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“Cirurgia ou operação é o tratamento de doença, lesão ou deformidade externa e/ou

interna com o objetivo de reparar, corrigir ou aliviar um problema físico”


https://pt.slideshare.net/heralvesmaia/assistencia-enfermagemcirurgica1

Importância do tratamento pós-operatório


O pós-operatório é o momento após uma cirurgia. Este momento requer cuidados
especiais até à total reabilitação do paciente. É um momento delicado, no qual o paciente
precisa muito da ajuda dos enfermeiros. É fundamental que aquele profissional esteja
pronto e atento para as necessidades de cada paciente.

Após uma cirurgia, qualquer paciente fica mais vulnerável, com o sistema
imunológico deprimido e propenso a outros problemas. Por isso, a atenção deve ser
redobrada, para que haja uma recuperação completa e sem problemas subsequentes. Um
pós-operatório cuidadoso evitará infeções ou complicações e por isso a figura do
enfermeiro ao lado do paciente é fundamental.

Além disso, a presença daquele profissional de saúde tranquilizará o paciente e os


familiares, deixando-os mais calmos num momento delicado como o é o de uma cirurgia.
O trabalho carinhoso e cuidadoso de um enfermeiro num momento destes contribui para
uma recuperação tranquila e saudável.
https://www.iped.com.br/materias/enfermagem/importancia-cuidados-pos-operatorios.html

O pós-operatório inicia-se a partir da saída do paciente da sala de operação e


perdura até a sua total recuperação. O pós-operatório tem como objetivos: identificar,
prevenir e tratar os problemas comuns aos procedimentos cirúrgicos e anestésicos, tais
como dor, náuseas, vómitos, laringite pós-entubação traqueal, retenção urinária, flebite
pós-venóclise e outros, com a finalidade de restabelecer o equilíbrio.
Subdivide-se em:
Pós-operatório imediato (POI): até às 24 horas posteriores à cirurgia;

Inclui:
- manutenção da hemostasia orgânica
- promoção dos parâmetros e funções orgânicos vitais
- monitorização das funções vitais (respiração, circulação, metabolismo, sensorial e
excretora)
Manutenção das vias aéreas
Controle e equilíbrio hemodinâmico
Controle e balanço hídrico
Controle da dor e promoção de conforto

Pós-operatório mediato: após as 24 horas e até 7 dias depois;


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Nas primeiras 24 horas após o ato cirúrgico há dor, mas com menos intensidade.
Inclui:
- promoção de deambulação precoce
- higiene após a cirurgia
- realizar curativo após o banho
Pós-operatório tardio: após 7 dias do recebimento da alta.

Difícil determinação. Relaciona-se com:


- o desaparecimento dos achados clínicos (dor, mal estar, instabilidade dos
sistemas orgânicos).
- as manifestações do paciente após a cirurgia
- a orientação do auto cuidado
- a evolução da cicatrização do processo cirúrgico

https://pt.slideshare.net/heralvesmaia/assistencia-enfermagemcirurgica1

Cicatrização
A cicatrização é caracterizada como um complexo processo pelo qual uma lesão
fecha. Cicatriz é a marca resultante da reparação tecidual. Após a lesão tecidual,
imediatamente, inicia-se uma sequência de respostas dos mais variados tipos de células,
que atuam com o objetivo de promover o restabelecimento da integridade tecidual. A
cicatrização dá-se em fases inter-relacionadas e que se complementam.

O tecido cicatricial distingue-se da pele normal circundante pela: pouca


pigmentação (não há formação adequada de melanócitos na epiderme); deficiência de
anexos cutâneos (pelos, glândulas sebáceas e sudoríparas); menor elasticidade tecidual;
maior tendência a endurecimento e retração.

Estas alterações podem ser mais ou menos acentuadas e contribuem para


determinar as propriedades cosméticas e funcionais das cicatrizes (MANDELBAUM et
al, 2003).

