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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS

Processo nº : 0000165-39.2014.8.05.0229
Classe: RECURSO INOMINADO
Recorrente: FACEBOOK SERVICOS ONLINE DO BRASIL LTDA
Recorrido: ANTONIO FRANCISCO FERNANDES SANTOS JUNIOR
Origem: VARA DO SISTEMA DOS JUIZADOS- STO ANTÔNIO DE JESUS
Relatora: MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

EMENTA
RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. AÇÃO INDENIZATÓRIA
POR DANOS MORAIS. OFENSAS VEICULADAS EM SITE DE
RELACIONAMENTO ADVINDAS DE PERFIL
ANÔNIMO.VIOLAÇÃO À HONRA E DIREITO À IMAGEM. PARTE
AUTORA QUE NOTIFICARA A EMPRESA DEMANDADA A
RETIRAR DE VEICULAÇÃO O PERFIL. AUSÊNCIA DE PROVA
NOS AUTOS ACERCA DA RETIRADA DA DISPONIBILIZAÇÃO
DO ACESSO AO PERFIL POR TERCEIROS.
RESPONSABILIDADE OBJETIVA. INAPLICABILIDADE DO
ART.462 DO CPC, ACERCA DA SUPERVENIÊNCIA DA LEI
12965/14 ( MARCO CIVIL DA INTERNET ), QUE NÃO VIGORAVA
À ÉPOCA DA PROLATAÇÃO DA SENTENÇA. APLICAÇÃO DA
LEI VIGENTE À ÉPOCA.. PRINCÍPIO DA ESTABILIZAÇÃO DA
DEMANDA. DANOS MORAIS CONFIGURADOS. QUANTUM
CONDENATÓRIO FIXADO COM BASE NOS PARÂMETROS DA
PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. SENTENÇA
MANTIDA.

ACÓRDÃO

Acordam as Senhoras Juízas da 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais


Cíveis e Criminais do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, MARIA AUXILIADORA
SOBRAL LEITE – Presidente e Relatora, CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS
QUEIROZ, ISABELA KRUSCHEWSKY PEDREIRA DA SILVA, em proferir a seguinte
decisão: RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. UNÂNIME, de acordo com a ata do
julgamento. Custas processuais e honorários advocatícios pelo recorrente, que fixo em
20% sobre o valor da condenação.

Salvador, Sala das Sessões, 22 de Outubro de 2015.

BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE


Juíza Relatora
BELA. ISABELA KRUSCHEWSKY PEDREIRA DA SILVA
Juíza Presidente
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA
2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS

Processo nº : 0000165-39.2014.8.05.0229
Classe: RECURSO INOMINADO
Recorrente: FACEBOOK SERVICOS ONLINE DO BRASIL LTDA
Recorrido: ANTONIO FRANCISCO FERNANDES SANTOS JUNIOR
Origem: VARA DO SISTEMA DOS JUIZADOS- STO ANTÔNIO DE JESUS
Relatora: MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

EMENTA

RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. AÇÃO INDENIZATÓRIA


POR DANOS MORAIS. OFENSAS VEICULADAS EM SITE DE
RELACIONAMENTO ADVINDAS DE PERFIL
ANÔNIMO.VIOLAÇÃO À HONRA E DIREITO À IMAGEM. PARTE
AUTORA QUE NOTIFICARA A EMPRESA DEMANDADA A
RETIRAR DE VEICULAÇÃO O PERFIL. AUSÊNCIA DE PROVA
NOS AUTOS ACERCA DA RETIRADA DA DISPONIBILIZAÇÃO
DO ACESSO AO PERFIL POR TERCEIROS.
RESPONSABILIDADE OBJETIVA. INAPLICABILIDADE DO
ART.462 DO CPC, ACERCA DA SUPERVENIÊNCIA DA LEI
12965/14 ( MARCO CIVIL DA INTERNET ), QUE NÃO VIGORAVA
À ÉPOCA DA PROLATAÇÃO DA SENTENÇA. APLICAÇÃO DA
LEI VIGENTE À ÉPOCA.. PRINCÍPIO DA ESTABILIZAÇÃO DA
DEMANDA. DANOS MORAIS CONFIGURADOS. QUANTUM
CONDENATÓRIO FIXADO COM BASE NOS PARÂMETROS DA
PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. SENTENÇA
MANTIDA.
RELATÓRIO

Dispensado o relatório nos termos da Lei n.º 9.099/95.


