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Eletrocardiograma

1. Onda P (despolarização atrial)


• Para caracterizar ritmo sinusal:
(+) em DI, DII e aVF
(-) em aVR

• Sobrecargas Atriais:

DIREITA ESQUERDA

- Onda P de amplitude > 2,5 mm - Onda P de amplitude > 2,5 mm e


em DII e V1 entalhada (chapéu) em DII
- Onda P apiculada em DII (Onda - Índice de Morris positivo: onda P
P pulmonale) negativa em V1 (com área > 1mm²)
- Aumento da porção positiva da
onda P em V1

*Eixo cardíaco desviado para *Eixo cardíaco desviado para a


direita* esquerda*

1500
2. Frequência cardíaca:
𝑛º 𝑑𝑒 𝑞𝑢𝑎𝑑𝑟𝑎𝑑𝑖𝑛ℎ𝑜𝑠 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑒 𝑑𝑢𝑎𝑠 𝑜𝑛𝑑𝑎𝑠 𝑅
• Normal: 50-100 bpm

3. Eixo cardíaco: normal entre -30º a +90º

4. Intervalo PR: duração normal de 0,12 – 0,20 seg

5. Complexo QRS (despolarização ventricular):


• Normal: até 0,12 seg de duração; padrão crescente de onda R de V1-V6 e padrão
decrescente de onda S de V1-V6.

Giovanna Guimarães Azevedo – 6º P (2018.2)


• Sobrecargas ventriculares:

DIREITA

- Onda R com alta voltagem em V1


e V2
- Onda S profunda em V5 e V6
- Padrão Strain (infra de ST + onda
T negativa) em V1 e V2

ESQUERDA

- Índice de Sokollow-Lyon positivo: onda S


em V1 + onda R de V5 ou V6 > 35mm
- índice de Cornell positivo: onda S em V3 +
onda R em aVL > 28 mm (homens) ou >
20mm (mulheres)

• Presença de onda Q patológica? -> indica NECROSE

Larga e profunda
> 0,03 seg de duração (ou seja, > 1 quadradinho)
> 3 mm de amplitude (ou seja, > 3 quadradinhos)
> ¼ da onda R correspondente

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• Bloqueios de ramo:
- Obrigatoriamente o QRS deve estar alargado (> 0,12 seg)

DIREITO ESQUERDO

- Padrão rsR’ em V1 (“orelha de - Ondas R alargadas (padrão R puro)


coelho”) e com entalhes e/ou empastamentos
em DI, aVL, V5 e V6 (padrão em
“torre”)

- Onda S empastada em DI, aVL, V5 e


V6

6. Segmento ST:
• Supradesnivelado? -> indica INJÚRIA (IAM) subepicárdica

• Infradesnivelado? -> indica INJÚRIA (IAM) subendocárdica

7. Onda T (repolarização ventricular):


• Normal: assimétrica, arredondada
• Onda T invertida (-) e simétrica -> indica ISQUEMIA subepicárdica
• Onda T apiculada (+) e simétrica -> indica ISQUEMIA subendocárdica

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➔ Outras situações importantes:

1) Taquiarritmias:

A. Taquicardia Nodal AV reentrante (TRNAV)


4 perguntas importantes a se fazer para arritmias não sinusais:

a) Há onda P normal?
- Se SIM, origem da arritmia é ATRIAL
- Se onda P AUSENTE, origem no NÓ AV ou VENTRÍCULOS

b) O complexo QRS é:
- Estreito? = arritmia supraventricular
- Largo? = arritmia ventricular

c) A relação entre onda P e complexo QRS é 1:1?


- Se SIM = ritmo sinusal

d) Ritmo é regular ou irregular?