Conceito de cicatrização primária, secundária e terciária


A cicatrização primária ou de 1ª intenção ocorre em feridas limpas e que possuem
bordas próximas. Caracterizam-se pela pouca perda de tecido e pela ausência de exsudato,
como normalmente ocorre em incisões cirúrgicas suturadas e sem complicações.
Teoricamente, produzem cicatrizes pouco visíveis (LOPES, 1999; SCHMITT, 2008).

A cicatrização secundária ou de 2ª intenção é aquela em que a ferida permanece


aberta. A aproximação das superfícies não ocorre em virtude da grande perda de tecidos,
ou da presença de infeção, necessitando que o organismo produza grande quantidade de
tecido de granulação. Neste tipo de cicatrização, há uma tendência à formação de
cicatrizes menos favoráveis do ponto de vista estético e funcional.
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A cicatrização terciária ou de 3ª intenção é aquela em que a ferida fica aberta por
um tempo determinado. A aproximação cirúrgica das bordas da ferida é postergada e a
continuidade tegumentar é restabelecida pela aproximação das granulações opostas
(SCHMITT, 2008).

Evolução no processo de cicatrização

A cicatrização de feridas consiste numa perfeita e coordenada cascata de eventos


celulares e moleculares que interagem para que ocorra a repavimentação e a
reconstituição do tecido. É um processo sistémico e dinâmico que envolve fenómenos
bioquímicos e fisiológicos. A cicatrização deve ser entendida nos seus aspetos
anatómicos, histológicos, bioquímicos, imunológicos e farmacológicos.
A cicatrização ocorre devido à perda de tecidos. Esta perda pode atingir a derme
completa ou incompletamente, ou mesmo atingir todo o órgão, chegando ao tecido celular
subcutâneo. Pode então falar-se de:
- Ferida de espessura parcial (derme incompleta), cuja reparação se faz pela
reepitelização1 dos anexos epiteliais ou através de epitélio derivado da pele adjacente não
acometida (bordos da ferida).
- Feridas de espessura total (derme completa ou estendida ao tecido celular subcutâneo),
que necessitam da formação de um novo tecido, o tecido de granulação; a epitelização,
base da cicatrização nas feridas de espessura parcial, acontece apenas nas margens da
ferida. Neste caso, a cicatriz é totalmente percetível e, muitas vezes, pronunciada.
A lesão dos tecidos, que constitui o estímulo inicial para o processo de
cicatrização, coloca elementos sanguíneos em contato com o colagénio e outras
substâncias da matriz extracelular, provocando a desgranulação de plaquetas e a ativação
das cascatas de coagulação e do complemento. Com isso, há libertação de vários
mediadores vasoativos e quimiotáticos que conduzem o processo cicatricial mediante
atração de células inflamatórias para a região da ferida.
Diferentes classificações didáticas são utilizadas para facilitar o entendimento de
um processo totalmente dinâmico e com fases tão interdependentes como a cicatrização.
Existem autores que classificam de uma forma mais completa dividindo o processo em
cinco fases principais: coagulação, inflamação, proliferação, contração da ferida,
remodelação. Outros autores consideram três estágios no processo de cicatrização:
inicialmente um estágio inflamatório, seguido por um de proliferação e finalizando com
uma fase reparativa num estágio de remodelação.
Num determinado período, as fases coincidem e acontecem simultaneamente,
permitindo assim o sucesso da cicatrização (Figura 1).

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Figura 1

Fases da cicatrização

Classificação em 5 fases

Coagulação;
As plaquetas ou trombócitos, apresentam-se como minúsculos fragmentos em
forma de disco e medem cerca de 3 μm de diâmetro. As proteínas que têm na superfície
da membrana permitem a sua agregação a outras moléculas, formando, por exemplo, um
rolhão plaquetário para fechar pequenas ruturas nos vasos sanguíneos (Hemostasia
primária). Se o vaso tiver uma grande rutura, as plaquetas possuem proteínas específicas
capazes de formar uma rede de fibrina ou coágulo sanguíneo para tapar a lesão
(Hemostasia secundária).
Resumidamente, o fibrinogénio plasmático (produzido pelo fígado) associa-se a
glicoproteínas ativadas da membrana das plaquetas, o que provoca a formação de uma
rede de fibrinogénio e plaquetas que é o que constitui o coágulo primário, que é solúvel
e reversível.

