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BEM VINDO!

Olá, seja bem vindo ao CURSO DISCIPULADO UM A UM da Escola do Discípulo. Nós da


Primeira Igreja Batista de Campo Grande estamos muito felizes e nos sentimos honrados
com a sua presença.

Nas próximas semanas vamos refletir sobre um dos temas mais importantes da vida cristã,
o discipulado. Através deste processo podemos aprender com a Palavra de Deus (e uns
com os outros) como devemos viver e agir enquanto cristãos. A ordem de fazer discípulos
veio do próprio Jesus que ensinou através do seu exemplo que devemos dar a vida pelos
nossos irmãos. Este é o verdadeiro evangelho. Esperamos que você também possa se
comprometer a este estilo de vida de envolver-se com o corpo de Cristo, crescendo,
ajudando e também sendo ajudado através do discipulado.

COMO APROVEITAR MELHOR AS AULAS


 Procure chegar no horário para não perder nada;
 Tenha um caderno de anotações e caneta para registrar o que achar interessante;
 Faça perguntas. Este é o lugar mais apropriado para isso, então tire suas dúvidas;
 Não falte. Cada aluno tem direito a uma falta por módulo, por isso busque se organizar.
Se tiver muitas faltas, infelizmente não poderá terminar o curso;
 Pratique o que aprender. A grande medida do crescimento espiritual vem pela prática
da verdade e não só pelo seu conhecimento.

COMO APROVEITAR MELHOR ESTE MATERIAL


Esta apostila em suas mãos foi preparada especialmente para você, então:
 Tenha o hábito de ler a lição antes das aulas para assimilar melhor o conteúdo;
 Traga sempre a apostila com você para poder fazer observações e perguntas;
 Faça as atividades! No final de cada lição existem atividades que o ajudarão a avaliar
seus conhecimentos e fixar as informações em sua mente.

Que Deus lhe abençoe.


SUMÁRIO

INTRODUÇÃO 1

DISCIPULADO UM A UM..................................................................................................4
AULA 1 – O QUE É O DISCIPULADO...............................................................................5
1.1 – O propósito de ouro do discipulado.................................................................. 6
1.2 – A importância do discipulado............................................................................7
1.3 – A essência do discipulado um a um..................................................................9
1.4 – Quem é o discípulo...........................................................................................9
1.5 – Quem é o discipulador....................................................................................10
1.6 – Fazendo discípulos para Jesus.......................................................................11
1.7 – Modelos bíblicos de discipulado......................................................................11

AULA 2 – A RELAÇÃO ENTRE DISCÍPULO E DISCIPULADOR ...................................12


2.1 – O fim do individualismo...................................................................................12
2.2 – Atitudes de um discipulador excelente............................................................14
2.3 – Conselhos práticos para discipuladores..........................................................17
2.4 – Atitudes de um discípulo excelente.................................................................18

AULA 3 – LIMITES E ABUSOS DO DISCIPULADO........................................................21


2.5 – Limites e abusos do discipulado.................................................................... 22
2.6 – E se acontecer algum abuso?.........................................................................24
2.7 – A Paternidade Espiritual no Discipulado.........................................................25

AULA 4 – O ENCONTRO DE DISCIPULADO E SEUS ALVOS.......................................28

CONCLUSÃO...................................................................................................................41

BIBLIOGRAFIA................................................................................................................42

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DISCIPULADO UM A UM

Imagine que Deus desejava realizar uma grande obra, maior do que qualquer outra já
realizada na história – o resgate e a salvação de toda a criação através da morte do Seu
Filho Jesus. Que plano grandioso! A vontade de Deus era de se fazer conhecido e
manifestar o seu amor, oferecendo perdão e vida eterna ao homem pecador. Para isso
Jesus veio – para buscar e salvar o que estava perdido (Lucas 19.10).

Para realizar este plano Jesus escolheu doze homens e caminhou com eles por quase
quatro anos permitindo que eles aprendessem tudo o que ele fazia e ensinava através do
seu exemplo. Ao final deste tempo, Jesus deu a eles o propósito de levar anunciar esta
vida e manifestar este reino a todas as pessoas da terra utilizando da mesma forma que
fizera (Mateus 28.19). Jesus poderia ter usado várias formas diferentes para cumprir sua
missão, mas a maneira que Ele escolheu foi o relacionamento profundo e abençoador que
chamamos de discipulado.

Temos aprendido que um dos versículos mais importantes da Palavra de Deus para a
igreja dos nossos dias está em 1a João 3.16 que diz: “Nisto conhecemos o amor: que
Cristo deu a Sua vida por nós e devemos dar a nossa vida pelos nossos irmãos”.
Não existe melhor maneira de servirmos a Deus do que quando amamos e servimos o
nosso próximo, por a melhor coisa que podemos fazer enquanto discípulos de Jesus é
abençoarmos nossos irmãos, servindo-os e ensinando-os a obedecer os mandamentos
de Jesus.

Nas próximas aulas vamos refletir sobre o discipulado como mandamento e como
estratégia para alcançar a verdadeira maturidade na fé. O chamado para participar desta
tarefa não é um dom especial para algumas pessoas, mas uma ordem para todos os
cristãos colocarem em prática. Se você é um discípulo de Jesus, você foi chamado para
participar deste grande movimento de amor e cuidado que é o DISCIPULADO UM A UM.

Que Deus abençoe você!

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AULA 1 – O QUE É O DISCIPULADO

Em primeiro lugar, vamos ver algumas definições que podem nos ajudar a compreender
o que o discipulado. Em seu livro “A Formação de um Discípulo”, Keith Phillips diz que:

“O discipulado cristão é um relacionamento de mestre e aluno baseado no modelo


de Cristo e seus discípulos, no qual o mestre reproduz tão bem no aluno a plenitude
da vida que tem em Cristo que o aluno é capaz de treinar outros para que ensinem
outros” .

Abe Huber e Ivanildo Gomes, definem discipulado de um modo bem parecido:

“Discipular é transmitir a vida de Jesus. É reproduzir essa vida em outras pessoas,


ensinando-os a guardar tudo o que Jesus ordenou.”

A definição usada por David Kornfield ensina que:

“O discipulado é uma relação comprometida e pessoal, onde um discípulo mais


maduro ajuda outros discípulos de Jesus Cristo a aproximarem-se mais dEle e
assim reproduzirem”.

Todas essas definições nos ajudam bastante a entender o que é importante dentro do
discipulado. Percebemos que o discipulado não se trata de um programa, uma serie de
módulos, um livro, um encontro semanal, nem é um novo sistema de culto nos lares.

O Discipulado é um relacionamento entranhável e profundo entre duas pessoas que


caminham em transparência, cumplicidade e amor genuíno. Juntas elas buscam o estilo
de vida de Jesus - uma vida de serviço, honra, cuidado e amor de um para com o outro.
Neste relacionamento o discipulador busca transferir a vida de Cristo para seu discípulo,
guiando-o num caminho de constante crescimento e obediência à Palavra de Deus,
alcançando também outras pessoas.

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RESUMINDO: O discipulado é um relacionamento profundo entre duas pessoas que
buscam viver o estilo de vida de Jesus, e caminham juntas em constante
crescimento e obediência à Palavra de Deus, alcançando também outras pessoas.

O PROPÓSITO DE OURO DO DISCIPULADO


Precisamos entender que a razão última do discipulado é a mesma razão de todas as
outras coisas que fazemos nesta vida: que Deus seja glorificado. Lembre-se do que diz 1a
Coríntios 10.31: “Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam
tudo para a glória de Deus”. Guarde isso profundamente no seu coração - A finalidade
principal do discipulado é que Deus seja glorificado. Nós discipulamos por causa
dele, em obediência a ele, para que Ele seja conhecido.

“Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu
entendimento’. Este é o primeiro e maior mandamento” (Mateus 22.37,38). O amor por
Deus sempre deve preceder o nosso amor pelas pessoas, afinal, ELE é a fonte de todo
amor verdadeiro. Amando a Deus em primeiro lugar vamos conseguir colocar o restante
do texto em prática: “Ame o seu próximo como a si mesmo” (Mateus 22.39).

Se a sua preocupação maior for a participação em uma estratégia de discipulado, a


vontade de ser acompanhado ou mesmo o desejo de amar as pessoas, pare um pouco e
reconsidere suas motivações. Estas coisas ainda que sejam excelentes não são o
principal. A estratégia pode se tornar pesada, o relacionamento humano pode passar por
desentendimentos e as pessoas que você tanto ama podem lhe virar as costas e não
corresponderem às suas expectativas. Por isso faça tudo para a glória de Deus, porque
isso sim é imutável. Ame ao Senhor e nenhuma estratégia roubará o foco do seu coração.
Aprenda a busca-lo incessantemente e Ele irá curar os relacionamentos feridos. Ame a
glória de Deus, e você amará as pessoas como Ele as ama.

Na caminhada de discipulado, o primeiro compromisso que deve ser feito não é com o
Senhor. Devemos dizer: “Senhor, é por tua causa que desejo discipular e ser
discipulado, para que eu ame a Tua glória a cada dia mais e cresça em obediência
ao Senhor, e para ajudar outros a te conhecerem e também alcançarem este mesmo
propósito.”

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Jamais perca de foco que tudo o que fazemos deve ser feito com o coração totalmente
voltado para Deus e para o louvor de Sua glória (Efésios 1.6, 12, 14), afinal de contas,
foi para isso que ele nos criou (Isaías 43.7).

A IMPORTÂNCIA DO DISCIPULADO
Há pelo menos cinco razões para que nós nos comprometamos a ver o discipulado como
o principal trabalho de nossas vidas.

1 – O AMOR DE DEUS É EXPRESSO EM RELACIONAMENTOS.


O amor de Deus e seus propósitos para nós só podem ser comunicados por meio de uma
relação pessoal e comprometida (João 1.14). O ministério de Jesus mostra isso
claramente. A bíblia diz que o amor é conhecido quando entregamos a nossa vida pelos
nossos irmãos, como Cristo fez conosco (1a João 3.16).

2 – FAZER DISCÍPULOS FOI UM MANDAMENTO DADO POR JESUS.


