Você está na página 1de 7

COLEGIADO DE DIREITO

ALUNO: TURMA: TURNO: NOT ( )


Claudionor Reis Araújo Santos 4º Período CAL ( X )

DISCIPLINA: Direito do PROFESSOR: Sidnei Anesi


consumidor

FICHAMENTO
“A Posse como Direito autônomo”
Nota Nota Nota de
Itens avaliados
Máxima obtida Recurso
Não atende* -
Metodologia e Estrutura 1,0
Resumo 1,0
Citações representativas por
1,0
capítulo
Parecer por capítulo 2,0
Parecer Crítico 5,0
Total 10,0
* Plágio; somente citações; somente resumo; somente resumo e citações; ausência de
relação com o Relatório do Projeto Integrador.

Nota Recurso

Observações do professor:

PARIPIRANGA – 2015-1
GONÇALVES, Marcos Alberto Rocha. A posse como direito autônomo: Teoria e prática
no Direito Civil Brasileira – Rio de Janeiro: Renovar, 2015

RESUMO:
Esta é uma daquelas obras que se pode chamar de engajamento solidário e social, aquele por se tratar de uma
busca por soluções de conflitos e este por tratar do tema de maneira coletiva. O livro A posse como Direito
autônomo traz novas páginas e reabre acaloradas discussões sobre a legitimidade da posse. Para tal, o autor
apresenta em dois blocos que se completam sendo que no primeiro apresenta severas críticas sobre como outros
têm debruçado sobre o tema e no segundo momento ressalta sobre as situações práticas da aplicabilidade da
teoria da posse levando em consideração a realidade econômica e social observando o que prever os
pressupostos legais de artigos específicos do Código Civil em vigência, bem como a leitura constitucional sobre
o prisma dos direitos fundamentais e do processo democrático alcançado após a Carta política de 1988. Ao longo
de toda a obra o texto procura dá ênfase à titularidade e exercício da posse mantendo como parâmetro uma
análise mais profunda de como se dá a aquisição dos bens de maneira genérica.

PARTE I – Dogmática crítica do regime jurídico da posse e da propriedade


(CAP. 1 – A Codificação de 1916 e o contexto da propriedade e da posse)

“O centro de interesses sociais, para o qual convergem os instrumentos de poder, é ocupado


na modernidade, pela hegemonia da propriedade. [...] Homens iguais e livres necessitam de
segurança e previsibilidade para participarem das relações de troca e exercício do domínio
sobre as coisas, e é ao direito que cumpre garantir tais condições” (p.p. 19-20)

Se, por um lado, o Código Civil revogado não adotou por completo a teoria objetiva
da posse, por outro é inegável que a análise da dogmática surgida após sua entrada
em vigor aponta para uma função de posse vinculada à sustentação da propriedade.
(p.46)

PARECER

Neste primeiro momento do texto, observa-se a preocupação do autor em elucidar a


necessidade de paradigmas jurídicos que assegurem substancialmente a primazia dos títulos
de propriedade ao homem conforme sua livre oportunidade de adquirir os bens necessários à
sua sobrevivência. Como se ver nestes dois trechos, que se completam na linha de
pensamento, o texto excetua a posse individual, mas resguarda a posse como centro de
interesse social, ao fazer isto, o autor direciona suas argumentações para a necessidade de o
ordenamento jurídico se apresentar como legítimo tutor em defesa da posse aos que das
coisas, depreende-se que necessitam.

PARTE I
(CAP. II – A Perspectiva da Constituição da República de 1988 e do CC/2002)

“Propriedade e posse, a partir do sistema constitucional modificado, ganham aspectos


funcionais renovados. [...] Em 1988, especialmente pelo início da abertura democrática após
mais de vinte anos de período ditatorial, o cenário político descortinava-se para uma
construção teórica e legislativa que recolocasse em marcha o projeto da sociedade afirmada na
solidariedade.” (pp. 70-71)
O texto do código e a norma constitucional parecem enfrentar distintos objetos de
tutela, ao que se atribui como sendo a ausência de atenção afetiva e material do
legislador infraconstitucional ao aspecto funcional da propriedade. (p.92)

PARECER

Neste capítulo, o texto assume uma posição significativa sobre a função democrática da
propriedade. O autor dá ênfase ao processo democrático plantado na Carta Magna de 1988
para demonstrar a importância de se ter a tutoria da Lei máxima do país como segurança aos
legítimos alvos da posse. A coadunação do Código Civil de 2002, com os princípios
constitucionais em defesa de um destino social à posse dos bens, delimita o compromisso do
texto com os anseios da sociedade moderna em busca de uma melhor funcionalidade na
distribuição das coisas como objetos de usufruto do indivíduo em coletividade.

