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O Cidadão

Reunião de artigos

Pelo Professor

Ernesto Maggiotto Caxeiro


Prefácio
Este é o meu segundo livro de artigos,reunidos ao longo
dos anos e tem como título O Cidadão,para demonstrar que
a preocupação nele é expor algumas atitudes de cidadania
que ocorreram no Brasil neste período em que os artigos
foram escritos.

O sonho é uma cidadania completa,quer dizer ,todos


incluídos nos direitos e deveres do estado de direito
democrático continua.Em nenhum lugar isso se conseguiu
até hoje,sendo as preocupações materiais as mais
importantes e decisivas para o comum dos mortais.

No entanto,contrariamente ao que pensa o liberal americano


médio todos estamos interligados por estas mesmas
relações materiais e por isso devemos compreender as
conseqüências que isto tem para todos,porque estas relações
não são,como todo mundo sabe ,justas.

Quer dizer, os princípios da cidadania ajudam a melhorar


estas relações materiais injustas?Tem sido assim,a passos
lento,difícil e às vezes permitindo idas e vindas,mas há
progresso.

O que eu procuro nos meus artigos em geral é acompanhar


este progresso e quem sabe ajudá-lo.
Entre a cruz e caldeirinha.

Este velho ditado expressa bem a situação em que estamos para


as eleições.O grande problema é que diante do esquema a que
eu me referi em outro artigo estamos um pouco reféns
dele.Como o próximo governante conduzirá estas pessoas que
saíram da classe média C para a B?Não poderá haver um retorno
desta política.Já pensou não ter mais rolezinho?.Eu já expliquei
que quando o PT de Lula,no seu segundo mandato,ficou acuado
por causa do mensalão teve que fazer um grande acordo com os
setores conservadores da sociedade.Mas para manter este
acordo o Presidente Lula,que é realmente o único
carismático,com o povo atrás de si,teve que realizar este
programa demagógico, tirando,com a concessão de
empréstimos ,pelo consumo apenas ,classes subalternas, desta
condição.
Lula realizou em escala menor e dentro da democracia o mesmo
que Mao-Tsé Tung,quando em vias de ser deposto.Recuperou a
sua posição,pela revolução cultural,aliando-se à pureza dos
jovens e elaborando um programa de favorecimento das novas
gerações,supostamente ameaçadas pelos velhos dirigentes do
partido.Assim ele pode ficar no poder para sempre ou até à
morte.
O que aconteceu na China é que para romper com isso foi
necessário um processo traumático,quase de golpe e aqui no
Brasil a promessa de crescimento feita pelo PT,não vai poder
ser deixada de lado,a menos que nos programas,agora,alguma
alternativa seja proposta,o que eu não vejo como possível.
Assim sendo, quem quer que ganhe esta eleição vai ter muitas
dificuldades de construir uma identidade diferente da do
governo,como estão afirmando aí e como tinha acontecido com o
PT quando ganhou do PSDB:o seu programa de então não era
nada diferente do governo Fernando Henrique.

Hoje o PT,forçado a interagir com forças reacionárias e


fisiológicas deixará,se sair,uma herança pesadíssima.
Os setores do PMDB que ofereceram aliança quando Marina
cresceu nas pesquisas ,após o acidente de avião,são
minoritários,mas decerto que o Partido vai se oferecer a uma
Marina vitoriosa .E aí eu pergunto:será o PT 2?Será a não-
marina?E se o PSDB vencer vai ser,como está sendo,o do
Fernando Henrique?
Num país ansioso por mudanças este quadro é desolador e
estamos entre a cruz e a caldeirinha.

Marina=Dilma?
Esta boa disputa presidencial nos coloca grandes e
complexas questões próprias de nosso tempo e de nosso país,de
nosso passado e possibilidades de futuro.A questão que se me
apresenta é da semelhança de Dilma e de Marina nesta
eleição.Todo mundo tem falado sobre a mudança de Marina e
sobre a possibilidade dela não ter governabilidade,por estar
isolada.
Na verdade ela não enfrentará um problema diferente daquele
enfrentado por Dilma até hoje.Desde o mensalão formou-se
um grande esquema político,cujo fiador é o presidente
Lula.Dilma,com duas secretarias,em sua vida
política,desempenha um papel muito adequado neste
esquemão,muito limitado,quero dizer.
O fato dela ter subido um pouco agora,depois da também
subida de Marina ,por se apresentar mais sozinha,não acaba
com o que eu estou dizendo,porque na hora de governar,se
eleita,terá que ser isto o que tem sido.
Ora,este esquemão,por conta dos erros de Lula e do PT,se
tornou a chave para entender a governabilidade no Brasil hoje
em dia e quem quer que ganhe,terá sempre que se adaptar.
O Brasil depois do mensalão ficou assim,como Lula e
Dilma:refém.Então a questão da mudança ,em relação ao
continuísmo do PT,se dilui diante do fato de que todos terão
que se entender com esta situação.Se Marina se eleger,todos
estes problemas de mudança de programa,isolamento dentro do
PSB(porque o PSB não expõe isto agora,mas ficou insatisfeito
com o modo como Marina ascendeu à condição de candidata)
,pouca representação a seu favor,vão crescer à estratosfera e
exigirão de uma presidenta enfraquecida a aceitação dos
critérios do esquema.
Então estamos entre o continuísmo e a fraqueza se este embate
dicotômico prosseguir e mesmo a alternativa Aécio não deixará
de seguir o roteiro assim traçado.
Escolher o novo presidente se tornou pior do que o
continuísmo,porque a questão não é uma agenda positiva do
povo que foi à rua se manifestar ,mas optar por aquele
caminho menos perigoso para a sociedade brasileira.Isto,a meu
ver,poderá causar uma grande frustração e pior ,uma
instabilidade institucional diante da instabilidade programática
de uma eventual Marina como vencedora.Uma eventual Dilma
é o continuísmo,o rame-rame,a falta de mudanças estruturais.
A verdade é que estamos diante do continuísmo,do predomínio
do mesmo,da falsa política brasileira que substitui a
representação e o debate pelos conchavos,como aconteceu no
Rio de Janeiro,no caso da CPI dos Ônibus.Diante da pressão das
manifestações o nada,a morte da política,diante de demandas
mais e mais graves e diante da também falsa percepção de que
tudo vai bem,a política sem estadismo.A morte da política é o
perigo à frente.

O princípio Esperança e as eleições


O grande filósofo alemão Ernst Bloch cunhou para aquele que
não tem crença em Deus uma expressão do significado
simbólico desta palavra:o princípio esperança.Deus seria uma
esperança de realização de unidade da humanidade,um outro
nome para utopia.
Eu quero,nestas eleições fazer o mesmo com a palavra
Brasil,que tem o mesmo significado.Sei que muita
gente,principalmente da esquerda vai me criticar,mas é que
não acredito mais em visões somente rupturistas,que,ao longo
da história,só fomentaram violência com quem era mais pobre
e desprotegido.Além do mais acho que é preciso antes de tudo
desenvolver o Brasil e dividir a riqueza antes de pensar em
saídas utópicas radicais.
Nestas eleições ,como em todas,o princípio Brasil deve se
construir a partir de muitos discursos e propostas.Como na
relação com Deus cada crente tem o seu próprio caminho
para chegar à sua graça.No caso do Brasil e de uma eleição o
que deve ser é resolver os problemas sociais básicos e que não
são resolvidos nunca apesar de sempre se oferecer as
respostas,nos discursos,que os eleitores querem.
Qual seria o discurso ou quais seriam os para se encontrar a
adequação definitiva entre eles e os eleitores,entre o Brasil e a
utopia,que os eleitores e os representantes(será?)querem?
Pergunta difícil,cheia de obstáculos ,mas eu tentarei aqui dar
uma resposta evidentemente pessoal e que pode valer como
experiência coletiva da cidadania brasileira.
Eu vou focalizar o Brasil, portanto parto dos candidatos à
Presidente,sabendo,claro que o ocorre nos outros níveis é tão
importante quanto.
Qual o discurso que pode fazer um cidadão que vai votar perfazer
o caminho deste símbolo da utopia brasileira?
O objetivo é um Brasil socialmente justo.Vamos supor estes
candidatos presidenciais:Marina é renovação,negra,mas tem uma
ligação com a religião que fere um programa moderno e
laico;nos últimos dias o seu programa tem mudado ao sabor
das necessidades.Aécio expressa uma social-democracia que
não existe e fica ao sabor de compromissos ainda mais
atrasados.Dilma é a esquerda que não existe mais.Também é
refém de interesses.
E os Partidos de esquerda?Até têm razão em muitos
diagnósticos,mas como vão governar com estas propostas
radicais,senão recorrendo à revolução?Que não vai acontecer.
De tudo se depreende que senão houver uma ampla reforma
política que acabe com o fisiologismo que a tudo assiste e a
tudo domina,não será possível votar em alguém,em um
programa factível de realização.
Na hora das negociações a escolha dos eleitores vai toda por água
abaixo,por causa da” governabilidade”.
Votamos sempre na “ governabilidade”,que não significa nunca o
progresso que os programas e o povo pedem.
Deste jeito,votamos não na construção da utopia,mas em
expectativas dependentes do humor e dos interesses dos
políticos e não do povo.Onde está a soberania popular?As
manifestações, de que serviram?Como construir uma
linguagem,um caminho,um discurso que nos faça chegar lá?

Aliança e Eleições

A democracia se define pela aceitação do pensamento


divergente,ainda que seja único.Hoje em todo lugar esta visão
está distorcida.Se um partido fica sozinho é porque ele não é
democrático e portanto esta atitude eventual é marcada na sua
pele para sempre,maculando as futuras alianças que ele quiser
fazer.
Isto ,no entanto,não é democracia,é
conchavo,convescote,armação,que é o que ocorre
hoje:corporações políticas( e econômicas)supostamente
representam a soberania popular,mas ,na verdade,com a
anuência de um povo sem politização,fingem fazê-lo.
Na democracia representativa o liame entre a soberania
popular e os partidos se dá pelos programas.Com exceção dos
partidos influenciados por concepções religiosas,que discutem
os seus fundamentos há milênios,os partidos laicos são,com
exceções,sempre levados pelas necessidades imediatistas de cada
época e cada eleição e reproduzem este monstro de ilogicidade
política,quanto mais ,por causa disto,o povo se desinteressa ,num
círculo infernal e quiçá eterno,que não acaba e para o qual não se
vê solução no horizonte.
Se observarmos as alianças no Brasil,tudo começa mal porque
existe uma diferença entre as alianças federais e as estaduais.Isto
sem falar que não há nenhum partido com um programa bem
fundamentado,como eu disse.
As alianças são feitas em torno de pessoas e em torno de
interesses,construídos ao sabor do tempo.
No outro artigo me referi ao problema de Marina estar
associada ao PT,em muitos estados,como no Rio de Janeiro.
O PV,que ,através de Gabeira,se associou à crítica de direita à
solução petista da crise dos médicos,pela importação dos
cubanos,seguindo como seguiu Yoni Sanchez,agora faz aliança
com o PT.
Vá lá,vamos deixar de lado a questão da coerência.Que sentido
político,de acordo com as tendências do povo brasileiro,se pode
extrair,se pode prever sobretudo,de uma situação como esta?
Porque , depois de tantas críticas a situação só piora?Como
saber o sentido que um governo quer dar à sua
administração,com esta falta de fundamento?
A atitude de ficar sozinho,muitas vezes,é essencial para
mostrar,que é preciso pensar que a democracia representativa e
popular que nós temos e defendemos,pelo menos em
palavras,depende de idéias e valores que são assimiláveis pelos
cidadãos e basta um único para que a legitimidade da
democracia se estabeleça.
Desde que Hitler foi eleito pela maioria,que não se pode partir
do princípio de que esta é suficiente para legitimar e garanti-
la,porque a condição disto é o respeito essencial ,baseado no
direito,ao cidadão que vota.
Não há perigo maior para uma democracia moderna que diluir
este cidadão nestas massas que votam de acordo com critérios
pessoais,emocionais(desastre de avião,beleza,mulher),sem
critérios e discernimento.É claro que tudo isto favorece às
corporações que o fomentam,mas este círculo mata a
representação e destrói a possibilidade de solucionar os grandes
problemas nacionais,em diversos níveis de administração.
Desde os 18 anos eu voto pensando que os políticos vão tirar
criança da rua,velhos das ruas,que a miséria vai diminuir de
fato,mas até hoje,apesar dos discursos,nada acontece.
Temo que ,depois que passar o meu tempo de vida,o meu
quartinho de hora, esta situação vai continuar e eu fico
pensando porque gosto tanto de política,em função de quê?

Por que não Marina e Erundina?


O trágico acidente que vitimou Eduardo Campos colocou
Marina Silva na disputa presidencial,como muita gente
queria,desde o início.Mas a sua ascensão a esta condição
também colocou uma série de questões no plano do quadro
político das eleições presidenciais,como já se vê dos dados
do ibope.
Todos já falam que num segundo turno contra Dilma ela
venceria e eu vejo isto como muito possível.Em qualquer
circunstância,hoje em dia,para derrotar uma mulher só outra...
Por isso eu quero retornar um pouco ao processo de escolha
do vice no interior do PSB e perguntar porque Erundina não
foi alçada a este cargo como queriam alguns setores
importantes do partido.Para mim Erundina é a maior cabeça
socialista do Brasil há muitos anos.Ela tem o verdadeiro
programa socialista ,anti-exploração, e o demonstrou quando
prefeita de São Paulo.
A alegação destes setores era que Marina não é do PSB e que
era preciso,apesar dela ter o direito de ir à eleição,frisar o
caráter socialista da chapa.Frisar a relação com o PSB
sobretudo.
Estes setores ,a meu ver,têm razão,na medida em que Marina
integra um movimento que tem muitos pontos de contato com o
socialismo,mas que não é propriamente livre de outras influências
discutíveis,até religiosas,o que ,neste caso conflitaria com o
laicismo do PSB.
Marina corre o risco de fazer uma ventania com o eleitorado
brasileiro ,que não é ideológico e politizado,mas emocional e ela
vai parecer ter uma força,quando,na verdade,pode chegar à
presidência ,isolada.
O povo brasileiro,tocado pelo desastre de aviação,vai transferir
para uma mulher este direito de governar,mas isto tudo não
apresenta uma forte base para um governo.
Marina acabará por repetir a situação de dependência de
Dilma,esta última,em relação ao PT e à Lula.De quem Marina
dependerá para não se isolar?
Além do mais,há um problema aparentemente lateral,que
contrasta com os desejos de Marina de renovação e
alternatividade:alianças estaduais com o PT de Lula.Acontece
aqui no Rio de Janeiro.Lindbergh é apoiado pelos socialistas e
por Marina.Lindbergh quer fazer no Rio o que o PT e Dilma
estão fazendo no Brasil.Independente de qualquer crítica ao que
ocorre agora com o governo Dilma,como explicar esta aliança
diante do projeto alternativo nacional de Marina e o PSB?
Só seria admissível uma aliança estadual se fosse necessário
apoiar um programa local,mas neste caso não há como não
perceber a influência terrível ,de continuidade e falta de
alternativa que a aliança representa.
Era imperativo que Erundina fizesse parte da chapa,ainda mais
diante desta situação,que eu considero contraditória e
enfraquecedora para Marina ,sem dúvida alguma ,que chegará à
presidência tendo que fazer os conchavos de Dilma,com o
PMDB,para governar.
Como os partidos pequenos de esquerda,sem força,que vêm sendo
sistemáticamente cooptados pelo PT,para participar do “ Estado
petista”,dá para imaginar que deste jeito ,Marina e o PSB
serão,de um jeito ou de outro cooptados também.

A revolução brasileira

Até a década de 70 se esperava a vinda da chamada “Revolução


Brasileira” e Caio Prado Júnior participou do debate junto com
outros grandes intelectuais e historiadores marxistas.Mas o ponto
crucial,no Brasil,deste debate,foi em 1972,mais ou menos na
mesma época em que ele publicou a sua interpretação e junto
com o movimento de luta armada que pregava que a sua luta era a
”revolução brasileira”.
Depois de tantos anos e tantas discussões o meu pensamento
sobre esta matéria remonta a este ano de 72 em que foi
publicado o livro de Leandro Konder sobre “ O Conceito de
Fascismo”,que visava atacar o pessoal da luta armada e
resumia o pensamento marxista brasileiro,que,na
verdade,refletia a discussão sobre o que era de fato o marxismo,o
qual não era aquele da interpretação dogmática e cientificista do
stalinismo.
Em linhas gerais ,podemos dizer que este livro afirmava que as
condições objetivas(desenvolvimento do capitalismo
brasileiro,notadamente autárquico)e subjetivas(preparação
ideológica da classe operária),não estavam dadas e por isto os
militantes deviam lutar por uma democracia burguesa,no âmbito
do desenvolvimento do capitalismo moderno no Brasil,para,a
partir daí , operar,no sentido do socialismo , as mudanças que
visassem acabar com a ditadura e criar aquelas condições,e num
passo seguinte, fazer a revolução.
Como sabemos agora,nada aconteceu e os paradigmas desta
revolução não são mais pensados.Contudo,o progresso nacional
do Brasil ainda é necessário para resolver a questão social.Muito
embora o PT diga que ela está acabando(a miséria e a questão
social)as pessoas sensatas sabem que não,estando,inclusive,muito
longe de solucionar.
Mas estes paradigmas servem para analisar como as nações
buscam o seu desenvolvimento,acrescentando ou não a questão
social.
No âmbito do marxismo ficou claro que o cerco ao
capitalismo,a hegemonia da esquerda para fazer a revolução
democrática não deu certo,em função do poder da
burguesia,quanto inclusive,à capacidade de cooptação das classe
médias.
Foi o que se viu na época do compromisso histórico,na
Itália.O simples recrudescimento do terror,provocado pela
direita,inviabilizou a ascensão dos comunistas italianos.
Guardadas as devidas proporções o mesmo se viu no Chile.
Aqueles que defenderam a luta armada continuam a
defendendo,nos seus pequenos nichos(muito pequenos mesmo,do
tamanho de uma Kombi do América Futebol Clube ),mas ,de
novo,as pessoas sensatas,sabem que não está na ordem do dia
uma revolução que acabe com as classes,a partir de uma
hegemonia de uma suposta maioria de trabalhadores(quais?)
A insistência nesta impossibilidade pode fechar os caminhos
para um desenvolvimento social,que é uma via capaz de superar
sim a pobreza e a miséria,não com empréstimos,mas com
reformas estruturais de fato,como a universalização da educação.
O padrão de desenvolvimento dos países ao longo da história
indica que senão houver uma homogeneidade de interesses
nacionais,um projeto nacional desejado por todos não há como
desenvolver uma sociedade capitalista moderna,que,ainda que
dividida em classes,termine com as carências básicas do ser
humano.
Isto,esta homogeneidade ,não será possível,se não admitirmos
uma aliança,como foi dito em 72,com a burguesia.Não será
possível,principalmente,num país tão dependente como o
Brasil,pois o cerco à burguesia brasileira,a obrigará a fazer uma
aliança com as burguesias imperialistas do primeiro mundo ,coisa
que aconteceu com Getúlio em 45 e em 54.
Então a Revolução brasileira não é bem revolução,mas
desenvolvimento em torno de um projeto nacional.

