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Ao juízo da 1ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte/MG.

Condomínio Clóvis Bevilaqua, já devidamente qualificado nos autos da Ação


de reparação de Danos Materiais e Morais ajuizada por Cleber, já
devidamente qualificado, vem,por seu procurador, procuração anexa,
apresentar CONSTESTAÇÃO, pelos fatos e fundamentos a seguir.

I-BREVE RELATO

O autor, enquanto transitava pela calçada da rua onde morava, foi atingido
por um objeto que caiu por um descuido da janela do apartamento nº 201
edifício do Clóvis Bevilaqua com o impacto do objeto o autor caiu desfalecido
ao solo, sendo socorrido por socorristas do SAMU que passavam pelo local.

A cirurgia foi realizada no Hospital João XXIII sendo esta pelo SUS.Cleber tem
como única fonte de renda a realização de viagens pelo aplicativo e
permaneceu internado por 30 dias, deixando de auferir sua renda mensal
comprovada de R$15.000,00 (quinze mil reais).

Após sua alta o autor voltou a trabalhar, passados 15 dias o mesmo passou
mal e voltou ao João XXIII, lá foi constatado que este necessitaria de outra
cirurgia, pois estava com uma infecção no crânio causada por uma gaze
cirúrgica deixada na última cirurgia, neste período Cleber deixando de auferir
sua renda mensal comprovada de R$15.000,00 (quinze mil reais)por não poder
trabalhar.Cleber ajuíza ação indenizatória perante a 1ª Vara Cível da Comarca
de Belo Horizonte em face de Condomínio Clóvis Bevilaqua, pleiteando a
reparação pelos danos sofridos, alegando que a integralidade dos danos
suportados é decorrente da queda do objeto cilíndrico do condomínio, no valor
total de R$ 30.000,00, a título de lucros cessantes, e 30 salários mínimos a
título de danos morais em razão de violação de sua integridade física.

II- PRELIMINARES

Preliminarmente, vale salientar que o Condomínio não é legitimado ativo da


ação, conforme está presente no artigo 337, inciso XI do CPC, pois em
analise ao caso foi possível a identificação da onde o objeto caiu.
Assim por ser possível a identificação da origem de onde o objeto caiu, deve
a responsabilidade ser do apartamento neste caso, ou seja, o apartamento nº.
201. Conforme dispõe nosso ordenamento jurídico em seu
artigo 938 do Código Civil.
Portanto o proprietário do apartamento é que deveria ser acionado para a
arcar com os prejuízos sofridos pela vítima, em decorrência da lesão
ocasionada pela queda do objeto cilíndrico em seu crânio, caso não fosse
possível a constatação de onde partiu a queda do mesmo o Condomínio
deveria ser responsável pelos danos.

III- MÉRITO
Diante o exposto percebe-se que a responsabilização da segunda cirurgia
não é do Condomínio Clóvis Bevilaqua e sim inteiramente do Hospital João
XXIII, resultando a ausência do dever de indenizar do réu, pois não tem
sequer culpa deste.

A) Da ausência do dever de indenizar.


É possível se verificar a ausência do dever de indenizar do condomínio em
razão de não existir nexo de causalidade com o mesmo, pois diante de todo o
fato narrado, mostra se concreta a prova, de onde por um descuido ou acaso
originou-se a queda do objeto vindo a lesionar o autor.

Assim para que o condomínio tenha que indenizar a vítima seria necessário a
total comprovação da culpa e nexo de causalidade deste dano. No entanto
está presente que o primeiro dano ocorrido ao requerente foi sim de origem
da queda do objeto do apartamento, sendo o proprietário deste responsável,
porém, já o segundo dano advém de uma negligencia do hospital não tendo
relação nem nexo de causalidade alguma com o condomínio Suplicio das
Almas.

Por fim, cabe ao morador de prédio responder pelos danos causados pela
queda de objetos de sua janela. Entretanto se ainda assim Vossa Excelência
entenda que o condomínio tem alguma responsabilidade pelos fatos narrados,
então aceite as teses abaixo e diminuindo o quanto indenizatório.

B) Da responsabilidade objetiva do hospital.


A responsabilidade do hospital em relação aos danos decorrentes da infecção
hospitalar é objetiva, pois a incolumidade do paciente internado é obrigação
de resultado, e não simples obrigação de meio, como a atividade médica em
geral.

O fato de o autor ter voltado para as suas funções como motorista de


aplicativo e após 15 (quinze) dias começar a se sentir mal e regressar para o
hospital, sendo diagnosticado com uma infecção no crânio causada por uma
gaze cirúrgica deixada no seu corpo por ocasião da primeira cirurgia,
demonstra explicitamente a responsabilidade do hospital.

O hospital, responde civilmente, pelos danos, entre eles os provocados pelas


infecções hospitalares, causados por serviços próprios do hospital, bem como
pelos prejuízos ao paciente ocasionados por atos dos médicos, integrantes do
seu corpo clínico, e de seu pessoal auxiliar, agindo sob orientação daqueles
prepostos, no sentido amplo da palavra, seus, que todos são, como estatui o
artigo 932, de nosso Código Civil, em seu inciso III:
Portanto, o hospital é responsável pelos danos causados a um consumidor,
sendo, assim, pode vir a ser responsabilizado pela indenização dos prejuízos
decorrentes de infecção contraída por paciente baixado nas suas
dependências. Devendo o mesmo pagar pelos 15 dias que o requerente ficou
afastado.

