Você está na página 1de 13

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR FEDERAL

DO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 7ª REGIÃO.

URGENTÍSSIMO

Promovente: CONSÓRCIO MARQUISE/NORMATEL


Promovido: SINDICATO DOS TRABALHADORES EM MONTAGEM INDUSTRIAL EM
GERAL DO ESTADO DO CEARÁ – SINTRAMONTI

CONSÓRCIO MARQUISE/NORMATEL, ente sem


personalidade jurídica mas dotado de personalidade judiciária para
ingressar em juízo, inscrito no CNPJ/MF sob o nº 28.932.461/0001-11,
com sede na Rua Visconde de Mauá, nº 3120, Dionísio Torres, Fortaleza,
Ceará, CEP 60125-161, e CONSTRUTORA MARQUISE S/A, líder do
consórcio, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ/MF sob o
nº 07.950.702/0001-85, com sede na Avenida Pontes Vieira, nº 1838,
Dionísio Torres, Fortaleza, Ceará, 60130-241, vêm à respeitável presença
de Vossa Excelência, por intermédio dos seus advogados regularmente
constituídos, ajuizar a presente AÇÃO DECLARATÓRIA DE
ILEGALIDADE DE GREVE COM PEDIDO DE TUTELA PROVISÓRIA DE
URGÊNCIA contra o SINDICATO DOS TRABALHADORES EM MONTAGEM
INDUSTRIAL EM GERAL DO ESTADO DO CEARÁ – SINTRAMONTI, pessoa
jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ/MF sob o nº 13.098.596/0001-
56, com sede na Rua do Cajueiro, nº 20, São Gonçalo do Amarante,
Ceará, 62674-000, fazendo-o pelos motivos de fato e de direito a seguir
expostos.

1
Antecedentes relevantes.

O CONSÓRCIO MARQUISE/NORMATEL (instrumento


particular de constituição do consórcio em anexo) sagrou-se vencedor da
Concorrência Pública Internacional nº 20170001/SESA/CCC, promovida
pela SECRETARIA DE SAÚDE DO ESTADO DO CEARÁ (SESA).

O objeto da referida concorrência consistia na


licitação, do tipo menor preço, para “elaboração de projetos executivos de
arquitetura e engenharia contemplando instalações, fundações e
estrutura, detalhamento de planilha orçamentária e execução da obra para
construção do Hospital Regional Vale do Jaguaribe”.

A só descrição do objeto licitado, Excelência, é


suficiente para demonstrar a importância da obra para os cidadãos
cearenses, que há muito demandam uma prestação de serviços de saúde
mais ampla e qualificada.

Vencedor do certame licitatório, o Consórcio-autor


firmou contrato com o Estado do Ceará, como é possível observar na
documentação inclusa, tendo iniciado a execução das obras de
construção do HOSPITAL REGIONAL VALE DO JAGUARIBE.

Os empregados do Consórcio estão vinculados à


FEDERAÇÃO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DA CONSTRUÇÃO E DO
MOBILIÁRIO DO ESTADO DO CEARÁ, aplicando-se-lhes as condições
negociadas com o SINDICATO DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL DO
CEARÁ (v. Convenção Coletiva de Trabalho apensa).

Observe-se, em confirmação, a cláusula de


abrangência encartada na CCT anexa:

CLÁUSULA SEGUNDA – ABRANGÊNCIA

A presente Convenção Coletiva de Trabalho abrangerá a(s)


categoria(s) trabalhadores integrantes do 3º grupo -
Indústria da Construção Civil e do Mobiliário - do plano da
Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria, com
abrangência territorial em Abaiara/CE, Acarape/CE,
Acaraú/CE, Aiuaba/CE, Alcântaras/CE, Altaneira/CE, Alto
Santo/CE, Amontada/CE, Apuiarés/CE, Aracati/CE,
Aracoiaba/CE, Ararendá/CE, Araripe/CE, Aratuba/CE,
Arneiroz/CE, Assaré/CE, Barreira/CE, Barroquinha/CE,
Baturité/CE, Beberibe/CE, Bela Cruz/CE, Boa Viagem/CE,
Campos Sales/CE, Canindé/CE, Capistrano/CE, Caridade/CE,
Cariré/CE, Carnaubal/CE, Cascavel/CE, Catarina/CE,
Catunda/CE, Chaval/CE, Choró/CE, Chorozinho/CE,