Qual o papel da cultura,para as esquerdas?

Desde o neo-colonialismo europeu duas posturas têm sido


encontradas na esquerda para estabelecer a relação com a
cultura erudita e com a civilização.Uma primeira é desdenhá-la
como parte do projeto das classes exploradoras,aristocracia e
burguesia.Isto se vê muito acentuadamente na revolução de
1848.
Depois da vitória das classes “ altas” duas posturas
apareceram:uma ,de direita,do Conde de Gobineau,que afirma que
a civilização se identifica com a cultura erudita e que como ela
foi produzida por estas classes,pelas raças brancas, sendo sua
propriedade por direito,cujas realizações devem ser protegidas a
ferro e fogo ,como fez Hitler décadas depois.
Para estas classes a revolução das “ esquerdas” é contra a
civilização.
A reação das esquerdas é variada,mas de modo geral ela
contrapõe a vida,os problemas das classes “ subalternas”,às
realizações culturais e assim afirma a necessidade de priorizar
este problemas,de fome,de miséria,de criança abandonada,frente a
interesses vãos,como poesia,arte e cultura.
Foi neste espírito,por exemplo,que se fez no Brasil o Centro
Popular de Cultura,para construir uma arte dos “ pobres” ,dos
trabalhadores.Esta tentativa não deu resultado e só aqueles artistas
que relacionaram a “ problemática de classes” com a humana é
que produziram obras de valor,como Nelson Pereira dos
Santos,Jorge Amado,Glauber e assim por diante,que aliás muitos
deles,como outros,não faziam parte do CPC,diga-se.
O fato é,e esta é a minha profissão de fé,que uma coisa não
exclui a outra dialeticamente falando(se é que a esquerda se
preocupa com a dialética,já o provei antes)e mais do que
isto,como também já demonstrei, o termo de igualação decisivo
da sociedade democrática moderna,inclusive socialista,hoje,é a
cidadania, e esta não admite nenhuma forma de exclusão,de classe
,de gênero ou de pessoa e por isso nada é propriedade de
ninguém,muito menos o conhecimento.
O conhecimento,a cultura,são produtos humanos,não de classe
somente(embora haja esta influência claro)e como tais são de
todos.Quanto mais o mais pobre ,o menos favorecido ,for capaz de
conhecer,de se inserir na civilização,mais ele tem condições de
sair da exploração,porque ele encontrará,como é possível
encontrar,caminhos e brechas para superá-la.
Ocorre que hoje,em função das necessidades eleitorais-
eleitoreiras,de uma esquerda velha,anacrônica e porque não dizer
falida,a mesma repete os slogans da burguesia,que a esquerda
devia contestar,mas que com ela se compõe,esta é a
verdade,reproduzindo todo o mecanismo de exploração que vem
desde o tempo colonial.
Não é parte da análise dos progressistas e da esquerda afirmar
que a situação do Brasil,de miséria,de criança abandonada e de
fome,surgiu por causa do pacto colonial,que manteve a
escravaria e o povo brasileiro sem educação?Então porque os
corifeus da esquerda vendem esta idéia de que cultura é coisa
de fresco,que o importante é tratar do sofrimento do povo?Eu sei
a resposta,é porque,como a burguesia,eles não querem ser
contestados em seus esquemas políticos pessoais.Não querem
um trabalhador capaz de contestá-los.

Voltando à vaca fria: Mudança de paradigma na História do


Conhecimento

Vamos continuar o nosso trabalho.O artigo de hoje é sobre as


revelações que têm sido feitas sobre o verdadeiro papel de alguns
cientistas e inventores famosos,nos últimos séculos.Eu vejo
necessidade de colocar este tema em pauta porque as minhas
conclusões são consentâneas e adequadas ao projeto deste blog.
As últimas pesquisas históricas demonstram que a “ teoria do campo
unificado” de Einstein foi só uma manobra antiética do grande sábio
para se manter na crista da onda das discussões científicas.Mas esta
teoria,desde o início ,foi contestada e tida como inviável.

Todos sabem hoje que Marconi não era um cientista,mas um


empresário,que usou as invenções e descobertas de outros para ganhar
dinheiro,fato que se aplica,mutatis mutandi,a Edison.Este último foi
realmente um grande inventor,mas no final da vida se tornou mais que
tudo um empresário e predatório.

O que é preciso dizer é que ,com raras exceções ,do século XVIII até
ao final do XIX,se formou uma ética,dentro do espírito progressista do
racionalismo oitocentista,segundo a qual o conhecimento é de
todos,não devendo ser posse e propriedade de ninguém.
Quem cristalizou e aprofundou esta ética,este cânon,foi,como já disse
aqui , Julio Verne,o escritor que inspirou ,por exemplo(gol da
Alemanha!35 minutos do primeiro tempo e já está 10 a zero!)o nosso
Santos Dumont,quem nunca patenteou as suas invenções e distribuiu
o dinheiro gasto nos prêmios entre os seus mecânicos e colaboradores
em geral.

Ocorre que no final do século XIX,com o surgimento de nações


unificadas novas como a Itália e a Alemanha e principalmente,depois da
guerra civil,os Estados Unidos,o mercado capitalista cresceu
assustadoramente,criando possibilidades de ganhos astronômicos para
pessoas abnegadas,que viviam ,às vezes,em situação econômica
precária.

Mas alguns,como Nicola Tesla,mantiveram este critério de Júlio Verne


até ao final,como o citado Santos Dumont.Esta discussão prosseguiu
no inicio do século XX,notadamente porque as nações citadas e muitas
outras,como a França,perceberam que além dos ganhos astronômicos
,havia a conexão com o interesse nacional.

Santos Dumont cumpriu uma missão deste tipo em relação à


França,porque esta queria barrar o caminho de avanço tecnológico
crescente de seu maior rival na época:os Estados Unidos,pelo menos na
aeronáutica.
Contudo,embora na aeronáutica os Estados Unidos tivessem ficado para
trás(para retomar depois a dianteira com as primeiras linhas aéreas),em
outros setores lideraram todo um esforço de superação da ética de
Júlio Verne colocando no lugar a lógica do mercado,através de figuras
como Edison e Graham Bell.

O primeiro ,para atacar a invenção da corrente alternada,de


Tesla,muito mais barata,realizou uma série de experiências
falsas,matando inclusive animais,de modo a provar que este tipo de
corrente era perigosa e não a dele,a corrente contínua(que prevalece
até hoje,exceto nas hidrelétricas).

Graham Bell foi beneficiado por ter usado esta conexão com os
governos,no caso,o governo brasileiro,para ocultar que o italiano
Meucci tinha chegado à invenção do telefone junto com ele.

O caso,no entanto,mais grave,foi o de Marconi;filho de um


banqueiro,que já tinha ,através de seu pai,contatos com o governo
italiano.Todas as invenções de transmissão da voz,já tinham sido
realizadas por outros cientistas e inventores e ele os reuniu de forma a
constituírem um aparato técnico capaz de ser usado pelos
governos,principalmente o seu,o da Itália.Quer dizer,se beneficiando do
fato de que estes cientistas não tinham,segundo a ética do
progresso,patenteado os seus inventos,ele os fez,dando-os como
seus,se escudando nas necessidades do mercado associadas às da
nação.
Hoje,na própria Itália,se atribui a primeira transmissão de voz a um
padre brasileiro,padre Landell,cujo papel comentaremos em outra
oportunidade.

Tendo provado Marconi que era factível o sistema ,ele o vendeu à


marinha italiana e ficou ,da noite para o dia,imensamente rico e estas
falsidades de sua informação e formação bem como de seus reais
interesses ficaram até aos dias de hoje.

Que lições podemos tirar destes fatos?Que o conhecimento não pode


ser cooptado por interesses absolutos,de um mercado,que depois
estabelece quem pode acrescentar mais progresso à humanidade;que o
conhecimento,sendo de todos,não pode ficar na mão de poucos,que,às
vezes,nem se interessam,por seu desenvolvimento ,mas só com os
lucros,dentro da competição capitalista.

Guardadas as devidas proporções é o mesmo o que acontece hoje com


o futebol(olhe ele aí-gol da Alemanha,não acabou o primeiro tempo e já
está 12 a zero):em nome da continuidade da galinha dos ovos de
ouro,da reprodução do capital,não é importante formar um craque,mas
fazer dele produto vendável,antes até de jogar futebol.O que acontece
neste tipo de capitalismo moderno é a reificação da pessoa,em novas
formas,nem sonhadas no século passado.

A informática quebrou um pouco este sistema,quando a Microsoft foi


inventada numa garagem,mas hoje ela cospe no prato e é inimiga da
liberdade individual de criar e inventar,que é condição do progresso
democrático da ciência.

Óbvio que existem necessidades de controle,mas estas representam


uma ética que não pode passar por cima desta outra,que diz que o
conhecimento é de todos,que a alegria de conhecer deve partir e se
endereçar a todos e ao homem comum.

O que eu realmente disse sobre o 7 a1

O meu artigo anterior causou uma certa espécie em alguns bons


amigos meus.Ainda falando sobre este jogo fatidicamente histórico
eu quero dizer que nós temos que considerar a humildade de um
ponto de vista positivo e para isso não podemos e não podíamos ,no
jogo,deixar de lado o fato de que somos pentacampeões e que isto
deveria ter tido um peso na partida.
Ainda que se admita o apagão não se pode aceitar este tipo de
inocência,mesmo de jogadores jovens,que têm consciência de tudo o
que foi construído no passado,além do mais porque eles jogam no
exterior ,desde o início de suas carreiras,por conta desta
construção,fato que não autoriza os jogadores a ter medo dos
alemães ,se é que foi este o motivo do apagão.Como podem ficar
deste jeito diante de jogadores que eles conhecem há anos na
Europa,há pelo menos 5 anos ,na média.Alguns brasileiros são até
campeões em times de ponta como o capitão Thiago Silva.

O que causou este maldito apagão foi este oba-


oba,patrocinado,inclusive pelas mídias,como a rede globo,que,antes da
vitória,já exaltam como nunca antes os jogadores,não no espírito de
valores de esforço apenas,mas de promoção de um espetáculo com
retorno financeiro garantido.Antigamente,antes de a pessoa ganhar
rios de dinheiro tinha que provar o valor de suas contribuições.Para
a maioria ainda é assim.Mas diante destes esquemas milionários,a
simples participação,às vezes horrível,já garante fortunas do dia para a
noite.E não adianta vir com este discurso de que é preciso continuar a
vida,de que foi só um jogo,porque isto encobre a necessidade real de
continuar com a galinha dos ovos de ouro,a despeito de quaisquer
valores de verdade.

Eu sempre falo de futebol,com a maior seriedade, porque está provado


historicamente que as sociedades que mais rápida e
democraticamente progrediram são aquelas que possuem um grau de
união e homogeneidade capaz de mobilizar uma idéia de maneira
célere e eficiente.Foi assim(não democraticamente às vezes)na
Alemanha,no Japão,na Suécia e nos países escandinavos,sem império.

Se observarmos que o futebol no Brasil une mais do que a


nação,mais do que em torno da nação ou de qualquer idéia ,vê-se que
ele não só é capaz de arrastar multidões para os estádios,mas a nação
para as idéias essenciais de nosso tão aguardado progresso na
educação,na saúde e na política.

Por isso acho que as discussões após o 7 a 1,versando sobre os


fundamentos do futebol brasileiro devem tratar também dos
fundamentos da nação,que não pode deixar jogadores de treze
anos,formados nos nossos clubes,sair a peso de ouro,para a
Europa,num fenômeno de desnacionalização(e porquê não de
imperialismo),que anuncia perigos futuros (e presentes).

Pelo Futebol não devemos só reformular o jogo,mas o Brasil,porque só


no jogo a nação existe.

Ah este jogo não pode ser 7 a 1

Todos os que me conhecem sabem que trato de futebol como uma


questão social,não dando mais importância a isto não.MAS QUANDO
SE TRATA DESTE VEXAME QUE ESTES ALEMÃES BOTINUDOS NOS
IMPUSERAM EU TENHO QUE MUDAR O MEU CRITÉRIO PORQUE EU
NÃO ADMITO QUE OS JOGADORES BRASILEIROS TENHAM DEIXADO
ISTO ACONTECER!
Agora todo mundo procura uma causa,procura uma resposta e todos
se culpam pelo que aconteceu.

O futebol não explica o Brasil ,eu já disse isto aqui,mas no cotidiano


sim.No cotidiano identificamos três mediações que nos fazem sentir o
que está rolando conceitualmente nas ruas:a relação com o parceiro;o
táxi e o futebol.

O futebol não tem capacidade de melhorar ou piorar o país,mas ele


ajuda,pelas relações dele com o povo,a entender este último e quiçá,
a partir disto,influenciar muitos dos critérios de ação do povo.

Ora ,o meu paradigma específico,como integrante que sou deste


povo,como cidadão igual aos outros que sou,me indica que a
frustração foi enorme,mas que o povo não está mais identificando o
esporte como esta medida conceitual.

Na minha opinião,o povo encarou demasiadamente fácil a


derrota,procurando seguir o princípio da FIFA do Fair Play.

Ocorre que como boleiro que sou eu não aceito esta


passividade.Talvez esta passividade seja só inicial(espero até que
seja),porque os traumas demoram em efetivar as suas
conseqüências.Como diz aquele político,se por um lado encarar
esportivamente é bom,por outro é mal,porque,como tenho analisado
desde o início destes artigos,o desastre que os alemães nos
impuseram,me parece a cristalização do predomínio cada vez maior
da mentalidade européia sobre o povo brasileiro.Existe um desejo mal
disfarçado da FIFA de “ civilizar” o Brasil,como os antigos religiosos
colonizadores(Livingstone) .Eu já me referi ao problema da
elitização,através de ingressos caríssimos,só acessíveis às classes altas;
ao problema da uniformização dos estádios e da cobertura da
mídia,que vem de um lugar só(antigamente assistir uma copa era
assistir o modo de ver de um povo;cada povo sendo bem diferente do
outro);já me referi ao problema do valor escorchante,pago por nós,do
capital aplicado na construção destes estádios.

Enfim,sob o discurso de profissionalização e do fair-play está se


querendo podar as potencialidades diferenciadoras dos povos e do
povo brasileiro em particular,que nunca assistiu futebol de terno e
gravata.

O povo brasileiro não é resultado,como diz erradamente Paulo Prado


em “ Tristes Trópicos ” ,das três “ raças tristes”.Contudo uma coisa
pode-se dizer:porque ficar remoendo a perda do título em 50,como
ficamos antes da copa de 2014?Já ultrapassamos isto e o Uruguai não
ganha nada há quase setenta anos.Eles não comemoram nem o
Mundialito de 80.

Eu digo isto,porque tenho a percepção de que o futebol é a nossa


única vitória e o nosso cotidiano é alegre para encobrir também
tristezas recorrentes e inevitáveis,se adequando a uma interpretação
livre do pensamento de Paulo Prado.Quando chega a Copa o brasileiro
oscila,como sempre oscilou,entre o otimismo sem fundamento e o
pessimismo delirante.Ele está ,às vezes,em cima do muro,o que é quase
igual ao pessimismo.De qualquer forma a alegria e tristeza estão
relacionados de forma muito próxima.

Aqui no Brasil, a Copa engendrou um otimismo do segundo tipo.Não


admitíamos a derrota porque jogávamos em casa e ela veio como em
nenhuma outra ocasião,fazendo confirmar aparentemente o vaticínio
de 50,mas eu penso que pensar demais e sempre em 50 acaba por
produzir a repetição do erro daquela derrota,que já tínhamos
identificado:que não admitíamos perder.

O brasileiro está sempre precisando de um fundamento no


passado.Ele é um país moderno materialmente,mas espiritualmente
arcaico.Sem produtividade original no presente,ele busca
recorrentemente modelos arcaicos,passadiços.

Falar de 50 se tornou um negócio que faz a fama de muita gente ,mas


eu penso que chegou a hora do brasileiro acreditar numa atitude
rupturista,deixando para trás aquilo que não importa mais.Identificada
a causa do erro,partir para o futuro que é mais importante.

E NO FUTURO EU EXIJO QUE ESTES BOTINUDOS ALEMÃES,HOLANDESES


E FRANCESES SOFRAM GOLEADAS.

Esta atitude arcaica nos faz desprezar o aprendizado e nos induz a não
guardar o conhecimento,como algo importante.Como dizia Euclides da
Cunha,” No Brasil o que uma geração ganha a outra perde” e vivemos
neste intervalo de nada e de frustração que anuncia novas derrotas.

O Brasil está precisando agora daquela sacudidela que João Saldanha


deu no país depois da derrota de 66.Ele escolheu as suas “ feras” e
preparou o país para valorizar o que já tinha conquistado.

