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PRESIDENTE DA REPUBLICA

Emílio Garrastazu Médici

MINISTRO DAS MINAS E ENERGIA


Antônio Dias Leite Júnior

DIRETOR GERAL DO DEPARTAMENTO NACIONAL DA PRODUÇÃO MINERAL


Yvan Barretto de Carvalho

PROJETO RADAM
Presidente - Acyr Avila da Luz
Secretário Executivo- Antônio Luiz Sampaio de Almeida
Superintendente Técnico Operacional- Otto Bittencourt Netto

59 DISTRITO- DNPM
Chefe - Manoel da Redenção e Silva
MINISTeRIO DAS MINAS E ENERGIA
DEPARTAMENTO NACIONAL DA PRODUÇAO MINERAL
PROJETO RADAM

LEVANTAMENTO DE RECURSOS NATURAIS


VOLUME 5

FOLHA SA.22 BELt:M

GEOLOGIA
GEOMORFOLOGIA
SOLOS
VEGETAÇÃO
USO POTENCIAL DA TI;RRA

PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO NACIONAL

RIO DE JANEIRO
1974
Brasil. Departamento Nacional de Produção Mineral.
Projeto Radam
Folha SA.22 Belém; geologia, geomorfologia, so·
los, vegetação e uso potencial da terra. Rio de Ja·
neiro, 1974.
27,5 em (Levantamento de recursos naturais, 5)

1 Região Norte - Geologia 2 Região Norte -


Geomorfologia 3 Região Norte - Solos 4 Região
Norte - Vegetação. 5 Reg1ão Norte - Uso Potencial
da terra I Brasil Programa de Integração Nacional
11 Série 111 Título
CDD 558 1

Correspondência: Av. Pasteur, 404 Praia Vermelha Rio GB


PLANO DA OBRA

Localização da Area
Apresentação
Prefácio

GEOLOGIA
GEOMORFOLOGIA
SOLOS
VEGETAÇAO
USO POTENCIAL DA TERRA

Outros Produtos do Projeto Radam

Anexos Mapa Geológico


Mapa Geomorfológico
Mapa Exploratório de Solos
Mapa de Aptidão Agr(cola dos Solos
Mapa Fitoecológico
Mapa de Uso Potencial da Terra
Local izaçâ'o da Area

18 19 20 21 54~ 22 23 , 42~ 24 360 25


72° 66" 611 4SO
NB NB
40 40
occ,.ql\lo
NA NA
47[4/tt.
o~
lico oo
SA SA
AMAZONAS
40 40
SB SB
go go
se se
12" 120
SD SD
ISO
16"
SE SE
7'! 66" 600 54" 48" 42° 3SO
18 19 20 21 22 23 24 25
APRESENTAÇÃO

A descoberta do espaço amazônico, através do emprego de técnicas das mais modernas,


como o sensoriamento remoto, renasce neste momento com o seu potencial de recursos
naturais, através do Projeto RADAM, ao divulgar expressivos dados obtidos nos
mapeamentos da Amazônia.

Deste modo, a quietude dos imensos vazios que reclamavam ocupação de sentido
econômico, começa a ser rompida através de um esforço conjunto e arrojado.

O Projeto RADAM, no cumprimento da missão que lhe foi atribuída, dentro do contexto
do Programa de Integração Nacional, sente-se orgulhoso em participar da iniciativa
gigantesca em que se empenha o Governo Federal no desenvolvimento da Amazônia
Brasileira.

Ao ensejo de mais este lançamento, renovamos os agradecimentos formulados nos


volumes anteriores pelo irrestrito apoio obtido nesta tarefa inédita e de imensurável valor
sócio-econômico.

YVAN BARRETTO DE CARVALHO


Diretor Geral do Departamento Nacional
da Produção Mineral
PREFACIO

Com este 5~volume dá-se prosseguimento à divulgação dos estudos efetuados pelo Projeto
RADAM na Amazônia Oriental, ou mais precisamente, no domínio das desembocaduras
dos rios Amazonas e Tocantins.

A área aqui focalizada situa-se entre o equador e o paralelo 4? Se os meridianos de 48~ W


e 54? W, com uma superHcie de 284 780 km 2 , abrangendo em quase sua total idade terras
do Estado do Pará e apenas uma pequena porção do Território Federal do Amapá.

Constitui a Folha SA.22, Belém, do corte cartográfico internacional.

Como os anteriores, o presente volume compreende cinco seções: GEOLOGIA,


GEOMORFOLOGIA, SOLOS, VEGETAÇÃO E USO POTENCIAL DA TERRA.

A metodologia seguida nos estudos dos diferentes temas foi, em linhas gerais, a mesma
que vem sendo aplicada nos trabalhos do RADAM, ou seja, interpretação das imagens de
radar auxiliada, quando necessário e possível, pelas fotos infravermelho e multiespectrais,
complementada por sobrevôos a baixa altura, verificação no terreno, pesquisa
bibliográfica e outras informações úteis à reinterpretação final.

Os estudos geológicos, malgrado a extensa cobertura de sedimentos novos, com uma


relativamente pequena distribuição de rochas pré-cambrianas e paleozóicas aflorantes,
conseguiram alcançàr seus objetivos graças ao esforço da equipe em empreender uma
exaustiva pesquisa bibliográfica, já analisando trabalhos antigos, já utilizando-se dos mais
recentes resultados das pesquisas geológicas efetuadas pela PETROBRÁS na Amazônia.
Também a coleta de informações de campo e as análises petrográficas e geocronológicas
muito contribuíram para elevar o grau de fidedignidade do mapeamento geológico
realizado. Dentre as várias recomendações feitas pelos autores, destacamos as duas
seguintes:

1~.- Executar um mapeamento de detalhes da Folha SA.22-V-A, Monte Dourado, pela


importância econômica de suas intrusivas alcalinas e também por estar nela presente o
Grupo Vila Nova, com suas unidades potencialmente ferríferas e manganesíferas;

2~ . - Foi observada na imagem de radar uma interessante feição de anomalia de


drenagem, que pode ter algum significado para a pesquisa de petróleo, visto estar
localizada nas proximidades do flanco oeste do Arco de Gurupá.

Quanto à GEOMORFOLOGIA a área foi dividida nas seguintes grandes unidade~"

Planalto Setentrional Pará-Maranhão, Planalto Tapajós-Xingu, Planalto da Bacia


Sedimentar do Amazonas, Planalto Rebaixado da Amazônia, Depressão Periférica do Sul
do Pará, Depressão Periférica do Norte do Pará e Planície Amazônica.

Após descreverem cada uma destas unidades os autores discutem, no capítulo da evolução
do relevo, os efeitos estruturais na esculturação do relevo, as depressões periféricas à Bacia
Paleozóica, os níveis de aplainÇJmentos e, finalmente, de um modo magistral, são
discutidos os complexos problemas da foz do Rio Amazonas, quer sob o prisma de sua
natureza e classificação, quer sob os aspectos da origem, idade e evolução do grande rio.

Focalizam também o potencial hidrelétrico, escrevendo: "os rios da Geração Xingu, de


grande volume d'água, cortam estruturas pré-cambrianas e depois pré-silurianas,
permitindo a existência de sítios adequados para a construção de sistemas de barragens de
grande porte"

Na seção de SOLOS são definidas dezoito unidades taxonômicas identificadas na área e


descritas cinqüenta e nove associações de so)os, tomadas como unidades de mapeamento.
Além deste volumoso acervo pedológico, os autores apresentam uma análise do uso atual
da terra e uma avaliação da aptidão agrícola dos solos, para os sistemas primitivo e
desenvolvido de agricultura. Das conclusões e recomendações sobressaem as seguintes:

1~.-cerca de 4% da área em condições naturais são inaptas ao uso agrícola; 2? - as


terras mais férteis são encontradas em áreas relativamente pequenas a sudoeste, nas
proximidades da cidade de Altamira; ao norte, cortando o Rio Jari, próximo à Cachoeira
de St~ Antônio são encontradas terras medianamente férteis; 3?. -no último parágrafo do
RESUMO os autores sintetizam suas conclusões afirmando que: "os solos na sua maioria
possuem limitações de moderadas a fortes para a agricultura, dentro do sistema primitivo
de manejo e que para a implantação generalizada de uma agricultura racional na área
necessitam-se de estudos aprimorados de fertilização de culturas altamente rentáveis".

O estudo da VEGETAÇÃO segue a mesma metodologia que vem sendo adotada nos
trabalhos anteriores, tendo sido dada ênfase especial, como aconteceu na área relativa ao
4~volume, ao inventário madeireiro da região.

São descritas, pormenorizadamente, cinco fisionomias ecológicas: o CERRADO, as


FORMAÇOES PIONEIRAS, a FLORESTA ABERTA, a FLORESTA DENSA e a
FLORESTA SECUNDÁRIA.

Como síntese de suas conclusões os autores ressaltam o elevado potencial econômico dos
recursos naturais renováveis, principalmente o grande acervo madeireiro das vastas
florestas existentes e as ~xtensas pastagens naturais nas áreas das Formações Pioneiras,
especialmente na parte leste da ilha de Marajá.

A parte final do presente volume é dedicada ao USO POTENCIAL DA TERRA, com uma
interessante discussão sobre as modificações, que, certamente, adVirão nas condições
sócio-econômicas da área, como decorrência da vigorosa ação governamental que está
tendo lugar na Amazônia. Uma delas será a descentralização da atividade comercial hoje
quase que exclusiva de Belém devendo participar como um dos grandes centros
econômicos da área a cidade de Altamira, situada em posição privilegiada que juntamente
com Marabá a sudeste e ltaituba a sudoeste formará o triângulo propulsor da economia do
Centro-Su I do Pará.

Corno nos volumes precedentes, os autores discorrem sobre a metodologia empregada e


apresentam uma análise do MAPA DE USO POTENCIAL DA TERRA. Desta análise
ressaltam o grande potencial madeireiro e a importância do extrativismo vegetal, para
quase toda a área, e a elevada capacidade natural dos campos de Marajó, para a atividade
pecuária.

Os autores recomendam e justificam a implantação de 3 RESERVAS BlOLOGlCAS, bem


como estendem para a presente Folha o domínio da FLORESTA NACIONAL DO
BACAJA-ITACAIÜNAS, cujo estabelecimento já foi recomendado no volume anterior.

Acyr Avila da Luz


-
GEOLOGII
GEOLOGIA DA FOLHA SA.22 BELI:M

AUTORES:
ROBERTO SILVA ISSLER
ALUIZIO ROBERTO FERREIRA DE ANDRADRE
RAIMUNDO MONTENEGRO GARCIA DE MONTALVAO
GEROBAL GUIMARÃES
GUILHERME GALEAO DA SILVA
MARIO IVAN CARDOSO DE LIMA

PARTICIPANTES:
JOSE WATERLOO LOPES LEAL
CEZAR NEGREIROS DE BARROS FILHO
ABELARDO DA SILVA OLIVEIRA
FERNANDO PEREIRA DE CARVALHO
JAIME FRANKLIN VI DAL ARAÚJO
ROBERTO DALL' AGNOL
MIGUEL ANGELO STIPP BASEI
FRANCISCO MOTA BEZERRA DA CUNHA
ANDERSON CAIO RODRIGUES SOARES
ARMINIO GONÇALVES VALE
SUMARIO

ABSTRACT 1/7

1. INTRODUÇÃO 1/9
1.1. Localização 1/9
1.2. Objetivos do trabalho 1/9
1.3. Método de Trabalho 1/11

2. ESTRATIGRAFIA 1/13
2.1. Províncias Geológicas 1/14
2.1.1. Área Cratônica do Guaporé 1/14
2.1.2. Área Cratônica das Guianas 1/14
2.1.3. Faixa Orogênica Araguaia-Tocantins 1/15
2.1.4. Sinécl ise do Amazonas 1/15
2.1.5. Sinéclise do Maranhão-Piauí 1/15
2.1.6. Coberturas Cenozóicas 1/16
2.2. Descrição das Unidades 1/16
2.2.1. Complexo Xingu 1/16
2.2.1.1. Generalidades 1/16
2.2.1.2. Posição Estratigráfica 1/17
2.2.1.3. Distribuição na Área 1/17
2.2.1.4. Geocronologia 1/17
2.2.1.5. Petrografia 1/17
2.2.2. Complexo Guianense 1/20
2.2.2.1. Generalidades 1/20
2.2.2.2. Posição estratigráfica 1/22
2.2.2.3. Distribuição na Área 1/22
2.2.2.4. Geocronologia 1/22
2.2.2.5. Petrografia 1/22
2.2.3. Grupo Vila Nova 1/25
2.2.3.1. Generalidades 1/25
2.2.3.2. Posição Estratigráfica 1/26
2.2.3.3. Distribuição na Área 1/26
2.2.3.4. Geocronologia 1/26
2.2.3.5. Petrografia 1/26
2.2.4. Alcalinas de Maraconai 1/27
2.2.4.1. Generalidades 1/27
2.2.4.2. Posição Estratigráfica 1/27
2.2.4.3. Distribuição na Área 1/27
2.2.4.4. Análises químicas 1/28
2.2.5. Grupo Tocantins 1/28
2.2.5.1. Generalidades 1/28
2.2.5.2. Posição Estratigráfica 1/28
2.2.5.3. Distribuição na Área 1/28
2.2.5.4. Geocronologia 1/29
2.2.5.5. Litologias 1/29

1/3
2.2.6. Formação Trombetas 1/29
2.2.6.1. Generalidades 1/29
2.2.6.2. Posição Estratigráfica 1/30
2.2.6.3. Distribuição na Area 1/30
2.2.6.4. Litologias 1/30
2.2.7. Formação Curuá 1/31
2.2.7.1. Generalidades 1/31
2.2.7.2. Posição Estratigráfica 1/31
2.2.7.3. Distribuição na Area 1/31
2.2.7.4. Litologias 1/32
2.2.8. Formação Monte Alegre 1/32
2.2.8.1. Generalidades 1/32
2.2.8.2. Posição Estratigráfica 1/33
2.2.8.3. Distribuição na Area 1/33
2.2.8.4. Litologias 1/33
2.2.9. Formação ltaituba 1/33
2.2.9.1. Generalidades 1/33
2.2.9.2. Posição Estratigráfica 1/33
2.2.9.3. Distribuição na Area 1/34
2.2.9.4. Litologias 1/34
2.2.10. Diabásio Penatecaua 1/34
2.2.10.1. Generalidades 1/34
2.2.10.2. Posição Estratigráfica 1/34
2.2.10.3. Distribuição na Area 1/34
2.2.10.4. Geocronologia 1/35
2.2.10.5. Petrografia 1/35
2.2.11. Formação ltapicuru 1/36
2.2.11.1. Generalidades 1/36
2.2.11.2. Posição Estratigráfica 1/36
2.2.11.3. Distribuição na Area 1/37
2.2.11.4. Litologias 1/37
2.2.12. Formação Barreiras 1/37
2.2.12.1. Generalidades 1/37
2.2.12.2. Posição Estratigráfica 1/37
2.2.12.3. Distribuição na Area 1/37
2.2.12.4. Litologias 1/37
2.2.13. Aluviões 1/38

3. ESTRUTURAS 1/39
3.1. Estruturas Regionais 1/39
3.2. Estruturas Locais 1/40
3.2.1. Alto do Capim-Surubim 1/40
3.2.2. Arco de Gurupá 1/40
3.2.3. Estrutura do Pedreir'o 1/40
3.2.4. Sinclinal de Trucará 1/40
3.2.5. Falhas de Volta Grande 1/41

1/4
3.2.6. Fossa do Marajó 1/41
3.2.7. Intrusivas Alcalinas de Maraconai 1/41
3.2.8. Faixa de Serpentinitos Araguaia-Tocantins 1/41
3.2.9. Lineamento I ri ri-Martírios 1/41
3.2.10. Lineamento do Rio das Velhas ou Tocantins-Araguaia 1/42
3.2.11. Discordâncias 1/42

4. GEOLOGIA ECONOMICA 1/44


4.1. Generalidades 1/44
4.2. Ocorrências Minerais 1/44
4.2.1. Ouro 1/44
4.2.2. Diamante 1/44
4.2.3. Ferro 1/44
4.2.4. Estanho, Tântalo e Nióbio 1/45
4.2.5. Titânio e Cromo 1/45
4.2.6. Limonita 1/45
4.2.7. Bauxito e Caulim 1/45
4.2.8. Calcário 1/45
4.2.9. Cristal de Rocha, Ametista e Turmalina 1/46
4.2.10. Serpentina 1/46
4.2.11. Turfa 1/46
4.2.12. Materiais de Construção 1/46
4.2.13. Agua Subterrânea 1/47
4.3. Possibilidades Metalogenéticas da Area 1/47
4.4. Situação Legal dos Trabalhos de Lavra e Pesquisa Mineral 1/49
4.4.1. Decretos de Lavra 1/49
4.4.2. Alvarás de Pesquisa 1/50
4.4.3. Pedidos de Pesquisa 1/53

5. CONCLUSOES 1/54

6. RECOMENDAÇOES 1/55

7. RESUMO 1/56

8. BIBLIOGRAFIA 1/57

1/5
TÁBUA DE ILUSTRAÇOES

MAPA
Geológico (em envelope anexo)

FIGURAS
1. Folha SA.22 Belém 1/10
2. Coluna estratigráfica 1/12

ESTAMPAS
1. Contato do Complexo Xingu com a Formação Barreiras 1/61
2. Complexo Xingu (Lineamento lriri-Martírios) 1/61

FOTOS
1. Rochas graníticas à foz do rio Bacajá
2. Slicken-side em granitos porfiríticos cataclásticos
3. Granulito- fotomicrografia
4. Diorito - fotomicrografia
5. Hornfelse - fotomicrografia
6. Tremolita-actinolita-xisto- fotomicrografia
7. ltabirito da seqüência ferrífera Novo Mundo-Caripé
8. Metarcósio do Grupo Tocantins
9. Filito do Grupo Tocantins
1O. Metagrauvaca do Grupo Tocantins
11. Caverna nos arenitos da Formação Trombetas
12. Folhelhos da Formação Curuá
13. Folhelhos com intercalação de arenito, Formação Curuá
14. Estratificação cruzada no arenito da Formação Monte Alegre
15. Calcário da Formação ltaituba
16. Discordância entre as Formações ltaituba e Barreiras
17. Afloramento de Diabásio Penatecaua
18. Diabásio Penatecaua- fotomicrografia
19. Diabásio Penatecaua- fotomicrografia
20. Diabásio Penatecaua - fotom'icrografia

1/6
ABSTRACT

Geologic mapping o f Sheet SA.22 Belém, comprising an area o f 284.780


square kilometers, was based chief/y on field data and interpretation from
semi-controlled SLAR mosaics of 1:250.000 scale reduced to the scale of
final map.

The objectives were to study the differente large units, checking the
geographic distribution by ground observations, and investigating the
geological characteristics in arder to furnish, in short time, the most
important stratigraphic and economic aspects of regions of north Brazi I.

The origin, evolution and location of six geologic provinces are emphasized.
In addition to the description of the units, the potential mineral occurrences
and most important ore deposits are also presented.

The basement· rocks (Xingu and Guianense Complexes), the metamorphic


sequence of the Vila Nova Group - including iron formation and manganese
deposits - and a marginal orogenic belt (Araguaia- Tocantins) are the
Precambrian records.

Osci/atory movements of epirogenic nature on the platform were responsible


for the generation of syneclises, with sedimentation ranging from the
Silurian (Amazonas) to the Cretaceous (Maranhão-Piauí).

Cenozoic sedimentary covers are widespread from west to east over the
mapped area.

1/7
1. INTRODUÇÃO

1.1 . Localização cional do Norte do País e, como outros núcleos


de importância sub-regional, as pequenas cidades
Entre o equador e 4000'S e os meridianos de de Altamira, Tomé-Açu, Portei, Cametá, Abaete-
489 00' e 549 00' W.Gr. está situada a área tuba, Prainha e Soure (Figura, 2).
apresentada neste relatório. Pelo corte carto-
gráfico internacional constitui a Folha SA.22, Com parte da área em porção dos chamados
Belém com área de 284.780 km 2 , é o "Bloco Cráton do Guaporé e Cráton Guianês, aquele
B-11" do Projeto RADAM (Figura, 1). marg i nado pela faixa orogênica Araguaia-
- Tocantins, indubitavelmente as coberturas
Seu encarte é feito na Amazônia Legal Brasileira, cenosóicas ocupam em superfície a maior parte
incorporando áreas do Estado do Pará e do da Folha.
Território Federal do Amapá.
O clima é em geral equatorial úmido, com
Tem por máxima expressão fisiográfica a foz do diferenciações para: numa faixa ao longo da
rio Amazonas no oceano Atlântico, subdividida calha amazônica e porção oriental do Marajá é
em dois braços envolventes aos 48.000 km 2 da de características atenuada com relação a umida-
ilha de Marajá. O meridional, denominado rio de; um bolsão superúmido a sul dessa faixa, até a
Pará, ajunta a pujança do Tocantins--Araguaia e linha Tomé-Açu, Tucuruí, Altamira, Prainha;
dos drenas das bacias a leste, até o Xingu (p. desta linha para sul, além da diminuição da
ex.Araticu, Jacundá, Camaraipi, Pacajá, Anapu) pluviosidade caracteriza-se um período seco de
e, para oriente, os rios Moju, Acará, Guamá- até 3-4 meses, situação que se repete a norte do
-Capim. As drenagens mais importantes que Amazonas nos domínios Jari-Paru.
fluem do norte para o Amazonas são os rios Jari
e Paru. A cobertura vegetal predominante é a floresta
densa, ocorrendo manchas de cerrado na faixa
Para oeste dos rios Macará-Pacu e Xingu, a paleozóica de norte e nos "tesos" da porção
assimetria das terras baixas em ambas as margens leste de Marajá; campos de composição florística
do Amazonas é marcada pelos bordos da sedi- diversa ocorrem no Marajá, Baixo Amazonas e
mentação paleozóica, a sul divisores de águas, a nos terrenos recentes até a bar da paleozóica sul
norte ainda permeados por grandes rios conse- (SW) e em contato com o Complexo Xingu (S),
qüentes. Alinhamentos sérreos pouco elevados Grupo Tocantins e coberturas mesocenozóicas
em torno de NW-SE marcam as porções NW e (SE).
SW da Folha, enquanto a SE a paisagem elabo-
rada nos sedimentos mesa e cenozóicos, mostra Na calha amazônica, região das Ilhas e estuário
o fronte de dissecação do Planalto Setentrional do Tocantins dominam os solos hídromórficos;
Pará-Maranhão, já em testemunhos pós-Ter- fora desta área predominam os latossolos ama-
ciário. Do ocidente ao cabo Maguari, a porção de relos, exceto na faixa Paleozóica onde são
"terra firme" se restringe, em valores percentuais latossolos vermelho-amarelos e, no embasamento
significativos, ficando em direção ao nascente os polimetamórfico, onde são podzólicos.
terrenos cada vez mais jovens da mesma maneira
que, à esquerda do Tocantins, em direção à
região das Ilhas, em Breves. 1.2. Objetivos do Trabalho

Em termos de ocupação urbana, aí está a cidade Em escala de reconhecimento com base, princi-
de Belém do Pará, maior adensamento popula- palmente, em imagens de radar, os estudos
1/9
FIGURA 1

FOLHA SA.22 BELÉM

4°00'L-~~--_J~:Z~=-~------~L---__ JL__JL~_:~__L___L_~~JL_l_____1_________j4°0~
54°00' !12°30' 51°00' 49°30' 48°001

50km O 50 100 150 200km


LI·~·U"~"~'U"~'----~·~~~·~--~·~~~1

1/10
levados a efeito delinearam os traços gerais mais adquirido pelo RADAM através do subsistema
característicos da geologia da área da folha sensor {mosáicos semicontrolados de radar e
Belém, porção da área total sob encargo do faixas de visada lateral em 1 :250.000, fotos in-
Projeto RADAM. fravermelho de 1 :130.000). A interpretação pre-
liminar foi verificada através de percursos rodo-
o objetivo de mostrar a distribuição dos prin- viários, por via férrea, fluviais, aéreos {sobrevôo
cipais grupos de rochas, sempre que possível com tomada de fotos convencionais, oblíquas, a
agrupando-as em formações e estabelecendo uma baixa altura) e controle no terreno em helipon-
ordem cronológica, de plotar as ocorrências tos nas zonas de acessibilidade restrita, com
minerais conhecidas e de sugerir áreas que a apoio de um serviço logístico ímpar na Ama-
nosso ver mereçam mais estudos para sua precisa zônia em vista dos objetivos a atingir.
definição geológica, e até mesmo, por conse-
qüência, a descoberta de jazidas minerais, foi A disponibilidade dos dados tomados no campo
atingido no mapeamento que este relatório e os obtidos em laboratório {petrografia micros-
técnico apresenta. cópica e datação geocronológica), permitiu for-
tes subsídios à reinterpretação que deu origem
ao mapa final agora apresentado na escala de
1.3. Método de Trabalho 1 :1.000.000.

A relativamente pequena presença superficial de O grau de detalhamento de campo não ajudou a


rochas pré-cambrianas e a extensa cobertura de separar em unidades litoestratigráficas as varia-
sedimentos jovens nas zonas de depressão, fez ções percebidas nas imagens quanto a diferenças
com que, a maior parte da literatura geológica de textura e tom, nas áreas mapeadas no
sobre a área contenha referências de reconhe- Terciário Barreiras bem como Quaternário Alu-
cimento básico no embasamento polimeta- vião, e que talvez sejam, em verdade, variações
mórfico e na faixa orogênica, passando daí, em faciológ icas.
grande parte, a resultados de estudos de subsu-
perfície nas zonas sedimentares. O interesse por A conceituação básica das descrições formais de
bauxita, caulim, materiais de construção, água unidades mapeadas, cujas localidades-tipo, de-
subterrânea e o "rush" na plataforma continen- senvolvimento e expressão maior estão em áreas
tal, resulta nas informações mais recentes. Essa vizinhas, foi daí trazida por analogia.
literatura foi analizadC) em confronto com a
experiência anterior dos autores e partici-
pantes, comparada também com o material

1/11
FIGURA 2

COLUNA ESTRATIGRAFICA: FOLHA SA-22


I /

PER(oDo UNIDADE , SIM BOLO SEÇÃO COLUNAR DESCRIÇÃO LITOLOGICA


LITOESTRA TIGRAFICA

QUATERNARIO Qo ALUVIÕES: Cascalhos, areias, argilas

·.,;;,·.;··
.-~~ .;~·.;
------
~:~ ~>· . .?'o..:..?~-~:
Arenitos finos, silti tos e orgili-
tos cool(nicos com lentes de con-
- - - ___ -;;_
g/omerado e arenito grosse1-

I ro, pouco consolidados até frio-


TERCIARIO BARREIRAS Tb
veis, em geral maciços ou hori-

zontolmente estratificados, ocasi-

. . . . . . . . . . . . . . •o onolmente com estratificação


--------
- ~ -- ~-~-~-~-
cruzado, vermelho, omarelo,bronco

Arenitos e argilitos vermelhos,lominados

Oiabásios, localmente micrográficos e


com diferenciados granod1oríticos.
Calcarias, dolomitos e margas fossi-
lfferas, arenitos colcíferos cinza
e amarelo, folhelho com camadas
de calcário e lentes de anidrita.
Arenito fino a médio, com estra-
ticação horizontal e ocasionalmente
cruzada, branco, amarelo e cinza

Folhelha e siltita micácea preta


cinra e vermelha bem lominado
I=: -_ - - - com camadas intercalados de are-
DEVONIANO CURUÁ Oca
~>~~ nito fino a médio bem selecio-
nado geralmente com estratifi-
cação cruzada

~.-.-:·.::·..
Arentto grosseiro, moi selecionado,
com estratificação horizontal, co-
SILURIANO TROMBETAS St
modas de folhelho e conglomera-
do intercalados, branco e amarelo

GRUPO Xistos, filitos, quartzitos, ardÓsias


I
PRE- CAMBRIANO TOCANTINS p€! metograuvacos, lentes de calcário
cristalino
SUPERIOR
GRUPO Quartzitos, XIStos, fditos, anflbolitos e
/
A MEDIO p€vn honzontes ferrt'teros
VILA NOVA

/ + + + + -~ Migmotitos, gnaisses com encraves


PRE- C AM BRI ANO COMPLEXO COMPLEXO +
I + + + de XIstos, quartzitos e onflbohtos;
M EDIO
p€g p€x + + + gromtos
GUIANENSE XINGU + + +
A INFERIOR + + + )

1/12
2. ESTRATIGRAFIA

Na Folha SA.22 Belém, foram mapeadas rochas definida entre as duas unidades para reconhecer
cristalinas pré-cambrianas do Complexo Guia- a superposição.
nense- Singh (55) (1972), do Complexo Xingu
e Faixa Orogênica Araguaia-Tocantins -·Silva As rochas sedimentares da sinéclise do Amazo-
et alii (54) (1974), rochas paleozóicas da siné- nas estão representadas pelas formações Trombe-
clise do Amazonas e coberturas sedimentares tas, Curuá, Monte Alegre ê ltaituba. Essas rochas
mesozóicas e cenozóicas. que documentam a sedimentação do Siluriano
ao Carbonífero afloram em faixas de direção
As rochas do Complexo Xingu afloram ao sul, WSW-ENE de um e outro lado do vale do rio
no baixo Xingu e baixo Tocantins. Predominam Amazonas, estando na parte S e N em n (tida
migmatitos, gnaisses, granitos e metamorfitos do discordância sobre rochas do Complexo Xingue
fácies granulito. Alg'uns xistos, paragnaisses e Complexo Guianense, respectivamente.
quartzitos pertencentes a esse complexo foram
destacados no mapeamento, i.e. Xisto Três Em algumas partes do flanco sul da sinéclise do
Palmeiras, na Folha SA.22-Y-D Altamira. Amazonas, a sedimentação Curuá (Devoniano)
transgrediu a unidade Trombetas (Siluriano),
Ao norte da área foram identificados gnaisses assentando diretamente sobre rochas do Com-
graníticos, anfibolitos e granitos do Complexo plexo Xingu. A frente da cuesta formada pelos
Guianense. Na Folha SA.22-V-A Monte Dou- arenitos Trombetas no noroeste da área marca o
rado, a parte desse conjunto co.nstitu ída predo- bordo setentrional atual da sedimentação na
minantemente de rochas gnáissicas com encraves sinéclise do Amazonas. A atividade magmática
ocasionais de xistos, quartzitos e granulitos, foi que afetou as rochas paleozóicas, bem represen-
litologicamente individualizada como Gnaissse tada em seu flanco meridional, é definida como
Tumucumaque. Sobre o Complexo está uma Diabásio Penatecaua, e foi tentativamente colo-
seqüência metassedimentar denominada Grupo cado no Jurássico-Cretáceo.
Vila Nova, aqui constituído principalmente de
paragnaisses, quartzitos com lentes de itabiritos, Como vem sendo feito nas folhas vizinhas, de
anfibolitos e xistos. leste a sul, a cobertura tabular póNriássica da
Plataforma Brasileira foi mepeada a SE, folha
Na parte sudeste da área, Folha SA.22-Z-D SA.22-Z-D Alto Capim, sendo aí identificada
Tucuruí, xistos, filitos, metagrauvacas e quartzi- como Formação ltapicuru (Cretáceo), em ocor-
tos do Grupo Tocantins foram mapeados em rência restrita.
discordância sobre as rochas do Complexo Xin-
gu. O termo Grupo Tocantins foi utilizado em Com apoio nas observações de campo e na
substituição à "Série do Tocantins" - Moraes visualização regional obtida nas imagens de radar
Rego (42) (1933), de acordo com ·-a disposto a cobertura sedimentar terciária foi mapeada sob
pelo Código de Nomenclatura Estratigráfica. a denominação única de Formação Barreiras,
nome conserva9o pela maior tradição em relação
A posição estratigráfica relativa das rochas dos a Alter do Chão e Solimões usados em trabalhos
grupos Vila Nova e Tocantins foi deduzida anteriores.
tentativamente, a partir da relação de contato
inferior, grau de metamorfismo, intensidade de Os sedimentos quaternários designados generica-
dobramentos, estruturação e dados geocrono- mente por "Aluviões" ocupam ponderável ex-
lógicos tomados em conjunto, visto não haver tensão superficial principalmente nas folhas de
contato estratigráfico e proximidade geográfica nordeste (SA.22-X-A, X-B e X-C).

1/13
2.1. Províncias Geológicas com profunda erosão; sua característica lito-
lógica predominante são rochas pré-cambrianas
Na área há no m l'nimo três grupos de rochas do Complexo Xingu.
metamórficas separadas por discordâncias princi-
pais. Bordejando setentrional e orientalmente o Acreditamos ser provável que esta porção do
Cráton do Guaporé, houve a implantação da Cráton tenha, em boa parte, completado sua
sinéclise do Amazonas (N) e da sinéclise do evolução e consolidação através dos ciclos geo-
Maranhão-Piauí (E). A margem meridional da tectônicos muito antigos (Guriense mais de
Area Cratônica das Guianas constitui também 2.600 M.A; Transamazônico 2.600-1.800 M.A.),
base de sedimentação da sinéclise do Amazonas. bem como sido afetada pelos eventos de outros
ciclos mais jovens, Ferreira (22) (1972).
Os metamorfitos da área apresentam-se dobrados
em estilo diferentes, falhados e metamorfizados
em graus variáveis. As demais unidades litoestra- 2.1.2. ÁREA CRATONICA DAS GUIANAS
tigráficas, paleozóicas, mesozóicas e cenozóicas
foram afetadas por uma intensa e extensa fase de o extremo NW da Folha pertence a porção
fraturamentos. A vasta cobertura aluvionar qua- sudeste do Cráton Guianês, correspondendo ao
ternária oblitera normalmente qualquer reflexo Núcleo Cratônico Guianês, Suszczynski (56)
das feições litológicas e estruturais das unidades (1970). Esta pequena parte do Cráton Guianês é
subjacentes. formada por rochas pré-cambrianas constituindo
o Complexo Guianense e outras unidades.
Existe indícios de uma fase epirogênica atuante
no Cenozóico. Nas Guianas, Singh (55) (1972), reconhece
quatro episódios tectônicos:
Para efeito de apresentação a área foi dividida
em seis Províncias Geológicas: - Um primeiro, ocorre no Arqueano e represen-
ta um período de dobramento e metamorfismo
- Area Cratônica do Guaporé regional datado entre 3.000-2.700 M.A. Este
-Área Cratônica das Guianas episódio é denominado de Guriense.
-Faixa Orogênica Araguaia-Tocantins
- Sinéclise do Amazonas -Outro significante e amplo exemplo de dobra-
- Si nécl ise do Maranhão-Piauí mento e metamorfismo regional no Pré-Cam-
-Coberturas Cenozóicas briano Inferior é datado entre 2.000-1.800 M.A.
É denominado Episódio Transamazônico (Episó-
dio Guianense ou Akawaiiano).
2.1.1. AREA CRATONICA DO GUAPORÉ
-O terceiro episódio é marcado por cataclase
Esta área pertence à Plataforma Brasileira defi- em escala regional; é tido no Pré-Cambriano
nida por Almeida (5) (1967), ou seja, está em Médio e foi datado como tendo ocorrido a
parte na porção setentrional do Cráton do aproximadamente 1.200 M.A.; nas Guianas é
Guaporé. Pode ser tomada também como Plata- chamado de Episódio K'Mudku.
forma Amazônica, Suszczynski (56) ( 1969),
Ferreira (23) (1969). -O quarto evento tectônico significante é mar-
cado pelos falhamentos em bloco e foi deno-
Foi submetida a eventos orogenéticos e episó- minado Episódio Takutu; este episódio de afun-
dios de "rejuvenescimento" devido a processos damento ocorreu no Mesozóico, no Jurás-
de plataformas ativadas, seguida de epirogênese, sico-Cretáceo.

1/14
Estes todos poderão ser correlacionáveis aos que (su bfác ies quartzo-albita-ep ídoto-almandina),
se sucederam na porção do Cráton Guianês na respectivamente.
Folha Belém.
A faixa orogênica Araguaia-Tocantins é marca
da presença de importante evento ligado a
2.1.3. FAIXA OROGENICA ARAGUAIA- evolução de geossinclinal. Suas rochas básicas-
-TOCANTINS ultrabásicas podem corresponder ao cinturão
ultramáfico de Goiás.
A faixa Araguaia-Tocantins, é constituída pelos
Grupos Tocantins e Araxá (este último, dado a Os dados geocronológicos obtidos desta faixa
escala do mapa e das características homogêneas muitos deles difíceis de encaixar na estratigrafia
com que aqui se apresentam nas imagens, não foi proposta, variam de 400-3000 M.A.
representado), com rochas básicas e u ltrabásicas.

Assim, Francisco; Silva; Araujo (25) ( 1967), 2.1.4. SINÉCLISE DO AMAZONAS


dizem: "encontram-se em Tucuruí e arredores
rochas básicas alteradas em xistos verdes (meta- Os afloramentos de suas rochas encontram-se
basitos) que são sobrejacentes às metagrauvacas confinados pela parte SE do Cráton Guianês e
e metassiltitos, além de filitos, quartzitos e NE do Cráton do Guaporé.
leptitos do Grupo Tocantins". Na mesma área há
também outras básicas sem apresentarem estas A sedimentação dessa sinéclise está representada
características e estas relações. em superfície pelas rochas das formações Trom-
betas, Curuá, Monte Alegre e ltaituba. Os
Na quadrícula Sa.22-Z-D - Moju correspon- afloramentos distribuem-se em faixa orientada
dente à Folha SA.22-Z-D Médio Capim, Damas- segundo WSW-ENE em ambos os lados da calha
ceno e Garcia (20) ( 1970) fazem referências à do rio Amazonas, em inconformidade sobre
rochas ultrabásicas nas cachoeiras Jaquara, Santo rochas dos Complexos Guianense e Xingu.
Antônio e Jararaca.
As faixas expostas das Formações Trombetas,
A faixa Orogênica Araguaia-Tocantins perde Curuá e Monte Alegre são mais desenvolvidas no
aqui muito da sua expressão morfológica mas bordo norte do que a sul. O fato notável no
ainda baliza nas imagens interpretadas a margem bordo sul é o Diabásio Penatecaua, registro do
oriental do Cráton do Guaporé. A direção geral é vulcanismo básico toleítico que afetou a siné-
N 20 W. Trunca e transgride as feições estrutu- clise no Jurássico-Cretáceo.
rais do Complexo Xingu, orientados na direção
WNW-ESE, estabelecendo uma discordância an- Quanto aos demais aspectos estratigráficos e
gular. estruturais de subsuperfície na área da foz do rio
Amazonas, reportamo-nos ao trabalho de
Este truncamento de direção é equivalente ao Schaller, Vasconcelos e Castro (52) (1971), que
encontro com o Lineamento do rio das Velhas, tratam sintética e objetivamente a questão.
de Pflug (48) (1962) ou Lineamento Tocantins-
-Araguaia, de Kegel (33) ( 1965).
2.1.5. SINÉCLISE DO MARANHÃO-PIAUf
O fácies metamórfico dos Grupos Tocantins e
Araxá - bem como o das básicas e ultrabásicas Os eventos geológicos de leste da faixa orogênica
associadas - é xisto verde (subfácies quartzo- Araguaia-Tocantins organizaram a siné--,ise do
-albita-muscovita-clorita) e epídoto anfibólito Maranhão-Piauí. Na área seus sedimentos foram

1/15
cobertos por depósitos cretácicos da Formação se estende para sul até Uruará, Vitória, Juta( e
ltapicuru e da Formação Barreiras, do Terciário. Surubim.

Os trabalho~ de geoHsica da PETROBRÁS de- As aluviões argilosas e arenosas predominam em


notam que o padrão estrutural nesta sinédise é áreas a oeste do baixo Tocantins, nas ilhas do
mais simples que o do Amazonas. estuário do Amazonas e na faixa marginal a este
grande rio. Ao longo dos cursos da drenagem é
Limita-se ao noroeste, com o Graben de Me- constante a presença desses sedimentos do
xiana, pelo Arco Tocantins, e suas bordas Quaternário.
restantes se acham confinadas pelas estruturas
do embasamento pré-cambriano. 2.2. Descrição das Unidades

Existem dados de grandes estruturas de falha- 2.2.1. COMPLEXO XINGU


mantos cujas direções principais são ENE e
NNW. 2.2.1.1. Generalidades

2.1.6. COBERTURA CENOZÚICA Oliveira (45) (1928) descreve pela primeira vez,
com lançamento em mapa, as rochas aflorantes
A cobertura cenozóica se distribui amplamente ao longo do rio Xingu. No mesmo trabalho este
em ambos os lados do rio Amazonas, depositada autor ainda se refere sobre a geologia do rio
sobre o bordo NE do Cráton do Guaporé e SE Bacajá e enumera várias rochas descritas petro-
do Cráton Guianês, em inconformidade sobre as graficamente por Ojalma Guimarães.
rochas dos Complexos Xingu e Guianense. Na
margem direita do rio Tocantins até o limite Barbosa et alii (8) (1966) sob a denominação de
leste da Folha ela é bastante conspícua, jazendo Pré-Cambriano lndiferenciado descrevem dia-
a SE sobre as rochas da Formação ltapicuru. ritos, anfibolitos, granito róseo, migmatitos com
paleossoma de metabasitos e quartzitos cortados
E caracterizada pela Formação Barreiras - que por vênulos, veios e lentes de quartzo-pegma-
apresenta uma grande diversidade de tipos litoló- titos, mencionando ainda gabros e anortositos.
gicos (variando de argilito a conglomerado, as
camadas ora exibem estratificação perfeita ora Mantendo essa denominação, Puty e equipe (16)
são maciços) - e por Aluviões (argilas, areias e (1972) apresentam quatro categorias de rochas
cascalhos). De maneira geral, predominam no baseados em estudos de campo e laboratório.
Terciário os arenitos finos e siltitos bem estra-
tificados de cores vermelho, amarelo, branco e - gnaisses, augen-gnaisses migmatíticos, lepti-
roxo, com camadas de arenito grosseiro e de tos, granulitos, charnockitos e anfibolitos;
conglomerado, geralmente com estratificação
cruzada intercaladas. Ocorrem também com - granitos, granodioritos e quartzo dioritos;
essas rochas bauxito e caulim.
dioritos e noritos;
Morfologicamente a Formação Barreiras, forma
platôs e mesas isoladas como na serra de cataclasitos e milonitos.
Paranaquara, Jutaí, Almerim, Areião eAcapuzal,
cujas cotas máximas situam-se em torno de 350 Kirwan (34) (1972) assinala na área do Bacajá a
metros. presença de rochas metamórficas, ígneas e mig-
máticas e registra que nas imagens de radar os
A sul do rio Amazonas, a Formação Barreiras vários horizontes são extremamente persistente
forma um vasto e contrnuo platô dissecado que formando dorsais alongadas, orientadas em EW.
1/16
2 .2.1.2. Posição Estratigráfica SA.22. Todavia várias datações foram efetuadas
em amostras de pouco a sul, da Folha $8.22
Silva et alii (54) (1974) propõem o termo Araguaia.
Complexo Xingu às ro~has q~e eram. chamadas
de Pré-Cambriano I nd 1ferenc1ado. D1zem tam- Almaraz (3) ( 1967) encontrou pelo método
bém que muito embora a composição litológica K/Ar idade média de 2.000 M.A. para granitos,
não possa ser individualizada em formações, migmatitos e anfibolitos da região dos rios
nesta área, por falta de elementos estratigráficos ltacaiúnas, Parauapebas e Tocantins.
marcantes, características petrográficas e estru-
turais obedecem o seguinte padrão: Amaral (6) ( 1969) em gnaisses, anfibol i tos e
muscovita-xisto da área do ltacaiúnas, chegou a
o interdigitamento de migmatitos com grani- resultados que o levaram a fixar o último evento
tos, granodioritos, gnaisses e anfibolitos; metamórfico em torno de 2.000 M.A. Em um
anfibolito da parte oeste da serra Tapirapé,
A ocorrência de catamorfitos na seqüência Amaral (op. cit) encontrou em K/ Ar 3280 ±
migmática; 113 M.A., resultado quase idêntico ao de um
gnaisse do baixo ltacaiúnas.
Os alinhamentos concordantes com os
"trends" de rumo WNW-ESE, ao norte da serra Gomes et ai i i (27) ( 1972) em amostras prove-
dos Carajás; nientes da serras Misteriosa, Cinzento, Buriti-
rama e Carajás, bem como das margens do
As isógradas metamórficas muito próximas; ltacaiúnas e afluentes, chegaram pelo método
K/Ar a idades em torno de 2.000 M.A., sendo
Possibilidades de dobras isoclinais (cujos que um anfibolito do ltacaiúnas indicou em
eixos teriam a direção WNW-ESE). K/Ar 2540 ± 75 M.A.

Base i (9) ( 1973) obteve em rocha total, nas


2.2.1.3. Distribuição na Área amostras da região do Bacajá, uma isócrona de
referência ao redor de 1.800 M.A. Pela razão
O Complexo Xingu, no encarte da Folha Belém, inicial Sr87 /Sr86 de 0,705± 0,0004 concluiu ser
restringe-se a porção sul, sendo limitado geogra- a isócrona referente à formação destas rochas.
ficamente a leste pelo rio Tocantins, a noroeste Dados disponíveis, todavia, levaram aquele autor
pelos sedimentos da sinéclise do Amazonas e a não poder excluir totalmente a hipótese de
para nordeste atinge a zona Bacajá-Tueré. "rejuvenescimento" durante o Ciclo Transama-
zônico.
Em seus domínios corre o rio Bacajá, em seu
curso mais baixo, bem como o rio lriri e o Xingu Dados de campo mostram a existência de uma
antes de se espraiar em rumo ao Amazonas. larga faixa, a sul da área em questão, onde a
superposição de esforços contemporâneos aos
Ao contrário da Folha SB.22 Araguaia e SC.22 dobramentos Carajás, acha-se registrada.
Tocantins, onde o Complexo Xingu representa
mais de 40% da área mapeada, aqui esta unidade
representa menos de 30.000 km 2 , cerca de 10% 2.2.1.5. Petrografia
da área.
A amostragem no domínio desta unidade foi
2.2.1.4. Geocronologia reunida em 3 grupos (Tabela 1):
Não conhecemos nenhuma datação feita em
rochas do Complexo Xingu coletadas na Folha Ectinitos normais
1/17
Rochas metassomáticas geração. Normalmente estão alterados a sericita
e/ou argiloso. Ao lado de grãos anédricos fratu-
Rochas graníticas rados, aparecem cristais bem formados, mos-
trando claros indícios de tensões.
Ectinitos normais: duas amostras representam
este grupo, ambas de fácies mesocatazonais. São - Plagioclásio (50-20%) - é representado por
rochas de granulação média a pegmatóide, colo- albita-oligoclásio podendo mais raramente atin-
ração cinza a rósea, com alguma orientação que gir a composição de andesina. De modo geral
lhes fornece textura granolepidoblástica a grano- está mais alterado que os alcalinos, sendo seu
nematoblástica. Mostram indícios de cataclase e produto de alteração sericita, argilosos e menos
metassomatismo incipiente. Ao microscópio re- freqüente a epídoto. Lamelas de macia r:urvas são
velam predomínio de quartzo e feldspato alca- um aspecto freqüente nos minerais que também
lino (rnicrocl ínio e ortoclásio) e, subordina- mostram enuviamento devido alteração a
damente, plagioclásio sódio com algumas lamelas argilosos.
de biotita. Em zonas de concentração máfica
ocorrem biotita, hornblenda e diopsídio, estan- - Biotita (menos de 1 a 1O%) -aparece ora em
do este último parcialmente uralitizado. Como lamelas isoladas, ora em flocos. A alteração a
acessórios ocorrem apatita e esfeno e, menos clorita é comum. Com freqüência é fácil estabe-
comumente, opacos, clorita e rutilo. Estas ro- lecer sua origem a partir do anfibólio.
chas parecem advir da gnaissificação dinâmica
(cataclase) de rochas granul íticas. - Anfibólio (0-3%) - de modo geral trata-se de
hornblenda, ocorrendo também a hastingsita.
- Rochas metassomáticas: de rochas tipica- Altera-se a clorita e/ou biotita, não sendo
mente metassomática foram coletadas treze todavi~ um mineral muito ocorrente neste grupo
amostras, representando os mais variados fácies de rochas.
de migmatitos. A granulação varia de fina a
pegmatóide, com ou sem porfiroblástos. O ban- - Piroxênio (até 1%) - é representado pelo
deamento apresenta-se ora difuso, ora bastante diopsídio. Acha-se freqüentemente envolvido
acentuado. Suas cores variam de róseo-claro, por hornblenda.
cinza-médio e creme até cinza-escuro com tons
esverdeados. A textura é francamente granole- Os acessórios mais comuns são opacos, apatita,
pidoblástica até granoblástica, com alguns exem- zircão, esfeno (que pode atingir mais de 1% da
plos de nematoblástica quando o anfiból i o chega rocha). Epídoto e alanita são raros. Como
a atingi r até 3% das rochas. material de alteração ocorrem clorita, sericita e
argilosos.
A composição varia nos seguintes entornas:
São mais freqüentes os fácies embrech íticos e
- Quartzo (35-25%) mostrando-se em cristais anatexíticos, embora ocorram com certa assi-
anédricos, com contatos suturados, muito fratu- duidade os fácies heterogêneos, principalmente
rados, com extinção ondulante. Formas ocelares os diadisitos e epibolitos. Petrograficamente são
não são raras. rochas antes granodioríticas que graníticas. O
grau de metamorfismo varia de micaxistos supe-
- Feldspato alcalino (40-15%) - por vezes riores (epídoto-anfibolito) até gnaisses ultra-in-
representados por porfiroblastos e geralmente feriores ou granulitos.
integrando a matriz. O microcl ínio e ortoclásio
acham··Se geralmente pertitizados, englobando, - Rochas Gran fticas: nem sempre as amostras
via de regra, quartzo e feldspatos de orimeira descritas sob esta classificação representam cor-
1/18
I"'D~L.H. I

COMPOSIÇÃO MINERALOGICA DAS ROCHAS DO


COMPLEXO XINGU

Felds-
Quartzo pato- Plagio- 8io- Musco- Anfi- Piro- Apa- Cio- Epi- Carbo- Argi- Seri- Ala-
Alcal. clásio ti ta vi ta bólio xênio Opacos ti ta ri ta Zircão Esfeno Rutilo doto natos losos cita nita

AG-12 35 15 35 10 - 3 - X X X X X - - - X X

AG-11 30 30 30 5 X - - X X X X X - - X X X

PT 1118
CN 579 25 20 50 5 - - - X X X X X - X - X X

PT 1118}
CN 520 25 25 45 X - 2 1 X X - - 1 - - - X X

PT 107 }
AA 146 X X X X - X - X - - - - - - - X X

PT 107 }
AA 147 X X X X - x? - X - - X

-
PT 107 }
_. AA 148 X X X X - X - X

co PT 1078}
CN 525 X X X X

PT 109
CN 522} X X X X - X - X X - - X - - - - - x?
PT 110 }
JW 14 35 18 40 5 - X - X X - - X - X - X

AG-13 30 40 20 5 - X - X X X X X - X

AG-15 X X X X - X X X - X - - - X - - X

AG-151 X X X X - X X X X X - X X

AG-152 35 30 30 3 X - - X X X X X - - X - X

PT-105 X - X X ·- X - X X - - X

PT106:J
CN 523 X X X X

PT106
CN 524) X X X X - X - - - - - X

PT106
CN 524J X X X X - - - xl
PT 106
CN 524} X X X X - x? - X - - - - - X

1 Inclui pirita.
pos isolados. ~ normal, aliás, representarem Oliveira (45) (1928) sobre a geologia da reg1ao
massas mais granitizadas do embasamento ou do baixo Bacajá registra que "em Três Palmeiras
fácies granítico de uma massa migmatizada. São e no Travessão São João calçando o rio, exten-
rochas de granulação fina a grosseira, homogênea de-se cerca de 1 kilometro de largura, numa
ou porfiróide, com cores cinza em tons róseos, faixa de rocha schistosa, verde, microcrystalina
esverdeados ou avermelhados, maciças ou leve- que foi classificada pelo Dr. Djalma Guimarães
mente orientadas. Sua composição varia de como Ortho-amplhibolito".
granitos calco-alcalinos a granodioritos ada-
melíticos. E ainda Oliveira (op. cit) que assinala "abaixo da
Maloca Velha dos l"ndios Araras um anphibo-
Microscopicamente assim se apresentam: lo-schisto" na continuação do Bacajá.

- Quartzo (35-30%), ora em agregados de grãos É nesta altura do rio Bacajá que foi possível
anédricos, com extinção fracamente ondulante, separar uma faixa com até 1O km de largura por
ora bastante triturado, com contatos suturados e mais de 90 km de comprimento de rochas
forte extinção ondulante. Pode envolver os nitidamente orientadas, "Xisto Três Palmeiras".
fenocristais ou preencher fraturas, ou ainda,
estar incluso nos feldspatos, fato ocorrente O estudo do Complexo Xingu na Folha Belém,
quando a rocha apresenta caráter mais mig- aliado àquele executado nas folhas Araguaia e
mático. Tocantins, permite sumarizar esta unidade como
um conjunto de rochas metamórficas varia-
- Feldspato alcalino (40-30%), normalmente damente migmatizadas, contendo encraves de
microcl ínio e mais: raramente ortoclásio. Ambos metabasitos e ectinitos normais, cujo grau meta-
podem apresentar-se pertitizados e alterados a mórfico identificado fica diretamente relacio-
sericita. nado ao nível de erosão regional que permite a
exposição dessas partes mais profundas.
- Plagioclásio (30-20%) é normalmente o oligo-
clásio alterado geralmente a sericita e mais Em seus domínios podem existir corpos intru-
raramente a carbonatos. A macia Albita é uma sivos, porém face à distribuição areal, dimensões,
constante. bem como feições topográficas, os mesmos não
puderam ser delimitados ou detectados e ficaram
- Biotita (5 a mais de 1%) pode dispor-se em por isso fazendo parte do conjunto.
faixas paralelas nas rochas com orientação ou
distribuídos ao acaso nas rochas isotrópicas.
Altera-se freqüentemente a clorita liberando 2.2.2. COMPLEXO GUIANENSE
óxido de ferro que lhe envolve.
2.2.2.1. Generalidades
- Muscovita, piroxênio (diopsídio-hedember-
gita) e anfibólio (hastingsita ou hornblenda) O Complexo Guianense compreende ro~has de
ocorrem esporadicamente. origens orto e parametam6rficas, aflorantes ao
norte da Amazônia Brasileira e que ocupam a
- Acessórios freqüentes são: opacos, apatita, parte noroeste da Folha SA.22 Belém. A suces-
esfeno, zircão e subsidiariamente ep(doto. Argi- são de litotipos isotrópicos e anisotrópicos está
losos, sericita e clorita são os mais freqüentes em parte mascarada pela granitização que afetou
produtos de alteração. Carbonato ocorre mais a região.
raramente como produto de alteração de plagio-
clásio. Este Complexo é composto por rochas que

1/20
foram submetidas a um metamorfismo meso e tam, possivelmente, a maior distribuição em
catazonal correspondente aos fácies anfibolito e área.
hornblenda-piroxênio granulito. As rochas mais
comuns são os granulitos, gnaisses, anfibolitos, No rio Jari, o paleossoma é representado por
migmatitos, granitos, dioritos, . granodioritos, anfibolitos e gnaisses e o neossoma por venitos
gabros normais e rochas ultrabás1cas (hornblen- de composição granodiorftica.
ditos, piroxenitos e peridotitos. Apesar de as
rochas serem bandeadas, alguns gnaisses foram Nesta área cratônica a granitização é crescente
submetidos a compressão maior, apresentando para o norte, onde a transição dos migmatitos
estruturas planares e lineares bem pronunciadas para os anatexitos é verificada. Na região do rio
(Gnaisse Tumucumaque). Essa zona de orienta- Oiapoque e rio Jari, blocos de quartzitos e
ção muitas vezes apresenta-se totalmente catacla- kingisrtos estão envolvidos por rochas granitiza-
sada, evidenciando uma superimposição do me- das. A presença de kingisito e de quartzito-orto-
tamorfismo dinâmico. quartzito no território do Amapá, leva-nos a
concluir a ongem, em parte, para essas
Dentre as rochas mais antigas, temos os granuli- rochas do Complexo, como parametamórfica.
tos, que são as mais profundas no complexo,
sendo sua área de afloramento muito restrita na Associados a essa sequência de rochas encontra-
região. Os granul itos apresentam variação ácida a mos granodioritos-porfiróides, produto de trans-
básica, granulitos-graníticos a hiperstênio e formação metassomáticas, os quais passam da
granulitos gabroides a hiperstênio. Na região de transição dos migmatitos para uma zona inter-
Roraima essas rochas apresentam transição para mediária de embrechitos. Tal exemplo, desenvol-
os gnaisses, onde é comum silimanita plagioclá- ve imensos porfiroblastos de albita de neoforma-
sio-pertita gnaisse (ou granulito); no Amapá tal ção e abundantes mirmequito; esses granodiori-
transição existe, contudo não é comum. Associa- tos são de formação sincinemática e outros
dos aos granulitos ocorrem leptinitos que dado a corpos menores estão distribuídos em todo
estabilidade do quartzo e do feldspato ocorrem complexo mais antigo do norte da Amazônia.
também associados aos gnaisses.
Episódio plutônico tardiorogêníco ocorreu no
Os gnaisses e os migmatitos são rochas abundan- Complexo Guianense, e, é representado por
tes no Complexo Guianense, sendo repre- granitos, dioritos, gabros (norito e gabro nor-
sentados em todo norte da Amazônia; na Folha mal), os quais apresentam textura variável de
SA.22, nos rios Jari, lratapuru, Paru e Maracá, micro-apl ftica a pegmatóide e estão sempre cor-
seg. Neves e equipe ( 17) ( 1972). tando rochas mais antigas.

Entre as variações mineralógicas dos gnaisses Outro episódio de interesse é o que ongmou
temos: biotita-gnaisse, biotita-plagioclásio gnais- rochas ultrabásicas sendo encontrados aflora-
se, biotita-hornblenda gnaisse, biotita-microcl ínio- mentos de piroxenito, hornblendito e peridotito,
plagioclásio. gnaisse, silimanita-plagioclásio-per- cf. Vale e equipe (15) (1972).
tita, gnaisse, sendo que os mais abundantes em
todo o norte da Amazônia são os biotita-pla- Os principais sistemas de falhas, fraturas e
gioclásio gnaisse e hornblenda-plagioclásio estruturas apresentam direções NWN-SES,
gnaisse. NW-SE; falhas deste último sistema são
observáveis entre os rios Jari e Paru.
A migmatização foi intensa no Complexo Guia-
nense, quando as rochas foram parcial ou total- Denominamos de Gnaisse Tumucumaque, às
mente transformadas. Os migmatitos represen- áreas deste craton, definidas a norte da área ora
1/21
apresentada (na serra de Tumucumaque), que 2.2.2.3. Distribuição na Area
apresentam rochas com distinguível bandea-
mento, sendo esse bandeamento proveniente de O Complexo Guianense representa aproximada-
"stress" com maior amplitude e onde há desen- mente 1/8 da área formando uma faixa de
volvimento de brecha de falha e milonitização. direção NE-SW, adelgaçando para leste no Terri-
Associados aos biotita-plagioclásio gnaisse e tório do Amapá.
hornblenda-plagioclásio gnaisse ocorrem anfi-
bol i to e quartzito, além de encraves ocasionais
de xistos e granulitos. O paralelismo do ban- 2.2.2.4. Geocronologia
deamento dessas rochas com os metassedimentos
Vila Nova vem justificar que tal orientação se Datações radiométricas feitas por Basei (9)
deu no momento em que o Cr aton formou (1973), para rochas do Complexo Guianense no
sulcos, parageossincl íneos ou semi plataformas de Amapá deram isócrona K/Ar de 2.61 O MA,
Beloussov ( 1O) ( 1971), nos quais se depositou a incluindo o Gnaisse Tumucumaque.
seqüência Vila Nova.

Estruturas alinhadas ressaltando no terreno das 2.2.2.5. Petrografia


demais rochas do complexo ocorrem com fre-
qüência. Essas rochas apresentam disposição As rochas do Guianense que fazem parte da
morfológica em serras, com direção NW-SE, Folha Belém são representadas por: biotita
entre os rios Jari e Paru. gnaisse, hornblenda gnaisse, migmatitos, anfibo-
litos, dioritos, granitos, epidiorito, epidiabásio e
hornfelses.
2.2.2.2. Posição Estratigráfica
Deste Complexo foram analisadas microscopi-
As rochas do Complexo Guianense representam camente onze amostras da área (Tabela li).
a unidade mais antiga do flanco norte da
Amazônia e fazem parte do Cráton Guianês. Das amostras descritas em lâmina, 5 representam
Apesar da dificuldade de subdivisão lito estrati- gnaisses, uma representa quartzito, uma grabro
gráfica baseados em caracteres petrográficos e ou diorito, e um anfibólio gnáissico.
estruturais apresentamos como sugestão de tra-
balho subdividir essa unidade, da base para o Os gnaisses apresentam composição variando de
topo, em granulitos, gnaisses, migmatitos e biotita-microclina gnaisse e hornblen-
rochas plutônicas associados. Acreditamos ser da-plagioclásio gnaisse. Seus fácies petrográficos
possível separá-las com este posicionamento em vão desde gnaisse superiores a gnaisses ultra-
mapeamento detalhado. -inferiores.

Os metamorfitos do Grupo Vila Nova consti- As amostras estudadas tem composição muito
tuem a unidade imediatamente superior nesta variável, desde granitos até dioritos e os primei-
área. ros predominam. O quartzo é constituinte essen-
cial na maioria absoluta delas e ausente em
O contato a leste, se faz com os sedimentos apenas três (J F-26, 29 e 30). A relação entre os
terciários e quaternários e a sudoeste e sudeste feldspatos alcalinos e plagioclásio é muito variá-
com os sedimentos silurianos da Formação vel de amostra para amostra. M icrocl ín io e
Trombetas. ortoclásio, muitas vezes pertitizados, e o plagio-

1/22
clásio sádico, situado no intervalo albita-oligo- cristais, é comum em algumas amostras e acom-
clásio, são os mais comuns. Entretanto há rochas panha a biotita e epídoto.
mais básicas onde o plagioclásio é andesina; são
ricas em máficos, e foram, classificadas como Hornblenda-gnaisse (JF-28): rocha com alternân-
dioritos ou quartzo-diorito, por vezes, gnáissicos cia de bandas máfica e félsicas com orientação
(JF-24, 26, 28 e 29). Outra, ainda, tem composi- nítida; textura granonematoblástica, composta
ção sienítica e boa orientação de seu~ miner~is de quartzo, hornblenda, plagioclásio, sericita,
ferro-mangnesianos (JF-30). No que d1z respe1to epídoto, apatita, carbonatos e opacos. O quartzo
aos máficos, a biotita e hornblenda se destacam
1 ocorre como aglomerados locais de aspecto
dos demais. A primeira predomina nas rochas sacaroidal, associado ao feldspato, com bordas
ácidas, cuja composição oscila de granitos e denteadas, extinção ondulante e granulação
granodioritos e a segunda naquelas mais básicas, variável. O feldspato é abundante na rocha e foi
quartzo dioritos a rochas dioríticas. Hastingsita totalmente sericitizado. A hornblenda constitui
foi observada na amostra JS-6. as bandas máficas, e, é representada por prismas
alongados, alterada a clorita. Apatita, epídoto e
A amostra JF-27 representa um muscovita-gra- opacos ocorrem em nítida associação na rocha.
nito. Os minerais acessórios são, na ordem de
freqüência nas lâminas: apatita, opacos, epídoto, Migmatitos denunciam textura granoblástica e
zircão, rutilo, granada e muscovita. Os secundá- são compostos por quartzo, microlina-pertita,
rios ou de formação hidrotermal, obedecendo o ortoclásio, biotita, anfiból io, esfeno apatita,
mesmo critério, são: clorita, sericita, carbonatos, rutilo, zircão, clorita, sericita e opacos. O
minerais argilosos e uralita. A rocha JF-22 é um quartzo ocorre em agregados, sendo anédrico
biotita-granodiorito, muito alterado, com subs- com extinção ondulante, bordas suturadas e
tituição de feldspato por sericita. microfraturados. O feldspato (microclínio-oligo-
clásio) ocorre em íntima associação com o
Na lâmina JF-30, destaca-se a ausência de quartzo. Os máficos estão representados por
quartzo, o elevado teor de feldspato alcalino e biotita e hornblenda e constituem o mela-
hornblenda e a orientação de seus constituintes. nossoma da rocha. Zircão esfeno, apatita e
Outro aspecto particular é a abundância de opacos estão associados e formam aglomerados
minerais acessórios, representados por esfeno, dispersos na rocha. A clorita é produto de
epídoto e apatita. Esse tipo de rocha é definido alteração dos ferromagnesianos.
como lamboanito.
Muscovita granito (JF-27): apresenta textura
Os biotita-plagioclásio gnaisses, tem textura gra- hipidiom6rfica, granular, composta de quartzo,
nolepidoblástica, composta de quartzo, plagioclá- pertita, microcl ínio, oligoclásio muscovita, biotita.
sio, biotita, apatita,zircão e opacos. O quartzo é granada e epídoto. O quartzo, anédrico e inter-
xenoblástico em concentrações sacaroidais, bor- granular, é abundante na rocha sob forma de
das suturadas e forte extinção ondulante. O mirmequito e tem bordas suturadas. Os felds-
plagioclásio (oligoclásio-andesina) apresenta-se patos constituem os principais minerais e dão
curvado e fraturado, pelo efeito dinâmico a que um índice de cor baixíssimo à rocha. Muscovita
foi submetida a rocha; o feldspato apresenta-se e biotita, em quantidade bem reduzida, são os
parcialmente sericitizado e argilizado. A biotita, principais micáceos da rocha. Alguns cristais de
marrom escura, ocorre em diminutas palhetas, e, granada e epídoto estão dispersos na lâmina.
às vezes com nítida orientação entre os grãos
félsicos. O mirmequito é abundante na periferia Epidiorito e epidiabásio: essas rochas são co-
dos plagioclásios. A apatita, dispersa em grandes muns cortando o Complexo Guianense, e têm

1/23
incipiente grau de metamorfismo. Apresentam nado pela lâmina sem revelar orientação. Os
textura subofítica a hipidiomórfica granular, feldspatos são mais grosseiros funcionando como
composta de augita, plagioclásio, uralita, titani- porfiroblastos, interpretados estes como rema-
ta, quartzo, apatita e calcita. A augita subédrica nescentes da rocha original e dando uma tendên-
está parcialmente e, em alguns pontos, total- cia blastoporfíritica para a atual rocha. A sua
mente ural itizada. A labradorita forma ripas forma devia ser subédrica e anédrica, tendo
grosseiras, com parcial alteração a argila-mine- atualmente contornos mal definidos e estando
rais e incipiente carbonatação. lntersticialmente, em parte substituídos por outros minerais, so-
abundante intercrescimento de quartzo e felds- bretudo muscotiva, estão sempre maclados, al-
pato (micrográfico). Alguma apatita e grânulos terados a argilosos e contendo inclusões dos
de titanita ocorrem distribuídos na rocha. máficos. Algumas macias Carlsbad e Albita são
visíveis e a maior freqüência da primeira, bem
As amostras JF-12, JF-14 e JF-35 são muito como ausência de geminação de certos cristais,
semelhantes e foram classificadas como hornfel- indica serem os feldspatos-alcalinos mais comuns
ses. Possuem textura blastoporfiríticas, com que os plagioclásios. O microcl ínio ocorre
fenocristais remanescentes de feldspatos englo- entremeado aos cristais de quartzo na matriz e
bados em matriz granoblástica de granulação em teor subordinado. A muscovita desenvolve
muito fina e cujos principais constituintes são: lamelas esparsas que englobam cristais menores;
quartzo, biotita, muscovita e feldspatos. A bioti- é oriunda da cristalização sofrida pela rocha e
ta concentra suas finas lamelas em certos níveis é característica do fáceis anfibolito dos horn-
que se estendem de modo totalmente desorde- felses. O quartzo é o mineral dominante em to-

TABELA 11
COMPOSIÇÃO MINERALÓGICA PERCENTUAL DAS ROCHAS
DO COMPLEXO GUIANENSE EM SA.22
(INCLUINDO GNAISSE TUMUCUMAOUE)

Amostras
Mineralogia
JS-6 JF-12 JF-14 JF-22 JF-24 JF-26 JF-27 JF-28 JF-29 JF-20 JF-35

Quartzo 25% 57% X 30% 20% 20% 20% X


F. K. 50% 15% 50%
Plagioclásio 15% 45% 50% 60% 25% 40% 70% 15%
Biotita 10% 10% X 10% 10% X X
Anfibolito 10% 15% 20% 20% 30%
Piroxênio x?
Esfeno X X X X
Apatita X X X X X X X X X X
Opacos X 2% X X X X X
Clorita X X X X X X X 5% X X
Zircão X X
Muscovita 10% X 5% X
Rutilo X
Epfdoto X X X X X X X X X
Sericita X X X X X
Carbonatos X
Uralita
Argilosos X X X X
Prehn. X X X
Granada X
Calcita X

1/24
das as lâminas e também está recristalizado, tem to, talco-antofilita xisto), itabirito, minério de
granulação muito fina com contatos bem defini- manganês e de ferro (lpitinga Vila Nova e Traca-
dos, apresenta extinção normal ou pouco: ondu- jatuba). Camadas de mármores calcíferos e man-
lante; raramente seus cristais formam agregados ganesíferos foram revelados através de sondagem
um pouco mais grosseiros. Os opacos aparecem na Serra do Navio.
como grânulos diminutos e se encontram pre-
sentes em toda a rocha. A apatita é um acessório Observamos tectônica "rígida" e "plástica",
comum. O epidoto é mais raro. Parece haver esta última, devido ao conjunto de dobras
localmente carbonato muito pouco individua- sinclinais e anticlinais com mergulhos variando
lizado. A biotita constitui agregados locais em entre 159 a 309 nos flancos (I pitinga). As
cristais pequenos e também inclusos nos fel- camadas ferríferas apresentam microdobras com
dspatos. recumbência marcante.

Na Folha SA.22 Belém, o Grupo Vila Nova se


2.2.3. GRUPO VILA NOVA apresenta com morfologia de serras alinhadas em
direção NW-SE.
2.2.3.1. Generalidades
Rochas ofiol íticas ocorrem no Grupo Vila Nova,
Ackerman (1) (1947) denominou de "Série Vila caracterizadas pela presença de serpentinito na
Nova" a um conjunto de rochas Pré-Cambrianas, bacia do Camaipi do Vila Nova, associado a
intercalado no "Complexo fundamental", estan- talco, antofilita, tremolita e actinolita-xistos.
do as mesmas perturbadas, dobradas, e com Sua presença é conclusiva para a identificação de
atitudes aproximadamente verticais. faixa orogênica-eugeossinclinal.

Marotta et ai i i (39) ( 1966) citam ocorrências de


metassedimentos nos arredores da Serra do Navio
em contato com o embasamento granito gnáis- Na Serra do Navio, o grupo é bastante dobrado,
sico, colocando-os como pertencentes a "Série constituindo estruturas fechadas. Scarpelli (51)
Vila Nova". (1973) inclui no Grupo Vila Nova uma seqüên-
cia tida como de hiperstênio granulitos (rio
O Grupo Vila Nova é constituído por uma Falsino), mas há dúvidas porque o grau de
seqüência de metamorfitos com rochas que vão metamorfismo que afetou as rochas do Grupo
de epizona a mesozona, pertencentes aos fácies Vila Nova não permitiria a formação de hipers-
xistos verde e almandina-anfibolito - Turner e tênio granulito; leptito ou leptinito seria possível
Verhoogen (57) ( 1960). Essas rochas ocorrem na ocorrer na seqüência, visto que esses tipos
parte central do Território Federal do Amapá, podem ocorrer desde a epi até a catazona.
na bacia dos rios Vila Nova, Amapari, Flexal,
Tartaruga! e Jari, incluindo esse Grupo as jazidas A medida que chegamos para SW da Serra do
de manganês na Serra do Navio e os afloramentos Navio, em direção ao rio lpitinga, o grupo vai
de formação ferrífera (possíveis jazidas) situados enriquecendo em ferro e perdendo a presença de
a noroeste do Pará, margem direita do rio carbonatos e manganês; essa variação de fácies é
lpitinga. comum em outras regiões no sul do Pará, como
por exemplo - seqüência do Sereno-Lageiro e
Em geral, são quartzitos, anfibolitos (lentes, serra do rio Naja.
maciços) dentro de quartzitos, mica-xisto (mus-
covita-x isto, biotita-x isto, biotita-granada-x isto, Se fossem levadas em consideração apenas as
actinol i ta-tremo Iita-xisto, clorita-xisto, talco-xis- semelhanças litológicas estruturais entre os Gru-

1/25
pos Vila Nova, Araxá e Tocantins, aliadas a 2.2.3.5. Petrografia
alguns dados geocronológicos, poderíamos colo-
cá-los em posição estratigráfica equivalente; en- Na seqüência de metamorfitos do Grupo Vila
tretanto, mantida a diferenciação entre Araxá e Nova há predominância de rocha derivadas de
Tocantins, este último será mais jovem em sedimentos pel íticos com camadas basais are-
relação ao Vi la Nova e ao Araxá. nosas, impurezas aluminosas e calcíferas e, vulca-
nismo básico associado.

