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AS MUDANÇAS PROVOCADAS PELO

PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO
DO BRASIL

Entende-se por industrialização o processo de transformação de


matérias-primas em mercadorias ou bens de produção (esses últimos
podendo ser novamente transformados) por meio do trabalho, do
emprego de equipamentos e do investimento de capital. Obviamente, o
crescimento da atividade industrial aumentou a demanda por matérias-
primas e mais recursos naturais, por isso o ser humano passou a
explorar ainda mais a natureza e, sobre ela e o espaço em geral, realizar
cada vez mais intervenções e impactos.

Na visão de muitos autores no campo das Ciências Humanas, o processo de


industrialização é sinônimo da era da modernidade, ou seja, a industrialização das
sociedades marca, assim, a inserção delas no mundo moderno.

INDUSTRIALIZAÇÃO E SEUS EFEITOS NA PAISAGEM


O processo de industrialização é um dos principais fatores de transformação
do espaço. Por isso, a compreensão de seus aspectos, tipos e características é de
grande relevância. Um dos principais agentes de produção e transformação do
espaço geográfico na sociedade atual, sem dúvidas, é a atividade industrial, pois
ela provoca efeitos sobre os movimentos populacionais e o crescimento das cidades;
interfere nos tipos de produção no meio urbano e também no meio rural, entre outros.

Ao longo do tempo, a atividade industrial passou por sucessivos estágios


de transformação, o que gerou consequências diretas sobre os tipos de produção de
mercadorias e a forma de inserção destas no mercado, gerando assim, vários Tipos
de indústrias, o que ocasionou transformação do espaço geográfico (paisagens).
Para notarmos as mudanças paisagísticas do Brasil, devemos compreender como
ocorreu seu processo de industrialização, suas causas e efeitos.

O início da industrialização no Brasil ocorreu graças à produção cafeeira


e aos capitais derivados dela. Diversos países, como Argentina, México
e Brasil, iniciaram o processo de industrialização efetiva a partir da
segunda metade do século XX, no entanto, o embrião desse processo no
Brasil ocorreu ainda nas primeiras décadas de 30, momentos depois da
crise de 1929. Crise essa que ocasionou a falência de muitos produtores
de café, com isso, a produção cafeeira entrou em declínio.
BREVE HISTÓRIA

1. Período colonial
Durante o período colonial, devido às regras da teoria econômica do
mercantilismo, nenhuma atividade industrial poderia ter lugar no Brasil.
Apenas uma pequena indústria para consumo interno era permitida,
devido às distâncias entre a metrópole (Portugal) e a colônia (Brasil), e
eram, principalmente, de fiação, calçados, vasilhames. Na segunda
metade do século XVIII, em 1785, Portugal proibiu fábricas na
colônia, o motivo foi que os portugueses não pretendiam criar
concorrência com os produtos vendidos no Brasil para Inglaterra.
2. Origens: décadas de 1800 -1840
Quando se fala em industrialização do Brasil é bom ressaltar
que tal processo não ocorreu em nível nacional, uma vez que a primeira
região a se desenvolver industrialmente foi a Região Sudeste.
As origens industriais no Brasil datam do início do século XIX
através de oficinas de trabalho. A maioria dos estabelecimentos surgiram
no sudeste brasileiro (sobretudo nas províncias do Rio de Janeiro, Minas
Gerais e, mais tarde, em São Paulo) e cerca de 77 estabelecimentos
foram registrados entre 1808 e 1840 foram classificados como "fábricas"
ou "manufaturadas". Na época, esses estabelecimentos utilizavam tanto
escravos quanto trabalhadores livres. O advento da real produção
manufaturada antes da década de 1840 era extremamente limitada,
devido à autossuficiência das regiões do país (sobretudo as fazendas
produtoras de café e cana-de-açúcar, que produziam seus próprios
alimentos, roupas, equipamentos, etc.), e também à falta de capital e aos
altos custos de produção que tornaram impossível para a fábrica
nacional competir com produtos estrangeiros da época. Segundo
estudiosos, os custos eram altos porque a maioria das matérias primas
eram importadas.

