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CURSO DE PSICOLOGIA

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

Câncer de Mama, autoestima e sexualidade:


Processo psicológico em busca da recuperação da autoestima e sexualidade em
mulheres mastectomizadas.

Elaborado por:
Dayana Tavares Damasceno
Haira Correa dos Santos
Illyana Alves de Castelli
Larissa Vassalli de Souza
Lurimar Beatriz Gomes dos Santos

RIO DE JANEIRO
DEZEMBRO DE 2016
Dayana Tavares Damasceno
Haira Correa dos Santos
Illyana Alves de Castelli
Larissa Vassalli de Souza
Lurimar Beatriz Gomes dos Santos

Câncer de Mama, autoestima e sexualidade:


Processo psicológico em busca da recuperação da autoestima e sexualidade em
mulheres mastectomizadas.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como


exigência da disciplina TCC 2 do Curso de Psicologia do
Centro Universitário Celso Lisboa, orientado pelo Prof.
Mestre Doutor Carlos Eduardo L. S. Norte.

RIO DE JANEIRO
DEZEMBRO DE 2016
FOLHA DE APROVAÇÃO

CENTRO UNIVERSITÁRIO CELSO LISBOA

CURSO DE GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA

Elaborado por:
Dayana Tavares Damasceno
Haira Correa dos Santos
Illyana Alves de Castelli
Larissa Vassalli de Souza
Lurimar Beatriz G. dos Santos

Câncer de Mama, autoestima e sexualidade:


Processo psicológico em busca da recuperação da autoestima e sexualidade em
mulheres mastectomizadas.

APROVAÇÃO EM: ___/___/_____

BANCA EXAMINADORA

_________________________________________
Prof. Mestre Doutor Carlos Eduardo L. S. Norte

_________________________________________
Prof. Mestre Selena Rocha D’Almeida

_________________________________________
Prof. Mestre Raquel Staerke Calvano Gonçalves

Rio de Janeiro
Dezembro de 2016
AGRADECIMENTOS

As mulheres guerreiras e afetuosas do grupo de apoio da Associação Amigos da


Mama (ADAMA) oferecemos um agradecimento especial. Vocês fizeram do nosso
trabalho ímpar e surpreendente, nos comoveram com suas histórias a cada
encontro, nos acolheram, fizeram de nós estudantes parte de vocês mulheres
lutadoras. Somos gratas por cada abraço, cada sorriso, cada lágrima compartilhada,
pela certeza de que viver vale a pena e de que juntas somos mais fortes. Foi uma
grande honra conhecer todas vocês durante nossa formação acadêmica, seguimos
com a certeza de que seremos pessoas melhores e profissionais mais acolhedoras.
Agradecemos aos profissionais da ADAMA que gentilmente nos receberam e nos
envolveram nas suas rotinas. A equipe de psicologia da instituição pelo zelo e
atenção durante nossas visitas, fomos afortunadas pelas vivencias adquiridas, pelo
precioso tempo que nos foi oferecido e pelos incentivos durante nosso período de
pesquisa.
Somos gratas ao nosso orientador Doutor Carlos Eduardo Norte pela confiança e
pelo suporte durante a elaboração deste trabalho, assim como, correções e
incentivos. Agradecemos aos nossos pais e amigos que sonharam conosco todos os
dias e pelo amor incondicional.
Agradecemos aos membros do nosso grupo pela dedicação e paciência umas com
as outras e por compartilhar essa caminhada única.
“Só aquilo que somos realmente tem o
poder de curar-nos.”.
Carl Jung
RESUMO

DAMASCENO, Dayana Tavares; SANTOS, Haira Correa dos; CASTELLI, Illyana


Alves de; SOUZA, Larissa Vassalli de; SANTOS, Lurimar Beatriz Gomes dos.
Câncer de Mama, autoestima e sexualidade: Processo psicológico em busca da
recuperação da autoestima e sexualidade em mulheres mastectomizadas. Trabalho
de Graduação do Curso de Psicologia do Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de
Janeiro, dezembro de 2016.

O presente trabalho procura entender e problematizar a existência de uma relação


entre a mastectomia, a baixa autoestima e a sexualidade da mulher com câncer de
mama e o impacto do grupo de apoio ADAMA (Associação Amigos da Mama) em
mulheres mastectomizadas. O estudo inicia-se através da busca bibliográfica, onde
foram selecionados artigos referentes ao tema, em seguida a pesquisa de campo
com 15 (quinze) mulheres mastectomizadas ou quadrantectomizadas entrevistadas
com idade a partir 35 (trinta e cinco) anos. Foram utilizados instrumentos que
consistem em aplicação de um questionário com sete perguntas abertas elaboradas
em conjunto com as psicólogas atuantes do grupo de apoio ADAMA localizado em
Niterói, Rio de janeiro. Separadamente, realizou-se a entrevista com o tatuador com
estúdio localizado no Leblon, Rio de Janeiro. A entrevista foi composta de quatro
perguntas abertas que visaram conhecer seu percurso de atuação com
procedimento de tatuagem intradérmica areolar e seus possíveis impactos na função
social e psicológicas exercidas sobre essas mulheres.
Os resultados demonstram que as mulheres participantes apresentaram
pensamentos com conteúdos positivos no processo pós mastectomia. Em relação à
vida sentimental e o corpo após o câncer de mama desvela resignação e aceitação
como forma de enfrentamento. O grupo de apoio exerce um papel importante na
recuperação psicológica e emocional dessas mulheres, sobre o procedimento de
tatuagem intradérmica areolar existe influencia e modificações positivas na
autoestima e sexualidade das mulheres mastectomizadas e quadrantectomizadas.

PALAVRAS-CHAVE: Grupo de apoio; mulheres mastectomizadas e


quadrantectomizadas; câncer de mama; tatuagem intradérmica areolar; autoestima;
sexualidade.
ABSTRACT

The present work tries to understand and to problematize the existence of a relation
between a mastectomy, a low self-esteem and a sexuality of the woman with breast
cancer and the impact of the support group ADAMA (Association of the Mother) in
mastectomized women. The study of the bibliographic research, where articles were
selected referring to the theme, followed by a field survey with 15 (fifteen)
mastectomized or quadrantectomized women interviewed with age from 35 (thirty
five) years. We found instruments that consist of applying a questionnaire with seven
open questions elaborated together with active psychologists from the ADAMA
support group located in Niterói, Rio de Janeiro. Separately, conduct an interview
with the studio tattoo artist located in Leblon, Rio de Janeiro. The interview was
composed of four open questions that aim to know their performance of performance
with the areolar intradermal tattoo procedure and its possible impacts on the social
and psychological function exerted on women.
The results show that women present positive thoughts and not post-mastectomy.
Regarding the sentimental life and body after breast cancer reveals resignation and
acceptance as a form of coping. The support group plays an important role in the
psychological and emotional recovery of women, on the areolar intradermal tattooing
procedure there is influence and positive changes in the self-esteem and sexuality of
the mastectomized and quadrantectomized women.

KEYWORDS: Support group; Mastectomized and quadrantectomized women; breast


cancer; Areolar intradermal tattoo; self esteem; sexuality.
LISTA DE TABELAS

TABELA 1: Distribuição da frequência referente á faixa etária das mulheres mastectomizadas


