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CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI

JIVANILDA DOS SANTOS BATISTA

A RELAÇÃO PROFESSOR-EDUCADOR E O ALUNO

Alagoinhas – BA

2018
JIVANILDA DOS SANTOS BATISTA

A RELAÇÃO PROFESSOR-EDUCADOR E O ALUNO

Trabalho de Graduação apresentado como requisito parcial para


obtenção de nota da disciplina Seminário de Prática II, no curso de
Licenciatura em Letras com Inglês.

Alagoinhas – BA

2018
1 INTRODUÇÃO

Uma das discussões mais pertinente nos dias de hoje, quando se trata da educação, é a relação
professor e aluno. Qual o papel do professor? Qual o papel do aluno no processo do aprender?
Interessante notar, inicialmente, que para compreendermos a trajetória do professor, faz-se
necessário partir da sua história de vida, compreender as nuances do seu fazer pedagógico,
além daquilo que é vivido no seu cotidiano, na vida pessoal, na história familiar e nos
aspectos formativos pelo qual esses e essas personagens tenham passado que influenciaram a
longo prazo o ensino que eles desenvolveram, já que as escolhas que os indivíduos fazem
influenciam toda a sua vida.

Muitos professores lecionam e o fazem bem, mesmo em meios a uma gama de dificuldades
encontradas, desde a desvalorização da educação, já tão presente no senso comum, até a
desvalorização do professor e a sua constante proletarização. O professor no Brasil em
diversos casos não lhe é oferecido espaço ou oportunidades viáveis para uma formação
continuada, o aprofundamento nos estudos justamente pela necessidade de trabalho em longos
períodos para adquirir um salário razoável para o seu sustento. Além das horas aulas dadas no
contexto escolar, que às vezes chega a quarenta e quatro horas semanais, soma-se a isso o
trabalho que ele leva para casa, para o seio da família, como planejamento de aula, elaboração
de atividades, elaboração de provas, correção, ente outros. Então como conciliar uma boa
formação e dedicação ao ensino com a exaustão do trabalho nas escolas, justamente a
precarização dos salários e das oportunidades? Essa pergunta incomoda diversas vezes
aquelas que se dispõe a pensar a educação.

Somando-se a isso, são muito perceptíveis no cotidiano da escola, as reclamações e


insatisfações por parte dos professores em relação aos alunos e vice-versa. Ou seja, a relação
professor-aluno parece ser permeada por animosidades ou conflitos. Esses conflitos ocorrem
por diversos motivos, entre eles, indisciplina, dificuldades no aprendizado, em alguns casos,
pressão dos pais sobre os professores que colocam nesses a culpabilidade pelas dificuldades
dos seus filhos com o aprendizado.

Como então rediscutir a formação do professor que antes de tudo deve ser um educador pois,
saber alguma coisa não é suficiente para ensinar, mas é preciso desenvolver uma prática ao
longo do tempo. Nesse aspecto o professor também sofre com as mudanças no sistema que
acabam colocando-o em uma situação social desagradável, onde ele perde paulatinamente o
status social e cultural, paralelamente à desvalorização salarial. O professor além de ser
desvalorizado, ainda é culpabilizado pelas fragilidades e fracassos da educação, sendo
constantemente submetidos a um processo de proletarização onde de um lado buscam
autonomia e de outro se vive em constante tensão para com o sistema educacional e alunos e
pais.

1.1 A prática do professor-educador

Percebe-se que um grande número dos professores que atuam nas escolas não se dão conta da
importante dimensão que tem o seu papel na vida dos alunos. E para que esse a sua ação seja
eficaz, os professores não devem ser apenas meros repetidores daquilo que está nos livros,
baseados sempre em livros didáticos, amarrados ao que os sistemas educacionais lhe
apresentam, pois, eles são protagonistas da tarefa educacional. Na escola, ao mesmo tempo
que com os seus alunos ele reproduz conhecimento, juntos também produzem conhecimentos,
pois, “a escola não é apenas lugar onde se investe e produz riquezas”, mas um espaço que ao
mesmo tempo transmite e produz saberes e valores culturais que os educandos levarão em sua
vida. Não é possível ocorrer na escola uma educação que se adeque às necessidades dos
educandos, sem contar com o comprometimento ativo e efetivo do professor no processo
educativo.