2.2.3.2. Posição Estratigráfica -Quartzito: em geral, constitui a base do


Grupo Vila Nova; é representado por uma
O Grupo Vila Nova, repousa discordantemente v ar i ação, si I i man i ta-quartzito, muscovita-
sobre as rochas dobradas do Complexo Guia- -quartzito e quartzito-ortoquartzítico.
nense e representa um evento provavelmente
correlacionável com os originários dos grupos Silimanita-quartzito: apresenta textura grano-
Araxá e Tocantins, com possibilidade de cons- blástica, cataclástica. Os minerais constituintes
tituírem uma mesma faixa orogênica. são quartzo e silimanita e em quantidade subor-
dinada muscovita e óxido de ferro. O quartzo,
mostra-se xenoblástico, com extinção ondulante,
2.2.3.3. Distribuição na Área microfraturado, bordas suturadas e incipiente
granulação mecânica marginal; silimanita con-
O Grupo Vila Nova se dispõe preenchendo torcida ocupa o espaço intergranular.
sulcos alongados com direção NW-SE, marge-
ando o rio Jari e continuando ao longo do rio Muscovita quartzito, quartzito e ortoquartzito
lpitinga. Essas faixas metassedimentares indivi- são dos tipos mais comuns; às vezes apresentam
dualizadas, com largura média de aproximada- xistosidade dado o desenvolvimento dos mine-
mente 3 a 8 km e comprimento de 30 a 50 km, rais micáceos, sendo então compostas essen-
estão também situadas entre os rios Jari e Paru. cilamente de quartzo e muscovita.

- Anfibolito: rocha granonematoblástica, com-


2.2.3.4. Geocronologia posta de quartzo, plagioclásio e hornblenda
verde em cristais bem desenvolvidos. Contém
Análise nos xistos e anfibolitos da Serra do Navio inclusões de apatita e ilmenita. O plagioclásio é,
pelo método K/Ar indicou idade de 1.750 ± quantitativamente, o mineral predominante,
70 M.A. para as micas e hornblenda. Análise em com macia de albita, extinção ondulante e
rocha total, Rb/Sr, chegou a valores variáveis alteração em argila-minerais. O quartzo xeno-
entre 1975 a 2530 M.A. blástico está associado ao plagioclásio.

Hurley (30) (1968) determinou uma 1socrona - Calco-biotita-sericita xisto: rocha de textura
Rb/Sr de 221 O M.A. para essas rochas do Amapá lepidoblástica, composta de quartzo, biotita,
e Cordani (18) (1974) calcula uma isócrona de muscovita, clorita, calcita, epídoto, tlfrmalina
2090 M.A. para as rochas da área da Serra do (?) e sericita. Apresenta uma granulação finís-
Navio. sima com minerais micáceos dispostos entre
grãos de quartzo. A calcita em cristais bem
Na parte do Norte-Central da Venezuela, uni- desenvolvidos acompanha a xistosidade da
dade semelhante ao Grupo Vila Nova apresenta rocha.
idade 2.000 M.A., Chase (12) (1965).

1/26
- Tremolita-actinolita xisto (JF-32A): rocha menor, 00034'00"$. e 53020'30"W.Gr. A área
xistosa com actinolita, tremolita e quartzo. onde se localizam é constituída por rochas do
Actinolita-tremolita, formam uma associação Grupo Vila Nova, de idade Pré-Cambriana. A
íntima de cristais alongados radiais e fibrosos. estrutura do Maraconai dista 20 km do atual
Actinolita de cor verde é bem destacável na limite setentrional dos sedimentos paleozóicos
rocha. da Sinécl ise do Amazonas.

-Talco xisto: ocorrente na região do rio lpitin- No paralelo 00030'S. a 95 km a W. da estrutura


ga é associado a actinolita-tremolita xisto; talco do Maraconai, está outra grande estrutura, na
incolor em cristais bem desenvolvidos com orien- serra do Maicuru.
tação nítida.

- Anfibol itos: ocorrem comq' maciços ou lentes 2.2.4.2. Posição Estratigráfica


no Grupo Vila Nova, provavelmente entre seu
embasamento (Complexo Guianense) e os quart- A posição dessas intrusivas na coluna estratigrá-
zitos basais do grupo. fica regional ainda permanece em aberto. Podem
ser paleozóicas ou mesmo pós-paleozóicas, à
A distribuição mineralógica em amostras do semelhança de estruturas idênticas ao redor da
Grupo Vila Nova é colocada na tabela seguinte: Sinéclise do Paraná. Aventamos para as intrusivas
TABELA 111
de Maraconai a grande possibilidade de serem
relacionadas ao paroxismo básico-to lei ítico da
Amostras Sinéclise do Amazonas, Diabásio Penatecaua, de
Meneralogia idade Jurássico-Cretáceo.
JS-7 JF-20 JF-32-A JF-36-B JF-01

Quartzo 95% X X X 60%


Muscovita X X 2.2.4.3. Distribuição na Área
Biotita X
Clorita X X X
Calei ta X
As intrusivas de Maraconai apresentam feições
Epfdoto X X X morfológicas e estruturais, típicas de corpos
Turmalina X intrusivos de composição alcalina ou ultrabásica-
Hornblenda X
·alcalina.
Opacos X X X
Trem.-Actin. X X
Zircão X
A serra é uma elevaç.ão anômala, isolada, res-
Sericita X 35%
saltando em meio à extensa área de rochas
2 3 4 5 granito-gna íssicas e metassedimentos regionais.

1 Quartzito à muscovita
2 Calcita-biotita-sericita-quartzo xisto
3 Tremolita-actinolita xisto A intrusiva maior tem forma grosseiramente oval
4 Tremolita-actinolita xisto com um eixo maior de cerca de 5 km de
5 Sericita-quartzo xisto
comprimento da direção N-S, com uma área de
2.2.4. ALCALINAS DE MARACONAI cobertura laterítica de aproximadamente 25
km 2 • Por sua vez a intrusiva menor, também de
2.2.4.1. Generalidades forma grosseiramente ov-al', com um eixo maior
A noroeste estão os corpos intrusivos da serra de de cerca de 3 km de comprimento na direção
Maraconai, cujas _coordenadas são: intrusiva EW, com área de cobertura laterítica ao redor de
maior, ooo .32'00"$. e 53024'20"W.Gr; intrusiva 8 km 2 •

1/27
2.2.4.4. Análises Químicas No rio Tocantins à altura de Tucuruí a seqüência
é representada por quartzitos, itabiritos, lentes
A laterita que recobre as intrusivas de Maraconai de hematita, metagrauvacas e filitos. Da fazenda
foram amostradas e a 35 C foi submetida a Novo Mundo ao igarapé Caripé essa seqüência
análise espectrográfica qualitativa e sem iqual i- tem maior amplitude com camadas dobradas e
tativa cujos resultados são vistos nas tabelas IV e mergulho acompanhando o caimento regional
V, comparados aos de laterita da serra de para NW. Essa variação de metagrauvacas, itabi-
Maicuru (599A): ritos e quartzitos é bem local no Grupo Tocan-
tins; a maior extensão é representada por filitos
TABELA IV
e clorita-xistos.
Maiores Menores
Traços
Amostras Constituintes Constituintes No rio Moju a sequencia é rica em xistos
magnesianos (clorita-xisto, actinolita e tremoli-
35C Fe,AI, Ti Mn, Mg Si, Ca, Cu, Zr, V
599A Fe,AI Mg, Ti
ta-xisto). Esses xistos são dobrados apresentando
Si, Mn,Ca, Zr,V,
Cu macro e microdobras com eixos principais com
direção NWN-SES e, quando recumbentes, com
TABELA V o eixo voltado para oeste (Cráton do Guaporé).

Amostras Fe% Ti % Co % Cr% Cu % Ni %


2.2.5.2. Posição Estratigráfica
35C 30 100 1.000 200 100
599A 20 150 1.500 50 200
Ao longo do rio Tocantins o Grupo Tocantins
repousa discordantemente sobre o Complexo
2.2.5. GRUPO TOCANTINS Xingu (discordância angular) com o qual faz
contato nas porções NW e SW. Sobrepostos
2.2.5.1. Generalidades estão os sedimentos terciários (Formação Bar-
reiras), e sedimentos recentes que cobrem as
Moraes Rego (42) (1933), denominou de "Série
calhas dos rios e zonas de inundações.
do Tocantins" a uma seqüência de metamorfitos
- composta de filitos verde-claro e quartzitos,
incluindo também lentes de calcários e meta-
No rio Moju o Grupo Tocantins está sotoposto,
grauvacas - tendo secção-tipo ao longo do rio
na porção sudeste, à Formação ltapicuru
Tocantins (trecho compreendido entre São João
(Cretáceo) e nos demais entornas é sotoposto
do Araguaia e Nazaré de Patos). Mais tarde,
aos sedimentos da Formação Barreiras e ao
Barbosa et alii (8) (1966), quando da execução
longo da calha é capeada por aluviões qua-
do Projeto Araguaia, descreveram o grupo como
ternárias.
sendo composto principalmente de xistos finos e
fi li tos.
2.2.5.3. Distribuição na Area
O Grupo Tocantins é constituído por uma
sequencia de metamorfitos pertencentes ao O Grupo Tocantins dispõe-se em duas faixas de
fácies xisto-verde (subfácies quartzo-albita-epí- afloramento, de direção NW-SE na parte sudeste
doto-clorita-xisto) tendo como principais lito- da Folha Belém (baixo Tocantins e médio
logias: fi I ito, clorita-xisto, sericita-xisto, calco-elo- Capim). Têm aproximadamente 80 a 50 km de
rita-xisto, actinolita-tremolita-xisto. extensão com 15 a 30 km de largura, adelgaçan-
do-se para norte e sul da serra do Trucará.

1/28
2.2.5.4. Geocronologia clorita e feldspato e têm como acessórios:
biotita, muscovita, opacos, carbonatos, turma-
Os estudos geocronológicos nas rochas do Grupo lina, epídoto, titanita e zircão.
Tocantins não apresentaram resultados compa-
tíveis ao seu relacionamento estratigráfico. Se- Os quartzitos do Muru, Aratera, Novo Mundo e
gundo Almeida (4) (1965) sua idade seria de Tucuru í têm quantidades acessórias de magne-
500 M.A. e significava um mínimo para o tita, óxido de ferro, sericita e turmalina e
conjunto Tocantins-Cuiabá. apresentam textura granoblástica, em geral fina.

Entretanto, o posicionamento estratigráfico deve No rio Tocantins e ao longo da E.F. Tocantins,


ser relacionado: ao Grupo Araxá (inferior), e à há excelentes afloramentos de metagrauvacas e
presença de vulcânicas pós-orogênicas (vatumã) metarcóseos: metamorfismo de epizona, onde
nas cercanias do Tocantins (que estão recobertas houve uma ligeira conservação da textura elás-
por depósitos terrígenos de cobertura de plata- tica original.
forma e apresentam por datação idade em torno
de 1.600 a 1.800 M.A.)
2.2.6. FORMAÇÃO TROMBETAS
No rio Parauapebas, dique de andesito está
cortando os arcóseos e siltitos - Puty et alii, 2.2.6.1. Generalidades
(16)(1972), os quais estão repousando discor-
dantemente sobre os epimetamorfitos do Grupo Foi Derby (21) (1877) o primeiro autor a
Tocantins. Esse andesito o que tudo indica está descrever com detalhe os sedimentos silurianos
relacionado as efusivas do rio F-resco (Sobreiro e do rio Trombetas, Curuá e Maecuru, comparan-
I ri ri). do-os ao grés de Medina, do Niagarano ameri-
cano. Katzer (31) (1896) refere-se a camada
siluriana no rio Maecuru baseado em amostras
2.2.5.5. Litologias com graptolitos coletadas por João Coelho. A
Derby (22) (1898) deve-se a denominação for-
O Grupo Tocantins pode ser dividido nesta área mal de grés Trombetas. Clarke (13) (1899)
em quatro tipos petrográficos principais: descreve o material paleontológico coletado por
Derby colocando no siluriano médio, face à
- Xistos de baixo grau existência de suíte paleontológica distribuída do
-Ardósias e filitos siluriano inferior ao superior, corroborando a
-Quartzitos comparação de Derby ao niagarano. Albu-
- Metarcózio e metagrauvaca querque (2) (1922) encontrou· graptolitos, na
cachoeira do Viramundo, em arenitos da Série
As rochas mais comuns são xistos micáceos finos, Trombetas. Maury (40) (1929), por sua vez
cujos constituintes principais são sericita,clorita e descreve o material coletado por Albuquerque,
quartzo. Foram identificados níveis quartzosos concordando com os trabalhos de Derby e
e micáceos, com microdobras perfeitamente Clarke e correlacionando os sedimentos do
definidas por esses níveis. Trombetas com o Llandovery inferior.

Moura (43) (1938) assinala a ocorrência de


Os filitos de Novo Mundo e Caripé são de sedimentos Trombetas na margem direita do
granulação fina, exibindo normalmente boa ori- Amazonas, na altura do Tapajós, através de
entação. São constituídos por quartzo, sericita, sondagens. Derby (21) ( 1877) já havi'à estendido

1/29
a ocorrência de sedimentos silurianos no rio Autás-Mirim (subsup.), Nhamundá (sup.), Pi-
Tapajós assinalando que "a semelhança em tinga (sup.) e Manacapuru (sup.).
caracteres I itológicos entre as rochas do T rom-
betas ·e as do Tapajós é tal que não se pode
duvidar de que a formação seja a mesma nas 2.2.6.3. Distribuição na Área
duas localidades ... ". Este fato foi posterior-
mente corroborado por Silva (53) (1951) "em No flanco sul da Sinéclise Amazônica, a For-
afloramentos localizados em Bela Vista, ilha mação Trombetas afiara desde o extremo SW da
Goiana e Vila Braga, a jusante da povoação de área até pouco a leste do rio Uruará. A partir das
São Luís" à margem direita do Tapajós. Em cabeceiras do igarapé João Ribeiro, junto ao
mapa geológico das bacias ACRE-AMAZONAS- traçado da Transamaiônica inicia uma faixa
-MARANHÃO, a Petrobrás (47) (1963) revela a contínua de direção N 600-700 E até pouco
presença da Formação Trombetas nos furos além da Volta Grande do Xingu, a leste de
PB-2-PA e PB-1-PA na região do Tapajós. Não Altamira.
obstante, vários autores não têm mapeado a
Formação Trombetas no Tapajós substituindo a No flanco norte afiara numa faixa contínua, de
indicação pela designação informal "Siluriano + mesma direção, desde o extremo oeste de Folha,
Devoniano". pouco a sul da serra Jauaru até a altura do rio
Maracá-Pucu, confirmando aliás, o vaticínio de
Derby (19) (1877) de que "à vista de amostras
2.2.6.2. Posição Estratigráfica trazidas pelo Dr. Ferreira Penna, do Maracá, pe-
queno rio quase fronteiro à extremidade ociden-
Na área em estudo a Formação Trombetas tal da ilha de Marajó, julgo que se estende quase
assenta direta e discordantemente sobre os me- até o Atlântico".
tamorfitos do Complexo Xingu, na margem
direita do Amazonas e sobre o Complexo
Guianense à margem esquerda. Com a Formação 2.2.6.4. Litologias
Curuá também é discordante.
Assentando-se em "felsito no Oiteiro do Cachor-
Na margem direita, a WSW de Altamira, na ro ou sobre sienito na cachoeira Viramundo",
Transamazônica, aflora um extenso corpo básico Derby (21) descreveu uma seqüência composta
(Diabásio Penatecaua) que entremeia estas duas "quase exclusivamente de grés duro, argila e
unidades paleozóicas. micáceo dispostas em lajes finas de poucos
centímetros de espessura porém com algumas
A Formação Trombetas tem sido colocada desde camadas maciças de grés puro". Diz que "mer-
Derby (21) (1877), no Siluriano Médio. gulha esta seqüência de cerca de 50 para SSO
corn direção N 650 O" e salienta a inexistência
Caputo, Rodrigues e Vasconcelos (11) (1971) de calcário no pacote. Nesta região (Viramundo
entretanto, baseados em estudos de Lange (36) e Oiteiro do Cachorro) é que Derby coletou
(1967), Daemon e Contreiras (19) (1971) colo- fósseis de animais e vegetais que permitiram a
caram a Formação Trombetas como Ordovicia- Clarke (13) (1899) sua colocação no Siluriano,
no-Siluriano, distribuindo-se desde o Ordovicia- ai iás já então estabelecida por Derby.
no superior até siluriano inferior.
Caputo, Rodrigues e Vasconcelos (11) (op. cit.)
Em dados de superfície e subsuperfície estes descreveram a Formação Trombetas como com-
autores dividem a unidade em quatro membros: posta por intercalações de arenitos finos a

1/30
médios, brancos a cinza-esverdeados, castanhos e mente em schistos pretos e avermelhados, pas-
vermelhos, Iam inados, duros, caul ínicos, varia- sando as vezes ao grés schistoso", situada entre
velmente silicificados, siltitos verde-claros a cin- as rochas do "Grupo Ererê" (também Devo-
za-esverdeados, micáceos, laminados e duros. niano) e as rochas do Carbonífero.
Subsidiariamente ocorre folhelhos - a este
conjunto deram a denominação de membro Trabalhos posteriores, indicaram a presença de
Autás-Mirim; arenitos brancos a cinza-claros, uma seqüência acima do Grupo do Curuá, de
finos a médios, limpos, silicificados, com pouca Derby, e abaixo das rochas Carboníferas, a qual
intercalações de folhelhos, além diamictitos com passou a ser denominada de Curuá Superior, cf.
seixos de pórfiros provavelmente oriundos de Caputo, Rodrigues, Vasconcelos, (11) (1971).
degelo - este pacote foi denominado por Breit-
bach como membro Nhamundá; folhelhos e Lange (35) (1967) denominou de membro Faro
siltitos cinza, de claros a escuros, micáceos, àquela seqüência superior.
laminados, plásticos, com nódulos de pirita, com
arenitos finos a médios, caul ínicos, porosos, com Caputo, Rodrigues e Vasconcelos (11) (op. cit.)
estratificação paralela e crUzada intercalada. dividem a Formação Curuá em três membros,
Silexitos também aí ocorrem- membro Pitinga; elevando o Membro Faro, de Lange, à categoria
arenitos finos a médios, micáceos ou não, de formação.
Iam i nados, argilosos, cinza-claros, creme a ver-
melhos, duros e siltitos cinza, micáceos, lamina-
dos, intercalados- membro Manaçapuru. 2.2.7.2. Posição Estratigráfica

As amostras coletadas pelo Projeto RADAM são O Devoniano amazônico está representado na
de: Folha SA.22 Belém apenas pela Formação Cu-
ruá. Seu contato superior é discordante com as
-arenitos ora com cores cinza-claro, maciços, formações Monte Alegre, ltaituba e Barreiras.
friáveis, ortoquartz íticos com granulação fina a Seu contato inferior se dá discordantemente
média, ora cremes, conglomeráticos com acama- com a Formação Trombetas ou com o Comple-
mento gradacional; doutra feita apresentam alto xo Xingu. De acordo com estudos paleonto-
grau de litificação, silicificados, com granulação lógicos efetuados dos diversos autores, a idade
grosseira, mal selecionados. Embora seja caracte- do Curuá corresponde ao Devoniano superior
rística a composição ortoquartz ítica, não é raro (atingindo inclusive a base do andar inferior do
aparecer arenitos finos, feldspáticos, caulínicos, Carbonífero).
laminados, com maior ou menor grau de ferrifi-
cação;
2.2.7.3. Distribuição na Area
- folhelhos via de regra, bem laminados, com
fissilidade razoável, sericíticos ou carbonosos. A Formação Curuá aflora na parte noroeste e
sudeste da área mapeada. No noroeste, entre as
formações do Paleozóico do Amazonas, é a de
2.2.7. FORMAÇÃO CU RUA maior distribuição superficial. Estende-se de
oeste para leste desde o norte de Prainha e
2.2.7 .1. Generalidades Almerim (Pará) até próximo de Mazagão
(Amapá), na região do baixo curso dos rios Paru
A denominação "Grupo do Curuá" é de Derby e Jari. A inclinação das camadas no flanco norte
(21) ( 1877) a uma seqüência "quasi exclusiva- é para S e SSE. Na parte sul, os folhelhos Curuá

1/31
estão bem expostos na rodovia Transamazônica cinza, do quase branco ao cinza médio e tons
nos primeiros quilômetros a oeste do rio Xingu, avermelhados, da oxidação de ferro; gradam para
na região de Altamira (Pará) e nas proximidades arenitos finos e para argilitos.
da Agrovila Grande Esperança, Folha
SA.22-Y-C, onde as camadas apresentam pe-
quena inclinação para N e NNW. 2.2.8. FORMAÇÃO MONTE ALEGRE

2.2.8.1. Generalidades
2.2.7.4. Litologias
A ocorrência de rochas do Carbonífero do
A Formação Curuá é composta por folhelhos Amazonas é conhecida desde fins do século
cinza-escuros, Iam i nados, com raros acamamen- passado quando foram localizados calcários fos-
tos de arenitos muito finos e micáceos, falhe- sil íferos em ltaituba, Pará. Desde então as rochas
lhos cinzentos, às vezes siltíticos, siltitos calcí- do Carbonífero foram referidas por inúmeros
feros e arenitos silicificados em delgadas cama- pesquisadores motivados principalmente pela
das-membro Barreirinhas; busca da riqueza mineral que supostamente elas
deveriam conter: o carvão.
- Folhelhos sílticos, cinzentos, laminados, micá-
ceos, com intercalações de lentes de arenitos Derby (21) ( 1877), referindo-se às rochas do
muito finos, argilosos; siltitos argilosos, cin- Carbonífero assinala que " ... A Formação tanto
zentos a pretos, maciços, mícáceos, pírítosos, pela sua idade geológica como pelas condições
diamictitos- membro Curiri em que foi depositada é das mais próprias para
conter depósitos de carvão ... " e reconhe-
-Arenitos brancos a cinzentos, de fino a mé- ceu" ... uma coincidência notável ... " entre as
dios, piritosos, argilosos, mal classificados com espécies fósseis das camadas do Carbonífero da
intercalações de diamictitos; folhelhos e siltitos Bacia do Amazonas e as das "Coai Measures" da
aparecem na coluna, sendo grosseiros, micáceos, América do Norte. Tentou, sem êxito, deter-
pouco calcíferos; duros contendo lentes de minar a sucessão estratigráfica dessas rochas e
arenitos argilosos finos- membro Oriximiná. supunha que o calcário fossil ífero formava um
horizonte estratigráfico contínuo " ... perto da
As amostras coletadas pelo Projeto Radam repre- base da Série ... ".
sentam: Folhelhos - em tons cinza-claro, aver-
melhado, vermelho-tijolo e negro, normalmente Albuquerque (2) (1922) explorou diversos rios
micáceos, apresentando ora alternância com " ... no sentido de delimitar as Formações car-
arenitos muito finos, argilosos, ora com siltitos boníferas além da área já conhecida ... " e pôde
maciços; localmente são grafitosos ou calcíferos. fazer observações mais efetivas. Encontrou, no
rio Japatu, abaixo de camadas terciárias, falhe-
Arenitos finos, localmente muscovíticos, estra- lhos e calcário fossi I ífero formando lentes em
tificação plano -.paralela pouco notável, com- folhelhos vermelhos, considerando-as iguais aos
pactos, em cores gris, amarelo acaramelado, de Pedra do Barco e Maué-Açu, tidos como
róseo e avermelhada; são argilosos, o arredon- carboníferos. Essas camadas constituíram o
damento é baixo e a esfericidade é regular. " ... topo das Formações carbônicas ... ". No
rio Capu-Capu, afluente da margem direita do
Siltitos - normalmente micáceos, às vezes maci- Jatapu, reconheceu arenitos que havia anterior-
ços com fratura subconchoidal e outras vezes mente descrito na Pedreira do Forno (rio Jata-
bem estratificados. As cores variam em tons pu), estratigraficamente abaixo das camadas de

1/32
folhelhos e calcários. Assinalou também uma 2.2.8.4. Litologias
discordância entre Arenito do Forno e as cama-
das fonte do sílex que constituía seixos de um O pacote inicia-se geralmente por um conglo-
conglomerado nele encontrado. Considerou o merado basal de pequena espessura contendo
"Arenito do Forno" carbonífero já que situa- fragmentos de granitos, efusivas ácidas. quartzo
va-se em discordância sobre rochas datadas do e pelitos.
Devoniano, através de fósseis.
No geral trata-se de um pacote de arenitos
Kremer (35) (1956) descreveu a mesma unidade médios esbranquiçados, relativamente limpos
(arenito do Forno), na parte norte da estrutura (caulim e micas aparecem raramente) com inter-
de Monte Alegre (Pará), sob a denominação de calações de finas camadas de folhelhos escuros,
"basal carboniferous sandstone". Foi entretanto calcários e dolomitos claros (cinza a creme). A
Freydank (26) (1957), trabalhando na mesma estratificação é planoparalela embora não esteja
área que Kremer em 1956, que primeiro utilizou ausente o tipo cruzado.
a denominação Monte Alegre para a Formação
basal do Carbonífero do Amazonas. Após Frey-
dank, o nome Monte Alegre foi consagrado pelo 2.2.9. FORMAÇÃO ITAITUBA
uso em quase todos os trabalhos geológicos
(principalmente os da Petrobrás) a despeito da 2.2.9.1. Generalidades
precedência do nome utilizado por Albuquerque
(2) (1922). O termo "Série ltaituba" foi utilizado por Hartt
(28) (1874), em referênciá às camadas de arenito
e calcário fossilífero que afloram próximo a
2.2.8.2. Posição Estratigráfica ltaituba (Paredão, Igarapé Bom Jardim e Paraná
do Castanho), no Tapajós. Antes de Hartt outros
A formação Monte Alegre é tida como neo- pesquisadores se ocuparam das rochas de ltai-
carbon ífera. tuba, mas deve-se a ele a denominação. O
estabelecimento da idade Carbonífera para essas
Recobre discordantemente todas as unidades camadas deve-se a Derby através de estudo de
pré-carboníferas. Na área, suas exposições assen- braquiópodos, estudo este anexado ao trabalho
tam diretamente sobre os sedimentos de For- de Hartt publicados em 1874.
mação Curuá.

Superiormente acha-se coberta também em dis- 2.2.9.2. Posição Estratigráfica


cordância pelos sedimentos da Formação
Barreiras. A Formação ltaituba é muito fossil ífera e
representa uma das poucas formações brasileiras
com tal abundância de fósseis. Corresponde no
2.2.8.3. Distribuição na Área dizer de Daemon e Contreiras (19) (1971) ao
Carbonífero superior, Westphalian "D" a Ste-
A Formação Monte Alegre é restrita na Folha phaniano, equivalente em parte à Formação
SA.22 ao flanco sul da calha do Amazonas; sua Monte Alegre.
área de afloramento ocupa, diagonalmente
(ENE) a porção central da Folha SA.22-Y-C Ilha Assenta, discordantemente sobre a Formação
Grande do lriri. Curuá, sendo da mesma forma coberta pela
Formação Barreiras.

1/33
2.2.9.3. Distribuição na Area JcsT-1-PA atravessa vários horizontes dessas
rochas.
A Formação ltaituba afiara no nor~.-este da área,
Folha SA.22-V-C Almerim, nus arredores do Neste trabalho é proposta a denominação de
povoado de Mulata. Há boas exposições na niabásio Penatecaua - termo tirado da litologia
estrada Monte Alegre-Prainha, no limite ociden- mais importante da unidade e do nome de um
tal da área. pequeno rio formador do Jarauçu, que corta a
rodovia Transamazônica 8 km a oeste da Ruró-
polis Pres. Médici - conforme proposição de
2.2.9.4. Litologias Andrade (7) (1973) quanto à localidade-tipo, à
unidade composta de rochas básicas introduzidas
Esta unidade é repr9sentada em superfície por: durante o intervalo Jurássico-Cretáceo em sedi-
mentos da Sinéclise do Amazonas.
- calcários e dolomitos, localmente ool íticos,
com tons de cinza a creme amarelado, duros,
fossil fferos, com anidrita, subordinada; 2.2.1 0.2. Posição Estratigráfica

- arenitos finos a médios, cinza-esverdeados, Oliveira (45) (op. cit) sobre a manifestação
amarelos e brancos, mal selecionados, micáceos e vulcânica do Tucuruí descreve: "correspondem
argi lesos, com estratificação planoparalela à par- estas rochas aos afloramentos eruptivos no rio
cialmente cruzada; Tapajós entre a vila de Aveiro e a cidade de
ltaituba. São considerados contemporâneos ou
- siltitos e folhelhos de cores variegadas; local- posteriores ao período carbonífero".
mente margosos. Os folhelhos têm baixa fissili-
dade, sendo normalmente micáceos, cinza em Andrade (7) (op. cit.) com base em trabalhos de
tons mais escuros. campo e por sua elaboração final do mapa da
SA.22, acredita estar o Penatecaua "estratigra-
ficamente abaixo dos folhelhos Curuá e acima
2.2.10. DIABASIO PENATECAUA dos arenitos da Formação Trombetas"; entre-
tanto, o contato com a Formação Trombetas
2.2.1 0.1. Generalidades não foi diretamente observado.

Oliveira (45) (1928) assinala "Do igarapé Joá


para cima, em Sumaúma, Carajás e Tubarão 2.2.10.3. Distribuição na Area
(... ) rocha eruptiva pela margem a fora, cons-
tituindo um derramamento de diabásio normal", De forma contínua, afiara como um corpo em
bem como a mesma litologia "acima da foz do faixa grosseiramente paralela ao conjunto paleo-
Tucuruí e ao longo desse rio". zóico amazônico, numa extensão de cerca de
60 km e largura máxima em torno de 13 km.
Katzer (32) (1933) descreve "folhelhos ligados Como tal, acha-se restrita à Folha SA.22-Y-C
com diabásio e Schalstein que se estendem pelas Ilha Grande do lriri, distribuindo-se.pelas cabe-
terras vizinhas, da volta grande para o ocidente". ceiras do rio Jarauçu, ao longo da rodovia
Transamazônica em mais de 40 km.
As rochas básicas ocorrentes nas cabeceiras do
rio Jarauçu têm sido mencionadas e cartogra- Corpos menores com características mineraló-
fadas em trabalhos da Petrobrás. O poço gicas, de composição química, texturais e geo-

1/34
cronológicas semelhantes, afloram em toda a ácida-albita); aparecem envolvendo os piroxê-
sinéclise, sendo marcante na Folha SA.21 Santa- nios. Às vezes são I ímpidos e doutra feita,
rém suas presenças no interior de domínios das encontram-se completamente alterados a saussu-
rochas carboníferas. rita, sericita e minerais argilosos. Sua granulação
varia de amostra para amostra em intervalos
bastante longos.
2.2.1 0.4. Geocronologia
Piroxênios - geralmente subédricos bem desen-
O resultado de duas amostras datadas por Base i volvidos, freqüentemente maclados, esboçando
(9) ( 1973) forneceram 134 ± 4 MA e 175 ± 7 vários graus de transformação para uralita, horn-
MA em K/Ar (AB-9 e AB-4, respectivamente). blenda, biotita e clorita, Não raramente esta
A diferença de idade é tomada como devida transformação libera óxido de ferro que passa a
principalmente à granulação grosseira da amostra envolver o mineral neoformado. No geral trata-se
AB-9 e ao seu maior grau de alteração. de pigeonita, embora muitas vezes as caracte-
rísticas óticas levem mais para o campo da
Estes dados corroboram a correlação estratigrá- augita, e em certos casos seja praticamente
fica destas rochas com aquelas da Formação impossível seu diagnóstico, ainda que seja certo
Orozimbo, Nunes; Barros Filho; Lima (44) tratar-se de um membro da série augita-
( 1973), Jurássico-Cretáceo. -pigeonita. Sua participação depende do grau de
uralitização, podendo alcançar 40%, quando a
presença de uralita tende a alguns poucos por-
2.2.1 0.5. Petrografia centos (até 5%). A oi ivina foi duvidosamente
diagnosticada (face ao tamanho dos grãos) em
As amostras coletadas no domínio desta uni- apenas em uma amostra.
dade, Tabela VI, estão assim distribuídas:
Anfibólios - Os anfibólios aparecem sob a
Uma delas representa rocha básica alterada forma de hornblenda, uralita ou tremolita-
coletada em um dique. A laterita possui cores -actinolita, atingindo até 45% como no caso da
que vão do acre-claro ao avermelhado-tijolo, AB-4.
sendo os tons claros devido a minerais alumi-
nosos e os escuros a goethita, e, localmente, a Ouartzo-feldspatos - o intercrescimento quart-
película de óxido de manganês. A ausência de zo-feldspático foi verificqdo em todas as amos-
quartzo ou outros elásticos corrobora a forma- tras, variando de uns poucos grãos até 35%,
ção sobre as rochas básicas. quando a rocha adquire características mais
ácidas, podendo ser classificada como grano-
As restantes apresentam diabásio com os mais diorítica.
variados graus de granulação. Todas esboçam
uma textura subofítica, ainda que nas AB-5 e 6, Acessórios - os acessórios constantes são apa-
uma textura micrográfica seja revelada pelo tita, sericita, clorita (até 3%, opacos (5%),
intercrescimento de quartzo e feldspatos alca- ocorrendo sericita, saussurita e argilosos como
linos (até 35%). produtos de alteração. Carbonato foi encontrado
em uma amostra, porém pertencendo a um veio
Plagioclásios - tem composição que varia desde quartzo-carbonático. A biotita presente na maio-
andesina e labradorita (40-65 An). São geral- ria das amostras (até 2%), advém de trans-
mente subédricos, bastante desenvolvidos, local- formação do anfibólio.
mente zonados (zonação direta até composição

1/35
Pelas características micro e macroscópica somos crescimento micropegmatítico de quartzo e fel-
levados a crer advirem estas amostras de um dspato alcalino teria sido o resultado da lentidão
corpo hipabissal suficientemente espesso, que da cristalização, lentidão esta inerente aos cor-
permitiu não só uma granulação relativamente pos plutônicos e hipabissais. A abundância de
grosseira como também uma lenta interação de água é comprovada pela progressiva hidrolização
fases, denunciada pela presença da série descon- dos minerais anidros (piroxênio e plagioclásios) e
tínua de Bowen para os máficos e uma diminui- pelos efeitos deutéricos mostrados pelos mais
ção relativa da basicidade dos plagioclásios. Um diversos minerais (sericitização, saussuritização,
resíduo ácido final atestado pelo inter- cloritização, etc).

TABELA VI

Amostras
Minerais
Constituintes AG-20 AB-2 AB-4 AB-5 AB-6 AB-7 AB-9 AB-10 Observação

Plagiocásio X 50 45 30* 30 47 50 50 Andesina*


Pigeonita 40 40 20 40
Augita x* x* x* Duvidosa*
Olivina x* Duvidosa~
Hornblenda X 5 5 5 5
Uralita X 40 25 20 5 15 5
Apatita X X X X X X X
Clorita X X X X X 3 X X
Feldspato - Ale + Ozto X X 5 35 34 3 4 X
Sericita X X X X X X X X
Saussurita X
Opacos X 3 5 2 4 2 4
Carbonatos X
Biotita X X 2 X 2 X
Argilosos X X X
Piroxênio não ident. X X 5
Tremolita-actinolita X

2.2.11. FORMAÇÃO ITAPICURU A rigor esta sedimentação não pertence a uma


ou outra entidade geológica, (estrutural-estrati-
2.2.11.1. Generalidades gráfica), senão a um ciclo generalizado de
cobertura continental cretácica; sedimentos
As camadas ltapicuru descritas por Lisboa (38) isócromos são encontrados nas bacias costeiras
( 1914), estendem-se, com algumas interrupções, brasileiras e nas chapadas de Mato Grosso
desde o norte do Pará (no paralelo de Vigia) até (Parecis), no leste de Goiás e oeste da Bahia,
o rio Urucuia no noroeste de Minas Gerais pouco Barbosa e outros (50) (1969).
a sul do paralelo Brasília. Daí para o sul, embora
mantendo quase todas as características paleon-
tológicas e sedimentares, ainda que com maior 2.2.11.2. Posição Estratigráfica
participação vulcânica, estendem-se retalhadas
por parte do oeste de Minas Gerais, ganhando Segundo Mesner e Wooldridge (41) ( 1964) a
maior continuidade a medida que adentram na Formação ltapicuru é albiana.
Sinécl ise do Paraná.

1/36
Na Sínéclíse do Maranhão, está sobre o Basalto graficamente inferiores; sua porção aflorante é
Orozimbo e sob a Formação Barreiras. do Terciário Superior por sua posição estrati-
gráfica em relação às camadas de calcário fossil í-
Na área em apreço assenta-se sobre os epimeta- fero da Formação Pirabas, cuja idade é Mioceno,
morfitos do Grupo Tocantins e é escassamente e às quais a Formação Barreiras se sobrepõe
capeada pela Formação Barreiras. ·diretamente em algumas regiões da Folha SA.22
Belém. Em Nazaré de Patos, Tocantins, aflora
um conglomerado basal, com seixos de quartzo e
2.2.11.3. Distribuição na Área quartzito, cor parda a marrom, em discordância
sobre quartzitos e xistos do Grupo Tocantins.
A Formação ltapicuru acha-se restrita à Folha
SA.22-Z-D Médio Capim nas cabeceiras do rio
Capim. Seu contato sob as exposições ocidentais 2.2.12.3. Distribuição na Área
se dá com o Grupo Tocantins e nas setentrionais
com o Grupo Barreiras. Na Folha SA.22 Belém a Formação Barreiras
acha-se distribuída sobre a vasta superfície em
ambas margens da porção oriental da Sinécl ise do
2.2.11.4. Litologias Amazonas. No bordo norte a Formação Bar-
reiras forma platôs e mesas isoladas, como na
Lisboa (op. cit.) descreveu as "camadas ltapi- serra de Paranaquara e outras ao norte de
curu" como "rochas arenosas e a~gilosas sempre Almerim (Pará), cujos topos tem altitudes em
vermelhas e acinzentadas, porém livres de areias torno de 350 metros. No bordo sul a Formação
aluviais". Barreiras forma um extenso e contínuo platô
que se estende para sul até a região de Altamira
A Formação ltapicuru é representada principal- (Pará) e dos rios Moju e Capim, ao sudeste da
mente por arenitos finos e argilosos com colora- área (Folhas SA.22-Z-C e Z-D).
ção variando do gris até o vermelho, interca-
2.2.12.4. Litologias
ladas, subsidiariamente, com leitos de siltitos e
folhelhos variegados. Há silicificação no topo da
A Formação Barreiras apresenta uma excepcio-
unidade. Estratificações cruzadas são freqüentes
nal variedade de tipos litológicos que variam de
em convivência com estratificações plano-
argilito a conglomerado. As camadas ora exibem
-paralelas.
estratificações perfeitas, Iam i nadas, ora são maci-
2.2.12. FORMAÇÃO BARREIRAS ças. De uma maneira geral, entretanto, predo-
minam arenitos finos e siltitos, bem estratifi-
2.2. 12.1. General idades cados, nas cores vermelho, amarelo, branco e
roxo, com camadas de arenito grosseiro e con-
Não se conhece a origem exata da designação glomerático, geralmente com estratificação cru-
formal dessa unidade. Aparentemente o termo zada, intercaladas. Ocorrem também com essas
"formação" foi incorporado ao nome descritivo rochas, camadas argilosas baux íticas.
"barreiras", usado para designar as falésias
comuns no litoral brasileiro.
A amostragem realizada na Formação Barrei ras
2.2. 12.2. Posição Estratigráfica revelou arenitos quartzosos, feldspáticos ou não,
com cimento I imon ítico em porção variável. Os
A Formação Barreiras foi mapeada em discor- grãos elásticos são normalmente angulosos. Em
dância sobre todas as demais formações estrati- duas amostras foram identificadas uma canga

1/37
limonítica, com maior ou menor fração de Maior ou menor presença de óxidos de alumínio
elásticos e óxido de alumínio. foi constatada, embora, via de regra, nas amos-
tras analisadas, predominem os óxidos de ferro
No Porto do Sabão (Folha SA.22-V-A), aflora com proporção variável de manganês. Os dados
canga laterítica concrecionária cujos grãos são de campo mostram baixo grau de estratificação
pseudopisolitos e pisolitos verdadeiros. Por vezes para o conjunto.
a canga é brechóide, englobando fragmentos de
rochas (folhelhos, arenitos, etc ... ). 2.2.13. ALUVIOES

Argilitos duros, compactos levemente micáceos, A cobertura sedimentar recente mapeada sob a
caulínicos, ocorrem juntamente com argilitos denominação genérica de "aluviões" compre-
siltosos laminados. ende depósitos aluviais inconsolidados de variada
granulometria. Esses sedimentos formam a ampla
A coloração das rochas é variável, porém os planície aluvial do Amazonas e têm notável
argilitos são cinzento-azulados e no caso dos extensão superficial no leste da área, região da
arenitos e cangas predominam os tons marrom- ilha do Marajó, Caviana, Mexiana, Grande de
-avermelhados. Gurupá, todas na desembocadura do grande rio.

1/38
3. ESTRUTURAS

3.1. Estruturas Regionais de metamórficas com direção geral NW-SE. Esta


orogênese afetou amplas áreas do Craton do
As análises das imagens de radar e os trabalhos Guaporé e Guianês, e os limites precisos possivel-
de campo demonstraram na Folha SA.22 Belém mente poderão ser visualizados ao término dos
a existência de feições estruturais com amplitude trabalhos do Projeto RADAM nessas áreas.
regional. A seção Pré-Cambriana exibe feições
características de processos orogenéticos, haven- Na Folha Belém, a faixa orogênica Araguaia-
do evidências de duas orogêneses. -Tocantins perde muito a expressão morfológica
das feições estruturais, comparando com as
O Craton do Guaporé, na sua porção seten- Folhas Araguaia e Tocantins; restringe-se ao
trional é constituído por metamorfitos de médio Grupo Tocantins, cujos metamorfitos apresen-
a alto grau, denominados Complexo Xingu, que tam direção geral NNW, com mergulhos prefe-
orientam-se segundo NW e mesmo E-W. Os renciais para leste e valores entre 1oo a 300. Foi
mergulhos de estruturas planares e lineares dos visto que a faixa orogênica Araguaia-Tocantins
metamorfitos variam de vertical a 200, ora para trunca as feições estruturais do Complexo Xin-
N E e SSW. O sistema de falhas, fraturas e demais gu, estabelecendo uma inconformidade.
feições, aproximadamente ortogonais entre si,
orientam-se segundo NW e NE, com variações As relações de campo indicam que essa faixa
para NNW, WNW, ENE e menos proeminente orogênica tenha sido edificada através de uma
para NS. orogênese, "Araguaides", cuja idade seria su-
perior 2.000 M.A., entretanto datações efetua-
O Craton Guianês, na sua porção sudeste é das por Hasui, Hennies e lwanuch (29) (1972)
constituído por metamorfitos de médio a alto tem resultados correlacionáveis ao Ciclo Brasi-
grau, denominados Complexo Guianense, que liano (400-800 M.A.).
orientam-se segundo N 5-1 oo W e NW. As ati-
tudes dos metamorfitos variam de vertical a 300 Após os movimentos orogenéticos começou a
ora para NNE e SSW. A tectônica, com padrão implantação da sinéclise do Amazonas, com uma
ortogonal, tem rumo segundo NW e NE, com sedimentação de arenitos grosseiros, mal selecio-
variações para NNW, WNW, ENE e menos nados com estratificação horizontal, camadas de
proeminente NS. folhelhos e conglomerados da formação Tro-
mbetas, do Siluriano, aflorando em ambos os
Sobre o Complexo Guianense ocorre o Grupo bordos da sinéclise. Sobrepondo-se a Formação
Vila Nova, disposto em duas faixas aproxima- Trombetas estão os folhelhos e siltitos micáceos,
damente paralelas segundo a direção NW do pretos, cinza e vermelhos, bem laminados com
Gnaisse Tumucumaque (este pertencente ao camadas intercaladas de arenitos finos a médios
Complexo Guianense). bem selecionados, geralmente com estratificação
cruzada da Formação Curuá, do Devoniano,
O embasamento de ambos os cratons deve ter também aflorando em ambas as margens da
atingido parcial "sialização" através de orogê- sinéclise. Depositaram-se os arenitos finos a
neses cuja idade por geocronologia é superior a médios, com estratificação horizontal e ocasio-
2.600 M.A. (Ciclo Guriense). nalmente cruzada pertencentes a Formação
Monte Alegre e depois os calcários, dolomitos e
Existem evidências que estes dois cratons foram margas fossilíferas, arenitos calcíferos, cinza e
retomados por orogênese durante o chamado amarelo, folhelhos com camadas de calcário e
Ciclo Transamazônico, erigindo uma ampla faixa lentes de anidrita da Formação ltaituba. A

1/39
Formação Monte Alegre afiara no bordo sul da 3.2.1. ALTO DO CAPI M-SU R U Bl M
sinéclise, enquanto que a Formação ltaituba
afiara no bordo norte, na área deste mapea- Na Folha SA.22-Z-D Médio Capim, ocorre um
mento. Ambas Formações, Monte Alegre e alto estrutural situado entre o curso do rio
ltaituba, pertencem ao Carbonífero. Capim e seu afluente da margem direita, o
Surubim. A área é coberta pela Formação
No Jurássico e Cretáceo desencadeou-se na ltapicuru, que mostra-se levemente arqueada e
Sinéclise do Amazonas um paroxismo vulcânico fraturada na direção NW e NE. Tal alto estru-
básico tolei ítico, com episódios intrusivos de tural dever-se-ia a influência do Arco de Tocan-
diabásios, localmente micrográficos, Penatecaua, tins, em subsuperfície.
que afiara no bordo sul da sinéclise.
3.2.2. ARCO DE GURUPÃ
As intrusivas alcalinas ou ultrabásico-alcalinas de
Maraconai podem pertencer a este estágio de Entre os Cratons Guianês e Guaporé sob a ilha
vulcanismo final. Grande de Gurupá, na foz do rio Amazonas, a
PETROBRÁS delimitou o "Horst" ou Arco de
No Cretáceo depositaram-se os arenitos e argili- Gurupá com direção geral NW. É chamativa essa
tos vermelhos, Iam i nados, da Formação lta- feição estrutural com a direção geral do Grupo
picuru, que afiara na extremidade sudeste da Vila Nova e Gnaisse Tumucumaque.
Folha SA.22 Belém.

No Terciário, em ambos os lados do rio Ama- 3.2.3. ESTRUTURA DO PEDREIRO


zonas, depositaram-se os sedimentos da Forma-
ção Barreiras que se distribuem, amplamente, e Em sedimentos silurianos da Formação Tro-
transgridem sobre o bordo N E do Craton do mbetas, foram mapeadas estruturas, dobradas,
Guaporé e bordo SE do Craton Guianês, discor- constituindo sinclinal e anticlinal com eixos
dantemente sobre as rochas dos Complexos E-W; estão localizadas na margem esquerda do
Xingu e Guianense, respectivamente. Da margem rio Amazonas entre os rios Jari e Maracá, área do
direita do rio Tocantins até o limite da folha igarapé do Pedreiro. Essas estruturas podem ser
mapeada essa cobertura cenozóica é bastante produtos de intrusão, dobramento local for-
conspícua, transgredindo a SE sobre as rochas da mando falhamentos, ou seja, uma falha inversa
Formação ltapicuru. A Formação Barreiras apre- onde o bloco norte da estrutura teria cavalgado
senta uma grande variedade de tipos litológicos sobre a Formação Trombetas. Dobramento de-
variando de argilito a conglomerado. Apresenta vido a forças tangenciais é difícil de ser imagi-
platôs e mesas isoladas (serra de Paraquara e nado tendo em vista que as camadas na borda da
outras). si nécl i se apresentam-se sub-horizontais, mer-
gu Ih os variando de 1o a 50 para su I, e pela
3.2. Estruturas Locais suavidade desses mergulhos não se pode imaginar
uma tectônica de escorregamento. A hipótese de
Foram identificadas feições estruturais- dobras intrusão é mais favorável.
falhas, lineamentos, faixas orogênrcas, chaminés
- bem como inconformidades entre metamor- 3.2.4. SINCLINAL DE TRUCARÃ
fitos, ou entre sedimentares e sedimentares, que
ocorreram durante a evolução dos Cratons do No baixo curso do rio Tocantins, na serra do
Guaporé e Guianês, na faixa orogênica Araguaia- Trucará, ocorre uma sequencia de metas-
- Tocantins e sinéclises do Amazonas e Mara- sedimentos correlacionável do Grupo Tocantins.
nhão-Piauí. Essas rochas apresentam-se sob a forma de uma

1/40
faixa de direção geral N10°W, formando uma Com relação a idade: as intrusivas são mais
sinclinal cujo eixo principal é concordante com a jovens que os metamorfitos do Grupo Vila Nova,
faixa mas o caimento da estrutura é para SE. entretanto a idade desses diatremas fica em
Tanto no flanco NW como SE, a seqüência aberto, pois essas chaminés são eventos magmáti-
dobrada apresenta-se adelgaçada e a parte cen- cos do tipo continental, relacionados ao vulca-
tral está truncada por uma falha de direção nismo final que se desenvolve sobre as platafor-
NE-SW. mas, preferentemente nas bordas das sinéclises.
Aventamos a possibilidade de estarem essas
3.2.5. FALHAS DE VOLTA GRANDE chaminés associadas ao vulcanismo básico to-
leiítico da Sinéclise do Amazonas (Penatecaua)
No vale do rio Xingu entre Altamira e Vitória, de idade Jurássico-Cretáceo.
nos domínios do Complexo Xingu, ocorre um
sistema de falhas paralelas com direção geral Morfologicamente as intrusivas alcalinas ou ul-
NW. Este sistema de falhas é em parte inter- trabásico-alcalinas de Maraconai, apresentam
sectado por outro sistema de falhas mais espa- relevo positivo e se ressaltam na topografia da
çado, com direção NE. região (feições essas que deve-se a espessa cober-
tura laterítica que preservou essas estruturas).
Entre os rios Xingu e Bacajá ocorre um sistema
de zonas de cisalhamentos com direção Com base nas análises de amostras da cobertura
N6Q0-7QOE. Feições estruturais análogas foram laterítica, (não foram encontrados afloramentos
identificadas entre os rios Bacajá e Pacajá, mas da rocha) sugerimos para as rochas das intrusivas
com direção N3QOE. de Maraconai, uma composição alcalina ou
ultrabásico-alcalina, com ou sem carbonatito
Na confluência dos rios lriri e Xingu, a sudoeste associado.
de Altamira, nas bordas do cráton mas afetando
também a Formação Trombetas, ocorrem falhas
com direção N3QOW, N7QOE e N80°E. 3.2.8. FAIXA DE SERPENTINITOS DO ARA-
GUAIA-TOCANTINS

3.2.6. FOSSA DO MARAJÚ No rio Moju, especialmente na corredeira do


Jaquara, ocorre um afloramento de serpentinitos
Dos trabalhos de subsuperfície da PETROBRÁS, com aproximadamente 50 m de extensão. Mine-
executados na foz do rio Amazonas, a deno- ralogicamente essas rochas são compostas por
minada Fossa do Marajá é na realidade a antigorita e crisotilo com aabundante pirita. São
intersecção do Graben de Mexiana e Graben cortados por veios e lentes de crisotilo e estão
Limoeiro, cujas direções gerais são N450E e associados a outras rochas verdes (tremolita-
N400W. Essas duas grandes fossas se formaram -xisto e epídoto-tremolita xisto).
através de falhamentos de gravidade -Schaller,
.Vasconcelos e Castro (52) (1971). Esses serpentinitos estão ligados à faixa oro-
gênica Araguaia-Tocantins, aflorando esparsa-
mente ao longo do rio Moju e Estrada de Ferro
3.2.7. INTRUSIVAS ALCALINAS DE MARA- do Tocantins, km 15.
CONAI
3.2.9. LINEAMENTO IR IRI- MARTfRIOS
A noroeste da Folha mapeada ocorrem duas
chaminés cujos diâmetros são 5 km e 3 km. Na interpretação das Folhas SB.22 Araguaia e
parte da SC.22 Tocantins, delineou-se a norte da

1/41
serra dos Carajás, a partir da serra dos Martírios, plexo Guianense ora se faz em quarzitos ora em
lineamento com rumo geral NW-SE, que atraves- anfibolitos do primeiro Grupo. O fácies meta-
sa as áreas da serra do Sereno, serra de Buriti- mórfico do Grupo Vila Nova é xisto verde a
rama, serra Misteriosa e serra Três Palmeiras - anfibolito, enquanto que o Complexo Guianense
esta última na Folha SA.22 Belém, cruzando os exibe fácies metamórfico - xisto verde, anfi-
rios Bacajá, Xingu e lriri, até ser encoberto por bolito a granulito. As isogradas metamórficas são
sedimentos silurianos da Formação Trombetas. diferentes, estabelecendo entre o Grupo Vila
Nova e o Complexo Guianense uma "desconti-
As razões genéticas de tais lineamentos não nuidade metamórfica".
foram bem definidas durante as campanhas de
mapeamento. Todavia há possibilidade de ser -Os metassedimentos do Grupo Tocantins as-
esta faixa somente um "trend" das litologias do sentam em discordância angular sobre as rochas
Complexo Xingu aí afetado por falhas, zonas de metamórficas do Complexo Xingu. Estrutu-
cinzalhamentos e fraturas NW-SE. ralmente os metamorfitos do Grupo Tocantins
exibem direção geral N50-1 oow e mergulhos
suaves para N E, enquanto as rochas poli-
3.2.10. LINEAMENTO DO RIO DAS VELHAS metamórficas do Complexo Xingu possuem
OU TOCANTINS-ARAGUAIA rumo geral NW e mesmo WNW e atitudes
verticais, e mergulhos altos mergulhando tanto
Tanto Pflug (48) (1962) como Kegel (33) para NE como para SW.
(1965) chamam a atenção para um lineamento
de dimensões continentais, denominado Linea- A Formação Trombetas afiara em duas faixas
mento do rio das Velhas e Tocantins-Araguaia, alongadas com direção N70 E que são os flancos
respectivamente. Se superpõe à. faixa orogênica norte e sul da Sinéclise do Amazonas. No flanco
Araguaia-Tocantins e provavelmente tem cor- norte as camadas da Formação Trombetas for-
respondência em subsuperfície no Graben Li- mam uma cuesta com altitudes que diminuem
moeiro da ilha de Marajá e se prolonga no progressivamente de oeste para leste, desde os
território Federal do Amapá, na preparação municípios paraenses de Monte Alegre, Prainha e
tectônica por onde depois ascenderam as rochas Almerim, penetrando no Território Federal do
básicas tolei íticas do lineamento entre o Oiapo- Amapá até próximo do rio Maracá, a oeste da
que e o Araquari (Cassiporé), cujo rumo é cidade de Mazagão. Essa faixa é cortada, no
N1Q0-2QOW. sentido N-S, pelos rios Paru e Jari. A faixa norte
da Formação Trombetas assenta-se em discor-
dância angular sobre os metamorfitos do Com-
3.2.11. DISCORDÂNCIAS plexo Guianense, enquanto que a faixa sul
analogamente sobrepõe-se em discordância an-
Na Folha Belém SA.22, foram observadas as gular sobre as rochas metamórficas do Complexo
seguintes inconformidades: Xingu.

-Os metassedimentos do Grupo Vila Nova - A Formação Curuá afiara em duas faixas
repousam em discordância sobre o Gnaisse alongadas com direção N700 E em ambos lados
Tumucumaque e demais metamorfitos do Com- da Sinéclise do Amazonas. No lado norte entre as
plexo Guianense. As rochas do Grupo Vila Nova, formações paleozóicas da sinéclise, é de maior
apresentam-se dobradas e com mergulhos va- distribuição superficial. Estende-se de oeste para
riáveis, mas predominantemente mergulhando nordeste, desde o norte de Prainha e Almerim
para NE e SW. A superfície de separação entre (Pará) até as proximidades de Mazagão (Amapá),
os metamorfitos do Grupo Vila Nova e Com- na região do baixo curso dos rios Paru e Jari. As

1/42
camadas da Formação Curuá estão aflorando na A Formação ltapicuru afiara na parte sudeste da
rodovia Transamazônica nos primeiros qui- área recobrindo os epitamorfitos do Grupo
lômetros a oeste do rio Xingu, na região de Tocantins, a oeste do médio curso do rio Capim,
Altamira (Pará). e nas proximidades da agrovila através de uma discordância angular.
Grande Esperança; a inclinação das camadas aqui
é suave mergulhando para N e NNW. Assenta-se -A Formação Barreiras acha-se aflorando sobre
sobre a Formação Trombetas através de uma uma vasta superfície em ambos os lados do rio
discordância paralela. Amazonas, transgredindo sobre os bordos NE do
Cráton do Guaporé e SE do Cráton Guianês, em
-A Formação Monte Alegre afiara na parte sul inconformidade com as rochas dos Complexos
da Sinécl ise do Amazonas sob a forma de uma Xingu e Guianense, respectivamente. Na margem
faixa de aproximadamente 85 quilômetros de direita do rio Tocantins, até o limite leste da
comprimento e com direção geral N70ü E. As- Folha mapeada, essa cobertura cenozóica é bas-
senta-se sobre a Formação Curuá através de uma tante conspícua, transgredindo através de uma
discordância paralela. inconformidade sobre as rochas do Grupo To-
cantins e, os sedimentos da Formação ltapicuru
-A Formação ltaituba afiara na parte norte da no limite SE da Folha.
Sinécl ise do Amazonas, através de uma faixa de
125 quilômetros de comprimento, com direção -Aluviões quaternários depositaram-se na calha
geral N700 E, e mergulhos de 30 a 50 para SE. do rio Amazonas e no complexo sistema de ilhas
Essa formação sobrepõem-se sobre a Formação de sua foz e na do Tocantins e, também, se
Curuá em discordância erosional. localizam ao longo de outros cursos (Xingu,
Jari,Paru etc.).

1/43
4. GEOLOGIA ECONOMICA

4.1. Generalidades de Tucuruí. Na localidade de Montanha a 2 km a


sul de Tucuru í, ocorrem pequenos diamantes em
Os recursos minerais de parte da Folha Belém placers não atingidos pelas cheias do rio Tocan-
foram tratados muito brevemente por Barbosa et tins.
alii (8) (1966).

Arantes, Damasceno e Krebs ( 14) ( 1972) no 4.2.3. FERRO


Projeto Argila-Belém tratam de recursos mine-
rais não metálicos, na região acima do paralelo A seqüência ferrífera Novo Mundo - Caripé é
20 sul e a leste de Belém até o meridiano conhecida algum tempo, pois Francisco, Silva e
46°30' WGr, abrangendo uma área de aproxi- Araújo (25) ( 1967), relatam que pouco antes de
madamente 33.400 km 2 • Tucuru í, ao norte da fazenda Novo Mundo,
cerca de 500 a 600 metros, no topo de uma
elevação encontraram uma formação ferrífera
4.2. Ocorrências Minerais com canga limonítica superficial e hematita, nos
domínios do Grupo Tocantins.
O desenvolvimento da área estará ligado à
exploraÇão de caulim, bauxito e materiais de Ao sul do igarapé Caripé, as estradas atravessam
construÇão para a Grande Belém, Altamira, rochas do Grupo Tocantins, cujas elevações são
Macapá, Monte Dourado (Jari) e vizinhanças de constitu fdas por quartzitos, itabiritos e filitos
TucuruL enriquecidos com ferro. O ferro do lpitinga é um
conhecimento mais recente e identificado na
Ouro, diamante, ferro, estanho, titânio, cromo, campanha de mapeamento do Projeto RADAM.
limonita, calcário, cristal de rocha e ametista, Associado aos metassedimentos do G-rupo Vila
serpentina, turfa, são conhecidos como ocorrên- Nova, encontram-se camadas ferríferas
cias. constituindo a parte mais superior do Grupo
tendo-se como ocorrências: Santa Maria do Vila
Nova, rio Tracajatuba e rio lpitinga.
4.2.1. OURO
No rio lpitinga o ferro poderá vir a ser lavrado,
São conhecidas ocorrências de ouro nos aluviões face a possança dos horizontes. O minério de
do rio Bacajá, nos igarapés ltatá e ltuna afluen- ferro na região do Território do Amapá e no rio
tes do Xingu, bem como no rio Carecuru, lpitinga (Pará) é produto do enriquecimento
afluente da margem direita do Jari. Os trabalhos supergênico dos itabiritos (? ) , sendo os prin-
de "garimpagem" no Bacajá, ltatá e ltuna cipais minerais a hematita, limonita e algumas
chegaram até o estágio de desmonte e moagem camadas de magnetita.
de rocha para a extração do ouro. Atualmente a
garimpagem de ouro nessa região está em de- A hematita ocorre sob forma compacta
cadência. constituindo camadas, lentes e bolsões, associada
ao tipo chapinha e no conjunto associada com
ferro do tipo friável.
4.2.2. DIAMANTE
As ocorrências do minério de ferro lenticular
O diamante que ocorre no rio Tocantins, vai oferecem alguns problemas na prospecção pois
desde São João do Araguaia até as proximidades na região o minério é capeado por espessas
1/44
massas de canga limonftica com depressões 4.2.7. BAUXITO E CAULIM
(caldeirões) e lagos. O minério de ferro está
situado nos flancos das estruturas dobradas e em Ocorrências de bauxito e caulim estão sendo
certas áreas ocorre em serras escarpadas e aflo- motivo de pesquisas em Monte Dourado nos
rando ainda sob a forma de grandes blocos de platôs da Formação Barreiras.
até mais de 1O metros de diâmetro.
No rio Capim, aproximadamente entre as coor-
denadas 305' e 301 O' de latitude sul e 48000' de
4.2.4. ESTANHO, TANTALO E NIOBIO longitude WGr, existe pedido de pesquisa para
caulim nos domínios da Formação Barreiras.
São conhecidas ocorrências de cassiterita, tan-
talita e columbita nos aluviões da grota do Helói,
igarapé ltuna, afluente do rio Xingu. Ocorrências 4.2.8 CALCÁRIO
semelhantes se tem notícia do rio Carecuru,
afluente do rio Jari, bem como na Grota do A ocorrência de calcário restringe-se aos aflo-
Cupuaru, rio Tucumanema, afluente do Paru. ramentos de Caraparu, na margem direita do rio
Carapuru, por sua vez afluente da margem
Ocorrências de cassiterita aluvionar são conhe- direita do rio Guamá. Essa área situa-se a 30
cidas na ilha da Fazenda, no rio Xingu, bem quilômetros, em reta, a oeste de Belém.
como nos seus afluentes, igarapés ltatá e ltuna, o
mesmo acontecendo no rio Bacajá, na altura de Foi estudada por Leinz (37) (1949) que descreve
Volta Grande. ser um "calcário brechóide composto de frag-
mentos centimétricos de calcário original, atra-
vessado por vênúlos irregulares de calcita. Os
4.2.5. TITÂNIO E CROMO fragmentos são cripto-cristalinos, compactos, de
cor ligeiramente creme, contendo impressões de
As intrusivas da serra de Maracona í no extremo conchas. As vênulas de calcita são de cor branca,
noroeste da Folha SA.22 Belém constituem no granulação milimétrica, possuindo frequen-
conjunto uma elevação anômala, isolada, res- temente cavidades com revestimento de cal cita."
saltando-se em meio à extensa área de rochas
granito-gnáissicas e metassedimentos regionais. No microscópio observou a "mesma natureza
Ambas as intrusivas são capeadas por um espesso brechóide, com recristalização irregular de cal-
manto laterítico cuja análise espectrográfica cita. Nos fragmentos compactos de calcário
semiquantitativa acusou os valores vistos nas original encontram-se raros foram in íferos geral-
tabelas IV e V. mente um foraminífero por centímetro qua-
drado da seção delgada, os restos lembram
fragmentos de conchas. O calcário mostra silici-
4.2.6. LIMONITA ficação incipiente com precipitação de
calcedônia, principalmente nas vênulas".
Ocres limoníticos ocorrem na estrutura sinclinal
de Trucará, no baixo curso do rio Tocantins, É ainda opinião de Leinz (37) (op. cit), que
onde afloram epimetamorfitos correlacionáveis apesar do aspecto cristalino da rocha, a conser-
com o Grupo Tocantins. Esses ocres provêem de vação dos fósseis e as cavidades com vênulas
meteorização dos minerais ricos em ferro dessas indicam que não houve nenhum metamorfismo
rochas. térmico, mas apenas cataclase que fragmentou o

1/45
calcário, o qual foi acompanhado por recris- 4.2.11. TURFA
talização parcial do mesmo, portanto houve
apenas movimentos tectônicos. Petri (46) ( 1952) Há notícias que na localidade de Muru, ocorre
encontrou foraminíferos miocênicos nestes cal- camadas de turfa, assim como na ilha de Marajá,
cários. nos municípios de Soure e Salvaterra, tal fato é
também referido.
Este mesmo calcário do rio Caraparu, coletado e
submetido a análise química do DNPM, acusa,
conforme Boletim nC? 14.574. 4.2.12. MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO

Perda ao Fogo 43,54% Os mais importantes depósitos de argilas e areias


R. I. 0,40% vão desde a baía de Marapatá (foz do rio
R2 03 0,04% Tocantins) até a Baía de Marajá, numa faixa
CaO 55,30% orientada segundo a direção N 35° E, onde os
MgO 0,30% depósitos se localizam desde o I itoral até
Na2 O 0,30% aproximadamente 30 quilômetros para o in-
K2 O 0,10% terior, e onde concentram-se as maiores in-
dústrias cerâmicas da região. Os dados quan-
titativos desses materiais são fornecidos por
4.2.9. CRISTAL DE ROCHA, AMETISTA E Arantes, Damasceno e Krebs ( 14) ( 1972).
TURMALINA
Os cascalhos ocorrem na baixada do igarapé
Há notícias da ocorrência de cristal de rocha no Caraparu, bem como algumas vezes nos níveis
igarapé I taco roa, afi uente da margem esquerda conglomeráticos da Formação Barreiras (caso
do rio Tocantins, na serra do Trucará. das falésias de lcoraci, Caratateua, Mosqueiro,
Cametá e São Joaquim do ltuquara).
Ametista do tipo veludo ocorrem no médio
curso do rio Pacajá, sob a forma drusiforme, Outro material de construção importante são as
associadas a veios de quartzo de segregação rochas básicas de Tucuru í e os diabásios Pena-
metamórfica, que recortam o Complexo Xingu. tecaua ( Km 100 da rodovia Transamazônica,
trecho Altamira-ltaituba, aflorando numa ex-
No flanco oeste da serra do Trucará, existe tensão contínua de mais de 40 km). O primeiro
ocorrência de turmalina preta (afrisita) em veios foi lavrado no passado para a construção do cais
de quartzo que cortam quartzo-muscovita xisto. do porto de Belém, enquanto que o segundo
oferece perspectivas favoráveis na utilização
como brita, paralelepípedo, meio-fio, pedra de
4.2.1 Q. SERPENTINA alicerce e até mesmo como material ornamemal.

No rio Moju, Damasceno e Garcia (20) (1970) O grés do Pará, ou arenito ferrificado e/ou
fazem referências a rochas u ltrabásicas nas ferruginoso, encontra-se freqentemente
cachoeiras Jaquara, Santo Antônio e Jararaca. associado a sedimentos da Formação Barreiras,
Essas rochas ultrabásicas estão parcial ou total- ocorrendo em níveis descontínuos na parte
mente serpentinizadas, com veios e vênulas de superior dessa formação sob forma de blocos
antigorita e crisotilo. soltos, irregulares de tamanhos variados. As

1/46
maiores ocorrências exploradas situam-se em Nova Marambaia, Souza e Marco. Das loca-
Ananindeua, Marituba, Coqueiro e Santo An- lidades com abastecimento superficial, apenas
tônio de Tauá. Tucuru í apresenta do ponto de vista geológico,
condições adversas à exploração de lençóis
Como material de construção o grés é his- subterrâneos, já que Altamira repousa na aba sul
toricamente responsavel pela fixação do ele- da Sinéclise do Amazonas, com espesso pacote
mento humano, com defesa e abrigo no baixo de sedimentos favoráveis.
Amazonas, embora modernamente tenha suas
aplicações limitadas quanto ao uso em obras de Deve-se dizer que, até o momento, estudos
média envergadura, ainda que apresentem-se especializados sobre o comportamento dos
bastante duros e compactos, apresentando aqüiferos subterrâneos das formações geológicas
grande resistência ao intemperismo. da Amazônia têm sido postergados, dada a
facilidade com que a água é obtida nas perfura-
Segundo Pianca (49) ( 1949), o grés em geral, faz ções. Por isso mesmo, pouco se sabe sobre os
boa pega com a argamassa; todavia, sendo bom mananciais de subsuperfície, não se podendo
condutor da umidade, não é aconselhável o seu avaliar a capacidade real dos mesmos. As infor-
emprego nos alicerces e paredes sem revesti- mações existentes sobre a hidrogeologia da
mento protetor. Amazônia reúne até o momento, dados
aleatórios, apenas.

4.2.13 ÁGUA SUBTERRÂNEA Vale salientar os dados obtidos em Marajá, onde


em Santa Cruz do Arari existe um poço com 84
A FSESP, por suas Diretorias Regionais de metros de profundidade com artesianismo com-
Engenharia, tem se ocupado dos probl.emas de pleto e grande produtividade, embora a água
abastecimento d'água das sedesmunicipais.Aiém tenha teor ligeiramente salino. Nessa ilha, levan-
dessas cidades, no Estado do Pará algumas tamento eletroresistivo foi efetuado no
localidades e vilas possuem esse sistema de município de Soure e Salvaterra com a finali-
abastecimento. Podem ser citadas, lcoaraci e dade de selecionar áreas de captação.
Mosqueiro no município de Belém; Vila
Maiamatá, em lgarapé-Miri; Beja em Abaetetuba;
São Luís, em lgarapé-Açu, e, entre outras, 4.3. Possibilidades Metalogenéticas da Area
diversas localidades da Transamazônica.
O exame das informações sobre a~ ocorrências
A exceção de Tucuruí, Altamira e Belém, que se minerais da Folha SA.22 Belém, bem como os
suprem na maior parte de água de superfície, as dados teóricos da metalogênese das demais
demais sedes municipais abastecem-se de plataformas do mundo, permitem esboçar e
mananciais subterrâneos. mesmo ampliar as possibilidades metalogenéticas
de cada unidade.
Informações verbais de técnicos na FSESP nos
dão conta que poços tubulares têm sido cons- Uma bibliografia básica acompanhará cada
truídos em vários pontos de Belém, com pro- probabilidade metalogenética, sendo as
dutividade promissora. São citados os casos do referências apresentadas como fonte de i nfor-
quartel do 2° BIS, sede do DER-PA, Base Aérea mação nas pesquisas que poderão vir a ser
de Belém, fábricas de refrigerantes, sedes encetadas na prospecção de determinados
campestres e sociais de diversos clubes, além de elementos.
muitas propriedades particulares nos bairros da

1/47
COMPLEXOS XINGU E GUIANENSE GRUPO TOCANTINS

- Pegmatitos portadores de Sn, Nb, Ta. Ni'veis itabir(ticos e filitos enriquecidos em Fe.
- Veeiros de quartzo como Au. - Ni e Cr associados aos ultrabasitos serpentini-
zados.
DUCELLI ER, V. Géologie du niobium et du - Ocres de ferro, provenientes da meteorização
tantale. Chron. des Mines et de la Recherche dos epimetamorfitos.
Míniere. Paris, 317: 67-88; 318: 116-132,
1963. BLANCHOT, A. Description de quelques gftes
de cuivre, de nickel, molybdene et leur
GINZBURG, A. 1.; OVCHINNIKOV, L. N.; prospection. 8. 8.R.G.M., Orléans, 1968.
SOLODOV, N. A. Genetic types of tantalum 214 p.
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MOUSSU, R. Recherche des gisements d'Etain.
Chron. des Mines et de la Recherche Miniere, THAYER, T.P. Mineralogy and Geology of
Paris, 314:338-347, 1962. Chromium. Chromium. Amer. Soe. Monogr.,
132: 14-52, 1956.
ROZH KOV, I. S. Genetic types of gold deposits
and their setting in geotectonic structures. VOROBI EV, V. Matériaux de Construction. Mir
lntern. Geol. Review. Washington 12 (8): Publishers, Moscou, 1967. 447 p.
921-929, 1972.