TABELA 2: Distribuição da frequência por tempo de cirurgia da mama
TABELA 3: Distribuição da frequência de acordo com o procedimento de mastectomia ou
quadrantectomia
TABELA 4: Distribuição da frequência de acordo com os tratamentos realizados antes e após cirurgia
TABELA 5: Distribuição de frequência referente a cada tratamento que realizou (Quimioterapia,
Radioterapia e Hormonioterapia)
TABELA 6: Distribuição de frequência por tempo de tratamento
TABELA 7: Distribuição da frequência quanto ao Estado Civil das mulheres
TABELA 8: Distribuição da frequência referente a vida sexual ativa das mulheres
TABELA 9: Distribuição de frequência referente a mulheres com filhos
TABELA 10: Distribuição referente a quantidade de filhos
TABELA 11: Distribuição de frequência de acordo com a renda per capita
TABELA 12: Distribuição de frequência quanto ao grau de instrução das mulheres
TABELA 13: Distribuição de frequência das respostas sobre como foi a reação das mulheres após o
diagnostico da doença
TABELA 14: Distribuições de frequência das respostas de como os familiares das mulheres
enfrentaram o diagnóstico da doença
TABELA 15: Distribuição de frequência das respostas sobre mudanças na aparência pessoal das
mulheres após a cirurgia
TABELA 16: Distribuição de frequência das respostas sobre o que mais incomodou na aparência
pessoal das mulheres após a cirurgia da mama
TABELA 17: Distribuição de frequência das respostas em relação sobre como ficou a vaidade das
mulheres após a cirurgia da mama
TABELA 18: Distribuição de frequência das respostas em relação em como a família lidou com o
tratamento após a cirurgia da mama
TABELA 19: Distribuições de frequência das respostas em relação a como os familiares se
comportaram após a cirurgia de mama
TABELA 20: Distribuição de frequência das respostas quanto à ajuda dos familiares nas tarefas
domesticas após a cirurgia de mama
TABELA 21: Distribuição de frequência das respostas em relação ao apoio emocional dos familiares
após a cirurgia de mama
TABELA 22: Distribuição de frequência das respostas quanto aos pensamentos mais frequentes
após a cirurgia de mama
TABELA 23: Distribuição de frequência das respostas em relação a sexualidade e autoestima das
mulheres após a cirurgia de mama
TABELA 24: Distribuição de frequência das respostas sobre o que a retirada da mama representa
para as mulheres mastectomizadas
TABELA 25: Distribuição de frequência das respostas sobre como estão os sentimentos das
mulheres mastectomizadas em relação a seu corpo após o câncer de mama
Tabela 26: Distribuição de frequência das respostas em relação a experiência das mulheres no grupo
de apoio ADAMA e os efeitos desse grupo na sua autoestima
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO.......................................................................................................10
2. JUSTIFICATIVA.....................................................................................................13
3. OBJETIVOS...........................................................................................................13
4. HIPÓTESES...........................................................................................................14
5. METODOLOGIA....................................................................................................15
6. RESULTADOS.......................................................................................................16
6.1. DESCRIÇÃO DA AMOSTRA ...................................................................16
6.2. ANÁLISE QUANTITATIVA DAS PERGUNTAS ABERTAS......................22
6.3. ANÁLISE QUALITATIVA DAS MULHERES MASTECTOMIZADAS........28
7. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS........................................................................33
7.1. RELAÇÃO COM A LITERATURA.............................................................34
7.2. DIFICULDADES E LIMITAÇÕES ............................................................35
8. CONCLUSÃO........................................................................................................36
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..........................................................................38
ANEXO I - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido....................................40
ANEXO II – Questionário Grupo de Apoio ADAM..................................................41
ANEXO III – Questionário com Roberto dos Santos.............................................42
10

1. INTRODUÇÃO

Segundo as informações contidas no portal do Instituto Nacional de Câncer¹


(INCA), o câncer de mama, é uma doença que afeta as mamas, que são glândulas
formadas por lobos, que se dividem em estruturas menores chamadas lóbulos e
ductos mamários que possui uma estimativa de 57.960 (cinquenta e sete mil
novecentos e sessenta) novos casos só em 2016 em mulheres a partir de 35 (trinta
e cinco) anos e sendo raro seu aparecimento antes desse período e partindo dessa
idade tem incidência de crescimento rápida e progressiva. Ao receber o diagnóstico
de uma doença previamente estigmatizada essas mulheres podem reagir de formas
distintas que terão grande impacto no processo de tratamento e enfrentamento
desse tumor.

De acordo com Silva (2008), no Brasil e no mundo a incidência do câncer de


mama vem aumentando e aparecendo cada vez mais cedo na vida da mulher. O
tratamento pode envolver mastectomia² ou quadrantectomia³ que são procedimentos
cirúrgicos frequentemente usados para tratamento curativo do câncer, este
tratamento também pode incluir quimioterapia e radioterapia antes ou após da
cirurgia, uso de medicações por alguns períodos, dentre outros, tudo dependerá do
estado ou evolução do câncer e da história de vida paciente. Passar pelo tratamento
do câncer de mama, pode comprometer em variados graus a autoestima, a imagem
corporal e a identidade feminina da mulher. Além disso, em nossa sociedade o
câncer adquiriu significados relacionados com o sofrimento psicológico das doentes
(SILVA, 2008).

Corbellini (2001) observou a importância da execução do autoexame nas


mamas para um diagnóstico precoce, assim como para que as mulheres se sintam
implicadas no processo de saúde e doença. Outra questão relevante mencionada
pelo autor consistia na dificuldade das mulheres para revelar seu diagnóstico aos

______________________

¹ Dados disponíveis em: http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home


/mama/cancer_mama+
² Remoção total da mama.
³Processo específico de mastectomia, onde é removido apesar um quarto da mama.
11

filhos e cônjuge, pois normalmente a família é considerada “... o sustentáculo


emocional, físico e financeiro. Com esse suporte, possivelmente a mulher ganhe
estímulo e força para garantir um ajustamento saudável à nova condição de saúde”.
(apud. SILVA e MAMEDE, 1998, p.105). Para esses autores as mulheres atribuem
importância e sentem necessidade de acolhimento e reconhecimento familiar que
contribuem essencialmente para a sua recuperação do câncer de mama.

O estudo de Pelegrimi (2008) aborda as reações emocionais que se


manifestam com a confirmação do diagnóstico e como a mulher se comporta em
cada uma de suas fases negação, estoicismo, aflição e enfrentamento. A negação
envolve a evitação do assunto e dos riscos da doença. O estoicismo tem como sua
característica principal um quadro de conformismo e aceitação. A aflição é uma
expressão de angustia generalizada e preocupações com a doença. No último tipo
chamado de enfrentamento pelo autor, observa-se um engajamento da mulher em
busca de informações sobre a doença e diversas formas de tratamento. Para o
autor o câncer é abordado como evento estressor e coloca-se em evidência a
importância da atuação conjunta do psicólogo com a atuação medico curativa.

As estratégias cognitivas, afetivas e comportamentais utilizadas pelas


mulheres mastectomizadas para enfrentar as exigências da doença, o deslocamento
de energia para o foco principal de manutenção da vida, a perda da mama e seu
impacto psicosociosexual são questões secundárias abordadas em Duarte e
Andrade (2003). O recurso metodológico da pesquisa foi composto por perguntas
não dirigidas permitindo que as mulheres se expressassem livremente, e buscou
verificar questões relacionadas a vivencia da sexualidade, relações cotidianas e
transformações percebidas após a cirurgia. No primeiro momento o contato foi
realizado por telefone, desse contato foram selecionadas 6 (seis) mulheres
residentes do Espírito Santo com idades entre 34 (trinta e quatro) e 55 (cinquenta e
cinco) anos, sendo casadas com filhos e solteiras sem filhos e uma das mulheres
era divorciada. Através da análise o autor pode mensurar além das fases da
realidade das mulheres mastectomizadas, como também formas de enfrentamento e
expressão da sexualidade.

Já no estudo qualitativo utilizado pelo autor Caetano (2009) pode identificar


o sentimento mais relatado entre as mulheres que receberam o diagnóstico de
12

câncer, o desespero junto com a perplexidade de ser acometida por essa doença
"ruim" altamente estigmatizada onde segundo a sociedade o portador apenas pode
esperar a morte. A metodologia parte do projeto MUCAMA, com objetivo de oferecer
cuidados e suporte emocional, com um espaço calmo e agradável, onde se tenha
vontade de expressar suas experiências de vida e diária, envolvidas de sentimentos
e esclarecimentos de dúvidas referentes à doença. O estudo contou com a
participação de 15 (quinze) mulheres, com seleção aleatória e proteção de
identidade, portanto foram nomeadas por frutas. Utilizou-se de entrevista gravada
com perguntas envolvendo a reação do diagnóstico e superação entre as fases.
(CAETANO et al; 2009)

Na última fase de enfrentamento, segundo PELEGRIM (2008) quando há


busca de diversos tratamentos do câncer de mama, a mulher se depara com o
tratamento de recuperação psíquica e o grupo de apoio, é uma instituição que visa
trabalhar o paciente como um todo, fortalecendo seu lado psicoemocional e
esclarecendo aspectos importantes sobre a doença, tais como: aceitação da doença
e tratamento, avaliação do estado emocional, aceitação da família em relação ao
diagnóstico de câncer de mama e atividades realizadas no grupo de apoio.
(MARTINS, 2008).

A reconstrução mamária pós-mastectomia, chamada restauração do


Complexo Areolo papilar (CAP), tem alcançando cada vez mais importância e
efetividade na vida da mulher. O CAP possui grande significado simbólico para as
mulheres, sendo parte essencial da mama. Vários trabalhos, como a confecção com
simetria perfeita em relação a contralateral (mama oposta), reconstruções bem
sucedidas em relação a posição, tamanho, projeção, textura e coloração, disposição
de diversas técnicas cirúrgicas para reconstrução da papila aréola, pesquisas
recentes com objetivo de aproximação da pigmentação e textura da aréola que
possui fragmentos da aréola contralateral. Essas intervenções influenciam
positivamente o processo de recuperação dos danos à saúde física e mental
inerentes à terapêutica do câncer de mama (PESSOA, 2012).
13

2. JUSTIFICATIVA

A relevância social de se estudar este tema está relacionado em


proporcionar uma compreensão mais fidedigna dos processos psicológicos e
possível correlação de variação na autoestima e sexualidade feminina com a
mastectomia. A pesquisa carrega a possibilidade de suavizar o tema diante da
sociedade, retirando o estigma de doença ruim que só pode levar a morte para
apresentar a real vivencia de pessoas que passaram ou convivem com o câncer de
mama e suas implicações. Além de sinalizar aos profissionais de psicologia que este
campo é passível de atuação e de novas técnicas de abordagens em todas as fases
da doença diagnostico, curso, conclusão ou no processo de puericultura.