2
Coreaú/CE, Croatá/CE, Cruz/CE, Deputado Irapuan
Pinheiro/CE, Ererê/CE, Farias Brito/CE, Forquilha/CE,
Fortim/CE, Frecheirinha/CE, General Sampaio/CE, Graça/CE,
Groaíras/CE, Guaiúba/CE, Guaraciaba do Norte/CE,
Guaramiranga/CE, Hidrolândia/CE, Horizonte/CE, Ibiapina/CE,
Ibicuitinga/CE, Icapuí/CE, Ipaporanga/CE, Ipu/CE, Iracema/CE,
Irauçuba/CE, Itaiçaba/CE, Itaitinga/CE, Itapajé/CE,
Itapipoca/CE, Itapiúna/CE, Itarema/CE, Itatira/CE,
Jaguaretama/CE, Jaguaribara/CE, Jaguaruana/CE, Jijoca de
Jericoacoara/CE, Limoeiro do Norte/CE, Madalena/CE,
Marco/CE, Martinópole/CE, Massapê/CE, Meruoca/CE,
Milhã/CE, Miraíma/CE, Monsenhor Tabosa/CE, Morada
Nova/CE, Moraújo/CE, Morrinhos/CE, Mucambo/CE,
Mulungu/CE, Nova Olinda/CE, Ocara/CE, Pacajus/CE,
Pacoti/CE, Pacujá/CE, Palhano/CE, Palmácia/CE, Paracuru/CE,
Paraipaba/CE, Parambu/CE, Paramoti/CE, Pedra Branca/CE,
Pentecoste/CE, Pereiro/CE, Pindoretama/CE, Piquet
Carneiro/CE, Pires Ferreira/CE, Poranga/CE, Potengi/CE,
Potiretama/CE, Quiterianópolis/CE, Quixadá/CE, Quixelô/CE,
Quixeré/CE, Redenção/CE, Reriutaba/CE, Russas/CE, Santa
Quitéria/CE, Santana do Acaraú/CE, Santana do Cariri/CE, São
Benedito/CE, São Gonçalo do Amarante/CE, São João do
Jaguaribe/CE, São Luís do Curu/CE, Senador Pompeu/CE,
Senador Sá/CE, Solonópole/CE, Tabuleiro do Norte/CE,
Tauá/CE, Tejuçuoca/CE, Tianguá/CE, Trairi/CE, Tururu/CE,
Ubajara/CE, Umirim/CE, Uruburetama/CE, Uruoca/CE,
Varjota/CE e Viçosa do Ceará/CE.

Não obstante tais premissas, o SINDICATO DOS


TRABALHADORES EM MONTAGEM INDUSTRIAL EM GERAL DO ESTADO DO
CEARÁ – SINTRAMONTI, que jamais poderá ser tido como representante
de empregados da construção civil (!), passou a incitar paralisações dos
trabalhadores empregados na obra de construção do HOSPITAL REGIONAL
VALE DO JAGUARIBE.

Sobre a CONSTRUTORA MARQUISE, coautora na


presente ação declaratória de ilegalidade de greve, não há a mais mínima
dúvida de que se acha vinculada ao SINDICATO DA INDÚSTRIA DA
CONSTRUÇÃO CIVIL DO ESTADO DO CEARÁ (SINDUSCON-CE).

Síntese fática.

Em 12 de novembro de 2018, o Consórcio-promovente


foi surpreendido por uma manifestação de trabalhadores, que se
recusaram a prestar os serviços para os quais foram contratados, inclusive
impedindo que empregados interessados em trabalhar o fizessem.

As fotografias e vídeos ora juntados a esta petição


são mais que suficientes para comprovar a paralisação.

3
A mesma interrupção de serviços ocorreu no dia
13.11.2018, data de ajuizamento desta ação declaratória de ilegalidade de
greve, quando então foi possível ao requerente entender a lógica que
orienta o ilegal movimento paredista.