Humildade,eu entendo,tem dois sentidos:um abstrato e outro


concreto.O abstrato é a humildade no sentido moral,geral,de ter
sempre consciência dos seus limites;a humildade concreta é aquela
que se estrutura nesta consciência,na consciência de que se sabe
fazer.Qual é a necessidade de lembrar 50 se somos pentacampeões?Para
quê?

A humildade abstrata,muito católica,é castradora do esforço para


conseguir ambiciosamente o conhecimento e a habilidade.Já imaginou
se Michelângelo ficasse com humildade na hora de fazer o “ Davi”?Não
dá.Muitos jogadores ,no Brasil,perderam carreiras por este tipo de
humildade.Penso em Ademir da Guia,um craque divino,que me fez ser
palmeirense em São Paulo e que não tinha ambição.

Ambição é legítima quando você se esforça e adquire a sua


habilidade,quando você reconhece a sua vocação.

Pensar no futuro é ter esta atitude,de romper com medos infundados


e PASSAR POR CIMA DESTES BOTINUDOS QUE ESTÃO SE ACOSTUMANDO
A NOS GANHAR.Deste jeito eles vão ganhar no esporte e no projeto
civilizatório que querem nos impor.
Então viva João Saldanha e vamos mudar esta maneira de ser e voltar
aos “quadros constitucionais vigentes”,no futebol,no qual somos os
melhores.

Ensino Público

A foto acima nos mostra a curiosa presença,na mesma sala de aula


do ensino básico alemão,de Hitler,com doze anos e Witgenstein,o
futuro grande filósofo.Eu a uso,no entanto,aqui,para mostrar que a
questão do ensino público para todos é decisiva para um país que
queira progredir,porque ,muito embora Witgenstein fosse rico e
chegasse na escola de limousine,Hitler era pobre,e os dois,portanto
recebiam a mesma educação de qualidade,que formou ,de um lado,um
grande pensador e de outro,um criminoso.
A questão do ensino é a do ensino público,do conhecimento do
mesmo nível para todos.É verdade que esta luta ,nos países
europeus não foi também fácil,desde a Grécia antiga.A norma era
que somente os privilegiados tivessem educação,em casa,com
preceptores particulares.Vide o caso de Alexandre,o Grande.
No século XVIII,contudo,no rastro do projeto de uma construção da
humanidade,projeto este ainda necessário e que mal começou,a
idéia de um conhecimento para todos ganhou força e passou a ser
um dos temas políticos destes países.

Contudo há uma diferença entre eles e o nosso país,porque e por


causa deles,aqui predominou uma sociedade escravagista,em que a
relação do homem do comum e do trabalhador(que no fundo é o que
é o escravo,um co-colonizador do Brasil),com o trabalho e o saber é
nenhuma.Na Europa,o desenvolvimento da indústria permitiu que
muitos que não tinham formação escolar,como James Watt(inventor da
máquina a vapor),inventores,químicos e físicos ,aparecessem e
pudessem ascender.Mesmo na Grécia antiga os escravos gregos
possuíam um grau de conhecimento , pois serviam aos filhos dos
aristocratas de professores.

Neste sentido é muito importante para nós brasileiros compreender


que, se quisermos progredir como outros países fizeram, vai ser
fundamental superar este passado que nos mantém num atraso atroz.

Eu defendo ,como todo mundo sabe ,que aconteça no Brasil a


chamada “via japonesa”:por uma decisão de governo o povo adquire
os conhecimentos para o progresso social da nação.Existem muitos
problemas envolvidos nesta questão e nesta decisão,mas o mais
decisivo é não excluir os cidadãos,por quaisquer motivos,de classe,de
raça ou outro qualquer porque senão estaremos dando um passo atrás
diante destes outros povos que ,de um jeito ou de outro incluíram cada
vez mais na história,os seus cidadãos,fato que é explicativo da sua
liderança,da sua força econômica,não importando que ,em
determinados momentos,tenham havido processos de exclusão e
matança,como a dos judeus .Em tempo,Witgenstein,que está na foto
com Hitler,era judeu e não foi morto porque já tinha morrido antes do
genocídio.

A Copa é apenas uma trégua(espero).

As ruas não estão se movimentando agora ,no período da copa,porque


estão esperando os resultados na próxima eleição.Mas não se iludam
todos quanto à sua continuidade futura se respostas firmes,ou seja,de
acordo com a soberania popular,não vierem.

A bem da verdade já não estão vindo e vindo de forma


completamente desvirtuada,como já ressaltei em artigo anterior sobre
o voto facultativo.

Já também reclamei em outra ocasião a respeito do plebiscito,que eu


queria,por estar na nossa constituição.Agora,no entanto,visto que a
minha previsão de que viriam as manifestações durante a
copa,falhou,sobra o desejo de que não acabe o ímpeto essencial,aqui e
nos outros países,de fazer valer aquilo que as supostas democracias
afirmam e escrevem pelo menos:a vontade do povo.

Que é isto que marca,a meu ver,a nossa época.A tarefa essencial da
política,pela primeira vez ,é realizar de fato um dos grandes objetivos do
século XVIII e dos direitos humanos.Estabelecer uma relação
consciente entre os de cima e os de baixo,coisa que todas as
constituições modernas prometeram,mas que nunca realizaram,por
causa dos interesses que se expressam na política estes anos todos.

A Internet é o meio novo e moderno desta “nova” realidade,porque


ela já coloca a comunidade universal em contato imediato.Fico
pensando como Kant veria a internet!Quantos textos faria para
explicar,mas acima de tudo,preconizar, a internet como a mediação
construtiva desta comunidade que ele lançou no século XVIII,como
possibilidade e problema.

Quer dizer, já há uma comunidade que precisa ser codificada dentro


deste espírito não só democrático,mas também e mais
decisivamente,naquilo que é fundamental,ou seja,quem exerce o poder
de fato.Para quem existe o poder?

Nós vemos que todos os governos passaram por cima da soberania


popular,desde os tempos de Napoleão.Todos falam em nome do
cidadão comum,mas este vive um cotidiano miserável,correndo riscos
inomináveis.É o momento de dar continuidade às manifestações para
começar a efetivar os direitos desde cidadão comum,eu e
você.Portanto,espero que a copa seja apenas uma trégua e não o fim.

É grave a saída de Joaquim Barbosa

Na minha opinião os termos nos quais o Presidente do STF se baseou


para se aposentar são muito graves para serem deixados de lado e ele
não deve deixar de investigar estas razões.Lembremos:ele alegou que
está sofrendo covardes ameaças,inclusive de morte,e que por isso “
querendo viver sua vida “ resolveu sair.

O pior foi que estas ameaças teriam provindo do PT,por causa do


mensalão.Grupos de petistas o teriam abordado na rua.

A se confirmarem estas afirmações ,estamos diante de uma situação


muito séria,porque não se pode ,no estado de direito
democrático,permitir que as determinações da lei,os rituais da
democracia, sejam atingidos por perigos desta natureza,e mais do que
isto ,forçando as pessoas de bem a se esconderem debaixo da cama
quando tal acontece.Isto seria liberar o espaço público para o
bandido,coisa que este último já vem tentando e conseguindo a passos
largos.
Eu não temo as ditaduras políticas,de baixo para cima,do Estado para a
Sociedade Civil,porque elas são passageiras,de vez que a sociedade civil
é maior do que o Estado e do grupo que o domina.O que eu tenho pavor
é das ditaduras do cotidiano,dos costumes,das atitudes,de baixo para
baixo,de lado a lado.Estas são permanentes,renitentes,duras e custam
a passar,como acontece no Brasil.

Muita gente não vê que neste gesto de Joaquim Barbosa está um perigo
muito grande de o cidadão aceitar esta ditadura do dia-a-dia,de recuar
na defesa do estado de direito.

Porque o Presidente do STF não denunciou antes estas ameaças?Foi só


porque não queria vender uma imagem de vítima,com vistas à eleição
presidencial?E daí?Se fosse verdade,como ele tem recursos para
provar,não seria justo e até legítimo usar isto para uma candidatura?

Não haverá nelas um racismo se mostrando claramente.Não haveria algo


melhor para contestar este racismo do que uma candidatura de um
negro.Azar dos racistas.Quem promove violência favorece aos bons.

Seria realmente muito importante,para catalisar as necessárias reformas


de apoio ao negro brasileiro,uma candidatura deste tipo.E não há
porque fugir destas ameaças à democracia,quando se trata de uma
autoridade que é responsável por ela.Mais do que isto, é uma
necessidade.O Ministro deveria ter lutado,se estas ameaças têm a ver
com o mensalão,desde sempre,desde o inicio do processo,não só para
fazer justiça,mas também para lutar no plano
social,antropológico,mental,do Brasil e mostrar a quem é contra o
progresso que “os bons começam a fazer alguma coisa”,que “ as pessoas
de bem têm a mesma força dos canalhas”.

Ainda que o Ministro não quisesse se candidatar,por razões


pessoais,admissíveis,na luta contra a ditadura pequena e permanente
,era imprescindível ser mais profundo para exercer a função de Juiz do
Supremo integralmente;neste caso atitude política era
aceitável,porque ninguém tem o direito de conseguir as coisas “ no
cacete”,como se está dizendo correntemente.

Outra coisa há que se destacar:como o PT ,que foi acusado frontalmente


e parece ter de fato acuado ,no espaço público ,a figura do cidadão
Joaquim Barbosa,não vem à público,no mínimo,se colocar contra estas
formas de violência partidária?Como não deu ordem para que não
fizessem?Estamos banalizando a violência?Para mim o PT legitimou.
O Brasil está em perigo,porque estão lado a lado,a leniência do cidadão
e a violência do criminoso do dia-a-dia.

O golpe não foi por acaso

Costuma-se ouvir dizer que o golpe foi resultado do acaso,por causa da


renúncia inesperada de Jânio.A sua renúncia deu origem aos eventos
que culminaram com o golpe.

Se olharmos,no entanto,os fatos que deram origem à sua candidatura e


à sua eleição,veremos que não foi bem assim.Jânio vinha de uma bem
sucedida experiência administrativa como governador de São
Paulo,estado que crescia vertiginosamente antes dele.Mas quem
realmente governava era o seu secretário de fazenda Carvalho
Pinto.Jânio era uma personalidade carismática,capaz de ganhar muitos
votos,mas era totalmente dominado por pessoas competentes que
realizavam o governo.
Com este carisma,Jânio era um isolado,que não costumava
negociar(como é próprio das democracias)com o parlamento.Quando
saiu do governo inventou que era vítima de golpe para justificar o seu
despreparo.Os seus inimigos,da UDN e da coligação PSD-PTB afirmam
que ele tinha esta intenção para justificar ,da parte de seus apoiadores,
uma ausência de responsabilidade no acontecido depois.

Os erros de Jânio não foram só dele,pois os seus apoiadores e até os


seus inimigos ajudaram sua eleição por causa da eleição que viria a
ocorrer em 1965.

Tanto a UDN de Lacerda,como a coligação de PSD-PTB,do Marechal Lott,


raciocinaram que era preciso colocar um boneco manipulável para que
ele,mesmo de posse da máquina governamental, não tivesse condições
de atingir tanto um lado como o outro.

O que prova que até mesmo a coligação oposicionista tinha este


interesse é que todos os apoiadores da candidatura do marechal lott
,que iam falar com Juscelino, acabavam declarando apoio a Jânio.

Juscelino nunca confiou na figura do marechal,que através da


novembrada garantiu a sua posse.Ele o temia,achando que lhe daria
um golpe.Por outro lado a sua presença no governo como ministro da
guerra,entendia ele,o diminuia porque o militar parecia necessário
para manter o governo,não o Presidente.

Juscelino cristianizou o Marechal e o fez conscientemente, no sentido de


ter um boneco manipulável que não atrapalhasse a sua volta ao governo
em 65.

O mesmo raciocínio teve Lacerda ,que queria controlar Jânio e se eleger


mais facilmente.

Mas foi o que se viu e as explicações posteriores são só um meio de


esconder que não houve acaso mas oportunismo de políticos que só
pensam em cargos e não no Brasil.

O Golpe

Lembrança de uma discussão


Para contribuir no debate sobre as causas e desdobramentos do Golpe
Militar de 64 trago aqui hoje,uma discussão que faz parte destes
desdobramentos, diante do que aconteceu,ou seja,um golpe sem
reação nenhuma.

Todo mundo sabe que houve uma discussão,cada vez maior na


oposição,quanto ao modo de não permitir que um general passasse para
outro o poder,quando a “ candidatura” do General Costa e Sila se “
consolidou”.Os militares gostaram do brinquedinho político que a direita
deu a eles de bandeja.Esta direita,representada,claro,por Carlos
Lacerda ,intentou a Frente Ampla,que só serviu para justificar mais e
mais medidas duras.

Mas na esquerda isto ocorreu também,mas a partir de determinados


fundamentos teóricos sobre os quais ninguém mais se refere,porque
talvez se ache que a esquerda não exista mais.

O fundamento teórico era saber se a ditadura implantada no Brasil era


fascista ou não.

Muito embora a luta armada tenha começado em 64 mesmo,com a


guerrilha de Caparaó,que não prosseguiu,costuma-se dizer que ela
apareceu de fato após o AI-5. A direita militar diz que a intenção era
fazer a luta armada a partir de 67,usando como prova a reunião da
olas,em 67,em Cuba,da qual participou,entre outros,Marighela.

Mas o fato mais importante teve lugar no ano de 1967,com o VII


Congresso do Partido Comunista Brasileiro e foi neste Congresso que a
discussão sobre a natureza do regime militar começou.Na verdade ele
não parou a luta armada,mas a sua análise mostra em que termos os
argumentos foram brandidos pelos diversos setores da esquerda para
justificar a luta política,como queria o PCB,e a luta armada,como queria
o mesmo Marighela e outras organizações.

O livro que resume esta discussão foi lançado em 1972 pelo professor
Leandro Konder e se intitulava “ Sobre o Conceito de Fascismo”.Não se
diga que a luta armada estudantil tinha acabado então,porque muitos
estudantes se associaram,neste ano,ao projeto do PC do B de Guerrilha
do Araguaia.E o livro resumia discussões que vinham do ano de 1967.

Conceituando o fascismo Konder demonstrava que o que acontecera no


Brasil não tinha similitude com o fenômeno que dominara nos anos
vinte e trinta a Itália e a Alemanha.O que caracteriza o fascismo é uma
completa dominação do Estado por parte não só da burguesia e seus
partidos,mas também pela força militar,acrescida de uma polícia
política.Mais do que isto o que define o fascismo desde a sua criação por
Mussolini(que vinha do Partido Socialista Italiano)é lutar contra a
ascensão do mundo do trabalho,organizado agora pelos
sindicatos,dominados por setores trabalhistas,no inicio e depois,pelos
comunistas.Não importa que na Alemanha o anti-semitismo tenha
unificado o movimento nacional socialista.A sua origem social e
construção política se baseiam num pacto das elites contra não apenas
os comunistas,mas contra os sindicatos e o mundo do trabalho.

Há um episódio famoso,citado em outro livro, por Konder,que opõe no


Parlamento Italiano dos anos 20, Gramsci a Mussolini.Este último
afirmava que o fascismo era a favor dos
trabalhadores,pois,inclusive,tinha garantido pela primeira vez uma sua
reivindicação,a jornada de oito horas.Gramsci ,contraditando o
ditador,disse que o fascismo era uma forma de controle dos
trabalhadores,a partir de uma necessidade,financiada inclusive,pelas
classes altas,de barrar o avanço livre dos trabalhadores,que poderiam
tomar o Estado e acabar com o monopólio da burguesia.

Acrescente-se hoje o conceito de totalitarismo,que não está presente no


livro de Konder,mas que é verdadeiro.Os regimes fascistas são
totalitários,invadem a sociedade civil,de maneira absoluta,para garantir
a sua hegemonia.
Contra este tipo de Estado,a luta política é fundamental,como sempre
é,mas ela pode adquirir a necessária participação das armas,para
contraditar o seu poder absoluto ,nos termos acima explicados.

No Brasil,diferentemente do que aconteceu no Cone Sul,os espaços da


política ainda sobreviviam,apesar da hegemonia dos militares,da força
militar.

Os setores radicais da esquerda que enveredaram pela luta


armada,achavam que por causa de só haver uma hegemonia das
armas,era possível derrubar o governo usando-as também,sem
perceber que estes espaços sociais em volta do regime,que oscilavam
entre a abulia legitimadora e o franco apoiamento do regime,não os
seguiriam.

Também é preciso ressaltar que mesmo que fosse verdade o


fundamento dos radicais, não era com meia dúzia de revólveres velhos
que isto seria factível.Só o seria se a sociedade civil fosse ganha para o
projeto,porque assim revólveres melhores estariam à disposição.
Não havia outro jeito senão o de ganhar a sociedade civil,que depois de
64 se unificou na oposição ao regime,para derrubar um regime,que era
mais legitimado por aquela abulia do que por amplos setores da
sociedade civil.

Mesmo nos regimes mais próximos do fascismo,a luta militar nunca


prescinde da participação das massas,mas se o regime brasileiro o fosse
a questão do uso da força era mais factível e necessária do que nas
circunstâncias históricas de implantação do regime de 64 e seus
desdobramentos.

O Golpe ou Jango foi o último reformista de fato

O Golpe
Estamos a relembrar(não comemorar)o golpe de 64 e de novo me sinto
chamado a fazer comentários que eu considero importantes para um
cidadão que opina e que é tocado pelos acontecimentos de seu país.

Coisas importantes já foram ditas sobre o significado desta data e eu


mesmo já me referi a isto colocando a contraposição entre esquerda e
direita como perigosamente capaz de fazer acontecer aquilo que Hegel e
Marx chamavam de a “ história como farsa”.
Sobre esta base quero começar discutindo a idéia hoje tão repetida de
que é preciso conhecer a história para não repeti-la ,máxima do filósofo
estadunidense George Santayanna.

Isto é verdade sim,mas é preciso entender bem o conceito para não


ficarmos presos a ele ,sem condições,portanto,de construir o futuro,que
eu acho ser o mais decisivo nos dias de hoje.E de sempre,porque se
anda é para frente.