O motivo pelo qual pesquisamos os aspectos psicológicos das mulheres


mastectomizadas foi por acreditarmos que tanto o processo de mastectomia ou
quadrantectomia quanto à realização da tatuagem intradérmica areolar influem e
modificam a autoestima e sexualidade das mulheres, e através disso verificar como
elas percebem e enfrentam os desafios que perpassam seu cônjuge, família e sua
nova realidade de vida diante desse processo.

Faz-se necessário devido à escassez de literatura e dificuldade de acessar


pessoas que realizaram o procedimento de tatuagem intradérmica areolar um
aprofundamento de pesquisas com objetivo de compreender o impacto na
subjetividade dessas mulheres e ampliar o campo de intervenções da psicologia.

3. OBJETIVOS

O objetivo geral de nossa pesquisa é analisar o impacto do grupo de apoio


ADAMA (Associação Amigos da Mama) e procedimento de tatuagem intradérmica
areolar realizado pelo tatuador Roberto dos Santos na autoestima e sexualidade das
mulheres mastectomizadas. Os objetivos específicos são: 1) Esclarecer sobre o
câncer de mama e o procedimento de mastectomia incluindo o procedimento de
tatuagem intradérmica areolar; 2) Desenvolver uma pesquisa de campo em grupo de
apoio às mulheres que por conta do câncer de mama tiveram que passar pelo
procedimento de mastectomia; 3) Investigar através de questionário composto de
perguntas semiabertas a questão da autoestima e sexualidade nas mulheres que
14

passaram pelo procedimento de mastectomia e pelo procedimento tatuagem


intradérmica areolar.

O presente trabalho procura entender e problematizar a existência de uma


relação entre a mastectomia, a baixa autoestima e a sexualidade da mulher com
câncer de mama, partindo da hipótese de a mastectomia pode causar impactos
negativos na autoestima e sexualidade feminina. Além de verificar a função do grupo
de apoio e a tatuagem areolar na melhora significativamente da autoestima e a
sexualidade dessas mulheres.

4. HIPÓTESES

A hipótese básica da pesquisa é: A mastectomia tem impactos negativos na


autoestima e sexualidade da mulher. As Hipóteses Secundárias são: 1) Muitas
mulheres têm a autoestima e sexualidade recuperada após a colocação de prótese
de silicone na mama e após o procedimento de tatuagem intradérmica areolar; 2) O
grupo de apoio tem um papel relevante na recuperação psicológica e emocional
dessas mulheres; 3) Existe um determinado estigma relacionado às relações afetiva
e sexual dessas mulheres.

5. METODOLOGIA

A metodologia de pesquisa dividiu-se em duas etapas, sendo a primeira


através de pesquisa bibliográfica que, foi realizada entre os dias 4 de março a 16 de
maio de 2016, nos seguintes buscadores: Portal Scielo e Google Acadêmico,
utilizando palavras-chave como: "Câncer de mama", "Mulheres Mastectomizadas","
Autoestima e Sexualidade de mulheres com câncer". Foi efetuada uma seleção de
artigos publicados nos últimos 15 (quinze) anos, e foram selecionados os que
apresentavam dados referentes às palavras-chaves.

A segunda etapa foi realizada a partir de uma pesquisa de campo. A


metodologia utilizada consistiu na aplicação de um questionário contendo 26 (vinte e
seis) perguntas, sendo 12 (doze) fechadas e 14 (quatorze) abertas elaboradas em
conjunto com as psicólogas atuantes do grupo de apoio ADAMA (Associação de
Amigos da Mama) localizado em Niterói, Rio de janeiro, para abranger os aspectos
da autoestima e sexualidade de mulheres mastectomizadas. Enquanto um dos
15

aplicadores do questionário fazia as perguntas e gravava as respostas, outro fazia


as anotações necessárias. Participaram da pesquisa 15 (quinze) mulheres com
diagnóstico de câncer de mama a partir de 35 (trinta e cinco) anos de idade que
participam do grupo de apoio ADAMA e com seu consentimento (em anexo o Termo
de Consentimento Livre e Esclarecido) tiveram suas entrevistas gravadas em áudio,
para uma análise mais aprofundada das falas. O questionário fora aplicado na
própria sede da ADAMA em Niterói, em mulheres mastectomizadas casadas, com
filhos, solteiras, sem filhos, mulheres divorciadas e viúvas, com vida sexual ativa e
inativa. Para o tratamento dos dados utilizou-se uma análise qualitativa dos
questionários aplicados com ênfase na análise do discurso subjetivo das mulheres
participantes.

O questionário com perguntas elaboradas a partir dos objetivos elencados


para a pesquisa consiste dos dados de identificação, como: nome, idade, tempo de
cirurgia, tratamentos e período, escolaridade; estado civil; vida sexual; renda per
capita; quantidade de filho e idade; e das seguintes perguntas: 1) Como você
enfrentou o diagnóstico da doença? E sua família, como enfrentou? 2) Após a
cirurgia, houve mudanças em relação a sua aparência? Como ficou sua vaidade? 3)
Como sua família lidou com seu tratamento após a cirurgia de mama? Como se
comportaram? Ajudaram nas tarefas domesticas? Davam apoio emocional? Quais
pensamentos eram mais frequentes após a cirurgia de mama? 4) Quais
pensamentos eram mais frequentes após a cirurgia? 5) Como ficou sua sexualidade
e autoestima após a cirurgia de mama? 6) O que a retirada da mama representa
para você? Como estão seus sentimentos em relação a vida e a seu corpo, após o
câncer de mama? 7) Em relação à ADAMA: fale-nos sobre sua experiência no grupo
e os efeitos na sua autoestima.

A entrevista com o tatuador no estúdio localizado no Leblon, Rio de Janeiro


foi composta de 4 (quatro) perguntas abertas que visaram conhecer seu percurso de
atuação com procedimento de tatuagem intradérmica areolar e seus possíveis
impactos na função social e psicológica exercida sobre essas mulheres.
16

6. RESULTADOS

6.1. DESCRIÇÃO DA AMOSTRA

A amostra da pesquisa foi constituída por 15 (quinze) mulheres que passaram


pelo procedimento de mastectomia ou quadrantectomia participantes da ADAMA,
com idades variando entre 35 (trinta e cinco) a 69 (sessenta e nove) anos, no
período que compreende os meses de maio a setembro de 2016.

Descrição dos Dados Sócio demográficos

Tabela 1: Distribuição da frequência referente á faixa etária das mulheres


mastectomizadas

IDADE FREQUÊNCIA %

50 a 59 anos 8 53,3

60 a 69 anos 7 46,7

TOTAL 15 100

Concluiu-se que 53,3% representam mulheres com idade entre 50 a 59 anos.

Tabela 2: Distribuição da frequência por tempo de cirurgia da mama

TEMPO DE CIRURGIA FREQUÊNCIA %

Até 15 anos 7 46,7

Até 5 anos 6 40

Mais de 15 anos 2 13,3

TOTAL 15 100

Demonstra-se nessa tabela que 46,7% das entrevistadas possuem até 15 anos de
cirurgia da mama e 13,3% possuem mais de 15 anos de cirurgia.
17

Tabela 3: Distribuição da frequência de acordo com o procedimento de mastectomia


ou quadrantectomia

PROCEDIMENTO FREQUÊNCIA %

Mastectomia Total 9 60

Mastectomia 2 13,3

Mastectomia Bilateral 2 13,3

Quadrantectomia 1 6,7

Quadrantectomia Superior 1 6,7

TOTAL 15 100

Depreende-se que a maioria das mulheres entrevistadas realizou o procedimento da


mastectomia total, enquanto a minoria realizou mastectomia ou mastectomia
bilateral.

