamos!”, ela lhe
disse irritada.
Bill consentiu em entrar no programa de residência e
assegurou à equipe que queria sinceramente a ajuda.
Geralmente, quando um novo participante ingressa em
nosso programa, os conselheiros percebem rapidamente quais
são os seus problemas, como ele irá relacionar-se com os
outros aconselhados e o quanto cooperará com a equipe. O
que leva tempo é realmente discernir se ele está sendo sincero
em vencer o pecado em seu coração. No final, se ele
permanecer no programa o período suficiente, a verdade virá à
tona.
Levou bastante tempo para descobrirmos o que Bill
pretendia afinal. Ele foi um desafio real, porque era muito bom
na apresentação de uma imagem falsa. Chegou até a enganar
nossos conselheiros por um tempo. No entanto, nossa equipe
sabe o quanto esses homens podem iludir, pois os próprios
orientadores viveram em engano semelhante antes de se
unirem ao grupo de ajudadores. Os conselheiros sabem que,
sem a ajuda do Espírito Santo, não conseguem descobrir a
falsidade de determinados indivíduos.
Por muitas semanas, Bill fez tudo certo no programa de
internação. Ele realizava a tarefa de casa com sinceridade,
cumpria o que os seus conselheiros ordenavam e ouvia
atentamente as mensagens ministradas durantes os cultos na
capela. Além disso, expressava continuamente um desejo de
amadurecer como cristão, mas não havia experimentado um
quebrantamento real. Seria falta de motivação? Estaria ainda
preso a algum pecado secreto? Esconderia algo que
desconhecíamos? Só o tempo poderia dizer.
Logo começamos a suspeitar de que os ataques
lacrimosos de arrependimento de Bill não eram sinceros.
Então, descobrimos, um dia, que ele estava assediando uma
mulher em seu trabalho. Ficou claro para nós que, mesmo
com todos os seus protestos em contrário, aquele homem
simplesmente não se havia arrependido verdadeiramente de
sua transgressão. Ele foi capaz de obedecer a Deus até um
certo ponto, mas vacilou quando o Supremo começou a cobrar
dele uma redenção completa.
O nível de sinceridade de um homem é muito mais difícil
de se avaliar quando ele está em casa. Leva tempo para alguns
indivíduos saírem das garras do pecado sexual. Mas estou
convencida de que não há um homem sincero que não consiga
vencer o pecado no programa de residência de Pure Life. Digo
isso porque tudo aquilo de que ele precisa para encontrar a
vitória está disponível por lá: um ambiente santo; conselheiros
que sabem como agir e oferecem sabedoria para vencer um
pecado que domine alguém; exigência de responsabilidade e,
mais do que tudo, um senso elevado da presença do Senhor.
A falta de sinceridade de Bill tornou-se óbvia depois que
a esposa entregou-lhe os papéis de divórcio e ele abandonou o
programa. Não havia mais motivo para continuar com a farsa.
Geralmente, o arrependimento acontece por etapas. Um
homem profundamente envolvido com o pecado sexual tem
anos de maus hábitos interiorizados contra os quais terá de
lutar. Ele sofrerá com sentimentos de desesperança que
paralisam até o mais bem-intencionado. Tudo isso está ligado
ao grande apego desenvolvido por seu pecado. Mas, ainda
assim, se for sincero, as mudanças começarão a acontecer,
enquanto ele receberá nova direção e esperança real por
intermédio de Jesus Cristo.
Costumamos encorajar as esposas a procurarem os
frutos do arrependimento, como João Batista os chamou.
Deve haver alguma evidência de que um esforço genuíno está
sendo realizado. Uma vez que o seu marido se firme no
caminho certo para a vitória, verifique se ele demonstra
arrependimento constante. Observe, ainda, se o seu esposo
dedica-se a Palavra e à oração, sendo responsável e amando os
outros (especialmente a esposa). Só assim Deus fará com que
ele cruze a linha dos vencedores. Chegará o dia, então, que o
Criador irá colocá-lo em uma posição espiritual em que fará,
com certeza, a entrega final e a consagração ao Pai.
Os frutos do arrependimento são indicadores de que uma
transformação real do coração está a caminho. Observe-os, e
você terá uma idéia melhor do nível de compromisso de seu
marido.
CONFRONTANDO O MARIDO

Querida Joyce
Talvez seja a hora de confrontar seu esposo. O fato de ele
continuar a ver pornografia e, depois mentir, merece que você
tome alguma atitude séria.
No evangelho de Mateus, Jesus estabelece a estrutura
para uma confrontação bíblica adequada. Ele disse:

Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o


entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão.
Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois,
para que, pela boca de duas ou três testemunhas,
toda palavra seja confirmada. E, se não as escutar,
dize-o a igreja; e, se também não escutar a igreja,
considera-o como um gentio e publicano.
(Mt 18.15-17).

Você compartilhou em sua carta que tentou, em três


ocasiões diferentes, conversar com Peter sobre o problema
dele. Todas as vezes, seu esposo ficou muito defensivo e cheio
de argumentos. Nas palavras de Jesus, ele não a ouviu.
Então, seu próximo passo é levá-lo a um ou dois outros
cristãos. Como você está começando, sugiro que marque uma
reunião com seu pastor. Explique-lhe a sua situação e peça
que converse com seu marido. Digo isso somente porque seu
esposo freqüenta a igreja e se considera cristão.
Se seu pastor não quiser envolver-se, não desista!
Procure uma pessoa idônea que vocês dois respeitem; talvez,
um amigo próximo ou um presbítero da igreja.
É bem provável que seu esposo fique com raiva e veja
isso como uma invasão de privacidade. Sem dúvida, uma
exposição como essa será humilhante para ele. De qualquer
forma, é importante que, nesse momento, a esposa seja forte e
tenha compaixão durante todo o processo. Enquanto se
prepara para fazer isso, você sentirá uma forte tentação de
parar com tudo. Resista! Poderá prejudicá-lo muito se
continuar a ignorar a hipocrisia dele. Se a esposa não amá-lo o
suficiente para confrontá-lo, quem fará isso?
Não se sinta culpada por envolver outras pessoas no
problema. Seria muita falta de misericórdia de sua parte se
desse cobertura a ele e fingisse estar tudo bem. Certamente,
seu marido poderá ficar zangado, mas isso não importa.
Não quero ser insensível, mas ele superará. Joyce, é
preciso manter a perspectiva adequada: a alma de seu esposo
pode estar em jogo. Um golpe severo no orgulho é uma das
maiores necessidades dele, e os sentimentos feridos de Peter
são apenas conseqüências menores no esquema todo. Veja,
você não pode permitir que ele use a raiva ou o ressentimento
para dominar a situação. Por causa dele, terá de permanecer
racional e firme, não importando como ele responda. Isso irá
possibilitar a você ter uma chance maior de salvar o seu
casamento. Vamos orar para que Peter acorde do engano de
pensar que pode participar de tantas trevas e ainda acreditar
que está andando com o Senhor.
No que diz respeito à idéia da separação, sugiro dar um
tempo para ver como ele reage depois do confronto. Não seria
sábio ameaçá-lo com uma separação, a menos que esteja
preparada para seguir em frente e aceitar todas as prováveis
conseqüências disso. Entretanto, se nada mudar depois de um
mês, você deve considerar a possibilidade de tomar medidas
mais sérias.
Estarei orando por você e espero que o Senhor abra os
olhos de seu esposo.
O MARIDO QUE ABUSA

Querida Elaine
Parece que você e seus filhos estão em uma situação
extremamente vulnerável. Não apenas seu marido é viciado em
pornografia, insanamente ciumento e muito controlador, mas
também ele está abusando de vocês física e emocionalmente.
A palavra-chave, nesse caso, é controle. Você está
emocionalmente abatida e totalmente intimidada por ele. Por
isso, seu esposo está usando o seu temperamento
enfraquecido para manipular e exercer domínio sobre sua
vida.
Elaine, muitas mulheres continuam com relacionamentos
não-saudáveis, como no seu caso. De alguma maneira
doentia, elas começam a sentir como se necessitassem da
aprovação de quem abusa. Quanto mais desaprovação essas
mulheres recebem, por meio da raiva e, talvez, até pela
violência, mais pronunciado é o desejo delas de ganhar a
aprovação perdida. De alguma forma, elas se tornam "viciadas"
em todo o processo de desrespeito, que envolve um carrossel
desesperador de manipulação e egoísmo tanto da parte do
marido quanto da própria esposa contra si mesma. Parece que
isso descreve a situação. Por favor, deixe-me dar-lhe um
conselho útil.
Primeiro, é preciso assumir o comando da situação. Você
está permitindo que seu marido a controle com sua raiva. Isso
não somente a deixa abatida e incapaz de encontrar o Senhor
por si mesma, como também o mantém longe de perceber sua
necessidade desesperadora de Deus.
Acredito que suas circunstâncias sejam graves o
suficiente para garantir tanto uma separação imediata quanto
uma ordem judicial. Se você tem medo da natureza violenta e
controladora de seu esposo, sugiro que pegue seus filhos e o
deixe, enquanto ele estiver no trabalho (procure verificar com
um advogado antes de tomar essa atitude).
Uma vez que o tenha deixado, esteja ciente do fato de que
você desejará o carinho e a atenção dele novamente. Então,
provavelmente, pensará outra vez sobre sua decisão de tê-lo
abandonado. Em seguida, um sentimento de insegurança
completa poderá surgir em seu interior. Isso pode fazer com
que você se lembre do lado positivo do seu marido e, até
mesmo, fique remoendo os momentos felizes que teve com ele.
Nesse meio tempo, suas lembranças sobre as agressões talvez
desapareçam. Ao sentir uma tentação incontrolável de
procurá-lo “só para ver como ele está”, resista! Não abaixe a
guarda! Quanto menos entrar em contato, melhor.
Dê-lhe alguns dias para se acalmar e ficar ciente da
realidade. Quando encontrá-lo, permaneça calma e distante.
Não converse como se estivesse com muita raiva e não permita
que ele a convença a voltar para casa. Lembre-se: ele é
controlador e usará todas as armas possíveis para conseguir
seu objetivo. Apenas o interrompa e mantenha a conversa
estritamente sobre assuntos pertinentes, como, por exemplo,
sobre o horário de visita às crianças; as contas que precisam
ser pagas, ou algo assim. Uma vez que se tenha separado dele,
você terá o controle da situação. Não desista!
Em tempo, se ele mostrar arrependimento verdadeiro e
voltar-se para o Senhor, esforços sinceros dele para tê-la de
volta serão substituídos por uma nova paixão por Jesus. Isso
é, na verdade, o que você está buscando: frutos do
arrependimento.
Não estou sugerindo o divórcio, mas sinto realmente que
não é seguro para você ou as crianças ficarem com seu marido
do jeito como está. O melhor, nesse momento, é voltar-se para
o Senhor ao longo de todo o processo. Só Ele pode dar-lhe a
força necessária para libertar-se desse relacionamento
complicado. Sem você no caminho, Deus também terá mais
chance de alcançar o coração de seu cônjuge.
Pode levar tempo para que ele mude. De qualquer
maneira, você deve assumir o compromisso real de confiar no
fato de que o Pai celestial operará, não importa quanto tempo
seja necessário. Tenha bom ânimo, pois Deus está no controle
supremo, e coisa alguma é difícil demais para Ele. Pelo meu
testemunho, sei que o Altíssimo pode transformar a pior coisa
em algo melhor do que imaginamos.
ONDE DEUS ESTÁ?

Querida Jenny
Faz cinco anos que tive notícias suas. Na ocasião, havia
sete anos que você tinha se casado. Lamento saber que ele
mergulhou ainda mais no pecado e permanece sem
arrependimento. Isso a deixa frustrada e a faz perguntar:
"Onde Deus está em tudo isso?".
Então, agora, com 12 anos de casada, parece que suas
orações têm sido em vão, e Deus está surdo. Jenny, isso não é
verdade! Ele está atento aos seus clamores e está sempre aí,
passando tudo junto de você. O Senhor sabe mais do que
qualquer um de nós o que é ser maltratado pela pessoa
amada. Durante séculos, o Pai tem sofrido pacientemente a
rejeição e a infidelidade dos Seus filhos. Não obstante, Seu
coração é exatamente o mesmo agora como sempre o foi: "O,
povo meu, quanto desejo que volte para mim". Suas
motivações não são egoístas, de modo algum, mas para o seu
bem. Ainda assim, eles continuam a despedaçar o Seu coração
quando buscam o prazer e a realização longe dEle. Isso os
mantém presos a cadeias. O Supremo deseja libertá-los, mas
eles preferem a escravidão. Isso lhe parece familiar?
Sua situação se encaixa no cenário do "divórcio
biblicamente permissível", mas eu nunca iria aconselhá-la a se
divorciar de seu esposo. Somente o Criador conhece o coração
dele. Quem somos nós para dizer que ele não se arrependeria
na próxima semana? Apenas o Todo-Poderoso pode dirigi-la
nessa questão.
Talvez, seja uma boa idéia afastar-se por alguns dias
para buscar o Senhor. Dessa forma, você não estará imersa
em toda a opressão e as circunstâncias geradas pela
infidelidade de seu marido. Sua mente vai clarear, e seu tempo
com Deus irá mostrar-se frutífero. Esperamos que você seja
capaz de conseguir uma direção exata do Soberano sobre o
que fazer.
Muitas pessoas iriam considerá-la uma tola por
permanecer com Joe. Mas eu, por exemplo, admiro sua
coragem e determinação de ficar "na brecha" por ele e por seu
casamento. Com base em nossas conversas anteriores, não
creio que você esteja resistindo por causa de alguma
"necessidade" egoísta, mas, simplesmente, porque a felicidade
temporária não é a prioridade número um em sua vida.
Sua paciência com Joe ilustra como Jesus entregou Sua
vida por nós todos os dias. Que sensação ruim tive um dia ao
ouvir um programa de rádio cristão. Uma esposa ferida tinha
uma situação difícil similar à sua, e o locutor a censurou no
ar: "Siga em frente com a sua vida, pois Deus quer usá-la".
Isso me perturbou muito. E o até que a morte nos separe?
Que tal explorar a possibilidade de se reconciliarem? E quanto
a ter compaixão do esposo e perdoar-lhe?
E o amor de Cristo? Nestes dias, parece que a nossa
compreensão do cristianismo autêntico está tornando-se cada
vez mais superficial à medida que o amor de muitos se esfria
(Mt 24.12). Muito do assim chamado aconselhamento cristão
se fundamenta, na verdade, em idéias e princípios mundanos
que enfatizam a autoproteção a todo custo. A Psicologia tende
a enfatizar a felicidade pessoal acima da obediência verdadeira
aos princípios cristãos.
Não obstante, Jenny, continue a confiar em Deus para
guiá-la. Suas promessas são seguras e verdadeiras, e Seu
conselho dura para sempre. Continue a buscar de todo o
coração a face do Senhor e saiba que Ele prometeu jamais
deixá-la desamparada.
VAGAS SUSPEITAS

Querida Laura
VOCÊ não deve ficar surpresa por ter essas suspeitas que
a incomodam, porque já passou muitas dificuldades com o seu
marido. Durante um longo período, ele teve vários casos,
envolveu-se em todos os tipos de perversão e manteve isso
completamente escondido até você descobrir. Sua falta de
confiança nele é compreensível, mas acho que posso
compartilhar algumas coisas para ajudá-la.
Em primeiro lugar, pelo fato de ter sido profundamente
ferida pelo comportamento dele, você, naturalmente, tende a
imaginar o pior cenário para o caso. Se deixar a sua mente
voar, imaginará que seu esposo está na cama com alguma
mulher todas as vezes que ele sai de casa. Mas só por esses
pensamentos chegarem à sua mente, isso não significa que
sejam legítimos.
Em segundo, você mencionou o bom comportamento de
seu marido desde que ele se arrependeu. Não existe indicação
de infidelidade há algum tempo. Ele tem sido honesto com
relação aos fracassos pessoais e continua a ser impelido para
Deus. Você não o vê mais lançar um olhar lascivo para as
mulheres quando vocês estão juntos. Embora ele ainda tenha
suas lutas de tempos em tempos, parece que, no geral, está
indo bem.
Em terceiro, você deve lembrar que existe um agente
envolvido em sua situação, o qual deseja sabotar o seu
casamento: o diabo. Ele é conhecido como o nosso acusador e
se deleita em incutir pensamentos de incriminação na mente
de uma esposa em relação ao marido. Esteja atenta, pois ele
traz à sua mente lembranças de experiências passadas
dolorosas na tentativa de atormentá-la e levantar suspeitas.
Portanto, é muito importante que você esteja vigiando
constantemente seus pensamentos. Sei como é fácil sentar-se
e imaginar o pior - surge naturalmente, sem o menor esforço.
Mas, vivendo dentro de você, está o Espírito Santo de Deus,
que a capacita a crer no melhor. Isso requer muita disciplina
da sua parte. Em obediência ao Senhor, você deve examinar e
levar todos os pensamentos cativos a Cristo (2 Co 10.5). Eles
são verdadeiros, honestos, justos, puros, amáveis e de boa
fama? (Fp 4.8).
Nós, mulheres, precisamos saber que, quando
permitimos que o medo e a dúvida consumam nossa mente,
tornamo-nos tão egocêntricas quanto o homem controlado pela
luxúria. Por quê? Porque quando o fazemos, estamos
pensando em nós mesmas, e tudo gira em torno de nossa
existência. Assim, da próxima vez que aquelas suspeitas
diabólicas se infiltrarem e começarem a invadir a sua mente,
procure logo sair de si mesma, intercedendo por seu marido.
Em outras palavras, ore, em vez de pensar! Se você praticar
isso, gradualmente, irá tornar-se vitoriosa em sua forma de
pensar e estará mais inclinada a confiar em seu cônjuge. Além
disso, suas orações irão ajudá-lo a atingir a vitória real. O
perdedor será o diabo, que ficará desanimado e fugirá de
vocês, pois as acusações dele servirão apenas para estimular
as orações!
MEDO DE OUTRAS MULHERES

Querida Rachel
Aprecio sua carta com o pedido de desculpas. Sei que
você está tentando crescer no Senhor, mas ainda comete erros
como todos nós. Talvez possamos usar essa situação como um
ponto de partida para ajudá-la em algumas das suas lutas.
Naturalmente, o comentário feito por você em sua
primeira carta de que eu devo “gostar de ficar rodeada por
todos esses homens” nas instalações dos Ministérios Vida Pura
foi bastante desagradável para mim. Para dizer a verdade,
morar aqui durante vários anos, ministrando aos homens que
vêm de passados sórdidos e cujos corações estão cheios de
toda espécie de perversão imaginável, tem sido extremamente
difícil. Por favor, entenda que eu amo meu esposo e não tenho
interesse em ganhar a atenção de seu marido nem de qualquer
outro homem. Mas esta carta é sobre você, não sobre mim.
Acredito que o receio que você tem de outras mulheres
precipitou o seu comentário. O medo pode fazer com que as
pessoas digam e façam coisas cruéis e desagradáveis, porque
esse sentimento é particularmente autoprotetor. Quanto maior
o medo no coração de uma mulher, maior o potencial que ela
tem de ferir os outros na tentativa de autodefesa.
É bastante claro que você está intimidada e até se sente
ameaçada por outras mulheres. Isso é parcialmente devido à
dor que sofreu por causa das lutas do Ed com a luxúria. Não
obstante, seus problemas não têm origem no coração de seu
esposo, mas no seu.
Tenho boas notícias para você: existe uma saída para a
prisão auto-imposta do medo que a tem mantido cativa! O
apóstolo João disse que o amor lança fora o medo (1 Jo 4.18).
Quando você permite que o Senhor ame os outros por seu
intermédio, seu medo de outras mulheres gradualmente se
desvanece.
Deixe-me dar-lhe alguns passos práticos para auxiliá-la a
se libertar dessa escravidão. Primeiro, você deve reconhecer
que seu espírito de medo é pecaminoso e deve arrepender-se
dele. Humilhe-se diante do Senhor e confesse a Ele o quanto
você está absorvida em si mesma. Arrependa-se dessa atitude
egoísta e da falta de interesse pelo bem-estar dos outros.
Depois, peça-Lhe que a ajude a mudar.
Segundo, quando você estiver perto de outra mulher
cristã e começar a sentir o receio brotar, esforce-se para ir até
ela e puxar uma conversa amigável. Isso irá ajudá-la a
enfraquecer e, talvez, dissipar o temor paralisante contra o
qual tem lutado. Percebo que seus sentimentos podem, às
vezes, parecer avassaladores, mas, em algum momento, você
precisará ir além deles e começar a entrar na vida de fé em
Deus. O Senhor irá guiá-la a se voltar para Ele.
Terceiro, você deve entender que ter pensamentos de
suspeita faz parte da natureza pecaminosa do ser humano, e o
diabo gosta de atormentá-la quando se entrega a isso. Por essa
razão, você deve começar a exercitar o autocontrole mental.
Como fazer isso de maneira prática? Focalize sua atenção e
energia no suprimento das necessidades do próximo. Ore pelos
outros durante o dia, especialmente por seu marido. Envolva-
se em trabalhos auxiliares em sua igreja. Seja voluntária em
alguma casa de repouso local.
Rachel, eu a animo a fazer as coisas que lhe sugeri e a
voltar-se para o Senhor. Ele quer libertá-la! Lembre-se:

Deus não lhe deu o espírito de medo, mas de


fortaleza, e de amor, e de moderação.
(2 Tm 1.7).
ABANDONADA POR DEUS

Querida Shirley
Recebisua carta há, aproximadamente, uma semana e
tenho orado sobre como responder.
Posso entender seu sentimento de que Deus a
abandonou. Não o endosso de jeito nenhum, mas compreendo,
porque passei pela mesma coisa.
Deixe-me compartilhar brevemente o meu testemunho.
Minha pergunta número um durante anos foi: “Por que Deus
deixou que eu me casasse com 'esse cara' se sabia como ele
era?”.
Eu não era cristã quando Steve e eu nos encontramos,
mas, depois de vários meses morando com ele, aceitei Jesus e
entreguei-Lhe todo o meu coração. Deixei Steve no dia
seguinte. Estava cheia do fogo do Espírito, amava o Senhor e
não tinha interesse em uma relação. Pela primeira vez em
minha vida, estava feliz e realizada como uma cristã solteira.
Depois de vários meses andando com o Mestre, senti-me
guiada a ligar para o Steve e compartilhar do Salvador com ele.
No final de uma conversa estranha e difícil, um homem
que era frio, de coração duro e irado para com o Pai celestial,
disse-me que eu deveria orar sobre a questão de me casar com
ele. Você pode imaginar um pedido de casamento de uma
pessoa que odeia Deus? Fiquei chocada, mas, de alguma
forma, senti que era exatamente o que o Senhor queria de
mim. Não consigo explicar.1

