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MÓDULO DE:

TECNOLOGIA E INFRAESTRUTURA DE TELECOMUNICACOES

AUTORIA:

RICARDO DE MAGALHÃES SIMÕES

Copyright © 2009, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil


Módulo De: Infraestrutura De Redes De Telecomunicações
Autoria: Ricardo De Magalhães Simões

Primeira edição: 2009

CITAÇÃO DE MARCAS NOTÓRIAS

Várias marcas registradas são citadas no conteúdo deste módulo. Mais do que simplesmente
listar esses nomes e informar quem possui seus direitos de exploração ou ainda imprimir
logotipos, o autor declara estar utilizando tais nomes apenas para fins editoriais acadêmicos.

Declara ainda, que sua utilização tem como objetivo, exclusivamente a aplicação didática,
beneficiando e divulgando a marca do detentor, sem a intenção de infringir as regras básicas
de autenticidade de sua utilização e direitos autorais.

E por fim, declara estar utilizando parte de alguns circuitos eletrônicos, os quais foram
analisados em pesquisas de laboratório e de literaturas já editadas, que se encontram
expostas ao comércio livre editorial.

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A presentação

Uma rede de comunicação é uma estrutura criada para permitir a troca de informação entre
dois ou mais pontos de interesse. Existem várias empresas que possuem uma rede de
comunicação: Operadoras de Telefonia Fixa; Operadoras de Telefonia Celular; Operadoras
de Comunicação Via Satélite; Operadoras de TV a Cabo; Indústrias, Bancos, e diversas
outras.

Os pontos de interesse geralmente são chamados de “clientes da rede”, pois são eles que
irão utilizar a estrutura da rede de comunicação propriamente dita. São os clientes que fazem
as solicitações de envio e recebimento de informação através da rede de comunicação.

O conjunto de elementos que são utilizados para se construir uma rede de comunicação
possui diversos equipamentos:

 Roteadores;

 Amplificadores;

 Terminais de Acesso;

 Concentradores;

 Cabos;

 E vários outros.

Estes elementos, e os clientes da rede, são conhecidos como “elementos de rede”, e são
eles que irão formar a estrutura da rede de comunicação.

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Toda rede de comunicação possui um mantenedor, que irá realizar constantemente a
avaliação da situação da rede, quanto à utilização pelos clientes e quanto à preservação dos
equipamentos de rede disponibilizados na estrutura da rede.

O objetivo final de uma rede de comunicação é prover a melhor estrutura de comunicação


para seus clientes ao menor custo para o mantenedor da rede.

O bjetivo

O presente módulo tem como objetivo apresentar algumas das técnicas utilizadas na
transmissão de informações em uma rede de comunicação e suas funcionalidades.

E menta

Demonstrar as diversas maneiras de ser realizar a classificação de uma rede de


comunicação; apresentar as topologias de redes; classificar as redes de telecomunicações;
visibilidade, funcionamento, técnicas de utilização e transmissão de informações; conceitos
básicos de sinais digitais; funcionamento das fibras óticas; comunicação em redes em fio;
protocolo de transmissão em meio físico, arquiteturas: Ethernet, Sonet e SDH, ISDEN, Xdsl,
WI-FI, WiMAX, Bluetooh, rede ATM, arquitetura X.25; protocolo Frame Relay; rede via
satélite; modelo OSI; redes TCP/IP; protocolo Ipv6; espaço de armazenamento para usuário.

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S obre o Autor

Doutorando em Engenharia, Mestre em Informática (2006) e Bacharel em Ciência da


Computação (2003) pela Universidade Federal do Espírito Santo. Atualmente, Professor
Substituto de Informática no CEFET-ES, Professor de Programação I no Curso Superior de
Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas à Distância no CEFET-ES. Tem
experiência na área de Ciência da Computação, com ênfase em Desenvolvimento de
Algorítmos, Educação de Informática para estudantes do Ensino Médio, atuando
principalmente nos seguintes temas: Informática Básica, Programação nas linguagens
C/C++/C#, Java, Pascal. Página pessoal: http://geocities.yahoo.com.br/rmagalhaess

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S UMÁRIO

UNIDADE 1 ......................................................................................................................................... 8
Classificação Das Redes ................................................................................................................. 8
UNIDADE 2 ....................................................................................................................................... 14
Arranjo Dos Elementos De Rede ................................................................................................... 14
UNIDADE 3 ....................................................................................................................................... 17
Distribuição Geográfica .................................................................................................................. 17
UNIDADE 4 ....................................................................................................................................... 21
Visibilidade Da Rede ...................................................................................................................... 21
UNIDADE 5 ....................................................................................................................................... 26
Modelos De Rede .......................................................................................................................... 26
UNIDADE 6 ....................................................................................................................................... 31
Tecnologias De Transmissão ......................................................................................................... 31
UNIDADE 7 ....................................................................................................................................... 39
Transmissão De Sinais Eletromagnéticos ...................................................................................... 39
UNIDADE 8 ....................................................................................................................................... 47
Sinal Digital .................................................................................................................................... 47
UNIDADE 9 ....................................................................................................................................... 55
Cabos De Transmissão .................................................................................................................. 55
UNIDADE 10 ..................................................................................................................................... 62
Fibra Ótica ..................................................................................................................................... 62
UNIDADE 11 ..................................................................................................................................... 68
Redes Sem Fio .............................................................................................................................. 68
UNIDADE 12 ..................................................................................................................................... 73
Protocolos De Transmissão ........................................................................................................... 73
UNIDADE 13 ..................................................................................................................................... 81
Arquitetura Ethernet ....................................................................................................................... 81
UNIDADE 14 ..................................................................................................................................... 88
Arquitetura Token Ring .................................................................................................................. 88
UNIDADE 15 ..................................................................................................................................... 93

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Arquitetura SONET/SDH ................................................................................................................ 93
UNIDADE 16 ..................................................................................................................................... 97
Arquitetura ATM ............................................................................................................................. 97
UNIDADE 17 ................................................................................................................................... 102
Arquitetura X.25 ........................................................................................................................... 102
UNIDADE 18 ................................................................................................................................... 106
Arquitetura Frame Relay .............................................................................................................. 106
UNIDADE 19 ................................................................................................................................... 110
Arquitetura ISDN .......................................................................................................................... 110
UNIDADE 20 ................................................................................................................................... 113
Arquitetura xDSL .......................................................................................................................... 113
UNIDADE 21 ................................................................................................................................... 118
Comunicação Via Satélite ............................................................................................................ 118
UNIDADE 22 ................................................................................................................................... 122
Arquitetura WiMAX....................................................................................................................... 122
UNIDADE 23 ................................................................................................................................... 126
Arquitetura Wi-Fi .......................................................................................................................... 126
UNIDADE 24 ................................................................................................................................... 130
Arquitetura Bluetooth ................................................................................................................... 130
UNIDADE 25 ................................................................................................................................... 134
Telefonia 3G ................................................................................................................................ 134
UNIDADE 26 ................................................................................................................................... 138
Modelo OSI .................................................................................................................................. 138
UNIDADE 27 ................................................................................................................................... 146
Rprotocolo IPv4 ........................................................................................................................... 146
UNIDADE 28 ................................................................................................................................... 152
Protocolo IPv6.............................................................................................................................. 152
UNIDADE 29 ................................................................................................................................... 158
Componentes de Rede ................................................................................................................ 158
UNIDADE 30 ................................................................................................................................... 162
SAN e NAS .................................................................................................................................. 162
GLOSSÁRIO ................................................................................................................................... 169

REFERÊNCIAS ............................................................................................................................... 170

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U NIDADE 1
Classificação Das Redes

Objetivo: Mostrar as maneiras de se realizar a classificação de uma rede de comunicação.

1 – Introdução

A classificação de uma rede de comunicação é importante, pois poderá diferenciar os vários


tipos de redes existentes, e assim melhorar o entendimento de cada rede específica.

As redes de comunicação são divididas pelos seguintes critérios:

 Distribuição da Rede

o Arranjo dos Elementos de Rede

o Distribuição Geográfica

 Visibilidade

 Modelos de Redes

 Tecnologia de Transmissão

 Protocolo de Comunicação

Cada critério acima possui uma subclassificação, feita para se ter uma diferenciação entre as
redes mais detalhada.

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2 – Distribuição Da Rede

Em relação à distribuição da rede, elas são classificadas quanto à maneira como os


elementos de rede estão distribuídos entre si, e quanto à distância entre estes elementos.

2.1 – Arranjo Dos Elementos De Rede

Quanto ao arranjo dos elementos de rede, estes geralmente são colocados de acordo com
uma configuração que esteja de acordo com o funcionamento da rede.

Uma rede de comunicação utilizada em um


ambiente onde um computador centralize as
operações e informações e tenha restrições
quanto ao tempo de resposta das ações
desejadas deverá ser feita de modo que este
computador literalmente seja o centro da rede e
conecte-se a todos os outros computadores.

Figura 1: Rede Centralizada

Uma rede de comunicação utilizada em uma área de longa distância entre os elementos de
rede, e que não realize tráfego intenso de informação, mas tenha restrição quanto ao custo
de funcionamento da rede poderá ser feita com os elementos de rede em linha.

Figura 2: Rede distribuída em linha

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2.2 – Distribuição Geográfica

A distribuição geográfica dos elementos de rede também é um critério de classificação das


redes. Uma rede onde os elementos estejam a uma pequena distância uns dos outros, como
em um escritório, ou em um prédio, é diferente de uma rede de comunicação de uma
operadora de telefonia que deve distribuir seus equipamentos por toda uma cidade ou até
mesmo por todo um estado. Algumas operadoras de serviços de comunicação possuem uma
estrutura que abrange até mesmo as regiões de vários países.

A empresa Telefônica S/A possui uma grande área de operação na América do sul,
abrangendo os seguintes países:

- México;

- Guatemala;

- Nicarágua;

- Panamá;

- Colômbia;

- Venezuela;

- Equador;

- Peru;

- Chile;

- Argentina;

- Uruguai;

- Brasil. Figura 3: Rede da Telefônica S/A.

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3 – Visibilidade

Em relação à visibilidade, as redes de comunicação podem ser públicas ou privadas.

Uma rede pública permite o acesso de qualquer pessoa à rede, podendo ou não ter algum
tipo de controle para o acesso, mas não fazendo nenhuma restrição quanto à distinção de
clientes.

Uma rede privada permite o acesso de um grupo específico de clientes. Este grupo é
gerenciado pelo mantenedor da rede. Um cliente não poderá acessar uma rede privada se
não fizer parte do grupo gerenciado pelo mantenedor da rede.

4 – Modelos Das Redes

As redes podem ser classificadas quando ao modelo de operação, isto é, a maneira como a
informação é trafegada, podendo ser:

 Rede de Circuito;
 Rede de Pacote.

5 - Tecnologia De Transmissão

O meio de transmissão utilizado por uma rede também é um critério de classificação de


redes de comunicação. O meio de comunicação utilizado geralmente recebe uma divisão
inicial: “com fio” e “sem fio”.

Exemplos de meio de transmissão com fio são:

 Fio de cobre com um Par Trançado (telefone fixo);


 Cabo Ethernet;
 Cabo de Coaxial;
 Fibra Ótica.

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Exemplos de meio de transmissão sem fio são:

 Ondas de Rádio (bluetooth);

 Satélite;

 Infra-Vermelho.

6 - Protocolo De Comunicação

Um protocolo é um conjunto de regras que deve ser obedecido para que a comunicação
entre os elementos de rede seja realizada. Alguns dos protocolos mais utilizados em
infraestruturas de rede são:

 Ethernet;

 Tokken Ring;

 SONET;

 ATM;

 Wi-Fi

 Bluetooth;

Em uma única rede de comunicação pode-se ter a utilização de diversos protocolos de


comunicação.

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Figura 4: Rede de Comunicação com vários protocolos

Nas próximas unidades serão estudadas com mais detalhes as características apresentadas
nesta unidade, e muitas outras.

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U NIDADE 2
Arranjo Dos Elementos De Rede

Objetivo: Apresentar as topologias que uma rede pode assumir.

1 – Introdução

Uma Topologia é o estudo da distribuição de um conjunto de elementos. As redes de


comunicação possuem diversos elementos, e estes elementos estão distribuídos de acordo
com um determinado arranjo. A maneira como os elementos da rede são distribuídos define
a topologia da rede.

2 – Distribuição Dos Elementos De Rede

Nesta classificação é considerada a maneira como os elementos que compõem a rede estão
distribuídos:

2.1 - Rede Em Barramento

Em uma Rede em Barramento os elementos da rede são conectados através de um enlace


não cíclico:

Figura 1: Topologia em Barramento

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2.2 - Rede Estrela

Em uma rede Estrela os elementos da rede estão conectados a um elemento central, que
funciona como elemento de conexão da rede:

Figura 2: Topologia em Estrela

2.3 - Rede Em Anel

Uma rede em anel possui todos os elementos conectados através de um enlace cíclico:

Figura 3: Topologia em Anel

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2.4 - Rede Em Malha

Em uma Rede em Malha cada um dos elementos da rede pode ter uma conexão a mais de
outro elemento através de um enlace entre os dois:

Figura 4: Topologia em Malha

2.5 - Rede Híbrida

Uma rede híbrida é formada por mais de um tipo de rede:

Figura 5: Topologia Híbrida

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U NIDADE 3
Distribuição Geográfica

Objetivo: Aprender como são classificadas as redes de telecomunicação de acordo com a


distribuição dos seus elementos.

1 – Introdução

O parâmetro “Escala” aplica-se a algo que queremos medir comparando-se seu tamanho a
partir de um plano geográfico. Queremos medir o alcance métrico, ou geográfico de uma
determinada entidade.

Neste caso, as redes de comunicação são divididas levando-se em consideração apenas a


distância geográfica entre os elementos da rede. Existem três tipos de redes geográficas:
LAN, MAN e WAN.

A rede mundial de computadores, que atualmente tem muito mais que computadores, é uma
rede especial, uma junção de várias redes, e será abordada na Unidade 3.

2 – LAN

A sigla LAN significa Local Area Network, Rede de Região Local, ou simplesmente Rede
Local. Nesta rede os elementos que trocam informação de fato estão fisicamente próximos
uns dos outros, e a conexão entre eles é direta, ou seja, não existe um elemento
intermediário para realizar a conexão entre dois pontos.

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Figura 1: Rede Local

3 – MAN

A sigla MAN significa Metropolitan Area Network, Rede de Região Metropolitana, ou Rede
Metropolitana. Neste caso, os elementos da rede estão parcialmente conectados. Alguns
elementos podem até ter uma conexão direta, mas a rede como um todo necessita de uma
Rede Auxiliar, também chamada de Rede de Interconexão, para conectar todos os
elementos.

Figura 2: Rede Metropolitana

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Esta rede de interconexão geralmente é fornecida por uma empresa de telecomunicação
externa à organização que possui a Rede Metropolitana. Além dessas características, uma
Rede Metropolitana ocupa um espaço geográfico limitado a um bairro ou mais bairros, mas
sempre em um único Município.

4 – WAN

A sigla WAN significa Wide Area Network, Rede de Região Ampla. Nesta rede, os elementos
que compõem a rede estão distribuídos em uma área muito grande, abrangendo vários
Municípios, e até Estados diferentes.

Um exemplo de rede WAN é a rede de comunicação de grandes bancos, como o Banco do


Brasil, Caixa Econômica e Banco Itaú-Unibanco.

Redes WAN geralmente fazem uso de serviços de telecomunicação de empresas


especializadas, como a Embratel Telecom. ou a Oi Telecom. A Embratel era praticamente a
única fornecedora de soluções WAN até o final da década de 1990.

Figura 3: Rede Ampla

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5 – PAN

Existe atualmente um novo conceito, chamado de PAN Personal Area Network, Rede de
Região Pessoal. Esta rede surgiu com o desenvolvimento de equipamentos sem fio, que
criam uma rede de comunicação de dados em uma área de poucos metros quadrados,
limitando-se praticamente ao uso de uma única pessoa. Por ser de uso de apenas uma
pessoa, ela não pode ser considerada uma “rede geográfica”.

Esta rede será abordada mais a frente, quando estudarmos os tópicos referentes aos
equipamentos e protocolos para redes sem fio.

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U NIDADE 4
Visibilidade Da Rede

Objetivo: Aprender o que é Visibilidade de uma rede e como são caracterizadas as redes de
comunicação quanto à Visibilidade da rede.

1 – Introdução

Uma rede de comunicação também pode ser classificada quanto à visibilidade da própria
rede em relação a outras redes.

A Visibilidade é uma característica que representa o quanto podemos ver de “algo”. Em se


tratando de redes de comunicação, refere-se ao que podemos ver da rede. Existem redes
que são visíveis apenas a um grupo de pessoas, e outras redes que são visíveis a todas as
pessoas.

2 - Intranet

Uma Intranet é uma rede formada exclusivamente para uma determinada empresa ou
organização, sendo que esta organização detém o controle total sobre todos os
componentes da rede, e, além disso, a Intranet é fechada para acessos externos. Uma rede
fechada para acessos externos não permite a inclusão de novos elementos à rede, sem que
a rede (os administradores da rede) autorize.

Até a década de 1980 muitos bancos possuíam uma Intranet para a comunicação, totalmente
própria, entre as diversas agências de atendimento. Não só os bancos, mas algumas
empresas e órgãos do governo possuíam sua própria rede de telecomunicação para troca de
dados.

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Com a popularização da Internet, que será vista mais adiante, as Intranet's passaram a
utilizar as mesmas tecnologias disponíveis para a Internet, diminuindo os custos de operação
da rede interna de uma organização. Na Figura 1 vemos um complexo industrial da
Petrobras. Este complexo possui uma Intranet dedicada ao gerenciamento dos seus
processos internos e de funcionários:

Figura 1: Complexo industrial da Petrobras

As Intranet's continuam sendo um componente vital nas grandes empresas, e em muitas


pequenas e médias empresas. Atualmente as Intranet's são utilizadas para troca de
informação, gerenciamento de processos, controle de funcionários, e uma série de serviços
controlados internamente por uma empresa ou instituição.

Atualmente o conceito de Intranet é definido para uma rede de comunicação fechada, onde
não é permitido que pessoas de fora da empresa ou da instituição possam utilizar a rede, e,
além disso, a Intranet é localizada em um único lugar, em um escritório, prédio ou complexo
industrial. Se a rede de comunicação de uma empresa ou instituição se estender por vários
pontos geográficos, então se tem a Extranet.

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3 – Extranet

Uma empresa ou organização que possua uma rede de comunicação distribuída em vários
pontos geográficos, e que para conectar estes pontos faz uso de uma rede auxiliar
(contratada de uma operadora de telecomunicação), possui uma Extranet. Um detalhe
importante: a rede auxiliar contratada para a Extranet irá atender apenas a comunicação
interna da organização.

Uma Extranet é então a interconexão de Intranet's espalhadas por uma região geográfica. As
antigas redes bancárias, proprietárias, que se estendiam por diversos municípios, são
atualmente consideradas Extranet's. Na Figura 2 podemos ver um exemplo de uma Extranet,
no caso, da empresa Vale do Rio Doce, que conecta as cidades de Vitória, Rio de Janeiro e
Itabira:

Figura 2: Extranet da empresa Vale do Rio Doce

Além disso, o conceito de Extranet se aplica a uma organização que permita que sua rede de
comunicação receba a adição, mesmo que temporária, de novos elementos de rede, como:
computadores, pontos de comunicação, entre outros, obedecendo a regras estabelecidas na

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rede (pelos administradores da rede), não havendo a necessidade de uma autorização,
desde que as regras sejam cumpridas.

A regra básica para o acesso a uma Extranet na maioria das organizações é a inclusão de
um elemento de rede feita por um usuário da rede autorizado.

Atualmente um recurso utilizado em diversas organizações é a criação de uma Extranet


Virtual, ou VPN (Virtual Private Network). Uma Extranet Virtual é uma rede extranet
distribuída pela Internet. Neste caso, não existe uma rede de comunicação contratada com
exclusividade para a Extranet, são programas de computador que são utilizados para
restringir o acesso à Extranet Virtual, e não a deixe “pública”, mesmo estando em uma rede
pública.

4 – Internet

Várias organizações, durante as décadas de 1970 e 1980, foram transformando suas


Intranets em Extranets. Além disso, foram diminuindo a quantidade de regras que eram
necessárias para que um novo elemento fosse autorizado a entrar na rede. Universidades,
Bibliotecas e Empresas permitiam que várias pessoas tivessem acesso à suas redes, e às
informações e recursos disponíveis. Essas redes foram inicialmente chamadas de Redes
Públicas.

Em meados da década de 1980 começaram a surgir empresas de comunicação dedicadas a


fornecer acesso às Redes Públicas. Esse acesso era gratuito ou pago, dependendo de quem
fornecia o acesso. As primeiras empresas a oferecerem esse tipo de serviço foram
chamadas de Provedoras de Acesso.

Com o tempo algumas empresas foram adicionando mais serviços às Redes Públicas:
Correio Eletrônico, Notícias, Arquivos, Jogos, Serviços Bancários, dentre outros.

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Mas em 1990 começou a surgir uma categoria de serviços que permitia a leitura de
informação de maneira “encadeada”, isto é, à medida que você ia lendo um tópico de seu
interesse, dentro do texto havia marcações para outros tópicos de possível interesse.