Com efeito, o vídeo de 8’50’’ ora submetido ao crivo


de Vossa Excelência revela uma pessoa chamada Ítalo, que se
autodenomina como membro do Sindicato obreiro, fazendo uso de um
microfone. Ítalo convoca os cipeiros para as cercanias do carro de som, e
assevera, falsamente, que os empregados não têm sindicato na obra
(0’49’’), razão pela qual deveriam subscrever um abaixo-assinado para
que o SINTRAMONTI os represente.

Em anexo, cópia do abaixo-assinado.

Ítalo segue com a leitura de uma “pauta”1 (v. anexo),


tratando de reajuste de 12%, cesta básica de R$ 700,00, horas in itinere,
ajuda de custo etc.

Aos 3’23’’, o sindicalista Ítalo indaga aos trabalhadores


presentes se eles concordam em ser representados pelo SINTRAMONTI,
deixando claro que o demandado NÃO REPRESENTA OS
TRABALHADORES do CONSÓRCIO MARQUISE/NORMATEL.

A ilegalidade da greve, portanto, já está devida e


integralmente patenteada.

Contudo, para deixar ainda mais clara a ilegalidade


que marca o movimento paredista em curso, aos 4’43’’ do vídeo, outra
pessoa assume o microfone e afirma que, em contato com o advogado do
SINTRAMONTI, foi-lhe esclarecido que a GREVE [por enquanto] É
ILEGAL! É isto mesmo, Excelência, as pessoas que estão capitaneando
o movimento CONFESSAM EXPRESSAMENTE A ILEGALIDADE DO
MOVIMENTO.

Aos 5’40’’ daquele mesmo vídeo, o representante do


SINTRAMONTI afirma que devem ser reunidos seis trabalhadores, além
dos cipeiros, para conversar com a empresa e exigir a presença de um
sindicato na obra. É dito, textualmente, que, “por enquanto, o sindicato não
pode fazer nada”, realidade que mais uma vez comprova, extreme de
dúvidas, a ilegalidade do movimento paredista.

1 De pauta verdadeiramente não se trata, tampouco é possível falar-se validamente em assembleia de


empregados, haja vista que o SINTRAMONTI reconhece NÃO SER O SINDICATO representativo daqueles
trabalhadores.

4
De efeito, embora reconheça não ter legitimidade
para fazer nada, o SINTRAMONTI paralisa a obra, convoca trabalhadores,
impede outros de trabalhar, “vota” uma “pauta”, enfim, adota providências
que somente um sindicato legítimo poderia encetar – e nos estritos limites
da Lei de Greve, conforme será defendido adiante.

O caso ganha contornos de ilegalidade ainda mais


claros, quando o representante do SINTRAMONTI fala aos obreiros, aos
6’00 do vídeo, que a polícia pode chegar a qualquer momento e retirar o
sindicato do local – justamente por conta da ilegalidade que marca o
movimento. Diz, ainda, que os trabalhadores já “DERAM O PASSO
ERRADO, E QUE AGORA É SEGURAR A PETECA”.

É possível que Vossas Excelências jamais tenham


se deparado com ilegalidade mais grave que a ora apresentada!

Aos 6’30’’, o representante do SINTRAMONTI revela


que pararam os ônibus que se encaminhavam para o canteiro de obras,
impedindo que os trabalhadores chegassem à frente de serviço. Esta
conduta ilegal e abusiva encontra-se comprovada no vídeo de 1’36’’ que
acompanha esta petição inicial.

Trata-se de mais uma confissão expressa de


ilegalidade.

O áudio de 32 minutos, que igualmente se põe ao


escrutínio desse e. Tribunal, revela o quanto tratado na reunião em que
representantes do Consórcio receberam a “comissão” de empregados
formada na “assembleia” retratada no vídeo (duração de 8’49’’) multicitado
linhas acima.

As conversações dão conta de que os trabalhadores


reconhecem NÃO ser representados pelo sindicato-réu (2’27’’, 2’54’’)2. A
Federação, que representa verdadeiramente os trabalhadores, é
igualmente mencionada, deixando claro tratar-se da entidade sindical
representativa dos empregados.

Não poderia ser diferente, Excelência. Afinal, um


SINDICATO DOS TRABALHADORES EM MONTAGEM INDUSTRIAL EM GERAL DO
ESTADO DO CEARÁ (SINTRAMONTI) jamais poderia representar
trabalhadores na indústria da construção civil!