GRUPO VILA NOVA INTRUSIVAS DE MARACONAI

-Seqüência metamórfica com Fe e Mn -Ti, Nb, Zr, Lantan(deos, dependendo da


- Ultrabasitos serpentinizados, Ni e Cr. composição das rochas e provável associação
- Au associado aos anfíbol i tos. com carbonatito.

BLONDEL, F. Les types de gisements de fer. HEINRICH, E. Wm. Economic Geologic of the
Chron. Mines Coloniales, Paris, 231: Yttrium Group Elements. Econ. Geol.,
226-246, sept. 1955. Lancaster, 51:11, 1956.

LOMBAR O, J. Sur la geochimie et les gisements KUN, N. The Economic Geology of Columbium
du Nickel. Chron. Mines d'Outre Mer et de la and of Tantalum. Econ. Geol., Lancaster,
Recherche Mini ere 244: 237-256, 1956. 57:377-404, 1962.

MACHAI RAS, G. Contribution à l'étude LOMBARD, J. Sur la Géochimie et les


minéralogique et métallogenique de l'or Gisements de Titane. Chron. Mines d'Outre
8.8.R.G.M.,Paris, (2) sect. 11,3:2-73, 1970. Mer et de la Rocherche Miniere., 253/254:
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WISSINK, A. Les gisements de manganese du
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metal contenu. 8. 8.R.G.M., Paris (2) sect. classification des gisements de zirconium et
11, 1: 33-48, 1972. d'hafnium. lnst. Mineral. Geoch.

1/48
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Moscou, 2: 211-229 /Tradução nQ 3688 do
Bureau de Recherche Géologique et Miniere. - Diamante nos aluviões, entre São João do
Paris, 1959. 22 p./. Araguaia e Tucuri.
-Cassiterita, Tantalita,Columbita e Ouro nos
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Earths ( Lanthanous) 8. Co/orado Schoo/ o f
Mines, Mineral lndustries, Colorado 1-2, COSSAIS, J. C. & PARFENOFE, A. L'examen,
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ISSLER, R.S.Súmula de Metalogenia. Min. Met.,
-Bauxita Rio de Janeiro, 54 (331): 28-31, 1972.
- Caulim

Gl LLOTT, J. E. C/ay In Engineering Geology. 4.4. Situação Legal dos Trabalhos de Lavra e
Elsevier Publishing, Amsterdam/etc 1968. Pesquisa Mineral
296 p.
Segundo informações obtidas junto ao DNPM-
VALENTON, I. Bauxites. Elsevier PUblishing, 5o Distrito, é a seguinte a situação legal dos
Amsterdam/etc/, 1972. 226 p. trabalhos de lavra na área:

4.4.1. DECRETOS DE LAVRA

MAZAGAO I AMAPA

D.N.P.M. Interessado dec. lavra Substância Local

804.423/68 Min. Sta. Patrícia Ltda. 68.399/71 Caulim Morro do Felipe I


817.837/68 Min. Sta. Patrfcia Ltda. 69.183/71 Caulim Morro do Felipe IV
811.177/70 Min. Sta. Patrfcia Ltda. 69.711/71 Caulim Morro do Felipe 11

1/49
4.4.2. ALVARÁS DE PESQUISA

ALMERIM/PARÁ

D.N.P.M. Interessado Alv. Pesq. Substância Local

806.566/71 Min. Sta. Patrícia Ltda 313/7,2 Bauxita Serra de Almerim


816.925/72 Min. Amapari Ltda 898/73 Zinco Bacia do Rio Jari
816.927/72 Min. Arr.apari Ltda 900/73 Zinco Bacia do rio
816.929/72 Min. Amapari Ltda 902/73 Níquel Bacia do rio Jari
816.930/72 Min. Amapari Ltda 903/73 Níquel Bacia do rio Jari
816.931/72 Min. Amapari Ltda 904/73 Níquel Bacia do rio Jari
816.932/72 Min. Amapari Ltda 905/73 Níquel Bacia do rio Jari
816.933/72 Min. Amapari Ltda 906/73 Nlquel Bacia do rio Jari
816.934/72 Min. Amapari Ltda 907/73 Wolframio Bacia do rio Jari
816.935/72 Min. Amapari Ltda 908/73 Wolframio Bacia do rio Jari
816.936/72 Min. Amapari Ltda 909/73 Wolframio Bacia do rio Jari
816.937/72 Min. Amapari Ltda 910/73 Wolframio Bacia do rio Jari
816.938/72 Min. Amapari Ltda 911/73 Wolframio Bacia do rio Jari
816.939/72 Min. Amapari Ltda 912/73 Bauxita Bacia do rio Jari
816.940/72 Min. Amapari Ltda 913/73 Bauxita Bacia do rio Jari
816.941/72 Min. Amapari Ltda 914/73 Bauxita Bacia do rio Jari
818.108/72 Min. Amapari Ltda 1307/73 Bauxita Bacia do rio Jari
818.109/72 Min. Amapari Ltda 1308/73 Bauxita Bacia do rio Jari
801.834/73 Min. Porto Santana Ltda 1309/73 Ferro Bacia do rio Jari
801.835/73 Min. Porto Santana Ltda 1310/73 Ferro Bacia do rio Jari
801.836/73 Min. Porto Santana Ltda 1311/73 Ferro Bacia do rio Jari
801.937/73 Min. Cassiporé Ltda. 1312/73 Ferro Bacia do rio Jari
801.838/73 Min. Cassiporé Ltda 1313/73 Ferro Bacia do rio Jari
801.839/73 Min. Cassiporé Ltda 1314/73 Ferro Bacia do rio Jari
801.840/73 Min. Cassiporé Ltda 1315/73 Ferro Bacia do rio Jari
801.841/73 Min. Amapairi Ltda 1316/73 Ferro Bacia do rio Jari
801.842/73 Min. Amapari Ltda 1317/73 Ferro Bacia do rio Jari
801.843/73 Min. Amapari Ltda 1318/73 Ferro Bacia do rio Jari
801.844/73 Min. Amapari ltda 1319/73 Ferro Bacia do rio Jari
801.845/73 Min. Amapari Ltda 1320/73 Ferro Bacia do rio Jari
802.060/73 Min. Porto Santana Ltda 1341/73 Ferro Bacia do rio Jari
802.489/73 Min. Serra do Navio Ltda 1321/73 Ferro Bacia do rio Jari
802.490/73 Min. Serra do Navio Ltda 1322/73 Ferro Bacia do rio Jari
802.491/73 Min. Serra do Navio Ltda 1323/73 Ferro Bacia do rio Jari
802.493/73 Min. Serra do Navio Ltda 1324/73 Ferro Bacia do rio Jari

1/50
SENADOR JOSÉ PORFIAO

D.N.P.M. Interessado Alv. Pesq. Substância Local

814.815/72 Aldo Serrano Noli Vergueiro 1205/73 Cassiterita lg.João Bispo


814.816/72 Aldo Serrano Noli Vergueiro 1250/73 Cassiterita lg.João Bispo
814.817/72 Aldo Serrano Noli Vergueiro 1251/73 Cassiterita lg.João Bispo
814.818/72 Aldo Serrano Noli Vergueiro 1252/73 Cassiterita lg.João Bispo
814.819/72 Aldo Serrano Noli Vergueiro 1206/73 Cassiterita lg.João Bispo
814.820/72 Otto Serrano Noli Vergueiro 1229/73 Cassiterita lg.João Bispo
814.821/72 Otto Serrano Noli Vergueiro 1230/73 Cassiterita lg.João Bispo
814.822/72 Otto Serrano Noli Vergueiro 1231/73 Cassiterita lg.João Bispo
814.823/72 Otto Serrano Noli Vergueiro 1232/73 Cassiterita lg.João Bispo
814.824/72 Otto Serrano Noli Vergueiro 1233/73 Cassiterita lg.João Bispo
801.816/73 Aldo Serrano Noli Vergueiro 1763/73 Ouro lg. ltata
801.817/73 Aldo Serrano Noli Vergueiro 1762/73 Ouro lg. ltata
801.821/73 Aldo Serrano Noli Vergueiro 1683/73 Tantalita Rio ltuma
801.822/73 Otto Serrano Noli Vergueiro 1641/73 Tantalita lg. da Anta
801.823/73 Otto Serrano Noli Vergueiro 1642/73 Tantalita lg. da Anta
801.824/73 Otto Serrano Noli Vergueiro 1643/73 Ouro Foz do Bacajá
801.825/73 Otto Serrano Noli Vergueiro 1644/73 Ouro Foz do Bacajá
801.826/73 Otto Serrano Noli Vergueiro 1686/73 Ouro Foz do Bacajá
801.827/73 Otto Serrano Noli Vergueiro 1687/73 Ouro Foz do Bacajá
801.828/73 Otto Serrano Noli Vergueiro 1645/73 Ouro Foz do Bacajá

MAZAGÃO/ AMAPÁ

D.N.P.M. Interessado Alv. Pesq. Substância Local

817.698/70 Min. Sta. Patrícia Ltda. 1479/72 Cromo lg. do Breu


817.699/70 Min. Sta. Patrícia Ltda. 1480/73 Cromo lg. do Breu
821.486/71 Emp. Sta. Monica Ltda 396/73 Caulim Morro do Felipe
821.487/71 Emp. Sta. Monica Ltda 484/73 Caulim Morro do Felipe
821.488171 Emp. Sta. Monica Ltda 485/73 Caulim Morro do Felipe
821.489/71 Emp. Sta. Monica Ltda 486/73 Caulim Morro do Felipe
821.490/71 Min. Sta. Monica Ltda 487/73 Caulim Morro do Felipe
821.491/71 Min. Sta. Patrícia Ltda 488/73 Caulim Morro do Felipe
821.770/71 Emp. Sta. Rita de Min. Ltda 1568/73 Bauxita Serra do Acapuzal
821.771/71 Emp. Sta. Rita de Min. Ltda 1567/73 Bauxita Paga Dívida
803.618/73 Emp. Cisplatina de Min. Ltda 1709/73 .Bauxita lg. Cemitério
803.619/73 Emp. Cisplatina de Min. Ltda 1710/73 Bauxita lg. Cemitério
803.620/73 Emp. Cisplatina de Min. Ltda 1711/73 Bauxita lg. Mirituba
803.621/73 Emp. Cisplatina de Min. Ltda 1712/73 Bauxita lg. Turunas

1/51
BENEVIDES/PARÁ

D.N.P.M. Interessado Alv.Pesq. Substância Local

805.023/70 Mário José de Oliveira Peixoto 789/71 Argila Caulínica Santo Amaro
805.024/70 Mário José de Oliveira Peixoto 790/71 Argila Caul ínica Santo Amaro

BENEVIDES/ANANINDEUA

D.N.P.M Interessado Substância Local Município

819.712/71 Rogelio Fernandes Filho Areia Quartzosa Rod. PA/17 Benevides


819.713/71 Rogelio Fernandes Filho Areia Quartzosa Rod. PA/17 Benevides
813.715/72 Manoel Dias Lopes Areia Entre kms 08 e
13 BR-010 Ananindeua
814.564/72 Emmanoel Bittencourt Água de Mesa Km 07 - BR-010 Ananindeua
806.906/73 Antonio Carlos Santos de Santana Argila Santo Amaro Ananindeua
806.934/72 Refrigerantes Garoto lnd. e Com. S/A Água de Mesa Ananindeua
807.058/73 Azulejos do Pará Argila Sansunema Benevides/
Ananindeua
808.915/73 Antonio Carlos Santos de Santana Argila Mocajuba/Curusambar Ananindeua
808.916/73 Antonio Carlos Santos de Santana Argila Ilha Bela Vista Ananindeua
808.917/73 Wilson Coelho Santana Argila Ilha de São Pedro Ananindeua
808.918/73 Wilson Coelho Santana Argila Ilha São Pedro Ananindeua

MAZAGÃO/AMAPÁ

D.N.P.M. Interessado Substância Local Município

803.616/73 Argilas Clay S/A Bauxita lg. !pitanga Mazagão


803.617/73 Emp. Cisplatina de Min. Ltda Bauxita lg. Muriaçú Mazagão

1/52
PARAGOMINAS

D.N.P.M. Interessado Alv. Pesq. Substância Local

807.233/71 Cia. de Cimento Portland Poty 314/72 Bauxita


807.234/71 Cia. de Cimento Portland Poty 315/72 Bauxita
807.235/71 Cia. de Cimento Portland Poty 316/72 Bauxita
807.236/71 Cia. de Cimento Portland Poty 317/72 Bauxita
807.237/71 Cia. de Cimento Portland Poty 318/72 Bauxita
807.238/71 Cia. de Cimento Portland de Sergipe 271/72 Bauxita
807.239/71 Cia. de Cimento Portland de Sergipe 272/72 Bauxita
807.240/71 Cia. de Cimento Portland de Sergipe 319/72 Bauxita
807.241/71 Cia. de Cimento Portland de Sergipe 320/72 Bauxita
807.242/71 Cia. de Cimento Portland de Sergipe 321/72 Bauxita
808.171/71 Mineração BrasileiraS/A- MINEBRA 1502/72 Bauxita
808.172/71 Mineração Brasileira S/A- MINEBRA 1503/72 Bauxita
808.173/71 Mineração BrasileiraS/A- MINEBRA 1504/72 Bauxita
808.174/71 Mineração Brasileira S/A- MINEBRA 1505/72 Bauxita
808.175/71 Mineração Brasileira S/A- MINEBRA 1506/72 Bauxita

4.4.3. PEDIDOS DE PESQUISA

ALMERIM/PARÁ

D.N.P.M. Interessado Substância Local Munic(pio

801.105/72 Mineração Guanhães Ltda Bauxita G -3 Almerim


801.106/72 Mineração Guanhães Ltda Bauxita GN -2 Almerim
801.107/72 Rio Doce Geologia e Mineração S/ A Bauxita DG -1 Almerim
801.108/72 Rio Doce Geologia e Mineração S/A Bauxita Área DG- 2 Almerim
801.109/72 Rio Doce Geologia e Mineração S/ A Bauxita Área DG- 3 Almerim
801.111/72 Rio Doce Geologia e Mineração S/A Bauxita Almerim
801.119/72 Mineração Sta. Lucrécia Ltda Bauxita Caracuru DG -5 Almerim
802.628/72 Mineração Araguaia Ltda Fosfato Área- 1 Almerim
803.877/72 Mineração Sta. Lucrécia Ltda Bauxita Serra Azul Almerim
801.846/73 Min. Aporema Ltda. Ferro Bacia do Paru Almerim
801.847/73 Min. Aporema Ltda Ferro Bacia do Paru Almerim
801.849/73 Min. Aporema Ltda Ferro Bacia do Paru Almerim
808.116/73 Mineração Sta. Lucrécia Ltda Bauxita Caracaru Almerim
808.117/73 Mineração Sta. Lucrécia Ltda Bauxita Bom Jardim Almerim

1/53
5. CONCLUSOES

5.1. A etapa ora concluída revelou mais uma 5.7. A Formação Barreiras face a sua grande
vez grande ferramenta de trabalho que são os exposição em ambas as margens do rio Amazo-
sensores empregados (SLAR, Infravermelho e nas e mesmo a leste do rio Tocantins, e
Multispectral); forneceram não somente um acu- enriquecida a níveis com bauxito, mostra-se
rado poder de resolução das feições estruturais bastante promissora neste bem mineral, afora as
como também mostraram ser de grande vai ia na áreas já requeridas para pesquisas.
divisão estratigráfica. Adicione-se a isto a fideli-
dade de escala dos mosaicos semicontrolados de 5.8. Os aluviões dos cursos d'água dos domínios
radar. O panorama de conjunto oferecido pelas do Complexo Xingu (área de Volta Grande) e
imagens de radar - 1 :250.000 e 1 :1.000.000 - Complexo Guianense (área Carecuru-Tucuma-
permite estabelecer a correlação estratigráfica nema}, são de interesse para jazimentos de cas-
assim como estender as feições estruturais, seja siterita, tanta I ita, columbita e ouro.
pela identidade de padrões seja pela continui-
dade física.

5.2. Os Complexos Xingu e Guianense são


conjuntos metamórficos regionais bem antigos
da Plataforma Brasileira, estando freqüen-
temente expostos sob fácies granulitos. Suas
possibilidades metalogenéticas são bastante res-
tritas.

5.3. O Grupo Tocantins mostra-se promissor à


mineralizações associadas a maciços básicos-ul-
trabásicos, bem como para cristal' de rocha,
calcário, minerais de pegmatitos e ocres.

5.4. O Grupo Vila Nova mostra-se promissor a


mineralizações de médio a grande porte de ferro
e manganês, assim como mineralizações associa-
das a corpos ultramáficos.

5.5. As intrusivas de Maraconai, por seu posicio-


namento estrutural na borda da Sinéclise do
Amazonas e face as primeiras análises espectros-
cópicas, mostram-se bastante promissoras para
mineralizações à titânio, nióbio, zircônio e lanta-
nídeos.

5.6. O diabásio Penatecaua aflorando numa


extensão de mais de 40 km de margens da
rodovia Transamazônica, dependendo de ensaios
tecnológicos, poderá constituir-se num valioso
material de construção.

1/54
6. RECOMENDAÇÕES

6.1. Recomendamos como área extremamente segundo N 200 W (40 km). Tal feição nos parece
interessante sob o ponto de vista econômico o ser a mais significativa em termos de Geologia do
mapeamento de detalhe da Folha SA.22-V-A Petróleo, visto estar a mesma nas proximidades
Monte Dourado, tendo em vista nela ocorrerem do flanco oeste do Arco de Gurupá.
intrusivas alcalinas - por exemplo as de Mara-
conai, sendo provável que nela ocorram outras; 6.5. Com relação ao fornecimento de recursos
p. ex., a 35 km a NE de Maraconai, observa-se minerais ao pólo representado pela Grande
uma feição circular muito arrasada que poderá Belém, se faz de interesse um estudo visando
ser outro corpo intrusivo. O mesmo é válido para argilas expansivas para emprego como material
outra feição circular, que ocorre a 50 km aNde de construção: as pedreiras mais próximas dis-
Maraconai. Nesta área também está presente o tam mais de 150 km. Também é chamativo a
Grupo Vila Nova com suas unidades promissoras falta de drenagem não afetada por agentes
a minério de ferro e manganês. Além do mais poluentes e grau de sal in idade, com possibilidade
existe notícia da ocorrência de minerais valiosos de atender a expansão do abastecimento de
nas aluviões dos rios Tucumanema e Carecuru, água. Isto nos faz recomendar o estudo do
afluentes dos rios Paru e Jari, respectivamente. potencial dos aqu íferos em subsuperfície, bem
como, o estudo para captação em superfície das
6.2. Na área limitada a norte pelas aluviões da águas do rio Acará e dos problemas geotécnicos
margem direita do rio Amazonas, a oeste e leste para trazê-las às estações de Belém.
pelo meridiano 54° 00' e Xingu, respectivamen-
te, e cujo limite sul é a faixa WSW-ENE das 6.6. A observação das imagens de radar da
Formações Curuá e Monte Alegre, ocorrem região dos rios Paru. e Jari, mostra que esses
platôs e mesas da Formação Barreiras, que 11as cursos ao passarem na faixa setentrional do
regiões do Trombetas e Paragominas mostrou ser Paleozóico sofrem um fechamento. O rio Tocan-
bauxitífera. Por comportamento geomorfológico tins, entre Montanha e Caripé, 1O km a sul de
e continuidade dos padrões deposicionais, re- Tucuru í, também sofre um fechamento no seu
comendamos a área em epígrafe como sendo curso. Outro fato digno de salientar-se é a região
potencialmente bauxitífera. de "Volta Grande do Xingu", onde o nível do
Xingu desce cerca de 70 metros em todo o
6.3. As áreas vizinhas aos rios Tocantins e Moju, percurso de Volta Grande, oferecendo um dos
no domínio do Grupo Tocantins, merecem ser ma i ores potenciais hidráulicos do baixo
estudadas num programa visando os corpos Amazonas. As sugestões aqui formuladas se
básico-ultrabásicos da faixa orogênica Ara- prendem as ocorrências de platôs da Formação
guaia-Tocantins. Barreiras (potencialidade bauxitífera) em Monte
Dourado e na região Moju Capim-Paragominas,
6.4. A área limitada a oeste pelo rio Xingu e bem como a vastíssima extensão dessa formação
leste, sul e norte pelo rio Pracupi e afluentes, a oeste do rio Xingu. Qualquer implantação de
apresenta na imagem de radar uma interessante indústrias do alumínio na região demandará
feição de anomalia de drenagem, como sendo energia elétrica barata, cuja fonte será sem
drenagem postecedente, cujo eixo está orientado dúvida de origem hidráulica.

1/55
7. RESUMO

O mapeamento geológico da Folha SA.22 Be- bem como os mais importantes depósitos de
lém, compreendendo cerca de 284.780 km 2 , foi minério.
baseado principalmente em trabalhos de campo
e de interpretação de mosaicos semicontrolados As rochas do embasamento (Complexos Xingu e
de radar, na escala de 1 :250.000, reduzida à do Guianense), a seqüência metamórfica do Grupo
mapa final. Vila Nova - incluindo formação ferrífera e
depósitos de manganês - e uma faixa orogênica
Os objetivos foram o estudo das diferentes marginal (Araguaia-Tocantins) são os registros
unidades maiores, comprovando sua distribuição do Pré-Cambriano.
geográfica através de observações no terreno e,
investigação de suas características geológicas, Movimentos oscilatórios de características epi-
tendo por meta fornecer a curto prazo os mais rogênicas, sobre a plataforma, foram os respon-
importantes aspectos estratigráfico e econômicos sáveis pelo estabelecimento de sinéclises, com
de regiões do norte do Brasil. sedimentação desde o Siluriano (Amazonas) até
o Cretáceo (Maranhão-Piauí).
Foi destacada a origem, evolução e localização
de seis províncias geológicas. Em acréscimo a Coberturas sedimentares cenozóicas desenvolvi-
descrição dessas unidades, são também apresen- das de oeste para este ocupam a maioria da área.
tadas suas potencial idades e ocorrências minerais,

l/56
8. BIBLIOGRAFIA

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1/60
ESTAMPA 1
Contato do Complexo Xingu com a Formação Barreiras - 6rea Bacajã, Rio Anapu ( Folha
SA.22·Y·DI.
Parte sul representa o embasamento polimetambrfico em contato com os sedimentos
terci6rios da Formação Barreiras, geralmente em platôs. Sedimentação recente no vale do
Anapu transgride sobre as duas unidades (este reoparl.

ESTAMPA 2
Complexo Xingu - ãrea Bacajã (Folha SA.22-V-DI. Paragnaisses e migmatitos formando
persistentes e longas cristas orientadas no "trend " regional do Lineamento lriri - Martlrios
(estereoparl.
FOTO 1
Folha SB.22·Y·O Altamira,
Complexo Xingu.
Rochas graníticas à foz do rio
Bacajã, na estação seca. Falha
e fraturas controlam a drena-
gem desses canais do rio Xin-
gu, no trecho Altamira-Vitó-
ria, conhecido como "Volta
Grande do Xingu".

FOT02
Folha SA.22-Y-D Altamira, Complexo Xingu.
Slicken•side em granitos porfiríticos cataclãsticos; rodovia Transamazônica, Km 45, entre os
rios Xingu e Anapu.
FOT 03
Folha SA.22·Y·D Altamira, Complexo Xingu - fotomicrografia da amostra AG-15.1 -
Granulito - LP· 35.
Mãficos segregados em bandas devido a reincidência de esforços. Not~se relictos de piroxênio
envolvidos po~J>ornblenda e intensa extinção ondulante de quartzo. Aparecem ainda biotita,
apatita, esfeno e feldspatos alcalinos.

FOT04
Folha SA. 22·V· A Monte Dou rado, Complexo Guianense - fotomicrografia da amostra JF-26-
Diorito - LP..J5.
Plagioclãsio sericitizado, hornblenda, rara clorita e opacos. Note-se os vestígios de tensão.
FOTO 5
Folha SA.22-V-A Monte Dourado, Complexo Guianense - fotomicrografia da amostra JF-35 -
Hornfelse - LN 35
Biotita envolvendo cristais de feldspato e de quartzo. Aparecem ainda opacos e apatita. Note·se
a abundância de finíssimas palhetas de biotita.

FOT06
Folha SA.22·V·A Monte Dourado. Grupo Vila Nova - fotomicrografia da amostra JF-32 a
Tremolita·actinolita xisto- LP-35.
Tremolita e actinolita com raros cristais de quartzo intersticial. Alguma clorita e opacos.
Note-se microdobramentos.
FOTO 7
Folha SA.22-Z-C Tucu ruí,
Grupo Tocantins.
ltabirito d e seqüência ferrífera
do Novo Mundo- Caripé. E.F.
Tocantins, km 15.

FOTO 8
Folha SA.22-Z-C Tucurul, Grupo Tocantins.
Metarcósio c reme a branco, fraturado, em pequeno afloramento ã foz do igarapé Cachoeirinha,
Andirobal, 6 km a norte de Nazaré dos Patos, Rio Toca ntins.
FOT09
Fol ha SA.22-Z-C Tucuru í, Grupo Tocantins.
F ilito bem orientado, apresentando alternância de níveis claros e escuros, respectivamente, mais
pobres e mais ricO$ em óxido de ferro; parcialmente alterado e dobrado por esforços no
Sinclinal de Trucurâ. E. F. Tocantins, Km 14.

FOTO 10
Folha SA.22-Z-C Tucuruf, Grupo Tocantins.
Metagrauvaca cinza escura a marrom quando alterada; fraturas freqüentemente preenchidas por
sllica; atitude local menor que 10° NE de mergulho.Mangal, 2 km à jusante de Tucuruí.
FOTO 11
Folha SA.22· Y·C Ilha Grande do lrirl, Formação Trombetas.
Caverna nos arenitos, 15 km ao sul Cla Agrópolis Brasil Novo, rodovia Transamazõnica.

FOTO 12
Folha SA.22· Y·C Ilha Grande do lriri, Formação Curuá.
Folhelhos com intercalação de arenito. Rodovia Transamazônica, Km 15, entre o rio Xingu e
Altamira.
FOTO 13
Folha SA.22-V-C Almeirim, Formação Curuá.
Folhelho.s deformados nas proximidades de diques de diãbásio, próximo ao povoado de Mulato,
WNW de Prainha; Estrada PA-28, Km 40.

FOTO 14
Folha SA.22·Y·C Ilha Grande do lriri, Formação Monte Alegre.
Estratificação cruzada no arenito em excelentes afloramentos num trecho de cinco quilômetros.
Rodovia Transamazônica, km 131, entre a Rur6p'olisPres. Médícreo acampamento"do 150"
Altamira-ltaituba.
FOTO 15
Folha SA.2.2-V-C Almeirim, Formação ltaituba_
Calcário com estratificação horizontal, estrada Monte Alegre-Prainha, Km 34_

FOTO 16
Folha SA.22-V-C Almeirim
Discordância entre folhelhos mapeados na Formação ltaituba e arenitos do Barreiras. Estrada
PA-28, leste de Jutuarana, 33 km de Prainha.
FOTO 17
Folha SA.22·Y·C Ilha Grande do lrí ri.
Afloramento de díabáSio Penatecaua; rodovia Transamazônica, entre Pres. Médici e Nova
Fronteira, a 74 km de Altamíra.

FOTO 18
Folha SA.22·Y·C Ilha Grande do lrirí.
Diabãsio. Penatecaua - fotomicrografía da amostra AG-20- Díabásio- LP-35.
Labradorita, uralita e clorita associada. Note-se intercrescímento micrográfico e a corrosão dos
plagioclãsios. Opacos são raros.
FOTO 19
Folha SA.22-Y-C Ilha Grande do lrirl
Diabásio Penatecaua- fotomicrografia da amostra AB-6- Granófiro básico- LP-35.
lntercrescimento micrográfico quartzo-feldspãtico. Plagiocfãsios maclados, alterados a s.e ricita,
uralita, hornblenda e relictos de piroxênio completam a miner.afogia.

FOTO 20
Folha SA.22-Y-C Ilha Grande do lrirL
Diabásio Penatecaua - fotomicrografia da amostra AB-6 - Granófiro básico - LP· 35.
lntercrescimento micrográfico quartzo.feldspático. Aparecem grandes cristais de plagioclásio, e
ainda hornbfenda e uralita.
GEOMORFOLOGIA
GEOMORFOLOGIA DA FOLHA SA.22 BELI:M

AUTORES:

GETÚLIO V. BARBOSA
CERES VIRGINIA RENNO
ELIANA MARIA SALDANHA FRANCO

PARTICIPANTES:

CHIMI NARITA
FLORA MAR IONE CESAR BOAVENTURA
LENI MACHADO D'AVILA
LINDINALVA MAMEDE VENTURA
MARIA DAS GRAÇAS LOBATO GARCIA
RICARDO SOARES BOAVENTURA
SUMARIO

ABSTRACT 11/7

1. INTRODUÇÃO 11/9

2. METODOLOGIA 11/12
2.1. Material e Métodos 11/12
2.2. Classificação do Mapa 11/12
2.3. Problemas da Cartografia Geomorfológica 11/13
2.4. Chave da Legenda 11 I 14

3. UNIDADES MORFOESTRUTURAIS E MORFOCLIMATICAS 11/16


3.1. Planalto Setentrional Pará-Maranhão 11/16
3.2. Planalto Tapajós-Xingu 11/16
3.3. Planalto da Bacia Sedimentar do Amazonas 11/17
3.4. Planalto Rebaixado da Amazônia (do Baixo Amazonas) 11/17
3.5. Depressão Periférica do Sul do Pará 11/18
3.6. Depressão Periférica do Norte do Pará 11/18
3.7. Planície Amazônica 11/19

4. EVOLUÇÃO DO RELEVO 11/20


4.1. Efeitos Estruturais na Evolução Geomorfológica 11/20
4.2. As Depressões Periféricas à Bacia Paleozóica Amazônica 11/21
4.3. Os Níveis de Aplainamento 11/22
4.4. Os Problemas da Foz do Rio Amazonas 11/26

5. RESUMO 11/34

6. BIBLIOGRAFIA 11/35

11/3
TABUA DE ILUSTRAÇOES

MAPA
Geomorfológico (em envelope anexo)

QUADRO
Quadro-resumo da geomorfogênese da Folha SA.22 Belém 11/30

FIGURAS
1. Posição das Folhas na Escala 1 :250.000 11/10
2. Limites Políticos, Rios e Cidades Principais 11/10
3. Bloco - Diagrama Esquemático da Area 11/11
4. Perfil B-B' 11/31
5. Perfil C-C'- 11/31
6. Perfil D-D' 11/31
7. Hierarquia da Drenagem 11/32
8. Esboço Estrutural da Foz do Amazonas 11/33

ESTAMPAS
1. Imagem da Garganta de Superimposição do Rio Jari 11/37
2. Imagem dos "Furos" de Breves 11/37
3. Imagem de Tipos de-Leitos Fluviais 11/38
4. Imagem do Rio Xingu 11/38
5. Imagem do Delta de Colmatagem do Rio Jarauçu 11/39

FOTOS
1. Escarp.amento Tipo Falésia Tropical
2. Detalhe da Falésia Tropical
3. Cachoeira de Santo Antônio
4. Pediplano Pleistocênico
5. Areas Arenosas Inundáveis
6. Detalhe das Areas Arenosas Inundáveis
7. Contato Pediplano Pleistocênico e Planície Amazônica
8. Falésia no Rio Xingu
9. Detalhe da Falésia no Rio Xingu
1O. Delta do Rio Jarauçu
11. Detalhe do Delta do Rio Jarauçu
12. Vale de Fundo Chato
13. Vales Colmatados
14. Vale de Fundo Chato Colmatado
15. Ilhas no Rio Xingu
16. "Furos" de Breves
17. Processo de Colmatagem no Rio Amazonas- I
18. Processo de Colmatagem no Rio Amazonas- 11
19. Processo de Colmatagem no Rio Amazonas- 111
20. Processo de Colmatagem no Rio Amazonas- IV

11/4
21. Processo de Colmatagem no Rio Amazonas- V
22. Processo de Colmatagem no Rio Amazonas- VI
23. Processo de Colmatagem no Rio Amazonas- VIl
24. Planfcie Colmatada com lagoas
25. Deposições lineares
26. Plan(cie Colmatada
27. Margem do lago Arari

11/5
ABSTRACT

Geomorphologic mapping by radar immagery of Sheet SA.22 Belém,


comprising an area of 284.780 km 2 , is presented, as we/1 as the major
problems of geomorphological cartography for the scale of mapping and the
solutions app/ied.

The system of presentation of the map and the function of the legend and
the symbology are explained. By using a combination of letters it was
possible to distinguish actual recognized relief features from the
interpretative forms.

Location, description and geomorphological characteristics are given for the


seven relief units in which the sheet was divided.

An analysis is made of the origin of the relief which, in this area, is contained
in the Cenozoic, although tectonic effects of the Weldean reactivation have
also extended into the Tertiary, and even in the Quaternary. Tectonic
influences are indicated by the geomorphologic effects that they produced in
the evolution of the relief, the presence of a peripherical depression in south
Pará confirming a siml1ar process to the north, bordering both the Tertiary
and Paleozoic formations. Eversion processes are prominent in these
depressions, which have been dated as post-Piiocene.

Previously established leveis of peneplanation are confirmed, as we/1 as the


existence of a post-Barreiras levei. Correlatable deposits of these
peneplanations are projected into the Cenozoic stratigraphy of the Maraj6
Trough.

The complex problems of the Amazon hidrography are explained, and the
geomorphologic evolution of the Amazonas delta, of the estuarine feature
and the origin of the Maraj6 lsland are explained by subsidence, by the
Flandrian transgression, and by the specific mechanics of the Amazon
drainage.

11/7
1. I NTRODUÇAO

A área da Folha SA.22 Belém, objeto do cenozóicos e por pequenas áreas onde afloram
mapeamento e deste relatório, contendo 16 terrenos Pré-Cambrianos e Paleozóicos. A morfo-
quadrículas na escala de 1: 250.000 agrange gênese é essencialmente úmida apesar de relitos
uma área de 284.780 km 2 ocupando principal- de fases menos úmidas terem sido constatado.
mente as desembocaduras dos rios Amazonas e
Tocantins.

A composição da área por folha a 1 :250.000 é A presença da Fossa Marajoàra como unidade
mostrada na figura 1 e os limites políticos, tectônica persistente desde o Cretáceo foi res-
principais rios e cidades estão representados na ponsável por muitos eventos geomorfológicos
figura 2. A figura 3 permite identificação do durante o Cenozóico. Mas o domínio morfocli-
relevo baixo vigente em toda a área, com extensa mático predominantemente úmido e um par-
cobertura vegetal de floresta densa. A base ticular e bem individualizado sistema hidrográfi-
geológica sobre a qual foram esculpidas as co da drenagem do rio Amazonas são responsá-
formas de relevo é uma cobertura de sedimentos veis por um grande número de formas de relevo.

11/9
4f!>OOo
o 00000

SA-22-VA SA-22-VB SA-22-XA SA-22-XB


MONTE DOURADO MAZAGÁO CHAVES SOU RE

SA-22-VC SA-22-VD SA-22-XC SA-22-XD


ALMERIM GURUPÁ PORTE L BEL EM

SA-22-YA SA-22-YB SA-22-ZA SA-22-ZB


RIO JARUAÇU SENADOR JOSÉ PORFIRIO CAMETÁ TOMÉ- AÇU

I SA-22-YC SA-22-YD SA-22-ZC SA-22-ZD

! ILHA GRANDE DO IRIRI ALTAMIRA TUCURUÍ MÉDIO CAPIM

••oo' o
4000°
4ff>OOo
54"00

FIGURA 1 - Posição das folhas na Escala 1:250.000

LAGO\\
ARARilJ

ILHA DE MARAJÓ

FIGURA 2 - Limites Políticos, Rios e Cidades principais

11/10
FIGURA 3- Bloco Diagrama Esquemático da Area

11/11
2. METODOLOGIA

2.1. Material e Métodos radar. O sobrevôo, aliado aos demais recursos à


disposição permite não só a eliminação das
A interpretação e o mapeamento geomorfoló- dúvidas, quanto à definição de padrões de
gico a 1 :1.000.000 da área referente a este rela- formas de relevo que homogene(zam a fotointer-
tório seguem a metodologia básica estabelecida pretação preliminar. Na medida em que se
para o Projeto RADAM. Depois da fase conven- amplia a coleção de padrões, a produtividade
cional de pesquisas cartográficas e bibliográficas, cresce e o nível de qualidade melhora, a ponto
segue-se a de fotointerpretação preliminar. Uti- de se poder considerar a fotointerpretação como
liza-se o material fornecido pelo radar em ordem homogênea. O sobrevôo e a imagem de radar,
de precedência técnica: fotoíndice na escala de quer ao nível de mosaico a 1 :250.000 quer ao
1:1.000.000, mosaicos semicontrolados a nível de foto(ndice a 1 :1.000.000 permitem, no
1 :250.000, faixas estereoscópicas na mesma es- mapeamento, a distribuição de um tipo de forma
cala dos mosaicos e perfis altimétricos. Além de relevo, de modo contínuo. Em trabalhos de
destes recursos, são utilizados também fotogra- campo, a integração de formas extensamente
fias infravermelho em cópias coloridas e preto-e- distribui'das, como uma superfície de aplaina-
branco na escala de 1 :130.000, e fotos multies- mento, por exemplo, exigiria seções em várias
pectrais na escala de 1 :73.000. A utilização direções diferentes nem sempre acessíveis nas
múltipla de todos esses elementos permite boa regiões mapeadas.
capacidade de solução, ao nível da fotointerpre-
tação, tornando o método muito adequado para Dirimidas as dúvidas pelo sobrevôo, 1n1c1a-se a
o mapeamento da área. etapa de integração dos acetatos. Os problemas
de fechamento de um acetato para o cont(guo
A fotointerpretação preliminar consta do tra- são muito diminuídos pela fixação da legenda
çado, em acetatos, da drenagem, até o nível de prévia e pela definição dos modelos. A integra-
visibilidade dado pela escala. Em operação simul- ção é operada sucessivamente, a 1 :500.000 e
tânea, segue-se a delimitação dos tipos de formas 1 :1.000.000, esta a escala final do mapeamento.
de relevo e sua definição. Isto é feito com uma Estas reduções progressivas, feitas em redutores
tabela de convenções, representada, essencial- automáticos, fixa o nível do fato mapeável e
mente. por uma legenda em combinação de determina ou não a necessidade de agrupá-los.
letras que dá a gênese aproximada da forma de Isto evita a possibilidade de deformações subjeti-
relevo. O traçado de drenagem, as delimitações vas na interpretação, aumentando a fidedignida-
dos tipos e a gênese de formas de relevo, quando de do mapeamento final.
não claramente definíveis, são isoladas como
áreas de dúvidas e não mapeadas nesta fase. As
dúvidas são resolvidas por sobrevôo e por con- 2.2. Classificação do Mapa
sultas a outros setores do RADAM.
O mapeamento conseguido com essa metodo-
Os sobrevôos representam a segunda fase da logia resulta em um mapa que contém,
metodologia, planejados e realizados em quan- praticamente todas as formas de relevo deter-
tidade e duração suficientes para a solução dos minadas até o nível atual de aproveitamento da
problemas existentes. Dentro da metodologia do imagem. As limitações referem-se à ausência de
RADAM, representam etapa importante porque representação das formações superficiais, nem
as fotos tiradas no ângulo desejável possibilitam sempre acessíveis e nem sempre mapeáveis e que
uma correlação com as imagens fornecidas pelo só se completariam com trabalhos de campo

11/12
posteriores. Outra deficiência do mapa é da- f) A fixação de legenda aberta, devido à natu-
da pela necessidade de representação de tipos reza sistemática do mapeamento e à
de formas, simultaneamente com os processos possibilidade de se encontrar fatos insuspeitados
morfogenéticos. Por isto não é um mapa geo- ou de difícil previsão. Isto porque a ~rea a ser
morfológico na plenitude de seu conceito mas mapeada se estende desde os domínios morfocli-
contém todas as outras informações obtidas máticos mais secos áté os mais úmidos do Brasil
apenas pela imagem e sobrevôo. florestal, abrangendo problemas de geomorfolo-
gia litorânea e formas fluviais intrincadas da
Dentro das características da metodologia, da bacia amazônica.
natureza sistemática do mapeamento e da opor-
tunidade de publicação em cores, o mapa geo- g) A representação da dinâmica de evolução
morfológico resultante não podia perder a infor- geomorfológica atual.
mação dada pelas imagens de radar para aumen-
tar o conhecimento geomorfológico da área h) A representação das formações superficiais,
mapeada. que são dados comprovadores da geomorfogêne-
se.

2.3. Problemas da Cartografia Geomorfológica Esses problemas de cartografia geomorfológica


exigiram uma série de pesquisas para se encon-
Segundo os preceitos normativos fixados por trar solução mais adequada que, configurada no
Moreira (1966) e Ab'Sáber (1969) deviam ser mapa anexo, seria irreversível, e não de amos-
solucionados os seguintes problemas: tragem regional.
f
a) A necessidade de figurar a base geológica · Os problemas da representação da base geológica
como elemento essencial do mapa geomorfológi- superam-se parcialmente, porque o Projeto
co. RADAM publica carta geológica incluindo tam-
bém representação dos principais dados que o
b) A fixação, delimitação e descrição precisas mapeamento geomorfológico requer. Resta pe-
das formas de relevo em si mesmas, como quena dificuldade: a superposição das duas
registro de evento, amarrado em nível de coorde- cartas, ainda que de mesma escala. O registro das
nadas e posicionamento planimétrico, desde que formas de relevo em si mesmas foi solucionado
a interpretação destas formas é por natureza, pela metodologia e pela interpretação da imagem
discutível e superável. do radar cujos mosaicos ressaltam estas formas.
A legenda completou a solução. A fixação de
c) A fixação de altimetria e relacionamento altimetria relativa das diversas massas de relevo
entre as diferentes massas de relevo, já que o foi resolvida pelo emprego de cores diferentes,
mapeamento abrange área onde o levantamento com os tons mais fortes hierarquizados das
planimétrico e altimétrico preciso, ainda está se partes altas para as mais baixas. A solução dada
processando. ao problema de representação da idéia de alti-
metria pelo emprego de cores poderia ser enten-
d) A representação dos domínios morfoclimá- dida como subaproveitamento de elemento
ticos e morfoestruturais. gráfico de grande valor, se as cores não solucio-
nassem simultaneamente o problema da compar-
e) A necessidade de grupar e de compartimentar timentação e do grupamento de tipos de relevo.
as formas de relevo, para atender às solicitações O emprego de cores dá, à média aproximação
operacionais do próprio Projeto RADAM e à visual, a idéia de altimetria relativa e a de
utilização do mapeamento pelo público. compartimentação do relevo mapeado e, à pe-

11/13
quena distância, podem-se identificar as formas botânica, a definição era de natureza morfocli-
de relevo. O problema da representação das mática. Os mapeamentos realizados pelo Projeto
províncias estruturais e domínios morfoclimáti- RADAM ensejam a oportunidade de delimitação
cos foi solucionado em níveis diferentes. As das áreas de transição geomorfológica entre as
unidades morfoestruturais são marcadas no "áreas-nucleares" porque são mapeados também
mapa pela diferenciação de cores e tons e tipos de solos e vegetação. A sensibilidade do
imediatamente visualizadas. Graficamente não mapa fitoecológico contribui para maior aproxi-
era possível ou recomendável a superposição, mação na divisão dos domínios morfoclimáticos.
seja em cores, seja em preto. A solução encontra- Ao serem iniciados os mapeamentos constatou-se
da foi realizada em nível de legenda,onde as a utilidade do método de superposição emprega-
linhas de limites dos dois tipos de unidades do, porque esses mapeamentos foram iniciados
foram superpostas, em esquema à parte, inte- em áreas bem individualizadas do ponto de vista
gradas e definidas. Na medida em que se geológico, geomorfológico e fitoecológico. Os
publicarem os mapeamentos do Projeto RADAM pequenos ajustes realizados eram previsíveis
esta superposição continuará. O objetivo final é porque não há termos de comparação entre a
a divisão de extensa área do Brasil onde serão proposição de esquemas e mapeamentos siste-
marcadas as províncias e os domínios morfocli- máticos. Na medida em que o mapeamento
máticos. atinge áreas amazônicas os desajustes são acen-
tuados, principalmente porque ocorre sob flores-
O ponto de partida para estas divisões foram as tas feições geomorfológicas antigas, herdadas de
proposições feitas por Ab'Sáber (1967) que morfogêneses diferentes, justapostas ou até
serão mantidas como parâmetro até que sejam mesmo superpostas a feições geomorfológicas
possíveis modificações plenamente justificáveis. correlacionadas à morfogênese atual. Por outro
Aquele autor conceituou as províncias morfoes- lado, no que se refere às províncias morfoes-
truturais como grandes unidades onde o controle truturais, os extensos depósitos de cobertura e a
da erosão é exercido primordialmente pelas morfogênese úmida obliteraram as influências
condições geológicas e como domínios morfocli- litológicas e estruturais. A definição das regiões
máticos, regiões onde as variações da erosão de transição geomorfológicas começaram a ser
estavam na dependência de um sistema morfocl i- esboçadas na medida em que o mapeamento
mático, no qual a fisiologia da paisagem estava progredia. Em decorrência foram mantidas as
mais relacionada às condições de clima, vegeta- proposições iniciais de Ab'Sáber como parâ-
ção e solos. Em trabalhos posteriores Ab'Sáber metro para as modificações que estavam sendo
(1971) esquematizou de modo muito genérico a encontradas. Sem perder de vista as proposições
distribuição do que chamou de "áreas-nucleares" iniciais, a denominação de províncias morfoes-
dos domínios morfoclimáticos, estabelecendo truturais passou a ser empregada em sentido
que entre estas "áreas nucleares" de cada do- mais adaptado à real idade amazomca,
mínio existiam processos geomodológicos de adquirindo uma conotação de unidades de rele-
transição, atribuídos quer a influências geológi- vo. Os domínios morfoclimáticos estão sendo
cas, quer a influências bioclimáticas. O difícil mantidos na acepção original, descritos sob
problema de determinar os limites da prepon- forma de tipos de relevo e contendo referências
derância de um ou outro processo foi assim às variações fitoecológicas mapeadas pelo Pro-
colocado às pesquisas que seriam feitas poste- jeto RADAM.
riormente. Ao admitir áreas de transição entre
"áreas-nucleares", Ab'Sáber implicitamente não 2.4. Chave da Legenda
atribuiu às palavras províncias e domínios os
sentidos específicos que têm em geologia e A fixação de legenda aberta, depois de superadas

11/14
muitas experiências, foi resolvida por associação Os símbolos geomorfológicos e geológicos neces-
de letras que detalham as categorias de formas sários são impressos em preto, bem como as
tomadas lato sensu: S- estruturais, E- erosivas e compartimentações do relevo. A legenda se
A- acumulação, que iniciam grupamento de esclarece mais com uma complementação sintéti-
letras, sempre notadas em maiúsculas. Esta ca do que cada associação representa na área ma-
divisão dá a gênese da forma: as letras podem peada. Aberta deste modo, a associação de le-
ser combinadas entre si em muitos casos (SE, tras pode modificar-se de mapa para mapa sem
ou ES). Às letras maiúsculas seguem-se associa- perder homogeneidade em relação ao precedente
ções de minúsculas correspondentes ao regis- e sem perder a qualificação de fatos que poderão
tro de forma em si mesma. A associação das aparecer em outras folhas a serem mapeadas.
minúsculas pode conter também referência à sua
gênese. Adotou-se preferencialmente a letra com
que se inicia o nome da forma, mas há também Deste modo, o mapa atingiu, quanto à represen-
combinações de mais de uma letra quando a tação gráfica, a quase totalidade dos objetivos
primeira estiver esgotada. A qualificação da que deve ter, ficando ainda sem solução gráfica,
gênese da forma é colocada no final da associa- na área mapeada, a representação das formações
ção. Deste modo o registro de tipo de forma superficiais e a dinâmica da geomorfogênese. As
de relevo é colocado no meio, e a categoria, lato dificuldades de indicação destes dois tipos de
sensu, em letra maiúscula abrindo a associação. fenômenos têm sido sentidas até em
Interpretação dada encerrando-a. Isto permite mapeamentos feitos sobre fotos em escalas em
uma separação clara do que é registro direto, torno de 1 :50.000. No caso do mapeamento do
portanto imutável, do que é interpretativo, por- Projeto RADAM, o problema cresce pelo nível
tanto transitório. Um destaque pelo valor prag- da escala. Algumas formações superficiais são vi-
mático, operacional e técnico foi dado aos tipos síveis na imagem de radar, mas a identificação de
de dissecação precedido de d, seguindo-se uma sua natureza nem sempre é possível, ao nível
letra ou associações de letras que qualifica seu atual de conhecimentos de imagem de radar, por
tipo. Esta qualificação supera designações ina- falta de trabalhos sistemáticos de campo. O pro-
preciáveis como forte, fraca ou moderadamente blema é assim, menos de natureza cartográfica
dissecados. que de dificuldade de informação.

A dinâmica da geomorfogênese também não foi


representada pelos mesmos motivos.

Para suprir a ausência' de representação gráfica


das formações superficiais e da geomorfogênese
atual, este relatório destaca o conjunto de infor-
mações disponíveis sobre o assunto.

11/15
3. UNIDADES MORFOESTRUTURAIS E
MORFOCLIMÃTICAS

A Folha SA.22 Belém pode ser dividida em 7 rio Capim onde aparecem terraços cortados nos
unidades de relevo a saber: sedimentos da Formação Barreiras com apro-
ximadamente 5 a 6 metros acima do nível médio
3.1. Planalto Setentrional Pará-Maranhão das águas.

3.2. Planalto Tapajós-Xingu As áreas dissecadas mostram a evidência de


uma retomada de erosão atual pelas ravinas e
3.3. Planalto da Bacia Sedimentar do Amazonas vales encaixados que podem ser identificados
pelo mapeamento a sul da folha a 1 :250.000 de
3.4. Planalto Rebaixado da Amazônia (do Baixo Médio Capim.
Amazonas)
O Planalto Setentrional Pará-Maranhão faz par-
3.5. Depressão Periférica do Sul do Pará te do "Domínio Morfoclimático dos Planaltos
Amazônicos Rebaixados ou dissecados das Areas
3.6. Depressão Periférica do Norte do Pará Colinosas e Planícies revestidas por Floresta
densa.
3.7. Planície Amazônica
3.2. Planalto Tapajós-Xingu
A cobertura vegetal dominante é a floresta densa
sendo identificadas uma faixa de transição entre O Planalto Tapajós-Xingu mapeado a SW da
floresta densa, floresta mista e cerrado, além das Folha SA.22 Belém apresenta características em
áreas de campos inundáveis. comum com o Planalto Setentrional Pará-
Maranhão.
As grandes unidades de relevo bem como as
dominâncias de vegetação prolongam-se na sua É todo talhado em rochas sedimentares com
maioria das áreas vizinhas e se estendem ainda altitudes em torno de 200 metros e possui
em áreas a serem mapeadas. extensas áreas tabulares resultantes da dissecação
na Formação Barreiras.

3.1. Planalto Setentrional Pará-Maranhão Apresenta um caimento gradativo, de direção


S-N para a calha do Amazonas e W-E para o rio
É um conjunto de relevos tabulares rebaixadO$. Xingu.
Localiza-se a SE da área mapeada sendo limitado
como unidade de relevo na folha a 1 :250.000 de A folha a 1 :250.000 de rio Jarauçu engloba a sua
Médio Capim. Suas cotas altimétricas variam maior extensão e é onde ele se apresenta mais
entre 200 a 300 metros e engloba sedimentos conservado.
das Formações Barreiras e ltapicuru. Não há
escarpamentos para os Planaltos Rebaixados da A drenagem apresenta-se bem definida, com
Amazônia, provavelmente devido a processos de amplos vales pedimentados bem conservados
pedimentação retrabalhados por morfogênese de indicando uma penetração da superfície pedi-
floresta densa. planada e sendo remodelados em algumas áreas
por morfogênese úmida.
A drenagem do planalto está bem encaixada,
fragmentando esta unidade e dirigindo-se para o Faz parte do "Domínio morfoclimático dos

11/16
planaltos Amazônicos rebaixados ou dissecados nos dois bordos. À margem esquerda do Ama-
das áreas co I inosas e planícies revestidas por flo- zonas a dissecação resultou formas bem mais
resta densa". onduladas que no sul, onde a superfície é mais
conservada. Aí os patamares ocupam uma área
3.3. Planalto da Bacia Sedimentar do Amazonas restrita no contato com a depressão periférica e
ao norte o escalonamento vem até próximo ao
Esta unidade é representada por um conjunto de rio Amazonas. Relevos residuais tabulares topo-
relevos tabulares e uma· grande faixa de dis- graficamente elevados correspondem às serras Pa-
secação em interflúvios tabulares e cristas, em rauaquara, Jutaí, Almeirim, Acapuzal e Afceião
retomada de erosão por drenagem incipiente. que foram englobados como Planalto Rebaixado
Corresponde a uma faixa de sedimentos paleo- pela descontinuidade espacial e pela área restrita
zóicos, com altitudes entre 300 a 600 metros que ocupam.
com sentido SW-NE. É o Planalto de Maracana-
quara melhor representado na folha a 1 :250.000 Os afluentes da margem esquerda do Amaznoas
de Monte Dourado, onde tem feições típicas de mostram as marcas da transgressão flandriana -
bordo erosivo de Bacia Sedimentar: uma grande o melhor exemplo é dado pelo rio Xingu na fo-
escarpa voltada para NW, talhada em arenitos lha a 1 :250.000 de Senador José Porfírio, cujos
com os topos cortados por aplainamento. Os rios afluentes na área afogada- têm os cursos curtos,
Jari e Paru cortam o Planalto em direção NW-SE vales alargados sofrendo colmatagem recente. O
através de profundas gargantas de superimposi- rio Xingu apresenta falésias com escarpamentos
ção. O planalto cai bruscamente em direção à ca- abruptos e a floresta chega geralmente até o rio.
lha do Amazonas enquanto que na folha a As faixas de praia são muito estreitas e descon-
1 :250.000 de Mazagão rebaixa gradativamente Hnuas no sopé do escarpamento. As baías de
no sentido W-E. Caxiuana, Portei e Melgaço são lagos de barra-
gem fluvial em grandes dimensões interligados
O Planalto da Bacia Sedimentar do Amazonas por "furos", relacionados também à transgressão.
está compreendido na sua maior extensão no
"Domínio morfoclimático dos planaltos, planal-
tos amazônicos rebaixados ou dissecados das Na folha a 1 :250.000 de Rio Jarauçu pode-se
áreas colinosas e planícies revestidas por floresta distinguir dois tipos de vales bem característicos
densa". Abrange também uma parte da "Faixa da área: os de penetração do Pediplano Pleistocê-
de transição de domínios morfoclimáticos em nico através de formas pedimentadas, sem alu-
planaltos, planaltos rebaixados revestidos por viões como o do rio Curuá do Sul e os vales de
floresta densa, floresta aberta mista e cerrado" fundo chato colmatados, com o curso d'água
cortando as aluviões como no rio Jarauçu. São
amplos e limitam com a superfície por rebordos
3.4. Planalto Rebaixado da Amazônia (do Baixo erosivos. Do bordo do Planalto Tapajós-Xingu
Amazonas) em direção à calha do rio Amazonas a faixa do
Pediplano cai gradativamente.
Esta unidade abrange a maior parte da área
mapeada. É a extensa superfície do Pediplano
Pleistocênico que se limita nas margens do rio Na sua maior extensão a leste, abrangendo as
com a planície Amazônica; ao sul com a folhas a 1 :250.000 de Tomé-Açu, Cametá, Portei
Depressão Periférica do Sul do Pará e ao norte e Belém, o pediplano mostra-se conservado.
com o Planalto da Bacia Sedimentar do Amazo- Apesar da densa cobertura florestal, áreas de
nas. Tem proporções e características distintas desmatamento próximas a Tomé-Açu possibili-

11/17
taram a identificação deste nível de A dissecação fluvial no pediplano originou vales
aplainamento. pouco encaixados em grandes áreas, dando rele-
vos definidos como colinas de topo aplainado,
Na região do Tocantins os terraços são dissimu- onde observa-se a existência de "inselbergs", ge-
lados por pedimentos e só em alguns trechos foi ralmente remodelados por morfogênese úmida,
possível mapeá-los como na folha a 1 :250.000 sendo melhor caracterizados na folha a
de Tucuruí. Na folha a 1 :250.000 de Cametá, na 1:250.000 de Tucuru(.
margem esquerda do Tocantins aparecem
algumas áreas isoladas, deprimidas apresentando Este nível das colinas de topo aplainado, geral-
depósitos arenosos, sujeitas a inundação, cober- mente elaboradas em rochas pré-cambrianas,
tas por vegetação rasteira. estende-se até o "front" dissimulado, desdo-
brado e descontínuo de um relevo de "cuesta"
Na ilha de ,Marajó, o Pediplano Pleistocênico com altitudes em torno de 100m. Apresenta
abrange o centro-sul limitando a E com a pla- ainda um nível de colinas mais alto com drena-
nície colmatada e a W com os baixos terraços e gem encaixada, elaboradas em rochas
áreas em colmatagem. A cobertura vegetal é a pré-cambrianas. Na folha a 1 :250.000 de Altami-
floresta densa e a superfície é conservada sendo ra estão as maiores áreas deste nível.
cortada pela intrincada rede de drenagem cons-
titu rda de "furos" e "igarapés". A Depressão Periférica do Sul do Pará pertence a
"Faixa de Transição de domínios morfocli-
Toda a extensão do Pediplano Pleistocênico está máticos em depressões e colinas revestidos por
incluída no "Domínio morfoclimático dos floresta aberta mista"
planaltos amazônicos rebaixados ou dissecados
áreas colinosas e planícies revestidas por flores-
resta densa". 3.6. Depressão Periférica do Norte do Pará

Esta unidade de relevo mapeada na parte NW da


3.5. Depressão Periférica do Sul do Pará Folha SA.22 Belém tem na folha a 1 :250.000 de
Monte Dourado sua maior área. Ela irá se
A maior extensão desta unidade ocorre na Folha estender no mapeamento das áreas vizinhas
SB.22 Araguaia e parte da Folha SC.22 Tocan- configurando assim uma faixa de circundesnu-
tins descrita por Boaventura (1973). dação na periferia norte da bacia sedimentar
do Amazonas. Apresenta-se dissecada em colinas
elaboradas geralmente em rochas Pré-Cambrianas
Na Folha SA.22 Belém a Depressão Periférica do com altitudes em torno de 150 m. Assim como
Sul do Pará abrange as folhas de ilha Grande do na Depressão Periférica do Sul do Pará, um nível
lriri, Altamira e Tucuruí. Faz parte da faixa de mais alto de colinas com drenagem encaixada
circundesnudação resultante de processos erosi- ocupa grandes extensões desta unidade. Apresen-
vos pós-pliocênicos na periferia das bacias pa- ta cristas com orientação NW-SE, cujos topos es-
leozóicas do Piauí-Maranhão e do Amazonas. tão cortados por aplainamento, seccionado por
gargantas de superimposição como ·a do rio Paru
A SE da folha a 1 :250.000 de ilha Grande do na serra do Cuiapocu. Os rios Jari e Paru apresen-
lriri, onde a depressão está mais caracterizada, tam vários trechos com corredeiras e cachoeiras,
pode-se constatar ainda a existência de áreas do principalmente a montante das gargantas. ,
Pediplano Pleistocênico mais conservadas, cain-
do em direção ao Xingue ao lriri.

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A Depressão Periférica do Norte do Pará está As áreas da planície amazomca já colmatadas
incluída no "Domínio morfoclimático dos pla- por sedimentos holocênicos têm na Ilha de Mara-
naltos amazônicos rebaixados ou dissecados das jó sua maior extensão contínua. Na folha a
áreas colinosas e planícies revestidas por floresta 1 :250.000 de Soure identifica-se a planície flu-
densa". vial colmatada com inúmeras lagoas sujeitas a
inundações pluviais. Nos vales que cortam a pla-
nície nota-se uma vegetação arbustiva quando na
3.7. Planície Amazônica maior extensão a vegetação é só de gramíneas.
O lago Arari tem áreas bem marcadas de influên-
A Planície Amazônica como unidade de relevo é cia dando origem a zonas de "slikke" e "shorre"
uma faixa nas duas margens do Amazonas alinhadas e nítidas. Os paleocanais ao norte de
alargando-se na região da foz nas inúmeras ilhas, Marajó têm formas de meandros e são identifica-
incluindo Marajó. Tem características bem distin- dos também na ilha de Mexiana. A faixa oeste de
tas não comparáveis a nenhuma outra área de Marajó nas folhas a 1 :250.000 de Mazagão e na
planície no que diz respeito à particularidade e folha a 1:250.000 de Gurupá, apresenta um nível
diversidade de feições que apresenta. Um de baixos terraços e áreas em colmatagem corta-
emaranhado de canais recentes, paleocanais, dos por "furos" e "igarapés". Destacam-se ainda
"furos", "igarapés", "paranás", meandros nesta planície numerosos lagos de barragem que
abandonados, lagos, marca um complexo em são encontrados na folha a 1 :250.000 de
evolução atual. Gurupá. Esta faixa da planície Amazônica já é
uma área de terrenos fixados que possibilitou a
A planície tem partes sujeitas a inundações pe- instalação da floresta densa. Desta forma, dois
riódicas pelas chuvas ou pelas cheias de um dos são os domínios coincidentes com a larga faixa
rios. A inundação é um dos elementos que possi- da planície Amazônica: "Domínio morfoclimá-
bilita a sedimentação recente de uma grande área tico das planícies inundáveis recobertas por
contribuindo também para a fixação através da campos" e "Domínio morfoclimático dos planal-
vegetação rasteira. Os canais marcam a orienta- tos amazônicos ou dissecados, das áreas coli-
ção da sedimentação e os diques marginais são os nosas e planícies revestidas por floresta densa".
reflexos de um dos últimos eventos de todo um
processo da sedimentação.