Esse tipo de texto é chamado de hipertexto, e a partir de um único texto inicial poderia
chegar a qualquer outro tipo de conteúdo, disponibilizado em qualquer computador em
qualquer rede pública.

Desta maneira, todas as redes públicas espalhadas pelo mundo passaram a ficar
virtualmente conectadas, bastando que as pessoas fossem encontrando tópicos de
interesse.

Figura 3: Redes Públicas em todo mundo interconectadas

Todos os diagramas que mostravam o funcionamento deste novo serviço, e as possibilidades


que ele permitia, eram comparados a uma “teia de conexão”, e isso motivou que o novo
serviço oferecido recebesse o nome de “Teia de Alcance Global” ou “World Wide Web”.

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U NIDADE 5
Modelos De Rede

Objetivo: Aprender como é o funcionamento básico de uma rede do ponto de vista da


realização da conexão entre dois elementos de rede.

1 – Introdução

O objetivo de toda rede de comunicação é permitir que dois elementos quaisquer da rede
consigam trocar informações. Para realizar essa troca de informações, esses dois pontos
necessitam de uma conexão entre eles.

Para realizar essa conexão entre dois elementos, a infraestrutura de comunicação poderá
realizar duas tarefas:

 Encontrar um caminho de comunicação entre os dois elementos, e manter este


caminho durante todo o tempo de comunicação;

 Encontrar um caminho de comunicação entre dois elementos apenas quando um dos


dois enviar uma informação para o outro.

Se uma rede trabalha de acordo com o primeiro caso, ela é chamada de Rede de Circuito.

Caso a rede trabalhe do modo apresentado no segundo caso, a rede será uma Rede de
Pacotes.

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2 – Rede De Circuito

Em uma Rede de Circuito, a comunicação entre dois elementos de rede será realizada em
uma conexão dedicada, isto é, uma conexão que foi criada para a realização da
comunicação entre os dois elementos de rede e que será mantida durante todo o tempo de
troca de informações com todos os seus recursos reservados para o atendimento daquela
comunicação. Apenas quando a comunicação entre os dois elementos terminar, os recursos
utilizados serão liberados para outra comunicação.

Por exemplo, se dois elementos de rede


precisam realizar alguma troca de
informações, a primeira tarefa a ser
realizada é encontrar um caminho de
comunicação entre estes dois elementos.

Figura 1: Solicitação de Caminho

Quando um caminho entre os dois


elementos é encontrado, os recursos
disponíveis neste caminho ficarão
reservados durante todo o período de
comunicação.

Figura 2: Caminho reservado

Quando o elemento verde enviar alguma


informação para o elemento azul, esta
informação obrigatoriamente passará pelo
caminho reservado para a comunicação.

Figura 3: Envio de Informação

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O mesmo acontece quando o elemento
azul envia uma informação para o elemento
verde. Caso acontece alguma falha no
caminho, que interrompa a sua utilização, a
comunicação entre os dois elementos será
automaticamente cancelada.
Figura 4: Envio de Informação

Um exemplo de rede de circuito é a Rede Telefônica Residencial.

3 – Rede De Pacote

Em uma Rede de Pacote, a comunicação entre dois elementos de rede será realizada em
uma conexão temporária, isto é, uma conexão que foi criada para a realização da troca
momentânea de informação os dois elementos de rede e que será mantida apenas durante a
troca desta informação.

A informação completa será dividida em várias partes menores, e será juntada quando
chegar ao destino. Cada parte menor da informação é chamada de Pacote de Informação.
São os pacotes que serão juntados, de maneira ordenada, no destino, para se ter a
informação completa novamente.

Quando a informação tiver chegado ao destino, os recursos reservados no caminho utilizado


serão liberados para outra comunicação.

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Quando o elemento verde enviar alguma
informação para o elemento azul, esta
informação será dividida em vários pacotes,
e cada pacote utilizará um caminho, não
sendo necessariamente o mesmo caminho
utilizado por algum pacote.
Figura 5: Solicitação de Caminho

Quando um caminho entre os dois


elementos é encontrado, os recursos
disponíveis neste caminho ficarão
reservados temporariamente, apenas para
que seja enviado um pacote de informação

Figura 6: Caminho reservado

O primeiro pacote será enviado, e


percorrerá o caminho reservado. Ao
receber a informação, o elemento azul
envia um sinal de confirmação, avisando o
elemento verde que pode enviar outro
pacote, e liberando os recursos utilizados
Figura 7: Envio de Pacote
na rede.

Como os recursos disponíveis no


caminho estão liberados, eles podem ser
utilizados para outras comunicações de
outros elementos da rede.

Figura 8: Caminho liberado

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Quando o elemento verde enviar outro
pacote para o elemento azul, um novo
caminho deverá ser reservado para o envio
deste pacote.

Figura 9: Envio de Pacote por novo caminho

O segundo pacote irá percorrer o novo


caminho reservado, e após o envio, o
caminho utilizado será liberado.

Figura 10: Solicitação de Caminho

Essas operações de “Reserva de Caminho”


e “Envio de Pacote” continuarão até que
todos os pacotes sejam enviados.

Caso haja alguma interrupção em um


caminho, outro caminho será escolhido.
Figura 11: Caminho reservado

Como a rede neste caso é dinâmica, isto é, altera o caminho utilizado para a comunicação a
cada instante, a utilização dos recursos disponíveis é melhor aproveitada.

Um exemplo de Rede de Pacote é a Rede Ethernet.

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U NIDADE 6
Tecnologias De Transmissão

Objetivo: Aprender como são algumas técnicas utilizadas na transmissão de informações em


uma rede de comunicação.

1 – Introdução

Uma rede de comunicação pode utilizar diversas tecnologias para realizar a transmissão da
informação entre os elementos da rede. Nesta unidade veremos como são realizadas as
transmissões em algumas das tecnologias disponíveis.

O principal método de transmissão de informação atualmente é através de ondas


eletromagnéticas. Apesar de todas as ondas em sua natureza básica serem consideradas
Ondas Eletromagnéticas, nesta unidade será feita uma distinção entre:

 Emissão de ondas eletromagnéticas “clássicas”: rádio, TV, telefone, e outras;

 Emissão de ondas fotônicas: infra-vermelho e LASER;

2 - Ondas Eletromagnéticas

As ondas eletromagnéticas que veremos nesta seção são as ondas “clássicas”, utilizadas
para transmissões de rádio FM e AM, televisão, telefonia, redes de computadores, e outras.

Alguns cuidados devem ser tomados nestas transmissões eletromagnéticas, pois elas são
facilmente modificadas por fatores externos, causando degradação do sinal. Entre os fatores
que degradam o sinal transmitido estão: Ruído, Atenuação e Atraso, que serão vistos na
próxima unidade.

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2.1 - Sinal Analógico

Um Sinal é dito analógico quando em sua leitura toda a onda eletromagnética deve ser
analisada para se recuperar a informação. Um exemplo clássico são as transmissões de
televisão.

O sinal que é recebido pelos aparelhos de TV será lido por completo para ter-se a
informação necessária a ser exibida. As redes de telefonia também utilizam este tipo de
transmissão, mas algumas redes começam a adotar o sistema digital.

2.2 - Sinal Digital

Um Sinal é dito digital quando a sua leitura é realizada em momentos discretizados, isto é,
em espaço de tempo extremamente curto. Informações trafegadas em uma rede de
computadores geralmente são digitais, pois a leitura é realizada de maneira discretizada.

Na Unidade 07 estudaremos com mais detalhes as diferenças entre os sinais analógicos e


digitais.

2.3 - Cabo

Quando se utilizam cabos metálicos para a transmissão de ondas eletromagnéticas,


geralmente utilizam-se cabos de cobre, mas outros tipos de metais podem ser utilizados
também. Os cabos metálicos são chamados de “Guias de Ondas”, pois conduzem a onda
eletromagnética de um ponto a outro. A onda conduzida no interior do cabo pode sofrer
interferências externas, e para diminuir essas interferências, duas técnicas são utilizadas:
Proteção e Entrelaçamento. A Proteção do cabo tem como objetivo proteger o sinal
eletromagnético que está sendo guiado das interferências externas que podem existir no

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caminho, como Transformadores de Eletricidade, Tempestades, Ondas Eletromagnéticas
Atmosféricas Naturais, dentre várias outras, como pode ser visto nas figuras 1 e 2:

Figura 1: Sinal transmitido em cabo sem proteção sofrendo interferência

Figura 2: Sinal transmitido em cabo com proteção

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A utilização de cabos com proteção dependerá das condições do ambiente onde serão
instalados os cabos, e não da velocidade de operação ou largura de banda interna do próprio
cabo.

Inicialmente utilizava-se um cabo simples para a transmissão de informação, onde ele era
conectado em uma ponta no transmissor, e a outra ponta era conectada ao receptor. Esta
técnica foi utilizada por muitas décadas, desde a invenção do telégrafo, que foi o primeiro
método eficiente de transmissão de informação para locais distantes.

Descobriu-se que a utilização de cabos duplos entrelaçados aumentava a eficiência na


transmissão da informação, em relação aos cabos comuns, pois se conseguia diminuir as
interferências externas (inclusive dos próprios cabos), e também diminuía-se as perdas de
atenuação. Estes cabos são chamados de “Cabos de Par Trançado”.

Figura 3: Cabo de Par Trançado

Como as redes de comunicação começaram a ocupar espaços em empresas, prédios e


escritórios na década de 1950, esta foi uma escolha natural para a utilização em ambientes
pequenos ou fechados. Nestes locais, as interferências externas eram muito pequenas, e as
falhas por atraso ou atenuação eram insignificantes.

Para a utilização em longas distâncias, utilizava-se um conjunto maior de cabos de par


trançado, e também uma proteção externa, como pode ser visto na figura 4:

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Figura 4: Cabos para longa distância

Na figura 4 estão presentes 3 cabos duplos, mas em redes de comunicação podem existir
dezenas de cabos duplos em conexões de longa distância. Para evitar interferências mútuas
entre os cabos, os pares recebem um entrelaçamento diferenciado.

2.4 - Rádio

As ondas de rádio são semelhantes às ondas eletromagnéticas, exceto pela maneira como
são guiadas do transmissor ao receptor. Neste caso o “Guia de Onda” é o ar, e as ondas
eletromagnéticas são enviadas para todas as direções a partir do transmissor. As rádios AM
e FM utilizam este tipo de transmissão, e do mesmo modo que as emissoras de TV Aberta.

A utilização deste tipo de transmissão em redes de comunicação é feita quando se deseja


dar maior flexibilidade aos usuários da rede no aspecto da locomoção. Também pode-se
utilizar esta rede quando se deseja alcançar uma área geograficamente grande, onde a
instalação de cabos seria muito custosa.

Um problema nestas redes é que a interferência é um fator altamente impactante na rede,


pois como as ondas transmitidas trafegam sem proteção, qualquer fator externo pode ser um
causador de interferência e degradador de qualidade dos sinais transmitidos.

Veremos com mais detalhes as transmissões via rádio na Unidade 22.

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3 – Ondas Fotônicas

As ondas fotônicas também são ondas eletromagnéticas, mas estão separadas das ondas
“clássicas”, pois o índice de interferências de ondas fotônicas é bem menor. Estas ondas são
dificilmente degradadas por fatores externos, inclusive por fatores de mesmo tipo.

3.1 - Infra-Vermelho

As ondas infravermelhas são utilizadas em diversos tipos de equipamentos, desde controle-


remotos a computadores. Não são utilizadas em redes de comunicação complexas, a maioria
das utilizações é feita para comunicação entre dois aparelhos apenas.

Figura 5: Troca de Informação por Infravermelho

A velocidade de operação das comunicações é baixa, da ordem de 100 KBit/s, e atualmente


são pouco utilizadas para a troca de informação entre computadores.

3.2 - Laser

O raio laser atualmente é o maior alvo de investimentos na área de telecomunicações. Seu


uso tem-se mostrado extremamente benéfico em redes de longa e média distância,

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diminuindo-se custos e aumentando a capacidade da rede. As operações de comunicação
com raio laser iniciaram comercialmente na década de 1970, com o desenvolvimento dos
primeiros equipamentos de transmissão e recepção de laser.

As vantagens de utilização do raio laser são inúmeras:

 Maior velocidade de operação;

 Maior largura de banda de transmissão;

 Menor degradação por interferências.

As redes de comunicação por laser utilizam fibras óticas para a transmissão do sinal, mas já
existem projetos de pesquisa para a utilização de raios laser sem a utilização de fibras óticas.
A ideia é disparar o laser para um satélite, e assim aumentar ainda mais o alcance das
comunicações.

Maiores detalhes sobre a utilização de laser e fibra ótica serão vistos nas Unidades 10 e 15.

4 – Satélite

A comunicação por satélite iniciou praticamente com o


lançamento do primeiro satélite, o Sputinik em 1956. Neste
evento, o satélite transmitiu por algumas horas um sinal que
qualquer pessoa na Terra poderia captar. Na mesma década os
Russos iniciaram a construção de uma rede de satélites para
comunicação, com o objetivo de permitir que todos os cidadãos
(principalmente militares) na Rússia pudessem realizar uma
comunicação de qualquer ponto.

Atualmente as redes de comunicação são altamente

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beneficiadas pelas redes de satélites, pois com os satélites é possível interligar localizações
extremamente distantes entre si. Mas para a utilização de satélites de comunicação, duas
tecnologias devem estar desenvolvidas: a construção de satélites e o lançamento de
foguetes.

O Brasil desenvolve ambos os projetos, principalmente no Instituto de Tecnologia da


Aeronáutica, sendo o programa VLS, Veículo Lançador de Satélites o mais adiantado,
justamente para sair da dependência de outros países, e poder construir sua própria rede de
comunicação via satélite.

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U NIDADE 7
Transmissão De Sinais Eletromagnéticos

Objetivo: Conhecer os problemas relacionados à transmissão de sinais, e algumas técnicas


básicas de transmissão de informação.

1 – Introdução

Como foi visto na Unidade 06, as ondas eletromagnéticas podem ser separadas em dois
tipos de sinais:

 Sinal Analógico;

 Sinal Digital.

Nesta Unidade, veremos alguns efeitos que acontecem durante as transmissões, e algumas
técnicas de transmissão.

2 – Problemas Na Transmissão De Ondas Eletromagnéticas

Durante a transmissão de ondas eletromagnéticas, uma onda senoidal é gerada, e esta onda
representa uma determinada informação. A maneira como a onda é gerada sempre será
analógica, ou seja, a onda completa será gerada, como pode ser visto na Figura 1. Mas a
maneira como a onda será lida se diferencia em: Analógica ou Digital.

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Figura 1: Informação transmitida em uma Onda Eletromagnética

Antes de caracterizarmos as ondas analógicas e digitais, veremos que existem três


problemas que podem acontecer, isoladamente ou em conjunto: Ruído, Atenuação e Atraso,
durante as transmissões eletromagnéticas.

2.1 - Ruído

O Ruído é um tipo de degradação que altera a forma senóide da onda, tornando-a uma onda
não uniforme, como pode ser visto na figura 2. As causas do surgimento de ruído durante a
transmissão são várias, desde chuvas até linhas cruzadas.

Figura 2: Sinal recebido com ruído

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2.2 – Atenuação

A Atenuação é um tipo de degradação que surge basicamente pela perda de potência no


sinal transmitido, como pode ser visto na figura 3. A principal causa da perda de potência em
um sinal é a distância existente entre o elemento transmissor e o elemento receptor.

Figura 3: Sinal recebido com Atenuação

2.3 - Atraso

O Atraso é um tipo de degradação que surge por duas razões: distância entre o transmissor
e o receptor, e por questões de processamento de dados na rede de transmissão. O primeiro
caso é chamado de “delay”, e o segundo caso é chamado de “jitter”.

Figura 4: Sinal recebido com Atraso

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No pior caso, um sinal transmitido poderá chegar ao destino final com Ruído, Atenuação e
Atraso, e isso geralmente acontece. Por isso que, em alguns momentos, nas transmissões
de TV Aberta a imagem fica distorcida e o som apresenta “chiados”.

(a) Transmissão (b) Recepção

Figura 5: Sinal Transmitido e Recebido com várias interferências

3 - Sinal Analógico

Um Sinal é dito analógico quando em sua leitura toda a onda eletromagnética deve ser
analisada para se recuperar a informação. Um exemplo clássico são as transmissões de
televisão.

O sinal que é recebido pelos aparelhos de TV será lido por completo para ter-se a
informação necessária a ser exibida.

As redes de telefonia também utilizam este tipo de transmissão, mas algumas redes
começam a adotar o sistema Digital.

(a) Transmissão (b) Leitura


Figura 6: Transmissão e Leitura Analógica do Sinal

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Um exemplo típico de transmissão analógica é a transmissão televisiva. Neste caso, as
informações referentes à imagem e ao áudio são lidas diretamente na onda eletromagnética
transmitida.

Nas transmissões de televisão, quando acontecem os problemas de ruído, atenuação e


atraso, nitidamente percebemos isso, como pode ser visto na figura 7:

(a) (b)
Figura 7: Televisão com recepção normal (a) e com problemas (b)

Nas transmissões analógicas, as diferenças entre as informações transmitidas são


representadas na onda de diversas maneiras, as principais são: através da amplitude da
onda, da frequência ou da fase em que a onda se encontra. Essa diferenciação é chamada
de Modulação da Onda.

3.1 – Modulação Por Amplitude

A modulação em amplitude irá atuar na amplitude da onda, variando sua altura para
diferenciar as informações que necessitam ser transmitidas. Se houver uma quantidade
reduzida de informação para ser transmitida, haverá poucas amplitudes. Se houver uma
quantidade muito grande de informação a ser transmitida, as amplitudes serão bastante
variadas.

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Figura 8: Modulação em Amplitude para transmissão telefônica

As transmissões de rádio AM utilizam este tipo de modulação para o tratamento das ondas
sonoras transmitidas pelas frequências eletromagnéticas.

3.2 – Modulação Por Frequência

Na modulação em frequência, o sinal receberá uma variação em sua frequência de


ocorrência, para se distinguir as diferentes informações contidas nele.

Figura 9: Modulação em Frequência

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As transmissões de rádio FM e TV Aberta atualmente utilizam este tipo de modulação para o
tratamento das ondas sonoras e imagens.

3.3 – Modulação Por Fase

Na modulação por fase, a fase da onda será alterada a cada instante que se queira alterar
uma informação.

Figura 10: Modulação por Fase

4 - Sinal Digital

Um Sinal é dito digital quando a sua leitura é realizada em momentos discretizados, isto é,
em espaço de tempo extremamente curto. Informações trafegadas em uma rede de
computadores geralmente são digitais, pois a leitura é realizada de maneira discretizada.

(a) (b)
Figura 8: Transmissão e Leitura Digital do Sinal

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As transmissões de dados geralmente utilizam Sinais Digitais, pois os problemas de ruído,
atenuação e atraso, são facilmente contornados. Pois não é mais a onda inteira que será
analisada, apenas alguns pontos discretos da onda.

Existem várias técnicas para o tratamento digital das ondas eletromagnéticas, estas técnicas
são semelhantes às técnicas utilizadas na transmissão analógica, a diferença principal é que
ao invés de se chamar modulação, aqui as técnicas são chamadas de Chaveamento.

Os Sinais Digitais serão tratados com maiores detalhes na próxima Unidade.

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U NIDADE 8
Sinal Digital

Objetivo: Aprender os conceitos básicos de sinais digitais, como eles são formados e
transmitidos.

1 – Introdução

Na Unidade anterior foram demonstrados os problemas e técnicas da transmissão de sinais


analógicos. Os efeitos de interferência também podem acontecer na transmissão de sinais
digitais, mas as consequências são bastante reduzidas, e na maioria dos casos o sinal
original pode ser recuperado completamente.

Toda transmissão é analógica, e os Sinais Digitais são formados em ondas analógicas, mas
a sua construção e posterior leitura obedecem três regras:

 Amostragem: Discretização do sinal analógico original no tempo;

 Quantização: Discretização da amplitude do sinal amostrado;

 Codificação: Atribuição de códigos (geralmente binários) às amplitudes do sinal


quantizado.

2 – Transmissão De Sinais Digitais

A transmissão do Sinal Digital começará com o recebimento do sinal analógico. Será o Sinal
Analógico que passará pelas etapas de Amostragem, Quantização e Codificação.

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Figura 1: Sinal Analógico Original

2.1 – Amostragem

A fase de amostragem consiste em um processo onde são retiradas amostras do sinal


original que serão utilizadas para a reconstituição deste sinal original no lado do receptor.
Nyquist, através do Teorema da Amostragem, demonstrou que um sinal pode ser
perfeitamente reconstituído, se deste forem extraídas amostras com no mínimo o dobro da
frequência deste sinal.

Para aplicações em telefonia (4.000 Hz), a frequência de amostragem adotada


internacionalmente é de 8.000 amostras por segundo. Isto significa que o Sinal de Voz
transmitido será lida 8.000 vezes por segundo ao ser recebido, quando transmitido
Digitalmente (Se a leitura fosse analógica, então a quantidade de leituras seria “infinita”, pois
toda a onda seria lida).