1
A Bíblia é muito clara em dizer que os cristãos não devem entrar em jugo desigual com os
não-cristãos (2 Co 6.14), e já ouvi muitas histórias de partir o coração. Eram sobre mulheres
que foram contra esse mandamento bíblico. Entretanto, nas questões espirituais, algumas
vezes, o tratamento de Deus com Seus filhos não se encaixa perfeitamente em um pacote
pronto. Por isso, sei que fui criada para ser a esposa de Steve Gallagher.
Mesmo quando ainda estava namorando Steve, não fazia
idéia de que ele era infiel a mim. Mas Deus sabia, em primeira
mão, toda a dor horrível que eu acabaria passando em meu
matrimônio com ele - a dor e a desgraça que eu suportaria. Por
que Ele não impediu tudo isso?
Seria muito fácil ficar zangada com o Pai, considerando o
fato de que esse era o meu segundo casamento e parecia
destinado ao divórcio. Eu ignorava os planos do Senhor com
relação à minha vida conjugal. Tudo o que eu podia prever era
uma trilha de lágrimas e sofrimento infindável. Às vezes, o
Criador me parecia muito distante. Contudo, Ele estava ali em
toda a provação, sofrendo comigo.
Existe uma história similar na Bíblia. Refiro-me a Oséias
e Gomer. O Todo-Poderoso também disse a Oséias que se
casasse com alguém que provou ser infiel: Vai, toma uma
mulher de prostituições (Os 1.2b). Ele obedeceu ao Senhor e
teve de suportar a infidelidade dela durante anos, mas o
Onipotente tinha em mente um plano maior.
Se eu não desposasse Steve? Sim, tal escolha iria
poupar-me de muita dor com ele, mas quem garante que eu
acabaria em uma situação menos penosa? Não apenas isso,
mas teria perdido a obra eterna que Deus desejava fazer por
meio da minha experiência. Não importa com quem eu
acabasse casando-me, eu não poderia ter um relacionamento
conjugal mais maravilhoso do que tenho agora com Steve.
Seja o que for que aconteça em sua situação, Shirley,
saiba que o Pai celestial está bem ao seu lado. Ele jamais irá
abandoná-la e sempre lhe dará graça para resistir a qualquer
sofrimento que Ele permitir em sua vida. Estabeleça um
propósito em seu coração de buscar a face de Deus como
nunca o fez antes.
Você encontrará não somente conforto e força em tempo
de fraqueza, mas também descobrirá que a graça do Senhor é,
de fato, suficiente para você.
CARREGANDO O FARDO

Querida Clara
Seguramente, identifico-me com o seu sentimento de
estar carregando um peso de 500kg. Ter um marido viciado em
sexo pode ser um fardo enorme.
Como esposa e mãe, você se sente obrigada a ser a líder
espiritual do lar, pois seu marido é incapaz de assumir o papel
dele. Consequentemente, o bem-estar da família inteira
repousa sobre os seus ombros. Alguns esposos ficam tão
desesperados pelo pecado cometido, que requerem o cuidado e
a atenção dispensados naturalmente a uma criança. Quem
fará isso por ele a não ser sua mulher? Ela deve ter nos
ombros todas essas responsabilidades, bem como tem de lidar
com a dor, o medo e as necessidades emocionais.
Algumas mulheres de temperamento forte não são
abaladas facilmente e conseguem superar de modo notável as
pressões constantes. Outras, entretanto, tornam-se
dominadas e, mais cedo ou mais tarde, geralmente entram em
colapso sob o peso. Qualquer que seja o caso, é vital que uma
esposa ferida aprenda a levar tudo ao Senhor em oração. Até
as mais alegres, se confiarem apenas na própria força, em
algum momento, tratarão o marido de maneira errada.
O salmista disse: Lança o teu cuidado sobre o SENHOR, e
ele te susterá; nunca permitirá que o justo seja abalado (SI
55.22). Ele também disse: Bendito seja o Senhor que, dia a dia,
leva o nosso fardo! Deus é a nossa salvação (SI 68.19 - ARA).
A chave para permitir que o Soberano seja o seu
Carregador de fardo é permanecer em comunhão constante
com Ele. Se você aprender a firmar-se na presença de Jesus,
Ele irá conceder-lhe a graça que fará suas cargas pesarem
menos.
Você se lembra da história de Maria e Marta no evangelho
de Lucas? Lá estava Marta toda frenética, correndo
ansiosamente para ajeitar tudo, enquanto sua irmã, Maria,
sentava-se aos pés de Jesus. O Mestre advertiu: Marta, Marta,
estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é
necessária; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será
tirada (Lc 10.41,42).
Algumas vezes, parece muito difícil sentar-se aos pés de
Cristo quando nos sentimos sobrecarregadas de problemas. A
alternativa, então, é levar o peso. Mas, se fizer assim, você
muito provavelmente acabará frustrada e aborrecida.
Não me leve a mal: está certo uma esposa suportar os
fardos do seu marido em vez de ignorá-los ou negligenciá-los.
Entretanto, ela deve carregá-los apenas até o trono do
Onipotente. É dever da mulher batalhar espiritualmente pelo
esposo, o que somente pode ser feito de joelhos diante do
Senhor.
Para resumir, Clara, exercite a prática diária de lançar
sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de
vós (1 Pe 5.7). Ore fervorosamente por seu esposo e, depois,
deixe as preocupações no trono de Deus. Quando você
aprender a fazer isso, poderá tornar-se como Maria e, mesmo
no meio da tempestade, encontrará a alegria da presença do
Senhor.
AS RAÍZES DA HOMOSSEXUALIDADE

Querida Janice
Lamento saber a decisão de seu marido de “assumir-se”.
Que trágico ele ter escolhido entregar-se aos sentimentos que
suprimiu durante anos, em vez de procurar ajuda. Tentarei
responder à sua pergunta, considerando onde esses
sentimentos se originaram.
Há muitos fatores que podem contribuir para que um
homem sinta atração sexual por outros homens.
Muitos parecem ter nascido desse jeito. Os pesquisadores
afirmam que podem provar que alguns possuem uma certa
predisposição genética para a homossexualidade. Vários
homossexuais contam aos nossos conselheiros que sentem
atração pelo mesmo sexo desde quando podem lembrar-se de
alguma coisa. Certamente, o conjunto de genes foi corrompido
pela queda no jardim do Éden, e isso aconteceu de várias
maneiras incompreensíveis ao nosso entendimento. Toda
pessoa tem o pecado da luxúria inerente, como um desafio a
vencer na vida. Nossa natureza decaída nos faz predispostos a
certos tipos de transgressão. O fato de existirem pessoas
propensas ao homossexualismo não nos deveria surpreender.
Outros que se tornam homossexuais vêm de uma família
estereotipada, na qual existe uma mãe forte e um pai fraco ou
ausente. Esse arranjo parece criar uma necessidade dentro do
menino nos seus anos de formação, que, mais tarde, pode
levá-lo a buscar aceitação por meio da atividade sexual com
homens.
Há aqueles que desenvolvem a luxúria homossexual
como resultado de terem sido molestados quando crianças ou
por meio da experimentação sexual na adolescência. A
sensualidade, iniciada muito cedo, é cultivada quando ele fica
mais velho. Outro grupo que se encaixa nessa categoria é o de
homossexuais masculinos que vêem pornografia regularmente,
especialmente vídeos. Quando eles observam homens e
mulheres tendo relações sexuais, a luxúria pelo mesmo sexo
começa a crescer no coração.
Não importa como uma pessoa adquira a luxúria
homossexual, o fato é que ela ainda terá a escolha de se
entregar ou não a isso. Como afirmei anteriormente, cada um
de nós é predisposto a algum pecado. Tiago exemplificou: Mas
cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria
concupiscência (Tg 1.14). Há uma quantidade imensa de
pecados e cobiças diferentes para provocá-los. O desejo sexual
é apenas um deles. Consequentemente, a origem do pecado
homossexual não é importante. Nós todos temos livre-arbítrio
e devemos escolher obedecer ou desobedecer à Palavra de
Deus.
Entendo sua luta contra a injustiça de tudo isso. Você
disse: "Meu marido não pediu esses sentimentos. Isso somente
não me parece justo!". Janice, é justo que uma criança nasça
cega ou um bebê tenha a tendência, desde o nascimento, de
ser viciado em crack? É justo ainda que um outro menino seja
deficiente mental? Eu poderia continuar com essa lista
durante muito tempo, claro. A raça humana está toda errada,
desde a queda de nossos primeiros pais no jardim. Além disso,
precisamos lembrar que, a partir daquele acontecimento, o
mundo passou a ser controlado pela presença maligna -
Satanás e seus anjos. Por razões óbvias, ele é chamado de
assassino e destruidor.
Mas, glória a Deus! Temos um Pai amoroso e fiel, sempre
pronto a nos guiar para a vida cristã abundante, se nos
voltamos para Ele com todo o nosso coração. Não há razão
para alguém viver na miséria, não interessa o quão difíceis
sejam as lutas ou as circunstâncias. Você deve dar-se conta de
que o seu marido jamais entregou o coração, verdadeiramente,
a Deus. Ele esteve envolvido com as questões do cristianismo,
mas não se entregou completamente ao Senhor. Dessa forma,
está impossibilitado de se apropriar de tudo aquilo que o Todo-
Poderoso tem para a vida dele. Sua falta de envolvimento
autêntico resultou em uma carência de vitória real.
Finalmente, com uma espécie de autopiedade, ele cedeu
completamente aos desejos sensuais, tendo-se convencido de
“ter dado a Deus todas as oportunidades de libertá-lo”.
Ore para que ele logo veja o vazio do comportamento
homossexual e, então, arrependa-se para também buscar o Pai
celeste de todo o coração.
A ESPOSA CONCILIADORA

Querida Judy
Que história trágica você compartilhou comigo: anos de
abuso emocional e físico por um marido controlador e tirano
terminaram em divórcio por faltar vontade dele se arrepender.
Acredito que você fez o certo. Seu esposo foi envolvido
sexualmente com outras mulheres, abusava de você e de seus
filhos e não mostrou qualquer disposição para mudar.
Em sua carta, você expressou como lamenta
terrivelmente não tê-lo enfrentado anos antes, especialmente
por causa das crianças. Algumas vezes, leva muito tempo para
que o sofrimento nos force a fazer o que é necessário. Para
você, era pavoroso confrontá-lo.
Como você está tentando ver agora o que saiu errado
durante aqueles anos, como reagiu ao pecado dele do jeito que
fez, e assim por diante, quero compartilhar com você algumas
características da esposa que manipula o marido pela
conciliação.
Uma mulher conciliadora é tão dependente do esposo,
que não consegue imaginar a vida sem a sua presença e fará
quase tudo para segurá-lo. Em vez de receber o seu valor como
uma pessoa do Senhor, ela busca isso do cônjuge. Então, se
ele está feliz com a esposa, ela se sente bem consigo mesma;
caso contrário, sente-se mal.
Quando uma esposa como essa descobre que o marido
tem obsessão por outras mulheres, ela fica arrasada e,
frequentemente, culpa-se pelo comportamento egocêntrico
dele. A mulher não entende que o comportamento do esposo
não tem a ver com ela. Esse problema mostraria a sua “cara
feia” na vida de qualquer compulsivo sexual, fosse ele casado
ou não com a mulher mais deslumbrante do mundo.
À medida que ela se agita freneticamente para salvar seu
casamento, com freqüência, entra na vida íntima do marido.
Essa mulher começará a ver vídeos pornográficos com ele,
pensando que isso irá satisfazê-lo em casa. Entretanto, ela não
sabe o quanto a pornografia é catalisadora - ou seja, atiça as
chamas da luxúria que ele já possui. Enquanto alguns homens
farão a esposa praticar os diferentes atos sexuais que eles
vêem nos filmes, outros tentarão persuadi-la a permitir a
participação de outras pessoas na vida sexual do casal.
Por exemplo, Richard convenceu a esposa, Rebecca, a
fazer isso. Ele percebeu a baixa auto-estima dela e usou essa
fraqueza para forçá-la a encenar as fantasias dele. Durante
muito tempo, eles estiveram completamente envolvidos em
orgias com outros casais. Rebecca continuava a achar que ele
ficaria satisfeito (ou enjoado), mas isso nunca aconteceu.
Quanto mais participavam daquilo, mais ele queria. Melhorou
o casamento deles? Não, absolutamente!
Repito, a esposa conciliadora fará qualquer coisa que
puder para segurar o marido. Ela é duramente ferida, mas
prefere passar pela humilhação a encarar sozinha a vida.
Então, para suportar o problema, ela apela para a negação do
que está acontecendo com o esposo, louco por sexo, e continua
a justificar o comportamento dele para os que estão ao redor.
Em casos extremos, ela pode até ocupar-se de todas as
responsabilidades diárias, porque seu marido está muito
envolvido com o sexo para fazer alguma coisa útil em casa.
Muitas dessas mulheres se tornam dependentes de
drogas, álcool ou comem demais, na tentativa de escaparem do
sofrimento. Eu mesma recorri ao uso de anfetaminas para
evitar a dor.
Consequentemente, por duas razões, a mulher
conciliadora entra em pânico com a idéia de confrontar o
marido: a primeira, porque, de qualquer maneira, ela
geralmente está fraca naquela área da vida. Esse tipo de
pessoa costuma passar a vida tentando evitar o confronto com
qualquer um. A idéia de confrontar um marido tirano a
intimida muito. A segunda razão é o medo de ser abandonada.
Ela é tão dependente do esposo para tudo, que estaria
totalmente perdida se tivesse de viver sem ele. Seu desejo de
conservá-lo a deixa cega para a realidade de que, considerando
tudo isso, ela estaria bem melhor sem ele.
Lamento, sinceramente, tudo o que você tem passado,
mas fico muito feliz por saber que, finalmente, decidiu tomar
uma posição. E uma vergonha que seu esposo tenha optado
por continuar no pecado, em vez de tentar vencê-lo. Vamos
continuar a orar por ele.
INTERCESSÃO PELO MARIDO

Querida Terry
Você perguntou: "Como devo orar pelo meu marido?".
Que pergunta maravilhosa! Sem dúvida, ela vem do desejo de
libertá-lo do pecado sexual. Eu a admiro por sua disposição de
entregar a sua vida pelo Lou dessa maneira e gostaria de lhe
passar algumas orações práticas, diárias, para você fazer por
ele. Mas, em primeiro lugar, deixe-me compartilhar alguns
princípios da intercessão.
Durante o período em que Steve estava saindo do pecado,
minha vida de oração consistiu principalmente no que eu
chamo de orações de esperança, que não estavam
fundamentadas na fé e na confiança reais em Deus. Eu,
simplesmente, lançava-as para o Céu, esperando que o Senhor
as atendesse.
Mais tarde, percebi que o importante não é tanto o
número de orações nem necessariamente o fervor, mas, sim, o
grau de fé com o qual elas são expressas. Tiago disse: A oração
feita por um justo pode muito em seus efeitos (Tg 5.16b). O que
faz um crente ser justo? Muitas vezes, no texto bíblico, vemos
que a fé é capaz de chamar a atenção do Senhor. Talvez,
possamos declarar da seguinte maneira: quem ora com fé em
Deus pode conseguir muito.
Fé em quê? Em nossa capacidade de oferecer petições
eloquentes ao Pai celestial? Na habilidade em exercer um
grande autocontrole, recusando-nos a permitir que qualquer
dúvida paire em nossa mente? Ou na capacidade de orar com
tanta paixão, que, de algum modo, force um Pai relutante a
realizar algo que Ele não deseja realmente fazer? Não, nossa fé
está no caráter de Deus, em quem Ele é, como é, e o que
podemos esperar dEle, independentemente do que
enfrentamos na vida.
Daniel, um homem de grande fé, fez a seguinte oração:

E orei ao SENHOR, meu Deus, e confessei, e disse:


Ah! Senhor! Deus grande e tremendo, que guardas o
concerto e a misericórdia para com os que te amam e
guardam os teus mandamentos; pecamos, e
cometemos iniqüidade, e procedemos impiamente, e
fomos rebeldes, apartando-nos dos teus
mandamentos e dos teus juízos [...]. Ao Senhor, nosso
Deus, pertence a misericórdia e o perdão; pois nos
rebelamos contra ele e não obedecemos à voz do
SENHOR, nosso Deus, para andarmos nas suas leis,
que nos deu pela mão de seus servos, os profetas
[...]. Agora, pois, ó Deus nosso, ouve a oração do teu
servo e as suas súplicas e sobre o teu santuário
assolado faze resplandecer o teu rosto, por amor do
Senhor. Inclina, ó Deus meu, os teus ouvidos e ouve;
abre os teus olhos e olha para a nossa desolação e
para a cidade que é chamada pelo teu nome, porque
não lançamos as nossas súplicas perante a tua face
fiados em nossas justiças, mas em tuas muitas
misericórdias. Ó Senhor, ouve; ó Senhor, perdoa; ó
Senhor, atende-nos e opera sem tardar; por amor de
ti mesmo, ó Deus meu; porque a tua cidade e o teu
povo se chamam pelo teu nome.
(Daniel 9.4-19)

Essa oração dá todas as indicações de que esse homem


conhecia Deus profundamente. Daniel sabia que Ele é
misericordioso, compassivo e rápido em perdoar. Então, o
profeta apelou para o caráter do Altíssimo. Devemos fazer a
mesma coisa ao orarmos pelo esposo. Se confiamos no Pai de
misericórdia, a nossa fé aumenta quando oramos, porque Ele é
um Senhor bondoso, que deseja salvar. As petições que
dependem da nossa capacidade de orar e convencer o Todo-
Poderoso em fazer o bem deixam-nos com o sentimento de
derrota e vazio.
O que dá poder às nossas orações é o conhecimento do
caráter bom e misericordioso de Deus e a percepção de que a
atividade diária do céu é toda misericórdia, com a atmosfera
cheia de amor puro.
A maravilha da oração centralizada no caráter do Senhor
está em termos o nosso foco fixo nEle. Quando estamos em
Sua presença, a atmosfera de amor invade o nosso espaço.
Prostrados diante da majestade do Pai, é provável que
passemos mais tempo, simplesmente, adorando-O do que
fixando nossos olhos em nós ou em nossos pedidos urgentes.
Como Jesus disse: Vosso Pai sabe o que vos é necessário antes
de vós lho pedirdes (Mt 6.8b).
Se você aprender a orar assim, Ele começará a
transformar a sua natureza para combinar com a dEle.
Adentrar na presença maravilhosa desse Pai de amor,
misericórdia e compaixão irá colocá-la no mesmo Espírito no
qual Ele está. Ter a mente e o coração do Soberano com
relação a outras pessoas é o caminho mais efetivo de ajudá-
las. Logo, você começará a sentir o amor de Cristo pelos
outros, especialmente pelo seu cônjuge. Quanto mais o amor
de Deus molda as nossas orações, mais poder existe na
intercessão. Orar por seu esposo não é uma questão de
convencer um Deus relutante de que Ele precisa fazer-lhe um
favor. Por meio da fé, é possível apropriar-se do poder do
Altíssimo para suprir as necessidades do seu marido, o que o
Senhor já tem paixão por fazer.
Assim, à luz de tudo que acabei de compartilhar,
permita-me fazer algumas sugestões concernentes às suas
devocionais diárias. Geralmente, começo o meu tempo com o
Senhor lendo a Bíblia. Isso ajuda a alinhar a nossa mente com
o modo de pensar de Deus.
Também é muito importante passar algum tempo
adorando o Senhor. Não existe melhor jeito de criar uma
atmosfera celestial. Sugiro música dos grupos Vineyard,
Hillsong ou Hosanna. Se eles não a atraem, você pode passar
um tempo adorando o Pai celeste com um hino ou qualquer
canção que a dirija de um modo maravilhoso.
Depois de passar um tempo fazendo essas coisas, você
está pronta para se aproximar do trono do Todo-Poderoso com
suas petições. Sem dúvida, talvez você tenha muitas coisas e
pessoas pelas quais orar, mas eu gostaria de apresentar
alguns exemplos de palavras que você pode dizer a Deus em
favor do seu esposo. Tais frases não são para serem colocadas
na oração como se existisse algum poder nas palavras em si,
mas para fazer com que você interceda, com fé, ao Altíssimo
pelo seu marido.
Senhor, não há algo que eu possa fazer para salvar o meu
marido. Creio que Tu és bom e misericordioso para levá-lo à
vitória. Apelo para que a Tua misericórdia o ajude em sua
grande necessidade.
Repreende o poder das trevas na vida do meu esposo.
Anula a atração que o prazer sexual tem sobre ele. Faze toda a
sensualidade repulsiva para ele, exceto quando for com a sua
esposa. Concede-lhe o dom do arrependimento. Põe um escudo
de proteção à sua volta. Faze com que toda experiência sexual
ilícita que ele tenha pareça vazia e fútil. Remove a importância
que o sexo tem na vida dele, quando estiver fora do nosso lar.
Diminui o desejo dele pelo comportamento sexual ilícito.
Quebra o orgulho e a arrogância, substituindo-os pelo espírito
de humildade.
Ajuda-o a fazer uma consagração a Ti, ó Senhor.
Aumenta o desejo dele pelas coisas do Céu. Dá-lhe uma visão
do Calvário e do que a cruz significa. Enche-o de fome e sede
de justiça. Conceda-lhe a Tua paz que é a integridade em
Cristo. Supre as necessidades desesperadoras do seu coração,
Senhor. Preenche o vazio do seu interior com a Tua presença.
Faze a Tua misericórdia ser real para ele, e que o sangue
de Jesus seja a sua própria vida. Dá-lhe um coração
compassivo pelas pessoas das quais ele tira proveito em
pensamento. Dá-lhe um coração grato, Senhor, e o desejo de
entregar a sua vida pela esposa e a família. Abençoa o nosso
leito conjugal, ó Senhor. Faze do nosso tempo juntos algo
gratificante para nós. Confio em Ti, ó Deus, e creio que Tu
fazes todo o possível para salvar a alma do meu esposo e levá-
lo à maturidade em Cristo.
O CASTIGO DE UM PAI