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O processo de coagulação é devido em última estância a uma transformação
química do fibrinogénio que passa a ser insolúvel e adquire a capacidade de se entrelaçar
com outras moléculas iguais para formar enormes agregados moleculares em forma de
rede tridimensional, entre os quais se encontram bloqueadas as plaquetas. O fibrinogénio,

uma vez transformado, recebe o nome de fibrina. A coagulação é por isso, um processo
enzimático complexo, através do qual o fibrinogénio solúvel se converte em fibrina
insolúvel, capaz de polimerizar e entrecruzar-se, formando o coágulo secundário, estável
e insolúvel.
http://mesa8hemostasia.blogspot.com/

O início do processo de coagulação é imediato após a formação da ferida. Esta


fase depende, como referido, da atividade plaquetária e da cascata de coagulação.
Nesta fase ocorre uma complexa libertação de produtos que ditam o
desencadeamento de outras fases.
A formação do coágulo serve não apenas para coaptar as bordas das feridas, mas
também para cruzar a fibronectina, oferecendo uma matriz provisória, para que os
fibroblastos, células endoteliais e queratinócitos possam ingressar na ferida.

Inflamação
Intimamente ligada à fase anterior.
A resposta inflamatória traduz-se por uma sequência complexa de acontecimentos
que visam inativar ou destruir agentes invasores. No tecido atingido pelos agentes
patogénicos, alguns tipos de células, entre as quais se destacam os mastócitos (células que
resultam de diferenciação de basófilos), produzem histamina e outros mediadores
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químicos que provocam a dilatação dos vasos sanguíneos e aumentam a sua
permeabilidade. Assim, aumenta a quantidade de fluido intersticial, o que provoca um
edema na região.
As reações inflamatórias traduzem-se por uma acumulação de substâncias
químicas inflamatórias que ativam o sistema imunitário atraindo ao local os “atores” da
resposta. Este fenómeno designa-se por quimiotaxia e corresponde a uma migração
direcional das células em resposta aos gradientes de determinados fatores químicos.
Cerca de 30 a 60 minutos após o início da reação inflamatória, os neutrófilos e,
mais tarde, os monócitos começam a deformar-se e a atravessar as paredes dos capilares,
passando entre as células dessas paredes para os tecidos infetados. Este fenómeno
designa-se por diapedese. Os monócitos transformam-se em macrófagos, células com
grande capacidade fagocítica.
Normalmente já existem macrófagos nos tecidos, mas durante as reações
inflamatórias o número de células com capacidade fagocítica (neutrófilos e macrófagos)
aumenta significativamente.
Depois de um neutrófilo ter fagocitado cerca de vinte bactérias torna-se inativo e
morre. Porém, um macrófago pode fagocitar cerca de cem bactérias.
Os efeitos mais comuns de uma reação inflamatória traduzem-se não só pelo
edema mas também pelo rubor, calor e dor. A dor é devida à distensão dos tecidos e à
ação de diversas substâncias químicas sobre as terminações nervosas que existem na zona
afetada; o rubor e o calor são causados pelo maior afluxo sanguíneo ao local lesionado.
Após todas estas reações de defesa, pode ocorrer a cicatrização com reparação
tecidular, havendo regeneração de alguns tecidos, como os da pele devido à formação de
novas células por processos mitóticos.
Terra Universo de Vida 12º ano, Porto editora

Além das células inflamatórias e dos mediadores químicos, a fase inflamatória


conta com o importante papel da fibronectina. Sintetizada por uma variedade de células
como fibroblastos, queratinócitos e células endoteliais, ela adere, simultaneamente à
fibrina, ao colagénio e a outros tipos de células, funcionando assim como cola para
consolidar o coágulo de fibrina, as células e os componentes de matriz. Além de formar
a referida base para a matriz extracelular, tem propriedades quimiotáticas e promove a
opsonização e fagocitose de corpos estranhos e bactérias.
http://www.scielo.br/pdf/abd/v78n4/16896.pdf