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Figura 2: Amostragem do Sinal, em 6 amostras por segundo

2.2 - Quantização

Agora que temos o sinal analógico Amostrado, em forma de amostras ou pulsos PAM, ainda
analógicos, precisamos quantizar estes valores possíveis em um conjunto de valores que
possam ser representados por uma quantidade finita de bits, para obter um sinal digital. Esta
conversão é feita por um circuito chamado Conversor Analógico-Digital A/D.

Na Amostragem é definida a quantidade de leituras do sinal, na Quantização é definida a


maneira como o sinal será interpretado, por exemplo, na Modulação por Amplitude, esta
etapa define as amplitudes que serão consideradas.

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1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16

Figura 3: Quantização com 16 níveis de diferenciação de amplitude

2.3 - Codificação

Os valores quantizados anteriormente precisam ser codificados em sequências de bits, pois


um sinal digital binário só pode ter dois valores diferentes, "0" ou "1". Podemos ter 2n níveis
de valores quantizados.

Por exemplo, se for definido que na Modulação por Amplitude, serão diferenciados 256 níveis
de leitura da amplitude do sinal, então será necessário um código de 8 bits, que permita que
sejam quantizados até 256 níveis distintos.

0000 0001 0010 0011 0100 0101 0110 0111 1000 1001 1010 1011 1100 1101 1110 1111

Figura 4: Codificação dos níveis da Quantização

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2.4 – Resultado Final

Fazendo-se uma conta simples, em uma transmissão digital de voz, utilizando Modulação por
Amplitude, teríamos:

 Amostragem: 8.000 vezes por segundo;

 Quantização: 256 níveis de amplitude;

 Codificação: 8 bits;

 Resultado: 64.000 bits por segundo = 64 KBit/s.

 Este procedimento é chamado PCM, Pulse Code Modulation.

O PCM é a técnica mais utilizada dentro de um processo de digitalização de áudio, pois


produz uma aproximação razoável da voz humana. Porém, para se reproduzir
adequadamente sons mais complexos, como músicas, por exemplo, devem-se utilizar
técnicas mais sofisticadas.

Após a codificação do sinal analógico será gerada uma onda “quadrada”, que representará a
informação original. Esta onda pode ser representada de diversas formas: NRZ, NRZ Bipolar,
RZ, Manchester, AMI e várias outras.

 NRZ: Quando o bit é 0 o valor da Amplitude é zero, quando o bit é 1 o valor da


Amplitude é positivo;

+V

-V

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 NRZ Bipolar: Quando o bit é 0 a Amplitude é negativa, quando o bit é 1 a Amplitude é
positiva;

+V

-V

 RZ: Quando o bit é 0 a Amplitude é zero, quando o bit é 1 a amplitude é positiva em


metade da frequência, depois retorna à zero;

+V

-V

 Manchester: Altera a Fase da Onda quando o bit é alterado;

+V

-V

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 AMI: Altera a Amplitude da Onda quando encontra o bit 1, e mantém a Amplitude em
zero para o bit 0;

+V

-V

A figura abaixo demonstra as diferenças nas transmissões:

0 1 0 1 0 0 1 1 0 0 0 1 1 1

+V

NRZ

-V

+V

NRZ Bipolar

-V

+V

RZ

-V

+V

Manchester

-V

+V

AMI

-V

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Se uma transmissão digital utiliza Codificação Manchester, isto significa que o sinal é:
Amostrado, Quantizado, Codificado e enviado em uma Onda Quadrada do tipo Manchester.

+V

010100110 00111
-V

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U NIDADE 9
Cabos De Transmissão

Objetivo: Aprender como são os diferentes cabos de transmissão de dados em redes de


comunicação, e quais as diferenças entre eles.

1 – Introdução

Nesta unidade serão abordadas algumas características de alguns tipos de cabos de


comunicação. Não serão abordadas todas as características, pois algumas delas estão
relacionadas a fenômenos físicos.

A comunicação em rede pode ser feita tanto por cabo, quanto sem cabo. As comunicações
que utilizam cabo podem utilizar uma grande variedade de opções de cabos, e veremos
agora os principais cabos de cobre utilizados em redes de comunicações.

2 – Cabo Coaxial

Os cabos coaxiais foram utilizados nas comunicações de diversas operadoras de redes de


comunicação, e algumas continuam a utilizá-lo atualmente, principalmente as operadoras de
TV à Cabo. O nome “coaxial” refere-se ao fato de o cabo ser feito de vários revestimentos,
todos compartilhando o mesmo eixo central, ou seja, co-eixo, que é o significado da palavra
coaxial. Um exemplo de cabo coaxial pode ser visto na figura 1:

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Figura 1: Cabo Coaxial

As camadas deste cabo possuem cada uma, uma utilização diferente:

 Condutor Interno: utilizado para transmitir as informações pelo cabo coaxial;

 Isolante: separador entre o condutor interno e o condutor externo;

 Condutor Externo: utilizado como escudo de proteção para o condutor interno;

 Proteção: feita de plástico ou borracha, protege o interior do cabo coaxial.

O condutor externo não é utilizado para transmitir informações, a sua função é conduzir os
sinais eletromagnéticos externos, não deixando que os mesmos afetem o sinal
eletromagnético que está sendo transmitido pelo condutor interno.

Os cabos coaxiais foram grandemente utilizados em comunicações de longa distância, mas


atualmente estão sendo substituídos pelos cabos de fibra ótica, que possuem uma
velocidade de comunicação extremamente mais elevada. Um cabo coaxial opera em
velocidades da ordem de 10 MBit/s, com largura de banda de no máximo 20 MHz. As fibras
óticas, que serão discutidas na próxima unidade, operam com velocidades milhares de vezes
superiores.

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3 – Tipos De Cabos

Os cabos descritos nesta seção são todos formados por dois fios de cobre, entrelaçados. O
entrelaçamento é utilizado, pois se verificou que com ele é possível melhorar a qualidade do
sinal transmitido pelo cabo.

Como foi visto na Unidade 6, alguns cabos possuem ainda uma proteção metálica, esta
proteção é utilizada como um escudo, da mesma maneira que no cabo coaxial, ou seja, para
proteger o sinal dentro do fio de cobre interno de interferências externas.

Figura 2: Conjunto com vários cabos entrelaçados

Os cabos entrelaçados são classificados em Categorias, de 1 a 7.

3.1 – Categoria 1

Os cabos Categoria 1 são os mais simples e estão entre os primeiros a serem utilizados em
redes de telecomunicação padronizadas, ou seja, com um conjunto específico de regras que
definiam a rede de comunicação e a maneira como as informações trafegariam na rede.

Estes cabos são os cabos de telefone comum, formados por um par de fios de cobre, sem
proteção, e que operam com largura de banda de 8 Khz. Os cabos de Categoria 1
começaram a ser utilizados na década de 1950 para a comunicação entre computadores, e

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em alguns locais são utilizados até hoje para comunicação de computadores (protocolo
ISDN).

Este cabo não é mais padronizado pelos órgãos ANSI, TIA, EIA e ABNT. O fato de não ser
padronizados por esses órgãos significa que seu uso não é mais indicado, não
necessariamente proibido.

3.2 – Categoria 2

Os cabos Categoria 2 surgiram na década de 1970, e permitiam a comunicação à velocidade


de operação de até 4 MBit/s. Estes cabos foram utilizados em várias arquiteturas de rede
que surgiram na mesma década, sendo a arquitetura Token Ring a mais conhecida,
utilizando 2 pares de fios Categoria 2, ou seja, 4 fios de cobre.

Este cabo não é mais padronizado pelos órgãos ANSI, TIA, EIA e ABNT.

3.3 – Categoria 3

Os cabos Categoria 3 também surgiram no final da década de 1970, e foram escolhidos para
a versão 10BaseT da arquitetura Ethernet. Quando a arquitetura Ethernet se tornou um
padrão de fato, este tipo de cabo também se tornou padrão. Esses cabos operam com uma
largura de banda de até 16 MHz, e operam com velocidade de até 10 MBit/s.

Atualmente os cabos de telefonia comum utilizam 1 par de cabos Categoria 3, e algumas


redes de computadores mais antigas também utilizam esse tipo de cabeamento. Os cabos
de rede Ethernet Categoria 3 utilizam 4 pares de cabos, totalizando 8 fios.

Este cabo ainda é padronizado pelos órgãos ANSI, TIA, EIA e ABNT.

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3.4 – Categoria 4

Os cabos Categoria 4 surgiram no final da década de 1980, e são cabos que operam com
uma largura de banda de 20 MHz e velocidade de operação de 16 MBit/s. Estes cabos foram
utilizados na segunda versão das redes Token Ring, e em algumas implementações das
redes Ethernet 10BaseT.

Este tipo de cabo praticamente não foi utilizado, pois pouco tempo depois de seu lançamento
comercial foram lançados os cabos Categoria 5.

Este cabo não é mais padronizado pelos órgãos ANSI, TIA, EIA e ABNT.

3.5 – Categoria 5

Os cabos Categoria 5 surgiram no início da década de 1990, e foram amplamente utilizados


nas redes Ethernet 100BaseT e redes ATM. Estes cabos tornaram-se padrão na indústria de
comunicação, sendo utilizados até hoje.

A primeira versão dos cabos Categoria 5 operavam com largura de banda de 100 MHz, e
poderia ser utilizado para comunicações de dados e também de voz. Outras versões foram
lançadas para utilizarem larguras de banda diferentes, mas não foram padronizadas pelos
órgãos ANSI, TIA, EIA ou ABNT.

Um tipo de cabo Categoria 5 padronizado em 2001, que permitia seu uso em redes
1000BaseT em distâncias de até 100 metros, foi padronizado pelos órgãos ANSI, TIA, EIA e
ABNT, e recebeu a nomenclatura Categoria 5e, e o cabo Categoria 5 inicial não é mais
padronizado.

3.6 – Categoria 6

A versão seguinte à Categoria 5 é a Categoria 6, que pode ser utilizada para substituir os
cabos Categoria 3/5/5e. Os cabos Categoria 6 possuem capacidade para operarem com

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largura de banda máxima de 250 MHz, podendo ser utilizados tanto em redes 100BaseT
quanto em redes 1000BaseT, mas operando em uma distância máxima de 100 metros.

Quanto utilizados em redes Ethernet, são utilizados 4 pares de cabos Categoria 6, formando
os 8 pares necessários para um cabo Ethernet.

Um novo tipo de cabo Categoria 6 foi desenvolvido em 2008, recebendo a nomenclatura


Categoria 6a. Este novo cabo pode operar com largura de banda máxima de 500 Mhz e com
velocidade de operação de 10 Gbit/s, tornando-o apto a ser utilizado em redes 10GBaseT em
distâncias inferiores a 100 metros.

Figura 3: Cabo 1000BaseT Categoria 6 com escudo de proteção individual

Tanto a versão de 250 MHz quanto a versão de 500 MHz são padronizadas pelos órgãos
ANSI, TIA, EIA e ABNT.

3.7 – Categoria 7

O cabo que está em desenvolvimento atualmente é chamado de Categoria 7. Este cabo terá
uma largura de banda mínima de 600 MHz, e deverá alcançar a velocidade de operação de
100 GBit/s em uma distância de 100 metros.
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O desenvolvimento atual atingiu as metas de largura de banda e taxa de dados, mas ainda
não alcançou a meta da distância de 100 metros. O lançamento comercial deste tipo de cabo
está previsto para 2013.

3.8 – Diferenciação Entre Os Tipos Categoria 1 À 7

A diferenciação entre os tipos de cabo deste capítulo é muito simples, por exemplo, para
conseguir diferenciar um cabo Categoria 5 de um cabo Categoria 6, basta olhar a descrição
do tipo de cabo no próprio cabo, como pode ser visto na figura 4:

Figura 4: Cabos Categoria 5 e Categoria 6

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U NIDADE 10
Fibra Ótica

Objetivo: Conhecer os princípios básicos de funcionamento das fibras óticas.

1 – Introdução

Fibras Ópticas são fabricadas com fios de vidro puro, com o diâmetro aproximado de um fio
de cabelo humano. A transmissão da informação dentro da fibra é feita utilizando-se raios
LASER. Uma única fibra é suficiente para substituir um conjunto de dezenas de milhares de
cabos coaxiais.

Figura 1: Fibra Ótica e Cabos de Cobre

Os cabos de fibra ótica são feitos basicamente em 3 partes:

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Figura 2: Partes de um cabo de fibra ótica

 Núcleo: tubo de vibra de vidro;

 Refletor: material externo que envolve o núcleo e reflete o LASER, mantendo-o dentro
do núcleo;

 Protetor: revestimento plástico que protege a fibra de danos externos.

2 – Transmissão Da Informação

A informação trafega na fibra ótica utilizando-se raios LASER, que também são ondas
eletromagnéticas, mas possuem algumas características que as diferenciam das ondas de
radiofrequência. Os transmissores disparam o LASER de acordo com a informação que será
enviada, e o LASER trafegará dentro do Núcleo do cabo, sendo mantido preso pela camada
do Refletor.

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Existem basicamente 3 tipos (comprimentos de onda) de LASER que são utilizados, e que
são identificados como “Janelas de Transmissão”:

 1ª Janela: 850 nanômetros;

 2ª Janela: 1300 nanômetros;

 3ª Janela: 1550 nanômetros.

Os LASER's que são fabricados para operar na primeira janela de transmissão irão utilizar
um comprimento de onda com um valor próximo de 850 nM. Por exemplo: um transmissor
pode operar com LASER de 847 nM.

As fibras óticas são utilizadas em redes com sinais digitais, pois como é utilizado o LASER,
este “piscará” de acordo com os sinais digitais.

Figura 4: Transmissão de bits utilizando LASER

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A grande vantagem de utilização da fibra ótica, é que o LASER percorrerá o caminho interno
da fibra, o Núcleo, sem sofrer alteração em seu caminho, e com mínimas interferências
externas relacionadas a Ruído e Atraso.

Existem dois tipos de fibra, as fibras mono-modo e as fibras multi-modo. As características


destas fibras são as seguintes:

 Mono-Modo: fibra com núcleo fino, isto é, diâmetro do núcleo reduzido, cerca de 8
micrômetros.

 Multi-Modo: fibra com núcleo grosso, isto é, diâmetro do núcleo maior, cerca de 60
micrômetros.

As primeiras fibras eram Multi-Modo, pois eram as únicas que podiam ser fabricadas. O
problema com essas fibras era a interferência interna causada pela propagação da luz dentro
da fibra. Como o diâmetro da fibra é “grande” a luz refletia de maneira desorganizada dentro
da fibra, demonstrado na figura 5, e isso causava interferência no sinal transmitido.

Figura 5: Fibra Multi-Modo

Com o desenvolvimento de tecnologias que permitiam criar fibras com diâmetro do núcleo
menor, conseguiu-se construir uma fibra com diâmetro proporcional ao comprimento de onda

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utilizado na transmissão, e com isso reduziu-se a quantidade de reflexões internas na fibra,
reduzindo as interferências internas, e melhorando a qualidade do sinal transmitido.

Figura 6: Fibra Mono-Modo

As ondas transmitidas dentro da fibra praticamente não sofrem interferência externa, devido
a sua natureza, e com isso as fibras óticas são atualmente utilizadas em grande escala nas
transmissões em longa distância, tanto em cabos terrestres, quanto em cabos oceânicos.

Figura 7: Cabos Oceânicos

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As redes de fibra ótica operam em velocidades altíssimas, graças a novas tecnologias que
são desenvolvidas a cada dia. A principal delas é a utilização de mais de um comprimento de
onda dentro da mesma fibra, permitindo a transmissão simultânea de vários sinais digitais.

Figura 8: Transmissão de vários sinais na mesma fibra

Para realizar esta tarefa são utilizados equipamentos chamados Multiplexadores e


Demultiplexadores. São eles que agrupam e separam os diversos sinais dentro da fibra ótica.

Atualmente as fibras alcançam velocidade da ordem de GBit/s, e algumas empresas


desenvolveram fibras que alcançaram taxas de transmissão da ordem TBit/s.

Antes de dar continuidades aos seus estudos é fundamental que você acesse sua
SALA DE AULA e faça a Atividade 1 no “link” ATIVIDADES.

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U NIDADE 11
Redes Sem Fio

Objetivo: Aprender como são realizadas as comunicações nas redes sem fio.

1 – Introdução

As redes sem fio possuem a característica de realizarem a transmissão dos sinais


eletromagnéticos no próprio ar. Esta característica permite que os elementos que formam a
rede possam mudar de posição (com certas restrições), sem haver a necessidade de uma
realocação de outros equipamentos.

As redes sem fio têm sua comunicação baseadas em Antenas de Transmissão e Recepção.
São as antenas que emitem o sinal eletromagnético e enviam (ou recebem) a informação.

Figura 1: Transmissão sem fio

Para o funcionamento da rede sem fio, uma determinada frequência de operação será
utilizada. E todos os elementos da rede utilizarão a mesma frequência de operação. Cada
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país define um conjunto de frequências radiofônicas, e autoriza empresas a utilizarem essas
frequências e fabricarem equipamentos eletrônicos que operam nessas frequências.

2 – Frequências De Operação

Existem 2 tipos de frequências de operação radiofônica: Licenciada e Não Licenciada. As


frequências oficialmente regulamentadas em um país são ditas Licenciadas. Estas
frequências possuem regras definidas para a sua utilização, e para o tipo de conteúdo que
será transmitido nelas. No Brasil, por exemplo, é definido que as frequências entre 48 e 216
MHz serão utilizadas para transmissão de TV Aberta.

A diferença básica entre as frequências licenciadas e a não licenciadas não é a liberação da


autorização pelo governo federal, pois todas as frequências devem ser autorizadas, o que irá
diferenciar é o conteúdo que é transmitido na frequência. Se o tipo de conteúdo é definido
pelo governo, então a frequência é licenciada.

2.1 - Frequências Licenciadas

Como foi dito, as frequências licenciadas são as frequências regulamentadas pelo governo
de um país. No Brasil, algumas das frequências licenciadas são:

 Canais de TV Aberta em VHF:

o Faixas: 48 a 72 MHz, 76 a 87,5 MHz, 174 a 216 MHz;

 Canais de TV Aberta em UHF:

o Faixas: 470 a 806 MHz;

 Rádio Difusão:

o FM: 87,5 a 108 MHz;

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o AM: 520 a 1.610 KHz.

 Aviação:

o Faixas: 108 a 137 MHz;

 Radio Amador:

o Faixas: 144 a 148 MHz

 Telefonia Celular:

o 850: 824 a 849 MHz e 869 a 894 MHz;

o 900: 898,5 a 915 MHz e 943,5 a 960 MHz;

o 1800: 1.710 a 1.785 MHz e 1.805 a 1.880 MHz;

o 1900: 1.895 a 1.900 MHz e 1.975 a 1.980 MHz;

o 2100: 1.920 a 1.975 MHz e 2.110 a 2.165 MHz;

Em quase todos os Estados brasileiros, a emissora de TV no canal 6 também pode ser


ouvida na sintonização do aparelho de rádio. Isso acontece devido à proximidade da
frequência de operação do canal 6 com as operações das emissoras de rádio FM.

2.2 - Frequências Não Licenciadas

Qualquer frequência não licenciada pode ser utilizada, desde que se receba autorização do
governo para isso.

A frequência de 2.400 MHz não é licenciada em praticamente todos os países, e uma série
de aparelhos eletrônicos utiliza essa frequência: Telefones Sem-Fio, Controles Remotos,

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Redes Bluetooth, Wi-Fi, WiMAX, e várias outras. O conjunto de frequências entre 2.400 MHz
e 10.000 MHz possui uma grande quantidade de “espaços” não licenciados.

Para utilizar uma determinada faixa de frequência, uma empresa deve pedir autorização para
os governos dos países em que atuarão, e estes governos irão autorizar ou não a utilização
de frequências, e será a empresa que definirá como o conteúdo será controlado.

Por exemplo, os Telefones Sem-Fio utilizam a frequência de 2.400 MHz para a troca de
informações entre o Fone e a Base. Cada fabricante de aparelho de telefone sem-fio pode
tratar a informação com suas próprias regras, só deve obedecer 2 regras definidas pelos
governos: A frequência de operação deverá ser sempre de 2.400 MHz e o alcance da
comunicação não poderá ser maior que 10 metros.

A limitação do alcance de uma rede sem fio está relacionada com a Potência de Saída da
antena de transmissão. Se a antena tiver uma grande potência de saída, então a rede terá
um grande alcance, mas se tiver uma pequena potência de saída, a rede terá um alcance
reduzido.

É esta característica que se utiliza para definir os tipos de redes sem fio: PAN, WLAN,
WMAN e WWAN.

3 – Tipos De Redes De Comunicação

As redes sem fio são classificadas em PAN, WLAN, WMAN e WWAN, e cada uma tem as
seguintes características:

 PAN: Personal Area Network, ou Rede de Região Pessoal. Este tipo de rede existe
quase exclusivamente em ambientes sem fio, e o termo surgiu para a definição de
redes Bluetooth. Estas redes possuem um alcance muito pequeno, inferior a 10
metros, e por causa disso são utilizadas para a conexão de aparelhos pessoais de
uma única pessoa. Eventualmente duas redes PAN se conectam;

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 WLAN: Wireless LAN, ou LAN Sem Fio. Tem o mesmo tipo de definição das LAN's, a
diferença é que não utilizam fios para a comunicação entre os elementos de rede. As
redes Wi-Fi são um exemplo de WLAN;

 WMAN: Wireless MAN, ou MAN Sem Fio. Também são semelhantes às redes WAN,
com a diferença de não terem cabos conectando os elementos da rede. As Internet's
via Rádio são o melhor exemplo de redes WMAN, e as redes WiMAX são uma
promessa, ainda não totalmente concretizada;

 WWAN: Wireless WAM, que é o mesmo que WAN Sem Fio. Essas redes utilizam
transmissões sem fio para cobrirem grandes espaços geográficos. São utilizadas em
algumas áreas rurais, e o principal elemento na rede de comunicação é o Satélite
Espacial.

