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SUMÁRIO DA AULA

PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR SUMÁRIO DA AULA É hora de dar início ao estudo

É hora de dar início ao estudo da “Teoria do crime”, assunto bastante extenso, mas que venceremos com paciência e tranquilidade. Nessa primeira aula dedicada ao estudo do crime realizaremos uma breve introdução, na qual abordaremos o conceito, as espécies, os sujeitos e os objetos da infração penal. Veja o sumário da nossa aula:

INFRAÇÃO PENAL

1. Conceito

2. Espécies

A. Diferenças entre crimes e contravenções;

3. Sujeitos

A. Classificação dos crimes quanto ao sujeito ativo;

4. Objetos

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PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR 1. CONCEITO DE INFRAÇÃO PENAL: Infração penal pode ser conceituada

1. CONCEITO DE INFRAÇÃO PENAL:

Infração penal pode ser conceituada sob três aspectos:

MATERIAL:

É o comportamento humano voluntário causador de relevante e intolerável lesão ou perigo de lesão aos bens jurídicos tutelados, passível de sanção penal.

Tais comportamentos são definidos por meio de deliberação social a respeito do que é ou não permitido. Trata-se, portanto, de uma visão pré-jurídica do fenômeno criminoso.

FORMAL:

É aquilo que a lei determina como infração penal. É uma visão legislativa do fenômeno, ou seja, é a concepção do direito sobre o que é infração penal.

Existe uma relação lógica entre os conceitos material e formal de infração penal, na qual temos o conceito material como precedente lógico e necessário ao conceito formal.

Perceba que o conceito material é pré-jurídico, sendo fruto da deliberação social a respeito de quais condutas devem ser consideradas criminosas. Enquanto o conceito formal, atendendo ao resultado dessa deliberação anterior da sociedade, apenas explicita como proibidos na Lei aqueles comportamentos já rechaçados pela sociedade.

ANALÍTICO:

Esse conceito representa uma visão técnico-jurídica do fenômeno, dividindo o crime em três substratos (elementos) que devem estar presentes em qualquer infração penal.

Para o conceito analítico, infração penal é todo o fato típico, ilícito e culpável. Esses são os três elementos da infração penal, os quais serão objeto de estudo da nossa próxima aula.

2. ESPÉCIES DE INFRAÇÃO PENAL:

Quando falamos em Infração penal, temos que entender que se trata de um gênero que possui duas espécies: crime e contravenção. O Brasil adotou o sistema dualista no que diz respeito à Infração Penal:

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PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR ESPÉCIES DE INFRAÇÃO PENAL Crime (Delito) Contravenção penal (Crime
ESPÉCIES DE INFRAÇÃO PENAL

ESPÉCIES DE INFRAÇÃO PENAL

Crime (Delito)

Contravenção penal (Crime anão, delito liliputiano, crime vagabundo)

A diferença entre essas duas espécies é meramente axiológica (valorativa), pois ontologicamente (conceitualmente) crime e contravenção são idênticos.

Tanto é verdade que a conduta de porte ilegal de arma de fogo, foi contravenção até 1997 (previsto na LCP, art. 19), e com a lei 9.437/97 passou a ser crime, que posteriormente teve sua gravidade aumentada pela Lei 10.826/03.

Ou seja, a mesma conduta já foi considerada contravenção penal e atualmente é crime, o que deixa claro que a única coisa que distingue essas duas espécies de infração penal é o grau de reprovação que a sociedade atribui a essa conduta. Se mais reprovável (mais grave), será crime. Se menos reprovável (menos grave), será contravenção penal.

ATENÇÃO: Não confunda a contravenção penal com Infração penal de menor potencial ofensivo (IMPO). Considera-se infração penal de menor potencial ofensivo (IMPO) os crimes cuja pena máxima não supere os dois anos e todas as contravenções penais.

Percebe-se, portanto, que a contravenção penal corresponde a uma parcela das infrações penais de menor potencial ofensivo.