Tabela 4: Distribuição da frequência de acordo com os tratamentos realizados antes


e após cirurgia

TRATAMENTOS FREQUÊNCIA %

Depois da cirurgia 9 60

Antes e depois da 3 20
cirurgia
Não realizou tratamento 2 13,3

Antes da cirurgia 1 6,7

TOTAL 15 100

Compreende-se que 60% das mulheres entrevistadas realizaram os tratamentos


depois da cirurgia, enquanto 6,7% realizaram os tratamentos antes da cirurgia.
18

Tabela 5: Distribuição de frequência referente a cada tratamento que realizou


(Quimioterapia, Radioterapia e Hormonioterapia)

TIPO DE FREQUÊNCIA %
TRATAMENTO(S)
Quimioterapia e 6 40
Radioterapia
Quimioterapia, 2 13,3
Radioterapia
e Hormonioterapia
Radioterapia 2 13,3

Não Realizou 2 13,3

Hormonioterapia 1 13,3

Quimioterapia 1 6,7

Quimioterapia 1 6,7
e Hormonioterapia
TOTAL 15 100

Compreende-se que 40% das mulheres realizaram conjuntamente quimioterapia e


radioterapia, enquanto 6,7% realizaram quimioterapia somente ou conjuntamente
quimioterapia e hormonioterapia.

Tabela 6: Distribuição de frequência por tempo de tratamento

TEMPO FREQUÊNCIA %

De 0 a 5 meses 4 26,7

De 12 meses a 2 anos 3 20

De 3 a 7 anos 3 20

De 6 a 12 meses 2 13,3

Não fez tratamento 2 13,3

Sem resposta 1 6,7

TOTAL 15 100
19

Observa-se que 26,7% das mulheres entrevistadas realizaram seus tratamentos


pelo tempo de 0 a 5 meses, enquanto 6,7% não deram resposta sobre o tempo dos
tratamentos realizados.

Tabela 7: Distribuição da frequência quanto ao Estado Civil das mulheres

CATEGORIAS FREQUÊNCIA %

Casada 7 46,7

Divorciada 3 20

Solteira 2 13,3

Viúva 2 13,3

Namorando 1 6,7

TOTAL 15 100

Observa-se que 46,7% das mulheres entrevistadas são casadas, enquanto 6,7%
estão namorando.

Tabela 8: Distribuição da frequência referente a vida sexual ativa das mulheres

VIDA SEXUAL FREQUÊNCIA %

ATIVA 11 73,3

INATIVA 4 27,7

TOTAL 15 100

Pode-se perceber que 73,3% das mulheres entrevistadas possui vida sexual ativa,
enquanto somente 27,7% não possuem.
20

Tabela 9: Distribuição de frequência referente a mulheres com filhos

CATEGORIA FREQUÊNCIA %

Mulheres com filhos 14 93,3

Mulheres sem filhos 1 6,7

TOTAL 15 100

De acordo com a tabela, 93,3% das mulheres entrevistadas responderam que


possuem filhos, enquanto 6,7% responderam que não possuem.

Tabela 10: Distribuição referente a quantidade de filhos

CATEGORIA FREQUÊNCIA %

Dois Filhos 8 53,3

Um filho 4 26,7

Mais de 3 filhos 1 6,7

Sem filhos 1 6,7

Sem resposta 1 6,7

TOTAL 15 100

Quanto a quantidade de filhos, pode-se perceber que 53,3% possuem 2 filhos,


enquanto 6,7 % correponde a quantidade de mulheres que possuem mais de 3
filhos, de mulheres que não possuem filhos ou que não responderam.
21

Tabela 11: Distribuição de frequência de acordo com a renda per capita

RENDA FREQUÊNCIA %

Até R$ 1,000 5 33,3

Mais de R$ 2,000 5 33,3

Entre R$ 1,000.00 e R$ 4 26,7


2,000
Sem renda 1 6,7

TOTAL 15 100

Esta tabela ilustra que 33,3% das mulheres possuem renda de até R$ 1000,00 ou
mais de R$2000,00, enquanto 6,7% não possui renda.

Tabela 12: Distribuição de frequência quanto ao grau de instrução das mulheres

ESCOLARIDADE FREQUÊNCIA %

Ensino Médio 7 46,7


Completo
Ensino Superior 4 26,7
Completo
Ensino Básico 3 20

Ensino Superior 1 6,7


Incompleto
TOTAL 15 100

Quanto ao grau de instrução, compreende-se que 46,7% das mulheres possuem


ensino médio completo, enquanto 6,7% possui ensino superior incompleto.
22

6.2. ANÁLISE QUANTITATIVA DAS PERGUNTAS ABERTAS

Tabela 13: Distribuição de frequência das respostas sobre como foi a reação das
mulheres após o diagnóstico da doença

RESPOSTAS FREQUÊNCIA %
Teve medo de morrer 7 46,7
Entrou em choque/Ficou 4 26,7
muito abalada
emocionalmente
Houve um impacto emocional 2 13,3
maior por não conhecer sobre
a doença
Enfrentou de forma positiva 2 13,3
TOTAL 15 100

Conforme apurado nessa tabela 46,7% das mulheres tiveram no momento do


diagnóstico da doença medo de morrer, enquanto 13,3% tiveram um impacto
emocional maior por não conhecerem a doença e não terem esclarecimentos da
mesma e outras 13,3% enfrentou de forma positiva.

Tabela 14: Distribuições de frequência das respostas de como os familiares das


mulheres enfrentaram o diagnóstico da doença

RESPOSTAS FREQUÊNCIA %

Apoiou/Acolheu 6 40

Ocorreu afastamento: por 6 40


desconhecer a doença ou
por medo
Sem resposta 3 20

Ficaram abalados 2 13,3

Enfrentaram de forma 1 6,7


positiva
TOTAL 18 120
23

Constatou-se 40% em duas categorias, que os familiares das mulheres apoiaram-


nas/acolheu-as no momento de diagnóstico da doença ou afastaram-se por
desconhecer a doença ou por medo.

Tabela 15: Distribuição de frequência das respostas sobre mudanças na aparência


pessoal das mulheres após a cirurgia

RESPOSTAS FREQUÊNCIA %
SIM 11 73,3
NÃO 4 26,7
TOTAL 15 100

A tabela ilustra que 73,3% das mulheres responderam que houve mudanças em sua
aparência pessoal, enquanto 26,7% responderam que não.

Tabela 16: Distribuição de frequência das respostas sobre o que mais incomodou na
aparência pessoal das mulheres após a cirurgia da mama

RESPOSTAS FREQUÊNCIA %
Nada 6 40
A mudança na aparência 3 20
física causada por sintomas e
efeitos do tratamento
A perda da mama 3 20
Mudança na aparência física 2 13,3
em geral
Queda de cabelo 2 13,3
TOTAL 16 106,6

Ao observar a tabela acima, depreende-se que 40% das mulheres responderam que
nada incomodou em sua aparência pessoal após a cirurgia da mama, enquanto
13,3% responderam que a mudança na aparência física em geral, como engordar ou
emagrecer, foi o que mais incomodou e outras 13,3% responderam que a queda de
cabelo devido à quimioterapia foi o que mais incomodou na sua aparência pessoal.
24

Tabela 17: Distribuição de frequência das respostas em relação sobre como ficou a
vaidade das mulheres após a cirurgia da mama

RESPOSTAS FREQUÊNCIA %
Sem resposta 7 46,7
Nada mudou 5 33,3
Ficou mais vaidosa/melhorou a 3 20
vaidade
TOTAL 15 100

De acordo com a tabela, constatou-se que 33,3 das mulheres não notaram mudança
na vaidade após a cirurgia, enquanto 20% responderam que após a cirurgia da
mama ficaram mais vaidosas.

Tabela 18: Distribuição de frequência das respostas em relação em como a família


lidou com o tratamento após a cirurgia da mama

RESPOSTAS FREQUÊNCIA %
Deram apoio 10 66,7
Afastaram-se 6 40
Ficaram em choque ou 1 6,7
tristes
TOTAL 17 113,4%

Percebe-se que, quanto ao tratamento após a cirurgia, 66,7% das mulheres


responderam que a família lidou dando apoio a elas, enquanto 6,7% responderam
que os familiares lidaram com choque e tristeza.

Tabela 19: Distribuições de frequência das respostas em relação a como os


familiares se comportaram após a cirurgia de mama

RESPOSTAS FREQUÊNCIA %
Apoiaram e cuidaram 10 66,7
Não apoiaram ou se 5 33,3
distanciaram
TOTAL 15 100
25

Observa-se que 66,7% das mulheres responderam que os familiares se


comportaram dando apoio e cuidado a elas após a cirurgia da mama, enquanto
33,3% responderam que os familiares não apoiaram ou se distanciaram delas.

Tabela 20: Distribuição de frequência das respostas quanto à ajuda dos familiares
nas tarefas domesticas após a cirurgia de mama

RESPOSTAS FREQUÊNCIA %
SIM 7 46,7
NÃO 5 33,3
Sem resposta 3 20
TOTAL 15 100

A tabela ilustra que 46,7% das mulheres responderam que seus familiares ajudaram
nas tarefas domésticas, enquanto 33,3% não receberam ajuda.