Ficar no passado também é repetir a história e se corre ,com isso, os


riscos que os seus erros mal compreendidos venham a causar
novamente danos ao presente.No caso do Brasil,um golpe.

Há que mostras às novas gerações o que foi o golpe para evitar que elas
sintam um desejo de ditadura,coisa que parece estar ocorrendo
agora,mas também é preciso não super-dimensioná-lo para alcançar fins
políticos atuais.

Não é legítimo usar o sofrimento destes cidadãos brasileiros para fins


político-partidários.

Contudo é lógico,que seguindo este raciocínio de cidadania ,há sim o


direito de reparação frente aos atos praticados pelo Estado.

Para os que ficaram aqui e os que voltaram do exílio conhecer o passado


impõe,se quisermos encarar o problema da maneira certa,o dever de
acabar com o entulho autoritário que ficou da ditadura,cujos exemplos
são a ausência de uma reforma agrária,um ensino básico ruim,o sistema
político-eleitoral,criado no pacote de abril de 1977.
Ao mesmo tempo que constatar isto nos coloca diante do fato de que
estamos ainda no dia 31 de março, mostra que a única forma de sair é
enfrentar o problema,o que não acontece desde os idos de Sarney.

O sistema partidário,embora feito já no final da ditadura, consagra esta


contradição terrível,esta fatalidade que todos os sistemas políticos e
pessoas ,na sua vida individual,devem encarar para crescer e se não
encaram ,desde Sarney é porque não querem e se não querem existe a
possibilidade real de uma ditadura.

Se formos aos partidos brasileiros, veremos que a sua estrutura , oscila


entre o fisiologismo e a ditadura e o autoritarismo,já que ambos se
interpenetram criadoramente.

A tentativa de Fernando Henrique de acabar com o legado de


Vargas,sem sucesso,demonstra que também em toda esta relação com o
passado está a verdade de que não se quer a ruptura, porque o
programa de Jango e de Vargas ainda são referências essenciais de uma
política que se pretenda mudar realmente os fundamentos sociais do
Brasil,porque isto é o fulcro da análise sincera de Jango e seu
governo:ele foi o único que colocou,até mais do que Vargas e sem
paralelo com Juscelino ou Geisel,o problema de rever os fundamentos
do país,como nação.

Tem gente hoje que acha que liberar o crédito vai criar em definitivo
uma classe, a qual vai sustentar o fim da pobreza e a independência
econômica do Brasil frente ao exterior,acabando de vez com a
possibilidade de crise,mas isto tudo não passa de ilusão,porque a
reforma agrária ,a educação,a mudança do sistema político são as
condições reais para fazer uma reforma na sociedade.

O último reformista foi Jango.

Juscelino mudou o país,mas sem mexer nestas questões,porque trouxe a


indústria do exterior,não criando a nossa.Modernizou as estradas,mas
não criou um sistema produtivo interno capaz de justificar estas
obras,como escoadouros essenciais do PIB.

A verdade é esta ,Jango foi o último que buscou mudar os alicerces


estruturais do país e isto ainda é a tarefa de nosso tempo.

Esquerda droga

Nas últimas décadas se criou o dogma de que a esquerda tem como uma
de suas características essenciais,que a vincularia ao povo,o uso de
drogas,mas eu,como homem de esquerda,contesto esta ligação,embora
não esteja dizendo também que o uso joga a pessoa na direita.Num
aspecto a droga tem a ver com a direita,porque foi ela que no final da
década de sessenta ,diante da contestação da juventude espalhou este
mal pelas comunidades pobres e pelos jovens.
O concerto de woodstock,aparentemente o cristalizador desta
visão,carrega ,como todo aquele período,ambigüidades ,que não podem
ser escondidas.

Quem viu o filme “Easy Rider,percebe claramente numa das falas do


personagem de Jack Nicholson o erro básico desta fase de
experimentação libertária da humanidade,quando ele diz:”todo mundo
fala em liberdade individual,mas quando saímos por aí a
exercendo,todos ficam contra nós”.

Eu defendo todo o “ programa” daquele tempo:amor livre,liberdade


para escolher,principalmente no amor,governos respeitando a
liberdade,mas não há como substituir,pelo menos imediatamente, a
sociedade atual por comunidades alternativas e nem se deve confundir
liberdade com vontade,o fazer o que se quer.A liberdade implica na
capacidade de se normatizar,de ter na sua consciência a norma,a
capacidade de dar sentido à vida.

Se estivesse na genética do homem o direito natural de não ter governo


não seria necessário organizar-se.mesmo em Woodstock,a festa teve
uma certa organização.

A droga acaba sendo uma experimentação que destrói esta liberdade da


juventude que contestava.

Depois do episódio dos panteras negras nas Olimpíadas do México,em


68,a direita estadunidense percebeu claramente que deveria fazer algo
antes que o povo entrasse no stablishment,como tentara nos degraus do
pentágono. Então espalhou a droga pelas comunidades pobres deixando
àqueles que não têm trabalho somente esta alternativa do negócio,o
qual justificaria pelo seu crescimento,a ação da polícia,a qual justificaria
a produção e venda de armas,para reprimir o tráfico, destruindo a vida
dos consumidores acabando por diluir todo o esforço de elaboração
contestatória em curso.

No plano do amor livre,do amor sem posse, o stablishment o


transformou em pornografia ,em mercado altamente lucrativo.Usando o
princípio da liberdade absoluta de consumo(Larry Flint),revistas
inundaram o mundo objetalizando aquilo que era busca de amor
verdadeiro.O autor central desta traição é este execrando e horrendo
Rupert Murdoch,que só agora,depois de tantas falcatruas foi
atingido(em termos).

Assim sendo droga e pornografia não são necessariamente itens do


progresso,mas sim saúde e liberdade.

Ucrânia,ontem e hoje
Aqueles que estão acompanhando os acontecimentos na Ucrânia
estão,na verdade,acompanhando a continuidade da guerra-fria,que
começou no século passado,como decorrência de acontecimentos do
século XIX.

Temos que criticar,por causa disto,Hobsbawn, por ter dito que o século
passado fora o mais breve,porque, na minha opinião ,ele continua aí e
salvo outro,talvez se torne o mais longo.

Senão vejamos,como os fatos são análogos aos que aconteceram na


Ucrânia no entre-guerras(14-18 e 39-45).

Foi na Ucrânia que ocorreu o maior dos crimes de Stálin,que já relatei


em outro artigo,a “ coletivização forçada” ou “ coletivização pelo alto”.

Ela só foi possível,em grande parte,porque havia,na época,a mesma


divisão de hoje ,entre pró-russos e anti-russos.

Na Segunda Guerra ,um dos episódios mais heróicos da defesa russa se


deu na Criméia,mas antes,Stálin já tinha usado esta divisão a seu favor
para cometer o supradito crime.
Ele alegou que a Ucrânia propriamente dita era constituída de kulaks
,camponeses ricos,que tinham sido beneficiados pelo Czar,desde o
século XIX,e que estavam ,na ocasião,29-33,se colocando contra o poder
soviético.Isto é um conjunto de meias-verdades.Se os kulaks eram “
ricos” não o eram na medida em que entendia Stálin.Não eram
potentados,mas camponeses capazes de produzir para si próprios.Se é
verdade que foram beneficiados pelo Czar não quer dizer que fossem
responsáveis por algum crime contra o poder soviético.Havia sim o
separatismo ,explorado de fora pelos emigrados.Bem e de qualquer
forma e em qualquer época não se admite como processo político
civilizado matar de fome uma população inteira,obrigada inclusive a
praticar canibalismo.

“ Resolvido” o problema por Stálin,os ressentimentos ficaram e foram


reconhecidos os desejos de separatismo logo que a URSS desapareceu.

De Yeltsin a Putin a política,russa agora,não mudou,no sentido de uma


democracia moderna,mas no da continuidade das práticas autoritárias
do passado.Então a separação da Ucrânia não foi bem vista pelo
centralismo russo,que inclusive perdeu um dos motivos desta crise atual
toda,o duto de gás,criado no período comunista.
Putin,que está se transformando num Czar,já vem interferindo na
política da Ucrânia desde os anos noventa,inclusive tirando candidatos
contra a Rússia e favorecendo os pró russos,nas eleições internas da
Ucrânia.

Há inclusive denúncias de envenenamento de antigos opositores


ucranianos desta manipulação.

A Rússia se sente diminuída na sua condição de potência e atribui a


Putin muito desta responsabilidade,por isso ele precisa vender uma
imagem,da mesma forma que os antigos czares,com seu império e os
soviéticos,com sua zona de influência,de Grande Rússia e a anexação da
Ucrânia cai muito bem neste propósito,somando-se a distribuição do gás
em condições melhores,para os russos.

Se este nacionalismo grão-russo se estabelecer, os dois pólos da


Segunda Guerra voltarão a existir,como pólos geopolíticos:a Alemanha e
a Rússia.Mas eu não quero dizer que haverá uma nova guerra.Quero
dizer que existe um grande perigo de a Rússia,dentro deste
nacionalismo,abraçar formas fascistizantes de prática política,que
dariam um tom de uma tragédia histórica,pois os fascistas teriam
vencido os russos de dentro.
Como a religião e o laicismo podem se tocar

Hoje em dia,mas em outras épocas muito mais,se costuma falar mal da


religião,como se a culpa fosse toda dela e da crença,como fenômeno
íntimo.Mas eu,como ateu,bem fundamentado ,acredito,que ,se é
necessário e um dever fazer uma crítica das suas responsabilidades,é
preciso,sem medo de se ser acusado de demagógico,ter escrúpulos na
análise de seus valores e conceitos.
Eu ,por exemplo, não apóio o modo como a religião encara os diversos
problemas do sexo,desde a virgindade,que não acho uma obrigação,até
o problema do controle populacional,mas eu aceito o seu conceito anti-
abortivo e entendo que apesar de tudo existe uma ética sexual que eu
considero pedagógica e fundamental para as relações homem-
mulher,homem-homem,mulher-mulher.

Não defendo o aborto porque eu acho que a mulher e ninguém tem


direito sobre uma outra vida e está provado que o aborto é agressivo
para o corpo feminino e causa inclusive danos irreparáveis,senão fatais
para ela.

Mas ao contrário defendo,contra o pensamento da igreja,o controle de


natalidade e a associação da atividade sexual com a responsabilidade
total e coletiva quanto ao ato de procriar.

Aliás eu entendo que o problema do aborto acaba por esconder o


verdadeiro problema da humanidade que é o controle de
natalidade,sobre o qual falarei mais adiante.

Embora eu não seja um moralista,não sou amoralista e entendo que no


ato físico,humano de procriar,existem valores a ser seguidos.

Muitos ,depois de uma juventude sem regras ,(como Santo


Agostinho)pensaram seriamente ,diante de paixões que se lhes
apresentaram,em fazer alguns questionamentos no que tange a este
problema,resumidos numa única pergunta:vale a pena trocar uma boa
mulher,sexualmente contida,no entanto,por uma outra que goste das
famosas transgressões sexuais que são corriqueiras e dominantes desde
as décadas de sessenta e setenta?

Os psicólogos afirmam que na adolescência há que se focar o sexo ,a


afeição e o amor,no abraço e no beijo,mas eu entendo que isto vale para
todas as idades e para a vida.O fundamento inelutável do sexo com
amor não é a transgressão mas o beijo e o abraço sinceros.Quando há
isto,o resto vem para apimentar,mas não para substituir ,como sempre
acontece.Aquilo que é decisivo nas relações amorosas,o sentimento de
entrega sincera e com confiança no outro.

O sexo é meio,não é finalidade da vida.O sexo não é o todo,mas parte e


o que vemos na sociedade moderna é a transgressão destas verdades.

A religião defende de modo geral a contenção e retirada a obrigação da


virgindade,o resto pode unir religiosos e não religiosos.

A crise na univercidade e na Gama Filho


O que acontece na Gama Filho e na Univercidade é o resultado do fim
do modelo criado pela última real reforma do ensino,para pior,feita pelo
então ministro da educação na época,1971,sr. Jarbas Passarinho,que
instado pela “ doce figura” do Ditador de plantão,General Médici,a
causar um impacto na juventude brasileira,resolveu tirá-la das
preocupações críticas que o ensino antigo e muito influenciado,segundo
eles,pela esquerda,desvirtuavam-na para caminhos indevidos.

O que este ministro fez foi,diante de uma sociedade de massas mais do


que estabelecida,no final da década de sessenta,reprimir as
universidades públicas,no espírito sanguinário do Ai-5,com cassações e
acuamentos profissionais,impedindo a criação e livre circulação de
idéias.

Mas a maior das contribuições foi mais sutil e é aí que entram


universidades do tipo que estamos analisando agora.Foram feitas
concessões para as chamadas universidades particulares,geridas,muitas
vezes ,por militares.Estas universidades explicitaram formas de
organização que davam seguimento ao processo de ditadura.O sistema
de créditos,que dilacerava as turmas,não permitindo que se formassem
turmas combativas e solidárias;o impedimento de órgãos
representativos dos estudantes;um tipo de organização departamental
que impedia,pela divisão das matérias,que os professores se
relacionassem e adquirissem homogeneidade,não só nas disciplinas,mas
também,no plano da organização; e um tipo de hierarquia tipicamente
militar,qual seja ,em cada unidade universitária há um chefe,um
coordenador encarregado de evitar os problemas e de,à maneira de um
capataz,mandar os professores recalcitrantes embora.

Com estas providências e marcadamente esta última,os professores


eram colocados uns contra os outros e contra os alunos.

Mas a principal mudança,consoante ao objetivo supradito de causar


impacto,foi acabar com as humanidades e fazer cursos pagos,cujo
objetivo era formar profissionais interessados em ganhar dinheiro tão
somente.

Assim,parte da juventude parou de sonhar com as universidades


públicas e com até então um serviço público de alto nível e se tornou
feita de isopor,preocupada com o baile da noite de sexta-feira ou de
sábado e o fato de pagar não só não atrapalhava este novo “ ideal”
como ainda servia de elemento para caracterizá-lo ,porque o ato de
pagar era visto agora como investimento numa instituição privada,que
justamente por isso tinha condições de oferecer um ensino profissional
de qualidade.
Quem capitaneou esta aliança foi exatamente a Gama Filho,mas as
outras a seguiram neste propósito subliminar de destruir a consciência
cultural da juventude brasileira e este pacto é o que dá origem a toda
esta desorientação da juventude,sem referenciais no passado e
portanto sem condições de projetar o futuro.Mesmo com as
manifestações isto não mudou de todo.Estamos apenas no comecinho.

Nos dias atuais,o sindicato dos professores não apresenta alternativas


de recuperação desta situação,como seria de esperar.Pelo contrário,as
esquerdas se aliam a este pacto demagógico da ditadura,aceitando
outros elementos a que eu não me referi ,mas o faço agora:

Na sala de aula,o meio de garantir este tipo de juventude de isopor,é


pressionar os professores para aprovar alunos desqualificados.A
sociedade não vê que não é o professor que aprova o incapaz,mas a
Instituição é que o obriga e mais do que isto ,no afã de ganhar
dinheiro,qualquer um entra nos vestibulares das universidades
particulares e depois é o professor que fica entre a cruz e a caldeirinha
tendo que aprovar para não perder o emprego,mas,com
isso,sacrificando o seu curriculum,porque quando o seu aluno ,no
futuro,fizer uma besteira,não será culpa da Instituição,mas dele,que o
aprovou.
Eu costumava dizer,quando dava aula,que o professor é despesa,o aluno
receita.E vi ,muitas e muitas vezes,militantes ditos revolucionários
aceitarem esta situação,alegando que o processo de seleção rigorosa
serve aos propósitos da exploração da burguesia,quando é o contrário,o
povo deve exigir formação de qualidade para ter condições de contestar
a ordem econômica excludente em que nós vivemos.Uma das atitudes
mais revolucionárias é transmitir o conhecimento para todos,inclusive e
principalmente para aquele que está oprimido.

A decadência do modelo se dá,apesar desta conivência de muitos anos


da esquerda,porque não é possível,com os índices educacionais que
temos,manter as coisas como estão e aí ,novas formas de
avaliação,processos de melhoria,estão colocando os sistema abaixo,pelo
menos no Rio de Janeiro,e também os alunos estão procurando uma
nova qualidade de ensino e um novo propósito para a educação.

Será que não aprendemos nada?

É chavão,eu sei,mas não tem como não aplicar na situação em que o


Brasil vive hoje.Vamos lembrar,seguindo Hegel e Marx(não pude deixar
de falar),que a História começa como tragédia e termina como
farsa.Tudo o que está acontecendo no Brasil é o quê ,tragédia ou farsa?É
claro que é farsa,é a repetição ,em miniatura e de forma ridícula ,do que
aconteceu em 64.

Um resto de radicalismo,que comete erros em cima de erros e que


justifica o aparecimento de uma direita,inclusive nova,mais associada à
monarquia,que desde o mensalão ,no final do primeiro governo lula
,vem se articulando mais e mais.

Grupos de ação direta vêm tentando construir um " governo


popular",colocando no bolso,fácil,fácil,o Estado, com suas
complexidades.A ilusão permanente dos anarquistas.Como resposta,a
tentativa de colocar a culpa na esquerda radical,ou seja,comunista e
justificar um golpe salvador,para evitar a repetição do passado,com o
Brasil na esfera soviética,se bem que não tem mais União Soviética...

Já disse aqui em outro artigo, a busca de reparação para os mortos e


desaparecidos é justa,mas tem gente usando isto para fazer um
crescimento da esquerda,às custas destes mortos,que queriam somente
o bem do Brasil ,o fim da miséria,coisas que deviam ser prioritárias e
não agredir e destruir,mesmo Bancos.Não se derruba a influência
excludente dos Bancos desta forma.
Muito embora não acredite que o Deputado Marcelo Freixo tenha
alguma coisa com isso,a fala da Fada Sininho foi muito contraditória e
ele deveria demiti-la imediatamente.Uma hora disse que ligou para
apoiar e depois disse que não conhecia ninguém.