• FC: 150-250 bpm


• Onda P retrógrada (onda P surge logo após o QRS e é negativa
nas derivações inferiores DII, DIII e aVF)
• QRS estreito
• Ritmo REGULAR

- Conduta: Massagem carotídea + bolus de Adenosina; se não resolver: cardioversão elétrica

B. Flutter Atrial

• FC: 250-350 bpm


• Ondas P ausentes
• Em DII e DIII: padrão em “dente-de-serra”
• Ritmo REGULAR

- Conduta: cardioversão elétrica ou química se paciente hemodinamicamente estável e início <


48h; NÃO fazer massagem carotídea.

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C. Fibrilação Atrial

• FC: 350-500 bpm ou mais


• Ondas P ausentes
• Linha de base achatada ou discretamente ondulada
(ondas de fibrilação)
• Ritmo IRREGULAR

- Conduta:
a) Paciente hemodinamicamente estável e início conhecido < 48h: cardioversão elétrica ou química.
b) Paciente hemodinamicamente instável ou início desconhecido ou conhecido > 48h: Propanolol
+ Dabigatran

D. Taquicardia Ventricular

• Emergência!
• FC: 120-200 bpm
• QRS largo e bizarro
• Séries de 3 ou mais contrações ventriculares prematuras

- Conduta: cardioversão elétrica ou desfibrilação

E. Síndrome de Wolff-Parkinson-White (WPW)

• Intervalo PR encurtado
• QRS alargado
• Onda DELTA
• Pode estar associada frequentemente a:
o Taquicardia Nodal AV reentrante
o Fibrilação Atrial (pode levar à Fibrilação Ventricular, uma
arritmia fatal)

- Conduta: cardioversão química

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Hipertensão Arterial

• Classificação:
Normal 120 / 80 mmHg
Pré-hipertenso 121-139 / 81-89 mmHg
HAS: leve 140-159 / 90-99 mmHg
HAS: moderada 160-179 / 100-109 mmHg
HAS: grave ≥180 / ≥110 mmHg

• Diagnóstico:
- 1ª consulta – aferir PA:
o Se < 139/89 mmHg = OK
o Se > 139/89 mmHg = retorno em 2ª consulta
- 2ª consulta – aferir PA:
o Se > 140/90 mmHg = HAS confirmada
o Se normal = solicitar MAPA ou MRPA retorno em 3ª consulta
- 3ª consulta:
• Se nos exames PA em vigília > 135/85 mmHg e PA em sono >
120/70 mmHg ou PA > 130/80 mmHg nas 24h = HAS
confirmada

• Clínica (geralmente quando PA bastante elevada):


- Dor occipital (nuca)
- Fadiga, tosse
- B4 na ausculta cardíaca
- Confusão mental, edema agudo de pulmão -> Emergência

• Exames complementares:
- Raio-x: sinais de hipertrofia cardíaca, edema agudo de pulmão,
- Fundoscopia: hemorradias, papiledema
- ECOcardiograma: aumento na espessura do VE

• Tratamento:
1) Não farmacológico: redução de peso, exercício físico, dieta hipossódica, cessar
etilismo/tabagismo

2) Farmacológico:

Estágio 1 com risco CV Estágio 1 com risco CV alto ou


moderado ou baixo Estágio 2 ou 3
Monoterapia Combinações

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OBS:
- NUNCA associar BRA e IECA
- Hidroclorotiazida + BCC = melhor para idosos
- BB = não utilizar em caso de DPOC, asma, FC < 60 bpm e Bloqueio AV
- BCC = melhor para negros
- IECA = melhor para diabéticos, pior para grávidas e paciente renal crônico
- Grávidas = não usar IECA ou BRA; usar Metoprolol, Anlodipino.