PARTE I
(CAP. III – Aspectos da função social da propriedade)

“A norma constitucional hoje vigente, ainda que permeada por certas contradições ideológicas
próprias do processo democrático vivenciado por uma sociedade pouco desenvolvida e
controlada por grupo restrito de setores, apresenta sem dúvidas um dos seus maiores avanços
no plano do direito privado, ao introduzir a função social no conceito de propriedade.” (p.124)

“A partir da inserção do direito de propriedade e da função social no rol dos direito e das
garantias fundamentais, inverte-se o fluxo dos conceitos, impondo a função social como
elemento prévio do direito de propriedade. [...] Sendo as intenções individuais
necessariamente submissas a esse elemento prévio” (p.130)

PARECER

Há neste ponto do texto uma visão bastante crítica sobre a própria sociedade. Até então, não
se tinha relacionado a questão da posse com a inércia dos postulantes, mas aqui o autor
declara algo obstante à conquista da posse: o baixo desenvolvimento da sociedade. Não é
difícil constatar que ao se referir à sociedade, o texto se direciona ais menos abastados e,
portanto submissos à exploração de toda ordem. Apesar de no segundo trecho a visão
individual receber severas críticas, observa-se neste capítulo o raciocínio sobre a função social
da propriedade.

PARTE II – ADAPTABILIDADE À ORDEM SOCIAL E ECONÔMICA DA


PROPRIEDADE E DA POSSE.
(CAP. I – Eficiência formal da propriedade)

“É preciso ter presente, porém, que a norma legal, nada obstante seja filha de um tempo e de
um momento histórico, está sujeita a constantes ressignificações, sendo o processo
interpretativo fruto da construção cognoscente que envolve todos os componentes formadores
do sistema social. [...] Ainda que inserida nos fundamentos do Estado Social, a realização
desta forma política não se contemplou diretamente.” (p.151)
“Com os obstáculos institucionalmente criados, primeiro pela Constituição Federal, depois
pela regulamentação legal, como uma emenda representativa da vontade popular, a Reforma
Agrária acabou juridicamente congelada no texto constitucional.” (p. 173)

PARECER

Nesta segunda parte do primeiro capítulo, o texto assume um tom mais eloquente sobre dois
prismas: a presença da legitimidade da posse no texto constitucional e o burlamento dos
preceitos legais pelos que se consideram legítimos donos. É proveitoso observar que o autor à
medida que sinaliza o texto constitucional como fruto de uma revisão de parâmetros sociais,
convoca os vulneráveis nesta luta pela posse da propriedade, a abandonarem a inércia e
completar os vazios deixados pelo principal parâmetro constitucional ao salientar que os
objetivos sociais tão bem plantados na Carta política são passíveis de mudanças.

PARTE II
(CAP. II – Estudo da hipótese dos parágrafos 4º e 5º do artigo 1228 do CC/2002)

“Não se pode esperar, (nem tampouco contentar-se) com o juiz boca da lei, apenas preso às
formalidades dos Códigos e distante da busca da materialização dos princípios
constitucionais. [...] A fim de consolidar a supremacia da Constituição e densificar no caso
concreto as cláusulas constitucionais abertas, foi constitucionalmente instituída a função ativa
do poder judiciário.” (p.185)

“É transmissão onerosa, dado que ocorre transferência do domínio do bem mediante


pagamento do preço; porém, é forçada, uma vez que as obrigações bilaterais são impostas às
partes, vale dizer, não são oriundas da autonomia privada que, em regra, presentifica-se nos
contratos. Por fim, é judicial já que decorrente exclusivamente de decisão jurisdicional
submetida ao contraditório,” (p.201)

PARECER

O segundo momento do capítulo II, é bastante elucidativo sobre a responsabilidade do Poder


Judiciário no tocante à palavra final sobre a questão da posse. Nestes dois trechos, observa-se
que o autor ao identificar a luta pela posse como obrigações assumidas por dois polos, eleva-
se aí a necessidade de instituir a intermediação do Estado como busca de uma solução. No
entanto, meio que sorrateiro, o texto tece críticas ao desfecho final que conforme o dispositivo
no Código Civil em vigor conduz a solução a um pagamento por parte do Estado.