11/19
4. EVOLUÇÃO DO RELEVO

4.1. Efeitos Estruturais na Evolução Geomor- 1 :250.000 de Monte Dourado). Nesta área, o
fológica Pediplano Pliocênico está fragmentado pela
erosão posterior. O basculamento e a erosão
Na distribuição das formas de relevo na folha ativa estão relacionados a um processo de
SA.22 Belém, é marcada uma brusca interrupção subsidência seguida de transgressão na Fossa de
da planície de aluviões holocênicas do rio Marajá. Os dois eventos podem ser demonstra-
Amazonas logo abaixo da desembocadura do rio dos por uma seqüência de pequenas "rias" como
Xingu. A montante desta área, corre o rio as dos rios Cajari, Maraca-pucu, Preto, Mazagão e
Amazonas em extensa planície que está em Anauerapucu todos na folha a 1 :250.000 de
pleno processo de colmatagem, por mecanismos Mazagão.
muito específicos daquele rio. A jusante a
sedimentação mais significativa já foi feita quase A pequena dimensão das "rias" da margem
total mente. Ocorre então uma nítida separação esquerda do rio Amazonas comparativamente ao
entre duas feições geomorfológicas diferentes e grande afogamento de sua margem direita, como
bem identificadas na imagem de radar e no a "ria" do Xingu (fotos 8 e 9), é demonstrativo
conseqüente mapeamento. Estas duas feições são de uma desigualdade dos movimentos de
separadas pelo arco estrutural de Gurupá, que subsidência em relação ao eixo da sinéclise
coincide sua posição com a separação entre as paleozóica do Amazonas. Como resultado desta
duas formas de deposição. Isto é demonstrativo desigualdade, e em decorrência de a direção
de que os altos estruturais continuaram sua do rio Amazonas aproximar-se mais do bordo
movimentação até um tempo geológico halo- norte da bacia sedimentar, a Formação Barreiras
cênico, apesar de os falhamentos da Fossa está intensamente erodida neste bordo, enquan-
Marajoara, associados aos altos estruturais, terem to no su I ocorre maior preservação da deposição
sua datação correlacionada à reativação continental terciária. Como as "rias" da margem
Wealdeniana, de Almeida (1969). Em mapea- direita estão mais preservadas e nelas não se
mentos anteriores, Barbosa, Boaventura e Pinto, instalou ainda o processo de colmatagem cara-
(1973 v.1 e v.2) mostraram os efeitos daquela cterístico do rio Amazonas, a conclusão é que a
reativação, assinalando suas resultantes geomor- transgressão data do início do Holoceno.
fológicas. Na folha SA.22 Belém as comprova-
ções geológicas daquele evento são definidas na Nas unidades de relevo denominadas planalto
estratigrafia da Fossa Marajoara. Setentrional Pará-Maranhão e planalto Tapa-
jós-Xingu, a Formação Barreiras aparece, cons-
Nos citados mapeamentos anteriores, foi pos- picuamente, em extensas superfícies tabulares,
slvel a identificação do pediplano Pré-Cretácico retomadas por uma erosão pós-Barreiras. A
deformado pela reativação Wealdeniana, mas na posição destes relevos coincide, respectivamen-
folha SA.22 Belém, não há nenhum vestígio te com o arco estrutural do Tocantins (que
deste aplainamento. O mais antigo nível de di v ide a sedimentação paleozóica Piauí-
aplainamento corresponde ao denominado Pe- Maranhão com a do Amazonas) e com o 9lto de
diplano Pliocênico cuja sedimentação correlativa Monte Alegre (que divide a bacia sedimentar do
é a Formação Barreiras. Ele está representado na baixo Amazonas com a fossa de Marajoara),
serra de Maracanaquara, tendo sido esculpido em mostrados na fig. 8. Esta coincidência estrutural
litologias da bacia paleozóica do Amazonas. Este com formas de relevo parcialmente conservadas
pediplano está basculado em direção E a partir é considerada como evidência da movimentação
da margem esquerda do rio Jari (folha a destes altos em um tempo pós-Barreiras, precisa-

11/20
mente, durante o Quaternário, desde que esta SA.22 Belém revelou um processo de circundes-
deposição continental é considerada como de- nudação designado como Depressão Periférica
pósito correlativo do pediplano Pliocênico. do Norte do Pará. Esta nova depressão é
exclusiva da sedimentação Amazônica, não
Exceto o Amazonas, todos os grandes rios da apresentando o caráter de continuidade revelado
folha SA.22 Belém, cortam estruturas pré-cam- por todas as demais depressões periféricas bra-
brianas {NW-SE) e paleozóicas por processos de sileiras.
superimposição. Estas gargantas são marcadas
por quedas d'água, do tipo corredeiras, onde os O mecanismo geral da abertura de depressões
rios aproveitam as fraturas para atravessar periféricas foi elucidado por Ab'Sáber (1949) e
aquelas estruturas. Estes fatos podem ser obser- definido genericamente, como um evento
vados nos rios Bacajá, Xingu, Tocantins, Pari e pós-cretácico. Na folha SA.22 Belém a idade da
Jaru, dentre outros (foto 3). Estas gargantas circundesnudação pode ser definida com maior
marcam as direções estruturais NW-SE e NE-SW, precisão devido à participação de depósitos
predominantes na folha. Isto é considerado terciários no fenômeno. Na folha a 1 :250.000 de
como evidência de reativação estrutural recente, Altamira foram mapeados alguns relevos resi-
pois a exumação daquelas direções estruturais é duais mostrando uma orientação da deposição
fenômeno cenozóico como demonstram mapea- Barreiras. Estes alinhamentos estão localizados
mentos anteriores já citados. sobre orientações estruturais pré-cambrianas
para além dos limites das formações paleozóicas.
O conjunto destas evidências mostra que apesar O acentuado aprofundamento da sinéclise
de uma extensa cobertura cenozóica, as influên- Amazônica não sugere que ela ocupasse, no
cias estruturais apresentam efeitos geomorfoló- Cenozóico, extensão maior que seus atuais
gicos mapeáveis. Estas influências estruturais limites erosivos. Isto indica que as formações
explicam porque a folha SA.22 Belém não paleozóicas foram extensamente recobertas pela
apresenta uma evolução geomorfológica simples deposição Barreiras que se ligava diretamente ao
como suas fracas variações altimétricas e a Pré-Cambriano das plataformas marginais. O
extensiva sedimentação cenozóica poderiam mapeamento confirma, assim, as considerações
sugerir. de Ab'Sáber (1967) sobre a maior extensão ante-
rior da Formação Barreiras. A Formação Barrei-
ras exerceu na bacia do Amazonas o mesmo pa-
4.2. As Depressões Periféricas à Bacia Paleozói- pel da Formação ltapicuru (Cretáceo) na bacia
ca Amazônica do Piauí-Maranhão: extràvasou os limites da
deposição paleozóica. As diferenças geomorfoló-
Boaventura ( 1973) mostrou a existência de uma gicas entre as duas bacias estão na resistência
depressão periférica que penetra na área da folha desiguais entre as duas formações citadas ante os
SA.22 Belém com a denominação de Depressão processos erosivos, no aprofundamento desigual
Periférica do Sul do Pará. Esta depressão prolon- dos eixos das sinéclises e na existência de relevos
ga um fenômeno de circundesnudação periférico residuais do "mar ltapicuru" além dos limites da
à bacia do Piauí-Maranhão estendendo-se para a deposição paleozóica.
bacia Paleozóica do Amazonas. Esse extenso
processo de circundesnudação é nítido nas áreas A abertura da Depressão do Sul do Pará ocorreu,
periféricas da bacia Piauí-Maranhão mas ao assim, após um movimento tectônico positivo no
penetrar na bacia Amazônica ele começa a Pleistoceno, pois ela interessa diretamente à
apresentar diferenças específicas. Na borda norte Formação Barreiras, como definiu Boaventura
da bacia Amazônica, o mapeamento da folha (1973). O recuo da escarpa de circundesnudação

11/21
fez-se a partir de um antigo contato entre da Formação Barreiras é muitas vezes maior na
Barreiras e Pré-Cambriano em direção ao eixo da plataforma do sul que na do norte da Amazônia.
bacia Amazônica, exumando estas últimas litolo- Nestas circunstâncias, não há, até este estágio do
gias até encontrar as formações paleozóicas. A mapeamento, evidências de que a Depressão
baixa resistência da Formação Barreiras ante o Periférica do Norte do Pará tenha a mesma idade
processo de circundesnudação, praticamente el i- pós-pliocênica de sua homóloga do Sul. O tipo
minou-a como cobertura extensiva sobreposta ao de limite desta depressão é também diferente
paleozóico. O recuo da escarpa de circundesnu- daquela da plataforma sul. Assim no lugar de
dação foi retido, e geomorfologicamente defi- depressão periférica, do tipo clássico do modelo
nido, nos limites das formações paleozóicas. Morvan, ela se enquadra melhor no de falésia
tropical, segundo a classificação proposta por
A Depressão Periférica do Sul do Pará limita-se, Derruau ( 1967). (fotos 1 e 2). Permanece
ao norte, em rebordos e "cuestas" dissimulados entretanto sua caracterização como periférica à
aparecendo escarpas apenas em pequenos tre- sinéclise Amazônica (Perfil A-A').
chos. Estes rebordos estão desdobrados nas
formações paleozóicas, suspensos sobre a área de Nas duas depressões os fenômenos de circundes-
eversão nas litologias pré-cambrianas e limitadas, nudação deixaram expostas as litologias precam-
em direção ao eixo da sinéclise Amazônica, por brianas, nas quais foram desenvolvidas superfí-
relevos tabulares que compõem o plantalto cies de aplainamento. Os mergulhos mais fortes
Tapajós-Xingu e os planaltos Rebaixados (Perfil das litologias paleozóicas da Amazônia não
C-C'). Há, assim, uma zona de circundesnudação apresentam evidências de que os paleoplanos
periférica às estruturas paleozóicas e outra curta pré-silurianos ainda estejam representados mq,r-
e mal definida zona de circundesnudação relacio- fologicamente. As superfícies de aplainamento
nada à Formação Barreiras mas os relevos deixaram, por eversão, cristas alongadas, sem
residuais da Formação Barreiras, já citados, as feições apalachianas comuns em morfologias
mostram que ambas são pós-pliocênicas. O ma- análogas nas depressões periféricas à bacia Piauí
peamento geomorfológico da folha SA.22 Belém -Maranhão.
revelou que há diferenças específicas entre as
citadas características da Depressão Periférica do À frente da falésia tropical (serra de Maracana-
Sul do Pará e sua homóloga do Norte do Pará. quara) que limita a Depressão Periférica do
Norte do Pará a serra de Maraconai, por suas
dimensões e aspectos diferentes do relevo circun-
A Depressão Periférica do Norte do Pará não
dante, é um acidente fisiográfico importante. Ele
apresenta nenhuma forma de "cuesta" associada
apresenta-se isolado, com uma cobertura de
ao fenômeno de circundesnudação: O contato se
endurecimento ferrai ítico e topo aplainado on-
faz diretamente sobre a Formação Trombetas
de aparecem numerosas lagoas. Sua posição
(Siluriano) sem que se apresente entre esta
isolada e sua elevação sobre o aplainamento
formação e o pré-Cambriano qualquer camada
pré-cambriano, podem ser tomados como ele-
tenra capaz de gerar um ai inhamento de "cues-
mentos complementares, de natureza geomorfo-
tas". Além disto os mergulhos não são suficien-
lógica, indicadoras de uma litologia diferente.
temente fracos para gerar uma drenagem indivi-
Estas circunstâncias dificultam uma interpre-
dualizadora de "cuesta". O contato entre o
tação da serra de Maraconai como um relevo
Pré-Cambriano e o Paleozóico é brusco e reti-
residual de recuo da falésia tropical (Perfil C-C').
líneo. Não há, nesta área, nenhuma evidência
nem sugestões de que a Formação Barreiras
4.3. Os Níveis de Aplainamento
tenha ultrapassado os limites das Formações
Paleozóicas. Registre-se também que a extensão As imagens <de radar têm permitido, ao longo do

11/22
mapeamento geomorfológico, a identificação de floresta densa. Sua fragmentação pós-pleistocê-
dois níveis muito extensos de aplainamento. Eles nica é feita, na área, geralmente por planícies
foram designados de modo genérico, como fiL'viais.
pediplano Pliocênico e pediplano Pleistocênico.
Na folha SA.22 Belém eles aparecem muito Boaventura (1973) identificou, na área imediata-
desigualmente distribuídos no espaço. mente abaixo da folha SA.22 Belém, um nível
de topos de colinas e "inselbergs", acima da
O pediplano Pliocênico está representado na zona de eversão, este pediplano Pleistocênico.
serra de Maracanaquara, que faz a borda meri- Este aspecto do pediplano termina gradualmente
dional da Depressão Periférica do Norte do Pará. na área mapeada até tomar um aspecto mais
A litologia paleozóica da serra foi truncada pelo compacto. Essa transição de dois aspectos de um
pediplano de modo perfeito. As diferenças lito- mesmo nível de aplainamento se faz na área
lógicas permitiram que drenagens ortoclinais se onde os limites da Depressão Periférica do Sul
instalassem nas camadas paleozóicas, acompa- do Pará são mais imprecisos. Isto porque a
nhando-as da borda para o eixo da bacia. A Formação Barreiras ainda recobre as formações
intensidade do encaixamento dos rios, mantendo paleozóicas, que só aparecem nas folhas a
entre eles topos aplainados, permite a separação 1 :250.000 de Ilha Grande do lriri e Altamira. Es-
das litologias recobertas por floresta. O perfil ta interrupção de dois aspectos do pediplano Ple-
C-C' mostra o pediplano Pliocênico basculado istocênico é de difícil explicação, quando se sabe
para o eixo do Amazonas. Este basculamento que este aplainamento acompanha os rios Tocan-
seguido de transgressão é que gerou algumas das tins e Araguaia até o centro-sul de Goiás. Uma
"rias" da margem esquerda do rio Amazonas. O explicação plausível está relacionada à subsidên-
Perifl C-C' permitiu o prolongamento do Pedi- cia do "graben" de Limoeiro gerada por reati-
plano Pliocênico desde a serra de Maracanaquara vação do arco de Tocantins e alto de Monte Ale-
ate' a base da Formação Barreiras que é seu gre. Estes altos mostram o Pediplano Pleistocêni-
depósito correlativo. À serra Maraconai, cujas co bem representado enquanto no "graben" ele
feições geomorfológicas já foram descritas, tem se desfaz nas duas feições citadas. A subsidência
sido atribuída uma gênese de estrutura vulcâ- que atingiu o "graben" de Limoeiro em seu tre-
nica, possivelmente de idade cretácica. Se isto se cho mais meridional foi definida por Barbosa,
confirmar, seu topo aplainado pelo pediplano Boaventura e Pinto (1973 v.2) pelas correlações
Pliocênico, será um elemento confirmador da dos materiais dos terraços do rio Tocantins.
idade pós-cretácica deste pediplano.
Em quase toda a área mapeada, os pediplanos
Em todo o restante da folha SA.22 Belém o Pliocênico e Pleistocênico estão recobertos por
nível de aplainamento mais extensivamente dis- Floresta Densa. A imagem de radar permite,
tribuído é o pedi plano Pleistocênico. Sua grande contudo, identificá-los e acompanhá-los, de
distribuição pode ser bem observada no esquema modo contínuo, desde áreas onde estão reves-
de unidades do relevo, onde ele ocupa pratica- tidos por cerrados e até mesmo por caatinga.
mente todo o planalto Rebaixado da Amazônia Isto é indicativo de uma extensa morfogênese
e as duas depressões periféricas, com variações herdada de fases anteriores. O recobrimento
de níveis altimétricos. Este pedi plano é o respon- florestal posterior tem suas conseqüências geo-
sável pela extensa topografia baixa da folha morfológicas representadas nas áreas de disse-
SA.22 Belém, juntamente com algumas planícies cação dos pediplanos citados. Há outra indicação
fluviais. Localmente ele está bem conservado co- clara de formas herdadas de morfogênese an-
mo ao longo dos rios Pará e Tocantins. Ele corta terior, menos úmida que a atual. Estas formas
litologias diferenciadas e sua cobertura atual é de são alguns tipos de vales bem característicos do

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planalto Tapajós-Xingu e planalto Setentrio- A interpretação geomorfológica dada para as
nal Pará-Maranhão. Nesta área aparece extenso áreas mais extensas, como na região do rio
pediplano do nível pós-Barreiras, muito bem ela- Tocantins, é a de "paleoplayas" com colo-
borado no qual há vales encaixados com verten- nização florestal retardada em decorrência da
tes pedimentadas. Vales deste tipo foram obser- cobertura arenosa. O hidromorfismo manifes-
vados em mapeamentos anteriores em áreas de ta-se quando já há canais de drenagem abertos,
morfoqênese bem mais seca. mas nas margens destes canais não há floresta
densa. No rio Capim há sugestões de que estas
A morfogênese úmida posterior transformou a áreas inundáveis dão nascentes a rios de direções
parte do eixo destes vales em um tipo de fundo opostas, com possíveis capturas. Na margem
chato ("vales em manjedoura" de Ruellan) direita do rio Xingu, em região elevada sobre a
considerado como forma de evolução de regiões Formação Barreiras. O mesmo fenômeno se
úmidas. Nestes vales foram conservados os pedi- repete em áreas de dispersão de drenagem,
mentes e apenas a área de fundo chato é sugerindo uma movimentação tectônica do arco
atribuída à morfogênese úmida. Eles conservam, de Gurupá elevando-a a urna posição de divisor.
deste modo, formas de duas morfogêneses dife- Entendidas como "playas" estas áreas repre-
rentes. Em alguns tipos de vales de fundo chato sentam evidências residuais de níveis de aplaina-
formaram-se "planícies de inundação" com me- mentos esculpidos em rnorfogênese mais seca.
andros divagantes. Outros foram intensamente
colmatados por aluvionamento que bloqueiam Como tem sido ressaltado nos mapeamentos
suas desembocaduras. geomorfológicos do Projeto RADAM, os níveis
de aplainamento são identificados pela imagem e
Os fundos chatos, em decorrência de colma- descritos apenas quando atingem áreas substan-
tagem ou aluvionamento de meandros diva- ciais. Na área da folha SA.22 Belém, esta
gantes, mostram um contraste nítido, nas ima- explicação aumenta de significado na medida em
gens de radar, em decorrência de vegetação que pesquisas de campo têm revelado alguns ní-
adaptada a esses ambientes. Em outros casos a veis embutidos que aqui, são englobados sob o
vegetação de floresta densa recobre indistinta- título genérico de pediplano Pleistocênico.
mente o pediplano, o pedimento e o fundo Quase todos estes níveis baixos foram identifi-
chato. A morfogênese úmida é representada cados locaímente em função da facilidade de
apenas pela abertura do canal central dos rios, acesso que a folha SA.22 Belém oferece, compa-
possivelmente devido ao substancial aporte de rativamente, a outras da área amazônica. A
coloides da morfogênese úmida. Estas condições imagem de radar permitiu identificação de um
não abrigam os casos em que os vales são nível de aplainamento sobre alguns relevos tabu-
superimpostos por efeitos de tectônica (Estampa lares da Formação Barreiras. Este nível é nítido
3). No fundo destes vales não foram identificados nas unidades de relevo do planalto Setentrional,
formas que sugerissem antigas "playas", de planalto Tapajós-Xingu na serra de Paraua-
arreismos anteriores (Fotos 12, 13, 14). Em quara, serra do Almeirirn e serra do Jutaí, na
algumas áreas sobre superfícies de aplainamento, folha a 1 .250.000 de rio Capim. Um ponto mais
ocorrem planos inundáveis parcialmente, sobre acessível deste nível é o campo de pouso, na
um fundo arenoso coberto de vegetação rasteira. serra do Areião, que é utilizado por um grande
Na imagem de radar a vegetação rasteira dá empreendimento comercial nas áreas do rio Jari.
tonalidades claras em meio aos tons diferentes Este nível de aplainamento, pós-Barreiras, tanto
da floresta. No contato dos dois tipos de pode ser apenas o topo da Formação Barreiras
vegetação há pequenas rupturas de declives, nas pouco erodido, como pode ser um nível pós-Barrei-
quais é perceptível a exsudação do lençol freá- ras sem corresponder ao denominado de pediplano
tico, com remoção de areia (Fotos 5 e 6). Pleistocênico. A nitidez da imagem de radar e a

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posição subordinada que o pediplano Pleistocê- Pleistoceno e Holoceno. A elas se devem os
nico aparece em relação ao nível pós-Barreira, baixos níveis do Pediplano Pleistoceno, como
sugere mais a segunda interpretação. Neste caso, por exemplo o de 30-70 metros ligados à geração
o pediplano Pleistocênico deve ser entendido Guajará ou o nível Belém-Marajá (5 a 12 m) de
como resultante de um processo de eversão na Ab'Sáber (1967).
Formação Barreiras. O fato de este nível ter sido
encontrado, até o presente estágio do mapea- A retomada de estudos feitos pela Petrobrás a
mento, apenas nos locais coincidentes com altos partir de 1967 em várias regiões da Amazônia
estruturais, não permite que se afaste a possibi- permitiu o conhecimento de novos dados sobre a
lidade de um nível ligado a movimentações foz do rio Amazonas. Isto permite um trata-
tectônicas. mento melhor dos problemas de aplainamento,
eustatismos e subsidência geradores dos fenô-
Alguns outros níveis embutidos podem ter na menos fluviais do Quaternário. Com base nos
hierarquia da drenagem, mostrada pela imagem trabalhos de Schaller et ali i (1971 ), Andrade e
de radar, um útil instrumento de trabalho de Cunha (1971) e Milliman et alii (1972) os
campo. Assim, na folha SA.22 Belém, há três eventos geomorfológicos podem ser compro-
gerações de drenagem bem definidas principal- vados na seqüência estratigráfica estabelecida
mente na parte meridional do rio Amazonas para a fossa de Marajá.
(Fig. 7). A primeira, geração Xingu, está repre-
sentada pelos grandes rios que estão superim- A fase de desmonte do pediplano pré-Cretácico
postos às estruturas paleozóicas e pré-cam bria- referida em mapeamentos anteriores já citados,
nas, principalmente em seus cursos médios. Na seguiu-se ao paroxismo da reativação Wealde-
folha SA.22 Belém eles estão diretamente condi- niana. Esta reativação atuou na foz do Amazo-
cionados à tectônica de fissuramento,às direções nas com um caráter tafrogênico indicado pela
estruturais maiores e refletem este condiciona- Formação Jacarezinho cuja seqüência corres-
mento por fenômenos diversos. A segunda, pende, pró-parte, a depósitos correlativos de
geração Jarauçu, correlacionada à deposição falhas. Os "grabens" de Limoeiro e Mexiana
Barreiras pois a extensão destes rios coincide formaram-se neste tempo. A seqüência da For-
com aquela deposição. Um exemplo é o próprio mação Limoeiro parece corresponder à fase de
rio Jarauçu. A característica da segunda geração desmonte do pediplano pré-Cretácico, pois apre-
é a sua parcial independência da rede de dre- senta material tluvial cuja area tonte é a bacia Piauí
nagem da primeira geração desde que seguem -Maranhão. É nesta região (fora da folha SA.22
paralelamente a ela, sem confluir, e caindo Belém) que ocorrem alguns testemunhos ero-
diretamente no rio Amazonas. A abertura dos sivos identificados como pediplano pré-Cretá-
vales na Formação Barreiras está sendo realizada cico. O transporte de material para a Formação
pela geração Jarauçu, que faz penetrar o pedi- Limoeiro se fez quando a drenagem do Tocantins
plano Pleistocên ico embutindo-o dentro do nível atravessou as estruturas pré-cambrianas e se
pós-Barreiras, enquanto os amplos aplaina- alojou ortoclinamente à bacia Piauí-Maranhão.
mentos regionais estão relacionados à geração Os elásticos da Formação Limoeiro se correla-
Xingu. cionam a uma fase de morfogênese mais seca.
Esta interpretação parece plausível na medida
A mais nova rede de drenagem é a geração em que as seqüências da Formação Marajá
Guajará que está ligada à unidade chamada aqui (pós-Limoeiro) e de idade terciária já estão
de planície Amazônica e ao sistema hidrográfico claramente correlacionadas ao aporte de material
mais típico do rio Amazonas. As gerações do rio Amazonas. Deste modo o pediplano
Guajará e Jarauçu estão ligadas às movimen- pré-Cretácico teve seu desmonte iniciado no
tações tardias da reativação Wealdeniana no Cretáceo e prosseguiu durante todo o Terciário

11/25
até terminar na consecução do pediplano Pliocê- Transgressão Flandriana é limitada. O fenômeno
nico e a extensa deposição da Formação Bar- inverso ocorre, pois o mapeamento revelou
reiras. Este processo de desmonte corresponde às "rias" de grandes dimensões como no próprio
fases mais antigas de abertura das depressões rio Pará e "rias" internas como as das desembo-
periféricas. Localmente o pediplano pré-Cretá- caduras do Tocantins, Anapu, Pacajá e Xingu
cico foi apenas reelaborado. que mostram bem a grande penetração da
transgressão na parte sul da plataforma. A maior
b desmonte do Pediplano Pliocênico correspon- e mais nítida de todas é representada pelo baixo
de à fase de abertura das depressões periféricas Xingu, cujos escarpamentos retil ínios (fotos 8 e
na bacia Amazônica. A sedimentação correspon- 9) são evidências de afogamentos recentes. Esta
dente à fase de reelaboração ou erosão do "ria" é coincidente com a movimentação do
pediplano Pliocênico parece ser a Formação alto de Monte Alegre e arco de Gurupá (Fig. 8). Ela
Pirarucu do Grupo Pará. A natureza argilosa deve ainda ao basculamento em direção à foz
desta formação identifica morfogênese mais com a região de flexura marcada por um
úmida. Os pólens paleozóicos já retrabalhados conjunto de ilhas (foto 15) e corredeiras na
encontrados na Formação Pirarucu, são indica- região de escarpas mais altas enquanto próximo
tivos de que as depressões periféricas amazônicas à foz estas escarpas decaem a ponto de se
estavam abertas e já expostas as litologias paleo- integrar nos processos típicos de colmatagem do
zóicas. rio Amazonas aparecendo mesmo uma deposição
tipo delta no Jarauçu (Fotos 10 e 11). As
O pediplano Pleistocênico formou-se sobre lito- margens das "rias" do Xingu são bem retilini-
logias variadas, incluindo as dos depósitos corre- zadas, ao contrário da "ria" do Tapajós. Est~s
lativos do pediplano Pliocênico representados elementos são elucidativos para caracterizar a
pela Formação Barreiras no tempo Tucunaré, "ria" do Xingu como do tipo "cherm".
que é identificado como seu depósito corre-
lativo. O grande aporte de elástico desta For- O problema da origem da ilha de Marajó está
mação é indicativo de morfogênese mecânica. diretamente ligado aos mecanismos de subsi-
dência da respectiva fossa tectônica. A conti-
nuidade da Formação Barreiras no continente e
4.4. Os Problemas da Foz do Rio Amazonas na ilha associada ao fato de esta deposição ser
correlativa do pediplano Pliocênico é uma com-
A folha SA.22 Belém mostra a quase totalidade provação de que, pelo menos até o tempo
da desembocadura dos rios Amazonas e Tocan- Barreiras a atual ilha integrava-se ao continente,
tins. Isto permite a discussão de alguns pro- formando um interflúvio largo entre o Ama-
blemas geomorfológicos específicos. zonas e o Tocantins. Esta ligação continuou até
o tempo do pediplano Pleistocênico, cujos resí-
O mapeamento geomorfológico revelou trans- duos estão presentes no interior de Marajó
gressões marinhas geradoras de "rias" .coinci- (Perfil B-B') e em várias ilhas marginais. Com a
dentes com a movimentação dos "grabens" de transgressão Flandriana, no início do Holoceno,
Limoeiro e Mexiana, conforme já foi demons- atuando mais intensamente no "graben" de
trado. Isto permite a conclusão de que a Limoeiro que no de Mexiana, a ilha foi separada
reativação Wealdeniana na fossa de Marajó não do continente. O mapeamento revelou que a ilha
cessou até o início do Holocéno quando ocorreu de Marajó apresenta três feições geomorfológicas
a transgressão Flandriana. distintas: a leste planícies colmatadas, no centro
o pediplano Pleistocênico e a oeste uma extensa
Nas áreas onde não há falhamentos da fossa de região ainda em processo de colmatagem. O
Marajó, como no Canal Norte, .a interferência da limite destas duas últimas feições é feito pelos

11/26
limites do "graben" de Mexiana Leste (Fig. 8). A gem representou uma fase de alta energia do
imagem de radar mostra sinais da drenagem Amazonas, capaz de abrir "paleocafíons" submer-
anterior à separação da ilha. Um exemplo pode sos exatamente na região antiga, em frente à ilha
ser tomado pelo rio Anapu que era afluen- Caviana, na direção predominante da bacia
te do Amazonas. Após a separação da ilha. Amazônica SW-N E. A parte mapeada como
o Anapu passou a correr em direção ao rio Pará planície fluvial na foz do Amazonas, agora
através da captura por transbordamento execu- fragmentada em várias ilhas no Canal Norte,
tada pelo rio Pacajá. Na margem oriental da ilha poderia compor um litoral compacto, retilini-
da Laguna, ocorrem várias indicações de que zado na direção NW-SE, generalizada da costa
nesse ponto a colmatagem posterior foi menos norte do Brasil. Assim nada indica a existência
intensa permitindo a conclusão de que nesse de um golfo holocênico na foz do Amazonas,
trecho a ligação permaneceu por mais tempo, anterior à fase estuarina atual.
pois a retomada do pediplano Pleistocênico não
se fez muito extensamente. O deslocamento da foz do rio Amazonas da
direção SW-NE para a direção NW-SE interessa à
A colmatagem posterior bloqueou alguns impor- origem da parte colmatagem recente da ilha de
tantes trechos afogados pela transgressão Flan- Marajá. Os depósitos lineares mapeados nesta
driana. Estes afogamentos bloqueados são de- área são indicativos de antigas ligações com as
nominados regionalmente como "baías", sendo ilhas Mexiana e Caviana. Isto indica divagações
significativas por sua extensão as de Caxiuana, destes depósitos lineares por braços amazônicos
Pacajaí, Portei e Melgaço. Esse bloqueio gerou em direção ao sul. Esta evidência exclui a
em complexo sistema hidrográfico conhecido possibilidade de o rio Tocantins ter tido um
como "Furos de Breves" (Foto 16). A diferença prolongamento através da área baixa de Marajá,
de regime e de descarga entre os rios Amazonas e pelo menos nesta fase.
Tocantins, permite que parte da carga do segun-
do passe para o primeiro através dos "Furos de Nesta região da ilha o processo de colmatagem
Breves", com uma intensa colmatagem gerando está mais evoluído que ao longo do rio Amazo-
até mesmo formas deltaicas embrionárias, inter- nas e menos evoluído que nas ilhas de Caviana e
nas como na baía das Bocas (Estampa 2). O mes- Mexiana e outras, onde a vegetação florestal já se
mo processo de colmatagem pós-Fiandriana, ex- instalou enquanto a parte oriental de Marajá
plica a multiplicação do sistema de furos, pois ainda continua em fase de vegetação pioneira.
na medida em que ele interrompe os mais Há possibilidades de esta colmatagem estar
entulhados, outros são abertos. Isto explica relacionada com uma fase de ligeiro levanta-
a existência de "furos" com dimensões dife- mento da ilha de E para W por movimentação do
rentes (Foto 15). O mesmo sistema explica a "graben" de Mexiana Leste em tempo holocê-
drenagem arborescente do Canal Norte, com o nico. O processo de colmatagem é o de "slikke"
tronco maior ramificando-se um pouco além da e "schorre" fluviais que fixa a vegetação gradual-
foz do Xingu em ramos sucessivamente mais mente, limitando cada vez mais, as áreas de
densos em direção à foz do Amazonas, com a inundação permanente (fotos 24 a 27).
multiplicação sucessivas de ilhas. Ocorrem assim
dois sistemas opostos ao longo do rio Amazonas, Há muitas sugestões sobre a natureza e classifi-
pois enquanto na planície, à montante da foz do cação da foz do Amazonas: se delta ou estuário.
Xingu, os canais ("paranás") são construtores de O mapeamento e as interpretações dadas aos
sedimentação (fotos de 17 a 23), à jusante, os eventos geomorfolágicos da Folha SA.22 Belém
canais ("furos") são destruidores da colma- permitiram a demonstração de que a fossa
tagem. Este processo de destruição da colmata- Marajoara esteve em movimentação desde o

11/27
paroxismo da reativação wealdeniana no Jura- presença simultânea de um delta cretácico da bacia
-Cretáceo até períodos muito recentes do Holo- do Acre e da fossa de Marajó, sugere a existência de
ceno. Pelo que se conhece sobre as formações pelo menos dois canais antigos, um em direção
cretácicas, muito de suas fácies parecem estar W outro em direção E, pelo menos até o tempo
Iigadas aos fal hamentos da fossa. No atua1 nível cretácico. A separação pode ter sido causada por
de conhecimentos um delta cretácico, na foz do movimentação dos altos estruturais que separam
Amazonas não pode ser confirmado. As depo- a antéclise da Amazônia. A única indicação do
sições terciárias refletem adaptações à subsi- tempo desta separação, na folha SA.22 Belém é
dência contínua dos "grabens". Isto não criou a Formação Marajó (Schaller et ali i - 1971) do
portanto, condições para uma sedimentação em início Terciário, pois as formações anteriores
fácies deltaica. A sedimentação pleistocênica não são nitidamente compostas de sedimentos
teve melhores condições tectônicas para se fazer trazidos pelo rio Amazonas. Além disto, a
em estrutura deltaica e possivelmente as For- espessura das formações terciárias atingem 5.000
mações do Grupo Pará tenham alguma deposição metros contra os 2.500 das Formações Cretá-
embrionária ainda não perfeitamente definida. cicas na foz do Amazonas. Isto faz supor um
Atualmente o ambiente marinho é não-deposi- grande aporte de material quando o curso foi
cional e Milliman et alii (1972) demonstrou a interligado. Há assim possibilidades de o Amazo-
distribuição de parte da carga do Amazonas ao nas ter uma idade pós-pliocênica (Formação
longo do litoral do Amapá por influência de Marajó). Não se pode ainda definir em que áreas
circulação oceânica. Deste modo não há deltas do atual curso ocorreu a separação (Arco de
em formação, apesar da taxa de sedimentação Gurupá? Alto do Purus? ) mas há indicações de
ser elevada e a plataforma ser suave. A possibili- que o paleo-Amazonas não devia ser um grande
dade de existência de um delta cretácico na área curso desaguando no Atlântico. Por outro lado a
do cone Amazônico escapa ao alcance deste evolução geomorfológica da folha SA.22 Belém
relatório. sugere um trabalho erosivo muito pequeno para
um rio da dimensão do Amazonas desde um
O mapeamento geomorfológico revelou que a re-
tempo tão remoto. Um exemplo é a proximi-
gião da foz não apresenta condições de colmata-
dade da Formação Barreiras no bordo das
gem ativa. Estes processos são mais eficientes ao
plataformas. Sendo considerada como depósito
longo do rio, à montante da foz do rio Xingu.
correlativo do pediplano Pliocênico, de fácies
Na foz está ocorrendo a abertura de canais. Des-
continental, ela devia ter chegado até áreas mais
te modo uma classificação de litoral de estuário
próxima~ do rio no tempo Plio-Pieistocênico. O
está mais adequado para a complexa foz do rio
recuo dos limites desta formação, controlado
Amazonas.
pela drenagem da geração Jarauçu (Fig. 7)
As condições de gênese do rio Amazonas interes- mostra uma exagerada desproporção com as
sam também ao problema da natureza da foz. gerações anteriores e posteriores. Como a For-
Apesar da folha SA.22 Belém não abranger, ao mação Barreiras é facilmente erosível em qual-
nível de escala, uma grande seção do rio, o quer morfogênese, o recuo de seus limites não é
mapeamento geomorfológico permitiu algumas proporcional ao trabalho de encaixamento. Por
sugestões preliminares. outro lado o pequeno desenvolvimento do pedi-
plano Pleistocênico nas partes marginais da
A possibilidade de o rio Amazonas ter corrido de E calha, criado pela geração Guajará contrasta com
para W, não encontra na folha SA.22 Belém, ne- o extenso desenvolvimento do mesmo pediplano
nhuma indicação, possivelmente devido a posição pela geração Xingu. Este retardamento na evo-
da folha junto à foz. A presença de delta na bacia lução geomorfológica no vale do Amazonas é
do Acre ainda não apresenta correlações estratigrá- também contranstante com a extensão do pedi pla-
ficas suficientes para comprovação. Ao contrário a no Pleistocênico na bacia Araguaia-Tocantins.

11/28
Estes fatos são indicativos de que o Amazonas é Apesar da grande faci I idade de construção de
pós-Tocantins, suposto por Boaventura (1973) portos na área amazônica, as "rias" da margem
como pré-Piiocênico, logo, por este critério direita mostram altitudes maiores para as insta-
geomorfológico a idade do Amazonas atinge o lações de grande porte.
Holoceno. Até o presente estágio do mapea-
mento, o rio Amazonas só adquiriu suas atuais Devido à cobertura especial de vegetação de
características, na folha SA.22 Belém, a partir campos à topografia plana e à proximidade de
do Holoceno. No exame das feições geomorfo- Belém, a ilha de Marajá poderia receber planeja-
lógicas e sua interpretação ao nível da escala de mentos para seu desenvolvimento. Por isto jul-
mapeamento, podem ser acrescentados alguns gou-se útil um detalhamento de muitos tipos de
aspectos aplicáveis ao planejamento. planícies de acumulação até o ponto permitido
pela imagem. A separação dos tipos de planícies·
Inicialmente é necessário ressaltar a significação de inundações, alagadas, periodicamente inundá-
das inúmeras gargantas de superimposição. Os veis, dentre outros, terá utilidade no traçado da
rios da Geração Xingu, de grande volume d'água, rede rodoviária e na modernização da pecuária. A
cortam estruturas pré-cambrianas e depois pré- grande quantidade de água acumulada na parte
-silurianas, permitindo a existência de sítio oriental da ilha pode ser explicada pela alta
adequado para a construção de sistemas de pluviosidade regional e pelas Formações argilosas
barragens de grande porte. O aproveitamento em do Grupo Pará que retém água das chuvas
sistemas de barragens sucessivas é ainda viável evitando seu escoamento sob forma de rios. O
porque muitos rios cortam corredeiras e leitos sistema hidrográfico é curto e marginal à ilha,
rochosos, à montante dos quais aparecem leitos deixando isoladas as depressões interiores. A
móveis de colmatagem lateral extensa propícios modernidade da sedimentação também colabora
à construção de barragens de maior porte. Esta para a exposição permanente dos aqu íferos. Um
fase de pequenas usinas pode ser uma fase inicial sistema de canais e "poulders" poderia ser
da eletrificação de algumas áreas da Amazônia estudado para acelerar a drenagem em algumas
I ' .
que até se atinja a fase de construção de grandes áreas quando isto fosse necessano.
sistemas hidrelétricos.

11/29
QUADRO-RESUMO DA GEOMORFOG~NESE DA FOLHA SA.22-BELitM

Fases Movimentos Tec-


Geomorgológ1cas Eventos Geomprfológicos e Formas de RelevO Depósitos de Dep6sitos Tempo
Cobertura Morfogênese tônicos ou Eus·
Correlativos Geológico
táticos
- ,Colmatagem no rio Amazonas, margmal da Fa·
se .,Parariás." -Aluviões da 4~ fase.
R - Colmatagem na foz elo Amazonas; da Fase "ca- MULTIP
E nal'', drenagem arborescente, com muttipM~
c ção de ilhas, abertura dos cafion& na plata-
o forma. -Aluviões da 3~ fase
B - Oealocamento.. .do r1o Amazonas para o canal
R norte em direção ao sul; separação das ilhas,
I pnncípalmente Mex•ana, Cav1ana e Maraj6.
M Formação do estuário.
E - Formação de depósitos lineares na ant1ga planí- H
N Cle fiúvio-marenha da foz do Amazonas. - Aluviões da ~ fase. o
T -Formação de "baias": Caxiuana, Pacajá, Portei L
o e Melgaço. o
- Deslocamento do Amazonas também para o c
Tocantins, Colmatagem Fase "Furos de Bre- E
A ves". - Aluviões da 1 ~ fase. N
L - Aluv,onamentos nos vales pedimentados no o
u planalto Tapaj6s-Xingu e Setentnonal Pará-
v -Maranhão. - Subsrdénc1a na foz.
I -Separação da ilha de Marajó do contínente, de-
o saparectmento do tnterflúvto Tocantins-Ama--
N zonas. - Movtmentação dos Altos
A - Recobnmento do Pediplano Pleistocêmco por e ' 1 Grabens''
L afogamento cotnctdente com alinhamentos tec-
tõnocos da Fossa de Marajó. Reelaboração do
Pediplano Ple~Ocêmco com os n{vets baixos
("Belém-Marajó"). Instalação da Geração - Qu(mtca ·durante iodo o
GuaJará no mtenor da calha amazômca. tempo geológiCO. -Transgressão Flandnana
- Formação da "nau do Xingu e análogas, Flexu·
ra prôxtmo a Altam~ra.

- Consecução do Pediplano Pletstocêmco V1sCvel - Formação Tucunaré. - Mecântca no final do Tem-


em toda a área prmcipalmente nas serras de po geológtco com elástico.
Almetnm •. Parauaquara, Areião e JutaC; COrl"
trnua a ligação continente--ilha de Maraj6; pene-
tração da pediplanação pelo no Amazonas; eles--
figuração dos limites norte da depressão perifá-
04: rtca do sul do Pará; eversão e supenmposição
O
I<( da Geração Xingu.
o-
4:z p
- Pedimentação em vales; possíveis "playas" no
z'W
vale do Tocantins, L
:s8
o.. I- - Elaboração do nivel P6s·Barrelfas. E
õ!!! - Final da erosão no Pediplano Pliocêmco, ever· I
w':!l
o.. a..
são das depressões periféncas. s
- Deslocamento do no Amazonas, na foz, para a - Basculamento na Platafor· T
diração NE.SW.
ma norte. o
- Abertura das depressões periféricas amazô-
- Movtmentação dos Altos
c
mcas, com recuo de rebordos. Exumação das E
formações paleozóicas. Estruturats;'""" N
- Deformação e basculamento do Pediplano Plio· - Formação Piracuru.: - Qu!mtca no mlc1o to tem· o
cêmco segu1da do rnícto de sua erosão. po geológiCO. Fác1es P~
Htica.
T
- Consecução do Pediplano Pliocêmco, conser· -Crostas ferrai íticas -Formação Barre~ras {extrava· - Mecãnu:a alternando-se E
vado nas serras de Maracona1, Cutapocu e pia-- sando os limites pa1eoz6icos com química. R
nalto de Maracanaquara. na Plataforma Sul}. Plioceno
Pediplanação - Ilha de Maraj6 ligada ao continente. Extstêncta
c
I
Pliocêmca de um div1sor Amazonas-Tocantins.
A
R
-ln(clo de aporte de sedimentos do no Ama- - Formação Maraj6 Eaceno I
zonas na fossa de Marajo~
o
Desmonte do - Deforínação e erosão no Pediplano Pré-Cre- - formação Llmoetro(clásticos). - Mecãn1ca. - Reativação Wealdemana.
Pedi plano táceo. - Formação Jacarezmho. - lmc1almente quím•ca. tafrogêmca na Fossa de Jura.Cre·
Pré-Cretác1CO - Formação da Fossa de Maraj6. Marajô-Possivel mtrusão táceo
na serra Maraconat.
FIGURA4
Rio Amazonas Áreas de

Oceano
Atlântico
.
Ilha de MaraJó
Rio Amazonas j
Pediplano
~
I 1
r
Rio Cupijó
Ple1stocênico
Rio Pacajá
1
Ever~o do
Ped1plano
Pleistocênico
·--- Jl\1~1 J;-H \J\ ~:.~~.-Jf.-,~)

B Plan(cie Amazônica Planalto Rebaixado da Amazônia I s'


Depressão Perifécia
I do Sul do Paraná

FIGURA 5
SA. Maraconai
Pedi plano
Pleistocênico Planalto de Maracanaquara Rio Amazonas
Rio lriri
I
Áreas de Eversão Pediplano. Pliocênico Serra \Rio Amazonas Áreas de Eversão·
do Pediplano . . \ • . Parauaquara ( Pediplano Rio Gua1ará Pediplano Pleistocênico do Pediplano
Pleistocênico I !'.~!r:>!~~~-~}~ 1_s;f~~~~~~-- _,l_ _ Pleistocênico ___ L Pleistocênico
>JHIO\JJHSIIl!,lllJll ' •

C Depressão Periférica do Norte I Planalto Rebaixado da Plan(cie Planalto Rebaixado I c'


do Pará Amazônia Amazônica
I Planalto Tapajós- Xingu
da Amazônia 1Depressão Periférica
I Planalto da 1Pianalto
1
do Sul do Pará
Bacia Sedimentar Reba1xado
do Amazonas da
Amazônia

FIGURAS
Rio de
Ba(a de Breves Rio .
Furo do Portei "Ba(a do Ba(a do \ Rio Guajará R1o
Rio Jaranaçu Rio Xingu Bafa de Pracal Pacajal ~ Melgaço Melgaço \Curuacá ( Mutuacá

rv------<~ Pediplano " ,.1., Ple1stocênic: l .. I _)=J-,J-~ !'edip~ Pl~ênico ,


I I
o Planalto Tapajós-Xingu 1 Planalto Rebaixado da Amazônia (do Baixo Amazonas) O
I

o 10 20 30 40 50 60 km
I I I I I I I
FIGURA 7- HIERARQUIA DA DRENAGEM

~ R"'\1
~
HOLOCENO
D FORMAÇÃO
BARREIRAS
PALEOZÓICO f:
~ PRÉ-CAMBIANO

o 5 10 15 20 25km
I I I I I I

11/32
FIGURA 8 - ESBOÇO ESTRUTURAL DA FOZ DO AMAZONAS

MARAJÓ

+- "'T'"-.- FALHAS 5Qkm


iº I

11/33
5. RESUMO

Trata do mapeamento geomorfológico da Folha tos geomorfológicos que criaram na evolução do


SA.22 Belém, atingindo uma área de 288.000 relevo. Confirma a existência de uma depressão
quilômetros quadrados. O mapeamento foi periférica no sul do Pará e assinala processo
obtido por imagem de radar. Apresenta os homólogo na parte norte, bordejando, ambas, as
principais problemas da cartografia geomorfo- formações terciárias e paleozóicas. Os processos
, lógica para a escala do mapeamento de eversão são ressaltados nestas depressões. Elas
(1 :1.000.000) mostrando as soluções aplicadas. foram datadas como pós-pliocênicas. Os n(veis
Explica o sistema de representação, a função da de aplainamentos já constatados anteriormente
legenda e a simbologia das combinações de são confirmados bem como a existência de um
letras, na qual se distingue o que é registro de nível pós-Barreiras. Os depósitos correlativos
formas de relevo do que é interpretativo. Loca- destes aplainamentos são rebatidos dentro da
liza, descreve e dá as características geomor- estratigrafia cenozóica da fossa de Marajó. Os
fológicas de cada uma das sete unidades em que complexos problemas da hidrografia amazônica
foi dividida a folha. Analisa a gênese do relevo são explicados e a evolução geomorfológica da
que na área está contida dentro do Cenozóico, foz do Amazonas, da feição estuarina e da
apesar de efeitos tectônicos da reativação Weal- gênese da ilha de Marajá, são explicados pela
deniana terem se prolongado também durante o subsidência, pela transgressão Flandriana e pelos
Terciário e até mesmo no Quaternário. As mecanismos específicos da drenagem amazônica.
influências tectônicas são assinaladas pelos efei-

11/34
6. BIBLIOGRAFIA

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11/35
15. SCHALLER, H.; VASCONCELOS, D.N.;
CASTRO, J.C. Estratigrafia preliminar da
bacia sedimentar da foz do Amazonas. In:
CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLO-
GIA, 25Sl, São Pau lo, 1971. Anais ... São
Paulo, Sociedade Brasileira de Geologia,
1971. v. 3 p. 189-202.

11/36
ESTAMPA N'? 1
Imagem da Garganta da Supe-
rimposição do rio Jari. (Folha
SA.22-V-A Monte Dourado).
As modificações de curso do
rio Jan ao atravessar estrutu-
ras, por supenmposição, são
comuns em quase todos os
grandes rios. O escarpamento
do tipo falésia tropical marca
o contacto da Depressão Peri·
férica do Norte do Pará disse-
cada ao norte e os restos do
Pediplano Pliocênico na parte
sul.

ESTAMPA Nl? 2
Imagem dos "Furos" de Breves. (Folha SA.22· X·C Portei.) Sedimentação holocênica
bloqueando ~onas de afogamento na bala do Portei, localizada à esquerda. Numerosos "furos"
criam uma di sposição deltaica na "baía" das Bocas.
ESTAMPA N93
Imagem d os Tipos de Leitos Fluviais. (Folha SA.22·Y·A Almeirim). Confluência do "furo" do
Jurupari indo de W· E c om o rio Jarauçu. O nlvel de pediplanação está nltido nas partes altas.
Dentro deste pediplano encaixou -se um vale pedimentado. A fase de morfogênese Clmida
posterior está representada por val es de fundo chato no rio Jarauçu e pela incisão de canais no
fundo dos vales pedimentados e nos rebordos do pediplano.

ESTAMPA N~ 4
Imagem do rio X ingu. (Folha SA.22·Y·D Altam ira) No ângulo superior direito aparecem
rebordos da Formação Barreiras do Planalto Rebaixado da Amazônia em contacto com a
Depressão Periférica do sul do Parã em te rrenos pré-cambrianos que ocupam a parte inferior da
imagem. A extrema adaptação do rio Xingu às orientações estruturais marcam a região de mlcto
do afogamento criado pela transgressão Flandriana. A linha retilinizada é a rodovia
Transamazônica. .
ESTAMPA NC? 5
Imagem do Delta de Colmatagem do Rio Jarauçu. (Folha SA.22·V-D Gurup6) Em negro a " ria"
do rio Xingu . Sau afluente, rio Jarauçu , desenvolve um processo de colmatagem em forma de
delta com o canal central recurvado no sentido do escoamento das flgua.s d o Xingu. Os canais
laterais são n Itidos e as diferenças de tons mostram os "slikke" e "schorre". Os deltas fluviais
internos não são raros como processo de colmatagem da planlcíe Amazônica.
FOTO 1
Escarpamento Tipo Falésia
Tropical. {Folha de Monte
Dourado). A superffcie de to·
po na serra de Maracanaquara
corresponde ao nlvel do Pedi-
plano Pliocêníco conservado.
O aplainamento faz contato
com a área dissecada do mes-
mo Pediplano por uma escarpa
erôsiva arenltica, festonada,
em sedimentos paleozbicos.

FOTO 2
Detalhe da Falésia Tropical.
Folha de Monte Dourado. Na
serra de Maracanaquara os fes·
tonamentos da borda do pla-
nalto são dissimulados pela
densa cobertura de floresta.
Grande espessura do pacote
sedimentar.
. FOTO 3
Cachoeira de Sanro Antonio.
(Folha de Monte Dourado). O
rio Jari é superimposto à serra
de Maracanaquara formando
inúmeras corredeiras quando
penetra na faixa dos sedimen-
tos Paleozóico~ A cachoeira
de Santo Antonio atravessa
derrame basáltico o que lhe dâ
forma de anfiteatro para onde
converge um dos canais do rio.

FOT04
Pediplano Pleistocênico. Folha de Médio Capim. Extenso nível da pediplanação pleistocênica. O
rio Capim está encaixado formando terraços de 5 a 6 metros.
FOTO 5
Áreas Arenlticas Inundáveis. Folha de Cametá. " Paleoplayas" c om vegetação baixa, onde o
fundo arenoso dificu lta a colonização florestal.

FOT06
Áreas Arenosas Inundáveis. Folha de Cametã. Notar a floresta isolada por elevações sobre o
fundo das "paleoplayas" com vegetação rasteira. Notar os pequenos canais de exsudação
correndo sobre areia.
FOTO 7
Contato Pediplano Pleistocêni-
c o e Planície Amazônica. Fo-
lha de rio Jarauçu . O contato é
definido pela cobertura vege-
tal: a plan fcie apresenta gra-
míneas e vegetação arbust: a
de pequeno porte, o pediplano
é recoberto pela floresta den-
sa.

FOTOS
Falésia no rio Xingu. Folha de
Senador José Porfírio. O rio
Xingu forma falésias na For-
mação Barreiras em decorrên-
cia de seu afogamento. O es-
carpamento é abrupto sem co-
bertura vegetal. Estratificação
horizontalizada da Formação
Barre iras, cortada pelo n ivel
pôs-Barreiras .
FOT09
Detalhe da falésia do Rio Xin-
.gu. Folha de Senador José
Porfírio. A foto mostra o afo-
gamento do Rio Xingu resul-
tando em falésia. Uma faixa
muito estreita de praia pode
ser observada no sopé do es-
carpamento que apresenta des-
lizamento. A floresta densa
cobre toda a superfície aplai-
nada.

FOTO 10
Delta do rio Jarauçu. Folha de
Gurupã. Forma de delta fluvial
interno no rio Jarauçu que
desemboca na "ria" do Xingu.
O canal central apresenta o
avanço da colmatagem.
FOTO 11
Detalhe do Delta do Jarauçu.
Folha de Gurupã. O avanço da
colmatagem mostra a forma de
delta, com canais laterais. Ve·
getação densa no contato dos
sedimentos com o rio Xingu e
colmatagem interna coberta
por gram lneas.

FOTO 12
Vale de Fundo Chato. Folha
de Senador José Porfirio. No
Planalto Tapajós-Xingu e no
Planalto Setentrional Pará·
-Maranhão aparecem vales de
fundo chato como mostra este
pequeno afluente do rio Xin·
gu. A forma do fundo chato
está recortada no aplainamen·
to. O encaixamento do canal
no fundo deixa pequenos ter·
r aços.
FOTO 13
Vales Co/matados. Folha de
Senador José Porflrio. O con-
traste n Itido de vegetação
mostra um vale de fundo cha-
to já colmatado, permanecen-
do o rebordo em contato com
a superfície pediplanada.

FOTO 14
Vale de Fundo Cha to Colma·
tado. Folha de rio Jarauçu.
Como prosseguimento do pro-
cesso de colmatagem nos vales
de fundo chato, os canais flu-
viais podem meandrar e deixar
pequenas lagoas de inundação.
Os rebordos festonados fazem ,
pela vegetação, os limites com
o Pediplano Pleistocênico.
FOTO 15
Ilhas no Rio Xingu. Folha de
Senador José Porfírio. Ilhas no
rio Xingu, inundâveis, consti·
tu ídas de sedimentos recentes
mostram o trecho de estrangu-
lamento do rio marcando o
limite da influência da trans-
gressão flandrina que gerou a
"ria" do Xingu .

FOTO 16
"Furos" de Breves. Folha de
Portei. Observa-se o ·sistema
complexo de "furos" que ca-
racteriza a região de Breves.
Um "furo" maior em primeiro
plano e no fundo da foto
pequenos canais ligados ao ca-
nal maior. Estes "furos" cor-
tam uma planfcie extensa e
baixos terraços, e definem um
processo duplo de colmatagem
de alguns e abertura de outros.
FOTO 17
Processo de Colmatagem no
rio Amazonas - I. A seqüência
das fotos de nómeros 17 a 23
tiradas em áreas diferentes da
Folha de Almeirim, mostra as
várias fases de·colmatagem das
áreas marginais. Na foto o
aspecto característico com a
floresta densa ocupando o 1?
plano e os depósitos lineares
paralelos ao fundo.

FOTO 18
Processo de Colmatagflm no
rio Amazonas - 11. O "para·
ná" que aparece no centro
originou as depo.sições lineares
laterais paralelas com vegeta-
ção mais alta represando pe-
q uenas lagoas inundáveis mar-
ginadas por vegetação mais
baixa pioneira.
..

FOTO 19
Processo de Colmatagem no
Rio Am<Jzonas - 111. Oep6si·
tos lineares são recurvados ou
transversais na embocadura de
"paranás" com o rio Amazo·
nas.

FOTO 20
Processo de Colm.at<Jgem no
rio Amazonas IV. Os diferen·
tes. tipos de vegetaÇão indicam
o avanço da colmatagem desde'
o "paraná" até as partes mar·
ginais. O mecanismo é o mesmo
"slikke" e "schorre" nas áreas
pantanosas litorâneas.
FOTO 21
Processo de Cofmatagem no
rio Amazonas - V. Quando a
colmatagem avança, os depô·
sitos lineares marcados pela
vegetação arbórea são entulha-
dos permitindo à zona de
"slikke" um revestimento de
gram lneas mais ex1ensivo.

FOTO 22
Processo de Cofmatagem no
rio Amazonas - VI. Fase mais
avançada que a anterior com
árvores controlando o curso
do canal. Nas partes marginais
a vegetação baixa em colmata·
gem.
FOTO 23
Processo de colmatagem no
Rio Amazonas - VIl. A vege·
tação arbórea já está coloni-
zando áreas ainda em colmata-
gem, mas isolando um lago
residual.

FOTO 24
Planície co/matada com lagoas. Folha de Soure. A colmatagem na Ilha de Maraj6 segue o
proces·s o geral guiado pela vegetação. As· depressões endorreicas inundáveis são invadidas por
vegetação pioneira baixa que precede a cobertura arbustiva e arbórea dos terrenos mais firmes.
FOTO 25
Deposições Lineares. Folha de Soure. Canais anastom0$ados em diferentes fases de colmatagem
marcados pela vegetação.

FOTO 26
Planície Colmarada Inundada. Folha de Soure. Zona de contato entre o Pediplano Pleistocênico
ao fundo, coberto por floresta densa com áreas de progressiva colonização caracterizada por
escoamento insuficiente das águas de chuva.
FOTO 27
Margem do Lago Arari. Folha de Soure. A variação do nlvel das ãguas gera uma área de
colon ização temporária de vegetação pelo processo "slikke" e "schorre".
SOLOS
LEVANTAMENTO EXPLORATORIO DE SOLOS DA FOLHA SA.22 BELI:M

AUTORES:

PAULO ROBERTO SOARES CORREA


ROBERTO NANDES PERES
LÚCIO SALGADO VIEIRA

PARTICIPANTES:
AIRTON LUIZ DE CARVALHO
CARLOS DUVAL BACELAR VIANA
HUGO ROESSING
JAIME PIRES NEVES FILHO
JOAO SOUZA MARTINS
JOÃO VIANA ARAUJO
JOS~ ADOLFO BARRETO DE CASTRO
JOS~ SILVA ROSATELLI
MANOEL FAUSTINO NETO
MARIO PESTANA DE ARAUJO
NELSON MATOS SERRUYA
RAIMUNDO CARVALHO FILHO
SERGIO SOMMER.
AGRADECIMENTOS

O Setor de Solos do Projeto RADAM, expressa


seus agradecimentos aos técnicos MARCELO
NUNES CAMARGO e JORGE OLMOS ITURRI
LARACH, pesquisadores em agricultura da DI-
VISAO DE PESQUISA PEDOLOGICA do MI-
NISTÉRIO DA AGRICULTURA, pela cola-
boração prestada.

111/2
SUMARIO

ABSTRACT 111/7

1. INTRODUÇÃO 111/9

2. DESCRIÇÃO GERAL DA AREA 111/10


2.1. Situação Geográfica 111/1 o
2.2. Relevo e Geomorfologia 111/1 o
2.3. Clima 111/13
2.4. Geologia e Material Originário 111/17
2.5. Vegetação 111/18

3. METODOLOGIA E DEFINIÇÃO DO LEVANTAMENTO 111/22

4. DESCRIÇÃO DAS UNIDADES TAXONOMICAS 111/24


4.1. Latossolo Amarelo Distrófico 111/24
4.2. Latossolo Vermelho Amarelo Distrófico 111/34
4.3. Latossolo Vermelho Escuro Distrófico 111/39
4.4. Latossolo Roxo Eutrófico 111/39
4.5. Terra Roxa Estruturada Eutrófica e Distrófica 111/42
4.6. Podzólico Vermelho Amarelo 111/48
4.7. Brunizém Avermelhado 111/53
4.8. Solos Concrecionários Lateríticos Indiscriminados Distróficos 111/53
4.9. Areias Ouartzosas Distróficas 111/53
4.1 O. Areias Quartzosas Marinhas Distróficas 111/54
4.11. Laterita Hidromórfica Distrófica 111/54
4.12. Solos Hidromórficos Gleyzados Eutróficos e Distróficos 111/70
4.13. Solos Hidromórficos Indiscriminados Eutróficos e Distróficos 111/79
4.14. Podzoi Hidromórfico 111/79
4.15. Solonchak 111/83
4.16. Solos Indiscriminados de Mangues 111/83
4.17. Solos Aluviais Eutróficos e Distróficos 111/86
4.18. Solos Litólicos Distróficos I I 1/89

5. LEGENDA 111/90

6. DESCRIÇÃO DAS UNIDADES DE MAPEAMENTO 111/96

7. USO ATUAL 111/108


7.1. Agricultura 111/108
7.2. Pecuária 111/109
7.3. Extrativismo 111/109

111/3
8. APTIDÃO AGRfCOLA 111/110
8.1. Condições Agrfcolas dos solos e seus ·graus de limitações 111/11 O
8.2. Sistemas de Manejo Adotados 111/116
8.21. Sistema de Manejo Primitivo e Classes de Aptidão Agrfcola 111/116
8.2.2. Sistema de Manejo Desenvolvido e Classes de Aptidão Agrfcola 111/118

9. CONCLUSOES E RECOMENDAÇOES 111/129

10. RESUMO 111/130

11. ANEXO 111/132


11.1. Descrição de perfis de solos e análises 111/132
11.2. Análises para avaliação da fertilidade dos solos 111/148

12. BIBLIOGRAFIA 111/151

111/4
TABU A DE I LUSTRAÇOES

MAPAS
Exploratório de Solos (em envelope anexo)
De Aptidão Agrícola dos Solos (em envelope anexo)

QUADRO
Quadro dos Balanços Hídricos 111/21

FIGURAS
1. Classificação de Koppen 111/14
2. Temperatura média anual 111/14
3. Precipitação total anual 111/15

FOTOS
1. Perfil de Latossolo Amarelo Distrófico textura média
2. Perfil de Solo Concrecionário Laterítico Distrófico
3. Perfil de Podzol Hidromórfico
4. Perfil de Terra Roxa Estruturada Eutrófica textura argilosa
5. Perfil de Laterita Hidromórfica Distrófica fase húmica
6. Perfil de Laterita Hidromórfica Distrófica fase arenosa
7. Panorâmica de relevo ondulado. Area de Terra Roxa Estruturada Eutrófica
8. Panorâmica de relevo ondulado. Área de Podzólico Vermelho Amarelo
9. Panorâmica dos Campos da ilha de Maraj6. Área de Laterita Hidromórfica
10. Panorâmica dos Campos da ilha de Marajó. Área de Solos Hidromórficos
Indiscriminados
11. Panorâmica de área de Podzol Hidromórfico
12. Panorâmica de área de Latossolo Amarelo Distrófico textura argilosa relevo suave
ondulado
13. Panorâmica de área de Solo Concrecionário Laterítico Distrófico relevo ondulado
14. Queimada em floresta. Solo Podzólico Vermelho Amarelo

111/5
ABSTRACT

Present work concerns with the Exploratory Survey of Soi/s and Classifica-
tion of Agricultura/ Suitability of Soils performed over an area of about
284.780 square kilometers in Northern Brazil, within latitudes 00900' and
04900' sauth and.Jongitudes48900 and 54900' WGr.

The purpose of the work to study the different types of soils, their
identification, geographic distribution, and investigation of their morpho-
Jogical, physica/ and chemical characteristics.

Further to the description of the taxonomic and of the mapped units, are
characterized the re/ief, morphology, climate, geology and vegetation of the
region under study.

Soil identification was made through field investigations, and extrapolation


process was used for the inaccessible areas, using information from adjacent
similar physiographic patterns. Soi/ analysis were performed for their
characterization and evaluation of their fertility.

Semicontrolled mosaics of radar imagery of 1:250.000 scale, following


reduction to the final scale of the map, were the basic materiais used for the
soil mapping.

The conclusive part includes a c/assification of soils in categories of


suitability for agricultura/ usage in the systems of primitive ando f advanced
management taking in account cultivations of short and long cycles.

Enclosed are presented the Exploratory Map of Soils and the Map of
Agricultura/ Suitability of Soils in 1:1.000.000 sca/e.

lll/7
1. INTRODUÇÃO

o presentelevantamento que é parte do inventá- Para a delimitação das unidades de mapeamento,


rio dos Recursos Naturais da área do Projeto utilizou-se principalmente a interpretação este-
RADAM cor~esponde a folha ao milionésimo, reoscópica de imagens de radar apoiados em
SA.22, denominada na Carta Geral do Brasil observações de campo. Nas áreas em que o
como folha Belém e cobre uma área de aproxi- acesso foi impossibilitado, .desenvolveu-se por
madamente 284.780 km 2 • processo de extrapolação, tomando-se por base
os dados e informações de áreas contíguas que
o objetivo fundamental deste trabalho foi o de apresentavam padrões fisiográficos análogos.
definir, genericamente, as classes de solos exis-
tentes, proporcionando elementos básicos essen- Os solos foram mapeados ao nível de grandes
ciais para uma avaliação da aptidão agrícola das grupos com base no sistema de classificação que
terras em dois níveis de manejo· o primitivo ou vem sendo utilizado pela Divisão de Pesquisa
tradicional e o desenvolvido. Estudos desta Pedológica do Ministério da Agricultura.
natureza fornecem, ainda, importantes infor-
mações para planejamento, particularmente refe- A legenda de identificação dos solos desta área
rentes à seleção de áreas para futuros levanta- é formada por um conjunto de unidades que
mentos de solos em caráter ·menos generalizado se encontram a seguir relacionadas e fazendo
e que atendem a objetivos mais específicos_ parte do Mapa Exploratório de Solos na es-
Ressalte-se que este trabalho é de nível EXPLO- cala 1 :1.000.000. Com a fi na I idade de caracte-
RATORIO e que o alcance e precisão de suas rizar a melhor aptidão agricola dos solos mapea-
informações está limitado pela escala do mapa- dos, foi utilizado o sistema de classificação de
-básico, pelo tempo disponível para sua exe- aptidão de uso da terra de BENNEMA, BEEK e
cução e pelas dificuldades de acesso à área, não CAMARGO no qual, para a área, foram utili-
permitindo fornecer soluções para problemas zados 2 sistemas de manejo, um primitivo e
específicos de utilização dos solos. outro desenvolvido.

111/9
2. DESCRIÇÃO GERAL DA ÁREA

2.1. Situação Geográfica como unidade de relevo na folha a 1 :250.000 de


Médio Capim. Suas cotas altimétricas variam
A área estudada está situada na região norte do entre 200 a 300 metros e engloba sedimentos
Brasil, compreendendo parte do Estado do Pará, das Formações Barreiras e ltapicuru. Não há
(incluindo a cidade de Belém), toda a superfície escarpamentos para os Planaltos Rebaixados da
de Ilha de Marajá e pequeno encrave do Territó- Amazônia, provavelmente devido a processos de
rio Federal do Amapá, junto aos rios Jari e pedimentação retrabalhados por morfogênese de
Amazonas. Limita-se com a linha do Equador e floresta densa.
o paralelo 49 de latitude sul e os meridianos de
489 e 549 de longitude a oeste de Greenwich. O Planalto Setentrional Pará-Maranhão faz par-
te do "domínio morfoclimático dos planaltos
Possui vasta rede hidrográfica representada pelo rebaixados e dissecados, das áreas colinosas e
baixo curso do rio Amazonas, desde as proximi- planícies revestidas por floresta densa".
dades de Monte Alegre até sua desembocadura,
2) Planalto Tapajós-Xingu
apresentando como tributário de maior signifi-
cação o rio Xingu, a partir do desague do lriri. A
O Planalto Tapajós-Xingu mapeado a SW da
leste da área corre o rio Tocantins, estando
folha SA.22 Belém, apresenta características em
inserido neste região o trecho Tucuru í-Baía de
comum com o Planalto Setentrional Pará-Mara-
Marajá.
nhão.
2.2. Relevo e Geomorfologia
É todo talhado em rochas sedimentares com
As formas de relevo foram esculpidas sobre uma altitude em torno de 200 metros e possui
base geológica de cobertura de sedimentos ceno- extensas áreas tabulares resultantes da dissecação
zóicos e com poucas áreas onde afloram terrenos na Formação Barreiras.
pré-cambrianos e paleozóicos.
Apresenta um caimento gradativo, de direção
Unidades Morfoestruturais N-S para a calha do Amazonas e E.-W para o rio
Xingu.
A área em estudo pode ser dividida em sete
unidade de relevo a saber: Faz parte do "domínio morfoclimático dos
planaltos, planaltos rebaixados e dissecados e
1) Planalto Setentrional Pará-Maranhão áreas colinosas revestidas por floresta densa".
2) Planalto Tapajós-Xingu
3) Planalto da Bacia Sedimentar do Amazonas
4) Planalto Rebaixado da Amazônia (do Baixe 3) Planalto da Bacia Sedimentar do Amazonas
Amazonas)
5) Depressão Periférica do Sul do Pará Esta unidade é representada por um conjunto de
6) Depressão Periférica do Norte do Pará relevos tabulares e uma grande faixa de disseca-
7) Planície Amazônica ção em interflúvios tabulares e cristas, em
retomada de erosão por drenagem incipiente.
1) Planalto Setentrional Pará-Maranhão Corresponde a uma faixa de sedimentos paleo-
zóicos, com altitudes entre 300 a 600 metros
É um conjunto de relevos tabulares rebaixados. com sentido SW-NE. É o planalto de Maraca-
Localiza-se a SE da área mapeada sendo limitado naquara melhor representado na folha a

111/10
1:250.000 de Monte Dourado, onde tem feições mente até o rio. As faixas de praia são muito
típicas de bordo erosivo de bacia sedimentar: estreitas e descontínuas no sopé do escarpa-
uma grande escarpa voltada para NW, talhada em menta. As baías de Caxiuana, Portei e Melgaço
arenitos com os topos cortados por aplaina- são lagos de barragem fluvial em grandes dimen-
mento. Os rios Jari e Paru cortam o planalto em sões interligados por "furos".
direção NW-SE, através de profundas gargantas
epigênicas. O planalto cai bruscamente em dire- Na região do Tocantins os terraços são dissimu-
ção à calha do Amazonas enquanto que na folha lados por pedimentos e só em alguns trechos foi
a 1 :250.000 de Mazagão rebaixa gradativamente possível mapeá-los.
no sentido W-E.
Na margem esquerda do Tocantins aparecem
O planalto da bacia sedimentar do Amazonas algumas áreas ilhadas, deprimidas apresentado
está compreendido na sua maior extensão no depósitos arenosos, sujeitas à inundação, cober-
"domfnio morfoclimático dos planaltos, planal- tas por vegetação pioneira.
tos amazônicos rebaixados e dissecados e das
áreas colinosas e planícies revestidas por floresta Na Ilha de Marajó o pediplano pleistocênico
densa". Abrange também uma parte da "faixa de abrange o centro-sul limitado nitidamente no E
transição de domínios morfoclimáticos em pla- com a planície colmatada e a W com os baixos
naltos, planaltos rebaixados revestidos por flo- terraços e áreas em colmatagem. A cobertura
resta densa, floresta aberta mista e cerrado". vegetal é a floresta densa e a superfície é
conservada sendo cortada pela intrincada rede de
drenagem constituída de furos e igarapés.
4) Planalto Rebaixado da Amazônia{do Baixo
Amazonas) Toda a extensão do pediplano pleistocênico está
incluída no "domínio morfoclimático dos pla-
Esta unidade abrange a maior parte da área naltos amazônicos rebaixados e dissecados das
mapeada. É a extensa superfície do pediplano áreas colinosas e planícies revestidas por floresta
pleistocênico que se limita nas margens do rio densa".
com a planície amazônica; ao sul com a depres-
são Periférica do sul do Pará e ao norte com o
planalto da bacia sedimentar do Amazonas. Tem 5) Depressão Periférica do Sul do Pará
proporções e características distintas nos bordos.
À margem esquerda do Amazonas a dissecação A maior extensão desta unidade ocorre na folha
resultou formas bem mais onduladas que no sul, SB.22 Araguaia e parte da folha SC.22 Tocantins
onde a superfície é mais conservada. Aí os descrito em relatório por Boaventura ( 1973).
patamares ocupam uma área restrita no contato
com a depressão periférica e ao norte o escalona- Na foi ha SA.22 Belém a Depressão Periférica do
mento vem até próximo ao rio. Relevos residuais Su I do Pará abrange as folhas de Ilha Grande do
tabu lares topograficamente elevados corres- lriri, Altamira e Tucuruí. Faz parte da faixa de
pendem às serras de Paranaquara, Jutaí, Alme- circundesnudação resultante de processos ero-
rim, Acapuzal e Areião que foram englobados sivos pós-pliocênicos na periferia das bacias
como Planalto Rebaixado pela descontinuidade paleozóicas do Piauí-Maranhão e do Amazonas.
especial e pela área restrita que ocupam.
A SE da folha a 1:250.000 de Ilha Grande do
O rio Xingu apresenta falésias com escarpa- lriri, onde a depressão está mais caracterizada,
mentes abruptos e a floresta chega eventual- pode-se constatar ainda a existência de áreas do

111/11
pedi pIano pleistocênico mais conservadas, com corredeiras e cachoeiras, principalmente a
caindo em direção ao Xingue ao lriri montante das gargantas.

A dissecação fluvial no pediplano originou vales A depressão periférica do norte do Pará está
encaixados em grandes áreas, dando relevos incluída no "domínio morfoclimático dos pla-
definidos como colinas de topo aplainado, onde naltos amazônicos rebaixados ou dissecados das
observa-se a existência de "inselbergs", geral- áreas colinosas e planícies revestidas por floresta
mente remodelados por morfogênese úmida, densa".
sendo mais bem caracterizados nà folha a
1:250.000 de Tucuruí.
7) Planície Amazônica
Este nível das colinas de topo aplainado, geral-
mente elaborados em rochas pré-cambrianas, A planície amazônica como unidade de relevo é
estende-se até o "front" dissimulado, desdo- uma faixa nas duas margens do Amazonas
brado e descontínuo de um relevo de "cuesta" alargando-se na região da foz nas inúmeras ilhas
com altitudes em torno de 100 m. Apresenta inclusive Marajá. Tem características bem distin-
ainda um nível de colinas mais alto com dre- tas não comparáveis a nenhuma outra área de
nagem encaixada, elaboradas em rochas pré-cam- planície no que diz respeito à particularidade e
brianas. Na folha de Tucuru í estão as maiores diversidade de feições que apresenta. Um emara-
áreas deste nível. nhado de canais rr.centes, paleocanais, "furos",
"igarapés", "paranás", meandros abandonados,
A depressão per i fé rica do su I do Pará perten- lagos, marcam um complexo misto de terra e
cente a "faixa de transição de domínios morto- água em evolução atual.
climáticos em planaltos, depressões e colinas
revestidos por floresta aberta mista". A planície tem partes SUJeitas a inundações
periódicas quer seja de chuvas ou das cheias do
rio. A inundação é um dos elementos que
6) Depressão Periférica do Norte do Pará possibilita a sedimentação recente de uma
grande área contribuindo também para a colo-
Esta unidade de relevo mapeada na parte NW da nização da vegetação através das formações
folha SA.22 Belém tem na folha a 1 .250 000 de pioneiras. Os canais marcam a orientação da
Monte Dourado sua maior área. Ela irá se sedimentação e os diques marginais são os
estender no mapeamento das áreas vizinhas reflexos do último evento de todo um processo
configurando assim uma faixa de circundesnu- da sedimentação. Algumas áreas alagadas geral-
dação pós-Barreiras na periferia norte da bacia mente são as que concentram maior número de
sedimentar do Amazonas. Apresenta-se dissecada lagoas. Não possuem urna rede de canais para
em colinas elaboradas geralmente em rochas promover o escoamento e têrn cobertura gra-
pré-cambrianas com altitudes em torno de rninosa rala.
150m. Assim como na depressão do sul do Pará,
um nível mais alto de colinas com drenagem As áreas da planície amazon1ca já colrnéltadas
encaixada ocupa grandes extensões desta uni- por sedimentos holocênicos têrn em Marajá sua
dade. É cortado por cristas com orientação maior extensão. Na folha a 1 :250.000 de Soure
NW-SE, cujos topos estão cortados por aplaina- identifica-se a planície fluvial colrnatada corn
mento, seccionado por gargantas de superimpo- inúmeras lagoas sujeitas a inundações pluviais.
sição como a do rio Paru na serra de Cuiapocu. Nos vales que cortam a planície nota-se uma
Os rios Jari e Paru apresentam vários trechos vegetação arbustiva quando na maior extensão a

111/12
vegetação é só de gramíneas. O lago Ara ri tem com o inverno e tem pelo menos um mês com
áreas bem marcadas de influência dando origem uma altura de chuva inferior a 60 mm. Aqui as
a zonas de "slikke" e "schorre" alinhadas e níti- temperaturas seguem um regime semelhante ao
das. Os paleocanais ao norte de Marajá têm do tipo Af, sendo que a amplitude das tempe-
formas de meandros e são identificados também raturas médias mensais se mantém abaixo de
na Ilha Mexiana. A faixa oeste de Marajá nas 12oc.
folhas a 1 250.000 de Mazagão e na folha a
1 250.000 de Gurupá, apresenta um nível de Amw' - O clima Am, com chuvas do tipo
baixos terraços e áreas em colmatagem cortadas monção, isto é, quando apesar de oferecer uma
por "furos" e "igarapés". Destacam-se ainda estação seca de pequena duração, possui umida-
nesta planície numerosos lagos de barragem que de suficiente para alimentar a floresta do tipo
são encontrados na folha a 1.250.000 de Gu- tropical. O tipo Am é intermediário a Af e Aw,
rupá. Esta faixa da planície amazônica já é uma parecendo-se com Af no regime de temperatura
área de terrenos fixados que possibilitou a e com Aw no de chuvas. A altura da chuva no
instalação da floresta densa. Desta forma, dois mês mais seco é tanto para Am como para Aw
são os domínios coincidentes com a larga faixa inferior a 60 mm Assim é que a distinção entre
da planície amazônica "domínio morfoclimá- ambos foi feita pelo valor limite w' correspon-
tico das planícies inundáveis recobertas por dente às maiores quedas pluviométricas proces-
campos e domínios morfoclimático dos planal- sadas no outono.
tos amazônicos ou dissecados, das áreas coli-
nosas e planícies revestidas por floresta densa. 2.3.2. -Classificação de Gaussen- Funda-
menta-se esta classificação no ritmo das tempe-
raturas e das precipitações durante o ano. São
2.3. Clima utilizadas médias mensais e considerados os
estados favoráveis ou desfavoráveis à vegetação,
O estudo climático da área foi feito com base em em regra, os períodos secos e úmidos, quentes e
duas classificações já consagradas l<oppen e frios, dando maior ênfase ao período seco que é
Gaussen. considerado fator essencial do bioclima. A deter-
minação do período seco é feito através dos
2.3.1. Classificação de Koppen - A área com- gráficos ombroté:micos, sendo a intensidade da
preende a zona climática A (tropical chuvoso), seca definida pelo índice xerotérmico, o qual
com os seguintes tipos e variedades climáticas, além da temperatura e precipitação considera a
Af, Aw e Amw' (Figs. 1, 2 e 3), significando umidade atmosférica em todas as suas formas,
inclusive o orvalho e nevoeiro que são definidos
Af- Corresponde ao clima tropical de floresta, como fração da precipitação.
constantemente úmido, onde a pluviosidade no
mês mais seco deve atingir no mínimo 60 mm. De acordo com os dados coligidos através das
Neste tipo de clima, tanto a temperatura como a estações meteorológicas de Belém, Breves, Porto
precipitação sofrem um mínimo de variação de Moz, Soure, Tomé-Açu, Marabá, Altamira e
anual e mantém-se em nível algo elevado. As Cametá, a área do presente levantamento enqua-
amplitudes médias anuais de temperatura não dra-se nos climas térmicos, que incluem a
ultrapassam 50 C. transição xeroqu imênica para xerotérica e, a
subclasse termaxérica (curva ombrotérmica sem
Aw- Este clima é o das savanas tropicais, com período seco), com o Grupo Eutermaxérico
verão úmido e inverno seco. Indica que possui (temperatura do mês mais frio> 200C.).
uma estação seca bem acentuada coincidindo

111/13
CLASSIFICAÇÃO DE KOPPEN CARTA GERAL.
(Atlas ClimatoiÓgíco do Brasil)

,
FIG. 1 - TIPOS DE CLIMA SEGUNDO KOPPEN, DA AREA EM ESTUDO.

TEMPIÕRATURA MÉDIA ANUAL EM °C

(Atlas ClimatolÓgico do Brasil)

,
FIG. 2 - TEMPERATURAS MEDIAS ANUAIS PARA A AREA EM ESTUDO.

111/14
PRECIPITACAO TOTAL ANUAL
(Atlas ClimatolÓgico do Brasil)

o
"'1'-

750

FIG 3 - ISO I ETAS ANUAIS P~RA A AREA EM ESTUDO.

111/15
Clima Xeroquimênico. É um clima tropical de a) Em Marabá, caracterizada pelas florestas den-
monção, caracterizado por um período seco na sa e aberta pelas áreas metassedimentares e
estação, menos quente (inverno) e por um sedimentares dos altos platôs.
período. úmido bem acentuado, nitidamente
marcado por chuvas torrenciais, na estação b) Em Tomé-Açu, caracterizada pela floresta
quente (verão). Esta subclasse apresenta na folha densa das áreas sedimentares dos baixos platôs, e
em questão, o Subgrupo Termoxeroquimênico pequenas manchas de vegetação de 'Cerrado;
Atenuado representado pela estação do Marabá.
c) Em Belém, caracterizada pela floresta densa
Clima Xeroquimênico em transição para Xero- dos baixos platôs do Terciário;
térico. É um clima tropical de monção, caracte-
rizado por um período seco na primavera e um d) Em Soure, caracterizada pela vegetação do
período úmido bem acentuado e nitidamente cerrado, formações pioneiras e pequenos nú-
marcado por chuvas torrenciais no fim do verão. cleos de floresta densa das áreas alagadas perma-
Esta subclasse climática apresenta o Grupo nentemente, e periodicamente inundadas, que
Termoxeroquimênico Atenuado (3,5 a 4 meses ocupam diferentes níveis de terraços observados
secos) em transição para Mesoxerotérico. na Ilha de Marajó.