• Metas terapêuticas:
- HAS estágio 1 ou 2, com risco CV moderado ou HAS estágio 3: < 140/90 mmHg
- HAS estágio 1 e 2 com risco CV alto: < 130/80 mmHg

Dislipidemias

• Aterosclerose: doença inflamatória crônica que atinge artérias de médio e grande calibre
que cursa com o desenvolvimento de placas de ateroma dentro das superfícies das paredes
arteriais. Ao longo do tempo, as placas tornam-se tão grandes que podem se destacar na
luz da artéria, reduzindo muito o fluxo sanguíneo e, em casos graves, obstruindo
completamente o vaso. Mesmo se não há oclusão total, a própria superfície áspera
destacada da placa pode levar à formação de coágulos e formação de trombos ou êmbolos,
levando assim a um bloqueio súbito de todo o fluxo sanguíneo na artéria.

• Fatores de risco:
- aumento de LDL (lipoproteínas de baixa - diabetes melito;
densidade – “colesterol ruim”); - HAS;
- hipercolesterolemia familiar; - tabagismo.
- sedentarismo e obesidade;

• Classificação:
1) Etiológica:
- Causas primárias: origem genética;
- Causas secundárias: a dislipidemia é decorrente do estilo de vida inadequado, comorbidades
e medicamentos;

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2) Laboratorial [mais importante pra prova]:

Hipercolesterolemia isolada Elevação isolada do LDL-c (≥ 160 mg/dL)


Hipertrigliceridemia isolada Elevação isolada dos triglicerídeos (≥ 150
mg/dL em jejum ou ≥ 175 mg/dL sem jejum)
Hiperlipidemia mista Elevação combinada do LDL-c (≥ 160 mg/dL) e
dos triglicerídeos (≥ 150 mg/dL em jejum ou ≥
175 mg/dL sem jejum)
HDL-c baixo [“colesterol bom”] Redução do HDL-c (< 40 mg/dL em homens ou
< 50 mg/dL em mulheres) isoladamente ou
associada à aumento de LDL-c/triglicerídeos

• Escore de Risco Global [caiu na P2]:


- Estima o risco de um indivíduo apresentar um evento cardiovascular em 10 anos;

Homens Mulheres
Risco baixo <5% <5%
Risco intermediário 5-20% 5-10%
Risco alto >20% >10%

Pontuação - Mulheres

Pontos Idade HDL-c CT PAS (não PAS Fumo Diabetes


tratada) (tratada)
-3 <120
-2 60+
-1 50-59 <120
0 30-34 45-49 <160 120-129 Não Não
1 35-44 160-199 130-139
2 35-39 <35 140-149 120-129
3 200-239 130-139 Sim
4 40-44 240-279 150-159 Sim
5 45-49 280+ 160+ 140-149
6 150-159
7 50-54 160+
8 55-59
9 60-64
10 65-69
11 70-74
12 75+

Pontuação – Homens

Pontos Idade HDL-c CT PAS (não PAS Fumo Diabetes


tratada) (tratada)
-2 60+ <120
-1 50-59
0 30-34 45-49 <160 120-129 <120 Não Não
1 35-44 160-199 130-139
2 35-39 <35 200-239 140-149 120-129
3 240-279 150-159 130-139 Sim
4 280+ 160+ 140-149 Sim
5 40-44 150-159
6 45-49 160+
7
8 50-54
9
10 55-59
11 60-64
12 65-69

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• Metas terapêuticas absolutas [caiu na P2]:
- Primária: LDL-colesterol;
- Secundária: colesterol não-HDL.

Risco baixo - LDL-c < 130 mg/dL


- Colesterol não-HDL < 160 mg/dL
Risco intermediário - LDL-c < 100 mg/dL
- Colesterol não-HDL < 130 mg/dL
Risco alto - LDL-c < 70 mg/dL
- Colesterol não-HDL < 100 mg/dL

• Tratamento:
1) Não-medicamentoso: dieta [evitar alimentos de origem animal e ácidos graxos trans e buscar
incluir ácidos graxos insaturados, como ômega-6, ômega-3 e ômega 9, fibras, vegetais e
antioxidantes], atividade física e cessação do tabagismo;
2) Medicamentoso:

Para hipercolesterolemia isolada:


a) Estatinas (Sinvastatina, - Dose única, à noite;
Lovastatina etc.) – inibidoras da - EAs: hepatite, miosite e rabdomiólise;
síntese de colesterol intracelular - Acompanhamento: dosagem de CK,
transaminases, bilirrubinas e TAP.
b) Ezetimiba – inibidora da absorção - Dose de 10 mg;
intestinal de colesterol - Pode ser associada às estatinas.
c) Colestiramina – redutora da - Pode ser usado em crianças e mulheres
absorção de sais biliares em idade fértil;
- EA: diminui a absorção de vitaminas
lipossolúveis e ácido fólico.

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Para hipertrigliceridemia isolada:
a) Fibratos (Bezofibrato, Etofibrato, - 1ª escolha;
Ciprofirato etc.) – aumentam - EAs: distúrbios gastrintestinais, mialgia,
produção e ação da lipase astenia, litíase biliar, ↓ libido, rash cutâneo.
lipoproteica, que faz hidrólise
intravascular de TG
b) Ácido nicotínico − ↓ ação da lipase - Pode ser usado como segunda escolha
tecidual e ↓ síntese de TG pelos ou em associação com os fibratos +
hepatócitos ômega-3.
Para hiperlipidemia mista:
a) Fibrato + estatina (ou outros) - Para quando TG > 500 mg/dL;
- NÃO associar com Genfibrozil.
b) Estatina - Para quando TG < 500 mg/dL.
Adicionais:
a) Ômega-3 − ↓ síntese hepática de TG
└ Óleo de Krill (1-4 g/dia)

Síndrome Coronariana Aguda

• Sintoma principal: ANGINA


- Estável: geralmente ocorre em situações de esforço físico, com melhora ao repouso
- Instável: surge de repente e não melhora com repouso [se duração > 20min = IAM]

• Classificação da dor anginosa (CASS):


Tipo A: definitivamente Dor típica (desconforto torácico, opressão ou queimação),
anginosa retroesternal ou precordial, com irradiação para MMSS e mandíbula,
intensa, aliviada pelo uso de Nitrato
Tipo B: provavelmente A dor é mal definida, mas pode ser intensa e com boa resposta ao
anginosa Nitrato
Tipo C: provavelmente Dor totalmente atípica para angina, mas sem dx definido
não-anginosa
Tipo D: não anginosa Nada a ver

• Conduta geral inicial em suspeita de SCA:

1) Monitorar e fazer a manutenção da via aérea, respiração e circulação


2) Oxigênio a 100% 4L/min [se: Sat 02 <90%]
3) AAS 160-325 mg [mastigar comprimido] + manutenção 100 mg/dia
4) Nitroglicerina 0,4 mg sublingual a cada 3-5 min [máx. 3 doses; só pacientes
cardioestáveis]
5) Morfina IV 2-4 mg a cada 5min [máx. 25mg]
6) Solicitar ECG de 12 derivações (em no máximo 10 minutos)

• Solicitar ainda:
- Dosagem de enzimas cardíacas: CK-MB massa e troponina
- Dosagem de eletrólitos: potássio e sódio
- Provas de coagulação: TAP e TTPA
- Hemograma completo
- Provas de função renal: ureia e creatinina
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- Glicemia
- Raio-x de tórax
- Repetir ECG a cada 6-9h

---------------------------------- INTERPRETAÇÃO DO ECG NA SCA ------------------------------------

- Qualquer evento agudo: sempre observar segmento ST e onda T


- 3 entidades:
a) Isquemia: hipóxia miocárdica; reversível -> observar a ONDA T
b) Injúria (IAM): persistência da hipóxia; reversível -> observar SEGMENTO ST
c) Necrose: irreversível -> observar COMPLEXO QRS

• ISQUEMIA
- Retificação do segmento ST;
- Onda T invertida (-) e simétrica -> isquemia subepicárdica;
- Onda T apiculada (+) e simétrica -> isquemia subendocárdica;
- Infradesnivelamento do segmento ST em pelo menos 1mm.