Tabela 21: Distribuição de frequência das respostas em relação ao apoio emocional


dos familiares após a cirurgia de mama

RESPOSTAS FREQUÊNCIA %
SIM 10 66,7
NÃO 5 33,3
TOTAL 15 100

Depreende-se que 66,7% das mulheres responderam que receberam apoio


emocional dos familiares após a cirurgia da mama, enquanto 33,3% responderam
que não receberam apoio emocional dos familiares.
26

Tabela 22: Distribuição de frequência das respostas quanto aos pensamentos mais
frequentes após a cirurgia de mama

RESPOSTAS FREQUÊNCIA %
Vontade de 5 33,3
viver/pensamentos positivos
Pensamentos negativos 4 26,7
Medo de morrer 3 20
Sentia-se incomodada com a 2 13,3
perda da mama
Pensou na família 2 13,3
Impactos com sintomas do 1 6,7
tratamento (medicações)
TOTAL 17 113,3

De acordo com a tabela, pode-se compreender que 26,7% das mulheres


responderam que os pensamentos mais frequentes após a cirurgia da mama eram
negativos, enquanto 6,7% das mulheres responderam que seus pensamentos se
concentraram nos impactos como os sintomas do tratamento (medicações).

Tabela 23: Distribuição de frequência das respostas em relação a sexualidade e


autoestima das mulheres após a cirurgia de mama

RESPOSTAS FREQUÊNCIA %
Houve diminuição da 6 40
libido/sexualidade ficou
prejudicada
Não mudou 5 33,3
Teve ou tem receio em 3 20
relação ao sexo
Sem resposta 2 13,3
TOTAL 16 106,6

De acordo com a tabela acima, 40% das mulheres responderam que quanto a sua
sexualidade e autoestima após a cirurgia da mama, houve diminuição da libido e sua
sexualidade ficou prejudicada, enquanto 20% teve ou tem receio em relação ao
sexo.
27

Tabela 24: Distribuição de frequência das respostas sobre o que a retirada da mama
representa para as mulheres mastectomizadas

RESPOSTAS FREQUÊNCIA %
Perda da 4 26,7
feminilidade/mudança na
aparência
Resignação/Aceitação 4 26,7
Sem resposta 4 26,7
Saúde/retirada da doença 3 20
Agressão ao 2 13,3
corpo/mutilação
Sem impactos 2 13,3
TOTAL 19 126,7

Pode-se perceber que a maioria das mulheres (26,7%) respondeu que a mama
representa perda da feminilidade e mudança na aparência, outras demonstraram
resignação e aceitação e outras 26,7% não responderam. 13,3% das mulheres
responderam que a mama representa agressão ao corpo e mutilação e outras 13,3%
não sofreram impactos com a retirada da mama.

Tabela 25: Distribuição de frequência das respostas sobre como estão os


sentimentos das mulheres mastectomizadas em relação a seu corpo após o câncer
de mama

RESPOSTAS FREQUÊNCIA %
Sente-se bem 4 26,7
Resignação/Aceitação 4 26,7
Sem resposta 4 26,7
Sente-se incomodada com a 2 13,3
aparência/mutilada
Sente-se abalada 1 6,6
TOTAL 15 100

De acordo com a tabela, 26,7% responderam que se sentem bem em relação ao seu
corpo após o câncer de mama, outras 26,7% demonstraram resignação e aceitação
das mudanças, enquanto 6,6% responderam que se sentem abaladas com seu
corpo.
28

Tabela 26: Distribuição de frequência das respostas em relação a experiência das


mulheres no grupo de apoio ADAMA e os efeitos desse grupo na sua autoestima

RESPOSTAS FREQUÊNCIA %
Sente-se apoiada no grupo 7 46,7
Gosta da troca de 7 46,7
experiências/conscientização
da doença/esclarecimentos
proporcionados pelo grupo
Sente-se bem por estar no 5 33,3
grupo
Gosta do apoio e suporte 4 26,7
fornecidos pelos psicólogos
voluntários do grupo
Sente-se acolhida no grupo 2 13,3
Identifica-se com o grupo 1 6,7
Sente esperança no amanhã 1 6,7
com o grupo
TOTAL 27 180,1

A tabela ilustra que 46,7% das mulheres responderam que se recebem apoio no
grupo, outras 46,7% falaram que gostam da troca de experiências, conscientização
da doença e esclarecimentos que o grupo proporciona, enquanto 6,7% responderam
que se identificam com o grupo ou sentem esperança no amanhã com os encontros
no grupo.

6.3. ANÁLISE QUALITATIVA DAS PERCEPÇÕES DAS MULHERES


MASTECTOMIZADAS

Durante a realização da entrevista, foi possível observar mulheres bastante


colaborativas e algumas demonstraram satisfação em participar da pesquisa. A
maioria das mulheres ao serem questionadas sobre o enfrentamento do diagnóstico
da doença respondeu que o maior medo era de morrer. Como relatou H.H, 53 anos:

“Recebi o diagnóstico com muita tristeza né, porque quando você recebe um
diagnóstico de câncer você acha que você vai morrer amanhã, e você fica muito
abalada, mas com o passar dos dias, com o apoio que você vai recebendo você vai
vendo que há chances de cura. Eu vejo o câncer como uma estrada longa, eu gosto
sempre de falar isso, uma estrada muito longa, e as portas vão se abrindo que é o
tratamento e a gente tem que seguir o tratamento até o final.” (H.H., 53 anos).
29

Após a cirurgia, a grande maioria das mulheres relatou que teve mudança na
sua aparência pessoal, enquanto algumas disseram que após o câncer tornaram-se
mais vaidosas e se preocupam mais com a vaidade atualmente.

“A única coisa que me afetou mais é o cabelo, porque o que acontece, a


cirurgia só eu que vou ter essa noção, quando tomo banho né, essas coisas todas, e
o cabelo você ta constantemente né, você vai ao espelho [...] o cabelo você choca
as pessoas e realmente afeta, a mama pra mim não foi problema [...] acho que
agora eu to melhor, apesar de estar fora do meu peso devido a medicação...” (M.V.,
55 anos).

“Na quimioterapia fiquei sem cabelo, sem sobrancelha, sem pelo nenhum, pele
amarela, as pessoas olham pra gente com olhar meio de ignorar, e teve ate uma
amiga minha que passou por mim e não me reconheceu [...] A vaidade melhorou,
melhorou porque [...] eu não pintava meu cabelo e agora eu pinto meu cabelo, eu
faço prancha porque ele fica enroladinho [...] foi uma mudança boa...” (S.C., 52
anos).

Em relação à sexualidade, um número significativo de mulheres relataram que


após a cirurgia da mama a relação sexual ficou prejudicada, em alguns casos por
conta da libido que acaba prejudicada com os efeitos colaterais das medicações, em
outros até mesmo por traumas que surgiram após vivenciar o afastamento do
parceiro.

“Olha, a sexualidade nenhuma, porque o marido foi embora e eu sei que na


parte sexual eu nunca vou encontrar outro igual ao pai dos meus filhos, então parou
[...] Se ele sendo meu marido, vivendo com ele 20 anos e ele fez isso então não vou
encontrar outra pessoa [...] Apareceu um amigo, eu tenho um amigo, ele não toca
em negócio de sexo comigo, ele respeita, a gente sai pra almoçar, passear, tomar
um chá, mas não...” (S.C., 52 anos).

“No início não há possibilidade de ter nenhuma relação sexual, quando pude
ter a chance foi muito constrangedor apesar de namora-lo desde nova, eu chorei
muito no primeiro dia preocupada com nossa relação e não foi diferente, a partir
desse dia não era mais a mesma relação. Por mais que ele disse-se ao contrário
não condizia com o olhar. Eu não tenho vontade de me relacionar com ninguém, e
fico constrangida quando alguém quiser ter relação sexual comigo vou ter que falar,
eu tenho muito medo ter que dizer que não tenho as mamas para alguém não quero
ser humilhada. Eu vivo muito tranquila, livre e em paz para me envolver com outra
pessoa.” (A.M., 63 anos).

Segundo algumas mulheres a retirada da mama representou a perda da


feminilidade ou mudança na aparência, e a retirada foi como uma mutilação ao seu
corpo e um detrimento da sua identidade feminina. Enquanto para outras, após a
cirurgia ocorreu uma resignação ou aceitação do acontecido, ou seja, a única
30

alternativa que encontraram para passar por essa experiência foi aceitar o que
estava ocorrendo.
“A retirada da mama? Ah saúde, pra mim eu não poderia ficar com uma mama
doente, eu acho que foi a melhor coisa que me aconteceu, que se precisava ser
tirada [...] se Deus quiser esse ano vou botar de novo minha prótese, eu quero ter
né, a sensação de que você ta com seu corpo perfeito novamente, mas em relação
a tirada da mama foi a saúde, eu voltei a ter saúde..” (E.F., 61 anos).