Maiores detalhes sobre as redes sem fio serão estudados nas Unidades 21, 22, 23, 24 e 25.

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U NIDADE 12
Protocolos De Transmissão

Objetivo: Conhecer as características gerais dos protocolos de transmissão, em meio físico,


de uma rede de comunicação.

1 – Introdução

Os protocolos de transmissão são a última (ou primeira) fronteira da informação em uma


rede de comunicação. São eles que irão transformar a informação em um sinal
eletromagnético, e enviá-lo de um ponto a outro da rede.

Para realizar esta tarefa, os protocolos de comunicação devem ser feitos considerando as
características do sinal que será transmitido e recebido, e também devem considerar a
ocorrência de interferências no sinal durante sua transmissão.

Ou seja, existem 2 características que devem ser analisadas na elaboração de um protocolo


de transmissão:

 Características do sinal;

 Interferências no sinal.

2 – Características Do Sinal

Como foi visto em Unidades anteriores, existem sinais analógicos e sinais digitais. Ao se
desenvolver um protocolo de comunicação, deve-se saber se o sinal na rede de
comunicação será analógico ou digital. Uma rede que possua um sinal analógico terá um
funcionamento ligeiramente diferente de uma rede que possua um sinal digital.

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2.1 – Rede Com Sinal Analógico

As redes tipicamente com sinais analógicos são: Rádio AM/FM, Televisão Aberta, e
Telefonia. O sinal analógico foi escolhido para estas redes, não apenas por questões de
custo, mas também pelo fato do tipo de informação que é trafegada na rede de comunicação:
voz e imagens. Estas informações são analógicas por natureza, pois não se pode fracioná-
las sem que haja perda de parte da informação original.

Como a informação trafegada na rede é analógica, a utilização de sinais analógicos torna o


“tratamento da informação” mais fácil e mais barato, pois não há necessidade de se aplicar
técnicas de conversão, ou transformação, do sinal complexas. Existe apenas a necessidade
de uma sincronização do sinal com a informação.

A informação será convertida em um sinal eletromagnético, chamado de Banda Base, e este


sinal será enviado através de outro sinal. O sinal utilizado para transmitir a Banda Base é
chamado de Sinal Portador ou Portadora do Sinal. Este sinal será transmitido pela rede de
comunicação, e ao chegar ao destinatário, será então removido para que seja feita a leitura
do sinal da informação.

As estações de rádio, por exemplo, possuem uma portadora facilmente identificável, pois as
portadoras são as próprias frequências de operação das rádios: 89.1 MHz, 92.5 MHz, 95.4
MHz, e várias outras. As frequências regulamentadas para a operação de Rádios FM são:
87,5 e 108 MHz.

Já no caso das emissoras de TV aberta, as frequências regulamentadas para a transmissão


são:

Canal Frequência (MHz)


1 48 a 54
2 54 a 60
3 60 a 66
4 66 a 72

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5 76 a 82
6 82 a 88
7 174 a 180
8 180 a 186
9 186 a 192
10 192 a 198
11 198 a 204
12 204 a 210
13 210 a 216

Inicialmente foram definidos 4 canais de operação, sendo o Canal 1 pertencente ao Governo


Federal. A concessão de canais era feita para operarem em uma determinada região,
geralmente limitados a um Estado. Mais tarde foram definidos mais 2 canais, 5 e 6. E depois
foram definidos os outros canais: 7 a 13. Os intervalos existentes entre os grupos de canais
são utilizados para outras operações (rádio amador, aviação, rádio policial, etc).

O Canal 1 foi separado originalmente para ser um canal nacional, pertencente ao Governo
Federal Brasileiro. Este canal jamais chegou a ser utilizado na prática, pois a maioria dos
Estados possuía a licença do Canal 2, e com o tempo foram integrando suas programações
e criando uma “rede nacional”, que agora começa a ter participação maior do Governo
Federal com a criação da TV Brasil.

2.2 – Rede Com Sinal Digital

As redes digitais começaram a ser utilizadas para a transmissão de dados entre


computadores. Com o desenvolvimento das primeiras redes de computadores na década de
1950, surgiu a necessidade de se criar um mecanismo específico para o tratamento de
dados, pois a utilização de sinais analógicos não estava garantindo um pleno funcionamento
das primeiras redes de computadores.

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Com isso foi desenvolvido o Sinal Digital. A diferença básica entre o sinal digital e o sinal
analógico é a maneira como ele será lido ao ser recebido: discretizado. E a partir disso,
também foram feitas alterações na maneira como ele será transmitido: ao invés de se utilizar
uma onda senoidal é utilizada uma “onda quadrada”. Na prática a onda quadrada é formada
por diminutas ondas senoidais.

Figura 2: Transmissão Digital da Informação

A onda transmitida continua sendo analógica, pois é gerada uma onda completa, a diferença
está no seu formato e na sua leitura. E da mesma maneira que a transmissão de sinal
analógico acontece em uma Portadora, aqui também haverá uma Portadora para a
transmissão do sinal digital.

As transmissões digitais utilizam várias técnicas auxiliares para melhorar ainda mais alguma
característica na transmissão. Estas técnicas foram abordadas na Unidade 8.

3 – Interferências No Sinal

As transmissões analógicas e digitais estão sujeitas a ocorrência de interferências. E nos


dois casos existem estratégias para a correção do sinal.

Nas duas transmissões, as interferências irão afetar tanto o sinal da informação quanto o
sinal da portadora. Para remover as interferências são utilizados “filtros” na rede de
comunicação. Estes filtros farão a leitura do sinal, removerão as interferências, e
encaminharão novamente o sinal para o destinatário. Estes filtros são geralmente chamados
de Regeneradores de Sinal.

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Figura 3: Transmissão com Filtros

Nas transmissões com sinal analógico é possível realizar a recuperação do sinal da


portadora, remover as interferências e enviar a informação. Mas no sinal da informação não
é possível realizar qualquer tipo de filtragem, pois não se tem como saber qual porção do
sinal é ruído e qual é informação. No sinal da portadora é possível saber isso, pois as
portadoras sempre possuem um sinal característico, com uma frequência e amplitude
definida.

4 – Definições Características Dos Protocolos De Transmissão

As definições características dos protocolos de transmissão são basicamente as seguintes:

 Sinal da Portadora;

 Sinal da Informação.

O sinal da portadora é essencial, pois ele será o principal fator de conexão entre os
elementos da rede. Não será possível dois elementos de rede se comunicarem, se o sinal da
portadora em ambos for diferente.

Outra característica importante é a definição do conteúdo que estará no sinal da informação,


não apenas de como ele será representado, mas quais informações estarão contidas no
sinal: se a modulação (ou chaveamento) for em amplitude, qual altura será considerada,
haverá informação diferente para níveis de altura diferentes, dentre outras questões.

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Para que a transmissão aconteça perfeitamente na rede de comunicação, todos os
elementos da rede devem transmitir as informações seguindo as mesmas regras, ou seja,
obedecendo ao mesmo protocolo.

Figura 4: Transmissão em Rede

Os protocolos que trabalham em Redes de Pacotes (Unidade 5) precisam dividir a


informação em vários pacotes, para transmiti-la na rede de comunicação. Os pacotes
possuem características básicas, independentes do protocolo utilizado, que são as
seguintes:

 Marcação do Pacote: no início do pacote existe um campo que caracterizará o sinal


na rede como sendo um pacote de informação. Em alguns protocolos também há um
campo semelhante marcando o final do pacote;

 Cabeçalho de Identificação: todos os pacotes possuem um cabeçalho informando


como é a informação que está sendo enviada, na verdade este cabeçalho geralmente
identifica o próprio protocolo;

 Informação: no próprio pacote estará contida uma parte da informação, em um campo


específico.

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A marcação do início do pacote é feita, pois estes protocolos irão realizar a transformação e
encaminhamento da informação em um meio eletromagnético. O campo de marcação de
início de pacote é utilizado para que cada elemento da rede, ao receber um pacote, consiga
reconhecer que é um pacote de informação.

Um detalhe importante é o seguinte: em uma mesma rede de comunicação não poderão ser
utilizados dois protocolos de transmissão diferentes simultaneamente. Seria o mesmo que
um brasileiro e um japonês tentarem conversar, falando cada um o próprio idioma.

Figura 5: Tentativa de comunicação com protocolos diferentes

Caso seja necessário utilizar mais de um protocolo de transmissão, a técnica utilizada para
permitir isso é o “tunelamento” ou “encapsulamento”. Se dois protocolos são utilizados em
um elemento da rede, então os mesmos dois protocolos serão utilizados em outro elemento
da rede para que a transmissão da informação aconteça de maneira correta.

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Figura 6: Tunelamento de Protocolos

Nas próximas Unidades serão vistos alguns dos principais protocolos de transmissão
utilizados atualmente.

FÓRUM I

A comunicação via cabos é atualmente de grande importância para o setor de


telecomunicações. Existe um esforço muito grande para diminuir a dependência das redes
em relação aos cabos, pois isso permitirá reduzir custos e melhorar o atendimento aos
usuários.

Mas os cabos ainda oferecem grandes vantagens em relação às redes sem fio. Discuta quais
as principais vantagens dos cabos em relação às redes sem fio no Fórum deste Módulo.

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U NIDADE 13
Arquitetura Ethernet

Objetivo: Aprender como é definida uma arquitetura Ethernet, quais são seus componentes e
como está o seu desenvolvimento atual.

1 – Introdução

A Arquitetura Ethernet foi originalmente desenvolvida como uma tecnologia para conexão de
redes locais. Esta arquitetura define um protocolo para o cabeamento utilizado, o formato dos
sinais elétricos, o formato dos pacotes de dados e o meio de acesso (MAC). A instituição
IEEE delegou a nomenclatura 802.3 para a arquitetura Ethernet.

Atualmente a Arquitetura Ethernet se tornou padrão em ambientes de rede local, e tem


estendido sua arquitetura para redes metropolitanas.

2 – Definição Da Arquitetura Ethernet

A principal motivação para o desenvolvimento da Ethernet foi a criação de um mecanismo


que permitisse a comunicação em rede através de mensagens. O nome ethernet é a junção
de duas palavras: ether (éter) e net (rede), que significaria algo como “rede universal”, pois
antigamente os físicos diziam que o éter era uma forma de matéria existente em todo o
universo (posteriormente descobriram que “existe” o Vacuum, que é o vácuo, que não é
matéria!).

O desenvolvimento desta arquitetura teve início da década de 1970, nos laboratórios PARC
da Xerox, onde foi criado um sistema para “Comunicação de Dados Multiponto com
Detecção de Colisão”. Os engenheiros responsáveis pelo desenvolvimento da arquitetura

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saíram da Xerox no final da década de 1970 e criaram uma empresa, a 3Com, e formaram
uma aliança junto com a Xerox, Intel e DEC para promoverem a arquitetura Ethernet como
opção às arquiteturas Tokken Ring (IBM) e ARCnet (Datapoint).

2.1 – Ethernet 1base5

A primeira versão da arquitetura Ethernet foi denominada 1Base5, e definia que a velocidade
de comunicação entre os elementos da rede seria de 1MBit/s através de um cabo de no
máximo 500 metros, utilizando cabos coaxiais, como pode ser visto na figura 1.

Figura 1: Arquitetura Ethernet 1Base5

A primeira versão não foi um sucesso, por dois motivos: o primeiro foi o fato de ser uma nova
arquitetura de comunicação lançada por uma nova empresa, o segundo motivo foi o custo de
operação, uma rede 1Base5 precisava de transmissores potentes e receptores com alta
capacidade de reconhecimento dos sinais, pois depois de 500 metros os sinais tinham muito
ruído e eram de difícil detecção.

2.2 – Ethernet 10Base5, 10Base2 E 10baset

A segunda versão da arquitetura Ethernet foi chamada de 10Base5, e definia que a


velocidade de comunicação entre os elementos da rede seria de 10MBit/s através de um
cabo de no máximo 500 metros. Novamente os custos de utilização não viabilizaram a

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utilização desta arquitetura, e então foi lançada outra versão, chamada de 10Base2, com a
mesma velocidade mas com alcance máximo de 200 metros, exemplificado na figura 2.

Figura 2: Arquitetura Ethernet 10Base2

No final da década de 1980 foi lançada mais uma versão da arquitetura Ethernet, que tinha
como objetivo reduzir os custos operacionais da rede, a nova arquitetura foi chamada de
10BaseT, e definia uma velocidade de comunicação de 10 MBit/s em um cabo de no máximo
100 metros, demonstrado na figura 3.

Figura 3: Arquitetura Ethernet 10BaseT

As definições da versão 10BaseT também incluíam o formato e modo de operação do cabo


de comunicação e o formato do conector ao meio de acesso. O cabo de comunicação,
chamado de Cabo Categoria 3, era formado por 4 pares de fios de cobre, sendo cada par
entrelaçado, e possuía uma largura de banda de até 16MHz com taxa de transmissão
máxima em 10MBit/s. Já o conector poderia ser tanto o Cabo Coaxial, quanto um novo
conector, formado por 8 contatos dispostos em linha, sendo denominado TIA-568A ou TIA-

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568B (conexão crossover), mas conhecido popularmente como RJ-45. Algumas placas
tinham os dois conectores, mas apenas 1 poderia ser utilizado.

(a) (b)

Figura 4: (a) Cabo Categoria 3 e (b) Conector TIA-568A

A versão Ethernet 10BaseT rapidamente tornou-se padrão de fato nas redes da maioria das
pequenas e médias empresas em todo mundo, possuindo também uma versão para
operação com fibra ótica denominada 10BaseF, operando à mesma velocidade mas com um
limite de distância de 2 quilômetros.

2.3 – Ethernet 100baset

Em meados da década de 1990 foi lançado seu sucessor, o 100BaseT, que definia a
velocidade de comunicação em 100MBit/s com alcance máximo de 100 metros. A versão
100BaseT utiliza os mesmos conectores da versão anterior, diferenciando no cabo de
comunicação, sendo utilizado o Cabo Categoria 5, que possui uma largura de banda de
100MHz e taxa de transmissão de 100MBit/s.

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Foi desenvolvida uma versão para ser utilizada
com cabos de fibra ótica, denominada
100BaseFX, com alcance máximo de 2
quilômetros. E posteriormente veio a versão
100BaseBX, que foi desenvolvida para
comunicações à longa distância, de no máximo
10 quilômetros, permitindo que dentro de uma
mesma cidade, como Vitória-ES, tenha-se uma
conexão Ethernet.

2.4 – Ethernet 1000baset

A versão seguinte da arquitetura Ethernet foi denominada 1000BaseT, que utiliza cabos
Categoria 5e, e permite a comunicação entre os elementos da rede a uma velocidade de 1
GBit/s.

Possui variações para curta distância, média distância com o 1000BaseLX alcançando 10
quilômetros, e longa distância, alcançando até 100 quilômetros na versão 1000BaseZX,
permitindo conectar uma grande região metropolitana como Grande São Paulo.

2.5 – Ethernet 10GBaseT

A versão seguinte da arquitetura Ethernet foi desenvolvida primeiramente para utilizar cabos
de fibra ótica para a conexão dos elementos de rede foi a 10GBaseR, mas em pouco tempo
houve uma versão para cabos de cobre denominada 10GBaseT, sendo a principal diferença
o aumento da velocidade para 10 GBit/s, utilizando cabos de cobre Categoria 7. Também
opera utilizando cabos de cobre, Categoria 6a, mas em distâncias inferiores a 15 metros.

Também possui versões para médias distâncias, 10GBaseL que alcança 10 quilômetros, e
para longas distâncias com o 10GBaseE, alcançando 40 quilômetros.

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2.6 – 100 Gigabit Ethernet e 40 Gigabit Ethernet

Existem duas versões em desenvolvimento da arquitetura Ethernet, conhecida, como


40GBaseT e 100GBaseT, ou 40GigE e 100GigE, e possibilitarão a comunicação na rede em
velocidades de 40 à 100 GBit/s. Estas versões permitirão a comunicação em distâncias de
10 quilômetros utilizando cabos de fibra ótica, mas apenas 10 metros através de cabos de
cobre.

3 – Pacote de Transmissão

O pacote de transmissão Ethernet é organizado e acordo com a figura 6:

Figura 6: Pacote de transmissão Ethernet

Os campos possuem os seguintes conteúdos:

 Marcador Inicial: 1 byte, indica o início do pacote, sendo preenchido os primeiros 6


bits com 0 e 1 alternados seguidos de dois bits 1.

 Destino: informação de 6 bytes indicando o endereço MAC de destino da informação.

 Origem: informação de 6 bytes indicando o endereço MAC de origem da informação.

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 Tipo: 2 bytes indicando o tipo de informação que está sendo enviada, podendo variar
entre: Ipv4, IPX, Novell, MPLS, PPPoE, AppleTalk, dentre outros. Cada tipo possui um
código específico.

Uma lista completa dos tipos de informação pode ser vista em:

http://www.iana.org/assignments/ethernet-numbers

 Dados: varia de 46 a 1500 bytes, e armazena a informação que de fato está sendo
enviada no pacote.

 CRC32: 4 bytes para controle de transmissão, são gerados pelo transmissor e


verificados pelo receptor.

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U NIDADE 14
Arquitetura Token Ring

Objetivo: Conhecer as características da arquitetura Token Ring.

1 – Introdução

A arquitetura Token Ring foi inicialmente desenvolvida pela empresa IBM, no final da década
de 1970, e utilizada comercialmente no início da década seguinte, e tinha como objetivo criar
um protocolo de comunicação em ambientes de rede local formado por microcomputadores e
minicomputadores. Esta arquitetura recebeu o código 802.5 pelo IEEE.

A arquitetura Token Ring ficou praticamente restrita aos equipamentos para redes locais
feitos pela IBM, sendo poucas as empresas que desenvolveram tecnologias compatíveis (a
IBM era uma empresa que não abria seus projetos para desenvolvimento de terceiros).

Esta arquitetura praticamente não é mais utilizada, sendo quase totalmente substituída pela
arquitetura Ethernet.

2 – Desenvolvimento

A primeira versão comercial da arquitetura Token Ring especificada um protocolo com


velocidade de operação de 4 MBit/s e conectores universais chamados de “Conectores de
Dados IBM”. Os conectores IBM tinham a capacidade de se conectar em qualquer
extremidade Token Ring (e na maioria dos equipamentos desenvolvidos pela IBM), não havia
diferenciação entre o conector “macho” e o conector “fêmea”.

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Figura 1: Conector de Dados IBM

A segunda versão da arquitetura Token Ring foi lançada comercialmente no final da década
de 1980, e aumentava a velocidade para 16 MBit/s.

Na década de 1990 foi desenvolvida uma nova versão, para competir com a arquitetura
Ethernet que na época alcançava 100MBit/s, e esta terceira versão também operava à
velocidade de 100MBit/s, mas já era praticamente o fim do ciclo de vida da arquitetura Token
Ring. Uma quarta versão chegou a ser planejada, operando à 1000MBit/s, mas nunca
chegou a ser lançada comercialmente pela IBM.

Uma característica da arquitetura Token Ring é a utilização da Codificação Manchester para


a realização da comunicação, que permite uma sincronização “automática” entre os
elementos da rede.

3 – Protocolo De Comunicação

A arquitetura Token Ring define a comunicação em uma rede circular, ou seja, uma Rede em
Anel. Além disso, sempre existirá dado trafegando na rede, independente de haver troca de
informação entre dois ou mais elementos da rede. Esta característica foi incluída na
arquitetura Token Ring para ser um mecanismo de sincronização automático entre os
elementos da rede.

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A primeira versão da arquitetura definia que apenas 1 pacote de informação poderia circular
na rede a cada instante, mas já na segunda versão permitia-se que vários pacotes
trafegassem na rede simultaneamente, através da utilização de um equipamento especial
chamado de “Monitor Ativo”, que monitorava os pacotes em tráfego na rede.

3.1 – Pacote De Transmissão

Existem três tipos de pacotes de transmissão: Pacote Token, Pacote de Dados e Pacote de
Cancelamento.

O pacote de Token é utilizado para manter o tráfego ininterrupto na rede e sincronizar os


elementos da rede.

O pacote de Dados transmitia as informações reais entre os elementos da rede.

Já o pacote de Cancelamento era utilizado quando um elemento que havia iniciado o envio
de dados precisava avisar o receptor de que o envio de dados seria cancelado (sem
especificar o motivo).

O Pacote Token pode ser visto na figura 2:

Figura 2: Pacote Token

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O Pacote de Dados pode ser visto na figura 3:

Figura 3: Pacote de Dados

E o Pacote de Cancelamento na figura 4:

Figura 4: Pacote de Cancelamento

A descrição dos campos é a seguinte:

Marcador Inicial: formado por 8 bits em um padrão especial que indicam o início de um
pacote Token Ring.