Clima Termaxérico. É um clima equatorial, com 111) na direção aproximada sudoeste-nordeste


temperatura do mês mais frio superior a 2QOC, e (estações de Altamira, Cametá, Breves e Soure),
com chuvas de "Doldrum" influenciadas por os climas termoxeroquimênico atenuado para
duas frentes amazônicas que determinam a falta mesoxerotérico (Aitamira, Cametá e Soure) e
de período seco. Apresenta um período quente eutermaxérico (Breves). Esta diferenciação cli-
quase contínuo, com estações do ano pouco mática mostra em Altamira a vegetação que
marcadas ou mesmo inexistentes e com um vai de floresta densa a grandes manchas de
estado higrométrico muito elevado, superior a floresta aberta nas áreas metassedimentares e
85%. Esta subclasse climática, na área em es- sedimentares; em Cametá a floresta densa dos
tudo, apresente o Grupo Eutermaxérico. Numa baixos platôs e, pequenas manchas de cerrado,
análise comparativa das curvas ombrotérmicas em Breves, a floresta densa e em Soure a
com a vegetação observada, verificou-se: vegetação pioneira, cerrado e diminutos encraves
de floresta densa.
l) na direção aproximada leste-oeste (estações
de Belém, Breves e Porto de Moz), a presença de 2.3.3.- Disponibilidade de água e possibilidade
um bolsão superior úmido, com chuvas tor- de exploração agrícola. A utilização do solo nos
renciais sem período seco_caracterizado pelo diversos ramos da exploração humana depende
clima eutermaxérico. Neste corte bioclimático a do estabelecimento de suas condições hídricas,
vegetação permanece, praticamente, constante um dos mais importantes elementos do clima a
com a floresta d~nsa, variando apenas em função considerar. Entretanto para a sua estimativa não
da posição topográfica que ela ocupa. basta somente conhecer a quantidade de água
que o solo recebe da atmosfera. É necessário
11) na direção aproximada sul-norte (estações de considerar também as perdas de água do solo
Soure, Belém, Tomé-Açu, Marabá), os climas pela evaporação e aquela devido à transpiração
termoxeroquimênico atenuado (Marabá), termo- das plantas, fenômenos estes chamados de eva-
xeroquimênico atenuado em transição para me- potranspiração. O sistema de balanço hídrico de
soxerotérico (Tomé-Açu e Soure) e eutermaxé-
THORNTHWAITE e MATHER, que é o cotejo
rico (Belém). Esta diferença climática correspon-
de evapotranspiração e da precipitação, permite
de a d iferehça de vegetação:
estimar com apreciável exatidão a água dispo-
111/16
nível necessana dos trabalhos hidrológicos e Ocorre em quase metade da área, ocupando toda
outros ligados à economia de água na natureza. a porção central e extendendo-se de leste a
Na estimativa do balanço hídrico (Quadro) da oeste, com domínio quase completo do limite
área foram levados em consideração as estações leste. Manifesta-se, ainda, ao norte do Ama-
meteorológicas de Porto de Moz, Altamira, zonas, em maior extensão próximo aos rios Jari
Arumanduba, Belém, Igarapé Açu, Soure, Sali- e Paru.
I
CRET~CEO- Formação
nópolis, todos no Estado do Pará. Estes balanços
permitiram verificar a existência da variação das
ltapicuru- Constituí-
da por arenitos predominantemente vermelhos,
condições de umidade do solo dentro das locali-
finos, caolin íticos e por argilitos vermelhos,
dades compreendidas pelas estações meteoroló-
laminados, além de calcário margoso fossil ífero.
gicas citadas. Os excedentes de água sujeitos à
percolação variam de 573,1 mm em Altamira a Aparece a sudeste da área, próximo às cabecei-
1.635,8 mm em Soure, todas duas no Estado do ras do rio Capim.
Pará, onde o período seco de uma maneira geral
varia de agosto a dezembro, a não ser em CARBONI'FERO- Formação Jtaituba- Apre-
Altamira que vai de junho a novembro e em senta calcários, dolomitos e margas fossil íferas,
Belém que não possui período seco. As defici- arenitos calcíferos cinza e amarelo, folhelho com
ências variam de 0,0 mm em Belém a 522,5 mm camadas de calcário e lentes de anidrita.
em Salinópolis o que demonstra que a água
anualmente armazenada, de uma maneira geral, é Ocorre paralelamente e ao norte do rio Ama-
bastante variável, o que irá condicionar também zonas, desde as proximidades de Monte Alegre
até o rio Paru.
variáveis práticas de manejo para a utilização
agrícola racional do solo.
Formação Monte Alegre - Compreende arenito
fino a médio, com estratificação horizontal e
ocasionalmente cruzada com cores branca, ama-
2.4. Geologia e Material Originário rela e cinza.

O desenvolvi menta deste item baseou-se no A ocorrência desta formação restringe-se a uma
mapa geológico do Projeto RADAM, que se pequena faixa diagonalmente situada a sudoeste
apresenta como segue: da área.

QUATERNÁRIO- Representado por extensas DEVONIANO- Formação Curuá- Está cons-


áreas de aluviões que se estendem pelas margens tituída por folhelho e siltito micáceo, preto
do rio Amazonas, Tocantins e toda a Ilha de acinzentado e vermelho, bem laminado com
Marajá. camadas intercaladas de arenito fino a médio
bem selecionado, geralmente com estratificação
TERCIÁRIO- Formação Barreiras- Constituí- cruzada.
da por arenitos finos, siltitos e argilitos caol í-
nicos com lentes de conglomerado e arenito Duas ocorrências se fazem presentes. Uma delas
grosseiro, pouco consolidado até friáveis; em a sudoeste da área, em uma faixa estreita e
geral maciço ou horizontalmente estratificados, alongada na direção sudoeste-nordeste passando
ocasionalmente com estratificação cruzada em pela cidade de Altamira. A segunda, com a
cores vermelho, amarelo e branco. mesma orientação, ao norte do rio Amazonas.

111/17
SI LU R I A NO-DEVON I ANO- Formação 2.5.1. CERRADO -É predominantemente, uma
Penatecaua -Apresenta como componentes classe de formação dos climas quentes úmidos,
rochas básicas: basaltos e diabásios. com chuvas torrenciais bem demarcadas e perío-
dos secos. Caracterizada sobretudo por árvores
Sua ocorrência situa-se a sudoeste de Altamira, · tortuosas, de grandes folhas raramente deciduais,
localidade de Medicilândia, em superfície estrei- bem como por formas biológicas adaptadas aos
ta e alongada, orientada no sentido sudoeste- solos deficientes, profundos e aluminizados (AL-
nordeste. VIM et alii, ARENS; GOODLAND.).

SI LU R IANO- Formação Trombetas- Com- As subdivisões fisionômicas do cerrado foram


posta de arenito grosseiro, mal selecionado, com baseadas no modo como as árvores se distribuem
estratificação horizontal e camadas de folhelho e na região (VELOSO et alii, 1973), o que
conglomerado intercaladas, em cores branco e possibilita identificá-las em qualquer época do
amarelo. ano.

A ocorrência de maior significação localiza-se a a) Campo Cerrado - É uma formação sub-


noroeste da área, cortando transversalmente os c! ímax do grupo arbóreo, com pequenas árvores
rios Paru e Jari. Também aparece na região de esparsas (entre 2 e 5 metros de altura) esgalhadas
Altamira para sudoeste. e bastante tortuosas, dispersas sobre um tapete
graminoso contínuo de hemicriptófítas,
PR É-CAMBRIANO- Formação Tocantins- intercalado de plantas arbustivas e outras
Compreendendo xistos, filitos, quartzitos, ar- lenhosas rasteiras, em geral providas de xilo-
dósias, metagrauvacas e lentes de calcário cris- pódios (RICHID).
talino.
b) Parque - É uma Formação subcl ímax do
Ocorre na região de médio Tocantins, ao sul de Grupo arbóreo, caracterizada por amplas exten-
Tucuruí. sões campestres de forma graminóíde cespitosa,
vez por outra, por fanerófitas altas ou baixas,
Grupo Vila Nova- Constituído por quartzitos, geralmente de uma só espécie. Compõe a fisio-
xistos, fílitos, anfibolitos e horizontes ferríferos. nomia natural das áreas onde normalmente
ocorrem inundações periódicas, ou das áreas
De ocorrência restrita, em forma de alinhamen- encharcadas permanentemente.
tos a noroeste da área.
Contudo, a atividade agropastoril, associada, em
Complexo Guianense . e Complexo Xingu- regra, ao fogo anual, vem transformanelo exten-
Constituídos por migmatitos, gnaisses com raras sa·s áreas de campos cerrados em uma formação
intercalações de xistos, quartzitos e anfibolitos e discl ímax, onde algumas espécies arbóreas, que
granitos. O primeiro ocorre no extremo noroeste resistem ao fogo pela sua estrutura (casca cor-
da área e o segundo ao sul da região estudada. ticosa, xilopódios e outras adaptações xeromór-
ficas) formam uma fisionomia campestre com
gramíneas em tufos e grande quantidade de
2.5. Vegetação lenhosas rasteiras, entrelaçadas por palmeiras
anãs e árvores isoladas ou reunidas em pequenos
De acordo com o Setor de Vegetação do Projeto grupos (WARMING).
a cobertura vegetal da área compreende:

111/18
Dentro da classe de Formação cerrado, fazendo Na área, a floresta aberta apresenta-se com duas
parte da paisagem regional, encontram-se não ra- fisionomias ecológicas:
ras vezes, serpenteando os talvegues dos vales,
por onde correm perenes cursos d'água, refúgios a) Floresta latifoliada (Cipoal) - É uma Forma-
florestais autóctones, cujas espécies arbóreas me- ção arbórea total ou parcialmente envolvida por
sofoliadas, eretas, relativamente altas e finas, for- lianas, cujas feições, ditadas pela topografia,
mam densas galerias. mostram néls áreas aplainadas uma fisionomia
florestal bastante aberta, de baixa altura (excep-
Nessas condições, a floresta-de-galeria é um refú- cionalmente ultrapassando os 20 metros) e com-
gio florestal situado ao longo dos córregos da pletamente coberta por lianas lenhosas. Já nas
região do cerrado. áreas mais acidentadas, com estreitos vales ocu-
pados pelo babaçú e largas encostas cobertas
2.5.2. FORMAÇÃO PIONEIRAS- São as pri- pelo cipoal, as árvores são mais altas e mais den-
me iras fases do estágio sucessório nas regiões samente distribuídas, embora as lianas con-
ecológicas. tinuem a envolver maior parte da floresta. Nesta
feição, as poucas árvores realmente de porte
No presente caso, trata-se de dois tipos de área: estão afastadas umas das outras, e os cipós que
uma de influência marinha e outra de influência as envolvem misturam-se com os galhos daque-
fluvial. las, ficando pendentes num emaranhado de gros-
sos elementos sarmentosos. Advém daí a desig-
a) As áreas de influência marinha são constituí- nação de "cipoal",ou "mata de cipó", que aqui
das por uma vegetação litorânea de mangue, cu- se generalizou pará todas as fisionomiás, floresta
jas árvores têm pneumatóforos e raízes aéreas. aberta, de portes os mais variados, com profusão
de lianas.
b) As áreas de influência fluvial são caracteri-
zadas pelos conhecidos "campos de Marajá", e O "cipoal" constitui um anticlímax de evidên-
outros ao longo dos grandes rios, que apre- cias bioclimáticas ligada à provável flutuação cli-
sentam problema de hidromorfismo. mática mais seca (VELOSO et alii).

Estes campos graminosos, mantidos pelas cheias b) Floresta mista (Cocal)- É uma Formação
periódicas dos rios que divagam por numerosos mista de palmeiras e árvores latifoliadas sempre-
cursos d'água temporários, controlados pelas -verdes bem espaçadas, de altura bastante irre-
alté;ls marés que barram as águas dos maiores rios gular, apresentando grupamentos de babaçu nos
em suas embocaduras, estão, pela colmatagem vales rasos e concentração de latifoliadas deci-
em lençol, sendo substituído pela vegetação le- duais nos testemunhos quartz íticos das super-
n hosa já desenvolvida nas partes ligeiramente fícies aplainadas.
mais elevadas.
2.5.4. FLORESTA DENSA- É uma classe de
2.5.3. FLORESTA ABERTA- É predominan- Formação que, na grande região amazônica pode
temente, uma classe de formação dos climas ser considerada sinônimo da floresta ombrófila
quentes úmidos, com chuvas torrenciais bem de- tropical (conhecida também como pluvisilva,
marcadas por curto período seco. Caracteriza-se floresta tropical chuvosa, etc.)
sobretudo por grandes árvores bastante espa-
çadas, com freqüentes grupamentos de palmeiras Assim, a floresta densa dos climas quentes úmi-
e enorme quantidade de fanerófitas sarmentosas, dos e superúmidos, com acentuada diminuição
que envolve as árvores e cobrem o estrato in- das chuvas em determinadas épocas do ano, é
ferior.

111/19
caracterizada sobretudo por suas grandes ár- A cobertura florestal dessas áreas varia bastante
vores, por vezes com mais de 50 metros de em estrutura: é baixa (de 10 a 15 metros) nas
altura, que sobressaem no estrato arbóreo uni- cadeias de montanhas, pouco mais altas nos ou-
forme, entre 25 e 35 metros de altura. teiros (não mais de 20 metros) e bem pujante
(25 ou mais metros) nos interflúvios.
Esta subclasse de floresta, de acordo com a sua
distribuição espacial, diversifica-se em variações 2.5.5. FLORESTA SECUNDÁRIA-É uma
fisionômicas refletidas pela posição topográ- Formação proveniente da devastação da floresta,
fica que ocorre muitas vezes caracterizando-se por processos que vão desde o arrasamento da
por espécies autóctones dominantes. área para o estabelecimento da agricultura até a
retirada das árvores de valor econômico.
a) Floresta ombrófila aluvíal -É o Grupo de
Formação das áreas quaternárias aluviais, influ- Quando a floresta é arrasada e o terreno abando-
enciadas ou não pelas cheias dos rios; de estru- nado, ocorre a regeneração natural, em princípio
tura complexa, rica em palmeiras (como o aça í- com ervas e arbustos hei iófi los de larga distribui-
-Euterpe spp., e buritirana- Mauritia aculeata) e ção. Não havendo novas derrubadas, a capoeira
outras plantas rosuladas (como Heliconia). A flo- acaba dominada por arbustos grandes, árvores e
resta contém árvores emergentes providas de sa- palmeiras de rápido crescimento, que nascem de
popemas e com o tronco afunilado ou em forma sementes dispersas no terreno ou oriundas de
de botija (como é o caso da sumaumeira (Ceiba florestas vizinhas. O capoeirão, após alguns anos,
pentandra, Gaerthn). vai-se assemelhando à floresta primitiva, porém
nunca chega a se igualar com ela.
b) Floresta ombrófila dos platôs- É o Grupo
de Formação das áreas sedimentares altas ou bai- Quando a floresta que foi arrasada sofre queima-
xas. A estrutura da floresta é bastante uniforme, das, a maioria dos troncos e sementes morrem,
composta de árvores grossas e bem altas, sem ficando o solo modificado e prejudicado pelo
palmeiras e com raras lianas. Floresta de altitude fogo. A capoeira se reduz a espécies esclerófi las,
muitas vezes superior a 50 metros, possui grande tornando-se bem mais lenta a sucessão, e per-
número de emergentes, caracterizada sempre por manece anos nesse estado.
um ou dois dominantes. Não tem estrato arbus-
tivo, e as plantas de baixo porte aí encontradas a) Capoeírão latifo/iado -c- Encontra-se esta ve-
são, em sua maior parte, árvores jovens, em cres- getação nas áreas desmatadas que sofreram quei-
cimento, resultantes de matrizes próximas. madas; em geral, com número reduzido de espé-
cies como a imbaúba (Cecropia spp.) e o lacre
c) Floresta ombrófíla submontana -É o Gru- (Vismia spp.).
po de Formação das áreas Pré-Cambrianas aplai-
nadas, com testemunhos. Esses testemunhos, de
altura relativamente baixa, constituem Grupos
em forma de outeiros e colinas, ou ainda mais
dissecados.

111/20
QUADRO DOS BALANÇOS HÍDRICOS SEGUNDO THORNTHWAITE E MATHER
BASEADOS EM DADOS TERMOPLUVIOMÉTRICOS.

MÊS JAN FEV MAR ABR MAl JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ ANO

Estação: Pôrto "de Moz - Pará Lat. 01054' Long. 52013' lm =+ 45

p 157.7 259.8 324.5 352.9 338.6 226.0 168.8 80.6 70.0 53.7 43.0 98.8 2174.4
EP 129.3 108.3 118.6 120.0 128.5 123.8 126.5 138.0 137.0 147.0 146.3 145.2 1568.5
ER 129.3 108.3 118.6 120.0 128.5 123.8 126.5 138.0 112.6 53 7 43.0 98.8 1301.1
ARM 28.4 100.0 100.0 100.0 100.0 100 o 10QO 42.6 o o o o 671.0
EXC o 79.9 205.9 232.9 210.1 102.2 42 3 o o o o o 873 3
OEF o o o o o o o o 24.4 93.3 103.3 46 4 267.4

Estação: Altamira - Pará Lat. 030 12' Long, 520 45' lm=+ 19

p 221.5 271,8 350.1 289.9 159.4 98.2 41.4 27.1 30.2 44.0 65.5 106.0 1705.1
EP 127.2 114.0 124 8 121.0 132.6 128.7 123.4 1380 136.0 144 9 141.1 142.0 1573.7
ER 127.2 114.0 124.8 121.0 132.6 128.7 110.9 27.1 30.2 44.0 65.5 106.0 1132.0
ARM 94.3 100.0 100.0 100.0 100.0 69.5 o o o o o o 563.8
EXC o 152.1 225.3 168.9 26.8 o o o o o o o 573 1
OEF o o o o o o 12.5 110.9 105.8 100.9 75.6 36.0 441 7

Estação: Arumanduba - Pará Lat 010 32' Long.520 34' lm =+ 22

p 178.4 214.5 299.3 303.6 318.7 188.1 159.1 93.6 49.3 608 35 3 80.6 1981.3
EP 147.3 131.1 143.5 136.0 142.8 138.6 140.8 144.2 1430 151.2 151.4 151.6 1721.5
ER 147.3 131.1 143.5 136.0 142.8 138.6 140.8 144.2 98.7 60.8 35.3 80.6 1399.7
ARM 31.1 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 1000 49.4 o o o o 680.5
EXC o 14.5 155.8 167.6 175.9 49.5 18 3 o o o o o 581.6
OEF o o o o o o o o 44.3 90.4 116.1 71.0 321.8

Estação: Belém - Pará Lat. 010 28' Long, 480 29' lm =+ 80

p 317.2 413.4 436.3 382.0 264.5 163.9 160.3 113.0 118.7 105.7 94.4 200.7 2770 1
EP 127.2 112.1 122.7 121.0 128.5 124.7 127 5 129.8 126 o 136.5 139.0 137.8 1532.8
ER 127.2 112.1 122.7 121.0 128.5 124.7 127.5 129.8 126.0 136 5 139 o 137.8 1532,8
ARM 100.0 100.0 100.0 100.0 100 o 100.0 100 o 83.2 75 9 45.1 05 63.4 968,1
EXC 153.4 301.3 313.6 261.0 136.0 39.2 32.8 o o o o ·o 1237.3
DEF o o o o o o o o o o o o o
Estação: Igarapé Açu Pará Lat. 010 19' Long 470 37' lm =+ 83

p 252.7 334.4 482.6 351.7 269.9 209.7 158.3 142 9 57.8 35 8 24.8 46 8 2367.4
EP 118.7 99.0 106.1 102.0 110 2 102.0 105.1 108.2 111.0 1206 125.7 129.3 1337.9
ER 118.7 99.0 106.1 102 o 110 2 1020 105.1 108.2 111.0 82.6 24 8 46.8 1116.5
ARM 100.0 100.0 100.0 100.0 100 o 100.0 100 o 100 o 46 8 o o o 846.8
EXC 34.0 235.4 376.5 249.7 159.7 107.7 53.2 34 7 o o o o 1250.9
DEF o o o o o o o o o 38 o 100.9 82.5 221.4

Estação: Soure - Pará Lat. ooo 40' Long.480 33' lm =+ 82


p 299.9 578.9 627.2 556.0 288,3 170.2 149.8 84.0 34,4 17.1 161 93.5 2915.4
EP 146.3 115.9 129.0 130.0 139.0 135.6 138.7 145.2 144.0 154.4 152.4 154.8 1685.3
ER 146.3 115.9 129.0 130.0 139 o 135.6 138.7 145.2 73.2 17 1 161 93.5 1279.6
ARM 100.0 100.0 100 o 100.0 100.0 100.0 100.0 38.8 o o o o 738.8
EXC 53.6 463.0 498.2 426.0 149.3 34.6 11.1 o o o o o 1635.8
DEF o o o o o o o o 70.8 137.3 136 3 61.3 405.7

Estação: Salinópolis - Pará Lat.00° 39' Long. 480 33' lm =+ 45


p 207.2 399:9 435.0 414.8 265.6 142.4 1101 42.1 5.8 3.5 8.0 56.3 2090 7
EP 142.0 112.1 118.6 114.0 123.4 120.8 128.5 137.0 139.0 1480 146.3 149 5 1579.2
ER 142.0 112.1 118.6 114.0 123.4 120.8 128.5 123.7 5.8 3.5 8.0 56.3 1056.7
ARM 65.2 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 81.6 o o o o o 846.8
EXC o 253.0 316.4 300.8 142.2 21.6 o o o o o o 1034.0
DEF o o o o o o o 13.3 133.2 144.5 138.3 93 2 522.5

p Precipitação pluviométrica
EP Evapotranspiração potencial
ER Evapotranspiração real
ARM Água armazenada
EXC Excesso d'água
DEF Deficiência d'água

111/21
3. METODOLOGIA E DEFINIÇÃO DO LE-
VANTAMENTO

Na metodologia de escritório deste levantamento pequena escala utilizada, à dificuldade de acesso


pedológico regional, o primeiro trabalho a ser à área e a distribuição de alguns solos em relação
executado foi o da pesquisa bibliográfica que se a unidade de mapeamento.
refere ao existente publicado sobre o assunto na
área, vindo a seguir a interpretação preliminar O cálculo das áreas das diversas classes de apti-
sobre os mosaicos de imagem de radar, escala dão agrícola, foi efetuado utilizando-se um pla-
1:250.000, obtidas pelo Sistema Good Year de nímetro sobre o mapa na escala 1 :1.000.000, o
abertura sintética e visada lateral. que proporcionou a obtenção das áreas total e
porcentual das mesmas.
Após os trabalhos de campo, os mosaicos so-
freram uma reinterpretação utilizando-se os res- A fase final do trabalho de escritório consistiu
pectivos pares estereoscópicos das imagens dera- da interpretação dos dados analíticos, elabora-
dar, bem como fotografias infravermelhas (nega- ção do relatório final e a preparação dos mapas
tivo na escala 1 :130.000) e multiespectrais de para reprodução.
áreas não cobertas por nuvens. Utilizou-se tam-
bém informações de geologia e vegetação forne- A parte que se refere aos trabalhos de campo foi
cidas pelos respectivos Setores do Projeto. executada dentro de um planejamento, no qual a
primeira fase consistiu de viagens exploratórios
O delineamento final foi lançado sobre uma base para a confecção da legenda preliminar dos solos
cartográfica planimétrica fornecida pelo Setor de com suas respectivas fases.
Geocartografia do Projeto, o que possibilitou a
confecção do Mapa Exploratório de Solos, na Os percursos, nas poucas estradas que cortam a
escala 1 :1.000.000, a ser publicado em anexo. O área, permitiram também uma razoável correla-
Mapa de Aptidão Agrícola dos Solos, como uma ção entre imagens de radar e o solo, relevo, lito-
conseqüência do mapa de solos, foi também con- logia-material originário e vegetação, estudo este
feccionado na escala 1 :1.000.000 e consiste da que visou a identificação das unidades de solos e
interpretação para uso agrícola dos solos, utili- o estabelecimento das unidades de mapeamento.
zando-se um sistema de manejo primitivo ou tra-
dicional e outro sistema melhorado ou desenvol- Posteriormente, na interpretação preliminar dos
vido, preparados para serem apresentados em mosaicos das imagens de radar, foram selecio-
uma única folha, colorida, de acordo com a pa- nados pontos à serem visitados, os mais represen-
dronização para cada classe de aptidão agrícola, tativos dos ambientes (unidades do mapeamento
nos dois sistemas. preliminar), com uma densidade suficiente ao do
nível de levantamento e complexidade dos
Algumas generalizações cartográficas tiveram de mesmos, com a finalidade de identificação das
ser feitas no delineamento final, tendo-se o cui- classes de solos ou os componentes de uma asso-
dado, entretanto, de seguir o mais fielmente pos- ciação geográfica de solos constituintes das uni-
sível os limites previamente traçados. Alguns so- dades de mapeamento.
los, devido a sua pequena expressão de ocorrên-
cia e escala do mapeamento, não figuram no ma- Para o acesso a maioria dos pontos selecionados
pa final, porém são citados no texto como inclu- de verificaÇão pedológica utilizaram-se helicóp-
sões. As unidades de solos, na sua maioria, são teros, aviões e barcos. Foram alcançados, via de
representadas como associações, isto devido à regra, por caminhamentos ao longo de picadas

111/22
abertas na mata. De uma maneira geral o exame tratara de acetato de cálcio a pH 7.0/7.1. Poste -
do perfil do solo e a coleta de amostras foram riormente com cloreto de potássio Na pH 7,0,
feitos com o auxílio do trado de caneco tipo foi extraído o alumínio. O hidrogênio foi obtido
"ORCHARD". Trincheiras também foram aber- por diferença.
tas em sedes de fazendas,.nas áreas de maior de-
senvolvimento e nos locais das sub-bases de ope- O sódio e o potássio trocáveis foram obtidos por
ração. fotometria de chama.

Durante os trabalhos de campo, quando foram O cálcio e o magnésio permutáveis foram deter-
procedidas as caracterizações morfológicas dos minados pela extração com cloreto de potássio
perfis de solos, foram anotados também caracte- N a pH 7,0' e dosados por complexometria con-
rísticas de relevo, material originário e vege- juntamente.- A seguir o cálcio foi dosado isolada-
tação, por serem de primordial importância no mente e o magnésio obtido por diferença.
delineamento das unidades de mapeamento. Fo-
ram descritos e coletados perfis representativos O pH foi determinado em água e em KCL na
das diversas unidades de solos, e amostras para a proporção 1 :1.
determinação de fertilidade.
O fósforo assimilável foi obtido por espectrome-
Como material básico de campo utilizaram-se có- tria de absorção, medindo a coloração azul de-
pias "off-set" de mosaicos semicontrolados de ra- senvolvida pela reação dos fosfatos do solo com
dar, na escala 1 :250.000. molibidato de amônia em presença de um sal de
bismuto catalisador.
Na descrição detalhada dos perfis adotou-se, de
uma maneira geral, as normas e definições cons- Do complexo de laterização, a sílica foi deter-
tantes do Soil Survey Manual e do Método de minada pela medição da absorbância da solução
Trabalho -de Campo da Sociedade Brasileira da azu I, obtida pela redução do ácido ascórbico
Ciência do Solo. com o complexo sílica-moi íbdico formado pela
ação do molibidato de amônia sobre o Si02 do
As determinações analíticas foram assim pro- solo.
cessadas:
O Al 2 0 3 e F~ 0 3 são extraídos com H2 S04
Para a análise mecânica foi empregado método d = 14%. O Fe1 0 3 é dosado por dicromato-
da pipeta usando-se NaOH N como agente dis- metria empregando-se o cloreto estranhoso
persar. como redutor. O Al 2 0 3 é determinado por com-
plexometria através de titulação indireta com o
O carbono orgânico foi determinado por oxida- emprego de solução de sulfato de zinco para rea-
ção com bicromato de K em meio ácido e o gir com o excesso Na2 - EDTA e detizona.
nitrogênio pelo método de Kjeldahl, semimicro,
utilizando-se o ácido bórico a 4% e titulando-se As análises para a avaliação da fertilidade dos
o hidróxido de amônia por alcalimetria. solos foram feitas pelos métodos do
"I nternational Soil Testing". Estação Experi-
O hidrogênio o alumínio permutáveis tiveram a mental Agrícola da Universidade Estadual de Ca-
sua determinação utilizando-se uma solução ex- rolina do Norte (Boi. Téc. n9 3).

111/23
4. DESCRIÇÃO DAS UNIDADES TAXONO-
MICAS

Dentro das finalidades do estudo presentemente VALHO E OLIVEIRA e BASTOS, ou mesmo


executado, o fornecimento de informações ou SOMBROEK para a área da rodovia Belém-Bra-
dados básicos para planejamento do uso da terra sília.
em âmbito regional é proporcionado, até certo
ponto, pelo levantamento de solos ao nível ex- Os solos desta unidade são encontrados tanto
ploratório, adotado, no qual são apresentadas as nos platôs como nos terraços de menores cotas,
unidades taxonômicas em nível elevado de classi- havendo variação, neste caso, de textura de acor-
ficação. do com a sua situação topográfica e com o mate-
r i a I de origem, pois o mesmo pode aparecer
Na representação cartográfica pode parecer que constituído por sedimentos arenosos, argila-are-
houve uma excessiva riqueza de detalhes no tra- nosos, argilosos e muito argilosos. Os de textura
çado dos limites de mapeamento de áreas peque- muito argilosa são encontrados em relevo prati-
nas, mas tal contingência se deve à natureza do camente plano e suave ondulado, nas cotas mais
material básico (imagens de radar) que possibi- elevadas, o que corresponde às superfícies mais
1ita a localização de áreas diminutas, considera- antigas dos platôs, também em relevo pratica-
das muitas vezes de grande importância na parti- mente plano e suave ondulado ocorrem os de
cularização do relevo. textura média, aparecendo os de textura argilosa
em relevo suave ondulado e ondulado, sendo
Na área em estudo foram identificados e mapea- mais freqüente a ocorrência de Solos Concre-
dos os seguintes grand~s grupos de solos. cionários Lateríticos associados a este relevo e
portanto ao Latossolo Amarelo argiloso.

4.1. Latossolo Amarelo Distrófico A vegetação dominante é a de floresta sempre


verde pluvial tropical encontrando-se também
Esta unidade está caracterizada por possuir A áreas cobertas por vegetação secundária.
ócríco e B óxico em um perfil profundo de baixa
fertilidade natural e baixa saturação de bases. Apresentam perfil com seqüência de horizontes
Tratam-se de solos envelhecidos, ácidos a muito A, B e C, com uma profundidade que alcança
fortemente ácidos, de boa drenagem, e per- frequentemente mais de 200 em.
meáveis.
O horizonte A possui espessura variando de 20 a
O teor de argila no perfi I pode variar bastante, o 50 em, coloração nos matizes 10YR e 7.5YR,
que possibilita a diferenciação de solos com tex- com cromas que vão de 1 a 8 valores de 3 a 5,
tura média, nos quais o conteúdo de argila no para o solo úmido. A textura varia bastante e
horizonte B pode variar de 15 a 35%, com textu- pode aparecer desde areia franca até muito argi-
ra argilosa, em que o conteúdo de argila oscila losa, condicionando assim uma variação de con-
entre 35 e 60% e solos com textura muito argi- sistência que pode aparecer friável, não plástica a
losa, onde o teor de argila é superior a 60%. plástica e não pegajosa a pegajosa. A estrutura
Possuem cor nos matizes 1OYR e 7.5YR, com mais freqüente é a fraca pequena granular, muito
cromas e valores bastante altos no horizonte B, embora possa ocorrer a maciça e fraca pequena
onde domina o amarelo como é o caso dos solos subangular.
citados por VIEIRA et alii, por VIEIRA, CAR-

11\/24
o horizonte B, geralmente dividido em B1, B2 e O horizonte C de profundidade desconhecida
B 3 possui profundidade média superior a apresenta-se geralmente mais leve que o anterior
160 em e coloração nos mesmos matizes do hori- e com coloração aproximadamente nos mesmos
zonte A, somente com cromas variando de 4 à 8 cromas e valores já descritos.
valores de 5 a 6. A textura pode variar desde
franco arenosa a muito argilosa e consistência de Como variação desta unidade deve ser citado o
friável a firme, de ligeiramente plástico à muito Latossolo Amarelo imperfeitamente drenado, in-
plástico e de ligeiramente pegajoso a muito pega- termediário para Laterita Hidromórficéi, encon-
joso. A estrutura mais comum é a maciça, po- trado em área de relevo plano, da Planície Ama-
dendo aparecer também a fraca pequena su- zônica, nas proximidades de Abaetetuba.
bangular.

4.1.1. CARACTERIZAÇÃO MORFOLÚGICA E ANALfTICA DA UNIDADE

PERFIL N-9 1 FOLHA SB.23-V-A

Classificação- Latossolo Amarelo Distrófico textura muito argilosa

Localização- Estado do Maranhão, Município de Açailândia, km 38 da estrada Açailândia-Belém,


BR-01 O

Situação e Declive- Topo de chapada plana.

Formação Geológica e Litologia -Terciário. Formação Barreiras.

Material Originário- Sedimentos argilosos

Relevo Local - Plano

Relevo Regional - Praticamente plano

Drenagem - Bem drenado

Erosão - Nula

Vegetação- Floresta tropical sempre verde

Uso Atual-- Desmatamento nas margens da estrada para implantação de pastagem.

A1 O - 20 em; bruno amarelado (10YR 5/6, úmido); argila pesada; maciça; friável, muito
plástico e muito pegajoso; transição gradual e plana.

B1 20-50 em; bruno forte (7.5YR 5/8, úmido); argila pesada; maciça; friável, muito plástico e
muito pegajoso; transição gradual e plana.

111/25
821 20- 100 em; bruno forte (7.5YR 5/8, úmido); argila pesada; maciça; friável, muito plástico
e muito pegajoso; transição difusa e plana.

822 100-150 em; bruno forte (7.5YR 5/8, úmido); argila pesada; maciça; friável, muito plástico
e muito pegajoso; transição difusa e plana.

823 150 - 170 em; bruno forte (7.5YR 5/8, úmido); argila pesada; maciça; friável, muito
plástico e muito pegajoso.

Observação Ra (zes abundantes no A 1 e 8 1 , comuns no 8 21 , 8 22 e 8 23 •

111/26
PERFIL N? 1

LOCAL: Estado do Maranhão, Munic(pio de Açailãndia, km 38 Estrada da Açailândia - Belém,


BR- 010.
CLASSIFICAÇÃO: Latossolo Amarelo Distrófico textura muito argilosa.

Prof. % %
Protocolo
em
Horiz. Ki Kr -c 100AI
Si0 2 Alz03 Fe203 c N N AI+S

14159 0- 20 A, - - - - - 1,20 0,14 9 51

14160 20- 50 B, - - - - - 0,54 0,08 7 72

14161 50-100 Bz1 - - - - - 0,27 0,04 7 52

14162 100-150 Bzz - - - - - 0,22 0,03 7 53

14163 150-170 Bz3 - - - - - 0,17 0,03 6 57

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v PzOs


mg
Ca++ Mg++ K+ Na+ s H+ AI+++ %
I I I I I I T 100g

0,74 0,30 0,07 0,04 1,15 5,07 1,20 7,42 15 0,27

0,25 0,14 0,04 0,03 0,46 3,09 1,20 4,75 10 O, 11


0,15 0,35 0,03 0,03 0,56 2,37 0,60 3,53 16 O, 11
0,17 0,30 0,03 0,03 0,53 1,87 0,60 3,00 18 0,11

0,17 0,23 0,02 0,03 0,45 1,87 0,60 2,92 16 0,11

pH COMPOSIÇÃO GRANULOM~TRICA % Grau de

HzO I KCI Calhau Cascalho


>20mm 20·2mm
J I Areia
grossa I
Areia
fina I Silte
I
Argila
total 1 Argila
nat.
floculação
%

4,1 3,8 o 13 2 1 17 80 20 75

4,3 4,0 o 15 1 1 12 86 1 99

4,8 4,2 o 12 1 1 11 87 X 100


5,0 4,3 o 7 1 1 18 80 X 100
4,9 4,3 o 17 1 1 22 76 X 100

ANÁLISE: IPEAN

111/27
PERFIL N9 2 FOLHA SA.22-Z-B

Classificação- Latossolo Amarelo Distrófico textura argilosa

Localização- Estado do Pará, km 22, estrada Tomé-Açu-Paragominas

Situação e Declividade- Perfil coletado com trado caneco em área plana com 0-2% de declive

Formação Geológica e Litologia- Terciário Formação Barreiras

Material de Origem -Sedimentos argilosos

Relevo Local - Plano

Relevo Regional- Plano e suave ondulado

Drenagem - Bem drenado

Erosão - Praticamente nula.

Vegetação- Vegetação secundária

Uso Atual- Sem utilização agrícola no local do perfil e regionalmente para uso de cultura de pimen-
ta-do-reino.

O - 10 em; bruno acinzentado muito escuro (10YR 3/2, úmido); franco argilo arenoso;
fraca pequena granular; muito friável, plástico e ligeiramente pegajoso; transição plana e
gradual.

10- 35 em; bruno amarelado (10YR 5/4, úmido); franco argiloso; fraca pequena granular;
friável, plástico e pegajoso; transição plana e gradual.

B1 35- 55 em; bruno amarelado (10YR 5/5, úmido); argila; maciça porosa; friável, plástico e
pegajoso; transição plana e difusa.

55 - 85 em; amarelo brunado (10YR 6/6, úmido); argila a argila pesada; matiça porosa;
friável a firme, muito plástico e muito pegajoso; transição plana e difusa.

85- 130 em+; amarelo brunado (10YR 6/6, úmido); argila; maciça porosa; friável a firme,
muito plástico e muito pegajoso.

Observação: Ra(zes finas e médias abundantes no A 1


Ra(zes finas comuns no A 3

111/28
PERFIL N~ 2

LOCAL: Estado do Pará, km 22, Estrada Tomé-Açu- Paragominas.

CLASSIFICAÇÃO: Latossolo Amarelo Distrófico textura argilosa.

Prof. % %
Protocolo
em
Horiz. Ki Kr -c 100AI
Si0 2 AI203 Fe203 c N N AI +S

14771 0- 10 At - - - - - 3,02 0,21 14 30

14772 10- 35 A3 - - - - - 0,70 0,08 9 17

14773 35- 55 8t - - - - - 0,45 0,05 9 28

14774 55- 85 821 - - - - - 0,36 0,05 7 44

14775 85-130 822 - - - - - 0,35 0,04 9 27

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v PzOs


m9
s AI+++ %
Ca++
I Mg••
I K+ Na+
I I
H+
I I T 100g

5,10 1,05 0,15 0,03 6,33 5,57 0,20 12,10 52 0,27

1,50 0,32 0,05 0,02 1,89 3,39 0,40 5,68 33 0,11

0,73 0,22 0,03 0,02 1,00 3,39 0,40 4,29 21 < 0,11

0,52 0,17 0,03 0,02 0,74 2,37 0,60 3,71 20 < 0,11

1,20 0,32 0,03 0,02 1,57 2,37 0,60 4,54 35 < 0,11

pH COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA % Grau de

I I I floculação
H20 KCI Calhau Cascalho
>20mm 20-2mm
Areia
grossa I
Areia
fina I Silte
I
Argila
total 1 Argila
nat.
%

5,4 4,8 o 9 33 12 33 22 10 55

5,2 4,2 o 15 25 15 23 37 2 95

4,9 4,0 o 9 18 10 17 55 32 42

5,0 4,0 o 12 17 8 18 62 X 100

5,1 4,4 o 18 11 6 24 59 1 98

ANÁLISE: IPEAN

111/29
PERFIL N~3 FOLHA SA.22-V-D

Classificação- Latossolo Amarelo Distrófico textura média

Localização- Estado do Pará, Porto de Móz, próximo ao campo de pouso, ponto 114.

Situação e Declividade- Parte aplainada, com 0-2% de declive

Formação Geológica e Litológica- Terciário, Formação Barreiras

Material Originário- Sedimentos arena-argilosos

Relevo Local - Plano

Relevo Regional - Plano

Drenagem - Acentuadamente drenado

Erosão - Praticamente nula

Vegetação- Floresta

Uso Atual - Culturas de mandioca, feijão, milho e exploração de madeiras.

O - 20 em; bruno acinzentado muito escuro (10YR 3/2, úmido); franco arenoso; grãos
simples e fraca muito pequena granular; solto, muito friável, não plástico e não pegajoso;
transição plana e gradual.

20- 35 em; bruno (10YR 4/3, úmido); franco argilo arenoso; maciço porosa com aspecto
de fraca pequena granular; muito friável; ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso; tran-
sição plana e gradual.

81 35 - 50 em; bruno amarelado (10YR 5/4, úmido); franco argilo arenoso; maciça porosa
com aspecto de fraca pequena granular e blocos subangulares; friável, ligeiramente plástico e
ligeiramente pegajoso; transição plana e difusa.

50 - 80 em; bruno amarelado (10YR 5/6, úmido); franco argilo arenoso; maciça porosa
com aspecto de fraca pequena granular e blocos subangulares; friável, ligeiramente plástico e
ligeiramente pegajoso; transição plana e difusa.

80- 140 em+; amarelo brunado (10YR 6/6, úmido); franco argilo arenoso; maciça porosa
com aspecto de fraca pequena granular e blocos subangulares; friável, ligeiramente plástico e
ligeiramente pegajoso.

111/30
PERFIL N9 3

LOCAL: Estado do Pará, Porto de Móz, próximo ao campo de pouso, pt 114.

CLASSIFICAÇÃO: Latossolo Amarelo Distrófico textura média.

Prof. % %
Protocolo
em
Horiz.
Si02 AI203 Fe 20 3
Ki Kr
c N
-Nc 100AI
AI+S

11983 0- 20 A1 - - - - - 1,66 0,10 17 86

11984 20- 35 A3 - - - - - 1,12 0,07 16 82

11985 35- 50 81 - - - - - 0,45 0,03 15 74

11986 50- 80 821 - - - - - 0,19 0,02 10 71

11987 80-140 822 - - - - - O, 11 0,01 11 52

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v P20s


ma
Ca++
l Mg++
) K+ Na+
l s
I H+
I AI+++
I T %
100g

0,15 0,05 0,08 0,03 0,31 7,67 1,90 8,17 4 < 0,46

0,15 0,05 0,06 0,03 0,31 5,53 1,40 7,24 4 0,46

0,10 0,10 0,05 0,03 0,28 2,33 0,80 3,41 8 0,46

0,15 0,05 0,05 0,02 0,27 1,15 0,50 1,65 16 < 0,46
0,15 0,05 0,05 0,03 0,28 1,18 0,30 1,76 16 < 0,46

pH COMPOSIÇÃO GRANULOMr;TRICA % Grau de

H20 I KCI Calhau Cascalho


>20mm 20-2mm
l J Areia
grossa I
Areia
fina I Silte
I
Argila
total I
Argila
nat.
floculação
%

4,7 3,7 - - 50 16 15 19 4 79
4,7 4,0 - - 41 18 15 26 11 58
4,9 4,0 - - 38 20 15 27 11 59
5,0 4,1 - - 41 17 15 27 X 100
5,3 4,2 - - 37 19 15 29 X 100

ANÁLISE: IPEAN

111/31
PERFIL N? 4 FOLHA SA. 22-X-D

Classificação- Latossolo Amarelo Distrófico textura média intermediário para Laterita Hidromórfica

Localização- Estado do Pará, Município de Abaetetuba, km 23 estrada Abaetetuba- Barcarena

Situação e Declividade- Perfil de trincheira, com' 0-3% de declive

Formação Geológica e Litologia- Terciário, Formação Barreiras

Material Originário- Sedimentos arena-argilosos

Relevo Local - Plano

Relevo Regional - Plano a suave ondulado

Drenagem- Imperfeitamente drenado

Erosão - Nula

Vegetação- Vegetação secundária

Uso Atual - Desmatado para lavoura. Cultura de mandioca nas proximidades.

O- 15 em; bruno acinzentado (10YR 4.5/2, úmido); areia; fraca pequena granular e grãos
simples; solto, não plástico e não pegajoso; transição plana e gradual.

15- 47 em; coloração variegada composta de bruno amarelado claro (10YR 6/4, úmido) e
cinzento brunado claro (10YR 6/2, úmido); franco arenoso pesado; fraca pequena granular;
ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso; transição plana e difusa.

47- 84 em; coloração variegada composta de bruno amarelado claro (10YR 6/4, úmido) e
bruno amarelado (10YR 5/8, úmido); franco argilo arenoso; maciça porosa; friável, ligei-
ramente plástico e ligeiramente pegajoso; transição plana e difusa.

84- 130 em; bruno amarelado claro (10YR 6/4, úmido); mosqueado muito pouco pequeno
e proeminente bruno forte (7.5YR 5/8, úmido); franco argilo arenoso; maciça porosa;
friável; ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso; transição plana e difusa.

130- 170 em; amarelo brunado (10YR 6/6, úmido), mosqueado muito pouco pequeno e
proeminente bruno forte (7.5YR 5/8, úmido); franco argila arenoso; maciça porosa; friável,
ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso.

Observação Raízes abundantes e finas no A;_comuns no A 3 ; poucas no B 1 e B21 Atividade biológica


intensa no A 1 e A 3 •

111/32
PERFIL N9 4

LOCAL: Estado do Pará, Munidpio de Abaetetuba km 23 Estrada Abaetetuba - Barcarena.

CLASSIFICAÇÃO: Latossolo amarelo distrófico textura média intermediária para Laterita Hidromórfica .

Prof. % %
Horiz. Ki Kr
c
-- 100AI
Protocolo
em Si02 Al 20 3 Fe 2 0 3 c N N AI +S

14740 0- 15 At - - - - - 0,49 0,05 10 31

14741 15- 47 A3 - - - - - 0,30 0,03 10 61

14742 47- 84 Bt - - - - - 0,16 0,02 8 72


14743 84-130 821 - - - - - 0,14 0,02 7 75

14744 130-170 822 - - - - - 0,13 0,02 7 31

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v P20s


m9
Ca++
I
Mg++
1
K+ Na+
I s
I
H+
l AI+++
l T %
100g

1,10 0,12 0,03 0,03 1,28 2,37 0,60 4,25 30 0,43

0,28 0,06 0,02 0,03 0,39 2,37 0,60 3,36 12 0,24

0,12 0,03 0,03 0,05 0,23 2,04 0,60 2,87 8 0,24

0,12 0,03 0,02 0,03 0,20 1,71 0,60 2,51 8 0,22

0,08 0,05 0,03 0,03 0,19 1,05 0,60 1,84 10 0,22

pH COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA % Grau de


floculação
I I I
H20 KCI Calhau Cascalho
>20mm 20-2mm
Areia
grossa I
Areia
fina I Silte
Argila
total l Argila
nat.
%

4,7 4,0 o 20 43 35 13 9 1 89

4,7 4,0 o 11 32 31 17 20 14 30

4,6 4,0 o 11 28 33 13 26 3 88

4,6 4,0 o 11 30 32 12 26 X 100

4,6 4,1 o 21 31 28 15 26 X 100

ANÁLISE: IPEAN

111/33
4.2. Latossolo Vermelho Amarelo Distrófico me I ho-Amarelos, no contrato Pré-Cambriano e
Formação Barreiras, ao sul da área.
Com A ócrico e B óxico {latossólico) os Latos-
solos Vermelho-Amarelos, são solos profundos, São encontrados em relevo suave ondulado, on-
com relação textura! em torno de 1,0, fertilidade dulado e forte ondulado, sob vegetação de flo-
natural baixa e saturação de bases também bai- resta.
xa, a semelhança do que cita LEMOS et ali i para
o Estado de São Paulo, VIEIRA et alii para a O horizonte A apresenta espessura média de
Zona Bragantina e SANTOS et ali i para a área do aproximadamente 40cm, coloração em 10YR
Núcleo Colonial de Gurguéia. Tratam-se de solos principalmente, com cromas variando de 2 a 3 e
em coloração variando de bruno a bruno amare- valores de 3 a 5. A textura pode variar de areia
lado, nos matizes 10YR e 7.5YR no horizonte A franca à argila, a consistência é friável, não plás-
e bruno forte a vermelho amarelado princi- tico a plástico e não pegajoso a pegajoso. A es-
palmente no matiz 7.5YR, no horizonte B. trutura apresenta-se quase sempre fraca pequena
subangu lar e granular, podendo aparecer tam-
Possuem perfil, A,B e C, friável, bastante poroso, bém maciça.
permeável, com estrutt:Jra pouco desenvolvida,
sendo esta uma das características morfológicas O horizonte B cuja profundidade média é supe-
de classificação desta unidade. rior a 150 em, possui coloração nos matizes
10YR e 7.5YR com cromas e valores bastante
Oco r rem principalmente em terrenos de For- altos. A textura pode variar de franco arenoso à
mação Trombetas (arenito grosseiro mal selecio- argila, a consistência de friável a firme, de ligeira-
nado com estratificação horizontal e camadas de mente plástico a plástico e de ligeiramente pega-
folhelhos e conglomerados) e rochas do Comple- joso a pegajoso. A estrutura dominante é a maci-
xo Guianense (migmatitos, gnaisses e granitos) ça.
ao norte do rio Amazonas.
O horizonte C é de profundidade desconhecida e
Aparecem, ainda, associados aos Podzólicos Ver- apresenta-se mais friável e de textura mais leve
do que o horizonte sobrejacente.

4.2.1. CARACTERIZAÇÃO MORFOLóGICA E ANALI"TICA DA UNIDADE.

PERFIL N? 5 SA.22-V-A

Classificação- Latossolo Vermelho Amarelo Distrófico textura argilosa

Localização- Estado do Pará, Município de Prainha, margem direita do rio Paru,pt 128.

Situação e Declividade- Encosta com 5-8% de declive

Formação Geológica e Litologia- Pré-Cambriano Gnaisses

Material Originário- Rochas gnaissicas ácidas

Relevo local- Ondulado

111/34
Relevo Regional- Ondulado

Drenagem - Bem drenado

Erosão- Laminar ligeira

Vegetação - Floresta

Uso Atual - Extrativismo de castanha e láte?<.

O- 10 em; bruno escuro (10YR 4/3, úmido); franco argiloso; moderada grande granular;
friável, plástico e pegajoso; transição plana e clara.

10-30 em; bruno amarelo (10YR 5/4, úmido); argila; fraca pequena blocos subangulares;
cerosidade pouca e fraca; friável, plástico e pegajoso; transição plana e gradual.

30 - 60 em; bruno forte (7.5YR 5/6, úmido); argila; fraca pequena blocos subangulares;
cerosidade pouca e fraca; friável, plástico e pegajoso; transição plana e gradual.

60 - 90 em, bruno forte (7.5YR 5/6, úmido); argila; fraca pequena blocos subangulares;
friável, plástico e pegajoso; transição plana e gradual.

90- 120cm+; bruno forte (7.5YR, 5/6, úmido); argila; maciça; friável, plástico e pegajoso.

Observações Camada de seixos de quartzo e concreções transportadas a 90 em.

111/35
PERFIL N'? 5
LOCAL: Estado do Pará, Município de Prainha, margem direita do Rio Paru, pt 128.

CLASSIFICAÇÃO: Latossolo Vermelho Amarelo Distrófico textura argilosa.

Prof. % %
c
l
100 AI
Protocolo
em
Horiz. Ki Kr --
Si0 2 AI203 Fe 2 0 3 c N N AI +S

12437 0- 10 At - - - - - 1,68 O, 14 12 77
12438 10- 30 8t - - - - - 1,09 0,09 12 79

12439 30- 60 821 - - - - - 0,66 0,05 13 77


12440 60- 90 822 - - - - - 0,44 0,04 11 79

12441 90-120 823 - - - - - 0,32 0,04 8 76

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v P20s


mg
Ca++
I
Mg++
I
K+ Na+
l s
l H+
I
AI+++
I T %
100g

0,20 0,20 0,08 0,06 0,54 6,45 1,80 8,79 6 0,69

0,10 0,20 0,06 0,04 0,40 4,27 1,50 6,17 6 < 0,46

0,10 0,20 0,05 0,03 0,38 2,99 1,30 4,67 8 0,46

0,10 0,10 0,05 0,02 0,27 2,30 1,00 3,57 8 0,46

0,15 0,05 0,05 0,03 0,28 2,40 0,90 3,58 8 0,46

pH COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA % Grau de

I l floculação
H20 I KCI Calhau Cascalho
>20mm 20-2mm
Areia
grossa
l Areia
fina
l Silte
Argila
total I
Argila
nat.
%

4,2 3,8 - - 25 5 30 40 20 50

4,6 4,0 - - 21 5 19 55 3 95

4,6 4,0 - - 19 5 25 51 X 100

4,8 4,0 - - 16 2 24 58 X 100

5,0 4,1 - - 20 5 22 53 X 100

ANÁLISE: IPEAN

111/36
PERFIL N'? 6 FOLHA SA.22-V-A

Classificação- Latossolo Vermelho Amarelo Distrófico pl íntico textura média

Localização - Território Federal do Amapá, Município de Mazagão, Sub-Base Carecurú, margem


esquerda do rio Jari, pt. 130 B.

Situação e Declividade- Terraço do rio Jari com declividade nula.

Form~ção Geológica e Litologia- Ouaternário-Holoceno. Aluviões

Material Originário- Aluviões arena-argilosos

Relevo Local - Praticamente plano.

Relevo Regional - Praticamente plano

Drenagem- Moderada a imperfeitamente drenado

Erosão- Nula

Vegetação- Floresta

Uso Atual - Nunhum

O- 15 em; bruno acinzentado escuro (10YR 4/2, úmido); franco arenoso; fraca pequena e
média granular; muito friável, ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso; transição plana e
clara.

15- 40 em; bruno (10YR 5/3, úmido); franco arenoso; maciça; muito friável, ligeiramente
plástico e ligeiramente pegajoso; transição plana e gradual.

40- 120 em; bruno (10YR 5/3, úmido); franco argila arenoso; maciça; friável, plástico e
pegajoso; transição plana e gradual.

120- 150 em; cinzento (10YR 6/1, úmido), mosqueado pouco pequeno e proeminente
vermelho (2.5 YR 5/8, úmido); franco argila arenoso; maciça; friável, plástico e pegajoso.

111/37
PERFIL N? 6

LOCAL: Território Federal do Amapá, Mazagão, pt 130 8.

CLASSIFICAÇÃO: Latossolo Vermelho Amarelo Distrófico plíntico textura média.

Prof. % %
-c-
100 AI
Protocolo Horiz. Ki Kr
em Si0 2 IAl 20 3 I Fe203 c N N AI +S

12457 0- 15 AI - - - - - 0,90 0,09 10 59

12458 15- 40 A3 - - - - - 0,37 0,04 9 82

12459 40-120 821 - - - - - 0,18 0,02 9 82

12460 120-150 822 - - - - - O, 11 0,01 11 77

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v P20s


mg
[~-;+++
Ca++
I
Mg++
I
K+ Na+
I s
J H+
I T %
100g

0,40 0,30 O, 10 0,02 0,82 4,08 1,20 6,10 13 0,46

0,15 0,05 0,06 0,02 0,28 2,66 1,30 4,24 7 0,46

O, 15 0,05 0,06 0,02 0,28 1,67 1,30 3,25 9 0,46

0,20 0,10 0,06 0,02 0,38 1,01 1,30 2,69 14 < 0,46

pH COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA % Grau de

I Calhau Cascalho I I Areia Areia Argila Argila


floculação
H20 KCI
>20mm 20·2mm grossa I fina I Silte
I total J nat.
%

4,2 3,7 - - 13 46 29 12 1 92

4,4 4,0 - - 11 41 33 15 12 20

4,5 3,9 - - 9 40 29 22 19 14

4,7 3,9 - - 8 41 25 26 X 100

ANÁLISE: IPEAN

111/38
4.3. Latossolo Vermelho Escuro Distrófico O horizonte C, de espessura variável, alcançando
por vezes mais de 1OOcm, pode apresentar-se
Esta unidade taxonômica é constituída por solos ou não subdividindo em C1 e C2 , com coloração
com A fraco (ócrico) e B latossólico (óxico) de predominando cores vermelho e vermelho ama-
textura argilosa, profundos, bem drenados, relado. A textura é normalmente argila e a estru-
muito porosos, coloração predominante verme- tura é geralmente maciça.
lho acinzentado escuro, moderadamente ácidos,
relacão textual (B/A) da ordem de 1,O e relação
mol~cular Si0z/Aiz03 (l<i) em torno de 2,0 e 4.4. latossolo Roxo Eutrófico
Si0 2 I Al 2 03 + Fez 03 (I< r) baixo.
Estes solos estão caracterizados principalmente
Os perfis desta unidade apresentam sequência de por possuírem, na área, cor dominante bruno
horizontes A,B e C com espessura média supe- avermelhado escuro no horizonte A e vermelho
rior a 300cm, muito fraca diferenciação de hori- escuro acinzentado no B, matiz 10R, e perfil
zontes e transições difusas entre os mesmos. com estrutura pouco desenvolvida e pequena di-
ferenciação morfológica entre seus horizontes.
O horizonte A apresenta espessura de 30 a Morfologicamente o Latossolo Roxo se asse-
50cm, subdividido sempre em A 1 e A 3 , com co- melha ao Latossolo Vermelho Escuro, entre-
res vermelho escuro acinzentado e bruno aver- tanto, difere na coloração. A diferença de co-
melhado escuro nos matizes10R e 2.5YR, predo- loração se deve a que o Latossolo Roxo geral-
minando matiz 2.5YR comvalores de 2 a 3 e cro- mente é de formação "in situ", pela intemperi-
mas 3 a 4. Apresentam textura de classe argila zação de rocha básica que possui mineral rico em
arenosa a argila, estrutura granular variando ferro, e por o Latossolo Vermelho Escuro ter a
quanto ao tamanho de muito pequena a média e sua origem a partir de outros materiais onde o
quanto ao grau de desenvolvimento, de fraca a conteúdo de ferro é menor.
moderada, e a consistência quando seca é Iigei ra-
mente duro a duro, quando úmido muito friável Como principais características de diferenciações
a friável e quando molhado plástico e pegajoso. desta unidade temos pequena variação de cor en-
tre horizontes, distribuição mais ou menos uni-
O horizonte B apresenta espessura que varia de forme de textura no perfi I, grande d ificu Idade de
150 a 300 em, subdividindo-se comumente em diferenciação dos horizontes, presença abundan-
B1 , Bz 1 , B22 e B3 , com cores vermelho escuro te de poros e de minerais PE?Sados, mui tos dos
ou vermelho escuro acinzentado, nos matizes quais são atraídos pelo ímã, a semelhança dos
2.5YR e 10R, comvalorconstantede3ecroma solos descritos por CLINE no Havaii, aos por
variando de 4 a 8. A textura apresenta-se como BACHALI ER no Cameroun (África) ou mesmo
argila e a estrutura é invariavelmente maciça os Nipe Clay descritos em Cuba.
porosa pouco coerente, que em alguns casos se
desfaz em fraca, mui to pequena granular ou sub- Estes solos são encontrados na porção sudoeste
granular. A consistência varia de macio a ligei- da área e desenvolvidos sobre rochas básicas e
ramente duro quando seco, de muito friável a u ltrabásicas, associados à Terra Roxa Estru-
friável quando úmido, e de plástico a muito plás- turada Eutrófica e Brunizem Avermelhado.
tico e pegajoso a muito pegajoso quando molhado.

111/39
4.4.1. CARACTERIZAÇÃO MORFOLOGICA E ANALfTICA DA UNIDADE

PERFIL N? 7 (IPEAN)

Classificação- Latossolo Roxo Eutrófico textura muito argilosa

Localização- Estado do Pará, entre Altamira e ltaituba na Rodovia Transamazônica, Km 102.

Situação e Declividade- Elúvio

Formação Geológica e Litologia- Triássico Médio. Rochas efusivas básicas.

Material Originário- Decomposição de rochas eruptivas básicas

Relevo Local - Ondulado

Relevo Regional- Ondulado e/ou forte ondulado

Drenagem - Bem drenado

Erosão- Laminar ligeira

Vegetação - Floresta de cipoal com babaçu

Uso Atual - Cobertura vegetal natural

A O- 20cm; bruno avermelhado escuro (5 YR 3/4, úmido); argila; fraca pequena granular;
friável, plástico e ligeiramente pegajoso; plana e difusa.

s2 53-150cm;vermelhoamarelado (5 YR 4/6 úmido); argila pesada; fraca pequena e média


subangular rompendo-se em grãos simples; friável, plástico e pegajoso.

111/40
PERFIL N? 7

LOCAL: Estado do Pará, entre Altamira e ltaituba na Rodovia Transamazônica, km 102.

CLASSIFICAÇÃO: Latossolo Roxo Eutrófico textura muito argilosa.

Prof. % %
Protocolo Horiz. Ki Kr -c- 100AI
em Si0 2 Al 20 3 Fe 20 3 c N N AI+S

9187 0- 20 A 18,33 14,96 18,85 2,09 1,16 1,60 0,19 8 o


9188 20- 53 8t 21,94 17,43 20,57 2,13 1,22 1,03 0,14 7 o
9189 53- 81 821 22,60 19,28 21,57 2,02 1,17 0,62 0,09 7 o
9190 81-122 822 24,16 20,21 24,25 2,03 1,15 0,34 0,06 6 o
9191 122-150 823 21,02 19,96 23,95 1,73 1,02 0,29 0,04 7 o
9192 150-180 83 23,60 20,53 23,88 1,95 1,12 0,28 0,04 7 o
COMPLEXO SO.RTIVO mE/100g v P20s
m9
Ca++
I
Mg++
.~ K+ Na+
I s
I
H+
I AI+++
I T %
100g

5,52 1,79 0,29 0,05 7,65 2,29 0,00 9,94 77 0,21


3,08 1,00 0,30 0,05 4,43 3,34 0,00 7,77 57 0,14
2,40 0,93 0,06 0,04 3,43 3,33 0,00 6,76 51 0,14
1,42 0,88 0,03 0,03 2,36 0,71 0,00 3,07 77 0,14
1,32 0,83 0,03 0,04 2,22 0,70 0,00 2,92 76 0,21
1,05 1,00 0,04 0,04 2,13 0,87 0,00 3,00 71 0,31

pH COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA % Grau de


floculação
I KCI Calhau JCascalho I Areia Areia Argila Argila
H20 >20mm 20·2mm grossa I fina I Silte
I total I nat.
%

6,2 5,6 - - 13 17 24 46 32 31
5,2 4,9 - - 10 15 17 58 6 90
5,6 5,5 - - 9 13 19 59 X 100
5,7 6,0 - - 7 11 18 64 X 100
5,6 6,0 - - 7 12 13 68 X 100
5,5 5,8 - - 7 6 21 66 X 100

ANÁLISE: IPEAN - Solos da Rodovia Transamazônica.

111/41
4.5. Terra Roxa Estruturada Eutrófica e Dis- tipo A, 8 e C, onde domina a cor no matiz
trófica 2.5YR no horizonte A e 10R no horizonte 8, e
cromas baixos. Possuem boa fertilidade natural e
Nesta unidade taxonômica foram englobados so- saturação de bases bastante elevada. Ocorre tam-
los desenvolvidos sobre materiais ricos em mine- bém na área Terra Roxa Estruturada Distrófica.
rais ferro-magnesianos, que pela coloração se as-
semelham ao Latossolo Roxo e solos desenvolvi- O horizonte A, subdividido em Ap ou A 1 e A3,
dos sobre outros materiais de origem menos ri- possui espessura de aproximadamente 30 em; a
cos em minerais ferro-magnesianos que, portan- coloração varia de bruno avermelhado escuro e
to, diferem na coloração e nos teores de óxido vermelho escuro acinzentado, com matizes 5 YR
de ferro. Possuem uma espessura média em tor- e 2.5 YR, tendo valores e cromas baixos, entre 3
no de 150 em. e 4; a textura pertence à classe franco argila are-
nosa ou argila; estrutura moderada média granu-
A palavra estruturada, que vem de sua caracteri- lar, sendo que o A 3 , pode apresentar estrutura
zação popular Terra Roxa Estruturada se deve à em blocos subangulares; a consistência quando
estrutura subangu lar bem desenvolvida encontra- seco varia de ligeiramente duro a duro, de friável
da principalmente ho horizonte 8, quando o a fi r me quando úmido e plástico e pegajoso
solo acha-se seco, sendo esta uma das mais co- quando molhado; a transição para o horizonte 8
muns características difere.nciadoras desta uni- geralmente é plana e gradual, ou em alguns casos
dade. clara.

As principais características destes solos são as O horizonte 8, com espessura variando de 90


de possuir 8 textura!, cerosidade desenvolvida a 130 em, normalmente subdividido em 8 1 , 8 2 e
no. horizonte 8 revestindo as unidades estru- 8 3 ; a cor está entre vermelho-amarelado e ver-
turais, relativa dificuldade de diferenciação dos melho escuro acinzentado, com matiz variando
horizontes, grande estabilidade de microagrega- de 5YR a 10R, predominando mais vermelho
dos, efervescência com H 2 0 3 devido a pre- que 2.5YR, com valores 3 a 5 e cromas entre 5 e
sença de manganês e abundância de minerais mag- 6; possui textura da classe argila; a. estrutura é
néticos sendo esta última a dos solos desenvol- moderada pequena e média em blocos subangu-
vidos sobre rocha básica e ultrabásica. Tratam-se 1ares, apresentando sempre cerosidade comum
de solos semelhantes aos descritos por LEMOS entre as superfícies estruturais; a consistência va-
et ali i para o Estado de São Paulo, aos descritos ria de duro a muito duro, quando seco, friável a
por SHERMAN e ALEXANDRE, aos citados firme quando o solo está úmido e plástico e pe-
por CLINE para o Hawaii, aos Red Loam da gajoso quando molhado, com transição para o
Austrália, as Laterita Pardo Rojizas do Chile e horizonte C gradual ou difusa.
aos Reddish 8rown Lateritic Soils encontrados
no sul dos Estados Unidos. O horizonte C é geralmente pouco espesso, va-
riando de 30 a 50 em e com coloração seme-
São solos de textura argilosa, de perfil do lhante ao horizonte 8, porém apresentando mos-
queados provenientes do material originário.

111/42
4.5.1. CARACTERIZAÇÃO MORFOLÓGICA E ANALfTICA DA UNIDADE

PERFI L NO 8 (IPEAN) FOLHA SA.22-X-D

Classificação- Terra Roxa Estruturada Eutrófica textura argilosa

Localização- Estado do Pará, Município de Altamira, estrada das Panelas, km 8, lado direito.

Situação e declividade- Perfil em meia encosta, corte de estrada.

Formação Geológica e Litologia - Devoniano com predominância de folhelhos e siltitos.

Material Originário- Produto de decomposição de rochas básicas (diabásio)

Relevo Local - Ondulado

Relevo Regional- Ondulado

Drenagem - Bem drenado

Erosão- Laminar ligeira

Vegetação- Floresta

Uso Atual- Desmatamento para cultivo de milho

Ap O- 8 em; bruno avermelhado (5YR 4/4, úmido); argila leve; fraca pequena blocos subangu-
lares e granular rompendo-se em grãos simples; poros e canais muitos; friável plástico e
ligeiramente pegajoso; transição plana e difusa.

A3 8-26 em; bruno avermelhado (5YR 4/4, úmido); argila; moderada pequena e média blocos
subangulares; poros e canais muitos; friável, plástico e ligeiramente pegajoso; transição plana
e difusa.

B1 26 - 60 Crl}; vermelho amarelado (5YR 4/8, úmido); argila; moderada pequena e média
blocos subangulares rompendo-se em grãos simples; cerosidade fraca e pouca notando-se
principalmente nas proximidades das raízes e nos lugares das "krotovinas"; poros e canais
muitos; muito friável, plástico e ligeiramente pegajoso transição plana e difusa.

B21 60- 100 em; vermelho amarelado (5YR 4/8, úmido); argila; moderada pequenas e médias
blocos subangulares rompendo-se em grãos simples; cerosidade fraca e comum; concreções
do tipo "chumbinho de caça" poucas; presença de "krotovinas" de tamanho médio; poros e
canais muitos; muito friável, plastico e ligeiramente pegajoso; transição plana e difusa.

111/43
B22 100 - 130 em+; vermelho amarelado (5YR 4/8, úmido) argila; fraca pequenas e médias
blocos subangulares rompendo-se em grãos simples; cerosidade incipiente; poros e canais
muitos; muito friável, plástico e ligeiramente pegajoso.

Observações

1. Raízes finas e muitas no Ap; finas e comuns no A 3 e B1 ; finas e poucas no B2 1 e Bz 2 .

2. Atividade de organismo no Ap

3. Presença de pontuações sólidas, possivelmente de material primário observadas pela lupa.

4. O imã atrai as partículas do solo.

5. Foi observado afloramentos de diabase às proximidades.

111/44
PERFIL N? 8

LOCAL: Estrada para Panelas km 8 lado direito.

CLASSIFICAÇÃO: Terra Roxa Estruturada Eutrófica textura argilosa.

Prof. % %
Protocolo Horiz. Ki Kr -
c 100AI
em Si0 2 AI203 Fe 20 3 c N N AI +S

3594 o- 8 Ap 18,71 13,87 16,53 2,29 1,30 2,51 0,29 9 3,4

3595 8-- 26 A3 22,09 17,94 21,31 2,10 1'19 0,84 O, 11 8 1,4

3596 26-- 60 Bl 23,86 19,19 19,89 2,11 1,27 0,53 0,07 8 0,23

3597 60-100 821 23,02 19,75 22,01 1,98 1'15 0,26 0,04 7 0,32

3598 100-130+ 822 23,69 18,94 19,31 2,13 1,29 0,22 0,01 22 4,4

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v P20s


mg
Ca++ Mg++ K+ Na+ s H+ AI+++ T %
I I I I I I 100g

25,24 2,28 0,28 0,99 28,79 0,37 0,01 29,16 99 1,93

5,96 0,70 0,27 0,38 7,31 1,49 O, 11 8,91 82 0,55

3,22 0,65 0,10 0,34 4,31 1,24 0,01 5,55 78 0,55

2,47 0,43 0,09 0,33 3,32 2,02 O, 11 5,34 62 0,96

1,2!::1 0,75 0,06 0,27 2,37 2,38 O, 11 4,86 49 0,72

pH COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA % Grau de


floculação
I K Cl C.alhau ICase~ Areia Areia
Silte
Argila Argila
%
H20 >20mm 20-2mm j grossa I fina I total I nat

7,0 6,4 - - 26 18 16 40 7 82

7,3 6,1 - - 15 13 23 49 19 61

6,9 6,3 - - 12 12 26 50 1 98

6,4 5,6 - - 13 10 21 56 X 100

5,5 5,3 - - 13 11 21 55 X 100

ANÁLISE: IPEAN

111/45
PERFIL NO 9 FOLHA SA.22-V-A

Classificação- Terra Roxa Estruturada Distrófica textura argilosa

Localização- Estado do Pará, ao norte de Monte Dourado, pt 129

Situação e Declividade- Meio de encosta com 8-10% de declive

Formação Geológica e Litologia- Formação Curuá. Devoniano

Material Originário- Folhelhos

Relevo Local -Ondulado fortemente dissecado

Relevo Regional- Ondulado a forte ondulado

Drenagem - Bem drenado

Erosão- Laminar moderada

Vegetação- Floresta

Uso Atual - Exploração de madeira.

A1 O- 10 em; vermelho acinzentado (10R 3/4, úmido); franco argiloso siltoso; forte média e
grande granular; friável, plástico e pegajoso; transição plana e clara.

s1 10- 20 em; vermelho (10R 4/6, úmido); argila; moderada média a grande granular e média
blocos subangulares; cerosidade comum e moderada; firme, plástico e pegajoso; transição
plana e clara.

82 1 20- 50 em; vermelho (10R 4/8, úmido); argila; moderada pequena a média blocos suban-
gulares; cerosidade abundante e moderada; firme, plástico e pegajoso; transição plana e
gradual.

s22 50 - 150 em+; vermelho (10R 4/8, úmido); argila; moderada pequena e média blocos
subangulares; cerosidade abundante e moderada; firme, plástico e pegajoso.

111/46
PERFIL N9 9

LOCAL: Estado do Pará, ao norte de Monte Dourado, pt 129.

CLASSIFICAÇÃO: Terra Roxa Estrutura Distrófica textura argilosa.

