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PLANO DE AULA

EEFM Cora Coralina


Curso: 2ºs anos do ensino médio Data da Aula:
Disciplina: Filosofia Turma:
Professor: Everaldo Barreto Moura
Tema: 02 – Alteridade e a pessoa do outro enquanto pessoa

Objetivos

- Analisar o conceito de Alteridade a partir dos filósofos Martin Buber e Emmanuel Lévinas

- Entender a importância da Alteridade nas relações humanas do dia a dia

- Associar a visão humanista de Alteridade ao ato de reconhecimento da pessoa do próximo

Conteúdos
 A Alteridade enquanto o modo como o Outro me afeta e eu o afeto: Já vimos que
temos a necessidade de vivermos em sociedade e disso não podemos negar. Mas, de que forma
eu vejo a outra pessoa, o Outro? E como esse Outro me vê? A Alteridade é um conceito que
significa Ser outro, colocar-se ou constituir-se como outro. A Alteridade é uma via de mão dupla
entre o Ser Pensante e o Ser Observado (Eu=Eu=Outro) como nos fala o filósofo Martin Buber:
“Somente o ser cuja alteridade, acolhida pelo meu ser, vive face a mim com toda a densidade da
existência é que me traz a irradiação da eternidade. Somente quando duas pessoas dizem, uma-
à-outra, com a totalidade dos seus seres: “Ès tu” é que se instala entre elas o Ente”.
 O Outro a mim é estranho assim como sou estranho para o Outro: A razão de
vivermos em Alteridade tem como objetivo atenuar o estranhamento que o Outro nos proporciona
quando este nos afeta. Muitos conflitos na sociedade se dão por causa desse estranhamento que
não é superado pelo reconhecimento do Outro como parte de mim. Por outro lado, o Outro
também deve ter esse despertamento e a filosofia da alteridade nos mostra que esse caminho só
é possível quando nós dois nos reconhecemos enquanto partes integrantes de si fora de si.
 Ter Alteridade para que o Outro não seja o meu inferno: O reconhecer o Outro na
Alteridade tem como objetivo “combater” o lado negativo da convivência do qual somos forçados
a eleger um inferno ao qual atribuímos toda nossa fúria. Muitas das vezes, o Outro me enfurece
como dizia Sartre “O inferno são os Outros” se trata justamente desse incomodo que sentimos
quando o Outro nos olha com o intuito de se reconhecer em nós. A questão do inferno aqui é a
admissão da certeza de que não gostamos de conviver com as pessoas e por isso, os olhos do
Outro são os juízes que julgam nossas ações.
 Para Emmanuel Lévinas, a Alteridade é o resgate à fraternidade perdida entre as
pessoas nos tempos pós modernos: Nas palavras de Lévinas (1988, p. 192) “O próprio
estatuto do (ser) humano implica a fraternidade e a ideia do género humano. Esta opõe-se
radicalmente à concepção da humanidade pela semelhança, de uma multiplicidade de famílias
diversas [...] e que, pela luta dos egoísmos desemboca numa cidade humana. A fraternidade
humana tem assim um duplo aspecto, implica individualidades cujo estatuto lógico não se reduz
ao estatuto de diferenças últimas num género (humano); a sua singularidade consiste em cada
uma se referir a si própria (um indivíduo que tem um género comum com um outro indivíduo não
estaria suficientemente afastado dele). Implica por outro lado, a comunidade de pai, como se a
comunidade do género (humano) não aproximasse suficientemente. É preciso que a sociedade
seja uma comunidade fraterna para estar à medida da rectidão – da proximidade por excelência
– na qual o rosto se apresenta ao meu acolhimento.”
Metodologia de ensino

As aulas serão expositivas e dialogadas com os alunos utilizando os exemplos da realidade como
modo de melhor assimilação das teorias apresentadas.

Atividades
- Apresentação e explicação do tema
- Apresentação dos pensadores.
- Debate transversal contextualizando a teoria com base no cotidiano.

Recursos a serem utilizados

Sala com quadro branco e pincel

Avaliação da Aprendizagem

Aplicação de um questionário via arguição oral com as seguintes perguntas:

1) O que é a Alteridade?

2) Seria correto dizer que na frase de Sartre “O inferno são os outros” é possível vermos a

incapacidade de vermos o Outro de forma positiva? Comente.

3) Como que se dá a Alteridade? A Alteridade implica no reconhecimento de quem?

4) É possível o Outro ser pensante e objeto do pensamento em relação a mim? Explique.

5) As pessoas estão cada vez mais egoístas ou não querem admitir que necessitam de uma

outra pessoa a qualquer momento da vida. No caso da Alteridade, dá para tê-la sozinho

sem a presença do Outro? Por quê?

6) Podemos associar a crise dos valores com a falta de Alteridade entre as pessoas? Justifique

Referências

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. 5. ed. ver. amp. – São Paulo: Martins Fontes, 2007

BUBER, Martin. Do Diálogo e do Dialógico. Trad. Marta Ekstein de Souza Queiroz e Regina
Weinberg. - São Paulo: Perspectiva, 2007

LEVINAS, Emmanuel. Totalidade e infinito. Trad. José Pinto Ribeiro. - Lisboa, Portugal: Edições
70, 1988