A. DIFERENÇAS ENTRE CRIMES E CONTRAVENÇÕES:

Sabendo que a única diferença é valorativa, algumas medidas devem ser tomadas pelo legislador para diferenciar os crimes da contravenção no momento de criar os tipos penais. Vamos analisar cada uma delas:

A ESPÉCIE DE PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE:

O crime está sujeito à reclusão ou detenção enquanto as contravenções estão sujeitas à prisão simples, que jamais será cumprida no regime fechado. Veja o que diz a Lei de Introdução ao Código Penal (Lei 3.914/41), em seu art. 1º:

Art. 1º Considera-se crime a infração penal que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa; contravenção, a infração penal a que a lei comina, isoladamente, pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente.

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PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Ademais, tratando do rigor penitenciário da pena de prisão simples

Ademais, tratando do rigor penitenciário da pena de prisão simples cominada às contravenções, assim diz o at. 6º do Dec. Lei 3.688/41 (Lei de contravenções penais LCP):

Art. 6º A pena de prisão simples deve ser cumprida, sem rigor penitenciário, em estabelecimento especial ou seção especial de prisão comum, em regime semiaberto ou aberto.

Reclusão

Detenção

Prisão simples

Crimes mais graves

Crimes menos graves

Contravenção penal

Os regimes iniciais serão: Fechado, semiaberto e aberto.

Os regimes iniciais serão: Semiaberto e aberto

Os regimes de cumprimento serão:

Semiaberto e aberto

 

OBS: A regressão pode fazer com que seja cumprida no fechado.

OBS: Jamais será cumprida no regime fechado.

B ESPÉCIE DE AÇÃO PENAL (AP):

No crime a AP pode ser pública (condicionada ou incondicionada) ou privada.

Na contravenção penal a AP será SEMPRE pública incondicionada. Esse inclusive é o teor do art. 17 da LCP:

Art. 17. A ação penal é pública, devendo a autoridade proceder de ofício.

ATENÇÃO! Antes da Lei 9.099/95 a lesão corporal leve (art. 129, caput, do CP) era perseguida por AP Pública Incondicionada. Porém, com o advento de tal lei, passou a ser perseguida por AP Pública Condicionada à representação do ofendido.

Isso fez com que parte da doutrina e jurisprudência concluísse que vias de fato art. 21 da LCP (mera contravenção penal) também passaria a ser perseguida por AP Pública Condicionada, por ser menos grave que a lesão corporal leve. Respeitando então, o princípio da proporcionalidade.

Porém, o STF não entendeu assim, ou seja, vias de fato é perseguida por AP Pública Incondicionada, como toda e qualquer contravenção penal. Alegou que a gravidade do fato não tem nenhuma relação com o tipo de ação penal, pois se

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PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR assim fosse o estupro deveria sempre ser perseguido por ação

assim fosse o estupro deveria sempre ser perseguido por ação penal pública incondicionada (o que não ocorre, pois sabemos que a regra é de ação penal pública condicionada) HC

80.617/MG.

C PUNIBILIDADE DA TENTATIVA:

Nos crimes a tentativa é punível

contravenção penal não se pune a tentativa. Esse é o teor do art. 4º

da LCP:

caso de

(em regra), já

no

Art. 4º Não é punível a tentativa de contravenção.

ATENÇÃO! Falar que não se pune a tentativa nas contravenções, não quer dizer que não é possível a ocorrência de tentativa nesses casos. Nas contravenções penais, a tentativa, apesar de possível (no mundo factível), NÃO SERÁ PUNIDA! Veja um exemplo:

João, dono de um bar, tenta servir bebida alcoólica a José, o qual está nitidamente embriagado, mas é impedido de fazê-lo por Lucas, filho de José. Nessa situação, analisando apenas os fatos narrados, concluímos que a conduta de João caracteriza uma tentativa de cometimento da contravenção penal prevista no art. 63, II do Dec. Lei 3.688/41 (LCP):

Art. 63. Servir bebidas alcoólicas:

( ) II a quem se acha em estado de embriaguez;

Entretanto, de acordo com o art. 4º da LCP, a tentativa de contravenção penal não será punida. Ou seja, no caso acima temos uma tentativa de contravenção penal, mas que não será punida.

