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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS


Processo Nº. : 0082677-16.2016.8.05.0001

Classe : RECURSO INOMINADO


Recorrente(s) : GROUPON SERVICOS DIGITAIS LTDA

Recorrido(s) : GILVAN RAIMUNDO DA SILVA PINTO

Origem : 1ª VSJE DO CONSUMIDOR (MATUTINO)


Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

VOTO- E M E N T A

RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. COMPRA EFETUADA EM


SITE DE COMPRAS COLETIVAS. AUSÊNCIA DE PROVAS DA
ENTREGA DO PRODUTO. FALHA NA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS.
RESPONSABILIDADE OBJETIVA. DANOS MATERIAIS. RESTITUIÇÃO
SIMPLES. DANOS MORAIS NÃO CONFIGURADOS.
DESCUMPRIMENTO CONTRATUAL INSUFICIENTE DE PER SI PARA
GERAR VIOLAÇÃO A DIREITOS DA PERSONALIDADE. EXCLUSÃO.
SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA.
Trata-se de recurso interposto contra a sentença que julgou parcialmente
procedente os pedidos, nestes termos: “Isto posto, JULGO PARCIALMENTE
PROCEDENTES os pedidos, para: A) condenar a acionada GROUPON SERVICOS DIGITAIS
LTDA, a restituir para a autora o valor de R$ 899,00 (oitocentos e noventa e nove reais), devendo
incidir juros, na taxa de 1% ao mês, contados a partir da citação (art. 405 do CC), e correção
monetária (pelo INPC) a partir do evento danoso (efetivo desembolso), compartilhando do
entendimento consolidado na Súmula 43 do STJ. B) Condeno-a ainda, a pagar indenização por
dano moral a parte autora, no valor de R$4.000,00 (quatro mil reais), com a incidência de juros
de mora desde a citação e correção monetária (INPC) a contar da sentença.”.