Se você conhece a Grande Comissão que está Mateus 28.18-20, você sabe que o
mandamento de Jesus não foi apenas espalhar uma mensagem, mas com as mesmas
prioridades de Jesus, fazer discípulos dEle. Não foi qualquer pessoa que inventou a
importância do discipulado, mas o próprio Mestre. Portanto, fazer discípulos é uma
questão de obediência.

3 – JESUS ESCOLHEU O DISCIPULADO COMO SUA ESTRATÉGIA PRINCIPAL.


Para cumprir sua missão na terra Jesus não construiu um templo, não foi para um
seminário, não fundou uma denominação, nem se identificou com nenhum movimento
religioso da época como a única forma de servir a Deus. Ele escolheu o fazer discípulos.,
investiu tempo, energia e amor para ver pessoas transformadas. Se essa foi a melhor
opção para o Senhor dos Senhores, por quê não seria também para nós?

4 – O DISCIPULADO GERA MUITA QUALIDADE


Fazendo discípulos não precisamos optar por quantidade ou qualidade, podemos alcançar
as duas coisas. Muitas igrejas só pensam em fazer convertidos, uma multidão de bebês
espirituais que apenas vão à igreja aos domingos mas ninguém sabe realmente como eles
estão. Quando o discipulado verdadeiro acontece, vemos uma multidão de pessoas em

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crescimento constante, vivendo os valores do Reino de Deus e buscando viver como
Jesus.

5 – O DISCIPULADO GERA MUITOS RESULTADOS.


Qualquer discípulo verdadeiro de Jesus deseja profundamente que o maior número de
pessoas venha a conhecê-lo. É por isso que pregamos o evangelho, para que o perdido
seja alcançado. O discipulado é extremamente eficaz para o crescimento do reino de
Deus, pois se trata de multiplicação de geração em geração. Keith Phillips mostra uma
tabela comparando os resultados do evangelismo e o discipulado ao longo dos anos:

DIFERENÇA ENTRE EVANGELIZAÇÃO E DISCIPULADO

Anos Evangelista Discipulador

1 365 2
2 730 4
3 1.095 8
4 1.460 16
5 1.825 32
6 2.190 64
7 2.555 128
8 2.920 256
9 3.285 512
10 3.650 1.024
11 4.015 2.048
12 4.380 4.096
13 4.745 8.192
14 5.110 16.384
15 5.475 32.768
16 5.480 65.536
17 6.205 131.072
18 6.570 262.144

Obviamente esta tabela não leva em conta os possíveis frutos de cada pessoa alcançada
pelo “evangelista”, mas o faz o com o “discipulador”. Esta tabela não é “prova” ou uma

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“garantia”, é apenas um exemplo de como o discipulado intencional pode garantir, no
longo prazo, uma grande colheita de vidas para Jesus. É um trabalho que parece “menor”,
mas com resultados mais tangíveis. Por outro lado, simplesmente evangelizar sem
discipular infelizmente não oferece a oportunidade de levar as pessoas a um crescimento
constante. Contudo, deixamos claro que não queremos desqualificar o trabalho de um
evangelista dedicado, apenas mostrar que o discipulado um a um pode garantir resultados
abundantes e “frutos que permaneçam” (João 15.16).

A ESSÊNCIA DO DISCIPULADO UM A UM
Como já vimos anteriormente o discipulado não é um programa, nem deve ser confundido
com uma série de estudo de lições bíblicas, muito menos uma estratégia de controle da
vida das pessoas. Ser discípulo é muito mais do que ser um mero aprendiz temporário. A
essência do discipulado é um relacionamento profundo e transparente com outras
pessoas cujo objetivo é nos fazer mais parecidos com Jesus (Romanos 8.29).

Nesta caminhada você jamais deve se esquecer que no discipulado deve haver uma
caminhada diária, uma amizade, um relacionamento profundo. Se isso se perder, o que
deveria ser gostoso, prazeroso e eficaz se tornará pesado e infrutífero.

QUEM É O DISCÍPULO?
Entendemos que todo aquele que nasceu de novo é um discípulo de Jesus, ou melhor,
deve ser. É comum hoje em dia vermos multidões presentes nas igrejas e grandes
ajuntamentos, mas que não se comprometem com o estilo de vida de Jesus. Elas só
querem as bênçãos de Deus mas não se preocupam com o Reino de Deus. Pedem
bênçãos mas não se tornam bênçãos. O estilo de vida de Jesus é o auto-sacrifício em prol
do outro. É a prática de 1a João 3.16 – dar a vida pelos nossos irmãos. Todos os que
receberam a salvação são chamados a serem imitadores de Cristo e viverem como ele
viveu.

Vamos ver algumas características que Jesus nos dá sobre um discípulo:

 O discípulo vive para agradar ao Mestre Jesus. Ele vive o estilo de vida da cruz.

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“Se alguém vem a mim e ama o seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos
e irmãs, e até sua própria vida mais do que a mim, não pode ser meu discípulo. E aquele
que não carrega sua cruz e não me segue não pode ser meu discípulo” Lucas 14.26-
27

 O discípulo permanece firme na Palavra de Jesus.


“Disse Jesus aos judeus que haviam crido nele: "Se vocês permanecerem firmes na
minha palavra, verdadeiramente serão meus discípulos. E conhecerão a verdade, e a
verdade os libertará". João 8.31-32

 O discípulo ama o próximo com o mesmo amor do Mestre.


“Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês
devem amar-se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus
discípulos, se vocês se amarem uns aos outros”. João 13.34-35

 O discípulo tem uma vida de frutificação espiritual.


“Meu Pai é glorificado pelo fato de vocês darem muito fruto; e assim serão meus
discípulos.” João 15.8

QUEM É O DISCIPULADOR?
Ser “discipulador” não é uma vocação superior para super-crentes. Este nome damos a
alguém que está investindo intencionalmente na transformação de alguém. Entendemos
que toda pessoa que nasceu de novo também foi chamada para fazer discípulos, uma vez
que a Grande Comissão é para todos os crentes. Perceba que ninguém precisa de um
dom ou chamado específico para fazer discípulos, apenas a disposição de abençoar outra
pessoa com a sua amizade e cuidado. O Espírito Santo se encarregará do resto.

O discipulador não é simplesmente um professor. Ele é alguém que além de informar


também coopera na formação espiritual do seu discípulo, tornando-se MODELO para ele.
John Sittema afirma que o processo de discipulado “requer o desenvolvimento de um
relacionamento de confiança, de exemplo, de revelação do nosso coração e da nossa fé
ao discípulo que, por sua vez deve imitar o padrão de fé do seu mestre.”

Mas devemos sempre lembrar que nenhum discipulador é modelo de perfeição, mas sim,

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um modelo de transformação, mostrando que ele também está num processo, que a
cada dia subirá um degrau em direção ao caráter de Cristo. Foi isso que Paulo quis
demonstrar em Filipenses 3.12 quando disse “Não que já a tenha alcançado, ou que seja
perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus.”

FAZENDO DISCÍPULOS PARA JESUS


John Sittema acredita que discipular é “reproduzir a si mesmo e sua fé na vida de outros.”
Mas precisamos notar algo essencial: o Senhor Jesus exige que façamos discípulos
dEle, e não nossos. Isso é de extrema importância!

Um grande exemplo que temos nas Escrituras é João Batista. Quando Ele foi questionado
pelos sacerdotes judeus se ele era o Messias, respondeu: “Eu não sou o Cristo” (João
1.20). Mais tarde, quando Jesus apareceu, João apontou para Ele dizendo: Este sim é o
Cordeiro! Ele é o Salvador do mundo! E dois dos seus discípulos, ouvindo isso, o deixaram
e seguiram a Jesus (João 1.35-37).

Que grande exemplo! Devemos levar os nossos discípulos a seguirem e dependerem


cada vez mais do próprio Jesus. O discipulador maduro deve deixar muito claro que ele
mesmo não é o “salvador” do seu discípulo, só Jesus o é. A dependência emocional
doentia não deve ter lugar no discipulado. Como discipulador, não caia no engano de que
você deverá resolver os problemas de seu discípulo. Apenas busquem juntos a Deus por
uma resposta, que com certeza virá.

MODELOS BÍBLICOS DE DISCIPULADO


O discipulado não era uma ideia nova no período do novo testamento, mas foi um conceito
bem estabelecido no mundo grego vários séculos antes de Cristo e no ambiente judaico
também. No Antigo Testamento vemos vários exemplos benéficos (e outros nem tanto)
deste tipo de relacionamento:

 Moisés e Josué – Êxodo 17.8-10


 Elias e Eliseu – 1a Reis 19.19
 Jeremias e seus discípulos – Jeremias 36.6-8

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Já no Novo Testamento temos:
 Jesus e os doze – Marcos 3.13-15
 Discipulado de Barnabé com Saulo e João Marcos – Atos 9.26-30
 Discipulado de Paulo com Timóteo – 2a Timóteo 2.15
 Discipulado de Timóteo com outros – 2a Timóteo 2.2

ATIVIDADE

1. Com o auxílio dos textos abaixo, descubra informações relevantes do


relacionamento de discipulado entre Paulo e Timóteo (bem como com seus
outros discípulos). Depois anote o que você perceber.
 1 Timóteo 1.1-2
 1 Timóteo 1.18-19
 2 Timóteo 1.1-2
 2 Timóteo 1.4
 2 Timóteo 1.13
 2 Timóteo 4.13 e 21a
 1 Timóteo 5.23
 2 Timóteo 3.10-11
 1 Coríntios 4.17
 Filipenses 2.22
 Gálatas 4.19
 Romanos 1.9-11

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AULA 2 – A RELAÇÃO ENTRE DISCÍPULO E
DISCIPULADOR

Como aprendemos na primeira lição, o discipulado não se trata de uma agenda de


encontros, ou um aconselhamento cristão (embora possua estes dois elementos). O
discipulado é um relacionamento profundo e transparente entre discípulo e discipulador
enquanto ambos estão “coram Deo”, perante Deus. Essa é a essência do discipulado.
Mas este relacionamento não é uma amizade comum apenas para passar o tempo, mas
há um propósito específico – nos fazer mais parecidos com Jesus.

Keith Phillips fala que as maiores marcas do discípulo são MORTE e MULTIPLICAÇÃO
porque esse é o estilo de vida de cruz, ensinado por Jesus. Ele diz em Lucas 9.23 “Se
alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-
me”. O discípulo deve estar pronto a morrer para si mesmo e suas vontades para viver um
outro estilo de vida, que prioriza o Senhor, o Seu Reino e a Sua vontade, alcançando
outras pessoas em amor e multiplicando este propósito.