Proliferação
A proliferação é responsável pelo "fechamento" da lesão propriamente dita. A
primeira das fases da proliferação é a reepitelização. Faz-se a migração de queratinócitos
não danificados das bordas da ferida e dos anexos epiteliais, quando a ferida é de

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espessura parcial, e apenas das margens nas de espessura total. Fatores de crescimento
são os prováveis responsáveis pelos aumentos das mitoses e hiperplasia2 do epitélio.
De seguida ocorre a fibroplasia e formação de matriz, que é extremamente
importante na formação do tecido de granulação (coleção de elementos celulares,
incluindo fibroblastos, células inflamatórias e componentes neovasculares e da matriz,
como a fibronectina, as glicosaminoglicanas e o colagénio). A formação do tecido de
granulação depende do fibroblasto, célula crítica na formação da matriz. Longe de ser
apenas produtor de colagénio, o fibroblasto produz elastina, fibronectina,
glicosaminoglicana e proteases, estas responsáveis pelo desbridamento e remodelamento
fisiológico.
Finalmente ocorre a angiogénese,
essencial para o suprimento de oxigénio e
nutrientes.

http://www.ebah.pt/content/ABAAABArkAA/inflamacao-reparo-tecidual-modulo-5?part=2

Inicialmente as células endoteliais migram para a área ferida, a seguir ocorre


proliferação das células endoteliais, acesso para as células responsáveis pelas próximas
fases.

Contração da ferida
É o movimento centrípeto das bordas da ferida (espessura total). As feridas de
espessura parcial não contam com esta fase. Uma ferida de espessura total tem contração
mesmo quando há enxertos, que diminuem em 20% o tamanho da ferida.

Remodelação
Esta é a última das fases; ocorre no colagénio e na matriz; dura meses e é
responsável pelo aumento da força de tensão e pela diminuição do tamanho da cicatriz e
do eritema. Reformulações dos colagénios, melhoria nos componentes das fibras
colagénias, reabsorção de água são eventos que permitem uma conexão que aumenta a
força da cicatriz e diminui sua espessura. A neovasculatura diminui, e tardiamente a
cicatriz é considerada avascular.
http://www.scielo.br/pdf/abd/v78n4/16896.pdf

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Classificação em 3 fases

Fase inflamatória ou exaustiva

Fase exsudativa com duração entre um e quatro dias (a depender da extensão da


área a ser cicatrizada e da natureza da lesão), caracterizada por dois processos que buscam
limitar a lesão tecidual: a hemostasia e a resposta inflamatória aguda. Corresponde à
ativação do sistema de coagulação sanguínea e à libertação de mediadores químicos (fator
de ativação de plaquetas, fator de crescimento, serotonina, adrenalina e fatores de
complemento). Nesta fase a ferida pode apresentar edema, vermelhidão e dor.

Fase proliferativa ou regenerativa

Fase regenerativa que pode durar entre cinco e vinte dias. É caracterizada pela
proliferação de fibroblastos, sob a ação de citocinas que dão origem a um processo
denominado fibroplasia. Ao mesmo tempo, ocorre a proliferação de células endoteliais,
com formação de rica vascularização (angiogénese) e infiltração densa de macrófagos,
formando o tecido de granulação.