• IAM
- Supra ou infradesnivelamento do segmento ST em pelo menos 2 derivações contíguas.

• Necrose
- Onda Q patológica:
Larga e profunda
> 0,03 seg de duração (ou seja, > 1 quadradinho)
> 3 mm de amplitude (ou seja, > 3 quadradinhos)
> 1/4 da amplitude total do QRS

------------------------------------------------------TRATAMENTO--------------------------------------------------------
- Se infra de ST ou inversão da onda T: SCA sem SST
- Se supra de ST: IAM com SST

• Para ambos:
1) Clopidogrel – dose de ataque 300mg + manutenção 150mg (> 75 anos só manutenção)
2) Abciximab – bolus de 0,25 mg/kg.
3) Metoprolol – 50 mg VO 6/6h no primeiro dia; 100 mg VO 12/12h daí em diante.
4) Heparina de baixo peso molecular: se < 75 anos – bolus 30 mg EV, seguido por 1 mg/kg SC
12/12h; se > 75 anos – 0,75 mg/kg SC 12/12h.
5) Captopril: 6,25 mg na primeira dose; 2h depois 12,5 mg 12/12h; reajuste a cada 24h, até
dose-alvo de 50 mg 8/8h
6) Atorvastatina 80 mg/dia

• Acrescentar em IAM com SST:


- Angioplastia primária (em até 90 min)
- Fibrinólise (em até 30 min): Alteplase – bolus de 15 mg EV, seguido de 0,75 mg/kg após 30
min e 0,5 mg/kg após 60 min [dose total ≤ 100 mg]

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Insuficiência cardíaca congestiva

• Principais causas: IAM | HAS | Valvulopatias | Cardiopatias


• Exames complementares:
- Primeiramente: ECG, Raio-x de tórax, dosagem de BNP.
- Se tiver alteração -> ECOcardiograma
- Adicional: Cineangiocoronariografia etc.
• Critérios de Framingham:

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• Classificação funcional de NYHA (baseada somente na DISPNEIA):
(I) Sem sintomas a atividades físicas habituais
- Pode ser pós-infarto, ou sem infarto, sem que haja comprometimento de f. ventricular

(II) Limitação moderada às atividades físicas habituais e assintomático ao repouso


– Sintomas presentes, por ex., ao subir escadas, andar 2 quarteirões)
- Mais associado a morte súbita

(III) Limitação acentuada às atividades físicas habituais, mas ainda assintomático ao


repouso
- Ou seja, sintomas aos pequenos esforços (por ex., trocar de roupa, tomar banho)

(IV) Sintomático ao repouso


- Mais associado a falência cardíaca

• Classificação pelo estágio de progressão da doença:

(A) Alto risco de evoluir para ICC, mas SEM cardiopatia estrutural
- Tabagistas, diabéticos, dislipidêmicos, hipertensos não-controlados
(B) Cardiopatia estrutural presente, mas SEM sintomas de ICC
– Infarto prévio, hipertensos com sobrecarga
(C) Cardiopatia estrutural presente e COM sintomas de ICC
- Essa sim!
(D) Estágio terminal da doença
- Requer suporte especializado

• Tratamento:

(A) Controle de fatores de risco

(B) 1) IECA: Captopril 60 mg 8/8h


2) Beta-block: Carvedilol 25 mg 12/12h
3) Medidas de A
(C) 1) Digitálicos: Digoxina 0,125 mg 1x/dia
2) Diurético: Espironolactona 25 mg 1x/dia
3) Medidas de A e B
(D) 1) Transplante ou prótese valvar, marca-passo
2) Medidas de A, B e C

Observações adicionais:
- Pós-infarto: sempre adicionar AAS;
- Nitratos: podem ser indicados a partir da classe III, pois evitam fibrose do miocárdio.

