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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS


Processo Nº. : 0000931-94.2016.8.05.0141

Classe : RECURSO INOMINADO


Recorrente(s) : LOGITRAVEL BRASIL
Recorrido(s) : LAISA FERNANDA NASCIMENTO NOVAES
Origem : 2ª VARA DO SISTEMA DOS JUIZADOS - JEQUIÉ

Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

VOTO- E M E N T A

RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. CONTRATO DE PACOTE TURÍSTICO


CELEBRADO PELA INTERNET. POSTERIOR CANCELAMENTO DO MESMO PELA
PARTE AUTORA. MANIFESTAÇÃO DE ARREPENDIMENTO OCORRIDA DENTRO DO
PRAZO DE 07 ( SETE ) DIAS PREVISTA NO ART. 49 DO CDC. EMPRESA
DEMANDADA QUE NÃO COMPROVA A REALIZAÇÃO DO ESTORNO DO VALOR
PAGO. FALHA NA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
DANOS MORAIS CONFIGURADOS. QUANTUM ARBITRADO DE ACORDO COM OS
PARÂMETROS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. SENTENÇA
MANTIDA.

1. Trata-se de recurso inominado interposto contra sentença que julgou


parcialmente procedente o pedido, nestes termos: “Assim sendo, à vista do exposto,
OPINO PELO JULGAMENTO PARCIALMENTE PROCEDENTE dos pedidos formulados pelo
Autor e OPINO PELA CONDENAÇÃO da Ré ao pagamento de indenização por danos morais no
valor de R$ 4.000,00, acrescidos de correção monetária e juros de 1% ao mês, tudo a partir do
arbitramento.”

2. A recorrente busca a reforma da sentença , aduzindo, em síntese, que não


praticou qualquer ato ilícito, que comprovou nos autos a realização do estorno
havido em relação à compra efetuada pela internet e posteriormente desfeita, no
prazo para arrependimento, que não pode ser responsabilizada se os valores não
teriam sido efetivamente estornados à parte autora; assevera ainda que não
ocorrera danos morais na espécie.
3. A demonstração do fato básico para o acolhimento da pretensão é ônus do
autor, segundo o entendimento do art. 373, inciso I, do NCPC, partindo daí a
análise dos pressupostos da ocorrência de indenização por danos morais, recaindo
sobre o réu o ônus da prova negativa do fato, segundo o inciso II do mesmo artigo
supracitado.

4. Em que pese o quanto alegado pelo réu, não consta dos autos a prova de
fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da parte autora. A versão autoral,
por seu turno, além de dotado de verossimilhança, está embasado por elementos
de prova que fortalecem a tese apresentada. Com efeito, constam dos autos a
comprovação do pagamento do pacote turístico, datado de 02/03/2016 bem como
a reserva efetuada através do site mantido pela demandada; por seu turno, restara
demonstrado o direito ao arrependimento a cargo da parte autora, datado de
02/03/2016, como lhe permite o art.49 do CDC, que prevê o prazo de 07 ( sete)
dias para que o consumidor manifeste o seu direito nas compras efetuadas fora do
estabelecimento físico.

5. Em que pese a alegação da empresa demandada de que efetuara o


cancelamento e posterior estorno do valor pago pela acionante, não comprova nos
autos a sua realização, máxime diante da afirmação da parte autora de que tal
reembolso não fora efetuado, como lhe incumbia fazer, nos termos do art.373,
inciso II do CPC.
6. Patente a falha na prestação dos serviços, consistente na recusa da
demandada em atender ao legítimo pleito da parte autora, consistente na
restituição dos valores pagos por serviço , cuja transação fora posterriormente
cancelada.
7. Presentes, ademais, os requisitos caracterizadores da responsabilidade
objetiva, não podendo a empresa em tela eximir-se da responsabilidade pelos
prejuízos causados ao consumidor sob a alegação de falha nas empresas que
compõem a cadeia de serviços relativa ao meio de pagamento. O art. 14 do CDC,
dispondo sobre a responsabilização do fornecedor pelo fato do produto ou serviço,
preleciona que: “Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da
existência de culpa pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos
relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou
inadequadas sobre sua fruição e riscos.”
8. O conjunto probatório demonstrou cabalmente a ocorrência do dano moral
que muito mais que aborrecimento e contratempo, resultou em situação que por
certo lhe trouxe intranqüilidade e sofrimento, máxime levando em conta o dispêndio
de temo e energias para que o pleito da parte autora fosse atendido, bem como em
virtude do lapso temporal decorrido entre o pedido e o seu efetivo atendimento.
9. Nestes termos, entendo que o valor da indenização fixado pelo juiz
sentenciante, a título de danos morais, não mereça reparo, levando em conta as
circunstâncias acima descritas, tendo o magistrado sentenciante agido com
moderação e prudência, e atendido aos parâmetros da razoabilidade e
proporcionalidade, devendo o quantum portanto ser mantido.

10. ISTO POSTO, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO


INTERPOSTO E NEGAR-LHE PROVIMENTO, para manter a sentnça objurgada
pelos próprios fundamentos. Custas processuais e honorários advocatícios
pelo recorrente, que arbitro em 20% sobre o valor da condenação.

Salvador, Sala das Sessões, 03 de Novembro de 2016.


BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
Juíza Presidente e Relatora
Juíza Relatora
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS

Processo Nº. : 0000931-94.2016.8.05.0141

Classe : RECURSO INOMINADO


Recorrente(s) : LOGITRAVEL BRASIL

Recorrido(s) : LAISA FERNANDA NASCIMENTO NOVAES

Origem : 2ª VARA DO SISTEMA DOS JUIZADOS - JEQUIÉ

Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

ACÓRDÃO
Acordam as Senhoras Juízas da 2ª Turma Recursal dos Juizados
Especiais Cíveis e Criminais do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, MARIA
AUXILIADORA SOBRAL LEITE –Presidente e Relatora , ISABELA SANTOS LAGO e
ALBÊNIO LIMA DA SILVA HONÓRIO, em proferir a seguinte decisão: RECURSO
CONHECIDO E IMPROVIDO . UNÂNIME, de acordo com a ata do julgamento. Custas
processuais e honorários advocatícios pelo recorrente, que arbitro em 20% sobre o
valor da condenação.
Salvador, Sala das Sessões, 03 de Novembro de 2016.
BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
Juíza Presidente e Relatora
Juíza Relatora