Enfim...uma melèe que vai se formando aí e prejudicando o movimento


das manifestações,que ainda tem muito o que pressionar para melhorar
o Brasil ,no sentido que vale,que é o social(de fato,não obra ).

Me admira o governo petista dizer que isto tudo pode deslegitimar estas
manifestações.Parece a manifestação de um desejo de um governo que
se diz de esquerda e que não quer o povo na rua.

Como se o povo já não manifestou também a compreensão do que estes


" boys" significam dentro do movimento,ou seja,nada,nenhuma
representatividade.

O que pode acontecer e pode ser um desejo dos governos é que o medo
de sair às ruas acabe por freiar as manifestações.Se isto é um desejo
dos governos,cujas polícias não oferecem segurança nenhuma(talvez de
propósito),talvez estes" boys",quem sabe,não estão ligados a eles...
Vamos repetir os erros do passado,depois de tanta discussão e
autocrítica,depois de tantos livros e filmes,vamos repetir os erros do
passado,fazendo esta contraposição direita e esquerda e favorecer um
governo autoritário eventual?

Isto prova que este sistema político-partidário brasileiro não está afinado
com o futuro ,mas é a expressão de restos que não aceitando os erros da
esquerda da qual participam ,insistem em impor os mesmos esquemas
do passado,como se aquilo que ocorreu fosse apenas acidente.

Nós estamos no limiar de uma nova época e niguém quer construi-la.

Black Block Go home

Não posso deixar de falar sobre as manifestações que anunciam as


próximas ,perto da Copa do Mundo e que já estavam presentes nas do
ano passado.Manifestações vandálicas capitaneadas por diversos
grupos,mas o que mais se destaca é o black block.

Tais manifestações vandálicas e com o rosto escondido vão deslegitimar


e desvirtuar o propósito que levou a soberania popular às ruas.
Convém examinar de onde vem isto realmente;se não há,como sempre
acontece,interesse nesta deslegitimação e desvirtuação.

O cidadão consciente tem o direito de ir de cara limpa para protestar e


exigir mudanças em seu país.No inicio eu pensei que esconder o rosto
era uma forma de fugir da polícia,que estaria espeionando,investigando
e prendendo abusivamente os manifestantes militantes,mas mesmo que
isto fosse verdade o meio de enfrentar era outro,através do estado de
direito e sempre de cara limpa.

A revolução não está nas ruas.Não se justifica,para mudar a vida dos


pobres destruir a dos outros.Esta história de que todos são culpados é
uma antecâmara de processo de formação de ditaduras totalitárias
,muito embora eu ache que as manifestações do black block sirvam mais
à direita,a uma ditadura de direita.

Eu já disse isto aqui,nós estamos repetindo a tragédia de 64 como


farsa.Os mesmos elementos estão começando a encorpar e adquirir
condição de centelha de uma explosão que em nada vai contribuir para
melhorar o Brasil.
Sou pela indenização dos atingidos pelo regime militar,mas não admito
que esta questão seja mais importante do que o Brasil e da solução para
a miséria.

Acho os políticos brasileiros,com raras exceções,horríveis,mas não quero


uma meia-dúzia de horríveis ou um horrível para fingir que tem
condições de solucionar estas questões em definitivo.

Esta soluções virão com o comprometimento real do povo todo.Isto é o


novo é o certo,o resto é risco e a pessoa de bem deve repudiar.

O papel da religião
Ufa!,Vou parar um pouco de falar de comunismo,esquerda e tratar de
temas culturais que eu gosto.Há muito queria tratar novamente do
papel da religião e me lembrei novamente de Albrecht Durer, o maior
pintor do Renascimento Alemão e que eu aprecio muito e sobre o qual
já fiz outro artigo.

Nesta gravura aí acima nós vemos o famoso " anjo melancólico".Se


vocês repararem no olhar do anjo
vocês verão a sua tristeza,mas um tipo específico de tristeza,uma
saudade do futuro,como disse um amigo meu,uma vez, no petisco da
vida,ouvindo um samba.

A melancolia é um tipo de tristeza,não é igual à depressão,pois ele tem


como seu desencadeador algo mais profundo,mais extenso
psicologicamente do que a depressão.É lógico que a depressão,quando
se torna igualmente extensa e sem motivo aparente se torna muito
perigosa ,levando não raro à uma fatalidade.A melancolia pode levar à
depressão e pode reproduzi-la em níveis estratosféricos.

Mas a melancolia não é doença,ela é parte do patrimônio emocional e


sentimental do ser humano.Não existe nada absoluto na vida
humana.Buscar uma vida de alegrias não é possível,pois tornaria o ser
humano em psicopata,e os que o são o são por isso.

Ainda que vivêssemos em plena utopia,todos vivendo em paz,sem


fome,de mãos dadas,haveria necessidade e direito de em alguns
momentos se entristecer,mas por um motivo que transcende a
sociedade e a história:a finitude temporal e espacial do ser humano,bem
como de tudo o que vive.
Goethe,no seu " Fausto",põe estas palavras na boca do Diabo," tudo o
que nasce merce perecer",mas a discussão sobre este merecimento é
que faz natureza específica do ser humano que não aceita de forma
alguma a cessação da vida e nós podíamos elencar aqui carradas de
motivos para esta não aceitação.

A religião é um problema social,tem uso político,mas a crença é


diferente ,porque ela radica nesta finitude inevitável que nos foi imposta
pela natureza e neste sentido o papel da religião transcende também as
épocas e esta constatação deveria ser o fundamento da atitude de todos
,inclusive os ateus como eu que se orgulham da não crença e da
iminência do nada.Eu não conheço ateu nenhum,inclusive eu,que lá no
fundo não aja como este anjo de Durer,lá no seu recanto,no seu
íntimo,ou seja,não fique melancólico.

Uma coisa é o ateísmo,outra a laicização.Voltarei ao tema.

Aviso aos navegantes de novo


Aviso aos navegantes:estes textos que eu publico aqui são protegidos
por direitos autorais.Se alguém usar eu descubro.Então não usem.

Os liberais ou Eu defendo o fuzilamento do Czar


Nicolau

A trajetória histórica dos liberais parece não ajudá-los neste discurso


moralista ,segundo o qual eles são os guardiões da democracia,contra a
ditadura do proletariado.

Em primeiro lugar eu só admito mudança,hoje,dentro das liberdades


democráticas,mas não admito que a tradição liberal use a esquerda para
se promover como a única que defende isto,porque se olharmos a
história,veremos que o caminho da tradição liberal foi tão cheia de
sangue quanto a da esquerda.

Senão vejamos,a tradição liberal começou em 1640,na primeira guerra


civil inglesa.O que aconteceu nesta ocasião?O Rei foi decapitado pelos
puritanos,dentro de um princípio de necessidade revolucionária que
informava a atividade de um Guevara do mesmo jeito.Não havia
princípio de reserva legal(nulla poena,nullum crimen sine lege ante) que
admitisse a decapitação do Rei Carlos I Stuart,católico,pai de família,que
a deixou numa situação muito ruim ,no exílio.
Da mesma forma a tradição liberal tem como um de seus fundamentos
históricos a Revolução Francesa,mesmo no seu período radical
republicano,de 1792,com a jornada do IX de Agosto até 1794,quando o
Rei Luiz XVI foi igualmente decapitado.Em que medida estes fatos
horrendos têm a ver com a democracia liberal de hoje?Ora a questão da
soberabnia popular explica.O Rei foi decapitado porque se colocou
contra o povo,que queria fazer uma monarquia parlamentar e não viu
no Rei um interesse senão de continuidade da monarquia absoluta.O rei
se colocou contra a soberania popular e contra a nação.Para defender a
nação o executaram.

É lógico que existem mil formas de defender a liberdade do cidadão Luiz


Capeto,no plano político e jurídico,mas a razão de executá-lo foi a
mesma que Lênin usou para executar o Czar Nicolau II e a família
real.Porque a família real Stuart teve que ser exilada?Porque seria um
foco de contra-revolução.Alguém se lembra que o Rei Luiz XVII foi
mantido na prisão aos nove anos e lá morrreu de uma doença grave?
Porque?Pelo mesmo motivo.

Então porque esta choradeira em torno da família real Romanov?O czar


Nicolau foi o que deu a ordem para matar os russos no domingo
sangrento em 1905.
Em 1905,a situação social da Rússia era a pior possível e os
russos,liderados pelo padre Gapon ,foram até ao palácio do Czar ,com
santinhos e fotos dele,para pedir ao " paizinho" que os ajudasse,quando
foram repelidos a tiros pelso guardas.O Czar Nicolau II estava pintando
maus quadros e escreveu no diário que " naquele dia nada tinha
acontecido".

De novo ,repito,eu não defendo violência de forma nenhuma,de lado


nenhum,principalmenete do meu,mas não aceito estas versões
manipulatórias,que aparecem nos jornais e documentérios.No fundo ,no
fundo, os governantes ocidentais gostam da presença destes erros
stalinistas e comunistas para justificar os seus atos autoritários ou
cínicos.É um drama de nossa época que toda a vez que se fala em
mudança os governos jogam o espantalho do comunismo para evitá-
los.Espiroqueteiam os erros do passado para imporem ,como
natural,esta terrível desigualdade.

Eu já disse mais atrás que a grande questão é fazer o povo ser


governante ,não sendo mais esta,a questão idológica, o divisor de águas
e se vamos discutr crimes de políticos e figuras históricas temos que
discutir todos,inclusive os idolos de alguns liberais.
Dentro deste contexto,mesmo sendo eu um pacifista atento e
crítico,defenderia o execução do Czar Edai?

Também não sou anticomunista ou petição de princípio


II

Muita gente não entendeu o que eu disse sobre os critérios do meu sitio
e eu me sinto relativamente na necessidade de explicar.

Embora tenha dito que não sou mais comunista também não quis dizer
que me tornei anticomunista.

O comunismo surgiu no século XVIII.Na França já existiam pequenos


grupos,chamados na época de seitas,porque clandestinas.Existem
autores que relacionam o comunismo da Europa com o progresso do
jesuitismo no Paraguai e aqui nos sete Povos das Missões.Existe um
autor, Pierre Hugon ,em " A Utopia Guarani",que faz esta
aproximação.Também o filme " A Missão" com Jeremy Irons e Robert De
Niro,faz referência a este momento histórico em que se gesta a utopia.
Se observarmos bem,os guaranis da fronteira,lá mostrados no filme,têm
uma vida tranquila,de produção comunitária,que podia ser aumentada à
estratosfera se eles tivessem uma tecnologia e com um depósito comum
de toda a tribo esta poderia diminuir o tempo de trabalho e obter tempo
livre.

O que os iluministas alemães,neste mesmo século


XVIII,perceberam,especialmente Lessing,um grande escritor e
filósofo,diante da revolução industrial na Inglaterra,é que o homem
moderno tinha condições de produzir bens infinitamente.A indústria
mostrava que esta posbilidade do passado era uma realidade factível.

A frase famosa,atribuída a Marx " De cada um segundo a sua


capacidade,a cada um segundo a sua necessidade",é ,na verdade,de
Lessing.Marx aderiu ao comunismo,perto de 1847 e escreveu na "
Ideologia Alemã"aquilo que ele pensava deste comunismo.Há passagens
famosas em que ele se refere ao tempo livre.Ele diz que com o tempo
livre " o homem será capaz de ser amante de noite ,pescador à tarde e
cientista de manhã",porque terá bens ,à farta,que garantam a sua
ociosidade criativa.Quem pensa que o ócio criativo é uma invenção de
Domenico de Masi está enganado :Marx interpretou um conceito
implícito no Renascimento e no Iluminismo alemão e porque não dizer
do "otium cum dignitate" ,do mundo antigo que nós repudiamos porque
só valia para os homens livres.Nós queremos ócio criativo para todos.
É importante frisar que para Marx o comunismo não era o igualar
desiguais,mas,reconhecendo justeza no pensamento de
Locke,reconhecer a desigualdade natural dos homens ,apenas,evitando
as desigualdades econômicas por uma sociedade produtiva e
solidária,que,sem escassez,poderia conviver com esta desigualdade sem
o horror da miséria para a maioria,como acontece no capitalismo.O
capitalismo exacerba esta desigualdade natural no afã selvagem do
lucro.A superabundância de bens evita esta " má desigualdade" se
podemos usar este termo.

O reconhecimento por Marx,da desigualdade natural dos homens,está


demonstrado no texto " Crítica ao Programa de Gotha",de 1875,em que
ele faz críticas aos conceitos estabelecidos por um congresso do partido
social-democrata(ao qual ele pertencia),quanto ao problema da
desigualdade.Os social-democratas,querendo se desvincular dos liberais
acabaram por passar por cima deste fato evidente.Quando eu digo que
Hannah Arendt está certa ao vincular Marx à tradição liberal,em seu
famoso livro " A Condição Humana",todos reclamam ,mas é só lê-los.A "
Crítica ao programa de Gotha" pode ser encontrada em português no
meu blog,no link Internet Marxists Archive.
Assim sendo ,não penso ser impossível constituir o comunismo,só não
acho que estão dadas as condições históricas,subjetivas e
objetivas,postas por Marx ou numa perspectiva de curto prazo.Estas
condições são uma classe trabalhadora universalmente organizada e
preparada ,na luta, para fazer uma revolução comunista da
maioria,contra uma minoria exploradora.

Notem que eu não usei o termo " classe operária",que Marx


usava,porque esta não existe mais,como diz Jaques Ellul em seu livro "
Adeus ao proletariado".Notem que eu nem toquei no problema da
ditadura do proletariado,por isso e porque a sociedade moderna em que
predominam trabalhadores de diversos tipos,não admite nem a ditadura
da maioria sobre a minoria,se é que esta ditadura ,hoje,é possível ou
mesmo necessária.Marx não é um Deus,não é dois ,nem um dogma.Ele
é um teórico,o marxismo é uma teoria,um ativismo em torno desta
teoria e um grupo de pesquisadores e investigadores sociais.

Além do mais fica claro do que sabemos da atividade de Marx e Engels e


dos comunistas,no século XIX,que a visão deles era irremediávelmente
eurocêntrica.Vê-se isto na atitude que Marx teve sempre com a América
Latina(o artigo de Marx sobre Bolívar o revela),frequentemente
oscilando entre não dar importância e espezinhar.Dizem que,no século
XIX,um grupo pessoas no Brasil queria se aliar aos comunistas da Europa
e enviando uma carta para Engels,neste sentido,ele teria respondido:” o
barulho que este grupos fazem nestes lugares é inversamente
proporcional à sua importância”.

Como fazer uma revolução mundial com países tão díspares,como


Estados Unidos ,Brasil e China?Nesta pergunta está colocada a minha
postura diante da questão do comunismo.Buscar uma revolução deste
tipo agora pode significar deixar de lado a criação das condições
históricas supracitadas.Antes de qualquer coisa nós precisamos
homogeneizar os países e depois pensar em algo drástico.

A experiência fracassada do leninismo nos ajuda a compreender o que


eu digo.A falta das condições subjetivas e objetivas levou o socialismo
soviético ao totalitarismo,mais afeito ao antigo regime do que ao
comunismo.Quem tinha razão eram os mencheviques.Os bolcheviques
precipitaram as coisas.

Também nos ajuda ,analisar outros conceitos discutíveis na época de


Marx.Não é verdade que o motor da história seja somente a luta de
classes e a violência,que no dizer de Engels,era a " parteira da
História",frase que lemos no " Anti-During".Existem exemplos de
cooperação entre as classes,que movimenta igualmente,para a frente,a
História.Foi asim na lei das Doze Tábua,na Antiga Roma;nas relações
entre plebeus e aristocratas na Inglaterra e existem muitos outros
exemplos.Um radical me dirá:" mais isso não levou à utopia".Eu
respondo:mas criou ,igualmente, condições para tanto.

Para Marx,só o comunismo evitaria,que,no processo de competição


selvagem,em que os trabalhadores são usados e excluídos,os bens
seriam produzidos com o objetivo mesquinho do lucro do capitalista e
do seu sistema,que ficaria no nível da escassez.Se a humanidade
ultrapassasse este sistema,o objetivo seria só o trabalho e o acúmulo de
bens seria infinito em favor de todos.

Contudo,repito,fazer isto numa sociedade muito mais complexa do que


a do século XIX é algo irreal.

É possível desenvolver a sociedade capitalista ,num sentido


social,mesmo mantendo as classes,eliminando a pobreza e deixar aos
pósteros a tarefa de implantar o comunismo,para superar a
desigualdade que resta e fazer a superabundância,quiçá,sem violência.A
violência,sem estas precondições,atinge ao povo pobre e eu ,como
militante e como pobre,tenho como cláusula pétrea,não fazer nada que
possa,o mais minimamente,produzir isto aí.
Tenho,também,muita dúvida,se do ponto de vista da pluralidade
psicológica do ser humano,um regime assim,com uma natureza
universal,possa agradar a todos.

Eu penso que a solução chinesa,de dois regimes, pode,no futuro,ser


construída,para garantir a pluralidade das escolhas humanas.Não sei.

Ficou clara a minha posição?Claro que eu voltarei ao tema.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014


Um modo especial de ver II

Completando o meu artigo sobre a visão totalitária quero dizer que a


visão moderna,progressista ,é a do outro,o que destrói um pouco o
binômio luta de classes.É certo que a expressão bem comum não revela
muito o que é a realidade dos governos,que exaltam,no final das contas
quem tem mais capital,mas a forma de solucionar os problemas
decorrentes destas enormes desigualdades não me parece que a história
demonstrou ser a dissensão e a ciência social propriamente dita,não
uma teoria,também demonstra que uma classe não é sozinha.
Todos os movimentos totalitários modernos exaltam a dissensão como
meio de propulsão das ideologias.Mesmo o nazismo que lutava contra o
conceito divisivo na Alemanha,construiu o seu pensamento a partir de
uma dissociação com os judeus.