3. Avanços: décadas de 1840 e 1860

O governo imperial criou vários incentivos para a


industrialização do país. O mais antigo, data do reinado de Pedro I do
Brasil, através de prêmios de subsídios governamentais. O primeiro
estabelecimento a receber tal concessão foi a Fábrica das Chitas,
devotada ao papel e à impressão, por um decreto de 26 de junho de
1826. A prática foi retomada na década de 1840, quando os novos
estabelecimentos industriais receberam tais subsídios.
Em 1857, sete fábricas foram beneficiadas através da prática de
incentivos, entre elas a Ponta da Areia mencionada mais acima, cujo
proprietário foi Irineu Evangelista de Sousa (mais tarde conhecido como
Visconde de Mauá). Um dos critérios para a concessão desses
subsídios era o emprego exclusivo a trabalhadores livres, o que
marcava um novo modo de se investir e trabalhar no país.
Durante a década de 1870, graças ao declínio da região
cafeeira do Vale do Paraíba e algumas áreas de produção de açúcar,
muitos proprietários de plantações investiram não só na indústria têxtil
de algodão, mas também em outros setores industrias. A implantação de
uma rede ferroviária em todo o território nacional também estimulou o
surgimento de novas atividades industriais, principalmente em São
Paulo.

4. Década de 1930 e 1960: solidificação nacional


Um dos fundamentais elementos para a industrialização brasileira
foi a aplicação de capitais gerados na produção de café para a indústria,
a contribuição dos estrangeiros nas fabricas. Como: alemães, italianos e
espanhóis. O presidente Vargas, que representava os conceitos e
anseios da Revolução de 1930, pretendia iniciar a estatização dos
recursos nacionais (assim com União Soviética, Alemanha e Itália entre
outros)passou a investir fortemente na criação da infraestrutura industrial:
indústria de base e energia, e criou diversas companhias e instituições
decisivas para a industrialização, como o Conselho Nacional do Petróleo
(1938), a Companhia Siderúrgica Nacional (1941, energia elétrica para as
indústrias e para a população), a Companhia Vale do Rio Doce (1943,
exploração do minério de ferro) e a Companhia Hidrelétrica do São
Francisco (1945). Foram as primeiras grandes empresas industriais do
país.
5. Atualidade
Nos anos 70, 80 e 90, a indústria no Brasil continuou a crescer,
embora tenha estagnado em certos momentos de crise econômica. A
década de 1980, por exemplo, ficou conhecida como a "década perdida"
para a economia brasileira devido a retração econômica da indústria. O
cenário mudou e, estabilizada, a base industrial atual do país produz
diversos produtos: automóveis, máquinas, roupas, aviões, equipamentos,
produtos alimentícios industrializados, eletrodomésticos, e muitos outros.
Embora seja autossuficiente na maioria dos setores, a indústria brasileira
ainda é dependente de tecnologia externa em campos como a
informática. Além disso, o parque industrial brasileiro continua
concentrado sobretudo nos estados do Centro-Sul e nas regiões
metropolitanas, embora a dispersão da infraestrutura de transportes,
energia e comunicação tem a dispersado espacialmente nas últimas
décadas para diversas outras regiões, inclusive no interior dos estados.

Os esforços do passado criaram uma intensificação na indústria


brasileira que possui um enorme e variado parque industrial produzindo
bens de consumo e até mesmo tecnologia de ponta. Após diversas
crises econômicas, o país é hoje um dos mais industrializados do
mundo e ocupa o décimo quinto lugar em escala global nesse segmento.
Na primeira década do século XXI, a privatização de empresas estatais
nas áreas de mineração, bancária e de telecomunicações foi uma
característica marcante na economia brasileira. A industrialização
brasileira ainda não ocorre de maneira homogênea, portanto certas
regiões são densamente industrializadas, enquanto outras são
totalmente desprovidas desse tipo de atividade econômica. Apesar de
diversos problemas sociais, costumeiramente relacionados à maneira da
industrialização no país, o Brasil vem ocupando um lugar de destaque no
cenário econômico e industrial internacional.
MODIFICAÇÕES QUE O PROCESSO DE
INDUSTRIALIZAÇÃO PROVOCOU NA
PAISAGEM BRASILEIRA

Diversas foram as modificações que o processo de industrialização provocou no


espaço geográfico brasileiro a começar pelo crescimento exponencial das cidades
localizadas principalmente no Sul e Sudeste do país, sobretudo pela intensificação do
processo de urbanização. Gerando problemas de Mobilidade urbana, trânsito,
poluição, violência, saneamento básico, habitação. O inchaço urbano também
acarretou outros problemas, tais como os de ordem ambiental gerados nos solos e
cursos d’agua como: enchentes e alagamentos.
A industrialização trouxe para o Brasil mudanças de aspectos físicos e sociais
como: novas construções, Ressignificação de construções já existentes, aumento do
setor comercial e de serviços, rearranjo de práticas econômicas em que o trabalho e
o capital passam a transformar matérias-primas ou produtos de base em bens de
produção e consumo que afetam e impactam diretamente o meio ambiente.