“Eu senti assim como se fosse assim uma mutilação [...] é a parte do corpo que
eu sempre gostei mais [...] pra mim eu perdi minha feminilidade, por mais que as
pessoas falem ‘ah ta bonito’, mas no meu intimo eu perdi minha feminilidade.” (M.S.,
53 anos).

“Olha, eu me senti aliviada porque retirou a doença e se ela que causa tanto
transtorno na nossa vida (...) pra mim a ansiedade foi de tirar aquela parte doente e
jogar fora, ainda mais que o médico falou só vai tirar toda porque sua mama é
pequena então não tem como fazer só um corte, tem que tirar toda, é isso que iria
me deixar triste, mas eu não deixei eu digo se for pra jogar a doença fora que vá
embora né, e eu fique boa...” (S.C. 53 anos).

Foi identificado que o apoio do grupo e a troca de experiências sobre


esclarecimentos e fatos sobre a doença são muito importantes para a autoestima e
bem-estar dessas mulheres, ao entender o que é o câncer e seus impasses põe fim
a preconceitos e estigmas sobre a doença e seus desdobramentos e ao encontrar
apoio em quem já passou por esta experiência traz segurança e esperança para
quem está na fase inicial do tratamento.

“A ADAMA é importante além do apoio incondicional, nós nos encontramos


uma nas outras, há um entendimento e um abraço de acolhimento verdadeiro.”
(M.R., 69 anos).

“É uma instituição né, que nós temos aqui em Niterói que apoia as mulheres
com câncer de mama, é legal porque como eu falei a gente não tendo conhecimento
a gente fica perdida na vida então vindo pra cá a gente vê nas companheiras, nas
amigas a esperança no amanhã. Inclusive, eu não sei se vocês tem conhecimento à
gente faz um trabalho aqui de conscientização através de paródias onde eu faço as
músicas de prevenção, a gente faz esse trabalho de passar informação através da
música...” (M.V., 55 anos).

“Ah, aqui é tudo, aqui é tudo, sempre que eu venho, pra mim é um suporte
psicológico muito grande, (...) não posso abrir mão da ADAMA, não posso mesmo,
não tem como.” (M.F., 57 anos).
31

A seguir a entrevista completa com tatuador Roberto dos Santos, 38 anos que
há 8 anos trabalha com tatuagem intradérmica areolar. A entrevista foi realizada em
seu estúdio no bairro do Leblon, RJ, no dia 5 de setembro de 2016:

1. Como começou o seu trabalho com a tatuagem da aureola das mulheres


mastectomizadas?

“O trabalho ele se inicializou a partir do momento que eu conheci uma pessoa


que não era mastectomizada, mas tinha uma falha na aureola e a gente
conversando, interagindo e a gente chegou a uma conclusão de que era possível
fazer com a técnica da tatuagem e foi a partir desse momento que eu me aprimorei e
descobrir através de pesquisas na internet, e executei a primeira e deu certo, ai ela
me falou das mulheres mastectomizadas que até então a sete\oito anos atrás eu não
sabia o que era uma radioterapia ou quimioterapia ,procurei me infiltrar no contexto
disso pra saber o que era , sabendo me sensibilizei e comecei ajudar a partir daí”.

2. Como você vê a função social que exerce sobre essas mulheres?

“O recurso ele, até por ser um trabalho que não é tão conhecido que muita
gente ainda não conhece, quando a mídia divulga e até legal porque no início você
sente a vamos dizer: uma energia boa pela corrente das pessoas, te favorecendo né
a respeito da questão de mais apoio você não vê inclusive no INCA muitos falam pra
mim que o acesso pra ser feito o enxerto lá é complicado, demora muito e quando
isso acontece na mão de um médico acontece de despigmentar. Muitas não têm
condições financeiras pra pagar uma dermopigmentação que dura de oito meses a
um ano, foi mais dos motivos que eu entrei porque o meu não dura 8 meses nem 1
ano dura até o final da vida da pessoa e sei lá aquele lance 10\30\40 minutos pra
mim tirar uma pessoa que está a 17 anos na fila, não me dói entendeu. Então agora
eu acho que o sistema poderia ser assim, ter mais locais que não vai depender só
dos tatuadores pra fazer cada um tem uma forma de agir e de ser, eu no meu caso
''tipo assim'' me qualifiquei nessa área de fazer uma coloração com esse tom de pele
frio e quente eu parti pra dentro. Agora apoio, apoio legal tem sim de político que
vem pra querer apoiar, seu eu quisesse apoio de político eu me elegeria a um
vereador e eu mesmo me apoiaria, mas enfim a gente conquista uma graninha
32

través de uma redução de mama ou uma colocação de prótese de silicone e reverte


o dinheiro para a campanha do Câncer”.

3. E a função psicológica?

“A função psicológica delas cara, inclusive eu acho muito interessante por que
você ajuda uma pessoa, mas na tabela você ajuda toda uma família porque às
vezes ela está ali no sofá rindo ''ta'' brincando, mas por dentro ela ''ta'' chorando
porque se você notar, você quer sair e tem uma espinha no teu rosto se tiver um
cravo te incomoda, você imagina uma mulher sem aureola pra poder até namorar,
ter relação inclusive muitas se tornam amiga minha e vem me visitar , me ligam
inclusive tem muitas que já falaram assim ''Beto eu tô namorando e agora eu posso
me despir ficar à vontade , muito obrigado , meu namorado falou pra mim qual é a
original e qual não é '' e eles brincam assim que elas falam nem os caras assim as
vezes namorados entende qual a verdadeira porque fica uma coisa tão bacana. Mas
a autoestima delas aumenta graças a Deus bastante, sempre que entro em contato
com elas e sempre falam muito positivamente, que tudo está bem e as famílias
também vêm me agradecer os parentes, e eu acho muito bom, por isso não tem
como nem pensar em parar entendeu. E o câncer não tem essa de cor, raça, idade e
classe social é o rico o pobre quando pega todo mundo sabe como é a dor da coisa
ai quem já passou. Estamos aí pra ajudar”.

4. Por quais limitações, dificuldades e desafios você passou no seu trabalho?

“Os desafios que a gente passa no dia a dia cara é tipo assim nas redes sociais
onde eu divulgo o trabalho vamos dizer na facebook, existe dificuldade de pessoas
que estão com a mente um pouco atrasada ou gananciosa , porque além de fazer o
trabalho gratuito eu sei que tem clínicas ai que cobram em torno de R$ 800,00
(oitocentos reais) a R$ 1.400,00 (um mil quatrocentos reais) cada lado e como faço
gratuito incomoda muita gente entendeu e me denunciam no facebook, eu já perdi
dois facebook por falar que era imagem de nudez e na verdade eu fui excluído por
pessoas de espírito pobre assim pessoa ruins que não pensam no próximo , que
quer o dinheiro, quer aquilo ou então não quer ver achando que eu estou me dando
bem, eu to me dando bem de repente sei lá ''papai do céu'' está gostando, cada um
tem o dom na terra e eu estou fazendo o meu entendeu. Achei e acho legal, acho
33

bacana e tenho meu cantinho aqui ajudando, já passou mais de 500 (quinhentas)
mulheres graças a Deus foram realizadas e estão felizes e eu também estou feliz
com elas. A luta não pode parar não”.

7. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Os resultados demonstram que as mulheres com câncer têm idade entre 50


(cinquenta) e 59 (cinquenta e nove) anos e representam a maioria da amostra,
possuem o ensino médio completo e enquanto ao estado civil o maior número é de
casadas. Em relação ao tempo de cirurgia a maior parte tem até 15 (quinze) anos de
operada dentre estas prevalece as que possuem mastectomia total. Sobre a vida
sexual das mulheres grande parte tem a vida sexual ativa.
Aferiu-se que a maioria enfrentou o diagnóstico da doença inicialmente com
medo de morrer, enquanto o apoio e acolhimento da família foram os resultados
mais significantes para o processo de recuperação primordial para o enfrentamento
positivo da doença.
Na aparência pessoal após a cirurgia predominou a frequência da quantidade
de mulheres que notou mudança na aparência pessoal após a cirurgia, porém não
se incomodaram com essas mudanças de forma significativa.
Os pensamentos mais frequentes após a cirurgia de mama da maioria das
mulheres foram voltados para “vontade de viver” e positivos, refutando a hipótese
em que a cirurgia da mama traz impactos negativos na vida das mulheres
mastectomizadas.
Em relação à sexualidade e autoestima das mulheres após a cirurgia da mama,
ficaram prejudicadas e/ou teve diminuição da libido, confirmando a hipótese que
existe um determinado estigma relacionado às relações afetiva e sexual dessas
mulheres, além de ser um órgão significativo e característico do gênero feminino.
Quanto aos sentimentos em relação à vida e ao corpo após o câncer de mama, em
geral sentiram-se bem ou houve resignação e aceitação sobre o fato após a cirurgia
como forma de enfrentamento.
Sobre a experiência e os efeitos do grupo ADAMA na autoestima das mulheres
observou-se que a grande maioria se sentiu apoiada pelo grupo e destaca a troca de
experiências, conscientização da doença e esclarecimentos proporcionados,
34

atestando a hipótese de que o grupo de apoio tem um papel relevante na


recuperação psicológica e emocional dessas mulheres.