Circunscrevendo a lide e a discussão recursal para efeito de registro,
saliento que o recorrente FACEBOOK SERVICOS ONLINE DO BRASIL LTDA, por meio de
seu patrono devidamente constituído, pretende a reforma da sentença lançada nos autos
que julgou parcialmente procedentes os pedidos contidos na exordial, nestes termos:
“JULGO PROCEDENTE, o pedido contido na exordial para condenar a acionada a pagar ao Autor R$
5.000,00 (cinco mil reais), a título de indenização pelos danos morais acrescido de correção monetária a
partir deste arbitramento (súmula 362 do STJ) juros de 1% ao mês desde o evento desde a citação . Por
fim, determino que a acionada exclua, no prazo de 15(quinze dias), as páginas constantes na internet
denominadas “Sajanonimos Bahia e AQUI A HISTÓRIA NÃO MUDA – SAJ”, contendo comentários
desabonadores, difamadores e injuriosos em relação ao Autor, sob pena de multa diária no valor de R$
100,00(**), até o limite de R$ 10.000,00(**).”

Na origem, alega a parte autora que vem sendo alvo de agressões divulgadas
por intermédio de perfil anônimo em site de relacionamento mantido pelo demandado, e
vem sofrendo acusações que violariam o seu direito à imagem, causando-lhe danos
morais.

O réu recorrente insurge-se contra a sentença, alegando a necessidade de


reconhecimento de fato novo a ser apreciado , ante o advento da lei 12965/2014, que
criou o novo marco civil da internet brasileira, invocando o art.462 do CPC. Aduz ainda
que somente devem ser excluídos os conteúdos da página impugnada que se referem ao
autor de modo específico, ante a existência de conteúdo diverso, ante os princípios da
liberdade de expressão e manifestação do pensamento. Aduz a inexistência da
responsabilidade objetiva in casu, ante fato exclusivo de terceiro, bem como a inexistência
de ato ilícito que lhe possa ser imputado. Em caráter eventual, pugna pela redução do
quantum indenizatório fixado a título de danos morais.

Em contrarrazões, o recorrido pugna pela manutenção da sentença.

Presentes as condições de admissibilidade do recurso, conheço-o,


apresentando voto com a fundamentação aqui expressa, o qual submeto aos demais
membros desta Egrégia Turma.
VOTO
VOTO
A sentença atacada não merece reforma.
Ab initio, cabe tecermos algumas considerações acerca da responsabilidade
civil dos provedores de acesso e os usuários do serviço por eles disponibilizados. Com
efeito, os provedores de acesso são aqueles que possibilitam ao usuário o acesso à
internet e a armazenagem de conteúdo e aplicações que dão vida ao meio virtual. Os
provedores de serviços ou informações alimentam a rede com dados (conteúdo e
aplicações que tornam a própria internet útil e interessante) que podem ser armazenados
em provedores de acesso.
A relação entre os provedores e usuários da internet é regida pelas normas
do CDC, conforme os conceitos extraídos da própria lei 8078/90, que se enquadram
perfeitamente à relação jurídica em tela. Por consumidor conceitua-se "toda pessoa física
ou jurídica que adquire ou utiliza produtos ou serviços como destinatário final",
abrangendo, portanto, os usuários da internet que utilizam o serviço em tela. Os
provedores se enquadram como fornecedores de serviços descritos no artigo 3 o do CDC,
visto que são pessoas jurídicas que desenvolvem as atividades de criação,
transformação, distribuição e comercialização de serviços de informação telemática a ser
utilizada no meio virtual.
Portanto, os danos decorrentes da divulgação indevida da imagem, com
conteúdo ofensivo, é capaz de gerar prejuízo e violar direitos subjetivos do autor, acaso o
provedor de acesso não haja dentro de prazo razoável para bloquear a página, vedando
assim o acesso a terceiros e cessando a veiculação das imagens e conteúdos
impugnados.
Quanto à alegação da recorrente de que a superveniência da lei 12965/2014,
seria fato extintivo do direito a influir na decisão da lide, razão não lhe assiste. A esse
respeito , apregoa o art.462 do CPC, in verbis:

Art. 462. Se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo,


modificativo ou extintivo do direito influir na decisão da lide, caberá ao juiz
tomá-lo em consideração, de ofício ou a requerimento da parte, no momento
de proferir a sentença.

Pois bem, o fato novo capaz de influir no julgamento da lide, no dizer da


melhor doutrina processual , entende-se pela circunstância relevante para o julgamento
que ocorreu após a litiscontestação, ou que, já existente, só foi apurada no curso do
processo.
O mencionado dispositivo diz com o princípio da estabilização da demanda, de
modo que a sentença deva refletir o estado de fato e de direito no momento da decisão.

