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Aluno: Artur Maia de Souza Neto

Professora: Camila Magalhães

Fichamento
Texto: Texto: FARIA, José Eduardo. Ideologia e função do modelo liberal de
direito e estado. Lua Nova nº.14 São Paulo June 1988. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-
64451988000100008

Autor: José Eduardo Faria Professor adjunto do Dep. de Filosofia e Teoria do


Direito da USP e coordenador do grupo de trabalho Direito e Sociedade da
ANPOCS. Ex-prof. visitante da UnB e visiting-college da Universidade de
Winsconsin Law School. Madison, EUA

José Eduardo Faria traz em seu texto uma crítica ao liberalismo. Segundo
ele, a expressão ‘’liberalismo’’ é vaga, e indica ‘’um movimento partidário, uma
ética, uma estrutura institucional ou mesmo uma reflexão política’’. A palavra
liberalismo evoca outros conceitos, como liberdade, igualdade formal e
segurança jurídica. O autor considera que tais conceitos são um recurso retórico,
‘’predeterminações ideológicas disfarçadas como dados inquestionáveis sobre o
mundo’’. O liberalismo adquiriu uma força ao longo da história moderna, capaz
de alienar os indivíduos. Afinal, quem questionaria a liberdade proposta pelo
pensamento liberal?
Para José Eduardo Faria, ‘’a identidade do sistema jurídico-político liberal
tem sido tradicionalmente associada à forma pela qual ele, para assegurar a
propriedade privada e garantir o livre jogo do mercado’’.
O liberalismo é, portanto, o sistema que permite a mediação entre o meio
econômico e o meio político. A ideologia liberal tem como objetivo manejar o
meio político para promoção da propriedade privada e do livre mercado. O direito
e as leis, no sistema liberal, são feitas e projetadas com esse fim. Para legitimar
esse sistema, foram perpetuados o conceito de liberdade, igualdade formal e
segurança jurídica. As leis, no sistema liberal, têm um objetivo muito mais amplo
que permitir e proibir condutas. São instrumentos de legitimação e de
manipulação.
O autor também faz uma crítica a linguagem jurídica do jurista liberal. O
direito liberal apresenta uma linguagem que parece imparcial. O texto da lei
parece ser imparcial, objetivo e coerente. Contudo, como dito, apresenta uma
carga ideológica muito forte.
O Estado liberal é marcado pela busca da segurança jurídica. As normas
devem ser o mais específicas, objetivas e certas possíveis, deixando para a
Administração Pública a menor margem de discricionariedade possível.
O liberalismo tem como fulcro o respeito as regras do jogo. Perpetua a
chamada ‘’democracia formal’’. O autor não usa essa expressão no artigo,
entretanto trata indiretamente esse conceito. Democracia formal é aquela
caracterizada pelo respeito aos trâmites determinados pela lei. Os
representantes são eleitos pelo povo, cada ‘’cabeça’’ equivale a um voto.
Democracia material, contudo, é aquela em que efetivamente o povo participa
do jogo político, mesmo após a eleição de seus representantes.
No Estado intervencionista, não há essa preocupação com o formalismo.
As regras do jogo, os trâmites formais estabelecidos pela lei, são mais plásticos.
O que realmente importa é o conteúdo da norma. Portanto, as normas são mais
gerais e dão uma maior margem de interpretação.
O autor destaca ainda, que o ‘’ Estado intervencionista acaba
reconhecendo o que era em vão negado pelos juristas do Estado liberal: o fato
de que a eficácia do direito depende bem menos da coerência lógico-formal de
seus sistemas normativos e muito mais de um amplo universo simbólico
sutilmente difundido em meio a valores culturais e sociais, onde imperaria o
símbolo da "justiça", tornando-se secundária sua importância para uma eventual
aplicação a casos concretos e específicos. ’’
Isso significa que, no Estado intervencionista o principal instrumento de
decisão não são leis pautadas num sistema lógico-formal, mas sim de um
sistema simbólico, em conceitos amplos, como princípios. Ele completa ainda: ‘’
www.scielo.Assim, quanto mais maleáveis e plásticas forem as novas leis e
menos específicos os objetos por elas tutelados, maior a possibilidade de
incertezas sobre o alcance e o sentido de suas normas.’’
Esse modelo, contudo, cria uma maior insegurança jurídica. O autor não
aprofunda o tema, pois segundo ele, seu ‘’ artigo não comporta o
aprofundamento dessa discussão’’