Querida Lucy
Lamento saber que seu marido se foi com outra mulher.
As notícias de como eles estão felizes devem ser esmagadoras
para você, enquanto tudo parece estar desmoronando à sua
volta. Posso entender por que você se sente como se Deus
estivesse abençoando os dois e amaldiçoando-a. Eles estão
ganhando dinheiro, indo à igreja, vivendo em prosperidade,
aparentemente sem problema algum. Ao mesmo tempo, a sua
vida está repleta de dificuldades. Seu trabalho mal dá para a
sua sobrevivência; o motor do seu carro precisa ser
consertado, e você se sente sozinha.
Lucy, já lhe ocorreu que, talvez, esses dois não conheçam
o Senhor? Entendi que se dizem cristãos, mas a conduta de
ambos é tudo, exceto semelhante à de Cristo. No mínimo, eles
estão desviados e realmente iludidos. Conseguir que tudo vá
bem não é necessariamente um sinal da bênção do Pai
celestial na vida de alguém. Com efeito, especialmente em um
caso desses, parece mais provável que seja um sinal da falta
da mão de Deus na vida deles. Ou é isso ou Ele simplesmente
os entregou às próprias cobiças.
Compare com a sua vida. O que vejo é uma crente
sincera, lutando para se sustentar e permanecer fiel a Deus
em meio à dor e à adversidade. Experimentei muito isso em
meu relacionamento com o Todo-Poderoso e fui descobrindo
cada vez mais que Ele me disciplinava para o meu bem. Deixe-
me compartilhar com você as palavras de Salomão: Filho meu
[filha minha nesse caso!], não rejeites a correção do SENHOR,
nem te enojes da sua repreensão. Porque o SENHOR repreende
aquele a quem ama, assim como o pai, ao filho a quem quer bem
(Pv 3.11,12).
Não conheço essa situação o suficiente para formar
algum juízo real. Mas me parece que os dois estão seguindo o
próprio caminho, sem o menor interesse pelo que Deus pensa,
enquanto você, por outro lado, está sendo refinada na fornalha
da aflição.
Não deixe que a "felicidade" exterior de ambos a engane,
Lucy. A felicidade que se apoia em circunstâncias favoráveis
tem só um milímetro de profundidade. Davi escreveu certa vez:
Não te indignes por causa dos malfeitores (SI 37.1a). Seu filho,
Salomão, disse mais tarde: O caminho dos prevaricadores é
áspero (Pv 13.15b). Um dia, eles terão de lidar com as
conseqüências de suas ações, seja aqui na terra ou diante do
Altíssimo.
A notícia maravilhosa para você é que o Senhor a ama e
está envolvido, de um modo particular e organizado, em todos
os aspectos da sua vida. Em tempos como este, pode parecer
que Ele esteja distante, mas, creia, o Pai nunca esteve tão
perto. Coloque seu marido nas mãos do Senhor e vire-se para
Deus a fim de obter o consolo que somente Ele lhe pode dar.
CASAMENTO NA ROTINA

Querida Connie
Creio que posso dar-lhe uma perspectiva de como
proceder com seu esposo e seu relacionamento conjugal, o
qual parece estar "atolado". O que você compartilhou em sua
carta disse muito sobre suas lutas pessoais.
Você principiou com a afirmação: "Fiz tudo o que sabia
para manter meu casamento e ajudar a preservar a vitória do
meu esposo, mas foi tudo em vão". Depois, em um outro
trecho da carta, mencionou o quanto tem sido "árida" a sua
caminhada com o Senhor. Pareceu-me que esses eram dois
dilemas completamente distintos em sua mente. Mas quero
ajudá-la a ver como eles estão realmente conectados. Em
primeiro lugar, deixe-me contar-lhe uma história dolorosa:
Certa vez, nos Ministérios Vida Pura, trabalhou um
homem muito próximo de Steve e de mim. Infelizmente, o
relacionamento azedou em grande parte, por permitirmos que
ele se tornasse muito íntimo de nós. Deixamos de manter os
limites exigidos de quando a autoridade espiritual adequada é
estabelecida.
Ted fazia tudo certo, na maior parte do tempo, mas
chegou um momento em que Steve e eu tivemos de demiti-lo
da equipe de PLM. Para alguém de fora, pode ter parecido que
erramos em nossa decisão. Todos o amavam e respeitavam,
pois, aparentemente, ele tinha um temperamento muito
agradável. Mas havia algo em seu coração que apenas os mais
próximos podiam detectar: uma atitude insubmissa e um
desejo de não se arrepender.
Ele tinha uma capacidade tremenda de discernir os
problemas na vida dos aconselhados. O Senhor foi capaz de
usar esse dom para ajudar os homens que ele orientou. Ao
longo dos anos em que nós três trabalhamos juntos, o orgulho
infiltrou-se em Ted sem fazer alarde. Ele estava bem-inteirado
das falhas de Steve, que sobressaíam de forma evidente. Ele
exigia que meu marido andasse próximo à perfeição e estava
pronto a confrontá-lo caso não o fizesse. Mas se indignava se
tentássemos apontar algum erro na vida dele. Steve, muito
ciente das próprias fraquezas, sempre se humilhava para ele e
aceitava a correção. O desejo de ser semelhante a Cristo era
tão forte em meu esposo, que ele acataria a correção de
qualquer um.
Gradualmente, Ted se tornou, no próprio entendimento, o
conselheiro de Steve. No entanto, aquele não era o seu lugar. E
meu marido errou em permitir tanta autoridade, mesmo
tentando ser humilde. Como resultado, Ted tornou-se tão
controlador em relação às falhas de Steve, que começou a ter
justiça própria e a negligenciar o próprio coração. Assim,
quando finalmente Steve precisou confrontá-lo, ele ficou
furioso. Naquela altura, não tivemos outra alternativa senão
deixar que ele fosse embora.
Frequentemente, vemos essa atitude nas esposas que
aconselhamos. Uma mulher pode facilmente estar tão
preocupada com o pecado de seu marido a ponto de não
permitir que o seu coração seja examinado por Deus. Tudo o
que ela vê são os defeitos do esposo, pois está completamente
cega com o argueiro no próprio olho. Nesse meio tempo, o
marido sincero arrepende-se diante de Deus, aceita a correção
do Pai e amadurece como cristão. Infelizmente, a mulher fica
estagnada, cheia de justiça própria e orgulho. Em outras
palavras, ele cresce, e ela permanece espiritualmente imatura.
Um pastor muito sábio, conhecido meu e de Steve, disse
certa ocasião: "A maioria das pessoas sai de uma vida de
profundo pecado ou de uma vida de profunda justiça própria".
Isso é tão verdadeiro!
Connie, por favor, não permita que o orgulho a destrua,
como fez com Ted. Humilhe-se diante de Deus e convide-O a
ministrar a correção em sua vida, para lhe mostrar as áreas de
seu interior que não agradam ao Pai. Quando fizer isso,
tornar-se-á mais doce, mais parecida com Cristo e será um
apoio bem maior para o seu esposo. Você não pode conservá-lo
em vitória, conforme declarou, mas pode ser uma bênção e um
encorajamento para ele ao longo do caminho. Enquanto isso,
acredito que poderá sentir a aridez espiritual desaparecer,
enquanto seu casamento sairá da rotina.
LIDANDO COM O MEDO

Querida Alice
Obrigada por compartilhar comigo as suas lutas. Devo
admitir que é muito difícil tentar ajudar por meio de cartas.
Não há tempo suficiente para alcançar tudo o que precisa ser
abordado. Entretanto, eu gostaria de externar algumas coisas
com relação ao medo, o qual parece dominar a sua vida mais
do que qualquer outra coisa.
Sei o que é ser paralisada e controlada por esse
sentimento. Ele me manteve presa às suas garras gélidas
durante muitos anos. A razão de não me livrar dele é que as
minhas percepções sobre ele eram falhas. Fiquei tão
acostumada a viver com medo, que estava convencida de que
tinha o direito de experimentá-lo. Eu me via sem ajuda, vítima
de uma emoção avassaladora que não conseguia controlar.
Depois de abraçar esse papel, eu esperava que as pessoas
tivessem pena de mim.
Um dos meus maiores receios era de acidente de carro.
Quando Steve e eu íamos para algum lugar, eu chamava o
tempo todo a atenção dele sobre o seu modo de dirigir:
"Reduza a velocidade", "Tenha cuidado", "Preste atenção", e
assim por diante. Um dia, há muitos anos, fiz um dos meus
comentários, enquanto estávamos em uma estrada. Para meu
total espanto, ele me repreendeu de uma maneira
contundente.
"Você percebe o quanto tem sido egoísta? Tudo com que
você se preocupa é em preservar a própria vida!". Ele
prosseguiu descrevendo o quanto eu o atrapalhava quando
estava, constantemente, criticando-o e tentando controlar seu
modo de dirigir. Reagi um pouco defensivamente a princípio,
mas rapidamente me retraí, sabendo que ele estava dizendo a
verdade e, mais ainda, eu sabia que era algo da parte do
Senhor para mim.
Meus olhos se abriram para o fato de que eu estava
sendo completamente egoísta. Meus temores eram totalmente
sem razão. Não havia algo de impulsivo em Steve como
motorista. Eu estava simplesmente enfocando o pior dos
cenários.
Naquele dia, comecei a ver as coisas sob uma perspectiva
diferente. O Senhor mostrou-me que o medo é fundamentado
na falta de confiança nEle e, portanto, é pecado. Creia ou não,
foi uma notícia maravilhosa! Por quê? Eu não era mais uma
vítima indefesa, sem esperança de superar os meus temores.
Como era pecado, eu tinha uma saída. Podia arrepender-me
do medo e pedir ao Senhor que me ajudasse a vencer esse mal.
Com o arrependimento como ponto de partida, o Senhor foi
então capaz de demonstrar a Sua fidelidade e ajudar-me.
Temos a tendência de sentir medo até certo ponto, e uma
das maiores fontes desse sentimento, para as mulheres, tem a
ver com o casamento. Inclinamo-nos a nos preocupar mais do
que os homens com os relacionamentos, os quais significam
tudo para nós. Nossa vida gira em torno da família, e qualquer
coisa que a ameace pode, rapidamente, tornar-se uma fonte de
muita ansiedade.
A maioria das mulheres crônicamente preocupadas não
busca ajuda do Senhor, porque, infelizmente, está muito
confortável com essa situação. De qualquer maneira, elas
sempre lidaram com esses problemas. Exige menor esforço
ficar sentada e aflita do que se ajoelhar e orar. Quando
estamos prisioneiras do medo, confiamos em nossas ideias
para administrar as dificuldades, em vez de lançarmos nossa
ansiedade sobre Aquele que nos pode ajudar.
A raiz do medo é a autopreservaçao e o egocentrismo; é
ficar preocupada com a própria vida. Com freqüência, a
mulher temerosa com um relacionamento está realmente
angustiada consigo.1 Não é incomum aconselharmos uma
esposa que não esteja tão apreensiva com as necessidades do
marido, mas apenas com o quanto as atitudes dele - o
1
Não quero dizer que seja algo maligno uma esposa estar preocupada com o casamento. No
entanto, há algo errado quando a preocupação se transforma em medo avassalador.
problema em questão - irão afetá-la. Quando confrontada com
isso, a mulher que não ama a sua família tende a ficar na
defensiva e até ressentida. Mas é realidade, apesar de tudo.
Na verdade, o medo não produz algo de bom. Ele exclui
Deus da questão e faz você confiar na própria capacidade de
encontrar uma solução. Ele a mantém envolvida em si mesma
e longe do Senhor. Além de atormentar, não conduz a alguma
coisa aproveitável. Quanto mais você se entregar às imagens
do temor, mais atormentada e egoísta poderá tornar-se. Só
experimentará um senso de paz quando as coisas estiverem
exatamente do seu jeito.
Como era diferente o modo de pensar do apóstolo Paulo!
O medo não controlou a mente dele, mesmo quando
experimentou circunstâncias apavorantes, porque sua vida era
completamente dedicada ao bem-estar dos outros. Da
Macedônia, lugar de onde sofreu inúmeros açoites, ele
escreveu:

Por isso, não desfalecemos; mas, ainda que o nosso


homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se
renova de dia em dia.
(2 Co 4.16).

Não houve lugar para o medo na vida de Paulo, pois ele


estava comprometido em ver e suprir as necessidades do
próximo.
Volte-se para Deus, Alice. Arrependa-se do egoísmo que
mantém vivo o medo em seu coração. Comece a se envolver em
ajudar o próximo. Depois observe o que o Senhor fará por
você. Lembre-se:

O perfeito amor [a dedicação aos outros] lança fora o


medo ( 1Jo 4.18a -ARA).
O MARIDO QUE FRACASSA

Querida Verônica
Embora seja difícil perceber agora, você é abençoada por
ter o Stan como marido - com lutas e tudo mais! Digo isso
porque ele está buscando sinceramente o Senhor e se recusa a
desistir.
Você perguntou: "Como pode esse marido e pai tão
exemplar, que passa um tempo de qualidade com o Senhor
todos os dias, continuar a lutar com algo tão nojento como a
pornografia?".
Stan é um pecador, como todos nós. Ele cresceu em uma
cultura na qual a perversão sexual quase se tornou uma
norma. Desde a infância, os homens são bombardeados com a
mensagem de que ter sexo é a forma suprema de prazer e é a
razão da vida. Não fico chocada pelo fato de que tantos
homens sejam viciados em pornografia na América hoje -até
homens cristãos (veja carta à Miriam).
Pelo fato de seu marido estar fazendo as coisas certas -
sendo aberto com você, arrependendo-se, passando um tempo
com o Senhor diariamente e responsabilizando-se -, não existe
necessidade de se preocupar ou temer que seu casamento
piore. Sem dúvida, levará algum tempo para que venha a sua
vitória total. Você deve ser paciente com seu esposo enquanto
ele se livra da obsessão por sexo. Suas escapadelas ocasionais
são fracassos penosos, mas, de alguma forma, o Senhor é fiel
em usá-las para o bem na vida de um crente sincero. Stan tem
demonstrado querer a libertação do pecado sexual e achegar-
se ao Senhor. Assim, existe muita esperança para vocês dois!
Recordo-me de quando Steve falou seriamente em vencer
a transgressão. Realmente, era doloroso para mim quando ele
caía em alguma tentação, mas todos esses fracassos estavam,
na verdade, trabalhando em nosso favor. Cada vez que meu
esposo fraquejava, aumentava o seu ódio pelo pecado, e ele
aprendeu a andar em arrependimento diário. No final, Steve
alcançou um ponto em que começou a calcular o custo de
tudo aquilo e fez a escolha consciente de resistir às tentações
que enfrentava.
Parece que Stan está na mesma posição de Steve, um
pouco antes de realmente entrar na vitória. Anime-se! Seu
esposo é um guerreiro e, pela graça de Deus, ele conseguirá!
A ESPOSA NEGLIGENCIADA

Querida Tammy
A primeira coisa que você perguntou em sua carta foi se
Steve me fazia elogios ou se demonstrava afeição por mim
quando ainda estava na compulsão sexual. Devo deduzir, por
essa pergunta, que você se sente negligenciada por seu
marido, e ele não a faz sentir-se aceita e amada. Isso é muito
típico de uma mulher casada com um homem em luta contra o
pecado.
Você deve entender o que acontece com um indivíduo que
se envolveu com a pornografia. E semelhante a um veneno que
entra no organismo. Corrompe a maneira pela qual ele vê o
sexo, as mulheres e os relacionamentos pessoais. Para piorar
as coisas, leva ao vício extremo, fazendo com que o homem
sempre erre outras vezes. Toda nova ida à loja de pornografia
aprofunda mais a corrupção da sua personalidade.
E preciso entender que muitos homens não são afetuosos
por natureza. Eles podem ser carinhosos quando encontram
uma garota pela primeira vez e se apaixonam por ela, mas, de
modo geral, tão logo termina a lua-de-mel, eles se adaptam ao
cotidiano no qual a afeição não é prioridade máxima. A maioria
dos homens fica contente de saber que suas esposas estão lá.
A parte dos efeitos do pecado sexual, muitos maridos precisam
aprender a amar a esposa, a acariciá-las, a expressar afeição
ou fazer um elogio. O afeto, simplesmente, não acontece com
naturalidade para alguns homens.
Outra coisa que pode piorar a situação é quando o
marido, no tempo de criança, tenha crescido em um lar onde
viu poucas expressões de amor, ou, quem sabe, o afeto tenha
sido demonstrado de modo inconveniente. Esse foi o caso do
meu esposo, que nunca ouviu de seus pais que era amado. Por
outro lado, cresci em uma família onde as crianças tinham a
certeza de serem amadas. Meus pais tiveram seus defeitos e
fracassaram conosco em alguns aspectos, mas sempre era
evidente que eles se amavam e nos amavam também. Essa
espécie de criação estabelece algo definitivo no coração de uma
pessoa, ao contrário de quem foi criado de modo diferente.
Como mencionei antes, o homem que se envolve com a
atividade sexual ilícita, mesmo que seja somente ver
pornografia de vez em quando, torna-se profundamente
afetado por isso em muitas áreas de sua existência. De um
modo quase inexplicável, esse hábito cria uma barreira entre o
indivíduo e a família. Ele se torna distante e superficial e
passa a fugir de conversas significativas. Tem uma vida
secreta de ilusão que prossegue interiormente. Sua obsessão
pela fantasia faz com que ele se desloque para fora da
dimensão da realidade. Deixa de ser atraído pelos
componentes mais importantes da vida: Deus, o amor, as
amizades, dentre outros.
Tudo passa a girar em torno de um mundo secreto de
sensualidade e prazer. Não é que ele seja frio de propósito; é
simplesmente parte do "pacote" do vício da pornografia. De
certa maneira, a pessoa fica emocionalmente morta.
Tudo isso, naturalmente, é devastador para os familiares
do compulsivo. Eles o amam e também estão esperando
afeição e apoio da parte dele. Mas, infelizmente, ele não tem
para dar. Enquanto não for libertado das influências da
pornografia, não se pode esperar que tenha reações normais
com os entes queridos.
Há outro aspecto em tudo isso que desejo mencionar-lhe.
A atração de seu marido por ver mulheres nuas não significa
que exista algo errado com você. O problema está totalmente
com ele, no coração dele. Costumamos dizer frequentemente
às esposas que não importaria nem mesmo se elas se
parecessem com Marilyn Monroe. Um homem compulsivo no
hábito da pornografia é atraído por outras mulheres, apenas
isso. Em certo sentido, esse fato pode aliviar bastante a
pressão que você tem colocado em si mesma para tentar
parecer mais bonita, mais sensual ou seja o que for. Não estou
sugerindo que a mulher deixe de se cuidar, mas a raiz da
obsessão do marido está no interior dele, não na aparência da
esposa.
A melhor coisa que você pode fazer para atrair o seu
esposo é permitir que o Senhor a transforme à imagem dEle.
Você já deve ter ouvido falar que a beleza tem apenas a
profundidade da pele, mas existe uma formosura com a qual
Deus pode revesti-la. Ela começa no interior e transforma toda
a sua aparência. Não é o tipo de sensualidade para atrair a
atenção carnal dos homens, mas uma beleza espiritual, que
transparece em todos os aspectos.
Enquanto ele luta para sair desse poço profundo, eu a
animo a ser paciente com seu marido, sabendo que, por um
tempo, você não será capaz de encontrar nele qualquer apoio
emocional. Se conseguir reduzir as próprias expectativas nessa
área, ficará menos desapontada. Volte-se para Deus e permita
que Ele a transforme a partir do seu interior. Lembre-se: o
Senhor está operando na vida de vocês dois.
A ESPOSA POLICIAL

Querida Kelly
Você deu bastante informações em sua carta com relação
aos seus esforços para ajudar seu marido a vencer o pecado
sexual. Acho que posso ajudá-la. Você mencionou: "Faço tudo
o que posso para apoiá-lo, mas ele continua a desperdiçar as
oportunidades. Eu monitoro seu tempo e dinheiro. Faço com
que ele me preste contas das suas ações. Pergunto-lhe todas
as noites como passou aquele dia e o confronto regularmente
sobre o seu pecado".
Vamos observar detalhadamente o que você disse.
Percebeu a palavra que mais transparece? Eu, eu, eu!
Repetidas vezes sua carta enfatiza o que você está fazendo
para ajudar seu esposo. Devo dizer-lhe: onde Deus está nessa
situação?
Em razão do que compartilhou comigo até agora, você me
impressiona por ser o tipo de pessoa que gosta de estar no
controle das circunstâncias da sua vida. A luta de seu marido
contra a luxúria e a masturbação parece-lhe tão
desconcertante quanto desafiadora, porque se sente incapaz
de conseguir que ele faça o que deve fazer.
Tenho certeza de que você está ainda mais envolvida na
batalha dele para vencer do que compartilhou em sua carta.
Com que freqüência costuma fazer observações cortantes
sobre os fracassos dele? Quantas vezes o aborrece ou critica?
Você já tentou envergonhar o Ben na frente dos outros
ressaltando a transgressão dele? Como seu esposo descreveria
seus esforços para apoiá-lo?
Percebo que você tem sido profundamente ferida pelo
interesse dele por outras mulheres e não quero, de modo
algum, minimizar sua dor. Quero apenas ajudá-la a lidar
melhor com isso. O que terá de aceitar, Kelly, é que você não
pode fazer com que Ben acerte. Não adianta conversar com ele,
envergonhá-lo, policiar a vida dele ou fazer ameaças.
Entretanto, o que você pode fazer é começar a aprender o
segredo de como confiá-lo às mãos do Senhor. Além do mais,
só Deus pode mudar o coração de seu esposo.
Minha querida irmã, se você aprender a controlar esse
zelo de uma maneira construtiva, o inferno começará a tremer!
Quero incentivá-la a começar a morder a língua. Toda vez que
sentir necessidade de corrigir ou confrontar seu esposo, segure
as palavras e comece imediatamente a orar por ele. Sua
amolação somente ajudará a manter seu cônjuge atolado onde
ele está.
Em toda a sua dor, aprenda a se voltar para o Pai
celestial, em vez de tentar resolver o problema por meios
humanos. O Altíssimo está muito motivado no desejo de
ajudar seu esposo. Mas o que Ele precisa é de alguém disposto
a ficar “na brecha” por Ben. Canalize aquela energia que você
tem em supervisionar a vida dele para uma direção positiva,
levando-o diariamente ao Todo-Poderoso. Depois, recue e
observe a mão de Deus operar em seu favor!
RECONCILIAÇÃO