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Controle de Acesso: grupo de 8 bits indicando a Prioridade, Token de Dados, Monitoração,
e um espaço reservado: PPPTMRRR. Se o Token for de Dados o formato é: PPP1MRRR, se
o Token for de sincronização: PPP0MRRR.

Controle de Pacote: conjunto de 8 bits que indica o tipo de conteúdo que está sendo
enviado no pacote, se é um pacote de informação ou um pacote de controle.

Endereço de Destino: grupo de 6 bytes indicando o endereço de destino do pacote na rede.

Endereço de Origem: grupo de 6 bytes indicando o endereço de origem do pacote na rede.

Dados: porção de tamanho variável. Armazena a informação que está sendo enviada, e
pode ter no máximo 4500 bytes.

Checagem do Pacote: campo de 4 bytes que armazena o CRC para verificação de erro ao
ser recebido no destino.

Marcador Final: conjunto de 8 bits que indicam o final do pacote Token Ring.

Estado do Pacote: indica o estado do pacote, que indica se o pacote já foi recebido pela
máquina que ele havia sido endereçado. Provavelmente utilizado na primeira versão da rede
Token Ring, ou mesmo apenas na fase de desenvolvimento da arquitetura.

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U NIDADE 15
Arquitetura SONET/SDH

Objetivo: Conhecer as arquiteturas SONET e SDH, como elas funcionam e quais as


características comuns.

1 – Introdução

A Arquitetura SONET foi desenvolvida nos Estados Unidos, no início da década de 1980, e
paralelamente na Europa era criada a arquitetura SDH. Estas duas arquiteturas são
compatíveis, e muitas vezes são referenciadas como SONET/SDH.

As duas arquiteturas surgiram como uma solução para comunicações de longa distância,
como uma solução que oferecia menores custos e maiores possibilidades que as adotadas
até então.

A sigla SONET significa Synchronous Optical Network, Rede Ótica Sincronizada. E a sigla
SDH significa Synchronous Digital Hierarchy, Hierarquia Digital Sincronizada.

As diferenças existentes referem-se à Taxa de Transmissão e Formato do Pacote de


Informação na primeira versão. A partir da segunda versão, ambas as arquiteturas adotaram
o mesmo formato de pacote.

2 – Descrição Do Funcionamento

A arquitetura SONET/SDH tem como base de funcionamento a utilização de Redes Óticas de


Transporte, e graças a esta tecnologia consegue alcançar desempenho bastante elevado, se
comparado com a utilização de Cabos Coaxiais.

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As taxas de transmissão, com valores aproximados, das arquiteturas SONET e SDH são
descritas na tabela 1:

SONET Taxa (MBit/s) SDH Taxa (MBit/s)


STS-1 50 - -
STS-3 150 STM-1 155
STS-12 600 STM-4 622
STS-24 1.200 - -
STS-48 2.400 STM-16 2.500
STS-192 9.600 STM-64 10.000
STS-768 38.500 STM-256 40.000
STS-3072 154.000 STM-1024 160.000
Tabela 1: Taxas de Transmissão da Arquitetura SONET/SDH

Como foi dito anteriormente, a partir da segunda versão, as arquiteturas SONET e SDH
adotaram o mesmo formato do pacote de informação. É a adoção do mesmo pacote que
torna as duas arquiteturas compatíveis entre si.

Para a comunicação dos pacotes nas redes SONET e SDH, são definidas 3 grandezas:
Seção, Linha e Caminho, como pode ser visto na figura 1:

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 Seção: é a conexão entre dois elementos na rede, independente da função do
elemento;

 Linha: é a conexão entre os clientes da rede e roteadores, e a conexão entre


roteadores;

 Caminho: é a conexão entre os clientes da rede.

Cada pacote é formado por 2430 bytes de Informação, sendo organizados em linhas de 270
bytes, da seguinte maneira:

 Cabeçalho de Seção: em azul, 27 bytes, contendo informações referentes às seções


de transmissão;

 Cabeçalho de Linha: em verde, 45 bytes, contendo informações referentes às linhas


de transmissão;

 Cabeçalho de Caminho: em vermelho, 18 bytes, contendo informações referentes às


seções de transmissão;

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 Dados: em cinza, 2340 bytes, contendo os dados que serão transmitidos;

As arquiteturas SONET e SDH são utilizadas para a construção de redes de longa distância,
que receberão um tráfego intenso de dados. Atualmente são projetadas redes que operam a
velocidades de comunicação de 160 GBit/s. Além dos Estados Unidos e Europa, estas
arquiteturas são utilizadas em diversos outros países.

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U NIDADE 16
Arquitetura ATM

Objetivo: Aprender o funcionamento de uma rede ATM, qual foi o seu propósito de criação e
como ela é utilizada nos dias atuais.

1 – Introdução

O protocolo de rede chamado de “Modo de Transferência Assíncrono”, em inglês


Asynchronous Transfer Mode, é um método de transmissão digital de dados utilizado desde
a década de 1980. A ideia inicial deste protocolo era o desenvolvimento de um protocolo
único para a transmissão de áudio e vídeo através de uma rede de telecomunicações para
uma região metropolitana, e também para a transmissão de imagens e textos. Este protocolo
é designado pela sua sigla em inglês: ATM.

Uma rede ATM possui um protocolo de Roteamento de Pacotes, que codifica a informação a
ser transmitida em pacotes de tamanho fixo, denominados Células de Transmissão, e
constroi uma camada de transporte de dados como um serviço operando na Camada 1 do
modelo OSI.

2 – Célula De Transmissão

A definição central de uma rede ATM é a Célula de Transmissão. Este conceito foi elaborado
para que houvesse uma otimização no uso das redes ATM. As Células foram planejadas
para transmitir pequenos pacotes de dados, e com isso diminuir a perda de jitter na
multiplexação da transmissão.

Como o propósito da criação da rede ATM era a transmissão de áudio e vídeo, era essencial
a criação de um protocolo que maximizasse o tempo de transmissão das informações. Nos
protocolos TCP/IP e Ethernet, a transmissão de pacotes de dados de tamanhos diferentes
não é eficiente para a transmissão de informação em tempo real, pois como os pacotes

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possuem tamanhos diferentes, o tempo de transmissão de cada pacote também será
diferente, com isso pacotes pequenos são concluídos rapidamente, porém pacotes grandes
são concluídos lentamente.

Como as redes de interconexão possuem um tráfego muito grande de informação de várias


origens diferentes, se um pacote de voz chegar após um pacote grande de informação, a
informação de voz pode ser desnecessária quando for transmitida e concluída. Para evitar
esse acontecimento, a Célula ATM possui um tamanho fixo e pequeno. Assim, todos os
pacotes são tem sua transmissão concluída no mesmo intervalo de tempo, podendo-se então
realizar um melhor planejamento e gerenciamento da informação que é transmitida pela rede
ATM.

Em uma rede TPC/IP um pacote de dados pode conter até 1500 bytes, o que pode ocasionar
um grande tempo de atraso na transmissão de informação. Já em uma rede ATM as células,
que são os pacotes de dados, possuem sempre 53 bytes, sendo 5 bytes para o cabeçalho e
48 bytes de dados. Na figura 1 temos o formato de uma célula ATM.

No planejamento da Célula de Transmissão da rede ATM foram definidos dois tipos de


células: uma célula para ser utilizada durante a transmissão dentro de uma rede de
interconexão, e outra célula para ser utilizada na transmissão da informação para o usuário:

Figura 1: Rede ATM com dois tipos de células de transmissão

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A velocidade de transmissão utilizada nas redes ATM de 155 Mbit/s foi escolhida por causa
do protocolo SDH, que na época da criação da rede ATM, oferecia esta velocidade de
transmissão.

3 – Serviços Disponibilizados

Em uma rede ATM pode-se escolher o tipo de serviço através da Camada Adaptativa ATM,
em inglês ATM Adaption Layer, AAL. São oferecidas 5 classes de serviços:

 AAL1 para Taxa Constante de Bits com transmissão Síncrona,

 AAL2 para Taxa Variável de Bits com transmissão Síncrona,

 AAL3 para Taxa Variável de Bits com transmissão Assíncrona,

 AAL4 para Taxa Variável de Bits com transmissão Assíncrona,

 AAL5 para Taxa Variável de Bits com transmissão Assíncrona,

O serviço AAL2 é utilizado para transmissão de Voz em uma rede ATM, e o serviço AAL5 é
utilizado para o transporte de dados TCP/IP em uma rede ATM.

4 – Transporte De Informação

Na rede ATM o transporte de informação é feito utilizando-se os Circuitos Virtuais, que são
conexões estabelecidas para o atendimento de uma determinada requisição. O circuito
virtual é formado pelos componentes da rede ATM utilizados para a conexão entre dois
pontos de comunicação. Além disso, também é definido o Caminho Virtual, que é formado
pela ligação entre dois componentes da rede ATM.

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Figura 2: Circuito Virtual conectando os componentes B1 e A5

Na figura 2 pode-se ver a formação de um circuito virtual, em vermelho, conectando os


componentes B1 à A5. Neste circuito virtual existem 4 caminhos virtuais: B1 à A2, A2 à A3,
A3 à B4 e B4 à A5.

Cada célula ATM possui um campo para a designação do Identificador de Caminho Virtual e
Identificador de Circuito Virtual. E é a célula que efetivamente realizará o transporte da
informação em si. O diagrama básico de uma célula ATM pode ser visto na figura 3:

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Figura 3: (a) Célula para Usuário e (b) Célula de Interconexão

Um usuário de uma rede ATM geralmente realiza o acesso através de uma conexão ADSL
ou ISDN. As redes ATM possuem uma boa relação custo/benefício quando o usuário acessa
a rede a uma velocidade de até 2 Mbit/s, acima desse valor as redes ATM não são uma
opção viável, pois a rede de interconexão possui o limite de 155 Mbit/s de operação. Uma
conexão de acesso de 10 Mbit/s, por exemplo, permitiria o uso simultâneo de no máximo 16
usuários, para que todos realmente tenham 10 Mbit/s.

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U NIDADE 17
Arquitetura X.25

Objetivo: Entender a estrutura básica de funcionamento da Arquitetura X.25

1 - Introdução

A Arquitetura X.25 foi desenvolvida no início da década de 1970, e deveria oferecer


segurança e confiabilidade no tráfego de dados em redes de telecomunicações analógicas.

Esta arquitetura é descrita como sendo a primeira arquitetura de rede de longa distância com
comutação de pacotes. Foi através da comutação de pacotes que se conseguiu alcançar os
dois objetivos planejados.

2 - Funcionamento Do X.25

Os dispositivos que fazem parte de uma rede X.25 são divididos em duas categorias:

 Equipamento Terminal de Dados (DTE): são considerados os equipamentos terminais


para uma rede específica e tipicamente localizada nas instalações de um cliente. Os
equipamentos, inclusive, podem literalmente pertencer ao cliente. Os exemplos de
dispositivos DTE são terminais, computadores pessoais, roteadores e vários outros;

 Equipamento de Circuito de Dados (DCE): são os dispositivos que irão realizar a


comunicação interna na rede X.25. A finalidade do equipamento DCE é proporcionar
os serviços de Sincronização e Comutação na rede. São os dispositivos que
transmitem realmente dados.

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Figura 1: Diagrama de uma Rede Frame Relay

Para a realização da comunicação entre dois clientes da rede X.25, a arquitetura irá construir
um caminho de ligação entre estes dois elementos. Este caminho é chamado de Canal de
Comunicação.

As trocas de pacotes são feitas dentro de um Canal de Comunicação, que ficará reservado
para uso entre os clientes da rede. Se o Canal for interrompido por algum motivo
(rompimento físico de algum cabo), então um novo Canal de Comunicação será reservado.

Para enviar um pacote de informação, um DTE precisará de apenas duas informações


referentes à rede: Qual o Destinatário e Qual Caminho deverá ser utilizado. Para enviar a
confirmação de recebimento do pacote, o destinatário só precisará saber o caminho utilizado,
e esta informação está contida no próprio pacote recebido.

Os DCE's armazenam em suas memórias números de identificação para os caminhos


utilizados, e isto é utilizado para organizar o tráfego de pacotes dentro da rede X.25.

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3 - Formato Do Pacote

O Pacote da arquitetura X.25 é organizado da seguinte maneira:

Figura 2: Formato do Pacote X.25

A descrição dos campos é a seguinte:

 Marcador Inicial e Final: Indicam o início e fim do bloco, têm o valor 01111110;

 Identificador: Identifica a forma do pacote;

 Canal: Possui duas informações

O número do canal lógico;

O número do grupo.

 Controle: É usado para diferenciar os diversos tipos de pacotes:

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Tipo de Pacote Do DTE para o DCE Código Do DCE para o DTE
CALL REQUEST 00001011 INCOMING CALL
Estabelecer ou CALL ACCEPTED 00001111 CALL CONNECTED
Desativar uma
conexão CLEAR REQUEST 00010011 CLEAR INDICATION
DTE CLEAR CONFIRMATION 00010111 DCE CLEAR CONFIRMATION
Transmissão DTE DATA xxxxxxx0 DCE DATA
DTE INTERRUPT 00100011 DCE INTERRUPT
Interrupção DTE INTERRUPT DCE INTERRUPT
00100111
CONFIRMATION CONFIRMATION
DTE RR xxx00001 DCE RR
Controle DTE RNR xxx00101 DCE RNR
DTE REJ xxx01001 -
DTE RESET REQUEST 00011011 DCE RESET INDICATION
RESET
DTE RESET CONFIRMATION 00011111 DCE RESET CONFIRMATION
RESTART REQUEST 11111011 RESTART INDICATION
RESTART DTE RESTART DCE RESTART
11111111
CONFIRMATION CONFIRMATION

 Destinatário: É usado para identificar o receptor de um comando, e o transmissor de


uma resposta.

 Dados: contém os dados a serem transmitidos, pode ter até 16.000 bytes de
comprimento;

 FCS: Utilizado para realizar a verificação da integridade dos dados ao serem


recebidos no Destino final.

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U NIDADE 18
Arquitetura Frame Relay

Objetivo: Entender a estrutura básica de funcionamento do protocolo Frame Relay.

1 – Introdução

A arquitetura Frame Relay foi desenvolvida para redes de longa distância e de alta
capacidade. Originalmente desenvolvido para ser utilizado em conjunto com os Serviços
Integrados de Redes Digitais (Integrated Services Digital Network, ISDN).

O Frame Relay é descrito frequentemente como uma versão de alta velocidade do X.25, com
a seguinte diferença: não faz checagem da entrega nem verificação de erro dos pacotes. Isto
permite ao Frame Relay oferecer um desempenho mais elevado que o X.25.

2 - Padronização Do Frame Relay

As propostas iniciais para a padronização do Frame Relay foram apresentadas ao CCITT em


1984. Por causa da falta da interoperabilidade e da falta da padronização completa,
entretanto, o Frame Relay não conseguiu uma distribuição significativa durante o final da
década de 1980.

O desenvolvimento principal na história de Frame Relay ocorreu em 1990 quando as


empresas Cisco, Digital Equipment Corporation (DEC), a North Telecom e StrataCom deram
forma a um consórcio para centrar sobre o desenvolvimento de tecnologia do Frame Relay.
O consórcio desenvolveu uma especificação que se conformasse ao protocolo básico do
Frame Relay que era discutido no CCITT, mas estendeu o protocolo com características que
fornecem capacidades adicionais para ambientes complexos do funcionamento entre redes.
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As extensões do Frame Relay são referidas coletivamente como a Interface de
Gerenciamento Local (Local Management Interface, LMI).

Desde que a especificação do consórcio foi desenvolvida e publicada, muitas outras


empresas anunciaram seu apoio a esta definição estendida do Frame Relay. O ANSI e o
CCITT padronizaram posteriormente suas próprias variações da especificação original de
LMI.

Internacionalmente, o Frame Relay foi padronizado pela ITU e, nos Estados Unidos, é um
padrão ANSI.

3 – Funcionamento Do Frame Relay

Os dispositivos que fazem parte de uma WAN Frame Relay são divididos em duas
categorias, e funcionam de maneira praticamente idêntica ao X.25:

 Equipamento Terminal de Dados (DTE);

 Equipamento de Circuito de Dados (DCE).

Figura 1: Diagrama de uma Rede Frame Relay “Real”

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4 - Formatos Do Pacote

Para entender o funcionamento do Frame Relay é útil compreender a estrutura do bloco de


transmissão do Frame Relay.

Figura 21.2: Formato do Bloco no Frame Relay

Descrição dos campos:

 Marcador Inicial e Final: Indicam o início e fim do bloco, têm o valor 01111110;

 Destinatário: varia de 1 a 4 bytes, e é dividido nas seguintes partes:

o DLCI: é o cabeçalho do pacote Frame Relay, possui 10 bits de tamanho;

o Endereço Estendido;

o C/R: reservado para os programas que utilizam Frame Relay;

o Congestion Control.

 Dados: contém os dados a serem transmitidos, pode ter até 16.000 bytes de
comprimento;

 FCS: Utilizado para realizar a verificação da integridade dos dados ao serem


recebidos no Destino.

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Apesar de possuir um campo para verificação de erros, a arquitetura Frame Relay não
realiza nenhuma verificação em nível de equipamento (na placa), deixando esta verificação
para os programas que utilizam a rede Frame Relay.

O formato do pacote Frame Relay é muito semelhante ao pacote X.25, mas percebe-se
claramente que os campos de controle do X.25 não estão presentes no Frame Relay. Foi
exatamente esta alteração que permitiu ao Frame Relay alcançar maior desempenho.

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U NIDADE 19
Arquitetura ISDN

Objetivo: Conhecer os conceitos básicos da arquitetura ISDN e como funcionam os


equipamentos pertencentes a ela.

1 – Introdução

ISDN é a sigla para Integrated Services Digital Network. Essa tecnologia também recebe o
nome de RDSI - Rede Digital de Serviços Integrados. Trata-se de um serviço disponível em
centrais telefônicas digitais, que permite acesso à internet e baseia-se na troca digital de
dados, onde são transmitidos pacotes sobre condutores de "par-trançado".

A arquitetura ISDN já existe há algum tempo, tendo sido consolidada entre os anos de 1984
e 1986. Através do uso de um equipamento adequado, uma linha telefônica convencional é
transformada em dois canais de 64 KBit/s, onde é possível usar voz e dados ao mesmo
tempo, sendo que cada um ocupa um canal. Também é possível usar os dois canais para
voz ou para dados. Visto de modo grosso, é como se a linha telefônica fosse transformada
em duas.

2 - Funcionamento

A arquitetura ISDN possui um padrão de transmissão que possibilita aos sinais que trafegam
internamente às centrais telefônicas serem gerados e recebidos em formato digital no
computador do usuário, sem a necessidade de um modem. No entanto, para ser ativado o
serviço ISDN em uma linha telefônica, é necessário que sejam colocados equipamentos
ISDN na casa do usuário e que a central telefônica na qual a linha do assinante esteja
conectada seja preparada para o serviço ISDN.
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Enquanto as linhas telefônicas convencionais geralmente transmitem a uma taxa de 28,8 a
56 KBit/s, os dispositivos ISDN comuns podem transmitir a 64 ou 128 KBit/s por segundo.
Essa velocidade é inferior à das redes locais que têm suporte de tecnologias de
comunicação de dados de alta velocidade, mas superior à das linhas telefônicas analógicas.

Uma linha ISDN precisa ser instalada pela companhia telefônica no local e no servidor de
acesso remoto. Além disso, um adaptador ISDN deve ser instalado no lugar de um modem
no seu computador e no servidor de acesso remoto.

3 - Como Funcionam Os Equipamentos ISDN

A largura de banda de uma linha analógica convencional é de 4 KHz.

Numa linha digital ISDN esse valor é de 8 KHz, o que faz com que o sinal de 4 KHz não
exista mais, pois a interface da central de comutação na outra "ponta da linha" não trabalha
mais com sinais analógicos. Os circuitos eletrônicos da central telefônica efetuam a
equalização e detecção do sinal digital à 128 KBit/s, transmitido a partir do equipamento do
usuário.

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Essa técnica de transmissão na linha digital é a conhecida como "Híbrida com Cancelamento
de Eco". O equipamento do usuário recebe o fio do telefone proveniente da rede telefônica e
disponibiliza duas ou mais saídas: uma para o aparelho telefônico e a outra para a conexão
com o computador, geralmente via cabo serial.

Quando o equipamento do usuário é informado pela central telefônica que chegará até ele
uma chamada telefônica, ou quando o usuário aciona o aparelho telefônico para realizar uma
ligação, automaticamente um dos dois canais utilizados na transmissão a 128 KBit/s passa a
transmitir os dados à 64 KBit/s enquanto o usuário utiliza o telefone para voz, no canal
disponibilizado.

Após o término do uso de voz, o canal volta a ser usado para a transmissão de dados a 128
KBit/s. O Usuário pode acessar a internet e falar ao telefone no mesmo instante, de modo
semelhante ao xDSL.

O ISDN é uma espécie de atualização da linha telefônica, que não implica nenhuma
alteração nas instalações dos cabos da rede pública no par de fios que chega à casa do
usuário. Basta que nas pontas, na central telefônica e na casa do cliente, sejam implantados
os equipamentos adequados.

O par de fios usado pelas operadoras de comunicação no padrão analógico comporta


atualmente apenas um canal de 64 KBit/s. Não é à toa que os modems de 56 KBit/s, os mais
velozes até o momento, atingem menos dessa capacidade.