Por isso vamos aprender alguns princípios importantes que nos ajudarão a viver
relacionamentos saudáveis, frutíferos, que glorifiquem a Deus e abençoem o corpo de
Cristo e o mundo que nos cerca.

O FIM DO INDIVIDUALISMO
Muitas pessoas, mesmo depois de convertidas, continuam a viver em solidão. Entram e
saem dos cultos no templo, semana após semana sem que ninguém saiba o que
realmente está acontecendo em sua vida. Até mesmo participam de uma célula, mas
continuam isoladas sem que ninguém as conheça de fato. Infelizmente isso ainda é a
realidade em muitas comunidades de fé. Pela falta de relacionamentos o crescimento
espiritual dessas pessoas é lento, a comunhão com Deus inconstante, e a vitória sobre o
pecado é rara.

Por isso a primeira atitude que se espera dentro do discipulado é o fim do individualismo,

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a decisão de não caminhar só em circunstância alguma. É por isso que temos a visão do
discipulado, para que ninguém precise caminhar sozinho. Isso é muito mais do que um
modelo ou estratégia. São relacionamentos que nascem do amor e se mantém pelo amor,
para a glória de Deus e para o cumprimento dos seus propósitos.

Atenção: o fim do individualismo não significa o fim da individualidade. Queremos que as


pessoas não precisem caminhar sozinhos, mas preservem a sua identidade, seus gostos
pessoais, dons, sonhos, etc. Veremos mais à frente que o discípulo não deve se tornar
uma cópia do discipulador. O desafio é entender quem somos diante de Deus e vivermos
os valores do Reino, cada um do jeitinho que Deus o fez.

ATITUDES DE UM DISCIPULADOR EXCELENTE


Para aprendermos as atitudes de um Discipulador Excelente vamos olhar a vida de
Barnabé, o homem que discipulou e investiu na vida de dois homens que vieram a ser
importantíssimos dentro do cristianismo: o apóstolo Paulo, e o evangelista João Marcos

1. SEJA UM ENCORAJADOR.
Uma das principais características de um discipulador é a capacidade de encorajar. Em
Atos 4.36-37 Barnabé aparece pela primeira vez na Bíblia: “Então José, chamado pelos
apóstolos Barnabé (que quer dizer, filho de consolação), levita, natural de Chipre,
possuindo um campo, vendeu-o, trouxe o preço e o depositou aos pés dos apóstolos”.

É interessante notar que nome verdadeiro de Barnabé era “José”. O termo “Barnabé” é
um apelido que significa “Filho da Consolação” (ou “do encorajamento”). Provavelmente
eram tantos “Josés” naquela época, que Barnabé se destacou pelo seu comportamento
encorajador, e ficou conhecido por isso. Se você recebesse um apelido baseado no seu
comportamento, qual seria? Talvez “O Chato”, “O Incrédulo”, ou “O Reclamão”? Por que
não: O Encorajador?

2. ACREDITE NAS PESSOAS.


Veja o que diz Atos 9.26-28: “Tendo Saulo chegado a Jerusalém, procurava juntar-se aos
discípulos; mas todos o temiam, não crendo que fosse discípulo. Então Barnabé,
tomando-o consigo, o levou aos apóstolos, e lhes contou como no caminho ele vira o
Senhor e que este lhe falara, e como em Damasco pregara ousadamente em nome de

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Jesus.”
Imagine a conversão de um terrorista conhecido, que milagre! No entanto, algumas
pessoas desconfiavam que a conversão de Paulo fosse falsa, e ele mesmo, um espião.
Barnabé acreditou em Paulo quando ninguém o fazia e “pôs a mão no fogo” pelo seu
amigo dando respaldo a ele diante da liderança da igreja em Jerusalém. Assim como
Barnabé precisamos acreditar nas pessoas, e muito mais, em Deus que pode transformar
o ser humano milagrosamente.

3. INVISTA NOS REJEITADOS


Depois de sua conversão, Paulo passou cerca de 14 anos distante, quase em anonimato.
Mas Atos 9.26-28 nos mostra que Barnabé foi atrás de Paulo para envolvê-lo novamente
no ministério. O texto diz: “Partiu, pois, Barnabé para Tarso, em busca de Saulo; e tendo-
o achado, o levou para Antioquia. E durante um ano inteiro reuniram-se naquela igreja e
instruíram muita gente; e em Antioquia os discípulos pela primeira vez foram chamados
cristãos”. Mais tarde em Atos 15.36 notamos que Barnabé deixa Paulo para investir em
outra pessoa que estava sendo rejeitada, seu sobrinho João Marcos.

Vivemos em um mundo utilitarista, onde as pessoas só têm valor se elas têm algo a
oferecer. Os “inúteis” aos olhos humanos são menosprezados. A igreja de Jesus jamais
deve ser assim. O valor que as pessoas possuem não vem do que elas podem fazer, mas
do que Jesus fez por elas. Cada pessoa tem um valor eterno para Deus! Por isso invista
nos rejeitados

4. COMPARTILHE O MINISTÉRIO COM SEU DISCÍPULO


O discipulador não pode ter medo de compartilhar seu ministério e ver seu discípulo
crescer. Barnabé realmente aprendeu o que era “projetar” o seu discípulo Paulo. Ele o
deixou assumir a posição de liderança dentro da equipe missionária e não se sentiu
ameaçado, mas ficou feliz ao ver o crescimento do seu discípulo amado. Veja abaixo como
o próprio texto de Atos mostra Paulo saindo do lugar de coadjuvante para se tornar o líder
da equipe:

 Barnabé e Saulo – Atos 11.30; 12.25; 13.2; 13.7;


 Paulo e Barnabé – Atos 13.43; 13.46; 13.50; 15.35

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Como discipuladores precisamos discipular pessoas para assumirem nosso lugar. Temos
aprendido que o discipulado é uma questão de paternidade espiritual. Nenhum pai quer
que seu filho seja um fracasso ou que não prospere na vida. Pelo contrário, sempre
desejamos que nossos filhos nos superem e vão muito além de nós em todas as áreas.
No discipulado acontece da mesma forma. O verdadeiro discipulador não fica com medo
de ver seu discípulo crescer, antes dá todo o auxílio para que ele avance e prospere cada
vez mais em sua caminhada com Deus.

5. PROTEJA O SEU DISCÍPULO


Em Atos 15.36-40 vemos que Paulo e Barnabé tiveram um grande desentendimento. O
jovem João Marcos havia os abandonado no meio da primeira viagem missionária. Mais
tarde, ele quis se juntar novamente à equipe missionária, e Paulo e Barnabé pensavam
diferente sobre o que deveriam fazer. Paulo não queria Marcos na equipe, mas Barnabé
queria levá-lo. Mais uma vez vemos o coração de Barnabé voltado para os rejeitados, ele
quis proteger o seu jovem discípulo. É verdade, João Marcos realmente havia errado, mas
o seu discipulador não iria abandoná-lo sem investir em sua restauração. Por causa disso,
barnabé e Paulo se separaram e nasceu a segunda equipe missionária, Paulo e Silas
foram para Síria, enquanto Barnabé e João Marcos seguiram para Chipre.

É muito importante para o discipulador entender que deve proteger a pessoa mas não o
seu erro. Quando o discípulo erra, o discipulador deve com muito amor e carinho investir
para que ele entenda e repare o seu erro, à luz da Palavra de Deus, sem desprezá-lo.
Todos nós erramos e precisamos de ajuda. Não se esqueça – a melhor maneira de
proteger seu discípulo é em oração e intercessão, contra as investidas do inimigo. Esteja
sempre em oração.

6. JAMAIS IMPONHA SUA OPINIÃO.


Neste episódio de Atos 15.36-40 vimos que Paulo e Barnabé tinham uma opinião diferente
sobre como proceder com João Marcos. Um queria deixá-lo, o outro queria abraçá-lo. O
que fazer? Barnabé não impediu Paulo de colocar sua opinião, nem o obrigou a fazer o
que ele mesmo achava correto. Barnabé preferiu ensinar a Paulo através do seu exemplo,
e parece que deu certo. Tempos depois, Paulo escreve a Timóteo: “Só Lucas está comigo.
Traga Marcos com você, porque ele me é útil para o ministério.”

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Nunca devemos impor a nossa opinião sobre os amados discípulos que o Senhor Jesus
nos confiou. Podemos aconselhar, ensinar, mas sempre caberá ao discípulo escolher o
que fazer. Se ele errar, estaremos prontos a ajudar e jamais dizer “EU TE FALEI!”. Nunca
imponha sua opinião, mas ensine pelo exemplo.

CONSELHOS PRÁTICOS PARA DISCIPULADORES


Todos desejamos ser crentes maduros e com um comportamento aprovado pelo Mestre.
Se você quer ensinar, então deve ser exemplo. Paulo fez a ousada declaração aos crentes
da igreja de Corinto “sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1a Coríntios
11.1). Escrevendo aos Filipenses o apóstolo exige que “o que também aprendestes, e
recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai;” (Filipenses 4.9). Temos algumas
sugestões, que você como servo do Senhor, pode aplicar para influenciar positivamente
a vida do novo discípulo:
 Obedeça sempre a Palavra de Deus;
 Cuide bem da sua família. Quando necessário busque auxílio pastoral para
aconselhamento;
 Não perca a ternura. A amargura mata o vigor espiritual e nos torna indiferentes
com a santidade;
 Nunca seja orgulhoso. A soberba é essencialmente competitiva e ofensiva;
 Não seja uma oposição rebelde à liderança da igreja, pelo contrário, contribua
com opiniões construtivas;
 Exercite uma vida de oração contínua. A intimidade com Deus é o exercício do
relacionamento que Ele exige;
 Cultive uma vida de santificação pessoal;
 Anseie ardorosamente andar dentro da vontade de Deus;
 Humilhe-se diante de Deus naqueles momentos de crise e desespero;
 Chore lágrimas de quebrantamento e não de amargura;
 Não desista do seu compromisso com o Senhor, pois Ele é fiel à Sua Aliança
contigo;
 Permita-se ser pastoreado.
 Com temor aceite a repreensão dos seus pecados, buscando o arrependimento
sincero.
 Seja humilde em pedir perdão e disposto em perdoar.