Querida Sonja
Voltar a ficar junto de seu marido depois de um ano de
separação deve ser tão excitante quanto amedrontador. Fico
feliz em saber que seu pastor está envolvido e tem dado apoio
em sua situação. Obrigada por permitir que eu contribua com
minhas perspectivas sobre como seguir adiante na
reconciliação.
Em primeiro lugar, antes de dar o grande passo à frente
nessa área, deve haver um progresso objetivo, visível e
mensurável, na vida do seu esposo. Por exemplo, durante suas
visitas ocasionais, ele fica impaciente e zangado, além de exigir
que as coisas sejam feitas do jeito dele? Você tem a impressão
de que ele está representando para você, mas é alguém muito
diferente quando não há quem esteja olhando? Sei que pode
parecer tolice, mas as respostas a essas perguntas são bons
indicadores de que ele tenha ou não resolvido alguns assuntos
básicos. Se o seu marido ainda estiver lutando nessas áreas,
provavelmente, ainda não cuidou dos assuntos mais
profundos.
Outra referência para se procurar um sinal de como ele
está é o seu parceiro de prestação de contas. Ele tem alguma
pessoa a quem ele se reporte com relação às responsabilidades
que tem? Você perguntou a opinião desse homem sobre o
Chris?
Eu a encorajo a verificar primeiro o progresso de seu
esposo. Dependendo do resultado, pode ser mais sábio adiar a
reconciliação, até que ele estabeleça o hábito de se reportar a
alguma pessoa na qual você confie. Peça ao seu pastor ajuda
nesse caso também. Se seu marido demonstrar má vontade em
se abrir para mais alguém, então, eu voltaria atrás em
qualquer plano imediato de reconciliação. Falta de vontade de
se humilhar para outra pessoa é uma espécie de bandeira
vermelha para alertar de que as coisas não estão certas.
Eu imagino que ele esteja ansioso pelo retorno do
casamento, mas ele tem consideração pela sua agenda e os
seus sentimentos? Ou tem sido impositivo e impaciente? Um
sinal do verdadeiro arrependimento é ele estar disposto a fazer
o que for necessário para acertar as coisas com você. Não
admita que ele a force a consentir com a programação dele.
Ele parece faminto pelo Senhor? Isto é, está na Palavra
de Deus de livre e espontânea vontade? Passa um tempo
orando sem ser coagido? Vai à igreja tão frequentemente
quanto possível? Embora não deva esperar a perfeição, você
pode insistir para que ele demonstre um desejo genuíno por
esse tipo de vida. Se você tem de forçá-lo a ter uma vida cristã,
o que isso lhe diz?
Antes de terminar oficialmente a separação, é importante
que você estabeleça algumas regras fundamentais sobre o que
é esperado de ambas as partes. Ele precisa estar envolvido em
algum estudo bíblico estruturado. Deve ter um tempo de
oração bem-estabelecido. Precisa continuar a se encontrar com
aquela pessoa a quem presta conta e também, de vez em
quando, trocar idéias com seu pastor. Eu até sugiro que você
coloque por escrito todas as suas expectativas, juntamente
com uma cláusula, declarando que, se ele deixar de manter
esse estilo de vida, deverá concordar com outra separação, até
o momento de provar sua fidelidade.
Esteja preparada para se deparar com alguns pontos
fracos. Não entre em pânico quando surgirem. Lembre-se, você
não está procurando a perfeição da parte dele, somente uma
disposição sincera de crescer, amadurecer e vencer.
Em certo sentido, a pressão para conquistá-la de volta
está sobre seu marido. É certo que seja assim. Você deve
andar no limite estreito entre encorajá-lo, mesmo que ele falhe,
e ficar firme nas suas expectativas quanto à fidelidade dele.
Ainda que tenha andado bem quando ficou sozinho lá fora, ele
pode ser tentado a descumprir um pouco do combinado
quando a pressão desaparecer. Procure ser paciente, mas, ao
mesmo tempo, ele deve ser responsável por prestar conta da
própria conduta.
Trabalhe para incentivar nas crianças uma atitude de
aceitação e amor pelo pai. Estou certa de que isso já está
acontecendo, porém, seus filhos terão alguma dificuldade
nesse período de ajuste. Não é prejudicial incentivar tal
aceitação, pois se trata de uma atitude semelhante à de Cristo.
Também seria muito bom para ambos se vocês
separassem uma noite da semana para saírem juntos. Se você
ainda não está muito preparada para voltar, esse é o momento
para iniciar essa prática. Tenham encontros, mas não aceite
intimidades com ele a menos que já estejam vivendo
novamente como marido e mulher! O tempo semanal deve ser
algo muito especial para os dois. Faça o seu melhor, de modo
que seja mesmo uma ocasião especial. Para ele, será uma
fonte real de encorajamento.
Parece que vocês estão bem no caminho para uma
reconciliação maravilhosa. Não tenha medo de esperar o
melhor!
A ESPOSA OFENDIDA

Querida Penny
Creio que posso resumir a fonte da suas frustrações e
ofensas em uma única palavra: ingratidão. As outras pessoas
não são o seu problema, Penny, mas o espírito no qual você
está. Os outros podem provocar-nos, mas devemos optar por
responder do modo certo. Bem ou mal, somente o que estiver
dentro de nós sobressairá.
Em alguns trechos de sua carta, tive a impressão de
conhecer sua personalidade, a mulher verdadeira quando não
há quem esteja olhando. Minha opinião é que você tende a ser
negativa e crítica. Examina de perto todos os detalhes. É uma
descobridora de falhas, procurando sempre o pior nos outros.
Isso a deixa frustrada com as demais pessoas quando não
agem "do jeito que deveriam".
Essas atitudes não a transformam em um monstro. Deus
tem um escape. Você não está presa em uma armadilha. Pode
optar e arrepender-se por ser dura, crítica e ingrata. Quero
desafiá-la a se arrepender diante do Senhor pelo modo como,
em seu coração, tem tratado as pessoas. Seguramente, você
não as tem amado do jeito que o Senhor a ama. A seguir, deve
ir até seu marido e mudar o jeito como o trata.
Agindo dessa forma, você estará pronta para dar o passo
seguinte: cultivar uma atitude de gratidão. Deus tem feito
tanto em seu favor, Penny! Comece a fazer uma lista de 50
bênçãos que Ele tenha-lhe dado, pelas quais pode ser grata ao
Senhor. Na próxima semana, faça uma lista de 50
características de seu marido pelas quais é agradecida. Na
semana seguinte, escreva 50 itens da sua vida pelas quais
pode expressar gratidão. Faça o mesmo com seu trabalho, seu
lar, seu chefe, sua família, seu pastor, seus vizinhos etc.
Quando começar a fazer isso regularmente, começará a pensar
corretamente com relação à vida.
Se fizer essas coisas, Penny, ficará surpresa de ver quão
rapidamente deixará de ser (perdoe-me por dizer!) uma
avarenta (que não quer dar nem gastar) e passará a ser uma
pessoa em volta da qual os demais desejarão estar. Ser grata é
a chave!
A vida amorosa

Querida Paula

Em resposta à sua pergunta: "Por que meu marido não


me ama?", eu gostaria de desenvolver a idéia de que ele a ama,
só que não é um amor santo. Deixe-me explicar. Há quatro
palavras no grego que descrevem o que resumimos em nossa
língua em uma única palavra: amor - phileo, storge, agápe e
eros. Tentarei dizer algumas coisas sobre cada uma em relação
ao seu casamento.
O termo phileo significa amor fraternal. É o sentimento de
amizade que se desenvolve entre duas pessoas e deve ser a
base do relacionamento matrimonial. Bons casamentos
começam com boas amizades.
Storge é a cola conjugal que une um casal à medida da
passagem dos anos. É uma noção de compromisso que se
aprofunda quando um casal vive maritalmente. Produz uma
confiança contínua, que leva à maior abertura e sinceridade
entre os dois. Esse sentimento de afeição, de um pelo outro,
leva tempo para se desenvolver. Constitui a base para a
declaração feita frequentemente por um marido, ao desfrutar
de um bom relacionamento no decorrer dos anos: "Eu a amo
mais do que nunca!".
Enquanto phileo, storge e eros são emoções geradas no
interior da alma humana, o ágape vem de Deus. Com efeito, a
Bíblia nos diz que Deus é ágape (1 Jo 4.8). Esse tipo de amor é
divino por ser completamente desprovido de egoísmo e
considerar somente o bem-estar da outra pessoa. Alguém que
seja cheio da presença de Jesus é, consequentemente, cheio de
Sua compaixão pelos outros. O amor ágape ajuda a mulher
cristã a suportar pacientemente e interceder por um marido
que não tem amor. Só Deus pode amar alguém desse jeito,
mas os cristãos maduros sabem como permitir que Ele ame as
pessoas por intermédio deles.
Reservei eros para o final, porque parece ser a afeição
primária sobre a qual seu casamento se baseia. Não quero
dizer que isso implique a não-existência de traços dos demais
elementos até certo ponto, mas, simplesmente, quero sinalizar
que ele parece ser o predominante.
Antes de abordarmos o seu relacionamento, deixe-me
dizer algumas coisas sobre esse impulso natural. Eros é o
amor erótico e atua apenas na questão do prazer. Tem o seu
lugar no mais santo dos casamentos, mas, se não estiver
equilibrado pelos outros três amores, acabará com um arranjo
egoísta no qual um ama o outro simplesmente pelo que ele ou
ela extrai da relação. A autora Kay Arthur diz o seguinte sobre
o tema:
Embora eros seja dirigido para o outro, na verdade, tem o
ego em mente. Por exemplo: "Eu amo você, porque você me faz
feliz". O fundamento desse tipo de amor é alguma
característica da outra pessoa que agrada mais. Se o
determinado traço deixar de existir, a razão do amor acaba,
sendo o resultado: "Não amo mais você".
Eros olha para o que pode receber. Quando doa, é com a
finalidade de receber. Se deixar de obter o que deseja ou
espera, a amargura e o ressentimento podem surgir [...].
A filosofia de eros é que o amor depende de se parecer
atraente para a outra pessoa de algum modo. Por causa dessa
dependência, eros seria considerado um tipo de amor
condicional.1
Isso parece resumir o seu relacionamento com o Cari.
Como admitiu, você no princípio foi atraída por ele por causa
da aparência. Da mesma forma, parece que ele também foi
atraído pela sua aparência. Desde o primeiro encontro, vocês
começaram a ter relações sexuais. Sua vida sexual começou
"incrível" e só tem melhorado. Mesmo depois que vocês
aceitaram o Senhor e casaram-se, o relacionamento pareceu
encontrar a força na cama.

1
Kay Arthur, Marriage without regrets [Casamento sem lamentos], Precept Ministries,
Chattanooga, TN.
Agora, cinco anos depois, você sente que a vida conjugal
se esvaziou. Isso que sente se deve à negligência do casal em
estimular os outros três tipos de amor no lar.
Ter uma vida sexual "incrível" é uma coisa boa. Mesmo
que o Cari continue a lutar contra a luxúria e a pornografia,
imagino que a realização que ele recebe em casa tem muito a
ver com a razão de ele não ser infiel. É hora de cada um de
vocês empreender um esforço mais objetivo para aprender a
não ser egoísta no casamento. Você pode ser a iniciadora,
Paula. Comece a praticar pequenos gestos de bondade em
relação a ele. No começo, provavelmente, seu esposo nem
notará, quanto mais corresponder. Mas dê um tempo para ele.
Se continuar a demonstrar um amor sem egoísmo e não
cometer o deslize de contar a ele, ou pior, o erro de ficar louca
da vida porque ele não dá valor, provavelmente, ele responderá
com o tempo.
Mais importante também é começar uma vida de
intercessão real pelo seu marido. Não há algo que crie e
estimule mais o amor ágape do que a intercessão. As orações
transformam você em um vaso do amor de Deus e ajudam o
Senhor a realizar em seu esposo a obra que Ele deseja.
A ESPOSA INCANSÁVEL

Querida Margaret
Devo dizer que estou um tanto chocada de saber que o
Jeff pediu o divórcio. Sei que a nossa última reunião com
vocês foi muito difícil. Steve não deixou que o aconselhamento
prosseguisse, porque não parecia que vocês estivessem sendo
francos.
Talvez, agora que o Jeff se foi, você esteja mais aberta
para o que nós estávamos tentando dizer-lhe o tempo todo.
Desde a primeira vez que nós a aconselhamos, percebemos
que você se via como vítima da perversidade de seu marido.
Existe alguma verdade nisso, naturalmente, pois ele estava
envolvido em pecado sexual, e você não sabia.
Entretanto, um dos principais obstáculos que
descobrimos como prejudiciais ao progresso de Jeff foi a sua
atitude negativa e sem misericórdia para com ele. Você exigia
que ele andasse na linha reta da perfeição e não estava
disposta a demonstrar paciência, apoio ou amor por ele. Era
praticamente impossível que ele sobrevivesse às suas
expectativas tão elevadas. Quando tentamos aconselhá-lo e
mostrar-lhe a saída, algumas vezes, ele sentia novamente
como se os nossos esforços para ajudá-lo fossem distorcidos
em casa, por causa do seu cinismo e as acusações que você
fazia.
Outra coisa lamentável foi a sua decisão de não ter
relações sexuais com ele, o que enfatizou sua falta de vontade
em acreditar nele.
Quando tentei discutir esses assuntos com você nas
sessões de aconselhamento, o foco da conversa sempre se
desviou da sua vida para a lista de todas as ofensas que o Jeff
havia feito naquela semana. Não satisfeita com os fracassos
dele, você também fazia contra ele acusações contínuas sem
provas. Estava inclinada a criar um caso com seu marido e
ficou paranóica por sermos incapazes de raciocinar junto com
você.
A questão é que, embora seu marido tenha apresentado
uma vez um problema com pornografia, ele se arrependeu. Jeff
admitiu que ainda lutava para não encarar as mulheres em
público e veio pedir-nos ajuda voluntariamente! Mas você o
tratou com a severidade aplicável a um marido que está saindo
com prostitutas e não tem a mínima intenção de mudar. Como
resultado, ele ficou desanimado e sentiu que jamais poderia
corresponder às suas exigências. Sim, ele era um fracasso em
algumas áreas, mas você o tratou como se ele fosse um
perdedor que jamais teria sucesso. Não se pode tratar um
homem dessa forma e esperar que ele fique ao seu lado.
Lamento por você, Margaret, não apenas porque seu
coração está arrebentado com esse divórcio, mas,
principalmente, porque parece que você ainda se considera a
única vítima nesse casamento. O triste é que, devido à sua
amargura e seu ressentimento, você escolheu um caminho de
miséria e infelicidade que não será alterado, a menos que você
se arrependa. Entretanto, parece que a sua probabilidade de
chegar ao arrependimento está a um milhão de quilômetros
dos seus pensamentos.
Devo admitir que estou surpresa com o seu desejo de ver
o casamento restaurado. O que há para consertar? Se Jeff é o
mesmo “velho pervertido” que sempre foi, por que você haveria
de querer voltar para ele?
Não acredito que possa ser recuperada para seu esposo
antes de ser, primeiro, restaurada para o Senhor. Isso só
acontecerá quando perceber que também é uma pecadora, a
qual precisa desesperadamente da graça de Deus. Quando
tiver um entendimento real do Calvário, o local onde o
Inocente entregou a Sua vida pelos nossos pecados, então,
estará pronta para se ajoelhar com humildade e quebrantar-se
diante do Pai.
Jesus contou, certa vez, a história de dois homens que
foram ao templo orar. Um deles considerou-se um pecador
nojento, indigno de sequer olhar para o Supremo. O outro fez
uma auto-análise e considerou-se alguém que andava em uma
espiritualidade tremenda, muito adiante dos outros ao seu
redor. O Mestre disse que apenas um desses homens saiu do
templo justificado aos olhos do Senhor. Margaret, seu futuro
espiritual depende de qual dessas duas atitudes tomará na
sala do trono de Deus. Se você se humilhar e arrepender-se,
estou certa de que há não somente esperança para a
restauração do seu casamento, como também para a sua
felicidade no futuro.
O MARIDO QUE NÃO SE ARREPENDE

Querida Sue
Obrigada pelo seu bilhete. Gosto da sua franqueza e
honestidade. É muito difícil saber como escrever para alguém
que suportou tanto de um marido que tem repetido o mesmo
comportamento inúmeras vezes.
Você passou pelos muitos estágios de dor que uma
esposa enfrenta quando lida com um marido compulsivo
sexual. Admito que a maioria das mulheres não aguentaria
isso que você teve de enfrentar. E fácil ficar irada e magoada.
Mas Deus, que é Especialista em cirurgia cardíaca, por causa
do Seu grande amor por você, utilizará o bisturi para remover
do seu coração qualquer evidência desse "câncer". O Pai
celestial não permitirá que a amargura devore a sua alma,
contanto que você continue a se voltar para Ele.
Não posso dizer-lhe o que eu faria na sua situação, Sue.
A descoberta recente de que seu marido está interessando-se
pela bestialidade lança uma nova luz no problema e complica
ainda mais a questão. Seu marido atravessou uma linha muito
aterradora. É bom que ele tenha ao menos admitido isso, em
vez de ser apanhado no próprio ato. Mas não tem sido sempre
assim o seu padrão de conduta? É pouco comum que um
homem seja honesto sobre o pecado se não for sincero em
obter ajuda, mas Gil tem um histórico de se sentir culpado,
confessar tudo e, no entanto, permanecer errado em seu
coração.
O arrependimento verdadeiro é a chave para quebrar o
ciclo. Que vantagem há em ser honesto e não se arrepender?
Nenhuma! Creio que admitir a iniqüidade dá ao seu marido
uma espécie de alívio temporário da culpa tremenda que ele
sente. Talvez, de alguma forma distorcida, ele se convença de
que é sincero em seus esforços, porque ele fala de si mesmo
voluntariamente. Mas o arrependimento verdadeiro gera fruto
real, que se traduz em um comportamento transformado, o
qual se pode observar. Todavia, parece que isso nunca
acontece com ele.
Temo que Gil esteja direcionando-se para o alvo, ou
talvez já tenha ultrapassado o ponto em que Deus irá entregá-
lo completamente às paixões degradantes. Se isso já aconteceu
verdadeiramente, então, ele se colocou além do alcance da
convicção do Espírito Santo. Outra possibilidade é que seu
marido nunca tenha experimentado uma conversão genuína a
Cristo. Ele pode, simplesmente, ter aprendido a exercer o
cristianismo exteriormente, sem nunca ter recebido um
coração regenerado. Isso explicaria a falta de um
arrependimento verdadeiro.
Estou convencida de que um dos maiores obstáculos de
Gil tem sido o fato de ser “um cara bom”, que facilita o seu
convencimento de que é santo. Pessoas com temperamentos
agradáveis são muito suscetíveis a essa espécie de ilusão.
Com relação a se separar ou não dele, eu a incentivo
enfaticamente a fazê-lo por várias razoes. Você deve levar em
consideração o modo pelo qual o pecado dele poderia afetar os
filhos, que já descobriram uma das revistas pornográficas.
Além do mais, é muito provável que todos os tipos de espíritos
malignos estejam residindo em seu lar por causa das
perversões. Um pecado como esse tende a ter implicações de
longo alcance. Seu esposo age, provavelmente, como a maioria
dos homens em pecado sexual, por pensar que seu
comportamento não afeta os outros, mas isso certamente não
é verdade. Seu pastor poderá ajudá-la a considerar algumas
das outras implicações de tal decisão.
A falta de interesse de Gil quanto às conseqüências do
seu comportamento, de alguma forma me surpreende. Percebo
que você nem sempre administrou tudo perfeitamente, mas,
sim, ficou atolada com ele. Talvez, uma separação seja
exatamente o abalo de que seu marido necessita nesse
momento.
Nossas orações estão voltadas para você.
A ESPOSA ADÚLTERA