2 Não poderia ser diferente, Excelência. Afinal, um Sindicato dos Trabalhadores em Montagem Industrial
em Geral do Estado (SINTRAMONTI) jamais poderia representar trabalhadores na indústria da construção
civil e do mobiliário!

5
Em resumo, Excelência, já são dois dias de uma
paralisação que prejudica não apenas o Consórcio-autor, atingindo, em
verdade, toda a sociedade cearense, sedenta e necessitada de um
relevantíssimo equipamento de saúde pública na região do vale do
Jaguaribe.

É necessário fazer cessar imediatamente, data


maxima venia, a ilegalidade que atinge o movimento paredista tratado
nestes autos.

Da competência originária do Tribunal Regional do Trabalho da 7ª


Região para processar e julgar a presente ação. Inteligência do art.
856 da Consolidação das Leis do Trabalho.

De acordo com o art. 856 da Consolidação das Leis do


Trabalho, “a instância será instaurada mediante representação escrita ao
Presidente do Tribunal. Poderá ser também instaurada por iniciativa do
presidente, ou, ainda, a requerimento da Procuradoria da Justiça do
Trabalho, sempre que ocorrer suspensão do trabalho”.

A jurisprudência não vacila na interpretação do


dispositivo legal colacionado acima:

Súmula nº 189 do TST

GREVE. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO.


ABUSIVIDADE (nova redação) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e
21.11.2003. A Justiça do Trabalho é competente para declarar a
abusividade, ou não, da greve.

***
AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO ORDINÁRIO
TEMPESTIVO. É tempestivo o recurso quando interposto dentro
do octídio legal, considera-se como data da publicação o
primeiro dia útil seguinte ao da divulgação no Diário Eletrônico
da Justiça do Trabalho, iniciando a contagem do prazo a partir
do primeiro dia útil seguinte ao da publicação. Agravo de
Instrumento a que se dá provimento. AÇÃO DECLARATÓRIA
DE ABUSIVIDADE DE GREVE. INCOMPETÊNCIA DA VARA
DO TRABALHO. NULIDADE DA SENTENÇA EX OFFICIO.
Cumpre reconhecer a incompetência da Vara do Trabalho
para apreciar ação declaratória de abusividade de greve.
Segundo a dicção do art. 14, inciso IV, alínea f do Regimento
Interno Consolidado do TRT da 7ª Região, compete ao
Tribunal Pleno, em matéria judicial, processar e julgar
originariamente a abusividade de greve. Em respeito ao

6
devido processo legal, tem-se por anular a sentença recorrida e
extinguir o processo sem resolução do mérito.3

Inequívoca, portanto, a competência desse e. Tribunal


para apreciar o pedido ora formulado.

Da ilegalidade do movimento deflagrado pelo sindicato-réu.

De início, deve-se tornar a firmar a premissa segundo


a qual o próprio Sindicato-réu reconhece NÃO SER A ENTIDADE
SINDICAL representativa dos empregados do CONSÓRCIO
MARQUISE/NORMATEL.

Conforme igualmente já assentado linhas acima, tais


trabalhadores são representados pela FEDERAÇÃO DOS TRABALHADORES
NAS INDÚSTRIAS DA CONSTRUÇÃO E DO MOBILIÁRIO DO ESTADO DO CEARÁ, ao
passo que a CONSTRUTORA MARQUISE é representada pelo SINDICATO DA
INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL DO CEARÁ.

Estas razões, por si sós, são bastantes para que se


reconheça a ilegalidade do movimento paredista tratado na presente ação
declaratória de nulidade.

Ainda que não fosse assim, deve-se registrar que, in


casu, não houve o preenchimento dos requisitos legais para início do
movimento paredista, todos previstos na Lei nº 7.783/1989, o que de
sobremaneira surpreendeu o Consórcio-autor.

Referido regramento prevê, em seu art. 3º, a


necessidade de real tentativa de negociação, antes de se deflagrar
movimento grevista. É dizer que, frustrada a negociação coletiva ou
verificada a impossibilidade de recurso à via arbitral, só então se abre o
caminho ao movimento de paralisação coletiva.