A atividade industrial passou a demandar um maior investimento em infraestrutura


assim temos a ampliação dos modos de transporte tais como ferrovias, portos,
rodovias para fins de escoamento da produção.

Com o avanço tecnológico, o homem criou uma série de mecanismos para facilitar a
manipulação dos elementos da natureza, máquinas e equipamentos facilitaram sua
vida e dinamizar o processo de exploração de recursos, como os minerais, além do
desenvolvimento de toda produção agropecuária com a inserção de tecnologias.
Na produção agropecuária se faz necessário transformar o meio, pois
retira-se toda cobertura vegetal original que é substituída por pastagens
e lavouras. Dessas derivam outros impactos como erosão, poluição e
contaminação do solo e dos mananciais.

Na extração mineral, o espaço geográfico é bastante atingido, sofrendo


profundos impactos e mudando de forma drástica todo arranjo espacial
do lugar que está sendo explorado.
Nos centros urbanos, as alterações são percebidas nas
construções presentes, essas transformações ocorrem em loteamentos
que em um período era somente uma área desabitada e passou a
abrigar construções residenciais, além de áreas destinadas ao comércio
e indústria. Desse modo, nas cidades de todo mundo sempre ocorrem
modificações no espaço, são identificadas nas novas construções, nas
reformas de residências, lojas e todas as formas de edificações.
A paisagem corresponde ao espaço geográfico construído e
alterado pelo homem; e pode ser definido como sendo o palco das
realizações humanas nas quais estão as relações entre os homens e
desses com a natureza. Esse espaço geográfico abriga o homem e todos
os elementos naturais, tais como relevo, clima, vegetação e tudo que
nela está inserido.
A paisagem em sua etapa inicial apresentava somente os
aspectos físicos ou naturais presentes, como rios, mares, lagos,
montanhas, animais, plantas e toda interação e interdependência entre
eles. Desde que o homem começou a interferir no meio a partir do corte
de uma árvore para construção de um abrigo e para caça, impactou e
transformou a paisagem.
Toda modificação executada na natureza é proveniente do
trabalho humano, e é através do trabalho que o homem é capaz de
construir e desenvolver tudo aquilo que é indispensável à sua
sobrevivência.
O conjunto de atividades desempenhadas pelas sociedades
continuamente promove a modificação das paisagens onde moramos. A
partir da Primeira Revolução Industrial, o homem enfatizou a retirada de
recursos dispostos na natureza a fim de abastecer as indústrias de
matéria-prima, que é um item primordial nessa atividade, ao passo que a
população crescia acompanhada pelo alto consumo de alimentos e bens
de consumo.
Diante dessas considerações constata-se que a Paisagem
(espaço geográfico) não é estático, pois até mesmo a deterioração de um
edifício ou monumento é considerado uma alteração do espaço e
automaticamente da paisagem, por isso as mudanças são contínuas e
dinâmicas. As mudanças na paisagem são produto do trabalho humano
sobre a natureza e todas as relações sociais ao longo da história.
As constantes intervenções humanas no espaço causam uma
infinidade de mudanças fazendo a natureza interagir a tudo aquilo que as
ações antrópicas causam.
Fica cada vez mais evidente que o homem necessita da natureza
para garantir sua sobrevivência, no entanto, o que tem sido promovido é
o uso irracional dos recursos do planeta. Se continuar nesse ritmo, e
medidas não forem tomadas, provavelmente as próximas gerações
enfrentarão sérios problemas. A vida de todos os seres vivos na Terra
está comprometida, inclusive do homem, caso o problema não seja
solucionado.

FONTE: https://www.wikipedia.org/ https://www.ebah.com.br/ https://br.linkedin.com/

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