Querida Stacey
Você acredita realmente que ajudaria a melhorar o seu
casamento (ou a si mesma) retribuir ao seu marido o mesmo
que ele lhe causou? Por que, então, não fez? Agora, creio, você
é apenas uma mulher muito ferida e não está falando sério a
respeito de cometer adultério.
Posso lembrar-me muito bem de quando tinha 22 anos,
ferida e com o coração despedaçado. Eu era vulnerável, porque
não estava procurando o Senhor para obter consolo e ajuda.
Naturalmente, o diabo ficou bastante feliz por me fornecer
uma fonte alternativa de conforto, a qual veio na forma de um
homem que parecia interessado em mim e cheio de compaixão.
Poucos minutos após me encontrar, aquele homem observou
como eu era ingênua e o quanto estava fragilizada. Não percebi
na ocasião, mas eu era um alvo ambulante para alguém como
ele. Tolamente, permiti que minhas emoções me
influenciassem. Antes de perceber o que havia acontecido, fui
rapidamente levada a um novo relacionamento que parecia
prometer-me o mundo.
Realmente, eu precisava de uma mulher cristã,
santificada, que se sentasse comigo e falasse alguma coisa que
fizesse sentido para mim. Infelizmente, tomei muitas decisões
que não foram sábias.
Oh, se eu pudesse compartilhar com você como lamento
profundamente as coisas que eu fiz no decurso dos anos!
Stacey, você também está suscetível agora. Se não se
voltar para o Senhor, o diabo vai querer “levantá-la”
exatamente como ele fez comigo há alguns anos. Algum
sujeito, com pose de príncipe encantado, aparecerá
subitamente em sua vida. Você não conseguirá perceber quão
cega está pela sua própria dor, e, assim, não dará atenção
para a bandeira vermelha de advertência sobre que tipo de
sujeito ele realmente é. Poderá cair diretamente na armadilha
e descobrirá que sua vida estará em uma bagunça pior do que
antes.
Tentar encontrar alívio por meio de algum método carnal
somente levará a mais problemas e pesares. Isso irá colocá-la
no ciclo vicioso do pecado, da vergonha e do medo, que farão
com que seja mais difícil escapar. Creia ou não, você está
agora em uma encruzilhada. A decisão errada poderá
literalmente arruinar o resto de sua vida.
O que lhe sugiro é tentar acalmar-se. Por que não passar
algum tempo meditando nos Salmos? Sei que isso parece não
se tratar de uma ajuda para a sua situação, mas irá alinhá-la
com a mente do Senhor. O louvor e a adoração a Deus,
transmitidos nos Salmos, podem realmente levá-la a uma
atmosfera de paz e consolo.
A seguir, tente marcar um horário com seu pastor ou a
esposa dele. Faria muito bem a você ter alguém desse tipo
envolvido em sua vida agora. Percebo que pode ser
constrangedor confessar suas lutas, mas eles entenderão.
Mais importante, suas tentações serão expostas, para que
cristãos maduros sejam capazes de ajudá-la a lidar com elas e
vencê-las.
Stacey, o que você está experimentando nesse momento é
a pior parte. Essa situação, por mais obscura que pareça,
melhorará se tomar as decisões certas. Um dia, olhará para
trás e agradecerá ao Senhor por encorajá-la à vitória. Vamos
orar para que Deus lhe conceda a força necessária para
atravessar esse período doloroso e difícil.
MINHAS NECESSIDADES SEXUAIS

Querida Darlene
Você está certa. Não há respostas fáceis para o seu
problema. A falta de interesse sexual do seu marido por você
faz com que, no ponto de vista emocional, a atração dele pela
pornografia seja mais difícil de se lidar.
Para mim, é muito complicado não me tornar emocionada
e comovida com esse assunto, ao considerar o egoísmo
extremo dos homens que esperam o sexo sob exigência, sem
preocupar-se em suprir as necessidades da esposa. Indivíduos
assim geralmente pensam que o sexo é somente para eles.
Muitos homens não percebem que as mulheres têm
necessidades tão reais quanto as deles. Na verdade, elas não
têm a constituição hormonal semelhante à dos homens.
Entretanto, as necessidades emocionais femininas, que
requerem um certo grau de intimidade real, mais do que
compensam as outras. Você sabe bem como se sente rejeitada
por dentro quando seu marido a negligencia, depois de ele ter
sua própria satisfação.
Tenho uma amiga que lidou com esse mesmo problema
durante longo tempo. Sue foi casada com o Jimmy por 12
anos, mas calcula que, em 11 anos, eles tiveram relações
sexuais apenas uma dúzia de vezes. A luta de Jimmy era com
o homossexualismo, o que explica alguns dos problemas.
Outras mulheres sofrem, como você, com um marido que se
tornou viciado em pornografia e masturbação a ponto de ser
quase impossível o sexo com sua esposa. Seja qual for a razão,
a mulher sofre muito.
A reação de Sue à negligência vacilava entre a tolerância
e a aceitação até a raiva e o ressentimento. Uma das
conseqüências infelizes da falta de interesse de Jimmy por ela
foi que o seu relacionamento jamais se aprofundou. Quando
uma pessoa é verdadeiramente íntima e sensível à outra, não
há segredos e restrições. O que mais feriu Sue foi o
distanciamento entre os dois.
Infelizmente, ela não se voltou realmente para o Pai
celestial para pedir ajuda. Tentou vagamente orar e pedir
auxílio, mas sua necessidade de atenção da parte do Jimmy se
tornou a paixão que a consumia, a ponto de sua caminhada
com o Senhor simplesmente se desvanecer.
Nesse estado de espírito, não foi difícil Sue justificar o
seu problema crescente com a masturbação. Quando uma
pessoa se masturba, a fantasia sexual é envolvida. Pouco a
pouco, o coração dela se tornou cheio das trevas da luxúria.
Isso não aconteceu porque estivesse andando ao redor de
homens sedutores, mas em conseqüência de algo bem mais
sutil. Foi mais uma fantasia de romance que dominava o seu
coração, encorajado em parte pelo seu envolvimento crescente
em ler histórias de amor e assistir às novelas. Geralmente,
tudo se tornava fantasia sexual quando ela se masturbava.
Tais ilusões românticas aumentaram ainda mais a
distância entre ela e Jimmy, porque eram como um lembrete
contínuo do fracasso dele como marido. Ela notou que, quanto
mais se envolvia com histórias romanceadas e novelas, mais
ressentida ficava com relação ao esposo.
O Senhor começou a tratar do coração de Sue. Uma
convicção forte lhe sobrevinha quando ela se masturbava e até
quando assistia às novelas. A restauração do Espírito Santo
aumentou, sem alarde, até que, uma manhã, ela acordou e
descobriu a necessidade de se arrepender. A pergunta formada
em sua mente foi: “O que estou fazendo em meu coração é
diferente do que o Jimmy está fazendo?”. Essa pergunta
empurrou-a para a realidade. Em lágrimas, com grande
arrependimento, ela se voltou para o Senhor naquela manhã.
A base do seu quebrantamento foi a percepção de estar errada
e precisar de Deus. Decidiu, então, obedecer ao Senhor e
confiar nEle, não importando o que o cônjuge fizesse.
A primeira coisa que ela fez foi livrar-se das revistas de
romance. Caixas cheias foram para o lixo. Depois,
voluntariamente, ela começou a passar as tardes no centro de
atendimento da igreja. Dessa forma, não apenas se desligou da
tentação de assistir às novelas, mas se envolveu na ajuda aos
outros. Passava todas as manhãs estudando a Palavra de
Deus, a qual, no seu quebrantamento recém-descoberto,
pareceu-lhe viva. Ela percebeu que fazer estudos indutivos
(produzidos pelos Precept Ministries [Ministérios Preceitos]) a
ajudaram a restaurar a paixão perdida pelas Escrituras. Um
tempo de oração consistente também se tornou parte da sua
rotina. Quase da noite para o dia, Sue transformou-se em uma
pessoa diferente.
Essa renovação no Senhor também teve um impacto real
no relacionamento com Jimmy. Embora ele ainda não
estivesse suprindo as necessidades de Sue, ela se arrependeu
do ressentimento para com ele. Isso ajudou a preencher a
lacuna que havia crescido entre eles ao longo dos anos. Com o
arrependimento, chegou ao fim o espírito de reclamação que
ela nutria por ele. A medida que Jesus tornou-se mais real
para ela, mais verdadeiro mostrou-se o poder do Senhor de
operar em favor dela. Isso a ajudou a apoiar mais e a
compreender as lutas de Jimmy.
Recentemente, recebi de Sue um relato radiante. Parece
que várias semanas depois que ela teve a experiência com
Deus, Jimmy teve a dele. “Estou casada com um novo
homem”, escreveu. “Ele me trata como uma princesa, e
fazemos amor regularmente. Estamos tendo definitivamente a
nossa primeira e real lua-de-mel”.
O que favoreceu a mudança? O arrependimento de
ambas as partes. Uma mulher nessa situação não pode voltar-
se para Deus como se isso fosse uma fórmula para conseguir
receber de seu marido o que ela quer. Ela deve perceber o
quanto sua vida tem desagradado ao Senhor e a necessidade
de se acertar com Ele. Não há garantias de que o esposo faça a
coisa certa apenas porque ela a fez. Entretanto, há duas
certezas. A primeira, a convicção de que, se uma mulher com
esse espírito arrepender-se, encontrará a presença
maravilhosa de Jesus preenchendo a vida dela. Seus
problemas diminuirão por causa da tremenda presença do
Senhor. A segunda, à medida que ela se acertar com o Pai, Ele
operará em favor dela e de seu marido, de uma forma mais
maravilhosa. Repito, não há garantias, mas as chances de que
ele se arrependa aumentam muito.
Jesus é seu Marido, Darlene, e conhece as suas
necessidades. Muitos consideram esse tipo de ensino fora da
realidade ou, talvez, até ingênuo. Posso dizer, no entanto, que
tal perspectiva provém da lógica humana. O poder de Deus
para abençoar alguém que se achegue a Ele é bem maior do
que os nossos problemas. Entretanto, muitas mulheres,
simplesmente, não têm esse grau de confiança no Senhor e
não estão dispostas a colocar a fé nEle. Meu testemunho para
você é que, quando uma esposa realmente se volta para o
Soberano com confiança, Ele nunca falha nem a desaponta.
O MOLESTADOR DE CRIANÇAS

Querida Ericka
Lamento saber do ocorrido com sua filha. O que pode ser
pior para uma mulher do que ter de lidar com o fato de que o
marido molesta um de seus filhos? Aprecio a sinceridade das
suas perguntas sobre se deve ficar com ele ou, simplesmente,
divorciar-se. Em certo sentido, é bom que ele vá para a prisão
por alguns anos. Isso dará a você algum tempo para realmente
buscar a mente do Senhor.
Por favor, leia as cartas que escrevi para Sonja e Pam
sobre a reconciliação e a procura dos frutos do
arrependimento. O que quero conversar com você é sobre
algumas coisas que enfrentará sendo casada com um
molestador de crianças.
Uma vez que ele tenha saído da prisão e obtido permissão
de voltar para casa (isso, geralmente, não ocorre após a saída
da prisão, mas depois que ele completar o programa estadual
para ofensores sexuais enquanto estiver livre e sozinho), você
deve ter em mente que ele será um abusador sexual registrado
para o resto da vida. Essa salvaguarda comunitária torna mais
difícil para o homem (e sua família) que esteja mesmo tentando
mudar. É um estigma que ele terá de suportar por algum
tempo.
Outra coisa a considerar é que, até certo ponto, ele terá
de provar, por meio das ações, que pode ser confiável. Com um
adúltero, isso não é um problema tão grande, mas uma
“escorregada” de um molestador tem conseqüências trágicas.
Essa é uma questão séria a ser considerada por uma mãe.
Não estou querendo dizer que Deus não possa mudar
totalmente o coração de uma pessoa. Nós temos visto os
ofensores mais vis completamente quebrantados e
transformados pelo Senhor. Mas, com toda a sinceridade,
também preciso informar-lhe que não temos tido um bom
índice de sucesso com os molestadores de crianças. Segundo a
maior parte dos psicólogos, não é possível mudar um
molestador. Mas, por experiência, sabemos que o Senhor pode
fazer o impossível quando um homem se arrepende
verdadeiramente. Infelizmente, porém, temos notado que, no
caso da maioria dos molestadores, o pecado os levou a tais
extremos de engano e insanidade a ponto de não serem mais
capazes de responder à convicção do Espírito Santo. E
também são levados a repetir seus erros apesar das
conseqüências - a vida atrás das grades.
Geralmente, molestadores de crianças são notórios
transferidores de culpa. Suponho que eles tenham dificuldade
em aceitar a responsabilidade por suas ações desprezíveis.
Mais ainda, o pecado engana o coração, e uma transgressão
dessa magnitude e profundidade carrega consigo uma porção
correspondente de engano. Se você perceber que seu marido
transfere a culpa ou justifica suas ações, pode estar certa de
que ele não está verdadeiramente arrependido do seu
comportamento.
Outro problema comum associado a um homem que
molesta sua enteada é que, às vezes, a mãe luta com o
ressentimento contra sua filha. Ela pode questionar
(especialmente se o marido alegou isso) o quanto foi provocado
de alguma forma pela adolescente ou jovem. Tem sido nossa
experiência (especialmente no caso de uma menina mais nova)
que isso acontece muito raramente. Entretanto, algumas
vezes, uma adolescente tentará seduzir seu padrasto. Mas
essa circunstância também é extremamente rara, a menos que
ela já seja sexualmente promíscua. Casos mais típicos de
abuso ou incesto envolvem a enteada que busca afeição de seu
novo pai, o qual, em sua maneira distorcida de pensar,
interpreta erroneamente essa atitude como um convite sexual.
Esteja ciente da possibilidade de ter de experimentar
uma luta interior tremenda com relação à sua filha. Se você
souber que ela foi promíscua no passado e suspeitar que, de
algum modo, incitou intencionalmente as paixões do seu
marido, será preciso tratar com ela sobre esse ponto de vista
(de forma alguma, isso alivia a responsabilidade do seu
marido, o qual, sendo adulto, deveria saber melhor. Todavia, a
situação poderá ficar um pouco mais compreensível).
Caso não tenha uma comprovação absoluta, você deve
dar à jovem toda a compreensão da possibilidade de que seja
inocente no caso. Essa grande provação será extremamente
dolorosa para você, mas, por favor, demonstre toda a
sensibilidade e compaixão possíveis para com sua filha. Ela foi
violentada emocionalmente. Seria insuportável para ela
perceber qualquer ressentimento da sua parte ou se alguém
lhe disser que o lar se desfez por causa dela. A jovem também
perderá a confiança em você se sentir a possibilidade de sua
inclinação de voltar para ele, sem levar em conta os
sentimentos dela. Pode ser muito difícil compreender por que a
mãe iria querer voltar para alguém que a feriu tanto. Não
estou sugerindo que atenda todos os caprichos ou as
exigências de sua filha, mas apenas ressalto a necessidade de
considerar bem a situação dela.
Até hoje, tratamos de uma única família na qual o marido
se tornou obcecado pela enteada, a ponto de espreitá-la nas
janelas. Ele recebeu a nossa ajuda, assim como a esposa. Ela
também lutou contra o ressentimento pela filha, mas, depois
de saber a verdade, arrependeu-se antes que aquilo fosse um
problema para as duas. Quando se aproximou a formatura
dele em nosso programa de residência, a mulher começou a
falar para a filha que o cônjuge estava voltando para casa. A
jovem ficou muito receosa, mas a mãe lhe assegurou que não
toleraria mais quaisquer incidentes da parte do esposo. Isso e
mais a ajuda recebida do conselheiro bíblico transmitiram-lhes
segurança. Da última vez que ouvi falar deles, a família estava
indo bem.
Seja culpada ou não, é importante que sua filha receba
aconselhamento imediatamente. Ela precisa ser capaz de
trabalhar todas as emoções e todos os sentimentos
conflitantes surgidos. Se não tiver a oportunidade de fazer
isso, esteja certa de que o diabo usará o fato, distorcerá a sua
mente e tentará destruir a vida dela.
A impressão que tive de sua carta, Ericka, foi de que está
muito comprometida com seu marido e quer agir certo. A
partir das poucas coisas mencionadas sobre ele, parece estar
convencida de que ele se arrependeu verdadeiramente.
Certifique-se de buscar a mente do Senhor, considere os
sentimentos de sua filha e seja muito cuidadosa ao lidar com
essa questão. Que Deus abençoe seus esforços, ao mesmo
tempo em que você busca a cura para si e toda a família!
CAPACIDADE DE PRESTAR CONTA

Querida Deanna
Oferecerei algumas diretrizes para que seu esposo se
responsabilize por prestar-lhe conta, mas tem a certeza de
conseguir lidar com isso? Se ele disser que comprou uma
revista depois do trabalho e se masturbou, como será a sua
reação? Se contar de sua luta para não pecar com uma moça
no trabalho, o que você fará? Na possibilidade de seu esposo
confessar as fantasias homossexuais, ainda irá respeitá-lo?
Quando ele começar a expor a própria alma, você poderá lutar
com o inesperado.
Em nossa experiência, é melhor que uma mulher tenha
um papel limitado na prestação de conta do marido. Os dois
devem procurar estabelecer um plano de ação com o qual
ambos concordem. Até sugerimos que o casal o assine, como
se fosse um contrato, por meio do qual reforçam as barreiras
protetoras para ajudá-lo a não cair mais nos velhos padrões de
pecado. Quanto mais fortes elas forem, é menos provável que
ele as viole posteriormente.
Há certas áreas da vida dos compulsivos sexuais com as
quais toda esposa deve estar envolvida. Em primeiro lugar, ela
precisa encarregar-se das finanças, mesmo que ele não
demonstre irresponsabilidade. De modo geral, os homens
precisam de dinheiro para se envolver com pornografia.
Nunca subestime a perspicácia de um homem que deseja
transgredir. Steve costumava juntar dinheiro aos poucos,
esperando pela oportunidade de ir a uma casa de massagem
ou à loja de pornografia. Quando decidiu mudar seriamente,
ele tornou-se muito mais honesto.
Outro elemento a ser avaliado é o tempo. Para aqueles
homens que têm horas estabelecidas de trabalho em um local
específico, isso não tende a ser muito difícil. Mas há empregos
que lhes dão muita liberdade (como no caso de vendedores,
motoristas de caminhão, homens que fazem consertos diversos
etc). O estabelecimento de prioridades é da maior importância.
Se o seu cônjuge tem essa liberdade e continua a lutar, vocês
devem questionar se, realmente, vale a pena manter aquele
emprego. Entretanto, se, por alguma razão, não existir
alternativa, então, a próxima coisa a ser feita é combinar que
todas as noites você olhará para os olhos dele e perguntará
como foi o dia. Ter de enfrentar isso poderá ajudá-lo quando
estiver em tentação. Entretanto, esse sistema não funciona tão
tranquilamente, porque tende a criar atrito entre os cônjuges.
O tempo devocional é mais uma área com a qual a
mulher precisa envolver-se. Isso significa que você deve estar
absolutamente comprometida a se encontrar com Deus
diariamente por si mesma. Uma coisa que ajuda a estabelecer
o hábito é um estudo bíblico estruturado. Há muitos
disponíveis. Sugiro, para sua consideração, The walk of
repentance (A caminhada do arrependimento) 1, escrito por meu
marido, tendo em mente o compulsivo sexual e a esposa
ferida. É um estudo bíblico de 24 semanas. Um tempo de
oração consistente também deve fazer parte diariamente do
seu devocional.
Outra coisa que a esposa deve monitorar é a televisão.
Costumamos recomendar, de modo firme, que os casais
simplesmente se livrem da TV. Contudo, se, por alguma razão,
você não estiver querendo fazer isso, pelo menos o ato de
assistir à televisão deve ser limitado. Escolham programas
juntos em que haja concordância de que sejam
comparativamente seguros. Planeje seu tempo de assistir a
uma determinada programação, em vez de simplesmente ligar
todas as noites e permitir que a TV governe o seu lar. Você
deve estabelecer regras e segui-las.
Outro problema é a Internet! Seu marido tem acesso à
rede em casa ou no trabalho? Se afirmativo, descubra se ele já
visitou páginas pornográficas. Caso não precise de Internet,
não a leve de jeito algum para a sua casa. Na minha opinião, a
tentação é grande demais para qualquer homem que lute
1
Steve Gallagher, The walk of repentance (A caminhada do arrependimento). Este livro ainda
não foi traduzido para o português.
contra o pecado sexual. Entretanto, se você já assinou um
provedor e tiver necessidade de acessar a rede, por favor,
instale imediatamente um sistema de filtros.
Finalmente, o casal deve firmar o compromisso de ir à
igreja em todas as oportunidades. Reafirmo que, se você for
indiferente quanto a freqüentar a comunhão com os irmãos,
não espere algo mais do seu marido.
Essas são todas as áreas com as quais a esposa de um
dependente sexual deve estar envolvida. Como já afirmei,
manter seu marido capacitado a prestar conta do pecado
sexual é algo melhor quando administrado por alguém do sexo
masculino, o qual tenha amizade por ele. O melhor para isso
seria que seu marido viesse para o programa residencial dos
Ministérios Vida Pura, ou pelo menos passasse pelo Programa
do Vencedor em Casa.1 Vocês dois poderiam, então, receber
conselho, encorajamento e a prestação de conta de que
necessitam. Um dos benefícios é que os nossos conselheiros
estão em constante comunicação entre si sobre os casais
aconselhados. Se o marido está confessando ao orientador algo
o qual sentimos que a esposa deve saber, os conselheiros da
mulher compartilham com ela. Isso também pode ser obtido
por meio de um bom conselheiro bíblico.2
Para o casal que, por alguma razão, sentir que a esposa
deve ser a pessoa a quem o marido irá reportar-se, são
apropriadas as seguintes diretrizes:
Quando ele confessar o quanto foi tentado, não insista
nos detalhes. Por exemplo, se, certa noite, disser a você que,
naquele dia, lutou contra a fantasia, você não precisa saber
mais nada especificamente. Se ele contar que foi à casa de
massagem, não pergunte como era a garota. Conseguiu
perceber a idéia?
Quando o seu esposo confessar as lutas dele, você não
poderá dar-se ao luxo de desmoronar emocionalmente nem

1
Veja a lista de programas dos Ministérios Vida Pura em nossa página: w w w.purelif
eministries .org.
2
Recomendo que você entre em contato com a National Association of Nouthetic Counselors
(NANC), Associação Nacional de Conselheiros Exortadores, tel. 765.448.9100, nanc.org ou a
International Association of Biblical Counselors (IABC - Associação Internacional de
Conselheiros Bíblicos), tel. 303.469.4222, iabc.net para encontrar conselheiros bíblicos.
gritar com ele, tampouco taxá-lo de culpado. Sei que é pedir
muito, mas seu marido deve saber a importância de ser leal
sem ser castigado por isso. Se seu cônjuge tiver de esperar
sempre a punição pela própria honestidade de contar a
transgressão, ele não se importará mais em lhe dizer algo
sobre o que estiver enfrentando.
Você não apenas deve controlar seus sentimentos - o que
poucas mulheres fazem - mas precisa também demonstrar seu
apreço pela honestidade dele. Apóie a disposição dele em ser
vulnerável. Lembre-se de como é difícil um homem admitir
essas coisas para uma mulher, especialmente para a esposa.
Evite, ainda, da melhor forma possível, não citar os fracassos
passados dele. Seja uma boa ouvinte e não assuma o papel de
uma interrogadora sem misericórdia.
Você pode ver, por essas diretrizes, por que encorajamos
os casais a encontrarem alguém de fora do casamento como
fonte de responsabilização. Use os princípios aplicáveis à sua
situação, Deanna. Faça tudo o que puder com compaixão e
graça. Auxilie como puder. Se ele for sincero, um dia, você
colherá as bênçãos dos seus esforços em ajudá-lo. Como diz
Paulo em Gálatas 6.9:
E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu
tempo ceifaremos, se não houvermos, desfalecido.
DIVÓRCIO