PARTE II
(CAP. III – Posse, Estado e Direitos Fundamentais)

Á luz do constitucionalismo contemporâneo, a sintonia presente entre a função


social da propriedade e o princípio da dignidade da pessoa humana deve ser mirada
não apenas em função do indivíduo singular, mas das relações deste com os demais.
(p.233)
“No panorama do Direito Civil vigente, profundamente tocado pela Constituição, seus
princípios e garantias, ser possuidor não mais é o ato de demonstrar publicamente o título
proprietário, mas sim utilizar o bem para concretizar o preceito nuclear da propriedade. Isso
quer dizer que a sua função social é concretizada pelo exercício possessório, ainda que isso
possa, em alguma medida, apresentar no palco da interpretação o paradoxo presente na
Constituição entre os planos social e econômico.” (p.243)

PARECER

Este capítulo é, de fato, o núcleo básico de toda a reflexão em torno deste tema que inspira
cuidados e ao mesmo tempo comprometimento solidário com a causa dos despossuídos.
Pode-se dizer que é uma espécie de arremate do texto. A abordagem que o autor faz do texto
constitucional é o limite da tolerância para a existência da posse da terra e dos bens apenas
como ostentação do capital. O aspecto conceitual que a obra desenvolve neste ponto do texto
é ao mesmo tempo elucidativo e denunciador, pois à medida que esclarece que ser possuidor
não é apenas uma ostentação de títulos de propriedades, o texto compromete-se sensivelmente
com a legitimação e autêntica força que a Constituição deve exercer frente aos conflitos da
posse.

PARECER CRÍTICO

Neste livro, nota-se o esforço do autor em apresentar reflexão que chega aos leigos e
especialistas sobre a matéria. Aposse como direito autônomo vai além de uma defesa do autor
em relação ao direito à propriedade e à consecução da posse dos bens numa sociedade
marcada pelo ter e pelos títulos. Não se buscou neste livro nenhum perfil sobre o merecimento
da posse ou a hegemonia das castas preponderantes no andar de cima da sociedade. O que se
trata, de maneira lúcida, neste texto é desenhar os fatos sobre as imposições.
À medida que o texto avança numa linha reflexiva sobre o que se atesta nos próprios
dispositivos legais sobre a teoria da posse, exibe o panorama econômico e social em que tais
discussões se levantam. E nesta premissa busca desmitificar qualquer tentativa de dirimir
dúvidas através de fontes ideológicas, mas plantadas nos próprios fatos. A obra que ora se
apresenta nesta apreciação vem elucidar amadurecidas questões sobre a divisão de fato e de
direito dos bens que não apresentam outro sentido de existirem senão fundamentado na sua
função social na medida em que serve de insumo imobiliário para as classes que precisam do
passo da propriedade não para a ostentação que o título de posse lhe confere, mas para a
própria consumação e segurança de sua dignidade enquanto cidadão.
O olhar sobre esta obra deve ser debruçado de maneira a captar nas entrelinhas a
contextualização em que o tema se desenvolve. Cada seção, como ele define as subpartes, é
minuciosamente costurada com viagens históricas, visitas às doutrinas para que se passe ao
leitor a devida segurança e condições de uma visão crítica mais abrangente sobre a relação da
posse das coisas e a propriedade como coisa a ser possuída.
É notória a relação desta obra com o projeto integrador realizado pela turma do 4º
período do Curso de Direito da Faculdade Ages, no Semestre de 2015-2, pois o tema
desenvolvido pelos acadêmicos vem exatamente fornecer subsídios que atestam a necessidade
do registro de posse para que se tenha a segurança jurídica necessária no desenvolvimento da
política de equidade social através da posse como direito autônomo. Neste referido Projeto
Integrador, a pesquisa realizada contribui enormemente para a compreensão de todo o texto,
mas principalmente à Sessão 2.3 que discute a Estrutura possessória no CC/2002 e traz a
legitimidade da posse através da usucapião, instrumento este tão bem explorado pelos
acadêmicos nas suas visitas aos Cartórios de Registro de Imóveis, objeto de suas pesquisas.
Por estas linhas, observa-se que é um texto bastante engajado com a função social da
propriedade sem ser um livre discurso de palanque, menos ainda de apologia ou incitação ao
conflito. De modo que não é difícil perceber a estreita relação que o texto mantém com a
disciplina Direito do Consumidor, pois a discussão em torno da posse articula sensivelmente
as questões que envolvem uma sociedade de massa com suas pluralidades contemporâneas e
que exige do Estado uma tomada de posição frente aos interesses do coletivo. Esta é a
premissa do ramo do direito do consumidor, esta é a busca que este livro apresenta. Mesmo
que por vias não tão convergentes os dois aspectos discursivos alertam para a necessidade de
uma defesa da vulnerabilidade dos menos assistidos pela posse dos bens.
Dessa forma é interessante ressaltar que a obra é imprescindível para qualquer
indivíduo que através do exercício de cidadania queira entender melhor as relações
construídas no seio da sociedade da qual faz parte; para o acadêmico do curso de Direito é
indiscutível a importância que esta obra exerce na sua formação uma vez que o tema abordado
se relaciona diretamente com os problemas que este futuro profissional se deparará ao longo
de sua carreira.