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Insuficiência cardíaca descompensada

• Classificação por perfil hemodinâmico:


- Importante, pois vai guiar o tratamento!

Congestão
NÃO SIM
(SECO) (CONGESTO)
NÃO A – Quente e seco B – Quente e congesto
perfusão

(QUENTE)
Baixa

SIM L – Frio e seco C – Frio e congesto


(FRIO)

(!) Sinais de baixa perfusão: pulso filiforme, perfusão capilar diminuída, pele fria, cianose
de extremidades, taquicardia, hipotensão, oligúria e confusão mental;
(!) Sinais de congestão: dispneia de esforço, tosse ou dispneia noturna, ortopneia, estase
jugular, hepatomegalia dolorosa, ascite, edema MMII e B3.

• Exames complementares:
1) ECG: fibrilação atrial (mais comum), sinais de sobrecarga (índice de Morris positivo, caso
SAE), área inativa (caso decorrente de IAM);
2) Raio-x de tórax: edema agudo de pulmão (IC Aguda), congestão em região apical e de
base, aumento da área cardíaca (IC crônica), aumento de brônquio fonte esquerdo (reflexo
do aumento de átrio esquerdo - SAE);
3) ECODopplercardiograma: FE < 52% (Homens) ou < 54% (mulheres; insuficiência de valva
mitral, aumento de área cardíaca;
4) Cintilografia;
5) Holter de 24h.

• Tratamento:
1) Verificar se o paciente necessita de internação ou não;
2) Investigar e tratar causas de descompensação;

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3) Medidas não farmacológicas: redução de ingesta sódica e hídrica [redução de peso, cessar
tabagismo e alcoolismo e mudança de estilo de vida -> paciente sem necessidade de
internação]
4) Medidas farmacológicas para o paciente internado:

4.1) Perfil B (quente e congesto) hipertenso (> 140 mmHg):


a) Ventilação não-invasiva (VNI) [caso SatO2 < 90%]
b) Morfina 5-10 mg por 6-8h [caso edema agudo de pulmão]
c) Furosemida (DIU de alça) 20-240 mg/dia
d) Nitroglicerina 10-20 ug/min (se infarto) ou Nitroprussiato de Sódio 0,3-0,5 ug/kg/min
(sem infarto)
e) Metoprolol (BB) 12,5-200 mg/dia
f) Captopril (IECA) 12,5 mg de 12/12h

4.2) Perfil B (quente e congesto) normotenso (86-139 mmHg):


a) Ventilação não-invasiva (VNI) [caso SatO2 < 90%]
b) Furosemida (DIU de alça) 20-240 mg/dia
c) Nitroglicerina 10-20 ug/min (se infarto) ou Nitroprussiato de Sódio 0,3-0,5 ug/kg/min
(sem infarto)
d) Metoprolol (BB) 12,5-200 mg/dia
e) Captopril (IECA) 12,5 mg de 12/12h

4.3) Perfil C (frio e congesto) normotenso (86-139 mmHg):


a) Ventilação não-invasiva (VNI) [caso SatO2 < 90%]
b) Furosemida (DIU de alça) 20-240 mg/dia
c) Nitroglicerina 10-20 ug/min (se infarto) ou Nitroprussiato de Sódio 0,3-0,5 ug/kg/min
(sem infarto)
d) Metoprolol (BB) [diminuir a dose em 50%]
e) Captopril (IECA) 12,5 mg de 12/12h

4.4) Perfil C (frio e congesto) hipotenso:


- < 85 mmHg:
a) Ventilação não-invasiva (VNI) [caso SatO2 < 90%]
b) Furosemida (DIU de alça) 20-240 mg/dia
c) Dobutamina 2,5-20 ug/kg/min

- < 75 mmHg (choque cardiogênico):


a) Ventilação não-invasiva (VNI) [caso SatO2 < 90%]
b) Norepinefrina 0,2-1,0 ug/kg/min
c) Balão intra-aórtico
d) Suspender BB e IECA

Giovanna Guimarães Azevedo – 6º P (2018.2)


• Emergências hipertensivas

• Conceito: elevação da PA com lesão aguda de órgãos-alvo e risco iminente de morte,


necessitando de redução imediata da PA (não necessariamente aos níveis ideais 120x80
mmHg)
• Órgãos-alvo: coração, cérebro e rins, principalmente

• O que pesquisar na Anamnese?