Para que seja levado á apreciação pelo magistrado, quando da prolatação da


sentença, tal fato superveniente é apenas aquele que não altera a causa de pedir. Tal se
aplica apenas à legislação vigente à época da sentença, não se aplicando ao caso dos
autos. Nesse sentido a jurisprudência:

PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.


DIREITO SUPERVENIENTE. ART. 462, CPC. Perfeitamente viável a
aplicação da legislação superveniente, vigente à data da sentença e, até por
isso, nela apreciada, por força do disposto no art. 462, CPC, cumprindo,
entretanto, explicitar o julgado quanto à incidência do referido preceito
legal. (TJ-RS - ED: 70065538746 RS , Relator: Armínio José Abreu Lima
da Rosa, Data de Julgamento: 08/07/2015, Vigésima Primeira Câmara Cível,
Data de Publicação: Diário da Justiça do dia 10/07/2015)

Com efeito, a nova lei que instituiu o marco civil da internet, lei 12.965/14
entrou em vigor em 24/06/2014, sendo que a sentença fora proferida em 20/03/2014,
quando ainda não estava em vigor a legislação em tela, sendo descabida a apreciação da
matéria em questão, ante o princípio da estabilização da demanda.

In casu, a parte autora logrou comprovar a notificação postal da demandada,


conforme o comprovante de postagem que junta à exordial no evento 01 do projudi,
datado de 13/12/2013. Por outro lado, não consta nos autos a comprovação por parte da
demandada da retirada do acesso da página em comento a terceiros, cujo dever lhe
incumbia, ante a notificação realizada.
Provado o fato constitutivo de seu direito, consistente na veiculação de
mensagens e imagens de conteúdo manifestamente ofensivo à sua honra, em
cumprimento ao art.333,I do CPC, exsurge o direito à compensação pelos danos
causados, que in casu tiveram o condão de lesar direitos subjetivos do autor,
configurando danos morais in re ipsa.
Esse, inclusive, o posicionamento do STJ, acerca da responsabilidade civil
do provedor de conteúdo em site de relacionamento, consoante o seguinte informativo de
sua jurisprudência:
INTERESSE COLETIVO. DANO MORAL. PROVEDOR DE
CONTEÚDO.
Em questão de ordem, a Turma indeferiu o pedido de desistência,
reconhecendo o interesse da coletividade na uniformização do entendimento
sobre o tema. Assim, o pedido de desistência pode ser indeferido com
fundamento na natureza nacional da jurisdição do STJ - orientadora da
interpretação da legislação infraconstitucional - e na repercussão da tese
adotada pelo Tribunal para toda a coletividade. No mérito, a Turma
reconheceu a responsabilidade civil do provedor de conteúdo por dano
moral na situação em que deixa de retirar material ofensivo da rede social de
relacionamento via internet, mesmo depois de notificado pelo prejudicado.
A Min. Relatora registrou que os serviços prestados por provedores de
conteúdo, mesmo gratuitos para o usuário, estão submetidos às regras do
CDC. Consignou, ainda, que esses provedores não respondem
objetivamente pela inserção no site, por terceiros, de informações ilegais.
Além disso, em razão do direito à inviolabilidade de correspondência (art.
5º, XII, da CF), bem como das limitações operacionais, os provedores não
podem ser obrigados a exercer um controle prévio do conteúdo das
informações postadas por seus usuários. A inexistência do controle prévio,
contudo, não exime o provedor do dever de retirar imediatamente o
conteúdo ofensivo assim que tiver conhecimento inequívoco da existência
desses dados. Por último, o provedor deve manter sistema minimamente
eficaz de identificação dos usuários, cuja efetividade será avaliada caso a
caso. REsp 1.308.830-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
8/5/2012.

Nesse sentido vem decidindo, de igual forma, a jurisprudência pátria, nestes termos:

RESPONSABILIDADE CIVIL. OFENSAS PESSOAIS VEICULADAS


EM SITE DE RELACIONAMENTO - FACEBOOK. DANOS MORAIS
CARACTERIZADOS. INDENIZAÇÃO MANTIDA. As ofensas veiculadas
em site de relacionamento - Facebook pela parte ré contra a pessoa da
autora autoriza o decreto de procedência da ação e a indenização por danos
morais fixados nos termos da sentença. O constrangimento decorrente da
atitude da ré acarreta dano moral indenizável. Trata-se do chamado dano
moral in re ipsa. Indenização mantida, pois fixada de acordo com os
parâmetros utilizados por esta Câmara Cível em situações análogas. APELO
DESPROVIDO. (TJ-RS - AC: 70060088572 RS , Relator: Giovanni Conti,
Data de Julgamento: 10/07/2014, Sexta Câmara Cível, Data de Publicação:
Diário da Justiça do dia 22/07/2014)

APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO DE


INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. DIZERES PEJORATIVOS
PUBLICADOS EM SITE DE RELACIONAMENTO. DANO
CONFIGURADO. QUANTUM INDENIZATÓRIO. I - Caso dos autos em
que a autora ingressou com demanda judicial objetivando a condenação dos
réus no ressarcimento dos danos morais experimentados pela exposição a
que foi submetida, por ter seu nome escrito nos armários da Escola onde
ministra aulas, com dizeres pejorativos, sendo, posteriormente, publicadas
fotografias do ato no site de relacionamento Orkut, acarretando situação
vexatória perante os colegas de trabalho e familiares. II - Evidenciada a
conduta ilícita dos réus que divulgaram ofensas à autora, é patente o dever
de indenizar. As adversidades sofridas, a aflição e o desequilíbrio em seu
bem-estar, fugiram à normalidade e se constituíram em agressão à dignidade
da demandante. III - Na fixação da reparação por dano extrapatrimonial,
incumbe ao julgador, atentando, sobretudo, para as condições do ofensor, do
ofendido e do bem jurídico lesado, e aos princípios da proporcionalidade e
razoabilidade, arbitrar quantum que se preste à suficiente recomposição dos
prejuízos, sem importar, contudo, enriquecimento sem causa da vítima.
Manutenção do montante indenizatório considerando o caso concreto (R$
6.000,00 - seis mil reais). IV - ÔNUS SUCUMBENCIAIS. A condenação
em danos morais em montante inferior ao postulado no pedido inicial, não
implica em sucumbência recíproca, nos termos da Sumula 326 do STJ.
Redimensionamento da verba sucumbencial. V - Juros moratórios que
devme incidir a contar da data do fato danoso. APELO DA AUTORA
PARCIALMENTE PROVIDO. RECURSOS DOS RÉUS DESPROVIDOS.
((TJ-RS - AC: 70053090213 RS , Relator: Túlio de Oliveira Martins, Data
de Julgamento: 24/04/2014, Décima Câmara Cível, Data de Publicação:
Diário da Justiça do dia 12/05/2014)

Assim que o conjunto probatório demonstrou cabalmente a ocorrência do


dano moral que muito mais que aborrecimento e contratempo, resultou em situação que
por certo lhe trouxe intranqüilidade e sofrimento, configurando o dano moral, em razão
exclusivamente da conduta do recorrente.
O dano simplesmente moral, sem repercussão patrimonial, não há como
ser provado, nem se exige perquirir a respeito do animus do ofensor. Consistindo em
lesão de bem personalíssimo, de caráter eminentemente subjetivo, satisfaz-se a ordem
jurídica com a demonstração do fato que o ensejou. Ele existe tão-somente pela ofensa, e
dela é presumido, sendo o suficiente para autorizar a reparação.
Com isso, uma vez constatada a conduta lesiva e definida objetivamente
pelo julgador, pela experiência comum, a repercussão negativa na esfera do lesado, surge
à obrigação de reparar o dano moral, sendo prescindível a demonstração do prejuízo
concreto.
Na situação em análise, a Recorrida não precisava fazer prova da
ocorrência efetiva dos danos morais informados. Os danos dessa natureza presumem-se
pelos próprios fatos apurados, os quais, inegavelmente, vulneram sua intangibilidade
pessoal, sujeitando-o ao constrangimento, aborrecimento, dissabor e incômodo.
O valor da indenização fixado pelo juiz sentenciante, a título de danos
morais, guarda compatibilidade com o comportamento do recorrente e com a repercussão
do fato na esfera pessoal da vítima e, ainda, está em harmonia com os princípios da
razoabilidade e proporcionalidade, devendo ser mantida, de modo que se revela incabível
o pleito recursal da autora no sentido de sua majoração.
Ante o exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso
interposto por FACEBOOK SERVICOS ONLINE DO BRASIL LTDA,, para manter a
sentença objurgada pelos próprios fundamentos. Custas processuais e honorários
advocatícios pelo recorrente, que fixo em 20% sobre o valor da condenação.

Salvador, Sala das Sessões, 22 de Outubro de 2015.


BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
Juíza Relatora