Esse é, inclusive, o entendimento do Colendo


TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO, que, por meio de sua SESSÃO DE
DISSÍDIOS COLETIVOS, confeccionou a OJ nº 11, in verbis:

GREVE. IMPRESCINDIBILIDADE DE TENTATIVA DIRETA E


PACÍFICA DA SOLUÇÃO DO CONFLITO. ETAPA NEGOCIAL
PRÉVIA.

3TRT-7 - AIRO: 00109783820135070009, Relator: FERNANDA MARIA UCHOA DE ALBUQUERQUE,


Data de Julgamento: 19/10/2015, Data de Publicação: 20/10/2015.

7
É abusiva a greve levada a efeito sem que as partes hajam
tentado, direta e pacificamente, solucionar o conflito que lhe
constitui o objeto.

Não houve, Excelência, no caso em destrame,


qualquer tentativa direta e pacífica de solucionar qualquer conflito – que
sequer existe, frise-se4 –, o que se confirma pela escuta do áudio (duração
de 32’00’’) da reunião realizada entre a “comissão” de empregados e
representantes da empresa (22’44’’).

Em verdade, na hipótese ora posta à apreciação de


Vossas Excelências, o caso é ainda mais GRAVE. Isto porque, um
sindicato que NÃO REPRESENTA OS TRABALHADORES simplesmente
paralisa obras, promove motins, monta piquetes, tudo para levar os
empregados a postularem sua aclamação como o sindicato que os
defende (!)5.

Justamente por não ser legítimo representante dos


empregados, o movimento paredista cuja ilegalidade se busca ver
declarara desrespeitou também o art. 4º da Lei de Greve. Com efeito, para
que o movimento grevista seja iniciado, o dispositivo legal mencionado
estabelece a necessidade de aprovação pela respectiva assembleia de
trabalhadores, senão veja-se:

Art. 4º Caberá à entidade sindical correspondente convocar, na


forma do seu estatuto, assembleia geral que definirá as
reivindicações da categoria e deliberará sobre a paralisação
coletiva da prestação de serviços.

Da mesma forma, não há notícia de realização da


competente assembleia geral que aprovasse movimento paredista,
robustecendo ainda mais o caráter ilegal da conduta do sindicato
promovido e dos empregados que a ele se juntaram.

Prova maior da ilegalidade do movimento, além da não


convocação e realização de assembleia de trabalhadores para tal fim, é o
fato de que o referido sindicato sequer apresentou uma pauta de
reivindicação a ser negociada com o Consórcio-promovente.

Reitere-se que, no caso em deslinde, o Sindicato


ilegítimo apenas aglomerou os empregados nas adjacências do canteiro

4 Isso porque, até o momento em que o Sindicato compareceu ao canteiro de obras, não havia notícia de
insatisfação por parte dos empregados do Consórcio.
5 Como se isto fosse possível! Como se a sindicalização não se desse nos termos da Lei, segundo a qual

a representação sindical é orientada pelo exercício da mesma atividade ou profissão ou atividades ou


profissões similares ou conexas (cf. art. 512 da CLT). Dito isto, repita-se o que já se apontou linhas acima:
jamais poderá um sindicato de montagem industrial representar empregados da construção civil!!!

8
de obras, já no segundo dia de paralisação (13.11), e os incitou a formar
uma “comissão” para conversar com representantes da empresa. Naquela
ocasião, leu-se uma lista de itens à guisa de hipotética reivindicação
(pauta) dos empregados.

Evidentemente, isto não equivale a realizar


assembleia válida, observados os critérios legais, ou a negociar prévia e
diretamente uma pauta de reivindicações formalmente encaminhada ao
empregador.

Tal fato demonstra de forma cabal o verdadeiro caráter


do movimento deflagrado, qual seja causar embaraços à execução de
obra da mais alta relevância para todos os cearenses.

Como facilmente se observa, o movimento de que se


cuida é esfericamente ilegal: de um lado, Sindicato que CONFESSA
NÃO REPRESENTAR OS EMPREGADOS; de outro,
TRABALHADORES QUE NÃO TÊM QUALQUER VÍNCULO
ASSOCIATIVO COM O SINDICATO PROMOVIDO, que não os
representa!

