Você está na página 1de 94

Coleção: Instrumentos Musicais a Serviço da Liturgia - II

1
Volume 1
para a Liturgia
Marcelo Silveira

Curso de Violão
2
Coleção: Instrumentos Musicais a Serviço da Liturgia – II

Marcelo Silveira

Curso de Violão para a Liturgia


Volume 1

3
ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS / SP

Arcebispo Metropolitano
Dom Airton José dos Santos

CEMULC

CENTRO DE ESTUDOS DE MÚSICA SACRA E LITURGIA


DA ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS
Diretor: Dr. Clayton Júnior Dias
Secretária: Elaine Dias Marchi
Tesoureira: Rita Ely

Curso de Violão para a Liturgia – Volume 1


Marcelo Silveira

Colaboradores
Dr. Clayton Júnior Dias, organizador
Rita Ely, editoração eletrônica das partituras
Elaine Dias Marchi, revisão

Campinas, agosto de 2017.

4
ÍNDICE

Carta ao professor 07
O uso dos instrumentos musicais na liturgia 09
Breve história do violão 12
Alguns tipos de violão 15
Partes do violão 17
Postura 18
Mãos 20
Conceitos básicos 22

Exercícios 39

Repertório
A treze de maio 54
Alegres vamos à casa do Pai 55
Aleluia – Alleluia 7 56
Aleluia – Louange et glorie 65
Amém 66
Antes da morte e ressurreição de Jesus 90
As nossas mãos se abrem 88
Belém é aqui 49
Bendito e louvado seja o Pai 57
Bendito és Tu, ó Deus criador 67
Bendito sejas, ó Rei da glória 91
Cantar a beleza da vida 58
Cordeiro de Deus 86
Cristo vence 59
Da cepa brotou a rama 68
Do altar de Deus me aproximarei 60
Doce é sentir 50
Eis o tempo de conversão 80
Então da nuvem luminosa 61
Eu sou o pão que vem do céu 81
Eu vim para que todos tenham vida 69
Fonte inexaurível 51
Glória 82
Imaculada 70
Louvor e glória a Ti, Senhor 71
Não fiqueis tristes 72
Noite feliz 87
O Senhor ressurgiu 83
Oh, vinde, enfim, eterno Deus 79
Pecador, agora é tempo 73
Pelos prados e campinas 84
Quando virá, Senhor, o dia 85
Salvador do mundo 74
Santo 52
5
Senhor, eis aqui o teu povo 75
Senhor, que viestes salvar 89
Senhor, vem salvar teu povo 76
Tu és a glória de Jerusalém 62
Vem, ó Senhor, com o teu povo caminhar 53
Vendo Jesus aparecer 63
Vinde, cristãos 64
Viva a mãe de Deus e nossa 77
Vós sois meu Pastor 78

Referências bibliográficas 93

6
CARTA AO PROFESSOR

Caro professor,

Esse método de violão é, sobretudo, resultado da experiência que tenho como professor de
música há alguns anos. Também é fruto das diversas reflexões sobre ensino individual e coletivo do
instrumento através de bibliografia especializada; e constituído de uma série de exercícios técnicos
de aprendizado da leitura na partitura que já são consagrados por outros pensadores e mestres do
ensino do violão e que sofreram adaptações e variações para que se pudesse sempre buscar um
melhor aproveitamento de cada aluno.

O presente livro é direcionado ao ensino do violão para a sua utilização na liturgia. Dessa
forma, o repertório nele estudado é uma coleção de canções que podem ser utilizadas nas
celebrações, conforme o uso litúrgico especificado no rodapé das páginas. Portanto, se destina
majoritariamente aos alunos interessados especialmente em usufruir dos conhecimentos musicais
através da liturgia.

Para que o método seja eficiente ao aluno de violão, cabe ao professor tomar certas medidas
enquanto educador. É dever do professor que utiliza esse método estar atento ao que o método
propõe. Ao longo do uso do livro, o professor deve mostrar exemplos em sala de aula, sugerir
atividades musicais, adotar o ensino ao que é sensível à escuta e tratar todos os assuntos com
abrangência.