- Duração e gravidade da HAS pré-existente
- Presença de lesão prévia de órgãos-alvo (Insuf. cardíaca, Insuf. renal, IAM, AVC etc.)
- Se já fazia tratamento, seu grau de aderência a este e o controle da PA
- Uso de substâncias simpatomiméticas ou drogas ilícitas
- Presença de sinais sugestivos que indiquem comprometimento de órgãos-alvo: dor torácica,
dispneia, sintomas neurológicos focais, cefaleia, convulsões e alterações no nível de
consciência.

• Exame Físico:
- Aferir a PA nos 2 braços
- Aferir PA com paciente deitado e em pé
- Procurar por sinais específicos:
a) IC: taquipneia, estase jugular, crepitação pulmonar, B3, ictus desviado,
hepatomegalia e edema MMII
b) Dissecção aórtica: pulsos assimétricos, medidas de PA muito diferentes em 2
braços, sopros cardíacos e abdominais, massa pulsátil
c) Neurológicos: nível de consciência e orientação, sinais de irritação meníngea,
campo visual e sinais neurológicos focais, além de fundo de olho

• Conduta:
1) Insuficiência Cardíaca Congestiva
- Ajustar medicação e encaminhar para tto ambulatorial

2) Síndrome Coronariana Aguda


- Nitroglicerina IV (bomba de infusão 5-10 ug/min)
- AAS
- Metoprolol (BB) (5 mg IV, 5-5 min)
- Morfina
- O2 (se saturação < 92%)
- ECG seriado, etc.

3) Edema Agudo de Pulmão


• Sinais/sintomas: estertores, espuma cor-de-rosa saindo da boca, agitação, dispneia,
sudorese, má perfusão periférica e cianose.

- Ventilação não-invasiva
- Furosemida IV
- Nitroglicerina ou Nitroprussiato (0,3-0,5 ug/kg/min, sendo máximo de 10 ug/kg/min)

- Se não melhorar: via aérea avançada

Giovanna Guimarães Azevedo – 6º P (2018.2)


- Quando melhorar: ECG, Rx de tórax, oximetria de pulso, gasometria, hemograma, prova
de f. renal, eletrólitos, urina, ECO, cineangiocoronariografia.

4) Dissecção de Aorta
• Sinais/sintomas: dor retroesternal com irradiação para dorso/abdome, sintomas
adrenérgicos (palidez, sudorese, taquicardia), síncope, isquemia em outros órgãos, IC,
tamponamento cardíaco e paraplegia.
• Exame Físico: PA elevada, pulsos assimétricos (> 30 mmHg da PAS), sopro de regurgitação
aórtico, sinais de tamponamento cardíaco e derrame pleural, déficits neurológicos, isquemia
de extremidades.

- Suporte clínico (O2, monitorização, acesso venoso)


- Metoprolol (5 mg IV, 5-5 min)
- Diltiazen ou Verapamil IV
- Nitroprussiato de Sódio
- Morfina
- Avaliação cirúrgica imediata

5) AVC
a) Isquêmico (AVCi)
b) Hemorrágico (AVCh)
c) Hemorragia subaracnóidea (HSA)

- AVCh -> reduzir PA se os valores excederem 180x105 mmHg ou PAM > 130 mmHg
(diretrizes do AHA) ou > 140 mmHg (diretrizes do National Stroke Association)
- HSA -> mesmos critérios acima.
- AVCi:
• Com indicação de trombólise: reduzir PA (PAs < 180 mmHg e PAd < 105 mmHg)
• Sem indicação de trombólise:
o 2 primeiras horas: observar/estabilizar
o PAM: reduzida no máximo 20% nas primeiras 24h
o Usar anti-hipertensivos de ação rápida e fácil titulação (Nitroprussiato de Sódio)

Miocardiopatias – aula conceitual

• Conceito: doenças, de diversas etiologias, que tem como alvo a musculatura cardíaca
(miocárdio).