Prof. % %
Protocolo Horiz. Ki Kr
c
-- 100AI
em Si0 2 Al 2 0 3 I Fez03 c N N AI+S

12423 0·- 10 A1 - - - - - 2,12 0,22 10 o


12424 10- 20 81 - - - - - 1,04 O, 11 9 28

12425 20- 50 821 - - - - - 0,63 0,06 11 44

12426 50-150 822 - - - - - 0,36 0,04 9 13

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v PzOs


mg
Ca++
I Mg++
I
K+ Na+
I s
I
H+
I
AI+++
I T %
100g

6,60 2,10 0,18 0,04 8,92 4,95 0,00 13,87 64 0,69

2,30 1,10 0,08 0,03 3,51 4,35 0,10 7,96 44 0,69

0,80 1,30 0,05 0,02 2,17 3,36 0,10 5,63 39 0,46

0,30 1,00 0,05 0,02 1,37 3,26 0,20 4,83 28 0,69

pH COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA % Grau de


floculação
H 20 ~ KCI Calhau I Cascalho _l
>20mm 20-2mm
Areia
grossa l
Areia
fina l Silte
Argila
total J
Argila
nat.
%

5,7 5,2 - - 10 11 51 28 28 X

5,5 4,7 - - 8 9 33 50 25 50

5,5 4,8 - - 4 6 36 54 X 100

5,6 4,8 - - 5 7 32 56 X 100

ANÁLISE: IPEAN

111/47
4.6. Podzólico Vermelho Amarelo Na área, como variação da unidade modal, po-
dem ocorrer o Podzólico Vermelho Amarelo
Os Podzólicos Vermelho Amarelos são solos áci- concrecionário, Podzólico Vermelho Amarelo
dos, bem desenvolvidos, que possuem um hori- pl íntico e Podzólico Vermelho Amarelo Equ i-
zonte A fraco (ócrico) e um horizonte B argíli- valente Eutrófico.
co. O horizonte A 1 está assentado sobre um ho-
rizonte A 2 ligeiramente descolorido e muito Os solos que constituem esta unidade apresen-
pouco desenvolvido ou sobre um horizonte A3, tam-se bem drenados, ácidos e com erosão va-
o qual por sua vez assenta sobre o horizonte B riando de laminar ligeira a moderada.
brunado ou vermelhoamarelado, nos matizes
7.5YR ou 5YR, de textura relativamente argilo- Quanto a vegetação, a comumente encontrada
sa, havendo boa diferença textura! entre o A e o nestes solos é a de floresta sempre verde pluvial
B. tropical.

São solos na sua maioria de fertilidade baixa e de O relevo varia de suave ondulado a forte ondu-
textura argilosa, que apresentam seqüencia de lado, ocorrendo as fases menos acidentadas em
horizontes do tipo A,B e C, cuja espessura não morros com forma de meia laranja de pen-
excede a 200 em, e com pronunciada diferencia- dentes curtas.
ção entre o A e o B, a semelhança do que ocorre
no Estado do Mato Grosso, dos que descreveu O horizonte A apresenta espessura variável en-
BARROS et alii no Estado do Rio de Janeiro, tre 20 e 30 em, cores de bruno acizentado
dos que cita LEMOS et alii, dos descritos por muito escuro a bruno avermelhado, matiz
VIEIRA e AMARAL FILHO no Paraguai, dos 10YR a 5YR, valores de 3 a 5 e cromas de 2 a
ciiados por DAMES em Java, dos encontrados 4; textura entre areia franca e franco argila are-
por SANTOS et alii para o Núcleo Colonial de noso; estrutura variando de grãos simples a
Gurguéia. Relativamente, em menor proporção, fraca pequena granular e subangular, consistên-
são encontrados solos de fertilidade média e alta cia úmida entre solto a firme e não plástico e
e solos de textura média (percentagem de argila não pegajoso a pegajoso para o solo molhado,
entre 15 e 35%). com transição plana ou ondulada e gradual ou
clara para o horizonte B.
Entre as características utilizadas para a sua clas-
sificação podem ser citadas: O horizonte B possui espessura variando de 80
em a 150 em; coloração desde amarelo a ver-
1) diferença textura! marcante entre o A e o B; melho, nos matizes 10YR a 2.5YR, com valo-
2) presença de A 2 pouco evolu (do ou não; res entre 4 e 5 e cromas entre 3 a 6; textura
3) transição clara e gradual entre os horizontes variando de franco argila arenoso a argila, es-
A e B; trutura comumente fraca e moderada, pequena
4) horizonte B estruturado; e média, em blocos subangulares; consistência
5) presença de cerosidade no horizonte B; úmida variando de friável a firme, sendo que a
6) argila de baixa capacidade de troca. consistência molhada varia de ligeiramente plás-
tico a plástico e de ligeiramente pegajoso a pe-
gajoso. Aparecem também neste horizonte ce-
rosidade fraca a moderada, recobrindo as uni-
dades estruturais.

111/48
4.6.1. CARACTERIZAÇÃO MORFOLOGICA E ANALIIICA DA UNIDADE

PERFI L N<? 10 FOLHA SA.22-V-A

Classificação - Podzólico Vermelho-Amarelo textura argilosa

Localização - Território Federal do Amapá, Município de Mazagão, margem esquerda do rio Jari,
pt. 130

Situação e Declividade - Encosta com 3-5% de declive

Formação Geológica e Litologia - Pré-Cambriano. Gnaisse

Material Originário - Rochas gnáissicas ácidas

Relevo Local - Ondulado

Relevo Regional - Ondulado a forte ondulado

Drenagem - Bem drenado

Erosão - Laminar ligeira a moderada

Vegetação - Floresta

Uso Atual - Nenhum

A1 O- 15 em; bruno (10YR 4/3, úmido); franco argiloarenoso; fraca média e grande
granular; friável, plástico e pegajoso; transição plana e clara.

B1 15 - 30 em; bruno amarelado (10YR 5/4, úmido); franco argila arenoso; fraca média
blocos subangulares; friável, plástico e pegajoso; transição plana e gradual.

821 30 - 90 em; bruno amarelado (7.5YR 5/6, úmido); franco argiloso; fraca média blocos
subangu lares; friável, plástico e pegajoso; transição plana e gradual.

822 90- 130 em; bruno amarelado (7.5YR 5/6, úmido); argila; fraca média blocos subangula-
res; friável, plástico e pegajoso.

Observação A 120 em pedras e seixos de quartzo transportado.

111/49
PERFIL N9 10

LOCAL: Território Federal do Amapá, Mazagão, pt 130.

CLASSIFICAÇÃO: Podzólico Vermelho Amarelo textura argilosa.

Prof. % %
Protocolo Horiz. Ki Kr -c- 100 AI
em Si02 Al 20 3 Fe 20 3 c N N AI +S

12442 0- 15 At - - - - - 0,98 0,08 12 73

12443 15- 30 Bt - - - - - 0,65 0,05 13 79

12444 30-- 90 B21 - - - - - 0,50 0,04 13 84

12445 90-130 B22 - - - - - 0,26 0,03 9 85

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v P20s


mg
Ca++
I Mg++
I
K+ Na•
I s
I H+
l AI+++
I T %
100g

0,20 0,30 O, 11 0,03 0,64 4,57 1,70 6,91 9 0,92

0,20 0,10 0,07 0,02 0,39 3,45 1,50 5,34 7 0,69

0,10 0,10 0,06 0,02 0,28 2,79 1,50 4,57 6 < 0,46

0,10 0,10 0,05 0,01 0,26 2,46 1,50 4,22 6 < 0,46

pH COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA % Grau de

I I I floculação
H20 KCI Calhau Cascalho
>20mm 20-2mm
Areia
grossa I
Areia
fina
I Silte
Argila
total
1 Argila
nat.
%

4,1 3,5 - - 37 21 22 20 1 95

4,4 3,8 - - 34 20 24 22 17 23

4,4 3,8 - - 28 16 20 36 4 89

4,7 3,8 - - 22 12 20 46 X 100

ANÁLISE: IPEAN

111/50
PERFIL N9 11 FOLHA SA.22-V-B

Classificação- Podzólico Vermelho Amarelo pHntico textura argilosa ..

Localização -Território Federal do Amapá. Município de Mazagão, pt. 132

Situação e Declividade - Perfil coletado com trado de caneco. Area plana com 0-3% de declive.

Formação Geológica e Litologia - Formação Curuá- Devoniano

Material Originário - Predominância de folhelhos

Relevo Local - Plano

Relevo Regional - Praticamente plano

Drenagem - Moderadamente drenado

Erosão - Praticamente nula

Vegetação -Vegetação de campo

Uso Atual - Vegetação natural

A1 O - 30 em; bruno escuro {10YR 4/3, úmido); franco argila arenoso; fraca pequena
granular; friável, plástico e pegajoso; transição plana e clara.

A3 30 - 50 em; bruno {10YR 5/3, úmido); franco argila arenoso; fraca pequena granular e
blocos subangulares; friável, plástico e pegajoso; transição plana e clara.

B11 50 - 65 em; bruno amarelado {10YR 5/4, úmido); franco argila arenoso; fraca média
blocos subangulares; friável, plástico e pegajoso; transição plana e gradual.

B12 65 - 80 em; bruno amarelado {7.5YR 5/6, úmido); argila arenosa; fraca média blocos
subangulares; friável, plástico e pegajoso; transição plana e clara.

B 2 pl 80 - 100 em; bruno amarelado (7.5YR 5/6, úmido); mosqueado abundante pequeno
proeminente {2.5YR 5/8, úmido); argila; fraca média blocos subangulares; friável, muito
plástico e pegajoso.

111/51
PERFIL N? 11

LOCAL: Território Federal do Amapá, Municfpii:> de Mazagão, pt 132.

CLASSIFICAÇÃO: Podzólico Vermelho Amarelo pl(ntico textura argilosa.

Prof. % %
Protocolo
em
Horiz. Ki Kr -Nc 100AI
Si0 2 Al 20 3 Fe 203 c N AI+S

12495 0- 30 At - - - - - 1,13 0,09 13 82

12496 30- 50 A3 - - - - - 0,91 0,06 15 83

12497 50- 65 Bu - - - - - 0,49 0,05 10 86

12498 65- 80 812 - - - - - 0,44 0,04 11 85

12499 80-100 B2P1 - - - - - 0,30 0,02 15 86

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v P20 5

Ca++
I Mg++ I K+ Na•
I s
I H+
I AI+++
I T %
mg
100g

0,20 0,10 0,07 0,04 0,41 7,17 1,90 9,48 4 0,69

0,20 O, 10 0,06 0,04 0,40 5,52 1,90 7,82 5 1,15

0,15 0,05 0,05 0,03 0,28 3,91 1,70 5,89 5 1,15

0,15 0,05 0,05 0,03 0,28 3,02 1,60 4,90 6 0,69

O, 15 0,05 0,05 0,03 0,28 3,32 1,80 4,40 6 0,46

pH COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA % Grau de

I I
Calhau Cascalho I Areia Areia Argila Argila
floculação
H20 KCI
>20mm 20·2mm grossa I fina I Silte
I total I nat.
%

4,5 3,7 - - 40 14 20 26 1 96

4,6 3,7 - - 36 13 18 33 19 42

4,6 3,7 - - 34 13 19 34 3 91

4,7 3,7 - - 32 13 16 39 27 31

4,7 3,8 - - 17 9 19 55 X 100

ANÁLISE: IPEAN

111/52
4.7. Brunizém Avermelhado 4.8. Solos Concrecionários lateríticos Indiscri-
minados Distróficos
Os Brunizéns Avermelhados encontrados na área
são medianamente profundos, tendo seqüência ~ uma unidade bastante ampla e que por não
de horizontes A, B e C. São ácidos a neutros, oferecer interesse agrícola engloba tanto solos
porosos e apresentam horizontes A mólico e B com B textura!, como os de B latossólico e
argílico, havendo nítido contraste entre eles. ocupa relevo suave ondulado a forte ondulado,
sob vegetação de floresta.
Possuem estrutura superficial granular e colora-
ção bastante escura no horizonte A, isto devido Esta unidade está constituída por solos media-
à acumulação de matéria orgânica, com domi- namente profundos, formados por uma mistura
nância provável de material fornecido pelas raí- de partículas mineralógicas finas e concreções
zes, sendo geralmente de consistência mais de vários diâmetros, que na maioria dos casos
branda que ligeiramente duro quando seco. representam o maior volume da massa do solo.

O horizonte B, de estrutura em blocos angula- O horizonte A, cuja espessura média está em


res e subangulares possui coloração vermelho e torno de 20 em, encontra-se escurecido pela
vermelho escuro, nos matizes 2.5YR e 10R, matéria orgânica, possui cor variando de bruno
proporcionando um contraste com o A, de cor no matiz 1OYR, a vermelho-escuro no matiz
bruno avermelhado escuro dominante. 2.5YR. O horizonte B de cor variando de bru-
no amarelado (10YR) a vermelho-escuro
O solo apresenta-se livre de carbonatos à seme- (2.5YR).
lhança do que cita a literatura para solos simi-
lares, com Ki em torno de 2,0, mais ou menos Os perfis podem apresentar-se completamente
uniforme no perfil, que representa não haver argilosos ou argilo-arenoso no A e argiloso no
uma lixiviação diferencial marcante de sílica e B. Possuem boa distribuição de poros e uma
sesquióxidos. São argilosos e com cerosidade estrutura em blocos,subanaularesou maciça, mas-
desenvolvida no B, onde a consistência geral- carada pelas concreções lateríticas.
mente é duro quando seco.
Tratam-se de solos com perfil geralmente do
Estes solos ocorrem em área de relevo ondula- tipo Acn• Bcn e C, onde um horizonte A pou-
do, sobre vegetação normalmente de floresta e co profundo assenta sobre um horizonte B de
são desenvolvidos a partir de diques e pequenos aproximadamente 50 em ou mais. Apresentam-
derrames ou corpos intrusivos básicos associados se portanto argilosos, muito fortemente ácidos
às rochas sedimentares paleozóicas, principal- a ácidos com baixa saturação de bases, e por
mente arenitos. não oferecerem um maior interesse agrícola
imediato, não merecem um estudo mais apu-
Esta unidade apresenta, na área, pequena ex- rado.
pressão e ocorre associada, e em subdominân-
cia, com a Terra Roxa Estruturada Eutrófica e
Latossolo Roxo Eutrófico, estando caracteriza- 4.9. Areias Quartzosas Distróficas
da morfológica e analiticamente no relatório da
área contígua, (SB.22). Areias Quartzosas são solos que apresentam um

111/53
perfil pouco evoluído, com baixa atividade de terraços ao longo da faixa costeira, constituídas
arg!fa, saturação de bases baixa e soma de bases por sedimentos arenosos do Holoceno.
freqüentemente bastante baixa. São permeáveis,
de textura grosseira, cujo conteúdo de argila Os solos originários são extremamente areno-
não ultrapassa a 15% no horizonte C. sos, não consolidados, de coloração branca ou
cinzento-claro, onde o horizonte A, em evolu-
Possuem coloração nos matizes 10YR a 5YR e ção, encontra-se ligeiramente escurecido pela
apresentam fraca diferenciação morfológica en- matéria orgânica quando se tratar de dunas
tre os horizontes. fixadas.

Podem apresentar perfil com o A muito fraca- As formações vegetais que recobrem estes solos
mente diferenciado em A 1 e A 3 ou A 1 e A 2 são descritos como formação I itorâneas de res-
e com uma espessura bastante variável. tinga e de dunas.

Geralmente tratam-se de solos profundos, com Quanto às características morfológicas estes


perfil em média acima de 200 em, que apare- solos apresentam seqüência de horizontes A e
cem excessivamente drenados, porosos e com C, onde o A pode estar ausente em algumas
consistência mui to friável ou mesmo solto em áreas desprovidas de vegetação, localizadas pró-
todo o perfi I. ximo ao mar ou mais sujeitas aos efeitos abra-
sivos dos ventos.
Ocorrem em relevo plano sob vegetação de
campo e tendo como material originário sedi- Possuem profundidade de aproximadamente
mentos arenosos do Quaternário. 40 em e cor nos matizes 1OY R a 5Y R com
croma 1 e valores 3 e 4, para o solo úmido. A
textura é areia, a estrutura é em grãos simples
4.10. Areias Ouartzosas Marinhas Distróficas e a consistência solta, não plástica e não pe-
gajosa.
Esta unidade compreende solos profundos, com
muito baixo conteúdo de argila, sempre menor O horizonte C possui as mesmas características
que 15% dentro de uma profundidade de do A, com exclusão da cor que, neste caso,
200 em ou mais, ácidos, com baixa saturação apresenta cromas e valores bastante altos.
de bases e média de ai um ínio trocável.

Apresentam fertilidade natural muito baixa e 4.11. Laterita Hidromórfica Distrófica


são excessivamente drenados. Possuem um hori-
zonte A fracamente desenvolvido repousando Compreendem solos bastante intemperizados,
sobre um horizonte C constituído por areia fortemente ácidos, que apresentam drenagem
quartzosa cuja origem se deve a deposições ma- moderada ou imperfeita devido à natureza do
rinhas e redistribuição pela ação dos ventos nas material originário, da presença de substrato
faixas litorâneas. lentamente permeável e/ou da posição no rele-
vo. Apresentam profundidade do horizonte
As áreas de ocorrência desta unidade não são pl íntico variável, condicionada pela altura m í-
cultivadas e representam limitações fortes ao nima do nível freático. As principais caracterís-
uso agrícola. ticas desta unidade são: presença de horizonte
A 2 em formação e ligeiramente descolorido,
Situam-se nas baixadas e nas dunas sobre os presença de mosqueados a partir da parte su-

111/54
perior do B e aparecimento no 82 de um mate- no B na fase baixa, e com uma distribuição
rial argiloso, altamente intemperizado, rico em regular para solos desta natureza na Late ri ta
sesquióxidos e pobre em húmus, sob forma de Hidromórfica normal (modal).
mosqueado vermelho-acinzentado ou vermelho,
em arranjo poligonal ou reticular, passando ir- Tratam-se de solos ácidos a muito fortemente
reversivelmente a duripan ou concreções sob ácidos, bastante intemperizados, haja vista os
condições especiais de umedecimento e resseca- valores de 0,76 para Ki e 0,62 para o Kr da
menta, denominado plintita ou laterita. O hori- Laterita Hidromórfica fase baixa, muito embo-
zonte B pl íntico aparece com a cor básica da ra valores relativos mais altos possam ser en-
matriz bruno amarelado e com espessura bas- contrados na fase truncada, não encontrada na
tante variada. área; o que talvez se deva a condição toda es-
pecial de uma recomposição do horizonte A.
Na área, somente foi constatada a Laterita Hi-
dromórfica de várzea ou de drenagem impe- Da apreciação dos dados analíticos verifica-se
dida, condicionando uma variedade bastante que possuem baixo conteúdo de catíons trocá-
ampla de fases, como as que ocorrem na Ilha veis, baixa soma de bases permutáveis o que re-
de Marajá. Aqui aparecem Laterita Hidromór- flete o alto processo de intemperização que estes
fica imperfeitamente drenada, Laterita Hidro- solos vêm sofrendo.
mórfica fase baixa, Laterita Hidromórfica fase
arenosa e a Laterita Hidromórfica fase húmica, Os solos desta unidade podem ocorrer sob ve-
além da moda!. getação de floresta, como também de campo,
como acontece na Ilha de Marajá.
Pelos resultados analíticos existentes para as
unidades ou fases estudadas, verifica-se que os São formados de sedimentos tanto do Terciário
teores químicos encontrados, apesar de diferi- como do Quaternário e podem ocorrer em ter-
rem, de uma unidade para a outra, apresentam raços moderadamente drenados em cotas relati-
valores bastante próximos. O carbono, por vamente altas, como também fazer parte de
exemplo, só aparece com teores elevados na áreas baixas que sofrem inundações estacionais
Laterita Hidromórfica fase húmica, como era das cheias dos rios ou das águas de preci-
de se esperar, ocorrendo o mesmo para o ni- pitação.
trogênio, elemento diretamente ligado ao con-
teúdo de matéria orgânica. De todos os solos As áreas destes solos sob vegetação de campo
estudados, o que apresenta menor conteúdo de são utilizadas com pecuária extensiva tradicio-
carbono é a Laterita Hidromórfica fase arenosa. nal e devido às condições de drenagem revelam
limitação ao uso agrícola, sendo esta condição
A composição granulométrica também aparece um dos fatores I im itantes quanto ao seu apro-
bastante diversificada, pois os valores encontra- veitamento com cultivos regulares, excluídas as
dos para areia, silte e argila são bastante variá- capineiras, nas quais são utilizadas gramíneas
veis dentro das fases existentes. O conteúdo de ecologicamente adaptadas.
argila pode aparecer bastante baixo, tanto no A
como no B na fase arenosa, baixo no A e alto

111/55
4.11.1. CARACTERIZAÇÃO MORFOLOGICA E ANALrTICA DA UNIDADE

PERFIL N<? 12 (IDESP) FOLHA SA.22-X-C

Classificação- Laterita Hidromórfica Distrófica textura média.

Localização - Estado do Pará, Município de Cachoeira do Arari, ilha de Marajó, fazenda São João
do Gurupatuba a 300 m do lago São Luís

Situação e Declividade- Área plana com 0-3% de declive

Formação Geológica e Litologia- Holoceno. Sedimentos

Material Originário- Sedimentos argilo-arenosos

Relevo Local - Plano

Relevo Regional - Praticamente plano

Drenagem - Moderadamente drenado

Erosão - Nula

Vegetação - Campo com predominância de gramíneas e ciperáceas, lacre, tucumã, goiabeira e


envira.

Uso Atual - Pastagem natural

O - 35 em; bruno acinzentado muito escuro (10YR 3/2, úmido); franco arenoso; fraca
pequena a média blocos subangulares poros e canais muitos; friável, não plástico e não
pegajoso; transição plana e difusa.

35 - 66 em; bruno escuro (10YR 4/3, úmido}; franco arenoso; fraca pequena a média
blocos subangulares; poros e canais muitos; friável, ligeiramente plástico e ligeiramente
pegajoso; transição plana e difusa.

66 - 102 em; bruno-amarelado (10YR 5/6, úmido); franco arenoso; fraca pequena a
média blocos subangulares; poros e canais raros; friável, ligeiramente plástico e ligeiramen-
te pegajoso; transição plana e difusa.

102 - 138 em; bruno amarelado (10YR 5/6, úmido}, mosqueados comuns pequenos a
médios proeminentes vermelho·escuro (2.5YR 3/6, úmido}; franco argilo arenoso; fraca
pequena a média blocos subangulares; poros e canais comuns; friável, ligeiramente plástico
e ligeiramente pegajoso; transição plana e difusa.

138 - 174 em; bruno acinzentado muito claro (10YR 8/4, úmido), mosqueados comuns

111/56
pequenos médios e grandes proeminentes vermelho escuro (2.5YR 3/6, úmido} e poucos
pequenos distintos amarelo (10YR 7/8, úmido); argila arenosa; moderada pequena a mé-
dia blocos subangulares; firme ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso.

Observações Raízes finas e comuns no A 11 e A 12


Presença de carvão no A 11 e A 12
Atividade de organismo comuns no A 11 e A 12

111/57
PERFIL N? 12

LOCAL: Estado do Pará, Munic(pio de Cachoeira do Arari, Fazenda São João do Gurupatuba.

CLASSIFICAÇÃO: Laterita Hidromórfica Distrófica textura média.

Prof. % %
Protocolo
em
Horiz. Ki Kr -Nc 100AI
Si0 2 Al 20 3 Fe203 c N AI+S

6794 0- 35 Au 9,28 5,95 1,19 2,92 2,41 0,88 0,08 11 84


6795 35- 66 A12 10,62 7,25 1,19 2,52 2,29 0,45 0,04 11 68

6796 66-102 A2 10,25 6,45 1,18 2,74 2,46 0,17 0,03 6 89

6797 102-138 B21Pt 14,08 11,69 1,99 2,09 1,89 0,16 0,03 5 91

6798 138-174 B22P1 14,72 11,64 1,78 2,18 2,00 1,11 0,02 6 89

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v P20s


m9
Ca....
I MgH
l K+ Na+
l s
I
H+
l AI+++
_I
T %
100g

0,16 0,16 0,03 0,04 0,39 4,32 2,03 6,74 6 0,55

0,08 0,04 0,03 0,04 0,19 3,25 1,42 4,86 4 0,28

0,08 0,04 0,03 0,03 0,18 1,57 1,42 3,17 6 0,32

0,08 0,08 0,03 0,03 0,22 1,43 2,24 3,89 6 0,29

0,08 0,08 0,03 0,03 0,22 1,02 1,83 3,07 7 -

pH COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA % Grau de

I I I Areia Areia Argila Argila


floculação
H20 KCI Calhau Cascalho
>20mm 20·2mm grossa
l fina
l Silte
total I nat.
%

4,7 3,8 - - 54 21 11 14 8 43

5,0 4,0 - - 47 23 10 20 15 25

5,2 4,0 - - 49 23 10 18 11 39

4,8 3,9 - - 30 24 13 33 4 88

5,2 4,0 - - 26 26 13 35 X 100

ANÁLISE: IPEAN

111/58
PERFI L N9 13 (IDESP) FOLHA SA.22-X-D

Classificação- Laterita Hidromórfica Distrófica textura média fase húmica

Localização - Estado do Pará, Município de Cachoeira de Arari, Ilha de Marajó, a 300 metros
do campo de pouso.

Situação e Declividade- Área plana com O- 2% de declive

Formação Geológica e Litologia- Quaternário, período Holoceno

Material Originário - Sedimentos argila-arenosos


Relevo Local - Plano
Relevo Local - Plano

Relevo Regional - Praticamente plano

Drenagem- Moderadamente drenado

Erosão - Nu la

Vegetação - Predominância de gramíneas e ciperáceas, lacre, tucumã, bacuri, inajá, salva de marajá,
jurubeba, murta, cipó-de-fogo, ucuúba e envira ..

Uso Atual - Pastagem natural

Ap O - 34 em; cinza muito escuro (10YR 3/1, úmido); franco arenoso; franca pequena a
média blocos subangulares; poros e canais muitos; friável, não plástico e não pegajoso;
transição plana e difusa.

A2 34 - 59 em; bruno (10YR 4/3, úmido); franco arenoso; fraca pequena a média blocos
sub.angulares; poros e canais muitos; friável, ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso;
transição plana e difusa.

B1 59 - 90 em; bruno amarelado (10YR 5/4, úmido); franco-arenoso; fraca pequena a média
blocos subangulares; poros e canais comuns; friável, ligeiramente plástico e ligeiramente
pegajoso; transição plana e difusa.

82 90 - 133 em; amarelo (10YR 7/8, úmido); franco argila arenoso; fraca pequena a média
blocos subangulares; poros comuns e canais poucos; friável, ligeiramente plástico e ligeira-
mente pegajoso; transição plana e difusa.

B3cn 133 - 170 em+; amarelo (10YR 7/8, úmido), mosqueados poucos pequenos e médios
proeminentes vermelho escuro (2.5YR 3/6, úmido) e amarelo brunado (10YR 6/6, úmido
amassado); franco argila arenoso; pequena a média blocos subangulares; fi.rme, ligei-
ramente plástico ligeiramente pegajoso.

111/59
Observações: Raízes finas e muitas no Ap; finas comuns e médias raras no A 2 ; finas e poucas no 8 1 .
Atividade de organismos comuns no Ap. A 2 e 8 1 •
Presença de carvão no Ap.

111/60
PERFIL N~ 13

LOCAL: Estado do Pará, Município de Cachoeira do Arari, à 300 metros do Campo de pouso.

CLASSIFICAÇÃO: Laterita Hidromórfica Distrófica textura média fase húmica

Prof. % %
Protocolo
em
Horiz. Ki Kr -c 100AI
Si0 2 AI203 Fe20 3 c N N AI+S

6825 0- 34 Ap 8,64 5,46 0,99 2,75 2,46 2,06 0,13 16 55

6826 34- 59 A2 10,43 6,83 1,21 2,66 2,40 0,74 0,06 7 72

6827 59- 90 81 9,30 5,20 0,98 3,10 2,76 0,31 0,04 8 67

6828 90-133 82 10,59 6,96 1,38 2,63 2,35 0,09 0,03 3 69

6829 133-170+ B3cn 13,00 9,04 1,98 2,48 2,18 0,10 0,02 5 77

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v P20s


mg
Ca++
I Mg++
I
K+ Na+
l s
I H+
I AI+++
I T %
100g

0,65 0,49 0,04 0,05 1,63 2,50 2,04 6,17 26 0,28

0,41 0,25 0,03 0,05 0,64 4,43 1,65 6,82 41 0,28

0,49 0,24 0,03 0,04 0,80 2,24 1,63 4,67 17 -


0,49 0,16 0,03 0,04 0,72 0,86 1,62 3,20 23 -
0,32 0,24 0,03 0,03 0,62 0,81 2,03 3,46 18 -
pH COMPOSIÇÃO GRANULOM~TRICA % Grau de

I Calhau CascalhoI I Areia Areia Argila Argila


floculação
H20 KCI
>20mm 20·2mm grossa I fina I Silte
I total J nat.
%

5,0 4,1 - - 25 43 14 18 6 67

4,9 4,2 - - 28 42 10 20 8 60

4,9 4,0 - - 27 43 9 21 10 52

4,9 3,9 - - 22 44 13 21 2 9
4,9 3,8 - - 22 39 11 28 X 100

ANÁLISE: IPEAN

111/61
PERFI L N914 (IDESP) FOLHASA.22-X-B

Classificação- Laterita Hidromórfica Distrófica fase arenosa

Localização - Estado do Pará, Município de Salvaterra, lugarejo Mãe de Deus. Ilha de Marajó.

Situação e Declividade - Área plana com O- 3% de declive

Formação Geológica e Litologia- Holoceno. Sedimentos

Material Originário- Sedimentos arenosos

Relevo Local - Plano

Relevo Regional - Praticamente plano

Drenagem- Imperfeitamente drenado

Erosão - Nu la

Vegetação - Campo Cerrado com predominância de ciperáceas e gramíneas, murta, caimbé, muruci e
sucuiba

Uso Atual -Pastagem natural.

O- 31 em; bruno acinzentado muito escuro (10YR 3/2,úmido) areiafranca;pequenaa média


blocos subangu lares; poros e canais comuns; friável não plástico e não pegajoso; transição plana
e gradual.

31 -57 em; cinza ( 1OYR 5/1, úmido); areia franca; fraca pequena blocossubangulares; poros e
canais comuns; friável, não plástico e não pegajoso, transição plana e clara.

81 57 - 90 em; bruno muito claro acinzentado (10YR 7/3, úmido); franco arenoso; fraca
pequena a média blocos subangulares; poros e canais comuns; friável, não plástico e não
pegajoso; transição ondulada e gradual.

90 - 110 em+, bruno muito claro acinzentado (10YR 7/3, úmido), mosqueado abundan-
te médio a grande proeminente amarelo ( 1OYR 7/3, úmido), abundante médio a grande
proeminente amarelo ( 10YR 7/6, úmido) e cinza-claro (2.5Y 7/2, úmido amassado); franco-
arenoso; fraca pequena a média blocos subangulares; friável, ligeiramente plástico e legeira-
mente pegajoso.

Observações: Raízes finas muitas no Ap, finas comuns no A 2 , finas poucas no 8 1 •


Atividade biológica comum no A 1
Concreções irregulares médias e grandes no 8 2 .

111/62
PERFIL N~ 14

LOCAL: Município de Salvaterra, lugarejo Mãe de Deus (Ilha de Marajó).

CLASSIFICAÇÃO: Laterita Hidromórfica Distrófica fase arenosa.

Pro f. % %
Protocolo Horiz. Ki Kr
c
-- 100AI
em Si0 2 Fe 20 3 c N N AI+S
AI203

6863 0- 31 Ap 7,30 3,92 0.40 3,19 3,02 0,70 0,06 12 77

6864 31- 57 A2 7,49 4,36 0,58 2,95 2,75 0,19 0,04 5 76

6865 57- 90 Bt 9,19 5,90 0,58 2,67 2,53 0,12 0,02 6 10

6866 90-110 B2cn 10,22 8,23 0,79 2,10 2,00 0,11 0,02 6 67

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v P20s


mg
Ca++
I Mg++
I K+ Na+
I s
1 H+
I
AI+++
I T %
100g

0,16 0,08 0,04 0,03 0,31 3,02 1,02 4,38 7 0.46

0,08 0,08 0,03 0,02 0,19 11,86 0,60 3,65 5 0,32

0,16 0,16 0,03 0,02 0,37 0,96 0,70 2,03 18 0,28

0,08 0,16 0,03 0,02 0,29 2,22 0,60 3,11 9 -

pH COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA % Grau de

I I I floculação
H20 KCI Calhau Cascalho
>20mm 20·2mm
Areia
grossa
l Areia
fina I Silte
I
Argila
total I
Argila
nat.
%

4,5 4,0 - - 55 30 8 7 1 85

4,5 4,1 - - 46 33 12 9 5 44

4.4 4,1 - - 42 32 14 12 5 58

4,6 4,2 - - 36 33 13 18 X 100

ANALISE: IPEAN

111/63
PERFIL N~ 15 (IDESP) FOLHA SA.22-X-B

Classifica_ção- Laterita Hidromórfica Distrófica textura média fase baixa

Localização- Estado do Pará, Municfpio de Salvaterra, lugarejo Mãe de Deus.

Situação e Declividade- Area plana com 0-3% de declividade

Formação Geológica e Litologia - Holoceno. Sedimentos

Material Originário - Sedimentos areno argilosos

Relevo Local - Plano

Relevo Regional - Praticamente plano

Drenagem - Imperfeitamente drenado

Erosão - Nula

Vegetação- Dominantemente gramfneas e caroba, vassourinha, envira, pau de espeto e tucumã.

Uso Atual - Pastagem natural

O- 20cm; bruno acinzentado muito escuro (10YR 3/2), úmido); franco arenoso; fraca
pequena a média blocos subangulares; poros e canais muitos; friável, não plástico e não
pegajoso; transição plana e difusa.

20- 40cm; bruno amarelado ( 1OYR 5/4, úmido); franco arenoso; fraca pequena a média
blocos subangulares; poros e canais comuns; friável, não plástico e não pegajoso; transição
plana e difusa.

40- 70cm; bruno forte (7.5YR 5/8, úmido); franco arenoso; fraca pequena a média blocos
subangulares; friável, ligeiramente plástico e não pegajoso; transição plana e clara.

70- 94cm; vermelho amarelado (5YR 5/6, úmido), mosqueados comuns médios e grandes
proeminentes vermelho (2.5YR 4/6, úmido), vermelho amarelado (2.5YR 5/6, úmido) e
vermelho amarelado (2.5YR 4/6, úmido); franco argilo arenoso; pequena a média blocos
subangulares e média a grande prismática; ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso;
transição plana e clara.

94- 116cm; amarelo brunado (10YR 6/6, úmido); mosqueados comuns médios e grandes
proeminentes vermelho (2.5YR 4/6, úmido) e vermelho amarelado (5YR 5/8, úmido
amassado); franco argilo arenoso; fraca pequena a média blocos subangulares e média a
grande prismática; ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso; transição plana e difusa.

116- 144cm; bruno amarelado-claro (10YR 6/4, úmido), mosqueados abundantes médios e
grandes proeminentes amarelo (10YR 7/8, úmido) e bruno claro (7.5YR 6/4, úmido
amassado); franco argiloso arenoso; fraca pequena a média blocos subangulares e média a
grande prismática; firme, ligeiramente plástico e ligeiramnete pegajoso.

111/64
c 144- 165cm+; franco argila arenoso; material cinza-claro, nos quais encontram-se outros,
vermelhos e amarelos, tendendo para o endurecimento.

Observações

Raízes finas e muitas no A1; finas comuns e médias raras no A2; finas e comuns no B21·

Atividades de organismos comuns no A 1, A2 e B2 1.

Presença de pequenas bolsas de material sobrejacente no B21 .

111/65
PERFIL N<? 15

LOCAL: Estado do Pará, Município de Salvaterra, lugarejo Mãe de Deus.

CLASSIFICAÇÃO: Laterita Hidromórfica Distrófica textura média fase baixa

Prof. % %
Protocolo
em
Horiz. Ki Kr -c 100AI
SíOz Al 2 0 3 Fe 2 0 3 c N N AI +S

6871 0- 20 At 8,92 5,17 1,77 2,92 2,43 1,03 0,07 15 69


6872 20- 40 A2 8,57 5,68 1,98 2,65 2,09 0,35 0,02 18 91
6873 40- 70 821 8,20 6,42 0,58 2,18 2,08 0,29 0,02 15 72
6874 70- 94 B22Pt 14,49 11,21 4,00 2,20 1,79 0,24 0,03 8 57
6875 94-116 B23c 14,11 10,93 3,58 2,19 1,82 0,17 0,03 6 91
6876 116-144 B 24 c 14,40 10,63 3,17 2,30 1,94 0,13 0,02 7 89
6877 144-165 c 15,43 11,41 2,98 2,29 1,97 0,12 0,02 6 84

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v PzOs


mg
Ca++
I Mg++
I K+ Na+
I s
I
H+
I
AI+++
I T %
100g

0,05 0,25 0,05 0,02 0,37 4,51 0,83 6,71 6 0,50


0,05 0,05 0,03 0,01 0,14 2,94 1,42 4,50 3 0,28
0,05 0,15 0,03 0,01 0,24 1,41 0,61 2,26 11 0,28
0,05 0,05 0,03 0,02 0,15 2,57 0,20 3,32 5 0,28
0,05 0,10 0,03 0,02 0,20 1,63 2,04 3,87 5 0,28
O, 10 0,10 0,03 0,02 0,25 1,63 2,03 3,91 6 0,28
0,20 0,10 0,03 0,05 0,38 1,47 2,03 3,88 10 0,28

pH COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA % Grau de

I Calhau CascalhoI I Areia Areia Argila Argila


floculação
H20 KCI
>20mm 20-2mm grossa
J fina I Silte
I total I nat.
%

4,4 3,7 - - 54 21 15 13 6 53
4,4 3,9 - - 48 25 13 14 10 28
4,6 4,0 - - 38 34 13 15 8 46
4,5 3,8 - - 28 24 16 32 1 96
4,7 3,7 - - 30 26 14 30 X 100
4,7 3,9 - - 30 27 16 27 X 100
4,8 3,9 - - 30 27 12 31 X -
ANÁLISE: IPEAN

111/66
PERFIL N<? 16 (IDESP) FOLHA SA.22-X-D

Classificação -Laterita HidromórficaDistróficaDistrófica textura argilosa fase imperfeitamente drenada

Localização - Estado do Pará, Município de Cachoeira do Arari- Vila do Camará, Ilha de Marajá, na
fazenda São João do Gurupatuba

Situação e Declividade- Área plana com O - 2% de declive

Formação Geológica e Litologra - Holoceno. Sedimentos

Material Originário - Sedimentos argilosos

Relevo Local - Plano

Relevo Regional - Praticamente plano

Drenagem - Imperfeitamente drenado

Erosão - Nula

Vegetação - Dominantemente gramíneas e ciperáceas, mata-pastos, pau-de-espeto, tucumã e jarana

Uso atual - Pastagem natural.

A1 O - 22 em; bruno acinzentado muito escuro (10YR 3/2, úmido); franco arenoso; fraca
pequena a média blocos subangulares; poros e canais muitos; friável, não plástico e não
pegajoso; transição ondulada e abrupta.

A2 22 - 40 em; bruno escuro (10YR 4/3, úmido), mosqueados abundantes pequenos distin-
tos bruno amarelado (1OYR 5/8, úmido) e bruno escuro ( 1OYR 4/3, úmido amassado);
franco arenoso; fraca pequena a média blocos subangulares; poros e canais comuns; friá-
vel, não plástico e não pegajoso; transição plana e clara.

B1 40 - 66 em; bruno-escuro (lOYR 4/3, úmido), mosqueados pequenos a médios proeminen-


tes bruno forte (7.5YR 5/6, úmido) e bruno amarelado claro (lOYR 6/4, úmido amassa-
do); franco arenoso; fraca pequena a média blocos subangulares; firme, não plástico e não
pegajoso; transição plana e clara.

B2pl 66 - 86 em; coloração variegada composta de bruno-forte (7.5YR 5/6, úmido), cinza
(lOYR 5/1, úmido), vermelho escuro (2.5YR 3/6, úmido) e vermelho (2.5YR
5/6, úmido amassado); argila; moderada média a grande prismática e fraca pequena a
média blocos subangulares; firme, plástico e pegajoso; transição plana e difusa.

B3 86 - 105 em+; coloração variegada composta de cinza (10YR 5/1, úmido), vermelho
escuro (2.5YR 3/6, úmido), bruno forte (7.5YR 5/6, úmido) e bruno avermelhado

111/67
(2.5YR 5/4, úmido); argila; moderada média a grande prismática; firme, plástico e pe-
gajoso

Observações: Raízes finas e abundantes no A 1 ; finas e comuns no A 2


Atividade de organismos comuns no A 1 e A2 ;
Presença de carvão no A 1 e A 2 •

111/68
PERFIL N'? 16

LOCAL: Estado do Pará, Munic(pio de Cachoeira do Arari; fazenda São João do Gurupatuba.

CLASSIFICAÇÃO: Laterita Hidromórfica Distrófica textura argilosa fase imperfeitamente drenada

Prof. % %
Protocolo Horiz. Ki Kr -c- 100AI
em Si0 2 Al 20 3 I Fe203 c
1 N N AI +S

6804 0- 22 AI 6,84 2,57 0,79 4,52 3,89 0,79 0,08 10 86

6805 22- 40 A2 7,18 3,34 0,98 3,72 3,12 0,34 0,04 9 89

6806 40- 66 81 9,24 5,93 1,97 2,70 2,23 0,23 0,04 6 92

6807 66- 86 82P1 17,80 14,79 7,89 2,11 1,59 0,24 0,05 5 96

6808 86-105 83 18,16 14,09 7,90 2,16 1,61 0,25 0,05 5 94

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v P20s


mg
Ca++
I Mg++
I K+ Na•
I s
I H+
I
AI+++
l T %
100g

0,08 0,08 0,02 0,05 0,23 3,08 1,41 4,72 5 0,54

0,08 0,04 0,02 0,04 0,18 2,22 1,41 3,81 5 0,32

0,08 0,04 0,02 0,04 0,18 1,32 2,02 3,52 5 -


0,08 0,08 0,03 0,04 0,23 1,45 5,39 7,07 3 0,28

0,16 0,08 0,03 0,04 0,31 1,87 4,98 7,16 4 0,28

pH COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA % Ifloculação


Grau de

l l I
H20 KCI Calhau Cascalho
>20mm 20·2mm
Areia
grossa I
Areia
fina l Silte
I
Argila
total 1 Argila
nat.
%

4,5 3,6 - - 47 24 21 8 5 37

4,5 3,7 - - 43 24 21 12 7 41

4,5 3,5 - - 37 21 26 16 11 31

4,7 3,5 - - 20 14 23 43 X 100

4,8 3,5 - - 19 14 23 44 X 100

ANÁLISE: IPEAN

111/69
4.12. Solos Hidromórficos Gleyzados Eutró- mumente são encontradas florestas de várzea,
ficos e Distróficos na qual a presença do açaizal é característica.

Esta unidade é constituída por solos desenvol- Devido à grande amplitude de variação de solos
vidos sobre sedimentos relativamente recentes, desta unidade, e por englobar GLEY HÚMICO
em geral fortemente ácidos, podendo apresenta- e GLEY POUCO HÚMICO, foram reconhecidas
rem-se neutros e alcalinos, de textura argilosa e, as seguintes fases ou variações.
às vezes, com um considerável conteúdo de
silte. GLEY HúMICOe GLEY POUCO HÚMICO (mo-
da! ) -com alta saturação de bases, alta capa-
As condições hidromórficas a que estão sujeitos cidade de troca de cátions e elevado teor de sil-
estes solos condicionam o aparecimento, no te, indicando a juventude dos sedimentos sobre
perfil, de mosqueados bruno amarelado, bruno os quais são formados. Foram observados nas
forte, ou mesmo vermelho, sobre uma matriz planícies de inundação do baixo Amazonas,
cinzenta. O horizonte superficial é de espessura principalmente na parte bordejante aos cursos e
variável, de baixo a alto conteúdo de matéria canais principais, e nas regiões costeiras baixas
orgânica e. está sobrejacente ao horizonte mine- da ilha de Marajá e do Amapá.
ral Cg, de estrutura geralmente prismática ou
em blocos subangulares, ou maciça. A satura- GLEY HúMICO e GLEY POUCO HÚMICO fase
ção e o conteúdo de bases trocáveis apresen- terra alta - difere do modal por ser extrema-
tam-se variáveis, desde baixo a elevado, e são mente ácido, de baixo teor de silte e de predomi-
relacionados à natureza (origem), à idade dos nância de caulinita na fração argila. Observados
sedimentos sobre os quais são desenvolvidos e à nos fundos de vales de cursos de pequeno e
qualidade da água que os saturam, ricas ou po- médio tamanho de áreas de cerrado, principal-
bres em íons capazes de saturar o complexo da mente na margem esquerda do baixo Amazonas
troca. É freqüente, se não regra geral, a ocor- e na ilha de Marajá.
rência nas planícies de inundação e ilhas do
baixo Amazonas e nas regiões costeiras baixas a GLEY POUCO HÚMICO fase substrato carbo-
ocorrência de solos com alta capacidade de tro- nático - caracterizado por apresentar um hori-
ca de cátions e saturação de bases, elevado teor zonte de acumulação de carbonatos, rico em
de silte e predominância de argila silicatada ex- silte, possivelmente fóssil, que se formou pela
pansível do tipo 2:1. Alguns são alcalinos e al- deposição dos carbonatos trazidos por águas de
calino-salinos, apresentando, outros, acumula- áreas de rochas paleozóicas calcáreas. Obser-
ções de carbonatos. Estas variações de caracte- vado sempre em área ligeiramente elevada, "res-
rísticas químicas se deve a saturação com água tinga", quase sempre paralela, comumente
provenientes de área de rochas paleozóicas, ri- ocorre nas planícies de inundação, aparente-
cas em HCO; e ca++ , possivelmente, pela con- mente constituindo antigos diques marginais
tribuição de sais solúveis presentes na água do dos principais paranás.
mar, nas regiões costeiras baixas. Os solos desta
unidade são encontrados nas planícies de inun- GLEY HÚMICO e GLEY POUCO HÚMICO
dação de grandes rios, nas calhas de drenagem fase alcalino - c-aracterizado pela presença de
de pequenos e médios cursos d'água, e nas ilhas horizonte subsuperficial com alta percentagem
fluviais e flúvio-marinhas de grandes extensões. de sódio trocável, de pH acima de 8,2, com
pronunciada estrutura prismática e uma predo-
A vegetação é geralmente graminóide e nos ter- minância de Na+ e Mg++ no complexo de troca.
raços e ilhas temporariamente inundada$ co- Pode ocorrer plintita branda e mosqueado de

111/70
matiz avermelhado numa matriz cinzento claro. e sudeste da Ilha de Marajá e na parte central
Observados nos terraços baixos da porção leste da ilha de Gurupá.

4.12.1. CARACTERIZAÇÃO MORFOLOGICA E ANAUTICA DA UNIDADE

PERFI L N'?17 FOLHA SA.22-V-C

Classificação- Gley Pouco Húmico Eutrófico textura argilosa

Localização- Estado do Pará, Município de Prainha, margem direita do rio Amazonas, pt 122

Situação e Declividade - Terraço marginal, próximo ao rio e no início da planície de inundação


(Várzea)

Formação Geológica e Litologia - Quaternário-Holoceno. Aluviões

Material Originário- Sedimentos aluviais argilosos

Relevo Local - Praticamente Plano

Relevo Regional - Plano com microrrelevo

Drenagem- Mal drenado

Erosão- Nula

Vegetação- Gramíneas de porte elevado e aningas

Uso atual - Pastagem natural

A1g O -10 em; cinzento (10YR 6/1, úmido); argila pesada; maciça; muito firme, plástico e pega-
joso transição plana e clara.

Cg 10-60cm;cinzento (10YR 6/1, úmido), mosqueado abundante pequeno proeminente


bruno amarelado (7.5YR 6/8, úmido); argila; maciça; muito firme, plástico e pegajoso.

Observações:

1) Na planície de inundação (várzea) o solo é o mesmo e se encontra coberto por uma lâmina de
60 em d'água, no mínimo, e com vegetação de gramínea alta (Canarana).

2) O alto teor de sódio encontrado no horizonte Cg é, possivelmente, devido a sua presença


sob forma de íon solúvel.

111/71
PERFIL N<? 17
LOCAL: Estado do Pará, Munic(pio de Prainha, pt 122.

CLASSIFICAÇÃO: Gley Pouco Húmico Eutrófico textura argilosa.

Prof. % %
Protocolo Horiz. Ki Kr
c
-- 100 AI
em Si 0 2 Al 2 0 3 Fe 20 3 c N N Al+S

12435 0-10 Atg - - - - - 1,09 0,16 7 18

12436 10-60 Cg - - - - - 0,42 0,08 5 88

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v P20s


mQ
Ca++
I Mg++
I K+ Na+
I s
1
H+
l AI+++
J T %
100g

10,70 3,50 0,14 1,32 15,66 5,68 2,90 24,24 65 0,69

11,30 6,30 0,09 5,20 22,89 2,91 2,20 28,00 82 0,69

pH COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRlCA % Grau de

I I I floculação
H20 KCI Calhau Cascalho
>20mm 20-2mm
Areia
grossa
l Areia
fina I Silte
I
Argila
total I
Argila
nat.
%

4,8 3,5 - - X X 37 63 59 6

5,0 3,5 - - X X 41 59 26 56

ANÁLISE: lPEAN

111/72
PERFIL N? 18 (IDESP) FOLHA SA.22-X-B

Classificação - Gley Pouco Húmico Distrófico textura argilosa fase terras altas

Localização- Estado do Pará, Município de Salvaterra-llha de Marajó, margem esquerda do rio


Camará, próximo ao Furo do Amaral

Situação e Declividade- Area plana com 0-2% de declive

Formação Geológica e Utologia- Holoceno. Sedimentos

Material Originário - Sedimentos argilosos

Relevo local - Plano

Relevo Regional - Plano

Drenagem - 1mperfeitamente drenado

Erosão- Nula

Vegetação- Gramíneas e ciperáceas, principalmente

Uso Atual- Pastoreio extensivo

O- 18 em; cinza muito escuro (10YR 3/1, úmido); argila; moderada média blocos suban-
gulares; poros e canais poucos; duro, firme, plastico e pegajoso; transição plana e clara.

18-46cm; cinza (10YR 5/1, úmido), mosqueado abundante pequeno proeminente ver-
melho (2.5YR 5/8, úmido) e comum pequeno distinto amarelo-brunado (10YR 6/8,
úmido); argila; maciça; duro, firme, plástico e pegajoso; transição plana e gradual.
e gradual.

46 -105cm;cinza claro (10YR 7/1, úmido), mosqueado pouco pequeno distinto vermelho
(10R 4/8, úmido); argila; maciça; duro, firme, plástico e pegajoso.

Observações: Raízes finas e médias comuns, grossas poucas no A 1


Atividade de organismo comuns no A 1 •

111/73
PERFIL N? 18

LOCAL: Município de Salvaterra (Ilha do Marajó) - PA.

CLASSIFICAÇÃO: Gley Pouco Húmico Distrófico textura argilosa fase terras altas.

Prof. % %
Protocolo Horiz. Ki Kr
c
-- 100 AI
em Si0 2 Al 20 3 Fe 203 c N N AI+S

6867 0- 18 A 16,10 16,32 2,56 1,67 1,52 2,40 0,17 13 88

6868 18- 46 A3g 20,08 17,68 4,16 2,00 1,73 1,02 0,07 14 67

6869 46-105 + Cg 22,50 19,59 5,76 1,95 1,64 0,73 0,05 14 68

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v P20s


mg
Mg++ K+ s H+ AI+++ %
Ca++
I I Na+
l l I l T 100g

0,45 0,09 0,20 0,28 1,02 10,37 7,62 19,01 5 0,29

O, 15 0,06 O, 17 0,70 1,08 4,52 7,09 12,69 8 <0,29

0,50 0,12 0,10 2,30 3,02 3,60 6,32 13,23 3 <0,29

pH COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA % Grau de

I KCI Calhau _j_ Cascalho I Areia Areia


I Silte
Argila Argila
floculação
%
H20 >20mm 20-2mm grossa I fina I total I nat.

4,4 3,7 - - - 44 15 41 - 100

4,6 3,4 - - - 36 10 54 - 100

4,5 3,5 ~
- - 26 19 55 - 100

ANÁLISE: IPEAN

111/74
PERFIL N'? 19 FOLHA SA.22-V-B

Classificação - Gley Pouco Húmico Eutrófico textura argilosa fase alcalino

Localização- Estado do Pará, Município de Gurupá, pt 133

Situação e Declividade- Perfil coletado com trado de caneco, área plana com 0-2% de declive

Formação Geológica e Litologia- Quaternário, período Holoceno

Material Originário- Sedimentos siltosos e argilosos

Relevo Local - Plano

Relevo Regional - Praticamente plano

Drenagem - Mal drenado

Erosão - Nula

Vegetação- Floresta

Uso Atual - Vegetação natural

0-30cm;cinzento (10YR 6/1, úmido); franco argila siltoso; maciça; firme, plástico e
pegajoso; transiÇão plana e Clara.

30-80 em; cinzento (10YR 6/1; úmido), mosqueado comum pequeno proeminente bruno
amarelado (7.5 YR 6/8, úmido), franco argila siltoso; maciça; muito firme, plástico e
pegajoso; transição plana e clara.

80-140cm;cinzento escuro (7.5YR N4/, úmido), mosqueado comum pequeno proemi-


nente bruno amarelado (7.5 YR 6/8, úmido), franco argila siltoso; maciça; muito firme,
plástico e pegajoso.

111/75
PERFIL N~ 19
LOCAL: Estado do Pará, Municfpio de Gurupá, pt 133.

CLASSrFICAÇÃO: Gley Pouco Húmico Eutrófico textura argilosa fase alcalino.

Prof. % %
Protocolo
em
Horiz. Ki Kr -Nc 100AI
Si0 2 AI203 Fe20s c N AI+S

12492 0- 30 At - - - - - 0,55 0,10 6 27

12493 30- 80 Ctg - - - - - 0,19 0,05 4 o


12494 80-140 C2g - - - - - 0,05 0,01 5 o

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v P20s

ea++
I Mg++ I K+ Na•
I s
I H+
l AI+++
J T %
mg
100g

4,70 3,50 0,16 0,15 8,51 4,06 3,20 15,77 54 2,07

7,10 9,00 0,09 1,84 18,03 2,97 0,00 21,00 86 0,92

7,80 8,70 0,07 4,76 21,33 0,00 0,00 21,33 100 1,15

pH COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA % Grau de

I I .I floculação

~. 1
Calhau Cascalho Areia Areia Argila Argila
H20 KCI
>20mm 20-2mm grossa I fina
Silte
I total nat.
%

5,2 3,6 - - 2 X 66 32 22 31

5,8 3,7 - - X X 61 39 13 67

8,6 6,0 - - X X 69 31 26 16

ANÁLISE: IPEAN

111/76
PERFIL N9 20 FOLHA SA.22-V-C

Classificação - Gley Pouco Húmico Eutrófico textura muito argilosa fase substrato carbonático

Localização- Estado do Pará, Município de Almerim, pt. 1238

Situação e Declividade- Perfil coletado com trado, parte aplainada com 0-2% de declive

Formação Geológica e Litologia- Quaternário, período Holoceno

Material Originário- Sedimentos argilosos e siltosos

Relevo Local - Plano

Relevo Regional - Plano

Drenagem - Imperfeitamente drenado

Erosão- Nula

Vegetação- Vegetação de campo periodicamente inundado

Uso Atual - Vegetação natural

A1 0-30cm; cinzento claro (10 YR 6/1, úmido); mosqueado comum pequeno proeminente
amarelo avermelhado (5 YR 6/8, úmido); argila siltosa; muito duro, firme, muito plástico
e muito pegajoso; transição plana e abrupta.

C1 30-60 em; coloração variegada composta de bruno escuro (7.5 YR 4/4, úmido) e cinzento
(7.5 YR N6/, úmido); argila pesada; muito duro, muito firme, muito plástico e muito
pegajoso; transição plana e clara.

C2g 60-80 em; cinzento escuro (7.5 YR N4/, úmido); argila pesada; muito duro, muito firme,
muito plástico e muito pegajoso; transição plana e abrupta.

IIC3ca 80-100cm+; bruno escuro (10 YR 4/1, úmido); silte; plástico e não pegajoso.

Observação Presença de argila expansível dificultando a identificação da estrutura.

111/77
PERFIL N? 20
LOCAL: Estado do Pará; Municfpio de Almerim, pt 1238.

CLASSIFICAÇÃO: Gley Pouco Húmico Eutrófico textura muito argilosa fase substrato carbonático.

Prof. % %
Protocolo Horiz. Ki Kr
c
-- 100AI
em SiOz AI203 Fe 20 3 c N N AI +S

12488 0-· 30 At - - - - - 0,61 0,11 6 90

12489 30- 60 Ctg - - - - - 0,50 0,10 5 26

12490 60- 80 Czg - - - - - 0,49 0,07 7 6

12491 80-110 IIC 3 ca - - - - - 0,23 0,06 4 o

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v P20s

Ca++
I Mg++ l K+ Na+
\
s
l H+
1 AI+++
1 T %
mg
100g

12,00 5,50 0,21 0,50 18,21 4,30 1,80 24,31 75 2,53

12,60 2,80 0,13 2,58 18,11 5,05 6,50 29,66 61 0,92

17,00 8,10 0,12 5,35 30,57 4,93 2,00 37,50 82 0,69

34,60 15,20 0,13 10,89 60,82 0,66 0,00 61,48 99 0,69

pH COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA % Grau de

H20 I KCI Calhau ~ Cascalho


>20mm 20-2mm
I Areia
grossa
l Areia
fina ( Silte
!
Argila
total [
Argila
nat.
floculação
%

5,0 3,5 - - X X 46 54 45 17

4,7 3,2 - - X X 28 72 60 17

4,8 3,3 - - X X 25 75 60 12

6,5 5,7 - - X X 99 1 1 X

ANÁLISE: IPEAN

111/78
4.13. Solos Hidromórficos Indiscriminados Eu- Uma das indicações de ocorrência destes solos
tráficos e Distróficos em áreas tropicais se deve a JOACH IM ci-
tado no Tropical Soils dE;J MOHR e VON
Solos que apresentam perfis com horizonte BAREN, em que diz encontrarem-se áreas baixas
superficial orgânico e orgânico-mineral, com ao nível do mar. No Brasil foi descrito por
grande variação em espessura, nos quais a maté- SETZER em seu trabalho sobre os solos do
ria orgânica está total ou parcialmente decom- Estado de São Paulo e na Amazônia princi-
posta ou em ambas as formas. Possuem seqüên- palmente por DAY, por VIEIRA e OLIVEIRA
cia de camadas indiferenciadas ou de horizontes FILHO, por VIEIRA et alii, por KLINGE e por
gleyzados do tipo Bg ou Cg. Este grupamento é AL TEMULLER e KLINGE.
constituído de solos pouco evoluídos, mediana-
mente profundos, muito mal a mal drenados, Esta unidade sem muita importância agrícola
muito pouco porosos, muito ácidos e de baixa presente, caracteriza-se por possuir textura are-
capacidade de troca de cátións e saturação de nosa em todo o perfil, presença de A 2 de
bases. coloração branca ou cinza claro (N 8/0); um B
com acúmulo de humus e de sesquióxidos,
O estudo das características morfológicas destes acidez elevada e baixo conteúdo de bases trocá-
solos indica que são desenvolvidos sob grande veis.
influência de lençol freático, próximo à super-
fície, ou mesmo nesta, pelo menos em certas Assim sendo, o horizonte A, que pode apresen-
épocas do ano, evidenciada pela presença . de tar profundidade em torno de 50 em, está
cores acinzentadas e neutras (gleyzação) e pela dividido em A 1 e A 2 ; encontra-se superficial-
acumulação de matéria orgânica na parte superfi- mente escurecido pelo conteúdo de matéria
cial. orgânica, daí aparecer com uma coloração bru-
nada escura (7.5 YR 3/2) dominante. O hori-
São desenvolvidos .a partir de sedimentos alu- zonte A 2 , no matiz 10 YR apresenta coloração
viais, depósitos de baixadas e acumulações orgâ- cinza claro, com croma baixo e valor alto. Possui
nicas residuais que constituem formações refe- textura arenosa e apresenta-se solto, muito
ridas ao Holoceno. Variam grandemente em friável, não plástico e não pegajoso. A transição
decorrência da natureza do material de que são para o Bhir é ondulada e abrupta.
provenientes, podendo ser de textura das classes
argilosa ou média e compreendem solos como os O horizonte B está caracterizado por um acú-
Gley Húmico, Gley Pouco Húmico, Solos Orgâ- mulo de humus na sua parte superior e pela
nicos e alguma Laterita Hidromórfica. formação de um pan humo-arenoso corres-
pondente ao B2 • Apresenta-se com textura
Os solos componentes deste grupamento indis- arenosa, firme a muito firme, não plástico e não
criminado apresentam relevo praticamente plano, pegajoso.
correspondente às áreas de várzeas. A vegetação
dominante é de fisionomia herbácea, ocorrendo São originados a partir de sedimentos arenosos
também subarbustos em alguns locais. do Quaternário.

4.14. Podzol Hidromórfico

Vários autores têm descrito a presença de Pod-


zol Hidromórfico nos trópicos e subtrópicos.

111/79
4.14.1. CARACTERIZAÇÃO MORFOLOGICA E ANALITICA DA UNIDADE

PERFIL N~ 21 (IDESP) FOLHA SA.22-X-A

Classificação- Podzol Hidromórfico

Localização- Estado do Pará, Município de Chaves, Ilha de Marajá, fazenda Cajaueiros

Situação e Declividade- Área plana com 0-2% de declive

Formação Geológica e Litologia- Holoceno. Sedimentos

Material Originário- Sedimentos arenosos

Relevo Local - Plano

Relevo Regional - Praticamente plano

Drenagem - Moderadamente drenado

Erosão- Nula

Vegetação- Arbustiva (Umiri)

Uso Atual - Vegetação natural

0-9cm;cinzentomuito escuro (10YR3/1, úmido); areia fina; maciça porosa; muito


friável, não plástico e não pegajoso; transição plana e difusa.

9-19cm;brunoacinzentado escuro (10 YR 3/2, úmido) areia fina; maciça porosa; muito
friável, não plástico e não pegajoso; transição plana e difusa.

19- 50 em; cinzento brunado claro ( 1OY R 6/2 úmido); areia fina; maciça porosa; solto, não
plástico e não pegajoso; transição plana e gradual.

50-53 em; bruno acinzentado escuro (1 O YR 4/2, úmido); areia fina; maciça porosa; solto,
não plástico e não pegajoso; transição plana e clara.

Bh 53-77 em; bruno (7.5YR 4/4, úmido) areia fina; maciça porosa; solto, não plástico e não
pegajoso; transição plana e clara.

77-104cm;brunoamarelado (10 YR 5/3, úmido); areia fina; maciça porosa; solto, não
plástico e não pegajoso, transição ondulada e clara.

c, 104-132cm;coloraçãovariegadacomposta de amarelo (10 YR 8/6, úmido) e bruno forte


(7.5YR 5/8, úmido); areia fina; maciça porosa; muito friável, não plástico e não pegajoso;
transição ondulada e abrUpta.

111/80
132-140cm;cinzaclaro (10 YR 7/1, úmido), mosqueado bruno amarelado (10 YR 5/8,
úmido); areia fina; maciça porosa; muito friável, não plástico e não pegajoso; transição plana
e abrupta.

140-150cm;coloraçãovariegada composta de amarelo brunado (10YR6/6, úmido) e


bruno forte (7.5 YR 5/6, úmido); areia fina; maciça porosa; muito friável, não plástico e não
pegajoso; transição plana e abrupta.

150 - 160cm+; (10YR7/1, úmido); mosqueado pouco pequeno e médio distinto bruno
amarelado (7.5 YR 5/6, úmido); mosqueado pouco pequeno e médio distinto bruno amare-
lado (7.5 YR 5/6, úmido); areia fina.

Observações: Raízes finas muitas no A11 ; abundantes no A12 ; finas e médias comuns no A 2 raras no
A3; muito finas raras no Bh e 8 2
Poros e canais não visíveis no A11 ; poucos no A 12 , A2 e A3; muito no Bh; poucos no
~-
Presença de concreções ferruginosas a partir do C1 e mica no C4.

111/81
PERFIL N<? 21
LOCAL: Estado do Pará, Município de Chaves, fazenda Cajueiros.

CLASSIFICAÇÃO: Podzol Hidromórfico.

Prof. % %
-c
Protocolo
em
Horiz.
Si 02 I
Al 20 3 1 Fe20 3
Ki Kr
c
l N N
100 AI
AI +S

6473 0- 9 Au 4,78 0,51 0,60 15,88 9,92 0,87 0,08 11 30


6474 9- 19 Al2 4,43 0,25 0,40 36,53 18,27 0,44 0,03 15 13
6475 19- 50 A21 4,10 0,51 0,40 13,63 9,73 0,22 0,02 11 46
6476 50- 53 A22 4,44 0,51 0,40 14,63 10,44 0,21 0,02 10 44
6477 53- 77 Bh 4,46 0,76 0,40 10,49 8,17 0,44 0,04 11 52
6478 77-104 B2 5,18 1,04 0,81 8,53 5,69 0,24 0,02 12 84

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v P20s


mg
Ca++
I Mg++
I K'" Na+
l s
I
H+
I
A(++
I T %
100g

0,56 0,24 0,08 0,06 0,94 2,51 0,40 3,85 24 -


0,40 O, 16 0,06 0,03 0,65 0,90 O, 10 1,65 39 -
0,28 O, 12 0,04 0,02 0,46 1,25 0,40 2,11 22 -
0,16 O, 16 0,04 0,02 0,38 1'15 0,30 1,83 21 -
0,24 0,32 0,05 0,03 0,64 3,78 0,70 5,12 12 -
0,24 0,16 0,05 0,03 0,48 0,61 2,54 3,63 13 -
pH COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA % Grau de

I I floculação
H20 I KCI Calhau Cascalho
>20mm 20-2mm
Areia
gross,a
\
l Areia
fina I Silte
I
Argila
total I
Argila
nat.
%

4,0 3,2 - - 28 63 9 X - -
4,7 3,7 - - 23 71 5 1 - 100
4,7 3,7 - - 20 76 3 1 - 100
4,6 3,8 - - 23 73 2 2 - 100
5,4 3,8 - - 23 72 2 3 - 100
4,9 3,9 - - 23 71 2 4 - 100

ANÁLISE: IPEAN

111/82
4.15. Solonchak getação de campo, principalmente na Ilha de
Marajá.
Os Solonchak são solos salinos comumente
encontrados na superHcie da Terra, aparecendo 4.16. Solos Indiscriminados de Mangues
em diferentes regiões climáticas. Podem ocorrer
tanto em faixas litorâneas como continentais,
sendo que nas primeiras os sais solúveis exis- Estes solos são constituídos por sedimentos não
tentes têm relação com a água do mar que os consolidados, recentes, geralm!=lnte gleyzados,
impregnam e, no segundo, são considerados formados por material muito fino misturados a
como resultantes das condições climáticas, pela materiais orgânicos provenientes principalmente
não lixiviação dos sais solúveis liberados ou da deposição dos detritos do mangue e da
formados pela intemperização das rochas. Na atividade biológica provocada por caranguejos.
área a sua formação se dá sob condições hi- Merecem destaque, nesta unidade de mapea-
dromórficas. mento, os Solos Gley Thiomórficos, que apre-
sentam mosqueados de coloração intensa (ocre),
Estes solos estão caracterizados pela presença de denominados de "cat clay". Este material tem
sais de natureza diversa nos diferentes horizon- origem nos sedimentos depositados pela água
tes, cujos conteúdos, bastante elevados, variam salobra, pobre em carbonato de cálcio e rico em
com as estações do ano, podendo, no período sulfeto de ferro. Quando extremamente drena-
mais seco, nas regiões áridas e sem i-áridas ou dos, além de muito ácidos, portanto com pH
mesmo úmidas, apresentar eflorescência salina muito baixo, tornam-se muito compactos e de
que aparecem como resultantes do acúmulo de difícil recuperação para a agricultura.
sais transportados em ascensão capilar durante o
processo de evaporação. Ocorrem em baixadas litorâneas, onde o relevo é
plano, as vezes côncavo, aspecto este que,
Possuem perfil constituído pelos horizontes, A, acrescido da oscilação diária das marés, lhes
Bg e Cg, de profundidade média em torno de proporciona condição de má drenagem.
SOem.
A vegetação encontrada sobre estes solos é
O horizonte A está dividido em A 1 e A 2 e o ' conhecida pelo nome de mangue, cobertura
horizonte B em B1 , B2 g, onde a textura argilosa vegetal esta que se apresenta dominante e por
e significante adsorção de Na; condicionam uma vezes· uniforme.
estrutura prismática ou em blocos subangulares
grandes, fortemente desenvolvida e cerosidade Os Solos Indiscriminados de Mangue não são
incipiente, bem como algum escorregamento de utilizados agricolamente devido às grandes limi-
argila. tações que apresentam, como. excesso de água,
sais e pelos investimentos que requerem para sua
Estes solos ocorrem em relevo plano sob ve- recuperação.

111/83
4.16.1. CARACTERIZAÇÃO MORFOLÚGICA E ANALIIICA DA UNIDADE

PERFIL N?22 FOLHA SA.22-X-B

Classificação- Gley Salino Eutrófico textura argilosa

Localização- Estado do Pará, Município de Salvaterra, margem esquerda do Rio Camará

Situação e Declividade- Area plana com 0-2% de declive

Formação Geológica e Litologia- Holoceno. Sedimentos

Material Originário- Sedimentos argilosos e siltosos

Relevo Local - Plano

Relevo Regional - Praticamente plano

Drenagem- Imperfeitamente drenado

Erosão- Nula

Vegetação - Mangue; ucuúba, mututi, curtiça, verônica, burra leiteira.

Uso Atual -Vegetação natural

0-18cm;coloraçãovariegada composta de cinza (10 YR 5/1, úmido) e bruno amarelado


(10 YR 5/8, úmido); franco argila siltosa; maciça; poros e canais poucos; plástico e pegajoso;
transição plana e difusa.

18- 38cm;coloraçãovariegada composta de cinza (10 YR 5/1, úmido); bruno amarelado


(10 YR 5/6, úmido) e bruno amarelado (10 YR 5/4, úmido amassado); franco argila siltosd;
maciça; muito plástico e pegajoso; transição plana e difusa.

Bg 35-80cm; coloração variegada composta de cinza (10 YR 5/1) e bruno amarelado


(10 YR 5/4, úmido amassado); argila siltoso; maciça; muito plástico e muito pegajoso;
transição plana e difusa.

80-106cm;cinza(10YR 5/1, úmido); mosqueados pequenos e médios distintos bruno


amarelado (10 YR 5/6, úmido) e oliva (5 Y 5/3, úmido amassado); maciça; argila siltosa;
muit0 plástico e muito pegajoso; transição plana e abrupta.

106 - 136 em+; cinza (2.5 YN5/, úmido); argila siltosa; muito plástico e muito pegajoso.

Observações: Raízes fi.nas e médias comuns e grossas poucas no A 1.


Presença de folhas e galhos em decomposição no C1 g e C2 g.

111/84
PERFIL N? 22
LOCAL: Estado do Pará, Município de Salvaterra, margem esquerda do Rio Camará.

CLASSIFICAÇÃO: Gley Salino Eutrófico textura argilosa.