Nota-se que o violão é utilizado em diferentes ambientes e ocasiões com o mesmo


protagonismo. O violão de concerto executa as belas linhas melódicas de Bach; o virtuosismo de
Paganini; as diferentes texturas de Debussy; e também os estudos de Villa-Lobos. As seis cordas
também vibram com o violão popular de Garoto; nas canções de Noel Rosa; nos choros de
Pixinguinha; nas canções de Chico Buarque e nas levadas de João Bosco. Dessa forma, fez-se
necessário o ensino das duas principais formas de leitura e execução do instrumento: a partitura e
a cifra. Assim, é possível cobrir uma maior área de atuação do instrumento para os alunos – que,
por vezes, serve como motivação a eles. Portanto exige que o professor trabalhe assuntos diversos
no violão com os estudantes, fazendo com que os mesmos tenham sensações artísticas durante as
aulas, e não somente leitores de um papel sem real sentido a eles.

O ensino musical é importante na medida em que lidamos com tantas transformações no


aspecto pessoal e social dos estudantes. Temos a responsabilidade de sensibilizar nossos alunos e
lhes criar experiências novas. Fico feliz em fazer parte desse projeto que desenvolvi com bastante
atenção e carinho.

Obrigado,

Marcelo Silveira

Campinas, 01 de agosto de 2017.

7
8
O USO DOS INSTRUMENTOS MUSICAIS NA LITURGIA

Instrução Musicam Sacram:1

A música sacra instrumental:

62. Os instrumentos musicais podem ser de grande utilidade nas celebrações sagradas, quer
acompanhando o canto, quer intervenham sós.

“Tenha-se em grande apreço na Igreja latina o órgão de tubos, como instrumento tradicional
e cujo som é capaz de dar às cerimônias do culto um esplendor extraordinário e elevar
poderosamente o espírito para Deus e para as realidades celestiais.

Podem utilizar-se no culto divino outros instrumentos, segundo o parecer e com o


consentimento da autoridade territorial competente, contanto que esses instrumentos estejam
adaptados ou sejam adaptáveis ao uso sacro, não desdigam da dignidade do templo e favoreçam
realmente a edificação dos fiéis”.2

63. No admitir de instrumentos e na sua utilização ter-se-ão em conta o caráter e os costumes


de cada povo. Os instrumentos que, segundo o comum sentir e o uso normal, só são adequados
para a música profana, serão excluídos de toda a ação litúrgica assim como dos “pia et sacra
exercitia”.3

Todo instrumento admitido no culto se utilizará de forma que corresponda às exigências da


ação litúrgica, sirva à beleza do culto e a edificação dos fiéis.

64. O emprego dos instrumentos no acompanhamento dos cânticos pode ser bom para
sustentar as vozes, facilitar a participação e tornar mais profunda a unidade da assembleia. Mas o
som dos instrumentos jamais deve cobrir as vozes ou dificultar a compreensão do texto. Todo o
instrumento se deve calar quando o sacerdote ou um ministro pronunciam em voz alta um texto
que lhes pertença por sua função própria.

65. Nas missas cantadas ou rezadas pode utilizar-se o órgão, ou qualquer outro instrumento
legitimamente admitido para acompanhar o canto do coro e do povo. Pode tocar-se em solo antes
da chegada do sacerdote ao altar, ao ofertório, durante a comunhão e no final da missa.

A mesma regra se pode aplicar, adaptando-a corretamente, nas demais ações sagradas.

66. O toque a solo destes instrumentos não é permitido durante o tempo do Advento e da
Quaresma, durante o Tríduo Sagrado e nos ofícios ou missas de defuntos.

67. É muito desejável que os organistas e demais instrumentistas não sejam apenas peritos
no instrumento que lhes é confiado, mas conheçam e estejam intimamente penetrados pelo espírito
da Liturgia para que, ao exercer o seu ofício, mesmo ao improvisar, enriqueçam a celebração

1
Cf. S. Congr. dos Ritos, Inst. Musicam Sacram (5 de março de 1967).
2
Cf. Conc. Vat. II, Const. Sacrosanctum Concilium, n. 120.
3
Cf. S. Congr. dos Ritos, Inst. Musica sacra et sacra Liturgia, n. 70 (3 de setembro de 1958).