Fase reparativa ou manutenção

Fase de maturação que inicia no 21º dia e pode durar meses. É a última fase do
processo de cicatrização. A densidade celular e a vascularização da ferida diminuem,
enquanto há a maturação das fibras colagénias. Ocorre uma remodelação do tecido
cicatricial formado na fase anterior. O alinhamento das fibras é reorganizado a fim de
aumentar a resistência do tecido e diminuir a espessura da cicatriz, reduzindo a
deformidade. Durante esse período a cicatriz vai progressivamente alterando sua
tonalidade passando do vermelho escuro ao rosa claro.
https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/fisioterapia/fases-da-cicatrizacao/23530

Uma cicatrização normal tem aproximadamente 80% da força de tensão da pele


normal, não é volumosa e é plana.
Muitas variáveis tanto de ordem geral como de ordem local influenciam esse
longo e complexo processo. Entre os fatores gerais, pode referir-se a idade, o estado
nutricional do paciente, a existência de doenças de base, como diabetes, alterações
cardiocirculatórias e de coagulação, aterosclerose, disfunção renal, quadros infeciosos
sistémicos e uso de drogas sistémicas. Entre os fatores locais, pode referir-se a técnica
cirúrgica, formação de hematomas, infeção, reação de corpo estranho, uso de drogas
tópicas, ressecamento durante a cicatrização.
http://www.scielo.br/pdf/abd/v78n4/16896.pdf

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Fatores Que Interferem Na Cicatrização

Existem fatores que podem interferir no processo de cicatrização natural, retardando


qualquer uma das suas fases. Esses fatores podem ser locais (relacionados diretamente
com ferida) ou sistémicos (relacionados com o indivíduo). O atraso cicatricial pode
ocasionar complicações, causando prejuízos estéticos e funcionais.

Fatores locais:

Características da ferida: dimensão e profundidade da lesão. Presença de secreções,


hematomas, edemas e corpos estranhos.

Cuidados adotados: tipo de técnica cirúrgica utilizada, material e técnica de sutura,


curativo.

Isquemia tecidual: a falta de oxigenação dificulta a chegada de células inflamatórias à


zona lesada, logo vão existir menos fatores que estimulem a proliferação dos fibroblastos
e a síntese de colagénio.

Infeção local: causa mais comum de atraso do processo cicatricial. Quando a


contaminação bacteriana é grande ou há a presença de estreptococos, o processo de
cicatrização não ocorre, mesmo com o uso de enxertos ou retalhos. A infeção bacteriana
prolonga a fase inflamatória e interfere com a epitelização, contração e deposição de
colagénio. Clinicamente há sinais inflamatórios, geralmente acompanhados de pus.
Nesses casos, deve-se expor a ferida, com retirada das suturas, realizar cuidados locais e,
se necessário, incluir a toma de antibiótico.

Fatores sistémicos

Faixa etária: a idade avançada diminui a resposta inflamatória.

Estado nutricional: o estado nutricional interfere em todas as fases da cicatrização. A


hipoproteinemia diminui a resposta imunológica, síntese de colagénio e a função
fagocítica. Indivíduos mal nutridos têm dificuldade em formar cicatriz pela ausência de
certas proteínas, vitaminas que são importantes para a síntese de colagénio. Níveis de
albumina inferiores a 2g/dl estão relacionados com uma maior incidência de deiscências
de suturas. A deficiência de vitamina C está comumente associada à falência da

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cicatrização de feridas. A carência de vitamina A também pode prejudicar o processo de
cicatrização. A carência de zinco também compromete a fase de epitelização das feridas.

Doenças crónicas: enfermidades metabólicas sistémicas podem interferir no processo


cicatricial. Pacientes portadores de diabetes mellitus têm todas as suas fases de
cicatrização prejudicadas. Nota-se espessamento da membrana basal dos capilares,
dificultando a perfusão da microcirculação. Há um aumento da degradação do colagénio
e a estrutura do colagénio formado é fraca. A administração de insulina pode melhorar o
processo cicatricial de diabéticos. Indivíduos obesos também apresentam a cicatrização
comprometida, provavelmente pela acumulação de tecido adiposo necrótico e
comprometimento da perfusão da ferida.

Terapia medicamentosa: medicamentos como anti-inflamatórios, antibióticos e de


quimioterapia interferem no processo cicatricial. Determinados corticóides e citotóxicos
interferem em todas as fases da cicatrização. As substâncias utilizadas em quimioterapia
devem ser evitadas nos primeiros dias de pós-operatório. A radioterapia também
compromete a cicatrização, com rutura de pequenos vasos, isquemia e fibrose.