D REGRAS DE EXTRATERRITORIALIDADE:

Extraterritorialidade é a possibilidade de a lei penal brasileira se aplicar aos fatos praticados fora de nosso território nacional. Nos crimes é possível a ocorrência de extraterritorialidade, veja o art. 7º do CP:

Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro:

I - os crimes:

a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República;

b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de

Estado, de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público

c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço;

d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil

II - os crimes

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PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou

a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir

b) praticados por brasileiro;

c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de

propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados.

) ( § 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as condições previstas no parágrafo anterior:

) (

Já nas contravenções, de acordo com o art. 2º da LCP, não se admite a extraterritorialidade da lei penal:

Art. 2º A lei brasileira só é aplicável à contravenção praticada no território nacional.

E REGRAS DE COMPETÊNCIA:

Os crimes, em regra, serão julgados pela Justiça Estadual, entretanto se presentes os requisitos do art. 109, IV, da CF, serão julgados pela Justiça Federal:

Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:

( )

IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral;

As contravenções, conforme o dispositivo acima, só podem ser de competência da Justiça Estadual.

ATENÇÃO 1! Contravenção praticada por agente detentor de foro especial por prerrogativa de função federal será de competência da Justiça Federal (TRF).

ATENÇÃO 2! Nem mesmo a conexão entre crimes e contravenções faz com que a contravenção seja julgada na Justiça Federal, nesse caso ocorrerá a separação dos processos.

F LIMITE DAS PENAS:

Nos crimes, o limite da pena é de 30 anos, conforme o art. 75 do CP:

Art. 75 - O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a 30 (trinta) anos.

Já nas contravenções, o limite é de 5 anos, conforme o art. 10 da LCP:

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PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Art. 10. A duração da pena de prisão simples não

Art. 10. A duração da pena de prisão simples não pode, em caso algum, ser superior a cinco anos, nem a importância das multas ultrapassar cinquenta contos.

G – PERÍODO DE PROVA NO “SURSIS”:

O “sursis” é um benefício previsto para o condenado. Prevê a possibilidade de suspensão da execução da pena privativa de liberdade durante determinado período, durante o qual o condenado deverá cumprir certos requisitos para conseguir a extinção de sua punibilidade.

Nos crimes, esse período de prova do “sursis”, em regra, varia de 2 a 4 anos (podendo ser de 4 a 6 anos), conforme os arts. 77, caput e § 2º do CP:

Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que:

) (

§ 2o A execução da pena privativa de liberdade, não superior a quatro anos, poderá ser suspensa, por quatro a seis anos, desde que o condenado seja maior de setenta anos de idade, ou razões de saúde justifiquem a suspensão.

Já na contravenção varia de 1 a 3 anos, conforme o art. 11 da LCP:

Art. 11. Desde que reunidas as condições legais, o juiz pode suspender por tempo não inferior a um ano nem superior a três, a execução da pena de prisão simples, bem como conceder livramento condicional.

H QUANTO AO CABIMENTO DE PRISÃO PREVENTIVA E TEMPORÁRIA:

Essas prisões só serão possíveis nos casos de alguns crimes, jamais nas contravenções (que não admitem o regime fechado nem mesmo nos casos de condenação definitiva).