7.1. RELAÇÃO COM A LITERATURA

Os dados referentes ao câncer de mama e pensamentos frequentes vão de


encontro aos de Duarte e Andrade (2003), que indica:

Uma série de conflitos emocionais, em que a morte e a perda da


mama neste momento, passam a representar uma ameaça constante
para a vida da mulher acometida. Inicialmente ao ser informada do
diagnóstico, a preocupação maior da paciente volta-se para a sua
sobrevivência. (Duarte e Andrade, 2003).

Inicialmente a mulher acometida leva em consideração a sua sobrevivência em


detrimento da aparência, sobretudo a perda da mama, de acordo com os seguintes
trechos “Somente após afastada a possibilidade de morte é que a mulher irá voltar-
se para a mutilação da mama e suas consequências” (DUARTE e ANDRADE, p.
162, 2003). A mulher reage de acordo com alterações da vivência e experiência de
vida, no meio social e familiar, conforme sinaliza Duarte e Andrade (2003):

A partir da retomada dos relacionamentos sociais, atividades de


lazer, trabalho e família é que surgem as preocupações relacionadas
ao próprio corpo. Nesses contatos sociais ocorrem um defrontar-se
com a realidade, fazendo com que as mulheres passem a reavaliar e
reelaborar as suas potencialidades e as formas diferenciadas de
relacionar-se com o próprio corpo e com os outros, principalmente o
parceiro. (Duarte e Andrade, 2003).

A aceitação da família tem relevância no diagnóstico do câncer, pois estas


mulheres apresentam dificuldade em enfrentar o fato, sendo assim o apoio da
família é crucial para superar os obstáculos do tratamento. Outro fator importante é
buscar informação e esclarecimento sobre a doença para a não construção de
estigmas do câncer. Segundo Martins et al (2010), “O apoio familiar é um elo
importantíssimo para a melhora do quadro clínico da paciente, pois é importante
para ela sentir-se apoiada pelos entes queridos”.

De acordo com Duarte e Andrade (2003), a mama é representada como um


órgão que simboliza feminidade, aparência física, sexualidade e imagem corporal
35

(apud Gimenes, 1997; Carver, 1993; Gandini, 1995). As cirurgias de mastectomia


podem influenciar a autoimagem da mulher em relação a vaidade e autoestima.

Na pesquisa de campo pode observar considerações positivas para algumas


mulheres entrevistadas após a cirurgia da mama.

“Em relação a vida eu to muito bem, porque eu faço ate chacota disso sabe?!
Eu brinco, os amigos do meu filho brincam, que eu tenho uma casa em São Pedro
da Aldeia ai a gente vai pra praia quando volta da praia eu penduro meus peito na
corda (risos) e os meninos brincam, riem comigo, já perdi meu peito na praia e todo
mundo procurando e eu faço até brincadeira com isso (...) Minha vida mudou sim,
mudou pra melhor, que eu me desprendi de tanta coisa , sabe, muitas coisas, eu
abri mão de muitas coisas (...) eu vivo muito a minha vida, eu falo por mim.” (A.M.,
63 anos)

No que se refere às relações amorosas, uma parcela de mulheres relatou


mudanças negativas no convívio com seus parceiros, influenciando sua autoestima,
conforme relato observou-se interferências na libido, ausência de compreensão e
aceitação do parceiro e vergonha. As entrevistas revelaram que para algumas
mulheres não houve mudança na sua vaidade, e outras se tornaram mais vaidosas e
preocupadas com a aparência após a cirurgia da mama.

7.2 DIFICULDADES E LIMITAÇÕES

Na pesquisa realizada, por se tratar de um tema sutil houve resistência por


parte de algumas instituições em conceder autorização para pesquisa. Inicialmente a
tentativa do estudo era voltada para além da entrevista das mulheres do grupo de
apoio ADAMA, a outra proposta era de entrevistar mulheres mastectomizadas com
tatuagem intradermica areolar em busca de relatos após o procedimento na
autoestima e sexualidade, porém houve dificuldade de localização e disponibilidade
das mulheres mastectomizadas tatuadas através do projeto: Redesenhando sua
alegria realizado pelo tatuador Roberto Santos.

Na aplicação do questionário do grupo de apoio ADAMA foi encontrada


adversidade de algumas mulheres em participar da pesquisa por se apresentarem
frágeis emocionalmente e/ou não preparadas para relatarem sobre o assunto.
36

Na elaboração das perguntas as profissionais psicólogas voluntárias da


ADAMA contribuíram para o melhor desempenho da aplicação do questionário de
forma menos invasiva, com isso, algumas das perguntas desencadeadas obtiveram
falhas possibilitando a omissão de informações importantes.

Outra dificuldade encontrada foi de identificar instituições voltadas para o


apoio e acolhimento das mulheres mastectomizadas no município do Rio de Janeiro,
existem poucas divulgações desse trabalho e pouquíssimos grupos de apoio que
façam algo parecido com a ADAMA.

Em relação à tatuagem, somente o tatuador Roberto Santos faz esse tipo de


trabalho voluntário no município do Rio de Janeiro, ainda é algo novo nesse meio, e
muitas pessoas não conhecem. A técnica demanda dedicação e capacitação, ainda
é pouco divulgada e conhecida, mas vem crescendo bastante com o passar do
tempo e ganhando novos tatuadores adeptos no Brasil e com isso melhorando a
autoestima de mulheres mastectomizadas.

8. CONCLUSÃO

O presente trabalho teve como objetivo analisar o impacto do grupo de apoio


ADAMA (Associação Amigos da Mama) e procedimento de tatuagem intradérmica
areolar realizado pelo tatuador Roberto dos Santos na autoestima e sexualidade das
mulheres mastectomizadas, incluindo a pesquisa de campo, elaboração do tema,
orientação acadêmica e busca bibliográfica. Esse estudo possibilitou um maior
conhecimento do universo das mulheres mastectomizadas, suas vivencias no grupo
de apoio, processo de tatuagem intradérmica areolar e suas consequências
psíquicas.

A pesquisa mostrou que a sexualidade e a autoestima das mulheres após a


cirurgia da mama, ficaram prejudicadas e/ou teve diminuição da libido, pois a mama
é um órgão significativo e característico do gênero feminino. As mulheres
participantes apresentaram pensamentos com conteúdos positivos no processo pós
mastectomia. Em relação à vida sentimental e o corpo após o câncer de mama
desvela resignação e aceitação como forma de enfrentamento.
37

Percebeu-se durante o estudo que o grupo de apoio exerce um papel


importante na recuperação psicológica e emocional dessas mulheres, pois oferece
apoio, conscientização, compartilhamento de experiências, acolhimento e
ressignificação da doença. Podemos mensurar através da entrevista com o tatuador
que o nível da autoestima aumenta positivamente e há um reconhecimento de sua
atuação por parte dos familiares e cônjuges. Esse trabalho, embora com boas
consequências, esbarra diariamente em dificuldades na divulgação nas redes
sociais e aceitação de outros profissionais da área.

A pesquisa proporcionou conhecer uma instituição que trabalha junto a uma


equipe de psicólogas oncologistas, falas distintas do esperado referente ao estigma
da doença, da mastectomia e de suas consequências, assim como novos
conhecimentos quanto à experiência no cotidiano do câncer de mama.

Evidencia-se que através do conhecimento, levantamento de dados,


pesquisas de campo e estudos sobre a mastectomia e quadranctomia e
procedimento de tatuagem intradérmica areolar influenciam e modificam
positivamente a autoestima e sexualidade das mulheres. Considerando que,
segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa de 57.960 (cinquenta e
sete mil novecentos e sessenta) novos casos de câncer de mama só em 2016,
ressaltando a importância da formação continuada em psicologia oncológica que
oferece um conhecimento fundamentado em teorias e práticas voltadas para o
trabalho de assistência a mulheres e seus familiares que experienciam o câncer de
mama.
38

9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. ALMEIDA, Ana Maria de et al. Construindo o significado da recorrência da


doença: a experiência de mulheres com câncer de mama. 63-69p. Curso de
Enfermagem, Universidade de São Paulo – USP, 2001. Disponível em: <
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2. ALMEIDA, Raquel Ayres de. Impacto da mastectomia na vida da mulher. 99-


113. Curso de Especialização em Psicologia Hospitalar e da Saúde, da Santa
Casa da Misericórdia do RJ, 2006. Disponível em <
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março.