9
segundo a verdadeira natureza de cada um dos seus elementos e favoreçam a participação dos
fiéis.4

Instrução Liturgicæ Instaurationes5:

Deve fomentar-se por todos os meios o canto litúrgico do povo, utilizando mesmo novas
formas musicais que correspondam à mentalidade dos vários povos e ao gosto atual. (...) Com efeito,
embora a Igreja não exclua da Liturgia qualquer gênero de música sagrada, contudo, nem todos os
gêneros de música, de canto ou de instrumentos musicais podem ser considerados igualmente
apropriados para alimentar a oração e exprimir o mistério de Cristo. Pertence às Conferências
Episcopais tomar decisões mais concretas nesta matéria, e, na falta destas, ao Bispo da diocese
dentro da sua jurisdição. Escolham-se com cuidado, os instrumentos musicais: sejam em número
limitado, adequados ao lugar e à índole da assembleia, favoreçam a piedade e não demasiado
ruidosos.

Instrução Geral do Missal Romano6:

32. O caráter “presidencial” destas intervenções (do sacerdote celebrante) exige que elas
sejam proferidas em voz alta e clara e escutadas por todos com atenção. Por isso, enquanto o
sacerdote as profere, não haja nenhumas outras orações ou cânticos, nem se ouça o toque do órgão
ou de outros instrumentos musicais.

313. O órgão e os outros instrumentos musicais legitimamente aprovados sejam colocados


num lugar apropriado, de modo a poderem apoiar o canto, quer do coro quer do povo, e a serem
bem ouvidos por todos, quando intervêm sozinhos. É conveniente que o órgão, antes de ser
destinado ao uso litúrgico, seja benzido segundo o rito que vem no Ritual Romano.

No tempo do Advento usem-se o órgão e outros instrumentos musicais com a moderação que
convém à índole deste tempo, de modo a não antecipar a alegria do Natal do Senhor.

No tempo da Quaresma só é permitido o toque do órgão e dos outros instrumentos musicais


para sustentar o canto. Excetuam-se, porém, o domingo Lætare (IV da Quaresma), as solenidades e
as festas.

Cerimonial dos Bispos:7

41. Desde a Quarta-feira de Cinzas até o hino Glória a Deus nas alturas na Vigília pascal, e nas
celebrações dos defuntos, o toque do órgão e dos outros instrumentos usar-se-á somente para
sustentar o canto. Excetua-se, todavia, o domingo Lætare (IV da Quaresma), bem como as
solenidades e as festas.

4
Cf. S. Congr. dos Ritos, Inst. Musicam Sacram, nn. 24-25.
5
Cf. S. Congr. do Culto Divino, Inst. Liturgicæ instaurationes (5 de setembro de 1970).
6
Instrução Geral do Missal Romano, 3ª edição típica (2008).
7
Cf. S. Congr. do Culto Divino, Cerimonial dos Bispos (14 de setembro de 1984).

10
Desde o fim do hino Glória a Deus nas alturas na Ceia do Senhor (Quinta-feira Santa) até ao
mesmo hino da Vigília Pascal, o órgão e os outros instrumentos musicais só se podem utilizar para
sustentar o canto.

No Tempo do Advento, os instrumentos musicais devem utilizar-se com aquela moderação


que convém ao caráter jubiloso da expectativa própria deste tempo, mas de modo a não antecipar
a alegria plena no Nascimento de Cristo.

Pastoral da Música Litúrgica no Brasil8:

1.1.9. A nova música para o canto do povo trouxe, como consequência natural, o uso de novos
instrumentos musicais. Sem rejeitar o órgão ou o harmônio, em certas celebrações, o violão, por
exemplo, tem possibilitado um acompanhamento espontâneo e simples, antes inexistente devido à
legislação em vigor.

2.2.4. “Os instrumentos podem ser de grande utilidade na liturgia, quer acompanhando o
canto, quer sem ele” (MS 62), “na medida em que prestam serviço à palavra cantada; ao rito
(explicando-o melhor) e à comunidade em oração; dessa maneira a música instrumental participa
da sacralidade da liturgia e torna-se música sacra por participação. O instrumento por si mesmo,
como prolongamento da voz humana (alma e voz), não é nem sacro nem profano, assim como a voz
humana em si mesma não o é. A classificação de instrumentos em sacros e profanos depende da
relação sociocultural-psicológica mutável quanto ao tempo (na história) e quanto ao lugar (nas
culturas diversas) (cf. SC 12). Se um instrumento consegue integrar-se na liturgia, ajudando-a e
exprimindo-a melhor, especialmente pelo acompanhamento do canto, este instrumento torna-se
sacro, participando da sacralidade da liturgia” (IV ENMS)