I QUANTO À POSSIBILIDADE DE CONFISCO-EFEITO:

Somente é possível o confisco de bens que configurem produto de CRIMES, excluídas, portanto, as contravenções desse efeito extrapenal da sentença condenatória. Esse é o teor do art. 91, II, do CP:

Art. 91 - São efeitos da condenação:

) (

II - a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé:

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PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR a) dos instrumentos do CRIME , desde que consistam em

a) dos instrumentos do CRIME, desde que consistam em

coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte ou detenção constitua fato

ilícito;

b) do produto do CRIME ou de qualquer bem ou valor que

constitua proveito auferido pelo agente com a prática do FATO CRIMINOSO.

O quadro abaixo resume bem todas essas distinções que trabalhamos entre as duas espécies de infrações penais (crimes e contravenções) do nosso ordenamento:

   

Crime

 

Contravenção

Espécie de pena privativa de liberdade

Reclusão/detenção (art. 1º da LICP)

Prisão simples (art. 1º da LICP)

 

APP

incondicionada,

Sempre

APP

Espécie de ação penal

condicionada

e

AP

incondicionada (art. 17 da LCP)

privada

 

Limite das penas

30

anos (art. 75 do CP)

anos (art. 10 da LCP)

5

Punibilidade da tentativa

A tentativa É punida (art. 14, II, do CP)

A tentativa NÃO é punida (art. 4º da LCP)

   

Sempre Justiça

Justiça Federal (art. 109 da CF) e Justiça Estadual a depender dos critérios de definição de competência.

Estadual (em caso de acusado com

Competência para julgamento

foro

por

prerrogativa de função, pode ser julgado na Justiça Federal).

Período de prova do sursis

2

podendo ser de

a

4

anos

(regra),

6

4

a

a 3 anos (art. 11 da LCP).

1

anos (art. 77 do CP).

 

Possibilidade de confisco

Existe (art. 91, II, “a” e “b” do CP).

Não existe (só dos

produtos

de

crimes).

Possibilidade de prisão preventiva ou temporária

Existe a possibilidade, desde que respeitadas as regras dos arts. 312 e 313 do CPP (preventiva)

Não é possível.

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PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR   e a Lei 7.960/89   (temporária).
 

e

a

Lei

7.960/89

 

(temporária).

Extraterritorialidade da lei penal

É possível.

 

NÃO é possível (art. 2º da LCP).

3. SUJEITOS DA INFRAÇÃO PENAL:

SUJEITO ATIVO:

Qualquer pessoa física capaz com 18 anos ou mais.

A pessoa jurídica pode ser sujeito ativo de crime?

SIM! Desde que estejamos diante de um crime ambiental, é possível que a PJ figure como sujeito ativo do delito. Tal possibilidade decorre do mandado constitucional de criminalização previsto no art. 225, § 3º da CF:

Art. 225: ( )

§ 3º - As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados.

Respeitando a determinação constitucional, estabeleceu a Lei 9.605/98, em seu art. 3º:

Art. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade.

Quando pensamos em pessoa jurídica como sujeito ativo do crime, devemos analisar a conhecida teoria da dupla imputação. De acordo com essa teoria, existe uma obrigatoriedade de imputação simultânea das pessoas jurídicas e das pessoas físicas que agiram em nome daquelas.

Ou seja, segundo a teoria da dupla imputação, para que ocorra a punição de uma empresa pelo cometimento de crime ambiental é necessário, antes de mais nada, identificar as pessoas físicas que agiram representado a empresa na prática do ato lesivo.

ATENÇÃO: Em nosso ordenamento jurídico tal teoria não é adotada pelos tribunais superiores, ou seja, é possível que a pessoa jurídica responda sozinha pelo crime ambiental praticado (STJ: RMS 39.173 (13/08/2015) e STF: 548.181 30/10/2014).

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PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR ATENÇÃO: Às pessoas jurídicas podem ser aplicadas penas restritivas de

ATENÇÃO: Às pessoas jurídicas podem ser aplicadas penas restritivas de direito, prestação de serviços à comunidade e multa.

A. CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES QUANTO AO SUJEITO ATIVO:

Os delitos podem ser classificados em comuns, próprios e de mão própria, conforme as características de seus sujeitos ativos:

Crime Comum

Crime Próprio

Crime de mão própria

Não exige qualidade ou condição especial do agente. Ou seja, qualquer pessoa pode praticá-lo.

Exige qualidade ou condição especial do agente. Somente quem cumprir a condição legal pode praticar o crime.

Exige qualidade ou condição especial do agente e só o agente pode praticá-lo. Crime de conduta infungível.

No

concurso de

No concurso

de

No

concurso

de

pessoas, admite tanto a participação

pessoas, admite tanto a participação

pessoas,

somente

admite

a

quanto a coautoria.

quanto a coautoria.

participação.

Exemplo: homicídio, art. 121 do CP.

Exemplo: peculato,

Exemplo: falso testemunho, art. 342 do CP, que somente pode ser praticado pela testemunha.

art. 312

do CP, que

 

exige a condição de funcionário público.

SUJEITO PASSIVO:

É aquele que sofre as consequências jurídicas, podendo ser qualquer pessoa, física ou jurídica.

ATENÇÃO: ENTES SEM PERSONALIDADE JURÍDICA (coletividade, família, feto etc.) podem ser SUJEITOS PASSIVOS DE CRIMES (são os conhecidos “CRIMES VAGOS”).

O Sujeito passivo se subdivide em:

CONSTANTE (MEDIATO/ FORMAL/ GERAL/GENÉRICO):

Será sempre o Estado, interessado na manutenção da paz pública e da ordem social.

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PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR ACIDENTAL/ PARTICULAR): Será o titular do direito atingido. Por sua

ACIDENTAL/

PARTICULAR):

Será o titular do direito atingido. Por sua vez, o sujeito passivo eventual, pode ser:

Próprio:

EVENTUAL

(IMEDIATO/

MATERIAL/

Quando se exige condição ou qualidade específica da vítima. (Exemplo:

Infanticídio, art. 123 do CP).

Comum:

Quando NÃO se exige condição ou qualidade específica da vítima. (Exemplo: Homicídio, art. 121 do CP).

ATENÇÃO: O Estado pode, simultaneamente, ser sujeito passivo formal e material da infração penal (exemplo: crimes contra a administração pública).

SUJEITO PASSIVO

CONSTANTE

EVENTUAL

Será o titular do bem jurídico lesionado.

PRÓPRIO

COMUM

Quando se exige condição ou qualidade específica da vítima. (Exemplo:

Infanticídio, art. 123 do CP).

Quando NÃO se exige condição ou qualidade específica da

vítima. (Exemplo:

Homicídio, art. 121 do CP).

Será sempre o Estado, interessado na manutenção da paz pública e da ordem social.

ATENÇÃO 1! Os crimes podem ser Bicomuns ou Bipróprios. Os crimes bicomuns são aqueles em que não é exigida característica ou condição especial nem do sujeito ativo e nem do sujeito passivo. Já nos bipróprios, é exigida característica ou condição especial de ambos os sujeitos.

Exemplos:

Homicídio pode ser praticado por qualquer pessoa contra qualquer pessoa (bicomum).

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PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR Infanticídio – somente pode ser praticado pela mãe, contra o

Infanticídio somente pode ser praticado pela mãe, contra o próprio filho (bipróprio).

ATENÇÃO 2! Morto não pode ser sujeito passivo de crime, pois não é titular de direitos. Entretanto, a calúnia contra os mortos é punida, sendo sua vítima, a família do morto (art. 138, § 2º do CP).

Ademais existe a punição de crimes contra o respeito aos mortos, em que o sujeito passivo é a coletividade (exs: arts. 209 ao 212 do CP).

ATENÇÃO 3! Animais não podem ser sujeitos passivos de crimes. Podem ser objetos materiais dos delitos em que seus donos serão os sujeitos passivos (dano, furto e etc.). Nos crimes de maus tratos contra os animais (Lei 9.605/98, art. 32), estes são objeto material do delito e o sujeito passivo é a coletividade.