Observe-se, no ensejo, o entendimento do TST sobre


o tema:

RECURSO ORDINÁRIO. DISSÍDIO COLETIVO DE GREVE.


GREVE ABUSIVA. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS
LEGAIS. A abusividade do movimento revela-se pelos
aspectos formais delineados na Lei n.º 7.783/89.
Efetivamente, não foram disponibilizados nos autos os
documentos que comprovam a convocação da categoria
para deliberar especificamente sobre a greve, a ata da
assembleia respectiva e a notificação do segmento patronal
acerca do movimento grevista. ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA
GRATUITA. Alinha-se à jurisprudência desta Corte Superior o
entendimento firmado na decisão recorrida, segundo o qual a
condição de miserabilidade de pessoa jurídica tem de ser
cabalmente demonstrada, sendo insuficiente a declaração
firmada para tal fim. Recurso Ordinário integralmente
desprovido.6

Não bastasse o não preenchimento dos requisitos


legais, fato suficiente à caracterização da ilegalidade da paralisação, a
entidade sindical promovida, de modo a cooptar apoio ao movimento antes
mesmo de sua regular instauração, resolveu utilizar-se de meios não
pacíficos, impedindo o regular trânsito dos ônibus que levam os
empregados ao canteiro de obras.
6 http://tst.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/270186614/recurso-ordinario-trabalhista-ro-1515820145070000

9
Ora, a Lei de Greve não confere o direito de
persuadir/aliciar trabalhadores com o emprego de meios violentos; pelo
contrário, o art. 6º, em seu inciso I e § 3º, prega que, para tanto, deverão
ser empregados meios pacíficos, não se podendo impedir acesso ao
trabalho nem causar ameaça ou dano à propriedade. Em confirmação:

Art. 6º São assegurados aos grevistas, dentre outros direitos:

I - o emprego de meios pacíficos tendentes a persuadir ou


aliciar os trabalhadores a aderirem à greve;

(...)

§ 3º As manifestações e atos de persuasão utilizados pelos


grevistas não poderão impedir o acesso ao trabalho nem
causar ameaça ou dano à propriedade ou pessoa.

Nesse sentido, o entendimento do e. TST:

RECURSO ORDINÁRIO. DISSÍDIO COLETIVO DE GREVE.


PROFESSOR. VÍNCULO EMPREGATÍCIO COM MUNICÍPIO.
OCUPAÇÃO DA PREFEITURA. GREVE ABUSIVA.

1. Conquanto observados os requisitos formais da Lei de Greve,


partindo-se da premissa de que a educação não se insere entre
as atividades essenciais para os fins do art. 10 da Lei n.º
7.783/89, por lhe faltar o sentido de urgência, que marca as
demais atividades ali expressamente consignadas, o caso
aponta para abusividade da greve, por excesso de conduta.

2. É incontroverso nos autos que os professores ocuparam a


Prefeitura, com o propósito de lá permanecer até que o Poder
Executivo cedesse ao aumento salarial nos moldes
reivindicados.

3. Não se pode ter como pacífica a ocupação da propriedade


privada ou pública do empregador. A invasão, por si só, já
consiste em ato belicoso, independentemente de resultar em
dano efetivo à pessoa ou ao patrimônio, riscos inerentes à ação.
Trata-se de atitude reprovável, contrária ao direito de greve,
conforme deixa claro o art. 6.º, § 1.º, da Lei n.º 7.783/89.7

É no todo, portanto, ilegal a conduta adotada pelo


Sindicato-réu, requestando-se seja julgada procedente a presente ação
declaratória de ilegalidade de greve.

Da necessidade de concessão de tutela provisória de urgência. Da


presença dos requisitos legais necessários.

7 http://tst.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/270186610/recurso-ordinario-trabalhista-ro-5276420155050000

10
Sabe-se que o Código de Processo Civil de 2015
reestruturou a sistemática da técnica antecipatória, extinguindo-se o
processo cautelar, havendo, pois, a possibilidade de, no próprio
procedimento comum, requerer-se a prestação de tutela satisfativa ou de
tutela cautelar, de forma antecipada ou incidental. Assim, estas técnicas,
agora, encontram-se insertas sob a denominação geral de tutela
provisória.