8
CNBB, Pastoral da Música Sacra (25 de março de 1976).

11
BREVE HISTÓRIA DO VIOLÃO

Em todas as fontes consultadas é possível perceber a grande incerteza existente quanto à


origem do violão. A complexidade de obter exatidão temporal e geográfica do surgimento do
instrumento começa no fato que somente em língua portuguesa o violão é chamado de violão. Em
vários outros idiomas o violão é comumente chamado de guitarra – o que, para nós, seria o
instrumento elétrico tão difundido pelo jazz e pelo rock and roll.

Dito isso, podemos atribuir a história do violão às variações encontradas em alguns


instrumentos do passado. Portanto, trataremos de falar de um instrumento confeccionado de
cordas – geralmente de origem animal – com um braço a se tocar a mão esquerda e alguma forma
de ferir as cordas com a mão direita (e, obviamente, as variações técnicas possíveis). Mesmo
restringindo nosso estudo a esse tipo de instrumento, ainda há incertezas de onde e quando
começaram a ser construídos.

Algumas publicações datam a origem dos instrumentos primitivos ao violão por volta do
século XIV e XV – o período histórico e artístico chamado de Renascimento. Não se sabe se o
instrumento com o nome de “guitarra” foi introduzido na Europa medieval pelos árabes ou se era
nativo do continente por volta do século XIII. Mas sua história fica realmente consolidada durante
o período do Renascimento, no qual surge um instrumento de quatro cordas duplicadas, parecido
com o alaúde e a vihuela.

Ilustração de um alaúde

Pintura de anjo tocando uma supostamente vihuela

12
A vihuela era um termo que, originalmente, se aplicava a todos os instrumentos de cordas, e
a distinção era feita segundo o método de execução: vihuela de pendola – tocada com palheta,
vihuela de arco – tocada com arco, vihuela de mano – com a mão. Tanto a vihuela quanto o alaúde
foram instrumentos muito importantes para a música ocidental até aproximadamente o século
XVIII.

Ao fim do século XVI, é adicionada à “guitarra” (ou vihuela, ou alguma outra denominação
confusa que não é precisa aos pesquisadores) uma quinta corda e o instrumento agora é conhecido
em toda a Europa por guitarra espanhola, além de ser considerado o instrumento nacional do país.
No fim do século XVIII é adicionada a sexta corda (mi), e as cordas passam de duplas a simples.

Então, em meados do século XIX, o construtor Antônio Torres (1817-1892) torna a caixa
acústica do instrumento mais larga e mais cintada, com a forma de oito que conhecemos
atualmente, assim a posição da execução fica muito melhor e utilizando-se as unhas da mão direita
para ferir as cordas, a sonoridade se torna mais rica, com possibilidades de obter diferentes timbres
das unhas e da polpa do dedo.

A confusão e a incerteza sobre a origem do violão permanecem nos livros encontrados


atualmente e, no Brasil, também há diferentes opiniões e fatos que divergem da chegada do
instrumento na terra do Pau-Brasil. Alguns pesquisadores apontam que o instrumento foi trazido
pelos jesuítas, outros escritores registram que o instrumento recém-chegado era sim a viola e não
o violão, tese refutada pelo professor Ronoel Simões (1919-2010), por exemplo:

“(...) veio com os portugueses do Norte e, chegando aqui, os nossos indígenas se aclimataram
com o violão, gostaram do violão, e logo começaram a estudar violão. Tanto que durante os
próximos anos surgiram muitos violonistas. (...) consta que, a partir de mil quinhentos e pouco,
começaram a surgir muitos violonistas por aqui, inclusive muitos militares tocavam violão.”

Porém, o violonista Francisco Araújo (1954-), professor universitário de música, refuta a ideia
anterior:

“(...) hoje digo com segurança: não foram os portugueses os introdutores do violão no Brasil.
Eles trouxeram a viola, que nada mais era do que a versão lusa da vihuela espanhola do século XVI,
que hoje chamamos de viola caipira. Ela é parecida com o violão, mas tem cordas duplas e uma
afinação diferente.”