ATENÇÃO 4! Existem crimes que possuem dupla subjetividade passiva, ou seja, haverá necessariamente dois sujeitos passivos eventuais nesses delitos.

Exemplo: Violação de correspondência (art. 151), são sujeitos passivos eventuais, simultaneamente, o remetente e o destinatário.

4. OBJETOS DA INFRAÇÃO PENAL:

OBJETO MATERIAL:

É a pessoa ou a coisa sobre a qual recai a conduta criminosa.

É possível crime sem objeto material?

SIM! Nem todo crime tem objeto material. Os crimes de mera conduta não possuem objeto material, bem como os crimes omissivos próprios. Os crimes formais podem ou não possuir objeto material (falso testemunho, por exemplo, não possui objeto material e é crime formal).

Crimes materiais sempre terão objeto material.

OBSERVAÇÃO: Em momento oportuno, será esclarecida a distinção entre os crimes formais, materiais e de mera conduta. Trata-se de uma classificação dos crimes quanto ao resultado por ele produzido, o que será estudado mais adiante.

Objeto material x crime impossível:

A ausência ou impropriedade absoluta do objeto material faz surgir a figura do crime impossível (art. 17 do CP).

Exemplo: Disparar contra cadáver caracteriza um crime impossível de homicídio. Afinal, o objeto material seria o defunto e isso torna

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PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR impossível a ocorrência de um homicídio (não se pode matar

impossível a ocorrência de um homicídio (não se pode matar um morto).

OBJETO JURÍDICO:

Revela o interesse tutelado pela norma, o bem jurídico protegido pelo tipo penal.

Não existe crime sem objeto jurídico, pois, de acordo com o princípio da exclusiva proteção dos bens jurídicos (relacionado com a missão do direito penal), o direito penal incriminador só existe para proteger os bens jurídicos mais importantes do cidadão.

ATENÇÃO! Crimes pluriofensivos são aqueles que protegem mais de um interesse jurídico (ex: roubo protege incolumidade pessoal + patrimônio).

Veja o quadro abaixo, em que analisamos 4 crimes e todos os seus elementos: Sujeito Ativo, Sujeito Passivo Constante, Sujeito Passivo Eventual, Objeto Jurídico e Objeto Material:

 

LESÃO

     

CORPORAL

DANO

PECULATO

ATO OBSCENO

 

Pessoa física capaz e com 18 anos ou +.

Pessoa física capaz e com 18 anos ou +.

Funcionário

Pessoa física capaz e com 18 anos ou +.

SUJEITO ATIVO

Público (crime

próprio).

SUJEITO

       

PASSIVO

ESTADO

ESTADO

ESTADO

ESTADO

CONSTANTE

     

Estado e

**É a coletividade (ente indeterminado e sem personalidade jurídica).

SUJEITO

PASSIVO

EVENTUAL

*Pessoa

lesionada.

Titular do

patrimônio.

eventual

particular

lesado.

OBJETO

*Pessoa

Coisa

Dinheiro, valor ou qlqr outro bem móvel.

Não tem (crime de mera conduta)

MATERIAL

lesionada.

danificada.

OBJETO

Integridade

Patrimônio.

Moralidade da

Pudor público.

JURÍDICO

física.

Adm. Púb.

* Eventualmente é possível que o objeto material e o sujeito passivo coincidam, porém isso não é uma verdade absoluta conforme se observa na tabela acima!

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PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR ** Eventualmente teremos um sujeito indeterminado e sem personalidade jurídica

** Eventualmente teremos um sujeito indeterminado e sem personalidade jurídica como sujeito passivo eventual, são os conhecidos crime vagos!

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QUESTIONÁRIO DIRIGIDO

PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR QUESTIONÁRIO DIRIGIDO 1) Conceitue infração penal em seus três aspectos.

