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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS


Processo Nº. : 0119699-79.2014.8.05.0001
Classe : RECURSO INOMINADO
Recorrente(s) : NEILA MARGARIDA SILVA DE SOUZA

Recorrido(s) : EBAZAR COM REPRESENTACOES LTDA

Origem : 4ª VSJE DE CAUSAS COMUNS (PIATÃ


VESPERTINO)
Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

VOTO- E M E N T A

RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. AÇÃO INDENIZATÓRIA POR DANOS


MORAIS.. SITE MERCADO PAGO. SERVIÇO DE GESTÃO DE PAGAMENTOS.
VENDA REALIZADA PELA INTERNET . RETENÇÃO INDEVIDA DO VALOR DA
VENDA. PARTE AUTORA QUE COMPROVA A ENTREGA DO PRODUTO AO
DESTINATÁRIO. RESTITUIÇÃO SIMPLES. DANOS MORAIS CONFIGURADOS.
NEGATIVA DA RÉ EM RECONHECER O PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS
PARA A EFETIVAÇÃO DA TRANSAÇÃO. QUANTUM A SER ARBITRADO.
SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA.

1. Trata-se de recurso inominado interposto por NEILA MARGARIDA


SILVA DE SOUZA contra sentença que julgou procedente em parte a ação,
nestes termos: “Desta forma, JULGO PROCEDENTE EM PARTE os pedidos deduzidos na
inicial para condenar a parte acionada, EBAZAR COM REPRESENTACOES LTDA, a pagar à
autora, NEILA MARGARIDA SILVA DE SOUZA, a quantia de R$1.670,99 (um mil, seiscentos e
setenta reais e noventa e nove centavos), com correção da inicial e juros da citação .”.

2. A recorrente busca a reforma da sentença, insurgindo-se no tocante ao


indeferimento do pedido atinente aos danos morais, por entender pelo
preenchimento de seus requisitos ensejadores no caso concreto.

3. O magistrado sentenciante agiu com acerto no tocante à constatação da


falha na prestação do serviço verificada no caso concreto, na medida em que não
fora comprovado pela parte ré o repasse dos valores que foram indevidamente
retidos por ela, relativos à contrato de compra e venda efetuada pela internet. Com
efeito, o site demandado atua no mercado de consumo através da disponibilização
de plataforma de intermediação entre compradores e vendedores , exigindo, por
seu turno, o preenchimentos de alguns requisitos para que a transação seja
concretizada, de molde a garantir a idoneidade e segurança nas operações
realizadas, prestando o serviço de gestão de pagamentos.

4. Com efeito, a parte autora comprova o preenchimento de tais requisitos


quando da realização de contrato de compra e venda, na condição de vendedora,
tendo o produto sido entregue ao comprador em 22/03/2013, tendo a autora
inclusive juntado o ar aos autos, bem como remetido a comprovação da entrega
ao site demandado. Inobstante isso, a ré seguidamente negara-se a proceder ao
repasse do valor pago pelo produto, impondo exigências que não se mostraram
razoáveis na hipótese em apreço, máxime quando a parte autora prova que de
pronto atendia às solicitações requeridas.
5. Presentes, portanto, os requisitos caracterizadores da responsabilidade
objetiva. O art. 14 do CDC, dispondo sobre a responsabilização do fornecedor pelo
fato do produto ou serviço, preleciona que: “Art. 14. O fornecedor de serviços
responde, independentemente da existência de culpa pela reparação dos danos causados
aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por
informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.”
6.
O conjunto probatório demonstrou cabalmente a ocorrência do dano moral
que muito mais que aborrecimento e contratempo, resultou em situação que por
certo lhe trouxe intranqüilidade e sofrimento, máxime diante do dispêndio de tempo
e energias para que o problema fosse solucionado. Insta observar que, do teor dos
emails colacionados, é possível concluir que a parte autora, sempre que
requisitada a apresentar qualquer documento para comprovar a lisura da
transação, sempre atendia aos pedidos formulados pela empresa demandada,
sendo ademais de fácil constatação que o produto fora efetivamente enviado para
o destinatário.
7. Por certo que o prejuízo causado à parte autora ultrapassou, no caso
concreto, o mero dissabor, sendo compelida a ajuizar a presente demanda para
fazer valer os seus direitos contratuais, que no caso concreto foram violados, e
cuja gravidade se revelou apta a causar danos morais.
8. No particular, o prudente arbítrio do magistrado exige não
deva ser considerada, apenas, a situação econômica do causador do dano,
porque, se tal for o critério, resvalar-se-á para o extremo oposto, com amplas
possibilidades de propiciar ao ofendido o enriquecimento sem causa. Há que se
atender, porém, e também com moderação, ao efeito inibidor da atitude repugnada.
9. ISTO POSTO, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO
INTEERPOSTO E DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, para condenar a empresa
demandada em R$ 2.000,00 9 dois mil reais) a título de danos morais, corrigidos
desde a data do arbitramento, nos termos da súmula 362 do STJ e juros de mora
contados a partir da citação, nos termos do art.405 do CC/02. Sem custas
processuais e honorários advocatícios, pelo êxito da parte no recurso.

Salvador, Sala das Sessões, 21 de julho de 2016.

BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE


Juíza Relatora
BELA. ISABELA KRUSCHEWSKY PEDREIRA DA SILVA
Juíza Presidente
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS

Processo Nº. : 0119699-79.2014.8.05.0001


Classe : RECURSO INOMINADO
Recorrente(s) : NEILA MARGARIDA SILVA DE SOUZA

Recorrido(s) : EBAZAR COM REPRESENTACOES LTDA

Origem : 4ª VSJE DE CAUSAS COMUNS (PIATÃ


VESPERTINO)
Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

ACÓRDÃO
Acordam as Senhoras Juízas da 2ª Turma Recursal dos Juizados
Especiais Cíveis e Criminais do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, MARIA
AUXILIADORA SOBRAL LEITE – Relatora , CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS
QUEIROZ e ISABELA KRUSCHEWSKY PEDREIRA DA SILVA, Presidente, em proferir
a seguinte decisão: RECURSO CONHECIDO E PROVIDO . UNÂNIME, de acordo com
a ata do julgamento. Sem custas processuais e honorários advocatícios, pelo êxito
da parte no recurso.
Salvador, Sala das Sessões, 21 de Julho de 2016.

BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE


Juíza Relatora
BELA. ISABELA KRUSCHEWSKY PEDREIRA DA SILVA
Juíza Presidente