Viola caipira como a conhecemos atualmente

As controvérsias e incertezas continuam por diversas publicações encontradas. Para nós, o


instrumento torna-se realmente popular nas casas e nas ruas no final do século XIX e dessa data em
diante, sua importância só aumenta em nossa música.

13
Com grande percurso de transformações na história da música ocidental, hoje o violão tem
algumas variantes (que veremos a seguir), porém podemos geralmente classificá-lo como descrito
no Dicionário Musical Brasileiro, de Mário de Andrade (1893-1945):

VIOLÃO (s. m.) – 1. Instrumento de cordas dedilhadas, constituído por uma caixa de
ressonância de madeira com fundo chato, em forma de oito, e um braço dividido em trastos (ou
trastes) em cuja extremidade suas 6 cordas são fixadas e afinadas por cravelhas (ou tarrachas). As
cordas, de afinação mi-lá-ré-sol-si-mi, são as três mais graves chamadas de bordões e feitas de metal
(hoje em dia, mais encontradas de nylon), sendo as demais cordas feitas de nylon.

Violão como conhecemos atualmente

14
ALGUNS TIPOS DE VIOLÃO

Com o passar dos anos, o violão sofreu diversas transformações. Atualmente é possível
encontrar violões feitos de diversos materiais, tocados de maneiras diferentes e com afinações
distintas a gosto do músico. Abaixo podemos encontrar uma lista breve de algumas das opções
disponíveis nos dias de hoje:

• Violão de cordas de nylon ou o chamado violão de concerto (instrumento para o qual esse
método é dedicado):

Alguns músicos que tocam majoritariamente esse instrumento: Andrés Segovia, Paco de Lucia,
Vicente Amigo, Fábio Zanon, Juliam Bream, Jorge Caballero, Augustin Barrios, Henrique Pinto,
Francisco Tárrega, Sebastião Tapajós, Sérgio e Odair Assad, Badi Assad, Paulinho Nogueira, Raphael
Rabello, Marcelo Kayath, Baden Powell, Garoto, Paulo Bellinati, Marco Pereira, João Gilberto,
Djavan, João Bosco, Guinga, entre tantos outros.

• Violão de 7 cordas (tanto cordas de aço quanto nylon)

Alguns músicos que tocam majoritariamente esse instrumento: Dino 7 Cordas, Meira, Tute,
Yamandú Costa, Raphael Rabello, Maurício Carrilho, Rogério Caetano, Marcello Gonçalves, Valter
Silva, Valdir Silva, Zé Barbeiro, Luizinho 7 Cordas, Luiz Otávio Braga, entre tantos outros.

15
• Violão de cordas de aço:

Alguns músicos que tocam majoritariamente esse instrumento: André Geraissati, Jon Gomm,
Tommy Emmanuel, Martin Taylor, Lenny Breau, Michael Hedges entre tantos outros.

Há também alguns outros modelos não tão comuns, mas ainda assim presentes. São eles:

• Violão de 12 cordas:

• Violão de 8 cordas e 10 cordas:

16
PARTES DO VIOLÃO

Tarracha

Pestana

Traste

Casa
Braço
(tampo harmônico, fundo, aros laterais)
Caixa de Ressonância

Boca

Cordas

Rastilho

Cavalete

17
POSTURA

Para melhor execução do violão e para evitar lesões, devemos prestar muita atenção na nossa
postura enquanto tocamos o instrumento. Observe, nas fotos abaixo, algumas formas de sentar e
segurar o violão durante a execução:

18
As três primeiras posições das figuras nos mostram a forma na qual grande número dos
violonistas clássicos posicionam seus corpos, braços e mãos. Repare as semelhanças entre as três
imagens acima.

Já nessas duas posições – a primeira mais consagrada pelo flamenco (Ramón Montoya) e a
segunda nos lembrando os violonistas populares brasileiros – nos mostram como o violão pode se
acomodar em nossos corpos dependendo do músico e dos propósitos.

A postura é realmente um assunto importante para o violonista. É através dela que podemos
nos sentir confortáveis em tocar o instrumento. É através dela também que podemos desenvolver
nossa técnica.

Como visto nas ilustrações, há várias formas e posturas para tocar o violão. Após a
EXPLICAÇÃO e DEMONSTRAÇÃO do professor, é possível definir melhor qual dessas posições é mais
adequada para você.