No caso em análise, pleiteia-se a utilização da técnica


antecipatória da tutela de urgência satisfativa, pois há a necessidade de
satisfação imediata – não obstante provisória – do direito do autor,
considerando-se o perigo de dano caso assim não se faça, além da
probabilidade de seu direito.

O art. 300 do Código de Processo Civil dispõe sobre o


exposto:

Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver


elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo
de dano ou risco ao resultado útil do processo.

No caso concreto, o perigo de dano é evidente, haja


vista que a continuidade da paralisação causará prejuízo irremediável ao
andamento da obra, comprometendo o cronograma dos trabalhos. Além
dos danos financeiros diretos, o Consórcio-autor estará sujeito a
penalidades impostas pelo contratante (Estado do Ceará). Ademais de
tudo isso, a sociedade cearense restará privada, por mais tempo, de um
equipamento público essencial.

Já a probabilidade do direito foi robustamente


demonstrada por meio de toda a argumentação exposta no corpo desta
petição, bem como dos documentos que a instruem, tendo restado
evidente a ilegalidade da greve.

Além da ausência de cumprimento dos requisitos


previstos na Lei nº 7.783/1989, o Sindicato-réu utilizou meios não pacíficos
para persuasão de outros empregados. Sobre este específico ponto,
chama-se atenção para o vídeo de 1’36’’, que revela o impedimento a que
um ônibus com empregados do Consórcio seguisse viagem. É dito
textualmente: “não vai entrar ninguém não, viu”!

Demonstrados, pois, os requisitos para concessão de


provimento liminar de urgência. Ante o exposto, mesmo que em cognição
sumária e de maneira liminar – inaudita altera parte –, não se afigura
possível entender não se haverem presentes os requisitos referidos,

11
devendo-se, dada a devida vênia, conceder-se a medida de urgência
postulada.

Dos pedidos.

Postas as questões fáticas, bem como aduzida a


fundamentação jurídica, requer o promovente, com a urgência que a
situação exige, que Vossa Excelência se digne de:

a. Deferir o pedido de tutela antecipada de urgência,


declarando-se a ilegalidade do movimento grevista
dos empregados do CONSÓRCIO
MARQUISE/NORMATEL envolvidos nas obras de
construção do HOSPITAL REGIONAL VALE JAGUARIBE,
para que se determine o imediato retorno dos
serviços afetos à categoria em questão;

b. Determinar a citação do Sindicato-réu, por meio de


seu representante legal, para, querendo,
apresentar contestação à presente lide;

c. Julgar procedente a presente ação, declarando-se


a ilegalidade do movimento grevista dos
empregados do CONSÓRCIO MARQUISE/NORMATEL
envolvidos nas obras de construção do HOSPITAL
REGIONAL VALE JAGUARIBE, para que, confirmando-
se a decisão de antecipação de tutela, determine-
se o imediato retorno de todos os empregados que
aderiram ao movimento grevista ao efetivo e
integral exercício das funções decorrentes dos
atribuições por eles desempenhadas;

d. Fixar multa diária no valor de R$ 100.000,00 (cem


mil reais) ao SINDICATO DOS TRABALHADORES EM
MONTAGEM INDUSTRIAL EM GERAL DO ESTADO DO
CEARÁ – SINTRAMONTI;

e. Declarar legítimo o desconto da remuneração dos


dias não trabalhados;

f. Condenar o réu ao pagamento das custas judiciais


e dos honorários advocatícios.

Protesta provar o alegado por todos os meios de prova


admitidos.

12
Requer, por fim, sob pena de nulidade, que todas as
notificações sejam feitas em nome dos advogados MÁRIO JORGE
MENESCAL DE OLIVEIRA, OAB-CE nº 6.764, e RÔMULO MARCEL SOUTO DOS
SANTOS, OAB-CE nº 16.498.

Dá-se à causa o valor de R$ 1.000,00 (mil reais), para


efeitos fiscais.

Nestes termos,
Pede e espera deferimento.

Fortaleza, Ceará, 13 de novembro de 2018.

Mário Jorge Menescal de Oliveira Rômulo Marcel Souto dos Santos


OAB-CE nº 6.764 OAB-CE nº 16.498

Lucas Amorim
OAB-CE nº 41.030

13

Você também pode gostar