1) Conceitue infração penal em seus três aspectos.

Dentre os conceitos de infração penal, qual deles tem caráter pré-

jurídico?

3) Quais são as espécies de infração penal?

4) O que diferencia uma espécie da outra? Enumere os 9 aspectos que as distinguem.

5) Quem pode ser considerado sujeito ativo de um delito?

6)

caso afirmativo, quando isso pode ocorrer?

7)

obrigatório no nosso ordenamento jurídico?

8) Quanto ao sujeito ativo, como se classificam os delitos?

9) Como se subdivide o sujeito passivo do delito?

10) O que é um crime bicomum? E um crime bipróprio?

11) O morto pode ser sujeito passivo de um delito?

12) O que é um crime vago?

13) É possível que o estado figure simultaneamente como sujeito passivo formal e material de um delito?

14) Quais são os objetos da infração penal? Conceitue-os.

15) Existe crime sem objeto material? E sem objeto jurídico?

O que é dupla imputação ou imputação paralela? Esse instituto é

É possível a responsabilização penal de uma pessoa jurídica? Em

2)

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PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR QUESTÕES DE PROVAS ANTERIORES 1) (CESPE/ TÉCNICO JUDICIÁRIO – TJDFT/

QUESTÕES DE PROVAS ANTERIORES

1) (CESPE/ TÉCNICO JUDICIÁRIO TJDFT/ 2015) Sob o prisma formal, crime corresponde à concepção do direito acerca do delito, em uma visão legislativa do fenômeno; sob o prisma material, o conceito de crime é pré-jurídico, ou seja, é a concepção da sociedade a respeito do que pode e deve ser proibido.

2) (FMP/ PROMOTOR DE JUSTIÇA MPE-AM/ 2015) O sistema penal brasileiro admite a responsabilidade penal das pessoas jurídicas para os crimes ambientais e contra a ordem tributária.

3) (FMP/ PROMOTOR DE JUSTIÇA MPE-AM/ 2015) A responsabilidade penal da pessoa jurídica segue a teoria do concurso necessário, segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, devendo o Ministério Público denunciar a pessoa natural e a pessoa jurídica, sob pena de inépcia da peça acusatória.

4) (FMP/ PROMOTOR DE JUSTIÇA MPE-AM/ 2015) A responsabilização penal da pessoa jurídica, na esteira do entendimento jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal, é autônoma e independe da responsabilização da pessoa natural, em uma quebra de paradigma em relação à anterior interpretação sobre o artigo 3º da Lei n.º

9.605/98.

5) (FMP/ PROMOTOR DE JUSTIÇA MPE-AM/ 2015) A responsabilidade penal das pessoas jurídicas é inconstitucional, pois viola o princípio da culpabilidade, segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.

6) (CS-UFG/ ASSISTENTE JURÍDICO UEAP/ 2014) O sujeito passivo é o titular do bem jurídico protegido, e o sujeito passivo formal ou constante, titular do interesse jurídico de punir, que surge com a prática da infração penal, é sempre o Estado.

7) (CS-UFG/ ASSISTENTE JURÍDICO UEAP/ 2014) O contexto dos crimes próprios envolve os crimes que exigem sujeito ativo qualificado, devendo este cometer pessoalmente a conduta típica, admitindo-se, entretanto, a coautoria e a participação.

8) (CESPE/ ANALISTA LEGISLATIVO - CÂMARA DOS DEPUTADOS/ 2014) Na legislação pátria, adotou-se o critério bipartido na definição das infrações penais, ou seja, estas se subdividem em contravenções penais e crimes ou delitos, inexistindo diferença conceitual entre as duas últimas espécies.