Lembre-se: em todos os instrumentos a busca é sempre pelo relaxamento muscular e uma


postura adequada (sem curvaturas ou tensões).

19
MÃOS

Antes de partirmos para o violão, observe a nomenclatura utilizada quando nos referimos aos
dedos que tocam o instrumento:

p – polegar
i – indicador
m – médio
a – anelar

Mão esquerda Mão direita

Também observe como devemos posicionar nossas mãos ao tocar o violão, para que
tenhamos melhor sonoridade, firmeza e relaxamento.

MÃO DIREITA

Visão do músico Visão de frente

20
MÃO ESQUERDA

21
CONCEITOS BÁSICOS

Para melhor entendimento sobre nossas aulas e nosso instrumento, é preciso estar atento a
determinados “termos” musicais e o que eles representam. Como diz Almir Chediak (1950-2003)
em seu livro “Harmonia e Improvisação”:

1 – Música

Constituída de melodia, ritmo e harmonia:

• Melodia: é uma sucessão de sons musicais combinados.


• Ritmo: é a duração e acentuação dos sons e das pausas.
• Harmonia: é a combinação dos sons simultâneos.

2 – Propriedades físicas do som

São três: altura, intensidade e timbre

• Altura: é a propriedade do som ser grave, médio ou agudo.


• Intensidade: é a propriedade de o som ser forte ou fraco. Caracteriza-se pela amplitude
da vibração. Por exemplo, quando tocamos uma corda com mais força, a amplitude da
vibração é maior e consequentemente o volume do som também será maior.
• Timbre: É a qualidade do som que nos permite reconhecer sua origem. É através dele
que diferenciamos o som de vários instrumentos.

22
A PARTITURA

Entraremos em um assunto que deve ser estudado juntamente com a prática do instrumento.
A partitura por si só é uma representação gráfica e não sonora da música, portanto é de extrema
importância que o professor e os alunos experimentem juntos as sonoridades, notas, acordes e
ritmos, criando a relação mais clara entre som e notação musical.

Primeiramente, vamos conhecer as nossas notas musicais:

Todos os instrumentos melódicos/harmônicos que conhecemos possuem as notas acima,


porém cada um deles necessitará de uma técnica diferente para tocá-la. Repare que as 7 notas
musicais formam uma espécie de ciclo. Quantas vezes esse ciclo pode se repetir? Depende da
capacidade do instrumento. É o que chamamos de “tessitura”. A cada ciclo percorrido, estamos
mudando de “oitava”.

Todas as notas podem ser representadas na partitura.

23
PENTAGRAMA

O pentagrama (também chamado de pauta) é, como o próprio nome já diz, um conjunto de


cinco linhas e quatro espaços onde podemos escrever as notas musicais:

Para que possamos escrever os sons em várias alturas, adicionamos as linhas suplementares,
observe:

As claves definem o local de cada nota:

Clave de Sol:

Clave de Fá:

Clave de Dó:

24
Portanto, abaixo a representação das notas em uma oitava:

Para a escrita e leitura da partitura no violão utilizaremos na maioria das vezes a clave de Sol.
Observe abaixo onde se escreve cada nota das cordas soltas do instrumento:

25
DURAÇÕES

Através da audição, podemos perceber que as notas possuem durações diferentes. Há notas
que duram muito pouco e notas que são longas e ficam soando por um tempo maior. Há também
períodos de silêncio, que são chamados de pausas. Na partitura é possível representar o valor das
notas e suas pausas através das diferentes figuras:

Representação gráfica das figuras ou valores Nome das partes da figura


Valores Valores das haste
Nomes
dos sons pausas
colchete

 Semibreve cabeça

 Mínima ◊

 Semínima

 Colcheia

 Semicolcheia 

Fusa 

Semifusa 

Podemos atribuir o valor de “1” para a figura de Semibreve (como o valor inteiro), assim as
outras figuras corresponderão a ela desta forma:

26
 = 1/2

Sendo 1 o símbolo de  = 1/4



 = 1/8

 = 1/16

Quer dizer que a figura Mínima tem metade da duração da figura Semibreve. E que a figura
Semínima tem ¼ de duração da figura Semibreve. Melhor representado pela tabela abaixo:

27
COMPASSOS

O compasso divide a música em diversas partes com a mesma duração. Por exemplo, a maioria
das músicas do gênero pop que encontramos nos dias de hoje possuem 4 tempos por compasso.
Faremos alguns exercícios iniciais para podermos identificar nas músicas quantos tempos por
compasso elas têm. O professor o ajudará nesse processo.