É uma forma política de espiroqueteação,uma maneira de usar o outro


para crescer,escondendo o seu demérito.A prática política baseada
nestes critérios ,e porque não dizer ,a prática social ,fomenta ou
reproduz o preconceito ,que é uma barreira mental tão difícil de superar
e que ocasiona as piores guerras que conhecemos e no final,ainda que
alguns objetivos sejam alcançados a destruição é maior e não pode ser
escondida pelos progressistas consequentes de esquerda de hoje.

Não admito que se possa falar hoje numa guerra racial no Brasil,numa
guerra de classes.Usar um terno parece ser justificativa para o
preconceito contra o explorador.Quem financia os bichos grelos são os
engrvatados ora esta,mesmo os bailes da vida.

Falta acrescentar ao problema geral do racismo,a necessidade de luta


em relação ao preconceito contra a pessoa e o preconceito de
classe,que é mais arraigado ,inclusive,lamentavelmente nos setores de
esquerda brasileira que ainda não s e modernizou quanto às bases de
um novo ativismo político progressista de esquerda.

Ouvir o outro,as reclamações do outro,concordo,é um perigo,porque


ficamos obrigados ,diante da justeza das reivindicações,a fazer alguma
coisa ou então sofrer uma angústia da frustração de não fazer ,como
disse no artigo anterior,mas isto é fundamental que se faça o mais
rapidamete possível para evitar uma explosão maior no futuro.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014


Ônibus 174
Refletindo sobre o episódio trágico do ônibus 174 com a repercussão
em muitos documentários e debates,há uma passagem do futuro
ministro de Direitos Humanos,Luiz Eduardo Greenhalg,que eu quero
comentar e analisar aqui.

Ele expressa um discurso comum aos defensores de Direitos Humanos


no Brasil,segundo o qual as pessoas como Sandro são invisíveis para a
maioria da população,nos sinais,debaixo das pontes e nos manicômios
e hospitais.Isto é uma meia-verdade.Analisando o discurso e a
realidade com o rigor próprio do saber filosófico,que busca os
fundamentos dos conceitos e os toma como verdade,podemos dizer
que não é bem assim.

Uma parte expressiva da sociedade quer que estas pessoas sejam


invisíveis definitivamente,porque defendem o seu extermínio.Uma
outra é indiferente e se enquadra na crítica do ministro.

Uma terceira,na qual me incluo,vê estas pessoas e se angustia de não


poder fazer nada e levar uma culpa igual a que levam estes dois
primeiros grupos.

Ora ,de que adianta votar em políticos pelo Brasil todo se


eles,sabendo do que acontece,não fazem nada há anos?O sistema
político brasileiro não é representativo?Em que medida o
cidadão,como eu,pode deixar a sua labuta diária para tentar resolver
um problema que os políticos e os partidos não resolvem?Tirar do
próprio bolso os recursos para ajudar,é isso?Isto nós já
fazemos,pagando os impostos.

Depois que os pagamos anos a fio,os sinais de melhora são visíveis?

Será que o cidadão deve entrar nos partidos?É fácil fazer isto sem
dinheiro?Eu mesmo tentei várias vezes e sofri até preconceito por ser
de classe média...

A verdade é que ,diferentemente do que diz o discurso do ministro a


invisibilidade é por parte daqueles que têm a responsabilidade de
resolver o problema.Não é que me sinta irresponsável diante de tudo
isto,mas dentro desta nossa democracia pobre existem os mecanismos
definidos para achar o caminho.Nos sinais eu me sinto como que
agredido ,não pelo menino que vende limões,mas pelo político e pelo
Estado,que me pedem votos em certas ocasiões e depois não me vêem
também.Eu também sou invisível.

Nestas horas eu gostaria de ter mecanismos constitucionais para tirar


o meu representante e colocar outro no lugar ou então pedir de volta o
dinheiro dos impostos.Talvez eu mesmo devesse dizer onde alocar o
meu dinheiro,não o Estado.Em escolas e hospitais.

Quando vemos este episódio do Maranhão e ficamos sabendo que


desde 2008,pessoas, que não se sabe que crimes cometeram,morriam
com uma semana de entrada no presídio e que mulheres deviam já se
prostituir para que seus parceiros não fossem barbarizados nós vemos
que vivemos numa sociedade fascista que admite a morte dos invisíveis
e só se escandaliza quando o fato dá manchete ou quando oferece
alternativa política para quem quer se opor ao governador do
Estado(que também deixou acontecer...).

Só se fala em tolerância zero em pequenos furtos ou com os adeptos


do “ tapinha”,mas este princípio deveria valer para todo excluído em
qualquer momento que ficasse na rua ou entrasse num presídio.

Nota de esclarecimento
Venho até vocês agora para fazer um rápido esclarecimento quanto à
inclusão de propaganda no meu blog,motivo de crítica de algumas
pessoas ligadas a mim e à minha condição de militância de esquerda.

Em primeiro lugar eu não sou de fato mais comunista.Não sou


anticomunista tampouco.Me considero,como já disse,um social-
democrata,no sentido real desta expressão,criada por Karl Marx e
outros no século XIX.

Dentro desta premissa eu não considero a necessidade de ganhar


dinheiro como algo contrário à utopia.A superação do dinheiro,bem
como de outras sobrevivências do passado,não é algo que se obtém
da noite para o dia e atemporalmente falando é também um conceito
discutível,que eu discutirei mais para frente.

Como trabalhador eu tenho que encontrar meios legítimos de


sobrevivência e foi o que eu fiz.

Da mesma forma àqueles incautos que me criticam por tomar esta


atitude supostamente contrária ao lema do blog "o conhecimento é
de todos ",informo que nunca proibi o acesso livre às minhas
pesquisas,mas a sua utilização profissional,por impressão ou cópia
completa do meu trabalho,não pode ser,seguindo a lei,lei que entendo
ser absolutamente necessária para evitar os arroubos autoritários de
quem quer que seja e não raro da esquerda,que não está acima do bem
e do mal.
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Um modo especial de ver
Vendo o extraordinário documentário sobre o nazismo," Arquitetura
da Destruição",tive um insight sobre este mundo em que nós vivemos
hoje em dia,que não é muito diferente daquele que gerou o
movimento,um chavão que ainda,a meu vê,r serve.

Trata-se de um determinado momento do filme em que se narra o


modo muito peculiar,dito lá " bizarro",de Hitler (e os fascistas em
geral)de ver o mundo,a partir de sua óptica,sem considerar o outro.

Hitler gostava de um autor ,que eu já citei por aí,Karl May,o qual


escrevera livros juvenis de aventuras em lugares exóticos,que o autor
não conhecia.

Hitler entendia que o vencedor,o "superior",se impunha aos outros por


suas qualidades,que o tornavam invencível e que o reconhecimento,pelo
povo alemão e demais congêneres arianos ,bastaria para garantir a
vitória.O povo alemão perdeu a guerra por não reconhecer esta
verdade.Karl May provava que sem ir nos locais e sem considerar outros
povos bastava para o povo superior vencer o outro,de vez que o fator
decisivo estava nele mesmo,na sua capacidade inata.

O capítulo mais importante do livro demoníaco de Hitler," Mein


Kampf",intitula-se " O Homem Forte é mais forte quando está só".
Todos nós aprendemos de nossos pais que o vencedor é aquele que
vence o outro de forma ética,dentro da lei,da norma,da
moralidade.Hitler perverte este princípio afirmando neste capítulo que a
força do superior se mede e se confirma pela pura e simples supressão
do outro.Ele abre a porta do inferno,que todos os imperialistas tinham
vergonha de abrir,afirmando que a condição de manutenção de
qualquer império é destruir ou de algum modo inutilizar o
dominado,que tem a mania de não querer ser dominado.De suprimir o
outro.estar só torna-o o vencedor.

A verdade é que o mecanismo desta perversão está no cientificismo do


século XIX,em qualquer de suas modalidades.Seja a concepção da raça
ariana,seja a da dialética marxista.Segundo os seus teóricos,a libertação
está no fato do reconhecimento destas verdades científicas,porque "
objetivas" e traduzíveis em leis imutáveis.

O cientificismo do século XIX e seus respectivos totalitarismos,são como


aquele pai ou mentor que diz ao filho ou tutelado:" se você seguir o que
a ciência diz e que eu trouxe para você conseguirá tudo e eu serei o
responsável pelo seu sucesso,você me deve.Mas se não será um
fracassado e a culpa é toda sua."

Existem duas frases que ilustram este comportamento perverso tanto


do nazismo quanto do stalinismo.Respectivamente:"[no final da guerra
diz Hitler]o povo alemão não está à altura do que eu fiz por
ele";"quando o socialismo soviético faz sucesso o mérito é dele,mas
quando fracassa é porque houve sabotagem"(tirado do livro “A grande
conspiração”).

Hoje em dia vivemos na mesma mediania perversa e boçal quando as


relações se constituem do dia para a noite ou se desfazem no mesmo
ritmo e quando o preconceito contra pessoas se faz presente em letras
ofensivas à raça branca ,identificada com playboys e assim por diante.

O totalitarismo ainda não foi superado.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013


Anúncio

Amigos não esqueçam de acessar o meu scribd Brasil,onde ponho


artigos mais aprofundados para apreciação de vcs.Se não tiverem
condições de contribuir para o trabalho do professor
ernesto,imprimindo e respeitando os direitos autorais,leiam os artigos
no monitor e enviem comentários.

Proselitismo na família
Seguindo o artigo anterior eu sou,dentro do espirito republicano laico
moderno,contra qualquer forma de proselitismo,de qualquer poder
sobre a sociedade civil e ,notadamente dentro da família. Embora,como
disse no artigo anterior,a Igreja Católica tenha deixado muito
recentemente de realizar vocações impostas,a parte mais verdadeira do
pensamento de Pio XII ,ela ainda usa mecanismos de intermediação
forçada das relações sociais,como ficou evidenciado em muitos dos
discursos do Papa Francisco. Ele disse que a África(e os outros
continentes)deveria ser construída na base do amor cristão,sem deixar
deixar margem para outras formas de amor legítimas. Apesar de
aconselhar que não haja invasão da privacidade dos homoafetivos,nunca
mudou a sua opinião de que isto é coisa do diabo. Com a posição da
igreja contra o controle populacional ela tem mais influência sobre a
sociedade do que o Estado,que é conivente por razões eleitorais e
manipulatórias.

Mas neste artigo eu quero dizer,no âmbito do espirito moderno de que é


a comunidade a base de qualquer poder,conceito que nasce do
protestantismo,mas se amplia em formas não religiosas,que toda a
forma de proselitismo é coisa da idade média mais obscura.

A preparação do indivíduo na família,por exemplo,é tida como um


direito inalienável dos pais e estes têm o direito de impor as suas
concepções ideológicas ou religiosas,como derivação disto,mas esta
concepção é uma imposição,como explica o existencialismo.
Psicologicamente,aquele que vem ao mundo recebe a existência como
algo de fora para dentro. Nem Jesus Cristo,na manjedoura,escapou
disto,a menos que ele tenha sido(e isto escapou aos evangelhos),como
Buda,que assim que nasceu,falou à mãe,como gente grande ”Vim ao
mundo para aliviar o sofrimento dos homens”,depois do quê voltou à
condição de bebê ,no berço. Esta situação só tem similar no
evangelho ,quando ,em Mateus(pareço um pastor),Maria perde de vista
o bendito fruto,para encontrá-lo,recitando a Torah como rabino. Quando
ela reclama ele diz; “ Que tenho eu contigo mulher?”,demonstrando não
malcriação em relação à nossa senhora,mas consciência do seu papel no
mundo,na adolescência,um pouco mais tarde do que o Sidarta.

Nem se fale na questão do batismo O articulista que vos fala,ateu ,como


seu pai,foi batizado às escondidas,por sua mãe católica,porque senão
algo sério aconteceria...Jesus foi batizado na idade adulta e a criação
deste batismo de recém-nascidos é uma invenção política de
Constantino ou pelo menos começa a ser forjada no interesse político
que este Império Romano atribuiu ao cristianismo:legitimação do
mesmo,pela adesão da maioria cristã.

Mas tudo isto permanece hoje,de uma forma oculta,como o mostraria


Foucault,nestes conceitos pseudo-democráticos que a igreja joga cada
vez mais e que servem para manter a situação como está. Pergunto de
novo,a quem serve um discurso papal de crítica ao abandono das
populações s e este continua?Enchentes,todo ano,pessoas
desabrigadas...Tenho certeza de que a caridade não é suficiente.
Ora o espirito de liberdade,se deve surgir desde o momento da
existência é não ampliar a imposição que já nasce com ela,mas começar
a oferecer consciência,reconhecendo as limitações claro,mas não
admitindo proselitismo nenhum. O mais impositivo destes proselitismos,
a religião(depois que a ideologia foi embora) vende a sua legitimidade
pelo amor,mas o amor é uma coisa,construída,que não se identifica só
com a religião,pois existem formas de amor ,afeição e sexualidade. A
admissão desta pluralidade é a condição da liberdade de escolher. Assim
sendo,por mais bem intencionados que os pais sejam,o amor paterno só
o é enquanto a educação é feita para os filhos e não para eles e isto só
se faz admitindo a escolha dos filhos,logo,a educação por um valor
religioso é obrigatoriamente impositiva,uma forma de vocação
imposta,que só é válida se o sujeito ,se o filho aceita,o que,muitas
vezes,acontece por impossibilidades da criança que se frustra e talvez
por causa da relação inevitável de relação amorosa entre pais e
filhos.Para pedir a atenção dos pias ele aceita a religião Mas em
qualquer caso existe o risco geral de repressão daqueles que
discordam,porque as maiorias,ou dentro delas,muitos gostariam de sair
e quando vêem os que saem os atacam ou reprimem,num mecanismo
claro que une repressão e ressentimento.

Quando cristo no Getsemani pede ao pai que o afaste do cálice ele está
revelando esta verdade existencial que quem sabe surgiu intuitivamente
diante dos homens do passado,segundo a qual existe,pelo
nascimento,uma ditadura dos pais,in potentia e que há que buscar uma
superação disso sempre.
Muitas vezes o cristão, no afã de se aproximar de seu Deus,esquece esta
virtude do cidadão,a liberdade. Ele passa ao largo do Estado,porque
Deus é mais importante e nisto a sociedade perde.

Eu não aceito nenhuma forma de proselitismo,prioritariamente


familiar,porque o maior ensinamento é a escolha.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013


Laicização e ateísmo

Existem movimentos no Brasil que confundem laicismo com ateísmo. A


URSS ,desde as constituições patrocinadas por Lênin,afirmaram o
ateísmo como política de Estado,defendendo o seu proselitismo.

Dentro de uma tradição que remontava ao século XVIII(talvez até


antes,séc. XVII),como resposta às guerras religiosas,a luta pela tolerância
foi construindo um pensamento ,que desembocou no republicanismo
moderno,de que a religião não devia se misturar com a política. É um
aprofundamento de concepções que vêm de um Erasmo de
Roterdam,por exemplo,que acusava os Papas de não serem
pastores,como mandava a Bíblia e Cristo. A precipitação da Reforma e a
consequente Contra-Reforma,rivalidade que gerou as terríveis guerras
religiosas,colocou para debaixo do tapete estas concepções.
Depois do século XVIII,o problema judaico ,na Europa,trouxe de volta o
problema religioso. Muitos judeus (como o pai de Marx,por exemplo),na
Alemanha ,se aculturavam alegando uma atitude agnóstica diante da
religião. Que a questão da crença em Deus era uma questão pessoal e
que o problema era a religião,uma questão de poder como qualquer
outra e em nome desta aculturação afirmavam que o Estado Moderno
não devia se imiscuir na religião,porque assim,embora estes judeus se
aculturassem,não ficavam mal com seus irmãos,que resistiam.

O deísmo,na Europa,de um Voltaire ou de um Robespierre,era uma


forma de amplificar o direito inerente de cada cidadão,principalmente
nas cidades Européias protestantes,pós-guerras,de manter as suas
crenças como algo estritamente privado.

O direito protestante de ler a bíblia e interpretá-la com mais liberdade


colocou a possibilidade ,para alguns corajosos,de não interpretá-la,de
deixá-la de lado,bem como a Deus.

Vê-se por aí que a separação entre igreja e Estado,como representante


dos cidadãos e o ateísmo estão juntos. Contudo ,dentro da liberdade
civil não estão.

Na Revolução Francesa a afirmação do estado laico é absoluta,depois de


1792,com a primeira república francesa. Contudo os excessos e
libertinagem política e social geral forçaram Robespierre a criar um
símbolo deísta,que transcendendo às pessoas,lhe desse propósito e
motivo de obediência e disciplina do cidadão. Este símbolo foi o culto do
ente Supremo ,que poria os cidadãos numa humilde constatação de que
há algo maior do que ele. Robespierre ainda era um homem do
passado,porque o cidadão ,no sentido moderno da expressão,não deve
respeito a um Deus medroso de aparecer,mas à lei,ao Estado,se este o
representar de fato. A lei é que era fraca,não Deus.

Dentro deste cadinho,estas ideias,laicização e ateísmo adquiriram


contornos precisos. Elas,lógico,se relacionam,mas laicização é um
processo coletivo e social amplo,pelo qual o homem,dentro daquilo que
Horkheimer chamou de “ desencantamento do mudo”,percebe que
pode dominar a natureza,sem medo de atingir entidades supostamente
perigosas e transformara a si mesmo,sem a religião. O ateísmo deriva
de atitudes individuais,com as famosas,de D´Alembert e Laplace. Tanto
um como outro elaboraram sistemas matemáticos do mundo. Quando
Laplace apresentou o seu projeto para D´Alembert,este teria
perguntado:” Onde está Deus no seu sistema?”,ao que Laplace teria
respondido:” Não tenho necessidade de Deus para construí-lo”.Quando
um soldado fez uma afirmação semelhante diante de Napoleão ele teve
reação idêntica. O soldado,depois de uma manobra bem-sucedida teria
dito” Graças a Deus conseguimos !” ao que Napoleão teria afirmado
“Deus não tem nada a ver com isso!”,como a dizer “ fui eu!”.