3. CAETANO, Edilaine Assunção; GRADIM, Clícia Valim Côrtes; SANTOS, Lana


Ermelinda da Silva dos. Câncer de mama: reações e enfrentamento ao
receber o diagnóstico. 17 (2) 257-p. Curso de Enfermagem, Universidade
Estadual do Rio de Janeiro – UERJ, abr/jun, 2009. Disponível em: <
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em: 09 de março.

4. CORBELLINI, Valéria Lamb. Câncer de mama: encontro solitário como o


temor do desconhecido. 42-68p. Curso de Enfermagem de Porto Alegre,
Revista Gaúcga de Enfermagem, 2001. Disponível em <
http://www.seer.ufrgs.br/index.php/RevistaGauchadeEnfermagem/article/view/
4351/2299 > Acesso em: 04 de março.

5. DUARTE, Tânia Pires; ANDRADE, Ângela Nobre de. Enfrentamento a


mastectomia: análise dos relatos de mulheres mastectomizadas sobre
questões ligadas à sexualidade. (8)1, 155-163p. Estudos de Psicologia,
Universidade Federal do Espírito Santo, 2003. Disponível em: <
http://www.scielo.br/pdf//epsic/v8n1/17245.pdf > Acesso em: 09 de março.

6. MARTINS, Raquel; PEREIRA, Geórgea; COBUCI, Ricardo Alexandre da


Silva. O Grupo de apoio como fator relevante para mulheres com Câncer de
mama. 433-441p. Revista Enfermagem Integrada, 2008. Dísponivel em: <
http://www.unilestemg.br/enfermagemintegrada/artigo/v3/06-o-grupo-de-
apoio-como-fator-relevante.pdf > Acesso em: 09 de maio.
39

7. PELEGRIMI, Lívia Garcia; CERQUEIRA, Juliana de Almeida; PERES,


Rodrigo Sanches. Morbilidade Psicológica em mulheres mastectomizadas:
Influências das reações emocionais ao câncer de mama. 7f. Seminário de
Iniciação Científica (Encontro Interno) – Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-
Graduação, Universidade Federal de Uberlândia – UFU, 2008. Disponível em:
< https://lookaside.fbsbx.com/file/IC2008-
0333.pdf?token=AWy6gjagxqm3fBWfVzxhwptHi5sF84mmVSedHeaXSlwJwly
uPFTZ4uvFl7uMvXiCEhEzDS8gJ6zErq6K9tHyViDoXso3DvJHq2eDfq8cV8A6f
y3Ro12a5hNtu1NL-nFZl34B8RV0jD1vS5wEiUa2oc > Acesso em: 22 de
março.

8. PESSOA, Salustiano Gomes de Pinho et al. Técnica simples e segura para a


reconstrução areolopapilar com tatuagem intradérmica. Revista brasileira
Circurgia Plástica. Vol.27 São Paulo, 2012. Disponível em: <
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S19835175201200030
0015&lang=PT > Acesso em: 09 de maio.

9. ROSSI, Leandra; SANTOS, Manoel Antônio dos. Repercussões psicológicas


do adoecimento e tratamento em mulheres acometidas pelo câncer de mama.
32-41p. Psicologia Ciência e Profissão, 2003. Disponível em: <
http://pepsic.bvsalud.org/pdf/pcp/v23n4/v23n4a06.pdf > Acesso em: 04 de
março.

10. SANTOS, Daniela Barsotti; VIEIRA, Elisabeth Meloni. Imagem corporal de


mulheres com câncer de mama: uma revisão sistemática da literatura. Curso
de Enfermagem, Ciência e Saúde Coletiva, 2511-2522, 2011. Disponível em:
<
https://www.researchgate.net/publication/51203770_Body_image_of_women_
with_breast_cancer_A_systematic_review_of_literature > Acesso em: 09 de
março.

11. SILVA, Lucia Cecilia da. Câncer de mama e sofrimento psicológico: aspectos
relacionados ao feminino. 231-237p. Psicologia em Estudo, Universidade
Estadual de Maringá, abr/jun, 2008. Disponível em <
http://www.scielo.br/pdf/pe/v13n2/a05v13n2 > Acesso em 04 de março.
40

ANEXO I - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

Declaro, por meio deste termo, que concordei em ser entrevistado (a) e/ou
participar da pesquisa de campo referente ao projeto/pesquisa intitulado (a): Câncer
de Mama, Autoestima e Sexualidade: Processo psicológico em busca da
recuperação da autoestima e sexualidade em mulheres mastectomizadas.
Desenvolvida (o) por: Dayana Tavares – Matricula 120500050; Haira Correa –
Matricula 120500181; Illyana Alves – Matricula 120500131; Larissa Vassalli de
Souza – Matricula 120500053; Lurimar Beatriz G. dos Santos – Matricula 12050167.
Fui informado (a), ainda, de que a pesquisa é orientada por Carlos Eduardo L. S.
Nórte, professor do Centro Universitário Celso Lisboa, a quem poderei
contatar/consultar a qualquer momento que julgar necessário através do telefone
(21) 3289-4752 ou e-mail prof.carlos.norte@celsolisboa.edu.br. Afirmo que aceitei
participar por minha própria vontade, sem receber qualquer incentivo financeiro ou
ter qualquer ônus e com a finalidade de colaborar para o sucesso da pesquisa. Fui
informado (a) dos objetivos estritamente acadêmicos do estudo, que, em linhas
gerais é entender a relação entre autoestima de mulheres mastectomizadas e
tatuagem de reconstituição areolar.
Fui também esclarecido (a) de que os usos das informações por mim oferecidas
às normas éticas destinadas à pesquisa envolvendo seres humanos, da Comissão
Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) do Conselho Nacional de Saúde, do
Ministério da Saúde. Minha colaboração se fará de forma a cooperar na pesquisa do
trabalho a ser realizado através da fala, observação, filmagem e gravação de áudio.
Fui ainda informado (a) de que posso me retirar desse (a) estudo a qualquer
momento, sem prejuízo para meu acompanhamento ou sofrer quaisquer sanções ou
constrangimentos. Atesto recebimento de uma cópia assinada deste Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido, conforme recomendações da Comissão de Ética
em Pesquisa (CONEP).

Rio de Janeiro, ____ de ________________ de 2016.

Assinatura do (a) participante

Assinatura do pesquisador
41

ANEXO II – Questionário Grupo de Apoio ADAM

1. Dados Sócio Demográficos:

Nome:
Idade:
Há quanto tempo realizou a cirurgia de mama?
Mastectomia ( ) Quadrantectomia ( )
Realizou tratamento antes ou após a cirurgia?
( ) Quimioterapia ( ) Radioterapia ( ) Hormonoterapia
Por quanto tempo: QT ___________ RT _____________ HT _______________
Estado Civil:
( ) Solteira ( ) Casada ( ) Tem namorado ( ) Acompanhante ( ) Viuva
( ) Outros ________________________________
Tem vida sexual ativa? Sim ( ) Não ( )
Tem filhos: Sim ( ) Não ( )
Caso a resposta seja sim, quantos anos ele(s) tem: _________________________
Renda per capita:
R$ Até 1.000,00 ( ) Entre 1.000,00 e 2.000,00 ( ) Mais de R$ 2.000,00 ( )
Escolaridade:
( ) E. Básico ( ) E. Médio ( ) E. Superior ( ) E. Superior Incompleto
( ) Outros ( ) _______________________________

2. Questionário:
1) Como você enfrentou o diagnóstico da doença? E sua família, como enfrentou?
2) Após a cirurgia, houve mudanças em relação a sua aparência? Como ficou sua
vaidade?
3) Como sua família lidou com seu tratamento após a cirurgia de mama? Como se
comportaram? Ajudaram nas tarefas domesticas? Davam apoio emocional? Quais
pensamentos eram mais frequentes após a cirurgia de mama?
4) Quais pensamentos eram mais frequentes após a cirurgia?
5) Como ficou sua sexualidade e autoestima após a cirurgia de mama?
6) O que a retirada da mama representa para você? Como estão seus sentimentos em
relação a vida e a seu corpo, após o câncer de mama?
7) Em relação à ADAMA:
Fale-nos sobre sua experiência no grupo e os efeitos na sua autoestima.
42

ANEXO III – Questionário com Roberto dos Santos

1) Como começou no seu trabalho com a tatuagem da aureola das mulheres


mastectomizadas?
2) Como você vê a função social que exerce sobre essas mulheres?
3) E a função psicológica?
4) Por quais limitações, dificuldades e desafios você passou no seu trabalho?

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