9) (CESPE / ESCRIVÃO PF/ 2013) A responsabilidade penal da pessoa jurídica, indiscutível na jurisprudência, não exclui a responsabilidade de pessoa física, autora, coautora ou partícipe do

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PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR mesmo fato delituoso, o que caracteriza o sistema paralelo de

mesmo fato delituoso, o que caracteriza o sistema paralelo de imputação ou da dupla imputação.

10) (CESPE/ DELEGADO - PC-BA / 2013) A tentativa de contravenção, mesmo que factível, não é punida.

11) (CESPE / PROCURADOR DO DF/ 2013) A responsabilização das pessoas jurídicas por crimes ambientais, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade, exclui a responsabilidade das pessoas físicas partícipes do mesmo fato.

12) (CESPE/ DELEGADO - PC-AL / 2012) Apesar de, no campo fático, ser possível ocorrer a tentativa de contravenção penal, esta, quando se desenvolve na forma tentada, não é penalmente alcançável.

13) (CESPE / JUIZ TJAC / 2012) Classifica-se como bipróprio o crime cujo agente é simultaneamente sujeito ativo e passivo em relação ao mesmo fato.

(CESPE / JUIZ TJAC / 2012) O aborto com consentimento

da gestante e a violação de sepultura são exemplos de crime vago.

15) (CESPE / DELEGADO - PC - RN / 2009) É possível que os mortos figurem como sujeito passivo em determinados crimes, como, por exemplo, no delito de vilipêndio a cadáver.

16) (CESPE / AGENTE - PC - RN / 2009) Considera-se contravenção penal a infração penal a que a lei comina pena máxima não superior a dois anos de reclusão.

17) (CESPE/DELEGADO -PC - RN/ 2009) O Estado costuma figurar, constantemente, na sujeição passiva dos crimes, salvo, porém, quando se tratar de delito perquirido por iniciativa exclusiva da vítima, em que não há nenhum interesse estatal, apenas do ofendido.

(CESPE / OAB / 2009) Crime próprio é sinônimo de crime de

mão própria.

19) (CESPE / AGENTE - PC - RN / 2009) A infração penal é gênero que abrange como espécies as contravenções penais e os crimes, sendo estes últimos também identificados como delitos.

20) (CESPE / AUDITOR TRIBUTÁRIO - PM - Ipojuca / 2009) O Estado pode ser sujeito passivo formal, mas não sujeito passivo material, de um crime.

21)

(CESPE / AGENTE - PC - RN / 2009) Considera-se crime a

infração penal a que a lei comina pena de reclusão, de detenção ou

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PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR

PROFESSORES CARLOS ALFAMA E PAULO IGOR prisão simples, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a

prisão simples, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa.

22)

brasileiro, a diferença entre crime e delito está na gravidade do fato e

na pena cominada à infração penal.

23)

tentativa é punida com a pena da contravenção consumada diminuída

de um a dois terços.

24)

como sujeito passivo pessoa jurídica não identificada.

25) (JUIZ FEDERAL TRF 5ª REGIÃO/2007) Conforme a teoria da dupla imputação, somente ocorrerá a responsabilidade penal da pessoa jurídica em crimes ambientais se houver a imputação simultânea do ente moral e da pessoa física que atua em seu nome ou em seu benefício.

26) (85º PROMOTOR DE JUSTIÇA DE SP MP/SP) O reconhecimento da responsabilidade penal de pessoa jurídica por crime de poluição implica, pela impossibilidade de bis in idem, na não responsabilização penal pessoal dos diretores da sociedade, pelos mesmos fatos.

27) (85º PROMOTOR DE JUSTIÇA DE SP MP/SP) O Direito Penal Brasileiro admite a responsabilização penal da pessoa jurídica, prevendo a aplicação, exclusivamente, das penas de multa e prestação de serviços à comunidade.

(CESPE / JUIZ TJ-TO / 2007) Crime vago é aquele que tem

(CESPE / JUIZ TJ-TO / 2007) Nas contravenções penais, a

(CESPE / AGENTE - PC - RN / 2009) No ordenamento jurídico

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