Prof. % %
c
-- 100AI
-Protocolo
em
Horiz.
Si0 2 Al 20 3 J Fe20 3
Ki Kr
c N N AI+S

6858 o- 18 Al 19,80 10,44 5,74 3,24 2,40 1,37 0,18 8 10


6859 18- 38 A2g 15,47 10,37 5,09 2,54 1,94 0,82 O, 11 7 19
6860 38- 80 82g 18,02 11,77 6,36 2,60 1,94 0,59 0,08 7 7
6861 80-106 C1g 23,18 13,77 8,28 2,87 2,08 0,44 0,06 7 10
6862 106-136 C2g 21,22 15,25 3,55 2,36 2,06 0,99 0,07 14 25

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v P20s


mg
Ca++
I
Mg++
I
K+ Na+
l s
I
H+
I
AI+++
I
T %
100g

2,48 6,64 0,41 1,95 11,48 4,78 1,26 17,52 66 0,29


1,68 5,04 0,31 1,66 8,69 4,59 2,09 15,37 57 -
1,60 6,56 0,30 6,29 14,75 4,20 1,18 20,63 71 -
1,56 9,20 0,46 9,79 21,01 2,75 0,21 23,97 88 -
2,40 11,84 0,47 10,58 25,29 3,74 0,64 29,67 85 0,58

pH COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA % Grau de

H20 I KCI Calhau Cascalho


>20mm 20-2mm
I I Areia
grossa I
Areia
fina I Silte
I
Argila
total I
Argila
nat.
floculação
%

5,5 3,8 - - - 5 56 39 29 26
5,0 3,5 - - - 8 57 35 27 23
4,4 3,5 - - - 6 47 47 42 11
5,3 4,7 - - - 2 47 51 51 -
4,8 4,0 - - - 3 43 54 1 5

ANÁLISE: IPEAN

111/85
4.17. Solos Aluviais Eutróficos e Distróficos camadas estratificadas que geralmente não apre-
sentam entre si relação pedogenética.
São solos predominantemente minerais, de for- Estes solos apresentam fertilidade natural que
maçao recente a partir da deposição de sedimen- varia de baixa a alta; são pouco profundos ou
tos arrastados pelas águas. Possuem um horizon- profundos, com drenagem moderada ou imper-
te A fracamente desenvolvido seguido por cama- feita e sem problemas de erosão devido a sua
das geralmente estratificadas. A composição e a situação topográfica.
granulometria apresentam-se de forma bastante
As cores normalmente variam de cinzento claro
heterogênea, estando a natureza das camadas
a cinzento escuro. A textura varia de areia à argi-
estreitamente relacionada com o tipo dos sedi-
la; a estrutura é granular ou fraca pequena e mé-
mentos depositados.
dia subangular; a consistência varia de solta a
Não há seqüência preferencial das camadas. firme, não plástica à plástica, não pegajosa à
Possuem textura que pode variar de areia franca pegajosa.
~ argila, estrutura fracamente desenvolvida na As camadas subjacentes apresentam composição
primeira camada, deixando parecer o desenvolvi- granulométrica distinta, sendo que a morfologia
mento de um horizonte A. ao qual se seguem varia principalmente em função da textura.

4, 17.1 CARACTERIZAÇÃO MORFOLÚGICA E ANALfTICA DA UNIDADE

PERFIL N? 23 (IPEAN) FOLHA SA.22-X-D

Classificação - Solo Aluvial Eutrófico textura argilosa


Localização- Estado do Pará, Ilha de Marajó. Porto de Santo Antônio, a 20 metros da margem do rio
Arari; aproximadamente 200 metros da Casa do Porto.

Situação e Declividade- Área plana com 0-2% de declive

Formação Geológica e Litologia - Ouaternário-Holoceno Aluviões

Material Originário- Sedimentos argilosos

Relevo Local - Plano

Relevo Region ai - Plano

Drenagem- Imperfeitamente drenado

Erosão - Nu la

Vegetação- Vegetação de bosque, formada por árvores de porte médio, pitombeira, folha miúda,
ingazeiro bravo, taboca

Uso Atual - Vegetação natural

0-20cm;cinzento (10YR 6/1, úmido), mosqueados comuns pequenos distintos bruno forte

111/86
(7.5 YR 5/8, úmido) e vermelho escuro (2.5 YR 3/6, úmido); franco argiloso; forte grande
blocos subangulares; duro, friável, ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso; transição
irregular e difusa.

11 20-54cm;cinzentoclaro(10YR7/2, úmido), mosqueados abundantes pequenos e médios


bruno forte (7.5 YR 5/8, úmido) e vermelho escuro (2.5 YR 3/6, úmido); franco; forte mé-
dio e grande blocos subangulares; duro, friável, ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso;
transição plana e clara.

111 54-86 em; cinzento (7.5YR 6/0, úmido) mosqueados abundantes distintos vermelho escuro
(2.5YR 3/6, úmido) e amarelo avermelhado (7.5 YR 6/8, úmido); argila; fraca média
grumosa; duro, friável, plástico e pegajoso; transição plana e gradual.

IV 86-116cm;brunoforte(7.5YR5/8, úmido), mosqueados abundante pequeno e distinto


amarelo avermelhado (7.5 YR 6/8, úmido) e comum pequeno e distinto bruno averme-
lhado escuro (5 YR 3/4, úmido); argila; moderada a forte média a grande blocos
subangulares; friável, plástico e pegajoso; transição plana e gradual.

V 116-190cm;cinzentoescuro (7.5 YR, 4/0, úmido), mosqueados pouco comum médio e


distinto bruno avermelhado·escuro (5 YR 3/4, úmido) e pouco pequeno amarelo averme-
lhado (7.5 YR 6/8, úmido); argila; maciça, friável, plástico e pegajoso.

Observações: Raízes finas com maior incidência nas camadas I e 11 com ramificações para as demais
camadas, porém em menor quantidade; nas camadas 111, IV e V raízes mais grossas e
menos abundante.

Na parte central da camada 11, existe uma zona bem definida de sedimentação em
forma de lâminas (estratificação).

Na camada 111, em toda sua extensão horizontal existem veias de carvão vegetal.

111/87
PERFIL N<? 23
LOCAL: Estado do Pará, Ilha de Marajó. Porto de Santo Antonio.

CLASSIFICAÇÃO: Solo Aluvial Eutrófico textura argilosa

Prof. % %
Protocolo Horiz. Ki Kr
c
-- 100 AI
em Si0 2 Al 20 3 Fe 20 3 c N N AI +S

2251 0- 20 I 17,00 9,52 6,72 3,04 2,09 0,71 0,058 12,2 69


2252 20- 54 li 12,70 9,52 7,32 2,19 1,46 0,49 0,053 10,8 48
2253 54- 86 111 23,40 10,04 7,04 3,92 2,72 0,585 0,044 13,2 38
2254 86-116 IV 20,00 9,80 5,76 3,43 2,50 0,435 0,042 10,3 11
2255 116-150 v 20,20 10,88 6,40 3,16 2,30 0,340 0,030 11,3 18

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v P20s


mg
%
Ca++
I
Mg++
I
K+ Na+
I s
I H+
I
AI+++
I T 100g

0,91 0,144 0,292 0,417 1,763 6,20 4,07 12,03 17,57 -


0,96 0,197 0,190 0.469 1,816 3,87 1,71 7,39 24,55 -
1,52 0,175 O, 127 0,445 2,267 4,32 3,64 10,22 22,18 -
1,82 0,231 0,200 1,809 4,060 3,89 0,54 8,49 47,82 -
1,43 0,365 0,207 2,84 5,842 2,72 0,11 8,67 67,32 ---

pH COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA % Grau de


floculação
I KCI Calhau Cascalho I I Areia Areia
Silte
Argila Argila
%
H20 >20mm 20,-2mm grossa I fina I I total I nat.

- - - - - 41,60 26,40 32,00 - -


- - - - - 31,20 41,60 27,20 - -
- - - - - 24,80 26,40 48,80 - -
- - - - - 24,40 31,20 44,80 - -
- - - - - 34,40 22.40 43,20 - -

ANÁLISE: IPEAN

111/88
4.18. Solos Litólicos Distróficos Estes solos apresentam horizonte A com espes-
sura de 15 a 20 em, fracamente desenvolvido,
A presente unidade está constituída por solos constituindo perfis do tipo AR; podendo ainda
onde o horizonte A repousa diretamente ou não aparecer horizontes A 11 e A 12 sobre o R.
sobre a rocha R com perfil pouco evolu {do,
bastante raso, de textura e fertilidade variável Apresentam cores nos matizes 10 YR, e 5 YR
dependendo do material originário. com valores de 3 a 4 e cromas de 2 a 4, textura
franco argilosa à argilosa, freqüentemente com
São encontrados em áreas de relevo ondulado a cascalho, estrutura fracamente desenvolvida, ge-
montanhoso, geralmente sob vegetação arbórea. ralmente subangular, consistência ligeiramente
pegajosa a pegajosa. Este horizonte transiciona
Na área podem ser encontrados Litólicos de para a rocha de maneira abrupta ou clara e plana
arenitos, quartzitos, granitos, rochas eruptivas ou ondulada.
básicas, filitos e xistos.

111/89
5. LEGENDA tivo da imagem de radar, estabelecido durante os
trabalhos de campo.
A legenda de identificação das unidades de
mapeamento está formada, em sua maioria, por São considerados como inclusões, os solos que
associações de solos devido ao caráter genera- ocupam extensão inferior a 15% da área total de
lizado do mapeamento. O padrão intrincado de determinada unidade de mapeamento, não sendo
alguns solos, levou a ser estabelecido, predo- por essa razão representados no mapa, embora
minantemente associações constantes no máxi- sejam citados no relatório.
mo de três componentes.
O símbolo de cada unidade de mapeamento está
Em primeiro lugar figura o componente de em função do primeiro componente das associa-
maior importância sob o ponto de vista de ções. Assim a unidade que contiver o LATOS-
extensão ou de mel hores qual idades para a SOLO VERMELHO AMARELO como primeiro
agricultura, isto no caso de solos com áreas componente receberá o símbolo L V e assim
equivalentes. A seguir, em ordem decrescente sucessivamente.
I

aparecem os demais componentes, sempre condi-


cionado ao critério extensão e qualidade. A seguir a legenda de identificação das unidades
de mapeamento encontradas na área.
A determinação das porcentagens dos compo-
nentes das associações foi feita estimativamente
e baseado em inferências do padrão interpreta-

111/90
LEGENDA DE IDENTIFICAÇÃO DAS UNIDADES DE MAPEAMENTO

Unidade de Mapeamento Ma~erial


Relevo
Classe ou Originário
Caracterização Símbolo Associação

Latossolo Amarelo LA 1 +++ LA d. m. arg. Plano Sedimentos argilosos


(F. Barreiras)

LA 2 +++ LA d. arg. Suave ondulado e Sedimentos argilosos (F.


ondulado ~arreiras e F. ltapicuru)

LA 3 +++ LA d. med. Planei e suave Sedimentos argilo arenosos


+AOd. ondulado (Quaternário e F. Barreiras)

LA 4 +++ LA d. arg. Suave ondulado e Sedimentos argilosos e


+LA d. med. ondulado argilo-arenoso (F. Barreiras)

LA 5 +++ LA d. med. Suave ondulado a Sedimentos argilo arenosos


+LA d. arg. ondulado (F. Barreiras)

LA 6 +++ LA d, arg. Ondulado e forte Sedimentos argilosos


+ CL d. indisc. ondulado (F. Barreiras e F. ltapicuru)

LA 7 +++ LA d. med. Suave ondulado a Sedimentos argilo arenosos


+ CL d. indisc. ondulado (F. Barreiras)

LA 8 +++ LA d. arg. Ondulado a forte Sedimentos argilosos e


+LA d. med. ondulado com argilo arenosos (Quaternário
+ CL d. indisc. áreas aplainadas e F. Barreiras)

LA 9 +++ LA d, med. Plano Sedimentos argilo arenosos


+ GPH d. arg. (Quaternário) -

LA 10 ++LA d. med.
++ HP Plano e suave Sedimentos argilo arenosos
++ CL d. indisc. ondulado e arenosos (F. Barreiras)

LA 11 +++ LA d. med. Suave ondulado Sedimentos argilo arenosos


+LA d. arg. (dissecado) a e argilosos (F. Barreiras)
+ CL d. indisc. plano
(AOd.)

LA 12 +++ LA d. med. Sedimentos argilo arenosos e


+ HL d. indisc. Plano argilosos (Ouaternário-
+ GPH d. indisc. Holoceno)
(AO d.)

LA 13 +++ LA d. arg. Suave ondulado Cobertura de sedimentos do


Barreiras
+LA d. med. e ondulado Folhelhos e siltitos (F. Curuá)
+ PVA arg. Arenito (F. Trombetas)

LA 14 +++ LA d. arg: Suave ondulado e Cobertura de sedimentos do


Barreiras
+ LE d. arg. ondulado Folhelhos e siltitos (F. Curuá)
(HL d. indisc.) Arenito (F. Monte Alegre)

111/91
LEGENDA DE IDENTIFICAÇÃO DAS UNIDADES DE MAPEAMENTO

Unidade de Mapeamento Material


Relevo
Classe ou Originário
Caracterização S(mbolo Associação

Latossolo LV 1 +++ LVA d. arg. Ondulado e forte Migmatitos e gnaisse


Vermelho Amarelo + PVA arg. ondulado (Pré-Cambriano)

LV2 +++ LVA d. arg. Suave ondulado e Xistos, filitos, quartzitos


+LVAd. med. ondulado (Grupo Tocantins)

LV 3 ++ LVA d. arg. Suave ondulado e Xistos, filitos e quartzitos


++ LVA d. med. ondulado (com escarpas) {G. Tocantins)e arenito
++ Li d. indisc. grosseiro (F. Trombetas)
Arenito grosseiro
LV4 +++ LVA d. arg. Ondulado e forte (F. Trombetas)
+ PVA arg. ondulado (fortemente e
FoÍhelho siltito
+ Li d. indisc. dissecado) (F. Curuá)

LV 5 +++ LVAd. plint. med. Plano Sedimentos do Holoceno


+ GPH d. indisc.

Terra Roxa TR 1 +++ TRE e arg. Ondulado Rochas básicas


Estruturada + BA arg.
+ LR e arg.

TR2 +++ TRE e arg. Folhelho e siltito (F. Curuá)


+ PVA arg. Ondulado e Intrusivas básicas
+ LVA d. arg.

TR 3 +++ TRE d. arg. Folhelho e siltito


+ PVA arg. Ondulado (F. Curuá)

Podzólico
Vermelho PB 1 +++ PVA arg. Ondulado e forte Migmatitos, granitos
Amarelo + LVA d. arg. ondulado (Complexo guianense)

PB 2 ++ PVA arg. Ondulado e forte Granitos e riolitos


++ Li d. indisc. ondulado (Complexo Guianense e Xingu)
lAR)

PB 3 +++ PVA arg. Suave ondulado Granitos, principalmente


+ PVA e arg. a ondulado (Complexo Xingu)
(PVAcasc. arg.)
(LVAd. med.l

PB 4 ++ PVA arg.
++ PVA plint. arg. Ondulado e forte Granitos, principalmente
++ Li d. indisc. ondulado (Complexo Xingu)

PB 5 +++ PVA arg. Suave ondulado Granitos, principalmente,


+ LVA d. arg. profundamente alterados
+ LVAd.med. (Complexo Xingu)

111/92
LEGENDA DE IDENTIFICAÇÃO DAS UNIDADES DE MAPEAMENTO

Unidade de Mapeamento Material


Relevo
Classe ou Originário
Caracterização Slmbolo Associação

PB 6 ++ PVA arg. Suave ondulado e Granitos, principalmente,


++ PVA plint. arg. ondulado profundamente alterados.
++ LVA d. arg. (Complexo Xingu)

PB 7 +++ PVA arg. Forte ondulado Sedimentos argilosos


+LA d. arg. a montanhoso (F. Barreiras)
+ CL d. indisc. fortemente dissecado

PB 8 +++ PVA arg. Folhelho e siltito


+ LVA d. arg. Forte ondulado (F. Curuá) e Migmatitos
+ Li d. indisc. (Complexo Guianense)

Solos Concrecionários CL 1 +++ CL d. indisç. Ondulado Sedimentos argilosos


Later(ticos +LA d. arg. dissecado (F. Barreiras)

CL 2 ++ CL d. indisc. Plano e suave Sedimentos argilo arenosos


++LA d. med. ondulado e arenoso (F. Barreiras)
(HP)

Solos Areno AQ 1 +++ AQd, Plano Sedimentos inconsolidados


Quartzosos Profundos (Quaternário)

AQ2 +++ AQd. Sedimentos inconsolidados


+ HL d. indisc. Plano (Quaternário)

AQ3 +++ AQd. Sedimentos inconsolidados


+ HL d. indisc. Plano (Quaternário)
+AQM d.

Laterita HL 1 +++ HL d. indisc. Sedimentos inconsolidados


Hidromórfica +AQd. Plano (Quaternário)

HL2 ++ HL d. indisc. Sedimentos inconsolidados


++ SK indisc. Plano (Quaternário)

HL 3 +++ HL d. indisc. Sedimentos inconsolidados


+ GPH e. d. indisc. Plano (Quaternário)
+A e. d. indisc.

HL4 +++ HL d. indisc. Sedimentos inconsolidados


+AQd. Plano (Quaternário)
+A e. d. indisc.

HL 5 +++ HL d. indisc. Sedimentos arenosos


+ GPH e. d. indisc. Plano e argilo arenosos
+AQd. (Holoceno e F.
(LA d. med.) Barreiras)

111/93
LEGENDA DE IDENTIFICAÇÃO DAS UNIDADES DE MAPEAMENTO

Unidade de Mapeamento Material


Relevo
Classe ou Originário
Caracterização Sfmbolo Associação

HL6 ++ H L d. indisc. Plano Sedimentos argilo arenosos


++ PVA plint. arg. (Holoceno e F. Barreiras)
++ GPH e. d. indisc.

Solos Hidromórficos HG 1 +++ HG e. arg. Sedimentos inconsolidados


Gleyzados +A e. d. indisc. Plano (Holoceno)

HG 2 +++ HG e. d. indisc. Sedimentos inconsolidados


+A e. d. indisc. Plano (Holoceno)
+ HL d. indisc.

HG 3 +++ HG e. d. indisc. Sedimentos inconsolidados


+A e. d. indisc. Plano (Holoceno)

Solos Hidromórficos Hl 1 +++ HI e. d. indisc. Plano Sedimentos inconsolidados


Indiscriminados (Holoceno)

H12 +++ HI d. indisc. Plano e suave Sedimentos inconsolidados


+ PVA plint. arg. ondulado (Holoceno)

Hl3 +++ HI e. d. indisc. Sedimentos inconsolidados


+ SK indisc. Plano (Holoceno)

H14 +++ HI e. d. lndisc. Sedimentos inconsolidados


+LA d. med. Plano (Quaternário)
+AQd.

Podzol Hidromórfico HP 1 +++ HP Plano Sedimentos arenosos


(F. Barreiras)

HP 2 ++ HP Sedimentos arenosos
++LA d. med. Plano (Holoceno e F. Barreiras)

Solos Halomórficos SK +++ SK indisc. Plano Sedimentos inconsolidados


(Holoceno)

SM 1 +++ SM indisc. Plano Sedimentos inconsolidados


(Holoceno)

SM 2 +++ SM indisc. Sedimentos inconsolidados


+ GPH e. d. indisc. Plano (Holoceno)
tAQM d.
(A e. d. indisc.)

111/94
LEGENDA DE IDENTIFICAÇÃO DAS UNIDADES DE MAPEAMENTO

Unidade de Mapeamento Material ia I


Relevo
Classe ou Originário o
Caracterização Símbolo Associação

Solos Aluviais A1 +++A e. d. indisc. Plano Sedimentos inconsolidados


+ H I e. d. indisc. (Holoceno)

A2 +++A e. indisc. Sedimentos inconsolidados


+ HG e. arg. Plano (Holoceno)

Solos Litólicos R1 +++ Li d. indisc. Montanhoso e Sedimentos


+LA d. arg. escarpado com áreas argilosos
aplainadas (F. Barreiras)

R2 +++ Li d. indisc. Forte ondulado a Sedimentos argilosos (F.


+ PVA arg. montanhoso e Barreiras e
(PVA cn arg.) escarpado F. ltaituba)

R3 +++ Li d. indisc. Plano e suave Sedimentos (Quaternário :e


+ HI e. d. indisc. ondulado Terciário)

R4 +++ Li d. indisc. Forte ondulado Quartzitos, xistos, filitos


+AR a montanhoso e anfibolitos (Gr. Vila Nova)

R5 +++ Li d. indisc. Forte ondulado a Granitos e riolitos


+ PVA arg. montanhoso (Complexo Xingu)
+AR

Afloramentos AR +++AR Suave onduloso Granitos, gnaisses e


Rochosos migmatitos

Simbologia Usada na Legenda de Identificação das Unidades de Mapeamento

A Solos Aluviais SK Solonchak


AQ Areias Quartzosas SM Solos indiscriminados de Mangues
AQM Areias Quartzosas Marinhas TRE Terra Roxa Estruturada
AR Afloramentos Rochosos +++ Domiância que ocupa mais de 50%
BA Brunizém Avermelhado ++ Condominância que ocupa menos de 50% e mais de 20%
CL Solos Concrecionários Lateríticos Indiscriminados + Subdominância que ocupa meDos de 50% e mais de 20%
GHP Gley Pouco Húmico na qual existe outro componente com mais de 50%
HG Solos Hidromórfiéos Gleyzados Inclusão
HI Solos Hidromórficos Indiscriminados arg Textura Argilosa
HL Laterita Hidromórfica cas cascalhento
HP Podzol Hidromórfico cn Concrecionário
LA Latossolo Amarelo d Distrófico
LE Latossolo Vermelho Escuro e Eutrófico
Li Solos Litólicos indisc Textura Indiscriminada
LR Latossolo Roxo m.arg. Textura Muito Argilosa
LVA Latossolo Vermelho Amarelo med Textura Média
PVA Podzólico Vermelho Amarelo plínt Plíntico
PVAe Podzólico Vermelho Amarelo Equivalente Eutrófico

111/95
6. DESCRIÇÃO DAS UNIDADES DE MAPEA·
MENTO

UNIDADE DE MAPEAMENTO- LA 1 UNIDADE DE MAPEAMENTO- LA4


Latossolo Amarelo Distrófico textura muito Latossolo Amarelo Distrófico textura argilosa
argilosa Latossolo Amarelo Distrófico textura média
Ocorre ao sul da área em relevo praticamente Esta unidade compreende solos com B latossó-
plano, nas cotas mais elevadas o que corresponde lico, profundos, textura argilosa e média, bem e
às superfícies mais antigas dos platôs terciários fortemente drenados, estrutura maciça e fer-
da Formação Barreiras. São solos de textura tilidade natural baixa. Ocorrem principalmen-
muito argilosa (teor de argila> 60%), profundos, te a sudeste e oeste da área próximo ao
bem drenados, estrutura maciça e fertilidade na- Amazonas, em relevo suave ondulado e ondu-
tural baixa. lado são formados de sedimentos argilosos e
argila-arenosos do Barreiras.
UNIDADE DE MAPEAMENTO- LA 2
Latossolo Amarelo Distrófico textura argilosa UNIDADE DE MAPEAMENTO LA5
A principal ocorrência desta unidade de mapea- Latossolo Amarelo Distrófico textura média
mento se verifica nas superHcies dissecadas de Latossolo Amarelo Distrófico textura argilosa
relevo suave ondulado a sudeste e sudoeste da Compreendem solos com B latossólico, profun-
área, com pequenas manifestações a noroeste dos textura média e argilosa, fortemente e
próximo aos rios Jari e Paru. São formados a bem drenados, estrutura maciça e fertilidade
partir de sedimentos argilosos do Terciário, natural baixa.
Formação Barreiras. Apresentam textura argilosa
(porcentagem de argila entre 35 e 60%), profun- É encontrada principalmente a leste da área e em
dos a muito profundos, bem drenados, estrutura ambas as margens do baixo curso do Xingu, em
maciça e fertilidade natural baixa. relevo suave ondulado a ondulado e resultante
de sedimentos argila-arenosos do Barreiras.
UNIDADE DE MAPEAMENTO- LA3
Latossolo Amarelo Distrófico textura média UNIDADE DE MAPEAMENTO- LA5
Areias Quartzosas Distróficas Latossolo Amarelo Distrófíco textura argilosa
Esta unidade ocorre ao sul da cidade de Portei, Solos Concrecionários Laterlticos Indiscri-
margem esquerda do baixo Tocantins, nas cer- minados Distróficos textura indiscriminada.
canias da fazenda Jari, ao norte de Belém O relevo dominante desta unidade de mapea-
incluindo o centro da ilha de Mosqueiro e uma mento e ondulado podendo ocorrer o forte
faixa litorânea até Vigia, e ainda, pequena ondulado. Nas partes mais dissecadas ocorrem os
ocorrência junto à cidade de Soure, no Marajá. Solos Concrecionários Lateríticos Indiscrimi-
O relevo é plano e suave ondulado e são nados que se apresentam com textura argilosa e
formados a partir de sedimentos argila arenosos grande quantidade de concreções, medianamente
e arenosos do Barreiras e do Ouartenário. São profundos e fertilidade natural baixa. A es-
solos de textura média (porcentagem de argila trutura é geralmente mascarada pelos concre-
entre 15 a 35%) e arenosos, profundos e mui to ções. O Latossolo Amarelo, que figura como
profundos, forte e excessivamente drenados, componente principal, aparece geralmente nas
estrutura maciça e fertilidade natural baixa. áreas de relevo ondulado. São solos prof1mdos,

111/96
e, textura argilosa, bem drenados e fertili- grande composta de blocos subangulares e ferti-
dade natural baixa. Esta unidade é encontrada a lidade natural baixa.
leste, centro-oeste e norte da área sobre material
da Formação Barreiras e ltapicuru. Esta unidade ocorre no centro da área próximo a
Portei, a sudeste nas cabeceiras do rio Capim e,
UNIDADE DE MAPEAMENTO- LA 7 esparsamente, margeando o rio Paru, em relevo
Latossolo Amarelo Distrófico textura média plano tendo como material de origem sedimen-
Solos Concrecionários Laterlticos Indiscrimina- tos argilo arenosos e argilosos do Quaternário.
dos Distróficos textura indiscriminada
Esta unidade encerra solos profundos e mediana- UNIDADE DE MAPEAMENTO- LÂ 10
mente profundos, textura média e argilosa, Latossolo Amarelo Distrófico textura média
fortemente e bem drenados, estrutura maciça e Intermediário para Laterita Hidromórfica
indiscriminada e fertilidade natural baixa. Ocor- Podzol Hidromórfico
rem a leste em grandes áreas ao sul e norte Solos Concrecionários Latedticos Indiscrimi-
do Guamá, na margem esquerda da desemboca- nados Distróficos textura indiscriminada
dura do Xingu e a noroeste da área principal- Esta unidade de mapeamento compreende solos
mente junto aos rios Jari e Paru, em relevo suave profundos e medianamente profundos, textura
ondulado a ondulado, tendo como material de média, arenosa e indiscriminada, estrutura maci-
origem sedimentar argilo arenoso do Barreiras. ça e em grãos simples e em alguns casos
mascarada pelas concreções. A fertilidade natu-
UNIDADE DE MAPEAMENTO- LAs ral é baixa a muito baixa. O relevo é plano e
Latossolo Amarelo Distrófico textura argilosa suavemente ondulado e a drenagem, em grande
Latossolo Amarelo Distrófico textura média parte, apresenta-se impedida devido à presença,
Solos Concrecionários Laterlticos Indiscrimi- em profundidade, de uma camada de permeabili-
nados Distróficos textura Indiscriminada. dade lenta, ao lençol freático não muito profun-
Compreendem solos profundos e medianamente do e/ou adição de água por translocação lateral
profundos, textura argilosa, média e argilosa interna, embora superficialmente a permeabili-
com concreções, forte e excessivamente drena- dade seja, algumas vezes, excessiva. A área de
dos, estrutura maciça e indiscriminada e ferti- ocorrência situa-se próxima às desembocaduras
lidade natural baixa. Esta unidade de mapeamen- dos rios Tocantins e Moju e o material de
to ocorre principalmente a sudoeste da área das origem são sedimentos argilo arenoso e arenosos
cabeceiras do Jarauçu e afluentes do Curuá, bem da Formação Barreiras.
como ao norte do Amazonas estendendo-se do
rio Jari para nordeste penetrando na região de UNIDADE DE MAPEAMENTO- LA 11
Macapá. O relevo é ondulado a forte ondulado Latossolo Amarelo Distrófico textura média
com áreas aplainadas e tem como material de Latossolo Amarelo Distrófico textura argilosa
origem sedimentas argilosos e argilo arenosos do Solos Concrecionários Lateríticos Indiscrimi-
Quaternário e Barreiras. nados Distróficos textura indiscriminada
Compõem esta unidade de mapeamento solos
UNIDADE DE MAPEAMENTO- LA9 profundos e medianamente profundos, textura
Latossolo Amarelo Distrófico textura média média, argilosa e indiscriminada, fortemente e
Gley Pouco Húmico Distrófico textura argilosa bem drenados, estrutura maciça e fertilidade
Os solos componentes desta unidade de mapea- natural baixa.
mento são profundos e medianamente profun-
dos, textura média e argilosa, moderadamente e Ocorrem extensivamente no centro da área
mal drenados, estrutura maciça e prismática desde o contato do Pré-Cambriano até o Amazo-

111/97
nas e do Xingu ao Tocantins, estendendo-se em (Laterita Hidromórfica Distrófica textura· indis-
ambas as margens deste. Outra ocorrência de criminada)
significação registra-se ao norte do Amazonas e Esta unidade de mapeamento é composta de
oeste do Paru, sempre em área do Terciário- solos argilosos, profundos, bem drenados, estru-
-Barreiras. O relevo dominante é o suave ondu- tura maciça e fertilidade natural baixa a média.
lado encontrando-se também áreas aplainadas Sua ocorrência se verifica a sudoeste da área em
matérias provenientes da decomposição de tolhe-
UNIDADE DE MAPEAMENTO- LA 12 lhos e siltitos da Formação Curuá (Devoniano) e
Latossolo Amarelo Distrófico textura média arenito fino da Formação Monte Alegre (Carbo-
Laterita Hidromórfica Distrófica textura indis- nífero) com capeamento de sedimentos argilosos
criminada da Formação Barreiras (Terciário), que originam
Gley Pouco Húmico Distrófico textura indiscri- os Latossolos Amarelos. O relevo da unidade
minada varia de suave ondulado a ondulado.
(Areia Quartzosas Distróficas)
Compreendem esta Unidade de mapeamento A nível de inclusão encontram-se solos bastante
solos profundos e medianamente profundos, intemperizados, argilosos, com presença de mos-
fortemente e mal drenados, textura média e queados a partir da parte superior do B, embora
argilosa, estrutura maciça e em blocos subangu- atualmente apresentem drenagem livre.
lares, e fertilidade natural baixa a média.
UNIDADE DE MAPEAMENTO- L V 1
Esta unidade ocorre principalmente no centro- Latossolo Vermelho Amarelo Distrófico textura
-norte da área na região continental junto ao argilosa.
Marajá, em relevo plano, tendo como material Podzólico Vermelho Amarelo textura argilosa
de origem dos solos sedimentos argila-arenosos e Esta unidade de mapeamento compreende solos
argilosos do Quaternário. argilosos, profundos, bem drenados, estrutura
maciça e em blocos subangulares e fertilidade
UNIDADE DE MAPEAMENTO- LA 13 natural baixa. Ocorrem em relevo ondulado e
Latossolo Amarelo Distrófico textura argilosa forte ondulado, estando o Latossolo relacionado
Latossolo Amarelo Distrófico texturà média aos relevos menos dissecados e a morros de topo
Podzó/ico Vermelho Amarelo textura argilosa arredondados.
Esta unidade de mapeamento ocorre a sudoeste
da área em relevo suave ondulado e ondulado, É encontrada em grandes extensões a noroeste
sendo os solos desenvolvidos a partir de sedimen- da área estendendo-se para o Território do
tos argilosos da Formação Barreiras, que ca- Amapá, sobre rochas do Pré-Cambriano. Ocorre
peiam, em espessura variável, materiais prove- ainda próximo a Altamira, sobre material da
nientes da decomposição de folhelhos e siltitos decomposição de migmatitos e gnaisses do Com-
da Formação Curuá (Devoniano) e arenito gros- plexo Xingu, e no centro-sul na área de contato
seiro da Formação Trombetas (Siluriano). Com- Barreiras-Pré-Cambriano.
preende solos, profundos bem drenados, estru-
tura maciça e em blocos subangulares, textura UNIDADE DE MAPEAMENTO- L V2
argilosa e média e fertilidade natural baixa. Latossolo Vermelho Amarelo Distrófíco textura
argilosa
UNIDADE DE MAPEAMENTO- LA 14 Latossolo Vermelho Amarelo Distrófico textura
Latossolo Amarelo Distrófico textura argilosa média
Latossolo Vermelho Escuro Distrófico textura Esta unidade de mapeamento ocorre em relevo
argilosa suave ondulado e ondulado, principalmente a

111/98
noroeste da área junto ao rio Jari, tendo como UNIDADE DE MAPEAMENTO- L v5
material de origem, xistos, filitos e quartzitos. Latossolo Vermelho-Amarelo Distrófico
Embora em pequena extensão, também ocorre plíntico textura média
ao sul da região em área de Pré-Cambriano. G/ey Pouco Húmico Distrófico textura indiscri-
Os solos desta associação são profundos, de tex- minada
tura argilosa e média, bem drenados, com estru- A presente unidade de mapeamento compreende
tura maciça e fertilidade natural baixa. solos de textura média e indiscriminada, profun-
dos e medianamente profundós, imperfeitamen-
UNIDADE DE MAPEAMENTO- L V3 te e mal drenados, estrutura maciça e prismática
Latossolo Vermelho-Amarelo Distrófico textura grande composta de blocos subangulares e fertili-
argilosa dade natural baixa. Ocorre a noroeste da área,
Latossolo Vermelho-Amarelo Distrófico textura no médio curso dos rios Jari e Paru, em relevo
média praticamente plano. Estes solos são formados a
Solos Litólicos Distróficos textura indiscri- partir de sedimentos do Holoceno.
minada UNIDADE DE MAPEAMENTO- TRt
Os solos componentes desta unidade de mapea-
Terra Roxa Estruturada Eutrófica textura argilosa
mento ocorrem em co-dominância e apre-
Brunizém Avermelhado textura argilosa
sentam-se profundos e rasos, de textura argi Iosa
Latossolo Roxo Eutrófico textura argilosa
e média, bem e fortemente drenados, estrutura Os solos compreendidos nesta unidade de ma-
maciça e fertilidade natural baixa, com seqüên- peamento apresentam-se profundos e mediana-
cia de horizontes A, B e C e A e R. Esta unidade mente profundos, textura argilosa, bem drena-
ocorre em relevo suave ondulado com presença dos, com horizonte B textural e B latossólico e
constante de escarpas que constituem os restos
fertilidade natural alta.
das chapadas aren íticas da Formação Trombetas
e pequena área sobre folhelhos e siltito da For- Esta unidade é encontrada a partir do Km 74 até o
maÇão Curuá em relevo ondulado, a noroeste da Km 108 da T ransamazôn ica no trecho compreen-
dido entreascidadesdeAitamirae ltaituba. Ocor-
área cortando transversalmente os rios Jari e
Paru, e ainda, em relevo suave ondulado a ondu- re em relevo ondulado e é proveniente da decom-
lado sobre rochas do pré-Cambriano, Formação posição de rochas básicas (basalto e diabásio).
Tocantins, ao sul da área, margem esquerda do UNIDADE DE MAPEAMENTO- TR2
rio de mesmo nome. Terra Roxa Estruturada Eutrófica textura argilosa
UNIDADE DE MAPEAMENTO- L v4 Podzólico Vermelho-Amare/o textura argilosa
Latossolo Vermelho-Amarelo Distrófico textura L atossolo Vermelho-Amarelo Distrófico textura
argilosa argilosa
Podzó/ico Vermelho-Amarelo textura argilosa Desta unidade de mapeamento constam solos
S o I os Litólicos Distróficos textura indiscri- minerais, profundos e medianamente profundos,
minada de textura argilosa, bem drenados, com horizon-
Ocorrem nesta unidade de mapeamento, solos de te B textura! e B latossólico e de fertilidade na-
textura argilosa, profundos e rasos, bem e forte- tural variando de alta a baixa.
mente drenados, estrutura maciça, em blocos Esta unidade ocorre nas proximidades de Altami-
subangulares e indiscriminada e fertilidade natu- ra, junto ao rio Xingu, em relevo ondulado sendo
ral baixa. O relevo é ondulado e forte ondulado os solos provenientes da decomposição de falhe-
fortemente dissecado, e o material de origem é lho e siltito micáceo e intrusivas básicas (Diabásio).
proveniente da decomposição de xistos e arenito UNIDADE DE MAPEAMENTO- TR3
grosseiro, ocorrendo a noroeste da área, próximo Terra Roxa Estruturada Distrófica textura argilosa
ao rio Jari. Podzó/ico Vermelho-Amare/o textura argilosa
Esta unidade aparece ainda, com pequena exp- Esta unidade de mapeamento é constituída de
ressão, ao sul da área, próximo ao rio Xingu, em solos minerais, profundos e medianamente pro-
relevo forte ondulado e desenvolvida a partir de fundos, de textura argilosa, bem drenados, com
xistos da Formação Xingu. horizonte B textura! e de fertilidade natural

111/99
média a baixa. São encontrados em área de rPodzólico Vermelho Amarelo cascalhento tex-
relevo ondulado e provenientes da decompo- tura argilosa e Latossolo Vermelho Amarelo Ois-
sição de folhelhos e siltitos. Ocorre na margem tráfico textura média)
direita do rio Jari, ao norte de Monte Dourado. Esta unidade é constituída de solos minerais
com horizonte B textura!, não hídromórficos,
UNIDADE DE MAPEAMENTO- PB1 argilosos, bem drenados, profundos e fertilidade
Podzólico Vermelho Amarelo textura argilosa natural variando de baixa a alta.
Latossolo Vermelho Amarelo Distrófico textura
argilosa Outras classes de solo são também encontradas
Esta unidade de mapeamento compreende solos nesta unidade de mapeamento, como o Podzóli-
minerais, argilosos, profundos, bem drenados, co Vermelho Amarelo cascalhento e Latossolo
com horizontes bem diferenciados ou não e Vermelho Amarelo textura média, ambos a nível
consistência firme a friável, quando o solo está de inclusão. ~ encontrada a sudoeste da área,
úmido. próximo ao rio lriri, em relevo suave ondulado a
ondulado, sob vegetação de floresta e desenvolvi-
Os solos desta unidade apresentam seqüência de dos sobre material proveniente da decomposição
horizontes A, B e C, são ácidos e na sua maioria de granitos, principalmente.
de ferti I idade baixa.
UNIDADE DE MAPEAMENTO- PB4
Ocorrem em relevo ondulado e forte ondulado, a Podzólico Vermelho-Amarelo textura argilosa
noroeste da área em material do Complexo Podzólico Vermelho-Amarelo plíntico textura
Guianense (migmatitos e gnaisses, principalmen- argilosa
te}, e a sudoeste em material da Formação Solos Litólicos Distróficos textura indiscrimi-
Trombetas (arenito} e Formação Curuá (falhe-
nada
lho e siltito micáceo}.
Compreendem solos minerais, medianamente
profundos e rasos, bem drenados, ácidos, textura
UNIDADE DE MAPEAMENTO- PB2
argilosa, sendo que no Podzólico Vermelho
Podzó/ico Vermelho-Amare/o textura argilosa
Amarelo pode haver ocorrência de plintita.
Solos Litólicos Distróficos textura indiscri-
minada.
Os solos integrantes desta unidade de mapea-
(Afloramentos Rochosos)
mento apresentam seqüência de horizontes A, B
Esta unidade de mapeamento compreende solos
e C ou A e R.
minerais, profundos a rasos, bem drenados,
ácidos, geralmente de textura argilosa, e sujeitos
São encontrados ao sul da área, próximo ao rio
a ação erosiva. São encontrados em relevo forte
Xingu, em relevo forte ondulado e ondulado e
ondulado, e provenientes da decomposição de
são derivados da decomposição de rochas gra-
granitos e riolitos. A referida unidade ocorre
níticas.
principalmente ao sul entre os rios Xingue lriri,
e, esparsamente, a noroeste da área. Aparecem
ainda, a nível de inclusão, afloramentos ro- UNIDADE DE MAPEAMENTO- PB5
Podzólico Vermelho Amarelo textura argilosa
chosos.
Latossolo Vermelho Amarelo Distrófico textura
argilosa
UNIDADE DE MAPEAMENTO - PB3
Latossolo Vermelho Amarelo Distrófico textura
Podzólico Vermelho Amarelo textura Argilosa
média
Podzólico Vermelho Amarelo Equivalente Eu-
tráfico textura argilosa. Constam desta unidade de mapeamento solos

111/100
minerais, medianamente profundos e profundos, encontrados no extremo sudoeste da área.
de textura argilosa e média, bem e fortemente
drenados, estrutura em blocos subangulares ou UNIDADE DE MAPEAMENTO- PB8
maciça e fertilidade natural baixa. Podzólico Vermelho Amarelo textura argilosa
Latossolo Vermelho Amarelo Distrófico textura
São solos com seqüência de horizonte A, B e C, argilosa
apresentando transições de clara a difusa. Ocor~ Solos Litólicos Distróficos textura indiscrimi-
rem em relevo suave ondulado, ao sul da área, nada
próximo ao rio Xingu e são derivados da Esta unidade de mapeamento abrange solos de
decomposição de granitos com intenso grau de textura argilosa e indiscriminada, profundos e
intemperismo. rasos, bem drenados, estrutura em blocos suban-
gulares e maciça e fertilidade natural baixa.
UNIDADE DE MAPEAMENTO- PB6
Podzó/ico Vermelho Amarelo textura argilosa Estes solos ocorrem em relevo forte ondulado, a
Podzólico Vermelho Amarelo plíntico textura noroeste da área e são desenvolvidos sobre
argilosa material proveniente da decomposição de rochas
Latossolo Vermelho Amarelo Distrófico textura do Pré-Cambriano e da Formação Curuá (falhe-
argilosa lhos e siltitos).
A unidade de mapeamento em questão com-
preende solos minerais com B textura! e B UNIDADE DE MAPEAMENTO- CL 1
latossólico, medianamente profundos a profun- Solos Concrecionários Lateríticos Indiscrimina-
dos, bem drenados, ácidos, apresentando textura dos Distróficas textura indiscriminada
argilosa e estrutura em blocos subangulares ou Latossolo Amarelo Distrófico textura argilosa
maciça com aspecto de fraca pequena granular, Compreendem solos de textura argilosa, media-
no horizonte B. namente profundos e profundos, bem drenados,
estrutura indiscriminada e maciça e de fertilida-
Estes solos são encontrados em grandes exten- de natural baixa. Ocorrem em relevo ondulado
sões ao sul da área e se estendem até sudoeste. dissecado, próximo ao rio Acará, tendo como
O relevo dominante é o suave ondulado a material de origem sedimentos argilosos da
ondulado moderadamente dissecado e são origi- Formação Barreiras.
nados de decomposição de granitos.
UNIDADE DE MAPEAMENTO- CL2
UNIDADE DE MAPEAMENTO- PB7 Solos Concrecionários Lateríticos Indiscrimina-
Podzólico Vermelho Amarelo textura .argilosa dos Distróficos textura indiscriminada
Latossolo Amarelo Distrófico textura àrgllosa Latossolo Amarelo Distrófico textura média
Solos Concrecionários Lateríticos Indiscri- (Podzol Hidromórfico)
minados Distróficos textura indiscriminada Esta unidade encerra solos de textura argilosa e
Estão compreendidos nesta unidade de mapea- média, medianamente profundos e profundos,
mento solos com horizontes B textura! e B bem a fortemente drenados, estrutura indiscrimi-
latossóicç:>, imediatamente profundos e profundos, nada e maciça e de fertilidade natural baixa.
bem drenados, argilosos e fertilidade natural Ocorre próximo à cidade de Belém em relevo
baixa. suave ondulado e plano em área do Terciário
Barreiras.
Ocorrem em relevo forte ondulado a montanho-
so (fortemente dissecados), derivados de sedi- Como inclusão aparece o Podzol Hidromórfico,
mentos argilosos da Formação Barreiras e são de textura arenosa; profundos, excessivamente

111/101
drenados e fertilidade muito baixa, associados da Ilha de Marajó nas cercanias da cidade de
quase sempre à vegetação campestre. Chaves, em áreas de relevo plano e tendo como
material de origem sedimentos inconsolidados
UNIDADE DE MAPEAMENTO -AOt do Quaternário.
Areias Ouartzosas Distróficas
Esta unidade de mapeamento compreende solos UNIDADE DE MAPEAMENTO- HL 1
minerais, arenosos, muito profundos, excessiva- Laterita Hidromórfica Distrófica textura indis-
mente drenados, muito ácidos e de fertilidade criminada
natural muito baixa. Areias Ouartzosas Distróficas
Na presente unidade de mapeamento aparecem
São solos que ocorrem em pequenas extensões a solos medianamente profundos a profundos, de
leste e sudoeste da área normalmente em relevo textura que pode variar de argilosa a areia,
plano e originários de sedimentos inconsolidados moderada a excessivamente drenados, com estru-
do Quaternário. tura variando entre maciça, subangular modera-
da e grãos simples, e fertilidade natural bastante
UNIDADE DE MAPEAMENTO- A02 baixa.
Areias Quartzosas Distróficas
Laterita Hidromórfica Distrófica textura indis- Ocorrem na parte este da Ilha de Marajó,
criminada principalmente nos municípios de Soure, Salva-
Os solos que compõem esta unidade de mapea- terra e Ponta de Pedras, em áreas de relevo plano
mento são muito profundos e medianamente pro- e são formados a partir de materiais do Quater-
fundos, textura arenosa e indiscriminada, exces- nário, mais precisamente do Holoceno.
sivamente e imperfeitamente drenados, estrutura
maciça e em blocos subangulares e fertilidade UNIDADE DE MAPEAMENTO- HL2
natural baixa. Laterita Hidromórfica Distrófica textura indis-
criminada
A principal ocorrência desta unidade verifica-se Solonchak textura indiscriminada
entre a cidade de Oeiras e a desembocadura do Nesta unidade de mapeamento ocorrem solos
rio Tocantins, em área de relevo plano tendo medianamente profundos de textura indiscrimi-
como material de origem sedimentos inconsoli- nada, imperfeita a mal drenados, moderada a
dados do Quaternário. A cobertura vegetal é fortemente estruturados quando secos, de fertili-
constituída por campos e "campinarana". dade baixa dominante e alguns com problemas
de salinidade.
UNIDADE DE MAPEAMENTO- A03
Areias Quartzosas Distróficas Ocorrem principalmente na parte este da ilha de
Laterita Hidromórfica Distrófica textura indis- Marajó, no município de Soure, em área de
criminada relevo praticamente plano, tendo como material
Areias Quartzosas Marinhas Distróficas originário sedimentos do Quaternário.
Desta unidade de mapeamento constam solos
muito profundos, permeáveis, de drenagem im- UNIDADE DE MAPEAMENTO- HL3
perfeita geralmente condicionada pelos mares, Laterita Hidromórfica Distrófica textura indis-
textura dominantemente arenosa, estrutura ma- criminada
ciça e em blocos subangulares, e fertilidade Gley Pouco Húmico Eutrófico e Distrófico
natural baixa. textura indiscriminada
Solos Aluviais Eutróficos e Distróficos textura
A ocorrência desta unidade se restringe ao norte indiscriminada

111/102
A unidade H L3 compreende solos mediana e Húmico quando seco. Apresentam drenagem
pouco profundos, de textura indiscriminada e variando de má a moderada, embora em algumas
drenagem variando de má a moderada. Possuem classes ocorra drenagem mais livre com permea-
estrutura maciça a subangular moderada e os bilidade excessiva. A fertilidade de um modo
Gley Pouco Húmico, quando secos,podem apre- geral é baixa.
sentar inclusive estrutura prismática. Encon-
tram-se freqüentemente fendilhados devidos ã Ocorrem na foz do rio Tocantins em áreas
presença de argilas de retículos expansivos e a praticamente planas e são formados a partir de
fertilidade varia de baixa a alta. sedimentos do Holoceno e da Formação Bar-
reiras.
São encontrados em áreas planas na Ilha Queima-
da na foz do rio Amazonas próximo a Macapá e UNIDADE DE MAPEAMENTO- HL6
na parte este da ilha de Marajó, municípios de Laterita Hidromórfica Distrófica textura indis-
Soure e Salvaterra. Os solos desta unidade são criminada ,
formados a partir do Holoceno. Podzólico Vermelho Amarelo plíntico textura
ar.qilosa
UNIDADE DE MAPEAMENTO - HL4 Gley Pouco Húmico Eutrófico e Distrófico
Laterita Hidromórfica Distrófica textura indis- textura indiscriminada
criminada Esta unidade compreende solos moderado a mal
Areias Quartzosas Distróficas drenados, medianamente profundos, de textura
Solos Aluviais Eutróficos e Distróficos -;-textura que pode ir de média à argilosa, dominantemen-
indiscriminada te estruturados e de fertilidade natural comu·
Desta unidade de mapeamento constam solos de mente baixa. Ocorrem próximo à margem es-
profundidades variadas e de textura que pode ir querda do rio Amazonas, na região sudoeste do
de areia à argila. Apresentam-se imperfeita a mal Território Federal do Amapá, em relevo plano e
drenados, com estrutura variando de maciça a suave ondulado e são formados a partir de
moderada subangular e com fertilidade natural sedimentos do Quaternário, do Terciário e de
geralmente baixa. materiais da Formação Curuá.

Ocorrem na ilha de Marajá no municfpio de UNIDADE DE MAPEAMENTO- HG 1


Salvaterra e na foz do rio Arari em relevo Solos Gley Eutrófico textura 4rgilosa
praticamente plano. São originados de sedimen- Solos Aluviais Eutróficos e Distróficos textura
tos do Quaternário. indiscriminada
Nesta unidade de mapeamento constam solos pro-
UNIDADE DE MAPEAMENTO- HL 5 fundos e medianamente profundos, textura do-
Laterita Hidromórfica Distrófica textura indis- minantemente argilosa, mal a imperfeitamente
criminada drenados, estrutura em blocos subangulares e
Gley Pouco Húmico Eutrófico e Distrófico maciça e fertilidade natural variando de alta a
textura indiscriminada baixa.
Areias Ouartzosas Distróficas
(Latossolo Amarelo Distrófico textura média) Ocorre extensivamente ao longo da calha do rio
A presente unidade de mapeamento compreende Amazonas em área de relevo plano, tendo como
solos com profundidade bastante variável, textu- material de origem sedimentos argilosos do
ra que pode ir de areia à argila e estrutura Holoceno.
variando de maciça a moderada subangular, e às
vezes prismática, como no caso do Gley Pouco UNIDADE DE MAPEAMENTO- HG2

111/103
Solos Gley Eutróficos e Distróficos textura aluviais, depósitos de baixadas e acumulações
argilosa. orgânicas residuais, referidas ao Holoceno.
Solos Aluviais Eutróficos e Distróficos textura
indiscriminada UNIDADE DE MAPEAMENTO- Hl2
Laterita Hidromórfica Distrófica textura indis- Solos Hidromórficos Indiscriminados Distróficos
criminada textura indiscriminada
Constam desta unidade de mapeamento solos Podzólico Vermelho Amarelo plíntico textura
medianamente profundos, textura dominante- argilosa
mente argilosa, mal a moderadamente drenados, Pertencem a esta unidade de mapeamento solos
estrutura em blocos subangulares e fertilidade medianamente profundos, mal a imperfeitamen-
natural variando de alta a baixa. te drenados, textura geralmente argilosa, estrutu-
ra em blocos subangulares e de fertilidade
Ocorrem ao norte da área, nas cercanias da natural baixa.
cidade de Chaves e próximo ao lago Arari ambas
na ilha de Marajó, e na calha do baixo Amazo- A principal ocorrência desta unidade se dá ao
nas, em relevo plano e tendo como material de norte da área, margem esquerda do rio Amazo-
origem sedimentos do Quaternário. nas, em relevo plano e são provenientes de
sedimentos referidos ao Holoceno.
UNIDADE DE MAPEAMENTO- HG3
Solos Gley Eutróficos e Distróficos textura UNIDADE DE MAPEAMENTO - Hl3
indiscriminada Solos Hidromórficos Indiscriminados Eutróficos
Solos Aluviais Eutróficos e Distróficos textura e Distróficos textura indiscriminada
indiscriminada Solonchak textura indiscriminada
A presente unidade é constituída por solos mal a Esta unidade consta de solos m.edianamente
imperfeitamente drenados, profundos e media- profundos, mal a muito mal drenados, textura
namente profundos, textura indiscriminada, es- indiscriminada, estrutura em blocos subangulares
trutura em blocos subangulares e maciça, e de e colunar e fertilidade natural variando de alta â
fertilidade natural variando de alta a baixa. baixa. É encontrada, com significação, unicamen-
te a nordeste da Ilha de Marajá, em relevo plano
Ocorre nas margens do baixo Tocantins e exten- e tem como material de origem sedimentos do
sivamente no contorno sul e oeste na ilha de Holoceno
Marajó, em área de relevo plano tendo como
material de origem sedimentos do Holoceno. UNIDADE DE MAPEAMENTO~ Hl4
Solos Hidromórficos Indiscriminados Eutróficos
UNIDADE DE MAPEAMENTO- Hl1 e Distróficos textura indiscriminada
Solos Hidromórficos Indiscriminados Eutróficos Latossolo Amarelo Distrófico textura média
e Distróficos textura indiscriminada Areias Ouartzosas Distróficas
Esta unidade de mapeamento compreende solos Os solos componentes desta unidade são media-
medianamente profundos, mal a muito mal namente profundos a profundos, com drenagem
drenados, textura e estrutura indiscriminadas, e ocorrendo desde mal a excessivamente dre-
fertilidade natural variando de alta a baixa. nados, textura argilosa, média e arenosa, es-
trutura em blocos subangulares e maciça, e
l: encontrada principalmente na ilha de Gurupá fertilidade natural de alta a muito baixa.
na foz do Amazonas e desembocadura dos rios
Moju e Guam~. em área de relevo plano. O Esta unidade ocorre extensivamente no centro
material originário é proeminente de sedimentos da ilha de Marajá em relevo praticamente plano,

111/104
tendo como material de origem sedimentos do do munic(pio de Soure, e é formado a par-
Quaternário. tir de sedimentos de Holoceno.

UNIDADE DE MAPEAMENTO- HP1 UNIDADE DE MAPEAMENTO- SM 1


Podzol Hidromórfico Solos Indiscriminados de Mangues textura indis-
Esta unidade de mapeamento está constitu(da criminada
por solos bastante arenosos, profundo na maio- Os solos desta unidade de mapeamento são
ria dos casos, bem a moderadamente drenados, pouco profundos, mal a muito mal drenados,
de estrutura maciça que se desfaz em grãos não estruturados, devido estarem excessivamente
simples, com endurecimento do horizonte B por molhados ou mesmo alagados, de textura geral-
cimentação com ferro e húmus o que provoca mente argilosa e de pouca possibilidade de
lenta permeabilidade no perfil. A fertilidade aproveitamento agropecuário devido às condi-
natural é bastante baixa. Ocorrem em relevo ções H sitas e qu (rriicas que apresentam, condi"
plano no munic(pio de Salvaterra na ilha de cionados pela água salobra ou mesmo salgada.
Marajó e próximo ao Tocantins ao sul da área, e São encontrados na faixa costeira em área de
são formados a partir de sedimentos arenosos do relevo plano com áreas côncavas, formados sobre
Terciário. sedimentos do Holoceno.

UNIDADE DE MAPEAMENTO - HP2 UNIDADE DE MAPEAMENTO- SM2


Podzol Hidromórfico Solos Indiscriminados de Mangues textura indis-
Latossolo Amarelo Distrófico textura média criminada
Desta unidade de mapeamento constam solos Gley Pouco Húmico Eutrófico e Distrófico
profundos, moderado a fortemente drenados, de textura indiscriminada
textura variando de areia a média, estrutura Areias Ouartzosas Marinhas Distróficas
geralmente maciça e fertilidade natural baixa a (Solos Aluviais Eutróficos e Distróficos textura
muito baixa. Aparecem às proximidades da indiscriminada)
cidade de Vigia, em área de relevo plano, e Esta unidade de mapeamento compreende diver-
possuem como material de origem sedimentos sas unidades de solos condicionadas às condições
arenosos do Quaternário e da Formação Bar- de má drenagem, principalmente. São de profun-
reiras. didades variáveis, textura indiscriminada e estru-
tura dominantemente maciça. A fertilidade natu-
UNIDADE DE MAPEAMENTO- SK ral é baixa, ocorrendo, entretanto, faixas com
Solonchak textura indiscriminada alta fertilidáde.
A presente unidade compreende solos argilosos,
medianamente profundos, bem estruturados Encontram-se em áreas planas na região este da
quando secos e com caracter(sticas marcadas Ilha de Marajá e são formados de sedimentos do
pela condição de umidade. Holoceno.

Apresentam altos conteúdos de sais solúveis, e UNIDADE DE MAPEAMENTO- A 1


possuem baixa capacidade de aproveitamento Solos Aluviais Eutróficos e Distróficos textura
em condições naturais. A cobertura vegetal é do indiscriminada
tipo campestre. Solos Hidromórficos Indiscriminados Eutróficos
textura indiscriminada
Ocorrem em área plana na parte norte-nordeste A presente unidade de mapeamento está consti-
da Ilha de Marajó, na faixa costeira que vai desde tu(da por solos aluviais e hidromórficos, imper-
próximo a Ilha Mexicana até o extremo nordeste feita e mal drenados, de profundi,pade e textura

111/105
indiscriminadas, estrutura maciça e fertilidade solos que se encontram em relevo forte ondula-
natural variando de alta a baixa. do a montanhoso e escarpado, fortemente a bem
drenados, com estrutura fraca e moderada sub-
Ocorrem esparsamente na parte central, sul e angular com ou sem concreções, textura domi-
leste da área, representadas pelas planícies dos nante argilosa e fertilidade baixa. Encontram-se
rios Bacajá e Jacundá, pelas ilhas do Xingu e principalmente na parte noroeste da área e são
margens do rio Guamá. São formados em sedi- originados de material do Terciário e Carbon í-
mentos do Holoceno. fero.

UNIDADE DE MAPEAMENTO -A2 UNIDADE DE MAPEAMENTO- R3


Solos Aluviais Eutróficos textura indiscrimi- Solos Litó/icos Distróficos textura indiscrimi-
nada nada
Solos Gley Eutróficos textura argilosa Solos Hidromórficos Indiscriminados Eutróficos
Esta unidade de mapeamento está constitu (da e Distróficos textura indiscriminada.
por solos aluviais e hidromórficos gleyzados, A esta unidade de mapeamento pertencem solos
imperfeita e mal drenados de profundidade pouco profundos, hidromórficos ou não, bem ou
variável, estrutura maciça e fertilidade natural mal drenados, pouco evoluídos e com textura e
alta. estrutura indiscriminadas e fertilidade natural
dominantemente baixa. Ocorrem nas proximida-
Ocorrem a oeste da área na margem esquerda do des da margem direita do rio Amazonas em áreas
rio Amazonas e são formados de sedimentos do planas e suave onduladas, dissecadas, onde o
Holoceno, em relevo plano. material originário pertence ao contato Terciá-
rio-Quaternário.
UNIDADE DE MAPEAMENTO- R 1
Solos Litólicos Distróficos textura indiscrimi- UNIDADE DE MAPEAMENTO- R4
nada Solos Litólicos Distróficos textura indiscrimina-
Latossolo Amarelo Distrófico textura argilosa da Afloramento Rochosos
A referida unidade de mapeamento é encontrada A referida unidade de mapeamento ocorre a
às proximidades do rio Jari na região noroeste da noroeste da área em relevo montanhoso e
área. Os solos componentes da associação são escarpado, em terrenos pertencentes ao Pré-Cam-
rasos e profundos, bem drenados, com textura briano, do Grupo Vila Nova, e são formados a
argilosa e de fertilidade natural baixa. partir de quartzitos, xistos, filitos, anfibolitos e
_horizontes ferríferos. Compreende solos rasos a
Ocorrem em relevo montanhoso a escarpado, muito rasos, de textura e estrutura indiscrimina-
notando-se a presença do Latossolo Amarelo, da, fortemente drenados e fertilidade natural
oeralmente, em áreas de relevo mais suavizado. O baixa, associados a superfícies de rochas" aflo-
material originário destes solos é proveniente rantes.
de sedimentos da Formação Barreiras.
UNIDADE DE MAPEAMENTn- R5
UNIDADE DE MAPEAMENTO- R2 Solos Litólicos Distróficos textura indiscrimi-
Solos Litólicos Distróficos textura- indiscrimi- nada
nada Podz_ólico Vermelho-Amare/o textura argilosa
Podzó/ico Vermelho Amarelo textura argilosa Afloramentos Rochosos
(Podzólico Vermelho Amarelo Concrecionária Esta unidade de mapeamento ocorre esparsa-
textura argilas~) mente, em extensões relativamente pequenas, no
À presente unidade de mapeamento pertencem extremo sudoeste da área estudada. É constitu (-

111/106
da por solos de te"tura argilosa, rasos e mediana- UNIDADE DE MAPEAMENTO -AR
mente profundos, bem drenados, estrutura indis- Afloramentos Rochosos
criminada e em blocos subangulares, e fertilidade
natural baixa. O relevo da referida unidade varia Esta unidade de mapeamento compreende aflo-
de forte ondulado a montanhoso e o material ramentos de rochas, principalmente de granitos,
originário é composto de granitos e riolitos, que, gnaisses e migmatitos. Ocorre a sudoeste da área,
na área, afloram em percentagem significativa. nas ilhas do rio Xingu, EiJm relevo suave on·
dulado.

111/107
7. USO ATUAL desenvolvimento e a integração desta vasta re-
gião ao sistema produtivo do pafs.
Da área presentemente estudada mais de 75%
está constitu(da por floresta primitiva, densa e Em um enfoque suscinto sobre a pecuária,
aberta, o que corresponde dizer que esta região destaca-se, no momento, da ilha de Marajó como
permanece ainda sob o domfnio da natureza. E um dos mais importantes centros pastoris da
na Zona Bragantina, circunvizinhanças de Belém, Amazônia. De topografia plana e baixa, toda a
que a fisionomia da área sofreu maiores e mais parte oriental da ilha é revestida pela vegetação
profundas alterações. No in(cio deste século esta campestre. De solos dominantemente hidromór-
região era intensamente recoberta por floresta ficos, os denominados "campos de várzea",
tropical pluvial. Com o evento da colonização, embora possuam boas forrageiras apresentam
que se processou de forma lenta, esparsa e mal forte limitação mesmo para a pecuária devido à
orientada, surgem os núcleos de ocupação huma- baixa fertilidade, e à periodicidade de inunda-
na e a atividade agrfcola se faz sentir nos moldes ções, com riscos de perdas totais ou parciais da
tradicionais desenvolvendo uma agricultura tipi- criação, que se traduz em morte de animais ou
camente de subsistência. E o que era floresta simplesmente em perda de peso nos perfodos de
exuberante cede lugar a uma vegetação heterogê- cheia. Nesta ocasião o gado é recolhido para as
nea constitufda de campo, capoeira e/ou mata partes altas. denominadas têsos.
secundária.

Posteriormente, desenvolveu-se ao sul de Belém 7.1. Agricultura


um segundo núcleo, alicerçado na pimenta-do-
reino e tendo como colonos os emigrantes Na Amazônia, até bem poucos anos, desenvolvia-
japoneses, que trouxeram consigo novas técnicas se uma agricultura totalmente tràdicional e
de aproveitamento das terras. itinerante, que consistia na derrubada, queima e
plantio em solo mal preparado recoberto ainda
Recentemente, com o plano orientado de ocupa- por galhos semicarbonizados. A lavoura sustenta-
ção da Amazônia novo impulso vem de receber a da nos primeiros anos pela fertilização das cinzas
colonização. Para o presente estudo apresenta- e pela matéria orgânica, acaba sendo abandonada
mos a sudoeste da área um pequeno transecto da pelo decréscimo rápido da produção.
Rodovia Transamazônica tendo como centro a
cidade de Altamira. A agricultura nesta região Atualmente, entretanto, a agricultura tornou-se
está montada, tanto quanto poss(vel, em bases uma atividade econômica de subsistência com
técnicas, chegando a haver um levantamento de alguns produtos exportáveis.
solos e estudos sócio-econômico para a implanta-
ção de uma Unidade Agroindustrial Canavieira. A agricultura para consumo interno tem, na
Do pol fgono ora investigado é onde se concen- mandioca seu prir,cipal produto. Seguem-lhe o
tram as melhores terras, com solos do tipo Terra arroz, a cana-de-açúcar e o milho. Para exporta-
Roxa Estruturada Eutrófica, embora de exten- ção se cultiva a malva, a pimenta-do-reino e o
são limitada. cacau.

Afora isto pode-se citar, de forma incipiente, a A cultura da cana já pesou e volta a pesar
ocupação efetiva de glebas por empresas rurais, consideravelmente na balança econômica da
de natureza particular, que participam do esfor- região amazônica, sobretudo na do Estado do
ço do governo central em criar na Amazônia Pará. Nas regiões do baixo Tocantins e das ilhas
uma infra-estrutura que possibilite o rápido aproveita-se a várzea para o plantio não só da

111/108
cana mas de outros produtos como cacau, arroz, reprodutqres e matrizes melhoradas, vacinação.
etc. Toda esta região do Pará encontra na adição de sais minerais, etc. O rebanho está
agricultura um dos sustentáculos de sua econo- constitu(do por raças zebuínas e bubal(deos
mia embora o extrativismo vegetal também destinadas principalmente à produção de carne,
figure como atividade econômica. embora raças com aptidão leiteira pouco a
pouco venham sendo destacadas dentro da eco-
A cultura da pimenta-do-reino, no Estado do nomia agroindustrial regional.
Pará, constitui uma demonstração do que é
possível realizar em matéria de agricultura, numa
região de solos quimicamente pobres. /!> região 7.3. Extrativismo
de Belém, possui clima ideal para a cultura da
pimenta-do-reino e solo com propriedades físicas E o tipo mais primitivo da atividade agr(cola,
ótimas. A pobreza qu (mica do solo é resolvida caracterizado essencialmente, pela coleta de pro-
com o emprego de quantidades maciças de dutos, Na área, nesta atividade agrícola, podem
matéria orgânica e de adubos qu (micos. No ser citadas como as mais importantes do ponto
âmbito regional verifica-se que a produção de de vista econômico: a borracha, diversas oleagi-
pimenta-do-reino se concentra no município de nosas utilizadas principalmente na indústria de
Tomé-Açu. saboaria, o palmito de aça(, a castanha e a
madeira. Aproximadamente 80% da área acha-se
coberta por floresta, densa e aberta, constitu (da
7.2. Pecuária por espécies produtoras de látex, sobressaindo-se
a Hevea brasil ienses; pela castanha (Bertholetia
Atual mente a pecuária não somente pode ser excelsa), diversas oleaginosas como a andiroba,
tratada em função da ocorrência dos campos (Carapa guianensis), a ucuúba \Viro/a sp.), etc., e
naturais, como é o caso da ilha de Marajá, mas espécies produtoras de madeiras de grande valor
também de outras áreas de campos formados comercial. Podem ser citados também a piaçava,
onde a criação de gado já começa a ter sua o timbó (Derris sp) e a sorva (Couma sp.), que
expressão econômica. Hoje a pecuária vem sendo muito embora apareçam em menor volume,
conduzida dentro de um sistema extensivo con- também, pesam na balança econômica do Esta-
trolado, diferindo do extensivo tradicional por do, ocorrendo o mesmo com o Aça( (Euterpe
apresentar determinadas características como: oleracea) cujo palmito está sendo explorado, no
introducão de novas espécies forrageiras, de momento, de maneira industrial.

111/109
8. APTIDÃO AGRICOLA 8.1. Condições Agrícolas dos Solos e seus Graus
de Limitações
Para avaliar-se a aptidão agrfcola dos solos
adotou-se o sistema da capacidade de uso das 8.1.1. CONDIÇOES AGRl"COLAS DOS SOLOS
terras estabelecidas por Bennema, Beek e Camar-
go (1965). Este sistema é usado atualmente no Na descrição das condições agrícolas foi tomado
Brasil e ~m outros pa(ses da América Latina, em como referência um solo hipotético, no qual a
levantamentos de caráter geral ao n fvel explora- fertilidade natural é boa, não há deficiência de
tório e de reconhecimento. água ou de oxigênio, não apresenta susceptibili-
dade à erosão e não tem impedimento ao uso de
Resulta de uma análise dos graus de limitações implementas agrícolas. E portanto considerado
que condicionam o uso agrfcola das terras, o solo agr(cola ideal, no qual qualquer planeja-
como: deficiência de fertilidade, susceptibilidade mento de uma agricultura racional obterá os
à erosão, deficiência ou excesso da água e mais altos rendimentos.
impedimentos à mecanização.
Ressalta-se, entretanto, que determinadas cultu-
Estas limitações são deduzidas em função das ras, como por exemplo a do arroz (Oriza satíva},
caracterfsticas pedológicas como drenagem, pro- adaptada ao excesso de água e como o algodão
fundidade efetiva, fertilidade, grau de erosão, (Gossypíum sp}condicionado a uma época seca
etc. As terras foram classificadas em dois siste- no fim de seu per(odo vegetativo, têm o ótimo
mas de manejo, com as modificações necessárias, de seu desenvolvimento em condições bastante
de modo que possam ser utilizados em toda a diferentes às do solo hipotético. Disto se deduz
área do Projeto. São eles: que as condições agrícolas reais das diferentes
unidades de solos são descritas como desvio ou
a) Sistema Primitivo de Agricultura, bastante limitações do solo ideal.
disseminado na região e que é utilizado por
pessoas sem capital, nível técnico baixo e com Para a interpretação das condições agr(colas dos
práticas tradicionais de manejo; e solos, inicialmente foram analisados os cinco
aspectos que estão em relação com uma ou mais
b) Sistema Desenvolvido de Agricultura, com propriedades do solo e do meio ambiente das
grandes perspectivas de utilização a curto prazo quais foi feita uma avaliação em termos relacio-
e caracterizado por um n(vel técnico aceitável, nados diretamente com o desenvolvimento e
possibilidades de orientação e assistência técnica produção das culturas.
e capital médio suficiente para melhorar certas
limitações das condições agrícolas dos solos. Assim sendo, como principais fatores limitantes
aparecem:
Estes sistemas representam o estado atual da
agricultura. O Primitivo condicionado pela defi-
ciência de nutrientes no solo, cujo empobreci- 1. Deficiência de Fertilidade Natural
mento é progressivo devido aos cultivos freqüen-
tes e o Desenvolvimento restringido pelos altos Refere-se à disponibilidade de macro e micronu-
preços de fertilizantes e corretivos que chegam a trientes no solo, seu aproveitamento pelas plan-
ser, muitas vezes, proibitivos a pequenos agri- tas e presença ou ausência de substâncias tóxicas
cultores. (ai um ínio, manganês e sais solúveis-espe-
cialmente sódio}.