A prática educativa é de extrema importância tanto no plano social como no plano político.
No momento atual, embora muitos fatores não contribuam para essa compreensão, o professor
necessita assumir uma postura crítica em relação a sua atuação recuperando a essência do ser
“educador”, pois,

[...] teríamos que conseguir que os outros acreditem no que somos. Um processo
social complicado, lento, de desencontros entre o que somos para nós e o que somos
para fora [...] Somos a imagem social que foi construída sobre o ofício de mestre,
sobre as formas diversas de exercer este ofício. Sabemos pouco sobre a nossa
história (ARROIO, 2000, p.29).

A sociedade já tem uma imagem do professor, muitas vezes caricaturada, imagem essa que
ele precisa reconstruir. Isso é complexo, pois, envolve a subjetividade daquele que constrói a
si mesmo, pois o professor é também resultado da sua trajetória pessoal, na relação com a
família, as influências políticas, religiosas, etc.; a formação com suas influências teóricas,
metodológicas; a experiência profissional, o início, as dificuldades encontradas, os anseios, o
modo de ensinar e as prioridades colocadas no ensino.

No entanto, o professor também precisa estar atento aos anseios dos seus alunos e observar
aquilo que ele precisa mudar ao longo da sua prática, não se prendendo ao comodismo.
Segundo Libâneo, a reflexão sobre a prática é um caminho necessário, porém, “não resolve
tudo, a experiência refletida não resolve tudo. São necessárias estratégias, procedimentos,
modos de fazer, além de uma sólida cultura geral, que ajudam a melhor realizar o trabalho e
melhorar a capacidade reflexiva sobre o que e como mudar” (LIBÂNEO, 2005, p. 76). Ou
seja, analisar a formação dos professores faz-nos perceber que o professor nunca está acabado
e que os estudos teóricos e as pesquisas são fundamentais, no sentido de que é por intermédio
desses instrumentos que os professores terão condições de analisar criticamente os contextos
históricos, sociais, culturais e organizacionais, nos quais ocorrem as atividades docentes,
podendo assim intervir nessa realidade e transformá-la.

1.2 A interação na relação professor-aluno

Na prática escolar, cotidianamente, a interação professor-aluno é imprescindível para que


ocorra o sucesso no processo ensino aprendizagem. Por isso é necessário refletir sobre a
interação social e o papel do professor mediador, como requisitos básicos para qualquer
prática educativa eficiente. Essa prática, segundo Paulo Freire, ocorre com mais eficácia
quando é dialógica, pois,

[...], o diálogo é uma exigência existencial. E, se ele é o encontro em que se


solidarizam o refletir e o agir de seus sujeitos endereçados ao mundo a ser
transformado e humanizado, não pode reduzir-se a um ato de depositar ideias de um
sujeito no outro, nem tampouco tornar-se simples troca de ideias a serem
consumidas pelos permutantes. (FREIRE, 2005, p. 91).

Nesse sentido, quando o professor compreende o diálogo como uma dimensão necessária em
suas aulas, os avanços são significativos em relação às conquistas dos alunos, além do que,
estes se sentirão mais curiosos, mobilizados para o aprendizado, que deve partir da sua
realidade, daquilo que esse conhece provisoriamente. Atuando nessa perspectiva, o professor
deixa de ser um mero transmissor de conhecimentos e passa a ser um mediador e
humanizador de sua prática docente. A ideia de interação social e de mediação é ponto
central do processo educativo, pois, o ato de educar é nutrido pelas relações estabelecidas
entre professor-aluno.