Usaremos uma barra simples para separar um compasso do outro:

O compasso é representado por uma fração, no início da pauta após a clave, cujo numerador
indica o número de tempos em cada compasso, e o denominador é o símbolo do valor de cada
tempo (unidade de tempo – U. T.), onde:

Na prática, os denominadores 2, 4 e 8 são mais usados:

28
Compasso simples:
É quando a unidade de tempo é divisível por dois (quatro, oito, etc.) valores iguais.

Exemplos:

Compasso composto:

É quando a unidade de tempo é um valor divisível por três e representada por uma figura
pontuada.

29
Exemplos:

30
AS NOTAS NA PARTITURA

Mais notas (continuação):

Lembrem-se: as notas escritas em uma partitura podem ser tocadas por todos os
instrumentos (desde que correspondam à tessitura dos instrumentos) e em cada um deles o músico
precisa saber onde elas estão localizadas no próprio instrumento.

Com a ajuda do professor, vamos localizar as notas das cordas soltas do violão na partitura:

31
32
ACIDENTES E COMO LOCALIZÁ-LOS NO VIOLÃO

Além das sete notas musicais que já conhecemos, há também o que chamamos de acidentes,
que são utilizados quando uma nota é alterada em meio-tom do seu ponto inicial. Portanto, vamos
aprender um pouco sobre os intervalos, como classificá-los e como encontrar esses acidentes no
braço do violão.

Com a ajuda do professor, observe as figuras abaixo:

33
Na partitura, representamos os acidentes com as figuras de sustenido (altera a nota original
em meio tom, ou em um semitom com movimento ascendente) e bemol (altera a nota original em
meio tom, ou em um semitom com movimento descendente). Observe abaixo alguns exemplos:

SUSTENIDO – aumenta um semitom, tornando a nota mais aguda.

≤ BEMOL – abaixa um semitom, tornando a nota mais grave.

⋲ DOBRADO SUSTENIDO – aumenta um tom, tornando a nota mais aguda.

DOBRADO BEMOL – abaixa um tom, deixando a nota mais grave.

Î BEQUADRO – Anula acidentes anteriores, fazendo a nota voltar ao seu estado natural.

34
Porém, agora precisamos encontrar essas notas no braço do violão. A figura abaixo nos
ajudará a entender:

35
36
Exercícios

37
38
39
40
41
42
43
44
45
46
Repertório

47
48
49
50
51
52
53
54
55
56
57
58
59
60
61
62
63
64
65
66
67
68
69
70
71
72
73
74
75
76
77
78
79
80
81
82
83
84
85
86
87
88
89
90
91
92
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS. Hinário Litúrgico, fascículo I. 1ª ed. Campinas, SP: 2008.

_________. Hinário Litúrgico, fascículo II. 2ª ed. Campinas, SP: 2009.

_________. Hinário Litúrgico, fascículo III. 1ª ed. Campinas, SP: 2013.

BARRETO, Robson e TOURINHO, Cristina. Oficina de Violão. Quarteto Editora. Salvador, 2003.

CHEDIAK, Almir. Harmonia e Improvisação, Vol. 1 e 2. Lumiar Editora, 7ª edição revisada. Rio de
Janeiro, 1986.

NOAD, Frederick. Solo Guitar Playing, Vol. 1. Amsco Publications, fourth edition. Estados Unidos,
2009.

NOAD, Frederick. The Complete Idiot’s Guide To Playing the Guitar. Alpha, second edition. Estados
Unidos, 2002.

PINTO, Henrique. Iniciação ao Violão, Vol. 1 e 2. Ricordi. s.d.

_________. Técnica da Mão Direita. Ricordi. s.d.

SECRETARIADO NACIONAL DE LITURGIA. A música sacra nos documentos da Igreja. Coimbra:


Gráfica de Coimbra, 2006.

TAUBKIN, Myriam. Violões do Brasil. Editora Senac São Paulo, 2ª edição. São Paulo, 2007.

VV. AA. Documentos sobre a música litúrgica. São Paulo: Paulus, 2005.

93
94