Esta atitude muito escandalosa para a época,começou com a ciência


moderna ,que a custo teve que admitir que o Deus dos cristãos estava
abalado. Apareceram os arranjos filosóficos para mantê-lo,como é o
caso do Deus que dá um “ peteleco”na máquina do mundo ,mas não
intervém. Ou mesmo as tentativas de religiosos sofridos como
Pascal,com o seu “ Deus absconso”,” escondido”.E com a famosa
aposta:” Creio em Deus fazendo uma aposta,porque se ele não existir eu
não serei punido;e se ele existir não terá motivo para fazê-lo”.Apesar de
tudo esta concepção abala a fé dos religiosos e das religiões.

De tudo resulta que a separação entre a igreja e o estado é cada vez


maior e que dentro deste processo o ateísmo se afirma. Contudo,a
laicização é um prolema geral e o ateísmo uma atitude individual. O
ateísmo é assim chamado como um movimento geral na História,mas
não há como ser um movimento político ou cultural porque ele reside
no nada,na não-crença,em algo inexistente,logo,ex-nihilo nihil. O
ateísmo só é importante de se colocar enquanto medida do
proselitismo da sociedade. Quer dizer ,o direito de ser ateu impõe à
religião uma atitude plural que ela admitiu muito a contragosto a partir
da década de sessenta do século passado,acabando com as vocações
impostas. Mas substituir o proselitismo da Igreja pelo do Estado,como
fez o stalinismo, é incorrer no mesmo erro,fazendo do ateísmo uma
religião ,o que é um absurdo.

O meio de lutar contra a intolerância é fazer do estado um apoiador de


todos e mostrar aos cidadãos que eles podem e devem levar os seus
valores religiosos,mas que,na vida social e política,o que relevam são os
problemas práticos e não ideológicos.

Neocolonialismo e futebol
Os primeiros impérios,como expliquei antes,eram baseados só na
força,mas depois impérios modernos fundamentaram as suas conquistas
em motivos ideológicos. Desde Livingstone e o imperialismo inglês nós
vemos que existe sempre um motivo de civilização ou ensinamento que
um povo deve dar a outro e neste processo de “ ensinar” ele introduz os
mecanismos vários de dominação. Do citado Livingstone até Lawrence
da Arábia,a ideologia vai da religião até as aventuras,mas em todos
estes argumentos falaciosos existe o propósito de criar uma comunhão
com o dominado que não existe de fato,porque em última instância ele
está excluído.

No futebol é a mesma coisa. Os clubes e estes dirigentes brasileiros


despreparados vão manipular constantemente o povo brasileiro. Uma
hora cobram de mais outra de menos,mas o fato é que o brasileiro que
faz o futebol, está fora,vai ficar assistindo televisão e enriquecendo as
empresas de comunicação.

Todo o dinheiro arrecadado por este novo futebol,por este novo modo
de torcer não vai para a educação e nem mesmo para o esporte ,mas
para os dirigentes,para as relações perigosas entre os dirigentes e a
política.

A violência nos estádios só vai acabar quando estas relações acabarem.


As torcidas são violentas porque financiadas e legitimadas pelos
dirigentes,interessados em manipular a assistência para efeito de
crescimento dos ganhos econômicos e eleitorais em todo o ano e se o
povo brasileiro não for confrontado com esta contradição em nome dele
não há como superar o problema. Como o indivíduo comum que só
evolui quando ,reconhecendo o seus erros e responsabilidades no seu
surgimento,corta a própria carne.

Era preciso uma concepção consequente republicana de “ público” para


fazer este corte,mas isto só é possível se substituirmos este dirigentes
por cidadãos brasileiros que conhecem o futebol desde pequeno e que
queiram devolver este esporte de novo a eles mesmos.

Nada há de mais revolucionário do que isto.

Futebol como media do pensamento do povo brasileiro

Eu já me referi também nestes artigos aos pactos demagógicos da


História,ao coliseum,como forma de congraçamento de patrícios e
plebeus,ao teatro shakespeareano e ao futebol brasileiro.

Toda a vez que eu falo sobre futebol tem sempre alguém que demonstra
preconceito em relação ao tema,mas é preciso ver que ,em primeiro
lugar,o esporte é uma atividade legítima ,porque de saúde. Em segundo
lugar a mobilização do povo brasileiro em torno do futebol ,ainda que o
aliene dos problemas hierarquicamente mais importantes,oferece um
campo de visão de porque esta alienação acontece.

Não acho que o Brasil,como nação,possa ser explicado pelo futebol,mas


no cotidiano sim,o futebol mostra um campo de pesquisa sobre como o
cidadão brasileiro conceitua sobre assuntos os mais diversos. O
pesquisador e o político se atualizam com o futebol No cotidiano só se
entende o que o povo brasileiro pensa pelo futebol,andando
frequentemente em táxis e investigando a relação que a média tem com
os seus parceiros(sexuais),mas o futebol avulta em importância na
medida em que é mais universal e opõe(e integra) mesmo o mundo
masculino ao feminino.

Tirando o fato de que o futebol não deve ser diminuído como força
mobilizadora,pelas razões que eu aduzi em outro artigo
anterior(mobilizar o povo brasileiro para mudar o país),nós devemos
colocá-lo exatamente como este laboratório de concepções do
brasileiro,de modo a compreender a nossa realidade social(e nisto eu
aprofundo o artigo imediatamente anterior),premissa essencial de quem
quer mudá-la para melhor.

A noção de que o povo brasileiro se mobiliza é de se preservar. O


primeiro passo depois disto é mostrar,como num espelho,a face do povo
brasileiro,para ele mesmo,demonstrando o quanto ele não é beneficiado
do que se obtém neste esporte. O quanto ele está numa posição passiva
diante do esporte que ele mesmo viabilizou,muita vezes por cima dos
erros e crimes cometidos pelos dirigentes.
E os últimos acontecimentos,com esta cada vez maior invasão da
Fifa,uma organização feita com influência do fascismo,também revela
isto que eu estou dizendo.

Ninguém protesta quando se faz esta imensa elitização do esporte,nem


mesmo o Flamengo,o clube de massa,do trabalhador comum,o qual com
seu dinheirinho,sustentou e sustenta o clube de maior torcida no
mundo.

Quando estes estádios foram feitos,muitos acertadamente denunciaram


o caráter de elefantes brancos de alguns,como o Estádio de Brasília e o
de Pernambuco. Para evitar críticas os governos destes estados
cooptaram os dirigentes dos quatro grandes do Rio de Janeiro para
levarem os seus times para jogar neles por uma merreca,longe de suas
torcidas. Será que terem jogado o inicio do campeonato brasileiro longe
das torcidas não contribuiu para ficar na parte de baixo da tabela?

E depois ,na final da Copa do Brasil,o Flamengo,que ganhou aquela


merreca,aumentou o ingresso,estratosfericamente,excluindo o torcedor
pobre,alegando necessidade de ganhar 9 milhões. Não poderiam os
governos de Brasília e Pernambuco,que encheram a burra com estes
elefantes, dar estes 9 milhões e permitir que o Flamengo baixasse os
ingressos,permitindo aos seus maiores apoiadores assistir ao jogo e não
somente as elites?

Também se faz um discurso de que é preciso qualificar a assistência nos


estádios para acabar com a violência. Alguém viu algum trabalhador
pobre nas cenas de vandalismo da última rodada?E nas das rodadas
intermediárias?

De tudo isto se depreende que ,no mínimo,as elites,os dirigentes não


vêem sequer o povo brasileiro.

Isso sem falar no problema do neocolonialismo que se esconde por


debaixo destas atitudes.

De novo Togliatti

Aprofundando as análises que fiz anteriormente sobre


Togliatti,considero muito importante trabalhar com esta linha porque o
PCI,juntamente com o partido comunista austríaco,foi um dos únicos a
escapar dos inúmeros erros e crimes cometidos pelo movimento
comunista.

O Partido Comunista Austríaco sugeriu a Stálin que fizesse uma transição


até. Falarei sobre isto proximamente.

O que quero a profundar aqui na figura de Togliatti é que o caminho dele


poderia ser uma forma de estratégia geral dos comunistas e da
militância de esquerda em geral,em países católicos e ocidentais. Em
vez de ficar isolada em si mesma a militância poderia utilizar um critério
de atuação legítima ,diferente daquela de querer impor pura e
simplesmente o seu pensamento.
Quando voltou da URSS Togliatti surpreendeu a militância republicana da
Itália,principalmente o socialista Pietro Nenni,ao apoiar ,num referendo,
a continuação da religião católica,como religião oficial da Itália,como
ficara estabelecido na concordata feita com Mussolini anos antes.

É lógico que o que queria Togliatti era fazer uma aliança com o
cristianismo laico da Itália e mesmo com o cristianismo institucional.Ele
queria lutar para modificar paulatinamente o seu pensamento. Ficar do
lado da massa para mudar o seu pensamento,para lutar
democraticamente para mudar o pensamento destas massas me parece
algo tremendamente legítimo.

Aqui no Brasil,em 1979,com o crescimento das greves no ABC,era


absolutamente necessário uma postura idêntica,até mais fácil,porque se
tratava de operários. Mas nada foi feito.

Muitos criticam o fato de que eu aqui trato obsessivamente do


catolicismo,mas como diz Gilberto Freire em “ Casa-Grande e
Senzala”,não se pode separar o Brasil do catolicismo. Entrar neste
meio,neste tipo de “ mainstream”,não-eletrônico é algo absolutamente
necessário para tentar mudar,não a concepção da religião,mas a visão de
cidadão que o católico tem.

Não estou dizendo que é preciso acabar com a religião no Brasil,mas


torná-la de fato laica e construir um tipo de cidadania, que é
imprescindível ao progresso do Brasil,calcada na convicção de que a
crença é de foro íntimo e que o cidadão deve se voltar para o Estado e
não para o Papa em busca de seus direitos.
A religião frequentemente parece ter mais força do que o Estado e a
sociedade,bem como mais do que a concepção de
“público”,fundamental para a República e isto é,sim um elemento de
paralisia e atraso do cidadão brasileiro.

Assim como os socialistas laicos e republicanos da Itália,que deveriam


ter compreendido o método de Togliatti nós aqui também precisamos
entender o sentido do diálogo com esta média espiritual do povo
brasileiro.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013


Nova Série
Amigos,vocês sabem que este blog trata do conhecimento.Do
conhecimento em muitas de suas manifestações.Eu me interesso,como
sei que vocês também,pelo conhecimento,onde ele estiver.E
também,vocês têm notado que tenho iniciado algumas séries
temáticas,como a das "Grandes Batalhas da História".Assim
sendo,hoje eu tenho uma nova série para iniciar,que é " O
Conhecimento na Arte Pictórica".Aqui,nesta série,eu colocarei tudo
quanto é conhecimento ,claro ou oculto,que sai das grandes obras dos
grandes pintores.E escolhi o conhecimento oculto de determinadas
épocas porque estes conhecimentos eram ,de fato,verdadeiros e
enquanto tais,punham em perigo a ordem estabelecida e os artistas.
O primeiro artista e que sempre me instigou a vida toda foi
Hieronymus Bosch exatamente por ele enviar mensagens cifradas de
significados revolucionários para a época mas válidos até hoje.Há
antecipações surrealistas e sexuais que ainda impressionam deveras a
quem vê as suas obras.

Vejamos um detalhe desta pintura :

Observamos do lado superior esquerdo um símbolo eminentemente


sexual,mas a construção da figura indica partes do
corpo,que,aparentemente,nada têm a ver com a sexualidade
masculina,que,me parece estar representada ali.
Ao longo dos dias,seguindo as postagens ,eu falarei sobre o que os
críticos entendem ser estas figuras,com as mensagens subliminares
contidas nelas.

A do meio ,por exemplo,parece ser uma alegoria da criação da


humanidade,mas,como dizia o outro,há controvérsias.

Eu os convido a fazer este caminho comigo nas próximas postagens

Aprofundando a questão da homofobia e do sexismo


Aprofundando um artigo anterior sobre o tema da homofobia,quero
dizer que quem criou o sexismo foi a aristocracia na Idade Média
com o apoio da Igreja Católica.Para fins de manipulação das famílias
e preservação de propriedades dentro delas,dentro das linhagens,
estas duas classes inventaram este esquema que acabou com o aspecto
mais íntimo da luta pela liberdade:a liberdade para amar com
liberdade,a intimidade do amor,sem condicionamentos.A
burguesia,quando cresceu ,imitou este esquema e por sua vez foi
imitada pela pequena burguesia,os emergentes de hoje.

Quando Engels ,no século XIX,escreveu sobre o amor livre afirmou


uma verdade para todos os movimentos libertários neste sentido:o
amor livre é aquele em que a intimidade é preservada,em que a
vontade dos pais,ou de quem quer que seja,não tem importância e
que não hajam condicionamentos econômicos que interfiram no
amor.Faz parte da luta por uma sociedade justa esta luta,que na
verdade,é uma medida do seu sucesso geral ,porque quando a
liberdade da e na intimidade estão presentes pode se ver o grau de
maturidade de um povo e de uma sociedade.

Até hoje é difícil se achar uma sociedade assim.Talvez nos países


nórdicos ou em outros lugares,talvez no Taiti ou em algumas tabas
indígenas brasileiras(....)não sei.

Por enquanto,nos dias que correm,este critério serve para algumas


pessoas felizardas (e lutadoras)e como referencial para a crítica de uma
sociedade como a nossa,ocidental(e oriental ô)em que a permissividade
esconde uma repressão igual ou maior do que a do passado e em que
a repressão esconde um desejo inelutável de liberdade.

Foucault ,em seu Vigiar e Punir,ressalta bem isso:se as penas


infamantes e cruéis acabaram,do ponto de vista mental,psicológico e
das técnicas de controle social(invasão da privacidade pelo
mainstream),a coisa ficou a mesma ou piorou.

Mesmo os movimentos sociais libertários,não raro,reproduzem esta


situação.

O movimento feminista não aproveita as liberdades que foram


conquistadas para aprofundá-las.Hoje s e coloca a contraposição entre
a liberdade do corpo e a do trabalho,quando na verdade,só quando a
mulher tiver plena liberdade de trabalhar e ter o mesmo salário do
homem poderá ampliar os direitos do corpo.Identifica-se a liberdade
do corpo com o aborto quando não é.A liberdade do corpo é o controle
populacional,como está dito em "O Segundo Sexo",de Simone de
Beauvoir.A quantidade excessiva de filhos é uma forma tradicional e
arcaica de controle masculino e social do direito de ir e vir da
mulher.O controle populacional não é uma forma religiosa de controle
da mulher.O controle da Igreja é o não-sexo,o não-desejo da mulher,é a
extinção do corpo(da mulher).

Igualmente o movimento LGBT deplora o explorador ,o


homofóbico,mas ama o seu pênis,ama o poder e fica sempre a meio
caminho da crítica.Certo,por causa das mortes,o homofóbico está
saindo de cena,mas o movimento ainda busca um reconhecimento desta
sociedade arcaica,que,como dissemos acima,criou o ódio ao diferente
pelas razões aludidas(herança),quando a maior contribuição do
homoafetivo é cimentar de vez a liberdade da intimidade,pelo direito
de escolha radical,pela escolha da afeição pura e simples,sem referência
no passado:o direito de escolher ser diferente.

sábado, 7 de dezembro de 2013


Adeus Madiba,amandla!
Lênin,eu já disse aqui,quando do inicio da revolução de 17,inventou um
sistema de propaganda,propondo colocar num obelisco, a ser erguido
em Moscou,nomes de pessoas que tinham tido ,ao longo da
história,uma atitude de ajuda à humanidade,ajuda aos mais
humildes.Era o obelisco dos homens bons,segundo os critérios de Lênin.

Eu proponho aqui,como uma das minhas séries de artigos temáticos,


algo semelhante,apresentando os meus critérios.O bom homem ,para
mim,é aquele que se sacrifica pelos outros e não manda os outros se
sacrificar por ele(como Cristo);o bom homem age segundo a máxima
fundamental do povo brasileiro,expressada pelo Marechal Rondon,"
morrer se preciso for,matar nunca",com uma exceção,a participação em
uma guerra justa;o bom homem age o mais próximo possível de uma
ética fransciscana:não se trata de fazer caridade,mas de lutar,na
prática,para tirar todos de debaixo da ponte e da fome(ficar próximo da
loucura,como fazia Freud,para ajudar a entendê-la).Lutar contra a
fome,é fazer o juramento de Maiacovski,segundo o qual deve o
lutador(não o brigador)estar do lado da luta pela solução deste
problema.Finalmente,o bom homem é aquele que luta em qualquer
lugar e todo o tempo por estes valores,enquanto a solução não vem.

Nelson Mandela preenche todos os requisitos que pus acima e ainda


acrescenta alguns mais e por isso é o primeiro nome neste meu
obelisco.Como um dos acréscimos postos por esta grande personalidade
humana,o fato extraordinário e quase milagroso dele ter saído da prisão
sem nenhum tipo de ressentimento .Não se via no seu rosto nada que
denotasse tensão ou tristeza,mas só sorriso permanente.Chegou a
dizer,para os incrédulos,que se se ressentisse ,ao sair da prisão,não seria
real e totalmente livre.

Bem mal comparando e já apresentando uma outra série de nomes no


obelisco,o do mal,mesmo nos períodos de vitória ,Hitler apresentava
uma tensão ,revelada em suores e em esgares faciais que expressavam
uma certa característica atroz de sua personalidade.Vamos tirar ele
daqui.

Mas estes nomes do obelisco são uma forma de nós cidadãos


analisarmos as figuras históricas segundo critérios do homem
comum,cotidiano,evitando as manifestações de idolatria ,que
escondem ,do lado do cidadão e do lado do ídolo,intenções ocultas e
diversas daquelas do bem da humanidade.

Mandela fez o bem da humanidade,reconciliando um país ,que tinha um


regime de Apartheid,que nem os nazistas fizeram à luz do dia.