Tratamento tópico inadequado: a utilização de sabão tensoativo ou antissépticos na lesão


cutânea aberta pode ter ação citolítica, afetando a permeabilidade da membrana.

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Tipos de cicatrizes e suas características e Distúrbios da cicatrização
Atrófica: O tecido lesado não é inteiramente substituído por tecido cicatricial e, portanto,
a formação das estruturas dérmicas ocorre de forma incompleta (perdem-se estruturas
responsáveis pela firmeza e apoio da pele, assim como a gordura e o músculo). Este tipo
de cicatriz normalmente é funcionalmente ineficiente. Costuma ser uma cicatriz mais
frequente nos casos de acne, varíola, cirurgia e acidentes.

Hipertrófica: caracteriza-se por estender-se de forma saliente acima do nível da pele,


permanecendo, porém, sempre restrita à área do ferimento. Histologicamente
caracterizam-se pela formação de colagénio ocorrer de forma desorganizada. Porém, as
causas da formação excessiva desses componentes matriciais extracelulares por
fibroblastos ainda não estão esclarecidas. A hipertrofia cicatricial é mais frequente em
regiões de feridas submetidas a forças de tração elevadas. Isto ocorre principalmente nas
feridas em posição transversal às principais linhas de tensão.

Quelóide: lesão proliferativa, formada por tecido de cicatrização fibroso. Diferentemente


da cicatriz hipertrófica, estende-se além dos limites do ferimento original, infiltrando-se
no tecido sadio adjacente. Inicialmente é avermelhado tornando-se, mais tarde,
escurecido. Geralmente forma-se tardiamente (até 12 meses após a lesão). Existem fatores
predisponentes para a sua formação: histórico familiar, atraso na formação da cicatriz
(infeções, seromas, tensão excessiva na ferida), raça negra, área corporal (tórax, ombros,
orelhas). O tratamento do quelóide é muitas vezes difícil, sendo frequente o seu retorno.

Normotrófica: consiste numa aparência semelhante à da pele anteriormente à lesão.


Portanto, ocorre posteriormente a lesões mais comuns e pequenas, que não acometem
uma grande agressão sobre a pele.

https://www.plasticadosonho.com.br/blog/cicatriz-hipertrofica/
https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/fisioterapia/fases-da-cicatrizacao/23530
https://www.shytobuy.com.br/tipos-de-cicatrizes.html

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Aparelhos utilizados no pós-operatório na intervenção da esteticista/massagista
em cicatrizes
Aparelhos Indicações Contraindicações
Folhas de Logo após os cortes cirúrgicos
silicone fecharem, o silicone interfere na
Aplicações de ação dos fibroblastos, inibindo a
silicone em gel possibilidade de cicatriz
ou placa engrossar.
Além de atuar diretamente nas
células da cicatriz, sabe-se que
diminui a movimentação dos
músculos ao redor e acaba por
garantir a uniformidade da pele.
Agulha Diminui o volume Transformar a cicatriz numa
Injeção de cicatriz deprimida, ou seja,
corticoides (no atrófica.
local da
cicatriz)
Aparelho de Suaviza a coloração e Exige mais de uma sessão para
Luz Intensa consistência endurecida da amenizar o aspeto da cicatriz de
Pulsada cicatriz. forma eficiente.
LIP - Luz É indicado para todas as idades, O seu uso pode ser restrito nas
Intensa já que não só promove o peles bronzeadas e morenas - a
Pulsada rejuvenescimento da pele e alta concentração de melanina
elimina marcas de expressão, favorece as manchas e
mas também: diminui manchas; queimaduras em alguns casos,
suaviza sardas; elimina vasos logo não é indicada para a
sanguíneos dilatados; deixa a retirada de pelos em peles
pele com uma textura mais negras, pois quanto maior a
firme; elimina a vermelhidão no quantidade de melanina, maiores
pescoço e colo; suaviza a as chances de ocorrer
rosácea (doença que gera queimadura. O tratamento é mais
inflamação na pele da face, indicado para as peles claras e
tipicamente iniciando nas maçãs que não estão bronzeadas.
do rosto); trata a acne;
suaviza os vasos sanguíneos
dilatados; trata as manchas
escuras que ocorrem com maior
frequência e quantidade no dorso
das mãos e face (áreas com
maior exposição crónica ao Sol).