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 Busque ser frutífero em seu ministério e célula, para que não caia na futilidade
e não perca o seu propósito de glorificar a Deus.
 Acima de tudo, faça tudo exclusivamente para a glória de Deus!

ATITUDES DE UM DISCÍPULO EXCELENTE


Assim como todo relacionamento é uma via de mão dupla, o discipulado não é diferente.
De uma certa forma, o sucesso do discipulado dependerá muito mais do coração ensinável
e humilde do discípulo do que das qualidades do discipulador. Vejamos abaixo alguns
princípios importantes que nortearão a sua caminhada.

TRANSPARÊNCIA – “Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns
pelos outros para serem curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz.” Tiago 5.16
O discipulado deve ser um lugar seguro para abrirmos o nosso coração. Todos precisamos
de cura e vitória sobre pecados em alguma área de nossa vida, e muitos se sentem
derrotados como se nunca fossem caminhar em vitória. Tiago ensina que quando abrimos
o nosso coração e nos expomos, com a ajuda dos nossos irmãos nós somos curados.
Nós confessamos os nossos pecados a Deus para sermos perdoados (1aJoão 1.19), mas
quando deixamos que o outro nos veja por completo, somos curados do isolamento,
curados da vida de aparências, do perfeccionismo, da derrota interna e passamos a ter
alguém que luta conosco as nossas batalhas.

ATENÇÃO: A decisão de abrir o coração é inteiramente voluntária. Jamais deve existir


pressão para que o outro exponha situações que ele ainda não se sente à vontade para
expor. Como irmãos em Cristo, estamos aqui para servir. Nossa palavra deve ser: “Meu
irmão querido, existe um princípio espiritual de cura quando abrimos o nosso coração e
eu me coloco aqui para ouvi-lo e ajuda-lo no que for preciso, em absoluto sigilo. Se você
desejar se abrir, com certeza Deus lhe dará vitórias. Mas você não é obrigado a
nada. Você só deve abrir o coração quando se sentir confortável para isso. Eu estarei
sempre aqui para ajudá-lo.”

COMPANHEIRISMO – Mas você tem seguido de perto o meu ensino, a minha conduta, o
meu propósito, a minha fé, a minha paciência, o meu amor, a minha perseverança,
as perseguições e os sofrimentos que enfrentei” 2 Timóteo 3.10-11.
Enquanto só podemos conhecer a vida do apóstolo Paulo através de suas cartas, Timóteo

17
viu tudo de perto, ao vivo e a cores. A proximidade é essencial. Na vida cristã, quanto
mais próximos estamos, mais crescemos e aprendemos. O discipulado não acontece em
um horário fixo na semana. Ele acontece na vida, na viagem, no mercado, no churrasco,
na visita, no cinema, no lazer, no almoço, etc. Busquem ser companheiros de caminhada,
façam coisas juntos, esteja presente em todos os momentos, como grandes amigos.

SERVIR JUNTOS NO MINISTÉRIO – Mas vocês sabem que Timóteo foi aprovado, porque
serviu comigo no trabalho do evangelho como um filho ao lado de seu pai. Filipenses 2.22
É muito bom para o discípulo se envolver beneficamente no serviço cristão. Isso não quer
dizer que o discípulo deve abandonar seus dons, talentos e chamado e se tornar uma
cópia daquela pessoa que o acompanha, de modo algum! O importante aqui é os dois se
envolverem nas coisas do Reino de Deus juntos. Assim como você será ajudado no seu
trabalho no Reino, busque ajudar também aquela pessoa que tem se dedicado a você,
com certeza ambos crescerão bastante. Nós podemos aprender muito trabalhando ombro
a ombro com cristãos mais experientes, e com certeza eles serão grandemente animados
pela companhia dos amigos mais próximos.

EXEMPLO: Se o seu discipulador é um líder de célula, busque ajuda-lo no que ele


necessita e você aprenderá lições valiosas. Se seu líder é um líder de missões, faça o
mesmo, e assim por diante.

ANDAR EM ALIANÇA E FIDELIDADE – Não insistas comigo que te deixe e não mais a
acompanhe. Aonde fores irei, onde ficares ficarei! O teu povo será o meu povo e o teu
Deus será o meu Deus! Rute 1.15-17
Creio que isso é necessário em qualquer relacionamento, afinal de contas, ninguém gosta
de “amigos da onça”. Andar em aliança e fidelidade significa que não importa o erro da
outra pessoa, meu compromisso e amor para com ela sempre será o mesmo. Este
compromisso deve ser feito tanto pelo discípulo como pelo discipulador:
 Falar sempre a verdade;
 Não criticar pelas costas, mas resolver as questões pessoalmente;
 Não desistir da pessoa quando ela errar com você;
 Buscar estar disponível nas horas boas ou ruins;
 Ser sincero e pedir perdão quando estiver errado;
 Amar a pessoa a qualquer custo;

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Isso sim é um relacionamento cristão maduro! Cremos que é a vontade de Deus que
vivamos este tipo de relacionamento no corpo de Cristo e também com os de fora.
Humanamente isso é impossível, mas nós temos o Espírito Santo que nos ajuda e
intercede por nós. João disse: “Se andarmos na luz (se estivermos em Cristo) temos
comunhão uns com os outros (o amor fraternal é uma consequência) – 1ª João 1.7.

SERVIÇO – “Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos
outros mais do que a si próprios.” Romanos 12.10
Esta é outra atitude que vale tanto para discípulos como discipuladores. Na verdade, o
serviço é um princípio para qualquer cristão, e dentro do discipulado isso é ainda mais
prático. Porém, vale dizer que nunca ninguém será obrigado a fazer coisas para o seu
discípulo/discipulador (falaremos mais sobre isso adiante), a não ser que queira fazer
voluntariamente e de coração alegre. O serviço cristão que deve haver no discipulado é a
atitude de estar presente, participando da vida um do outro e ajudando mutuamente da
melhor maneira possível. Finalizando, todos nós, crentes em Jesus devemos estar estar
prontos para servir os outros.

SUBMISSÃO – “disse-lhe Elias: "Fique aqui, pois o Senhor me enviou a Betel". Eliseu,
porém, disse: "Juro pelo nome do Senhor e por tua vida, que não te deixarei ir só". Então
foram a Betel.” 2 Reis 2.2
Este é um ponto crítico porque muitas pessoas entendem errado o sentido da verdadeira
submissão bíblica:
 Submissão NÃO é ser escravo do outro;
 Submissão NÃO é obediência cega a qualquer ordem;
 Submissão NÃO é a falta de opinião própria;
 Submissão NÃO é ser “vaquinha de presépio”.

O texto utilizado acima é um modelo muito bonito da verdadeira submissão de Eliseu ao


profeta Elias. Note que Eliseu aparentemente não obedece “cegamente” a ordem de seu
líder, mas seu coração está verdadeiramente submisso, pois submissão significa estar
aliançado, juntos, sob a mesma missão. Eliseu disse: “Se é para lá que você vai eu
também quero ir, pois eu quero estar junto com você.” Submissão é parceria, é caminhar
junto e respeitar a pessoa que Deus lhe deu por líder.

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Biblicamente a submissão não é para alguns. Não é ferramenta de opressão a liderados,
escravos ou mulheres. A sujeição é de UNS AOS OUTROS (Efésios 5.21), independente
da posição de liderança, gênero, papel social, etc. Ainda assim, reconhecemos que Deus
estabelece líderes segundo o Seu coração e devemos respeitá-los. Em Hebreus 13.17
lemos: “Obedeçam aos seus líderes e submetam-se à autoridade deles. Eles cuidam de
vocês como quem deve prestar contas. Obedeçam-lhes, para que o trabalho deles seja
uma alegria e não um peso, pois isso não seria proveitoso para vocês.”

Então a submissão bíblica não tem por objetivo anular as pessoas ou torna-las reféns dos
seus líderes. Queremos respeitar a autoridade espiritual daqueles que Deus nos deu como
líderes para apascentar o Seu rebanho. Se a Palavra de Deus já nos diz a nos “sujeitarmos
uns aos outros”, quanto mais devemos ser assim com nossos líderes. Queremos praticar
a verdadeira submissão que significa parceria, respeito, comunhão e sujeição à
mesma missão que Deus deu aos nossos pastores e discipuladores: cuidar do
rebanho de Deus.

OS TRÊS NÍVEIS DE SUBMISSÃO NO DISCIPULADO

 À Palavra de Deus: Qualquer discípulo de Jesus deve estar completamente


submisso aos princípios da Palavra de Deus. Submissão total.

 Aos conselhos do discipulador: O discípulo deve ser ensinável para ouvir conselhos
edificantes, mas a submissão aqui é relativa.

 Às opiniões do discipulador: Não é necessário nenhum tipo de submissão às


opiniões e gostos pessoais do discipulador. Cada um deve cultivar em Deus sua
própria individualidade sadia e única.

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AULA 3 – LIMITES E ABUSOS DO DISCIPULADO

Temos absoluta certeza de que o discipulado é um princípio bíblico absoluto que deve ser
praticado por todos nós. É o caminho para uma vida cristã excelente e relevante na
sociedade. Porém como em qualquer relacionamento corremos o risco de cometer
excessos. Não é porque casamentos falham, que o casamento deixa de ser um projeto
divino. Seres humanos são limitados, e por isso os relacionamentos devem se guiar com
muito cuidado e limites sadios. Como Primeira Igreja Batista de Campo Grande, clamamos
a misericórdia de Deus e a atuação do Seu Espírito para que as coisas a seguir JAMAIS
ocorram em nosso meio, em nome de Jesus. Como liderança temos profundo amor por
cada ovelha e observamos muito atentamente o que o apóstolo Pedro nos ensina em 1a
Pedro 5.2-3:

“Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado


dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe
ganância, mas de ânimo pronto; Nem como tendo domínio sobre
a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho.”

 SUPERPROTEÇÃO
É um erro do discipulador. É querer controlar a vida do discípulo, não o deixando tomar
as próprias decisões. É como uma mãe que trata um filho de 25 anos como se ele
fosse um recém-nascido com uma semana de vida! Exemplo:
 Ficar vigiando a vida do discípulo o tempo todo
 Sufocar o discípulo com zelo exagerado
 Não permitir que o discípulo faça nada sem você por perto
 Achar que a vida do discípulo depende de você.