Querida Theresa
Ficou claro para mim se você estava esperando ou não
que eu respondesse à sua carta, na qual explicou o motivo
pelo qual estava pedindo o divórcio. Contudo, deduzo que você
queira um retorno.
Divórcio é uma palavra feia, não é? Ela envolve mais do
que, simplesmente, a dissolução legal de um contrato
conjugal, e creio que tem conseqüências eternas, porque o
Senhor diz que odeia o divórcio (Ml 2.16). Além disso, Jesus
revelou o coração de Deus a respeito da questão, quando
disse: Moisés, por causa da dureza do vosso coração, vos
permitiu repudiar vossa mulher; mas, ao princípio, não foi assim
(Mt 19.8). Em outras palavras, o divórcio nunca fez parte do
plano original do Criador. E apenas o caminho que muitas
pessoas escolhem para lidar com seus problemas conjugais.
O índice de divórcio entre cristãos, hoje em dia, está
aumentando o tempo todo. Para muitos, conseguir a separação
parece ser o único caminho para escapar de um casamento
infeliz ou tratar circunstâncias dolorosas. Entretanto, nós,
cristãos, somos chamados a ter a mente de Cristo (1 Co 2.16b).
Isso significa que temos de suportar os outros pacientemente a
despeito de suas falhas.
Em sua carta, você justificou o divórcio dizendo que seu
marido tem "cometido adultério no coração". Estou certa de
que você sabe que, quando Jesus condenou essa prática em
Mateus 5.32, Ele fez referência àqueles que estavam em
fornicação constante com outra pessoa sem demonstrar
arrependimento. Embora seja verdade que o adultério tenha
início no coração, as lutas mentais do seu marido dificilmente
se encaixam nessa categoria.
Você disse que tem lutado contra isso durante cinco
anos, e "não pode aguentar mais". Eu poderia entender o
divórcio se seu marido estivesse envolvido em um caso esse
tempo todo e não quisesse arrepender-se, mas você não acha
que está desistindo muito facilmente?
Theresa, eu a encorajo a buscar realmente o Senhor
sobre a questão antes de prosseguir. Abra o seu coração à
vontade de Deus. O Pai irá proporcionar-lhe a graça de amar e
suportar seu marido. Se fizer isso, você encontrará os
benefícios de longo prazo, que excedem em muito o alívio
temporário do divórcio.
RESPEITO PERDIDO

Querida Jeri
Ouço a mesma coisa de muitas mulheres: "Perdi todo o
respeito pelo meu esposo". Sei como é, pois já experimentei o
mesmo.
A perda de respeito surge quando se vê a pessoa amada
continuar a praticar atos que consideramos vergonhosos e
degradantes. Uma mulher tende a olhar para o esposo como o
forte da família, aquele de quem ela pode depender e que
exercita uma liderança sábia e estável. A maioria das esposas
deseja admirar o cônjuge. Isso se torna difícil quando o marido
é controlado por alguma paixão impura, que poderia
potencialmente destruir o casamento. Tal fraqueza e falta de
autocontrole provocam frequentemente, no coração da esposa,
um senso de desdém em relação a ele.
Entretanto, é preciso lembrar que essa perda de respeito
é simplesmente um sentimento. Para uma esposa ferida, é
uma resposta emocional negativa aos fracassos do marido.
Isso pode ser avassalador para aquelas mulheres que
suportaram tanto. De modo algum, quero reduzir sua
importância. Sei muito bem como é ter de lidar com isso.
O fato de ser um sentimento é boa notícia, porque os
sentimentos podem ser tratados e até transformados com o
tempo. Podemos influenciar ou não o pecado de alguém. As
ações dos outros estão, na maioria, fora da dimensão do nosso
controle. Mas a nossa própria reação ao seu comportamento
pecaminoso é algo sobre o qual podemos exercer algum
comando.
Então, o que uma esposa deve fazer? Paulo diz à mulher
que ela deve respeitar o marido. A tradução grega dessa
palavra é phobeo, que vem da palavra medo. E traduzida na
versão King James da Bíblia como reverência.1 Como é possível
ter reverência ou até respeito por um homem envolvido em
perversão? O que nos ajuda é o fato de que esse é um
mandamento bíblico, e não uma sugestão ou opção para uma
esposa cristã. Se fosse, Paulo teria dito algo assim: "Mulheres,
tratai vossos maridos com respeito quando as ações deles
mostrarem merecimento". É fácil estimar ou honrar alguém
que seja respeitável. O mandamento, contudo, diz-nos que
devemos fazer isso sem levar em conta como nos sentimos. Da
mesma forma, Jesus disse aos Seus seguidores que deveriam
amar seus inimigos (Mt 5.44). Não há quem tenha a
capacidade de agir assim pela própria força. O poder de amar
aqueles que nos odeiam provém somente do Espírito Santo.
É verdade que seu marido tem feito coisas deploráveis.
Mas, em vez de ser desrespeitosa, considere os sentimentos de
Jesus em relação a ele. Ele o ama e o vê com olhos de amor.
Quando conseguir aprender a andar de acordo com o
Espírito de Cristo, sua atitude em relação ao seu marido
mudará. Você ainda observará os fracassos dele, mas, em vez
de enxergá-los com um espírito crítico, começará a vê-los com
os olhos da compaixão. A chave toda, de respeitar seu esposo,
encontra-se em permanecer em Espírito.
Como tratar esses sentimentos avassaladores ao mesmo
tempo? Ore por ele, trate-o com bondade e o apóie como
puder. Você descobrirá que os sentimentos seguem o
comportamento, e, assim, quando fizer o seu melhor para
tratá-lo como Jesus faria, descobrirá que seus sentimentos de
desgosto por ele ficarão bastante reduzidos.
Entregue-se ao Senhor com confiança, Jeri. Faça o
melhor que puder. Permaneça em oração e deixe o Senhor
fortalecê-la, enchendo-a com o Espírito Santo.

1
Nota da Revisão - Na tradução Revista e Corrigida, correspondente a KJV, encontramos a
expressão sujeitas, como se pode ler, por exemplo, em Colossenses 3.18: Vás, mulheres, estai
sujeitas a vosso próprio marido, como convém no Senhor.
A VIDA DE MISERICÓRDIA

Querida Yolanda
É sempre uma alegria receber uma carta como a sua.
Nela, você disse que queria saber mais sobre a vida de
misericórdia, sobre a qual ouviu Steve referir-se em algumas
das suas mensagens, e como aplicá-la em seu casamento.
Você confessou que sua luta com essa espécie de ensino é
porque parece contraditório demonstrar misericórdia por
alguém tão cheio de pecado.
Passei pela mesma luta. Para mim, parecia errado ser
gentil com alguém que permanecia na iniqüidade sem
arrependimento. Eu sentia necessidade de punir aquela
transgressão de alguma maneira, e tinha de deixar o pecador
saber que eu não aprovava as ações dele. Todo o conceito de
amar o pecador, mas odiar o pecado era estranho para mim e
ia contra a minha natureza. Somente bem mais tarde, percebi
realmente que a benignidade de Deus te leva ao
arrependimento (Rm 2.4b).
As pessoas que não compreendem a própria situação de
pecado e impureza não conseguem compreender a
misericórdia divina. A razão de eu e meu marido abraçarmos a
vida de misericórdia é porque fomos esses tais pecadores. A
menos que você entre em um acordo de como está o seu
coração, a misericórdia tem pouco ou nenhum valor real para
você. Esse é o problema experimentado por muitas mulheres
com as quais eu lido. Elas estão olhando para o pecado do
marido em vez de examinar o próprio coração.
Uma vez tendo visto como você tem sido pecadora e o
quanto o Todo-Poderoso lhe é misericordioso, a gratidão que
brota do seu coração a impulsiona a praticar com os outros a
mesma compaixão que o Senhor teve por sua vida.
Infelizmente, a maioria dos cristãos é rápida em tomar para si
a misericórdia de Deus, mas muito lenta em praticá-la com os
outros.
A vida de misericórdia é simplesmente uma descrição
verdadeira de como deve ser a vida cristã. Estender a
compaixão ao próximo é, principalmente, um ato de suprir as
necessidades daquela pessoa, sem buscar algo em troca. Para
alguém sedento, ela é água. Para os famintos, é alimento. Para
os sem-teto, é comida, roupa ou abrigo. Para um parente que
não é salvo, pode ser o compartilhar de um testemunho ou o
ato de continuar a sustentá-lo em oração. Para uma aldeia na
Africa atingida pela fome, poderia significar doar dinheiro,
alimento ou até implementos agrícolas. Para um órfão, seria
uma família pronta a adotá-lo.
Levar uma vida de misericórdia significa permitir que
Deus use você para suprir as carências daqueles que Ele põe
em seu caminho. Pode ser um ministério formal ou,
simplesmente, o cotidiano de um cristão santificado.
No contexto de estar casada com um homem que luta
contra o pecado sexual, no seu ponto de vista, quais são as
maiores necessidades dele? Como o Senhor poderia usá-la
para suprir aquelas carências?
Eu diria que o fato de responsabilizá-lo por prestar
contas dos próprios atos, com um espírito de amor, seria
considerado misericórdia do Pai para com ele. Encorajar seu
esposo quando está abatido ou dar-lhe uma forte exortação
quando ele descarta as responsabilidades seriam consideradas
atitudes de misericórdia, se fossem tomadas com um espírito
de compaixão.
A melhor coisa que você pode fazer para ajudar o seu
marido, entretanto, é interceder por ele continuamente. Que
coisa melhor você poderia fazer por seu esposo do que
“bombardear” o céu em favor dele? Isso não apenas terá um
grande efeito na vida de Jessie, como também capacitará o
mover de Deus em prol dele. Talvez, e mais importante, é que
isso irá ajudá-la a permanecer no espírito certo em relação a
ele. É difícil ficar furiosa com uma pessoa por quem se
derrama o coração todos os dias.
Sei que você está orando pelo seu esposo. Quero apenas
incentivá-la a continuar esforçando-se diante de Deus por
causa de Jessie e também por si mesma. Você encontrará no
Senhor a solução dos problemas e a esperança de todos os
seus sonhos.
AMOR PERDIDO

Querida Diane
Discordo
da sua afirmação de que, aos olhos de Deus,
seu casamento terminou, porque você não ama mais o seu
marido. Esse não é o coração do Senhor, Diane.
Creia-me, sei o que é viver com um homem quando os
sentimentos se foram. Parece que nada pode restaurar o amor
e o respeito. Existe pouco ou nenhum desejo de reconciliação.
Você diz que é amiga de seu esposo, mas perdeu seus
sentimentos românticos por ele. Parece que, na sua cabeça,
romantismo e amor são sinônimos. Muitos cristãos caem
nessa mentira, pois esse é o conceito ensinado pelo mundo. No
livro No altar da idolatria sexual, meu marido deu a seguinte
ilustração:
Talvez a razão de Hollywood promover tão facilmente o
adúltero é porque este tem uma idéia superficial do que seja o
amor. Nos filmes, o amor é uma torrente irresistível de
emoção, que toma conta da pessoa quase contra a própria
vontade. Quantos filmes existem onde a mulher casada
inevitavelmente se apaixona por outro homem? Ela sabe que é
errado, mas simplesmente não consegue sair dessa. É claro
que o marido é sempre apresentado como um “monstro”, de
forma que todo mundo se alegra quando a esposa angustiada
finalmente cede aos próprios sentimentos e comete adultério.1
Pela perspectiva do mundo, os sentimentos de uma
pessoa ditam como se deve tratar os outros. Entretanto, esse
não é o caso dos cristãos, que têm um chamado muito mais
elevado. Jesus estabeleceu o caminho para os Seus
seguidores, ao dizer:

1
Steve Gallagher, No altar da idolatria sexual
Mas a vós, que ouvis, digo: Amai a vossos inimigos,
fazei bem aos que vos aborrecem, bendizei os que
vos maldizem e orai pelos que vos caluniam [...]. E
como vós quereis que os homens vos façam, da
mesma maneira fazei-lhes vós também. E, se
amardes aos que vos amam, que recompensa tereis?
Também os pecadores amam aos que os amam.
Lucas 6.27-32

Temos aqui orientações claras da parte do nosso


Salvador, para amarmos aqueles que não nos tratam do jeito
pelo qual gostaríamos de ser tratados. Mas, como Jesus pode
esperar sentimentos doces de nossa parte para com aqueles
que nos amaldiçoam e maltratam? Ele não espera. Embora,
geralmente, não possamos dominar os nossos sentimentos,
podemos controlar as nossas palavras e ações ao obedecermos
às palavras do Mestre.
No grande capítulo do amor de 1 Coríntios 13, podemos
ver 15 ações estabelecidas, às quais resumem a palavra amor
para o cristão. A mulher pode não ter sentimentos românticos
por seu marido, mas nada a impede de ser boa, humilde,
paciente ou até capaz de se sacrificar por ele. Novamente,
citarei Steve:
O fundamento do amor bíblico tem como base a ação da
pessoa, não os sentimentos. Quando um homem é gentil com
a esposa, por exemplo, ele a está amando; assim, quando for
indelicado com ela, não a estará amando. Uma vez que o amor
é uma ação que a pessoa pode escolher fazer, suas emoções
devem sempre ser secundárias à sua conduta. É por isso que
Jesus podia ordenar a Seus seguidores que amassem seus
inimigos. Ele não esperava que eles tivessem sentimentos
ternos quando outros os maltratassem.1
Bem, não quero elaborar muito sobre esse tópico, mas,
talvez, eu possa encorajá-la a fazer a seguinte tarefa de casa:
assuma o compromisso de que, durante um mês, fará todo o
possível para agir segundo a orientação de Deus. Durante 30

1
Steve Gallagher, No altar da idolatria sexual.
dias, você deixará de lado seus sentimentos, sua agenda e
seus planos. Considere esse um projeto para o Senhor. Se
nada mudar para você e seu marido após esse período, então,
você poderá reconsiderar suas opções. Mas, durante esse
tempo, nem pense em divórcio.
Você deve, primeiro, buscar o Senhor com a atitude
correta, dispondo-se a permitir que Ele transforme as suas
emoções. Se considerar as circunstâncias e recusar-se a abrir
seu coração para o Pai, esse projeto está fadado ao insucesso
desde o princípio. Peça, simplesmente, ao Todo-Poderoso que a
ajude a se dispor para cumprir a Sua vontade.
Todas as manhãs desse mês, durante seu momento
devocional, passe alguns instantes orando 1 Coríntios 13.1-8 e
Lucas 6.27-46. Medite e ore sobre cada versículo. Peça ao
Senhor que torne reais as palavras dEle para você e a ajude a
viver esses ensinos no dia-a-dia.
Durante esse período, você deve comprometer-se a viver
essas orientações quanto ao seu marido. Pessoa alguma está
esperando que você faça isso com perfeição, mas faça o melhor
que puder e de todo o coração.
Diane, você disse, em sua carta, que estava buscando a
vontade de Deus para a sua vida. Quero lembrar-lhe apenas
que o Pai sempre deseja que o cristão trate os outros com
amor, até os não-amáveis. A melhor forma de permanecer no
propósito do Altíssimo é fazer a vontade dEle onde quer que
esteja. Naturalmente, se estiver simplesmente buscando uma
desculpa para terminar seu casamento, então, nada disso irá
interessar-lhe. Entretanto, caso esteja realmente certa de
desejar submeter-se à direção do Soberano, então, esse
exercício irá alinhá-la com a maneira de pensar do Senhor, e
você poderá ouvir melhor a voz do Pai.
Ao concluir esta carta, deixe-me especular sobre a luta
para fazer esse experimento. Talvez, quando ler a minha
sugestão, uma falta de vontade se levante em seu interior. Se
for assim, considere que a origem disso é o medo, porque você
foi ferida e já decidiu não ser mais vulnerável. Sendo assim,
toda a idéia de se doar emocionalmente ao seu marido dessa
forma, provavelmente, terá deixado seu coração temeroso.
Você precisa perceber, Diane, é que não sente mais amor
porque não quer mais dar amor. Você fechou seu coração ao
seu esposo e deseja continuar a viver sem ele. Entretanto, só
não percebe que, quando fecha o coração para outra pessoa, já
o fechou para Deus em primeiro lugar.
Sei que você foi ferida e despedaçada emocionalmente,
mas a cura da qual necessita nunca virá se desistir das
circunstâncias dolorosas. Ela virá do Senhor quando você
permanecer no Espírito do Senhor. Não estou tentando impor-
lhe coisa alguma, irmã, mas apenas procurando desviá-la de
um curso desastroso.
Em sua mente, você pode ter tudo elaborado. Colocará
um ponto final nesse capítulo horrível da sua existência e
prosseguirá sua vida com o Criador. Sente que seu casamento
foi um erro, o qual você consertará agora, mas acabará
descobrindo que enfrentará as mesmas dificuldades e conflitos
semelhantes em relacionamentos futuros. Se não aprender a
amar incondicionalmente a partir de agora, viverá derrotada,
sem conseguir agradar ao Senhor e obedecer ao mandamento
de amar o próximo como a você mesma (Mc 12.31).
Humilhe-se diante do Pai, Diane, e deixe que Ele
substitua sua forma de pensar pelos pensamentos dEle,
dando-lhe um novo coração. Depois, você encontrará a alegria
e a paz para entender as suas motivações.
NÃO-CONFIÁVEL COM RELAÇÃO AO DINHEIRO

Querida Carla
Não a censuro por se sentir como se não pudesse confiar
em seu marido. De acordo com sua carta, ele continua a
drenar a conta bancária, a aumentar o débito do cartão de
crédito e, depois, mente. Na verdade, não se pode esperar
mesmo a sua confiança em alguém que tem demonstrado não
merecê-la.
Lidar com um esposo assim é muito desanimador. Pode
ser extremamente frustrante uma pessoa responsável receber
uma fatura de cartão de crédito pelo correio, esperando
encontrar um saldo zero, e descobrir que há um débito de 700
dólares. Ter, ainda, os cheques sem fundo voltarem para você
com 20 dólares de taxas bancárias em cada um deles; ou, ao
fazer o pagamento da casa, descobrir que a conta foi
esvaziada.
Você não mencionou se seu marido demonstrou ou não a
disposição de mudar de comportamento. Se ele,
aparentemente, lamentar as atitudes passadas e tiver boa
vontade para cooperar com você, então, há passos definidos
que podem ser úteis para controlar essas ações irresponsáveis.
Carla, é possível buscar a ajuda de um consultor
financeiro cristão. A pessoa certa pode dar uma ajuda para o
seu marido na administração do orçamento. Talvez, uma
financiadora possa orientá-la com as dívidas e estabelecer um
plano razoável de pagamento.
Se não for possível, sugiro fazer o seguinte: primeiro,
sente-se com seu marido e coloque no papel um plano
estratégico. Ao completá-lo, peça-lhe que assine, expressando
a disposição dele em cooperar com o combinado. Segundo,
você deve destruir o cartão de crédito ou, no mínimo, colocá-lo
onde ele não consiga encontrar. Apenas lembre que, se ele
souber o número do cartão, ainda poderá usá-lo. Jamais
subestime a astúcia de um homem que deseja pecar.
Finalmente, você deve assumir o controle completo da
conta bancária. Sugiro, ainda, tirar o nome de seu esposo, pelo
menos até ele alcançar um nível razoável de confiabilidade.
Isso irá impedi-lo de acabar com a conta em prol das próprias
exigências egoístas. Também aconselho outros passos para
assegurar que você seja a única a receber o pagamento. Ele
pode acertar tudo para que o contracheque seja enviado para
casa ou também comunicar ao chefe dele que a esposa será a
única a receber o dinheiro. Obviamente, também será
necessário pegar com ele o cartão do caixa automático. Todas
as manhãs, você pode dar-lhe apenas a quantia necessária
para passar o dia.
Uma das razões pelas quais Steve foi capaz de derrotar o
poder do vício sexual foi o fato de estar muito disposto a
cumprir as salvaguardas que implementei em nossa vida.
Steve sabia que ele não era confiável. Assim, de boa vontade,
permitiu-me controlar e administrar o dinheiro, e me prestava
conta do seu tempo. Naquela época de fraqueza e tentação, as
barreiras o impediram de fazer o que poderia lamentar mais
tarde.
Os homens que teimam em ter o próprio caminho são
impossíveis de serem ajudados. Você não pode monitorar
alguém determinado a pecar. Se for essa a atitude comprovada
de seu marido, então, será preciso tomar medidas mais
drásticas.
Sei que ele sempre administrou as finanças, mas você
pode fazer isso, Carla. Volte-se para o Senhor e peça ajuda.
Comprometa-se a estar nas mãos do Pai e não tenha medo de
ser forte. Seu marido precisa da sua força agora.
EXPECTATIVAS ELEVADAS