Dispositivo de Recuperar, clarear ou hidratar o Exige mais de uma sessão para


laser tecido lesado. amenizar o aspeto da cicatriz de
Laser Recuperação mais rápida da pele forma eficiente
fracionado do que com LIP. É possível aliar O seu uso pode ser restrito nas
o tratamento a remédios que peles bronzeadas e morenas — a
atuam diretamente sobre a alta concentração de melanina
cicatriz — a técnica é chamada favorece as manchas e
de drug delivery. Logo depois do queimaduras em alguns casos.

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procedimento com o laser O laser deixa a pele
diretamente sobre a cicatriz, é extremamente sensível e, por
possível colocar, na pele, uma isso, existe o risco de infeções.
medicação para recuperar, O processo pode gerar cicatrizes
clarear ou hidratar o tecido e queloides, além das manchas.
lesado. Outra complicação possível é a
É indicado para tratar: rugas vermelhidão persistente.
finas dos lábios, testa e “pés de Eleger o tratamento correto para
galinha”; pele envelhecida ou determinado problema e tipo de
danificada pelo sol; verrugas; pele é um compromisso
olheiras; cicatrizes de acne ou exclusivo do dermatologista.
varicela; pele amarelada ou Este profissional está habilitado
acinzentada. para designar e executar a
técnica correta para cada
paciente.
Aparelho diminui a ação dos fibroblastos e
especial cheio uniformiza a textura da pele
de pequenas É utilizado para tratar cicatrizes
agulhas de acne, melasma, estrias,
MMP - Micro fotoenvelhecimento cutâneo e
infusão de queda de cabelo.
medicamentos
Agulha Diminuir a movimentação dos Tratamentos com botox são
Botox músculos ao redor da cicatriz e desaconselhados em: mulheres
acaba por garantir uniformidade grávidas; mulheres que
da pele. estiverem amamentando;
pessoas com hipersensibilidade a
qualquer ingrediente de sua
formulação; pessoas com
problemas de coagulopatias
(doenças que afetam a
coagulação do sangue); casos de
miastenia grave (fraqueza);
pessoas que estiverem a fazer
algum tipo de tratamento com
certos antibióticos; pessoas que
apresentam alguma inflamação
ou infeção no local de aplicação.
Exérese Utiliza-se em cicatrizes
cirúrgica - hipertróficas muito extensas que
remoção restringem o movimento de
cirúrgica de dedos, cotovelos, joelhos e
cicatrizes pescoço por conta da junção da
pele e dos tecidos subjacentes
A operação, nesses casos, é feita
com o intuito de produzir uma
nova cicatriz, com a diferença de
que o acompanhamento médico
vai garantir uma melhor
recuperação dos tecidos.

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https://noticias.r7.com/saude/adeus-as-cicatrizes-laser-silicone-e-ate-botox-ajudam-a-
eliminar-as-marcas-inconvenientes-do-corpo-21032017

https://www.sitedebelezaemoda.com.br/botox-vantagens-e-desvantagens/

A intervenção da esteticista/massagista nos cuidados pós cirúrgicos


Principais intervenções cirúrgicas e cuidados específicos associados

A intervenção da esteticista/massagista nos cuidados pós cirúrgicos


Principais intervenções Cuidados específicos associados
cirúrgicas
Ligamentoplastias Alívio dor, diminuição de edema, “desfazer”
a cicatriz
Mastectomia
Lipoaspiração
Varizes
Cicatrizes em geral O tratamento geral de cicatrizes consiste em
mobilizar a cicatriz de forma a ir desfazendo
as aderências e soltando a cicatriz. Utiliza-se
creme gordo ou creme nívea que após
alguma absorção aumenta a aderência
permitindo uma deslocação e libertação dos
tecidos mais funda.
Em certos casos, quando as cicatrizes se
encontram num estado queloide avançado
pode-se utilizar libertações miofasciais
(atuação mais profunda) ou até algum tipo de
técnica ou produto específico, contudo
nestes casos somente sob supervisão
médica.