1. A parte recorrente busca a reforma da sentença, aduzindo, em síntese, que


não praticara qualquer ato ilícito, que a transação fora efetuada entre a parte
autora e a empresa POSTURAL COLCHOES LTDA, inexistindo portanto conduta
que lhe possa ser imputada, que não foram preenchidos os requisitos ensejadores
do dano moral, sendo mister o julgamento pela improcedência dos pedidos.
2. A despeito das alegações da acionada , a mesma não apresenta qualquer
prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da parte autora. Com
efeito, a parte autora comprova nos autos que realizou compra de produto por
intermédio do site da empresa demandada, que disponibiliza no mercado de
consumo o instrumento para aproximar fornecedores previamente cadastrados e
consumidores, mediante anúncio e ofertas de produtos e serviços .
3. Insta ressaltar que a empresa em tela responde solidária e objetivamente
pelos danos que porventura venham a ser causados aos consumidores, não
podendo alegar fato de terceiro para eximir-se de seu dever contratual de ressarcir
o consumidor na hipótese presente. Trata-se de responsabilidade de cunho
solidário, pela qual respondem por prejuízos causados aos consumidores todas as
empresas integrantes da cadeia de fornecimento do produto ou serviço.
4. O art. 14 do CDC, dispondo sobre a responsabilização do fornecedor pelo
fato do produto ou serviço, preleciona que:
5. “Art. 14. O fornecedor de serviços responde,
independentemente da existência de culpa pela reparação dos danos
causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos
serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre
sua fruição e riscos.”
6. Discutindo-se a prestação defeituosa de serviço, incide a responsabilidade
civil objetiva inerente ao próprio risco da atividade econômica, consagrada no art.
14, caput, do CDC, que impõe ao fornecedor o ônus de provar causa legal
excludente (§ 3º do art. 14), algo que o recorrente não se desincumbiu.
7. Nesse sentido, agiu com acerto o magistrado sentenciante no que tange à
condenação da ré na restituição dos valores pagos pelo produto, como meio de
ressarcimento pelo prejuízo sofrido, estando o dano lastreado pelo comprovante de
compra adunado à exordial.
8. Inobstante, no que tange ao dano moral, entendo que não se encontram
presentes os seus requisitos ensejadores no caso concreto. A situação narrada,
embora tenha trazido desconforto e dissabor à parte autora, não descreve situação
com gravidade suficiente para ensejar a violação a direitos da personalidade,
inexistindo nos autos elementos outros que não o inadimplemento contratual, o que
de per si, no caso concreto não foi suficiente para gerar o direito á indenização
pleiteada. Nesse mesmo sentido a jurisprudência:
9. CONSUMIDOR. AQUISIÇÃO DE PRODUTO EM SITE DE COMPRAS
COLETIVAS - "GRUPON". PRODUTO NÃO ENTREGUE. DEVER DE DEVOLUÇÃO
DO VALOR PAGO. INADIMPLEMENTO CONTRATUAL. DANOS MORAIS
INOCORRENTES. LEGITIMIDADE PASSIVA DA DEMANDADA. 1. Responde
solidariamente a requerida que intermediou a venda de produtos em seu site de anúncios
promocionais. Aferição de lucro na intermediação das vendas. 2. Havendo o autor adquirido,
via site de compras na internet, cupom promocional para aquisição de perfume, cabia a
demandada o cumprimento do avençado, o que não se consumou, restando caracterizado o
descumprimento contratual, impondo-se, destarte, a restituição do valor pago. 3. Dano moral
que não resta evidenciado, porquanto não houve ofensa a direito personalíssimo da
demandante, a ensejar reparação por lesão imaterial. Fato que se configura em mero
descumprimento contratual. Descabe indenização extrapatrimonial quando não configurado
o alegado prejuízo moral, vez que a autora não foi submetida a constrangimento que
atentasse contra a sua imagem ou honra pessoal, situação que possibilitaria a reparação de
dano imaterial. Somente os fatos e acontecimentos capazes de romper com o equilíbrio
psicológico do indivíduo, violando direitos da personalidade, com desconsideração da
pessoa ou ofensa à sua dignidade devem ser considerados, sob pena de banalização e
desvirtuamento deste instituto. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. (Recurso Cível
Nº 71003636156, Primeira Turma Recursal Cível, Turmas Recursais, Relator: Marta Borges
Ortiz, Julgado em 26/02/2013)

10. ISTO POSTO, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO AO


RECURSO INTERPOSTO, para excluir da sentença o capítulo atinente aos
danos morais, mantendo no mais a sentença objurgada pelos próprios
fundamentos. Sem custas processuais e honorários advocatícios pelo êxito
da parte no recurso.

11. Salvador, Sala das Sessões, 08 de Junho de 2017.


12.BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
13.Juíza Relatora
14.BELA CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS QUEIROZ
15.Juíza Presidente
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS

Processo Nº. : 0082677-16.2016.8.05.0001

Classe : RECURSO INOMINADO


Recorrente(s) : GROUPON SERVICOS DIGITAIS
LTDA

Recorrido(s) : GILVAN RAIMUNDO DA SILVA


PINTO

Origem : 1ª VSJE DO CONSUMIDOR


(MATUTINO)
Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL
LEITE

ACÓRDÃO

Acordam as Senhoras Juízas da 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais


Cíveis e Criminais do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CÉLIA MARIA
CARDOZO DOS REIS QUEIROZ –Presidente, MARIA AUXILIADORA SOBRAL
LEITE – Relatora e ALBÊNIO LIMA DA SILVA HONÓRIO, em proferir a seguinte
decisão: RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO . UNÂNIME, de
acordo com a ata do julgamento. Sem custas processuais e honorários
advocatícios pelo êxito da parte no recurso.

Salvador, Sala das Sessões, 08 de Junho de 2017.


BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
Juíza Relatora
BELA CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS QUEIROZ
Juíza Presidente