• Classificação:

1) Cardiomiopatia dilatada primária:


- Dilatação de VE, VD ou ambos, cursando com disfunção sistólica;
- É primária, pois o quadro histopatológico e a etiologia são desconhecidos [e ainda sem fatores
de risco conhecidos];
- No Brasil não se tem estimativas, mas nos EUA giram em torno de 11 mil casos/ano;
- Na metade dos casos que são reportados, está associada a infecções virais, especialmente
pelo vírus Cocksackie B [nesse caso, já é considerada Cardiomiopatia secundária].
Giovanna Guimarães Azevedo – 6º P (2018.2)
2) Cardiomiopatia dilatada específica (ou secundária):
- Causas associadas: isquêmicas, hipertensivas, inflamatórias etc.
- Inclui aquelas secundárias ao IAM, à febre reumática, à HAS, ao parto [miocardiopatia
periparto], entre outras.

3) Cardiomiopatia arritmogênica do VD:


- É rara, acometendo geralmente jovens, do sexo masculino, de 10-35y;
- Ocorre devido a substituição progressiva do miocárdio por tecido fibroadiposo [geralmente no
VD, mas pode ocorrer no VE também];
- Etiologia é desconhecida [mas parece haver relação com herança familiar];
- A maior causa de morte súbita nesses casos são as arritmias graves;
- Ao ECG: inversão da onda T nas derivações precordiais direitas;
- Ao ECO: trabeculações no VD [com ausência de musculatura].

4) Não classificadas:
- Quando não se encaixam ou não preenchem critério para doença específica.

5) Cardiomiopatia hipertrófica:
- Ocorre assimétrica ou simetricamente no VE ou VD, cursando com volume da cavidade do VE
normal ou reduzido e ainda gradiente de pressão intraventricular;
- Geralmente jovens, com histórico familiar de: morte súbita, taquicardia ventricular sustentada
ou não-sustentada e taquicardia paroxística supraventricular;
- 90% dos casos: predomínio do SIV – afastamento da valva mitral do septo interventricular;
- Clínica: dispneia [sintoma mais comum, que ocorre pela disfunção diastólica], além de síncope,
pré-síncope e fadiga;
- Em alguns casos, a primeira manifestação é a morte súbita.
- Tratamento: antiarrítmicos [B-block, BCC] associada a cardiodesfibrilador implantado (CDI)
[caso exista alto risco de morte] ou cirurgia [arriscada].

6) Cardiomiopatia restritiva:
- Atinge endocárdio, miocárdio ou ambos;
- Acomete ambos os sexos, especialmente os jovens;
- Tem essa denominação, pois ocorre restrição do enchimento e do volume sistólico;
- Principais causas: (1) Endocardiomiofibrose [mais comum; cursa com fibrose do
endo/miocárdio em vias de entrada e ponta dos VD e VE], (2) Síndrome de Loefflër
[hipereosinofilia por verminoses] e (3) Amiloidose [aspecto brilhante ao ECO].
- Causas raras: hemossiderose, sarcoidose, síndrome carcinoide, radiação ionizante e doenças
de depósito;
- Clínica: dispneia e dor precordial atípica, ascite [congestão hepática];
- Tem mau prognóstico e mortalidade elevada;
- Tratamento cirúrgico pode aumentar sobrevida, mas o medicamentoso é apenas sintomático.

Giovanna Guimarães Azevedo – 6º P (2018.2)