A transmissão com sinal analógico é mais sujeita a interferências, que fazem a qualidade da
transmissão cair, o que pode ser percebido na taxa de transferência de quem navega na
Internet. Mesmo com 56 KBit/s, o usuário dificilmente atinge velocidades acima de 45 KBit/s.

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U NIDADE 20
Arquitetura xDSL

Objetivo: Conhecer o funcionamento da aquitetura xDSL

1 – Introdução

DSL é a sigla para Digital Subscriber Line ou "Assinatura de Linha Digital". Trata-se de uma
arquitetura que permite a transferência digital de dados em alta velocidade por meio de
linhas telefônicas comuns. A cada dia, a tecnologia DSL ganha novos usuários, tanto é que
este é o tipo de conexão à internet em banda larga, mais usado no Brasil e um dos mais
conhecidos no mundo.

Existem várias versões desta arquitetura: ADSL, ADSL2, HDSL, VDSL, entre outras, sendo
geralmente chamadas de xDSL. Esta arquitetura é padronizada pelo ITU-T na norma G.992.

Quando uma linha telefônica é usada somente para voz, as chamadas utilizam frequências
baixas, com baixa largura de banda. A arquitetura xDSL aproveita a conexão do cliente com
a companhia para a transmitir dados em frequências maiores, com maior largura de banda,
suportadas pelas redes das companhias telefônicas. Como é possível usar mais de uma
frequência ao mesmo tempo na linha telefônica, é então possível usar o telefone para voz e
dados ao mesmo tempo.

Nesta Unidade veremos um pouco sobre funcionamento da arquitetura xDSL.

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2 - Funcionamento

A arquitetura xDSL basicamente divide a linha telefônica em três canais virtuais, sendo um
para voz, um para recebimento de dados em alta velocidade e um para envio de dados em
baixa velocidade. A diferença nas velocidades foi escolhida por razões de mercado, e não
técnicas, pois a ideia seria oferecer uma arquitetura de alta velocidade para a utilização de
serviços nas companhias telefônicas, tais como o acesso a Internet.

Figura 1: Separação da transmissão DSL

Como entre os três canais há um disponível para voz, então o usuário poderá falar ao
telefone e ao mesmo tempo navegar na internet, ou seja, não é necessário desconectar para
falar ao telefone. Para separar voz de dados na linha telefônica, é instalado na linha do
usuário um pequeno aparelho chamado Splitter. Nele é conectado um cabo que sai do
aparelho telefônico e outro que sai do modem.

Na central telefônica também há outro Splitter, chamado DSLAM, que é a sigla de “Digital
Subscriber Line Access Multiplexer”, ou Multiplexador de Acesso DSL. Assim, quando você
realiza uma chamada telefônica (voz), o sinal é encaminhado para a rede de comutação de
circuitos da companhia e prossegue pelo seu caminho natural. Quando você utiliza a
comunicação de dados, o sinal é encaminhado ao circuito de dados, sendo geralmente uma
rede ATM.

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Figura 2: Separação de Voz e Dados na DSLAM

A partir de meados da década de 1990 uma grande parte das redes metropolitanas e de
longa distância das companhias telefônicas já havia migrado para as arquiteturas ATM, ou
SONET/SDH, ou outras similares. Isso proporcionava uma qualidade muito grande, que não
era totalmente aproveitada pelos clientes das companhias, principalmente os clientes
domésticos.

A arquitetura xDSL funciona instalando-se um modem específico para esse tipo de conexão
na residência ou empresa do usuário e fazendo-o se conectar a um equipamento na central
telefônica. Neste caso, a linha telefônica serve de conexão para a comunicação entre esses
dois pontos. Essa comunicação ocorre em frequências acima de 4000 Hz, não interferindo na
comunicação de voz (que funciona entre 300 Hz e 4000 Hz).

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Como a linha telefônica é usada unicamente como um meio de comunicação entre o modem
do usuário e o DSLAM, não é necessário pagar pulsos telefônicos, pois a conexão ocorre por
intermédio do modem e não discando para um número específico, como é feito com o
acesso à internet via conexão discada.

Isso deixa claro que todo o funcionamento do xDSL não se refere à linha telefônica, pois esta
é apenas um "caminho", mas sim ao modem. Quando seu modem estabelece uma conexão
com o equipamento DSLAM, o sinal vai para um roteador, em seguida para o provedor e
finalmente para a internet. É importante frisar que é possível que este sinal saia diretamente
do roteador para a internet. No Brasil, o uso de provedor é obrigatório por regras da Anatel
(Agência Nacional de Telecomunicações).

Praticamente todas as empresas que fornecem xDSL só o fazem se o local do usuário não
estiver a mais de 5 Km da Central Telefônica. Quanto mais longe estiver, menos velocidade
o usuário pode ter e a conexão pode sofrer instabilidades ocasionais. Isso se deve ao
aparecimento de interferências entre um ponto e outro. Quanto maior essa distância, maior é
a ocorrência de interferência. Para que haja uma conexão aceitável é utilizado o limite de 5
km. Acima disso pode ser possível, mas inviável o uso de xDSL.

3 – Características das Versões DSL

As várias versões existentes da arquitetura DSL possuem algumas características comuns, e


outras características únicas em cada versão.

Versão Velocidade (MBit/s) Frequência (MHz) Distância (Km)


ADSL 8 1 5
ADSL2 12 1 5
ADSL2+ 24 2 5
HDSL 2 10 20
VDSL 50 30 1

A Velocidade representa a velocidade máxima de recebimento de dados (download)


alcançada pela versão, e a Distância, é a distância máxima que um modem deverá estar da
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Central Telefônica. Em praticamente todas as versões o limite de velocidade no envio de
dados (upload) é de 1 MBit/s.

A versão HDSL é a que alcança a maior distância, mas o seu custo de utilização é muito
elevado, pois exige a presença de amplificadores no cabo que conecta o modem do cliente e
a Central Telefônica.

Antes de dar continuidades aos seus estudos é fundamental que você acesse sua
SALA DE AULA e faça a Atividade 2 no “link” ATIVIDADES.

FÓRUM II

Um dos grandes desafios na área de telecomunicações é diminuir o excesso de informação


trafegada na rede. Em sua maior parte, este excesso de informação é gerado pelo excesso
de protocolos.

Antigamente fazia sentido ter uma séria de protocolos de comunicação, pois as redes eram
muito heterogêneas. Mas atualmente as redes são padronizadas, mas ainda existe uma série
de empecilhos que impedem a remoção de alguns protocolos.

Discuta no Fórum deste Módulo uma estratégia para reduzir o número de protocolos
utilizados atualmente nas redes de longa distância.

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U NIDADE 21
Comunicação Via Satélite

Objetivo: Conhecer os princípios básicos de uma rede via satélite.

1 – Introdução

A grande vantagem da conexão via satélite é a possibilidade de atender a grandes distâncias


e dispensar infraestrutura terrestre de telecomunicações.

Um sistema via satélite requer a instalação de uma antena parabólica e de um terminal de


satélite, que são equipamentos de custo elevado. Muitas vezes esses equipamentos são
fornecidos em regime de aluguel. Por esse motivo, uma conexão à Internet tende a ter custo
maior que as soluções compartilhadas oferecidas pelo mercado.

Os satélites de comunicação são na sua grande maioria do tipo Geoestacionários. São assim
denominados por serem colocadas em uma órbita sobre o equador de tal forma que o
satélite tenha um período de rotação igual ao do nosso planeta Terra, ou seja, 24 horas. Com
isso a velocidade angular de rotação do satélite se iguala à da Terra e tudo se passa como
se o satélite estivesse parado no espaço em relação a um observador na Terra.

A União Internacional de Telecomunicações (UIT) dividiu o espaço geoestacionário em 180


posições orbitais, cada uma separada da outra de um ângulo de 2°. O Brasil pleiteou 19
posições orbitais junto à UIT. Destas, atualmente sete se encontram designadas para uso
dos operadores brasileiros (Star One, Loral e Hispasat).

O satélite, do ponto de vista de transmissão é uma simples estação repetidora dos sinais
recebidos da Terra que são detectados, deslocados em frequência, amplificados e
retransmitidos de volta a Terra. Um satélite típico é composto de uma parte comum (“bus”)

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onde se encontram as baterias, paineis solares, circuitos de telemetria e a parte de
propulsão. Além do “bus” temos a carga útil (“payload”) composta essencialmente dos
circuitos repetidores, denominados “transponders”.

As frequências mais utilizadas para comunicação via satélite são:

 Banda C:

o Enviando à 5,8 a 6,4 GHz;

o Recebendo à 3,6 a 4,2 GHz.

 Banda Ku:

o Enviando à 14,0 a 14,5 GHz;

o Recebendo à 11,7 a 12,2 GHz.

Um transponder em banda C tem, tipicamente, 36MHz de largura de banda, enquanto que os


de banda Ku tem tipicamente 27MHz.

No Brasil durante muito tempo só se utilizou a banda C. Mais recentemente, a banda Ku vem
recebendo maior aceitação.

As aplicações onde a comunicação via satélite são mais indicadas são aquelas em que:

 Deseja-se espalhar a mesma informação, no link de descida, por uma região


geográfica muito extensa como, por exemplo, para a TV e a Internet;

 Deseja-se atingir localidades remotas como, por exemplo, campos de mineração,


madeireiras, propriedades rurais e suburbanos e postos em rodovias;

 Deseja-se que o tempo de implantação seja muito rápido, ou de uso ocasional, como,
por exemplo, para shows, rodeios, corridas de automóvel.

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2 - Funcionamento

Uma rede via satélite é composta de um conjunto de estações chamadas VSAT e uma
estação principal chamada HS, Hub Station.

A estação principal dispõe de antena maior e se comunica com todas as estações VSAT
remotas, coordenando o tráfego entre elas. A estação HS também funciona como ponto de
interconexão para outras redes de comunicação.

Uma estação VSAT é composta de duas unidades físicas distintas, a Unidade Externa (ODU
– “outdoor unit”) e a Unidade Interna (IDU – “indoor unit”).

Na ODU fica a antena de comunicação e os circuitos chamados RF, que são o transmissor e
o receptor propriamente dito.

Na IDU é feita a conexão direta com o computador, constituída essencialmente do modem. A


IDU se conecta à ODU por meio de cabos coaxiais onde a transmissão é feita em nível de
frequência intermediária (FI), geralmente na faixa de 2 GHz. A distância máxima que a ODU
pode ficar da IDU varia de 50 a 100 metros.

3 - Topologias

Como a comunicação feita pelos VSAT's obrigatoriamente passa pelo Satélite, então a
topologia de uma rede via satélite obrigatoriamente é uma topologia em Estrela.

Se um elemento de rede trocar informação com outro elemento “ao lado”, este tráfego deverá
passar pelo satélite.

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U NIDADE 22
Arquitetura WiMAX

Objetivo: Conhecer o funcionamento da arquitetura WiMAX e quais são suas especificações


de funcionamento

1 – Introdução

A arquitetura WiMAX é padronizada no


IEEE pela norma 802.16 desde 1999.
Esta norma define um conjunto de
regras para o funcionamento de redes
de telecomunicações sem fio em áreas
metropolitanas.

O nome WiMAX é uma marca


registrada, significa World
Interoperability for Microwave Access,
ou Interoperabilidade Global para
Acesso por Micro-ondas (de Rádio),
pertencente a organização WiMAX Forum, formada por diversas empresas de tecnologia,
que trabalham em conjunto para o desenvolvimento dessa tecnologia.

A norma 802.16 tem como objetivo definir a infra-estrutura para conexões de alta velocidade
em regiões metropolitanas, tanto para usuários empresariais quanto para usuários
domésticos, através da utilização de micro-ondas de rádio frequência.

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2 – Especificação

A primeira versão da arquitetura WiMAX definia um modelo de comunicação multiponto de


alta velocidade, operando em uma faixa de rádio de 10 GHz a 66 GHz, que não é
regulamentada na maioria dos países. Atualmente a faixa de frequência utilizada é outra,
entre 2,5 GHz e 11 GHz. A alteração foi feita em 2004, quando as primeiras
regulamentações oficiais para redes WiMAX surgiram.

Após a definição da primeira versão, foram separados 3 grupos de pesquisa para o


desenvolvimento do padão WiMAX:

 IEEE 802.16.1 – Desenvolvimento de Serviços Multiponto

 IEEE 802.16.2 – Compatibilização com sistemas existentes

 IEEE 802.16.3 – Utilização de frequências licenciadas

Uma diferença que o WiMAX tem em relação às arquiteturas Bluetooth e Wi-Fi é o fato de
utilizar uma antena fixa como centralizadora da comunicação. A arquitetura WiMAX se
assemelha à comunicação de telefones celulares: existe uma Antena Base e é ela que
conecta os elementos da rede WiMAX.

A arquitetura WiMAX ainda está em desenvolvimento e as empresas envolvidas em sua


evolução realizam testes em várias cidades do mundo, inclusive em várias cidades no Brasil,
como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Ouro Preto.

As arquiteturas em desenvolvimento utilizam as frequências entre 2,4 GHz e 5 GHz para


realizar os testes de comunicação em WiMAX.

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3 – Funcionamento

O WiMAX é desenhado para operar em um raio de cobertura que varia entre 3 e 10


quilômetros com a capacidade de até 40 MBit/s por canal para estações fixas ou portáteis.
Para as conexões móveis o WiMAX deve suportar até 15 Mbps em um raio de cobertura de
até 3 quilômetros.

O WiMAX utiliza o acesso compartilhado em sua rede, isso significa que se uma única
pessoa estiver transferindo dados na rede, a velocidade será de 40 MBit/s. Se 5 pessoas
estiverem transferindo dados simultaneamente, a velocidade será de 8 MBit/s.

A vantagem é que, como a rede é de comutação por pacotes e a utilização dos clientes não
é sincronizada, as chances de se ter uma velocidade “boa” para transferência de dados é
muito grande.

O formato do pacote de dados do WiMAX pode ser visto na Figura 2:

Figura 2: Pacote WiMAX

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Os campos são os seguintes:

 Marcador: indica o início do pacote;

 Controle: campo de controle, para realizar a checagem de erros e identificação dos


elementos da rede;

 Mapa de Recebimento: indica as posições dos dados de recebimento;

 Mapa de Envio: indica as posições dos dados de envio;

 Dados Recebidos: são as informações a serem recebidas;

 Controle: segundo campo de controle;

 Dados para Envio: informações que serão enviadas.

A rede WiMAX é uma rede de acesso compartilhado, isso significa que várias pessoas terão
acesso ao mesmo canal de comunicação e a rede WiMAX envia e recebe os dados de todos
os clientes da rede simultaneamente (até envcher o pacote). Por isso, existem os campos de
Mapas de Recebimento e Envio. Nesses mapas estão descritas as posições nas quais se
encontram os dados de determinada pessoa.

O pacote completo é “partido” em duas divisões: a primeira contém os dados de recebimento


e a segunda os dados de envio. A divisão acontece em nível de frequência de transmissão,
ou seja, os dados enviados pelos clientes da rede são enviados em uma frequência
ligeiramente superior à frequência de recebimento.

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U NIDADE 23
Arquitetura Wi-Fi

Objetivo: Entender o funcionamento e características da arquitetura Wi-Fi.

1 – Introdução

A arquitetura Wi-Fi é regida pela norma 802.11 do IEEE, e opera nas faixas de frequência de
2,4 ou 3,6 ou 5 GHz, dependendo da região de habilitação desta arquitetura.

A primeira versão da arquitetura Wi-Fi foi lançada em 1997, e desde então tem recebido
sucessivos avanços. As regras que definem as versões deste protocolam sempre são
lançadas com base alfabética: 802.11a, 802.11b, 802.11j; mas não significa que as
sequências alfabéticas implicam em versões melhoradas, por exemplo, a versão 802.11j é
uma versão específica para uso no Japão, e a versão 802.11y opera exclusivamente em
algumas regiões dos Estados Unidos.

Estas versões específicas são utilizadas, pois cada país já possui um legado de serviços
utilizando altas frequências de transmissão, e quando existe uma sobreposição de
frequência, a tecnologia mais nova, no caso a Wi-Fi, deve utilizar outra frequência de
operação. A versão 802.11y opera na frequência de 3,7 GHz.

2 – Versões da Arquitetura Wi-Fi

A primeira versão da tecnologia Wi-Fi lançada em 1997 operava na frequência de 2,4 GHz e
tinha uma velocidade de operação de 1 MBit/s. Esta versão não conseguiu obter sucesso,
pois operava com uma velocidade considerada baixa para a época, e apresentava muita
interferência durante a comunicação. Vários aparelhos funcionam nesta faixa de frequência,
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desde telefones (fixos) sem-fio às redes bluetooth. Em determinadas situações, nem se
consegue acessar a rede por causa das interferências.

Nesta seção veremos alguns detalhes de funcionamento de algumas das principais versões
em uso da arquitetura Wi-Fi.

2.1 – 802.11a

Esta versão foi lançada em 1999, e é considerada a segunda versão da arquitetura Wi-Fi. Ela
opera na faixa de frequência de 5 GHz, e alcança uma velocidade de operação de 54 MBit/s
em distâncias inferiores à 38 metros (25 milhas).

A mudança da faixa de frequência utilizada, de 2,4 para 5 GHz, foi motivada para se diminuir
as interferências causadas nas comunicações, pois a primeira faixa já era utilizada por
diversos sistemas de comunicação sem fio. Mas, mesmo operando a 5 GHz, as
interferências ainda aconteciam, e a velocidade de comunicação final era reduzida para
menos da metade.

Além disso, esta versão necessitava de equipamentos relativamente caros para ser utilizada,
o que resultou em um baixo interesse por esta versão.

2.2 – 802.11b

A versão 802.11b foi lançada simultaneamente à versão 802.11a, e possui como diferenciais
a frequência de operação, mantida em 2,4 GHz, e a velocidade de operação de 11 MBit/s. O
alcance de comunicação é o mesmo, em torno de 38 metros.

As vantagens desta versão em relação a 802.11a são os menores custos de utilização,


passando a ser uma boa escolha para operação em redes locais dentro de escritórios.

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Quando utilizada em ambientes heterogêneos (residências, centros comerciais, etc) a
interferência causada por outros aparelhos continua sendo um fator que degrada a qualidade
da comunicação significativamente.

2.3 – 802.11g

A versão 802.11g foi lançada em 2003, e também opera na faixa de frequência de 2,4 GHz.
Esta versão opera à mesma velocidade da versão 802.11a, ou seja, 54 MBit/s, mas
conseguiu-se aumentar o alcance de comunicação para cerca de 100 metros, tornando-se
uma opção tecnicamente viável para substituir redes Ethernet 100BaseT, pois livraria os
escritórios do emaranhado de cabos e hubs.

Por operar na mesma faixa de frequência que a versão 802.11b, esta versão possui total
compatilibilidade com equipamentos lançados para as redes 802.11b, mas os equipamentos
da versão antiga continuarão a operar segundo as especificações antigas. Por exemplo: uma
rede que possua um roteador 802.11b e pontos de acesso 802.11g funcionará à velocidade
de 11 MBit/s, e com alcance máximo de 38 metros.

Em um ambiente fechado, onde o uso da faixa de frequência de 2,4 GHz seja exclusivo da
rede 802.11g, ela conseguirá operar alcançando os valores especificados em seu padrão.
Mas em um ambiente heterogêneo, as interferências irão naturalmente prejudicar a
comunicação.

Alguns equipamentos estão sendo vendidos com o anúncio de que alcançam a velocidade
de 108 MBit/s. Na verdade o que acontece é que, tanto os roteadores, quanto os pontos de
acesso, possuem duas ou mais antenas de operação, cada uma operando em uma
frequência única, e criam virtualmente duas redes de comunicação. Quando se divide a
comunicação entre essas duas redes, dobra-se a velocidade de comunicação entre os
elementos da rede. Mas isso só acontecerá se tanto o roteador quando os pontos de acesso
forem do mesmo fabricante, pois deverão operar exatamente nas mesmas frequências.

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2.4 – 802.11n

A utilização de mais de uma antena de comunicação, para se aumentar a velocidade de


operação nas redes 802.11g, mostrou-se uma ideia extremamente interessante para as
empresas fabricantes de equipamentos, e para os usuários finais. Isto motivou que um
padrão fosse criado para normalizar a fabricação de equipamentos Wi-Fi, permitindo que
equipamentos diferentes pudessem operar em conjunto.

A tecnologia que permite a utilização de várias antenas em uma rede sem fio, operando
como um único ponto de acesso, foi denominada de “Múltipla Entrada – Múltipla Saída”, em
inglês, “Multiple Input – Multiple Output”, MiMo.

A versão 802.11n foi lançada com este propósito: permitir a utilização de várias redes sem-
fio, que funcionariam como uma única rede, e assim alcançariam velocidades de operação
maiores. Outra vantagem na utilização de várias redes é o fato de que cada uma operaria em
uma faixa de frequência específica, e assim reduziu-se significativamente a interferência
causada por outros aparelhos.

3 – Versões futuras

Existem 3 versões da arquitetura Wi-Fi em desenvolvimento:

 802.11s: configuração da rede sem fio em Malha e não apenas em Estrela, como é
atualmente. A ideia é permitir que, com o uso de várias antenas, a comunicação entre
vários equipamentos diretamente seja possível.