Querida Glória
Deixe-me começar com umas palavras de advertência: se
você não começar a ser mais compassiva e misericordiosa com
seu marido, ele irá embora pela porta da frente.
Imagino que essa afirmação chame a sua atenção! Mas,
por favor, não me leve a mal. Minha impressão é de que você é
muito intolerante com o pecado, tanto na própria vida quanto
na de seu esposo. De certa maneira, é admirável que tenha
essa postura, mas precisa ser extremamente cuidadosa para
não se transformar em uma pessoa com justiça própria. Se
você se entregar a tal atitude, logo estará vangloriando-se,
como o fariseu: Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os
demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda
como este publicano (Lc 18.11b). Nesse caso, seu marido
poderá ser encontrado batendo no peito, em humilde
arrependimento, enquanto você não voltará para casa
justificada.
Percebo que sua firme determinação tem-lhe ajudado a
vencer os problemas na própria vida. Entretanto, nem todos
progridem na mesma velocidade e da mesma maneira. Você
não pode dar um ultimato ao seu esposo, dizendo: “Você tem
de ser curado em três meses ou, então, está tudo acabado”.
Isso é irracional e sem misericórdia, quando se considera o
quanto ele terá de batalhar.
Essa afirmação revela muitas concepções errôneas sobre
como Deus é e o que Ele espera dos Seus seguidores. Em
primeiro lugar, o Pai não coloca limites de tempo para nós. Ele
sabe como é forte o controle do pecado sobre uma pessoa. Isso
não significa que o Senhor o deixe passar. Demonstra, sim,
que o Todo-Poderoso tem tamanha misericórdia pelo pecador,
que suporta os atos de desobediência do transgressor
enquanto quebra a fortaleza das iniqüidades na vida dele.
O Senhor não é intolerante nem é impaciente conosco
quando estamos lutando. Ele nos ama profundamente e está
disposto a andar muito conosco a fim de nos disciplinar para
alcançarmos a santificação. O Cirurgião de almas penetra em
nosso coração e remove uma espécie de "câncer" que, de outra
forma, iria matar-nos.
As pessoas que exigem santidade dos outros geralmente
têm pouquíssima compreensão do que significa a verdadeira
santificação. Deus não vive por algum arranjo rígido de
normas que Ele jamais transgride, por isso, Ele é perfeito. As
regras da Bíblia derivam do coração do Altíssimo para o bem
das pessoas, e Seu desejo é que nós, também, caminhemos no
mesmo amor para com os outros.
Veja, por exemplo, os últimos seis dos Dez Mandamentos
(Ex 20.12-17). Cada uma dessas regras tem a ver com o modo
de tratarmos as pessoas. Deus nos pediu que os
guardássemos com um coração que sente amor e dedicação
pelo próximo.
Concordo com você que seu marido não está sendo
amoroso com relação às mulheres que ele deseja. Embora seja
verdade, o Senhor é o único que pode ajudá-lo a superar essa
cobiça. Mesmo que você, de alguma forma, fosse capaz de
policiá-lo para que ele mantivesse uma vida sem pecado, muito
provavelmente isso apenas significaria que ele iria tornar-se
um fariseu. Eles guardavam as leis de Deus a fim de
parecerem religiosos e receberem elogios dos homens, não
porque estivessem tão cheios de amor pelos outros a ponto de
não querer ofendê-los. A cobiça é algo contra o qual seu
marido deve lutar, mas, em última instância, é o amor do Pai
que a desenraiza e suplanta.
Se você está vivendo de forma consagrada, como disse em
sua carta, isso é maravilhoso! Essa consagração deve apoiá-la
a ser mais como o Criador, para ver as pessoas como Ele vê,
sentir compaixão por elas como Ele sente e suportar os seus
fracassos.
Creio que você, provavelmente, deve reavaliar suas
“diretrizes e regras” severas. Sei que foi instruída pelos seus
conselheiros a estabelecer limites para o seu marido, mas
tenho a impressão de que exagerou um pouco. Como se pode
estabelecer um limite na mente de outro ser humano? Acho
altamente louvável, Glória, que ele tenha sido tão honesto,
considerando o quanto você pode ser explosiva. Sua
intolerância pela luta de seu esposo, provavelmente, fê-lo
lamentar o fato de ter sido tão aberto.
Por que não se humilhar e ir até ele? Deixe-o saber que
você está errada em lhe dar um ultimato e deseja estar ao seu
lado nas lutas. Isso significaria tudo para seu marido. Você
iria ajudá-lo muito mais a vencer, em vez de legislar e
estabelecer regras para a vida de seu companheiro, as quais
ele não é capaz de seguir. Que Deus a abençoe em sua paixão
por santidade, pela dedicação ao seu marido e àqueles ao seu
redor.
VENDO PORNOGRAFIA

Querida Wanda
Sem ser condescendente, concordo com sua afirmação
do quanto você está confusa. Suspeito que é exatamente isso
que seu marido está esperando. A confusão consome a
resistência de alguém ao diabo. A pergunta principal de sua
carta foi: “É errado ver pornografia com meu marido na
privacidade do lar?”. Na sociedade atual em que “qualquer
coisa vai bem”, a maioria acha que não existe algo de errado.
Mas, entendo, você está buscando uma resposta bíblica de
alguém que já passou por isso.
Há muitos anos, eu estava como você, muito confusa e
ferida. Na época, a pornografia pareceu ser o único jeito de
melhorar meu casamento, depois de ter tentado tudo para
impedir a infidelidade de meu esposo. Foram muito
persuasivos os argumentos dele de que era algo que
poderíamos desfrutar juntos, quando, ao mesmo tempo, ele
satisfaria sua obsessão e encerraria suas escapadas. Paguei
um preço caríssimo do ponto de vista espiritual e emocional.
Inicialmente, as coisas foram bem. Steve estava tão grato,
que não escapava mais. Em sua mente doentia e pecadora, ele
acreditava sinceramente no que me dissera. No princípio desse
período, meu esposo me tratou melhor do que em anos
anteriores. Mas logo a emoção se dissipou, como sempre
acontece com o pecado, e ele começou a escapar novamente
para as casas de massagem. Depois, sugeriu que
convidássemos outras pessoas para a nossa vida sexual.
Novamente, em meu desejo obsessivo de conservá-lo,
concordei mesmo relutando. Nós dois começamos a queda.
Depois de alguns meses, também fiquei entorpecida por esse
novo fetiche. Minha consciência estava sendo cauterizada.
Meu senso de convicção moral estava quase vazio. Foi quando
percebi, finalmente, que teria de deixá-lo. Meus dias de
promiscuidade sexual terminaram, e eu queria sair de um
casamento que azedara.
Se eu soubesse o que aquilo iria custar-me, em primeiro
lugar, não me teria envolvido. Em minha grande determinação
de ganhar o amor de meu esposo a qualquer custo, eu me
propus a sacrificar o respeito próprio, a moral com a qual
cresci e, mais importante de tudo, minha caminhada com
Deus. Durante um longo período, sentia-me cheia de culpa e
vergonha com relação àquilo que eu havia assistido e tudo o
que tinha feito.
Mas isso não foi tudo. Levou anos para que aquelas
imagens desaparecessem. Por algum tempo, tive de lidar com
alguns desejos não-naturais, os quais eu nunca havia sentido
antes. Os filmes pornográficos criam uma ilusão de que todo
mundo é altamente interessado em sexo e pervertido. Eles
alteram a perspectiva de alguém sobre as outras pessoas. Por
um bom tempo, via toda mulher como se fosse alguém que
desejasse seduzir o meu marido e todo homem como um
devasso.
Depois disso, deixe-me fazer algumas perguntas diretas:
você acha que é certo ser tão fácil para um homem de forma a
sentir que se está degradando com a pornografia, apenas para
manter o relacionamento? Que tipo de pessoa terá de se tornar
para fazê-lo feliz? Você realmente está preparada para se
envolver e aprovar as perversões secretas de seu marido? Ao
mergulhar no mundo da pornografia, tem idéia de que apenas
dará permissão a ele para cobiçar abertamente outras garotas
em sua presença? Tem certeza, portanto, de estar disposta a
se submeter a isso?
Você está pronta a um envolvimento com algo tão ruim e
sombrio como a pornografia? Tem certeza de que deseja andar
longe de Deus para satisfazer o seu esposo? Uma vez que você
tenha endurecido o seu coração contra o Senhor e preenchido
sua mente com a perversão, o que a impedirá de dar o próximo
passo e os outros seguintes? Essas são perguntas sobre as
quais é necessário meditar cuidadosamente antes de tomar
alguma atitude.
Creio que a sua carta foi um pedido sincero de ajuda,
assim como alguém que gritaria se tivesse caído em uma
armadilha debaixo de uma pilha de pedras. Ore pela força de
Deus, ponha os pés no chão e diga ao seu marido que você não
apenas desaprova, como também não está disposta a se
envolver com a perversão dele.
A IMPORTÂNCIA DA GRATIDÃO

Querida Sylvia
Você queria que eu a fizesse lembrar novamente por que
deve ser grata. Que seu coração seja abençoado! Deduzo da
sua carta que você está lutando contra um espírito ingrato e
crítico. E tão difícil passar por esse caminho estreito, não é?
Houve dias em que eu queria jogar a toalha e dizer: “Esqueça!
Depois de ficar louca e magoada, vou desfrutar. Deixe-me em
paz!”. Isso me faz lembrar de um dia típico de mau humor. A
mulher fica tão frustrada, que deseja até raspar a cabeça!
Naturalmente, você não faz isso por saber que amanhã tudo
vai melhorar.
Sim, a vida pode ser muito melhor do que a existência
cheia de nervosismo, na qual se espera que o Senhor repare
em sua vida um dia e responda às suas orações. Primeiro, é
preciso contabilizar suas bênçãos e reconhecer que o Pai faz
por você muito além do seu merecimento - e isso vale para
todos nós.
Conforme ouvi falar, um coração agradecido é pleno, e
descobri que isso é verdade. De fato, vou além para dizer que a
razão principal da minha alegria hoje e da vitória do meu
marido sobre o pecado sexual está diretamente relacionada ao
nosso nível de gratidão. Se não tivéssemos aberto nossos olhos
para ver o agir misericordioso do Altíssimo em nossa vida,
estaríamos cheios de miséria, remorso e derrota.
Por favor, entenda que escolher ser grata é algo que parte
de você mesma. Em vez de se queixar e lamentar por todas as
coisas ruins, poderá tomar a decisão de declarar maravilhosas
todas as coisas que o Senhor fez por você. Sabe de uma coisa?
Não pode permitir que seus sentimentos ditem quando deverá
expressar gratidão. E mais fácil ver o negativo e acreditar no
pior, entretanto, se fizer uma escolha voluntária por ver Deus
à luz da bondade dEle, sua atitude mudará a despeito das
circunstâncias. Ser agradecida a mantém no mesmo Espírito
em que Jesus viveu na terra. Quanto mais se sentir assim em
seu coração, mais agradecida irá tornar-se. Começará a ver
quão misericordioso o Pai celestial tem sido ao longo da sua
vida. Mesmo quando você era inimiga dEle.
O que Paulo ensinou é muito verdadeiro: você colhe o que
semeia (Gl 6.7). Se cultivar um coração grato, colherá a alegria
e o contentamento que vêm com ele. Da mesma forma, ao
entregar-se a um espírito amargo e pessimista, ceifará uma
colheita abundante de miséria. Isso, por sua vez, afetará todos
os aspectos da sua vida, especialmente os seus amados.
No programa residencial dos Ministérios Vida Pura, uma
tarefa de casa regular para os homens cheios de autopiedade
ou ressentimento é escrever uma lista de gratidão de 50 itens
relativos à pessoa ou à situação sobre a qual se queixam. Esse
pode ser um desafio e tanto para quem está acostumado a
viver no negativismo. Mas é espetacular ver como uma tarefa
tão simples muda rapidamente a visão de vida de uma pessoa
sincera.
O que nos mantém derrotados e no sentimento de
ingratidão é a falta de fé. Logo que começar a ver como o
Senhor é realmente e como está envolvido de forma particular
em seu viver, você, simplesmente, agradecerá a Ele por todas
as bênçãos.
Há tanto para agradecer! Eu poderia escrever um livro
inteiro sobre o assunto. Somente em nível espiritual, devemos
agradecer ao Pai por enviar Seu Filho. Podemos agradecer a
Jesus por ter deixado o Seu trono e vindo à terra para morrer
na cruz pelos nossos pecados. Agradecemos ao Espírito Santo
por arranjar cuidadosamente as circunstâncias da nossa vida,
de modo que vejamos a nossa necessidade de Deus,
convencendo-nos de nossos pecados na hora exata e guiando-
nos para a igreja ou a pessoa certa a fim de nos levar ao
conhecimento do Senhor.
Nós também deveríamos ser gratos regularmente ao Pai
por tudo o que Ele nos dá de graça. Como, por exemplo? O
Supremo nos dá as chaves do Reino dos céus (Mt 16.19); o
poder de pisar em serpentes (Lc 10.19); a paz (Jo 14.27); a
vida eterna (Rm 6.23); tudo o que diz respeito à vida e piedade
(2 Pe 1.3,4); dons espirituais (1 Co 12); conhecimento dos
mistérios do Céu (Mt 13.11); poder para nos tornarmos filhos
de Deus (Jo 1.12), e a lista continua! Considerando todas
essas coisas, é possível uma pessoa viver em espírito de
gratidão o tempo inteiro.
No seu caso, Sylvia, eu a encorajo a passar algum tempo
meditando sobre tudo o que o Altíssimo está fazendo por você
nessa situação difícil. Faça sua própria lista. Dar-lhe-ei alguns
exemplos: o Senhor está lá como o seu Refúgio; está tentando
fazer bem a você e ao seu marido, mostrando o quanto vocês
precisam dEle e aprofundando a sua fé, dentre tantas outras
dádivas.
Não posso dizer o suficiente, porque há muito para
manifestar gratidão! Uma das coisas que dizemos aos homens
do programa residencial é que, para tudo o que vemos o
Senhor fazer por nós, há centenas de outras coisas que nos
são desconhecidas. E muito importante cultivar um coração
grato, pois ajuda a pôr a vida na perspectiva correta.
Deus tem para você somente o bem, Sylvia. Não seria
melhor expressar-Lhe gratidão regularmente, em vez de
reclamar? Você pode optar por ser grata! O Todo-Poderoso está
ao seu lado e lhe concederá a graça para perseverar e
atravessar as águas profundas.
NÃO PARE DE CRER

Querida Marcie
Posso ouvir o choro de dor em sua carta. Sua observação
diz tudo: "Ele não ama a mim nem os bebês; está só
preocupado consigo mesmo". Essa é a marca registrada do
pecado sexual, não é? O total egocentrismo. Ter alguém que
simpatize com você pode ajudar, mas não transforma o seu
marido.
Acho que sua abordagem é muito boa e saudável. E
preciso mesmo seguir a sua vida com Deus, Marcie. Não é que
você não tenha sido paciente com o Wayne.
Embora não possa voltar ao campo missionário, há
muitas coisas a fazer se você se ocupar com as necessidades
do próximo. Ajudando os outros, será abençoada e receberá a
cura.
Continue a orar e a crer em Deus para atrair o Wayne.
Com Deus, todas as coisas são possíveis. Não se entregue ao
desânimo e à incredulidade. Não olhe para os erros do seu
esposo, ou você ficará cada vez mais desanimada e desistirá.
Olhe para o Único capaz de transformá-lo.
Algumas pessoas, diante de um pecado desses, são
levadas a uma postura de sujeição total. Sei que o próprio
Steve estabeleceu o propósito de ser tão comprometido com o
Senhor como tinha sido com o pecado sexual. Teve de ser
daquele jeito com ele. Nada inferior a uma consagração total
iria mantê-lo na vida de vitória. O Criador está fazendo o
mesmo com Wayne. Homens desse tipo não podem ficar “em
cima do muro” com um pé dentro e outro fora da vida cristã. O
pecado sempre vencerá diante da condescendência e do
compromisso pela metade.
Temos visto pecadores desesperados, os ofensores mais
vis, irem ao encontro de Deus quando todos já haviam
desistido deles. Meu marido era um desses “intocáveis”.
Persevere, Marcie. Busque o Pai celeste, levando para Ele
tudo o que você tem. Continue levando uma vida santa.
Eduque seus filhos nos caminhos do Senhor e não deixe de
crer no poder dEle para libertar seu marido.
A ESPOSA QUE DÁ OPORTUNIDADE

Querida Robin
Lamento saber que você recebeu a revelação terrível de
que seu marido teve muitos casos durante os 19 anos de
casamento. Em sua carta, você teceu alguns comentários que
me ajudaram a fazer uma idéia mais clara sobre a razão pela
qual o Jake foi capaz de levar uma vida dupla por tanto tempo.
Você mencionou suas muitas suspeitas durante esses
anos e que deveria ter percebido o que estava acontecendo. Em
seguida, concluiu: “Simplesmente, eu queria acreditar no que
o meu esposo falava”.
Essa afirmação sintetiza o que chamamos de a esposa
que dá oportunidade. Muitas mulheres não sentem que podem
administrar o fato de o cônjuge ser infiel. A idéia de
infidelidade é muito dolorosa e avassaladora, por isso, elas
preferem não pensar nisso. E mais fácil reprimir as suspeitas
do que enfrentá-las diretamente.
Sejamos francas, quando uma mulher descobre que o
esposo teve vários casos extraconjugais, não existem soluções
fáceis. Em primeiro lugar, ela fica arrasada. Então,
naturalmente, “enterrar a cabeça na areia”, fingindo que não
há adultério, ajuda a escapar da dor. Bem no fundo do
coração, a esposa ferida sabe que terá de tomar algumas
decisões bem dolorosas. Porém, há um grande número de
mulheres muito dependentes dos maridos, e elas nem
consideram a hipótese de deixá-los. Outras estão fracas
demais para confrontá-los. O recurso mais fácil, então, é agir
como se não houvesse problema e esperar que a questão se
resolva ou desapareça com o tempo.
A conseqüência infeliz desse tipo de reação é que não
acontece algo para forçar o marido a tomar uma decisão sobre
o pecado. A falta de resposta da esposa leva-o a manter seu lar
e suas amantes: o sonho de todos os adúlteros. Uma vez que a
esposa não o confronta e não o obriga a se decidir entre ela e o
pecado, ele é capaz de manter os dois. Nesse meio tempo, o
homem está perdido e a caminho do inferno. É um preço alto a
pagar por essa opção fácil, que expõe o egoísmo no coração
dessa mulher. Porque ela o deixa nessa situação tão perigosa
no intuito de manter a imagem do casamento e uma espécie de
território de conforto.
Estou feliz por saber de sua capacidade em confrontar o
Jake quando teve a evidência inegável dos casos. Você
concorda, tenho certeza, que, finalmente, lidar com isso foi
tirar um grande peso das suas costas. Veja o seu marido
agora! Ele está no fogo de Deus! Ficou preso no pecado
durante tantos anos, indo à igreja, mas perdido. Agora, ele
também é livre! Tudo porque foi levado a decidir entre você e a
transgressão. Nem sempre histórias como esta terminam com
tanta alegria, mas, certamente, é uma bênção quando isso
acontece.
Obrigada por compartilhar esta vitória comigo, Robin.
Espero ouvir mais testemunhos maravilhosos no futuro.
SEPARADA E COM UM NAMORADO

Querida Lisa
Serei direta para responder às suas perguntas. Parece-
me que ter um namorado não apenas piorará a separação de
seu marido, que já dura dois anos, como também terá um
impacto negativo em todas as áreas de sua vida. Creio que, no
fundo do seu coração, você sabe disso ou, então, não teria
perguntado.
Você deixou claro que não está tendo relações sexuais
com ele, mas não acho que possa justificar esse
relacionamento dessa forma ou de qualquer outro modo. Aos
olhos de Deus, você ainda é uma mulher casada e deve
permanecer fiel ao seu esposo, mesmo que ele esteja sendo
infiel. Sua atitude deve ser como se ele fosse o único homem
na terra. Sim, é verdade, ele está em pecado e não demonstra
remorso ou disposição ao arrependimento. Talvez, se sentir
que o Senhor a está liberando desse casamento, você deva
considerar o divórcio. Mas, por enquanto, deve continuar a
agir como uma mulher casada. Isso é agradar ao Senhor.
Parece-me que, com esse namorado, você está tentando
preencher o vazio em seu coração. Está esperando que suas
necessidades emocionais sejam supridas por ele, não pelo
Senhor. Um dos problemas é que você não está recebendo a
cura emocional e espiritual que o Senhor lhe está
proporcionando. Fazendo as coisas do seu jeito, você mantém
as feridas abertas, o que torna a sua situação cada vez pior.
Sei o quanto é doloroso passar por essa experiência, mas,
se você não se voltar para o Consolador enquanto está na
fornalha, coisa alguma será resolvida. O Senhor está tentando
fazer uma obra profunda e eterna em seu coração por meio
das provações, mas isso somente acontecerá se você aprender
a se voltar para Ele na dor, em vez de se voltar para outro
homem. Outra coisa: quando você confiar a sua vida ao
Senhor, Ele irá abençoá-la e ajudá-la. Não impeça as mãos
dEle, Lisa.
Ter um namorado também gera os próprios problemas,
complicando ainda mais a questão. Que tipo de mensagem
você está passando para os seus filhos? O que pensam os
outros, que olham para você como representante de Cristo? O
que acontecerá com ele se seu marido arrepender-se? Você irá
descartá-lo, uma vez que não necessite mais da sua
companhia? Ou irá contra a restauração do seu casamento,
feita pelo Senhor, recusando-se a voltar com seu marido? Além
disso, como o fato de estar envolvido com uma mulher casada
afeta a caminhada desse homem com o Senhor? Por favor,
pare e considere o que está fazendo. Não permita que seus
próprios desejos obscureçam seu pensamento, fazendo com
que você continue a se mover fora da vontade de Deus.
Em vez de procurar a realização em algum outro
indivíduo, ou tentar escapar dos seus problemas, por que não
fazer de Jesus o seu companheiro nesse momento? Passe mais
tempo em Sua presença, converse e permaneça com Ele.
Somente o Príncipe da Paz pode suprir as suas necessidades e
abençoar a sua vida.
CARTA DE UM MARIDO