C) Da inexistência do nexo causal.


Entretanto, pela própria narração dos fatos conclui-se que o réu não teve
nenhuma participação direta no evento que deu origem aos danos
experimentados pelo Autor em decorrência da segunda cirurgia.

Se o prejuízo da vítima não foi efeito (consequência) da conduta do agente,


ainda que esta tenha sido injurídica, não lhe terá acarretado a obrigação de
indenizar.

Sendo assim, levando em conta à circunstância em que ocorreu a infecção no


autor, bem como a negligência do médico no qual se encontrava no dever de
prestar o serviço de forma correta, bem assim a suposta contribuição
(nenhuma) do Réu, conclui-se que este último nenhuma responsabilidade ou
culpa teve para com os danos suportados por aquela, pois, não existe nexo
de causalidade ligando o réu ao ocorrido com o autor.

D) Do valor excessivo dos danos morais.


O requerente pleiteia o pagamento de indenização por danos morais no valor
de 30 salários mínimos. No entanto, não está demonstrado e muito explicado
as razões do pleito de tal quantia.

Reconhece-se a dor e sofrimento suportados pelo requerente por conta da


infecção causada pelo desleixo do hospital. Somente quem enfrentou tal
trágica situação pode entender, ainda que se considere a ocorrência de dano,
e consequente obrigação à reparação, o que se admite apenas por amor ao
argumento, a quantia pleiteada é absolutamente improcedente e incoerente,
uma vez que deverá ser pedido para o Hospital e não para o condomínio.

Aliás, eventual indenização por dano moral deve levar em conta que o
ofendido não pode ficar em situação melhor do que aquela que se encontrava
antes de ter sofrido o pretenso dano.

Sempre reiterando, ser lamentável e injustificável a tragédia enfrentada,


entretanto, não deve ser desprezada a participação de terceiros na geração
de todo o ocorrido.
E) Da redução do quantum indenizatório.
Vossa excelência, caso ainda não entenda que o condomínio não tem
responsabilidade alguma de indenizar o requerente e que o valor dos danos
morais é excessivo, peço que entenda a REDUÇÃO da indenização; por mais
que demonstramos que a culpa não é do condomínio, suplicamos pela
redução da indenização por danos morais, pois ao se analisar o requerente
passa bem e não tem motivos cabíveis para pedir essa quantia, chega a ficar
claro que pretende enriquecer com os danos morais, logo sendo de má fé.

Além disso, o direito à reparação do dano depende da concorrência de três


requisitos, que estão delineados no artigo 186 do Código Civil, sendo que,
para se configurar o ato ilícito, será imprescindível que haja: (a) fato lesivo
voluntário, causado pelo agente, por ação ou omissão voluntária, negligência,
imperícia ou imprudência; (b) ocorrência de um dano patrimonial e/ou
moral; (c) nexo de causalidade entre o dano e o comportamento do agente.
Sendo que a conduta do condomínio não está presente em nenhum desses
requisitos, por isso peço que seja extinguido o dano moral ou caso não aceite
a tese que ao menos reduza pela metade, pois o condomínio por si só não
tem condições financeiras para arcar com tais prejuízos (ocasionados por
terceiros).Por fim, deve-se analisar cuidadosamente o caso concreto, a fim de
vedar o enriquecimento ilícito e o oportunismo com fatos que não são
capazes de causar sofrimentos morais, de ordem física ou psicológica, aos
cidadãos.

Assim, inexiste dano moral a ser indenizado, seja pela ausência de culpa da
Requerida no evento danoso, seja pela ausência do abalo moral aduzido na
petição inicial.Portanto, os elementos essenciais e necessários para o
nascimento da obrigação de indenizar estão ausentes, e por tais razões, deve
a ação ser julgada totalmente improcedente.

IV – CONCLUSÃO
De tudo quanto foi exposto no caso em tela e argumentado, conclui-se que:

- Ausência do dever de indenizar pois o Requerido não é parte legitimada no


processo;

- Não há nexo causal entre a conduta do Requerido e o evento danoso


(infecção) do requerente;

- Terceiros também concorreram para com o evento danoso (hospital);

- Os danos materiais não restaram devidamente comprovados;


- A indenização por danos morais é excessiva;

Enfim, ad argumentandum, se levar em conta, o grau de participação do


requerido e de terceiros (hospital), pelo disposto no art. 944 do Código Civil,
rigorosamente, o requerido nada deve indenizar.
V- DOS PEDIDOS
Antes o Exposto, requer a vossa Excelência que:

a) Seja julgado improcedente em todos os termos o pedido da presente ação.

b) Requer que aceite a ilegitimidade da parte e que, por conseguinte se


extinga o processo sem resolução do mérito, com base no art. 267 do Código
de Processo Civil.
c) Digne-se, que caso ainda assim o condomínio seja condenado as custas
que estas sejam reduzidas pela metade, por haver responsabilidade do
hospital;

d) Que seja condenado ao requerente aos pagamentos de custas e


honorários de sucumbência;

e) O autor visando demonstrar os fatos apostos na presente ação pugna pela


prova testemunhal, documental e pericial.

Nestes termos

Pede deferimento

Toledo/PR, 26 de agosto de 2016.

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Advogado

OAB/ XX nº. XXXX