 SUPERDEPENDÊNCIA

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É um erro do discípulo. É quando a pessoa acha que não pode fazer nada sem falar
antes com o discipulador, tratando-o como uma espécie de guru espiritual. A pessoa
nesta posição não busca relacionamento direto com Deus nem com a Bíblia, apenas
quer “sugar” tudo do discipulador. Às vezes ela até tenta imitar o discipulador nos
mínimos detalhes, gerando dependência emocional doentia.
 Telefonar para o discipulador 30 vezes por dia;
 Não fazer absolutamente nada sem pedir a “permissão” do discipulador;
 Querer se tornar uma cópia do discipulador (falar igual, se vestir igual...)
 Querer que o discipulador tome as decisões difíceis em seu lugar.

 ASSENHORAMENTO
Acontece quando o discipulador pensa que o discípulo é sua propriedade e começa a
exigir que ele faça coisas valendo-se da sua posição de discipulador. Isso está
totalmente errado! Jesus nos mandou fazer discípulos, não escravos! Exemplo:
 O discípulo não deve satisfazer as necessidades do discipulador (apenas
gestos voluntários de amor e serviço cristão);
 O discípulo não deve dar dinheiro, nem pagar as contas do seu discipulador;
 O discipulador não deve ameaçar “espiritualmente” do tipo: “se você não me
obedecer, Deus vai te cobrar”;
 Dizer ao discípulo que ele deve pedir “permissão” para fazer alguma coisa
(sair de férias, comprar um carro, etc.)

 TENTAR FAZER O PAPEL DE DEUS


Acontece quando o discipulador pensa que ele deve ter todas as respostas para a vida
do discípulo. Devemos ensinar as pessoas a buscarem a Deus para obter respostas e
não ficar orientando tudo o tempo todo, senão o discípulo nunca crescerá em Deus. A
vida espiritual do discípulo depende primeiramente de Deus. Nós somos apenas
instrumentos. Exemplo:
 O discipulador não deve dar repostas para tudo (por mais que às vezes ele
saiba a resposta). Eles devem orar juntos, buscar o conselho da Palavra e
ouvir a Deus.
 O discipulador jamais deve achar que os erros do discípulo são afrontas
pessoais a ele.

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 O discipulador não deve impedir que o discípulo tome a decisão errada. Nesse
caso é preciso orar ainda mais por ele, ficar ainda mais junto, mas jamais
proibir alguém de fazer determinada escolha. Confie em Deus!

 ADOTAR OUTROS CONCEITOS QUE NÃO ESTÃO NA PALAVRA DE DEUS


É quando ensinamos coisas que julgamos ser boas mas não estão de acordo com os
princípios da Palavra de Deus. Cada vez mais os cristãos estão absorvendo
“pensamentos cristãos”, livros e mensagens que parecem muito boas, mas que vêm
de homens que nem sequer acreditam que a bíblia é a Palavra inspirada de Deus.
Cuidado com isso. Vá sempre para o conselho da Palavra de Deus.

 VIOLAR A PRIVACIDADE DO DISCÍPULO


A privacidade do discípulo é sempre inviolável. TUDO O QUE É DITO EM
DISCIPULADO FICA EM ABSOLUTO SEGREDO. Isso é muito importante! O
discipulador que trai a confiança do seu discípulo está sujeito à disciplina por parte da
liderança da igreja. Se você sentir que precisa de ajuda para auxiliar o seu discípulo,
você deve primeiramente pedir a permissão dele para compartilhar o assunto em
questão com seu discipulador. Se o discípulo permitir, faça apenas o combinado. Se
ele não permitir, não comente nada com absolutamente ninguém!
 Se Deus respeita a liberdade das pessoas e você também deve respeitar.
 O discípulo NUNCA ESTÁ OBRIGADO A NADA! Deixe o discípulo se abrir no
momento em que ele desejar. Nada de manipulação.

E SE ACONTECER ALGUM ABUSO?


Se porventura acontecer algum problema como estes que citamos acima, o discípulo tem
a liberdade de confrontar (em amor) o seu discipulador e dizer que não está se sentindo
à vontade com a situação. Este confronto pode acontecer em duas etapas conforme
aprendemos em Mateus 18.15:
1. Primeiro você deve dizer ao seu discipulador com muito carinho que está se
sentindo incomodado com algumas atitudes que ele tomou, ou triste por ele ter
violado a sua privacidade. Com certeza o discipulador vai reconhecer seu erro,
pedir perdão e se retratar. Se isso acontecer, glória a Deus!
2. Se o discipulador não aceitar e resistir à primeira etapa, você tem a liberdade de
informa-lo que você vai procurar o discipulador dele para conversarem os três

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juntos e assim chegarem a um consenso. ATENÇÃO – Se o discipulador disser que
isso é proibido, lembre-se que no discipulado É PROIBIDO PROIBIR! Procure o
discipulador deste irmão, e juntamente com ele peçam ajuda para resolver este
impasse.

A PATERNIDADE ESPIRITUAL NO DISCIPULADO


Podemos dizer que a “paternidade espiritual” é um vínculo relacional, onde um cristão
se sente profundamente ligado e comprometido a ajudar outro cristão a amadurecer
em sua vida com Deus. Ainda que o novo nascimento espiritual seja obra exclusiva do
Espírito Santo, o novo convertido precisa da ajuda de alguém mais maduro, que, baseado
na Palavra de Deus, o ajude a dar os primeiros passos na fé. É a este relacionamento que
a Bíblia chama de Paternidade Espiritual.

PAULO ERA UM PAI ESPIRITUAL


Tito, Timóteo e Onésimo com certeza não eram filhos biológicos de Paulo, mas ele os
considerava como “filhos espirituais”. Ele se refere a Tito como um “verdadeiro filho,
segundo a fé” (Tito 1.4), e a Timóteo como um “verdadeiro filho na fé” e um “amado
filho” (1aTimóteo 1.2; 2aTimóteo 1.2). Em outra carta, o apóstolo diz: “peço-te por meu
filho Onésimo, que gerei nas minhas prisões" (Filemom 1.10).

Ele usa este mesmo termo quando fala aos crentes de Corinto, dizendo: “Não estou
tentando envergonhá-los ao escrever estas coisas, mas procuro adverti-los, como a meus
filhos amados. Embora possam ter dez mil tutores em Cristo, vocês não têm muitos pais,
pois em Cristo Jesus eu mesmo os gerei por meio do evangelho.” (1a Coríntios 4.14-
15). Para o apóstolo, este termo traduz um profundo sentimento de afeto pessoal e
responsabilidade em ajudar estas pessoas a obter um desenvolvimento espiritual
verdadeiro.

A NECESSIDADE DE PAIS ESPIRITUAIS NO NOVO TESTAMENTO


Os primeiros cristãos eram frequentemente rejeitados por suas comunidades ou
repudiados por suas famílias. Portanto, o vínculo da “família de Cristo” incluía a criação
de uma nova ordem de pais e filhos. Jesus falou sobre isso quando disse a Pedro que os
que desistem de suas famílias por ele e pelo evangelho receberão em troca “irmãos, irmãs,
mães e filhos” (Marcos 10.30).

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Os pais espirituais na igreja primitiva tinham a oportunidade de ajudar a educar os
seguidores de Cristo que experimentariam a presença e o poder de Deus atuando em
suas vidas. Essa tarefa envolvia a participação ativa (e geralmente diária) na vida do “filho
espiritual” e seu aconselhamento contínuo em como viver a vida cristã na igreja e na
comunidade.

A NECESSIDADE DE PAIS ESPIRITUAIS EM NOSSOS DIAS


Hoje em dia existem milhões de convertidos no Brasil, mas a maioria deles não possui
alguém que os ensine a caminhar, passo a passo, desde sua conversão. Por causa disso
há cristãos com muitos anos de conversão mas que são espiritualmente imaturos. Como
alguém já disse, “o evangelho no Brasil possui muitos quilômetros de extensão, mas
apenas alguns centímetros de profundidade”.

Precisamos urgentemente de homens e mulheres dispostos a se tornarem pais e mães


espirituais. Queremos nos empenhar para ser uma igreja onde as pessoas encontrem
“pais” e “mães” que as ensinem desde o início a como caminhar em santidade, com amor
por Jesus e por Sua Palavra.

OS DEVERES DE UM PAI ESPIRITUAL:


 Empenhar-se para gerar no filho espiritual amor pela Palavra de Deus
 Ensiná-lo a buscar um relacionamento pessoal com o Senhor Jesus
 Motivá-lo a estabelecer um vínculo com a igreja de Jesus, onde ele poderá
servir ao Senhor e ser edificado na fé.
 Orar com e pelo filho espiritual, motivando sua comunicação pessoal e
contínua com Deus.

O VERDADEIRO PAI ESPIRITUAL


A paternidade espiritual é muito mais do que apenas um título vazio – é uma vida de amor
e dedicação ao outro. Em Mateus 23.9, Jesus repreende os líderes de sua época que
utilizavam o título de “mestres” e “pais” de forma abusiva, para sustentar uma falsa
religiosidade. A crítica de Jesus era que eles desejavam ser reconhecidos como líderes
mas não praticavam o que pregavam (Mateus 23.3).

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O verdadeiro pai espiritual é aquele que, primeiramente, é considerado por seus discípulos
como o maior dos servos. Eles, por livre vontade, dão a esses “pais espirituais” a
autoridade para liderá-los, porque veem neles alguém que ama a Deus e dá a sua vida
por suas ovelhas.

O QUE NÃO É PATERNIDADE ESPIRITUAL


Não é possível que uma pessoa seja gerada espiritualmente por outra, ou nasça
espiritualmente de outro indivíduo. Esta ideia não possui nenhum respaldo bíblico e
deve ser rejeitada. Jesus explicou isso claramente a Nicodemos quando disse que “o que
nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito” (João 3.6). Todo
nascimento espiritual é realizado por Deus, pela sua soberana vontade, através do
Espírito Santo. Em várias ocasiões o Novo Testamento explica esta verdade:
 “Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito
de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade
da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”. João 1:12-13.
 “Respondeu Jesus: "Digo-lhe a verdade: Ninguém pode entrar no Reino de Deus,
se não nascer da água e do Espírito.” João 3:5
 “O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; João 6:63
 “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados.” Efésios 2:1
 “Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus.” 1a João 5:1

Entendendo isso, rejeitamos qualquer ideia de que um cristão exerce, por direito,
algum tipo de poder espiritual sobre outro. Desaprovamos qualquer prática de
opressão, maldição, coerção, e imposição de um cristão sobre o outro, que use o termo
“paternidade espiritual” como pretexto. Não vemos respaldo para isso na Palavra de Deus
e reprovamos essas atitudes em nossa comunidade de fé.