A educação também perpassa pelo caminho da afetividade, pois, cada ser humano, ao longo
de sua existência, constrói um modo de relacionar-se com o outro, baseado em suas vivências
e experiências. Dessa forma, o comportamento diante do outro depende da natureza
biológica, bem como da cultura que o constituiu enquanto sujeito. Cabe então à escola tornar
possível e criar esses espaços onde a relação professor-aluno seja frutuosa e não se prenda
apenas ao que deve ser cumprido do currículo.

A educação deve sempre caminha pelos dois lados, pelo lado racional, onde a racionalidade
acompanha a construção e o processo do saber, mas também pelo lado emocional, onde a
emoção, a personalidade e o pensamento criativo é de extrema importância. Como afirma
Paulo Freire,

Como prática estritamente humana jamais pude entender a educação como


experiência fria, sem alma, em que os sentimentos e as emoções, os desejos, os
sonhos devessem ser reprimidos por uma espécie de ditadura racionalista. Nem
tampouco jamais compreendi a prática educativa como uma experiência a que
faltasse rigor em que se gera a necessária disciplina intelectual (FREIRE, 1996, p.
146).

Nesse sentido, reforça-se a ideia de que os professores, quando buscam aprofundar seus
conhecimentos sobre a importância da afetividade na escola, estão, na verdade, procurando
entender tanto de seres humanos, quanto de conteúdos e técnicas educativas, para a partir daí,
poderem oferecer uma educação integral, já que um dos objetivos da educação é promover o
desenvolvimento intelectual e pessoal do aluno.

No entanto, o professor também tem a necessidade de transmitir os conteúdos que são


propostos. É nessa dinâmica que ele cumpre o seu papel e o papel fundamental, enquanto
elemento articulador capaz de organizar patamares de encontro entre aquilo por que o aluno
demonstra ter interesse e o que a escola realmente precisa trabalhar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

No presente trabalho, buscou-se discutir a relação professor-aluno no processo de


aprendizagem. O percurso traçado permitiu muitos apontamentos para possíveis caminhos que
auxiliarão, não só as posturas de quem vivencia a problemática, bem como daqueles que
desejam iniciar uma trajetória.

Nesse ínterim, percebeu-se que um dos problemas que gera dificuldade na relação professor-
aluno é a falta de estímulo, muitas vezes fruto de uma prática educativa que não se renova,
que não busca perceber as realidades e necessidades dos alunos, além da proletarização do
ensino, onde as demandas dos professores e a sua realidade, sua trajetória pessoal não é
valorizada, é deixada de lado.

Como então mudar essa realidade? Como tornar a prática educativa ao mesmo tempo dentro
das demandas e interesses dos alunos, onde o professor esteja em constante diálogo com os
alunos e crie com esses uma relação frutuosa?

Para responder a essas questões, buscou-se partir da realidade do professor que não deve ser
mero transmissor de conteúdos, mas um educador, alguém que ao mesmo tempo que ensina,
constrói conhecimentos com seus alunos. Um educador aberto ao diálogo com seus alunos,
onde o saber não seja pautado apenas na racionalidade, mas também na afetividade. Mas para
isso, é necessário também que a escola torne possível essa educação humanizada e
humanizadora.

Assim, não é o professor sozinho que vai construir uma educação melhor, de qualidade, mas
sim um processo onde cada um pode dar sua contribuição, as instituições de ensino, a família,
a sociedade em si pode contribuir para o desenvolvimento integral da criança aprendente no
contexto educacional. O professor será um grande partícipe e importante articulador desse
processo, mas não o único. Só assim a educação alcançará aqueles que são protagonistas
desse processo, os educandos.
REFERÊNCIAS

ARROYO, Miguel G. Ofício de mestre: imagem e autoimagem. São Paulo: Vozes, 2000.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 40º ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 2005.

LIBÂNEO, J.C. Educação Escolar: políticas, estrutura e organização. São Paulo: Cortêz,
2005.