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Pressoterapia: drenagem linfática mecânica, serve reduzir a acumulação de resíduos
linfáticos ou edemas, aumentando a circulação sanguínea.

A Esteticista é a profissional especialista em tratamentos de beleza e saúde limpeza de pele,


maquiagem, pré e pós-operatórios e tratamentos para queimados.
Uma Esteticista visa à manutenção da saúde, da beleza e do bem-estar, por meio de
cosméticos e aparelhos de alta tecnologia.
Está sob as responsabilidades de uma Esteticista disfarçar pequenos problemas estéticos,
empregar as técnicas e tecnologias disponíveis para melhorar a aparência do cliente, melhorar
a hidratação e a elasticidade da pele, realizar todo o tipo de tratamentos de rosto e de corpo,
incluindo massagens, drenagem linfática, etc., aconselhar os clientes sobre formas de
melhorarem o seu aspecto físico, selecionar, indicar e aplicar cosméticos e produtos de
tecnologia avançada de acordo com a preferência ou necessidade do paciente, cuidar
corretamente das infecções e doenças dermatológicas possíveis da pele, sempre com
acompanhamento médico, ou autorização por escrito (de acordo com a necessidade de cada
paciente), elaborar cronogramas do paciente, para que possa ser acompanhado em todas as
sessões, aplicar os procedimentos estéticos de maneira a recuperar e manter a saúde do
corpo, cabelo ou rosto.
Para que a profissional tenha um bom desempenho como Esteticista é essencial que possua
interesse pelo corpo humano, autocontrole, atenção a detalhes, agilidade, flexibilidade, ética
profissional, concentração, postura profissional, disciplina e habilidade manual.

A Esteticista por ser o profissional responsável pelos tratamentos de beleza e saúde limpeza
de pele, maquiagem, pré e pós-operatórios e tratamentos para queimados, se relaciona com
toda área de estética.

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A técnica de microinfusão de medicamentos na pele (MMP) consiste em
introduzir medicamentos tópicos na pele através de aparelho específico e
técnica de microagulhamento.
O microagulhamento em micropunturas realizadas com o auxilio de
microagulhas que agridem a pele gerando um processo de reação
fisiogológica e efeitos inflamatórios. Neste processo surge a produção de
novas fibras colágenas, melhorando consequentemente, a qualidade da
pele.
Este método pode ser utilizado em tratamentos faciais em casos de
alterações de pele, como: cicatrizes de acne, melasma, estrias
e fotoenvelhecimento cutâneo (rejuvesnecimento facial).
E também pode ser adotado em tratamentos capilares para queda de
cabelos.
https://clinicarenatamitelman.com.br/dermatologia-cirurgica/mmp-2/

https://dermatologistacuritiba.com/blog/tratamento-com-mmp-combate-queda-de-
cabelo-e-problemas-na-pele/

Os glicocorticóides e as drogas citotóxicas

Hipoproteinemia é o resultado de diversos fatores que por fim resultam em uma


considerável queda na quantidade de proteína sanguínea, tanto do sanguecompleto como
do plasma sanguíneo

A Microcirculação, engloba a circulação do sangue ou da linfa em redes de vasos


denominados respetivamente capilares e linfáticos e cujas dimensões são frequentemente
micrométricas a nanométricas.

Perfusão é a passagem de líquido através do sistema circulatório ou linfático para um


órgão ou tecido. É medida pela razão com a qual o sangue é entregue ao órgão ou tecido.

O seroma é uma coleção de líquido, constituído normalmente de plasma e linfa, no tecido


subcutâneo.[1] Deve-se ao extravasamento da linfa ou do plasma após cirurgias, em especial
naquelas que exigem um descolamento maior de tecido.

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