111/110
Em virtude da carência de dados para interpreta- de de água disponível às plantas e das condições
ção baseada na presença de macro e micronu- climatológicas, especialmente precipitação e eva-
trientes no solo, são utilizados em substituição potranspiração. Nos desertos, em algumas áreas
outros dados químicos, direta ou indiretamente superúmidas e mesmo nas áreas secas do Nordes-
importantes, com relação à fertilidade. Os valo- te, os fatores climatológicos são os de maior
res que melhor se relacionam com a fertilidade importância.
são: saturação de bases (V%) e saturação com
alumínio, soma de bases trocáveis (S) e atividade Em alguns casos, propriedades individuais dos
do ciclo orgânico (floresta em relação ao cerra- solos têm grande influência na água disponível
do). Outros dados importantes como nitrogêneo que pode ser armazenada. Entre estas proprieda-
total, relação C/N, P205 total, alumínio trocá- des destacam-se: textura, tipo de argila, teor de
vel, cátions trocáveis e capacidade de troca de matéria orgânica e profundidade efetiva.
cátions (T), são pouco utilizados em virtude da
sua mais difícil interpretação, pois suas relações No caso dos solos de baixada, ao lado da água
com a fertilidade natural não se acham perfeita- disponível quP pode ser armazenada, são utiliza-
mente esclarecidas, nos solos tropicais. das outras propriedades, como altura do lençol
freático e condutividade hidráulica.
Com base apenas nos dados químicos disponí-
veis, nem sempre é poss(vel obter-se uma conclu- Todavia, dados sobre a dispobilidade de água nos
são correta a respeito da fertilidade de um solo solos, precipitação e evapotranspiração, são mui-
tropical. São indispensáveis, portanto, as obser- to escassos para serem usados como base na
vações de campo, principalmente acerca do uso determinação do grau de limitações por deficiên-
da terra, produtividade, qualidade das pastagens, cia de água. As observações de campo, mais uma
assim como, relações entre a vegetação natural e vez utilizadas. Observações sobre comportamen-
a fertilidade. to das pastagens, tipo de culturas e vegetl3ção
natural, são necessárias para a suplementação
As definições dos graus de limitações para cada dos dadps disponíveis. A vegetação natural
um dos cinco aspectos das condições agrfcolas evidentemente só poderá ser considerada nos
dos solos, geralmente compreendem informações casos em que é adaptada às condições da água
referentes a relações entre graus de limitações e nos solos.
dados facilmente observáveis e mensuráveis.
Essas relações, entretanto, nem sempre são Até que melhores métodos sejam encontrados, a
precisas, e devem ser usadas como um guia de relação de umidade com os tipos de vegetação,
orientação geral. que por sua vez estão relacionados com as
regiões bioclimáticas de Gaussen, foi a principal
As imitações são definidas com base nas con- base para o estabelecimento desta limitação. A
dições naturais dos...-solos, sendo válidas, sob vegetação natural reflete as condições de varia-
alguns dos aspectos, apenas para o sistema de ção da deficiência de água na região.
manejo primitivo. Nos sistemas agrícolas de-
senvolvidos, os graus são estabelecidos em fun-
ção da possibilidade de remoção ou melhora- 3. Excesso de Agua (Deficiência de Oxigênio)
mento da referida limitação.
O excesso de água está geralmente relacionado
2. DEFIClt:NCIA DE AGUA com a classe de drenagem natural do solo, que
por sua vez, é resultado de condições climatoló-
A deficiência de água é uma função da quantida- gicas (precipitação e evapotranspiração), relevo

111/111
local, propriedades do solo e altura do lençol A referência para a susceptibilidade à erosão, é
freático. que a ocorreria se os solos fossem usados para
culturas, em toda a extensão do declive e sem a
Na maioria dos casos existe uma relação direta adoção de medidas de controle à erosão.
entre classe de drenagem natural e deficiência de
oxigênio. A susceptibilidade à erosão está na dependência
de fatores climatológicos (principalmente inten-
As caracterfsticas do perfil de solo são usadas sidade e distribuição das chuvas), da topografia e
para determinar a classe de drenagem sob condi- comprimento dos declives, do microrrelevo e dos
ções naturais. No solo drenado artificialmente, a seguintes fatores do solo: infiltração, permeabili-
relação entre classe de drenagem e deficiência de dade, capacidade de retenção de umidade, pre-
oxigênio não é mais direta, enquanto o sistema sença ou ausência de camada compactada no
funcionar adequadamente para remover o ex- perfil, coerência do material do solo, superHcies
cesso de água. de deslizamento e presença de pedras na superfí-
cies, que possam agir como protetoras. Muitos
Em solos que apresentam lençol freático, o fator dos fatores citados são resultantes da interpreta-
mais importante é a altura do lençol, ao passo ção de propriedades do solo, tais como: textura,
que nos solos sem lençol freático são considera- estrutura, tipo de argila e profundidade.
das as seguintes propriedades: estrutura, permea-
bilidade, presença ou ausência de camada menos Os Latossolos são um exemplo no qual, as
permeável (restringindo o enraizamento) e pro- propriedades do solo são favoráveis, sendo a
fundidade da mesma. susceptibilidade à erosão menor do que a sugeri-
da pelo declive. Brunas Não Cálcicos são, em
Deve-se notar que deficiência e excesso de água contrapartida, exemplo de solos que apresentam
são aqui considerados como aspectos distintos caracterfsticas desfavoráveis, sendo grande a
das condições agrícolas dos solos. Um mesmo susceptibilidade à erosão.
solo pode apresentar limitações por deficiência
de água na estação seca, e por excesso na estação No decorrer do processo eros1vo, pode um
chuvosa. Nem todas as combinações são no determinado solo aumentar gradativamente a sua
entanto possíveis, pois um solo com uma forte susceptibilidade à erosão. Isto acontece em solos
deficiência de água, em geral não terá mais que nos quais houve uma erosão prévia, pela qual, o
uma ligeira limitação por excesso. horizonte superficial mais poroso e coerente foi
erodido e onde já se formou um sistema de
Neste aspecto das condições agrfcolas dos solos sulcos e voçorocas.
são também considerados os riscos de inunda-
ção, pois causam uma deficiência temporária de O grau de susceptibilidade à erosão, para uma
oxigênio e danos às plantas não adaptadas. determinada classe de solo, é mais facilmente
determinado nos locais onde o solo é utilizado
4. Susceptibilidade à Erosão para agricultura, sem medidas preventivas contra
a erosão.
~·considerada neste item, basicamente, a erosão
pela ação das águas de chuva. A erosão sólida Em outros caos podem-se estabelecer relações
não tem muita importância, exceto no caso das entre declive e susceptibilidade à erosão, tendo
AREIAS OUARTZOSAS MARINHAS DISTRÓ- como base o conhecimento das relações entre
FICAS. erosão e características do perfil de solo.

111/112
5. Impedimentos ao Uso de lmplementos Agrí- solos com teores elevados de nutrientes e mesmo
colas (Mecanização) pela ausência de melhores dados que possibili-
tem atualmente a sua sep9ração.
Este fator depende, principalmente, de grau e
forma do declive, presença ou ausência de NULA e LIGEIRA- Solos com altos níveis de
pedregosidade e rochosidade, profundidade do nutrientes disponíveis para as plantas e sem
solo e condições de má drenagem natural, além conter sais tóxicos, produzindo bons rendimen-
da constituição do material do solo, como tos durante vários anos.
textura argilosa com argilas do tipo 2:1, textura
arenosa e solos orgânicos, e de microrrelevo Solos com B latossólico ou textura! pertencentes
resultante da grande quantidade de cupinzeiros a este grau devem apresentar mais do que 50%
(termiteiros) e /ou "gilgai" ou solos com muitos de saturação de bases (V%) e menos de 50% de
sulcos e voçorocas, devidos à erosão. saturação com ai um íriio. A soma de bases
trocáveis (S) maior que 3,0 mE/1 OOg de solo.
A pequena profundidade do solo tem influência Devem se apresentar praticamente I ivres de
nos casos em que o material subjacente é excesso de sais e/ou com condutividade elétrica
consolidado ou não indicado para ser trazido à menor que 4 mmhos/cm a 25°C.
superfície por aração.
MODERADA - Solos nos quais as reservas de
Com relação à mecanização, uma área sem um ou mais nutrientes disponíveis às plantas são
impedimentos somente é levado em conta, se limitadas. As condições de nutrientes permitem
apresentar um tamanho mínimo que compense o somente bons rendimentos de culturas durante
uso de máquinas agr(colas. Áreas pequenas, sem os poucos primeiros anos, depois do que, com a
impedimentos à mecanização, são desprezadas continuação do uso agrícola decrescem rapida-
quando estão disseminadas no meio de outras mente. Necessitam de fertilização após poucos
áreas, nas quais não é possível uso de implemen- anos, a fim de manter a produtividade, pois
tas tracionados. correm o risco de se empobrecerem e se degrada-
rem a uma classe mais baixa de produtividade
devido ao uso exaustivo. Estão incluídos neste
8.1.2. GRAUS DE LIMITAÇÕES grau solos que possam apresentar sais tóxicos
que não permitam o cultivo de plantas sensíveis
Sendo o solo agrícola descrito como desvio ou e/ou condutividade elétrica normalmente entre 4
limitação do solo hipotético, é possível utilizar, e 8 mmhos/cm a 25oc.
dentro das condições agrícolas, cinco graus de
limitações, denominadas de: NULA, LIGEIRA, FORTE -Solos nos quais um ou mais nutrien-
MODERADA, FORTE e MUITO FORTE, que tes disponíveis aparecem somente em pequenas
comportarão as definições a seguir, nas quais quantidades. Devido a estas condições somente
foram introduzidas modificações adaptadas a permitem uma produção razoavelmente boa para
esta região. plantas adaptadas e durante os primeiros anos de
cultivos. Apresentam baixa soma de bases trocá-
veis (S).
1. Graus de Limitações para Fertilidade Natural
Em uso adequado estes solos geralmente necessi-
As limitações NULA e LIGEIRA apresentam-se tam fertilização desde o prindpio das atividades
provisoriamente reunidas, isto motivado pelo agrícolas.
relativo pouco conhecimento das variações dos

111/113
Estão incluídos neste grau, solos com sais a) Solos com drenagem interna livre que ocor-
tóxicos que somente permitem o crescimento de rem somente em climas com um período seco
plantas tolerantes, e/ou com condutividade elé- mais ou menos prolongado que vai de 3 a 7
trica de 8 a 15 mmhos/cm a 25oc. meses.

MUITO FORTE - Solos com um conteúdo de b) Solos pouco profundos ou muito arenosos
nutrientes muito restrito, condicionando muito em climas com uma curta estação seca.
poucas possibilidades de utilização com agricul-
tura, pastagem e florestas. Apresentam soma de FORTE - Solos que apresentam uma grande
bases trocáveis (S) muito baixa. Também solos deficiência de água disponível durante um perío-
com sais tóxicos que permitem o crescimento do prolongado que coincide com o ciclo vegeta-
somente de plantas tolerantes e/ou com conduti- tivo da maioria das plantas cultivadas. Somente
vidade elétrica maior que 15 mmhos/cm a 250C. se desenvolvem culturas muito bem adaptadas.

Os solos pertencentes a esta classe encontram-se


2. Graus de Limitações por Deficiência de Agua somente em climas com um longo período seco
(maior que 7 meses) ou em climas com uma
São definidas em termos de escassez de água estação seca menor (3 a 7 meses), quando são
para o desenvolvimento das plantas durante um arenosos ou muito rasos.
menor ou maior perfodo do ciclo vegetativo.
MUITO FORTE - Solos nos quais ocorre uma
NULA - Solos em que a deficiência de água grande deficiência de água disponível durante
disponível não limita o crescimento das plantas um longo período, com uma estação de cresci-
ou o uso agr(cola. Nestes estão incluídos: mento muito curta.

a) Solos com drenagem livre em climas sem


estação seca. 3. Graus de Limitações por Excesso de Agua
(Deficiência de Oxigênio)
b) Solos com nível freático elevado em climas
com estação seca. Estão geralmente relacionados com as classes de
drenagem natural e os riscos de inundação.
LIGEIRA - Solos com pequena deficiência de
água disponível durante um curto perfodo, o NULA- Solos que durante qualquer período do
qual porém condicona parte do ciclo vegetativo ano não apresentam problemas de aeração causa-
das cul.turas. Pertencem a este grau também so- das pelo excesso de água.
los com drenagem interna livre que ocorrem
somente em climas com curta estação seca, Normalmente apresentam-se bem a excessiva-
no máximo 3 meses. mente drenados.

LIGEIRA- Solos nos quais as plantas que têm


MODERADA - Solos que apresentam uma raízes sensíveis a certa deficiência de ar, são
considerável deficiência de água disponível às prejudicadas durante a estação chuvosa.
plantas durante um per(odo um tanto prolonga-
do e que coincide com a época de crescimento
da maioria das culturas. Nestes solos somente é Normalmente são solos moderadamente drena-
possível o desenvolvimento de plantas não muito dos ou que apresentam riscos de inundação
exigentes de água. Pertencem a este grau: ocasional.
111/114
MODERADA- Solos nos quais as plantas que solos deste grau normalmente apresentam decli-
têm raízes sensíveis a certa deficiência de ar não vidade suave (2 a 6%) e boas condições físicas.
se desenvolvem satisfatoriamente já que a aera- Podem ser mais declivosos quando as condições
ção do solo é prejudicada, em forma considerá- físicas forem muito favorávéis.
vel, pelo excesso de água durante a época das
chuvas. Normalmente são solos imperfeitamente Dentro desta limitação a erosão poderá ser
drenados ou que apresentam riscos de inundação facilmente controlada utilizando-$e práticas con-
freqüente. servacionistas simples.

FORTE- Solos nos quais as plantas não adapta- MODERADA- Solos moderadamente susceptí-
das ao excesso de água somente podem se veis à erosão. Com o uso agrícola prolongado
desenvolver satisfatoriamente com o aux(lio de ( 1O a 20 anos) podem ter de 25 a 75% de sua
drenagem artificial. Normalmente apresentam-se camada superficial (horizonte A) removida. Em
mal drenados ou com riscos de inundações geral são solos de declive moderado (8 a 20%),
anuais curtas e médias. porém quando as propriedades físicas forem
muito desfavoráveis à erosão podem apresentar
MUITO FORTE- Solos nos quais, para o desen- declives maiores ou quando o clima e as proprie-
volvimento das plantas não adaptadas ao excesso dades físicas forem favoráveis à erosão ocorrem
de água, são necessários trabalhos intensivos e também em declives suaves (3 a 8%). É possível
complexos de drenagem. Normalmente são solos aparecer pequenas voçorocas.
mal a muito mal drenados ou que apresentam
riscos de inundação anual longa ou permanecem O manejo para controle à erosão deve ser
inundados durante todo o ano. intensivo.

FORTE -Solos fortemente susceptíveis à ero-


4. Graus de Limitações por Suscetibilidade à são. Com o uso agrícola prolongado ( 1O a 20
Erosão anos), tais solos perdem mais de 75% de sua
camada superficial e também parte do subsolo
É considerada a erosão que ocorre em solos (horizonte B). Em geral apresentam declives
quando forem usados sem levar em consideração fortes (de 20 a 40%), às vezes superiores a 40%
a declividade e as condições protetoras ou quando as propriedades físicas são muito desfa-
medidas de controle aos fatores erosivos. voráveis à erosão e declives mais suaves (8 a
20%) quando as propriedades físicas do solo são
NU LA -Solos não susceptíveis à erosão. Tais muito favoráveis.
solos com o uso agrícola prolongado ( 1O a 20
anos) não apresentam erosão ou se ocorrer será Se usados para agricultura os danos serão rápi-
pouco notada na maior parte da área. A camada dos. Proteção e controle à erosão exigem práti-
superficial (horizonte A) não se encontra prati- cas conservacionistas intensivas, difíceis e cus-
camente removida. Normalmente são solos de tosas.
relevo plano ou quase plano e que apresentam
boa permeabilidade. MUITO FORTE- Este grau de limitação inclui
declives muito fortes, superiores a 70%, podendo
LIGEIRA- Solos que apresentam alguma sus- também incluir declives menores quando as
ceptibilidade à erosão. Com o uso agrícola propriedades físicas do solo são extremamente
prolongando (10 a 20 anos), parte do horizonte desfavoráveis à erosão. Quando usados com
A pode ser removido até 25% do original. Os agricultura estes solos serão destruídos em pou-

111/115
cos anos. É comum a presença de voçorocas ondulada, quando não existem outros impedi-
profundas. mentos de natureza mais séria. Se usados para a
agricultura, freqüentes e profundos sulcos de
Proteção e controle à erosão normalmente não erosão podem estar presente. Inclui solos com
são viáveis técnica e economicamente. moderados impedimentos devido à rochosidade
(10 a 25%), à pedregosidade (1 a 15%), à
textura, à presença de argilas do tipo 2:1, à
5. Graus de Limitações por Impedimentos ao drenagem natural e à pouca profundidade efe-
Uso de Implementas Agrícolas (Mecani- tiva.
zação).
FORTE -Solos nos quais a maior parte da área
O presente grau de limitação possui influência somente pode ser cultivada com implementas
sobre a produtividade dos solos sob sistema de manuais.
manejo desenvolvido.
Normalmente apresentam declives de 40 a 70% e
NU LA- Solos em que pode ser usado, sem incluem fortes impedimentos devido à rochosi-
dificuldade, durante o ano inteiro, todo tipo de dade (25 a 70%), à pedregosidade (15 a 40%), à
maquinaria agrícola. O rendimento do trator é drenagem natural e à pouca profundidade efetiva
superior a 90%. Normalmente são solos de relevo do solo.
plano,_ou com declives menores que 8% e que
não apresentam nenhum outro impedimento ao MUITO FORTE- Solos que não devem ou
uso de mecanização. somente com grandes dificuldades poderão ser
usados para agricultura. Não há possibilidades de
LIGEIRA- Solos nos quais, durante o ano usos de implementas agrícolas. Apresentam de-
inteiro, na maior parte da área, pode ser usada a clives maiores que 70% ou impedimentos muito
maioria dos implementas agrícolas sem ou com fortes devido à rochosidade, (maior que 70%), à
pequena dificuldade. Rendimento do trator de pedregosidade (maior que 40%), reduzida pro-
60 a 90%. fundidade efetiva, incluindo aqui também aque-
les permanentemente inundados.
Normalmente apresentam declives de 8 a 20%
quando não há outros impedimentos mais sérios.
Inclui solos com ligeiro impedimento devido à 8.2. Sistemas de Manejo Adotados Para a Agri-
rochosidade (2 a 10%), à pedregosidade (0,5 a cultura
1%) , à textura, à presença de argilas do tipo 2:1,
à drenagem natural e à pouca profundidade 8.2.1. SISTEMA DE MANEJO PRIMITIVO E
efetiva. CLASSES DE APTIDÃO AGRfCOLA

MODERADA- Solos nos quais, durante parte Neste sistema de manejo as práticas agrícolas
do ano, na maior parte da área, somente podem dependem de métodos tradicionais, que refletem
ser usados tipos leves de implementas agrícolas. um baixo nível de conhecimentos técnicos. Não
Geralmente os implementas agrícolas são de há emprego de capital para manutenção e
tração animal: O rendimento do trator, quando melhoramento das condições agrícolas dos solos
usado, é menor que 60%. e das lavouras. Os cultivos dependem principal-
mente do trabalho braçal. Alguma tração animal
Normalmente apresentam declives de 20 a 40% é usada, com pequenos implementas.
com uma topografia que é usualmente forte

111/116
Este é o sistema agdcola que predomina na CLASSE l/l-Aptidão RESTRITA
maior parte da área. A I impeza da vegetação é
feita por queimados e, no caso de culturas de As condições agrícolas dos solos apresentam
ciclo curto, o uso da terra nunca é permanente, limitações fortes para um grande número de
sendo a terra abandonada para recuperação culturas climaticamente adaptadas. Pode-se pre-
quando os rendimentos declinam fortemente. É ver produções medianas durante os primeiros
muito comum a consorciação de duas ou trêS anos, mas estas decrescem rapidamente para
culturas e as lavouras de caráter mais permanen- rendimentos baixos, dentro de um período de
te só serão possíveis em áreas onde a fertilidade 10 anos.
dos solos é alta.
Enquadram-se nesta classe solos de áreas que
As classes de aptidão para este sistema primitivo apresentam riscos moderados de danos ou fra-
são definidas em função do grau de limitação das casso de culturas, por irregularidade na distribui-
condições agrícolas naturais, sendo a fertilidade ção das precipitações pluviométricas, com proba-
um dos fatores mais importantes para a análise bilidade de ocorrência de uma vez num período
deste sistema. As definições referem-se a plantas de 1 a 5 anos.
climaticamente adaptadas, considerando-se que
o número de culturas diminui gradualmente da
Classe I para a Classe IV. CLASSE /V-INAPTA

As condições do solo apresentam limitações


CLASSE I - Aptidão BOA muito fortes para um grande número de culturas
climaticamente adaptadas.
Solos de condições agrícolas sem limitação ou
com limitação ligeira ou moderada. Rendimen- Enquadram-se nesta classe solos de áreas que
tos altos poderão ser obtidos por um período de apresentam fortes riscos de danos ou fracasso de
pelo menos 20 anos (tentativa), durante o qual a culturas, por irregularidade na distribuição das
produção somente decresce gradualmente. precipitações pluviométricas, com probabilidade
de ocorrência de uma vez ou mais cada ano.

CLASSE 11- Aptidão REGULAR


Neste sistema de manejo foram obtidos os
.As condições agr(colas dos solos apresentam seguintes resultados:
limitações moderadas para um grande número de Classes de Aptidão Área
2
km %
culturas climaticamel")te adaptadas. Pode-se pre- lb Boa para culturas de ciclo curto e
ver boas produções durante os primeiros 10 regular para cultura de ciclo longo 680 0,25
lia Regular para culturas de ciclo
anos, que decrescem rapidamente para um nível curto e longo 1.910 0,72
mediano nos 1O anos seguintes. llb Regular para culturas de ciclo
curto e restrita para_ culturas de
ciclo longo 970 0,36
Enquadram-se nesta classe solos de área que llc Regular para culturas de ciclo lon-
go e restrita para culturas de
apresentam riscos ligeiros de danos ou fracasso ciclo curto 5. 720 2,15
de culturas, por irregularidade na distribuição llla Restrita para culturas de ciclo
curto e longo 143.480 53,93
das precipitações pluviométricas, com probabili- lllb Restrita para culturas de ciclo
dade de ocorrência de uma vez num período de curto e inapta para culturas de
mais de 5 anos. ciclo longo 49.690 18,68

111/117
Classes de Aptidão Área tam limitações ligeira ou moderada, ou solos nos
2
km % quais, com melhoramentos simples ou comple-
lllc Restrita para culturas de ciclo
longo e inapta para culturas de xos não completamente efetivos são obtidas
ciclo curto 44.465 16,71
IV a Inapta para culturas de ciclo curto estas condições. Admite também solos que com
e longo; adequada para pastoreio melhoramento complexo efetivo não apresentam
extensivo 8.900 3,34
IVb Inapta para o uso agrCcola e pasto- limitação.
rei o extensivo 10.270 3,86
Boas safras poderão ser obtidas na maioria dos
anos, porém as limitações existentes são suficien-
8.2.2. SISTEMA DE MANEJO DESENVOLVI- tes para reduzir o rendimento médio, a opção de
DO E CLASSES DE APTIDÃO AGRf- culturas e as possibilidades de uso das práticas de
COLA manejo.

O sistema desenvolvido de manejo caracteriza-se


por contar com um capital médio suficiente para CLASSE 111- Aptidão RESTRITA
melhorar certas limitações das condições agríco-
las dos solos. O nível de conhecimento técnico é Solos em que certas condições agrícolas apresen-
aceitável, havendo possibilidade de orientação e tàm limitações moderada ou forte, ou solos nos
assistência técnica. São utilizadas plantas adapta- quais, como melhoramento simples ou comple-
das e melhoradas, práticas de drenagem, medidas xo, não completamente efetivo são obtidas estas
de controle à erosão, calagem e fertilização. condições.
Admite o uso de motomecanização.
As safras são seriamente reduzidas e a opção de
As classes de aptidão agrícola para o sistema culturas é muito restringida por uma ou mais
melhorado são definidas em função do grau de limitações que não podem ser removidas.
limitação das condições agrícolas e de suas
possibilidades de melhoramentos. As plantas são
climaticamente adaptadas, considerando-se que CLASSE IV - INAPTA
o número de culturas diminue gradualmente da
Classe I para a Classe IV. As definições abrangem As condições agrfcolas apresentam uma ou mais
culturas de ciclo curto e de ciclo longo. limitações que não podem ser removidas e são
suficientemente fortes para tornar impossível
uma agricultura econômica.
CLASSE I - Aptidão BOA
Existem culturas especializadas que podem se
Solos sem limitações e/ou solos em que certas adaptar a estes solos, entretanto com práticas
condições agrícolas apresentam limitação ligeira, especiais de manejo.
ou solos nos quais, com melhoramento simples
completamente efetivo não apresentam limi- Neste sistema de manejo obteve-se os seguintes
tação. São apropriados para a produção de um resultados:
grande número de culturas e rendimentos altos Classes de Aptidão Área
2
poderão ser obtidos sem restrições impostas nas lb Boa para culturas de ciclo longo e km %
práticas de manejo. regular para culturas de ciclo cur-
to 3.680 1,38
lia Regular para culturas de ciclo
CLASSE 11 -Aptidão REGULAR curto e longo 86.815 32,63
llc Regular . para culturas de ciclo
longo e restrita para culturas de
Em solos que certas condições agrícolas apresen- ciclo curto 38.090 14,31

111/118
Classe de Aptidão Área
2
lld Regular para culturas de ciclo km %
curto e inapta para culturas de
ciclo longo 1.100 0,41
llla Restrita para culturas de ciclo
curto e longo 34.180 12,85
lllb Restrita para culturas de ciclo
curto e inapta para culturas de
ciclo longo 38.480 14,4õ
lllc Restrita para culturas de ciclo
longo e inapta para culturas de
ciclo curto 34.930 13,13
IV a Inapta para culturas de ciclo curto
e longo; adequada para pastoreio
extensivo 19.610 7,37
IVb Inapta para o uso agrícola e pas-
toreio extensivo 9.200 3.46

111/119
TABELA DE CONVERSÃO PARA AVALIAÇÃO DA APTIDÃO AGRiCOLA DOS SOLOS
SISTEMA DE MANEJO DESENVOLVIDO

Limttações por·
Classes de
Culturas
Aptidão Deficiêncta de Ferti· Deficiêncta de Excesso de Susceptibilidade Impedimentos ao Uso
!idade Natural Água Água Erosão de lmplementos Agrícolas

Ciclo Curto Nula L'9eira Ltgetra Nula Nula


Boa
Ciclo Longo Nula Ltgetra Nula Ltgetra Ltgetra

Lígetra a
Ciclo Curto Ltgeira a Moderada Moderada Nula a Ltgetra Ltgetra
li Moderada
Regular
Ciclo Longo Ltgetra a Moderada Ltgetra a Moderada Moderada Ltgetra a Moderada Moderada a Forte

Ciclo Curto Moderada a Forte Forte Moderada Ltgetra a Moderada Moderada


111
Restnta
Ciclo Longo Moderada Moderada Moderada Moderada a Forte Forte

Ciclo Curto Forte M. Forte Forte Moderada a Forte Forte a Mutto Forte
IV

-
-
....
1\J
o
Inapta Ciclo Longo Forte Forte Forte

TABELA DE CONVERSÃO PARA AVALIAÇÃO DA APTIDÃO AGRiCOLA DOS SOLOS


SISTEMA DE MANEJO PRIMITIVO
M. Forte M. Forte

Ltmttações por·
Classes de
Culturas
Aptidão Deficiêncta de Fertt· Deficiêncta de Excesso de Susceptibilidade à Impedimentos ao Uso de
Iidade Natural Água Água Erosão lmplementos Agrícolas

Nula a Nula a
Ciclo Curto Nula Nula e Ltgetra
Ltgetra Ltgetra Ltgetra
BOA
Ciclo Longo Nula a Ltgetra Nula a Ltgetra Ltgetra Ltgetra a Moderada Nula a Ltge~ra

Ciclo Curto Ltgetra Moderada Moderada Ligetra a Moderada Moderada


11
Regular Ciclo Longo Ltge~ra a Moderada Ltgetra Ltgetra a Moderada Moderada Moderada a Forte

Ciclo Curto Moderada Forte Forte Moderada a Forte Forte


111
Restnta Forte
Ciclo Curto Moderada a Forte Moderada Moderada a Forte Forte

Ciclo Curto Forte MUltO Forte MUlto Forte Mutto Forte Mutto Forte
IV
Inapta
Ciclo Longo Forte Forte Forte MUltO Forte Mutto Forte
Estimativas dos Graus de Limitações das Principais.Condições Agr(colas dos Solos para os dois Sistemas
Fase Classes de Aptidão Agr(cola
de Manejo
--
Relevo Deficiência de Ferti- Defi ., . de Á Susceptibilidade Impedimento ao Uso Sistema de Manejo Sistema de Manejo
lidade Natural ICI ncla gua Excesso de Água
A erosão de lmplem. Agr(c. Primitivo Desenvolvido
Unid. e
Map. Vegetação
Primitivo Desen- P . . . Desen- p . . . Desen- P . . . Desen- P . . . Desen- Ciclo Ciclo Ciclo Ciclo
S(mbolo
1 "do nmmvo
~~ 1 "do nm1t1vo
~~ ~~1 "do nm1two 1
~~
"do nm1t1vo
~~o1"d
Curto Longo Curto Longo
Sfmbolo

Ondulado Moderada
Floresta Se- a
CL 1 cundária Moderada Moderada Ligeira Ligeira Nula Nula Ligeira Ligeira Forte Forte 111 111 I lia IV 111 lllc

Suave Ondulado
e Plano Moderada
Floresta Se- a
CL2 cundária MOderada Moderada Ligeira Ligeira Nula Nula Ligeira Ligeira Forte Forte 111 111 llla IV 111 lllc

Plano Multo Muito


AQ1 Campo Forte Forte Moderada Moderada Nula Nula Ligeira Nula Nula Ligeira IV IV IVb IV IV IVb

Plano Moderada
AQ2 Campo Forte a Forte Moderada Moderada Nula Nula Ligeira Nula Nula Ligeira IV IV IV a IV IV IVa

Moderada
Plano For- a
AQ3 mação Pioneira Forte Forte Moderada Moderada Nula Nula Ligeira Nula Nula Ligeira IV IV IVb IV IV IVb

Moderada Moderada Forte ·Forte


Plano a a a muito a muito
HL1 Cerrado Forte Forte Nula Nula Moderada Moderada Nula Nula Forte Forte 111 IV lllb 111 IV IVa

Pl~tno Moderada Moderada Forte Forte


Campo Cerrado a a a muito a muito
HL2 e Floresta Forte Forte Nula Nula Forte Forte Nula Nula Forte Forte 111 IV lllb IV IV IVa
Forte forte
Plano
a muito a muito
HL3 Campo Moderada Ligeira Nula Nula Forte Forte Nula Nula 111 IV lllb IV IV IVa
Forte Forte
Forte Forte
Plano a muito a muito
HL4 Campo t&rrado Moderada Ligeira Nula Nula Moderada Moderada Nula Nula Forte Forte 111 IV lllb IV 111 111 c

Forte Forte
Plano.Fiores1a a muito ·a muito
HL5 Secundária Moderada Ligeira Nula Nula Forte Forte Nula Nula Forte Forte 111 IV lllb IV IV IVb
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO AGRICOLA DOS SOLOS

Estimativas dos Graus de Limitações das Principais Condições Agrfcolas dos Solos para os dois Sistemas
Fase Classes de Aptidão Agrícola
de Manejo

Deficiência de Ferti- f" .• . d Á Susceptibilidade Impedimento ao Uso. Sistema de Manejo Sistema de Manejo
Relevo lidade Natural 0 e ICienc•a e gua Excesso de Água
Unid. à Erosão de lmplem. Agric. Primitivo Desenvolvido
e
Map.
Vegetação
Desen- Desen- Desen- Desen- Desen- Ciclo Ciclo Ciclo Ciclo
Primitivo Primitivo Primitivo Primitivo Primitivo S(mbolo Sfmbolo
volvido volvido volvido volvido volvido Curto Longo Curto Longo

Ond. a Forte
Ond. com
Áreas Aplai- Moderada
LAS nadar Floresta Moderada Ligeira Ligeira Ligeira Nula Nula Forte Moderada Moderada a Forte 111 111 llla 111 111 llla

11 11 lia
LA9 Plano Moderada Ligeira a
Floresta Ligeira Ligeira Nula Nula Forte Moderada Nula Nula Nula Ligeira 111 llf !lia 111 111 llla

Plano e
Suave Ond. Moderada Moderada
LA10 Floresta a Forte a Forte Ligeira Ligeira Ligeira Nula Ligeira Nula Nula Ligeira IV 111 lllc 111 111 llla

Plano e Ligeira
Suave Ond. a
LA 11 Floresta Moderada Ligeira Ligeira Ligeira Nula Nula Ligeira Ligeira Nula Moderada 111 111 fila 11 11 lia

Moderada
Plano
a
LA 12 Floresta
Moderada Ligeira Nula Nula Forte Moderada Nula Nula Nula Ligeira 111 111 llla 111 111 llla

Suave Ond.
e Ond.
LA 13 Floresta Moderada Ligeira Nula Nula Nula Nula Ligeira Ligeira Nula Ligeira 111 111 llla 11 11 lia

Suave Ond.
e Ond.
LA14 Floresta Moderada Ligeira Nula Nula Nula Nula Ligeira Ligeira Nula Ligeira 111 111 111 a 11 11 lia
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO AGRfCOLA DOS SOLOS

Estimativas dos Graus de Limitações das Principais Condições Agrfcolas dos Solos para os dois Sistemas
Fase Classes de Aptidão Agrfcola
de Manejo

Deficiência de Ferti- f" . • . d Á Susceptibilidade Impedimento ao Uso Sistema de Manejo Sistema de Manejo
Relevo lidade Natural 0 e ICiencla e gua Excesso de Água
A erosão de lmplem. Agrfc. Primitivo Deeenvolvido
Unid. e
Map. Vegetação
Desen- Desen- Desen- Desen- Desen- Ciclo Ciclo Ciclo Ciclo
Primitivo Primitivo Primitivo Primitivo Primitivo Sfmbolo Sfmbolo
volvido volvido volvido volvido volvido Curto Longo Curto Longo

Ond,e Moderada
Forte Ond. a
LV 1 Floresta Moderada Ligeira Ligeira Ligeira Nula Nula Forte Moderada Ligeira Forte 111 111 111 a IV 111 lllo

Suave Ond. Ligeira lia


e Ond. a
LV2 Floresta Moderada ligeira Ligeira ligeira Nula Nula Ligeira ligeira Nula Moderada 111 111 llla 111 11 li c

Suave Ond.
Moderada Moderada
Ond. (Es-
a a
carpado)
Forte Forte
LV3 Floresta Moderada Ligeira Ligeira Nula Nula Moderada Moderada Forte IV 111 111 c IV 111 111 c

Ond,e
Forte Ond. Forte Moderada
(Fort. Ois- a Muito a
secado)- Forte Forte
LV4 Floresta Moderada Ligeira Ligeira Ligeira Nula Nula Moderada Forte 111 111 111 a IV 111 file

Moderada
Plano Ligeira a ligeira a a
LV 5 Floresta Moderada Moderada Nula Nula Forte Nula Nula Nula Ligeira 111 111 llla 111 111 llla

Ondulado
TA 1 Floresta' Nula Nula Nula Nula Nula Nula Moderada Ligeira Nula ligeira 11 I lb 11 I Ib

Ondulado
TA 2 Floresta ligeira Nula Nula Nula Nula Nula Moderada ligeira Nula ligeira 11 11 lia 11 I Ib

Ondulado
TR3 Floresta ligeira ligeira Nula Nula Nula Nula Moderada ligeira Nula ligeira 111 11 llc .. !I ! Ib

Ondulado e Nula Nula Moderada


Forte Ond. a a a
PB 1 Floresta Moderada ligeira ligeira ligeira Nula Nula Forte Moderada ligeira Moderada 111 111 llla 111 111 llla
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO AGRfCOLA DOS SDLOS

Fase Estimativas dos Graus de Limitações das Principais Condições Agrfcolas dos Solos para os dois Sistemas
Classes de Aptidão Agrfcola
-de Manejo

Relevo Deficiência de Ferti· Deficiência de Água Excesso de Água Susceptibilidade Impedimento ao Uso Sistema de Manejo Sistema de Manejo
lidade Natural A erosão de lmplem, Agrfc. Primitivo Desenvolvido
Unid. e
Map. Vegetação
Desen- P . . . Desen· Desen· Desen- P . . . Desen- Ciclo Ciclo Ciclo Ciclo
Primitivo volvido nmttivo volvido Primitivo volvido Primitivo volvido rtmtttVo volvido srmbolo. Sfmbolo
Curto Longo Curto Longo

Forte Ondulado
Muito Muito Muito Muito
Ligeira Moderada Moderada Nula Nula Forte- Forte Forte Forte IV IV IVb IV IV IVb
--·~-- - - - - - - 7

Plano e Suave Forte a


Ondulado Campo Nula a Nula a Moderada Muito
R3 e Floresta Moderada Ligeira U~ira ligeira Forte. Moderada Moderada Ligeira a Forte Forte 111 IV lllb IV IV IVa

Montanhoso e
Escarpado Muito Muito Muito Muito
R4 f=forestlte Cáinpo Ligeira Ligeira Moderada· Moderada Nula Nula Forte Forte Forte Forte IV IV IVb IV IV IVb
Montanhoso e
Forte Ondulado Muito Muito Muito Muito
R5 Floresta Forte Moderada Ligeira Ligeira Nula Nula Forte Forte Forte Forte IV IV IVb IV IV IVb

AR Suave Ondulado - - - - - - - - - - IV IV IVb IV IV IVb


AVALIAÇÃO DA APTII)AO AGRll:OLA DOS SOLOS

Estimativas dos Graus de LimitaÇões das Principais Condições Agrícolas dos Solos Para os Dois Sistemas
Fase Classes de Aptidão Agrfcola
de Manejo
-
Deficiência de Ferti· Susceptibilidade Impedimento ao Usa Sjstema de Manejo Sistema de Manejo
Relevo lidade Natural Deficiência de Água Excesso de Água
Unid. à &osão de lmplem. Agric. Primitivo Desenvolvido
e
'Map.
Vegetação
P. . . Desen- Desen- Desen· Desen- Desen- Ciclo Ciclo Ciclo Ciclo
rJmJtJvo volvido Primitivo Primitivo PrimitiVo Primitivo Símbolo Símbolo
volvido volvido volvido volvido Curto Longo Curto Longo

LA 1 Plano Floresta Moderada Ligeira Ligeira Ligeira Ligeira Ligeira Nula Nula Nula Ligeira 111 111 111 a 11 11 lia

Suave Ond. Moderada


Moderada L' . Moderada 111 111 !lia 11 11 lia
LA2 e Ondulado Ligeira a Ligeira Ligeira Ligeira Nula Nula L'1ge1ra
. 1ge1ra Nula
Ligeira 111 11 llc 11 I lb
Flota~~a Moderada

Plano e Suave
LA3 Ohdálàclo M~radaModerada ModeraclaModerada Nula Nula Ligeira Ligeira Nula Ligeira IV UI 111 a 111 111 llla
F.loresta a orte

SueveOnd.
LA4 aOnd. Moderada Ligeira Ligeira Ligeira Nula Nula Ligeira Ligeira Nula Ligeira a
Floresta Moderada 111 111 llla 11 11 lia

Suave Ond. ligeira a


Moderada Ligeita Ligeira Ligeira Nula Nula Ligeira Ligeira Nula 111 111 111a 11 11 na
aOnd. Moderada
LAS Floresta
--
Ond.e
Forte Ond.
(Forte Disse Modei:Sda Moderada Ligeira Ligeira Nula Nula Forte Moderada ModeradB lllloaerada IV 111 lllc 111 11 Jlc
cado)
a Forte a t'Orte
LAS Floresta

Suave Ond.
L' . Ligeira a Ligeira a
aOnd. Moderada Ligeira Ligeira Ligeira Nula Nula Ligeira 1911'ra Moderada Moderada 111 Ili !lia !I 11 lia
LA7 Floresta
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO AGRICOLA DOS SOLOS

Estimativas dos Graus de Limitações das Principais Condições Agrfcolas dos Solos para os dois Sistemas
Fase Classes de Aptidão Agr(cola
de Manejo
-
Relevo Deficiência de Ferti- D f" .ê . d A Susceptibilidade Impedimento ao Uso Sistema de Manejo Sistema de Manejo
!idade Natural e ICI nc•a e gua Excesso de Água
A erosão de lmplem. Agr(c. Primitivo Desenvolvido
Unid. e
Map. Vegetação
Desen- Desen- Desen- Desen- Desen- Ciclo Ciclo Ciclo Ciclo
Primitivo Primitivo Primitivo Primitivo Primitivo Sfmbolo Sfmbolo
volvido volvido volvido volvido volvido Curto Longo Curto Longo

Plano e Suave
Ondulado
HL6 Cerrado Moderada Moderada Nula Nula Forte Forte Nula Nula Forte Forte 111 IV lllb IV 111 IV a

Plano
HG 1 .Formação Pioneira Ugeú"a Ligeira Nula Nula Forte Moderada Nula Nula Moderada Forte 111 IV 11ft 111 IV lllb

Plano
HG 2 Floresta Ligeira Ligeira Nula Nula Forte Moderada Nula Nula Moderada Forte 111 IV lllb 111 IV lllb

Ligeira a
Moderada Forte Ligeira 11 lld
Plano
HG3 Floresta Ligeira Ligeira Nula Nula Forte Moderada Nula Nula Moderada Forte 111 IV I llb 111 IV lllb

Moderada
Plano a Muito Muito
Hl 1 Floresta Forte Moderada Nula Nula Forte Forte Nula Nula Forte Forte IV IV IVb IV IV IVb
Plano e
Suave Ondulado Moderada ligeira a
Hl 2 Formação Pioneira a Forte Moderada Nula Nula Moderada Moderada Nula Nula Moderada Forte 111 IV lllb IV 111 11 I c
IV a IV a
Plano Campo Moderada Muito Muito
Hl3 e Floresta a Forte Moderada Nula Nula Forte Forte Nula Nula Forte Forte IV IV IVb. IV IV IVb

Plano Moderada
Hl4 Floresta Moderada Ligeira Nula Nula a Forte Moderada Nula Nula Moderada Forte 111 111 11 la IV 111 file
AVALIAÇÃO DAA5»TIDÃO AGRICOLA DOS SOLOS

Estimativas dos Graus de Limitações das Principais Condições Agrfcolas dos Solos para os dois Sistemas
Fase Classes de Aptidão Agrfcola
de Manejo

Deficiência de Ferti- . .• Susceptibilidade Impedimento ao Uso Sistema de Manejo Sistema de Manejo


Relevo Iidade Natural Defrcrencia de Água Excesso de Água
Unid. A erosão de lmplem. Agrfc. Primitivo Desenvolvido
e
Map. Vegetação
Oesen- Desen- Desen- Desen· Desen- Ciclo Ciclo Ciclo Ciclo
Primitivo Primitivo Primitivo Primitivo Primitivo Sfmbolo Sfmbolo
volvido volvido volvido volvido volvido Curto Longo Curto Longo

Muito Muito
HP 1 Plano Campo Forte Forte Forte Forte Ligeira Ligeira Ligeira Moderada Nula Ligeira IV IV IVb IV IV IVb

Muito
HP2 Plano Campo Forte Forte Forte Forte Ligeira Ligeira Ligeira Moderada Nula Ligeira IV IV IVb IV IV IVb

Muito Muito Muito


SK Plano Campo Moderada Moderada Nula Nula Forte Forte Nula Nula Forte Forte IV IV IVa IV IV IVa

Plano Vegetação Muito Muito Muito Muito Muito Muito


SM 1 de Mangues Forte Forte Nula Nula Forte Forte Nula Nula Forte Forte IV IV IVb IV IV IVb
--
Plano Vegetaçaõ Muito Muito
SM2 de Mangues Forte Forte Nula Nula Forte Forte Nula Nula Moderada Forte IV IV IVb IV IV IVb

A1 Plano Floresta Ligeira Nula Ligeira Nula Moderada Ligeira Nula Nula Nula Ligeira 11 11 lia 11 11 lia

Moderada Moderada Ligeira


A2 Plano ·Campo Nula Nula Nula Nula a Forte e Forte Nula Nula Ligeira Ligeira li 111 llb 11 IV lld

Montanhoso e
Escarpado com
Áreas Aplaina- Muito Muito Muito Muito
R1 das Floresta Moderada Moderada Ligeira Ligeira Nula Nula Forte Forte Forte Forte IV IV IVb IV IV IVb
AVALIAçAO DA APTIDAO AGR(COLA DOS SOLOS

Estimativas dos Graus de Limitaçé)es das Principais Condições Agrícolas dos Solos para os dois Sistanas
Fase Classes de Aptidio AgrCcola
de Manejo

Deficiência de Farti· Defi .6 . de ÁWJ Susceptibilidade Impedimento ao Uso ~da~jo Sistema de Manejo
Relevo lidade Natural 1c1 nc1a a Excesso de Agua
A erosão de lmplem. Agric. Primitivo Desenvolvido
Unic:t. e
Map. Vegetaçio
P. • . Desen· P • • • Desen- p • • . Desen· p • . . Desen· P . . • Desen- Ciclo Ciclo Ciclo Ciclo
nm1t1vo volvido nmltwo volvido nmJtJVo volvido nmJtJVo volvido r•m•t•vo volvido SCmbolo Símbolo
Cürto Longo CurtO Longo

Ondulado e
Forte Ond.
PB2 Floresta Forte Moderada Moderada Ligeira Nula Nula Forte Moderada Moderada Forte IV 111 lllc IV 111 lllc

Suave Onc:t.
a Ondulado
PB3 Floresta Moderada Ligeira Ligeira Ligeira Nula Nula Ligeira Nula Nula Ligeira 11 lia 11 11 lia

Ond.e Moderada
"
ForteOnc:t. a
PB4 Floresta Moderada Ligeira Ligeira Ligeira Nula Nula Forte Forte Ligeira Moderada 111 111 111 a IV 111 111 c

SuaveOnd.
PB5 Floresta Moderada Ligeira Ligeira Ligeira Nula Nula Ligeira Nula Nula Nula 111 111 111 a 111 11 llc

Suave Ond.
e Ondulado
PB6 Floresta Moderada Ligeira Ligeira Ligeira Nula Nula Forte Moderada Ligeira Moderada 111 111 llla 111 11 llc

Forte Ond.
a Montanhoso
( Fort. Disse-
cado) Muito Muito
PB7 Floresta Moderada Moderada Ligeira Ligeira Nula Nula Forte Forte Forte Forte IV IV IVb IV IV IVb

Forte Moderada
Forte Onc:t. a a
PBS Floresta Moderada Ligeira Ugeira Ligeira Nula Nula M.Forte Forte Moderada Forte IV 111 111 c IV 111 lllc
9. CONCLUSOES E RECOMENDAÇOES

Após o estudo dos solos e a verificação de sua 5) As terras que apresentam melhores possibili-
aptidão agrícola sob duas condições de manejo é dades de utilização são as de classes lb e lia no
possível concluir e recomendar: sistema primitivo e as de classes I b e lia no
sistema desenvolvido.
1) Aproximadamente 3,86% da área em condi-
ções naturais é inapta ao uso agrícola, pois 6) Para a utilização racional da área, estudos
apresentam limitações muito fortes com relação mais detalhados deverão ser feitos a fim de
a fertilidade, a textura do solo e relevo. separar regiões adequadas a culturas prioritárias
ou utilização no sistema de desenvolvimento
2) Dentro dos dois sistemas de manejos, as regional.
terras mais férteis são encontradas em áreas
relativamente pequenas a sudoeste, próximo à 7) Tendo em vista a pecuária regional, deverá
cidade de Altamira. Ao norte, cortando o rio ser mantida uma política mais rígida no controle
Jari, próximo à cachoeira de St<? Antonio, são de implantação de empreendimentos agropasto-
encontradas terras medianamente férteis. ris, a fim de que a região não venha futuramente
sofrer com a transformação de áreas hoje apro-
3) Existem outras áreas que, muito embora não veitáveis dentro de um planejamento racional,
possuam alta disponibilidade de nutrientes, po- em áreas improdutivas.
dem ser utilizadas em uma agricultura racional
dentro do sistema melhorado. t: o caso das áreas 8) Finalmente recomenda-se estudos hidro-
dos Podzólicos Vermelho Amarelos, por exem- lógicos superficiais e subsuperficiais, além de
plo. instalação de uma rede de estações meteo-
rológicas mais ampla, de modo a possibilitar a
4) Levando-se em conta os dois sistemas de avaliação das disponibilidades hídricas da região,
manejos as terras inaptas no sistema primitivo considerando-se que muito pouco se conhece
correspondem a 3,86% e no sistema desenvolvi- sobre o assunto da área.
do a 3,46% da área.

111/129
10. RESUMO

A área em estudo corresponde a folha ao A geologia regional engloba o Quaternário,


milionésimo, SA.22, denominada na Carta Geral Terciário (Formação Barreiras), Cretáceo (For-
do Brasil como Folha Belém, limita-se com a iTiação ltapicuru), Carbonífero (Formação ltai-
linha do Equador e o paralelo 4Ç} de latitude sul tuba e Monte Alegre), Devoniano (Formação
e os meridianos de 48Ç) e 54Ç) de longitude a Curuá) Siluriano (Formação Trombetas) e o
oeste de Greenwich e cobre uma área de Pré-Cambriano (Formação Tocantins, Grupo Vi-
aproximadamente 284.780 km 2 . la Nova, Complexo Guianense e Complexo Xin-
gu).
Os solos foram mapeados tomando-se por base
mosaicos semicontrolados de radar na escala A cobertura vegetal é representada pelas seguin-
1 :250.000, assim como fotografias infraverme- tes formações: 1) Cerrado; 2) Floresta Pioneira;
lhas multiespectrais que tiveram o apoio do 3) Floresta Aberta; 4) Floresta Densa; 5) Flores-
trabalho de campo necessário para a confecção ta Secundária.
do Mapa Exploratório de Solos e dos mapas de
Aptidão Agrícola na escala 1 1 000.000. O caráter generalizado do presente estudo, bem
como o grau de extrapolação considerado para o
Na área as formas de relevo foram esculpidas nível de levantamento, condicionaram o estabe-
sobre uma base geológica de cobertura de lecimento de unidades de mapeamento consti-
sedimentos Cenozóicos, com poucas áreas onde tuída por associações geográficas de solos na
afloram terrenos Pré-Cambrianos e Paleozóicos. maioria dos casos, estando as unidades taxonô-
micas empregadas de acordo com a classificação
As unidades morfoestruturais compreendem: adotada pela Divisão de Pedologia do Ministério
1) Planalto Setentrional Pará-Maranhão; 2) Pla- da Agricultura.
nalto Tapajós-Xingu; 3) Planalto da Bacia Sedi-
mentar do Amazonas; 4) Planalto Rebaixado da As unidades de solos dispostas em associações ou
Amazônia (do Baixo Amazonas); 5) Depressão em unidades individualizadas encontradas são
Periférica do Sul do Pará, 6) Depressão Periférica 1) Latossolo Amarelo Distrófico textura muito
do Norte do Pará; 7) Planície Amazônica. argilosa, argilosa e média, 2) Latossolo
Vermelho Amarelo Distrófico textura argilosa e
O estudo climático foi baseado nas classificações média; 3) Latossolo Vermelho Amarelo Distró-
de Koppen e de Gaussen. A primeira considera a fico pl íntico textura média; 4) Latossolo Verme-
região dos tipos climáticos Af, Aw e Amw' e a lho Escuro Distrófico textura argilosa, 5) Latos-
segunda compreende os climas xeroquimênlco, solo Roxo Eutrófico textura argilosa, 6) Terra
xeroquimênico em transição para xerotérico e Roxa Estruturada Eutrófica e Distrófica textura
termoxérico. argilosa; 7) Brunizém Avermelhado textura argi-
losa; 8) Podzólico Vermelho Amarelo textura
Com relação à disponibilidade de água e às argilosa e média; 9) Podzólico Vermelho Amare-
possibilidades de exploração agrícola dos solos lo Equivalente Eutrófico textura argilosa;
verificou-se pelo balanço hídrico 1O) Podzólico Vermelho Amarelo pl íntico textu-
(THORNTHWAITE e MATHER) que há um ra argilosa; 11) Solos Concrecionários Lateríti-
excedente sujeito a percolação que vai a cos Indiscriminados Distróficos textura indiscri-
573,1 mm em Altamira e 1.635,8 mm em Soure, minada; 12) Areias Ouartzosas Distróficas,
com uma deficiência máxima de 522,5 mm em 13) Areias Ouartzosas Marinhas Distróficas,
Salinópolis. 14) Laterita Hidromórfica Distrófica textura in-

111/130
discriminada; 15) Solos Gley Eutróficos e Dis- Levando-se em consideração a aptidão agrícola
tróficos textura indiscriminada; 16) Solos Hidro- dos solos da área, foram utilizados dois sistemas
mórficos Indiscriminados Eutróficos e Distrófi- de manejos, um Primitivo no qual as práticas
cos textura indiscriminada; 17) Gley Pouco Hú- agrícolas dominantes são as tradicionais do
mico Eutrófico e Distrófico textura Indiscrimi- colono e outro, Desenvolvido com grandes possi-
nada; 18) Podzol Hidromórfico; 19) Solonchak bilidades de utilização dentro de um espaço de
textura indiscriminada; 20) Solos Indiscrimina- tempo relativamente curto.
dos de Mangues textura indiscriminada; 21) So-
los Aluviais Eutróficos e Distróficos textura Do estudo feito foi possível concluir que os
indiscriminada; 22) Solos Lítólicos Distróficos solos na sua maioria possuem limitações de
textura indiscriminada. moderadas a fortes para agricultura, dentro do
sistema primitivo de manejo e que para a
A agricultura e a pecuária embora estejam implantação generalizada de uma agricultura
caminhando dentro de uma técnica racional de racional na área necessitam estudos aprimorados
implantação ainda não atingiram um nível ade- de fertilização e aclimatação de culturas alta-
quado dentro do desenvolvimento regional moti- mente rentáveis.
vo porque muito ainda se tem que fazer nestes
dois setores.

111/131
11. ANEXO

11.1. Descrição de Perfis de Solos e Análises

PERFIL N?24 FOLHA SA.22-V-D

Classificação- Latossolo Amarelo Distrófico textura média

Localização- Estado do Pará, Município de Almerim, pt. 124

Situação e Declividade- Terço superior da elevação com 8-12% de declive

Formação Geológica e Litologia- Terciário, Formação Barreiras

Material Originário -Sedimentos arenosos

Relevo Local- Suave ondulado

Relevo Regional -Ondulado dissecado passando a suave ondulado

Drenagem - Fortemente drenado

Erosão- Ligeira

Vegetação - Floresta

Uso Atual -Vegetação natural

0-15 em; bruno-escuro (1 OYR 4/3, úmido); areia franca; fraca muito pequena granular;
friável, não plástico e não pegajoso; transição plana· e gradual.

15-30 em; bruno-amarelado (10YR 5/4, úmido); areia franca; maciça porosa que se desfaz
em fraca pequena granular; friável, não plástico e não pegajoso; transição plana e gradual.

30-50 em; bruno forte (7.5YR 5/6, úmido); franco arenoso; maciça porosa que se desfaz em
fraca pequena granular; friável, não plástico e não peQajoso; transição plana e gradual.

50-70 em; bruno forte (7 .5Y R 5/8, úmido); franco arenoso; maciça porosa que se desfaz em
fraca pequena granular; friável, ligeiramente plástico e não pegajoso; transição plana e difusa.

70-}00 em; vermelho amarelado (5YR 5/6, úmido); franco arenoso a franco-argila-arenoso
leve; maciça porosa que se desfaz em fraca pequena granular; friável, ligeiramente plástico e
ligeiramente pegajoso; transição plana e difusa.

100-140 em+; vermelho amarelado (5YR 5/8 úmido); franco arenoso a franco
argilo-areno~o lev~; ~aciça porosa .que se desfaz em fraca pequena granular; friável, ligeira-
mente plást1co e ligeiramente pegajoso.
111/132
PERFIL N<? 24

LOCAL: Estado do Pará, Município de Almeirim, pt 124.

CLASSIFICAÇÃO: Latossolo Amarelo Distrófico textura média.

Prof. % %
Protocolo
em
Horiz. Ki Kr -c 100AI
Si 0 2 AI 2 03 Fe 2 0 3 c N N AI +S

12482 0- 15 Au - - - - - 0,95 0,08 12 79


12483 15- 30 A12 - - - - - 0,44 0,04 11 82
12484 3D- 50 A3 - - - - - 0,27 0,02 14 75
12485 50- 70 81 - - - - - 0,24 0,02 12 79
12486 70-100 821 - - - - - 0,14 0,01 14 79
12487 10Q-140 822 - - - - - 0,07 0,01 7 79

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v P20s


m~
Ca++
I
Mg++
I K+ Na+
l s
l H+
I
AI+++
I T %
100g

0,20 0,10 0,07 0,03 0,40 4,11 1,50 6,01 7 0,69


0,15 0,05 0,05 0,02 0,27 2,43 1,20 3,90 7 0,69
0,10 0,10 0,05 0,02 0,27 1,67 0,80 2,74 10 0,69
0,15 0,05 0,05 0,02 0,27 1,47 1,00 2,74 10 0,92
0,15 0,05 0,05 0,01 0,26 0,65 1,00 1,91 14 0,69
0,15 0,05 0,05 0,01 0,26 0,65 1,00 1,91 14 0,69

pH COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA % Grau de

I I J floculação
H20 KCI Calhau Cascalho
>20mm 20·2mm
Areia
grossa
l Areia
fina I Silte
Argila
total I
Argila
nat.
%

4,0 3,6 - - 31 31 26 12 4 67
4,2 3,8 - - 30 30 28 12 8 33
4,5 4,0 - - 29 28 27 16 8 50
4,7 4,0 - - 27 30 26 17 14 18
4,5 4,0 - - 25 29 26 20 X 100
4,5 3,9 - - 26 26 28 20 X
...
100

ANÁLISE: IPEAN

111/133
PERFIL N<? 25 FOLHA SA.22-Y-B

Classificação- Latossolo Amarelo Distrófico textura média

Localização- Estado do Pará, a 2,5 km de Senador José Porfl'rio, na estrada do SMER, pt. 115

Situação e Declividade- Perfil de trincheira em área aplainada com 0-2% de declive

Formação Geológica e Litologia- Terciário. Formação Barreiras

Material Originário- Sedimentos argila-arenosos

Relevo Local - Plano

Relevo Regional -Plano e suave ondulado

Drenagem - Fortemente drenado

Erosão- Praticamente nula

Vegetação- Floresta densa

Uso Atual- Culturas de mandioca, feijão e milho

0-5 em; bruno (10YR 5/3, úmido); areia; grãos simples, solto, não plástico e não pegajoso,
transição plana e gradual.

5-15 em; bruno acinzentado escuro ( 1OYR 4/2, úmido), franco arenoso, fraca pequena
granular, muito friável, não plástico e não pegajoso, transição plana e difusa.

16-44 em; bruno acinzentado escuro (10YR 4/2, úmido), franco argiloso arenoso leve; fraca
pequena granular com aspecto de maciça porosa; muito friável, ligeiramente plástico e
ligeiramente pegajo.so; transição plana e gradual.

44-57 em; bruno (10YR 5/3, úmido), franco argila arenoso; fraca pequena granular com
aspecto de maciça porosa; muito friável, ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso,
transição plana e gradual.

57-79 em; bruno amarelado (10YR 5/6, úmido), franco argila arenoso; fraca pequena
granular e blocos subangulares, friável, plástico e ligeiramente pegajoso, transição plana e
gradual.

79-140cm+, brunoamarelado (9YR 6/6, úmido); francoargiloarenoso; fraca pequena


granular e blocos subangulares, friável plástico e pegajoso.

111/134
PERFIL Nl? 25

LOCAL: Estado do Pará, a 2,5 km de Senador José Porfírio, na estrada do SMER, pt 115.

CLASSIFICAÇÃO: Latossolo Amarelo Distrófico textura média.

Prof. % %
Protocolo Horiz. Ki Kr -c- 100AI
em Si0 2 Al 2 0 3 Fe 2 0 3 c N N AI +S

11976 0- 15 Au - - - - - 1,23 0,08 15 61


11977 5- 16 Al2 - - - - - 0,95 0,07 14 82
11978 16- 44 At3 - - - - - 0,56 0,04 14 75
11979 44- 57 A3 - - - - - 0,38 0,03 13 76
11980 57- 79 Bt - - - - - 0,28 0,03 9 68
11981 79-140 Bz - - - - - 0,11 0,02 6 75

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v PzOs


mg
Ca++
I
Mg++
I
K+ Na+
I s
I
H+
I
AI+++
l T %
100g

0,20 0,20 0,07 0,03 0,50 3,82 0,80 5,12 10 < 0.46
0,15 0,05 0,06 0,03 0,29 3,81 1,30 5.40 5 < 0.46
0,20 0,10 0,06 0,03 0,39 3,91 1,20 5,50 7 < 0.46
0,10 0,10 0,05 0,03 0,28 2.40 0,90 3,58 8 < 0.46
0,15 0,05 0,05 0,03 0,28 2,70 0,60 3,58 8 < 0.46
0,15 0,05 0,05 0,02 0,27 1,18 0,80 2,25 12 < 0.46

pH COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA % Grau de


floculação
I I
HzO I KCI Calhau Çascalho
>20mm 20-2mm
Areia
grossa I
Areia
fina I Silte
I
Argila
total
l Argila
nat.
%,

4.4 3,3 - - 73 13 6 8 X 100


4,0 3,5 - - 58 15 11 16 5 69
4,2 3,7 - - 52 16 11 21 1 95
4,5 4,0 - - 51 14 9 26 16 38
4,5 4,0 - - 46 15 8 31 17 45
4,7 4,0 - - 41 14 11 34 X 100

ANÁLISE: IPEAN

111/135
PERFIL N9 26 FOLHA SA.22-X-D

Classificação- Latossolo Amarelo Distrófico textura argilosa

Localização- Estado do Pará, Município de Acará, km 8, estrada Acará-Tomé-Açu

Situação e Declividade- Perfil coletado com tradode caneco em área plana com 0-2% de declive

Formação Geológica e Litologia- Terciário. Formação Barreiras

Material Originário- Sedimentos argilosos

Relevo local - Plano

Relevo Regional - Plano e suave ondulado

Drenagem- Bem drenado

Erosão - Nu la

Vegetação- Floresta

Uso Atual - Exploração de madeira

0-10 em; bruno escuro (10YR 4/3, úmido); areia franca; muito fraca pequena granular com
aspecto maciça; muito friável, ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso; transição plana
e gradual.

10-25 em; bruno amarelado (10YR 5/6, úmido); franco argilo arenoso pesado; muito fraca
pequena granular com aspecto maciça; muito friável, plástico e pegajoso; transição plana e
gradual.

25-45 em; bruno amarelado (10YR 5/6, úmido); franco argilo arenoso; maciça porosa;
muito friável, plástico e pegajoso; transição plana e difusa.

45-70 em; bruno amarelado (10YR 5/8, úmido); franco argilo arenoso pesado; maciça
porosa; friável, plástico e pegajoso; transição plana e difusa.

70-110 em; bruno forte (7.5YR 5/8, úmido); argila arenosa maciça porosa; friável, plástico e
pegajoso; transição plana e difusa.

110-140cm+; bruno forte (7.5YR 5/8, úmido); argila arenosa; maciça porosa; friável,
plástico e pegajoso.

111/136
PERFIL N'? 26

LOCAL: Estado do Pará, Municfpio de Acará, km 8 Estrada Acará- Tomé-Açú.

CLASSIFICAÇÃO: Latossolo Amarelo Distrófico textura argilosa.

Prof. % %
Protocolo
em
Horiz.
Si 02 j A1 2 0~ Fe20 3
Ki Kr
c N
-Nc 100AI
A!+S

14754 0- 10 A1 - - - - - 1,04 0,10 10 67


14755 10- 25 A3 - - - - - 0,74 0,05 15 72
14756 25- 45 8u - - - - - 0,59 0,04 15 79
14757 45- 70 812 - - - - - 0,49 0,03 16 87
14758 70-110 821 - - - - - 0,32 0,02 16 84
14759 110-140 822 - - - - - 0,14 0,02 7 88

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v P20s


mg
Ca++
I Mg++
I
K+ Na•
l s
I H+
I AI+++
I T %
100g

1,08 0,31 0,05 0,05 1,49 3,95 1,00 6,44 23 0,33


0,14 0,11 0,03 0,03 0,31 3,65 0,80 4,76 7 0,16
0,08 0,09 0,02 0,02 0,21 3,65 0,80 4,66 5 < 0,11
0,05 0,06 0,02 0,02 0,15 2,30 1,00 3,45 4 < 0,11
0,06 0,09 0,02 0,02 0,19 2,30 1,00 3,49 5 < 0,11
0,04 0,06 0,02 0,02 0,14 1,64 1,00 2,78 5 < 0,11
pH COMPOSIÇÃO GRANULOM~TRICA % Grau de

I Calhau CascalhoI I Areia Areia


I I
Argila Argila
floculação
H20 KCI
>20mm 20·2mm grossa I fina
Silte
total I nat.
%

4,4 3,9 o 11 37 29 21 13 1 92
4,3 3,8 o 11 32 28 16 24 13 45
4,3 3,9 o 14 27 29 16 28 2 92
4,5 4,0 o 13 24 25 16 35 24 31
4,6 4,0 o 9 27 26 8 39 X 100
4,9 4,0 o 11 26 22 12 40 X 100

ANÁLISE: IPEAN

111/137
PERFIL N9 27 FOLHA SA.22-X-D

Classifiéação - Latossolo Amarelo Distrófico textura média

Localização- Estado do Pará, Município de lgarapé-Mirí Km 12, estrada lgarapé-Miri-Abaetetuba

Situação e Declividade- Perfil em corte de estrada, com 0-3% de declive

Formação Geológica e Litologia ,-Terciário. Formação Barreiras

Material Originário -Sedimentos arena-argilosos

Relevo Local - Praticamente plano

Relevo Regional- Plano e suave ondulado

Drenagem- Fortemente drenado

Erosão- Nula

Vegetação- Vegetação secundária com remanescentes de floresta primitiva.

Uso Atual -Terras em pousio

0-15cm; brunoamareladoescuro (10YR 4/4, úmido}; areia franca; fraca a moderada


pequena granular; friável, não plástico e não pegajoso; transição plana e gradual.

15-30 em; bruno amarelado ( 1OYR 5/4, úmido}; franco arenoso; fraca pequena granular;
friável, ligeiramente plástico e não pegajoso; transição plana e difusa.

30-60 em; bruno amarelado claro (1 OYR 6/4, úmido}; franco arenoso; maciça porosa;
friável, ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso; transição plana e difusa.

60-95 em; amarelo brunado (10YR 6/6, úmido}; franco arenoso; maciça porosa; friável,
~igeiramente
plástico e ligeiramente pegajoso; transição plana e difusa.

95-120 em+; amarelo brunado ( 1OYR 6,5/6, úmido}; franco argilo arenoso; maciça porosa;
friável, plástico e pegajoso.

Observações: Raízes finas e abundantes no A1; comuns no A3; médias poucas, grossas raras no 81 e
821
Atividade biológica intensa no A1 e A3; moderada no 81

111/138
PERFIL N9 27

LOCAL: Estado do Pará, Município de lgarapé-Miri, km 12, Estrada lgarapé-Miri - Abaetetuba.

CLASSIFICAÇÃO: Latossolo Amarelo Distrófico textura média.

Prof. % %
Protocolo Horiz. Ki Kr
c
-- 100AI
em Si0 2 Al 2 0 3 Fe 2 0 3 c N N AI+S

14745 0- 15 At - - - - - 0,69 0,06 12 85

14746 15- 30 A3 - - - - - 0,47 0,04 12 87

14747 30- 60 Bt - - - - - 0,33 0,03 11 89

14748 60- 95 Bzt - - - - - 0,17 0,02 9 81

14749 95-120 + Bzz - - - - - 0,13 0,02 7 83

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v PzOs


mg
K+ s AI+++ %
Ca++
I Mg++
I Na+
I I
H+
I I T 100g

0,05 0,12 0,03 0,03 0,24 3,71 1,40 5,35 4 0,38

0,03 0,08 0,04 0,03 0,18 3,09 1,20 4,47 4 0,27

0,03 0,05 0,04 0,03 0,15 2.43 1,20 3,78 4 0,24

0,03 0,04 0,04 0,03 0,14 2,04 0,60 2,78 5 0,22

0,04 0,04 0,02 0,02 0,12 1,54 0,60 2,26 5 0,22

pH COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA % Grau de


floculação
J Calhau Cascalho I I Areia Areia Argila Argila
HzO KCI
>20mm 20·2mm grossa I fina I Silte
total I nat.
%

4,3 3,8 o 11 53 18 15 14 8 43

4,4 3,9 o 18 52 16 15 17 1 94

4,5 3,9 o 14 48 17 21 14 14 o
4,5 4,0 o 10 44 19 19 18 2 89

4,7 4,0 o 14 45 17 14 24 X 100

ANÁLISE: IPEAN

111/139
PERFIL N9 28 FOLHA SA.22-Z-B

Classificação - Latossolo Amarelo Distrófico textura média

Localização- Estado do Pará, Município de Acará, a 23 km, estrada Acará-Tomé-Açu

Situação e Declividade- Area plana com 0-3% de declive

Formação Geológica e Litologia -Terciário. Formação Barreiras

Material Originário -Sedimentos arena-argilosos

Relevo Local - Plano

Relevo Regional -Plano e suave ondulado

Drenagem - Fortemente drenado

Erosão- Praticamente nula

Vegetação- Vegetação secundária

Uso Atual- Cultura de mandioca

0-15 em; bruno acinzentado muito escuro ( 1OYR 3/2, úmido); areia; muito fraca pequena
granular e grãos simples; solto, não plástico e não pegajoso; transição plana e gradual.

15-38 em; bruno amarelado ( 1OYR 5/4, úmido); areia franca; maciça porosa que se desfaz
em muito fraca pequena granular; muito friável, não plástico e não pegajoso; transição plana
e difusa.

38-66 em; bruno amarelado (10YR 5/5, úmido); franco arenoso; maciça porosa; friável,
ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso; transição plana e difusa.

66-110 em; bruno amarelado (10YR 5/6, úmido); franco arenoso pesado; maciça porosa;
friável~ ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso; transição plana e gradual.

110-185 em+; bruno amarelado (10YR 5/8, úmido); franco argila arenoso; maciça porosa;
friável, plástico e pegajoso.

111/140
PERFIL N? 28

LOCAL: Estado do Pará, Município de Acará, a 23 km, Estrada Acará- Tomé-Açú.

CLASSIFICAÇÃO: Latossolo Amarelo Distrófico textura média.

Prof. % %
Protocolo
em
Horiz. Ki Kr -Nc 100AI
Si0 2 Alz03 Fe 2 0 3 c N AI+S

14766 0- 15 Ap - - - - - 0,54 0,07 8 6,3

14767 15- 38 A3 - - - - - 0,40 0,03 13 25

14768 38- 66 81 - - - - - 0,30 0,02 15 34

14769 66-110 821 - - - - - 0,21 0,02 11 22

14770 110-185 + Bzz - - - - - 0,13 0,01 13 27

COMPLEXO SORTIVO mE/100g v PzOs


mg
Ca++
I Mg.....
I K+ Na•
I s
I
H+
I
AI+++
I T %
100g

2,60 0,32 0,04 0,03 2,99 1,78 0,20 4,97 60 0,62

0,80 0,29 0,05 0,04 1,18 2,24 0,40 3,82 31 0,13

0,54 0,16 0,04 0,02 0,76 2,24 0,40 3,40 22 < 0,11
0,50 0,10 0,08 0,01 0,69 1,78 0,20 2,67 26 < 0,11
0,36 0,14 0,03 0,01 0,54 1,45 0,20 2,19 25 < 0,11
pH COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA % Grau de

I I
Calhau Cascalho I Areia Areia Argila Argila
floculação
H20 KCI
>20mm 20-2mm grossa I fina I Silte
I total I nat.
%

5,3 5,0 o 10 59 22 17 2 X 100

5,3 4,3 o 12 44 24 20 12 11 8

5,2 4,2 o 10 47 22 15 16 2 87

5,2 4,3 o 13 46 22 13 19 15 21

5,0 4,5 o 8 45 24 9 22 X 100

ANÁLISE: IPEAN

111/141
PERFIL N<? 29 FOLHA SA.22-V-C

Classificação - Latossolo Amarelo Distrófico textura média

Localização - Estado do Pará, Município de Prainha, Km 13, estrada Prainha-Monte Alegre pt. 121 b

Situação e Declividade- Encosta com 1-2% dedeclive

Formação Geológica e Litologia - Barreiras. Terciário.

Material Originário -Sedimentos arenosos

Relevo Local- Suave ondulado

Relevo Regional -Suave ondulado

Drenagem - Fortemente drenado

Erosão- Laminar ligeira

Vegetação- Floresta

Uso Atual- Formação de pastagem

A1 0-10 em; bruno amarelado escuro (1 OYR 4/4, úmido); areia franca; grãos simples; solto, não
plástico e não pegajoso; transição plana e clara.

B1 10-50 em; bruno amarelado (10YR 5/6, úmido); franco arenoso; maciça; macio, muito
friável, ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso; transição plana e difusa.

B2 50-120 em; bruno amarelado ( 1OYR 5/6, úmido); franco argila arenoso; maciça; ligeiramente
duro, muito friável, ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso.

111/142
PERFIL N<? 29

LOCAL: Estado do Pará, pt 121 B.

CLASSIFICAÇÃO: Latossolo Amarelo Distrófico textura média.

Prof. % %
c 100 AI
Protocolo
em
Horiz.
Si0 2 I
AI 2031 Fe203
Ki Kr
c N
--
N AI+S

12432 0- 10 At - - - - - 0,52 0,04 13 o


12433 10- 50 Bt - - - - - 0,44 0,02 22 63

12434 50-120 82 - - - - - 0,29 0,02 15 72

COMPLEXO SORT.IVO mE/100g v P20s


ml;l
Ca++
I Mg++