Querida Valerie
Estou
realmente assumindo o risco de ajudar,
escrevendo esta carta. E algo que eu nunca faria normalmente,
mas me sinto dirigida pelo Senhor para dar continuidade a
uma carta que recebi de seu marido, na qual ele expressa
frustração pela falta de interesse que você tem pelo pecado
sexual dele.
Respeito o desejo sincero de John quanto a obter a vitória
total sobre o seu vício. Ele parece estar disposto a fazer o que
for necessário para se libertar. Leva a sério o fato de precisar
arrepender-se do pecado e o quer fora da sua vida. E óbvio, na
carta de seu esposo, que ele deseja desesperadamente que
você perceba o que está acontecendo e tente apoiá-lo mais.
Dentre outras coisas, ele disse que você “vive em um
mundo de conto de fadas e acredita que, de algum modo, tudo
irá resolver-se”. Incluí, junto a esta, a carta a uma senhora
chamada Robin,1 a qual aconselho que você leia. Ela também
lutou por não querer enfrentar a realidade da transgressão do
esposo.
Outra coisa que John mencionou foi que ele estava sob
“uma tentação tremenda para desistir”. Aquela declaração
levantou para mim uma bandeira vermelha, Valerie. Isso me
fez saber que ele estava ficando exausto e começando a perder
a esperança. Essa sensação foi mais tarde confirmada quando
ele disse que “é muito desalentador seguir sozinho”.
Valerie, John é seu marido, e o problema dele é o seu
problema. Da mesma forma, o desafio dele torna-se o seu
desafio. Não acredito que ele queira que você entre em pânico

1
Veja: A esposa que dá oportunidade.
ou em depressão, mas sua recusa em tratar a realidade o força
a lutar sozinho. Lembre-se, vocês dois são uma só carne.
A compulsão pela pornografia é muito real e
extremamente poderosa. Acho que seria bom você ler o livro do
meu marido, No altar da idolatria sexual. Ele não descreve
somente o vício, mas também suas conseqüências e como isso
afeta os outros e o próprio transgressor. Acho que a leitura
desse livro irá ajudá-la a perceber a batalha enorme que seu
marido está enfrentando.
Quero encorajá-la a começar realmente a interceder pelo
John. Inicialmente, pergunte como ele vai. Passe a
desempenhar uma parte ativa no processo de superação do
problema. Sinto que John começará a vencer essa batalha com
o seu estímulo, apoio e suas orações. Confio que esta carta irá
motivá-la na direção certa - junto do seu esposo.
LIDANDO COM A FALTA DE PERDÃO

Querida Rita
Aprecio que você busque conselho quanto a perdoar a
alguém que a feriu tão profundamente. Segundo disse em sua
carta, as pessoas a têm acusado de não perdoar, porque você
luta com certos sentimentos diretamente relacionados à
infidelidade de seu marido. Por mais que algumas pessoas
sejam bem-intencionadas, Rita, muitas delas não
compreendem a profundidade da sua dor. Elas não imaginam
o quanto tem sido devastador para você a batalha de seu
marido com o pecado sexual. Sua dificuldade não é,
necessariamente, contra a falta de perdão. Você é humana e
ainda está lidando com algumas questões muito sérias.
Você parece ser uma cristã bastante sincera, que deseja
agradar ao Senhor. Em sua carta, não demonstra,
absolutamente, ser vingativa ao declarar: “Desejo a cura e
quero meu marido restaurado, para que, juntos, possamos
agradar ao Senhor”. Isso não soa como o sentimento de uma
mulher cheia de amargura.
Firmada nessas observações, abordarei o seu problema.
Jesus lidava menos com o exterior e mais com o coração das
pessoas. Com precisão, Ele ia direto à raiz enterrada no
profundo interior. Como uma espada de dois gumes, Suas
palavras penetravam na divisão da alma e do espírito,
discernindo os pensamentos e as intenções do coração (Hb
4.12). Em Mateus 5.28, quando falou sobre o adultério no
coração, Ele não estava dando às esposas licença para se
divorciarem do marido. O Mestre procurava demonstrar a
depravação do coração daqueles homens cheios de cobiça. Ele
falou de modo semelhante sobre a ira. Cristo disse que, se
você estiver irada com alguém, estará no mesmo espírito que
um assassino (Mt 5.22). As palavras do Cordeiro santo expõem
o nosso coração e revelam o quanto somos hipócritas.
Julgamos de acordo com as aparências externas, mas Deus vê
o coração.
É o mesmo com o perdão. Percebo sua luta com os
sentimentos de traição e amargura. Quem não iria senti-los,
considerando o que tem suportado? Agora você está no
processo de lutar com algumas questões muito dolorosas, que
foram arrasadoras. Por favor, entenda que os sentimentos vão
e voltam, mas o Senhor está mais interessado em seu coração.
Pelas informações de sua carta, parece que você deseja o
melhor para o seu marido. Sim, ainda tem aqueles momentos
de ira, mas, na maior parte do tempo, deseja sinceramente ver
libertado seu marido. Porque o ama e quer que ele vença, não
fica lembrando o passado, lançando-lhe em rosto.
O perdão é um processo que leva algum tempo. Não
quero dizer que temos desculpas para não perdoar. É muito
difícil uma mulher sentir que pode confiar novamente no
esposo. Porque foi ele quem quebrou a confiança e está nos
ombros dele o fardo de estabelecer um relacionamento
construído na confiança e na sinceridade.
A esposa que perdoa deseja a vitória do marido e faz o
possível para encorajá-lo. Por conseguinte, espera que ele leve
a questão a sério. Já aquela que não perdoa, faz com que ele
se lembre continuamente das ofensas passadas e antecipa seu
fracasso constante. Isso, naturalmente, serve apenas para
desmoralizá-lo mais e retardar os seus esforços de libertação.
O ídolo no coração de uma pessoa que não perdoa é o ego. Ela
está mais preocupada em se proteger contra qualquer ferida
do que em restaurar o casamento e apoiar o esposo na luta
para vencer o pecado sexual.
Não seja dura demais com você mesma, Rita. Parece que
vocês estão bem no caminho no sentido de deixar para trás
todo esse caso horrível. Deus irá ajudá-la a sair dessa. Os
sentimentos de ira desaparecerão, e seu coração abrir-se-á
novamente para o seu marido.
SENTINDO-SE TRAÍDA

Querida Rebecca
Não posso dizer-lhe quantas vezes ouvi as palavras:
"Sinto-me tão traída", provenientes de esposas feridas, cujos
maridos foram infiéis. A traição é apenas um conceito vago até
você experimentar pessoalmente o seu ferrão. Ela deixa a
pessoa totalmente abandonada e vazia. Seguem algumas
definições e sinônimos para a palavra abandonar: lançar fora,
descartar, deixar cair, jogar fora, rejeitar, fugir, dar as costas.
Estou certa de que você tem a ver com cada uma dessas
descrições.
Imagino que, se seu marido lesse esta carta, ele diria que
não fez com você alguma dessas coisas intencionalmente. Não
é que ele tenha sido infiel porque tivesse o desejo de ferí-la.
Isso aconteceu porque foi levado por uma cobiça egoísta pelo
sexo. A ofensa dele, naturalmente, foi um desrespeito gritante
para com os seus sentimentos, mas é improvável que tivesse o
objetivo premeditado de prejudicá-la.
Não obstante, um homem não pode despedaçar o coração
da esposa mais profundamente do que quando toma o que é
tão pessoal e o dá para mais alguém. A intimidade sexual do
casamento é a máxima expressão do amor de um pelo outro.
Lembro-me bem da dor intensa que senti ao lidar com a
infidelidade de Steve. Em meu ponto de vista, nossa
intimidade era sagrada. Dizer sim no altar tornou isso
exclusivo e fora do alcance dos outros. Ele era meu, e eu era
dele. O que tínhamos em particular era nosso, e eu era a única
que o conhecia daquela maneira. O sexo no casamento é o laço
que une fisicamente dois indivíduos, e sua santidade está
ligada ao vínculo espiritual criado.
Quando descobri que Steve era infiel, fiquei arrasada. Ele
estava, espiritualmente, tornando-se uma só carne com
qualquer “rabo-de-saia”, dando-lhe aquilo que era meu! O
círculo de unidade entre nós havia sido quebrado, e nosso leito
conjugal, profanado. Não tínhamos mais aquela união especial
que pertencia apenas a nós dois. Nossa intimidade sexual
tinha sido desvalorizada -na verdade, ignorada -, porque
estava sendo repartida com outras pessoas. Parecia que eu
tinha pouco ou nenhum valor para Steve, que preferia uma
emoção barata, em vez de algo real: a esposa. O prazer que ele
queria em nossa união podia ser encontrado ou comprado em
qualquer esquina ou em alguma casa de massagem.
Até onde eu sabia, naquele momento, não havia mais
coisa alguma que fosse exclusivamente nosso. Éramos
somente duas pessoas vivendo juntas, dividindo o espaço. Isso
me matou. Dia após dia, a dor da realidade de que nosso
matrimônio estava destruído atingia-me como as ondas do
mar.
Enquanto isso era, às vezes, insuportável para mim, ele
parecia ser completamente insensível à devastação e miséria
que nos estava causando.
Contudo, Rebecca, de alguma forma, em meio à dor
avassaladora, Jesus veio. Embora a dor não fosse embora, ela
amplificava a grandeza do amor de Deus por mim. Então,
aquilo que eu achava que me destruía tornou-se o meio pelo
qual Deus me estendeu a Sua vida abundante no calor de uma
batalha intensa.
Sou grata, tão grata, que o Senhor não tenha poupado
medidas para me dar mais do que eu precisava: o Príncipe da
Paz. Ele usou a ferida, a dor, a miséria - tudo isso - para me
proporcionar essa grandiosa bênção.
Seus sentimentos de traição são reais, mas existe uma
vida abundante a ser encontrada nas cinzas. Você tem
esperança, não porque o seu marido está agora se
arrependendo, mas porque conta com o Salvador, o qual
deseja inundar a sua alma com Seu Espírito maravilhoso, que
dá vida. Minha oração é para que, um dia, você também tenha
um casamento muito mais profundo e mais forte do que seria
se a traição não tivesse acontecido.
SEXO ESTRANHO

Querida Elizabeth
Sua carta foi breve e direta. Contudo, senti uma
pergunta bem maior do que simplesmente: “O sexo oral é
errado?”. Fiquei com a impressão de que seu marido está
pedindo que você faça toda espécie de coisa considerada
anormal. Pareceu-me que sua pergunta sobre sexo oral foi a
única forma encontrada por você para resumir tudo em sua
carta.
Não sinto que alguém possa responder-lhe essa questão,
mas é algo que você deve levar até o Senhor. Entretanto, por
favor, deixe-me agora tecer alguns comentários.
Em primeiro lugar, muitos ministros indicariam a
referência de Paulo ao lesbianismo em Romanos 1.26b, onde
ele condena mudar o uso natural, no contrário a natureza, para
mostrar que o sexo oral é uma forma de perversão e, por
conseguinte, pecado. Eles estão possivelmente certos.
Em segundo, qualquer coisa fora do comum pode ser
bem uma pedra de tropeço para um homem que esteja
envolvido em perversão sexual a maior parte da sua vida.
Especialmente perturbador é o fato que o sexo oral induz à
fantasia sexual.
Agora, deixe-me demonstrar-lhe algo sobre o sexo
conjugal. O Criador pretende que a intimidade entre marido e
mulher possibilite prazer e, sim, seja até emocionante! Não
precisamos ser hipócritas. É desejo do nosso Pai celestial que
os casados desfrutem do corpo um do outro. Dar satisfação à
outra pessoa de modo não-egoísta pode ser considerado o
maior ato de amor, contanto que, naturalmente, ambos
tenham o mesmo modo de pensar.
No final das contas, Steve e eu concluímos que as
palavras de Paulo em Romanos 14.14 eram apropriadas para
aconselhar (embora sexo oral não fosse o contexto): Eu sei e
estou certo, no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma
imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse
é imunda.
Elizabeth, sugiro que você faça uma lista de tudo o que
seu marido deseja de você na cama. Siga cada item em oração
e tente ouvir a voz do Senhor. Isso é algo imundo? Poderia
encorajar perspectivas distorcidas de sexualidade em seu
marido? Seria desagradável a Deus? Ou pode ser considerado
um caminho para abençoar a outra pessoa sem desagradar ao
Senhor? E necessário equilíbrio para ser livre e ter prazer na
intimidade, sem que isso os torne pervertidos ou os leve à
autocondenação. Espero que a minha resposta seja útil.
CASAMENTO DE CONTO DE FADAS

Querida Heather
O modo descrito em sua carta sobre como deve ser um
casamento é maravilhoso! Que mulher não desejaria ter todos
aqueles atributos em um marido? Infelizmente, Heather, penso
que você está preparando-se para uma verdadeira decepção. O
que você fará se perceber que seu marido não consegue
corresponder às suas expectativas? Você só está casada há
três meses e já está começando a ver que o Will é humano e
possui defeitos como todo mundo.
Em sua carta, você diz que ele deve estar presente para
suprir as suas necessidades emocionais; ser gentil, ter
consideração e pensar no que você deseja, sem que precise
dizer a ele. Uma das coisas que a trouxe para a realidade de
que seu marido era menos do que perfeito foi quando começou
a notar que ele tinha olhos que percorriam outras mulheres,
quando, em suas palavras, “ele deveria ter olhos somente para
mim”. Não entre em pânico, Heather, mas você precisa ser
mais realista e menos egoísta em suas expectativas.
Não há algo errado em desejar que seu marido pense em
você como a única mulher na terra ou que ele a trate como sua
rainha. Deus deseja isso para o seu casamento também. Mas
você deve entender que a estrada a percorrer para se chegar
àquele lugar não é rápida nem fácil.
Achei interessante que, em sua carta, você não tenha
mencionado uma única vez o seu desejo de ser uma bênção
para o seu esposo. A carta inteira foi sobre como você queria
que ele a fizesse feliz e a confusão que está experimentando
agora por ele não fazer isso.
Recordo-me muito bem de como eu me senti igualmente
desnorteada quando me casei pela primeira vez. Eu era
também muito egoísta em minha visão acerca do casamento.
Eu esperava que Steve suprisse todas as minhas necessidades
emocionais, realizasse todos os meus desejos, dentre outras
coisas. Você pode imaginar como me senti frustrada e
desiludida quando ele fez exatamente o oposto do que eu
esperava. Logo eu estava descontente e sentindo-me um trapo.
Levou tempo, mas, pouco a pouco, comecei a perceber
que o casamento não era só meu; era sobre a outra pessoa -
meu marido! Com o estímulo consistente do Senhor, comecei a
realmente colocar o coração na relação conjugal. Como
procurei sinceramente abençoar (em vez de buscar uma
bênção para mim), encontrei um espaço maravilhoso de alegria
e contentamento. Quanto mais fazia por Steve, mais ele fazia
por mim e vice-versa. Quando recebíamos a gentileza um do
outro, éramos motivados a responder reciprocamente no
mesmo espírito.
Bem, posso dizer honestamente que tenho um esposo
como o que descreveu em sua carta, mas isso não aconteceu
de forma barata ou imediatamente. Levou tempo e muito
trabalho. Heather, em vez de pensar em como deseja que seu
marido a trate, passe algum tempo considerando as
qualidades de uma boa esposa. Talvez, você precise fazer uma
lista de tudo o que acha que uma mulher deve ser para o
esposo e realizar por ele. Comece a orar com base em
Provérbios 31, o qual dá a descrição da mulher virtuosa. A
medida que fizer isso, as palavras de Jesus terão um
significado maior em sua vida: Portanto, tudo o que vós quereis
que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a
lei e os profetas (Mt- 7.12).
NOIVA DE UM COMPULSIVO EM PORNOGRAFIA

Querida Alissa
Estou respondendo à sua carta na qual você pediu
conselho sobre seu noivado com Mark. Você compartilhou
comigo que uma das coisas que a atraiu para ele foi seu
envolvimento ativo no grupo de adoração na igreja. Entretanto,
você perdeu muito do respeito e da confiança por ele quando,
sem que ele soubesse, deparou-se ontem com material
pornográfico no computador dele. Agora, você está
questionando sua decisão de se casar.
Alissa, como noiva dele, você tem o direito de perguntar
ao Mark se ele já lutou contra o pecado sexual. Se ele
reconhecer o problema, você pode prosseguir com a certeza de
que ele está desejando ser honesto. A falta de sinceridade
sobre isso irá mostrar a você que ele prefere mentir a lidar com
o problema de maneira direta.
Você deve insistir para que seu noivo confesse o pecado
ao pastor. Isso é especialmente importante, porque ele tem
uma posição muito importante na igreja. O apóstolo João
declara: Se dissermos que temos comunhão com ele e andarmos
em trevas, mentimos e não praticamos a verdade (1 Jo 1.6).
Mark jamais será libertado se mantiver sua transgressão
em segredo.
Se ele não estiver disposto a reconhecer diante do pastor
o vício por pornografia, eu colocaria o relacionamento “em
suspenso” até que seu noivo se empenhasse seriamente em
vencê-lo. A falta de honestidade em relação a você e aos líderes
espirituais deve ser uma grande bandeira vermelha e um
indicador do que se pode esperar desse casamento. Se ele não
tratar do assunto agora, então, certamente, não o levará a
sério depois de ter aprisionado você na união conjugal.
Se ele estiver disposto a se purificar, mesmo assim você
deve observar seu progresso espiritual com cautela. Quero
adverti-la de que estar casada com um compulsivo sexual
poderá significar muito desgosto para você. Por favor, prossiga
com muito cuidado.
DIÁRIO de 30 dias
Dia 1
Perto está o SENHOR dos que têm o coração
quebrantado e salva os contritos de espírito.
Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR
o livra de todas.
Salmo 34.18,19
Dia 2
O amor se revela ao amor.
Devemos compreendê-lo pela afeição.
Anônimo.
Dia 3
E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas,
pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus,
meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas
e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo.
Filipenses 3.8
Dia 4
Mede a tua vida pela perda e não pelo ganho,
não pelo vinho bebido, mas pelo vinho derramado,
pois a força do amor reside no sacrifício do amor,
e aquele que sofreu tem mais para dar.
Jonathan Goforth
Dia 5
Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta.:
Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Gálatas 5.14
Dia 7
Um homem deve estabelecer-se tão plenamente em Deus,
que não necessite buscar muitos confortos humanos.
Gerhard Groote
Dia 8
Bem-aventurado o varão que sofre a tentação;
porque, quando for provado, receberá a coroa da vida,
a qual o Senhor tem prometido aos que o amam.
Tiago 1.12
Dia 9
Se eu encontrar em mim um desejo que nenhuma experiência
do mundo possa satisfazer, a explicação mais provável
é que fui feito para outro mundo.
C. S. Lewis
Dia 10
Esforçai-vos, e ele fortalecerá o vosso coração,
vós todos os que esperais no SENHOR.
Salmo 31.24
Dia 11
Gostaríamos de que os outros fossem perfeitos, contudo,
não consertamos as nossas faltas. Então, parece que
é raro pesarmos os nossos vizinhos
na mesma balança em que nos pesamos.
Gerhard Groote
Dia 12
Semelhantemente, vós, mulheres, sede sujeitas ao vosso próprio
marido, para que também, se algum não obedece a palavra, pelo
procedimento de sua mulher seja ganho sem palavra,
considerando a vossa vida casta, em temor. 1 Pedro 3.1,2
Dia 13
Às vezes, parece que Deus nos aprisionou à dor, e as cadeias são
pesadas demais para serem movidas. Mas o que Ele procura é o
clamor do coração em meio às piores provações: "A bondade do
Senhor nunca cessa,
pois Suas compaixões nunca falham".
Anônimo
Dia 14
Eis que os olhos do SENHOR estão sobre os que o temem,
sobre os que esperam na sua misericórdia.
Salmo 33.18
Dia 15
Se eu pensar que a fé significa obter um final favorável para
aquilo em que creio, isso não será fé. A fé crê em Deus, não
importando qual seja o resultado. Fé também mostra a aceitação
da vontade do Senhor,
sem importar o que ela signifique.
Anônimo
Dia 16
A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto,
esperarei nele. Bom é o SENHOR para os que se atêm a ele,
para a alma que o busca.
Lamentações 3.24,25
Dia 17
Quando uma pessoa chega a uma situação em que não busca o
conforto em qualquer criatura, então, ela começa a se deleitar
perfeitamente em Deus e fica contente com o que lhe sucede.
Anônimo
Dia 18
Pois, ainda que entristeça a alguém, usará de compaixão
segundo a grandeza das suas misericórdias. Porque não aflige
nem entristece
de bom grado os filhos dos homens.
Lamentações 3.32,33
Dia 19
Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu
braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a
sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, labaredas
do SENHOR. As muitas águas não poderiam apagar esse amor
nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse toda a fazenda de
sua casa por este amor, certamente a desprezariam.
Cantares 8.6,7
Dia 20
Por alguns anos, agora tem sido minha convicção constante de
que
é impossível desfrutar de uma felicidade verdadeira sem estar
inteiramente devotado (submisso) a Deus.
David Brainerd
Dia 21
Porquanto, ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na
vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam
mantimento; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos
currais não haja vacas, todavia, eu me alegrarei no SENHOR,
exultarei no Deus da minha salvação.
Habacuque 3.17,18
Dia 22
Amo ao SENHOR, porque ele ouviu a minha voz e a minha
súplica.
Porque inclinou para mim os seus ouvidos;
portanto, invocá-lo-ei enquanto viver.
Salmo 116.1,2
Dia 23
Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém!
1 João 5.21
Dia 24
Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o
efetuar,
segundo a sua boa vontade. Fazei todas as coisas sem
murmurações nem contendas; para que sejais irrepreensíveis e
sinceros,filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração
corrompida e perversa, entre a qual
resplandeceis como astros no mundo.
Filipenses 2.13-15
Dia 25
Nós somos os quebrantados; Tu és Aquele que cura,
Jesus Redentor, poderoso para salvar.
Dia 26
O pecado é a doença da alma. A santidade é a saúde da alma. Se
você for saudável em sua alma, suas emoções e mente tornar-se-
ão santos.
J. B. Chapman
Dia 27
Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em
mim?
Espera em Deus, pois ainda o louvarei na salvação da sua
presença.
Salmo 42.5
Dia 28
E realmente bondade que a vida eterna venha visitar os mortais,
que lhes alcance a vida eterna e, depois, entregue-a a eles!
Adam Clarke
Dia 29
Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo
na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto.
João 12.24
Dia 30
Algum dia, você entenderá que tudo era simplesmente Jesus;
então, você compreenderá.
Martha Wing Robinson
***FIM***

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