DEUS É O NOSSO GRANDE PAI


Nenhum homem deve ocupar o lugar que é só de Deus. Ele é o nosso grande Pai.
O apóstolo Paulo nos lembra disso em vários momentos:
 “A vocês, graça e paz da parte de Deus nosso Pai”. 1a Coríntios 1:3a
 “A vocês, graça e paz da parte de Deus nosso Pai”. 2a Coríntios 1:2a
 “A vocês, graça e paz da parte de Deus nosso Pai”. Gálatas 1:3a

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Concluímos reafirmando que jamais alguém deve colocar-se entre o
relacionamento de outra pessoa com Deus. Devemos apenas servir como um
instrumento do Senhor para aconselhar, exortar, abraçar, orar e servir a
comunidade cristã. Todos nós temos o Espírito Santo e é Ele quem nos ensina
todas as coisas, ainda que o faça, por vezes, através de um “pai espiritual”. João
ensinou aos seus discípulos:

“Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não
tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina
a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como
também ela vos ensinou.” 1 João 2.27

A verdade é simplesmente uma: que toda paternidade tem suas raízes em Deus Pai. A
paternidade, seja espiritual ou física, é boa aos olhos de Deus quando é humildemente
exercida em Seu Nome.

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AULA 4 – O DISCIPULADO EM NOSSA IGREJA

Aprendemos nas últimas lições que o discipulado é um relacionamento que envolve toda
a nossa vida. Vimos vários princípios e lições importantes para que entendamos do que
se trata o discipulado cristão. Agora, veremos como colocaremos estes valores em prática.
Existem muitas maneiras diferentes de praticar o discipulado. Algumas igrejas deixam que
isso aconteça livremente, outras tem uma proposta mais intencional, há ainda aquelas que
abordam este assunto apenas em salas de aula. Em nosso caso, desejamos que este seja
um valor central para cada um dos membros de nossa igreja e por isso nos organizamos
para que possamos ensinar, acompanhar os processos e garantir que cada vez mais
pessoas experimentem esta benção.

DISCIPULADO FORMAL X INFORMAL


Antes de entrarmos a fundo no funcionamento do discipulado intencional em nossa igreja,
é essencial fazermos uma distinção:

DISCIPULADO INFORMAL: São relacionamentos que brotam naturalmente e se tornam


amizades profundas para a vida inteira. Todos podemos pensar em pessoas que nos
influenciam e que de certa forma são modelos para nós. Essas “relações discipulares” não
precisam de nenhum método para se sustentar e são um presente para quem as têm.
Cada pessoa é livre para ter quantos “discipuladores informais” quiser e nós as
incentivamos a isso. Para crescer em Deus é bom que você se cerque de muitas pessoas
que te abençoem. Essas amizades são aquelas que sobrevivem ao tempo, à distância e
aos problemas, são laços humanos de amor. Você não deve abandonar esses
relacionamentos se tiver um outro discipulador. Neste sentido, quanto mais, melhor!

DISCIPULADO FORMAL: São os relacionamentos de discipulado intencional que são


promovidos e nutridos dentro da metodologia de cuidado em nossa igreja. Nossa intenção
é que todas as pessoas que participam de um pequeno grupo sejam abençoadas com um
discipulador dentro da sua célula, supervisão ou coordenação. Estes relacionamentos
muitas vezes não são “orgânicos” como os discipulados informais, mas nem por isso são
menos importantes. Pelo contrário, quando nos submetemos a esse discipulado
cooperamos para que mais e mais pessoas sejam abençoadas, pois criamos uma grande

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rede de amor e cuidado. Esta rede de discipulados acompanha a estrutura celular da
igreja, e assim cada pessoa é acompanhada por seus líderes diretos. Lembre-se que
mesmo que você não tenha uma amizade profunda com o seu discipulador no início, você
ainda pode aprender muito e cooperar com outros, sem nunca precisar abandonar outras
amizades abençoadoras.

COMO FUNCIONA O DISCIPULADO EM NOSSA IGREJA


Atualmente os discipulados em nossa igreja seguem a estrutura das células. Isso quer
dizer que os membros das células são acompanhados pelos líderes, os líderes pelos
supervisores, e os supervisores pelos coordenadores, e estes pelos pastores de rede. É
um modelo simples que tem objetivo de prover oportunidade para que todos sejam
acompanhados.

Acompanhe o esquema abaixo:

PASTOR DE REDE

COORDENADOR

SUPERVISOR

LÍDER DE CÉLULA

NÚCLEO NÚCLEO NÚCLEO

A IMPORTÂNCIA DO ENCONTRO DE DISCIPULADO UM A UM

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Dentro da ferramenta de Discipulado o encontro é importantíssimo (apesar de ser apenas
uma parte). O discipulador deve entender que este é um momento de ministração do
Espírito Santo, e por isso deve ter toda a excelência para fazê-lo. Não é apenas uma hora
para colocar o papo em dia, mas o momento de parar tudo e ouvir a Deus juntos. É o
momento sagrado de se colocar diante da Palavra de Deus e praticarem a comunhão
bíblica, “incentivando ao amor e às boas obras” (Hebreus 10.24). O encontro jamais deve
ficar em segundo plano, ele deve ser aguardado com carinho, preparado com amor, e
praticado na expectativa da presença do Espírito Santo. O encontro é um a um, mas o
Deus trino sempre está presente.

O DIA A DIA DO DISCIPULADOR


Paulo ensina algo interessante sobre disciplina: “Todos os que competem nos jogos se
submetem a um treinamento rigoroso, para obter uma coroa que logo perece; mas nós o
fazemos para ganhar uma coroa que dura para sempre.” 1a Coríntios 9:25.

Sabemos que os jogadores de futebol profissional tem uma preparação muito grande para
jogar em alto nível. Eles tem um treinamento diário, especialistas, preparadores físicos,
médicos, nutricionistas, psicólogos, exercícios específicos para cada grupo muscular, etc.
Com tudo isso eles ficam prontos para, dentro daqueles 90 minutos em campo, darem o
seu melhor. Se algum deles não se submeter ao treinamento, não conseguirá jogar bem
e correrá o risco de ter alguma lesão. De uma certa forma, a preparação é mais decisiva
para o resultado final do que o jogo propriamente dito. Mas no coração do atleta, o jogo é
tão importante, que toda a preparação vale a pena!

No discipulado não é diferente. O jogo é como se fosse o encontro do discipulado. É o


momento da verdade, da ministração do poder do Espírito Santo. Mas se o discipulador
não se preparar em sua vida privada com Deus, as coisas não irão tão bem como
poderiam ir. Não estamos com isso eliminando a soberania de Deus, Ele pode nos usar
grandemente no nosso momento de maior fraqueza, mas entendemos que também temos
uma responsabilidade, não podemos fazer a obra do Senhor relaxadamente (Jeremias
48.10). A qualidade do seu encontro de discipulado está diretamente relacionada com a
qualidade da sua preparação.

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Vamos ver algumas coisas que você pode fazer que irão abençoar grandemente o seu
encontro de discipulado:

 SEJA FIEL NO SEU TEMPO A SÓS COM O SENHOR


Este é o maior e melhor conselho que um discipulador pode receber e aplicar.
Precisamos entender uma coisa: nós não temos nada a oferecer a ninguém, a não ser
que o Senhor nos capacite. Tudo está nEle. Quando nos encontramos com o Senhor
ganhamos fogo e visão espiritual para ministrar aos outros. Sem Ele não podemos
fazer nada, mas cheios do seu Espírito, nada é impossível. Não estamos falando
apenas de uma devocional de 5 minutos mas tempo de qualidade na presença de
Deus. Jesus disse “Aquele que tem sede vinde a mim e beba” (João 7.37). Se estiver
bebendo dessa água, você se encherá e transbordará dela para os seus discípulos,
mas se estiver vazio será difícil obter vitória. Além disso, gastar tempo com o Senhor
mostrará ao seu discípulo que o Senhor é a sua fonte, e ele também aprenderá a
buscá-Lo!

 ORE DIARIAMENTE POR SEUS DISCÍPULOS, NOME POR NOME,


DECLARANDO A VITÓRIA DO SENHOR SOBRE ELES.
Você realmente crê que “a oração de um justo é poderosa e eficaz” (Tiago 5.16)? Uma
das práticas mais necessárias a um discipulador é a intercessão pelos seus amigos.
Foi Rick Warren que disse que “As pessoas podem recusar o nosso amor ou
rejeitar as nossas palavras, mas não têm defesas contra as nossas orações." A
intercessão é uma declaração ousada da vontade de Deus sobre a vida daquela
pessoa. Interceder é entrar em aliança com Deus, com o coração cheio de fé e de
coragem, declarando com seus lábios que nada é mais poderoso do que o poder do
Espírito Santo sobre a vida daquela pessoa. Guerreie em oração! Apresente a vida de
cada um dos seus discípulos, diariamente. Você viverá grandes milagres!

 FAÇA PEQUENOS CONTATOS DE AMOR


Não espere a véspera do seu encontro com seu discípulo para fazer contato. Tenha
o hábito de, constantemente fazer pequenos contatos durante o dia para mostrar a
sua preocupação e a sua disponibilidade para com aquela pessoa tão preciosa. Pode
ser um e-mail, uma mensagem no celular, uma ligação rápida, etc, apenas para dizer

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“eu estou orando por você”, ou “tenha um bom dia cheio da presença do Espírito
Santo”. Você pode mandar vídeos edificantes por e-mail, músicas que falam ao seu
coração, ou compartilhar o texto bíblico que Deus usou pra falar com você naquele
dia. Então, recheie a sua vida com estas pequenas expressões e com certeza seus
discípulos se sentirão muito amados.