 802.11u: operação com redes de protocolos diferentes que operam na mesma faixa de
frequência, como Bluetooth e Celulares.

 802.11ad: operação na faixa de frequência de 60 GHz para comunicação via satélite.

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U NIDADE 24
Arquitetura Bluetooth

Objetivo: Conhecer os princípios de funcionamento da arquitetura Bluetooth.

1 – Introdução

Bluetooth é um sistema de telecomunicações de curto alcance (em torno de 10 metros) que


permite a interconexão dos elementos de uma rede sem a utilização de cabos. Antenas
embutidas em microchips permitem uma comunicação confiável.

O nome Bluetooth é uma homenagem ao Rei da Dinamarca do século X - Harald Blatand,


que era conhecido como Bluetooth (literalmente Dente Azul), devido à capacidade do mesmo
de unir o povo dinamarquês.

Como homenagem ao Rei Harald, o logotipo oficial da Bluetooth é composto dos caracteres
rúnicos H e B – de Harald Blatand.

A arquitetura é definida pela norma 802.15, e várias empresas desenvolveram equipamentos


que utilizam esta arquitetura.

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2 – Funcionamento

A arquitetura Bluetooth tem sido adotada pelas principais empresas de telecomunicação e


computação, assim como um interessante conjunto de empresas atuantes em outros setores
– incluindo o setor de entretenimento, a indústria automotiva, a área de saúde, os setores de
automação industrial e de brinquedos.

Esta arquitetura tem como objetivos:

 Eliminar cabos e fios entre dispositivos fixos e moveis separados por pequenas
distancias (até 10 metros);

 Facilitar comunicação de dados e voz;

 Ativar redes e fornecer sincronização automática entre vários dispositivos compatíveis


com a tecnologia Bluetooth.

A arquitetura Bluetooth define uma rede PAN, devido ao seu baixo alcance e modo de
funcionamento.

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Figura 2: Rede PAN Bluetooth

O grupo de empresas que atualmente desenvolve tecnologias para a arquitetura Bluetooth é


chamado de Consórcio Bluetooth, e é formado por empresas como 3Com, Ericsson, IBM,
Intel, Lucent, Microsoft, Motorola, Nokia, Toshiba dentre várias outras.

A tecnologia Bluetooth visa à conectividade num sentido mais amplo, envolvendo todos os
equipamentos de uma mesma área pessoal, em especial os equipamentos que saem e
entram na rede com certa ocorrência.

A rede Bluetooth opera na frequência de 2,4 GHz, sendo esta uma frequência não licenciada
na maioria dos países. A primeira versão da arquitetura operava com velocidade de 1 MBit/s,
e a atual versão opera com velocidade de 3 MBit/s. Um dos problemas na regulamentação
do Bluetooth é o fato de esta arquitetura não utilizar uma frequência específica. A frequência
é dita de 2,4 GHz, mas a frequência de uso varia de 2.400 MHz a 2.480 MHz.

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Uma pessoa tem total controle para selecionar os equipamentos que farão parte da rede
Bluetooth. Equipamentos dotados de chips Bluetooth, estando próximos, ficam em condições
de estabelecer uma ligação automática, direta, particular e temporária, conhecida como
Piconet.

Uma Piconet pode ser formada por mais de dois dispositivos Bluetooth, sendo que um deles
será escolhido como “equipamento principal” e os demais secundários. O método de escolha
é simples: o primeiro aparelho na Piconet é o principal.

Figura 3: Rede Piconet

A identificação dos elementos que compõem a rede é feita através de um número de 48 bits,
chamado de Endereço Bluetooth.

Para realizar o acesso a uma rede Bluetooth, o equipamento deve realizar um processo
chamado de Pareamento, que consiste em uma troca inicial de informações com o
equipamento principal da rede, para a definição de seu Endereço Bluetooth e Autorização de
Acesso, que pode ser realizada com ou sem pedido de senha.

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U NIDADE 25
Telefonia 3G

Objetivo: Aprender as características de algumas tecnologias utilizadas atualmente na rede


de telefonia celular.

1 – Introdução

As redes de telefonia de 2G, de segunda geração (utilizadas a partir de 1990) foram


construídas para realizarem a comunicação através da comutação de circuitos, permitindo a
utilização de serviços simples, como chamadas de voz e envio de mensagens curtas. Já as
redes 3G são construídas para realizarem a comunicação através da comutação de pacotes,
e com isso esta rede permite a utilização de outros serviços não presentes nas redes 2G.

A sigla 3G designa a terceira geração de padrões e tecnologias de telefonia móvel,


substituindo o padrão anterior. O 3G é baseado em uma família
de normas da União Internacional de Telecomunicações (UIT), no
âmbito do Programa Internacional de Telecomunicações Móveis
(IMT-2000).

Este conjunto de padrões permite que as operadoras de telefonia


celular ofereçam serviços avançados em suas redes de
comunicação, como videoconferência, pois as tecnologias
instaladas na infraestrutura da rede utilizada permitem a utilização
de maiores taxas de transmissão de dados.

Uma grande vantagem das redes 3G é sua integração com


serviços disponibilizados em outras redes, como Internet,
Intranet's bancárias; e, além disso, os aparelhos habilitados nas

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redes 3G possuem uma grande capacidade de armazenamento e processamento, sendo
mais potentes que computadores disponíveis em meados da década de 1990.

2 – Características

As redes 3G possuem as seguintes características:

 Taxa de Transmissão variável:

o Em veículos: 144 KB/s;

o Pessoa andando: 384 KB/s;

o Equipamento parado: 2 MB/s;

 Interoperabilidade e Roaming;

 Serviços Multimídia;

 Cobrança do serviço por quantidade de informação trafegada, e não mais por tempo
de conexão à rede.

Além destes serviços, as redes 3G permitem uma melhor administração por parte das
operadoras de telefonia de seus recursos, propiciando uma maior economia em relação às
redes 2G.

3 – Serviços Disponíveis

As redes 3G permitem a oferta de uma gama de serviços muito mais abrangente que as
redes 2G. Os serviços disponibilizados poderão ser tanto profissionais quanto pessoais:

 Enviar e receber mensagens com texto, sons, imagens e animações;

 Videoconferência;

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 Utilização integrada com GPS;

 Acesso à Internet;

 Serviços financeiros, como a realização de pagamentos em pontos de venda;

 Atendimento médico;

 E muitos outros serviços.

4 – Padrões e Tecnologias

O ITU realizou o desenvolvimento das especificações para as redes 3G em 1999, baseado


em 3 padrões existentes:

 W-CDMA: utilizado principalmente na Europa e Japão;

 CDMA-2000: utilizado principalmente nos Estados Unidos;

 TD-SCDMA: utilizado principalmente na China.

Ou seja, o padrão 3G é uma evolução natural do padrão CDMA. Oficialmente o padrão


possui 2 nomes: UMTS na Europa e CDMA 1xEV-DO nos Estados Unidos.

Não existe um único padrão no mundo, devido às características técnicas de regulamentação


de comunicação sem fio em cada país, mas dentre as várias características da terceira
geração está a interoperabilidade entre os padrões existentes.

A tecnologia GSM pertence à segunda geração de telefonia celular, e está atualmente


migrando para a terceira geração, através das tecnologias EDGE (padrão intermediário) e
3GSM (padrão final para a terceira geração GSM).

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A cobertura de sistemas 3G no Brasil é fornecida principalmente pelas empresas Claro, em
cerca de 280 municípios, e Vivo, em cerca de 315 municípios. E entre as tecnologias
utilizadas a de maior procura tem sido a UMTS, com mais de um milhão e quinhentos mil
assinantes. Mas em alguns anos a maior procura poderá ser pode
telefones 3GSM, pois a rede GSM representa quase 90% da rede
em uso no Brasil.

Alguns aparelhos, e algumas operadoras de telefonia celular,


realizaram alterações intermediárias em suas tecnologias, criando
as gerações 2,5G e 2,75G. Alguns aparelhos só funcionam para
algumas operadoras que já possuem determinadas tecnologias
em sua infraestrutura, e alguns serviços de algumas operadoras
só funcionam em determinados aparelhos.

5 – Evolução das redes 3G

Naturalmente é de se esperar que as redes 3G possuam concorrentes, e eles existem: a


Quarta Geração de telefonia celular, 4G.

As redes 4G implementarão melhorias na interoperabilidade entre os padrões das diversas


redes existentes no mundo. Para que isso aconteça será adotado o protocolo IPv6 como
gerenciador do tráfego de informação nas redes 4G. Outras características das redes 4G
são:

 Velocidade de transmissão de 100MB/s à 1GB/s;

 Alta capacidade da rede, diminuindo congestionamentos e sobrecargas (que causam


a perda de serviços);

 Roaming mundial automático;

 Serviços multimídia em tempo real e de alta definição (1080p).

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U NIDADE 26
Modelo OSI

Objetivo: Aprender definições básicas que constam no Modelo OSI.

1 - Introdução

O final da década de 1970 apresentava um panorama curioso em termos de comunicação de


dados em redes de computadores: de um lado, uma perspectiva de crescimento vertiginoso
causado pelo investimento e desenvolvimento que estavam sendo feitos, e por outro lado
uma tendência que poderia acarretar em uma profunda crise no setor, a heterogeneidade de
padrões entre os fabricantes, praticamente impossibilitando a interconexão entre sistemas de
distintos.

Então os fabricantes começaram a perseguir alguns objetivos necessários para a


implementação de um sistema padronizado e aberto:

 Interoperabilidade: capacidade que os sistemas abertos possuem de troca de


informações entre eles, mesmo que sejam fornecidos por fabricantes diferentes;

 Interconectividade: é a maneira através da qual se podem conectar computadores de


fabricantes distintos;

 Portabilidade da aplicação: é a capacidade de um software de rodar em várias


plataformas diferentes;

 Escalabilidade: capacidade de um programa executar em uma performance aceitável


em computadores de capacidades diversas, desde computadores pessoais até
supercomputadores.

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Para se atingir estes objetivos, a ISO (International Organization for Standardization) passou
a se ocupar em criar um padrão de arquitetura aberta e baseada em camadas. Foi então
definido o Modelo de Referência para Interconexão de Sistemas Abertos (Reference Model
for Open Systems Interconection - RM OSI).

A utilização de um ambiente de sistema aberto nos oferece algumas vantagens, como:

 Liberdade de escolha entre soluções de diversos fabricantes;

 Acesso mais rápido a novas tecnologias e a preços mais acessíveis, já que é mais
barato e rápido fabricar produtos baseados em uma plataforma padrão;

 Redução de investimentos em novas máquinas, já que os sistemas e os softwares de


aplicação são portáveis para os vários tipos de máquinas existentes.

A adoção de um modelo baseado em camadas também não é arbitrária. Considerando que


uma rede de computadores tem como objetivo o processamento de tarefas distribuídas pela
rede de forma harmônica e cooperativa entre os vários processos de aplicação, o projeto
desta deve levar em conta vários fatores, como:

 Considerar todos os eventos possíveis de acontecer durante a comunicação;

 Conhecer todos os efeitos e causas destes eventos;

 Especificar em detalhes todos os aspectos técnico-operacionais dos meios físicos a


serem utilizados como suporte à comunicação;

 Detalhes das próprias aplicações a serem executadas.

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Podemos perceber, então, que o problema é extremamente complexo e abrangente. A fim de
se lidar com esta complexidade (facilitando a implementação e manutenção), projeta-se à
rede como um conjunto de camadas.

Este conjunto de camadas é hierárquico, ou seja, cada camada baseia-se na camada


inferior. Reduzindo-se o projeto global da rede ao projeto de cada uma das camadas,
simplifica-se consideravelmente o trabalho de desenvolvimento e de manutenção. O projeto
de uma camada é restrito ao contexto dessa camada e supõe que os problemas fora deste
contexto já estejam devidamente resolvidos.

Na realidade existem duas vantagens práticas na utilização de uma arquitetura em camadas.


Em primeiro lugar, a complexidade do esforço global de desenvolvimento é reduzida através
de abstrações (não interessa para uma determinada camada como as demais implementam
o fornecimento de seus serviços, só o que elas oferecem). Na arquitetura hierárquica, a
camada (N) sabe apenas que existem as camadas (N-1), prestadoras de determinados
serviços e a camada (N+1), que lhe requisita os serviços. A camada (N) não toma
conhecimento da existência das camadas (N±2), (N±3), etc.

O segundo aspecto é relacionado com a independência entre as camadas. A camada (N)


preocupa-se apenas em utilizar os serviços da camada (N-1), independentemente do seu
protocolo. É assim que uma camada pode ser alterada sem mudar as demais (facilidade de
manutenção) - desde que os serviços que ela presta não sejam modificados. É assim
também que novas aplicações podem ser implementadas, na camada apropriada,
aproveitando os mesmos serviços já fornecidos pelas outras camadas (redução dos esforços
para evoluções).

O padrão criado para o modelo OSI, então, define exatamente o que cada camada deve
fazer, mas não define como isto será feito, ou seja, define os serviços que cada camada
deve prestar, mas não o protocolo que o realizará. Este primeiro passo já está bem definido
pela ISO.

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2 – Camadas do Modelo OSI

A definição dos protocolos de cada camada, então, fica por conta do segundo passo. Esta
parte também está definida pela ISO, mas é realizado por grupos de estudo diversos. Este
passo é uma tarefa muito dinâmica, pois novas tecnologias de transmissão surgem a todo
instante. Portanto por um lado temos alguns padrões bem documentados, mas por outro,
temos tecnologias emergentes que precisam ser adaptadas às condições do modelo OSI e
ainda estão em processo de definição.

Já a terceira etapa não é uma fase de responsabilidade da ISO. Esta etapa de definição de
perfis funcionais é realizada por cada país, que escolhe os padrões que lhe cabem baseados
em condições tecnológicas, base instalada, visão futura, etc. Por exemplo, no Brasil temos o
Perfil Funcional do Governo Brasileiro. A escolha do Perfil Funcional é uma etapa importante,
pois apesar de dois sistemas seguirem o Modelo OSI, se eles adotarem perfis diferentes,
eles nunca vão conseguir interoperar.

Ele possui sete camadas, onde cada camada é responsável por uma determinada função
específica.

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Figura 1: Camadas do Modelo OSI

Camada Descrição
Aplicação Basicamente, as funções da camada de aplicação são aquelas
necessárias à adaptação dos processos de aplicação ao ambiente de
comunicação. A camada de aplicação é estruturada modularmente para
permitir a flexibilidade das funções e de tal forma que se consiga
determinar os requisitos de comunicação de cada aplicação distribuída.
Apresentação A camada de apresentação, ao contrário das camadas inferiores, já não
se preocupa com os dados em nível de bits, mas sim com a sua sintaxe,
ou seja, sua representação. Nela é definida a sintaxe abstrata, ou seja, a
forma como os tipos e os valores dos dados são definidos,
independentemente do sistema computacional utilizado e a sintaxe de
transferência, ou seja, a maneira como é realizada esta codificação. Por
exemplo, através da sintaxe abstrata define-se que um caráter A deve ser

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transmitido. A sintaxe de transferência especifica, então, como este dado
será codificado em ASCII ou EBCDIC ao ser entregue à camada de
sessão.
Sessão A camada de sessão é a responsável pelo estabelecimento de sessões
entre dois usuários permitindo o transporte ordinário de dados (assim
como a camada de transporte), porém com alguns serviços mais
refinados, que podem ser úteis em algumas aplicações.
Transporte A camada de transporte provê mecanismos que possibilitam a troca de
dados fim a fim, ou seja, a camada de transporte não se comunica com
máquinas intermediárias na rede, como pode ocorrer com as camadas
inferiores.
Rede A camada de rede deve tornar transparente para a camada de transporte
a forma como os recursos dos níveis inferiores são utilizados para
implementar conexões de rede. Deve também equalizar as diferenças
entre as diversas sub-redes utilizadas de forma a fornecer um serviço
único a seus usuários (independente da rede utilizada).
Enlace A camada de enlace tem o objetivo de prover uma conexão confiável
sobre um meio físico. Sua função básica é detectar e, opcionalmente,
corrigir erros que por ventura ocorram no nível físico
Física A camada física é a única camada que possui acesso físico ao meio de
transmissão da rede devendo, portanto, se preocupar com fatores como
as especificações elétricas, mecânicas, funcionais e procedurais da
interface física entre o equipamento e o meio de transmissão, ou seja, a
camada física tem como função básica à adaptação do sinal ao meio de
transmissão.

Apesar de o modelo OSI estar dividido em sete níveis, pode-se considerar genericamente
que as três camadas mais baixas cuidam dos aspectos relacionados à transmissão
propriamente dita e a camada de transporte lida com a comunicação fim a fim, enquanto que
as três camadas superiores se preocupam com os aspectos relacionados à aplicação, já em
nível de usuário.

Os princípios utilizados para se chegar a estas camadas são:

 Uma camada deve ser criada onde é necessário um nível de abstração diferente;

 Cada camada deve desempenhar uma função bem definida;

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 A função de cada camada deve ser definida tendo em vista a definição de protocolos
padrões internacional;

 As fronteiras entre as camadas devem ser escolhidas de forma a minimizar o fluxo de


informações através das interfaces;

 O número de camadas deve ser grande o suficiente para que não seja preciso agrupar
funções em uma mesma camada por necessidade, e pequeno o suficiente para que a
arquitetura fique manejável.

Cada camada é usuária dos serviços prestados pela camada imediatamente inferior e presta
serviços para a camada imediatamente superior. Esta troca de informações entre as
camadas adjacentes ocorre por meio da troca de primitivas de serviços nas interfaces entre
as camadas.

A comunicação entre sistemas ocorre em nível de camadas, ou seja, a camada de aplicação


do sistema A se comunica com a camada de aplicação do sistema B e assim por diante até o
nível físico, onde ocorre a comunicação física entre os sistemas.

3 - Primitivas de Serviços

As primitivas de serviços são informações trocadas entre duas camadas adjacentes de forma
a realizar um serviço. No modelo OSI são definidas quatro tipos de primitivas:

 Pedido: utilizada para solicitar ou ativar um determinado serviço;

 Indicação: informa a ocorrência de um determinado evento;

 Resposta: utilizada para responder a um determinado evento;

 Confirmação: utilizada para confirmar a execução de um serviço solicitado.

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As primitivas possuem parâmetros de entrada e saída. Por exemplo, em um pedido de
conexão, os parâmetros podem especificar a máquina à qual se conectar, o tipo de serviço
desejado e o tamanho máximo de mensagem a ser utilizada e os parâmetros em uma
indicação de conexão podem conter a identidade do solicitante, o tipo de serviço e o
tamanho máximo de mensagem proposto. Quem cuida dos detalhes desta negociação é o
protocolo. Por exemplo, caso duas propostas para o tamanho máximo das mensagens
trocadas seja conflitante, o protocolo deve decidir qual das duas será aceita.

3.1 - Serviços e Protocolos

Faz-se necessário neste ponto deixar bem clara a distinção entre serviços e protocolos. Um
serviço é um conjunto de primitivas que uma camada oferece à camada superior adjacente,
ou seja, é uma interface entre duas camadas onde a inferior se comporta como provedora do
serviço e a superior a usuária do serviço. O serviço define as operações que a camada está
preparada para realizar em nome de seus usuários, mas não diz nada a respeito do modo
como isso deve ser implementado.

Já um protocolo é um conjunto de regras que governa o formato e significado dos quadros,


pacotes ou mensagens trocados entre entidades parceiras dentro de uma mesma camada.
Os protocolos são utilizados para implementar os serviços, não sendo diretamente visíveis
aos usuários, ou seja, o protocolo utilizado pode ser modificado, desde que o serviço
oferecido ao usuário permaneça o mesmo.

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U NIDADE 27
Rprotocolo IPv4

Objetivo: Conhecer as características básicas das redes TCP/IP versão 4.

1 - Introdução

No mundo de hoje, não se pode falar de redes sem falar do TCP/IP. O conjunto de
protocolos originalmente desenvolvido pela Universidade da Califórnia em Berkeley, sob
contrato para o Departamento de Defesa dos EUA, se tornou o conjunto de protocolos
padrão das redes locais e remotas, suplantando conjuntos de protocolos bancados por pesos
pesados da indústria, como a IBM (SNA), Microsoft (NetBIOS/NetBEUI) e Novell (IPX/SPX).

O grande motivo de todo este sucesso foi justamente o fato do TCP/IP não ter nenhuma
grande empresa associada ao seu desenvolvimento. Isto possibilitou a sua implementação e
utilização por diversas aplicações em praticamente todos os tipos de hardware e sistemas
operacionais existentes.

Mesmo antes do boom da Internet o TCP/IP já era o protocolo obrigatório para grandes
redes, formadas por produtos de muitos fornecedores diferentes, e havia sido escolhido pela
Microsoft como o protocolo preferencial para o Windows NT, devido às limitações técnicas do
seu próprio conjunto de protocolos, o NetBEUI.

2 - As Pilhas de Protocolos

Todos os softwares de redes são baseados em alguma arquitetura de camadas, e


normalmente nos referimos a um grupo de protocolos criado para funcionar em conjunto
como uma pilha de protocolos (em inglês, protocol stack, por exemplo, the TCP/IP stack). O

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termo "pilha" é utilizado porque os protocolos de uma dada camada normalmente interagem
somente com os protocolos das camadas imediatamente superior e inferior.