Também o homem bom(e a mulher, que vai entrar neste obelisco


também)não é perfeito.Analisaremos aqui as imperfeições,e porque
não?,as eventuais culpas.Contudo,se o homem é ao mesmo tempo anjo
e demônio,ele luta para superar os demônios,diferentemente do
bandido,que não luta e um dos critérios de bem e mal,que temos que
considerar em todo este processo de análise,há um exemplo ,que ,para
mim,é suficiente para defender um certo e um errado na vida:bom é
aquele que não joga criança no forno crematório,mau é aquele que o faz
ou que está próximo de fazê-lo,admitindo o conceito cristão de pecado
mental,evidentemente que laicizado,isto é, a culpa,pelo desejo e pelo
pensamento,ou pela irresponsabilidade.

Mandela não tem culpas,mas erros.Não adianta estas duas figuras


horrrendas(que vão para o obelisco do mal),Ronald Reagan(verme)e
Thatcher(imperialista),como defensores deste regime sul-africano
nazista,taxá-lo de terrorista,seja lá por que conveniência,porque ele
tinha o direito moral de pegar em armas para derrubar este
regime.Ainda que isto fosse um erro político,a legitimidade moral estava
lá.

A pessoa de bem normalmente não está sòzinha.Nos noticiários atuais


não se fala no papel de Cuba e de Angola na derrota do apartheid,como
eu já mostrei em outro artigo e ao qual eu os remeto,sem caitituagem
pessoal.Madiba precisou e quando a teve reconheceu até ao último
momento de vida,apoiando Cuba contra a intervenção
estadunidense,atacando as impertinências do Ocidente quanto à
Líbia(Khadaffi tinha que ter sido julgado e não assassinado.O tratamento
dado a ele foi diferente daquele a Slobodan Milosevic,não se sabe
porque...),enfim demonstrando capacidade e crítica e horror ao
oportunismo.Sendo uma figura tão capaz de conciliar não deixou nunca
de arriscar esta imagem por suas convicções.

O nome no obelisco é o político que eu,pelo menos,acho que deve


predominar ,como expressão do cidadão que eu quero ser e que eu
acho que todos devem ser,por isso eu proponho a quem lê este artigo
uma reflexão sobre como uma pessoa assim ,acompanhada de tantos
seguidores(alegres)até no funeral,pode ser o motor da utopia,prevendo-
a e apressoando-a, com seu exemplo.

Adeus Madiba,Amandla!Nesta ocasiões eu abandono o meu ateísmo e


já chegando à velhice sonho com uma vida eterna no paraíso para,à
sombra de uma árvore ,conversar consigo(e de lá,quem sabe apressar,na
Terra,os homens ,já que o “Deus de bondade” não resolve tudo logo).

terça-feira, 3 de dezembro de 2013


Anuncios

Amigos como podem ver eu fiz um contrato com o ad sense ,para


colocar anúncios aqui no meu blog.Explico que preciso de condições
financeiras para fazer pesquisas,me dedicando o maior tempo possível
ao principal na minha vida ,que é o trabalho intelectual.Assim sendo
convido-os a clicar nestes anúncios e colaborar com este blog.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013


conhecimento: Marighela e os Curas
conhecimento: Marighela e os Curas: Eu tinha prometido falar um pouco
mais sobre a relação entre os comunistas e os cristãos e não cheguei a
dar sequer uma pincelada nisto q...
Marighela e os Curas
Eu tinha prometido falar um pouco mais sobre a relação entre os
comunistas e os cristãos e não cheguei a dar sequer uma pincelada nisto
quando tratei de Palmiro Togliatti e os comunistas Italianos.A bem da
verdade todo o sucesso ,no século XX,dos italianos se deveu,depois da
política do secretátrio-geral,a uma aliança dos comunistas,já um pouco
combalidos,com o cristianismo laico da Itália.Aquele famoso funeral de
Enrico Berlinguer com dois milhões de " vermelhos",se deveu muito a
isto,a uma aliança com a única organização de massa da História,a
religião,afirmação que faço com a convicção de que olho
seguro,inclusive,para o futuro.

Aqui no Brasil,o episódio desta aliança mais conhecido(mas não o


único)foi o de Marighella e os Dominicanos,seguindo uma tendência
geral,que na Itália,tinha aspectos bem fundamentados,mas em outros
lugares,como aqui,funcionava como uma alternativa desesperada dos
comunistas diante do seu não-crescimento e diante do fato de que
alguns religiosos,pela fé,queriam fazer também a revolução.A atitude de
Marighella ,depois do 64,revela ,para mim,um certo desespero,de não
conseguir arregimentar e de ver a revolução,aparentemente em
curso(não era verdade),gorar,mais uma vez.

Amigos ,existe uma avaliação da direita,de que esta aliança,pelo menos


no Brasil,tornava a Igreja mais perigosa para o regime,simplesmente
porque,como disse,ela tinha(como sempre teve)massa.Mais do que isto
revelava a fraqueza dos comunistas,que não cresciam.
Eu sou um homem de esquerda,não comunista e uma das razões é
porque eu concordo com estas avaliações e acrescento mais uma ,a de
que esta aliança é anti-profissional,no sentido da atividade
revolucionária,e oportunista,porque os objetivos e o método dos
comunistas(materialistas)são diferentes do dos católicos.

Quando a revolução russa se estabilizou ,com Lênin e depois com


Stálin ,a relação entre o poder soviético e a religião sempre se
estabeleceu dentro de uma espécie de gangorra.A violência
comprovada sobre a religião era sobrepujada pela necessidade de
aliança e cooptação pelo Estado Soviético,em face da impossibilidade de
destruí-la pela força.Então fez-se um pacto entre o Estado e a Religião
da seguinte forma:o Estado não mata e a religião não atrapalha o
totalitarismo,que ,para Hannah Arendt,tem como uma de suas origens
ela mesmo.

Após Togliatti,Gramsci e o PCI a relação se tornou doce,igualitária,mas


só do ponto de vista político,porque os métodos e os objetivos,como
disse,diferem.O cristianismo laico não faz contradição entre a libertação
terrena e a sempiterna,como o catolicismo institucional,mas os valores
católicos ou cristãos diferem da atitude revolucionária no sentido de
que ,mesmo na revolução,deve se buscar o " não matarás",o respeito à
honestidade e ao bem,o que não se coaduna com as concepções
marxistas de lutas de classes,por exemplo.

Os dominicanos não tinham preparação para estas atitudes


revolucionárias e ficavam cheios de pruridos quanto a usar identidades
falsas ou a ter que matar trabalhadores comuns em assaltos a
bancos(que já era um problema).Eles possuíam ainda o reflexo tutelar e
hierárquico da igreja institucional,seguindo estes valores .O caráter
tutelar e hierárquico dos religiosos se contradiz com o do
revolucionário,o qual,senão é escravo da vontade,deve ser fiel à sua
norma,à norma da revolução,referência da sua atividade e não
deve,muito menos,ser tutelar ou hierárquico.O revolucionário busca o
conhecimento por si mesmo e se não é anti-institucional
necessariamente não pode ser totalmente institucional,pois isto o
paralisa.Ele existe para mudar as instituições.

Uma das razões pelas quais Thomas Jeferson achava,acertadamente,que


não haveria revoluções na América Latina,era esta dependência
institucional dos católicos,aqui hegemônica.

Eu não sou contra a participação do cristão(acho difícil a do católico


institucional)na atividade marxista revolucionária,mas se esta é a que
predomina ,o cristão deve deixar a sua religião como critério íntimo e
agir como a atividade revolucionária preconiza.Como Engels afirmou
durante a Comuna de Paris.

Sem isso ,sem este critério prévio, a revolução pode se tornar um


inferno para o cristão,depois da sua vitória,só havendo o meio
fraudulento de superar isto,como disse acima,uma falsa revolução.

Na democracia tal aliança se torna,como nós vemos ,em muitos


lugares ,um oportunismo atroz,pois se abandona a
transformação,usando a massa cristã para fins só eleitoreiros.Isto não
é atual não?

Alexandre,o Grande.Da série "As Grandes Batalhas da


História"

Amigos eu ,como sabem ,sou professor de História,Ciências


Políticas,História do Direito e Filosofia e Filosofia do Direito.Como
tal,quero fazer deste blog também um lugar para dividir(não
transmitir)o meu conhecimento e por isto inicio aqui a série " As
Grandes Batalhas da História",a primeira das séries que quero oferecer
aqui e que quero transformar depois em livro.

Hoje eu coloco o tema :as batalhas mais importantes da História.Se o


Ocidente é a nossa História,a nossa História comum que conhecemos,na
minha opinião as maiores batalhas da História são aquelas que fizeram
ou salvaram o Ocidente de se tornar algo diferente daquilo que ele é
hoje.

Para mim estas batalhas são as das guerras médicas na antiga


Grécia,Platéia,Salamina,descritas por Heródoto,as quais ,garantindo a
Grécia frente aos persas,garantiram o Ocidente.E as mais recentes e
mais decisivas são as do front russo ,1941-45,porque evitaram que o
mundo se tornasse nazista.

Eu acrescento também,com algumas ressalvas,a Batalha de Poitiers em


715 porque evitou que o Ocidente se tornasse muçulmano.Digo com
ressalvas porque acho-a muito superestimada,mas ,por agora,não
tratarei dela.

Quero,neste inicio de série,tratar do papel de Alexandre ,o Grande e


das batalhas de seu périplo,porque elas também têm importância na
continuidade da Grécia e do Ocidente e porque põem no seu devido
lugar a figura heróica de Alexandre,sendo esta colocação um elemento
decisivo desta análise ,que é o papel real dos fatos históricos e de como
as versões adquirem ,às vezes ,mais importância do que eles.

Alexandre só é importante na medida em que preservou o


Ocidente.Alexandre é resultado de toda a preparação que seu pai,Filipe
II, fez antes dele,sendo apenas um seu continuador.

Filipe II resolveu um problema que vinha se colocando diante dos


gregos,ameaçados pelos persas,desde 100 anos antes.

Pouca gente sabe que os gregos tentaram através do General


Xenofonte(aquele mesmo amigo de Sócrates)vencer os persas,não o
conseguindo e tendo que voltar dramaticamente para a Grécia,relato
que foi feito pelo próprio Xenofonte, num livro célebre,comparado por
muitos,no Brasil,a "Os Sertões",a "Anabasis".
No filme de Oliver Stone e em muitos documentários fica parecendo
que tanto Filipe quanto seu filho,invadiram a Pérsia somente por
desejo de glória e conquistas,mas os gregos perceberam,depois de
Xenofonte,que se não destruíssem de vez os Persas,estes os
destruiriam,acabando(sem o saber)com o Ocidente.

Os macedônios descobriram a arma decisiva para vencer os persas,a


falange macedônica:

e os gregos se colocaram a questão de entregar o comando dos


exércitos gregos a eles.Para uns,como Isócrates,isto era necessário para
garantir a liberdade grega;para outros,como Demóstenes,era o fim da
liberdade grega,que foi o que aconteceu(tendo Demóstenes morrido no
exílio).
Mas o fato é que com a atividade histórica de Alexandre e a destruição
dos persas,o Ocidente continuou até aos dias de hoje.Voltarei ao tema.

sábado, 30 de novembro de 2013


Democracia Progressiva
Uma das razões pelas quais,no seu tempo,o Partido Comunista Italiano
destoava de seus " irmãos brutais" foi por causa da atividade de seu
secretário-geral Palmiro Togliatti,nos anos 30-40-50,nos quais ele pode
retirar o seu partido da órbita dos erros e fracassos da União
Soviética,principalmente com relação aos crimes do Stalinismo.

É conhecido o episódio segundo o qual Togliatti se recusou a entregar


uma carta de Gramsci,endereçada da prisão diretamente a
Stálin,porque Togliatti pensava que isto daria força ao caminho do
"socialismo em um só país",versão da esquerda da revolução
nacional,que tinhas as mesmas características de toda revolução
nacional:totalitarismo.

Togliatti criou um termo que eu considero válido até aos dias de hoje
,em todo o lugar e muito especialmente no Brasil em que a cidadania
acordou.O conceito de democracia progressiva.Através do esforço da
maioria produtiva da nação vai se conseguindo progressivamente
espaços de democracia econômica(ganhos materiais)e
política(participação efetiva na deliberação democrática)até ao
momento em que se obtém uma efetiva democracia real.

É claro que os radicais têm razão em dizer que a burguesia e as elites


em geral não vão permitir que isto aconteça,vide o caso do Chile,mas há
muitos anos dizia-se que era praticamente impossível um operário
chegar ao poder,pelos mesmos motivos, e chegaram dois,na
Polônia,Lech Walesa,porque com todos os erros do regime stalinista a
classe operária adquiriu mais força,e no Brasil,em que o metalúrgico
Lula chegou ao poder por muitos anos.

Certo,muito se deveu esta ascensão dupla a concessões,mas existem


também ganhos impossíveis no passado.Por influência destes operários
quase nenhum banco hoje pode tirar os bens do pobre,acabando com
aqueles elementos do capitalismo selvagem que estavam nos "
Miseráveis"de Vitor Hugo e contra os quais esta geração de rebeldes se
formou.

É também absolutamente necessário ,em nome de ganhos reais para o


mundo do trabalho ,fazer alianças nacionais para melhorar a sociedade
de tal modo que ,de repente,o comunismo possa ser implantado por
consenso e não pela força,que atinge sempre o pobre.

Togliatti inaugurou este caminho democrático na década de 50 em que o


PCI,se rebelando contra a sua liderança em várias manifestações de
rua,queria já a revolução e ele se pôs contra,por estes motivos a que
aludi.
Um jovem conservador achou que ele estava por trás das manifestações
e tentou matá-lo com um revólver.O tiro passou de raspão e Togliatti se
recuperou.O atirador foi preso e saiu na condicional.Anos depois
Togliatti o perdoou e explicou a posição dele, convencendo o jovem,
que acabou se casando com uma sobrinha de Togliatti.Por aí se vendo
que os conservadores se renderão se a esquerda tiver o foco no bem.

terça-feira, 26 de novembro de 2013


Anúncio

Amigos,volto aqui para fazer um convite de acessarem a minha página


no Scribd Brasil,para fazer downloads pagos ou impressões pagas de
artigos mais profundos feitos por mim.Aqui eu coloco artigos mais
sucintos,que visam dar a minha opinião sobre fatos atuais,mas lá eu
aprofundo estes e outros temas de maneira rigorosa.

É só acessar a página do scribd Brasil e colocar o meu nome ernesto


maggiotto caxeiro.Qualquer dúvida é só me contatar aqui.Já existe um
artigo lá sobre Rousseau e o Direito.Aqui ou lá aguardo comentários.
Escusado dizer que estes textos estão protegidos por direitos autorais
mesmo imprimidos não podem ser publicados senão com a minha
permissão remunerada.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013


O que vale na profissão de professor

Amigos faço questão de mostrar a particpação de uma ex-aluno meu da


univercidade,Nelson Domingos,angolano,hoje doutor em Ciência
Política,concedendo uma entrevista sobre a constituição do seu
país,num programa de lá mesmo.Isto é o que vale na profissão de
professor,ter ajudado alguém a chegar nesta posição.Ajudar,porque o
mérito é todo dele,o mérito é do aluno.Olho nele porque é um dos
próximos líderes daquele extraordinário país.

sábado, 23 de novembro de 2013


Mão à palmatória
Há alguns artigos atrás eu falei da vergonha do STF.Hoje eu venho aqui
para dar a minha mão à palmatória e reconhecer que o STF reconheceu
o reclamo das ruas(incluindo o deste articulista)e resolveu cumprir o seu
dever constitucional,bem como o do judiciário como um todo,de
prender a qualquer um,pertencendo este qualquer um a qualquer classe
ou partido político.

Certo,ainda muito ladrão de galinha vai para a cadeia e muito banqueiro


fica no bem-bom.Certo ,muito político corrupto ainda vai ficar solto por
aí.Certo, isto ,por si só não vai mudar a estrutura de classes do
Brasil.Certo,pode ter sido uma conveniência política o que fez o stf fazer
o seu dever,o stf,um órgão extremamente político.Certo ,que ainda tem
gente com fome.

Certo tudo isto,mas a verdade é que toda a mudança começa


assim,como um ato jurídico e político.Toda a revolução é assim e toda a
continuidade da mudança,para melhor,deve respeitar estas duas vigas
mestras de toda a democracia.

Então nós devemos exigir um aprofundamento desta atitude e trazê-la


,como prática comum,ao cotidiano,onde as coisas verdadeiramente
importantes acontecem,mesmo que não sob os holofotes da mídia,mas
diante da vida daquelas mesmas pessoas que foram,como eu,às ruas
,para protestar e exigir,entre outras coisas,que qualquer um vá para a
cadeia,quando transgredir a lei.

Fico satisfeito se,de um lado, a esquerda entender de uma vez por todas
que não pode transgredir a lei.Lembrem-se do artigo que eu fiz também
há muito tempo,afirmando que se a esquerda usa o estado de direito,ou
melhor ,a sua quebra pelos militares em 64,para pedir ressarcimento
,como cidadãos brasileiros,não poderia,ela própria,por qualquer
motivo,quebrá-lo,nem em nome da revolução.

Mas de outro lado ,fico triste que a maioria deste políticos que estão
sendo presos agora,são de esquerda,da época heróica da guerra
fria(laboratório universal de corrupção ,seja da esquerda, seja da
direita)homens que juraram agir em nome do bem da sociedade.

Agora nós que estamos aqui na soberania popular vamos ter que
considerar que é possível que um guerilheiro ,,que arriscou a vida e a
integridade física,podendo ter sido torturado,pelo Brasil,pode também
desviar dinheiro de hospital,de velhinha que precisa da
previdência,desviar dinheiro da escola ,onde a criança vai aprender a ser
um bom cidadão e assim por diante.
Eu que aprendi a ser um homem de esquerda lendo Graciliano Ramos e
os seus romances sociais,terei que considerar agora que o homem de
esquerda ,ao meu lado,que eu puxo para falar de política,pode ser pior
do que a pior direita.