 PROCURE FERRAMENTAS QUE POSSAM ABENÇOAR SEUS ENCONTROS


Existem ferramentas muito boas que você pode usar para abençoar seus encontros
de discipulado. Esteja atento a pregações on-line, reflexões, meditações, livros, Dvds
que podem dinamizar e enriquecer o seu discipulado. Sugestões:
 Separe um dia para assistirem juntos a um DVD de ministrações;
 Estudem juntos algum bom livro. Vocês podem ler um capítulo por dia e depois
compartilhar o que aprenderam;
 Estudem sobre oração e depois pratiquem o que aprenderam;
 Quando assistir a um bom vídeo cristão, encaminhe-o para o seu discípulo e
depois compartilhem aquilo que acharem mais interessante.
 Existem materiais muito bons de devocional como Mananciais no Deserto, Pão
Diário, e outros que podem ajudar o seu discípulo a começar a praticar o tempo
a sós com Deus.

ATENÇÃO: Por causa da internet existem muitas coisas boas disponíveis por aí, mas
também existe muita coisa ruim. É comum vermos pessoas citando autores
supostamente cristãos, e até teólogos que não concordam com coisas que julgamos
essenciais. Muito cuidado com isso, pois mesmo que você tenha maturidade para lidar
com estes conteúdos, pode ser o seu discípulo fique confuso e acabe até
retrocedendo. Procure aconselhar-se com seu discipulador e pastores sobre os
melhores materiais, livros e pregações disponíveis.

COMO REALIZAR O ENCONTRO DE DISCIPULADO


O “encontro” é um tempo muito importante dentro do relacionamento de discipulado e por
isso não pode ser feito de qualquer jeito. Abaixo listamos algumas sugestões importantes
para vocês aproveitarem este tempo juntos com muita qualidade:

 FREQUÊNCIA – Mensal.

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Este é o ideal e todo discipulador deve se buscar ao máximo ter este encontro regular
Sabemos que muitas vezes podem acontecer imprevistos, mas ambos discípulo e
discipulador devem entender que este tempo juntos é prioridade. Se o encontro
precisar ser desmarcado, ele pode ser reagendado para outro dia daquela mesma
semana, se possível. Se não houver essa possibilidade, o ideal é que mesmo por
telefone vocês tenham chance de conversar sobre os assuntos mais importantes.
Em casos extremos, o encontro pode ser feito quinzenalmente, mas apenas por um
espaço de tempo limitado. Se isso acontecer lembre-se de consultar as pessoas
envolvidas para não parecer descaso ou falta de compromisso.

 LOCAL – Tanto faz.


O encontro de discipulado pode acontecer em qualquer lugar, desde que haja
liberdade para ambos compartilharem suas lutas, abrirem o coração e orarem juntos.
Pode ser feito em casa, na rua, na lanchonete, desde que a pessoa sinta-se livre
para conversar com o mínimo de privacidade e discrição.

 DURAÇÃO – Entre uma hora e uma hora e meia (no máximo).


Os primeiros encontros tendem a ser mais longos, mas o ideal é diminuir aos poucos
o tempo do encontro. Se você for um amigo muito próximo do seu discípulo vocês
poderão conversar sobre coisas simples da vida em outros momentos, deixando para
o encontro apenas aquela conversa mais profunda e oração. Se você levar muito
tempo para discipular uma pessoa, será difícil arrumar tempo para discipular outros.

 ROTEIRO – Vá preparado, mas seja sensível ao Espírito Santo.


Existe um roteiro que você pode seguir em seus encontros, para que este momento
não fique “solto” demais e perca o seu propósito, mas é claro que não é obrigatório
que seja assim. Crentes mais maduros conseguem fluir bem sem um roteiro, mas
outros se beneficiam bastante com instruções mais claras. Lembre-se que queremos
que todos sejam bons discipuladores e não apenas alguns. Por isso você deve estar
preparado para seguir este roteiro, mas acima de tudo você deverá estar muito
sensível ao Espírito Santo que pode guiar você a fazer algo diferente. Veja uma
sugestão de roteiro do encontro de discipulado:

1. PREPARAÇÃO

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Nunca vá para o seu encontro despreparado. Ore de uma forma especial pelo seu
discípulo no dia do encontro de vocês, ou se preferir, faça um jejum para se
consagrar e estar mais atento ao Espírito Santo. Busque a Deus na Palavra e leve
sempre “água fresca” para o seu discípulo.

2. ORAÇÃO
Uma sugestão é começar com um tempo de oração. Ore e declare com ousadia que
os corações estão abertos ao mover de Deus. Peça ao Espírito Santo que manifeste
a Sua presença e fale aos corações profundamente trazendo mudança de vida e
amor pelo Senhor. Repreenda o inimigo e as suas mentiras na autoridade do nome
de Jesus agradecendo pelo privilégio de amar e cuidar daquele irmão precioso.

3. COMPARTILHAMENTO
É o momento de abrir o coração. Esteja pronto para ouvir o seu irmão, sempre
fazendo perguntas como:
 Como está o seu coração?
 Você tem conseguido um tempo específico para orar, ler a bíblia, se
aprofundar no seu relacionamento com Deus?
 E a sua família como está? Como está o seu relacionamento com sua
esposa/marido/filhos/pais? Está conseguindo ter um tempo bom com eles?
 Você está sendo tentado em alguma área? Você tem caminhado em vitória
sobre o pecado nos últimos 7 dias?
 E no trabalho, como vão as coisas? Está tendo alguma dificuldade em
particular? Como está a questão do seu testemunho cristão? E nas finanças,
está tudo bem?
 Você consegue identificar se seu amor, dedicação e desejo por Jesus tem
aumentado, estagnado, ou diminuído? Quais os desafios nesta área?

4. ESTUDO
Este é o momento em que você pode compartilhar algo da Bíblia ou de algum
material que você esteja estudando com o seu discípulo. Em nossa igreja indicamos
o estudo de alguns livros que podem ser sobre discipulado ou outro assunto. Você
também pode compartilhar algum texto bíblico específico que Deus tenha ministrado
ao seu coração.

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5. MINISTRAÇÃO
Este é o tempo de oração direcionada sobre o que vocês falaram até aqui. Ore pelos
assuntos que foram compartilhados pedindo vitória completa, declarando a vontade
de Deus sobre a vida do discípulo. Peça pela visitação do Espírito Santo em cada
uma das áreas de dificuldade e ministre com fé uma palavra de restauração e
santidade.

6. SUPERVISÃO MINISTERIAL
Nós também usamos o encontro do discipulado para falar sobre a aplicação dos
nossos dons. É um bom momento para falarmos sobre como vai a liderança de
célula, qual é o próximo passo de Deus em relação ao ministério que Deus tem para
o discípulo, etc. Lembre-se de perguntar como estão os discípulos do seu discípulo,
se ele está tendo alguma dificuldade (preservando, é claro, toda a privacidade dos
envolvidos).

OS ALVOS DO DISCIPULADO
O discipulado não é só uma amizade ou mais um programa da igreja. Se trata de uma
amizade com propósitos, uma caminhada rumo a vida excelente segundo a Palavra de
Deus. Se queremos que a vida de Deus seja transferida para o discípulo, nossa
caminhada deve ser orientada para o crescimento e amadurecimento da fé em Jesus.
Como discipuladores, nosso alvo não deve ser somente ter muitos discípulos, ou ter os
encontros regulares.

O grande alvo do discipulador é ser uma ferramenta nas mãos do Espírito Santo
para que Cristo seja gerado no discípulo, levando-o a crescer em todas as áreas.
Este é o coração que o apóstolo Paulo tinha em relação aos seus discípulos:
“Meus filhos, novamente estou sofrendo dores de parto por sua causa, até que Cristo
seja formado em vocês.” Gálatas 4:19

Como discipuladores, este também deve ser o nosso coração – que Cristo seja formado
em nossos amigos. Que Deus cumpra em nós o seu propósito de nos fazer “conformes à
imagem do Seu Filho” (Romanos 8.28).

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OS MATERIAIS DO DISCIPULADO
Como já vimos anteriormente, você deve buscar ferramentas que lhe auxiliem nos seus
encontros de discipulado. De acordo com a liderança de nossa igreja, existem alguns
materiais que podem nos ajudar nos primeiros meses de discipulado.

BÍBLIA – É fundamental. Deve ter o lugar central em qualquer discipulado. Não importa
quão bons sejam outros materiais – A Palavra de Deus é a nossa fonte. A direção de
nossa igreja para todos os discipuladores é: “Não deixe de falar as palavras deste Livro
da Lei e de meditar nelas de dia e de noite, para que você cumpra fielmente tudo o que
nele está escrito. Só então os seus caminhos prosperarão e você será bem sucedido.”
Josué 1.8.

APOSTILA DE DISCIPULADO UM A UM – Se o seu discípulo já for convertido e batizado


nas águas, esta apostila que está em suas mãos é o primeiro material que você usará
com ele. Como você já possui este material, apenas oriente o seu discípulo a adquiri-lo
na secretaria da igreja ou fazer o download gratuito no site da igreja
(http://1b.org.br/escola-do-discipulo/apostilas-3). Vocês podem compartilhar o que mais
chamou a atenção de cada um, estudando um capítulo por semana, e finalizando o
material em 5 ou 6 encontros. Caso você tenha alguma dúvida sobre algum ponto
específico do material, procure o seu discipulador.

GUIA DE ESTUDOS: ACOMPANHAMENTO INICIAL – Este é o material que você poderá


usar assim que terminar a Apostila de DISCIPULADO UM A UM. Da mesma maneira, você
completará suas lições em 8 encontros aproximadamente. Nele você encontrará estudos
bíblicos simples e uma síntese da visão da nossa igreja. ATENÇÃO – Se você estiver
discipulando um novo convertido ainda não batizado, o ACOMPANHAMENTO INICIAL
será o primeiro material a ser usado. Ao término deste, seu discípulo estará pronto para
ser batizado em nossa igreja. Após o batismo, você poderá então usar a apostila
DISCIPULADO UM A UM.