O modelo de pilha traz a vantagem de modularizar naturalmente o software de redes,


permitindo a sua expansão com novos recursos, novas tecnologias ou aperfeiçoamentos
sobre a estrutura existente, de forma gradual.

O nome TCP/IP vem dos nomes dos protocolos mais utilizados desta pilha, o IP (Internet
Protocol) e o TCP (Transmission Control Protocol). Mas a pilha TCP/IP possui ainda muitos
outros protocolos, dos quais veremos apenas os mais importantes, vários deles necessários
para que o TCP e o IP desempenhem corretamente as suas funções.

Visto superficialmente, o TCP/IP possui 4 camadas, desde as aplicações de rede até o meio
físico que carrega os sinais elétricos até o seu destino:

1. Interface: tem a função de permitir o uso de um meio físico que conecta os computadores
na rede e fazer com que as informações enviadas por um computador cheguem a outro
computador diretamente desde que haja uma conexão direta entre eles.

2. Rede: é responsável pela identificação dos computadores na rede. É nesta camada que
se define o número IP de cada máquina da rede.

3. Transporte: realizam o controle no envio das informações dos aplicativos pela rede. É
nesta camada que se faz a conexão com o aplicativo que o usuário está utilizando.

4. Aplicação: são específicos para cada programa que faz uso da rede. Desta forma existe
um protocolo para a conversação entre um servidor web e um navegador web (HTTP), e
assim em diante. Cada aplicação de rede tem o seu próprio protocolo de comunicação, que
utiliza os protocolos das camadas mais baixas para poder atingir o seu destino.

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Pela figura acima vemos que existem dois protocolos de transporte no TCP/IP: TCP e UDP.

O TCP é um protocolo orientado a conexão. Ele permite que sejam enviadas mensagens de
qualquer tamanho e controla a divisão das mensagens em pacotes que possam ser enviados
pela rede. Ele também cuida de rearrumar os pacotes no destino e de retransmitir qualquer
pacote que seja perdido pela rede, de modo que o destino receba a mensagem original, da
maneira como foi enviada.

Já o UDP, é um protocolo que trabalha com datagramas, que são mensagens com um
comprimento máximo pré-fixado e cuja entrega não é garantida. Caso a rede esteja
congestionada, um datagrama pode ser perdido e o UDP não informa as aplicações das
camadas superiores que o datagrama foi perdido. Outra possibilidade é que o
congestionamento em uma rota da rede possa fazer com que os pacotes cheguem ao seu
destino em uma ordem diferente daquela em que foram enviados.

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3 - Endereçamento e roteamento

Em uma rede TCP/IP, cada computador (ou melhor, cada placa de rede, caso o computador
possua mais do que uma) possui um endereço numérico formado por 4 bytes, geralmente
escritos na forma w.x.y.z.

Para ter um maior controle sobre os endereços foram criadas as classes de endereço, que
são representadas no primeiro byte do endereço:

Classe A = 1 até 126

Classe B = 128 até 191

Classe C = 192 até 223

Classe D = 224 até 239 Multicast

Classe E = 240 até 254 Não Utilizado

Além deste Endereço IP, cada computador possui uma máscara de rede (network mask ou
subnet mask), que é um número do mesmo tipo, mas com a restrição de que ele deve
começar por uma sequência contínua de bits em 1, seguida por uma sequência contínua de
bits em zero. Ou seja, a máscara de rede pode ser um número como:

11111111.11111111.00000000.00000000 (255.255.0.0).

A máscara de rede serve para quebrar um endereço IP em um Endereço de Rede e um


Endereço do Elemento. Todos os computadores em uma mesma rede local (fisicamente
falando, por exemplo, um mesmo barramento Ethernet) devem ter o mesmo endereço de
rede, e cada um deve ter um endereço de elemento diferente. O roteamento dos pacotes na
rede é feito pelo Endereço de Rede, e a entrega dos pacotes é feita pelo Endereço do
Elemento.

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4 - Comunicação em uma rede TCP/IP

Digamos que o elemento com o endereço IP é 172.16.1.101 deseje enviar um pacote de


informação para o endereço 172.16.2.102. Caso a máscara de rede seja 255.255.0.0, isso
faria o TCP/IP identificar que a rede dos elementos é 172.16.0.0, mostrando que ambos
possuem o mesmo endereço de rede e, portanto estão diretamente conectados.

Neste caso, o nível IP envia um pacote de aviso ARP pela rede Ethernet para identificar qual
o endereço Ethernet do elemento cujo IP é 172.16.2.102.

Este pacote é enviado como um broadcast, de modo que todos os elementos conectados no
mesmo segmento Ethernet receberão o pacote, e o elemento configurado para o endereço
desejado irá responder ao pacote ARP indicando qual o seu endereço Ethernet. Assim o IP
pode montar o pacote Ethernet corretamente endereçado e enviar o pacote para o seu
destino.

Agora digamos que a máscara de rede não fosse 255.255.0.0, mas sim 255.255.255.0.
Neste caso, os endereços de rede da origem e destino seriam respectivamente 172.16.1.0 e
172.16.2.0. Como os endereços de rede são diferentes, isto significa que não temos
conectividade direta, entre os dois elementos, portanto o pacote deverá ser entregue por
intermédio de uma Ponte de Rede.

Digamos que a Ponte de Rede seja 172.16.1.1 (observe que o endereço de rede d a Ponte
de Rede é 172.16.1.0, o mesmo do nosso elemento de origem). Então o elemento irá enviar
um pacote ARP pela rede para descobrir o endereço Ethernet da Ponte de Rede, e enviará o
pacote para ela.

Ao receber o pacote, a Ponte de Rede irá verificar que o endereço IP de destino é o IP de


outro elemento, e não dele, e irá verificar qual o endereço de rede do destino. Pode ser que o
pacote esteja endereçado para uma rede local na qual a Ponte de Rede tenha uma conexão
direta, ou pode ser que a Ponte de Rede tenha que direcionar o pacote para outra Ponte de
Rede ou Roteador.

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De qualquer forma, a Ponte de Rede segue o mesmo processo de gerar o endereço de rede
utilizando a marcara de rede, e em seguida enviar um pacote ARP pedindo o endereço
Ethernet do próximo elemento a receber o pacote.

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U NIDADE 28
Protocolo IPv6

Objetivo: Apresentar um resumo sobre o Protoclo Ipv6, suas principais características e


inovações em relação ao IPv4 atualmente em uso.

1. Introdução

O Protocolo Ipv6 é um dos principais padrões a ser implantado no mundo. Embora as atuais
especificações do IPv6 não se transformem oficialmente em um padrão, é importante ter-se
uma visão geral do atual desenvolvimento deste protocolo. Algumas alterações nas
especificações do protocolo são esperadas, na medida em que se aproxima do fechamento
das características do Protocolo IPv6 como um padrão, assim este resumo se apresenta
como um guia ao IPv6, não sendo a informação definitiva.

A versão 4 do Protocolo IP, IPv4, é o protocolo o mais popular em uso hoje, embora haja
algumas questões abertas sobre sua capacidade para servir à comunidade da Internet por
muito mais tempo. IPv4 foi concluído na década de 1970 e atualmente começou a mostrar
sua idade. A questão principal que cerca IPv6 é o endereçamento, pois muitos peritos
acreditam que atualmente estejam em uso cerca de quatro bilhões de endereços, um valor
muito próximo do limite disponível no IPv4. Embora isto pareça um número muito grande de
endereços, os grandes blocos múltiplos são dados às Agências Governamentais e às
Grandes Organizações. IPv6 poderia ser a solução de muitos problemas, mas ainda não foi
plenamente desenvolvido e não é um padrão de fato!

O Protocolo IPv6 está em desenvolvimento desde a década de 1990, tendo sido criado
centenas de documentos com especificações sobre o funcionamento específico em
determinados aspectos, incluindo: Endereçamento Expandido, Formato Simplificado do
Cabeçalho, Etiquetas de Transporte, Autenticação e Privacidade.
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2. Descrição do Endereçando

Um exemplo de endereço IPv4 é “172.146.17.10”. No Protocolo IPv4 os endereços IP são


formados por 4 números de 8 bits. Isto permite que existam no máximo 4 bilhões de
endereços diferentes (número que está sendo alcançado atualmente). No Protocolo IPv6
utiliza-se 8 números de 16 bits para formar um endereço, por exemplo, pode-se ter o
seguinte número para um endereço “A462:19C0:0102:3109:AC12:512D:0192:BC43”. Os
números que formam um endereço são escritos em Hexadecimal, e para cada parte do
endereço existe um número hexadecimal de 4 dígitos, totalizando um endereço de 128 bits.

Uma diferença no formato do endereço do IPv6 em relação ao IPv4 é a possibilidade de se


escrever o endereço de forma reduzida, caso uma parte seja formada por zeros:

A462:0000:0000:0000:0000:512D:0192:BC43 = A462::512D:0192: BC43

A462:0000:0000:3109:0000:0000:0000:BC43 = A462::3109::BC43

3. Descrição do Cabeçalho do pacote IPv6

O formato do cabeçalho no IPv6 é simplificado, sendo formado por 8 partes:

Figura 23.1: Cabeçalho do IPv6

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As partes do cabeçalho do IPv6 são descritas na tabela a seguir:

Parte Descrição
Versão Número de versão IP, o valor é 6.
Classe Valor de prioridade de cada pacote. Especifica a
classe de tráfego:
- 0 a 7 são definidos para tráfegos controlados no caso
de congestionamento (dados);
- 8 a 15 para tráfegos não controlados no caso de
congestionamento (vídeo e áudio).
Etiqueta de Utilizado para aplicações que necessitam garantia de
Transporte desempenho. Um fluxo é definido como uma
sequência de pacotes enviados de uma fonte particular
até um destino particular. É identificado pela
combinação do endereço da fonte e um rótulo de fluxo
de 24 bits. Desse modo, todos os pacotes que
pertencem a um mesmo fluxo, possuem um único
rótulo.
Tamanho do Pacote Especifica o tamanho dos dados transportados.
Próximo Líder Identifica o tipo de cabeçalho que se segue
imediatamente após o cabeçalho de base. Por
exemplo, um cabeçalho TCP/UDP ou um cabeçalho
opcional do IPv6.
Limite de Saltos Número de saltos (hops) restante para um particular
pacote. Esse número é colocado pela fonte e
decrementado por 1 em cada nó. Se esse número
chega a zero, o pacote em questão é descartado.
Endereço de Endereço de quem está enviando o pacote.
Origem
Endereço de Endereço de quem está recebendo o pacote.
Destino

O formato do cabeçalho do IPv4 é mais complexo, sendo formado por 14 partes, e isso exige
um maior tempo de processamento que o cabeçalho do IPv6. Um cabeçalho mais
simplificado implica em menos processamento para cada pacote, sendo extremamente útil
para redes de alta velocidade.

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4. Métodos da transmissão

O Protocolo IPv6 possui os seguintes métodos de transmissão: Unicast, Multicast e


Anycast.

4.1 Unicast

Unicast é uma comunicação entre um único servidor e um único receptor:

Figura 4.1: Transmissão Unicast

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4.2. Multicast

O multicast é uma comunicação entre um único servidor e vários receptores múltiplos:

Figura 4.2: Transmissão Multicast

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4.3. Anycast

Os pacotes de dados não são transmitidos diretamente para um destino final, e sim para uma
rede final. Anycast é uma comunicação entre um único servidor e uma lista de endereços:

Figura 4.3: Transmissão Anycast

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U NIDADE 29
Componentes de Rede

Objetivo: Conhecer alguns dos elementos que compoem uma rede de comunicação

1 – Introdução

O funcionamento de uma rede de telecomunicações depende diretamente do funcionamento


de uma série de aparelhos. São os equipamentos que compõem a rede que irão permitir a
realização da troca de informações entre os “usuários” da rede, que são os únicos que
“criam” e “recebem” informação. Os equipamentos da rede funcionam apenas como pontos
de passagem ou pontos de controle da rede.

São vários os equipamentos que compõem uma rede, e nesta unidade serão vistos alguns
deles.

2 – Concentrador ou HUB

Os Hubs são dispositivos concentradores,


responsáveis por centralizar a distribuição das
informações em redes fisicamente ligadas em
topologia estrela. Funcionando como uma peça
central, que recebe os sinais transmitidos pelas
estações e os retransmite para todas as demais. Existem vários tipos de hubs, vejamos:

 Passivos: apenas distribui o sinal, sem fazer qualquer tipo de amplificação.

 Ativos: São hubs que regeneram os sinais que recebem de suas portas antes de
enviá-los para todas as portas.

 Inteligentes: São hubs que permitem monitoramento da rede. Este tipo de


monitoramento, que é feito por um aplicativo, é capaz de detectar, e se preciso
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desconectar da rede, estações com problemas que prejudiquem o tráfego; detectar
pontos de congestionamento na rede; detectar e impedir tentativas de invasão ou
acesso não autorizado à rede entre outras funções, que variam de acordo com a
fabricante e o modelo do Hub.

 Empilháveis: Esse tipo de hub permite a ampliação do seu número de portas


utilizando-se outro hub conectado a ele.

3 – Comutador ou Switch

O switch é um hub que, em vez


de ser um repetidor é uma ponte.
Com isso, em vez dele replicar os
dados recebidos para todas as
suas portas, ele envia os dados
somente para o micro que
requisitou os dados através da
análise da Camada de Enlace de
dados onde está o endereço da
placa de rede do micro.

4 - Roteador

Roteadores são pontes que operam na Camada de Rede do modelo OSI, essa camada é
gerenciada pelo protocolo o TCP/IP. Isso significa que os roteadores não analisam os
pacotes dos meios físicos que estão sendo transmitidos, mas sim os datagramas produzidos
pelo protocolo, que no caso é o TCP/IP.

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O papel fundamental do roteador é poder escolher um caminho para o datagrama chegar até
seu destino. Em redes grandes podem existir mais de um caminho entre dois elementos da
rede, e o roteador é o elemento responsável por tomar a decisão de qual caminho percorrer.

5 - Gateway

O Gateway irá realizar a conexão entre duas redes diferentes. Estes equipamentos operam
no nível da Camada de Rede, e identificam nos pacotes que estão sendo transmitidos, que
rede deverá recebê-los.

São semelhantes aos roteadores, a diferença é que neste caso a rede de destino deve estar
sempre conectada diretamente ao Gateway.

6 – Ponte de Rede ou Bridge

As Pontes são utilizadas para


realizar a conexão entre redes
de arquiteturas diferentes. Elas
têm a capacidade de ler e
analisar os pacotes de dados
que estão trafegando na rede, e
encaminhá-los para a rede
correta.

Por exemplo, se um elemento


em uma rede Ethernet precisa
enviar uma informação a outro
elemento em uma rede ATM,
deverá utilizar obrigatoriamente uma Ponte para realizar a passagem da rede Ethernet para a
rede ATM.

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7 – Repetidor ou Amplificador

O repetidor é um dispositivo responsável por ampliar o sinal transmitido em uma conexão de


rede, permitindo assim aumentar o tamanho máximo do cabo da rede.

Ele funciona como um amplificador de sinais, regenerando os sinais recebidos e transmitindo


esses sinais para outro segmento da rede. Como o nome sugere, ele repete as informações
recebidas em sua porta de entrada na sua porta de saída.

O repetidor é um elemento que não analisa os quadros de dados para verificar para qual
segmento o quadro é destinado. Assim ele realmente funciona como um “extensor” do
cabeamento da rede. É como se todos os segmentos de rede estivessem fisicamente
instalados no mesmo segmento.

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U NIDADE 30
SAN e NAS

Objetivo: Aprender como são as duas principais maneiras de se colocar espaço de


armazenamento para os usuários de uma rede.

1 – Introdução

Da mesma maneira que em computadores pessoais é necessária a utilização de unidades de


armazenamento para se guardar as informações que serão utilizadas pelo usuário, em um
ambiente de rede também existe a necessidade de se possuir um equipamento que irá
armazenar as informações que serão utilizadas pelos usuários da rede.

Este equipamento pode ser instalado na rede de duas maneiras distintas:

1. Um equipamento que apresenta uma ou mais unidades de disco a disposição dos


usuários;

2. Um equipamento que apresenta uma única unidade de disco, mas gerencia uma ou
mais unidades internas.

O primeiro caso caracteriza um NAS, e o segundo caso caracteriza um SAN.

2 – NAS

A sigla NAS significa Network Attached Storage, Rede com Armazenamento Conectado.
Existem diversos modelos de equipamentos NAS, dos mais simples que utilizam apenas uma
unidade de armazenamento, e os mais caros que possuem várias unidades de
armazenamento com tolerância a falha e “hot-swap” (pode-se trocar o disco-rígido sem
desligar o equipamento). Os modelos de preço intermediário costumam utilizar 4 discos para
armazenamento de dados.
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Figura 1: Unidade NAS

Equipamentos NAS podem utilizar discos em configurações de RAID 0, 1 ou 5, ou qualquer


uma combinação entre elas. As unidades NAS possuem um número IP próprio, e possuem
um aplicativo próprio de configuração.

Figura 2: Aplicativo de Configuração do NAS da empresa Buffalo

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A maioria das empresas utiliza um aplicativo que é utilizado em conjunto com os
navegadores de internet, tornando a configuração dos equipamentos NAS muito simples.

Dependendo da configuração RAID, os usuários enxergarão uma determinada quantidade de


discos-rígidos disponíveis, pois se houver 4 discos utilizando RAID 0+1, os 4 discos serão
apenas 1, e se existirem 8 discos serão visualizados apenas 2 pelos usuários da rede.

Um equipamento NAS geralmente é utilizado para que várias unidades de armazenamento


estejam disponíveis em uma rede.

3 – SAN

A sigla SAN significa Storage Área Network, Área de Armazenamento da Rede. As unidades
SAN são semelhantes às unidades NAS: possuem um conjunto de discos-rígidos, com
opções de configuração de RAID, e são conectados à rede. A diferença é que em um SAN
os usuários da rede acessam apenas um único disco, que incorpora todos os discos rígidos
existentes no equipamento, independente da configuração RAID adotada.

Essa diferença permite ao SAN oferecer um grande espaço de armazenamento, ao invés de


uma grande quantidade de espaços menores. Se o equipamento SAN possui 12 discos-
rígidos de 500GB cada um, e não estão configurados em RAID, os usuários da rede
visualizarão uma única unidade de armazenamento de 6 TB de espaço disponível.

Geralmente um equipamento SAN é configurado com RAID 0, e com isso consegue-se um


aumento considerável no tempo de acesso às informações contidas no SAN. A maioria dos
“portais” da internet utiliza equipamentos SAN's em suas centrais de operação.

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Figura 3: Um equipamento SAN com 14 unidades de disco

4 – Diferenças entre NAS e SAN

Como já foi dito, uma das diferenças é a maneira como os usuários da rede acessam as
unidades de armazenamento: em um NAS os usuários visualizam várias unidades
(dependendo do RAID), já no SAN os usuários visualizam apenas uma unidade de
armazenamento (independente do RAID).

Outra diferença é a localização do acesso à unidade de armazenamento: em um NAS as


unidades são claramente acessadas em máquinas independentes, através de protocolos
como o NFS e SAMBA, já em SAN's a unidade é acessada localmente, independente de sua
localização física na rede.

5 – Pseudo NAS e Pseudo SAN

Computadores e outros equipamentos podem ser utilizados em substituição à equipamentos


dedicados NAS e SAN.

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5.1 – Pseudo NAS

Os computadores com várias unidades de disco podem ser perfeitamente utilizados para
funcionarem como um equipamento NAS. Em algumas instituições este fato realmente
acontece. A diferença é que um NAS já está totalmente configurado e é facilmente
reconfigurado, já um Pseudo NAS precisa ser configurado adequadamente, e seu
gerenciamento pode não ser tá fácil.

5.2 – Pseudo SAN

O exemplo mais simples de Pseudo SAN são os mapeamentos de unidades (ou diretórios)
de rede em unidades de disco na máquina local. A diferença é que o mapeamento é feito de
acordo com protocolos específicos do sistema operacional, já um SAN é possui protocolos
padronizados de rede: TCP/IP.

Figura 4: Mapeamento de Unidade de Rede

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Antes de iniciar sua Avaliação Online, é fundamental que você acesse sua SALA
DE AULA e faça a Atividade 3 no “link” ATIVIDADES.

FÓRUM III

O desenvolvimento das tecnologias para telecomunicações traz no cenário atual uma série
de termos: 4G, IPv6, OTN, IPTV, DTV, dentre outros. Estas tecnologias passam também por
um processo de integração, que visam obter um melhor aproveitamento da infraestrutura das
redes de comunicação.

No Brasil, um passo importante está sendo dado, na integração da Televisão Digital com as
redes de telefonia. Discuta no Fórum deste Módulo quais as tecnologias utilizadas no Brasil
que permitem esta integração.

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Atividades dissertativas

Acesse sua sala de aula, no link “Atividade Dissertativa” e faça o exercício proposto.

Bons Estudos!

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G LOSSÁRIO

Caso haja dúvidas sobre algum termo ou sigla utilizada, consulte o link Glossário em sua
sala de aula, no site da ESAB.

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R EFERÊNCIAS

Caso haja dúvidas sobre algum termo ou sigla utilizada, consulte o link Bibliografia em sua
sala de aula, no site da ESAB.

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