DISCÍPULO NOVO CONVERTIDO DISCÍPULO FIRME NA FÉ


Primeiro: Acompanhamento Inicial Primeiro: Apostila Discipulado Um a Um
Segundo: Apostila Discipulado Um a Um Segundo: Acompanhamento Inicial

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OUTROS MATERIAIS – Como já aprendemos anteriormente, existem muitos outros
materiais que você pode usar no seu discipulado. Depois de terminar os materiais
sugeridos pela liderança, converse com seu discipulador sobre outros livros que você
pode usar. Procure sempre materiais que tenham a ver com os assuntos tratados no seu
encontro de discipulado, ou que tratem de áreas de conflito na vida do discípulo, como
casamento, hombridade, finanças, criação de filhos, etc. Seja criativo e dinâmico. Você
também pode usar materiais devocionais como Pão Diário, Mananciais no Deserto, DVDs
de músicas, pregações, etc.

TRILHO DE CRESCIMENTO E LIDERANÇA


Para ajudar você a conduzir seu discípulo em um crescimento constante, a nossa igreja
possui uma programação que chamamos de “TRILHO DE CRESCIMENTO E
LIDERANÇA”. Use este trilho para saber qual é o próximo passo para o seu discípulo de
modo mais prático.

TRILHO PARA NOVOS CONVERTIDOS


1o PASSO: Acompanhar a pessoa em seu processo de conversão;
2o PASSO: Preparar o novo irmão para o batismo - ACOMPANHAMENTO INICIAL;
3o PASSO: Levar a pessoa na célula e integrá-la muito bem;
4o PASSO: Ajudar a pessoa a frequentar os cultos de celebração da igreja;
5o PASSO: Ajudá-la a se inscrever no próximo curso Veredas Antigas;
6o PASSO: Incentivá-la a se inscrever no curso “FUNDAMENTOS” da Escola do Discípulo.

TRILHO PARA CRENTES JÁ BATIZADOS E FIRMES NA FÉ


1o PASSO: Ajudá-la a fazer o curso “FUNDAMENTOS” da Escola do Discípulo.
2o PASSO: Ajudar a pessoa a frequentar os cultos de celebração da igreja;;
3o PASSO: Incentivar a pessoa a frequentar o TADEL;
4o PASSO: Orientá-la a fazer o curso “DISCIPULADO UM A UM” da Escola do Discípulo;
5o PASSO: Investir na vida da pessoa para que ela se sinta útil através dos seus dons e
serviço em uma célula;
6o PASSO: Incentivar e orar pedindo a Deus para que ela seja uma excelente
discipuladora.

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AVANÇANDO SEMPRE EM FÉ
Amado, muitas vezes você pode experimentar dificuldades em levar o seu discípulo ao
crescimento e frutificação. Alguns caminham mais rápido, outros mais lentamente. Mas
ore e peça que o Senhor encha o seu coração de fé, para você jamais desistir. Cremos
que a vontade de Deus sobre as pessoas é maior do que qualquer resistência humana.
Por isso, avance sempre em fé, crendo que Deus “recompensa todo aquele que o busca”
(Hebreus 11.6)

A ESCOLHA DO DISCÍPULO
Uma das perguntas mais feitas pelos interessados em discipulado é: “É o discípulo que
escolhe o discipulador ou o discipulador que escolhe o discípulo”? De acordo com os
exemplos que vemos na Bíblia, na maioria das vezes é o discipulador que vai ao encontro
do discípulo e o convida para segui-lo. Exemplos:
 Jesus e os irmãos Pedro e André – Mateus 4.18-20
 Jesus e os irmãos Tiago e João – Mateus 4.21-22
 Jesus e Levi (Mateus) – Lucas 5.27
Também vemos exemplos bíblicos de outras pessoas que foram até Jesus e pediram para
segui-lo (Mateus 8.19-22). O Mestre não os rejeitou, mas ao explicar as condições do
discipulado (ou seja, que temos que abandonar tudo para seguir a Cristo) vários deles
recuaram e foram embora. Jesus sempre foi muito firme sobre quem poderia ser um
discípulo dele(Lucas 14.26-33).

O SUCESSO DEPENDE DO CORAÇÃO DO DISCÍPULO


O que garante o crescimento numa relação de discipulado, é a disposição ensinável e
humilde do discípulo. É importante deixar isso muito claro pois alguém pode dizer: “Eu não
quero que Fulano me discipule, eu gosto mais de Beltrano”, ou “Acho que a Maria não tem
condições de me discipular, eu me identifico mais com a Joana”. Este tipo de sentimento
não é a base para nenhum discipulado. As pessoas pensam que o sucesso do discipulado
está na capacidade do discipulador, o que não é verdade. O que vai garantir o sucesso
do discipulado é o coração ensinável do discípulo, independente de quem é o seu
discipulador. Quem faz o milagre é Deus que opera diretamente no coração do discípulo.

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QUEM DEVE SER DISCIPULADO?
Temos certeza de que Deus deseja que cada cristão nascido de novo deve ser um discípulo
de Jesus, por isso o nosso desejo é que TODAS as pessoas em nossa igreja tenham o
privilégio de ter um discipulador. Cremos que um dia poderemos garantir um discipulador
para acompanhar cada novo convertido desde o dia da sua decisão.

Hoje, em nossa igreja, temos priorizado os discipulados para os líderes de célula porque
entendemos que eles são pastores de um pequeno rebanho e por isso necessitam de um
cuidado mais urgente. À partir dos líderes, cada um poderá também ser discipulado e
discipular outros. Isso é importante: o discipulado sempre acontecerá entre pessoas do
mesmo sexo que frequentam a mesma célula (salvo exceções).

CINCO CARACTERÍSTICAS IMPORTANTES


Em várias passagens a bíblia nos ensina que os discípulos de Jesus devem se conformar
a um “padrão”. Paulo orienta Timóteo a escolher apenas “homens fiéis que sejam capazes
de ensinar a outros”, e as qualificações espirituais dos “garçons” do novo testamento (Atos
6.2-3) deixam muitos pastores envergonhados. Por isso não vamos estabelecer aqui uma
lista interminável de virtudes que poucas pessoas têm como pré-requisito para ser um
discípulo em nossa igreja. Não é necessário ser perfeito para ser um discípulo. Por outro
lado, neste momento, temos falado em algumas características simples que devem
estabelecer um padrão mínimo para o novo discípulo:

1. Ele deseja conhecer intimamente a Deus


Isto é fundamental. Se a pessoa não está interessada em ter mais intimidade com
Deus, ser discípulo de Jesus não fará o menor sentido;
2. Ele está disponível
Um coração disponível agrada a Deus. É a pessoa que entende as suas limitações
mas não se deixa deter por elas.
3. Ele é submisso
Submissão à liderança é algo que a bíblia pede de nós. Como já falamos, o discípulo
deve estar disposto a caminhar sempre lado a lado ao seu líder. É necessário que
ele entenda e sirva juntamente na visão que Deus já tem dado a esta comunidade
de fé.
4. Ele é fiel

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Fidelidade a Deus e à Sua Palavra. Estes valores devem estar presentes no coração
de um discípulo, pois nas horas difíceis ele escolherá a “melhor parte”. Fidelidade
aos seus líderes também é importante.
5. Ele deseja fazer discípulos
É muito importante que o novo discípulo entenda claramente que logo ele também
será usado por Deus para discipular outras pessoas. Alguém que deseja ser cuidado
e amado, mas se rejeita a fazer o mesmo por outros, ainda não compreendeu o que
é ser um discípulo de Jesus.

IMPORTANTE – Você não deve “descartar” imediatamente uma pessoa se ela não
apresentar um dos itens acima. Às vezes é necessário um investimento de tempo maior
com alguns irmãos. Continue acompanhando, orando por essa pessoa até que ela entenda
a importância destes princípios.

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CONCLUSÃO

Parabéns por ter chegado ao fim da apostila de treinamento Discipulado Um a Um. Nosso
maior desejo é que você esteja mais preparado e animado para cumprir a grande
comissão de fazer discípulos para Jesus.

Aprendemos que a ordem de Jesus em Mateus 28.18-20 é para todos os seus discípulos,
em todas as épocas. Cumprindo este mandamento com fidelidade, vamos construir
relacionamentos fortes e profundos em amor, oração e ajuda mútua, e assim cada crente
será edificado, até que Cristo seja formado nele. E não podemos nos esquecer do
propósito de ouro do discipulado – fazer tudo para a glória de Deus.

Cremos profundamente que Jesus estará conosco neste processo, conforme ele mesmo
prometeu. Não há o que temer. Se cada crente se comprometer “dar a sua vida pelo seu
irmão” (1aJoão 3.16), veremos uma grande revolução acontecer no meio da igreja de
Jesus. A revolução do amor, da entrega, da oração, da transparência, da integridade e da
busca pela presença de Deus. Desejamos isso de todo o nosso coração, que cada pessoa
deixe de ser um número na multidão para se tornar um discípulo de Jesus. Que o fraco se
torne forte. Que o derrotado caminhe em vitória. Que o pequeno se torne mil, e o menor
seja uma nação forte e poderosa (Isaías 60.22).

Mas nada disso acontecerá sem que você tome a decisão de se tornar um discípulo e
discipular. Na revolução do “um a um” a sua vida é fundamental! Se você ainda não está
caminhando em discipulado, comece a orar por um discipulador e fale sobre isso com o
seu líder de célula. Se você já é acompanhado mas ainda não discipula ninguém, fale com
o seu discipulador sobre isso e considere seriamente começar este processo de se tornar
um “pai” ou uma “mãe” espiritual. A presença de Jesus irá garantir muitos frutos em sua
vida (João 15.5).

Fazendo isso, estaremos trazendo alegria ao coração do Senhor, ao mesmo tempo que
fazemos avançar mais rápido a Sua obra sobre a Terra. Encha de fé o seu coração e
prepare-se: isto é apenas o começo!

Que Deus o abençoe.

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BIBLIOGRAFIA

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Edição especial de aniversário. São Paulo: Editora Vida, 2010.

GOMES, Ivanildo; HUBER, Abe. Ide e fazei discípulos. 1a Ed. Fortaleza: Premius Editora,
2010.

HUBER, Abe. Discipulado Um a Um – Crescimento com qualidade. 2a Ed. Fortaleza:


Premius Editora, 2012.

KORNFIELF, David. Série Grupos de Discipulado. Volume 1. São Paulo: Editora


SEPAL, 1994.

OLIVEIRA, Elvis. Discipulado Fácil. Fortaleza: Premius Editora, 2010.

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SITTEMA, John. Coração de Pastor. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004.

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